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0 Índice Introdução ................................................................................................................................... 1 2. ACTOS E FACTOS PATRIMONIAIS .................................................................................. 2 2.1. Conceito de actos patrimoniais ............................................................................................ 3 2.2. Conceito de factos patrimoniais .......................................................................................... 4 2.3. Classificação dos Factos Patrimoniais ................................................................................. 5 2.4. Facto Patrimonial Modificativo ........................................................................................... 6 2.5. Tipos de alteração ................................................................................................................ 7 2.6. Gráfico Patrimonial ............................................................................................................. 9 2.7. Investimentos Patrimoniais ............................................................................................... 10 2.8. Equação Patrimonial .......................................................................................................... 10 3. Teorias de actos patrimoniais ............................................................................................... 11 3.1. Teoria do proprietário ........................................................................................................ 11 3.2. Teoria da Entidade ............................................................................................................. 12 3.3. Teoria do fundo ................................................................................................................. 13 Conclusão ................................................................................................................................. 15 Bibliografia ............................................................................................................................... 16 1 Introdução O património, como conjunto de valores activos e passivos sujeitos a uma gestão, não se mantém constante. Pelo contrário, está sujeito a variações que mais não são do que a consequência da própria actividade da empresa. Sendo assim, além da representação dos valores patrimoniais, existe a necessidade de representar e inscrever em documentos, livros e registos de vária natureza, os factos patrimoniais (acontecimentos e eventos) que provocam a sua variação. O objectivo do presente trabalho é discutir as diferenças entre os factos patrimoniais permutativos e os factos patrimoniais modificativos na contabilidade geral. Após apresentação de algumas definições de contabilidade, bem como as demonstrações práticas pretende-se que fique de forma clara e explicita as suas diferenças. O dia-a-dia que a vida nos impõe, contudo, tem nos levado à praticidade dos factos e é com esse objectivo que preparamos este material. Através de um estudo dirigido, procuramos conceituar o Património, seus componentes e, a partir desse conhecimento, explicar o que é a Contabilidade, o seu objecto, a sua finalidade, suas técnicas e, em particular, como se dá a escrituração. 2 2. ACTOS E FACTOS PATRIMONIAIS Património de uma empresa ou organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as entidades para exercerem as suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou seja, de equipamentos, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer que para exercício de qualquer actividade são necessários determinados valores que são propriedade de alguém. Do ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade podem considerar-se como sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a sua totalidade. Todos os valores utilizados pelas empresas ou organizações constituem o seu património. No entanto, nem só os edifícios, dinheiro e equipamentos utiliza dos constituem o património. A empresa ou organização no desenvolvimento da sua actividade estabelece relações que originam direitos e obrigações. Com isto são cria das transacções de valores a favor e contra a empresa que originam alterações de património. Dizemos património a tudo o que relaciona a empresa e não ás pessoas que se relacionam com ela. Por exemplo o património empresarial de um comerciante é somente tudo o que se relaciona com a empresa tal como o automóvel da empresa, o edifício da empresa, a conta bancária da empresa, etc. Não podendo ser considerado património empresarial o automóvel pessoal do comerciante nem a habitação. Estes entram no património pessoal do comerciante. A cada componente de um dado património (ex. existências, edifício, divida, viatura, etc.), chama-mos de elemento patrimonial. Dentro do