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AN02FREV001/REV 4.0 1 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 2 CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 3 SUMÁRIO MÓDULO I 1 APRENDER COM AS DIFERENÇAS 1.1 PADRÕES DE LINGUAGEM 1.2 A FORÇA DA PALAVRA 1.3 O QUE É LINGUAGEM EFICIENTE? 1.4 PARA ENTENDER AS MUDANÇAS 1.4.1 A Viagem da Linguagem 1.5 TRABALHANDO OS VÍCIOS DE LINGUAGEM 1.6 O QUE EVITAR NA REDAÇÃO? 1.7 TEXTO PARA FIXAÇÃO MÓDULO II 2 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO ESCRITA 2.1 CONVENÇÕES E ERROS COMUNS EM TEXTOS ESCRITOS 2.1.1 Algumas Convenções de Usos dos Verbos 2.1.2 Algumas Convenções de Usos de Expressões 2.2 SINAIS DE PONTUAÇÃO – COMO E QUANDO 2.2.1 Quando Não Devemos Usar Sinais de Pontuação 2.2.2 A Vírgula 2.2.3 O Ponto-e-vírgula 2.2.4 O Ponto Final 2.2.5 Os Dois-pontos 2.2.6 O Ponto de Interrogação 2.2.7 O Ponto de Exclamação 2.2.8 As Reticências 2.2.9 Os Parênteses 2.2.10 O Travessão AN02FREV001/REV 4.0 4 2.2.11 As Aspas 2.2.12 Os Colchetes 2.3 O PARÁGRAFO 2.3.1 A Introdução 2.3.2 O Desenvolvimento 2.3.3 A Conclusão 2.4 EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO MÓDULO III 3 CONSTRUINDO O TEXTO I 3.1 PASSOS DA PRODUÇÃO 3.1.1 Anotar as ideias (agrupamento de ideias – primeiras intenções – trabalho individual) 3.1.2 Planejar as ideias (organizar o pensamento: o que se quer dizer? O que é preciso ouvir? segundas intenções, propostas coletivas) 3.1.3 Organizar a Estrutura (divisão das ideias em grupos: começo, meio e fim; disposição dos parágrafos do texto) 3.1.4 Revisar as Partes (descoberta de redundâncias e pesquisa do que falta) 3.1.5 Revisar a Apresentação do Texto (organização das partes por grau de importância) 3.3 DICAS DE REVISÃO 3.1.6 Reescritura (composição final do texto de acordo com as revisões acima) 3.2 ERROS COMUNS QUE INTERFEREM NA LEITURA 3.4 TIPOS DE TEXTOS FORMAIS 3.4.1 Carta Comercial 3.4.2 Ofício 3.4.3 Requerimento 3.4.4 Relatório Técnico 3.4.5 Aberturas e Fechos Mais Usados 3.5 ALGUMAS DIFICULDADES DA NORMA CULTA 3.5.1 Ortografia 3.5.2 Sintaxe AN02FREV001/REV 4.0 5 3.6 ESCREVER NÃO É ANGUSTIANTE 3.7 CUIDADOS COM A REDUNDÂNCIA MÓDULO IV 4 CONSTRUINDO O TEXTO II 4.1 A ATA 4.1.1 Modelo de Ata de Fundação 4.1.2 Modelo de Ata de Eleição 4.1.3 Modelo de Ata de Assembleia Geral 4.1.4 Modelo de Ata de Diretoria 4.1.5 O livro da Ata 4.2 A PROCURAÇÃO 4.3 O E-MAIL 4.3.1 Dicas Para Escrever Um E-mail 4.3.2 Modelo de E-mail Formal 4.4 PARA PERDER O MEDO DE ESCREVER 4.5 O ESTILO NA PRODUÇÃO DE UM TEXTO 4.5.1 Para Descobrir e Treinar Seu Estilo 4.6 PALAVRAS POÉTICAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 6 MÓDULO I 1 APRENDER COM AS DIFERENÇAS 1.1 PADRÕES DE LINGUAGEM Você alguma vez já disse algo que, logo após ser verbalizado, cristalizou no ar, deixando em você aquela sensação de ‘eu não devia ter dito isso’? O que será que deu errado na hora de formular seu pensamento? De onde podem ter surgido as palavras que foram tão mal usadas naquela hora fatídica? Veja a seguinte situação: “No guichê da Rodoviária de São Paulo, um rapaz do interior, muito tímido e vexado com a cidade grande, presta atenção na forma como as pessoas a sua frente pedem uma passagem ao vendedor da Empresa de Ônibus: - Volta Redonda, volta. - Aparecida, ida. Finalmente, chega à vez de o rapaz pedir a sua passagem. Resoluto, certo de que aprendeu como deve proceder, ele se dirige ao vendedor: - Ubatuba, uba.” Quem já passou por isso sabe que a sensação é a mesma de um estouro de bomba em ambiente fechado fica por alguns minutos ressoando alto em nossas cabeças, como um eco, dizendo, falando, gritando coisas que não queremos ouvir. Pensar para falar é uma máxima, não um dom, é necessidade, não preferência. Mas palavras são palavras, voam e não voltam jamais. Verba volant, scripta manent (as palavras voam, os escritos permanecem) diz um ditado latino muito sábio que há muito tempo tenta explicar ao homem que as palavras no papel têm AN02FREV001/REV 4.0 7 mais peso que as jogadas ao vento. Quando pensa e burila o pensamento antes de verbalizá-lo o emissor assina uma carta mental, marcando com seus traços peculiares todo elemento que usará em sua mensagem. Marcar a mensagem não é característica somente da oralidade, também na escrita encontramos traços singulares do emissor. Escrever bem é tão importante para a comunicação quanto pensar para a oralidade, pois o que colocamos no papel já percorreu um longo caminho: intenção – pensamento – organização mental das ideias – enunciação (oral ou escrita). E esse caminho possui desvãos e desvios que teremos de enfrentar pressupondo algum ponto além de nós – o interlocutor – aquele que escutará/lerá o pensamento enunciado. Se pudéssemos visualizar o futuro e perceber de que modo nossas palavras foram recebidas, talvez tivéssemos mais cuidado ao enunciar o pensamento. E é justamente por isso que é tão instigante pensar e estudar o ato da criação da palavra, pressupondo o futuro e imaginando-se o interlocutor, pois se gostamos de ouvir palavras agradáveis e elegantes, também devemos ter o cuidado de proferi-las. 1.2 A FORÇA DA PALAVRA Apesar de não pensarmos conscientemente nisso, para cada uma das ocasiões em que precisamos ‘abrir a boca’ e falar alguma coisa, sempre estamos levando em consideração o(s) ouvinte(s). Essa pressuposição do interlocutor nos força a preparar mentalmente o discurso, imbuindo-o de características pessoais típicas e impregnando-o de aquisições acadêmicas, adquiridas ao longo do tempo. Escrever deve seguir o mesmo processo: qualquer apresentação escrita do pensamento precisa de um prévio planejamento, tendo em vista um leitor que precisa ser conquistado desde o início da conversa. Todo cuidado é pouco quando precisamos introduzir um pensamento: não é qualquer introdução que desperta o interesse do receptor, tanto na fala quanto na escrita; portanto é interessante pensar, nesse primeiro momento, em ‘quebrar o gelo’ AN02FREV001/REV 4.0 8 do receptor, organizando algo que seja de fácil entendimento e que desperte algum tipo de prazer ou a sensação da necessidade de continuar ouvindo/lendo. Essa preparação da introdução deve sempre levar em conta algumas perguntas muito importantes, que o emissor/escritor pode tentar responder antes de enunciar o pensamento. São elas: - O que ele gostaria de ouvir/ler? - Qual é o ambiente do interlocutor? - O interlocutor entenderá o que será exposto? - A mensagem está leve, é fácil de ser entendida? - Faz sentido ao interlocutor o que está sendo dito/escrito? - A mensagem pode ser dita/escrita de outras maneiras? Quais? Se pensarmos previamente nessas questões, estaremos não só antecipando o fluxo do pensamento do interlocutor, mas também preparando nossas respostas e nosso discurso para possíveis perguntas. É assim que se comportam os grandes oradores: antecipam o pensamento do ouvinte sentindo no clima da apresentação a forma como foi recebido o que foi dito. Exemplos disso são as palestras ou exposições orais a que assistimos e nas quais nos pegamos muitas vezes tendo nossas perguntas mentais sendo respondidasantes mesmo de formuladas verbalmente. Isso já aconteceu com você? As palavras, ditas ou escritas são a força que move o mundo. Mas as escritas permaneceram, permanecem e permanecerão ao longo dos tempos e em todas as sociedades, grafando em marcas indeléveis o estilo de seus criadores. Do mesmo modo que estão impregnadas do magnetismo peculiar de quem as escreve, as palavras traduzem a libertação das intenções contidas, porque mais pensadas, porque mais buriladas. No mundo de cibernética, as palavras são capazes de singrar mares, cortar distâncias imensas e unir corações, em pouco espaço de tempo. Ao longo dos tempos, perdemos os autores de grandes obras escritas, mas a magia de seus pensamentos ficará para sempre guardada e sobreviverá à passagem do tempo, rompendo séculos e ecoando nos olhos dos leitores, numa sinestesia estonteante de ler e sentir, pois conforme escreve a AN02FREV001/REV 4.0 9 poetisa Silvana Duboc “quem escreve constrói um castelo e quem lê passa a habitá- lo". 1.3 O QUE É LINGUAGEM EFICIENTE? É na escola que o falante aprende a ser escritor. E é a academia que possibilita ao profissional do futuro a aquisição de uma oratória que o prepara para a vivência da teoria em favor da prática, caminho que o leva ao sucesso, em busca da satisfação pessoal. Mas entendemos realmente o que devemos estudar e como devemos aplicar o que aprendemos? Aprender a aprender é quase uma necessidade no mundo de hoje, em que o homem precisa se adequar constantemente às mudanças, muitas vezes repentinas, de atividades e atitudes. Falar e escrever nunca estiveram tão ‘na moda’ como agora, e defender as próprias opiniões, argumentar, contra-argumentar e ser convincente, principalmente na forma escrita – passou a ter uma importância enorme para o crescimento pessoal dentro dos mais variados ambientes: trabalho, formação profissional e relacionamentos. Quem não consegue se comunicar com fluência e qualidade, de forma objetiva e clara, fica à mercê de um processo silencioso de exclusão. Não dá mais para contarmos com o ‘poder da paulada’ como a amiga Mafalda; nos dias de hoje o ‘poder da palavra’ é maior, mais convincente e muito mais almejado pelo mercado de trabalho e pela sociedade. Constantemente em nosso cotidiano precisamos defender certas ideias e ideais que, na maioria das vezes, confrontam as crenças e dogmas de outra pessoa – nosso interlocutor; quando isso se dá precisamos testar o nosso poder de persuasão, apelar para a palavra e todo o poder de convencimento que tenhamos guardado na manga, mesmo que as atitudes e os meios não sejam tão elegantes, pois em matéria de comunicação ‘os fins justificam os meios’. Veja o exemplo a seguir, do cartunista Quino, autor da lendária personagem ‘Mafalda’: AN02FREV001/REV 4.0 10 “- No início, Eva não queria comer a maçã. - Come - disse a serpente - e serás como os anjos! - Não - respondeu Eva. - Terás o conhecimento do Bem e do Mal - insistiu a víbora. - Não! - Serás imortal. - Não! - Serás como Deus! - Não, e não! A serpente já estava desesperada e não sabia o que fazer para que Eva comesse a maçã. Até que teve uma ideia. Ofereceu-lhe novamente a fruta e disse: - Emagrece!” A ideia de persuasão presente no texto demonstra como as palavras, quando bem colocadas, adquirem um contexto arrasador de convencimento. Porém, para usar de recursos de persuasão, o emissor de uma mensagem precisa estar afinado com as características peculiares do emissor, conhecer-lhe os gostos, as vontades e, principalmente, ter a graça de saber conquistar por meio da empatia. Essa é a palavra: EMPATIA – palavra-chave em um mundo de opiniões formadas e contradições explícitas, definida nos meios científicos da neurociência e da psicologia como uma “espécie de inteligência emocional e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva - relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva - relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia” (WIKIPÉDIA). Quando nos apoderamos desse conceito e o trazemos para o contexto da produção de textos, podemos inferir que quem não consegue se identificar com as pessoas ao seu redor, principalmente no momento da comunicação oral ou escrita, acaba não desenvolvendo essa habilidade emocional de ser capaz de entender e se fazer entender. http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_emocional� AN02FREV001/REV 4.0 11 Pode parecer complexo, e o é para quem não exercita, mas saber colocar em palavras verbais ou escritas um sentimento não é tão complicado, é só uma questão de treino. Podemos fazer exercícios relâmpagos para testar nossa capacidade mental de dizer e escrever um sentimento. Podemos fazê-los agora, respondendo às seguintes questões, primeiro verbalmente, em voz alta, depois no papel, só para você: 1) Quem sou eu? 2) Eu gosto mais de rosas ou de martelos? 3) O que me lembram rosas? 4) O que me lembram martelos? Agora que você já perguntou e já respondeu em voz alta as questões acima, responda em seu caderno o que gostaria, realmente, de escrever. Em seguida, verifique suas respostas e tire suas próprias conclusões, observando seu texto sob a ótica dos seguintes questionamentos: a) Você escreveu somente o que falou ou acrescentou alguma(s) palavra(s)? b) Você escreveu alguma palavra que ouviu de alguém em outra ocasião (citação)? c) Você gostaria de reescrever o que escreveu? Por quê? Depois de refletir sobre suas próprias respostas, pense um pouco sobre como se dá o processo do pensamento e da oralidade e como se dá o processo do pensamento e da escrita: você verificou que há diferença entre pensar e falar e pensar e escrever? Sabe por quê? Porque falar é mais espontâneo e descuidado, utiliza mais a linguagem corporal, somos todos caras e bocas, braços, olhos, expressões que se modificam conforme a narrativa e a elocução. Quando escrevemos, porém, estamos sós, a narrativa é mais linear, objetiva, deve ser mais AN02FREV001/REV 4.0 12 cuidadosa e trabalhada, na clara intenção de se fazer entender por meio das linhas do papel. 