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AN02FREV001/REV 4.0
1 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
MÓDULO I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
3 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
MÓDULO I 
1 O PSICODIAGNÓSTICO 
1.1 ORIGEM E HISTÓRICO DO PSICODIAGNÓSTICO 
1.2 DEFINIÇÕES 
1.3 SINTETIZANDO 
1.3.1 Pontos fundamentais do Psicodiagnóstico 
1.3.2 Momentos da avaliação 
1.3.3 Prática do Psicodiagnóstico 
1.4 OBJETIVOS 
2 QUESTÕES IMPORTANTES NO PSICODIAGNÓSTICO 
2.1 O PROBLEMA 
2.2 SINAIS E SINTOMAS 
2.3 MOTIVO DA CONSULTA 
2.4 SINTETIZANDO 
2.5 AVALIAÇÃO DA PSICOPATOLOGIA 
 
 
MÓDULO II 
3 PASSOS DO PROCESSO DIAGNÓSTICO/OPERACIONALIZAÇÃO DO 
PROCESSO 
3.1 FORMULAÇÃO DE PERGUNTAS 
3.2 CONTRATO DE TRABALHO 
3.3 ESTABELECIMENTO DE UM PLANO DE AVALIAÇÃO 
3.4 BATERIA DE TESTES 
3.5 ADMINISTRAÇÃO DE TESTES E TÉCNICAS 
3.6 LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE DADOS 
3.7 DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO 
3.8 COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS NA ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
4 
3.9 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO 
3.9.1 Recomendações 
3.9.2 Pontos importantes a frisar 
 
 
MÓDULO III 
4 ENTREVISTA DIAGNÓSTICA INICIAL 
4.1 DEFINIÇÕES 
4.2 PRIMEIRO CONTATO COM O PACIENTE 
4.3 OBJETIVOS 
4.4 PRINCIPAIS REGISTROS 
5 ENQUADRE NO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO 
6 O PROCESSO DIAGNÓSTICO NA INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E IDADE 
ADULTA 
6.1 HISTÓRIA DO EXAMINANDO 
6.2 ENTREVISTA INICIAL NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL 
6.3 TESTES QUE PODEM SER UTILIZADOS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL 
6.4 FANTASIAS SOBRE A DOENÇA 
6.5 ESCOLHA DA ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA ADEQUADA 
 
 
MÓDULO IV 
7 ENTREVISTAS, TESTES E EXAME DO ESTADO MENTAL 
7.1 ENTREVISTA 
7.1.1 Tipos de entrevistas 
7.1.2 Outros tipos de entrevistas 
7.2 EXAME DO ESTADO MENTAL 
7.2.1 Descrição geral 
7.2.2 Humor e afeto 
7.2.3 Características do discurso 
7.2.4 Percepção 
7.2.5 Sensório e cognição 
7.2.6 Impulsividade 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
5 
7.2.7 Discernimento e insight 
7.2.8 Confiabilidade 
8 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DECORRENTES DE AVALIAÇÕES 
PSICOLÓGICAS 
8.1 PRINCÍPIOS NORTEADORES NA ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS 
8.2 PRINCÍPIOS TÉCNICOS DA LINGUAGEM ESCRITA 
8.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E TÉCNICOS 
8.3.1 Princípios éticos 
8.3.2 Princípios técnicos 
8.4 MODALIDADES DE DOCUMENTOS 
8.5 LAUDO PSICOLÓGICO OU PERICIAL 
8.5.1 Conceito e finalidade do Laudo Psicológico ou Pericial 
8.5.2 Estrutura 
8.6 RELATÓRIO PSICOLÓGICO 
8.6.1 Conceito e finalidade do Relatório Psicológico 
8.6.2 Estrutura 
8.7 PARECER 
8.7.1 Conceito e finalidade do Parecer 
8.7.2 Estrutura 
8.8 DECLARAÇÃO 
8.8.1 Conceito e finalidade da Declaração 
8.8.2 Estrutura 
8.9 ATESTADO PSICOLÓGICO 
8.9.1 Conceito e finalidade do Atestado Psicológico 
8.9.2 Estrutura 
8.10 VALIDADE DOS DOCUMENTOS 
8.11 GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA 
 
 
MÓDULO V 
9 ASPECTOS ÉTICOS IMPLICADOS NO PSICODIAGNÓSTICO 
9.1 COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO PSICÓLOGO EM UM 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
6 
9.2 COMPETÊNCIAS QUE O AVALIADOR DEVE TER 
9.3 GUIA DE RESPONSABILIDADE ÉTICA E PROFISSIONAL 
9.4 RESOLUÇÕES DO CRP REFERENTES À AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
9.5 DISPOSITIVOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS PELO PSICÓLOGO NA 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
9.6 RESPONSABILIDADE DO DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO 
10 RESOLUÇÕES NA ÍNTEGRA 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
7 
 
 
MÓDULO I 
 
 
1 O PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
1.1 ORIGEM E HISTÓRICO DO PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
Para que entendamos melhor o que significa o Psicodiagnóstico precisamos 
saber um pouco sobre o diagnóstico e avaliação diagnóstica. A palavra diagnóstico 
origina-se do grego diagõstikós e significa conhecimento (efetivo ou em 
confirmação) sobre algo, ao momento do seu exame; ou descrição minuciosa de 
algo, feita pelo examinador, classificador ou pesquisador; ou ainda juízo declarado 
ou proferido sobre a característica, a composição, o comportamento, a natureza etc. 
de algo, com base nos dados e/ou informações deste obtidos por meio de exame, ou 
seja, discernimento, faculdade de conhecer. Utiliza-se este termo para referir-se à 
possibilidade de conhecimento que vai além daquela que o senso comum pode dar, 
ou seja, a possibilidade de significar a realidade fazendo uso de conceitos, noções e 
teorias científicas. 
Segundo Ancona-Lopez (2002), Psicodiagnóstico pode ser conceituado 
como: 
 Um processo de intervenção; 
 Intervir é meter-se de permeio, estar presente, assistir, interpor os seus 
bons ofícios; 
 Meter-se de permeio indica a atuação, posição ativa de alguém que 
interfere, que se coloca entre pessoas, que de algum modo estabelece um elo, uma 
ligação; 
 Estar presente parece indicar uma posição, alguém a quem se pode 
recorrer e que está inteiro na situação; 
 Assistir indica ajudar, cuidar, apoiar; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
8 
 Interpolar os seus bons ofícios indica ação de quem tem algum preparo 
em determinada área e põe seus conhecimentos à disposição de quem dele 
necessita ou ação de quem acredita no que faz. 
 
Quanto à avaliação diagnóstica, podemos dizer 
que ela é mais ampla que o psicodiagnóstico, e seus 
objetos de estudo podem ser um sujeito, um grupo, uma 
instituição, uma comunidade; daí a importância dos 
trabalhos interdisciplinares já que o objeto a avaliar é 
sempre um sistema complexo, integrado por 
subsistemas diversos: como o biológico, psicológico, 
social, cultural, em interação permanente. Percebemos 
que o Psicodiagnóstico é apenas uma parte da 
avaliação diagnóstica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Psicodiagnóstico derivou da Psicologia Clínica, introduzida, segundo 
Cunha (2003) por Lighter Witmer em 1896, e criada sobre a tradição da psicologia 
acadêmica e da tradição médica. Mas de acordo com Fernández-Ballesteros (1986), 
a paternidade do psicodiagnóstico também é atribuída a três autores, que deram os 
primeiros passos nos estudos sobre Psicodiagnóstico lançados no final do século 
XIX e no início do século XX: 
 Galton, que introduziu os estudos da diferenças individuais; 
VOCÊ SABIA? 
Enquanto os psicólogos em geral realizam 
avaliações, os psicólogos clínicos entre 
outras tarefas realizam psicodiagnósticos. 
Pode-se dizer que a avaliação psicológica é 
um conceito muito amplo. Psicodiagnóstico 
é uma avaliação diagnóstica, feita com 
propósito clínico e, portanto, não abrange 
todos os modelos de avaliação psicológica 
de diferenças individuais (CUNHA, 2004). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
9 
 Cattell, a quem se devem as primeiras provas chamadas de testes 
mentais; 
 Binet, que propôs a utilização dos exames psicológicos por meio de 
medidas intelectuais. 
 
O Psicodiagnóstico surgiu como consequência do advento da psicanálise, 
que ofereceu novo enfoque para o entendimento e a classificação dos transtornos 
mentais; anteriormente, o modelo para o estudo das doenças mentais remontava ao 
trabalho de Kraepelin e outros, e as suas tentativas para estabelecer critérios de 
diagnóstico diferencial para a esquizofrenia. 
Como discutiremos logo adiante, no período anterior a Freud, o enfoque do 
transtorno mental era nitidamente médico, onde os pacientes de interesse para 
ciência médica apresentavam quadros graves, estavamhospitalizados, e eram 
identificados apenas sinais e sintomas que compunham as síndromes. Mas já no 
período Freudiano, os pacientes atendidos não apresentavam quadros tão severos, 
não estavam internados, e embora fossem levados em conta os seus sintomas, 
estes eram percebidos de maneira compreensiva e dinâmica. 
Ocampo (1981) faz um panorama sobre alguns modelos que seguiu o 
processo de psicodiagnóstico ao longo do tempo: 
 Modelo Médico: aqui é sintetizada a distância do paciente, a falta de 
identidade do psicólogo, onde o mais importante seria aplicar testes e mandar relato 
a outro profissional. 
 Modelo da Psicanálise: marco de referência, influência no estudo da 
personalidade, mas é diferente pela sua metodologia própria. 
 Diagnóstico de tipo compreensivo: o importante aqui seria encontrar 
sentido, relevância e significativo e entrar em contato. 
 
(...) tomar aquilo que é relevante e significativo na 
personalidade, entrar empaticamente em contato emocional e, 
também conhecer os motivos profundos da vida emocional de 
alguém (...) (TRINCA, 1984). 
 
 Diagnóstico interventivo: aqui, segundo Ancona-Lopes (1984), seria 
enfatizada a impossibilidade de separação entre as fases de avaliação e 
intervenção. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
10 
Até algum tempo o processo Psicodiagnóstico era considerado, como uma 
situação em que o psicólogo apenas aplicava testes em alguém. De acordo com 
Ocampo (1981), ele então cumpria uma solicitação seguindo os passos e utilizando 
os instrumentos indicados por outros profissionais, quase sempre da área médica 
(psiquiatra, pediatra, neurologista). Assim, o psicólogo atuava como alguém que 
aprendeu a aplicar testes e esperava que o paciente colaborasse. 
Percebe-se que as origens da avaliação psicológica e do Psicodiagnóstico 
se deram sob uma tradição da medicina e da psicologia acadêmica, de orientações 
tanto comportamentalistas ou psicanalistas, predominantemente, que seguiam 
estratégias de avaliação comportamental, ou seja, identificação de comportamentos-
alvo, ou por uma orientação conceitual buscando uma visão de homem específica, 
segundo as diretrizes de uma comunidade acadêmica. Assim, percebemos a ênfase 
dada ao aspecto do sujeito em sofrimento, disfuncional ou em desajuste com um 
ideal de saúde e normalidade. 
Além do que citamos anteriormente, a avaliação psicológica perpassaria 
também a psicometria, que tinha como métodos principais a aplicação de testes 
psicológicos estruturados ou de testes projetivos. Não esquecendo também no 
percurso dessas origens o uso de entrevistas psicológicas, herdada pela psiquiatria. 
Cunha (2003) deixa claro que tanto o uso de testes quanto o de entrevistas 
dirigidas para a identificação de sinais e sintomas seriam enfatizados, voltados para 
uma perspectiva de saúde dissociada da doença ou do psicopatológico. 
Psicodiagnóstico do francês psychodiagnostic e do inglês psychodiagnosis 
significa um diagnóstico fundamentado no estudo dos sintomas puramente psíquicos 
de um doente mental. Esse diagnóstico psicológico busca uma forma de 
compreensão situada no âmbito da Psicologia, sendo uma das funções exclusivas 
do psicólogo garantidas pela Lei nº 4119 de 27/08/62, que dispõe sobre a formação 
em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. 
A seguir, apresentaremos um breve histórico pra que se entenda melhor 
como se deram os principais acontecimentos que originaram a Avaliação 
Diagnóstica ou mais especificamente o Psicodiagnóstico, de acordo com Alchieri e 
Cruz (2004): 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
11 
 1836 –1930: período em que houve muitas produções médico-científicas 
e acadêmicas; 
 1905: Binet apresentou o teste de inteligência; 
 1906: Jung com o teste de associação de palavras; 
 1921: Hermann Rorschach publicou seu teste de manchas de tinta; 
 1930-1962: estabelecimento e difusão da psicologia no ensino das 
universidades; 
 1960: a Psicologia se caracteriza pela regulamentação dos cursos de 
formação (graduação) e a consequente expansão do ensino de psicologia no Brasil. 
 1962-1970: criação dos cursos de graduação em psicologia; mais 
exatamente em 1962, há a regulamentação da profissão por meio da lei nº4119; 
 1970-1987: implantação dos cursos de pós-graduação; 
 1974: criação do Conselho Federal de Psicologia e dos Conselhos 
Regionais de Psicologia pela Lei 5.766; 
 1987: emergência dos laboratórios de pesquisa em avaliação psicológica. 
 
Voltando ao termo Psicodiagnóstico, Cunha (2003) diz que ele foi utilizado 
pela primeira vez por Hermann Rorschach quando publicou em 1921 seu teste de 
manchas de tinta. O teste de Rorschach seria uma prova psicológica projetiva 
desenvolvida pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach, consistindo em dar 
possíveis interpretações a dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir 
das respostas obtidas pode-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do 
indivíduo. As pranchas do teste, desenvolvidas por Rorschach, são sempre as 
mesmas. No entanto, para a codificação e a interpretação, diferentes sistemas são 
utilizados. 
Esse teste alcançou grande admiração e popularidade durante as décadas 
de 40 e 50 por ser considerado um passo essencial no psicodiagnóstico e pelo fato 
de que os dados gerados pelo método eram compatíveis com os princípios básicos 
da teoria psicanalítica. 
Cunha (2003) deixa bem claro que a contribuição da psicometria foi 
essencialmente importante para garantir a cientificidade dos instrumentos 
psicológicos, e assim essa tradição psicométrica foi fundada e sedimentada pela 
difusão das escalas de Binet. Essa escala apresentou em 1905 o teste de 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
12 
inteligência para separar crianças com retardo mental, seguidas pela criação dos 
testes do exército americano, alfa e beta; em 1906 ocorreu o primeiro teste coletivo 
para selecionar recrutas. 
Assim, de acordo com Groth-Marnat (1999), percebe-se a necessidade de 
diferenciar o psicometrista do psicólogo clínico, estabelecendo a seguinte diferença: 
o primeiro tende a valorizar os aspectos técnicos da testagem; ele utiliza testes para 
obter dados e em sua abordagem o produto final é muitas vezes uma série de traços 
ou descrições de capacidades; enquanto o segundo utiliza testes e outras 
estratégias, para avaliar o sujeito de forma sistemática, científica, orientada para 
resolução de problemas. 
Essa época foi marcada por descobertas na biologia como a tentativa da 
correlação de síndromes clínicas com modificações morfológicas observadas na 
autopsia. Com isso, a biologia forneceu muitos dados à medicina, o que levou a 
psiquiatria a buscar as causas da doença mental 
no organismo e em especial no sistema nervoso 
central. A consequência disso foi que os 
pacientes ao invés de lunáticos – assim como 
eram chamados, passaram a ser considerados 
neuróticos. Nessa época acontece a divisão 
dicotômica dos transtornos psiquiátricos, em 
orgânicos e funcionais. Foi nessa escala pré-
dinâmica da psiquiatria que surgiu Kraepelin, que 
se notabilizou por seu sistema de classificação 
dos transtornos mentais e, especialmente, por 
seus estudos diferenciais entre esquizofrenia e 
psicose maníaco-depressiva. Em consequência, 
as classificações nosológicas e o diagnóstico 
diferencial ganharam ênfase. 
Desse período em diante temos Freud com suas obras que representaram o 
primeiro elo de uma corrente de conteúdo dinâmico, seguida por Jung em 1906 com 
o teste de associação de palavras. E como já citamos anteriormente segue-se com 
Rorschach, em 1921, com seu teste com tintas. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
13 
Nessa época começam a se multiplicar as técnicas projetivas, os testes de 
personalidade, como o teste da figura humana (HTP), o Szondi, o MPAs e outros; 
além do Rorschach e o Teste de Apercepção Temática (TAT), que eram os mais 
usados na época. 
E como tudo se modifica no decorrer do tempo, nessa mesmaépoca 
algumas técnicas projetivas começaram a apresentar certo declínio em seu uso, 
passaram a apresentar problemas metodológicos, pelo incremento de pesquisas 
com instrumentos alternativos, também por estarem associadas a determinadas 
correntes como a psicanalítica e por interpretações intuitivas, apesar do esforço para 
a criação do escores. 
De acordo com Cunha (2003), atualmente, há indiscutível ênfase no uso de 
instrumentos mais objetivos e entrevistas diagnósticas mais estruturadas, 
notadamente com o incremento no desenvolvimento de avaliações 
computadorizadas de personalidade que vêm oferecendo novas estratégias neste 
campo. Também, as necessidades de manter um embasamento científico para o 
psicodiagnóstico, compatível com os progressos em outros ramos da ciência, têm 
levado ao desenvolvimento de novos instrumentos mais precisos, especialmente 
após o advento do DSM-IV e de baterias padronizadas, que permitem nova 
abordagem na área diagnóstica da neuropsicologia, constituída pela confluência da 
psicologia clínica e da neurologia comportamental. 
Apesar de todas essas oscilações, podemos concluir que o campo da 
avaliação psicológica tem feito contribuições de suma importância para a teoria, 
prática e pesquisa clínica. Não deixando de focar a questão que algumas etapas que 
têm que ser revistas e analisadas para que ele continue alcançando seus objetivos. 
Uma delas é considerar que o reconhecimento da qualidade do Psicodiagnóstico 
tem que ter, em primeiro lugar, um refinamento dos instrumentos e, em segundo 
lugar, o psicólogo deve lançar mão de estratégias de marketing para aumentar a 
utilização dos serviços de avaliação pelos receptores de laudos. Outra questão é 
que muitas vezes, os psicólogos competentes acabam por fornecer uma grande 
quantidade de informações inúteis para as fontes de encaminhamento, por falta de 
uma compreensão adequada das verdadeiras razões que motivaram o 
encaminhamento ou, em outras palavras, por desconhecimento das decisões que 
devem ser tomadas com base nos resultados do Psicodiagnóstico. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
14 
Diante dessas questões devem-se conhecer as necessidades do mercado e 
de desenvolver estratégias de conquistas desse mercado. E onde está esse 
mercado? Primeiramente, o psicólogo que lida com psicodiagnósticos exerce suas 
funções numa instituição que presta serviços psiquiátricos ou de medicina geral, 
num contexto educacional ou legal; ou numa clínica ou consultório psicológico, em 
que o psicólogo recebe encaminhamento principalmente de psiquiatras, de outros 
médicos (pediatras, neurologistas, etc.), da comunidade escolar (de orientadores, 
professores, etc.), de juízes, de advogados; ou atende casos que procuram 
espontaneamente um exame; ou são recomendados por algum familiar ou amigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É, pois, responsabilidade do clínico manter canais de comunicação com os 
diferentes tipos de contextos profissionais para os quais trabalha, 
familiarizando-se com a variabilidade de problemas com que se defrontam e 
conhecendo as diversas decisões que os mesmos pressupõem. Mais do 
que isto: deve determinar e esclarecer o que dele se espera, no caso 
individual. Esta é uma estratégia de aproximação, que lhe permitirá adequar 
CONCLUINDO! 
Agora que já nos situamos um pouco mais sobre onde o psicólogo 
clínico trabalha e qual é a clientela dele, podemos perceber que 
a principal dificuldade desse profissional é quando se defronta 
com questões como um encaminhamento, pois embora um 
encaminhamento seja feito porque a pessoa necessita de 
subsídios para basear uma decisão para resolver um problema, 
muitas vezes ela não sabe claramente que perguntas levantar ou, 
por razões de sigilo profissional, faz um encaminhamento vago 
para uma avaliação psicológica. E isso acarreta algumas 
consequências a quem encaminhou, pois o psicólogo aceita 
silenciosamente tal encaminhamento, e realiza um 
psicodiagnóstico, cujos resultados não são pertinentes às 
necessidades da fonte de solicitação. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
15 
seus dados às necessidades das fontes de encaminhamento, de forma que 
seus resultados tenham o impacto que merecem e o Psicodiagnóstico 
receba o crédito a que faz jus. (CUNHA, 2003). 
 
Arzeno (1995) afirma que o Psicodiagnóstico atualmente está se 
recuperando de uma época em que praticamente caiu no descrédito da maioria dos 
profissionais da saúde mental. 
Hoje, talvez, percebamos o verdadeiro sentindo do Psicodiagnóstico e 
percebamos a importância do profissional que realiza essa avaliação. 
Como vamos ver nos objetivos, um bom diagnóstico clínico está na base da 
orientação vocacional e profissional, do trabalho com peritos forenses ou 
trabalhistas, etc., e se o psicólogo é consultado é porque existe um problema, 
alguém sofre ou está incomodado e deve indagar a verdadeira causa disso. 
Outra questão que ainda persiste atualmente, segundo alguns autores, é a 
tendência das duas grandes categorias, ou seja, os pacientes são agrupados em 
duas grandes categorias de transtornos. Pacientes que apresentam transtornos mais 
graves e que podem precisar de hospitalização tendem a ser encaminhados para 
psiquiatras, enquanto os casos menos graves costumam ser encaminhados para 
psicólogos ou psiquiatras, de acordo com o conceito de transtorno mental e da 
avaliação da gravidade dos sintomas pela pessoa que identifica o problema e faz o 
encaminhamento. 
 
 
1.2 DEFINIÇÕES 
 
 
O Psicodiagnóstico, segundo alguns autores, é uma área da Psicologia que 
tem por finalidade básica o desenvolvimento e a aplicação das técnicas de 
diagnóstico psicoterapêuticas (entrevistas, testes, técnicas projetivas e a observação 
diagnóstica) para a identificação e tratamento de distúrbios do comportamento. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
16 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cunha (2003, p. 26) é bem enfático quando diz que o Psicodiagnóstico 
 
É um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes 
psicodiagnósticos (input), em nível individual ou não, seja para atender 
problemas a luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos 
específicos, seja por classificar o caso e prever seu curso possível, 
comunicando os resultados (output), na base dos quais são propostas 
soluções. 
 
Ele pode também ser conceituado como um processo que visa a identificar 
forças e fraquezas no funcionamento psicológico, com um foco na existência ou não 
da psicopatologia. Ou um estudo profundo da personalidade, do ponto de vista 
fundamentalmente clínico, onde quando o objetivo do estudo é outro como 
trabalhista, educacional, forense, etc.; o Psicodiagnóstico clínico é anterior e serve 
de base para as conclusões necessárias nessas outras áreas. 
Não podemos esquecer que devido ao grande número de teorias existentes, 
a atuação do psicólogo varia consideravelmente e com isso o próprio uso do termo 
De acordo com Ancona-Lopez (1995), o Psicodiagnóstico é 
realizado com tempo limitado, buscando descrever e compreender a 
personalidade total do paciente, abrangendo, assim, aspectos 
atemporais; desta forma, pode-se dizer que, um de seus objetivos é 
direcionar o trabalho terapêutico. 
Segundo Cunha (1993), Psicodiagnóstico é um processo científico, 
limitado no tempo, no qual se realiza uma avaliação psicológica, por meio 
de testagem. A realização dos testes possui propósitos clínicos e são 
definidos durante a realização do diagnóstico. 
 
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17 
Psicodiagnóstico varia também podendo ser chamado de diagnóstico psicológico, 
diagnóstico da personalidade, estudo de caso ou avaliação psicológica. 
Trinca (1984) diz que na avaliação psicológica houve uma procura de 
integração das diversas abordagens e quando olhamos para a Psicologia Clínica, 
podemos verificar que houve grandes variações de conhecimentose atuações, e, 
portanto, na prática do Psicodiagnóstico, temos também várias formas de atuação, 
muitas das quais não podem ser consideradas decorrentes de exclusivamente uma 
ou outra abordagem. Hoje, muitas abordagens em Psicologia partem de 
pressupostos e métodos diferentes, mas concordam que para se compreender o 
homem é necessário organizar conhecimentos que digam respeito à sua vida 
biológica, intrapsíquica e social, não sendo possível excluir nenhum desses 
horizontes. 
Que fique claro que o Psicodiagnóstico é um procedimento científico que 
necessariamente utiliza testes científicos, diferentes da avaliação psicológica na qual 
o psicólogo pode ou não utilizar esses instrumentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ele é caracterizado como um processo científico, por que deve partir de um 
levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou infirmadas por meio de 
passos predeterminados e com objetivos precisos, sendo assim – segundo Cunha 
(2003) – limitado no tempo, baseado num contrato de trabalho entre paciente ou 
VOCÊ SABIA! 
Segundo alguns dicionários, 
Psicodiagnóstico (psico+diagnóstico) 
pode ser conceituado como 
conhecimento de sintomas psíquicos; 
determinação de capacidades, aptidões 
e tendências psicológicas, por meios 
clínicos e experimentais. 
 
 
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18 
responsável e o psicólogo, tão logo os dados iniciais permitam estabelecer um plano 
de avaliação e uma estimativa de tempo necessário, ou seja, o número aproximado 
de sessões para a realização do exame. 
Ocampo e Arzeno (apud SANTIAGO, 2002) caracterizam o Psicodiagnóstico 
como uma prática bem delimitada, cujo objetivo é obter uma descrição e 
compreensão, a mais profunda e completa possível da personalidade total do 
paciente ou do grupo familiar, abarcando aspectos passados, presentes 
(diagnósticos) e futuros (prognóstico) dessa personalidade. Uma vez obtido um 
panorama preciso e completo do caso, incluindo aspectos patológicos e adaptativos, 
trataremos de formular recomendações terapêuticas adequadas como terapia breve 
e prolongada, individual, de casal, de família, grupal, com qual frequência; se é 
recomendável um terapeuta homem ou mulher, se a terapia pode ser analítica ou de 
orientação analítica ou então outro tipo de terapia, e se é necessário um tratamento 
medicamentoso paralelo. 
Enfatizando o que dissemos acima, o processo Psicodiagnóstico, segundo 
Ocampo (1981) pode ser visto como uma situação com papéis bem definidos e com 
um contrato no qual o cliente pede uma ajuda, e o psicólogo aceita o pedido e se 
compromete a satisfazê-lo na medida de suas possibilidades. Ela ainda caracteriza o 
processo como uma situação bipessoal, de duração limitada, cujo objetivo é 
conseguir uma descrição e compreensão profunda, e a mais completa possível, da 
personalidade total do paciente ou do grupo familiar, enfatizando a investigação de 
algum aspecto em particular, segundo a sintomatologia e as características da 
indicação. 
Ocampo (1981) também enfatiza alguns aspectos profissionais do Psicólogo 
que atrapalhavam a atuação desse profissional: um deles era a falta de identidade 
sólida, fazendo com que este não soubesse qual era seu verdadeiro trabalho dentro 
das ocupações ligadas à saúde mental. Isso se devia ao modelo similar ao do 
médico clínico que, para proceder com eficiência e objetividade, tomava a maior 
distância possível em relação a seu paciente a fim de estabelecer um vínculo afetivo 
que não lhe impedisse de trabalhar com a tranquilidade e objetividade necessárias; 
assim, os testes eram utilizados como um escudo entre o profissional e o paciente, 
como se eles constituíssem em si mesmos o objetivo do Psicodiagnóstico, evitando 
dessa forma pensamentos e sentimentos que mobilizassem afetos. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
19 
Ancona-Lopez (2002) também cita esse distanciamento quando fala da visão 
clássica do Psicodiagnóstico, onde era recomendada uma atitude de neutralidade, o 
que leva a certo distanciamento do profissional, para facilitar as manifestações 
inconscientes do cliente; recomendava-se também que os contatos com o psicólogo 
durante o Psicodiagnóstico não se estendessem além do necessário, a fim de evitar 
o desenvolvimento de uma relação transferencial que exigiria outro tipo de 
atendimento. 
Alguns profissionais buscaram uma aproximação autêntica com o paciente, 
no entanto, tiveram que abandonar o modelo médico sem estarem preparados para 
isso. Assim o tempo passou e com a difusão da Psicanálise os psicólogos optaram 
por aceitá-la como modelo de trabalho, o que trouxe progressos e ao mesmo tempo 
uma nova crise de identidade no psicólogo, uma vez que este se esqueceu que a 
dinâmica do processo psicanalítico era muito diferente da dinâmica do processo 
Psicodiagnóstico. 
Como já se percebeu o Psicodiagnóstico está vinculado com a clínica, 
envolvendo temas de interesse clínicos, tais como nosologias psicopatológicas, 
critérios de saúde psíquica, enfoques patogênicos e saudáveis. Logo, diagnosticar 
supõe situarmo-nos no plano do processo saúde e doença e poder determinar em 
que medida se está ou não em presença de uma patologia ou transtorno que 
necessita de um determinado tipo de intervenção. 
 
 
 
FONTE: Disponível em: < http://www.nhbar.org/uploads/images/BarExamBlueBook.jpg >. Acesso em: 
10 ago. 2011. 
 
 
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20 
 
Ao caracterizarmos mais o Psicodiagnóstico pode-se dizer que de acordo 
com Cunha (2003) e outros autores, o plano de avaliação é estabelecido com base 
nas perguntas ou hipóteses iniciais, definindo-se não só quais os instrumentos 
necessários, mas como e quando utilizá-los. Os psicólogos devem saber quais 
instrumentos são eficazes, quais instrumentos podem ser eficientes, se aplicados 
com propósitos específicos, para fornecer respostas a determinadas perguntas ou 
testar certas hipóteses. Assim, percebemos que o psicólogo deve conhecer os 
diferentes instrumentos de avaliação psicológica, dominando quais instrumentos são 
eficientes e quais instrumentos fornecem respostas a determinadas perguntas ou 
testam hipóteses. 
O Psicodiagnóstico possui um fim em si mesmo, mas é também um meio 
para outro fim, ou seja, a finalidade é conhecer alguém de forma mais profunda 
possível. 
Conclui-se que o Psicodiagnóstico é um diagnóstico psicológico, realizado 
utilizando metodologia específica após solicitação ao psicólogo, com objetivo de 
clarificar alguma dúvida ou dificuldade no tratamento de um paciente. Ele é realizado 
utilizando entrevistas (inicial, anamnese, etc.) e aplicação de testes psicológicos 
para confirmar ou descartar hipóteses levantadas durante as entrevistas. Ele inclui, 
além das entrevistas iniciais, os testes, a hora de jogo com crianças, entrevistas 
familiares, vinculares, etc. As conclusões de todo o material obtido são discutidas 
com o interessado, com seus pais, ou com a família completa, conforme o caso e o 
sistema do profissional. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
21 
 
 
 
1.3 SINTETIZANDO 
 
 
1.3.1 Pontos fundamentais do Psicodiagnóstico 
 
 
 O cliente deve ser visto como uma totalidade vertical (passado) e 
horizontal (presente), ou seja, cada pessoa é sua própria história e esta história deve 
estar aqui e agora presente; 
 É preciso que se faça e refaça a matriz individual e familiar do cliente: 
onde vive, de onde ele vem, para onde vai, no seu contexto total; 
 Seu sistema de comunicação consigo e com o mundo deve ser avaliado; 
 Verificação contínua e cuidadosa de como ele faz ou diz as coisas; 
 Observar o aspecto relacional terapeuta/cliente. 
 
 
1.3.2 Momentos da avaliação 
 
 
 Planejamento do diagnóstico psicológico: identificar o problema, escolher 
ou construir o instrumental psicométrico adequado, logística a seguir na execução; 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
O PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AO EQUILÍBRIO 
 
O Psicodiagnósticoé uma avaliação de base científica que tem por objetivo 
uma investigação minuciosa do comportamento dos indivíduos, envolvendo 
não só seus sintomas, mas também suas possibilidades para superá-los. É por 
meio deles que sabemos qual é o problema que nos aflige e qual a melhor 
maneira de tratá-lo. Logo, o Psicodiagnóstico é o primeiro passo na direção do 
equilíbrio psicológico de crianças, adolescentes e adultos que buscam um 
tratamento seguro. 
 
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22 
 Resultado do Psicodiagnóstico (interpretação e integração dos dados); 
 Comunicação dos dados. 
 
 
1.3.3 Prática do Psicodiagnóstico 
 Consultório; 
 Contexto hospitalar - atendimento e pesquisa; 
 Área forense; 
 Instituições; 
 Situações especiais; 
 Educação; 
 Trabalho. 
 
 
1.4 OBJETIVOS 
 
Cunha (1993) define que o objetivo do Psicodiagnóstico abrange a 
compreensão de problemas com base em pressupostos teóricos, identificação e 
avaliação de aspectos específicos ou classificação do caso e possível previsão de 
seu curso, comunicando, ao final do trabalho, os resultados obtidos. Ele aponta para 
alguns possíveis usos do Psicodiagnóstico, o que vai depender das instituições 
requerentes e dos objetivos a serem alcançados. Seu uso pode ter um ou vários 
objetivos, dependendo das perguntas ou hipóteses inicialmente formuladas. 
Dependendo da simplicidade ou da complexidade das questões propostas, variam 
os objetivos. 
Então podemos classificar os objetivos de uma avaliação psicológica clínica, 
segundo Cunha (1993), como: 
 
 Classificação simples: especificamente podemos dizer que aqui o 
exame compara amostras do comportamento da pessoa que está sendo examinada 
com os resultados de outros sujeitos ou grupos específicos, com condições 
demográficas equivalentes, onde esses resultados são fornecidos em dados 
quantitativos, sendo classificados sumariamente, como em uma avaliação de nível 
 
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23 
intelectual. Percebemos que nesse tipo de avaliação psicológica compara-se o 
sujeito a médias levantadas a partir de outros sujeitos da população. 
 
As questões ou perguntas mais elementares que podem ser formuladas em 
relação a uma capacidade, um traço, um estado emocional, seriam: 
“Quanto?” ou “Qual?” Um exemplo comum de exame com tal objetivo seria 
o de avaliação do nível intelectual, que permitiria uma classificação 
simples. O examinando é submetido a testes, adequados à sua idade e 
nível de escolaridade. São levantados escores, consultada tabelas e os 
resultados são fornecidos em dados quantitativos, classificados 
sumariamente. (CUNHA, 2003, p. 26). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É muito importante que o profissional escolha os objetivos adequados a 
serem utilizados no processo de Psicodiagnóstico, pois não podemos deixar de 
observar que se o profissional se detém apenas a este objetivo de classificação 
simples, seu trabalho seria caracterizado mais como o de um psicometrista do que 
um psicólogo clínico, pois como este tipo de objetivo se restringe a classificações 
quantitativas, utilizar-se-ia de testes. Mas como o psicólogo clínico dificilmente perde 
a referência de sujeito ou da pessoa do examinando, raramente ele se restringiria a 
REFORÇANDO! 
Quando falamos que são levantados 
escores queremos dizer que se obtém 
um valor quantitativo obtido pela soma 
ou total de pontos creditados a um 
indivíduo em situação de prova ou 
teste. 
 