património distinguem-se duas classes de elementos patrimoniais. Os valores que a empresa tem em sua posse ou que ainda vai receber (bens e direitos) e todos os valores que a empresa tem de pagar (obrigações). O Património é formado de diversos componentes, como bens, direitos e obrigações. Para estudar-se cada um deles, tomaremos, como exemplo, uma determinada família: Verificaremos todos os bens que ela possui: carro, computador, casa, etc. Observaremos, também, tudo que ela tem a receber dos outros: salários, férias, enfim, todos os direitos. Consideraremos ainda tudo aquilo que ela tem a pagar: faculdade, contas de água e luz, ou seja, as obrigações. Observando os bens, os direitos e as obrigações, teremos uma ideia bem exacta do que seja Património e poderemos definir seus componentes. 3 BENS: tudo aquilo que é preciso para a satisfação das necessidades de uma família/empresa e que podem ser avaliados em moeda, em dinheiro corrente. Os bens podem ser divididos em: BENS NUMERÁRIOS: são representados por dinheiro em caixa ou em bancos; BENS DE VENDA: são as mercadorias destinadas à venda, que constitui o objecto da Empresa; BENS DE RENDA: são as aplicações da empresa, tais como: letras de câmbio, acções de outras empresas, aplicações em ouro, etc; BENS FIXOS: são as imobilizações necessárias para manter a actividade da empresa. Podem ser: tangíveis (veículos, móveis, edifícios) e intangíveis (marcas e patentes, fundos de comércio, direitos autorais). DIREITOS: são todos os valores que uma família/empresa tenha a receber de terceiros, seja por venda de algo, seja por serviços prestados. Esses valores também fazem parte do Património. Exemplos: ACTIVO (bens e direitos) em contos Numerário (dinheiro).............................................................20 MT Edifício...........................................................................50.280 MT Viatura..............................................................................6.120 MT Dívidas a receber..............................................................4.080 MT 60.500 MT PASSIVO (obrigações) Dividas a pagar (fornecedores).........................................7.030 MT Empréstimos bancários...................................................50.070 MT 57.100 MT Num património há a considerar dois aspectos distintos: A sua composição O seu valor 2.1. Conceito de actos patrimoniais Património de uma empresa ou organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as entidades para exercerem as suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou4 seja, de equipamentos, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer que para exercício de qualquer actividade são necessários determinados valores que são propriedade de alguém. Do ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade podem considerar-se como sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a sua totalidade. 2.2. Conceito de factos patrimoniais Factos patrimoniais são todas as operações e acontecimentos que implicam qualquer alteração ou variação na composição ou no valor do património. Factos patrimoniais são todas as operações que criam uma dinâmica patrimonial, ou seja, provocam variações quantitativas e qualitativas no património. Portanto são todos os eventos que ocorrem na empresa, passíveis de se determinar um valor monetário. O registo de um facto patrimonial pode ou não alterar o valor do Património Líquido da empresa. O património de uma empresa não se mantém estático ao longo dos tempos. Pelo contrário, está sujeito a uma contínua transformação. Esta transformação pode ser motivada por duas espécies de acontecimentos: normais ou voluntários que resultam das operações efectuadas voluntariamente pela empresa e os extraordinários ou involuntários, que são independentes da sua vontade. No primeiro caso, pode apontar as operações correntes tais como compras, vendas, pagamentos, recebimentos, etc. No segundo caso apontam-se os incêndios, roubos quebras, etc. Tanto umas como as outras constituem factos patrimoniais. Os factos patrimoniais estão associados a tudo aquilo que acontece na empresa e que implicam a variações no património. A observação, o registo e controlo destes factos patrimoniais constituem o trabalho contabilístico. Os factos patrimoniais classificam-se em dois tipos: Factos Permutativos; e Factos Modificativos 5 2.3. Classificação dos Factos Patrimoniais Factos patrimoniais Permutativos Não altera o valor do património, apenas altera a composição Altera a composição e o valor do património Positivo aumenta o valor do património Modificativos Negativo diminui o valor do património Um facto diz-se permutativo, quando provoca uma alteração na composição do património, mas não no seu valor. Dizemos modificativo, quando implica, além da variação na composição, uma alteração no seu valor do património. Os factos permutativos como não motivam alteração de património, são os