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HISTÓRIA DA
 DIÁSPORA AFRICANA
 E AS DIVERSIDADES
ÉTNICAS EM SC
T
E
M
Á
T
IC
A
 1
T
E
M
Á
T
IC
A
 1
Autoria: Prof. Dr. José Bento Rosa da Silva
Edição visual/Design: Natalia Cristina de Castro
e Julia Rossler da R. Oliveira - Estagiárias do
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros/UDESC
História daHistória da
 Diáspora africanaDiáspora africana
 e as diversidades étnicas em SCe as diversidades étnicas em SC
 
Mae Menininha (front center). Courtesy Anacostia Community Museum/Smithsonian Institution
© 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao Por dentro da África, conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação,
redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida. https://www.pordentrodaafrica.com/cultura/sao-
paulo-museu-afro-recebe-exposicao-sobre-a-diaspora-africana-atraves-da-linguagem
Temática de estudos 1
1.
Segundo o pesquisador Nei Lopes, a palavra diáspora tem origem na língua grega, e
significa dispersão. De início a palavra foi usada para caracterizar a experiência
traumática do povo judeu no exílio e sua dispersão para os diversos países,
posteriormente usada para descrever os povos africanos que foram
compulsoriamente retirados do continente africano na condição de escravizados. Para
Lopes, a diáspora africana compreende dois momentos: o primeiro gerado pelo
comércio de escravizados através do Atlântico, do Índico e do mar Vermelho, a
partir do século XV. O segundo, a partir do século XX com migrações, sobretudo para a
Europa. Neste sentido, o termo diáspora tem uma conotação negativa, pois que estão
associados aos deslocamentos forçados. 
O AUTOR
FINALIZA
DIZENDO QUE “O termo diáspora (africana) serve
também para designar, por extensão
de sentido, os descendentes de
africanos na Américas e na Europa
e o rico patrimônio cultural que
construíram” (LOPES, 2004, p. 236).
Obra do pintor alemão Johann
Moritz Rugendas (1802-1858)
Fonte: África: culturas e sociedades. SP:Museu de Arqueologia
e Etnologia da Universidade de São Paulo, s/d. p. 12
SOBRE O MAPA ANTERIOR
O mapa do slide anterior nos apresenta as localidades de onde foram embarcados os
diversos grupos étnicos na condição de escravizados. Depreende-se dele, que as
populações diaspóricas africanas não constituíram um grupo homogêneo. Foram
genericamente denominados de negros pelos europeus, no entanto, em diversos entre si.
Diferente dos imigrantes europeus que vieram para o Brasil na condição de
imigrantes, aos africanos, na condição de escravizados, não foi permitido a manutenção
dos laços de parentescos, das linhagens étnicas, como se verá neste módulo. 
“Um fato é notório , convertido em escravo , o africano passou a ser
denominado negro [ . . . ]Uma característica – a cor da pele – perfilou- lhe o
nome para o resto do mundo : negro [ . . . ] Tornada ‘cidadã de segunda
categoria ’ , a população de origem africana no Brasil carregou sempre
consigo o fardo desse nome . Sua origem lhe foi negada e sua
identidade , quer seja pessoal , social , ‘racial ’ ou ‘étnica ’ está vinculada
até hoje a adjetivos [ . . . ] O branco é considerado (antes mesmo da
‘brancura ’ ) descendente de portugueses , ingleses , italianos , alemães ,
etc . O negro , na ordem simbólica da cultura brasileira , não descende de
um clã , [ . . . ] ou nação : ele é uma cor” (LEITE , 1988, p . 06-08)
 