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24 
este objetivo, mesmo por que analisaria escores dos subtestes, diferenças inter e 
intrateste que são suscetíveis de interpretação. 
Ao fazer todas estas interpretações, identificaria forças e fraquezas no 
funcionamento intelectual, aí já entraria no objetivo que citaremos a seguir, que é o 
de descrição. 
 Descrição: esse tipo de avaliação ultrapassa a classificação simples, 
interpretando diferenças de escores, identificando forças e fraquezas e descrevendo 
o desempenho do paciente, como em uma avaliação de deficits neuropsicológicos. 
Observamos que essa classificação tem um valor mais interpretativo acerca dos 
escores levantados em testes, buscando identificar o desempenho do sujeito. 
Um exemplo de objetivo focado pela maioria dos autores na descrição seria 
o exame do estado mental, geralmente realizado sem a administração de testes, não 
sendo, portanto, de uso exclusivo do psicólogo, ou seja, outros profissionais de 
saúde podem manejá-lo. Esse exame pode ser conceituado como o processo por 
meio do qual o profissional que trabalha com saúde mental (geralmente psiquiatras e 
psicólogos) examina sistematicamente o estado mental de um paciente. Esse exame 
é subjetivo e muito comum na rotina em clínicas psiquiátricas, ou melhor, ele é 
subjetivo e baseia-se em informações dadas pelo paciente e em observações de seu 
comportamento. Muitas vezes ele é completado por um exame objetivo. Nesse 
recurso diagnóstico explora-se a presença de sinais e sintomas, eventualmente 
utilizando provas muito simples, não padronizadas, para uma estimativa sumária de 
algumas funções, como a consciência, inteligência, orientação, atenção e memória. 
 Classificação Nosológica: aqui, hipóteses iniciais são testadas, 
tomando-se como referência critérios diagnósticos, ou seja, várias hipóteses surgem 
no decorrer da coleta de dados resultantes do exame do estado mental, da história 
clínica e da história pessoal do examinando, e essas hipóteses que surgem são 
testadas para que sejam comprovadas ou rebaixadas. 
Essa avaliação pode ser realizada pelo psiquiatra e, também, pelo psicólogo, 
onde ambos fazem um julgamento clínico sobre a presença ou não de sintomas 
significativos, assim verificando semelhanças desse paciente com outros pacientes 
na mesma categoria diagnóstica. 
Quando está sob a responsabilidade do psicólogo, sempre que possível, 
além desses recursos o mesmo deverá lançar mão de outros instrumentos 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
25 
psicológicos, como baterias de testes e técnicas, para poder testar cientificamente 
as suas hipótese ou ainda levantar outras hipóteses a serem analisadas, conforme 
história e contexto de vida do paciente. 
Esse tipo de classificação é muito importante, pois facilita a comunicação 
entre profissionais; no caso, haveria uma grande interação entre psiquiatra e 
psicólogo, além de contribuir para o levantamento de dados epidemiológicos de uma 
população. 
 Diagnóstico Diferencial: investigação de irregularidades ou 
inconsistências do quadro sintomático do examinando, para diferenciar alternativas 
diagnósticas, níveis de funcionamento ou a natureza da patologia; ou seja, no 
decorrer da coleta de dados surgem informações que não se encaixam, digamos 
sintomas totalmente destoantes ou inconsistentes, assim o profissional deve estar 
muito bem capacitado para atentar a fatos como este e saber identificar as variações 
nos quadros sintomáticos e níveis de funcionamento patológico. 
Cunha (2003) diz que o diagnóstico diferencial está associado ao objetivo 
de classificação nosológica, assim podemos observar que o psicólogo investiga 
irregularidades e inconsistências do quadro sintomático e dos resultados dos testes 
para diferenciar categorias nosológicas, níveis de funcionamento mental. Um 
exemplo seria a investigação de certos sintomas que o sujeito tem que não batem 
com os achados dos testes. Assim, existem algumas objeções ao se trabalhar com 
esse objetivo, ou seja, o psicólogo deve ter um bom conhecimento teórico, dominar 
algumas técnicas, ter ampla experiência na área, ter sensibilidade clínica e muitos 
conhecimentos avançados de psicopatologia e de técnicas sofisticadas de 
diagnóstico. 
 Avaliação Compreensiva: nesse tipo de avaliação a primeira coisa que 
se faz é determinar o nível de funcionamento da personalidade, examinando assim 
funções do ego, em especial a de insight, condições do sistema de defesas, 
facilitandoassim a indicação de recursos terapêuticos e prevendo possíveis 
respostas ao mesmo. 
A avaliação compreensiva considera o caso numa perspectiva mais ampla 
e global, determinando o nível de funcionamento da personalidade, examinando 
funções do ego; e quais seriam essas funções do ego? Poderiam ser controle da 
percepção e da mobilidade; prova da realidade; antecipação, ordenação temporal; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
26 
pensamento lógico, coerente, racional; elaboração das representações pela 
linguagem e outras. 
Nesse tipo de objetivo podem não ser utilizados testes, e essa não utilização 
de testes é um objetivo explícito ou implícito nos contatos iniciais do paciente com 
psiquiatras, psicanalistas e psicólogos de diferentes linhas de orientação terapêutica. 
Caso o objetivo seja atingido por meio de um Psicodiagnóstico, obtêm-se evidências 
mais objetivas e precisas, que podem, inclusive, servir de parâmetro para avaliar 
resultados terapêuticos, mais tarde, por intermédio de um reteste. 
 Entendimento Dinâmico: nesse tipo de objetivo se associaria as 
dimensões investigadas na avaliação compreensiva a uma perspectiva teórica; 
haveria uma interpolação de dados, buscando inferir possíveis dificuldades futuras e 
focos terapêuticos para além do material levantado nas entrevistas, ou seja, dá para 
se perceber que esse tipo de avaliação ultrapassa os objetivos da avaliação anterior. 
Aqui há um nível mais elevado de inferência clínica, havendo uma investigação de 
dados com base teórica, ou seja, os dados seriam fundamentados. Esse objetivo 
também permitiria se chegar a explicações de aspectos comportamentais nem 
sempre acessíveis na entrevista, à antecipação de fontes de dificuldades na terapia 
e à definição de focos terapêuticos. 
Aqui é focada a personalidade de maneira global, pressupondo um nível 
mais elevado de inferência clínica como dedução, conclusão, julgamento clínico, ou 
seja, podemos dizer que ela é considerada uma avaliação compreensiva, onde se 
procura entender a problemática do sujeito numa dimensão mais profunda, 
observando a história do desenvolvimento, identificando conflitos, investigando 
fatores psicodinâmicos e compreendendo o caso baseando-se num referencial 
teórico. 
Cunha (2003) deixa bem claro que um exame deste tipo requer entrevistas 
muito bem conduzidas, cujos dados nem sempre se dão pelos passos específicos 
de um Psicodiagnóstico, portanto, não sendo um recurso privativo do psicólogo 
clínico. 
Observa-se que frequentemente este tipo de objetivo se combina com os 
objetivos de classificação nosológica e de diagnóstico diferencial, mas que fique 
claro que quando é um objetivo do Psicodiagnóstico, leva não só a uma abordagem 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
27 
diferenciada das entrevistas e do material de testagem, como a uma integração dos 
dados com base em pressupostos psicodinâmicos. 
 Prevenção: voltada para a identificação de problema precocemente, 
buscando detectar fraquezas e forças do ego, da personalidade do sujeito em 
questão, avaliando riscos e tentando identificar capacidade para enfrentar situações 
novas, estressantes e difíceis, e como o próprio nome do objetivo diz, é uma 
prevenção para que se tente evitar que problemas maiores ocorram futuramente. 
Como citamos acima, esse exame visa à identificação precoce de 
problemas, avalia riscos, faz uma estimativa de forças e fraquezas da personalidade, 
avalia a capacidade para enfrentar situações novas, difíceis, conflitivas ou 
ansiogênicas; depois de identificado tudo isso, investe-se na prevenção. Podemos 
dizer que não pressupõe profundidade no levantamento de indícios de patologia, é 
usada apenas para dar fundamentação ao desenvolvimento de programas 
preventivos com grupos maiores. Nos exame individual pode requerer uma 
dimensão mais profunda, especialmente envolvendo uma estimativa de condições 
do ego frente a certos riscos ou no enfrentamento de situações difíceis, seria 
indicado um Psicodiagnóstico. 
 Prognóstico: aqui se tenta determinar o curso provável do caso clínico. 
Ao se identificar determinado transtorno por meio de outros objetivos, trabalha-se 
aqui no prognóstico. 
Objetivo que não é privativo do psicólogo e que pode dar uma contribuição 
importante na medida em que, por meio do Psicodiagnóstico, pode avaliar condições 
influenciadoras do transtorno. Esse tipo de objetivo depende fundamentalmente da 
classificação nosológica e o que podemos dizer é que ainda necessita de muitas 
pesquisas. 
 Perícia Forense: voltado para identificar insanidades, incapacidades e 
patologias que possam estar associadas a infrações da lei e afetem o exercício da 
cidadania. Esse tipo de objetivo é muito pedido por advogados, juízes e profissionais 
que trabalham nessa área para definir questões de ordem legais. 
Esse exame procura resolver questões relacionadas com “insanidade”, 
competência para o exercício de funções de cidadão, avaliação de incapacidade ou 
de comprometimentos psicopatológicos que na sua origem possam se associar com 
infrações da lei, etc. 
 
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28 
Segundo Groth-Marnat (1984), o psicólogo, por meio de uma série de 
interrogações, deve alcançar respostas claras, precisas e objetivas para que possa 
instruir um determinado processo. Quanto aos testes deve haver um grau 
satisfatório de certeza quanto aos dados coletados por meio desse instrumento, o 
que é um pouco complexo, por que os dados descrevem o que uma pessoa pode ou 
não fazer no contexto da testagem, mas o psicólogo deve ainda inferir, ou seja, 
concluir, julgar, deduzir, o que ele acredita que o examinando poderia ou não fazer 
na vida cotidiana. 
Muitas vezes este processo se torna até certo ponto ansiogênico para o 
próprio psicólogo, pois além da enorme responsabilidade que está nas mãos deste 
profissional de decidir a vida do outro, este processo busca respostas que fornecem 
subsídios para instruir decisões de caráter vital para o indivíduo, como por exemplo, 
decisões delicadas de atestado de insanidade que podem tirar a guarda dos filhos 
de uma mãe. 
Acontece bastante e comumente do psiquiatra ser nomeado como perito e 
solicitar o exame psicológico para fundamentar o seu parecer, assim, não obstante, 
muitas vezes o psicólogo é chamado para colaborar com a justiça, de forma 
independente. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
29 
 
 
 
Resumindo podemos dizer que Ocampo (1981) afirma que a investigação 
psicológica deve conseguir uma descrição e compreensão da personalidade do 
paciente, onde é importante explicar a dinâmica do caso tal como aparece no 
material recolhido, integrando-o num quadro global. E uma vez alcançado um 
panorama preciso e completo do caso, incluindo os aspectos patológicos e os 
adaptativos, trataremos de formular recomendações terapêuticas adequadas. 
Arzeno (1995) cita algumas finalidades em que pode ser utilizado o 
Psicodiagnóstico. 
 Diagnóstico; 
 Avaliação do tratamento; 
 Meio de comunicação; 
 Na investigação. 
 
A principal finalidade de um estudo Psicodiagnóstico é a de estabelecer um 
diagnóstico, ou seja, explicar o que ocorre realmente com aquele paciente, o que 
Ocampo (2001) juntamente com Ancona-Lopez (1984) citam os 
objetivos de forma mais geral: 
1) Compreensão da personalidade como um todo; 
2) Organizar conhecimentos: vida biológica, intrapsíquica e social; 
3) Entender o sintoma: (fenomenológico e dinâmico) e se a ruptura 
do equilíbrio expressa algo a nível familiar; 
4) Mostrar a importância do desenvolvimento (criança) e a interação 
dos fatores orgânicos com os emocionais; 
5) Importância dos aspectos intrapsíquicos; 
6) Principal objetivo seria conhecer os aspectos passados e 
presentes (diagnóstico) e futuros (prognóstico); 
7) Explicar dinâmica, ou seja, buscar relações (família, grupo); 
8) Aspectos adaptativos e patológicos/ ser dinâmico. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
30 
ocorrealém do que o paciente pode descrever conscientemente, enfim, descobrir o 
que tem aquele paciente a nível mental. 
Na primeira entrevista, são elaboradas hipóteses que podem ou não serem 
confirmadas. (Obs.: a entrevista projetiva, mesmo sendo imprescindível, não é 
suficiente para um diagnóstico cientificamente fundamentado.) 
Pode-se dizer que a entrevista clínica não é uma ferramenta infalível, nem 
os testes, mas se utilizarmos ambos os instrumentos de forma complementar há 
uma margem de segurança maior para chegar a um diagnóstico correto, 
especialmente se incluirmos testes padronizados. Então, o que vai diminuir a 
margem de erro são a interpretação e interpolação adequada dos dados obtidos por 
meio de entrevistas, testes e observação pelo profissional. 
Para se avaliar o tratamento, pode ser feito o reteste, consistindo em aplicar 
novamente a mesma bateria de testes aplicados na primeira ocasião. Isso pode ser 
feito para verificar os avanços terapêuticos de forma mais objetiva e também para 
planejar uma alta, ou seja, descobrir o motivo de um impasse no tratamento e para 
que o paciente e o terapeuta possam falar sobre isso, estabelecendo um novo 
contrato sobre bases atualizadas. 
Ainda existe o caso da disparidade de opiniões entre o paciente e o 
terapeuta, sendo que este é o que está apenas realizando o tratamento terapêutico 
e talvez ele não tenha realizado o Psicodiagnóstico. Nesse caso esclarece-se ao 
paciente e ao terapeuta que o Psicodiagnóstico registrará as situações para depois 
comentá-las. 
Essa decisão de se fazer ou não o Psicodiagnóstico vai depender muito das 
instituições em que está sendo realizado. Nas particulares, o terapeuta é quem 
decide o momento adequado para um novo Psicodiagnóstico, sendo públicas ou 
privadas, são elas que fixam os critérios que devem ser levados em consideração. 
Algumas deixam a critério dos terapeutas, outras consideram tanto a necessidade 
de avaliar a eficiência de seus profissionais quanto a de contar com um banco de 
dados úteis, por exemplo, para fins de pesquisa. 
Uma coisa que podemos ter certeza é que ao longo de um processo que se 
estende nas primeiras entrevistas aproximadamente, podemos observar como o 
paciente se relaciona diante de cada proposta, podemos extrair conclusões de 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
31 
grande utilidade para prever como será o vínculo terapêutico, caso continue e quais 
serão os momentos mais difíceis do tratamento, os riscos de deserção e etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se usarmos diferentes instrumentos diagnósticos, isso nos permite estudar o 
paciente por meio de várias vias: falar livremente, por meio de lâminas, desenhos, 
imaginação, quebra cabeças e etc. e por algum motivo o domínio da linguagem 
verbal não foi alcançado, por conta da idade, doença, casos de surdos-mudos; 
podem-se usar nesse caso os testes gráficos e lúdicos que facilitam a comunicação. 
Na investigação se tem dois objetivos, o primeiro é a criação de novos 
instrumentos de exploração da personalidade que podem ser incluídos na tarefa 
psicodiagnóstica; ex.: Rorschach quando criou o teste das manchas. O outro 
objetivo é o de planejar a investigação para o estudo de uma determinada patologia, 
algum problema trabalhista, educacional ou forense, etc. 
VOCÊ SABIA ! 
O Psicodiagnóstico, segundo Arzeno (1995), é 
também realizado como meio de comunicação, porque 
muitos pacientes têm dificuldades para conversar 
espontaneamente sobre seus problemas, com 
crianças muito pequenas, existem pacientes que só 
dão respostas lacônicas, e quando o profissional 
favorece a comunicação, a tomada de insight, ele 
contribui para que aquele que consulta adquira a 
consciência de sofrimento suficiente para aceitar 
cooperar na consulta, o que também provoca a perda 
de certas inibições, possibilitando assim um 
comportamento mais natural. 
 
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32 
Agora vamos ver outros usos do Psicodiagnóstico por psicólogos: 
 Casos de dúvidas diagnósticas; 
 Na obtenção de informação mais precisa. Ex.: suspeita de risco de 
suicídio, dependência de drogas, desestruturação psicótica; 
 Quando não tem certeza sobre o tratamento mais aconselhável. Ex.: 
terapia comportamental, psicanálise, terapia breve; 
 Outros prescindem totalmente do Psicodiagnóstico e não concedem valor 
científico algum aos testes projetivos; 
 Outros dizem que não é importante fazer um diagnóstico inicial, que as 
informações chegam ao longo do tratamento. 
 
Quanto aos motivos de encaminhamento para se realizar um 
Psicodiagnóstico, muitas são as situações, como: 
 Dificuldades em se chegar a um diagnóstico médico; 
 Todos os tratamentos medicamentosos falharam; 
 Quando nada explica um determinado comportamento que afeta 
negativamente o indivíduo. 
(Obs.: por razões éticas, ninguém poderá ser encaminhado por curiosidade 
em saber seu nível de inteligência ou QI, por exemplo.) 
 
Como já dissemos, um diagnóstico psicológico não significa 
necessariamente o mesmo que fazer um Psicodiagnóstico, porque este termo 
implica automaticamente a administração de testes e os testes nem sempre são 
necessários ou convenientes nesse caso. 
Vejamos agora algumas questões importantes que tornam o 
Psicodiagnóstico imprescindível: 
 É realizado para saber o que ocorre e suas causas, de forma a responder 
ao pedido com o qual foi iniciada a consulta; 
 Outra questão que o torna fundamental é porque iniciar um tratamento 
sem o questionamento prévio do que realmente ocorre representa um risco muito 
alto, pois o paciente acredita que de alguma forma vamos poder ajudá-lo e “curá-lo” 
e caso apareçam situações inesperadas ou complicadas, teremos que interromper o 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
33 
tratamento e, além disso, decepcionar o paciente, o qual terá muitas dúvidas antes 
de tornar a solicitar ajuda; 
 Outra questão imprescindível é quanto à proteção do psicólogo, que ao 
iniciar o tratamento contrai automaticamente um compromisso em dois sentidos, o 
clínico e ético; onde do ponto de vista clínico, deve estar certo de poder ser idôneo 
perante o caso sem cair em posturas ingênuas nem onipotentes, e do ponto de vista 
ético, deve proteger-se de situações nas quais está implicitamente comprometendo-
se a fazer algo que não sabe exatamente o que é, ou seja, a consequência do não 
cumprimento de um contrato terapêutico pode ser a cassação da carteira 
profissional. 
 
 
2 QUESTÕES IMPORTANTES NO PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
2.1 O PROBLEMA 
 
 
Segundo Cunha (2003), o Psicodiagnóstico é desencadeado quase sempre em vista 
de um encaminhamento, iniciando por uma consulta, a partir da qual outro 
profissional ou mesmo um psicólogo encaminham o paciente a um psicólogo clínico 
que trabalhe com Psicodiagnóstico. Esta avaliação que irá ser feita decorre da 
existência de um problema prévio, ou seja, um problema que o psicólogo deve 
identificar e avaliar, para poder chegar a um diagnóstico. 
Segundo Yager & Gitlin (1999), geralmente os sintomas estão presentes 
quando os limites da variabilidade normal são ultrapassados. Na maioria das vezes 
evidencia-se a dificuldade de identificar o início do problema que necessite de uma 
avaliação clínica. Os mesmos autores frisam também que a natureza e a expressão 
dos sinais e sintomas psiquiátricos são profundamente alteradas pelos recursos 
pessoais, capacidades de enfrentamento e defesas psicológicas do paciente. 
O psicólogo, ao exercer sua função, deve examinar as circunstâncias que 
precederam a consulta, avaliar a maneira de perceber o problema e delimitá-lo, 
investigar quando os sintomas começaram e se houve algum fator estressante que o 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
34 
desencadeasse, investigar os estados emocionais associados à vida diária, 
atribuindo a sinais e sintomas sua significação adequada. 
 
Um problema é identificado quando são reconhecidasalterações ou 
mudanças nos padrões de comportamento comum, que podem ser 
percebidas como sendo de natureza quantitativa ou qualitativa. (CUNHA, 
2003, p. 33). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As perguntas que irão ser abordadas são muito importantes para se definir e 
se chegar a um diagnóstico correto, então a pergunta que devemos fazer a nós 
mesmos, para sabermos se estamos agindo corretamente com o paciente é: “A 
pergunta que estou a ponto de fazer será útil para entrevistado? Estou perguntando 
questões que realmente são significativas no processo?”; pois se você é um 
profissional que apenas faz a pergunta, que faz perguntas demais que confundem o 
entrevistado, e, em consequência, não ouve a resposta do cliente, você ensina ao 
REFORÇANDO! 
É preciso ficar bem claro que um sintoma único não tem 
valor diagnóstico por si, assim, dado a relatividade dos 
critérios usuais na definição de um problema, a abordagem 
científica atual para a determinação diagnóstica defende o 
uso de critérios operacionais; isso quer dizer que é 
necessário que o paciente apresente certo número de 
características sintomatológicas, durante certo período de 
tempo, para ser possível chegar a uma decisão diagnóstica, 
ou seja, para cada transtorno existe um critério diagnóstico 
que define se um determinado sujeito pode ser enquadrado 
ou não naquele diagnóstico. Uma fonte útil nesse momento 
seria a utilização do CID-10 ou do DSM-IV. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
35 
entrevistado que nossa função é fazer perguntas e a dele, responder, ou seja, 
estipulamos que nós somos os chefes e somente nós sabemos o que é importante 
para ele. Este modelo (pergunta/resposta) não cria a atmosfera em que se pode 
desenvolver um relacionamento positivo cordial, em que o entrevistado tenha a 
oportunidade de crescer. 
Outro fato importante que devemos atentar é quanto a perguntas abertas e 
fechadas. Que fique claro que as perguntas abertas são amplas, convidando o 
entrevistado/cliente a alargar seu campo perceptivo, falando de concepções, 
opiniões, pensamentos e sentimentos. Nesse tipo de pergunta surgirão muitos 
conteúdos e até mesmo questões chaves que estejam angustiando o paciente. Já as 
questões fechadas exigem apenas fatos objetivos, muitas vezes não deixando o 
sujeito se alargar nas suas respostas ou falar questões que o atormentam. Existe 
também a pergunta retórica, que é mais que fechada, porque é um tipo de pergunta 
que já inclui a resposta. 
As perguntas diretas podem ser conceituadas como perguntas que são 
interrogações precisas, enquanto que as perguntas indiretas perguntam sem parecer 
fazê-lo, aparecendo sem o ponto de interrogação, mas ainda assim fica claro que 
aquilo é uma pergunta e deseja-se uma resposta. Esta cria empatia, mostrando 
interesse pelo cliente. 
Às vezes aparecem em entrevista perguntas duplas, que alguns autores 
dizem que são perguntas sem utilidade nenhuma em entrevistas. Servem apenas 
para bombardear o entrevistado e nada acrescentam, só dificultam a confiança. 
Essa questão é delicada, pois muitos pacientes não se sentem bem com o 
bombardeio de perguntas, quebrando na hora a atmosfera de confiança e o rapport 
que está tentando estabelecer. 
E quando o entrevistado passa a me interrogar, quando ele tenta inverter os 
papéis, o que devo fazer? É claro que não se deve dar uma resposta a todas as 
perguntas, mas deve-se responder a todas que nos forem feitas que sejam a 
respeito do paciente e não ao nosso respeito, e tratá-las da mesma maneira que 
tratamos tudo o que o entrevistado diz – escutando, visando à compreensão, pois 
muitas não exigem resposta, mas sim atenção, outras vezes deve-se responder 
diretamente quando for conveniente, não ficando muito tempo com a palavra e 
retornando a ele o mais rapidamente possível. E, caso o entrevistado nos faça 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
36 
perguntas sobre outras pessoas, não devemos ignorar, mas também não responder 
diretamente; uma estratégia seria ignorar a perguntar e fazer outra que englobe o 
assunto a que ele se referir, afinal, não estamos ali para sermos interrogados e sim 
para se chegar a um Psicodiagnóstico. E se a pergunta for sobre ele mesmo, deve-
se ter um cuidado maior, pois dependendo da nossa resposta o entrevistado pode 
se fechar, defender-se e racionalizar, mas o que acontece muitas vezes, é que 
quando eles se referem a si próprios é para ter mais informações sobre seu 
comportamento, sintomas e tratamento. 
 
 
FONTE: Disponível em: < 
http://www.topgyn.com.br/home/thumbnail.php?file=12_08_automedicacao_457861735.jpg&size=artic
le_medium >. Acesso em: 10 ago. 2011. 
 
 
 
2.2 SINAIS E SINTOMAS 
 
 
Sintoma é qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de 
seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não 
consistir-se em um indício de doença. Eles são subjetivos, sujeitos à interpretação 
do próprio paciente, sua variabilidade varia enormemente em função da cultura do 
paciente, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
37 
percepções. Aqui, no estudo de Psicodiagnóstico, chamaremos “sintoma” àquilo que 
o cliente traz como motivo manifesto da consulta. 
Já sinais na área de saúde podem ser conceituados como as alterações no 
metabolismo, no aspecto de uma pessoa, em sua conformação física, que podem 
ser indicadoras de adoecimento e podem ser percebidas ou medidas pelo 
profissional de saúde. 
Essa terminologia é oriunda da medicina, mas pode ter sentido comparável 
na psicologia. Sintomas são frequentemente confundidos com sinais, que são as 
alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de 
saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas quando se trata de doença mental essa diferenciação se torna muito 
vaga, porque segundo Yager & Gitlin (1999), envolve estados internos, uma 
psicopatologia subjetiva, algo difícil de descrever; os sintomas estão presentes 
quando os limites da variabilidade normal são ultrapassados. Já Shaw (1977) afirma 
VOCÊ SABIA! 
A diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é 
aquilo que pode ser percebido por outra pessoa 
sem o relato ou comunicação do paciente, ou seja, 
o que outras pessoas percebem só de observar; e 
o sintoma é a queixa relatada pelo paciente, mas 
que só ele consegue perceber, ou seja, é algo 
subjetivo como falamos acima. Então, sinais são 
comportamentos observáveis, segundo Kaplan e 
Sadock (2007), achados objetivos, e sintomas 
achados subjetivos. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
38 
que sintoma é um sinal, porque se torna significativo na medida em que evidencia 
uma perturbação. 
Autores da linha psicanalítica – Freud é um deles – afirmam que podemos 
perceber é que: à medida que a primeira entrevista se desenvolve poderemos 
perceber se é realmente um sintoma, do ponto de vista clínico, ou se está somente 
encobrindo outros, mas geralmente o que ocorre é que o motivo latente não aflora 
no início porque, geralmente, angustia muito e permanece inconsciente. E na 
verdade o que acontecerá é que quando o motivo manifesto parecer trivial demais 
para justificar uma consulta é que suspeitaremos com maior segurança da presença 
de um motivo latente de maior envergadura e deveremos prolongar a entrevista 
inicial ou realizar outra até obtermos maiores esclarecimentos sobre o caso. Sintoma 
pode ser conceituado como aquilo que o paciente traz como motivo manifesto da 
solicitação de Psicodiagnóstico. 
Devemos levar em consideração alguns fatores importantes para se chegar 
a um resultado correto no Psicodiagnóstico: 
 Quando estamos falando sobre sintomas, devemos levar em 
consideração a etapa de desenvolvimento em que se encontra a pessoa que nos 
consulta. 
 Algo muito importante a ser questionado é por que o sintoma preocupa 
agora, em casos em que existe sintomatologiabastante antiga. Quanto maior o 
tempo transcorrido entre o aparecimento da sintomatologia até o momento em que 
se concretiza a consulta, maior a nossa suspeita de que exista outro motivo latente, 
que foi o desencadeante para realizar a consulta. Certamente, o problema foi 
ignorado até esse momento, mas algo ocorreu que os fez tomar a decisão de 
consultar. 
 A razão pela qual esse sintoma preocupa o paciente ou aos pais desse, 
ou a ambos. 
 A sintomatologia descrita por cada um dos interessados no processo de 
estudo psicológico pode diferir enormemente, mas essa contradição é apenas 
aparente; teríamos assim diferentes motivos de consulta manifestos dentro de um 
mesmo caso. 
 Devemos integrar as várias imagens de uma única personalidade que 
surgirão, definir o que realmente ocorre com a criança, entre todas aquelas 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
39 
projeções feitas pelos outros envolvidos, e decidir a ordem de relevância dos 
sintomas. 
 
Segundo Arzeno (1995) e Ancona-Lopez (2002), o sintoma ou os sintomas 
trazidos como motivos da consulta devem ser colocados dentro de um contexto 
evolutivo, de forma a não serem superdimensionados, pois estes sintomas 
apresentam várias características como: um aspecto fenomenológico; um benefício 
secundário, ou seja, eles podem estar funcionando como interferência para a 
intimidade dos pais; o sintoma está expressando alguma coisa, algo não dito, dentro 
do contexto familiar; todo sintoma implica fracasso ou rompimento do equilíbrio entre 
as séries complementares; o sintoma está no lugar de uma palavra que falta, ele 
vem como máscara ou palavra fantasiada. 
 
 
2.3 MOTIVO DA CONSULTA 
 
 
Na primeira entrevista o paciente deve expor o que acontece com ele, o que lhe 
levou a procurar uma ajuda médica ou psicológica e esclarecer por que deseja 
consultar-se. O paciente vai apresentar vários motivos, esses motivos apresentados 
serão chamados de motivo manifesto, não sendo os mais autênticos, mas ao longo 
do processo podem ser descobertos outros motivos subjacentes, geralmente 
inconscientes que podemos chamar de motivos latentes sobre os quais se deverá 
falar da forma mais ampla possível e aconselhável. 
Arzeno (1995) nos confirma isso quando diz que à medida que a primeira 
entrevista se desenvolve poderemos perceber se é realmente um sintoma, aquilo 
que o consultante traz como motivo manifesto da consulta, do ponto de vista clínico, 
ou se está somente encobrindo outros. O que ocorre comumente é que o motivo 
latente não aflora no início por seu conteúdo ser, geralmente, muito angustiante, 
permanecendo, assim, no inconsciente. O paciente pode ter diferentes motivos de 
consulta manifestos dentro de um mesmo caso, o que da mesma forma, quanto 
maior o tempo transcorrido entre o aparecimento da sintomatologia até o momento 
em que se concretiza a consulta, maior a nossa suspeita de que exista outro motivo 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
40 
latente, que foi o desencadeante para realizar a consulta. Certamente, o problema 
foi ignorado até esse momento, mas algo ocorreu que o fez tomar a decisão de 
consultar. 
Isso adverte o terapeuta sobre o tipo de conflito que pode encontrar ao longo 
da terapia de um paciente, que pode solicitar o tratamento por um motivo e na 
verdade o que percebemos com o decorrer do processo é que existe algo mais 
profundo a ser investigado. 
Outro conceito, que segundo Arzeno (1995) deve ser levado em 
consideração, do ponto de vista teórico, é que na consulta o interessado deve expor 
a sua preocupação, o motivo que o leva a consultar, o que ele considera o sintoma 
preocupante; está implícita uma fantasia de doença e de cura que guarda uma 
estreita relação com o motivo latente da consulta. 
 
 
2.4 SINTETIZANDO 
 
 
 Motivo da Consulta: 
 Alguém solicita ou encaminha; 
 Presença de doença física; 
 Familiares angustiados. 
 
 Nesta situação é importante que o psicólogo coloque-se: 
 Como referência, delimitando claramente sua função (enquadramento), 
ao mesmo tempo em que observa a relação familiar; 
 O terapeuta do cliente não deve agir de forma abrupta, ou seja, que não 
obrigue o paciente a fazer insight fora do timing. 
 
 DEVERÃO SER OBSERVADOS: 
 
 Estado emocional geral do paciente: 
 Estrutura emocional básica; 
 Autoconceito; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
41 
 Relação familiar; 
 Nível de ansiedade; 
 Grau de informação sobre a doença; 
 Grau de informação sobre o tratamento. 
 
 Observar a existência de conflitos: 
 Com internação anterior; 
 Com tratamento anterior; 
 Com cirurgia anterior; 
 Com separação de pessoas queridas; 
 Com perdas. 
 
 Temperamento emocional básico presente: 
 Introvertido ou extrovertido (acentuado ou compensado); 
 Avaliação Psicológica no hospital. 
 
 Características especiais do desenvolvimento psicológico: 
 Observar adequação do ponto de vista intelectual, social e emocional. 
 
 Estado Emocional geral da família: 
 Estrutura; 
 Nível de Ansiedade; 
 Nível de Informação sobre a doença e tratamento; 
 Conflitos observados. 
 
Obs.: Na realidade, o que possibilita uma boa observação são os sólidos 
conceitos na área de personalidade, infância, adolescência, linha teórica, 
psicopatologia, além do próprio psicólogo que é seu próprio e melhor instrumento. 
 
 É importante observar: 
 Relações familiares em que nunca existe uma comunicação de mão 
dupla; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
42 
 Em que o desejo não se manifesta, ou que há poucas palavras poucas 
trocas vivas. Ex.: O desejo que só se responde nos momentos das necessidades 
vitais no quais os familiares preocupam-se com as questões técnicas; 
 Familiares deprimidos, superprotetores e/ou ansiosos; 
 Familiares que largam todos os seus afazeres. 
 
 Na avaliação do paciente: 
 Fazer uma avaliação compreensiva da personalidade, nível de 
funcionamento, funções do ego. 
 Capacidade de insight, condições do sistema de defesa, facilitando assim, 
a indicação de recursos terapêuticos e prevendo a possível resposta aos mesmos; 
 Outro ponto relevante para quem trabalha com Psicodiagnóstico é a 
importância da familiaridade com os sistemas de classificação nosológica, já que a 
nomenclatura oficial dos transtornos é extremamente útil para comunicação entre 
profissionais, além do fato de que outros documentos como atestados, além de 
laudos –, podem exigir o código do transtorno de um paciente. Por isso é importante 
conferir cuidadosamente todos os critérios a partir das hipóteses diagnósticas, 
examinar o que diferencia o caso de outros transtornos e ter em mente os critérios 
usados para a exclusão de outros diagnósticos. 
 
 
2.5 AVALIAÇÃO DA PSICOPATOLOGIA 
 
No que diz respeito à Psicopatologia, o Psicodiagnóstico consiste, 
sobretudo, na identificação de forças e fraquezas do funcionamento psicológico e se 
distingue de outros tipos de avaliação psicológica de diferenças individuais por seu 
foco na existência ou não de psicopatologia. 
Então, de acordo com Cunha (2003), Arzeno (1995) e Ocampo (2001), 
analisando todas suas definições sobre o processo de Psicodiagnóstico e sua 
relação com a psicopatologia, podemos dizer que embora o Psicodiagnóstico tenha 
um domínio próprio, o seu foco na existência ou não da psicopatologia torna 
essencial a manutenção de canais de comunicação com outras áreas, precisando o 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
43 
psicólogo estar atento para questões que são fundamentais na determinação de um 
diagnóstico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO I 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
MÓDULO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressado Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
43 
 
 
MÓDULO II 
 
 
3 PASSOS DO PROCESSO DIAGNÓSTICO/OPERACIONALIZAÇÃO DO 
PROCESSO 
 
 
Sabemos que um dos pontos-chaves no Psicodiagnóstico é saber 
claramente qual é o objetivo desse processo que vamos realizar, de forma que antes 
de iniciar a tarefa, o profissional, no caso o psicólogo, deve esclarecer com o cliente 
qual é o motivo manifesto e mais consciente do estudo e intuir qual seria o motivo 
latente e inconsciente do mesmo, dedicando o tempo que for necessário. Pode-se 
dizer que o motivo manifesto diz respeito à queixa principal do paciente, e o latente é 
algo que está oculto por detrás dessa queixa. 
Primeiramente, vamos fazer algumas comparações entre os principais 
autores que discutem as teorias do Psicodiagnóstico, Ocampo e Cunha, depois 
detalharemos tópico por tópico. 
Ocampo (1981) cita os seguintes passos: 
 Primeiro contato e entrevista inicial com o paciente; 
 Aplicação ou uso de testes e técnicas ordenadas e selecionadas de 
acordo com o caso; 
 Encerramento do processo com a entrevista de devolução oral ao 
paciente e aos pais; 
 Informe escrito para o requerente. 
 
