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ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Professor Me. José Manoel da Costa GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; COSTA, José Manoel da. Análise das Demonstrações Contábeis. José Manoel da Costa. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2021. 216 p. “Graduação - EaD”. 1. Análise. 2. Demonstrações Contábeis. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0878-4 CDD - 22 ed. 657 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional Débora Leite Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de Conteúdo Juliana Moraes da Silva Designer Educacional Kaio Vinicius Cardoso Gomes Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Kleber Ribeiro da Silva Qualidade Textual Silvia Caroline Gonçalves Cintia Prezoto Ferreira Ilustração Marta Sayuri Kakitani Marcelo Yukio Goto Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Pró-Reitor de Ensino de EAD Diretoria de Graduação e Pós-graduação Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R Professor Me. José Manoel da Costa Mestrado em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias (UNOPAR, 2014/2016). Especialização em Contabilidade Geral e Auditoria (UEL, 1994/1995). Graduação em Ciências Contábeis (UEL, 1987/1993). Atua como coordenador dos Cursos Superior de Tecnologia em Gestão Financeira e em Marketing na UNICNEC CEAD a partir de abr-2018. Ex-coordenador dos cursos Bacharelado em Ciências Contábeis e Superior de Tecnologia em Gestão Financeira do Núcleo de Educação a Distância da UNICESUMAR - Maringá de dez-2014 a mar-2018.Ex-coordenador (graduação) do Curso Bacharelado em Ciências Contábeis, ex-coordenador (pós-graduação) dos cursos Especialização em Contabilidade, Perícia e Auditoria e MBA em Finanças Empresariais (UNOPAR, 2007-2014). Professor e autor de mais de 20 livros didáticos de diversas disciplinas nas áreas contábil e administrativa, tais como: Contabilidade Básica, Contabilidade Geral, Contabilidade Introdutória, Contabilidade Empresarial e Trabalhista, Contabilidade Industrial, Análise das Demonstrações Contábeis, Administração Financeira e Orçamentária, Ética e Legislação Profissional, etc. Atua na área contábil administrativa desde 1983 em empresas de diversos ramos de atividades econômicas: cooperativa agropecuária, indústria cervejeira e moveleira, usina de açúcar e álcool, concessionária de veículos, comércio, agropecuária etc. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Contabilidade e Finanças, atuando principalmente nos seguintes temas: indústria, ensino, tecnologia, comércio e prestação de serviços. Palestrante de Finanças Pessoais. http://lattes.cnpq.br/8720424420446751 SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) aluno(a), este será o nosso material de estudo. Ele não é exclusivo aos alunos de contabilidade, mas é importante que você já tenha estudado os conceitos fundamen- tais de contabilidade, o processo contábil e as demonstrações financeiras ou contábeis. Além dos profissionais da contabilidade, todos os demais envolvidos na gestão, princi- palmente a gestão financeira, precisam saber interpretar e analisar as demonstrações para que a tomada de decisões seja feita de forma assertiva, contribuindo na gestão empresarial. Para rever os conteúdos já estudados sobre as demonstrações e facilitar o desenvolvi- mento deste estudo, vamos trazer, na Unidade I, os conceitos e fundamentos das de- monstrações obrigatórias e a estrutura para análise dos aspectos práticos das demons- trações Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados, visto que a continuidade dos estudos tratará destas demonstrações como base para cálculos e contextualização prática. No Balanço Patrimonial, vamos encontrar informações para realizar, além das análisesvertical e horizontal, os estudos sobre a situação financeira e patrimonial da em- presa, e as informações das Demonstrações de Resultados serão utilizadas para analisar a situação econômica. Assim, todo o estudo sobre a saúde financeira, estrutura patrimo- nial e resultado econômico poderão ser estudados com demonstração prática dos cál- culos e interpretação dos índices tomando como base as demonstrações da Unidade I. Na Unidade II, vamos comentar sobre as principais técnicas de análise utilizadas, tendo em vista que há diversos indicadores de análise e técnicas. Entretanto, mais relevante é a utilidade da informação aos usuários internos e externos, já que cada um deles tem uma necessidade específica ao analisar as demonstrações: enquanto o acionista se preocupa mais com o retorno, as instituições financeiras, por sua vez, volta-se à condição da em- presa em pagar seus compromissos. Nesta unidade, vamos conceituar análise vertical e horizontal e utilizar as demonstrações da Unidade I para calcular tais análises, realizan- do, também, uma análise conjunta, misturando a vertical e horizontal. Um ponto importante na análise empresarial é a análise da própria gestão, isto é, aná- lise da empresa feita pelos seus gestores. O objetivo principal da análise da gestão dos recursos é verificar se o planejado está sendo realizado, pois tal prática serve para medir a eficiência e eficácia da gestão empresarial. Na Unidade III, faremos a análise da gestão dos recursos, calculando o giro dos recursos e os prazos médios de realização. O objetivo principal é calcularmos o ciclo operacional e financeiro, pois, dessa forma, podemos saber se o planejamento estratégico está sen- do operacionalizado como planejado. Ao chegarmos na Unidade IV, vamos ao ponto focal na análise empresarial: a análise pelos índices econômico-financeiros, mas sem desconsiderar os estudos das outras uni- dades, uma vez que cada uma tem a sua finalidade neste estudo. É nesta unidade que vamos radiografar detalhadamente a empresa para verificarmos se existe o equilíbrio ideal dos recursos em três aspectos primordiais: a situação financeira, APRESENTAÇÃO ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS a situação patrimonial e a situação econômica. Se houver deficiência em um destes pilares, o equilíbrio ideal da empresa estará comprometido. É possível encontrar- mos, por exemplo, empresas com a situação financeira favorável, mas com a patri- monial e econômica deficitárias. Desse modo, os índices servirão para mostrar os pontos a serem melhorados, a fim de que o equilíbrio se restabeleça; caso contrário, a continuidade dos negócios, em pouco tempo, ficará comprometida. Isso também pode acontecer em quaisquer outras situações deficitárias, como a situação econô- mica favorável e a financeira e patrimonial deficitárias. Vamos estudar, na Unidade V, além dos índices-padrão, a consolidação dos índices já calculados e analisados. É como se colocássemos à mesa diversos exames labo- ratoriais de um mesmo paciente para verificarmos a correlação entre eles e, então, identificarmos as necessidades de medicação ou intervenção cirúrgica para viabili- zar a ele uma saúde plena. Para isso, uma ferramenta muito importante é a fórmula Dupont de análise empresarial; ela não traz um índice novo, mas uma nova forma de analisar a empresa com os índices já calculados. Em sua utilização original, ana- lisamos o ROA por enfoques diferentes, e na utilização ajustada é feita a análise do ROE para que todos os aspectos relacionados aos recursos econômicos, financeiros e patrimoniais sejam minuciosamente verificados. Nesta unidade, estudaremos, também, o termômetro de Kanitz, o qual é fruto de um estudo feito há mais de quatro décadas, mas que nos dá uma boa base para analisarmos estatisticamente a empresa por meio da análise discriminante, na qual é feita a ponderação de uma cesta de índices para encontrarmos um índice novo, um índice geral da empresa. Para finalizarmos a Unidade V, estudaremos a análise financeira dinâmica, que nos dará informações importantes sobre a empresa por meio do Capital Circulante Lí- quido, Investimento Operacional em Giro e Saldo de Tesouraria. Assim, você terá conteúdos que o levará ao aprendizado completo sobre a análise das demonstra- ções financeiras ou contábeis, iniciando com a estrutura das principais demonstra- ções, passando pela análise vertical e horizontal, análise das situações financeira, patrimonial e econômica e finalizando com os cálculos de índices-padrão e análise financeira dinâmica. Vamos aos estudos? Sucesso sempre! APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES 15 Introdução 16 Balanço Patrimonial 25 Demonstrações de Resultados 30 Outras Demonstrações 40 Adequações para Análise 44 Considerações Finais 51 Referências 52 Gabarito UNIDADE II VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL 55 Introdução 56 O Que é a Análise das Demonstrações? 60 Análise Vertical 67 Análise Horizontal 77 Visão Conjunta: Av-Ah 82 Considerações Finais 87 Referências 88 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO 91 Introdução 92 Giro dos Recursos 98 Prazos Médios 107 Ciclo Completo de Atividades 117 Considerações Finais 123 Referências 124 Gabarito UNIDADE IV ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL 127 Introdução 128 Situação Financeira 137 Situação Patrimonial 149 Situação Econômica 164 Considerações Finais 170 Referências 171 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL 175 Introdução 176 Índices-Padrão 185 Relatório da Análise 191 Fórmula Dupont 196 Análise Financeira Dinâmica 207 Considerações Finais 213 Referências 214 Gabarito 215 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professor Me. José Manoel da Costa DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a estrutura do BP para entender os grupos de contas. ■ Entender o resultado da empresa por meio do conhecimento da estrutura da DRP e da DRA. ■ Considerar as demais demonstrações contábeis na análise empresarial. ■ Conhecer as principais necessidades de adequações das demonstrações para fins de análise. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Balanço Patrimonial ■ Demonstrações de Resultados ■ Outras Demonstrações ■ Adequações para Análise INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), vamos começar os estudos sobre a análise das demonstrações financeiras ou contábeis por meio desta unidade, a qual é dedicada a rever alguns conceitos e dar um enfoque prático sobre as principais demonstrações que ser- vem de base para a análise. Na contabilidade, utilizamos os fatos contábeis como matéria-prima, os quais são processados de acordo as normas contábeis para chegarmos ao produto final da contabilidade: as demonstrações ou relatórios contábeis, que visam evidenciar a situação financeira, patrimonial e econômica de uma organização empresarial. No meio empresarial, o produto final de uma indústria, muitas vezes, é a matéria-prima de outra. Na contabilidade, as demonstrações - produto final do processo contábil - são matérias-primas (dados) para a análise empresarial. As demonstrações financeiras ou contábeis são utilizadas por diversos usuários, cada um com o seu objetivo, devendo proporcionar informações relevantes e fide- dignas sobre a situação patrimonial - ativos, passivos e patrimônio líquido - e sobre a situação econômica - receitas, custos, despesas e o resultado do período. Todos os gestores precisam entender as demonstrações financeiras ou contá- beis para utilizá-las da forma correta nas tomadas de decisões. A contabilidade, as demonstrações e a análise das demonstrações não são temas restritos aos estu- dantes e profissionais da contabilidade, mas são indicados a todos os gestores,principalmente os da área financeira, que devem compreender as demonstrações para fazerem a interpretação e análise correta da situação financeira, patrimo- nial e econômica. Abordaremos, nesta primeira unidade, aspectos conceituais e práticos sobre as principais demonstrações utilizadas para análise. Iremos aprender, também, a ajustar valores nas demonstrações, preparando-as para a análise de acordo com a necessidade de cada usuário. Os valores das demonstrações que utiliza- remos têm como base uma empresa real, no entanto, fizemos alguns ajustes para melhorar o aspecto didático. Vamos em frente? Bom estudo! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 BALANÇO PATRIMONIAL O Balanço Patrimonial é uma demonstração financeira obrigatória, segundo a Lei 6.404/76 (BRASIL, 1976), com alterações posteriores, que corresponde a um dos relatórios mais importantes no processo decisório, podendo ser comparado, de forma figurativa, à “fotografia” de uma empresa em uma determinada data. O Balanço Patrimonial reflete a posição da estrutura patrimonial em deter- minada data. É um relatório que informa a situação dos elementos patrimoniais do ativo, passivo e patrimônio líquido. Podemos defini-lo como a representação estática do patrimônio de uma entidade. O fato de o Balanço Patrimonial evidenciar o valor do patrimônio em uma determinada data implica que, no momento seguinte, um fato relevante sub- sequente poderá alterar este balanço, positiva ou negativamente, por isso a necessidade de elaborar demonstrações mensalmente. Ao avaliar se um item se enquadra na definição de ativo, passivo ou patrimô- nio líquido, deve-se atentar para a sua essência subjacente e realidade econômica e não apenas para sua forma legal. Assim, por exemplo, no caso do arrendamento mercantil financeiro, a essência subjacente e a realidade econômica são a de que o arrendatário adquire os benefícios econômicos do uso do ativo arrendado pela Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 maior parte da sua vida útil, em contraprestação de aceitar a obrigação de pagar por esse direito um valor próximo do valor justo do ativo e o respectivo encargo financeiro. Dessa forma, o arrendamento mercantil financeiro dá origem a itens que satisfazem a definição de ativo e de passivo e, portanto, devem ser reconhe- cidos como tais no balanço patrimonial do arrendatário. ATIVO De forma simples, podemos afirmar que os bens e direitos compõem os ativos de uma empresa, sendo assim, dinheiro em caixa, saldo em bancos, mercadorias em estoques, contas a receber, veículos, móveis, imóveis, máquinas e outros bens e direitos formam os ativos, mas, conceitualmente, na NBC TG - ESTRUTURA CONCEITUAL, aprovada pela Resolução CFC nº 1.374/11, vemos que “ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade” (CFC, 2011). Uma característica do ativo é o fato de ser resultado de eventos passados. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Normalmente, uma entidade obtém ativos por meio de sua compra ou produ- ção, mas um bem móvel ou imóvel recebido em doação, seja de pessoas físicas ou jurídicas ou de ente governamental também é exemplo de eventos passados. A principal característica que se pode visualizar em um ativo é o benefício futuro que pode advir desse bem ou direito. Quando dizemos que para ser con- siderado um ativo devemos ter expectativa de futuros benefícios econômicos, estamos nos referindo ao potencial que um determinado elemento patrimonial tem em contribuir, direta ou indiretamente, na geração de caixa para a entidade, esse potencial pode ser produtivo ou na capacidade de reduzir saídas de caixa ou reduzir os custos de produção. O lado esquerdo do balanço patrimonial mostra a aplicação dos recursos à disposição da gestão, no qual é possível ver o que foi feito com o dinheiro ou onde os recursos da empresa estão. Quadro 1 - Balanço Patrimonial - Lado esquerdo ATIVO x3 x2 x1 Ativo Circulante 2.963.415 3.319.459 3.365.369 Caixa e Equivalentes 202.452 590.400 391.763 Títulos e Valores Mobiliários 566.954 497.623 450.979 Clientes 419.616 430.549 616.585 Estoques 1.336.954 1.343.741 1.465.553 Partes relacionadas 51.078 88.140 93.895 Tributos a Recuperar 291.719 333.475 295.205 Outros ativos Circulantes 94.642 35.531 51.389 Ativo Não Circulante 2.208.610 2.238.114 1.892.003 Realizável a Longo Prazo 745.925 755.647 516.168 Investimentos 439.669 440.930 364.397 Imobilizado 558.193 577.811 565.358 Intangível 464.823 463.726 446.080 TOTAL DO ATIVO 5.172.025 5.557.573 5.257.372 Fonte: o autor. Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Circulante Representa todos os bens e direitos considerados como ativo da empresa e que possam ser transformados em dinheiro no chamado curto prazo, ou seja, até doze meses após a data do balanço. Esse grupo também é conhecido como “Capital de Giro” da entidade e, como o próprio nome expressa, contribuirá para o giro, a realização das atividades necessárias da entidade. O Ativo Circulante pode ser classificado em quatro subgrupos: ■ Disponibilidades: ■ Recursos (dinheiro) em caixa. ■ Recursos em contas correntes bancárias. ■ Recursos em aplicações de resgate imediato. ■ Outros equivalentes. ■ Créditos: ■ Valores a receber de clientes. ■ Valores pagos antecipadamente a fornecedores. ■ Valores adiantados aos empregados. ■ Valores de impostos a compensar. ■ Outros equivalentes. ■ Estoques: ■ Produtos produzidos pela empresa. ■ Produtos em produção. ■ Materiais a utilizar na produção ou consumo. ■ Mercadorias para revenda. Pensando que o ativo é formado por bens e direitos, como você classificaria os recursos em contas correntes bancárias? São bens ou direitos? Por quê? DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 ■ Outros: ■ Pagamentos antecipados diversos. ■ Juros a apropriar em períodos seguintes. Mais à frente, vamos classificar os valores do Ativo Circulante em Financeiro e Operacional. Não Circulante Representa todos os Bens e Direitos considerados como Ativo da empresa e que possam ser transformados em dinheiro no chamado longo prazo, ou seja, após doze meses da data do balanço, os valores que constam como Ativo Não Circulante, subgrupo Realizável a Longo Prazo no Balanço Patrimonial levan- tado em 31/12/2017, tem a expectativa de realização, conversão em dinheiro, a partir de 01/01/2019. Além dos valores recebíveis a longo prazo, no Ativo Não Circulante são classificados os recursos não recebíveis, os recursos aplicados para manutenção da atividade da entidade, os investimentos permanentes em outras empresas, os bens que serão utilizados na produção ou na manutenção das ati- vidades empresariais e os ativos intangíveis. Assim sendo, a classificação do Ativo Não Circulante é feita da seguinte forma: ■ Realizável a Longo Prazo. ■ Investimentos. ■ Imobilizado. ■ Intangível. Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Tanto o Passivo quanto o PatrimônioLíquido representam origens de recursos para a atividade empresarial: enquanto o patrimônio líquido representa os recursos de propriedade dos sócios ou acionistas investidos na empresa, o passivo representa os recursos de terceiros que são por ela utilizados. Os valores dos bens que estarão no subgrupo Imobilizado estão líquidos, o custo de aquisição menos a depreciação acumulada até a data de elabora- ção das demonstrações. O controle e a depreciação dos bens deverão ser feitos por cada item do ativo Imobilizado com custo significativo, não sendo recomendável agrupar itens que necessitem de controle específico. Para calcular a depreciação, é necessário ter duas informações: valor depre- ciável e vida útil do bem. O primeiro é obtido a partir do valor do bem, de- duzindo se seu valor residual e a vida útil podem ser estimadas em função da recomendação técnica do fabricante, histórico de bem similar ou pela determinação da receita federal. Para fins de cálculo, a depreciação se inicia quando o bem estiver disponível para uso em condições plenas de funcio- namento e se encerra quando o bem for baixado ou transferido para o Ativo Circulante como mantido para venda. Fonte: o autor. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos (CFC, 2011). Portanto, o passivo é composto por dívidas que devem ser pagas aos credores, independentemente do resultado do negócio. De outra forma, o Patrimônio Líquido – que também representa origem de recursos, mas não pode ser considerado uma dívida (ou passivo), pois depende do resultado do negócio e da saída de recursos para sua liquidação – aconte- cerá somente em caso de dissolução da sociedade. “Patrimônio Líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus pas- sivos” (CFC, 2011). Quadro 2 - Balanço Patrimonial - Lado direito PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO x3 x2 x1 Passivo Circulante 2.924.425 2.859.611 2.820.630 Empréstimos e Financiamentos 980.727 568.220 591.051 Fornecedores 1.522.038 1.885.251 1.784.902 Obrigações Sociais e Trabalhistas 181.837 150.419 164.739 Obrigações Fiscais 31.642 29.497 44.008 Partes Relacionadas 94.109 110.186 143.082 Outras Contas a Pagar 114.072 116.038 92.848 Passivo Não Circulante 1.551.292 2.035.750 1.682.275 Fornecedores 519.234 550.910 315.866 Empréstimos e Financiamentos 773.305 1.254.830 1.120.184 Outras Obrigações 258.753 230.010 246.225 Patromônio Líquido 696.308 662.212 754.467 Capital Social 606.505 606.505 606.505 Reservas de Capital 17.914 14.567 10.103 Reservas de Lucro 76.400 52.342 159.316 Outros Resultados Abrangentes 1.386 -1.628 -1.262 (-) Ações em Tesouraria -5.897 -9.574 -20.195 TOTAL DO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 5.172.025 5.557.573 5.257.372 Fonte: o autor. Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Passivo Circulante No Passivo Circulante são classificadas as dívidas a pagar a curto prazo, isso quer dizer: vencíveis ou exigíveis no período de até 12 meses da data de elabo- ração das demonstrações. Exemplificando: os valores que constarem no Passivo Circulante no Balanço Patrimonial elaborado em 31/12/2017 são dívidas com vencimento até 31/12/2018. O Passivo Circulante pode ser classificado em quatro subgrupos: ■ Obrigações por Financiamento: ■ Recursos obtidos junto às instituições financeiras. ■ Obrigações por Funcionamento: ■ Valor das compras de materiais e mercadorias para pagamento a prazo. ■ Consumo de água, luz e outros a serem pagos no período seguinte. ■ Aluguel de espaço utilizado no período que será pago no mês seguinte. ■ Outros equivalentes. ■ Obrigações Trabalhistas e Sociais: ■ Salários a pagar. ■ Encargos (INSS e FGTS) a pagar. ■ Outras obrigações trabalhistas e sociais. ■ Obrigações Fiscais: ■ Impostos a recolher. ■ Imposto de renda a pagar. ■ Contribuições a pagar. ■ Outras obrigações fiscais. ■ Provisões: ■ Provisão para o 13º salário. ■ Provisão para as férias. Mais à frente, vamos classificar os valores do Passivo Circulante em Financeiro e Operacional. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 Passivo não Circulante Neste grupo de contas são registradas as dívidas com vencimento após o perí- odo de 12 meses, posteriormente à elaboração das demonstrações. Portanto, os valores que constarem como Passivo Não Circulante no Balanço Patrimonial de 31/12/2017 são dívidas com vencimento a partir de 01/01/2019. Os subgrupos que formam o Passivo Não Circulante são os mesmos que compõem o Passivo Circulante; a diferença está no vencimento da dívida. Se a empresa comprar mercadorias a prazo, com vencimento até 365 dias após a elaboração das demonstrações, deverá constar como Fornecedores no Passivo Circulante. No entanto, se a mesma mercadoria for comprada com um prazo de 367 dias ou mais, deverá constar como Fornecedores no Passivo Não Circulante. O valor mais representativo do Passivo Não Circulante, normalmente, refe- re-se a Empréstimos e Financiamentos, pois não é comum compras com mais de 12 meses para pagar. A cada período, uma parte da dívida a longo prazo deve ser reclassificada para o Passivo Circulante, por passar a ser de curto prazo. Por isso, os pagamen- tos são feitos no circulante, salvo se houver uma liquidação antecipada. Patrimônio Líquido O Patrimônio Líquido representa os recursos próprios da empresa, ou seja, aqueles valores remanescentes de suas atividades que pertencem aos seus sócios. Exatamente pelo pertenci- mento desses valores aos proprietários das entidades, tal patrimônio também é conhecido como Capital Próprio ou Obrigações não Exigíveis. É como se uma empresa (pessoa jurídica) tivesse uma dívida com os seus sócios (pessoas físicas), mas, uma vez que essa empresa pertence a seus sócios, não podemos considerar dívidas, pois estes não poderão Demonstrações de Resultados Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 exigir os recursos de volta, haja vista que tal prática representaria a dissolução da sociedade (não existe sociedade sem sócios, nem empresa sem dono). As contas pertencentes ao Patrimônio Líquido estão distribuídas nos seguin- tes grupos: ■ Capital social. ■ Reservas de capital. ■ Reservas de lucros. ■ Ações em tesouraria. ■ Prejuízos acumulados. DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS O resultado de uma empresa deve ser demonstrado de acordo com as nor- mas brasileiras de contabilidade. O resultado da atividade empresarial deve ser demonstrado na Demonstração do Resultado do Período, mas, em algumas empresas, existem Outros Resultados Abrangentes; neste caso, é necessário publi- car, também, a Demonstração do Resultado Abrangente. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 A maioria das pequenas e médias empresas não têm outros resultados abran- gentes; neste caso, o resultado apurado na Demonstração do Resultado do Período será igual ao resultado apurado na Demonstração do Resultado Abrangente. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO A Demonstração do Resultado do Período, como o próprio nome já evidencia, tem a função primordial de apresentar a situação econômica de uma institui- ção, seja Lucro ou Prejuízo. Trata-se de um relatório contábil apurado de forma vertical, por meio do qual são deduzidas,das vendas brutas da empresa, todas as estimativas pertinentes (custos e despesas) para apurar o resultado líquido. Quadro 3 - Demonstração do Resultado do Período APURAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO x3 x2 x1 RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 9.204.103 8.872.845 9.692.286 (-) Custos das Vendas -6.379.561 -6.369.372 -7.066.328 (=) LUCRO BRUTO 2.824.542 2.503.473 2.625.958 (-) DESPESAS / RECEITAS OPERACIONAIS -2.457.883 -2.194.264 -2.165.359 Despesas com Vendas -1.523.575 -1.711.504 -1.737.443 Despesas Gerais e Administrativas -945.896 -431.100 -417.997 Depreciação e Amortização -72.372 -155.795 -136.443 Resultado de Equivalência Patrimonial 61.708 88.948 102.010 Outras Despesas/Receitas Operacionais 22.252 15.187 24.514 (=) RESULT. OPERAC. ANTES RES. FINANCEIRO 366.659 309.209 460.599 (+) Receitas Financeiras 111.495 145.359 124.982 (-) Despesas Financeiras -349.024 -435.264 -296.548 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES IRPJ/CSLL 129.130 19.304 289.033 (-) Imposto de Renda sobre Lucro -13.451 -7.331 -52.730 (-) Contribuição Social sobre Lucro Líquido -8.070 -4.214 -24.766 (=) RESULT. LÍQ. DAS OPER. CONTINUADAS 107.609 7.759 211.537 (=/-) Result. Líq. das Operações Descontinuadas (=/-) Resultado Líq. Mensuração ao Valor Justo (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 107.609 7.759 211.537 Fonte: o autor. Demonstrações de Resultados Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 A gestão empresarial utiliza o resultado, seja bruto, operacional ou líquido, como forma de avaliar o desempenho dos gestores. O resultado líquido tam- bém servirá de base para o cálculo do retorno dos ativos totais e o retorno do investimento dos sócios. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE A NBC TG 26 (R4) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, que define sobre as características das demonstrações contábeis – deixa claro sobre as ter- minologias corretas para demonstrar a situação econômica de uma entidade. Vamos ver algumas delas (CFC, 2016a): Resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e outros eventos que não derivados de transações com os sócios na sua qualidade de proprietários. Resultado abrangente compreende todos os componentes da “demonstração do resultado” e da “demonstração dos outros resultados abrangentes”. Resultado do período é o total das receitas deduzido das des- pesas, exceto os itens reconhecidos como outros resultados abrangentes no patrimônio líquido. Outros resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reco- nhecidos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelas normas, interpretações e comunicados técni- cos emitidos pelo CFC. Os componentes dos outros resultados abrangentes incluem: a. variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (ver a NBC TG 27 – Ativo Imobilizado e a NBC TG 04 – Ativo Intangível); b. ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido reconhecidos conforme item 93A da NBC TG 33 – Benefícios a Empregados; DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 c. ganhos e perdas derivados de conversão de demons- trações contábeis de operações no exterior (ver a NBC TG 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis); d. ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda (ver a NBC TG 38 – Instrumen- tos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração); e. efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumen- tos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também a NBC TG 38). Deste modo, podemos dizer que: [...] a demonstração do resultado e outros resultados abrangentes (de- monstração do resultado abrangente) devem apresentar, além das se- ções da demonstração do resultado e de outros resultados abrangentes: a. o total do resultado (do período); b. total de outros resultados abrangentes; c. resultado abrangente do período, sendo o total do resultado e de outros resultados abrangentes (CFC, 2016a). Como no item anterior, já temos a Demonstração do Resultado que deduziu os custos e despesas das receitas para apurar o resultado (lucro) líquido do período (R$107.609,00 em x3). Vamos agora, na Demonstração do Resultado Abrangente, partir desse lucro já apurado e adicionar detalhadamente os Outros Resultados Abrangentes (R$1.386,00 em x3), para chegarmos ao Resultado Abrangente do Período (R$108.995 em x3). Demonstrações de Resultados Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 Quadro 4 - Demonstração do Resultado Abrangente APURAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE x3 x2 x1 RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 107.609 7.759 211.537 OUTROS RESULTADOS ABRANGENTES 1.386 -1.628 -1.262 Variações na reserva de reavaliação Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão Ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de opera- ções no exterior Ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda 1.386 -1.628 -1.262 Ativos Financeiros disponíveis para a venda provinientes de investimento de período anterior. -2.959 -2.103 -2.740 Efeitos Fiscais Ativos Financeiros disponíveis para a venda provenientes de investimento de período anterior. 1.331 841 1.096 Ativos Financeiros disponíveis para a venda provenientes de investimento do período. 5.480 -856 637 Efeitos Fiscais Ativos Financeiros disponíveis para a venda provenientes de investimento do período. -2.466 490 -255 Parcela efetiva de ganhos ou perdas advindos de instrumentos de hedge em operação de hedge de fluxo de caixa. (=) RESULT. ABRANGENTE DO PERÍODO 108.995 6.131 210.275 Fonte: o autor. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 OUTRAS DEMONSTRAÇÕES Todas as demonstrações são igualmente importantes para comunicar a situa- ção geral da empresa aos usuários das informações. Neste material de estudo, no entanto, a ênfase dada é maior ao Balanço Patrimonial e as Demonstrações de Resultado, pois são elas que embasam a análise econômica-financeira – objeto deste estudo – isto não quer dizer que o analista deva desprezar as outras demonstrações, muito ao contrário, para fazer um boa análise, o analista deve considerar todas as demonstrações, inclusive as Notas Explicativas e outras infor- mações subjetivas adicionais. Vamos, aqui, rever os conceitos de algumas outras demonstrações, sem, no entanto, explorar o aspecto prático das mesmas. Então temos: DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO - DMPL É a demonstração que vai comunicar aos usuários o que ocorreu com as con- tas que compõem o Patrimônio Líquido, para que o saldo do início do período Outras Demonstrações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 mudasse para o saldo do final do período. Em outras palavras, quais foram as mudanças (mutações) que ocorreram durante o período que motivaram a alte- ração do saldo das contas. Como já vimos, as principais contas (ou subgrupos de contas) do Patrimônio Líquido são: ■ Capital social; ■ Reservas de capital; ■ Reservas de lucros; ■ Ações em tesouraria; ■ Prejuízos acumulados; Então, são as mutações dos saldos dessas contas que a DMPL deve mostrar. Somente para exemplificar, no Balanço Patrimonial que estamos utilizando, temos os seguintes saldos das contas do Patrimônio Líquido: Quadro 5 - Patrimônio Líquido Subgrupos x3 x2 x1 Capital Social 606.505 606.505 606.505 Reservas de Capital 17.914 14.567 10.103Reservas de Lucro 76.400 52.342 159.316 Outros Resultados Abrangentes 1.386 -1.628 -1.262 (-) Ações em Tesouraria -5.897 -9.574 -20.195 TOTAL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 696.308 662.212 754.467 Fonte: o autor. A DMPL, de acordo com o item 106 da NBC TG26(R4), deve conter as seguin- tes informações (CFC, 2016a): a. o resultado abrangente do período, apresentando separada- mente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; b. para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva, reconhecidos de acordo com a NBC TG 23;[...] DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 d. para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se sepa- radamente as mutações decorrentes: i. do resultado líquido; ii. de cada item dos outros resultados abrangentes; iii. de transações com os proprietários realizadas na condição de pro- prietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. Segue um exemplo de DMPL: Quadro 6 - Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Eventos/Contas Capital Social integralizado Reservas de Capital Reservas de Lucro Preju. Acum. Outros Resultados Abrangentes Ações em Tesouraria Total do Patrimônio Líquido Saldos em 01/01/x2 606.505 10.103 159.316 0 -1.262 -20.195 754.467 Aumento de Capital 0 Ações em Tesouraria Adquiridas 33.272 33.272 Ações em Tesouraria Vendidas -22.651 -22.651 Dividendo 0 Outros Resul- tados Abran- gentes -366 -366 Lucro Líquido do Período 107.609 107.609 Utilização das Reservas -214.583 -214.583 Constituição de Reservas 4.464 4.464 Outras Demonstrações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 Saldos em 31/12/x2 606.505 14.567 52.342 0 -1.628 -9.574 662.212 Aumento de Capital 0 Ações em Tesouraria Adquiridas 18.690 18.690 Ações em Tesouraria Vendidas -15.013 -15.013 Dividendo 0 Outros Resul- tados Abran- gentes 3.014 3.014 Lucro Líquido do Período 7.759 7.759 Constituição de Reservas 3.347 16.229 19.646 Saldos em 31/12/x3 606.505 17.914 76.400 0 1.386 -5.897 696.308 Fonte: o autor. Considerando o nosso PL, na coluna do Capital Social Integralizado, temos o valor de 606.505 na linha “Saldos em 01/01/x2”, “Saldos em 31/12/x2” e na linha “Saldos em 31/12/x3”, pois não houve mutação nesta conta, mas na coluna da Reserva de Capital, na linha “Saldos em 01/01/x2”, temos 10.103, que alterou para 14.567 no final de x2 e para 17.914 no final de x3, essas mutações devem a aumentos ou reduções das reservas durante os períodos. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA - DFC A Demonstração do Fluxo de Caixa tem o objetivo de evidenciar as saídas e entra- das de recursos no caixa da empresa e mostrar o resultado desse fluxo. A DFC deve ser elaborada classificando as atividades em três grandes áreas: DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 I. Atividades Operacionais São as movimentações dos fluxos de caixa oriundas do resultado líquido apu- rado com base nas receitas, custos e despesas decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. II. Atividades de Investimento São as saídas de recursos dos gastos referentes a aumento no Ativo Não Circulante, seja nos recebíveis a longo prazo ou nos investimentos, imobilizado ou Intangível. Também mostra as entradas oriundas das vendas dos ativos não circulantes. III. Atividades de Financiamento São as entradas dos recursos oriundos de aumento nas contas de Empréstimos e Financiamentos a Curto e Longo Prazo, as outras contas do Passivo Não Circulante e todas as entradas oriundas de aumento do Patrimônio Líquido. Também mos- tra as saídas que correspondem à amortização das dívidas pagas a terceiros e os dividendos e distribuição de lucros aos sócios ou acionistas. O item 111 da NBC TG26(R4) diz que: [...] a informação sobre fluxos de caixa proporciona aos usuários das demonstrações contábeis uma base para avaliar a capacidade da enti- dade para gerar caixa e seus equivalentes e as necessidades da entidade para utilizar esses fluxos de caixa (CFC, 2016a). A NBC TG 03 (R3) – Demonstração dos Fluxos de Caixa – define detalhada- mente as características de cada grupo de atividades (CFC, 2016b). Nesta norma contábil, também vemos que podemos utilizar o método direto ou indireto para elaboração da DFC: Método Direto: segundo o qual as principais classes de recebimentos bru- tos e pagamentos brutos são divulgadas. Método Indireto: segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de transações que não envolvem caixa, pelos efeitos de quaisquer diferimentos ou apropriações por competência sobre recebimentos de caixa ou Outras Demonstrações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 pagamentos em caixa operacionais, passados ou futuros, e pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investi- mento ou de financiamento. Como não temos embasamento para elaboração da DFC, se considerarmos o que estudamos até agora, ficariam muitos itens sem preenchimento. Por isso, retratamos, a seguir, os modelos da DFC método direto e DFC método indireto: Quadro 7 - Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo método direto Atividades Operacionais Recebimento de clientes Pagamentos a fornecedores e empregados Caixa gerado pelas operações Juros Pagos Imposto de renda e contribuição social pagos Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos Atividades de Investimento Compra de ativo imobilizado Recebimento de venda de ativo imobilizado Juros recebidos Dividendos recebido Atividades de Financiamento Recebimento pela emissão de ações Recebimento por empréstimo a longo prazo Pagamento de passivo por arrendamento Dividendos pagos Aumento líquido das disponibilidades Caixa e equivalentes de caixa no início do período Caixa e equivalentes de caixa no fim do período Fonte: o autor. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 Quadro 8 - Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo método indireto Atividades Operacionais Lucro Líquido antes do IR e CSLL Itens de ajustes do Lucro líquido: Depreciação Perda Cambial Resultado de equivalência patrimonial Despesas de Juros Aumento nas contas a receber Diminuição nos estoques Diminuição nas contas a pagar Caixa gerado pelas operações Juros Pagos Imposto de renda e contribuição social pagos Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos Atividades de Investimento Compra de ativo imobilizado Recebimento de venda de ativo imobilizado Juros recebidos Dividendos recebidos Atividades de Financiamento Recebimento pela emissão de ações Recebimento por empréstimo a longo prazo Pagamento de passivo por arrendamento Dividendos pagos Aumento líquido das disponibilidades Caixa e equivalentes de caixa no início do período Caixa e equivalentes de caixa no fim do período Fonte: o autor. Outras Demonstrações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO - DVA O Valor Adicionado representa a riqueza criadapela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de ter- ceiros. A DVA, além de demonstrar o Valor Adicionado, também demonstra a forma de distribuição do Valor Adicionado. Ela está baseada na macroeconomia, apresenta a contribuição que a enti- dade dá para a formação do Produto Interno Bruto (PIB), toma como base as receitas da entidade, deduzindo delas os insumos adquiridos de terceiros que são vendidos ou consumidos; a diferença é o Valor Adicionado pela entidade. O item 9 da NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado –, aprovada pela Resolução CFC nº 1.138/08 (CFC, 2008), com alterações aprovadas pela Resolução CFC nº 1.162/09 (CFC, 2009), define alguns termos utilizados na DVA: Valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Inclui também o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à entidade. Receita de venda de mercadorias, produtos e serviços repre- senta os valores reconhecidos na contabilidade a esse título pelo regime de competência e incluídos na demonstração do resultado do período. Outras receitas representam os valores que sejam oriundos, principalmente, de baixas por alienação de ativos não-cir- culantes, tais como resultados na venda de imobilizado, de investimentos, e outras transações incluídas na demonstração do resultado do exercício que não configuram reconhecimento de transferência à entidade de riqueza criada por outras enti- dades.[...] Insumo adquirido de terceiros representa os valores relati- vos às aquisições de matérias-primas, mercadorias, materiais, energia, serviços etc., que tenham sido transformados em des- pesas do período. Enquanto permanecerem nos estoques, não compõem a formação da riqueza criada e distribuída. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 Depreciação, amortização e exaustão representam os valores reconhecidos no período e normalmente são utilizados para conciliação entre o fluxo de caixa das atividades operacionais e o resultado líquido do exercício. Valor adicionado recebido em transferência representa a riqueza que não tenha sido criada pela própria entidade, e sim por terceiros, e que a ela é transferida, como por exemplo receitas financeiras, de equivalência patrimonial, dividendos, aluguel, royalties etc. Precisa ficar destacado, inclusive para evitar dupla-contagem em certas agregações (CFC, 2008). Na primeira parte, a DVA apresenta de forma detalhada a riqueza criada pela entidade. Na segunda parte apresenta, também de forma detalhada, a distribui- ção da riqueza criada. Como não temos todas as informações para elaboração da DVA, vamos mostrar, a seguir, o seu modelo: Quadro 9 - Demonstração do Valor Adicionado (1) RECEITAS Vendas de Mercadorias, Produtos e Serviços Provisão para créditos duvidosos Outras Receitas e Outras Despesas Não Operacionais (2) INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS Custos dos Produtos das Mercadorias e Serviços Vendidos Materiais, energia, serviços de terceiros e outros Perda/Recuperação de Ativos Outros (3) VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) (4) RETENÇÕES Depreciação, amortização e exaustão (5) VALOR ADIC. LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) Outras Demonstrações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 (6) VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA Resultado de equivalência patrimonial Receitas financeiras Outros (7) VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) (8) DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO Pessoal e encargos Remuneração Direta Benefícios FGTS Impostos, Taxas e Contribuições Federais Estaduais Municipais Remuneração de Capital de Terceiros Juros Aluguéis Outros Remuneração de Capital Próprio Juros sobre capital próprio Dividendos Lucros retidos/Prejuízo do período Fonte: o autor. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E40 ADEQUAÇÕES PARA ANÁLISE As demonstrações contábeis publicadas precisam ser ajustadas para que a análise seja feita. Isto porque as demonstrações são padronizadas por lei para atender ao interesse do usuário externo, seguindo normas contábeis. No entanto, para fins de análise, é necessário deixar as demonstrações com informações adequa- das para que os índices sejam confiáveis. As informações são reagrupadas para melhorar a eficiência das demonstra- ções e a eficácia da análise. A inexistência da reclassificação pode fazer com que a análise fique distorcida em alguns índices importantes para a compreensão da situação geral da empresa. A adequação para análise também é chamada de padronização e tem como objetivo simplificar o trabalho do analista. Quando o analista quer fazer a análise dinâmica do capital, um ajuste obri- gatório é a classificação do ativo e passivo circulante em financeiro e operacional. Neste material de estudo, este ajuste foi feito, pois na Unidade V faremos essa análise. Os outros ajustes mais recomendados se referem a valores que, de acordo com a percepção do analista, precisam ser retirados das demonstrações. Considerando Adequações para Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 que o analista observe que nas contas a receber de clientes tem um valor ven- cido, com pequenas possibilidades de recebimento, ele pode decidir pela exclusão deste valor dos ativos, pois o que não vai trazer benefícios futuros para a enti- dade não pode constar nos ativos. Outro ponto de atenção dos analistas está na Demonstração do Resultado. Caso as despesas e receitas financeiras estejam fazendo parte do resultado ope- racional, é necessário ajustar para considerar como não operacional, já que uma empresa tem despesas financeiras por necessidade de capital e tem recei- tas financeiras por sobras de capital; nem uma coisa e nem outra são inerentes às atividades operacionais da empresa. Para fazer ajustes diminuindo ativos, por considerar valores perdidos, é neces- sário ajustar, também, o Patrimônio Líquido. Para exemplificar, suponhamos, como único ajuste, que R$15.000,00 a receber de clientes sejam considerados per- didos. Então, do valor de R$ 419.616,00, diminuímos R$15.000,00, ficando como saldo da conta Clientes o valor de R$ 404.616,00. Ao considerarmos a perda de ativos, temos que diminuir o valor do Patrimônio Líquido, pois os recursos dos sócios serão menores. Para isso, criamos a conta Ajustes para fins de análise; assim, o total do PL passará de R$ 696.308,00 para R$ 681.308,00 com a redu- ção do valor de R$15.000,00. A nova situação do Balanço Patrimonial é o que consta na coluna “Ajustado”. Seguem as demonstrações Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado do Período, somente com o ano X3, no formato específico para adequações. Quadro 10 - Balanço Patrimonial - Lado esquerdo - Ajustes ATIVO X3 PUBLICADO AJUSTES AJUSTADO Ativo Circulante 2.963.415 -15.000 2.948.415 Caixa e Equivalentes 202.452 202.452 Títulos e Valores Mobiliários 566.954 566.954 Partes relacionadas 51.078 51.078 Clientes 419.616 -15.000 404.616 Estoques 1.336.954 1.336.954 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E42 Tributos a Recuperar 291.719 291.719 Outros Ativos Circulantes 94.642 94.642 Ativo Não Circulante 2.208.610 0 2.208.610 Realizável a Longo Prazo 745.925 745.925 Investimentos 439.669 436.669 Imobilizado 558.193 558.193 Intangível 464.823 464.823 TOTAL DO ATIVO 5.172.025 -15.0005.157.025 Fonte: o autor. Quadro 11 - Balanço Patrimonial - Lado direito - Ajustes PASSIVO E PATR. LÍQUIDO X3 PUBLICADO AJUSTES AJUSTADO Passivo Circulante 2.924.425 0 2.924.425 Empréstimos e Financiamentos 980.727 980.727 Partes relacionadas 94.109 94.109 Fornecedores 1.522.038 1.522.038 Obrigações Sociais e Trabalhistas 181.837 181.837 Obrigações Fiscais 31.642 31.642 Outras Contas a Pagar 114.072 114.072 Passivo Não Circulante 1.551.292 0 1.551.292 Fornecedores 519.234 519.234 Empréstimos e Financiamentos 773.305 773.305 Outras Obrigações 258.753 258.753 Patrimônio Líquido 696.308 -15.000 681.308 Capital Social 606.505 606.505 Reservas de Capital 17.914 17.914 Reservas de Lucro 76.400 76.400 Outros Resultados Abrangentes 1.386 1.386 (-) Ações em Tesouraria -5.897 -5.897 Ajustes para fins de análise 0 -15.000 -15.000 TOTAL DO PASSIVO + PATR. LÍQUIDO 5.172.025 -15.000 5.157.025 Fonte: o autor. Adequações para Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 43 Na Demonstração do Resultado do Período, já temos o Resultado Operacional antes das despesas e receitas financeiras. Por isso, não faremos nenhum ajuste para fins de análise. Quadro 12 - Demonstração do Resultado do Período APURAÇÃO DO RESULTADO X3 PUBLICADO AJUSTES AJUSTADO RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 9.204.103 9.204.103 (-) Custos das Vendas -6.379.561 -6.379.561 (=) LUCRO BRUTO 2.824.542 0 2.824.542 (-) DESPESAS/RECEITAS OPERAC. -2.457.883 0 -2.457.883 Despesas com Vendas -1.523.575 -1.523.575 Despesas Gerais e Administrativas -945.896 -945.896 Depreciação e Amortização -72.372 -72.372 Resultado de Equivalência Patrimonial 61.708 61.708 Outras Despesas/Receitas Operacionais 22.252 22.252 (=) RESULT. OPERAC. ANTES RES. FINANC. 366.659 0 366.659 (+) Receitas Financeiras 111.495 111.495 (-) Despesas Financeiras -349.024 -349.024 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES IRPJ/CSLL 129.130 0 129.130 (-) Imposto de Renda sobre Lucro -13.451 -13.451 (-) Contribuição Social sobre Lucro Líquido -8.070 -8.070 (=) RESULT. LÍQUIDO DAS OPER. CONTINUA. 107.609 0 107.609 (=/-) Result. Líq. das Operações Descontin. 0 (=/-) Result. Líq. Mensuração ao Valor Justo 0 (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 107.609 0 107.609 Fonte: o autor. Fizemos e demonstramos como fazer um ajuste de redução de valor de uma conta do ativo e seu reflexo no Patrimônio Líquido. Nas próximas unidades, ao utilizarmos as técnicas de análise, vamos considerar as demonstrações sem ade- quações, com o intuito de que todos os estudantes cheguem ao mesmo resultado e possam acompanhar e entender os índices, pois se aprofundássemos nas ade- quações, provavelmente cada um teria um resultado diferente. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E44 CONSIDERAÇÕES FINAIS Iniciamos os estudos sobre a análise das demonstrações financeiras ou contá- beis, revimos, nesta unidade, diversos conceitos das demonstrações financeiras e como adequá-las para fins de análise. Para que você possa compreender melhor as demonstrações, além dos conceitos, utilizamos demonstrações para que na prática o aprendizado se complete. Na contabilidade, utilizamos os fatos contá- beis como matéria-prima. Estes fatos são processados de acordo com as normas contábeis para chegarmos ao produto final da contabilidade: as demonstrações ou relatórios contábeis, que visam evidenciar a situação financeira, patrimonial e econômica de uma organização empresarial. Com o estudo cuidadoso dos conteúdos desta unidade, você percebeu a importância das demonstrações: elas devem proporcionar informações rele- vantes e fidedignas sobre a situação patrimonial - ativos, passivos e patrimônio líquido - e sobre a situação econômica - receitas, custos, despesas e o resultado do período -, tendo em vista que a utilização das demonstrações são feitas por diversos usuários, cada um com o seu objetivo. Seja você um futuro profissional contábil ou não, deve entender que todos os gestores precisam conhecer as demonstrações financeiras, pois somente assim poderão tomar decisões assertivas na gestão empresarial. Por isso, afirmamos mais uma vez, sem medo de errar, que a contabilidade, as demonstrações e a análise das demonstrações não são temas restritos aos estudantes e profissio- nais da contabilidade, mas destina-se a todos os gestores, principalmente os da área financeira, os quais devem compreender as demonstrações para fazerem a interpretação e análise correta da situação financeira, patrimonial e econômica. A partir da próxima unidade deste livro, vamos iniciar na prática a análise das demonstrações com base nas informações financeiras, patrimoniais e eco- nômicas que aqui estudamos. Vamos em frente. 45 1. O Balanço Patrimonial é uma demonstração financeira obrigatória, segundo a Lei 6.404/76 – Lei das Sociedades por Ações (BRASIL, 1976) – com alterações pos- teriores que correspondem a um dos relatórios mais importantes no processo decisório, podendo ser comparado, de forma figurativa, à “fotografia” de uma empresa em uma determinada data. Escolha a alternativa que descreve ade- quadamente os grupos de contas do passivo. a) Circulante, Não Circulante e Patrimônio Líquido. b) Circulante, Realizável a Longo Prazo e Patrimônio Líquido. c) Circulante, Não Circulante e Capital Social. d) Circulante e Não Circulante. e) Circulante e Realizável a Longo Prazo. 2. O passivo representa origens de recursos de terceiros para a atividade empresa- rial; portanto, são as dívidas que a empresa tem com pessoas que estão fora da sociedade, mas que também contribuem com a atividade. Um grupo importante de recursos são os obtidos junto às instituições financeiras. Sobre esses recursos, analise as afirmações a seguir: I- Estes recursos estão no Balanço Patrimonial com o nome de fornecedores. II- São chamados no Balanço Patrimonial de empréstimos e financiamentos. III- Podem aparecer no Passivo Circulante e no Passivo Não Circulante. IV- Estão no grupo Realizável a Longo Prazo no lado esquerdo do Balanço Pa- trimonial. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta. 3. O Balanço Patrimonial reflete a posição da estrutura patrimonial em determi- nada data. É um relatório que informa a situação dos elementos patrimoniais do ativo, passivo e patrimônio líquido. Podemos defini-lo como a representação estática do patrimônio de uma entidade. Sobre o conceito de Passivo, analise as afirmações a seguir e assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): 46 ( ) É um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos pas- sados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade. ( ) É o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todas as dívidas, são os recursos dos sócios investidos no negócio, é a soma do investi- mento inicial com os resultados da atividade. ( ) É uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Assinale a alternativa correta: a) V, V, V. b) V, V, F. c) F, F, V. d) V, F, V. e) F, F, F. 4. A NBC TG 26 (R4) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, que define so- bre as características das demonstrações contábeis – deixa claro sobre as ter- minologias corretas para demonstrar a situação econômica de uma entidade. Descreva Resultado do Período, Outros Resultados Abrangentes e Resulta- do Abrangente. 5. Esta demonstração evidencia a riqueza criada pela empresa, de forma geral me- dida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de ter- ceiros e também demonstra a formade distribuição dessa riqueza. Sobre qual demonstração o excerto se refere? a) DFC. b) DRA. c) DMPL. d) DRP. e) DVA. 6. As demonstrações contábeis publicadas são padronizadas por lei para atender ao interesse do usuário externo, seguindo normas contábeis, são também audi- tadas, e o relatório da auditoria e as notas explicativas também fazem parte das demonstrações publicadas. Descreva a adequação das demonstrações para fins de análise. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as Sociedades FIPECAFI Editora: Atlas Sinopse: o Manual de Contabilidade Societária busca orientar as empresas e profissionais da contabilidade sobre os Pronunciamentos, as Interpretações e as Orientações do CPC e conforme as normas internacionais de contabilidade emitidas pelo IASB. É texto complementar para as disciplinas Contabilidade Geral, Contabilidade Comercial, Contabilidade Intermediária, Contabilidade Avançada, Teoria da Contabilidade, Contabilidade Internacional e Estrutura e Análise de Balanços dos cursos de Ciências Contábeis e Administração. Leitura de relevância profissional para consulta e atualização. Comentário: considerada a publicação mais importante no meio contábil, pois traz em uma única obra todas as normatizações sobre a contabilidade no Brasil. O objetivo da NBC TG 26 (R4) é definir a base para a apresentação das demonstrações contábeis e estabelecer requisitos gerais para a apresentação das demonstrações contábeis, diretrizes para a sua estrutura e os requisitos mínimos para seu conteúdo. Para saber mais sobre o assunto, acesse o conteúdo disponível em: <http://www1.cfc.org.br/ sisweb/SRE/docs/NBCTG26R4.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2017. 48 Nesta unidade de estudo, verificamos a estrutura das demonstrações contábeis. Considero importante, neste momento, você fazer novamente a leitura da NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL, aprovada pela Resolução CFC nº 1.374/11, principalmente os itens a seguir, que tratam sobre as características da informação contábil financeira. Características qualitativas da informa- ção contábil-financeira útil QC4. Se a informação contábil-financeira é para ser útil, ela precisa ser relevante e representar com fidedignidade o que se propõe a representar. A utilidade da infor- mação contábil-financeira é melhorada se ela for comparável, verificável, tempestiva e compreensível. Características qualitativas fundamentais QC5. As características qualitativas funda- mentais são relevância e representação fidedigna. Relevância QC6. Informação contábil-financeira rele- vante é aquela capaz de fazer diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários. A informação pode ser capaz de fazer diferença em uma decisão mesmo no caso de alguns usuários decidirem não a levar em consideração, ou já tiver tomado ciência de sua existência por outras fontes. QC7. A informação contábil-financeira é capaz de fazer diferença nas decisões se tiver valor preditivo, valor confirmatório ou ambos. QC8. A informação contábil-financeira tem valor preditivo se puder ser utilizada como dado de entrada em processos emprega- dos pelos usuários para predizer futuros resultados. A informação contábil-finan- ceira não precisa ser uma predição ou uma projeção para que possua valor preditivo. A informação contábil-financeira com valor preditivo é empregada pelos usuários ao fazerem suas próprias predições. QC9. A informação contábil-financeira tem valor confirmatório se retro-alimen- tar – servir de feedback – avaliações prévias (confirmá-las ou alterá-las). QC10. O valor preditivo e valor confirmató- rio da informação contábil-financeira estão inter-relacionados. A informação que tem valor preditivo muitas vezes também tem valor confirmatório. Por exemplo, a infor- mação sobre receita para o ano corrente, a qual pode ser utilizada como base para predizer receitas para anos futuros, tam- bém pode ser comparada com predições de receita para o ano corrente que foram feitas nos anos anteriores. Os resultados dessas comparações podem auxiliar os usuários a corrigirem e a melhorarem os processos que foram utilizados para fazer tais predições. [...] Representação fidedigna QC12. Os relatórios contábil-financeiros representam um fenômeno econômico em palavras e números. Para ser útil, a informação contábil-financeira não tem só que representar um fenômeno rele- vante, mas tem também que representar com fidedignidade o fenômeno que se 49 propõe representar. Para ser representa- ção perfeitamente fidedigna, a realidade retratada precisa ter três atributos. Ela tem que ser completa, neutra e livre de erro. É claro, a perfeição é rara, se de fato alcan- çável. O objetivo é maximizar referidos atributos na extensão que seja possível. [...] Características qualitativas de melhoria QC19. Comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade são características qualitativas que melhoram a utilidade da informação que é relevante e que é representada com fidedignidade. As características qualitativas de melhoria podem também auxiliar a determinar qual de duas alternativas que sejam considera- das equivalentes em termos de relevância e fidedignidade de representação deve ser usada para retratar um fenômeno. Comparabilidade QC20. As decisões de usuários implicam escolhas entre alternativas, como, por exem- plo, vender ou manter um investimento, ou investir em uma entidade ou noutra. Con- sequentemente, a informação acerca da entidade que reporta informação será mais útil caso possa ser comparada com informa- ção similar sobre outras entidades e com informação similar sobre a mesma enti- dade para outro período ou para outra data. [...] Verificabilidade QC26. A verificabilidade ajuda a assegurar aos usuários que a informação representa fidedignamente o fenômeno econômico que se propõe representar. A verificabili- dade significa que diferentes observadores, cônscios e independentes, podem chegar a um consenso, embora não cheguem necessariamente a um completo acordo, quanto ao retrato de uma realidade econô- mica em particular ser uma representação fidedigna. Informação quantificável não necessita ser um único ponto estimado para ser verificável. Uma faixa de possí- veis montantes com suas probabilidades respectivas pode também ser verificável. [...] Tempestividade QC29. Tempestividade significa ter infor- mação disponível para tomadores de decisão a tempo de poder influenciá-los em suas decisões. Em geral, a informação mais antiga é a que tem menos utilidade. Contudo, certa informação pode ter o seu atributo tempestividade prolongado após o encerramento do período contá- bil, em decorrência de alguns usuários, por exemplo, necessitarem identificar e avaliar tendências. Compreensibilidade QC30. Classificar, caracterizar e apresentar a informação com clareza e concisão tor- na-a compreensível. QC31. Certos fenômenos são ineren- temente complexos e não podem ser facilmente compreendidos. A exclusão de informações sobre esses fenômenos dos relatórios contábil-financeiros pode tor- nar a informação constante em referidos relatórios mais facilmente compreendida. Contudo, referidos relatórios seriam con- siderados incompletos e potencialmente distorcidos (misleading). 50 QC32. Relatórios contábil-financeiros são elaborados para usuários que têm conhecimento razoável de negócios e de atividades econômicas e que revisem e analisem a informação diligentemente. Por vezes, mesmo os usuários bem infor- mados e diligentes podem sentir a necessidade de procurar ajuda de con- sultor para compreensão da informação sobre um fenômeno econômico complexo. [...] Fonte: CFC (2011). REFERÊNCIAS BRASIL. Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada. htm>. Acesso em: 12 jun. 2017. CFC (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE).Resolução nº 1.138, de 21 de no- vembro de 2008. Aprova a NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado. Dispo- nível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/Res_1138.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2017. ______. Resolução 2016/NBC TG 03 (R3), de 19 de agosto de 2016. 2016b. Altera a NBC TG 03 (R2) que dispõe sobre a demonstração dos fluxos de caixa. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG03(R3).pdf>. Acesso em: 12 jun. 2017. ______. Resolução 2016/NBC TG 26 (R4), de 19 de agosto de 2016. 2016a. Altera a NBC TG 26 (R3) que dispõe sobre a apresentação das demonstrações contábeis. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG26R4.pdf>. Aces- so em: 10 jun. 2017. ______. Resolução nº 1.162, de 27 de março de 2009. Altera o item 3 da NBC T 3.7- Demonstração do Valor Adicionado. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/ sisweb/SRE/docs/RES_1162.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2017. ______. Resolução nº 1.374, de 08 de dezembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/ SRE/docs/Res_1374.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2017. 51 GABARITO 1. A alternativa correta é a “D”, pois o Passivo, segundo a Lei 6.404 é dividido em dois grupos: Circulante e Não Circulante. 2. A alternativa correta é a “B”, pois os recursos obtidos junto às instituições finan- ceiras são chamados, no Balanço Patrimonial, de empréstimos e financiamentos, e podem aparecer no Passivo Circulante (se o vencimento for até 12 meses após a elaboração das demonstrações) e no Passivo Não Circulante (se o vencimento for após o período de 12 meses após a elaboração das demonstrações). 3. A alternativa correta é a “C”, pois Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade. O Patrimônio Líquido é o interesse re- sidual nos ativos da entidade depois de deduzidos todas as dívidas. O Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liqui- dação se espera que resulte na saída de recursos da entidade, capazes de gerar benefícios econômicos. 4. Padrão de Resposta: resultado do período é o total das receitas deduzido das despesas, exceto os itens reconhecidos como outros resultados abrangentes no patrimônio líquido. Outros resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (in- cluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelas normas, interpretações e co- municados técnicos emitidos pelo CFC. Resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e outros eventos que não derivados de transações com os sócios na sua qualidade de proprietários. Resultado abran- gente compreende todos os componentes da “demonstração do resultado” e da “demonstração dos outros resultados abrangentes”. 5. Alternativa correta é a “E” - A DVA evidencia a riqueza criada e distribuída pela empresa, DFC. 6. Padrão de Resposta: as informações que constam nas demonstrações, muitas vezes, precisam ser ajustadas e reagrupadas para melhorar a eficiência das de- monstrações e a eficácia da análise. A inexistência da adequação pode com- prometer a análise distorcendo alguns índices importantes. A adequação para análise também é chamada de padronização e tem como objetivo simplificar o trabalho do analista. U N ID A D E II Professor Me. José Manoel da Costa VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar as técnicas de análise das demonstrações. ■ Verificar a representatividade dos recursos perante o valor referencial. ■ Analisar a evolução dos recursos de um para outro período. ■ Entender as alterações de recursos por meio da utilização conjunta da Análise Vertical e Horizontal. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O que é a análise das demonstrações? ■ Análise Vertical ■ Análise Horizontal ■ Visão Conjunta: AV-AH INTRODUÇÃO A importância da análise das demonstrações contábeis está, principalmente, em dar condições de transformar os números contidos nas demonstrações contábeis em informações que atendam seus mais diferentes usuários em suas necessida- des de informações e comparações. Nesta unidade, vamos começar descrevendo um pouco sobre a análise das demonstrações, com o objetivo de responder a per- gunta: o que é a análise das demonstrações? Para tanto, precisamos conhecer a estrutura das demonstrações e tam- bém considerar o processo contábil, desde o fato contábil até a publicação das demonstrações, já que agora estas serão dados para gerar novas informações por meio da análise. É importante considerar que as primeiras informações geradas pela análise vêm por meio da análise vertical e da análise horizontal. As informações geradas por essas técnicas apresentam um panorama geral das demonstrações, princi- palmente do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado. A análise vertical compara os valores das contas, subgrupos e grupos de con- tas com um valor referencial, que, no caso do lado esquerdo do balanço, é o total do ativo e, no caso do lado direito, pode ser feito com dois enfoques: o total de passivo mais patrimônio líquido em conjunto ou o valor do passivo separado do valor do patrimônio líquido. Nas contas de resultado, o referencial é o valor da receita ou vendas líquidas. A análise horizontal mostra a evolução das contas, subgrupos e grupos de contas entre um período e outro, podendo ser feita de duas formas: considerando sempre o mesmo ano base (em que teremos a evolução sempre a partir de um determinado ano inicial) ou anualmente (em que teremos a evolução ano a ano; assim, cada ano é a base para a evolução até o outro). A partir da estrutura e adequações das demonstrações estudadas na Unidade I, vamos buscar aprender a como analisar as demonstrações. Prontos(as) para este passo importante na análise das demonstrações? Vamos em frente! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 O QUE É A ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES? A Análise das Demonstrações Contábeis ou Financeiras representa a consolida- ção das informações contidas nas demonstrações publicadas pelas organizações. Essa consolidação é realizada por meio de técnicas e índices que buscam apresen- tar a empresa em diversos aspectos, principalmente quanto à situação financeira, patrimonial e econômica. Assim como os fatos contábeis são dados que ali- mentam o processo contábil para “produzir” demonstrações, as informações contidas nas demonstrações são dados que alimentam o processo de análise das demonstrações para “produzir” indicadores que retratam as situações financei- ras, patrimonial e econômica da empresa. Dados são números que, no caso das demonstrações, mostram qualitativa e quantitativamente a situação financeira, patrimonial e econômica da empresa, mas, isoladamente, não provocam nenhuma ou pouca reação no leitor. Assim, as demonstrações contábeis ou financeiras apresentam números que, sob a ótica da contabilidade, é uma informação pronta, porém, para a Análise das Demonstrações, esses números são apenas dados, os quais precisarão ser ade- quados, analisados e calculados em comparação com outros números, para que O Que é a Análise das Demonstrações? Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 sejam extraídas informações úteis e precisas para conhecer a empresa e tomar decisões que a envolvam. Portanto, analisandode maneira prática, os fatos ou eventos que ocorrem na empresa diariamente alteram a posição patrimonial da entidade, esses fatos são registrados pela contabilidade no que chamamos de processo contábil e são acumulados e evidenciados nas demonstrações contábeis. A partir daí, para obter informações que auxiliarão na tomada de decisões, utilizamos as técni- cas de análise. Existem diversos indicadores de análise e técnicas; todos buscam demonstrar uma situação atual ou um possível cenário futuro, demonstrar uma informa- ção útil aos diversos usuários internos e externos. O acionista quer saber qual o retorno que ele poderá ter investindo na empresa; o fornecedor, se a empresa tem condição de lhe pagar; o banco, se a empresa terá condições de pagar um empréstimo de longo prazo; o funcionário, se a empresa se manterá ativa nos próximos anos; um gerente, se um determinado segmento é viável ou não, entre outros exemplos, sendo que sempre há um indicador que possa revelar tal infor- mação. A técnica de análise mais empregada é relacionar as contas ou grupos das demonstrações, transformando esta relação em índices; portanto, os índices econômico-financeiros constituem a técnica de análise mais empregada. A aná- lise das demonstrações contábeis utiliza-se de diferentes áreas do conhecimento além da contabilidade, como a matemática e estatística. Podemos relacionar as técnicas de análise das demonstrações contábeis ou financeiras da seguinte forma: ■ Análise Vertical; ■ Análise Horizontal; ■ Liquidez; ■ Estrutura Patrimonial; ■ Rentabilidade; ■ Gestão dos Recursos. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 As informações geradas na análise das demonstrações pode atender a diver- sos objetivos, dependendo do interesse dos usuários, mas podemos dizer que: [...] o objetivo da análise das demonstrações contábeis compreende a indicação de informações numéricas, preferencialmente de dois ou mais períodos regulares, de modo a auxiliar ou instrumentalizar gesto- res, acionistas, clientes, fornecedores, instituições financeiras, governo, investidores e outras pessoas interessadas em conhecer a situação da empresa ou tomar decisão (PADOVEZE; BENEDICTO, 2010, p. 90). Em termos mais objetivos, Matarazzo (2010) assevera que os objetivos da aná- lise das demonstrações é extrair informações para a tomada de decisões. Afirma, também, que o papel da análise é converter os dados das demonstrações em informações. As informações representam, portanto, uma comunicação que pode produ- zir reação ou decisão, acompanhada de um efeito-surpresa. As demonstrações financeiras demonstram que a empresa tem um determinado valor de dívidas, isto é um dado. Porém, a conclusão se essa dívida é excessiva ou se é normal, de que a empresa pode ou não pagá-la, é uma informação. Se os níveis de endividamento estiverem altos, o gestor da empresa deverá tomar decisões para tentar reduzi-los ou controlá-los, para que isso não afete demasiadamente a saúde financeira da empresa, comprometendo, assim, o for- necimento de crédito por parte dos bancos ou fornecedores. A importância da contabilidade ao longo do tempo vem se apresentando como uma importante fonte de informação para a tomada de decisão, porém, os demonstrativos contábeis da maneira como são elaborados fornecem algumas informações, mas não todas as desejáveis, podendo, ainda, ser possível explorar as demonstrações para se obter um número maior de informações. Observando as demonstrações publicadas, podemos saber qual é o valor que a empresa tem a receber e a pagar, mas é possível saber qual a relação entre eles? O Que é a Análise das Demonstrações? Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 Marion (2009) enfatiza que um grupo de indicadores pode ser considerado o tripé da análise, pois considera os pontos fundamentais da empresa. Nesse tripé, verificamos a situação financeira por meio dos indicadores de liquidez, a situa- ção econômica mediante os indicadores de rentabilidade e a situação patrimonial com os indicadores de endividamento. Figura 1 - Tripé da Análise Fonte: o autor. Estes três enfoques representam o equilíbrio empresarial, pois mesmo se somente a situação econômica estiver abaixo do nível necessário, a tendência é de com- prometimento da situação financeira e patrimonial nos próximos períodos. O mesmo ocorre com quaisquer outras situações de desequilíbrio. Utilizaremos uma unidade de estudo para tratarmos do equilíbrio ideal, a partir do qual apro- fundaremos os estudos destas três situações. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 ANÁLISE VERTICAL Figura 2 - Total/Referência Fonte: o autor. A análise vertical é uma técnica importante que ajudará na identificação de algu- mas concentrações dos recursos dentro do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, entre outras demonstrações. A análise vertical é apli- cada com mais frequência no balanço patrimonial e na demonstração de resultado de exercício, porém, poderá ser aplicada na DFC e DVA também. A análise vertical ou vertical analysis ou, ainda, common-size analysis tem como objetivo estudar a estrutura de composição dos elementos patrimoniais e de resultado. Para isso, assume como referencial (ou seja 100%) o total dos ativos para analisar as contas do ativo, o total dos passivos e patrimônio líquido conjunta ou separadamente, para mostrar a participação de cada item da demonstração em relação a esse referencial. Para calcular a representatividade ou participação de uma conta, precisamos dividir o valor da conta pelo valor referencial e mul- tiplicar por 100. Muitas vezes, a análise vertical não esclarece, não traz uma informação definitiva, mas sempre desperta no analista a necessidade de se aprofundar a análise. Este aprofundamento se dará pela utilização de outras técnicas. Análise Vertical Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 CONTAS DO ATIVO Para calcular a representatividade ou participação das contas do ativo, precisamos dividir o valor da conta pelo valor referencial e multiplicar por 100. Assim, saberemos quanto cada recurso aplicado na empresa representa perante o total dos recursos. Quadro 1 - Análise Vertical do Ativo BALANÇO PATRIMONIAL - Lado esquerdo ATIVO x3 $ x3 AV x2 $ x2 AV x1 $ x1 AV Ativo Circulante 2.963.415 57,30% 3.319.459 59,73% 3.365.369 64,01% Caixa e Equivalentes 202.452 3,91% 590.400 10,62% 391.763 7,45% Títulos e Val. Mobiliários 566.954 10,96% 497.623 8,95% 450.979 8,58% Partes relacionadas 51.078 0,99% 88.140 1,59% 93.895 1,79% Clientes 419.616 8,11% 430.549 7,75% 616.585 11,73% Estoques 1.336.954 25,85% 1.343.741 24,18% 1.465.553 27,88% Tributos a Recuperar 291.719 5,64% 333.475 6,00% 295.205 5,62% Outros Ativos Circulantes 94.642 1,83% 35.531 0,64% 51.389 0,98% Ativo Não Circulante 2.208.610 42,70% 2.238.114 40,27% 1.892.003 35,99% Realizável a Longo Prazo 745.925 14,42% 755.647 13,60% 516.168 9,82% Investimentos 439.669 8,50% 440.930 7,93% 364.397 6,93% Imobilizado 558.193 10,79% 577.811 10,40% 565.358 10,75% Intangível 464.823 8,99% 463.726 8,34% 446.080 8,48% TOTAL DO ATIVO 5.172.025 100,00% 5.557.573 100,00% 5.257.372 100,00% Fonte: o autor. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 Por esta simples análise, percebe-se que os ativos a receber no longo prazo repre- sentam em 9,82%, 13,60% e 14,42% em X1, X2 e X3 respectivamente. Esses percentuais mostram que os recursos aplicados no Realizável a Longo Prazo estão com representatividademaior a cada ano; isto é, sem dúvida, um sinal de atenção. O comportamento da conta estoques (normalmente mais representativa, prin- cipalmente em empresas comerciais) nos três anos mostrou que a representatividade destes recursos são 27,88%, 24,18% e 25,85% em X1, X2 e X3 respectiva- mente. Esses percentuais mostram poucas alterações de um ano para outro. Vimos, então, na prática, a estrutura de composição dos elementos do ativo e comentamos o Realizável a Longo Prazo e Estoques. Você, como analista, pode fazer a análise das contas que considerar mais importantes. CONTAS DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO JUNTAS Os recursos que estão do lado direito do balanço representam as origens de recur- sos que os sócios ou acionistas e também os terceiros investiram na empresa. A análise vertical das origens de recursos pode ser feita de duas formas: passivo e patrimônio líquido em conjunto, considerando como referencial o total do lado direito do balanço; ou em separado: passivo, considerando o valor do passivo como referencial, e patrimônio líquido, em que o valor do patrimônio líquido é o referencial. Vamos analisar, agora, as contas do Passivo e Patrimônio Líquido, conside- rando o total de todos os recursos, sejam próprios (patrimônio líquido) ou de terceiros (passivo). Assim, a grandeza referencial base para comparação é o total do passivo e patrimônio líquido. Quadro 2 - Análise Vertical do Passivo e Patrimônio Líquido em conjunto BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PASSIVO E PATR. LÍQUIDO x3 $ x3 AV x2 $ x2 AV x1 $ x1 AV Passivo Circulante 2.924.425 56,54% 2.859.611 51,45% 2.820.630 53,65% Emprést. e Financiamentos 980.727 18.96% 568.220 10,22% 591.051 11,24% Partes Relacionadas 94.109 1,82% 110.186 1,98% 143.082 2,72% Fornecedores 1.522.038 29,43% 1.885.251 33,92% 1.784.902 33,95% Análise Vertical Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 Obrig. Sociais e Trabalhistas 181.837 3,52% 150.419 2,71% 164.739 3,13% Obrigações Fiscais 31.642 0,61% 29.497 0,53% 44.008 0,84% Outras Contas a Pagar 114.072 2,21% 116.038 2,09% 92.848 1,77% Passivo Não Circulante 1.551.292 29,99% 2.035.750 36,63% 1.682.275 32,00% Fornecedores 519.234 10,04% 550.910 9,91% 315.866 6,01% Emprést. e Financiamentos 773.305 14,95% 1.254.830 22,58% 1.120.184 21,31% Outras Obrigações 258.753 5,00% 230.010 4,14% 246.225 4,68% Patrimônio Líquido 696.308 13,46% 662.212 11,92% 754.467 14,35% Capital Social 606.505 11,73% 606.505 10,91% 606.505 11,54% Reservas de Capital 17.914 0,35% 14.567 0,26% 10.103 0,19% Reservas de Lucro 76.400 1,48% 52.342 0,94% 159.316 3,03% Outros Result. Abrangentes 1.386 0,03% -1.628 -0,03% -1.262 -0,02% (-) Ações em Tesouraria -5.897 -0,11% -9.574 -0,17% -20.195 -0,38% TOTAL DO PASSIVO + PATR. LÍQUIDO 5.172.025 100,00% 5.557.573 100,00% 5.257.372 100,00% Fonte: o autor. Na análise das contas que representam origens de recursos, podemos analisar o comportamento de cada uma das contas e grupos perante o montante total dos recursos recebidos. Se analisarmos as dívidas com compras a prazo, ou seja, a conta fornecedores do passivo circulante, temos os seguintes percentuais: 33,95%, 33,92% e 29,43% em X1, X2 e X3, respectivamente. Esses percentuais mostram poucas alterações de um ano para outro, mas temos a informação de que um grande volume das origens de recursos são de dívidas para os fornecedores da empresa. Podemos, também, verificar que a conta empréstimos e financiamentos com exigibilidade a longo prazo (Passivo Não Circulante) representam 21,31%, 22,58% e 14,95% em X1, X2 e X3 respectivamente. Isso dá ao analista uma infor- mação importante: a representatividade dos recursos a pagar a longo prazo com empréstimos e financiamentos diminuiu significativamente em X3, o que poderá refletir em outros indicadores. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 CONTAS DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO SEPARADAS Podemos, também, realizar a análise vertical em duas etapas: considerando o total do passivo como referencial para as contas do passivo circulante e não circulante e o valor do patrimônio líquido como referencial para as contas do patrimônio líquido. Desta forma, é mais fácil verificar a participação de cada conta perante o seu grupo de contas; como consideramos que o patrimônio líquido não faz parte do passivo, é coerente que consideremos qual a composição relativa de cada item do passivo e do patrimônio líquido em separado. Contas Somente do Passivo Vamos, agora, analisar verticalmente as contas do Passivo, considerando o valor do passivo (passivo circulante mais passivo não circulante) como referencial. Veremos, neste enfoque, como fica a representatividade das duas contas que estudamos anteriormente: Fornecedores (Passivo Circulante) e Empréstimos e Financiamentos (Passivo Não Circulante). Quadro 3 - Análise Vertical do Passivo Separado BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PASSIVO x3 $ x3 AV x2 $ x2 AV x1 $ x1 AV Passivo Circulante 2.924.425 63,34% 2.859.611 58,41% 2.820.630 62,64% Emprést. e Financiamentos 980.727 21,91% 568.220 11,61% 591.051 13,13% Partes Relacionadas 94.109 2,10% 110.186 2,25% 143.082 3,18% Fornecedores 1.522.038 34,01% 1.885.251 38,51% 1.784.902 39,64% Obrig. Sociais e Trabalhistas 181.837 4,06% 150.419 3,07% 164.739 3,66% Obrigações Fiscais 31.642 0,71% 29.497 0,60% 44.008 0,98% Outras Contas a Pagar 114.072 2,55% 116.038 2,37% 92.848 2,06% Passivo Não Circulante 1.551.292 34,66% 2.035.750 41,59% 1.682.275 37,36% Fornecedores 519.234 11,60% 550.910 11,25% 315.866 7,01% Emprést. e Financiamentos 773.305 17,28% 1.254.830 25,63% 1.120.184 24,88% Outras Obrigações 258.753 5,78% 230.010 4,70% 246.225 5,47% TOTAL DO PASSIVO 4.475.717 100,00% 4.895.361 100,00% 4.502.905 100,00% Fonte: o autor. Análise Vertical Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 Analisando a conta Fornecedores (Passivo Circulante) perante o valor do pas- sivo total, temos os seguintes percentuais: 39,64%, 38,51% e 34,01% em X1, X2 e X3 respectivamente. Esses percentuais também mostram pequenas alterações de um ano para outro, mas como o referencial agora é o total do passivo, os per- centuais são maiores que na análise em conjunto. Na conta empréstimos e financiamentos (Passivo Não Circulante), encon- tramos os seguintes percentuais: 24,88%, 25,63% e 17,28% em X1, X2 e X3 respectivamente, o que evidencia a mesma tendência de representatividade, pequena variação de X1 para X2 e uma redução significativa de X2 para X3. Contas Somente do Patrimônio Líquido Iremos analisar verticalmente as contas do Patrimônio Líquido, considerando o valor do patrimônio líquido como referencial. Vamos ver neste enfoque como fica a representatividade das contas do patrimônio líquido em relação a ele mesmo. Quadro 4 - Análise Vertical do Patrimônio Líquido Separado BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PATRIMÔNIO LÍQUIDO x3 $ x3 AV x2 $ x2 AV x1 $ x1 AV Capital Social 606.505 87,10% 606.505 91,59% 606.505 80,39% Reservas de Capital 17.914 2,57% 14.567 2,20% 10.103 1,34% Reservas de Lucro 76.400 10,97% 52.342 7,90% 159.316 21,12% Outros Result. Abrangentes 1.336 0,20% -1.628 -0,25% -1.262 -0,17% (-) Ações em Tesouraria -5.897 -0,85% -9.574 -1,45% -20.195 -2,68% TOTAL PATRIM. LÍQUIDO 696.308 100,00% 662.212 100,00% 754.467 100,00% Fonte: o autor. Das contas do Patrimônio Líquido, o que chama mais a atenção são as Reservas de Lucro que representava 21,12% em X1 e diminui para 7,90% em X2. Isto evi- dencia utilização dos recursos, mas voltou a aumentar em X3. As demais contas do Patrimônio Líquido têm poucas variações. CONTAS DE RESULTADO Nos itens anteriores, tomamos como grandeza referencial para fazer a análise: o total doativo, o total do passivo e patrimônio líquido, o total do passivo isola- damente e, finalmente, o total do patrimônio líquido isoladamente. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 Na análise vertical das contas de resultado, a grandeza referencial é o valor das receitas líquidas. Deve ser assim porque as receitas brutas são acrescidas ou diminuídas em função dos impostos sobre vendas e outras deduções. Já a receita líquida representa a receita efetiva da empresa depois de expurgados os itens que majoraram a receita por conta de repasse de impostos ou vendas frustradas. Quadro 5 - Análise Vertical das Contas de Resultado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO APURAÇÃO DO RESULTADO x3 $ x3 AV x2 $ x2 AV x1 $ x1 AV RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 9.204.103 100,00% 8.872.845 100,00% 9.692.286 100,00% (-) Custos das Vendas -6.379.561 -69,31% -6.369.372 -71,79% -7.066.328 -72,91% (=) LUCRO BRUTO 2.824.542 30,69% 2.503.473 28,21% 2.625.958 27,09% (-) DESPESAS/RECEITAS OPER. -2.457.883 -26,70% -2.194.264 -24,73% -2.165.359 -22,34% Despesas com Vendas -1.523.575 -16,55% -1.711.504 -19,29% -1.737.443 -17,93% Despesas Gerais e Adminstrat. -945.896 -10,28% -431.100 -4,86% -417.997 -4,31% Depreciação e Amortização -72.372 -0,79% -155.795 -1,76% -136.443 -1,41% Result. de Equivalência Patrim. 61.708 0,67% 88.948 1,00% 102.010 1,05% Outras Despesas/Receitas Oper. 22.252 0,24% 15.187 0,17% 24.514 0,25% (=) RESULTADO OPERAC. ANTES RES. FINANCEIRO 366.659 3,98% 309.209 3,48% 460.599 4,75% (+) Receitas Financeiras 111.495 1,21% 145.359 1,64% 124.982 1,29% (-) Despesas Financeiras -349.024 -3,79% -435.264 -4,91% -296.548 -3,06% (=) RESULTADO OPERAC. ANTES IRPJ/CSLL 129.130 1,40% 19.304 0,22% 289.033 2,98% (-) Imposto Renda sobre Lucro -13.451 -0,15% -7.331 -0,08% -52.730 -0,54% (-) Contr. Social sobre Lucro Líq. -8.070 -0,09% -4.214 -0,05% -24.766 -0,26% (=) RESULTADO LÍQUIDO das OPER. CONTINUADAS 107.609 1,17% 7.759 0,09% 211.537 2,18% (=/-) Res. Líq. Oper. Descontin. (=/-) Res. Líq. Mens. Valor Justo (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERIODO 107.609 1,17% 7.759 0,09% 211.537 2,18% Fonte: o autor. Análise Horizontal Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 Vamos utilizar essa análise para entendermos o comportamento dos custos das vendas e das despesas no decorrer dos três períodos. Primeiramente, vere- mos o Custo das Vendas: a sua representatividade perante as vendas líquidas é de 72,91%, 71,79% e 69,31% em X1, X2 e X3 respectivamente, o que evidencia uma tendência de redução dos custos; isso deve refletir na Margem Bruta, além de outros itens de rentabilidade. No entanto, a pequena diminuição no custo das vendas não ocorreu em outros itens do resultado, pois o resultado líquido foi de 2,18% em X1, 0,09% em X2 e 1,17% em X3. No resultado líquido, houve uma piora significativa em X2, mas em X3 já mostra uma boa recuperação. ANÁLISE HORIZONTAL A análise horizontal ou horizontal analysis ou percent change analysis tem como objetivo mostrar a evolução histórica de cada uma das contas entre os períodos. É uma análise da estrutura de um conjunto de recursos, sejam patrimoniais ou de resultado, dependendo da demonstração analisada. Quando temos demonstra- ções de vários períodos, podemos comparar todos tomando como referencial o primeiro deles, ou podemos tomar como referencial sempre o período anterior. Camargo (2007) contribui com este estudo ao afirmar que: [...] a análise horizontal é a comparação que se faz com os saldos de uma mesma conta de demonstrativo (balanço ou DRE) ao longo de períodos consecutivos. Isso permite avaliar a evolução de um mesmo elemento contábil ao longo do tempo e evidenciar tendências de cres- cimento ou redução (CAMARGO, 2007, p. 214). Esta comparação pode ser feita considerando o ano mais antigo da série anali- sada (análise horizontal ano-base); assim, teremos um percentual que mostra a evolução da conta de X1 para X2 e de X1 para X3 ou considerando o ano anterior como base para o ano seguinte (análise horizontal anual). Deste modo, teremos um percentual que mostra a evolução da conta de X1 para X2 e de X2 para X3. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 Na análise horizontal, é mais evidente a necessidade de elaborar as demonstra- ções contábeis observando a característica qualitativa de melhoria da informação contábil comparabilidade. ANÁLISE HORIZONTAL ANO-BASE Na análise horizontal ano-base, vamos verificar a evolução ocorrida entre o ano base (o mais antigo) e o ano da análise; assim, teremos a evolução entre X1 e X2 e entre X1 e X3. Quanto mais períodos tivermos, melhor será a análise horizontal. Contas do Ativo Vamos analisar as contas do ativo com a finalidade de verificar a evolução entre os valores de cada período; desta forma, saberemos o quanto cada recurso, repre- sentado pelas contas, aumentou ou diminuiu de X1 para X2 e de X1 para X3. Quadro 6 - Análise Horizontal Ano-Base - contas do ativo BALANÇO PATRIMONIAL - Lado esquerdo ATIVO x3 $ AH x1 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ Ativo Circulante 2.963.415 -11,94% 3.319.459 -1,36% 3.365.369 Caixa e Equivalentes 202.452 -48,32% 590.400 50,70% 391.763 Títulos e Valores Mobiliários 566.954 25,72% 497.623 10,34% 450.979 Partes relacionadas 51.078 -45,60% 88.140 -6,13% 93.895 Clientes 419.616 -31,95% 430.549 -30,17% 616.585 Estoques 1.336.954 -8,77% 1.343.741 -8,31% 1.465.553 Tributos a Recuperar 291.719 -1,18% 333.475 12,96% 295.205 Outros Ativos Circulantes 94.642 84,17% 35.531 -30,86% 51.389 Ativo Não Circulante 2.208.610 16,73% 2.238.114 18,29% 1.892.003 Realizável a Longo Prazo 745.925 44,51% 755.647 46,40% 516.168 Investimentos 439.669 20,66% 440.930 21,00% 364.397 Imobilizado 558.193 -1,27% 577.811 2,20% 565.358 Intangível 464.823 4,20% 463.726 3,96% 446.080 TOTAL DO ATIVO 5.172.025 -1,62% 5.557.573 5,71% 5.257.372 Fonte: o autor. Análise Horizontal Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 Percebemos nessa análise que o valor da conta Títulos e Valores Mobiliários – que representa aplicação financeira de recursos – está com uma tendência de aumento, pois teve evolução positiva de X1 para X2 de 10,34% e de X1 para X3 de 25,72%. Esses recursos não estão na atividade da empresa que é comércio, portanto é um ponto de atenção. Já a conta Estoques – que representa os recursos investidos em mercadorias para revenda – está com uma leve tendência de diminuição, pois teve evolução negativa de X1 para X2 de 8,31% e de X1 para X3 de 8,77%. Esses recursos estão diretamente ligados à atividade fim da empresa que é comércio; essa diminuição pode ser uma estratégia, como também é um ponto de atenção. Contas do Passivo e Patrimônio Líquido Vamos analisar as contas do passivo e patrimônio líquido com a finalidade de verificar a evolução entre os valores de X1 para X2 e de X1 para X3. Verificaremos, assim, a tendência dos elementos patrimoniais que representam as origens de recursos. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E70 Quadro 7 - Análise Horizontal Ano-Base - contas do passivo e patrimônio líquido BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PASSIVO E PATR. LÍQUIDO x3 $ AH x1 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ Passivo Circulante 2.924.425 3,68% 2.859.611 1,38% 2.820.630 Empréstimos e Financiamentos 980.727 65,93% 568.220 -3,86% 591.051 Partes Relacionadas 94.109 -34,23% 110.186 -22,99% 143.082 Fornecedores 1.522.038 -14,73% 1.885.251 5,62% 1.784.902 Obrigações Sociais e Traba- lhistas 181.837 10,38% 150.419 -8,69% 164.739 Obrigações Fiscais31.642 -28,10% 29.497 -32,97% 44.008 Outras Contas a Pagar 114.072 22,86% 116.038 24,98% 92.848 Passivo Não Circulante 1.551.292 -7,79% 2.035.750 21,01% 1.682.275 Fornecedores 519.234 64,38% 550.910 74,41% 315.866 Empréstimos e Financiamentos 773.305 -30,97% 1.254.830 12,02% 1.120.184 Outras Obrigações 258.753 5,09% 230.010 -6,59% 246.225 Patrimônio Líquido 696.308 -7,71% 662.212 -12,23% 754.467 Capital Social 606.505 0,00% 606.505 0,00% 606.505 Reservas de Capital 17.914 77,31% 14.567 44,18% 10.103 Reservas de Lucro 76.400 -52,04% 52.342 -67,15% 159.316 Outros Resultados Abrangen- tes 1.386 -209,83% -1.628 29,00% -1.262 (-) Ações em Tesouraria -5.897 -70,80% -9.574 -52,59% -20.195 TOTAL DO PASSIVO + PATR. LÍQUIDO 5.172.025 -1,62% 5.557.573 5,71% 5.257.372 Fonte: o autor. No Passivo, o que chama muito a minha atenção como analista é o movimento das contas Empréstimos e Financiamentos no Circulante e no Não Circulante: de X1 para X2 ocorreu uma diminuição no Circulante de 3,86% e no Não Circulante um aumento de 12,02%, o que é um bom sinal, isto é, diminuir as dívidas de curto prazo e aumentar as de longo. Entretanto, considerando o período de X1 a X3, foi o contrário e em proporções muito maiores: ocorreu um aumento no Circulante de 65,93% e uma diminuição no Não Circulante de 30,97%. Minha Análise Horizontal Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 expectativa quanto às outras técnicas de análise estão totalmente aguçadas, pre- cisamos verificar melhor esta situação. No Patrimônio Líquido, percebemos que não houve evolução no Capital Social, mas houve uma evolução positiva nas Reservas de Capital de 44,18% de X1 para X2 e de 77,31% de X1 para X3. Neste caso, as notas explicativas iriam nos auxiliar na compreensão dos motivos dessa variação. Contas de Resultado A Análise Horizontal das contas de resultado nos ajuda na compreensão do resultado empresarial, pois mostra a evolução de cada conta de receita, custos e despesas utilizadas para apuração do lucro bruto, operacional e líquido. A interpretação dos percentuais calculados na análise horizontal do resultado precisa considerar que aumento nas contas de receitas representa contribuição positiva para o resultado; porém, aumento nas contas de custos e despesas repre- senta contribuição negativa para o resultado. Uma empresa que teve diminuição de 5% nas vendas, mas teve diminuição de 10% nos custos e despesas está melhor que outra que teve aumento de 5% nas vendas, mas teve aumento de 10% nos custos e despesas. Quadro 8 - Análise Horizontal Ano-Base - contas de resultado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO APURAÇÃO DO RESULTADO x3 $ AH x1 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 9.204.103 -5,04% 8.872.845 -8,45% 9.692.286 (-) Custos das Vendas -6.379.561 -9,72% -6.369.372 -9,86% -7.066.328 (=) LUCRO LÍQUIDO 2.824.542 7,56% 2.503.473 -4,66% 2.625.958 (-) DESPESAS/RECEITAS OPER. -2.457.883 13,51% -2.194.264 1,33% -2.165.359 Despesas com Vendas -1.523.575 -12,31% -1.711.504 -1,49% -1.737.443 Despesas Gerais e Adminstrativas -945.896 126,29% -431.100 3,13% -417.997 Depreciação e Amortização -72.372 -46,96% -155.795 14,18% -136.443 Resultado de Equivalência Patrim. 61.708 -39,51% 88.948 -12,80% 102.010 Outras Despesas/Receitas Oper. 22.252 -9,23% 15.187 -38,05% 24.514 VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES RES. FINANCEIRO 366.659 -20,40% 309.209 -32,87% 460.599 (+) Receitas Financeiras 111.495 -10,79% 145.359 16,30% 124.982 (-) Despesas Financeiras -349.024 17,70% -435.264 46,78% -296.548 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES IRPJ/CSLL 129.130 -55,32% 19.304 -93,32% 289.033 (-) Imp. Renda sobre Lucro -13.451 -74,49% -7.331 -86,10% -52.730 (-) Contr. Social sobre Lucro Líq. -8.070 -67,42% -4.214 -82,98% -24.766 (=) RESULTADO LÍQUIDO das OPER. CONTINUADAS 107.609 -49,13% 7.759 -96,33% 211.537 (=/-) Res. Líq. Oper. Descontin. (=/-) Res. Líq. Mens. ao Valor Justo (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 107.609 -49,13% 7.759 -96,33% 211.537 Fonte: o autor. Nesta empresa, houve diminuição nos valores das vendas líquidas (8,45% de X1 para X2 e de 5,04% de X1 para X3), mas os custos das vendas diminuíram signi- ficativamente (9,86% de X1 para X2 e 9,72%, de X1 para X3). Portanto, o lucro bruto evoluiu positivamente (7,56%) de X1 para X3. Após considerar todas as contas de receitas, custos e despesas, o Lucro Líquido diminuiu muito de X1 para X2 (96,33%), recuperou bastante em X3, mas no acumulado de X1 para X3 ainda representa uma diminuição de 49,13%. A análise horizontal anual vai melhorar este entendimento. Análise Horizontal Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 ANÁLISE HORIZONTAL ANUAL (ANO A ANO) Na análise horizontal anual, vamos verificar a evolução ocorrida ano a ano; assim, teremos a evolução entre X1 e X2 e entre X2 e X3. Muitos analistas preferem este tipo de análise horizontal, por mostrar melhor acompanhamento da evolução de cada conta, evidenciando os aumentos e diminuições ano a ano. Contas do Ativo Analisaremos as contas do ativo com a finalidade de verificar a evolução ano a ano, período a período. Desta forma, saberemos o comportamento de cada recurso. RECEITA LÍQUIDA Muitas demonstrações de resultado publicadas começam com a Receita Líquida de Vendas, pois é a receita efetiva da empresa. Para encontrar a Re- ceita Líquida, deduzimos da Receita Operacional Bruta, os descontos e aba- timentos, as devoluções de vendas e os impostos incidentes sobre venda. Vamos ver um pouco sobre estes itens: Receita operacional bruta A Receita é denominada operacional porque decorre das operações da em- presa, e é denominada bruta porque é o valor mais vultuoso do resultado. Deduções da receita operacional bruta • Descontos e abatimentos – não serão recebidos do cliente por liberali- dade da empresa, tais como promoções. • Devoluções de venda – ocorre quando o cliente devolve os produtos ou mercadorias por quaisquer motivos. • Impostos Incidentes sobre as Vendas: são valores que a empresa está obrigada a recolher ao fisco sobre as suas vendas brutas. Fonte: o autor. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 Quadro 9 - Análise Horizontal Anual - contas do Ativo BALANÇO PATRIMONIAL - Lado esquerdo ATIVO x3 $ AH x2 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ Ativo Circulante 2.963.415 -10,73% 3.319.459 -1,36% 3.365.369 Caixa e Equivalentes 202.452 -65,71% 590.400 50,70% 391.763 Títulos e Valores Mobiliários 566.954 13,93% 497.623 10,34% 450.979 Partes relacionadas 51.078 -42,05% 88.140 -6,13% 93.895 Clientes 419.616 -2,54% 430.549 -30,17% 616.585 Estoques 1.336.954 -0,51% 1.343.741 -8,31% 1.465.553 Tributos a Recuperar 291.719 -12,52% 333.475 12,96% 295.205 Outros Ativos Circulantes 94.642 166,36% 35.531 -30,86% 51.389 Ativo Não Circulante 2.208.610 -1,32% 2.238.114 18,29% 1.892.003 Realizável a Longo Prazo 745.925 -1,29% 755.647 46,40% 516.168 Investimentos 439.669 -0,29% 440.930 21,00% 364.397 Imobilizado 558.193 -3,40% 577.811 2,20% 565.358 Intangível 464.823 0,24% 463.726 3,96% 446.080 TOTAL DO ATIVO 5.172.025 -6,94% 5.557.573 5,71% 5.257.372 Fonte: o autor. Percebemos, nessa análise, que o valor da conta Títulos e Valores Mobiliários, o qual representa aplicação financeira de recursos, está com uma tendência de aumento, visto que teve evolução positiva de X1 para X2 de 10,34% e de X2 para X3 de 13,93%. Precisamos dar atenção à evolução da conta Empréstimos e Financiamentos. Já a conta Estoques, como já verificado na análise horizontal ano base, está com uma leve tendência de diminuição, poisteve evolução negativa de X1 para X2 de 8,31% e também negativa de X2 para X3 de 0,51%. Contas do Passivo e Patrimônio Líquido Vamos analisar as contas do passivo e patrimônio líquido com a finalidade de ave- riguar a evolução entre os valores de X1 para X2 e de X2 para X3. Verificaremos, assim, ano a ano, a tendência dos elementos patrimoniais que representam as ori- gens de recursos. Análise Horizontal Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 Quadro 10 - Análise Horizontal Anual - contas do Passivo e Patrimônio Líquido BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PASSIVO E PATR. LÍQUIDO x3 $ AH x2 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ Passivo Circulante 2.924.425 2,27% 2.859.611 1,38% 2.820.630 Empréstimos e Financiamentos 980.727 72,60% 568.220 -3,86% 591.051 Partes Relacionadas 94.109 -14,59% 110.186 -22,99% 143.082 Fornecedores 1.522.038 -19,27% 1.885.251 5,62% 1.784.902 Obrigações Sociais e Trabal. 181.837 20,89% 150.419 -8,69% 164.739 Obrigações Fiscais 31.642 7,27% 29.497 -32,97% 44.008 Outras Contas a Pagar 114.072 -1,69% 116.038 24,98% 92.848 Passivo Não Circulante 1.551.292 -23,80% 2.035.750 21,01% 1.682.275 Fornecedores 519.234 -5,75% 550.910 74,41% 315.866 Empréstimos e Financiamentos 773.305 -38,37% 1.254.830 12,02% 1.120.184 Outras Obrigações 258.753 12,50% 230.010 -6,59% 246.225 Patrimônio Líquido 696.308 5,15% 662.212 -12,23% 754.467 Capital Social 606.505 0,00% 606.505 0,00% 606.505 Reservas de Capital 17.914 22,98% 14.567 44,18% 10.103 Reservas de Lucro 76.400 45,96% 52.342 -67,15% 159.316 Outros Resultados Abrangen. 1.386 -185,14% -1.628 29,00% -1.262 (-) Ações em Tesouraria -5.897 -38,41% -9.574 -52,59% -20.195 TOTAL DO PASSIVO + PATR. LÍQUIDO 5.172.025 -6,94% 5.557.573 5,71% 5.257.372 Fonte: o autor. No Passivo, vamos ver as mesmas contas já analisadas na análise horizontal ano- -base: Empréstimos e Financiamentos a pagar no curto prazo diminui 3,86% de X1 para X2, mas aumentou 72,60% de X2 para X3, e a mesma conta a pagar a longo prazo aumento 12,02% de X1 para X2, mas diminuiu 38,37% de X2 para X3. Certamente isso irá refletir no perfil da dívida da empresa. No Patrimônio Líquido, as Reservas de Capital aumentaram em 44,18% de X1 para X2 e em 22,98% de X2 para X3; esta conta merece atenção. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 Contas de Resultado Vamos, agora, responder perguntas como: qual foi o aumento das receitas com vendas? E os custos das vendas? Se o aumento das receitas for menor que o dos custos, compromete o resultado; a análise horizontal na DRP é muito utilizada, pois mostra a evolução de cada um dos itens que compõem o resultado. Quadro 11 - Análise Horizontal Anual - contas de Resultado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO APURAÇÃO DO RESULTADO x3 $ AH x2 - x3 x2 $ AH x1 - x2 x1 $ RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 9.204.103 3,73% 8.872.845 -8,45% 9.692.286 (-) Custos das Vendas -6.379.561 0,16% -6.369.372 -9,86% -7.066.328 (=) LUCRO BRUTO 2.824.542 12,82% 2.503.473 -4,66% 2.625.958 (-) DESPESAS/RECEITAS OPER. -2.457.883 12,01% -2.194.264 1,33% -2.165.359 Despesas com Vendas -1.523.575 -10,98% -1.711.504 -1,49% -1.737.443 Despesas Gerais e Adminstrativas -945.896 119,41% -431.100 3,13% -417.997 Depreciação e Amortização -72.372 -53,55% -155.795 14,18% -136.443 Result. de Equivalência Patrim. 61.708 -30,62% 88.948 -12,80% 102.010 Outras Despesas/Receitas Oper. 22.252 46,52% 15.187 -38,05% 24.514 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES RES. FINANCEIRO 366.659 18,58% 309.209 -32,87% 460.599 (+) Receitas Financeiras 111.495 -23,30% 145.359 16,30% 124.982 (-) Despesas Financeiras -349.024 -19,81% -435.264 46,78% -296.548 (=) RESULTADO OPERAC. ANTES IRPJ/CSLL 129.130 568,93% 19.304 -93,32% 289.033 (-) Imp. Renda sobre Lucro -13.451 83,48% -7.331 -86,10% -52.730 (-) Contr. Social sobre Lucro Líq. -8.070 91,50% -4.214 -82,98% -24.766 (=) RESULTADO LÍQUIDO das OPER. CONTINUADAS 107.609 1286,89% 7.759 -96,33% 211.537 (=/-) Res. Líq. Oper. Descontin. (=/-) Res. Líq. Mens.ao Valor Justo (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 107.609 1286,89% 7.759 -96,33% 211.537 Fonte: o autor. Visão Conjunta: Av-Ah Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 Nesta empresa, houve diminuição nos valores das vendas líquidas de X1 para X2 em 8,45%, mas de X2 para X3 aumentou em 3,73%; por outro lado, os custos das vendas diminuíram significativamente de X1 para X2 em 9,86%, mas de X2 para X3 aumentou em 0,16%. Isso refletiu diretamente na evolução do Lucro Bruto. VISÃO CONJUNTA: AV-AH A análise vertical pode, também, demonstrar como o saldo de cada conta pode interferir no resultado de um indicador, mas não conseguirá explicar a variação ou alteração deste indicador ou, até mesmo, a alteração da representatividade de uma conta no balanço ou da DRP de um ano para outro. A análise horizontal mostra a evolução do valor dos recursos passando pelas demonstrações de diversos períodos, mas não faz a comparação com o total dos recursos daquele grupo, que também pode ter diminuído ou aumentado. A partir da análise conjunta dos indicadores, é possível encontrar explica- ções para as variações patrimoniais e também para o aumento ou diminuição no resultado final da empresa. Com relação ao lucro, fatores externos podem ser diretamente relacionados ao seu aumento ou redução. CONTAS DO ATIVO Vamos, agora, juntar as duas análises, vertical e horizontal, para termos infor- mações mais relevantes a respeito das demonstrações sobre as contas do ativo. VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 Quadro 12 - Visão Conjunta da AV-AH - contas do Ativo Fonte: o autor. A análise vertical mostra que os ativos a receber no longo prazo representam 9,82%, 13,60% e 14,42% em X1, X2 e X3 respectivamente. Esses percentuais mostram que os recursos aplicados no Realizável a Longo Prazo estão com representatividade maior a cada ano; isso é, sem dúvida, um sinal de atenção. Contudo, a análise horizontal mostra que houve um aumento de 46,40% de X1 para X2 e diminuiu 1,29% de X2 para X3, pois o ativo total aumentou 5,71% de X1 para X2 e diminuiu 6,94% de X2 para X3. Confirmamos, então, que realmente a empresa está com mais recursos apli- cados em contas a receber no longo prazo, são mais recursos fora do giro da empresa. A conta estoque, pela análise vertical, mostra a representatividade de 27,88%, 24,18% e 25,85% em X1, X2 e X3 respectivamente. Esses percentuais mostram poucas alterações de um ano para outro. A análise horizontal mostra evolução negativa de X1 para X2 de 8,31% e diminuição de X2 para X3 de 0,51%. De uma forma geral, a análise vertical e horizontal das nossas contas do ativo se confirmam; isso ocorre quando não há grandes alterações no total dos recur- sos, o valor do ativo total mudou pouco nos três anos. BALANÇO PATRIMONIAL - Lado esquerdo ATIVO x3 $ x3 AV x3-AH-x2 x2 $ x2 AV x2-AH-x1 x1 $ x1 AV Ativo Circulan. 