1.4 PARA ENTENDER AS MUDANÇAS 1.4.1 A Viagem da Linguagem Ao longo dos tempos, a linguagem e a produção do pensamento passaram por variados processos de mudanças e adaptações que caminham juntamente com a evolução do ser humano, dentre elas, podemos destacar: a) A v Dá-se comumente de tempos em tempos e só pode ser verificada quando se comparam dois ou mais estados de uma determinada língua. Essas mudanças podem ser de grafia (escrita) ou de significado (utilização em determinados contextos). Dependem das variantes utilizadas pelos falantes da língua e acontecem de forma gradual, quase sempre determinadas por fatores sociais e econômicos. Esse processo de mudança é lento, mas pode ser observado quando se confrontam falantes de épocas diferentes avô e neto, por exemplo, em que a linguagem utilizada por aquele, se comparada com a desse, pode parecer mais arcaica. Apesar de conviverem por algum tempo, a variante mais antiga tende a desaparecer quando vão desaparecendo seus falantes; desse modo, a nova variante torna-se comum a mais falantes, normalizando o uso de algumas expressões antes consideradas neologismos até que se consagrem pelo uso frequente. ariação histórica Uma palavra interessante para servir de exemplo é "bárbaro". Para gregos e romanos bárbaros eram todos os estrangeiros provenientes do norte da Europa, CURIOSIDADES: AN02FREV001/REV 4.0 13 invasores do Império Romano. Devido às atitudes desses indivíduos e à dureza de seu caráter, a palavra também assumiu o significado de "rude, sem civilização, inculto, selvagem". Porém, a partir da Jovem Guarda, no Brasil,essa palavra assumiu contextos completamente novos: “muito bom e excelente". Para muitos falantes de mais de 40 anos, ela continua muito atual para designar satisfação com algo ou alguém. Outro surpreendente termo é "sofisticado", comumente usado com o sentido de "muito chique, de extremo bom gosto, de alto nível". Porém, essa palavra é sinônima de "sofismar", ou seja, "falsificar, deturpar". E um sofisma nada mais é do que "argumento falso formulado de propósito para induzir alguém a erro". b) A variação geográfica Algumas comunidades de maior porte definem padrões de linguagem em relação às regiões de menor porte, produzindo formas de pronúncia, estrutura sintática e vocabulário diferenciados, constituindo verdadeiras comunidades linguísticas que convivem entre si de forma harmônica, respeitando-se as diferenças. Essas diferenças nem sempre respeitam as fronteiras geográficas, observando-se que, mesmo tendo falantes de outras regiões, algumas comunidades linguísticas permanecem com seu sotaque característico. FONTE: Disponível em: <www.humortadela.com.br>. Acesso em: 30 abr. 2010. AN02FREV001/REV 4.0 14 c) A v Esse tipo de variação linguística geralmente é determinada pelo meio social, pelo grau de educação, pela idade e pelo gênero dos falantes. Essa variação não compromete a comunicação e pode indicar qual o nível socioeconômico de um falante. Durante as mutações pelas quais passa a linguagem dos falantes de uma língua, observa-se, nessa variação, maior possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido atingir o padrão considerado de maior prestígio dentro de uma dada sociedade. ariação social d) A v Classificada em informal (linguagem do cotidiano em que não se observa maior cuidado com as normas linguísticas) e formal (de conteúdo mais completo e burilado, em que o falante conserva maior grau de reflexão sobre o conteúdo da mensagem a ser emitida), esse tipo de variação pode ser observada em um mesmo falante, quando posto em diferentes possibilidades de comunicação: ambiente familiar, do trabalho, grau de convivência com o receptor e assunto a ser tratado. Esses estilos podem ser facilmente observados tanto na fala quanto na escrita. Devemos ter cuidado com as definições errôneas a respeito do que é ‘certo’ e do que está ‘errado’ na linguagem a ser usada, tanto em nosso cotidiano quanto na formalidade de uma entrevista profissional, por exemplo. Preferimos usar aqui a definição que consideramos ideal, por se apresentar mais próxima da realidade brasileira, do linguísta Marcos Bagno, que alerta para o uso indiscriminado dos termos ‘norma-culta’ e ‘norma-padrão’, excludentes e rígidos que classificam como corretas as variantes usadas, geralmente, em momentos distintos e por falantes de classes sociais privilegiadas e com grau de letramento mais elevado. Segundo o autor, a norma-padrão é idealizada e rígida, e cria no aluno uma falsa noção de que, por não deter esse tipo de conhecimento, ele não sabe falar português. ariação estilística Por isso, é preferível que se entenda a linguagem para o uso do falante, levando-se em consideração que a língua comporta momentos heterogêneos de uso AN02FREV001/REV 4.0 15 que não têm relação alguma com a cultura ou a classe social usada também durante a escrita. A linguagem usada pelos brasileiros é repleta de termos e variações que não podem ser taxadas como ‘erro’. As observações do autor, no entanto, não devem ser aqui entendidas como um ‘vale tudo’ linguístico, mas pela percepção de que, em matéria de comunicação, tudo tem seu valor. Há, portanto, a necessidade de se observarem as mudanças que ocorrem cotidiana e constantemente na língua, bem como as variações do português brasileiro, com as quais devemos conviver e as quais devemos respeitar a fim de não permanecermos negando e repudiando o que já está confirmado pelo uso. Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.”(JÔ SOARES, 1990, revista veja). Apesar de irônicas, as palavras de Jô Soares exemplificam a necessidade de conhecermos a língua que usamos e perceber que a língua existe para o falante, em situações de uso naturais e cotidianas. 1.5 TRABALHANDO OS VÍCIOS DE LINGUAGEM Como já vimos anteriormente, para escrever um texto devemos levar em consideração a outra ponta da comunicação: o leitor. Portanto, devemos nos colocar no lugar dele para tentar entender a mensagem, como ela chegou ao receptor, e se foi interpretada de acordo com a nossa intenção. Para evitar interpretações errôneas, evite frases e períodos longos, pois um texto prolixo é mais dificilmente entendido do que um texto curto, claro e conciso. A frase longa num parágrafo extenso mistura a ideia principal às secundárias, dificultando a leitura e permitindo a interpretação errônea da mensagem do texto. Para evitar incorrer em erros desnecessários procure ler mais de uma vez seu texto, procurando por expressões que podem empobrecê-lo. Veja alguns AN02FREV001/REV 4.0 16 exemplos de expressões que devem ser cuidadosamente observadas durante a escritura de um texto: TOME CUIDADO COM: - Faremos o acabamento final em = cuidado com o pleonasmo TROQUE POR: Faremos a finalização em... - maior parte (...) surgiram / A maioria afirmam = cuidado com a concordância TROQUE POR: A maior parte (...) surgiu / A maioria afirma - Anexo junto à carta = cuidado com o pleonasmo TROQUE POR: Anexo à carta - Em anexo encaminhamos = cuidado com o uso de palavras desnecessárias TROQUE POR: Anexas, encaminhamos as pastas / Anexo encaminhamos - A nível de... = cuidado com expressões que não existem TROQUE POR: Em nível de... / Em termos de... - Até porque o autor... = cuidado com expressões desnecessárias TROQUE POR: Porque o autor... - Centenas de... / Milhares de vezes = cuidado com o exagero. TROQUE POR: Diversas vezes / Muitas vezes - O autor fez uma colocação = cuidado com as frases feitas TROQUE POR: O autor observou que... - Tenho certeza absoluta que... = cuidado com a redundância TROQUE POR: Tenho certeza que... - De encontro a = cuidado com o significado – discorda AN02FREV001/REV 4.0 17 Ao encontro de = cuidado com o significado – concorda USO CORRETO: Minhas palavras vão de encontro às suas (eu discordo) Minhas palavras vão ao encontro das suas (eu concordo) - Detalhe minuciosamente = cuidado com a redundância TROQUE POR: Descreva minuciosamente... - Devemos planejar antecipadamente = cuidado com os pleonasmos TROQUE POR: Devemos planejar - Elo de ligação entre você e a empresa = cuidado com a redundância TROQUE POR: Elo entre você e a empresa - Embasamento / Embasar em = cuidado com as adaptações TROQUE POR: Fundamentação / Fundamentar-se em - Enquanto pesquisador / Enquanto gerente = cuidado com o uso do adjunto adnominal de tempo TROQUE POR: Na condição de pesquisador / Na condição de gerente - É fato real que = cuidado, se não fosse real seria ficção TROQUE POR: É fato que... - Fazem anos que estamos... = cuidado com os verbos impessoais TROQUE POR: Faz anos que.. / Faz dias que... - A grosso modo... = cuidado com o uso incorreto da preposição TROQUE POR: Grosso modo... - Há anos atrás fizemos... / Há meses atrás... = cuidado com a redundância TROQUE POR: Há anos fizemos / Há meses ... - Haja visto que... = cuidadocom as expressões inflexíveis AN02FREV001/REV 4.0 18 TROQUE POR: Haja vista que - Uma multidão de pessoas estava...= cuidado com o uso do coletivo TROQUE POR: Um número grande de pessoas estava / Uma multidão estava - Todo um processo... / De um tudo = cuidado com expressões desnecessárias TROQUE POR: Um processo / De tudo - Uma grande quantidade de... = cuidado, seja conciso TROQUE POR: Muitos / Vários - Via de regra... = cuidado com o lugar comum TROQUE POR: Geralmente / Comumente FONTE: Azevedo (2001), p. 130-133. Palavras ou Expressões Perigosas Escrever bem não é sinônimo de escrever muito. Portanto, tome cuidado com a tentação de aumentar um texto para deixá-lo eficiente, pois muitas vezes essas ‘esticadas’ acabam comprometendo a qualidade da informação. É certo que essa prática de ‘dourar a pílula’ é adquirida em anos de escola e no aprendizado dos primeiros anos de prática profissional, em que aprendemos e treinamos em provas e relatórios que escrever muito é sinônimo de escrever bem. Porém, com a chegada da internet e com o tempo cada vez mais escasso, a frustração de não acompanhar a velocidade da máquina nos angustia e acabamos tendo de ser mais concisos e sucintos em nossas produções. Não há necessidade de ter talentos especiais para produzir um bom texto, todos podemos ser produtores, receptores e consumidores de comunicação, e quanto mais clara essa produção estiver, mais sucesso será alcançado em nossos objetivos. Saber definir conceitos, recomendar ações, explicar situações, construir processos e apresentar resultados criativos, instigantes e surpreendentes são características dos profissionais que conseguem um diferencial na sociedade da informação. AN02FREV001/REV 4.0 19 1.6 O QUE EVITAR NA REDAÇÃO? Você é o que fala e escreve. É na escrita que pode ser observada sua capacidade de persuadir, competir, bem como se analisa a sua competência profissional e personalidade. Procurando nos conhecer por meio dessas capacidades, acabamos desenvolvendo novas habilidades e competências que nos auxiliarão a não só produzir bons textos, mas também a intensificar as relações pessoais e profissionais, além de descobrir novos e instigantes espaços de interação com o mundo em que vivemos. Em um texto que precisa prezar por ser convincente e explicativo, devemos evitar os coloquialismos que usamos frequentemente na fala ou em situações mais informais. A concisão, a clareza e a correção gramatical definem a estrutura perfeita desse tipo de texto. Constituem erros que empobrecem o texto: a. Abstração: o uso de substantivos abstratos dá ao texto uma falsa ilusão de aprofundamento das ideias. b. Tecnicismos: uso de linguagem muito técnica e especializada, que afasta o leitor comum, dando um tom seco e improdutivo ao texto. c. Prolixidade: frases ou períodos muito longos, carregados de informações intermináveis que deixam a ideia central perdida no texto. d. Exagero: uso de mais de uma expressão para significar a ideia, dando ao texto uma composição redundante. e. Uso de lugar comum: são expressões usadas no cotidiano que ganharam status de comum e que transferem para o texto as vozes de outros falantes, a fim de embasar ideias. Dessa forma, clareza, objetividade, pertinência e funcionalidade na produção das informações são imposições a serem sistematicamente treinadas e buriladas pelos profissionais em qualquer empresa. AN02FREV001/REV 4.0 20 Investir em trabalhos com a linguagem e a produção de textos é primordial para a boa comunicação nesse século, e não é despesa: é lucro. Quem não desenvolver a sensibilidade para perceber que o conhecimento substituiu os outros meios de produção ficará à margem da geração de riquezas e estará inevitavelmente fadado ao esquecimento. 1.7 TEXTO PARA FIXAÇÃO Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da língua portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar esse fato, seu professor de língua Portuguesa convida-o a ler o texto Aí, Galera, de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que foge a expectativa do ouvinte. “Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não? - Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. - Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. - Como é? - Aí, galera. - Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extremas objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. - Ahn? - É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegar eles sem calça. - Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? AN02FREV001/REV 4.0 21 - Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível de piegas, a uma pessoa a qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? - Pode. - Uma saudação para a minha progenitora. - Como é? - Alô, mamãe! - Estou vendo que você é um, um ... - Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde a expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldades de expressão e assim sabota a estereotipação? - Estereoquê? - Um chato? - Isso.” FONTE: Correio Braziliense, 13 de maio 1998. (Enem) O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. São elas: a) A saudação do jogador aos fãs do clube, no início da entrevista, e a saudação final a sua mãe. b) A linguagem muito formal do jogador, inadequada a situação da entrevista, e um jogador que fala com desenvoltura, de modo muito rebuscado. c) O uso da expressão “galera”, por parte do entrevistador, e da expressão “progenitora”, por parte do jogador. d) O desconhecimento, por parte do entrevistador, da palavra “estereotipação”, e a fala do jogador em “é pra dividir no meio e ir par cima pra pegar eles sem calça”. e) O fato de os jogadores de futebol serem vítimas de estereotipação e o jogador entrevistado não corresponder ao estereótipo. Respostas: Alternativa b AN02FREV001/REV 4.0 22 FIM DO MÓDULO I AN02FREV001/REV 4.0 23 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 24 CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL MÓDULO II Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 25 MÓDULO II 2 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO ESCRITA Alguns elementos da redação formal seguem regras instituídas para que a comunicação se processe com o máximo de clareza e objetividade, utilizando para esse fim os elementos de coesão e coerência, bem como muitos recursos que são usados para que a redação formal não ganhe feição descuidada e imprópria. São eles: 2.1 CONVENÇÕES E ERROS COMUNS EM TEXTOS ESCRITOS A função dos textos é informar, mas esse tipo deprocesso informativo não é privilégio de escritores, jornalistas ou estudantes de Letras. Por todos os lados e em todos os momentos de nossa vida precisaremos estar em contato com essa forma de nos comunicarmos com o próximo, principalmente quando esse não estiver ‘tão próximo’. Há toda espécie de pessoas redigindo hoje, agora, em algum lugar: blogueiros, redatores, estudantes, fiscais, patrões, empregados que usam das mais variadas formas de escrita: recados, informativos, tarefas escolares, relatórios, pareceres, pedidos de demissão. Supõe-se então que, se a função do texto escrito é informar, duas devem ser suas qualidades maiores: clareza e concisão mais conhecidas como objetividade e rapidez na comunicação. Assim como há vários tipos de textos, também há vários tipos de emissores: o que fica sempre pensando que ‘dá um branco na primeira linha’ e desiste, o que pega o lápis ou liga o computador e espera a inspiração, e os que querem realmente escrever, mas não sabem por onde começar. Vamos nos ater aos dois últimos, AN02FREV001/REV 4.0 26 vencedores da preguiça que, apesar das dificuldades que se lhes apresentam (muitas vezes imaginárias), decidem enfrentar a folha/tela em branco. Os do grupo que espera a chegada da inspiração produzem textos que, na maioria das vezes, atrapalham a vida do leitor por procurarem escrever com um estilo copiado, que embaraça a informação. Aqueles que acham que difícil é começar precisam atentar para a falta de organização do pensamento, característica de pessoas que não possuem o hábito da leitura, que têm como efeito a ausência dos recursos linguísticos usados na produção de textos. O vocabulário da linguagem corrente é adquirido e constituído a partir de termos conhecidos e usuais, é o que nos faz entender o que nos falam numa conversa, por exemplo, como se fôssemos direto ao pensamento do outro sem que houvesse a palavra entre a pessoa que