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TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 31 2.1.4.1.3.5.3 – Selado com N2 No Brasil, menos de 5% dos transformadores de médio e grande porte se utilizam de selagem com nitrogênio. Os chamados transformadores com o colchão de N2 não foram muito disseminados no sistema elétrico brasileiro. Por outro lado, tem sido razoavelmente executado a selagem com nitrogênio em transformadores projetados para operarem com sílica-gel. Essa modificação visa garantir a preservação do papel contra a agressão do oxigênio. A modificação consiste em acrescentarmos um reservatório externo ao transformador com pressão de nitrogênio, conforme figura. Esquema de Transformador Selado com Nitrogênio 2.1.4.1.3.5.4 – Drycol Um outro sistema de preservação do óleo isolante é feito pelo equipamento chamado Drycol. Se instalado em transformadores projetados para sílica-gel exige a confecção de apenas mais um furo no conservador, e por isso, a modificação para a mudança de sistema é muito simples e a experiência das empresas que o tem utilizado tem sido positiva. Esquema de um Drycol TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 32 2.1.4.1.3.6 – Papel Isolante Os transformadores de potência imersos em óleo isolante utilizam dois tipos de papel Kraft para isolamento dos condutores nas bobinas: o comum e o termoestabilizado. Quando a especificação exigir transformador com 55 ºC de elevação média de temperatura, o papel comum atende a esse requisito. Quando na especificação a exigência for para 65 ºC de elevação média de temperatura, o papel a ser utilizado será o termoestabilizado. Na aparência eles diferem na cor e suas estruturas químicas são diferentes. A deterioração do papel se dá basicamente por três fatores: Hidrólise: a ponte de oxigênio entre os anéis é afetada pela água, causando a ruptura de cadeias; Oxidação: o oxigênio ataca o átomo de carbono da celulose para formar aldeídos e ácidos, além de monóxidos e dióxidos de carbono; Pirólise: calor excessivo resulta em envelhecimento do papel, são liberados os gases, principalmente vapor de água, hidrogênio e monóxidos e dióxidos de carbono. Transformador Trifásico com Papel Kraft Comum TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 33 2.1.4.1.3.7 – Cromatografia É uma tecnologia de análise do óleo isolante com o propósito de diagnosticar falhas internas no transformador. Essa técnica se baseia na separação, em laboratório, de gases característicos que vão se formando e se solubilizando no óleo isolante, dependendo do tipo de falha. Nos dias de hoje, a gás-cromatografia tornou-se um instrumento fundamental para o acompanhamento da manutenção. Isto porque, em não se tendo necessidade de desligar o equipamento sob teste, e ainda, com um grau de precisão excelente na análise da falha, pode-se preditivamente programar intervenções, minimizando desligamentos que iriam reduzir a produção da empresa, além de não se ter garantia que na inspeção visual a falha seja localizada. 2.1.4.1.3.8 – Gases Gerados por Falha Interna Combustíveis: H2 = hidrogênio; CH4 = metano; C2H6 = etano; C2H4 = etileno; C2H2 = acetileno; CO = monóxido de carbono. Não combustíveis: N2 = nitrogênio; O2 = oxigênio; CO2 = dióxido de carbono. Existem vários métodos para a análise de uma amostragem de gás-cromatografia. A ABNT, o IEC e diversos pesquisadores independentes propõem metodologias com essa finalidade. Como cautela, uma empresa não deve analisar por apenas uma metodologia, e sim, por pelo menos três métodos distintos. Conhecer históricos de famílias de equipamentos é fundamental para uma análise conclusiva acerca dos resultados de laboratório. 2.1.4.1.4 – Degradação da Celulose Uma grande preocupação, que gera invariavelmente calorosa discussão, é o estabelecimento do fim de vida-útil dos transformadores. Não existe discussão mais inútil do que a de tentar associar tempo cronológico com fim de vida do equipamento. Isto porque, tudo depende de como a manutenção cuidou do transformador. Os agentes agressivos são conhecidos e devem sempre ser eliminados o quanto antes. Não existe atualmente no Brasil um consenso em relação aos critérios que apontam o fim de vida do equipamento. São eles: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 34 Concentração de Óxido de Carbono: a relação entre dióxido e o monóxido de carbono tem sido estudada por algumas empresas, e atualmente, considera-se que para valores que excedem o intervalo abaixo, o equipamento é considerado em fim de vida, não justificando mais investimento de manutenção. 472 ±= CO CO Grau de Polimerização: este método, que exige a retirada de amostra do material isolante, não se mostra prático, apesar de ser preciso. No Brasil, a NBR-5416 recomenda que com G.P.≤150, o equipamento seja considerado fim de vida. Compostos de Furano (cromatografia líquida de alta resolução): o envelhecimento da celulose gera compostos de furano que se dissolvem no óleo. Deterioração do Papel Isolante 2.1.4.2 – Transformadores de Corrente Os transformadores de corrente são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição e proteção funcionarem adequadamente sem que seja necessário possuírem correntes nominais de acordo com a corrente de carga do circuito ao qual estão ligados. Na sua forma mais simples eles possuem um primário, geralmente de poucas espiras, e um secundário, no qual a corrente nominal transformada é, na maioria dos casos, igual a 5 A. Dessa forma, os instrumentos de medição e proteção são dimensionados em tamanhos reduzidos com as bobinas de corrente constituídas de fios de pouca quantidade de cobre. Os transformadores de corrente são utilizados para suprir aparelhos que apresentam baixa resistência elétrica, tais como amperímetros, relés, medidores de energia, de potência, etc. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 35 Os TC's transformam, através do fenômeno de conversão eletromagnética, correntes elevadas, que circulam no seu primário, em pequenas correntes secundárias, segundo uma relação de transformação. A corrente primária a ser medida, circulando nos enrolamentos primários, cria um fluxo magnético alternado que faz induzir forças eletromotrizes Ep e Es, respectivamente, nos enrolamentos primário e secundário. Dessa forma, se nos terminais primários de um TC, cuja relação de transformação nominal é de 20, circular uma corrente de 100 A, obtém-se no secundário a corrente de 5 A, ou seja: 100/20 = 5 A. O TC opera com tensão variável, dependendo da corrente primária e da carga ligada no seu secundário. A relação de transformação das correntes primária e secundária é inversamente proporcional à relação entre o número de espiras dos enrolamentos primário e secundário. 2.1.4.2.1 – Características Construtivas Os transformadores de corrente podem ser construídos de diferentes formas e para diferentes usos, ou seja: a) TC tipo barra É aquele cujo enrolamento primário é constituído por uma barra fixada através do núcleo do transformador. Os transformadores de corrente de barra fixa em baixa tensão são extensivamente empregados em painéis de comando de elevada corrente, tanto para uso em proteção quanto para medição. Os transformadores de corrente do tipo barra fixa são os mais utilizados em subestações de potência de média e alta tensões. Transformador de Corrente do Tipo Barra Tipo Barra Fixa TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 36 Vista externa de um TC da classe 230 KV Detalhes Construtivos de um TC TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 37 b) TC tipo enrolado É aquele cujo enrolamento primário é constituído de uma ou mais espiras envolvendo o núcleo do transformador, conforme ilustrado na figura. Transformador de Corrente do Tipo Enrolado c) TC tipo janela É aquele que não possui um primáriofixo no transformador e é constituído de uma abertura através do núcleo, por onde passa o condutor que forma o circuito primário, conforme se apresenta na figura. São muito utilizados em painéis de comando de baixa tensão em pequenas e médias correntes, ou quando não se deseja seccionar o condutor para instalar o transformador de corrente. Dessa forma empregada, consegue-se reduzir os espaços no interior dos painéis. Transformador de Corrente do Tipo Janela d) TC tipo bucha É aquele cujas características são semelhantes ao TC do tipo barra, porém sua instalação é feita na bucha dos equipamentos (transformadores, disjuntores, etc.), que funcionam como enrolamento primário, de acordo com a figura. São empregados em transformadores de potência para uso, em geral, na proteção diferencial, quando se deseja restringir ao próprio equipamento o campo de ação desse tipo de proteção. Transformador de Corrente do Tipo Bucha TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 38 e) TC tipo núcleo dividido É aquele cujas características são semelhantes às do TC do tipo janela, em que o núcleo pode ser separado para permitir envolver o condutor que funciona como enrolamento primário, conforme se mostra na figura. São basicamente utilizados na fabricação de equipamentos de medição de corrente e potência ativa ou reativa, já que permite obter resultados esperados sem seccionar o condutor ou barra sob medição. Transformador de Corrente do Tipo Núcleo Dividido f) TC tipo com vários enrolamentos primários É aquele constituído de vários enrolamentos primários montados isoladamente e apenas um enrolamento secundário, conforme a figura. Neste tipo de transformador, as bobinas primárias podem ser ligadas em série ou e paralelo, propiciando a obtenção de várias relações de transformação. Transformador de Corrente do Tipo com Vários Enrolamentos Primários g) TC tipo com vários núcleos secundários É aquele constituído de dois ou mais enrolamentos secundários montados isoladamente, sendo que cada um possui individualmente o seu núcleo, formando juntamente com o enrolamento primário, um só conjunto, conforme se mostra na figura. Neste tipo de transformador de corrente, a seção do condutor primário deve ser dimensionada tendo e vista a maior das relações de transformação dos núcleos considerados. Transformador de Corrente do Tipo com Vários Núcleos Secundários TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 39 h) TC tipo vários enrolamentos secundários É aquele constituído de um único núcleo envolvido pelo enrolamento primário e vários enrolamentos secundários, conforme se mostra na figura, e que podem ser ligados em série ou em paralelo. Transformador de Corrente do Tipo Vários Enrolamentos Secundários i) TC tipo derivação no secundário É aquele constituído de um único núcleo envolvido pelos enrolamentos primário e secundário, sendo este provido de uma ou mais derivações. Entretanto, o primário pode ser constituído de um ou mais enrolamentos, conforme se mostra na figura do “TC tipo com vários enrolamentos primários”. Como os ampères-espiras variam em cada relação de transformação considerada, somente é garantida a classe de exatidão do equipamento para a derivação que contiver o maior número de espiras. A versão deste tipo de TC é dada na figura. Transformador de Corrente do Tipo com Derivação no Secundário 2.1.4.2.2 – Representação Gráfica e Polaridade de um TC Convencionalmente, é adotada a representação mostrada na figura a seguir e a maneira como as bobinas primárias e secundárias são enroladas no núcleo magnético são simbolicamente indicadas pelas marcas de polaridade (pontos); Representação de TC e Polaridades Como regra, temos que a corrente primária I1 entra pela polaridade e a corrente secundária I2 sai pela polaridade e assim, temos I1 e I2 em fase. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 40 2.1.4.2.3 – Caracterização de um Transformador de Corrente De acordo com a ABNT, os valores nominais principais que caracterizam os transformadores de corrente são os seguintes: Corrente nominal e relação nominal; Nível de isolamento; Freqüência nominal; Carga nominal; Classe de exatidão; Fator de sobrecorrente nominal (somente para TC de proteção); Fator térmico nominal; Corrente térmica nominal; Corrente dinâmica nominal. Os TC's para serviço de medição devem retratar fielmente a corrente a ser medida. É imprescindível que apresentem erros de fase e de relação mínimos dentro de suas respectivas classes de exatidão. Segundo as normas da ABNT e ANSI, os transformadores de corrente devem manter sua exatidão na faixa de 10 a 100% da corrente nominal, ou seja: 0,1Inominal ≤ Icarga ≤ InominalTC Os TC’s de medição devem manter sua precisão para correntes de carga normal, enquanto os TC’s de proteção devem ser precisos até o seu erro aceitável para corrente de curto-circuito de 20 x In. Para medição, em caso de curto-circuito, não há necessidade que a corrente seja transformada com exatidão. É até melhor que em condições de curto-circuito, o TC sature, proporcionando assim, uma auto-proteção aos equipamentos de medição conectados no seu secundário. Os núcleos magnéticos dos TC’s de medição são de seção menor que os de proteção para propositadamente saturarem durante o curto-circuito quando a corrente atinge valores altos. Essa saturação limita o valor da sobretensão aplicada nos equipamentos de medição. Outro detalhe muito importante é que quando o secundário de um TC se abre, tendo corrente no primário, o TC rapidamente satura, e gera uma sobretensão que pode chegar ao nível de milhares de volts. 2.1.4.3 – Transformador de Potencial Os transformadores de potencial são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição e proteção funcionarem adequadamente sem que seja necessário possuir tensão de isolamento de acordo com a da rede à qual estão ligados. Na sua forma mais simples, os transformadores de potencial possuem um enrolamento primário de muitas espiras e um enrolamento secundário através do qual se obtém a tensão desejada, normalmente padronizada em 115 V ou 115 / √3 V. Dessa forma, os instrumentos de proteção e medição são dimensionados em tamanhos reduzidos com bobinas e demais componentes de baixa isolação. Os transformadores de potencial são equipamentos utilizados para suprir aparelhos que apresentam elevada impedância, tais como voltímetros, relés de tensão, bobinas de TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 41 tensão de medidores de energia, etc. São empregados indistintamente nos sistemas de proteção e medição de energia elétrica. Os transformadores para instrumentos (TP e TC) devem fornecer corrente e/ou tensão aos instrumentos conectados nos seus enrolamentos secundários de forma a atender às seguintes prescrições: O circuito secundário deve ser galvanicamente separado e isolado do primário a fim de proporcionar segurança aos operadores dos instrumentos ligados ao TP; A medida da grandeza elétrica deve ser adequada aos instrumentos que serão utilizados, tais como relés, medidores de energia, medidores de tensão, corrente, etc. Instalação de um Conjunto TC-TP 2.1.4.3.1 – Características Construtivas Os transformadores de potencial são fabricados de conformidade com o grupo de ligação requerido, com as tensões primárias e secundárias necessárias e com o tipo de instalação. O enrolamento primário é constituído de uma bobina de várias camadas de fio, submetida a uma esmaltação, em geral dupla, enrolada em um núcleo de ferro magnético sobre o qual também se envolve o enrolamento secundário. Já o enrolamento secundário ou terciário é de fio de cobre duplamente esmaltado e isolado do núcleo e do enrolamento primário por meio de fitas de papel especial. 2.1.4.3.2 – Tipos de Transformadores de Potencial Os transformadores de potencialpodem ser construídos a partir de dois tipos básicos: TP's indutivos e TP’s capacitivos. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 42 2.1.4.3.2.1 – Transformadores de Potencial do Tipo Indutivo São dessa forma, construídos basicamente todos os transformadores de potencial para utilização até a tensão de 138 KV, por apresentarem custo de produção inferior ao do tipo capacitivo. Os transformadores de potencial indutivo são dotados de um enrolamento primário envolvendo um núcleo de ferro-silício que é comum ao enrolamento secundário, conforme se mostra na figura. Representação de um Transformador de Potencial Transformador de Potencial da Classe 230 KV TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 43 Transformador de Potencial Indutivo 2.1.4.3.2.2 – Transformadores de Potencial do Tipo Capacitivo Os transformadores deste tipo são construídos basicamente com a utilização de dois conjuntos de capacitores que servem para fornecer um divisor de tensão e permitir a comunicação através do sistema carrier. São construídos normalmente para tensões iguais ou superiores a 138 KV e apresentam como esquema básico a figura. O transformador de potencial capacitivo é constituído de um divisor capacitivo, cujas células que formam o condensador são ligadas em série e o conjunto fica imerso no interior de um invólucro de porcelana. O divisor capacitivo é ligado entre fase e terra. Uma derivação intermediária alimenta um grupo de medida de média tensão que compreende, basicamente, os seguintes elementos: Um transformador de potencial ligado na derivação intermediária, através de um ponto de conexão e fornecendo as tensões secundárias desejadas; Um reator de compensação ajustável para controlar as quedas de tensão e a defasagem no divisor capacitivo, na freqüência nominal, independentemente da carga, porém nos limites previstos pela classe de exatidão considerada; Um dispositivo de amortecimento dos fenômenos de ferro-ressonância. A não ser pela classe de exatidão, os transformadores de potencial não se diferenciam entre aqueles destinados à medição e à proteção. Contudo, são classificados de acordo com o erro que introduzem nos valores medidos no secundário. A figura mostra um transformador de potencial capacitivo, detalhando as suas partes componentes. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 44 Transformador de Potencial Capacitivo 2.1.4.3.2.3 – Caracterização de um Transformador de Potencial Os valores nominais que caracterizam um transformador de potencial são: Tensão primária nominal e relação nominal; Nível de isolamento; Freqüência nominal; Carga nominal; Classe de exatidão; Potência térmica nominal. Os TP’s são enquadrados em uma das seguintes classes de exatidão: 0,3 – 0,6 – 1,2. Considera-se que um TP está dentro de sua classe de exatidão, nas condições especificadas (tensão compreendida na faixa de 90 a 110% de nominal, com freqüência nominal, para todos os valores de fator de potência indutivo da carga, medida no primário do TP, compreendidos entre 0,6 e 1,0) quando nestas condições, os pontos determinados pelos fatores de correção relação (FCR) e pelos ângulos de fase (γ) estiverem dentro do “paralelogramo de exatidão” correspondente as suas classes de exatidão. 