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Júlia Demuner - MED UVV XXIX Esôfago Embriologia É originado do intestino anterior e alcança o seu comprimento final relativo durante a sétima semana. Seu epitélio e suas glândulas são derivados do endoderma e o músculo estriado que forma a camada muscular externa do terço superior do esôfago é derivado do mesênquima do 4º ao 6º arco faríngeo . Atresia do Esôfago Trata-se de uma anomalia caracterizada pela formação incompleta do esôfago tubular ou por uma comunicação anormal entre o esôfago e a traqueia que, durante a vida fetal precoce constituem um tubo único. O diagnóstico pode ser feito por ultrassonografia, constatando-se a presença de polidrâmnio (líquido amniótico em excesso) durante o pré-natal, sendo o quadro clínico caracterizado pela dificuldade do recém-nascido em deglutir saliva ou leite , observando-se a presença de secreção espumosa na boca e narinas. Estenose Esofágica A estenose esofágica é um estreitamento do canal do esôfago comumente resultante de uma recanalização incompleta do órgão durante a oitava semana de desenvolvimento, podendo também ser gerada por problemas no desenvolvimento de vasos sanguíneos na área afetada (estenose por remanescentes) que atrofiam o respectivo segmento esofágico da área. A principal manifestação é a disfagia (dificuldade na deglutição) acompanhada ou não de tosse e regurgitação. Anatomia O esôfago é um tubo muscular que conduz alimento da faringe para o estômago e contém três constrições, a cervical (esfíncter superior do esôfago), broncoaórtica (torácica) e a diafragmática . Apresenta lâminas musculares circulares internas e longitudinais externas, sendo o seu terço superior composto por músculo estriado voluntário e seu terço inferior de músculo liso. Anatomicamente, atravessa o hiato esofágico (abertura entre o diafragma) e termina entrando no estômago no óstio cárdico do estômago (nível da vértebra T XI), sendo fixado às margens do hiato esofágico no diafragma pelo ligamento frenicoesofágico , que permite o movimento independente do diafragma e do esôfago durante a respiração e a deglutição. Entre o esôfago e o estômago há uma zona de transição, a linha Z , uma linha irregular em que há mudança abrupta da mucosa esofágica para a mucosa gástrica . ! A hérnia de hiato é a protrusão de uma parte do estômago para o mediastino através do hiato esofágico do diafragma, muito frequentes após a meia-idade, possivelmente devido ao enfraquecimento da parte muscular do diafragma e alargamento do hiato esofágico. EES e EEI O EES é um esfíncter anatômico, um espessamento do músculo estriado cricofaríngeo, já o EEI é apenas fisiológico, ou seja, uma região de aumento do tônus da musculatura lisa. Os dois esfíncteres funcionam como barreira, prevenindo a entrada de ar para o esôfago (porção cefálica) e o refluxo gástrico (porção distal). Nas condições normais, o EEI permanece tonicamente contraído , gerando pressão intraluminal no esôfago da ordem de 30 mmHg, em contraste com a porção medial do esôfago que normalmente permanece Júlia Demuner - MED UVV XXIX relaxada. Quando a onda peristáltica da deglutição desce pelo esôfago, ocorre o “relaxamento receptivo” do esfíncter esofágico inferior à frente da onda peristáltica, permitindo a fácil propulsão do alimento deglutido para o estômago. ! Acalasia é a anomalia que decorre de aumento do tônus do EEI ou de falha no seu relaxamento . Nesse caso, as ondas peristálticas primárias são fracamente propulsivas, e o material deglutido acumula-se na porção inferior do esôfago , dilatando-o, sendo necessária a aspiração desse material. Inervação Intrínseca Na camada submucosa existe o plexo nervoso submucoso (de Meissner) , constituído por uma rica rede de nervos interligada com gânglios nervosos. Já na camada muscular, existe o plexo nervoso mientérico (de Auerbach) , também constituído por rede de filetes e gânglios nervosos, essenciais para