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1 
 TOCADO PELAS BRASAS 
 VIVAS DO ALTAR 
 
O escritor Stewart Brand revela que o sino bate, pela BBC, sua hora ao 
redor do mundo com uma precisão de segundos. Ele é um referencial planetário. 
O som dos seus sinos menores foram transmitindo, ao longo de toda a Segunda 
Guerra, para um público mundial, as ideias de liberdade e tenacidade para 
milhões. “No início do século XIX, a precisão em termos de segundos era 
considerada impossível de ser alcançada num relógio de torre, até que o 
relojoeiro Denison projetou o mecanismo aliado ao sino de 14 toneladas”. Esse 
edifício com alto teor histórico estava ali, bem diante dos nossos olhos, naquela 
tarde de inverno sob o céu de Londres. Quando nos aproximamos mais, é que 
percebemos então a sua beleza e imponência. Stewart Brand descreve esse 
relógio maravilhoso em seu livro O Relógio do Longo Agora. Ele diz que subir 
os 340 degraus em espiral é uma experiência extraordinária: “Você vai 
serpenteando até o topo. A escada possui 96 metros de altura. O campanário é 
um lugar alto e castigado pelo vento com vistas deslumbrantes das águas do 
Tâmisa lá embaixo”.2 Brand comenta que há outras obras sublimes como a Torre 
Eiffel, a represa Hoover, a ponte Golden Gate e o foguete Saturno, que levou o 
homem à Lua. A torre do Big Ben, porém, se destaca tanto pela sua engenharia e 
arquitetura monumental como pelo seu significado para a vida dos ingleses. 
Algo inusitado aconteceu certo dia, à sombra da torre. Um turista desatento 
aproximou-se e perguntou a um inglês típico: “Que horas são?”. “Olhe para cima 
e você descobrirá as horas!”, respondeu o inglês sorrindo. 
George Whitefield (1714 -1770), iniciou o seu ministério com 22 anos de 
idade, pregando em Londres. Ele foi, tanto para a Grã-Bretanha e a América, tal 
como o grande relógio Big Ben (durante o Grande Avivamento Inglês que 
ocorreu nos dias de John Wesley). Whitefield fez os homens do seu tempo 
olharem para cima (Céu) para saberem o tempo de Deus para as próprias vidas. A 
sua pregação despontou com eloquência e precisão, como uma grande torre nos 
horizontes da fé. A sua voz soou pelos campos e cidades, incansavelmente, como 
os sinos de um grande campanário anunciado a liberdade em Cristo. Ele também 
foi um referencial planetário. 
 
 
Incendiado pelo fogo santo 
Lloyd-Jones conta que George Whitefield foi o primeiro a ser tocado pelas 
brasas do altar no Clube Santo e a ter o coração incendiado pelo fogo do Espírito 
Santo. “Estes são os fatos”, diz Jones, - “George Whitefield foi convertido em 
1735, ao passo que Charles Wesley não foi convertido antes de 1738”. Ele foi o 
primeiro dos três a ser convertido. Ele também “foi o primeiro deles a começar a 
pregar o verdadeiro evangelho de maneira despertadora. Whitefield começou a 
fazer isso em 1736, e um dos seus períodos mais grandiosos foi o ano de 1737; 
ao passo que todos nós sabemos que os irmãos Wesley só começaram a pregar 
num sentido realmente evangélico depois do mês de maio de 1738. De modo que 
Whitefield está à frente deles todos, em toda a linha”.3 Foi ele que encorajou 
Wesley a pregar ao ar livre, começando na cidade de Bristol. Esta foi uma época 
de grandes e extraordinários pregadores. 
Em 1737, num tempo em que não havia meios técnicos para amplificar a 
voz, ele passou a reunir grandes multidões na cidade de Londres, com resultados 
assombrosos, pregando quatro vezes por dia. Ele relatou em seu diário que, em 
Londres, “por quase três meses consecutivos não diminuiu a afluência de pessoas 
para ouvir a Palavra de Deus.” “Desde o dia em que começou a pregar, quando 
menino, até a hora da sua morte, ele não conheceu um abatimento da paixão. Até 
o fim de sua notável carreira, sua alma foi uma fornalha de zelo ardente pela 
salvação dos homens”,4 diz Jones. 
 
