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CURSO ENTENDENDO A SI MESMO E AO SEU CLIENTE: ENEAGRAMA DAS PERSONALIDADES Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Senac/SC Florianópolis | 2017 CURSO ENTENDENDO A SI MESMO E AO SEU CLIENTE: ENEAGRAMA DAS PERSONALIDADES © Senac | Todos os Direitos Reservados CRÉDITOS Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac/SC Departamento Regional em Santa Catarina FECOMÉRCIO Presidente Bruno Breithaupt Diretor Regional Rudney Raulino Diretoria de Educação Profissional Ivan Luiz Ecco Conteudista Márcio Schultz Desenvolvimento e Editoração Equipe de Produção do SEAD Coordenação Técnica Setor de Educação a Distância - SEAD SUMÁRIO CONTEXTUALIZANDO ��������������������������������������������������������������������������������� 5 1 O ENEAGRAMA ����������������������������������������������������������������������������������� 8 1.1 PRIMEIRA EMOÇÃO: A RAIVA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 1 - O PERFECCIONISTA --------------------------------- 9 1.2 SEGUNDA EMOÇÃO: O ORGULHO VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 2 - O PRESTATIVO -------------------------------------- 13 1.3 TERCEIRA EMOÇÃO: A VAIDADE VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 3 - O DESEMPENHADOR ----------------------------- 18 1.4 QUARTA EMOÇÃO: A INVEJA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 4 - O CRÍTICO ------------------------------------------- 23 1.5 QUINTA EMOÇÃO: A AVAREZA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 5 - O OBSERVADOR ----------------------------------- 30 1.6 SEXTA EMOÇÃO: O MEDO VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 6 - O ANSIOSO ------------------------------------------ 35 1.7 SÉTIMA EMOÇÃO: A GULA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 7 - O SONHADOR -------------------------------------- 44 1.8 OITAVA EMOÇÃO: A LUXÚRIA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 8 - O MANDÃO ----------------------------------------- 52 1.9 NONA EMOÇÃO: A INDOLÊNCIA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 9 - O ANTICONFLITO ---------------------------------- 55 2 IDENTIFICANDO O SEU PADRÃO DE COMPORTAMENTO �������������� 61 3 APRENDENDO A LIDAR COM O OUTRO ������������������������������������������ 86 3.1 COMO LIDAR COM O PERFECCIONISTA DO TIPO 1 --------------------------------- 88 3.2 COMO LIDAR COM O PRESTATIVO DO TIPO 2 ---------------------------------------- 91 3.3 COMO LIDAR COM O DESEMPENHADOR DO TIPO 3 ------------------------------ 94 3.4 COMO LIDAR COM O CRÍTICO DO TIPO 4 --------------------------------------------- 96 3.5 COMO LIDAR COM O OBSERVADOR DO TIPO 5 ------------------------------------- 98 3.6 COMO LIDAR COM O ANSIOSO DO TIPO 6 ------------------------------------------- 99 3.7 COMO LIDAR COM O SONHADOR DO TIPO 7 --------------------------------------- 103 3.8 COMO LIDAR COM O MANDÃO DO TIPO 8 ------------------------------------------ 104 3.9 COMO LIDAR COM O ANTICONFLITO DO TIPO 9 ---------------------------------- 106 CONSIDERAÇÕES ����������������������������������������������������������������������������������������� 109 REFERÊNCIAS ����������������������������������������������������������������������������������������������� 111 5Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades CONTEXTUALIZANDO Neste curso você irá explorar algumas ferramentas que irão lhe auxiliar a compreender um pouco mais sobre você e sobre os outros. Quando aplicamos o autoconhecimento dessa forma, podemos ampliar a consciência de nossos pontos fortes, reconhecer o que impede nosso potencial e ter mais habilidade nos relacionamentos pessoais e profissionais. Você provavelmente já deve ter ouvido esta frase: Conheça a ti mesmo! Sócrates, filósofo grego dizia que o maior poder que podemos ter é o de conhecer a nós mesmos. Mas, quando falamos de autoconhecimento entramos em um universo de informações. Por exemplo, se você tem dificuldades na digestão de pimenta, pode se organizar de forma que isso não lhe gere um problema. Conversa - Pimenta? - Não, obrigado! E isso é autoconhecimento. “Eu não bebo! Eu me conheço e sei que eu gosto, não sei parar. Então é bom nem começar”. Isso também é autoconhecimento. Como autoconhecimento pode ser muita coisa vamos aqui simplificar nosso trabalho focando em algo específico em nossa exploração: Nossa emoções! A maior parte das pessoas tem uma visão equivocada das emoções. Acreditando que o pensar, o sentir e o agir estão separados e que podemos pensar, sem sentir, ou sentir sem pensar ou ainda agir sem pensar. Opa! Essa você já ouviu: “Mas eu agi sem pensar”! De fato ninguém age sem pensar, apenas não pensou o suficiente! O que quero dizer com isso é que esses 3 atributos da consciência trabalham juntos, em harmonia ou não! AGIR SENTIR PENSAR 6Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 6 Platão, filósofo grego falava destes atributos dizendo que havia o homem da cabeça, o homem do coração e o do ventre. De fato, alguns de nós são mais mentais, ”deixe-me pensar mais sobre o assunto”; outros mais emocionais, “não me senti bem a respeito desta decisão”; e outros mais ativos e práticos “não interessa se gostou ou não, se é pra fazer então vamos fazer”. O equilíbrio entre essas forças não está em termos o pensar, o sentir e o agir na mesma proporção, e sim em desenvolvermos habilidades em obter o melhor de cada um deles de forma complementar. Então se o pensar, o agir e o sentir estão inter-relacionados, vamos explorar a influência que as emoções criam na maneira como pensamos, agimos e reagimos às situações. Nossas emoções nos influenciam mais do que gostaríamos de admitir. Isso porque elas não são apenas efeitos psicológicos, mas sim uma bioquímica poderosa formulada pelo nosso cérebro. Essa bioquímica atua em nossas redes neurais, criando um relacionamento de longo prazo entre elas. Reflita A maior parte de sua memória tem um elemento emocional, seja qual for a emoção. São as redes neurais mais ativas que acabam determinando a maneira como percebemos a realidade. Digamos que você tem um sonho de consumo, como trocar de carro. Se há um vínculo emocional com esse desejo de consumo é bem provável que você veja o modelo do carro que deseja mais do que nunca. As mulheres, quando engravidam, não parece que todo mundo decidiu engravidar junto? Mas, quando você odeia algo também tem um vínculo emocional poderoso, que influenciará sua maneira de enxergar a realidade. Você conhece alguém que odeia trânsito? Ele sabe do trânsito em lugares por onde nem vai passar. Gostar ou odiar são vínculos emocionais e irão criar uma relação de longo prazo com as redes neurais relacionadas ao assunto. Por outro lado, se você não tem nenhum vínculo emocional com determinado assunto, nem irá perceber que ele existe. Conversa - Puxa, como você não percebeu que eu cortei o cabelo? - Quê??? 7Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 7 Como você pôde notar, nossas emoções não estão separadas do pensar e agir, e influenciam nossos pensamentos e ações de forma harmônica ou não. A diferença entre uma influência positiva e uma negativa não está na emoção e sim na frequência com que ela se apresenta. Quem de nós, em algum momento, já não se encontrou em um acesso de raiva? Ou com uma ansiedade e preocupação. Essas são coisas humanas e acontecem com todos. O problema ocorre quando alguma dessas emoções se torna recorrente, fazendo com que o indivíduo passe a enxergar a realidade por uma constante influência e consequentemente sofra uma distorção da realidade. Por exemplo, se a Raiva estiver presente de forma muito frequente, mesmo que não seja muito intensa, mas sempre presente, irá influenciar o indivíduo a perceber mais o que está errado ou que não deveria estar lá, segundo sua opinião. Conversa - Eu não vou mais ao cinema no shopping! - Mas porquê? - Não aguento estes mal-educados que ficam comendo pipoca dentro do cinema. Quem consegue assistir um filme com todo este barulho?!?- Puxa, vou ao cinema quase toda semana, e sabe que nunca reparei nisso. Focar demais naquilo que não está como você gostaria que estivesse faz com que você não enxergue mais o que quer e sim aquilo que atrapalha. A essa frequência excessiva de uma emoção chamamos de Vício Emocional, pois como em todo vício o indivíduo perde o livre arbítrio e começa a pensar e agir segundo o seu vício. Agora, conheça nove diferentes emoções e como elas podem sequestrar a consciência quando se apresentam como Vício Emocional. Você irá perceber que o comportamento do indivíduo se torna repetitivo e por isso chamamos de Padrão de comportamento ou Tipo. O sucesso desse sequestro da consciência acontece porque o indivíduo não percebe que está constantemente influenciado pela mesma emoção. Lembre-se que ela não precisa ser intensa. Pode ser branda, mas é constante. Como um sapo que quando jogado em uma panela de água quente salta quase que de imediato, mas quando colocado em água fria e aquecido aos poucos, pode até sair cozido. Cada Vício Emocional irá sustentar um padrão de comportamento. 8Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades O ENEAGRAMA O eneagrama é formado por um círculo, um triângulo e uma héxade, formando uma figura geométrica de nove pontas. Figura 1 - Eneagrama ANTICONFLITO MA ND ÃO SO NH AD OR ANSIOSO OBSERVADOR DE SE MP EN HA DO R CRÍTI CO PRESTATIVO PERFECCIONISTA Fonte: Senac EaD (2017). Ele pode ser utilizado com vários fins, como para descrever as nove emoções humanas, cada uma relacionada a um padrão comportamental. Conhecer cada uma dessas emoções possibilita uma autoconsciência das emoções que nos influenciam diariamente e permite identificar o estilo de atuação, os elementos motivadores e desmotivadores para você e seus clientes. Agora, conheça cada uma das emoções. 1 9Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 9 1.1 PRIMEIRA EMOÇÃO: A RAIVA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 1 - O PERFECCIONISTA Observe a seguir o que é Raiva para o dicionário e como ela é empregada no contexto deste curso. Raiva: Indignação. Sentimento de cólera, de repulsa ante uma ação vergonhosa, injuriosa, injusta. Ira: Raiva contra alguém. Desejo de vingança. Cólera: Impulso violento, ira, irritação forte. Ódio: Rancor profundo e duradouro que se sente por alguém. Aversão, antipatia. Em nossa abordagem, compreenderemos a Raiva como indignação pelas coisas não serem como “deveriam” ser. Os erros das pessoas são para mim como um vaso quebrado. Mesmo depois de consertado quando eu olho para ele só consigo ver as rachaduras. Ela revela pessoas tensas e superexigentes, que julgam em termos de certo e errado, querendo consertar o que acreditam ser “errado”. Figura 2 - Vício Emocional do Tipo 1 Se todos fizessem como eu, o mundo seria muito melhor! Se isso não tivesse acontecido, eu não estaria indignado! Mas isso é óbvio, como ninguêm vê isso? Fonte: Senac EaD (2017). Claro! Excesso de Persistência acaba gerando uma superexigência e rigidez, não dando espaço para outros pontos de vista. Por isso mesmo, muitos deles não se reconhecem na Raiva, mas sim na Indignação. 10Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 10 O Perfeccionista ou Tipo 1, tende a ser determinado, responsável e prático, sua perspectiva de êxito no trabalho provém do esforço, não acreditando muito em ganho fácil: “Aqui não tem jeitinho, só merece quem faz”! Eles são conhecidos como os “cri- cris” do Eneagrama. O nível de exigência em questões específicas é tão grande que fica impossível satisfazer suas expectativas. “É mesmo, às vezes nem eu me aguento”! Como estão indignados devido as coisas não serem com eles acreditam que “deveriam” ser, tornam-se intransigentes e tensos. Quando se comunicam com os outros acabam transferindo suas frustrações, gerando um sentimento de culpa por não estarem à altura de suas exigências. Muito bom, mas porque não fizeram assim logo no início? Da próxima vez é bom lembrar que fazer certo e fazer errado dá o mesmo trabalho. O Perfeccionista (Tipo 1) acaba levando tudo muito a sério. É apegado a um senso de cumprimento da tarefa e responsabilidade, gerando tensão mesmo quando ela não é necessária: “O problema das pessoas é que elas não são comprometidas, se elas se esforçassem tudo seria diferente. Essa falta de responsabilidade é que me deixa indignado”. Você se lembrou de algum perfeccionista? Embora bem-intencionado, o nível de autoexigência do perfeccionista é excessivo e isso impede que ele perceba as diferentes formas com que os outros dão o melhor de si. Alguns deles apresentam uma raiva autopunitiva, uma indignação contra si por não estar à altura de suas exigências. A exigência é mais consigo mesmo e a carga de responsabilidade fica toda em suas costas. Conversa - Se alguém de minha equipe comete um erro, logo penso que deveria ter explicado melhor! - Mas você já deixou tudo bem claro! - Mesmo assim, eu deveria ter explicado mais uma vez! Quando a Raiva está relacionada com o outro, ela é contida. “Não tem jeito, se quiser bem feito faça você mesmo”! Lábios apertados e tensão na testa mostram que ele está indignado, mas nem sempre falará diretamente. 11Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 11 Figura 3 - A indignação O que você está fazendo, indo embora? Sim, meu expediente já acabou e tenho alguns compromissos. Como é que ela pode ir embora sem antes entregar o que deveria? Eu jamais faria isso! Fonte: Senac EaD (2017). Esse apego ao certo e errado, pode gerar dificuldades em reconhecer o que realmente quer. Conversa - Devo fazer o que é certo ou o que eu quero? - Mas o que você quer? Ter razão ou ser feliz? - Eu quero o que é certo! Nada mais do que isso! Mas nem todo Perfeccionista tem a indignação de forma contida. A raiva pode também ser direcionada ao outro e relacionada às suas exigências: “Se eu fiz, o outro também tem que fazer”. Quando ele acredita que o outro não está fazendo sua parte, pode manifestar sua indignação abertamente, e ela é transmitida com o famoso dedo que aponta para o que não está certo: “Isso não é certo, você tem que fazer a sua parte”! Alguns reivindicam o que é seu por direito e exigem lealdade. Costumam usar “você deve” no lugar de “eu quero”. É como se carregassem sua “lista negra” e colocassem um X naqueles que não cumpriram com aquilo que era o dever. Figura 4 - Outra chance Mas eu desculpo as pessoas! E você dá outra chance? Ah, não. Outra chance, não. Fonte: Senac EaD (2017). Em sua indignação, o Perfeccionista não percebe que ninguém está disposto a se comprometer como ele, portanto, julga facilmente as pessoas que não são como ele, ou seja, que são descomprometidas. 12Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 12 Como exige muito de si e dos outros, o perfeccionista acaba desenvolvendo ciúmes daqueles que se permitiram fazer o que ele também queria fazer, mas não se permitiu. Conversa - Se eu cheguei no horário ele também tinha que chegar. - Mas neste momento isto não faz a mínima diferença! - Mesmo assim, eu também poderia ficar dormindo até mais tarde, mas não fiz. Então ele também não pode! Essa fixação na meritocracia, só merece quem faz, dificulta a aceitação do movimento espontâneo, da capacidade de conseguir as coisas sem necessariamente utilizar o esforço, mas conseguir por habilidade, sorte, rede de contatos ou por estar no lugar certo na hora certa. Investigue sua Raiva Agora, reflita sobre como está a Raiva em você, não o quanto você tem ou não tem do Tipo 1, mas como esta emoção, que está presente em todos, mesmo em menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Raiva: Indignação pelas coisas não serem como “deveriam” ser. Para facilitar esse momento, reflita sobre as seguintes questões: O que deixavocê indignado(a)? O que dispara sua indignação? Alguém que não executa a função como lhe foi passado? Você ter esquecido algo? O que tira você do sério? Como você reage? Você se posiciona diante de uma situação ou acaba ficando mais na sua? Fica emburrado? “Chuta o pau da barraca”? Torna-se crítico, irônico e mordaz? Tenta esquecer? Procura uma forma de descarregar? Racionaliza do tipo: - Isso não me leva a nada? 13Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 13 Resumo do Tipo 1: O Perfeccionista Nesta etapa você viu que a emoção da Raiva se manifesta como Vício Emocional do Tipo 1 – Perfeccionista. Normalmente são pessoas determinadas, responsáveis e práticas. Mas quando sequestradas pelo Vício Emocional da Raiva tornam-se intransigentes, tensas e muito exigentes. Raiva, em nossa abordagem, é a Indignação pelas coisas não serem como “deveriam” ser. Ela pode se apresentar de forma autopunitiva. “Eu poderia ter feito melhor”. Ou ainda direcionada ao outro. “Você deve fazer isso”. Em algumas situações seu apego ao certo e errado impede que enxerguem diferentes soluções para as diferentes pessoas: “Todos têm que fazer o mesmo trabalho. Se é para um, é para todos”! 1.2 SEGUNDA EMOÇÃO: O ORGULHO VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 2 - O PRESTATIVO Você conhece alguém que se sente tão capaz que acha que sem ele as coisas não funcionam? “Sabe, eu fico muito feliz em poder ajudá-los. Fico pensando o que seria deles sem mim”! Veja a seguir o que é Orgulho para o dicionário e como ele é empregado no contexto do nosso curso. Orgulho: Conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo; altivez, brio. Amor-próprio exagerado. Empáfia, soberba. Soberba: Altura de coisa que está superior a outra. Orgulho excessivo; altivez, arrogância. Na abordagem deste curso compreenderemos o Orgulho como uma afirmação de si. “Eu sei, eu sou, eu faço”. Ou seja, uma autoimagem engrandecida. Uma cegueira quanto às dificuldades e deficiências. O Orgulho faz o indivíduo acreditar que tem potenciais que não tem, que está preparado quando ainda não está. Claro! Excesso de sentir-se capaz acaba gerando uma autoestima exagerada, não dando espaço para que o indivíduo perceba onde está exagerando. Mas, não imagine o Prestativo como uma pessoa arrogante. São pessoas carismáticas, dispostas e envolventes. Com enorme capacidade de perceber as habilidades e dificuldades dos outros. Mas quando é dominado pelo Vício Emocional do Orgulho, sua enorme habilidade de perceber o outro se volta contra ele. É quando começa a se sentir indispensável, acreditando que sem ele as coisas não funcionariam. 14Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 14 Figura 5 - Férias Estou de férias, mas olhe só o meu celular: cinco chamadas da empresa só agora de manhã. Eles não vivem sem mim. Fonte: Senac EaD (2017). Como o Orgulho é uma cegueira quanto as próprias deficiências, O Prestativo começa a não enxergar o que ele necessita e as necessidades dos outros começam a dirigir suas decisões. Conversa - Eu preciso contratar uma pessoa para o caixa de uma das lojas. - E quem são as candidatas? - Tem uma moça que está desempregada há cinco anos e ela está precisando! A segunda é uma pessoa que já trabalha como caixa em outra empresa e quer vir trabalhar com a gente. A terceira trabalha com vendas, mas quer experimentar trabalhar como caixa. - Em quem você está pensando? - Na que está desempregada! - Mas por que ela? - Porque está precisando! Nesse momento você pode estar pensando que mal há em ser prestativo e pensar nas necessidades dos outros? De fato, não há mal algum nisso, mas o que estamos tentando mostrar aqui é uma outra coisa. É muito bom ser prestativo, mas quando isso gera uma dificuldade em dizer não, temos uma pessoa que assume mais do que pode dar conta. Colocando os pés pelas mãos e com uma grande dificuldade em voltar atrás e dar o braço a torcer. Se preocupar demais com os outros junto com a sensação de que “eu sou a solução” pode gerar pessoas invasivas que não percebem que estão se metendo onde não foram chamadas. 15Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 15 Conversa - Você conhece alguém que pode me ajudar no conserto do carro? - Claro! Conheço o melhor mecânico da cidade. Vou ligar para ele agora. - Não, não é necessário... - Como não, deixa comigo! - João, estou com um amigo aqui que precisa dos seus serviços. Ele está com problema no carro e eu disse que você é o melhor da cidade. Quando ele pode passar aí? - Mas... - Tá fechado. Reserva esse horário que eu mesmo vou levar o carro dele aí. O Prestativo pode se tornar invasivo, não dando espaço para que os outros busquem suas próprias soluções. Mas é importante compreender que essa postura de não dar espaço é uma atitude inconsciente. No fundo acreditam estar fazendo o seu melhor. Quando a realidade mostra a distância entre o que ele acha que pode e o que de fato ele pode, a autoestima sofre um abalo, é o “orgulho ferido”. Quando recebi minha avaliação senti como se o meu mundo tivesse ruído! Tinha certeza que todos tinham gostado de meu trabalho. Foi duro aceitar que o que eu estava fazendo não estava sendo útil. O nome Prestativo vem de excelente percepção do que o outro necessita, e forte sensação de saber qual é a solução. Claro que, com isso, o Prestativo ganha pontos com as pessoas e vai querer ser valorizado por isso. Não precisa ser nada demais, basta um verdadeiro obrigado que ele ganha o dia. “Muito obrigada, não sei o que seria de nós sem você”! Lembre-se de que estamos falando de Orgulho e tudo que evita a sensação de rejeição e garanta aprovação será útil para ele. Alguns podem ser muito prestativos, por vezes beirando a uma adulação. “Chefinho, se ficar gripado, saúde viu”! Mas, o Vício Emocional do Orgulho pode se manifestar de outras maneiras que não o traço prestativo. A autoimagem engrandecida pode se manifestar como sedução. Eles sabem como chamar a atenção e usam da sedução para conseguir o que querem. Podem ser muito carismáticos e, com pouco tempo de conversa, conseguem a atenção que querem. Sentindo-se à vontade sendo o centro das atenções. 16Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 16 Mas, junto com a sedução, temos a agressividade. Os Prestativos podem competir por atenção, querendo ser os favoritos. E quando descobrem que não são... - Se em uma reunião meu diretor elogia o resultado de alguém e não comenta o meu... Depois, quando ele vem me pedir algo eu falo: “Peça para o Luiz, você não falou que ele resolve tudo aqui?”. Outra manifestação do Orgulho e da autoimagem engrandecida é a ambição. “Sabe o prefeito? Amigo meu. Se precisar de alguma coisa, vem falar comigo”. Quando esta característica está presente torna-se um apoiador que gosta de apoiar pessoas importantes. O ponto alto é o seu networking, ou rede de contatos. Naturalmente desenvolve relacionamento com inúmeras pessoas, tendo uma lista de contatos invejável. Conhece pessoas “que conhecem pessoas, que conhecem pessoas”. Conversa - Sabe o jogo do Losango e do Quadrado que aconteceu aqui? - Sei! - Pois é, só aconteceu aqui porque eu consegui! - Como assim? - O dono do estádio queria quinze mil reais para alugar o estádio e, por conta disso, o jogo não aconteceria aqui. Fui lá falar com ele. Seu estádio está parado mesmo, o que lhe custa? - Então ele disse: está bem, faço por cinco mil reais. Entendeu? Se não fosse eu, o jogo não aconteceria aqui. Lembre-se: o Tipo 2 tem uma boa conta de débito e crédito. Sendo assim, esse empresário fica em situação difícil para dizer não a alguém que já lhe quebrou tantos galhos. 17Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 17 Investigue seu Orgulho Agora, convidamos você a refletir sobre como está o Orgulho em você. Não o quanto vocêtem ou não tem do Tipo 2, mas como esta emoção – que está presente em todos, mesmo em menores doses – se manifesta em você. Recaptulando Orgulho: Afirmação de si. “Eu sei, eu sou, eu faço”. Autoimagem engrandecida. Cegueira quanto às dificuldades e deficiências. Como é para você “não dar o braço a torcer”? Note que a pergunta é sobre como é para você e não se você tem ou não dificuldades em dar o braço a torcer. Ou seja, todos passam por situações ou encontram pessoas que representam dificuldades. Pode ser que seja muito específico. “Só não dou o braço a torcer com meu pai. Às vezes ele afirma coisas sem pensar e entro em uma discussão que não leva a lugar algum”. Pode ser uma situação que seja o gatilho para esse comportamento: “Ah, quando insistem em apontar meus erros na frente dos outros”! Como é pedir ajuda e desculpas? “O que vem debaixo não me atinge”. Como essa afirmação soa para você? Como se sente ao ouvir uma crítica ou uma sugestão de como fazer algo? As sugestões e críticas que recebemos podem ser “bênçãos”. No entanto, facilmente nos identificamos com a maneira com que disseram ou, ainda, com quem disse. Como é para você? Filtra as informações e pega só o necessário ou se ofende com o jeito que os outros dizem as coisas? Resumo do Tipo 2: O Prestativo Nesta etapa você viu a emoção do Orgulho se manifestando como Vício Emocional do Tipo 2 – Prestativo. Normalmente são pessoas carismáticas, dispostas e envolventes, capazes de entender as necessidades dos outros. Mas quando sequestradas pelo Vício Emocional do Orgulho, elas podem se tornar teimosas, inconsequentes e manipuladoras. Orgulho em nossa abordagem é a afirmação de si. “Eu sei, eu sou, eu faço”. Ou seja, uma autoimagem engrandecida. Uma cegueira quanto às dificuldades e deficiências. 18Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 18 Além disso, você aprendeu que o Orgulho pode sustentar um traço prestativo: “Afinal, o que seria deles sem mim”, característica que dá nome a este padrão de comportamento. Mas o Orgulho também pode se manifestar como sedução, buscando ser o favorito: “Eu sei como conseguir as coisas...”, ou ainda, como um apoiador que quer estar junto de pessoas importantes e possui uma grande rede de contatos: “Chefinha, já resolvi a situação”. 1.3 TERCEIRA EMOÇÃO: A VAIDADE VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 3 - O DESEMPENHADOR Observe o conceito de Vaidade para o dicionário e como este conceito é utilizado no contexto do Curso. Vaidade: Qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros. Vanglória, ostentação. Futilidade. Na abordagem deste curso, o sentido da Vaidade é mais amplo do que costumamos entender. Ao ouvir que uma pessoa tem Vaidade é comum associarmos a roupas, beleza física e estética. Mas o que vamos encontrar aqui é, por exemplo, uma mulher que não usa maquiagem, não se preocupa com a tintura do cabelo e usa um terninho até meio surrado como seu uniforme. Parece com uma mulher que tem Vaidade? Mas ela é uma executiva reconhecida no mercado. A Vaidade aqui será vista de forma mais ampla e mais relacionada com a imagem que a pessoa faz de si mesma. Todo mundo tem uma imagem de si mesmo, mas na Vaidade há um apego a uma imagem idealizada de si. Figura 6 - Vício Emocional do Tipo 3 Eu me vejo como uma pessoa honesta! Eu sou extrovertida! Responsável, é assim que eu me vejo! Fonte: Senac EaD (2017). A questão é que no Vício Emocional da Vaidade há um apego a uma imagem idealizada e a pessoa acaba evitando ser, parecer ou se sentir de forma diferente da imagem idealizada. Isso faz com que se torne mais dissimulada, evitando mostrar qualquer coisa que não esteja de acordo com essa imagem. 19Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 19 Você deve conhecer o mito de Narciso, aquele que se apaixonou pela própria imagem refletida no lago. O Tipo 3 é o Narciso do Eneagrama. Ele se apaixona por algumas facetas da sua personalidade e procura destacá-las. O problema é que ele acaba se esquecendo das outras e, com isso, perde autenticidade. A Vaidade revela pessoas que investem muita energia em sua imagem idealizada, seja ela qual for. Tentando mostrar algo palpável que confirme para si - e para os outros - seu valor pessoal. Excesso de foco na imagem pessoal acaba gerando um apego ao adequado e, com o tempo, o indivíduo deixa de buscar seus objetivos e começa a buscar um objetivo mais adequado, que fique “bem na foto”. “Tenho que impressionar”! Figura 7 - Vaidade Estou fazendo meu segundo MBA. Segundo? É, tem muita gente que tem um, então é bom ter logo dois! Fonte: Senac EaD (2017). Aqueles que preferem lidar com as coisas claras e expressar seus sentimentos de não conformidade, mesmo que não deem Ibope, encontram no Desempenhador uma atitude evasiva quando o assunto não se torna “politicamente correto”. O Desempenhador tende a ser focado em resultado, quer crescer rápido e mostrar eficiência. Sua perspectiva de êxito no trabalho vem da utilização dos meios em função do objetivo: “Os fins justificam os meios”. Embora o foco no objetivo seja muito importante e os resultados sejam balizadores de sucesso, estamos tratando aqui de uma perspectiva em que isso é um vício, ou seja, o Desempenhador do Tipo 3 é conhecido como workaholic ou viciado em trabalho. Essa fixação em resultado a qualquer preço faz com que questões relacionadas com valores éticos e morais possam ser vistos como possíveis estorvos. Isso não quer dizer que não sejam respeitados - até porque isso geraria problemas com sua imagem - mas que não sejam considerados como pilares. 20Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 20 Conversa - Mas veja por este ângulo Rui, o sacrifício que faremos agora fará uma enorme diferença em nossas carreiras. - Entendo, Marcus, mas para mim tão importante quanto minha carreira é a minha família. - Ah, depois que você estiver obtendo os resultados, eles vão lhe agradecer! - Tanto tempo longe de minha família não é negociável. Não quero o agradecimento deles. Quero estar junto com meus filhos, vendo-os crescer e participando da sua formação. Minha carreira profissional vai acontecer em harmonia com meus valores. A visão de comprometimento, na perspectiva do Desempenhador, pode sofrer distorção de sua lente e acabar julgando como pouco comprometidos aqueles que não são tão ambiciosos ou que queiram dividir o foco com vida pessoal, social ou família. A Vaidade como Vício Emocional sequestra a consciência desse indivíduo, que investe muita energia para que a atenção se volte para ele e suas realizações. Quando a gente tem dificuldades, ele diz vocês. Quando estamos tendo resultados, ele diz nós. A necessidade de mostrar resultado como forma de sentir valor pessoal traz mais competitividade do que cooperatividade. Isso cria um distanciamento dos outros, que com o tempo, começam a se sentir usados, como se as pessoas fossem apenas peças em uma máquina de buscar resultados. A maioria dos Desempenhadores apresentam uma Vaidade muito mais focada em sua performance do que na imagem pessoal. Lembre-se do exemplo da mulher que não usava maquiagem nem se preocupava com a tintura do cabelo, mas era uma executiva reconhecida no mercado? Normalmente, há um investimento forte na imagem profissional, como se estivesse evitando a imagem de um “João Ninguém”. 21Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 21 Figura 8 - Desempenhadores Para mim, “ficar na Série A” já tá no lucro! O negócio é ser um winner (ganhador), não um loser (perdedor)! Fonte: Senac EaD (2017). Mas nem todo vaidoso tem um estilo tão discreto. A vaidade pode se manifestar de forma mais agressiva com um forte investimento na imagem física e pessoal como apoio à imagem profissional. Nos homens temos a imagemmasculina, vestidos de ternos italianos, e nas mulheres a imagem feminina de tailleur, ou seja, em todos os casos a imagem pessoal fortalece a imagem profissional. Investigue sua Vaidade Vamos agora refletir sobre como é a sua Vaidade. Não o quanto você tem ou não tem do Desempenhador Tipo 3, mas como essa emoção – que está presente em todos, mesmo nas menores doses – se manifesta em você. Recaptulando Vaidade: Apego a uma imagem idealizada de si. Qual é a autoimagem que você projeta? � Você projeta uma autoimagem de força? “Se fosse comigo ele não falaria desse jeito”! � De amigo? “Se precisar, sabe que pode contar comigo”! � De responsável? “Se eu errei, então sou eu que tenho que consertar”. � De competente? “Comigo vai ter resultado”! � De honesto? “Minha palavra eu cumpro”! � De liberal? “Eu sou eu mesmo, não estou nem aí para o que os outros pensam de mim”! �Qual é a sua imagem? 22Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 22 Como você quer ser visto e reconhecido? A vaidade é a nossa emoção marqueteira e, normalmente, ela está a serviço de algum valor que você tem e que, de certa forma, quer ser reconhecido. Quem tem como valor a honestidade normalmente quer ser visto como honesto, quem tem como valor a lealdade quer ser visto como leal. Como é para você? O que você faz para manter sua imagem e para não feri-la? Se o seu valor é a responsabilidade, é normal querer terminar o que começou, afinal os outros esperam isso de você. Em que você percebe que investe certa energia também porque esperam isso de você? “De mim podem dizer tudo, menos...” O que é este menos? Quando não há vaidade relacionada a um valor não nos importamos se os outros reconhecem ou não esse valor na gente. Quando há vaidade em relação a um valor saímos em defesa dele quando alguém tenta “arranhar a lataria”. Conversa - Alberto, me desculpe, mas não acredito que você esteja falando a verdade! - Entendo, mas repito, foi assim como eu disse. - Me desculpe, não acredito que você esteja falando a verdade! - Você está me chamando de mentiroso? Quem é você para me dizer isso? Era só o que me faltava... Para você, o que seria esse “menos que digam que...”? Resumo do Tipo 3: O Desempenhador Nesta etapa você viu que a emoção da Vaidade se manifesta como Vício Emocional do Tipo 3 – O Desempenhador. Normalmente são pessoas com natural habilidade de perceber o que é adequado e o que é inadequado na relação com a conquista do objetivo, como também adequar uma situação para que sirva aos propósitos do objetivo. Mas, quando a pessoa é sequestrada pelo Vício Emocional da Vaidade acaba distorcendo seu potencial, focando-se mais em seus próprios objetivos e, consequentemente, fazendo com que os outros se sintam usados. “Meu negócio é resultado”! 23Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 23 Vaidade na abordagem deste curso é um apego a uma imagem idealiza de si. Ela pode se manifestar de forma mais discreta e impessoal: “Não vou queimar meu filme tão facilmente”, mas também de forma mais agressiva buscando impressionar por meio do conhecimento: “Claro! Isso me faz lembrar da tipologia junguiana, que também fala de tipos...” ou das realizações: “O negócio é ser um winner (ganhador), não um loser (perdedor)”! 1.4 QUARTA EMOÇÃO: A INVEJA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 4 - O CRÍTICO Você conhece alguém que, de tanto olhar para si, ficou ensimesmado? “Eu sabia, só podia ser comigo! É sempre assim”. Veja a seguir o que é inveja para o dicionário e como ela é empregada no contexto do nosso Curso. Inveja: desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem. Cobiça. Figura 9 - Vício Emocional do Tipo 4 Venha ver meu carro, modelo antigo que ganhei no sorteio! Modelo antigo?! Ainda bem que eu não ganhei! Fonte: Senac EaD (2017). Em nossa abordagem, compreenderemos a Inveja de maneira mais ampla e comum. No Vício Emocional da Inveja o processo de comparação gera a desvalorização do que se tem e uma valorização excessiva daquilo que falta. Conversa - Mas Jorge, se eu tivesse uma equipe como a da Celina, aí sim as coisas iriam funcionar, mas com o ‘pessoalzinho’ com quem tenho que trabalhar não tem jeito! - É, a grama do vizinho é sempre mais verde! 24Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 24 Existem várias áreas em que a Inveja pode se manifestar. Como na relação com o tempo, supervalorizando o passado. “Bom era quando eu morava em Joinville, eu era feliz e não sabia”! Ou ainda supervalorizando o futuro: “Quando eu terminar de pagar a casa... quando minha equipe estiver mais preparada...aí sim”. Em ambos os casos, o indivíduo coloca mais valor no passado ou no futuro e quando ele foca no presente sente-se frustrado, porque o que era bom já foi ou ainda não chegou. Mas, não confunda a Inveja com a Admiração ou a Ambição. Não há nada mal em querer trocar de carro ou viajar para algum lugar que você ainda não conhece. A Inveja só está presente quando você não consegue dar valor para o que tem e supervaloriza o que não tem. “É, só se dá valor quando perde”! Se você não consegue estar satisfeito com o presente, com raras exceções estará feliz no futuro. Isso porque sua lente distorce o presente e, sendo assim, sempre haverá algo ou algum momento que, na comparação, é melhor. O Crítico do Tipo 4 tem a atenção voltada para a falta. Percebe e valoriza mais o que não está. Vicente de Carvalho, um poeta brasileiro, tem um poema chamado Felicidade que diz: [...] Essa Felicidade que supomos [...] Existe, sim: mas nós não a alcançamos. Porque está sempre apenas onde a pomos. E nunca a pomos onde nós estamos. O Crítico tende a ser inspirado e sensível aos potenciais das pessoas. Mas essa mesma sensibilidade, quando dirigida pelo Vício Emocional e não pelo próprio Indivíduo, se transforma em uma sensibilidade crítica, que foca no que não está lá, desmerecendo o que foi conseguido. É quando ele se torna irônico e mordaz e, como está fixado na comparação do que há com o que poderia ser, permanece com um humor insatisfeito. Conversa - Ah, hoje foi mais um daqueles dias! Tem um pessoal na minha equipe que parece usar a cabeça apenas para enfeitar o pescoço! - Você já percebeu que você só olha para os defeitos da sua equipe? - Se tivesse alguma qualidade eu até notaria, mas com eles não têm jeito! - Como não têm qualidades? Não são eles que estão se reunindo após o expediente para buscar soluções para o gargalo do fim do ano? - Ah, mas isso é o mínimo! Se eles não fizerem isso terão o mesmo problema do ano passado. Eles estão é pensando na pele deles, isso sim! - É impressionante como você consegue ser tão hábil em focar no que falta, a ponto de ficar cego para o que tem! 25Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 25 Mesmo que o Crítico acredite que não expressa sua insatisfação, os outros percebem o clima pesado e começam a se desengajar, como mecanismo de defesa contra a frustração. Claro! Mesmo que ele não fale nada a gente percebe na cara dele que não gostou. No começo há quem tente mudar para ver se a coisa muda. Mas como não muda mesmo, a gente se acostuma a bater o cartão. Se der, ótimo, senão o problema é dele! A Inveja é uma das emoções que tem várias faces, podendo se manifestar de diversas maneiras. Como Vício Emocional, ela está relacionada com a comparação. Observe algumas das faces da comparação. Para alguns a comparação não é com os outros, mas sim com uma vida idealizada pelo próprio indivíduo. Isso faz com que sejam mais destemidos, pois vão em busca do que falta, não interessando muito o preço que vão pagar por isso. “Mais vale a pena viver 10 anos a 1.000/h do que viver 1.000 anos a 10/h”. São conhecidos por falar o que pensam, que na maior parte das vezes é diferente ou em oposição ao que pensa a maioria. Sendo assim,juntamente com o destemor anda a imprudência. Essa atitude excêntrica reflete alguns traços similares ao Tipo 7 o Aventureiro, que por conta do Vício Emocional da Gula são inquietos e podem não esquentar muito a cadeira, pois já estão indo para a próxima. No caso do Crítico essa inquietação vem na busca por algo que faça um sentido maior, uma transformação. Meu sonho era morar em Blumenau. Aquela cidade organizada, toda em estilo alemão. Depois de um ano já não consegui mais aguentar. Fui então para Joinville, mais perto do mar, a maior cidade de Santa Catarina, perto de Curitiba. Depois de um ano não sei, me senti sufocado e começou a brilhar Florianópolis. Capital da qualidade de vida, é pra lá que eu vou... Note que, embora a Inveja gere conquistas, elas são como um saco sem fundo, que nunca preenche. Facilmente essa atitude é confundida com ambição. Mas no fundo o que os move não é a ambição, e sim a insatisfação. Você viu então, a Inveja gerando uma comparação com o estilo de vida idealizado, buscando de forma destemida e imprudente um sentido mais profundo da vida. Outra face dessa emoção é quando a comparação se volta ao outro e nesse caso, os traços mais acentuados são a ironia e o sarcasmo. São conhecidos como críticos 26Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 26 impiedosos, com uma língua afiada que não deixa passar o que a maioria nem percebeu. O alvo de suas flechadas normalmente é alguém que agradou. Conversa - Você viu que ridícula a apresentação do Mário! Não entendi porque o pessoal aplaudiu, creio que foi porque acabou o sofrimento de ter que ouvi-lo. - Eu acho que você está exagerando. O Mário foi ótimo, só porque ele usa um vocabulário simples e vai direto ao assunto você está pegando no pé dele. E, depois, é só você que vê dessa forma. - Ah, vejo que você também foi hipnotizado pelo “canto da sereia”. Marque minhas palavras: não vai levar muito tempo para que as pessoas se cansem desse “bem-intencionado”! Rivalidade com quem obteve atenção e um satélite que percebe e aponta para todas as coisas “comuns e sem valor” são presentes quando a comparação é voltada ao outro. Com o tempo eu aprendi a ficar de boca calada, porque se eu falasse tudo que passa pela minha cabeça...ah, com certeza perderia todos os meus amigos! Mas existe ainda outra maneira da comparação se mostrar, é quando ela se volta para o grupo. Nesse caso, aparece com a característica da “síndrome de patinho feio”, pois ao se comparar com o grupo, tende a se desvalorizar. Conversa - Não tem jeito, minha apresentação foi péssima, acho que todos odiaram! - Calma, eu achei que foi ótima e acredito que a maioria gostou também. - Você está dizendo isso porque ficou com pena de mim. A vergonha é um tema mais presente nesse tipo de comparação que não estava tão presente nos exemplos anteriores. Ela faz comparar o que ocorreu com algo ainda mais adequado, deixando o indivíduo com sensação negativa a respeito de si. Apresentando um traço de vitimização, que faz com que vá na direção oposta ao que quer ou, ainda, que não vá na direção que pretendia. 27Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 27 Conversa - Bom dia, Mário! - Bom dia? Só se for para você! Eu nem sei se é dia ou não, passo o dia inteiro trancado nesse ar condicionado. - Ah, Mário, você já está aqui há mais de 5 anos, se você não gosta do que faz, porque não procurou algo melhor? - Não é assim! A coisa lá fora está ainda pior e eu preciso desse emprego para sobreviver! - Mas você fala disso como se fosse um fardo! - Um fardo não, uma cruz! Investigue sua Inveja Vamos agora refletir sobre como está a Inveja em você. Não o quanto você tem ou não tem do Tipo 4 o Crítico, mas como essa emoção, que está presente em todos, mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Inveja: vício da comparação, desvalorizando o que se tem em favor do que falta. Você reconhece a sensação de falta? O quão presente ela costuma estar em sua vida? Muito presente? “Por mais que a vida esteja melhorando, sempre tenho a sensação de que não está aquilo tudo, que não dá para dar nota 10”. Médio? “Tem fases em que estou mais otimista e vejo tudo acontecendo, mas de repente as coisas começam a desandar e sinto falta do pique do início”. Pouco presente? “Eu sou mais do tipo satisfeito! Para mim tudo está sempre muito bem e dificilmente foco no que falta”. É mais presente no âmbito profissional? Sente falta de tempo? Sente falta oportunidade? É mais presente no âmbito pessoal? Sente falta de ter mais amigos? Mais lazer? Como é para você a sensação de falta? 28Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 28 Como reage a essa sensação? Vai em busca do que falta? A Inveja pode sequestrar grande parte da atenção e da energia realizadora, fazendo com que a pessoa vá em busca do brilho prometido no que falta. “Quando eu conseguir esse cargo aí sim serei feliz”! Sente-se incapaz diante das dificuldades? “Não dá pra ter tudo que a gente quer, a vida é assim”! Ou simplesmente a sensação de falta não lhe mobiliza? Observe o exemplo: Conversa - Fui ver um filme na casa do Antônio. Ele comprou um novo home theater, você não imagina! O som e a imagem são melhores do que no cinema! - Puxa, vejo que você ficou apaixonada. Então, vai comprar um também? - Eu não! Tenho outras prioridades. Mesmo se ganhasse um nem abriria as caixas, já venderia. - Mas você não ficou babando com o home theater? - Sim, fiquei babando! Mas isso não quer dizer que eu queira comprar. Como disse, tenho outras prioridades. Em que situações o “se” aparece em sua vida? � “Se eu fosse mais alto... aí sim” � “Se eu fosse mais falante...” � “Se tivéssemos tido mais tempo...” � “Se a empresa fosse diferente...” � “Se meu chefe fosse mais...” � “Se minha equipe fosse mais...” � “Se fosse daquele jeito... aí sim” � Como é isso para você? Como é o seu estilo de comparação? É com o tipo de vida que imagina ter? “Quando eu morar em Florianópolis, vou poder caminhar na beira-mar, terei uma casa com espaço para um cachorro e...”. É mais presente a comparação com o que os outros têm? 29Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 29 Conversa - Hoje encontrei com o Eduardo, que estudou comigo na faculdade. - É mesmo? E como ele está? - Bem demais! Já é diretor da empresa em que ele começou a trabalhar e está super feliz. - Que legal! - É, mas sabe que tudo isso me deu um baixo astral... fiquei pensando, a gente se formou junto! Me deu a sensação de que fiquei empacado. Ou é mais presente com o que os outros são? Figura 10 - A festa Olha só o Claudio! Não conhecia ninguém aqui na festa e já está todo enturmado. Eu queria ser assim. Se eu estivesse no lugar dele nem teria vindo, pois entro mudo e saio calado. Fonte: Senac EaD (2017). Resumo do Tipo 4: O Crítico Você aprendeu que a emoção da Inveja se manifesta como Vício Emocional do Tipo 4 O Crítico. Normalmente são pessoas inspiradas, humanistas e sensíveis ao que é diferente e original. Mas quando sequestradas pelo Vício Emocional da Inveja tornam-se irônicas, críticas mordazes e queixosas. Inveja, em nossa abordagem, é o Vício Emocional da comparação, e uma desvalorização de si em favor do que falta. De todos os Vícios Emocionais a Inveja é uma das que pode apresentar um maior número de faces. Podendo fazer com que um Tipo 4 olhe para outro e diga: “Se ele é um Tipo 4, então eu não sou”. 30Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 30 A comparação pode ser voltada para seu estilo de vida idealizado e luta de forma destemida e imprudente para conquistá-lo, mesmo que isso seja um saco sem fundo. “Mais vale viver 10 anos a 1.000/h do que 1.000 anos a 10/h”. Pode também ser voltada ao outro, mostrando uma rivalidade pormeio da ironia, sarcasmo e mordacidade: “ Baseado em quem fez, não se poderia esperar mais mesmo”, ou ainda a comparação pode ser voltada ao grupo e, com isso, sente-se inadequado e apegado a um traço de vitimização: “ É sempre comigo! Se o piano cair, pode crer que vai ser na minha cabeça”! 1.5 QUINTA EMOÇÃO: A AVAREZA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 5 - O OBSERVADOR Veja a seguir o que é Avareza para o dicionário e como ela é empregada no contexto do nosso Curso. Avareza: Apego demasiado e sórdido ao dinheiro. Mesquinhez, sovinice. Quando ouvimos isso, pensamos naquele tipo de pessoa que “atravessa o Canal da Mancha e chega ao outro lado com um comprimido efervescente sequinho na mão”. Pensamos logo no aspecto material, mas não é só isso. O dicionário nos mostra que Avareza também é: Reter: Não desfazer de. Não deixar sair das mãos. Represar: Reter água. Não deixar sair, deter. Não avançar; parar, suspender-se. Conter(-se), reprimir(-se). Conter: Moderar o ímpeto de. Moderar-se, refrear-se. Conversa - Estou com vontade de comprar uma TV nova. - É mesmo, e o que você vai fazer? - Vou esperar a vontade passar. Não decido nada no calor da emoção. Em nossa abordagem compreendemos a Avareza como: Vício da Retenção. Você deve estar se perguntando: Mas reter o quê? A Avareza está associada a reter a si mesmo. Não tem necessariamente a ver com o aspecto material. É mais um reter-se, refrear-se, reprimir-se em favor da razão. Ela revela pessoas apáticas, frias e distantes, que acreditam na compreensão lógica das coisas, distanciando aquilo que não for racional. 31Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 31 Eu não vejo razão em falar de mim. Há muitas coisas da minha vida que nunca ninguém vai saber. Não é porque tenho algo a esconder, simplesmente não gosto de falar das minhas coisas. Eu sou muito particular. Claro! Excesso de análise acaba gerando um distanciamento que serve como defesa. Olhar de fora para não ser sequestrado pelos impulsos acaba se tornando a única alternativa. Quando é necessária uma postura mais espontânea as coisas ficam complicadas. O fato é que ele não consegue sair dessa postura racional. Não consegue expressar claramente o que sente. Fica confuso. Opta então por expressar-se racionalmente e fica preso a essa atitude controlada. Quem possui o Vício Emocional da Avareza pode acabar construindo um castelo e isolando-se nele, guardando para si as coisas que possui, como o seu conhecimento. Conversa - Professor, como fica essa situação? - Página 25 do livro. Você vai encontrar a resposta lá. - E essa outra situação? - Isso você deveria lembrar das aulas do Ensino Médio, dê uma olhada em seu material que irá encontrar. - Ahm??? Os Observadores ou Tipo 5 tendem a ser pessoas ponderadas, analíticas e especialistas. Sua perspectiva de êxito no trabalho provém da análise, preparação e planejamento, desprezando ações impulsivas e imediatistas. “Sorte é para amadores, acredito em razão e planejamento”. Eles são conhecidos como pessoas distantes. Sua necessidade de analisar, avaliar e só depois decidir faz com que suas mesas se transformem no “triângulo das bermudas”: tudo que para lá fica, e demora a sair. Como expressam seus sentimentos de forma muito empobrecida, tornam-se pouco expressivos. Quando se comunicam com os outros acabam transferindo esse distanciamento, gerando uma sensação de desorientação. É importante reforçar que para trabalhar com pessoas, você não precisa gostar das pessoas. Precisa gostar DE pessoas. Elas esperam expressão, comunicação através dos olhos. A apatia pode gerar desconfiança e distanciar as pessoas. 32Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 32 O Tipo 5 ou Observador, pode ter as coisas muito claras em sua cabeça, mas sofre quando precisa comunicar essa visão, acreditando que não se faz necessário comunicar - basta que cada um faça sua parte. “O problema das pessoas é que elas são muito dependentes. Se cada um cuidasse mais de si, tudo seria diferente”. Lembrou de algum Observador do Tipo 5? Embora bem-intencionado, seu nível de distanciamento para compreender tudo racionalmente impede que perceba as diferentes formas com que os outros se estimulam para o trabalho em equipe, tornando-se areia na engrenagem! Alguns deles são mais fechados, preferindo se refugiar em seu castelo emocional intocável. Sua preferência pelo isolamento e pouca necessidade de contato fazem com que seja conhecido como o eremita. Gosto muito de chegar em casa, preparar um jantar, me servir uma taça de vinho, escolher uma música e depois ler um bom livro. O anseio de controle sobre as variáveis faz dele minimalista, que assegura liberdade diminuindo as necessidades. Essa diminuição das dependências permite dizer não quando deseja, sem ter que se submeter às circunstâncias por pressão financeira ou qualquer outra coisa. “Como assisto pouco a TV, não tenho TV a cabo. No andar térreo do meu edifício existe um café com internet e aproveito para pegar meus e-mails e com isso não preciso de internet em casa”. É importante citar que muitas vezes O Observador possui profundos sentimentos pelas coisas e pessoas, mas não expressa com a mesma intensidade. Figura 11 - O casal Você nunca diz que me ama! Como não? No ano passado lhe disse três vezes, me lembro muito bem! Fonte: Senac EaD (2017). 33Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 33 É comum serem acusados de frios e calculistas, o que os choca, pois não se reconhecem assim. Mas eu não sou assim! Ontem, por exemplo, quando cheguei em casa, minha esposa estava dormindo e fiquei pensando como ela é maravilhosa, como eu a amo. Então perguntei se ela estava com fome e ela disse que não. Se ela estivesse com fome eu a surpreenderia com um macarrão à putanesca! No fundo, me sinto romântico. A dificuldade de expressar seus sentimentos com a intensidade com que sente faz com que supervalorize os vínculos como tesouros da mente. Conversa - Admiro muito o trabalho do Paulo e acredito que ele tem um futuro brilhante aqui na empresa. - É mesmo? Você já disse isso a ele em algum momento? Pois, pelo que sei, ele está procurando outras opções que lhe deem perspectivas de crescimento. O excesso de autocontrole reprime a expressão. É como se estivesse envolvido em uma casca: quem olha de fora acha que ele não sente nada, mas o problema é que sua voz não pode ser ouvida do lado de fora dessa proteção. É do tipo que tem amigos espalhados pelo mundo inteiro. Sabe como? Via internet, redes sociais, sites de relacionamento, ferramentas instantâneas de comunicação. “Ah, eu prefiro mandar um e-mail a ter que falar pessoalmente. Pessoalmente as coisas não fluem”. Muitos deles querem contato, mas não querem que esse contato os atrapalhe. Preferem então manter as ligações emocionais separadas. “Estou namorando há seis meses uma pessoa em Belém, nos conhecemos pela internet. Ontem ela disse que queria dar um pulo aqui em São Paulo para nos encontrarmos, mas achei que ela estava forçando um pouco a relação”. Enquanto cada um está no seu canto, tudo está sob controle. Lembre-se de que, na Avareza, “se é para perder então é melhor nem ter”. Outra característica comum do Observador é envolver-se em temas complexos, que exigem uma análise profunda. É atraído por sistemas que explicam. É muito comum encontrar um Observador se interessando por áreas como economia, querendo entender as relações do mercado internacional ou até mesmo o comportamento humano. Note que alguns deles gostam de participar de grupos, mas de preferência aqueles mais específicos, como clubes e associações fechados, nos quais podem ir direto ao assunto em um nível mais alto. “Gosto de estar no grupo, mas às vezes gostaria de estar lá com um ‘manto de invisibilidade’. Quero estar lá, mas não criar demandas sobre mim”.34Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 34 Investigue sua Avareza Agora, convidamos você a refletir sobre como está a Avareza em você. Não o quanto você tem ou não tem do Observador do Tipo 5, mas como essa emoção, que está presente em todos, mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Avareza: Vício da Retenção. Conter-se, refrear-se, reprimir-se em favor da razão. Como é o tema do controle para você? Sente necessidade de estar no controle de suas emoções? Como você reage aos seus impulsos? Em que situação os racionaliza? “Isso não leva a nada... Sentir isso não me ajuda...” A Avareza é anti-impulso. Em que situações você percebe que está racionalizando seus impulsos? “Não suporto atitudes impulsivas. Raiva, por exemplo, é um desgaste de energia sem sentido, sentir isso não me ajuda”. Quanto você se distancia das pessoas ou das situações para manter o seu autocontrole? “Eu sou autossuficiente. Posso passar muito bem sem um monte de coisas, principalmente de pessoas. Não é que eu não precise de pessoas, simplesmente não me sinto à vontade com esse nível de dependência. Posso tanto estar com pessoas, como sozinho.” O quanto você não expressa seus sentimentos? Essa é a principal questão. O quanto você se reprime? Não expressa seus sentimentos? Nesse momento, as razões pelas quais você não se expressa não são tão importantes. Pense bem. Mesmo sendo uma pessoa expressiva, sempre há algum sentimento que se tem dificuldade de expressar, seja Raiva, Medo, Carência... Como é para você, qual é a sua “caixa-preta”, aquela a que ninguém tem acesso? Conversa - Minha esposa dá mais atenção aos cachorros lá em casa do que a mim! - Você expressa que está carente da atenção dela ou exige atenção? Quem vai abraçar um porco-espinho? Os cachorros pelo menos abanam o rabo. 35Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 35 Resumo do Tipo 5: O Observador Você aprendeu nessa etapa que a emoção da Avareza se manifesta como Vício Emocional do Tipo 5 O Observador. Normalmente são pessoas ponderadas, analíticas e especialistas. Mas, quando sequestradas pelo Vício Emocional da Avareza tornam-se distantes, frias e apáticas. Avareza, em nossa abordagem, é o Vício da Retenção, ou seja, conter-se, refrear-se, reprimir-se em favor da razão. Alguns Observadores são mais fechados e refugiam-se em seus castelos, seus universos particulares: “Eu preciso do meu espaço”. Outros preferem manter as ligações emocionais separadas: “Prefiro mandar um e-mail a ter que me expressar pessoalmente”. Outros ainda participam de grupos fechados e se envolvem em temas complexos: “Quero estar no grupo, mas fico na minha”. 1.6 SEXTA EMOÇÃO: O MEDO VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 6 - O ANSIOSO Você conhece alguém que, de tão prudente, se tornou indeciso? Figura 12 - Compra do carro Então vai comprar o carro? Mas e se eu precisar desse dinheiro para outra coisa? E se o modelo sair de fabricação? E se a manutenção começar a ficar cara? E se eu encontrar melhor opção? E se... Ahm??? Fonte: Senac EaD (2017). 36Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 36 Veja a seguir o que é o Medo para o dicionário e como ele é empregado no contexto do nosso curso. O significado de Medo, segundo o dicionário, é: Medo: Perturbação resultante da ideia de um perigo real ou aparente. Apreensão. Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. Apreensão: Preocupação, receio, temor. Desassossego do espírito por temor do futuro. Preocupação: Ato de preocupar ou de se preocupar. Ideia fixa. Inquietação resultante dessa ideia. Note quantas vezes a palavra ideia aparece e também a palavra futuro, que fazem parte das nossas ideias. Isso quer dizer que não estamos falando do Medo instintivo, que é natural como reação a algo real, mas sim de um Medo que é uma projeção mental. Se você está em uma sala e começa a sair grande quantidade de fumaça pelo ar condicionado, isso é real ou aparente? Claro, nesse caso é natural que você se assuste. No Medo mental são as imagens mentais – as projeções – que preocupam o indivíduo e ele começa a sofrer por antecipação. Conversa - E se nós não conseguirmos alcançar as metas do semestre? - Mas ainda faltam quatro meses! - Sim, mas e se não conseguirmos? Em nossa abordagem compreenderemos o Medo como: preocupação, dúvida, ansiedade e busca de segurança. Nessa busca de segurança desenvolve um apego exagerado a valores externos, como moral, ética, religião, verdade, família etc. Será que sou Tipo 6 mesmo? Esse apego exagerado a valores externos acontece como substituto do próprio discernimento. Ou seja, o Medo corrói o discernimento e gera apego a algo que lhe apoie para discernir. O apoio deve ser algo sólido e confiável, como regras, procedimentos ou a lei. “A lei é dura mas é lei”. “Sem regra isso vai virar um caos”, ou ainda na moral, costumes e valores do grupo em que ele está inserido. 37Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 37 Conversa - Mas bah, tchê, que bom que viestes! - Mas gaúcho, vinte anos aqui no Acre e nem o sotaque você perdeu? - E já montei até um CTG (Centro de Tradições Gaúchas)! O Medo revela pessoas ansiosas, que tem uma mente que não para. Querem se sentir seguras e, por isso, medem as situações e pessoas em termos de “posso ou não confiar”? Figura 13 - Dar um jeitinho Deixa que na hora a gente dá um jeito! Como assim? Que jeito? Fonte: Senac EaD (2017). Claro! Excesso de Prudência acaba gerando uma ansiedade, questionando outros pontos de vista em busca de garantias. Aqueles que preferem trabalhar dentro de certa dinâmica encontram no Ansioso do Tipo 6 uma ânsia por controle sem muito espaço para alternativas. Não troco o certo pelo duvidoso. Mudar? Mas nós trabalhamos assim há anos, funciona desse jeito. Para que mudar? E os valores da empresa, a história que ela construiu com isso? Os Ansiosos do Tipo 6 tendem a ser pessoas prudentes, que querem crescer de forma segura e sustentável. Sua perspectiva de êxito no trabalho provém das garantias da experiência e de saber com quem se pode contar. “Se todos seguirem os procedimentos, tudo vai dar certo”. 38Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 38 Eles são conhecidos como pessoas controladoras. Lidar com o imprevisto lhes deixa ansiosos, querendo adotar procedimentos e saber como cada um vai atuar. A possibilidade de cada um buscar soluções a partir de suas próprias caixas de ferramentas lhes parece insólito e pouco confiável. É comum que não percebam o quanto exercem controle, justificando que - pelo jeito deles - o resultado é mais garantido. Conversa - Claro que você pode fazer do seu jeito! Mas como vai ser esse jeito? - Eu pensei em começar fazendo... - Ah, então você não tem certeza! E se der algo errado? Mas você é quem sabe! A responsabilidade é sua! - Ahã??? Eles pensam que estão apoiando os outros, mas estão minando o ponto de vista dos outros com dúvidas, fortalecendo o seu ponto de vista, que é mais sólido para ele. Poder ou não confiar nas pessoas se torna o tema central e, quanto maior o número de pessoas ao seu redor, mais rígido tende a ser esse controle. Quando eu tinha 10 pessoas na equipe era tudo uma maravilha! Eu conhecia cada um deles e sabia muito bem com quem podia contar. Mas agora somos em 60 e meu nível de ansiedade aumentou bastante, tenho que ficar atenta o tempo todo! Você se lembra de algum Ansioso do Tipo 6? Embora bem-intencionados, seu nível de ansiedade e controle é excessivo e isso impede que percebam as diferentes soluções para diferentes pessoas, que aceitem os diferentes ritmos e diferentes contribuições. Acabam julgando aqueles que não agem como eles. Preferindo lidar com o que conhecem e com o que é mais confiável. Eu jamais faria assim, como ele pôde? O Ansioso do Tipo6 pode apresentar um Medo sobrevivência. Procuram a aprovação do grupo e da hierarquia mostrando-se afetivos e cordiais. Essa manifestação de bons amigos também serve para que ele “sinta” as pessoas e possa se sentir mais seguro no grupo. 39Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 39 Eles são muito ligados às amizades, o que reforça o sentimento de grupo, formando um verdadeiro clã. “Não deixo amigo meu na mão”! Mas essa mesma preocupação com a sobrevivência pode fazê-lo ficar mais fechado e sério, mais metódico, procurar se sentir seguro com seu trabalho. Conversa - Tenho um checklist de toda as coisas que meu chefe precisará em viagens. Uma semana antes confiro todos os itens da lista, três dias antes eu repito, um dia antes também e no dia dou mais uma conferida. - Você não confia na sua memória? - Tenho uma ótima memória, me lembro de tudo! - Então por que tanta conferência? - Assim fica garantido. Agora, atenção!!! Vamos ver um Ansioso do Tipo 6 que manifesta o Medo de forma oposta ao que vimos até agora e, sendo assim, muitos deles não se reconhecem no Medo. Para compreendermos essa diferença, temos de voltar no tempo, mais precisamente à infância, quando acontece a formação de nosso Tipo ou padrão de comportamento. Os Ansiosos do Tipo 6, de uma forma geral, têm uma forte identificação com a figura da família que representava a autoridade. Normalmente essa figura é preenchida pelo pai, mas pode ser a mãe, irmão mais velho ou avô, contanto que representem o pilar da casa. Alguns seguiram a orientação do pai. “Como dizia meu pai...”, depois seguiram os professores e hoje seguem as orientações de seu gestor. Eles querem saber o que seu gestor espera deles de forma clara e evitam decepcioná-lo. Chamamos esse tipo de medo de fóbico. Mas como dissemos anteriormente, há um tipo de medo que é oposto ao medo fóbico. Chamamos este medo de Contrafóbico e, no caso, a experiência com a figura de orientação foi diferente. Eles não concordaram com o pai e sentiram que não poderiam confiar plenamente nessa orientação. Tão logo chegaram aos 6 anos, começaram a bater de frente com a figura de orientação. Como não puderam confiar totalmente no pai, também não confiaram nos professores e tão pouco nos gestores. 40Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 40 O Medo contrafóbico é um medo de ser dominado e ter que baixar a cabeça. Então assume uma postura dominante. Há um Medo de ser dependente e então se tornaram independentes. Observe o exemplo: Figura 14 - O decote Que decote é esse? Comigo você não vai sair assim! O quê? Agora você vai ver quem não vai sair! Nem meu pai dizia como eu podia sair! Fonte: Senac EaD (2017). Qualquer um que assumir uma postura dominante com ele, vai ativar a defesa do Tipo 6. Sua defesa é Contrafóbica, ou seja, a melhor defesa é o ataque. Observe o posicionamento do funcionário do Tipo 6: Contrafóbico, numa conversa entre o diretor de uma empresa e sua equipe. Conversa Perante uma equipe de funcionários o diretor afirma: - O procedimento de fechamento do mês que todos vocês executam vai mudar a partir de amanhã, e eu quero isso funcionando. Não quero saber se o pato é macho, eu quero é o ovo! Então, o funcionário do Tipo 6: contrafóbico pede permissão para fazer uma pergunta e questiona: - Quem é que vai fazer esses procedimentos que o senhor está falando? - São vocês! – Respondeu o gestor. - Então não é para nós que devem perguntar como esse negócio é feito? – Questionou o funcionário do Tipo 6: contrafóbico. - Calma cara, você está falando com o diretor... – Disse Alice, funcionária da empresa. - Não sou palhaço, não sou criança pequena! – Falou o funcionário do Tipo 6: contrafóbico. 41Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 41 Nessa cena, quem o diretor trouxe ao subconsciente do Tipo 6 Contrafóbico? Claro, o pai e quase que imediatamente a reação de “ninguém manda em mim”! Outra característica do Tipo 6: contrafóbico é a ambivalência no comportamento com quem ele gosta, alternando entre agradar e agredir. Observe o exemplo: Conversa - Olá, Paula, como vai você? - Tudo ótimo! - E aquela alteração no processo que você estava fazendo, no final deu certo? - Sabe o que aconteceu? É que o meu chefe não quis nem ver, disse que eu tinha que fazer tudo de novo, desde o começo. - O quê!? E você deixou assim? Isso porque você é muito boca-mole e seu chefe faz de você gato e sapato! Se fosse comigo ele ia ver só! - Calma, você está me ofendendo! - Desculpe, amiga, mas é que não consigo ver você nessa situação! Eles não percebem que estão sendo agressivos, acham que estão sendo apenas enfáticos. Investigue seu Medo Vamos agora refletir sobre como está o Medo em você, não o quanto você tem ou não tem do Ansioso Tipo 6, mas como essa emoção, que está presente em todos, mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Medo: Preocupação, dúvida, ansiedade e busca de segurança. Apego exagerado a valores externos, como moral, ética, religião, verdade, família etc. Como é sua ansiedade? É importante lembrar que a ansiedade que estamos abordando aqui é uma ansiedade de preocupação, na qual o indivíduo fica pensando em todas as possibilidades para não ser pego de surpresa. Você é muito ansioso? “Têm vezes que eu não consigo nem dormir direito. Não paro de pensar e fico resolvendo problemas a noite toda”! 42Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 42 Em situações específicas? “Começo a ficar ansioso lá pelo dia 20, mas me tranquilizo próximo do dia 30, quando entregamos os relatórios. Todo mês é a mesma coisa”. Pouco ansioso? “Eu faço a minha parte. Se não deu, é porque não era pra dar mesmo”. O que é segurança para você? Segurança é algo subjetivo e cada pessoa pode se sentir segura de forma diferente. Se sentir seguro é ter saúde? Dinheiro para não passar por dificuldades? Emprego? Estar com pessoas conhecidas? Com a família reunida? Ter liberdade nas escolhas? O que lhe faz sentir seguro? Que movimento você faz para obter segurança? Vamos esclarecer. Observe a situação: Conversa - Você tem medo de ser assaltada? - Sim, claro! - E você tem alarme em casa? - Não! - Sua casa tem muro alto, cachorro ou trava nas portas? - Não, na verdade a porta de trás, se você empurrar com jeitinho, ela abre. Veja que aqui existe o Medo, mas não há movimento para satisfazer esse Medo. Agora veja um outro exemplo: Figura 15 - O medo de assalto Você tem medo de ser assaltada? Tenho! Tem alarme em casa? Não só alarme. Tenho alarme, cachorro, caco de vidro no muro e um spray de pimenta perto da porta, porque nunca se sabe, né? Fonte: Senac EaD (2017). 43Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 43 Viu a diferença? Nesse caso há o movimento. Agora você já pode responder à pergunta: Então, que movimento você faz para obter segurança? Guarda dinheiro? Faz check-up médico periódico? Confere tudo que acontece no departamento? Como lida com situações inesperadas, que fogem ao seu controle? O Medo quer controle sobre as situações e evita ser pego de surpresa. É tranquilo para você? “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”. É um pouco mais complicado? Prefere ter as coisas combinadas? Quais valores você não abre mão? Honestidade, confiança, lealdade, comprometimento, responsabilidade, liberdade, respeito, autonomia, verdade. De que, em termos de valores, você não abre mão? Resumo do Tipo 6: O Ansioso Você aprendeu nesta etapa que a emoção do Medo se manifesta como Vício Emocional do Tipo 6: O Ansioso. Normalmente são pessoas leais, gregárias e consequentes, levantando sempre os prós e os contras com o foco nos riscos. Mas quando se deixam guiar pelo Vício do Medo, acabam sendo ansiosas, preocupadas e controladoras. O Medo em nossa abordagemé tratado como preocupação, ansiedade, busca pela segurança e o apego exagerado a valores externos. O medo pode buscar apoio no discernimento em elementos sólidos e confiáveis, fazendo com que o Ansioso se torne mais fechado, metódico, buscando segurança no trabalho. “Do meu trabalho ninguém pode falar nada”! Como também pode buscar apoio no grupo ou na família. “Se é amigo meu não vou deixar na mão”! O medo (Contrafóbico) quer se impor e não se identifica com o Medo. Sua motivação não se reflete na segurança física ou no trabalho e, por vezes, ele acaba sendo muito impulsivo. O Contrafóbico alterna entre agradar e agredir. “É como aquela música: Entre tapas e beijos”. 44Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 44 1.7 SÉTIMA EMOÇÃO: A GULA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 7 - O SONHADOR Você conhece alguém que tem muita iniciativa e pouca “acabativa”? Veja a seguir o que é Gula para o dicionário e como ela é empregada no contexto do curso. Gula: Excesso na comida e bebida. Predileção para boas iguarias. Não é difícil notar que essa não será a interpretação que teremos da Gula. A relação com a comida e a bebida é apenas um meio, pois o fim é ter prazer e satisfação. Mas não é à toa que a Gula ficou relacionada com a comida e a bebida, pois por muitos séculos esses eram uns dos poucos prazeres não proibidos. Mas hoje isso ainda é assim? Com tantas fontes de prazer, os gulosos não têm nem tempo para comer. Em nossa abordagem compreendemos a Gula como: a avidez por variedade de estímulos e sensações. Quanto mais variedade, melhor. Conversa - Oi, Paula, o que você está fazendo aqui? - Oi, Ana, é que a Maria me pediu uma opinião sobre um tema da área dela. Encontrei algumas coisas na internet e vim falar com ela. - Poxa, que legal, não sabia que você conhecia de engenharia de produção. - Bem, na verdade comecei a conhecer agora. Na conversa com a Maria achei tão interessante o assunto e acho que acabei me empolgando. Você me conhece, quando eu me empolgo, quero saber tudo. - Pois eu lembro de quando você estava empolgada com o planejamento estratégico, você deu continuidade? - Até certo ponto sim, mas depois começou a ficar meio chato e apareceu esse probleminha na produção, sabe como é! - Sei, sim, uma novidade, não é? Hehe. Claro! Excesso de iniciativa acaba gerando uma ansiedade pelo novo e quando o novo se torna conhecido não há mais espaço para as possibilidades e tudo começa a ficar sem graça, repetitivo e enfadonho. Ter que executar uma tarefa que não oferece mais estímulo parece uma repetição sem fim, dando a sensação de aprisionamento e falta de liberdade, tema que é central para os Sonhadores do Tipo 7. Ah, não, de novo no mesmo lugar, vamos conhecer um outro! 45Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 45 A liberdade é compreendida como possibilidade de mudança. Quando há limitação de alternativas, aumenta o anseio por mudança. Conversa - Já fiz o roteiro de nossa viagem. Chegaremos no hotel às 14h, sairemos então para almoçar no mercado público. Às 16h pegaremos um ônibus para o bairro alto, lá ficaremos por uma hora, quando sairemos para conhecer o forte no centro da cidade... - Ok, Luis. Estou achando tudo muito interessante, mas você está considerando que poderemos querer mudar as coisas em função do que encontrarmos lá, não é mesmo? - Não vai ser possível mudar nada. Fiz uma agenda bem funcional para aproveitar todos os locais... - Ah, Luiz, essas férias estão virando um compromisso. Assim me sinto sem liberdade para escolher! Como a Gula foca nas possibilidades, uma decisão que não dê espaço para continuar a buscar possibilidades pode gerar uma sensação de aprisionamento e perda da liberdade. Como alternativa para fugir dessa sensação, os Sonhadores do Tipo 7 desenvolveram uma grande habilidade em positivar tudo, até mesmo o que não é positivo. Conversa - Soube que roubaram sua câmera de dentro do seu carro. Que droga, hein? - Que nada, eu estava mesmo querendo comprar uma câmera nova e aquela estava me empatando, o universo abriu espaço para uma nova! No final, para o Sonhador, vale a máxima que diz: “Tudo sempre acaba bem e, se não estiver bem, é porque não acabou ainda”. De forma geral, a Gula revela pessoas com mentes inquietas, com espírito jovial e revolucionário. “Deixe de ser quadrado! A cabeça é redonda para a gente mudar de ideia”! 46Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 46 Mas como o tema aqui é a dose, mesmo o que parece inicialmente uma atitude positiva, em excesso pode acabar gerando uma fuga de aspectos mais densos e tarefas menos prazerosas. Figura 16 - Tarefas menos prazerosas Certo, Luiz. Então vamos revisar todos os processos para ver se não deixamos nada para trás. Ah, Carlos, já chega! Tá tudo aí, se faltar algo a gente vê na hora. Já estamos há mais de uma semana em cima desse mesmo assunto. Já não aguento mais. Fonte: Senac EaD (2017). Lembre-se de que estamos falando de alguém que tem avidez pela variedade de estímulos. Essa é a base para uma mente ágil, que acredita que sempre há uma solução. Como consequência, temos a facilidade com a improvisação. Conversa - Você viu a solução que o Carlos sugeriu na reunião? - Impressionante, eu achava que não tinha mais solução, mas ele me fez acreditar que sempre vale a pena tentar. - É, foi o que ele me disse uma vez: só não erra quem não tenta. - E quem não arrisca não petisca! 47Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 47 Mas quando é a Gula quem dirige a improvisação, temos um escapismo. Conversa Mário tem sempre uma desculpa na ponta da língua. Esses dias Júlio pensou que iria conseguir colocá-lo na parede. - Júlio, amanhã não poderei estar aqui na parte da manhã. - Mas o que foi que aconteceu, Mário? Questionou Júlio. - Meus irmãos e eu levaremos minha mãe ao hospital e vamos ter que tomar algumas decisões sobre seu internamento. - Ok, então. Na manhã do dia seguinte Júlio soube que o irmão de Mário tinha ligado para a empresa à procura de Mário. Foi quando quis colocá-lo na parede. - Então, Mário, deu tudo certo hoje de manhã com sua mãe lá no hospital? - Tudo 10, resolvemos tudo! - E seus irmãos foram também? - Sim, todos os meus irmãos foram. - Então como é que um deles ligou para cá de manhã, lhe procurando? - Quem ligou? – Perguntou Mário. - O Carlos, dizendo ser seu irmão! Respondeu Júlio. - Ah, o Carlos é meu camarada! Ele me chama de irmão! “Tá vendo, não tem jeito!” - Pensou Júlio. Os Curiosos do Tipo 7 são otimistas, improvisadores e bem-humorados. São também criativos e estão sempre em busca de novas alternativas para a equipe. Mas quando são conduzidos pelo Vício Emocional da Gula, acabam sendo argumentadores compulsivos, inconsequentes e instáveis. Eles são conhecidos como “fogo de palha” ou ainda “cavalo paraguaio”, aquele que só tem arrancada. 48Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 48 Figura 17 - A reunião Descobri um sistema muito legal! Vamos mudar tudo aqui na empresa. Vocês vão ver como as coisas irão melhorar. Vai ser ótimo! Nem se preocupe, semana que vem ele muda de ideia. Fonte: Senac EaD (2017). Quando a implantação de uma mudança se torna maçante, a fixação que a Gula gera faz com que os gestores fujam para mais possibilidades. A consequência negativa desse comportamento é percebida como instabilidade, o que pode gerar insegurança para a maioria. Conversa - Dos cinco novos projetos que iniciamos todos os anos, uns dois dão muito certo e os demais eu jogo de lado, com isso fechamos o ano em alta! - É, para você pode parecer muito legal, mas para mim não é assim, não. Quando você chega com um novo projeto, a gente nem se liga muito, pois sabe que daqui a pouco você estará dizendo para largarmos e começarmos o novoque você está trazendo. - Ih, que apegado! Para quem tem a Competência Emocional da Persistência, isso é o caos! É, eu era assim e nem percebia. Teve um ano que eu cheguei a mudar de função duas vezes, mudando inclusive de cidade. Quando eu assumia uma nova função, meu principal objetivo era reinventar tudo. Delegava, fazia todos participarem das decisões, de forma que minha função pudesse ser extinta. Depois de um tempo eu já avisava o meu diretor: - Estou pronto para a próxima! O problema é que depois de um tempo as pessoas já me conheciam como o “exterminador do futuro” e não queriam me ver nem de longe. Aí nada mais funcionava. 49Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 49 Lembrou de algum Sonhador do Tipo 7? Embora bem-intencionado, seu anseio por transformação, por resolver tudo rápido, instalando caos excessivo, sem muito espaço para a consolidação e com uma aversão à regras e procedimentos, gera um desequilíbrio na equipe. “Vou fazendo. Se der problema, o problema é dele”! Alguns deles são conhecidos pela sugestionabilidade, ou seja, facilidade com que ficam fascinados e são levados a mudar de ideia. Conversa - Então, já decidiu se vai trocar de carro ou viajar? – Perguntou Everton. - Já, sim, tô decidido, vou mudar de carro. Marquei com o André hoje às 17h para fecharmos negócio. – Afirmou Luiz. - Ah, entendo. - Mas porque você perguntou? – Questionou Luiz - Sabe o Alfredo e o pessoal que te apresentei lá no restaurante? - Sim , claro! Encontrei com eles outro dia, são nota 10. - Pois é - disse Everton - nós vamos todos ver o Cirque du Soleil em Las Vegas e eles me pediram para te convidar também. - Tá fechado! Pode contar comigo. – Afirmou Luiz. - E o carro do André? - Questionou Everton. Então, o Luiz pega o celular e faz uma ligação: - André, é o Luiz. Cara, apareceu uma situação e não vai dar mais para fecharmos negócio naquele carro. Depois te explico melhor. Abração. Muitos personagens foram inspirados no Sonhador, como Pernalonga, Pica-Pau Manda-Chuva e Zé Carioca. Notem que o traço comum entre eles é o de sempre querer se dar bem (Lei de Gerson). São altamente sedutores, criando uma aura positivista e conseguindo argumentos onde ninguém imagina. “Você se preocupa à toa! Alguma vez eu já te deixei na mão? Vamos lá, na hora a gente dá um jeito”! A essa altura você já deve ter percebido que os Sonhadores não são conhecidos por sua estabilidade. “Tô indo”! Mas a Gula também pode manifestar certa estabilidade. Isso porque querem preservar o prazer e evitar a dor. “Já fui mais instável. Se me desse na cabeça de mudar de emprego, no outro dia já pedia as contas, mas isso me fez passar por situações apertadas. Agora até mudo, mas somente quando já tenho outra coisa garantida”. 50Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 50 Mas não acredite que conseguirá criar vínculos com um Sonhador do Tipo 7 pegando no pé dele. Conversa - Poxa vida, João, ficamos esperando sua ligação e você nem aí! - Eu até ia, mas meu vizinho apareceu lá em casa e me convidou para conhecer sua nova mesa de sinuca. Imagina o resto! - Então vamos marcar para quarta que vem. Você confirma? - Ah, também não vai dar, mas deixa que eu te ligo pra agendar um dia. Abraço. Investigue sua Gula Vamos agora refletir sobre como está a Gula em você. Não o quanto você tem ou não tem do Sonhador do Tipo 7, mas como essa emoção, que está presente em todos, mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Gula: Avidez por variedade de estímulos e sensações. Quanto mais variedade, melhor. O que você percebe que em sua vida “quanto mais, melhor”? �Mais amigos? “Comigo é casa cheia”! �Mais segurança? “Tenho Salvemed, Morramed... É quanto mais, melhor”! �Mais desafios? “Gosto de matar um leão por dia. Quando não acontece nada novo, crio um novo desafio”! �Mais conhecimento? “Quando um assunto me interessa quero saber mais dele, não sossego enquanto não souber tudo”. �Mais tranquilidade? “Bom mesmo é quando as coisas funcionam sozinhas! É bom demais”! Em que situação você sente essa inquietação com a rotina e avidez pelo novo? Logo quando você já domina o assunto? Só depois de muito tempo na mesma atividade? 51Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 51 Como você responde a isso? Você toma decisões baseada no anseio de mudança? Em que momentos você se vê sequestrado pela empolgação, como uma criança? �Quando tem uma ideia nova? “Eureca! Vocês não sabem o que eu descobri”! �Quando chega perto das férias? �Quando tem uma boa notícia para dar aos outros? Resumo do Tipo 7: O Sonhador Nesta etapa vimos que a emoção da Gula se manifesta como Vício Emocional do Tipo 7: o Sonhador. São pessoas otimistas, mostram uma habilidade de improvisar e inigualável bom humor. “Vamos lá gente, vamos mostrar que podemos criar novas soluções”! Mas quando sequestrados pelo Vício Emocional da Gula tornam-se argumentadores compulsivos, inconsequentes e instáveis. Deixam de gerar mudanças que tragam melhorias e assumem uma postura de mudar porque está cansativo. “Não acredito que vocês estão nessa ainda! Já deu, vamos para outra”! Gula, em nossa abordagem, é a avidez por variedade de estímulos. Paixão pelo novo e pela variedade. Ela torna o indivíduo sugestionável, buscando prazer e liberdade e sendo facilmente sequestrado para novas alternativas. “Tudo sempre acaba bem e, se não está bem é porque não acabou ainda”! Mas também vimos que a Gula pode se manifestar com certa estabilidade, buscando preservar o seu prazer, evitando o desprazer e perda da liberdade. “Coloquei o dedo na tomada e deu choque, nessa eu não caio mais”! 52Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 52 1.8 OITAVA EMOÇÃO: A LUXÚRIA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 8 - O MANDÃO Você conhece alguém que dá um boi para não entrar em uma briga e uma boiada para não sair? Ímpeto em excesso pode se transformar no Vício Emocional da Lúxuria. Observe o que é Luxúria para o dicionário e como ela é empregada no contexto deste curso. O significado de Luxúria, segundo o dicionário, é: Luxúria: corrupção de costumes, lascívia, libidinagem. Essa energia de dominância está ligada à energia sexual. Todos já ouvimos falar do macho alfa. Os mamíferos que vivem em grupo têm um macho alfa ou uma fêmea alfa. Quem é o macho alfa? É aquele que domina o território e comanda o grupo. Em nossa espécie, o macho ou a fêmea alfa é aquele que domina território, que procura determinar as regras e controlar as situações. “Aqui é do meu jeito. Quem manda aqui sou eu”. Essa é a necessidade de território, espaço, domínio. É a energia telúrica, que vem da terra, e está ligada ao “tesão” da vitória. Mas há uma outra palavra que nos ajuda a compreender esse Vício Emocional, o Excesso: falta de moderação; desregramento; esforço desmedido. É a posição de: “Dou um boi para não entrar, e uma boiada para não sair”. Em nossa abordagem compreenderemos a Luxúria como o Vício Emocional do exagero, da intensidade, da fome de viver intensamente. Ela revela pessoas dominadoras que não percebem o quanto sua presença pode ser intimidadora. Claro! Excesso de ímpeto acaba gerando uma dificuldade em perceber os limites dos outros. Prejudicando, principalmente, o posicionamento daqueles que não tem tanta facilidade para dizer o que pensam e sentem-se intimidados diante da presença do Mandão do Tipo 8. “Eu acredito que temos que fazer deste jeito! O que acham”? Os Mandões tendem a ser pessoas que delegam com facilidade, sua perspectiva de realização vem do comando das ações e não necessariamente da atividade. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Eles conhecidos como os rinocerontes. Já viram rinocerontes na televisão? Sempre tem um passarinho em cima, cutucando... e ele fica desesperado por causa do passarinho? Ele nãoestá nem aí, não é? Pois é. O Tipo 8 é o rinoceronte, e nós somos sabe quem? Os passarinhos. Ele não está nem aí... Onde quer que eles estejam teremos certo “caos” da transformação. Mesmo quando a transformação não seja necessária. Quando as coisas estão muito calmas, com todo mundo confortável não gosto muito não. Já chamo para uma reunião e boto todo mundo para agitar! 53Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 53 Você se lembra de algum Mandão do Tipo 8? Difícil é esquecer um Tipo 8, porque são pessoas marcantes. Mas a Luxúria também pode se manifestar de forma mais branda e não tão dominadora como vimos até então. Isso acontece quando ela é voltada para a sobrevivência. Nesse caso o Mandão acaba sendo mais precavido, evitando passar por privações nas quais poderá perder poder. É um lutador pela sobrevivência, lembrando que estamos falando de um Tipo 8 e sendo assim, é a sobrevivência do seus status de dominância. Ele normalmente quer seu nicho de poder. Defende seu território e as pessoas que estão com ele, mas ao mesmo tempo exige deles. Outro traço que se acentua nessa forma mais branda da Luxúria é a atitude mais “fechada”, na dele, satisfazendo-se na liderança de um departamento, como autônomo ou ainda como dono de seu próprio negócio. O tema é a autonomia, que ele não abrirá mão. Mas o tipo 8 mais conhecido é aquele em que a luxúria acentuou o traço da possessividade: “Vai ser do meu jeito ou não vai ser de jeito nenhum”. Entre todos os 9 padrões de comportamento que estamos vendo aqui, o Mandão do Tipo 8 é o mais dominante, querendo determinar as principais decisões. É o poderoso chefão do Eneagrama. Figura 18 - Vai ser do meu jeito Você pode fazer o que quiser, mas peça pra mim. Como vai fazer eu não quero saber, mas peça pra fazer. Fonte: Senac EaD (2017). Aqueles que ousarem decidir sem sua “benção” terão o amargo sabor de desfazer o que fizeram, isso porque serão vistos como quem está disputando poder. Note que ele tem a Luxúria acentuando as questões de quem manda e quem é mandado. Mesmo assim podem ser hábeis delegadores, que mandam resolver, não interessando muito como. 54Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 54 Investigue sua Luxúria Agora, reflita sobre como está a Luxúria em você, não o quanto você tem ou não tem do Mandão do Tipo 8, mas como esta emoção, que está presente em todos mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Luxúria: vício do exagero, da intensidade, da fome de viver intensamente. �O que em sua vida necessita “tempero”? Lembre-se que estamos falando de intensidade e então este tempero não é salsinha, é pimenta! � Como são seus impulsos? Em que situações percebe a atitude do “bateu, levou”. Em que momentos a resposta é imediata e impulsiva? “Quando percebi já tinha falado”! �O que tem que ser intenso e desafiador? É mais em seu trabalho? Quer matar um leão por dia? Ou é mais no seu rela- cionamento pessoal? � Em que situação você “dá um boi pra não entrar e uma boiada pra não sair”? Todos têm um limite, um final do estopim. Para alguns o estopim dá a volta na quadra, enquanto para outros tem o tamanho de um palito de fósforo. Como é o seu e o que faz ele chegar ao fim? É quando duvidam do que falou? Quando lhe faltam com o respeito? Como é para você? � Em que áreas da sua vida manifesta essa dominância? Resumo do Tipo 8: O Mandão Você viu, nesta etapa, que a emoção da Luxúria se manifesta como Vício Emocional do Tipo 8, o mandão. São pessoas que têm gosto por desafios e não têm problema algum em dizer diretamente o que pensam. Mas quando são sequestradas pelo Vício Emocional da Luxúria querem sempre dar a última palavra, tornam-se intimidadoras e agressivas com as palavras: “Vai ser do meu jeito”! Em nossa abordagem compreenderemos a Luxúria como o Vício Emocional do exagero, da intensidade, da fome de viver intensamente. Ela revela pessoas dominadoras que não percebem o quanto sua presença pode ser intimidadora. 55Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 55 Lembre-se que embora a Luxúria tenha este caráter dominador, quando focada na sobrevivência apresenta sua versão mais branda, lutando para manter seu status de poder “quem manda aqui sou eu”! De qualquer forma, o Mandão do Tipo 8 gosta de ser quem decide e muitas vezes luta por esta posição de poder. 1.9 NONA EMOÇÃO: A INDOLÊNCIA VÍCIO EMOCIONAL DO TIPO 9 - O ANTICONFLITO Você conhece alguém que, de tão tolerante, se tornou passivo? Conversa - Mas Marcos, você não está vendo que o Carlos está atrapalhando toda a equipe? - É, mas é o jeito dele, fazer o quê? Veja a seguir o que é a Indolência para o dicionário e como ela é empregada no contexto do nosso curso. O significado de Indolência, segundo o dicionário, é: Indolência: Preguiça. Negligência. Insensibilidade, apatia. Preguiça: Pouca disposição para o trabalho; inação, mandriice. Demora ou lentidão em fazer qualquer coisa; moleza; morosidade. Apatia: Estado de indiferença por falta de sensibilidade, de sentimentos, indiferença. Indolente: Que é insensível à dor. Descuidado. Note o que o conceito que o dicionário traz para indolente: Que é insensível à dor. Em que condição poderíamos ficar insensíveis à dor? Exatamente! Quando estamos anestesiados! A Indolência que vamos abordar aqui não é uma preguiça física, pois o Anticonflito do Tipo 9 é uma pessoa prática. Ele pode ter dois empregos, estar cursando a terceira formação acadêmica, ter uma rotina realmente apertada. Mas o que vamos abordar é a apatia, o estado de indiferença por falta de sensibilidade. Conversa - Quer café ou chá? - Tanto faz! O que você trouxer também pode trazer para mim. 56Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 56 O estado anestesiado a respeito do que se quer gera uma indiferença do tipo “tanto faz”. “É verdade. Pois eu nem gosto de café. Mas o outro já trouxe e fica chato não beber. E com o tempo acostuma”. Viu? É um estado de indiferença. Em nossa abordagem compreenderemos a Indolência como o estado de indiferença ou em que se está anestesiado. A maneira com que os Anticonflito do Tipos 9 se anestesiam é se ocupando com tudo, evitando lidar com os conflitos e tensões. Podem se anestesiar ocupando-se com os problemas de todos e evitando os seus. “Estou tão ocupado que não tive tempo para pensar no que quero”! Ou ainda, ocupando-se com a análise da situação tentando compreender os porquês e perdendo com isso o foco de seus problemas. Quando me sinto pressionado, pego um livro e fico horas envolvido na leitura. É um santo remédio! A Indolência revela pessoas tranquilas, que acreditam que a vida é simples e que são as pessoas que às vezes complicam. “Calma, pessoal! Se for possível resolver, então vamos resolver. Se não for possível, então já está resolvido!” O problema é que por trás dessa atitude paciente esconde-se um evitar o conflito, um pagar para não se incomodar. “Iiii! Isso não vai dar certo!” Claro! Excesso de Tolerância acaba gerando apatia e indiferença, que dificultam o posicionamento direto e assertivo. Os Anticonflito do Tipo 9 tendem a ser pessoas mediadoras e pacíficas. Sua perspectiva de êxito no trabalho provém da harmonia entre as pessoas, não acreditando muito em resultado a qualquer preço. “O negócio é manter a equipe harmônica, em um clima cordial e de ajuda mútua.” Eles são conhecidos como “gente boa”. Buscam soluções que agradem a todos e evitam situações de tensão e conflito. Cada um tem seu jeito e não adianta querer bater de frente. Mas nas situações em que há necessidade de se posicionar mais diretamente ou se impor é que temos seu ponto fraco. Eles podem assumir uma postura muito mediadora, compreendendo demais o ponto de vista dos outros e com isso perdem a clareza do que querem. 57Entendendo a si mesmo e ao seucliente: Eneagrama das Personalidades 57 Figura 19 - A falta Roberto, o Flávio não veio trabalhar ontem e essa é a quarta vez neste mês! É, mas ele trouxe atestado. O que eu posso fazer? Fonte: Senac EaD (2017). Você se lembra de algum Tipo 9? Embora bem-intencionados, sua tentativa de resolver tudo de forma pacífica e harmônica é excessiva e isso impede que percebam as diferentes formas de lidar com o conflito. A indolência pode se manifestar fazendo com que o Anticonflito seja mais sedentário, acomodando-se em um ritmo de vida já estabelecido. É o traço de “fingir de morto para sobreviver”, ocupando-se com as tarefas do cotidiano. Conversa - E aí, Fernanda, você já decidiu se vai se inscrever no curso ou não? - Estou respondendo meus e-mails, depois vejo isso. Um mês depois... - Olá, Fernanda, você também vai fazer o curso? - Estou organizando a minha agenda, depois vejo isso. Três meses depois... - Tchau, Fernanda, vou ao curso de Gestão de Pessoas. - É, pois eu também estava pensando em ir. - Mas as inscrições já se encerraram, Fernanda! Você não se inscreveu? - Pois é, estava com dificuldades para decidir. Deixa para a próxima. 58Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 58 Desta maneira a Indolência faz com eles sejam “mais na deles”, se anestesiando na rotina da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. “Gosto de ficar em casa sem nada para fazer, sem nenhuma demanda sobre mim”. Ou ainda se anestesiando em atividades mentais, como leitura e televisão. Figura 20 - O programa de TV Nem sei, só estava dando uma olhadinha. O que você está assistindo? Mas você está assistindo TV há mais de 2 horas! É, estou esperando um programa que vai começar daqui a uma hora. Fonte: Senac EaD (2017). A postura do “devagar e sempre” pode fazê-los percorrer longas distâncias, sem necessariamente ter feito muito esforço para chegar aonde chegaram. Conversa - Olha, Fátima, comprei este livro daquele autor que você me recomendou. Quantos livros dele você já leu? - Já li todos. - Mas são mais de 20 livros! - É verdade. Comecei há alguns anos e fui lendo, fui lendo, quando vi tinha lido todos. Outra forma da Indolência se mostrar é por meio da Fusão. Neste caso, o Anticonflito do Tipo 9 incorpora a vida do outro de forma que começa a vibrar por suas conquistas e sofrer por seus problemas. Conversa - Seu Paulo, fiz o que o senhor me sugeriu: falei com a Júlia sobre o que aconteceu e, no final, deu tudo certo. Já estamos nos dando bem novamente. - Que bom, Rafael, estava mesmo preocupado com vocês dois. Mas que bom que agora está tudo em paz. 59Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 59 Essa estratégia inconsciente de fundir-se com o outro também é útil para evitar o conflito. Também podem buscar evitar o conflito sendo ouvintes e empáticos. Figura 21 - O problema e a solução Quando estou com um problema, sempre vou falar com o Seu Luís. Ele lhe dá uma solução? Na verdade não é bem assim. Mas ele me ouve de um jeito que tudo parece mais simples do que é! Fonte: Senac EaD (2017). Investigue sua Indolência Agora, reflita sobre como está a Indolência em você. Não o quanto você tem ou não tem do Anticonflito do Tipo 9, mas como essa emoção, que está presente em todos, mesmo nas menores doses, se manifesta em você. Recaptulando Indolência: estado de indiferença ou onde se está anestesiado. Onde você se “finge de morto” para sobreviver? Você viu alguém da sua equipe fazendo algo inadequado, mas no momento você tem outras prioridades e apontar para o que você viu vai lhe tomar um tempo que no momento não tem? Você consegue fazer de conta que não viu? Em que situação você deixa de se posicionar? Como é para você “engolir sapos”? Todos vivem situações em que temos de aceitar condições que não eram as que gostaríamos. Pode ser de um superior hierárquico, um cliente importante ou até um fornecedor indispensável. 60Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 60 Como é para você se adequar a essa situação, ou seja, “engolir um sapo”? � É difícil? “Eu não levo desaforo para casa. Não interessa de quem”! �Depende da situação ou de quem for? “Penso no que irei perder se não ‘engolir o sapo’ e, dependendo da situação, escolho me adaptar”. � É simples? “Para mim desce redondo! Afinal, não dá para ter tudo do jeito que a gente quer”. Onde você foge do conflito? Só quando tem certeza de que não vai ganhar? “Para mim é assim, é tudo ou nada”! Ou prefere lidar com as situações de forma a evitar confusão? “Não acredito no conflito, acho que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa”. Como é sua disposição para se posicionar em relação ao que você quer? � É fácil? “Falo o que penso e luto pelo meu ponto de vista. Se necessário, me imponho”! � Depende? “Se sinto abertura das pessoas para a aceitação de meu ponto de vista eu argumento, mas se vejo que não estão interessados em ouvir, logo vou desistindo”. � É difícil? “Dificilmente me imponho. Às vezes gostaria de ser uma pessoa impor- tante, daquelas que as pessoas ouvem, assim eu não teria que ceder”. � Como é para você? Resumo do Tipo 9: O Anticonflito Você viu nessa etapa que a emoção da Indolência se manifesta como Vício Emocional do Tipo 9: o Anticonflito. São pessoas calmas, flexíveis e mediadoras. Mas quando sequestrados pelo Vício Emocional da Indolência tornam-se apáticos, dependentes e indecisos preferindo uma postura de ‘deixar a vida levar’. Indolência, em nossa abordagem, é um estado de anestesiar-se, evitando o conflito. Podem se anestesiar no cotidiano: da casa para o trabalho, do trabalho para casa. “Como é bom ficar em casa sem nada para fazer”! Em atividades mentais como a leitura ou vendo televisão. “Só estava dando uma olhadinha”, ou ainda, diluindo-se com os outros em uma postura envolvente e humorada. Quando o médico me perguntou se eu tinha problemas para dormir, respondi que de manhã eu dormia muito bem e que à noite também. À tarde é que eu tinha um pouco de insônia. 61Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades IDENTIFICANDO O SEU PADRÃO DE COMPORTAMENTO Agora você chegou em um momento muito importante do curso. Até agora você recebeu informações sobre cada uma das 9 emoções. Assim, você pôde compreender que quando alguma delas está muito presente se torna um Vício Emocional, e que quando isso acontece o comportamento da pessoa fica mecânico e repetitivo. Importante Há um sequestro da consciência e na tentativa de satisfazer o anseio do Vício Emocional, desenvolvemos um padrão de comportamento ou tipo no Eneagrama. Você viu que quando a Raiva é um Vício Emocional, o indivíduo fica sequestrado pelo anseio de fazer o que é certo e evitar o errado. Em algum momento, ele perde a capacidade de reconhecer o que quer e desenvolve um padrão de comportamento Perfeccionista, que só dá valor ao esforço e ao cumprir a tarefa. Quando o Orgulho é um Vício Emocional, a pessoa fica sequestrada pelo anseio de ser valorizada, de ser considerada e querida pelos outros. Em algum momento essa pessoa fica tão ocupada com o que os outros lhe pediram e com as necessidades dos outros, que já não reconhece o que ela quer. Começa a desenvolver então, um padrão de comportamento Prestativo. Você aprendeu que quando a Vaidade é um Vício Emocional, a pessoa fica sequestrada pelo anseio de ser admirada pelas suas habilidades e realizações. Em algum momento ela foca tanto em dar certo na vida e ser alguém, que já não reconhece o que de fato quer. Desenvolve, então, um padrão Desempenhador, que está fixado em metas e objetivos que irão lhe dar este valor pessoal. Lembre-se que não é porque você tem Raiva que é um Perfeccionista, nem porque gosta de ajudar as pessoas que é um Tipo 2: o Prestativo. Qualquer um dos nove padrões de comportamentopode ter um comportamento prestativo. A diferença é que para o Tipo 2 isso é motivado pelo Vício Emocional do Orgulho e, sendo assim, ele acaba não conseguindo dizer não, acreditando que o outro não conseguiria sem ele. “O que seria deles sem mim”? 2 62Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 62 Quando a Inveja é o Vício Emocional, a pessoa fica sequestrada pelo que falta e que ainda não foi conseguido. Com o foco tão concentrado em como poderia ser sua vida, esquece de olhar para o que é a sua vida e desvaloriza o que tem, pensando demais no que falta. Desenvolve um padrão de Comportamento crítico e insatisfeito. “Quando eu terminar de pagar a casa...” ou “Quando minha equipe estiver mais preparada, aí sim”! Já quando a Avareza é o Vício Emocional, a pessoa é sequestrada pelo anseio de compreender racionalmente o que está ao seu redor. Analisando alternativas e imaginando cenários que lhe ajudem a identificar o caminho mais lógico a ser tomado. Mas no processo perde a capacidade de reconhecer o que de fato quer, afinal, nem sempre o que queremos é o mais lógico. Desenvolve então, um padrão de comportamento observador e analítico. Conversa - Estou com vontade de comprar uma TV nova. - É mesmo, e o que você vai fazer? - Vou esperar a vontade passar. Não decido nada no calor da emoção. Medo é uma das emoções mais básicas, mas quando ela se torna um Vício Emocional sequestra a consciência da pessoa fazendo com que ela abra mão do que quer em favor do que é mais seguro. “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. É quando a pessoa desenvolve um Padrão de Comportamento Ansioso, que faz com que a mente fique a mil, procurando se antecipar e controlar tudo ao seu redor para que não seja pega de surpresa. Lembre-se que não é porque você reconhece sua ansiedade é que será um Tipo 6. Ansiedade é o mal do século e a maioria das pessoas sofre pelo menos um pouco de ansiedade. Mas quando ela é um Vício Emocional, mesmo que tudo esteja ok, você continuará procurando “chifre em cabeça de cavalo”. Figura 22 - As metas E se nós não conseguirmos alcançar as metas do semestre? Mas ainda faltam quatro meses! Sim, mas e se não conseguirmos? Fonte: Senac EaD (2017). 63Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 63 Vimos que quando a Gula é um Vício Emocional, a pessoa fica sequestrada pelo que é novo e diferente, a rotina se torna insuportável. Em algum momento, ela perde a capacidade de estar no presente, apreciando o que há de interessante aqui e agora, pois sua mente está cheia de outras possibilidades. Desenvolve então um Padrão de Comportamento Sonhador, com muita iniciativa e pouca acabativa. Quando a Luxúria é um Vício Emocional, a pessoa fica sequestrada pelo desafio e pelo gosto de ser quem manda. Neste clima de intensidade de ‘dar um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair’, a pessoa não se dá conta de que lutar pela autonomia se tornou mais importante do que ser feliz. É quando ela desenvolve um Padrão de Comportamento Mandão, no qual manda quem pode e obedece quem tem juízo. Por último, quando a Indolência é um Vício Emocional temos um sequestro no qual a pessoa fica anestesiada ao que realmente quer, preferindo evitar o conflito e optando por sobreviver do que lutar pelo que de fato quer. Desenvolve então um Padrão de Comportamento Anticonflito, no qual tudo pode ser resolvido com uma boa conversa. Conversa - Quer café ou chá? - Tanto faz! O que você trouxer também pode trazer para mim. Observe que em todos os 9 Padrões de Comportamento a situação é a mesma. Na busca por satisfazer o anseio do Vício Emocional, o indivíduo perde o contato consigo mesmo e começa a agir de maneira mecânica e repetitiva. Com o tempo, desenvolve o que é chamado de zona de conforto e começa a acreditar que as limitações que o Vício Emocional causou são reais e que a vida é assim mesmo. Por isso é tão importante reconhecer o seu Vício Emocional e como ele pode estar limitando seu potencial. Você não é um Tipo ou Padrão de Comportamento. Mas se permitir que as emoções controlem sua vida, é exatamente isso que você irá fazer: abrir mão de si mesmo e agir dentro da zona de conforto. Se você fez os exercícios de investigação propostos anteriormente, deve ter notado que, embora tenha um pouco de cada uma das 9 emoções, não tem as nove na mesma proporção. É bem provável que você tenha se identificado mais com algumas do que com outras. Vamos lhe ajudar então, a separar o joio do trigo e chegar mais próximo da identificação de qual é o seu Vício Emocional e quais são as suas duas emoções secundárias. Isso mesmo, não temos apenas um Vício Emocional e pronto. Temos uma tríade de emoções lideradas por um Vício Emocional. 64Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 64 Costumamos dar o exemplo dessas diferentes posições das emoções fazendo uma comparação com uma gangue, na qual há o chefe da gangue, o Capone e seus capangas. Mesmo que os capangas tenham habilidades específicas, elas estão servindo ao mando do chefe da gangue, o Capone. Sendo assim, vamos identificar qual das nove emoções é o seu Vício Emocional e quais delas são seus principais Capangas. 1º passo: A primeira etapa, de quatro, é responder as perguntas a seguir. São nove perguntas feitas de forma neutra, ou seja, elas falam sobre as emoções independentemente do Tipo. Todas as respostas referem-se à frequência com que cada emoção se manifesta em você. Essa frequência é que determinará a possibilidade de ser um Vício Emocional ou uma Emoção Secundária. Pegue então uma caneta e vamos começar. Para cada uma das perguntas marque o percentual com o qual você mais se identifica. Lembre-se que isso não é um teste e sim um exercício. Nada lhe impedirá de mudar suas respostas mais tarde. A primeira delas é sobre a Raiva, emoção que todos temos. 1- Com que frequência sou exigente comigo mesmo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você respondeu 10% ou 20% quer dizer que algo externo tem que acontecer exigindo que você adote essa postura, pois se for por você dificilmente acontecerá. Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo, “quando meu chefe me cobra, aí eu me exijo”, ou “quando chega perto do fim do mês e eu ainda não estou nem perto da minha meta”. Mas se a resposta é 60%, quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “Sou muito exigente comigo mesmo em meu trabalho”. Perceba que antes se referia ao meu trabalho, “quando for perto do fim do mês e eu ainda não tiver chegado na minha meta”. Agora é mais abrangente, “sou muito exigente no meu trabalho, já em casa sou mais largado mesmo”. Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você é exigente consigo mesmo em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ser exigente. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. Caso, após ler essas colocações, você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar o seu percentual. 65Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 65 Vamos para a próxima pergunta. Agora sobre o Orgulho. 2 - Com que frequência me sinto capaz? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você respondeu 10% ou 20% quer dizer que algo externo tem que acontecer para que você adote essa postura, pois se for por você dificilmente acontecerá. Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo, “me sinto capaz de fazer aquilo que já tenho experiência e faço há bastante tempo”. Mas se a sua respostaé 60% quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “me sinto capaz de lidar com situações que são da minha profissão”. Note antes era “se já faço a bastante tempo”. Agora é mais abrangente, “se é da minha profissão, já em outras áreas não me meto muito”. Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você se sente capaz em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ter uma elevada autoestima. Isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. A próxima pergunta é sobre a Vaidade. 3 - Com que frequência me ocupo com a minha imagem. Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você respondeu 10% ou 20% quer dizer que algo externo tem que acontecer para que você se ocupe com sua imagem, pois se for por você dificilmente se ocupará com o que os outros pensam de você. “Não estou nem aí”! Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo, “me ocupo com o que meus filhos pensam de mim”, ou “se estou com um cliente me ocupo com minha imagem profissional”. Mas se a resposta é 60% quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “me ocupo com minha imagem com todos que estão na minha profissão, inclusive os concorrentes”. Note antes era “se estou com um cliente”. Agora é mais abrangente, “sou atento a todos aspectos da minha profissão, afinal quero ser bem visto no mercado”. Caso, após ler essas colocações, você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar o seu percentual. 66Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 66 Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você se ocupa com sua imagem e como ela é percebida pelos demais em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido pela imagem que projeta. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. A próxima pergunta é sobre a Inveja. 4 - Com que frequência sou crítico comigo mesmo ou com os outros? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você escolheu um percentual baixo (10% ou 20%) significa que é pouco crítico e, consequentemente, muito satisfeito com o que quer que aconteça. Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo, “sou crítico comigo mesmo quando meu trabalho vai ser visto ou avaliado”, ou “quando vou ser cobrado pela qualidade”. Mas se a resposta é 60% quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “Sou muito crítico comigo mesmo em meu trabalho, não interessando se os outros gostaram ou não dele”. Note antes era “se vão me cobrar pela qualidade”. Agora é mais abrangente, sou muito crítico no meu trabalho, independente das circunstâncias. Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você é crítico consigo mesmo e com o contexto em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ser uma pessoa difícil de agradar. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. Saiba que ser crítico consigo mesmo não é ser exigente. A autocrítica que estamos vendo aqui fala do traço autopunitivo. Existem aqueles que são muito exigentes, mas pouco críticos. “Eu fiz a minha parte, se não deu certo não é meu problema”! Também temos o contrário, pouco exigentes e muito críticos. “Como fui fazer uma coisa dessas”, ou seja, se criticam, mas não agem para mudar. Também existem aqueles que são muito exigentes e muito críticos. O que gera um quadro de nunca estar satisfeito, mesmo com todos os seus esforços. Lembre-se que caso durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar o seu percentual. Lembre-se que caso durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar o seu percentual. 67Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 67 A próxima pergunta é sobre a Avareza. 5 - Com que frequência me controlo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você respondeu 10% ou 20% tem um baixo percentual de autocontrole tende a ser mais impulsivo. Do tipo bateu, levou. Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo, “me controlo com minha chefe, pois não quero problemas”. Mas se a resposta é 60% quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “na minha profissão sou muito controlado e dificilmente tomo decisões sem analisar muito bem os prós e os contras”. Note antes era “se for com minha chefe”, agora é mais abrangente, “no trabalho sou bastante ponderado, já em casa sou mais reativo mesmo”. Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você é controlado em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ser ponderado e analítico e dificilmente toma decisões impulsivas. Isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. Dica Não confunda autocontrole com autoexigência. O autocontrole é o que não permite que haja influência do externo sobre o interno, criando algo como uma parede de vidro ao redor, impedindo que as tensões externas entrem. Como há um controle da entrada, a reação ou saída, não exige esforço. Já na autoexigência, da primeira pergunta sobre a Raiva, o controle é da saída e para isso o indivíduo utiliza a musculatura. Se segurando para não pular no pescoço do outro. Lembre-se que caso durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar o seu percentual. 68Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 68 A próxima pergunta é sobre o Medo. 6 - Com que frequência estou ansioso? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Lembre-se que ansiedade é aquele movimento mental frequente, onde a cabeça não para. Se você tem um percentual baixo de ansiedade, ou seja, se marcou 10% ou 20%, quer dizer que tem que acontecer algo muito significativo para que você tenha a mente disparada pensando em vários cenários. Já se você tem um percentual de situações específicas, ou seja, entre 30 e 60%, pode estar relacionada a algumas datas. “Chegando perto do fim do mês mal consigo dormir”! Até mesmo a um outro contexto, como o profissional: “Tenho que ficar ligado em tudo, para que não haja problemas”. Com um percentual de 70% ou mais, você começa a achar que são os outros que são devagar e não você que é pilhado. A próxima pergunta é sobre a Gula. 7 - Com que frequência busco múltiplos estímulos? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Essa pergunta está relacionada com fazer várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo estudar com a televisão ligada e dando uma olhadinha nas redes sociais. Se você respondeu 10 ou 20%, significa que você prefere fazer uma coisa de cada vez e só faz ao mesmo tempo quando lhe é exigido, mas mesmo assim não gosta. Caso você tenha respondido 30%, isso quer dizer que você tem recurso para lidar com muitas coisas ao mesmo tempo em situações bem específicas, e porque o trabalho exige. Quando ultrapassa o limite também não gosta. Mas se a sua resposta é 60% quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “No meu trabalho tenho que trocar o pneu do carro com o carro andando”. Note antes era em situações bem específicas e com limites claros, agora é mais abrangente: “Quem trabalhacom o público não pode se dar ao luxo de querer uma coisa de cada vez”. Lembre-se que se durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar ou circular o seu percentual de ansiedade. 69Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 69 Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você prefere lidar com muitas coisas ao mesmo tempo em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ser polivalente. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. A penúltima pergunta é sobre a Luxúria. 8 - Com que frequência sou impulsivo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Lembre-se que a impulsividade é o contrário do autocontrole da 5ª pergunta. Caso você tenha respondido entre 10 e 20%, significa que quase nunca você se deixa levar pelo estímulo externo. Entre 30 e 60%, temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30% ela é bem específica. Por exemplo “Só sou impulsivo quando teimam em apontar os meus erros” ou “Quando mexem com meus filhos”. Mas se a resposta é 60%, quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “Não sou de ficar pensando muito, prefiro errar por ter tentado que ter deixado passar”. Note antes era “quando mexem com meus filhos”, agora é mais abrangente, “não costumo deixar passar sem falar nada”. Se sua resposta é de 70% ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você é impulsivo em 70% das vezes ou mais, quer dizer que você já é conhecido por ser do tipo que não leva desaforo para casa e da mesma forma que vem, volta. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. Lembre-se que se durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Não esqueça de anotar/circular o seu percentual. Lembre-se que se durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Circule ou anote o seu percentual de impulsividade. 70Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 70 A última pergunta é sobre a Indolência. 9 - Com que frequência sou tolerante. Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Se você respondeu 10% ou 20%, quer dizer que você é do tipo tolerância zero. Entre 30 e 60% temos a área de Situações Específicas. Se você respondeu 30%, ela é bem específica. Por exemplo: “Sou tolerante com meus clientes, mas também não permito que se passem comigo”. Mas se a resposta é 60%, quer dizer que são situações que ocorrem em 60% das vezes: “Sou muito tolerante com meus clientes e com meus colegas de trabalho”. Note antes era “com os clientes que me respeitam”, agora é mais abrangente, “sou muito tolerante com todos em meu ambiente profissional, já em casa às vezes não tenho tanta paciência”. Se sua resposta é de 70%, ou mais, você tem um candidato a Vício Emocional, pois se você é tolerante em 70% das vezes ou mais, quer dizer que seu estopim é longo e dificilmente você bota para fora sua agressividade. E isso ocorre não só no trabalho, mas um pouco também na vida pessoal e lazer. Lembre-se que se durante a leitura você tenha se identificado com outro percentual, você pode alterar sua resposta. Circule ou anote o seu percentual de tolerância. 71Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 71 Agora que você já terminou de responder as 9 perguntas, anote suas respostas abaixo: 1 - Com que frequência sou exigente comigo mesmo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 2 - Com que frequência me sinto capaz? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 3 - Com que frequência me ocupo com a minha imagem. Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 4 - Com que frequência sou crítico comigo mesmo ou com os outros? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 5 - Com que frequência me controlo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 6 - Com que frequência estou ansioso? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 7 - Com que frequência busco múltiplos estímulos? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 8 - Com que frequência sou impulsivo? Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 9 - Com que frequência sou tolerante. Quase nunca Em situações específicas Frequentemente Quase sempre 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 72Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 72 2º passo: Agora, você deve identificar quais são as respostas que receberam maior percentual, ou seja, as que estão mais para o lado direito. Você precisa escolher 3 ou 4 que receberam maior percentual. Caso cinco ou mais respostas estejam com percentuais altos, procure refletir novamente sobre essas perguntas e diminua o percentual daqueles que você poderia deixar de fora. Não se preocupe, pois depois você poderá resgatar essas perguntas. 3º passo: Agora, você deve levar as respostas com maior percentual para a Tabela 1, a qual apresenta o anseio de cada uma dessas emoções, quando elas estão na condição de Vício Emocional. Essa é uma condição única, ou seja, você não tem dois vícios emocionais. Mas para tirar essa dúvida, sobre qual dos percentuais mais altos é o seu Vício Emocional, coloque um contra o outro e observe qual deles é o mais importante para você. Por exemplo, se você colocou um percentual alto para a Raiva e também para o Orgulho, veja qual desses anseios vence o outro. Quem quer fazer o que é certo, nem sempre irá ser querido, mas nem por isso deixará de fazer o que é o certo, afinal para esta pessoa é o mais importante. Já quem quer ser querido como principal anseio, não irá se prender tanto as questões de certo ou errado, afinal se o outro está precisando qual é o problema? Entendeu o dilema? Com isso você irá eliminar algumas possibilidades e poderá ficar com apenas uma ou até ficar em dúvida entre duas. Neste momento, em que você está identificando qual o seu Vício Emocional, estamos falando do Capone e não dos capangas. 73Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 73 Tabela 1 - Anseio de Cada Vício Emocional. Tipo Anseio 1 - Raiva Fazer o certo. 2 - Orgulho Ser querido. 3 - Vaidade Ser admirado. 4 - Inveja Expressar originalidade. 5 - Avareza Compreender. 6 - Medo Segurança. 6 - Medo Contrafóbico Ter autonomia e independência. 7 - Gula Liberdade e satisfação. 8 - Luxúria Dominar e ser quem decide. 9 - Indolência Tranquilidade e harmonia. Fonte: Elaborada pelo autor. 4º passo: Agora você irá confirmar a sua identificação e eliminar as alternativas. Irá identificar os Capangas. Lembre-se que é o Vício Emocional que comanda as demais emoções de forma que a mesma emoção poderá sustentar comportamentos diferentes, dependendo de qual for o Vício que manda nela. Exemplo Exemplo 1: Digamos que o seu Capone seja o Medo. O anseio do medo quando é um Vício Emocional é por segurança. Sendo assim, todas as 8 demais emoções se tornarão capangas a serviço do anseio de segurança. A Luxúria irá oferecer ímpeto para lutar pela segurança. A Raiva é de quem lhe coloca em situações inseguras, “custa me avisar antes”. A Gula é por mais segurança. Quanto mais segurança melhor, salvimed, morramed, e tudo mais. Exemplo2: Digamos que o seu Capone seja o Orgulho, as demais emoções irão mudar para satisfazer o anseio de ser querido e considerado. A Luxúria, continua a oferecer ímpeto, mas agora para lutar pelos outros, que precisam mais do eu. A raiva será dessas pessoas mal-agradecidas e a Gula será por mais oportunidades de fazer pelo outro e ser valorizado. Percebeu a mudança dos Capangas nos dois exemplos? 74Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 74 Nesta apostila você tem na sequência a descrição de todos os 8 capangas da Raiva quando ela é o Vício Emocional, também do Orgulho e assim por diante. Com isso você irá confirmar se o seu Capone é mesmo o que você está investigando. Se for, todos os oito Capangas farão sentido para você, afinal trabalham para satisfazer o mesmo anseio. Agora se ao ler sobre os capangas você perceber que está um pouco forçado e que não é bem assim, verifique a outra possibilidade que também tinha um alto percentual. Agora é com você. Bom trabalho e lembre-se que isso não é uma ciência exata. Sendo assim, fique aberto a reinvestigar e continuar a observar como suas emoções se manifestam em você. Tipo 1: Raiva Todas as emoções secundárias irão trabalhar para a Raiva, satisfazendo o mesmo anseio: fazer o que é certo. Orgulho: afirmação de si. O Orgulho intensifica a certeza em seu “certo”. “Sinto-me capaz de fazer o que é certo”. Autoimagem engrandecida: “Pelo menos eu me esforço”. A intransigência se intensifica: “Se me provarem que estou errado, eu mudo”! Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece uma polidez à rigidez do Tipo 1: “Não é certo se exaltar”. Promove uma imagem adequada com postura séria no sentido de responsável e esforçado, esperando o reconhecimento desses atributos. Inveja: é a Inveja que traz a autoexigência – “eu tenho que...” – e a autocrítica – “eu deveria ter feito...” – pois ela oferece uma comparação com algo idealizado e a desvalorização do que foi feito em favor do que poderia ter sido feito. O traço perfeccionista se intensifica, somado à insatisfação e, dependendo de qual for a outra emoção secundária, a certa frustração. Avareza: oferece ao Tipo 1 a contenção, favorecendo a manifestação da Raiva contida. A consciência se contrai, fechando-se ao externo e analisando tudo a partir da perspectiva pragmática do certo e errado. O Tipo 1 fica mais fechado e sério. Medo: oferece ao Tipo 1 a dúvida e a ansiedade: “Será que estou fazendo a coisa certa”? A dúvida não estará tão presente em questões práticas, área de maestria do Tipo 1, mas em questões mais subjetivas, em que o Medo irá corroer o discernimento: “Será que o jeito que falei magoou o outro? Será que devo dar mais uma chance”? O quão presentes estarão a dúvida e a ansiedade também dependerá de qual for a outra emoção secundária. Se ela não oferecer apoio ao discernimento, como no caso da Inveja e da Indolência, teremos mais ansiedade e dúvida. Caso a emoção secundária oferecer apoio no discernimento, como no caso do Orgulho e da Luxúria, teremos menos dúvidas e ansiedade. 75Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 75 Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que em um Ativo se manifesta como uma busca por mais coisas para fazer. Temos a “formiga carregadeira”, que não para e está sempre buscando algo novo para fazer. Com tantas áreas para investir sua energia, teremos menos tensão acumulada. Reconhecendo que é humanamente impossível levar seu nível de exigência para várias áreas, o Tipo 1 ganha uma pseudoflexibilidade, permitindo deixar algumas coisas sem terminar, ou pelo menos não do jeito que gostaria. Luxúria: oferece intensidade e impulsividade e a Raiva se torna mais dominante, ditadora e agressiva. Sem “meias palavras”, o Tipo 1 agora fala o que pensa e na hora que estiver acontecendo. Amplia-se o traço impaciente e mandão, impondo seu senso de ordem, com regras e procedimentos. Indolência: oferece a anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e faz com que o Tipo 1 tenha uma Raiva mais contida, aguentando com a musculatura tensa. A interpretação do “certo e errado” ganha certa tolerância e, com isso, surge um traço apoiador – “vamos lá que você consegue” – ampliando o número de chances para “acertar”. “Acho que você não entendeu direito, vou lhe explicar novamente”! Porém, não confunda isso com calma, pois é contenção. Tipo 2: Orgulho Todas as emoções secundárias irão trabalhar para satisfazer o mesmo anseio: ser querido e importante. Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade promove o Tipo 2, ampliando o anseio por aceitação para um número maior de pessoas. “Olhem o que eu consegui para a equipe”! Inveja: não é tão comum encontrarmos a Inveja como secundária do Orgulho. Quando presente, cria um olhar para si que é incomum para o Tipo 2. Como está a serviço do anseio de “ser considerado”, oferece sentimentos antagônicos de culpa e aversão. Avareza: pouco comum como secundária do Tipo 2, a Avareza oferece uma potencialização do “não dar o braço a torcer”, fechando-se em si mesmo e em suas próprias razões. “Vocês podem pensar o que quiserem, mas para mim não é assim, não”! Medo: oferece ao Tipo 2 a dúvida e a ansiedade, estimulando uma atitude hiperativa de “atirar para todos os lados” para ver se acerta algo. O Medo de reprovação o deixa em alerta, sensível e reativo. A comprovação de que está sendo aprovado também fica mais intensa, por exemplo: “Você tem certeza de que gostou? Acho que não ficou tão bom. Você não acha”? 76Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 76 Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que nesse Emocional se manifesta como uma busca por mais contato com pessoas. Como a maneira de se relacionar se dá pelo fazer algo pelo outro, teremos um Tipo 2 como pivô de inúmeras situações. Luxúria: oferece intensidade e impulsividade e o Orgulho se torna mais agressivo e dominador. Essa combinação é comparada ao motor potente de um carro sem estabilidade, ou seja, se não houver algo que dose a velocidade, ele vai virar. O traço vingativo, que é normalmente negado pelo Tipo 2, aqui também ganha espaço, manifestando-se mais abertamente: “Você vai ver! Nunca mais venha me pedir nada”! Indolência: oferece a anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e faz com que o Tipo 2 expresse mais do seu traço servil, juntamente com um não querer enxergar. A Indolência fortalece o traço ingênuo do Tipo 2 e, com isso, a negação do reconhecimento de seus exageros com relação aos outros. Raiva: oferece rigidez para o Orgulho, o que significa mais força para a atitude de “não dar o braço a torcer” e de julgamento a respeito das pessoas. “Não quero nem saber, para mim fulano morreu”! Como o Tipo 2 não lida bem com receber um não, a Raiva intensifica o tentar até conseguir, gerando uma atitude intransigente a respeito do que deseja. Tipo 3: Vaidade Todas as emoções secundárias irão trabalhar para satisfazer o mesmo anseio: ser admirado pela performance. Inveja: oferece ao Tipo 3 o ajuste fino da autocrítica. Sua perspectiva, focada em “ser bem-sucedido”, recebe com a Inveja uma atenção aos detalhes estéticos da forma. Isso pode desenvolver um traço perfeccionista e reduz a visão macro de “dar resultado de qualquer forma” para um esmero na apresentação pessoal ou do trabalho. O traço competitivo ganha o caminho do “se diferenciar para se destacar”. Avareza: oferece ao Tipo 3 a contenção, intensificando o traço mais analítico e estrategista, como também distante e impessoal. Medo: oferece ao Tipo 3 a dúvida e a ansiedade, aumentando o Medo de se tornar um “João Ninguém”. De uma forma geral, teremos uma diminuição da atitude ousada em favor de uma com mais garantias. Também teremos um Tipo 3 mais frenético, redobrando esforços como meio de garantir que as coisasfuncionem. “Não tenho tempo a perder”! 77Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 77 Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que no Tipo 3 se manifesta como imediatismo, querendo dar o “pulo do gato” na busca da ascensão profissional e social. A Gula influencia como um estimulante energético, deixando o Tipo 3 ainda mais aficionado por resultados rápidos. “Tempo é dinheiro”! Luxúria: oferece intensidade e impulsividade e, com isso, uma atitude mais megalômana e dominante. Com a agressividade de um “rolo compressor”, tenta convencer a todos de seus planos de ascensão, considerando como fracos àqueles que não estão tão focados quanto ele. A audácia também aparece em grandes doses. Indolência: oferece a anestesia, o que deixa o Tipo 3 menos reativo. Em vez de se entusiasmar pelo caminho onde há luta e competição, vemos o Tipo 3 buscando o caminho mais fácil e com menos conflito. Como a Indolência trabalha para a Vaidade, dá um ar de calma e serenidade, que é incorporado à imagem. Mas, por dentro, pode haver um vulcão prestes a entrar em erupção. Raiva: oferece rigidez e tensão para o Tipo 3, que assim desenvolve a tendência de buscar o esforço como meio de superação. O traço impaciente também se intensifica e, com ele, a centralização do tipo: “Se não vai resolver, dá pra mim que eu resolvo”! O julgamento a respeito dos outros se torna mais imediato e a atitude progressista é o fiel da balança. “Você é um winner (ganhador) ou um looser (perdedor)”? Orgulho: afirmação de si. O Orgulho intensifica a certeza interna de possuir potenciais que condizem com a imagem idealizada da Vaidade. É como se o Orgulho dissesse para a Vaidade: “Sim, você pode”! Essa crença em uma imagem engrandecida pode gerar objetivos desproporcionais e sem consistência. Tipo 4: Inveja Todas as emoções secundárias irão trabalhar para a Inveja, satisfazendo o mesmo anseio: expressar originalidade. Avareza: oferece ao Tipo 4 a contenção, favorecendo ainda mais a atitude introvertida. A Avareza influencia a Inveja a buscar aquilo que falta em seu mundo interior, sem necessariamente manifestar-se no mundo externo. A sensação de incompreensão do Tipo 4 encontra exílio fazendo com que este se feche em si mesmo, na sua busca interior ou na criação de realidade paralela. “Ninguém me entenderia mesmo”. As artes podem ser um canal de manifestação. Medo: oferece ao Tipo 4 a dúvida e a ansiedade: “será que estou sendo inadequado”? A dúvida, aliada à autocrítica, pode gerar uma forte aposta no contra. “Tenho certeza de que eles não gostaram da apresentação, eu fui péssimo”! 78Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 78 Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que em um Emocional como o Tipo 4 se manifesta como uma busca por mais experiências e diferentes sensações. O traço excêntrico se acentua. “Quero tudo que essa vida tem para me dar”! Luxúria: oferece intensidade e impulsividade e o típico gosto pelas coisas – que é característico do Tipo 4 – é imposto de forma dominante, ditatorial e agressiva. No filme O diabo veste Prada, a personagem Miranda mostra essa dominância a partir de seu gosto pessoal. Indolência: oferece a anestesia, que influencia com dois traços básicos: um deles é o do conformismo do tipo “não tem jeito mesmo”, mantendo o Tipo 4 em um processo insatisfatório e dependente, estratégia para obter a atenção; o outro traço é o de diminuir a distância até onde o Tipo 4 busca a felicidade para algo mais palpável e que esteja ao seu redor. Raiva: oferece rigidez e autoexigência para a Inveja, que já tem a autocrítica. A estratégia característica do Tipo 4, de criar uma imagem da felicidade de forma inalcançável, agora recebe apoio da autoexigência, que diz que “se você se esforçar, você consegue”. A consequência é o aumento do sentimento de culpa, por não ter conseguido e por ser injustiçado, afinal, “tanto que eu me esforcei”. Orgulho: oferece a afirmação de si e, com isso, o Tipo 4 ganha apoio na busca de originalidade. “Eu sou mais eu”! Ao contrário do Medo, que traz a dúvida, o Orgulho traz mais certeza de si e, consequentemente, menos espaço para a influência externa. Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece uma polidez ao típico ponto de vista oposto do Tipo 4. Em vez de manifestar diretamente seu descontento, como aconteceria no Orgulho, manifesta um traço mais político e diplomático: “Entendo seu ponto de vista, mas tenho outra opinião e acredito que você vai achar interessante”! Os Tipos 4 com Vaidade gostam de ser diferentes, complexos e de serem lembrados por sua originalidade. 79Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 79 Tipo 5: Avareza Todas as emoções secundárias irão trabalhar para satisfazer o mesmo anseio: compreender. Medo: oferece ao Tipo 5 a dúvida e a ansiedade: “Será que não estou equivocado”? Com o objetivo de garantir que realmente compreendeu, o Medo questiona e amplia o diálogo interno do Tipo 5. O traço observador se intensifica, como também o distanciamento por prevenção. “Na dúvida, não ultrapasse”. Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que em um Teórico como o Tipo 5, faz com que a atenção se volte para um número maior de temas. Com a maior abertura que a Gula oferece, o Tipo 5 ganha extroversão, procurando compreender também com a interação direta e permitindo se surpreender. Suas perspectivas se tornam menos rígidas e mais inclusivas e ecléticas. “Interessante o que ele está dizendo, não tinha pensado por esse ângulo”. Luxúria: a perspectiva estratégica do Tipo 5 recebe um apoio em forma de intensidade e dominância. Isso se manifesta em estratégias de dominância de mercado como o monopólio, ou em estratégias que gerem dependência do que ele oferece. A visão estratégica do Tipo 5 ganha uma perspectiva megalômana com a Luxúria. “Só me interessa, se for possível pensar isso em termos de larga escala”. Indolência: oferece a anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e faz com que o Tipo 5 necessite um tempo de resposta ainda maior. “Eu até sabia a resposta, mas na hora não me veio nada”. O traço analítico do Tipo 5 ganha mais paciência para rever processos e reavaliar pontos de vista. Raiva: oferece rigidez para a racionalização da Avareza, o que significa mais força para se posicionar diretamente. “Eu não concordo”! A autoexigência pode levar a um perfeccionismo, fazendo com que o Tipo 5 aprofunde ainda mais os temas com que se envolve, gerando um preciosismo nos detalhes. O traço radical também se acentua, tanto no sentido de rigidez como no de ir à raiz da questão. Orgulho: afirmação de si. O Orgulho intensifica a valorização de si e de seu estilo racional de lidar com as coisas. Isso é compreendido pelo Tipo 5 como uma virtude que a maioria não tem. Há uma sensação de superioridade ou arrogância intelectual. “Mas quem é você para dizer isso? Qual é a sua formação mesmo”? Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece uma polidez à aridez intelectual do Tipo 5. Também traz um traço incomum, que é o de dar importância à apreciação dos outros, revelando a realização pessoal de ouvir o comentário de satisfação sobre seu trabalho. 80Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 80 Inveja: junto com a Avareza, é uma das emoções que mais influencia a consciência no movimento para dentro. Com essa dupla influência, o Tipo 5 acaba ainda mais na dele, nutrindo profundos sentimentos sobre as pessoas e as coisas, mas sem necessidade de expressá-los. A vergonha também aparece como consequência, inibindo ainda mais a ação, pois há uma comparação com algo idealizado e uma tendência a julgar a si mesmo de forma pejorativa: “O que estou fazendo aqui”? Tipo 6: Medo Todas as emoções secundárias irão trabalhar para o Medo,satisfazendo o mesmo anseio: obter segurança. Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que nesse Teórico estimula ainda mais o anseio de olhar por vários pontos de vista e de se envolver em várias atividades. Isso deixa o Tipo 6 mais falante e brincalhão, estratégia que ele utiliza para ir medindo quem é quem. A Gula também apoia a velocidade mental do Tipo 6, que começa a perceber todos - que não têm a mesma velocidade - como lentos. Luxúria: oferece ao Medo a intensidade e impulsividade e, com isso, teremos os ingredientes para um Contrafóbico (Subtipo Sexual do Tipo 6). É a Luxúria que fornece a energia dominadora e agressiva no Contrafóbico. “Ah, se fosse comigo”! Ela é a energia de ataque em “a melhor defesa é o ataque”. Esta e/ou a Gula são Emoções Secundárias que caracterizam o Tipo 6: Contrafóbico, pois elas oferecem a energia necessária para o avanço. A diferença da Luxúria é que ela traz consigo o gosto pela dominância e, com isso, o traço “mandão”, facilmente confundido com o Tipo 8. A grande diferença está na ansiedade e atitude hipervigilante do Tipo 6, que controla e domina por medo de ser dominado e controlado. Indolência: oferece a anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e faz com que o Tipo 6 desenvolva dois traços básicos: um deles é o aumento da dependência da opinião dos outros – “o que você acha”? / “será que devo fazer”? Esse traço está relacionado com a dependência da hierarquia e suas ordens e com o desejo de aprovação. ”Será que não estou fazendo nada de errado”? O outro diz respeito à diminuição da rejeição ao diferente, deixando o Tipo 6 mais eclético. “O importante é estarmos unidos”! Raiva: oferece rigidez para o Medo, o que significa mais tensão e exigência. A Raiva, como aliada do Medo, sustenta posturas inflexíveis, “Por que mudar? Sempre foi assim!”, e isso faz com que o Tipo 6 se identifique muito com o Tipo 1. A diferença é que o conceito de certo e errado do Tipo 1 vem dele mesmo e o senso de justiça e valores do Tipo 6 é coletivo e vem de fora, do grupo ou cultura onde ele está inserido: “Como dizia meu pai”. 81Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 81 Orgulho: afirmação de si. O Orgulho apoia o sistema de valores do Tipo 6, fazendo com que ele se questione pouco sobre o que representam esses valores. Também oferece mais autoestima para que o Tipo 6 questione abertamente aquilo que julga não estar claro. “O que você quer dizer com isso”? De uma forma geral, o Orgulho apoia o Tipo 6 e aumenta a crença em seus valores, gerando uma autoimagem engrandecida: “Eles ainda não compreenderam”! Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece uma energia que promove os valores do Tipo 6. Ser visto como honesto, como leal e justo começa a ser tão importante quanto sê-lo: “Motivo as pessoas por meio do meu exemplo”. O termo “politicamente correto” cabe bem aqui, pois há um anseio em ser o menino bonzinho ou a menina boazinha. Também teremos um aumento da percepção da aceitação pessoal, pois a Vaidade pede feedback. Inveja: oferece a autocrítica, que, aliada à dúvida e à ansiedade, acaba gerando mais invalidação de si, em favor do modelo idealizado pela cultura em que o Tipo 6 está inserido. Se o modelo é de esforço e dedicação: “Isso aconteceu porque eu não me esforcei o suficiente»! Se o modelo é de compaixão e doação: “Isso aconteceu porque estive pensando demais em mim mesmo”! De uma forma geral, é a autocrítica que se pune por não ter se comportado como sabia que deveria. Como normalmente o modelo é exageradamente moral, ocorre uma frustração consigo mesmo. Avareza: oferece ao Tipo 6 a contenção, favorecendo a atitude de “pensar bem antes de agir”. O anseio de segurança é apoiado pelo retraimento da Avareza, estimulando o planejamento como meio de obter garantias e evitar ser pego de surpresa. “Primeiro prefiro ouvir a todos e depois emito minha opinião”. Tipo 7: Gula Todas as emoções secundárias irão trabalhar para a Gula, satisfazendo o mesmo anseio: liberdade e satisfação. Luxúria: oferece intensidade e impulsividade e a Gula se torna mais agressiva e dominante, querendo convencer com argumentação impositiva: “Fazer isso seria uma burrice...”, ou sedução dominante: “Pode deixar que eu sei o que estou dizendo, vai por mim”. Outro traço que a Luxúria oferece é o gosto por grandiosidade e pelo “jogo”. “Adoro negociações acirradas, em que a adrenalina fica no ar”! Indolência: oferece a anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e acentua o estilo “gente boa” do Tipo 7. “Tudo sempre acaba bem e, se não está bem, é porque 82Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 82 não acabou ainda”. Ao contrário da Luxúria, que é mais impositiva, a Indolência é mais inclusiva, fazendo com que o alvo da avidez por variedade inclua a maioria e evite o conflito. “No fundo, todo mundo é gente boa”! Raiva: é comum encontrarmos a Raiva no Tipo 7, principalmente quando tolhido de liberdade. Mas essa é uma ação reativa do Tipo e não o que significa Emoção Secundária. Quando presente, oferece rigidez para a Gula, o que significa foco estreito, pelo menos até alcançar o foco de desejo. Com a Raiva, o traço típico do Tipo 7, de começar e não terminar, perde espaço para outro traço, o de se tensionar para conseguir: “Enquanto não resolver não largo o osso, fico obcecado”! Orgulho: afirmação de si. O Orgulho intensifica a confiança na habilidade de improvisar e de resolver tudo “a toque de caixa”: “sempre dou um jeito”! A autoimagem engrandecida impulsiona a aprender com os acertos e rapidamente esquecer o que deu errado, a ponto de voltar a agir de maneira equivocada sem se dar conta. “De cada 10 tentativas, seis dão certo, então fico no lucro”! O traço pouco reflexivo e mais impulsivo do Tipo 7 ganha força com o Orgulho: “Sou mais eu”! Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece o gosto pela exposição, pelo reconhecimento e admiração. Como a Gula quer mais do que lhe dá prazer, teremos uma criatividade de “purpurina”, ou seja, focada no reflexo que irá gerar. “É quando todo mundo está empolgado com minhas ideias que elas surgem de montão”! Com a Vaidade, os Tipos 7 e 3 compartilham vários traços. A diferença é que, para o Tipo 7, o processo precisa oferecer prazer, enquanto o Tipo 3 pode ficar até mesmo sem saber ao certo se está gostando ou não. Inveja: embora pouco comum, a Inveja traz a autocrítica da comparação com algo idealizado e, com ela, o sentimento de culpa pela comparação com o que poderia ser. Essa dupla pode gerar um traço perfeccionista no Tipo 7, insatisfeito com o presente e em constante mudança para melhorar. Avareza: oferece a contenção ao Tipo 7, que tem uma curiosidade pelo mundo externo. A consequência dessa influência, que traz a consciência para um movimento mais interno, se dá no alimentar de um mundo mental, criado pelas suas ideias. Com isso, teremos um Tipo 7 mais na dele, entretido com sua imaginação: “Adoro me envolver no desenvolvimento de um projeto, em que avalio várias alternativas”. Medo: oferece ao Tipo 7 a preocupação e a ansiedade. A preocupação em perder a liberdade e ter que lidar com situações de privação. A ansiedade é um traço do Tipo 7, mas que se apresenta mais como uma voracidade, querendo tudo ao mesmo tempo. Agora, com o Medo como secundário, a ansiedade ganha um traço temeroso e alarmista, tudo relacionado com a possibilidade de perda de liberdade. Situações nas quais o Tipo 7 passou por dificuldades ficam mais presentes em sua memória, como um alerta do que deve ser evitado: “Já passei por isso antes e não quero de novo”! 83Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 83 Tipo 8: Luxúria Todas as emoções secundárias irão trabalhar para satisfazer o mesmo anseio: dominar e ser quem decide. Indolência: oferecea anestesia, que aumenta o tamanho do “estopim” e faz com que o Tipo 8 tenha mais paciência com os processos e com as pessoas. Também influencia de forma a gerar mais tolerância pela diferença entre as pessoas. A comum agressividade do Tipo 8 dá espaço para uma postura que mescla assertividade com tranquilidade. “Entendo que você pense dessa forma. Mas eu vou querer desse outro jeito”. Raiva: oferece rigidez para a Luxúria, o que significa mais força para a atitude de “vai ser do meu jeito ou não vai ser de jeito nenhum”! A mescla dessas emoções cria uma condição inflamável, com explosões de ira e vociferação. Um traço exigente une-se à intensidade do Tipo 8, diminuindo a paciência e trazendo apego a detalhes: “Façam exatamente do jeito que eu estou falando”. Orgulho: o Tipo 8 já se sente autoconfiante e, com o apoio do Orgulho, a autoimagem fica ainda mais engrandecida: “Sei como fazer as coisas acontecerem”! Com esse acréscimo na afirmação de si, aumenta a dificuldade em voltar atrás em suas decisões, assumindo uma postura mais teimosa, de não “dar o braço a torcer”. Vaidade: apego à imagem. Como emoção marqueteira, a Vaidade oferece projeção da imagem de força e poder. Com isso, teremos um Tipo 8 mais pomposo e identificado com ícones de status, que tanto podem ser materiais, como carros, restaurantes caros e roupas, como podem ser de realizações, como grupos VIPs e sucesso pessoal. Inveja: a Inveja influencia a intensidade da Luxúria, trazendo à tona um traço mais combativo do Tipo 8. “Se não pode com eles, destrua-os”! Mais do que ações destrutivas, poderemos ter o comportamento hostil, irônico e invalidador. A comparação gerada pela Inveja desperta incômodo no Tipo 8, que tende a querer eliminar o que gera o incômodo. Avareza: oferece ao Tipo 8 a contenção, favorecendo a perspectiva mais analítica e estrategista do Tipo 8. É a Avareza que dá à energia realizadora do Tipo 8 um apoio reflexivo do tipo: “O que eu ganho com isso”? Permitindo recuar para depois avançar. Medo: oferece ao Tipo 8 a preocupação e a ansiedade. O traço dominante ganha uma “pulga atrás da orelha” e, com isso, se intensifica o traço controlador. Mas diferentemente do Tipo 6: Contrafóbico, para quem a melhor defesa é o ataque, o Tipo 8 não necessariamente intensifica sua reação quando apoiado pelo Medo. Tende, sim, a ficar mais cauteloso, como quem “pisa em ovos”. 84Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 84 Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que em um Ativo dominante como o Tipo 8, se manifesta na ampliação do círculo de dominância. “Quero mais”! Ao ser apoiada pela Gula, a Luxúria perde freio e ganha acelerador. Para dar conta de tanta coisa ao mesmo tempo, perde-se também a atenção nos detalhes, que serão delegados com mais facilidade. O gosto é por decidir e ser quem possibilita o realizar. Lidar com vários empreendimentos, de diferentes naturezas, torna-se natural. Tipo 9: Indolência Todas as emoções secundárias irão trabalhar para satisfazer o mesmo anseio: tranquilidade e harmonia. Raiva: oferece rigidez para a Indolência, o que significa mais força para se posicionar, mesmo que seja de forma não agressiva. “Desculpem-me, mas eu não concordo com vocês”! O importante aqui é compreendermos que, embora haja um posicionamento, ele não é percebido pelos outros como um limite, um “não quero”, mas sim como um ponto a ser discutido. Quando realmente há um posicionamento de limite, a Raiva pode gerar uma atitude de “panela de pressão”, explodindo sem direção, como meio de aliviar a pressão interna. Outra importante influência da Raiva é a tenacidade: “De passo em passo eu chego lá”! Orgulho: afirmação de si. O Orgulho oferece um apoio à autoestima na forma de “sou mais eu”, independentemente do que os outros esperam. “Podem dizer o que quiserem, pois no final eu farei do meu jeito”. Esse apoio deixa o Tipo 9 menos suscetível à pressão externa e gera uma estratégia de “ganhar no cansaço”: “Tá vendo? Eu sabia que era só uma questão de tempo”! O Orgulho também favorece a extroversão no Tipo 9, que adota um positivismo passivo: “Faço a minha parte e o resto se organiza por si só, é assim que funciona”. Vaidade: a Indolência traz em si um traço altamente adaptativo e, quando apoiada pela Vaidade, esse traço recebe um substancial reforço. Como a Vaidade necessita de contexto, esse apego à imagem estará intrinsecamente ligado ao meio social e ao grupo em que o Tipo 9 estará inserido. Em termos gerais, a imagem é de “gente boa”. Mas dependendo das demandas do contexto, isso poderá mudar para atender e ser parte desse contexto. Surge com a Vaidade, a necessidade de aprovação: “Gosto quando falam de mim e do meu trabalho”! A moda e a imagem física também podem ser alvos da Vaidade, principalmente nas mulheres do Tipo 9, que, dependendo do contexto, podem ser mais vaidosas do que o próprio Tipo 3. Inveja: oferece a autocrítica e, com isso, teremos um Tipo 9 mais sensível à aprovação pessoal. Embora a Inveja traga um abalo na autoestima, pois ela oferece uma comparação 85Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 85 com algo idealizado e a desvalorização do que foi feito em favor do que poderia ter sido feito, ela influencia a Indolência muito mais por meio de uma aceitação da limitação ou conformismo: “Sei que não nasci para isso”. Avareza: a Indolência utiliza o corpo para resistir às situações, o que consome muita energia do Tipo 9, que é um Ativo. A Avareza oferece outra estratégia por meio da contenção, apoiando o traço “mais na sua” e desconectando-o das situações conflitantes. Isso permite que o Tipo 9 trate com a situação sem se envolver, como se acontecesse fora dele ou simplesmente não lhe dissesse respeito. Essa não identificação pode permitir uma visão mais desapegada e, com isso, mais estratégica: “Se não pudermos resolver essa situação, qual será o quadro ‘menos ruim’”? Medo: oferece ao Tipo 9 a dúvida e a ansiedade: “Será que estou fazendo a coisa certa”? Consequentemente, o Medo intensifica o traço dependente, necessitando da opinião e do apoio de terceiros. “Você acha que eu devo fazer isso”? Outro efeito do Medo é a repressão do estímulo à mudança, principalmente quando esta se refere ao dar limites e posicionar-se em relação ao que se quer. Gula: oferece a avidez por variedade de estímulos, que para o Tipo 9 funciona como apoio ao processo de fuga do conflito. Se ocupar com muitas coisas, com vários projetos e uma agenda cheia é uma ótima razão para não ter que lidar com seus conflitos internos: “Tenho tanto o que fazer, não posso me preocupar com isso no momento”. A Gula também deixa o Tipo 9 mais extrovertido e leve: “...na hora a gente sempre dá um jeito”. Luxúria: oferece intensidade e impulsividade, que, embora incomuns ao Tipo 9, o qual prefere um caminho mais harmônico, servem como forma de equilibrar a pressão interna. Esbravejar ou responder impulsivamente pode não corresponder aos seus reais interesses e tende a refletir mais a energia reativa do momento, do tipo: “Assim como vem, eu devolvo”! Como o Tipo 9 tem muita energia, a Luxúria pode desencadear uma sucessão de decisões feitas de forma impulsiva. “Eu só queria saber de resolver a situação e fui fazendo tudo que aparecia na minha frente. Só me dei por conta onde tinha parado muito tempo depois”. A agressividade, tão incomum nesse Tipo, pode se manifestar como maneira de dizer: “Chega”! 86Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades APRENDENDO A LIDAR COM O OUTRO Não por acaso esta parte do curso está no final deste curso. Embora grande parte das pessoas acredite que o mais difícil é lidar com os outros, podemos lhe garantir que não é bem assim. Você verá que lidar com os outros pode ser extremamente simples, a premissa fundamental é: quando se respeita o limitedo outro se obtém o melhor da relação. Para que você acesse o indivíduo, primeiramente terá que satisfazer um pouco de seu ego, respeitando a satisfação mínima do anseio de seu Vício Emocional. Esta é uma atitude de respeitar o limite do outro. Sem isso, você terá que lidar com as limitações que o ego gera quando está no controle da consciência. Como foi dito anteriormente, lidar com o outro pode ser simples, mas não necessariamente fácil. Isso porque precisamos antes reconhecer o nosso Vício Emocional e a distorção que ele cria, pois sem isso, mesmo sabendo como lidar com o outro, acabamos querendo que o outro seja como nós somos. Quando estamos sequestrados pelo Vício Emocional, acabamos caindo no equívoco de compreender racionalmente que as pessoas são diferentes, mas esperamos que elas reajam da mesma forma que reagiríamos, ou seja: “Se todos fossem como eu o mundo seria muito melhor”. Com a melhor das intenções acreditamos que estamos respeitando o limite do outro, mas no fundo estamos projetando nossos limites no outro. Agora, que tal revisar quais são os anseios dos 9 Vícios Emocionais? Em termos gerais a regra para se ter o melhor do outro é: Respeite o asseio do Vício Emocional É isso mesmo! Se você tirar ou ameaçar o anseio básico do Tipo do outro, terá o pior do outro. Por exemplo, se você estiver lidando com um Ansioso do Tipo 6, cujo anseio é por Segurança, torna-se necessário que, primeiramente, ele se sinta seguro a respeito do que se pretende. Sem isso, sua consciência será sequestrada pelo Vício Emocional do Medo, e seu ego começará a assumir um comportamento questionador. 3 87Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 87 Tabela 2 - Anseios dos Vícios Emocionais Tipo Vício Emocional Anseio Perfeccionista: Tipo 1 Raiva Fazer o que é certo Prestativo: Tipo 2 Orgulho Ser querido, valorizado Desempenhador: Tipo 3 Vaidade Ser admirado e reconhecido Crítico: Tipo 4 Inveja Expressar-se e ser original Observador: Tipo 5 Avareza Compreender Ansioso: Tipo 6 Medo Segurança Sonhador: Tipo 7 Gula Liberdade e satisfação Mandão: Tipo 8 Luxúria Dominância e ser quem decide Anticonflito: Tipo 9 Indolência Tranquilidade e harmonia Fonte: Elaborada pelo autor. Agora que você já sabe a importância de respeitar o anseio do Vício Emocional dos outros, veremos neste módulo dois pontos importantes: 1º O que estressa cada Tipo, intensificando o Vício Emocional e aumentando o sequestro da consciência. O estresse neste contexto será utilizado para compreender porque o jeito com que o Tipo tenta resolver as situações não funcionam ou funcionam mal. Esta é uma condição em que o Vício Emocional estará usando toda sua energia para tentar transformar a realidade de forma a satisfazer o seu anseio. Por exemplo, quando um Desempenhador do Tipo 3, cujo anseio é por admiração, não está conseguindo satisfazer esse desejo, apesar de todos os seus esforços, o ego sofre um estresse. Em termos gerais, o que estressa e intensifica o Vício Emocional é a ameaça ou não satisfação do anseio do Tipo. Sendo assim, o que estressa um Perfeccionista do Tipo 1 não estressa um Sonhador do Tipo 7 ou um Mandão do Tipo 8. Cada Tipo tem um ponto de estresse diferente, relacionado com seu anseio. Um exemplo é quando dizemos para um Ansioso do Tipo 6, que anseia por segurança: “Deixa que na hora a gente dá um jeito”, ou quando queremos que um Sonhador do Tipo 7 siga um script de como deve fazer, em que horário e de que forma, sem lhe oferecer liberdade, ou ainda quando não damos atenção pessoal para um Prestativo do Tipo 2, que anseia por ser considerado. Veremos então o que dispara o processo de estresse e intensifica o Vício Emocional, que em outras palavras quer dizer: o que não fazer com cada um dos 9 Tipos. Isso pode 88Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 88 ser muito interessante, pois você irá identificar algumas situações em que não obteve o melhor do outro porque acabou fazendo exatamente o que é o pior para ele, ou seja, intensificou seu Vício Emocional. 2º Como lidar com o outro para evitar o estresse e ter o melhor na relação? É neste momento que daremos dicas de como lidar com cada Tipo, dentro da regra básica de respeitar o limite da satisfação do anseio do Vício Emocional. 3.1 COMO LIDAR COM O PERFECCIONISTA DO TIPO 1 Lembre-se: o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Vejamos então as duas perguntas relacionadas a como lidar com o Perfeccionista do Tipo 1: 1º O que estressa o Perfeccionista, intensificando o Vício Emocional da Raiva e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Perfeccionista do Tipo 1 temos uma armadura funcional e prática. Não veremos nenhum arrebite fora do lugar, pois ele investe grande parte de sua energia dando manutenção a esta armadura, polindo e arrumando tudo para que funcione perfeitamente. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a fazer o que é certo, que esforço e dedicação são as suas maiores qualidades. Que sua convicção é “quem se esforça consegue o que quer”, ou seja, que o esforço é o meio pelo qual se consegue a realização. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Conversa - Já sei, é quando as coisas não funcionam como deveriam ou quando alguém não cumpre com as suas obrigações? - Quando as coisas não funcionam me esforço mais, até elas funcionarem e se os outros não fizerem, farei eu! Afinal, se quiser bem feito, faça você mesmo! 89Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 89 Deu para perceber que quando as questões são relacionadas com o fazer e o realizar, o Perfeccionista poderá até ficar com Raiva, afinal, este é o seu Vício Emocional, mas não é isso o que lhe estressa. Eles são mestres nas questões práticas. Mas quando a questão não é de ordem prática? Conversa Cláudia está prestando consultoria para uma empresa. Numa conversa com os funcionários dessa empresa, Cláudia afirma: - Finalizamos o semestre com todos os objetivos que esta consultoria propôs. Agora é só vocês manterem os procedimentos que foram estabelecidos. Não deixem de alimentar todas as planilhas e conferir diariamente os lançamentos da equipe de vendas. Vocês não podem deixar acumular novamente. Então, a secretária avisa Cláudia que Tereza, a diretora da empresa, gostaria de conversar com ela. Cláudia vai até a sala da diretora Tereza, e as duas conversam. - Olá Cláudia, infelizmente não tenho boas notícias para você. Na reunião de diretoria decidimos não renovar o seu contrato de consultoria conosco - Diz a diretora para Cláudia. - Não estou entendendo. Nós conseguimos realizar todos os objetivos propostos e implantamos os procedimentos que foram solicitados. O que foi que aconteceu? - Questionou Cláudia. - É verdade, você realizou tudo que foi solicitado - afirmou a diretora Tereza. Mas o que pegou não foi isso Cláudia. As pessoas com quem você trabalhou reclamaram do seu jeito de trabalhar, exigindo em vez de pedir, dizendo o que deveria ser feito em vez de engajá-los nas soluções. Muitos disseram que se sentiram como se estivessem em um quartel. Como o esforço e a autoexigência são os meios pelos quais o Perfeccionista acredita que conseguirá fazer com que as coisas aconteçam, por vezes não percebe que sua tensão e foco excessivo na tarefa podem deixar o clima tenso, carregado com responsabilidades e deveres. Para quem também é um Perfeccionista isso não é um problema, mas nem todos conseguemresultados desta forma. Isso pode gerar um afastamento das pessoas, reação contrária ao desejo do Perfeccionista. Quando algo não funciona, mesmo que o Perfeccionista tenha colocado todo seu esforço, isso não necessariamente o estressa, pois são Tipos ativos. O que estressa o Perfeccionista é quando exatamente o seu esforço foi o que fez não funcionar. Em outras palavras, o que estressa o Perfeccionista são as situações que não são resolvidas através do esforço. 90Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 90 Lembre-se que esforço está ligado a tensão muscular e esta tensão é acúmulo de energia. Existem situações em que quanto mais se esforça pior fica, como um carro na areia da praia, quanto mais acelera, mais atola. Algumas vezes o necessário é paciência e tempo, por exemplo, quando necessitamos do perdão de alguém ou precisamos desenvolver uma equipe com pessoas que tem ritmos diferentes. Em outras situações, o necessário é criatividade e jogo de cintura. 2º Como lidar com o Perfeccionista para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Fale de forma direta e clara, evitando rodeios desnecessários. � Evite entrar em um contexto de certo e errado. Lembre-se de se colocar no lugar do Perfeccionista. Ele investe grande parte de sua energia para fazer o que pensa ser o certo. Você acredita mesmo que pode chegar e dizer que ele está fazendo errado? Mas se ele estiver errado? Apenas busque caminhos na comunicação que não sejam nos termos de certo e errado. � Se você fez algo errado, assuma e não comece pedindo desculpas. “É verdade, esqueci de terminar o relatório. Eu o farei ainda hoje pela manhã”. Importante Dica de Ouro: O Perfeccionista do Tipo 1 é prático. Comunique-se de forma prática, evitando suposições e possibilidades. Em resumo, os principais motivos de estresse do Perfeccionista são: › Seu senso prático é inadequado. › Seu esforço não ajuda. › Sua tensão está sendo a razão de as coisas não funcionarem. 91Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 91 3.2 COMO LIDAR COM O PRESTATIVO DO TIPO 2 Você leu na introdução que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Vejamos então as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Prestativo do Tipo 2: 1º O que estressa o Prestativo, intensificando o Vício Emocional do Orgulho e aumentando o sequestro da consciência. Lembre-se: para que você possa compreender o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que você se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Prestativo do Tipo 2 temos uma armadura voltada para o outro. Ela tem vários bolsos sobressalentes e traz consigo tudo em duplicidade, afinal, alguém pode precisar. Não veremos falta de disposição, pois ele investe grande parte de sua energia fazendo com que esta armadura seja útil aos outros. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a conquistar a consideração do outro. Em fazer a diferença para o outro. Lembre-se que sentir-se capaz de lidar com as situações e com as pessoas são algumas de suas maiores qualidades. E ainda, que você tem grande convicção de que é muito fácil lidar com as pessoas, basta dar atenção a elas. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Figura 23 - Dar atenção Você se estressa quando não lhe dão a devida atenção? Eu não estou nem aí para quem não me dá atenção. Isso não me estressa! Fonte: Senac EaD (2017). 92Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 92 Na verdade, não é bem assim. O Orgulho é uma cegueira quanto às carências e dificuldades e, sendo assim, é muito comum negarem a necessidade de atenção. “Eu não preciso de ninguém”! O Prestativo é bastante sensível à aprovação pessoal e se estressa quando seus esforços em conquistar valor pessoal não são bem-sucedidos. Conversa - Em meu departamento trabalhamos em 45 pessoas, todos me cumprimentam muito bem de manhã, com exceção de um infeliz lá do financeiro. - Mas Mara, este é o jeito dele, o Antônio é mais na dele mesmo. - O que custa ele ser gentil? Mesmo que o Prestativo não reconheça, ele investe grande quantidade de energia em ser útil aos outros ou fazendo algo que gere valorização pessoal. Mesmo quando não há grandes investimentos de energia para obter valorização, ele acredita que receberá atenção e quando isso não ocorre, teremos o Orgulho ferido. Como o Prestativo é sensível em relação a aprovação pessoal, pode facilmente sentir-se não valorizado. Conversa Mara estava passeando no shopping quando avistou Ana. - Oi Ana, que bom que eu lhe encontrei! – Disse Mara. - No sábado estarei fazendo uma festinha lá em casa, para comemorar meu aniversário! - Que legal, Mara! - Já convidei todo mundo, todos nossos amigos estarão lá! “Então ela só me convidou porque esbarrou comigo aqui no shopping! Agora é que eu não vou mesmo”, pensou Ana. Ela então questionou: - É neste sábado? - É sim - Respondeu Mara. - Que pena amiga, eu adoraria muito ir, mas estarei visitando minha mãe neste sábado. Se você tivesse me avisado antes... 93Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 93 Ana poderia ter reagido de diversas maneiras. Por exemplo, ela poderia ter aceitado o convite e levado o melhor presente da festa, só para que a Mara se desse conta de quem ela estava esquecendo. Poderia ter se queixado com a amiga “Puxa, Mara, só agora é que você me convida! Pensei que éramos amigas”. O tema aqui não é qual a reação, mas sim a reação ao sentimento de Orgulho ferido. 2º Como lidar com o Prestativo para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Tratamento pessoal. Muitas pessoas têm dificuldade em se comunicar com outras, pois acreditam estar comunicando a alguém que deve cumprir uma tarefa. Com o Prestativo, a comunicação se torna mais fácil quando se olha para ele compreendendo que há uma pessoa na sua frente, e não alguém que simplesmente vá executar uma tarefa. “Olá Marcos, você tem um minuto para mim”? Ou ainda: “Paulo preciso falar com você”. “Maria, você poderia arquivar estes documentos para mim”? � Cuidado com a crítica, ironia e indiretas. Lembre-se que ele investe grande quantidade de energia para ser útil. Por vezes o que você precisa é somente orientá-lo como fazer, pois, a energia à disposição já está presente. Mas não se esqueça que o tema aqui é como orientá-lo, sem que ele se sinta criticado, corrigido ou invalidado. � Pedir e não mandar. O Tipo 2 quer ajudar, mas não necessariamente é amigo do “obedecer”. Importante Dica de Ouro: Com o Prestativo é só tratá-lo de forma pessoal, afinal, para ele tudo é pessoal. Quando ele entrar em estresse ajude-o a “colocar para fora” e nesse momento, ouça-o com respeito, sem se identificar com o que ele diz nem querer resolver nada. Afinal é como ele sente. Quando ele consegue desabafar, tudo fica melhor. Em resumo, os principais motivos de estresse do Prestativo 2 são: › Sentir-se não valorizado. › Sentir-se humilhado ou injustiçado. › Tratamento impessoal. 94Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 94 3.3 COMO LIDAR COM O DESEMPENHADOR DO TIPO 3 Você viu na introdução que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Vejamos então as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Desempenhador do Tipo 3: 1º O que estressa o Desempenhador, intensificando o Vício Emocional da Vaidade e aumentando o sequestro da consciência. Para compreender o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que você secoloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Desempenhador temos uma armadura que foi feita para impressionar, que não se satisfaz apenas com a aprovação dos outros, ela tem que ser admirada. Para conquistar este anseio ela refletirá o que é sucesso dentro do contexto em que estiver inserida. Será do último modelo, cheia de acessórios simbolizando status, notoriamente expressando seu valor pessoal. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a fazer as coisas bem feitas, com a intenção de impressionar ou deixar sua marca de competência. Que sua percepção de como adequar a situação de forma que ela lhe seja favorável e o esforço para fazer bem feito são as suas maiores qualidades. Que você é convicto de que só é alguém na vida quem realiza algo. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? “Ter que lidar com o fracasso”, “Ter que se submeter a situações que não oferecem destaque”! Na verdade, o Desempenhador tem uma grande habilidade em lidar com o fracasso, criando uma nova moldura para este quadro a que ele chama de “sucesso incompleto”. Da mesma forma não serão as situações nas quais o Desempenhador tem que se submeter a uma condição de ausência de destaque que lhe fará entrar em estresse. São hábeis criadores de oportunidades. O Desempenhador é conhecido por “comer o pão que o diabo amassou” para conquistar o seu objetivo. Mas como é o Ego que escolhe o objetivo, este acaba sendo algo admirável, que gere algum destaque ou ainda faça o Desempenhador se sentir importante. “Estava claro para mim que era eu quem deveria recuperar a casa de meus pais”. Identificando-se muito com o papel do herói, mocinho ou mocinha do filme. Como o que estressa o Desempenhador é a não satisfação dos anseios do seu Vício Emocional, ele se sentirá dessa forma quando não tiver claro o objetivo, quando não conseguir reconhecer o que “emplaca”. 95Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 95 Conversa - Você viu o que aconteceu com o Carlos? - Não, o que foi? - O diretor pediu a ele que fizesse um relatório das atividades do semestre em seu departamento. Ele fez o relatório com gráficos em 3D, coloridos, ficou um espetáculo. Encadernou tudo e entregou para o diretor. - O diretor gostou? - Ele pegou o relatório, dobrou e colocou no bolso. O Carlos parecia que tinha levado um soco no estômago. Depois de uma semana o Carlos não se aguentou e quando cruzou com o diretor perguntou o que ele tinha achado do relatório. Ficou bom, disse o diretor. - Aposto que o próximo relatório vai sair em planilha do Excel mesmo. - Pode ter certeza! Neste exemplo, a ausência de feedback que nortearia o Desempenhador, é o que gera o estresse. Quando eles não conseguem enxergar o alvo, sentem-se como um atirador de dardos que assim que fez seu arremesso, as luzes se apagaram e ele não consegue visualizar seus pontos no alvo. Por isso é tão comum vermos o Desempenhador fazendo algo para ter um feedback. Enquanto o Desempenhador enxergar uma “luz no fim do túnel”, estará se sentindo desafiado. O estresse consiste em não a enxergar. 2º Como lidar com o Desempenhador para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Dê sua opinião, ela servirá como baliza. � Fale do que você gostou e concorda, bem como do que não gostou e discorda, mas o faça sem que seja sentido como um fracasso. De outra forma ele irá investir energia tentando convencê-lo do contrário. “A proposta ficou muito bem organizada, mostrando de forma clara o que queremos propor. Mas está muito longa, temos que deixá-la ainda mais enxuta”. � Diga o que você espera dele, não assuma que é obvio. Se possível, trate como um desafio. Em resumo, os principais motivos de estresse do Desempenhador são: › Não ter feedback de seus esforços. › Não identificar uma solução favorável. › Sentir-se impotente diante das situações por depender de terceiros ou circunstâncias externas. 96Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 96 Importante Dica de ouro: Lembre-se que o Desempenhador se orienta por meio dos feedbacks, então use e abuse. Deixe claro qual é o alvo o objetivo, a meta. 3.4 COMO LIDAR COM O CRÍTICO DO TIPO 4 Você viu na introdução que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Observe então as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Crítico do Tipo 4: 1º O que estressa o Crítico, intensificando o Vício Emocional da Inveja e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Crítico do Tipo 4 temos uma armadura diferente, que alguns nem compreendem direito, mas é assim que ele gosta. Não veremos uma armadura padrão, modelo standard, pois ele investe grande parte de sua energia em colocar o seu próprio jeito nas coisas e sendo assim, a armadura irá representar esta maneira única de ver a vida. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a integrar sua própria identidade nas ações e relacionamentos, que sua sensibilidade aguçada e perspectiva pessoal sobre as coisas são algumas de suas maiores qualidades. Que você tem uma voz interna que acredita que a vida deve ter um sentido e significado mais profundo do que apenas o dia a dia. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? “Já sei! É só me colocar de uniforme fazendo uma atividade rotineira, daquelas que qualquer outro no meu lugar faria”. Claro, o Crítico precisa de espaço para expressar algo de si e quando se encontra em situações onde tem que se submeter a uma ordem comum que limita sua individualidade, ou a uma exigência de comportamento “mecânico”, sente-se sufocado. Mesmo que seja essencial para o Crítico a expressão de sua identidade e de sua maneira pessoal de interpretar as situações, nem sempre ele se coloca em um lugar que lhe ofereça isso, ou seja, por vezes ele mesmo se coloca em situações de limitação. Colocar-se em uma posição desfavorável, que alimente um ciclo de dependência e insatisfação pode ser uma armadilha para quem necessita expressar sua identidade. 97Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 97 Mas lembre-se que isso pode fazer parte do anseio Tipo 4. Colocar-se em situações onde se evidencia a falta: “É, comigo é sempre assim”! 