Prévia do material em texto
Imunologia Aplicada À Medicina Luiza Marinho Motta – 2021 Imunidade de mucosa Caso clínico: 71 anos, pneumonia de aspiração, antibioticoterapia (cefalosporina, assim como clindamicina e penicilina favorecem alteração na microbiota) → infecção por Clostridium difficile (20% dos pacientes hospitalizados são portadores assintomáticos). Diagnóstico por teste ELISA para toxinas A e B, baixo custo e resultado em 24h. Droga de escolha é metronidazol, seguido de vancomicina. Em caso de recorrência, 3 ou + episódios, é indicado transplante de microbiota fecal (TMF). o Nasojejunal, nasogástrica, colonoscopia, endoscopia, enema. Sistemas imunes regionais Sistema imune de mucosa: o Gastrointestinal o Broncopulmonar o Geniturinário Sistema imune cutâneo: pele. Imunidade do sistema gastrointestinal Células epiteliais (justapostas = barreira), lâmina própria. Lúmen – repleto de microrganismos, espessa camada de muco como proteção. Imunidade intestinal: proteger contra infecções oportunidades, mas permitir existência da microbiota. → Número equilibrado de células e bactérias no organismo. → Metabolização de vitaminas, compostos; competição por espaço e nutrientes com bactérias patogênicas; inibição direta de vias de sinalização pró-inflamatória estimuladas por patógenos e necessárias para invasão. Papel protetor no uso de antibióticos de amplo espectro (absorção influenciada, interferência de outros fármacos). RISCO: alteração da permeabilidade ou rompimento da barreira – infecção. Muco – afasta microrganismos presentes no lúmen, possui bactérias comensais. Peptídeos antibióticos – matam patógenos e diminuem sua entrada no epitélio; produzidos pelas céls de Paneth. IgA transportada para o lúmen – neutraliza patógenos, até da microbiota, evitando infecções. o Placa de Peyer apresenta estrutura semelhante aos linfonodos: folículo, centro germinativos... Imunidade inata Barreira físico-química: céls epiteliais adjacentes (tight junctions) e muco. Células caliciformes: secreção de muco (mucinas) a cada 6-12 h. Tem como estímulos → IL-1, IL-4, IL-6, IL-9, IL-13, TNF. Células de Paneth: secretam peptídeos antimicrobianos, atuam no lúmen fornecendo proteção. o Defensinas – causa perda da integridade da membrana de microrganismos. Ex: HDS. o Lectinas – bloqueiam a colonização bacteriana da superfície epitelial. Ex: REG III. Células M Micropregas na extremidade das placas de peyer. Amostragem de antígenos → permitem a passagem de partículas, moléculas por meio de vesículas endocíticas para que céls possam reconhecer e responder. NÃO atuam no processamento. Imunologia Aplicada À Medicina Luiza Marinho Motta – 2021 Algumas bactérias, como Salmonela typhimurium são citotóxicas para célula M, facilita infecção. Formação de “bolsões”. Célula Linfoide Inata ILC 3 – secreta IL-17 e IL-22 em resposta à IL-1b e IL-23. Estimulam produção de defensinas e manutenção da barreira. ILC 2 – papel contra helmintos. Secreta IL-5 e IL- 13 em resposta à IL-33 e IL-25 (produzidas por céls epiteliais) Células epiteliais tem muitos receptores inatos (TLRs; NLRs tipo NOD) = reconhecimento que leva à o reorganização das tight junctions, aumentando sua força o aumento da motilidade intestinal e proliferação epitelial o estímulo da secreção de defensinas, lectinas REG III Mecanismo regulatório: níveis de expressão e compartimentalização TLRs expresso na superfície basolateral e TLRs com limiar mais alto para ativação de resposta inflamatória. *Toll voltado para lâmina própria, comumente 5. → Bloqueio da ativação dessa resposta é mecanismo de evasão de vários patógenos. Imunidade adaptativa MALT: associados à mucosa o GALT: intestino o BALT: brônquios o NALT: nasal-associado o SALT: pele o VALT: vulvo-vaginal associado o CALT: conjuntiva-olho Imunidade humoral importante – IgA no lúmen. Th 17 numerosas (IL-17 e IL-22, manter céls unidas); Th 1 e Th 2 também presentes. Treg de extrema importância, regulação TGI, contato com Ag e microbiota. GALT → placas de peyer, estrutura de folículos linfoides e centro germinativo. Linfonodos mesentéricos 100-150, coletam Ag para resposta imune efetiva (apresentação, ativação... BCR) Diferenciação LB em plasmócitos (IgA) Desenvolvimento LT efetores e reguladores. Imunologia Aplicada À Medicina Luiza Marinho Motta – 2021 Propriedades de homing dos linfócitos intestinais Específicos no intestino, migram desde o linfonodo. α4β7 → MadCam (vênulas lâmina própria intestinal) CCR9 → CCL25 (céls epiteliais intestinais) Tecidos mucosos: CCR10 → CCL28 DC fornecem sinais para homing = migração Dependente da secreção de ácido retinóico, importante