Pregadores em tempos de avivamento 
A pregação deste homem, aliado a John Wesley e Jonathan Edwards, 
recolocou a Inglaterra e a América em um novo curso da história. No século 
XVIII, estas nações se encontravam como verdadeiros vales de ossos secos. O 
Avivamento propagou-se na Inglaterra vivificando a Igreja; alcançando a 
América e a Irlanda. Em decorrência disso, a Igreja se tornou um grande exército 
e adicionou, logo nos primeiros anos, mais de um milhão de pessoas em seu rol 
de membros e pelo menos outro tanto igual foi salvo. De lá, o Avivamento correu 
pela Europa Central, Noruega e Escandinávia. Depois, desceu e se espalhou pela 
África e Índia, pela China e até a Coreia. 
 Em certa ocasião, na Escócia, George Whitefield pregou para 100.000 
ouvintes, e 10.000 responderam ao apelo. Ele pregava ao ar livre, sem o auxílio 
de ampliação técnica da voz. O som da sua voz podia ser ouvido a quilômetros 
de distância. Lloyd-Jones diz que Whitefield foi o maior pregador inglês de todos 
os tempos: “Sua influência na Inglaterra, sua influência em Gales, sua influência 
na Escócia e, em particular, sua influência na América excede a possibilidade de 
cálculo. Se o historiador Lecky está certo ao dizer que, sem dúvida, foi o 
Despertamento Evangélico do século XVIII que salvou a Inglaterra de uma 
revolução como a que a França experimentou em 1789 e nos anos seguintes - se 
isso de fato é verdade, bem, então George Whitefield, mais do que ninguém, é o 
responsável por esse fato”.5 A sua pregação foi como a proclamação de Ezequiel 
no vale de ossos secos, transformando mortos espirituais em um grande exército: 
“E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e 
se puseram em pé, um exército grande em extremo” (Ez 37.10). 
 Certa vez, pregando a alguns marinheiros, descreveu um navio perdido 
num furacão. Parecia ser tão real que, quando chegou ao ponto de descrever o 
barco afundando, alguns marinheiros pularam dos assentos, gritando: “Às 
baleeiras! Às baleeiras! ”. Em outro sermão falou acerca de um cego andando em 
direção a um precipício desconhecido. A cena foi tão real que, quando o pregador 
chegou ao ponto de descrever a chegada do cego à beira do profundo abismo, 
certo homem chamado Chesterfield, que lhe assistia, deu um pulo gritando: “Meu 
Deus! Ele desapareceu!” 
Encontros celestiais 
M. Lloyd-Jones diz: “Oh, se quiserem uma multidão em suas igrejas, orem 
por avivamento! No momento em que o avivamento irromper, as multidões virão 
e, eu lhes asseguro, não lhes custará um centavo”. Avivamentos são encontros 
entre o Céu e a terra. O encontro de corações humanos com o coração de Deus. 
Por isso, só é possível através da oração de rendição. Robert Law declarou: “A 
oração é um instrumento poderoso, não para fazer com que a vontade do homem 
seja feita no Céu, mas para fazer com que a vontade de Deus seja feita na terra.” 
Whitefield mergulhava nas águas inexploradas da Presença, por isso, as 
multidões vinham ouvi-lo. Ele declarou, certa vez: “Tenho passado dias e até 
semanas prostrado ao chão, orando, silenciosamente ou em voz alta.” 
Nos momentos em que você estiver mergulhado na Presença, é que você 
perceberá que se libertou das preocupações, das tensões, do cansaço; porque 
quando você mergulha, Ele vem para lhe ajudar. Ele alinha você a Ele mesmo. 
Isso somente acontece no lugar secreto. Ele lhe possibilita participar desse 
instante quando o Céu invade a terra. Ou quando a terra se transporta para o Céu. 
O momento quando o divino se mistura com o humano e o eterno com o 
temporal. Esse é o momento em que a sua vida está sendo definida realmente 
como algo que alcançará até as gerações futuras. Não haverá nenhum outro 
momento em sua vida, mais importante do que esse, que consiga definir o seu 
futuro e o futuro dos seus descendentes como estes momentos, imerso na 
Presença. 
 
O segredo do Avivamento 
O investimento pessoal, a sós com Deus, fez com que o coração de 
Whitefield se aquecesse de tal modo, que contagiou aos demais. A oração em 
secreto é um dos grandes segredos dos avivamentos. Você pegará fogo se tiver 
contato com as brasas do altar (Is6). O Espírito Santo continuou a operar 
poderosamente nele e por ele durante toda a sua vida, porque nunca abandonou o 
hábito de manter a chama do coração acesa com a lenha obtida na Presença. O 
Senhor põe fogo na lenha, mas somos nós que colocamos a lenha no fogo. 
Whitefield repartia o dia em três porções: oito horas sozinho com Deus e em 
estudos, oito horas para dormir e as refeições, oito horas para o trabalho entre o 
povo. Ele lia de joelhos as Escrituras e orava sobre elas e recebia luz, vida e 
poder. Numa das suas visitas aos EUA, ele “passou a maior parte da viagem a 
bordo, sozinho em oração”. Alguém escreveu: “Seu coração encheu-se tanto dos 
céus que anelava por um lugar onde pudesse agradecer a Deus; e, sozinho, 
durante horas, chorava comovido pelo amor consumidor do seu Senhor”. Suas 
experiências no ministério confirmavam a sua fé na doutrina do Espírito Santo, 
como o Consolador ainda vivo e o poder de Deus operando atualmente entre nós. 
 
Apaixonado por Deus 
Certa feita, perguntaram a Moody: “Como uma Igreja pode começar a 
experimentar um avivamento?”. Ao que ele respondeu: “Acenda uma fogueira no 
púlpito”. Whitefield colocava o coração na pregação. Bastava acender o fogo 
com a sua pregação de poder, que os campos eram incendiados. As suas palavras 
eram como um furacão que chacoalhava o coração dos homens. Por causa da 
prática diária da Presença, a pregação se tornava um turbilhão. George Müller 
disse que: “Nem a eloquência, nem a profundidade de pensamento faz um 
verdadeiro grande pregador. Somente uma vida de oração e meditação fará do 
pregador um vaso pronto para o uso do Mestre e próprio para ser empregado na 
conversão de pecadores e na edificação dos santos”. Abraão Kuyper, ilustre 
teólogo, educador e político holandês, afirma no seu grande clássico sobre o 
Espírito Santo que: “Se não vivermos na dependência do Espírito Santo em 
oração, vamos dar pedra em vez de pão ao nosso rebanho”. 
Deus usa homens comuns de uma forma extraordinária. Phillips Brooks 
declarou que: “A pregação é a verdade por meio da personalidade”. A pregação é 
um milagre sem precedência, pois por meio dela homens falhos falam a Palavra 
de Deus, que é perfeito. Pode um mosquito que vive no pântano descrever a vida 
em águas cristalinas, que brotam do sopé da montanha? Quem somos nós, que 
vivemos num mundo como este, uma sombra apenas, para falarmos das coisas do 
porvir: “coisas que o olho não viu, o ouvido não ouviu e não subiram ao coração 
do homem, as quais Deus preparou para os que O amam?” (1 Co 2.9). A palavra 
do pregador tem poder criativo (Gn 1.1-3); ela é libertadora (Jo 8.32). A palavra 
pregada salva (1 Co 1.21); cura (Sl 107.20); ilumina o entendimento e o caminho 
dos homens (Sl 119.105). Tem poder (Hb 1.3). O pregador fala as palavras do 
próprio Deus; é por isso que os seus lábios precisam ser tocados pelas brasas do 
altar (Is 6). 
 