2.1.4.4 – Banco de Reatores São indutâncias com núcleo magnético muito similar aos transformadores de potência. São utilizados para compensar a potência capacitiva gerada por linhas longas (>200 km), realizando-se desta maneira uma regulação da tensão, pois, o contrário, em ausência de uma compensação indutiva, alcançaria valores muito elevados de tensão no extremo da carga. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 45 Principais componentes Os principais componentes foram enumerados de acordo com a figura de um reator da ABB: Reator (ABB) 1) Bucha de AT: Realiza a conexão da bobina do reator com o barramento de primário. 2) Bucha de Neutro: Realiza a conexão da bobina do reator com o barramento de neutro. 3) Relé Buccholz: São usados em reatores para proteção contra geração de gases provocados por descargas internas ou sobreaquecimentos e aumentos anormais de fluxo de óleo entre o tanque de expansão e o tanque do reator. Possui 2 estágios: 1º grau (alarme) e 2º grau (disparo ou trip). Esquema Relé Buccholz TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 46 4) Radiadores: Realiza o resfriamento do óleo isolante através de circulação natural por diferença de temperatura. São usados radiadores em chapa estampada montados através de válvulas de seccionamento do tipo borboleta para permitir a desmontagem dos mesmos, em caso de necessidade, sem retirar o óleo do tanque principal do reator. 5) Válvula de Alívio de Pressão: Quando a pressão interna do reator está abaixo da pressão de abertura que é de 70±7Kpa, a pressão das molas comprime o diafragma contra o flange exercendo assim uma vedação através das gaxetas. Quando a pressão interna atingir a pressão de abertura da Válvula, isto fará com que os gases e parte do óleo isolante passe através da gaxeta “4”, atuando sobre a área total do diafragma que, então, abre-se instantaneamente, uma vez que a força exercida no diafragma pelo óleo isolante é superior a força exercida pela mola. O tempo de abertura é de aproximadamente 2 ms, a válvula fecha-se automaticamente quando a sobrepressão é aliviada. Em caso de sua atuação deverá ser realizado o rearme no próprio equipamento através da alavanca de rearme “10”. Como assim também o rearme do pino sinalizador “8” que indica a atuação da válvula. Caso este contato venha a atuar, não deve ser religado o reator sem antes realizar todos os testes necessários. Válvula de Alívio 6) Tanque de Expansão ou Conservador: É montando acima do ponto mais alto do sistema de resfriamento do óleo através de um conjunto de tubos de conexão com o tanque principal. A sua capacidade é adequada para permitir a expansão do volume total do óleo em todo o possível campo de variação de temperatura durante a operação. Dentro dele contém uma membrana que protege o óleo isolante contra a absorção de umidade e conseqüentemente oxidação. A membrana de borracha é projetada de maneira a acomodar as variações do volume de óleo em função das variações de temperatura sem resultar em vácuo ou sobrepressão no reator. O contato com o meio externo é realizado através do filtro de óleo e secador de ar. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 47 7) Carcaça do reator: Estrutura onde se aloja o núcleo, armaduras e óleo isolante. 8) Painel de passagem de condutores do TC: Interligação dos TC’s de bucha com as proteções diferencial, sobrecorrente, imagem térmica. 9) TC’s de Bucha: Transformadores de corrente que estão localizados dentro do reator. 10) Válvula para “By-pass”: utilizada para a troca do relé de “Buccholz”. 11) Painel do Monitor de Temperatura: Tal monitor realiza o monitoramento da temperatura do óleo e do enrolamento do reator. Possui dois estágios: 1º grau (alarme) e 2º grau (trip). Temperatura do óleo: • 1º grau: 85º. • 2º grau: 95º. Temperatura do enrolamento: • 1º grau: 105º. • 2º grau: 120º. 12) Reservatório de Sílica: Tem por finalidade de secar o ar aspirado pelos reatores resfriados a óleo, quando a temperatura cai, causando a contração do óleo. O Secador é abastecido com sílica gel, que a propriedade de absorver umidade até 40% do seu próprio peso. No estado ativo a sílica gel tem a cor laranja e quando saturada com umidade apresenta a cor branca. A umidade pode, entretanto, ser extraída e a sílica gel ser reaproveitada. A tampa inferior do secador é provida de um reservatório (copo) de óleo, que possui a função de um filtro hidráulico, que tem como finalidade de reter as partículas em suspensão no ar. O nível de óleo deverá estarentre as duas linhas vermelhas do reservatório e deverá estar com o próprio óleo do reator. 13) Dispositivo coletor de gás: Possui a função de tornar acessível “a altura de homem” os gases recolhidos no relé “Buccholz”, para facilitar o exame e a válvula (1) para permitir o teste de funcionamento dos contatos mediante a introdução de ar ou nitrogênio pela válvula (7). Quando houver a atuação do relé desligando o reator seguir o procedimento abaixo: Anotar a cor e o volume do gás coletado; Verificar se o gás é combustível através da aproximação de uma chama; Para uma análise completa, enviar uma amostra de gás para um laboratório credenciado; Soltar todo o gás coletado antes de religar o reator . Informações que podem ser obtidas através do estado dos gases coletados: Gás incolor, não combustível: indica presença de ar puro; Gás branco, combustível: indica combustão de papel ou papelão; Gás amarelo, combustível: indica combustão de madeira; Gás cinza, combustível: indica combustão de aço; Gás preto, combustível: indica combustão de óleo. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 48 Os componentes foram enumerados de acordo com a figura: Dispositivo Coletor de Gás 1) Válvula no relé “Buccholz” (ver figura no item do referido relé) 2) Válvula para retirada de amostra ou conexão do aparelho para exame dos gases; 3) Conexão para relé “Buccholz”; 4) Janelas de inspeção, uma das quais possui escala graduada em cm3 para permitir a avaliação da quantidade de gases recolhidos; 5) Corpo metálico; 6) Válvula em comunicação um sistema de sifão que limita a saída do óleo impedindo o escape dos gases; 7) Válvula para drenagem do óleo contido no recolhedor e introdução de ar ou nitrogênio para os testes de funcionamento dos contatos. 14) Válvula de separação tipo borboleta: São usadas para retenção de óleo isolante no tanque do reator. A abertura e fechamento da válvula são feitos liberando-se o parafuso de travamento e girando-se a borboleta através da porca sextavada, com o auxílio de uma chave fixa. 15) Indicador de nível de óleo: É utilizado para sinalizar continuamente a posição do nível de óleo no conservador. A variação do volume implica em movimentação da membrana que por sua vez movimenta a haste da bóia do indicador atuante sobre o ponteiro do dial do indicador de nível de óleo. 2.1.4.5 – Disjuntor Os disjuntores são equipamentos destinados à interrupção e ao restabelecimento das correntes elétricas num determinado ponto do circuito. Os disjuntores sempre devem ser instalados acompanhados da aplicação dos relés respectivos, que são os elementos responsáveis pela detecção das correntes elétricas do circuito que, após analisadas por sensores previamente ajustados, podem enviar ou não a ordem de comando para a sua abertura. Um disjuntor instalado sem os relés TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 49 correspondentes transforma-se apenas numa excelente chave de manobra, sem qualquer característica de proteção. A função principal de um disjuntor é interromper as correntes de defeito de um determinado circuito durante o menor espaço de tempo possível. Porém, os disjuntores são também solicitados a interromper correntes de circuitos operando a plena carga e em vazio, e a energizar os mesmos circuitos em condições de operação normal ou em falta. O disjuntor é um equipamento cujo funcionamento apresenta aspectos bastantes singulares. Opera, continuamente, sob tensão e corrente de carga muitas vezes em ambientes muito severos, no que diz respeito à temperatura, à umidade, à poeira, etc. Em geral, após longo tempo nestas condições, às vezes até anos, é solicitado a operar por conta de um defeito no sistema. Neste instante, todo o seu mecanismo, inerte até então, deve operar com todas as suas funções, realizando tarefas tecnicamente difíceis, em questão de décimos de segundo. 2.1.4.5.1 – Arco Elétrico O arco elétrico é um fenômeno que ocorre quando se separam dois terminais de um circuito que conduz determinada corrente de carga, de sobrecarga ou de defeito. Pode ser definido também como um canal condutor, formado num meio fortemente ionizado, provocando um intenso brilho e elevando, consideravelmente, a temperatura do meio em que se desenvolve. 2.1.4.5.2 – Princípios de Interrupção da Corrente Elétrica A operação de qualquer interruptor se faz separando-se os seus respectivos contatos, que permitem, quando fechados, a continuidade elétrica do circuito. Durante esta separação, em virtude da energia armazenada no circuito, há o surgimento do arco elétrico que precisa ser prontamente eliminado, sob pena de conseqüências danosas ao sistema. O arco formado dessa forma torna-se agora o meio de continuidade do circuito mencionado, até que a corrente atinja o seu ponto zero, durante o ciclo senoidal, quando, nesse momento, se dá a interrupção da chave. Porém, se o meio em que se dá a abertura dos contatos permanecer ionizado, durante o meio ciclo seguinte, a corrente poderá ter a sua continuidade elétrica restabelecida com a formação de um novo arco. Como princípio básico para a extinção de um arco elétrico qualquer, necessário que se provoque o seu alongamento por meios artificiais, reduza-se a sua temperatura e substitua-se o meio ionizado entre os contatos por um meio isolante eficiente que pode ser o ar, o óleo ou o gás, o que permite, assim, classificar o tipo do meio extintor, consequentemente, as características construtivas dos disjuntores. Porém, se durante a interrupção de uma corrente elétrica ela é reduzida abruptamente a zero, surgem sobretensões no circuito, tendo como resultado a liberação da energia armazenada no momento da interrupção. Essas sobretensões são capazes de provocar danos ao sistema e aos aparelhos consumidores correspondentes. Para se conhecer o princípio da interrupção elétrica, é necessário se estudar separadamente os meios extintores, que são: Interrupção no Ar sob Condição de Pressão Atmosférica; Interrupção no Óleo; Interrupção no Gás SF6; Interrupção no Vácuo. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 50 2.1.4.5.3 – Características Construtivas dos Disjuntores Os tipos construtivos dos disjuntores dependem dos meios que utilizam para extinção do arco. Existe no mercado uma grande quantidade de marcas e tipos de disjuntores empregando as mais diversas técnicas, às vezes particulares para certas aplicações. Independentemente das características elétricas disponíveis entre os vários disjuntores comercializados, estes podem ser estudados de duas formas básicas: o sistema de interrupção do arco e o sistema de acionamento. Será apresentado a título de exemplo, o disjuntor a gás SF6 de fabricação ABB. Finalidade: ligar ou desligar um circuito quando acionado pelas proteções (eliminar alimentação em caso de falha na linha ou em outro equipamento da SE) ou pelos equipamentos de controle quando solicitado pelo operador; Pode ser aberto com carga; Possui alta velocidade e potência de ruptura; Utiliza SF6 para extinção de arco; Não permite visualizar a abertura dos contatos de potência, interrompendo o circuito elétrico; Pode ser acionado por comando executado na: • IHM (Interface Homem Máquina) • UAC (Unidade de Aquisição e Controle) • Cubículo Central do DJ. 2.1.4.5.4 – Componentes Os componentes foram enumerados de acordo com a figura do disjuntor ABB: Disjuntor ABB TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 51 1) Resistor de pré-inserção: Os resistores estão destinados a limitar as sobretensões de manobra, em particular, no momento das operações de interligação de linhas em vazio. Eles se inserem alguns milésimos de segundo antes do fechamento dos contatos principais do disjuntor, sendo utilizados somente no fechamento dos contatos do disjuntor. Os seus contatos de inserção estão diretamente unidos ao sistema de embielagem(mecanismo superior) e de contato da câmara. 2) Capacitor Equalizador: É utilizado para repartir a tensão nas câmaras de interrupção. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 52 3) Câmara de Interrupção: É onde se localiza os contatos de potência do disjuntor (compostos por um contato fixo e um contato móvel), utilizada para realizar a abertura e fechamento destes e injeção de hexafloreto de enxofre (SF6) para extinção do arco elétrico. 4) Isolador de Poste: Internamente movimenta uma haste de comando que transmite a movimentação produzida pelas molas para o fechamento e abertura dos contatos principais. 5) Mecanismo de Desarme: Onde está localizada a mola de abertura do disjuntor. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 53 6) Caixa de Mecanismo Operacional: 1) Motores elétricos: M1.1 e M1; 2) Contatos auxiliares do disjuntor BG1; 3) Chave motor manual; 4) Relé de mínima tensão de disparo 1 (K18.1), disparo 2 (K18.2) e motor (K18.3); 5) Termomagnéticas dos motores: F1.1 e F1; 6) Manivela para acionamento manual; 7) Relés auxiliares para supervisão de gás (k10 e K9) e antipumping (K3); 8) Termomagnética para alimentação e aquecimento: F2; 9) Contatores para alimentação dos motores: Q1.1 e Q1. Caixa de Mecanismo Operacional Molas: consiste em uma bateria de molas, que é carregada por dois motores dotados de uma barra de parafuso, e um mecanismo para atuação da abertura e fechamento. A bateria de molas é carregada automaticamente após cada operação de fechamento. Caixa de equipamentos: onde se localiza os motores que farão o carregamento das molas. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 54 Contatos Auxiliares: São encarregados de transmitir as informações dos disjuntores. Possui a haste de contato auxiliar que está em conexão direta com a alavanca do mecanismo operacional, seguindo o movimento dos contatos do disjuntor. Realizam funções tais como: • Informar o estado do disjuntor aos níveis superiores de supervisão, controle e proteção; • Intertravamentos com seccionadoras; • Vigilância do sistema de discordância de pólos. Informação visual da posição dos disjuntores: informa se disjuntor está desligado ou ligado através de um indicador visual (bandeirola) exposto em cada pólo do disjuntor. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 55 7) Cubículo Central: Onde se localiza o nível operacional mais baixo de comando do disjuntor (pátio de manobras). Níveis Operacionais • Nível 0: Equipamento no pátio de manobras. • Nível 1: Unidade de aquisição e controle da subestação (UAC). • Nível 2: IHM da subestação. • Nível 3: IHM do COS. Realiza a interligação de cada um dos pólos com a sala de controle; Chave S4 indicará a posição de comando do disjuntor (local ou remoto); Chave S1 para execução de comandos de fechamento e abertura; Caso de um fechamento local do disjuntor não poderá ser feito se estiver alguma das seccionadoras adjacentes fechadas. Botoeira SR para executar o “reset” de discordância de pólos: • Caso haja a atuação da discordância de pólos, deverá ser realizado o rearme neste local antes de tentar manobrar o disjuntor. Termomagnéticas: • F2: Alimentação 220Vca do circuito de iluminação, aquecimento e tomadas; • F7: Alimentação 460Vca do circuito do motor elétrico (primário do transformador 460/220Vca); • F7.1: Alimentação 220Vca do circuito motor (secundário do transformador 460/220Vca); • F8: Alimentação 125Vcc do circuito de fechamento do disjuntor. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 56 Contadores de manobras de fechamento mono (BNA, BNB, BNC) e tripolares (BN); Aloja o transformador de 480-220V para alimentação dos motores de carregamento de molas. Contatores (K20, K21 , K22, K23) e temporizadores (K7) para vigilância de SF6; Chaves termomagnéticas do sistema de trip: Q31 (circuito de trip 1) e Q32 (circuito de trip 2); Relé de bloqueio por discordância de pólo: K18; Relé de supervisão de tensão do circuito de fechamento: K15; Relé de supervisão de tensão do circuito de trip: K16 (trip 1), K17 (trip 2); Relé de disparo por discordância de pólo: Q7 (trip 1), Q8 (trip 2). 8) Mecanismo Superior: Realiza a conexão da haste de acionamento com os contatos de potência, transmitindo assim os movimentos necessários para as manobras dos mesmos. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 57 9) Monitor de densidade: Utilizado para registrar os valores de pressão de SF6 em cada pólo. Possui uma compensação para a temperatura, ficando seus valores mais exatos. 2.1.4.5.5 – Proteções Internas Discordância de Pólos: causado pelo fechamento ou abertura de apenas um ou dois dos três pólos do disjuntor, ou seja, é a situação em que os três pólos não cumprem com o mesmo estado (abertos ou fechados) acionando o temporizador que provocará a abertura do disjuntor. Sistema Antipumping: É um sistema de proteção pelo qual durante uma ordem sustenida de fechamento e ocorrer a aparição de uma ordem simultânea de abertura, o disjuntor irá fechar, abrir e não voltará a fechar até que não desapareça a ordem de fechamento original, e se dê um novo comando. Sistema de Controle de SF6: Possui um manostato que controla a pressão de SF6 em cada um dos pólos do disjuntor. • Pressão nominal do disjuntor é 0,7 Mpa; • Ajuste de 1º estágio 0,62 Mpa onde gerará alarme de baixa pressão e coloca em funcionamento um sistema de temporização prevendo uma possível queda rápida da pressão de gás, e neste caso irá abrir o disjuntor e em seguida as seccionadoras, quando se cumprir a contagem de tempo fechará disjuntor e bloqueará a sua abertura; • Ajuste de 2º estágio 0,6 Mpa, nesta situação, se não transcorreu o tempo ajustado no temporizador de 1º estágio, acionará a abertura do disjuntor e das seccionadoras, quando se cumprir a contagem de tempo fechará disjuntor e bloqueará a sua abertura. Transcorreu-se o tempo ajustado irá fechar o disjuntor e bloqueará a abertura do mesmo. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 58 2.1.4.5.6 – Possíveis Alarmes Baixa pressão SF6: • Contato BD1 atuado e temporizador K7 contando: baixa pressão SF6 1º estágio (0,62 Mpa). Bloqueio Fechamento/Abertura 1: • Relé K9 atuado: baixa pressão SF6 2º estágio (0,6 Mpa). Bloqueio Abertura 2: • Relé K10 atuado: baixa pressão SF6 2º estágio (0,6 Mpa). Mola de fechamento descarregada: • Contato BW1 atuado: motor sem funcionamento, deve-se verificar as chaves termomagnéticas ou alimentação e poderá estar acompanhada pelos seguintes alarmes: o Falta Vca Motor: relé K18.3 atuado, deve-se verificar tensão nos circuitos; o Disjuntor auxiliar motor aberto: F1 ou F1.1 atuados (cubículo do pólo), deve-se verificar as termomagnéticas e/ou possível causa do desligamento. Disjuntor Auxiliar+Aquecimento Aberto: • F2 atuado: deve-se verificar as termomagnéticas e/ou possível causa do desligamento. Discrepância ou discordância de pólos: • Q7 atuado: falha de um ou mais pólos durante o fechamento ou abertura do disjuntor, deverá verificar o pólo com discordância e realizar o rearme na botoeira “SR” do cubículo central antes de tentar manobrar o disjuntor. Chave S4 – Cubículo Centra (Local/Remoto): • A chave S4 deverá estar na posição (Local ou Remota) segundo o local de onde a manobra será realizada pelo operador. Observação: Caso seja detectado a falta de Vcc no cubículo central do disjuntor, deverá ser verificada a termomagnética no painel de proteções correspondente ou no painel de alimentação geral de contínua na sala de equipamentos. 2.1.4.6 – Chave Seccionadora Segundo a NBR 6935, chave é um dispositivo mecânico de manobra que na posição aberta assegura uma distância de isolamento, e na posição fechada mantéma continuidade do circuito elétrico nas condições específicas. A mesma norma define o seccionador como sendo um dispositivo mecânico de manobra capaz de abrir e fechar um circuito, quando uma corrente de intensidade desprezível é interrompida, ou restabelecida, quando não ocorre variação de tensão significativa através dos seus terminais. Os seccionadores são utilizados em subestações para permitir manobras de circuitos elétricos, sem carga, isolando disjuntores, transformadores de medida, de proteção e barramentos. Podem ainda desempenhar várias e importantes funções dentro de uma instalação, ou seja: • Manobrar circuitos, permitindo a transferência de carga entre barramentos de uma subestação; TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 59 • Isolar um equipamento qualquer da subestação, tais como transformadores, disjuntores, etc. para execução de serviços de manutenção ou outra utilidade; • Propiciar o by-pass de equipamentos, notadamente dos disjuntores da subestação. 2.1.4.6.1 – Seccionadoras para Subestações de Potência São normalmente de fabricação tripolar e apresentam diferentes tipos construtivos, ou seja: • Seccionadora de Abertura Lateral Singela (ALS); • Seccionadora de Abertura Central (AC); • Seccionadora de Dupla Abertura Lateral (DAL); • Seccionadora de Abertura Vertical (AV); • Seccionadora Pantográfica; • Seccionadora de Haste Vertical; • Seccionadora de Uso Específico. 2.1.4.6.2 – Características Construtivas das Chaves Seccionadoras São os mais diversos os tipos de construção das chaves seccionadoras, dependendo da finalidade e da tensão do circuito em que serão instaladas. Os seccionadores podem ser constituídos de um só pólo (chaves seccionadoras unipolares) ou de três pólos (chaves seccionadoras tripolares). Os seccionadores tripolares são dotados de mecanismo que obriga a abertura simultânea dos três pólos, quando impulsionado manualmente ou por ação de um motor. Será apresentada a título de exemplo, uma chave seccionara de fabricação Hapam. Finalidade: Isolar o equipamento a que esteja ligado, eliminando a possibilidade da existência de tensão no campo delimitado por elas e garantindo a realização de trabalho sem riscos de acidente com tensão. Não deve ser aberta com carga. Permite visualizar a interrupção do circuito elétrico. Pode ser acionado por comando executado na: • IHM (Interface Homem Máquina); • UAC (Unidade de Aquisição e Controle); • Cubículo da seccionadora mestre. 2.1.4.6.3 – Componentes Os componentes foram enumerados de acordo com a figura da chave seccionadora Hapam: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 60 Chave Seccionadora Hapam 1) Estrutura de Sustentação: Estrutura metálica com a função de suportar mecanicamente os isoladores, contatos móveis e fixos, e o mecanismo de operação. 2) Isolador Suporte: Possui a finalidade de suportar os contatos fixos e móveis, além de isolar eletricamente os contatos da estrutura. 3) Isolador de Transmissão: É o mecanismo de acionamento do contato móvel encarregado de transmitir movimento da haste de transmissão ao contato móvel. 4) Contato Móvel: Lâmina com a função de abrir ou fechar o circuito elétrico de alta tensão. 5) Contato Fixo: É destinado a receber o contato móvel. 6) Haste de Transmissão de Comando: Possui a função de transmitir o movimento produzido pelo motor elétrico no armário de comando ou manualmente pelo operador, para o isolador de transmissão. 7) Armário de Comando: Onde se localiza o motor de acionamento do contato móvel e os componentes destinados a operação elétrica e manual da seccionadora. Armário de comando mestre: onde se pode realizar o comando elétrico local e/ou manual para manobra das seccionadoras. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 61 1) Motor trifásico; 2) Freio elétrico do motor; 3) Chave seletora de comando (local/remoto): S8 4) Botoeira de fechamento: S6; 5) Botoeira de abertura: S7; 6) Botoeira de intertravamento: S10; 7) Chave fim de curso para iluminação: S11; 8) Bocal de encaixe da manivela para operação manual: be; 9) Relé de falta e de seqüência de fase: F2; 10) Contatos de intertravamento para operação manual: S9; 11) Relé térmico do motor: F1; 12) Contatos auxiliares; 13) Contatores: • K5: temporizador de discordância de pólos; • K4: falta de fase ou seqüência invertida no circuito motor; • K3: desbloqueio para fechamento manual; • K2: circuito de abertura; • K1: circuito de fechamento. 14)Chave para desbloqueio de freio do motor. Armário de Comando Mestre TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 62 Armário de comando escravo: são os armários dos pólos das seccionadoras acionadas pela mestre ou manualmente. 1) Motor trifásico; 2) Freio elétrico do motor; 3) Botoeira de intertravamento: S10; 4) Chave fim de curso para iluminação: S11; 5) Bocal de encaixe da manivela para operação manual: be; 6) Contatos de intertravamento para operação manual: S9; 7) Relé térmico do motor: F1; 8) Contatos auxiliares; 9) Contatores: • K3: desbloqueio para fechamento manual; • K2: circuito de abertura; • K1: circuito de fechamento. 10)Chave para desbloqueio de freio do motor. Armário de Comando Escravo TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 63 2.1.4.6.4 – Tipos de Seccionadoras Seccionadora de reator e disjuntores; Seccionadoras de linha com lâmina de terra: • Lâmina de terra: o Realiza o aterramento da linha de transmissão. o Não possui comando remoto, somente elétrico local e/ou manual. • Intertravamento mecânico entre a seccionadora de linha e de terra: não deixará que ambas estejam fechadas. • Possui um contato para alojar a lâmina de terra próxima ao contato fixo. 2.1.4.6.5 – Possíveis Alarmes Relé térmico: • Atuação do relé F1: possível sobrecarga no motor, necessário efetuar o “reset” do mesmo. Falta de fase no circuito motor: • Atuação do relé F2: indica falta de uma ou mais fases ou inversão do sentido de rotação, necessário para normalizá-lo realizar a reposição da alimentação ou a inversão. Discordância de Pólos: • Atuação do relé temporizado K5: causado pelo fechamento ou abertura de apenas um ou dois dos três pólos da seccionadora, ou seja, é a situação em que os três pólos não cumprem com o mesmo estado (abertos ou fechados), será necessário normalizar os três pólos e detectar a possível falha. Chave S8 em posição local: • Impossibilita a manobra remota desde a IHM (SE ou COS) e UAC (SE), deverá ser passada para posição remota’. Não aceitação de ordem elétrica (remota ou local) de abertura ou fechamento: • Para manobra elétrica da seccionadora (local ou remota), não poderá estar acionado o eixo de acoplamento de manobra manual em nenhum dos três pólos, o que ocasionaria a falta do negativo de comando. Observação: Caso seja detectado a falta de Vcc no cubículo central do disjuntor, deverá ser verificada a termomagnética no painel de proteções correspondente ou no painel de alimentação geral de contínua na sala de equipamentos. 2.1.4.7 – Pára-raios Aparelho que tem por fim proteger as instalações elétricas contra o efeito de sobretensões excessivas de causas internas da instalação ou externas, descarregando-as para a terra. Apresentam um comportamento automático, onde seu valor ôhmico muda de acordo com o valor da tensão, chegando a ficar em curto-circuito com uma tensão superior a tensão disruptiva. Realiza a proteção do sistema elétrico dos surtos de tensão originados por descargas atmosféricas nas linhas de transmissão ou nas proximidades, sobretensões no sistema causados por manobras mal feitas ou por operação automática de equipamentos, sejam eles disjuntores e/ou banco de capacitores, reatores e compensadores. Está locado na entrada da subestação e antes do reator. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSOBÁSICO 64 Pára-raios O pára-raios possui: Protetor contra sobrepressão: É um dispositivo destinado a aliviar as pressões internas devido a falhas ocasionais dos pára-raios e cuja ação permite, através de bocas, o escape dos gases quentes permitindo que o arco continue por fora do descarregador até que a linha desligue; Contador de descargas que informará o número de atuações deste equipamento; Indicador de corrente de fuga a terra (mili-amperímetro). Contador de Descargas TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 65 2.1.4.8 – Serviço Auxiliar Os serviços auxiliares de uma subestação têm por finalidade prover o suprimento em baixa tensão dos dispositivos ou equipamentos essenciais à manobra, controle, proteção e supervisão da instalação. A seleção do esquema a ser adotado para os serviços auxiliares depende portanto, da importância atribuída à instalação no contexto do sistema elétrico a que ela pertence, e por conseguinte os seguintes fatores, entre outros, são usualmente considerados: Nível da tensão e potência total instalada, destacando-se como importantes as subestações a partir de 145 kV com potências superiores a 30 MVA; Graus de continuidade de serviço e de confiabilidade requeridos, tendo em vista principalmente a função da subestação; Aspectos econômicos, que devem considerar principalmente as alternativas de duplicação dos esquemas em função da importância da instalação; Facilidades locais de recursos para manutenção e/ou reparos; Qualificação das cargas a suprir. Desta forma, a seleção do esquema a ser adotado, bem como as especificações dos equipamentos associados, deve ser feita em função de um ou mais fatores acima mencionados. Por outro lado, as especificações dos equipamentos dos serviços auxiliares devem ser adequadas para eventualmente permitir a evolução de um esquema mais simplificado para outro mais sofisticado. Classificação das Cargas A classificação mais usual das cargas a serem supridas é feita em função da análise das conseqüências acarretadas sobre a capacidade de transmissão do sistema de uma eventual perda de suprimento à carga, como pode depreender das definições que se seguem: Cargas Essenciais (ou de emergência): são cargas cujo não funcionamento afeta capacidade de transmissão do sistema ou ainda limita as condições operacionais da instalação, devido a um colapso de energia no barramento principal de serviços auxiliares. A alimentação é feita em corrente alternada, através da mesma fonte com que são supridas as cargas não essenciais, mas com a previsão de uma fonte geradora alternativa (usualmente um gerador síncrono acionado por um motor diesel) que é ligada sempre que é perdido o suprimento normal, ocasião em que o barramento do qual derivam os circuitos de alimentação das cargas essenciais é isolado de modo a operar independentemente e associado à fonte geradora referida. Cargas não Essenciais (ou normais): são cargas cujo não funcionamento não acarreta restrições à capacidade de transmissão do sistema, ou ainda não restringem condições operacionais. Cargas Permanentes: São cargas que devem ser mantidas em funcionamento mesmo que ocorram faltas nos circuitos, ou ainda quando eles estejam inoperantes por outros motivos, de modo a propiciar condições para proteção, controle, sinalização e supervisão do sistema, o que significa dizer que essas cargas permitem, por exemplo, a eliminação das faltas através da atuação dos TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 66 relés. A alimentação é feita em corrente contínua, a partir de conversores retificadores (carregadores de bateria de acumuladores), os quais são alimentados em corrente alternada a partir de um circuito essencial, e em cujos lados de corrente contínua são ligadas baterias de acumuladores em regime de flutuação para suprir energia em caso de perda da fonte. As cargas essenciais e não essenciais são alimentadas em baixa tensão, a partir do secundário de transformadores denominados de serviços auxiliares (TSA). Banco de Baterias do Serviço Auxiliar 3 – Proteção de Sistemas Elétricos 3.1 – Requisitos e Conceitos de Proteção 3.1.1 – Finalidades de uma Proteção Uma proteção é aplicada para detectar as anomalias que ocorrem na instalação protegida, desligando-a e protegendo-a contra os efeitos da deterioração que poderiam ocorrer da permanência da falha ou defeito por tempo elevado. Além dos defeitos da deterioração, podem ocorrer também instabilidades no Sistema de Potência no caso de falhas sustentadas por tempos acima de determinados limites. Assim, o Sistema de Proteção deve detectar a anomalia e remover o componenete do Sistema Elétrico sob falha, o mais rápido possível e de preferência, somente o componente sob falha. 3.1.2 – Terminologia 3.1.2.1 – Relés ou Dispositivos de Proteção São equipamentos ou instrumentos especialmente projetados e devidamente aplicados para detectar condições anormais, indesejáveis e intoleráveis no sistema elétrico e prover, simultânea ou parcialmente, os seguintes eventos: Pronta remoção de serviço (desligamento) dos componentes sob falha, ou dos componentes sujeitos a danos, ou ainda dos componentes que de alguma forma possam interferir na efetiva operação do restante do sistema; Adequadas sinalizações, alarmes e registros para orientação dos procedimentos humanos posteriores; Acionamentos e comandos complementares para se garantir confiabilidade, rapidez e seletividade na sua função de proteção. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 67 3.1.2.2 – Sistemas de Proteção Conjuntos de relés e dispositivos de proteção, outros dispositivos afins, equipamentos de teleproteção, circuitos de corrente alternada e corrente contínua, circuitos de comando e sinalização, disjuntores, etc. que associados, têm por finalidade proteger componentes ou partes do sistema elétrico de potência quando de condições anormais, indesejáveis ou intoleráveis. Quando se fala em Sistemas de Proteção, usualmente se entende tal sistema como “Relé de Proteção”. Na realidade um Sistema de Proteção consiste, além dos relés de proteção, também de outros subsistemas que participam do processo de remoção da falha. Tais subsistemas são mostrados na figura a seguir: Sistema de Proteção 3.1.2.3 – Funções de Proteção Entende-se como função de proteção um conjunto de atributos desempenhados por um sistema de proteção, para fins previamente estabelecidos e definidos, dentro de uma determinada categoria ou modalidade de atuação. Um relé ou dispositivo de proteção pode ter uma ou mais funções de proteção incorporadas (a chamada proteção “multifuncional”). Requisitos Básicos de um Sistema de Proteção Seletividade: É a capacidade do Sistema de Proteção prover a máxima continuidade de serviço do Sistema Protegido com um mínimo de desconexões para isolar uma falta no sistema. Confiabilidade: É a habilidade do relé ou do Sistema de Proteção atuar corretamente quando necessário (dependabilidade) e evitar operações desnecessárias (segurança). Velocidade: Característica que garante o mínimo tempo de falha, para um mínimo de danos ou instabilidade no componente ou sistema protegido. Economia: No sentido de se ter máxima proteção ao menor custo, considerando sempre o aspecto custo X beneficio, que é a essência da Engenharia. Simplicidade: Característica que considera a utilização mínima de equipamentos e circuitos na execução da Proteção. Mantenabilidade: É a capacidade da proteção permitir manutenção rápida e precisa, reduzindo-se ao mínimo o tempo fora de serviço e os custos de manutenção. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 68 3.1.3.1 – Preceitos Os seguintes preceitos são generalizados para qualquer Sistema de Proteção: A Proteção deve desligar o mínimo necessário de componentes para isolar a falha ou anormalidade,no mínimo de tempo possível (seletividade velocidade); A Proteção deve ter sensibilidade suficiente para cobrir a maior parte possível do universo de possibilidade de falhas e anormalidades no componente ou sistema protegido (dependabilidade); A Proteção não deve atuar desnecessariamente (segurança); Deve haver, sempre, uma segunda Proteção, local ou remota, para a detecção de uma mesma anormalidade (dependabilidade); Um esquema mais simples de proteção, desde que cobertos os requisitos básicos, apresenta uma menor probabilidade de atuação desnecessária (simplicidade incrementando a segurança, com economia); Quanto mais caro o Sistema de Proteção, mais se justifica o investimento na confiabilidade (dependabilidade) do Sistema de Proteção (economia = custo X beneficio). 3.1.4 – Zonas de Proteção A filosofia geral de proteção de um sistema elétrico é dividi-lo em “zonas de proteção” de modo que, quando da ocorrência de uma anormalidade, haja o mínimo de desligamentos possível, preservando o máximo de continuidade dos serviços. O sistema é dividido em zonas de proteção para: Geradores; Transformadores; Barras; Linhas de Transmissão e Subtransmissão; Dispositivos e Sistemas de Compensação Reativa; Circuitos de Distribuição; Transformadores de Distribuição; Motores; Outras cargas. Zonas de Proteção TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 69 A separação das zonas se dá através da localização de Disjuntores e Transformadores de Corrente que alimentam os relés de proteção. As figuras a seguir mostram detalhes dessa fronteira de zonas: Limites de Zona – Exemplo 1 Limites de Zona – Exemplo 2 No exemplo 1 tem-se a utilização de TC’s de ambos os lados do disjuntor. No exemplo 2 os TC’s de um lado apenas do disjuntor. Nesse segundo caso, verifica-se uma “zona morta” entre o disjuntor e o equipamento TC sem aparente cobertura. Há esquemas especiais para cobrir essa zona morta, para instalações importantes (geralmente em Extra Alta Tensão ≥ 345 KV). 