papel da vitamina A da dieta. RALDH = retinol desidrogenase TSLP = linfopoietina stromal tímica Imunidade humoral TGI Neutralizar microrganismos luminais; Mediada principalmente por IgA; o Adulto 70 kg secreta 2g / dia. → Troca de isotipo para IgA no intestino Placa de Peyer: ativação LB, CD40 / CD40L, interação LT com LB, resposta timo-dependente, produção de IgA na lâmina própria passa para lúmen. Timo-independente: DC produz citocinas que estimulam LB que já teve 1º sinal (2º para ativação) é capaz de ter troca de isotipo e produzir IgA na lâmina própria. Transporte ao longo de céls epiteliais → receptor poli-Ig, passa sem nenhum processamento (transcitose). Clivagem proteolítica ao final, resta componente secretório para estabilização. Produção inadequada de IgA torna indivíduo mais suscetível a infecções relacionadas à mucosa. IgM pode se ligar a esse receptor e compensar um pouco. *Imunidade passiva pelo leite materno, importante para proteção. Aleitamento exclusivo até 6m, continuado até 2 anos (6m - 1ano principal fonte de nutrientes ainda é leite materno). Benefícios para a mãe e bebê até na vida adulta (< risco de câncer de mama e diabetes). → Estudos apontam papel do fígado, com o aleitamento até 2 anos pode se preocupar com papel Imunologia Aplicada À Medicina Luiza Marinho Motta – 2021 imune, produtor de céls. Com introdução alimentar ocupa-se com a metabolização de nutrientes, função alterada quando precoce. Imunidade celular Linfócitos intraepiteliais por toda lâmina própria, submucosa, placas de peyer e outras estruturas GALT. Maioria CD8 e alguns LT γδ (IELs). Lâmina própria – CD4. Placas de Peyer – CD4 (Tfh, Treg). Apresentação e ativação LT no GALT: DC apresenta e processa Ag, captação ou entrada do Ag por dano na superfície. Microambiente de IL-6 e IL-23 leva à diferenciação em Th 17, importante na mucosa. Pode também ser induzida célula Treg. Th 17 Em caso de inflamação ou infecção (quebra homeostase) há mais IL-6 e IL-1β e diferentes respostas. Th 17, 22 (citocina que produz muito IL- 22) ou 1. Importante papel ILC 3. Th 2 Mesmas citocinas que ILC 2, indução. Produção de microambiente favorável. Treg Indução relacionada ao ácido retinóico e TGFβ. Imunologia Aplicada À Medicina Luiza Marinho Motta – 2021 Tolerância de mucosa Exposição oral ou nasal a Ag levava a não responsividade sistêmica à proteína. Visto em camundongos a partir da alimentação. Papel fisiológico→ prevenção de respostas potencialmente prejudiciais a proteínas alimentares e bactérias comensais. Possível mecanismo na prevenção de patologias. Anergia = perda de responsividade. Aplicação clínica variável, problemas práticos para grande quantidade de Ag e preocupação com segurança → Difícil definição de dose (baixo para um é alto para outro). Microbioma intestinal Bactérias comensais, vírus, fungos e protozoários. Influenciam no sistema imune e são influenciados por idade, dieta e doenças. Importante para proliferação e reparo da barreira epitelial, competição com patógenos, controle da resposta inflamatória, estímulo à produção de mucinas e peptídeos antimicrobianos. Induzem expressão de BAFF, APRIL e ácido retinóico (influenciam produção IgA). o Relacionados com diversas patologias. o Antibióticos podem causas desbiose. Transplante de microbiota fecal: Restabelecimento da microbiota, alta porcentagem de cura em relação a terapias tradicionais. Restruturação do perfil microbiano e menor alergias em camundongos, exposição a água de casas onde havia cachorro. Doenças relacionadas com resposta imune de mucosa desregulada o Doenças inflamatórias intestinais (IBD): Doença de Crohn, Colite Ulcerativa. o Enteropatias alimentares: Doença celíaca, Intolerância a proteína do leite. o Alergias o Doenças crônicas – infecções persistentes: Helicobacter pylori (gastrite, úlceras, linfomas MALT), M. tuberculosis (pulmão). Hipótese da higiene Contato com diferentes tipos de patógenos tinham restruturação da microbiota e indução de resposta Th 1 (tendência natural é Th 2). Maior propensão a alergias em ambientes mais limpos. Microbiota mais rica é protetiva (estudo de tribo Hatza x população italiana em consumo de industrializados). Menor incidência de Doença de Crohn. Fatores genéticos envolvidos, “Pedra de calçada” em Crohn. Inata → alteração na produção de defensinas. Adaptativa → Th 17 e Th 1 anormais. Supressão de Treg inadequada. o Doença celíaca Dieta livre de glúten (gliadina + glutenina). Ac anti-gliadina (IgA e IgG). Autoanticorpos anti-transglutaminase (IgA e IgG). HLA-DQ2 e HLA-DQ8 maior propensão. REFERÊNCIA: Imunologia Celular e Molecular - ABBAS