 Rompimento sobrenatural 
Jesus declara que aquele que vem a Sua Presença e ouve a Sua voz, é 
semelhante a um homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo (Lc 
6.47). Para alcançar a rocha e edificar, é preciso cavar. E, para cavar é preciso 
romper com as estruturas do solo. A rocha se encontra no subsolo. O construtor 
imprudente não rompe. Ele não sai da superfície. Não busca a profundidade. Ele 
fica preso aos limites. O escritor A. W. Tozer disse que, na caminhada com 
Cristo, “a superficialidade indica um conhecimento imperfeito do coração de 
Deus, que não consegue saciar a fome da nossa alma pela Sua Presença”.5 Na 
Presença de Deus, você romperá além dos seus limites. Bill Johnson diz que: 
“Ele é um Deus de rompimentos”.6 Você mergulha na Presença, desce para 
depois subir. Quanto mais você descer em direção à rocha, mais você romperá 
para cima com a construção. O tanto que você deseja subir define o quanto você 
tem que descer! A altura é determinada pela profundidade! (1 Pe 5.6). É preciso 
sair das camadas superficiais da religiosidade e das aparências. Mergulhar na 
profundidade da Presença para resiste às turbulência deste mundo (Lc 6.47). 
Conhecer a profundeza e a altura do amor de Deus, para experimenta-Lo em sua 
plenitude (Ef 3.14-19). 
 
 
 2 
UMA VIDA MARCADA PELA 
PRESENÇA 
 
 
Seguir a Jesus é palmilhar caminhos nunca vistos. Aquele que mergulha em 
Sua Presença crê no invisível, toca o intangível, rompe o intransponível, e vê o 
impossível acontecer. Tem os céus abertos, e quem tiver os céus abertos, 
experimentará o sobrenatural. O sobrenatural está ligado à pessoa de Jesus! Não 
há como separar um do outro. O seu nascimento foi sobrenatural, Sua vida 
liberou o sobrenatural de Deus entre nós, e a Sua ressurreição foi sobrenatural! 
Charles Parham disse: “O Cristianismo é 100% sobrenatural”. O contato diário 
com Ele o envolverá numa dimensão muito além desta, que você está habituado a 
viver! Você verá coisas maiores da parte Dele que jamais viu e será transportado 
para maiores dimensões de glória (2 Co 3.18). Você se tornará um transportador 
da glória de Deus (Rm 8.21). Seu coração se abrirá para ter sonhos e visões, e 
instruções poderosas vindas direto do Trono de Deus (Ap 8.3-5). Orará e andará 
no Espírito! (Ef 6.18). Você respirará milagres! E todos que você tocar terão o 
toque do céu! A Presença que há de habitar no seu lugar secreto, o acompanhará 
para onde você for! Ela não o deixará! A sua vida ganhará um propósito 
profético e as suas ações proclamarão um novo tempo na vida das outras pessoas! 
Você dará um salto do natural para o sobrenatural! Do terreno para o celestial! 
 
Lágrimas cristalizadas 
Whitefield nunca se esqueceu nem deixou de aplicar a si as seguintes 
palavras do Doutor Delaney: “Desejo, todas as vezes que subir ao púlpito, 
considerar essa oportunidade como a última que me é dada de pregar, e a última 
dada ao povo de ouvir”. Alguém assim escreveu sobre uma de suas pregações: 
“Quase nunca pregava sem chorar e sei que as suas lágrimas eram sinceras. 
Ouvi-lhe dizer: ‘Vós me censurais porque choro. Mas, como posso conter-me, 
quando não chorais por vós mesmos, apesar das vossas almas mortais estarem à 
beira da destruição? Não sabeis se estais ouvindo o último sermão, ou não, ou se 
jamais tereis outra oportunidade de chegar a Cristo!’.” Chorava, às vezes, até 
parecer que estava morto e custava a recuperar as forças. Diz-se que os corações 
da maioria dos ouvintes eram derretidos pelo calor intenso do seu espírito 
quebrantado, como prata na fornalha do refinador. 
Hernandes Dias Lopes diz em seu livro Vencendo as tempestades da vida, 
que: “As grandes lições da vida nós as aprendemos nas tempestades”. Lopes diz 
que: “Na Costa da Califórnia há uma praia famosa que se chama Pebble Beach, 
em uma reentrância cercada de muralhas. Nesse lugar as pedras, impelidas pelas 
ondas, se atiram umas contra as outras e também nas saliências agudas dos 
penhascos. Turistas de todas as partes do mundo reúnem-se ali para recolher 
aquelas pedras arredondadas e preciosas. Elas servem de ornamento para 
escritórios e salas de visita. Ali bem perto há outra enseada em que não se 
verifica a mesma tormenta. Existem ali pedras em grande abundância, mas nunca 
são escolhidas pelos viajantes. Elas escaparam do alvoroço e da trituração das 
ondas. A quietude as deixam como foram encontradas: toscas, angulosas e sem 
beleza alguma. O polimento das outras, tão apreciadas, se verifica por meio da 
tribulação constante”. Comentando esse fato, um escritor registrou: - “Quase 
todas as joias de Deus são lágrimas cristalizadas”. 7 
Davi fez uma revelação surpreendente no Sl 56.8: Tu.. pões as minhas 
lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro? As lágrimas derramadas na 
Presença estão escritas num livro divino. 
Quando o Céu toca a terra 
George Whitefield conta em seu Diário , como a sua vida tornou-se um 
instrumento precioso nas mãos do Senhor para tocar outras vidas: “Às vezes, 
quando caminhava, minha alma dava tais saltosque parecia querer sair do meu 
corpo. Noutras ocasiões eu ficava tão subjugado pelo senso da infinita majestade 
de Deus, que me via forçado a atirar-me ao chão e a oferecer minha alma como 
um papel em branco em Suas mãos para Ele escrever, ali, o que Lhe agradasse. 
Preguei, como de costume, cinco vezes por semana... era maravilhoso ver como 
as pessoas se penduravam nos gradis do alto em que estava o órgão, subiam pelos 
revestimentos da igreja, e esquentavam tanto o ambiente com sua respiração 
que o vapor caía das colunas como gotas de chuva. Às vezes, tantos eram os que 
entravam, que muitos acabavam indo embora por falta de lugar, e era com grande 
dificuldade que eu chegava ao púlpito... Pessoas de todas as denominações se 
juntavam para ouvir”.8 
 No livro Whitefield, Vida e Tempos, ele diz: “No dia do Senhor eu 
costumava pregar quatro vezes a enormes e impressionados auditórios, além de 
ler orações duas ou três vezes e de caminhar talvez doze milhas indo e vindo de 
uma igreja a outra... Olhando para os congregados era uma visão tremenda! 
Pode-se dizer que dava para andar por cima das cabeças das pessoas... Todos 
ficavam totalmente atentos e ouviam como se estivessem ouvindo para a 
eternidade”. “Agora eu estava pregando em geral nove vezes por semana. As 
Ceias matinais eram por demais temíveis... Quantas vezes vimos Jesus Cristo, 
patentemente exposto diante de nós, crucificado! Nas manhãs dominicais, bem 
antes de raiar o dia, podiam-se ver as ruas cheias de pessoas indo para a igreja”.9 
 