3.1.5 – Proteção Principal e Proteção de Retaguarda Para se garantir o requisito básico de confiabilidade (dependabilidade) para o Sistema de Proteção, há necessidade para a maioria dos casos, da existência de uma segunda proteção, pelo menos, para a detecção da mesma falha no componente protegido. Resultam deste aspecto os conceitos de Proteção Principal e Proteção de Retaguarda: 3.1.5.1 – Proteção Principal É aquela que, por especificação e escolha de projeto, tem condição de detectar uma anormalidade para a qual foi concebida, no componente protegido, contemplando os requisitos de seletividade, confiabilidade e de velocidade. Dependendo da importância do componente protegido, pode existir projeto com duas proteções principais, que no caso de serem iguais são denominadas “duplicadas” ou “primária + alternada”. O que caracteriza o fato de serem “principais” é o atendimento aos requisitos básicos de velocidade, seletividade e confiabilidade. Mais recentemente no Brasil optou-se por duplicar relés ou funções principais para proteção de linhas de transmissão de Extra Alta Tensão (níveis de tensão iguais ou superiores a 345 KV) como exigência da Aneel para novas instalações. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 70 3.1.5.2 – Proteção de Retaguarda É aquela que, também por especificação e escolha de projeto, tem a finalidade de ser a segunda ou terceira proteção a detectar uma mesma anormalidade em um dado componente do sistema de potência, atuando o respectivo disjuntor quando da falha da proteção principal. Para garantia da seletividade a proteção de retaguarda utiliza temporização intencional para que se aguarde a atuação da proteção principal. Apenas no caso de falha da principal, após uma temporização ajustada, é que atuaria a proteção de retaguarda. Retaguarda Local Uma proteção de retaguarda pode estar instalada no mesmo local da proteção principal. Neste caso é denominada de “retaguarda local”. Retaguarda Remota Ou pode estar instalada em um outro componente adjacente àquele original. Neste caso é denominada de “retaguarda remota”: Conceito de Proteção Principal e Proteção de Retaguarda 3.2 – Funções de Proteção 3.2.1 – Função de Seqüência Negativa Qualquer desbalanço num sistema trifásico, com ou sem terra, faz com que apareça componentes simétricas de seqüência negativa. O surgimento da componente de seqüência negativa I2 significa que há desbalanço da corrente através do circuito onde está aplicada a proteção e pode ser causada por: Uma fase aberta; Duas fases abertas; Carga equilibrada (comum para circuitos primários de Distribuição); Curto-circuito fase-terra; Curto-circuito bifásico; Curto-circuito bifásico-terra. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 71 O desbalanço de corrente é um fator grave para máquinas rotativas, uma vez que induz correntes de freqüência dupla no rotor (ferro), causando aquecimento. Portanto a função de seqüência negativa é utilizada principalmente para proteção de motores e geradores. Seu código ANSI é 46. Para Linhas de Transmissão, esta função é utilizada em casos especiais onde há dificuldades de detecção de curtos-circuitos, como por exemplo uma linha longa em alta ou média tensão, onde as faltas se confundem com as cargas e as funções de sobrecorrente e de distancia têm dificuldades. Lembrando que a seqüência negativa de corrente aparece sempre que há desbalanço, com ou sem terra, e ela pode ser utilizada para detectar curto-circuito. A exigência é que a carga, em condições normais, deve ser equilibrada o suficiente para não atingir limite de atuação da proteção. Função de Desbalanço de Corrente 3.2.2 – Função Direcional de Sobrecorrente A diferença entre uma função de sobrecorrente e uma função direcional de sobrecorrente é que esta última tem uma característica extra associada à direção da corrente medida, e não apenas ao modulo da corrente medida. Para que isto seja possível, devera haver, para cada relé, uma referência de Tensão. Isto é, os mesmos devem ser Polarizados. Há duas funções direcionais de terra: aquela para corrente de fase e aquela para corrente de terra. O código ANSI para a função direcional de sobrecorrente é (67). Pode ter, também, elemento instantâneo, porem não há código específico para esse elemento instantâneo. Para a proteção, há necessidade de informações de tensão através de TP’s de linha ou de barra. As correntes e tensões residuais podem ser calculadas, ao invés de medidas, como mostra a figura a seguir: Conexão para Proteção Digital – Direcional de Sobrecorrente TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 72 A função direcional de sobrecorrente deve atuar apenas se duas condições forem satisfeitas: a) Intensidade de corrente acima do limite mínimo de ajuste; b) Corrente em um determinado sentido. Conceito da Função 67 Os relés são conectados para atuar, por exemplo, para correntes saindo da barra para a linha. Caso haja corrente no sentido inverso, mesmo que de grande intensidade (condição de curto circuito), essa função direcional de sobrecorrente não atua: Atuação Direcional da Função 67 Falta na Direção Reversa da Função 67 3.2.3 – Função de Tensão Como o próprio nome menciona, é uma função para detectar condições de tensão superiores ou inferiores aos valores normalmente aceitos para a Operação do Sistema ou do Equipamento. São realizados através de relés específicos conectados nos lados secundários dos Transformadores de Potencial. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 73 Proteção de Sobretensão – Código 59 Para detectar condições de tensão superior a um valor aceitável. Pode ser de dois tipos: Função de Sobretensão Instantânea ou Função de Sobretensão Temporizada. A função instantânea não possui temporização intencional, isto é, seu tempo deatuação depende apenas de suas características construtivas e inerentes ou do seu algoritmo (no caso de ser digital). Por outro lado, a função temporizada é construída para introduzir uma temporização intencional e ajustável. Os relés de sobretensão temporizados são, geralmente, de característica definida de tempo (não inversa): Função 59, de Tempo Definido, para Funções de Linha Dependendo do nível de sobretensão esperado, utiliza-se função instantânea ou temporizada. Utiliza-se a função de sobretensão na proteção de Transformadores, Reatores e Máquinas Rotativas, isto é, na proteção de equipamentos que podem ter sua isolação deteriorada no caso de exposição a condições de sobretensão. Em Extra-Alta Tensão é aplicada em Linhas de Transmissão para que tenha uma função sistêmica, isto é, para desligar trechos do sistema afetados por sobretensão (excesso de reativos na região). Proteção de Subtensão ou Relé de Subtensão – Código 27 A função atua quando a tensão cair abaixo de um valor ajustado. Esta função pode ser utilizada como proteção para equipamentos que não podem operar com tensão abaixo de um certo limite (geralmente máquinas rotativas), ou pode ser utilizada apenas como relé de subtensão para desligamento automático de circuito quando de falta de tensão (relé de manobra). 3.2.4 – Função de Distância A função de distância mede, através da leitura das correntes e tensões do circuito protegido, a impedância entre o ponto de aplicação da proteção e o ponto onde ocorreu o curto-circuito. A dimensão da grandeza calculada é Ohms: Impedância = Tensão / Corrente. Como a impedância da linha de transmissão protegida é proporcional ao seu comprimento, (ohms/km), pode-se associar a impedância medida com a distância até o ponto de curto-circuito. Daí a denominação “distância” quando a função de impedância é utilizada para proteção de linha de transmissão. O código ANSI para a função de impedância é 21. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 74 Considerando o princípio, torna-se evidente que uma função de distância deve ser alimentada por TC’s (correntes) e TP’s (tensões). A Proteção de Distância Necessita de Dados dos TC’s e dos TP’s Ajustes são realizados e aplicados de modo que os critérios de coordenação adotados garantam os itens de seletividade e velocidade da proteção. Como a impedância da linha protegida é conhecida, pode-se ajustar a proteção de modo que para cada ponto de curto-circuito esperado se tenha um critério previamente inserido na proteção, como parâmetro de desempenho esperado. Zonas de Alcance Uma proteção de distancia não possui apenas uma zona de alcance. Ela possui várias zonas, sendo que cada zona pode ser ajustada com seus respectivos valores de alcance e tempo. As figuras a seguir ilustram o caso de uma proteção com três zonas de alcance no sentido direcional e uma zona de alcance não direcional. Zonas de Alcance TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 75 Isto é, temporizando adequadamente cada zona de proteção, pode-se obter seletividade e garantir uma proteção de retaguarda para faltas em outros componentes ou linhas adjacentes. Uma maneira simplificada de representar as zonas de alcance de uma proteção de distância está mostrada na figura a seguir: Representação Simplificada das Zonas de Alcance 3.2.5 – Oscilação de Potência A oscilação de potência entre dois centros geradores em decorrência de severas variações de carga ou condição de operação ou de curto-circuito, pode fazer com que a impedância medida pela proteção de distância entre na zona de atuação da mesma. Para evitar atuações não desejadas da proteção, a função de oscilação de potência (código 78) mede o tempo que o vetor impedância medido pela proteção leva para cruzar duas características, como mostrado a seguir: Função “Out of Step” Se o tempo medido for superior a um valor pré-determinado (ordem de ms), a função pode bloquear o “trip” da proteção. Deve-se observar que é relativamente grande o tempo que o vetor carga leva para cruzar a característica tracejada até atingir a característica de proteção (linha cheia), ao contrário do caso de um curto-circuito quando esse tempo é quase instantâneo. Pode-se ajustar ∆R, ∆X ou ∆Z para um tempo fixo, pré-estabelecido. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 76 3.2.6 – Fechamento sobre Falta (“Switch on to fault protection”) – Função 50/27 O fechamento de um disjuntor pode inadvertidamente a um curto-circuito trifásico pleno, por exemplo, quando um aterramento de linha feito quando de manutenção da mesma não é removido. A função de “Fechamento sobre Falta” proporciona uma atuação instantânea da proteção (sem temporização intencional) durante um intervalo de tempo ajustável após um fechamento manual do respectivo disjuntor. Não deve haver tensão na LT, antes do fechamento manual (supervisionado pela função 27). Há diferentes tipos de lógica para a execução dessa função, dependendo do tipo da proteção ou do fabricante. Por exemplo, durante um período de tempo após um fechamento manual de disjuntor, a proteção poderia dar trip instantâneo apenas com a partida da mesma. Há proteção que aplica essa lógica também para o religamento automático. 3.2.7 – Proteção STUB Bus Quando numa configuração disjuntor e meio, a seccionadora de linha está aberta com pelo menos um disjuntor do terminal fechado, há possibilidade de ocorrer curto-circuito entre o(s) disjuntor(es) e a seccionadora de linha. A figura a seguir ilustra o mencionado. Função STUB A proteção de linha, para este esquema de barras, deve ter uma função denominada “STUB Bus” que detecta esta condição. A proteção de linha deve ter a informação de seccionadora aberta (deve haver cablagem para tanto, para uma entrada digital da proteção). A proteção STUB é proporcionada por uma função de Sobrecorrente (50-STUB) que atua instantaneamente para o curto e desliga o(s) disjuntor(es) quando a seccionadora está aberta. 3.2.8 – Função Comparação de Fase A função de proteção conhecida genericamente como “comparação de fase” funciona comparando os ângulos de fase (polaridades) das correntes dos 2 terminais de uma linha de transmissão. Para um curto-circuito interno à LT, as correntes nas duas extremidades são aproximadamente opostas, como mostra a figura a seguir: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 77 Comparação de Fase para Curto Interno à LT Em cada extremidade, se faz a comparação das polaridades das correntes das duas extremidades e se efetua uma verificação lógica a cada meio ciclo. Na figura acima se observa sinal constante A ou B, o que dá uma condição de “trip”. Quando o curto-circuito for externo à LT, tem-se o mostrado na figura a seguir: Comparação de Fase para Curto Externo à LT TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 78 3.2.9 – Função Diferencial Na proteção de sistemas elétricos de potência, uma das funções mais utilizadas na proteção de equipamentos, máquinas, barras ou na proteção de linhas é a função Diferencial. Como o próprio nome indica, seu princípio de funcionamento baseia-se na comparação entre grandezas (ou composição de grandezas) que entram no circuito protegido e grandezas de mesma natureza que saem do circuito protegido. Princípio da Proteção Diferencial A função Diferencial é utilizada na proteção de transformadores, equipamentos de compensação reativa, máquinas rotativas, sistemas de barramentos, cabos e linhas de transmissão. Requisitos de uma Proteção de Linha Os seguintes são os requisitos básicos de qualquer proteção diferencial de uma LT: Deve considerar os efeitos de erros de precisão nos TC’s utilizados para conexão da proteção; Deve manter a estabilidade (não atuar) para curto-circuito externo à área protegida, mesmo com saturação de TC; Deve ter recursos para compensara diferença de tempo na transmissão de sinal de uma extremidade para a outra, da LT; Deve ter recursos para manter a sensibilidade da proteção, não atuando para energização de linhas longas ou de cabos, devido a capacitância da LT; Deve ter rápida atuação para curto-circuito interno, mesmo para aquelas faltas de baixa corrente. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 79 Proteção de Linha Aéreas ou Linhas de Cabos (87L) As correntes das duas extremidades da linha de transmissão são comparadas através do uso de um meio de comunicação que une as duas subestações. Parece evidente que esse meio de comunicação deve ser de alta confiabilidade quanto ao desempenho, de alta velocidade. Também a segurança desse meio de comunicação é um aspecto importante considerando que esse meio de comunicação pode passar por ambientes não controlados e relativamente expostos. Esse é o aspecto que faz com que a proteção diferencial de linha de transmissão seja tratada de modo diferenciado do caso de equipamentos ou barras que estão confinados em ambientes de subestações. Os seguintes meios podem ser utilizados: Par de fios telefônicos: Neste caso, a proteção é chamada de “Fio Piloto”. Neste caso, a extensão máxima está limitada a cerca de 12 km, e mesmo assim, em rota de alta confiabilidade; Equipamento OPLAT (Carrier): Apesar de utilizado em algumas pouca linhas, não se trata de um meio adequado para a proteção diferencial; Rádio microondas; Rede de comunicações, pública ou privada: Geralmente digital. Tanto uma rede privada de microondas como uma rede alugada de comunicações poderia servir, mas também não são indicadas para proteção diferencial; Dielétrico – fibra óptica: Dielétrico específico para comunicação direta entre os relés das duas extremidades. Trata-se do meio adequado para a proteção diferencial de LT. Há, entretanto, limitação na distancia (varia de 1,5 a 35 km), dependendo do tipo de fibra e do tipo de tecnologia de comunicação. Fibra óptica em OPGW: Meio bastante adequado para proteção diferencial de LT, com a vantagem de não haver limitação da extensão da LT, uma vez que há repetidoras para a comunicação OPGW. Com o advento da tecnologia de comunicação através de fibra óptica, geralmente associada a cabo pára-raios (OPGW), tem havido grande impulso na aplicação da função diferencial para linhas. Há países onde a função diferencial é utilizada, como regra geral, como a principal proteção da linha, sendo a proteção de distancia apenas retaguarda. Proteção Diferencial de Linha Vantagens e Desvantagens da Função 87L Vantagens: Proteção inerentemente seletiva; Alta sensibilidade para faltas de alta impedância; Ideal para linhas de transmissão curtas, onde a proteção de distância exigiria providências que encareceriam a aplicação e dificultariam os ajustes; TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 80 Não necessita de TP’s para proteção. TP’s são geralmente conectados ao relé para fins de medição, oscilografia e verificação de tensão para o religamento automático; Imune a oscilações de potência; Facilita a proteção de linhas com compensação série; Poucos ajustes e alta confiabilidade. Desvantagens Exige comunicação de alta velocidade e confiabilidade entre as subestações; Exige proteção de retaguarda, pois quando da falha de comunicação, a proteção deixa de estar operacional. 3.2.10 – Função de Sobrecarga Térmica Uma proteção de sobrecarga, de equipamentos, máquina rotativa ou de cabos ou linhas tem a ver, sempre, com a temperatura que pode chegar o componente protegido em função de carga excessiva. Qualquer equipamento ou instalação não se aquece instantaneamente em função de carga excessiva. Para um determinado degrau de corrente, para mais, a temperatura desse componente variará exponencialmente em função da sua constante de tempo de aquecimento. A figura a seguir mostra o conceito de constante de tempo para o aquecimento de um corpo homogêneo, para uma variação exponencial: Definição de Constante de Tempo de Aquecimento Uma proteção de sobrecarga (proteção térmica – Código 49) deve, portanto, emular as condições de aquecimento do componente protegido em função da corrente através desse componente. 3.2.11 – Relé de Bloqueio A proteção é concebida e ajustada de modo a identificar o tipo de distúrbio e suas ações dependem de sua severidade (permanente ou transitória). Caso seja do tipo “permanente”, a proteção faz operar um Relé de Bloqueio (86), cuja função é impedir que qualquer dos disjuntores associados ao equipamento desligado possa ser religado por acionamento direto do operador. Sempre será necessário desoperar o relé de bloqueio. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 81 As instruções de operação definem, neste caso, a forma de atuação dos operadores que podem ser: acionamento das equipes de manutenção, isolação do equipamento defeituoso, etc. Os distúrbios identificados como transitórios, simplesmente não atuam este tipo de relé, ficando os disjuntores livres para acionamento. 