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0 
 
 
Índice 
Introdução ................................................................................................................................... 1 
2. ACTOS E FACTOS PATRIMONIAIS .................................................................................. 2 
2.1. Conceito de actos patrimoniais ............................................................................................ 3 
2.2. Conceito de factos patrimoniais .......................................................................................... 4 
2.3. Classificação dos Factos Patrimoniais ................................................................................. 5 
2.4. Facto Patrimonial Modificativo ........................................................................................... 6 
2.5. Tipos de alteração ................................................................................................................ 7 
2.6. Gráfico Patrimonial ............................................................................................................. 9 
2.7. Investimentos Patrimoniais ............................................................................................... 10 
2.8. Equação Patrimonial .......................................................................................................... 10 
3. Teorias de actos patrimoniais ............................................................................................... 11 
3.1. Teoria do proprietário ........................................................................................................ 11 
3.2. Teoria da Entidade ............................................................................................................. 12 
3.3. Teoria do fundo ................................................................................................................. 13 
Conclusão ................................................................................................................................. 15 
Bibliografia ............................................................................................................................... 16 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
Introdução 
O património, como conjunto de valores activos e passivos sujeitos a uma gestão, não se 
mantém constante. Pelo contrário, está sujeito a variações que mais não são do que a 
consequência da própria actividade da empresa. Sendo assim, além da representação dos 
valores patrimoniais, existe a necessidade de representar e inscrever em documentos, livros e 
registos de vária natureza, os factos patrimoniais (acontecimentos e eventos) que provocam a 
sua variação. 
 
O objectivo do presente trabalho é discutir as diferenças entre os factos patrimoniais 
permutativos e os factos patrimoniais modificativos na contabilidade geral. Após apresentação 
de algumas definições de contabilidade, bem como as demonstrações práticas pretende-se que 
fique de forma clara e explicita as suas diferenças. 
 
O dia-a-dia que a vida nos impõe, contudo, tem nos levado à praticidade dos factos e é com 
esse objectivo que preparamos este material. Através de um estudo dirigido, procuramos 
conceituar o Património, seus componentes e, a partir desse conhecimento, explicar o que é a 
Contabilidade, o seu objecto, a sua finalidade, suas técnicas e, em particular, como se dá a 
escrituração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
2. ACTOS E FACTOS PATRIMONIAIS 
Património de uma empresa ou organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as 
entidades para exercerem as suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou 
seja, de equipamentos, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer 
que para exercício de qualquer actividade são necessários determinados valores que são 
propriedade de alguém. Do ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade 
podem considerar-se como sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos 
não incidam sobre a sua totalidade. Todos os valores utilizados pelas empresas ou 
organizações constituem o seu património. No entanto, nem só os edifícios, dinheiro e 
equipamentos utiliza dos constituem o património. 
 
A empresa ou organização no desenvolvimento da sua actividade estabelece relações que 
originam direitos e obrigações. Com isto são cria das transacções de valores a favor e contra a 
empresa que originam alterações de património. Dizemos património a tudo o que relaciona a 
empresa e não ás pessoas que se relacionam com ela. Por exemplo o património empresarial 
de um comerciante é somente tudo o que se relaciona com a empresa tal como o automóvel da 
empresa, o edifício da empresa, a conta bancária da empresa, etc. Não podendo ser 
considerado património empresarial o automóvel pessoal do comerciante nem a habitação. 
Estes entram no património pessoal do comerciante. A cada componente de um dado 
património (ex. existências, edifício, divida, viatura, etc.), chama-mos de elemento 
patrimonial. Dentro do património distinguem-se duas classes de elementos patrimoniais. Os 
valores que a empresa tem em sua posse ou que ainda vai receber (bens e direitos) e todos os 
valores que a empresa tem de pagar (obrigações). 
 