mais frequentes. Estes localizam-se nas compras, nas transferências, etc, que empresa ou organização efectua sem que o valor propriamente dito da empresa seja alterado. Já nos factos modificativos afirma-se exactamente o contrário, ou seja, são todas aquelas operações que alteram o valor do património quer seja para positivo ou negativo. Nesta situação encontra-mos todas as vendas que englobem lucro, todas as perdas que a empresa sofra, etc. Os primeiros são os mais frequentes, podendo apresentar-se como exemplos: Depósito de dinheiro no Banco XL, compra de mercadorias, pagamento de uma dívida, aquisição de um edifício, um saque sobre cliente, etc. Os segundos implicam para além duma alteração na composição, também uma alteração no valor do património (capital próprio). Estão neste caso todas as operações que originem um lucro ou um prejuízo para empresa. Ex.: Vendas de mercadorias com lucro, venda de um valor móvel (ou outro) por um preço inferior ou superior, ao representado no património, etc. Exemplo: Aplicação 1 Considere o património do comerciante José Mário: Valor da situação líquida será: 6 Activo Numerário .............................................................3.500 Mercadoria.............................................................39.550 Móveis diversos.......................................................7.956 Dívida de Jasse Tembe.............................................6.000 Crédito sobre Petrosse Ngomana.............................7.733 64.739 Passivo Dívida a André Honwana.........................................1.022 Empréstimo na Caixa Comunitária.........................63.397 64.419 Activo.......................................................+64.739 Passivo.....................................................- 64.419 Valor do Património............................... = 320 Considere as seguintes operações: a) Depósito no Banco de 3.000 b) Venda de mercadorias a pronto pagamento, por 10.000, que haviam custado 7.500. Na primeira operação verifica-se uma alteração na composição do património (os elementos Patrimoniais apresentam uma extensão diferente) mas o valor do património mantém-se. Trata-se de um valor patrimonial qualitativo ou permutativo. (Depósito no Banco de 3.000) 2.4. Facto Patrimonial Modificativo Factos Patrimonial modificativos São factos que alteram a composição do Património e modificam para mais (modificativos aumentativos) ou para menos (modificativos diminutivos) a situação líquida da empresa. Os fatos modificativos, também chamados de quantitativos, como já dito anteriormente, remetem à modificação directa (para mais ou para menos) do património líquido da empresa, que pode acontecer via aumento ou redução de suas próprias contas, ou até mesmo pela apropriação de despesas e receitas. Ex: Aumento de capital com os recursos dos proprietários no valor de 500,00. 7 . *Débito 43.1 Banco 500,00 *Crédito 51. Capital 500,00. Implica que no lado do C.P, houve uma redução de valor que foi para o lado do Activo. Quer dizer, que o património líquido será alterado. Aumentativos: Alteração aumentativa/positiva do património líquido, ocorrendo pelo aumento de contas creditadas ou pela redução de contas rectificativas (redutoras). Diminutivos: Alteração diminutiva/negativa do património líquido, ocorrendo pela redução de contas normais debitadas, ou pelo aumento das contas rectificativas (redutoras). Factos Mistos ou compostos: são os que acontecem de forma simultânea. Ou seja, ocorre uma troca com aumento, onde o aumento irá afectar o Património. Mistos aumentativos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas de proveito, (venda com lucro, aumenta PL). Ex.: recebimento de duplicatas com juros, pagamento de duplicatas com desconto, reforma de dívida com desconto, vendas com lucro, pagamentos de obrigações com desconto, etc. Mistos diminutivos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas Custos (venda com prejuízo, diminui PL). Ex.: recebimento de duplicatas com desconto, pagamentos de duplicatas com juros, reforma de dívida com juros, etc. Os fatos mistos ou compostos ocorrem quando há, simultaneamente, alteração quantitativa (modificação) e qualitativa (permuta) no património. Tais fatos, da mesma forma como ocorre com os modificativos, podem ser confirmados por meio da alteração do Património Líquido. 