3.3 – Religamento Automático 3.3.1 – Função Religamento Automático (79) Trata-se de uma função que tem a finalidade de acionar, automaticamente, o fechamento do disjuntor desligado pela proteção, após temporização ajustável. O esquema de religamento automático é implementado segundo esquema mostrado a seguir: Religamento Automático com Check Sincronismo – Diagrama Unifilar O processamento de religamento automático é iniciado pela atuação da proteção de linha, conforme ilustrado na figura a seguir: Religamento Automático – Sinais de Controle TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 82 O religamento deve ocorrer para: Faltas internas na linha de transmissão protegida; Atuação da proteção principal (ou alternada) na primeira zona ou pela Teleproteção; Todos os tipos de falta na linha (ou para alguns tipos, a escolher – ajustável). O religamento não deve ocorrer para: Faltas externas à linha, com atuação de proteção de retaguarda; Para atuação de outras proteções como falha de disjuntor e diferencial de barra; Para atuações temporizadas da proteção principal. Terminologia: Tempo Morto: Tempo e que a linha de transmissão ou alimentador de distribuição fica sem transportar energia; Tempo de Extinção de Arco: Tempo em que a linha de transmissão ou alimentador de distribuição fica sem tensão; Tempo de Religamento Automático: Tempo da função 79, desde o instante do acionamento (pela atuação) da proteção até o instante do comando de fechamento do respectivo disjuntor; Tempo de Guarda: Tempo ajustado no esquema de religamento automático de modo que, caso haja nova atuação da proteção dentro desse tempo (tentativa de religamento sobre falta permanente), haverá bloqueio do religamento. 3.3.2 – Função “Check de Sincronismo” (25) A função (25), de verificação de sincronismo, é utilizada quando de religamento automático tripolar e executa um dos seguintes itens, dependendo de uma chave seletora: Permite religamento com tensão na linha e sem tensão na barra (linha viva / barra morta); Permite religamento com tensão na barra e sem tensão na linha (linha morta / barra viva); Permite religamento com tensão em ambos os lados, com: • Verificação da diferença de módulos das tensões comparadas (ajustável); • Verificação do ângulo de fase entre as tensões comparadas (ajustável); • Verificação do escorregamento (diferença de freqüência) entre as tensões comparadas (ajustável). 3.3.3 – Religamento Automático de Linhas de Transmissão Linhas aéreas em alta tensão são um dos componentes do sistema elétrico que apresentam maior vulnerabilidade a ocorrências que provocam curtos-circuitos, com conseqüentes desligamentos forçados de circuitos de LT através da atuação das proteções. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO83 A maior parte desses desligamentos forçados está associada a faltas de natureza fugitiva, isto é, faltas que se extinguem ao se desligar a LT, permitindo que a mesma seja religada sem problemas imediatamente após o desligamento inicial, restabelecendo a continuidade do sistema elétrico. Esse restabelecimento pode ser feito: Através de comando manual de fechamento executado pelo operador, ou Através de relés ou funções de religamento automático (79). A maior diferença entre o restabelecimento manual e o automático é o tempo de indisponibilidade do circuito da LT. Enquanto no religamento manual o tempo mínimo envolvido é de cerca de 1 minuto, o religamento automático permite intervalos de tempo inferiores a 1 segundo. Curtos-circuitos internos à LT e de natureza fugitiva têm uma freqüência de ocorrência suficientemente elevada para justificar a implantação de esquemas de religamento automático. Para as linhas de transmissão de Alta e Extra-Alta Tensão essa freqüência pode estar em torno de 85% dos desligamentos forçados. O exemplo mais típico e representativo de ocorrência causadora de curto-circuito de natureza fugitiva é a descarga atmosférica. Esse fenômeno natural é considerado como parâmetro de projeto de linhas de transmissão. São dois os tipos de religamento automático de linha de transmissão: o religamento Tripolar e o religamento Monopolar. O religamento tripolar consiste em religar automaticamente a linha após desligamento tripolar (para curto-circuito interno à LT), com um tempo de espera apenas o suficiente para a extinção e desionização do arco de curto-circuito fugitivo na linha. Geralmente é feita apenas uma tentativa de religamento e é utilizado em linhas de alta e extra-alta tensão. O religamento monopolar consiste em religar automaticamente a linha após desligamento monopolar, quando de ocorrência de curto-circuito monofásico e fugitivo na linha, com um tempo de espera o suficiente para extinção e desionização do arco de curto-circuito e do arco secundário que é mantido pelo acoplamento capacitivo das fases não desligadas. O impacto do desligamento monopolar seguido de religamento monopolar sobre a estabilidade do sistema é menor que aquele do desligamento tripolar com religamento tripolar. Mas essa diferença só se faz notar ou se faz necessária em sistemas de transmissão muito específicos quanto às condições de transferência de potência e estabilidade transitória. 3.4 – Teleproteção A Teleproteção é um método de proteção de linha, através de relés de proteção e meios de comunicação, no qual um defeito interno é detectado e determinado comparando-se as condições do Sistema nos terminais do circuito protegido, utilizando-se canal ou canais de comunicação. A teleproteção é aplicada em linha de transmissão com a finalidade de atender os seguintes requisitos desejáveis e necessários para a Operação do Sistema de Potência. Seletividade e Rapidez na Proteção; Confiabilidade; Religamento Automático. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 84 3.4.1 – Meios de Comunicação Os meios de comunicação utilizados para esquemas de teleproteção são: Fio Piloto (Conexão por cabos de cobre, entre os terminais da linha de transmissão); Carrier (OPLAT – Onda Portadora sobre Linhas de Alta Tensão); Rádio Micro-Ondas; Rádio UHF; Fibra óptica em cabo OPGW; Fibra óptica em cabo dielétrico; Rede de comunicações, pública ou privada. Geralmente digital. Tanto uma rede privada como uma rede alugada de comunicações poderia servir, mas também não são indicadas para teleproteção. 3.4.2 – Esquemas de Teleproteção A escolha de um esquema de teleproteção depende de vários aspectos, como o comprimento da linha a ser protegida, tipo de proteção da linha, tempo de desligamento requerido para a linha, tipo de canal de comunicação e características do Sistema de Potência. Geralmente o esquema de teleproteção é escolhido quando da escolha da proteção de linha. Há relés que são mais adequados para um esquema e menos para outro. O próprio meio de comunicação depende do tipo de proteção, do comprimento da linha, do grau de confiabilidade desejado e do limite de investimento para a LT. Podem-se classificar os esquemas de teleproteção em 5 (cinco) grandes grupos: Esquemas de comparação de fase; Esquemas diferenciais; Esquemas de transferência de sinal de “trip”; Esquemas de comparação direcional; Esquemas de aceleração ou prolongamento de zona. 3.4.2.1 – Esquemas de Comparação de Fase Esta proteção é imune a oscilações de potência e a variações de níveis de tensão no Sistema. Deve-se notar que a seletividade para a proteção de comparação de fase é inerente. Necessidade de funções de retaguarda Considerando que a proteção só opera para faltas internas à linha de transmissão, há necessidade de outros tipos de função de proteção para a mesma linha (como de distância, por exemplo) para servirem de retaguarda. A necessidade de retaguarda local é reforçada quando se observa que a proteção de comparação de fase ficará inoperante sem o canal de comunicação. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 85 Aplicação de Proteção de Comparação de Fase Ela pode ser utilizada principalmente quando há dificuldades na aplicação de proteção de distância: Linhas curtas, com baixa impedância série; Linhas onde há alta possibilidade de curtos-circuitos com alta impedância; Linhas de extra-alta tensão, com insuficiência ou inexistência de TP’s; Linhas com compensação série, inclusive as com capacitores nas extremidades (apenas algumas categorias de comparação de fase); Linhas onde se exige maior rapidez na proteção para defeitos internos à linha, desde que haja meio de comunicação rápido e confiável. 3.4.2.2 – Esquemas Diferenciais Verifica-se, pelos princípios já mostrados, que também esta proteção é imune a oscilações de potência e a variações de níveis de tensão no Sistema. Como já mencionado, é uma proteção inerentemente seletiva. Necessidade de Funções de Retaguarda Considerando que a proteção opera apenas para faltas internas, há necessidade de outros tipos de função de proteção para a mesma linha (como de distância, por exemplo) para servirem de retaguarda, e também como uma segunda proteção para melhor confiabilidade. A necessidade de retaguarda local é reforçada quando se observa que a proteção diferencial ficará inoperante sem o canal de comunicação. Aplicação da Proteção Diferencial Ela pode ser utilizada, principalmente quando há dificuldades na aplicação de proteção de distância. Entretanto, há filosofias de utilização (outros países) onde esta função é sempre considerada principal para a LT de Alta ou Extra-Alta Tensão, sendo a função de distância apenas uma retaguarda. No Brasil, usa-se essa função diferencial para: Linhas curtas, com baixa impedância série e dificuldades de ajustes para a função de distância; Linhas onde há alta possibilidade de curtos-circuitos com alta impedância; Linhas de EAT, com insuficiência ou inexistência de TP’s; Linhas com compensação série, inclusive as com capacitores nas extremidades (com recursos adequados para essa finalidade); Linhas onde se exige maior rapidez na proteção para defeitos internos à linha, desde que haja meio de comunicação rápido e confiável. 3.4.2.2.1 – Fio Piloto Quando o ambiente é controlado (para evitar aspectos de vandalismo e meio ambiente hostil), como por exemplo, dentro das instalações de uma usina hidroelétrica, e quando há rotas que não sejam afetadas pela interferência eletromagnética, ainda pode haver uso de esquema de fio piloto com cabos telefônicos, principalmente quando o fator econômico tem influência. Deve-se, entretanto, observar que a comunicação por fibra óptica está cada vez mais disponível e viável do ponto de vista econômico, principalmente para curtas distâncias. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICACURSO BÁSICO 86 3.4.2.2.2 – Outros Meios de Comunicação O meio ideal para a proteção diferencial de linha de transmissão é a fibra óptica, preferencialmente por fibras dedicadas e comunicação de relé a relé (rapidez e confiabilidade). Entretanto, mesmo que a fibra não seja dedicada, com uso de multiplex e outras interfaces de telecomunicações, os sistemas digitais com fibra óptica constituem-se em excelente opção. A duplicação do meio de comunicação é um fator preponderante, para linhas de importância (por exemplo, a Rede Básica no sistema interligado brasileiro). Essa duplicação não necessita ser, obrigatoriamente, feita com meios idênticos de comunicação. Deve-se evitar meios de comunicação com enlaces diversos entre a origem e destino do sinal transmitido. O OPLAT pode ser usado, mas é altamente desejável que se tenha meio alternativo de comunicação. 3.4.2.3 – Esquemas de Transferência de Sinal de Trip (“TRANSFERRED TRIPPING”) Tipos de Esquemas Nestes esquemas, a informação da existência de sinal de “trip” pela proteção, em uma das extremidades da linha de transmissão, é transmitida através de canal de comunicação a outra(s) extremidade(s). Dependendo do aproveitamento que se faz do sinal recebido, um dos seguintes esquemas pode ser utilizado: “Transferência Direto de Trip com Subalcance” (Direct Underreaching Transferred Tripping); “Transferência de Trip Permissivo com Subalcance” (Permissive Underreaching Transferred Tripping); “Transferência de Trip Permissivo com Sobrealcance” (Permissive Overreaching Transferred Tripping); “Transferência de Trip Direto” (Direct Transferred Tripping). Serão mostradas a seguir as filosofias desses esquemas através de esquemas analógicos, apenas para facilitar a compreensão. Deve-se atentar para o fato que, com a base nas idéias básicas descritas, estão disponíveis proteções digitais que incorporam muitos recursos (aqui não descritos) que melhoram tanto a rapidez como também a confiabilidade de cada esquema apresentado. 3.4.2.3.1 – Esquema de Transferência Direta de Trip com Subalcance (DUTT) A figura a seguir mostra o princípio de funcionamento deste esquema. Há necessidade de transceptor para cada terminal de linha. Para cada terminal de linha o trip local não depende da recepção do sinal e a recepção do sinal desliga diretamente o disjuntor. Por isso mesmo, a proteção deve ser ajustada com subalcance (proteção de distância) para se ter seletividade. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 87 Transferência Direta de Trip com Subalcance Para um curto-circuito em F1, há desligamento das duas extremidades da linha pelos respectivos relés de distância (21) em primeira zona, sem necessidade da teleproteção. Ocorrerá recepção em cada extremidade, mas o sinal de trip será redundante. Para um curto-circuito em F2, o disjuntor da extremidade B será desligado pela própria proteção de distância. O disjuntor da extremidade A será desligado pela recepção do sinal de transferência de trip. No caso eventual de falha do Canal de Comunicação, o disjuntor em A será desligado pela sua proteção de distância com o tempo de 2a zona. Para um curto-circuito em F3, o relé em B não atuará, pois a falta está na sua direção reversa. O relé em A atuará na sua 2ª zona apenas se houver falha da proteção da outra linha adjacente. Considerando que neste esquema a recepção do sinal desliga diretamente o disjuntor, há riscos de desligamentos intempestivos devido a sinal espúrio no canal de comunicação, apesar de lógicas de segurança. Mas isso depende do meio de comunicação utilizado. O risco maior seria para o caso do OPLAT. Portanto este esquema é pouco utilizado (há alternativa como mostrado a seguir). 3.4.2.3.2 – Esquema de Transferência de Trip Permissivo com Subalcance (PUTT) Este esquema é uma variação do anterior, para evitar falsos desligamentos quando de recepções espúrias. No circuito de desligamento pela recepção é colocada uma supervisão (“permissão”), de tal maneira que o trip é efetuado apenas quando de curto- circuito com direção e alcance detectados por um elemento de partida direcional. Com isso, a confiabilidade é aumentada, diminuindo a probabilidade de falsos desligamentos. Este esquema é bastante sugerido por fabricantes europeus, para linhas de transmissão de comprimentos médio e longo. Uma falha do canal de comunicação não compromete a proteção da linha, a menos do tempo de desligamento: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 88 Filosofia do Esquema PUTT 3.4.2.3.3 – Esquema de Transferência de Trip Permissivo com Sobrealcance (POTT) Principalmente para linhas de transmissão curtas, não é possível o ajuste preciso de distância para 80 ou 85% da linha de transmissão. Neste caso, ao se utilizar um esquema com subalcance, haveria grande probabilidade de atuação incorreta da própria proteção de distância devido aos erros de medição. O esquema de transferência de trip permissivo com sobrealcance mostrado a seguir é feito de tal modo a resolver este problema. Todo trip local (instantâneo) só será possível com a permissão recebida da outra extremidade da linha. Nestas condições, pode-se ajustar a proteção com sensibilidade suficiente para ultrapassar os limites (em alcance) da própria linha, isto é, com sobrealcance. O defeito F1 (ou F2) será detectado de imediato pelas proteções das duas extremidades, que irão transmitir permissões. Em cada extremidade, a própria atuação e a recepção irão possibilitar o desligamento do disjuntor. Um defeito F3 será detectado pelo relé em A, mas não pelo relé em B. Não haverá desligamento em A pelo fato de não existir recepção (permissão de B): Filosofia do Esquema POTT TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 89 Deve-se observar que neste tipo de esquema, uma falha no canal de comunicação compromete a proteção rápida da linha. Um outro aspecto muito importante a observar é que este esquema pode ser utilizado com Relés de Sobrecorrente Direcionais (fase e terra) ao invés de relés de distância. Isto decorre do fato de que o ajuste do alcance não é criterioso para o esquema. Apenas a direção é crítica. 3.4.2.3.4 – Esquema de Transferência de Trip Direto (DTT) Neste esquema, o sinal de trip de uma extremidade é utilizado para desligamento direto na outra extremidade, sem supervisão. Às vezes é inevitável a necessidade de uso do esquema de transferência direta de disparo, apesar do risco de desligamentos indevidos, para determinados casos. Por exemplo, a proteção do Reator Shunt diretamente conectado na linha, sem disjuntor local exige esquema DTT. Também no caso da proteção de falha disjuntor é necessária a transferência direta de trip para a outra extremidade da linha. Na figura a seguir mostra-se um exemplo do esquema: Filosofia do Esquema DTT Neste esquema, uma falha do canal de comunicação compromete totalmente a proteção do Reator Shunt. Assim sendo, a duplicação de canais de comunicação é obrigatória. 3.4.2.4 – Esquemas de Comparação Direcional (“DIRECTIONAL COMPARISON”) Nestes esquemas, a informação da direção é transmitida de um terminal para o outro através do canal de comunicação. Dependendo do aproveitamento que se faz do sinal recebido e dependendo também de como e qual a direção que é detectada por cada terminal, um dos esquemas seguintes pode ser utilizado: • Esquema de comparação direcional com bloqueio (“Directional Comparasion Blocking System”); • Esquema de comparação direcional com desbloqueio (“Directional Comparation Unblocking System”). Para estes esquemas pode-se utilizar, também, qualquer canal de comunicação. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 90 3.4.2.4.1 – Esquema BLOCKING de Comparação Direcional A figura a seguir mostra como funciona o esquema: Filosofia do Esquema Blocking O aspecto principal deste esquema é evitar que uma informação crucialpara a proteção seja transmitida sobre uma linha em defeito. Assim, a transmissão é efetuada sobre a linha apenas para “informar” a outra extremidade que o defeito é externo à linha. Os relés de proteção S são conectados de tal maneira a detectar defeitos “para trás”. Quando de defeito em F3, a proteção S da extremidade B ativará o Carrier e transmitirá sinal para bloqueio da outra extremidade. A proteção P na extremidade A detectará também o defeito F3. Porém, seu trip é retardado de 13 a 16 ms para que haja tempo para chegada do sinal de bloqueio. Para curtos-circuitos em F1 e F2, nenhuma proteção S atuará. Mesmo que haja uma eventual atuação de um relé S, a atuação da proteção P bloqueará a transmissão. Após as temporizações CS, os disjuntores serão desligados. O Carrier, neste caso, não tem influência na proteção. Evidentemente, as proteções P e S devem ser direcionais. Podem ser utilizados relés de distância ou relés direcionais de sobrecorrente. Observa-se, finalmente, que os relés de proteção P deverão ser ajustados com sobrealcance. 