O Património é formado de diversos componentes, como bens, direitos e obrigações. Para 
estudar-se cada um deles, tomaremos, como exemplo, uma determinada família: 
 Verificaremos todos os bens que ela possui: carro, computador, casa, etc. 
 Observaremos, também, tudo que ela tem a receber dos outros: salários, férias, enfim, 
todos os direitos. Consideraremos ainda tudo aquilo que ela tem a pagar: faculdade, 
contas de água e luz, ou seja, as obrigações. 
Observando os bens, os direitos e as obrigações, teremos uma ideia bem exacta do que seja 
Património e poderemos definir seus componentes. 
3 
 
BENS: tudo aquilo que é preciso para a satisfação das necessidades de uma família/empresa e 
que podem ser avaliados em moeda, em dinheiro corrente. 
Os bens podem ser divididos em: 
 BENS NUMERÁRIOS: são representados por dinheiro em caixa ou em bancos; 
 BENS DE VENDA: são as mercadorias destinadas à venda, que constitui o objecto da 
Empresa; 
 BENS DE RENDA: são as aplicações da empresa, tais como: letras de câmbio, acções 
de outras empresas, aplicações em ouro, etc; 
 BENS FIXOS: são as imobilizações necessárias para manter a actividade da empresa. 
Podem ser: tangíveis (veículos, móveis, edifícios) e intangíveis (marcas e patentes, 
fundos de comércio, direitos autorais). 
 DIREITOS: são todos os valores que uma família/empresa tenha a receber de 
terceiros, seja por venda de algo, seja por serviços prestados. Esses valores também 
fazem parte do Património. 
 
Exemplos: 
ACTIVO (bens e direitos) em contos 
Numerário (dinheiro).............................................................20 MT 
Edifício...........................................................................50.280 MT 
Viatura..............................................................................6.120 MT 
Dívidas a receber..............................................................4.080 MT 
 60.500 MT 
PASSIVO (obrigações) 
Dividas a pagar (fornecedores).........................................7.030 MT 
Empréstimos bancários...................................................50.070 MT 
 57.100 MT 
 
Num património há a considerar dois aspectos distintos: 
 A sua composição 
 O seu valor 
 
2.1. Conceito de actos patrimoniais 
Património de uma empresa ou organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as 
entidades para exercerem as suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou4 
 
seja, de equipamentos, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer 
que para exercício de qualquer actividade são necessários determinados valores que são 
propriedade de alguém. Do ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade 
podem considerar-se como sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos 
não incidam sobre a sua totalidade. 
 
2.2. Conceito de factos patrimoniais 
Factos patrimoniais são todas as operações e acontecimentos que implicam qualquer 
alteração ou variação na composição ou no valor do património. Factos patrimoniais são 
todas as operações que criam uma dinâmica patrimonial, ou seja, provocam variações 
quantitativas e qualitativas no património. Portanto são todos os eventos que ocorrem na 
empresa, passíveis de se determinar um valor monetário. O registo de um facto patrimonial 
pode ou não alterar o valor do Património Líquido da empresa. 
 
O património de uma empresa não se mantém estático ao longo dos tempos. Pelo contrário, 
está sujeito a uma contínua transformação. Esta transformação pode ser motivada por duas 
espécies de acontecimentos: normais ou voluntários que resultam das operações 
efectuadas voluntariamente pela empresa e os extraordinários ou involuntários, que são 
independentes da sua vontade. 
 
No primeiro caso, pode apontar as operações correntes tais como compras, vendas, 
pagamentos, recebimentos, etc. No segundo caso apontam-se os incêndios, roubos quebras, 
etc. Tanto umas como as outras constituem factos patrimoniais. 
 
Os factos patrimoniais estão associados a tudo aquilo que acontece na empresa e que 
implicam a variações no património. A observação, o registo e controlo destes factos 
patrimoniais constituem o trabalho contabilístico. 
 