Encontros de glória 
Os Diários de George Whitefield deixam bem claro que ele tinha 
consciência de que as suas pregações eram acompanhadas das manifestações 
“sobrenaturais”. A pregação de Whitefield provocou reações semelhantes às que 
ocorreram no vale de ossos secos quando Ezequiel profetizou: “Então profetizei 
como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se 
fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis 
que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles 
por cima” (Ez 37.7-8). Este texto é um retrato notável do que ocorre em tempos 
de Avivamento. Note-se que, nesta visão, manifestações poderosas da parte do 
Senhor foram desencadeadas. O poder da ressurreição foi liberado pela voz 
profética. O mesmo se deu com Whitefield. 
Há inúmeros registros de manifestações do Espírito Santo durante as 
pregações de Whitefield, que levava as pessoas a terem encontros de glória com 
o Senhor. Isaías 64.1-2 diz: “Oh! Se fendesses os céus, e descesses, e os montes 
tremeriam ante a tua face! Como quando o fogo inflama a lenha, e faz ferver as 
águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários...!”. Em tempos de 
avivamentos há manifestações poderosas da glória de Deus, que rasgam a 
couraça das trevas que paira neste mundo frio e tenebroso. Os avivamentos 
aquecem explosivamente a atmosfera que envolve a vida quieta da Igreja e 
lançam luz na escuridão que a cerca; com as chamas de amor divino, eles elevam 
a temperatura dos corações dos homens, hibernados no pecado, no conformismo 
e na indiferença espiritual. Por isso, os avivamentos podem causar tantas 
mudanças repentinas. Eles podem causar impactos avassaladores na ordem 
terrena. O Avivamento é tão extraordinário, que pode reconfigurar a ordem das 
coisas. Trata-se de uma invasão do sobrenatural divino na ordem natural. 
Whitefield registrou em seu Diário a respeito de uma de suas reuniões: 
“Subitamente o Senhor desceu entre nós. ” Davi descreve no Salmo 18.6-13 um 
encontro de glória: “Na angústia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus; 
desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor 
perante a sua face. Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos 
montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou. Das suas 
narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se 
acenderam dele. Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus 
pés. Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as 
brasas de fogo. E o Senhor trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e 
houve saraiva e brasas de fogo”. 
 
 Quando o Espírito Santo vem com poder 
Arnold Dallimore relata que: “A Ceia do Senhor em Cambuslang foi um 
evento para não se esquecer jamais.” Treze ministros estiveram presentes sexta-
feira, sábado e domingo, e na segunda-feira houve vinte e quatro! Os sermões de 
Whitefield foram recebidos com muito poder... várias pessoas gritavam e um 
grande pranto sendo observado em todos os auditórios. “Enquanto servia 
algumas mesas, ele parecia estar tão cheio do amor de Deus como se estivesse 
numa espécie de êxtase, e falou-se muito dessa abençoada disposição”. Em outra 
ocasião relatou o que ocorreu quando Whitefield fez uma campanha de sexta a 
domingo na igreja em Northampton, onde Jonathan Edwards era pastor. Ele 
relata que logo na sexta-feira houve uma tremenda manifestação do Espírito: “O 
Sr. Edwards é um sólido, excelente, cristão, mas no presente fraco no corpo. 
Penso que não vi quem se lhe iguale em toda a Nova Inglaterra. Quando adentrei 
o seu púlpito, meu coração foi induzido a falar bem pouco além das consolações 
e dos privilégios dos santos, e da copiosa manifestação do Espírito sobre os 
crentes”.10 
George Whitefield também relata o que se passou no domingo: “Preguei 
esta manhã, e o bom Sr. Edwards chorou o tempo todo... O povo foi igualmente 
sensibilizado, e à tarde o poder aumentou mais ainda”.11 
 
A Ação vivificadora do poder de Deus 
W. Duewel diz em seu livro Fogo de Reavivamento, que onde quer que ele 
fosse na América, “cidade após cidade entre Northampton e Nova Iorque, Deus 
‘acendia a chama do reavivamento em cada lugar’. Depois de chegar a Nova 
Iorque, Whitefield sentiu-se tão necessitado e indigno que se prostrou diante do 
Senhor”. Foi só ele começar a pregar, diz Duewel: “Que o Espírito de Deus 
desceu sobre a congregação”. De todos os lados do prédio veio o som de um 
choro alto. Muitos se abraçaram. Whitefield derramou o seu coração até não 
poder falar mais. Em Staten Island: “O fogo caiu do céu sobre as multidões”. 
Whitefield continuou a viagem até a Filadélfia e depois voltou a Savannah, na 
Geórgia. Ao mesmo tempo, uma obra similar estava ocorrendo em Kilsyth. Robe 
relatou que no domingo, 16 de maio de 1742: “Um grande poder acompanhou a 
palavra pregada. Houve grande lamentação entre os ouvintes. Muitos gritavam, e 
não apenas mulheres, mas também alguns homens fortes e destemidos... O 
número deles era tanto que eu fui obrigado a reuni-los na igreja propriamente 
dita”.12 
 