Cunha (2003) diz que os passos de um Psicodiagnóstico são os seguintes: 
 Formulação de perguntas; 
 Contrato de trabalho; 
 Estabelecimento de um Plano de Avaliação; 
 Bateria de Testes; 
 Administração de Testes e Técnicas; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
44 
 Levantamento, Análise, Interpretação e Integração de Dados; 
 Diagnóstico e Prognóstico; 
 Comunicação dos Resultados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.1 FORMULAÇÃO DE PERGUNTAS 
 
 
De acordo com Cunha (2003) podemos conceituar esse passo como um 
processo científico que parte de perguntas específicas, cujas respostas prováveis se 
estruturam na forma de hipóteses que serão confirmadas ou não por meio dos 
passos seguintes do processo. Mas que fique claro que o primeiro passo ocorre 
desde o momento em que o cliente ou seus responsáveis fazem a solicitação da 
consulta até o encontro pessoal com o profissional. 
Deve-se ter um cuidado maior com essa etapa do processo para que não se 
formule perguntas que não vão acrescentar valor a anamnese, pois muitas vezes o 
profissional, por algum motivo de informação, na sua formação ou mesmo 
inexperiência, bombardeia o paciente com perguntas que não vão acrescentar nada 
ao processo. Sabemos que a anamnese, como toda ferramenta de investigação, 
pode ser mais ou menos precisa na obtenção das informações desejadas, assim 
CONCLUINDO! 
 
Percebemos que o processo descrito 
por Ocampo está englobado dentro 
do processo descrito por Jurema 
Cunha, então, optaremos por 
detalhar o processo de 
Psicodiagnóstico de acordo com a 
ordem exposta em Cunha (2003). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
45 
devemos estar atentos a induções nas respostas, na formulação de perguntas 
amplas e na satisfação com respostas vagas. 
O ponto de partida para iniciar esse processo seria o encaminhamento, e se 
o paciente foi encaminhado a um profissional que trabalha na área de psicologia é 
porque há uma pressuposição que este apresenta problemas psicológicos, a pessoa 
que encaminhou deve ter hipotetizado algo, feito alguma pergunta, a qual só um 
profissional habilitado a realizar uma investigação psicodiagnóstica poderia 
responder ou solucionar. 
Geralmente, existe uma preocupação que expressa uma pergunta, seja de 
um leigo, seja da família, seja do 
profissional que o encaminhou. 
Então, é nesse momento que se 
inicia a investigação, pois o 
psicólogo precisa de mais dados 
para continuar a investigação ou 
desdobrar a pergunta que ainda está 
vaga. Um exemplo seria: meu filho 
está apresentando determinado 
comportamento, será que ele tem 
algum transtorno mental? 
Inicia-se a investigação com 
a história do paciente, pois com a 
história de vida, o psicólogo 
consegue alternativas de explicação 
que chamaremos de hipóteses, que serão testadas no decorrer do psicodiagnóstico. 
Assim, no decorrer da coleta dos dados de vida vão surgindo algumas hipóteses 
novas que podem ser confirmadas ou descartadas. 
Nesta etapa o esclarecimento e a organização das questões pressupostas 
num encaminhamento são de inteira responsabilidade do psicólogo; ele deve 
trabalhar para que tudo saia como planejado. 
Se for um profissional que encaminha, provavelmente ele encaminhou 
porque tem em mente uma série de questões específicas, fundamentadas em 
observações ou informações prévias. Na maioria das vezes as questões vão 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
46 
explícitas no encaminhamento, outras vezes elas são expostas por meio de um 
telefonema ou outro contato. Esse contato entre o profissional que encaminhou e o 
psicólogo clínico que realizará a investigação é muito importante para o desenrolar 
do caso. 
Percebe-se então que as questões quando reformuladas pelo psicólogo irão 
dar embasamento adequado a um exame, permitindo assim que o laudo sirva de 
fundamento para decisões que devam ser tomadas. 
Como já citamos antes, é muito importante perceber que os objetivos do 
Psicodiagnóstico dependem das perguntas iniciais. Ocampo (2001) diz que as 
entrevistas iniciais com o paciente poderão levantar perguntas complementares, que 
definem novos objetivos para o exame e algumas vezes o elenco de perguntas 
necessárias só fica inteiramente completo após o levantamento de toda história de 
vida do paciente. 
Conclui-se que no momento em que é possível levantar as questões básicas 
e estabelecer os objetivos, ou seja, se já se conseguiu levantar as questões ou 
hipóteses pertinentes, que geralmente ocorrem no final da primeira ou segunda 
entrevista, já há condições para o estabelecimento de um plano de avaliação com 
bases nessas hipóteses e consequentemente há condições para realizar um 
contrato de trabalho, que é a próxima etapa a ser detalhada. 
 
 
3.2 CONTRATO DE TRABALHO 
 
 
Como já sabemos o Psicodiagnóstico é um processo limitado no tempo, ou 
seja, ele tem um prazo para ser realizado e concluído, e depois que se é esclarecido 
as primeiras questões que relatamos no item anterior, o psicólogo tem condições 
para saber qual o tipo de exame que é adequado para chegar a conclusões, e se ele 
já tem ideia de quais técnicas irá aplicar; então, ele pode prever o tempo necessário 
para realizá-lo. A duração do Psicodiagnóstico constitui uma estimativa de tempo, 
em que se podem operacionalizar as tarefas implícitas pelo plano de avaliação, bem 
como completar as tarefas subsequentes até a comunicação dos resultados. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
47 
Em outras palavras, e de acordo com Cunha (2003) e Ocampo (2001), aqui 
se tenta esclarecer o motivo latente e o motivo manifesto da consulta, as ansiedades 
e defesas que a pessoa que consulta mostra sobre a fantasia de doença, cura e 
análise que cada um traz e a construção da história do indivíduo e da família em 
questão. 
Na hora que o psicólogo tiver uma previsão, deve formalizar os termos com 
o paciente como papéis, direitos e responsabilidades. 
O estabelecimento do contrato de trabalho depende de variáveis como: 
 Precisão das questões iniciais; 
 Objetivos (quais objetivos irá utilizar); 
 Experiência do psicólogo; 
 Sintomatologia do paciente; 
 Estilo de trabalho. 
 
O contrato de trabalho envolve que o psicólogo compromete-se a realizar um 
exame: 
 Durante certo número de sessões; 
 Cada sessão com duração prevista; 
 Sessões em horário predeterminado; 
 Definição dos informes necessários; 
 E quem terá acesso aos informes. 
 
Muitos autores dizem que quando são necessários vários tipos de informes 
ou laudos mais elaborados, o tempo estimado para sua confecção deve ser 
computado na duração do processo, mas se forem pareceres muitosimples, deve-
se prever um período de duas horas para a preparação dos informes. 
Assim, com base na estimativa do tempo, são estabelecidos: 
 Honorários; 
 Datas; 
 Formas de pagamento; 
 Entrevista de devolução. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
48 
E se perguntássemos quais os deveres do paciente nesse processo? Afinal, 
ele tem deveres? 
A resposta seria sim, ele tem deveres e se ele não os cumprir vai dificultar 
muito o andamento do processo. Seus deveres seriam: 
 Comprometer-se a comparecer nas horas determinadas; 
 Comprometer-se a comparecer nos dias previstos; 
 Colaborar para que o plano de avaliação seja realizado sem problemas e 
interferências; 
 Estar à disposição para esclarecer qualquer dúvida do profissional que 
dirige o processo. 
 
Só assim, depois de se ter em mente todas estas questões, deve ser firmado 
o contrato de trabalho. Esse contrato de trabalho deve ser feito adequando-o ao 
paciente e deve ter flexibilidade, devendo ser revisto sempre que o processo tiver 
modificações. Modificações estas que podem surgir por alguns motivos como: 
 Surgimento de novas hipóteses; 
 Obstáculos do próprio paciente; 
 Necessidade de uso de novos instrumentos. 
 
Cunha (2003) diz que caso o psicólogo já tenha feito o contrato de trabalho e 
perceba que necessite da administração de mais um instrumento para elucidar 
algumas dúvidas, ele deve chamar o paciente e comunicar que usará mais um 
instrumento, sem qualquer ônus para ele. 
 
 
3.3 ESTABELECIMENTO DE UM PLANO DE AVALIAÇÃO 
 
Esse passo do Psicodiagnóstico pode ser conceituado de várias formas, umas delas 
e bem simples é a parte em que será feito um planejamento do que vai haver em 
todo o processo. Será passado ao paciente como o processo acontecerá, o que será 
feito e como será feito, ou seja, quais instrumentos serão utilizados. Pode ser 
também conceituado como o processo que procura identificar recursos que 
permitam estabelecer uma relação entre as perguntas iniciais e suas possíveis 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
49 
respostas, ou seja, traduzir as perguntas em termos de técnicas e testes, programar 
a administração de uma série de instrumentos adequados ao sujeito específico e 
especialmente selecionados para fornecer subsídios que se possa chegar às 
respostas para as perguntas iniciais; ou seja, o profissional faria uma reflexão sobre 
o material colhido anteriormente e sobre todas as hipóteses iniciais para planejar os 
passos a serem seguidos e os instrumentos diagnósticos a serem utilizados e 
administrados posteriormente durante o processo. 
Cunha (2003) diz que esse plano de avaliação frequentemente só é 
estabelecido após a entrevista com o sujeito e/ou responsável, quando então se dá 
o início ao processo de testagem. Mas chama a atenção para algumas questões, 
como: 
 Às vezes, é necessário observações do comportamento em situações da 
vida diária; 
 Observação de resultados de exames médicos; 
 Análise de outros materiais que não contribuíram para a anamnese como 
fotografias, gravações, diários, pinturas, desenhos, cadernos escolares e etc. 
 
Aqui se deve estar atento a cada técnica que vai ser utilizada, suas 
especificidades como o tempo que determinada técnica consome, para que seja 
estabelecido um adequado plano de ação. Mas no caso de se ter uma diferença 
apreciável no tempo de duração previsto no contrato de trabalho, deve-se 
reexaminar com o paciente e/ou responsável, nunca se esquecendo de dar uma 
margem de tolerância, caso não se tenha ainda a estimativa segura do ritmo de 
desempenho do sujeito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
50 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.4 BATERIA DE TESTES 
 
 
Os testes psicológicos têm sido utilizados com as mais diferentes 
finalidades. Hoje, se observa um crescimento na utilização de testes na área clínica 
como um recurso auxiliar no autoconhecimento e como auxilio também na 
anamnese, nas observações, e como um parâmetro para avaliar os resultados 
obtidos ao longo do tratamento. 
Bateria de testes é conceituada por muitos autores como a reunião de 
inúmeros testes, formando a bateria ou como Cunha conceitua “um conjunto de 
testes ou de técnicas, que podem variar entre dois a cinco ou mais instrumentos, 
que são incluídos no processo Psicodiagnóstico para fornecer subsídios que 
permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais, atendendo o objetivo da 
avaliação”. 
 
No planejamento da bateria temos que pensar que o processo 
psicodiagnóstico deve ser suficientemente amplo para compreender bem o 
RESUMINDO! 
O profissional irá comunicar ao 
cliente a duração do processo e o que 
será realizado durante esse tempo, 
quais os instrumentos e técnicas 
terão que ser utilizados para 
confirmar ou descartar as hipóteses 
que existem sobre o cliente. 
 
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paciente, mas ao mesmo tempo, não se deve exceder porque isto implica 
uma alteração no vínculo psicólogo/paciente. (OCAMPO, 1981). 
 
Razões porque a bateria de testes é usada ao invés de somente um teste ou 
uma técnica, segundo Exner (1999): 
 Considera-se que nenhum teste, isoladamente, pode proporcionar uma 
avaliação abrangente da pessoa como um todo; 
 O emprego de uma série de testes envolve a tentativa de uma validação 
intertestes dos dados obtidos, a partir de cada instrumento em particular, diminuindo, 
dessa maneira, a margem de erro e fornecendo melhor fundamento para se chegar 
a inferências clínicas. 
 
 
 
 
É necessário incluir, entre os testes gráficos, diferentes conteúdos em 
relação ao tema solicitado, começando pelos de temas mais ambíguos até chegar 
aos mais específicos. E no planejamento de bateria de testes, é necessário pensar 
em testes que captem o maior número possível de condutas verbais, gráficas e 
lúdicas, de maneira a possibilitar a comparação de um mesmo tipo de conduta, 
provocada por diferentes estímulos ou instrumentos, e diferentes tipos de conduta 
entre si. Isso é comprovado quando Ocampo (1981) diz que numa bateria, devem 
ser incluídos, entre os testes projetivos, aqueles que promovam condutas diferentes, 
por exemplo, a bateria projetiva deve incluir testes gráficos, verbais e lúdicos, ou 
seja, a bateria de testes utilizada deve incluir instrumentos que permitam obter ao 
máximo a projeção de si mesmo. 
“O teste psicológico pode ser definido como uma situação padronizada 
que serve de estímulo a um comportamento por parte do examinando; 
esse comportamento é avaliado, por comparação estatística com o de 
outros indivíduos submetidos à mesma situação, permitindo assim sua 
classificação quantitativa e qualitativa”. (SCHEEFFER, 1968). 
 
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52 
Arzeno (1995) fala que na seleção da bateria de testes, devem-se introduzir 
outros fatores a serem considerados nessa dada escolha: 
 Quem formula a solicitação; 
 Levar-se em conta a idade cronológica do consultante e o nível 
sociocultural; 
 O momento em que está sendo pedida essa avaliação (ela menciona que 
em momentos de crises vitais deve-se esperar para realizar o Psicodiagnóstico e 
encarar a situação como um tratamento de crise, até recorrendo a estratégias 
medicamentosas); 
 O contexto espaçotemporal no qual se realiza, onde ela vai enfatizar a 
situação das instituições onde o psicólogo dispõe de pouco tempo e material para a 
realização dessas práticas. 
Quanto às baterias de testes, Cunha (2003) diz que existem dois tipos: 
 Baterias padronizadas para avaliações específicas; 
 Baterias de testes não padronizadas, que são organizadas a partir de um 
plano de avaliação. 
 
De acordo com Anastasi (2000), os testes psicológicos podem ser definidos 
como medidas objetivas e padronizadas de uma amostra de comportamento que 
tem como objetivo predizer ou diagnosticar a resposta comportamental do indivíduo 
em diferentes situações a partir dos resultados obtidos na avaliação.Podemos conceituar como padronizados testes que têm uniformidade de 
procedimento tanto na aplicação quanto na pontuação do teste, ou seja, as 
condições de testagem têm que ser as mesmas para todas as pessoas. Então, as 
baterias de testes padronizadas ou específicas não resultam de uma seleção de 
instrumentos de acordo com as questões levantadas num caso individual, a não ser 
quando se trata de bateria padronizada especializada. A organização dessa bateria 
é feita com base em pesquisas, ou seja, ela é padronizada, com objetivos explícitos 
e deve ser administrado na sua íntegra, o que não impede o psicólogo de 
administrar outros testes, como acrescentar testes de personalidade a essa bateria. 
A bateria não padronizada é a mais tradicional. No plano de avaliação são 
determinadas as especificidades e o número de testes que são programados 
sequencialmente, conforme: 
 
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 Sua natureza; 
 Tipo; 
 Propriedades psicométricas; 
 Tempo de administração; 
 Grau de dificuldade; 
 Qualidade ansiogênica; 
 E características do paciente individual. 
 
Embora a bateria não padronizada deva atender, então, a vários requisitos, 
ela é organizada de acordo com critérios mais flexíveis do que a bateria 
padronizada, um exemplo são os números de testes que eventualmente podem ser 
modificados para mais ou para menos. 
Frequentemente a bateria de testes inclui testes psicométricos e técnicas 
projetivas, devido à variedade de questões propostas inicialmente e adequadas aos 
objetivos do Psicodiagnóstico. O que se faz nesse caso é considerar 
cuidadosamente a sequência e distribuição relativa da bateria de testes, levando em 
conta: 
 O tempo necessário para a administração; 
 O grau de dificuldades das mesmas; 
 Sua qualidade ansiogênica; 
 E as características específicas do paciente. 
 
É muito importante discriminar a sequência em que serão aplicados os 
testes escolhidos, sendo estabelecida em função de dois fatores: a natureza do teste 
e a do caso em questão. 
Segundo Ocampo (1981) é importante observar a questão da mobilização ou 
não da ansiedade na distribuição sequencial das técnicas, recomendando prioridade 
para instrumentos não ansiogênicos; um exemplo é que se um paciente está 
iniciando uma testagem e apresenta certo grau de ansiedade, sugere-se que as 
técnicas gráficas sejam usadas nesse momento, pois vão concorrer para baixar o 
nível de ansiedade. 
Outra questão importante é quanto à distribuição de técnicas, que devem ser 
distribuídas adequadamente para que corroborem com os objetivos vigentes. Se 
 
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54 
estiverem previstas técnicas projetivas e psicométricas, é conveniente alterná-las, 
iniciando e completando a bateria com material pouco ou não ansiogênico. 
Os testes para serem aplicados de forma adequada devem seguir certas 
regras, uma delas é a administração do tempo, que também é muito importante. 
Devem-se programar as sessões de testagem, o tempo de administração de cada 
instrumento e a possibilidade ou não de o mesmo ser interrompido para ser 
concluído outro dia. (Obs.: As técnicas projetivas, de um modo geral, não devem ser 
interrompidas com exceção do TAT e do Rorschach (apenas o inquérito pode ser 
outro dia)). 
Veremos logo abaixo sugestões de técnicas que poderão ser utilizadas 
segundo alguns autores: 
 Entrevistas de vários tipos; 
 Técnicas de associação; 
 Técnicas de complemento; 
 Técnica expressivo-gráfica; 
 Técnicas expressivo-lúdicas; 
 Técnicas de ordenação; 
 Técnicas de construção; 
 Testes de inteligência; 
 Inventários de personalidade; 
 Inventário de traços ou estados afetivos; 
 Inventários de sintomas específicos; 
 Técnicas expressivo-gráficas psicométricas; 
 Escala de maturidade viso-motora e muitas outras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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55 
3.5 ADMINISTRAÇÃO DE TESTES E TÉCNICAS 
 
Nesse tópico falaremos das particularidades da situação da interação com o 
examinando e do manejo clínico. De início, é básico que o psicólogo saiba que o 
foco da testagem deve ser o sujeito e não os testes, e para que este profissional 
possa concentrar sua atenção no paciente, deve estar perfeitamente seguro quanto 
à escolha adequada dos instrumentos para o paciente que vai ser examinado; deve 
também estar familiarizado com instruções, sistema de escores, sabendo manejar o 
material pertinente e sempre ter em mente os objetivos a que se propõem para cada 
instrumento. 
Que fique claro que não há um modelo rígido de Psicodiagnóstico, ou 
melhor, não há uma receita pronta que possa ser usada em todos os casos, assim a 
melhor orientação para cada caso virá da experiência clínica e nível de análise 
pessoal do psicólogo. Cada caso é um caso, sendo assim, deve-se analisar a 
melhor forma de administrar os testes de acordo com aquele sujeito. Cunha (2003) 
propõe algumas questões básicas relacionadas à administração de testes: 
 Primeiro, que fique claro, que de acordo com Art. 1º, da RESOLUÇÃO 
CFP N.º 002/2003: os Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou 
mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou 
uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1o 
do Art. 13 da Lei no 4.119/62; 
 É importante revisar particularidades referentes aos instrumentos e as 
características do paciente, mesmo que o profissional tenha estabelecido seu plano 
de avaliação e previamente a administração: deve-se conferir se o teste selecionado 
é a opção mais apropriada, observar certas características do paciente. 
 Estar suficientemente familiarizado com o instrumento: jamais utilizar uma 
técnica que ele não esteja treinado o suficiente para aplicar, ou seja, não basta 
conhecer, tem que entender mesmo o que vai manejar e saber como interpretar e se 
chegar aos resultados, ou seja, ter certeza que tem pleno domínio sob a aplicação 
do teste e sobre o processo. 
 Organizar todo o material que pretende utilizar antes da chegado do 
cliente: com essa organização facilita-se o manejo do material e evitam-se 
imprevistos, que possam atrapalhar e atrasar o processo. 
 
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56 
 É importante ter em mente os objetivos para a inclusão de cada técnica 
da bateria: nesse caso, se ele tem esses objetivos bem presentes, vai estar atento a 
vários indícios que possam surgir, onde poderá introduzir questionamentos 
pertinentes no momento certo. 
 Uma questão importante é o rapport, pois com um bom relacionamento se 
administrará de forma genuína os testes. 
 O psicólogo deve esclarecer as dúvidas do paciente, não só durante o 
rapport, mas antes da introdução de qualquer instrumento. 
 O psicólogo deve ser honesto com o paciente e nunca prometer o que 
não pode cumprir, assim como a confidencialidade da avaliação. 
 Os testes devem ser realizados em ambiente adequado, ou seja, com boa 
ventilação, boa iluminação, deve haver condições de privacidade e silêncio. Quanto 
ao examinando, este deve estar em uma posição adequada, confortável em relação 
à mesa, especialmente em técnicas que exijam maior precisão. 
 Que não esqueçamos que as instruções na aplicação dos testes devem 
ser seguidas cuidadosamente, para garantir a fidedignidade de seus resultados. 
 Não apenas especificamente as respostas dos testes, mas também todas 
as reações verbais ou não, ou seja, todos os indícios comportamentais devem ser 
cuidadosamente observados e anotados durante a administração de testes e 
técnicas. 
 
 
3.6 LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE DADOS 
 
 
Chegamos ao levantamento, análise, interpretação e integração dos dados e 
como o próprio título já diz é hora de pegar todos os dados colhidos e analisá-los, 
interpretá-los e tentar articulá-los para que se chegue ao diagnóstico final; ou seja, 
nessa etapa acontece o estudo do material para obter um quadro, omais claro 
possível sobre o caso em questão. Aqui, o psicólogo já possui muitas informações 
do paciente, independente das informações do testes, então, ele é capaz de 
descrever uma série de comportamentos do examinando. 
 
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57 
Assim, todo material dos testes é agora conjugado com as entrevistas – já 
tivemos numa primeira entrevista o motivo da queixa; em outras entrevistas houve 
aprofundamento dos dados e foram levantadas hipóteses; aplicou-se os testes de 
acordo com o exposto pelo paciente, e agora de posse de todo esse material deve-
se utilizar o material reunido, relatar os dados coletados nas entrevistas, as nossas 
impressões, de forma organizada, para serem trabalhados depois. 
Nas inúmeras definições vigentes, muitas expressam a importância dos 
resultados: “Psicodiagnóstico é um processo científico, que utiliza técnicas e testes 
psicológicos (input) e, por meio de uma série de passos, termina com a 
comunicação de resultados (output) após a integração e seleção de dados” 
(CUNHA, 2003). 
Cunha (2003) e Ancona-Lopez (2002) afirmam que é bastante conveniente 
fazer um exame da história clínica, pois estas poderão contribuir para atribuição de 
significados e interpretação de dados coletados também por meio dos testes. Então, 
se percebe a importância dessa interseção dos dados da história clínica com os 
dados fornecidos pelos testes, fazendo com que haja uma melhor interpretação dos 
dados. Mas esse processo não é tão fácil assim, muitas vezes gera resistências, 
mesmo em profissionais de boa formação e que trabalham com seriedade, então é 
muito importante encontrar o significado de pontos obscuros, correlacionar os 
diferentes instrumentos utilizados entre si e com a história do indivíduo e de sua 
família, como já mencionamos. 
Em seguida, devem-se recapitular os questionamentos levantados 
inicialmente, ou melhor, as hipóteses, sempre tendo em mente os objetivos, que 
foram estabelecidos de acordo com as hipóteses ou perguntas iniciais. De acordo 
com muitos autores, as perguntas iniciais servirão de critérios para análise, seleção 
e escolha dos dados úteis; elas indicarão que respostas devem ser buscadas e 
assim confirmando ou não as hipóteses e os objetivos que nortearão a organização 
das informações obtidas. 
Nessa etapa do Psicodiagnóstico, segundo Cunha (2003), o psicólogo deve 
procurar compreender algumas incongruências ou contradições e aceitá-las como 
tais, ou seja, renunciar à onipotência de poder entender tudo, porque muitas vezes 
surgem dados que não se encaixam com as hipóteses levantadas e assim não deve-
se desprezar essas questões, pelo contrário, deverão ser colocadas no laudo que 
 
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58 
enviarmos a quem solicitou o estudo, para deixá-lo de sobreaviso; mas quanto ao 
paciente, o melhor que poderia ser feito é poupá-lo de entrar em contato com essas 
questões nesse momento, sendo imprudente incluí-los na devolução ao paciente, 
pois elas poderão trazer angústias e provocar uma crise, um ataque ao psicólogo ou 
até mesmo desistência do tratamento. 
Quanto aos testes, podemos falar em termos de quantitativos e qualitativos: 
quando se trata de quantitativos, devem-se atribuir escores para as suas respostas, 
porque cada teste quantitativo tem sua padronização e regras que devem ser 
obedecidas. Já os testes qualitativos perdem em objetividade quanto aos 
quantitativos, mas seus resultados podem ser corroborados com outros dados 
coletados para que se tenha uma melhor compreensão dinâmica do paciente. 
Quanto ao estudo do material coletado, como entrevista inicial, testes, 
entrevistas vinculares, familiares, e outros, o psicólogo precisa dedicar-se a 
classificar e interpretar suas respostas para poder usar as suas conclusões e 
integrá-las ao resto do material, pois todos esses materiais reunidos com 
informações do paciente são muito ricos em informações, e sendo usados e 
articulados de forma adequada vão trazer respostas às perguntas-problemas e às 
hipóteses feitas no início do processo. 
Arzeno (1995) diz que nas entrevistas realizadas devem ser feitas leituras de 
maneira a extrair certos padrões de conduta do sujeito e de sua família, certas 
condutas chamativas, comentários, significativos, etc., pois isso poderá ajudar 
bastante a encaixar os dados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFORÇANDO! 
Todas essas etapas são de suma 
importância para que não se corra o 
risco de um erro diagnóstico. Erros 
estes que podem acontecer por se 
ter desprezado dados não julgados 
importantes e na verdade eram a 
chave da investigação. 
 
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59 
Uma das funções do psicólogo é observar, durante as diferentes entrevistas, 
o momento em que aparece o sintoma; se ele chega a ser observável ou não; quais 
as circunstâncias em que isso ocorre e como reagem depois o sujeito e os outros 
membros presentes; assim, a sintomatologia descrita poderá ser registrada ou 
confirmada pelos pais ou, pelo contrário, outra completamente diferente que 
passava despercebida para todos poderá ser identificada. 
O psicólogo, como profissional responsável pelo direcionamento do 
processo, deve buscar ou conseguir uma boa integração de tudo o que foi 
registrado; e como sabemos que não se trata de uma ciência exata não podemos 
aplicar critérios fixos, e sim fazermos um estudo das recorrências e convergências 
que vão aparecendo e assim esclarecendo cada caso, ou seja, o psicólogo é 
responsável tanto pela direção do processo como por uma das partes altas do 
processo, a articulação dos dados obtidos. 
Percebemos que elaborar um diagnóstico consiste em conseguir descrever 
uma personalidade que pode ser conceituada como tudo aquilo que distingue um 
indivíduo de outros indivíduos, ou seja, o conjunto de características psicológicas 
que determinam a sua individualidade pessoal e social. 
Mas que fique claro que não significa colocar um rótulo ou enquadrar o 
sujeito de acordo com a personalidade que ele tem. Isso não é possível porque em 
muitos casos a patologia é mista e complexa, constituindo um verdadeiro desafio 
para o profissional, que, se não souber reconhecer os seus limites e aqueles que 
toda ciência possui poderá cair em afirmações equivocadas. Em outros casos, o 
pedido de Psicodiagnóstico é feito para um diagnóstico diferencial, então o 
profissional deve tentar ser claro e preciso. 
Veja agora algumas dicas de como proceder para chegar a conclusões 
claras, simples e convincentes para o paciente, à sua família e para o destinatário do 
informe que será elaborado a posteriori. 
 Faça uma listagem de tudo o que o paciente traz como motivo de 
consulta, assim como o que preocupa seu pai, a sua mãe e irmãos, até mesmo 
professores ou outras pessoas. Assim não se corre o risco de omissão, desprezo ou 
perda de dados importantes. 
 
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60 
 Após haver estudado todo o material deve-se voltar novamente ali para 
tentar encontrar uma explicação, ou seja, ler e reler os materiais inúmeras vezes é 
importante para conseguir entender o caso. 
 Usam-se inúmeros instrumentos diagnósticos para se chegar a um fim: 
depois de analisadas todas as entrevistas, esboçam-se as hipóteses preliminares, 
então se tenta estudar o material para encontrar um grau de certeza para essas 
hipóteses. 
 A escolha dos testes adequados ao caso daquele paciente é fundamental 
para coletar informações importantes, então se deve escolher uma bateria de testes 
que nos proporcione informações sobre um quadro completo; por exemplo, os testes 
gráficos que mostram o que é mais profundo e patológico estão padronizados, o que 
nos permite comparar a produção do paciente com a maioria das estatísticas e 
extrair conclusões que nos resguardam de cair numa subjetividade que mistura a 
produção do sujeito com nossos próprios conteúdos. 
 Mas que fique claro que, de acordo com Cunha (2003), o 
Psicodiagnósticonão pode passar apenas pelo mais patológico e excluir outros 
aspectos da personalidade mais desenvolvidos, adaptáveis e maduros, pois a 
maioria das patologias aparece nos traços formais – esses traços são os mais 
relacionados com a parte estrutural da personalidade e, portanto, os mais estáveis; 
são os que variam mais lentamente à medida que o indivíduo amadurece ou se 
modifica, e os mais confiáveis para medir os resultados de um tratamento ou fazer 
ou outro teste. 
 Arzeno (1995) afirma que o estudo do material consiste 
fundamentalmente na busca de recorrências e convergências, ou seja, aparecem 
constelações simbólicas que se repetem e que são complementares com outras, 
sendo este outro critério que fornece segurança para nossas conclusões. Esse 
trabalho de interpretação do material é constituído por idas e vindas constantes de 
um material a outro, do observável ao inferível, da teoria à prática, das entrevistas 
livres às pautadas, aos testes, etc., assim somos guiados tanto por nossos 
conhecimentos quanto pelas nossas dúvidas, pelas próprias associações do sujeito 
observado e ouvido. 
 Recapitulando o que já dissemos anteriormente, pode acontecer de 
algumas questões não se encaixarem, pois pode aparecer algum elemento estranho 
 
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61 
em algum teste com desenhos ou mesmo na fala do paciente, e nesse caso 
devemos pedir associações ao sujeito, caso isso não resolva, precisamos aceitar o 
não entendimento do seu significado. Poderíamos catalogar isso como núcleos 
estranhos, talvez psicóticos, que deveremos colocar no informe como advertência 
para o terapeuta, pediatra, etc.; e durante a devolução ao sujeito e/ou a seus pais 
aproveitaremos para fazer algumas perguntas sem despertar suspeitas, para não 
despertar no sujeito e na família grande ansiedade. 
 Segundo Alchieri e Bandeira (2002), outro recurso para obter resultados 
mais exatos é usar testes devidamente validados. 
 Finalmente, é recomendável a supervisão do trabalho por outro colega 
com mais experiência, especialmente para aqueles que estão iniciando, pois casos 
difíceis podem surgir para todos e esse é um recurso valioso. 
 
 
3.7 DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO 
 
 
Para ficar mais claro essa etapa, vamos tentar definir diagnóstico e 
prognóstico de acordo com área médica. 
 Diagnóstico: é o conhecimento ou juízo ao momento, feito pelo 
profissional da saúde, acerca das características de uma doença ou de um quadro 
clínico, que comumente suscita um prognóstico, com base nas possibilidades 
terapêuticas, segundo o estado da arte, acerca da duração, da evolução e do 
eventual termo da doença ou do quadro clínico sob seu cuidado ou orientação. 
 Prognóstico: é conhecimento ou juízo antecipado, prévio, baseado 
necessariamente no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, segundo o 
estado da arte, acerca da duração, da evolução e do eventual termo de uma doença 
ou quadro clínico sob seu cuidado ou orientação. É predição do médico de como a 
doença do paciente irá evoluir, e se há e quais são as chances de cura. 
Agora que ficaram mais claras as definições citadas, podemos dizer que 
muitas vezes o quadro sintomático e a história clínica do examinando podem conter 
informações suficientes para se chegar a um determinado diagnóstico. Outras 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
62 
vezes, mesmo quando não há dúvida quanto ao diagnóstico, o psicólogo pode ser 
convocado para coletar dados mais substanciais com base para um prognóstico. 
Mas que fique claro que para se chegar a um diagnóstico, o psicólogo deve 
primeiramente examinar os dados de que dispõe como quadro sintomático, dados 
da história clínica, as observações do comportamento do paciente durante o 
processo Psicodiagnóstico e os resultados da testagem, em função de vários 
critérios diagnósticos, podendo chegar a inúmeras alternativas diagnósticas. 
Pode se chegar ao prognóstico ou a indícios muito úteis por meio do testes 
utilizados no Psicodiagnóstico. 
Para se verificar se um caso preenche os critérios de uma categoria 
diagnóstica, o psicólogo pode e deve utilizar algum sistema oficial de classificação 
de transtornos mentais. Os sistemas de classificação mais difundidos são o CID-10 e 
o DSM-IV. 
“Fica facultado ao psicólogo o uso do Código Internacional de Doenças - 
CID, ou outros Códigos de diagnóstico, científica e socialmente reconhecidos, como 
fonte para enquadramento de diagnóstico”. (Parágrafo único, do Art. 1º, da resolução 
CFP N.º 015/1996 de 13 de dezembro de 1996). 
Veja no último módulo as resoluções na íntegra. 
 
 
3.8 COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS NA ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO 
 
O informe ou a comunicação dos resultados constitui uma unidade essencial 
do Psicodiagnóstico e, portanto, deve ser previsto no contrato de trabalho com o 
sujeito e/ou responsável. Essa etapa pode ser vista também como a entrevista 
devolutiva, pois é o momento em que o profissional dará o feedback ao paciente, ou 
melhor, será anunciada ao paciente todas as conclusões a que se chegaram. 
Temos que estar sensíveis a uma serie de dúvidas, conflitos que o sujeito 
nos traz e saber trabalhar os conteúdos inconscientes, os afetos, pois ele acredita e 
tem a expectativa que possamos ajudá-lo de alguma forma. Não esqueçamos que 
estamos falando de conteúdos consciente e inconsciente que o paciente deposita ali 
no espaço terapêutico e precisa receber de volta esses conteúdos de forma mais 
organizada e integrada, mostrando o que está acontecendo com ele. 
 