Os factos patrimoniais classificam-se em dois tipos: 
 Factos Permutativos; e 
 Factos Modificativos 
 
 
 
5 
 
 
 
2.3. Classificação dos Factos Patrimoniais 
 
Factos 
patrimoniais 
Permutativos Não altera o valor do património, apenas altera a composição 
 
Altera a composição e o 
valor do património 
Positivo aumenta o valor do 
património 
Modificativos Negativo diminui o valor do 
património 
 
 
Um facto diz-se permutativo, quando provoca uma alteração na composição do património, 
mas não no seu valor. Dizemos modificativo, quando implica, além da variação na 
composição, uma alteração no seu valor do património. Os factos permutativos como não 
motivam alteração de património, são os mais frequentes. Estes localizam-se nas compras, nas 
transferências, etc, que empresa ou organização efectua sem que o valor propriamente dito da 
empresa seja alterado. 
 
Já nos factos modificativos afirma-se exactamente o contrário, ou seja, são todas aquelas 
operações que alteram o valor do património quer seja para positivo ou negativo. Nesta 
situação encontra-mos todas as vendas que englobem lucro, todas as perdas que a empresa 
sofra, etc. 
 
Os primeiros são os mais frequentes, podendo apresentar-se como exemplos: Depósito de 
dinheiro no Banco XL, compra de mercadorias, pagamento de uma dívida, aquisição de um 
edifício, um saque sobre cliente, etc. 
 
Os segundos implicam para além duma alteração na composição, também uma alteração no 
valor do património (capital próprio). Estão neste caso todas as operações que originem um 
lucro ou um prejuízo para empresa. Ex.: Vendas de mercadorias com lucro, venda de um 
valor móvel (ou outro) por um preço inferior ou superior, ao representado no património, etc. 
 
Exemplo: 
Aplicação 1 
Considere o património do comerciante José Mário: Valor da situação líquida será: 
6 
 
Activo 
Numerário .............................................................3.500 
Mercadoria.............................................................39.550 
Móveis diversos.......................................................7.956 
Dívida de Jasse Tembe.............................................6.000 
Crédito sobre Petrosse Ngomana.............................7.733 
 64.739 
Passivo 
Dívida a André Honwana.........................................1.022 
Empréstimo na Caixa Comunitária.........................63.397 
 64.419 
Activo.......................................................+64.739 
Passivo.....................................................- 64.419 
Valor do Património............................... = 320 
 
Considere as seguintes operações: 
a) Depósito no Banco de 3.000 
b) Venda de mercadorias a pronto pagamento, por 10.000, que haviam custado 7.500. 
 
Na primeira operação verifica-se uma alteração na composição do património (os elementos 
Patrimoniais apresentam uma extensão diferente) mas o valor do património mantém-se. 
Trata-se de um valor patrimonial qualitativo ou permutativo. (Depósito no Banco de 3.000) 
 
2.4. Facto Patrimonial Modificativo 
Factos Patrimonial modificativos São factos que alteram a composição do Património e 
modificam para mais (modificativos aumentativos) ou para menos (modificativos 
diminutivos) a situação líquida da empresa. 
 
Os fatos modificativos, também chamados de quantitativos, como já dito anteriormente, 
remetem à modificação directa (para mais ou para menos) do património líquido da empresa, 
que pode acontecer via aumento ou redução de suas próprias contas, ou até mesmo pela 
apropriação de despesas e receitas. 
 
Ex: Aumento de capital com os recursos dos proprietários no valor de 500,00. 
7 
 
. 
*Débito 43.1 Banco 500,00 
*Crédito 51. Capital 500,00. 
Implica que no lado do C.P, houve uma redução de valor que foi para o lado do Activo. Quer 
dizer, que o património líquido será alterado. 
 
Aumentativos: Alteração aumentativa/positiva do património líquido, ocorrendo pelo 
aumento de contas creditadas ou pela redução de contas rectificativas (redutoras). 
 
Diminutivos: Alteração diminutiva/negativa do património líquido, ocorrendo pela redução de 
contas normais debitadas, ou pelo aumento das contas rectificativas (redutoras). 
 