fala e a que ouve. Mas o vocabulário corrente está longe de ser a maior parte do léxico da língua. Algumas palavras e expressões se desgastam com o tempo, caindo em desuso e perdendo a significação. Por isso é que devemos atentar para o uso de determinados termos na produção, aproveitando da linguagem falada o que conhecemos, porém, procurando sempre palavras e expressões novas que podem ser usadas e testadas em outros conceitos, em novas construções e momentos. Veremos, a seguir, algumas palavras e expressões com as quais devemos ter maiores cuidados dentro de contextos diversos: 2.1.1 Algumas Convenções de Uso dos Verbos O uso incorreto de alguns verbos em frases e períodos pode provocar efeitos ambíguos ou contrários à mensagem que se quer passar. Por isso, ler o texto depois de redigi-lo, ainda é uma das formas mais corretas de visualizar os defeitos da mensagem. Outro modo de erradicar as falhas na mensagem de um texto é usar um dicionário de sinônimos para colaborar na produção, pois muitas palavras podem apreender melhores significados e ter mais substância dentro do que se quer dizer quando utilizadas com certa parcimônia. AN02FREV001/REV 4.0 27 Seguem alguns verbos que podem ser substituídos por sinônimos dentro das frases e períodos a fim de dar maior substância à mensagem. a) Verbo DAR A imprensa deu a culpa do incidente aos políticos. TROQUE POR: atribuiu, imputou. A educação naquela cidade deu bons resultados. TROQUE POR: produziu. O processo deu quase 500 páginas. TROQUE POR: chegou a, rendeu, perfez. Era necessário dar uma solução. TROQUE POR: apresentar. Eles deram atenção aos asilados. TROQUE POR: dedicaram. Os jornais deram a notícia. TROQUE POR: publicaram. Os investimentos em saúde nunca deram os melhores resultados. TROQUE POR: produziram, causaram. O governador deu uma nova visão ao turismo. TROQUE POR: criou, estabeleceu, imprimiu. A feira dá as características e qualidades desse trabalho. TROQUE POR: expõe, mostra. b) Verbo FAZER A riqueza de espírito faz o crescimento moral. TROQUE POR: ocasiona, produz, origina. Esse sistema de governo faz suas vítimas. TROQUE POR: produz, cria. Uma educação rebuscada faz uma pessoa forte. TROQUE POR: constrói, forma. c) Verbo SER O problema da educação é a má organização das Instituições. TROQUE POR: consistem na. Tirar o menor da rua é necessário. TROQUE POR: torna-se. AN02FREV001/REV 4.0 28 Esse governo é incoerente. TROQUE POR: mostra-se. d) Verbo TER Apesar disso, tinha uma solução. TROQUE POR: existia, havia. Tinha dito que a mortalidade abaixara. TROQUE POR: disse, afirmou. O comprador não tem alternativas. TROQUE POR: possui. A fome tem estreita relação com o descaso das autoridades. TROQUE POR: mostra, traz. Todo trabalhador tem direito a ter seu lazer. TROQUE POR: possui, merece obter, gozar. Muitos povos têm seus heróis. TROQUE POR: consagra, tributa. Tinha de encontrar uma saída. TROQUE POR: deveria, necessitaria, precisaria. 2.1.2 Algumas Convenções de Uso de Expressões A linguagem escrita não deve acompanhar a informalidade da linguagem verbal. Devemos, por isso, policiar nossa produção a fim de não incorrermos em erros fatídicos de mau uso das expressões, o que gera muitos constrangimentos ao emissor e ao receptor. Abaixo, algumas expressões mais comumente usadas na linguagem verbal que, por vezes, são transferidas ‘na íntegra’ para dentro dos textos escritos. À esquerda encontramos as mais usadas incorretamente e à direita sua forma correta de expressão. - Sou DE MENOR – Sou MENOR DE IDADE. - Casas GERMINADAS – Casas GEMINADAS. - Passar DE ANO (na escola) – Passar O ANO. - Repetir DE ANO (na escola) – Repetir O ANO. - Ficar DE RECUPERAÇÃO – Ficar EM RECUPERAÇÃO. AN02FREV001/REV 4.0 29 - O filho é CUSPIDO ESCARRADO o pai – O filho é ESCULPIDO E ENCARNADO o pai. - SAIU elas por elas – SAÍRAM elas por elas. - DIA DE sábado não trabalho – AOS sábados não trabalho. - FALTEI pouco para não morrer – FALTOU pouco para não morrer. - MANDATO de segurança – MANDADO de segurança. - ESTOU NO AGUARDO de notícias – AGUARDO notícias. - Fiquei fora de SI – Fiquei fora de MIM. - Não fui POR CAUSA QUE - Não fui PORQUE. - Ele SOFREU melhoras – Ele SENTIU melhoras. - Ele já SE acordou – Ele já acordou. - Ele perdeu A DIREÇÃO do veículo – Ele perdeu O CONTROLE do veículo. - Tenho MENAS sorte que ele – Tenho MENOS sorte que ele. - Almoço meio dia E MEIO – Almoço meio dia E MEIA. - Prova DOS NOVES – Prova DOS NOVE. - Horas extra – HORAS EXTRAS. FONTE: Baseado no livro "Não Erre Mais!", de Luiz Antônio Sacconi 2.2 SINAIS DE PONTUAÇÃO: COMO E QUANDO Os sinais de pontuação são determinantes para a leitura correta de um texto, pois especificam e conduzem as pausas, responsáveis pela boa interpretação das ideias constantes na mensagem. A pontuação ajuda o receptor a entender a escrita a partir da interpretação de suas unidades lógicas, tornando mais fácil o caminho a seguir na compreensão da mensagem pelo receptor. Da pontuação fazem parte todos os sinais convencionais usados para separar as palavras: parágrafos e várias marcas (vírgulas, pontos, ponto-e-vírgula, e assim por diante) O professor Pasquale, durante uma participação no Programa Jô Soares, pediu a esse que pontuasse um telegrama: AN02FREV001/REV 4.0 30 Irás voltarás não morrerás Dependendo do sentido que se quer dar, ocorrem as seguintes formas de pontuação: 1) Irás. Voltarás. Não morrerás. 2) Irás. Voltarás? Não. Morrerás. No primeiro caso não há porque usar a vírgula. O texto está na ordem direta e em sequências diretas, portanto, não se usa pontuação. No segundo caso, pontuou-se de acordo com aquilo que se queria dizer. A pontuação, portanto, decide o sentido da mensagem no texto. A pontuação no mundo moderno é consideradaum requisito básico na produção da escrita formal, pois o leitor pode interpretar os erros de pontuação como um sinal de má educação ou descuido do emissor da mensagem, o que, em ambos os casos, pode atrapalhar sobremaneira a validação do texto. Por isso, para expressar as ideias com mais clareza precisamos observar o uso correto dos sinais de pontuação (vírgula, ponto, ponto-e-vírgula, dois pontos, reticências, exclamação, interrogação, parênteses, travessão e aspas). A pontuação deve restringir-se a dar sentido ao texto, por isso, deve ser mínima e usada com parcimônia em ocasiões necessárias. São finalidades dos sinais de pontuação: a) Assinalar a pausa e a entonação da voz na hora da leitura; b) Separar palavras, expressões e orações e c) Tornar claro o sentido da frase, retirando do texto qualquer sinal de ambiguidade. Faremos uma breve exposição de como e quando usar os sinais de pontuação dentro do texto, levando em consideração o contexto da redação dentro da empresa. AN02FREV001/REV 4.0 31 2.2.1 Quando Não Devemos Usar Sinais de Pontuação As partes do texto que têm ligação de sentido não podem ser separadas por qualquer sinal de pontuação. Não se separam: a) O sujeito de seu predicado: Exemplos: - João e Luiz, são dois funcionários novos da empresa. - Aqueles funcionários, estavam sempre com um lápis na orelha. b) O verbo e seu complemento Exemplos: - De fato, eu queria, o que todos estavam querendo também. - Eu perguntei, a ele o que o chefe queria comigo. c) O substantivo do adjetivo que o qualifica: Exemplos: - Luiz era um funcionário, excelente. - Aquela empresa, produtiva, estava dando muitas alegrias aos donos. d) Os adjuntos adnominais quando ligados ao nome: Exemplo: - Os funcionários envolveram-se nas ações, administrativas. 2.2.2 A Vírgula O uso da vírgula no corpo do texto mostra ao receptor as separações breves de sentido entre termos vizinhos, tanto das frases, quanto dos períodos. A vírgula serve, durante a leitura, como indicação de uma breve pausa. Utiliza-se a vírgula em: AN02FREV001/REV 4.0 32 a) Separação de frases e orações: • Fui ao mercado, comprei petiscos para o café da manhã e retornei para o trabalho. • Os funcionários entram, olham e saem quietos da sala. • Aguardamos em vão, calados e esperançosos, pela chegada do novo chefe. b) Separação de adjuntos adverbiais: • Ontem, até as 20 horas, o ônibus ainda não tinha apanhado os funcionários. c) Enumeração de termos no corpo do texto: • Adquiri pela internet livros de estatísticas, de logística e textos diversos. d) Separação de vocativos, apostos e certos predicativos: • Pense bem, Joana, no que vai dizer durante a reunião. • Liste, Pedro, o que você fez de bom na empresa. • Juca, volta ao trabalho agora! • "Iracema, a virgem dos lábios de mel, tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna." (José de Alencar) e) Separação de orações alternativas: • Ou participam da reunião, ou saem da empresa. f) Separação de orações explicativas: • Desde as 14 horas, que foi a hora em que chegamos, ficamos aguardando o começo da reunião. g) Separação de palavras continuativas, conclusivas, explicativas, corretivas: • Assim, esperaremos sua resposta ao memorando. • Estivemos todos reunidos na sala, aliás, desde as 12 horas. AN02FREV001/REV 4.0 33 h) Inversão de adjuntos adverbiais: • Na semana passada, todos estavam presentes. • Ontem, fizemos a reunião que faltava. i) Separação de datas, depois de nomes de cidade: • Campo Grande, 11 de setembro de 1999. j) Separação de certas conjunções pospostas: porém, contudo, pois, entretanto, portanto, etc. • Os funcionários daquela empresa, contudo, não prestavam muita atenção ao crédito. k) Depois do uso do SIM ou NÃO no início de uma frase: • Sim, estamos esperando um aumento. • Não, o chefe ainda não chegou. 2.2.3 O Ponto-e-vírgula O ponto-e-vírgula pressupõe uma pausa maior que a vírgula, porém não ao ponto de encerrar a frase ou o período. O ponto-e-vírgula é geralmente empregado para: a) Separar orações coordenadas de certa extensão: • Muitos gerentes já tentaram promover ações de segurança em suas empresas; suas tentativas, porém, foram infrutíferas. b) Separar a palavra considerando no corpo do texto de uma lei, de um decreto, de uma sentença ou de uma petição: • Considerando que...; considerando ....; considerando....; AN02FREV001/REV 4.0 34 c) Separar as partes principais de uma frase cujas ideias já apresentam clareza: • João, José e Jair são funcionários exemplares; Marcos, Maria e Lucio nem tanto. 2.2.4 O Ponto-final O ponto-final, de todos os sinais de pontuação, é o que exige maior pausa na interpretação oral da leitura de um texto. Por isso, seu uso restringe-se: a) Ao fechamento de um período ou frase: • Calamos todos quando o presidente entrou. • A empresa é qualificada e capaz. b) Às abreviaturas: • Sr., Sra., a.C., d.C. 2.2.5 Os Dois-pontos Esse sinal de pontuação anuncia e introduz uma citação, uma enumeração ou um esclarecimento. É comumente usado: a) Na determinação de hora: • 5:00 de quarta-feira • 23:15 todos sábados b) Nos vocativos de correspondência: • Senhores: Senhor: Sr. Diretor: AN02FREV001/REV 4.0 35 c) Antes de certos apostos, principalmente nas enumerações: • Duas coisas lhe davam superioridade: o saber e o prestígio. d) Antes de uma citação: • Bem diz o ditado: Vento ou ventura, pouco dura. e) Antes de orações apositivas: • A verdadeira causa do fracasso é este: não planejar. f) Para indicar um esclarecimento, um resultado ou resumo do que se disse: • Nosso horário de expediente é o mesmo: das 7h às 11h todo dia. 2.2.6 O Ponto de Interrogação Esse sinal não é tão comum em redações oficiais, mas o seu uso inclui os seguintes contextos: - Pergunta direta: • Vamos sair mais cedo hoje? • Onde estava você que não compareceu à reunião? Obs.: Nas perguntas indiretas, não é usado o ponto de interrogação. Exemplo: - Alguém questionou se iríamos sair mais cedo hoje. - Perguntou-lhe onde estava que não compareceu à reunião. AN02FREV001/REV 4.0 36 2.2.7 O Ponto de Exclamação Acompanhando o sinal de interrogação, também esse sinal de pontuação não é muito utilizado em redações oficiais, mas o seu uso pode ser útil após qualquer palavra, frase ou oração de caráter exclamativo, para indicar espanto, surpresa, admiração, entusiasmo, desprezo, ironia, ordem, súplica, chamamento, dor, alegria, etc. Pode ser usado: a) Após vocativos: • Venha cá! João! • Nossa! b) Após interjeições e ao final de frases exclamativas: • Que bacana! • Isso é formidável! c) Após interjeições de espanto, dor etc. • Ai!; Ui!; Hum! 2.2.8 As Reticências As reticências não comuns em redações oficiais por permitirem a presença da subjetividade no texto. São muito usadas para demonstrar estado de hesitação, ansiedade, surpresa, dúvida. Indicam, geralmente, a interrupção do pensamento, deixando em suspenso ou prolongando a ideia da mensagem. Veja alguns exemplos em textos mais subjetivos: AN02FREV001/REV 4.0 37 - Quem se habitua aos livros... - Porque... não sei, porque...porque é a minha sina..." (Machado de Assis) - "Ninguém... A estrada, ampla, silene e sem caminhantes, adormece..." (Olavo Bilac) - "E a Vida passa... efêmera e vazia." (Olegário Mariano) 2.2.9 Os Parênteses a) De caráter explicativo, é utilizado em redações oficiais para esclarecer ou isolar palavras, locuções ou frases completas num período. b) Em citações de autores, capítulos ou datas:c) Também são usados no caso de parte independente de uma sentença ou parágrafo, não diretamente relacionada com o restante da oração: d) São usados para incluir quantias ou números já expostos por extenso: e) São usados também em caso de siglas de Estado: 2.2.10 O Travessão Traço maior que o hífen, o travessão é usado para: a) Indicar uma quebra de pensamento no corpo do texto: • O chefe – para alegria geral – concedeu a licença. b) Para dar ênfase a alguma expressão: AN02FREV001/REV 4.0 38 • As características dele são ótimas – verdadeiras virtudes – e o levaram ao sucesso! c) Para introdução, separação de discurso direto no texto: • – Paulo machucou-se seriamente ontem no trabalho. • – Parece que você não pensou em nada – disse-me o chefe. • Um bom chefe – diga-se de passagem – é aquele que respeita os outros. d) Ligar palavras em cadeia, sem formar palavras compostas, mas com o intuito de indicar relação entre elas: • A linha aérea Brasil – Europa está impedida. 2.2.11 As Aspas Podem ser empregadas as aspas no início e no final de alguma citação que se queira introduzir no corpo do texto. Costuma-se colocar aspas em situações: a) Em que há emprego de conceitos que se deseja colocar em evidência: • “O que pensa de si mesmo é muito mais importante do que o que os outros pensam de você.” (SÊNECA) b) De uso de expressões estrangeiras ou termos da gíria: • A funcionária veio trabalhar de “mini” e foi mandada de volta para casa. • O expediente acabou em “pizza”. • Os patrões vieram admirar a escultura “in loco”. c) Em que se quer dar ênfase ou introduzir uma fala de pessoas famosas: • Machado de Assis disse: "Deve ser um vinho enérgico a política." d) Quando se quer citar um trecho em que já haja alguma citação no corpo do texto: AN02FREV001/REV 4.0 39 • O funcionário afirmou: “É bem ‘bondoso’ o meu patrão.” 2.2.12 Os Colchetes Os colchetes ganham na frase a mesma finalidade que os parênteses, porém, devem ser usados mais restritamente em textos de cunho didático, filosófico e científico. Veja alguns exemplos a seguir: - "Cada um colhe [conforme semeia]." - "O [funcionário] do meio trazia a pasta de documentos colada ao corpo." - "Eles se recusam [o João e o José] a assinar o documento." 