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63 
Outras unidades fundamentais que compõem a estrutura do 
Psicodiagnóstico e são essenciais para que se chegue ao final do processo são: 
 Sujeito ou examinado; 
 Psicólogo; 
 Testes e técnicas psicológicas; 
 Informe Psicodiagnóstico, como já citamos; 
 Receptor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A comunicação do resultado é o último passo, seguida apenas das 
recomendações pertinentes e do encerramento, e é o psicólogo que define como 
será o tipo, conteúdo e forma. A entrevista de devolução de informação pode ser 
somente uma ou várias; geralmente é feita de forma separada, ou uma com o 
indivíduo chave da consulta e outra com os pais e o restante da família, mas caso a 
consulta tenha sido iniciada como familiar, a devolução e as conclusões também 
serão feitas a toda a família, não esquecendo que deve ser enviado um laudo ou 
relatório ao profissional que a solicitou. 
VOCÊ SABIA! 
Duas questões são muito importantes na 
devolutiva, a primeira é a curiosidade do 
sujeito e de sua família para saber o que 
pensamos que ocorre depois de fazer os 
estudos, e a segunda é a necessidade do 
profissional de transmitir esses resultados 
e o fato de que as reações que forem 
registradas nessa entrevista final poderão 
ratificar o nosso diagnóstico ou modificá-lo 
substancialmente. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
64 
Nesta entrevista devolutiva, pode-se ainda colher dados, aí surge a 
pergunta: Mas por que fazer isso se estamos encerrando o processo? Isso é feito 
por quê: 
 O profissional irá gradualmente aventando suas conclusões e observando 
as reações que estas produzem nele ou nos entrevistados. 
 O sujeito ou seus pais podem não ter mencionado algo que surge no 
material registrado, e aproveitaremos essa entrevista para perguntar; o que pode 
mudar radicalmente as hipóteses levantadas pelo profissional, e sua presença é um 
bom sinal porque aumenta o grau de sinceridade e confiança do cliente. 
 
Cunha (2003) diz que o tipo de comunicação dos resultados ou do informe é 
definido basicamente pelos objetivos do exame. 
Existem alguns casos específicos, deveremos fazer uma entrevista 
devolutiva diferente, especialmente em uma família com crianças, dependendo do 
que tenhamos percebido nas entrevistas familiares diagnósticas, pode ser adequado 
realizar a entrevista de devolução com uma técnica lúdica que se alterne coma 
verbal, especialmente naqueles casos no qual o indivíduo ou a família são movidos 
mais por códigos de ação que de verbalização. 
O informe ou a forma como vão ser comunicados os resultados consiste no 
resumo das conclusões diagnósticas e prognósticas do caso estudado e inclui, 
muitas vezes, as recomendações terapêuticas adequadas ao mesmo. 
Assim, podem ser realizados exames como laudo, parecer ou relatório. O 
laudo vai responder vários tipos de questões como, o quê, quanto, como, porquê, 
para que, quando, e quase sempre constituem resultados de um processo 
Psicodiagnóstico com vários objetivos, sendo mais extensos, abrangentes e 
minuciosos. Geralmente, o laudo é iniciado com dados de identificação, seguido da 
época de realização do exame, registram os motivos explícitos e implícitos da 
consulta, citam-se por extenso as técnicas utilizadas, comunica-se a impressão 
sobre o sujeito, apresenta-se dados sobre o estado mental, relata-se sua história 
clínica, descrevem-se os resultados da testagem organizados em tópicos e 
conforme o objetivo dos exames faz-se, se for o caso, o entendimento dinâmico e/ou 
a classificação nosológica, com prognóstico com possíveis encaminhamentos ou 
recomendações. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
65 
O informe tem suas peculiaridades e algumas regras que devem ser 
seguidas como a questão dele constar em cada conjunto de documentos, tanto no 
nosso trabalho particular como no institucional; no institucional ele é imprescindível 
devido à rotatividade permanente de profissionais, permitindo assim que o terapeuta 
que vier a se encarregar de um caso deixado por outro possa ter informação 
adequada sem precisar estudar todos os testes do material. E caso seja solicitada 
numa interconsulta os resultados do estudo, podemos oferecer o informe 
Psicodiagnóstico e não uma cópia dos testes, que não serão entendidos por 
neurologistas, pediatras, cardiologistas, etc. ou quaisquer outros profissionais que 
não estejam habilitados a lidar com testes psicológicos. 
Nesse informe, o importante não é que o psicólogo escreva tudo o que sabe 
sobre o sujeito, mas o que for pertinente aos objetivos do exame e de interesse para 
o receptor. 
Já o parecer se restringe à análise de problemas específicos colocados por 
determinado profissional que já dispõe de muitas informações sobre o examinando, 
pressupõe um único objetivo e são no geral focalizados, resumidos e curtos. 
E como se dá a comunicação? Bem, isso também depende dos objetivos, 
onde podem ser necessários vários tipos de comunicação. 
Ex.: 
 Uma entrevista de devolução com os pais e com o sujeito; 
 Laudo encaminhado ao pediatra; 
 Laudo encaminhado à escola; 
 Um parecer ao serviço de orientação da escola; 
 Ao psicoterapeuta. 
 
Que fique claro que o conteúdo da comunicação é definido, segundo 
Ocampo (2001) e Cunha (2003), pelas questões específicas, formuladas no início do 
processo e também pela identidade do receptor, variando assim quanto à natureza 
dos dados que vai depender da pessoa que vai receber, e das questões que 
interessam a cada receptor, seja a escola, o psicoterapeuta, o psiquiatra, a família. 
Isso nos mostra que as mesmas questões podem ser respondidas a cada receptor 
por meio de comunicações diferentes, sendo o conteúdo de cada um diverso, em 
especificidade, profundidade e extensão. 
 
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66 
Nesse momento, de acordo com o código de ética do psicólogo, entra em 
questão o sigilo profissional, onde este compromete o psicólogo a não fornecer 
certas informações, ou a prestá-las somente a quem de direito e sempre em 
benefício do paciente. 
Em muitos casos, quando sabemos que o local onde vai ser enviado um 
informe, como, por exemplo, uma escola, não dispõe de um local em que seja 
mantido o informe em sigilo, podemos nos restringir a uma comunicação pessoal ou 
telefônica. É muito importante essa questão da segurança e privacidade das 
informações, pois elas poderão cair em mãos de pessoas leigas, que podem 
distorcer essas informações por não entendê-las. 
A forma do informe deve ser definida pela identidade e qualidade do 
receptor, deve estar de acordo com a profissão, nível sociocultural e intelectual e 
com as condições emocionais do receptor; como por exemplo, se o informe for a 
uma pessoa mais humilde, neste caso, não se podem usar termos científicos, a qual 
a pessoa que está sendo informada não entenda, deve-se tentar ao máximo explicar 
o resultado de acordo com seu grau de entendimento. 
O psicólogo também é peça fundamental nesse momento, pois ele vai 
encaminhar decisões cruciais para a vida de outra pessoa; ele precisa estar muito 
consciente do que está ocorrendo, ser ágil em suas percepções, flexível no manejo 
da relação, muito seguro de suas conclusões e de si mesmo para manter a sua 
sensibilidade clínica e ser hábil em sua comunicação. 
O sujeito ou responsável pela solicitação do Psicodiagnóstico tem direito 
regulamentarmente à devolução – sendo esta obrigatória, tem que haver esse 
feedback. De acordo com o código de ética, o psicólogo é obrigado a fornecer ao 
examinando as informações que foram encaminhadas ao solicitante e a orientá-lo 
em função dos resultados obtidos, sendo essa comunicação clara, precisa e 
inteligível. 
Ao cliente e a pessoas da família é mais recomendável dar um feedback por 
meio de uma entrevista de devolução; a comunicação oral será um recurso mais 
esclarecedor do que as informações por escrito, prevenindo assim interpretações 
dúbias e entendimentos errôneos. 
Existem casos em que não é exigido na entrevista de devolução laudo ou 
parecer escrito, e isso acontece quando o psicólogo faz parte de uma equipe 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
67 
multidisciplinar, pois o caso é discutido em equipe, onde cada profissional utiliza seu 
modelo próprio para o exame do sujeito, sendo integrados os dados num informe, 
conforme os objetivos propostos. 
 
Vejamos alguns tipos de informe: 
 Aos pais: como já citamos anteriormente, a esse receptor é preferível 
a entrevista de devolução para comunicar os resultados, mas caso os pais solicitem 
algum relatório por escrito, há duas questões: se o motivo for apresentar o informe 
em algum lugar (ex.: escola), perguntaremos onde e elaboraremos o informe 
pertinente, que será enviado diretamente ao destinatário; o outro caso é porque os 
pais querem conservar algo escrito para que sirva como um auxílio para a memória 
sobre tudo o que foi falado, assim, aceitaremos entregar-lhes um informe redigido 
numa linguagem simples resumindo tudo o que foi falado de forma tal que possa ser 
lido também pelo próprio sujeito (criança, adolescente ou adulto) com quem foi 
realizado o estudo. 
 A um Psicoterapeuta: usa-se linguagem técnica, fazendo referência 
concreta ao material de testes do qual foram extraídas as conclusões, devendo-se 
fazer uma descrição minuciosa da estrutura básica da personalidade, das 
ansiedades e defesas. 
 A uma Escola: este será breve, referindo-se exclusivamente ao que o 
professor precisa saber, expressando a linguagem cotidiana usada. A este receptor 
deve-se tomar cuidado para que não transpareçam intimidades do caso que não se 
relacionam com o campo pedagógico. 
 A médicos: o informe fará referência simplesmente ao registro ou não de 
transtornos emocionais, à sua gravidade e à conveniência de um tratamento 
psicológico do sujeito, da sua família, etc. 
 A advogados: geralmente se refere a uma perícia que terá peso numa 
sentença e isso faz dele um trabalho difícil, principalmente no campo penal, então 
deveremos ser bastante cuidadosos com os termos utilizados e a informação que 
iremos oferecer. Esse informe deve ser expresso em termos inequívocos e com 
afirmações que não deixem margem para que sejam usadas conforme convier à 
causa, porque uma vez formulada a nossa conclusão em relação à dúvida que levou 
à solicitação do estudo, é convenientejustificar essa conclusão usando como apoio 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
68 
alguns pontos do material, mas sempre expressando-nos claros e de uso comum no 
âmbito forense. 
 A empresas: esse tipo de receptor busca informações as quais 
responderá se os traços de personalidade requeridos para a função correspondem 
ao perfil do examinando, devendo-se dizer o necessário e de tal forma que sempre 
possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do 
individuo em questão. 
 
Concluindo podemos dizer que os informes podem ser sistemáticos ou 
assistemáticos, e reiterando algumas informações importantes, o tipo de 
comunicação dos resultados ou devolução é definido pelos objetivos do exame e 
seu conteúdo é definido pelas questões específicas iniciais e pela identidade do 
receptor. 
 
 
 
3.9 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO 
 
 
3.9.1 Recomendações 
 
 
De acordo com Cunha, Freitas e Raymundo (1991), algumas 
recomendações sobre a entrevista de devolução devem ser seguidas: 
 Deve-se evitar o uso da linguagem técnica, termos que são difíceis de ser 
entendidos por leigos, e iniciar por sintoma ligado diretamente à queixa principal; 
 Essa entrevista servirá para o entrevistador comunicar em que consiste o 
Psicodiagnóstico, e indicar a terapêutica que julga mais adequada; 
 Nesse momento, o entrevistador retoma os motivos da consulta e a 
maneira como o processo de avaliação foi conduzido; 
 Ela inicia com os aspectos menos comprometidos do paciente, ou seja, 
menos causadores de ansiedade; 
 A devolutiva deve encerrar com a indicação terapêutica. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
69 
 
Muitos autores são claros quando dizem que a devolutiva, também chamada 
de entrevista de devolução, é um dos momentos mais importantes do mesmo, pois é 
o que particulariza e caracteriza o processo de Psicodiagnóstico. E acredita-se que a 
cada vez que lemos o material podemos encontrar algo a mais. 
A entrevista de devolução começa sempre pela aquisição de um bom 
conhecimento do caso, ou seja, ao terminar o processo, o psicólogo analisará 
criteriosamente todo o material colhido e irá elaborar hipóteses explicativas que 
serão capazes de situar o cliente dentro de um contexto, um todo, levando-se em 
conta as suas capacidades, limitações e defesas. 
Continuando as recomendações, de acordo com Ocampo (1981): 
 Um ponto fundamental é comparar a entrevista inicial com a de 
devolução, pois se vai ter uma noção de como é que foi todo o processo e de como 
é que está sendo a devolução de informações, se aconteceu alguma mudança, se a 
queixa se desdobrou ou se transformou, e assim vai mostrar que modificações 
houve. 
 O psicólogo deve identificar os aspectos mais sadios e adaptativos, assim 
como os menos sadios e adaptativos, tanto do cliente quanto do seu grupo familiar; 
depois ele irá fazer uma distinção entre o que pode e o não pode ser dito ao cliente, 
como consciência de questões sobre o que é menos adaptativo e 
consequentemente mais doente, muitas vezes não deve ser dito para respeitar as 
possibilidades do cliente e seus limites. Assim, a entrevista inicia-se com os 
aspectos mais adaptativos do cliente e prossegue até chegarmos aos menos 
adaptativos. Resumindo esse tópico, devemos ficar atento ao cliente para identificar 
a tolerância ou não às informações que estão sendo ditas e podem aparecer por 
meio de aspectos verbais conscientes; há também os inconscientes que são os 
lapsos ou então a aceitação passiva para simplesmente não pensar no assunto, e 
ainda os não verbais, tais como os atrasos, as faltas, a resistência do final do 
processo – pode-se também perceber isso quanto os sinais de tolerância com 
relação àquilo que é devolvido. 
 É importante devolver os conteúdos desse paciente que ficaram 
depositados sobre o psicólogo, mas como já citamos, de forma organizada, pra ser 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
70 
saudável também para o profissional e para que este não seja depositário dessas 
expectativas e conflitos que o outro traz. 
 Com esses elementos bem definidos o psicólogo pode elaborar um roteiro 
suficientemente flexível, que sirva de parâmetro – algo que determina os limites e 
assuntos a serem abordados. 
 A linguagem a ser utilizada deve ser observada, sendo a mais adequada 
possível, como não utilizar termos técnicos e evitar termos ambíguos, na medida do 
possível lançar mão da linguagem empregada pelo cliente e seus pais. 
 Sabemos que o cliente vai depositar muitas angústias no psicólogo e a 
função deste é reorganizar essas informações e devolvê-las; o ideal seria que ele 
processe essa angústia e devolva ao cliente ou paciente de forma reconfigurada, 
reconduzindo e reorganizando aquilo que está caótico para aquele sujeito. 
 Assim, o psicólogo vai passando o conteúdo menos ansiógeno ao mais 
ansiógeno, mas devemos ficar atentos a alguns casos em que é difícil identificar, do 
ponto de vista do cliente, o que é mais e menos ansiógeno; aqui, o melhor se que 
pode fazer é seguir a mesma sequência apontada pelos pais no momento da queixa. 
 Na devolução, como já citamos antes, ainda pode surgir uma série de 
coisas e até um dado novo que seja importante pra questão que está sendo 
discutida, assim essas novas informações podem ratificar o diagnóstico ou modificá-
lo no sentido de ampliar. Então, há a probabilidade de que modifiquemos nosso 
laudo, nesse caso, adiaríamos a entrega do laudo, pra que ele seja mais completo. 
Percebe-se nesse ponto que o profissional deve ter flexibilidade e capacidade de 
captar o que está sendo dito e reinserir no que está sendo dito na entrevista de 
devolução. 
 O psicólogo deve estar sempre preocupado em se expressar claramente, 
tentando fazer o fechamento dos assuntos de forma que o cliente, que pode ser a 
criança e seus pais, também o faça. 
 Outra questão importante e que não se deve perder de vista é quanto ao 
objetivo da devolução que é, segundo Ocampo (1981), "sintetizar ou unir aspectos 
reparadores e destrutivos, assim, podemos mostrar como o presente e o futuro 
funcionam como elementos de reparação". 
 Uma entrevista de devolução tem alguns parâmetros a serem seguidos, 
mas não é estático como um laudo. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
71 
 
A seguir mostraremos alguns parâmetros, caracterizados por Ocampo 
(1981), que são relevantes para compreensão da entrevista de devolução, assim 
Ocampo os analisa sob o ponto de vista do: 
 PROFISSIONAL: o psicólogo deve restituir aos seus verdadeiros donos o 
que nele foi depositado durante todo o processo, tanto consciente quanto 
inconscientemente, com a intenção de preservar a si próprio; espera-se do psicólogo 
a capacidade de escuta, discriminação, discernimento e percepção do que se passa 
ou do que pode se passar, podendo então transmitir as informações da melhor 
maneira possível. 
 CLIENTE: se o cliente/paciente for uma criança ou um adolescente não 
implica em privá-lo dessa posição, que fique claro que a entrevista deve circular a 
todos os interessados e principalmente ao cliente; deve-se devolver a informação 
aos pais e ao filho separadamente, favorecendo a discriminação de identidades 
dentro do grupo familiar, pois no caso da criança, se não houver devolução, ela 
poderá sentir-se como um terceiro excluído de uma comunicação, a qual tem direito 
por ser a principal interessada; a devolução de informações gera comprometimento, 
na medida em que o cliente toma ciência das informações observadas pelo 
profissional; ao devolvermos as informações dá-se ao cliente a oportunidade de se 
enxergar com mais critério de realidade, redefinindo a sua personalidade atual e 
possibilitamos a ele esse movimento de redefinição. 
 PAIS DO CLIENTE: caso os pais cheguem ao Psicodiagnóstico, enviados 
por terceiros, a entrevista de devolução funciona como uma oportunidade para fazer 
com que consigam certo insight a respeito da situação real; caso o profissionalseja 
procurado espontaneamente, a entrevista de devolução serve para reintegrar e 
atualizar uma imagem do cliente; caso o profissional foi procurado com a intenção 
de que se descubra o que o paciente tem, a entrevista de devolução aparece como 
o momento onde os pais irão conhecer a percepção do profissional. 
 
 
3.9.2 Pontos importantes a frisar 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
72 
 Definição da Entrevista de Devolução: 
 ntrevista em que se devem transmitir os resultados do Psicodiagnóstico 
de forma discriminada, organizada e de acordo com o destinatário; 
 A linguagem verbal, gráfica ou lúdica deve ser apropriada ao mesmo, 
para que seja clara e adequadamente compreendida; 
 A escolha da linguagem é importante pra devolução pra que o paciente 
compreenda tudo. 
 
 Objetivos da entrevista de devolução: 
 Transmitir uma informação a qual o paciente busca; 
 Observar as reações do paciente, principalmente as verbais, gestuais, 
etc. e a capacidade para fazer "insight"; 
 Proporcionar um panorama complementar em relação ao material 
anteriormente recolhido; 
 Conforme as reações dos pais do filho, ou do adulto em questão, durante 
esta entrevista manteremos a recomendação terapêutica previamente pensada ou a 
modificaremos apropriadamente; 
 De acordo com a resposta dos envolvidos nessa entrevista de devolução 
poder-se pensar se é apropriada nossa recomendação, ou seja, podemos ter noção 
se os envolvidos irão acolher os encaminhamentos e também nosso prognóstico. 
 
 Motivo pelo qual a entrevista de devolução é realizada: 
 Falar dos resultados que obteve de todo o processo; 
 De acordo com a teoria da Gestalt, toda forma tende ao seu próprio 
fechamento, nesse processo acontece a mesma coisa, tanto para o paciente como 
para o profissional, pois aquilo que não é concluído fica como algo pendente; 
 Reintegrar de forma organizada e explicada ao paciente aquilo que ele 
trouxe; 
 Quando a consulta é feita por uma parte da família em relação à outra 
parte, ela deve ser feita separada, pois ajuda a discriminar e a reconhecer que o 
cliente foi trazido como um ser humano e não como um objeto de manipulação; 
 É uma experiência clínica de valor incalculável que nos dará o maior grau 
de segurança possível na delicada tarefa psicodiagnóstica. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
73 
 
 Importantes no processo: 
 Oportunidade de insight; 
 Papel do psicólogo: transmitir resultados e observar reações. 
 
 
 
PASSOS DO PSICODIAGNÓSTICO 
 
ENCAMINHAMENTO; 
↓ 
CONTATOS COM OS FATOS; 
↓ 
PERGUNTAS OU HIPÓTESES; 
↓ 
OBJETIVOS ESTABELECIDOS; 
↓ 
CONTRATO DE TRABALHO; 
↓ 
CONFRONTAÇÃO DE DADOS E ESTABELECIMENTO DO PLANO DE 
AVALIAÇÃO; 
↓ 
SELEÇÃO DA BATERIA DE TESTES; 
↓ 
LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS DADOS; 
↓ 
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO; 
↓ 
COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS 
ou 
ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
74 
 
 
 
FIM DO MÓDULO II 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
73 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
74 
 
 
MÓDULO III 
 
 
4 ENTREVISTA DIAGNÓSTICA INICIAL 
 
 
4.1 DEFINIÇÕES 
 
 
 Podemos defini-la como sendo a primeira entrevista de um processo de 
Psicodiagnóstico. 
 Segundo alguns autores, nessa entrevista o sujeito fica livre para expor 
seus problemas. 
 Segundo Fiorini (1987), o empenho do terapeuta nessa primeira 
entrevista pode ter uma influência decisiva na continuidade ou no abandono do 
tratamento. 
 Para Gilliéron (1996), a primeira entrevista permite conhecer: o modo de 
chegada do paciente à consulta, como por si mesmo, enviado por alguém ou a 
conselho de alguém; permite conhecer o tipo de relação que a paciente procura 
estabelecer com o seu terapeuta, e permite adentrar nas queixas iniciais 
verbalizadas pelo paciente, em particular a maneira pela qual ele formula seu pedido 
de ajuda. 
 De acordo com Pinheiro (2004), essa entrevista ocorre num certo 
contexto de relação constantemente negociada, ou seja, quando falamos de 
negociação estamos nos referindo ao posicionamento definido como um processo 
discursivo, por meio do qual são situados numa conversação como participantes 
observáveis, subjetivamente coerentes em linhas de histórias conjuntamente 
produzidas. 
 Essa entrevista inicial geralmente inicia-se com a chamada telefônica de 
outro profissional, encaminhando o entrevistado para a avaliação psicodiagnóstica, 
ou mesmo com a chamada do próprio entrevistado. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
75 
 A “primeira entrevista” tem um conceito referente à primeira etapa 
diagnóstica, que tem um objetivo específico, mas não significa que deve ser só uma, 
nem que deva ser realizada obrigatoriamente no início do processo diagnóstico. Em 
circunstâncias especiais podemos obter dados após a aplicação dos testes, e não 
no início da consulta. 
 A partir dessa entrevista vão surgir impressões e expectativas. 
Entrevistador e entrevistado constroem mutuamente suas transferências, 
contratransferências, e resistências que foram ativadas bem antes de ocorrer o 
encontro propriamente dito. 
 No final dessa entrevista, devem ficar esclarecidos os seguintes pontos: 
horários, duração das sessões, honorários, formas de pagamento, condições para 
administrar instrumentos de testagem e para as condições de consulta a terceiros; 
 Este tipo de entrevista pressupõe uma apresentação mútua, seguida de 
um rapport e finalmente o esclarecimento, por parte do psicólogo do 
enquadramento/contrato, ou seja, tendo o cliente relatado o motivo que o levou a 
procurar a ajuda profissional, cabe a esse esclarecer alguns parâmetros que 
deverão ser respeitados durante todo processo de Psicodiagnóstico. 
 
 
4.2 PRIMEIRO CONTATO COM O PACIENTE 
 
 
O primeiro contato passa muitas informações, dá uma imagem dos pais do 
paciente, conforme ele nos foi enviado, por que motivo, e segundo as características 
de seu primeiro vínculo conosco. Assim, questões como respeitar o horário marcado 
e ligar na hora combinada implicam desde o início uma atitude de respeito com o 
profissional, fazendo com que percebamos como aquela família age diante de 
algumas situações. Já as consultas canceladas repetidamente não dão uma imagem 
positiva do paciente ou daquele que consulta, pois a atitude é evidentemente 
bastante fóbica, pois o paciente prevê que iniciar uma consulta vai ser algo muito 
mobilizador e talvez desestruturante. 
Muitos autores, dentre eles Trinca (1984), dizem que uma forma delicada e 
adequada de iniciar a entrevista inicial, após as respectivas apresentações, pode ser 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
76 
com a seguinte pergunta: “Em que posso ajudá-lo?” e adequar-se à resposta 
recebida para decidir a estratégia seguinte. Então, a resposta a essa pergunta dará 
uma pauta que dirigirá a nossa atenção para um determinado caminho, dando-nos a 
possibilidade de fazermos novas perguntas. 
Retomando o conceito de motivo manifesto, podemos dizer que de acordo 
com Ocampo (1981) é aquilo que está mais próximo da consciência e o que o 
indivíduo prefere mencionar em primeiro lugar. Já os latentes ou inconscientes são 
mencionados quando o paciente adquire mais confiança, ou melhor, eles vêm 
implícitos e cabe ao psicólogo ir analisando-os de acordo com o discurso, testes, 
observações. 
De acordo com Arzeno (1995), em cada um dos pais, no paciente e no 
profissional que escuta o que é relatado, há uma fantasia de doença, sendo queessas fantasias nem sempre coincidem. Então o ideal seria detectar isto o mais 
rápido possível, porque nos informaria sobre as várias resistências vigentes e assim 
nos alertaria em relação ao enquadre da tarefa, e a ser muito cauteloso na entrevista 
final para ajudar aos pais de forma que revejam a sua concepção de vida, da doença 
e da cura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VOCÊ SABIA! 
É muito importante que durante a primeira 
entrevista, além de explicitar o sintoma 
que o paciente traz, e as suas fantasias de 
doença e cura, tentemos obter uma história 
familiar, dando atenção a dados 
cronológicos extras; mas mais importante 
ainda é a versão que os pais ou o paciente 
trazem sobre essa história, pois irá ajudar 
a desvendar a história do sintoma em torno 
do qual vai se entrelaçando a história do 
paciente e de sua família. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
77 
Mas como muitas vezes o nível de ansiedade dos pais ou adulto é muito alto 
ao chegar para a primeira entrevista, então o ideal nessas entrevistas é ela ser mais 
curta e centralizada na descrição daquilo que causa preocupação no momento, 
depois num segundo momento pode adentrar em assuntos mais delicados, pelo fato 
dos indivíduos estarem menos tensos e mais colaboradores. 
Muitas vezes também eles realmente não acreditem que possam ser 
ajudados por um psicólogo, e esse seria um ponto no qual devemos deter-nos todo 
o tempo necessário, evitando assim que o estudo precise ser interrompido mais 
adiante. 
De acordo com alguns autores, após a entrevista inicial, em que são obtidas 
impressões sobre a pessoa do paciente, esclarecimentos sobre os motivos da 
procura, e realizado o contrato de trabalho do Psicodiagnóstico, são necessários 
mais alguns encontros, cujo objetivo é a obtenção de mais dados com riqueza de 
detalhes sobre a história do entrevistado, tais como: fases do seu desenvolvimento, 
escolaridade, relações familiares, profissionais, sociais e outros, para que se tenham 
os dados necessários para se chegar ao Psicodiagnóstico. 
Se estivermos tratando de um paciente de outro profissional, na primeira 
entrevista pode-se ter uma breve conversa sobre dados de filiação, constelação 
familiar primária e atual, profissão, etc., mas isso se o cliente tem conhecimento do 
motivo pelo qual foi enviado e se já fez algo semelhante antes, não se esquecendo 
de frisar que devemos evitar que esse relato se transforme em um relato detalhado e 
prolongado da história da vida do paciente, já que isso tende a estabelecer um 
vínculo que interfere naquele estabelecido previamente com o seu terapeuta, 
confundindo o paciente. 
Nestas circunstâncias, o psicólogo deve controlar a sua curiosidade e 
manter uma distância ideal que possibilite um clima agradável para trabalhar, sem 
fomentar falsas expectativas no sentido de criar um vínculo que muito brevemente 
será interrompido. 
O objetivo primordial da primeira entrevista, geralmente, é conhecer a 
história do sujeito e de sua família, mas mais importante que o registro cronológico 
dos fatos de três gerações é a reconstrução da estrutura e essa história familiar com 
seus mitos, seus segredos, suas tradições, etc. Uma vez conhecido o motivo 
manifesto da consulta, faremos perguntas sobre tudo o que possa estar relacionado 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
78 
com ele, isso claramente de acordo com o estado emocional do paciente, sendo que 
às vezes só é possível num segundo momento. 
Dependendo das condições do paciente – alguns autores como Trinca 
(1984) afirmam – torna-se imprescindível interrogar, durante a primeira entrevista, 
sobre o nome e sobrenome de cada progenitor, idade atual, se o pai e a mãe vivem 
ou são falecidos (quando e por qual motivo), se os encontros com esses são 
frequentes ou não e como é a relação. Também serão feitas perguntas sobre os 
irmãos de cada um e as suas idades, assim como a história e todos os detalhes do 
ou dos nomes escolhidos para o filho que foi trazido para consultar, ou para o adulto 
que está consultando. 
Em relação aos recursos de que dispõe o psicólogo para registrar tudo o que 
é necessário desde a entrevista inicial, cabe resumir o seguinte: a comunicação 
verbal é a via essencial para tal objetivo; o registro do não verbal também é 
essencial e por isso o psicólogo deve ser um ouvinte atento a gestos, lapsos, 
atuações, etc. Neste momento não é o inquérito, mas a observação atenta que serve 
ao psicólogo como fonte de coleta de dados. 
Arzeno (1995) afirma que no encerramento da primeira entrevista, que é o 
momento da despedida desse primeiro encontro entre os pais ou o adulto e o 
psicólogo, é indicado combinar os passos que serão seguidos, os horários das 
consultas posteriores, assim como esclarecer também quais serão os honorários e a 
forma de pagamento dos mesmos. 
E por onde começar? É recomendável começar pelo motivo manifesto da 
consulta passando por todas as áreas que possam ter conexão com o mesmo, para 
logo investigar as outras cautelosamente sem descartá-las sob nenhuma hipótese, 
já que podem surgir dados muito valiosos. 
Sabemos e percebemos que na primeira entrevista, os pais, o adolescente, 
a criança ou o adulto chegam cada um com uma expectativa; o ideal é deixá-los 
bem à vontade para que possam expressar o que lhes preocupa. Embora existam 
casos em que não é tão claro entender o sintoma como uma palavra não dita pelos 
pais, há alguns nos quais isto é muito verdadeiro, e por isso, durante o diagnóstico 
devemos manter uma posição de abertura a todos os enfoques teóricos seriamente 
desenvolvidos, pois cada caso torna-se mais facilmente compreensível se focalizado 
a partir de uma determinada teoria. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
79 
Quanto a quem entrevistar, podemos dizer que será indispensável incluir a 
entrevista com os pais, para colher dados sobre a história do paciente. Assim, 
quando a ligação for feita pelos pais de uma criança, o primeiro contato será feito 
com eles; já quando o psicólogo for procurado por um jovem adolescente é 
diferente, pois às vezes, são eles mesmos que nos ligam, e então as primeiras 
entrevistas serão com eles. E somente mais tarde, geralmente antes de decidir se 
vai ser necessário ou não o tratamento e de que natureza, é que são chamados os 
pais, pois como dissemos antes, os pais são fundamentais para coleta de mais 
informações. 
Mas caso esse adolescente seja um adolescente tardio, será diferente, pois 
este provavelmente já possui independência econômica e idade suficiente para 
poder enfrentar a responsabilidade de um contrato terapêutico por si próprio. Aqui a 
opinião dos pais ainda pode ter influência, mas não tanta como a de um jovem 
adolescente, ou pode-se dizer que talvez já não tenha nenhuma influência, mas em 
se tratando de crianças e jovens adolescentes, é imprescindível contar com a 
presença e colaboração dos pais. 
Então, percebe-se a importância do primeiro contato, sendo evidentes 
quantos dados ou informações podemos obter nesse contato inicial, como: 
 Ele nos dá uma imagem dos pais do paciente; 
 Ele nos dá uma imagem do próprio paciente, conforme ele nos foi 
enviado, por que motivo, e segundo as características de seu primeiro vínculo 
conosco. 
 
Algumas atitudes dos pais do paciente e do paciente também nos revelam 
muito: 
 Respeitar o horário marcado e ligar na hora combinada implica desde o 
início uma atitude de respeito com o profissional; 
 Já as consultas canceladas repetidamente não dão uma imagem positiva 
do paciente ou daquele que consulta, pois a atitude é evidentemente bastante 
fóbica. De acordo com Arzeno, isso trará muitas dúvidas em relação ao 
cancelamento da consulta, se esta não foi concretizada porque o paciente projetou 
nele o seu temor e evitou o encontro, se cancelou a entrevista porque no momento 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
80 
preferiu manter o status quo e não modificar nada ou se, finalmente,trata-se de uma 
conduta psicótica na qual deixar esperando é o cartão de apresentação do paciente. 
 
Então podemos caracterizar algumas posturas: 
 Fóbico: este é percebido como inseguro, temeroso, talvez fale de uma 
forma peculiar e se mostre mais dependente; ele inspira necessidade de tranquilizá-
lo. 
 Psicopata: este tipo de paciente provoca sentimentos agressivos ou pelo 
menos de impaciência, geralmente são casos que não avisam com a antecipação 
devida e esse “deixar esperando” provoca rejeição e um sentimento de não atendê-
lo se tornar a ligar. 
 Pré-psicóticos: neste caso dá-se uma reação de espera paciente até a 
chegada do momento apropriado para concretizar a consulta. 
Sintetizando a entrevista inicial, devemos estar atentos a: 
 A queixa e a demanda; 
 Se o cliente for uma criança deve-se investigar sua vida desde o 
nascimento até o presente; questões como a dinâmica com os outros, família, e 
pode também haver um formulário para a mãe completar em casa, checando-se na 
próxima sessão. Nesse tipo de entrevista é importante ter no consultório e usar caixa 
lúdica com massinha, lápis coloridos, bonecos representando família, lego, etc.; usa-
se de acordo com o objetivo e o sexo. 
 