Quando os ventos do avivamento sopram 
Delimore diz que: “A notícia desses eventos levou muitos ministros 
experientes a visitarem Cambuslang e Kilsyth, procurando descobrir se se tratava 
de mera ventania de emoções ou de uma verdadeira obra de Deus.” O Dr. John 
Hamilton, de Glasgow, foi um dos relatores que verificaram que se tratava, de 
fato, de: “Um arrependimento que surgiu, não do medo de castigo, e sim, de um 
sentimento de desonra feita a Deus”. O Dr. John Willison declarou: “Embora eu 
tenha conversado com muitos, tanto homens como mulheres, velhos e jovens, 
não pude observar neles nada que fosse entusiástico (i.e.: fanático). No geral, 
vejo a obra em Cambuslang como um singular e maravilhoso derramamento do 
Espírito Santo”.13 
 
C. H. Spurgeon declarou: “Foi um dia de bravura para a Inglaterra, quando 
Whitefield começou a pregar em campo aberto.” Foi Whitefield quem encorajou 
Wesley a pregar ao ar livre. Além das comoções profundas em arrependimento, 
diversas pessoas caíam prostradas no chão, inclusive a céu aberto, sob o efeito da 
Palavra proclamada. A chegada de Whitefield a Cambuslang provocou ainda 
maior impacto na vida das pessoas. Realizavam-se cultos ao ar livre, num grande 
anfiteatro natural, e Whitefield pregou três vezes no primeiro dia. Ele relatou:“Certamente nunca se ouviu falar de uma comoção tal, especialmente às onze da 
noite... Durante cerca de uma hora e meia houve muito choro, muitíssimas 
pessoas caindo em profunda angústia e expressando-a de diversas maneiras. O 
Sr. Mc Culloch pregou depois que eu havia terminado, até depois da 1h da 
madrugada, e depois teve dificuldade em persuadi-los a se retirarem. Toda a 
noite se podia ouvir nos campos a voz de oração e louvor. Uma dama viu 
algumas jovens senhoras louvando a Deus ao romper da manhã. E se juntou a 
elas”. 
 Mc Culloch relatou: “O que estes jovens queriam dizer com o termo 
“caindo”, resultado das reações físicas que se seguiam à forte convicção de 
pecado, pois quando alma e corpo reagem, não é de surpreender que o corpo e a 
alma reajam diante da dura realidade do juízo final e da eternidade”. Mc Culloch 
concluiu dizendo: “... esta obra foi iniciada e levada adiante sob a influência das 
grandes e substanciais doutrinas do Cristianismo”. 
 
 Uma Obra poderosa 
A nova avaliação que Mc Culloch faz do movimento que ele havia 
testemunhado, respalda as colocações do Dr. M. Lloyd-Jones: “Esta obra 
abrangeu todas as classes, todas as idades e todas as condições morais. Os 
hábitos de praguejar, blasfemar e beber foram abandonados por aqueles que 
tinham estado sob o seu poder. Uniu pastores e povo com fortes laços de 
solidariedade. Levantou um altar na casa de família. Fez dos homens estudantes 
da Palavra de Deus e os colocou, quanto a pensamento, propósito e esforço, em 
comunhão com seu Pai do Céu. É verdade que houve joio no meio do trigo, a 
vigilância dos ministros o detectou e rapidamente o eliminou. E, durante muitos 
anos depois, homens e mulheres humildes, cuja conversão data da obra realizada 
em Cambuslang, viveram entre os seus vizinhos com um imaculado nome cristão 
e depois morreram pacificamente nos braços Daquele que, nos dias do 
avivamento, eles aprenderam a chamar de Senhor e Salvador”.14 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
 O IMPACTO 
 DO AVIVAMENTO 
 
 
Os zoólogos Helmut Schmitz e Stefan Schütz, das Universidades de Bonn e 
Giessen, na Alemanha, descobriram que o besouro de pinheiro preto possui 
sensores que detectam um incêndio florestal a longa distância. Ele voa à procura 
do fogo a fim de alimentar-se da madeira queimada recentemente e multiplicar-
se no local do incêndio. Ele é chamado de besouro de fogo. Seja como ele, um 
caçador do fogo. No Avivamento, desperta-se um anseio pelo toque das brasas 
vivas do altar. O fogo santo atrai pessoas de todos os cantos da terra. Ele aquece 
o coração dos homens e transforma-os. 
Wesley Duewel (2002), no seu livro O Fogo de Reavivamento, descreve o 
avivamento do seguinte modo: “Durante o avivamento, as pessoas se movem em 
direção a Cristo, pessoas que não podem ser movidas de qualquer outra forma. 
Muitas orações que não foram respondidas durante anos são gloriosamente 
respondidas. A atmosfera frequentemente fica cheia do poder majestoso de Deus. 
Os cristãos reconhecem isso como a presença santa de Deus. Os pecadores têm 
uma percepção reverente da presença de Deus e de sua própria pecaminosidade. 
Deus pode revelar a Sua presença de maneiras inesperadas. Ocorrências 
surpreendentes podem acompanhar Sua obra profunda na alma. Pode haver tal 
sensação da presença e do poder divino, que alguns indivíduos tremem. Outros 
podem chorar diante de Deus; alguns caem ao chão por se sentirem fisicamente 
enfraquecidos. Outros podem sentir-se quase irresistivelmente atraídos a 
comparecer aos cultos de reavivamento ou a reunirem-se antes de algum culto ser 
anunciado”. 15 O avivamento é o fogo produzido por homens que se unem em 
oração, como brasas vivas (At 4.23-31). Os avivamentos descongelam os 
corações dos homens. É o fogo que cai do céu (1 Rs 18.16-46). 
 