3.4.2.4.2 – Esquema UNBLOCKING de Comparação Direcional O esquema mostrado a seguir é bastante semelhante ao esquema de transferência de disparo permissivo com sobrealcance. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 91 Filosofia do Esquema Unblocking É evidente que o esquema de transferência de trip permissivo com sobrealcance se confunde com o esquema de comparação direcional tipo unblocking. Para diferenciá-los, pode-se estabelecer o seguinte: Se uma informação de trip da proteção é utilizada para a transmissão e se a lógica é mostrada na figura XXX, o esquema é de transferência de trip; Se uma informação de direção ou elemento de partida da proteção é utilizado, e se a lógica é a mostrada na figura YYY, o esquema é de comparação direcional. Porém, é melhor compreender que tudo é questão de terminologia e o que importa é o entendimento do princípio de funcionamento e as limitações de cada esquema. 3.4.2.5 – Esquemas de Aceleração ou Prolongamento de Zona de Proteção de Distância O grau de confiabilidade desse esquema é semelhante ao de transferência de trip com subalcance. Isto é, no caso de falha de comunicação, as proteções de linha irão atuar normalmente, apenas com atraso no tempo de atuação para defeitos em alguns trechos da linha protegida (2ª zona). A figura a seguir mostra o funcionamento do esquema. Filosofia de Prolongamento ou Aceleração de Zona TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 92 Para um defeito na linha, pelo menos um dos relés detecta o mesmo na sua 1ª zona. Este relé desliga o respectivo disjuntor e envia sinal para a outra extremidade da linha. Na extremidade receptora, o sinal é utilizado no relé de distância para uma das duas alternativas: Para cancelar a temporização de 2ª zona. A seguir o relé irá atuar (trip). Este esquema é o chamado Aceleração de Zona; Para prolongar o alcance de 1ª zona. A seguir o relé atuar (trip). Este esquema é o chamado de Prolongamento de Zona. O sinal transmitido pela primeira extremidade e recebido na segunda pode ser o sinal de “trip” ou o sinal de “direção”. 3.5 – Proteção de Barramentos A finalidade de uma proteção de barras ou de um sistema de barramentos é detectar curtos-circuitos que possam ocorrer no ponto que, eletricamente, pode ser considerado como um nó em um sistema elétrico de potência, desligando automaticamente os disjuntores que estejam conectados a esse nó e somente esses. Observa-se, portanto, que uma proteção de barramento tem os seguintes aspectos importantes relativos à Proteção: Sensibilidade para detectar curto-circuito em barra; Seletividade para determinar o nó elétrico onde ocorre a falta; Estabilidade para faltas externas, mesmo com saturação de TC; Rapidez no desligamento dos disjuntores. 3.5.1 – Modos de Proteção A proteção de barras pode ser feita através de dois modos distintos, quanto à filosofia: Proteção Remota; Proteção Local. 3.5.1.1 – Proteção Remota Nesta filosofia, a falta na barra é detectada pelas proteções de distância ou direcionais de sobrecorrente das outras extremidades das linhas de transmissão que estão conectadas ao barramento, ou através das proteções de sobrecorrente dos transformadores que estejam diretamente conectados a esse barramento. A seletividade é obtida através de temporização. Isto é, as proteções dos terminais opostos das linhas conectadas ao barramento atuam com um tempo equivalente ao tempo da segunda zona das respectivas proteções de distância (0,5 s em média) ou um pouco maior caso a proteção atuante é do tipo direcional de sobrecorrente, de fase ou de terra. Trata-se de um modo econômico e aceitável de proteção, quando: O barramento em questão não seja um ponto significativo no Sistema Interligado, no sentido de que um curto-circuito nessa barra, sendo eliminado com tempo entre 0,4 e 0,7 s, não traga conseqüências para o sistema, como por exemplo, uma instabilidade. Isto é, não deve haver risco em potencial de que isso venha a ocorrer; TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 93 O barramento em questão não esteja localizado em um ponto do sistema (topologia da rede), de tal modo que o uso de proteção remota leve ao desligamento de muitos consumidores ou suprimentos quando de falta nesse barramento. A figura a seguir ilustra o mencionado: Proteção Remota para Barra 3.5.1.2 – Proteção Local (Diferencial) A proteção local de barras é feita através de proteção diferencial (87B). Neste caso, para qualquer curto-circuito na barra, a mesma é desconectada do sistema sem temporização intencional. O esquema de barramentos de uma subestação é feito com base em um determinado índice de confiabilidade desejada para essa subestação. Assim sendo, diversas configurações são possíveis. A proteção diferencial deve discriminar o local da falta e desligar os disjuntores estritamente necessários para isolar o ponto em curto-circuito. 3.5.1.2.1 – Tipos Básicos de Função Diferencial para Barras 3.5.1.2.1.1 – Simples Balanço de Corrente Uma proteção que utilizasse um simples relé de sobrecorrente para medir a corrente diferencial seria chamada de “simples balanço de corrente”. A corrente diferencial seria a soma de todas as correntes medidas com base numa referência única (polaridades coerentes): IDiferencial = Σ (IA + IB + IC + ... + IX) Observa-se que mesmo em condições normais de carga, sem curto-circuito, haveria corrente diferencial devido a erros nos TC’s. Chamando de IA a corrente que “entra” num trecho protegido e IB a corrente que “sai”, a corrente diferencial (ID) seria: Corrente Diferencial TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 94 Em condição normal de carga, o erro pode não ser muito grande, mas numa condição de curto-circuito, esse erro seria amplificado. Assim, esse relé de sobrecorrente que mediria ID teria que ser ajustado com um valor relativamente alto, o que impediria que a proteção tivesse sensibilidade para curtos internos de baixa corrente. Esse esquema de simples balanço de corrente foi tentado apenas nos primórdios da tecnologia de Proteção (primeira metade do século 20), ou adotado apenas em esquemas improvisados na falta de outros melhores. 3.5.1.2.1.2 – Diferencial Percentual O chamado princípio “diferencial percentual” tem a finalidade de permitir uma proteção sensível para curtos-circuitos internos à área protegida, apresentando, ao mesmo tempo, uma boa estabilidade para curtos-circuitos externos, mesmo com erros de transformação nos TC’s (em condições de curto pode chegar a 10% cada TC). O princípio está ilustrado na figura a seguir: Princípio da Função Diferencial Percentual As correntes |IA| + |IB| no circuito de restrição (r) tendem a restringir a atuação do relé. A corrente diferencial (IA + IB) pelo circuito de operação (o) tendea operar o relé e é ajustado num valor percentual com relação à restrição. Para um curto externo, com grande corrente diferencial, a restrição também seria grande, com o valor percentual da corrente diferencial não atingindo o valor de atuação. Para um curto interno, a restrição continuaria grande, mas percentualmente a corrente diferencial seria grande, e a proteção atuaria. O esquema acima foi desenhado para uma “barra” com dois circuitos e com uma representação eletromecânica, apenas para mostrar o princípio. O módulo da soma das correntes seria a corrente de Operação e a soma dos módulos da corrente seria a corrente de Restrição. Num gráfico, teríamos: Característica da Proteção Diferencial Percentual TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 95 Em condições onde há possibilidade de saturação, total de um TC (por exemplo, em sistema de EAT próximo a grande SE Geradora), uma proteção diferencial percentual sem maiores recursos para detectar essa condição de saturação poderia apresentar problemas de estabilidade. Nos relés digitais, foram implementadas medidas especiais para detecção de saturação, fazendo com que a saturação de TC para um esquema diferencial percentual deixe de ser problema. 3.5.1.2.1.2 – Diferencial de Alta Impedância A chamada proteção de “alta impedância” é indicada onde há possibilidade de saturação completa de TC e se deseja, mesmo assim, estabilidade da proteção diferencial para curto-circuito externo à área protegida. Seu princípio de funcionamento se baseia nas seguintes premissas: Quando um TC está totalmente saturado, o seu circuito secundário pode ser representado por um circuito resistivo, sem imposição de corrente pelo seu lado primário; A corrente diferencial resultante da situação percorre o circuito diferencial e também o circuito secundário desse TC saturado. Nessas condições, haveria uma divisão de corrente, em circuitos resistivos. A figura a seguir ilustra o mencionado: Princípio da Proteção de Alta Impedância Instala-se uma resistência ajustável no circuito diferencial, de modo que a tensão através desse circuito diferencial tenha um determinado valor para um TC totalmente saturado como mostrado na figura. Se a proteção for ajustada para operar com valor de I para que a tensão através do circuito diferencial seja > ∆V, então ela será estável para curto externo, mesmo com um TC totalmente saturado. Para ajuste dessa proteção há necessidade de se conhecer: Valor das resistências dos cabos secundários dos TC’s até a proteção (adota-se a maior resistência); Valor da resistência do secundário do TC (valor de fábrica); “Burden” (carga) imposta pelo relé. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 96 Para curto interno à área protegida, a possibilidade de saturação de TC é mínima. Então haverá grande corrente diferencial e a tensão através do circuito diferencial será sempre maior que o ∆V ajustado. Esse tipo de proteção é muito utilizado para proteção de barras que não exija adequação para várias configurações de seccionadoras e barras. Isto é, é utilizado para barramentos dos tipos “disjuntor e meio”, “dois disjuntores” e “barra simples com disjuntor de seccionamento (com TC’s)”, sendo uma proteção (trifásica ou três monofásicas) para cada zona de proteção. 3.5.2 – Configurações de Barras e Zonas de Proteção São apresentados a seguir, algumas das configurações típicas de barramentos e comentários sobre a proteção diferencial, com suas zonas de proteção. 3.5.2.1 – Barra Simples A figura a seguir mostra o esquema de uma barra simples: Barra Simples e Zona de Proteção Observa-se que há apenas uma zona de proteção delimitada por disjuntores. Neste caso, utiliza-se uma proteção diferencial trifásica ou três monofásicas (uma por fase). É a configuração mais simples possível numa subestação que exige proteção diferencial de barras. Nota-se que há um espaço, entre os TC’s dos circuitos e os respectivos disjuntores que é chamada de zona morta. Para detecção de curto-circuito nesse ponto, apesar de baixa probabilidade de sua ocorrência, há necessidade de esquema ou lógicas específicas. Trata-se de um problema comum na área de proteção. 3.5.2.2 – Barra Simples com Seccionamento A figura a seguir mostra um esquema de barramento, cuja barra simples é seccionada através de seccionadora. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 97 Barra Simples com Seccionamento Para essa situação, tem-se uma única zona de proteção com a seccionadora fechada, e duas zonas de proteção com a seccionadora aberta. Uma proteção diferencial aplicada para proteção dessa barra simples (seccionada) deve- se adequar (automaticamente) a essa possibilidade de operação com seccionadora aberta. 3.5.2.3 – Barra Simples com Disjuntor de Seccionamento A figura a seguir mostra um esquema de barramento, cuja barra simples é seccionada através de disjuntor. Para essa situação, têm-se duas zonas distintas de proteção delimitadas por disjuntores. Barra Simples com Seccionamento por Disjuntor Observa-se uma zona morta entre os TC’s e o disjuntor de seccionamento. Neste caso, pode-se utilizar uma única proteção diferencial para o sistema, ou alternativamente uma proteção para cada trecho (zona), cada proteção com os respectivos TC’s delimitando a zona. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 98 3.5.2.4 – Barra Dupla A figura a seguir mostra um esquema denominado “barra dupla”. Esse esquema possui, sempre, um disjuntor de acoplamento de barras (que alguns denominam “paralelo de barras”). Barra Dupla e Zona de Proteção Nota-se que há, sempre, duas zonas distintas delimitadas por disjuntores. Uma proteção diferencial (constituída de um ou mais relés) aplicada para proteção desse barramento duplo deve adequar-se à configuração e ser seletiva para faltas em cada uma das zonas. 3.5.2.5 – Barra Dupla com Barra e Disjuntor de Transferência A figura a seguir mostra em esquema de barramento com barra dupla e barra de transferência, havendo adicionalmente um disjuntor de transferência (que pode substituir qualquer dos disjuntores dos circuitos, no caso de manutenção desse último). Barra Dupla com Barra e Disjuntor de Transferência TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 99 Observa-se que esta situação é bastante semelhante à anterior, sendo que a Barra de Transferência pode ser incluída na Zona A ou na Zona B, dependendo da barra à qual está conectada na ocasião. Uma proteção diferencial (constituída de um ou mais relés) aplicada para proteção desse barramento duplo deve adequar-se automaticamente à configuração, dependendo da posição das chaves seccionadoras. E deve ser seletiva para faltas em cada uma das zonas. 3.5.2.6 – Barra Dupla com Seccionamento de Barras e Dois Disjuntores de Acoplamento A figura a seguir mostra um esquema de barramento relativamente complexo e oneroso. Barra Dupla com Seccionamentos e Disjuntores de Acoplamento Observa-se que há quatro zonas distintas de proteção, delimitada por disjuntores. Uma proteção diferencial (constituída de um ou mais relés) aplicada para proteção desse esquema de barras deve se adequar automaticamente à configuração, dependendo da posição das chaves seccionadoras. E deve ser seletiva para faltas em cada uma das zonas. 3.5.2.7 – Esquema Disjuntor e Meio A figura a seguir mostra um esquema de barramento disjuntor e meio, geralmente utilizado para sistemas de Extra Alta Tensão. Com a utilização de 0,5 disjuntor a mais por circuito, atingem-se vários objetivos: Possibilidade de efetuar manutenção de disjuntor sem interrupção dos fluxos de energia; Zonas distintas de proteção, com facilidade de aplicação de proteção diferencial; Sem interrupção dos fluxos de energia, mesmo falta em uma barra e desligamento dos respectivos disjuntores. Pode-seafirmar que é um esquema que exige proteção diferencial para o pleno aproveitamento de suas vantagens e do investimento adicional. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 100 Esquema Disjuntor e Meio Observam-se duas zonas distintas de proteção delimitadas pelos respectivos disjuntores. Pode-se aplicar uma proteção para cada zona, com os respectivos TC’s. 3.5.2.8 – Esquema com Dois Disjuntores por Circuito A figura a seguir mostra um esquema com dois disjuntores por circuito. É raramente utilizado, mas é possível encontrar esse esquema em sistemas de Extra Alta Tensão. No Brasil existe na subestação de 500 kV da UHE Água Vermelha, nas interligações com Furnas e Cemig. Esquema com Dois Disjuntores TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 101 Evidentemente, todas as vantagens do esquema disjuntor e meio são aqui observadas e também há duas zonas distintas de proteção delimitadas pelos respectivos disjuntores. Pode-se aplicar uma proteção para cada zona, com os respectivos TC’s. 3.5.2.9 – Esquema Anel O esquema oferece rotas alternativas ao fluxo de energia, sobretudo para os circuitos de saída, mas o resultado imediato de uma falta na barra é a perda imediata de todos os circuitos. No entanto é possível isolar a região atingida pela falta com a abertura das seccionadoras da barra, medida que permite a retomada ao serviço da maior parte de circuitos. Enquanto no esquema de barra única uma manutenção de barra envolve a perda de todos os circuitos, nesse caso o serviço é realizado com a perda de dois circuitos adjacentes, podendo tal inconveniente ser realizado com o emprego de duas chaves de seccionamento por trecho de barramento. Esquema Anel 3.6 – Proteção de Falha de Disjuntor Trata-se de uma função que tem a finalidade de detectar falha de abertura de disjuntor quando de um comando automático de desligar. O disjuntor é parte integrante do sistema de proteção, sendo que sua função é, através do seu desligamento, isolar o componente ou trecho sob falha ou sob anormalidade. No caso de ocorrência de não desligamento quando um comando dado por uma proteção, haverá necessidade imediata de desconectar outros disjuntores cujos circuitos alimentam diretamente o disjuntor defeituoso. Estes outros disjuntores ordem estar na mesma subestação ou em uma subestação remota. Na figura a seguir, ocorrendo falha de abertura do disjuntor A, o esquema desliga os disjuntores D, B e C da subestação e deve, obrigatoriamente, transmitir sinal de disparo direto para o disjuntor X da subestação remota. Esquema Falha de Disjuntor TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 102 Na figura a seguir, ocorrendo falha de abertura do disjuntor A, o esquema desliga os disjuntores de todas as máquinas geradoras e o disjuntor B da subestação e transmite sinal de disparo para o disjuntor X da subestação remota. Esquema Falha de Disjuntor Observa-se que a configuração dos disjuntores influi diretamente nas conseqüências da falha de um disjuntor. A configuração, mais favorável entre as mostradas nos exemplos é aquela denominada “disjuntor e meio”, que preserva, em grande parte, a continuidade do serviço. Há, evidentemente, situações onde não é necessária a transmissão de sinal de disparo direto como mostram as figuras a seguir: Esquema Falha de Disjuntor TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 103 3.6.1 – Esquemas de Falha de Disjuntor O esquema básico de falha de disjuntor é mostrado na figura a seguir: Esquema Básico de Falha de Disjuntor Após a atuação da proteção, desde que o sensor de corrente 50BF ainda detecte a existência de corrente (disjuntor não abriu), conta-se um tempo através do temporizador 62BF (geralmente 0,3 s) e se aciona o esquema de desligamentos na subestação e a transferência direta de sinal para o disjuntor da outra extremidade (se for o caso). No caso de proteção de reator shunt de LT, há possibilidade de atuação de proteção do mesmo para faltas insipientes ou por dispositivo de proteção inerente. Neste caso, não haveria corrente suficiente para acionar o sensor 50BF. Nesse caso se utiliza uma variação do esquema anterior, acrescentando contato tipo NA (tipo a) do disjuntor supervisionado, conforme se mostra funcionalmente a seguir: Esquema Funcional de Falha de Disjuntor com Reator Shunt de LT TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 104 O mesmo esquema pode ser representado de modo lógico, como mostra a figura a seguir: Esquema Lógico de Falha de Disjuntor com Reator Shunt de LT 3.6.2 – O Sensor de Corrente 50BF É sempre desejável que o sensor de corrente 50BF detecte correntes de fase e também de terra, para que o mesmo tenha sensibilidade suficiente para curtos a terra com baixa corrente. Para linhas de transmissão, há necessidade de haver segregação de fases para o sensor 50BF, isto é, tenha um para cada fase, de modo que a eventual falha de disjuntor seja discriminada por fase. Isso é necessário para linhas onde se deseja utilizar esquema de religamento automático monopolar. A unidade 50BF necessita ser ajustada de tal modo que detecte todas as condições de curto-circuito que possam estar associadas ao disjuntor respectivo. Em algumas instalações, essas correntes podem ser inferiores à corrente de carga (para sensores de fase). Neste caso, pode-se até manter esses ajustes inferiores à carga, portanto com o elemento 50BF constantemente atuado em condições de carga. 