os movimentos peristálticos. Vascularização A irrigação arterial da parte abdominal do esôfago é feita pela artéria gástrica esquerda , um ramo do tronco celíaco, e pela artéria frênica inferior esquerda . aorta abdominal → tronco celíaco → a. gástrica esquerda aorta abdominal → a. frênicas inferiores esquerda ! O surgimento de varizes esofagianas na HP , deve-se ao comprometimento direto relacionado à vascularização da veia gástrica direita (se conecta à veia esofágica inferior através de múltiplas anastomoses). Epitélio Esofagiano A capacidade defensiva da mucosa esofágica à presença do suco gástrico e ou das secreções duodenais é um fator limitante das lesões passíveis de ocorrer por esse contato com a mucosa. Os fatores envolvidos na resistência da mucosa podem ser divididos em pré-epiteliais, epiteliais e pós-epiteliais : - defesa pré-epitelial: uma barreira físico-química composta por muco, bicarbonato (alcaliniza a saliva) e água. - epitelial: firmes junções intracelulares que dificultam a retrodifusão de íons. - defesa pós-epitelial: suprimento sanguíneo responsável pela nutrição, aporte de oxigênio e remoção de metabólitos. Barreira Anti-Refluxo - Esfíncter interno ou esfíncter inferior do esôfago (principal); - Esfíncter externo formado pela porção crural do diafragma; - Ângulo de His (formado pelo esôfago abdominal e o fundo gástrico); - Ligamento frenoesofágico : impede que o esfíncter esofágico inferior seja submetido à pressão negativa; - Roseta gástrica: formada pelas pregas concêntricas da mucosa gástrica, na transição entre o esôfago e o estômago, na contenção do conteúdo gástrico, evitando sua passagem para o esôfago. Além disso, o aumento da pressão intra-abdominal projeta o esôfago para o estômago, assim, esse fechamento do esôfago, como se fosse uma válvula, contribui para evitar que a elevação da pressão intra-abdominal force os conteúdos gástricos de volta ao esôfago. Caso contrário, sempre que andássemos, tossíssemos ou respirássemos profundamente, o ácido gástrico poderia refluir para o esôfago. Estômago O estômago é a parte expandida do sistema digestório entre o esôfago e o intestino delgado, especializado para o acúmulo do alimento ingerido, que ele prepara química e mecanicamente para a digestão e Júlia Demuner - MED UVV XXIX passagem para o duodeno. O estômago mistura os alimentos e atua como reservatório, sendo sua principal função a digestão enzimática . Embriologia Em torno da metade da quarta semana, uma ligeira dilatação no intestino anterior , até o momento tubular, indica o local do primórdio do estômago. Durante o seu desenvolvimento, o estômago sofre alterações na sua posição, e estas alterações são mais facilmente entendidas quando explicadas separadamente em dois eixos, o eixo longitudinal e o eixo anteroposterior. Estenose Hipertrófica do Piloro Estenose hipertrófica do piloro é a obstrução do lúmen do piloro por hipertrofia muscular do piloro , uma condição que impede a entrada de alimentos no intestino delgado. O quadro clínico característico consiste na presença de vômitos em jato (sem bile) logo após as refeições , tipicamenteentre 3 e 6 semanas de vida, sendo o diagnóstico feito por ultrassonografia abdominal. Durante a progressão da doença, as crianças podem apresentar ganho de peso diminuído, desidratação e desnutrição, juntamente com ondas visíveis de peristaltismo abdominal em resposta a intensas contrações contra a obstrução. As crianças são classicamente descritas com desidratação e apresentam piloro palpável no quadrante superior direito do abdome, se apresentando como uma massa endurecida. Histologia Todas as partes do trato gastrointestinal tendem a seguir esse mesmo padrão de arranjo de camadas tecidulares, o que significa que o estômago é essencialmente apenas um alargamento do tubo GI. A parede interna (camadas mucosa e submucosa) tem pregas conhecidas como rugas ou pregas gástricas , que permitem que o estômago