Quando o céu invade a terra 
Em tempos de avivamento, o Céu invade a Terra, e são distribuídas cartas 
de amor emitidas pelo Espírito de Deus em forma de milagres e ações 
espontâneas da Sua graça, imensuráveis, provocando profundas rupturas terrenas. 
Normalmente quando o Avivamento acontece, é necessária uma reestruturação 
de modelos e sistemas eclesiásticos. Em alguns casos, há a necessidade de 
reconstrução total, tamanha é a devastação que ele pode causar. O avivamento 
atingiu poderosamente o vale de ossos secos e as estruturas do cristianismo 
histórico institucional. Desde a Reforma que atingira a Europa no século XVI, a 
Igreja se confinara em sua estrutura, sem causar grande impacto no mundo. Foi 
necessária uma grande manifestação da glória de Deus, como um verdadeiro 
terremoto provocado pelas orações de homens e mulheres sedentos por Sua 
Presença. Os alicerces eclesiásticos foram poderosamente abalados, levando a 
Igreja a uma reconstrução profunda, que mudou para sempre os rumos da sua 
História. 
Em uma reunião, um líder de Boston cumprimentou Whitefield dizendo: 
“Lamento vê-lo aqui”. Ao que Whitefield replicou: “O diabo também lamenta”, e 
seguiu para Cambridge, onde foi recebido por uma multidão de 7 mil almas. 
“Quando deixou Boston, seu auxiliar Gilbert Tennent continuou seu ministério 
durante quatro meses. Dois ministros de Boston testemunharam que mais 
pessoas foram procurar oração e ajuda espiritual em uma semana do que nos 24 
anos anteriores. Os cultos da igreja transbordavam. Trinta sociedades religiosas 
foram iniciadas e quase todas as noites os ministros realizavam reuniões em 
casas particulares”. 
Uma obra divina 
Martyn Lloyd-Jones afirma que, por definição: “Um avivamento é a 
poderosa ação de Deus, e é um ato soberano de Deus, é algo independente. O 
homem nada pode fazer. Deus, e somente Deus, é Quem o faz”. 16 Lloyd-Jones 
pergunta: “O que é isto? É a mão do Senhor, que é forte”. Ele explica que em 
tempos de Avivamento: “Há variações, e nem sempre tudo isso acontece. Mas 
coisas poderosas acontecem. Coisas miraculosas acontecem, coisas além da 
explicação e da sabedoria do homem. E, de fato, se consultarem homens a quem 
Deus usou em tais ocasiões, eles lhes dirão a mesma coisa”. Durante os 
avivamentos da História, os homens repentinamente, tomaram consciência de um 
poder caindo sobre eles. “Não era deles mesmos. Era algo fora deles. Receberam 
liberdade. Receberam autoridade. Receberam intrepidez. Falaram como homens 
de Deus, com a coragem dos apóstolos originais. Tiveram consciência quando o 
poder veio, e também quando se retirou. Vocês podem ler isso nos Diários de 
Whitefield, dos Wesley, e de todos os demais. Esta é a mão do Senhor. Esta é a 
demonstração de Espírito e de poder”. 17 
 
 4 
 DISCIPULANDO 
 BENJAMIN FRANKLIN 
 
 
Benjamin Franklin foi profundamente impactado pelas ministrações de 
George Whitefield, tornando-se, inclusive, um contribuinte financeiro dos seus 
projetos e aliado nas campanhas de avivamento. Whitefield passou a ensinar a 
Bíblia para Franklin, e a passar longo tempo com ele. Muitas pessoas não estão 
conscientes dessa amizade, que houve entre os dois. Franklin se tornou o 
principal propagandista do Avivamento que ocorreu através da imprensa, 
enquanto Whitefield esteve na América. O grande jornalista usou sua influência 
para espalhar as notícias sobre as Cruzadas nas colônias no início dos anos 1740. 
Essa relação de amizade durou até a morte de Whitefield, em 1770. 
Franklin descreve no seu jornal a rotina das reuniões de Whitefield na 
América: “Quinta-feira o reverendo Whitefield partiu de nossa cidade, 
acompanhado de 150 pessoas a cavalo, com destino à Chester, onde pregou para 
7 mil ouvintes, mais ou menos. Sexta-feira pregou duas vezes em Willings Town 
para quase 5 mil pessoas; no sábado, em Newcastle, pregou para cerca de 2.500 
pessoas, e, na tarde do mesmo dia, em Cristiana Bridge, pregou para quase 3 mil 
pessoas; no domingo, em White Clay Creek, pregou duas vezes (descansando 
uma meia hora entre os sermões, para 8 mil pessoas,das quais cerca de 3 mil 
delas tinham vindo a cavalo). Choveu a maior parte do tempo, porém, todos se 
conservaram em pé, ao ar livre”.18 
 
Uma Testemunha do avivamento 
Franklin confessou que, muitas vezes, ia ouvir George Whitefield porque 
podia vê-lo arder diante dos seus olhos. O maior dos pregadores ingleses, Dr. 
Martyn Lloyd-Jones, insiste: “A pregação é a teologia procedente de alguém que 
está em chamas... Digo outra vez que o homem que consegue falar sobre essas 
coisas desapaixonadamente não tem nenhum direito de estar no púlpito, e este 
não lhe deve ser permitido. Qual é o principal objetivo da pregação? Gosto de 
pensar que é este: dar aos homens e mulheres uma sensação de Deus e da Sua 
Presença”. O bispo William Quayle, falando sobre um certo líder, disse: “Ele 
está no centro de um círculo cujas bordas são de fogo. A glória o envolve. Ele é 
prisioneiro da majestade”. O Dr. George W. Peters disse: “Deus, a Igreja e o 
mundo estão procurando homens com o coração em chamas - corações cheios do 
amor de Deus; cheios de compaixão pelos males da Igreja e do mundo; cheios de 
paixão pela glória de Deus, pelo evangelho de Jesus Cristo e pela salvação dos 
perdidos”. Creio que foi isso que atraiu Benjamin Franklin. Whitefield, 
literalmente, pregava em chamas. 
 T. DeWitt Talmage escreveu: “Acima de todos os outros desejos, 
queremos o fogo — o fogo santo de Deus queimando no coração dos homens, 
estimulando os seus cérebros, impulsionando as suas emoções, penetrando em 
suas línguas, brilhando em suas fisionomias, vibrando em suas ações, expandindo 
o seu poder intelectual e fundindo todo o seu conhecimento, lógica e retórica em 
um riacho chamejante. Permitamos que este batismo desça, e milhares de nós, 
que até hoje não passamos de ministros comuns ou fracos, que poderiam 
facilmente desaparecer da memória da humanidade nos tornemos, então, 
poderosos”.19 
 