2.3 O PARÁGRAFO Os parágrafos são adaptados ao tipo da produção, ao receptor e ao veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Geralmente, o parágrafo contém O parágrafo possui, no corpo do texto, função estética e estrutural de facilitador da leitura, pois organiza o pensamento em uma linguagem acessível ao entendimento. Quando pensamos, geralmente mentalizamos determinados momentos e formas que serão usados na mensagem, mas para redigi-la precisamos ‘arrumar’ as nossas ideias de maneira que a mensagem seja recebida e percebida com o máximo de clareza e objetividade. O parágrafo, nesse contexto, é um organizador das ideias, um bloco de anotações que as relaciona entre si marcando um começo e um fim das etapas do enunciado da mensagem. O tamanho proposto para um parágrafo não deve funcionar como uma ‘camisa de força’ da produção, o que deve determinar a extensão de um parágrafo é a unidade temática, pois cada ideia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo. AN02FREV001/REV 4.0 40 entre 7 a 10 linhas, mas não há uma regra geral para determinar o seu tamanho, o ideal é que se tenha bom-senso. Nos textos redigidos à mão a marca é de, aproximadamente, 2,5 cm e está sujeita à intenção do autor, sua letra, o papel em que escreve e o conteúdo do texto a ser redigido. Já para os textos datilografados ou digitados, os espaços são acordados seguindo as normas que levam em consideração o tamanho da fonte, o tipo de publicações e a finalidade do texto. As regras de marcação do parágrafo são definidas pela ideia principal, ou seja, as ideias secundárias se aglomeram em torno da ideia principal, também nomeada pelas regras da língua portuguesa como ‘tópico frasal’. Esses tópicos podem ser percebidos de forma subjetiva, mas sempre devem manter certa coerência com a mensagem ‘central’ presente no texto. Desse modo, podemos afirmar que o parágrafo demarca os seguintes limites em um texto: 2.3.1 A Introdução Já na introdução, a ideia principal – também denominada tópico frasal, deve estar contida em uma ou duas frases curtas, expressando de maneira sintética a ideia do texto e definindo seu objetivo. O tópico frasal é o responsável direto pelo entendimento do leitor, pois o leva à expectativa dos próximos assuntos e detalhes que lhe serão apresentados ao longo da leitura do texto, pressupondo o desdobramento e/ou a explicação posterior da leitura. A introdução é parte importante do texto, pois o apresenta. Nessa perspectiva, deve desenvolver uma visão geral do tema proposto, sem citações e sem pausas de linhas em branco. Uma das maneiras mais fáceis de elaborar a introdução é apresentar um resumo do que vai ser discutido no desenvolvimento. Para tanto, há a necessidade de planejamento cuidadoso de todo o corpo do texto antes de começar a escrevê-lo, bem como a definição dos tópicos que serão discutidos. É importante que não se discutam muitos tópicos para que a redação não fique muito expositiva e tenha um AN02FREV001/REV 4.0 41 modelo mais argumentativo. Para cada tópico exposto já na introdução, há de se reservar um parágrafo inteiro durante o desenvolvimento, tendo o cuidado de não misturar assuntos em um mesmo parágrafo, pois isso fará com que percam a importância. De qualquer maneira, é imprescindível que a produção seja bem pensada a fim de não se tornar cansativa a leitura. O ideal é que, durante uma exposição argumentativa de ideias, não sejam tratados mais de três assuntos principais. Para iniciarmos um texto, é necessário, portanto, planejamento. Garcia, em seu livro “Comunicação em prosa moderna”, propõe algumas indicações de prováveis introduções: - Cogita-se, com muita frequência, que ... - Muito se tem discutido, recentemente, acerca de ... - Muito se debate, hoje em dia, ... - É de fundamental importância em .... - É indiscutível que ... / É inegável que ... - Comenta-se, com frequência, a respeito de ... - Não raro, toma-se conhecimento, por meio de ..., - Apesar de muitos acreditarem que .... (refutação) - Ao contrário do que muitos acreditam ... (refutação) - Pode-se afirmar que, em razão de ...( devido a, pelo ) ... - Ao fazer uma análise da... , busca-se descobrir as causas de .... - Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual ... - Ao analisar o (a, os, as) ... , é possível conhecer o (a, os, as) .... , pois ... FAÇA O MÁXIMO PARA EVITAR: Iniciar a introdução com as mesmas palavras do título. 2.3.2 O Desenvolvimento AN02FREV001/REV 4.0 42 Na etapa do desenvolvimento, os parágrafos são distribuídos de acordo com as ideias apresentadas, em blocos sequenciais de, aproximadamente, 3 a 5 parágrafos para produções entre 25 e 40 linhas. Com menor número de parágrafos os mesmos ficariam muito extensos, perdendo-se, com isso, a concisão e a clareza, deixando o texto cansativo para o leitor. Ao mesmo tempo, se construirmos parágrafos muito curtos para as discussões dos assuntos propostos, correremos o perigo de dar um tom artificial ao texto. Procure seguir os seguintes indicadores para o planejamento do desenvolvimento de sua produção: - Ordene o texto de acordo com a importância dos assuntos a serem tratados, - Pense e use parágrafos curtos, - Procure conservar a ordem direta na organização do pensamento escrito, - Observe o uso de artigos, demonstrativos e possessivos, procurando a adequação mais correta. FAÇA O MÁXIMO PARA EVITAR: - Repetições: a repetição desnecessáriade palavras empobrece o texto. Principalmente não comece períodos ou parágrafos com a mesma palavra; - Palavras ou expressões da linguagem oral: evite palavras chulas, e expressões de gíria não incorporadas à linguagem geral; - Palavras muito rebuscadas: o excesso de termos rebuscados e de uso técnico também afasta o leitor; - Advérbios terminados em MENTE: a repetição desses termos gera cacofonia; - Expressões comuns: o clichê, as fórmulas e expressões generalizadas marcam o texto como comum, singular; - Excesso da palavra QUE: substitua por termos cognatos. 2.3.3 A Conclusão AN02FREV001/REV 4.0 43 A conclusão, assim como a introdução e o desenvolvimento, também deve ser antecipadamente planejada, pois traduz a síntese do assunto tratado no corpo do texto, o ponto alto da produção, fechamento da redação. Estipula-se um máximo de 6 a 8 linhas de encerramento digno para um texto de até 40 linhas. Nessa parte, o autor deve tentar propor ou, pelo menos, sugerir uma solução para todos os assuntos tratados durante a exposição nos parágrafos anteriores, expondo seu ponto de vista e posicionando-se quanto às proposições apresentadas, pois fechar uma produção escrita é esclarecer tudo o que foi tratado, deixar tudo às claras, explicitar o necessário ao entendimento e ao encerramento da discussão proposta. Esse é o momento em que o escritor toma partido, se posiciona, tece propostas, faz críticas, apresenta as suas contribuições e imprime na produção a sua marca pessoal, permitindo ao leitor a aquisição de um novo conhecimento, a reflexão ou até mesmo a reformulação de conceitos existentes. FAÇA O MÁXIMO PARA EVITAR: - Não encerrar o texto: nunca deixe o texto, um período, uma frase sem o devido fechamento; - As expressões jargão “em resumo”, “concluindo”, “terminando”. 2.4 EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO Elabore uma redação para cada tema abaixo apresentado, seguindo o esquema e as orientações para cada uma das produções propostas: ESQUEMA: - TEMA - TÍTULO - INTRODUÇÃO – palavras chaves / assuntos AN02FREV001/REV 4.0 44 - DESENVOLVIMENTO – exposição dos assuntos - CONCLUSÃO – posicionamento / reflexão TEMA 1 – LEITURA TÍTULO – Quem lê bem escreve melhor a) INTRODUÇÃO – 1 parágrafo b) DESENVOLVIMENTO – 2 parágrafos c) CONCLUSÃO – 1 parágrafo TEMA 2 – PRODUÇÃO DE TEXTOS TÍTULO – As dificuldades da redação do Vestibular a) INTRODUÇÃO – 1 parágrafo b) DESENVOLVIMENTO – 3 parágrafos c) CONCLUSÃO – 2 parágrafos TEMA 3 – ECONOMIA TÍTULO – O Brasil e o crescimento mundial a) INTRODUÇÃO – 1 parágrafo b) DESENVOLVIMENTO – 4 parágrafos c) CONCLUSÃO – 2 parágrafos FIM DO MÓDULO II AN02FREV001/REV 4.0 46 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 47 CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 48 MÓDULO III 3 CONSTRUINDO O TEXTO I Para escrever um bom texto o emissor, como já vimos, deve tentar colocar- se o máximo possível no lugar do receptor, a fim de perceber como a mensagem vai ser recebida por este. A fim de não perder o direcionamento da mensagem, é necessário planejar alguns passos da construção do texto. Seguiremos alguns, como abaixo: 3.1 PASSOS DA PRODUÇÃO 3.1.1 Anotar as ideias (agrupamento de ideias – primeiras intenções – trabalho individual) Nessa etapa, o emissor deve pensar sobre o motivo que o levou a escrever o texto, anotando todas as ideias, fatos, hipóteses, detalhes que tenha percebido em suas intenções a fim de não perder o fio do pensamento. Esse é um primeiro momento que deve ser planejado cuidadosa e individualmente, pois é a primeira intenção do autor, é um momento em que, sozinho, pode se questionar da necessidade e dos cuidados com o assunto do texto. Esse momento possibilita ao autor disciplinar seu pensamento, procurando estabelecer uma sequência lógica entre o que pensa em escrever e o que, efetivamente, deve escrever. Possibilita também estabelecer mentalmente uma hierarquia entre as ideias, organizando-as por grau de importância e descartando as que poderão vir a ser tratadas em outro momento. AN02FREV001/REV 4.0 49 3.1.2 Planejar as ideias (organizar o pensamento: o que se quer dizer? O que é preciso ouvir? segundas intenções, propostas coletivas) Nessa etapa, o emissor pode contar com a colaboração, presente ou distante, de outras ‘vozes do discurso’, ou seja, lembrar de opiniões ou assuntos já discutidos no passado que possam servir de exemplificação para a argumentação no novo texto. 3.1.3 Organizar a Estrutura (divisão das ideias em grupos: começo, meio e fim; disposição dos parágrafos do texto) É a etapa em que se estrutura o texto, colocando no papel as subdivisões, as ideias principais, as conclusões e recomendações novas sobre o(s) assunto(s) a ser tratado(s). Organize as ideias em períodos curtos, dividindo-as em partes na medida do possível. Um texto de partes longas aumenta as chances de erro na interpretação da leitura e é sempre mais cansativo de ser lido do que um texto produzido com frases curtas de ideias breves. Essa é a fase da montagem, propriamente dita, do corpo do texto; 3.1.4 Revisar as Partes (descoberta de redundâncias e pesquisa do que falta) Momento de verificar se o texto está coerente com a proposta inicial, analisando a coesão e a objetividade na transmissão das ideias da mensagem. Nessa fase, também devem ser revisados o estilo e a linguagem que estão em uso na produção, sempre levando em consideração o receptor. AN02FREV001/REV 4.0 50 3.1.5 Revisar a Apresentação do Texto (organização das partes por grau de importância) Há necessidade, nesse momento, de passar o texto ‘a limpo’ procurando as repetições de assuntos, com o objetivo de não torná-lo cansativo ao leitor. Procure agrupar os assuntos em uma ordem gradativa de importância, da menor para a maior, com o intuito de ir preparando o leitor para as informações presentes no texto, deixando a mais importante sempre no final do mesmo, para que seja lembrada ao final da leitura. Nessa fase também devem ser revisadas as adequações gramaticais e ortográficas. 3.1.6 Reescritura (composição final do texto de acordo com as revisões acima) Redação final. É necessário verificar a estrutura e a forma de apresentação do texto: externamente (adequação à folha, margens, espaços, tipo de letra) e internamente (olhar final mais aguçado para o texto escrito, em busca de imperfeições que prejudiquem a mensagem). As principais qualidades de um bom texto são: - A correção: o uso correto da língua portuguesa dá ao texto (e ao emissor) mais credibilidade; - A concisão: um texto mais sintético e breve consegue chamar muito mais a atenção do leitor por sua clareza e objetividade; - A imparcialidade: o texto justo, sem considerações ou motivações pessoais aproxima o leitor da causa explicitada, levando-o mais rapidamente à concordância com as ideias propostas. Não imponha suas opiniões, deixe o leitor livre para formar o seu próprio julgamento, seja o mais claro e específico possível, substituindo AN02FREV001/REV 4.0 51 palavrasde efeito ou significado vago por explicações e deixe as inferências para o leitor; - A precisão: a exatidão e o rigor na exposição das ideias e dos ideais do texto traduzem a ordem e a consonância com que foi pensado, possibilitando aceitação maior da argumentação e dos motivos expostos. Fatos sempre informam mais do que opiniões subjetivas; - A simplicidade: a força da naturalidade deixa o texto mais compreensível por se mostrar único e verdadeiro, dando-lhe força e vigor. FIGURA 1 FONTE: Disponível em: <www.aprimaveravaichegar.blogspot.com>. Acesso em: 30 abr. 2010. 3.2 EXPRESSÕES QUE INTERFEREM NA LEITURA Palavras e expressões mal grafadas interferem na leitura e na interpretação correta da mensagem. Em alguns casos, um simples olhar mais cuidadoso ao texto pode verificar essas incorreções e ajustá-las. Procure e substitua em seu texto: http://aprimaveravaichegar.blogspot.com/� AN02FREV001/REV 4.0 52 - Grafia correta de números e acentuação das palavras: a) 15 funcionários faltaram ao serviço – Quinze funcionários faltaram ao serviço; b) Em 2.010 foram dispensados... – Em 2010 foram dispensados...; c) Arrecadamos 3.000.000 de alimentos. – Arrecadamos 3 milhões de alimentos; d) Encaminhamos à V. Sa. ... – Encaminhamos a V. Sa. ...; e) Em relação à solicitação de pessoal... – Em relação à solicitação de pessoal... - Palavras com duplo significado (ambiguidade): a) A funcionária estava na sua seção na hora do roubo? (SUA: do leitor ou da funcionária?). Obs.: O duplo sentido pode ser causado também por pontuação inadequada. Observe o exemplo a seguir, como à pontuação pode fazer uma diferença significativa em um texto. Leia, primeiramente, o texto sem pontuação alguma e, a seguir, observe como podemos transformá-lo em várias mensagens diferentes, a partir da pontuação: Deixo os meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres 1) Deixo os meus bens a minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres. 2) Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres. 3) Deixo os meus bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres. 4) Deixo os bens a minha irmã? Não. A meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres. AN02FREV001/REV 4.0 53 - Abreviaturas: A abreviatura de pronomes de tratamento tem certas peculiaridades que devem ser observadas na hora da produção, pois assim como se referem à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação, também concordam com a terceira pessoa do verbo. Então, preste atenção ao uso de: - Vossa Excelência, para as autoridades abaixo: Presidente e Vice-Presidente da República. Ministros, Governadores e Vices-Governadores de Estado e do Distrito Federal. Oficiais-Generais das Forças Armadas e Embaixadores. Deputados Federais, Senadores e Ministros do Tribunal de Contas da União. Deputados Estaduais e Distritais e Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais. Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. Secretários-Executivos de Ministérios e dos Governos Estaduais. Chefe da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência da República. Advogado-Geral da União e o Chefe da Corregedoria-Geral da União. Prefeitos Municipais. Ministros e Membros dos Tribunais Superiores. Juízes e Auditores da Justiça Militar. Obs.: O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor. Em comunicações oficiais aboliu-se o uso do tratamento digníssimo (DD). A dignidade é pressuposto de qualquer cargo público, sendo redundante a sua evocação: Excelentíssimo Senhor Presidente da República. Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional. Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. AN02FREV001/REV 4.0 54 - Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo para esse pronome de tratamento é Senhor Fulano de Tal. É dispensável o emprego de ilustríssimo para as autoridades tratadas de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor. Obs.: Doutor é título acadêmico e não forma de tratamento, portanto, use-o somente em produções encaminhadas a pessoas que tenham tal grau por terem defendido tese de doutorado. É comum designar por doutor aos bacharéis, especialmente aos bacharéis em Direito e em Medicina. Use o título de Senhor para conferir a desejada formalidade para quem não tem o título de doutor. - Vossa Magnificência, empregada em comunicações dirigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo: Magnífico Reitor. - Vossa Santidade, em produções dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre. - Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em produção aos Cardeais. - Vossa Excelência Reverendíssima é usado em produções dirigidas a Arcebispos e Bispos. - Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. - Vossa Reverência é termo usado em cartas a sacerdotes, clérigos e demais religiosos. AN02FREV001/REV 4.0 55 a) 3.3 DICAS DE REVISÃO Evite a prolixidade, seja claro e objetivo dizendo somente o que gostaria de ler. b) Peça a alguém para ler o seu texto, procurando imperfeições na forma e no conteúdo. E aceite as críticas elas constroem. c) Apesar de nem sempre podermos confiar na correção gramatical e ortográfica dos processadores de texto, eles são boas opções para adiantar o serviço e observar como as palavras, expressões e construções frasais são corrigidas. Os grifos em vermelho são correções ortográficas e vêm geralmente em palavras; já os grifos verdes assinalam incorreções em expressões e construções frasais. Verifique o que é proposto como mudança e, se concordar, use em sua produção. d) A leitura do seu texto em voz alta possibilita a verificação de cacofonia (a BOCA DELA estava suja, POR CADA ação vendida..., ELA TINHA vendido mais que...), portanto, tente fazer uma leitura em voz alta de seu texto, prestando atenção ao som das palavras usadas na composição; e) 3.4 TIPOS DE TEXTOS FORMAIS Leia o texto com olhos de leitor, coloque-se no lugar do receptor do texto e veja se você entenderia e aceitaria o que está exposto. Para a redação de determinados tipos de textos, levam-se em consideração os objetivos a que tal produção se propõe, ou seja, cada produção escrita AN02FREV001/REV 4.0 56 endereçada a alguém tem suas características definidas pela intencionalidade com que é redigida. A seguir, veremos algumas produções mais usadas na redação empresarial: 3.4.1 Carta Comercial Modalidade formal escrita de comunicação entre empresas, entre empresa e pessoas ou entre pessoas, utilizada para iniciar, manter ou encerrar transações comerciais. De acordo com a sua estrutura, reflete a importância da transação e a eficiência, tanto de seu(s) autor(es) quanto de seu(s) remetente(s), pois o estilo e a estética usadas externam a excelência e a qualidade ou as falhas e incorreções. Os itens já abordados para a composição de um bom texto e os cuidados com as expressões e palavras que dificultam a leitura devem ser revistos na composição de uma carta comercial, a ordem é cultivar a correção, a concisão, a clareza e a objetividade, pois o leitor muitas vezes não conta com muito tempo para ler mensagens pouco esclarecedoras e ineficientes. A lógica e a coerência são dois elementos importantíssimos na composição de uma carta comercial, já que evitam a proximidade e garantem a imparcialidade ao emissor. Paracomeçar, experimente responder a duas questões primordiais: 1) O que se quer comunicar? 2) Como dizer isso? O que dizer refere-se ao conteúdo da mensagem, ou seja, é um fato que se evidencia pela necessidade em escrever a carta (exemplos: reclamações, questionamentos, indicações, etc.). Essa etapa é facilmente resolvida, já que quando se pensa em redigir alguma carta é porque já se pensou na necessidade de comunicar algo a alguém. Tendo o assunto, ou os assuntos, na mente, elabore uma lista de itens enumerando-os por grau de importância, nunca se esquecendo de, se forem mais de dois, deixar o mais importante para o final. AN02FREV001/REV 4.0 57 Como dizer já é uma etapa que precisa de um pouco mais de cuidado, exigindo a sensibilidade de reconhecer a necessidade do uso ou não de determinados termos que ajudarão na clareza e no entendimento correto da mensagem. O tom usado na disposição das palavras deve levar o leitor à reflexão sobre o motivo específico da mensagem, não deixando margem para outras considerações que não seja o verdadeiro motivo da carta. Há uma sequência para seguir esses passos: 1) Tenha um objetivo (motivo) em mente antes de escrever a carta; 2) Coloque-se no lugar do receptor e reflita sobre o que ele gostaria de ler; 3) Tenha sempre informações detalhadas sobre o assunto que vai ser tratado; 4) Planeje a estrutura da carta (quantos parágrafos, linhas e palavras a usar); 5) Liste fatos para relatar e não opiniões, seja impessoal; 6) Preste informações precisas e seja sucinto em formulá-las; 7) Responda mentalmente a possíveis questionamentos que surgirão da leitura da carta como se você fosse o leitor, isso não deixa margem a dúvidas; 8) Nunca use termos ou expressões grosseiras que você não gostaria que fossem dirigidas a você. A leitura da carta deve ser prazerosa, fácil e informativa, missivas longas e rebuscadas geram pedidos de esclarecimento. AN02FREV001/REV 4.0 58 ESTRUTURA DA CARTA A distribuição dos parágrafos e o posicionamento dos elementos em uma carta comercial podem ser variados. Faremos, a seguir, uma sugestão de uso desses elementos, que podem ser adaptados e formatados de outras maneiras, de acordo com o senso estético do redator: ================================================================ ۩ ATHENAS – MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (logomarca da empresa) CARTA 001/2010 (Índice/Controle) Campo Grande-MS, 23 de janeiro de 2010. (Local e data na mesma linha) Ao Ilustríssimo Senhor SÉRGIO NOLASCO NEVES (Destinatário) Assunto: Parcelamento de Débitos (assunto a ser tratado) Ref.: Notas Promissórias 02/03 e 04/2010 (referências, lembretes do assunto) Prezado Senhor, (Invocação) Considerando o não recebimento... (abertura) T E Entendemos que a situação presente... (desenvolvimento) X T Contando com a compreensão de ... (fecho) O Atenciosamente, Assinatura(s) Função/Cargo Anexos (se for o caso) ================================================================ AN02FREV001/REV 4.0 59 3.4.2 Ofício Tanto a carta comercial quanto o ofício, embora possam parecer textos diversos, não têm limites muito demarcados por diferenças significativas. O ofício, por ser uma produção mais utilizada em órgãos oficiais, caracteriza-se por ser destinado a superior hierárquico, ou seja, é utilizado quando se quer estabelecer uma comunicação entre setores de hierarquias distintas. Já a carta oficial não atende a essa distinção, permitindo, portanto, variados graus de formalismo. A qualidade da informação presente nos textos diz respeito à pertinência dos informes nele contidos. Quanto à quantidade, deve ser definida criteriosamente pelo emissor, com o intuito de não informar mais do que o necessário. É interessante observar que, em ambos os contextos, o assunto a ser tratado é de interesse e conhecimento tanto do emissor quanto do receptor, fato que permite a supressão de alguns termos e informações sem problema de causar possíveis interrogações na leitura. O que estará explicitado ou implícito no texto dependerá da finalidade da mensagem. Veja um exemplo abaixo: ================================================================================ Diretoria de Recursos Humanos - DIREH Diretoria Nº 02/10-CA/JB Campo Grande-MS, 10 de maio de 2010. Sr. Presidente, De acordo com as conversações que mantivemos com essa Presidência, com relação às contratações programadas para o mês de maio, solicitamos sejam AN02FREV001/REV 4.0 60 suspensas nos dias 12 e 13 do corrente, por motivo de férias antecipadas de funcionários desse setor. Agradecemos a atenção dispensada. Cordiais saudações Alfredo Camargo Diretor de RH Ao Sr. Duarte da Silva Paes Presidente da DIREH ============================================================================= 3.4.3 Requerimento Esse tipo de produção textual é geralmente encaminhado para autoridades ou órgãos públicos, a fim de solicitar algo a que se julga ter direito. Quanto à forma e ao conteúdo desse tipo de produção, podemos dizer que, no conteúdo, difere um pouco da carta e do ofício, por ser utilizado para solicitações para as quais o emissor aguardará uma devolutiva. Por isso, o fecho desse tipo de composição é sempre uma solicitação de resposta por parte do emissor. Vejamos a forma e o conteúdo de um requerimento: ============================================================================= Senhor Diretor da Faculdade ... ou Exmo. Sr. Prefeito de ... Invocação (deixar 8 espaços duplos para que se coloque a decisão - deferido ou indeferido e outras providências) AN02FREV001/REV 4.0 61 Nome do requerente, nacionalidade, estado civil, profissão, número de RG, CPF e outros (dependendo da finalidade do documento), endereço e o pedido (requer ...) (3 espaços) Nestes termos, Pede deferimento/ Aguarda deferimento (Fecho) Campo Grande-MS., 10 de maio de 2010. (Local e data) Assinatura ================================================================ 3.4.4 Relatório Técnico É a maneira mais útil e conveniente de fornecer informações de atividades rotineiras a quem precisa ser informado delas; podem ser formais ou informais. Alguns, pelo seu caráter mais informal, são impressos e fornecidos pela própria empresa, devendo ser preenchidos em espaços destinados à informação a que se quer ter acesso. Outros, menos informais e não tão rotineiros, devem ser mais elaborados e obedecer à estrutura de: Introdução, Sumário, Desenvolvimento, Conclusão, Recomendações e Anexos (nessa ordem). Para se atingir aos propósitos de correção na produção de um relatório, há de se responder a algumas perguntas essenciais: o quê?, a quem?, como?, com que propósito?, quando?, onde? São utilizados para as mais variadas finalidades, por isso devem pensar primeiramente no receptor. Dentre as finalidades primeiras, destacamos os relatórios de: • Estudo ou pesquisa: relato de experiências, estágios, pesquisas; • Atividades econômicas ou financeiras: usados para cobrança, informações bancárias, contábeis, dentre outras; AN02FREV001/REV 4.0 62 • Atividades administrativas: utilizados para sindicância, auditorias e outros assuntos administrativos; • Atividades diversas: para visitas, viagens, produção e trabalho; • Ocorrências: para manutenção e acidentes. Estrutura de Um Relatório Apesar de possibilitar muitas variações, comumente utilizamos o esquema abaixo para a formatação de um relatório: 1) Introdução, onde se encontram título, autor, instituição responsável, local e data. Essa parte do relatório também deve conter o objetivo e o assuntoa ser tratado. 2) Sumário, resumo das partes mais importantes do relatório. Essa parte possibilita e facilita a leitura, apresentando o assunto em poucas linhas, bem como as conclusões e as recomendações principais do relatório. Deve ser elaborado após o término da produção. 3) Desenvolvimento, corpo do relatório em que são apresentadas as ideias e os fatos em ordem de importância e detalhamento. Se precisar se estender muito, essa parte deve conter subtítulos, de modo a simplificar a leitura. 4) Conclusões, análise sobre o assunto tratado. Podem conter tabelas, gráficos e diagramas, organizados de forma didática a fim de reduzir a matéria escrita. 5) Recomendações, sugestões de ações a serem tomadas. Apresentação de soluções decorrentes das análises feitas na fase anterior, que devem acompanhar o raciocínio já iniciado e serem claras, objetivas e de preferência com argumentos que as suportem. 6) Anexos, em que se apresentam gráficos, quadros, tabelas, diagramas, mapas, ilustrações, quando não tiverem sido colocados no corpo do texto. AN02FREV001/REV 4.0 63 3.4.5 Aberturas e Fechos Mais Usados Em ambos os textos citados acima, as expressões e frases de abertura e de fechamento do texto são muito diversas. É necessário que essas expressões sejam bem simples, não usem palavras inúteis, sejam formadas com palavras adequadas ao destinatário e de bom gosto. São comumente usadas: • Em resposta à sua solicitação (ou pedido, carta, etc.) ... • Comunicamos a V.Sª. que... • Atendendo ao seu pedido n. ... • Recebemos sua carta, na qual V.Sª. ... • Solicitamos de V.Sª. providências ... • É do conhecimento de V.Sª. que ... Em relação ao fecho, essas duas formas de produção comercial devem conter encerramentos práticos e objetivos, usando-se palavras ou expressões de curta extensão, como: • Respeitosamente, (muito formal). • Atenciosamente, (formal). • Cordialmente, (informal). • Gratos, • Saudações, • Um abraço, As duas últimas expressões são muito utilizadas em finais de mensagens enviadas pelo correio eletrônico (E-mail). As expressões arcaicas “Sem mais para o momento” e “Enviamos nossos protestos de elevada estima e consideração” não são mais utilizadas por estarem ultrapassadas. Alguns clichês também devem ser trocados, veja os exemplos abaixo: 1) “Acusamos o recebimento...” por “Recebemos...” 2) “No aguardo de...” por ”Esperamos...” AN02FREV001/REV 4.0 64 3) “Sua carta datada de...” por “Sua carta de...” 4) “Ao seu inteiro dispor...” por “Ao dispor...” 