se distenda com a entrada da comida . Existem 3 tipos de glândulas que são encontradas no estômago: cárdicas, gástricas e pilóricas , nomeadas de acordo com a região em que são encontradas, responsáveis por produzir as enzimas digestivas e as secreções mucosas do estômago. As glândulas gástricas (fundo/corpo) aumentam a área de superfície do estômago e têm o importante papel de produzir suco gástrico digestivo , enquanto que as glândulas cárdicas e pilóricas produzem predominantemente secreções mucosas que protegem o estômago dos efeitos severos do ácido digestivo e previnem a autodigestão do estômago. - células superficiais e do pescoço: barreira da mucosa gástrica (muco e bicarbonato) - células oxínticas: HCl e fator intrínseco - células principais: pepsinogênio e lipase gástrica - células G: gastrina - células D: somatostatina - células ECL: histamina Anatomia O estômago subdivide-se em quatro partes: - Cárdia: a parte que circunda o óstio cárdico, a abertura superior do estômago. Júlia Demuner - MED UVV XXIX - Fundo gástrico: a parte superior dilatada que está relacionada com a cúpula esquerda do diafragma, limitada inferiormente pelo plano horizontal do óstio cárdico. - Corpo gástrico: a parte principal do estômago, entre o fundo gástrico e o antro pilórico. - Parte pilórica: a região afunilada de saída do estômago. O piloro é a região esfincteriana distal da parte pilórica, um espessamento acentuado da camada circular de músculo liso que controla a saída do conteúdo gástrico através do óstio pilórico (abertura inferior do estômago) para o duodeno. Interior do Estômago Quando contraída, a mucosa gástrica forma estrias longitudinais, denominadas pregas gástricas , mais acentuadas em direção à parte pilórica e ao longo da curvatura maior. Ao longo da curvatura menor, várias pregas mucosas longitudinais estendem-se do esôfago até o piloro, formando o canal gástrico , ao longo do qual seguem os líquidos ingeridos. Vascularização Curvatura menor: artérias gástrica esquerda (tronco celíaco) e direita (hepática comum). Curvatura maior: artéria gastromental esquerda (a. esplênica/tronco celíaco) e artéria gastromental direita (artéria gastroduodenal/hepática comum). Fundo do estômago: artérias gástricas curtas e posteriores, que são ramos da artéria esplênica. Mecanismos de Defesa Sob condições normais, a mucosa gástrica protege a si mesma da autodigestão por ácido e enzimas com uma barreira muco-bicarbonato . As células mucosas na superfície luminal e no colo das glândulas gástricas secretam ambas as substâncias, o muco forma uma barreira física, e o bicarbonato cria uma barreira tamponante química subjacente ao muco. ! Esta barreira pode ser danificada por substâncias como Ácido Acetilsalicílico (AAS) e álcool, gerando danos à mucosa do estômago. Motilidade do Estômago As funções motoras do estômago estão associadas ao (1) armazenamento de grande quantidade de alimento, até que ele possa ser processado no estômago no duodeno e nas demais partes do intestino delgado, (2) misturar esse alimento com secreções gástricas até formar mistura semilíquida denominada quimo, (3) esvaziar lentamente o quimo do estômago para o intestino delgado, vazão compatível com a digestão e a absorção adequadas pelo intestino delgado. Sob esse ponto de vista, costuma-se dividir o estômago em regiões oral , que inclui o fundo e a porção proximal do corpo (que têm musculatura de menor espessura), e caudal , que compreende a porção distal do corpo e a região antral, cuja musculatura é mais espessa. O armazenamento do alimento no estômago ocorre na região do fundo e porção proximal do corpo gástrico, a mistura do alimento se dá na região média e distal do corpo, enquanto a trituração é efetuada na parte distal do estômago, na região antral. Armazenamento (fundo e porção proximal do corpo) À medida que o alimento entra, forma círculos concêntricos na porção oral do estômago, com o alimento mais recente