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AULA 1 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Esta é a disciplina de Contabilidade Internacional, que busca demonstrar os principais aspectos e técnicas para padronizar os relatórios contábeis às normas internacionais de relatórios financeiros, de modo a proporcionar o entendimento e análise destes pelos interessados. Nos anos de 1970, nasceram as Normas Internacionais de Contabilidade – IAS, para mais tarde, em 2001, passarem a ser chamadas de International Financial Reporting Standarts (IFRS) – Normas Internacionais de Relatórios Financeiros, que são regras, fundamentos e princípios que unificam os padrões contábeis. Com o processo da globalização, que tem como objetivo diminuir as barreiras existentes entre os países, a contabilidade passou a exercer um novo papel, que é o de buscar um consenso sobre as informações financeiras e, para tanto, foi necessário adequar as demonstrações para uma linguagem universal dos negócios. Dentro desse contexto, a Lei n. 11.638/2007 estabeleceu as bases para que as IFRS possam ser aplicadas pelas empresas brasileiras. Para as empresas mundiais, a adoção de normas internacionais de contabilidade traz vantagens econômicas na forma de atração de maior volume de investimentos, uma vez que as informações contábeis passam a ser mais confiáveis e comparáveis para resistir à variedade de transações e operações do mercado internacional. O foco da nossa disciplina será o conhecimento das normas internacionais de contabilidade, o processo de sua aplicação e a interação com os pronunciamentos técnicos emitidos pelos Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Nesta aula, vamos abordar os seguintes assuntos: 1. Organismos responsáveis pela contabilidade no mundo; 2. Causas das divergências na contabilidade; 3. Processo de harmonização no Brasil; 4. Comitê de pronunciamentos contábeis; 5. Vantagens e desvantagens da harmonização das normas. TEMA 1 – ORGANISMOS RESPONSÁVEIS PELA CONTABILIDADE NO MUNDO O avanço da globalização da economia fez com que a interdependência dos negócios entre os países se tornasse cada vez maior, de modo a exigir dos 3 envolvidos permanentes atenção às mudanças e à normatização das informações contábeis e financeiras. A observância dos princípios, regras e procedimentos contábeis ajuda os interessados no processo de tomada de decisões, desde que estas sejam transparentes e claras, para evitar diferentes interpretações que possam diminuir a credibilidade dos relatórios econômicos e financeiros. Muito embora cada país tenha as suas normas e procedimentos contábeis que devem ser adotados internamente, são grandes as dificuldades de transpor as contas da empresa de um país para outro. Por isso, foi necessário às empresas adotar uma harmonização das normas brasileiras às normas dos outros países, com a elaboração de demonstrações contábeis com regras uniformes e homogêneas para que todos os interessados possam se utilizar de informações comparáveis e confiáveis nos seus processos de decisão. Para viabilizar essa harmonização global, o International Accounting Standards Board – IASB emitiu um conjunto de normas contábeis denominado International Financial Reporting Standards – IFRS. A adoção das Normas Internacionais de Contabilidade permite solucionar vários problemas para os investidores que pretendem realizar transações e investimentos externos, uma vez que cada país possui seus princípios e técnicas e que causam entraves para o entendimento e adaptação dos relatórios contábeis. Dentro do contexto da globalização, a contabilidade é fundamental, pois ela traz os elementos necessários para formar um entendimento comum das informações de natureza financeira, econômica e patrimonial, ou seja, é um tipo de linguagem universal dos negócios. Assim, quanto às normas internacionais de contabilidade, é possível elencar a participação dos seguintes órgãos: • International Accounting Standards Board (IASB); • Financial accounting standards board (FASB); • The international organization of securities commission (IOSCO); • Organization for economic cooperation and development (OECD). 1.1 International Accounting Standards Board (IASB) O IASB é uma organização internacional sem fins lucrativos do setor privado que, no âmbito normativo e regulatório, cria, publica, atualiza e dissemina 4 as normas internacionais de contabilidade, sempre buscando a convergência dos relatórios financeiros com as normas nacionais de cada país. Essa organização, inicialmente criada pelo acordo entre 09 países, no ano de 1973, ainda com o nome de IASC (International Accounting Standards Committee), comissão esta que foi a primeira tentativa de normalização contábil internacional e emitia os pronunciamentos sobre as normas internacionais de contabilidade – IAS (Internnational Accounting Standards). A partir de abril de 2001, a organização passou a se chamar de IASB – International Accounting Standards Board (Quadro Internacional de Normas Contábeis) e já contava com a adesão de profissionais de outros países, cujo objetivo principal é desenvolver, com base em princípios claramente articulados, um conjunto único de normas de contabilidade de alta qualidade, de fácil compreensão e execução e aceitos mundialmente. Atualmente, a sede do IASB está localizada em Londres e conta com a experiência de mais de 140 diferentes entidades profissionais da contabilidade, originárias do mundo todo, inclusive do Brasil, por meio do IBRACON – Instituto dos auditores independentes do Brasil e do CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Segundo Müller (2019), os principais objetivos do IASB são os seguintes: 1. Elaborar e publicar, notoriamente, normas contábeis internacionais, que deverão ser observadas nos relatórios contábeis; 2. Promover a aceitação e a adoção pra´ticas de tais normas em escala mundial. Cabe às organizações profissionais membros do IASB colaborar com o fiel cumpriemento das suas normas, zelar para que as publicações respeitem tais normativas e observar, junto aos órgãos responsáveis em cada país, para que os relatórios contábeis sejam publicados e se ajustem de acordo com as normas internacionais. O conjunto de normas contábeis e criadas pelo IASB é denominado International Financial Reporting Standards – IFRS (ou Normas Internacionais de Relatório Financeiro) e cada uma delas trata de assuntos específicos, porém em algumas situações é harmonizar a situação adotando-se mais de uma norma. Até agora, o IASB publicou 41 Normas Internacionais de Contabilidade, sendo que algumas já foram revogadas e as que permanecem em vigor em 2020 são 32, as quais são constantemente revisadas. 5 No Brasil, as principais entidades que participam da convergência contábil por meio de suas normatizações são: o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central do Brasil (Bacen) e o Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (Ibracon) De acordo com Müller, Scherer e Cordeiro (2019), as normas internacionais de contabilidade já criadas e que se encontram em vigor no ano de 2020 são as seguintes: • IAS 1 – Apresentação das demonstrações contábeis; • IAS 2 – Estoques – Inventários; • IAS 7 – Demonstração dos fluxos de caixa (das mutações na posição financeira); • IAS 8 – Práticas contábeis, mudanças de estimativas contábeis e erros; • IAS 10 – Contingências e eventos ocorridos após a data do balanço; • IAS 11 – Contratos de construção; • IAS 12 – Contabilização do Imposto de renda; • IAS 16 – Ativo imobilizado; • IAS 17 – Arrendamentos; • IAS 18 – Receitas; • IAS 19 – Custos de benefícios de aposentadoria a empregados;• IAS 20 – Subvenções governamentais e divulgação da assistência governamental; • IAS 21 – Efeitos de mudanças em taxas de câmbio estrangeiras; • IAS 23 – Custo de empréstimos – capitalização dos encargos financeiros; • IAS 24 – Divulgação de partes relacionadas; • IAS 26 – Contabilização e demonstração financeira de planos de benefício de aposentadoria; • IAS 27 – Demonstrações contábeis consolidadas e contabilização de investimentos em subsidiárias; • IAS 28 – Contabilização de investimentos em associadas – Sociedades coligadas; • IAS 29 – Demonstrações contábeis em economias hiperinflacionárias; • IAS 30 – Divulgações nas demonstrações contábeis de bancos e instituições financeiras similares; 6 • IAS 31 – Participação em empreendimentos em conjunto (joint ventures); • IAS 32 – Instrumentos financeiros: divulgação e apresentação; • IAS 33 – Lucro por ação; • IAS 34 – Relatórios financeiros provisórios (intermediários); • IAS 36 – Redução no valor recuperável de ativos (descapitalização de ativos); • IAS 37 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes; • IAS 38 – Ativos intangíveis; • IAS 39 – Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração; • IAS 40 – Propriedades para investimento (investimentos em imóveis); • IAS 41 – Agricultura; • IFRS 1 – Adoção de IFRS pela primeira vez; • IFRS 2 – Pagamentos baseados em ações; • IFRS 3 – Combinação de negócios; • IFRS 4 – Contratos de seguro; • IFRS 5 – Ativos não correntes mantidos para venda e operações descontinuadas; • IFRS 6 – Exploração e avaliação de recursos minerais; • IFRS 7 – Instrumentos financeiros: evidenciação; • IFRS 8 – Informações por segmento; • FRS 9 – Instrumentos financeiros; • IFRS 10 – Demonstrações consolidadas; • IFRS 11 – Negócios em conjunto; • IFRS 12 – Divulgação de participações em outras entidades; • IFRS 13 – Mensuração do valor justo; • IFRS 15 – Receita de contrato com cliente; • IFRS for SMES – Contabilidade para pequenas e médias empresas com glossário de termos. 1.2 Financial Accounting Standards Board (FASB) FASB é o conselho de padrões de contabilidade financeira que foi criado em 1973, e trata-se de uma instituição sem fins lucrativos com a finalidade de unificar os procedimentos contábeis financeiros das empresas privadas e não 7 governamentais. Por se tratar de uma entidade independente seus membros não podem estar vinculados ao mercado de ações. De acordo com Müller, Scherer e Cordeiro (2019, p. 130): A missão do FASB é, basicamente, estabelecer e aperfeiçoar padrões (práticas) de contabilidade e divulgação financeira. Deve-se observar que o estabelecimento desses padrões é tido como fundamental para o correto funcionamento dos mercados de capitais norte-americanos. O FASB emite os seguintes documentos: a. SFAS (Statement of financial accounting standards) é um pronunciamento sobre procedimentos de contabilidade financeira, que estabelece métodos e procedimentos para questões contábeis específicas, criando oficialmente, princípios de contabilidade geralmente aceitos. (GAAP); b. FASIS (Fasba Interpretations – Interpretações do FASB), que modificam ou ampliam tratados em pronunciamentos do FASB; c. Technical bulletins (boletins técnicos), que orientam sobre problemas contábeis e demonstrações financeiras 1.3 The International Organization of Securities Commission (IOSCO) – Organização Mundial das Comissões de Valores Mobiliários O IOSCO tem como objetivos incentivar e promover o desenvolvimento e a integridade do mercado de capitais por meio da aplicação das normas de contabilidade internacionais. Para Niyama (2010), seus objetivos são: a. Auxiliar para a promoção de altos padrões de regulamentação de mercado de capitais, refletindo um mercado justo, eficiente e sadio; b. Fomentar a troca de informações e experiências visando ao desenvolvimento do mercado de capitais domésticos; c. Estabelecer padrões e efetivo monitoramento de transações internacionais, envolvendo títulos; d. Fomentar a integridade do mercado por meio de uma rigorosa aplicação de padrões regulatórios. 8 1.4 Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) – Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica O OECD (Organização Econômica Intergovernamental) foi fundada em 1961 com o objetivo de incentivar o progresso econômico e o comércio mundial, bem como atuar como mediador para que os países membros possam se consultar a respeito de problemas econômicos preocupantes, por exemplo, balança de pagamentos (Niyama, 2010). As suas publicações, voltadas à harmonização contábil, são feitas por um grupo de trabalho e tratam de padrões contábeis, questões econômicas e sociais, tais como macroeconômicas, comércio, educação e ciência. TEMA 2 – CAUSAS DAS DIVERGÊNCIAS NA CONTABILIDADE ENTRE AS NORMAS INTERNACIONAIS E NACIONAIS Cada país é influenciado pelos seus valores culturais e pelas suas estruturas políticas e econômicas, o que se reflete em todas as áreas da gestão dos negócios, inclusive na contabilidade. É nela que os principais agentes econômicos, financeiros e fiscais se baseiam para avaliar as informações sobre os resultados dos negócios, os riscos para realizar investimentos, a arrecadação de tributos e o cumprimento das obrigações legais. Porém, a linguagem da contabilidade não é igual para todos os países, uma vez que cada um tem suas técnicas e práticas contábeis próprias e segue sua legislação interna. Mas com o processo da globalização a contabilidade passou a exercer um novo papel que é o de buscar um consenso sobre as informações financeiras e a harmonização contábil internacional, cujo processo tem como objetivos a compreensão de uma linguagem única e a comparabilidade das demonstrações financeiras. Apesar das divergências, para Niyama (2010), é possível um agrupamento de técnicas e práticas contábeis que permitam compreender melhor as causas dessas diferenças internacionais em busca de harmonização. Mas quais são as principais causas das divergências internacionais nos procedimentos utilizados para preparação e apresentação das demonstrações financeiras das empresas (financial reporting)? Vários autores já escreveram sobre estas causas e selecionamos a opinião de Niyama (2005), que resumiu as várias opiniões da seguinte forma: 9 • Características, natureza e tipo de sistema legal vigente; • Forma de captação de recursos pelas empresas, se vinculadas ao mercado de capitais ou ao mercado de crédito bancário com fonte governamental; • Nível de influência, credibilidade e status (amadurecimento) da profissão contábil; • Acidentes de percurso, invasões, localização geográfica, herança de ser colônia, linguagem etc.; • Nível de inflação, que pode ser alta ou baixa TEMA 3 – PROCESSO DE HARMONIZAÇÃO NO BRASIL Com a globalização e o ingresso dos países no mercado de negócios mundial, surgiu a necessidade de eles adequarem suas normas e técnicas contábeis para um sistema padronizado e unificado, possibilitando uma melhor compreensão das demonstrações financeiras e a comparabilidade destas entre os diversos interessados que prezam por uma boa gestão empresarial. Conforme já visto anteriormente nesta aula, a grande dificuldade para uma perfeita padronização das informações contábeis reside no fato de que cada país adota as suas regras e procedimentos contábeis, de acordo com os movimentos sociais, políticos, econômicos e fiscais locais, o que dificulta a transposição das contas das empresas de um país para outro, tanto no aspecto da entrada em novos mercados quanto para efeitos de consolidação das informações. No Brasil, o primeiro passo para a harmonização das normas internas aos padrões internacionais de contabilidade ocorreu com a publicação da Lei n. 11.638/07, que estabeleceu as bases para a padronização dosdemonstrativos contábeis ao padrão internacional. Essa lei trouxe disposições para as sociedades de grande porte relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras, inclusive na harmonização com as normas e padrões contábeis internacionais. O termo harmonização contábil é utilizado para denominar o processo de conformidade das normas brasileiras às normas internacionais, para tornar a contabilidade mais compreensível e útil no processo de tomada de decisões dos países signatários das normas, o que não significa que não haverá mais diferenças. Portanto, a harmonização busca diminuir as divergências entre as práticas contábeis dos países, mas sem ignorar as diferenças existentes entre eles. 10 TEMA 4 – COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi criado pela Resolução CFC n. 1.055/2005, de 7 de outubro de 2005, cujo objetivo está previsto no art. 3º da norma: Art. 3º O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) tem por objetivo o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais. (Brasil, 2005) Segundo Rios e Marion (2020): Por meio de pronunciamentos e outras orientações técnicas, cabe ao CPC produzir e divulgar princípios, normas e padrões de contabilidade que caminhem na mesma direção do padrão internacional, representado pelas normas IFRS (International Financial Reporting Standard), emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). em suas respectivas áreas de atuação, a CVM, o BACEN e demais órgãos e agências reguladoras podem adotar, no todo ou em parte, essas orientações técnicas. Ainda, de acordo com a Resolução n. 1.055/2005, os principais objetivos da harmonização das normas contábeis são: a. A redução de riscos nos investimentos internacionais (quer os sob a forma de empréstimo financeiro quer os sob a forma de participação societária), bem como os créditos de natureza comercial, redução de riscos essa derivada de um melhor entendimento das demonstrações contábeis elaboradas pelos diversos países por parte dos investidores, financiadores e fornecedores de crédito; b. A maior facilidade de comunicação internacional no mundo dos negócios com o uso de uma linguagem contábil bem mais homogênea; c. A redução do custo do capital que deriva dessa harmonização, o que no caso é de interesse, particularmente, vital para o Brasil. (Brasil, 2005) Até o final do ano de 2020, o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) já emitiu 51 pronunciamentos técnicos, com as orientações e padrões exigíveis para o alinhamento da contabilidade do Brasil às normas internacionais de relatórios financeiros. TEMA 5 – VANTAGENS E DESVANTAGENS DA HARMONIZAÇÃO DAS NORMAS Já vimos que a adoção das normas internacionais de contabilidade traz para as empresas maior transparência da contabilidade, melhor gestão e poder 11 de decisão, uniformização dos relatórios econômicos e financeiros, além de uma realidade econômica mais eficiente. Há, entretanto, segundo autores, vantagens e desvantagens na adoção da harmonização contábil. Dentre as vantagens, citam-se: a. A apresentação de relatórios contábeis em padrões internacionais dá aos investidores maior segurança e transparência na avaliação dos riscos do investimento, eis que facilita a leitura das informações presentes das demonstrações financeiras; b. Com a adoção das normas internacionais de contabilidade a empresa mostra melhor ampliação e consistência da realidade financeira da empresa; c. A convergência das normas contábeis aos padrões internacionais melhora o processo de comunicação internacional no mundo dos negócios e pode gerar um aumento na atração de recursos externos; d. A harmonização das normas facilita as negociações internacionais, tanto em relação à fixação de preços como na decisão de obtenção de recursos econômicos nos mercados financeiros internacionais; e. A padronização dos relatórios financeiros reduz os custos de elaboração das demonstrações financeiras e de gerenciamento dos sistemas contábeis, para aqueles países que buscam financiamentos; f. Comparabilidade na avaliação do desempenho e da situação competitiva das empresas em nível mundial. Como desvantagens na adoção da harmonização contábil, citam-se: a. A adoção de um único padrão reduz as opções de escolha de práticas contábeis apropriadas de cada país signatário e implica o afastamento de práticas contábeis bem fundamentadas; b. As práticas contábeis, os estudos e as pesquisas da área são deixadas de lado pelos países, o que prejudica às discussões da academia contábil e as técnicas utilizadas podem ser esquecidas; c. Não se aplicam as normas específicas de cada país, de acordo às suas especificidades culturais, legais, políticas, econômicas e financeiras; d. Pode ser considerado como um meio de imposição da vontade dos países economicamente desenvolvidos sobre aqueles em desenvolvimento. 12 Como visto, entre as vantagens e desvantagens prevalece a ideia principal de que a adoção das normas internacionais de contabilidade traz benefícios econômicos e financeiros para os negócios, bem como a abertura de novas possibilidades de investimentos por grupos estrangeiros, pois as demonstrações financeiras harmonizadas dão maior transparência, credibilidade e confiabilidade das transações e operações realizadas pela empresa e reduz os riscos para os investidores. 13 REFERÊNCIAS MÜLLER, A. N.; SCHERER, L. M.; CORDEIRO, C. M. R. Contabilidade avançada e Internacional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. NIYAMA, J. K. Contabilidade internacional. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. NIYAMA, J. K.; COSTA, P. S.; AQUINO, D. R. B. A. Principais causas das diferenças internacionais no financial reporting: uma pesquisa empírica em instituições de ensino superior do Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. ConTexto, Porto Alegre, v. 5, n. 8, 2. sem. 2005. BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC n. 1.055/2005 de 7 de outubro de 2005. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 24 out. 2005. RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e as Normas Internacionais (NBC) e Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). 