3.5 ALGUMAS DIFICULDADES DA NORMA CULTA 3.5.1 Ortografia Em textos oficiais, a correção ortográfica é uma necessidade básica, pois a troca de alguma letra, palavra ou pontuação nas frases ou períodos pode não só alterar o sentido da mensagem de um parágrafo, mas de todo o texto. Há dois tipos de erros a serem observados: os erros pela falta de conhecimento do uso correto e os erros por digitação imperfeita. Alguns, mais comuns, estão listados abaixo: Uso errado: Se desejarem maiores informações deverão se encaminhar... Uso correto: Se desejarem melhores/mais informações deverão se encaminhar... Uso errado: Pediu-me que o ajudasse a descriminar as despesas. Uso correto: Pediu-me que o ajudasse a discriminar as despesas. Uso errado: Vultuoso valor foi gasto na campanha daquele gerente. Uso correto: Vultoso valor foi gasto na campanha daquele gerente. Uso errado: Ele trabalhou como adido de embaixada. Uso correto: Ele trabalhou como adido à embaixada. Uso errado: Ele vai torcer para o time do irmão. Uso correto: Ele vai torcer pelo time do irmão. AN02FREV001/REV 4.0 65 Uso errado: A estadia do funcionário na empresa será breve. Uso correto: A estada do funcionário na empresa será breve. Uso errado: Se eu ver o funcionário, falarei com ele. Uso correto: Se eu vir o funcionário, falarei com ele. Uso errado: Queremos falar consigo. Uso correto: Queremos falar com você/com o senhor. Uso errado: Este relatório foi descartado porque está inteligível. Uso correto: Este relatório foi descartado porque está ininteligível. Uso errado: Não tenho qualquer vínculo com meus ex-chefes. Uso correto: Não tenho nenhum vínculo com meus ex-chefes. Uso errado: Ao meu ver, esses funcionários precisam de regras. Uso correto: A meu ver, esses funcionários precisam de regras. Uso errado: O chefe passou muito rápido e desapercebido por todos nós. Uso correto: O chefe passou muito rápido e despercebido por todos nós. Uso errado: Por que não troca seu voto? Ao invés de votar em Mário... Uso correto: Por que não troca seu voto? Em vez de votar em Mário ... É a parte mais importante da gramática, pois estuda as relações que se estabelecem entre as palavras na formação das frases e períodos que expressam o pensamento. São facilmente detectáveis e mantém relação direta com a má pontuação, ambiguidade da ideia expressa, elaboração de falsos paralelismos, erros 3.5.2 Sintaxe AN02FREV001/REV 4.0 66 de comparação, etc. São decorrentes, muitas vezes, da falta de conhecimento do uso correto da ordem que as palavras devem assumir na frase. Veremos, abaixo, alguns exemplos desses erros comuns em redações de documento. a) Erros na colocação do sujeito da frase: Entende-se por sujeito o ser que comete a ação ou de quem se fala durante o enunciado da oração. Ele pode TER complemento, mas não pode SER complemento, pois é a parte agente da oração. Portanto, tome cuidado com as expressões que precedem o sujeito de uma frase, como a seguir: Uso errado: É tempo do Congresso votar a emenda. Uso correto: É tempo de o Congresso votar a emenda. Uso errado: Apesar das relações entre as empresas serem delicadas, ... Uso correto: Apesar de as relações entre as empresas serem delicadas, ... Uso errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. Uso correto: Não vejo mal em o Governo proceder assim. Uso errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, ... Uso correto: Antes de estes requisitos serem cumpridos, ... Uso errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, ... Uso correto: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, ... b) Erros pela fragmentação das frases: Ocorre quando pontuamos uma oração subordinada ou uma locução como se essas fossem frases completas e independentes. Esse é um recurso da Literatura que deve ser evitado nas redações oficiais por dificultar a leitura e interpretação da mensagem do texto. AN02FREV001/REV 4.0 67 Uso errado: O relatório recebeu a aprovação dos chefes da empresa. Depois de ser plenamente avaliado. Uso correto: I - O relatório recebeu a aprovação dos chefes da empresa, depois de ser plenamente avaliado. Uso correto II - Depois de ser plenamente avaliado, o relatório recebeu a aprovação dos chefes da empresa. Uso errado: O projeto daquele funcionário foi submetido ao presidente da empresa, que o aprovou. Consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. Uso correto: O projeto daquele funcionário foi submetido ao presidente da empresa, que o aprovou, consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. c) Erros por uso de paralelismo: Consiste em apresentar ideias similares usando de formas gramaticais idênticas; Uso errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos funcionários economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas; Uso correto: Pelo aviso circular, recomendou-se aos funcionários economizar energia e elaborar planos para redução de despesas; Uso errado: No discurso de posse, o gerente mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição; Uso correto: I - No discurso de posse, o gerente mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição; Uso correto II - No discurso de posse, o gerentemostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição. AN02FREV001/REV 4.0 68 d) Erros de concordância: A concordância é o processo sintático em que certas palavras se acomodam às palavras de que dependem. Uso errado: Se houverem dúvidas favor perguntar. Uso correto: Se houver dúvidas favor perguntar. Uso errado: Já fazem dez dias que esta empresa encontra-se em recesso. Uso correto: Já faz dez dias que esta empresa encontra-se em recesso. Uso errado: Fazem cinco meses que a sindicância apurou as irregularidades. Uso correto: Faz cinco meses que a sindicância apurou as irregularidades. Uso errado: Vão fazer cinco anos que ingressei nesta empresa. Certo: Vai fazer cinco anos que ingressei nesta empresa. Uso errado: Após as férias, podem haver muitas contratações. Uso correto: Após as férias, pode haver muitas contratações. Uso errado: Devem haver soluções urgentes para estes problemas. Uso correto: Deve haver soluções urgentes para estes problemas. Uso errado: Aconteceu, naquela época, reuniões incríveis. Uso correto: Aconteceram, naquela época, reuniões incríveis. Uso errado: Vossas Excelências apoiastes a decisão. Uso correto: Vossas Excelências apoiaram a decisão. Uso errado: Ainda não chegou os documentos comprobatórios. Uso correto: Ainda não chegaram os documentos comprobatórios. AN02FREV001/REV 4.0 69 Uso errado: Podemos passar-lhe bastante informações sobre a fábrica. Uso correto: Podemos passar-lhe bastantes informações sobre a fábrica. Uso errado: Se houver dificuldades, qualquer que sejam, avise-nos. Uso correto: Se houver dificuldades, quaisquer que sejam, avise-nos. Uso errado: Tratavam-se de questões fundamentais para a empresa. Uso correto: Tratava-se de questões fundamentais para a empresa. Uso errado: Discutiu-se na semana passada os acordos... Uso correto: Discutiram-se na semana passada os acordos... a) Que as suas ideias podem refletir o pensamento de muitas pessoas, que concordarão com você; 3.6 ESCREVER NÃO É ANGUSTIANTE A produção de um texto não deve se transformar em um momento de angústia para o escritor. Pelo contrário, deve ser encarada com muita graça e satisfação em perceber que o que se quer falar já está na mente, preparado para ser transmitido. Um passo a passo mais espontâneo e natural fez-se necessário para que o escritor possa ‘subornar’ as intenções e transformá-las em linguagem escrita. Pense: b) Em algo que você disse e que teve aceitação no grupo e que pode ser usado; c) Em rabiscar a sua ideia, burilá-la e ver como ficou; d) Em dar a alguém o seu texto e veja se ele(a) concorda com o teor das ideias; e) Em aceitar as opiniões do leitor e argumentar com ele, verbalmente primeiro, depois por escrito; AN02FREV001/REV 4.0 70 f) Se conseguir convencê-lo(a) numa segunda leitura, você pode considerar sua argumentação perfeita. - 3.7 CUIDADOS COM A REDUNDÂNCIA A redundância, também chamada de tautologia, é o termo usado para definir um dos vícios de linguagem mais comuns na linguagem verbal e, justamente por esse motivo, transferido para o texto escrito. Esse erro tão banal consite em repetir uma ideia, de maneira viciada, com o uso de palavras diferentes de mesmo sentido, é o clássico ‘andar em círculos’ da linguagem. Os exemplos mais usados para explicar esse costume são os clássicos 'subir para cima' e o 'descer para baixo'. Esses, porém, são os mais comuns. Abaixo, uma lista do que se deve evitar em um texto, por serem vícios de tautologia: todos foram unânimes - sintomas indicativos - elo de ligação - outra alternativa - acabamento final - certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais - há anos atrás - conviver - vereador junto da cidade - detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo junto à carta - de sua livre escolha - superávit positivo - demasiadamente excessivo - fato real - surpresa inesperada - encarar de frente - criação nova - multidão de pessoas - amanhecer o dia - retornar de novo - empréstimo temporário - escolha opcional - planear antecipadamente - abertura inaugural - exceder em muito AN02FREV001/REV 4.0 4 - continua a permanecer - a última versão definitiva - possivelmente poderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica - a seu critério pessoal Guarde bem essas expressões e evite a redundância em seus textos. Veja que as expressões grifadas são dispensáveis, em qualquer contexto. Fique alerta quanto ao uso dessas expressões também em seu cotidiano oral. A fala viciada gera a escrita viciada. Policie-se. FIM DO MÓDULO III AN02FREV001/REV 4.0 72 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 73 CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL MÓDULO IV Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 74 MÓDULO IV 4 CONSTRUINDO O TEXTO II Nesse módulo, veremos mais alguns tipos de textos e lembraremos alguns conceitos de linguagem. 4.1 A ATA Esse é um tipo de redação oficial que registra resumidamente ocorrências, deliberações, resoluções e decisões de reuniões ou assembleias dentro de uma empresa. A sua redação deve ser criteriosa e cuidadosa a fim de evitar qualquer tipo de adulteração posterior, ou seja, a sua estrutura não deve permitir correções, nem ajustes depois da escritura. Tal é a preocupação com a veracidade dos registros em Ata que a forma do texto deve seguir, obrigatoriamente, algumas regras: a) Não possuir parágrafos ou alíneas; b) Ocupar todo o espaço da página, do começo ao fim; c) Não apresentar abreviaturas (nomes, cidades, estados, horas, etc.); d) Os números devem ser escritos por extenso (data, hora, quantia qualquer); e) f) Não deve conter rasuras ou emendas de forma alguma; g) Não dever ser usado corretivo; Os verbos usados devem estar no tempo pretérito perfeito do indicativo; AN02FREV001/REV 4.0 75 h) i) Os verbos de elocução devem ser usados para registrar as diferentes opiniões (disse, falou, pediu); Se o relator cometer um erro, deve corrigi-lo de dois modos: 1) usando a palavra 'digo' – que significa a intenção de corrigir o que se fez de errado quando o erro for percebido no momento da escrita; 2) usando a expressão 'Em tempo' – que significa onde se lê "aquilo", leia-se "isto", acrescentando a informação ao texto já redigido. Essa correção só é usada quando o erro for percebido depois de lavrado em Ata. Permite-se a transcrição de Atas em folhas digitadas, desde que as mesmas sejam devidamente arquivadas, impossibilitando a fraude. Em casos muito especiais, como as eleições, utilizam-se formulários próprios para o preenchimento. Abaixo, passo a passo para a montagem de uma Ata: a) CABEÇALHO: inicia-se com um cabeçalho seguido da abertura, da legalidade, relação nominal, aprovação da Ata anterior (se houver), desenvolvimento e fecho. Deve apresentar também a indicação da Ata (título). Ata número doze da sexta reunião ordinária dos membros do Conselho Fiscal da Empresa de Papéis e Bobinas Xerocópias. b) ABERTURA:deve apresentar o dia, a hora e o local da reunião, bem como as identificações das pessoas reunidas, os nomes dos responsáveis pela reunião e a finalidade da mesma. Não é permitido pular linhas no corpo da Ata. Aos dez dias do mês de abril de dois mil e dez, às vinte horas, na sala número cinco do terceiro andar da ala B da Empresa de Papéis e Bobinas Xerocópias, realizou-se a terceira reunião ordinária do Conselho Fiscal, presidido pelo senhor João da Silva e lavrada a Ata por mim, José dos Santos, para tratar da seguinte ordem do dia, conforme relatório número cinco barra dois mil e dez, expedido a todos os membros do Conselho com data de vinte de janeiro do corrente ano - primeiro: relatório das AN02FREV001/REV 4.0 76 atividades do ano anterior; segundo: prestação de contas da diretoria; terceiro: planos de ação para o corrente ano. c) LEGALIDADE: deve-se esclarecer se houve quorum para que a reunião tenha valor legal. O senhor presidente declarou aberta a reunião por haver quorum. d) RELAÇÃO NOMINAL: devem ser relacionadas todas as pessoas que constam na lista de presença e que, de fato, compareceram à reunião. Estiveram presentes os seguintes membros do Conselho: Jacinto de Almeida, Luiz de Souza, Cesar da Silva. e) APROVAÇÃO DA ATA ANTERIOR: para que todos os presentes se lembrem do que foi tratado anteriormente. O senhor presidente solicitou a leitura da Ata da reunião anterior. Após a leitura, como não houve emendas ou ressalvas, foi ela aprovada por unanimidade. f) DESENVOLVIMENTO: assuntos que serão tratados durante a reunião. Dando início à ordem do dia, o senhor presidente relatou (...). g) FECHO: só acontece depois que todos os acontecimentos foram registrados. Nada mais havendo a tratar, o senhor presidente encerrou a reunião, agradecendo a presença de todos. E para constar, eu, José dos Santos, lavrei a presente Ata que, depois de lida e aprovada, será assinada por mim, pelo senhor presidente e por todos os presentes. Há vários tipos de Atas para variadas ocasiões. Veja alguns exemplos: AN02FREV001/REV 4.0 77 4.1.1 Modelo de Ata de Fundação Aos dias______ do mês de______ do ano de ______ às______ horas, os estudantes/componentes/participantes/membros da ______, reunidos em Assembleia Geral, sob a coordenação de______ (nome do membro escolhido para coordenar a Assembleia), dão por abertos os trabalhos da Assembleia Geral dos ______ e colocam em discussão a pauta única: a fundação da entidade representativa dos ______ o Grêmio/ Fórum/ Grupo ______. Aprovou-se o nome do Grêmio______ e ficou decidido que, todo ano, as próximas Diretorias do Grêmio comemorarão este dia como data de fundação. Aprovadas as questões mencionadas acima, passou-se à aprovação do Estatuto do Grêmio ______ que rege a entidade. A seguir, iniciou-se a discussão para a eleição da primeira Diretoria do Grêmio ______, que será eleita na disputa de chapa(s) em urna. Por fim, declarou-se fundado o Grêmio ______, órgão representativo dos ______. Nada mais havendo para tratar no momento, encerrou-se a Assembleia Geral e a presente Ata. Para fins de direito, segue a presente devidamente assinada por mim, ______, e pelos demais membros presentes: ______, ______, ______. Representante da Comissão Pró-Grêmio que coordenou a Assembleia Geral. ____________________________________ Assinatura do Presidente do ________ __________________________________ Assinatura do Secretário Geral ________________________________________________________________ Seguem as assinaturas dos presentes AN02FREV001/REV 4.0 78 4.1.2 Modelo de Ata de Eleição No dia_____ do mês_____ do ano_____ ocorreram as eleições do _____. Concorreram nesta eleição as