Factos Mistos ou compostos: são os que acontecem de forma simultânea. Ou seja, ocorre 
uma troca com aumento, onde o aumento irá afectar o Património. 
Mistos aumentativos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas 
de proveito, (venda com lucro, aumenta PL). Ex.: recebimento de duplicatas com juros, 
pagamento de duplicatas com desconto, reforma de dívida com desconto, vendas com lucro, 
pagamentos de obrigações com desconto, etc. 
Mistos diminutivos: envolvem duas ou mais contas patrimoniais e uma ou mais contas 
Custos (venda com prejuízo, diminui PL). Ex.: recebimento de duplicatas com desconto, 
pagamentos de duplicatas com juros, reforma de dívida com juros, etc. 
 
Os fatos mistos ou compostos ocorrem quando há, simultaneamente, alteração quantitativa 
(modificação) e qualitativa (permuta) no património. Tais fatos, da mesma forma como ocorre 
com os modificativos, podem ser confirmados por meio da alteração do Património Líquido. 
 
2.5. Tipos de alteração 
 Aumentativos: Caracteriza alterações positivas no património líquido, através de 
aumento das contas creditadas. 
 Diminutivos: Caracteriza alterações negativas no património líquido, através de 
diminuição das contas debitadas. 
 
Ex: venda de mercadorias no valor de 3000,00 que haviam custado 2000,00. 
Pagou 2000,00 e o remanescente comprometeu-se após 30 dias. 
8 
 
 
Património Líquido é exactamente, como chamamos na contabilidade de uma empresa, esta 
posição de riqueza, obtida através de uma situação líquida favorável de uma família/empresa. 
Assim, podemos, representar o Património Líquido, através da seguinte sentença (expressão), 
matemática: 
 Património Líquido = Bens + Direitos – Obrigações 
É importantes,porém, termos claro que nem sempre a situação líquida é favorável. Tanto as 
famílias como as empresas poderão possuir bens e direitos e ainda assim terem uma situação 
líquida negativa (desfavorável), decorrente de terem suas obrigações maiores que a soma de 
seus bens e direitos. Não havendo na verdade Riqueza. 
 
Vejamos um exemplo: 
Bens 150.00 
Direitos 20.000 
Total 170.000 
Obrigações (210.000) 
 
Situação Líquida Negativa 40.000 
 
Pelo exemplo, verifica-se que apesar da existência de bens e direitos no valor de 170.000, a 
família ou empresa não dispõe de Riqueza própria, pois suas obrigações são maiores 
(210.000). 
 
Em Resumo, podemos afirmar que o Património poderá apresentar uma das três situações 
líquidas abaixo: 
 Positiva: quando a soma de bens e direitos é maior que a de obrigações, a diferença 
será, então, o Património. 
 Negativa: quando a soma de bens e direitos é menor que a de obrigações, teremos a 
inexistência de riqueza verdadeira, onde todos os bens e direitos foram absorvidos 
pelas obrigações. 
 Nula: quando a soma de bens e direitos é igual à soma das obrigações. 
 
 
 
9 
 
 
2.6. Gráfico Patrimonial 
O Gráfico Patrimonial é a forma de apresentação do Património, estudado no capítulo 
anterior, para que possamos ter uma visão ordenada do conjunto de bens, direitos, obrigações 
e Património líquido. 
 
O Gráfico Patrimonial terá a seguinte formação: 
Activo Passivo 
Bens 
Direitos 
Obrigações 
Património Líquido 
 
Por convenção, no campo à esquerda do gráfico, colocaremos os bens e direitos da família ou 
empresa e os denominaremos de ATIVO, indicando os valores positivos do Património. 
Também por convenção, no campo à direita do gráfico, colocaremos as obrigações da família 
ou empresa e, também, o Património Líquido, já que este representa a riqueza patrimonial e os 
denominaremos de PASSIVO, indicando os valores negativos do Património. 
 