2. ed. São Paulo: Atlas, 2020. AULA 2 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Estimados alunos! Continuando com nosso aprofundamento na Contabilidade Internacional, lembramos que o processo de globalização mundial promoveu a necessidade de harmonização da contabilidade em todos os países signatários e interessados na unificação das demonstrações financeiras. Esse processo exige dos profissionais da área conhecimentos das particularidades de cada país para gerar demonstrações contábeis e financeiras com um mesmo padrão de regras, o que facilita a transparência e entendimento das informações nelas contidas. A evolução da contabilidade retrata o desenvolvimento econômico dos negócios de cada país e estes sofrem a influência de diversos fatores, tais como os valores culturais, a estrutura política, econômica e social, que também refletem nas técnicas e práticas contábeis. Assim, a evolução dos negócios também está vinculada ao nível de desenvolvimento econômico de cada país. Os investidores são atraídos por mercados e economias que conhecem e têm confiança. Dessa forma, as informações e as demonstrações financeiras globais têm maior relevância em detrimento das particularidades nacionais. A partir de agora, começaremos a nos envolvercom as normas específicas de cada um dos itens do patrimônio e dos resultados das empresas e, assim, veremos nesta aula: • Estrutura conceitual; • Ajuste a valor presente; • Cálculos do ajuste a valor presente; • Valor justo; • Estoques. TEMA 1 – ESTRUTURA CONCEITUAL A Estrutura Conceitual ganhou importância como documentação indicadora de conceitos e diretrizes que direcionam a elaboração de demonstrações contábil- financeiras no ano de 1998, em vários países da Europa, por meio da International Accounting Standards Committee (IASC) – Comissão de Normas Internacionais de Contabilidade – que emitia os pronunciamentos IAS. O IASB é o organismo substituto do IASC. 3 Aqui em nosso país, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) publicou a Resolução n. 1.374 de 2011, da Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral (NBC TG) que se tornou o marco regulatório mais importante para a regulação da estruturação e divulgação de relatórios contábil-financeiros. Essa normativa implantou a Estrutura Conceitual para a elaboração e divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. A Resolução n. 1.374/2011 é dividida em quatro capítulos, porém os de n. 2 e 4 ainda carecem de revisão e complemento pelo CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. De tal forma, nesta aula, iremos tratar apenas dos Capítulos 1 e 3. No primeiro capítulo, é tratado sobre o “Objetivo da elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro de propósito geral”, e no terceiro capítulo, são tratadas as “Características qualitativas da informação contábil- financeira útil”. O objetivo da Resolução “é ter bases sólidas para normas contábeis futuras que sejam baseadas em princípios, tenham consistência interna e possam convergir para a adoção internacional pelo maior número de países” (Müller; Scherer; Cordeiro, 2019). O Capitulo 1 da Resolução 1.374/2011 do CPC é dividido em três partes: 1. Objetivo do relatório contábil-financeiro de propósito geral; 2. Recursos econômicos, reinvindicações e suas mudanças; 3. Performance financeira refletidas pelo regime de competência e pelos fluxos de caixa. Já no Capítulo 3, que trata das Características Qualitativas da Informação Contábil-Financeira útil, merecem destaque (Müller; Scherer; Cordeiro, 2019): • As características qualitativas fundamentais: relevância e representação fidedigna; • A característica qualitativa de melhora: comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade. Quanto à Estrutura Conceitual, que está prevista no Capítulo 1, ela dita as bases que fundamentam a elaboração das demonstrações contábeis-financeiras destinadas aos usuários externos à empresa, como investidores e agências reguladoras. O CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, para promover a adequação das demonstrações financeiras às Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) emitidas pelo IASB, adota a Estrutura Conceitual para 4 Relatórios Financeiros no desenvolvimento dos seus Pronunciamentos Contábeis. Segundo a OB1 do Capítulo 1, contida na Resolução, a Estrutura Conceitual aborda: • O objetivo da elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro; • As características qualitativas da informação contábil-financeira útil; • A definição, o reconhecimento e a mensuração dos elementos a partir dos quais As demonstrações contábeis são elaboradas; e • Os conceitos de capital e de manutenção de capital. Quanto às finalidades da Estrutura Conceitual, citam-se: • Auxiliar o desenvolvimento de novos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações e a revisão dos já existentes, para eles terem bases em conceitos sólidos e confiáveis. • Auxiliar os responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis a desenvolver políticas contábeis consistentes e baseadas nas referidas normas, bem como amparar os usuários a entender e interpretar os pronunciamentos. • Promover a harmonização das normas contábeis e dos procedimentos relacionados à apresentação das demonstrações financeiras. A Estrutura Conceitual pode ser revisada de tempos em tempos, de acordo com as necessidades e experiências na sua utilização, pois ela deve sempre estar em busca do cumprimento da sua missão declarada pelas IFRS Fundação e do IASB, que é de desenvolver pronunciamentos que tragam clareza na prestação de contas e eficácia aos mercados financeiros mundiais. 1.1 Relatório Contábil Financeiro de Propósito Geral A Estrutura Conceitual para Relatórios Financeiros apresenta os objetivos e os conceitos para a elaboração dos relatórios financeiros para fins gerais que, aliás, não são elaborados apenas para se chegar ao valor da entidade que reporta a informação; mas a rigor, fornecem informação para auxiliar investidores, credores por empréstimo e outros credores, existentes e em potencial (Capítulo 1, OB7, Resolução 1.374/2011). 5 Quanto aos objetivos dos relatórios contábeis-financeiros de propósito (fim) geral, eles estão previstos no Capítulo 1, na OB2 da Resolução 1.374/2011, que são: • Fornecer informações contábil-financeiras tempestivas acerca da entidade que reporta essa informação (reporting entity) que sejam úteis a investidores existentes e em potencial, a credores por empréstimos e a outros credores, quando da tomada decisão ligada ao fornecimento de recursos para a entidade. • Fornecer, tempestivamente, informações suficientes para a tomada de decisões que envolvem comprar, vender ou manter participações em instrumentos patrimoniais e em instrumentos de dívida, e oferecer ou disponibilizar empréstimos ou outras formas de crédito. • Apresentar a performance financeira das empresas que estará refletida pelo regime de competência e pelos fluxos de caixa. O regime de competência reflete a situação econômica da entidade em dado momento, mesmo que os pagamentos e recebimentos à vista resultantes ocorram em período diferente. Já o fluxo de caixa indica quais foram as saídas e entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo. Ele “permite identificar informações sobre empréstimos e resgates de títulos de dívidas, dividendos e outras distribuições para seus investidores, além da possibilidade de prever problemas de liquidez e solvência.” (Müller; Scherer; Cordeiro, 2019). Como se observa na Resolução 1.374/2011, e o próprio nome indica – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil- Financeiro –, a finalidade da Estrutura Conceitual não se restringe a meras demonstrações contábeis, mas engloba também as divulgações financeiras como um todo. Nesse sentido, é possível aos interessados (investidores e credores) obterem informações sobre a Posição Patrimonial e Financeira, ou seja, quais são os recursos e as obrigações da empresa que indicam a disponibilidade ou a ausência de recursos financeiros; e sobre o Desempenho, que indica como está sendo feita a administração e a utilização dos recursos financeiros e que refletem na eficiência da gestão e na prestação de contas. Por meio dos relatórios contábeis e financeiros, é possível aos usuários fazer projeções dos fluxos de caixa futuros da empresa (função preditiva) e 6 analisar a atuação dos gestores (função confirmatória), de modo a reduzir as incertezas quanto aos resultados do negócio no momento de investir. 1.2 Características qualitativas da informação contábil-financeira útil No Capítulo 3 da Estrutura Conceitual – Resolução 1.374/2011 – estão contidas as características qualitativas consideradas mais úteis e que devem estar presentes nas Demonstrações Contábeis. Elas distinguem as informações mais úteis aos credores e aos investidores para que tomem as decisões baseadas nos dados contidos nas informações financeiras (QC 1 – Resolução 1.374/2011). Nesse sentido, há dois tipos de características que os relatórios devem obrigatoriamenteapresentar: • Fundamentais ou obrigatórias, relacionadas à relevância e à representação fidedigna. Informação contábil-financeira relevante é aquela capaz de fazer diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários. A informação pode ser capaz de fazer diferença em uma decisão mesmo no caso de alguns usuários decidirem não a levar em consideração, ou já tiverem tomado ciência de sua existência por outras fontes (QC6). As Informações financeiras são capazes de fazer diferença em decisões se tiverem valor preditivo, com a projeção de resultados futuros que auxiliem na tomada de decisões sobre o futuro da entidade, ou valor confirmatório que fornecem feedback sobre (confirmam ou alteram) avaliações anteriores, ou ambos (QC7 à QC10). Quanto à informação, para ser representação perfeitamente fidedigna, a realidade retratada precisa ter três atributos. Ela tem que ser completa, neutra e livre de erro. O objetivo é maximizar referidos atributos na extensão que seja possível (QC12). 1.3 Características qualitativas de melhoria As características qualitativas de melhoria completam as informações fundamentais e aperfeiçoam a utilidade da informação que é relevante e que é representada com fidedignidade. Essas características são divididas em quatro itens: 1. Comparabilidade: as decisões de usuários implicam escolhas entre alternativas, como, por exemplo, vender ou manter um investimento, ou investir em uma entidade ou noutra. Consequentemente, a informação 7 acerca da entidade que reporta informação será mais útil caso possa ser comparada com informação similar sobre outras entidades e com informação similar sobre a mesma entidade para outro período ou para outra data. A comparação requer no mínimo dois itens (QC20). 2. Verificabilidade: ajuda a assegurar aos usuários que a informação representa fidedignamente o fenômeno econômico que se propõe representar. A verificação pode ser direta ou indireta. Verificação direta significa verificar um montante ou outra representação por meio de observação direta, como, por exemplo, por meio da contagem de caixa. Verificação indireta significa checar os dados de entrada do modelo, fórmula ou outra técnica e recalcular os resultados obtidos por meio da aplicação da mesma metodologia. Um exemplo é a verificação do valor contábil dos estoques por meio da checagem dos dados de entrada (quantidades e custos) e por meio do recálculo do saldo final dos estoques utilizando a mesma premissa adotada no fluxo do custo (por exemplo, utilizando o método PEPS) (QC 26 e 27). 3. Tempestividade: significa ter informação disponível para tomadores de decisão a tempo de poder influenciá-los em suas decisões. Quanto mais antiga a informação for, menos útil ela será para o tomador de decisões, por isso, os relatórios contábeis devem refletir as situações econômica e financeira atuais (QC29). 4. Compreensibilidade: significa classificar, caracterizar e apresentar a informação com clareza e concisão torna-a compreensível. 1.4 Restrição de custo na elaboração e divulgação de relatório contábeis- financeiro O custo de gerar a informação é uma restrição sempre presente na entidade no processo de elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro. O processo de elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro impõe custos, sendo importante que ditos custos sejam justificados pelos benefícios gerados pela divulgação da informação (QC35). 8 1.5 Estrutura Conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis: texto remanescente O Capítulo 4 da Estrutura Conceitual em vigor ainda está em processo de revisão, mas atualmente está dividido nos seguintes tópicos: • Premissa Subjacente – Continuidade: as demonstrações contábeis normalmente são elaboradas tendo como premissa que a entidade está em atividade (going concern assumption) e irá manter-se em operação por um futuro previsível. Desse modo, parte-se do pressuposto de que a entidade não tem a intenção, nem tampouco a necessidade, de entrar em processo de liquidação ou de reduzir materialmente a escala de suas operações (Item 4, Resolução 1.374/2011). • Elementos das demonstrações contábeis: as demonstrações contábeis retratam os efeitos patrimoniais e financeiros das transações e outros eventos, por meio do grupamento dos mesmos em classes amplas de acordo com as suas características econômicas. Estes são os elementos das demonstrações contábeis, relacionados à mensuração da posição patrimonial e financeira no balanço patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício que são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido, as Receitas e as Despesas, respectivamente (4.2). • Reconhecimento dos elementos das demonstrações contábeis: reconhecimento é o processo que consiste na incorporação ao balanço patrimonial ou à demonstração do resultado de item que se enquadre na definição de elemento e que satisfaça os critérios de reconhecimento. Envolve a descrição do item, a mensuração do seu montante monetário e a sua inclusão no balanço patrimonial ou na demonstração do resultado. Os itens que satisfazem os critérios de reconhecimento devem ser reconhecidos no balanço patrimonial ou na demonstração do resultado (4.37). • Mensuração dos elementos das demonstrações contábeis (4.55). Mensurar os elementos significa que, nas demonstrações contábeis, eles são quantificados em termos monetários. A base de mensuração é uma característica identificada e pode ser realizada pelos seguintes critérios: 9 • Custo histórico – fornece informações monetárias sobre ativos, passivos e respectivas receitas e despesas, utilizando informações oriundas do preço da transação ou outro evento que deu origem a eles. • Custo corrente – Indicam os valores dos elementos do Patrimônio à época da elaboração das demonstrações contábeis, independentemente da data da aquisição ou pagamento. • Valor realizável – Valor de realização ou de liquidação. Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela sua venda em forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos seus montantes de liquidação. • Valor presente – Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado dos fluxos futuros de entradas líquidas de caixa que se espera que sejam gerados pelo item no curso normal das operações. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado dos fluxos futuros de saídas líquidas de caixa que se espera que serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações. Com relação ao conceito de Capital e de manutenção do Capital, a Estrutura Conceitual traz dois conceitos de capital: (4.57) 1. Capital financeiro ou monetário – Refere-se aos Ativos Líquidos da entidade ou o Patrimônio Líquido de acordo com o conceito de capital financeiro. Nesse sentido, tal como o dinheiro investido ou o seu poder de compra investido, o capital é sinônimo de ativos líquidos ou patrimônio líquido da entidade. 2. Capital físico – Refere-se à capacidade operacional da entidade e indica o lucro a partir da capacidade operacional da entidade. Segundo o conceito de capital físico, tal como a capacidade operacional, o capital é considerado como a capacidade produtiva da entidade baseada, por exemplo, nas unidades de produção diária. TEMA 2 – AJUSTE AO VALOR PRESENTE A contabilidade, em regra, registra os fatos contábeis de acordo com os valores transcritos nos documentos fiscais que deram origem às operações. Porém, com o advento da Lei n. 11.638/2007, passou a ser obrigatória a necessidade de realizar os ajustes dos itens patrimoniais a valor presente na 10 escrituração contábil para demonstrar o valor real da operação na data de emissão do demonstrativo financeiro. Art. 183, VIII - os elementos do ativo decorrentes de operaçõesde longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. Art. 184, III - as obrigações, encargos e riscos classificados no passivo exigível a longo prazo serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. (Brasil, 2007) O Comitê de Pronunciamentos Contábeis publicou, em 2008, o Pronunciamento Técnico CPC n. 12, que trata de Ajuste a Valor Presente, cujo documento foi aprovado pela Deliberação CVM 564/2008 e determina que o Ajuste ao Valor Presente – AVP deve ser feito em todos os elementos do ativo e do passivo de longo prazo e todos os demais elementos patrimoniais de curto prazo, caso tais ajustes tenham efeito relevante nas demonstrações levantadas. O Pronunciamento faz distinção entre valor presente e valor justo, indicando que o valor presente – present value – é utilizado para atualizar o valor do dinheiro no tempo, considerando inflação, juros e desvalorização da moeda, por exemplo. Já o valor justo – fair value – é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado ou uma dívida ser quitada pelo seu valor real, por acordo entre as partes interessadas. TEMA 3 – CÁLCULOS DE AJUSTE A VALOR PRESENTE Este ajuste tem como objetivo trazer para o valor atual os direitos e as obrigações – Ativo e Passivo – da empresa que serão realizados ou exigidos em uma data futura. Para se determinar o valor presente de um fluxo de caixa, é necessário o conhecimento de três informações: 1. O valor futuro do item patrimonial (considerando todos os termos e as condições contratados); 2. A data do referido fluxo financeiro (data futura) e 3. A taxa de desconto aplicável à transação. 3.1 Exemplos de cálculos e contabilização de ativos Vamos analisar um fato calculando e demonstrando sua contabilização do Ajuste a Valor Presente de Ativos, que é a venda de mercadorias, com prazo de 11 recebimento de 2 meses para o recebimento, pelo valor de R$ 120.000,00, com juros inclusos de 8 %. Após o cálculo financeiro, foi apurado um valor presente de R$ 102.882,58 (120.000,00 PV; 8 i; 2 n) Na fórmula M = P/ (1 + i)n , onde: P = Principal ou Valor Presente (PV = present value) M = Montante ou Valor Futuro (FV = future value). i = Taxa n = tempo Pela transação de venda: D – Contas a receber R$ 120.000,00 C – Receita de venda R$ 120.000,00 Pelo registro do Ajuste a Valor Presente: D – Ajuste a Valor Presente (conta de resultado) R$ 17.117,42 C – AVP – Juros a Transcorrer (redutora das contas a receber) R$ 17.117,42 Pela apropriação mensal: D – AVP Juros a Transcorrer R$ 8.558,71 C – Receita Financeira AVP R$ 8.558,71 3.2 Exemplos de cálculos e contabilização de passivos Neste exemplo, analisaremos o cálculo e a Contabilização de Ajuste a Valor Presente de Passivos, com a compra de mercadoria com prazo de 2 meses para o pagamento, pelo valor de R$ 150.000,00, com juros inclusos de 10 %. Após o cálculo financeiro, foi apurado um valor presente de R$ 128.602,75 (150.000,00 PV; 8 i; 2 n; PV) na fórmula M = P/ (1 + i)n , onde: P = Principal ou Valor Presente (PV = present value) M = Montante ou Valor Futuro (FV = future value). i = Taxa n = tempo Pela transação de compra: D – Estoque R$ 150.000,00 C – Fornecedores R$ 150.000,00 12 Pelo registro do Ajuste a Valor Presente: D – AVP Juros a Incorrer (conta redutora de Fornecedores) R$ 21.397,25 C – Ajuste a Valor Presente (conta de resultado) R$ 21.397,25 Pela apropriação mensal: D – Despesas Financeiras AVP R$ 10.698,63 C – AVP Juros a Incorrer R$ 10.698,63 As informações quanto ao ajuste a valor presente devem ser divulgadas em notas explicativas para que os usuários das demonstrações contábeis tenham total entendimento quanto à mensuração do ajuste de ativos e passivos. Elas devem seguir os requisitos conforme consta no NBC TG 12 (CFC, 2008): • Descrição pormenorizada do item objeto da mensuração a valor presente, natureza de seus fluxos de caixa (contratuais ou não) e, se aplicável, o seu valor de entrada cotado a mercado; • Premissas utilizadas pela administração, taxa de juros decompostas por prêmios incorporados e por fatores de riscos (risk-free, risco de crédito, etc.), montantes dos fluxos de caixa estimados ou séries de montantes dos fluxos de caixa estimados, horizontes temporal ou esperado, expectativas em termos de montante e temporalidade dos fluxos (probabilidades associadas); • Modelos utilizados para cálculo de riscos e imputs dos modelos; • Breve descrição do método de alocação dos descontos e do procedimento adotado para acomodar mudanças de premissas da administração; • Propósito da mensuração a valor presente, se para reconhecimento inicial ou nova medição e motivação da administração para levar a efeito tal procedimento; • Outras informações consideradas relevantes. O Ajuste a Valor Presente viabiliza para a organização vantagens, tais como: correção de julgamento referente a eventos passados já registrados; melhor forma de reconhecimento de eventos presentes e demonstrações contábeis com maior grau de relevância (CFC, 2008b). De acordo com Iudícibus et al. (2010), os procedimentos de ajustar ativos e passivos a valor presente contribuem para a elaboração de demonstrações 13 contábeis, com maior valor preditivo, contribuindo para o aumento da relevância das informações. TEMA 4 – VALOR JUSTO Um dos principais pilares das normas internacionais de contabilidade, que gerou a introdução dos padrões contábeis internacionais no Brasil, foi a mensuração do Valor Justo, cujo objetivo maior foi determinar a forma de cálculo do Valor Justo e de divulgar as informações. Esse assunto está previsto na NBC – TG n. 46 (Normas Brasileiras de Contabilidade – Gerais), Pronunciamento Técnico CPC 46. O valor justo – fair value – é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado ou uma dívida ser quitada pelo seu valor real, por acordo entre as partes interessadas baseado em valores de mercado, ou, de acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu Pronunciamento Técnico n. 46, Valor Justo é: “O preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo, em uma transação não forçada, entre os envolvidos na data da mensuração”. 