2º Como lidar com o Perfeccionista para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Compreenda que eles são emocionalmente instáveis. O Crítico não é conhecido por ter um humor estável e isso não é necessariamente algo ruim. Dependendo de como está se sentindo poderá ter uma diferente interpretação dos fatos. Isso pode deixar alguns Tipos mais estáveis, como o Ansioso do Tipo 6 e Perfeccionista do Tipo 1, um pouco inseguros. Como o Crítico é um dos mais sensíveis de todos os Tipos, é natural que tenha maior flutuação de humor e é importante para quem quer lidar melhor com ele não se identificar com isso, esperando que ele tenha uma atitude mais estável. � Permita certo espaço para que ele dê o “jeito dele” nas coisas. Se você não der espaço para o Crítico se expressar terá o pior de sua flutuação de humor. Neste sentido não é só importante dar espaço, mas muitas vezes oferecer espaço. Isso pode ser bastante útil em áreas em que se necessita fazer uma revisão, uma releitura ou ainda simplesmente inovar. Aviso: Se você perguntar a opinião ou solicitar uma sugestão paraum Crítico, esteja disposto a ouvir algo inusitado. Se não estiver disposto a mudar, foque em outra área. � Não se identifique com as queixas. Muitas vezes as pessoas que convivem com o Crítico acabam se identificando com o traço queixoso e acreditam que ele quer realmente mudar a situação. Compreenda que muitas vezes a queixa ou o falar o que sente é apenas uma maneira de desabafar, e não necessariamente uma reivindicação. Importante Dica de Ouro: O Crítico do Tipo 4 tem grande habilidade em criar uma atmosfera ao seu redor, tanto positiva, quando está expressando de si, quanto negativa, quando sente que tem que se conformar. Em resumo, os principais motivos de estresse do Crítico do Tipo 4 são: › Sentir-se ordinário, comum. › Sentir-se impedido de se manifestar. › Ter que se submeter a processos rotineiros e mecânicos. 98Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 98 3.5 COMO LIDAR COM O OBSERVADOR DO TIPO 5 Lembre-se que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Agora, observe as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Observador do Tipo 5: 1º O que estressa o Observador, intensificando o Vício Emocional da Avareza e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Observador do Tipo 5 temos uma armadura das mais discretas, se puder passar despercebido ainda melhor. Ela vem junto com HD externo com espaço de sobra para o armazenamento de informações. Algumas delas têm também um botão de invisibilidade, possibilitando maior conforto para o observador e uma redoma de vidro inquebrável impedindo a invasão. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a evitar a invasão, desenvolvendo relações onde esteja em uma posição não dependente, e ainda, que a análise e a racionalidade são as suas maiores qualidades. Que sua convicção é de que as pessoas ganhariam muito mais se refletissem e cuidassem de suas próprias vidas. Na verdade, o Observador tem uma grande habilidade em analisar e desenvolver sua própria teoria sobre as coisas. Sendo assim, não é o fato de alguma situação não estar totalmente clara que necessariamente irá lhe estressar. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Quando tem que lidar com uma situação que não compreende totalmente? O que de fato estressa o Observador é se sentir invadido. Seja por uma opinião impositiva: “Isso é assim e pronto” ou seja por uma atitude invasiva. Uma das maneiras de recuperar o espaço pessoal é dando uma informação que satisfaça o outro e retire a demanda de atenção sobre ele. Há uma questão no Observador relacionada com a liberdade, que diferentemente do Sonhador do Tipo 7, é compreendida como autonomia e independência. Como a análise e a racionalização são os principais meios de compreensão da realidade para o Observador, quando esta exige outra perspectiva que não é possível pela razão, tendem a se estressar: “Mas existe outra maneira de compreender as coisas a não ser pela razão”? 99Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 99 Existe parte da realidade que só compreendemos pela experiência, pelo empirismo, como quando queremos compreender o amor, a autorrealização, a lealdade etc. 2º Como lidar com o Perfeccionista para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Não demonstre muita empolgação. Quem fala muito empolgado tende a deixar o Tipo 5 confuso, pois como ele está querendo entender o que é dito, a empolgação se torna um ruído na comunicação. � Ofereça mais informação do que opinião. � Saiba que sobre pressão eles tendem a dizer “não”. Importante Dica de Ouro: Não é uma boa ideia passar na casa do Observador sem avisar. Respeite sua necessidade de privacidade, mesmo que lhe pareça um exagero. Se ele estiver mais fechado do que o normal, comunique o que percebeu e se ofereça para, quando ele quiser, conversar sobre o assunto. Lembre-se que fazer amizade com o Observador é fazer amizade com os caracóis, que quando tocados em suas antenas escondem-se em sua concha. 3.6 COMO LIDAR COM O ANSIOSO DO TIPO 6 O segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Observe as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Ansioso do Tipo 6: 1º O que estressa o Ansioso, intensificando o Vício Emocional do Medo e aumentando o sequestro da consciência? Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que você se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Ansioso do Tipo 6 temos dois tipos de armaduras, uma Fóbica, e outra Contrafóbica. A armadura Fóbica é revestida com paredes duplas, tem GPS e espelho Em resumo, os principais motivos de estresse do Observador são: › Sentir-se invadido. › Demanda e exigência de atenção pessoal. › Ter que lidar com intransigência. 100Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 100 retrovisor. Dificilmente a veremos apresentando algum problema de funcionamento, pois o Ansioso do Tipo 6 investe grande parte de sua energia nas revisões periódicas que garantam seu bom funcionamento. Já a armadura Contrafóbica conta com alguns opcionais que são espetos retráteis que se autoativam em circunstâncias de possíveis ameaças. Coloque-se então nestas armaduras, primeiramente a Fóbica e depois a Contrafóbica, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a garantir segurança e evitar ser pego de surpresa, que estar atento e se preparar para as situações são algumas de suas maiores qualidades. Que você tem grande convicção que a base das relações é a confiança, ou seja, que lealdade é fundamental. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Ser pego de surpresa ou que mintam para você? Em primeiro lugar é importante relembrar que há uma área comum entre os Ansiosos do Tipos 6 Fóbicos e Contrafóbicos, que estressa a ambos. Esta área comum é a mentira. Sentir que está sendo enganado, ou que estão faltando com a verdade não é algo fácil de lidar para os Ansiosos: “Ele tinha que me dizer a verdade, não interessava qual fosse”. “Como poderei confiar nesta pessoa novamente”? Fora a área da mentira, o que estressa o Ansioso Fóbico é um pouco diferente do que estressa o Contrafóbico. Para o Ansioso Fóbico há a necessidade de ter as regras claras, procedimento preestabelecidos, ou que se conheça com quem se pode contar, para que ele se sinta seguro a respeito do que esperam dele. A necessidade de regras claras está relacionada com o anseio de aprovação e o evitar ser reprovado ou decepcionar aqueles que lhe são importantes. Quanto ao Ansioso Contrafóbico, o estresse está mais relacionado a sensação de ser subjugado e controlado, evitando situações nas quais se torne refém da situação. Na cena da reunião com a diretoria, quem o diretor trouxe ao subconsciente do Ansioso Contrafóbico? Claro, o pai e quase que imediatamente a reação de “ninguém manda em mim”! Figura 24 - Ansioso Contrafóbico Quem é que vai fazer esses procedimentos que o senhor está falando? Fonte: Senac EaD (2017). 101Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 101 Em termos gerais, também podemos dizer que tanto o Fóbico quanto o Contrafóbico querem ter o controle das situações. Seja porque, no caso do primeiro, sabe o que está sendo feito: “Agora sim,me sinto seguro com o que esperam de mim”. Seja, para o Contrafóbico, por estar no controle das ações: “Prefiro mandar do que ser mandado”! 2º Como lidar com o Ansioso para evitar o estresse e ter o melhor na relação? Para Fóbicos e Contrafóbicos: � Passe segurança no que diz. Caso você não saiba a resposta, diga que não sabe, mas passe segurança. � Evite generalizações. � Se prometeu, cumpra; se não pode cumprir, não prometa ou avise com ante- cedência. Em outras palavras podemos dizer que é importante responder o como, o quando, o onde e o porquê. Sem estas informações a mente do Ansioso abre uma “lacuna mental”, que será preenchida com todas as possibilidades que lhe passarem pela cabeça. Tudo isso para não ser pego de surpresa. Serão vários cenários, otimistas, pessimistas e realistas, o que consumirá grande parte da energia do Ansioso. Os principais motivos de estresse do Ansioso Fóbico são: › Não ter claro o que esperam dele. › Mudanças inesperadas. › Não poder confiar. Quanto ao Ansioso Contrafóbico os principais motivos de estresse são: › Sentir-se ameaçado. › Ter que se submeter. › Depender ou ser refém de alguma situação. 102Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 102 Conversa - Então João, você poderia me enviar aquele relatório que mostrou na reunião para que eu possa usar na diretoria quarta-feira da semana que vem? – Questionou Paula. - Claro, Paula! Pode deixar que eu envio por e-mail. Abraço. – Respondeu João. Na terça-feira da semana seguinte, Paula conversa consigo mesma: - “Já é terça-feira e nada do e-mail do João com o relatório para amanhã. E se o João se esqueceu de enviar o relatório? Esse ele me enviou e este e-mail não chegou? Será que ele enviou mesmo? Será que ele não está me aprontando uma? Não! O João é gente boa, deve ter acontecido algo. E se...” Se o João tivesse usado a regra do como, quando, onde e o porquê, a Paula não teria aberto uma “lacuna mental” e não estaria com tanta “minhoca na cabeça”. Note que neste exemplo, o João não deixou lacunas. Confirmou que iria enviar, disse quando e deu ainda um plano B, caso não chegasse até às 11h, ela entraria em contato com ele. Com relação aos Contrafóbicos: � Evite insinuações e comunique-se de forma direta. Para os Ansiosos em geral é importante a questão do “olho no olho”. Com o Contrafóbico, este “olho no olho” não deve ser confundido com a postura de quem está tirando satisfação. Sendo assim, podemos dizer que olhe de igual para igual, não de cima para baixo, com tom de autoridade: “Quero falar com você”? Nem de baixo para cima, em tom de submissão excessiva: “Desculpe incomodar, mas poderia falar com o senhor”? O ideal é o de igual para igual: “Jorge, você tem um minuto para mim”? � Lembre-se que eles precisam se sentir no controle, ou pelo menos compartilhando-o. Importante Dica de Ouro: Lembre-se das “lacunas mentais”. Não deixe espaço aberto para as suposições do Ansioso do Tipo 6. Se o Contrafóbico começar a levantar o tom de voz, lembre-se que deve estar se sentindo ameaçado e está apenas reagindo. Ofereça espaço para que ele coloque seus questionamentos e o ouça com atenção. Sem este espaço você entrará em uma situação onde tudo o que disser poderá ser usado contra você. 103Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 103 3.7 COMO LIDAR COM O SONHADOR DO TIPO 7 Lembre-se que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Observe então as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Sonhador do Tipo 7: 1º O que estressa o Sonhador, intensificando o Vício Emocional da Gula e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Sonhador do Tipo 7 temos uma armadura multimídia, com música ambiente, frigobar e Wi-Fi. Não veremos tédio nem falta de opções, pois ele investe grande parte de sua energia dando manutenção a esta armadura, buscando mais alternativas, fazendo os últimos upgrades e tornando tudo isso muito interessante. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a fazer do limão uma limonada, que a criatividade e a improvisação são algumas de suas maiores qualidades. Que você tem grande convicção que tudo sempre acaba bem, e se não estiver bem é porque não acabou ainda. O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Ter que lidar com uma situação muito difícil? Não saber como lidar com a situação? Na verdade, o Sonhador tem uma grande habilidade em improvisar e lidar com situações aparentemente impossíveis. Muitas vezes estas situações são como um desafio. O que de fato estressa o Sonhador é a perda da liberdade. A mente do Sonhador foca nas possibilidades e a liberdade é o contexto para que se possa explorá-las. Mas aqui é importante compreender que não é porque ele tem liberdade que irá abusar dela. Normalmente o que faz com que o Sonhador abuse da liberdade é a ameaça ou limitação dela. Sem liberdade, o Sonhador sente-se sufocado e intensifica ainda mais seu anseio por ela. Em resumo, os principais motivos de estresse são: › Perda da liberdade. › Ter que se submeter a rotinas metódicas. › Ter que se adequar à situação. 104Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 104 2º Como lidar com o Sonhador para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Diga-lhe “o que” você quer, não fique dizendo “como”. Quando você oferece muitos detalhes no como fazer uma tarefa ou atividade, tira do Sonhador todo o prazer de construir do seu jeito por meio do campo das possibilidades, ou seja, tira sua liberdade. Lembre-se que ser ou não fácil é um ponto de vista e o Sonhador se estimula com um desafio novo. � Desafie-o, mas não coloque um peso sobre seus ombros. � Quando o Sonhador estiver muito empolgado com algo utópico, deixe que ele caia em si, sem se identificar muito com o tema querendo mostrar o irreal da situação. Duvidar de suas ideias só lhe deixará mais apegado a elas. Importante Dica de Ouro: Lembre-se que o Sonhador se motiva com o dinamismo. Aponte o objetivo e desafie-o a buscar soluções criativas. Não espere que ele “ande na linha”. 3.8 COMO LIDAR COM O MANDÃO DO TIPO 8 Lembre-se o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Observe então as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Mandão do Tipo 8: 1º O que estressa o Mandão, intensificando o Vício Emocional da Luxúria e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Mandão do Tipo 8 temos uma armadura que é mais um elmo romano do que propriamente uma armadura. Para o Mandão isso e sua espada são o suficiente para ir para a batalha. O grande investimento de energia do Mandão é na busca por uma boa batalha. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a lutar pelo que se quer, que a audácia e o destemor são algumas de suas maiores qualidades. Que você tem grande convicção de que a vida é uma luta e que você nasceu para triunfar. 105Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 105 O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? “ Já sei, quando não há nenhum desafio, nenhuma luta”! Na verdade, o Mandãonão precisa encontrar um desafio. Ele cria o próprio desafio, mesmo onde não há. O que de fato estressa o Mandão é quando querem tirar dele o que lhe é mais precioso: o poder de decidir. Conversa - Este é o meu marido, disse Maria a sua amiga Cláudia, mostrando a foto do marido no computador - Ele é um louco. No mês passado entrei em contato com uma pousada super legal que me foi recomendada por amigos. Eles me enviaram um folder com informações e cotações para as datas que solicitei. Mostrei para ele dizendo que este era um lugar legal para passarmos as férias. Ele mal olhou para o folder e já saiu criticando: “Imagine este lugar é uma porcaria, eu vou lhe mostrar um bom lugar para passarmos as férias”. Na semana seguinte, ele veio com outro folder, de outra pousada com o mesmo preço, mas bem inferior em relação à outra que sugeri. Disse que este sim era um lugar para tirarmos as férias, não aquela porcaria que eu propus. - Veja se ele não é um louco! - Mas Maria, quantos anos vocês vivem juntos? - Questionou Cláudia. - Ah, já faz mais de 15 anos. – Respondeu Maria. - Me desculpe Maria, mas então a louca é você. - Como assim? – Perguntou Maria. - Quinze anos juntos e ainda não entendeu que com ele o “goela abaixo” não funciona? Diferentemente do Ansioso do Tipo 6 Contrafóbico, o Mandão do Tipo 8 pode não se interessar tanto pelos detalhes operacionais, mas ele quer ser aquele que decide. O Mandão investe muita energia para estar e se manter em uma posição de poder, na maioria das vezes de forma inconsciente. Quando alguém ou algo ameaça esta posição teremos um momento de estresse. Em resumo, os principais motivos de estresse do Mandão são: › Ter que se submeter. › Perder espaço de poder. › Que alguém decida no lugar dele. 106Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 106 2º Como lidar com o Mandão para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Não vá pelo caminho da imposição. Procure lhe dar opções de forma que a decisão continue sendo dele. Você se lembra da Maria? Ela poderia influenciar a decisão do marido no lugar de impor. Lembre-se de influenciar, não de decidir por ele. � Não se identifique com o seu jeito agressivo. É o jeito dele e não é pessoal. � Seja assertivo, oferecendo seu ponto de vista, sem que este se mostre como único ou detentor da verdade. É importante que você entenda que quando afirma algo como dono da verdade está praticamente desafiando o Mandão. Todos estes exemplos são como se o estivéssemos chamando para o confronto, para a arena, que é a casa do Mandão do Tipo 8. Importante Dica de Ouro: Com o Mandão do Tipo 8, seja o “pescoço”, não a “cabeça”. Aponte para as possibildades e deixe-o escolher. O Mandão gosta de pessoas que mostrem seu poder pessoal, seja ele qual for. Mas lembre-se de lutar com ele e não contra ele. 3.9 COMO LIDAR COM O ANTICONFLITO DO TIPO 9 Lembre-se que o segredo para ter o melhor na relação e evitar o estresse é respeitar os limites da satisfação dos anseios de cada Tipo. Agora, observe as duas perguntas relacionadas ao como lidar com o Anticonflito do Tipo 9: 1º O que estressa o Anticonflito, intensificando o Vício Emocional da Indolência e aumentando o sequestro da consciência. Para que você compreenda o que estressa cada Tipo e intensifica o Vício Emocional é necessário que se coloque no lugar deles, vestindo o sapato de cada um, ou ainda, se cada Tipo representa um mecanismo de defesa infantil, que você possa vestir a armadura que cada Tipo criou para si mesmo. No caso do Anticonflito do Tipo 9 temos uma armadura simples, confortável e extremamente adaptável. Não a veremos gerando muitos problemas, pois o Anticonflito investe grande parte de sua energia evitando o conflito e adaptando a armadura ao contexto do momento. Coloque-se então nesta armadura, imaginando que grande parte de sua energia é dedicada a evitar o conflito e gerar um ambiente harmônico, que a aceitação e paciência são algumas de suas maiores qualidades. Que você tem grande convicção que a maioria das pessoas faz muito por muito pouco, ou seja, tempestades em copos d’água. 107Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 107 O que você acredita que poderia lhe estressar nesta condição? Alguém querendo entrar em conflito comigo? Iiiiih, vai ter que querer muito este conflito para que consiga me tirar do sério! Deu para perceber que não é tão fácil fazer o Anticonflito entrar em uma posição de confronto. Não que isso nunca ocorra, pois em defesa do outro o Anticonflito pode ser bastante ativo: “Não consigo aceitar esta injustiça”. Mas este movimento continua sendo uma busca de equilíbrio entre as partes, que em uma situação de injustiça, estão desequilibradas. Não é bem assim! O que de fato gera o estresse e intensifica o seu Vício Emocional é a pressão. De fato, o Anticonflito é um dos que mais aguenta pressão. Muitos acabam lhe dizendo que não aguentariam metade do que ele aguenta. A pressão aqui é focada na demanda por um posicionamento pessoal, uma decisão pessoal ou por uma iniciativa. Quando pressionados a fazer algo específico podem simplesmente fazê-lo e com isso eliminar a pressão. Mas isso é diferente quando não há algo específico e é o Anticonflito que tem que desenvolver a demanda. Sob pressão, o frágil discernimento causado pela Indolência, fica em xeque e a ausência de uma saída pronta, uma orientação externa ou um procedimento a cumprir, gera uma pressão interna que se torna insuportável. Mesmo que a caixa d’água do Anticonflito seja maior do que a de todos os outros Tipos, chega um momento em que ela enche. Como percebe a realidade a partir de um foco na mediação, tendem a se estressar quando a solução não está nela, pois como há uma fixação neste ponto de vista continuam a buscar o mesmo tipo de solução mediadora. Mas existem momentos em que é preciso tomar decisões que não serão necessariamente justas, mas que precisam ser tomadas. Em resumo, os principais motivos de estresse do Anticonflito são: › Pressão. › Exigência de posicionamento pessoal. › Ter que tomar um partido quando acredita na mediação. 108Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 108 2º Como lidar com o Anticonflito para evitar o estresse e ter o melhor na relação? � Evite pressioná-lo quando necessita uma decisão pessoal. Transferir sua ansie- dade e preocupações para o Anticonflito não lhe deixará em melhor condição para decidir. O jeito com que eles se organizam é mais saudável quando podem fazê-lo de forma harmônica. Mesmo que seja uma decisão que leve a uma cisão. Uma boa maneira é oferecer um prazo para tal. � Evite querer “ajudá-lo” oferecendo uma solução pronta. Isso só irá gerar mais pressão. Decidir pelo Anticonflito irá gerar ainda mais dependência. Dê espaço para ele lidar com as consequências de suas próprias decisões. Pergunte que tipo de resultado ele espera, isso pode ajudá-lo a organizar suas ideias. � Ouça-o, mesmo que ele divague um pouco, não assuma que já entendeu. Importante Dica de Ouro: Lembre-se que o Anticonflito é como um transatlântico saindo do porto, pode parecer devagar mas ele irá cruzar o oceano. Não exija dele a agilidade de um jet-ski. 109Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades CONSIDERAÇÕES Você chegou ao final do curso. Como você viu na apresentação, nossa proposta é a de ampliar a sua capacidade de conhecer melhor a si e ao seu cliente. Para tal, nosso foco principal foi a influência das emoções na maneira com que percebemos a realidade e reagimos as situações. Vimos que dependendo da emoção que está mais presente na pessoa, temos comportamentos específicos que chamamos de padrões de comportamento. Você investigou a presença de nove emoções em você e pela descrição dos comportamentos que elas sustentam pôde lembrar de um monte de gente deseu convívio. Mas o principal foi identificar qual é o seu Vício Emocional. Lembre-se que quanto menos consciente você é dessa emoção, mais ela sequestra sua consciência e você acaba agindo com um padrão de comportamento. Claro que o trabalho de autoconhecimento de suas emoções não acaba aqui. Na verdade, acreditamos que deva ter começado aqui. Pois da mesma forma que podemos melhor regular nossa respiração quando nos tornamos conscientes dela, também podemos melhor regular nossas emoções quando estamos mais conscientes delas. O pulo do gato nesse processo de autoregulação é perceber a influência das emoções logo cedo, quando você está começando a ficar irritado, por exemplo, pois uma vez que você já esteja envolvido com uma emoção, pode levar algum tempo para sair de sua influência. É como se você tivesse bebido um litro de uísque e perguntasse: “Como faço para dirigir até em casa”? Não há nada que se possa fazer. Vá de taxi e beba bastante água. Com as emoções é a mesma coisa, uma vez que a bioquímica das emoções esteja em sua corrente sanguínea, da mesma forma que no exemplo do álcool, você precisará um tempo para que ela se dilua e diminua a influência sobre você. Por isso o pulo do gato é percebê-la na primeira dose, que é quando você ainda tem livre arbítrio. Essa maestria sobre a emoções se conquista com o tempo, mantendo a consciência desperta e percebendo como cada emoção reage em você. Mas não se preocupe que não é necessário que você fique se policiando 24h por dia. Basta incluir a percepção de si em seu dia a dia, e não ficar tão sequestrado pelo que acontece ao redor. 110Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades 110 Podemos lhe garantir que vai ficando cada vez mais fácil. Por último, aproveite o material que deixamos em sua apostila, com dicas de como lidar com o outro. Elas podem ser muito úteis com seus clientes, colegas de trabalho e família. Atenção Agora que você finalizou a leitura do Material de Estudo, retorne à sala virtual e realize a Atividade Avaliativa. Lembre-se que para ser aprovado no curso é essencial realizar a atividade avaliativa e atingir um aproveitamento superior ou igual a 70%. 111Entendendo a si mesmo e ao seu cliente: Eneagrama das Personalidades REFERÊNCIAS CUNHA, D.; CARLOS, L. Quem é Você? Construindo a pessoa à luz do eneagrama. São Paulo: Editora Paulus, 2010. CHABREUIL, F.; CHABREUIL, P. A Empresa e seus Colaboradores: Usando o eneagrama para otimizar recursos. Santana: Madras, 1999. PALMER, H. O Eneagrama no Amor e no Trabalho. São Paulo: Edições Paulinas, 2009. SCHULTZ, M. Competências emocionais o eneagrama na gestão de pessoas. Disponível em: www.eneagrama.com.br. Acesso em: 14 fev. 2017.