chapas_____ (nomes das chapas concorrentes) Votaram nessa eleição_____ (número de pessoas que votaram). Houve_____ votos brancos e _____ votos nulos. A chapa_____ recebeu_____ (número de votos), a chapa _____ recebeu _____ (número de votos). Foi eleita a chapa _____ para a gestão _____ (ano), cujos membros são: _____ (colocar o nome de todos os membros da chapa eleita e os cargos que ocuparão). _____Representante da Comissão Eleitoral _____ Representante da Chapa Eleita _____ Representante da Comissão Pró-Grêmio (ou da gestão anterior). ____________________________________ Assinatura do Presidente do ________ _________________________________ Assinatura do Secretário Geral ________________________________________________________________ Seguem as assinaturas dos presentes 4.1.3 Ata nº________ da Assembleia Geral dos ________, da ________ aos________ dias______ do mês ______ do ano de ______, às______ horas, em primeira (ou segunda) convocação, reuniram-se, conforme o Edital nº________, em Assembleia Geral, sob a coordenação de _____________, o qual convocou para fazer parte da mesa coordenadora os seguintes membros: ________ (especificar os nomes e cargos). Composta a mesa, designou________ (nome) para secretariar a Assembleia. Dando início, procedeu à seguinte leitura da ordem do dia ________ (resumo do ocorrido). Nada mais a tratar, o coordenador agradeceu a presença de Modelo de Ata de Assembleia Geral AN02FREV001/REV 4.0 79 todos e deu por encerrada a Assembleia à qual eu, ________, secretariei e registrei a presente que, após lida e aprovada, segue assinada pelos presentes. ________, de___________ de________ 20___. ____________________________________ Assinatura do Presidente do ________ __________________________________ Assinatura do Secretário Geral ________________________________________________________________ Seguem as assinaturas dos presentes 4.1.4 Modelo de Ata de Diretoria Introdução Descrição do título do evento, local, data, hora, participantes. Participantes Nome completo/Cargo. Agenda Agenda/pauta da reunião: temas tratados e respectivos responsáveis. Desenvolvimento Descrição dos principais temas discutidos na reunião. Conclusões Descrição das conclusões e decisões provenientes da reunião. Recomendações Descrição das recomendações provenientes da reunião. Distribuição Pessoas a quem a Ata deve ser enviada. AN02FREV001/REV 4.0 80 4.1.5 O livro da Ata O livro da Ata é específico e deve conter folhas numeradas e um Termo de Abertura, geralmente na folha de rosto do mesmo. Quando não houver uma folha de rosto, o Termo de Abertura deve ser lavrado na primeira folha do livro. Veja um exemplo de Termo de Abertura abaixo: Termo de abertura: Este livro contém cem folhas numeradas e rubricadas por mim, João da Silva, e se destina ao registro de Atas das reuniões ordinárias e extraordinárias da empresa de Papéis e Bobinas Xerocópias. Campo Grande, 01 de abril de 2009. (assinatura) Da mesma forma do Termo de Abertura, quando o livro for usado até a última folha, deverá ser lavrado um Termo de Encerramento, conforme exemplo: Termo de Encerramento: Eu, João da Silva, presidente da empresa de Papéis e Bobinas Xerocópias, declaro encerrado este livro de Atas, que contém 100 folhas utilizadas para os registros das reuniões e atividades desta Empresa. Campo Grande, 09 de abril de 2010. (assinatura) 4.2 A PROCURAÇÃO Trata-se de documento que permite a uma pessoa atribuir, voluntariamente a outra, plenos poderes para representá-la. AN02FREV001/REV 4.0 81 Vejamos um exemplo de procuração: PROCURAÇÃO “AD JUDICIA”. Outorgante: (nome), (nacionalidade), (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº (informar), e no RG nº (informar), residente e domiciliado na (informar o endereço), na cidade de (informar com sigla do estado). Outorgado: (nome), (nacionalidade), (estado civil), (profissão), inscrito na OAB-MT sob o nº (informar), com escritório profissionalna (informar o endereço), na cidade de (informar com sigla do estado). Poderes: Para o foro em geral, com a cláusula ad judicia – “et extra”, em qualquer juízo, instância ou tribunal, podendo para tanto ajuizar as ações competentes, inclusive as de falência, e defendê-lo(s) nas contrárias seguindo umas e outras, até decisão final, usando dos recursos legais e acompanhando-os, conferindo-lhe, ainda, poderes para confessar, desistir, transigir, firmar compromissos ou acordos, receber e dar quitação, agindo em conjunto ou separadamente, podendo ainda substabelecer com ou sem reserva de poderes, assinar termos de caução real ou fidejussória, concordar, discordar, enfim tudo mais praticar para o fiel e cabal desempenho deste mandato que lhes é conferido especialmente para (informar a destinação da procuração). (localidade), (dia) de (mês) de (ano). (nome do outorgante - assinar acima) 4.3 O E-MAIL Com o advento da internet, a praticidade invadiu os meios oficiais de produção de textos e os e-mails estão sendo os recursos mais usados para a transmissão das mensagens da vida moderna. Porém, também para esse tipo de texto que informa com praticidade e velocidade, é preciso obedecer a alguns requisitos básicos de construção textual, pois nele também podemos correr o risco de sermos mal interpretados e não termos a nossa comunicação completada. http://www.tudobox.com/73/modelo_de_procuracao.html?busca=procuração� http://www.tudobox.com/73/modelo_de_procuracao.html?busca=procuração� http://www.tudobox.com/73/modelo_de_procuracao.html?busca=procuração� http://www.tudobox.com/73/modelo_de_procuracao.html?busca=procuração� AN02FREV001/REV 4.0 82 Algumas dicas para a escritura desses textos, que não seguem regras básicas de construção, estão abaixo relacionadas: 4.3.1 Dicas para escrever um e-mail 1) Procure escrever pouco. E-mails curtos são muito mais fáceis de serem lidos. Mas a rapidez com que conseguimos colocar na tela nosso pensamento por vezes nos leva a escrever mais do que o necessário, o que transforma a leitura do texto em uma missão longa e cansativa. Procure pensar se você escreveria tanto se estivesse com uma caneta e um papel na sua frente e lembre-se: do outro lado existe um leitor, você gostaria de receber um e-mail longo e cansativo? Por isso nunca escreva e-mails muito longos, porque essa opção é caminho para que: a) o receptor nunca leia o seu e-mail e b) você nunca receba uma resposta. Prenda-se ao essencial, seja sucinto e objetivo em suas mensagens. 2) Não trate de mais de um assunto. Se você precisa de respostas mais rápidas e precisas, o seu e-mail tem de conter uma mensagem objetiva, tratando de um assunto SOMENTE, para que a comunicação se processe na velocidade permitida pela internet. Se tiver vários assuntos para tratar, anuncie o envio de outro e-mail posteriormente, preparando o receptor para mais uma discussão. Desse modo, vocês vão cumprindo a agenda por grau de importância, sem misturar assuntos. AN02FREV001/REV 4.0 83 3) Procure ser o mais claro e objetivo possível. Evite abreviações e tome muito cuidado com a correção ortográfica e gramatical, pois é muito fácil uma mensagem ser mal interpretada quando apresenta erros dessa natureza. Procure colocar-se no lugar do receptor e pensar como ele. Responda às seguintes perguntas: a) ele tem conhecimento do que eu estou dizendo? b) ele está entendendo o que eu estou dizendo? c) ele conhece os termos que estou usando na minha escrita? Pense bem na melhor forma de dizer o que deve ser dito e arrume os trechos que considerar incompreensíveis antes de enviar a mensagem. Uma forma de resolver dúvidas antecipadas quanto à lembrança do assunto é enviar as respostas no mesmo e-mail recebido, pois isso ajuda a recuperar a memória. 4) Escreva informando exatamente o que você quer informar. Seja objetivo: se for pedir, peça; se for explicar, explique; não deixe dúvidas quanto ao que quer dizer. Evite a expressão ‘resumindo’, pois quem resume no final do texto é porque alongou muito o assunto anteriormente. 5) Não se esqueça do assunto. Geralmente, no e-mail o assunto é desprezado. Não cometa esse erro. Escreva primeiramente o e-mail, evitando os comuns ‘oi’ e ‘tudo bem?’ e vá direto ao assunto. Depois de concluir sua proposta de texto, retorne para a primeira linha, escreva ASSUNTO e diga, em duas ou três palavras, do que se trata a mensagem. 6) A quem destinar. Espere encerrar o e-mail para depois preencher o(s) destinatário(s). Por quê? De acordo com a mensagem e o corpo do texto, você pode desistir ou trocar de receptor; deixando o destinatário para preencher no final você se previne do AN02FREV001/REV 4.0 84 embaraço de enviar uma mensagem pela metade ou falar coisas que não deveria para quem não precisava ler. Esse é um cuidado muito importante, principalmente se você vai escrever sobre alguma reclamação ou assunto mais inconveniente. 4.3.2 Modelo de E-mail Formal (localidade), (dia) de (mês) de (ano). Para (destinatário / empresa) Atenção a (pessoa ou departamento) Assunto (tema da comunicação) Prezados Senhores, Somos uma empresa de representações em vendas e temos em nosso quadro funcional apenas vendedores altamente capacitados e profissionalizados. Anexamos nosso portfólio para análise e manifestamos nossa intenção de representar sua empresa em municípios da região. Caso haja interesse por parte de sua empresa, nos colocamos à disposição para novos contatos. Atenciosamente, Sua Empresa Seu Nome - Seu Cargo Veja agora alguns exemplos do que se deve e do que não se deve escrever em um e-mail: http://www.tudobox.com/460/modelo_de_email_formal.html� http://www.tudobox.com/460/modelo_de_email_formal.html� http://www.tudobox.com/460/modelo_de_email_formal.html� AN02FREV001/REV 4.0 85 E-mail Mal Escrito: Assunto: Ei! Lembra daquilo que falamos outro dia? Eu preciso saber mais coisas pra fazer aquilo, o que você acha do novo lugar? Responda ok? Você viu como esse tipo de produção textual é terrível para quem a recebe? O assunto não está identificado, o emissor conta com que o receptor já saiba do que se fala, refere-se mal usando pronomes indeterminados e ainda termina com uma pergunta mal feita. FONTE: Disponível em: <www.filosofandoehistoriando.blogspot.com>. Acesso em: 30 abr. 2010. A produção da mensagem verbal é muito natural e pode conter erros e vícios. É preciso tomar muito cuidado com a informalidade do e-mail quando vamos passar nossas ideias para esse tipo de texto, pois pode parecer que ele é informal pela velocidade e naturalidade com que ocorre. Porém, esse tipo de texto também pode ser usado em situações mais formais; portanto, vigie o uso de expressões da fala na hora de escrever o seu e-mail, elas empobrecem o texto. http://filosofandoehistoriando.blogspot.com/2009_10_01_archive.html� AN02FREV001/REV 4.0 86 Vejamos uma forma de melhorar essa mensagem, tornando-a clara, precisa e informativa. E-mail Bem Escrito: Assunto • O nome e o endereço do novo local? : Re: Novo local para o seminário. A respeito do que falamos ontem sobre a mudança do lugar para o seminário de 30 de agosto, você poderia dizer-me, por favor: • Você acha que o espaço é adequado para 500 pessoas? Aguardo sua resposta. André. Veja como dessa forma fica muito melhor, pois o assunto é relembrado inicialmente e a mensagem pergunta exatamente o que precisa, de forma clara e direta. 4.4 PARA PERDER O MEDO DE ESCREVER Na maioria das vezes em que se começa uma discussão sobre a produção de textos, abre-se um parêntese para a questão da leitura, e o velho clichê aparece: “quem lê muito, escreve bem”. Parece uma verdade, mas não é.Sempre pensei que quem lê bem escreve mais, que a leitura é importante para a escrita, mas não acredito que seja ‘essencial’. Essencial para a escrita é escrever, escrever sempre, escrever muito, escrever de tudo um pouco, toda hora, todo dia, cada vez mais. A leitura abre um mundo de oportunidades e conhecimentos, mas o que fazer com as oportunidades e os conhecimentos se não os colocarmos no papel? Ler muito fará de você um bom leitor, ótimo, mas não lhe garantirá a posição de bom AN02FREV001/REV 4.0 87 escritor. Acredito mais em que é melhor ser bem compreendido evitando ser ridículo do que ser muito rebuscado e cair no esquecimento. Erros durante a produção de textos são bons indicadores, são termômetros de que nos faltam capacidades conquistáveis, defeitos possíveis de ser suprimidos. Não é certo que vivemos mais erros que acertos e, ainda assim, continuamos vivendo? A língua existe para o falante e não o falante para a língua – a língua é mutável, e se transforma de vários modos também. Por isso, devemos perder o medo dos ‘apontadores de erros’ que encontramos em nosso caminho, pois eles são degraus de uma escada linguística que estaremos subindo sempre, enquanto vivermos. As situações oficiais em que a revisão é obrigatória e realizada por outras pessoas devem ser aproveitadas como momentos em que aprendemos sem nos esforçarmos muito, aprendemos com o nosso erro apontado pelo outro. Nas situações em que precisamos ser emissor, escritor, revisor e crítico de nosso próprio texto nos preocuparemos mais, sem nos condoermos das nossas falhas, mas aproveitando o momento para a autoavaliação de nossas deficiências. Porém, havemos de ficar atentos para a concisão e clareza. Não escrever muito dizendo pouco, esse é o desafio. Vamos procurar deixar de lado a ideia de que não sabemos escrever e vamos contradizer essa ideia no papel, por escrito. Faça este exercício: redija um texto argumentando o porquê você sabe escrever. Tudo tem de começar de alguma forma, e esse é um bom começo. 1) Há várias outras atividades que você pode realizar para começar a escrever: Escreva um bilhete e cole-o na geladeira, marcando o início da sua fase de ‘escritor’. Esse recurso é um bom começo e lembrará você de escrever todo dia alguma coisa, no estilo do ditado latino que diz ‘Nulum die sine uma linea’ (Nenhum dia sem uma linha). 