2.5. Tipos de alteração Aumentativos: Caracteriza alterações positivas no património líquido, através de aumento das contas creditadas. Diminutivos: Caracteriza alterações negativas no património líquido, através de diminuição das contas debitadas. Ex: venda de mercadorias no valor de 3000,00 que haviam custado 2000,00. Pagou 2000,00 e o remanescente comprometeu-se após 30 dias. 8 Património Líquido é exactamente, como chamamos na contabilidade de uma empresa, esta posição de riqueza, obtida através de uma situação líquida favorável de uma família/empresa. Assim, podemos, representar o Património Líquido, através da seguinte sentença (expressão), matemática: Património Líquido = Bens + Direitos – Obrigações É importantes,porém, termos claro que nem sempre a situação líquida é favorável. Tanto as famílias como as empresas poderão possuir bens e direitos e ainda assim terem uma situação líquida negativa (desfavorável), decorrente de terem suas obrigações maiores que a soma de seus bens e direitos. Não havendo na verdade Riqueza. Vejamos um exemplo: Bens 150.00 Direitos 20.000 Total 170.000 Obrigações (210.000) Situação Líquida Negativa 40.000 Pelo exemplo, verifica-se que apesar da existência de bens e direitos no valor de 170.000, a família ou empresa não dispõe de Riqueza própria, pois suas obrigações são maiores (210.000). Em Resumo, podemos afirmar que o Património poderá apresentar uma das três situações líquidas abaixo: Positiva: quando a soma de bens e direitos é maior que a de obrigações, a diferença será, então, o Património. Negativa: quando a soma de bens e direitos é menor que a de obrigações, teremos a inexistência de riqueza verdadeira, onde todos os bens e direitos foram absorvidos pelas obrigações. Nula: quando a soma de bens e direitos é igual à soma das obrigações. 9 2.6. Gráfico Patrimonial O Gráfico Patrimonial é a forma de apresentação do Património, estudado no capítulo anterior, para que possamos ter uma visão ordenada do conjunto de bens, direitos, obrigações e Património líquido. O Gráfico Patrimonial terá a seguinte formação: Activo Passivo Bens Direitos Obrigações Património Líquido Por convenção, no campo à esquerda do gráfico, colocaremos os bens e direitos da família ou empresa e os denominaremos de ATIVO, indicando os valores positivos do Património. Também por convenção, no campo à direita do gráfico, colocaremos as obrigações da família ou empresa e, também, o Património Líquido, já que este representa a riqueza patrimonial e os denominaremos de PASSIVO, indicando os valores negativos do Património. Elaborando, portanto, o gráfico patrimonial do nosso exemplo anterior com os bens, direitos, obrigações e o Património líquido que obtivemos entre eles, teremos: ATIVO ATIVO Bens Dinheiro 10.000 Casa 200.000 Carro 50.000 Enceradeira 1.200 Geladeira 3.000 Direitos Sai salários a receber 5.000 Ferias a receber 4.000 Garantia 15.000 Mesada a receber 7.000 Soma 295.200 Obrigações Prestações a pagar 20.000 Luz e agua a pagar 1.000 Impostos a pagar 2.500 Salários a pagar 1.500 Património liquido Riqueza 270.200 Soma 295.200 Portanto, observa-se que, a partir do gráfico patrimonial, poderemos ter uma visão geral e ordenada da composição de um Património, seja de uma família ou de uma empresa. Onde: À esquerda, estão representados os bens e direitos, formando o Activo. À direita, teremos as obrigações tomando o Passivo e a indicação da Riqueza (Activo Passivo), formando o Património Líquido. 10 2.7. Investimentos Patrimoniais Agora que estudamos o Património e sua forma gráfica de apresentação, trataremos de entender como se dá esta formação de Património em uma Entidade ou Empresa. Todas as aquisições de bens e direitos, efectuados por uma empresa, para que esta alcance suas finalidades, são chamados de INVESTIMENTOS PATRIMONIAIS. A estes investimentos chamamos de APLICAÇÕES DE RECURSOS. Assim, podemos dizer que todos os componentes patrimoniais classificados no ATIVO representam as aplicações dos recursos de uma empresa. Teremos então: ATIVO BENS Estoques, Máquinas Dinheiro em caixa DIREITOS Duplicatas a receber Contas a receber Dinheiro depositado em bancos Se observar-se no Gráfico patrimonial, elaborado anteriormente, veremos que os investimentos patrimoniais do exemplo dado foram de 295.200, sendo 264.200 investidos em bens e 31.000 investidos em direitos, todos necessários para o funcionamento de uma empresa. 2.8. Equação Patrimonial A partir do gráfico patrimonial estudado, podemos tratar agora da EQUAÇAO FUNDAMENTAL DO PATRIMÔNIO, a saber: PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ACTIVO - PASSIVO 11 Se considerar-se que as empresas, em sua maioria, possuem um conjunto de bens e direitos (ACTIVO) maior do que suas obrigações (PASSIVO), podemos afirmar que a equação patrimonial ficará melhor representada da seguinte forma: ACTIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO A esta representação gráfica, a contabilidade chama de BALANÇO PATRIMONIAL. Pode-se dizer assim que: BALANÇO PATRIMONIAL é a representação quantitativa e qualitativa do Património, em um dado momento. 