 
4.3 OBJETIVOS 
 
Geralmente o objetivo desse primeiro encontro é conhecer-nos, pois muitas 
vezes o nível de ansiedade dos pais ou adulto é muito alto ao chegar para a primeira 
entrevista, e assim torna-se difícil manter um clima ideal de trabalho. 
Na primeira entrevista que os pais ou paciente adulto fazem, ela é o primeiro 
passo do processo Psicodiagnóstico e deve reunir certos requisitos para cobrir seus 
objetivos, tais como no começo ser: 
 Livre; 
 Não direcionada. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
81 
 
Mas por que ser livre e não direcionada? Porque, segundo Arzeno (1995), é 
dessa forma que possibilitará a investigação do papel que cada um dos pais 
desempenha, entre eles e conosco; o papel que cada um parece desempenhar com 
o filho, a fantasia que cada um traz sobre o filho, a fantasia de doença e cura que 
cada um tem, a distância entre o motivo manifesto e o latente da consulta, o grau de 
colaboração ou de resistência com o profissional, etc. Então, concluímos que no 
início da primeira entrevista, nossas perguntas devem ser mínimas, para dar mais 
liberdade ao sujeito ou aos pais, mas à medida que formos elaborando hipóteses 
sobre o que estiver ocorrendo será imprescindível fazer comentários e perguntas 
pertinentes. 
Este mesmo autor diz que no primeiro contato a entrevista deve ser livre, 
para fluir melhor, mas ele frisa que em outro momento ou mesmo num segundo 
contato, deve ser mais dirigida, devendo-se solicitar dados, colher informação 
exaustiva sobre a história do sintoma e também deixar estabelecido um contrato 
para esta etapa do trabalho diagnóstico, ou seja, devem ser estabelecidas questões 
como quantas entrevistas serão feitas, quem deve participar, em que horário e que 
ordem será dada ao filho, quais serão os honorários, qual o objetivo de todo o 
estudo, em que vamos centrá-lo, qual é o motivo mais profundo, que destino terá a 
informação que obtivermos (se será transmitida a eles ou ao filho, ou além deles ao 
pediatra, à professora, a um juiz, etc.). 
Arzeno (1995) enumera alguns objetivos bastante importantes: 
 Discutir expectativas; 
 Clarear as metas do trabalho; 
 Coletar informações sobre o entrevistado, que não poderiam ser obtidas 
de outras fontes; 
 Saber sobre as primeiras impressões sobre o entrevistado, sua aparência, 
comportamento durante a espera e outros. 
O que seria então levado em consideração durante a primeira entrevista? São 
levados em consideração elementos verbais como não verbais da entrevista, a 
gesticulação dos pais, seus lapsos, suas ações – como, por exemplo, ir ao banheiro, 
esquecer algo ao partir, segurar uma bolsa ou pasta o tempo todo, fazer 
comentários profissionais, fazer alguma queixa, desencontro do casal ao chegar 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
82 
para a primeira entrevista, trocar o horário por engano, trazer uma lista escrita com 
dados excessivamente detalhados, olhar o teto o tempo todo, pedir um conselho 
rapidamente, etc. 
Então, caso a primeira entrevista seja com os pais, quando conhecermos o 
filho, no passo seguinte do processo, já poderemos comparar essa imagem que 
temos dele com a que realmente estamos recebendo. 
Ocampo (1981) cita vários objetivos da entrevista inicial: 
 É importante observar sua linguagem corporal, suas roupas, seus gestos, 
sua maneira peculiar de ficar quieto ou mover-se, seus semblantes, para que 
percebamos a primeira impressão que o cliente nos causa. 
 Avaliar características, que aspectos da vida o cliente escolhe para falar, 
o que expressa como motivo manifesto da consulta; para isso deve-se considerar o 
que, quando, como e em que ritmo o cliente verbaliza. 
 Como já citamos, o motivo da consulta se divide em dois, o manifesto e o 
latente. Então devemos investigar o motivo manifesto (aquele que preocupa quem 
solicita a consulta) e o latente (aquele mais relevante do que o evocado em primeiro 
lugar e, portanto mais sério) que carece de percepção para que possamos identificá-
lo. 
 O psicólogo deve escutar o cliente, mas não deve se contentar, 
ingenuamente, com a versão que ele lhe transmite. 
 Estabelecer o grau de coerência ou discrepância entre tudo que foi 
verbalizado e tudo que captamos de sua linguagem não-verbal, com o intuito de 
identificar o que é apresentado como motivo manifesto da consulta e o que é 
percebido como motivo subjacente ou latente. 
 Estabelecer um bom rapport que reduza ao mínimo a possibilidade de 
bloqueios e que consequentemente crie um clima favorável para os subsequentes 
encontros. 
 Planejar a bateria de teste mais adequada (elementos a utilizar, 
sequência, ritmo, etc.). 
 É importante identificar que tipo de vínculo o cliente procura estabelecer 
com o psicólogo e que sentimentos e fantasias o psicólogo experimenta com relação 
ao cliente, e também identificar que tipo de vínculo une o casal, como que tipo de 
vínculo une o filho a esses e esses ao filho, o cliente ao psicólogo, os pais. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
83 
 Avaliar a capacidade dos pais de elaboração da situação diagnóstica 
atual e potencial, pois os pais transmitem a queixa da maneira que querem, mas 
principalmente da forma que dão conta. 
 E não se esquecer de averiguar desde o início que fantasias e que 
concepções de vida, de saúde, de doença têm os pais e/ou o cliente. 
 Detectar na primeira entrevista seja com os pais, com o filho, com o 
adolescente ou com o adulto, o nível de angústia, o nível de preocupação que 
provoca isso que está ocorrendo com eles, porque assim mais dados vão surgindo 
ao adentrar nessa angústia e mais próximo fica do conteúdo latente. 
E não esquecendo de citar o Psicodiagnóstico grupal, onde este pode ser 
caracterizado como uma breve entrevista inicial ou mesmo não havendo uma 
primeira entrevista inicial individual. Nesses casos, deve-se iniciar convocando o 
grupo para a aplicação de uma série de provas coletivas (ou seja, cada um fará o 
seu trabalho simultaneamente ao trabalho dos outros) ou grupais (nas quais, entre 
todos, vão elaborar uma resposta a uma solicitação nossa). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A atitude do psicólogo deve ser ao mesmo tempo plástica, aberta, permeável 
e concretamente precisa e centralizada em um objetivo que não podemos ignorar ou 
perder de vista em momento algum, pois ficarmos com respostas ambíguas significa 
não podermos chegar às conclusões necessárias para realizar o diagnóstico ou 
prognóstico, nem tomar uma decisão ou dar sugestões quanto à estratégia 
terapêutica, enfim realizar um bom informe. Então quando surge resistência por 
partedo paciente, o que podemos fazer para mudar essa situação: 
 Podemos trocá-la por outra equivalente, sem omiti-la; 
 Podemos encontrar outro teste paralelo ou propor-lhe outra atividade; 
FIQUE LIGADO! 
 
Outra questão que todo psicólogo que trabalhe na área deve 
saber é a diferença entre uma entrevista clínica habitual e a 
entrevista usada para iniciar o Psicodiagnóstico. Nesta 
deveremos manter um duplo papel: no início, um papel de não 
intervenção ativa, limitando-nos a sermos um observador da 
situação que está se desenvolvendo no campo do qual estamos 
participando. Tentaremos manter o nosso papel de 
observador que escuta e registra (por meio do material do 
paciente e dos efeitos contratransferenciais). Já na outra 
podemos intercalar perguntas ou tentar dirigir o diálogo, 
adotando um papel mais ativo, tal como intervir, investigar, e 
inclusive enfrentar os pais com suas próprias contradições, 
falta de recordações ou falta de sensibilidade para registrar 
a seriedade da sintomatologia e os riscos que o filho está 
correndo. 
 
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85 
 Podemos não aplicar nenhum teste no momento, simplesmente dedicar 
horas de jogo, caso seja uma criança, ou caso seja um adolescente ou adulto, 
realizar entrevistas. Mas isso não significa que deixaremos de fazê-lo mais adiante, 
no momento mais oportuno. 
 
De acordo com Ocampo (1981), podemos terminar a primeira entrevista, 
caso ela tenha cumprido seus objetivos, com uma imagem do conflito central e seus 
derivados, com uma história da vida do paciente e da situação desencadeadora, 
com hipótese inicial sobre o motivo profundo do conflito, a qual será ratificada ou 
modificada, segundo o material projetivo dos testes e da entrevista de devolução e 
com uma estratégia para usar determinados instrumentos diagnósticos seguindo 
uma determinada ordem, de modo que sirvam para ratificar e ampliar as nossas 
hipóteses prévias ou para retificá-las. 
 
 
4.4 PRINCIPAIS REGISTROS 
 
 
Podemos dizer que são muitos os registros que poderão ser feitos, mas que 
fique claro que nem todos vão importar para se chegar à queixa latente, mas vamos 
resumir esses registros nos principais, como registrar sempre que possível o que diz 
cada um dos pais, como e quando dizem; registrar o que cada um lembra, o que 
cada um faz e como faz e não só o que lembra, mas o que esquecem também; 
registra-se também a sequência dos aspectos do filho que os pais vão relatando, 
sejam favoráveis ou desfavoráveis. 
Se partirmos do princípio que o principal objetivo do Psicodiagnóstico é a 
busca de compreensão, por parte do psicólogo, dos processos biopsicossociais 
referentes ao cliente, qualquer anotação que possibilite o alcance desses processos 
é de extrema relevância. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
86 
 
5 ENQUADRE NO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
Sabemos que em todas as atividades clínicas é necessário partir de um 
enquadre, e no Psicodiagnóstico não é diferente. Ele pode se apresentar de várias 
maneiras: pode ser mais estrito, mais amplo, mais permeável ou mais plástico, 
conforme as diferentes modalidades do trabalho individual e variando de acordo com 
o enfoque teórico que serve como marco referencial predominante para o 
profissional, conforme a sua formação, suas características pessoais e também 
conforme as características do cliente. 
Mas a pergunta que sempre existe: Que enquadre usar? Podemos dizer que 
seja um adolescente, um adulto ou os pais de uma criança, a primeira entrevista nos 
dará subsídios que facilitarão o enquadre a ser escolhido, então não precisa se 
preocupar que enquadre usar, ele vai ser escolhido de acordo com o paciente, com 
o seu comportamento, seu discurso, suas reações, ou seja, tudo isso são 
indicadores que nos ajudam a resolver que tipo de enquadre usaremos, se mais 
estrito ou mais permissivo. No decorrer do capítulo, você entenderá mais sobre 
enquadramento. 
Segundo Santiago (1995), o enquadre do Psicodiagnóstico consiste em 
alguns itens: 
 Esclarecimento dos papéis respectivos: limite e natureza da função que 
cada parte integrante do contrato desempenha; 
 Lugar de realização das entrevistas; 
 Horários e duração do processo: nem muito longo, nem muito curto; 
 Honorários (caso se trate de consulta particular); 
 Que fique claro que qualquer entrevista posterior à devolução requer o 
estabelecimento de um novo contrato que explicite o enquadre, as características e 
os objetivos da tarefa. 
 
Vejamos alguns parâmetros que deverão ser respeitados durante o processo 
de Psicodiagnóstico a qual o enquadre está inserido: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
87 
 Devem ser definidos os objetivos que caracterizarão o tipo de 
atendimento ou processo ao qual o cliente irá se submeter; 
 Devem-se esclarecer os papéis, preocupando-se em clarear natureza e 
limite da função que cada parte do contrato desempenha, tanto cliente como 
psicólogo; 
 Definir o lugar aonde irão se realizar os encontros e combinar os horários; 
 Explicar ao cliente como alcançará seu principal objetivo, ou seja, quais 
técnicas, entrevistas, observações serão usadas ou como serão usadas; 
 Indicar a duração do processo; 
 Caso se trate de clínica particular ou instituição paga, irá combinar os 
honorários; 
 Informar sobre a entrevista de devolução e encaminhamentos, se 
necessário; 
 Ratificar a condição de sigilo pela qual o processo se passa. 
 
Segundo determinados autores, alguns profissionais afirmam que trabalham 
sem enquadre, então o que podemos dizer é que cada profissional assume um 
sistema de trabalho que o caracteriza, além das variáveis que possa introduzir no 
caso; se ele opta trabalhar sem enquadre não se questiona. 
Muitas questões devem ficar claras para que o profissional não cometa erros 
quanto ao enquadre; segundo alguns autores como Arzeno (1995) e Trinca (1984): 
 Quanto à patologia do cliente: a qualidade e o grau da patologia nos 
obrigam a adaptar o enquadre a cada caso, pois não é possível trabalhar da mesma 
forma com pacientes com patologias diferentes; cada caso implica diferentes graus 
de plasticidade e técnicas diferentes. 
 Quanto à idade do cliente: questões de idade também influem no 
enquadre escolhido, pois nós agiremos de diferentes formas com crianças, 
adolescentes e adultos. Com uma criança pequena nós poderemos sentar para 
brincar no chão se ela assim solicitar, já com adolescentes precisaremos ser mais 
tolerantes quanto à sua frequência, sua pontualidade e suas resistências para 
realizar certos testes dos quais não gostam. 
 Quanto a questões do próprio enquadre: ele inclui não somente o modo 
de formulação do trabalho, mas também o objetivo, a frequência dos encontros, o 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
88 
lugar, os horários, os honorários e, principalmente, o papel que cabe a cada um, o 
papel de cliente e do profissional. 
 Quanto ao papel do Psicólogo: o psicólogo dispõe de conhecimentos e 
instrumentos de trabalho para ajudar o paciente a decifrar os seus problemas, ao 
encontrar uma explicação para os seus conflitos e para aconselhá-lo sobre a 
maneira mais eficiente de resolvê-los. 
 Quanto a não aceitação do paciente: se o cliente não acredita ou aceita 
atendimento psicológico, mas foi por ser enviado ao médico, é preciso que se diga a 
ele que se o médico nos enviou seu paciente e espera receber um informe 
psicológico, devemos explicar-lhe que mesmo que ele não acredite faremos alguns 
testes para poder enviar ao médico uma resposta conforme o que ele espera de nós. 
 Quanto à entrevista e observação: o campo da entrevista também não é 
fixo, ou seja, está sujeito a uma mudança permanente, assim percebemos que cada 
situação humana é sempre única e original; sendo assim, a forma de observar bem 
é ir formulando hipóteses enquanto se observa, e no transcorrer da entrevista 
verificar e retificar as hipóteses durante o seu próprioandamento, em função das 
observações subsequentes que, por sua vez, vão ser enriquecidas pelas hipóteses 
prévias. 
 Quanto a modificações no enquadre: o enquadre funciona como um tipo 
de padronização da situação estímulo para ele, mas que deixe de oscilar como 
variável para o entrevistador, caso o enquadre sofra alguma modificação (por 
exemplo, porque a entrevista é realizada em um lugar diferente), essa modificação 
deve ser considerada como uma variável sujeita à observação, tanto como o próprio 
entrevistado. 
 Quanto ao papel do Psicólogo na devolução: a recomendação da 
estratégia terapêutica mais adequada deve ser formulada e devidamente 
fundamentada pelo profissional e na entrevista final anunciada. Na entrevista final, 
agimos ativamente, pois vamos dar nossa opinião sobre o que ocorre e caso o 
paciente não assimile todas as informações, é aconselhável que se marque mais 
uma entrevista. 
 Quanto a não aceitação do resultado do Psicodiagnóstico: muitas vezes o 
processo Psicodiagnóstico e nossas conclusões não são bem aceitos pelo paciente. 
Muitas vezes, o cliente ou seus responsáveis precisam de tempo para pensar, para 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
89 
assimilar o que lhes foi dito, e nós também precisamos de tempo para ratificar e 
retificar as nossas hipóteses. Assim, algumas vezes é necessário modificar o 
enquadre inicial no que se refere ao número de entrevistas e deixar mais espaço 
para concluir o processo com maior clareza. 
 Quanto à responsabilidade dos instrumentos: as instituições podem fixar 
os limites dentro dos quais vão se desenvolver o trabalho do psicólogo, como a 
duração de cada entrevista, o tipo de diagnóstico que se espera, o modo de deixar 
registrado e arquivado o material, o tipo de informe final, etc. Mas quando se trata de 
testes, do tipo de bateria a ser usada e a sua sequência, é de responsabilidade 
exclusiva do psicólogo. 
Segundo Arzeno (1995), para obter o campo particular da entrevista que 
descrevemos, devemos contar com um enquadre fixo que consiste na transformação 
de certo conjunto de variáveis em constantes. Dentro deste enquadre inclui-se não 
somente a atitude técnica e o papel do entrevistador como o temos descrito, mas 
também os objetivos, o lugar e a duração da entrevista. 
A importância do enquadre, segundo Arzeno (1995), é que ele seria o fundo 
ou a base; e o processo Psicodiagnóstico, a imagem do que, unindo ambos os 
conceitos (enquadre e processo) configurariam a situação terapêutica. E que fique 
claro que o enquadre seria o fator constante, e o processo seria aquilo que é 
variável, que se modifica. E no caso de um Psicodiagnóstico podemos fazer uso 
destes conceitos, pois mesmo que a situação não seja terapêutica, mas da mesma 
forma, precisamos observar o indivíduo para fazer um diagnóstico correto e 
devemos ter certeza de que aquilo que surgir será material do paciente (variáveis 
por ele introduzidas) e não nosso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
90 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 O PROCESSO DIAGNÓSTICO NA INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E IDADE 
ADULTA 
 
 
6.1 HISTÓRIA DO EXAMINANDO 
 
 
De acordo com Strauss (1999), a história do paciente também é considerada 
um dos recursos básicos de um diagnóstico e se desenvolve como outra interação 
clínica, no contexto de uma entrevista. 
Uma questão importante é que em muitos casos a função do psicólogo vai 
se restringir ao uso da entrevista e ao exame do estado mental, pois às vezes o 
paciente não é testável, dado ao grau de comprometimento de funções psíquicas ou 
cognitivas, onde quanto mais grave o estado do paciente, mais seu trabalho será 
parecido com o do psiquiatra. Sua função vai se restringir também ao uso da 
entrevista e ao exame do estado mental, dependendo dos objetivos, como o objetivo 
“avaliação compreensiva” que visa a uma intervenção terapêutica imediata ou o 
CONCLUINDO! 
Depois de tudo exposto que é 
impossível trabalhar sem um 
enquadre, embora existam 
profissionais, como citamos, 
que trabalhem dessa forma. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
91 
“entendimento dinâmico”, que visa à identificação de conflitos e possíveis fatores 
psicodinâmicos. Percebe-se que avaliações como essas têm caráter mais 
interpretativo, descritivo, formal e dinâmico. 
Cunha (2003) diz que quando se fala de história do paciente, pode ser 
investigado a: 
 História pessoal ou anamnese; 
 História clínica ou história da doença atual; 
 Avaliação psicodinâmica (perspectiva histórica para compreender a 
doença atual) 
“A anamnese ou a história pessoal pressupõe uma reconstituição global da 
vida do paciente, como um marco referencial em que a problemática atual se 
enquadra e ganha significação” (CUNHA, 2003, p. 59). 
 
 
 HISTÓRIA PESSOAL OU ANAMNESE: 
Existem inúmeros modelos de roteiros, diferindo apenas por serem mais ou 
menos completos, sendo que não podemos deixar de focar a necessidade de se ter 
em mente que não é uma simples entrevista de coleta de dados e datas, ou seja, 
todas as perguntas que fazemos devem ter como objetivo a construção da história 
do sujeito investigado, e bases sólidas para um diagnóstico e prognóstico futuros. 
Muitas vezes acontece de se coletar muitas informações que não contribuem 
para o entendimento do caso. Ao observar esse ponto precisa-se entender que a 
história pessoal deve ser coletada tendo em vista os objetivos do exame e o tipo e 
idade do paciente. E não esquecendo que é impossível coletar dados completos 
sobre a vida de um paciente. 
A história pessoal pode ser complementada com a história clínica. Assim, 
muitas vezes o psicólogo segue um esquema ou tópicos para que tenha referência e 
controle da sua investigação. 
E de acordo com Strauss (1999), a ênfase que é dada a cada esquema vai 
depender, de como acabamos de citar, do objetivo, tipo e idade do paciente. 
De acordo com Kaplan & Sadock (2007), a história pessoal do paciente 
permite compreender a doença do paciente e sua situação atual de vida, devendo-
 
 AN02FREV001/REV 4.0
92 
se ter uma compreensão minuciosa do seu passado e da sua relação com o 
problema emocional atual. 
Cunha (2000) apresenta tópicos que podem servir como pontos de 
referência para a exploração da vida do paciente. Kaplan & Sadock (2007) também 
detalham todos os tópicos a seguir: 
 
 CONTEXTO FAMILIAR: uma breve declaração sobre qualquer doença 
psiquiátrica, hospitalização e tratamento de familiares do paciente deve fazer parte 
da história familiar. Deve-se definir o papel que cada pessoa desempenha na 
criação e atual relacionamento com o paciente. Investiga-se também o 
conhecimento e a atitude da família para com a doença do paciente. O paciente 
deve descrever todos os membros da família. Aconselha-se construir um 
genetograma focalizando principalmente o núcleo familiar atual. Deve-se procurar 
descrever o contexto familiar por ocasião da concepção, as condições socioculturais, 
o clima das relações afetivas do casal ou da família, suas expectativas quanto à 
vinda de um bebê ou a existência de algum tipo de planejamento familiar, bem com 
as reações ante a gravidez. 
 
 HISTÓRIA PRÉ-NATAL E PERINATAL: aqui se considera a situação 
doméstica na qual o paciente nasceu e se o mesmo foi desejado e planejado, 
investiga-se se houve problemas com a gravidez e no parto; o estado emocional da 
mãe no nascimento; se havia problemas de saúde da mãe e consumo de álcool. 
Podemos dizer que procuramos nesse item esclarecer as condições em que se 
processou a gestação: idade da mãe e do pai à época; saúde física e mental dos 
dois; possível consanguinidade de ambos; se a mãe teve doenças infecciosas ou 
intoxicações, tombos ou acidentes; tentativas mecânicas ou químicas de aborto e 
até que mês elas foram praticadas; verificação da existência de estados tóxicos ou 
infecciosos responsáveis por transformações permanentes na estruturafetal. Quanto 
ao parto especificamente investiga-se se foi demasiado rápido ou lento, natural, a 
fórceps ou cesariana, se foi planejado ou realizado de emergência. Sobre este item, 
por vezes, se conseguem melhores informações com o pai que, no momento do 
parto, e logo a seguir, costuma estar em melhores condições emocionais e físicas do 
que a mãe para ser notificado pelo médico sobre as condições de nascimento do 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
93 
filho. Investigam-se também como os pais reagiram às mudanças ocorridas com a 
inclusão de um novo membro na família. 
De acordo com Knobel (1977), é muito importante conhecer a história de 
vida da criança, isto é, a sua história cronológica biopsicossocial e da família até o 
momento em que ela vem ao consultório, pois esta começa desde o momento da 
concepção e inclui todos os elementos que possam influir no desenvolvimento da 
criança. Mas, devemos lembrar que, na realidade, a investigação necessária não se 
refere somente ao processo evolutivo da criança em seu micromundo social, que é 
basicamente a sua família, mas também deve levar em consideração o macromundo 
social, com todas as influências socioeconômicas, políticas e culturais. 
 
 A PRIMEIRA INFÂNCIA (DO NASCIMENTO ATÉ OS TRÊS ANOS): 
Nesta fase, é de especial importância a qualidade da relação materno-infantil, desde 
a ligação simbiótica primária até a fase de separação/individuação, ou seja, é 
significativa a qualidade de interação mãe/bebê e algumas questões merecem 
atenção como a interação na hora da alimentação e no treinamento higiênico, 
questões de ansiedade de separação, que detalharemos a seguir: 
 
 HÁBITOS ALIMENTARES: aqui se investiga sobre como era a 
amamentação ou mamadeira e se houve problemas alimentares, pois indícios 
significativos sobre a experiência afetiva podem ser encontrados exatamente nos 
problemas na amamentação ou nos sintomas exacerbados de cólicas. Atenta-se 
também se houve dificuldades de sucção durante os primeiros dias de vida, durante 
quanto tempo a criança foi alimentada ao seio, condições em que se deu o processo 
de alimentação artificial, se tiveram problemas de vômitos ou desidratação. Essa 
parte deve ser investigada com bastante atenção, pois sabemos que uma atitude 
plenamente negativista por parte da criança no que diz respeito à alimentação pode 
ter causas patológicas graves ou ser uma forma de chamar a atenção. 
 NORMAS E ASPECTOS SOCIAIS: quando se fala em normas, é de 
suma importância obter dados sobre como era o treinamento da higiene, a idade em 
que ocorreu o controle dos esfíncteres, entrando assim na investigação os conflitos 
entre obediência e oposição. No que tange aos aspectos sociais, estes podem ser 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
94 
explorados, principalmente pela análise das ligações afetivas com irmãos e na 
competição pelo afeto dos pais, rivalidades, alianças. 
 SONO: nessa fase, em algumas crianças estão presentes pesadelos, 
sonambulismo, terrores noturnos, sono agitado, insônia ou sonolência durante o dia, 
ou seja, investigam-se todos os padrões do sono. Nessa fase podem aparecer 
distúrbios precoces nos padrões. Assim, deve ser investigado, pois muitos deles 
estão ligados a fatores afetivos e emocionais. Um exemplo seria a resistência que a 
criança por vezes apresenta para dormir em horário normal, assim como a 
propensão a passar durante a noite para a cama dos pais, sendo importante 
também, por razões óbvias, pesquisar até que idade a criança dormiu no quarto dos 
mesmos. 
 SAÚDE: questões ligadas à saúde da criança devem ser exploradas para 
que se descubra se estas têm alguma ligação com os problemas psicológicos. Aqui 
se sondam os primeiros dias de vida, se a criança teve febres altas, desidratação, 
possíveis intoxicações, assim como a superação das doenças chamadas de infantis 
e suas possíveis complicações, sendo importante investigar como esta criança 
reagia diante da doença e a atitude dos pais durante a mesma. 
 MOTRICIDADE: sondam-se questões como quando a criança caminhou, 
falou, quando começou a crescer os dentes, questões de desenvolvimento motor e 
de linguagem. Existem escalas próprias sobre maturidade motora, que em caso de 
necessidade podem ser consultadas, mas é aconselhável que sejam usadas com 
parcimônia e flexibilidade. 
 
Obs.: Sintomas especiais como roer unhas, chupar dedos, enurese, explosão de 
raiva, tiques, terrores noturnos, medos, devem ser investigados se tiveram 
continuidade depois dessa fase e como foram manejados pelos pais. 
 INFÂNCIA INTERMEDIÁRIA (03 A 11 ANOS): nessa faixa etária 
sondam-se temas importantes, como identificação de gênero, punições usadas no 
lar, pessoas que proporcionaram a disciplina e influenciaram a formação da 
consciência. De acordo com os autores citados, geralmente é nesta fase que há um 
alargamento da rede de relações sociais da criança, pelo ingresso na escolinha e 
paralelamente, no começo desta fase, a criança vê-se às voltas com a experiência e 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
95 
os conflitos, associados com a situação do triângulo edípico. Sendo importante 
enfatizar: 
 RELACIONAMENTO AFETIVO e SOCIAL: devem-se investigar dados 
sobre as primeiras amizades e relacionamentos pessoais. Determinar o número e a 
proximidade dos amigos, descrever se o paciente assumia um papel de líder ou de 
seguidor, bem como sua popularidade social e participação em atividades de grupo 
ou turma. A maior parte das solicitações de Psicodiagnósticos refere-se a algumas 
das três áreas da personalidade (afetivo, social e sexual), excluindo as solicitações 
de pareceres sobre problema de deficiência intelectual. Então, percebe-se que a 
coleta de informações provenientes dos pais e por vezes de outras pessoas se 
fazem necessárias. Histórias de pesadelos, fobias, urinar na cama, provocação de 
incêndios, crueldade com animais e masturbação compulsiva devem ser muito bem 
analisadas e exploradas, pois são importantes no reconhecimento de distúrbios 
psicológicos. Contudo, desde que a criança ou o adolescente tenha condições de 
comunicar-se nos termos que essa comunicação seja factível, deve ser a fonte de 
dados. 
 HISTÓRIA ESCOLAR: investigam-se as primeiras experiências 
escolares, especialmente se o paciente tolerava se separar de sua mãe no início. 
Padrões de afirmação, impulsividade, agressividade, passividade, ansiedade ou 
comportamento antissocial emerge nesse contexto escolar. Que fique claro que essa 
área deve ser investigada desde os primeiros contatos do paciente com a escola, se 
o problema tiver implicações de desajustamento escolar, caso não tenha, é 
suficiente sabermos se está estudando a série que lhe corresponde de acordo com a 
idade e se acompanha a turma. O desempenho escolar deve ser investigado 
considerando forças e fraquezas em determinadas áreas. 
 DINÂMICA FAMILIAR: aqui se deve entender o clima familiar no qual 
cresceu o paciente, nível de ajustamento dos pais, preferência ou rejeição em 
relação aos irmãos, ambiente alegre, descontraído ou opressivo e restrito. 
 INFÂNCIA TARDIA (DA PUBERDADE À ADOLESCÊNCIA): Kaplan & 
Sadock (2007) falam que nesta fase as pessoas começam a desenvolver mais 
independência de seus pais, por meio de relacionamentos com amigos e atividades 
em grupos, assim tenta-se identificar os valores dos grupos sociais e determinar 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
96 
quem eram as figuras que o paciente idealizava, para se chegar à autoimagem do 
paciente. 
 HISTÓRIA ESCOLAR/DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E MOTOR: 
exploram-se seus relacionamentos com professores e estudos, e interesses 
favoritos, tanto na escola, como em atividades extracurriculares, participação em 
esportes e hobbies, questionando sobre problemas emocionais e físicos que podem 
ter surgido nessa época. Questões como se aprendeu a ler e outras habilidades 
intelectuais e motoras, sobre disfunção cerebral mínima, e dificuldadesde 
aprendizagem também devem ser investigadas. 
 RELACIONAMENTOS SOCIAIS: investigam-se atitudes para com os 
irmãos e colegas, líder ou seguidor, popularidade social, participação em atividades, 
figuras idealizadas, agressividade, passividade, ansiedade e comportamento 
antissocial. Também é conveniente analisar fracassos, interrupções na vida escolar, 
por necessidade de trabalhar ou por outras razões, e o impacto que esta teve na 
vida do sujeito. 
 PROBLEMAS EMOCIONAIS, FÍSICOS E SEXUAIS: sonda-se questões 
como pesadelos, fobias, se ainda urina na cama, fugas, delinquência, uso de álcool 
e outras substâncias; tabagismo, problemas com peso, anorexia, bulimia, 
sentimentos de inferioridade, depressão e ideias e atos suicidas. Quanto à área 
sexual, exploram-se as primeiras experiências, atitudes frente a outro sexo, práticas 
sexuais, escolha e variabilidade de parceiros, dificuldades, conflitos e as reações da 
família frente ao desenvolvimento sexual. 
 
 IDADE ADULTA: aqui se investiga tudo a respeito da vida ocupacional, 
conjugal, educacional, militar (se prestou serviço a essa corporação), religiosa, 
social, sexual até chegar à atual situação de vida. 
 HISTÓRIA OCUPACIONAL: investiga-se a escolha da ocupação do 
paciente, a formação e a preparação necessária, conflitos relacionados ao trabalho, 
bem como ambições e objetivos de longo prazo, relacionamento no trabalho, 
descrevendo toda sua história ocupacional. Essa história deve ser investigada em 
continuidade às expectativas do adolescente em relação ao futuro acadêmico e/ou 
profissional, as concretizações que houve e êxitos e fracassos, trabalho atual, 
relações com chefias, colegas e subordinados e suas condições financeiras atuais. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
97 
 HISTÓRIA EDUCACIONAL: tendo uma base clara da imagem 
educacional do paciente, podemos entender sua origem social e cultural, sua 
inteligência, motivação e quaisquer obstáculos a sua realização. 
 HISTÓRIA DE RELACIONAMENTOS E CONJUGAL: o paciente aqui vai 
relatar a história de seu(s) casamento(s) ou relacionamentos significativos com 
pessoas com quem o paciente viveu por um período de tempo prolongado. Nessa 
área descreve-se a evolução do relacionamento, incluindo formas de lidar com 
dinheiro, dificuldades domésticas, atitudes ao cuidar dos filhos, como ele vive o 
relacionamento atual e outras questões. 
 HISTÓRIA SEXUAL: como grande parte da história sexual infantil não 
pode ser recuperada, deve-se investigar como o paciente aprendeu a respeito do 
sexo, quais eram as atitudes dos pais em relação ao desenvolvimento sexual, 
investigam-se sobre abusos sexuais na infância, histórias de masturbação, atitudes 
para com o sexo, sua orientação sexual, relações extraconjugais, distúrbios de 
ordem sexual, se apresenta doenças sexualmente transmissíveis e se usa 
contraceptivo. Essa área sexual pode ser explorada, até certo ponto e em certos 
casos, junto com a história conjugal. 
 
TABELA DE TRIAGEM DA HISTÓRIA SEXUAL DE ACORDO COM KAPLAN & 
SADOCK (2007): 
. 
Questões de triagem: 
a. Você é sexualmente ativo? 
b. Notou alguma mudança ou problema com o sexo recentemente? 
. 
Desenvolvimento: 
a. Aquisição de conhecimento sexual; 
b. Início da puberdade/menarca; 
c. Desenvolvimento da identidade e da orientação sexual; 
d. Primeiras experiências sexuais; 
e. Sexo no relacionamento amoroso; 
f. Experiências ou preferências diferentes ao longo do tempo; 
g. Sexo e idade avançada. 
Esclarecimentos de problemas sexuais: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
98 
a. Fase do desejo: 
Presença de pensamento ou fantasias sexuais; 
Quando ocorrem e qual o seu objetivo; 
Quem inicia o sexo e como? 
b. Fase da excitação: 
Dificuldade de excitação sexual (atingir ou manter ereções, 
lubrificação) durante preliminares e antes do orgasmo. 
c. Fase do orgasmo: 
Ocorre orgasmo? 
Manifesta-se cedo ou tarde demais? 
Com que frequência e sob quais circunstâncias o orgasmo ocorre? 
Se não há orgasmo, é por não está excitado ou ele não ocorre mesmo 
com excitação? 
d. Fase de resolução: 
O que acontece quando o sexo termina (contentamento, frustração, 
excitação continuada)? 
 
FONTE: KAPLAN & SADOCK , 2007. 
 
 
 HISTÓRIA MILITAR (se houver): sonda-se a adaptação do paciente no 
serviço militar, se ele participou de algum combate, se teve lesões prolongadas e a 
natureza de sua saída. 
 HISTÓRIA SOCIAL: Atém-se à vida social do paciente e à natureza de 
suas amizades, com ênfase na profundidade, na duração e na qualidade de seus 
relacionamentos; como é o relacionamento com pessoas do mesmo sexo e do sexo 
oposto, é isolado ou antissocial, motivos que levam o paciente a escolher e manter 
determinados relacionamentos, dificuldades para compartilhar ideias, interesses e 
afetos. 
 RELIGIÃO: procura-se descrever a origem religiosa dos pais e os 
detalhes da formação do paciente sob esse aspecto. Investiga-se se a família tinha 
ou tem atitude rígida ou permissiva para com a religião, qual a relação do paciente 
em relação à religião. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
99 
 HISTÓRIA LEGAL: aqui se averigua se o paciente deve algo à justiça, se 
o paciente já foi preso, se cometeu algum delito, se apresenta história de agressão e 
violência. 
 ATUAL SITUAÇÃO DE VIDA: descrever onde vive e com quem vive, 
como é a intimidade da família, questões de renda e outras. 
 
Enfim, finaliza averiguando como o sujeito lidou com situações críticas e 
fatores estressantes, sendo alguns normais como mudanças e crises que ocorrem 
ao longo da vida. 
 
OBSEVAÇÕES IMPORTANTES: é muito importante termos uma informação 
concreta da importância que cada um dos pais dá aos problemas do filho, grau de 
envolvimento e participação nesses problemas, assim algumas questões merecem 
atenção em relação à atitude dos pais: 
 Compete ao profissional criar um clima adequado para que o 
aconselhamento possa dar frutos, pois muitas vezes um dos pais não admite 
determinado aspecto do problema, ou o problema em si, tornando-se muito difícil 
aceitar as sugestões sobre aconselhamento que o orientador possa levantar no 
parecer; 
 Outras vezes acontece de os pais ocultarem ou colocarem em segundo 
plano o verdadeiro motivo da procura de assistência psicológica, e isto 
acompanhado de uma dose muito intensa de emoção e ansiedade. 
 Quando os pais, ao dar as informações sobre o filho, colocam, junto aos 
aspectos negativos, características positivas que valorizam e atenuam o possível 
aspecto destrutivo do conteúdo da problemática, isso é muito positivo em relação 
aos pais; 
 Outros pais idealizam muito o filho na hora da entrevista a ponto de não 
conseguir colocar para o psicólogo o problema e, ao que tudo indica, 
experimentando um grande envolvimento acompanhado de sentimentos de culpa, 
esquecem, literalmente, qualquer coisa de negativo em relação à criança ou ao 
adolescente. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
100 
De acordo com Adrados (1993), de acordo com a psicanálise, o profissional 
na hora da entrevista precisa atuar com grande tolerância e compreensão aceitando 
que a maior parte das motivações do comportamento humano são inconscientes, 
assim percebemos que mais importante que os fundamentos lógicos desse 
comportamento são as causas psicológicas distinguindo a realidade objetiva da 
realidade subjetiva do examinando. 
 