mais próximo à abertura esofágica e o mais antigo, à parede externa do estômago. As fibras eferentes vagais do reflexo receptivo relaxam o EEI, a musculatura do fundo e da porção proximal do Júlia Demuner - MED UVV XXIX corpo , assim, o alimento acomoda-se neste local, sem elevar a pressão intragástrica por 1 a 2 h, sem sofrer ação de mistura. Mistura (região média e distal) As ondas peristálticas aumentam de intensidade e de velocidade em direção à região antro-pilórica, em consonância com o espessamento da muscular externa, propiciando a mistura do alimento com as secreções gástricas, otimizando a digestão. Depois que o alimento no estômago se mistura completamente com as secreções estomacais, a mistura resultante que desce pelo intestino é chamada de quimo . Esvaziamento A regulação da velocidade de esvaziamento gástrico é exercida pela região antropilórica e pelo duodeno , em um processo duodenogástrico, altamente regulado por mecanismos neuroendócrinos que atuam nestas duas regiões. O esfíncter pilórico tem duas funções fundamentais, funciona como barreira entre estômago e duodeno nos períodos interdigestivos e regula a velocidade de esvaziamento gástrico de acordo com a capacidade do duodeno de processar o quimo. A atividade motora do piloro, além de ser coordenada pelo SNA, é também regulada pelos hormônios gastrintestinais, gastrina (G), secretina (S), colecistocinina (CCK), peptídeo inibidor gástrico (GIP) e enterogastrona. Todos estes hormônios contraem o piloro , assim como os neurotransmissores acetilcolina (ACh) e norepinefrina (NE) . Esta intensa atividade elétrica e motora peristáltica, denominada complexo migratório mioelétrico (CMM) , empurra qualquer material que não tenha deixado o estômago durante o processo digestivo normal, tendo a função de “faxina”. ! O “distúrbio do esvaziamento” (síndrome de dumping) ocorre nas cirurgias de remoção de porções do estômago ou do intestino delgado, um quadro clínico no qual o estômago não consegue regular a velocidade na qual o quimo entra no intestino delgado, sendo a maioria deste convertido em fezes. Progressão do Alimento no Estômago Enquanto o alimento estiver no estômago, ondas constritivas peristálticas fracas, denominadas ondas de mistura , iniciam-se nas porções média a superior da paredegástrica e deslocam-se na direção do antro. À medida que as ondas constritivas progridem do corpo para o antro , ganham intensidade,sendo que algumas ficam extremamente intensas , gerando os anéis constritivos que forçam o conteúdo antral sob pressão cada vez maior na direção do piloro, forçando o quimo para o duodeno. Secreções Gástricas Do ponto de vista secretor, as diferentes regiões do estômago são: - cárdia: localizada logo abaixo do esfíncter esofágico inferior, contendo apenas glândulas secretoras de muco ; - região oxíntica: no corpo do estômago, corresponde a 80% da sua área total, suas glândulas têm grande número de células parietais ou oxínticas (HCl) e de células principais (pepsinogênio); - região antropilórica: com glândulas contendo apenas células endócrinas ou células G (gastrina) e as células D (somatostatina). Júlia Demuner - MED UVV XXIX Muco (região da cárdia) Dois tipos de muco são secretados pelo estômago: - O secretado pelas células superficiais das glândulas gástricas, conhecido como “muco insolúvel ou visível”, que retém o HCO3 (excretado por estas mesmas células) e forma uma camada sobre a superfície luminal do estômago, participando da barreira mucosa gástrica , que protege mecânica e quimicamente a superfície interna do estômago contra o HCl e a pepsina. - O secretado pelas células do pescoço das glândulas gástricas, que forma o “muco solúvel”, misturado aos alimentos, lubrificando-os e protegendo mecanicamente a mucosa gástrica durante o processo digestivo Gastrina (região do antro) As células G , encontradas profundamente nas glândulas gástricas, secretam o hormônio gastrina no sangue, que