Registros do avivamento 
Dallimore conta que a Gentleman’s Magazine (Revista de Cavalheiros), 
numa reportagem das reuniões de Whitefield, afirmou que o seu auditório: 
“Cobria três acres” (cerca de 4.047 metros quadrados). “Outro periódico 
descreveu uma de suas congregações como “uma prodigiosa concorrência”, e 
outros contemporâneos, em geral, utilizavam-se das expressões: “muito 
numerosa” e “uma multidão inumerável”. Até seus oponentes deixaram 
testemunho sobre essa questão”. Dallimore menciona que: “O Dr. Trapp, 
proeminente clérigo de Londres, fez referência às ‘imensas multidões... tão 
embriagadas (de entusiasmo) que corriam loucamente atrás dele’.” E o Thomas 
Church afirmou: “Não se pode nem imaginar que ele conheça todos os que 
comparecem às suas reuniões de 30, 50 ou 80 mil pessoas”. 
William Cooper escreveu numa matéria de jornal em Boston, em novembro 
de 1741: “Os tempos apostólicos parecem ter voltado a nós; tal a manifestação do 
poder e da graça do Espírito divino que tem havido nas reuniões do Seu povo, e 
tais os testemunhos que Ele tem dado da Palavra e do Evangelho”. Lloyd-Jones 
diz em seu livro Pregação e Pregadores, que “Se não houver poder, não existe 
pregação. A verdadeira pregação é, numa análise final, a atuação de Deus. Não é 
apenas um homem pronunciando palavras; é Deus fazendo uso dele”.20 
George Marsden conta em seu livro Jonathan Edwards, que: “Em 1740, 
meio ano depois da visita inicial de George Whitefield, Franklin celebrou o 
avivamento contínuo numa reportagem em seu The Pennsylvanua Gazette, 
dizendo: “A alteração no fato da religião aqui é totalmente surpreendente”, ele 
reportou. Marsden diz que: “Franklin gostava de contar a história de que, quando 
estava ouvindo um dos sermões de Whitefield, determinara não dar nenhuma 
oferta, mas depois de várias investidas do pregador sobre o orfanato, ele não 
somente esvaziou o bolso, como também pediu um pequeno empréstimo ao seu 
companheiro para que pudesse dar mais tarde.” 21 
Durante um dos sermões de Whitefield, Franklin caminhou para trás até 
onde pudesse ouvir claramente, e a distância foi aproximadamente de 152 metros 
além da multidão. Ele estimou que 45 mil pessoas teriam sido capazes de ouvir. 
Isso convenceu Franklin de que eram verdadeiras as notícias de que Whitefield 
conseguia falar para 25 mil pessoas ao ar livre, numa única reunião. A amizade 
entre os dois se aprofundou, tornando Franklin um porta-voz do avivamento 
daqueles dias. 
 
Uma Lógica demolidora 
Martyn Lloyd-Jones usa uma lógica demolidora, prodigiosa, para combater 
aqueles que rotulam estas manifestações como sendo provenientes do diabo: “E é 
o que muitas pessoas dizem ainda hoje. Dizem que é tudo obra do diabo. Mas há 
problemas insuperáveis com essa teoria. E aqui estão alguns deles. Por que 
começaria o diabo subitamente a fazer esse tipo de coisa? Que objetivo poderia 
haver em fazer isso? Aqui está a Igreja, num período de sequidão e de aridez; por 
que iria o diabo subitamente começar a fazer algo que chama a atenção à religião 
e ao Senhor Jesus Cristo? Penso que os próprios resultados de um avivamento 
excluiriam totalmente a possibilidade de o mesmo ser uma obra do diabo. O 
resultado principal de um avivamento é que milhares de pessoas são convertidas 
ao Senhor Jesus Cristo e tornam-se verdadeiros cristãos”. Lloyd-Jones segue 
argumentando que, em tempos de avivamento, as igrejas tornam-se muito 
pequenas, devido ao grande número de conversões e novas igrejas precisam ser 
construídas. “Homens e mulheres lotam-nas e oferecem-se para o ministério, e o 
evangelho se espalha de maneira assombrosa”. Lloyd-Jones, então pergunta: “É 
viável que o diabo fosse fazer algo que resultasse nisso? Se isso é obra do diabo, 
então o diabo é um tolo consumado”. “(...) Ele está aumentando o reino de Deus 
e de Cristo; ele está trazendo pessoas à salvação; ele está operando contra si 
mesmo”.22 
 5 
 O GRANDE LEGADO 
 DO DISCIPULADO EM 
TEMPOS DE AVIVAMENTO 
 
 
No epicentro do Grande Avivamento Inglês, houve um homem chamado 
John Newton (1725-1807), que se converteu e se tornou discípulo de George 
Whitefield. A influência de Whitefield sobre Newton, transformou-o num grande 
instrumento nas mãos de Deus. Reorientou radicalmente a sua vida, levando-o a 
influenciar a sociedade do seu tempo e a fazer outros discípulos que mudaram os 
rumos da História. A canção composta por Newton, Amazing Grace 
(Maravilhosa Graça), se tornou um poderoso instrumento de salvação que seguiu 
além do seu tempo, e se tornou uma das canções mais cantadas da História. 
James Houston diz em sua obra Mentoria Espiritual que o discipulado 
“traz uma reorientação radical da própria existência; significa abrir mão de tudo 
para “seguir a Jesus”. Significa compartilhar do ministério de Jesus, isto é, curar 
os enfermos, dar aos pobres e viver na luz do reino de Deus. É acima de tudo, 
uma manifestação do amor de Cristo, que sofre por nós e nos ama”. 23 
 
Um discípulo visionário 
Discipuladores apaixonados pela Presença, fazem discípulos visionários. 
John Newton gastou parte da sua vida no comércio de escravos. Numa de suas 
viagens de regresso à Inglaterra, quando o barco quase naufragava, ele voltou-se 
para Deus. Depois disso, ele passou a separar as manhãs para mergulhar na 
Presença. Retirado em oração a sós com o Senhor, e a ler a Bíblia diariamente, 
“devorando” o livro Imitação de Cristo, de Thomas A Kempis. Como discípulo 
de Whitefield, Newton tornou-se admirador de John Wesley, sendo usado para 
consolidar o Avivamento na Inglaterra. Após ter sido ordenado pastor, ele liderou 
a Olney Parish Church e a Saint Mary, Woolnot, em Londres. Em Olney, tornou-
se um grande amigo do poeta William Cowper. Juntos trabalharam nos cultos, 
em reuniões de oração e na produção de um novo hino para cada culto da 
comunidade. Newton compôs Amazing Grace nesse período, mais precisamente 
em dezembro de 1772, apresentando-o à sua congregação em 1º. de janeiro de 
1773. 
 