3. Teorias de actos patrimoniais 3.1. Teoria do proprietário A teoria do proprietário é a mais antiga abordagem do Património Líquido e surgiu para revestir as partidas dobradas de sua lógica formal, uma vez que facilita o entendimento quanto ao funcionamento das contas contábeis (IUDÍCIBUS, 2000, p.171). O proprietário situa-se na posição de principal interessado, dessa forma se supõe que os activos pertencem aos proprietários e os passivos são obrigações do proprietário ou, então, são activos negativos. As receitas são aumentos de propriedade e as despesas representam diminuições. Assim, o lucro líquido (diferença entre receitas e despesas de um determinado período) indica um aumento de propriedade. Os dividendos em dinheiro representam retiradas de capital e os lucros retidos fazem parte da propriedade (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, p.466). Tal teoria adapta-se melhor às formas organizacionais mais simples, como firma individual. Exemplo: A equação contábil é: Activo – Passivo = Património Líquido Segundo Iudícibus (2000, p.121), as formas de evidenciação contábil (disclosure) podem variar, mas a sua essência sempre será apresentar informações quantitativas e qualitativas de maneira ordenada a fim de propiciar uma base adequada de informação para o usuário, deixando de fora das demonstrações formais o menos possível. O autor (2000, p.118) lista seis métodos para realizar a evidenciação: 12 Forma de apresentação das demonstrações contábeis: elaboração dos demonstrativos com a utilização de terminologia clara e simplificada e sua colocação em uma forma ou ordem que melhore a interpretabilidade; Informações entre parênteses: oferecer ao usuário informações curtas e objectivas, colocadas dentro do corpo do demonstrativo contábil entre parênteses com vistas ao fornecimento de maiores esclarecimentos sobre um título, um critério de avaliação, a composição de uma conta etc.; Notas explicativas (rodapé): o objectivo dessa forma de evidenciação é fornecer informações que não podem ser apresentadas no corpo do demonstrativo contábil; Quadros e Demonstrativos Suplementares: cujo objectivo é detalhar itens dos demonstrativos contábeis que não podem ser evidenciados no corpo destes e/ou apresentar outras demonstrações, outra perspectiva de avaliação; Comentários do Auditor: fonte complementar de disclosure para as demonstrações contábeis, oferecendo maior segurança ao usuário; Relatório da Directoria: tem como objectivo fornecer informações não financeiras relacionadas à operação da entidade, tais como mercado de actuação, perspectivas futuras, plano de crescimento, investimento em pesquisa e desenvolvimento, entre outras. 3.2. Teoria da EntidadeNa teoria da entidade [...] a entidade tem uma vida distinta das actividades e dos interesses pessoais dos proprietários de parcelas de seu capital. A entidade tem personalidade própria. (IUDÍCIBUS, 2000, p.171). Pela teoria de entidade, os activos representam os direitos da empresa de receber bens e serviços e outros benefícios específicos e o outro lado da equação diz respeito a obrigações específicas da organização com terceiros e accionistas. O lucro líquido é, geralmente, expresso em termos de variação líquida do património dos accionistas, após deduzir todos os outros direitos, incluindo juros de dívida de longo prazo e imposto de renda. Contudo, tal lucro somente será pessoal para o accionista caso o valor do investimento tenha aumentado ou tenha havido declaração de dividendos. De acordo com essa ideia de lucro, as receitas são o produto da empresa e as despesas correspondem aos bens e serviços consumidos para obter as receitas (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, p.468). 13 De acordo com Hendriksen e Van Breda (1999, p.468), a teoria da entidade possui aplicação na sociedade por acções como forma de organização de empresas, mas, também, é relevante para outras formas de organização que possuem continuidade de existência separadamente das vidas de seus proprietários individuais. Exemplo: A equação contábil é: Activo = Obrigações + Património Líquido 3.3. Teoria do fundo A teoria do fundo [...] abandona a relação pessoal pressuposta na teoria da propriedade e a personalização da empresa como unidade económica e jurídica artificial, pressuposta na teoria da entidade. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, p.470). Um fundo pressupõe a existência de grupos de activos e obrigações e restrições correspondentes, indicando funções ou actividades económicas específicas. Olak (1996, p. 152) menciona que, visto como entidade contábil, [...] um fundo possui recursos próprios para serem aplicados em suas actividades ou projectos específicos. Assim, para consecução dos seus fins, um fundo pode ter um conjunto de activos, obrigações e património líquido, receitas/ganhos e despesas/perdas. A equação contábil é: Activo = Restrições sobre Activos Nessa equação, o activo representa serviços possíveis ao fundo ou unidade operacional e os passivos restrições a activos específicos ou gerais do fundo. O capital investido, também, pode ser considerado uma restrição legal ou financeira ao uso de activos. O lucro não é o conceito principal na contabilidade financeira, em seu lugar, fica a descrição da operação do fundo. As principais demonstrações financeiras são resumos das origens e aplicações de fundos. Existindo uma demonstração de resultados será um acessório da demonstração do fluxo de fundos, com a descrição dos fundos gerados pelas operações (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, P.470). O conceito de fundo tem tido mais utilidade em instituições governamentais e sem fins lucrativos, mas pode ser aplicado em outros tipos de entidades. 