4 – Operação do Sistema Elétrico 4.1 – Sistemas de Potência A maior parte da energia elétrica consumida no Brasil é gerada através da conversão da energia hidráulica e da energia térmica. Essas fontes de energia são responsáveis em promover o acionamento das turbinas e consequentemente dos geradores de eletricidade. A energia é gerada em corrente alternada trifásica e transmitida para os centros de consumo através de linhas de transmissão também trifásicas. Existe ainda a possibilidade da energia elétrica ser transmitida em corrente contínua. Neste caso, pelo fato de que toda a energia é gerada em corrente alternada, este tipo de transmissão requer a utilização de equipamentos especiais (retificadores e inversores) que fazem a transformação da energia gerada para corrente contínua e depois de transmitida a fazem retornar para sua forma original. Esta modalidade de transmissão ainda permite interligar sistemas com freqüências diferentes como é o caso do Elo CC que interliga Itaipu 50 Hz com o sistema elétrico brasileiro que opera na freqüência de 60 Hz. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 105 4.1.1 – Esquema da Utilização da Energia Elétrica A energia elétrica deve chegar aos consumidores dentro de determinados padrões de continuidade, confiabilidade e qualidade. Em sua representação mais simplificada, um sistema de energia elétrica pode ser dividido em: Produção, Transporte e Consumo. Produção: Compreende os meios necessários para a geração da energia elétrica (usinas de geração de energia); Transporte: Compreende as linhas de transmissão, as subestações elevadoras e abaixadoras, os transformadores, as chaves de controle (disjuntores e seccionadoras), etc.; Distribuição: Compreende as instalações que proporcionam meios para que a energia elétrica chegue até as residências, fábricas, lojas, em níveis de tensão compatíveis com sua utilização. Num sistema elétrico, geralmente os equipamentos de geração (usinas) estão localizados distante dos centros de consumo, daí a necessidade de elevarmos a tensão de geração a níveis que favoreçam a transmissão (kilovolts) até os centros de consumo com a menor perda possível. Nos centros de consumo a tensão da energia elétrica tem de ser reduzida até valores que possibilitem a sua utilização a níveis seguros. Todo este processo necessita ser supervisionado e controlado para que as especificaçõestécnicas e de segurança sejam sempre observadas. Este controle é feito nos Centros de Operação do Sistema. No sistema elétrico brasileiro temos várias empresas e podemos classificar os centros de operação dentro da seguinte ordem hierárquica: Centro Nacional (CNOS); Centros de Operação Regionais do ONS (COSR); Centros das empresas de geração e/ou transmissão (COS/COG/COT); Centro das empresas de distribuição (COD). Principais funções dos centros de operação do ONS: Controle de Geração: Consiste em fazer cumprir o programa de geração previamente definido pelos órgãos do planejamento energético; Controle de Tensão: Consiste, com a utilização dos recursos existentes, em manter as tensões nos troncos de transmissão e nos pontos de entrega para as empresas de distribuição dentro das faixas de operação; Controle do Nível dos Reservatórios: Consiste em manter o nível dos reservatórios, através da geração das máquinas e do vertedouro dentro dos valores pré-estabelecidos, com o objetivo de otimizar a operação e conseguir com isto o melhor aproveitamento possível desses reservatórios; TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 106 Controle de Cheias: Na estação chuvosa, onde a quantidade de água precipitada é muito grande e pode elevar o nível dos reservatórios até valores perigosos, o controle deste nível deve ser feito com muito mais cuidado, pois grandes descargas para jusante desses aproveitamentos podem provocar danos na calha do rio e nas cidades ribeirinhas; Controle do Carregamento em Linhas e Transformadores: Este controle é feito com o objetivo de controlar o fluxo de energia por estes equipamentos evitando sobrecargas desnecessárias com possíveis danos aos mesmos; Controle dos Intercâmbios e da Freqüência: Através da operação do Controle Automático de Geração (CAG) manter a programação definida entre os centros controladores de área, além de manter a freqüência do sistema nos valores de projeto; Coordenação das Intervenções no Sistema: Consiste na coordenação e liberação para manutenção dos equipamentos existente na rede de operação de forma a manter a integridade do sistema e o atendimento às necessidades de geração e transmissão; Recomposição após Perturbações: Havendo uma perturbação no sistema (Blecaute), fazer a recomposição da rede de forma segura, restabelecendo o fornecimento de energia para os consumidores. 4.1.2 – Sistemas Interligados Como o próprio nome define são sistemas oriundos da interligação de sistemas menores. Sistema Isolado: É um sistema composto, em sua etapa mais primitiva, por um gerador, uma linha de transmissão e equipamentos de consumo. No passado, quando do início da utilização da energia elétrica com fins de proporcionar algum tipo de conforto (iluminação, aquecimento), cada cidade instalava seu próprio sistema de produção de energia. Com o passar do tempo, e o crescimento da utilização da energia elétrica, estes sistemas primitivos foram aumentando de tamanho e, por conveniência ou necessidade, foram se interligando e se tornando cada vez maiores. Fatores que Influenciaram na Interligação de Sistemas Hidraulicidade Existem no Brasil oito bacias hidrográficas. As cinco maiores são: Bacia do rio Amazonas, do rio Paraná, do rio São Francisco, do rio Paraguai e do rio Uruguai. Diferenças nos regimes de chuva fazem com que períodos de cheias em uma região correspondam a períodos de seca em outra e vice-versa. A interligação de sistemas elétricos situados em bacias hidrográficas diferentes faz com que na escassez de água em uma determinada bacia, as empresas situadas nesta possam ser socorridas pelas empresas situadas em outra bacia que esteja em melhores condições de armazenamento. Crescimento de Carga Com o crescimento econômico e o conseqüente aumento do consumo de energia elétrica, os pequenos sistemas existentes iam atingindo sua capacidade máxima de geração. Para atender ao aumento da demanda, novas usinas necessitavam serem construídas. A interligação dos sistemas isolados permitiu que uma empresa que tivesse sobras de energia pudesse vender esta energia excedente para a empresa que estivesse com déficit. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 107 Vantagens e Desvantagens da Interligação de Sistemas Vantagens Ajuda de um sistema para outro durante manutenção de geradores; Possibilidade de venda de energia de um sistema com superávit para outro com déficit; Ajuda de um sistema para outro em caso de perturbações; Melhoria na estabilidade do conjunto e consequentemente no controle da freqüência. Desvantagens Repercussão de perturbações de um sistema nos outros; Necessidade de instalação de medição para faturamento e supervisão; Instalação de equipamentos automáticos para controle de intercâmbio. 4.2 – Recomposição do Sistema Elétrico Os estados de um Sistema Elétrico são: Normal Seguro: suporta perda; Normal Inseguro: não suporta uma perda; Emergência: limite violado; Restaurativo: carga interrompida. Recompor é trazer o sistema do estado restaurativo para o estado normal de operação. A evolução dos processos de recomposição adotados pelas empresas está intimamente ligada ao crescimento do Sistema Elétrico Brasileiro. Historicamente, as ações de recomposição em todas as empresas eram efetuadas através dos seus Centros de Operação de maneira centralizada. Os operadores das subestações somente executavam as instruções emanadas de seus Centros de Operação e se reportavam ao mesmo para comunicar qualquer ocorrência. Em função da fragilidade do Sistema Elétrico, na década de 70, as empresas da região Sul sentiram necessidade de descentralizar os procedimentos operativos de recomposição, para agilizar o restabelecimento da carga. Com a entrada em operação do sistema de 525 KV do Sul, a filosofia de recomposição continuou descentralizada, porém, por segurança, o tronco de 525 KV permaneceu sendo recomposto por atuação direta dos Centros de Operação envolvidos. Com relação às empresas das demais regiões, o processo continuou centralizado nos Centros de Operação, à exceção de Furnas que iniciou um processo de descentralização em 1982, pois já sentia os inconvenientes da complexidade da operação centralizada com o crescimento do sistema. Nos anos de 1984 e 1985, ocorreram três grandes blecautes na região Sudeste, causando desligamento em áreas metropolitanas importantes com conseqüências econômicas e sociais de grande vulto. Houve interrupção de mais de 10.000 MW por um tempo médio de 1 hora. Durante a normalização, após estas perturbações, foram verificadas diversas dificuldades operativas, tais como: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 108 Fluxo elevado com estrangulamento de comunicação nos Centros de Operação; Dificuldade de conhecimento, pelos operadores de sistema, da configuração pós-perturbação; Parada nos sistemas de supervisão devido ao elevado processamento de alarmes; Falta de alimentação em alguns Centros de Operação de Sistema, ficando os operadores de sistema somente com o sistema telefônico para coordenar a recomposição; Ocorrência de sobretensões elevadas nos troncos de alta tensão impedindo seu restabelecimento; Recuperação demorada dos serviços auxiliares das usinas; Perda de comunicação entre os Centros de Operação das empresas interligadas; Inexistência de um plano estratégico de recomposição do sistema. Embora a probabilidade de que blecautes generalizados ocorram seja reduzida, eles têm acontecido algumas vezes, seja no Sistema Elétrico Interligado Brasileiro ou em outros países, trazendo graves conseqüências à sociedade, hoje em dia tão dependente da eletricidade. Esse risco, todas as empresas de energia elétrica estão correndo por mais bem planejado, construído e operado que seja seu sistema elétrico. Desse modo, em 1989 foi elaborado um trabalho que gerou o relatório GTEO 01-89, estabelecendoa filosofia e os critérios para a recomposição da malha principal do Sistema Interligado Brasileiro. Esse trabalho foi, posteriormente, implantado em todas as empresas que compõe o Sistema Sul/Sudeste/Centro-Oeste na época. Em 1996, um novo blecaute voltou a atingir a região Sudeste do Brasil, fato que motivou a criação de uma nova comissão no âmbito do SCO, com o objetivo de revisar e atualizar a estratégia de recomposição para o Sistema Interligado Brasileiro. Essa comissão elaborou o relatório GTEO 01/97. Em 1º de março de 1999 Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) assumiu a coordenação da operação do Sistema Interligado Nacional e passou a fazer esta coordenação através dos centros de Operação da Eletrobrás (CNOS) e dos centros das empresas estatais: Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul. Em 11 de março de 1999 tivemos o primeiro grande blecaute da era ONS, e esta filosofia de recomposição adotada foi peça fundamental na recuperação do sistema interligado brasileiro. Os tempos gastos na recomposição foram considerados bastantes pequenos por empresas de consultoria internacional que analisou o desempenho das equipes de operadores e a filosofia adotada. Em 21 de janeiro de 2002, tivemos outro grande blecaute no Sistema Elétrico Brasileiro e novamente a estratégia de recomposição foi bastante eficiente. Após um blecaute, as instalações operativas procuravam se comunicar com os seus respectivos Centros de Operação e instalações adjacentes, a fim de fornecer a configuração da estação no momento e solicitar orientações para o seu restabelecimento. A falta de uma estratégia levava a um aumento excessivo dessas comunicações e, consequentemente, ao estrangulamento do processo de recomposição, além dos problemas decorrentes da centralização das responsabilidades, por parte dos Centros de Operação. Desenvolveu-se então, uma filosofia na qual os agentes que possuem recursos de geração desencadeiam a recomposição de forma planejada, estruturada para que as energizações dos circuitos indiquem aos operadores das subestações da possibilidade e TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 109 do montante de carga que estes poderão utilizar para alimentar as cargas essenciais desatendidas. Esse processo de recomposição poderá fluir sem a necessidade de comunicação entre os locais envolvidos até o momento em que restrições operativas impeçam sua continuidade, ou nos casos em que para atender determinados estágios impliquem em certas condições de sistema, onde as informações deverão estar concentradas nos Centros de Operação, assumindo estes, a coordenação das demais etapas. Para que a proposta de recomposição atenda suas expectativas, torna-se necessário que sejam observadas pelos agentes envolvidos, as fases da recomposição e as diretrizes gerais da filosofia que serão apresentadas a seguir. Fases de Recomposição A recomposição do sistema se processará em duas fases, denominadas de Recomposição Fluente e Recomposição Coordenada. Na primeira fase, Recomposição Fluente, os procedimentos operacionais previamente definidos permitirão a recomposição de áreas geoeletricamente definidas, com compatibilização de carga e geração em uma configuração mínima de rede. Parte-se do pressuposto que o sistema está totalmente desenergizado, com exceção dos ilhamentos programados, e inicia-se o processo de restabelecimento a partir das usinas hidráulicas de auto-restabelecimento, que são aquelas que independem de fonte externa para alimentar seus serviços auxiliares e colocar em operação suas unidades geradoras. Áreas geoelétricas são configurações mínimas de rede, que contêm uma ou mais usinas de auto-restabelecimento, e que permitem a recomposição de cargas consideradas prioritárias da forma mais rápida e segura possível. A recomposição se processará a partir dessas usinas através da partida e sincronização de unidades geradoras, energizacao de circuitos de transmissão e alimentação de cargas prioritárias, com o mínimo de comunicação possível. Estas usinas podem partir suas unidades geradoras independentemente de suprimento externo para alimentar seus serviços auxiliares e, através de uma configuração mínima de transmissão preferencial, são capazes de restabelecer um grande centro de carga prioritária, de forma independente das restantes áreas de auto-restabelecimento, perdendo o menor tempo possível com comunicações entre as instalações (via sistema telefônico). A partir do número mínimo de unidades geradoras em cada usina de auto- restabelecimento, se determina a disponibilidade inicial de carga em cada uma das áreas geoelétricas. O montante máximo de tomada de carga que poderá ser restabelecido em cada área geoelétrica vai depender também de outras avaliações de estudos elétricos. Cabe ressaltar que a fase fluente da recomposição não se inviabiliza pelo fato de usinas e subestações estarem sendo desassistidas, tendência esta que tem se verificado cada vez mais nas empresas do setor elétrico. Mesmo que as ações para recomposição das áreas geoelétricas sejam feitas remotamente pelos centros de controle, ou automatizadas localmente, sem a presença de operadores nas unidades operativas (usinas e/ou subestações), filosoficamente a idéia de dividir o processo de recomposição em duas etapas básicas permanece. Um dos grandes benefícios desta nova filosofia de recomposição é justamente permitir que cada área de auto-restabelecimento execute isoladamente as ações de restauração de importantes centros de carga de forma simultânea e independente das demais áreas, minimizando o trabalho de coordenação. A fase de recomposição fluente tem como princípio analisar a área geoelétrica, dentro de áreas geoelétricas, compatibilizando os montantes de carga e geração, dentro dos limites TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 110 de energização de equipamentos, estabelecendo procedimentos prévios para execução descentralizada, evitando improvisos nas emergências (blecautes). Na segunda fase, Recomposição Coordenada, os Centros de Operação do Sistema coordenarão a liberação de carga adicional e, quando for o caso, o fechamento de paralelos ou anéis entre os sistemas geoeletricamente estruturados na primeira fase de recomposição. O processo de recomposição também passa a ser coordenado quando um impedimento no processo preferencial de recomposição motiva a intervenção de um órgão hierarquicamente superior ao que efetuava a recomposição fluente. A transição entre a fase fluente e a fase coordenada ocorre na medida que os agentes controladores da geração e da rede de uma área geoelétrica, executam os procedimentos estabelecidos para a fase fluente, disponibilizando os montantes de carga previamente estipulados. Os Centros de Operação do NOS acompanharão a evolução da recomposição e, após o término dos procedimentos relacionados à fase fluente, farão interações para interligar áreas geoelétricas. Os agentes de distribuição conectarão as cargas, dentro dos valores definidos, e farão contato com o Centro Regional do ONS da área, informando do término da recomposição fluente e aguardando liberação de carga adicional. 