tem por função principal promover a liberação de HCl pelas células parietais e, indiretamente, estimular a liberação de histamina . Em reflexos curtos , mediados pelo neurotransmissor peptídeo liberador de gastrina (GRP) , a liberação de gastrina é estimulada pela presença de aminoácidos e de peptídeos no estômago e por distensão do estômago , além disso, o café (mesmo o descafeinado) também estimula a liberação de gastrina. Já nos reflexos cefálicos , os neurônios parassimpáticos do nervo vago estimulam as células G para que elas liberem gastrina no sangue. Ácido Gástrico (região do corpo) As células parietais (oxínticas) profundas nas glândulas gástricas secretam o ácido gástrico (HCl) no lúmen do estômago, este tem múltiplas funções: - causa a liberação e a ativação da pepsina , uma enzima que digere proteínas. - desencadeia a liberação de somatostatina pelas células D, que tem por função inibir a secreção de HCl. - desnatura proteínas por quebrar as ligações dissulfeto e de hidrogênio que mantêm a estrutura terciária da proteína, deixando as ligações peptídicas entre os aminoácidos mais acessíveis à digestão pela pepsina. - ajuda a destruir bactérias e outros microrganismos ingeridos. - inativa a amilase salivar , cessando a digestão de carboidratos que iniciou na boca. Secreção de HCl O processo inicia quando o H do citosol da célula parietal é bombeado para o lúmen do estômago em troca por K, que entra na Júlia Demuner - MED UVV XXIX célula, por uma H-K-ATPase . O Cl, então, segue o gradiente elétrico criado por H , movendo-se através de canais de cloreto abertos, tendo como resultado a secreção de HCl pela célula. Enquanto o ácido está sendo secretado no lúmen, o bicarbonato produzido a partir de CO2 e OH da água é absorvido para o sangue, esta ação tamponante do HCO3 torna o sangue menos ácido ao deixar o estômago, criando uma maré alcalina que pode ser medida enquanto uma refeição está sendo digerida. ! Fármacos, conhecidos como inibidores da bomba de prótons (PPIs) , bloqueiam a atividade da H-K-ATPase e atuam impedindo a hipersecreção de ácido gástrico . Secreção Enzimática O estômago produz duas enzimas, a pepsina e a lipase gástrica . - A pepsina realiza a digestão inicial de proteínas , sendo particularmente efetiva no colágeno e, assim, tem um importante papel na digestão de carne. É secretada em sua forma inativa, o pepsinogênio , pelas células principais das glândulas gástricas, estimulada pelo HCl por meio de um reflexo curto mediado no SNE. Uma vez no lúmen do estômago, o pepsinogênio é clivado à pepsina ativa pela ação do H+ , e a digestão proteica inicia. - A lipase gástrica é lançada no lúmen gástrico na forma ativa, trata-se de uma enzima que hidrolisa, em meio ácido, triacilgliceróis , sendo produzida pelas células específicas das glândulas gástricas. Secreção Parácrina As secreções parácrinas da mucosa gástrica incluem histamina, somatostatina e fator intrínseco . Histamina Um sinal parácrino secretado pelas células semelhantes às enterocromafins (células ECL) em resposta à estimulação por gastrina ou por acetilcolina que, nas células parietais (alvo), ativam uma adenilato ciclase da membrana basolateral e estimula a secreção ácida por se ligar a receptores H2 nas células parietais. ! Os antagonistas de receptores H2 (p. ex., cimetidina e ranitidina) que bloqueiam a ação da histamina são a segunda classe de fármacos usados para tratar a hipersecreção ácida. Fator intrínseco Uma proteína secretada pelas células parietais e, no lúmen do estômago e do intestino delgado, se complexa com a vitamina B12 , um passo que é necessário para a absorção da vitamina no intestino. ! Quando as células parietais são destruídas (ocorre frequentemente em gastrite crônica), não se desenvolve somente acloridria, mas também anemia perniciosa , devido a falha de maturação dos eritrócitos na ausência de estimulação da medula óssea com B12. Somatostatina (SS) Também