2.963.415 57,30% -10,73% 3.319.459 59,73% -1,36% 3.365.369 64,01% Caixa e Equival. 202.452 3,91% -65,71% 590.400 10,62% 50,70% 391.763 7,45% Tít. e Val. Mobil. 566.954 10,96% 13,93% 497.623 8,95% 10,34% 450.979 8,58% Partes relacio. 51.078 0,99% -42,05% 88.140 1,59% -6,13% 93.895 1,79% Clientes 419.616 8,11% -2,54% 430.549 7,75% -30,17% 616.585 11,73% Estoques 1.336.954 25,85% -0,51% 1.343.741 24,18% -8,31% 1.465.553 27,88% Trib. a Recuper. 291.719 5,64% -12,52% 333.475 6,00% 12,96% 295.205 5,62% Outr. Ativ. Circ. 94.642 1,83% 166,36% 35.531 0,64% -30,86% 51.389 0,98% Ativo Não Circ. 2.208.610 42,70% -1,32% 2.238.114 40,27% 18,29% 1.892.003 35,99% Real. Long. Praz. 745.925 14,42% -1,29% 755.647 13,60% 46,40%516.168 9,82% Investimentos 439.669 8,50% -0,29% 440.930 7,93% 21,00% 364.397 6,93% Imobilizado 558.193 10,79% -3,40% 577.811 10,40% 2,20% 565.358 10,75% Intangível 464.823 8,99% 0,24% 463.726 8,34% 3,96% 446.080 8,48% TOTAL ATIVO 5.172.025 100,00% -6,94% 5.557.573 100,00% 5,71% 5.257.372 100,00% Visão Conjunta: Av-Ah Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 CONTAS DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Vamos utilizar as análises, vertical e horizontal, numa visão conjunta, para ter- mos informações mais relevantes a respeito das contas que representam as origens de recursos da empresa. Quadro 13 - Visão Conjunta da AV-AH - contas do Passivo e Patrimônio Líquido Fonte: o autor. Na análise horizontal anual, vimos que a conta Empréstimos e Financiamentos no Passivo Circulante diminuiu 3,86% de X1 para X2, mas aumentou 72,60% de X2 para X3, e no Passivo Não Circulante aumentou 12,02% de X1 para X2, mas diminuiu 38,37% de X2 para X3. Analisando a mesma conta pela análise vertical, no Passivo Circulante encontramos os seguintes percentuais: 11,24%, BALANÇO PATRIMONIAL - Lado direito PASSIVO E PATR. LÍQUIDO x3 $ x3 AV x3-AH-x2 x2 $ x2 AV x2-AH-x1 x1 $ x1 AV Passivo Circulant. 2.924.425 56,54% 2,27% 2.859.611 51,45% 1,38% 2.820.630 53,65% Emprést. e Financ. 980.727 18.96% 72,60% 568.220 10,22% -3,86% 591.051 11,24% Partes relacion. 94.109 1,82% -14,59% 110.186 1,98% -22,99% 143.082 2,72% Fornecedores 1.522.038 29,43% -19,27% 1.885.251 33,92% 5,62% 1.784.902 33,95% Obr. Sociais e Trab. 181.837 3,52% 20,89% 150.419 2,71% -8,69% 164.739 3,13% Obrigações Fiscais 31.642 0,61% 7,27% 29.497 0,53% -32,97% 44.008 0,84% Outr. Contas a Pag. 114.072 2,21% -1,69% 116.038 2,09% 24,98% 92.848 1,77% Passivo Não Circ. 1.551.292 29,99% -23,80% 2.035.750 36,63% 21,01% 1.682.275 32,00% Fornecedores 519.234 10,04% -5,75% 550.910 9,91% 74,41% 315.866 6,01% Emprést. e Financ. 773.305 14,95% -38,37% 1.254.830 22,58% 12,02% 1.120.184 21,31% Outras Obrigações 258.753 5,00% 12,50% 230.010 4,14% -6,59% 246.225 4,68% Patrimônio Líq. 696.308 13,46% 5,15% 662.212 11,92% -12,23% 754.467 14,35% Capital Social 606.505 11,73% 0,00% 606.505 10,91% 0,00% 606.505 11,54% Reserv. de Capital 17.914 0,35% 22,98% 14.567 0,26% 44,18% 10.103 0,19% Reservas de Lucro 76.400 1,48% 45,96% 52.342 0,94% -67,15% 159.316 3,03% Outros Res. Abran. 1.386 0,03% -185,14% -1.628 -0,03% 29,00% -1.262 -0,02% (-) Ações em Tes. -5.897 -0,11% -38,41% -9.574 -0,17% -52,59% -20.195 -0,38% TOTAL PASSIVO + PATR. LÍQUIDO 5.172.025 100,00% -6,94% 5.557.573 100,00% 5,71% 5.257.372 100.00% VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E80 10,22% e 18,96% em X1, X2 e X3 respectivamente; e no Passivo Não Circulante: 21,31%, 22,58% e 14,95% respectivamente. Temos, então, a mesma tendência na análise vertical e horizontal. CONTAS DE RESULTADO Em uma visão conjunta da análise vertical e horizontal anual, vamos analisar as contas de receitas, custos e despesas. Será que teremos a repetição do que ocorreu com as contas patrimoniais? Será que a análise horizontal confirmará a tendência da vertical? Quadro 14 - Visão Conjunta da AV-AH - contas de Resultado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO APURAÇÃO DO RESULTADO x3 $ x3 AV x3-AV-x2 x2 $ x2 AV x2-AH-x1 x1 $ x1 AV Rec. Líq. Vendas 9.204.103 100,00% 3,73% 8.872.845 100,00% -8,45% 9.692.286 100,00% (-) Custos Vendas -6.379.561 -69,31% 0,16% -6.369.372 -71,79% -9,86% -7.066.328 -72,91% (=) Lucro Bruto 2.824.542 30,69% 12,82% 2.503.473 28,21% -4,66% 2.625.958 27,09% (-) Desp./Rec. Operacionais -2.457.883 -26,70% 12,01% -2.194.264 -24,73% 1,33% -2.165.359 -22,34% Desp. com Venda -1.523.575 -16,55% -10,98% -1.711.504 -19,29% -1,49% -1.737.443 -17,93% Desp. Ger. e Adm. -945.896 -10,28% 119,41% -431.100 -4,86% 3,13% -417.997 -4,31% Deprec. e Amort. -72.372 -0,79% -53,55% -155.795 -1,76% 14,18% -136.443 -1,41% Res. de Equiv. Pat. 61.708 0,67% -30,62% 88.948 1,00% -12,80% 102.010 1,05% Out. Des./Rec. Op 22.252 0,24% 46,52% 15.187 0,17% -38,05% 24.514 0,25% (=) Res. Operac. Antes Res. Fin. 366.659 3,98% 18,58% 309.209 3,48% -32,87% 460.599 4,75% (+) Receit. Financ. 111.495 1,21% -23,30% 145.359 1,64% 16,30% 124.982 1,29% (-) Desp. Financ. -349.024 -3,79% -19,81% -435.264 -4,91% 46,78% -296.548 -3,06% (=) Res. Operac. Antes IRPJ/CSLL 129.130 1,40% 568,93% 19.304 0,22% -93,32% 289.033 2,98% (-) Imp. Renda sobre Lucro -13.451 -0,15% 83,48% -7.331 -0,08% -86,10% -52.730 -0,54% Visão Conjunta: Av-Ah Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Fonte: o autor. Nos custos das vendas pela análise horizontal anual, vemos uma significativa dimi- nuição de X1 para X2 (9,86%), mas pela análise vertical tivemos uma pequena oscilação na representatividade (72,91% em X1 e de 71,79% em X2), a discre- pância maior está na evolução de X2 para X3. Pela análise horizontal, tivemos um aumento em 0,16%, mas pela análise vertical tivemos uma diminuição, pois foi de 71,79% em X2 e 69,31% em X3. Isso ocorreu porque as vendas líquidas aumentaram 3,73% de X2 para X3 e os custos das vendas somente 0,16%; então, o valor referencial da análise verti- cal ficou bem acima do valor analisado. (-) Contrib. Social sobre Lucro Líq. -8.070 -0,09% 91,50% -4.214 -0,05% -82,98% -24.766 -0,26% (=) Res. Líq. Ope. Continuadas 107.609 1,17% 1286,89% 7.759 0,09% -96,33% 211.537 2,18% (=/-) Res. Líq. Oper. Descont. (=/-) Res. Líq. Mensur. Val Justo (=) Res. Líq. Período 107.609 1,17% 1286,89% 7.759 0,09% -96,33% 211.537 2,18% VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E82 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final desta unidade, podemos afirmar que aprendemos os aspectos teóricos da análise das demonstrações e suas técnicas, da análise vertical, da análise hori- zontal ano-base e da análise horizontal anual e, também, uma visão conjunta das análises vertical e horizontal anual. Além dos aspectos conceituais, vimos os aspectos práticos da análise vertical, nos quais calculamos a representatividade de cada conta patrimonial e de resul- tado. Também vimos a evolução horizontal das contas, considerando o ano-base e considerando anualmente. Logo após, juntamos a análise vertical e a análise horizontal anual em uma única demonstração para, nesta visão conjunta, termos informações conjuntas sobre a representatividade das contas e sobre a evolução ano a ano dos mesmos elementos patrimoniais e de resultado. Como ponto de partida para a análise das demonstrações, agora sabemos, na teoria e na prática, que a análise vertical compara os valores das contas, subgru- pos e grupos de contas com um valor referencial, que no caso do lado esquerdo do balanço é o total do ativo e no caso do lado direito pode ser feito com dois enfoques: o total de passivo mais patrimônio líquido em conjunto ou o valor do passivo separado do valor do patrimônio líquido. Nas contas de resultado, o referencial é o valor da receitas ou vendas líquidas. Sabemos, também, que a análise horizontal nos mostra a evolução das con- tas, subgrupos e grupos de contas entre um período e outro. Estudamos esta evolução de duas formas: considerando sempre o mesmo ano base ou anual- mente, considerando a referência ano a ano. Neste desenvolvimento prático, comentamos alguns cálculos, tanto da análise vertical quanto da horizontal ano-base e horizontal anual, fizemos comentários também sobre a visão conjunta vertical x horizontal. Agora, temos uma base importante para continuarmos nossos estudos sobre a análise das demonstrações contábeis ou financeiras. Você está preparado? Vamos em frente! 83 1. O analista precisa explicar ao gestorda empresa o que ocorreu com a conta for- necedores, pois há 5 anos, a empresa devia R$150.000,00 aos fornecedores e, no ano passado, estava devendo R$ 285.000,00. Considerando que o que importa ao gestor é um único percentual, assinale a alternativa que representa a análise a ser feita. a) Análise Vertical. b) Análise Horizontal Ano-Base. c) Análise Vertical Ano a Ano. d) Análise Horizontal Ano a Ano. e) Análise Vertical Ano-Base. 2. A análise vertical tem como objetivo estudar a estrutura de composição dos ele- mentos patrimoniais e de resultado. Para isso, assume como referencial (ou seja, 100%) o total dos ativos para analisar as contas do ativo. Descreva como devem ser feitos os cálculos na análise vertical. 3. É uma análise da estrutura de um conjunto de recursos, sejam patrimoniais ou de resultado, dependendo da demonstração analisada. Quando temos vários períodos, podemos comparar todos tomando como referencial o primeiro deles, ou podemos tomar como referencial sempre o período anterior. Essa descrição se refere a qual análise? 4. Se uma empresa apresenta nas demonstrações o saldo da conta imobilizado de R$500.000,00 e o total do ativo de R$1.250.000,00, calcule e assinale a alterna- tiva que mostra a representatividade do imobilizado no total dos recursos. a) 250%. b) 150%. c) 100%. d) 50%. e) 40%. 5. A empresa Boa Ltda. apresentou, nas demonstrações dos três últimos anos, as se- guintes informações: imobilizado, saldo de R$550.00,00 em 20x7, R$520.000,00 em 20x8 e R$500.000,00 em 20x9. Calcule e assinale a alternativa que mostra a evolução horizontal ano-base do imobilizado dessa empresa. a) Positiva de 9,09%. b) Negativa de 9,09%. c) Positiva de 10,00%. d) Negativa de 5,45% de 20x7 para 20x8 e de 3,85% de 20x8 para 20x9. e) Positiva de 5,45% de 20x7 para 20x8 e de 3,85% de 20x8 para 20x9. 84 Características qualitativas da informa- ção contábil-financeira útil QC4: se a informação contábil-finan- ceira é para ser útil, ela precisa ser relevante e representar com fidedigni- dade o que se propõe a representar. A utilidade da informação contábil-finan- ceira é melhorada se ela for comparável, verificável, tempestiva e compreensível. [...] Características qualitativas de melhoria QC19: comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade são características qualitativas que melhoram a utilidade da informação que é relevante e que é representada com fidedignidade. As características qualitativas de melhoria podem também auxiliar a determinar qual de duas alternativas que sejam considera- das equivalentes em termos de relevância e fidedignidade de representação deve ser usada para retratar um fenômeno. Comparabilidade QC20: as decisões de usuários implicam escolhas entre alternativas, como, por exemplo, vender ou manter um investi- mento, ou investir em uma entidade ou noutra. Consequentemente, a informação acerca da entidade que reporta informa- ção será mais útil caso possa ser comparada com informação similar sobre outras enti- dades e com informação similar sobre a mesma entidade para outro período ou para outra data. QC21: comparabilidade é a característica qualitativa que permite que os usuários identifiquem e compreendam similari- dades dos itens e diferenças entre eles. Diferentemente de outras características qualitativas, a comparabilidade não está relacionada com um único item. A compa- ração requer no mínimo dois itens. QC22: consistência, embora esteja relacio- nada com a comparabilidade, não significa o mesmo. Consistência refere-se ao uso dos mesmos métodos para os mesmos itens, tanto de um período para outro conside- rando a mesma entidade que reporta a informação, quanto para um único perí- odo entre entidades. Comparabilidade é o objetivo; a consistência auxilia a alcan- çar esse objetivo. QC23: comparabilidade não significa uni- formidade. Para que a informação seja comparável, coisas iguais precisam parecer iguais e coisas diferentes precisam parecer diferentes. A comparabilidade da informa- ção contábil-financeira não é aprimorada ao se fazer com que coisas diferentes pare- çam iguais ou ainda ao se fazer coisas iguais parecerem diferentes. QC24: algum grau de comparabilidade é possivelmente obtido por meio da satis- fação das características qualitativas fundamentais. A representação fidedigna de fenômeno econômico relevante deve possuir naturalmente algum grau de comparabilidade com a representação fidedigna de fenômeno econômico rele- vante similar de outra entidade que reporta a informação. QC25: muito embora um fenômeno eco- nômico singular possa ser representado com fidedignidade de múltiplas formas, a discricionariedade na escolha de métodos contábeis alternativos para o mesmo fenô- meno econômico diminui a comparabilidade. [...] 85 Aplicação das características qualitati- vas de melhoria QC33: características qualitativas de melho- ria devem ser maximizadas na extensão possível. Entretanto, as características qualitativas de melhoria, quer sejam indivi- dualmente ou em grupo, não podem tornar a informação útil se dita informação for irre- levante ou não for representação fidedigna. QC34: a aplicação das características quali- tativas de melhoria é um processo iterativo que não segue uma ordem preestabelecida. Algumas vezes, uma característica qualita- tiva de melhoria pode ter que ser diminuída para maximização de outra característica qualitativa. Por exemplo, a redução tempo- rária na comparabilidade como resultado da aplicação prospectiva de uma nova norma contábil-financeira pode ser vanta- josa para o aprimoramento da relevância ou da representação fidedigna no longo prazo. Divulgações apropriadas podem parcial- mente compensar a não comparabilidade. Fonte: CFC (2011). MATERIAL COMPLEMENTAR Saber elaborar e analisar uma análise vertical e horizontal das demonstrações financeiras contribui muito com o estudo da análise vertical e horizontal de forma conceitual, explicativa e prática. Para saber mais, acesse o conteúdo disponível em: <http://www.cavalcanteassociados.com.br/ utd/UpToDate294.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2017. Gestão contábil para contadores e não contadores Carlos Alberto de Ávila Editora: Ibpex Sinopse: Gestão Contábil para Contadores e Não Contadores, de Carlos Alberto de Ávila, é uma obra que apresenta uma abordagem nitidamente didática, voltada a ajudar quem está ou não inserido na área de contabilidade a fazer relatórios contábeis, de tributação, de análise e de demonstrações contábeis por meio de explicações e de exercícios para fixação do conteúdo. REFERÊNCIAS 87 CAMARGO, Camila. Análise de investimentos e demonstrativos financeiros. Curi- tiba: Ibpex, 2007. CFC (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE). Resolução nº 1.374, de 08 de de- zembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. Dispo- nível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/Res_1374.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2017. MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, Clóvis Luís; BENEDICTO, Gideon Carvalho de. Análise das demonstra- ções financeiras. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010. GABARITO 1. B. Análise Horizontal Ano-Base. 2. Para calcular a representatividade ou participação de uma conta, precisamos di- vidir o valor da conta pelo valor referencial e multiplicar por 100. 3. Análise Horizontal 4. E. 40%. 5. B. negativa de 9,09%. U N ID A D E III Professor Me. José Manoel da Costa GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Objetivos de Aprendizagem ■ Verificar o desempenho da gestão por meio do giro dos recursos. ■ Calcular os prazos médios para acompanhar o desempenho da gestão dos recursos. ■ Analisar a gestão empresarial por meiodo ciclo econômico, operacional e financeiro a partir dos prazos médios. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Giro dos Recursos ■ Prazos Médios ■ Ciclo Completo de Atividades INTRODUÇÃO Quando falamos em indicadores da gestão dos recursos, estamos nos referindo à análise da eficiência e eficácia da gestão. A gestão financeira de uma empresa deve ser desenvolvida com base no planejamento prévio, e os indicadores con- tribuem para mostrar se o planejado foi realizado. Para isso, utilizamos alguns grupos de indicadores: os giros de recursos, os prazos médios, o ciclo econô- mico, o ciclo operacional e o ciclo financeiro. Este grupo de indicadores é de grande interesse dos gestores, principalmente os gestores financeiros, pois mostram a realização da gestão, possibilitando a comparação do planejado com o realizado. Além de ser mais útil para os gesto- res, usuários internos das demonstrações, ainda temos que levar em conta que para calcular com maior precisão, precisaremos de informações que não encon- tramos facilmente nas demonstrações publicadas, como o valor das compras brutas, as devoluções de vendas e de compras, além do saldo médio dos esto- ques, dos valores a receber de clientes e dos valores a pagar aos fornecedores, visto que o saldo médio é necessário para abarcar possíveis sazonalidades da ati- vidade empresarial que refletem no valor dos recursos. Os indicadores dos giros dos recursos mostram quantas vezes um deter- minado recurso foi renovado durante um determinado período, normalmente consideramos o período de um ano. Os prazos médios utilizam os mesmos valo- res já utilizados para calcular os giros dos recursos, mas o enfoque é determinar quantos dias, em média, um determinado recurso leva para ser renovado. Os resultados obtidos no cálculo dos prazos médios serão utilizados para calcular o ciclo operacional e o ciclo financeiro. Como estamos utilizando demonstrações contábeis elaboradas no final dos períodos para desenvolvermos os cálculos dos indicadores, vamos simular informações complementares para calcularmos os giros dos recursos e os pra- zos médios; assim, teremos um aprendizado completo, com enfoque teórico e prático. Vamos em frente! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E92 GIRO DOS RECURSOS A análise do Giro dos Recursos busca medir a performance das atividades ope- racionais da empresa, tais como: estoques, compras e vendas, pagamentos e recebimentos. O nível dessas atividades normalmente é definido no planeja- mento estratégico da empresa, os indicadores vão mostrar se o planejamento está sendo realizado ou se temos muitas variações. É necessário entender como os recursos se renovam por meio dos giros encontrados pela análise dos valores das contas que representam estes recur- sos, porque a gestão destes afetam diretamente os diferentes ciclos do negócio. O grau de utilização dos ativos na geração das receitas é refletido na rotação ou giros dos recursos: quanto mais eficiente o uso dos ativos, maior benefício trará a liquidez e a rentabilidade da empresa. Neste grupo de análise, utiliza- mos contas que representam a situação financeira e patrimonial em comparação com contas que representam a situação econômica. Como os valores das contas de resultado (situação econômica) se referem, normalmente, a um período de um ano, é recomendável usar o saldo médio dos valores das contas do Balanço Patrimonial. Para isso, é necessário termos balanços mensais para calcular a média dos recursos; desta forma, estaremos eliminando os efeitos sazonais. Devemos entender como saldo médio a média aritmética das demonstra- ções intermediárias do período. Por exemplo: se temos no ano doze balanços ou balancetes mensais, soma-se o saldo dos doze e divide-se por doze, encontrando, assim, uma média dos recursos utilizados durante o ano todo. Giro dos Recursos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 GIRO DOS ESTOQUES TOTAIS O giro dos estoques totais indica o número de vezes em que os estoques foram renovados por causa das vendas, durante um período. Se houver estoques com diversas características, o índice refletirá a média glo- bal ponderada de todos os valores mantidos na conta estoque. Para amenizar os possí- veis problemas de distorção, calcula-se um valor médio dos estoques durante o perí- odo; assim, a comparação fica mais razoável. Quando é impossível obter informa- ções para calcular a média, podemos utilizar o valor das demonstrações do final do período, mas devemos ter ciência que, caso haja sazonalidade, o índice encon- trado não será tão confiável. É calculado pela razão entre o custo das vendas e o valor médio dos esto- ques, normalmente, quanto maior a rotatividade, melhor a situação da empresa. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, consideremos que conseguimos as demonstrações men- sais junto à empresa. Com base nos saldos mensais dos estoques, vamos, então, calcular o SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES no quadro a seguir: GET = CUSTO DAS VENDAS SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E94 Quadro 1 - Saldo médio dos estoques CÁLCULO SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES Meses x3 x2 x1 JAN 1.287.303 1.443.569 1.582.797 FEV 1.306.613 1.434.908 1.560.226 MAR 1.311.839 1.426.298 1.537.977 ABR 1.298.721 1.417.741 1.516.046 MAI 1.279.240 1.409.234 1.494.427 JUN 1.272.844 1.400.779 1.473.116 JUL 1.293.547 1.392.374 1.502.579 AGO 1.354.445 1.384.020 1.517.604 SET 1.361.217 1.375.716 1.547.957 OUT 1.381.533 1.367.461 1.532.477 NOV 1.363.693 1.359.257 1.547.802 DEZ 1.336.954 1.343.741 1.465.553 Média 1.320.662,42 1.396.258,17 1.523.213,42 Fonte: o autor. Vamos calcular o Giro dos Estoques Totais, considerando o Custo das Vendas do período de 12 meses, obtido nas demonstrações publicadas, e o Saldo Médio dos Estoques calculados de acordo com as demonstrações mensais: Quadro 2 - Cálculo do GET GET = x3 x2 x1 6.379.561,00 6.369.372,00 7.066.328,00 1.320.662,42 1.396.258,17 1.523.213,42 4,83 vezes 4,56 vezes 4,64 vezes Fonte: o autor. Os índices encontrados significam quantas vezes os estoques foram renovados durante cada período: quanto maior o giro, melhor; percebemos, então, que o pior ano foi x2 com giro de 4,56 vezes e o melhor ano foi x3 com giro de 4,83 vezes.Demonstrando graficamente: x3 x2 x1 4,83 4,56 4,64 Giro dos Estoques Totais Giro dos Recursos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 Empresas comerciais compram e vendem; empresas industriais compram, transformam e vendem. Esta diferença está ligada ao ciclo de produção e tem reflexo direto no giro do ativo. Empresas comerciais tendem a ter giro do ativo maior, e empresas industriais, menor. O giro do ativo mostra a ve- locidade em que os ativos são transformados em volume de vendas e a ren- tabilidade depende do volume de vendas. Assim, vemos uma relação direta entre giro do ativo e taxas de retorno, pois a margem líquida pequena pode ser compensada com grande volume de vendas. O gestor financeiro deve mostrar que o capital está sendo bem remune- rado e a melhor forma de fazer isso é utilizando o giro do ativo total e a rentabilidade dos ativos. A melhor forma de comparar o giro do ativo com o de outras empresas, ainda, é o padrão setorial; no entanto, a empresa deve sempre buscar rotações ou giros maiores, pois quantomaior for o giro dos ativos, maior será a eficiência da empresa e maior a rentabilidade. Fonte: o autor. Figura 1 - Giro dos Estoques Totais Fonte: o autor. GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E96 GIRO DO ATIVO TOTAL O giro do ativo total indica a eficiência com a qual a empresa usa seus ativos para gerar vendas. Normalmente, quanto maior esse índice, maior a eficiência no uso dos ativos. “Um dos mais importantes indicadores de giro é representado pelo índice de giro dos ativos” (BRUNI, 2010, p. 179). Deve-se tomar cuidado ao usar este indicador para fins comparativos, pois é baseado nos custos históricos do total de ativos. Como algumas empresas têm ativos mais novos ou mais velhos que outras, essa comparação pode ser enga- nosa. Empresas com ativos mais novos tendem a ter giros menores que aquelas com ativos mais velhos. A diferença no giro pode ser resultado de ativos mais caros e não de eficiência operacional. É calculado pela razão entre as vendas e o total de ativos da empresa. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar que conseguimos as demonstrações men- sais junto à empresa. Com base nos saldos mensais do ativo total, calculamos o SALDO MÉDIO DO ATIVO TOTAL no quadro a seguir: GAT = RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA SALDO MÉDIO DO ATIVO TOTAL Giro dos Recursos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 Quadro 3 - Saldo médio do ativo total CÁLCULO SALDO MÉDIO DO ATIVO TOTAL Meses x3 x2 x1 JAN 5.441.381 5.245.885 5.363.024 FEV 5.117.004 5.311.412 5.285.120 MAR 5.137.470 5.477.141 5.208.328 ABR 5.086.097 5.543.081 5.232.633 MAI 5.009.805 5.609.221 5.158.015 JUN 5.084.756 5.575.567 5.084.460 JUL 5.165.834 5.542.112 5.186.152 AGO 5.304.325 5.508.861 5.238.011 SET 5.430.846 5.575.808 5.342.774 OUT 5.410.408 5.542.950 5.289.345 NOV 5.340.542 5.610.296 5.342.239 DEZ 5.172.025 5.557.573 5.257.372 Média 5.225.041,08 5.508.325,58 5.248.956,08 Fonte: o autor. Vamos calcular o Giro do Ativo Total considerando a Receita Líquida das Vendas do período de 12 meses, obtido nas demonstrações publicadas, e o Saldo Médio do Ativo Total calculados de acordo com as demonstrações mensais: Quadro 4 - Cálculo do GAT GAT = x3 x2 x1 9.204.103,00 8.872.845,00 9.692.286,00 5.225.041,08 5.508.325,58 5.248.956,08 1,76 vezes 1,61 vezes 1,85 vezes Fonte: o autor. Os índices encontrados significam quantas vezes o ativo total girou em função das vendas líquidas durante cada período: quanto maior o giro, melhor; perce- bemos, então, que o pior ano foi x2 com giro de 1,61 vezes e o melhor ano foi x1 com giro de 1,85 vezes. Demonstrando graficamente: x3 x2 x1 1,76 1,61 1,85 Giro do Ativo Total GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E98 Figura 2 - Giro do Ativo Total Fonte: o autor. PRAZOS MÉDIOS No grupo de indicadores que mostram como está a eficácia da gestão dos recursos, analisamos o resultado da gestão por dois enfoques: o giro de recursos e os prazos médios de realização dos recursos. No subgrupo giro dos recursos, analisamos os estoques e o ativo total; aqui vamos ver os estoques, as contas a receber de clientes e as contas a pagar a fornecedores. Estes indicadores têm como principal objetivo mostrar aos gestores, usuários internos, qual é o resultado da gestão, possibilitando a comparação com o planejamento estratégico e operacional. Prazos Médios Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DOS ESTOQUES Período médio que decorre da compra até a venda de um determinado estoque. Tem efeitos diferentes para comércio e indústria; enquanto no comércio se com- pra e já expõe para venda, na indústria é comprado e transformado para só após o processo produtivo ser vendido. O critério de análise é “quanto menor, melhor”, pois o objetivo é negociar rapidamente os estoques, evitando obsoletismo. O Prazo Médio de Renovação dos Estoques – PMRE – indica a média do número de dias para venda dos estoques. É calculada pela divisão do valor dos estoques (média do período) pelo custo das vendas do período, pois o registro das baixas de estoques vendidos é feito em contrapartida no custo das vendas. Como é medido em dias, o resultado deverá ser multiplicado pelo número de dias do período. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar que conseguimos as demonstrações mensais junto à empresa. Com base nos saldos mensais dos estoques, vamos, então, calcular o SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES no quadro a seguir: PMRE = X360 SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES CUSTO DAS VENDAS GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E100 Quadro 5 - Saldo médio dos estoques CÁLCULO SALDO MÉDIO DOS ESTOQUES Meses x3 x2 x1 JAN 1.287.303 1.443.569 1.582.797 FEV 1.306.613 1.434.908 1.560.226 MAR 1.311.839 1.426.298 1.537.977 ABR 1.298.721 1.417.741 1.516.046 MAI 1.279.240 1.409.234 1.494.427 JUN 1.272.844 1.400.779 1.473.116 JUL 1.293.547 1.392.374 1.502.579 AGO 1.354.445 1.384.020 1.517.604 SET 1.361.217 1.375.716 1.547.957 OUT 1.381.533 1.367.461 1.532.477 NOV 1.363.693 1.359.257 1.547.802 DEZ 1.336.954 1.343.741 1.465.553 Média 1.320.662,42 1.396.258,17 1.523.213,42 Fonte: o autor. Vamos calcular o Prazo Médio de Renovação dos Estoques considerando o Custo das Vendas do período de 12 meses, obtido nas demonstrações publicadas, e o Saldo Médio dos Estoques calculados de acordo com as demonstrações mensais: Quadro 6 - Cálculo do PMRE PMRE = x3 x2 x1 74,53 dias 78,92 dias 77,60 dias Fonte: o autor. Os índices encontrados nos informam em quantos dias os estoques foram reno- vados durante cada período, como esse prazo é do tipo “quanto menor o período, melhor”, percebemos, então, que o pior ano foi x2 com período de 78,92 dias e o melhor ano foi x3 com período 74,53 dias. Demonstrando graficamente: 1.320.662,42 6.379.561,00 x 360 1.396.258,17 6.369.372,00 x 360 1.523.213,42 7.066.328,00 x 360 Prazos Médios Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 Figura 3 - Prazo Médio de Renovação dos Estoques Fonte: o autor. PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DOS CLIENTES O prazo médio de rece- bimento dos clientes é o período médio compre- endido entre a venda e o recebimento dos clientes. É o prazo efetivo e não o prazo para pagamento concedido por ocasião da venda. Se houver atrasos ou antecipação do recebimento, o prazo médio será diferente da política de prazos da empresa. O critério de análise é “quanto menor, melhor”, pois o objetivo é receber as vendas o mais rápido pos- sível, evitando a necessidade de mais capital; quanto antes a empresa receber as vendas, mais recursos disponíveis para o giro dos recursos a empresa terá. O Prazo Médio de Recebimentos dos Clientes – PMRC – é usado para avaliar as políticas de crédito e cobrança da empresa. Para calcular o PMRC, é necessário x3 x2 x1 74,53 78,92 77,60 Prazo Médio de Renov. dos Est. GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E102 entendermos que o ponto de partida é o saldo médio das contas a receber dos clientes (Ativo Circulante). O reflexo nas contas de resultado é a conta Receita Operacional Bruta, mas precisamos considerar alguns ajustes, pois as possíveis devoluções de vendas e abatimentos não serãorecebidos dos clientes. Logo, não faz sentido considerarmos estes valores que formam o saldo da receita bruta, mas que representam deduções logo em seguida. Como é medido em dias, o resultado deverá ser multiplicado pelo número de dias do período. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar que conseguimos informações adicionais junto à empresa. Então, com base nos saldos mensais da conta clientes, vamos calcular o SALDO MÉDIO A RECEBER DOS CLIENTES no quadro a seguir: Quadro 7 - Saldo médio dos valores a receber dos clientes CÁLCULO SALDO MÉDIO A RECEBER DE CLIENTES Meses x3 x2 x1 JAN 434.854 628.916 653.580 FEV 439.203 622.627 640.508 MAR 443.595 610.174 627.698 ABR 448.031 591.869 615.144 MAI 452.511 568.194 602.841 JUN 447.986 539.785 590.784 JUL 443.506 507.398 578.968 AGO 439.071 487.102 590.548 SET 434.680 457.876 602.359 OUT 430.333 430.403 614.406 NOV 426.030 443.315 626.694 DEZ 419.616 430.549 616.585 Média 438.284,67 526.517,33 613.342,92 Fonte: o autor. PMRC = X360 SALDO MÉDIO DE CLIENTES VENDAS BRUTAS AJUSTADAS Prazos Médios Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 Já calculamos o Saldo Médio a Receber de Clientes, mas, neste caso, precisa- mos de outras informações adicionais, porque o reflexo das contas a receber nas contas de resultado não é com as receitas líquidas, mas sim com as brutas, deduzidas pelas devoluções de vendas e abatimentos. Como não temos estas informações nas demonstrações publicadas, vamos considerar que temos um bom relacionamento com a empresa e conseguimos as informações necessárias, consolidando-as conforme exposto: Quadro 8 - Cálculo da Receita Bruta Ajustada INFORMAÇÕES COMERCIAIS Detalhamento x3 x2 x1 RECEITA BRUTA 10.789.509 10.660.936 11.615.740 DEVOLUÇÕES 246.038 378.147 250.421 ABATIMENTOS 47.257 84.803 59.123 RECEITA BRUTA AJUSTADA 10.496.214 10.197.986 11.306.196 Fonte: o autor. Vamos calcular o Prazo Médio de Recebimento dos Clientes com base nas Vendas Brutas Ajustadas (Vendas Brutas - Devoluções de Vendas - Abatimentos) do período de 12 meses, de acordo com as informações adicionais obtidas com a empresa e o Saldo Médio de Clientes a Receber, calculados de acordo com as demonstrações mensais: Quadro 9 - Cálculo do PMRC PMRC = x3 x2 x1 15,03 dias 18,59 dias 19,53 dias Fonte: o autor. Os índices encontrados nos informam o período médio em dias que são neces- sários para receber as vendas dos clientes após a realização das vendas. Como este prazo é do tipo “quanto menor, melhor”, percebemos, então, que o pior ano foi x1 com período de 19,53 dias e o melhor ano foi x3 com período 15,03 dias. 438.284,67 10.496.214,00 x 360 526.517,33 10.197.986,00 x 360 613.342,92 11.306.196,00 x 360 GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E104 Os índices encontrados representam quantos dias, em média, as vendas leva- ram para ser recebidas; não é exatamente a mesma coisa que o prazo médio que a empresa concede aos seus clientes, pois aqui é considerado o efetivo recebi- mento das vendas, incluindo, também, as vendas à vista e os recebimentos em atraso. Demonstrando graficamente: x3 x2 x1 15,03 18,59 19,53 Prazo Médio de Rec. de Clientes Figura 4 - Prazo Médio de Recebimento dos Clientes Fonte: o autor. PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO A FORNECEDORES O prazo médio de pagamento aos fornecedores é o período entre a compra e o efetivo pagamento aos fornecedores. No sentido oposto aos dois prazos médios anteriores, o critério de análise é “quanto maior, melhor”, pois o objetivo para fluxo de caixa é que tenhamos mais prazo para pagar os fornece- dores, ja que, como é um passivo não oneroso, tem papel importante no ciclo Prazos Médios Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 financeiro da empresa. O Período Médio de Pagamento a Fornecedores – PMPF – é usado para avaliar as políticas de prazo de pagamento das compras. É obtido dividindo-se o saldo médio da conta fornecedores pelas compras brutas do perí- odo menos as devoluções e abatimentos de compras. Como é medido em dias, o resultado deverá ser multiplicado pelo número de dias do período. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, consideremos que conseguimos informações adicionais junto à empresa. Então, com base nos saldos mensais da conta fornecedores, vamos, então, calcular o SALDO MÉDIO DE FORNECEDORES, conforme o quadro a seguir: Quadro 10 - Saldo médio da conta fornecedores CÁLCULO SALDO MÉDIO DA CONTA FORNECEDORES Meses x3 x2 x1 JAN 1.922.956 1.820.600 1.793.826 FEV 1.865.267 1.765.982 1.740.011 MAR 1.809.309 1.713.002 1.687.811 ABR 1.755.030 1.661.612 1.637.177 MAI 1.702.379 1.611.764 1.588.061 JUN 1.651.307 1.635.940 1.611.882 JUL 1.601.768 1.660.479 1.636.060 AGO 1.553.715 1.685.386 1.660.601 SET 1.507.104 1.710.667 1.685.510 OUT 1.522.175 1.736.327 1.710.793 NOV 1.552.618 1.762.372 1.736.455 DEZ 1.522.038 1.885.251 1.784.902 Média 1.663.805,50 1.720.781,83 1.689.424,08 Fonte: o autor. PMPF = X360 SALDO MÉDIO DE FORNECEDORES COMPRAS BRUTAS AJUSTADAS GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E106 Após calcularmos o Saldo Médio de Fornecedores, ainda precisaremos de outras informações adicionais, porque o reflexo das contas a pagar está nas compras brutas ajustadas pelas devoluções de compras e abatimentos. Estas informações não temos nas demonstrações publicadas, então, vamos considerar que conse- guimos as necessárias, vamos consolidá-las conforme a seguir: Quadro 11 - Cálculo das Compras Brutas Ajustadas INFORMAÇÕES COMERCIAIS Detalhamento x3 x2 x1 COMPRAS BRUTAS 7.591.679 7.716.940 8.267.603 DEVOLUÇÕES 84.712 75.928 96.809 ABATIMENTOS 9.657 4.297 13.067 COMPRAS BRUTAS AJUSTADAS 7.497.310 7.636.715 8.157.727 Fonte: o autor. Vamos calcular o Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores, com base nas Compras Brutas Ajustadas (Compras Brutas - Devoluções de Compras - Abatimentos) do período de 12 meses, conforme as informações adicionais obtidas com a empresa e o Saldo Médio de Fornecedores, calculados de acordo com as demonstrações mensais: Quadro 12 - Cálculo do PMPF PMPF = x3 x2 x1 79,89 dias 81,12 dias 74,55 dias Fonte: o autor. Os índices encontrados nos informam o período médio em dias que a empresa paga as compras aos fornecedores, como se refere a desembolso ou desencaixe financeiro, este índice é do tipo “quanto maior, melhor”; percebemos, então, que o pior ano foi x1 com período de 74,55 dias e o melhor ano foi x2 com período 81,12 dias. Demonstrando graficamente: 1.663.805,50 7.497.310,00 x 360 1.720.781,83 7.636.715,00 x 360 1.689.424,08 8.157.727,00 x 360 x3 x2 x1 79,89 81,12 74,55 Prazo Médio de Pag. aos Fornec. Ciclo Completo de Atividades Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 Figura 5 - Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores Fonte: o autor. CICLO COMPLETO DE ATIVIDADES Os indicadores do ciclo de atividades abarcam três aspectos: econômico, ope- racional e financeiro. O analista, principalmente como usuário interno, precisa compreender o ciclo completo de cada atividade da empresa, o qual representa momentos dos eventos mais relevantes na linha do tempo das atividades, sendo, a mais comum, a mensuração em dias, mas podem ser utilizadas outras unida- des de tempo. O ciclo econômico mostra os eventos econômicos no momento da ocor- rência e evidencia a sua mensuração econômica, sendo, portanto, utilizado para medir o desempenho dasatividades. O ciclo operacional corresponde às ações para a realização das atividades; esse processo inclui o planejamento, a execu- ção e o controle. O ciclo financeiro envolve a necessidade de capital de giro; é o processo da efetivação financeira de cada evento econômico (PADOVEZE; BENEDICTO, 2010). GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E108 CICLO ECONÔMICO O ciclo econômico se caracteriza pelo consumo de recursos para produção ou para manutenção em estoques das mercadorias disponíveis para venda; por- tanto, é o período médio gasto para produzir e vender, no caso da indústria, ou para vender as mercadorias, no caso do comércio. É um cálculo fácil de fazer, pois leva em conta a entrada dos materiais ou mercadorias em estoque até a data da venda. Esse ciclo contribui no controle do estoque da empresa, já que a diminuição ou o aumento no volume de compras podem levar à alteração no resultado. Como equivale ao período médio de estocagem, pode ser representado pela seguinte fórmula: Vamos considerar o PMRE já calculado no tópico anterior: Quadro 13 - Cálculo do ciclo Econômico CICLO ECONÔMICO x3 x2 x1 PMRE 74,53 78,92 77,60 PERÍODO EM DIAS 74,53 78,92 77,60 Fonte: o autor. CICLO ECONÔMICO = PMRE x3 x2 x1 74,53 78,92 77,60 Ciclo Econômico Ciclo Completo de Atividades Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 O ciclo econômico vai refletir diretamente no ciclo operacional e financeiro: quanto maior o ciclo econômico, maior a necessidade de recursos para manu- tenção das atividades empresariais. Logo, o desempenho desse indicador é fundamental para a gestão empresarial. Demonstrando graficamente: Figura 6 - Ciclo Econômico Fonte: o autor. CICLO OPERACIONAL O ciclo operacional é o período necessário para que uma operação se complete. Em uma empresa comercial, cor- responde ao período em que inicia a compra das mercadorias, encerrando no recebimento das vendas dos clientes. Para calcular o ciclo operacional, pre- cisamos utilizar os prazos médios já vistos no tópico anterior, pois o ciclo GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E110 operacional é o período decorrido entre o momento em que a empresa compra materiais para linha de produção ou compra mercadorias para revenda até o ins- tante em que o dinheiro da venda do produto acabado é arrecadado. Soma-se, então, o prazo médio de estocagem ao prazo médio de recebimento dos clientes para encontrarmos o período que representa o ciclo operacional. Pode-se utili- zar a seguinte fórmula: Vamos demonstrar o cálculo do ciclo operacional a partir dos prazos médios já calculados no tópico anterior: Quadro 14 - Cálculo do Ciclo Operacional CICLO OPERACIONAL x3 x2 x1 PMRE 74,53 78,92 77,60 PMRC 15,03 18,59 19,53 PERÍODO EM DIAS 89,56 97,51 97,13 Fonte: o autor. Os índices encontrados representam em quantos dias, em média, a empresa inicia e finaliza uma operação: quanto mais rápido o Ciclo Operacional ocorrer, maior possibilidade de sucesso. Logo, podemos dizer que quanto menor, melhor. Assim sendo, a empresa teve o pior período em x2, 97,51 dias, praticamente igual a x1 e o melhor período em x3, 89,56 dias. Demonstrando graficamente: CICLO OPERACIONAL = PMRE + PMRC x3 x2 x1 89,56 97,51 97,13 Ciclo Operacional Ciclo Completo de Atividades Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 Figura 7 - Ciclo Operacional Fonte: o autor. CICLO FINANCEIRO É o período que compreende o prazo entre o pagamento das compras aos fornecedores e o recebimento das vendas dos clientes. Quanto mais prazo a empresa obtiver dos fornecedores e quanto menos prazos con- ceder aos clientes, menor será o Ciclo financeiro, podendo, inclusive, ser nega- tivo, caso o ciclo operacional seja menor do que o PMPF. O Ciclo financeiro nega- tivo é observado quando o volume e o prazo das fontes espontâneas de recursos excedem a duração do ciclo operacional. Quando o Ciclo finan- ceiro é positivo (normal), a empresa deve buscar estratégias que o minimizem, sem perder receita ou prejudicar seu crédito no mercado. GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E112 Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Vamos demonstrar o cálculo do ciclo financeiro a partir dos prazos médios já calculados no tópico anterior: Quadro 15 - Cálculo do Ciclo Financeiro CICLO FINANCEIRO x3 x2 x1 PMRE 74,53 78,92 77,60 PMRC 15,03 18,59 19,53 PMPF 79,89 81,12 74,55 PERÍODO EM DIAS 9,67 16,39 22,58 Fonte: o autor. Os índices encontrados representam em quantos dias, em média, a empresa pre- cisa suprir o caixa, pois paga os fornecedores antes de receber as vendas; quanto menor o Ciclo Financeiro, menor necessidade de capital. Portanto, é possível dizer que quanto menor, melhor, podendo, inclusive, ser negativo quando o prazo de pagamento aos fornecedores é maior do que o ciclo operacional. Neste nosso desenvolvimento prático, o pior período foi x1, 22,58 dias e o melhor período foi x3, 9,67 dias. Demonstrando graficamente: CICLO FINANCEIRO = PMRE + PMRC - PMPF x3 x2 x1 9,67 16,39 22,58 Ciclo Financeiro Ciclo Completo de Atividades Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 Figura 8 - Ciclo Financeiro Fonte: o autor. DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DO CICLO COMPLETO DE ATIVIDADES A gestão dos recursos foi vista, nesta unidade, pelo enfoque dos giros e pelos prazos médios. Os prazos médios foram utilizados para calcular os ciclos: econô- mico, operacional e financeiro. Isso permite uma análise dos ciclos de atividades apresentadas de diversas maneiras diferentes. Finalizando o tópico Ciclo de Atividades, apresentamos uma consolidação dos ciclos calculados a partir dos prazos médios. O gestor financeiro deve desenvolver ações que reduzam o ciclo financeiro, pois, com isso, reduzirá o volume de capitais necessários. O PMRE menor contribuirá para reduzir o ciclo financeiro? x3 x2 x1 74,53 78,92 77,60 89,56 97,51 97,13 9,67 16,39 22,58 Ciclo Completo de Atividades CICLO ECONÔMICO CICLO OPERACIONAL CICLO FINANCEIRO GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 Resumo dos prazos médios e ciclos de atividades Nesta tabela, podemos ter uma visão conjunta dos prazos médios e dos ciclos de atividades. Quadro 16 - Ciclo Completo de Atividades CICLO COMPLETO DE ATIVIDADES x3 x2 x1 PMRE 74,53 78,92 77,60 PMRC 15,03 18,59 19,53 PMPF 79,89 81,12 74,55 CICLO ECONÔMICO 74,53 78,92 77,60 CICLO OPERACIONAL 89,56 97,51 97,13 CICLO FINANCEIRO 9,67 16,39 22,58 Fonte: o autor. Gráfico dos ciclos de atividades Neste gráfico, temos a visão conjunta dos ciclos de atividades: econômico, ope- racional e financeiro dos três períodos calculados: x3, x2 e x1. Figura 9 - Ciclo Completo de Atividades Fonte: o autor. Ciclo Completo de Atividades Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 Prazos médios e ciclos de atividades anuais Para melhor aprendizado sobre a composição dos prazos médios e dos ciclos de atividades, vamos verificar três gráficos diferentes, um para cada período. Assim, perceberemos que o PMRE equivale ao Ciclo Econômico e somado com o PMRC forma o Ciclo Operacional. Podemos verificar, também, que o Ciclo Financeiroé igual ao Ciclo Operacional menos o PMPF, ou podemos calcular somando o PMRE com o PMRC e subtraindo o PMPF. GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E116 Figura 10 - Ciclo Completo de Atividades Fonte: o autor. Assim, finalizamos esta unidade demonstrando de várias maneiras os prazos médios e os ciclos de uma empresa. É importante que você veja, nestas várias formas de demonstração, que algumas contas do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Período são relevantes para entender os prazos médios e os ciclos de atividades. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 CONSIDERAÇÕES FINAIS Aprendemos sobre a importância da gestão dos recursos para medir a eficiência e eficácia da gestão. Para fazer a análise, é necessário comparar alguns elemen- tos patrimoniais com componentes do resultado e com informações adicionais. Assim, calculamos na prática os giros de recursos: dos estoques e do ativo total; os prazos médios: de estocagem, de recebimento das vendas; e de pagamento das compras, os ciclos de atividades: econômico, operacional e financeiro. Estudamos que a análise do Giro dos Recursos busca medir a performance das atividades operacionais da empresa e que o nível padrão desses indicadores deve ser de acordo com as definições do planejamento estratégico da empresa. Os indicadores vão mostrar se o planejamento está sendo realizado ou se temos muitas variações. Utilizamos informações complementares às demonstrações financeiras para calcular o saldo médio dos estoques, das contas a receber de clientes, do ativo total e da conta fornecedores. Isso é necessário para calcular os giros e os pra- zos médios; caso não seja possível obter essas informações, podemos utilizar o saldo do final do período. Devemos, no entanto, ter ciência que, caso haja sazo- nalidade, o índice encontrado não será tão confiável. Aprendemos a calcular os prazos médios de estoques, contas a receber de clientes e contas a pagar aos fornecedores, utilizados, também, para calcular os indicadores do ciclo de atividades nos aspectos: econômico, operacional e finan- ceiro. O ciclo completo de atividades representa momentos dos eventos mais relevantes na linha do tempo das atividades; o mais comum é ser mensurado em dias, podem ser utilizadas outras unidades de tempo. No final desta unidade, demonstramos os ciclos de atividades de várias manei- ras, para que o aprendizado seja eficaz e você não tenha dúvidas sobre este tema tão importante na análise das demonstrações. Vamos em frente! Sucesso sempre. 118 1. Aprendemos a calcular os prazos médios de estoques, contas a receber de clien- tes e contas a pagar aos fornecedores, utilizados, também, para calcular os indi- cadores do ciclo de atividades nos aspectos: econômico, operacional e financei- ro. Sobre os saldos médios dos recursos, analise as afirmativas a seguir: I- Calcula-se os saldos médios dos recursos para amenizar os possíveis proble- mas de distorção, causados, principalmente, pela sazonalidade. II- Os saldos médios são utilizados para calcular os giros e os prazos médios, refletindo diretamente nos ciclos de atividades. III- Se não for possível calcular os saldos médios, é impossível calcular os giros e prazos médios, pois os índices encontrados seriam totalmente inúteis. IV- O saldo médio de um recurso é a soma dos valores encontrados em de- monstrações mensais. Estão corretas somente as afirmativas: a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I e III. e) II e IV. 2. A análise do Giro dos Recursos busca medir a performance das atividades ope- racionais da empresa, tais como: estoques, compras e vendas, pagamentos e re- cebimentos. O nível dessas atividades normalmente é definido no planejamen- to estratégico da empresa. Os indicadores vão mostrar se o planejamento está sendo realizado ou se temos muitas variações. Considerando que uma empresa apresenta os seguintes valores para dois períodos consecutivos de 12 meses: Saldo médio dos estoques ano 1: R$32.466,00 Saldo médio dos estoques ano 2: R$36.852,00 Custos das vendas ano 1: R$189.780,00 Custos das vendas ano 2: R$226.820,00 Assinale a alternativa correta. a) O GET do ano 2 é de 6,15 vezes e do ano 1 é de 5,85 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 2. b) O GET do ano 2 é de 6,15 vezes e do ano 1 é de 5,85 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 1. c) O GET do ano 2 é de 6,99 vezes e do ano 1 é de 5,15 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 2. d) O GET do ano 2 é de 6,15 vezes e do ano 1 é de 6,99 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 1. 119 e) O GET do ano 2 é de 0,88 vezes e do ano 1 é de 0,84 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 2. 3. Os indicadores de prazos médios estão diretamente ligados ao giro dos recur- sos, com a diferença que naquele se calcula quantas vezes o recurso se renovou em um determinado período e neste em quantos dias, em média, o recurso foi renovado. Sobre os prazos médios, analise as afirmativas a seguir e responda “V” (verdadeiro) ou “F” (falso). ( ) O PMRE é o período médio que decorre da compra até a venda de um determinado estoque. ( ) O PMRC é o período médio compreendido entre a venda e o recebimento dos clientes. ( ) Para calcular o PMRE, devemos dividir o saldo médio dos estoques pelas compras brutas ajustadas e multiplicar pelo número de dias do período. ( ) Para calcular o PMRC, devemos dividir o saldo médio dos valores a receber de clientes pelas compras brutas ajustadas e multiplicar pelo número de dias do período. ( ) O PMRE indica a média do número de dias para venda dos estoques e recebimento das vendas. ( ) O PMPF é o período médio que decorre da compra e o efetivo pagamento aos fornecedores. Assinale a alternativa que representa a ordem correta das afirmativas ver- dadeiras ou falsas. a) V, V, V, V, V, V. b) F, V, F, V, F, V. c) V, F, V, F, V, F. d) F, V, V, F, F, V. e) V, V, F, F, F, V. 4. Os indicadores do ciclo de atividades abarcam três aspectos: econômico, ope- racional e financeiro. O analista, principalmente como usuário interno, precisa compreender o ciclo de cada atividade da empresa. Os ciclos representam mo- mentos dos eventos mais relevantes na linha do tempo das atividades; o mais comum é ser mensurado em dias, mas podem ser utilizadas outras unidades de tempo. Descreva o Ciclo Operacional identificando o período e como se cal- cula. 5. Quando o Ciclo Financeiro é positivo (normal), a empresa deve buscar estraté- gias que o minimizem, sem perder receita ou prejudicar seu crédito no mercado. Descreva o Ciclo Financeiro e explique Ciclo Financeiro Negativo. 120 Como esta unidade mostra indicadores que estão ligados diretamente à gestão financeira das empresas, trago como leitura complementar três tópicos importantes sobre este tema: Objetivos do Administrador Financeiro Os recursos sob responsabilidade do admi- nistrador financeiro são objeto de interesse de diversas partes, naturais e jurídicas (os stakeholders). Por isso, quanto mais ali- nhados seus objetivos, maior segurança e menores incertezas oferecem. Ainda assim, cada uma das partes envolvidas terá uma perspectiva distinta. Senão, vejamos os acionistas, por exemplo: independente- mente se majoritários ou minoritários, ao investirem seus recursos na empresa, abrem mão de outras aplicações. Nesse sentido, o objetivo do administrador financeiro em relação aos acionistas é o de maior remune- ração possível sobre o capital empregado na organização (empresa). Contudo, o administrador financeiro não toma apenas o objetivo dos acionis- tas como parâmetro de ação. Considera também, por exemplo, a prosperidade e o desenvolvimento da região onde a empresa está instalada, buscando envol- vimento ambientale social responsável, o nível de investimento requerido pelo setor, as premissas e condições econômicas locais, regionais e mundiais, entre muitas outras relações. Outros stakeholders impor- tantes, contemplados no estabelecimento dos objetivos financeiros do administrador, são as instituições financeiras, fornecedo- res, clientes, empregados, dentre outros. De modo a corroborar com esse raciocínio sobre os stakeholders, Weston e Brigham (2000, p. 17) destacam que “altos padrões de comportamento ético requerem que uma empresa trate cada participante de uma maneira justa e honesta”. Função Financeira Nas Empresas A função financeira é um aspecto presente em todas as organizações empresariais, independentemente do porte ou ramo de atividade. Isso significa que o administra- dor financeiro representa o manejo de um conjunto de recursos referentes à atividade da empresa, com vista ao cumprimento de metas pré-estabelecidas no planejamento estratégico e, por conseguinte, no orça- mento empresarial. Sendo assim, de acordo com Braga (1995, p. 26) cabe à função finan- ceira duas tarefas básicas: (1) a obtenção de recursos buscando os menores custos e os maiores prazos e (2) a alocação eficiente desses recursos na empresa. Os recursos próprios, que pertencem aos acionistas (sócios da empresa), envolvem um custo de emprego importante para administrador financeiro. Quem investe numa companhia têm expectativa de lucro. Ademais, os recursos de terceiros têm cus- tos que precisam estar contemplados na taxa de retorno dos ativos da empresa. Dizemos que quanto mais capital de ter- ceiros em um negócio, mais alavancado ele está. Meta da Administração Financeira Quando uma pessoa decide investir seus recursos em uma empresa, seja na compra de ações de companhias abertas (listadas na bolsa de valores) ou na compra de quo- tas de uma empresa limitada, está disposta 121 uma relação entre risco e retorno. Quanto maior for o risco a que o capital investido está exposto, maior é a expectativa de retorno. O retorno dos recursos dos investido- res pode acontecer pela distribuição dos dividendos ou pelo aumento do valor de mercado da empresa (ganho de capital), cuja realização depende da venda dos direi- tos de participação no capital social. Para Damodaran (2002), na busca da maximiza- ção do valor da empresa (preço das ações) há três razões para dar atenção: a) o preço das ações é o melhor indicador do valor da empresa, pois é atualizado diariamente pelo mercado; b) a longo prazo, o preço das ações tende a refletir os efeitos das decisões tomadas pela empresa; c) “escolher a maxi- mização dos preços das ações como uma função objetiva nos permite fazer afirma- ções categóricas sobre a melhor forma de selecionar projetos e financiá-los”. Segundo Braga (1995, p. 32), o adminis- trador financeiro deve considerar a real amplitude da meta da administração finan- ceira, que vai além dos lucros da empresa. Essa meta coincide com o objetivo básico dos proprietários ou acionistas. As decisões financeiras são orientadas para o aumento do valor de mercado da empresa. Por- tanto, a meta da administração financeira é a maximização da riqueza dos acionistas que constitui algo mais amplo e profundo do que a maximização dos lucros. Fonte: o autor. MATERIAL COMPLEMENTAR Análise das Demonstrações Financeiras Clóvis Luís Padoveze e Gideon Carvalho Benedicto Editora: Cengage Learning Sinopse: a análise financeira, ou análise de balanço, como é mais conhecida, é um dos principais instrumentos de análise de investimentos, administração financeira e controladoria para compreender o desempenho econômico-financeiro de uma empresa e sua situação patrimonial. Esse instrumento é útil para os interessados externos à empresa (stakeholders), que necessitam de informações sobre a situação desta e para o analista interno, responsável por esse segmento da contabilidade gerencial dentro das entidades. Princípios do Ciclo Financeiro Este artigo contribui com a compreensão da administração financeira e o capital de giro das empresas e com o entendimento do ciclo de conversão de caixa ou ciclo financeiro e outras temas complementares. Acesse o conteúdo disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/principios- do-ciclo-financeiro/25319/>. Acesso em: 13 jun. 2017. REFERÊNCIAS BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Pau- lo: Atlas, 1995. BRUNI, Adriano Leal. A análise contábil e financeira. São Paulo: Atlas, 2010. DAMODARAN, Aswath. Finanças corporativas aplicadas. Porto Alegre: Bookman, 2002. PADOVEZE, Clóvis Luís; BENEDICTO, Gideon Carvalho de. Análise das demonstra- ções financeiras. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010. WESTON, J. Fred; BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da administração financeira. Tradução Sidney Stancatti. Revisão Técnica Fabio Gallo Garcia e Luis Alberto Bertuc- ci. 10. ed. São Paulo: MAKRON Books, 2000. 123 GABARITO 1. Estão corretas somente as afirmativas I e II, portanto, alternativa a). 2. a) O GET do ano 2 é de 6,15 vezes e do ano 1 é de 5,85 vezes, portanto esse índice foi melhor no ano 2. 3. A ordem correta das afirmativas verdadeiras ou falsas está na alternativa e) V, V, F, F, F, V. 4. O ciclo operacional é o período necessário para que uma operação se complete. Em uma empresa comercial, é o período que inicia na compra das mercadorias e encerra no recebimento das vendas dos clientes. Para calcular o ciclo operacio- nal, precisamos utilizar os prazos médios, pois o ciclo operacional é o período decorrido entre o momento em que a empresa compra materiais para linha de produção ou compra mercadorias para revenda até o instante em que o dinheiro da venda do produto acabado é arrecadado. Soma-se, então, o prazo médio de estocagem ao prazo médio de recebimento dos clientes para encontrarmos o período que representa o ciclo operacional. 5. O Ciclo Financeiro é o período que compreende o prazo entre o pagamento das compras aos fornecedores e o recebimento das vendas dos clientes. Caso o ci- clo operacional seja menor do que o PMPF, o ciclo financeiro será negativo, isto ocorre quando o volume e o prazo das fontes espontâneas de recursos excedem a duração do ciclo operacional. U N ID A D E IV Professor Me. José Manoel da Costa ÍNDICES ECONÔMICO- FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Objetivos de Aprendizagem ■ Analisar a situação financeira empresarial por meio de índices de liquidez. ■ Analisar a situação patrimonial empresarial por meio de indicadores da estrutura patrimonial. ■ Analisar a lucratividade das vendas e a rentabilidade dos recursos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Situação Financeira ■ Situação Patrimonial ■ Situação Econômica INTRODUÇÃO Nesta unidade, vamos estudar o que podemos considerar como o “ponto alto” ou “tripé” da análise empresarial. Foi dado o subtítulo “o equilíbrio ideal” porque estudaremos a análise empresarial por três enfoques de vital importância para o equilíbrio das contas da empresa: o financeiro, o patrimonial e o econômico. A análise da situação financeira avalia a capacidade de pagamento dos passivos já assumidos. A capacidade de pagamento de uma empresa tem diversas formas de análise; a diferença entre elas são os prazos de exigibilidade das dívidas. Por outro lado, os ativos recebíveis também têm prazos previstos de recebimentos. Assim, para entendermos melhor a situação financeira da empresa, utilizare- mos índices que mostram a liquidez somente de curto prazo e de curto e longo prazos juntos. A análise da situação patrimonial avalia a composição do patrimônio, envol- vendo o endividamento e seus detalhamentos, o comprometimento dos capitais próprios e recursos não correntes com capitais imobilizados. Mostram, a partir de índices, como está a estrutura patrimonial da empresa, pois uma estrutura desequilibrada poderá comprometer oequilíbrio empresarial. A análise da situação econômica avalia o resultado da – atividades por dois enfoques: o primeiro mostra as margens de lucro em diversos níveis, desde a representatividade do lucro bruto até o lucro líquido, e o segundo é a representa- tividade do resultado em relação aos recursos utilizados, sejam os recursos totais (ativos) ou somente os recursos dos sócios (patrimônio líquido). Com esta abordagem tripla, o analista tem uma visão geral que evidencia o equilíbrio da empresa; se a empresa estiver com deficiências em uma destas três situações, ela deve corrigir urgentemente para não comprometer as outras duas em curto espaço de tempo. Vamos em frente! Chegou a hora de estudarmos o cerne da análise das demonstrações. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E128 SITUAÇÃO FINANCEIRA A situação financeira é o grupo mais conhecido e utilizado na análise das demonstrações devido à sua simplicidade e praticidade ao avaliar um dos pontos fundamentais em uma empresa: a capacidade de pagamento dos compromissos. Evidencia o grau de liquidez da empresa em caso de descontinuidade ou encer- ramento total das atividades. Marion (2002, p. 83) diz que “são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa”. Para a interpretação, o número encontrado (não é percentual) indica quanto a empresa tem, de acordo com os recursos comparados em cada índice, para quitar um real de dívida. Os índices, neste subgrupo, são escritos em números naturais que representam expressões monetárias e têm por característica serem do tipo “quanto maior, melhor”. Situação Financeira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Figura 1 - Tripé da Análise - Situação Financeira Fonte: o autor. LIQUIDEZ GERAL A liquidez geral (Current and long term assets to liabilities) mede a situação finan- ceira da empresa na hipótese de receber todos os seus créditos a curto e a longo prazos, vender todos os bens constantes no ativo circulante e realizável a longo prazo, quais serão as condições de pagar todas as suas dívidas que estão no pas- sivo circulante e no exigível a longo prazo. O índice de liquidez geral indica quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto e longo prazos para pagar cada R$1,00 de dívida de curto e longo prazos. Este índice deve ser analisado com cautela, pois muitos fatos futuros poderão afetá-lo. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. LG = AC + ARLP PC + PNC ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E130 Quadro 1 - Cálculo da Liquidez Geral X3 X2 X1 LG = 2.963.415 + 745.925 2.924.425 + 1.551.292 3.319.459 + 755.647 2.859.611 + 2.035.750 3.365.369 + 516.168 2.820.630 + 1.682.275 LG = 3.709.340 4.475.717 4.075.106 4.895.361 3.881.537 4.502.905 LG = 0,83 0,83 0,86 Fonte: o autor. Os índices encontrados nos mostram quanto a empresa tem (em reais) de bens e direitos (ativos) recebíveis a curto e a longo prazos, para pagar cada R$1,00 de dívidas exigíveis a curto e a longo prazos. Como este índice é do tipo “quanto maior, melhor”, temos, então, a situação melhor em X1, com 0,86 e X2 e X3 em situação pior, com 0,83. Nos três anos, esse índice mostra dificuldades no paga- mento dos compromissos assumidos. Demonstrando graficamente: x3 x2 x1 0,83 0,83 0,86 Liquidez Geral Figura 2 - Liquidez Geral Fonte: o autor. Situação Financeira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 LIQUIDEZ CORRENTE A Liquidez Corrente (Current ratio) considera apenas os recursos que serão rea- lizados e exigidos a curto prazo, ou seja, os bens e direitos do Ativo Circulante e as obrigações do Passivo Circulante. Este índice é o mais conhecido e utilizado entre os índices de solvência e merece atenção, porém, no que diz respeito à qua- lidade dos estoques, tendo em vista que uma empresa com valores de estoques altos pode abrigar estoques obsoletos que não serão realizados. O índice de liqui- dez corrente indica quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto prazo para pagar cada R$1,00 de dívida de curto prazo. É um índice muito utilizado para concessão de créditos com vencimentos a curto prazo. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Colocaremos os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 2 - Cálculo da Liquidez Corrente X3 X2 X1 LC = 2.963.415 2.924.425 3.319.459 2.859.611 3.365.369 2.820.630 LC = 1,01 1,16 1,19 Fonte: o autor. Os índices encontrados significam o valor que a empresa tem, considerando a realização dos recursos a curto prazo para quitar R$1,00 da dívida a curto prazo. Como esse índice é do tipo “quanto maior, melhor”, podemos dizer que o melhor período foi X1, com 1,19 e o pior foi X3, com 1,01. Mesmo estando acima de 1, percebemos uma diminuição ano a ano; se continuar essa tendência, prova- velmente X4 estará abaixo de 1, o que representa um problema de caixa a curto prazo. Demonstrando graficamente: LC = AC PC x3 x2 x1 1,01 1,16 1,19 Liquidez Corrente ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E132 Figura 3 - Liquidez Corrente Fonte: o autor. LIQUIDEZ SECA A Liquidez seca (Acid test) é um índice muito parecido com a liquidez corrente, mas considera-se o risco de não realização dos estoques. Então, o índice de liqui- dez seca mostra quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto prazo, sem considerar o valor dos estoques para liquidar cada R$1,00 das dívidas a curto prazo. Na prática, é o analista considerando que todo o estoque será classifi- cado para perdas. Nessa condição, como ficaria a situação financeira da empresa para quitar as suas dívidas a curto prazo (Passivo Circulante), sem a realização dos estoques? Podem ser utilizadas variações na aplicação desse índice como, por exemplo, excluir do ativo circulante apenas um determinado percentual dos estoques que o analista avalie como de difícil realização. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: LS = AC - Estoques PC Situação Financeira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 Figura 3 - Liquidez Corrente Fonte: o autor. LIQUIDEZ SECA A Liquidez seca (Acid test) é um índice muito parecido com a liquidez corrente, mas considera-se o risco de não realização dos estoques. Então, o índice de liqui- dez seca mostra quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto prazo, sem considerar o valor dos estoques para liquidar cada R$1,00 das dívidas a curto prazo. Na prática, é o analista considerando que todo o estoque será classifi- cado para perdas. Nessa condição, como ficaria a situação financeira da empresa para quitar as suas dívidas a curto prazo (Passivo Circulante), sem a realização dos estoques? Podem ser utilizadas variações na aplicação desse índice como, por exemplo, excluir do ativo circulante apenas um determinado percentual dos estoques que o analista avalie como de difícil realização. Pode-se utilizar aseguinte fórmula: LS = AC - Estoques PC Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 3 - Cálculo da Liquidez Seca X3 X2 X1 LS = 2.963.415 - 1.336.954 2.924.425 3.319.459 - 1.343.741 2.859.611 3.365.369 - 1.465.553 2.820.630 LS = 1.626.461 2.924.425 1.975.718 2.859.611 1.899.816 2.820.630 LS = 0,56 0,69 0,67 Fonte: o autor. Os índices encontrados significam o valor que a empresa tem, considerando a realização dos recursos a curto prazo, exceto os estoques para quitar R$1,00 da dívida a curto prazo. Como este índice é do tipo “quanto maior, melhor”, nas demonstrações que aqui estamos analisando, podemos dizer, então, que o melhor período foi X2, com 0,69 e o pior foi X3, com 0,56; novamente o período X3 inspira cuidados. Demonstrando graficamente: x3 x2 x1 0,56 0,69 0,67 Liquidez Seca ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E134 Figura 4 - Liquidez Seca Fonte: o autor. LIQUIDEZ IMEDIATA A liquidez imediata (Quick ratio), de forma muito pessimista, considera que, além de não realizar os estoques (caso da liquidez seca), a empresa também não receberá os créditos dos seus credores. Portanto, o índice de liquidez imediata mostra a capacidade de pagamento da empresa utilizando somente recursos dis- poníveis para quitar as dívidas a curto prazo e indica quanto a empresa tem em recursos disponíveis (caixa, conta corrente bancária, aplicações com liquidez imediata) para quitar cada R$1,00 de dívidas a curto prazo. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. LI = DisponibilidadesPC Situação Financeira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 Quadro 4 - Cálculo da Liquidez Imediata X3 X2 X1 LI = 202.452 + 566.954 2.924.425 590.400 + 497.623 2.859.611 391.763 + 450.979 2.820.630 LI = 769.406 2.924.425 1.088.023 2.859.611 842.742 2.820.630 LI = 0,26 0,38 0,30 Fonte: o autor. Os índices encontrados significam o valor que a empresa tem, considerando ape- nas os recursos disponíveis para quitar R$1,00 da dívida a curto prazo. Esse índice, isoladamente, pouco contribui para o analista e, considerando numa análise preliminar, que “quanto maior, melhor”, podemos dizer que em X3 foi o pior desempenho da empresa, com 0,26 e em X2 foi o melhor, com 0,38. Demonstrando graficamente: Figura 5 - Liquidez Imediata Fonte: o autor. x3 x2 x1 0,26 0,38 0,30 Liquidez Imediata ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E136 COBERTURA DE JUROS O índice de cobertura de juros (Times interest earned ratio), conforme Silva (2013), indica a situação de cobertura de juros (despesas financeiras) pelo lucro antes dos juros e impostos. É uma forma de identificar a capacidade que o resul- tado operacional tem para suportar as despesas financeiras, principalmente para suportar juros de novos empréstimos e financiamentos. Vamos considerar a forma tradicional de cálculo que utiliza o LAJIR (Lucro antes dos juros e imposto de renda) como lucro base para cobertura dos juros Silva (2013) diz que internacio- nalmente se calcula com base no LAJIR, mas alguns analistas utilizam o LAJIDA (Lucro antes dos Juros, impostos, depreciação e amortização) como lucro base. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 5 - Cálculo da Cobertura de Juros X3 X2 X1 CJ = 366.659 349.024 309.209 435.264 460.599 296.548 CJ = 1,05 0,71 1,55 Fonte: o autor. Percebemos pelos cálculos que a empresa tinha capacidade de cobertura de juros de 1,55 vezes em X1. Esse índice diminuiu drasticamente em X2 para 0,71 vezes e em X3 voltou a ficar acima de uma vez, evidenciando a grande dependência de recursos de terceiros na estrutura patrimonial. Assim, precisamos ter cautela e analisar outros índices para termos um parecer mais embasado. Demonstrando graficamente: CJ = LAJIRDF Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 Figura 6 - Cobertura de Juros Fonte: o autor. SITUAÇÃO PATRIMONIAL Na análise da situação patrimonial, o ana- lista busca indicadores da composição patri- monial que envolve as origens e aplicações de recursos, por meio do endividamento, do perfil da dívida, da utilização de recursos próprios com recur- sos imobilizados, entre outros. Considerando que o capital de terceiros tem custos financeiros que deverão ser liquidados - independentemente do resultado da empresa, muito embora são os capitais de terceiros que alavancam financeiramente a empresa -, a composição x3 x2 x1 1,05 0,71 1,55 Cobertura de Juros ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E138 da estrutura de capital com um peso muito grande para o capital de terceiros pode tornar a empresa vulnerável, podendo levar a empresa à descontinuidade. As empresas que recorrem a capitais de terceiros como um complemento do capital próprio e se preocupam com os custos financeiros, tendo como limite máximo de juros taxas menores que o retorno dos ativos, não terão problemas de solvabilidade. Esse subgrupo normalmente é expresso em percentuais. Figura 7 - Tripé da Análise - Situação Patrimonial Fonte: o autor. ENDIVIDAMENTO GERAL O Endividamento Geral (Debt ratio) mostra a dependência da empresa com recursos externos à sociedade; é o percentual dos ativos totais que está sendo financiado com recursos externos. Na empresa, temos recursos próprios e de terceiros e a soma dessas duas origens de recursos estão à disposição da admi- nistração para utilizar na atividade da empresa. Esse índice mostra quanto os recursos de terceiros representam percentualmente no total dos recursos apli- cados nos ativos da empresa. Indica a representatividade da dívida no total dos recursos; por isso, é do tipo “quanto menor, melhor”. Porém, Bruni (2010, p. 152) Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 contribui com nosso estudo ao dizer que “conclusões significativas somente deve- riam ser apresentadas após uma análise completa dos demais indicadores e da situação macro da empresa”. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 6 - Cálculo do Endividamento Geral X3 X2 X1 EG = EG= EG = 86,54% 88,08% 85,65% Fonte: o autor. A dívida total da empresa ao longo dos três períodos ficou acima de 85%. Esse percentual representa a dívida da empresa perante o valor dos recursos totais que são utilizados na empresa. Comparamos, então, duas grandezas: capitais de terceiros exigíveis a curto e longo prazos com o total dos recursos que estão aplicados na empresa. Considerando, numa análise preliminar, que “quanto menor, melhor”, pode- mos afirmar que o melhor período foi X1 com 85,65% e o pior foi X2 com88,08%. Esses índices mostram a dependência da empresa com recursos de terceiros. Demonstrando graficamente: EG = PC + PNCAT X 100 2.924.425 + 1.551.292 5.172.025 X 100 4.475.717 5.172.025 X 100 4.895.361 5.557.573 X 100 4.502.905 5.257.372 X 100 2.859.611 + 2.035.750 5.557.573 X 100 2.820.630 + 1.682.275 5.257.372 X 100 x3 x2 x1 86,54% 88,08% 85,65% Endividamento Geral ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E140 Figura 8 - Endividamento Geral Fonte: o autor. COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO A Composição do endividamento (Debt profile) nos mostra o perfil da dívida, pois, ao analisarmos o endividamento de forma geral, podemos entender que a dívida da empresa é muito alta e, assim, avaliarmos como situação não desejá- vel. Porém, nem toda dívida é ruim, pois se a menor parte da dívida será exigida a curto prazo, significa que a empresa terá condições de gerar recursos suficien- tes para quitar as dívidas a longo prazo. A composição do endividamento mostra o perfil da dívida evidenciando a dívida de curto prazo perante a dívida total, isto é, mostra o percentual da dívida ruim. Dizemos que a dívida a longo prazo é uma dívida boa porque, além de dar tempo para geração de recursos pela rentabilidade da atividade, ela normalmente tem taxas de juros menores. Se a empresa tiver uma dívida geral baixa, é acei- tável que a dívida de curto prazo seja alta, mas se a dívida total for muito alta e o perfil da dívida a curto prazo também, com certeza é um sinal de alerta, pois pode representar um desequilíbrio. Por representar a dívida com prazo menor e custo maior, esse índice é do tipo “quanto menor, melhor”. Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Colocaremos os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 7 - Cálculo da Composição do Endividamento X3 X2 X1 CE = CE= CE = 65,34% 58,41% 62,64% Fonte: o autor. A dívida a curto prazo da empresa representou 62,64% em X1, 58,41% em X2 e 65,34% em X3. Esse percentual representa o perfil da dívida de curto prazo perante a dívida total da empresa. Comparamos, então, duas grandezas: capitais de terceiros exigíveis a curto com o total de capitais de terceiros, de curto e longo prazos. Considerando, numa análise preliminar, que “quanto menor, melhor”, podemos afirmar que o melhor período foi X2 com 58,41% e o pior foi X3 com 65,34%. Demonstrando graficamente: CE = PCPC + PNC X 100 2.924.425 2.924.425 + 1.551.292 X 100 2.924.425 4.475.717 X 100 2.859.611 4.895.361 X 100 2.820.630 4.502.905 X 100 2.859.611 2.859.611 + 2.035.750 X 100 2.820.630 2.820.630 + 1.682.275 X 100 x3 x2 x1 65,34% 58,41% 62,64% Composição do Endividamento ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E142 Figura 9 - Composição do Endividamento Fonte: o autor. PARTICIPAÇÃO DOS CAPITAIS DE TERCEIROS O índice da participação dos capitais de terceiros (Debt to equity ratio) também se refere ao endividamento, mas o endividamento do patrimônio líquido, pois a comparação do passivo total é feita com os recursos próprios, o que evidencia a garantia que os terceiros credores da empresa terão em eventual liquidação da empresa. Leva-se em conta, ainda, somente a responsabilidade dos sócios com o capital subscrito na sociedade; muito embora exista um hiato na fórmula for- mada pelo capital a integralizar, reflete a garantia baseada no Patrimônio Líquido. Esse índice é do tipo “quanto menor, melhor”, sendo muito utilizado pelas insti- tuições financeiras na análise de concessão de crédito para as empresas. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: PCT = PC + PNCPL X 100 Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 Figura 9 - Composição do Endividamento Fonte: o autor. PARTICIPAÇÃO DOS CAPITAIS DE TERCEIROS O índice da participação dos capitais de terceiros (Debt to equity ratio) também se refere ao endividamento, mas o endividamento do patrimônio líquido, pois a comparação do passivo total é feita com os recursos próprios, o que evidencia a garantia que os terceiros credores da empresa terão em eventual liquidação da empresa. Leva-se em conta, ainda, somente a responsabilidade dos sócios com o capital subscrito na sociedade; muito embora exista um hiato na fórmula for- mada pelo capital a integralizar, reflete a garantia baseada no Patrimônio Líquido. Esse índice é do tipo “quanto menor, melhor”, sendo muito utilizado pelas insti- tuições financeiras na análise de concessão de crédito para as empresas. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: PCT = PC + PNCPL X 100 Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 8 - Cálculo da Participação dos Capitais de Terceiros X3 X2 X1 PCT = PCT= PCT = 642,78% 739,24% 596,83% Fonte: o autor. Os recursos de terceiros representaram 596,83% em X1, 739,24% em X2 e 642,78% em X3 perante os recursos próprios; portanto, considerando somente a respon- sabilidade dos sócios na sociedade, em uma eventual liquidação da empresa, muitos credores ficarão sem receber seus recursos, a menos que existam avais pessoais, uma vez que, mesmo no melhor ano (X1), os recursos de terceiros representam 596,83% dos Patrimônios Líquidos. Considerando, numa análise preliminar, que “quanto menor, melhor”, podemos afirmar que o melhor perí- odo (ou período menos ruim) foi X1 com 596,83% e o pior foi X2 com 739,24%. Demonstrando graficamente: 2.924.425 + 1.551.292 696.308 X 100 4.475.717 696.308 X 100 4.895.361 662.212 X 100 4.502.905 754.467 X 100 2.859.611 + 2.035.750 662.212 X 100 2.820.630 + 1.682.275 754.467 X 100 x3 x2 x1 642,78% 739,24% 596,83% Participação dos Capitais de Terceiros ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E144 Figura 10 - Participação dos Capitais de Terceiros Fonte: o autor. ALAVANCAGEM DOS RECURSOS PRÓPRIOS O índice de Alavancagem dos Recursos Próprios, de acordo com Bruni (2010, p. 154), “analisa a relação entre os recursos totais investidos na entidade e a parcela investida pelos sócios”; portanto, indica quanto foi investido na empresa para cada R$1,00 de capital próprio. Também como uma forma de analisar a utiliza- ção de recursos de terceiros, tem a mesma tendência do índice participação dos capitais de terceiros, mas é medido em valores nominais e considera o total dos recursos (não somente o passivo) para dividir pelo Patrimônio Líquido. Ainda segundo Bruni (2010), este índice representa a alavancagem dos recursos pró- prios perante a totalidade dos recursos aplicados na empresa. Considerando que este índice representa a capacidade de captação de recursos, podemos dizer que “quanto maior, melhor”, mas como é um índice que acompanha a tendência dos índices de endividamento, temos que ter muita cautela em fazer essa afirmação, pois alavancagem maior é igual a dívida maior. x3 x2 x1 7,43 8,39 6,97 Alavancagem dos Recursos Próprios Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estãonas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 9 - Cálculo da Alavancagem dos Recursos Próprios X3 X2 X1 ARP = 5.172.025 696.308 5.557.573 662.212 5.257.372 754.467 ARP = 7,43 8,39 6,97 Fonte: o autor. Encontramos os índices de alavancagem dos recursos próprios que mostram quantos reais foram investidos na empresa para cada R$1,00 de recursos pró- prios, incluindo este. Em X1, para cada R$1,00 de PL, temos R$6,97 de ativos; em X2, para cada R$1,00 de PL, temos R$8,39 de ativos; e em X3, para cada R$1,00 de PL, temos R$7,43 de ativos. Demonstrando graficamente: Figura 11 - Alavancagem dos Recursos Próprios Fonte: o autor. ARP = ATPL ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E146 IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO O índice Imobilização do Patrimônio Líquido mostra a representatividade dos recursos imobilizados perante o PL: representa o percentual do PL que está investido em recursos imobilizados, ou seja, é capital fora do giro. Todas as empresas, independentemente do ramo de atividade e de volume de recursos, precisam de estrutura para desenvolvimento das suas atividades. Algumas delas obtêm linhas de financiamentos incentivadas para aquisição de bens do imobi- lizado; por isso é muito comum que este índice seja maior que 100%, ou seja, os recursos imobilizados são maiores do que os recursos próprios. A imobilização é necessária para a estrutura da empresa e os investimentos em empresas estra- tégicas para a atividade. Além do valor do ativo imobilizado, consideramos como recursos imobilizados os investimentos permanentes em outras empresas e os recursos aplicados em ativos intangíveis. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 10 - Cálculo da Imobilização do Patrimônio Líquido X3 X2 X1 IPL = IPL= IPL = 210,06% 223,87% 182,36% Fonte: o autor. Como antecipado, encontramos percentuais superiores a 100%, isto quer dizer que os recursos imobilizados são bem maiores do que os recursos próprios. Temos IPL = Invest + Imob + Intang PL X 100 1.462.685 696.308 X 100 439.669 + 558.193 + 464.823 696.308 X 100 440.930 + 577.811 + 463.726 662.212 X 100 364.397 + 565.358 + 446.080 754.467 X 100 1.482.467 662.212 X 100 1.375.835 754.467 X 100 x3 x2 x1 210,06% 223,87% 182,36% Imobilização do Patrimônio Líquido Situação Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 que em X1 os recursos imobilizados representavam 182,36% dos recursos pró- prios, 223,87% em X2 e 210,06% em X3. Isso é um ponto de atenção, pois, além dos recursos próprios, temos também terceiros financiando recursos que estão fora do capital de giro. Demonstrando graficamente: Figura 12 - Imobilização do Patrimônio Líquido Fonte: o autor. IMOBILIZAÇÃO DOS RECURSOS NÃO CORRENTES O índice Imobilização dos Recursos não Correntes mostra a representatividade dos recursos imobilizados perante os recursos não correntes: patrimônio líquido e pas- sivo não circulante. Esse índice tem mais relevância na análise das demonstrações de indústrias, já que elas necessitam de muitos recursos para máquinas modernas e de alto custo; quase sempre é possível conseguir linhas de crédito com prazos longos e carências para início de amortização. Muitas empresas com essas características têm o índice de imobilização do capital próprio muito alto, pois utilizam muitos recursos de terceiros para aplicação no ativo imobilizado. O índice de imobilização dos ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E148 recursos não correntes é utilizado com maior propriedade nestes casos, uma vez que, além dos recursos próprios (capitais não exigíveis), também considera os recursos de terceiros a longo prazo (exigibilidade distante). Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 11 - Cálculo da Imobilização dos Recursos Não Correntes X3 X2 X1 IRNC= IRNC= IRNC= 65,08% 54,95% 56,46% Fonte: o autor. Diferentemente do Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido, aqui encontramos percentuais bem inferiores a 100%, o que significa que os recursos imobilizados são bem menores que os recursos não correntes. Temos a representatividade dos recur- sos imobilizados perante os recursos não correntes de 56,46% em X1, 54,95% em X2, 65,08% em X3. Representam o comprometimento do patrimônio líquido mais passivo não circulante com recursos imobilizados: investimentos permanentes em outras empresas, ativo imobilizado e ativo intangível. Demonstrando graficamente: IRNC = Invest + Imob + Intang PL + PNC X 100 439.669 + 558.193 + 464.823 696.308 + 1.551.292 X 100 1.462.685 2.247.600 X 100 1.482.467 2.697.962 X 100 1.375.835 2.436.742 X 100 440.930 + 577.811 + 463.726 662.212 + 2.035.750 X 100 364.397 + 565.358 + 446.080 754.467 + 1.682.275 X 100 Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 Figura 13 - Imobilização dos Recursos Não Correntes Fonte: o autor. SITUAÇÃO ECONÔMICA Quando estudamos a rentabilidade de uma empresa, a primeira palavra de que lembramos é lucro, sem o qual não existe lucratividade e, sem lucratividade, não existe rentabilidade, visto que somente teremos retorno dos recursos se as ativida- des empresariais gerarem resultado positivo. A utilização de índices para medir a situação econômica é necessária porque, segundo Marion (2002), a rentabilidade x3 x2 x1 65,08% 54,95% 56,46% Imobilização dos Recursos Não Correntes ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E150 expressa em termos absolutos não tem utilidade informativa, pois o fato de uma empresa apurar 5 bilhões de reais de lucro e outra apenas 100 mil reais não quer dizer que a primeira deu mais retorno do que a segunda. Neste tópico, vamos analisar a situação econômica por dois enfoques: as margens de lucratividade sobre as vendas e as taxas de retorno sobre os recur- sos investidos. O primeiro é uma verificação de vários níveis de resultado em relação às vendas líquidas. Já o segundo é a representatividade do resultado em relação aos recursos utilizados para a gestão da empresa na busca dos resulta- dos. Guerreiro (2006) afirma que a equação do lucro total se resume em receitas totais menos custos totais. É preciso lembrar que as despesas estão incluídas nes- tes custos totais. Podemos considerar que o lucro é formado pelas receitas totais, menos custos totais, menos despesas totais. Figura 14 - Tripé da Análise - Situação Econômica Fonte: o autor. Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 LUCRATIVIDADE DAS VENDAS Sempre utilizamos a expressão lucra- tividade, uma vez que o objetivo das empresas é obter lucro com a gestão dos recursos. No entanto, é possível que o resultado, principalmente o líquido, seja negativo, o qual denominamos prejuízo. Mesmo neste caso, é possível calcular as margens sobre venda; poderíamos utili- zar, então, a expressão “resultatividade”, por se tratar de análise doresultado e não somente do lucro. As margens de lucratividade são calculadas, também, na análise vertical, pois medem as proporções dos valores dos resultados parciais e final em relação à receita operacional líquida, por ser esta a que realmente representa as vendas da empresa. As vendas líquidas são a grandeza que devemos usar como referência para calcular as margens de lucratividade, já que o objetivo é analisar o percentual de determinado resultado em função das vendas. Ressaltamos que as vendas que realmente constituem receita da empresa é a receita líquida, já que representa as receitas brutas totais menos as deduções ocorridas com impostos diretos sobre venda e expurgo das vendas frustradas: devoluções e abatimentos. Margem Bruta A margem bruta é o cálculo da lucratividade no nível do resultado operacio- nal bruto, que representa o percentual do remanescente da receita operacional líquida após a dedução dos custos das vendas, ou seja, o lucro bruto. A margem bruta mostra o percentual do que sobrou após a empresa pagar os custos dos produtos ou mercadorias vendidas; quanto mais alta, melhor a situação econô- mica bruta da empresa, pois equivale à ocorrência de menores custos das vendas. Consideramos este resultado para apurar a Margem Bruta pela divisão entre o Resultado Bruto e a Receita Líquida. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: x3 x2 x1 30,69% 28,21% 27,09% Margem Bruta ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E152 Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 12 - Cálculo da Margem Bruta X3 X2 X1 MB = MB = 30,69% 28,21% 27,09% Fonte: o autor. Neste índice, a empresa mantém uma tendência muito positiva, pois, sem con- siderar o mérito se o índice é bom ou ruim, percebemos uma gradativa elevação período a período. Como o objetivo das empresas é lucro e, se possível, maiores, podemos dizer que o melhor ano foi X3 com margem bruta de 30,69% sobre as vendas. Demonstrando graficamente: Figura 15 - Margem Bruta Fonte: o autor. 2.824.542 9.204.103 X 100 2.503.473 8.872.845 X 100 2.625.958 9.962.286 X 100 MB = LB RL X 100 Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 Mark-up Global O Mark-up é utilizado para calcular de forma rápida o preço de venda: representa o percentual que será acrescido diretamente sobre os custos para se encontrar o preço de venda de um produto; representa o percentual sobre os custos das vendas da empresa, considerando todos os produtos; e representa o percentual agregado aos custos das vendas para se encontrar a receita líquida. Muito embora lembre os valores adicionados demonstrados na DVA, não pode ser confundido com aquela demonstração, haja vista que os custos aqui utilizados são totais e não somente bens adquiridos de terceiros. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Colocaremos os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 13 - Cálculo do Mark-up Global X3 X2 X1 MG = MG = 44,27% 39,30% 37,16% Fonte: o autor. Encontramos que em X1 devemos aplicar 37,16% sobre o custo das vendas para encontrar as vendas líquidas, em X2 esse percentual foi 39,30% e em X3 44,27%. A tendência desse índice sempre será a mesma da margem bruta, pois o enfoque é diferente, mas os itens analisados são os mesmos. Demonstrando graficamente: MG = LB CV X 100 2.824.542 6.379.561 X 100 2.503.473 6.369.372 X 100 2.625.958 7.066.328 X 100 ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E154 Figura 16 - Mark-up Global Fonte: o autor. Margem Operacional A margem operacional é o cálculo da lucratividade do resultado operacional líquido, que representa o percentual do remanescente do resultado bruto após deduzidas as despesas operacionais, ou seja, o lucro operacional. É importante lembrar que, caso as receitas e despesas financeiras estejam consideradas como operacionais, é necessário fazer a adequação, pois o resultado financeiro não faz parte do resultado operacional, haja vista que decorrem da sobra ou falta de capital e não da atividade operacional da empresa. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, consideraremos as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. MO= LO RL X 100 x3 x2 x1 44,27% 39,30% 37,16% Markup Global x3 x2 x1 3,98% 3,48% 4,75% Margem Operacional Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 Quadro 14 - Cálculo da Margem Operacional X3 X2 X1 MO = MO = 3,98% 3,48% 4,75% Fonte: o autor. Encontramos uma margem operacional com tendência diferente da margem bruta, sendo X1 4,75%, X2 3,48% e X3 3,98%; não existe uma tendência de melhorias período a período. Esse resultado indica que, após deduzir os cus- tos das vendas e as despesas operacionais, sobraram esses percentuais da venda líquida. Considerando que esse índice é do tipo “quanto maior, melhor”, o ano X1 foi o melhor. Demonstrando graficamente: Figura 17 - Margem Operacional Fonte: o autor. 366.659 9.204.103 X 100 309.209 8.872.845 X 100 460.599 9.692.286 X 100 ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E156 Margem do EBITDA EBITDA - Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization — em tradução direta, LAJIDA - Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. O EBITDA é uma medida aproximada do fluxo de caixa ope- racional de uma empresa com base em dados da demonstração de resultados. Considera como lucro as receitas menos custos e despesas operacionais, sendo que nas despesas operacionais não se inclui o resultado da equivalência patri- monial, o resultado financeiro, os impostos, a depreciação e a amortização. Essa forma de apuração do resultado operacional é muito utilizada quando as empre- sas têm muitos bens imobilizados - os quais geram altos valores de despesas com depreciação - ou quando têm muita dependência com recursos onerosos de ter- ceiros, o que gera altos valores de despesas financeiras. No EBITDA, os efeitos da depreciação e de despesas financeiras não são refle- tidos. Os investidores utilizam como boa maneira de comparar empresas com estrutura de capital diferentes e estrutura de atividades semelhantes. É mais útil para avaliar grandes empresas, em pequenas empresas com valor baixo de ativo imobilizado e pequena dependência de empréstimos e financiamentos - a dife- rença entre EBITDA e Lucro Operacional é pequena. A margem do EBITDA é a representatividade do EBITDA perante a receita líquida. Tem uma semelhança com a Margem Operacional; a diferença está na exclusão da depreciação, amortização e equivalência patrimonial do resultado operacional. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: ME= EBITDA RL X 100 Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 Primeiramente, calcularemos o EBITDA; para isso, vamos partir do Resultado Operacional Antes do Resultado Financeiro (LAJIR ou EBIT) da nossa DRP, que já não considera o resultado financeiro para apurar este resultado, e vamos deduzir a Equivalência Patrimonial(que é receita), somando à Depreciação e amortização (que é despesa). Quadro 15 - Cálculo do EBITDA EBITDA - Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization Cálculo x3 $ x2 $ x1 $ RESULT. OPERAC. ANTES RES. FINANC. 366.659 309.209 460.599 (-) Resultado de Equivalência Patrimonial -61.708 -88.948 -102.010 (+) Depreciação e Amortização 72.372 155.795 136.443 (=) EBITDA / LAJIDA 377.323 376.056 495.032 Fonte: o autor. Vamos, agora, considerar o cálculo do EBITDA anterior para calcular a Margem do EBITDA. Quadro 16 - Cálculo da Margem do Ebitda X3 X2 X1 ME = ME = 4,10% 4,24% 5,11% Fonte: o autor. Encontramos um índice com tendência de diminuição nestes três períodos. Isso evidencia menor lucratividade operacional de acordo com as características do EBITDA. Como se trata de resultado, podemos dizer que também é do tipo “quanto maior, melhor”, logo, o melhor ano foi X1 com 5,11%, tem uma queda para X2 com 4,24% e continuando a tendência de queda em X3 com 4,10%. Demonstrando graficamente: 377.323 9.204.103 X 100 376.056 8.872.845 X 100 495.032 9.692.286 X 100 x3 x2 x1 4,10% 4,24% 5,11% Margem EBITDA ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E158 Figura 18 - Margem do Ebitda Fonte: o autor. Margem Líquida A margem líquida é o cálculo de lucratividade do lucro líquido, que representa o percentual do remanescente do resultado operacional após deduzidas as des- pesas não operacionais, os impostos sobre lucro e as participações. A margem líquida já é a medida final de margem de lucro, pois compara o lucro líquido com as vendas líquidas, e o lucro líquido é o resultado da apuração final. Dito de outro modo, das Receitas Brutas se constata as Deduções da Receita Bruta e obtém-se a Receita Líquida; deduz-se os Custos das Vendas e encontramos o Resultado ou Lucro Bruto; em seguida, deduzimos as Despesas Operacionais e obtém-se o Resultado ou Lucro Operacional e, posteriormente, deduzimos ou somamos o Resultado Financeiro, o Resultado das Atividades Descontinuadas, Conhecendo a Margem Operacional e a Margem do EBITDA, qual você con- sideraria para avaliar a compra de uma empresa comercial que fatura, apro- ximadamente, 2 milhões de reais por ano? Por quê? x3 x2 x1 1,17% 0,09% 2,18% Margem Líquida Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 os Impostos e Contribuições sobre o Lucro, as Participações e obtém-se o Resultado ou Lucro Líquido. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 17 - Cálculo da Margem Líquida X3 X2 X1 ML = ML = 1,17% 0,09% 2,18% Fonte: o autor. Encontramos, então, a Margem Líquida, o percentual que sobrou das vendas após a apuração final do resultado, encontramos 2,18% em X1, 0,09% em X2 e 1,17% em X3, não podemos dizer que há uma tendência, pois houve queda acentuada de X1 para X2, voltando a dar sinais de melhoria em X3. Demonstrando graficamente: Figura 19 - Margem Líquida Fonte: o autor. ML= LL RL X 100 107.609 9.204.103 X 100 7.759 8.872.845 X 100 211.537 9.692.286 X 100 ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E160 RENTABILIDADE DOS INVESTIMENTOS Estes indicadores informam o percentual da remunera- ção dos recursos durante o exercício social. Somente haverá retorno e remunera- ção se houver lucro líquido. É a medida da eficácia da gestão, pois representam o resultado obtido em decor- rência da gestão financeira e, de certa forma, representam a maximização da riqueza dos sócios. É considerado pelos administradores e acionistas o grupo de índices de maior importância. Retorno Sobre Os Ativos (investimento) A Taxa de retorno sobre os ativos ou investimentos, chamada em inglês de ROA - Return on Assets ou ROI – Return on Investment – considera o per- centual de remuneração do lucro líquido ao total dos recursos aplicados na empresa. Representa a remuneração dos capitais próprios e de terceiros. Os administradores veem neste índice uma medida da eficiência de suas ges- tões, pois eles administram tanto recursos dos acionistas quanto de terceiros. O Retorno sobre os Ativos indica a eficiência global da empresa em gerar resul- tados com seus ativos. É calculado pela razão entre o Lucro Líquido e o Total de Ativos. Pode-se utilizar a seguinte fórmula: x3 x2 x1 2,08% 0,14% 4,02% Retorno dos Investimentos Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Colocaremos os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. Quadro 18 - Cálculo do Retorno dos Investimentos X3 X2 X1 ROI = ROI = 2,08% 0,14% 4,02% Fonte: o autor. Em decorrência do baixo lucro líquido, em X2 houve uma queda acentuada de 4,02% em X1 para 0,14% em X2, voltando a elevar um pouco em X3 para 2,08%. Esses percentuais representam a maximização dos recursos da atividade em fun- ção do resultado da própria atividade. Demonstrando graficamente: Figura 20 - Retorno dos Investimentos Fonte: o autor. 107.609 5.172.025 X 100 7.759 5.557.573 X 100 211.537 5.257.372 X 100 ROI= LL AT X 100 ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E162 Retorno Sobre o Patrimônio Líquido A Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido ou ROE – Return on equity, em inglês – considera o percentual de remuneração do lucro líquido aos recur- sos dos sócios investidos na empresa. Representa a remuneração dos acionistas e tem uma atenção maior dos investidores, pois representa o rendimento de seus recursos. A taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido mede o retorno sobre o investimento dos proprietários da empresa (PL). É calculada pela razão entre o Lucro Líquido e o Investimento dos proprietários (PL): Pode-se utilizar a seguinte fórmula: Para o cálculo prático, vamos considerar as informações que estão nas demons- trações que estamos utilizando neste livro. Vamos, então, colocar os valores de acordo com o conceito do índice espelhado na fórmula. ROE= LL PL X 100 Geralmente, qualquer ROI positivo é considerado um bom retorno. Isso significa que o custo total do investimento foi recuperado, além de alguns lucros restantes. Um retorno negativo sobre o investimento significa que as receitas não foram suficientes para cobrir os custos totais. O cálculo ROI é extremamente versátil e pode ser usado para qualquer investimento. Os gerentes podem usá-lo para medir o retorno sobre o capital investido; os investidores podem usá-lo para medir o desempenho de suas ações; e os indivíduos podem usá-lo para medir seu retorno sobre os ativos, como suas casas. É bom lembrar que o ROI não leva em consideração o valor do dinhei- ro no tempo o que faz toda diferença para o cálculo de um ativo fixo que leva em conta o retorno futuro. É por isso que a parcela de lucro simplista original da fórmula é geralmente alterada com um cálculo de valor presente. Fonte: o autor. Situação Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 Quadro 19 - Cálculo do Retorno do Patrimônio Líquido X3 X2 X1 ROE= ROE= 15,45% 1,17% 28,04% Fonte: o autor. Também em decorrência do baixo lucro líquido, assim como ocorreuna Taxa de Retorno dos Ativos, em X2 houve uma queda acentuada de 28,04% em X1 para 1,17% em X2, voltando a elevar um pouco em X3 para 15,45%. Esses percentuais representam a maximização dos recursos dos sócios investidos na empresa em função do resultado da própria atividade. É a remuneração do capital dos sócios. Demonstrando graficamente: Figura 21 - Retorno do Patrimônio Líquido Fonte: o autor. 107.609 696.308 X 100 7.759 662.212 X 100 211.537 754.467 X 100 x3 x2 x1 15,45% 1,17% 28,04% Retorno do Patrimônio Líquido ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E164 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, aprendemos os conceitos dos índices econômico-financeiros mais importantes para a análise das demonstrações financeiras ou contábeis. Se esses índices estiverem equilibrados positivamente, mostrarão ao analista o equilíbrio nas áreas mais importantes da empresa: financeira, patrimonial e econômica. No aspecto financeiro, é avaliada a capacidade de pagamento dos passivos da empresa. Fizemos a aplicação prática dos índices: liquidez geral, que indica quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto e longo prazo para pagar cada R$1,00 de dívida com exigibilidade a curto e longo prazo; liquidez corrente, que indica quanto a empresa tem em ativos recebíveis a curto prazo para pagar cada R$1,00 de dívida com exigibilidade a curto prazo; liquidez seca e liquidez imediata, que também indicam capacidade de pagamento das dívidas exigíveis a curto prazo. No aspecto patrimonial, é avaliada a composição das origens de recursos e do seu comprometimento com aqueles imobilizados. Calculamos o endivida- mento geral, o qual indica percentualmente a utilização de recursos de terceiros perante o total dos recursos na empresa. Calculamos, também, a composição do endividamento - que indica o perfil da dívida a curto prazo perante a dívida total - e a utilização do patrimônio líquido com recursos imobilizados. No aspecto econômico, calculamos as margens de lucratividade, que indi- cam a representatividade dos resultados bruto, operacional e líquido perante a receita líquida. Também calculamos as taxas de retorno dos investimentos e dos recursos próprios, que são importantes para os gestores e acionistas da empresa. No final dos estudos desta unidade, você deve ter segurança no aprendizado quanto ao equilíbrio das áreas financeira, patrimonial e econômica, que envol- vem a empresa por meio dos índices econômico-financeiros. Vamos em frente! Sucesso em nosso aprendizado. 165 No quadro a seguir são formadas palavras sobre a análise empresarial: situação fi- nanceira, patrimonial e econômica. As palavras podem estar no sentido horizontal, vertical ou diagonal, leitura normal ou invertida. Responda as perguntas 1, 2 e 3 com base nas palavras encontradas. 1. A situação financeira é o grupo mais conhecido e utilizado na análise das de- monstrações pela sua simplicidade e praticidade ao avaliar um dos pontos fun- damentais em uma empresa: a capacidade de pagamento dos compromissos. Sobre a análise da situação financeira, encontre três palavras e descreva o que significam. 