 Na diáspora, os africanos escravizados foram reduzidos à categoria
negros, criando uma ignorância acerca dos diversos grupos étnicos que
foram trazidos para o novo mundo. Mas afinal, em que consiste um grupo
étnico? É o mesmo que uma tribo? Quem nos responde esta questão, é o já
conhecido Nei Lopez: Segundo ele, “etnia é uma coletividade de indivíduos
humanos com características somáticas semelhantes, que compartilham a
mesma cultura e a mesma língua, além de identificarem-se como grupo
distinto dos demais. O conceito difere daquele de ‘tribo’, termo com o qual
costuma, popular e erroneamente, designar qualquer sociedade africana”
(LOPES, 2004, p. 264-265). 
 A experiência do caminho à diáspora africana pode ser
sentida na voz da cantora Maria Betânia, na música Yá Yá
Massemba, cuja letra é de Roberto Mendes/Capinam. Yayá,
segundo Nei Lopes: “Em quicongo, os vocábulos grafados
yaya e yaaya tem vários significados, alguns deles ligados
com laços de parentesco como irmã mais velha” (LOPES,
2003, p. 249). No caso da letra da música de Betânia, significa
mãe. Massemba, vem de Semba, um tipo de dança, também
do Quimbundo. A mencionada letra fala das condições dos
africanos escravizados no navio negreiro, apelidado de
tumbeiro.
A descrição supera, em horror, o Navio Negreiro de
Castro Alves, mas fala também da esperança, da
solidariedade, da construção de laços de
parentesco entre os diferentes grupos étnicos. Estes
laços de amizades construídos ao longo de meses de
viagem ficaram conhecidos como Malungos; que
segundo o mesmo pesquisador Nei Lopes, significa:
“companheiros, camaradas. O nome com que os
escravizados africanos tratavam seus
companheiros de infortúnio no navio negreiro”
(LOPES, 2003, p. 135):
Ê semba ê ê samba á
eu faço a lua brilhar o
esplendor e clarão
luar de luanda em meu
coração
umbigo da cor
abrigo da dor
a primeira umbigada
massemba yáyá
massemba é o samba que
dá
Vou aprender a ler
Pra ensinar os meu
camaradas!
Vou aprender a ler
Pra ensinar os meus
camaradas!
Ê semba ê ê samba á
eu faço a lua brilhar o
esplendor e clarão
luar de luanda em meu
coração
umbigo da cor
abrigo da dor
a primeira umbigada
massemba yáyá
massemba é o samba
que dá
Vou aprender a ler
Pra ensinar os meu
camaradas!
Vou aprender a ler
Pra ensinar os meus
camaradas!
 
 
 