 HISTÓRIA CLÍNICA OU HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL: 
De acordo com Cunha (2003), a história clínica é chamada muitas vezes de 
história da doença atual por influência do modelo médico, mas quando se trata de 
um profissional como o psicólogo, este não pode categorizar quaisquer problemas 
como doença mental, pois embora envolva uma sintomatologia pertinente e que 
justifique uma intervenção clínica, pode não ser classificado como tal. 
Kaplan & Sadock (2007) afirmam que a história clínica, seja de doenças 
atuais ou passadas, pode proporcionar um quadro abrangentee cronológico dos 
eventos que levam ao momento atual de vida do paciente. Quanto mais detalhada a 
história da doença atual, mais preciso será o diagnóstico. Ela caracteriza a 
emergência de sintoma ou de mudanças comportamentais, numa determinada 
época, e sua evolução até o momento atual. 
Quando se começam a levantar dados da história clínica, já se tem 
conhecimento das queixas, dos motivos que levaram à consulta, de acordo com 
informações prévias dadas por alguém ou discriminadas no encaminhamento, mas 
ressaltando que sempre se deve averiguar a versão clínica do próprio paciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
101 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando se investiga os sintomas ou mudanças de comportamento é muito 
importante que sejam bem descritos, procurando localizar no tempo o seu 
aparecimento, tentando fazer associações com as circunstâncias de vida no 
momento, analisando seu impacto em diferentes áreas da vida pessoal ou dos 
demais, avaliando sua repercussão em atividades e relações da vida do 
entrevistado. 
Além da determinação do início da história clínica e de seu curso, ainda é 
necessário um levantamento da sintomatologia e das condições de vida do paciente 
no momento atual e da história psiquiátrica pregressa. 
 
 AVALIAÇÃO PSICODINÂMICA (perspectiva histórica para 
compreender a doença atual) 
Geralmente, é realizada integrada com a história, buscando uma relação 
entre a pessoa com seus problemas específicos atuais e as experiências de sua 
vida passada. 
FIQUE ATENTO! 
 
Muitas vezes, o paciente nega ter 
qualquer problema, nesse caso pode ser falta 
de insight, ou uma posição defensiva; ou ele 
pode estar sendo sincero e o que pode estar 
havendo é um encaminhamento por pressão do 
meio devido a comportamentos não aceitáveis 
ou intolerância de familiares ante uma crise. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
102 
Cunha diz que se pretende colocar a problemática presente numa 
perspectiva histórica, que permita compreender o transtorno dentro de um processo 
vital, em um contexto temporal, afetivo e social. 
Gabbard (1998) diz que a entrevista dinâmica não é uma sessão de 
psicanálise, trata-se de um modo específico de compreender os fatos. Os 
acontecimentos devem ser entendidos em função da época em que ocorreram, pois 
a sua repercussão psicodinâmica pode ser intensificada em meio a vários motivos 
como, por exemplo, uma crise de desenvolvimento. 
Assim, partimos das queixas, identificamos conflitos, pesquisamos causas, 
interrelacionamos conteúdos, reunimos e integramos informações que embasam o 
entendimento dinâmico no fluxo da história do paciente, ou seja, tudo vai ser 
explicado e justificado pelos dados históricos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IMPORTANTE! 
 
Caso o sujeito analisado seja uma criança ou um 
adolescente, o cuidado deve ser redobrado, pois 
deve ser feita uma investigação minuciosa 
examinando os enfrentamentos das questões 
psicodinâmicas da fase em que a criança ou 
adolescente se encontra, com isso tentando 
determinar se os problemas não estão 
circunscritos a estas fases de desenvolvimento. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
103 
Modelo de anamnese mais comum, utilizados por profissionais da área, 
exibido no site http://www.psiquiatriageral.com: 
 
IDENTIFICAÇÃO: aqui os dados são colocados na mesma linha, em 
sequência, como podemos ver abaixo: 
 Somente as iniciais do nome completo do paciente, uma vez que, por 
extenso, constará o mesmo do seu prontuário ou ficha de triagem (ex.: J.P.S.); 
 Idade em anos redondos (ex.: “28 anos”); 
 Sexo; 
 Cor: branca, negra, parda, amarela; 
 Nacionalidade; 
 Grau de instrução: analfabeto, alfabetizado, primeiro, segundo ou terceiro 
grau completo ou incompleto; 
 Profissão; 
 Estado civil – não necessariamente a situação legal, mas se o paciente se 
considera ou não casado, por exemplo, numa situação de coabitação; 
 Religião; 
 Número do prontuário. 
 
QUEIXA PRINCIPAL (QP): neste item, explicita-se o motivo pelo qual o 
paciente recorre ao serviço em busca de atendimento. Caso o paciente traga várias 
queixas, registra-se aquela que mais o incomoda e, preferencialmente, em não mais 
de duas linhas, bem sintetizadas e da forma que foi dita pelo paciente. 
 
HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA): esse item já foi muito bem 
detalhado anteriormente, então só sintetizando, podemos dizer que ele busca 
informações sobre a doença psíquica, “como” ela se manifesta, com que frequência 
e intensidade e quais os tratamentos tentados. 
 
HISTÓRIA PESSOAL (HP): coloca-se, de forma sucinta, separando-se cada 
tópico em parágrafos, dados sobre a infância, educação, escolaridade, 
relacionamento com os pais, relacionamento social, aprendizado sobre sexo, tudo 
que falamos anteriormente, enfim, tudo o que se refere à vida pessoal do paciente. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
104 
Mas que fique claro que não se titulam esses tópicos, apenas relata-se a que se 
referem cada um deles. Mais a frente mostraremos como este tópico deve ser feito. 
 
DE NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO: 
 Gestação (quadros infecciosos, traumatismos emocionais ou físicos, 
prematuridade ou nascimento a termo): 
 Parto (normal, uso de fórceps, cesariana); 
 Condições ao nascer; 
 Se o paciente foi uma criança precoce ou lenta; 
 Dentição; 
 Deambulação (ato de andar ou caminhar); 
 Como foi o desenvolvimento da linguagem e a excreta (urina e fezes). 
 
SINTOMAS NEURÓTICOS DA INFÂNCIA: 
 Medos; 
 Terror noturno; 
 Sonambulismo; 
 Sonilóquio (falar dormindo); 
 Tartamudez (gagueira); 
 Enurese noturna; 
 Condutas impulsivas (agressão ou fuga); 
 Chupar o dedo ou chupeta (até que idade); 
 Ser uma criança modelo; 
 Tinha crises de nervosismo, tiques, roer unhas. 
 
ESCOLARIDADE: 
 Anotar começo e evolução; 
 Rendimento escolar; 
 Especiais aptidões; 
 Dificuldades de aprendizagem; 
 Relações com professores e colegas; 
 Jogos mais comuns ou preferidos; 
 Divertimentos; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
105 
 Formação de grupos, amizades; 
 Popularidade; 
 Interesse por esportes; 
 Escolha da profissão. 
 
LEMBRANÇA SIGNIFICATIVA: 
 Perguntar ao paciente qual sua lembrança antiga mais significativa que 
consegue recordar, tendo como objetivo observar a capacidade de estabelecer 
vínculos, além do auxílio à compreensão da ligação passado/presente. 
 
PUBERDADE: 
 Época de aparição das primeiras mudanças: nas mulheres, a história 
menstrual (menarca, cólicas e cefaleias; alterações psíquicas, como nervosismo, 
emotividade, irritabilidade, depressão; menopausa, última menstruação). 
 
HISTÓRIA SEXUAL: 
 Aqui se registram as primeiras informações que o paciente obteve e de 
quem as primeiras experiências masturbatórias; início da atividade sexual; jogos 
sexuais; atitude ante o sexo oposto; intimidades, namoros; experiências sexuais 
extraconjugais; homossexualismo; separações; desvios sexuais. 
 
 
 
TRABALHO: 
 Registrar quando o paciente começou a trabalhar diferentes empregos e 
funções desempenhadas (sempre em ordem cronológica), regularidade nos 
empregos e motivos que levaram o paciente a sair de algum deles, satisfação no 
trabalho, ambições e circunstâncias econômicas atuais, aposentadoria. 
 
HISTÓRIA FAMILIAR (HF) 
Este item deve abrigar as relações familiares (começa pela filiação do 
paciente). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
106 
 Pais: idade; saúde; se mortos; causa e data do falecimento; ocupação; 
personalidade; recasamentos se houver, de cada um deles. Verificar se há caso de 
doença mental em um deles ou ambos; 
 Irmãos: idade; condições maritais; ocupação; personalidade. Indagar se 
há caso de doença mental. Apenas referir-se por iniciais; 
 Cônjuge: idade, ocupação e personalidade; compatibilidade; vida sexual; 
frigidez ou impotência; medidas anticoncepcionais; 
 Filhos: número;idades; saúde; personalidade. Também referir-se apenas 
pelas iniciais; 
 Lar: neste quesito, descrevem-se, em poucas palavras, a atmosfera 
familiar, os acontecimentos mais importantes durante os primeiros anos e aqueles 
que, no momento, estão mobilizando toda a família; as relações dos parentes entre 
si e destes com o paciente. 
 
HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP) 
Nesta etapa, investigam-se os antecedentes mórbidos do paciente. Devem 
constar somente as doenças físicas como viroses comuns da infância, desmaios, 
convulsões e sua frequência, doenças, operações, acidentes, traumatismos 
(sintomas, datas, duração), internações e tratamentos. 
 
EXAME PSÍQUICO (EP) 
O exame do estado mental será detalhado no próximo módulo. 
 
Obs.: nunca é demais lembrar que se evite o estilo romanceado e opiniões 
pessoais por parte de quem faz a anamnese. Frases curtas e objetivas, contendo 
dados essenciais, facilitarão a apreensão do caso. A utilização das palavras do 
paciente será produtiva na medida em que se queira explicitar, de maneira objetiva e 
clara, alguma situação ou característica relevante. 
 
 
ANAMNESE 
1. IDENTIFICAÇÃO: 
 
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107 
 Nome: 
________________________________________________________________ 
 Idade: 
_______________________________________________________________ 
 Sexo: 
_________________________________________________________________ 
 Cor: 
________________________________________________________________ 
 Nacionalidade: 
_______________________________________________________________ 
 Grau de instrução: 
___________________________________________________________________ 
 Profissão: 
______________________________________________________________ 
 Estado civil: 
_________________________________________________________________ 
 Religião: 
______________________________________________________________ 
 Número do prontuário: 
___________________________________________________________________ 
 
2. QUEIXA PRINCIPAL: 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) 
Aqui se trata apenas da doença psíquica do paciente: 
 Sintomas mais significativos: 
___________________________________________________________________ 
 Época em que começou o distúrbio: 
___________________________________________________________________ 
 Como vem se apresentando: 
___________________________________________________________________ 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
108 
 Sob que condições, você melhora ou piora: 
___________________________________________________________________ 
 Houve instalação súbita ou progressiva? 
__________________________________________________________ 
 Algum fato desencadeou a doença ou episódios semelhantes que 
pudessem ser correlacionados aos sintomas atuais? 
___________________________________________________________________ 
 Alguma coisa fazia prever o surgimento da doença? 
___________________________________________________________________ 
 Houve alguma alteração nos interesses, hábitos, comportamento ou 
personalidade? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 Quais as providências tomadas? 
___________________________________________________________________ 
 Já esteve em tratamento? 
___________________________________________________________________ 
 Como foi realizado? 
___________________________________________________________________ 
 Quais os resultados obtidos? 
___________________________________________________________________ 
 Houve internações? 
_____________________________________________________________ 
 Quais as causas da internação? 
___________________________________________________________________ 
 Explique, o mais claro e detalhado possível, o que sente atualmente: 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 Toma algum medicamento (doses, duração e uso)? 
___________________________________________________________________ 
 Caso não tome remédios, registra-se: “Não faz uso de medicamentos”. 
 
4. HISTÓRIA PESSOAL (HP) 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
109 
 De nascimento e desenvolvimento: Ex.: “Paciente declara ter nascido de 
gestação bastante complicada, parto cesárea...”. 
 Sintomas neuróticos da infância: Ex.: “J.P.S. informa ter urinado na cama 
até 10 anos de idade, além de chupar o dedo até sete anos. 
 Escolaridade: Ex.: “Afirma que chorava muito para não ir à escola...” 
 Lembrança significativa: Ex.: “Quando eu tinha uns cinco anos, uma 
pessoa da minha família desapareceu, ficamos desesperados...” 
 Puberdade: Ex.: “Paciente relata que os primeiros sinais da puberdade 
ocorreram aos 12 anos e que obteve informações sobre menstruação...” 
 História sexual: Ex.: “Nunca teve experiência sexual...” 
 Trabalho: Ex.: “Conta que aos 18 anos obteve seu primeiro trabalho como 
secretária numa empresa transportadora...” 
 Hábitos: Ex.: “Não faz uso de álcool, fumo ou quaisquer outras drogas” 
 
5. HISTÓRIA FAMILIAR (HF) 
 Pais: Ex: “J.P.S. é a quinta filha de uma prole de seis. Seu pai, J.C., 
falecido, em 1990, aos 60 anos, de infarto...” 
 Irmãos: Ex: “Seus irmãos são: A.M., 24 anos, solteiro, desempregado, 
descrito como violento, não se dá com ele...” 
 Cônjuge: Ex: J.P. coabita maritalmente com M., 35 anos, do lar, descrita 
como carinhosa, mas às vezes explosiva. 
 Filhos: Ex: “Tem dois filhos: J., de 8 anos, cursando a 2ª série do 1º grau, 
apontado como “carinhoso, mas cobra demais de mim e da minha mulher” 
 Lar: Ex: “Quanto ao seu lar, diz não uma das filhas, a mais nova, é muito 
desobediente, isso tem dificultado a relação entre eles...” 
 
6. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP) 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
FONTE: Adaptado de: Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com>. Acesso em: 10 
ago. 2011. 
 
 
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110 
 
6.2 ENTREVISTA INICIAL NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL 
 
 
Sabemos que trabalhar com crianças é diferente, pois o profissional tem que 
dominar as questões que ocorrem em cada fase do desenvolvimento, então esse 
profissional deve entender de psicologia evolutiva, conhecimentos básicos de 
fisiologia, neurologia e psicomotricidade que o possibilite identificar questões 
próprias da fase. Assim, existem essas peculiaridades na clínica com crianças que 
exigem especial atenção por parte desses profissionais, assim como uma 
investigação normal, torna-se de extrema importância esclarecer a razão do 
encaminhamento, o motivo da busca por psicoterapia e de quem parte a queixa 
principal. 
Pode-se dizer que a primeira entrevista é destinada à investigação clínica, a 
coleta da maior quantidade de dados sobre a história da criança, que requer 
informações obtidas com os relatos dos pais e/ou responsáveis, pela criança. 
Geralmente é solicitado aos pais que compareçam à entrevista inicial sem a criança, 
para que eles possam discorrer livremente sobre o motivo da consulta, assim, eles 
podem fornecer suas próprias teorias e temores sobre o comportamento do filho, 
que são informações valiosas, pois podem nos dizer algo sobre as crenças e 
estigmas dos pais em relação aos afetos e à própria dinâmica familiar. 
Depois de realizada a primeira entrevista com os pais, mantém-se o primeiro 
contato com a criança, que pode ser por meio de uma entrevista lúdica. Os pais 
devem conversar com a criança os motivos da sua ida a este profissional; assim, 
caso os pais não saibam, o psicólogo deve combinar isso com os pais. Dessa forma, 
no primeiro encontro com a criança,o psicólogo deve investigar se esta sabe por 
que está ali, e o que os pais falaram a ela sobre sua ida ao psicólogo. Fazendo isso 
se compreenderá as fantasias da criança a respeito do processo de 
Psicodiagnóstico, assim caso a criança esteja desinformada, deve-se fazer um breve 
relato superficial sobre o que foi falado com os pais, sem entrar em detalhes, mas 
sempre falando a verdade. 
Outros profissionais consideram útil fazer logo de início uma entrevista 
conjunta com pais e filho, assim se observaria como eles interagem entre si. Esses 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
111 
profissionais argumentam que, concomitante à obtenção da história da criança e do 
relato dos sintomas, o profissional deve estar atento às diversas formas de 
comunicações e trocas extraverbais entre os familiares. Mas há de se concordar que 
numa situação dessas, os pais ficariam preocupados sobre como falar dos filhos na 
frente deles e ficar boa parte do tempo medindo palavras. Então, essa modalidade 
pode não ser tão eficaz no objetivo de escuta aos pais, pois a entrevista não flui com 
a mesma naturalidade. Assim, a maioria dos profissionais concorda que esse tipo de 
entrevista conjunta deve ser deixada para o segundo encontro. 
Como já citamos várias vezes, e aqui no Psicodiagnóstico Infantil não seria 
diferente, é muito importante estabelecer primeiramente o rapport. Adrados (1982) 
diz que o rapport antecede à entrevista; é uma conversa informal, um bate papo, que 
tem como objetivo principal deixar o entrevistado à vontade. Ele antecede qualquer 
encontro, não só as entrevistas iniciais mais também e principalmente as 
subsequentes que são as entrevistas de aplicação de testes, no caso do 
Psicodiagnóstico infantil. E caso esse rapport não se desenvolva adequadamente, 
isso faz com que se desenvolvam, com relação ao entrevistador, fantasias que 
somente dificultarão a comunicação e/ou a transmissão de informações. 
Quando iniciamos o contato com a criança, logo na primeira hora de jogo a 
criança dramatiza, associa, desenha, modela e brinca, mostrando, sem saber, qual é 
a sua fantasia de doença e cura, assim já colhemos informações sobre o motivo 
latente da consulta e as fantasias de doença e cura, mas muitas vezes isso talvez 
não apareça exatamente na primeira hora de jogo e pode ser necessária outra hora 
para isso, ficando então a critério do profissional. Essa atividade pode ser 
complementada com o Desenho Livre, que traz muitas informações importantes. 
A Hora de Jogo Diagnóstico é um recurso técnico utilizado no processo 
Psicodiagnóstico com o objetivo de conhecer a realidade da criança que está sendo 
analisada, implicando no desenvolvimento de um vínculo breve para conhecer e 
compreender esta criança, isso de acordo com Efron (1979). Não se esquecendo de 
ressaltar que esse recurso tem começo, meio e fim em si mesmo, operando como 
unidade para o conhecimento inicial da criança, sendo os dados confirmados ou não 
com a testagem. 
As instruções mais importantes e específicas numa entrevista lúdica, de 
acordo com Cunha (2003), consistem em oferecer à criança a oportunidade de 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
112 
brincar, da forma que desejar, com todo o material lúdico disponível no consultório, 
esclarecendo para criança, de forma simples, questões sobre o tempo que poderá 
brincar, sobre o espaço, sobre os objetivos dessa atividade, onde possibilitarão 
conhecê-lo melhor para ajudá-lo. 
Quanto à postura do psicólogo, seria indicado em todos os casos, a de 
estimular a interação, compreendendo o momento, acolhendo, respeitando a 
criança, de forma que esta se sinta segura e aceita por este profissional, o que 
ajudará no estabelecimento de um bom rapport. 
Na entrevista lúdica, podem-se obter muitas informações que não seriam 
possíveis por meio das palavras. Assim, o profissional, acima de tudo, deve ser um 
bom observador, pois o papel do psicólogo na entrevista lúdica diagnóstica pode ser 
passivo (profissional apenas observa), mas também ativo (estando atento na 
compreensão e formulação das hipóteses, fazendo perguntas para esclarecer 
dúvidas sobre a brincadeira, e ainda participar da brincadeira, caso seja a vontade 
da criança). Então, percebe-se que as possibilidades de comunicação são mediadas 
utilizando-se a atividade lúdica; por meio de um brinquedo a criança pode expressar 
aquilo que vivencia no momento. 
No Jogo Diagnóstico existem alguns indicadores importantes para fins 
diagnósticos e prognósticos, em especial, para classificação do nível de 
funcionamento da personalidade, segundo Efron (1978): 
 Escolha de brinquedos e brincadeiras: essa escolha deve ser feita 
conforme a idade da criança, ou seja, deve atender o momento evolutivo emocional 
e intelectual que a criança se encontra. 
 Modalidade de brincadeira: quando se trata de optar pela modalidade, 
isso deve ser feito com cuidado, pois dependendo da modalidade vai-se detectar 
plasticidade, rigidez, estereotipia e perseverança. 
 Personificação: analisa a capacidade da criança para assumir e 
desempenhar papéis no brincar. 
 Motricidade: ao se analisar a motricidade poderá se perceber se há 
desenvolvimento neurológico e de fatores psicológicos e ambientais. 
 Criatividade: brincadeiras que exigem criatividade demonstrarão se a 
criança é plástica, tolerante e aberta para experiências novas. 
 
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113 
 Tolerância à frustração: que está relacionada ao princípio de prazer e de 
realidade e da aceitação de limites. 
 Capacidade simbólica: aqui demonstrará se a criança tem capacidade 
intelectual para resolução de conflito. 
 Adequação à realidade: aqui se faz uma avaliação das possibilidades 
egoicas e também aceitação de limites. 
 
No caso de estar lidando com crianças, é mais adequado trabalhar em uma 
sala que não seja o consultório do adulto, sendo mais conveniente utilizar uma sala 
que esteja preparada para brincar. Quanto ao material que será utilizado, no caso 
lúdico, deve ser apresentado a criança sem uma ordem aparente, em caixas ou 
armários, sempre com tampas ou portas abertas, devendo estar de acordo com a 
idade, sexo e interesses dessa criança. 
Os brinquedos mais usados são: 
 Papel; 
 Lápis preto e colorido; 
 Canetinhas; 
 Borrachas; 
 Apontador; 
 Régua; 
 Cola; 
 Fita adesiva; 
 Corda; 
 Tesoura; 
 Massa para modelar; 
 Argila; 
 Tinta; 
 Pincéis; 
 Bonecos e família de bonecos; 
 Marionetes; 
 Família de animais domésticos e selvagens; 
 Bloquinhos de construção; 
 Carros, aviões, caminhões; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
114 
 Bolas; 
 Armas de brinquedo; 
 Cowboys e índios; 
 Equipamentos de cozinha e ferramentas domésticas; 
 Equipamentos de enfermagem; 
 Quebra-cabeça; 
 Telefone; 
 Panos; 
 Jogos de competição; 
 Quadro negro. 
 Casinha. 
 
Podemos dizer que a avaliação psicológica ou Psicodiagnóstico, de acordo 
com Cunha configura uma situação com papéis bem-definidos, e com um contrato 
no qual uma pessoa, que é o paciente solicita ajuda, e o outro, que no caso é o 
psicólogo, aceita a esse pedido e se compromete a satisfazê-lo dentro de suas 
possibilidades, objetivando investigar alguns aspectos em particular, de acordo com 
a sintomatologia e informações da indicação ou queixa. Alguns autores como 
Nascimento (2005) afirmam que a avaliação psicológica não tem por objetivo 
somente identificar os aspectos deficitários ou patológicos do indivíduo, mas 
também reconhecer as suas capacidades e possibilidades, assim procura valorizar o 
que ele tem de melhor, para viabilizar seus potenciais. 
E se nos perguntarmos como se dá a utilização de testes em crianças? 
Quais seriam os testes utilizados? Os instrumentos de avaliação de crianças 
possuem aspectos peculiares em relação àqueles de aplicação em adultos, pois 
como já citamos anteriormente, a criança é um indivíduo em desenvolvimento, 
apresentando assimcaracterísticas distintas dependendo da idade em que se 
encontram, então, alguns instrumentos de avaliação infanto-juvenil devem 
apresentar versões específicas para as diferentes faixas etárias. Citaremos alguns 
posteriormente. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
115 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IMPORTANTE! 
 
Na seleção da bateria de testes, no Psicodiagnóstico 
infantil, o psicólogo deve ser muito cuidadoso, 
cauteloso, não só na escolha, como também para 
analisar os resultados, procurando aproximá-los da 
realidade social da criança, não se prendendo somente 
a parâmetros meramente quantitativos, mas 
principalmente, qualitativos. Que fique claro que não 
há uma bateria padrão de testes a ser empregada com 
toda criança, mas a necessidade de cada caso ser vista 
cuidadosamente e dentro das especificidades da 
criança analisada se escolhe o material. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
116 
6.3 TESTES QUE PODEM SER UTILIZADOS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL 
 
 
 Entrevista Familiar Estruturada: técnica que pretende trazer à tona o 
dinamismo do funcionamento familiar, possibilitando a realização, em tempo mais 
curto, de uma avaliação das relações familiares. 
 Teste de Maturidade Mental Colúmbia: fornece uma estimativa da 
capacidade de raciocínio geral de crianças de três anos e meio a nove anos e 11 
meses. 
 Escala de Transtorno de Deficit de Atenção/Hiperatividade: 
instrumento que pretende avaliar sintomas comportamentais do TDAH, no contexto 
escolar, tendo o professor como fonte de informação. 
 Teste das Fábulas: teste projetivo adequado para detectar crises 
situacionais e de desenvolvimento; conflitos neuróticos, transtornos neuróticos e 
psicóticos, entendimento psicodinâmico da criança e acompanhamento da evolução 
do caso, durante o processo terapêutico. 
 ESI – Escala de Stress Infantil: escala que se propõe a verificar a 
existência ou não de stress em crianças de seis a 14 anos, determinando o grau de 
reação ao stress mais frequente apresentada pela criança. 
 R2 – Teste de Inteligência não verbal: teste de inteligência não verbal 
que avalia mais especificamente o “fator g” da inteligência em crianças de cinco a 11 
anos. 
 Bender – Sistema de Pontuação Gradual: teste para avaliar a 
maturação perceptomotora em crianças de seis a 10 anos. 
 Desenho da Figura Humana III: teste que utiliza o desenho da figura 
humana como medida do desenvolvimento cognitivo e de desenvolvimento 
conceitual em crianças de cinco a 12 anos. 
 Raven Escala Especial: avaliação da inteligência geral em crianças de 
cinco a 11 anos (desenvolvimento intelectual). 
 TDE - Teste de Desempenho Escolar: avaliação do desempenho de 
alunos em escolas a fim de dimensionar quais áreas da aprendizagem apresenta 
eventuais dificuldades. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
117 
De acordo com Winnicott, os testes devem ser utilizados da seguinte 
maneira: ele propõe uma linha de pensamento para a escolha dos testes, saindo dos 
mais lúdicos (técnicas projetivas gráficas) para se chegar aos mais estruturados, 
como os de inteligência, ressaltando uma análise qualitativa da produção obtida 
nesses testes, levando-se em conta os fatores emocionais que possam estar 
interferindo no desempenho intelectual da criança. 
 
 
 
6.4 FANTASIAS SOBRE A DOENÇA 
 
 
E quando tocamos num assunto importante, que é a fantasia dos pais e da 
criança em relação à doença ou ao seu diagnóstico, percebemos que essas 
fantasias nem sempre coincidem; às vezes, para a mãe, toda a patologia do filho é 
devido a que ela tem sido condescendente demais na educação do menino desde o 
início, já o pai pode pensar da mesma forma e dizer-nos que na realidade para ele 
tudo vai se resolver quando o menino for crescendo, porque tudo pode ser corrigido 
exclusivamente com a experiência, ou seja, a vida ensina a cada um como resolver 
os seus problemas. A criança, por sua vez, pode ter a fantasia de que o seu 
problema seja incurável e tem muito medo de não poder ser ajudado – detectar isto 
é importante porque nos informa que as resistências são muitas. 
Não podemos esquecer-nos de citar um fator bastante importante sobre as 
fantasias advindas da mãe: suas fantasias de cura são vindas de fora, e deixam 
pouca margem para a reparação de um dano causado em uma época passada que 
não pode ser modificada. Quanto às fantasias do pai, podemos dizer que elas giram 
em torno de que o homem se faz a pancadas, descarta a possibilidade de ajudar o 
filho e, ainda mais, desqualifica qualquer intervenção reparadora. A fantasia da 
criança é a de que tem uma doença incurável. Tudo isso alertará ao terapeuta em 
relação ao enquadre de sua tarefa, e a ser muito cauteloso na entrevista final para 
ajudar aos pais de forma que revejam a sua concepção da vida, da doença e da 
cura. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
118 
Segundo Arminda Aberastury (1978), a fantasia de doença e cura é 
considerada como algo muito importante a ser levado em consideração na primeira 
hora do jogo diagnóstico. Ela diz que a criança é capaz de estruturar, por meio dos 
brinquedos, a representação de seus conflitos básicos, suas principais defesas e 
fantasias de doença e cura, deixando em evidência, já nos primeiros encontros do 
acompanhamento, o seu funcionamento mental. Aberastury (1982), além de 
evidenciar o valor diagnóstico da entrevista lúdica, tentou diferenciar a hora do jogo 
diagnóstica com a hora do jogo terapêutica. 
 
Arzeno recomenda incluir e correlacionar: 
 Em crianças pequenas: horas do jogo, desenho livre, técnicas projetivas; 
 Em crianças com mais de dez anos, adolescentes e adultos: entrevista, 
desenho livre, técnicas projetivas. 
 
O objetivo é a de que encontraremos resultados coincidentes (recorrentes ou 
convergentes). 
Arzeno (1995) enfatizou o conceito de fantasia de análise que vai se 
desenvolvendo ao longo do tratamento. Esse conceito diz respeito a algo que está 
ali, dentro dela; é algo diferente de si mesmo, é algo que é sentido como 
egodistônico (do contrário não seria fantasia de doença) e que exerce uma enorme 
influência sobre si mesmo (self) e com o qual existe um determinado tipo de vínculo. 
Por isso seria muito importante estudar o material dos testes e das entrevistas, 
tentando encontrar essas fantasias. 
Assim, quase no encerramento da primeira entrevista, costumamos explicar 
ao paciente e/ou aos seus pais, que deverá fazer alguns desenhos, inventar 
algumas histórias, etc., e que logo após haverá a reunião para conversar sobre os 
resultados. E quando estiver prevista uma entrevista familiar, devemos também 
adverti-lo com o tempo, que normalmente não há resistência quando é dito que 
desejamos conhecer como é a família quando estão todos juntos. 
Durante a hora do jogo diagnóstico e das entrevistas familiares diagnósticas, 
nosso papel será o de um observador não participante ou participante; em alguns 
casos, o mesmo acontece no momento de aplicar os testes. Somente após colher a 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
119 
produção espontânea do indivíduo deve-se intervir mais ao fazer algum inquérito e 
inclusive algum exame de limites. 
É importante ressaltar que o contrato, no caso do Psicodiagnóstico infantil, 
deve ser feito não só com os pais ou responsáveis, mas também com a criança. E 
ainda, que o psicólogo deve assumir uma postura permeável e aberta com a 
intenção de não estabelecer condições que logo se tornem insustentáveis, ou por 
falta de limites ou por limites muito rígidos. Isso implica em dizer que logo que o 
cliente exponha a queixa inicial, os elementos imprescindíveis do contrato devem ser 
marcados, deixando os mais variáveis para serem abordados no final da entrevista 
inicial. 
 
6.5 ESCOLHA DA ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA ADEQUADA 
 
 
Depois de tudo que já foi falado, já dá para termos uma ideia que um 
Psicodiagnósticocompleto e corretamente administrado permite-nos estimar o 
prognóstico do caso e a estratégia mais adequada para ajudar o cliente, assim 
poderemos usar entrevistas de esclarecimento, de apoio, terapia breve, psicanálise, 
terapia de grupo, familiar ou vincular, sistêmica ou estrutural; análise transacional, 
gestáltica, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 AN02FREV001/REV 4.0
118 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
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MÓDULO IV 
 
 
7 ENTREVISTAS, TESTES E EXAME DO ESTADO MENTAL 
 
 
Tudo se modifica com o passar do tempo e com a entrevista psicológica não 
foi diferente: ela sofreu algumas modificações no início do século XIX, quando 
predominava totalmente o modelo médico. Ainda naquela época, Kraepelin usava a 
entrevista com o objetivo de detalhar o comportamento do paciente, e, assim, poder 
identificar as síndromes e as doenças específicas que as classificavam segundo as 
doenças vigentes; já Meyer se interessava pelo enfoque psicobiológico, que visava 
aos aspectos biológicos, históricos, psicológicos e sociais do entrevistado. 
Já na época de Anna Freud o interesse da entrevista se deslocou para as 
defesas do paciente, defesas estas, muito bem discutidas por Freud. Assim a 
psicanálise teve sua influência na investigação dos processos psicológicos, sem 
enfatizar o aspecto diagnóstico, antes valorizado e centrado no modelo da medicina. 
Com a técnica Análise Associativa, criada na década de 50 por Deutsch e 
Murphy, considerava-se importante registrar não somente o que o paciente dizia, 
mas também, em fornecer informações sobre o mesmo, desviando-se assim o foco 
sobre o comportamento psicopatológico para o comportamento dinâmico. 
Já Carl Rogers procurava compreender significados e componentes 
emocionais, tendo como base a sua aceitação incondicional por parte do 
entrevistador. 
Esses são os fatos mais importantes que aconteceram e fizeram com que a 
entrevista assumisse a importância que ela tem hoje no processo psicoterápico e do 
psicodiagnóstico. 
Agora falaremos das técnicas, e muitas são usadas para se fazer a 
avaliação psicológica, mas que fique claro aqui que não são apenas os testes que 
constituem a avaliação, ela é feita por meio de observações, da entrevista e mesmo 
da aplicação de testes e inventários. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
120 
Segundo Alchieri e Cruz (2004), a avaliação psicológica perpassa por três 
dimensões: 
 Dimensão observacional; 
 Dimensão inquiridora; 
 Dimensão representativa. 
 
A dimensão observacional é centrada na manifestação da conduta e 
expressa o mais imediato dos meios para emitir uma apreciação da ação e reação 
do avaliando; aqui as atividades estão representadas na ação de observar e 
categorizar conteúdos, onde podemos exemplificar essa dimensão por meio da 
observação do comportamento infantil no jogo, na forma, conteúdo e estrutura de 
suas atividades. 
A dimensão inquiridora, segundo Alchieri e Cruz (2004), representa a 
possibilidade de verificação mediada pela autopercepção do avaliando, de suas 
manifestações comportamentais e cuja expressão centra-se no diálogo estabelecido 
entre avaliador e avaliando. Esta dimensão pode ser representada de duas formas: 
 Escrita por meio de: 
 Questionários; 
 Inventários. 
 Verbal por meio de: 
 Entrevistas 
 
A dimensão representativa é a medida de comportamentos correlatos; 
representa o uso de procedimentos de avaliação e medida do comportamento 
pretendido, nela se verifica o comportamento por meios de provas similares de 
medidas dos aspectos identificados anteriormente, ou seja, os testes de ação do 
comportamento. Aqui os testes representam ações, reações, condutas, expressões 
de afetos ou habilidades cujo interesse do avaliador está em representar uma 
expressão do comportamento antes mesmo de sua emergência. 
 
1. Dimensão Observacional: 
 Foco na ação; 
 Conteúdo: comportamento. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
121 
2. Dimensão Inquiridora: 
 Foco por meio da entrevista; 
 Conteúdo: relação entre avaliador e avaliando. 
3. Dimensão representativa: 
 Foco no comportamento; 
 Conteúdo: ação representativa. 
 
 
7.1 ENTREVISTA 
 
 
A entrevista é uma técnica, mas deve ser vista como um contato social entre 
duas ou mais pessoas. Ela não é única, existem várias formas de abordá-la de 
acordo com seu objetivo específico (que determinam suas estratégias, seus 
alcances e seus limites) e a orientação do entrevistador. 
 