Elaborando, portanto, o gráfico patrimonial do nosso exemplo anterior com os bens, direitos, 
obrigações e o Património líquido que obtivemos entre eles, teremos: 
ATIVO ATIVO 
Bens 
Dinheiro 10.000 
Casa 200.000 
Carro 50.000 
Enceradeira 1.200 
Geladeira 3.000 
Direitos 
Sai salários a receber 5.000 
Ferias a receber 4.000 
Garantia 15.000 
Mesada a receber 7.000 
Soma 295.200 
Obrigações 
 Prestações a pagar 20.000 
Luz e agua a pagar 1.000 
Impostos a pagar 2.500 
Salários a pagar 1.500 
 
 
Património liquido 
Riqueza 270.200 
Soma 295.200 
 
Portanto, observa-se que, a partir do gráfico patrimonial, poderemos ter uma visão geral e 
ordenada da composição de um Património, seja de uma família ou de uma empresa. Onde: 
 À esquerda, estão representados os bens e direitos, formando o Activo. 
 À direita, teremos as obrigações tomando o Passivo e a indicação da Riqueza (Activo 
Passivo), formando o Património Líquido. 
10 
 
 
2.7. Investimentos Patrimoniais 
Agora que estudamos o Património e sua forma gráfica de apresentação, trataremos de 
entender como se dá esta formação de Património em uma Entidade ou Empresa. 
Todas as aquisições de bens e direitos, efectuados por uma empresa, para que esta alcance 
suas finalidades, são chamados de INVESTIMENTOS PATRIMONIAIS. 
 
A estes investimentos chamamos de APLICAÇÕES DE RECURSOS. 
Assim, podemos dizer que todos os componentes patrimoniais classificados no ATIVO 
representam as aplicações dos recursos de uma empresa. 
 
Teremos então: 
ATIVO 
BENS 
Estoques, 
Máquinas 
Dinheiro em caixa 
 
DIREITOS 
Duplicatas a receber 
Contas a receber 
Dinheiro depositado em bancos 
 
Se observar-se no Gráfico patrimonial, elaborado anteriormente, veremos que os 
investimentos patrimoniais do exemplo dado foram de 295.200, sendo 264.200 investidos em 
bens e 31.000 investidos em direitos, todos necessários para o funcionamento de uma 
empresa. 
 
2.8. Equação Patrimonial 
A partir do gráfico patrimonial estudado, podemos tratar agora da EQUAÇAO 
FUNDAMENTAL DO PATRIMÔNIO, a saber: 
 PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ACTIVO - PASSIVO 
 
11 
 
Se considerar-se que as empresas, em sua maioria, possuem um conjunto de bens e direitos 
(ACTIVO) maior do que suas obrigações (PASSIVO), podemos afirmar que a equação 
patrimonial ficará melhor representada da seguinte forma: 
 ACTIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
 
A esta representação gráfica, a contabilidade chama de BALANÇO PATRIMONIAL. 
Pode-se dizer assim que: 
 BALANÇO PATRIMONIAL é a representação quantitativa e qualitativa do 
Património, em um dado momento. 
 
3. Teorias de actos patrimoniais 
3.1. Teoria do proprietário 
A teoria do proprietário é a mais antiga abordagem do Património Líquido e surgiu para 
revestir as partidas dobradas de sua lógica formal, uma vez que facilita o entendimento quanto 
ao funcionamento das contas contábeis (IUDÍCIBUS, 2000, p.171). 
 
O proprietário situa-se na posição de principal interessado, dessa forma se supõe que os 
activos pertencem aos proprietários e os passivos são obrigações do proprietário ou, então, são 
activos negativos. As receitas são aumentos de propriedade e as despesas representam 
diminuições. Assim, o lucro líquido (diferença entre receitas e despesas de um determinado 
período) indica um aumento de propriedade. Os dividendos em dinheiro representam retiradas 
de capital e os lucros retidos fazem parte da propriedade (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 
1999, p.466). Tal teoria adapta-se melhor às formas organizacionais mais simples, como firma 
individual. 
 