2. Na análise da situação patrimonial, o analista busca indicadores da composição patrimonial que envolve as origens e aplicações de recursos, por meio do endi- vidamento, do perfil da dívida, da utilização de recursos próprios com recursos imobilizados, entre outros. Sobre a análise da situação patrimonial, encontre quatro palavras e escreva sobre elas. 3. A utilização de índices para medir a situação econômica é necessária porque a rentabilidade expressa em termos absolutos não tem utilidade informativa, pois o fato de uma empresa apurar 5 bilhões de reais de lucro e outra apenas 100 mil reais não quer dizer que a primeira deu mais retorno do que a segunda. Sobre a análise da situação econômica, encontre cinco palavras e escreva sobre elas. 166 4. Uma empresa apresenta, em suas demonstrações, os seguintes saldos: Lucro Líquido – R$10.000,00 Ativo Total – R$1.000.000,00 Patrimônio Líquido – R$400.000,00 Receitas Brutas – R$2.400.000,00 Deduções da Receita Bruta – R$400.000,00 Escolha a alternativa que indica corretamente a Margem Líquida e o ROE. a) ML, 0,5% e ROE, 1%. b) ML, 0,5% e ROE, 2,5%. c) ML, 1,0% e ROE, 2,5%. d) ML, 0,4% e ROE, 2,5%. e) ML, 0,4% e ROE, 1,0%. 5. Uma empresa apresenta, em suas demonstrações, os seguintes saldos: Ativo Total – R$1.000.000,00 Ativo Realizável a Longo Prazo – R$60.000,00 Patrimônio Líquido – R$400.000,00 Ativo Circulante – R$600.000,00 Passivo Não Circulante – R$200.000,00 Escolha a alternativa que indica corretamente a Liquidez Corrente (LC), a Liquidez Geral (LG) e a Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL). a) LC, 1,0, LG, 1,1 e IPL, 85%. b) LC, 1,0, LG, 1,7 e IPL, 85%. c) LC, 1,5, LG, 1,6 e IPL, 100%. d) LC, 1,5, LG, 1,1 e IPL, 85%. e) LC, 1,5, LG, 1,7 e IPL, 100%. 167 Avaliação dos índices Os tipos de avaliações de índices contábeis mais comuns são: Avaliação Intrínseca: que configura a análise de elementos qualitativos inter- nos, correspondendo, assim, aos fatores que circunscrevem o balanço patrimonial, tais como estoque, aplicações financeiras, investimentos etc. Avaliação por índice-padrão: tem como finalidade comparar um determinado índice da empresa com um modelo padrão, buscando, a partir disso, analisar se a ele- vação de um índice é negativa ou positiva, estabelecendo, nesse procedimento, res- postas aos valores encontrados. Comparação temporal: este tipo de ava- liação fundamenta a análise dos dados da empresa em períodos sequenciais, pos- sibilitando observar possíveis oscilações e rendimentos. Este tipo de avaliação também tem a finalidade de mapear e acompanhar possíveis evoluções e declí- nios dos elementos e recursos patrimoniais e também apresenta os resultados obtidos pela empresa em determinado período de tempo (WALCZAC, 2008, p. 25 e DUARTE; LAMOUNIER, 2007, p. 9-28). Análises de balanços e suas finalidades Assaf Neto (2003, p. 97) diz que a aná- lise de balanços visa descrever a posição econômica da empresa, embasada nas informações contábeis, prevendo tendên- cias futuras e evolução. Para a extração de informações financei- ras, patrimoniais e econômicas de uma organização, se faz necessário algumas técnicas para análise de balanço, sendo as mais conhecidas e mais eficientes, segundo Miguel (2009, p. 11), a análise horizontal, análise vertical, análise dos índices e quo- cientes; sendo estes últimos melhores para analisar a saúde financeira das empresas. Análise Horizontal: indica o crescimento de itens dos balanços e resultados de acordo com os períodos. Análise Vertical: refere-se à avaliação da estrutura de itens, bem como o crescimento e evolução no tempo. Análise de Liquidez e do Endividamento: esse tipo de análise relaciona as contas do balanço, indicando se a organização utiliza mais recurso de bandos ou fornecedores e/ou se a mesma utiliza recursos próprios, se os recursos de terceiros têm seu venci- mento previsto em maior parte em curto prazo ou em longo prazo. Análise da Rotatividade: diz respeito ao tempo que os recursos patrimoniais se renovam em um período de tempo. Análise de Rentabilidade: são quocientes que comparam a lucratividade com vendas líquidas, o retorno sobre o investimento e também sobre o patrimônio líquido. Retorno Sobre o Investimento: indica os lucros obtidos pela empresa em relação a toda a sua aplicação. Retorno sobre o Patrimônio Líquido: expressa os resultados globais da empresa no que tange os recursos próprios e de ter- ceiros. Análise do Fluxo de Caixa: este tipo de análise evidencia se a empresa terá condi- 168 ções de cumprir com seus compromissos fiscais e financeiros ou, por outro lado, se está buscando recursos que venham incre- mentar a insuficiência de caixa. Compreende-se quepor meio das interpre- tações das análises transforma um conjunto de dados em informações, passando, assim, a ter valores determinantes para servir de ponto de partida para delinear perspecti- vas futuras. Fortes (2001, p. 52) considera que ainda não existe nenhuma ferramenta ou sistema de registro, controle e análise patrimonial que seja mais eficaz no contexto empresarial do que a contabilidade. As diferentes decisões empresariais, muitas vezes, dependem dos aspectos contábeis. O autor citado chama a atenção dos proce- dimentos contábeis como imprescindível para o desenvolvimento satisfatório de um empreendimento, certa vez que a contabi- lidade é uma ciência específica para auxiliar nos procedimentos que envolvam con- trole, gastos, fluxo, capital de giro etc., daí sua importância para dar suporte ao setor administrativo de uma organização. Perez Jr e Begalli (1999, p. 195) afirmam que, em geral, o objetivo da análise é o de extrair dados das demonstrações contábeis, a fim de articular as tomadas de decisões, conhecendo, assim, a estruturação e saúde financeira da organização, bem como seu desenvolvimento operacional. A partir das palavras de Assaf Neto (1998, p. 12), pode-se considerar que a análise das demonstrações contábeis tem o intuito de apresentar informações acerca do pas- sado, presente e futuro de uma empresa, com base nos demonstrativos determi- nando, muitas vezes, possível evolução da empresa. Nesse sentido, Silva (1999, p. 21-22) infere expressando que para que uma empresa evolua e obtenha ascensão em seus negó- cios são imprescindíveis que sejam levados em consideração seus aspectos de organi- zação interna e externa, tais como projetos, nível de economia do país, clientes, forne- cedores, funcionários etc. O autor ainda pontua diversos fatores que estão intrinsecamente atrelados às ques- tões contábeis de uma empresa, pois é evidente que o que move um empre- endimento são os fatores econômicos e financeiros dos mesmos, ou seja, a empresa deve levar em consideração todas as suas ações e contar com o auxílio de métodos contábeis eficazes para melhor gerir suas ações econômicas e realizar suas projeções de maneira assertiva. Matarazzo (1998, p. 19) diz que “os relatórios de análise devem ser elaborados como se fossem dirigidos a leigos, ainda que não o sejam, isto é, sua linguagem deve ser inteli- gível por qualquer dirigente de nível médio de empresa, gerente de banco ou gerente de crédito”. É importante destacar, a partir da citação que a análise é de interesse e de importân- cia significativa para todos os públicos com os quais a empresa se relaciona. Por esse motivo, a “linguagem e a forma demonstra- tiva” dos relatórios devem ser acessíveis a todos, de maneira com que todos compre- endam os dispostos. Fonte: adaptado de Gomes et al. ([2017], on-line)1. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR A análise contábil e financeira Adriano Leal Bruni Editora: Atlas Sinopse: este livro apresenta a análise das demonstrações contábeis de forma simples e didática, com muitos exemplos, casos e exercícios. Revisa conceitos importantes de contabilidade, discutindo os principais aspectos envolvidos no uso das informações contábeis. Tece considerações sobre as diferentes visões das informações contábeis e financeiras. Neste link do Sebrae temos um material bem simples sobre endividamento: como calcular e avaliar o endividamento da sua empresa! Acesse o conteúdo disponível em: <http://blog.pr.sebrae.com.br/financas/como-calcular-e-avaliar- o-endividamento-da-sua-empresa>. Acesso em: 14 jun. 2017. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRUNI, Adriano Leal. A análise contábil e financeira. São Paulo: Atlas, 2010. GUERREIRO, Reinaldo. Gestão do lucro. São Paulo: Atlas, 2006. MARION, José Carlos. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade em- presarial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2013. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: <http://unifia.edu.br/revista_eletronica/revistas/gestao_foco/artigos/ ano2015/importancia_analise_demonstr.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2017. 170 REFERÊNCIAS 171 GABARITO 1. GERAL – A análise da capacidade de pagamento que considera os ativos recebíveis a curto e longo prazo para quitar as dívidas a curto e longo prazo é a liquidez geral. ESTOQUES – Na liquidez seca, devemos deduzir o valor dos estoques do Ativo Circulante e dividir pelo Passivo Circulante. CORRENTE – O índice de liquidez corrente mostra quanto a empresa tem (em reais) em recebíveis a curto prazo para pagar cada R$1,00 de dívida a curto prazo. 2. ENDIVIDAMENTO – É o ponto principal da análise patrimonial. É analisado o en- dividamento geral, a composição do endividamento e a participação do capital de terceiros. TERCEIROS – Os recursos de terceiros são as dívidas da empresa e motivam o cálculo dos índices de endividamento. PATRIMÔNIO – A estrutura do patrimônio demonstrada no balanço patrimonial é a base para análise do endividamento e da imobilização. IMOBILIZADOS – Os recursos imobilizados, formados por investimentos perma- nentes em capitais de outras empresas, bens do imobilizado e ativo intangível são utilizados para calcular o índice de imobilização do patrimônio líquido e dos recursos não correntes. GABARITO 3. LUCRATIVIDADE – São indicadores que mostram as margens de lucro sobre vendas. RENTABILIDADE – São indicadores que mostram a remuneração dos recursos aplicados na empresa. RETORNO – São estudadas duas formas de retorno: sobre os ativos e sobre os capitais próprios. EBITDA – É o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. OPERACIONAL – Expressão atribuída a atividade da empresa, também é utiliza- da como uma margem de lucro sobre vendas. 4. b) ML, 0,5% e ROE, 2,5%. 5. d) LC, 1,5, LG, 1,1 e IPL, 85%. U N ID A D E V Professor Me. José Manoel da Costa TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Entender os cálculos e os objetivos dos índices-padrão. ■ Apresentar um relatório geral dos índices. Avaliar os índices de acordo com os índices-padrão. ■ Verificar o desempenho da empresa por meio da decomposição da ROE. ■ Analisar os recursos de curto prazo por meio da análise financeira dinâmica. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Índices-padrão ■ Relatório da análise ■ Fórmula Dupont ■ Análise financeira dinâmica INTRODUÇÃO Nesta unidade, vamos conhecer alguns tópicos que contribuirão com a análise das demonstrações por meio de enfoques diferentes e complementares aos vis- tos nas unidades anteriores. Trataremos, aqui, dos índices-padrão, do relatório da análise, do método Dupont e da análise financeira dinâmica. Veremos que os índices-padrão refletem o comportamento de um índice - podemos ter um padrão calculado pela mediana que separa um grupo de empre- sas em duas partes: melhor e pior que o padrão. Porém, vamos utilizar padrões múltiplos com base nos decis; assim, é possível atribuir notas e conceitos, não nos restringindo à informação de melhor ou pior. O nosso enfoque será con- ceitual e prático: veremos os cuidados na definição do universo e da amostra de empresas, utilizaremos quatro índices já calculados neste estudo para encontrar o padrão pela mediana e depois pelos decis, teremos as notas e conceitos de cada um destes quatro índices. No enfoque prático, faremos a comparação do padrão com os índices da nossa empresa. Depois de aprendermos sobre os índices-padrão, teremos condições de fazer o relatório da análise das demonstrações, no qual iremos, primeiramente, resumir todos os índices calculados até aqui e encontrar mais um: o fator de solvabili- dade de Kanitz para, a partir disso, elaborarmos um relatório final de análise. Para contribuir com o relatório da análise, aprenderemos, também, o método Dupont, o qual reúne em uma única avaliação todas as áreas responsáveis pelaperformance financeira da empresa. Para finalizar esta unidade e este livro, estudaremos a análise financeira dinâ- mica, que é uma forma de administrar com foco na sustentabilidade financeira e econômica de curto e longo prazo, para tomar decisões que preservem a capa- cidade de pagamento, a lucratividade e a criação de valor ao acionista. Vamos, agora, aprender tópicos que farão a diferença no processo de aná- lise e na utilização para tomada de decisão. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E176 ÍNDICES-PADRÃO De acordo com Braga (1995), os índices-padrão refletem o comportamento de um índice e cada decil definirá um conceito. Assim, além de avaliarmos se a empresa está abaixo ou acima do padrão, também saberemos qual o conceito ou nota do mesmo, de acordo com a amostra de empresas utilizadas. Um índice calculado traz uma informação que deve ser explicada de acordo com seu conceito, mas sem um referencial para comparação não temos como avaliar se o valor encontrado é bom ou ruim. Para suprir essa necessidade de ava- liação, podemos calcular os índices-padrão pois, desta forma, mesmo sabendo que eles não representam padrões ideais, podemos identificar se a empresa ana- lisada está melhor ou pior do que o padrão referencial. Índices-Padrão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 A Análise de Balanços através de índices só adquire consistência e ob- jetividade quando os índices são comparados com padrões, pois, do contrário, as conclusões se sujeitam à opinião e, não raro, ao humor do analista de balanços (MATARAZZO, 2010, p. 187). Na prática, devemos calcular o padrão de todos os índices; aqui, para efeitos didáticos, vamos calcular quatro índices: liquidez geral, endividamento geral, retorno sobre os capitais próprios e ciclo operacional. Neste estudo, além dos índices-padrão obtidos pelo cálculo da mediana de uma série de empresas, vamos aprender sobre a avaliação dos índices com base em notas e conceitos obtidos por meio dos decis. CUIDADOS NA DEFINIÇÃO DO UNIVERSO Uma decisão importante do analista quanto aos índices-padrão é sobre o uni- verso que será considerado para calcular o padrão. Essa decisão pode levar em conta aspectos quanto à região geográfica, setor de atuação, porte da empresa, entre outros. Silva (2013) diz que a região geográfica deve ser levada em conta se os fatores relacionados ao clima, política ou recursos regionais afetarem a econo- mia local, a estrutura da empresa e o seu desempenho, pois se estes fatores não forem relevantes para o desempenho da empresa, o melhor padrão será conside- rar empresas nacionais ou até internacionais de porte ou atividades semelhantes. Não é importante saber que a empresa tem o índice de endividamento geral mais alto do que as empresas locais, se na região onde está instalada quase a tota- lidade das empresas são pequenas com dependência muito grande do capital dos sócios. Pouco importa, também, saber se a empresa é a pior avaliada quanto ao ROI das empresas do setor, se todas as outras são maiores e com captação de recursos do exterior. Portanto, o universo de análise deve ser o mais adequado às necessidades da análise. O analista deve responder a uma pergunta fundamental para a escolha do universo de empresas que serão utilizadas para cálculo dos índices-padrão: qual o melhor referencial de comparação para os índices desta empresa? Em outras palavras: eu preciso saber se esta empresa está melhor ou pior que a média ou mediana de quais empresas? TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E178 Neste estudo, vamos utilizar 30 empresas do mesmo setor de atividades e ramo econômico e de patrimônio líquido semelhantes para calcular quatro índi- ces-padrão escolhidos. Quadro 1 - Dados do universo de empresas Fonte: o autor. No Quadro 1, os índices coletados estão na ordem das empresas. Para fins de cálculo, é necessário ordená-los do menor para o maior conforme veremos mais adiante. CÁLCULO DA MEDIANA A mediana é uma medida separatriz que divide um conjunto de números em duas partes; quando a quantidade de números é ímpar, a mediana será exata- mente o número do meio e quando for par, a mediana será a média dos dois números do meio do conjunto. DADOS DO UNIVERSO DE EMPRESAS SITUAÇÃO FINANCEIRA LG ÍNDICES 30 EMPRESAS 0,83 1,01 0,67 0,56 1,19 1,18 1,19 0,84 0,83 0,86 1,54 0,89 0,99 1,00 1,22 0,87 0,99 1,10 0,80 0,75 1,33 1,05 1,20 2,00 1,09 0,68 0,95 1,40 0,79 0,76 SITUAÇÃO PATRIMONIAL EG ÍNDICES 30 EMPRESAS 86.54% 78,32% 65,00% 45,99% 88,90% 68,45% 89,43% 65,00% 34,90% 78,43% 53,21% 91,56% 23,46% 82,43% 61,01% 88,40% 90,56% 81,30% 85,43% 77,77% 39,50% 65,98% 49,22% 79,79% 79,97% 67,40% 91,23% 70,32% 79,45% 76,91% SITUAÇÃO ECONÔMICA ROE ÍNDICES 30 EMPRESAS 15,45% 28,32% 25,00% 15,99% 18,80% 15,86% 34,89% 25,11% 11,70% 28,04% 21,53% 21,56% 23,46% 12,43% 11,01% 8,40% 1,56% 13,80% 15,34% 27,77% 19,50% 14,98% 12,49% 19,23% 11,97% 12,67% 11,23% 20,32% 29,45% 26,91% GESTÃO DOS RECURSOS CO ÍNDICE 30 EMPRESAS 89,56 77,51 102,10 46,50 89,20 68,00 89,32 65,10 86,21 78,43 53,50 123,70 73,45 82,28 61,00 88,40 91,43 97,51 85,40 78,64 91,56 89,43 86,54 83,00 90,80 97,13 91,20 70,70 89,70 64,90 Índices-Padrão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 Segundo Figueiredo et al. (2009), a mediana é o valor que, após a ordena- ção da amostra em ordem crescente, tem 50% de itens inferiores e 50% de itens superiores. Para calcular os índices-padrão pela mediana, devemos colocar em ordem crescente os índices das 30 empresas da amostra. Como a amostra tem números pares, vamos calcular a média dos dois números centrais. Após colocar em ordem crescente os índices de liquidez geral, tivemos como décimo quinto número 0,99 e como décimo sexto também 0,99. O índice-padrão encontrado é a média desses dois números, portanto 0,99. A nossa empresa, uti- lizada para desenvolvimento prático, está pior que o padrão, pois teve índice de liquidez geral de 0,83 em X3, 0,83 em X2 e 0,86 em X1. No endividamento geral, tivemos como décimo quinto número 77,77% e como décimo sexto 78,32%. O índice-padrão encontrado é a média desses dois números, portanto 78,05%. A nossa empresa, utilizada para desenvolvimento prático, está pior que o padrão, pois teve o índice de endividamento geral de 86,54% em X3, 88,08% em X2 e 85,65% em X1. No retorno do patrimônio líquido, tivemos como décimo quinto número 15,99% e como décimo sexto 18,80%, o índice padrão encontrado é a média desses dois números, portanto 17,40%. A nossa empresa, utilizada para desen- volvimento prático, está pior que o padrão em X3 (15,45%) e em X2 (1,17%) e melhor que o padrão em X1 (28,04%). Quadro 2 - Índices-padrão: Mediana ÍNDICES-PADRÃO: MEDIANA SITUAÇÃO FINANCEIRA LG ÍNDICES 30 EMPRESAS 0,83 1,01 0,67 0,56 1,19 1,18 1,19 0,84 0,83 0,86 1,54 0,89 0,99 1,00 1,22 0,87 0,99 1,10 0,80 0,75 1,33 1,05 1,20 2,00 1,09 0,68 0,95 1,40 0,79 0,76 ÍNDICES EM ORDEM 0,56 0,75 0,80 0,84 0,89 0,99 1,05 1,18 1,20 1,40 0,67 0,76 0,83 0,86 0,95 1,00 1,09 1,19 1,22 1,54 0,68 0,79 0,83 0,87 0,99 1,01 1,10 1,19 1,33 2,00 LG PADRÃO MEDIANA 0,99 TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E180 Fonte: o autor. No ciclo operacional, tivemos como décimo quinto número 86,21 dias e como décimo sexto 86,54 dias, o índice padrão encontradoé a média desses dois núme- ros, portanto 86,38 dias. A nossa empresa, utilizada para desenvolvimento prático, está pior que o padrão em todos os períodos, pois em X3 foi de 89,56 dias, em X2 97,51 dias e em X1 97,13 dias. Considerando esses quatro índices-padrão, temos alguns sinais de alerta, pois somente o ROE de X1 está melhor que o índice-padrão. SITUAÇÃO PATRIMONIAL EG ÍNDICES 30 EMPRESAS 86.54% 78,32% 65,00% 45,99% 88,90% 68,45% 89,43% 65,00% 34,90% 78,43% 53,21% 91,56% 23,46% 82,43% 61,01% 88,40% 90,56% 81,30% 85,43% 77,77% 39,50% 65,98% 49,22% 79,79% 79,97% 67,40% 91,23% 70,32% 79,45% 76,91% ÍNDICES EM ORDEM 23,46% 45,99% 61,01% 65,98% 70,32% 78,32% 79,79% 82,43% 88,40% 90,56% 34,90% 49,22% 65,00% 67,40% 76,91% 78,43% 79,97% 85,43% 88,90% 91,23% 39,50% 53,21% 65,00% 68,45% 77,77% 79,45% 81,30% 86,54% 89,43% 91,56% EG PADRÃO MEDIANA 78,05% SITUAÇÃO ECONÔMICA ROE ÍNDICES 30 EMPRESAS 15,45% 28,32% 25,00% 15,99% 18,80% 15,86% 34,89% 25,11% 11,70% 28,04% 21,53% 21,56% 23,46% 12,43% 11,01% 8,40% 1,56% 13,80% 15,34% 27,77% 19,50% 14,98% 12,49% 19,23% 11,97% 12,67% 11,23% 20,32% 29,45% 26,91% ÍNDICES EM ORDEM 1,56% 11,23% 12,43% 13,80% 15,45% 18,80% 20,32% 23,46% 26,91% 28,32% 8,40% 11,70% 12,49% 14,98% 15,86% 19,23% 21,53% 25,00% 27,77% 29,45% 11,01% 11,97% 12,67% 15,34% 15,99% 19,50% 21,56% 25,11% 28,04% 34,89% ROE PADRÃO MEDIANA 17,40% GESTÃO DOS RECURSOS CO ÍNDICE 30 EMPRESAS 89,56 77,51 102,10 46,50 89,20 68,00 89,32 65,10 86,21 78,43 53,50 123,70 73,45 82,28 61,00 88,40 91,43 97,51 85,40 78,64 91,56 89,43 86,54 83,00 90,80 97,13 91,20 70,70 89,70 64,90 ÍNDICES EM ORDEM 46,50 64,90 70,70 78,43 83,00 86,54 89,32 89,70 91,43 97,51 53,50 65,10 73,45 78,64 85,40 88,40 89,43 90,80 91,56 102,10 61,00 68,00 77,51 82,28 86,21 89,20 89,56 91,20 97,13 123,70 CO PADRÃO MEDIANA 86,38% Índices-Padrão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 CÁLCULO DOS DECIS Vimos que a mediana divide a série de dados em duas partes; com isso, encon- tramos um padrão e duas partes, uma abaixo do padrão e outra acima. Além da mediana, existem outras medidas separatrizes: os quartis, que separam a série em quatro partes; os decis, que separam a série em dez partes; e os percentis, que separam a série em cem partes. Como o nosso objetivo é separar a série com a finalidade de atribuir notas e conceitos, vamos usar os decis. Nos decis, a série é dividida em dez partes iguais, com o mesmo núme- ro de elementos, de tal forma que cada intervalo do decil contenha 10% dos elementos coletados (TIBONI, 2010, p. 187). Para calcular os decis, temos que, após a ordenação da série em ordem crescente, fazer a separação em 10 partes, então podemos calcular os 9 decis ou separadores, com base na média ou mediana das duas partes de dados que o mesmo divide. Aqui, utilizaremos a média; se calcularmos os decis pela mediana, o quinto decil seria exatamente igual às medianas calculadas anteriormente. Para calcular o primeiro decil do índice de liquidez geral, somamos os índices 0,56 + 0,67 + 0,68 + 0,75 + 0,76 + 0,79 e encontramos 4,21, então encontramos a média aritmética 0,70 (4,21 / 6), que é o primeiro decil. Para calcular o quinto decil do índice de endividamento geral. somamos os índices 70,32% + 76,91% + 77,77% + 78,32% + 78,43% + 79,45% e encontra- mos 461,20%, então encontramos a média aritmética 76,87% (461,20% / 6), que é o quinto decil. Para calcular o segundo decil do retorno do patrimônio líquido (ROE) somamos os índices 11,23% + 11,70% + 11,97% + 12,43% + 12,49% + 12,67% e encontramos 72,49%, então encontramos a média aritmética 12,08% (72,49% / 6), que é o segundo decil. Podemos calcular os índices-padrão com base na média ou mediana de uma série de índices. Na sua opinião qual é a melhor? Por quê? TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E182 Quadro 3 - Índices-padrão: Decis Fonte: o autor. Para calcular o sétimo decil do ciclo operacional, somamos os índices 89,32 + 89,43 + 89,56 + 89,70 + 90,80 + 91,20 e encontramos 540,01, então encontramos a média aritmética 90 dias (540,01 / 6), que é o sétimo decil. No Quadro 3 estão calculados os nove decis de cada um dos quatro índices ÍNDICES-PADRÃO: DECIS SITUAÇÃO FINANCEIRA LG ÍNDICES EM ORDEM 0,56 0,75 0,80 0,84 0,89 0,99 1,05 1,18 1,20 1,40 0,67 0,76 0,83 0,86 0,95 1,00 1,09 1,19 1,22 1,54 0,68 0,79 0,83 0,87 0,99 1,01 1,10 1,19 1,33 2,00 DECIS 1º decil 0,70 3º decil 0,84 5º decil 0,97 7º decil 1,13 9º decil 1,45 2º decil 0,79 4º decil 0,90 6º decil 1,04 8º decil 1,22 SITUAÇÃO PATRIMONIAL EG ÍNDICES EM ORDEM 23,46% 45,99% 61,01% 65,98% 70,32% 78,32% 79,79% 82,43% 88,40% 90,56% 34,90% 49,22% 65,00% 67,40% 76,91% 78,43% 79,97% 85,43% 88,90% 91,23% 39,50% 53,21% 65,00% 68,45% 77,77% 79,45% 81,30% 86,54% 89,43% 91,56% DECIS 1º decil 41,05% 3º decil 65,47% 5º decil 76,87% 7º decil 82,58% 9º decil 90,01% 2º decil 56,57% 4º decil 71,14% 6º decil 79,54% 8º decil 86,86% SITUAÇÃO ECONÔMICA ROE ÍNDICES EM ORDEM 1,56% 11,23% 12,43% 13,80% 15,45% 18,80% 20,32% 23,46% 26,91% 28,32% 8,40% 11,70% 12,49% 14,98% 15,86% 19,23% 21,53% 25,00% 27,77% 29,45% 11,01% 11,97% 12,67% 15,34% 15,99% 19,50% 21,56% 25,11% 28,04% 34,89% DECIS 1º decil 9,31% 3º decil 13,62% 5º decil 17,47% 7º decil 22,83% 9º decil 29,23% 2º decil 12,08% 4º decil 15,24% 6º decil 20,16% 8º decil 26,05% GESTÃO DOS RECURSOS CO ÍNDICES EM ORDEM 46,50 64,90 70,70 78,43 83,00 86,54 89,32 89,70 91,43 97,51 53,50 65,10 73,45 78,64 85,40 88,40 89,43 90,80 91,56 102,10 61,00 68,00 77,51 82,28 86,21 89,20 89,56 91,20 97,13 123,70 DECIS 1º decil 59,83 3º decil 76,84 5º decil 86,46 7º decil 90,00 9º decil 100,57 2º decil 69,94 4º decil 82,33 6º decil 88,74 8º decil 91,97 Índices-Padrão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 que estamos considerando como exemplos deste estudo. Assim, aprendemos na prática sobre como calcular os decis e agora você sabe calcular para os demais índices. ESCALA DE CONCEITOS A escala de conceitos é uma forma de avaliar a empresa em função dos decis. Logo, não teremos somente duas notas: ruim ou boa (isso é possível com o índice padrão pela mediana), mas teremos até nove conceitos, de acordo com os decis. A partir do cálculo dos decis, podemos estabelecer notas ou conceitos para os intervalos de empresas utilizadas para calcular o padrão; teremos, então, uma nota ou conceito para a nossa empresa em cada índice. As definições de notas e conceitos podem ser feitas livremente pelo ana- lista, pois, como já vimos anteriormente, a análise das demonstrações não é uma atividade normatizada, e sim gerencial. Por essa razão, fizemos as seguintes pon- derações para definições: Para os índices do tipo “quanto maior, melhor” consideramos nota 1 o inter- valo de zero até o 1º decil, nota 2 o intervalo do 1º até o 2º decil, nota 3 o intervalo do 2º até o 3º decil, nota 4 o intervalo do 3º até o 4º decil, nota 5 o intervalo do 4º até o 5º decil, nota 6 o intervalo do 5º até o 6º decil, nota 7 o intervalo do 6º até o 7º decil, nota 8 o intervalo do 7º até o 8º decil e nota 9 o intervalo acima do 8º decil, consideramos o conceito INSUFICIENTE para as notas 1 e 2; REGULAR para as notas 3 e 4; BOM, para as notas 5 e 6; MUITO BOM para as notas 7 e 8; e EXCELENTE para a nota 9. Para os índices do tipo “quanto menor, melhor” consideramos nota 1 o inter- valo acima do 9º decil, nota 2 o intervalo do 8º até o 9º decil, nota 3 o intervalo do 7º até o 8º decil, nota 4 o intervalo do 6º até o 7º decil, nota 5 o intervalo do 5º até o 6º decil, nota 6 o intervalo do 4º até o 5º decil, nota7 o intervalo do 3º até o 4º decil, nota 8 o intervalo do 2º até o 3º decil e nota 9 o intervalo até o 2º decil. Quanto aos conceitos, consideramos, da mesma forma, conceito INSUFICIENTE para as notas 1 e 2; REGULAR para as notas 3 e 4; BOM para as notas 5 e 6; MUITO BOM para as notas 7 e 8; e EXCELENTE para a nota 9. TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E184 Quadro 4 - Índices-padrão: Conceitos Fonte: o autor. A nossa empresa de estudo prático, nestes quatro índices-padrão, apresentou um comportamento mediano no período X3, conforme próximo quadro. Quadro 5 - Índices-padrão: Conceitos ÍNDICE X3 PADRÃO NOTA CONCEITO LG Liquidez Geral 0,83 0,99 3 Regular EG Endividamento Geral 86,54% 78,05% 3 Regular ROE Retorno sobre o P.L. 15,45% 17,40% 5 Bom CO Ciclo Operacional 89,56 86,38 4 Regular Fonte: o autor. ÍNDICES-PADRÃO: CONCEITOS SITUAÇÃO FINANCEIRA LG DECIS 1º decil 0,70 3º decil 0,84 5º decil 0,97 7º decil 1,13 9º decil 1,45 2º decil 0,79 4º decil 0,90 6º decil 1,04 8º decil 1,22 NOTAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 CONCEITOS Insuficiente Regular Bom Muito Bom Excelente SITUAÇÃO PATRIMONIAL EG DECIS 1º decil 41,05% 3º decil 65,47% 5º decil 76,87% 7º decil 82,58% 9º decil 90,01% 2º decil 56,57% 4º decil 71,14% 6º decil 79,54% 8º decil 86,86% NOTAS 9 8 7 6 5 4 3 2 1 CONCEITOS Excelente Muito Bom Bom Regular Insuficiente SITUAÇÃO ECONÔMICA ROE DECIS 1º decil 9,31% 3º decil 13,62% 5º decil 17,47% 7º decil 22,83% 9º decil 29,23% 2º decil 12,08% 4º decil 15,24% 6º decil 20,16% 8º decil 26,05% NOTAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 CONCEITOS Insuficiente Regular Bom Muito Bom Excelente GESTÃO DOS RECURSOS CO DECIS 1º decil 59,83 3º decil 76,84 5º decil 86,46 7º decil 90,00 9º decil 100,57 2º decil 69,94 4º decil 82,33 6º decil 88,74 8º decil 91,97 NOTAS 9 8 7 6 5 4 3 2 1 CONCEITOS Excelente Muito Bom Bom Regular Insuficiente Relatório da Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 RELATÓRIO DA ANÁLISE Vamos colocar em uma única tabela todos os indicadores que vimos neste estudo. Isso nos ajudará a termos uma visão geral da situação da empresa, envolvendo os aspectos econômicos e estruturais do patrimônio, a situação econômico-fi- nanceira, as margens de lucratividade, a estrutura de capitais e os retornos sobre recursos do ativo e do patrimônio líquido. O relatório da análise [...] é o instrumento utilizado para a tomada de decisões, que resumirá, de forma clara, a situação econômico-financeira organizacional e seu desempenho ao longo do tempo [...] (CAMARGO, 2007, p. 237). Para resumir de forma clara a situação econômico-financeira de uma empresa e contribuir efetivamente com o usuário que irá tomar decisões não basta somente explicar os índices encontrados, é necessário opinar. Com base nos índices-padrão calculados pela mediana, podemos avaliar a situação de cada índice de uma empresa para sabermos se a situação dela está melhor ou pior que o padrão e, com base nas notas e conceitos calculados pelos decis, podemos avaliar o nível de cada índice perante o padrão, já que, conforme TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E186 Ávila (2011), o relatório de análise deve conter todas as conclusões sobre a empresa analisada, de acordo com a necessidade do usuário solicitante. RESUMO DOS ÍNDICES CALCULADOS Na quando, com o resumo dos índices calculados neste estudo, está identificado o comportamento de cada índice de X1 para X2 e de X2 para X3. Esse apon- tamento não mostra se o índice aumentou ou diminuiu, mas se melhorou ou piorou em relação ao ano anterior. O resumo a seguir não identifica o posicionamento da empresa em relação ao padrão, uma vez que, para isso, é necessário calcular o índice-padrão para todos os vinte e seis índices calculados. Neste trabalho, para efeito didático, calcula- mos somente quatro índices-padrão, já comparados anteriormente e avaliados como pior que o padrão. Assim, recomenda-se o cálculo dos índices-padrão como imprescindíveis para empresas nesta situação. Quadro 6 - Resumo dos índices RESUMO DOS ÍNDICES PERÍODO / ANO X3 X2 X1 SITUAÇÃO FINANCEIRA LG Liquidez Geral 0,83 0,83 0,86 LC Liquidez Corrente 1,01 1,16 1,19 LS Liquidez Seca 0,56 0,69 0,67 LI Liquidez Imediata 0,26 0,38 0,30 CJ Cobertura de Juros 1,05 0,71 1,55 SITUAÇÃO PATRIMONIAL EG Endividamento Geral 86,54% 88,08% 85,65% CE Composição do Endividamento 65,34% 58,41% 62,64% PCT Participação dos Capitais de Terceiros 642,78% 739,24% 596,83% ARP Alavancagem dos Recursos Próprios 7,43 8,39 6,97 IPL Imobilização do Patrimônio Líquido 210,06% 223,87% 182,36% IRNC Imobilização dos Recursos não Correntes 65,08% 54,95% 56,46% Relatório da Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 SITUAÇÃO ECONÔMICA MB Margem Bruta 30,69% 28,21% 27,09% MG Mark-up Global 44,27% 39,30% 37,16% MO Margem Operacional 3,98% 3,48% 4,75% ME Margem do Ebitda 4,10% 4,24% 5,11% ML Margem Líquida 1,17% 0,09% 2,18% ROI Retorno sobre os Investimentos 2,08% 0,14% 4,02% ROE Retorno sobre o Patrimônio Líquido 15,45% 1,17% 28,04% GESTÃO DOS RECURSOS GET Giro dos Estoques Totais 4,83 4,56 4,64 GAT Giro dos Ativos Totais 1,76 1,61 1,85 PMRE Prazo Médio de Renovação dos Estoques 74,53 78,92 77,60 PMRC Prazo Médio de Recebimentos dos Clientes 15,03 18,59 19,53 PMPF Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores 79,89 81,12 74,55 CE Ciclo Econômico 74,53 78,92 77,60 CO Ciclo Operacional 89,56 97,51 97,13 CF Ciclo Financeiro 9,67 16,39 22,58 Fonte: o autor. MODELO DE KANITZ Quando resumimos os índices calculados, quase sempre percebemos que alguns aumentam e outros diminuem com o passar do tempo. Entretanto, o principal desafio é realizarmos uma avaliação geral da empresa, visto que é necessário fazer diversas combinações entre eles, pois cada índice tem um enfoque de aná- lise: enquanto um índice de liquidez mostra a capacidade de a empresa quitar seus compromissos, o de retorno do capital próprio demonstra a rentabilidade que os acionistas alcançaram durante o período naquela empresa. No Brasil, Kanitz (1978) realizou um estudo que, apesar de ter aproximada- mente quarenta anos, ainda é muito utilizado pelos analistas, cujo objetivo é de previsão de falências. Kanitz utilizou cinco índices: retorno do capital próprio, liquidez geral, liquidez seca, liquidez corrente e garantia do capital de terceiros. TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E188 A partir de uma técnica de regressão múltipla e análise discriminante, elaborou uma equação matemática, dando pesos a cada um dos cinco índices. Para isso, utilizou como base uma grande amostra de empresas, metade com problemas de continuidade e metade com bom equilíbrio e sem problemas de falência, e fez um grande trabalho de pesquisa para avaliar o risco de insolvência, encon- trando um indicador do que poderia acontecer no futuro, caso a empresa não mudasse a sua gestão: o fator de solvabilidade. A equação desenvolvida foi a seguinte: Quadro 7 - Fator de solvabilidade de Kanitz Fator de Solvabilidade de Kanitz Composição do Índice X3 X2 X1 X1 = LL / PL 107.609 / 696.308 0,154542243 x 0,05 0,007727112 7.759 / 662.212 0,011716792 x 0,05 0,00058584 211.537 / 754.467 0,280379394 x 0,05 0,01401897 X2 = (AC + ARLP) / (PC + PNC) 3.709.340 / 4.475.717 0,828770005 x 1,65 1,367470508 4.075.106 / 4.895.361 0,832442388 x 1,65 1,37352994 3.881.537 / 4.502.905 0,862007304 x 1,65 1,422312052 X3 = (AC - estoques)/ PC 1.626.461 / 2.924.425 0,556164374 x 3,55 1,974383528 1.975.718 / 2.859.611 0,690904462 x 3,55 2,452710841 1.899.816 / 2.820.630 0,673543145 x 3,55 2,391078163 X4 = AC / PC 2.963.415 / 2.924.425 1,013332535 x 1,06 1,074132488 3.319.459 / 2.859.611 1,160807886 x 1,06 1,230456359 3.365.369 / 2.820.630 1,193126713 x 1,06 1,264714316 X5 = (PC + PNC) / PL 4.475.717 / 696.308 6,427783395 x 0,33 2,12116852 4.895.361 / 662.212 7,392437769 x 0,33 2,439504464 4.502.905 / 754.467 5,968325984 x 0,33 1,969547575 FATOR DE SOLVABILIDADE 0,154280141 0,156865797 0,593147295 FATOR DE SOLVABILIDADE = 0,05 X1 + 1,65 X2 + 3,55 X3 - 1,06 X4 - 0,33 X5 Fonte: o autor. Neste modelo, o objetivo é dar uma nota média geral para a empresa, que conso- lide diversos índices. Depois de aplicada a fórmula, verifica-se em qual intervalo do Termômetro se enquadra o Fator de Solvabilidade encontrado. FS = 0,05 X1 + 1,65 X2 + 3,55 X3 – 1,06 X4 – 0,33 X5 Relatório da Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 Com base no modelo desenvol- vido por Kanitz, a nossa empresa analisada está no intervalo de sol- vência do termômetro, pois nos três períodos está com nota entre zero e 7, mas, mesmo assim, vemos um sinal de alerta, pois está por três anos consecutivos muito próximo do intervalo de penumbra e a cada ano está diminuindo. Figura 1 - Termômetro de Solvabilidade Fonte: o autor. RELATÓRIO FINAL DA ANÁLISE Na tabela com o resumo dos índices calculados neste estudo, identificamos o comportamento de cada índice em relação ao período anterior. No termômetro de Kanitz, identificamos que a empresa está no intervalo de solvência, mas bem próximo do intervalo de penumbra. Como, neste estudo, calculamos somente quatro índices padrão, vamos elaborar um relatório final com base, principal- mente, nos índices, notas e conceitos calculados. Silva (2013) assevera que a estrutura e a extensão do relatório, a profundi- dade da análise e a apresentação de cada item no relatório ocorre em função do objetivo do relatório, do volume dos negócios e dos riscos inerentes às decisões que serão tomadas com base no mesmo. Portanto, o relatório que desenvolvemos a seguir leva em conta uma empresa simulada, usuários sem um foco específico e a limitação dos índices-padrão. ■ A empresa apresenta uma situação financeira preocupante, isto é, evidenciado no índice de liquidez geral, abaixo de 1 nos três perí- odos, e o índice de cobertura de despesas financeira menor que 1 em x2. No curto prazo (circulante), vemos uma situação razoável TERMÔMETRO DE SOLVABILIDADE X3 0,154280141 X2 0,156865797 X1 0,593147295 SITUAÇÃO DE SOLVÊNCIA 7 6 5 4 3 2 1 0 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 SITUAÇÃO DE PENUMBRA SITUAÇÃO DE INSOLVÊNCIA TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E190 em X1, mas houve piora ano a ano, chegando em x3 muito pró- ximo de 1. Considerando o índice padrão do índice de liquidez geral, vemos a empresa bem pior do padrão e conceito regular. ■ A empresa apresenta uma situação patrimonial muito preocupante, com endividamento alto, perfil da dívida de curto prazo muito ruim, a participação de capitais de terceiros perante o patrimônio líquido em x2 passou de 700%, o que mostra uma dependência muito grande com recursos de terceiros. Considerando o índice padrão do índice de endividamento geral, vemos a empresa bem pior do padrão pela mediana e ao utilizarmos os decis, a empresa está no 8º decil, o que representa nota 3 e conceito regular. ■ A empresa apresenta uma situação econômica instável, pois mesmo com resultado líquido positivo nos três períodos, o período x2 remu- nera os recursos dos acionistas em apenas 1,17% enquanto o padrão pela mediana é de 17,40%. Considerando que o conceito do ROE em X1 foi excelente e em X3 foi bom, a situação econômica é a menos preocupante. No entanto, como sabemos que o desequilíbrio empre- sarial afeta até as áreas que ainda estão boas, o gestor desta empresa precisa redirecionar as ações para recuperar a empresa. ■ A empresa apresenta ciclo econômico muito alto, ciclo opera- cional também alto, mas o ciclo financeiro está em níveis baixos. Percebemos, então, que a correção não está muito difícil: ao com- pararmos o ciclo operacional com o padrão, a nossa empresa está sempre pior - X2 é o pior ano com 97,51 dias. Enquanto o padrão é 86,38 dias, na escala de conceitos, em X2, chegamos a Insuficiente, o que preocupa. ■ Utilizando o Termômetro de Solvabilidade de Kanitz, vemos uma empresa ainda no intervalo de solvência, mas nos três períodos muito próximo do intervalo de penumbra e o pior: o índice está a cada ano menor. ■ O analista não recomenda fazer investimentos nesta empresa e nem ter ativos a receber da mesma. Fórmula Dupont Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 FÓRMULA DUPONT O modelo de análise Dupont, segundo Braga (1995, p. 168), “[...] considera a taxa de retorno dos recursos investidos como o resultado do produto da mar- gem de lucratividade das vendas pelo giro dos ativos”. É um método calculado a partir de informações do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Período para avaliar minuciosamente a situação financeira das empresas e ver se um aumento ou redução no retorno teve mais influência da lucratividade das vendas ou da eficiência no uso dos ativos. Essa técnica reúne, em uma única avaliação, todas as áreas responsáveis pela performance financeira da empresa e, nas palavras de Braga (1995, p. 168), “[...] permite integrar todos os elementos formadores do resultado econômico com os investimentos realizados nos ativos”. Gitman (2010) afirma que o sistema Dupont é usado pelos administradores financeiros há muitos anos para avaliar a situ- ação econômico-financeira da empresa a partir das demonstrações contábeis. TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E192 MÉTODO DUPONT ORIGINAL - ROA A análise DuPont representa uma imagem da empresa no que se refere à obtenção do retorno sobre os investimentos, ou seja, sobre os ativos. Pode-se acompanhar a evolução do ROA no decorrer dos períodos e analisar as causas e efeitos na ren- tabilidade da empresa. Uma diminuição no retorno dos ativos é decorrente de um decréscimo na margem ou no giro. Se o problema for o decréscimo da mar- gem, é porque o lucro diminuiu em relação ao montante das vendas. Se o lucro diminuiu, é porque as vendas diminuíram ou os custos aumentaram ou, ainda, uma combinação de ambos. Na figura a seguir, temos os elementos patrimoniais e de resultado que influenciam o ROI ou ROA. Os cálculos e demonstração gráfica do método Du- Pont original da empresa de nosso estudo prático pode ser visualizada pelo QR Code. http://www.manoel.pro.br/DuPont_Original.pdf http://www.manoel.pro.br/DuPont_Original.pdf Fórmula Dupont Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 BP Ativo Circulante Ativo Total Ativo Não Circulante FÓRMULA DUPONT DR P Vendas Líquidas Custo das Vendas Lucro Líquido Margem Líquida Despesas Operacionais Vendas Líquidas Taxa de Retorno sobre os Investimentos Resultado Financeiro Impostos sobre Lucro Giro do Ativo Total Operações Descon- tinuadas + + - + - - - - / / X Figura 2 - Fórmula DuPont Fonte: o autor. TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E194 MÉTODO DUPONT AJUSTADO - ROE A partir do cálculo doROA, podemos utilizar o Passivo e o Patrimônio Líquido (parte do Balanço Patrimonial não utilizada no cálculo do ROA) para calcular a Alavancagem dos Recursos Próprios e encontrar o ROE. Assim, reunimos em um só contexto a taxa de retorno sobre o ativo total, a taxa de retorno sobre o patri- mônio líquido, a margem líquida e o giro total do ativo. Essa análise evidencia o já exposto: quanto maior o retorno sobre o investimento total, medido em função dos ativos, e menor a participação dos proprietários, maior será o grau de alavan- cagem e, em decorrência, o retorno auferido pelos proprietários. Os cálculos e a demonstração gráfica do método Du- Pont ajustado da empresa de nosso estudo prático pode ser visualizada pelo QR Code. http://www.manoel.pro.br/DuPont_Modificada.pdf http://www.manoel.pro.br/DuPont_Modificada.pdf Relatório da Análise Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 Figura 3 - Fórmula DuPont Fonte: o autor. FÓRMULA DUPONT MODIFICADA DR P Vendas Líquidas Custo das Vendas Lucro Líquido Margem Líquida Despesas Operacionais Vendas Líquidas Taxa de Retorno sobre os Investimentos Resultado Financeiro Taxa de Retorno sobre os Recursos Próprios BP Ativo Circulante Ativo Total Ativo Não Circulante Passivo Circulante Passivo Total Recursos Terceiros e Próprios Alavancagem dos Recursos PrópriosPassivo Não Circulante Patrimônio Líquido Impostos sobre Lucro Giro do Ativo Total Operações Descon- tinuadas + X + - + - - - - + + / / / X TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E196 ANÁLISE FINANCEIRA DINÂMICA Os índices calculados na análise financeira tradicional consideram a compara- ção de valores estáticos, pois os valores constantes no ativo e passivo circulante, na prática, nunca serão integralmente realizados ou quitados, mas o cálculo dos índices de liquidez partem desta premissa. A análise financeira dinâmica, também conhecida como modelo Fleuriet, é uma forma de administrar com foco na sustentabilidade financeira e econô- mica de curto e longo prazo, para tomar decisões que preservem a capacidade de pagamento, a lucratividade e a criação de valor ao acionista. Esse modelo de aná- lise financeira dinâmica foi desenvolvido na década de 70 pelo francês Michael Fleuriet, com a colaboração ativa de profissionais brasileiros. Conforme Bruni (2010, p. 251), “[...] o grande foco do estudo da análise dinâmica consiste no Capital de Giro das empresas e na sua forma de financia- mento”. Então, vamos começar reclassificando o Balanço Patrimonial. Análise Financeira Dinâmica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 RECLASSIFICANDO O BALANÇO PATRIMONIAL A reclassificação do grupo circulante do ativo e do passivo em financeiro ou errático e operacional ou cíclico é necessária para encontramos o Investimento Operacional em Giro e o Saldo de Tesouraria. Isso porque a capacidade finan- ceira da empresa, segundo Bruni (2010), será função de fatores operacionais e consequência de decisões estratégicas da administração. É por essa razão que a análise funcional se diferencia da análise contábil tradicional. A análise financeira dinâmica, também conhecida como modelo Fleuriet, é uma forma de administrar com foco na sustentabilidade financeira e econô- mica de curto e longo prazo, para tomar decisões que preservem a capacidade de pagamento, a lucratividade e a criação de valor ao acionista. De acordo com Fleuriet e Zeidan: Na realidade dinâmica das empresas, as contas do ativo e do passivo são classificadas conforme o tempo que levam para realização de um ciclo. Algumas contas apresentam movimentação mais lenta, podendo ser consideradas permanentes ou não cíclicas (FLEURIET; ZEIDAN, 2015, p. 19). Elementos das demonstrações contábeis Item 4.2 da NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL As demonstrações contábeis retratam os efeitos patrimoniais e financeiros das transações e outros eventos, por meio do agrupamento dos mesmos em classes amplas de acordo com as suas características econômicas. Essas classes amplas são denominadas de elementos das demonstrações con- tábeis. Os elementos diretamente relacionados à mensuração da posição patrimonial e financeira no balanço patrimonial são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido. Os elementos diretamente relacionados com a men- suração do desempenho na demonstração do resultado são as receitas e as despesas. A demonstração das mutações na posição financeira usualmente reflete os elementos da demonstração do resultado e as alterações nos ele- mentos do balanço patrimonial. Assim, esta Estrutura Conceitual não identi- fica qualquer elemento que seja exclusivo dessa demonstração. Fonte: CFC (2011). TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E198 Considerando essa realidade dinâmica da nossa empresa, podemos fazer a seguinte reclassificação do Ativo circulante: Quadro 8 - Ativo Circulante reclassificado ATIVO x3 x2 x1 Ativo Circulante 2.963.415 3.319.459 3.365.369 Ativo Circulante Financeiro (errático) 820.484 1.176.163 936.637 Caixa e Equivalentes 202.452 590.400 391.763 Títulos e Valores Mobiliários 566.954 497.623 450.979 Partes relacionadas 51.078 88.140 93.895 Ativo Circulante Operacional (cíclico) 2.142.931 2.143.296 2.428.732 Clientes 419.616 430.549 616.585 Estoques 1.336.954 1.343.741 1.465.553 Tibutos a Recuperar 291.719 333.475 295.205 Outros ativos Circulantes 94.642 35.531 51.389 Fonte: o autor. Temos, agora, o Ativo Circulante Financeiro de R$820.484,00 em X3, R$1.176.163,00 em X2 e R$936.637,00 em X1 e o Ativo Circulante Operacional de R$2.142.931,00 em X3, R$2.143.296,00 em X2 e R$2.428.732,00 em X1. Da mesma forma, o Passivo circulante pode ser reclassificado assim: Quadro 9 - Passivo Circulante reclassificado PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO x3 x2 x1 Passivo Circulante 2.924.425 2.859.611 2.820.630 Passivo Circulante Financ. (errático) 1.074.836 678.406 734.133 Empréstimos e Financiamentos 980.727 568.220 591.051 Partes Relacionadas 94.109 110.186 143.082 Passivo Circulante Operac. (cíclico) 1.849.589 2.181.205 2.086.497 Fornecedores 1.522.038 1.885.251 1.784.902 Obrigações Sociais e Trabalhistas 181.837 150.419 164.739 Obrigações Fiscais 31.642 29.497 44.008 Outras Contas a Pagar 114.072 116.038 92.848 Fonte: o autor. Análise Financeira Dinâmica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 Quanto às origens de recursos de terceiros de curto prazo, temos agora o Passivo Circulante Financeiro de R$1.074.836,00 em X3, R$678.406,00 em X2 e R$734.133,00 em X1 e o Passivo Circulante Operacional de R$1.849.589,00 em X3, R$2.181.205,00 em X2 e R$2.086.497,00 em X1. CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO - CCL O capital circulante líquido ou capital de giro líquido é a diferença entre os ati- vos circulantes e passivos circulantes. Para este cálculo, não é necessário separar os ativos e passivos circulantes em financeiro e operacional, portanto, sem- pre que os ativos circulantes se apresentarem maiores do que passivos circulantes, teremos CCL positivo. Já vimos anteriormente que essa situação também fará com que o Índice de Liquidez Corrente - ILC seja maior que 1; de maneira geral, quanto maior for o CCL e o ILC, maior será a capacidade da empresa hon- rar seus compromissos de curto prazo. Porém, isso depende muito do ramo da empresa, pois empresas com Ciclo Financeiro - CF muito baixos ou negativos têm comportamentos diferentes. Figura 4 - Capital Circulante Líquido Fonte: o autor. Umaempresa com CCL positivo pode apresentar dificuldades de liquidez; isso decorre do conceito de curto prazo, pois uma empresa que tem ativos a receber em onze meses e passivos a pagar em um mês, mesmo que apresente CCL posi- tivo e ILC maior que 1, com certeza terá problemas financeiros. Podemos calcular o CCL utilizando a seguinte fórmula: TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E200 Considerando os valores das demonstrações da nossa empresa, encontramos os seguintes valores: Quadro 10 - Capital Circulante Líquido X3 X2 X1 CCL= 2.963.415 - 2.924.425 3.319.459 - 2.859.611 3.365.369 - 2.820.630 CCL= 38.990,00 459.484,00 544.739,00 Fonte: o autor. Temos, então, um sinal de alerta bem aceso, pois houve uma pequena redução no valor do CCL de X1 para X2; contudo de X2 para X3, a redução foi acentu- ada, muito embora não tenha sido negativo em X3, mas seguindo esta tendência será muito negativo em X4. Demonstrando graficamente: Figura 5 - Capital Circulante Líquido Fonte: o autor. Veremos, a seguir, outros dois conceitos que representam um desdobra- mento do CCL. x3 x2 x1 38.990,00 459.848,00 544.739,00 Capital Circulante Líquido CCL = AC - PC Análise Financeira Dinâmica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 INVESTIMENTO OPERACIONAL EM GIRO - IOG O investimento operacional em giro ou necessidade de capital de giro tem grande utilidade na determinação da saúde financeira da empresa, pois fornece uma visão sistêmica do reflexo de diver- sas áreas de decisão na empresa e de suas interações (SILVA, 2013). O IOG consi- dera itens operacionais que são classificados inicialmente no ativo e passivo circulantes, que têm relação com o ciclo operacional. Figura 6 - Investimento Operacional em Giro Fonte: o autor. O IOG é a parcela permanente do capital de giro e corresponde aos investimen- tos operacionais (estoques e clientes, principalmente), menos os financiamentos operacionais (fornecedores, obrigações trabalhistas, sociais e fiscais, principal- mente). O IOG se difere do CCL, pois considera somente os ativos e passivos circulantes operacionais ou cíclicos para o seu cálculo, enquanto o CCL consi- dera todo o ativo e o passivo circulante. Podemos calcular o IOG utilizando a seguinte fórmula: Considerando os valores das demonstrações da nossa empresa, encontramos os seguintes valores: IOG = ACO - PCO TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E202 Quadro 11 - Investimento Operacional em Giro X3 X2 X1 IOG= 2.142.931 - 1.849.589 2.143.296 - 2.181.205 2.428.732 - 2.086.497 IOG= 293.342,00 -37.909,00 342.235,00 Fonte: o autor. Temos uma oscilação muito grande entre os três anos: inicialmente, pode- mos considerar que em X2 houve uma “anormalidade” com IOG negativo de R$37.909,00, pois em X1 (R$342.235,00) e X3 (R$293.342,00), temos valores muito parecidos, não apontando, assim, para uma tendência desenhada para X4. Demonstrando graficamente: Figura 7 - Investimento Operacional em Giro Fonte: o autor. SALDO DE TESOURARIA - ST O saldo de tesouraria é a melhor forma de demonstrar a situação financeira de curto prazo de uma empresa, pois apresenta em valores o que é evidenciado em tempo (dias) no ciclo financeiro ou ciclo de caixa. Se o saldo de tesouraria for positivo, indica que, no curtíssimo prazo, a empresa está com uma situação de caixa tranquila. Já se for negativa, indica que a empresa está utilizando recursos de terceiros para financiar atividades operacionais. x3 x2 x1 293.342,00 -37.909,00 342.235,00 Investimento Operacional em Giro Análise Financeira Dinâmica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 Figura 8 - Saldo de Tesouraria Fonte: o autor. O ST considera itens financeiros do ativo e passivo circulantes, dentre eles as dis- ponibilidades, aplicações financeiras e empréstimos de curto prazo. Podemos calcular o ST utilizando a seguinte fórmula: Considerando os valores das demonstrações da nossa empresa, encontramos os seguintes valores: Quadro 12 - Saldo de Tesouraria X3 X2 X1 ST = 820.484 - 1.074.836 1.176.163 - 678.406 936.637 - 734.133 ST = -254.352,00 497.757,00 202.504,00 Fonte: o autor. Temos um grande aumento no ST de X1 para X2: R$202.504,00 em X1 e R$497.757,00 em X2 e uma grande diminuição de X2 para X3, chegando a R$254.352,00 negativo. Desse modo, não é possível estimar uma tendência para X4. Demonstrando graficamente: ST = ACF - PCF TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E204 Figura 9 - Saldo de Tesouraria Fonte: o autor. TIPOS DE EMPRESAS O modelo de análise financeira dinâmica possibilita apresentar seis estruturas de empresas (FLEURIET; ZEIDAN, 2015), as quais veremos a seguir: ■ Empresas tipo 1 Têm como característica prin- cipal o financiamento do ativo circulante por recursos perma- nentes. O principal exemplo deste tipo é empresa super- mercado varejista, com ciclo financeiro pequeno ou nega- tivo, possibilitando ganhos no mercado financeiro. Figura 10 - Empresa tipo 1 Fonte: o autor. ST positivo ACF > PCF CCL positivo AC > PC IOG negativo ACO < PCO ANC PCO ACO PCF ACF PNC PL Tipo 1 x3 x2 x1 -254.352,00 497.757,00 202.504,00 Saldo de Tesouraria Análise Financeira Dinâmica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 CCL positivo AC > PC IOG positivo ACO > PCO ST positivo ACF > PCF ANC PCO ACO PCF ACF PNC PL Tipo 2 ■ Empresas tipo 2 Têm como característica prin- cipal a insuficiência de passivos circulantes operacionais para financiar os ativos circulan- tes operacionais. Apresentam uma sólida posição financeira de curto prazo. Figura 11 - Empresa tipo 2 Fonte: o autor. ■ Empresas tipo 3 Têm como característica principal o capital circulante líquido inferior ao investi- mento operacional em giro. Isso causa dependência de empréstimos bancários de curto prazo, o que leva a um saldo de tesouraria negativo. Apresentam uma situação financeira insatisfatória; a nossa empresa simulada utili- zada para os aspectos práticos, em X3, é deste tipo. Figura 12 - Empresa tipo 3 Fonte: o autor. IOG positivo ACO > PCO ST negativo ACF < PCF CCL positivo AC > PC ANC PCO ACO PCF ACF PNC PL Tipo 3 TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E206 ■ Empresas tipo 4 Têm como característica prin- cipal o financiamento de ativos não circulantes com dívidas circulantes ou de curto prazo, apresentam uma situação financeira ruim causada pelo desequilíbrio entre fonte e apli- cações de recursos. Por isso, são consideradas empresas com problemas de solvência. Figura 13 - Empresa tipo 4 Fonte: o autor. ■ Empresas tipo 5 Têm como característica prin- cipal o recebimento de mais financiamentos operacionais do que os investimentos ope- racionais que realiza. Não é uma situação financeira tão ruim, mas indica necessidade de expansão das atividades. Figura 14 - Empresa tipo 5 Fonte: o autor. ST negativo ACF < PCF CCL negativo AC < PC IOG negativo ACO < PCO ANC PCO ACO PCF ACF PNC Tipo 5 IOG positivo ACO > PCO ST negativo ACF < PCF CCL negativo AC < PC ANC PCO ACO PCF ACF PNC PL Tipo 4 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro de 19 98 . 207 ST positivo ACF > PCF CCL negativo AC < PC IOG negativo ACO < PCO ANC PCO ACO PCF ACF PNC PL Tipo 6 ■ Empresas tipo 6 Têm como característica prin- cipal o desvio de recursos de curto prazo para ativos não cir- culantes, mantendo saldo de tesouraria positivo. Apresentam alto risco de insolvência, pois uma queda de vendas deixaria IOG positivo e ST negativo. Figura 15 - Empresa tipo 6 Fonte: o autor. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, aprendemos alguns tópicos importantes para a análise das demons- trações com enfoques diferentes e complementares aos vistos nas unidades anteriores. Tratamos dos índices-padrão, do relatório da análise, do método Dupont e da análise financeira dinâmica. Vimos que os índices-padrão refletem o comportamento dos índices de diversas empresas selecionadas para fins de comparação. Calculamos o padrão de quatro índices pela mediana e pelos decis, sendo possível atribuir notas e con- ceitos às empresas, além de saber se estão abaixo ou acima do padrão. Nosso enfoque foi conceitual e prático: definimos um universo de empresas simula- das e fizemos os cálculos e as comparações com o padrão e com os conceitos. Utilizando todos os índices calculados, fizemos um demonstrativo resumo para facilitar a visualização, calculamos o termômetro de solvabilidade de Kanitz; calculamos e demonstramos o método Dupont original, que tem como foco o TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E208 ROA; e o método modificado, que tem como foco o ROE, pois, assim, reunimos em uma única avaliação todas as áreas responsáveis pela performance financeira da empresa. Estudamos, também, a análise financeira dinâmica, que é uma forma de administrar com foco na sustentabilidade financeira e econômica de curto e longo prazo, para tomar decisões que preservem a capacidade de pagamento, a lucratividade e a criação de valor ao acionista. Assim, vimos que nossa empresa tem um Capital Circulante Líquido positivo, Investimento Operacional em Giro positivo e Saldo de Tesouraria negativo. É muito importante que você aprofunde pontos específicos deste estudo, pois a pesquisa mostra uma visão mais ampla sobre o tema, possibilitando a análise de opiniões e enfoques diferentes dos autores. Continue em frente! Somente o aprendizado pode levar ao conhecimento, e o conhecimento à liberdade de opiniões. 209 1. Os decis dividem a série de dados em dez partes iguais, com o mesmo número de elementos, de tal forma que cada intervalo do decil contenha 10% dos ele- mentos coletados. No que diz respeito aos índices-padrão, analise as afirmativas a seguir: I- Os decis são utilizados para calcular a mediana da série. II- Os decis são utilizados para calcular as notas e os conceitos. III- Para calcular os decis não é necessário organizar a série em ordem crescente. IV- Quando o índice é do tipo “quanto menor, melhor” as empresas classificadas no decil 1 são melhores conceituadas. Estão corretas somente as afirmativas: a) I e II. b) II e III. c) I e IV. d) II e IV. e) III e IV. 2. O método Dupont é uma técnica que reúne em uma única avaliação todas as áreas responsáveis pela performance financeira da empresa. Escolha a alterna- tiva que mostra os índices finais do método Dupont original e modificado. a) PMRE e PMC. b) LG e LS. c) EG e IRP. d) ROA e ROE. e) MB e MO. 3. Considerando que a análise financeira dinâmica, também conhecida como mo- delo Fleuriet, é uma forma de administrar com foco na sustentabilidade financei- ra e econômica de curto e longo prazos, explique a necessidade de reclassifi- car o ativo e o passivo circulante. 4. Na análise dinâmica financeira, encontramos o IOG, que representa a necessida- de de capital de giro. Descreva CCL e IOG evidenciando as diferenças entre eles. 5. Kanitz utilizou, para encontrar a fórmula do Fator de Solvabilidade, uma amostra de empresas, metade com problemas de continuidade e metade com bom equi- líbrio e sem problemas. Descreva qual o objetivo do Termômetro de Kanitz. 210 ANÁLISE DE RENTABILIDADE UTILIZANDO O MODELO DUPONT: ESTUDO DE CASO EM UMA OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE Item 4 - MÉTODO DUPONT Em 1903, em um cenário de empresas com apenas um ramo de atividade e a preocupação voltada apenas para a ava- liação dos processos internos, foi criada a DuPont Powder Company. Os primos DuPont desenvolveram uma nova estrutura administrativa com o objetivo de avaliar e controlar a eficiência e rentabilidade de sua recém-adquirida companhia (Johnson & Kaplan, 1993). Como a diversidade de atividades exer- cidas naquela época era praticamente inexistente, os projetos e os procedimen- tos de gerenciamento da Dupont foram os divisores de águas, possibilitando a compreensão e preocupação do retorno do investimento. Sobre a visão dos ges- tores da empresa sobre o retorno do investimento, Johnson e Kaplan (1993) destacam que os executivos da Powder Company também percebiam que um item produzido em uma fábrica barata poderia exibir um índice de retorno do investimento maior que outro item vendido pelo dobro do custo, mas produzido numa fábrica cara, percebendo, então, que o que demons- tra se o lucro está alto ou baixo demais é a taxa de retorno do dinheiro investido no negócio. Segundo Johnson e Kaplan (1993), o intuito de avaliar cada aspecto das atividades da empresa em termos do preço do capital levou os fundadores da DuPont Powder Company a criarem uma fórmula do retorno do investimento, atualmente conhecida como método Dupont. De acordo com Silva (2013, p. 264), o método Dupont é “uma forma gráfica e analítica de demonstrar o retorno sobre o investimento, a partir da integração entre os índices de atividade (giro do ativo) e a margem líquida”. “O sis- tema DuPont de análise é utilizado para dissecar as demonstrações financeiras da empresa e avaliar sua situação financeira” (Gitman, 2010, p. 60). O modelo possibi- lita, ainda, identificar como o retorno do investimento é afetado pela mudança em qualquer elemento, seja do balanço, por meio do giro do ativo, ou pela demonstra- ção de resultados que pode ser verificada pelos dados operacionais. A ideia da fórmula de retorno do investi- mento da DuPont teve origem, pelo que se sabe, com F. Donaldson Brown (Johnson & Kaplan, 1993). F. Donaldson era graduado em engenharia elétrica e atuava como ven- dedor de equipamentos elétricos. A criação do modelo ocorreu quando, em 1909, foi trabalhar no departamento de vendas da Dupont e se tornou, em 1914, tesoureiro auxiliar da empresa. De acordo com Pado- veze e Benedicto (2007, p. 112), somente em 1930 esse importante instrumento foi apresentado à comunidade acadêmica e empresarial dos Estados Unidos. O sistema Dupont é a lucratividade da empresa sobre as vendas junto com o uso dos seus ativos que geram essas vendas. Brigham e Houston (1999, p. 94) descre- vem que “a margem líquida multiplicada 211 pelo giro do ativo é chamada de Fórmula DuPont, e fornece a taxa de retorno sobre os ativos”. A fórmula Dupont original é composta pelo retorno do investimento calculado pela rotação do investimento multiplicado pela margem líquida. Pado- veze e Benedicto (2007, p. 109) afirmam que, “se a margem é o elemento para obter a rentabilidade, o caminho é o giro”. O cálculo da margem líquida envolve todas as receitas, custos e despesas do pro- cesso de operação da empresa por meio da divisão do lucro líquido pelas vendas, possibilitando identificar o retorno da ati- vidade da empresa, porém esse índice não considera o investimento que foi neces- sário para o exercício da atividade. Para suprir essa necessidade, existe o cálculo de rotação do investimento em que é feita a divisão das vendas pelo investimento total que engloba desde o maquinário inves- tido na operação até o capital disponível da empresa. Como o cálculo de rotação deinvestimento considera apenas as ven- das, ao multiplicá-lo pela margem líquida, é possível verificar o retorno do investimento, demonstrando a rentabilidade da empresa. Fonte: Fernandes, Ferreira e Rodrigues (2014, on-line)1. MATERIAL COMPLEMENTAR O Modelo Dinâmico de Gestão Financeira Michel Fleuriet e Rodrigo Zeidan. Editora: Alta Books Sinopse: o Modelo Dinâmico de Gestão Financeira (mais conhecido como Modelo Fleuriet) é uma forma inteligente de administrar uma empresa com foco na sustentabilidade financeira e econômica de curto e longo prazo, e não somente uma análise do desempenho econômico-financeiro da empresa. A partir da identificação simples de variáveis fundamentais contidas nas demonstrações financeiras tradicionais, é possível tomar melhores decisões que preservem a capacidade de pagamento, lucratividade da empresa e, consequentemente, a criação de valor para o acionista. Uma abordagem moderna e integrada às melhores práticas mundiais, com exemplos de várias empresas do Brasil e do mundo! O site apresenta o modelo de análise dinâmica financeira desenvolvido por Michel Fleuriet para as empresas brasileiras na década de 70 de forma sempre atualizada. Aperfeiçoe-se! Dê uma conferida no conteúdo disponível em: <http://www.modelo-fleuriet. com/>. Acesso em: 16 jun. 2017. REFERÊNCIAS 213 ÁVILA, Carlos Alberto de. Gestão contábil para contadores e não contadores. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2011. BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Pau- lo: Atlas, 1995. CFC (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE). Resolução nº 1.374, de 08 de de- zembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. Dispo- nível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/Res_1374.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2017. BRUNI, Adriano Leal. A análise contábil e financeira. São Paulo: Atlas, 2010. CAMARGO, Camila. Análise de investimentos e demonstrativos financeiros. Curi- tiba: Ibpex, 2007. FIGUEIREDO, Fernanda et al. Estatística descritiva e probabilidades. 2. ed. Portu- gal: Escolar Editora, 2009. FLEURIET, Michel; ZEIDAN, Rodrigo. O modelo dinâmico de gestão financeira. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015. GITMAN, Lawrence Jeffrey. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Addison Wesley, 2010. KANITZ, Stephen Charles. Como prever falências. São Paulo: McGraw Hill, 1978. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2013. TIBONI, Conceição Gentil Rebelo. Estatística básica: para os cursos de administra- ção, ciências contábeis, tecnológicos e de gestão. São Paulo: Atlas, 2010. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: <https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5037429.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2017. REFERÊNCIAS GABARITO 1. d) II e IV. 2. d) ROA e ROE. 3. Para encontrar o IOG e o ST precisamos saber qual é o valor do Ativo Circulante Financeiro, Ativo Circulante Operacional, Passivo Circulante Financeiro e Passivo Circulante Operacional. 4. O IOG se difere do CCL, pois considera somente os ativos e passivos circulantes operacionais ou cíclicos para o seu cálculo, enquanto o CCL considera todo o ativo e o passivo circulante. 5. O objetivo é a previsão de falências; para isso utiliza um termômetro com in- tervalos que demonstram que a empresa está em situação de insolvência ou penumbra ou solvente. O fator de solvabilidade representa a nota da empresa, consolidando diversos índices em um. CONCLUSÃO 215 Começamos os estudos deste livro revendo diversos conceitos das demonstrações financeiras para saber interpretá-las e, assim, poder adequá-las para fins de análise. Inicialmente, percebemos a importância das demonstrações para a gestão empre- sarial, mas percebemos, também, que com índices (novas informações geradas a partir dos dados das demonstrações), a tomada de decisões empresariais fica mais ágil e eficaz. Buscamos o aprendizado dos aspectos teóricos da análise das demonstrações e suas técnicas, começando com a análise vertical e horizontal, depois avançamos para os índices que mostram a situação financeira, a situação patrimonial e econômica, mas tomamos o cuidado de fazer a aplicação prática de tudo que aprendemos, pois as- sim o aprendizado se completa. Antes de analisarmos os três aspectos que identificam o equilíbrio dos recursos, analisamos a gestão dos recursos para medir a eficiência e eficácia da gestão, pois o gestor interno precisa de indicadores do ciclo econômico, operacional e financeiro para o acompanhamento do planejamento estratégico, a fim de saber se a execução está ocorrendo de acordo com o planejamento. Como ponto nevrálgico da análise, estudamos os índices de liquidez, o endivida- mento e a estrutura patrimonial e a rentabilidade da empresa, visto que é neces- sário saber se a empresa tem condições de pagar os seus compromissos, tanto a curto quanto a longo prazo. É muito importante, também, saber se os elementos do patrimônio estão em harmonia, com endividamento e imobilização dos recursos, contribuindo para o melhor resultado e a melhor liquidez. O estudo dos tópicos adicionais nos levou aos conteúdos dos índices-padrão, que servem de parâmetro para a análise: o método Dupont, que reúne em uma única avaliação todas as áreas responsáveis pelo desempenho financeiro, e a análise fi- nanceira dinâmica, que contribui com a análise das finanças empresariais. Estude muito, pois o conhecimento é fundamental, e uma vez adquirido, ninguém o toma. CONCLUSÃO ANOTAÇÕES h.sqw16uah70ol h.jriquov7ryhg h.xn8xkns2pyib h.yxn51xx3m34 h.lr8lt5knvws7 h.ga9i0kj7zu08 h.cw39q19kklyc h.ki2znuq1qkd4 h.19lfe3co7p7w h.kg6z4ojyalfa UNIDADE I DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU FINANCEIRAS: ESTRUTURA E ADEQUAÇÕES Introdução Balanço Patrimonial Demonstrações de Resultados Outras Demonstrações Adequações para Análise Considerações Finais Referências Gabarito UNIDADE II VISÃO GERAL DA ANÁLISE EMPRESARIAL Introdução O Que é a Análise das Demonstrações? Análise Vertical Análise Horizontal Visão Conjunta: Av-Ah Considerações Finais Referências Gabarito UNIDADE III GESTÃO DOS RECURSOS: CICLO OPERACIONAL E FINANCEIRO Introdução Giro dos Recursos Prazos Médios Ciclo Completo de Atividades Considerações Finais Referências Gabarito UNIDADE IV ÍNDICES ECONÔMICO-FINANCEIROS: O EQUILÍBRIO IDEAL Introdução Situação Financeira Situação Patrimonial Situação Econômica Considerações Finais Referências Gabarito UNIDADE V TÓPICOS ESPECIAIS DA ANÁLISE EMPRESARIAL Introdução Índices-Padrão Relatório da Análise Fórmula Dupont Análise Financeira Dinâmica Considerações Finais Referências Gabarito Conclusão Botão 1: Botão 2: