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CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 1 Material de Estudo – Tema 01 Curso de Desenvolvimento Mediúnico Cadernos A e B Regras morais e normas teóricas e práticas Contém material da primeira e segunda etapa CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 2 ÍNDICE GERAL CADERNO A 4 REGRAS MORAIS, TEORIA E PRÁTICA 4 CONSIDERAÇÕES GERAIS: 5 ITEM 01 - O SOFRIMENTO 12 ITEM 02 - A IMPORTÂNCIA DA CARIDADE 15 ITEM 03 – QUANTO AO ESTUDANTE 18 ITEM 04 – O QUE NECESSITAMOS PARA MERECERMOS AJUDA DOS BONS ESPÍRITOS 23 ITEM 05 - CORPOS ENERGÉTICOS 36 ITEM 06 - PROPRIEDADE DO PERISPÍRITO 59 ITEM 07 - A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS 62 ITEM 08 - O MÉDIUM EM ATIVIDADE NA SUA CASA ESPÍRITA 64 ITEM 09 - O ORGULHO 68 ITEM 10 - SÍNTESE DA FILOSOFIA DO PASSE 72 ITEM 11 – O CARÁTER MORAL DA MEDIUNIDADE 75 CONSIDERAÇÕES FINAIS 86 CADERNO B 91 CONSIDERAÇÕES GERAIS 93 ITEM 01 - ESPÍRITISMO, MEDIUNIDADE E MÉDIUNS 94 ITEM 02 - SINTOMAS DA MEDIUNIDADE 100 ITEM 03 - COMENTANDO A OBSESSÃO 105 ITEM 04 – FENÕMENO DE EFEITO FÍSICO 107 ITEM 05 - OS ESPÍRITOS 108 ITEM 06 - ORIGEM DO HOMEM NA TERRA 110 CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 3 ITEM 07 – A PARTICIPAÇÃO DOS ESPÍRITOS NA VIDA DO ENCARNADO 113 ITEM 08 - DESBRAVANDO A MEDIUNIDADE 114 ITEM 09 - O MÉDIUM 117 ITEM 10 - FENÔMENO MEDIÚNICO 121 ITEM 11 - QUANTO A NATUREZA DA MEDIUNIDADE 139 ITEM 12 - FENÕMENO PARCIALMENTE ANÍMICO/MEDIÚNICO/MISTO 144 ITEM 13 – ESTUDANDO OS FENÔNEMOS RELACIONADOS A VIDÊNCIA 161 ITEM 14 – FENÔMENO DE LUCIDEZ 183 ITEM 15 - MEDIUNIDADE NATURAL 189 ITEM 16 – MEDIUNIDADE NO ENTENDIMENTO CRISTÃO 193 ITEM 17 – COLETÂNEA DE INFORMAÇÕES 198 ITEM 18 – TRANSICÃO PLANETÁRIA 211 ITEM 19 – INFORMAÇÕES HISTÓRICA DA MEDIUNIDADE 220 ITEM 20 – APOMETRIA 222 ITEM 21 - A EFICIÊNCIA NO TRABALHO MEDIÚNICO 248 ITEM 22 - CONHECENDO MELHOR O FENÔMENO MEDIÚNICO 259 ITEM 23 - FINALIDADE DAS REUNIÕES MEDIÚNICAS 261 ITEM 24 - MÉDIUM, PESSOA INTER EXISTENTE 268 ITEM 25 – INTRODUÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DAS 5 FASES 270 CONSIDERAÇÕES FINAIS 273 CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 4 CADERNO A REGRAS MORAIS, TEORIA E PRÁTICA Este caderno dá início ao Curso de Desenvolvimento Mediúnico contido em 2 cadernos. Sendo que este é o primeiro, contendo a parte teórica, que antecede e dá base para o segundo caderno que contém a parte prática do curso. O motivo desta divisão se dá pela necessidade de orvalhar o coração dos estudantes com sentimentos iluminados e assim preparar o terreno para a prática da mediunidade em si. O caderno 01 foi dividido em duas partes, sendo que a parte primeira está relacionada às regras morais e normas para o desenvolvimento mediúnico. Já a parte segunda, contém informações técnicas e generalidades a respeito da mediunidade. Somente no caderno 02 adentraremos na parte prática do Desenvolvimento Mediúnico das 5 Fases. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 5 CONSIDERAÇÕES GERAIS: Quais as faculdades classificadas de: “SINAIS PRECURSORES DA MEDIÚNIDADE”? Às quais, além das perturbações psíquicas em si mesma, há ainda vários outros sinais que indicam mediunidade em forma embrionária ou um tanto aflorada: • Sonhos com densidades não comuns; • Visões; • Arrepios e sinais de fluídos diversos; • Ideias e impulsos estranhos; • Entorpecimento, frio rigidez; • Identificação de efeitos físicos; • Dificuldade em suportar músicas estridentes; • Não se sentir bem em determinado ambiente, som alto, ou ao mesmo momentaneamente ao lado de determinada pessoa. Antes de iniciarmos a parte prática, necessário se faz orvalhar os nossos corações, convidando os alunos a lerem todo o material da reforma íntima, assim como a rever se possuem o desejo de continuar estudando os demais cadernos. Também é aconselhável estudar o livro: Diretrizes de Segurança de Divaldo e Raul. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 6 Por que o curso é relativamente longo? Pelo motivo do homem não ter a capacidade de realizar a reforma íntima em um piscar de olhos, assim como de incorporar o sentimento da filosofia, ciência e religião espírita no primeiro momento. Não se pode esquecer que estamos preparando lentamente a intimidade dos futuros médiuns, as suas sensibilidades, seu espírito cristão e sua segurança a serem utilizadas no decorrer de toda a sua vida física. O tempo um pouco extenso proporciona o estabelecimento de laços de afinidades entre os estudantes. O que predomina na maioria das casas espíritas em preparação do Desenvolvimento Mediúnico é o sistema que vem de longa data, que consiste em autorizar os candidatos a sentarem-se à mesa e aguardar o desenvolvimento da manifestação, dentro das suas possibilidades, sem nenhum método de Desenvolvimento, apenas observações constantes do dirigente e nem sempre com estudos doutrinários, deixando o médium sujeito a verdadeiras aventuras. Existindo o amor, a reforma íntima, os cuidados com a moralidade e o desejo de servir, ele vencerá a si mesmo, como aconteceu com os grandes médiuns de todos os tempos, a exemplo das irmãs Fox, jovens camponesas médiuns de Kardec. Não podemos esquecer que eram épocas diferentes, portanto as obrigações também eram diferentes. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 7 Nos dias atuais, os grandes expoentes do fenômeno da mediunidade têm a sua disposição extenso material para atender a realidade do momento. O método de sentar a mesa para desenvolver a mediunidade é uma tradição que vem dos primeiros tempos do Espiritismo, pelo menos no Brasil. Esse hábito deve ser substituído pelo conhecimento geral em torno do espiritismo, sua lei moral e mecanismo da mediunidade. Devemos estudar sempre, mas nunca perder a simplicidade do cristianismo e espiritismo dos primeiros dias. O tradicional costume de colocar a pessoa junto do grupo mediúnico, - sem saber se a mesma tem mediunidade tarefa - para que o iniciante vá se aprimorando, está perdendo força dia após dia. Naturalmente, hoje em dia temos necessidades de outros entendimentos como veremos no decorrer desse curso. O desenvolvimento mediúnico, para ser eficiente e tornar os seus frutos permanentes, deve operar em três setores de esforços definidos e complementares: 1. Estudo doutrinário: que consiste de conhecimentos gerais da doutrina e atenção especial sobre a mediunidade. 2. Evangelização: conhecendo o lado moral contido na bíblia, pouco apreciado, o qual ganhou uma nomenclatura de fácil entendimento, nas páginas do Evangelho Segundo o Espiritismo. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 8 3. Exercício prático: com ênfase no sentimento de amor incondicional aos desencarnados sofredores, amando e disciplinando com amor. Quanto ao curso em questão “Curso de Desenvolvimento Mediúnico”, composto de cinco fases, o espírito Caibar Schutel, assim se manifestou: “O método desenvolve a sensibilidade mediúnica e prepara para o funcionamento da mediunidade permanente; ajuda e auxilia a eclosão das diferentes manifestações mediúnicas”. Acrescento: esse método não visa a preparação e formação somente de novos médiuns, mas também aqueles que já se desenvolveram anteriormente, cuja cooperação poderá ser precária por não terem frequentado um curso teórico e prático de Desenvolvimento Mediúnico. Esses médiuns que possuem o desejo de revisar seus conhecimentos eadquirir novas sensibilidades psíquicas, bem como aprimorar as faculdades que são portadores, serão bem-vindos a esse curso. Este é o método das “Cinco Fases” idealizado pelo Comandante Edgard Armund, para o desenvolvimento mediúnico em grupo; grupo sim, mas por que não preparar o estudante na medida em que ele (s) for se apresentando? Estamos nos adaptando ao seguinte imprevisto: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 9 O nosso grupo nesse momento está na fase de envolvimento, quase que transitando na prática da manifestação/comunicação. Se alguém chega com sensibilidade mediúnica aflorada, o bom senso nos diz para não deixar que a pessoa fique abandonado. Logo, assim fizemos: oferecemos o material de estudo teórico e reservamos junto ao grupo, o tempo para que faça os exercícios anteriores das fases 01, 02 e 03. Após atendidas as necessidades dessa pessoa, ela fica sem se concentrar, mas em estado de prece, para que possamos voltar as nossas atenções aos alunos na fase de incorporação, ou seja: ao exercício do Desenvolvimento Mediúnico. Essa pessoa se torna um ouvinte nos exercícios mais avançados, até chegar o seu momento de caminhar junto com o seu grupo. Na situação de candidatos ao Desenvolvimento Mediúnico, o dirigente deve considerar: • Qual o mundo interior do candidato? • Ele apenas deseja ficar livre dos incômodos da sensibilidade da pré-mediunidade, ou realmente pretende ser um servidor de Jesus? • Ele está disposto ao exercício dessa Árdua Ascensão espiritual? Se o estudante ficar escolhendo dias de sua preferência, sem justa justificativa, naturalmente não é a sua prioridade e não está vestindo a camisa do exercício da sua mediunidade, confirmando que ainda a tarefa da caridade ainda não é a sua prioridade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 10 Assim sendo, o dirigente tem motivos para administrar com muito cuidado essa situação, para que não se apresente lá na frente descontentamentos, pela necessidade de impor disciplina, ou mesmo o afastamento. Deve-se procurar na medida do possível, não conduzir alguém ao desenvolvimento mediúnico sem procurar intuitivamente estar com alguma segurança de que tal candidato à lapidação da mediunidade não venha a se afastar após o desenvolvimento, evitando que se instale perturbação psíquica. Diante do exposto, fica fácil entender a necessidade de impregnar nesses candidatos ao desenvolvimento mediúnico o entendimento e sentimento deixados pelos cristãos primitivos, através dos livros abaixo mencionados e dos nossos registros quanto a beleza da mediunidade. A tragédia religiosa em nossos dias é motivada pelo esquecimento desse cristianismo primitivo registrado em: • “Ave Cristo”: eis a essência do sentimento Cristão que devemos incorporar em nossa intimidade; • “Memórias de Padre Germano”: eis o cristianismo posto em prática, independente de religião; • “Paulo e Estevão”: eis a renúncia que o trabalhador cristão deve aprender; • “Livro dos Médiuns”: está contida aí a defesa dos processos de obsessão, o caminho para aprendermos a identificação de quem por nós se comunica, aprendendo a perceber os fenômenos de origem anímica; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 11 • “Livro dos Espíritos”: contém a doutrina espírita, ou seja, a Filosofia espiritualista. É nesse estudo que conhecemos a sociedade dos desencarnados. Não esquecendo que logo mais será a nossa realidade, portanto ao estudarmos as suas nuanças facilitaremos a nossa adaptação. E porque não estudar a Bíblia, após conhecer o espiritismo? Sim, após conhecer o espiritismo, pois somente assim entenderemos Paulo de Tarso, nos seus dizeres: “Cuidado a letra mata” Os estudiosos espíritas têm a capacidade de interpretar a Bíblia de uma maneira que a retire da “Bibliolândia” dos nossos dias. Aí esta a responsabilidade dos espíritas. A tragédia religiosa em nossos dias é motivada pelo esquecimento dos valores morais desse cristianismo primitivo. O espiritismo é apresentado por Kardec – sob a orientação do Espírito da Verdade – como uma sequência natural do Cristianismo e o cumprimento da promessa evangélica de Jesus de enviar a Terra o Consolador que contemplaria o seu ensino. Portanto, antes de sermos espíritas, que sejamos primeiramente cristãos. E se formos orientar alguém que diz não ter religião, devemos orientá-lo a ser espiritualista em primeiro lugar, depois sim Cristão- Espírita. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 12 Assim concluímos as nossas “Considerações Gerais”, podendo prosseguir aos Cadernos/Aulas: o material para ser utilizado nas aulas dos estudantes. ITEM 01 - O SOFRIMENTO Todos os gênios, os grandes homens – de Homero, Dante, Camões, a Nilton – todos eles sofreram. A dor fez vibrar as fibras mais sutis da alma. Proporcionando que as experiências armazenadas no subconsciente se imigre em alguns momentos para o nível de consciência. Um dia também diremos: Tudo já passou ou vai passar, como é bom o aprendizado. Tudo já passou, tudo já passou, sou feliz, pois venci a mim mesmo. Não malbaratei o meu tempo. Vou trabalhar incansavelmente, quero conquistar o tesouro que o ladrão não rouba e as traças não corroem, quero estudar e aprender muito, para deixar um legado aos meus filhos e aos meus familiares. Caso esse não tenham interesse, deixamos como legado o nosso exemplo. Não creias que o vosso compromisso com a vida seja uma viagem agradável ao país da fantasia, ou uma excursão ao oásis do prazer, pois tereis as lágrimas aguçadas dos desejos servis CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 13 dilacerando-vos a carne da alma. Não será o holocausto, mas o martírio silencioso da abnegação, a nos oferecer liberdade ao espírito. O sofrimento não é uma prisão e sim a libertação. Se nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós mesmos, em nosso eu e em nossa consciência, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento. A tristeza e o sofrimento fazem-nos ver, ouvir, sentir mil coisas, - delicadas ou fortes – que o homem, ainda livre desse aprendizado não pode perceber. É necessário o choque das provações, as horas tristes e desoladas para fazer-nos compreender e sentir a fragilidade das coisas externas, e caminhar para o conhecimento de si mesmo. É muito difícil fazer entender aos homens que buscam ascensão sem suores e esforço que o sofrimento é bom. Esses se esquecem do que Jesus disse: “A mim coube a cruz, quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, e siga-me” É necessário sofrer para adquirir e conquistar o aumento de radiações psíquicas. A luz que zimbra o espaço dos espíritos heróis e dos mártires de todos os tempos deixa o seu rastro de luminosidade, nos oferecendo coragem para a nossa Árdua Ascensão. O sofrer é relativo, pois o mesmo sofrimento terrível para uns não tem o mesmo peso para outros. Os verdadeiros cristãos da época CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 14 de Jesus ficaram tristes quando não foram convocados ao martírio, pois entendiam isso como “não serem dignos da causa do Cristo”. Entre tantos exemplos de Árdua Ascensão, citaremos Pietro Ubaldi, em seus dizeres: “essa conquista se produziu após longa maturação, conseguida a poder de estudos, de renúncia material e de desenvolvimento moral. A preparação cultural que me levou a isso, até aos 45 anos, foi uma vida de tremendos sofrimentos, suportados no isolamento e no silêncio, por serdesprezado por todos. A dor é o maior livro da vida, aquele que me revelou a verdadeira ciência. Através dela se chega a ouvir a voz de Deus” – eis a verdadeira mediunidade natural. Quem foi Pietro Ubaldi? Frei Leão que conviveu com Francisco de Assis, seu discípulo. Advogado nascido na Itália que morreu no estado de São Paulo na cidade de Santos. Se o Evangelho em vossas mãos apenas tem a serventia dos livros profanos que deleitam a alma e embriagam o pensamento, quem vos poderá socorrer, no dado momento dessa revolução planetária que já se faz sentir? Revolução essa que dá o domínio da Terra aos bons, preparando-os para seu desenvolvimento, bem como transmigrando os endurecidos para o mundo que lhe for próprio. O que será de vós, quem vos poderá socorrer, se à lâmpada do vosso espírito faltar o elemento da luz com que possas ver a chegada CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 15 do entendimento do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo, para testemunhar o valor dos bons e a fraqueza dos maus e dos ingratos? ITEM 02 - A IMPORTÂNCIA DA CARIDADE A quem não possui a mediunidade de incorporação, aconselhamos exercer a mediunidade do amor, a caridade na doação do bem mais precioso em você: suas energias. Oferecendo-a na tarefa mediúnica como passista, atendendo o encarnado e abrangendo o desencarnado. Homens e mulheres que já cumpriram a tarefa na construção familiar, direcionem agora as suas energias em benefício do bem, aos que tanto necessitam – sejam encarnados ou desencarnados. O trabalho no passe é aprendizado de concentração, humildade e desejo de servir. No trabalho do passe, o primeiro a ser beneficiado é o passista, pois as energias saudáveis vindas do espaço ou fornecidas por espíritos amigos, passam primeiramente por ele. CARIDADE: palavra e sentimento do fundador da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso, Tenente Aristotelino Alves Praeiro. A fé sem a caridade nada vale. O amor e a caridade sintetizam todos os ensinamentos de JESUS. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 16 Sem o amor e a caridade, não há salvação. Não podemos ser felizes nem gozarmos da doce paz e saúde que tanto almejamos sem que o reino do amor se estabeleça entre nós. O trabalho em favor dos semelhantes é a condição mais importante para conquistarmos a tranquilidade e o bem-estar que todos desejamos. Através do cultivo do amor e da caridade, nós nos enriquecemos do tesouro que o tempo não consome, porque tem valor eterno. Nessa vivência, estaremos estabelecendo dentro de nós o reino de DEUS, que é a situação mais importante para o ser humano. A lei de DEUS é muito simples. JESUS sintetizou os dez mandamentos recebidos por Moisés no Monte Sinai, em um único: “Amar a DEUS acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e acrescentou: Aí está a Lei toda e os profetas. Aquele que ama a DEUS e ao próximo, jamais transgredirá essa lei”. O cumprimento desta lei trará à Terra o reino do amor, da verdade e da justiça. A tranquilidade iluminará este mundo, que ainda é de prova e expiações. A caridade material, moral ou intelectual, serão por todos nós cultivadas, quando isso ocorrer, estaremos sempre fraternalmente vivendo dentro de um clima de perfeita sintonia com o mundo divino, isto é, num ambiente de plena alegria cristã, sentindo aquela satisfação de conforto e bem-estar. A vida será para nós de simplicidade, de pureza, como crianças no Jardim da infância. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 17 JESUS o divino jardineiro, que nos legou a divina herança do amor, trabalha permanentemente, preparando para todos nós um lugarzinho para nos abrigar da tempestade que ameaça a humanidade, distraída e indiferente à justiça divina. “Na casa do meu Pai há muitas moradas” disse Ele. Ainda com referência ao amor, São Paulo disse: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que soa, e ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”. Abro um parêntese: Oh! Espíritas, apenas intelectualizados, sem sentimento, reflitam nas palavras de São Paulo. Quantas Casas Espíritas tem o rótulo de Casa Espírita, com o dever se ser o Consolador Prometido por Jesus, mas são apenas os intelectualizados, que a administram como se fosse uma Empresa. Eis a época dos falsos profetas. Retornemos ao convívio das palavras do Praeiro: Seja, pois, o amor a flor que embeleza e perfuma as nossas almas e que nos propicia a verdadeira felicidade. Sejamos, pois, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 18 amigos de JESUS, cultivando esse grande amor, transmitindo a todas as criaturas - esperança, fé e amor. O amor é o sol divino a irradiar-se através de todas as magnificências. ITEM 03 – QUANTO AO ESTUDANTE Quanto ao estudante: ESTUDO, ESTUDO, DISCIPLINA, DISCIPLINA E REFORMA ÍNTIMA. Se o candidato ao estudo do Desenvolvimento Mediúnico não tiver interesse em ler os livros recomendados, não estudar o material de passe, tornando-se, também um trabalhador “passista”, não procurar acompanhar a dinâmica do curso, a situação se torna complicada para todos. Assim sendo, só resta a pessoa deixar o curso momentaneamente, retornando em outra oportunidade com nova proposta de participação. Eis um grande equívoco: estar junto com o grupo não quer dizer necessariamente que se pertença ao grupo. O nosso propósito no estudo de Desenvolvimento Mediúnico, tem o compromisso de fazer a pessoa crescer, tornando-a mais forte na moral cristã e a fazendo progredir. Nesse ínterim, o candidato deve facilitar a eclosão da sua faculdade psíquica, orientá-la, ampliá-la, educá-la e etc., envolvendo providências e ações de natureza intelectual, moral e técnica. Vejamos: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 19 • O caráter intelectual: é aquele que obriga o médium a instruir-se na Doutrina, da qual deverá ser um multiplicador desse espiritismo REDIVIVO, capacitado e não um agente inculto que age por fé cega e fanática. Essa capacidade ele obterá no conjunto de três entendimentos: filosófico, religioso e cientifico. Eis a ferramenta mais eficaz oferecida por Deus aos homens para a sua emancipação espiritual. Sem a caridade no coração fica mais difícil incorporar esse conjunto. Vamos nos aprofundar nessa instrução necessária na formação do caráter intelectual, do médium, a saber que: Ø DEUS é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas; Ø JESUS é o guia e modelo para a humanidade; Ø KARDEC é a base fundamental: “fora da caridade não há salvação”. A DOUTRINA ESPÍRITA é o conjunto de princípios e leis revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas Obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita, sendo elas: • O Livro dos Espíritos; • O livro dos Médiuns; • O Evangelho Segundo o Espiritismo; • O Céu e o Inferno; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 20 • A Gênese; • Obras Póstumas O espiritismo é uma ciência que trata da natureza e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. O espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador Prometido: o possibilitar do conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba de onde vem, para onde vai e porque está na terra. O espiritismo vem dizer aquilo que Jesus não pôde dizer, assimcomo vem relembrar e reafirmar o que ele disse e caiu no esquecimento ou foi desprezado pela fé irracional. Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida. Revela ainda a razão da dor e os motivos dos nossos sofrimentos, nos ajudando a compreender melhor as coisas, ou seja, propiciando uma resignação perante os desafios da vida. Oferecendo a compreensão do sofrimento, possibilitando ao homem expor o sofrimento com entendimento da sabedoria. Sua abrangência traz conceitos novos sobre o homem e tudo que o cerca. O espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades do comportamento humano, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade. Pode e deve ser estudada e analisada, praticada em todos os aspectos fundamentais da vida, educacional e social. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 21 O universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais. Além do mundo corporal – habitação dos espíritos encarnados, que são os homens –, administra também o mundo espiritual, moradia a qual iremos viver após o desencarne. No universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução, podendo ser iguais a nós ou mais ou menos evoluídos que os homens. Todas as leis da natureza são Leis Divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais. O homem é um espírito encarnado em um corpo material. O períspirito é o corpo “ imortal “ semi-material o qual tem a função de ser o intermediário entre o espírito, ser inteligente e o corpo físico. Os espíritos são criação de Deus, mas não tem a inteligência do pai, pois são criados simples e ignorantes. Evoluem intelectualmente e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, podendo chegar até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade. Os espíritos preservam sua individualidade, tanto antes, como no decorrer na presente existência, após a desencarnação e até mesmo depois de cada encarnação. Os espíritos reencarnam quantas vezes for preciso para que possa se aprimorar, Jesus disse: “Ninguém entrará no reino do Pai sem pagar o último tostão”. Quanto a nós, em geral, já retornamos à vida física em torno de seiscentas vezes, na terra ou em outro planeta, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 22 e mesmo assim ainda somos tão pequenos espiritualmente que nem se quer aprendemos a perdoar o nosso próximo e até a nós mesmos. Os espíritos evoluem sempre: em suas múltiplas existências corpóreas podem até estacionar, mas jamais regridem, podendo sim adquirir mais dívidas. Sendo que a rapidez do progresso intelectual e moral dependem dos esforços que façam para chegar à perfeição. Na nossa evolução não há privilégios, mas sim conquistas e méritos pessoais conquistados a base do trabalho. Os espíritos pertencem à diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado. Podendo se classificar como: • Espíritos puros: os que atingiram a perfeição máxima; • Bons espíritos: os que nos atraem para o bem, sustentando-nos em nossas provas da vida e nos ajudando a suportá-las com coragem e resignação. Sem com tudo nos carregar em seus ombros; • Os imperfeitos: os que nos induzem ao erro. O caráter moral, além de ser essencial para se obter êxito na tarefa mediúnica, é aquele que exige evangelização e reforma íntima para fazer do médium um expoente e assegurar-lhe comunhão permanente com esferas espirituais elevadas e autoridade moral na exemplificação pessoal. O caráter técnico, ele se refere ao exercício - adestramento - das faculdades, para que o médium saiba agir eficientemente, adquirindo flexibilidade mediúnica e autocontrole em todas as circunstâncias. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 23 Somente seremos um grupo de trabalhadores a serviço do Cristo se juntos caminharmos, incorporando em nosso ser os sentimentos evangélicos. É necessário que se tenha paciência, para logo mais colhermos a alegria ao escutar as vozes do além a se manifestarem. ITEM 04 – O QUE NECESSITAMOS PARA MERECERMOS AJUDA DOS BONS ESPÍRITOS 1. Como os bons espíritos nos sustentam nas provações? 2. Como deve ser o nosso entendimento e procedimento? Tomemos como exemplo um pequeno lavrador: a sua tarefa é arar aquela terra, recebendo ele a coragem, equivale dizer que foi ofertado a ele um pequeno trator de pequena potência, o que vai facilitar o trabalho, mas não tira dele a responsabilidade de preparar aquela extensão de terra. Sendo Jesus o guia e modelo para toda a humanidade, ele ensinou e exemplificou a expressão mais pura da Lei de Deus. A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens e, a sua prática, é a solução para todos os problemas humanos que deve ser o objetivo a ser atingido pela humanidade. O homem tem o seu livre arbítrio para agir, mas responde pelas consequências de todas as suas ações. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 24 A vida futura reserva aos homens apenas os gozos compatíveis com o procedimento de respeito – ou não – as Leis de Deus. A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato ao homem, assim como a ideia da existência de Deus. A prece faz do homem um ser melhor, pois aquele que ora com fervor e confiança, se faz mais forte contra as tentações do mal. Deus lhe envia bons espíritos para assisti-lo – um processo que ele jamais recusa quando pedido com sinceridade. Como podemos entender e sentir a prece? A princípio, é um rumor do coração que clama Asa leve a ruflar da alma que anseia e chora. Depois, é como um círio hesitante da aurora, convertendo-se então em resplendente chama. Eis então a vibrar como estrela sonora. É a prece a refulgir por milagrosa flama, glória de quem confia e poder de quem ama, por mensagem solar cindindo os céus afora... Depois outro clarão do Além desce e fulgura: é a resposta divina aos rogos da criatura, trazendo paz e amor em fúlgidos rastilhos... Irmãos! Guardais na prece o altar do templo vosso. Através da oração, nós bradamos: -“Pai Nosso” e através dessa luz, Deus responde: -Meus filhos! CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 25 Toda prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: Daí gratuitamente o que de graça recebestes. O espiritismo não tem sacerdotes e não adota nem utiliza em suas práticas: Ø Altares, imagens, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgências, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismã, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior. O espiritismo, não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão antes de aceitá-lo. Se alguém nos procurar, mesmo sem ser espírita, sendo frágil em sua fé, devemos fazer dele antes de tudo um espiritualista. O espiritismo é a ciência e filosofia transcendental em que a maioria das criaturas ainda não conseguem assimilar. A mediunidade que permite a comunicação dos espíritos com os homens, é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã. Não se aceita a palavra cavalo a médiuns Kardecistas, até pelo fato dele - o médium - ser o comandante da sua mediunidade e não o comandado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -–CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 26 O espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre os povos e todos os homens, independente da sua raça, cor, nacionalidade, crença e nível cultural ou social. Reconhece ainda que, o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza. Sendo que o perdão é a maior caridade que beneficia em primeiro lugar a pessoa que perdoa, ou seja: devemos aprender a perdoar. Eis a razão da nossa vida: nascer, viver e morrer. Renascer ainda é progredir sempre, tal é a lei. Fé inabalável só é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. ESCOLHOS DOS MÉDIUNS – Revista Espírita de 1.859: “Transcrevemos os estudos registrados na Revista em epigrafe, como elemento de ajustes onde tem que ser ajustado em relação ao entendimento que se fizer necessário em nossas casas espíritas concernentes ao entendimento de muitos médiuns. Quem quer que seja apto a receber ou transmitir as comunicações dos Espíritos é por isso mesmo, um médium, seja qual for o meio empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade – desde a simples influência até a produção dos mais insólitos fenômenos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 27 O Dom da mediunidade depende de causas ainda imperfeitamente conhecidas e nas quais pertence a intimidade do espírito. O físico, com aptidão energética em sua glândula pineal, a manifestar-se em outras glândulas, plexos, chacras, desaguando no períspirito. À primeira vista pareceria que um dom tão precioso não devesse ser partilhado senão por almas de escol. Ora, a experiência prova o contrário, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa a muito a desejar. O mérito, portanto, não está na posse da faculdade, que a todos pode ser dada, mas no uso que dela faremos. Para perceber este estado de coisas e compreender o que vamos dizer é necessário reportar-se ao princípio fundamental de que entre os Espíritos há todos os graus do bem e do mal, do saber e da ignorância; que os Espíritos pululam em redor de nós e que, quando nos julgamos sós, estamos incessantemente rodeados de seres que nos acotovelam, uns com indiferença, como estranhos, outros que nos observam com intenção mais ou menos benevolentes, conforme sua natureza. Nossa alma, que afinal de contas não é mais que um Espírito encarnado, não deixa por isso de ser um Espírito. Revestido momentaneamente de um envoltório material, suas relações com o mundo incorpóreo, embora menos fáceis do que quando em liberdade, nem por isto são interrompidas de modo absoluto; o pensamento é o laço que nos use aos Espíritos, e pelo pensamento atraímos os que simpatizam com as nossas ideias e inclinações. Representamos, pois, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 28 a massa de Espíritos que nos envolvem como a multidão que encontramos no mundo; para onde preferirmos ir, encontraremos homens atraídos pelos mesmos gostos e pelos mesmos desejos. Os Espíritos que nos cercam não são passivos: formam uma população essencialmente inquieta, que pensa e age sem cessar, que nos influencia e nos impulsiona para o bem ou para o mal, o que não nos tira a responsabilidade no livre arbítrio. Entretanto, quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, (ingratidão de filhos para com os seus pais) sabem muito bem a quem se dirige e não vão perder o tempo onde vêem que serão mal recebidos; eles nos excitam conforme as nossas inclinações ou conforme os germes que em nós vêem e segundo as nossas disposições para os escutar. Eis por que o homem firme nos princípios do bem não lhe dá oportunidade. Estas considerações nos levam naturalmente ao problema dos médiuns. Como todas as criaturas, estes são submetidos à influência oculta dos Espíritos bons e maus; atraem-nos e repelem-nos conforme as simpatias de seu próprio Espírito e os Espíritos maus se aproveitam de todas as falhas, como de uma falta de couraça, para introduzir-se junto a eles, intrometendo-se, malgrado seu, em todos os atos de sua vida particular. No entanto, não podem representar este papel por muito tempo: pois com um pouco de contato com um observador (dirigente) experimentado e prevenido, logo são desmascarados. Se o médium se CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 29 deixa dominar por essa influência os bons Espíritos se afastam, ou absolutamente não vêm quando chamados – eis a frieza mediúnica que se abate nos médiuns que se afastam das vibrações da sua casa espírita – porque vêem que o Espírito que está identificado com o médium, e neste estabeleceu – via lei da afinidade – o seu domicílio, podendo alterar as suas instruções. Se tivermos que escolher um intérprete, um secretário, um mandatário qualquer, é evidente que escolheremos não só um homem capaz, mas, ainda digno de nossa estima; não confiaremos uma delicada missão e os nossos interesses a um insano ou a um frequentador de uma sociedade suspeita. Os Espíritos superiores não escolherão, para transmitir instruções sérias, um médium que tem familiaridade com Espíritos levianos, a menos que haja necessidade, então, dele se serve só acidentalmente e o abandonam logo que encontrem um melhor, deixando-o entregue às suas simpatias se ele faz questão de conservá- las. O médium perfeito seria o que nenhum acesso proporcionasse aos maus Espíritos, evitando qualquer descuido – condição muito difícil de preencher. Mas se a perfeição absoluta não é dada ao homem, sempre lhe é possível por seus esforços aproximar-se dela; e os Espíritos levam em conta os esforços, a força de vontade e a perseverança. Assim fosse, o médium perfeito não teria senão comunicações perfeitas de verdade e de moralidade (não estamos falando do médium que no serviço da caridade, atenda espíritos imperfeitos). CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 30 Desde que a perfeição é impossível, o melhor médium seria o que desse as melhores comunicações. É pelas obras que eles podem ser julgados. As comunicações constantemente boas e elevadas, nas quais nenhum indício de inferioridade fosse notado, seria incontestavelmente uma prova da superioridade moral do médium, porque atestariam simpatias felizes. Pelo mesmo fato de que o médium não é perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem misturar-se em suas comunicações, alterando-as em sua pureza e induzindo o médium e aqueles que o procuram ao erro. Eis o maior escolho do Espiritismo, cuja gravidade deve-se conhecer. Assim, como se conhece um homem de caráter? As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre bastam para evitar a intromissão – intromissão não quer dizer, aceitação – dos espíritos levianos, mentirosos e pseudo-sábios nas comunicações. Se não quisermos ser vítimas de Espíritos levianos, é necessário julgá-los, e para isso, temos um crédito infalível: o bom senso e a razão. Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre nós os homens realmente bons e superiores, são as mesmas para os Espíritos. Portanto, devemos julgá-los por sua linguagem. Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Espíritos elevados: é uma linguagem digna, nobre, sem contradição, isenta da trivialidade, marcada por um cunho de inalterável benevolência. Os CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 31 bons Espíritos aconselham; não ordenam; não se impõem; calam-se naquilo que ignoram. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurançado que sabem e do que não sabem e a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade. Resumindo: toda expressão grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda notória heresia científica é, nos Espíritos como nos homens, inconteste sinal de natureza má, de ignorância ou pelo menos, de leviandade. É necessário pesar tudo quanto eles dizem, passando-o pelo crivo da lógica e do bom senso. Eis uma recomendação feita incessantemente pelos bons Espíritos. Dizem eles: Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: “Aceitai nossas palavras e não as julgueis”. Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz. O hábito de perscrutar as menores palavras dos Espíritos, e não a forma gramatical, naturalmente afasta os Espíritos maus intencionados, que não viriam perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 32 ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens: eles abusam de nós. A ciência espírita exige uma grande experiência que só se adquire – assim como em todas as ciências filosóficas – após um estudo longo, assíduo e perseverante e por numerosas observações. Ela não abrange apenas os estudos dos fenômenos propriamente ditos. Pois seria presunção julgar-se suficientemente esclarecido e graduado como mestre depois de apenas alguns ensaios. Não seria esta a pretensão de um homem sério, pois quem quer que lance um golpe de vista indagador sobre esses estranhos mistérios, vê desdobrar-se à sua frente um horizonte tão vasto que longos anos nas bastam para o abranger. Há, entretanto quem o queria fazer em alguns dias! De todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos Espíritos imperfeitos é o orgulho. Este é para os médiuns um escolho tanto mais perigoso quanto menos o reconhecem. É o orgulho que lhes dá a crença cega na superioridade dos Espíritos que a eles se ligam porque se vangloriam de certos nomes – famosos – que eles lhes impõem. Desde que um Espírito lhe diz: “Eu sou fulano”, inclinam-se e não admitem dúvidas, porque seu amor próprio sofreria se sob tal máscara, encontrasse um Espírito de condição inferior ou um malvado desprezível. O espírito percebe e aproveita o lado fraco, lisonjeia seu pretenso protegido, fala-lhe de origens ilustre, de que parece ser o distribuidor; se for necessário, mostra por ele uma ternura hipócrita. Como resistir a tanta generosidade? Numa palavra, ele o CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 33 embrulha e “o leva pelo beiço”, como se diz vulgarmente; sua felicidade é ter alguém sob sua dependência. Interrogamos à vários deles sobre os motivos de sua ação obsessiva. Um dos mesmos assim respondeu a determinado, dirigente: “Quero ter um homem que me faça a vontade. É o meu prazer”. Quando lhe foi dito: vamos fazer de tudo para descobrir os seus artifícios e tirar a venda dos olhos de seu oprimido, ele respondeu: lutarei contra vós e não tereis resultado, porque farei coisas tais que ele não vos acreditará. Eis as táticas, entre tantas, desses Espíritos malfazejos: inspiram a desconfiança e o afastamento das pessoas que os podem desmascarar e dar bons conselhos. Jamais acontece coisa semelhante com os bons Espíritos. Todo espírito que insufla a discórdia, que excita a animosidade e que entretém os ressentimentos revela, por isso mesmo, sua natureza má. Seria preciso ser cego para não compreender isso e para crer que um bom Espírito possa arrastar à desinteligência. Muitas vezes, o orgulho se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade. Aquele que cai em tal engano está perdido, porque Deus lhe deu sua faculdade para o bem e não para satisfazer sua vaidade ou transformá-la em escada para a suja ambição. Esquece que esse poder, de que se orgulha, pode ser retirado que, muitas vezes, só lhe foi dado como prova, assim como a fortuna para certas CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 34 pessoas. Se dele abusa, os bons Espíritos pouco a pouco o abandonam e o médium se torna joguete de Espíritos levianos, que o embalam com suas ilusões, satisfeitos por terem vencido aquele que se julgava forte. Foi assim que vimos o aniquilamento e a perda das mais preciosas faculdades que, sem isso, se teriam tornado os mais poderosos e os mais úteis auxiliares. Isto se aplica a todos os gêneros de médiuns – mesmo aos que pretendem desenvolver a sua mediunidade e não o fazem – quer de manifestações físicas, quer para comunicações inteligentes. Infelizmente o orgulho é um dos defeitos que somos menos inclinados a reconhecer em nós outros. Vá dizer a um médium que ele se deixa conduzir como uma criança: ele virará as costas, dizendo que sabe conduzir-se e que não vedes as coisas claramente. Podeis dizer a um homem que ele é bêbado, debochado, preguiçoso, incapaz e imbecil; ele rirá ou concordará; dizei-lhe que é orgulhoso e ficará zangado. É a prova evidente de que tereis dito a verdade. Neste caso os conselhos são tanto mais difíceis quanto mais o médium evita as pessoas que os possam dar. Os espíritos, sentindo que os conselhos são golpes desferidos no seu poder, empurram o médium, para quem lhe alimente as ilusões. Preparando assim muitas decepções, afim de ferir cada vez mais o amor próprio do médium. Feliz dele se não houver coisas mais graves. Se insistirmos longamente sobre este ponto foi porque nos demonstrou a experiência, em muitas ocasiões, que isto constitui uma CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 35 das grandes pedras de tropeço para a pureza e a sinceridade das comunicações dos médiuns. Diante disto, é quase inútil falar das outras imperfeições morais, tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ambição, a cupidez, a dureza de coração, a ingratidão, a sensualidade comprometedora, etc. Cada um compreende que elas são outras tantas portas abertas aos Espíritos imperfeitos ou, pelo menos, causas de fraqueza. Para repelir esses Espíritos não basta dizer-lhes que se vão. É necessário fechar-lhes a porta e os ouvidos, provar-lhes que somos mais fortes – o que seremos incontestavelmente pelo amor do bem, pela caridade, pela doçura, pela simplicidade, pela modéstia e pelo interesse, qualidade que nos atraem a benevolência dos bons Espíritos. É o apoio destes que nos dá força; e se estes por vezes nos deixam a braços com os maus, é isso uma prova para a vossa fé e para o nosso caráter. Que os médiuns não fiquem assustados, demasiado da severidade das condições de que acabamos de falar: estas são lógicas, havemos de convir, e seria erro desanimar. É certo que as más comunicações – espíritos mentirosos - que podemos receber são índice de alguma fraqueza, mas não sinal de indignidade. Temos essas dificuldades desde o tempo de Kardec, (1859) mas temos que registrar que nas Casas Espíritas onde existe o estudo sério, essa situação já esta contornada. A não ser que individualmente tal médium não leve a sério a sua reforma íntima, e mantenha na linha do orgulho. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 36 ITEM 05 - CORPOS ENERGÉTICOS Vejamos o entendimento dessas energias, vindas de diversos caminhos na intimidade do homem, mas que possuem a mesma fonte. • Fluido: energia cósmica de natureza magnético-plástica, recebida pelos chacras e pela respiração, alimento do metabolismo perispiritual e do corpo denso.São veículos dos pensamentos, conforme acentuou Allan Kardec, agindo sobre os mesmos como o som age sobre o ar. Pode-se dizer, pois, com toda a verdade, que há onda e raios de pensamento nesses fluídos, que se cruzam sem se confundirem, assim como há no ar as ondas e raios sonoros. Desse modo, o pensamento – seja de encarnados como de desencarnados – age sobre os fluídos, sendo assim transmitido com facilidade. Charles Haanel acrescenta: Seus pensamentos são magnéticos. As vibrações das forças mentais são as mais sutis e conseqüentemente as mais poderosas que existem. No registro acima, e a seguir, o Espírito Charles nos oferece um entendimento em torno do fluído diferente quanto ao ângulo do que se comenta: Força mental produz magnetismo; como consequência vibrações que a seu turno deságuam no fluído. Os pensamentos são magnéticos e os pensamentos têm uma frequência. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 37 Quando você pensa, está emitindo para o Universo pensamentos que atraem magneticamente todas as coisas semelhantes que estejam na mesma frequência: aos tristes, mais tristeza, aos alegres, mais alegrias”. Tudo o que é emitido retorna à fonte. E essa fonte é você. Pense assim: nós sabemos que a torre de uma emissora de televisão transmite através de uma frequência, que é transformada em imagens em seu televisor. Na verdade, a maioria de nós não entende como isso funciona, mas sabemos que cada canal tem uma frequência e que quando sintonizamos naquela frequência, as imagens aparecem em nosso televisor. Escolhemos a frequência, selecionamos o canal e então recebemos as imagens que ele transmite. Se quisermos ver imagens diferentes em nosso televisor, mudamos de canal e sintonizamos outra frequência. Você é uma torre de transmissão humana e é mais poderoso do que qualquer torre de televisão criada na Terra. É a mais poderosa torre de transmissão do Universo. A transmissão que se propaga de você cria sua vida e o mundo. Sua frequência vai além de cidades, países e até mesmo do mundo. Ela repercute por todo o Universo. E você transmite essa frequência com seus pensamentos! As imagens que você recebe da transmissão de seus pensamentos não estão numa tela de TV em sua casa: elas são imagens de sua vida! Seus pensamentos criam a frequência, atraem coisas semelhantes naquela mesma frequência, que em seguida lhe CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 38 são transmitidas de volta como as imagens de sua vida. Se você quer mudar algo em sua vida – até mesmo uma doença –, mude o canal e a frequência através de uma mudança em seus pensamentos. “As vibrações das forças mentais são as mais sutis e, conseqüentemente, as mais poderosas que existem”. • Chacras: são centro de forças, receptoras transmissões de energia cósmica, alimentadoras do metabolismo perispiritual. • Plexos: estão localizados em áreas do físico de maior concentração de nervos. No caderno 02, estaremos nos aprofundando no entendimento quanto aos fluídos. • Vibrações: ondulações de energias psíquicas oriundas da mente e do coração. Cientificamente, vibração é a intensidade medida do ritmo atômico nos seres humanos. • Radiação: projeção direta e concentrada de energias mentais ou fluídica. Difere da vibração mental unicamente no teor de dinamismo. Cientificamente, é a emanação espontânea do metabolismo geral dos seres – no caso, os homens. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 39 • Ectoplasma: substância fluídico-plástica provinda do corpo etéreo, emanação residual do metabolismo celular. • Corpo etéreo: formação fluído plástico o qual emanada do corpo orgânico, altamente sensível e vitalizada, que se mostra 2 a 3 centímetros além da superfície do corpo físico, o qual se desintegra dias após o desencarne do Espírito. • Aura: aparentemente se confunde com energias ectoplasmática, ela é a emanação do períspirito, visível em nosso corpo, sobrepondo-se ao corpo etéreo e ultrapassando em maior ou menor amplitude, segundo o grau de evolução do indivíduo. Possui um fundo colorido, estável e uma parte instável formada pôr: A. Resíduo psíquico em transito. B. Estrias, também coloridas, que representam os pensamentos e as emoções momentâneas do indivíduo • Períspirito: envoltório do espírito, intermediário entre o corpo físico e o espírito, formado de fluídos plástico próprios do plano espiritual em que ele atua, matriz do corpo humano. Um espírito vinculado ao nosso plano, se CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 40 visitar Marte, naturalmente terá o seu períspirito revestido de fluído de Marte. • Mente: órgão perispiritual utilizado pelo espírito para suas relações com o meio divide-se em três setores de ação: 1. Superconsciente - relações com o plano espiritual; 2. Consciente - atividade do momento e, 3. Subconsciente - arquivo de reminiscência, o setor mais movimentado e atuante no homem inferior. • Transe - ação mais ou menos ativa e demorada de entidades e forças extra-sensoriais sobre o cérebro humano, com alterações do equilíbrio dos sentidos físicos, abertura da mente para o recebimento de impressões do mundo espiritual. O transe é a razão do nosso curso de desenvolvimento mediúnico, gradativamente utilizando-o em cinco fases primárias na mediunidade de incorporação: percepção de fluidos, aproximação, contato, envolvimento e manifestação. Após concluídos esses estudos e exercícios da mediunidade em questão, estaremos citando as demais: vidência, audição, psicografia e finalizando na psicometria, que e um extensão da psicografia. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 41 CORPOS ENERGÉTICOS 1. CORPO ESPIRITUAL 2. CORPO MENTAL 3. CORPO EMOCIONAL (ASTRAL) 4. CAMPO BIO-ELÉTRICO (DUPLO ETÉRICO) CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 42 1. Corpo espiritual/períspirito: o espírito está revestido de uma substância vaporosa para os teus olhos, mas ainda bem grosseira para nós. Muito vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e se transportar para onde queira. A ciência continua a pesquisar o que nós espíritas, chamamos de períspirito. 2. Corpo mental: é a nossa mente, é o nosso psiquismo que em ultima análise é o nosso ser pensante, o ser inteligente que é o nosso espírito. Assim espero simplificar: é o espírito que para expressar-se no físico e em forma de pensamento utiliza o períspirito que conseqüentemente utiliza o corpo físico. 3. Corpo emocional (astral): por mais que falemos, os dizeres irão desaguar nas variáveis em torno do períspirito. 4. Campo bio-elétrico/duplo etérico: seria uma zona de vibração energética, uma área de projeção do fluído vital que anima o nosso corpo. Como exemplo a energia Prana, também chamada de força vital: ao passarmos a água de um copo para o outro, e vice-versa, estamos adicionando Energia Prana. Chacras e plexos são coisas diferentes, independentes, entretanto interligados, ou seja: cada chacra tem o seu plexo correspondente. Porém: todo ser vivo irradia a energia que lhe mantém os equipamentos da sua condição física e, no caso especial as criaturas humanas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 43 Aura: aparentemente se confunde com energias ectoplasmáticas, ela é a emanação do períspirito, visível em nosso corpo, sobrepondo-se ao corpo etéreo e ultrapassando em maior ou menor amplitude, segundo o grau de evolução do indivíduo. Possuir um fundo colorido e uma parte instávelformada por: • Resíduo psíquico em transito; • Estrias também coloridas, que representam os pensamentos e as emoções momentâneas do indivíduo. Energia-Cósmica: toda energia oriunda do espaço cósmico que atua sobre os seres. Na figura a seguir temos os chacras, localizados no períspirito/duplo etérico. São eles os responsáveis pela transformação e distribuição das energias. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 44 CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 45 Chacras veículos da mediunidade: Chacra é uma palavra em sânscrito que significa RODA, porque tem a aparência de um exaustor ou ventilador, conforme a figura abaixo: Exemplo de sua característica própria – o chacra frontal. Identificação e localização: 1. Coronário..........................................Na parte superior da cabeça; 2. Cerebral ou frontal............................Na região dos olhos; 3. Laríngeo............................................Na região da garganta; 4. Cardíaco............................................Na área do coração; 5. Gástrico ou umbilical........................Na região do umbigo; 6. Esplênico...........................................Na região lombar; 7. Genégico ou fundamental….............Na região do períneo; 8. Umeral...............................................Na região das omoplatas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 46 Alguns aspectos do campo de energia do ser humano identificados pela foto Kirllen de uma pessoa emocionalmente equilibrada e de boa saúde física. Observamos uma concentração de energia de cor vermelha, mesclando-se com o amarelo, é um indicativo de sensibilidade mediúnica. Quanto maior for a cor amarela, maior o nível de sensibilidade mediúnica. Nota: Não sou um conhecedor da foto Kirllen, apenas deixo esse elemento como registro desse universo. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 47 Nessa foto, estamos diante de uma pessoa na seguinte situação: 1. Ferida na aura; 2. Energias em desalinho, gasta, deixando aberturas que possibilitariam a instalação obsessiva; 3. As bactérias dos dois planos, mais o processo obsessivo, causarão o adoecimento do corpo, até mesmo a manifestação da AIDS. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 48 A seguir, o demonstrativo da junção dos chacras e plexos. O primeiro em nível perispiritual/duplo etérico e o segundo no físico, nos locais de maior concentração de nervos: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 49 Funções dos chacras Coronário: Localizado na moleira, no alto da cabeça. Está relacionada com a glândula pineal - ele é que vai orientar a forma e o movimento, a estabilidade emocional, o metabolismo orgânico e a nossa vida consciencial – a nossa alma. É de onde o espírito se expressa no psiquismo e refletindo em nossa mente. O centro coronário é o comandante de os demais centros vitais. Podemos chamá-lo de “sede da alma”, “sede da mente” ou da expressão do espírito no períspirito. Cerebral ou frontal: Localizado entre as sobrancelhas, está relacionado à glândula hipófise - vai comandar o nosso intelecto. Está ligado, no nosso cérebro, a uma área muito importante, que são os lobos frontais. É a área do nosso pensamento. Reflete na nossa vida intelectual. É também responsável pela visão, audição, olfato, paladar e tato. Será, então, através dessa região do períspirito que partirão os estímulos energéticos para ativarem os nossos sentidos. Laríngeo: Localizado na base do pescoço, está relacionada à glândula tiroide - é responsável pela emissão da nossa voz. Nós conseguimos falar porque a vibração, através desse centro vital, estimula a região da laringe e das cordas vocais. Esse centro vital, quando mais desenvolvido, vai dar à voz um tom mais agradável, mais musical. Desse desenvolvimento é que resultam os grandes CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 50 cantores e os grandes oradores, estes quando também beneficiados com o desenvolvimento de outros centros vitais. Cardíaco: Localizado no centro do peito próximo ao coração, está relacionado à glândula timo, vitalizando toda a área cardiorrespiratória. Possui a função de governar no nosso corpo físico, o sistema circulatório, presidindo, então, a purificação do nosso sangue, dos nossos pulmões, levando o oxigênio a todas as nossas células e controlando as pulsações do nosso músculo cardíaco. Representa também os nossos sentimentos. Vamos conhecer melhor essa glândula timo: é uma glândula localizada no meio do peito. Fica encostado no coração. Faz parte do sistema imunológico, ou seja, do sistema de defesa do organismo, encarregado de detectar a invasão de diferentes tipos de vírus, bactérias, fungos, vermes, etc. Esplênico: corresponde no nosso corpo físico, ao baço. O qual é responsável pela filtragem do nosso sangue, que se dá através da estimulação desse centro vital. Através dele, nós absorvemos em nosso corpo vitalidade, que alguns chamam de Prana. Por isso que os iogues, muitas vezes, aconselham às pessoas em processo de anemia, que deixem o sol bater diretamente na região do baço a fim de que o órgão doente possa absorver vitalidade solar. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 51 Gástrico ou Umbilical: Localizado acima do umbigo, está relacionada com o pâncreas. Vitaliza todo o sistema digestivo - absorvendo os elementos que vão vitalizar o sistema digestivo, a assimilação dos nossos alimentos e também é responsável pelas nossas emoções. Por isso é que, quando levamos um susto, nós sentimos a barriga tremer, podendo até ter uma diarreia. Por que isso acontece? Porque estamos vibrando nesse momento com o nosso centro vital gástrico, que corresponde justamente a essa região. Genésico ou Fundamental: Localizado na região pubiana, está relacionado às glândulas sexuais vitalizando a sexualidade e atraindo o sexo oposto. É responsável pela força vitalizadora que é chamada pelos iogues de Kundalini (assim entendo), é de onde absorvemos as energias vindas dos minerais do solo. É a força que revigora o sexo, mas que pode ser transformada em vigor e energia mental, alimentando, também, os outros centros vitais. Umeral: Localizado nas costas, tem ligação direta ao úmero. Está na altura da omoplata esquerdo, entre e sobre o pulmão esquerdo. É responsável no nosso corpo físico, pelo movimento dos braços, antebraços, mãos e dedos (página 48). Nos testes de sensibilidade mediúnica, pelo método das cinco fases, temos essa comprovação: quando o estudante nos informa que as projeções fluídicas estão sendo sentidas da cabeça, descendo ao ouvido, atingindo a região omoplata, diremos: estamos diante da existência do fenômeno de CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 52 mediunidade de: psicofonia, consciente, semi-consciente ou mesmo inconsciente. Assim como sinais dos quais iremos trabalhar na segunda etapa, ou seja: audição, vidência e psicografia, podendo se estender a psicometria. Vejamos a correspondência existente entre os centros vitais (chacras) do períspirito e os plexos do corpo físico: Plexos x Chacras Coronário Glândula Pineal ou Epífese Cerebral Carbotílio-Cavernoso Laríngeo Cervical ou Laríngeo Cardíaco Cardíaco Esplênico Lombar Gástrico Epigástrico ou Solar Genésico/Fundamental Sacro/Região do Períneo Umeral Braquial CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO-– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 53 Detalhamento de funções de cada Plexo Pineal ou epífise: responsável no caso da mediunidade em estabelecer a ligação entre os dois planos: físico e espiritual. A glândula pineal ou epífise, situa-se no alto da cabeça no âmago do cérebro, bem na parte central. A glândula pineal está assim ligada a todo o setor do organismo, orientando a cadeia glandular, comunicando-se com as demais glândulas, direta ou indiretamente, tendo na hipófise o grande campo de suas expansões com o organismo inteiro. A pineal relaciona-se também com a tiroide, na região do pescoço, com as suprarrenais na região dos rins, com o pâncreas, com o timo e com as gônadas – que são as glândulas sexuais. Acrescento: assim sendo, acredito que o desejo sexual está nas entranhas do espírito, assimilado e correspondido pela Pineal. Durante a infância essa glândula pineal funciona como controladora do sexo; na adolescência, ela começa a acordar e a eclodir, passando a ser fonte geradora das sensações e impressões emocionais. É quando o espírito assume a personalidade. Eclode-se o passado (experiências de outras existências – eis os conflitos da puberdade) no presente. Por isso é que, na fase da puberdade, começa a haver aqueles conflitos internos. É nesse momento da vida em que o espírito propriamente dito está assumindo as rédeas de sua encarnação. É quando o passado eclode com muito mais força dentro de nós e esta glândula, tão pequena, começa a exercer esse magno papel de despertar em nós as nossas reais CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 54 qualidades, boas ou más, reunidas ao longo das nossas vidas pregressas. Motivo de o adolescente ser tão complicado dentro de si. Nessa fase, o ser encarnado começa a recapitular a sua sexualidade, a examinar o inventário de suas paixões vividas em outras épocas e quando lhe aparecem fortes impulsos. Eis o motivo de afirmarmos que o impulso da sexualidade está no espírito. A ciência, entretanto, não chegou ainda, a esse ponto de conclusão. Carbolítico-Cavernoso: é responsável pela grande atividade na recepção mediúnica. Cervical ou Laríngeo: quando o envolvimento espiritual vai além de um envolvimento telepático, em que o centro vital (chacra) correspondente está sendo estimulado pelo espírito comunicante, a garganta do médium é tomada, mesmo que ele não queira. Ele passa a sentir nessa região uma pressão e é levado a falar. Isso é bem comum quando estamos iniciando a mediunidade e, muitas vezes, ficamos em conflito conosco mesmo, pois não sabemos ainda distinguir aquilo que é nosso e aquilo que é do espírito. Nós sentimos a pressão na garganta e pensamos: não vou falar porque acho que isso é meu! Mas será que não é do espírito? A gente sente essa pressão como que alguém nos forçando a falar. Isso é muito comum à maioria dos médiuns no início do processo de desenvolvimento. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 55 Cardíaco: é o plexo do sentimento. O plexo cardíaco, que corresponde ao centro vital cardíaco, vai se ligar ao fio fluídico dos espíritos que manifestam sentimento de amor. Nesse momento, sob a influência de espíritos de ordem superior, esse centro vital estará irradiando intensamente e estará vibrando também o nosso coração. O médium passa a sentir, então, a sensação agradável de bem-estar e de paz, porque esse é o chacra que ao vibrar transmite sentimentos de simpatia, apatia, amor, caridade ou compaixão pelos nossos semelhantes. Logo, a estimulação desse chacra se faz por espíritos superiores. Epigástrio ou Solar: corresponde à região do estômago, onde se faz uma concentração maior de nervos. Nervos que vão enervar toda a região do abdômen, onde se encontram as vísceras e nossos intestinos. É nele que se faz a ligação com espíritos sofredores. O médium passa a sentir todo um conjunto de sensações do desencarnado: dores no corpo, falta de ar, angústia, choro, raiva, frio, calor, etc. porque nesse momento está ocorrendo o estímulo desse centro vital. Esse plexo é também responsável pela emoção; quando sentimos um susto, ele se reflete na barriga. É por isso que quando o espírito está ligado ao médium e vibra muito esse centro vital, o médium registra todo aquele mal-estar que o espírito comunicante sente. É muito comum também, que nas reuniões mediúnicas o médium se sinta nauseado devido a toda a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 56 vibração desse centro vital. Após cada reunião mediúnica, o médium tem uma sensação de vazio no estômago, sensação de fome. Médiuns, vocês são os enfermeiros, os médicos dos desencarnados em sofrimento, assim sendo: leiam, estudem e pratiquem na sua intimidade o que abaixo descrevo: A ligação com o médium que seja equilibrado vai ajudar o espírito comunicante, pois ao mesmo tempo em que o sistema alterado deste, passa pelo aparelho mediúnico, a calma e o equilíbrio do encarnado escoam através do fio de ligação levando-lhe um pouco de calma e alívio para o seu sofrimento. Por isso, então, é que vemos o quanto é importante a atuação do médium, desde o momento da comunicação do espírito, porque em última análise, o médium também estará enviando para o espírito o seu próprio sentimento. Vamos a um exemplo: Determinado espírito acaba de desencarnar e apresenta-se derramando lágrimas, o médium, por sua vez, ao invés de transmitir o equilíbrio, também chora. Assim sendo, fica o médium e o espírito chorando juntos – que péssimo médico do espírito é esse médium. Por isso que um médium adestrado, equilibrado no trabalho, vai ser o primeiro evangelizador desse espírito necessitado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 57 Plexo Lombar: localiza-se na região das costas, à altura dos rins; correspondendo-se com o centro vital esplênico (chacra) e tem como sua sede o baço. É no centro vital esplênico que os espíritos de ordem inferior se utilizam para extrair a vitalidade do organismo. Já foi dito que o baço tem a função de filtro do nosso sangue; ele é que vai vitalizar o oxigênio para o nosso organismo. Será através da vibração maior desse ponto vital que os espíritos de ordem inferior estarão extraindo essa vitalidade; haverá em consequência, repercussão em toda a região lombar e abdômico-genital, causando desconforto. Quando esse desconforto é aumentado, podemos dizer que são os espíritos inferiores aumentando a carga vibracional nesse centro vital – desvitalizando-o ainda mais. Alguém poderá perguntar: P. Se o plexo lombar está situado nas costas, não seria mais conveniente que o passe fosse feito pelas costas? R. Nada nos impede de fazer pelas costas, mas não podemos esquecer que todos os plexos possuem o seu chacra correspondente e que eles ficam localizados na frente do corpo humano. Sacro ou Genésico: localizado na região do períneo, está ligado aos grandes abusos e desvio sexual que são causados pelo desequilíbrio desse centro vital. Esse centro vital é influenciado pela ação dos espíritos inferiores, levando a desregramentos que parecem CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 58 simples impulsos naturais experimentando todas as sensações. É através desse centro vital que estão ligados os espíritos em desequilíbrios na esfera sexual. É por isso que muitas vezes, um médium que esteja em trabalho, quando ligado a esses espíritos, tenham alterações no campo sexual, pois esse centro vital estará sendo vibrado com maior intensidade pelo espírito desencarnado em desequilíbrio, fazendo com que o médium se ressinta nessa área em consequência das emanações deletérias do espírito.Eis também o motivo pelo qual eu sempre falo: o médium necessita conhecer bem as reações do seu organismo e do seu psiquismo, para saber o que realmente é seu e o que é sugerido pelos espíritos. Braquial: coordena o movimento dos braços e tem grande participação no nosso corpo físico. Vejamos: Quando a ligação do espírito se fez pelo centro umeral localizado na omoplata, as vibrações atingem o plexo braquial em questão, provocando a psicografia. É por esse caminho que quando estivermos exercitando as cinco fases da mediunidade, saberemos da possibilidade do médium ser portador ou não da mediunidade da psicografia ou da escrita. Por esse motivo é que o médium, antes de escrever, começa a sentir certo adormecimento, um tremor – porque esta região está recebendo um impulso nervoso muito grande. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 59 O desenvolvimento dessa mediunidade pode ser imediata ou levar tempo. Nesse caso, o sensitivo começa rabiscando o papel, traçando linhas, sem nada escrever. Tem-se a impressão que o comunicante está treinando a coordenação muscular em conjunto com o futuro psicógrafo. Motivo pelo qual nada acontece imediatamente com esses médiuns quando estão iniciando o processo de psicografia – lembrando que toda regra tem exceção. Quando a sintonia do médium é perfeita com o espírito comunicante, se reproduz muitas vezes a própria caligrafia que o espírito tinha quando encarnado. Acredito que via mediunidade inconsciente, seja mais fácil a possibilidade da fidelidade da escrita. ITEM 06 - PROPRIEDADE DO PERISPÍRITO O períspirito é o envoltório semi-material, também chamado de corpo fluídico ou etéreo. Nele se encontram todos os órgãos e estruturas biológicas necessárias à vida no plano físico. É como um fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão de pensamentos. A função principal do períspirito é a de servir de instrumento da alma em sua interação com o mundo espiritual e físico. O períspirito possui algum peso, na matéria da sua energia de quinta essência, possibilitando a sua veloz e fácil locomoção? Homens estudiosos afirmam que sim – pesaram o moribundo e novamente após o seu desencarne, assim encontraram uma diferença CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 60 de peso de vinte gramas. Para essa “teoria” desconhecemos sua veracidade. Em se tratando de corpo perispiritual temos sim as seguintes informações: Plasticidade: alterações morfológicas que ocorrem em função dos contínuos comandos mentais do espírito. Outro aspecto: como exemplo a capacidade que o períspirito tem em materializar-se aos nossos olhos. Para se entender o fenômeno da materialização, podemos dizer: o espírito se veste como o homem veste o seu termo e assim com essa roupa fluídica/ectoplasmática, se coloca em condições de ser visto por olhos humanos. A materialização para melhor entendimento: se pudéssemos ver dentro da matéria condensada, teríamos nada mais nada menos, do que a condensação dos átomos, que é o material elementar e primitiva do universo. Aqui temos o motivo pelo qual o espírito desencarnado, por falta de conhecimento, continuar mantendo aparência e sensibilidade de um corpo doente, conforme enfermidade, deformações e mutilação do corpo físico – esse doente não sabe que Pensar é Criar. Penetrabilidade: é a capacidade que o períspirito tem de atravessar corpos materiais. Elasticidade: como o próprio nome diz, é a propriedade dos elásticos - capacidade de deslocamento e desdobramento durante o sono e atividade mediúnica, sempre ligado ao cordão fluídico. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 61 Absorção: É a capacidade que o períspirito tem de assimilar fluídos e absorver os fluídos do local em que se encontre. Funciona como uma esponja, absorvendo energias boas ou não. Através dessas palavras “absorver fluídos’ podemos entender os fundamentos de outras religiões, quanto oferecem as oferendas aos espíritos. Não que os espíritos irão se utilizar da parte física das oferendas, mas absorvem os seus fluídos e energias. Irradiação: é a capacidade que o espírito tem de projetar-se, irradiar-se, via seu corpo perispiritual. A fotografia Kirlian é um ótimo exemplo, pois consegue registrar a sua irradiação. A aura que aparece na fotografia, entretanto, não é apenas energias em nível espiritual. Inclui também as irradiações das nossas próprias células físicas, que são pequenas usinas liberadoras de energia. A fotografia Kirlian modifica-se com o nosso estado emocional e com o nosso estado de saúde. A sua cor caracteriza o estado emocional no momento em que se fez a foto. Isso mostra que o nosso pensamento modifica as nossas energias. Porquanto os pensamentos imprimem expressões em nossa aura, é dessa forma que as cartomantes falam do nosso passado e do nosso presente, os quais ficam impressos no corpo espiritual. Com essa propriedade do períspirito, há a possibilidade de se detectar – através dessa fotografia – doenças, mesmo antes delas se manifestarem efetivamente no nosso físico. Como vemos, as doenças CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 62 se instalam primeiramente na nossa intimidade espiritual a materializar-se no físico com o passar do tempo. ITEM 07 - A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS “A vida é constituída de pulsação e frequência. Somos energias vibrando, interagindo entre as dimensões nas quais estamos contidos, pulsando em variadas frequências, das mais lentas às mais rápidas, impondo ritmo e produzindo ondas. As ondas produzidas por nossos pensamentos, sentimentos e atitudes, viajam através das dimensões e nos colocam em sintonia com os espíritos afinados conosco”. Para melhor compreender o que vamos dizer, é necessário reportar-se ao principio fundamental de que entre os Espíritos, há as graduações, mas em sínteses: os bons e os maus, do saber e da ignorância a nos rodear, uns com indiferença, outros buscando nos dominar afim de nos comandar e os que nos observam com intenções benevolentes, conforme a sua natureza. Nossa alma não é nada mais do que um espírito que está encarnado, mas que logo mais fará parte dos espíritos desencarnados. Mesmo revestidos momentaneamente de um envoltório material, suas relações com o mundo incorpóreo não são interrompidas de modo absoluto. Havendo naturalmente uma dificuldade maior. O ser espiritual não está prisioneiro dentro de nós, podemos nos distanciar, indo para lugares distantes apreciar coisas conhecidas e desconhecidas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 63 O pensamento é o laço que nos une aos desencarnados e é por ele que atraímos os que simpatizam com as nossas ideias e inclinações. Os espíritos que nos cercam não são passivos. Formam uma população essencialmente inquieta que pensa e age sem cessar, que nos influencia para o bem ou para o mal - conforme a lei da sintonia movida pelo nosso livre arbítrio. Entretanto, quanto os espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, por exemplo, sabem muito bem a quem se dirigem e não vão perder tempo onde sabem que não serão bem recebidos. Ou seja, eles nos excitam conforme as nossas inclinações ou conforme nos mostramos, assim como a nossa disposição para escutá- los. Eis o motivo do homem firme nos princípios ser imune a essas investidas, visto que não dá oportunidade para que as mesmas aconteçam. Nessa relação material espiritual sutil, é claro que o médium deve estar mais vigilante, pelo fato da sua glândula pineal – a qual proporciona a ligação material-espiritual – estar mais desenvolvida.O médium tem a seu favor a capacidade de administrar a sua defesa com mais facilidade pelo fato de conhecer o mecanismo da mediunidade. Em todos os momentos somos submetidos a lei da atração ou repulsão. Os espíritos ignorantes e maldosos se aproveitam de todas as falhas morais dos homens para introduzirem-se entre os encarnados, intrometendo-se silenciosamente em todos os atos da sua, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 64 da nossa, vida particular. Na sexualidade do casal, aquecendo um excessivamente e sugerindo a indiferença ao outro, é o mecanismo para a separação: eis a necessidade de “orai e vigiai, para não cair em tentação”. Quanto aos médiuns em sua atividade e aos postulantes da mediunidade, que se preparem na postura moral e nos estudos. Pois com esses atributos é que ele aprende a identificar e a defender-se de presença nociva, no local da sua profissão, nos ônibus, na rua, na sua residência, etc. ITEM 08 - O MÉDIUM EM ATIVIDADE NA SUA CASA ESPÍRITA Os espíritos descomprometidos com a verdade não conseguem representar este papel por muito tempo no seio da atividade mediúnica, quando lá existe um dirigente experimentado e prevenido. Não podemos desprezar que tudo fica mais difícil para o dirigente quando a causa está diretamente ligada ao médium “pelo motivo de estar passando por problema particular complicado”. Nesse caso o dirigente deverá dar solução, sem melindrar o médium e não dar motivos do disse-me-disse, no grupo. Se o médium se deixa dominar continuadamente por essa influência, os bons espíritos se afastam, deixando que o mesmo, na frieza da sensibilidade, se abata. As mesmas sensações são sentidas nos médiuns que se afastam das vibrações da sua casa espírita, sendo CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 65 comum descartar a sua mediunidade-tarefa, tornando-se evangélicos. Pode se dizer que esses de fato nunca foram espíritas, apenas tentavam acreditar. Diante das negligências dos médiuns, os espíritos superiores assim se expressarão: se tivermos que escolher um intérprete, é evidente que escolheremos não apenas um homem capaz, mas também digno de nossa estima; não confiaremos uma delicada missão a um insano, acomodado, ou frequentador de uma sociedade suspeita. Os espíritos superiores não escolhem um médium que tem afinidade com espíritos levianos para transmitir instruções sérias. A menos que não haja outra opção melhor no momento ou que queiram dar uma lição ao próprio médium – como acontece às vezes. De qualquer maneira, o médium só serve acidentalmente e é abandonado logo que os espíritos encontrem alguém melhor, deixando-o entregue às suas simpatias se ele faz questão de conservá- las. O médium perfeito seria o homem que não desse nenhum acesso aos espíritos maus por qualquer descuido qualquer. É uma condição muito difícil de preencher. Mas se a perfeição absoluta não é dada ao homem, sempre lhe é possível se aproximar dela através dos seus esforços. Os Espíritos superiores levam em conta sobre tudo, os esforços, a força de vontade e a perseverança. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 66 Sendo a perfeição impossível, o melhor médium é então, aquele que der as melhores comunicações, não em termos quantitativos de comunicações e sim de ordem moral. As comunicações boas e elevadas, nas quais nenhum indício de inferioridade do comunicante fosse notado, seriam incontestavelmente uma prova da superioridade moral do médium. Pelo fato de não haver médium perfeito e grupo mediúnico perfeito, espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem misturar- se em suas comunicações, alterando a pureza e induzindo ao erro. Está aí o escolho do espiritismo, cuja gravidade muitos insistem em não perceber. As boas intenções e a própria moralidade do médium e do grupo nem sempre bastam para evitar a intromissão dos espíritos levianos, mentirosos, e pseudo-sábio nas comunicações que não se traduzem em aceitação pelo dirigente. Quem não quiser ser vítima de espíritos levianos, precisa também julgá-los com um critério infalível: o bom senso e a razão. É difícil, mas é o caminho. Esse bom senso consiste em analisar a linguagem do espírito, assim como nós, pela linguagem que reconhecemos um homem de bem. O critério a seguir nunca usei para não criar constrangimento no médium, que consiste no seguinte: Percebendo que algo não está correto, pedir ao espírito: diga que tudo que está dizendo e o que venha a dizer, é em nome de Jesus. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 67 Mesmo não tendo compromisso com a verdade, ele teme pronunciar a palavra Jesus. Ele não aceita ser descoberto. Devemos observar a sua linguagem identificando o seu caráter moral. O que caracteriza o espírito superior é a linguagem digna, nobre, sem contradição, isenta de trivialidade, marcado por um cunho de inalterável benevolência. Os bons espíritos aconselham, sem jamais ordenar ou impor. Calam-se naquilo que ignoram. Já os espíritos levianos, falam com a mesma segurança do que sabem e do que não sabem e a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade. Toda expressão grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda notória heresia é o sinal inconteste de má natureza, ignorância ou leviandade - tanto no mundo dos encarnados quanto no dos desencarnados. É necessário pensar em tudo o que eles dizem, passando pelo crivo da lógica, da razão e do bom senso. Se não conseguir de imediato, ore e espere que logo mais tudo ficará resolvido sem melindrar o médium. Mesmo dizendo: não é o médium que tem tal procedimento e sim o espírito, na prática ele fica triste, por permitir tal comunicação. Deus não nos deu o raciocínio sem propósito. Utilizem dele a fim de saber o que está fazendo. Os maus espíritos temem o exame. Eles dizem “aceitai nossas verdades e não a julguei”. Se tivessem, porém, a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 68 O hábito de pesar as menores palavras dos espíritos, o valor do conteúdo - com o qual eles pouco se preocupam - naturalmente afasta os espíritos mal-intencionados que não viriam então, inutilmente perder tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles abusam de nós. A ciência espírita e todas as ciências filosóficas exigem uma grande experiência que só se adquire através de um estudo longo, assíduo e perseverante, com numerosas observações. Ela não abrange apenas os estudos dos fenômenos propriamente ditos pois seria presunção julgar-se suficientemente esclarecido e graduado como mestre depois de alguns ensaios. Não seria esta a pretensão de um homem sério, pois quem quer que lance um golpe de vista indagador sobre esses estranhos mistérios, vê desdobrar-se a sua frente um horizonte tão vasto que longos anos não bastam para o abranger. ITEM 09 - O ORGULHO De todas as disposições morais, a que mais oferece entrada aos espíritos imperfeitos é o orgulho. Os médiuns mal fazem ideia do perigo que o mesmo oferece. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 69 É o orgulho que lhes dá a crença na superioridade dos espíritos que a eles se ligam pelo orgulho/deficiência moral. Vaidade de nomes famosos que eles impõem a si mesmo. Desde que um espírito lhe diga: eu sou fulano. O médium ou dirigente orgulhoso se inclinam e não admitem dúvidas, porque seu amor próprio sofreria.O espírito percebe e se aproveita desse lado fraco, lisonjeia o seu pretenso protegido, fala-lhe de origens ilustres da qual parece ser o signatário. Em uma palavra ele o embrulha e o leva no beiço; sua felicidade é ter alguém sob sua dependência. Interrogamos à vários deles sobre os motivos de sua obsessão. Um dos mesmos assim nos respondeu: “Quero ter um homem que me faça a vontade. É o meu prazer” Quando lhe dissemos que íamos fazer de tudo para descobrir os seus artifícios e tirar a venda dos olhos do seu oprimido, ele disse: “lutarei contra vós e não tereis resultados, porque farei coisas tais que ele não acreditará em vocês” eis a mais terrível das obsessões – a fascinação. É uma tática, um método profundo desses espíritos malfazejos - inspiram a desconfiança e o afastamento das pessoas que os podem desmascarar e dar bons conselhos. Todo espírito que insufla a discórdia, que excita a animosidade, que alimenta desentendimento, revela por isso mesmo sua natureza má. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 70 Seria preciso ser cego para não compreender isso e para crer que um bom espírito possa arrastar à equívocos. Muitas vezes, o orgulho se desenvolve no médium à medida que sua faculdade cresce. Aquele que cai em tal engano está perdido, porque Deus lhe deu sua faculdade para o bem e não para satisfazer sua vaidade ou transformá-la em escada para a sua ambição. Esquece que esse poder do qual se orgulha, pode ser retirado a qualquer instante e que, muitas vezes, só lhe foi dado como prova. Assim como a fortuna para certas pessoas. Se dele abusa, os bons espíritos pouco a pouco vão se afastando do médium até o abandono total, aí sim, ele se torna joguete de espíritos levianos, que o embalam em suas ilusões, satisfeitos por terem vencido aquele que se julgava forte. Foi assim que vimos o aniquilamento e da perda das mais preciosas faculdades que, sem isso, teriam torando-se os mais úteis auxiliares. Infelizmente, o orgulho é um dos defeitos que somos menos inclinados a reconhecer em nós. Diga a um médium que ele se deixa conduzir como uma criança. Ele virará as costas, dizendo que sabe conduzir-se e que a pessoa é que não está vendo as coisas claramente. Diga a determinado homem que ele é bêbado, debochado, preguiçoso, incapaz e imbecil, ele pode rir ou concordar! Diga que ele é orgulhoso, ficará zangado. Nesse caso, os conselhos se tornam mais difíceis a medida que o médium vai evitando as pessoas que os possam ajudar. Fogem de uma intimidade que temem. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 71 Os espíritos, sentindo que os conselhos são golpes desferidos no seu poder, empurram o médium orgulhoso na direção daqueles que possam alimentar ainda mais as suas ilusões. Diante disso, é quase inútil falar das outras imperfeições morais, tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ambição, a cupidez, a dureza de coração, a ingratidão, a sensualidade e etc. Para repelir esses espíritos, não basta lhes dizer para ir embora. É necessário fechar-lhes as portas do desequilíbrio psicológicos e os ouvidos, provar que somos mais fortes - o que seremos incontestavelmente pelo amor do bem, pela caridade, doçura, simplicidade, modéstia e interesse, qualidades que nos atraem a benevolência dos bons espíritos. Que os médiuns não fiquem assustados, demasiado da severidade do que acabamos de falar. Estas são lógicas, realidades com as quais devemos convir e nos adaptar. Seria um erro desanimar. É certo que as más comunicações que podemos receber são índices de alguma fraqueza, mas nem sempre são sinais de indignidade. Essas dificuldades existem desde o tempo de Kardec, mas temos que registrar que nas Casas Espíritas onde o estudo é sério, essa situação já está controlada. A não ser que o médium não leve a sério sua própria reforma íntima e escolha por manter-se na linha do orgulho e de postura imoral no trato com a prática sem responsabilidade da sexualidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 72 ITEM 10 - SÍNTESE DA FILOSOFIA DO PASSE Apresentamos essa síntese do passe por dois motivos: 1. Todos que pertencerem ao grupo do Desenvolvimento Mediúnico devem tornar-se trabalhadores na área do passe também; 2. Aqueles em que a “mediunidade tarefa” não se apresentar, têm a oportunidade de exercer a mediunidade do amor, trabalhando no passe. Todo ser vivo irradia a energia dos equipamentos da sua condição física e, no caso especial as criaturas humanas, através do períspirito, essa exteriorização forma a aura. Esse campo de irradiação tanto recebe como transmite as energias que procedem do espírito nos seus elementos essenciais. O períspirito é o grande mediador. Por seu intermédio se expande a irradiação que lhe é própria e a captada. Vocês estudantes, ao dedicarem-se à doação bioenergética propondo-se ao objetivo de cura através do passe, pode e deve fazê-lo, observando, no entanto, alguns requisitos essenciais: I. Cumpre buscar o equilíbrio das forças psicofísicas, que procedem de uma vida mental correta, com a consequente conduta moral equilibrada. Ninguém doa algo bom se não o tem em si mesmo; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 73 II. É necessário ter disciplina espartana em relação à bebida alcoólica, ao fumo, no comportamento sexual e na alimentação; III. O esforço no exercício da bondade, da abnegação e sobretudo, do sentimento de amor, devem ser especialmente dirigidos aos dependentes do passe e seus agregados desencarnados. O paciente por sua vez, tem como dever, o intuito de transformar-se interiormente para manter uma receptividade mental e emocional o melhor possível ao auxílio que lhes é dirigido. Deve buscar a auto iluminação. Quando os recursos do passe restituem a saúde, é porque o paciente está inserido na lei maior do mérito, funcionando em decorrência da conduta renovada. Não obstante sejam conhecidas várias técnicas para a aplicação do passe, não se deve deixar de observar a simplicidade do ato com a predominância do amor, a fim de que a preocupação exagerada com a forma não resulte em prejuízos ao conteúdo. Jesus tocava os seus enfermos, pensava neles, usava recursos incomuns e os curava, restituindo-lhes o equilíbrio e a sanidade. No entanto, todos desencarnavam no momento próprio, visto que a vida plena é a do espírito e não a do corpo físico. O passe é uma vigorosa terapia nos estados obsessivos. Isso se dá porquê fortalece o paciente, ensejando-lhes recursos fluídicos para CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 74 a competente mudança de atitude mental e moral em relação ao seu perseguidor. A repetição da terapia e a renovação moral do enfermo são os elementos facilitadores da sua recuperação. Quanto ao perseguidor, após o diálogo fraterno oferecido pelo dirigente dos trabalhos mediúnicos, acaba desistindo do esforço a que se fixava. Após o atendimento às pessoas que buscam o passe, os médiuns do trabalho mediúnico - da nossa casa espírita - reúnem-se em seguida em processo de orientação aos espíritos que estavam atrelados com as pessoas, sem, contudo, ter o interesse de identificar qual pessoa ele perturbava. Dessa maneira, a ajuda se torna dupla, pois ajudando o doente desencarnado, estaremos ajudando a pessoa doente que passou pelo passe. Como já foi registrado, não se faz necessário que o passista seja médium ostensivo para que possa dedicar-se ao ministério da fraternidade e da caridade, mas quanto mais energia de efeito físico for portador, melhor resultado terá. A medida que se dedique ao bem, suas faculdadescurativas podem se desenvolver, permitindo-lhe então concomitantemente perceber com nitidez e consciência e intuição dos Bons Espíritos - que estão sempre ao lado de todo trabalhador do bem. Esse auxílio magnético é oriundo da própria natureza humana, tornando-se fluídico ante a contribuição dos espíritos que cooperam na ação do passe. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 75 A Mente do passista tem papel de alta importância para o resultado do passe. Com objetivos superiores, ele se torna o dínamo gerador da energia salutar que deve ser canalizada para os enfermos. Desse modo, os pensamentos de encarnados ou desencarnados agem sobre os fluídos. A aplicação da bioenergética em forma de passe – quando sob a inspiração do bem – é terapia de fácil alcance e contribui admiravelmente para o equilíbrio, a saúde e bem-estar de todas as criaturas, tanto aos que doam quanto aos que recebem. No exercício dessa atividade do passe, a mente desempenha papel importante, visto que sempre segue na frente com a função de idealizadora. ITEM 11 – O CARÁTER MORAL DA MEDIUNIDADE A mediunidade não pode se esquecer da educação como primeiro sinal de ascensão espiritual. O médium disciplinado anda sempre seguro dos seus dons e sabe estar em comunicação pela lei de atração dos semelhantes. Para adquirir a simpatia dos benfeitores espirituais e obter mensagens edificantes deles, o único jeito é através da moral, que corresponde a grandeza da alma. Os espíritos superiores não se ocupam e nem perdem tempo com quem não deseja melhorar, evitando pautar a sua vida dentro das virtudes evangélicas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 76 Quem ainda não se encontra envolvido com os agravos dos seus companheiros, perde a visão e distorce os sentimentos de amor, embriagando-se nas paixões inferiores. As injúrias preparam terreno para a violência e campo aberto para a inimizade. Se o médium já se inteirou da responsabilidade do uso das suas faculdades e do intercâmbio com os espíritos, as entidades que lhe darão alegria e bem-estar serão os espíritos bons e, certamente, para atraí-los é necessário buscar alegria no coração, a alegria do Cristo e bondade evangélica - esforçando-se sempre para a autoeducação e buscando firmemente a instrução séria com os bons espíritos e com pessoas sérias. É necessário que não fique somente nas buscas, mas que também repasse aos outros as lições aprendidas. A luta da reforma íntima é constante, pois a natureza é dinâmica. Um dia seremos Francisco de Assis, como também um ser angelical, mesmo que em um futuro muito distante. O mais difícil é o primeiro passo. O médium tem que ser confirmado no bem, vigiando o seu mundo íntimo. Não deixando surgir o desespero, quando lhe parecer que a assistência do mundo espiritual se silenciou, o que não é verdade. Podemos dizer que essa “ausência” é uma pedagogia educativa do mundo superior. Pois até as vozes que Joana D`Arc ouvia constantemente, silenciaram-se no momento da sua condenação à fogueira, ressurgindo mais adiante esplendorosamente. É necessário que se tenha paciência e que se prossiga na procura de onde servir com mais eficiência. Nesses momentos de dificuldade podemos sim CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 77 dizer: Jesus, se possível, eu gostaria que receber a bênção de tal coisa (....). A perfeição é a soma de todas as virtudes ensinadas e vivenciadas pelos benfeitores. Mesmo sentindo-nos longe desse estado de vivência, não é por isso que devemos esmorecer na busca. A perseverança serve para mostrar que compreendemos os ensinamentos de Jesus, o qual não deu sinal de desânimo, mesmo ao entregar-se aos braços da cruz e dizer: “Pai perdoe-os, eles não sabem o que fazem”. O médium se encontra a caminho, com a cruz das provações, para que projete na intimidade do seu coração a luz através da resignação, da dor e dos sacrifícios quando bem compreendidos. O homem, ao buscar evangelizar-se, acelera o encontro com os seus problemas, acelerando também, conseqüentemente, a sua libertação. Quem acelera, liberta-se com mais rapidez dos seus problemas. Os que hoje estão protelando, estarão no momento certo enfrentando suas provações. Ao passo que eles estarão apenas começando nas suas provações, nós já estaremos saindo, pois quem sofre com sabedoria encurta o caminho para a libertação - como é bom acelerar a nossa posição de vanguarda. Alguém poderá questionar: Para sermos cristãos, temos que sofrer? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 78 Não. Mas sofre-se. A natureza sofre, os oceanos sofrem, os animais sofrem e principalmente: os homens de bem sofrem. Fomos criados simples e ignorantes, para adquirirmos valores morais e sabedoria temos que passar pela experiência. O que retarda a nossa emancipação espiritual são os miasmas de milênios que ainda acalentamos em nossa intimidade. Quando a lei maior do pai nos brinda com a dor, ela atua como o esmerilho que tem a capacidade de plainar as nossas deficiências morais. Por que o homem de bem sofre? Porque ele é sensível. Assim foi no ontem e no hoje. O homem bruto não sofre culpa moral? Às vezes não, às vezes sim. Mas sempre coloca a culpa nos outros, em quem o prendeu, no Juiz que o condenou. Ele ainda não sente a culpa da consciência. Quem se educa na moral do cristianismo, é um ser de coração cristianizado, pois pratica e conhece a fonte de onde nasce o amor de Deus. Ele já sabe esquecer os ultrajes, não mais descerá ao padrão vibratório dos ofensores para não se fazer igual, lembrando sempre que no momento difícil estaremos sempre só. Com isso, terá a oportunidade de aprender pelos menos os princípios do amor e da paz. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 79 Não fugirá dos seus problemas, pois a solução do obstáculo se encontra dentro dele: essa é a tarefa mais sublime do bom médium, do bom cristão e um dos caminhos para a plenitude mediúnica. Quem vive o Cristianismo já aprendeu que não estamos aqui para ficarmos livre dos problemas, mas sim para administrá-los com sabedoria. Sabe que não somos colocados aqui para sermos um turista, mas sim um aprendiz - pois a terra é a grande escola de nossas almas e cada um de nós está matriculado no: • Lugar certo; • Na família certa, mesmo sendo uma família problema; • Nascido no país certo; • Morando no estado e cidade certa; • Exercendo a profissão certa; • Bem-sucedido ou não na profissão; • Enfim, tudo está certo, o criador não erra. Médiuns, vigilância nos seus pensamentos, para que no silêncio do seu coração possa se comportar como se estivesse na presença do Cristo. Deve vigiar também a sua boca, para que ela seja disciplinada nas palavras que dos outros ouvirão. O médium deve comungar com a perfeição e prosseguir sempre com a força da disciplina, para que cresça em si uma educação espiritual. No arrojo dessa vida, mostrará a Jesus o que fez pela paz interna, que se reflete em tudo e em todos que toca. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 80 “Fazer da mediunidade uma luz e para tanto, ter como base o Cristo de um lado e Kardec do outro. Seu coração deve brilhar na luz de Deus” – espírito Miramez. Cada criatura, com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima – a qual emite raios (energias) específicos – vive na onda espiritual com a qual se identifica. Assim exposto, fica fácil dizermos: sem noção de responsabilidade, devoção à prática do bem, amor ao estudo da ciência e filosofia espírita e sem esforço perseverante em nossaprópria lapidação moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os cimos da vida. Cada mente com os seus raios, personalizando observações e interpretações. Sintetizando: cada mente com os seus sentimentos quanto a mediunidade. O futuro pertence ao espírito! – Estando encarnados ou não, querendo ou não, somos espíritos. E meditando no amanhã da coletividade terrestres, André Luiz organizou o livro “Nos Domínios da Mediunidade”, compreendendo cada vez mais a importância do intercâmbio espiritual entre as criaturas. “É certo que essas tarefas reclamam sacrifícios e se constituem, muitas vezes, de provação de seus devedores, é ele o trabalhador que faz jus ao acréscimo de misericórdia prometido por Mestre a todos os discípulos de boa vontade” (Emanuel). CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 81 No livro “Mediunidade e Evolução”, de Martins Peralva, consta: Evangelho, Espiritismo e Mediunidade, ele assim se expressa: “Todo aquele que sente em grau qualquer a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium”. Eu acrescento: eis o entendimento de que em toda obsessão, existe um fundo mediúnico. Não estou entrando no detalhe da pessoa portadora de mediunidade tarefa. Generalidades da mediunidade: Ø (...) Os médiuns em sua generalidade, são Espíritos que resgatam débitos do passado; Ø (...) Mediunidade é talento comum a todos; Ø (...) O médium é alguém observado e aproveitado pelos Espíritos desencarnados com os quais se afina; Ø (...) Mediunidade ostensiva no presente é débito do passado; Ø (...) Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas; Ø (...) Mediunidade, pois, é meio de comunicação – entre o mundo espiritual e o mundo físico –, convivência e intercâmbio; Ø (...) Desenvolvimento mediúnico e aplicação das potencialidades divinas: vós sois deuses - disse Jesus. Ø (...) Sob o ponto de vista do mecanismo da comunicação a mediunidade, em si mesma, não depende do fator moral; Ø (...) Sob o ponto de vista da assistência espiritual, contudo, o fator moral é indispensável. Médiuns moralizados contam com o amparo de Espíritos Superiores; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 82 Ø (...) Não promovam médiuns moralizados a médiuns santificados; Ø (...) O médium moralizado terá a vida de um homem de bem. Será humilde, paciente, perseverante, bondoso, estudioso, trabalhador, desinteressado; Ø (...) O ensino de Jesus, aplicado à mediunidade, é claro: dai de graça o que de graça recebestes; Ø (...) O exercício mediúnico deve ser realizado com amor. É missão sagrada no auxílio ao próximo, em nome de Jesus; Ø (...) O Espiritismo oferece regras normativas para o bom exercício da mediunidade, tornando-se fonte de luz e esclarecimento. Acrescento: eis o Consolador prometido por Jesus; Ø (...) O conhecimento doutrinário facilitará o exame das próprias comunicações; Ø (...) O conhecimento do Espiritismo é essencial para não se caminhar sem rumo; Ø (...) Espiritismo: dignificação da tarefa, para honrar a confiança da Espiritualidade; Ø (...) Com as luzes da Doutrina Espírita, o médium educar-se-á para vigiar as próprias comunicações e aplicar sua faculdade para o bem de todos – uma beleza que quase sempre é desprezada; Ø (...) As tarefas mediúnicas requerem assiduidade, pontualidade, fidelidade, a Jesus e a Kardec (Livro Conduta Espirita); CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 83 Ø (...) O conhecimento e a prática da Doutrina dos Espíritos conscientizam o médium quanto à missão de amor suscitada pela oportunidade do intercâmbio com o Plano Espiritual; Ø (...) Mediunismo - dá a ideia de que o médium tem parte ativa dos fenômenos, segundo o “Dicionário Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia” de João Teixeira de Paula, ele assim se expressa: “na minha definição particular, “mediunismo” podemos usar para o médium que não estuda o fenômeno da mediunidade – os médiuns da umbanda por exemplo – e não para os que estudam o mecanismo da mediunidade. Quem estuda é médium confiável, o mesmo não podemos dizer quanto aqueles que não estudam; Ø (...) “Mediunismo sem Evangelho é fenômeno sem Amor”, dizem os Amigos Espirituais; Ø (...) Mediunismo sem Doutrina Espírita é fenômeno sem esclarecimento; Ø (...) Já o mediunismo com o Espiritismo, mas sem Evangelho, é realização incompleta. Ø (...) Mediunismo com Evangelho e sem Espiritismo é, também, realização incompleta; Ø (...) Os benfeitores espirituais estudam sempre, para se tornarem mais úteis no esclarecimento e no consolo; Ø (...) Nós, encarnados, devemos também estudar e servir, a fim de que a mediunidade não seja fenômeno sem amor e sem esclarecimento, mas garantia de triunfo com Jesus e Kardec; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 84 Ø (...) A mediunidade disciplinada e orientada para o bem, faz com que os que entendem por mistérios percam as suas intrincadas indumentárias; Ø (...) A mediunidade permite que esse ser humano sempre carente de ajuda passe ao nível de cooperador, socorrendo e auxiliando os espíritos ignorantes quanto a sua realidade de forma para que seja diminuída a expressiva massa dos infelizes que se encontra em doentia parceria com os encarnados; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, desvelam a imortalidade que a todos aguarda e transforma o objetivo psicológico existencial do ser humano – já não satisfazem as honrarias enganosas; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, descortinam no homem as aspirações do hoje para o sempre, no momento do desejo para o tranquilo fluir da paz; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, informam que o ser humano, quando exausto, bate às portas dos Céus suplicando apoio e a Divindade concede-lhe as bênçãos do trabalho e da iluminação, a fim de libertar-se da opressão que se tem permitido; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, esclarecem que as ameaças de extinção da vida cedem lugar para que ocorra o desaparecimento do mal; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, de outra dimensão com espíritos nobres, descem às sombras terrestres atendendo ao apelo de Jesus, a fim de contribuírem em benefícios dos seus CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 85 irmãos de retaguarda, no grande e decisivo momento de regeneração do planeta; Ø (...) O espiritismo/a mediunidade, nos dão entendimento que diluem as sombras da ignorância, embora persistam alguns desmandos do vandalismo de breve duração e a vitória do bem e do amor torna-se incontestável. Em triunfo instala-se o amanhecer de uma nova era; Ø (...) A mediunidade é uma porta colocada entre duas posições vibratórias, produzindo fácil intercâmbio. Preservá-la a qualquer custo enquanto luz a oportunidade, é relevante e inadiável dever; Ø (...) O correto exercício da mediunidade dar-te-á inefáveis alegrias na terra e após deixares a roupagem carnal; Ø (...) A mediunidade, após extraídas as superstições e retiradas às informações do sincretismo religioso negativo, é faculdade paranormal com que te provê a Divindade para a conquista de inexcedíveis valores. A mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente e responsável entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela recuperação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo que abre à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir; Ø (...) São difíceis de enumerar os padecimentos morais e físicos dos que se engalfinham nas jornadas da loucura, mediante fugas CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO01/02 WILSON DA CUNHA 86 espetaculares à responsabilidade, sob a injunção da mediunidade perturbada. CONSIDERAÇÕES FINAIS São quatro horas da manhã – e aqui estou: Alegre por saber que após sessenta anos de observação assimilando na prática o universo do desenvolvimento mediúnico, estou copilando informações e refazendo várias vezes esse material – até porque a dinâmica do espiritismo nos últimos tempos é muito acentuada. Não levando em consideração que a moda era a máquina de escrever, que não tinha o recurso do deletar ou acrescentar. A minha redação era nas madrugadas e só ia dormir quando ouvia o barulho do Avião da TAM, que se preparava para a decolagem, rumo à São Paulo. Esse material é fruto de um dossiê de entendimentos diversos com os objetivos de: I. Oferecer material para que o aluno, ao ler, seja levado a incorporar o sentimento cristão em seu coração. Mediunidade sem sentimento cristão não é mediunidade com o Cristo e sem estudo não é mediunidade e sim mediunismo; II. Despertar no aluno o desejo de buscar a pratica da moral cristã; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 87 III. Oferecer diálogo fraterno com os necessitados desencarnados; Esse dossiê deságua diante do mecanismo das manifestações mediúnicas. Senhores alunos, recebam esses escritos, conscientes de que terão em mãos um dos maiores tesouros – que ladrão não rouba e as traças não corroem. Esse dossiê tem o poder de torná-los espiritualmente adultos, nessa vida e após essa vida. Sem conhecimento e vivencia apresentar-se-ão engatinhando como crianças espirituais. Dou-me por satisfeito pelo que foi feito até agora, e que outros venham a melhorar aquilo que eu não soube fazer. Estou alegre por oferecer a síntese desse longo trabalho a vocês estudantes, espero que os quais, em um curto espaço de tempo possam entender e vivenciar o que eu necessitei de anos de peregrinação entre grupos mediúnicos e leitura de aproximadamente seiscentos livros espíritas – não específicos na área mediúnica. Sei que muitos vão estudar e que outros vão apenas ler, conseqüentemente, enganando a si mesmos. Fico triste por saber do não aproveitamento de muitos alunos quanto ao tesouro que lhe é oferecido: emancipação espiritual, adquirindo luz para o seu coração. O desprezo ao estudo determina a falência moral nessa existência. Observação: Aos senhores dirigentes - nessas apostilas tenho que estabelecer uma metodologia em nome da disciplina. Porém peço CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 88 que entendam a necessidade de certa flexibilidade, pois tive que entender que uma coisa é por no papel, outra completamente diferente é o que se apresenta na prática. No início, tudo é dentro da metodologia, inerentes com as respectivas fases, das etapas: primeira e segunda. Após os primeiros quatro exercícios da fase “percepção dos fluídos” e muitas outras orientações em torno da mediunidade, ofereço ao grupo o aprendizado prático. Na sequência, após o final dos estudos, é quando convidamos determinado médium experiente a dar passividade aos espíritos doentes e necessitados. A participação desse médium é para que os estudantes, desde cedo, observem a beleza do exercício da mediunidade e que conheçam a sua função como médium a ser exercida logo mais. Assim, que o mesmo médium autorize o encerramento da reunião e se o mentor espiritual desejar, que faça as considerações finais. Agora vamos às dificuldades no sentido de aplicar a metodologia após algum tempo: a. O grupo se encontrava no meio do curso da primeira etapa, quando nesse ínterim alguém da própria casa pede socorro urgente diante da mediunidade que esta a se manifestar; b. Determinado estudante, movido pela profissão a ser exercida em cidade distante, nos comunica que tem que se ausentar por trinta dias; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 89 c. Outras pessoas vêm até nós – através de informações de pessoas – desesperados porque para elas o fenômeno da mediunidade é natural e as casas espíritas exigem estudos de alguns anos. Meu Deus! Cada caso é um caso, mas vamos acolher essas pessoas e educar essa mediunidade em paralelo ao estudo do “Livro dos Espíritos” e “Livro dos Médiuns”. d. Outros chegam já psicografando, desde o primeiro dia. Nesses casos é justo forçar a cumprir o objetivo da metodologia, ao pé da letra? Aguardando a segunda etapa que no mínimo será após seis meses? Segunda etapa: Ø Psicografia; Ø Vidência; Ø Audiência. Qual é a solução que encontramos? Fazer o mesmo que os professores faziam no meu tempo de grupo escolar: mesmo ano, dividindo em turma “A”, “B” e “C”. Quanto ao psicógrafo, adotei o seguinte: no final da reunião, enquanto o médium atende o espírito doente, o candidato a psicografia faz o seu exercício. Sendo que na etapa segunda esse aluno passa pelo processo de avaliação e testes quanto ao fenômeno da sua psicografia. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 90 Eu pensava, que tudo estava ajustado: pedirá aos dirigentes espirituais que apenas espíritos sofredores fossem encaminhados para o atendimento e aprendizado dos alunos. Logo o engano: a espiritualidade nos encaminha espíritos muito rebeldes. A espiritualidade, percebendo a minha preocupação diante do grupo em período de estudos, envia em meu socorro um querido amigo, que assim se expressou: da nossa parte tudo é planejado do lado de cá, se são encaminhados até você é porque está preparado para o diálogo esclarecedor e as vibrações do grupo atendem as necessidades do momento. Motivo de dizer: a linha mestra eu adoto em todas as etapas, administrando os imprevistos dentro da segurança e da flexibilidade possíveis. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 91 CADERNO B ÍNDICE CADERNO B 91 CONSIDERAÇÕES GERAIS 93 ITEM 01 - ESPÍRITISMO, MEDIUNIDADE E MÉDIUNS 94 ITEM 02 - SINTOMAS DA MEDIUNIDADE 100 ITEM 03 - COMENTANDO A OBSESSÃO 105 ITEM 04 – FENÕMENO DE EFEITO FÍSICO 107 ITEM 05 - OS ESPÍRITOS 108 ITEM 06 - ORIGEM DO HOMEM NA TERRA 110 ITEM 07 – A PARTICIPAÇÃO DOS ESPÍRITOS NA VIDA DO ENCARNADO 113 ITEM 08 - DESBRAVANDO A MEDIUNIDADE 114 ITEM 09 - O MÉDIUM 117 ITEM 10 - FENÔMENO MEDIÚNICO 121 ITEM 11 - QUANTO A NATUREZA DA MEDIUNIDADE 139 ITEM 12 - FENÕMENO PARCIALMENTE ANÍMICO/MEDIÚNICO/MISTO 144 ITEM 13 – ESTUDANDO OS FENÔNEMOS RELACIONADOS A VIDÊNCIA 161 ITEM 14 – FENÔMENO DE LUCIDEZ 183 ITEM 15 - MEDIUNIDADE NATURAL 189 ITEM 16 – MEDIUNIDADE NO ENTENDIMENTO CRISTÃO 193 ITEM 17 – COLETÂNEA DE INFORMAÇÕES 198 ITEM 18 – TRANSICÃO PLANETÁRIA 211 ITEM 19 – INFORMAÇÕES HISTÓRICA DA MEDIUNIDADE 220 ITEM 20 – APOMETRIA 222 CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 92 ITEM 21 - A EFICIÊNCIA NO TRABALHO MEDIÚNICO 248 ITEM 22 - CONHECENDO MELHOR O FENÔMENO MEDIÚNICO 259 ITEM 23 - FINALIDADE DAS REUNIÕES MEDIÚNICAS 261 ITEM 24 - MÉDIUM, PESSOA INTER EXISTENTE 268 ITEM 25 – INTRODUÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DAS 5 FASES 270 CONSIDERAÇÕES FINAIS 273 CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 93 CONSIDERAÇÕES GERAIS Adentraremos no universo mediúnico, primeiramente preparando o candidato no aprendizado teórico, desaguando na eficiência, na flexibilidade mediúnica, autocontrole e nas nuanças do seu exercício mediúnico, a serem utilizados pelo médium até o final da sua vida. Até aqui, procurei conduzir a todos para que individualmente cada um de vocês tenhalapidado os seus sentimentos. Após essa lapidação pessoal, chegou o momento de nos unirmos e formarmos um grupo com valor cristão. Sem essa união cristã não seremos um grupo e quem não compartilhar com esse desiderato, pode pensar pertencer ao grupo, mas estar no grupo não quer dizer pertencer ao grupo. Assim sendo, que cada um se pergunte: Qual o motivo de Deus nos reunir nesse estudo mediúnico? Qual a minha obrigação com a minha consciência? Lamentavelmente, “muitos serão chamados e poucos os escolhidos, pelo fato de não persistirem até o final” – disse Jesus. Outro aspecto de muita relevância é entender que todos nós estamos fugindo do Cristianismo há mais de dois mil anos e que esta é a ultima oportunidade. Caso contrário só Deus sabe – “Espiritismo, uma nova era para a humanidade”. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 94 ITEM 01 - ESPÍRITISMO, MEDIUNIDADE E MÉDIUNS Os médiuns são enfermeiros, são os médicos dos desencarnados. Por isso devem ler, estudar e praticar em sua intimidade a seguinte realidade: Pelo processo do choque anímico produzido pela aceitação da presença do espírito necessitado podemos dizer que o doente desencarnado consegue sentir, pensar e ver com maior lucidez através do médium. É dessa forma que estamos oferecendo o primeiro socorro, estabilizando o paciente, comparando com o atendimento do SAMU-ESPIRITUAL, que após as providências iniciais, encaminha o paciente ao hospital – no caso hospital espiritual. A partir disso, fica possível perceber a importância da atuação do médium desde o momento da comunicação do espírito, visto que o médium estará enviando para o espírito o seu sentimento, com equilíbrio. Um exemplo de como não se deve comportar o médium: Determinado espírito acaba de desencarnar e apresenta-se derramando lágrimas. O médium, ao invés de transmitir o equilíbrio, também chora. É por isso que o médium adestrado e equilibrado no trabalho, se faz o primeiro evangelizador desse espírito necessitado. P. Por que há mediunidade na terra? R. A mediunidade existe desde que o homem existe na Terra. Progrediu após a rogativa de Jesus ao pai, assim finalmente chegaram CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 95 os dias em que o espírito passou a derramar-se sobre toda a carne; em que os céus se abriram revelando seus segredos, para que as promessas não sejam palavras vãs, mas encontrem por fim, seu tão postergado cumprimento. O espiritismo sempre progride e se difunde, não tanto pelo esforço e sacrifício deliberado dos médiuns ou pelos que desconhecem, mas sim pelos que querem conhecê-lo, que o estudam, investigam e assim derrubam as barreiras do misticismo. Os espíritas e os médiuns são os trabalhadores da última hora, para os quais o salário é o mesmo que para os antigos – desde que faça nesse pouco tempo o que não fez em longas existências. Esses acontecimentos serão intensificados nesse século, tornando-se realidade comum entre os homens no decorrer desse terceiro milênio. Um novo espiritismo vai surgir, no amanhã da humanidade. Para uma grande massa de espíritos está sendo concedida a mediunidade, com o objetivo de que ascendam no mundo todas as luzes desses últimos acontecimentos. Esta é, pois, a principal missão dos médiuns: disseminar a luz nas trevas, para que todos vejam; e os que mesmo assim não forem tocados por ela ou a rejeitaram por um bom tempo – como a rejeitaram no tempo de Jesus –, pagarão bem caro por essa insistência na insensibilidade. Sendo assim, três quartos da humanidade não farão jus de retornar aqui. O problema espiritual é qualitativo e não quantitativo. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 96 Mas os que se salvarem desta crise, habitarão um mundo renovado, como uma raça de vencedores que conquistou a si mesma. O espiritismo nesse mundo renovado do terceiro milênio vivenciará outros horizontes, outras perspectivas e amplitudes. Haverá conhecimentos mais dilatados no campo do espiritismo cósmico e sua prática não será mais condicionada a pouca inteligência humana e as suas imperfeições, mas será a execução consciente e espontânea dos ensinos do Evangelho de Jesus - será a comunhão com espíritos mais evoluídos. Para justificar o que estamos propondo em relação ao Desenvolvimento Mediúnico, vamos passar uma rápida revista no que ocorre nos fenômenos da mediunidade. P. Qual o motivo das perturbações que ocorrem no período pré- mediúnico? R. Para chamar a atenção do médium para a necessidade do desenvolvimento, a fim de que seja realizado em tempo oportuno e de forma adequada o desenvolvimento daquele que tem a responsabilidade com a mediunidade tarefa. Casa espírita não é fábrica de médiuns, mas sim responsável por lapidar e oferecer a preparação para tal desiderato. O período pré-mediúnico, como vemos, é o período que antecede a eclosão da faculdade. Esse assunto deve ser encarado pelo próprio médium, tendo em vista o que se passa com ele, deve então decidir qual atitude tomar desde o início. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 97 Quando tais perturbações surgirem em qualquer indivíduo - podendo ser de intensidade variada e não havendo melhoras com os tratamentos médicos - sugerem que não é um problema material, portanto, o interessado deve procurar um centro espírita idôneo, solicitando ajuda ou consulta espiritual - caso haja essa modalidade de atendimento. O período pré-mediúnico representa, na verdade, o chamado para o amadurecimento da faculdade: chegou enfim o momento do seu trabalho e do seu testemunho. Sem a benção das perturbações, com certeza deixaríamos essa vida levando conosco o fracasso existencial perante a nossa consciência pelo desprezo e fuga quanto ao compromisso de servir ao bem. O bem é a única moeda que quita os nossos débitos perante a nossa consciência. Por que insistir em ser o doente ao invés de buscar a alegria de ser o enfermeiro, o médico dos sofredores encarnados e desencarnados? A faculdade mediúnica, tanto a natural como a de prova, não são fenômenos de nossos dias. Ela é tão velha quanto o próprio ser humano. Foi por meio delas que os espíritos sublimados puderam interferir na evolução do mundo, nos orientando, guiando e protegendo. P. O que foi o dia de Pentecostal senão a eclosão da mediunidade oferecida pelo alto aos apóstolos e discípulos? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 98 R. Era tão comum a mediunidade entre os primitivos cristãos, que instruções mediúnicas eram enviadas às comunidades das diferentes cidades. Acredite, à medida que o cristianismo foi se transformando em religião oficial, “Igreja Católica Apostólica Romana” foi perdendo sua espiritualidade e ganhando caráter mundano, a partir do Concílio de Nicéa, em 325, formaram-se duas correntes opostas: uma querendo permanecer no cristianismo primitivo e outra se esforçando por progredir financeiramente no mundo dos homens. A partir daí a Igreja, esquecendo-se de três séculos de vida exemplar dos cristãos primitivos e, repudiando os ensinamentos do Mestre no seu verdadeiro sentido, consorciou-se com as forças do mal para obter – como obteve – o domínio do mundo pelo poder temporal. O espiritismo tem a responsabilidade de tornar REDIVIVO o Cristianismo. A casa espírita que não dá prioridade a formação de grupos de trabalhadores mediúnico, não está assimilando que espiritismo entre filosofia, ciência e religião, tem como fundamental essa relação entre material e espiritual. Será que o espiritismo existiria se não fossem as vozes do além a manifestarem-se e seremaceitas por Kardec? Naturalmente não teríamos as mil obras escritas entre Chico e Divaldo. Assim sendo, fica claro que os que hoje possuem essa sensibilidade já desenvolvida, colhem o que plantaram em vidas anteriores e recebem o resultado das experiências que já realizaram e das provas que suportaram. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 99 São os que, sem a coroação da dor, adotam mais depressa e sem discussão ou vacilação os ensinamentos da Terceira Revelação, porque já possuem uma afinidade espiritual mais acentuada pelas verdades que prega. Como vemos, quando a mediunidade bate a porta, não é algo que devemos querer ou não. Ela simplesmente existe e, se não aceitarmos o trabalho junto com os espíritos superiores, teremos em nosso psiquismo aqueles que por serem atrasados, comungam com o nosso atraso e nos prejudicam. Sem a mediunidade, nada se faz, senão permanecer no terreno das elucubrações, das concepções cerebrais. Quando algo se consegue de positivo que represente conquista espiritual, verifica-se logo que foi ainda – e sempre – com o auxílio da mediunidade, mesmo não percebida ou aceita. Para justificar vamos rapidamente comentar no caso da mediunidade de incorporação – a mais comum. No plano espiritual há sempre um agente próximo ou distante que executa junto ao médium uma ação direta ou indireta, próxima ou mais afastada, quer esteja o médium consciente ou inconsciente, quanto ao fenômeno de incorporação, tomando por base a transmissão telepática; nas quais o agente desencarnado funciona como aparelho transmissor que, por vontade própria, utilizando-se da mente (órgão de funcionamento pouco conhecido), emitindo ideias e pensamentos, ondulações vibratórias, sonoras e coloridas, que ainda desconhecemos suas CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 100 particularidades. Ao longo do curso, nos demais cadernos, vamos esclarecendo o que acontece em diversos fenômenos da mediunidade. ITEM 02 - SINTOMAS DA MEDIUNIDADE Prezado candidato ao estudo do Desenvolvimento Mediúnico. Até aqui, procurei conduzir individualmente cada um de vocês a sentimentos enobrecidos, com a finalidade de desaguar no coletivo, caso contrário não podemos nos considerar um grupo. Assim sendo que cada um se pergunte: De onde nós viemos? Qual o motivo de estarmos aqui reunidos em torno do estudo mediúnico? Qual a minha obrigação com a minha consciência antes do meu retorno à vida após essa vida? Para a nossa evolução, o criador já nos proporcionou três Revelações. “Haverá uma Quarta Revelação, mas essa será dada somente àqueles que estejam em condições de vivê-las, segundo os altos padrões espirituais dos mundos superiores”. P. Há alguns sinais que demonstram a presença da mediunidade e o afloramento dessa faculdade, que podem variar segundo a sua natureza? R. Sim. Vamos comentar: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 101 Sono: Os primeiros exercícios da mediunidade, tem o seu começo no aprendizado do espírito quando desligado do corpo físico pelo sono. No sono, o espírito ao ver e conviver com desencarnados, estará exercitando a prática no amanhã da mediunidade de vidência. O sono para o corpo físico, é uma “morte aparente” de todos os dias, é incompleta, durante a qual o espírito não perde sua integridade, cessando somente a atividade dos órgãos de relação com o mundo exterior; mas, em compensação, para o espírito, o sono abre as portas da espiritualidade, uma visão mais ou menos amplas para a visão das estranhas cenas do mundo do além. Os sonhos podem ser reais. Pois enquanto o corpo repousa, o espírito passa a agir no plano espiritual, no qual terá maior ou menor liberdade de ação, segundo sua própria condição evolutiva. Uns se conduzem livremente, outros ficam na dependência de terceiros, mas todos são atraídos para lugares que lhes sejam afins ou correspondentes. Estas faculdades de lucidez, tão belas e tão úteis, abrem ao médium educado e consciente, um mundo extraordinário de conhecimentos e revelações espirituais. Transforma o homem em um ser diferente, visto que possui o poder de, mesmo quando encarnado, viver nos dois mundos. Rasgam- se peias, etc., consegue abarcar muito do universo, lhes permitindo compreender muitas das grandezas da criação divina. Temos também o sonho orgânico, motivado pela preocupação excessiva do dia, vivenciamos a nós mesmos em outra existência, e ao CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 102 acordar, temos a lembrança, mas não sabemos fazer a conexão com o presente – eis o sonho irreal. Audição: Os entendimentos são os mesmos contidos nos fenômenos de lucidez. Quase sempre, a audição desperta no médium que já manifestou a vidência, visto serem faculdades que se completam mutuamente. Na audiência, os sons reboam às vezes dentro do cérebro do médium e outras vezes são ouvidas na acústica dos ouvidos, mais distantes ou mais perto, segundo a capacidade de audição que o médium manifestar. Em outra maneira, as impressões sonoras são transmitidas através da cortina fluídica, a qual atinge os órgãos dos sentidos e caem no campo da consciência física. Afeta os nervos sensoriais da audição, mesmo sem passar pelo tímpano, simplesmente por indução. O médium ouve vozes, rumores, a princípio incompreensíveis, mais ou menos nítidos em seguida, mesmo não se tratando de mediunidade auditiva. Outros padecem de zumbido nos ouvidos e há muitos que de tal maneira se tornam sensíveis a tal ponto de não poder conciliar o sono. Ideias e impulsos estranhos: Sensíveis como são os fenômenos hiperfísicos, os médiuns começam a perceber, nesse período pré-mediúnico, ideias estranhas, que lhes surgem na mente de formas às vezes obsessiva, bem como CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 103 impulsos de agir ou de fazer tal ou qual coisa, de que também jamais cogitaram. Nesses momentos, devido a sua natural inexperiência, é muito comum sofrer influências boas dos bons espíritos, assim como dos inferiores. Assim sendo, é necessário vigiar sempre, interferir com a razão continuadamente, analisando tais ideias e impulsos, não se deixando levar por eles e optando sempre pelo que for mais criterioso e justo. Do acima grifado é que as Casas Espíritas devem como nunca entender que o sexto sentidos/mediunidade está a se manifestar como nunca na humanidade. O centro espírita, como hospital a serviço da espiritualidade deve lapidar, orientar e promover o desenvolvimento saudável no período pré-mediúnico e evitar que por deficiência das casas espíritas desenvolvam sem a orientação necessária uma mediunidade perturbada, principalmente os oriundos da Umbanda. Os responsáveis devem refletir: será que das ovelhas que meu pai me confiou algumas estão sendo extraviada por minha culpa? Que esse lapidar, orientar, não seja verdadeira tortura por longos estudos, privando que essas energias mediúnicas possam externar-se. Estudo e trabalho, eis a tarefa daqueles portadores da mediunidade tarefa. Observo com muita preocupação que as casas espíritas não levam em consideração que cada caso é um caso. Não podemos ter o mesmo procedimento com todos que chegam até nós. Veja a situação de Divaldo, se a pessoa que o acolheu não tivesse tido um CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 104 entendimento diferenciado. Após a reunião mediúnica, Divaldo tinha que caminhar até se cansar para poder dormir; deitado em determinado hotel sentiu o quarto pegando fogo e procurou jogar-se pela janela do terceiro andar; estando na praia,Divaldo teve o desejo de caminhar mar adentro, o que não ocorreu, é claro, porque um companheiro de quarto o segurou pelas pernas. Se as Casas Espíritas adotarem a condição de aceitar a prática da mediunidade somente quando tiver médiuns prontos, não teremos grupos mediúnicos, e pior, não teremos condições de ajudar quem deseja dar os primeiros passos por não termos os professores, ou seja: médiuns que mostrem na prática a grandeza dessa doutrina Consoladora junto aos irmãos desencarnados principalmente. Esse excesso de cuidado faz o movimento espírita tornar-se improdutivo. Espíritas! Entendam que na terra ainda não temos médiuns perfeitos. Entorpecimento, frio e rigidez: Durante esse período inicial, os protetores agem sobre os órgãos da sensibilidade, bem como sobre todo o sistema nervoso, justamente visando o preparo do campo para as atividades mediúnicas. Essa ação, muitas vezes provoca reflexo nos músculos e inibições na corrente sanguínea e nas terminações nervosas – sempre em caráter passageiro. O entorpecimento ora é no nos braços, ora nas pernas e pés, sendo também às vezes precedido de uma incômoda sensação de formigamento de epiderme em geral. Devemos entender que o nosso CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 105 corpo físico tem que ser preparado, pois ele ainda não está pronto para absorver as energias de âmbito mediúnico. ITEM 03 - COMENTANDO A OBSESSÃO Kardec explica o que é obsessão: “o domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas. É praticamente unicamente pelos Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons Espíritos não impõem nenhum constrangimento”. Quem se encontra sob persistente tensão nervosa/emocional, em razão do jugo obsessivo, passa a apresentar distúrbios na mente que se refletem no devido tempo, nas atitudes e nos comportamentos. Deduz- se, portanto, que a prevenção e a cura da obsessão envolvem necessariamente, o fortalecimento da personalidade e do caráter. Para tanto, é necessário que ele adquira esclarecimentos e respeito de como acontece a obsessão e o que fazer para neutralizar as más influências espirituais. A questão moral é, pois, fator de extrema relevância no aprimoramento da personalidade e do caráter em qualquer circunstância e, mais ainda quando a obsessão se faz presente. Nesse sentido, o espírita consciente prioriza a sua renovação moral. Podemos dizer que existe obsessão consentida? Sim. Muitas vezes, atraímos espíritos de forma involuntária por causa de nossos desejos de beber muito, de usar drogas, de fazer sexo desregradamente, etc. Semelhante atrai semelhante! Essa regra é CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 106 básica na obsessão. Uma mente sadia mentalmente e equilibrada não é alvo de obsessão! Isso se dá porque não existe sintonia e afinidade para a aproximação dos espíritos perturbadores. Essa sintonia não pode ser inconsciente, pelos vínculos oriundos dos delitos da existência/s passadas/? Sim. Percebendo tais interferências, procure adquirir um escudo protetor via reforma íntima, mente elevada e trabalho na caridade, pois o bem é a moeda que paga os nossos pecados. Ore pelos seus inimigos, a prece abranda os seus ímpetos corações, peça a Deus que o ajude/m. Faça do inimigo seu amigo e tudo será resolvido. A renovação moral foi uma contínua preocupação de Kardec, desde os seus contatos iniciais com a mensagem espírita, como lembra – Emmanuel. A “Revista Reformador” de junho 2.014, também comenta o assunto Obsessão: “A obsessão, em qualquer forma de expressão e grau, caracteriza-se por (...) o domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas. É pratica unicamente utilizada pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento (...) Trata-se, portanto, de uma enfermidade psíquica de difícil resolução”. Na fase inicial, a influência obsessiva é sutil, esporádica, episódica, nem sempre valorizada pelo próprio médium ou por pessoas próximas. Nas fases avançadas, o cerco obsessivo se expande: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 107 o medianeiro passa a ser mantido sob controle da entidade obsidiante que, atuando diretamente nas delicadas estruturas do seu psiquismo, produz-lhe variáveis desajustes mentais, emocionais e somáticos. Os comportamentos inconvenientes ou impróprios, passam a ser usuais, revelando o “efeito gangorra”: há emoções desenfreadas, graduadas por lágrimas e choros convulsivos; manifestações de frieza emocional e rigor na execução de ações; surgem episódios de medo (insegurança) e de valentia (bravatas); aparecem ideias fixas e os delírios; identificam-se manias de perseguição (paranóia) e de grandeza; demonstra tendências para um controle excessivo, minucioso e doentio de pessoas e coisas. O obsessor mantém o obsidiado sob permanente hipnose, alimentada sobretudo durante o sono do corpo físico. Ao despertar, reproduz, mais tarde, em ações de sua vida prática, as ordenações então recebidas – as quais poderão levá-lo até mesmo ao crime e ao suicídio. ITEM 04 – FENÕMENO DE EFEITO FÍSICO Fora da Casa Espírita, vemos o noticiário televisivo e pessoas apresentando-se como exorcista para atender o fenômeno. Como atender sem conhecimento dos motivos de deslocação de objetos, batidas em móveis, acender ou apagar de luzes, fogo que surge a cada instante num lugar, etc.? Todas estas perturbações são próprias do período pré- mediúnico, em geral com desconhecimento do portador desse CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 108 fenômeno – terminando a medida em que a faculdade se desenvolve e se educa: esse é o meu alerta as casas espíritas que tem excesso de zelo. Para o dirigente do curso é muito significativo que ele saiba identificar que tal pessoa é portadora de tal sensibilidade, podendo assim utilizá-lo nas atividades do passe. É pela natureza dos fluídos sentido pelo médium que se identifica a presença de entidades boas ou más do mundo invisível. Essa identificação é a ferramenta de defesa quando os fluídos forem perniciosos. ITEM 05 - OS ESPÍRITOS É comum pessoas sem humildade perante o criador, se expressarem de forma questionadora ou zombeteira dizendo: se a cada nascimento, essa criança liga-se a um espírito, por acaso Deus tem alguma fábrica de espíritos? “Sim, essa fábrica existe, o que não existe em muitos de nós é uma sabedoria não necessariamente tão cósmica, mas que deve ser intuída pelo coração, pelo fato de trazermos em nossa intimidade espiritual essa fagulha de sabedoria, que poderá ser sentida intuitivamente pelo coração”. Allan Kardec, em A Gênese, X1, apresenta informações: P1. - O princípio espiritual teria sua fonte no elemento cósmico universal? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 109 P2. - Não seria senão uma transformação, um modo de existência desse elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc.? R1/R2. - Se assim fosse, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria, extinguir-se-ia pela desagregação como o principio vital; o ser inteligente não teria senão uma existência momentânea como o corpo e na morte reentraria no nada. P3. - Sendo admitido o ser espiritual, e sua fonte não podendo estar na matéria, qual a sua origem, o seu ponto de partida? R3 - O que Deus lhe faz dizer, pelos seus mensageiros, e o que, aliás, o homem poderia deduzir, (...) é que todos tem um mesmo ponto de partida: todos são criados simples e ignorantes, com uma igual aptidão para progredir. Do mesmo modo que Deus criou mundos materiais de toda aeternidade, igualmente criou seres espirituais de toda a eternidade; sem isso, os mundos materiais estariam sem objetivo. Conceber-se-ia antes os seres espirituais sem os mundos materiais, que estes últimos sem os seres espirituais. P. Onde temos a localização dessas almas? R. A doutrina da localização das almas, não podendo estar de acordo com os dados da ciência, uma outra doutrina mais lógica lhe assinala por domínio, não um lugar determinado e circunscrito, mas no espaço CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 110 universal: é todo um mundo invisível no meio do qual vivemos, que nos rodeia e nos acotovela sem cessar (L.M Cap. Primeiro, item 02). São os mundos materiais que devem fornecer aos seres espirituais os elementos da atividade para o desenvolvimento de sua inteligência. Sendo o períspirito o intermediário entre espírito e corpo material. Antes que a Terra existisse, mundos outros existiam e, quando a Terra saiu do caos dos elementos primário da natureza, o espaço estava povoado de seres espirituais, em todos os graus de adiantamento, desde aqueles que nasciam para a vida, até aqueles que, de toda a eternidade, tomaram lugar entre os puros Espíritos, vulgarmente chamados de anjos. Eis as explicações para aqueles que questionam: “Por acaso Deus tem alguma fábrica de espíritos para habitar cada criança que nasce? ITEM 06 - ORIGEM DO HOMEM NA TERRA No item anterior abordamos origem e localização dos espíritos. Agora vamos tentar da melhor forma, comentar a origem do corpo físico do homem na Terra! Tarefa que não é difícil; porém, necessitamos entender e aceitar que a matéria do nosso planeta cria e alimenta o ser de uma única célula – as “amebas”. Naturalmente, essas células evoluem e assim atendendo de forma direta os estudos CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 111 de Darwin, em 1.858. “Teoria da Evolução da Espécie”, no qual o espiritismo concorda. Aos contestadores respondam-me: a escola dos nossos dias, afirmam que pertencemos ao reino animal, não é? Naturalmente tendo como princípio uma única célula. A Terra, no princípio, era um mar viscoso cheio de vida e é dele a origem dos seres viventes. Há a necessidade de dissecar o assunto quanto a origem dos corpos humanos. Novamente recorremos A Allan Kardec, em A Gênese, capítulo XI item 15: “Da semelhança de formas exteriores que existe entre o corpo do homem e do macaco – formas exteriores, pois no organismo físico os DNA’s são em número, quase que idênticos, motivo de os laboratórios médicos criarem medicamentos através de testes nesses macacos. Os que mais se assemelha ao homem são o Chipanzé, Orangotango e o Gorila”. Certos fisiologistas concluíram que o primeiro não era senão uma transformação do segundo. Assim atestado, o homem vaidoso se sente ferido na sua dignidade. Corpos de macaco puderam muito bem servir de vestimenta aos primeiros Espíritos humanos necessariamente pouco avançados (evoluídos) que vieram se encarnar sobre a Terra, sendo essas vestimentas os meios apropriados às suas necessidades e mais próprio ao exercício de suas faculdades. Em lugar de que uma vestimenta fosse feita para o Espírito, nele encontrou uma inteiramente pronta. Deve ter-se vestido com a pele do macaco, sem deixar de ser espírito humano, primário. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 112 É nessa caminhada que ele vai tornando-se hominal, ele vai caminhando até o momento de tornar-se identificado a partir de 35.000 anos passados, época do Homus Sapiens. Nessa época, os homens passam a serem considerados verdadeiramente humanos. Devemos pensar, assim acredito, que essa existência rudimentar desses espíritos que vieram até nos utilizando corpos físico de macacos com gestos mais evoluídos, teve pela primeira vez uma existência física terrena. Mas que ao longo do tempo foram levantando-se e caminhando de forma ereta, seus corpos ainda eram muito peludos, seus braços ainda longos. Acredito que nessa fase, eles são identificados homem bestiais. A medida que o espírito foi progredindo, deram nascimento a uma nova espécie que pouco a pouco se distanciou do tipo primitivo. Uma informação importante: o espírito macaco não se exterminou, continuou a procriar corpos de macaco para o seu uso. Prestando atenção vemos que o macaco continua sendo macaco, assim como o cachorro. O ser espiritual animal vai procurando corpos – animais - mais preparados para o seu uso e desenvolvimento. Como não há transição brusca na Natureza, entendemos que muitos homens tribais que conhecemos ainda hoje, a sua aparência pouco se difere do macaco pela forma exterior, formação da cabeça e quantidade de pêlos. Esclarecendo que a transição do espírito animal para o homem rudimentar acontece após longo estágio no mundo espiritual, os quais exercitam-se em tarefas mais bruscas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 113 ITEM 07 – A PARTICIPAÇÃO DOS ESPÍRITOS NA VIDA DO ENCARNADO “Essa participação é muito mais ativa do que pensais” – disse Kardec. Vejamos a situação dessa jovem nordestina, trabalhando numa empresa de aviação em São Paulo: Com tristeza ela pensava: Meu Deus! Errando, dessa forma eu vou ser despedida do trabalho, os meus superiores não vão entender. Um espírito em estado de tristeza, muito sofrido, mesmo sem querer prejudicar, encontra na nordestina alguém para compartilhar a sua dor. Estabelecendo-se a lei da afinidade. Mentalmente, ele diz a ela: -É verdade minha querida, não alimente ilusões em ser entendida pelo seu superior. Eles são sempre ingratos. Como vemos, sempre temos em nós uma fogueira acessa e a nossa mente sintoniza com espíritos que estão na mesma faixa vibratória. Se forem espíritos maus ou ignorantes eles adicionam mais lenha nessa nossa fogueira psicológica. Eis o momento de colocarmos coisas boas em nossa mente, por intermédio de leituras edificantes, principalmente as de cunho Cristão. Devemos procurar conhecer e vencer a nós mesmos. Conhecer o seu lado psicológico e perceber que naquele você não está sendo o que você de fato é, alguma coisa está alterada. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 114 ITEM 08 - DESBRAVANDO A MEDIUNIDADE No estágio atual do espiritismo, não é mais aceitável que o médium exerça sua função sem saber como o fenômeno acontece. Todo espírito, no momento de fazer suas escolhas antes de reencarnar, opta por lições que venham a colaborar com o destilar dos seus lixos mentais através de provas e expiações. Ele deve se preparar, pois no momento de maior dor, estará sozinho, abandonado por aqueles que tinham o dever de compreensão. Jesus teve a cruz e quem quiser seguir os seus passos, deverá estar preparado para a solidão e para o desprezo. O cristão de hoje não tem mais o circo romano, mas será agredido na intimidade do seu ser, quase sempre no seio da família. Uma dor silenciosa, difícil de explicar. Dor que ninguém entende, somente aqueles que a sofrem a entendem. Mas é possível encontrar relativa paz nesse sofrimento, se tiver em mente que a dor é sinônimo de árdua ascensão espiritual. Quando o mundo terreno não lhe oferece o amor – alimento para a sua alma – o espírita deve buscar as amizades sinceras, oriundas dos seus mentores, conquistando-as pelo trabalho no bem. Como entender que muitos médiuns, atrasados em sua evolução moral, possuem capacidades psíquicas razoáveis? Não as conquistaram, mas as receberam como um empréstimo, por antecipação, em uma posse precária, que fica dependendo do CURSO DE DESENVOLVIMENTOMEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 115 modo a ser utilizada. Depende da forma pela qual o indivíduo possa cumprir a tarefa cujo compromisso assumiu nos planos espirituais. Caso venha a enobrecer, estará acelerando a sua caminhada evolutiva. Os médiuns em estágio de mediunidade de empréstimo são aquelas almas que fracassaram desastrosamente, que contrariaram, sobremaneira o curso das leis divinas e que agora resgatam - sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidade, o passado obscuro e delituoso. A mediunidade é uma concessão oferecida como ferramenta de trabalho comum. Quando as vibrações entre os dois mundos se equilibram e se sintonizam, obedecendo às leis de afinidade, ligações íntimas se estabelecem em maior ou menor ressonância. Essa sintonia se verifica entre habitantes desses mundos, proporcionando o natural intercâmbio. André Luiz, ao qual reputamos grande autoridade sobre a realidade da vida espiritual - afirma o seguinte: “Mediunidade não é disposição da carne transitória e sim expressão do espírito imortal”. A mediunidade se desenvolve aos poucos, silenciosamente, no despertar das glândulas cerebrais. Sua intensidade é aumentada aos poucos. Apresenta inicialmente variadas formas de perturbações físicas e psíquicas, até que uma sintonia mais positiva surja, transformando a sensibilidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 116 Eis o momento em que somos convidados a substituir os lixos mentais por pensamentos elevados. Atualmente, o número de perturbados é imenso, com tendência a crescer. Não se erra muito ao dizer que 90 por cento das perturbações são de fundo espiritual, 10 por cento representando mediunidade a desenvolver. São resultados extraídos após pesquisa feita com 9.600 perturbados, realizada pela Federação Espírita do Estado de São Paulo (Aliança). Nestes casos de perturbações, a aura individual se apresentava escurecida e manchada em um ou outro ponto. Em geral, as perturbações psíquicas apresentadas por indivíduos de certa sensibilidade própria, indica inicialmente a mediunidade. Não há motivos para surpresa, pois mediunidade é apenas o sexto sentido a ser incorporado aos outros cinco que já dominamos. Para maior facilidade de entendimento quanto ao estudo da mediunidade, dividimos a faculdade da seguinte forma quanto à classificação: ü Quanto à natureza: podendo ser natural, ou de prova; ü Quanto ao fenômeno: em lucidez, incorporação e efeitos físicos; ü Quanto ao estado do médium: consciente, semi-consciente e inconsciente. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 117 ITEM 09 - O MÉDIUM O que se tem em vista sempre é: formar médiuns senhores e não escravos da mediunidade. Médiuns conscientes de suas tarefas e responsabilidades, que possam - conforme a natureza de suas faculdades - penetrar nos mundos invisíveis como elementos aptos a compreenderem e transmitirem aquilo que os homens necessitam conhecer a respeito desses mundos. Devem procurar servir de instrumento hábil a espíritos de qualquer hierarquia. Apto para agirem em qualquer circunstância com autoridade e conhecimento de causa e elevação de sentimentos. O médium que não pode conduzir a si mesmo, que não foi educado ou que o foi de forma passiva, sem saber se colocar na posição de coadjuvante e fiscal da sua mediunidade quando necessário, sem flexibilidade, torna-se um veículo de confusão e de indecisão em qualquer lugar ou circunstância em que atue. Os exercícios mediúnicos contidos nas cinco fases, oferecem ao médium os elementos necessários para o perfeito cumprimento de suas tarefas. Em todos os dias de sua vida, o médium deve procurar cada vez mais, conhecer o seu físico, o seu psiquismo e o seu estado psicológico. Isso é fundamental para que ele possa identificar o que é produzido por ele ou por espíritos. É preciso aumentar o número de médiuns de excepcional capacidade, para acelerar o progresso do mundo e dilatar os limites CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 118 entre as coisas da matéria e as coisas do espírito. Ainda é muito restrito o campo dos conhecimentos humanos no setor do espírito. Quando esse conhecimento aumentar, a ignorância religiosa será vitoriosamente combatida e a superstição será substituída pela claridade. Claridade essa de pensamento lúcido, na qual as práticas inferiores serão encurraladas e ali exterminadas - porque os novos horizontes agora iluminados e transparentes não mais permitirão a existência das sombras. Queremos que o espiritismo de claridade e de realizações mais amplas venha a manifestar-se desde logo, mas ele esbarra na lentidão da própria evolução. Nem por isso devemos nos acomodar com a rotina e nos acumpliciar com as forças retardadoras do pensamento. Devemos nos conformar menos ainda com a falta de amor e de caridade com os que sofrem com a estagnação das maravilhosas possibilidades espirituais que a doutrina nos outorga para a realização da obra comum da redenção. Devemos ter sempre em mente os ensinamentos de Jesus: “Muitos dirão Jesus, Jesus, mas mesmo assim não entrarão no reino do Pai”. Por isso, devemos aproveitar muito bem a oportunidade que nos lhe é dada como trabalhadores da última hora. Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo. São na verdade, almas que fracassaram desastrosamente e que contrariaram sobremaneira o curso das leis CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 119 divinas, que agora resgatam sob o peso de severos compromissos e limitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito muitas vezes se encontra enodoado de graves deslizes e erros clamorosos. Quase sempre são espíritos que tombaram dos cumes pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência. Não esquecer que muitos médiuns e dirigentes foram os orgulhosos mandatários no Clero. Esses agora regressam à Terra para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas, que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando com sacrifícios aquilo que desorganizaram nos seus instantes de criminosa arbitrariedade e de condenável insânia. Alguém que conhece a sua existência passada poderá dizer: Mas na existência passada eu sofri muito, porque tenho que sofrer no hoje novamente? A resposta é simples: o sofrimento não foi o suficiente para o resgate. É necessário lembrar que é preciso vencer se não quiser soterrar a vossa alma na escuridão dos séculos de dores expiatórias. Aquele que se apresenta no espaço como vencedor de si mesmo, é maior do que qualquer um dos generais terrenos. O homem que vence a si mesmo faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborar pela obtenção CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 120 do organismo etéreo, através de virtudes e do dever cumprido, não ficará livre do doloroso círculo das reencarnações. André Luiz, em “Missionário da Luz”, no capitulo III transcreve as explicações do Instrutor Alexandre sobre os médiuns: “É verdade que sonham edificar maravilhosos castelos sem base; alcançar imensas descobertas exteriores sem estudarem a si mesmos; mas, gradativamente, compreenderão que mediunidade elevada ou percepção edificante, não constituem atividades mecânicas da personalidade e sim conquistas do espírito, para cuja execução não se pode prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários com a autoeducação sistemática e perseverante”.Diante do exposto fica fácil entender duas realidades: 1. Mediunidade de prova: é concedida como ferramenta de trabalho; 2. Mediunidade natural: conquista do espírito de evolução mais avançada. Generalizando diremos: aqueles que conseguem ser intermediários entre o material e o espiritual, sem dúvida são portadores da mediunidade tarefa. Aqui está a minha preocupação pessoal. Pois não desejo que o portador desse compromisso - previamente estabelecido com o mundo espiritual - termine a sua vida física levando consigo esse assunto mal resolvido. Eis o motivo do alerta. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 121 Mediunidade tarefa: é faculdade psíquica à disposição dos Espíritos do Bem, outorgadas a espíritos endividados, sob compromissos de trabalho no plano coletivo. Não esquecendo das diversidades de fenômenos mediúnicos. ITEM 10 - FENÔMENO MEDIÚNICO Postura mediúnica – o entendimento de sua prática: O processo de comunicação dá-se somente através da identificação fluídica, sintonia psíquica do Espírito com o médium, via períspirito a períspirito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma para outra mente através do veículo sutil. Somente o exercício prolongado e bem dirigido conseguem eliminar os inúmeros impedimentos que se apresentam durante o fenômeno. Dentro desse contexto, vale citar as fixações mentais, os conflitos e os hábitos psicológicos do sensitivo, que podem surgir do seu inconsciente e, durante o transe, assumem com vigor os controles das faculdades mediúnicas, dando origem às ocorrências anímicas. Em si mesmo, o animismo é ponte para o mediunismo, movido pela falta de estudo, sendo que o estudo conduz o médium a superar esse engodo e a exercer a mediunidade. Porém, mesmo que o grupo CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 122 mediúnico seja bem conduzido e tenha médiuns disciplinados; o fenômeno puro ainda não existe no planeta Terra. Os valores intelectuais e morais do médium têm preponderância na ocorrência fenomênica, porquanto serão os seus conhecimentos, atuais ou passados, que vestirão as ideias - telepáticas - transmitidas pelos desencarnados. Desse modo, a qualidade da comunicação mediúnica está sempre a depender dos valores evolutivos do seu intermediário. Passividade: é o processo da comunicação mediúnica ostensiva que tem início a partir do transe – quando ocorre a emancipação da alma humana –, permitindo ao corpo fluídico ou períspirito do médium expandir-se, possibilitando ao Espírito viver por um instante sua vida, parcialmente livre e independente. Para atingir o transe mediúnico, o sensitivo deve concentrar-se. Não é provocando tensão de emoções na fixação de pensamento, mas sim através da leveza de alma, deixando a mente livre para a espiritualidade encontrar caminho livre para expressar-se. A fim de que este ato mental ativo compartilhado com a espiritualidade atinja o resultado desejado. Tão logo o médium sinta no seu organismo físico a sensação da ligação com o espírito comunicante, deve mudar a postura mental para um estado receptivo e atento, diminuindo o fluxo de pensamento, para ensejar que as ideias do comunicante penetrem nos seus registros CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 123 físico-psíquico, em uma expectativa serena, sem ansiedade ou tensões, para a concretização da passividade. Uma boa imagem para fixar a compreensão desse mecanismo é comparar a mente do médium à superfície de um lago. Se essa lâmina d´água estiver parada e tranquila, toda e qualquer imagem nela projetada se refletirá com nitidez; ao contrário, estando agitada – onduladas, como se alguém tivesse atirado uma pedra – as margens se reproduzirão distorcidas, podendo desaparecer por completo após sanadas as perturbações. Outra condição básica para uma boa passividade é um estado íntimo de confiança, capaz de suprimir qualquer dúvida com relação ao intento a alcançar, como por exemplo: “esse espírito é muito rebelde, será que darei conta”? André Luiz, no livro “Nos Domínios da Mediunidade – Capítulo VI” afirma que: um médium em pleno exercício mediúnico consciente, ao emitir um pensamento de dúvida, de pronto romperia a corrente mediúnica e expulsaria o Espírito comunicante, perdendo excelente oportunidade de serviço. O mesmo André Luiz em “Mecanismo da Mediunidade, capítulo VII”, compara o ato mediúnico a um circuito elétrico em que o pensamento do médium é o interruptor que liga e desliga a corrente. Ele propõe: pensamento constante de aceitação ou adesão, interruptor ligado, fechado o circuito, proporcionando a utilização da energia. Falta de adesão, desinteresse ou distração, interruptor desligado, abrindo o circuito e interrompendo o trabalho. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 124 Vivencia: É regra geral que, no início da jornada mediúnica, a maioria dos médiuns se ressinta de qualificações para captar o pensamento dos Mentores, entretendo-se com Espíritos menos evoluídos que funcionam como adestradores da instrumentalidade medianímica. Porém, na medida que se deixa conduzir com a disciplina e responsabilidade, aproveitando as oportunidades para progredir intelectual e moralmente, bem como pautando a conduta pelas diretrizes do Evangelho, abre espaços para fortalecer a sintonia com o guia espiritual e assenhorear-se melhor de suas potencialidades mediúnicas, dando forma clara e precisa à missão de serviço perante a qual se comprometeu. Outro aspecto que precisa ser bem compreendido é o da interrupção voluntária da mediunidade. Muitos se recusam a exercê-la só pelo receio de se vincularem a um compromisso de que se não podem desobrigar-se, sob pena de sofrerem outras tantas tribulações. De saída, é bom que se diga que a mediunidade não é uma improvisação, nem um acontecimento fortuito. Pelo contrario, ela faz parte da constituição orgânica do indivíduo e tem suas raízes plantadas em causas e decisões anteriores ao momento de sua eclosão. Por isso, é impossível que uma determinada pessoa não sinta tal sensibilidade, assim como não se pode evitar a inteligência, o uso da razão quanto ao fenômeno da fala, da audição, da visão e etc. Ante a constatação de que se é portador de mediunidade, a criatura tem o direito de consultar o seu livre arbítrio, decidindo-se entre educá-la ou CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 125 não. Optando pela primeira alternativa, investirá no aperfeiçoamento dos seus registros, criando condicionamentos seguros, para um exercício voluntário e disciplinado. Caso prefera a indiferença ou a recusa, estará rejeitando uma dádiva da vida para o seu desenvolvimento espiritual, abandonando um excelente roteiro evolutivo, trocando-o por outros, talvez, de menor valor qualitativo. A falta de estímulo acaba por emperrar as engrenagens especializadas responsáveis pela mediunidade, bloqueando a sintonia que, no entanto, poderá continuar produzindo sinais mediúnicos fragmentados e ocasionais ao longo da existência, podendo cessá-la completamente. Há médiuns que estão de tal modo ligados ao compromisso de redenção pessoal – compromisso ajustado ainda quando permanecia na vida espiritual –, que para adquirir nobres sentimentos, - condição máxima para tal desiderato – passa por severas e, às vezes, demoradas constrições provocadas por Espíritos perturbadores, com a finalidade de acordar a consciência para o cumprimento dessas responsabilidades assumidas. Educação: Entre os primeiros sinais da eclosão da mediunidadee o estágio de pleno desenvolvimento há uma longa caminhada. Não se caracterizando a faculdade por sinais exteriores, somente o seu detentor pode perceber suas nuanças e qualificar-se para sua educação. A potencialidade mediúnica guarda relação com a aptidão CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 126 orgânica do médium, sua experiência no exercício da faculdade e sua evolução espiritual: fatores que quando comandados pela vontade e postos a serviço dos Guias Espirituais/Espíritos Superiores, determinam os limites possíveis e alcançados por cada um em cada etapa reencarnatória. A prova de sabedoria está na atitude serena daqueles médiuns que se realizam o quanto podem, a cada momento, adestrando-se e aperfeiçoando-se incessantemente. Não se revestem com a vaidade dos que querem voar mais alto do que suportam. E nesse avançar é que se realizam pela alegria do serviço, sem invejar os que seguem na dianteira e nem copiar os vícios dos que se demoram na retaguarda. A recomendação inicial de Kardec e dos Espíritos Superiores tão logo se constatem os sintomas da mediunidade, é o estudo a desdobrar-se em duas frentes distintas: 1. Doutrina espírita e suas relações com diversas áreas do conhecimento; 2. Psicologia do comportamento humano. Não há como operar com segurança sem compreender importantes assuntos, tais como: a finalidade do intercâmbio, a influência pessoal e moral do médium e do meio, a metodologia para distinguir a qualidade moral dos Espíritos e os obstáculos a superar ao longo do exercício – essas não são todas, mas apenas algumas das relevantes matérias. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 127 Há uma relação muito estreita entre a educação para a vida e a educação para a mediunidade. Se a vida exige do ser disciplina e responsabilidade no fruir dos gozos materiais, equilíbrio e brandura no lidar com o próximo além de resistência nas provas, a mediunidade exige modo idêntico com essas conquistas. Pode-se, portanto, afirmar que não existe médium educado antes que tenhamos um cidadão educado. Não há educação mediúnica sem crescimento moral – conquista que atrai os Bons Espíritos, fortalecendo os laços com o Anjo Guardião em quanto reforça o nível energético do períspirito e melhora a organização mental, de tal modo que o banco de dados das ideias arquivadas esteja prontamente disponível. Se a mediunidade é para toda a vida, por que não o seria para todas as horas? Quem é médium não o é somente nas reuniões de intercâmbio espiritual. A faculdade é um sentido profundo que acompanha o seu detentor onde esteja. Isto não quer dizer que se deva entrar em transe a qualquer hora e lugar, mas registra o que seja facultado, reservando o direito de permanecer lúcido e ativo no cumprimento das tarefas e compromissos sociais e em permanente sintonia com os Bons Espíritos, através da inspiração, marcando a vida de imensas possibilidades de servir. E quanto mais se serve, mais médium se é, mesmo não possuindo mediunidade ostensiva. Pode acontecer que seja mais médium aquele que não recebe Espíritos do que aqueles que os recebem. Amparados nesta CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 128 compreensão, todos somos chamados a viver mediunicamente o quanto possível: errando menos e servindo mais. Uma informação útil a transferir para os interessados em mediunidade: não se deve forçar a eclosão e o desenvolvimento de uma faculdade, mas sentindo os sintomas exposto na página inicial desse caderno, aí sim deve-se imprimir-lhe direção segura. Mediunidade não é aquisição apressada que se obtém no mercado das faculdades humanas, mas sim a luz do caminho apontando rumos. Exercício: O primeiro passo, para o exercício mediúnico é perceber os sinais precursores da existência da mediunidade que podem se apresentar indefinidamente, a um só tempo em diferentes áreas nervosas do médium. Esses exercícios de Desenvolvimento Mediúnico dar-se-ão em cinco fases. Esse método é o mais eficaz na identificação das diferentes áreas nervosas, indicando ou não existência de mediunidade tarefa. Faz-se necessário, portanto, que o candidato ao exercício mediúnico canalize a faculdade nascente naquela que tenha mais facilidade, deixando para o futuro o desenvolvimento de outras, sem a pretensão de utilizar todas, o que pode caracterizar-se como vaidade. Em doutrina espírita não se pode ter as coisas como definitivas, assim sendo, cada caso é um caso. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 129 Nessa etapa primeira o objetivo é mediunidade de incorporação. Não é recomendável desenvolvimentos apressados em grupos desestruturados ou em reuniões familiares. Esse tempo de improvisação já passou. Convém buscar uma instituição Espírita bem orientada onde, de início, o candidato à mediunidade primeiramente participe do estudo teórico e depois o exercício de desenvolvimento mediúnico. Desenvolvida a mediunidade ostensiva ou não, todos devem contribuir na tarefa do passe. A partir daí, inicia-se a longa caminhada do adestramento através da qual terá a oportunidade de trabalhar o seu potencial mediúnico e aprender a educar a força nervosa em expansão para filtrar com nitidez as ideias dos Espíritos comunicantes, preservando o conteúdo e a emoção das mensagens num tom de voz natural, evitando as expressões vulgares ou inconvenientes. Diante dessa exposição verdadeira, cabe ao médium não tomar ao pé da letra, pois caso contrário o médium deixa de ser de fato o intermediário entre o espiritual e o material. Importa ao sensitivo não resistir à onda mental que o alcança, ainda que acompanhada de fortes emoções e sensações desconfortantes. Ela procede do espírito e deverá ser canalizada sem bloqueios, porém com atenção, equilíbrio e disciplina. Todavia, nunca deverá entregar-se em totalidade: “médium, seja consciente ou inconsciente, sempre é o comandante da sua mediunidade”, a ponto de permitir a exacerbação nervosa, a manifestação ruidosa, ou a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 130 posição largada de se debruçar sobre a mesa, ou comportamentos equivalentes. Com a prática, será permitido perceber o momento certo de dar a comunicação, o que será preferível fazer quando não haja mais determinado médium em ação. Isto significa ritmo, ordem e integração. Nessa cadência de trabalho, dificilmente será necessário ao médium receber mais de duas comunicações em cada reunião, ainda porque entre uma e outra será necessário esvaziar a mente, reorganizar as emoções e se recompor, a fim de que os resíduos psíquicos e mentais da primeira manifestação não interfiram na segunda. O dirigente, sentindo segurança em torno de algum estudante do Desenvolvimento Mediúnico, como aprendizado poderá permitir que o mesmo participe de algumas reuniões mediúnicas acompanhando algumas comunicações para esclarecer-se e instruir-se – sentado fora da mesa. Aqueles que não apresentam mediunidade ostensiva e tem vocação para ser um elemento de sustentação vibratória, como também para ajudar no passe especifico nessa atividade, terá a sua oportunidade desde que se preparem para o empreendimento. Entendendo que terá a mesma responsabilidade dos médiuns, pois deverá exercer a mediunidade do amor a exemplo de uma Usina, produzindo plasma psíquico, ofertando-o aos Espíritos benfeitores e sofredores. Em suma: todos os participantes das reuniões mediúnicas devem cumprir a sua função particular. Os médiuns que não estiverem com CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 131 entidades a sua volta, devem ficar vibrandopelo companheiro em atendimento ao sofredor. O dirigente encarnado é peça fundamental. O êxito dos trabalhos guarda estreita relação com a ligação telepática que se estabelece com o Dirigente Espiritual, para produzir atitudes corretas em qualquer situação delicada que possa surgir no desenrolar do atendimento aos desencarnados, principalmente nas doutrinações. A atuação de um dirigente bem inspirado e educado mediunicamente, é portanto, valioso instrumento de apoio para o grupo, principalmente aos médiuns, ajudando-os de forma discreta e sem violência, conforme o livre arbítrio de cada um, a superar os conflitos íntimos, dúvidas e particularidades de suas faculdades. A concentração deverá ser conquista de todos, pois dela depende, fundamentalmente, a harmonia dos trabalhos. Isso significa fixação do pensamento nos objetivos da reunião com exclusão dos que não atendem o objetivo do momento, em clima de absoluta serenidade. Para os médiuns ostensivos será o esvaziar da mente, para que possam expandir o períspirito e captar a onda mental dos seres que desejam comunicar-se. Para os demais participantes, será uma reflexão atenta, tendo como pano de fundo, o amor irradiante inspirado em Jesus. Para concentrar-se é necessário aprender a meditar e vice-versa. Na meditação a mente direciona-se para a imaginação criativa. No exercício da mediunidade, a mente não deve criar e sim mergulhar na CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 132 oração em total entrega de si mesmo apenas observando a princípio e depois podendo fazer breves colocações, como por exemplo quando o espírito está mentindo. Sem conduto canalizar tal observação em verbalização e tornar-se como um segundo doutrinador e criando dificuldades aos mentores e ao dirigente das atividades mediúnicas. Após dar esses passos, a mediunidade se engrandece e conquistam-se belas amizades espirituais, aprimorando a capacidade de doação e descortinando com alegria um futuro de bênçãos. Obstáculos: O obstáculo mais forte à utilização da mediunidade é o conjunto das imperfeições do médium, pois facilita a interferência dos maus Espíritos assim como dos frívolos que com ele se afinam, mantendo identificação de propósitos de natureza inferior. Isso porque os médiuns não são criaturas privilegiadas ou agraciadas, mas sim Espíritos em evolução, sujeitos às provações, deficiências, vícios e desvios de comportamento ainda não superados que trazem de vidas passadas. Os quais se refletem, inevitavelmente, nas relações interpessoais da presente encarnação na qual se insere também o exercício mediúnico. Diante dos perigos aos quais está exposto, o médium deve trabalhar constantemente pelo próprio aprimoramento íntimo, usando suas faculdades medianímicas com nobreza e desinteresse por qualquer tipo de retribuição, ainda por que, tal experiência, quando vivenciada com entusiasmo e seriedade, ajudá-lo-á na retificação de CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 133 seu caráter, como também lhe abrirá as portas do serviço de natureza superior. O médium deve esforçar-se a todo custo para libertar-se do orgulho, da presunção, da indolência e da irresponsabilidade. Entre esses inimigos da alma, ao lado de tantos outros, o que mais merece atenção é o orgulho, por ser a doença moral da qual a criatura humana menos admite ser portadora. Por falta de vigilância, o orgulho tem destruído as mais belas faculdades mediúnicas, impossibilitando os seus detentores de se tornarem instrumentos benfazejos e úteis tanto para o progresso próprio quanto para a humanidade. Quanto ao traço característico do orgulho agindo no médium e causando a confiança cega nas suas comunicações e na infalibilidade dos Espíritos que atuam por seu intermédio, Kardec já afirmou: “é preferível não se aceitar dez verdades do, que aceitarmos uma mentira”. Com uma confiança absoluta na superioridade do que obtém, isolado do convívio salutar das pessoas que podem opinar através de uma crítica construtiva, aliada a uma irrefletida importância dada aos nomes de Entidade Venerandas que assinam os comunicados, o médium tornam-se presa fácil de Espíritos mistificadores e perversos. É necessário salientar ainda a influência perniciosa daqueles que o rodeiam, estimuladores da presunção e da vaidade pela via do endeusamento inconsequente. Por essa e outras razões, o médium deve trilhar a estrada cheia de pedregulhos e espinhos do aperfeiçoamento moral, buscando no CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 134 trabalho de edificação do bem e da caridade, na oração e no estudo doutrinário, as forças para superar os impedimentos inerentes à sua própria natureza e para alcançar os patamares da libertação. Edificação do bem é a disposição a todo instante, em esforço hercúleo para manter-se de pé ante as provas da vida, sem perder a condição ativa no serviço a favor da coletividade. A princípio, são quase impossíveis tais realizações; insistindo-se na decisão, surgem os primeiros resultados, perseverando-se na decisão, surgem os resultados bem favoráveis e, perseverando, chega- se ao hábito. A caridade é igualmente fruto da experiência. Existem pessoas existem que questionadas sobre a sua prática, não sabem do que se trata. Contentam-se em não estar contribuindo para o agravamento dos males alheios, o que reconhecemos - já é um sinal do progresso nascente. Todavia, a caridade é uma força dinâmica que aproxima as almas. A pessoa que já despertou para a sua vivência, diante de outras a quem se proponha ajudar, não saberá dizer qual das duas precisa mais uma da outra. O estado do coração é a educação da mente para a busca de Deus. Mente vazia é campo propenso a qualquer tipo de pensamento. A criatura humana, antes de atingida por ideias indesejáveis ou depois de alcançada por elas, face às matrizes de atração que mantém, deve sustentar um esforço consciente para pensar no amor e direcionar as ideias para o louvor e o reconhecimento da obra e poder de Deus, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 135 reflexionando as lições e situações que o Evangelho de Jesus propõe, a guisa de roteiros iluminados. Estagnação: Quando a mediunidade se faz repetitiva e monótona, naqueles médiuns que se tornam improdutivos por vontade própria, pelo desinteresse da tarefa e pela ausência de renovação interior, acabam criando embaraços ao livre transitar das ideias novas. Na medida que se aperfeiçoam moralmente e se autodescobrem, vão permitindo alargar a sintonia com seus amigos espirituais, flexibilizando a sua indumentária para melhor atender aos sofredores, bem como para registrar mais claramente o pensamento dos Guias Espirituais da Humanidade. Mistificações: Apesar dos cuidados que o exercício da mediunidade exige, nenhum médium está isento de ser veículo de mistificações. Estas se manifestam conforme os seguintes tipos e procedências. Vejamos: Consciente: podem ser provocadas pelo próprio médium que, não sentindo a presença dos comunicantes e sem valor moral para explicar a ocorrência, apela para o embuste, derrapando gravemente. É importante observar e estudar as mistificações provocadas por Espíritos frívolos e pseudo-sábios, que são atraídos pelo comportamento equivalente dos médiuns, ou por outros participantes. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 136 São trazidos ao médium e ao grupo com a finalidade de pôr a prova a humildade, a vigilância e o equilíbrio da equipe mediúnica. Eis a necessidade do valor moral da equipe. Inconsciente: são provocadas devido à liberação dos arquivos da memória do médium - animismo- ou à captação telepática de correntes mentais de parasitas provenientes dos Espíritos desencarnados ou de encarnados ligados à reunião. Tais contatos telepáticos podem assomar no instante mesmo em que o médium se põe em ação mediúnica, programadas pelos mentores espirituais e interferindo na mensagem que exterioriza. Pode também eclodir isoladamente, dando origem a comunicações truncadas, inconscientes e fora do contexto da reunião mediúnica. O animismo, como fenômeno do qual o médium inconsciente arroja do seu próprio passado os próprios sentimentos de onde recolhe as impressões de que se vê possuído, merece tratamento cuidadoso por parte do dirigente encarnado das reuniões mediúnicas. Muitas vezes, aquilo que se assemelha a um transe mediúnico não passa de um estado anímico, no qual o médium desajustado revive o seu passado, induzido pela aproximação dos Espíritos que partilham de suas remotas experiências. O médium, quando nessa situação, deve ser tratado com a mesma solicitude, afetividade, compreensão e paciência que são dispensados aos Espíritos desencarnados sofredores, pelo fato dele ser também um espírito, com uma única diferença: estar encarnado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 137 No conceito de André Luiz, Espírito, esse médium é comparado àquele vaso defeituoso que pode ser consertado e restituído ao serviço. É preciso atenção para não transformar a tese animismo em exame de admissão à mediunidade. Obsessão: A obsessão na mediunidade é um grande obstáculo à sua educação e ao seu exercício. Assevera Manoel Plilomeno de Miranda, a parasitose obsessiva ocorre somente quando existe o devedor que se lhe torna maleável na área da consciência culpada que sente necessidade de recuperação. No princípio, a obsessão pode ser confundida com algumas dessas manifestações psicopatológicas, tais como: o transtorno neurótico, o psicótico, e às vezes, a esquizofrenia. Porém, não é a mediunidade que responde pela eclosão do fenômeno obsessivo. Alias, é através do seu cultivo correto que se dispõe de um dos antídotos eficazes para esse flagelo, porquanto por meio da faculdade mediúnica é que se manifestam os perseguidores desencarnados, que se desvelam e vêm esgrimir as falsas razões nas quais se apoiam buscando justificar a vingança. Será, no entanto, a transformação moral do médium obsedado a única porta para a recuperação da sua saúde mental, libertando-o do cobrador atormentado e atormentador. Chamamos atenção para o fato de que todo obsediado é médium, - com tarefa mediúnica - entretanto, nem todos os médiuns obsediados devem desenvolver as suas faculdades mediúnicas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 138 A obsessão na mediunidade se apresenta sob três aspectos já considerados por Allan Kardec, no Livro dos Médiuns: simples, fascinação e subjugação. Obsessão simples: quando ocorre a intromissão de um Espírito imperfeito, nem sempre uma entidade vingadora, no campo magnético do médium, causando interferência e impedimento para o programa de atendimento estipulado pelos Instrutores Espirituais. Não deve ser confundida com falta de maleabilidade do sensitivo e, ou, manifestações ruidosas. Obsessão fascinação: é quando acontece uma ilusão que perturba o raciocínio do médium. Caracteriza-se por uma confiança cega nas comunicações que recebe com ausência de senso crítico. Há tendências para o isolamento e comunicações psicofônicas ou psicográficas em momentos e situações inoportunas e frequentes. A obsessão por fascinação não se constitui apenas como um problema individual. Ela pode refletir em todo um grupo de trabalhadores, quando o agente atua sobre uma liderança impondo verdades incontestáveis e que o grupo por desconhecimento aceita, sendo manipulado. Obsessão subjugação: na obsessão por subjugação acontece uma contrição paralisante da vontade do sensitivo, podendo afetá-lo moral ou fisicamente, forçando-o a tomar resoluções absurdas com a prática de atos ridículos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 139 ITEM 11 - QUANTO A NATUREZA DA MEDIUNIDADE Mediunidade Natural: A mediunidade natural representa um poder, uma conquista do espírito. Um atestado de espiritualização. Isso se observa no dia-a-dia da Casa Espírita. Médiuns aptos em algum conhecimento doutrinário sentam-se à mesa e começam a trabalhar com relativa desenvoltura - está aí um exemplo de mediunidade natural, em geral mediana no começo. Em outras palavras, ele não precisa aprender o mecanismo da incorporação, pois para ele é coisa tão comum quanto o falar, o andar, o levantar de um braço, etc. Não estou falando em não estudar e moralizar-se. A sua capacidade de produzir incorporação de socorro aos doentes espirituais é muito simples para ele. Restando apenas a tarefa da lapidação, para ajudá-lo a vencer certas incertezas e para alcançar o nível das possibilidades existentes na sua mediunidade. Mesmo com essas qualidades, porém, ele não deixa de ser um médium de prova e expiação. A mediunidade natural é lúcida à medida que o individuo evolui e se moraliza, adquirindo então faculdades psíquicas e conseqüentemente aumentando a sua percepção espiritual. Naturalmente, essa mediunidade - quando convenientemente evoluída - é senhora de uma sensibilidade apurada, que lhe permite vibrar normalmente em planos superiores sem a necessidade de incorporação. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 140 Jesus foi a expressão máxima de sintonia com o Criador quando esteve entre os homens, ele até afirmava: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. E assim muitos médiuns podem dizer: eu estou com o meu mentor espiritual e ele está em mim. Um exemplo atípico de mediunidade, se assim podemos dizer pode ser observado no caso de Pietro Ubaldi exposto no caderno 01. Ele dá o seu depoimento de muita utilidade a nós outros: “Essa conquista se produziu após longa maturação, adquirida a poder de estudos, de renúncia material e de desenvolvimento moral”. A preparação moral/cultural que me levou a isso foi uma vida de tremendos sofrimentos, suportados no isolamento e no silêncio, sendo desprezados por todos, durante os meus primeiros 45 anos. A dor é o maior livro da vida. Aquele que nos revela a verdadeira ciência, porque através dela se chega a ouvir a voz de Deus. Inexperiente nestes assuntos, a princípio classifiquei este meu estado de mediunidade. Reparei que nunca caía em transe e que não era instrumento passivo ou inconsciente e sim de fenômeno de inspiração. O meu fenômeno não é inato, mas sim maturação biológica, como o desenvolver da criança que se torna homem. Assim sendo, o meu primitivo estado chamado de mediúnico, transformou-se em um estado de inspiração. Certamente não desprezando a mediunidade física, a qual para se manifestar tem necessidade fisiológica. O meu alvo é a ascensão moral até o fim da minha vida física – acredito poder chamar de aquisição – assim, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 141 emancipando a alma. Eis um lado não observado, nos estudos de mediunidade. Aqui cabe uma pergunta, a respeito da maturação biológica: P. O ser inteligente é o espírito ou o físico? R. É necessário entender que o ser espiritual foi criado simples e ignorante. Mas quando encarnado é o físico (cérebro) que ao ir intelectualizando-se, vai transferindo os conhecimentos ao cérebro perispiritual. Ou seja: o físico ao intelectualizar-se, evangeliza-se e repassa ao ser espiritual essas suas aquisições. Nessa minha resposta não estou colocando como definição final, pois seria muita pretensão.Pietro deixa bem claro em seu esclarecimento que os sofrimentos e o desprezo, são ferramenta hábeis para o aprendizado à renúncia material e ao desenvolvimento moral. Isso mostra que ele foi um cristão cumpridor dos conselhos de Jesus, que disse que “ninguém pode servir a dois senhores, Deus ou a Mamom (dinheiro). Para se amar um necessariamente despreza-se o outro. Ele era culto e podia optar pela facilidade financeira. Quanto ao desprezo, existem vários fatores, mas principalmente o seguinte: I. Quem tem a capacidade de tirar proveito de uma situação de sofrimento para fazer emergir do seu inconsciente profundo valores morais sublimados? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 142 II. Se o homem procurasse desprender-se um pouco mais do seu egoísmo instalado no seu inconsciente ele saberia sublimar em seu benefício a trágica palavra “incompatibilidade” familiar. Como? Observando as coisas boas das quais que cada um é portador. Quem foi Pietro Ubaldi afinal? Foi o Frei, Leão, discípulo de Francisco de Assis. Na presente existência, um Italiano, advogado, que se mudou para o Brasil atendendo um convite da espiritualidade superior. Viveu em Santos- SP até o seu desencarne. Escreveu e publicou os livros mais científicos/espíritas que conhecemos da literatura espírita, entregando-os à fundação que leva o seu nome. Sendo eles: v “Grandes Mensagens” - Mensagens espirituais e notas biográficas; v “A Grande Síntese” - Síntese e solução dos problemas da ciência e do espírito; v “As Noúres” - Técnicas e recepção das correntes de pensamento; v “Ascene Mística” - O fenômeno místico estudado e vivido pelo autor; v “História de um Homem” - Um homem, seu destino e sua luta pelo ideal; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 143 v “Fragmentos de Pensamento e Paixão” - Os ideais Franciscanos, a verdadeira religião; v “A Nova Civilização do Terceiro Milênio” - A verdadeira civilização, o tipo biológico do futuro; v “Problemas do Futuro” - O problema psicológico, filosófico e científico; v “Ascensões Humanas” - Problema social, biológico e místico; v “Deus e o Universo” - Síntese teológica, conceituação dos problemas máximos. v “Profecias” - O futuro do mundo. A função histórica do Brasil; v “Comentários” – Documentos e comentários sobre a obra; v “Problemas Atuais” - Teoria da reencarnação. O novo homem. A patogênese do câncer; v “O Sistema” - Gênese e estrutura do universo; v “A Grande Batalha” - As armas do Evangelho e o poder da não resistência; v “Evolução e Evangelho” - Justiça social, o evangelho e os bens materiais; v “A Lei de Deus” - Como funciona o pensamento diretor de Deus; v “A Técnica Funcional da Lei de Deus” - Mecanismo das forças espirituais em ação; v “Queda e Salvação” - Fenômeno da evolução do Espírito e da matéria; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 144 v “Princípio de Uma Nova Ética” - Moral racional, Psicanálise. Personalidade humana; v “A descida dos Ideais” - Os ideais são uma realidade da vida. Trabalho e propriedade. Cristianismo e Comunismo. Teilhard de Chardin; v “Um Destino Segundo Cristo” - Experiências espirituais do autor em 40 anos de dedicação à Obra; v “Pensamentos” - como orientar a própria vida. Análise de casos verídicos; v “Cristo” - Estudo aprofundado da personalidade de Cristo; ITEM 12 - FENÕMENO PARCIALMENTE ANÍMICO/MEDIÚNICO/MISTO Fenômeno anímico: o termo animismo designa-se, aqui, as manifestações da própria alma do médium, a desvelar no processo das comunicações o conteúdo arquivado no inconsciente do médium – mencionado anteriormente nas páginas 136, 149 em diante. Na prática mediúnica, o animismo se revela sob dois modos diferentes: 1. A alma do médium se comunicando, se expressando; 2. O Espírito do médium introduzindo as suas ideias próprias nas mensagens de que se faz instrumento intermediário. A problemática das comunicações do médium utilizando seu próprio equipamento mediúnico não passou despercebida por Allan CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 145 Kardec que, ao questionar os Espíritos que orientaram a Codificação, deles obteve a confirmação do fato, conforme anotado em o Livro dos Médiuns, item 223, segunda questão: “A alma do médium pode comunicar-se, como a de qualquer outro. Se, goza de certo grau de liberdade recobra suas qualidades de espírito”. Entendo que nesse caso, a mediunidade sonambúlica tenha mais facilidades para o animismo. Vê-se que os Mentores não deram ao assunto qualquer conotação de anormalidade, chegando mesmo a afirmar que o conteúdo de certas comunicações produzidas por médiuns, com o concurso dos Espíritos, pode ser superior ao de outras, obtidas com participação deles, a depender do grau de evolução de um e de outros. Nem sempre, o fato anímico revela qualidades adormecidas ou simples ocorrências do cotidiano da vida atual ou pretérita de um médium. Não raro, o que se projeta são os traumas, as manifestações fóbicas, além de outras expressões de desajustes que aguardam regularização. André Luiz em “Nos Domínio da Mediunidade”, cap. 22, intitulado Emersão do Passado, narra interessante ato ocorrido em uma reunião mediúnica, em que uma sensitiva, em transe sonambúlico, libera episódio traumático de outra encarnação, a feição de uma autêntica comunicação mediúnica. Interessante ressaltar que assistia à cena, sem participar mediunicamente do transe, um ser espiritual, na condição de algoz endurecido, cuja presença funcionava como catalisador a detonar na CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 146 memória da sensitiva, pelos mecanismos dos reflexos condicionados, os lances ali fixados desde passado remoto. O fato narrado pelo lápis mediúnico de Francisco Candido Xavier reflete uma situação anímica marcada pelo desajuste psicológico. No entanto, tal situação estava prestes a ter solução: após o esvaziamento daquele desajuste psicológico, ela estaria retornando à normalidade mediúnica. Com base nessa certeza, o Autor enfatiza a necessidade de conduzir o atendimento com todo o respeito e interesse ao diálogo esclarecedor. Manifestações mistas, ou parcialmente anímicas: Até agora falamos do fenômeno plenamente anímico, ou seja: a alma do médium comunicando. Naturalmente, existem manifestações mistas, ou parcialmente anímicas, em que o médium, não conseguindo apassivar-se totalmente para ensejar a comunicação, introduz inconscientemente suas próprias idéias, clichês mentais e automatismo da personalidade. Uma das causas principais deste problema é a falta de afinidade entre o médium e o espírito - não trata de afinidade moral - o que se caracteriza, do ponto de vista vibratório, por divergências constitucionais que dificultam as ligações fluídicas indispensáveis para que o fenômeno se processe naturalmente. Esse assunto foi muito bem focado em O Livro dos médiuns, item 223, sétima e oitava perguntas: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 147 P. O espírito encarnado do médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir provinda de outros espíritos? R. Exerce, porquanto se estes não lhe são simpáticos pode até alterar suas respostas e assimilá-las as suas próprias idéias e pendores. P. Será essa a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns? R. Não há outra (...). Não havendo entre eles simpatia, o Espírito do médium é um antagonista que oferece certa resistência e se torna um interprete de má qualidade e muitas vezes infiel. A simpatia da qual os espíritos falam não é um resultado, tão somente,de afinidades psicológicas ou afetivas, mas peculiares da organização perispiritual que determinam a sintonia vibratória responsável pelo fenômeno mediúnico. Enquanto há médiuns bastante flexíveis e aptos a atenderem uma gama imensa de Espíritos em situações especificas de sintonia, há ainda outros médiuns, que são menos maleáveis – cuja passividade é bem adequada no atendimento de certos desencarnados. É por essa razão que o trabalho mediúnico se processa de maneira mais ajustada quando é controlado do Plano Espiritual para o físico, com o médium acreditando e colocando-se a disposição dos Mentores para atender a comunicação de sua responsabilidade. Isso não significa, de forma alguma, desmerecer o dirigente encarnado, mas dar prioridade ao CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 148 aspecto da competência e característica desses Espíritos, que são de fato os dirigentes das reuniões mediúnicas. De outras vezes, o que se dá é um mecanismo de associação de idéias, provocado por ações telepáticas. O pensamento do comunicante, mal sintonizado pelo médium, apaga-se quase que totalmente em sua mente, despertando idéias correlatas, parecidas ao acero de suas experiências. No capítulo 9 da obra “No Mundo Maior”, André Luiz, relata com particularidade o problema de sintonia relacionado ao que foi exposto acima: “Um médico, no Plano Espiritual, pressuroso por inspirar a realização de um trabalho de assistência à saúde na Terra, põe-se em ação, adotando uma forma de comunicação, valer-se-á, acima de tudo da comunicação mental não propriamente (telepática, assim entendemos) pelo fato de reduzir ao mínimo a influência sobre os centros neuropsíquicos. É que, em matéria de mediunismo, há tipos idênticos de faculdades, mas enorme desigualdade nos graus de capacidade receptiva, os quais variam infinitamente, como as pessoas. O instrutor silenciou por momentos e prosseguiu: Não se esqueça que formamos agora uma equipe de trabalhadores em ação experimental. Nem o provável comunicante chegou a concretizar as bases do seu projeto, nem a médium de mais experiência conseguiu ainda suficiente clareza e permeabilidade para cooperar com ele. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 149 Em um terreno de atividades definidas, deste particular; poderíamos agir a vontade; aqui não; nosso procedimento deve ser de neutralidade mental, não de interferência. Calderaro, com significante inflexão na voz - todos os companheiros estão absorvendo a emissão mental do comunicante, cada qual a seu modo. Agora eu sintetizo com minhas palavras, procurando sintetizar para melhor entendimento: Enquanto a médium Eulália absorvia a mensagem, outros sensitivos registram-lhe os pensamentos, de forma indireta, descodificando-os de uma maneira particular por meio de associações anímicas peculiares ao mundo das experiências de cada um.” Vejamos: “Certo cavalheiro recordou-se de comovente paisagem de hospital” “Outro rememorou o exemplo de enfermeira bondosa que com ele travara relações” “Um terceiro abrigou pensamentos de simpatia para com os doentes desamparados, não faltando quem se lembrasse da missão de Vicente de Paula.” Imaginemos que qualquer dessas pessoas, por inexperiência, entendendo estar envolvida mediunicamente, externasse essas idéias, como se fossem comunicações mediúnicas. Estaríamos diante de um peculiar de animismo por associação de idéia. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 150 As interferências anímicas podem ser provocadas ainda por interrupções intermitentes de sintonia: o médium começa a dar a comunicação, e de repente, perde a sintonia e deixa de receber o pensamento do comunicante, pode ceder à tentação de complementar com pensamentos próprios, em um mecanismo inconsciente de preservação de sua imagem. Algumas vezes, essas percas de sintonia são provocadas pela ação de obsessores interessados em inviabilizar o trabalho do médium. Para que se compreenda corretamente o problema do animismo, tem-se que compreender o papel do médium nas comunicações. Sabe- se que ele é o intérprete da mensagem que lhe chega. Ora, quem interpreta, deve inteirar-se e não apenas repetir, absorvendo a ideia em seu mundo íntimo, devolvendo-a com a vestimenta representada pelo seu estilo, vocabulário, emoções e acervo cultural. Médium intermediário. Quando o médium é limitado no conhecimento e menos evoluído do que o Espírito que por ele se comunica, não é capaz de transmitir a mensagem, tal qual foi idealizada, por falta de experiência vivencial e valor interno para uma interpretação adequada. Nesse caso, não há propriamente uma adulteração anímica, mas uma incapacidade técnica para a experiência. Utilizaremos o caso narrado por André Luiz, no capítulo 9, de “No Mundo Maior”, para elucidar: o comunicante põe-se em ação para transmitir sua mensagem através de Eulália. Caldenaro, o orientador de André Luiz, analisando as possibilidades da médium, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 151 assim se expressa: “Nosso amigo médico não encontra na organização psicofísica da médium os elementos afins perfeitos: nossa colaboradora não se liga a ele através de todos os centros perispirituais; não é capaz de elevar-se à mesma freqüência de vibração em que se acha o comunicante; não possui suficiente espaço interior para comungar-lhe as idéias (...) Eulália manifesta, contudo, um grande poder, o da boa-vontade criadora, sem a qual é impossível o início da ascensão. Após essas explicações, vimos que a médium, apesar de suas limitações, conclui o seu trabalho, grafando o ditado psicográfico com razoável nitidez e com a precisão que lhe era possível. No final da reunião, sob a liderança do dirigente encarnado, os participantes se puseram a analisar a mensagem, concluindo que o seu conteúdo, conquanto edificante na essência, não apresentava índices evidentes de uma identificação do conhecido profissional da Medicina, dada a falta de uma linguagem mais adequada, técnica e com características próprias de sua erudição. A tese anímica foi ventilada, sendo aceita pela maioria como tábua de salvação. Enquanto isso, na Espiritualidade, os Mentores lamentavam o erro significativo e verbosidade intelectual daqueles colaboradores humanos, alimentados apenas superficialmente de ciência. Seja o episódio anímico a expressão de uma experiência normal em que o médium simplesmente se desvela, a conseqüência de um CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 152 trauma que eclode ou a inserção de expressões adulteradas da mensagem dos Espíritos, haverá de ser um episódio esporádico e passageiro que cederá lugar ao exercício mediúnico normal na medida em que o médium sensitivo adquire experiência e se esforça para superar as suas dificuldades íntimas. É comum que no começo da jornada mediúnica, quando os médiuns ainda não estão familiarizados com processo das comunicações, que passem por conflitos ao não saberem determinar corretamente a fronteira entre o pensamento próprio e o dos comunicantes – provocando insegurança. Nesse lusco-usco do início, é muito provável que preponderem os estados arquivados no inconsciente. É por isso que se afirma que para se alcançar o estado mediúnico transita-se necessariamente pelo animismo. Ao lado do adestramento e paralelamente a este, deve o candidato às lides da mediunidade cuidar do seu desenvolvimento moral, renovando-se interiormente e integrando-se no Bem, a fim de que os seus fatores de desajustes sejam superados antes que se convertam em viciações alienantes e caminhos de acesso para asobsessões. Pessoas excessivamente mórbidas, afeitas a que se queixam repetitivamente e que são egoístas, ao se engajarem na prática mediúnica, têm uma tendência muito grande para o animismo- desajuste, porque seu comportamento já traduz esse estado anímico de tristeza e desencanto, decorrente de afloramento do passado nas CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 153 experiências que ora vivenciam. Também estão incursas nesse capítulo aquelas pessoas que, no passado, conscientemente enganaram e que, agora, inconscientemente o fazem quando em estado de transe. O Espírito Camilo, em “Corrente de Luz”, psicografia de Raul Teixeira, alude a outros fatos desencadeadores do animismo, na afeição de ruídos e estáticas, a dificultar a comunicação mediúnica, tais como: encontros e desencontros que sensibilizaram o médium, discussões e desentendimentos, os quais constituem fortes desatreladores das rédeas do equilíbrio emocional dos médiuns. Alguns desses obstáculos aparecem como fatos inevitáveis da vida, mas outros surgem como decorrência de uma vivencia não necessariamente espírita. Uma mudança salutar de hábitos e um compromisso cada vez maior com os valores da caridade cristã podem impor silêncio a certos condicionamentos renitentes e perturbadores. Divaldo Franco se utiliza de uma imagem muito simples para ensinar. Ele compara a nossa mente a um vaso sobre a forma de letra “U”, dividindo em três faixas: o super-consciente, o consciente e o inconsciente. As idéias chegam pelo superconsciente como inspiração, conscientizam-se no cotidiano e são arquivadas. A inspiração mediúnica faz o mesmo percurso: Primeiro sentimos, depois conscientizamos, para em seguida, vesti-la de palavras. Nesse périplo, essa inspiração passará pelo depósito do inconsciente, onde estão sedimentadas nossas idéias e CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 154 hábitos e onde se assimilará aquelas tintas, saindo com o colorido de nossa personalidade. Alimentando-se este vaso em “U” com água poluída e lama, naturalmente sedimentando-se no fundo, adulterando todo quanto por ali passa. Quando mudamos a orientação de nossos pensamentos e passamos a alimentá-los com água limpa, de início está água entrará clara, mas sairá com a turvação do material depositado. Se continuarmos, porém, alimentando aquele vaso com água limpa, esta limpará o depósito e acabará saindo cristalina e pura como entrou. Espera-se que os médiuns atuantes compreendam sem demora este processo de transmitir do anímico para o mediúnico, desemperrando as engrenagens medianímicas pelo exercício disciplinado e constante, e desobstruindo os canais por onde fluem as idéias através do trabalho no Bem, absorção de conhecimentos e cultura, oração e mediação continuadas. Que a cada passo, possam se avaliar, aprender a se conhecerem e se envolver o quanto puderem nesta torrente de idéias transformadoras que avança sem cessar até iluminar totalmente o mundo. P. Será que mesmo nos chamados fenômenos mediúnicos puro é puro? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 155 R. Estamos diante de uma recíproca, não menos autêntica. Não há fenômeno mediúnico puro. Esse é o entendimento dos estudiosos da doutrina espírita. Quanto ao fenômeno mediúnico puro, Hermínio C. de Miranda assim se expressa: Essa resposta poderá desagradar muita gente, mas não vejo como deixar de dizer: não há fenômeno mediúnico puro. A razão é simples, direta, objetiva e irrecusável. A comunicação mediúnica só se torna possível quando o espírito se utiliza do psiquismo de um encarnado, e assim fica fácil perceber que sempre terá o lado psíquico do médium participando do fenômeno. Temos casos excepcionais da não interferência do médium, conforme o livro “Parnaso Além-Túmulo”, via psicografia sonambúlica/inconsciente de Chico Xavier. “Se lhes fosse possível encontrar médiuns sem o componente anímico, eles estariam localizando-os e deixando os médiuns que não fossem 100% fieis na transmissão. O bom médium é aquele que reduz ao mínimo possível a interferência de sua personalidade, filtrando da melhor maneira o pensamento e desejo do encarnado, ou seja: Ser um perfeito menino de recado.” Para nos certificarmos disto, basta comparar mensagens do mesmo espírito recebidas por médiuns diferentes. Não vamos dizer que o médium de menor possibilidade intelectual não expressou a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 156 verdade, mas apenas que em seu psiquismo não possuía um vocabulário que propiciasse maiores possibilidades ao espírito. Vejamos o conceito de Kardec nessa relação médium e mediunidade: “médium é aquele que serve de intermediário, e não aquele que apenas entrega a sua cota de magnetismo, ou ectoplasma para que o fenômeno se produza”. Autodomínio do médium: O que se tem em vista sempre é formar médiuns senhores e não escravos da mediunidade. Médiuns conscientes de suas tarefas e responsabilidades, que possam penetrar nos mundos invisíveis como elementos aptos a compreenderem e transmitirem aquilo que os homens necessitam conhecer desses mundos, ou para servirem de instrumento hábil à Espíritos de qualquer hierarquia; aptos para agirem em qualquer circunstância com autoridade, conhecimento de causa e elevação de sentimentos. O médium que não se pode conduzir por si mesmo, o que não foi educado ou o foi de forma sistematicamente passiva, torna-se veículo de confusão e de indecisão, em qualquer lugar ou circunstância em que atue. Eu tenho dito sempre e em muitas ocasiões: passividade é aceitar o estado psicológico do espírito doente e sofredor – mas estar no comando da sua mediunidade, não permitindo abusos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 157 Os exercícios mediúnicos que virão estão contidos nas etapas primeira e segunda, oferecendo, os elementos necessários ao perfeito cumprimento de suas tarefas. Em todos os dias de sua vida, o médium deve procurar cada vez mais conhecer o seu físico, o seu psiquismo e o seu estado psicológico, para identificar o que é produzido por ele ou pelos espíritos. É preciso aumentar o número de médiuns de excepcional capacidade, para acelerar o progresso do mundo e dilatar ainda mais esses limites – que são ainda muito restritos – entre a relação homem material X homem espiritual. Quando tal conhecimento acontecer, a ignorância religiosa será vitoriosamente combatida; a superstição será substituída pela claridade de pensamento lúcido e as práticas inferiores irão sendo encurraladas nos seus antros e ali exterminadas, porque os novos horizontes já agora iluminados e transparentes não mais permitirão a existência de sombras. Queremos um espiritismo de claridade, de realizações mais simples e, se não conseguirmos desde logo, pela lentidão da própria evolução, nem por isso devemos nos conformar com a rotina e nos acumpliciar com as forças retardadoras do pensamento; e muito menos a falta do amor, da caridade com os que sofrem e com a estagnação das maravilhosas possibilidades espirituais que a doutrina nos outorga para a realização da obra comum da redenção. Não esquecendo que somos os trabalhadores da última ora e da última CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 158 oportunidade, até porque somos os que até pouco tempo renegava os ensinamentos de Jesus. Jesus nos orientou dizendo: “Muitos dirão Jesus, Jesus, mas mesmo assim não entrarão no reino do Pai. “ Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo: são almas que fracassaram desastrosamente,que contrariaram sobremaneira o curso das leis divinas e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e limitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes se encontra enodoado de graves deslizes de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência e que regressam, à Terra em regime de sacrifício, em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade, e da virtude. São almas arrependidas, que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando com sacrifícios aquilo que desorganizaram anteriormente, nos seus instantes de criminosas, arbitrariedade e condenável insânia. Alguém que conhece a sua existência passada poderá dizer: Mas na existência passada eu sofri muito, porque sofrer no hoje, novamente? A resposta é simples: o sofrimento não foi suficiente para o resgate ou o resgate foi parcial. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 159 Continuo tocando em outro ponto: • É necessário lembrar que é preciso vencer se não quiser soterrar a vossa alma na escuridão dos séculos de dor expiatória; • Aquele que se apresenta no espaço como vencedor de si mesmo, é maior que qualquer um dos generais terrenos; • O homem que vence a si mesmo faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborar pela obtenção do organismo etéreo, através de virtude e do dever cumprido, não fica livre do circulo doloroso das reencarnações. André Luiz em “Missionários da Luz”, capítulo III, transcreve as explicações do instrutor Alexandre, sobre os médiuns, dizendo o seguinte: “É verdade que sonham edificar maravilhosos castelos sem base; alcançar imensas descobertas exteriores, sem estudarem a si mesmo; mas, gradativamente, compreenderão que mediunidade elevada ou percepção edificante não constituem atividades mecânicas da personalidade e sim conquistas do espírito para cuja execução não se pode prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários, com a autoridade sistemática e perseverante.” Mediunidade de prova: concedida como ferramenta de trabalho, com a finalidade principal, a caridade. Será a moeda do bem a pagar os nossos pecados. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 160 Mediunidade natural: conquista do espírito. Evolução mais avançada. Um bom parâmetro para medir o progresso no exercício mediúnico é o grau de facilidade com que o médium expressa suas comunicações. A mensagem emperrada, que não flui com facilidade, demonstra desarmonia nas engrenagens de recepção ou de transmissão, a requerer manutenção e limpeza. Para os dirigentes, a tarefa de acompanhar o desempenho dos médiuns e compreendê-los requer apurado tato psicológico, razoável conhecimento da natureza humana e particularmente de cada individuo com quem atua. Esse conhecimento só é possível quando o grupo convive e de algum modo, se associam para a tarefa do Bem. Somente assim se alcança o que Kardec chamou de familiaridade: uma das condições evocadas por ele como indispensável ao sucesso do trabalho mediúnico. Em geral, podemos dizer que o animismo como obra da mediunidade é sempre aquele pano de fundo que determina certas fixações mentais a transparecerem nas comunicações; é o que produz a mediunidade repetitiva e o maneirismo extravagante. A questão do animismo na mediunidade não é, todavia, obstáculo insuperável. É simplesmente um processo a ser vivenciado e ultrapassado, nem antes e nem depois do tempo. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 161 ITEM 13 – ESTUDANDO OS FENÔNEMOS RELACIONADOS A VIDÊNCIA Estudaremos agora os fenômenos abaixo, dando ênfase a vidência e clarividência: • Visão; • Vidência; • Vidência a distância; • Vidência no tempo e no espaço; • Vista espiritual • Vista psíquica; • Dupla vista; • Clarividência; • Desdobramento; Visão: o mesmo que vidência. Vidência: O Dicionário Enciclopético – João Teixeira de Paula “Espiritismo Metapsíquica e Parapsicologia, comenta: Tal faculdade é caracterizada pela visão que o médium tem de coisas tumulares (relativo ao túmulo). Tumulares: sim e não. SIM, porque muitas pessoas afirmam: estou vendo (no local, meu pai, minha mãe... já desencarnados) CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 162 NÃO, porque em nosso curso de Desenvolvimento Mediúnico, nos primeiros exercícios de vidência-local, solicitamos que o mundo espiritual projete quadros, flores, etc. para serem percebidos pelos alunos com a finalidade de aprendizado. O que percebemos é que não vêem desencarnados e nem para que entrem em estado anímico de vidência sonambúlica. Esse é o material que necessito para o treinamento inicial da vidência. Agora vamos entender algo mais em torno da vidência - pág. 127 e 128 - Kardec nos mostra que “médium vidente é aquele que é dotado da faculdade de ver espíritos e acrescenta que alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, enquanto outros em estado sonambúlico”. Como entender esse estado sonambúlico/anímico? Nessa situação, Kardec está dizendo que esse sensitivo/médium, está promovendo de forma natural, a emancipação do seu espírito em relação as amarras do físico. Se ocorrer de algum aluno com maior sensibilidade vir a relatar estar vendo algo a distância, não será o correto, pois ele está avançando etapa em virtude da finalidade do momento que é aferição da sensibilidade de vidência (local). Em nosso curso prático de vidência, devemos entender que vidência é perceber coisas próximas do médium, sem transe, simplesmente através do fenômeno de lucidez, caracterizada pela CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 163 visão, olho da alma, onde o sensitivo/médium vê entidades desencarnadas e coisas projetadas, vindas até ele, podendo descrever com os olhos abertos ou fechados. P. Porque em alguns momentos coloco a palavra sensitivo e não médium? R. Para diferenciar, pois no fenômeno da mediunidade, é necessário a presença de um espírito, pela necessidade de combinação de fluídos do desencarnado com o fluído do médium para que determinado fenômeno ocorra. Sensitivo: aquele que exerce a sua capacidade psíquica, sem participação direta ou indireta de desencarnados. Médium: além do acima exposto, é aquele que está oferecendo o seu sexto sentido que representa a mediunidade, aceitando a influência mínima ou não da espiritualidade. Algumas colocações secundárias: Ø Existem pessoas as quais se intitulam médiuns videntes, vivendo a sua mistura de carimbo, movidos pela sua vaidade, no desejo de ver algo que gostaria, não percebendo o que vêem são reflexos psíquicos dos seus próprios desejos desequilibrados. Ø Nos nossos exercícios de vidência, perguntamos aos alunos se estão vendo em preto e branco ou em cores, nem todos vêem em cores. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 164 Ø Não confundir vidência, com materialização. Pois no segundo caso todas as pessoas que ali estiverem verão. No item 14 iremos complementar nosso estudo, abordando o Fenômeno de Lucidez. No dia-a-dia dos exercícios de vidência o fenômeno tende a evoluir para a clarividência e suas nuanças – é assim, que entendo. Para atender certas realidades nesse universo da mediunidade em questão o próprio Kardec em “O Livro dos Espíritos” empregou a palavra clarividência, ora clarividência sonambúlica, ora dupla vista, ora segunda vista.Foi o recurso que Kardec utilizou para atender as oscilações na intimidade da clarividência, ou “nuanças” como tenho me expressado. Para esse entendimento, oferecemos alguns exemplos que facilitaram o entendimento, pelo fato de embora parecerem a mesma coisa, refletirem algumas particularidades. Para que as coisas não fiquem tumultuadas para mim e para os estudantes, sinto a necessidade de simplificar coisas que se misturam no decorrer dos estudos, no caso: vidência, clarividência e desdobramento. Se não bastasse a dificuldade de definição em nós outros a respeito desses fenômenos, a própria literatura, avançando em sua dinâmica, vai adicionando denominações que deságuam praticamente nas mesmas coisas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 165 Quanto a dificuldade de definição dos fenômenos: vidência, clarividência e desdobramento, tenho necessidade de entender que o mais capacitado para definir tais fenômenos deve ser o próprio médium, tornando-se conhecedor do seu organismo físico e psíquico, observando, para não se equivocar no momento em que sentir que o seu corpo etéreo esteja se exteriorizando. O médium não deve definir de imediato estar em desdobramento, pois somente há desdobramento quando a consciência se desloca para o local. Lembrando que na vidência à distância = clarividência, com lucidez ou não, é fenômeno de observação. Dentro do exposto, quero entender que nesses casos a tarefa de identificar tais fenômenos é de responsabilidade do médium. O dirigente apenas mostra os caminhos. Exemplos: Visão: é o mesmo que vidência; Vidência: é visão (local) sem transe, fenômeno de lucidez, caracterizada pela visão anímica, onde o médium vê entidades desencarnadas com aparência humana ou animalesca. Entendo que, quando ele vê símbolos, quadros, etc, são projeções vindas até ele, sendo um fenômeno anímico, pelo fato de ser o olho da alma a ver. O sensitivo pode fechar os olhos e continuar a ver. Observamos que esse fato engana o médium, pois nas reuniões mediúnicas eles pensam que estão em transe por não necessitar ficar com os olhos abertos. Às vezes abrem um pouco e voltam a fechar; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 166 Vidência à distância: nada mais é que clarividência; Vidência no tempo: é aquela em que o médium vê cenas representando fatos a ocorrer ou já ocorridos em outros tempos. Classificamos de clarividência; Vidência no espaço: é aquela em que o médium quando em atividade mediúnica vê sinais, símbolos, fatos acontecidos, fatos que estão acontecendo, ou a acontecer em pontos distantes do local em que ele esteja (classificação de clarividência como nos fenômenos acima). Vista espiritual, não local, nada mais é que clarividência; Vista psíquica, não local, nada mais é que clarividência; Dupla vista, é o mesmo que segunda vista: ver pelos olhos psíquicos e não físicos, acompanhada da projeção do espírito no mundo espiritual. Podendo ser entendido como desdobramento em estado de lucidez. Continuando com a minha síntese: é também clarividência. Dessa coisa complicada, tenho necessidade de resumir em três realidades, para que eu tenha condições de oferecer a mim e aos estudantes o entendimento básico. Quanto às nuanças mais profundas deixo a quem possa melhorar esse conceito. Vejam a necessidade de buscar a simplificação: Vidência: Repetindo o que foi colocado na página 124, O Dicionário Enciclopético de João Teixeira de Paulo, “Espiritismo CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 167 Metapsíquica e Parapsicologia”, comenta: “Tal faculdade é caracterizada pela visão que o médium tem de coisas tumulares”. Vidência: O Sr. Hermínio de Miranda no livro “Diversidade de Carismas” coloca que “vidência é um fenômeno mediúnico. Havendo combinações de fluídos do espírito do desencarnado, como fluído do médium para que a manifestação visual ocorra”. Vidência: Nas palavras de Kardec, “há poucos médiuns videntes que o são na expressão exata da palavra”, pois na expressão exata, são aqueles dotados da faculdade de ver os espíritos. Kardec acrescenta que alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, enquanto outros o fazem em estado sonambúlico. O Sr. João Teixeira de Paulo, afirma: “visão que o médium tem de coisas tumulares”; O Sr. Hermínio de Miranda, afirma: “vidência é um fenômeno mediúnico”. Questionar o prezado e respeitado confrade, Hermínio de Miranda, assim como o Sr. João Teixeira de Paulo não é discordar, apenas demonstrar que a dinâmica da ciência espírita apresenta as suas diversidades. Vejamos uma dessas diversidades: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 168 O sensitivo em questão, em estado normal, perfeitamente acordado, mas direi que com a consciência “um pouco alterada”, em determinado momento, tem aberta diante do seu mundo psíquico uma janela para o outro lado da vida. Em uma visão mais próxima ou mais distante, ele vê, escuta e transmite para as pessoas do seu grupo, sem participação da espiritualidade. O fenômeno é, portanto, anímico. Ou mais distante: como definição é aconselhável classificar o fenômeno como de clarividência. Nessa narração vários fenômenos estiveram presentes: Ele vê A. Fenômeno de vidência, se o fenômeno for local, sem transe, simplesmente anímico, com total lucidez. Como informação: caso o momento exigisse, poderíamos embutir o fenômeno de sonambulismo psíquico, emancipação da alma, sem transe – previsto por Kardec. B. Fenômeno de clarividência, caso o fenômeno aconteça mesmo à pequena distância, mesmo de natureza anímica, onde a visão do médium retrata um local no mundo invisível. Mesmo não havendo interferência de espíritos. Ele escuta A. Fenômeno Clari-audiência, ele via e escutava o que se conversava do outro lado. Segundo João de T. de Paula, é a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 169 faculdade mediúnica que consistente na audição com nitidez, de vozes de espíritos. Ele transmite B. Psicofonia, pois transmitia ao grupo o que escutava. Ufa! Esse médium é de amargar. Vocês podem pensar que nesse caso o assunto fica encerrado entre vidência e clarividência! Isso é um engano, porque poderia estar ocorrendo também o desdobramento de lucidez, porém anímico! Já dissecamos o assunto quanto à vidência, chegou à hora da clarividência e finalizaremos no fenômeno do desdobramento. O dicionário de João Teixeira de Paula, assim define a clarividência: “(clari-vidência), faculdade de conhecimento extra- sensorial consistente em médiuns em estado sonambúlico, em transe ou em vigília (lucidez), percebe imagens ou acontecimentos à longa distância”. Clarividência: visão a média ou longa distância, com ou sem transe, com lucidez ou não. É fenômeno de observação. Não devemos confundir esse fenômeno com o desdobramento. Pois o desdobramento é ir até o local e não observar a distância. P. Como o médium está em estado sonambúlico, pode exercer a clarividência? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 170 R. Nesse caso, quem vê é o espírito do médium e não a sensibilidade física. Clarividência: é um fenômeno anímico, da alma do sensitivo, sem participação de entidade espiritual. Ele não está na posição de intermediário do espírito, trata-se da visão a média distância ou longa, sem transe com lucidez, ou não. É fenômeno anímico de observação à distância. Trata-se da visão que o espírito encarnado tem do mundo invisível. Pela confusão que existe entre vidência e clarividência, J. Gassete, assim semanifestou: “a palavra clarividência, o seu significado etimológico de faculdade de ver, portanto à distância”. Eis o motivo da minha necessidade de definir as diferenças entre vidência e clarividência. Repetindo o que dissemos na página 126: Até Kardec empregou em o Livro dos Espíritos, a palavra clarividência, ora clarividência sonambúlica, ora dupla vista, ora segunda vista. Foi o recurso que ele utilizou para atender as nuanças da clarividência. Vejamos as diversas modalidades de clarividência, que em muitas situações caem muito bem na clariaudiência sonambúlica ou não, na dupla vista, segunda vista: I. Clarividência no espaço; II. Clarividência no tempo; III. Clarividência onírica; CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 171 IV. Clarividência sonambúlica; V. Clarividência telepática; VI. Clarividência telestésica; VII. Clarividência xenoglossica. Entendemos por clarividência, o conhecimento extra-sensorial em pessoas que estejam em estado sonambúlico, em transe ou em vigília. Nessa espécie de estado espiritual, o indivíduo pode receber imagens ou acontecimentos do tempo passado, presente e futuro. Essas imagens ou acontecimentos podem ser perceptíveis por esse tipo de médium a longa, ou pouca distância. Vamos ao entendimento quanto aos itens I a VII mencionados anteriormente: I. Clarividência no espaço: Faculdade extra-sensorial que se processa no espaço; II. Clarividência no tempo: Faculdade extra-sensorial que se processa no tempo. É aquela em que o sensitivo vê cenas representando fatos a ocorrer ou já ocorridos em outros tempos. Seu olhar pode abarcar o que já foi, o que está acontecendo e o que vai acontecer, visto que o futuro não está preparado, mas sim realizado constantemente no tempo; as causas, passadas ou presente, projetam no futuro seus efeitos, aos quais permanecem ligadas de forma que, mesmo colocado o clarividente fora da CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 172 Linha de ligação entre os dois pontos, ele pode abrangê-lo de extremo a extremo. III. Clarividência onírica: Estado em que o indivíduo, sonha que uma pessoa, que ele não pode reconhecer, morreu dessa ou daquela maneira, o que se realiza a seu tempo ou logo após, como ocorreu, conforme relato de Emilio Servadio, com José Desilia, que sonhou estar com uma pessoa, que lhe comunica ter sido astro de cinema americano e ter tido uma morte em determinada circunstância. Dois dias depois, José Desilia vem a saber pelos jornais, da morte de Lon Cheney, famoso artista relatadas no sonho. Obs: Salvo melhor pesquisa acredito poder dizer mediunidade de premonição. IV. Clarividência sonambúlica: Faculdade extra-sensorial da clarividência. Se processa no estado de sonambulismo. É uma das divisões propostas por Tischner, da Metagnomia. V. Clarividência telepática: Leitura à distancia na mente dos indivíduos. VI. Clarividência telestésica: Faculdade paranormal em que o sensitivo tem percepções de paisagem ou objetos à longa distancia. Pode ser vista em cores para uns ou preto e branco, para outros. VII. Clarividência xenoglóssica: Faculdade em que o médium recebe pela mediunidade, mensagens em línguas estrangeiras. Definição de José Martins. É o mesmo que Criptestesia, Dupla CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 173 vista em estado de lucidez, Metagnomia, Penestesia, Telestesia, Vidência, Segunda Vista. Em torno da clarividência apresento dois relatos: Primeiro: Na revista Reformador julho de 2.014, em Obras Póstumas, Kardec utiliza a nomenclatura Clari-vidência, narrando o seguinte acontecimento: Uma jovem em Lyon, de passagem por Paris, resolveu fazer uma visita de cortesia ao Codificador da Doutrina Espírita. Ela era dotada de segunda vista, clarividência, fenômeno pelo qual seu portador consegue perceber em estado de vigília, fatos que ocorrem à distância - nesse caso pequena distância – e outros acontecimentos da esfera espiritual. A visitante foi recebida pela esposa de Kardec, a qual tomando conhecimento do precioso dom mediúnico da visitante, perguntou-lhe dada a ausência do seu esposo, se ela não poderia transportar-se em espírito até onde ele se encontrava para vê-lo. A mocinha se recolheu por um instante em silêncio e passou a descrever o que via. E o que via a visitante? Via Kardec num aposento muito iluminado, no pavimento térreo, onde havia três janelas. O ambiente era alegre, a casa circundada por jardins, árvores e flores. Havia muita calma e tranqüilidade. Kardec estava trabalhando, sentado próximo a uma janela. Encontrava-se cercado de uma multidão de CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 174 Espíritos que o inspiravam. Um deles parecia superior aos demais, recebendo de todos eles deferências. A senhora Kardec, surpresa com a descrição, perguntou-lhe se ela podia perceber a natureza do trabalho com o qual se ocupava seu marido. A jovem clarividente pediu um momento e em seguida, disse que via um Espírito segurando um livro de grandes proporções. Ele o abre e lhe mostra o que estava escrito. Ela lê: Evangelho. Kardec, mais tarde, confirmou tudo quanto a jovem dissera, desde a descrição do ambiente e da peça onde se acomodava para os seus escritos (....) Este notável acontecimento consta do Apêndice que encerra o livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, editada pela FEB. Segundo exemplo: Apolônio de Tiana, estando em Éfeso, falando em uma reunião, calou-se repentinamente e logo em seguida passou a anunciar o assassinato do imperador, que nesse momento estava presenciando em Roma. Ufa! Enfim consigo sintetizar entre várias denominações o entendimento entre vidência e clarividência. Para completar a nossa pesquisa quanto ao Item 13, vamos dissecar o entendimento quanto ao Fenômeno Desdobramento: Desdobramento: Segundo Dicionário de João Teixeira de Paula é o mesmo que Bicorporeidade que é igual a: Autotelediplosia, Bilocação, Desdobramento Psiquico e Uniquidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 175 Desdobramento: é o desprendimento parcial do espírito do corpo físico que se efetua durante o sono que pode ser: artificial via anestesia ou via hipnotismo de encarnado ou desencarnado, durante reunião mediúnica, ou não, ou naturalmente, no decorrer do sono com o espírito procurando seus afins. • Médiuns, não se julgue de imediato estar desdobrado, somente há desdobramento quando a consciência se desloca para o local. Lembrando que a vidência à distância = clarividência, com lucidez ou não, é fenômeno de observação. Entendo que o médium deve ser um estudioso do seu organismo físico e psíquico para não se equivocar no momento em que sentir que o seu corpo etéreo está exteriorizando-se. Na concepção espírita, o desdobramento trata-se do processo de exteriorização do períspirito do corpo físico. O períspirito, durante esse processo, permanece ligado ao corpo por uma espécie de cordão umbilical fluídico. É um estado de relativa liberdade perispiritual, no qual podemos agir semelhantemente a um desencarnado. Podendo nos afastar a distâncias consideráveis de nosso corpo físico. É o espírito do médium indo até lá de forma consciente, inconsciente ou semi-consciente. Atendendo os seus objetivos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 176 Desdobramento em atividade mediúnica: Dá-se o desdobramento e a pessoa desdobrada viaja em espírito para outra região que esteja momentaneamente ligada as atividades do trabalho, conforme programação pré-estabelecida pelo mundo maior. Lá chegando com apoio da espiritualidadereveste seu períspirito com ectoplasma, tornando-se visível, audível e tangível, possibilitando dessa forma convidar a todos para aceitarem o socorro que lhe é oferecido, ou em tarefas outras. Em torno de tudo que viermos a comentar atinente ao fenômeno de desdobramento, em grau de consciência podem ser classificados em três tipos: 1. Desdobramento consciente: os médiuns se lembram perfeitamente de tudo o que realizaram durante o desdobramento; 2. Desdobramento semi-consciente: o médium tem uma recordação relativa de tudo o que realizou; 3. Desdobramento inconsciente: o médium nada recorda. Como complementação secundária, adicionamos mais dois itens: 4. Desdobramento psíquico: quando essa consciência - parte mental do períspirito se desloca até o local. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 177 5. Desdobramento transe letárgico: quando o espírito fala e o corpo do médium permanece imóvel, com ou sem rigidez no local onde o grupo está reunido. Comentários mais aprofundados quanto aos itens 01 a 05: 1. Desdobramento consciente: é aquele em que o agente faz o desdobramento de maneira consciente, isto é, com plena consciência das suas volitações ou viagens astrais, tendo plena consciência ao voltar ao corpo, de tudo aquilo que viu e ouviu. 2. Desdobramento semi-consciente: é aquele em que o agente faz o desdobramento de maneira semi-consciente, isto é, sem inteira consciência da sua viagem astral, tem uma semi- consciência, ao voltar ao corpo, de tudo aquilo que viu ou ouviu. 3. Desdobramento inconsciente: é aquele em que o agente faz o desdobramento de maneia inconsciente, isto é, sem nenhuma consciência de tudo o que viu e ouviu. Nesse caso a espiritualidade envolve o ser perispiritual do médium com mais precisão, para que se atenda a finalidade da tarefa. Na pergunta 172, “Livro dos Médiuns” com relação à Médiuns sonâmbulos/inconsciente: o sonâmbulo exprime seu próprio pensamento, e o médium no sonambulismo mediúnico exprime o pensamento do espírito comunicante. A observação é: e quando é que CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 178 ele de fato está vivendo um processo anímico no exercício da sua mediunidade? A inconsciência é a mediunidade mais autêntica, sem interferência do sistema nervoso do médium, possibilitando assim que o espírito quando inferior, expresse com maior liberdade a sua agressividade, dificultando o diálogo com o dirigente da reunião. Ou quando o mentor deseja ditar algumas palavras sem interferência anímica do médium, ou mesmo pelo limite intelectual. Desdobramento, transe letárgico: nesse fenômeno de mediunidade inconsciente, o médium está muito mais a vontade para enfrentar o rigor da crítica ou da observação porque, em nada interferindo e de nada sendo sabedor pelo fato de que no momento, a manifestação é integral do espírito comunicante e conforme a maior ou menor perfeição e extensão da faculdade, o espírito comunicante pode assumir o seu aspecto físico, alterando a aparência do médium, ou mesmo o tom de voz, as mesmas maneiras e revelar outros detalhes da personalidade que encarnou em vidas passadas, sob o qual se manifesta no momento. Entendo que num estágio mais adiantado, teremos o fenômeno de Trasnfiguração, o que se caracteriza pelo fato de o espírito do médium exteriorizar-se do corpo físico temporariamente, deixando-o inteiramente a disposição e controle do espírito comunicante. São desdobramentos que podem ser espontâneos nas reuniões mediúnicas, ou provocados pelos próprios interessados, no exercício CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 179 da intimidade do seu lar. Mesmo sendo divulgado pela literatura espírita, por ser realidade, não somos favoráveis a esse exercício, pelos perigos dessa viagem. Para quem deseje insistir nesse exercício, fora do corpo, Edgar Armont oferece algumas regras fundamentais: • Necessidade de esforço por conservar a consciência própria em todo o transcurso do processo a estar sempre na convicção de que realiza suas práticas com objetivos nobres e elevados. Essa regra assegura proteção espiritual em todas as circunstâncias – afirma Edgar Armont. • Deve-se apelar previamente para o protetor espiritual, sem cujo auxílio não deve o operador se aventurar nesse campo, porque enquanto dura o desdobramento, qualquer violência ou golpe desferido sobre o períspirito pode refletir no corpo denso. • De início, deve-se assumir consigo mesmo o compromisso de não se deslocar para longe do corpo físico e do aposento em que faz o exercício, antes que tenha conseguido plena consciência fora do corpo, contato com o protetor espiritual e ausência de temor. • Deve-se ter a certeza de que o corpo físico repousa com segurança em lugar adequado, podendo a ele voltar, sem impedimento, assim que o, deseje. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 180 Nunca iremos aconselhar a uma pessoa que faça exercício “individual” caseiro, assim como a procurar especialista para promover sessão de regressão de memória. Para nós espíritas, quando esse fenômeno acontece de forma espontânea no decorrer de uma reunião é motivo de satisfação, pela ajuda que oferece aos desencarnados sofredores e doentes se houver necessidade desse tipo de desdobramento para trazer algum espírito até a reunião mediúnica, para estabelecer contato com o dirigente da reunião, ou oferecendo energias para os mentores terem condições de cumprir a tarefa. Nesse processo de exteriorização espiritual, oferecemos informações dos sintomas que o médium poderá sentir ao retornar ao corpo físico, tais como formigamento ou Anestesiamento, principalmente nos pés e mãos. Pode até ocorrer a paralisação momentânea de músculos e tendões. Passível em não sentir uma alfinetada sequer. Se Durante o processo do desdobramento, o sensitivo vier a sentir tonteiras em virtude do sintoma de ter cabeça girando, é necessário corrigir, repetindo a experiência ou apenas informando-o para não assimilar a realidade do físico. No processo do retorno do espírito em desdobramento, ele poderá se sentir lúcido, porém anestesiado do pescoço pra baixo. Se o médium solicitar ajuda para esse incômodo devemos ajudar com palavras tranqüilizadoras. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 181 Se for necessário uma atenção maior, pode-se utilizar o socorro do passe. Se houver insegurança por parte do passista, deve procurar manter as mãos estendidas um tanto mais distante da cabeça e pedir para que a espiritualidade organize o retorno dessas energias que foram exteriorizadas. Do acima exposto, devemos entender que o processo de saída do períspirito (jamais abandonando o corpo físico) assemelha-se a uma verdadeira desintegração de sua estrutura atômica, para em seguida, organizar-se novamente. O simples desdobramento não caracteriza mediunidade, mas sim, o caminho ao desenvolvimento dessa mediunidade. Há outra realidade de desdobramento que não depende da nossa aptidão ou desejo de querer ou não: quando alguém tem necessidade de passar pela anestesia geral, em nossos hospitais médicos, é promovido o desdobramento – o relativo afastamento do espírito do corpo. Se esse espírito for excessivamente despreparado e se desejar, tem condições de acompanhar, mesmo sentido o efeito da anestesia, todo o processo cirúrgico, podendo até interferir de forma negativa nas mãos do médico. O ideal a quem vai passar por uma cirurgia é que se prepare em oração. Bicorporidade ou Bilocação: É o fenômeno pelo qual o espírito, de pessoa mediunizada consciente, ou em estado de sonolência ou mesmo em sono,se transporta, se biloca, com aparência de realidade ou com tangibilidade CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 182 real, de um lugar para outro. Mesmo no chamado fenômeno consciente/psíquico, nunca podemos afirmar que não haja participação de um auxiliar desencarnado. Isso prova que o nosso ser espiritual não se encontra encaixado no físico. Ele tem a sua liberdade de viajar à distância, participar, ver coisas novas ou desconhecidas. Exemplo: A professora dando aula e outros alunos vendo-a andando pelos corredores da escola. Esse ser materializado tem os seus movimentos mais lentos, mas perfeitamente igual ao corpo que ficou em algum lugar. Não podemos esquecer do farmacêutico Eurípedes Barsanulfo que chegou a fazer parto em pessoa que estava distante. No fenômeno de ubiqüidade, o espírito não se divide para estar em dois lugares diferentes. Ele irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos. Quanto mais evoluído for o espírito, maior será seu poder de irradiação. Exemplo maior: JESUS. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 183 ITEM 14 – FENÔMENO DE LUCIDEZ A faculdade de lucidez é a faculdade mediante a qual o médium pode ver, ouvir e conhecer além dos sentidos comuns Não vê nem ouve com os sentidos físicos, mas com outros mais elevados, abertos no plano hiperfísico, onde esses sentidos, por outro lado, não se localizam em órgãos, mas sim no períspirito. O físico do homem não percebe ou aquilata com a razão, mas sim através de um sentido interno, de grande poder e amplitude ainda pouco desenvolvido no homem atual. Vejamos quais são essas mediunidades de lucidez, devendo entender que todo fenômeno de lucidez é e pode ser entendido como mediunidade natural. Mediunidade natural deve ser entendida como aquela que o médium senta à mesa e vai desempenhando a sua obrigação mediúnica, - muitas vezes sem o preparo e conhecimento necessário do mecanismo da mediunidade, - nessa existência - caso de Regina, psicografando Bezerra de Menezes, ou recebendo mentores espirituais e sofredores. Concernente ao universo da – sensibilidade – mediunidade de lucidez, expomos as principais, mas deixo a seguinte observação: Defino como sensibilidade/mediunidade de lucidez, mas não descarto a possibilidade de algumas nuanças, onde o sensitivo está lúcido, mas com consciência alterada. Um exemplo: Quando estamos de olhos abertos e nada vendo, e alguém diz: hei! Está dormindo? Na certa respondemos: não. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 184 Favor referir a relação abaixo em caso de dúvidas Visão Ver página 165 Vidência Ver página 165 Vidência/Clarividência a distância Ver página 165 Vidência/Clarividência no tempo Ver página 171 Vidência/Clarividência no espaço Ver página 171 Clarividência Telestésica Ver página 172 Psicografia Consciente Ver página 186 Psicografia Inconsciente (mecânica) Ver página 186 Intuição Ver página 187 Telepatia Ver páginas 186, 192 Audição Ver página 102 Psicometria: faculdade de lucidez, expansão mental. É uma forma especial de clarividência, que se caracteriza pela circunstância de desenvolver-se no campo mediúnico uma série de coisas passadas, desde que seja posto na presença do clarividente um objeto qualquer que tenha ligação com a pessoa ou local. Segundo dizem, o célebre romance “Últimos Dias de Pompéia”, foi escrito dessa maneira: o escritor visitou as ruínas daquela extinta cidade. Ao pegar uma dessas pedras vulcânicas, viu desenrolar-se no seu campo de clarividência todos os acontecimentos ligados a destruição da cidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 185 Um objeto de uso pessoal de alguém que esteja desaparecido, pode permitir ao médium de psicometria um entendimento a respeito dessa pessoa, se morreu ou não por exemplo, já que às vibrações do objeto estabelecem a ligação entre o médium e o desaparecido. Audição: faculdade de lucidez, a faculdade a qual o médium ouve vozes proferidas pelos espíritos e sons produzidos por estes ou outros da própria vida na natureza. Quase sempre, a audição desperta no médium que já manifestou vidência, visto que a audiência e a vidência são faculdades que se completam mutuamente. Do acima exposto, dois entendimentos se apresentam: Primeiro: A impressão de ouvir não é transmitida aos órgãos dos sentidos físicos e, por isso, é que o médium tem a impressão de que houve dentro do cérebro. Segundo: As impressões sonoras são transmitidas através da cortina fluídica que atinge os órgãos dos sentidos físicos e caem no campo da consciência física, alcançando os nervos sensoriais da audição, mesmo sem passar pelo tímpano, simplesmente por indução. Outros estudiosos entendem que se pode ouvir na “acústica do ouvido”. Telepatia: faculdade mediante a qual o médium percebe as impressões mentais, idéias e pensamentos provindos de um emissor CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 186 encarnado ou desencarnado. Essas impressões permanecem no campo da atividade perispiritual. É o caso da incorporação consciente, ela é telepática, pelo fato do médium ter a sua consciência bem pouco alterada. Por isso, ao meu ver, enquadra-se no “fenômeno de lucidez”. Eis a receptividade telepática consciente. Esse conceito de a mediunidade consciente ser telepática nos parece ser muito recente. Psicografia mecânica: Não é de lucidez, o médium entrega seu braço a uma entidade invisível, de existência contestada pela ciência, o que não impede que essa entidade insensibilize o braço, bloqueie os nervos que vão ao cérebro e atue por processos adequados na musculatura do braço e nas articulações, para que possa manejar desembaraçadamente, escrevendo o que deseja pela mão do médium. Nessa modalidade de psicografia que Chico Xavier usava o seu lápis para escrever seus romances com velocidade cinco vezes de uma escrita comum. Psicografia consciente (lucidez): Quando o médium permanece em estado de consciência. É através dessa modalidade preciosa que nos tem vindo pura gemas da literatura espírita. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 187 É interessante pensar: as chamadas mediunidades conscientes, não deixam de ter um estado de alteração no sistema nervoso do médium. Assim penso eu. Aqui pudemos comparar os trabalhos dos pintores, músicos, poetas e outros, que produzem muitas das suas obras por meio ou com o auxílio desta modalidade. Intuição, faculdade de lucidez: As mulheres, em geral, são mais intuitivas que os homens, pois se deixam governar mais pelo sentimento do que pela razão. Aprenderam às duras penas, no silêncio do próprio lar, desde eras bem distantes. Mas o que é a intuição e de onde vem? É uma voz interior que fala e que deve ser analisada e obedecida sem vacilação, quando devidamente entendida; é um sentimento íntimo que temos a respeito de certa coisa ou assunto: é a verdade cósmica, divina, existente em nosso EU. A intuição e a nossa ligação direta e original com a potência divina. Já a razão é a nossa ligação com o mundo. O campo da razão vai até onde a inteligência alcança, mas o da intuição não tem limites, porque é o campo da consciência universal. Motivo de em muitas das vezes a razão dizer “sim”, quando a intuição CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 188 diz “não”. Quando uma pede prudência, a outra determina: “crê e segue”. O homem a utiliza em três planos: 1. Espiritual; 2. Mental; 3. Físico.Vejamos: 1. O homem de intuição resolve seus problemas com elementos que obtém do plano divino; 2. Quanto mais o homem fecha seus ouvidos às vozes do mundo material, mais se abre o seu interior a voz sublime dessa preciosa faculdade do espírito; 3. Ao passo que o homem da razão resolve segundo os recursos da própria inteligência humana, ligadas às coisas do mundo. É pela intuição que até mesmo os cegos jamais se desviam da rota. A aquisição dessa voz só pode acontecer no silêncio, na pureza e na intimidade do ser, condições incompatíveis com os rumores do mundo Débil. Se a intuição for sempre ouvida e seguida sem vacilações e com confiança, aos poucos irá se avolumar e ganhar força crescente. Assim, acabará por ser ouvida em qualquer CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 189 circunstância e a qualquer hora, apontando ao indivíduo a orientação mais segura, elevada e reta. De todas as faculdades mediúnicas, é a mais elevada e a mais perfeita, visto que põe o indivíduo somente em contato com coisas e seres do mundo espiritual, mas direta e superiormente, com a essência divina das realidades. Neste capítulo das faculdades de lucidez, cabe um ligeiro estudo sobre o sono/sonho – onde convido a rever o “Item 02 – Sintomas da Mediunidade. ITEM 15 - MEDIUNIDADE NATURAL Os fenômenos que envolvem a mediunidade são extensos, assim incluímos a Mediunidade Natural. No estágio atual do espiritismo não é mais aceitável que o médium exerça sua função sem conhecer a Diversidade desses Carismas, em torno da mediunidade. “Esse sexto sentido, patrimônio do ser humano”. A muitos médiuns, ainda que atrasados em sua evolução e moralmente incapazes, são concedidas faculdades psíquicas. Esses médiuns não as conquistaram, mas as recebem por empréstimo, por antecipação, em uma posse precária, que fica dependendo do modo a serem utilizadas, da forma pela qual o indivíduo possa cumprir a tarefa cujo compromisso assumiu, nos planos espirituais. Caso venha a enobrecer, poderá elevá-la à Mediunidade Natural mediana, caminhando e avançando ao fenômeno de CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 190 inspiração, não mais necessitando da incorporação para relacionar-se com as entidades superioras. Os médiuns em estágio de mediunidade de empréstimo são aquelas almas que fracassaram desastrosamente, que contrariaram sobremaneira o curso das leis divinas e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. Os médiuns missionários sofrem e muito, mas por uma causa superior em benefício da humanidade. Francisco de Assis sintetiza muito bem: “Não tenho mais problemas, os meus já resolvi, os meus problemas são com os teus problemas”. O seu pretérito, muitas vezes se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são Espíritos que tombaram dos cumes sociais pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência e que regressam ao orbe terreno para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. Médiuns de Provas e Expiação, ponderais as vossas obrigações sagradas, pois são possivelmente sua última oportunidade nesse planeta, entre tantas havidas, em um universo de centenas de existências, e nem sempre somente na Terra. Somente no período após Cristo já se passaram mais de dois mil anos, sempre fugindo do seu convite de juntar-se a Ele. Não há mais tempo a perder. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 191 Entendam: mediunidade é concessão oferecida como ferramenta de trabalho comum. Quando as vibrações entre os dois mundos se equilibram, se sintonizam, obedecendo às leis de afinidade ligações íntimas se estabelecem, em maior ou menor ressonância. E essa sintonia, quando se verifica entre habitantes desses mundos, proporciona o intercâmbio. André Luiz, ao qual reputamos grande autoridade sobre realidades da vida espiritual, afirma o seguinte: mediunidade não é disposição da carne transitória é sim expressão do espírito imortal. A mediunidade se desenvolve aos poucos e silenciosamente, no despertar das glândulas cerebrais e aos poucos tem sua intensidade aumentada, apresentando-se em variadas formas de perturbação física e psíquicas, até que uma sintonia mais positiva surja e transforme essa sensibilidade. Eis o momento em que somos convidados a substituirmos os lixos mentais por pensamentos elevados. Hoje em dia, o número de perturbados é imenso, com tendência a crescer. Não se erra muito ao dizer que 90% das perturbações são de fundo espiritual, 10% representando mediunidade a desenvolver. Essa informação é baseada em resultados extraídos após pesquisa feita com 9.600 perturbados, pela Federação Espírita do Estado de São Paulo. Nestes casos de perturbações, a aura individual se apresenta escurecida e manchada em outros pontos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 192 Em geral, as perturbações psíquicas apresentadas em certos indivíduos com certa sensibilidade, é em muitos casos, o sinal inicial de mediunidade. Não temos motivos para surpresa, pois mediunidade é o sexto sentido a ser incorporado aos cinco que já dominamos. Para maior facilidade do estudo que estamos empreendendo, dividimos a mediunidade da seguinte forma: • Quanto a natureza: sendo natural, de prova ou tarefa. • Quanto ao fenômeno: sendo em lucidez, de incorporação e/ou efeitos físicos. • Quanto ao estado do médium: consciente, semi-consciente e inconsciente. Na faculdade de lucidez (consciente), incluímos a telepatia existente nas reuniões mediúnicas, onde o médium estará sob a influência do espírito ali presente a comunicar-se. Na lucidez embutimos também a visão, audição e intuição. Ora o médium de lucidez é aquele que possui a capacidade de levar as suas aptidões a esse ponto de equilíbrio, de sintonia, que o coloca entre os dois mundos, sendo-lhe ambos acessíveis. É necessário salientarmos que na vidência e na audição o médium age tanto em estado consciente, semi-consciente quanto inconsciente. Quanto à intuição, é necessário registrar uma particularidade: no esforço da evolução, o homem veio somente com o instinto, adquirindo mais tarde a razão, e agora caminhando para a intuição. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 193 Na incorporação, a lucidez pode ser total ou parcial. Aqui incluímos as manifestações orais e escritas. Finalmente, nos efeitos físicos, incluímos todas as extensas e impressionantes séries de fenômenos. Fenômenos perturbadores: quedas de utensílios domésticos, barulhos não identificados etc. Fenômenos saudáveis: o passe por exemplo, que é uma ação benéfica de efeito físico, assim como as curas, cirurgias espirituais, etc. Entendia ser estranho associar efeitos físicos com mediunidade de desdobramento. Por achar estranho e não conseguir destrinchar, fiquei trinta dias parado sem dar continuidade ao trabalho. Somente depois de muito pesquisar encontrei a resposta: esse fenômeno atende a duas realidades: desdobramento mediúnico e desdobramento psíquico. ITEM 16 – MEDIUNIDADE NO ENTENDIMENTO CRISTÃO De nada adianta um médium que tudo percebe e capta e sente, se ele não souber diferenciar fluídos saudáveis dos não saudáveis, se não souber identificar a presença do seu mentor pela projeção dos seus fluídos, assim como não sabe administrar uma boa sintonia. A condição de médium é apenas mais uma tarefa do cotidiano, mais um trabalho a ser cumprido, que não o exonera de todas as CURSO DE DESENVOLVIMENTOMEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 194 outras tarefas comuns a todos os outros seres humanos. Ao contrário, como médium, ou seja, como intermediário entre os homens encarnados e homens desencarnados, ele deve conhecer bem a sua natureza humana e, para isso, deve viver bem no mundo, sem viver para o mundo. Podemos dizer que a mediunidade é neutra? Sim. Muita calma para esse entendimento. É neutra em si mesma pelo fato de nos dar a possibilidade de contato com seres elevados, porém, também pode nos colocar em contato com seres desequilibrados, sofredores e perturbados. Nos casos citados, o que determina o sucesso dos contatos a serem feitos por seu intermédio é principalmente o nível espiritual de quem a possui e a exerce. Para entender a evolução do nosso psiquismo, solicito que o médium, mais do que ninguém, reflita nas suas caminhadas e na difícil tarefa de entender o lado anímico – onde se tem armazenado registros de acontecimentos saudáveis ou não –, o aprendizado e e formação dos sentimentos, sem os quais não teríamos a mediunidade. P. Podemos ter idéia dos primeiros passos quanto à formação do psiquismo? R. Nos Bilhões de anos passados, na natureza do princípio das coisas. P. O sofrimento está em todos os reinos da natureza? CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 195 R. Uma chuva com muito vento partiu o galho de uma árvore e Chico Xavier observando, perguntou à espiritualidade: Porque essa árvore passa por essa prova? Resposta: para que ela vá aprendendo a ter registros, desde o reino vegetal. Para ser fiel à sua missão, o médium deve viver mergulhado em amor. Amor por Deus, pela criação, pelas criaturas e por si mesmo. O médium que alcança esse apanágio, fica ansioso pelo novo dia de servir. Eu digo: que felicidade o dia que pudermos dizer: Sinto-me prisioneiro de Jesus. Alcançado esse apanágio, esse médium não falta à sua tarefa na Casa Espírita a não ser por necessidade justificável, pelo fato de ter incorporado na sua intimidade o seguinte: O amor é a energia que mantém o universo e tudo o que nele existe. Sem o amor do Criador, nada, existiria nada se sustentaria, não haveria transformação. Sem o amor incondicional de Deus por nós, nada seríamos e nada poderíamos realizar. É na força do amor, o Amor-Deus, o Amor que é, o Amor que existe sem ter sido criado, que todos nos movemos, que todos vivemos, e sentimos. Tudo que experimentamos é o Amor Maior agindo em nós, por nós e para nós. Somente pelo amor podemos realizar com Deus, podemos agir no mundo de Deus, em sua criação. O médium é ao mesmo tempo obra e ferramenta de Deus, pois é através dele que Deus se revela um pouco mais à consciência humana, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 196 ainda tão presa à ilusão que a cerca neste mundo material. No médium, Deus encontra mais um caminho para o coração humano. E pelo médium, todos podemos entender um pouco melhor o Deus que vive em nós, mas que não enxergamos. O Deus que nos ama tanto que nos deu também a mediunidade para que pudéssemos nos aprofundar em seus mistérios. Todo médium deve ter a consciência de que é também um pouco de “médium de Deus, da Vida, do Amor” que a tudo permeia. Todo médium precisa saber ser eleito de Deus, da vontade divina, da sabedoria infinita, para compreender que sua missão na mediunidade nada mais é do que expressar esse Amor que a todos envolve, nutre, sustenta e transforma, sendo imutável e constante em si mesmo. Para ser fiel à sua missão, portanto, o médium deve viver mergulhado em amor. Amor por Deus, pela criação, pelas criaturas viventes e por si mesmo. Amor que se revela em respeito, em virtude, em fraternidade. Amor que se apoia também nos estudos, no conhecimento, e na razão. Amor que se equilibra serenamente entre o êxtase da fé e a concepção do intelecto. Sem este amor, a mediunidade torna-se estéril e fria, pois nada inspira à vida a não ser arrogância e desencanto. Sem este amor que alimenta a razão e nela se apoia, o médium nada percebe de si mesmo e de sua tarefa. Nada sabe dos propósitos de sua missão e da intuição da verdadeira Vida: a Vida que representa. (Material da palestrante Maísa Intelisano). CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 197 Médiuns! Sejam os discípulos do Divino Carpinteiro, pois, já conhece a fonte de onde nasce o amor de Deus. O médium de coração Evangelizado já sabe esquecer os ultrajes, assim, ele não mais descerá ao padrão vibratório dos ofensores para não se fazer igual, lembrando sempre que no momento difícil, estaremos sempre só. Com isso, terá a oportunidade de aprender pelos menos os princípios do amor e da paz. Sem conhecimento, a mediunidade se torna cega, irresponsável e fanática, e nada acrescenta à humanidade a não ser o medo, ignorância e superstição. Sem o conhecimento que ilumina o coração, o médium pouco compreende de si e de Deus, pois age às cegas, sem poder entender os fenômenos que o alcançam. Cabe ao médium, portanto, ser instrumento preciso e fiel de amor de Deus pelos homens, estudando sempre e aprendendo cada vez mais a ser amoroso em sua mediunidade. Cabe ao médium sintetizar em si mesmo: amor e conhecimento. Levando ao seu trabalho não somente a técnica, mas também sabedoria, equilíbrio, discernimento e serenidade, para que, no exercício de sua mediunidade, reflita-se somente a melhor técnica, que é a essência de tudo: o amor (Palestrante, Maísa Intelisano). A prece torna o homem melhor. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal, pois Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um processo que ele jamais recusa, quando pedido com sinceridade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 198 ITEM 17 – COLETÂNEA DE INFORMAÇÕES Todas informações que estamos apresentando e outras que virão, servem em dose homeopática para a preparação psíquica do aluno candidato ao curso de Desenvolvimento Mediúnico nas fases primeira e segunda - essas fases atendem os fenômenos inseridos no contexto das Diversidades dos Carismas da Mediunidade. Fase primeira: Deve ser compreendida como o exercício da mediunidade de incorporação, consciente, semi-consciente e inconsciente. Dependendo das aptidões dos estudantes, podemos sim, reservar tempo para o exercício da psicografia, que no meu interesse, se possível, seria exercitada apenas na fase segunda. Fase segunda: Exercício de vidência, audição, psicografia, psicometria, etc. P. Qual o entendimento que devemos ter em torno da mediunidade- tarefa? R. Ela apresenta-se com a devida clareza e definição, diferente de sintomas mediúnicos, conforme estudado por Kardec, inserido no “Livro dos Médiuns” caracterizado como mediunidade improdutiva. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 199 A aplicação desse método não é necessariamente aos iniciantes, mas sim e com muito proveito nos casos em que as faculdades já existiam antes. Faculdades que eram muitas vezes utilizadas sem estudo e que são viciosas, com desconhecimento de ética operacional. Este método elimina as falhas, corrige os erros e defeitos, expandindo seu campo de ação, ampliando os horizontes do trabalho, reduzindo as possibilidades de erros, alcançando melhores resultados quanto ao médium e ao grupo. Esse desenvolvimento exige um mínimo razoável de conhecimentos gerais doutrinários, preparação de sentimentos e estudos das obras básicas e da série de André Luiz. Lembrando que, sem reforma íntima e coração amoroso, omédium não poderá ser o fiel medianeiro, o enfermeiro dos necessitados encarnado ou desencarnado. Como vemos, sem o amor no servir, o médium, com o passar do tempo fica desmotivado, abandonando à mediunidade-tarefa, falindo perante si mesmo. Os médiuns que duvidam de si mesmo e se atemorizam com a posse da mediunidade, são justamente aqueles que nada conhecem dessa meritória atividade doutrinária, pela inexistência de estudo. E aqueles que, mesmo orientados, permanecem oscilantes na fé, quebram a sintonia e a comunhão com o Plano Espiritual, imantam-se às esferas vibratórias inferiores, rodeiam-se de más influências e acabam por fracassar nas suas nobres tarefas. Ouço constantemente alusões ao desânimo. Às quais eu continuo afirmando: o motivo do desanimo é a falta do amor para CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 200 com os necessitados. Reclamam falta de amor do grupo, mas abandonam o trabalho de caridade pela falta de amor, abandonam o convívio com o grupo, conseqüentemente abandonando também o dirigente. Nestes casos, para se refazerem, devem promover uma rigorosa e demorada autotransformação, higienizando a mente com propósitos e pensamentos positivos e disposição íntima de confiança e humildade nos serviços ao bem dos semelhantes, conduta moral elevada e reta e desprendimento pessoal em relação à futilidade mundana – as quais aniquilam o fruto do seu trabalho. Senhores estudantes: Para efeito de conhecimento da mediunidade que é portador, fazemos as seguintes observações básicas. v Mediunidade potencial: é a realidade dos que passaram pela triagem, demonstrando sua realidade e sua condição de pessoa cuja organização psíquica e física lhe asseguram percepção hiperfísica. v Sensibilidade mediúnica: é considerar determinada elevação da percepção psíquica além dos limites normais do plano físico. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 201 Fundo mediúnico adoentado: O sensitivo que se encontra nessa condição apresenta sensibilidade para sentir o envolvimento espiritual, explorado por espíritos inferiores e ignorantes que forçam as glândulas cerebrais, sendo que a pineal é a principal. Essas perturbações, muitas vezes provocam super excitações dos sentidos ou da mente. Fazendo que o perturbado ser e ouvir além do mundo físico e até mesmo perdendo o controle próprio ao falar como se estivesse incorporado ou mediunizado. Porém, não havendo nada a desenvolver, o fenômeno é passageiro e mesmo freqüentando sessões apropriadas, nenhum resultado advém que possa ser considerado como desenvolvimento mediúnico. Salvo, é claro, os benefícios que recebe pelo lado da cura. Referente ao que foi citado acima, acreditamos poder chamar de estágio fictício da mediunidade. Está que apresenta somente perturbações psíquicas e não a mediunidade em si. O futuro poderá mostrar outra realidade quanto à mediunidade Esse curso das cinco fases, oferece na sua primeira aula, elementos indicativos se o mesmo tem, ou não, mediunidade tarefa, e se tem, de qual mediunidade principal é portador. De forma mais direta, se a Casa Espírita tiver em seu quadro de trabalhadores um médium vidente treinado, ele pode observar se as glândulas cerebrais apresentam luminosidade mortiça ou não, com possibilidade ou não de se tornar um trabalhador na mediunidade tarefa. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 202 Não manifestando a mediunidade nessas circunstâncias, todos serão convidados a intensificar a sua dedicação na mediunidade do amor, ou seja: • Assumir a responsabilidade de ser o elemento – usina de amor, oferecendo energias de sustentação nas atividades do grupo mediúnico; • Assumir o compromisso de estudar o mecanismo do passe e participar dos trabalhos no passe; • No futuro, participar do grupo de implantação do Evangelho no lar; • No futuro, após preparados, trabalhar nas atividades de apoio fraterno; • No futuro estando preparado para palestrar sobre “Temas Espíritas” ; Sintetizando: quando o trabalhador está preparado, o trabalho chega. Quanto às perturbações psíquicas-mediúnica, quando elas adquirem outras situações, sofrem de acordo com certas intervenções: ü Via Medicina; ü Via Pastores Evangélicos; ü Via Terreiro de Umbanda. Via medicina: ao buscar na medicina psiquiátrica o auxílio, como se o físico fosse o doente, são utilizados pílulas-calmantes que CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 203 não acalmam, mas que conduzem à prostração, prostrando as faculdades da alma, produzindo marasmo e enfraquecimento físico. Os espíritos nos lembram que a maioria dos internados em sanatórios necessitam mais de prece do que medicamento. Seus cérebros, na maioria dos casos, não estão lesados, mas se tornam lesados após longo período de ações de medicamentos. Nos casos de perturbação espiritual, o aconselhável é que o doente busque socorro no espiritismo e busque o médico para medicar apenas o enfraquecimento do físico. Os calmantes nunca são elementos de cura, mas sim necessários na emergência de uma crise agressiva ou no desejo de suicídio. Entendendo que ao adormecer o sistema nervoso, o espírito perturbador, sofre em muitos casos os efeitos dos medicamentos, encontrando dificuldade em sua ação. Quando se trata de mediunidade-tarefa, esse sofrimento em torno da eclosão da mediunidade, se dá pelo fato da medicina do pastor e do padre, não saberem que a normalidade da saúde física, será logo mais uma realidade quando o sensitivo se tornar um médium desenvolvido, prestador da caridade consoladora, mediador, intermediário entre o céu e a terra, possibilitando o diálogo fraterno do dirigente da atividade mediúnica com os inimigos, estendendo mãos amigas, colocando-os aos cuidados dos bons espíritos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 204 Via Igrejas Evangélicas: Qual é o comportamento das Igrejas Evangélicas, no caso de perturbação espiritual? Aqui encontramos duas situações: 1. Utilizando simplesmente uma prece, se obtém bons resultados; 2. Sendo o pastor homem vaidoso, e ele dizendo: em nome de Deus eu bloqueio, eu determino que nunca mais você irá escutar essas vozes (mediunidade auditiva). Vejam a seguinte realidade de uma jovem, segundo a sua narração: -Seu Wilson eu não mais escuto as vozes, mas a perturbação psíquica ficou maior. Cego guiando cego. Aquele que não sabe a origem dessa perturbação, que não sabe que muitas delas tem a finalidade de lapidar o mundo interior e o mundo moral, como se faz com o diamante bruto, até tornar-se uma jóia de valor. Devemos entender que mediunidade doente ou não, é sinal de evolução psíquica entre os homens. É o começo do entendimento do ser humano quanto ao sexto sentidos, o momento em que ele deve começar a entender que não é apenas matéria e sim ser espiritual a comunicar-se com coisas extrafísicas. Assim sendo, não tem mais como adiar o estudo do Mecanismo da Mediunidade e suas nuanças para passar a ser o comandante da sua mediunidade e não ser mais o comandado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 205 Há situações que não se tratam de uma mediunidade a ser lapidada para o trabalho mediúnico e sim apenas de sensibilidade, absorvendo energias doentes de um espírito perturbador. Alguns pastores afirmam sem nenhuma humildade: eu ministro de Deus. Ordeno que você saia do corpo deste jovem. Aqui cabe o questionamento: por acaso Deus deu a ele uma procuração? Por acaso Deus recebe ordens? A vaidade do Pastor ainda diz: -Esse altar é sagrado, milagre,milagre, essa mulher que tinha as pernas travadas agora está andando. Jesus está aqui, palmas para Jesus. Jesus por acaso pede palmas, ele necessita de comportamento pagão? Jesus quando na cruz infame, olhou para o alto e disse: Pai perdoei, eles não sabem o que fazem. Falsos profetas! Os candidatos ao desenvolvimento de mediunidade devem procurar entender que: Todo processo de perturbação existente em determinada pessoa, é utilizado pela lei divina como preparação do físico e do psíquico para o exercício da mediunidade. O físico necessita aprender a conviver sem absorver energias até então desconhecida. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 206 P. Alguém pode perguntar: Mas determinado médium não passou por esse difícil aprendizado? R. Os que hoje não passam por esse processo de perturbação, vivenciaram tal aprendizado em maior intensidade em existência anterior. Sem essa forma ruidosa de despertar a responsabilidade assumida antes do seu retorno à terra, essa pessoa provavelmente não buscaria à Casa Espírita, a fim de tornar-se um trabalhador do Cristo, na mediunidade-tarefa. Muitos desses que se encontram doentes mediunicamente, comparecem em terreiros, onde dirigentes e espíritos, ambos despreparados, agem quase sempre, violentando as faculdades cerebrais, forçando sua eclosão mediúnica por vários meios, inclusive por processos hipnóticos, para assim obterem resultados mais rápidos, recrutando o médium, para serem cavalos – é assim que a umbanda diz. Forçam a manifestação mediúnica, erro grave, não só porque muitas vezes agride o livre arbítrio, como também, porque produzem desequilíbrios psíquicos e orgânicos. Mediunidade tarefa: aqui está a nossa preocupação total, pois não desejamos que o portador desse compromisso previamente estabelecido com o mundo espiritual, termine a sua vida física levando consigo esse assunto mal resolvido. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 207 Vamos ao entendimento, na relação médium e mediunidade Kardec conceitua: Ø Médium é aquele que serve de intermediário e não aquele que apenas entrega a sua cota de magnetismo ou ectoplasma para que o fenômeno se produza; Ø O médium deve procurar cada vez mais conhecer o seu físico o seu psiquismo, o seu estado psicológico para poder identificar o que é produzido por ele ou pelo espírito. Médiuns! Médiuns! Disponham das suas faculdades psíquicas aos espíritos desejosos de fazerem o bem entre os homens. Saibam que a mediunidade é ferramenta de trabalho que o criador oferece à espíritos endividados, possibilitando-o a praticar o bem. Retornando ao entendimento quanto às perturbações psíquicas e orgânicas, devemos entender o seguinte: Desencarnados inimigos, como entender isso? São aqueles que foram os espoliados, enganados, traídos nos seus sentimentos e até assassinados, em um passado distante ou não. Quantos maridos que torturaram suas esposas por longos anos até o final da sua vida e hoje em sua nova existência, corporificado em corpo feminino, tem como inimigo espiritual aquela mulher torturada no passado. Existem pessoas que após anos de sofrimento vão à Casa Espírita, desejosos em ficar livre do mal-estar, como se fosse um passe de mágica. Mas tem etapas a serem vencidas: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 208 I. Quando os seus débitos já foram resgatados, o inimigo não tem mais autoridade para continuar prejudicando; II. Quando no decorrer dos estudos de evangelização, nós certamente estaremos contribuindo com a mudança do nosso inimigo o qual também vai se evangelizando; III. O bem é a moeda que paga os nossos pecados; IV. Quando fazemos do inimigo o amigo. Quando as pessoas em sofrimento não obtêm melhoras imediatas dizem: recebi o passe e pouco resolveu. Esquecem que semearam a dor por longos anos e agora querem ficar livre do sofrimento em um piscar de olho? Além do mais, nem possuem em si o desejo de transformar-se moralmente e esquecem de orar pelos inimigos do passado, sem se lembrar que em qualquer situação, aquele que perdoa, fica livre do problema, já quem causa o sofrimento, está entrando no problema. Em muitas perturbações, a origem não está nos espíritos inimigos, mas tem como responsável a própria pessoa. Estudantes ou médiuns em atividade, quando não permitem que os estudos incorporem no seu coração, estão demonstrando sinal de desistência. Eis a decisão prejudicial. Naturalmente, ao desprezar a companhia dos bons espíritos, estão escolhendo como companheiros os espíritos ignorantes. O CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 209 problema da companhia prende-se, em última análise, também, aos tipos de pensamentos que emitimos como fruto da nossa intimidade. Pensar significa, pela ótica espírita, emitir ondas carregadas de informações, imagens que se movimentam e que até coloridas são. Mediunidade sem estudo e sem sentimento é como um caminhão carregado sem freio, descendo ladeira abaixo. É um desastre. A mediunidade pode ser comparada a uma antena receptora, assimilando coisas boas ou não de acordo com a direção que for dada a essa antena. É ainda a ferramenta mais perfeita para educar a mente, ensinando o médium como extrair os lixos mentais de um psiquismo de milhões de anos de experiências traumáticas ou não, a direcionar de forma correta essa antena receptora. Médiuns, o espiritismo é ensinamento que nos ajuda a direcionar essa antena receptora, mesmo diante dos momentos de muita dificuldade. Exemplos: Toda pessoa que passa por um momento de muita dificuldade, mesmo fechando os olhos, ele recapitula as imagens; Imagina um médium que, passando por essa experiência, sem querer, ao recapitular, estará estabelecendo sintonia com mentes sofridas como ele. A sua antena encontra dificuldade de ser CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 210 direcionada para bases sólidas. É o momento em que ele necessita dos companheiros. Mediunidade é enterrar de vez o materialismo em torno da morte. Mediunidade sublimada é gozarmos de momentos de muita felicidade. Qual será a felicidade de uma mãe, que estando no trabalho, na sua profissão ao ver a sua filha desencarnada dizendo: Oi, mãe! Estava com saudades da senhora e vim visitá-la. Em se tratando de mediunidade, Jesus deu o seu aval, ao não proibir a sua manifestação. Esse espiritismo, desconhecido à época foi inserido na Bíblia, como o Consolador Prometido. Por ser Divino, Deus, após muitos séculos, quando a humanidade se encontrava mais esclarecida manda à terra o Sr. Kardec com a incumbência de codificar essa ciência que representa a ligação do mundo espiritual ao mundo material, estabelecendo sua metodologia. Esse mesmo Kardec, retorna personificado em Chico Xavier, dando continuidade ao que tinha iniciado em relação ao Espiritismo. Essa tarefa foi a mais difícil, ontem foi a de escrever, e hoje a de exemplificar e divulgar. A origem da mediunidade é demonstrada na Bíblia pelo apóstolo Paulo na epistola aos Hebreus, 1:14 “Não são porventura todos eles espíritos administradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 211 Em atos 2:17 “E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor que do meu espírito derramarei sobre toda a carne, vosso filhos e vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vosso velhos sonharão sonhos”. O princípio desses dizeres de Jesus deu-se em Jerusalém no dia do Pentecostes. “Se estabelecerá a era da mediunidade,alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos” palavras de Emmanuel. “No Pentecostes, se edificaram as construções espirituais de toda comunidade sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela que dilatada pelos apóstolos ao círculo de todos os homens, ressurge no Espiritismo, como a alma imortal do Cristianismo redivivo” palavras de Emmanuel. ITEM 18 – TRANSICÃO PLANETÁRIA Médiuns espíritas! Somos os trabalhadores da última hora, convocados a fazer em pouco tempo o que não fizemos em longos períodos. Não existe a palavra depois ou amanhã, é agora. Tudo é para ontem. Quer saber os motivos? Como saber? Não importa os detalhes, talvez estejamos inseridos na história dessa humanidade, vindo de Capela a estabelecer-se na Terra. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 212 Muitos, por serem rebeldes de Capela, ficaram conhecidos na linguagem Bíblica como os anjos expulsos do paraíso. Muitos já regressaram ao seu planeta de origem. Vinte milhões ainda estão aqui, pois não criaram para si condições de voltarem ao seu planeta de origem. Assim sendo, podemos perguntar: será que não sou um dos personagens da epopéia registrada acima? Conheço uma pessoa que foi muito atuante no movimento espírita, afirmando ser um desses exilados. Salvo engano, o fundador da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso - o prezado Praeiro. Muitos desses exilados estão em possibilidade de serem rebaixados, mais ainda. A todo momento, muitos desses degredados despedem-se do nosso planeta, felizes por retornarem ao seu mundo de origem. Felizes e tristes, porque não conseguem levar com eles muitos corações queridos. No passado distante. Os exilados foram os que prejudicaram o progresso do Planeta Capela, que alcançava o Estágio tecnológico e científico, mais ou menos idêntico ao nosso planeta. Pela dureza dos seus corações esses seres duros de coração, mas inteligentes, reencarnaram entre os terrícolas, tribais. Decisão deliberada pelo mundo maior, que determinou a transferência destes para o nosso planeta. Mesmo com suas maldades, contribuíram com o nosso progresso, principalmente no Egito, com suas pirâmides, onde se CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 213 instalaram. Eram líderes rebeldes e para cá foram transferidos com os seus subalternos, também rebeldes. Pirâmides consideradas como o primeiro livro de pedra. As suas lideranças maldosas manifestaram-se também nos seus subordinados de outrora. Naquele passado distante, o evangelista João assim descreve o aspecto psicológico e físico desses homens expulsos o paraíso, conforme a lenda: o No meio dos homens antigos da Terra, descubro homens novos, meninos e meninas e varões robustos; donde vieram esses homens que nasceram antes da formação da Terra? Vêm a ela em cumprimento de uma lei e de uma sentença divina. “A sua cabeça é de ouro, pois são inteligentes, as suas mãos são de ferro e os pés de barro – “pesados, chumbados às coisas materiais”. Conhecem o bem, mas praticam a violência e viveram para a carne. A geração proscrita trás na fronte o selo da sentença, mas também tem a promessa no coração. Acrescento: Jesus reuniu-se com os degredados antes deles virem para a Terra e disse: -Vão confiante que eu estarei com todos vocês. Jesus cumpriu a sua palavra. Motivo de muitos deles, olharem para o alto esperando a vinda do salvador. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 214 Todos pecaram por sabedoria e orgulho, e, seu entendimento ainda é soberano, mesmo com a luz da promessa da misericórdia que subsiste e subsistirá”. Até 2.999, concluída a Transição do Nosso Planeta, o restante, daqueles que não se adaptaram ao novo padrão vibratório do planeta – encarnados e desencarnados – deixarão esse planeta, sem condições de retornarem por séculos e milênios. Essa seleção do Joio e do Trigo, há décadas já se iniciou. Os bons, encarnados e desencarnados herdarão a terra, aqui permanecendo e a ela retornando. Pela misericórdia divina, a partir de 2.014, muitos habitantes de Alcione, um planeta superior a terra, que está se aproximando de nós, virão se encarnar em nosso planeta em missão de ajudar o mundo terreno a crescer moralmente. O mundo contará com um governo central, justo, correto, administrando as necessidades comuns entre os povos. As crianças do futuro próximo serão reconhecidas como crianças, Índigos e crianças Cristal. Aos futuros pais: preparem-se, essas crianças já estão chegando, outras mais evoluídas virão. Não serão malcriadas, mas ciente do que fazem e esse saber desafiará o entendimento dos pais. Muitos desses desencarnados teimosos na maldade, já foram transferidos para outras localidades no espaço, aguardando a encarnação em mundos inferiores. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 215 Muitos desses redutos já estão vazios na sub-crosta da terra. Concluído esse expurgo dos maus, a terra deixará de pertencer a segunda escala de evolução entre os mundos – hoje terra de expiação e provas, caminhando rapidamente para conquistar a terceira escala a de regeneração - onde haverá entre os homens uma relativa felicidade. Para gozarmos dessa felicidade, antes é preciso que a terra passe por um parto difícil. Se tivermos mais uma guerra, será a última na história da humanidade. As praças públicas não mais terão estátuas de generais de guerra. Leiam “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho” e terão informações dos acontecimentos reservados ao velho mundo. O expurgo já começou, a terra desse milênio não suporta mais a presença de mentes encarnadas e desencarnadas maldosas, desonestas, corruptas, bandidos assaltantes, estupradores, a justiça não executando a justiça, os administradores políticos administrando os seus próprios interesses, a decadência moral nos programas de televisão, os que usam o verbo para enganar as nações, os escritores maquiavélicos, os compositores do desequilíbrio, os cantores que levam alucinações aos jovens das suas músicas, etc. Os animais, a natureza, atmosfera da terra e os oceanos dão os seus sinais de agonia. A natureza está respondendo com tragédias, cataclismos, que está apenas no começo. As vidas ceifadas são em função de uma sentença divina. A seleção do Joio e do Trigo está em andamento. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 216 Concluído o expurgo, o criador não terá mais a interferência dos exércitos do mal, interferindo no céu e nos homens. Quantos crimes, quantas separações são traçadas previamente durante o sono dos homens, hipnotizados que são. Chegará então o momento que os homens bons estarão libertos dessas energias negativas, com o nosso planeta vivendo na escala terceira de evolução entre os mundos de regeneração. Eu faço um apelo: se ontem fomos os equivocados, hoje temos informações suficientes para buscar o norte – e assim, não podemos mais disser: eu não sabia. MEDITEMOS, não há mais tempo, e acrescento: Não é fácil! Via de regra: quando começamos a querer progredir espiritualmente, surgem às dificuldades – e não são poucas. É só pensar em ser melhor, em seguir as lições do mestre e não as de aparências, que veremos como às dificuldades surgirão. São as nossas amarras que querem impedir a libertação das ilusões e ascensão para o alto. Precisamos quebrar os grilhões que nos prendem excessivamente à matéria. Segundo Jesus, o momento é de convite às ovelhas de outros redis, para que todos formem um só rebanho sob a égide de um só pastor. Eis o apocalipse que nos anuncia o que irá acontecer nesse milênio, quando teremos o Cristosupervisionando todas as criaturas encarnadas no planeta. Não haverá esta subdivisão de religiões que CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 217 temos hoje pelo mundo inteiro. Essa subdivisão existe porque todos nós procuramos algo que satisfaça o nosso interior. Hoje podemos querer seguir a Confúcio ou Lao-Tse, Buda, Brahma ou Moisés. Enfim, cada um segue de acordo com o seu clima interior. Mas no decorrer do terceiro milênio teremos apenas um pastor: o Cristo. Aos relapsos dos nossos dias poderão perguntar: P. Onde está a verdadeira religião? R. No Evangelho de João. Nelson Lobo de Barros nos lembra: Jesus estava com pouco tempo de permanência na terra, e seus discípulos estavam preocupados, então o mestre disse: -Ainda estou convosco; mas o Consolador (o espiritismo), em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará relembrar de tudo o que vos tenho dito. E na época oportuna, descem os espíritos do Senhor naquela avalanche de entidades e se comunicam nos Estados Unidos com as irmãs Fox e por toda a Europa. Começa então, a surgir através do Codificador, a Doutrina dos Espíritos, ou seja: o Espiritismo, que é o Consolador prometido. Destruindo o mito, o enigma e o pavor da morte, que explica o porquê da dor, o motivo da prova, do sofrimento, sendo realmente uma doutrina consoladora. Restabelecendo esse cristianismo, deturpado e modificado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 218 É uma religião, uma filosofia e ao mesmo tempo, uma ciência, que nos satisfaz sob todos os ângulos e sob todos os aspectos, nos trazendo Paz, conforto e bom ânimo. Jesus assim sintetizou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vou dou: Não a dou dou como o dá o mundo”. Porque são os espíritos do senhor, os mensageiros do bem, que transmitem todas as lições. Esta não é uma religião criada por um ser humano. Foram os espíritos do Senhor que doaram à humanidade as mesmas lições de Jesus; apenas uma roupagem nova, mas a mesma boa nova de quase dois mil anos. P. O espiritismo é perfeito na apresentação das leis morais e das leis da natureza? R. Sim. Imperfeitos somos nós. Pasmem! O momento do planeta é muito delicado, pois a lição do mestre está sendo, modificada, adaptando-se aos interesses do homem. O meu pasmem não termina aqui. Religiões que se dizem cristã, estão trocando o novo testamento pelo velho testamento. É planejamento de mentes de antigos magos e suas falanges, voltadas ao mal, que hipnotizam esses dirigentes durante o sono. Esse CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 219 planejamento consiste em apagar o nome de Jesus, nos corações das novas gerações, substituindo por nomes de Deuses Guerreiros do Velho Testamento. Eles não vão conseguir, não vai haver tempo. Jesus já deu o alerta A canção nova só fala da Mãe Aparecida. Jesus praticamente não mais aparece, assim como Maria Santíssima, sua mãe. “Oh! Homens tremeis, - palavras de Jesus - porque quando eu não mais puder ser o amor e ter que executar as leis do meu pai, tudo que não servir para o homem desse milênio será exterminado, arrancado até a raiz”. A informação que temos do mundo espiritual é de que a Terra é um dos planetas mais belos. Obrigado Jesus, pela paciência. Éramos a jóia envolvida belo charco, e ao sermos retirados estamos tendo a oportunidade de tornarmos uma pedra preciosa. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 220 ITEM 19 – INFORMAÇÕES HISTÓRICA DA MEDIUNIDADE É necessário esclarecer que a mediunidade tão combatida na Bíblia, não foi proibida por Jesus, pois ele mesmo assim se manifestou: “E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e os vossos velhos sonharão sonhos”. Atos, 2:17 Quanto ao exposto acima o livro “Caminho Verdade e Vida”; faz a seguinte exposição: No dia do Pentecostes, Jerusalém estava repleta de forasteiros, filhos da Mesopotâmia, da Frigia, da Líbia, do Egito. Cretenses, árabes, partos e romanos se aglomeravam na praça extensa, quando os discípulos humildes do Nazareno anunciaram a Boa Nova, atendendo a cada grupo da multidão em seu idioma particular. Uma onda de surpresa e de alegria invadiu o espírito geral. Não faltaram os cépticos, no divino concerto, atribuindo à loucura e a embriaguez a revelação. Simão Pedro destacava-se e esclarecia a respeito da luz prometida pelos céus à escuridão da carne. Desde esse dia, as caridades do Pentecostes jorraram sobre o mundo, incessantemente. Até aí, os discípulos eram frágeis e indecisos, mas, dessa hora em diante, quebraram as influências do CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 221 meio, curaram os doentes, levantaram o espírito dos infortunados e falaram aos reis da Terra em nome do senhor. Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos. Contra esse fluxo divino, homens trabalham até hoje, proporcionando ainda mais prejuízos morais que avassalam os caminhos dos homens. Porém, é sobre a mediunidade, gloriosa luz dos céus oferecida às criaturas, no Pentecostes, que se edificam as construções espirituais de todas as comunidades sinceras da Doutrina do Cristo e é ainda ela, dilatada dos apóstolos ao círculo de todos os homens, que ressurge no espiritismo Cristão, como alma imortal do Cristianismo redivivo. É interessante lembrar que no velho Testamento o homem já conhecia esse intercâmbio entre o material e o espiritual, e que o Deus de Abraão é nosso Deus também. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 222 ITEM 20 – APOMETRIA Um aparte desse digitador: Senhores estudantes da filosofia e ciência espírita, ao depararem-se com alguém de boa vontade que tenha o entendimento de que Apometria pode vir a ajudar em muito a prática espírita, saibam que não é verdade. Temos que zelar e jamais alterar a linha base do espiritismo. Se cada geração promover a mais simples alteração, no final de um tempo tudo fica alterado, mesmo uma simples palavra, pode mudar um contexto inteiro. Veja o exemplo do entendimento da bíblia. Onde a palavra Pai, tornou-se por muitos séculos, Padre. Como será a doutrina espírita no curso de algumas décadas, se for mesclado métodos e palavras da apometria, do esoterismo, etc. Sabemos que o mundo é dinâmico, assim deve ser o espiritismo, quanto aos dirigentes devem proceder, como sempre fizeram, aguardando novas informações, no momento certo, dos espíritos- espíritas na área doutrinária, filosófica e científica. Para tal, Chico, Divaldo e Raul, através de suas mãos ímpares já nos brindaram com mais de mil livros. Devemos ter cuidado com as obras apócrifas, intitulada espírita. Quando esses espíritos-espiritas se silenciam, tem os seus motivos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 223 Embora várias casas espíritas adotem a apometria por ser algo novo, ela não faz parte da ciência e filosofia espírita. P. O que é, então? R. O termo se origina do grego apo (além de) e metro (medida). Em interpretação literal, significa “ser medida” ou “além da medida”. Apometria é um procedimento/técnica/método utilizado por meio das bioenergias. Bioenergia para nós espíritas é o conhecido passe. Afirmam que funciona no sentido de descoincidir os corpos sutis, proporcionando a descoincidência dos mesmos - principalmente do psicossoma. Palavras complicadas para dizer: desdobramentodo períspirito. P. Quando e como surgiu? R. Segundo a obra “Espírito e Matéria” – não é livro espírita – de autoria do médico José Lacerda de Azevedo: a Apometria surgiu no Hospital que equivocadamente se intitula Hospital Espírita de Porto alegre em 1.965, outros entendem o ano de 1.970, por meio de Luiz Rodrigues, farmacêutico-bioquímico e não espírita. Passamos aos registros, da “Revista Reformador”, Junho de 2.014, que assim se manifesta: “Apometria não esta no contesto espírita, saibam - não é espiritismo”. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 224 A Apometria adota conceitos esotéricos, por exemplo, o de vários corpos (astral, mental, e etc.); Já o Espiritismo adota terminologia simples de acordo com os fenômenos que podem sustentá-la, como se faz em toda disciplina científica e filosófica. Ele ensina apenas que temos um corpo espiritual, o perispírito, que sobrevive à morte do corpo físico e com o qual nos apresentamos perante desencarnados ou encarnados. A Apometria é uma técnica de desdobramento que tem como objetivo auxiliar, encarnados e desencarnados, executaria comando de ação de um dirigente, e descreveria o ambiente espiritual. A técnica envolve práticas materiais como contagem numérica ou geração de ruído, e se baseia na crença de que energias físicas seriam manipuladas na atuação sobre encarnados, e desencarnados. Baseada em conceitos da Física e da Matemática, a Apometria apresenta-se como uma teoria científica avançada, chegando ao ponto de se considerar mais eficaz que o Espiritismo em tarefas como a desobsessão. Um aparte desse digitador: Eu pergunto: como? A desobsessão está sendo reduzida, a simples diálogo, conforme entendimento dos apômetras? Não é simples diálogo! Pasmem! É sim, diálogo fraterno, moral e informando o efeito da lei de causa e efeito alicerçada na postura Cristã. Quem tiver dúvida, procure nesse Curso de Desenvolvimento CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 225 Mediúnico, quando Bezerra de Menezes, não tendo resultado satisfatório com determinado espírito muito endurecido, ele assim diz: -Vou pedir que um espírito com mais amor do que o eu venha para dialogar com você e seus subordinados. Não usou recursos da teoria avançada da Apometria para com eles. Apresentou-se Francisco de Assis, que apenas no diálogo fraterno e com palavras de disciplina moral conseguiu conduzir tal espírito para uma escola na espiritualidade, com ajuda da mãe que dirigiu palavras de lembranças do passado de ambos, e muito amor. Nem Bezerra, nem Francisco de Assis, nem a mãe, recorreram aos métodos milagreiros da apometria. Nas nossas atividades mediúnicas, quando alguns métodos fraternos não alcançam resultados satisfatórios, no caso de espíritos de mente brilhante, mas excessivamente endurecidos, e pela inteligência que possuem, é um tanto comum que estudem as reuniões doutrinárias. Eles estudam e sabem os métodos psicológicos que o dirigente usa, mas não sabem o que a energia do amor, pode produzir. Lembrando que as coisas espíritas não são estáticas, e em muitos casos um espírito com palavras enérgicas, conhecendo particularidades morais do espírito rebelde vem em nosso auxílio, o qual em geral é um ser querido do espírito rebelde, solucionando a dificuldade. Assim como aconteceu no final do atendimento fraterno de Francisco de Assis. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 226 Nas reuniões mediúnicas sempre digo: amar disciplinando e disciplinando amando. Nunca a brutalidade, pois seria alimento da revolta. Estávamos; eu e uma companheira médium comentando a respeito da Apometria, inserida nesse caderno. No decurso dos nossos comentários, para nossa surpresa, abruptamente, determinado espírito adepto a Apometria se apresenta revoltado conosco, por não aceitarmos em nosso grupo as suas convicções. Uns parênteses: Nunca vimos um espírito-espírita, revoltado por alguém ser católico, ou evangélico, algum muito sério acontece com eles. Esse espírito muito nervoso dizia: -Pois saibam! Vamos espalhar a apometria no meio de vocês e de casas espíritas, vamos promover verdadeira fascinação. Vamos conduzir um a um durante o sono para o nosso reduto e ao regressarem estarão hipnotizados – e dava gargalhadas – os que mais queremos para nós na prática da Apometria, são os médiuns de clarividência. Mais uma experiência utilizando o magnetismo do amor, via diálogo fraterno em uma atividade de desobsessão. Muito revoltado, afirmando em nada acreditar, ele era o senhor de si mesmo e não aceitava ajuda. Nesse momento dissemos: mas eu quero lhe ajudar independente de você querer ou não. Então vibrei pedindo ao pai que os seus olhos pudessem ver a beleza de uma cidade do mundo espiritual. Ele silencia-se e passa a comentar, admirado a visão de um CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 227 rio de águas limpas, de uma linda biblioteca! Ele era muito intelectual. Via e comentava o caminhar calmo de pessoas, que comungavam pelo jardim florido! Chegou o momento de oferecer a ele o meu presente, muito amoroso, ao dizer: -Jesus! Que flores com o magnetismo possam chegar até ele com a energia da paz, da serenidade, da esperança e que ao contato com o físico do nosso irmão e seus subordinados eles possam sentir tal benefício. Lembrando que esse irmão, acreditando na Apometria e desejoso de implantar em nossas casas espíritas, foi auxiliado pelo simples método, do magnetismo do amor. Nos espíritos obsessores, a ajuda tem que ser gradativa, no falar baixo e fraterno, sem tanta exigência em relação ao tempo. Fato que irrita muitos companheiros. Em muitos momentos, o amor deve associar-se com a disciplina, pois são ingredientes necessários a contribuir com a mudança do padrão vibratório do espírito revoltado. Equivocadamente, os Apômetras defendem a eficácia imediata em casos de obsessão. No caso de obsediado e obsessores, o espiritismo tem a seguinte posição: nenhum dirigente de reuniões desobsessiva, pode ter a pretensão da transformação imediata do espírito que foi por longo tempo torturado fisicamente ou psiquicamente e que hoje é um obsessor. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 228 Os apômetras esquecem da lei de causa e efeito. Segundo me consta: colocariam ele em uma nave espacial e mandariam para o espaço. Não vou comentar.... Ao obsedado de hoje, diremos: estude as leis morais do Cristianismo, ponha em prática o exercício da reforma intima, policie os pensamentos. Assim procedendo, vamos evangelizando os que teimam em nos prejudicar. Em outras palavras: faça do inimigo o amigo que tudo se resolverá. Procure adquirir sentimento de amor por essa alma você transformou em um doente nos dias de hoje, mas que outrora não foi assim. Pois muitas das vezes, ofereceu sua amizade, foi o amigo dedicado ou alguém que muito amor lhe ofereceu, e que você retribuiu com muito sofrimento. Como vemos, a Apometria da matemática e da física, não consegue equações para o entendimento transcendental do acima exposto. Será que de fato é tão simples resolver problemas do físico e da obesessão? Conforme é colocado na apometria? O que posso dizer é: quem quiser adotar a forma bruta, dura e imediata, deve vincular-se à Umbanda, ou aos Apometras. Pois no espiritismo de Kardec é diferente. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 229 Vejamos duas situações: Primeira Situação: Para ajudar o encarnado, muitas vezes a espiritualidade analisa a caminhada entre o que hoje sofre e quem foi o sofredor no ontem,para que a justiça se faça e no caso, providências que venham beneficiar os dois. Não estranhem, acreditando deficiência do grupo ou do dirigente, quando o mesmo espírito em muitas situações seja trazido algumas vezes ao mesmo grupo mediúnico. Tive a experiência de um espírito que assassinou sua esposa e seus escravos, porque se tornaram Cristãos que retornou ao grupo várias vezes: I. Primeiro encontro: zangado nada dizia, só escutava; II. Segundo encontro: o espírito disse “sempre que saio daqui sou conduzido a um local onde tenho liberdade de caminhar, mas sinto que sou vigiado”; III. Terceiro encontro: o espírito disse “prometo que vou pensar em tudo que tenho escutado de vocês”; IV. Quarto encontro: pela primeira vez ele disse “boa noite”. Não me lembro do diálogo, mas posso dizer que foi muito bonito. Aos que desejam entender melhor do que estamos falando quando dizemos que não transformamos o espírito em uma única CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 230 participação, em nosso trabalho mediúnico, leiam o livro “Irmão Jacó”. Segunda Situação: Determinado espírito, que fora dirigente da Federação Espírita Brasileira, - se não estou enganado - em seu livro: Irmãos Jacó, comenta: Um grupo de espíritos, bebiam juntos com as pessoas que estavam naquele bar. Passa um enterro e determinado espírito diz: ali não está o velho Jacó, que em muitas ocasiões nos doutrinou? Pretendendo completar o entendimento quanto a Apometria, transcreverei na integra as seguintes fontes de informações: 1. “Apometria” de Divaldo Franco. 2. “Apometria” de Jorge Hessem. 3. “Apometria” de Suely Caldas, nas palavras de Divaldo, é uma das mais preparadas em assuntos mediúnicos. 4. “Apometria - Visão Geral” de Dalton Campos Roque e Andréia Lúcia da Silva. Primeira fonte de informações - Divaldo Pereira Franco: Durante uma larga entrevista, no programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova, de Guarulhos (SP), em Agosto/2001, a partir de uma pergunta a ele dirigida, afirma: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 231 -Não irei entrar no mérito nem no estudo da Apometria, porque eu não sou apômetra, eu sou espírita. O que posso dizer é que a Apometria, segundo os apômetras, não é espiritismo, porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de “O Livro dos Médiuns”. Não examinamos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a Apometria. Mas segundo a presunção de alguns, este método é um passo avançado do movimento espírita, na qual Allan Kardec estaria ultrapassado. E que Allan Kardec foi a proposta para o século dezenove e parte do século vinte e a Apometria é um degrau mais evoluído, tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto. (...) Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, não conhecem as bases kardequianas, e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciarão para terem certeza. Portanto, SE ALGUÉM PREFERE A APOMETRIA, DIVORCIE- SE DO ESPIRITISMO. É um direito! Mas, não misture para não confundir (...) não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas, como espírita, nós devemos cuidar da proposta espírita (...) CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 232 Então, temos por obrigação explicar que a mediunidade não é patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita e muitas práticas alheias ao Espiritismo a utilizam. Assim, acontece com a desobsessão, os católicos chamam de exorcismo, os protestantes descarrego, os apômetras de “apometria”, etc., e cada qual tem seu método. Por isso é dever de todo espírita estudar profundamente as obras básicas, para que possamos preservar a pureza doutrinária. O Codificador, referindo-se ao Espiritismo, indaga-nos: Como pretender-se em algumas horas adquirir a ciência do infinito? Os diversos cultos religiosos existentes merecem nosso respeito, mas nem por isso devemos adotar seus rituais e práticas exteriores, por considerá-los contrárias aos princípios básicos da Doutrina Espírita. Concluímos que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a freqüência à Casa Espírita. É indispensável estudá- la, incessante, incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços. Percebe-se, claramente, que a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de boa parte dos “espíritas”, especialmente quanto à sua parte teórica. Conforme afirma Kardec, “o Espiritismo deve assimilar o progresso da Ciência”, no entanto, alguns companheiros, sem base para analisar a parte científica da Apometria, têm acatado suas práticas, esquecendo-se da orientação dos bons espíritos de que CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 233 quando não sabemos avaliar um assunto “melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade. Ou uma teoria errônea”. Segunda fonte de informações – A Apometria e as Práticas Espíritas (Jorge Hassam) Muitos confrades recorrem as instituições que praticam apometria, porque o “tratamento” é mais “forte”, afirmam. Os apômetras incautos, hipnotizados pelas trevas, mantém esse tipo de atitude bizarra sob os aplausos das suas vítimas, psíquica e mentalmente aprisionadas. Se a apometria é mais “forte” que a reunião de desobsessão, por que a omissão dos Espíritos Superiores? Por que eles se calam sobre o assunto? Curioso isso, não? O silêncio dos Espíritos Superiores é, sem dúvida, um presságio de que tal prática é de mau agouro, e, por isso mesmo, ela é circunscrita a poucos grupos que deveriam deletar, o nome Espiritismo dos seus estatutos. Os apômetras confirmam que a “apometria é mais fraterna, por ser mais eficaz”. Fraterna com o encarnado e com o desencarnado? “Atua no cerne da obsessão e, com visão de conjunto, pode auxiliar a medicina do futuro na cura holística”. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 234 Um aparte desse digitador: Quem estudar um pouco mais a doutrina espírita, verá que Jesus não curou a todos e naquele dia dos milagres, ele advertiu: vão e não errem mais, para não acontecer o pior e dos curados um só, a doença não retornou. Entenderam nas roucas vozes, que “a apometria” acelera, com as qualidades, os morosos atendimentos desobsessivos que, ainda, são realizadas em muitas casas espiritas do nosso país (pasmem). A missão maior do espiritismo não é distribuir curas e sim transformar os homens, pois com eles transformados, teremos mente sadia, conseqüentemente corpo saudável. Os espíritos superiores afirmam: Deus colocou os médicos na Terra para ajudar os homens na doença, ninguém fica desamparado pelo Pai. Mesmo assim os médicos desencarnados são muito atuantes. Voltando à apometria: Gritam que o êxito da apometria reside na utilização da faculdade mediúnica, para se entrar em contato com o mundo espiritual de maneira mais fácil e objetiva, sempre que se quer. Pode, pois, ser utilizada como técnica eficaz no tratamento das desobsessões e a eficácia em virtude de os Espíritos protetores estarem no mesmo plano, dos assistidos, portando, agir com maior profundidade e mais rapidez (que coisa hein?) CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 235 Um aparte do digitador: (...) “utilização da faculdade mediúnica”. E eu pergunto: Sem estudo do mecanismo da mediunidade? Mediunidade sem estudo é como um caminhão carregado sem freio, morro abaixo. O médium deve ter o domínio da sua mediunidade, ser o comandante e não ser comandado por dirigente equivocado ou desencarnado incapaz. (...) “sempreque se quer”. E eu pergunto: onde fica a lei da sintonia moral? A lei da sintonia vibratória? Sempre que quiser! O mundo superior trabalha muito, não fica a disposição vinte e quatro horas ao dia, mês a ano. (...) “estarem no mesmo plano” Qual plano: o de evolução? Quem está no mesmo plano não tem necessidade de ajuda. A ajuda eu entendo que deva ser do maior ao menor. (...) “agir com maior profundidade e mais rapidez” Que coisa hein? Desconhecem que a cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança, devotamento e em muitas situações, o encarnado e desencarnados estão se alimentando em estado de simbiose e a retirada brusca do obsessor, o doente pode falecer. No bom senso de Kardec não se aceita tal facilidade. Voltando à apometria: Não satisfeitos, difundem outra pérola: os diagnósticos são muito mais precisos e detalhados; as operações astrais são executadas com alta técnica e com o emprego de aparelhagem sofisticada de hospitais muito bem montados em regiões elevadas do Astral CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 236 Superior. Por ressonância vibratória, o desencarnado recebe certo alívio, uma espécie de calor benéfico que irradia do corpo vital, mas causa no encarnado o mal-estar de que este se queixa. Acrescento: as coisas saudáveis não causam mal-estar, deve ser estudado o porquê do mal-estar. Alguma coisa esta errada. Locupletam-se de êxtase com o achado aurífero e afirma: na medida em que a humanidade evolui, os véus do desconhecido vão se descortinado e o conhecimento das leis espirituais, que antes era privilégio de poucos, vai sendo revelado, abertamente, aos pesquisadores isentos de preconceitos. Distante do regime da lógica, os apômetras proclamam falácias cristalinas do tipo: Do pondo de vista do Budismo e da Teosofia, os veículos de manifestação da consciência (holossoma) são divididos em sete – quando as coisas simples os homens as tornam tão complicadas, é sinal que algo não está certo. Já na ótica do espirititualismo, do Espiritismo heterodoxo e da Conscienciologia (...). A apometria trabalha com sintonia. Não incorpora egos, não incorpora veículos de manifestação da consciência. Uma vez encerrado o atendimento na casa apométrica, a sessão apométrica pode continuar no astral, a exemplo do que ocorrer com sessões espiritas convencionais (...). CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 237 Grande novidade, esquecem que o mundo espiritual e mais ativo do que imaginamos. Um aparte desse digitador: (...) “A apometria trabalha em sintonia” Com quem? (...) “não importa veículos de manifestação da consciência” Então os fenômenos no dia do pentecostes, nenhuma importância teria para Jesus, ou para a terceira revelação à humanidade que é o Espiritismo, doutrina consoladora. Foi simplesmente histerismo (sem importância)? As manifestações mediúnicas nos apóstolos, não merecem atenção? Não, se deve ser levada a sério os seus estudos? Voltando à apometria: Divaldo Franco admoesta sobre a esquisitice (apometria) de se colocar “obsessores em cápsula espaciais e os dispararem para um mundo da irraticidade. Não iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento, mas, se eu, na condição de espírito imperfeito que sou, chegasse desesperado a um lugar, pedindo misericórdia e apoio na minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno mitológico ou ser desintegrado, eu renegaria aquele Deus que inspirou esse adversário da compaixão. Ou, se me mandassem em uma cápsula espacial para que fosse expulso da Terra. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 238 Com qual autoridade? Quando Jesus disse que o seu reino é dos miseráveis? Um aparte desse digitador: Pasmem: os apômetras não querem comparar, quando nas reuniões mediúnicas se plasmada uma jaula, para colocar o espírito agressivo, o qual teima em causar agressões vibratórias ao médium e ao grupo, com a finalidade de conduzi-lo à tratamento nos hospitais das cidades espirituais. Como vemos é bem diferente as suas pretensões em relação a cápsula espacial para conduzir ao exílio, expulso da Terra. É muita pretensão! É atribuir poderes que só o mundo espiritual maior pode determinar. Eles estão antecipando a seleção do joio e do trigo, que cabe a Jesus, atendendo determinação do Criador. Outro detalhe: esquecem que somos viajores do tempo e assim sendo, poderia estar exilando um pai, uma mãe, um ser querido do passado, conforme suas determinações. De fato, essa seleção do Joio e do trigo já está em andamento a algumas décadas. Mas quem determina? Essa é a questão. Voltando a apometria: Obsessores retirados do campo mental do obsidiado “a força” e enviados a “outros planetas” ou a estranhos locais ou dimensões CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 239 extrafísicas, reafirma que, entre os ludibriados apômetras, há grotesca falta de conhecimento da Doutrina Espírita. Acautelemo-nos, pois acreditar no espiritismo não é conhecer o espiritismo, não basta assiduidade à Casa Espírita. É indispensável que estudem Kardec com muita seriedade e persistência. Os enunciados contidos na Codificação exigem cautelas ao interpretá-los e, sobretudo, humildade ao exercê-los. Observem o que encontramos neste trecho: “Os que preferem o método clássico de doutrinação religiosa, entronizados ao longo do século XX nos centros espíritas e espiritualistas brasileiros, criticam a Apometria, porque esta não “evangeliza” o espírito obsessor. Todavia, em complexas obsessões espirituais, a tentativa de evangelizar, sensibilizar ou conscientizar o espírito obsessor, não surge efeito. Evangelizar magos negros é tão eficaz quanto ensinar lições de fraternidade a um psicopata. E eles concluem desta forma o raciocínio: Seria mais fraterno deixar os pacientes com os chips trevosos e os magos negros e seus asseclas soltos, fazendo o que fazem?” Analogamente, seria mais fraterno se nossos policiais não portassem armas de fogo, pois poderiam ferir os bandidos que nos assaltam e matam? A correlação é a mesma. Em resposta a esse conceito, o tribuno baiano recorda que: a nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 240 A rigor, o uso de energia para afastar obsessores, sem a necessária reforma íntima, indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades rancorosas não resolve a questão. Por essa razão, a apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica que se enquadra nos princípios doutrinários espíritas, não sendo, portanto uma prática recomendável na casa espírita. Nesse mundo da fantasia da apometria, encontramos uma esmeralda. Vejamos essa: “A principal característica da Apometria está na abrangência de sua essência. A apometria investiga o corpo astral do paciente, seu habitat (ambiente doméstico e/ou profissional), obsessores locais e não-locais (baseados em outros níveis do umbral). É muito mais poderoso que o passe e a doutrinação convencionais. Detecta e retira equipamentos extrafísicos mecânicos e eletrônicos (paratecnologia) do psicossoma (corpo astral) dos pacientes. Em determinada circunstâncias, remédios homeopáticos de alta potência destroem ou descolam equipamentos extrafísicos aderidos à aura ou no psicossoma do paciente. Há na prática bioenergíca chamada (mobilização básica energética) bastanteeficiente na destruição de implantes de paratecnologia negativa”. A maioria da humanidade é imatura conscientemente (crianças espirituais): não lê, não estuda, não faz práticas bioenergicas. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 241 Um aparte desse digitador: (...) “muito mais poderoso do que o passe”. A imposição das mãos de Jesus nas cabeças das pessoas não era o passe? Não foi o passe ensinado por Jesus aos apóstolos? A apometria é mais poderosa que o passe nos moldes, de Jesus? (...) “mais poderoso que a doutrinação convencional”. Jesus não conversava com os obsessores? Não era uma doutrinação? A apometria veio para substituir os ensinamentos de Jesus? Senhores Apômetras, apenas uma informação: Um desses espíritos Magos, muito inteligente, nervosamente nos disse: -Estamos trabalhando para que a apometria seja difundida nas casas espíritas. Para tal temos a proposta de conduzir durante o sono os simpatizantes, e uma vez hipnotizados, venham a divulgar essa prática no seio das casas espírita. Voltando à apometria: Como se observa, os apômetras adotam termologias diversas daquelas utilizadas pela Doutrina Espírita e conceitos de crenças orientais. Além disso, seus arrazoados batem de frente com o bom senso Kardeciano. Que saibamos, não houve manifestações sobre o tema em várias partes do mundo, por meio de médiuns conceituados. Devemos CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 242 considerar, portanto que não houve o Controle Universal dos ensinos da técnica, como preconiza Kardec. Os termos utilizados pelos apômetras impressionam, realmente, os desavisados. Senão, vejamos: salto quânticos, spin, despolarização de memória, campos magnéticos, chips astrais, contagem em português ou grego e pulsos energéticos. Eu pensava que a palavra chips, fosse termo novo inserido na nomenclatura espírita – mas é palavra apócrifa. “As percepções espirituais dos médiuns de suporte das seções de Apometria se dão por clarividência objetiva, intuitiva e mental. Em diapasão mental adequado, atingem potencias quadrática (elevada ao quadrado), em que dez trabalhadores afinados, e em alta sinergia, valem por cem pessoas (o que também se aplica a outros grupos). Daí a importância do grupo apometria desenvolver aguçado nível técnico, mediúnico e sinérgico”. Um aparte desse digitador: (...) “em que dez trabalhadores afinados, e de alta sinergia, valem por cem”. Pasmem, não sabem que quantidade não é sinônimo de qualidade. O ser humano, na sua imperfeição, não permite como calcular a vibração de dez pessoas potencializando-as em uma constante, sem oscilação equiparando-a a cem. Que louca obsessão! Tenho o desejo que esse meu entendimento seja analisado por ouros companheiros. Apenas recorri ao chamado bom senso, apregoado por Kardec. Posso CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 243 estar errado, mas tudo é tão complicado na apometria. Mil detalhes para nada dizer. Sendo que as coisas do pai, sempre serão simples. Não tendo como entrar nesse mérito, apenas diremos: Não sabem que para se obter energia saudável, somente a teremos se o nosso coração for bom. Eu disse: energia saudável – não disse que dez pessoas equivalem a cem, até porque, como saber a potencialidade das dez em relação das supostas cem e vise-versa. Se não bastasse devemos entender que todas vibrassem todo o tempo sem oscilação. Meu Deus - é impossível! A essa altura do artigo, os apômetras devem estar horrorizados, dizendo entre si: -O Jorge Hessem deve ter vários chips astrais incrustados no perispírito, deteriorando seu raciocínio... Mas não estamos sós nesse pensamento em que apometria não é espiritismo. Terceira fonte de informações – Suely Caldas Schubert: Desejo falar sobre a apometria, esclarecendo que estamos no campo das idéias e jamais diminuindo aqueles que a estão adotando. Cada um é livre para fazer as suas opções. A apometria é mais uma prática surgida em nosso meio espírita que vem confundir e desviar os iniciantes, os que buscam novidades e, diria até, os invigilantes que se deixam envolver por tais idéias, que nada têm em comum com o Espiritismo. Reconheço o artigo do nosso CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 244 companheiro Jorge Hessen àqueles que desejem conhecer algumas das práticas anti-doutrinárias adotadas pela apometria. É oportuno recordarmos a importante advertência de Allan Kardec, conforme “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, na introdução II, que a segurança do Espiritismo, com vistas ao futuro, deveria estar fundamentada no critério do controle universal do ensino dos Espíritos e a concordância que deve existir entre eles. Também adverte que qualquer idéia nova que surja deve ser submetida ao crivo da razão, acrescentando, que se houver dúvida que se busque a opinião da maioria. As práticas da apometria, não tem base doutrinária em “O Livro dos Médiuns”, e nem nas obras consideradas fiéis à Codificação pelo critério da maioria absoluta dos espíritas, quais sejam as de André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, Emamanuel, Joana de Ângelis, Camilo, e toda a obra de mediúnica de Yvone A. Pereira, isto é só para falar nos autores espirituais. A apometria, portanto, não é espiritismo. Acrescento: não vou mais usar a palavra chips, não é palavra espírita, a não ser que no futuro a doutrina dos espíritos reconheça como tal. Muitas coisas escritas, por Chico Xavier, passaram pelo crivo da razão por bom tempo até ser liberada pela FEB, como realidade atestada pela espiritualidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 245 Quarta fonte de informações – A palavra Apometria no entendimento de Dalton Campos e Andréia Lúcia da Silva: Visão Geral, deve ser compreendido em: apometria, apometria quântica, apometria cósmica, apometria celestial, apometria angélica, apometrismo, terapias, atendimento fraterno, fraternidade, apométrica, apometria Ramatiz. O meu aparte é sintético: não é espiritismo e como tal não podemos alterar a simplicidade do espiritismo, qualquer mudança deve vir por espíritos que vistoriam as obras de Kardec e por médiuns que tenha esse mandato. O que é Apometria? (...) Por ser, ainda, de recente conhecimento nesta etapa histórica da humanidade terrestres, não há consenso nos conceitos, nos vocábulos e na semântica empregadas. Por isso, pedimos aos leitores, aos apômetras e pesquisadores que não sejam escravos da termologia. Enfoquem as idéias. Acrescento: pensando nisso, Kardec avaliou as idéias, que se tornaram pesquisas, aí sim compondo a metodologia espírita. É impossível, portanto, avaliar a Apometria como prática homogênea e padronizada. Desprovida de regras gerais fixas e da intenção de ser panacéia universal para o tratamento das patologias humanas, a Apometria (como a medicina convencional e outros ramos CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 246 do saber humano) apresenta sua própria cota de vantagens e limitações. Um aparte do digitador: Vejam que mecanismo de confusão com as palavras, verdadeira mistura de carimbo. Que cada um tire as suas conclusões. O que é apometria? Vou transcrever, apenas transcrever, sem nenhuma consideração. Que consideração posso fazer? Também não tenho desejo de procurar entender, vejamos: A locução Apometria Cósmica, Apometria Quântica, Apometria de Ancoragem, Apometria Angélica, Apometria Celestial, etc. é menos questão de conteúdo diferenciando a mais, uma questão de marketing, a fim de ampliar o publico consumidor,transmitindo a falácia de que se trata de uma Apometria melhor e superior à convencional. Associa-se a uma ou outra a proposta comercial de conquistar pessoas ingênuas e incautas, vulnerável ao modismo patológico da New Age e seduzidas pela expectativa de que, por meio da Apometria A ou B, serão atendidos diretamente por Arcanjos, Mestres Ascensos. Conselho Cármico ou Conselho Estelar, com acesso a incontáveis realidades multidimensionais, vidas passadas, realidades paralelas onde haja bloqueios emocionais, psicológicos, mentais e físicos. Aqui se percebe franca panacéia universal. Apometria “X” CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 247 A apometria, a moda e o poder: Não tenho participação alguma com as palavras abaixo colocadas, elas são do Sr. Dalto e Sra. Andréia. “Não sei bem o que é esta tal Apometria, mas vou experimentar para ver se melhoro de vida. Apometria esta cada vez mais em voga entre os espiritualistas e curiosos entusiasmados pelo modismo de momento e pela expectativa de obter a cura sem esforço. Corre-se o risco da Apometria se tornar apometrismo, a panacéia universal que cura tudo, o atendimento apométrico em escala industrial, mecanizado e direcionado as massas levianas. Logo as cartomantes na praça enunciarão: Apometria de banquinho – prometendo: trago o seu amor de volta. Último aparte desse digitador: O nosso linguajar deverá sempre, dos mestres enviados pelo Pai. Jesus, guia e modelo que o pai enviou para ser o guia da humanidade. Kardec, o bom senso encarnado, responsável pelo espiritismo ciência e filosofia transcendental. O norte seguro para o homem encarnado e desencarnado. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 248 ITEM 21 - A EFICIÊNCIA NO TRABALHO MEDIÚNICO Os estudos vão se aprofundando, naturalmente oferecendo ao aluno a segurança no presente e para toda a sua vida na área da mediunidade. Para conquista a eficiência no trabalho mediúnico, o médium precisa de: v Equilíbrio: Sem uma perfeita harmonia entre a mente e as emoções, dificilmente se consegue os filtros psíquicos para filtrar a mensagem que provém do mundo maior, com fidelidade. Podemos comparar ao menino de regado que não é fiel naquilo que lhe foi confiado a transmitir. v Conduta: não ter o dia-a-dia da sua vida fundamentada em uma postura de austeridade, evitando tornar-se excessivamente severo consigo e, sem leveza da alma, pois assim só muito raramente lograra êxito como intermediário dos Espíritos elevados. Não estamos falando que aqueles que ainda não atingiram essa leveza não possa ser bom médium na ajuda aos espíritos sofredores, inconformados ou revoltados. v Concentração: após aprender a técnica de isolar-se do mundo externo para ouvir interiormente, e sentir a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 249 mensagem que flui através das suas faculdades mediúnicas, o trabalhador poderá conseguir registrá-la com fidelidade. Acredito que a melhor técnica seja aprender a fazer o silêncio íntimo, encontrando em si, como já disse: determinada leveza na alma. v Oração: sem o exercício e cultivo da prece como clima de serenidade interior, ser-lhe-á difícil abandonar o círculo vicioso das comunicações vulgares, para ascender e alcançar uma perfeita identificação com os instrutores da Vida Maior. A prece é a forma mais poderosa de energia que podemos gerar. Por que não usar? Não devemos esquecer que a mediunidade é sintonia. Em que faixa vibratória o meu sentimento está sintonizado? Não apenas nos momentos da prática mediúnica, o médium tem que entender que somos médiuns às vinte quatros horas do dia. Eis um roteiro de atitudes e virtudes a serem adotados: Ø Disposição - Não se afeiçoando à valorização do serviço em plena sintonia com o ideal espírita, torna-se improvável a colheita de resultados satisfatórios no intercâmbio mediúnico. Ø Humildade - Escasseando o autoconhecimento, de bem pouca possibilidade o médium disporá para uma completa assimilação CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 250 da mensagem espiritual. Nos temperamentos rebeldes e irascíveis, a supremacia do personalismo anula a interferência das mentes nobres desencarnadas. Ø Amor - Não estando o Espírito encarnado aclimatado à compreensão dos deveres fraternos em nome do amor que edifica, torna-se invariavelmente medianeiro de Entidades perniciosas com as quais se compraz. Sempre será a lei da afinidade a comandar a aproximação dos espíritos bons ou maus. Aos homens e mulheres evangelizados, é natural terem uma convivência com os bons espíritos. Seria um equívoco entender que esses homens e mulheres não aceitem a presença de espíritos necessitados de ajuda e doentes. É bom entender o seguinte: Medianeiro de entidades perniciosas com as quais se compraz é uma coisa. Medianeiro de entidades necessitadas com a finalidade de ajudá-las e encaminhá-las é outra coisa. Não poderia ser diferente, pois Jesus afirma que mandaria a doutrina consoladora para permanecer entre os homens por todos os tempos. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 251 A doutrina espírita é o consolador prometido e o médium é o médico do desencarnado. O dirigente é o psicólogo. Com a participação do médium, o espírito passa a sentir, ver e enxergar o que não era possível até então. Chico Xavier, o santo homem, nuca deixou de oferecer o seu corpo físico para receber e ajudar espíritos sofredores, doentes e revoltados. Outros comportamentos contribuem no prejuízo da manifestação sadia, quando o médium é: • Ser excessivamente polêmico; • Ser excessivamente extrovertido. Exemplo: antes do espírito, transmitir o seu pensamento, o médium o atropela. Com pessoas assim, até seus amigos tem dificuldade em entendê-lo, pois a cada instante ele muda o seu ponto de vista. • Ser excessivamente tímido, não estabelecendo a comunicação. Uma pessoa assim, está no grupo, mas não está com o grupo. Importante lembrar que é obrigação do dirigente dar o tempo que ele necessite para sair do seu casulo. • Ser excessivamente rígido para consigo mesmo. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 252 Eis um exemplo de médium excessivamente extrovertido e apressado: O espírito telepaticamente está dizendo: “aqui no Rio de Janeiro está muito frio”. O homem que atropela as pessoas, também atropela o espírito, assim sendo, ele transmite: “aqui no Rio de Janeiro está frio”. Ele suprimiu a palavra “muito”. Comprometendo a fidelidade da comunicação, mas não o seu conteúdo. Em relação ao que foi exposto, devemos parar e refletir, conforme nos alerta a Revista Reformador abril de 2.015: Por serem essas informações quase sempre desconsideradas nos grupos de atividades mediúnicas, o que acontece: o grupo acaba desenvolvendo lentamente um mal-estar, silencioso entre os participantes e a discórdia vai se introduzindo. Eis a ação das trevas utilizando as nossas deficiências morais. Kardec menciona que o exercício mediúnico deve ser moderado, ou mesmo suspenso, a depender do estado físico, moral do médium. No que tange ao quadro orgânico, pode-se citar as doenças infecciosas, cardiopatias, alterações neurológicas, deficiências respiratórias graves, como condições impróprias para o exercício mediúnico, como aborda André Luiz. Temos ainda a considerar o impedimento por enfermidades epidêmicas, como a gripe. É razoável aceitar como motivos justos de CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA253 ausência os cuidados decorrentes da gravidez e os embaraços periódicos característicos da organização feminil. Sobre esse último ponto, cabe destacar que apesar da proteção espiritual presente nas reuniões de desobsessão, a gestante, bem como o reencarnante, não devem ser expostos às correntes mentais inferiores comuns em tais reuniões – nesse caso, existem correntes pensantes que diz: a gestante poderá participar das atividades mediúnicas, e interromper quando sentir incômodo ao permanecer sentada. Também a Revista Reformador acrescenta que deve evitar ou se abster de reuniões de desobsessão pessoas com pré-disposição a transtornos psiquiátricos, pois as emanações fluídicas inferiores alteram, momentaneamente o funcionamento mental do médium e, quando se trata de um médium com fragilidade psíquica, o intercâmbio mediúnico pode impulsionar surtos psiquiátricos graves que podem desencadear repercussões dolorosas. A esse respeito, Kardec registra: (...) A mediunidade não produzira a loucura, quando esta já não existe em gérmen; porém, existindo este, o bom senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial. Sobre o quesito moral, ao assumir a responsabilidade da mediunidade, o médium deve inicialmente, adotar o comportamento cristão exemplificado nos evangelhos, caso contrário, sua mente, tal como poderoso imã, atrairá falanges afeitas ao desequilíbrio, as quais CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 254 poderão promover inúmeros sofrimentos - físicos, morais e espirituais - ao próprio médium. Léon Denis esclarece que: (...) As vias de comunicação que o Espiritismo facilita entre o nosso e, o mundo oculto poderá servir de veículos de invasão às almas perversas que flutuam em nossa atmosfera, se lhes não soubermos opor a resistência vigilante e firme. Assim é imprescindível que o médium dedicado à tarefa de intercâmbio espiritual tenha o firme propósito pela reforma íntima, como assinala Yvonne Pereira: (...) De acordo com os ensinamentos cristãos deverá ele (refere- se ao médium) procurar corrigir em si mesmo os pendores inferiores que ainda possua, renovando-se moralmente, mentalmente e espiritualmente, a fim de conseguir equilíbrio necessário para se mostrar ao mundo como espírita cônscio das próprias responsabilidades e, acima de tudo, para atrair e merecer a proteção dos bons Espíritos e fortificar-se contra as investidas dos Espíritos perturbadores. Entendam: não estou falando de homens santos e sim homens de coração cristão e postura moral. Sem dúvida, a mediunidade é a porta para os céus que Deus nos abre o beneplácito com contato com os nossos guias e entes queridos habitantes na esfera espiritual. Contudo, a prática mediúnica é também permeada de responsabilidades. Por esta razão, aos dirigentes de trabalhos mediúnicos se tornam também imprescindíveis o bom senso, a CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 255 sintonia com os guias espirituais, bem como sólidos conhecimentos doutrinários para realizarem uma triagem meticulosa dos pretendentes ao mandado mediúnico. Quero deixar o meu registro, quanto ao assunto – treinamento de dirigentes de Reuniões Mediúnicas: Hoje aos meus setenta e quatro anos e desde criança na casa dos meus avós, assistindo reuniões mediúnicas – que na época eram praticadas em nível de família – adquiri a seguinte concepção: I. O dirigente é alguém que se preparou na espiritualidade, para ser o médium do amor; II. Havendo essa aptidão, o mesmo deve estudar as obras básicas, obras complementares, romances mediúnicos, O Sermão da Montanha, Vida e Atos dos Apóstolos, tudo em relação à postura moral, e nesse caso Memória do Padre Germano. Adquirir profundo conhecimento em à Obsessão e Desobsessão; Um exemplo pessoal: Sem as incansáveis horas de estudos, o meu sucesso seria muito parcial, diante do que vou narrar. “Uma jovem muito sofrida pelos terríveis investidas dos desafetos de outrora, passa a ser atendida por nós. O perseguidor fora um General de Guerra do Exercito Alemão. (...) o qual teimava que o seu líder Hitter, voltaria, “não sei onde ele está, mais vai voltar”. Gesticulava e falava alto “ah! Hitter, ah Hitter” Graças à leitura eu tinha conhecimento para dizer o seguinte: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 256 -Sim, ele já voltou e você vai ver ele agora: veja esse jovem de 17 anos talvez, sabe-se que está vivo por mexer apenas com os olhos. O Dique do orgulhoso general rompeu-se. Chegou o momento de perguntarmos: -Todo general tem os seus subordinados, quantos você tem? -Em torno de 1.800, homens - ele respondeu. (...)” Sem conhecimento obtido por muito ler, seria muito difícil vencer esse orgulho alemão fazer com que ele e seus subordinados aceitassem a ajuda da espiritualidade. III. Se um pedido posso fazer à quem deseje tornar-se um dirigente de Reunião Mediúnica, apenas peço: não tenha vaidade e pressa; IV. É interessante que fique sentado fora da mesa observando por bons anos. Apenas observando as técnicas que o dirigente utiliza em cada atendimento, em cada situação. Sem o conhecimento dessas ferramentas, e estando diante de determinada situação, não há tempo hábil para pensar: como devo estabelecer o diálogo. Assim sendo, adquira o argumento essencial e com a prática você vai mesclando o que aprendeu e acrescentando coisas que vai aprendendo. Uma observação: Em todos os momentos devemos valorizar a intuição. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 257 Para nossa felicidade, espíritos como Leon Diniz, vão dando a sua cota de informações: (...) Tem, pois, o homem, que se submeter a uma complexa preparação e observar regras de conduta, para em si desenvolver o precioso dom da mediunidade. É necessária, para isso a cultura simultânea da inteligência, a meditação, o recolhimento, o desprendimento das humanas coisas (...). Recomendações feitas há mais de um século. O estudo meditativo e reflexivo dos postulados espíritas são condições perenes para um bom exercício mediúnico. Cabe destacar que esse estudo não se restringe à assimilação cognitiva do conteúdo espírita, mas à introjeção da verdade consoladora que possibilitará a vivência autêntica do comportamento cristão. Emanuel afirma que: O médium tem obrigações de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada. Cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e à verdade. É somente com a modificação do tônus mental, a partir do estudo sincero e recolhido, que o médium terá meios de purificar o próprio ser e estabelecer melhor sintonia com os guias espirituais, que possibilitarão ao médium a vivencia de nobres e edificantes experiências com a Espiritualidade. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 258 Outra importante condição para o bom exercício mediúnico é a prática da caridade, que facilitará ao médium o alcance das faixas vibratórias dos bons Espíritos. A caridade, conforme nos diz Irmã Rosália, não se limita à oferta do pão material, consistindo também da verdadeira fraternidade que ela denomina caridade moral. Yvonne Pereira nos explica que essa caridade pode ser vivenciada pelo médium quando este se dispõe a consolar desolados, a enxugar lágrimas de sofredores, pela orientação segura e amorosa aos caminhos do equilíbrio. Todas essas ações possibilitarão ao médium fortalecimento de sua estrutura moral e espiritual para asatividades mediúnicas. O cultivo da oração diária é primordial para a prática mediúnica, pois lhe possibilita alcançar seus principais objetivos; a renovação íntima e o benefício a encarnados e desencarnados sobre as verdades do além-túmulo. Será pela prece sincera e pela própria renovação que o médium estabelecerá contato mais estreito com a Espiritualidade amiga, inclusive com o próprio Cristo, que deve ser para todos nós o exemplo máximo para todas as nossas condutas, especialmente no intercâmbio mediúnico com as almas de escol e sofredores. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 259 ITEM 22 - CONHECENDO MELHOR O FENÔMENO MEDIÚNICO Fluidos: Não estamos nos referindo ao exercício prático que virá na Fase Primeira – percepção de fluidos – mas já comentando realidades a serem vivenciadas na Fase Quinta, finalização do curso prático do Desenvolvimento. Como vemos, estamos avançando nas informações ao estudante preparando-o para o momento de vivenciar preliminarmente sua prática mediúnica. À medida que a sensibilidade se apura o médium, sente cada vez mais intensamente os fluídos, que tanto podem vir de desencarnados presente à sessão ou de entidades de maior hierarquia, as quais ele se apegou e que nestes casos enviam às vezes de grande distância suas radiações poderosas. Havendo pessoas sentadas fora da mesa - por razões que justifique - devem entender que nessa atividade, todos têm os seus compromissos com o momento, e assim oferecendo bons sentimentos, boas energias, para serem utilizados na tarefa desenvolvida pela espiritualidade. Deve-se entender que as energias fluídicas acima mencionadas são coisas diferentes, atendendo coisas diferentes. Não estamos falando dos fluídos dos instrutores espirituais projetados nas fases de treinamento dos médiuns estudantes, fluídos CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 260 saudáveis e adequado ao momento. Nesse caso o estudante é convidado a identificar, sim, em que local do físico esses fluídos se dão – são fluídos projetados em localidade especifica, a fim de identificar qual mediunidade-tarefa o aluno é portador. Um mal fluído tem vibrações mais pesada, mais lenta e produz efeito desagradável, irritante, ao passo que o bom fluído é suave confortador. Cabe ao médium observar e identificar que é prejudicial e que não se deve aceitar tal envolvimento - evitando, portanto que se instale. Vamos ao exemplo de uma ação fluídica: Determinado espírito teve a sua perna amputada e trás em suas vibrações a sensação desse trauma, ao ligar-se a determinada pessoa a mesma passará a sentir o reflexo do desconforto em sua perna, se sente medo sem motivos, o medo é do espírito. Razão de eu ser insistente quanto ao médium: conheça o seu corpo físico e seu psiquismo, pois é necessário identificar o que é seu e o que não é. É necessário recomendar aos médiuns nos primeiros exercícios práticos ainda em desenvolvimento que não se deixem influenciar fora das horas de trabalho mediúnico e que afaste as entidades perturbadoras e indesejáveis por meio de prece, ordens mentais positivas, amorosas, leveza mental. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 261 O pronto atendimento aos espíritos doentes de todas as matrizes é na Casa Espírita, e não ao nosso redor. Ofereça a eles a ajuda da Casa Espírita que esteja vinculado/a. A título de informação temos: a realidade em torno dos espíritos que se aproximam da mulher motivado pela energia existente no período da menstruação. Espíritos ávidos de se reencarnar procuram essa aproximação sabendo que essa pessoa pode proporcionar o seu retorno a uma nova vida física. ITEM 23 - FINALIDADE DAS REUNIÕES MEDIÚNICAS São várias as finalidades, sendo elas: Ø Atestar a sobrevivência do espírito após a morte física; Ø Esclarecimento a respeito do mundo dos espíritos; Ø Atendimento a Espíritos necessitados; Ø Educação da faculdade mediúnica por meio de serviço e amor ao semelhante; Ø Preparo para reencarnação ou desencarnação; Ø Mudança do reflexo condicionado do espírito que passou por um grande acidente, sentindo-se mutilado; Ø Despertando fé na justiça e misericórdia de Deus. Finalidades generalizadas das reuniões mediúnicas: Intercâmbio entre os dois mundos, o espiritual e o físico. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 262 Lembrando que as mais belas gemas da literatura moral, a disposição da humanidade, vieram por meio desse intercâmbio. Devemos também pensar que sem essa dádiva do pai, jamais poderíamos banir do dicionário a palavra morte, pois ao conversar com aqueles que estão em outra dimensão fica claro que não morreram. Se não bastasse, perguntemos a nós mesmos: como estaria o progresso moral, intelectual, científico, filosófico, etc., sem essa relação do material e espiritual que nos alcança de forma direta ou indireta, via intuição, inspiração, e verbal através da mediunidade de psicofonia? Esses gênios em inteligências e moralidade também retornam continuando a nos ensinar. Como progredir se a morte seria o fim até dos laços de amor familiar? Entendo que seria de forma excessivamente lenta: o filho estaria dizendo: eu faço assim, porque foi dessa forma que meu pai aprendeu com o meu avô, o meu avô assim aprendeu com o meu bisavô conseqüentemente (...). É de se pensar, qual seria a demora no nosso progresso, intelectual e moral? Quantos milhões de anos ainda seriam necessários? Será esse o motivo que os animais, não domesticados, permanecem os mesmos, desde muitas Eras? Não é bem assim, jamais eles ficariam sem o olhar amigo do seu criador. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 263 Vejamos: P. Livro dos Espíritos: os animais progridem, como o homem, por ato da própria vontade, ou pela força das coisas? R. Pela força das coisas, razão porque não estão sujeitos à expiação. Peço que me perdoem, sei que não é tão simples assim, estou apenas levantando uma tese, muito tem que ser estudado a respeito. Não tomem as minhas palavras ao pé da letra. Não devemos esquecer que o ser espiritual animal não foi criado para usar sempre um corpo de jacaré, mas o corpo jacaré será a vestimenta para outros filhos de Deus habitarem pela necessidade da evolução espiritual ainda embrionário. A evolução da espécie defendida por Darwin é devidamente aceita pelo espiritismo. Essa evolução da espécie se inicia em uma célula única, as amebas chegando ao animal mais evoluído - Chipanzé, Orangotango. Um dia, não muito distante, acredito, serão homem bestiais, peludos com braços longos, como hoje são os símios. Caminhando em direção da sua evolução, se isso ainda vai acontecendo na Terra, não sei dizer, ou em mundos mais atrasados. Voltemos ao contexto humano: Intercâmbio espiritual: sintetizando, é a Relação de troca – dar e receber. Assim sendo, nessa troca propagada pelos Espíritos superiores, a fase de transição da terra para mundo de regeneração, CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 264 invistamos no nosso próprio aprimoramento, porque daqui a um tempo menor do que imaginamos já nos encontraremos em uma realidade muito mais feliz do que a atual, porém, tudo isso dependerá, como se sabe, do nosso próprio esforço na auto reforma moral Tipos de espíritos com os quais teremos contatos: Ø Sofredores Ø Malfeitores Ø Benfeitores Sofredores: Os sofredores são doentes, amargurados que procuram soluções para os seus padecimentos. O que eles nos podem oferecer? Lições, pois o seu estado miserável éo alerta para que não venhamos a cometer os mesmos erros. Malfeitores: Os malfeitores não estão interessados em soluções ou qualquer tipo de resposta as nossas palavras de apoio fraterno. Querem impor suas determinações errôneas, com intenção de provocar discórdia, confusão, agitação. Distribuem: violência, devassidão, erros intencionais. Não se quer dizer, entretanto; que os malfeitores não tragam consigo sofrimentos, que chegam a não perceberem o quanto sofrem. Quem não conhece a luz, acha normal a escuridão! CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 265 O que nos podem oferecer? Obriga-nos a rever os próprios valores da vida, entendendo que somos seres espirituais a caminho desse progresso divino. Por que as idéias de vingança dos malfeitores? Muitos motivos. Um exemplo: Idéia falsa do amor. Amaram alguém e se sentiram traídos, compreendiam o amor como posse. Logo dizem: eu ainda amo, ela é minha. Como perdeu a pose dessa pessoa, oferecem o ódio: “amo, mas odeio” Falso ódio: eu odeio porque ela não me quer, mas tendo-a, eu a amo. Eis o amor posse, amor egoísta, amor sexo, diferente do amor sublimado em que a pessoa, esquece de si mesma, se afasta para que o outro cresça. No amor sublimado, não correspondido, devemos lembrar do dia em que Jesus foi ao túmulo de Lazaro e disse: desate-o deixe-o ir, uma vez que ele se encontrava sem liberdade de se mover. Caso alguém não tem mais o interesse de estar ao seu lado – desate-o, deixe-o ir, de a liberdade de escolha. O que podemos oferecer a eles? Esclarecimentos sobre as leis divinas. Chamar-lhes a atenção para as leis de causa e efeito. Em muitas ocasiões, conduzir o espírito CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 266 revoltado a regressão de memória para ele conhecer o que semeou e comparar com a colheita. Tudo está certo, o criador não erra. Para esses espíritos não adianta muito diálogo fraterno ou muito conselho para que procure adquirir a humildade, estudar o evangelho, procurar a verdade pois ela é libertadora. Isso não irá afetá-lo, como não afeta os inveterados prisioneiros das nossas penitenciaras. O Evangelho seria para um segundo momento, quando o próprio sofrimento pelo rigor da lei, rompesse essa crosta de insensibilidade Benfeitores: O que eles podem nos oferecer? Reconforto, harmonia e sábias orientações. O que as reuniões mediúnicas pode oferecer a eles? Espaços adequados para o intercâmbio em termos de ambiente vibratório. Os espíritos benfeitores nos trazem todo um envolvimento, toda uma alocução, nos conduzindo para a sublimidade, na essência da palavra, para que nós nos emocionemos, e esta emoção possa estimular a liberação de fluídos saudáveis que servirão diretamente à assistência dos espíritos que desejem conosco trabalhar no serviço de Jesus. Características desejáveis de uma equipe: Já vimos que uma reunião mediúnica é um ser coletivo, constituída de indivíduos. Assim sendo, necessário é que a equipe tenha as seguintes características, na melhor forma possível: CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 267 o Homogeneidade; o Afinidade; o Equilíbrio; o Espírito de serviço; o Conhecimento; o Assiduidade; o Vivência evangélica; o Pontualidade: o Harmonia; o Humildade. o Disciplina. No mundo espiritual, a falta de pontualidade é considerada como desequilíbrio. Suspensão de mediunidade: “Caso o plano espiritual venha a sustar a mediunidade de um médium a faculdade somente voltará na próxima encarnação”. Será que será na terra? Os espíritos deram todas as chances para o médium; ele simplesmente não as aproveitou. Não adianta desejá-la novamente. Quando se perde, o faz por livre vontade e não porque foi mal orientado. O espiritismo é a doutrina espiritualista que no Brasil tem a maior literatura a disposição dos interessados. Não há como alegar desconhecimento. Podemos alegar, sim, falta de amor. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 268 ITEM 24 - MÉDIUM, PESSOA INTER EXISTENTE “Inter existente”: Palavras ainda desconhecida, mas vamos ver essa reação após o entendimento: Depoimento de Chico Xavier: Há muitos anos, o professor Herculano Pires me dizia ser todo médium uma pessoa INTER-EXISTENTE. Eu não compreendia muito bem o que ele queria exatamente dizer com isso e pedia-lhes maiores explicações. O professor tentava explicar-me dizendo que o médium, ao mesmo tempo, vive duas realidades de vida distintas. Mas, mesmo assim ficava eu por entender o que tentava me transmitir. Passados alguns anos, quando o professor já havia desencarnado, compareci, como de costume, a uma reunião do Grupo Espírita da Prece, aqui em Uberaba. A reunião transcorria normalmente e comecei a receber, pela psicografia, uma mensagem de um rapaz recém desencarnado, dirigida a sua mãe que se encontrava aflita. Durante a mencionada recepção da mensagem, enquanto minha mão escrevia, um espírito amigo aproximou-se e disse: -Chico, nós precisamos de você neste mesmo instante em uma reunião no plano espiritual, ligada por laços de afinidade ao Grupo Espírita da Prece. Você faça o favor de me acompanhar até lá! Com a devida permissão de Emmanuel resolvi, então, seguir o amigo em espírito. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 269 Andamos muito, até chegarmos a um salão muito amplo. Lá dentro, ocorria uma reunião e todos estavam em silêncio e prece. Com grande alegria, identifiquei a figura do professor Herculano Pires, presidindo o encontro. Cumprimentamo-nos rapidamente pelo pensamento e soube que deveria substituir um médium que havia faltado ao serviço. Uma mãe em estado de sofrimento esperava obter notícias de seu filho. Ambos já estavam desencarnados, mas a respeitável senhora desesperava-se por não ter ainda encontrado com o filho querido, desencarnado 10 anos antes dela. O estado íntimo de angústia dessa mãe impedia-lhe a visão do filho, que se encontrava em condição espiritual um pouco melhor. Assim, quando meu corpo físico psicografava uma mensagem de um rapaz no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, meu corpo espiritual também recebia uma mensagem de outro rapaz, com outro tema, na reunião do plano espiritual, completamente diversa da primeira. Quando tudo terminou, o professor veio falar comigo: -Você entendeu agora, Chico, o que é ser INTER-EXISTENTE? – perguntou ele. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 270 ITEM 25 – INTRODUÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DAS 5 FASES Finalizamos a parte teórica e moral do Desenvolvimento Mediúnico, com o coração mais evangelizado, mais sensibilidade para o exercício da mediunidade e o intelecto mais rico de informações. Como podemos perceber estamos caminhando para os exercícios das cinco fases que será aprofundando no caderno 02. Um breve relato a respeito deste método a ser estudado: Sentíamos que os métodos até hoje posto em prática nas Casas Espíritas, as quais conheci, não atendiam as minhas indagações quanto ao psiquismo humano na atividade mediúnica, o animismo permeando como pano de fundo nos atendimentos a espíritos necessitados. Eu não tinha técnicas ou mecanismo para avaliar com antecipação se determinado candidato ao Desenvolvimento Mediúnico tinha sensibilidade para exercer a Mediunidade-tarefa, e de qual fenômeno mediúnico o aluno era portador, com necessidade de lapidação. Estranhava muito a dificuldade de excelentes médiuns nas atividades de desobesessão, em não terem condições de dar passividade ao seu mentor, no final dos trabalhos do dia, coma autorização para o encerramento das atividades. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 271 Uma observação: do exposto não vamos engessar como uma obrigação do médium, em ficar recebendo o mentor. Ver: os Carismas da Mediunidade, não existe dois médiuns com possibilidades iguais. Durante os exercícios, tentamos ver essa possibilidade. Esse método de “Desenvolvimento das Cinco Fases” idealizado pelo Comandante Edgar Armond, tem a finalidade desde o início, de eliminar vícios psicológicos, responsáveis pela interferência no curso de cada aula-prática. No primeiro momento, é feito uma verdadeira triagem de possibilidades na “primeira fase”. Repetindo esse treinamento no mesmo dia e horário, até identificar com segurança quem tem obrigação com a tarefa mediúnica, através das assimilações onde as projeções fluídicas, foram sentidas no físico. Quem então nada sentiu, não será dispensado pela Casa, será oportunizado curso de passe, ou na sustentação no grupo mediúnico. Após essa definição, o dirigente já tem mapeado as características da mediunidade de cada aluno. Lembrando que primeiramente será trabalhando o exercício da mediunidade de incorporação. Os alunos de outras sensibilidades ficam no grupo observando e aprendendo, assim como eles ficarão aprendendo como se processa a etapa segunda: vidência, audição, psicografia, psicometria. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 272 Esse treinamento, não é necessariamente aos iniciantes, mas também aos médiuns que já trabalham mediunicamente, com desconhecimento técnico em relação a sua mediunidade. Somente mais adiante que será autorizado a manifestar-se mediunicamente, oferecendo palavra fraterna ao grupo – nada de manifestação de sofredores. Os médiuns iniciantes e como os demais serão chamados para familiarizar-se, com energias saudáveis, primeiramente. Este método procura eliminar falhas, corrigir os erros e defeitos, expandindo seu campo de ação, ampliando os horizontes do trabalho, limitando as possibilidades de erros para dar autenticidade aos resultados na atividade do médium. CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 273 CONSIDERAÇÕES FINAIS Deixem-me falar... Quando chegamos à terceira idade a vida nos aposenta, os filhos se distanciam, mas o espírita não aposenta o cristianismo de Jesus. Jamais me divorciarei do espiritismo, obra robusta de Jesus. E esse Jesus na sua fidelidade também, não aposenta, seus filhos. Por não aposentar é que ele procura nos soerguer, palavras do estimado confrade desencarnado, até hoje o maior trabalhador espírita da Terra de Rondon. É o momento de relembrar o que me foi dito por Aristotelino Alves Praiero há bem pouco tempo: (...) “devido a tamanho amor que o irmão tem doado. Amor esse adquirido a custo de tanta dor, carinho e dedicação ao seu grupo da casa espírita e tanto sofrimento. Irmão, sabes, que se encontras em seus tempos finais. Sabes também que cumpristes muito bem a maior parte de tuas lutas. Teus créditos são incontáveis, sim, mas nada impede que sejam perdidos a qualquer instante se não colocares em prática tudo que tanto pregastes durante toda a tua vida. É chegada a hora da provação final. A paz a esperança, a luz de que tanto necessita que tanto buscas, está próxima a ti, e a teu alcance”. Eu disse tudo isso, para poder chegar aos seus corações, dos estudantes e trabalhadores do nosso grupo espírita e pedir: Não introduzam nenhuma prática, nenhuma palavra fora do dicionário CURSO DE DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO -– CADERNO 01/02 WILSON DA CUNHA 274 espírita, nenhuma ortodoxia religiosa (apometria), nenhuma ortodoxia esotérica, nesse nosso grupo de trabalho mediúnico, o qual sempre tive enorme zelo. Filhos, e netos - não fiz tudo que devia ter feito, mas estou tentando fazer o que for ainda possível fazer! Nota: Aos estudiosos do espiritismo, fiz o que estava em minha capacidade, que outros mais abalizados no entendimento melhorem o que deve ser melhorado, corrigindo o que deva ser corrigido. Quanto aos ortodoxos que me perdoem. Prefiro errar fazendo, do que não errar por nada fazer. Hoje, depois de bons anos, refazendo, acrescentando acredito ter chegado ao meu limite de capacidade. Cuiabá – MT (Brazil) Quarta-Feira, 29 outubro de 2014, às 3:50 da madrugada Wilson da Cunha