Exemplo: A equação contábil é: Activo – Passivo = Património Líquido 
 
Segundo Iudícibus (2000, p.121), as formas de evidenciação contábil (disclosure) podem 
variar, mas a sua essência sempre será apresentar informações quantitativas e qualitativas de 
maneira ordenada a fim de propiciar uma base adequada de informação para o usuário, 
deixando de fora das demonstrações formais o menos possível. O autor (2000, p.118) lista 
seis métodos para realizar a evidenciação: 
12 
 
 Forma de apresentação das demonstrações contábeis: elaboração dos demonstrativos 
com a utilização de terminologia clara e simplificada e sua colocação em uma forma 
ou ordem que melhore a interpretabilidade; 
 Informações entre parênteses: oferecer ao usuário informações curtas e objectivas, 
colocadas dentro do corpo do demonstrativo contábil entre parênteses com vistas ao 
fornecimento de maiores esclarecimentos sobre um título, um critério de avaliação, a 
composição de uma conta etc.; 
 Notas explicativas (rodapé): o objectivo dessa forma de evidenciação é fornecer 
informações que não podem ser apresentadas no corpo do demonstrativo contábil; 
 Quadros e Demonstrativos Suplementares: cujo objectivo é detalhar itens dos 
demonstrativos contábeis que não podem ser evidenciados no corpo destes e/ou 
apresentar outras demonstrações, outra perspectiva de avaliação; 
 Comentários do Auditor: fonte complementar de disclosure para as demonstrações 
contábeis, oferecendo maior segurança ao usuário; 
 Relatório da Directoria: tem como objectivo fornecer informações não financeiras 
relacionadas à operação da entidade, tais como mercado de actuação, perspectivas 
futuras, plano de crescimento, investimento em pesquisa e desenvolvimento, entre 
outras. 
 
3.2. Teoria da EntidadeNa teoria da entidade [...] a entidade tem uma vida distinta das actividades e dos interesses 
pessoais dos proprietários de parcelas de seu capital. A entidade tem personalidade própria. 
(IUDÍCIBUS, 2000, p.171). 
 
Pela teoria de entidade, os activos representam os direitos da empresa de receber bens e 
serviços e outros benefícios específicos e o outro lado da equação diz respeito a obrigações 
específicas da organização com terceiros e accionistas. O lucro líquido é, geralmente, 
expresso em termos de variação líquida do património dos accionistas, após deduzir todos os 
outros direitos, incluindo juros de dívida de longo prazo e imposto de renda. 
 
Contudo, tal lucro somente será pessoal para o accionista caso o valor do investimento tenha 
aumentado ou tenha havido declaração de dividendos. De acordo com essa ideia de lucro, as 
receitas são o produto da empresa e as despesas correspondem aos bens e serviços 
consumidos para obter as receitas (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, p.468). 
13 
 
De acordo com Hendriksen e Van Breda (1999, p.468), a teoria da entidade possui aplicação 
na sociedade por acções como forma de organização de empresas, mas, também, é relevante 
para outras formas de organização que possuem continuidade de existência separadamente das 
vidas de seus proprietários individuais. 
 
Exemplo: A equação contábil é: Activo = Obrigações + Património Líquido 
 
3.3. Teoria do fundo 
A teoria do fundo [...] abandona a relação pessoal pressuposta na teoria da propriedade e a 
personalização da empresa como unidade económica e jurídica artificial, pressuposta na teoria 
da entidade. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999, p.470). 
 
Um fundo pressupõe a existência de grupos de activos e obrigações e restrições 
correspondentes, indicando funções ou actividades económicas específicas. Olak (1996, p. 
152) menciona que, visto como entidade contábil, [...] um fundo possui recursos próprios para 
serem aplicados em suas actividades ou projectos específicos. 
 
Assim, para consecução dos seus fins, um fundo pode ter um conjunto de activos, obrigações 
e património líquido, receitas/ganhos e despesas/perdas. 
A equação contábil é: Activo = Restrições sobre Activos 
 
Nessa equação, o activo representa serviços possíveis ao fundo ou unidade operacional e os 
passivos restrições a activos específicos ou gerais do fundo. O capital investido, também, 
pode ser considerado uma restrição legal ou financeira ao uso de activos. O lucro não é o 
conceito principal na contabilidade financeira, em seu lugar, fica a descrição da operação do 
fundo. As principais demonstrações financeiras são resumos das origens e aplicações de 
fundos. Existindo uma demonstração de resultados será um acessório da demonstração do 
fluxo de fundos, com a descrição dos fundos gerados pelas operações (HENDRIKSEN; VAN 
BREDA, 1999, P.470). 
 