4.1 Aplicação do Valor Justo A aplicação do Valor Justo ocorre quando as partes contratantes decidem, entre si, negociar valores do ativo ou de uma dívida a ser quitada pelo seu valor real. A NBC 46 prevê algumas situações em que pode ser utilizada a negociação pelo valor justo, tais como: • Títulos e Valores Mobiliários; • Derivativos; • Combinações de negócios; • Reavaliação de Ativos; • Reconhecimento de receitas; • Propriedades para investimentos; • Ativos Biológicos. 14 4.2 Métodos de mensuração O item 7 da NBC-TG 46 especifica que a mensuração do valor justo se destina a um ativo ou passivo em particular, de acordo com as características de cada um, tais como: a condição e a localização do ativo, e restrições, se houver, para a venda ou o uso do ativo. Para a mensuração, utilizam-se o ativo ou passivo individuais (exemplo: instrumento financeiro ou ativo não financeiro) e ativo ou passivo em grupos (exemplo: unidade geradora de caixa ou um negócio). Para o cálculo do valor justo, deve-se levar em consideração o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada no mercado principal na data de mensuração nas condições atuais de mercado. Para estabelecer o valor justo, utilizam-se três métodos, quais sejam: 1. Abordagem de Mercado: este método utiliza-se de preços que foram observados e outras informações relevantes ao produto, em transações no mercado que envolvem ativos ou passivos considerados semelhantes (CPC 46, B5).2. Abordagem de Receita: também conhecida por Fluxo de Caixa Descontado, mediante a uma taxa de desconto, essa técnica traz a valor presente montantes futuros (CPC 46, B10). 3. Abordagem de Custo: é também conhecida por custo de reposição do ativo. O CPC 46, B diz: “o custo de reposição geralmente utilizados para ativos e passivos tangíveis”. Esse método usa como base o custo de reposição ou de substituição. Nos casos de ativos obsoletos, o valor deve ser depreciado no seu valor final. Além destes, há outros aspectos importantes na CPC 46 e que devem ser levados em consideração, tais como: • Valor Justo: hierarquia de Divulgação, que trata da forma como a divulgação dos resultados deve ser realizada, levando em consideração as Técnicas de avaliação utilizadas, as variáveis utilizadas e os dados de entrada. • Mercado Principal ou Mais Vantajoso, que trata da forma como se faz a avaliação de Valor Justo, a qual deve se dar no mercado em que os bens do ativo e passivo sejam transacionados. O CPC 46, no parágrafo 17, 15 determina: “A entidade não necessita empreender uma busca exaustiva de todos os possíveis mercados para identificar o mercado principal ou, na ausência de mercado principal, o mercado mais vantajoso, mas ela deve levar em consideração todas as informações que estejam disponíveis”. • Participantes do mercado: o CPC 46, parágrafo 42, determina as suas necessárias características: “A entidade deve mensurar o Valor Justo de um ativo ou passivo utilizando as premissas que os participantes do mercado utilizariam ao precificar o ativo ou o passivo, presumindo-se que os participantes do mercado ajam em seu melhor interesse econômico”. • Quando não houver transações no mercado, a CPC 46 estabeleceu que, se na data da mensuração não forem conhecidas transações para o ativo ou passivo, o avaliador se utilizará de outras possibilidades, tais como: dados históricos, taxa de depreciação, valor do bem novo e valor daquele ativo ou passivo no mercado, na data da avaliação. • Quanto ao Preço, o CPC 46 especifica que, dentro de um mercado previamente determinado, em que o ativo ou passivo é negociado, o valor recebido pela venda é o preço a ser usado, e podem incluir-se nesse preço os custos de transporte, mas não os custos de transação. • Aplicação a ativos não financeiros: neste caso, o CPC 46 determina que: “a mensuração do valor justo de um ativo não financeiro leva em consideração a capacidade do participante do mercado de gerar benefícios econômicos utilizando o ativo em seu melhor uso possível (highest and best use) ou vendendo-o a outro participante do mercado que utilizaria o ativo em seu melhor uso.” • Dificuldade da avaliação de Valor Justo. É difícil para o avaliador, na avaliação dos ativos e passivos, trabalhar com a subjetividade de muitos critérios ditados pelo CPC 46, tais como o avanço tecnológico e a aceitação do mercado. Por isso, o técnico avaliador especialista deve considerar que o valor justo reflete um ativo ou um passivo em um dado momento específico, mas que poderá sofrer mudanças em um período curto de tempo. 16 TEMA 5 – ESTOQUES A Norma Reguladora que trata desse tema é a IAS 2 (CPC 16) – Avaliação e Apresentação de Estoques no Contexto do Sistema de Custo Histórico, que estabelece o tratamento contábil para os estoques. Essa norma, que criou um padrão internacional de relatório financeiro para o tratamento dos estoques, define como os custos de estoque devem ser reconhecidos. Ao mesmo tempo, orienta sobre as técnicas de mensuração e as fórmulas dos custos, além do reconhecimento das receitas e despesas relacionados aos estoques e, ainda, quais são os critérios utilizados para a atribuição dos custos aos estoques. Nas instituições, independentemente do ramo de negócio, os estoques são ativos que elas têm para o desenvolvimento de sua atividade, e cada um deles funcionam de acordo com o tipo de empresa, mas em todas elas, a movimentação dos produtos e mercadorias reflete significativamente nas demonstrações financeiras. O estoque nada mais é do que um conjunto de produtos armazenados dentro das empresas, sejam eles insumos para o processo de produção, produtos em elaboração (em produção) ou produtos finais, prontos para a venda. A gestão dos estoques é de fundamental importância, pois ela reflete nos resultados, positivos ou negativos, da instituição. Segundo a IAS 2, os estoques são ativos e são assim denominados: • Mantidos para venda no curso normal dos negócios; • Em processo de produção para venda; ou • Na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. 5.1 Custo dos estoques Os estoques, objetos do Pronunciamento IAS 2 (CPC 16), devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Os itens que compõem o estoque são: • Custos de aquisição; • Custos de transformação; dguimaraes Realce dguimaraes Realce 17 • Custos fixos indiretos que devem ser alocados às unidades produzidas baseada na capacidade normal de produção. Os custos de aquisição são compostos pelo preço de compra, mas também dos impostos, de importação (se for o caso), tributos não sujeitos à recuperação. Adiciona-se ao custo do produto, todos os desembolsos relacionados com a aquisição do produto, como transportes. Já os custos de produção envolvem mais situações, pois além do custo de aquisição dos insumos, agrega-se o custo com a mão de obra, custos variáveis e custos fixos. (IAS 2) 5.2 Mensuração de custos A mensuração pode ser feita por meio de dois métodos, que são o custo- padrão e o método de varejo. O custo-padrão considera os níveis de materiais, suprimentos, mão de obra, enquanto o método de varejo é utilizado quando há um grande volume de itens, com giro rápido, com margens similares, o que dificulta o uso de outros métodos de custo. (IAS2). 5.3 Fórmulas de custeio Há três métodos de mensurar o valor do estoque e dos custos nas empresas. O PEPS – Primeiro que entra, primeiro que sai –, a MPM – Custo Médio (Média Ponderável) Ponderável – e o UEPS – Último que entra, primeiro que sai. Esse último método não é permitido para fins fiscais e contábeis, mas apenas para fins gerenciais, eis que supervaloriza o custo no momento da baixa dos estoques, o que pode diminuir o resultado tributável. Na maioria dos casos, os estoques devem ser baixados utilizando-se o método PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), mas também é aceita a baixa pelo Custo médio ponderado, sendo que a entidade deve usar o mesmo critério de custeio para todos os estoques que tenham natureza e uso semelhantes dentro da instituição. Com a utilização do método da média ponderada móvel, os custos dos produtos em estoque são alterados por meio de novas compras realizadas, que normalmente acontecem com preços diferentes e, assim, ao final, tem-se o estoque valorado a um preço médio. 18 5.4 Valor realizável líquido É comum nas empresas que possuem um grande número de itens perceber-se a necessidade de baixar alguns itens de seu estoque, seja porque esses ativos têm pouca rotatividade ou são produtos fora de linha, obsoletos, avariados. Esses itens devem ser baixados ao seu valor realizável líquido e o ajuste para esse valor deve ser feito item por item. O valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda (IAS 2). O reconhecimento dos custos de estoque só deve ser realizado no momento da venda, ou seja, no mesmo período em que a respectiva receita é reconhecida. As movimentações dos estoques, bem como o reconhecimento das receitas e despesas, devem ser divulgadas nas demonstrações financeirasque obedeçam às normas internacionais de contabilidade. 19 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 dez. 2007. CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n. 1.374, de 8 de dezembro de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 dez. 2011. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 46 – mensuração do valor justo. Disponível em: < http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/395_CPC_46_rev%2006.pdf>. IUDÍCIBUS, S. de. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC. São Paulo: Editora Atlas, 2010. MÜLLER, A. N.; SCHERER, L. M.; CORDEIRO, C. M. R. Contabilidade Avançada e Internacional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. AULA 3 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Nesta aula vamos analisar sobre o tratamento dado aos Ativos das empresas, de acordo com as normas internacionais de contabilidade. A partir de agora, começaremos a nos envolver com as normas específicas de cada um dos itens do patrimônio e dos resultados das empresas e, assim, veremos: 1. Ativos biológicos e produtos agrícolas 2. Ativo não circulante mantido para venda e operações descontinuadas 3. Propriedade para investimentos 4. Ativo imobilizado: aspectos conceituais 5. Cálculos de depreciação e exaustão Vamos, então, seguir com a nossa trajetória! Crédito: zmicier kavabata/Shutterstock. TEMA 1 – ATIVOS BIOLÓGICOS E PRODUTOS AGRÍCOLAS Pelo pronunciamento CPC 29 (IAS 41) foi normatizado o tratamento a ser dado pela contabilidade aos ativos biológicos e aos produtos agrícolas sua mensuração a valor justo e das avaliações contábeis. Seu contexto mais relevante tem por finalidade o reconhecimento contábil dos ativos biológicos e sua passagem para produtos agrícolas após a colheita. Segundo a norma, o CPC 29 aplica-se nos seguintes casos: a) ativos biológicos, exceto plantas portadoras; b) produção agrícola no ponto de colheita e certas subvenções governamentais. A planta portadora é uma planta viva que: i. é utilizada na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas; ii. é cultivada para produzir frutos por mais de um período; e 3 iii. tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, exceto para eventual venda como sucata. Já na produção agrícola, produção é o produto colhido de ativo biológico da entidade; o ativo biológico, por sua vez, é um animal e/ou uma planta, vivos. Porém, as regras do CPC 29 não são aplicáveis para: a) terras relacionadas com atividades agrícolas; b) plantas portadoras relacionadas com a atividade agrícola; c) subvenção e assistência governamentais relacionadas às plantas portadoras; d) ativos intangíveis relacionados com atividades agrícolas. São exemplos de atividade agrícola: i. aumento de rebanhos; ii. silvicultura; iii. colheita anual ou constante; iv. cultivo de pomares e de plantações; v. floricultura; e vi. cultura aquática (incluindo criação de peixes). 1.1 Conceitos Ativos biológicos são seres vivos (plantas e animais), que passado seu processo de colheita, tornam-se produtos agrícolas, que estão sujeitos, conforme as normas, a uma avaliação de valor justo. Estes ativos são transformados, e neste momento, quando a vida de um ser vivo chega ao seu final, estes passam a ter outra característica contábil. Eles podem ser classificados como: maduros (consumíveis e prontos para a colheita) ou imaturos (sustentam colheitas regulares e são próprios para a produção), ou ainda, como consumíveis ou de produção. São exemplos de ativos biológicos: a) carneiro; b) plantação de árvores para madeira; c) gado de leite; d) cana-de-açúcar; e) videira; f) porcos; 4 g) plantações de algodão e de fumo; h) seringueira. Um exemplo de fácil entendimento são as árvores que fornecem madeiras; ainda na plantação, são ativos biológicos. À medida que são cortadas, tornam-se produtos agrícolas, mas ainda poderão se transformar em madeira serrada, quando, então, não fará mais parte do reconhecimento do CPC 29. A cana-de- açúcar é outro exemplo de um ativo biológico que, após transformado biologicamente, passa a ser um produto agrícola, e após, açúcar, quando então não fará mais parte do reconhecimento do CPC 29. De acordo com o CPC 29, produção agrícola é a colheita de ativos biológicos. Já a transformação biológica compreende as várias mudanças físicas que ocorrem nos ativos em função dos processos que passam, como crescimento, degeneração, procriação e produção. Esses processos geram alterações de qualidade e quantidade no ativo biológico, o que consequentemente, altera o seu valor justo. Os produtos agrícolas são aqueles que servem de alimento às pessoas e podem ser vegetais e animais. Valor justo, por sua vez, é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. 1.2 Valoração de ativos biológicos: fatores que influenciam Para calcular esses benefícios é utilizado o método do valor justo e custo desse ativo, naturalmente sempre considerando a depreciação e riscos de perda. É necessário entender particularidades de cada região em que o ativo estiver instalado, já que essas variáveis são influências para valores praticados em determinados ativos biológicos, o que pode afetar uma decisão. Há vários fatores que podem influenciar a valoração do produto, tais como: • oferta e demanda; • situação climática; • possíveis produtos substitutos; • tratamentos culturais; • economia. Para definir o valor justo é necessário análise profunda da estrutura do agronegócio no país, pois as características elencadas podem gerar distorções, 5 por exemplo, de região para região. Por exemplo, a condição da terra onde o ativo está e o clima. 1.3 Reconhecimento, mensuração e ganhos e perdas A entidade deve reconhecer um ativo biológico ou produto agrícola quando, e somente quando (CPC 29, item 10): a) controla o ativo como resultado de eventos passados; b) for provável que benefícios econômicos futuros associados ao ativo fluirão para a entidade; e c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado confiavelmente. A mensuração do ativo biológico deve ser feita pelo valor justo menos a despesa de venda no momento do reconhecimento inicial e no final de cada período de competência. Já o produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade deve ser mensurado ao valor justo, menos a despesa de venda, no momento da colheita. O ganho ou a perda proveniente da mudança no valor justo menos a despesa de venda de ativo biológico reconhecido no momento inicial até o final de cada período deve ser incluída no resultado do exercício em que tiver origem. Já o ganho ou a perda proveniente do reconhecimento inicial do produto agrícola ao valor justo menos a despesa de venda deve ser incluído no resultado do período em que ocorrer. Quando for possível obter de forma confiável o valor justo, o ativo biológico deve ser mensurado ao custo menos qualquer depreciação e perda por irrecuperabilidade acumulada. Quando aos ativos biológicos que estão fisicamente amarrados à terra, como as árvores, devem ser mensurados separadamente da terra em que se encontram. Por outro lado, o CPC 29 informa que na avaliação de um ativo biológico, quando o preço de mercado não está disponível e as alternativas para mensurá-lo não são confiáveis, o ativo biológico seja avaliado ao custo. 1.4 A Lei n. 11.638/07 e os ativos biológicos A Lei n 11.638, de 28 de dezembro de 2007, trouxe mudanças na Lei das sociedades Anônimas (Lei n. 6.4040/76), revogando, alterando e introduzindo alguns dispositivos, mais especificamentesobre assuntos que envolvem a 6 contabilidade. A partir dela, houve integração das demonstrações financeiras das companhias nacionais e as internacionais, devendo ambas se adequarem ao padrão IFRS (International Financial Reporting Standards). Para a avaliação de ativos biológicos, a Lei n. 11.638/2007 exige que os produtores apresentem a divulgação contábil correta dos seus ativos biológicos, seguindo o IFRS, e estando sujeitos a penalidades caso não a sigam da maneira devida. TEMA 2 – ATIVO NÃO CIRCULANTE MANTIDO PARA VENDA E OPERAÇÕES DESCONTINUADAS Esse tema é tratado pelo Pronunciamento CPC 31 (IFRS 5), que fornece subsídios para o reconhecimento e a evidenciação das operações de descontinuidade de operações. Uma operação em descontinuidade é qualquer operação negocial diversa da área em que a empresa atua regularmente. Já um elemento indissociável da operação em descontinuidade é o ativo não circulante mantido para venda. A norma informa que a operação descontinuada é o componente da entidade que tenha sido alienado ou esteja classificado como mantido para venda e: a) represente importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; b) seja parte integrante de um único plano coordenado para vender uma importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; ou c) seja uma controlada adquirida exclusivamente com o objetivo de revenda. Operações descontinuadas são bens do ativo não circulante postos à venda; logo, as receitas e despesas decorrentes são as operações descontinuadas. O Pronunciamento também trata da classificação de ativo não circulante como mantido para venda: i. A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda se o seu valor contábil for recuperado, principalmente, por meio de transação de venda em vez do uso contínuo; ii. Para que esse seja o caso, o ativo ou o grupo de ativos mantido para venda deve estar disponível para venda imediata em suas condições atuais, sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para venda 7 de tais ativos mantidos para venda. Com isso, a sua venda deve ser altamente provável; é considerada provável a venda quando: a) o nível hierárquico de gestão apropriado esteja comprometido com o plano de venda do ativo; b) a entidade tenha iniciado um programa firme para localizar um comprador; e c) o ativo seja colocado para a venda por preço que seja razoável em relação ao seu valor justo corrente. 2.1 Mensuração e apresentação Quanto à mensuração e apresentação, a norma (CPC 31) dispõe que os ativos que satisfaçam aos critérios de classificação como não circulantes mantidos para venda sejam: a) mensurados pelo menor: entre o valor contábil e o valor justo menos as despesas de venda, e que a depreciação ou a amortização desses ativos cesse; b) apresentados separadamente no balanço patrimonial e que os resultados das operações descontinuadas sejam apresentados separadamente na demonstração do resultado. O ativo não circulante será considerado para distribuição aos sócios quando a entidade está comprometida para distribuir esse ativo (ou grupo de ativos) aos proprietários. O critério para essa classificação é que os ativos estejam disponíveis para imediata distribuição na sua condição atual e que a distribuição seja altamente provável. A forma da sua mensuração será pelo menor valor entre seu valor contábil e seu valor justo diminuído das despesas de distribuição. O bem mantido no ativo não circulantes para venda não deverá ser depreciado (nem amortizado) enquanto estiver classificado como mantido para venda ou enquanto fizer parte de grupo de ativos classificado como mantido para venda. A entidade deve apresentar e divulgar informação que permita aos usuários das demonstrações contábeis avaliarem os efeitos financeiros das operações descontinuadas e das baixas de ativos não circulantes mantidos para venda (CPC 31). 8 TEMA 3 – PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTOS O tratamento contábil sobre a propriedade para investimento está previsto no Pronunciamento Técnico CPC 28, em correlação às Normas Internacionais de Contabilidade IAS 40. Segundo a regra do Pronunciamento Contábil do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), um bem para investimento é a propriedade (terreno ou edifício, ou parte de edifício, ou ambos) mantida pelo proprietário ou arrendatário (em arrendamento financeiro) para auferir aluguel ou para valorização do capital ou para ambas. Não são consideradas para investimento as propriedades: a) usadas na produção ou fornecimento de bens/serviços ou para finalidades administrativas; b) destinadas para venda no curso ordinário do negócio. As propriedades para investimento são mantidas para obter rendas e/ou para valorização do capital ou para ambas, e por isso são classificadas no subgrupo Investimentos, dentro do ativo não circulante. Como essas propriedades geram fluxos de caixa independentes dos outros ativos mantidos pela entidade, são distintos das demais propriedades ocupadas pelos proprietários que são classificadas como ativo imobilizado. 