Definições: 
 A entrevista clínica pode ser entendida como um conjunto de técnicas de 
investigação, que tem o seu tempo delimitado e é direcionada por um profissional 
treinado, que vai utilizar conhecimentos psicológicos, com o objetivo de descrever e 
avaliar os aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos (indivíduo, casal, família, 
rede social) do entrevistado, em um processo que visa a fazer recomendações, 
encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas 
entrevistadas (CUNHA, 2003); 
 É um processo bidirecional de interação, entre duas ou mais pessoas com 
o propósito previamente fixado no qual uma delas – o entrevistador – procura saber 
o que acontece com a outra, o entrevistado, procurando agir conforme esse 
conhecimento (NUNES apud CUNHA, 1993); 
 “Um campo de trabalho no qual se investiga a conduta e a personalidade 
de seres humanos.” (BLEGER, 1960, p. 21); 
 A entrevista é parte de um processo, ou melhor, um processo de 
avaliação, que pode ocorrer em apenas uma sessão e ser dirigido a fazer um 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
122 
encaminhamento, ou a definir os objetivos de um processo psicoterapêutico 
(CUNHA, 2003); 
 É um procedimento poderoso que é capaz de adaptar-se à diversidade de 
situações clínicas relevantes e de fazer explicitar particularidades que escapam a 
outros procedimentos, principalmente aos padronizados; 
 “Uma forma especial de conversão, um método sistemático para entrar na 
vida do outro, na sua intimidade.” (RIBEIRO, 1988, p. 154); 
 É a única técnica capaz de testar os limites de aparentes contradições e 
de tornar explícitas características indicadas pelos instrumentos padronizados, 
dando a eles validade clínica, por isso, a necessidade de dar destaque à entrevista 
clínica no âmbito da avaliação psicológica; 
 É tida como uma técnica, dentre outras, de extrema relevância, 
principalmente porque subexiste ao dia a dia tornando-se cada vez mais eficiente e 
imprescindível, constituindo-se como ponto fundamental para o alcance de uma 
visão global e, consequentemente, deuma conclusão diagnóstica, a respeito do 
cliente (ADRADOS, 1982); 
 “Uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar 
dados e a outra se apresenta como fonte de informação.” (GIL, 1999, p. 117). 
 
Mas o que seria a técnica? 
 Esta é conceituada como uma série de procedimentos que possibilita 
investigar os temas em questão, permitindo o alcance dos objetivos primordiais da 
entrevista, que são descrever e avaliar, ou seja, levantar informações, a partir das 
quais se torna possível relacionar eventos e experiências, fazer inferências, 
estabelecer conclusões e tomar decisões; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
123 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O aspecto avaliativo de uma entrevista inicial muitas vezes confunde-se com 
a psicoterapia que se inicia, devido: 
 Ao processo de avaliação que é complexo e exige um conjunto 
diferenciado de técnicas de entrevistas e de instrumentos e procedimentos de 
avaliação, como, por exemplo, além da entrevista, os instrumentos projetivos ou 
cognitivos, as técnicas de observação, etc.; 
 Ao aspecto terapêutico intrínseco a um processo de avaliação e ao 
aspecto avaliativo intrínseco à psicoterapia. 
Percebe-se que ao vermos a entrevista como um processo ou parte do 
processo do psicodiagnóstico consegue-se vislumbrar seu papel e o seu contexto ao 
lado de uma grande quantidade possível de procedimentos em psicologia. 
Uma das características da entrevista é a de ser dirigida, então, mesmo nas 
chamadas entrevistas livres é necessário um direcionamento, o reconhecimento de 
VOCÊ SABIA! 
 
Segundo alguns autores, essa investigação se dá 
dentro de domínios específicos da psicologia clínica 
e leva em consideração conceitos e conhecimentos 
amplos e profundos nessas áreas. Esses domínios 
incluem, por exemplo, a psicologia do 
desenvolvimento, a psicopatologia, a psicodinâmica, 
as teorias sistêmicas. Aspectos específicos em cada 
uma dessas áreas podem ser priorizados como, por 
exemplo, o desenvolvimento psicossexual, sinais e 
sintomas psicopatológicos, conflitos de identidade, 
relação conjugal, etc. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
124 
seus objetivos pelo entrevistador, pois é no intuito de alcançar os objetivos da 
entrevista que o entrevistador estrutura suas intervenção. 
Às vezes, o indivíduo tenta dar outros rumos ou direcionamento à entrevista 
e nesse momento o entrevistador precisa estar preparado para lidar de forma a 
otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa. 
Existem alguns momentos em que o entrevistador define direções: 
 Quando confronta defesas; 
 Reconhece afetos; 
 Pede esclarecimentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Algumas funções específicas do entrevistador, segundo Anastasi (2000) e 
Cunha (2003): 
 É dele a responsabilidade pela condução do processo e pela aplicação de 
conhecimentos psicológicos em benefício das pessoas envolvidas; 
 É responsabilidade dele dominar as especificidades da técnica e a 
complexidade do conhecimento utilizado; 
 É responsabilidade delimitar (estruturar) o processo em seus aspectos 
clínicos; 
 Assumir essas responsabilidades profissionais pelo outro tem aspectos 
éticos fundamentais, significa reconhecer a desigualdade intrínseca na relação que 
dá uma posição privilegiada ao entrevistador; 
CONCLUINDO! 
 
Toda entrevista, qualquer tipo que 
seja, tem alguma forma de 
estruturação no sentido de alcançar os 
objetivos desejados e assim tanto o 
entrevistador como o entrevistado têm 
atribuições diferenciadas de papéis na 
entrevista. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
125 
 É responsabilidade dele compreender algo de natureza psicológica, para 
poder fazer alguma recomendação, encaminhamento ou sugerir algum tipo de 
tratamento ou intervenção; 
 É responsabilidade zelar pelo interesse e bem-estar do outro; 
 Também é do entrevistador a responsabilidade de reconhecer a 
necessidade de treinamento especializado e atualizações constantes ou periódicas. 
Cunha (2003) diz que a complexidade dos procedimentos específicos de 
cada tipo de entrevista clínica, dos conhecimentos psicológicos envolvidos e dos 
aspectos relativos à competência do entrevistador, necessário para sustentar uma 
relação interpessoal de investigação clínica, requerem treinamento especializado; ou 
seja, Cunha nos diz que os resultados de uma entrevista dependem largamente da 
experiência e da habilidade do entrevistador, além do domínio da técnica. 
A entrevista clínica deve ter como beneficiário direto as pessoas 
entrevistadas, mas nos dias de hoje, quanto aos psicólogos, têm de haver, cada vez 
mais, terceiros envolvidos, como escolas, juízes, empregados, empresas de seguros 
e etc.; isso fica um pouco obscuro. Nesse sentido é necessário o psicólogo definir 
em que sentido quem é o cliente (empresa ou empregado, por ex.), que demandas 
são apropriadas ou não e ter explícito o conflito; com essas atitudes o psicólogo 
poderá estabelecer a conduta apropriada a cada uma das situações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IMPORTANTE! 
Deve haver a delimitação temporal 
para que fique claro o início e o fim de 
determinado processo. Assim, 
podemos citar o processo de 
entrevista, que não há um contrato de 
continuidade como em um processo 
terapêutico, embora, a entrevista 
clínica resulte em um contrato 
terapêutico. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
126 
 
Essa delimitação temporal que o profissional deve fazer entre a entrevista 
inicial e o processo terapêutico tem a função de explicitar as diferenças existentes 
entre os dois procedimentos e dos papéis diferenciados do profissional nas duas 
situações. 
Com essa delimitação o profissional define o setting e fortalece o contrato 
terapêutico, que pode ser consolidado como conclusões das entrevistas iniciais, 
sendo que as recomendações, o encaminhamento ou a definição de um setting e 
contrato terapêutico podem ocorrer integrados como parte de uma única sessão de 
entrevista ou podem ser reservados para uma entrevista designada exclusivamente 
para este fim, que chamamos de entrevista de devolução, demarcando, de maneira 
mais precisa, o término do processo de avaliação. 
A entrevista é uma relação humana entre duas pessoas com características 
particulares, devendo assim coletar dados completos do comportamento do 
indivíduo, ter uma função de escuta, de observar e vivenciar o que houve. 
Na entrevista deve-se estar atento aos fatores como ao grau de ansiedade. 
Isso surge porque ambos estão diante de uma situação desconhecida, implicando 
numa desorganização da personalidade de cada um dos participantes; esta 
desorganização poderíamos dizer que é o fator causador da ansiedade. Sendo 
assim, durante a sessão, podem aumentar a ansiedade e os mecanismos de defesa, 
pois o desconhecido pode ser perigoso em relação à própria personalidade. Em 
alguns casos a ansiedade deve ser instrumentalizada. 
De acordo com Bleger (1980), a entrevista se diferencia de acordo com o 
beneficiário do resultado, assim fica claro que há a entrevista que se realiza em 
benefício do entrevistado (consulta psicológica ou psiquiátrica); existe a entrevista 
cujo objetivo é a pesquisa, valorizando, apenas, o resultado científico da mesma; e 
ainda a entrevista que se realiza para terceiros (serviço a uma instituição). 
Já Gilliéron (1996) se refere à entrevista em termos de anamnese, citando 
que se podem estudar os comportamentos do paciente praticamente em relação a 
dois eixos: do ponto de vista histórico (a anamnese do sujeito que permite a 
observação dos comportamentos repetitivos que dão uma ideia exata da sua 
personalidade) e do ponto de vista da observação, que também fornece indicações 
muito precisas sobre a organização da sua personalidade. 
 
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127 
De acordo com Erickson (apud KAPLAN E SADOCK, 2007), algumas 
recomendações devem ser aplicáveisao processo de entrevista psicológica: o 
tempo de entrevista deve ser marcado e o entrevistador deve tomar esse cuidado 
para não extrapolar ou mesmo terminar antes; deve-se limitar o número de assuntos 
em cada sessão para não confundir o entrevistado com um bombardeio de 
assuntos; o entrevistador deve usar expressões mais vagas ao invés de EU; o 
entrevistador deve ter o cuidado para não transformar a entrevista numa conversa 
social, assim como também o término da entrevista não deve transformar-se numa 
conversa social, sem ter nenhuma relação com os problemas discutidos; indica-se 
ao entrevistador que faça um resumo do que foi discutido, podendo este fazer uma 
síntese de tudo ao entrevistado; uma forma de iniciar a entrevista é usando algumas 
expressões como: “Como posso ajudá-lo?”; a atitude do entrevistador deve ser de 
aceitação completa das vivências do entrevistado, não devendo haver discussão dos 
pontos de vista de um ou de outro quando forem divergentes e também o 
entrevistador não deve completar as frases do entrevistado; pausas e silêncios são, 
na maioria das vezes, constrangedores para o entrevistador, possivelmente, nesse 
momento de silêncio o entrevistado está revivendo experiências que não consegue 
expressar verbalmente e caso essas pausas sejam longas, o que o entrevistador 
deve fazer é retomar um tópico anterior que estava sendo discutido; devem-se evitar 
perguntas que induzam respostas do tipo “sim” ou “não” e tentar nunca interromper o 
fluxo do pensamento do entrevistado, a não ser que ele se perca em ideias que 
fogem dos tópicos da entrevista. Com essas dicas de Erickson pode-se realizar uma 
entrevista bastante proveitosa e sem deslizes. 
Gil (1999) diz que as entrevistas podem ocorrer em duas modalidades. A 
primeira modalidade que ele enumera é a face a face (que ele diz ser a tradicional) e 
a segunda por telefone, a qual a caracterizaremos agora. 
Assim como a tradicional, ela tem vantagens e desvantagens. As vantagens 
seriam por conta dos custos, que seriam mais baixos, da facilidade na seleção da 
amostra; maior aceitação dos moradores das grandes cidades, que temem abrir 
suas portas para estranhos, mais rápida, e a facilidade de agendar o momento mais 
apropriado para a realização da entrevista. As desvantagens estariam ligadas às 
limitações havendo: menor quantidade de informações; muitas vezes interrupção da 
entrevista pelo entrevistado; impossibilidade de descrever as características do 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
128 
entrevistado ou observar seu comportamento ou as circunstâncias em que se 
realizou a entrevista. 
Foddy (2002) aconselha o investigador ou entrevistador a usar expressões 
como: “Por acaso você...”; assim revelaria uma atitude casual e comum por parte do 
entrevistador; tentar olhar o entrevistado bem nos olhos, e colocar a pergunta sem 
rodeios de modo a que eles tenham dificuldade em mentir; colocar as perguntas 
causadoras de ansiedade ou perturbadoras na parte final da entrevista de modo que 
as respostas não sofram qualquer consequência desse efeito; usar técnicas 
projetivas para conseguir algumas informações desejadas, ou seja, de forma 
indireta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VOCÊ SABIA! 
 
Há algumas informações que o entrevistador não 
pode deixar passar, pois embora sejam mínimas, 
elas podem ter grande repercussão no 
entrevistado. Uma delas é que o entrevistador não 
deve expor suas reações e nem sua história de 
vida, não deve permitir que o entrevistado o 
considere um amigo e nem entrar em relação 
comercial que não seja o pagamento dos seus 
honorários. O entrevistado deve ser recebido com 
cordialidade, e não de forma efusiva. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
129 
De acordo com Bleger (1980), o entrevistado que fala muito não traz à tona 
aspectos relevantes das suas dificuldades, um desses aspectos revelados nessa 
circunstância é evitar uma verdadeira comunicação. 
E quando se trata do silêncio? O que pode significar esse silêncio? Como 
agir diante dessa circunstância? Alguns autores dizem que o silêncio é uma 
expressão não verbal que muitas vezes comunica bem mais que as palavras, e ele é 
geralmente o fantasma do entrevistador iniciante. Ele também pode ser considerado 
uma tentativa de encobrir algo a qual o sujeito não consegue enfrentar. 
Agora veremos alguns “silêncios” que podem ocorrer com frequência 
durante uma entrevista ou sessão psicoterápica, citados por Castilho (1995): 
 
 De reflexão: este tipo de silêncio pode aparecer após um feedback, uma 
intervenção do entrevistador ou depois do entrevistador ter passado por algum tipo 
de vivência. Nele não há tensões, há um recolhimento introspectivo de elaboração 
mental, ou seja, é como se o entrevistado estivesse elaborado o conteúdo liberado 
pelo entrevistador. 
 De medo: nesse tipo de silêncio o entrevistado fica com medo como se 
tentasse fugir de uma situação psicologicamente ameaçadora; é um silêncio tenso. 
 Silêncio de tensão: este tipo de silêncio já expressa ansiedade, assim 
podemos observá-lo por meio da postura corporal que pode expressar tensão ou 
inquietude, da sua respiração ofegante, do tamborilar dos dedos. 
 De desinteresse: aqui o entrevistado perde o foco da atenção, camufla 
resistência, se desinteressa pela situação externa porque interiormente ela o atinge. 
 
De acordo com Gori (2002), a transferência e a contratransferência são 
fenômenos que estão presentes em toda relação interpessoal, inclusive na 
entrevista. Na transferência o entrevistado atribui papéis ao entrevistador, e se 
comporta em função dos mesmos, transfere situações e modelos para a realidade 
presente e desconhecida, e tende a configurar esta última como situação já 
conhecida, repetitiva. 
Segundo Sang (2001, p. 319-20), é a situação analítica e não a sua pessoa 
o que levou a paciente a se apaixonar por ele, isto é, que o amor de transferência é 
essencialmente impessoal. “[...] o analista não deve nem reprimir nem satisfazer as 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
130 
pretensões amorosas da paciente. Deve sim, tratá-las como algo irreal”. No que é 
confirmado por Yalom (2006, p.175), quando diz que os sentimentos que surgem na 
situação terapêutica geralmente pertencem mais ao papel que à pessoa; é um 
equívoco tomar a adoração transferencial como um sinal de sua atratividade ou 
charme pessoal irresistível. 
Já na contratransferência as reações emergem do entrevistador, que se 
originam do campo psicológico em que se estrutura a entrevista, mas se constituindo 
num indício de grande significação e valor para orientar o entrevistador, quando bem 
conduzida. Caso ela haja, a contratransferência compete ao entrevistador averiguar 
como essas atitudes funcionam e como o afetam. 
 
 
7.1.1 Tipos de entrevistas 
 
 
Existem diversos tipos de entrevistas, que irão se diferenciar de acordo com 
seu objetivo principal e com o trabalho que está sendo realizado. Para cada 
processo há um tipo de entrevista, que podem ser classificadas de várias maneiras: 
A) Segundo o seu aspecto formal ou estruturação; 
B) Segundo os objetivos. 
 
 Quanto ao aspecto formal ou estruturação, as entrevistas podem ser 
divididas em: 
 Estruturadas; 
 Semiestruturadas; 
 Livre estruturação. 
 
1) As entrevistas estruturadas são de pouca utilidade clínica, sendo sua 
aplicação mais frequente em pesquisas e sua utilização raramente considera as 
necessidades ou demandas do sujeito avaliado – usualmente ela se destina ao 
levantamento de informações definidas pelas necessidades de um projeto, pois 
privilegiam a objetividade, sendo as perguntas quase sempre fechadas ou 
delimitadas por opções previamente determinadas, buscando assim respostas 
 
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131 
específicas a questões específicas. Segundo Gil (1999), a entrevista Estruturada ou 
Fechada se desenvolve a partir de uma relação fixa de perguntas, cujaordem e 
redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados, que geralmente são 
em grande número. Ela tem muitas funções, uma delas é poder possibilitar o 
tratamento quantitativo dos dados, tornando-se mais adequada para o 
desenvolvimento de levantamentos sociais. Ex.: Entrevista epidemiológica. 
2) A entrevista de livre estruturação, segundo Cunha (2000), pode ser 
chamada de entrevista livre ou não estruturada, ou ainda aberta. Nesse modelo o 
paciente é convidado a falar livremente sobre aquilo que quiser. Gil (1999) chama 
esse tipo de entrevista de Informe e a caracteriza como um tipo menos estruturado, 
distinguindo-se da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta 
de dados, onde o que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema 
pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do 
entrevistado. 
3) Nas entrevistas semiestruturadas o entrevistador tem clareza de seus 
objetivos, de que tipo de informação é necessária para atingi-los, de como essa 
informação deve ser obtida, quando ou em que sequência; em que condições devem 
ser investigadas e como devem ser consideradas. Muitos autores, como Cunha, a 
preferem porque além de modo padronizado, ela aumenta a confiabilidade ou 
fidedignidade da informação obtida. Gil (1999) vai mais adiante e subdivide esse tipo 
de entrevista em duas: Entrevista Focalizada, que é tão livre quanto a informal, 
todavia, enfoca um tema bem específico, permitindo ao entrevistado falar livremente 
sobre o assunto, mas quando este se desvia do tema original o entrevistador deve 
se esforçar para sua retomada; e Entrevista por Pautas, que apresenta certo grau 
de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesses que o 
entrevistador vai explorando ao longo do seu curso, onde as pautas devem ser 
ordenadas e guardar certa relação entre si, fazendo com que o entrevistador faça 
poucas perguntas diretas e deixando-se falar livremente à medida que se refere às 
pautas assimiladas, e se ele por ventura se afasta, o entrevistador intervém de 
maneira sutil, para preservar a espontaneidade da entrevista. Ex.: geralmente a 
entrevista clínica é assim. 
 
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132 
 Quanto à classificação das entrevistas a partir dos seus objetivos 
podemos dizer que há uma grande variedade. Dentre as mais estudadas vamos 
citar: 
 Entrevista de triagem; 
 Entrevista de anamnese; 
 Entrevistas diagnósticas; 
 Entrevistas sistêmicas; 
 Entrevista de devolução; 
 Entrevista de encaminhamento; 
 Entrevista psicoterápica; 
 Entrevista de seleção; 
 Entrevista de desligamento; 
 Entrevista de pesquisa. 
 
1. Entrevista de triagem: tem por objetivo principal avaliar a demanda do 
sujeito e fazer um encaminhamento. Ela é fundamental para avaliar a gravidade do 
caso ou da crise que o indivíduo está passando, pois muitas vezes é necessário o 
encaminhamento para apoio medicamentoso. Geralmente, é utilizada em serviços 
de saúde pública ou em clínicas sociais, onde existe a procura contínua por uma 
diversidade de serviços psicológicos, e torna-se necessário a adequação da 
demanda em relação ao encaminhamento pretendido. Uma observação importante e 
que não pode ser deixada de lado é que o clínico que trabalha sozinho também terá 
que triar seus clientes e encaminhar aqueles que não julgar adequado atender, isso 
conforme sua especialidade e competência. 
2. Entrevista de anamnese: tem por objetivo o levantamento detalhado da 
história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. A anamnese é 
uma técnica de entrevista que pode ser facilmente estruturada cronologicamente, 
pois vai analisar e facilitar a apreciação de questões desenvolvimentais por parte do 
clínico, sendo investigadas fases importantes do desenvolvimento. (será 
aprofundada no tópico seguinte). 
3. Entrevistas diagnósticas: esta entrevista visa ao exame e análise de 
uma condição na tentativa de compreendê-la, explicá-la e talvez, ou possivelmente, 
modificá-la. Aqui há implicações como descrever, avaliar, relacionar e inferir para 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
133 
que se possa modificar aquela condição a qual o paciente traz. Visa a estabelecer o 
diagnóstico e o prognóstico do paciente, bem como as indicações terapêuticas 
adequadas, fazendo-se necessário uma coleta de dados sobre a história do paciente 
e sua motivação para o tratamento. Quase sempre, a entrevista diagnóstica é parte 
de um processo mais amplo de avaliação clínica que inclui testagem psicológica. 
Esse tipo de entrevista pode, segundo Cunha (2003), priorizar os aspectos 
sindrômicos ou psicodinâmicos. Os aspectos sindrômicos visam à descrição de 
sinais e sintomas para a classificação de um quadro ou síndrome. Os aspectos 
psicodinâmicos visam ao modo de funcionamento, à descrição e à compreensão da 
experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito, tendo em vista uma 
abordagem teórica. É um tipo de entrevista que visa à modificação de um quadro 
apresentado em benefício do sujeito. 
4. Entrevistas sistêmicas: focalizam a avaliação da estrutura ou da história 
relacional ou familiar. Podem também avaliar aspectos importantes da rede social de 
pessoas e famílias. 
5. Entrevista de devolução: tem por finalidade comunicar ao sujeito o 
resultado da avaliação. Essa entrevista também pode ser útil, por permitir ao sujeito 
expressar seus sentimentos em relação às conclusões e recomendações do 
avaliador. Podendo ainda avaliar a reação do sujeito à conclusão. Ela pode ser 
integrada em uma mesma sessão, ao final da entrevista ou quando as atividades de 
avaliação se estendem por mais de uma sessão, ela pode se destacar do restante 
do processo por meio da entrevista de devolução. 
6. Entrevista Psicoterápica: este tipo de entrevista procura colocar em 
prática estratégia de intervenção psicológica presente nas diversas abordagens, 
para acompanhar o paciente, esclarecer suas dificuldades, tentando ajudá-lo a 
solucionar seus problemas. Como exemplo, podemos citar a abordagem rogeriana 
(C. Rogers), jungiana (C. Jung), gestalt (F. Perls), bioenergética (A. Lowen), 
logoterapia (V. Frankl) e outras. 
7. Entrevista de Encaminhamento: nesse tipo de entrevista deve ficar claro 
para o entrevistado, logo no início, que a mesma tem como objetivo indicar seu 
tratamento, e que este não será conduzido pelo entrevistador ou continuará o 
processo, ou seja, deixa-se explícito que será apenas uma entrevista e o paciente 
será encaminhado logo ao seu final. Assim devem-se obter informações suficientes 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
134 
para se fazer uma indicação e ao mesmo tempo evitar que o entrevistado 
desenvolva um vínculo forte, uma vez que pode dificultar o processo de encaminhar. 
 
 
7.1.2 Outros tipos de entrevistas 
 
 
 Entrevista de Seleção: realizada principalmente em empresas que 
objetivam contratar mão de obra. Aqui o entrevistador deve ter um conhecimento 
prévio do currículo do entrevistado, do perfil do cargo, deve fazer uma sondagem 
sobre as informações que o candidato tem a respeito da empresa, e destacar os 
aspectos mais significativos do examinando em relação à vaga que ele deseja 
ocupar. 
 Entrevista de Desligamento: essa entrevista tem como objetivo 
identificar os benefícios do tratamento por ocasião da alta do paciente; examina 
junto com ele os planos da pós-alta ou a necessidade de trabalhar algum problema 
ainda pendente; ela também é utilizada com o funcionário que está deixando a 
empresa, e tem como o objetivo obter um feedback sobre o ambiente de trabalho, 
para providenciais intervenções do psicólogo em caso, por exemplo, de alta 
rotatividade de demissão num determinado setor. 
 Entrevista de Pesquisa: aqui o objetivo principal é investigar temas em 
áreas das mais diversas ciências; tem algumas restrições como só poder ser 
realizada somente a partir da assinatura do entrevistadoou paciente com o 
documento: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Resolução CNS no 
196/96), no qual estará explícita a garantia ao sigilo das suas informações e 
identificação, e liberdade de continuar ou não no processo. 
 
 
7.2 EXAME DO ESTADO MENTAL 
 
 
Como já citamos antes, de acordo com Strauss (1999), o exame do estado 
mental do paciente e a entrevista também são considerados recursos básicos de um 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
135 
diagnóstico e se desenvolve como outra interação clínica, no contexto de uma 
entrevista. Ele permite a coleta de subsídios introdutórios que vai fundamentar o 
processo a que chamamos de psicodiagnóstico. 
As anotações feitas neste exame deverão ser feitas de forma que alguém de 
fora da área médica ou especificamente de fora da área psicológica possa 
compreendê-las. Sua organização deve obedecer a determinadas categorias que, 
obrigatoriamente, serão citados pelo entrevistador, como aparência, fala, humor, 
pensamento, percepções, sensórios, insight e discernimento. Estes tópicos apontam 
para os diferentes aspectos da vida psíquica do indivíduo que devem ser 
investigados. 
O exame do estado mental, segundo Kaplan e Sadock (2007), é a descrição 
da aparência, do discurso, das ações e dos pensamentos do paciente durante a 
entrevista. Descreveremos todas as categorias de acordo com os autores acima 
citados. 
 
 
7.2.1 Descrição geral 
 
Nessa categoria descreve-se a impressão geral que o paciente causa no 
entrevistador. Aqui são investigados dados como: 
 Aparência: descreve-se a aparência e impressão física do paciente, tipo 
constitucional, condições de higiene pessoal, vestuário, cuidados pessoais. Não 
confundir com a classe social a que pertence o indivíduo. Pode descrever a 
aparência por meio de termos como saudável, doentia, mal-estar, equilibrada, jovial, 
desarrumada, infantil ou bizarra. Pode-se também descrever sinais de ansiedade 
observados como mãos úmidas, olhos arregalados, postura tensa ou testa suada. 
 Comportamento e Atividade psicomotora: essa categoria refere-se a 
aspectos quantitativos e qualitativos do comportamento motor do paciente, incluindo 
tiques, gestos, contrações musculares, maneirismos, comportamentos 
estereotipados, hiperatividade, agitação, flexibilidade, rigidez, andar e agilidade. 
Então, procura-se observar atitudes e movimentos expressivos da fisionomia: triste, 
alegre, ansioso, temeroso, desconfiado, esquivo, dramático, medroso; gesticulação, 
observando se é ausente ou exagerada; a capacidade motora se é inquieto, imóvel, 
 
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136 
incapaz de manter-se em um determinado local; observa-se seu modo de caminhar, 
se é tenso, elástico, largado, amaneirado, encurvado. É importante também 
descrever, se houver, retardos motores ou redução generalizada nos movimentos 
corporais e relatar atividades sem propósito ou objetivo. A psicomotricidade pode ser 
observada no decorrer da entrevista. 
 Atitude para com o entrevistador: aqui se registra o nível de harmonia 
estabelecido entre examinador e examinando. Atitudes como amigável, cooperativo, 
submisso, interessado, arrogante, sedutor, franco, desconfiado, apático, perplexo, 
superior, desdenhoso, irritado, indiferente, evasivo, hostil, bem-humorado, 
normalmente responsivo às deixas do entrevistador, não espontâneo (tipo pergunta 
e resposta), fala muito, exaltado e muitos outros termos adjetivos poderão ser 
usados.Ex.: “Mostra-se tímido, mas tem uma atitude amigável com o examinador...”. 
 
 
 
7.2.2 Humor e afeto 
 
 
 Humor: o humor é definido como uma emoção ampla e prolongada que 
colore a percepção que se tem do mundo. Ele é mais superficial e variável do que a 
afetividade, podendo-se observar com mais facilidade numa entrevista; é uma 
emoção difusa. O humor em algumas pessoas pode ser instável, flutuante e alternar 
rapidamente entre extremos. Aqui se investiga como o paciente se sente: se 
deprimido, desesperado, angustiado, bravo, irritável, ansioso, apavorado, zangado, 
expansivo, perplexo, eufórico, culpado, atônito, fútil, autodepreciativo. Existem 
alguns tipos de humor: 
o Normotímico: normal; 
o Hipertímico: exaltado; 
o Hipotímico: baixa de humor; 
o Distímico: quebra súbita da tonalidade do humor durante a entrevista; 
o Esses que citamos acima são os mais comuns, mas existem outras 
classificações, que apenas as citaremos a título de informação: Humor disfórico, 
eutímico, expansivo, irritável, instável ou também conhecido como flutuações de 
 
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137 
humor, humor elevado, euforia, êxtase, depressão, anedonia, luto, alexitimia, júbilo, 
hipomania, mania, melancolia, La belle indifférence. 
Nesse exame, deve-se descrever o humor do paciente sem registrar termos 
técnico. Ex.: “O paciente apresenta humor exaltado...”. 
 
 Afeto: o afeto revela a sensibilidade intensa da pessoa frente à satisfação 
ou frustração das suas necessidades, podendo ainda ser definida como uma 
resposta emocional atual do paciente, inferida a partir de sua expressão facial, 
incluindo a quantidade e variedade de comportamentos expressivos. O fato pode ser 
ou não congruente com o humor, sendo descrito como estando dentro de um limite: 
o Normal: aqui há uma variação na expressão facial, no tom de voz, no uso 
das mãos e nos movimentos corporais; 
o Constrito: a variedade e intensidade das expressões são reduzidas; 
o Embotado: a expressão emocional é reduzida ainda mais; 
o Plano: não há nenhum sinal de expressão afetiva; 
o Outros tipos de afeto: afeto inadequado, afeto instável. Então, percebe-se 
que o afeto diz respeito à tonalidade afetiva com que alguém se relaciona às 
ligações afetivas que o paciente estabelece com a família e com o mundo. 
 
 
7.2.3 Características do discurso 
 
 
 Discurso: quando se discute sobre o discurso, analisam-se as 
características físicas do discurso, que pode ser referido em termo de sua 
quantidade, taxa de produção e qualidade. Assim o paciente pode ser descrito como 
falante, tagarela, calado, fluente, pouco espontâneo ou que responde normalmente 
às pistas fornecidas pelo entrevistador. Já quando se trata da fala, podemos 
classificá-la como lenta, hesitante, apressada, monótona, ruidosa, confusa, 
emocional, dramática e etc. Aqui incluímos algumas limitações da fala como a 
gagueira, ou disprosódias. 
 
 
 
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138 
7.2.4 Percepção 
 
 
 Pensamento: este item da anamnese é destinado à investigação do 
curso, forma e conteúdo do pensamento, pois é por meio deste que o ser humano é 
capaz de manifestar suas possibilidades de adaptar-se ao meio, sendo por 
intermédio dele que se elaboram conceitos, articulam-se juízos, constrói-se, 
solucionam-se problemas, elaboram-se conhecimentos adquiridos e ideias. O 
pensamento pode ser dividido em: 
o Processo (forma): maneira como o indivíduo reúne ideias e associações, 
a forma como ele pensa, podendo ser lógicos e coerentes ou completamente 
ilógicos e incompreensíveis. A forma é a maneira como o conteúdo do pensamento 
é expresso. O pensamento abriga um encadeamento coerente de ideias ligadas a 
uma carga afetiva, que é transmitida pela comunicação. As desordens da forma 
podem ocorrer por perdas (orgânicas) ou deficiência (oligofrenia) qualitativas ou 
quantitativas de conceitos ou por perda da intencionalidade (fusão ou condensação, 
desagregação ou escape do pensamento, pensamento imposto ou fabricado), onde 
pode se compreender as palavras que são ditas, mas o conjunto é incompreensível. 
o Conteúdo: se refere àquilo que o sujeito realmente pensa sobre delírios, 
crenças, preocupações, obsessões, compulsões, fobias, planos intenções, ideias 
recorrentes sobre suicídio ou homicídio, sintomas hipocondríacos e ânsia 
antissociais específicas. 
o Curso: alguns autores citam esse tipo de classificação para o 
pensamento: trata-se da velocidade com que o pensamento é expressoe pode ir do 
acelerado ao retardado, passando por variações. 
De acordo com Kaplan e Sadock (2007), nas perturbações da forma do 
pensamento acontecem uma superabundância ou pobreza de ideias, podendo 
haver Transtornos de Pensamento Formal: 
o Circunstancialidades: perda da capacidade de pensar de forma 
orientada para os próprios objetivos, inclusão exagerada de detalhes triviais ou 
irrelevantes que impedem de se chegar à questão; 
o Associação por assonância: pensamentos associados pelo som das 
palavras e não por seu significado, como rimas; 
 
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139 
o Descarrilhamento ou associações frouxas: ideias frouxas ou ideias que 
parecem não ser relacionadas ou conectadas, ou seja, quebra na conexão lógica 
entre as ideias e o sentido de objetividade geral; 
o Fuga de ideias: sucessão de associações múltiplas, de maneira que o 
pensamento parece trocar abruptamente de ideia para ideia; 
o Neologismo: invenção de novas palavras ou expressões ou uso de 
palavras convencionais de maneira idiossincráticas; 
o Perseverança: repetição de palavras, ideias e expressões fora do 
contexto; 
o Tangencialiodade: o paciente não reponde à questão a qual foi 
questionado, dá uma resposta que é apropriada para o tópico geral; 
o Bloqueios: interrupção do fluxo do pensamento antes de uma ideia ser 
concluída, quebra no fluxo de ideias; 
o Outros transtornos: incoerência, verbigeração, ecolalia, condensação e 
glossolalia. 
 
As perturbações no conteúdo do pensamento estão associadas a 
determinadas alterações, como as obsessões, hipocondrias, fobias e especialmente 
os delírios. 
Os transtornos específicos no conteúdo do pensamento são: pobreza de 
conteúdo, ideia supervalorizada, delírio (engloba vários tipos, que citaremos 
adiante), pensamento tendencioso, egomania, monomania, hipocondria, obsessão, 
compulsão, coprolalia, fobia, noese, unio mystica. 
Prenderemo-nos aos delírios que podem ser classificados como: bizarro, 
sistematizado, congruente com o humor, incongruente com o humor, niilista, de 
pobreza, somático, paranoide, de autoacusação, de controle, de infidelidade, 
erotomania e delírio de pseudologia fantástica. 
Para se classificar uma ideia de delirante tem-se que levar em conta alguns 
aspectos: 
o Incorrigibilidade: não há como modificar a ideia delirante por meio de 
correções; 
o Ininfluenciabilidade: a vivência é muito intensa no sujeito, chegando a 
ser mais fácil o delirante influenciar a pessoa dita normal; 
 
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140 
o Incompreensibilidade: não pode ser explicada logicamente. 
 