O discípulo de John NewtonDurante uma de suas ministrações, dentro da atmosfera do Avivamento, 
William Wilberforce, que era membro da Câmara dos Comuns desde 21 anos, se 
converteu. Newton passou a discipular Wilberforce. Eles se reuniam para 
estudarem a Bíblia e para orarem juntos. O discipulado influenciou 
profundamente a vida de Wilberforce. Ele passou a levantar-se cedo para ler a 
Bíblia, orar e escrever em seu diário, e entendeu que Deus o chamara para lutar 
pelo fim da escravatura e pela reforma moral da sociedade inglesa. No auge do 
Avivamento, John Newton tornou-se a sua grande inspiração para essa 
gigantesca luta. Houston diz que “a proeminência do tema do discipulado nos 
quatro Evangelhos e em Atos que repetem a palavra “discípulo” mais de 250 
vezes parece estar ausente no restante do Novo Testamento”. 
O discípulo é o embrião da liderança eficaz. A liderança neotestamentária 
está, progenitoramente, ligada ao discipulado. As entranhas da liderança cristã é 
o discipulado. Todo líder precisa de um discipulador. Todo liderado deve ser um 
discípulo. Todo líder deverá se tornar um discipulador. Mesmo Jesus afirmou que 
Ele se reportava ao Pai. Esta conexão é uma chave poderosa para afetar os rumos 
da história, pois ela libera um poder transpessoal, sobrenatural. A aliança 
discipular existente entre George Whitefield, John Newton e William 
Wilberforce, mudou o curso na história da Igreja na Inglaterra, e da sociedade 
inglesa com reverberação na cultura ocidental. As práticas de comércio, 
educação, a evangelização, a hinologia e o tráfico negreiro foram atingidos em 
cheio pela influência direta do discipulado existente entre estes três homens. 
Enquanto Whitefield incendiava os Campos do Senhor, Newton pregava 
contra a escravatura, e Wilberforce apresentava várias propostas de lei, todas 
rejeitadas, e não desistia. Ele escreveu: “A perversidade do comércio (de 
escravos) era tão gigantesca, tão medonha e tão irremediável, que a minha mente 
estava completamente preparada para a abolição. Fossem quais fossem as 
consequências. Desde então, determinei que nunca descansaria até que tivesse 
conseguido a abolição” (131 Christians Everyone Should Know). De tanto 
insistir, o comércio de escravos foi oficialmente abolido em 1807, ano da morte 
de John Newton. A abolição total dos escravos, porém, ocorreu em 1833, ano da 
morte de Wilberforce, que também desempenhou papel fundamental na criação 
da British and Foreign Bible Society, em 1804, e da Church Missionary Society, 
em 1799. Nas palavras de R. Furneaux: “Sua mensagem era a de que não bastava 
professar o Cristianismo, além de levar uma vida decente e ir aos cultos da igreja 
aos domingos, já que o Cristianismo atravessa cada aspecto, cada canto da vida 
cristã. A sua abordagem do Cristianismo era essencialmente prática”. No século 
20, Winston Churchill ainda diria que a História não terá muitas pessoas que 
tenham contribuído tanto para o bem da sociedade como William Wilberforce. 
Não é à toa que Churchill o chamou de: “a consciência da nação”. 
 
Quando o avivamento chegar 
A chegada do avivamento afetará, pois, todas as esferas da sociedade. 
Martyn Lloyd-Jones declara: “Quero lembrá-los novamente que esta questão da 
necessidade de um avivamento é de importância vital para a Igreja Cristã, e os 
pensamentos e as orações de cristãos ao redor do mundo deveriam concentrar-se 
na questão dessa urgente necessidade”. Albert Barnes, um famoso expositor do 
século passado, escreveu: “Esse dia que convencerá o grande corpo de cristãos 
professos da realidade e da vantagem de avivamentos constituirá uma nova era 
na história da religião e precederá manifestações de poder semelhantes às do dia 
de Pentecostes”.24 
 Ao final da sua vida, John Newton, já com 80 anos, disse: “A minha 
memória quase já se foi completamente, mas existem duas coisas das quais eu 
me lembro muito: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é o Grande 
Salvador”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Notas 
1.BRAND, Stewart. O Relógio do Longo Agora. 
2.LLOYD-JONES, Martyn. Avivamento. 
3.Ibid 
4.Idem 
5.TOZER, A. W. O melhor de Tozer. 
6.JOHNSON, Bill. Quando o céu invade a terra. 
7.LOPES, Hernandes Dias. Vencendo as tempestades da vida. 
8.WHITEFIELD, George. Diário. 
9.WHITEFIELD, George. Whitefield, Vida e Tempos, 
10. Op. Cit. 
11. Idem. 
12. DUEWELL, Wesley. Fogo de Reavivamento, 
13. DALLIMORE, Arnold. George Whitefield, Evangelista do avivamento do século 18. 
14. LLOYD-JONES, Op. Cit. 
15. DUEWELL, Op. Cit. 
16. Ibidem 
17. Idem 
18. DALLIMORE, Op. Cit. 
19. Idem 
20. LLOYD-JONES, Martyn. Pregação e Pregadores. 
21. MARSDEN, George. Jonathan Edwards, 
22. Op. Cit. 
23. HOUSTON, James. Mentoria Espiritual 
24. Op. Cit.

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