2) Comece a escrever um diário; não precisa comprar um caderno escrito ‘Diário’ na capa, mas redija diariamente algumas linhas em um bloco, caderno ou em uma página do word (grave-as em sequência). Assim, você se aproveitará das atividades cotidianas para estar sempre exercitando a escrita. AN02FREV001/REV 4.0 88 3) Crie um blog, modifique seu perfil uma vez por semana, pois isso fará com que você pense para escrever sobre si; 4) 4.5 O ESTILO NA PRODUÇÃO DE UM TEXTO Você já percebeu que algumas produções escritas têm certo carisma, algo agradável, que torna a leitura prazerosa e especial? Sem dúvida, há alguns escritores que têm um modo diferente de falar no papel, motivo da atração de muitos seguidores aos seus textos, isso é estilo. Não é preciso ser um sensitivo para se deixar atingir por determinadas palavras nesses tipos de textos, pois elas nos atraem pela sua intensidade e expressividade, tão artisticamente arrumadas no texto por seus autores. A expressividade com que são organizadas as palavras que veiculam uma ideia ou pensamento é capaz de captar imediatamente as respostas do leitor para a ironia, o humor, o drama ou mesmo a gíria presentes no texto. Mas é também pela simplicidade que alguns escritores convencem e arrastam seguidores. A fala, diferentemente da escrita, conta com variadas formas de expressão: os gestos, as expressões faciais, a entonação da voz, que dá colorido e traduz intenções por vezes até implícitas na mensagem. Leia e arquive textos bacanas que você tenha visto em outros ambientes (jornais, revistas, blogs, orkut, e-mail), isso fará com que você se inspire nas vozes dos outros, treinando também sua capacidade crítica de discordar e contradizer outras opiniões sobre os mais variados assuntos. Mas, e na escrita? Como se dá esse processo de empatia e formação da expressão que capacita ao entendimento e interpretação mais correta de uma ideia ou de um pensamento? A palavra escrita também depende de alguns elementos de expressividade para existir perfeitamente. Não estamos falando aqui de elementos de ‘recheio’ de texto, excessos que comprometem e cansam o leitor, vestindo o texto AN02FREV001/REV 4.0 89 de um ranço arcaico e inútil (expressões como entrementes, alhures, consoante, outrossim, etc.). Algumas palavras são verdadeiros buracos negros na redação, portanto, tome cuidado com elas: artigos possessivos e demonstrativos e o excesso das palavras terminadas em -ão e -mente. O que, pelo grande número de funções que desempenha, atravanca e insere erros à frase quando não usado como deve. Também é preciso dobrar a vigilância sobre a repetição de palavras. A frase ideal da comunicação é curta, incisiva, sem rodeios. É dessa forma que se descobre o estilo na hora da produção. Para acompanhar os avanços e a dinamicidade das produções e da comunicação modernas, o texto escrito há de ser simples, objetivo e conter um mínimo de ornamentação. O mundo moderno é muito veloz e essa velocidade do presente não admite mais as preocupações falsamente artísticas na redação, principalmente na redação empresarial. Navegue em suas ideias e deixe-as fluir, você consegue! 4.5.1 Para Descobrir e Treinar o Seu Estilo a) Procure escrever rascunhos claros e limpos de seus textos e observe quantas vezes você troca uma palavra por outra: se elas forem similares, é sinal que você está procurando adequar seu texto às situações de leitura; se elas tiverem sentidos diferentes, cuide-se, você está mudando constantemente de ideia. b) Escreva de um só lado da folha e deixe uma linha entre as linhas do texto, para o caso de ter de ‘rechear’ a ideia anterior com alguma observação que tenha passado despercebida. c) Date e numere as folhas de seus textos, a fim de perceber como estava há dois meses e como está escrevendo agora. AN02FREV001/REV 4.0 90 d) Identifique o seu texto: um título é um excelente lembrete do motivo que o levou a escrever aquele texto com aquelas características. Se quiser, também pode criar um subtítulo mais específico, com o intuito de identificar melhor o texto. e) Nunca permita que o último parágrafo tenha somente uma linha, isso deixa o texto pobre, como se não tivesse mais nada para dizer. f) Pense muito sobre o que vai escrever e liste seus pensamentos, ordenando-os por ordem hierárquica de importância. g) Use dicionários de Ideias Afins ou de Sinônimos, pois ajudam a aprender novos termos e a trocar palavras repetidas da produção. Na redação de um texto oficial você não deve se deixar levar pelo sentimentalismo ou pela subjetividade. Esse é um processo em que se deve ter muita concisão e clareza, onde não há espaço para a ambiguidade nem para pensamentos ou palavras dúbias. Mas para descobrir o seu estilo e aprender a escrever, de qualquer forma e em qualquer estilo, é necessário que você treine muito e constantemente. É necessário que você exercite o seu pensamento no papel e o leve a outras pessoas, leitores críticos que devem ser escutados e acatados. Você pode começar se exercitando com textos menos formais, como poesias, cartas, bilhetes; depois passe à redação de notícias, eventos, relate algumas histórias e momentos vividos; mais tarde, tente reescrever algum comunicado recebido, enderece-o a alguém, mude o assunto. Antes de se dar conta, você já estará escrevendo de tudo um pouco, e exercitando seu pensamento no papel de forma menos angustiantee cansativa. Lembre-se: ‘o hábito faz o monge’, é pela ação constante de alguma atividade que adquirimos o costume de exercê-la até que ela nos pareça corriqueira e natural. AN02FREV001/REV 4.0 91 4.6 PALAVRAS POÉTICAS Ao escrever, uma parte de você é dada ao leitor, desnudada e espontaneamente e, definitivamente, nunca mais será só sua. Como nosso pensamento não admite arreios, as ideias que cavalgarão em nossos textos tendem a ultrapassar limites, como verdadeiras exploradoras dos meios e canais que a vontade de dizer não consegue controlar. E é essa a faceta de um escritor que mais atrai e intriga o leitor: o despudor da transmissão do pensamento para o papel. Autor e leitor, nesse enleio, transformam-se em duas pontas de uma linha tênue e arrebatadora de sentidos, emoções e relações que, iniciadas, nunca mais se desfarão, porque ligadas pela construção do mesmo texto, pela vivência da mesma emoção e experiência. Assim como você pensou a ideia, o leitor vai absorvê-la, degustá-la, provar do sabor que você, emissor, passará em sua mensagem. Aproveite quando a caneta começar a correr por meio das palavras que surgirem velozes, brilhando como pontos de luz no seu pensamento, e coloque-as no colo, aninhe as palavras, pois o texto é um fio de faca de corte, fino e perigoso, que pode cortar ao meio as ideias e deixá-las tostas, sem meio, sem fim. Rascunhe seu texto, monte as peças do grande quebra-cabeça que é o seu pensamento e vá descobrindo aonde ele vai; deixe as ideias correrem pelo pátio das lembranças, deixe-as rolar pelo chão da sua mente, sujar a roupa nas poças da saudade e pararem, entre risonhas e admiradas, diante da alegria das vozes de outras pessoas que ficaram na memória. Vivendo a sinestesia desse momento, você perceberá que as palavras são seres muito interessantes que se doam aos outros com despudor e sem preconceito. Começam pequenas e conhecidas e de repente ficam indomáveis e rebeldes, adquirindo o costume de não observarem a realidade com os mesmos olhos de seu criador e, aos poucos, aprendendo a voar para longe, nas asas da imaginação. Você verá que não conseguirá mais segurá-las quando se soltarem, pois se tornarão aladas e imprevisíveis, excitadas com as descobertas e incapazes de se dominarem. AN02FREV001/REV 4.0 92 Mas apesar de tudo, palavras serão sempre lindas formas de mostrarmos ao mundo nosso interior, às vezes de forma muito rude, às vezes de forma tímida, mas sempre procurando descerrar o que somos e o que temos para dar. Por isso é necessário treinar as palavras. Treiná-las para esse grand finale que é o espetáculo da produção de um texto, individual e único momento de ser somente. É isso. Para ser um bom escritor, escreva! Esse é o segredo! FIM DO MÓDULO IV AN02FREV001/REV 4.0 93 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, Israel Belo. O prazer da produção científica: descubra como é fácil e agradável elaborar trabalhos acadêmicos. 12. ed. revisada e atualizada. São Paulo: Hagnos, 2001. BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 1999. BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006. CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: UNESP, 1998. GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna. 23. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2000. GUIMARÃES, Hélio de Seixas; LESSA, Ana Cecília. Tópicos de linguagem – Figuras de linguagem. São Paulo: Atual, ano. KOCH, I.V. A inter-Ação pela linguagem. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2000. LEMOS, Wagner. Vícios de linguagem. Disponível em: <www.wagnerlemos.com.br>. Acesso em: 16 set. 2008. LOBO, Flávio - Revista EDUCAÇÃO, n. 26 - julho de 1999. LUFT, Celso Pedro. Dicionário Gramatical da Língua Portuguesa. Porto Alegre: Globo, 1967. PÉCORA, A. Problemas de redação. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992. POLITO, Reinaldo. Assim é que se fala. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. AN02FREV001/REV 4.0 94 Pontuação. Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br>. Acesso em: 19 abr. 2010. RESOLVEST. Disponível em: <http://www.educacional.com.br/vestibular/>. Acesso em: 16 set. 2008. SACCONI, Luiz Antônio. Não Erre Mais! São Paulo: Nacional, 1976. SUASSUNA, Lívia. Produção de textos escritos: Tendências e desafios do ensino. Revista Pedagógica, v. 4, n. 24, p. 31-35, nov./dez. 1998. FIM DO CURSO MÓDULO III 3 CONSTRUINDO O TEXTO I 1.1 PADRÕES DE LINGUAGEM Você alguma vez já disse algo que, logo após ser verbalizado, cristalizou no ar, deixando em você aquela sensação de ‘eu não devia ter dito isso’? O que será que deu errado na hora de formular seu pensamento? De onde podem ter surgido as palavras que ... Veja a seguinte situação: - Ubatuba, uba.” Quem já passou por isso sabe que a sensação é a mesma de um estouro de bomba em ambiente fechado fica por alguns minutos ressoando alto em nossas cabeças, como um eco, dizendo, falando, gritando coisas que não queremos ouvir. Pensar para falar é uma m... Mas palavras são palavras, voam e não voltam jamais. Verba volant, scripta manent (as palavras voam, os escritos permanecem) diz um ditado latino muito sábio que há muito tempo tenta explicar ao homem que as palavras no papel têm mais peso que as joga... Escrever bem é tão importante para a comunicação quanto pensar para a oralidade, pois o que colocamos no papel já percorreu um longo caminho: intenção – pensamento – organização mental das ideias – enunciação (oral ou escrita). E esse caminho possui d... 1.2 A FORÇA DA PALAVRA 0Ta) A v0T4Tariação histórica 0Tb) A v0T4Tariação geográfica 4TAlgumas comunidades de maior porte definem padrões de linguagem em relação às regiões de menor porte, produzindo formas de pronúncia, estrutura sintática e vocabulário diferenciados, constituindo verdadeiras comunidades linguísticas que convivem ent... 4TEssas diferenças nem sempre respeitam as fronteiras geográficas, observando-se que, mesmo tendo falantes de outras regiões, algumas comunidades linguísticas permanecem com seu sotaque característico. 0TFONTE: Disponível em: <www.humortadela.com.br>. Acesso em: 30 abr. 2010. 0Tc) A v0T4Tariação social 0Td) A v0T4Tariação estilística Constituem erros que empobrecem o texto: Abstração: o uso de substantivos abstratos dá ao texto uma falsa ilusão de aprofundamento das ideias. Tecnicismos: uso de linguagem muito técnica e especializada, que afasta o leitor comum, dando um tom seco e improdutivo ao texto. Prolixidade: frases ou períodos muito longos, carregados de informações intermináveis que deixam a ideia central perdida no texto. Exagero: uso de mais de uma expressão para significar a ideia, dando ao texto uma composição redundante. Uso de lugar comum: são expressões usadas no cotidiano que ganharam status de comum e que transferem para o texto as vozes de outros falantes, a fim de embasar ideias. Respostas: Alternativa b 2 ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO ESCRITA FONTE: Baseado no livro "Não Erre Mais!", de Luiz Antônio Sacconi Os sinais de pontuação são determinantes para a leitura correta de um texto, pois especificam e conduzem as pausas, responsáveis pela boa interpretação das ideias constantes na mensagem. As partes do texto que têm ligação de sentido não podem ser separadas por qualquer sinal de pontuação. Não se separam: a) O sujeito de seu predicado: Exemplos: - João e Luiz, são dois funcionários novos da empresa. - Aqueles funcionários, estavam sempre com um lápis na orelha. b) O verbo e seu complemento Exemplos: - De fato, eu queria, o que todos estavam querendo também. - Eu perguntei, a ele o que o chefe queria comigo. c) O substantivo do adjetivo que o qualifica: Exemplos: - Luiz era um funcionário, excelente. - Aquela empresa, produtiva,estava dando muitas alegrias aos donos. d) Os adjuntos adnominais quando ligados ao nome: Exemplo: - Os funcionários envolveram-se nas ações, administrativas. 2.2.2 A Vírgula O uso da vírgula no corpo do texto mostra ao receptor as separações breves de sentido entre termos vizinhos, tanto das frases, quanto dos períodos. A vírgula serve, durante a leitura, como indicação de uma breve pausa. Utiliza-se a vírgula em: Separação de frases e orações: Separação de adjuntos adverbiais: Enumeração de termos no corpo do texto: Separação de vocativos, apostos e certos predicativos: Separação de orações alternativas: Separação de orações explicativas: Separação de palavras continuativas, conclusivas, explicativas, corretivas: Inversão de adjuntos adverbiais: Separação de datas, depois de nomes de cidade: Separação de certas conjunções pospostas: porém, contudo, pois, entretanto, portanto, etc. Depois do uso do SIM ou NÃO no início de uma frase: 2.2.3 O Ponto-e-vírgula O ponto-e-vírgula pressupõe uma pausa maior que a vírgula, porém não ao ponto de encerrar a frase ou o período. O ponto-e-vírgula é geralmente empregado para: Separar orações coordenadas de certa extensão: Separar a palavra considerando no corpo do texto de uma lei, de um decreto, de uma sentença ou de uma petição: Considerando que...; considerando ....; considerando....; c) Separar as partes principais de uma frase cujas ideias já apresentam clareza: João, José e Jair são funcionários exemplares; Marcos, Maria e Lucio nem tanto. 2.2.4 O Ponto-final O ponto-final, de todos os sinais de pontuação, é o que exige maior pausa na interpretação oral da leitura de um texto. Por isso, seu uso restringe-se: Ao fechamento de um período ou frase: Calamos todos quando o presidente entrou. A empresa é qualificada e capaz. Às abreviaturas: Sr., Sra., a.C., d.C. 2.2.5 Os Dois-pontos 5:00 de quarta-feira 23:15 todos sábados Senhores: Senhor: Sr. Diretor: Duas coisas lhe davam superioridade: o saber e o prestígio. Bem diz o ditado: Vento ou ventura, pouco dura. A verdadeira causa do fracasso é este: não planejar. f) Para indicar um esclarecimento, um resultado ou resumo do que se disse: Nosso horário de expediente é o mesmo: das 7h às 11h todo dia. 2.2.6 O Ponto de Interrogação Esse sinal não é tão comum em redações oficiais, mas o seu uso inclui os seguintes contextos: - Pergunta direta: Vamos sair mais cedo hoje? Onde estava você que não compareceu à reunião? Obs.: Nas perguntas indiretas, não é usado o ponto de interrogação. Exemplo: - Alguém questionou se iríamos sair mais cedo hoje. - Perguntou-lhe onde estava que não compareceu à reunião. 2.2.7 O Ponto de Exclamação Acompanhando o sinal de interrogação, também esse sinal de pontuação não é muito utilizado em redações oficiais, mas o seu uso pode ser útil após qualquer palavra, frase ou oração de caráter exclamativo, para indicar espanto, surpresa, admiração, entu... a) Após vocativos: Venha cá! João! Nossa! b) Após interjeições e ao final de frases exclamativas: Que bacana! Isso é formidável! c) Após interjeições de espanto, dor etc. Ai!; Ui!; Hum! 2.2.8 As Reticências - "E a Vida passa... efêmera e vazia." (Olegário Mariano) 2.2.9 Os Parênteses 2.2.10 O Travessão 2.2.11 As Aspas 2.2.12 Os Colchetes - "Eles se recusam [o João e o José] a assinar o documento." 3 CONSTRUINDO O TEXTO I 4 CONSTRUINDO O TEXTO II