 O mapa do slide a seguir nos dá uma noção das várias etnias que
viviam em alguns territórios, na África Ocidental e centro
Ocidental, que posteriormente foram, pelos colonizadores,
denominados de nações, após a Conferência de Berlim (15 de
novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885) que partilhou o
continente ao "sabor" dos interesses dos europeus. Por exemplo:
onde é hoje a denominada República Democrática do Congo,
habitavam as etnias: Yaka, Babambala, Luba, Kuba, Songye,
Bandak, Mangbetu, Azande, dentre outras. Na atual Costa do
Marfim: Baule, Guro, Dan, Niabwa, Fula, Senufo, Yaurê, e outras. Os
diversos povos, ao serem transportados para o novo mundo,
no processo diaspórico, foram transformados em negros.
Especialistas em História da África e da diáspora africana , como :
Zamparoni , Henrique Cunha , Marina de Mello e Souza e João José
Reis , falam do nosso desconhecimento acerca da diversidade
étnica no continente africano , e da necessidade do ensino de
História e cultura e africana ; afinal , no Brasil , mais de 50% da
população , segundo o IBGE , se autodeclaram descendentes de
africanos :
Alberto Henschel, 1870.
Disponível em:
https://revistapesquisa.f
apesp.br/america-
mosaico-africano/ 
https://revistapesquisa.fapesp.br/america-mosaico-africano/
https://revistapesquisa.fapesp.br/america-mosaico-africano/
“Iorubas, haussás, bornos, baribas. Para quem ouve pela
primeira vez, essas palavras podem soar estranhas e sem
importância, mas, desde o século XVII, elas estão
estritamente ligadas à história do Brasil e, de algum
modo, contribuíram fortemente para moldar o país como o
conhecemos atualmente. Se, para a maioria dos
brasileiros, essas palavras não fazem parte dos
vocabulários, na África elas são sinônimos de diferenças:
cada uma delas designa um povo com língua e costumes
diferentes. Povos que, durante o período de escravidão,
deixaram forçosamente o continente africano para fincar
raízes em solo brasileiro. “Povos diversos que foram se
formando ao longo de milhares de anos. Múltiplos
povos com culturas diferentes” 
Livros
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PARA SABER MAIS SOBRE A DIÁSPORA AFRICANA
Documentários e
palestras
HALL, Stuart. Pensando a diáspora:reflexões
sobre a terra no exterior. In. Da Diáspora. BH:
Ed. UFMG, 2003.
HEYWOOD, Linda M. Diáspora Negra No Brasil.
SP: Ed. Contexto, 2008.
Joel Rufino dos Santos e Rafael Sanzio
falam sobre diáspora africana e
formação do Brasil:
https://www.youtube.com/watch?
v=F9nQVL7IRsM
- Kabengele Munanga fala sobre
História da Diáspora Africana:
https://www.youtube.com/watch?
v=BDKzWSouaqo
- Diáspora Africana - Sobre a Escravidão:
https://www.youtube.com/watch?
v=hsu6fK09I60
- O que é diáspora africana?
#OndaNegra:
https://www.youtube.com/watch?
v=9SJRTuLnJ_Q
MUSÍCA
https://www.youtube.com/watch?
v=j3MLNFPGEpw.
Yáyá Massemba (Maria Bethânia - Brasileirinho)
https://www.youtube.com/watch?v=F9nQVL7IRsM
https://www.youtube.com/watch?v=BDKzWSouaqo
https://www.youtube.com/watch?v=9SJRTuLnJ_Q
https://www.youtube.com/watch?v=j3MLNFPGEpw&ab_channel=BiscoitoFino
https://www.youtube.com/watch?v=j3MLNFPGEpw&ab_channel=BiscoitoFino
REFERÊNCIAS
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE SANTA CATARINA. Ilha De Santa Catarina:
relatos de viajantes estrangeiros nos séculos XVIII e XIX. Florianópolis:
Assessoria Cultural, 1979.
CASHMORE, Ellis. Dicionário De Relações Étnicas E Raciais. SP: Selo Negro,
2000.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. RJ: Record, 2018.
HALL, Stuart. Da Diáspora. B.H. Ed. UFMG, 2003.
HEYWOOD, Linda M. Diáspora Negra No Brasil . SP: Ed. Contexto, 2008.
LEITE, I lka Boaventura. Os Sentidos da Cor e as Impurezas do Nome: Os
termos atribuídos à população de origem africana. Florianópolis: Cadernos
De Ciências Sociais. Vol. 08. N. 02, 1988.
LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira Da Diáspora Africana. SP: Selo Negro,
2004.
LOPES, Nei. Novo Dicionário Banto Do Brasil . RJ: Ed. Pallas, 2003.
REFERÊNCIASMOURA, Clóvis [Org.] Os Quilombos Na Dinâmica Social do Brasil . Alagoas: Ed. UFAL,2001.M.A.E. África: Culturas E Sociedade. SP: Edusp. Museu de Arqueologia e Etnologia.
S/d.
ROMÃO, Jeruse Maria (Org.) Africanidades Catarinenses. João Pessoa: Ed. Grafset,
2010, 2ª.Ed.
ROSSATO, Luciana. A Lupa E O Diário: História natural, viagens científicas e relatos
sobre a Capitania de Santa Catarina (1763-1822). Itajaí: Ed. Univali, 2007.
SAINT-HILAIRE, Auguste De. Viagem A Curitiba E Província De Santa Catarina. BH;
Ed. Itatiaia; SP: Ed. Edusp, 1978.
SALOMON, Marlon e VOIGT, André. Colonização Alemã e Escravidão no Vale do
Itajaí. In. FROSTCHER, Méri e FERREIRA, Cristina (Orgs.) Visões Do Vale:
Perspectivas historiográficas recentes. Blumenau: Nova Letra, 2000.
SELLIER, Jean. Atlas Des Peuples D’Afrique. Paris: Ed. La Découverte,2011.
SILVA, José Bento Rosa da. A diáspora africana na Foz do Rio Itajaí (SC) nos séculos
XVIII e XIX. In. Estudos De Sociologia. Recife: PPGS- UFPE. Vol. 20. N. 02, 2014.
VOIGT, André Fabiano (Org.) Cartas Reveladas: A troca de correspondências entre
Hermann Blumenau e Johann Jacob Sturz. Blumenau: Ed. Cultura em Movimento,
2004.

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