O conceito de fundo tem tido mais utilidade em instituições governamentais e sem fins 
lucrativos, mas pode ser aplicado em outros tipos de entidades. 
 
14 
 
De acordo com Hendriksen e Van Breda (1999, p.471), todas as teorias ou abordagens do 
património líquido e as relações ou actividades a serem divulgadas são importantes em 
diferentes organizações, relacionamentos económicos e objectivos contábeis. Entretanto, 
deve-se ter o cuidado de aplicar a teoria do património líquido mais lógica em cada caso e 
usar uma única teoria de maneira coerente em determinadas circunstâncias. 
 
A utilização da Demonstração do Fluxo de Caixa ao invés da Demonstração das Origens e 
Aplicações de Recursos pode garantir uma melhor compreensão da situação financeira da 
entidade por parte de um conjunto maior de usuários, pois a primeira pode ser de mais fácil 
entendimento. 
As dificuldades de evidenciação das informações de interesse do usuário externo puderam ser 
observadas no conjunto de informações contábeis publicadas pela Fundação Zerbini, pois a 
parte principal do relatório (demonstrações financeiras) não permite visualizar clara e 
directamente as restrições de uso dos activos da organização. 
 
Os resultados deste trabalho indicam que as normas adoptadas na elaboração e divulgação das 
demonstrações financeiras nos EUA procuram respeitar as especificidades quanto à 
necessidade de informações pelos usuários da contabilidade de organizações do Terceiro 
Sector ao adoptar a teoria do Património Líquido que, logicamente, mais se adapta às suas 
características, fato não observado nas normas brasileiras. 
 
Por fim, espera-se que este trabalho possa fomentar o debate sobre o tema e, assim, contribuir 
para o aperfeiçoamento do processo accountability e prestação de contas das organizações 
que compõem o Terceiro Sector no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
Conclusão 
Chegando no fim das nossas abordagens conclui-se que património de uma empresa ou 
organização é o valor propriamente dito da empresa. Todas as entidades para exercerem as 
suas actividades, necessitam de um conjunto de elementos, ou seja, de equipamentos, 
edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Pode-mos dizer que para exercício de 
qualquer actividade são necessários determinados valores que são propriedade de alguém. Do 
ponto de vista jurídico, os elementos utilizados por cada entidade podem considerar-se como 
sendo de sua pertença, ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a sua 
totalidade. 
 
Factos patrimoniais são todas as operações e acontecimentos que implicam qualquer alteração 
ou variação na composição ou no valor do património. Factos patrimoniais são todas as 
operações que criam uma dinâmica patrimonial, ou seja, provocam variações quantitativas e 
qualitativas no património. Portanto são todos os eventos que ocorrem na empresa, passíveis 
de se determinar um valor monetário. O registo de um facto patrimonial pode ou não alterar o 
valor do Património Líquido da empresa. 
 
A teoria do proprietário e a personalização da empresa como unidade económica e jurídica 
artificial, pressuposta na teoria da entidade, buscando demonstrar a existência de grupos de 
activos, obrigações e as restrições correspondentes, indicando funções ou actividades 
económicas específicas. 
A teoria dos fundos, empregada na elaboração de demonstrações financeiras para instituições 
do Terceiro Sector, mostra-se mais adequada quando comparada às teorias da entidade e 
proprietário. A forma como o património líquido é divulgado nas demonstrações financeiras 
americanas (Net Assets) possibilita a organização externar uma das principais preocupações 
das entidades do Terceiro Sector que é a reposição ou manutenção dos activos para garantir a 
continuidade da prestação de serviços à comunidade. 
 
 
 
 
 
 
 
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Bibliografia 
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