3.1 Exemplos de propriedade para Investimento De acordo com o Pronunciamento CPC 28 (IAS 40) são exemplos de propriedades para investimentos: a) terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios; b) terrenos mantidos para futuro uso correntemente indeterminado (se a entidade não tiver determinado que usará o terreno como propriedade ocupada pelo proprietário ou para venda a curto prazo no curso ordinário ATIVO Circulante Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado 9 do negócio, o terreno é considerado como mantido para valorização do capital); c) edifício que seja propriedade da entidade (ou ativo de direito de uso relativo a edifício mantido pela entidade) e que seja arrendado sob um ou mais arrendamentos operacionais; d) edifício que esteja desocupado, mas mantido para ser arrendado sob um ou mais arrendamentos operacionais; e) propriedade que esteja sendo construída ou desenvolvida para futura utilização como propriedade para investimento. 3.2 Exemplos de propriedades são consideradas como propriedades para investimento pelo pronunciamento 28 a) propriedade destinada à venda no decurso ordinário das atividades ou em vias de construção ou desenvolvimento para tal venda, como propriedade adquirida exclusivamente com vista à alienação subsequente no futuro próximo ou para desenvolvimento e revenda; b) propriedade ocupada pelo proprietário, incluindo (entre outras coisas) propriedade mantida para uso futuro como propriedade ocupada pelo proprietário, propriedade mantida para desenvolvimento futuro e uso subsequente como propriedade ocupada pelo proprietário, propriedade ocupada por empregados (paguem ou não aluguéis a taxas de mercado) e propriedade ocupada pelo proprietário ao aguardo de alienação; c) propriedade que é arrendada a outra entidade sob arrendamento financeiro. 3.3 Reconhecimento A propriedade para investimento deve ser reconhecida como ativo quando, e apenas quando (CPC 28): a) for provável que os benefícios econômicos futuros associados à propriedade para investimento fluirão para a entidade; e b) o custo da propriedade para investimento possa ser mensurado confiavelmente. O Princípio do Reconhecimento contido na IAS 40 determina que se deve considerar como custo todos os valores da propriedade para investimento no momento em que eles são incorridos, incluindo custos inicialmente incorridos para 10 adquirir uma propriedade para investimento e custos incorridos subsequentemente para adicionar a, substituir partes de, ou prestar manutenção à propriedade, excluindo, no entanto, os custos de reparos e manutenção diários do bem.3.4 Valor justo Com a implantação do Pronunciamento Contábil (CPC 28), as propriedades para investimento podem ser mensuradas por dois métodos distintos e que devem ser aplicados à todas as suas propriedades para investimento: método de custo e método de valor justo. O valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. No reconhecimento é obrigatório que a mensuração desse ativo seja feita pelo método de custo, mas a partir da mensuração subsequente, ou seja, após o reconhecimento, esse ativo pode ser mensurado tanto pelo método de custo quanto pelo método de valor justo. Porém, se for adotado o método de custo a entidade deverá mensurar o bem pelo seu valor justo e divulga-lo nas Notas Explicativas. É o que determina o item 32 da CPC 28: Este Pronunciamento Técnico exige que todas as entidades mensurem o valor justo de propriedades para investimento para a finalidade de mensuração (se a entidade usar o método do valor justo) ou de divulgação (se usar o método do custo). Após o reconhecimento inicial, a entidade que escolhe o método do valor justo deve mensurar todas as suas propriedades para investimento pelo valor justo, exceto em casos excepcionais, quando não for possível determinar tal valor, cujo o método para a mensuração do valor justo da propriedade para investimento está previsto no Pronunciamento Técnico CPC 46. O ganho ou a perda proveniente de alteração no valor justo de propriedade para investimento deve ser reconhecido no resultado do período em que ocorra (item 35, CPC 28). 3.5 Transferência As transferências para/ou de propriedades para investimento devem ser feitas quando, e apenas quando, houver alteração de uso evidenciada nas seguintes situações (item 57, CPC 28): 11 1. início de ocupação pelo proprietário: transferência de propriedade para investimento para propriedade ocupada pelo proprietário (imobilizado); 2. início de desenvolvimento com objetivo de venda: transferência de propriedade para investimento para estoque. Aqui a entidade deve transferir a propriedade de propriedade para investimento para estoque quando, e apenas quando, houver uma alteração no uso, evidenciada pelo começo de desenvolvimento com ao objetivo de venda. 3. fim de ocupação pelo proprietário: transferência de propriedade ocupada pelo proprietário para propriedade para investimento. Aqui a entidade deverá aplicar o CPC 27 (imobilizado) para propriedade própria e o CPC 06 (arrendamento) para propriedade mantida por arrendatário como ativo de direito de uso até a data da alteração do uso. 4. começo de arrendamento operacional para outra entidade: para transferência de estoques para propriedade para investimento. 3.6 Contabilização das diferenças contábeis decorrentes da transferência De acordo com a regra estabelecida no Pronunciamento 28, até a data em que o imóvel ocupado pelo proprietário se torne propriedade para investimento escriturada pelo valor justo, a entidade deverá depreciar a propriedade e reconhecer quaisquer perdas por redução no valor recuperável (impairment) que tenham ocorrido. Mas, após classificação como investimento, (a valor justo) não haverá necessidade da continuidade da depreciação. As regras para a contabilização das diferenças entre o valor contábil e o seu valor justo, nos casos de transferência do imobilizado para o investimento a valor justo, estão estabelecidas no pronunciamento CPC 27, quais sejam: a) qualquer diminuição resultante no valor contábil da propriedade será reconhecida no resultado. Porém, até o ponto em que a quantia esteja incluída em reavaliação anteriormente procedida nessa propriedade, a diminuição é debitada contra esse excedente de reavaliação; b) qualquer aumento resultante no valor contábil até o ponto em que o aumento reverta perda anterior por impairment dessa propriedade, o aumento será reconhecido no resultado; c) qualquer parte remanescente do aumento será creditada diretamente no patrimônio líquido, em ajustes de avaliação patrimonial, como parte dos outros resultados abrangentes. 12 Já nos casos de transferência do estoque para o investimento a valor justo qualquer diferença entre o valor justo da propriedade nessa data e o seu valor contábil anterior deve ser reconhecida no resultado. Veja, a seguir, o esquema para o tratamento contábil das transferências das propriedades contabilizadas no ativo não circulante – investimento. *Ajuste de avaliação patrimonial Fonte: Mattos, 2021. TEMA 4 – ATIVO IMOBILIZADO: ASPECTOS CONCEITUAIS O tratamento contábil para ativos imobilizados está previsto no pronunciamento contábil CPC 27 (IAS 16), para que os usuários das demonstrações contábeis possam diferenciar a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados, bem como suas mutações. As regras contidas neste pronunciamento devem ser aplicadas na contabilização de ativos imobilizados, exceto quando outro pronunciamento exija ou permita tratamento contábil diferente, tais como: CPC 29, 30 e 31). O Pronunciamento CPC 27 traz as definições dos componentes do ativo imobilizado, tais como: Transferência Diferença Contábil Estoque Imobilizado Propriedade para Investimento Propriedade para Investimento Resultado Diminuição Aumento Resultado *AAP (PL) ATIVO Circulante Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado 13 • Valor contábil é o valor pelo qual um ativo é reconhecido após a dedução da depreciação e da perda por redução ao valor recuperável acumuladas; • planta portadora é uma planta viva que: é utilizada na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas; é cultivada para produzir frutos por mais de um período; e tem probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, exceto para eventual venda como sucata. • Custo é o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de qualquer outro recurso dado para adquirir um ativo na data da sua aquisição ou construção. • Valor depreciável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo, menos o seu valor residual. • Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil. • Valor específico para a entidade (valor em uso) é o valor presente dos fluxos de caixa que a entidade espera: obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da sua vida útil ou incorrer na liquidação de um passivo. • Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. • Perda por redução ao valor recuperável é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável. • Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos e se espera utilizar por mais de um período. • Os ativos imobilizados correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade. • Valor recuperável é o maior valor entre o valor justo menos os custos de venda de um ativo e seu valor em uso. • Valor residual de um ativo é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil. 14 • Vida útil é: o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; ou o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidadeespera obter pela utilização do ativo. 4.1 Reconhecimento Os itens do ativo imobilizado, para reconhecimento como ativo, devem ser mensurados pelo seu custo. O custo de um item do ativo imobilizado compreende: a) seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; b) quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; c) a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. O tópico 16 do pronunciamento CPC 27 define os itens que de custo que compõe um ativo imobilizado: I. seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; II. quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; III. a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o item é adquirido ou como consequência de usá-lo durante determinado período para finalidades diferentes da produção de estoque durante esse período. Os itens 17 e 19 do pronunciamento técnico CPC 27 trazem exemplos de itens que compõem, ou não, os custos de um item do ativo imobilizado. 15 4.2 Mensuração do custo A partir do item 23 do Pronunciamento CPC 27 estão dispostas as regras a respeito da mensuração do custo, que se pode resumir em: a) O custo de um item de ativo imobilizado é equivalente ao preço à vista na data do reconhecimento. b) Se o prazo de pagamento excede os prazos normais de crédito, a diferença entre o preço equivalente à vista e o total dos pagamentos deve ser reconhecida como despesa com juros durante o período, a menos que seja passível de capitalização. c) Um ativo imobilizado pode ser adquirido por meio de permuta por ativo não monetário. Nesse caso, o custo de tal item do ativo imobilizado é mensurado pelo valor justo a não ser que: a operação de permuta não tenha natureza comercial ou o valor justo do ativo recebido e do ativo cedido não possam ser mensurados com segurança. 4.3 Reavaliação Após o reconhecimento como um ativo, o item do ativo imobilizado cujo valor justo possa ser mensurado confiavelmente pode ser apresentado, se permitido por lei, pelo seu valor reavaliado, correspondente ao seu valor justo à data da reavaliação menos qualquer depreciação e perda por redução ao valor recuperável acumuladas subsequentes. (Item 31). Se o processo de reavaliação for permitido por lei, todos a classe do ativo imobilizado à qual pertence esse ativo deve ser reavaliado. São exemplos de classes individuais de ativo imobilizado: terrenos, terrenos e edifícios, máquinas, navios, aviões, veículos a motor, móveis e utensílios, equipamentos de escritório e plantas portadoras. TEMA 5 – CÁLCULOS DE DEPRECIAÇÃO E EXAUSTÃO A depreciação é a perda de valor de um bem decorrente de seu uso, do desgaste natural ou de sua obsolescência. (Dicionário Financeiro). O Pronunciamento CPC 27 (IAS 16) trata dos cálculos da depreciação e da exaustão a partir do seu item 43. Basicamente, as regras para a depreciação trazidas pelo Pronunciamento são as seguintes: 16 a) O valor depreciável de um ativo deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada. b) O valor residual e a vida útil de um ativo são revisados pelo menos ao final de cada exercício e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança deve ser contabilizada como mudança de estimativa contábil. c) A depreciação é reconhecida mesmo que o valor justo do ativo exceda o seu valor contábil, desde que o valor residual do ativo não exceda o seu valor contábil. d) A despesa de depreciação de cada período deve ser reconhecida no resultado a menos que seja incluída no valor contábil de outro ativo. Por exemplo, a depreciação de máquinas e equipamentos de produção é incluída nos custos de produção de estoque. e) Cada componente de um item do ativo imobilizado com custo significativo em relação ao custo total do item deve ser depreciado separadamente. f) O início do prazo para o cálculo da depreciação será quando o item do imobilizado estiver disponível para uso. 5.1 Métodos de depreciação O método de depreciação utilizado reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios econômicos futuros, sendo que o método aplicado a um ativo deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício e, se houver alteração significativa no padrão de consumo previsto, o método de depreciação deve ser alterado para refletir essa mudança. As mudanças ocorridas devem ser registradas de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 –Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro. Os métodos de depreciação admitidos no Pronunciamento 27 são: • Método da linha reta ou método linear: nesse caso a depreciação resulta em despesa constante durante a vida útil do ativo, caso seu valor residual não se altere. • Método dos saldos decrescentes: aqui a depreciação resulta em despesa decrescente durante a vida útil. • Método de unidades produzidas: nessa situação, a depreciação resulta em despesa baseada no uso ou produção esperados. 17 5.2 Baixa A baixa dos bens do imobilizado está prevista a partir do item 67 do Pronunciamento e especifica que o valor contábil de um item do ativo imobilizado deve ser baixado por ocasião de sua alienação ou quando não há expectativa de benefícios econômicos futuros com a sua utilização ou alienação. Os ganhos ou as perdas decorrentes da baixa de um item do ativo imobilizado devem ser reconhecidos no resultado quando o item é baixado, sendo que estes devem ser determinados pela diferença entre o valor líquido da alienação, se houver, e o valor contábil do item. No Balanço Patrimonial as contas de depreciação, amortização e exaustão aparecem como contas retificadores, deduzindo o Imobilizado. ATIVO Circulante Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado o (-) Depreciação 18 REFERÊNCIAS CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento 27 CPC – Ativo Imobilizado. Disponível em: <http://static.cpc.a atb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2014.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2021. CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento 28 CPC – Propriedade para investimento. Disponível em: <http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/menu/regulados/normascontabeis/c pc/CPC_28_rev_12.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2021. CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento contábil 31 – Ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada. Disponível em: <http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/336_CPC_31 _rev%2012.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2021. CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 46 – mensuração do valor justo. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos>. Acesso em: 29 jun. 2021. Dicionário Financeiro. Depreciação. Disponível em: <https://www.dicionariofinanceiro.com/depreciacao/>. Acesso em: 29 jun. 2021. IUDÍCIBUS, S. de; MARTINS, E.; GELBCKE, E. Rubens; SANTOS, A. dos. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC (2010). São Paulo: Editora Atlas. 2010. LEMES, S.; CARVALHO, N. ContabilidadeInternacional para graduação: texto, estudos de casos e questões de múltipla escolha. São Paulo: Atlas. 2010. AULA 4 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Nesta aula vamos avançar na análise das contas patrimoniais de acordo com os Pronunciamentos Contábeis da Comissão de Pronunciamentos Contábeis – CPC. Continuaremos a analisar, nesta aula, as contas do Ativo. Vamos em frente! Crédito: Vladwel/Shutterstock. TEMA 1 – ARRENDAMENTO MERCANTIL: ASPECTOS CONCEITUAIS O arrendamento mercantil, ou leasing, é tratado no Pronunciamento CPC 06 (IFRS 16), que a partir da Revisão 02 (CPC 14) passou a ser tratado como arrendamento. O conceito primeiro de arrendamento mercantil está previsto na Lei n. 6.099/1974, em seu art. 1º parágrafo único: Considera-se arrendamento mercantil, para os efeitos desta lei, o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta. (Brasil, 1974) Já o Pronunciamento CPC 06 classifica o arrendamento como: “O contrato, ou parte do contrato, que transfere o direito de usar um ativo subjacente por um período de tempo em troca de contraprestação” (CPC, 2017). 1.1 Conceitos O Apêndice A desse pronunciamento contábil traz os principais conceitos, utilizados nos contratos de arrendamento mercantil: 3 • Arrendador: a entidade que fornece o direito de usar o ativo subjacente por um período de tempo em troca de contraprestação. • Arrendatário: entidade que obtém o direito de usar o ativo subjacente por um período de tempo em troca de contraprestação. • Contrato de arrendamento: contrato que transmite o direito de controlar o uso de ativo identificado por um período de tempo em troca de contraprestação. • Arrendamento de curto prazo: na data de início, tem o prazo de arrendamento de 12 meses ou menos. O arrendamento que contém opção de compra não é arrendamento de curto prazo. • Arrendamento financeiro: transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. • Arrendamento operacional: não transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. Em relação aos conceitos de arrendamento financeiro e operacional, a partir de 1º de janeiro de 2019, com a Revisão 02 do Pronunciamento CPC 06, todos os arrendamentos serão reconhecidos dentro do Balanço Patrimonial do arrendatário. • Ativo de direito de uso: ativo que representa o direito do arrendatário de usar o ativo subjacente durante o prazo de arrendamento. • Ativo subjacente: ativo que é o objeto do arrendamento, para o qual o direito de usar esse ativo foi fornecido pelo arrendador ao arrendatário. • Ativo identificável: ativo específico de uso da entidade. O fornecedor não tem o direito de substituição substancial. Tem caráter de exclusividade. • Direito de controle: para controlar o uso do ativo identificado, o arrendatário é obrigado a ter o direito de obter substancialmente todos os benefícios econômicos do uso do ativo durante todo o período de uso. Como regra geral, o arrendatário deve ativar todos os arrendamentos, com exceções nos casos de: • arrendamentos de curto prazo, até 12 meses, desde que não haja opção de compra; • arrendamentos de baixo valor. 4 Em ambos os casos, o arrendatário deve reconhecer os pagamentos de arrendamento associados a esses arrendamentos como despesa em base linear ao longo do prazo do arrendamento ou em outra base sistemática. O arrendatário deve aplicar outra base sistemática se essa base representar melhor o padrão do benefício do arrendatário 1.2 Reconhecimento do arrendamento (leasing) no arrendatário Se o contrato for reconhecido como um arrendamento, segundo o Pronunciamento CPC 06 – R2, na data do início do arrendamento, o arrendatário deve reconhecer o ativo de direito de uso e o passivo de arrendamento. Nesse caso, a empresa deverá registrar um Ativo não Corrente referente a um direito de uso (Ativo Imobilizado), sujeitos a depreciação e a redução ao valor recuperável (impairment); e um Passivo correspondente como Arrendamento Mercantil (Passivo Circulante e Não Circulante, conforme o prazo do contrato, de forma pro rata). O tema da Redução ao Valor Recuperável dos Ativos é tratado no Pronunciamento CPC 01. A publicação das demonstrações financeiras, indicando a perda por desvalorização dos seus ativos (Lei n. 11.638/07), é obrigatória para as empresas que tenham ativos totais superiores a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões. Quanto ao valor a ser registrado do arrendamento no Ativo, o arrendatário deve mensurar inicialmente o custo, que abrange os seguintes aspectos: • O valor da mensuração inicial do passivo de arrendamento, ou seja, o passivo calculado no valor presente (item 26 do CPC 06); • Quaisquer pagamentos de arrendamentos efetuados até a data de início, menos quaisquer incentivos de arrendamento recebidos; • Quaisquer custos diretos iniciais incorridos pelo arrendatário. No passivo, o arrendatário deve mensurar o arrendamento ao valor presente dos pagamentos do arrendamento que não são efetuados nessa data. Para trazer ao valor presente, os pagamentos do arrendamento devem ser descontados, utilizando a taxa de juros implícita no arrendamento, se ela puder ser determinada imediatamente. Se a taxa não puder ser determinada imediatamente, o arrendatário deve utilizar a taxa incremental sobre empréstimo do arrendatário. 