conhecida como inibidor do hormônio do crescimento, é secretada por células D no corpo do estômago e atua como o sinal de retroalimentação negativa primário da secreção na fase gástrica. Ela reduz a secreção ácida direta e indiretamente por diminuir a secreção de gastrina e histamina , além de inibir a secreção de pepsinogênio . Fatores Estimulantes da Secreção Gástrica - acetilcolina (estimulação parassimpática): estimula a secreção de pepsinogênio pelas células principais, HCl pelas células parietais e muco pelas células superficiais. - gastrina: estimula a secreção de HCl, de forma direta pelas células parietais e indireta ao estimular a liberação de histamina pelas células ECL. - histamina: estimula fortemente a secreção de HCl pelas células parietais . Júlia Demuner - MED UVV XXIX Fatores Inibitórios da Secreção Gástrica - a somatostatina (SS) : reduz a secreção ácida diretamente por diminuir a secreção de gastrina e, indiretamente, por diminuir a de histamina (precisa de gastrina), além de inibir a secreção de pepsinogênio. - secretina: se opõe à secreção e motilidade gástrica. - GIP (Peptídio Inibitório Gástrico): além de inibir o esvaziamento gástrico também inibe a secreção gástrica. Funções do Estômago - Armazenamento: o estômago armazena alimento e regula a sua passagem para o intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão e da absorção. - Digestão: o estômago digere a comida, química e mecanicamente, formando a mistura “cremosa” de partículas uniformementepequenas, chamada de quimo. - Defesa: o estômago protege o corpo por destruir muitas das bactérias e outros patógenos que são deglutidos juntamente com a comida ou aprisionados no muco das vias respiratórias e, ao mesmo tempo, protege a si mesmo de ser agredido por suas próprias secreções. Quando o alimento chega do esôfago, o estômago relaxa e expande para acomodar o volume aumentado, um reflexo mediado neuralmente, denominado de relaxamento receptivo . Enquanto a parte superior do estômago está retendo o bolo alimentar, a parte inferior do estômago está ocupada com a digestão, assim, uma série de ondas peristálticas empurra o bolo alimentar para baixo, em direção ao piloro, misturando-o com o ácido e as enzimas digestórias. Absorção O estômago é a área de pouca absorção no trato gastrointestinal, já que não tem as vilosidades típicas da membrana absortiva e, também, porque as junções estreitas entre as células epiteliais têm baixa permeabilidade. Apenas algumas poucas substâncias, muito lipossolúveis, tais como o álcool e alguns fármacos , como a aspirina, são absorvidas em pequenas quantidades. Júlia Demuner - MED UVV XXIX Fases da Digestão Fase Cefálica Os processos digestórios no corpo iniciam antes que a comida entre na boca, simplesmente cheirar, ver, ou até mesmo pensar sobre o alimento pode fazer a nossa boca salivar ou nosso estômago roncar. Estes reflexos longos (reflexos digestórios integrados no SNC) que iniciam no cérebro criam uma resposta antecipatória, conhecida como fase cefálica da digestão. O estímulo antecipatório e o estímulo do alimento na cavidade oral ativam neurônios no bulbo. O bulbo, por sua vez, manda sinais eferentes através de neurônios autonômicos para as glândulas salivares, e através do do nervo vago para o sistema nervoso entérico. Em resposta a esses sinais, o estômago, o intestino e os órgãos glandulares acessórios iniciam a secreção e aumentam a motilidade em antecipação ao alimento que virá. Fase Oral Em termos gerais, a deglutição pode ser dividida em (1) um estágio voluntário , que inicia o processo de deglutição, (2) um estágio faríngeo, que é involuntário , correspondente à passagem do alimento pela faringe até o esôfago e (3) um estágio esofágico, outra fase involuntária que transporta o alimento da faringe ao estômago. Estágio Voluntário da Deglutição Quando o alimento está pronto para ser deglutido, ele é “voluntariamente” comprimido e empurrado para