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INSTITUTO FEDERAL DE EDECUÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO AMAPÁ TÉCNICO EM QUÍMICA TRATAMENTO DE ÁGUA MACAPÁ 2022 Gabriel de Souza Barbosa Isabela Camilly da Silva Josemary Dantas Santa Ana Sabina Ferreira Barbosa Werlison dos Santos Bosque TRATAMENTO DE ÁGUA Pesquisa apresentada curso Técnico em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá – IFAP, como Requisito avaliativo para disciplina de Química e Gestão Ambiental, ministrado pelo professor João Barbosa. MACAPÁ 2022 INTRODUÇÃO. É provável que o ser humano tenha conhecimento das principais operações e dos processos unitários que compõem uma estação de tratamento de água convencional para abastecimento público. No entanto, é interessante que se possa discutir como que, historicamente, foi possível estabelecer sua concepção e sua definição atual. O processo de tratamento de água pode ser visto como um conjunto de manipulações da água em suas mais diferentes apresentações, de modo que esta possa ser considerada apta para o abastecimento público. Isso significa afirmar que a qualidade físico-química e microbiológica da água atende a determinados padrões de qualidade definidos por agências reguladoras. A concepção de estações de tratamento de água que se conhece atualmente é fruto de um enorme conjunto de desenvolvimentos empíricos e científicos que ocorreram ao longo do tempo e que deverão fazer parte de nosso futuro. Observe que, há muito tempo, os povos antigos tinham a plena convicção de que, para garantir a melhora da qualidade estética da água empregada para consumo e demais finalidades, era necessária sua filtração ou o uso de qualquer outro mecanismo que viabilizasse a separação de sólidos presentes na fase líquida. Ainda que de modo incipiente, eram valorizadas as águas de melhor “qualidade”, mesmo que não fosse possível sua quantificação direta. 4000 a.C. – Relatos em sânscrito e em grego recomendavam que as “águas impuras” deveriam ser submetidas à fervura, expostas ao sol ou filtradas em leitos de areia antes de seu consumo. 1500 a.C. – São apresentados em algumas gravuras egípcias artefatos confeccionados artesanalmente com a finalidade de possibilitar a separação de sólidos presentes em águas empregadas para consumo. 500 a.C. – Considerado o pai da medicina, Hipócrates observou que as águas de chuva deveriam ser fervidas e filtradas antes de seu consumo. A água para uso humano deve atender a rigorosos critérios de qualidade, de modo a não causar prejuízo à saúde de seus consumidores. Uma água própria para este fim é chamada de água potável e as características a que a mesma deve atender são os chamados padrões de potabilidade (Portaria no 2914/11 do Ministério da Saúde). Além dos padrões de potabilidade, devemos considerar os critérios de qualidade dos mananciais de água destinada ao abastecimento humano. Esta é a chamada água potabilizável, ou seja, a que pode se tornar potável, após tratamento convencional. 1. Conceitos importantes. Através da Portaria no 2914/2011, foram definidos os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Água para consumo humano: água potável destinada à ingestão, preparação e produção de alimentos e à higiene pessoal, independentemente da sua origem. Água potável: água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido na Portaria no 2914/2011 do Ministério da Saúde e que não ofereça riscos à saúde. Água tratada: água submetida a processos físicos, químicos ou combinação destes, visando atender ao padrão de potabilidade. Sistema de abastecimento de água para consumo humano: instalação composta por um conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona de captação até as ligações prediais, destinada à produção e ao fornecimento coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição. Controle da qualidade da água para consumo humano: conjunto de atividades exercidas regularmente pelo responsável pelo sistema de abastecimento de água, destinado a verificar se a água fornecida à população é potável, de forma a assegurar a manutenção desta condição. 2. Tipos de Tratamentos. Tratamento com simples desinfecção: adição de cloro na água antes da distribuição a população, processo conhecido como cloração. Tratamento simplificado: adição de cloro e flúor na água antes da distribuição à população, processo conhecido como fluoretação. Tratamento convencional: A água bruta passa por tratamento completo em ETA, dotado dos processos de floculação, decantação, filtração, correção de pH, desinfecção (cloração) e fluoretação, antes de ser distribuída à população. Tratamento avançado: clarificador de contato, pré-oxidação, flotação, centrifugação, membranas filtrantes. Esquema Tratamento de Água. 3. Etapas de Tratamento Convencional. 3.1 Coagulação é um processo físico-químico em que a substância coagulante adicionado à água, num processo de mistura rápida, proporciona formação de coágulos. Na coagulação se processa a desestabilização das partículas coloidais e em suspensão, com a remoção das forças que as mantém separadas. O processo se inicia logo após a aplicação dos coagulantes, através de um processo de mistura rápida e dura poucos segundos. A importância do processo de coagulação reside no fato de que um dos maiores objetivos do tratamento de águas de abastecimento é garantir a produção de água tratada com características estéticas adequadas para consumo humano, ou seja, é necessário garantir sua clarificação. Os contaminantes presentes em águas naturais podem apresentar origem diversa e diferentes características físico-químicas que tenderão a impactar o processo de tratamento. A primeira distinção que se pode fazer com relação a estes diz respeito a seu tamanho físico. Partículas com dimensões superiores a 1 μm são classificadas como partículas em suspensão, e partículas com dimensões inferiores a 10 −3 μm são definidas como partículas dissolvidas. Por sua vez, define-se que partículas que apresentem dimensão física entre os diâmetros, 10 −3 μm e 1 μm sejam caracterizadas como partículas coloidais. Coagulantes empregados: Sulfato de Alumínio ou Cloreto de Polialumínio (PAC). Na etapa da coagulação o primeiro produto químico que entrará em contato com a água é um coagulante, como o Sulfato de Alumínio ou o Cloreto de Polialumínio (PAC). Seu objetivo é aglomerar as partículas para que, aderindo umas às outras, formem flocos. Essa etapa ocorre no tanque de mistura rápida. Dosagens de coagulante usualmente empregados no tratamento de aguas de abastecimento: Sulfato de alumínio (5 mg/l a 100 mg/l) ou Cloreto de Polialumínio (PAC), Cloreto férrico (5 mg/l a 70 mg/l), Sulfato férrico (8 mg/l a 80 mg/l), Coagulantes orgânicos catiônicos (1 mg/l a 4 mg/l). Visão dinâmica do processo de coagulação. 3.2 Floculação: é um processo pelo qual as partículas (coágulos formados) se aglutinam em pequenas massas, com peso específico maior do que o da água, formando flocos. Ela se caracteriza pelo transporte das partículas dentro do líquido, através de um processo de mistura lenta, para que façam contato entre si, formando coágulos porosos (flocos). Nesse processo as partículas desestabilizadas chocam-se umas às outras e formam os coágulos maiores (flocos). Produto químico adicionado: polímero catiônico, aniônico ou neutro após a coagulação, a água é direcionada ao floculador, onde é adicionado o polímero, que é um auxiliar da floculação. É um composto químico de grande cadeia molecular que auxilia a aumentar o tamanho dos flocos que ganham peso no floculador. Dependendo da característica química da água, escolhe-se qual polímero seráusado (catiônico, aniônico ou neutro). Para algumas águas não é necessária sua adição no floculador. Floculação 3.3 Decantação (sedimentação): Processo de separação sólido-líquido que tem como força propulsora a ação da gravidade. Para a sedimentação dos flocos formados nos floculadores são utilizadas unidades denominadas decantadores ou sedimentadores. Não é adicionado produto químico nessa etapa do tratamento. Essa etapa promove a remoção dos flocos formados. A água floculada passa para um próximo tanque onde ocorrerá o processo decantação em que esses flocos que cresceram no floculador se depositarão no fundo do decantador pela ação da gravidade para depois serem removidos. Decantadores. Tipos de decantadores: Convencional, Fluxo horizontal: seção retangular, Fluxo vertical: seção circular. Remoção do Lodo. Manual, Prever o volume no fundo do decantador para acúmulo de lodo por um período de 60 dias, Fundo com declividade mínima de 5%, no sentido do local da tubulação de descarga; Prever dispositivo para lavagem com jateamento de água. Hidráulica, Fundo inclinado com ângulo superior a 60° com o plano horizontal; Carga hidráulica mínima de 1,50 m (mais as perdas de carga na tubulação de descarga); Diâmetro mínimo da tubulação de descarga de 150 mm. Mecânica, com raspadores: Seleção a ser feita em catálogos de fornecedores; Poço de lodo na entrada do decantador, após a cortina de distribuição de vazão, dotado de tubulação para descarga do lodo coletado. Sifão flutuante: Seleção a ser feita em catálogos de fornecedores; Lodo coletado ao longo de decantador, com lançamento numa calha lateral superior posicionada ao longo do seu comprimento. Filtração: Processo de separação sólido-líquido utilizado para promover a remoção de material particulado presente na fase líquida. Processo de passagem de uma solução por um meio poroso com a finalidade de remoção de sólidos suspensos ou precipitados químicos. Numa estação clássica ou convencional de tratamento de água a filtração é projetada para efetuar a remoção de partículas residuais em suspensão que não foram retidas na decantação. Quando os filtros recebem água coagulada ou floculada, sem passar, portanto, pelo decantador, diz-se que a estação é do tipo filtração direta. Os filtros são constituídos de meios filtrantes (areia, pedregulho ou cascalho etc.) classificados de acordo com sua granulometria e coeficiente de uniformidade, que recebem a água sob vazão controlada. À medida que a água passa pelo meio filtrante, há a deposição de flocos sobre a mesma, que provoca a colmatação da camada superficial, aumentando a perda de carga, e tornando-se necessária a lavagem geral do filtro. Essa etapa é importante não só para remover a turbidez da água, mas nela também inicia a remoção de microrganismos patogênicos. A filtração é uma barreira sanitária do tratamento, pois não se pode garantir uma adequada segurança da água com relação à presença de patogênicos, se ela não passar pelo filtro. Após a filtração a água seguirá para o tanque de contato onde ocorrerão as etapas finais do tratamento. Sistema de filtração-Sabesp- ETA Rio Grande. Filtro rápido por gravidade. Composição do material usado nos filtros. Areia: As areias utilizadas em filtros de ETA's podem ser obtidas em rios ou lagos ou mesmo em praia de água salgada; A areia deverá ser limpa, sem barro ou matéria orgânica e não conter mais de 1% de partículas laminares ou micáceas; A massa específica da areia é da ordem de g/cm3. Antracito: O carvão antracitoso é um carvão fóssil, de alto teor de carbono que submetido a processo físico-químico possui excelentes propriedades para a sua utilização como meio filtrante; o antracito é um carvão mineral, de cor negra e aspecto brilhante; sua massa específica é da ordem de 1,4 a 1,6 g/cm3, inferior à da areia. Granada: Alta densidade e dureza; é utilizado como a filtração mais fina de um sistema de filtração com uma cama multimeios com fluxo para baixo; A granada com seu alto peso específico de 4,0 g/cm3, forma a capa mais baixa de grãos finos e seu tamanho efetivo de 0,3 mm pode filtrar até uma faixa de 10-20 micras. 