4.3 – Controle de Tensão A tensão, os carregamentos (corrente elétrica), freqüência e confiabilidade (capacidade do sistema elétrico de suportar contingências), caracterizam a qualidade de um fornecimento. Praticamente todos os equipamentos, tanto aqueles usados num sistema de potência, quanto os que funcionam com a energia suprida por este sistema, são projetados para funcionar num dado nível de tensão, a tensão nominal ou tensão de placa. Se a tensão utilizada para funcionamento destes equipamentos se afastar deste valor, o desempenho bem como a expectativa de vida dos mesmos caem. Por exemplo, o conjugado de um motor de indução (amplamente utilizados em compressores: refrigeradores, ar condicionado) é proporcional ao quadrado da tensão aplicada; o fluxo luminoso de uma lâmpada incandescentevaria fortemente com a tensão, etc. As concessionárias distribuidoras de energia elétrica têm que entregar seu produto dentro de faixas de tensão compatíveis com seus consumidores. As empresas que entregam energia a essas concessionárias o fazem dentro de faixas pré-estabelecidas. As tensões do sistema variam em decorrência das variações de carga e distúrbios, tendo por isso que ser controladas. Entretanto, não há necessidade de controlá-las, mantendo-as entre estreitos limites, como no caso da freqüência. Existem padrões industriais que fixam as variações toleráveis da tensão da rede, em valores relativamente amplos. Enquanto no caso da freqüência temos variações normais na faixa de poucos cantésimos de Hertz (± 0,03 Hz), por exemplo, em barramentos de 138 KV de entrega de energia a concessionárias de distribuição são admitidas faixas de variação de até 7 KV (135 – 142 KV). 4.3.1 – Efeitos Danosos das Variações de Tensão As variações excessivas de tensão podem ocorrer nos dois sentidos, isto é, os sistemas elétricos colocam os equipamentos sujeitos a ocorrência de sobretensões (tensão excessivamente altas) e subtensões (tensões excessivamente baixas). TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 111 Tensões Baixas Tensões de operação muito baixas (subtensões) podem causar sobrecorrentes em motores provocando o desligamento dos mesmos por atuação de sua proteção e, até mesmo, queima destes equipamentos. Ainda nestes motores, baixas tensões podem impedir a partida dos mesmos em função do baixo conjugado obtido. Lâmpadas e equipamentos industriais e residenciais apresentam problemas variados quando submetidos à operação sob baixas tensões. Modernos sistemas de controle de produção industrial também são afetados. A operação com tensões baixas pode acarretar riscos de instabilidade no sistema elétrico. Em situações extremas chegamos ao colapso de tensão. Até mesmo o fenômeno da instabilidade de tensão já foi experimentado pelo sistema elétrico brasileiro. Esta operação, ainda que nos limites mínimos das faixas aceitáveis, pode ter conseqüências graves na ocorrência de perda de equipamentos como geradores e linhas de transmissão em distúrbio. Tensões Altas A operação com tensões altas pode acarretar danos ao isolamento dos equipamentos Surgem também as sempre danosas sobrecorrentes, processos de controle industriais perdem sua capacidade de operação sob estas condições, pára-raios podem ser queimados ou até mesmo levados à explosão, máquinas síncronas podem sofrer os danos de sobreexcitação. Equipamentos associados ao sistema elétrico de potência podem ser desligados por atuação de proteções de sobretensão, causando grandes distúrbios no mesmo. Esta operação, ainda que nos limites máximos das faixas aceitáveis, pode ter conseqüências graves na ocorrência de rejeições de carga que levem o sistema a níveis insuportáveis de tensão. 4.3.2 – Balanço de Potência Reativa e seu Efeito sobre a Tensão do Sistema Assim com a constância de freqüência do sistema é a nossa melhor garantia de que o balanço da potência ativa está sendo mantido no sistema, também um perfil constante de tensão na barra garante que o equilíbrio está sendo mantido entre a potência reativa produzida e a consumida. Sempre que o módulo de uma dada tensão de barra sofrer variações, isso significará que o balanço de potência reativa não está sendo mantido na barra em questão. Para entender esta situação, considere o sistema de duas barras da figura abaixo. A carga P + jQ é alimentada pela barra de carga 2. Como não existe gerador nesta barra, a carga deve ser alimentada por meio da linha, com a potência gerada em G1, conectado à barra 1. Matematicamente é possível mostrar que uma variação de potência ativa P não provoca variação apreciável no módulo de V2. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 112 Da mesma forma, provamos que uma variação de potência reativa Q provoca variação no módulo de V2 em proporção direta. Logo, se quisermos manter constante o módulo de V2, deveremos fazer com que as demandas variáveis de Q sejam compensadas localmente na barra 2, de modo que elas não necessitem ser transportadas pela linha, com os fortes efeitos que resultam sobre o valor da tensão. Sistemas de Extra-Alta Tensão que dependem muito dos geradores como fonte de potência reativa (acontece muito no sistema brasileiro) e nos quais os geradores se encontram longe dos centros de carga, ficam extremamente susceptíveis a este tipo de problema. Dado que a carga nos sistemas elétricos é predominantemente indutiva, devido principalmente aos motores (enrolamentos), há necessidade de se gerar potência reativa para atender ao requisito de carga. Sistemas com déficit de potência reativa apresentam tensões baixas. Sistemas com excesso de potência reativa apresentam tensões altas. EM resumo, qualquer variação de geração reativa (balanço Q x V) acarretará variações na tensão do sistema. 4.3.3 – Controle de Tensão Ideal X Realidade do Sistema As quedas de tensão são bastante afetadas pelo transporte de potência reativa pelas linhas de transmissão. Sendo assim, um Controle de Tensão Ideal seria suprir as necessidades de potência reativa próximas às cargas (correção do fator de potência). Essa correção, além de reduzir as quedas de tensão nas linhas de transmissão, reduz sensivelmente os carregamentos (correntes) nos equipamentos do sistema elétrico em geral (linhas, transformadores, etc). A situação ideal está simbolizada abaixo: No entanto, a realidade é caracterizada por outros aspectos: As fontes de potência reativa próximas à carga não suprem essa necessidade plenamente; Os geradores hidráulicos são importantes fontes de potência reativa e, no sistema brasileiro, se localizam longe da carga; As linhas de transmissão longas, quando muito carregadas, também absorvem potências reativas, aumentando assim as dificuldades do Controle de Tensão; Em tempo de planejamento da operação, existe grande dificuldade em as Empresas, principalmente as de distribuição, fornecerem previsões precisas de cargas reativas a serem supridas nos horizontes de curto, médio e longo prazo; Ainda se encontram em implantação os dispositivos legais que permitirão o ressarcimento dos investimentos no fornecimento/absorção de potência reativa ao sistema elétrico. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 113 4.3.4 – Geração e Absorção de Potência Reativa 4.3.4.1 – Máquinas Síncronas As máquinas síncronas tanto podem fornecer como absorver potência reativa, basta tão somente trabalhar com a mesma sobre ou sub-excitada respectivamente. Uma máquina síncrona, se usada como compensador síncrono, poderá fornecer ou absorver a quantidade de reativos requerida ou gerada pelo sistema, mantendo a tensão em um ponto do sistema variando entre limites estabelecidos ou mesmo constante (se a máquina tiver capacidade suficiente para isso), a despeito da variação da carga. Embora o compensador síncrono apresente esta grande versatilidade, ele tem contra si o problema econômico, pois é dentre todos os meios usados para controle de tensão o mais caro. 4.3.4.2 – Capacitores Shunt São muito usados, principalmente em sistemas de distribuição. Sua grande vantagem é o baixo custo comparado com o compensador síncrono e o compensador estático. Devem ser usados sempre o mais próximo possível da carga e geralmente, dependendo do sistema, necessitam ser desligados na carga leve. Sua finalidade é suprir o reativo requerido pela carga evitando que este fluxo de reativo circule pelas linhas de transmissão, o que ocasionaria queda de tensão e perdas adicionais. Uma desvantagem dos capacitores shunt é que a potência reativa que eles fornecem varia com a tensão e assim, quando a tensão cai, isto é, quando mais necessitamos de reativos a potência fornecida pelo capacitor cai com o quadrado da tensão. O contrário acontecequando a tensão sobe. É portanto um elemento de custo relativamente baixo mas que não fornece a flexibilidade que os compensadores síncronos/estáticos nos oferecem. CX VQ 2 = → Potência reativa gerada, em Var. 4.3.4.3 – Capacitores Série Esses capacitores, como o próprio nome indica, são colocados em série com a linha de transmissão com o propósito de reduzir sua impedância e, consequentemente, a queda de tensão na mesma. Esses equipamentos não atuam como um gerador de reativos propriamente, mas provocando uma redução na impedância da linha terão grande influência se o fator limitante do sistema em questão for a instabilidade. Os capacitores série são constituídos por um conjunto de unidades capacitivas, as quais possuem, basicamente, o mesmo projeto e características construtivas daquelas aplicadas em capacitores de derivação, de modo a se alcançar o valor da compensação desejado. Os valores da reatância capacitiva e da corrente máxima de operação são conseguidos fazendo-se arranjos de unidades capacitivas com ligação série-paralela. Os capacitores série são utilizados em sistemas de transmissão para diminuir a reatância série das linhas e, por conseguinte, a “distância elétrica” entre as barras terminais. As principais vantagens da utilização do capacitor série são: TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 114 Aumento da capacidade de transmissão de potência pela linha; Aumento da estabilidade do sistema; Diminuição das necessidades de controle de tensão, pois propicia menor queda de tensão ao longo da linha de transmissão; Melhor divisão de potência entre as linhas, reduzindo as perdas globais do sistema; Economia nos custos quando comparadas com alternativas tecnicamente possíveis. Como desvantagens da utilização do capacitor série, podemos destacar: Possibilidade de ocorrência de ressonância subsíncrona; Possibilidade de ocorrer sobretensões transitórias aplicadas aos capacitores quando houver defeito na rede ou na operação de restabelecimento do banco de capacitor série. Ressonância Subsíncrona: É um fenômeno que pode ocorrer quando se tem uma capacitância em série com uma indutância. Se este conjunto for estimulado por um transitório, o mesmo pode derivar para uma instabilidade oscilatória em uma determinada freqüência. O termo subsíncrona é devido ser esta freqüência, nos casos dos capacitores série, menor que a freqüência do sistema. 4.3.4.4 – Linhas Longas Existe um valor de potência ativa (MW) transmitida pela linha de transmissão que corresponde a um carregamento no qual a linha em questão não gera nem absorve reativo próprio. Este valor, normalmente denominado “SIL” (iniciais de “Surge Impedance Load”), é característico do projeto da linha e serve como referência para analisar o efeito desta linha de transmissão no sistema elétrico. As linhas longas são predominantemente capacitivas quando operadas com valor de potência ativa abaixo do SIL e predominantemente indutivas quando operadas com valores de potência ativa acima do SIL. Quanto mais longe deste valor a linha é operada maior será o efeito, indutivo ou capacitivo que a mesma representará para o sistema elétrico. No primeiro caso necessitamos de compensar este efeito através da inserção de capacitores shunt ou compensadores síncronos sobreexcitados e no segundo caso através da inserção de reatores shunt ou compensadores estáticos subexcitados. Com o uso de valores de tensões cada vez mais elevadas na transmissão de energia elétrica, esse problema torna-se de grande importância, pois o montante de reativo gerado aumenta com a tensão da linha conforme mostrado na figura a seguir. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 115 TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 116 4.3.4.5 – Reatores Shunt Esses elementos são geralmente usados em conjunto com linhas longas com o objetivo de evitar tensões altas no extremo oposto quando de energização da mesma ou nos casos de rejeição de carga no sistema. Com o objetivo de controlar a tensão nos períodos de carga leve, por motivos econômicos, são ligados em terciários de transformadores. Da mesma forma que os capacitores shunt, a potência reativa que esses equipamentos fornecem varia com a tensão, entretanto no caso do reator shunt, quando a tensão sobe, isto é, quando necessitamos absorver reativos a potência fornecida pelo reator também sobe com o quadrado da tensão, fazendo com que este equipamento seja plenamente eficaz quando dele necessitamos. R R X VQ 2 = → Potência reativa gerada, em Var. 4.3.4.6 – Compensadores Estáticos Os compensadores estáticos surgiram como sucessores dos compensadores síncronos, pois proporcionam as mesmas características destes (absorvem e geram potência reativa). São mais baratos e não possuem partes rotativas, o que simplifica e reduz os custos de manutenção. São compostos por um conjunto de indutores e capacitores montados em paralelo, e que através de comando eletrônico (tiristores) têm sua potência reativa resultante (reativo x reativo indutivo) variável, em função da necessidade do sistema, gerando ou absorvendo potência reativa. A função do compensador estático é regular a tensão do barramento, pela compensação de energia reativa e amortecer oscilações dinâmicas de tensão que possam aparecer durante perturbações no sistema. Podem operar em modo Automático ou Manual. No modo de operação “Automático”, o compensador estático atua, constantemente, alterando o ângulo de disparo dos tiristores, que varia a potência de reatores de zero até a sua potência máxima, que em composição com a potência fornecida pelos bancos de capacitores, resulta em uma potência reativa variável de natureza ora indutiva, ora capacitiva, controlando uma tensão de referência de um determinado barramento. No modo de operação “Manual”, o compensador irá operar com potência fixa, até que seja realizado um comando manual, atuando no ângulo de disparo no sentido de elevar ou reduzir o reativo, de modo a permitir uma correção da tensão para o valor de referência. A potência reativa capacitiva de um compensador estático é geralmente conseguida a partir de filtros harmônicos, que evitam que as correntes de harmônicos geradas pelos tiristores se propaguem pelo sistema. 4.3.4.7 – Tapes de Transformadores Os transformadores, normalmente possuem tapes que nos permitem variar a relação de transformação. Dois tipos se distinguem: Transformador com mudança de tapes sem carga (tapes fixos); Transformador com mudança de tapes em carga (LTC – Load Tap Changer). TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 117 O fato do transformador possuir tapes, nos permite, por exemplo, alcançar 100% do valor da tensão no secundário quando tivermos um valor de tensão menor do que a nominal no primário, ou no caso de termos um valor maior do que a nominal no primário possamos obter um valor de 100% no secundário. Os transformadores dotados de tapes com mudança sem carga são equipamentos que necessitam de planejamento na escolha da posição do tape a ser usado, pois com uma escolha adequada, podemos reduzir, ou mesmo eliminar a necessidade de elementos fornecedores de reativos. O estudo para definirmos a melhor posição é importante, pois temos sempre, ao longo do dia, que transmitir o valor da potência requerido na carga leve até o valor requerido na carga pesada. Uma posição de tape que atenda bem a carga leve não deve atender bem a carga pesada e vice-versa. Normalmente, escolhemos um valor médio e o ajuste fino é feito com equipamentos de controle de tensão. É importante não esquecer que esse tipo de transformador necessita ser desligado do sistema para ter a posição do tape alterada, inviabilizando alterações constantes. Transformadores dotados de tapes com mudança em carga permitem manter a tensão secundária praticamente constante. A figura ilustra o princípio de funcionamentodo LTC. Um sistema de controle que utiliza um relé sensível à tensão, controla um motor que fará a mudança de tape de modo que a tensão secundária seja sempre igual ao valor de referência desejado e ajustado no controle, com isto podemos manter a tensão secundária constante dentro do raio de ação do LTC. É importante destacar que o LTC não é um equipamento gerador de reativos, o fato de manter a tensão secundária constante, a tensão primária apresentará variações com a carga e a variação do fluxo de reativo será através da linha de transmissão, o que aumentará as perdas na mesma. 4.3.5 – Uso Combinado dos Diversos Equipamentos de Controle de Tensão Através do exposto, podemos concluir que os capacitores, reatores, compensadores síncronos, geradores síncronos, compensadores estáticos e LTC individualmente não são capazes de controlar convenientemente a tensão nas barras do sistema elétrico. Partimos então para o uso combinado desses recursos para obtermos uma variação de tensão dentro de padrões aceitáveis ao longo do dia, atendendo aos valores previstos para os períodos de carga leve, média e pesada. O desligamento de linhas de transmissão como recurso de controle de tensão pode ser utilizado, mas deve ser evitado ao máximo porque reduz a confiabilidade do sistema. TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CURSO BÁSICO 118 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 1. Apostilas: Curso para Operadores. Plena Transmissoras. Janeiro/2008; 2. Apostila: Proteção de Barramento e Proteção de Falha de Disjuntor. Virtus Consultoria e Serviços Ltda; 3. Apostila: Proteção de Linhas de Transmissão. Virtus Consultoria e Serviços Ltda; 4. Manual de Disjuntor ABB; 5. Manual de Chave Seccionadora Hapam; 6. Catálogo de Produtos de Transmissão PLP Brasil; 7. Catálogo de Isoladores de Suspensão e Descarregadores de Chifres Santana; 8. Catálogo Eletrônico Ritz do Brasil; 9. João Mamede Filho. Manual de Equipamentos Elétricos. 3ª Edição. Editora LTC. 2005; 10. José Roberto R. Cândido, Carlos André S. Araújo, Flávio Câmara de Souza, et al. Proteção de Sistemas Elétricos. 2ª Edição. Editora Interciência.