5 TEMA 2 – ARRENDAMENTO MERCANTIL: CÁLCULOS E REGISTRO CONTÁBIL Para facilitar o entendimento deste tema, partiremos de um exemplo prático. Antes, vamos ver mais alguns conceitos necessários à contabilização, com o objetivo de garantir que o valor registrado contabilmente não seja superior ao valor de recuperação. • Valor recuperável: definido pelo maior valor entre o valor justo líquido de despesas de venda de um ativo, ou de unidade geradora de caixa, e o seu valor em uso. Se um destes montantes for maior que o contábil, não existe desvalorização. • Valor justo líquido de despesa de venda: avaliação do ativo, subtraindo as despesas estimadas em uma possível venda do bem. Ou seja, o valor que a empresa conseguiria receber pela venda do ativo em uma negociação padrão, descontados os custos com a venda. • Valor em uso: valor presente de fluxos de caixa futuros esperados de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa. • Teste de recuperabilidade ou teste de impairment: possibilita que empresas, ao verificarem o valor de seus ativos, anualmente, reconheçam se estão desvalorizados, ou seja, se o valor contábil excede o valor recuperável. Quanto à classificação contábil, de acordo com o Pronunciamento CPC 06, na arrendatária: • O valor do bem arrendado integra o Ativo Imobilizado, no Ativo Não Circulante, em contrapartida ao valor total das contraprestações e do valor residual, que deve ser registrado no Passivo. • Depreciação: a depreciação do bem arrendado na modalidade de leasing deve ser consistente com a depreciação aplicável a outros ativos de natureza igual ou semelhantes, reconhecida em custo ou despesas do arrendatário em conformidade (Pronunciamento CPC 27). • Encargos financeiros a apropriar: a diferença entre o valor total das contraprestações, adicionado do valor residual, e o valor do bem arrendado, deve ser registrada como encargo financeiro a apropriar em conta retificadora das contraprestações e do valor residual. O pagamento antecipado do valor residual deve ser considerado como uma contraprestação, sendo-lhe atribuído tratamento semelhante. 6 • Apropriação do encargo financeiro mensal: o encargofinanceiro deve ser apropriado ao resultado (custo ou despesas), de acordo com o regime de competência, no débito da conta de despesa financeira, e no crédito da conta de encargos financeiros a apropriar. Exemplo prático: a empresa ABCDTal Industrial SA realizou um contrato de arrendamento de duas máquinas para o seu parque fabril, nas seguintes condições: • Valor da contraprestação anual, vencível no final de cada ano: R$ 20.000,00 > Valor total = R$ 100.000,00 • Prazo do arrendamento: 5 anos • Valor residual a ser pago no final do 5º ano, para aquisição final do ativo: R$ 4.000,00 • Taxa de juros implícita no contrato: 12% ao ano. Na fórmula M = P/ (1 + i)n, vejamos: • P = Principal ou Valor Presente (PV = present value) • M = Montante ou Valor Futuro (FV = future value) • i = Taxa • n = tempo Teremos os seguintes valores presentes: • 1º ano: FV: R$ 20.000,00 > PV: R$ 17.857,14 • 2º ano: FV: R$ 20.000,00 > PV: R$ 15.943,87 • 3º ano: FV: R$ 20.000,00 > PV: R$ 14.235,88 • 4º ano: FV: R$ 20.000,00 > PV: R$ 12.710,51 • 5º ano: FV: R$ 20.000,00 > PV: R$ 11.348,80 • Valor Total > R$ 72.096,20 Quadro 1 – Valores Ativo Direito de Uso R$ 72.096,20 Passivo Circulante R$ 20.000,00 Juros a transcorrer – Ano 01 R$ 2.142,86 Passivo Não Circulante R$ 80.000,00 Juros a transcorrer – Anos 2, 3,4 e 5 R$ 25.760,94 7 Quadro 2 – Contabilização Débito Crédito Máquinas e Equipamentos (Ativo não Circulante – Imobilizado – Direito de Uso 72.096,20 Encargos financeiros a apropriar – Ano 1 – Passivo Circulante 2.142,86 Encargos Financeiros a Apropriar – Anos 2, 3, 4 e 5 – Passivo Não Circulante 25.760,94 Arrendamento a pagar – Passivo Circulante 20.000,00 Arrendamento a pagar – Passivo não circulante 80.000,00 2.1 Cálculo e contabilização da depreciação Em relação à depreciação, o arrendatário deve depreciar o ativo de direito de uso, desde a data de início até o que ocorrer primeiro entre: fim da vida útil do ativo de direito de uso; ou fim do prazo de arrendamento. O Pronunciamento CPC 06, ao tratar da depreciação, menciona que o arrendatário deve depreciar da data de início até o fim da vida útil do ativo subjacente, quando: • o arrendamento transferir a propriedade do ativo subjacente ao arrendatário ao fim do prazo do arrendamento; • o custo do ativo de direito de uso refletir que o arrendatário exercerá a opção de compra. Cálculo da depreciação do exemplo supracitado: • Prazo do contrato = 60 meses • O arrendatário exercerá a opção de compra • Vida útil do bem = 60 meses • Depreciação: Valor do bem = R$ 72.096,20 ÷ 60 meses = R$ 1.201,60 (depreciação mensal) Quadro 3 – Contabilização da depreciação Débito Crédito Despesa com Depreciação – Resultado - DRE 1.201,60 Depreciação Acumulada – Direito de Uso do Ativo – Ativo Não Circulante – Imobilizado 1.201,60 8 2.2 Apresentação Segundo o Pronunciamento CPC 06, o arrendatário deve apresentar no balanço patrimonial ou divulgar nas notas explicativas: • ativos de direito de uso separadamente de outros ativos; se o arrendatário não apresentar ativos de direito de uso separadamente no balanço patrimonial, o arrendatário deve: o incluir ativos de direito de uso na mesma rubrica em que os ativos subjacentes correspondentes seriam apresentados se fossem próprios; o divulgar quais rubricas no balanço patrimonial incluem os ativos de direito de uso. • passivos de arrendamento separadamente de outros passivos; se o arrendatário não apresentar passivos de arrendamento separadamente no balanço patrimonial, o arrendatário deve divulgar quais rubricas no balanço patrimonial incluem esses passivos. TEMA 3 – ATIVO INTANGÍVEL O tratamento contábil dado ao Ativo Intangível é normatizado pelo Pronunciamento CPC 04 (IAS 38). Tais ativos são conhecidos por não terem existência física. Estão classificados no Ativo Não Circulante – Subgrupo Intangíveis (Lei n. 11.638/2007). São exemplos de Ativo Intangível: • marcas; • patentes; • licenças; • softwares; • franquias; • fundo de comércio adquirido; • nome comercial; • direitos autorais; • direitos de propriedade industrial e de serviços; • desenvolvimento de tecnologia; • receitas e fórmulas; 9 • modelos, projetos e protótipos; • know-how; • capital intelectual; • gastos com propaganda, treinamento, início das operações (também denominados pré-operacionais); • atividades de pesquisa e desenvolvimento. Quanto às características básicas de um ativo intangível, são trazidas pelo Pronunciamento CPC 04, que é definido quando: • for separável, ou seja, capaz de ser separado ou dividido da empresa, podendo ser negociado, vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado; • resultar de direitos contratuais ou de outros direitos legais; • for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo sejam gerados em favor da entidade; • puder ter seu custo mensurado com segurança. 3.1 Conceitos O pronunciamento que trata dos Intangíveis traz os seguintes conceitos: • Amortização: alocação sistemática do valor amortizável de ativo intangível ao longo da sua vida útil. • Ativo é um recurso: o controlado pela entidade como resultado de eventos passados; o do qual se espera que resultem benefícios econômicos futuros para a entidade. • Valor contábil: valor pelo qual um ativo é reconhecido no balanço patrimonial, após a dedução da amortização acumulada e da perda por desvalorização. • Custo: montante de caixa ou equivalente de caixa pago; valor justo de qualquer outra contraprestação dada para adquirir um ativo na data da sua aquisição ou construção; ou ainda, se for o caso, valor atribuído ao ativo quando inicialmente reconhecido de acordo com as disposições específicas de outro pronunciamento, como o Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações. 10 • Valor amortizável: custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo, menos o seu valor residual. • Desenvolvimento: aplicação dos resultados da pesquisa ou de outros conhecimentos em um plano ou projeto visando à produção de materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou substancialmente aprimorados, antes do início de sua produção comercial ou de seu uso. • Valor específico para a entidade: valor presente dos fluxos de caixa; em relação aos quais uma entidade espera: o obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da sua vida útil; o ou incorrer para a liquidação de um passivo. • Valor justo: preço que seria recebido pela venda de um ativo, ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. • Perda por desvalorização: valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede o valor recuperável. • Ativo intangível: ativo não monetário identificável sem substância física. • Ativo monetário: representado por dinheiro ou por direitos a serem recebidos em uma quantia fixa ou determinável de dinheiro. • Pesquisa: investigação original e planejada, realizada com a expectativa de adquirir novo conhecimento e entendimento científico ou técnico. • Valor residual de um ativo intangível: valor estimado que uma entidade obteria com a venda do ativo, após deduzidas as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil. • Vida útil é: o o período de tempo em que a entidade espera utilizar um ativo; o ou o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo. 3.2 Reconhecimento e mensuração O reconhecimento contábil de um item como ativo intangível exige que a entidade demonstre que ele atende: 11 • a definição de ativo intangível;• e os critérios de reconhecimento. Por outro lado, um ativo intangível deve ser reconhecido apenas se: • for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade; • o custo do ativo possa ser mensurado com confiabilidade. A forma como esse ativo será calculado deve seguir algumas regras, podendo a empresa optar pelo método de custo ou pela reavaliação da política contábil, desde que, nesse segundo caso, haja permissão legal. A avaliação dos ativos intangíveis é indispensável para demonstrar o patrimônio real dos empreendimentos – afinal, é por meio dela que será escriturado o valor do ativo intangível no balanço patrimonial. A etapa de divulgação dos valores correspondentes aos ativos intangíveis é realizada por meio das demonstrações contábeis, que contêm informações complementares nas notas explicativas. Nessa complementação, é necessário constar dados como vida útil. Nos casos de vida útil definida, deve ser indicada a taxa de amortização; já para os itens com vida útil não definida, é necessário informar o valor contábil e as razões para essa avaliação. TEMA 4 – REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL: ASPECTOS CONCEITUAIS O Pronunciamento Contábil CPC 01 (IAS 36) normatiza as regras para o tratamento da redução ao valor recuperável, com a finalidade de estabelecer procedimentos que a entidade deve aplicar para assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente, por valor que não exceda os valores de recuperação. De acordo com a norma, um ativo está registrado contabilmente por valor que excede seu valor de recuperação quando o seu valor contábil exceder o montante a ser recuperado pelo uso ou pela venda do ativo. Nesse caso, o ativo é caracterizado como sujeito ao reconhecimento de perdas, e a entidade deve reconhecer um ajuste para perdas por desvalorização. Em regra, estão abrangidos no Pronunciamento CPC 01 todos os ativos sujeitos à ajuste para perdas por desvalorização de todos os ativos, exceto: • estoques; 12 • ativos de contrato e ativos resultantes de custos para obter ou cumprir contratos que devem ser reconhecidos de acordo com o CPC 47 – Receita de Contrato com Cliente; • ativos fiscais diferidos; • ativos advindos de planos de benefícios a empregados; • instrumentos financeiros; • propriedade para investimento que seja mensurada ao valor justo; • ativo Biológico e Produto Agrícola que sejam mensurados com valor justo líquido de despesas de vender; • Contratos de seguro; • e ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada. No entanto, estão sujeitos às regras do pronunciamento ora estudado ao ativos financeiros classificados como: • controladas; • coligadas; • empreendimento controlado em conjunto; • e para perdas por desvalorização com outros ativos financeiros. 4.1 Conceitos O Pronunciamento 01 traz os seguintes conceitos: • Valor contábil líquido: montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste para perdas. • Unidade geradora de caixa: menor grupo identificável de ativos que gera entradas de caixa, que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou outros grupos de ativos. • Ativos corporativos: são ativos, exceto ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), que contribuem, mesmo que indiretamente, para os fluxos de caixa futuros, tanto da unidade geradora de caixa sob revisão quanto de outras unidades geradoras de caixa. • Despesas de venda ou de baixa: são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de 13 caixa, excluindo as despesas financeiras e de impostos sobre o resultado gerado. • Valor depreciável, amortizável e exaurível: custo de um ativo, ou outra base que substitua o custo nas demonstrações contábeis, menos o seu valor residual. • Depreciação, amortização e exaustão: alocação sistemática do valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante a vida útil. • Valor justo: preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. • Perda por desvalorização: montante pelo qual o valor contábil de um ativo ou de unidade geradora de caixa excede o valor recuperável. • Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa: maior montante entre o valor justo líquido de despesa de venda e o valor em uso. • Vida útil é: o o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um ativo; o ou o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter do ativo. • Valor em uso: valor presente de fluxos de caixa futuros esperados, que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. • Teste de impairment: também chamado de teste de imparidade ou teste de recuperabilidade, é um procedimento realizado nas empresas para a verificação de uma possível redução no valor recuperável dos ativos de longa duração. Esse teste tem o objetivo de avaliar informações, permitindo o ajuste no Balanço Patrimonial, caso necessário. Para o Pronunciamento Contábil CPC 01, o ativo está desvalorizado quando o valor contábil excede o valor recuperável. Por isso, a entidade deve avaliar, ao fim de cada período de reporte, se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável do ativo. Porém, e independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução ao valor recuperável, a entidade deve: 14 • Testar, no mínimo anualmente, a redução ao valor recuperável de um ativo intangível com vida útil indefinida, ou de um ativo intangível ainda não disponível para uso, comparando o valor contábil com o valor recuperável. O teste de redução ao valor recuperável pode ser executado a qualquer momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano, no mesmo período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável testado em períodos diferentes. Entretanto, se tais ativos intangíveis foram inicialmente reconhecidos durante o ano corrente, devem ter a redução ao valor recuperável testada antes do fim do ano corrente. • Testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) em combinação de negócios. Quanto aos indicativos de que um ativo esteja desvalorizado, temos as evidências internas e externas. • Indicações externas que o ativo possa ter sofrido desvalorização: o há indicações observáveis de que o valor do ativo diminuiu significativamente durante o período, mais do que seria de se esperar como resultado da passagem do tempo ou do uso normal; o mudanças significativas com efeito adverso sobre a entidade ocorreram durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal, no qual a entidade opera ou no mercado em que o ativo é utilizado; o as taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno sobre investimentos aumentaram durante o período; tais aumentos provavelmente vão afetar a taxa de desconto utilizada no cálculo do valor em uso de um ativo, diminuindo materialmente o valor recuperável do ativo; o o valor contábil do patrimônio líquido da entidade é maior do que o valor de suas ações no mercado. • Indicações internas de que o ativo possa ter sofrido desvalorização: o evidência disponível de obsolescência ou de dano físico de um ativo; o mudanças significativas, com efeito adverso sobre a entidade, ocorreram durante o período, ou devem ocorrer em futuro próximo, na extensão pela qual, ou na maneira pela qual, um ativo é ou será utilizado (essas mudanças incluem: ativo que se tornainativo ou 15 ocioso; planos para descontinuidade ou reestruturação da operação a que um ativo pertence; planos para baixa de ativo antes da data anteriormente esperada; e reavaliação da vida útil de ativo como finita ao invés de indefinida); o evidência disponível, proveniente de relatório interno, que indique que o desempenho econômico de um ativo é ou será pior que o esperado. O item 17 do Pronunciamento CPC 01 traz, ainda, que se houver indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização, isso pode significar que a vida útil remanescente, o método de depreciação, amortização e exaustão, ou o valor residual para o ativo, necessitam ser revisados e ajustados em consonância com os Pronunciamentos Técnicos aplicáveis ao ativo, mesmo que nenhuma perda por desvalorização seja reconhecida para o ativo. TEMA 5 – CÁLCULO DO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS De acordo com o Pronunciamento CPC 01, deve-se utilizar de metodologia adequada (prevista neste documento) para o cálculo do valor recuperável, de modo a garantir que os ativos de longo prazo, assim como os de natureza permanente, não venham a ser registrados por um valor superior ao que pode ser recuperado. Já vimos que o valor recuperável, de acordo com o Pronunciamento 01, é definido como o maior valor entre o valor justo líquido de despesas de venda de um ativo ou de unidade geradora de caixa e o seu valor em uso. Assim, a adoção dos procedimentos contidos na norma deve ser feita sempre que o valor contábil de um bem do ativo imobilizado ou intangível apresente valor acima do seu valor de mercado. Nessa situação, teremos desvalorização do bem (perda por irrecuperabilidade), o que deve ser reconhecido pela entidade, pois tais ativos estarão em imparidade. O art. 183 da Lei n. 6.404/1976 prevê a obrigatoriedade de as entidades reavaliarem os bens registrados no ativo imobilizado e no intangível, para fins de recuperação dos valores registrados nessas contas. O método previsto no Pronunciamento CPC 01 orienta que as empresas devem fazer uma avaliação anual dos seus ativos, de modo a registrar perdas de valor do capital aplicado, revisando e ajustando a sua vida útil econômica. Essa avaliação de ativos pode ser feita por meio do teste de recuperabilidade, mais 16 conhecido como teste de impairment. Com seu auxílio, será verificado quanto valem os ativos e qual é o seu valor recuperável. É importante destacar que o ajuste de valores, de acordo com o teste de recuperabilidade, será feito somente quando houver redução de valores; ou seja, se o valor apurado for menor que o valor contábil, eis que a reavaliação é feita para adequar o valor contábil dos ativos à sua real capacidade de retorno econômico. Nessa situação, o valor contábil do ativo deve ser reduzido ao valor recuperável. Essa redução representa uma perda por desvalorização do ativo, que deve ser reconhecida imediatamente na demonstração do resultado. 5.1 Conceitos Vamos a alguns conceitos importantes que o Pronunciamento CPC 01 traz, relacionados a valores recuperáveis relevantes para o entendimento do tema: • Teste de impairment: este teste é utilizado para avaliar uma possível redução no valor recuperável dos ativos de longa duração da entidade. Ele também é chamado de teste de imparidade ou teste de recuperabilidade, e permite fazer ajustes no Balanço Patrimonial, caso necessário. A realização do teste de imparidade busca assegurar que “os ativos de longa duração não estejam registrados contabilmente por um valor superior àquele passível de ser recuperado por uso ou por venda. O resultado do teste configura-se em um Laudo de Avaliação de valor justo. • Unidade geradora de caixa: trata-se do menor nível de um ativo (ou grupo de ativos) que pode ser identificado. Refere-se ao ativo que tem condições de gerar entradas de caixa representativas e independentes de outros ativos. • Valor em uso: o valor em uso é um procedimento utilizado para calcular o valor de um bem de longa duração que está sendo utilizado pela empresa. Essa modalidade também é conhecida como Valor Presente Líquido (VPL) aplicado a fluxos de caixa futuros. O cálculo do valor em uso, que deve ser realizado por profissional competente (interno ou externo), trará informações sobre a estimativa dos fluxos de caixa que se busca obter do ativo, com expectativas sobre variações no valor e risco de ativo. 17 • Valor contábil líquido: valor do ativo registrado nas demonstrações financeiras, resultado líquido da depreciação acumulada e das provisões de perdas já registradas para o ativo. • Valor líquido de venda: valor resultante da venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa após a dedução dos custos. • Valor recuperável de um ativo: maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo e o seu valor em uso. Assim, quando o valor contábil de um item supera o valor recuperável, é possível determinar que ele está desvalorizado. Porém, quando o valor recuperável do ativo for maior do que o valor contábil, não será necessário nenhum registro. Como exemplo, temos o valor de uma máquina registrada contabilmente no imobilizado pelo valor de R$ 150.000,00, cujo cálculo de valor recuperável apresenta um valor de R$ 110.000,00. Neste caso, o valor da perda por desvalorização é de R$ 40.000,00. Quadro 4 – Ajuste contábil da diferença de R$ 40.000,00 Débito Crédito Despesa de perda por desvalorização de ativos – Resultado 40.000,00 Perda por desvalorização da máquina – Redutora do Ativo 40.000,00 Quadro 5 – Balanço Patrimonial: conta do ativo – Máquina Débito Crédito Ativo Imobilizado – Máquina – Valor Original xxx (-) Depreciação acumulada xxx (-) Perda por desvalorização da máquina – impairment xxx (=) Valor recuperável do ativo xxx 18 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 6.099, de 12 de setembro de 1974. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 13 set. 1974. CPC – Comissão de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 01 (R1), de 6 de agosto de 2010. CPC, Brasília, 7 out. 2010. CPC – Comissão de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 04 (R1), de 5 de novembro de 2010. CPC, Brasília, 2 dez. 2010. CPC – Comissão de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 06 (R2), de 6 de outubro de 2017. CPC, Brasília, 21 dez. 2017. AULA 5 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Chegamos a nossa quinta aula e estamos avançando na análise das contas patrimoniais de acordo com os Pronunciamentos Contábeis da Comissão de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Até a aula anterior, tratamos de várias contas do Ativo e, daqui para a frente, vamos trabalhar também com as contas do Passivo e de Provisões. Veremos nesta aula os seguintes temas: 1. Custos de empréstimos 2. Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes 3. Subvenções e assistências governamentais 4. Evento subsequente 5. Políticas contábeis, mudança de estimativa e retificações de erro Vamos em frente! Crédito: Vectorium/Shutterstock. TEMA 1 – CUSTOS DE EMPRÉSTIMOS O Pronunciamento CPC 20 (IAS 23) trata do tema ora abordado. De acordo com este documento os custos estão relacionados à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável e compõem parte do custo de tal ativo. A base de cálculo para apuração do custo são as demonstrações financeiras e as informações contidas nas Notas Explicativas. Assim, o reconhecimento dos encargos de empréstimos é ajustado no próprio ativo, ao invés do seu reconhecimento como despesa financeira. Porém, esses custos somente devem ser adicionados ao próprio ativo se for possível comprovar que 3 estes irão resultar em benefícios econômicos para a empresa, caso contrário, deverão ser reconhecidos como despesa. Um exemplo de um ativo que gera benefício econômico/riquezaé o caso de um imóvel que a entidade aluga. O imóvel não é ativo pela existência da terra, tijolos e estrutura – a coisa física –, mas pelo fato de gerar benefício (riqueza) para a entidade. O Pronunciamento CPC 20 (Comissão de Pronunciamentos Contábeis) traz conceitos essenciais para o entendimento deste tema, tais como: • Custos de empréstimos são juros e outros custos que um empréstimo de recursos gera a uma companhia, que incluem: encargos financeiros calculados com base no método da taxa efetiva de juros; encargos financeiros relativos aos arrendamentos mercantis financeiros reconhecidos; e variações cambiais decorrentes de empréstimos em moeda estrangeira, na extensão em que elas sejam consideradas como ajuste, para mais ou para menos, do custo dos juros. • Ativo qualificável e período de tempo substancial - Ativo qualificável é um ativo que, necessariamente, demanda um tempo substancial para ficar pronto para utilização ou venda. Embora o Pronunciamento não traga o conceito de tempo substancial pode-se associá-lo ao tempo longo, considerável. O CPC 20 elenca alguns ativos que podem se enquadrar como ativo qualificável: estoques; ativos intangíveis; plantas industriais para manufatura; propriedades para investimentos; usinas de geração de energia; propriedades para investimentos. Não são considerados ativos qualificáveis os ativos financeiros e os estoques manufaturados, quando forem produzidos por um curto período de tempo. Também não são considerados como ativos qualificáveis os ativos disponíveis para seu uso ou venda pretendidos, quando adquiridos. 1.1 Tratamento dado aos custos de empréstimos atribuíveis no ativo Foi estabelecido pela norma que se deve capitalizar aqueles custos de empréstimos que são atribuíveis a aquisição, construção ou produção de ativo qualificável como parte do custo do ativo. Outros custos devem ser reconhecidos como despesa no período que são incorridos. Os custos abordados no Pronunciamento 20 devem ser capitalizados como parte dos custos do ativo, quando for provável que resultarão em benefícios econômicos e que possam, estes custos, ser mensurados de forma confiável. O montante dos custos dos empréstimos a serem capitalizados são aqueles efetivamente ocorridos sobre estes empréstimos, subtraindo-se dos mesmos quaisquer 4 receitas financeiras que possa decorrer do investimento temporário de tais empréstimos. Desta forma, estas receitas financeiras vão reduzir o montante da despesa financeira desse empréstimo e deixa de ser reconhecido no resultado. 1.2 Contratos financeiros elegíveis à capitalização Nos contratos financeiros, a norma estabelece que é permitido à companhia contrair esses empréstimos e incorrer em custos de empréstimos, antes que todos estes recursos sejam gastos com o ativo qualificável. Nesses casos, os recursos são frequentemente investidos até que se incorra em gastos com o ativo qualificável. Assim, na determinação do montante de custos de empréstimos elegíveis à capitalização durante o período, quaisquer receitas financeiras ganhas sobre tais recursos devem ser deduzidas dos custos dos empréstimos incorridos. Vamos a um exemplo: a empresa fez um empréstimo para a construção de um imóvel, no valor de R$ 500.000,00. Inicialmente, ele utiliza R$ 300.000,00 para construir esse imóvel e o restante é deixado em uma aplicação financeira para arcar com os custos futuros. O custo de empréstimo que será adicionado ao custo do imóvel, denominado custo capitalizado, será somente os juros incorridos sobre o valor utilizado para a construção do imóvel, menos a receita gerada pela outra parte que foi aplicada. Quando, eventualmente, a empresa obter empréstimo sem destinação específica e, após, direcionar parte destes recursos com a finalidade de obter um ativo qualificável, a entidade deve determinar o montante dos custos dos empréstimos elegíveis à capitalização e os custos sobre estes valores (destinados ao ativo) deverão ser apropriados à própria conta do ativo, aplicando-se taxa de capitalização aos gastos com o ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos custos dos empréstimos aplicáveis a todos os empréstimos da entidade que estiveram vigentes durante o período. No entanto, a entidade deve excluir desse cálculo os custos de empréstimos aplicáveis aos empréstimos destinados especificamente com o propósito de obter um ativo qualificável (CPC 20). Quanto à capitalização, temos os seguintes aspectos: 5 TEMA 2 – PROVISÕES, PASSIVOS E ATIVOS CONTINGENTES O tema sobre as provisões, passivos e ativos contingentes é tratado pelo Pronunciamento CPC – 25 (IAS 37). Partimos da premissa que Passivo é uma obrigação que a companhia assume, originada de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos. Estas ocorrências criam uma obrigação legal ou não formalizada e obriga a entidade a não ter outra alternativa, senão liquidar esta obrigação. (Pronunciamento Conceitual Básico). De acordo com o Pronunciamento CPC 25, a obrigação legal é uma obrigação que deriva de: • Contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos); • Legislação; • Outra ação de lei. Já a obrigação não formalizada é uma obrigação que decorre das ações da entidade em que: • Por via de padrão estabelecido de práticas passadas publicadas ou de declaração atual suficientemente específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; • Em consequência, a entidade cria uma expectativa válida nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades. Além dos itens anteriormente citados, o Pronunciamento ora estudado traz mais alguns conceitos importantes para o entendimento do tema, tais como: INÍCIO Quando a empresa: • Incorre em gastos com o ativo; • Incorre em custos de empréstimos; • Inicia as atividades que são necessárias ao preparo do ativo para seu uso ou venda. SUSPENSÃO • Em extensos períodos em que o ativo qualificável não é desenvolvido; • Quando as atividades necessárias no preparo do ativo, para venda ou uso pretendidos, estão suspensas. TÉRMINO •Quando todas as atividades necessárias ao preparo do ativo qualificável são concluídas, o ativo está pronto para uso ou venda. 6 • Contingência: No dicionário esse termo significa “que pode, ou não, suceder ou existir; duvidoso, eventual, incerto.” (Michaelis). Nesse sentido, para a contabilidade a contingência é uma condição ou situação cujo resultado final, favorável ou desfavorável, depende de eventos futuros incertos (CPC 25). • Passivo contingente é: obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação ou porque o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. • Ativo contingente: ativo possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade. • Contrato oneroso: contrato em que os custos inevitáveis de satisfazer as obrigações do contrato excedem os benefícios econômicos que se esperam sejam recebidos ao longo do mesmo contrato. • Reestruturação: programa planejado e controlado pela administração e que altera materialmente o âmbito de um negócio empreendido por entidade ou a maneira como o negócio é conduzido. 2.1 Provisões Na contabilidade a provisão é um passivo de prazo ou valor incerto. Pode-se dizer, então, que as Provisõessão expectativas de obrigações e são registradas com o objetivo de apropriar no resultado, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro. (Marinho) De acordo com o Pronunciamento CPC 25, as provisões devem ser reavaliadas e ajustadas periodicamente, a cada encerramento do exercício, para refletir a melhor estimativa. Se necessário, a provisão deverá ser revertida, à medida que não seja mais necessária uma saída de recursos que incorpore. A norma ainda ressalta que não devem ser reconhecidas provisões para perdas operacionais futuras, pois estas perdas não satisfazem a definição de passivo. Assim, uma obrigação surge somente quando há uma parte identificada e houver um documento formal que sustente. Destaca-se que a diferença entre obrigação presente de provisão e obrigação futura reside no fato de que esta sequer existe na data do balanço final e aquela já existe na data do balanço, porém sua liquidação ocorrerá no futuro. 7 • Provisão e outros passivos: as provisões são distintas de outros passivos, como contas a pagar e passivos que derivam de apropriações por competência, pois há incerteza sobre o prazo ou valor do desembolso futuro necessário para a liquidação. (CPC 25). • Provisão e passivo contingente: a provisão é uma obrigação presente, registrada no Passivo e que possui um prazo e valores incertos, mas tem a saída de recursos provável e que incorporam benefícios econômicos caso seja necessário liquidar a obrigação. Já o passivo contingente não satisfaz nenhum dos critérios de reconhecimento contábil, pois são obrigações que ainda podem, ou não, acontecer. Mas ambos, a provisão e o passivo contingente se referem à saída de recursos da empresa. Assim, pode-se dizer que a provisão é um gasto presente, mas sobre o qual não existe certeza de quando irá acontecer ou qual será o montante debitado. Mas a saída de recursos para liquidar a obrigação de um passivo contingente não é provável e também não deve ser reconhecida contabilmente, pois somente será confirmada pela existência, ou não, de um ou mais eventos futuros incertos, que não estão totalmente sobre o controle da companhia. Por outro lado, O passivo contingente não aparece no balanço patrimonial, mas as empresas precisam elaborar notas explicativas sobre as contingências passivas. Já as provisões aparecem no Passivo e para que um valor seja reconhecido como provisão ela precisa: a. possuir uma obrigação presente, que tenha origem em um evento passado; b. ter como provável o gasto de recurso para liquidar a obrigação; c. possibilidade de elaboração de uma estimativa do valor a ser pago; d. ter um evento passado que conduz a uma obrigação presente e a entidade não tenha qualquer alternativa senão liquidar a obrigação. Esse é o caso somente quando a liquidação da obrigação pode ser imposta legalmente; ou no caso de obrigação não formalizada, quando o evento (que pode ser ação da entidade) cria expectativas válidas em terceiros de que a entidade cumprirá a obrigação. Um exemplo clássico de passivo contingente são os gastos com processos judiciais, tais como causas trabalhistas, cíveis, tributárias ou ambientais, entre outras. Isso porque a organização entende que existe a possibilidade que ela perca uma determinada causa e, com isso, sofra prejuízos. Portanto, os valores que ela estima para esses gastos são tidos como passivos contingentes e são considerados para evitar surpresas e gastos inesperados. 8 Quadro 1 – Explicativo do registro de provisões e passivos contingentes PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS Provável Possível Remota Balanço Patrimonial Registra Não Registra Não Registra Notas Explicativas Divulga Divulga Não Divulga Fonte: Mattos, 2021. • Provisões e a estimativa confiável da obrigação: já vimos que as provisões são expectativas de obrigações e são registradas com o objetivo de apropriar no resultado, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro. Para o registro das provisões é possível utilizar estimativas, o que não prejudica a sua confiabilidade, eis que, de maneira geral, a entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação. São exemplos de provisões: provisão para 13º salário e provisão para o Imposto de Renda. 2.2 Passivo contingente Vimos que para o reconhecimento das provisões pode-se utilizar de estimativas para o seu registro contábil. Porém, nas situações em que nenhuma estimativa confiável possa ser realizada, há um passivo que naturalmente, não pode ser reconhecido. Esse passivo é divulgado como passivo contingente. Temos que um passivo contingente não deve ser reconhecido pela Companhia, mas se configurar-se numa possibilidade, ainda que remota, de gerar uma saída de recursos que gere um provável benefício econômico, deve ser divulgado nas notas explicativas. 2.3 Ativo contingente Já sabemos que um ativo contingente é um ativo possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade. Portanto, um ativo contingente não deverá ser reconhecido pela companhia. Essas contingências ativas não devem ser reconhecidas contabilmente, porém devem ser divulgados em nota explicativa com a descrição da sua natureza, o valor potencial e a expectativa da companhia sobre a sua eventual realização. Mas, quando a realização do ganho é praticamente certa, o ativo relacionado deve ser reconhecido no ativo. 9 Um exemplo de ativo contingente é quando a companhia reivindica algo, como indenização pelo uso indevido da sua marca. É provável que ela seja vencedora na medida judicial, mas o resultado é incerto. Nesse caso, o ativo contingente só deve constar das notas explicativas. Porém, se for praticamente certo o ganho, ou seja, depois que estiver tramitado e julgado, o ativo e o correspondente são reconhecidos nas demonstrações contábeis do período em que ocorrer a mudança de estimativa. TEMA 3 – SUBVENÇÕES E ASSISTÊNCIAS GOVERNAMENTAIS Algumas companhias, principalmente em processos de instalação e expansão, recebem dos governos, recursos para fomentar a produção, sua instalação e geração de empregos. Estes recursos naturalmente refletem diretamente na operação da empresa, na sua produção e consequentemente, nas suas demonstrações financeiras. As regras para o tratamento das Subvenções e Assistências Governamentais estão previstas no Pronunciamento CPC 07-R1 (IAS 20), que tem como objetivo contabilizar e divulgar subvenção governamental e divulgar outras formas de assistência governamental. 3.1 Conceitos O próprio Pronunciamento CPC 07 traz as definições mais importantes deste tema, quais sejam: • Governo: refere-se a governo federal, estadual ou municipal, agências governamentais e órgãos semelhantes, sejam locais, nacionais ou internacionais. • Assistência governamental: é a ação de um governo que se destina a proporcionar benefício econômico a uma empresa, ou grupo de empresas. Para isso ocorrer, se faz necessário que este beneficiário atenda a alguns critérios pré- estabelecidos. • Subvenção governamental: é outro tipo de assistência governamental que pode ser disponibilizado a uma companhia e, que na maioria das vezes, ocorre diretamente por recursos financeiros. Igualmente à assistência governamental, a empresa precisa ter cumprido, ou cumprirá, condições relacionadas as suas atividades operacionais. A subvenção também é conhecida como subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio etc. Ela corresponde a um auxílio por parte do governo, geralmente feito em dinheiro, e é destinada a entidades públicas e privadas, com o objetivo de, dentre outros: 10 a. promover estímulos econômicos a um determinado setor empresarial; b. promoveresse tipo de incentivo para atrair investidores para um local específico; c. financiar e promover atividades de interesse público; d. estimular o desenvolvimento de algum setor da economia; e. promover estratégias econômicas e sociais. No conceito de subvenção, temos dois tipos que são: • Subvenção relacionada a ativos, em que a companhia deve comprar, construir ou adquirir ativos a longo prazo para recebê-la; • Subvenção relacionada a resultados são as outras subvenções governamentais e que não esteja relacionada à subvenção de ativos (CPC 07). Quanto ao Reconhecimento contábil das subvenções governamentais, e de acordo com o Pronunciamento temos duas situações em que as subvenções governamentais não devem ser reconhecidas até que exista razoável segurança de que a companhia cumprirá com todas as condições estabelecidas; o até que exista razoável segurança de que a subvenção será recebida. A entidade, ao receber as subvenções, deve reconhecer como receita durante o período e confrontadas com as despesas/desembolsos que a companhia quer compensar. Neste caso, os argumentos do Governo para que a subvenção seja considerada receita também estão previstos no Pronunciamento CPC 07, quais sejam: 1. O recebimento de uma subvenção governamental não é originado pelos acionistas, sendo um ato externo a sociedade que a beneficia, entende-se que esse fato é considerado conceitualmente uma receita; 2. As subvenções governamentais raramente são gratuitas (CPC 07, 2019), e que a companhia receberá as possíveis subvenções a partir do momento que ela passe a cumprir as regras colocadas no processo. 3. No caso de subvenção que reduz tributos, estes são reconhecidos como despesas e como essa subvenção é uma forma de reduzir ou isentar a entidade dos tributos, o reconhecimento da subvenção deve ser por receita. Até que seja atendida a totalidade dos requisitos, para ser reconhecida como receita com subvenção na Demonstração do Resultado deve a companhia registrar em seu ativo e em conta específica, sua contrapartida no passivo, demonstradas em seu Balanço Patrimonial. Assim como os demais registros contábeis utilizam o regime de competência, as receitas por subvenções deverão seguir este mesmo princípio. Quando se tratar de subvenção para a isenção ou redução de tributos, o fato deverá ser registrado 11 pelo valor total do imposto, contabilizando a parte subvencionada a crédito de receita, deduzindo a obrigação no passivo. Quanto à Divulgação de subvenção e assistência governamental nas demonstrações financeiras, o CPC 07 determina que devem ser divulgadas as seguintes informações: • Ocorrendo subvenções governamentais, a companhia deverá divulgar a política contábil adotada e os métodos de apresentação utilizados nas demonstrações contábeis. • A companhia deverá informar a natureza e extensão das subvenções governamentais ou assistências governamentais que reconheceu em suas demonstrações financeiras, e indicar outras formas de assistência governamental que tenha se beneficiado. • As subvenções normalmente impõem contrapartidas a serem cumpridas, então, as demonstrações devem indicá-las. Quanto à isenção tributária, trata-se da dispensa legal do pagamento de tributo sob quaisquer formas jurídicas, seja por isenção, imunidades, reduções etc. Ocorre também a possibilidade da redução do tributo, que acontece quando somente uma parte do passivo tributário é pago, restando, ainda, parcela de imposto a pagar. Destaca o CPC 07 que a redução ou a isenção pode se acontecer, por meio de devolução do imposto recolhido mediante determinadas condições. TEMA 4 – EVENTOS SUBSEQUENTES O Pronunciamento Técnico CPC 24 (IAS 10) converge às normas internacionais de contabilidade e visa a padronização das informações demonstradas, os métodos aplicados na contabilidade e a transparência das informações. Ele foca na análise específica nos eventos relevantes, que podem ocorrer após a data do balanço até a data da divulgação e na necessidade da divulgação das possíveis consequências através de nota explicativa ou de ajuste das demonstrações financeiras para sua divulgação. O objetivo do Pronunciamento 24 é determinar: • quando a entidade deve ajustar suas demonstrações contábeis com respeito a eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas demonstrações; e • as informações que a entidade deve divulgar sobre a data em que é concedida a autorização para emissão das demonstrações contábeis e sobre os eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas demonstrações. 12 4.1 Conceito de eventos subsequentes De acordo com o Pronunciamento CPC 24, são eventos favoráveis ou não que ocorrem após a data do balanço e antes da divulgação das demonstrações financeiras. O CPC 24, apresenta possibilidades de eventos que podem ocorrer: • Eventos subsequentes que originam ajustes dos valores reconhecidos nas suas demonstrações contábeis ou faça o reconhecimento dos itens que não tenham sido reconhecidos. • Eventos subsequentes que não originam ajustes nas demonstrações contábeis, embora sejam significativos e que resultam em divulgação. Temos então que o objetivo da norma é definir em quais situações uma companhia deve fazer ajustes em suas demonstrações financeiras e em quais situações os ajustes são dispensáveis, por eventos ocorridos após a data de balanço. 4.2. Tipos de eventos subsequentes Vamos entender então as possibilidades de eventos, com exemplos. Eventos que geram ajustes: São aqueles que se tinha conhecimento e deveriam constar nas demonstrações financeiras: a) Acordo entre partes em um processo judicial; b) Venda de estoque a preço substancialmente menor após o encerramento do exercício social; c) Falência de um cliente; d) Venda de ativo imobilizado a um preço líquido substancialmente menor que o valor residual contábil; e) Alteração na sociedade com fusão, incorporação ou cisão. f) Existência de fraude ou erro que mostra que as demonstrações contábeis estão incorretas; Eventos que não geram ajustes, gerando apenas informação nas notas explicativas: a) Reclassificação de ativos mantidos para venda; b) Queda no valor de mercado de investimentos; c) Compra, alienação ou desapropriação de ativos após a data do balanço; d) Paralisação que comprometa a sua capacidade de produção; e) Declaração de dividendos; 13 4.3 Continuidade O Pronunciamento CPC 24, item 14, traz o tratamento a ser dado para as empresas que não pretendem dar continuidade as suas atividades, após o encerramento das demonstrações financeiras, determinando que: A entidade não deve elaborar suas demonstrações contábeis com base no pressuposto de continuidade se sua administração determinar após o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que pretende liquidar a entidade, ou deixar de operar ou que não tem alternativa realista senão fazê-lo. Esse tratamento deriva do Princípio Contábil da Continuidade previsto na Resolução CFC n. 1.374, de 08 de dezembro de 2011, que traz: A continuidade ou não da entidade, bem como sua vida definida ou provável, deve ser considerada quando da sua classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas. Assim, a entidade deve considerar a continuidade, ou não, das suas atividades para garantir utilidade de alguns ativos que, caso a empresa encerrasse suas atividades, teriam o seu valor econômico anulado, o que geraria insegurança jurídica e tributária. 4.4 Divulgação O Pronunciamento 24 ainda determina que é importante os usuários saberem quando foi autorizada a emissão das demonstrações contábeis, já que elas não refletem eventos posteriores a essa data. Assim, deve ser divulgado a data em que foi concedida a autorização para emitir demonstrações contábeis e quem forneceutal autorização e se os sócios da entidade ou terceiros têm o poder de alterar as demonstrações financeiras após emissão. É indiscutível esse processo de divulgação dos eventos subsequentes, pois ele reflete diretamente na qualidade e transparência das informações, que são relevantes àqueles que utilizam as demonstrações financeiras. TEMA 5 – POLÍTICA CONTÁBIL, MUDANÇA DE ESTIMATIVA E RETIFICAÇÃO DE ERROS No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos contábeis, por meio de seu Pronunciamento CPC 23, discorre sobre esse tema e tem como objetivo definir critérios para seleção e mudança de políticas contábeis, juntamente ao tratamento contábil e à divulgação de mudança nas políticas contábeis, a mudança nas estimativas contábeis e a retificação de erro. O resultado esperado é melhorar a relevância e a confiabilidade das demonstrações contábeis da entidade, bem como permitir sua comparabilidade ao longo 14 do tempo com as demonstrações contábeis de outras entidades. Como forma de promover a confiabilidade e a compreensão dos usuários da contabilidade temos as Notas Explicativas, que têm o objetivo de informar sobre os elementos financeiros, econômicos e patrimoniais da entidade. 5.1 Conceitos 5.1.1 Políticas contábeis São os princípios, as bases, as convenções, as regras e as práticas específicas aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação de demonstrações contábeis e que asseguram a confiabilidade na elaboração e divulgação das demonstrações financeiras. Para que uma política contábil seja confiável, é necessário: • Ser relevante e representar adequadamente os informes contábeis; • Refletir a essência econômica das transações; • Manter a neutralidade nas avaliações de ativos e passivos – isentando-se de tendências; • Recepcionar prudentemente as práticas normalmente aceitas pela contabilidade e que estejam completas em todos os aspectos materiais. A entidade deve alterar uma política contábil apenas se a mudança for exigida por pronunciamento, interpretação ou orientação; ou resultar em informação confiável e mais relevante nas demonstrações contábeis sobre os efeitos das transações, outros eventos ou condições acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho ou dos fluxos de caixa da entidade. 5.1.2 Mudança na estimativa contábil É um ajuste nos saldos contábeis de ativo ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo. Ela decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos benefícios futuros esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas estimativas contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto, não são retificações de erros. Apesar da contabilidade, na sua grande maioria das vezes, utilizar-se de fatos e atos que conseguimos mensurar, em algumas situações não é possível atribuir números precisos nas demonstrações financeiras, podendo os mesmos serem estimados. A 15 estimativa envolve a apreciação baseada na última informação disponível e confiável. Por exemplo, podem ser exigidas estimativas de: • créditos de liquidação duvidosa; • obsolescência de estoque; • valor justo de ativos financeiros ou passivos financeiros; • vida útil de ativos depreciáveis ou o padrão esperado de consumo dos futuros benefícios econômicos incorporados nesses ativos; e • obrigações decorrentes de garantias. 5.1.3 Retificação de erros de períodos anteriores Os erros são omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que: • estava disponível quando da autorização para divulgação das demonstrações contábeis desses períodos; e • pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis. • Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de políticas contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes. Os erros podem ocorrer no registro, na mensuração, na apresentação ou na divulgação de elementos de demonstrações contábeis. Estas não estarão em conformidade com os Pronunciamentos, Interpretações e Orientações do CPC 23 se contiverem erros materiais ou erros imateriais cometidos intencionalmente para alcançar determinada apresentação da posição patrimonial e financeira, do desempenho ou dos fluxos de caixa da entidade. Quanto à correção dos erros, a entidade deve corrigir os erros materiais de períodos anteriores retrospectivamente no primeiro conjunto de demonstrações contábeis cuja autorização para publicação ocorra após a descoberta de tais erros por reapresentação dos valores comparativos para o período anterior apresentado em que tenha ocorrido o erro; ou se o erro ocorreu antes do período anterior mais antigo apresentado, da reapresentação dos saldos de abertura dos ativos, dos passivos e do patrimônio líquido para o período anterior mais antigo apresentado. Promovida a correção, a entidade deverá divulgar a informação da: 16 • a natureza do erro; • o valor da correção para cada rubrica afetada; • na medida do possível, o valor da devida correção no período anterior mais antigo; • uma nota explicativa, caso seja impraticável determinar os valores como antes mencionado. Temos, ainda, no Pronunciamento CPC 23, outros conceitos de: • Aplicação retrospectiva é a aplicação de nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições, como se essa política tivesse sido sempre aplicada. • Reapresentação retrospectiva é a correção do reconhecimento, da mensuração e da divulgação de valores de elementos das demonstrações contábeis, como se um erro de períodos anteriores nunca tivesse ocorrido. • Aplicação impraticável de requisito ocorre quando a entidade não pode aplicá- lo depois de ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido. • Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de reconhecimento do efeito de mudança em estimativa contábil representa, respectivamente: a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições que ocorram após a data em que a política é alterada; e b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos períodos corrente e futuro afetados pela mudança. Deve ser dado aos usuários das demonstrações contábeis a possibilidade de comparar as demonstrações contábeis da entidade ao longo do tempo para identificar tendências na sua posição patrimonial e financeira, no seu desempenho e nos seus fluxos de caixa. Quanto à divulgação das mudanças na estimativa contábil, a entidade deve divulgar a natureza e o montante de mudança na estimativa contábil que tenha efeito no período corrente ou se espera que tenha efeito em períodos subsequentes, salvo quando a divulgação do efeito de períodos subsequentes for impraticável. Se o montante do efeito de períodos subsequentes não for divulgado porque a estimativa do mesmo é impraticável, a entidade deve divulgar tal fato. 17 REFERÊNCIAS IUDÍCIBUS, S. de; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R.; SANTOS, A. dos. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC (2010). São Paulo: Editora Atlas. 2010. LEMES, S.; CARVALHO, N. Contabilidade Internacional para graduação: texto, estudos de casos e questões de múltipla escolha. São Paulo: Atlas. 2010. MÜLLER, A. N.; SCHERER, L. M.; CORDEIRO, C. M. R. Contabilidade Avançada e Internacional. 4. ed. São Paulo: Saraiva. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 07- R1. 2009. Disponível em: <http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/menu/regulados/ normascontabeis/cpc/cpc_20_r1_rev_12.pdf>. Acesso em: 04 jul. 2021. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 23. Disponível em: <http://static.cpc.aatb.com.br/documentos/296_cpc_23_rev%2014.pdf>.Acesso em: 04 jul. 2021. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 24. Disponível em: <http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/300_CPC_24%20_rev%2012. pdf>. Acesso em: 04 jul. 2021. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 25. Disponível em: <http://static.cpc.aatb.com.br/documentos/304_cpc_25_rev%2014.pdf>. Acesso em: 04 jul. 2021. AULA 6 CONTABILIDADE INTERNACIONAL Profª Ivanes da Glória Mattos 2 INTRODUÇÃO Estamos, agora, começando mais uma aula em que vamos conhecer temas relacionados às demonstrações contábeis financeiras que têm por objetivo fornecer informações pertinentes à posição financeira, à rentabilidade e às atividades operacionais, de investimento e de financiamento das entidades, de acordo com as regras estabelecidas pelos pronunciamentos contábeis da Comissão de Pronunciamentos Contábeis – CPC. Veremos, então, nesta aula, os seguintes cinco temas: 1. Apresentação das demonstrações contábeis 2. Mudanças nas taxas de câmbio 3. Normas para conversão de demonstrações contábeis 4. Conversão de demonstrações contábeis: aplicação 5. Pronunciamento Técnico CPC PME Vamos em frente! Crédito: Alina Kvaratskhelia/Shutterstock. TEMA 1 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As demonstrações contábeis são relatórios que retratam a situação econômica e financeira de uma entidade e que embasam a tomada de decisões dos seus gestores. Elas são o resultado da aplicação de todos os métodos, técnicas e regras que facilitam o entendimento das demonstrações contábeis pelos diversos públicos nelas interessados. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), por meio do Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), estabelece regras e diretrizes para a apresentação desses relatórios financeiros, no tocante à sua estrutura, ao seu conteúdo e à sua forma de apresentação, o que permite a comparação de relatórios de exercícios anteriores, em uma mesma companhia, e 3 faz com que as demonstrações contábeis sigam padrões adotados internacionalmente (CPC, 2011b). 1.1 Conceitos O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) apresenta os seguintes conceitos (CPC, 2011b): a. Demonstrações contábeis de propósito geral (referidas simplesmente como demonstrações contábeis) são aquelas cujo propósito reside no atendimento das necessidades informacionais de usuários externos que não se encontram em condições de requerer relatórios especificamente planejados para atender às suas necessidades peculiares. b. Aplicação impraticável ocorre quando a entidade não pode aplicar um requisito depois de ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido. c. Práticas contábeis brasileiras compreendem a legislação societária brasileira, os pronunciamentos, as interpretações e as orientações emitidos pelo CPC e homologados pelos órgãos reguladores, assim como as práticas adotadas pelas entidades em assuntos não regulados, desde que atendam ao Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) e, por conseguinte, estejam em consonância com as normas contábeis internacionais (CPC, 2019). d. A informação é material se sua omissão, distorção ou obscuridade pode influenciar, de modo razoável, decisões que os usuários primários das demonstrações contábeis de propósito geral tomam como base nessas demonstrações contábeis, que fornecem informações financeiras sobre relatório específico da entidade. e. Notas explicativas contêm informações adicionais às apresentadas nas demonstrações contábeis e oferecem descrições narrativas ou segregações e aberturas de itens divulgados nessas demonstrações, além de dados acerca de itens que não se enquadram nos critérios de reconhecimento das demonstrações contábeis. f. Outros resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelos pronunciamentos, interpretações e orientações emitidos pelo CPC. 4 g. Proprietário é o detentor de instrumentos classificados como patrimoniais (de capital próprio, no patrimônio líquido). h. Resultado do período é o total das receitas deduzido das despesas, exceto os itens reconhecidos como outros resultados abrangentes no patrimônio líquido. i. Ajuste de reclassificação é o valor reclassificado para o resultado no período corrente que foi inicialmente reconhecido como outros resultados abrangentes no período corrente ou em período anterior. j. Resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período, que resulta de transações e outros eventos que não sejam derivados de transações com os sócios, na sua qualidade de proprietários. k. Resultado abrangente compreende todos os componentes da demonstração do resultado e da demonstração dos outros resultados abrangentes. 1.2 Demonstrações contábeis de propósito geral O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) abrange todas as demonstrações contábeis, excetuando as demonstrações contábeis intermediárias (condensadas), as quais seguem a estrutura do Pronunciamento Técnico CPC 21 (R1) (CPC, 2011a, 2011b). Essas demonstrações contábeis intermediárias contêm um conjunto completo de demonstrações contábeis ou um conjunto de demonstrações contábeis condensadas para um período intermediário. O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) regula a estrutura das demonstrações contábeis de propósito geral, ou seja, o público externo, tais como os investidores, os tomadores de decisão, os clientes e os fornecedores (Brasil, 2011b). Na estruturação dessas demonstrações, são indispensáveis as seguintes informações: a. ativos; b. passivos; c. patrimônio líquido; d. receitas e despesas; e. ganhos e perdas; f. alteração de capital próprio; g. fluxos de caixa. 5 Já as demonstrações financeiras que devem ser publicadas, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) (Brasil, 2011b), são: • Balanço Patrimonial ao final do período – BP • Demonstração do Resultado do Exercício – DRE • Demonstração do Resultado Abrangente do período – DRA • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido do período – DMPL • Demonstração dos Fluxos de Caixa do período – DFC • Notas Explicativas – NE • Informações comparativas com o período anterior • Balanço Patrimonial do início do período mais antigo (com comparativo), no caso de apresentação retroativa ou reclassificação de itens nas demonstrações contábeis • Demonstração do Valor Adicionado do período – DVA (obrigatório para companhias de capital aberto) Conhecer cada uma das demonstrações contábeis é de fundamental importância para se garantir aos interessados que a entidade cumpre com os requisitos estabelecidos pelas normas. Porém, pela amplitude do Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), nos aprofundaremos aqui nas demonstrações contábeis mais importantes para a tomada de decisões (Brasil, 2011b). 1.3 Balanço Patrimonial (BP) O BP, de acordo com a Lei n. 6.404/1976, deve ser estruturado em Ativo e Passivo e nos grupos Ativo Circulante, Ativo Não Circulante, Passivo Circulante e Passivo Não Circulante (Brasil, 1976). Quadro 1 – Estrutura do Balanço Patrimonial Ativo – registra os bens e direitos pertencentes à entidade. Passivo – registra as obrigações para com terceiros, acionistas e sócios. Ativo Circulante Passivo Circulante Registra as disponibilidades (caixa, bancos, contas, movimentos e aplicações financeiras), os títulos negociáveis (como duplicatas a receber), os estoques e outros créditos de realização a curto prazo, como adiantamento a fornecedores e empregados. Registra as obrigações a serem pagas por uma empresa no período de 1 ano, como compra de matérias-primas, contas a pagar, empréstimos com vencimento menor que 360 dias, impostos a serem recolhidos e provisões. Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante Registra o realizável a longo prazo, os investimentos,o imobilizado e o intangível. Registra as obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do Ativo Não Circulante, quando vencerem após 6 o exercício seguinte. Normalmente, tais obrigações correspondem a valores exigíveis a partir do 13º mês seguinte ao do exercício social. Patrimônio Líquido Registra o valor contábil pertencente aos acionistas ou quotistas. Na elaboração do BP, deve-se priorizar a qualidade e a relevância das informações. Sua forma de apresentação contempla uma certa flexibilidade, desde que sempre siga os padrões aceitos internacionalmente. 1.4 Demonstração do Resultado do Exercício – DRE consolidado e Demonstração do Resultado Abrangente – DRA Tanto a DRE consolidado como a DRA são fundamentais para o processo de tomada de decisão em uma entidade. Ambas apresentam os itens de receita e despesa reconhecidos no período, porém: a. A DRA apresenta a [...] alteração no patrimônio líquido de uma sociedade durante um período, decorrente de transações e outros eventos e circunstâncias não originados dos sócios, que inclui todas as mudanças no patrimônio durante o período, exceto aquelas resultantes de investimentos dos sócios e distribuições aos sócios. (CPC, 2011b) A DRA é uma importante ferramenta de análise gerencial, pois, respeitando o princípio de competência de exercícios, atualiza o capital próprio dos sócios, por meio de registro no Patrimônio Líquido (e não no Resultado) das receitas e despesas de realização financeira incerta, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma de alienação. b. A DRE reflete o cenário atual, ou seja, o que realmente ocorreu ao longo do período de apuração, que tem como objetivo detalhar a formação do resultado líquido de um exercício pela confrontação das receitas, custos e despesas de uma empresa, apurados segundo o princípio contábil do regime de competência. c. A DRE é o instrumento mais utilizado, já que a DRA tem uma natureza mais ampla, pois considera elementos que vão além dos fatos que compreendem o período de um exercício, sendo um relatório mais completo. 7 1.5 Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC A DFC é o relatório mais eficiente para demonstrar a posição financeira (pagamentos e recebimentos) de uma empresa. Ela passou a ser obrigatória a partir da Lei n. 11.638/2007 e identifica a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como as necessidades da entidade de utilização desses fluxos de caixa. A Comissão de Valores Mobiliários – CVM, por meio da Deliberação n. 547/2008, aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), que regulamenta a DFC. Já o Conselho Federal de Contabilidade – CFC, por meio da Resolução n. 1.125/2008, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 3.8, que também trata da DFC (Brasil, 2007, 2008; CPC, 2010b; CFC, 2008). De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), todas as entidades cujo patrimônio líquido seja superior a 2 milhões de reais, independentemente do tipo societário adotado, devem apresentar a DFC anualmente, inclusive as pequenas e médias empresas – PMEs (CPC, 2010b). As informações contidas na DFC permitem que os usuários (interno e externo) visualizem a forma com que a empresa gera e utiliza seu caixa e equivalentes de caixa e observem a sua capacidade de, por exemplo, distribuir dividendos, pagar juros e amortizar dívidas etc., bem como a sua liquidez e a sua solvência empresarial. Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) (CPC, 2010b), a DFC deve ser dividida em três grupos: 1. Atividades Operacionais 2. Atividades de Investimento 3. Atividades de Financiamento O mesmo pronunciamento apresenta os seguintes conceitos (CPC, 2010b): a. Caixa: compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis. b. Equivalentes de caixa: são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. c. Fluxos de caixa: são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. d. Atividades operacionais: são as principais atividades geradoras de receita da entidade, bem como os gastos decorrentes da industrialização, 8 comercialização ou prestação de serviços da empresa. Consistem em exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais de uma empresa: • recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços; • recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas; • pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços; • pagamentos de caixa diretamente a empregados ou em conta de empregados; • pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda. e. Atividades de investimento: são referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. Constituem exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de investimento: • pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo, o que inclui aqueles relacionados aos custos de desenvolvimento ativados e aos ativos imobilizados de construção própria; • recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo; • adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira). f. Atividades de financiamento: são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e do capital de terceiros da entidade. Encontram-se entre os exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento: • caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; • pagamentos em caixa a investidores, para adquirir ou resgatar ações da entidade; • caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos; • amortização de empréstimos e financiamentos; 9 • pagamentos em caixa, por arrendatário, para redução de passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro. Há duas formas de apresentação da DFC: 1. Método direto: quando se parte da receita com venda à vista. 2. Método indireto: quando se parte do lucro líquido do exercício e se efetuam os ajustes necessários, para reconstituir esse lucro, no saldo de caixa líquido gerado pelas operações da empresa. 1.6 Notas explicativas O parágrafo 4º do art. 176 da Lei n. 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações – S.A.) trata da obrigatoriedade da publicação do demonstrativo Notas Explicativas e define que: “As demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício” (Brasil, 1976). As Notas Explicativas contêm as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos valores relativos ao resultado do exercício que podem modificar futuramente tal situação patrimonial da empresa. As suas bases gerais e as normas a serem inclusas nas demonstrações financeiras das empresas estão previstas no parágrafo 5º do art. 176 da Lei das S.A., que estabelece que as Notas Explicativas devem indicar: a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações; d) osônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; g) o número, espécies e classes das ações do capital social; h) os ajustes de exercícios anteriores [...]; i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. (Brasil, 1976) 10 TEMA 2 – MUDANÇAS NAS TAXAS DE CÂMBIO O CPC (2010a), por meio do CPC 02 (R2), estabelece orientações sobre as mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis. O objetivo é definir a forma de incluir transações em moeda estrangeira e operações no exterior nas demonstrações contábeis das entidades; de converter demonstrações contábeis em moeda de apresentação; e de especificar quais taxas de câmbio devem ser utilizadas e como reportar os efeitos das mudanças nas taxas de câmbio nas demonstrações contábeis. Assim, tal pronunciamento (CPC, 2010a) aborda a possibilidade de uma empresa manter atividades em moeda estrangeira e apresentar suas demonstrações contábeis também em moeda estrangeira, de duas formas: 1. por meio de transações em moeda estrangeira; 2. via operações no exterior. 2.1 Aplicação do Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) O Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) (CPC, 2010a), ora objeto deste estudo, deve ser adotado: a. na contabilização de transações e saldos em moeda estrangeira; b. na conversão de resultados e posição financeira de operações no exterior incluídos nas demonstrações contábeis de uma entidade por meio de consolidação, consolidação proporcional ou pela aplicação do método de equivalência patrimonial; c. na conversão de resultados e posição financeira de uma entidade em uma moeda de apresentação. Todas as entidades com operações ou sedes no exterior devem informar os valores transacionados em moeda nacional, converter os itens expressos em moeda estrangeira em sua moeda funcional e reportar os efeitos de tal conversão. Algumas entidades são compostas de um certo número de entidades individuais, fazendo-se necessário, nesses casos, que as informações (resultado, posição financeira) de cada uma dessas sejam convertidas na moeda na qual essa entidade apresenta suas demonstrações contábeis. Do ponto de vista contábil, é possível que uma entidade brasileira utilize moeda funcional diferente da moeda nacional. Porém, no âmbito societário e tributário, a escrituração e a apuração 11 contábeis devem ser realizadas em moeda nacional. A moeda funcional é a moeda do principal ambiente econômico em que a entidade opera. Os critérios para apresentação de transação em moeda estrangeira como moeda funcional são: a. Quando a transação em moeda estrangeira é fixada: nesse caso, ela deverá ser reconhecida contabilmente no momento inicial da transação, em moeda funcional e com a aplicação da taxa de câmbio, à vista, existente entre a moeda funcional e a moeda estrangeira, com base na data da transação, no montante em moeda estrangeira. A transação em moeda estrangeira é fixada ou requer sua liquidação em moeda estrangeira quando a entidade: • compra ou vende bens e serviços cujo preço é fixado em moeda estrangeira; • obtém ou concede empréstimos com valores a pagar ou a receber fixados em moeda estrangeira; • adquire ou desfaz-se de ativos ou assume ou liquida passivos fixados em moeda estrangeira. b. Apresentação das informações ao término de períodos de reporte subsequentes: ao término de cada período de reporte das demonstrações financeiras: • os itens monetários em moeda estrangeira devem ser convertidos, à taxa de câmbio de fechamento das demonstrações financeiras; • os itens não monetários mensurados pelo custo histórico em moeda estrangeira devem ser convertidos à taxa de câmbio da data da transação; • os itens não monetários mensurados pelo valor justo em moeda estrangeira devem ser convertidos à taxa de câmbio vigente nas datas em que o valor justo for determinado. 2.2 Reconhecimento de variação cambial As variações relacionadas à moeda deverão ser reconhecidas na DRE em que acontecerem as variações cambiais advindas da liquidação de itens monetários ou da conversão de itens monetários por taxas diferentes daquelas pelas quais foram convertidos quando da sua mensuração inicial, durante o período ou em demonstrações contábeis anteriores. Quando a transação é 12 liquidada no mesmo exercício em que foi originada, a variação cambial deve ser reconhecida nesse mesmo período. Quando a transação é liquidada em período subsequente ao exercício em que se originou, a variação cambial deverá ser reconhecida em cada período, até a data de liquidação. Quando houver alteração da moeda funcional, a entidade deverá aplicar os procedimentos de conversão requeridos à nova moeda funcional a partir da data da alteração. Assim, todos os itens devem ser convertidos na nova moeda funcional, utilizando a taxa de câmbio observada na data da alteração. Os montantes resultantes da conversão, no caso dos itens não monetários, devem ser tratados como se fossem seus custos históricos. 2.3 Divulgação De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) (CPC, 2010a), a entidade deverá divulgar: a. o montante das variações cambiais reconhecidas na DRE, com exceção daquelas originadas de instrumentos financeiros mensurados do valor justo, por meio do resultado; b. as variações cambiais líquidas reconhecidas em outros resultados abrangentes e registradas em conta específica do Patrimônio Líquido, e a conciliação do montante de tais variações cambiais, no início e no final do período. Nas demonstrações contábeis, quando a moeda de apresentação for diferente da moeda funcional, deverá ser relatada, juntamente com a divulgação da moeda funcional, a razão para a utilização de moeda de apresentação diferente. Também deverão ser divulgados o fato e a razão para a alteração na moeda funcional pela entidade que reporta a informação ou por entidade no exterior significativa. TEMA 3 – NORMAS PARA CONVERSÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS São muitas as entidades que realizam operações com moedas estrangeiras e, para a apresentação de suas demonstrações contábeis, elas devem seguir as regras estabelecidas pela legislação, no caso o Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2), que prevê a obrigatoriedade de as empresas relatarem em seus 13 demonstrativos contábeis as suas transações e operações realizadas em moeda estrangeira (CPC, 2010a). Para tanto, inicialmente, as entidades deverão definir sua moeda funcional, que, conforme já vimos, é a moeda do ambiente econômico principal no qual a entidade opera. Definida essa moeda funcional, as entidades devem converter todos os itens das suas demonstrações nessa moeda e, para isso, precisarão fazer a conversão da moeda estrangeira, aplicando-lhe a devida taxa de câmbio. Além da padronização das demonstrações contábeis, um dos objetivos dessa conversão é informar os impactos das variações cambiais no patrimônio das empresas. O pronunciamento ora estudado (CPC, 2010a) tem como objetivo regulamentar as seguintes operações: a. contabilização de transações e saldos em moeda estrangeira, excetuando- se aquelas transações com derivativos e saldos normatizados pelo Pronunciamento Técnico CPC 48, que trata dos instrumentos financeiros (CPC, 2016); b. conversão de resultados de operações no exterior que são incluídas nas demonstrações contábeis da entidade por meio de consolidação ou pela aplicação do método da equivalência patrimonial; c. conversão dos resultados de uma empresa em uma moeda de apresentação. 3.1 Definiçãoda moeda funcional Na definição da moeda funcional é necessário que a entidade identifique, cumulativamente, a moeda: a. que mais fortemente influencie os preços dos seus bens ou serviços; b. do país cujas forças competitivas e reguladoras influenciem a estrutura de precificação da empresa; c. que influencia os custos e despesas da empresa; d. na qual os fundos (financeiros) são gerados. 3.2 Transação em moeda estrangeira Quando da realização da conversão das demonstrações contábeis na moeda funcional, a empresa deverá identificar a transação em moeda estrangeira, 14 que é entendida como aquela em que é requerida sua liquidação em moeda estrangeira, bem como: a. a compra ou venda de bens ou serviços cujos preços sejam fixados em moeda estrangeira; b. a obtenção ou concessão de empréstimos, quando os valores a pagar ou a receber sejam fixados em moeda estrangeira; c. qualquer outra forma com que a entidade adquira ou se desfaça de ativos, assuma ou liquide passivos fixados em moeda estrangeira. Contabilmente, é na data da transação que deve ser realizado o reconhecimento de uma transação estrangeira pela moeda funcional. A data da transação é a data a partir da qual a transação se qualifica para fins de reconhecimento, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Ao término de cada período de reporte das demonstrações financeiras, os itens monetários em moeda estrangeira devem ser convertidos, usando-se a taxa de câmbio de fechamento das demonstrações financeiras. Então, para as transações em moeda estrangeira, os saldos devem sempre estar atualizados de acordo com a última taxa de câmbio, ou seja, no momento inicial da transação o valor em reais deve ser equivalente ao valor da moeda estrangeira multiplicado pela taxa de câmbio da data da transação. Depois, a cada movimentação o saldo deve ser atualizado. TEMA 4 – CONVERSÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS O Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) estabelece três métodos que orientam as entidades sobre como praticar as conversões das suas demonstrações financeiras (CPC, 2010a), a saber: 1. método monetário e não monetário; 2. câmbio de fechamento; 3. método temporal. 4.1 Método monetário e não monetário Na utilização desse método, os itens patrimoniais e de resultado têm as seguintes categorias: 15 a. Itens monetários expostos: ativos (disponibilidades reais e direitos) ou passivos (obrigações) que serão realizados ou exigidos em dinheiro. Em função da flutuação das taxas de câmbio, esses itens geram ganhos ou perdas de conversão de moeda estrangeira. Citam-se como exemplos: caixa, bancos, duplicatas a receber, duplicatas descontadas, duplicatas a pagar, impostos a recolher, empréstimos e financiamentos em reais. b. Itens monetários protegidos: ativos (disponibilidades em moeda estrangeira e direitos) e passivos (obrigações) realizados ou exigidos em moeda estrangeira. Em função da flutuação das taxas de câmbio, esses itens também geram receitas ou despesas de variação cambial em reais. Como exemplos temos: faturas a receber de operações com clientes estrangeiros, empréstimos a pagar em moeda estrangeira, obrigações com fornecedores estrangeiros. c. Itens não monetários: ativos (bens realizáveis ou permanentes e direitos) e passivos (obrigações) realizados ou exigidos em bens e serviços e patrimônio líquido. Os itens não monetários, por serem normalmente convertidos pela taxa histórica de câmbio, não geram ganhos ou perdas de conversão em moeda estrangeira. Exemplos: estoques, adiantamentos a fornecedores, participações societárias (realizáveis ou permanentes), imobilizado, adiantamentos de clientes, receitas diferidas e patrimônio líquido. Salienta-se que não somente as contas patrimoniais, mas também as contas de resultado são consideradas como não monetárias, conforme a seguir: • Receitas e despesas monetárias expostas: aquelas cuja contrapartida é feita por meio de ativos ou passivos monetários expostos e que geram ingressos imediatos ou futuros de recursos em moeda nacional. • Receitas e despesas monetárias protegidas: aquelas cuja contrapartida acontece por meio de ativos ou passivos monetários protegidos e que geram ingressos imediatos ou futuros de recursos em moeda estrangeira. • Receitas e despesas não monetárias: aquelas cuja contrapartida se dá por ativos ou passivos não monetários e que não geram ingressos imediatos ou futuros de recursos. 16 4.2 Método do câmbio de fechamento Nesse método, os procedimentos são os seguintes: • conversão de todos os ativos e passivos exigíveis pelas taxas de câmbio de fechamento; • conversão de receitas e despesas pelas taxas médias mensais; • movimentação do estoque em dólar, para apuração do custo da mercadoria vendida – CMV; • conversão do capital social pelas taxas históricas; • apuração do valor histórico de lucros acumulados; • elaboração do demonstrativo dos ajustes acumulados de conversão; • apropriação dos ganhos e perdas, no patrimônio, resultantes da variação da taxa cambial numa conta específica: Ajustes Acumulados de Conversão. 4.3 Método temporal Esse método é uma combinação dos métodos monetário/não monetário e câmbio de fechamento. Por ele, os itens patrimoniais classificam-se conforme a base de valor adotada para avaliação, que pode ser: valor passado, presente ou futuro. Para conversão por esse método, se faz necessário cumprir os seguintes procedimentos: • classificação dos saldos das contas e definição das taxas de conversão a serem utilizadas, devendo-se para isso separar os componentes patrimoniais entre itens monetários e não monetários; • conversão dos itens monetários do ativo e do passivo pela taxa de câmbio corrente, que nesse caso é a taxa de câmbio da data das demonstrações financeiras; • conversão dos itens não monetários do ativo e do passivo, assim como das contas de resultado, pelas taxas históricas de câmbio; • apuração dos ganhos e perdas de conversão. Pode-se utilizar o método temporal de conversão, com emprego de taxas de câmbio projetadas, para itens monetários prefixados (contas a receber e a pagar). Nesses casos, esses itens são apresentados, nas demonstrações 17 financeiras, em moeda estrangeira, convertidos pela taxa projetada de câmbio para a sua data de recebimento ou pagamento. TEMA 5 – PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC PME O Pronunciamento Técnico CPC PME foi aprovado no ano de 2009 com o objetivo de regular as normas de contabilidade das PMEs, eis que elas também necessitam de transparência em suas informações contábeis, de modo a apresentá-las em um contexto universal. A aplicabilidade do Pronunciamento Técnico CPC PME passou a ser obrigatório para as micro e pequenas empresas que se enquadram na classificação exigida, a partir do ano de 2010. A adoção dessas normas permite a adesão das PMEs às demonstrações financeiras padronizadas seguindo um sistema transparente de elevada qualidade, inclusive proporcionando sua comparabilidade com outras entidades, além de maior acesso ao mercado de capitais e aos instrumentos de dívida. Vamos, aqui, mostrar essas particularidades das normas contábeis voltadas para as PMEs (CPC, 2011c). 5.1 O conceito de pequenas e médias empresas (PMEs) Vamos utilizar aqui o conceito da legislação societária que estabelece diferenças entre empresas pelo montante do seu faturamento, classificando-as em pequenas e médias; ou grandes empresas. De modo geral, o porte de empresa é um critério essencial para entender o tamanho e o potencial de uma organização, e o que distingue, pois, uma pequena ou média empresa de uma grande empresa são os seus respectivos faturamentos e números de funcionários. Para o Pronunciamento Técnico CPC PME, estão submetidas à norma todas as empresas não classificadas como de grande porte ou não obrigadas a prestar contas públicas.Ou seja, aquelas com receita bruta e ativos inferiores a R$ 300 milhões ou R$ 240 milhões, respectivamente. Para as PMEs, a contabilidade tem enorme importância, pois é geradora de informações para seus gestores, sócios e terceiros, além do que sua aplicabilidade gera demonstrações mais confiáveis. O pronunciamento estabelece uma série de princípios contábeis aplicáveis às micro e pequenas empresas, mas mais acessíveis do que aqueles aplicáveis às demais empresas (CPC, 2011c). 18 Para materializar essas diferenças entre a contabilidade para empresas maiores e a contabilidade para PMEs, o Pronunciamento Técnico CPC PME aponta alguns exemplos: a. Custos de empréstimos: para as empresas em geral, os custos de empréstimos diretamente atribuídos à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificado precisam ser capitalizados e os empréstimos com outra destinação são classificados como despesas. Já para as PMEs, todos os custos são considerados como tais, ativos ou passivos financeiros. b. Ativos intangíveis: para as grandes empresas, os custos de desenvolvimento são capitalizados quando certos critérios são alcançados. Os seus ativos intangíveis com vidas úteis indefinidas (como o ágio) não passam por amortização, porém devem ser testados por impairment uma vez ao ano, ainda que não haja evidência de perda de valor. Já para as PMEs, todos os custos de pesquisa e desenvolvimento são classificados como despesas. Todos os seus ativos intangíveis, como o ágio e os possuidores de vida útil definida, sofrem amortização. 5.2 As demonstrações financeiras segundo o Pronunciamento Técnico CPC PME De acordo com as regras do Pronunciamento Técnico CPC PME (Brasil, 2011c), ao final de cada exercício social as pequenas e médias empresas devem apresentar suas demonstrações contábeis formadas por: a. BP; b. DRE; c. DRA; d. DMPL; e. DFC; f. NE. 19 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Brasília, 17 dez. 2021. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Lei n. 11.638, de 27 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, 28 dez. 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em: 30 jun. 2021. BRASIL. Ministério da Economia. Comissão de Valores Mobiliários. Deliberação n. 547, de 13 de agosto de 2008. Diário Oficial da União, Brasília, 15 ago. 2008. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/deliberacaocvm547_2008.htm>. Acesso em: 30 jun. 2021. CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n. 1.125, de 15 de agosto de 2008. Diário Oficial da União, Brasília, 26 ago. 2008. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucaocfc1125_2008.htm>. Acesso em: 30 jun. 2021. CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2): estrutura conceitual para relatório financeiro. Brasília, 10 dez. 2019. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/573_CPC00(R2).pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2): efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis. Brasília, 7 out. 2010a. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/62_CPC_02_R2_rev%2013.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2): demonstração dos fluxos de caixa. Brasília, 7 out. 2010b. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. 20 CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 21 (R1): demonstração intermediária. Brasília, 20 out. 2011a. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/288_CPC_21_R1_rev%2014.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 48: instrumentos financeiros. Brasília, 22 dez. 2016. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/530_CPC_48_Rev%2017..pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, 15 dez. 2011b. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. _____. Pronunciamento Técnico PME: contabilidade para pequenas e médias empresas. Brasília, 27 abr. 2011c. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/392_CPC_PMEeGlossario_R1_rev %2014.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2021. INTRODUÇÃO