3.4 Desinfecção: Após a filtração, alguns microrganismos patogênicos podem ainda estar presentes na água. Para removê-los, utiliza-se cloro como desinfetante. Objetivo: Remoção de organismos patogênicos e a inativação de outros organismos indesejáveis. A portaria 2.914/2011 estabelece que a companhia de saneamento deve entregar ao consumidor a água tratada com um teor mínimo de cloro residual livre de 0,2 mg/L., porém, para que o cloro continue mantendo seu poder de desinfeção, o morador deve lavar a caixa d’ água da sua residência pelo menos duas vezes ao ano e mantê-la sempre tampada. As etapas anteriores de clarificação (coagulação, floculação, decantação, filtração) também oferecem boa eficiência de remoção de organismo patogênicos. A água consumida pela população deve estar isenta de microrganismos patogênicos. Desinfecção. Agentes desinfectantes. Agentes químicos e físicos, a desinfecção de águas destinadas ao consumo humano pode ser realizada, dependendo da ação ou mecanismo de destruição, por dois grupos principais de desinfetantes. Agentes físicos: Aplicação direta de energia sob forma de luz ou calor: Radiação Solar, Radiação UV, Radiação Gama Fervura (Domiciliar). Agentes químicos: Elementos ou compostos com potencial de oxidação: Íons metálicos (prata), Halogênos (cloro, bromo e iodo), Ozônio (O3). Características principais de um agente desinfetante: Atividade antimicrobiana Solubilidade Estabilidade Inocuidade para o homem e os animais Ausência de combinação com material orgânico estranho. Apresenta toxicidade para os microrganismos em temperatura ambiente Ausência de efeitos corrosivos e tintoriais Disponibilidade Baixo custo Principais agentes desinfetantes utilizados Cloro (cloro gasoso, Hipoclorito de Sódio e Hipoclorito de Cálcio). Cloraminas. Dióxido de Cloro. Ozônio. Radiação Ultravioleta. Aplicação do Cloro como Agente oxidante e desinfetante. Oxidação de compostos orgânicos sintéticos. Minimização da formação de subprodutos da desinfecção. Auxiliar do processo de coagulação e floculação. Controle microbiológico das unidades componentes das ETA’s Aplicação do Cloro ETA´s – Hipoclorito de Sódio Aplicação do Cloro em ETA’s – Tanques Estacionários de 50 ton. Unidades de desinfecção. 3.5 Fluoretação: O ácido fluossilícico libera na água o fluoreto, forma iônica do elemento químico flúor, um dos responsáveis pelo declínio da cárie dentária no Brasil. O trabalho de adição de fluoreto nas águas de abastecimento público, no Brasil. As bactérias presentes na placa dental produzem ácidos que removem os minerais dos dentes (desmineralização) deixando-os vulneráveis à cárie. Porém, quando ingerimos água fluoretada desde a infância, esse fluoreto passa a fazer parte do organismo e aumenta sua concentração no sangue e na saliva, participando do processo de recomposição dos minerais dos dentes (remineralização) tornando-os resistentes à cárie. Na maior parte do Brasil o teor de flúor utilizado na água é de 0,6 a 0,8 mg/L. Aplicação de Fluoreto em águas de abastecimento Fluoreto de Cálcio (CaF2 Fluoreto de Sódio (NaF) Fluossilicato de Sódio (Na2SiF6) Ácido Fluossilícico (H2SiF6) CONCLUSÃO. Os tratamentos de água são importantes para a vida do ser humano, pois com eles evita-se várias doenças. Desde os povos antigos já utilizavam formas de tratamento de água. Com o tempo houve o avanço para que esse procedimento se tornasse mais rigoroso e eficaz, constituído de etapas e produtos químicos e maquinários apropriados.REFERÊNCIAS. PIVELI, R.P.; FERREIRA FILHO, S.S. Apresentações da disciplina de Saneamento I. São Paulo. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Acesso em: 14/06/2022. SCHIAVO, M.L. Sistemas e processos de tratamento de águas de abastecimento. Orgs. Luis Alcides Schiavo Miranda e Luis Olinto Monteggia. Porto Alegre: (S. n.), 2007. 148p. FLORENÇANO, J.C. Sistemas de Tratamento e Distribuição de Água. Material Didático, 2011.