14 De acordo com Hendriksen e Van Breda (1999, p.471), todas as teorias ou abordagens do património líquido e as relações ou actividades a serem divulgadas são importantes em diferentes organizações, relacionamentos económicos e objectivos contábeis. Entretanto, deve-se ter o cuidado de aplicar a teoria do património líquido mais lógica em cada caso e usar uma única teoria de maneira coerente em determinadas circunstâncias. A utilização da Demonstração do Fluxo de Caixa ao invés da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos pode garantir uma melhor compreensão da situação financeira da entidade por parte de um conjunto maior de usuários, pois a primeira pode ser de mais fácil entendimento. As dificuldades de evidenciação das informações de interesse do usuário externo puderam ser observadas no conjunto de informações contábeis publicadas pela Fundação Zerbini, pois a parte principal do relatório (demonstrações financeiras) não permite visualizar clara e directamente as restrições de uso dos activos da organização. Os resultados deste trabalho indicam que as normas adoptadas na elaboração e divulgação das demonstrações financeiras nos EUA procuram respeitar as especificidades quanto à necessidade de informações pelos usuários da contabilidade de organizações do Terceiro Sector ao adoptar a teoria do Património Líquido que, logicamente, mais se adapta às suas características, fato não observado nas normas brasileiras. Por fim, espera-se que este trabalho possa fomentar o debate sobre o tema e, assim, contribuir para o aperfeiçoamento do processo accountability e prestação de contas das organizações que compõem o Terceiro Sector no Brasil. 15 Conclusão Chegando no fim das nossas abordagens conclui-se que património de uma empresa ou organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as entidades para exercerem as suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou seja, de equipamentos, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer que para exercício de qualquer actividade são necessários determinados valores que são propriedade de alguém. Do ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade podem considerar-se como sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a sua totalidade. Factos patrimoniais são todas as operações e acontecimentos que implicam qualquer alteração ou variação na composição ou no valor do património. Factos patrimoniais são todas as operações que criam uma dinâmica patrimonial, ou seja, provocam variações quantitativas e qualitativas no património. Portanto são todos os eventos que ocorrem na empresa, passíveis de se determinar um valor monetário. O registo de um facto patrimonial pode ou não alterar o valor do Património Líquido da empresa. A teoria do proprietário e a personalização da empresa como unidade económica e jurídica artificial, pressuposta na teoria da entidade, buscando demonstrar a existência de grupos de activos, obrigações e as restrições correspondentes, indicando funções ou actividades económicas específicas. A teoria dos fundos, empregada na elaboração de demonstrações financeiras para instituições do Terceiro Sector, mostra-se mais adequada quando comparada às teorias da entidade e proprietário. A forma como o património líquido é divulgado nas demonstrações financeiras americanas (Net Assets) possibilita a organização externar uma das principais preocupações das entidades do Terceiro Sector que é a reposição ou manutenção dos activos para garantir a continuidade da prestação de serviços à comunidade. 16 Bibliografia CAMPOS, Gabriel Moreira. A realidade contábilgerencial de uma organização do terceiro setor: o caso da Fundação Otacílio Coser. 2003. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. Universidade de São Paulo. São Paulo. COELHO, Simone de Castro Tavares. Terceiro Setor: um estudo comparado entre Brasil e Estados Unidos. 2. ed. São Paulo: SENAC, 2002. DELANEY, Patrick R. et al. GAAP 2002: interpretation and aplication of generally accepted accounting principles 2002. New York: John Wiley & Sons, 2002. FALCONER, Andrés Pablo. A promessa do Terceiro Sector: um estudo sobre a construção do papel das organizações sem fins lucrativos e do seu campo de gestão. 1999. PAES, José Eduardo Sabo. Fundações e entidades de interesse social: aspectos jurídicos, administrativos, contábeis e tributários. Brasília: Brasília Jurídica, 2003. ROSSI Jr., L. R. A gestão para resultados como ferramenta administrativa nas organizações do terceiro setor. Integração. São Paulo: Maio 2001.