trás, em direção à faringe, pela pressão da língua para cima e para trás contra o palato e, a partir daí, a de- glutição passa a ser um processo inteiramente automático. Estágio Faríngeo O estímulo para a deglutição é a pressão criada quando a língua empurra o bolo contra o palato mole e a parte posterior da boca. A pressão do bolo ativa neurônios sensoriais que levam informações pelo nervo glossofaríngeo (9º par) para o centro da deglutição no bulbo. Quando o reflexo de deglutição inicia, o palato mole eleva-se para fechar a nasofaringe e a epiglote dobra-se para baixo , completando o fechamento das vias aéreas superiores e prevenindo que alimentos ou líquidos entrem nas vias aéreas. Resumindo os mecanismos do estágio faríngeo da deglutição: a traqueia se fecha, o esôfago se abre, e a onda peristáltica rápida, iniciada pelo sistema nervoso da faringe, força o bolo de alimento para a parte superior do esôfago A inervação sensorial é transmitida dos nervos trigêmeo e glossofaríngeo para o bulbo, pelo trato solitário, já os impulsos motores do centro da deglutição para a faringe e para a parte superior do esôfago são transmitidos pelo quinto, nono, décimo e décimo segundo nervos cranianos e, mesmo, por alguns dos nervos cervicais superiores. Estágio Esofágico A função primária do esôfago é a de conduzir rapidamente o alimento da faringe para o estômago, e normalmente apresenta dois tipos de movimentos peristálticos, o primário e o secundário . O primário é uma continuação da onda peristáltica que começa na faringe e se prolonga para o esôfago, durante o estágio faríngeo da deglutição, porém, se a onda peristáltica primária não consegue mover para o estômago Júlia Demuner - MED UVV XXIX todo o alimento que entrou no esôfago, ondas peristálticas secundárias resultam da distensão do próprio esôfago pelo alimento retido, continuando até o completo esvaziamento do esôfago. Quando a onda peristáltica da deglutição desce pelo esôfago, ocorre o “relaxamento receptivo” do esfíncter esofágico inferior à frente da onda peristáltica, permitindo a fácil propulsão do alimento deglutido para o estômago. A musculatura da parede faríngea e do terço superior do esôfago é composta por músculo estriado , logo, as ondas peristálticas nessas regiões são controladas por impulsos em fibras nervosas motoras de músculos esqueléticos dos nervos glossofaríngeo e vago . Nos dois terços inferiores do esôfago, a musculatura é composta por músculo liso e essa porção do esôfago é controlada pelos nervos vagos , que atuam por meio de conexões com o sistema nervoso mioentérico esofágico. Fase Gástrica O alimento que entra no estômago excita (1) os reflexos longos vasovagais do estômago para o cérebro e de volta ao estômago (2) os reflexos entéricos locais e (3) o mecanismo da gastrina , todos levando à secreção de suco gástrico durante várias horas, enquanto o alimento permanece no estômago. distensão estomacal ou peptídeos/aa → reflexo curto nas terminações aferentes → nervo vago → acetilcolina → receptores muscarínicos M3 → secreção gástrica Fase Intestinal A presença do alimento no intestino delgado deflagra o reflexo enterogástrico reverso , conduzido pelo nervoso mioentérico simpático extrínseco, retardando o esvaziamento do estômago quando os intestinos já estão cheios. Distensão da parede, presença de ácidos, gorduras, produtos da hidrólise de proteínas e irritação da mucosa causam liberação de vários hormônios intestinais (secretina, peptídeo inibidor gástrico, polipeptídeo intestinal vasoativo, somatostatina), que inibem a secreção gástrica . Os conteúdos intestinais são lentamente propelidos para a frente por uma combinação de contrações segmentares e peristálticas, responsáveis por misturar o quimo com enzimas e expor os nutrientes digeridos para o epitélio mucoso para absorção. A inervação parassimpática e os hormônios gastrina e CCK promovem a motilidade intestinal, já a inervação simpática inibe-a.