O delírio é uma convicção íntima, contra a qual não há argumento. Eles 
podem ser primários (núcleo da patologia) ou secundários (são consequentes a uma 
situação social, a uma manifestação afetiva ou a uma disfunção cerebral). 
Faz-se necessário fazer a distinção entre delirium e delírio: o primeiro pode-
se dizer que é um rebaixamento da consciência e como exemplo temos o delirium 
tremens; delirium febril. O segundo é conceituado como uma alteração do 
pensamento, ou seja, alteração do juízo e pode se dividir em ideia delirante ou 
delírio verdadeiro, que é primário e ocorre com lucidez de consciência, não sendo 
consequência de qualquer outro fenômeno, ou simplificando podemos dizer que é 
um conjunto de juízos falsos, que não se sabe como eclodiu. E ideia deliroide, que é 
secundária a uma perturbação do humor ou a uma situação afetiva traumática, 
existencial grave ou uso de droga. Há uma compreensão dos mecanismos que a 
originaram. 
As ideias delirantes podem ser agrupadas em expansão do eu (grandeza, 
ciúme, reivindicação, genealógico, místico, de missão salvadora, deificação, erótico, 
de ciúmes, invenção ou reforma, ideias fantásticas, excessiva saúde, capacidade 
física, beleza...); retração do eu (prejuízo, autorreferência, perseguição, influência, 
possessão, humildade, experiências apocalípticas) ou ainda negação do eu 
(hipocondríaco, negação e transformação corporal, autoacusação, culpa, ruína, 
niilismo, tendência ao suicídio). 
 Senso percepção: fundamenta-se na capacidade de perceber e sentir, 
investigando-se assim as experiências ilusórias ou alucinatórias que são 
acompanhadas de profundas alterações do pensamento. Ilusão é a percepção 
deformada da realidade, uma interpretação errônea do que existe. Já Alucinação é 
uma percepção sensorial falsa, sem associação e estímulos externos reais, podendo 
ou não haver uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Pode-se dizer 
uma percepção sem objeto. Os transtornos de percepção podem ser subdivididos 
em: Alucinações e Ilusões. Caso o paciente não apresente nenhuma situação digna 
de nota neste item, pode-se registrar: “Não apresenta experiências ilusórias ou 
alucinatórias”. 
 
 
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141 
 Consciência do Eu e da doença: o indivíduo tem consciência dos 
próprios atos psíquicos? Qual percepção tem do seu eu? O terapeuta orientará sua 
entrevista no sentido de saber se o paciente acha que seus pensamentos ou atos 
são controlados por alguém ou forças exteriores. E quanto à consciência da 
doença atual, verifica-se o grau de consciência e compreensão que o paciente tem 
de estar enfermo, assim como a sua percepção de que precisa ou não de um 
tratamento. 
 
 
 
7.2.5 Sensório e cognição 
 
 Consciência: significa ter ciência, ou seja, percepção de alguma coisa. 
Sentimento ou percepção do que se passa em nós; voz secreta da alma que aprova 
ou reprova as nossas ações. É a capacidade do indivíduo de dar conta do que está 
ocorrendo dentro e fora de si mesmo. Aqui será a indicação do processo psíquico 
complexo, que é capaz de integrar acontecimentos de um determinado momento 
numa atividade de coordenação e síntese. Os distúrbios da consciência geralmente 
indicam dano cerebral orgânico, assim o que acontece é que as informações 
sensoriais chegam amortecidas ou nem chegam à consciência. Existem vários 
transtornos para descrever o nível de consciência do sujeito, e como já dissemos, 
eles costumam estar associados a patologias cerebrais: Sonolência; Rebaixamento 
ou embotamento; Turvação ou Obnubilação: rebaixamento geral da capacidade de 
perceber o ambiente; Estupor; Coma; Coma vígil; Letargia; Alerta; Estreitamento 
(perda da percepção do todo com uma concentração em um único objetivo paralelo 
à realidade); Perturbação da consciência; Estado crepuscular; Estado onírico e 
Crepuscular. No decorrer do exame do estado mental cabe ao entrevistador avaliar 
o grau de alteração da consciência, observando se o paciente faz esforço para 
manter o diálogo e levar a entrevista a termo, se a confusão mental interfere na 
exatidão das respostas, que se fazem com lentidão, ou se o paciente chega mesmo 
a cochilar, adormecer no curso da entrevista. 
 Orientação: é o estado normal do indivíduo em relação a seu entorno em 
termos de tempo, lugar ou pessoa. Complexo de funções psíquicas, pelo qual 
 
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142 
tomamos consciência da situação real em que nos encontramos a cada momento de 
nossa vida. Os transtornos de orientação costumam ser separados em tempo, lugar 
e pessoa, pois geralmente qualquer limitação aparece nessa ordem e de maneira 
semelhante, à medida que a melhora ocorre, a limitação desaparece na ordem 
inversa. A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de consciência. Para 
definir melhor como se dá a desorientação, pode-se dizer que o primeiro sentido de 
orientação que se perde é o do tempo, depois o do espaço, que envolve 
deslocamento e localização e, num estado mais grave, a desorientação do próprio 
eu (identidade e corpo). A orientação divide-se em: 
o Autopsíquica: paciente sabe quem ele é, reconhece dados de 
identificação pessoal; 
o Alopsíquica: paciente reconhece os dados fora dele ou podemos dizer 
do eu no ambiente: Temporal: dia, mês, ano em que está; em que parte do dia se 
localiza (manhã,tarde, noite); Espacial: o paciente reconhece o lugar em que se 
encontra, para que serve; a cidade onde está; como chegou ao consultório; 
Somatopsíquica: alterações do esquema corporal, como, por exemplo, a 
incapacidade de localizar o próprio nariz ou olhos. 
 Memória: função pela qual as informações armazenadas no cérebro são 
trazidas à consciência posteriormente. Ela permite a integração de cada momento 
passado, presente e futuro. As funções da memória são tradicionalmente divididas 
em quatro áreas: 
o Memória remota; 
o Memória do passado recente; 
o Memória recente (anterógrada); 
o Retenção e recuperação imediata. 
 
Há cinco dimensões principais do seu funcionamento: 
o Percepção: maneira como o sujeito percebe os fatos e atitudes em seu 
cotidiano e os reconhece psiquicamente; 
o Fixação: é a capacidade de gravar imagens na memória; 
o Conservação: refere-se a tudo que o sujeito guarda para o resto da vida; 
a memória aparece como um todo e é um processo tipicamente afetivo; 
o Evocação: atualização dos dados fixados – nem tudo pode ser evocado; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
143 
o Reconhecimento: é o momento em que fica mais difícil detectar onde e 
quando determinado fato aconteceu no tempo e no espaço. 
 
Resumo de testes de memória, de acordo com Kaplan e Sadock (2007), 
tentando-se avaliar o envolvimento dos processos de registro, retenção ou 
recuperação do material: 
o Memória remota: pergunta ao paciente sobre dados da infância, eventos 
importantes que ocorreram quando o paciente era jovem ou saudável, questões 
pessoais; 
o Memória do passado recente: questiona-se algo sobre os últimos meses; 
o Memória recente (anterógrada): pergunta-se sobre os últimos dias, aquilo 
que o paciente fez ontem, anteontem, o que comeu no café da manhã, no almoço, 
no jantar; 
o Retenção e recuperação imediata: aqui se avaliam medidas de 
lembranças de números, capacidade de repetir seis números após o examinador o 
ditar, primeiramente em uma ordem, depois em ordem inversa (aqueles com 
problemas de memória em geral conseguem repetir seis números de trás para 
diante), capacidade de repetir três palavras imediatamente, e três a cinco minutos 
depois. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VOCÊ SABIA! 
 
Os transtornos de memória mais comuns 
exposto em Kaplan e Sadock (2007) são: 
Amnésia (Anterógrada ou Retrógrada); 
Paramnésia (Fausse reconnaissance; Falsificação 
retrospectiva; Confabulação; Déjà vu; Déjà 
entendu; Déjà pensé; Jamais vu e Falsa 
memória); Hipermnésia; Imagem eidética; 
Memória seletiva; Repressão; Letológica e 
Apagamento. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
144 
 Concentração e Atenção: No dicionário Aurélio, encontramos o 
fenômeno da atenção definido como “aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa” 
e concentração como “aplicação da atenção da mente de modo interno e exclusivo. 
A concentração pode ser afetada por transtornos cognitivos, depressivos, de 
ansiedade e estímulos internos, como alucinações auditivas. A atenção é um 
processo psíquico que concentra a atividade mental sobre determinado ponto, 
traduzindo um esforço mental”. Destaca-se aí a: 
o Vigilância: consciência sem foco, difusa, com atenção em tudo ao redor; 
o Tenacidade: capacidade de se concentrar num foco. 
 
Investiga-se assim: 
o Atenção normal ou euprossexia ou Normovigilância; 
o Hipervigilância: ocorre num exagero, na facilidade com que a atenção é 
atraída pelos acontecimentos externos; 
o Hipovigilância: é um enfraquecimento significativo da atenção, onde é 
difícil obter a atenção do paciente; 
o Hipertenacidade: a atenção se adere em demasia a algum estímulo ou 
tópico; concentração num estímulo; 
o Hipotenacidade: a atenção se afasta com demasiada rapidez do estímulo 
ou tópico. 
 
 Inteligência: capacidade de entender, recuperar, mobilizar e integrar de 
maneira construtiva os aprendizados anteriores ao deparar-se com situações novas. 
Aqui se faz uma pequena avaliação para se constatar se o paciente está dentro da 
normalidade, interessando a autonomia que o paciente tenha a sua capacidade 
laborativa. Assim, é avaliado se o paciente tem: Retardo mental; Demência; 
Pseudodemência; Pensamento concreto e Pensamento abstrato. 
Que fique claro que a consciência, a inteligência e a memória estão 
alocadas entre as funções psíquicas de base. 
 Linguagem: conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, 
por uma nação, e o conjunto de regras da sua gramática, e é por meio da linguagem 
que nos comunicamos. Ela é considerada como um processo mental 
predominantemente consciente, significativo, além de ser orientada para o social. É 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
145 
um processo dinâmico que se inicia na percepção e termina na palavra falada ou 
escrita e, por isso, se modifica constantemente. A linguagem verbal é expressa por 
intermédio da fala, ou seja, a fala é conceituada como conjunto de ideias, 
pensamentos, sentimentos expressados por meio da linguagem. Citaremos alguns 
transtornos da fala e transtornos afásicos (alterações na produção da linguagem) de 
acordo com Kaplan e Sadock (2007): 
 Transtornos da fala: Pressão da fala; Volubilidade ou logorreia; Pobreza 
da fala; Fala não espontânea; Pobreza de conteúdo; Disprosódia; Fala 
excessivamente alta ou baixa; Tartamudez; Cluttering (fala errática ou disrítmica); 
Aculalia; Bradilia e Disfonia. 
 Transtornos Afásicos: Afasia motora ou afasia de Broca; Afasia 
sensorial; Afasia nominal; Afasia sintática; Afasia de jargão; Afasia global; Alogia e 
Coprofrasia. 
 
 
7.2.6 Impulsividade 
 
Uma avaliação do controle de impulsos é essencial para verificar se o 
paciente tem consciência de comportamentos socialmente apropriados, 
representando uma medida do perigo potencial do paciente para si mesmo e para 
terceiros. Verifica-se se o paciente é capaz de controlar impulsos sexuais, 
agressivos e outros. 
 
 
7.2.7 Discernimento e insight 
 
Aqui se avaliam muitos aspectos da capacidade de discernimento do 
paciente, como se ele entende o resultado provável de seu comportamento? É 
influenciado por esse entendimento? Consegue prever situações imaginárias? 
Quanto ao insight, podemos conceituá-lo como o grau de consciência e 
entendimento em relação a estar doente. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
146 
7.2.8 Confiabilidade 
 
Este relatório termina com esta seção, onde se avalia a confiabilidade do 
paciente em relação ao profissional; isso pode ser confirmado quando o paciente 
conta algo que tenha a ver com problemas legais ou da lei. 
Uma vez realizado e redigido o exame psíquico, deverão constar na súmula 
os termos técnicos que expressam a normalidade ou as patologias observadas no 
paciente. Trata-se de um resumo técnico de tudo o que foi observado na entrevista. 
 
Agora apresentaremos dois modelos de roteiros usados para se fazer o 
Exame do Estado Mental: 
 
ROTEIRO 1 
EXAME PSÍQUICO 
 
Apresentação: 
 Aspecto geral e cuidados (ex.: higiene, cabelo, barba, vestes, presença 
de adornos); 
 Faces (ex.: marmórea, melancólica); 
 Porte (ex.: encurvado, retraído); 
 Atitude em relação ao investigador (ex.: adequação, colaboração, 
hostilidade, oposição, desconfiança). 
 
Consciência: 
 Quantitativa ou Nível de consciência: 
o Vigil/hipervigil (aumentada); 
o Alerta (normal); 
o Obnulado; 
o Comatoso/flutuação (diminuição); 
 Qualitativa: estados crepusculares, estados dissociativos, transe; 
 Fenômenos da Consciência do Eu (continuidade, atividade, oposição, 
identidade). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
147 
 
Orientação: 
 Alopsíquica: 
o Tempo (ano/mês/dia/hora); 
o Espaço (lugar caminho realizado); 
 Autopsíquica: nome, idade, sexo, profissão, estado civil (...). 
 
Atenção: 
 Voluntária (concentração/tenacidade): avaliação: digit span, soletrar 
“MUNDO” em ordem inversa. 
 Espontânea (reação aos estímulos externos - prosexia). 
Obs.: distraibilidade: atençãovoluntária ↓ e espontânea ↑(ex: mania, 
delirium). 
 
Memória: 
 Alterações quantitativas: 
o Fixação (pesquisar fatos recentes/avaliar aquisição de informações 
novas; ex.: “teste das três palavras”); 
o Evocação (pesquisar fatos antigos/autobiográficos). 
 Alterações Qualitativas: 
o Confabulação; 
o Amnésia dissociativa (presente na histeria); 
o Rememorações delirantes (ex: delírios persistentes, esquizofrenia). 
 
Afetividade 
 Componentes do afeto: 
o Tônus (quantidade, carga); 
o Modulação (variação); 
o Ressonância: aos estímulos + ou –. 
 Tipos: 
o Embotamento afetivo (afeto hipotônico, hipomodulante e pouco 
ressonante característico da esquizofrenia); 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
148 
o Labilidade afetiva (passagem súbita de um estado afetivo para outro); 
o Dissociação do afeto (incoerência entre a ideia expressa e o afeto 
presente na histeria -“La belle indifference”); 
o Ambivalência (amor/ódio ao objeto vivenciado na esquizofrenia). 
 Humor (estado basal do afeto) 
 Tipos: 
o Eutímico (normal); 
o Depressivo; 
o Elado/elevado (ex.: hipomania); 
o Eufórico (ex.: mania/intoxicação exógena); 
o Disfórico (instável, depressivo e irritável; ex.: personalidade borderline); 
o Ansioso; 
o Irritável; 
o Delirante ou tremático (perplexidade característica das fases prodrômicas 
das psicoses); 
 
Pensamento/Discurso: 
 Componentes do Pensamento: 
o Curso: 
 Aceleração; 
 Lentificação; 
 Bloqueio/roubo do pensamento; 
o Forma: 
 Organizada (lógica); 
 Arboriforme (intencionalidade/meta preservada); 
 “Fuga de ideias” / “descarrilamento” (pensamento mais veloz que 
articulação das palavras, conexão dos elementos por assonância, perda da meta); 
 Desorganizado/desagregado (falta de conexão entre as ideias, “salada 
de palavras”); 
o Conteúdo (tema): desvalia, ruína, niilista, grandiosidade, 
persecutoriedade, místico/religioso. Obs.: o pensamento é inferido indiretamente 
pelo discurso. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
149 
 Discurso (manifestação explicita da linguagem): 
o Logorreia/pressão de discurso (ex.: mania); 
o Prolixo/barroco (ex.: obsessivo, epilepsia); 
o Concreto (ex.: crianças, retardo mental); 
o Perseverante (ex.: lesão lobo frontal); 
o Lacônico (pouco, conciso); 
o Neologismos (esquizofrenia hebefrênica); 
o Ecolalia (catatonia, síndrome de tiques); 
o Coprolalia (idem). 
 
Sensopercepção: 
 IIusão: distorção de um percepto real, não necessariamente patológica 
(ex.:ilusão óptica); 
 Alucinações (verdadeiras): percepção nítida, objetiva e externa na 
ausência de um percepto real (ex.: “Doutor, são vozes de mulheres vindas da sala 
que comentam as minhas ações.”); Obs.: alucinações auditivas são as mais 
comuns; visuais, tácteis e cenestésicas: afastar transtorno orgânico (ex.: delirium, 
epilepsia, tumor); 
 Pseudoalucinações: localizadas no espaço subjetivo interno (ex.: “vozes 
dentro da cabeça”); 
 Alucinose: crítica do indivíduo em relação ao fenômeno (ex.: alucinose 
alcoólica) 
 
Juízo: 
 Capacidade de criticar/ajuizar/avaliar satisfatoriamente a realidade vivida; 
 Gradações: 
o Ideias sobrevaloradas (ex.: fundamentalismo religioso, apaixonamentos); 
o Ideias deliroides (ex.: ideias de grandeza em mania); 
o Delírio: alteração patológica do juízo: pensamento errôneo, fato 
improvável caracterizado por uma certeza subjetiva, irrefutabilidade pela lógica e 
impossibilidade de se compartilhado; 
 Tipos: ciúme, persecutórios, ruína, grandeza, místico etc. (ex.: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
150 
esquizofrenia e delírios persistentes). 
 
Vontade/Conação: 
 1º: representações volitivas = intenção (vontade/desejo/interesse): 
o Alterações quantitativas: 
 Hipobulia (ex.: depressão); 
 Hiperbulia (ex.: mania); 
o Alterações Qualitativas: piromania, parafilias (ex.: pedofilia). 
 2º: tomada de decisão (envolve juízos, deliberação): 
o Alteração: hesitação enfrentada em estados depressivos e obsessivos; 
 3º: pragmatismo: capacidade de praticar ou interromper ações (ex.: 
cessar um vício); capacidade de manter atividades gerais da vida prática (ex.: 
banhar-se, estudar). 
 
Psicomotricidade: 
 Lentificação (ex.: Parkinson, depressão); 
 Inquietude (ex.: ansiedade); 
 Agitação (ex.: mania); 
 Movimentos repetitivos e estereotipados (ex.: tiques, ecopraxia); 
 Flexibilidade cerúlea (ex.: catatonia); 
 Distonias; 
 Acatisia; 
 Discinesia tardia (ocasionada pelo uso de neurolépticos). 
 
Inteligência: 
 Função psíquica complexa que determina resolução de problemas e 
adaptação do indivíduo; 
 Avaliar histórico escolar, profissão; considerar nível cultural e 
regionalismos; 
 Medida quantitativa (QI); cálculo, resolução de equações, capacidade de 
abstração (ex.: compreensão de ditados populares). 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
151 
Personalidade: 
 Função psíquica complexa que determina o ajustamento do indivíduo e 
seu padrão de resposta às condições impostas. 
 Determinada por quatro componentes: 
o Temperamento (componente afetivo): predominantemente herdado (“ele 
é explosivo como o pai”); 
o Caráter (componente conativo): predominantemente adquirido (“ele ficou 
egoísta depois que saiu do orfanato”); 
o Componente intelectivo (Inteligência); 
o Componente somático/biológico (estatura, genética). 
 
Avaliação do padrão “gatilho-resposta”, diversas entrevistas, convocação de 
familiares. 
 
 
 
ROTEIRO 2 
EXAME PSÍQUICO 
 
Pontos principais a serem investigados: 
 
1. INSPEÇÃO: 
 Vestuário, a atitude, os gestos, a fisionomia, a mímica, linguagem, 
conduta (atos simples, complexos, isolados, associados, voluntários, involuntários, 
com objetivos ou sem objetivos etc.). 
 
2. EXAME DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS: 
 Atenção; 
 Percepção; 
 Memória; 
 Imaginação; 
 Associação ideativa; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
152 
 Julgamento; 
 Orientação auto e alopsíquica; 
 Consciência; 
 Inteligência; 
 Afetividade; 
 Sentimentos éticos; 
 Vontade; 
 Iniciativa pragmática; 
 Atividade (anorexia, sitofobia, bulimia, dipsomania, desvios sexuais, 
avareza, prodigalidade, agressividade, tentativa de suicídio, atos delituosos, etc.). 
 
 
COMPORTAMENTO GERAL: 
1. Aparência: face (alegre, triste, perplexa, desconfiada), vestuário, fala. 
2. Atividade psicomotora. 
3. Linguagem. 
4. Atitude em relação ao terapeuta: cooperativa, agressiva, desconfiado e 
evasivo. 
 
SINAIS E SINTOMAS PSICOPATOLÓGICOS 
 
I. CONSCIÊNCIA: 
Conhecimento do próprio eu e do mundo externo momentâneo. 
1. Transtorno do sono: 
 Hipersonia; 
 Insônia. 
2. Diminuição de claridade: 
 Obnubilação simples; 
 Obnubilação acompanhada de onirismo (delírio onírico). 
3. Estreitamento do campo da consciência: 
 Estados crepusculares. 
4. Abolição de consciência: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
153 
 Paroxísticos (ataques epilépticos, síncopes); 
 Prolongados (comas). 
 
II. ATENÇÃO: 
Concentração sobre o estímulo que o solicita. 
 Atenção espontânea; 
 Atenção voluntária. 
1. Aprosexia: 
 Ausência. 
2. Hipoprosexia: 
 Por falta de interesse; 
 Por deficit intelectual; 
 Por obnubilação da consciência. 
3. Hiperprosexia: 
 (excesso de mobilidade de atenção) 
4. Distraibilidade: 
 Incapacidade de fixar a atenção para um determinado fim. 
5. Paraprosexia ou disprosexia. 
 
III. AFETIVIDADE: 
Totalidade afetiva 
1. Hipertimia: 
 Euforia (sentimento agradável do bem-estar e confiança); 
 Elação (idem, mais afetividade motora exagerada) 
2. Hipotimia: 
 Depressão patológica (sentimento de tristeza imotivada). 
3. Apatia ou indiferença afetiva. 
4. Irritabilidade patológica. 
5. Ansiedade. 
6. Ambivalência afetiva 
7. Incongruência afetiva 
8. Fobias: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
154 
 Acrofobia; 
 Agorafobia; 
 Claustrofobia. 
 
IV. SENSOPERCEPÇÃO: 
Conhecimento pelos órgãos do sentido. 
1. Alteração da intensidade: Hiperestesia; 
 Hipoestesia; 
 Abolição de percepção (anestesia, cegueira, surdez, agnosia, anosmia). 
 
2. Alterações qualitativas: 
 Alucinações: 
o Auditivas; 
o Visuais; 
o Olfativas; 
o Gustativas; 
o Cenestésicas; 
o Cinestésicas. 
 Pseudoalucinações ou alucinações psíquicas; 
 Alucinose; 
 Ilusão. 
 
V. PENSAMENTO: 
 Fuga de ideias; 
 Inibição do pensamento; 
 Bloqueio; 
 Prolixidade; 
 Incoerência; 
 Inserção; 
 Subtração, roubo de pensamento; 
 Perseverança; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
155 
 Ideia fixa; 
 Ideia obsessiva. 
 
DELÍRIOS: 
 Juízo falso, não forma parte da cultura, época, ambiente convicção 
subjetiva. 
 Não é rebatido pela experiência e argumentação lógica. 
 Delírios de: 
o Grandeza; 
o Perseguição; 
o Ruína/prejuízo; 
o Influência ou de controle; 
o Ciúmes; 
o Autoacusação; 
o Relação ou de referência; 
o Místico; 
o Negação. 
 
VI. ALTERAÇÕES DA ATIVIDADE VOLUNTÁRIA: 
 Estados de exaltação; 
 Debilidade da vontade; 
 Estupor; 
 Negativismo; 
 Estereotipias; 
 Atos impulsivos - ações isoladas, súbitas, involuntárias e desprovidas de 
finalidade; 
 Compulsão - impulso incontrolado de desempenhar um ato 
repetitivamente; 
 Tiques; 
 Obediência passiva - Flexibilidade cérea (Catalepsia); 
 Cataplexia. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
156 
 
VII. MEMÓRIA: 
Capacidade de fixação e capacidade de evocação ou reprodução. 
 Hipermnésia; 
 Hipomnésia e amnésia; 
 Amnésia anterógrada: 
o Perturbação de fixação; 
o Consciência obnubilada; 
o Demência senil. 
 Amnésia retrógrada de evocação; 
 Amnésia retroanterógrada ou total; 
 Amnésia transitória; 
 Paramnésia ou Dismnésia: 
o Falsificação da memória por distorção; 
o Confabulações; 
o Fenômeno já visto na evocação. 
 
VIII. INTELIGÊNCIA: 
1. Capacidade geral para resolver problemas novos. 
2. Capacidade para utilizar o pensamento de forma eficaz e produtiva. 
3. Capacidade de síntese. 
4. Capacidade de distinguir o essencial do acessório: 
 Retardo Mental: 
o Leve (QI 53 A 67); 
o Moderado (QI 36 a 51); 
o Profunda (QI menor que 20). 
 Demência. 
 
IX. LINGUAGEM: 
1. Alterações por causas orgânicas: 
 Disartria: dificuldades para articular as palavras; 
 Dislalia: malformações: língua, abóbada palatina ou órgão de fonação 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
157 
(omissão, substituição ou deformação do fonema); 
 Afasia: 
o Afasia motora: compreende, mas não fala; 
o Afasia sensorial: fala, mas não entende; 
o Afasia global. 
 Disfemias: gagueira; 
 Disfonias: defeitos na voz. 
2. Alterações da linguagem funcional: 
 Logorreia; 
 Ecolalia; 
 Bradilalia; 
 Neologismo; 
 Verbigeração; 
 Estereotipia verbal; 
 Mutismo. 
3. Alterações dos movimentos de expressão: 
 Hipomimia; 
 Hipermimia; 
 Paramimia. 
 
X. ORIENTAÇÃO: 
(Orientação no tempo e no espaço, e da própria pessoa) 
 Desorientação apática; 
 Desorientação amnéstica; 
 Desorientação amencial; 
 Desorientação delirante; 
 Desdobramento de personalidade; 
 Despersonalização. 
 
Temporalidade: 
 Império do presente: oligofrenia, demência; 
 Império do passado: depressivos; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
158 
Império do futuro: angústia, fobias. 
 
FONTE: Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/educacaomedica/educacaomed2.htm>. 
Acesso em: 10 ago. 2011. 
 
 
 
CHECK-LIST DE SINTOMAS DO CID-10 PARA TRANSTORNOS MENTAIS 
 
Apresentaremos a versão 1.1, preparado por: Dr. A. Janca, Dr. T.B. Üstün, 
Dr. J. van Drimmelen, Dr. V. Dittmann e Dr. M. Isaac, todos da Divisão para 
Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde Genebra (1994), disponível no 
site www.psiquiatriageral.com.br. 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
INSTRUMENTO 
 
 
O checklist de sintomas para Transtornos Mentais - CID-10 é um 
instrumento semiestruturado para avaliação de sintomas e síndromes 
psiquiátricas nas categorias F0 a F6 do CID-10. O instrumento consiste de: folha 
de rosto, triagem e módulos. Os seguintes módulos são incluídos no checklist: a) 
Módulo F0/F1: Síndromes Mentais Orgânicas e de Uso de Substância Psicoativa. 
b) Módulo F2/F3: Síndromes Psicóticas e Afetivas. c) Módulo F4/F5: Síndromes 
Neuróticas e Comportamentais. d) Módulo F6: Transtornos de Personalidade. 
Para facilitar o uso, os módulos são impressos em diferentes cores, e o 
usuário usará apenas aqueles módulos em que o paciente for triado 
positivamente. 
Cada um dos módulos consiste de uma lista de sintomas e listas de 
estados que, de acordo com os critérios do CID-10, devem ser excluídos ou 
podem estar associados à síndrome. Estas listas são acompanhadas de 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
159 
instruções que podem ajudar o usuário a considerar outras possíveis síndromes 
e, portanto, o uso de outros módulos da checklist. Se for o caso, os módulos 
também oferecem a possibilidade de se registrar o início, a severidade e a 
duração da síndrome, assim como o número de episódios. 
 
 
APLICAÇÃO 
 
 
O usuário do checklist deve estar familiarizado com os critérios 
diagnósticos do CID-10. Os passos a seguir são recomendados na administração 
do checklist: 
Passo 1: registrar e codificar as informações gerais na folha de rosto. 
Passo 2: checar os sintomas positivos listados na avaliação (usar X). 
Passo 3: usar apenas os módulos para os quais o paciente for avaliado 
positivamente. 
Passo 4: checar os sintomas positivos nos módulos utilizados (usar X). 
Para a duração da síndrome e o número de episódios, escrever o número 
apropriado no box (por exemplo, 03). 
Passo 5: considerar diagnósticos diferenciais ou síndromes conforme é 
instruído nos módulos. Se necessário, consultar outros módulos. 
Passo 6: codificar diagnósticos positivos na folha de rosto usando as 
categorias F (por exemplo, F41.0). 
Passo 7: checar confiabilidade diagnóstica na folha de rosto (usar X). 
Passo 8: registrar qualquer comentário na folha de rosto. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
160 
FOLHA DE ROSTO Código 
Instituição:___________________________________________ 
 
Estudo:______________________________________________ 
 
Clínico:______________________________________________ 
 
Data:___/___/_____ 
Paciente:____________________________________________ 
 
Idade:_______________________________________________ 
Sexo: 
Masculino 
Feminino 
 
Diagnóstico CID-10 (categoria F): 
Principal 
 
Secundário 
 
 
Grau de confiança do diagnóstico: 
Alto 
Moderado 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
161 
Anotações do Clínico: 
_________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________ 
 
 
TRIAGEM 
Identificação do caso psiquiátrico 
• Queixas psicológicas. 
• Queixas somáticas não explicadas medicamente. 
• Comportamento desviado das normas culturalmente aceitas. 
• Nenhum dos acima, mas é um caso. 
Explique:__________________________________________________ 
 
 
*Se todos NÃO, parar. 
• Comprometimento ou incapacidade social ou ocupacional. 
 
 
• Condição ou doença física coexistente. 
 
 
• Estressor psicossocial. 
 
 
Síndromes Mentais Orgânicas e de Uso de Substância Psicoativa 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
162 
• Prejuízo da memória ou de outra habilidade intelectual. 
 
 
• Alteração da consciência. 
 
 
• Uso de substância psicoativa. 
 
 
*Se algum SIM, usar módulo F0/F1 (páginas amarelas). 
Síndromes Psicóticas e Afetivas 
• Conduta catatônica. 
• Delírios ou alucinações. 
• Humor elevado, expansivo, irritável ou desconfiado. 
• Humor deprimido ou diminuído. 
• Retraimento social ou diminuiçãodo desempenho social. 
*Se algum SIM, usar módulo F2/F3 (páginas rosa). 
Síndromes Neuróticas e Síndromes Comportamentais 
• Fobia ou ansiedade (pânico). 
• Obsessões ou compulsões. 
• Estados dissociativos (conversão). 
• Somatização. 
• Anorexia ou bulimia. 
• Dissonias ou parassonias. 
• Disfunções sexuais. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
163 
* Se algum SIM, usar módulo F4/F5 (páginas azuis). 
Transtorno de Personalidade 
• Desvio prolongado de traço de personalidade ou padrões de
comportamento. 
 
 
* Caso SIM, usar módulo F6 (páginas verdes). 
 
MÓDULO F0/F1: SÍNDROMES MENTAIS ORGÂNICOS E DE USO DE 
SUBSTÂNCIA PSICOATIVA 
 
TRANSTORNOS MENTAIS ORGÂNICOS 
a) Quais dos sintomas a seguir estão presentes? 
1. Prejuízo da memória. 
2. Prejuízo de outras habilidades intelectuais. 
3. Deterioração no controle emocional, comportamento social ou motivação. 
 
 
4. Comprometimento da consciência e atenção. 
5. Distúrbios de percepção ou desorientação. 
6. Distúrbios psicomotores. 
7. Distúrbio do ciclo sono/vigília. 
8. Início rápido e flutuações diurnas dos sintomas. 
b) Quão severa é a síndrome? 
1. Leve 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
164 
2. Moderada 
 
 
3. Grave 
 
 
c) Como foi o início da síndrome? 
1. Agudo 
 
 
2. Crônico 
 
 
d) Qual é a duração da síndrome? 
1. Em dias. 
2. Em meses. 
3. Em anos. 
e) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos? 
1. Retardo mental. 
2. Transtorno mental iatrogênico devido à medicação. 
 
 
f) Qual dos seguintes estados está associado? 
1. Sintomas depressivos. 
2. Sintomas maníacos. 
* Se algum SIM, também considerar Síndrome Afetiva. 
3. Abuso de álcool ou drogas: 
• Causando a síndrome. 
• Coexistindo com a síndrome. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
165 
*Se algum SIM, também considerar Síndromes Decorrentes do Uso de Substância 
Psicoativa. 
4. Mudanças na personalidade ou no comportamento. 
 
 
*Caso SIM, considerar Transtorno de Personalidade. 
5. Sintomas psicóticos agudos ou transitórios. 
 
 
6. Sintomas agudos de esquizofrenia. 
*Se algum SIM, considerar Síndromes Psicóticas. 
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Demência (F01-F03). 
2. Delirium (F05). 
3. Transtorno orgânico de personalidade (F07). 
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
4. Outros transtornos mentais orgânicos: 
• Alucinose orgânica (F06.0). 
• Transtorno catatônico orgânico - estupor ou excitação (F06.1). 
• Transtorno delirante (esquizofreniforme) orgânico (F06.2). 
• Transtorno orgânico do humor (afetivo) (F06.3). 
• Transtorno orgânico de ansiedade (F06.4). 
• Transtorno dissociativo orgânico (F06.5). 
• Transtorno emocional orgânico lábil (F06.6). 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
166 
* Se algum SIM, considerar também o módulo apropriado após codificar a categoria 
F na folha de rosto. 
TRANSTORNO DO USO DE SUBSTÂNCIA PSICOATIVA 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Forte desejo ou senso de compulsão em usar uma substância (craving). 
 
 
2. Capacidade prejudicada de controlar o uso de uma substância ("perda do 
controle"). 
 
 
3. Estado de abstinência. 
4. Uso de uma substância para aliviar ou evitar sintomas de abstinência. 
5. Tolerância (fisiológica, comportamental ou psicológica). 
6. Redução no repertório do padrão de uso de substâncias. 
7. Abandono progressivo de divertimentos, comportamentos ou interesses
alternativos em favor do uso de uma substância. 
 
 
8. Dano físico ou psicológico devido ao uso de uma substância (deve ser 
claramente especificado). 
 
 
9. Persistir com o uso de uma substância apesar de claras evidências de 
consequências danosas. 
 
 
b) Qual a duração do transtorno? 
1. Em meses. 
2. Em anos. 
c) Quais das seguintes substâncias foram usadas? 
Álcool 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
167 
Opioides 
 
 
Canabinoides 
 
 
Hipnóticos 
 
 
Cocaína 
 
 
Estimulantes (incluindo cafeína) 
 
 
Alucinógenos 
Tabaco 
Solventes voláteis 
Substâncias psicoativas ou múltiplas outras 
d) Qual dos seguintes estados está associado? 
1. Delirium. 
2. Síndrome amnésica. 
 
 
*Se algum SIM, também considerar Transtornos Mentais Orgânicos. 
3. Sintomas psicóticos. 
*Caso SIM, considerar Síndrome Psicótica. 
e) Quais dos seguintes diagnósticos estão presentes? 
1. Uso nocivo (F1x.1). 
Se SIM, registrar a(s) substância (s) psicoativa (s) 
_____________________________________________________________ 
 
2. Síndrome de dependência (F1x.2). 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
168 
Se SIM, registrar a(s) substância (s) psicoativa (s) 
_____________________________________________________________ 
 
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
Voltar à triagem 
 
MÓDULO F2/F3: SÍNDROMES PSICÓTICAS E AFETIVAS 
 
TRANSTORNOS PSICÓTICOS 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Eco do pensamento, inserção ou roubo do pensamento, ou irradiação do 
pensamento. 
 
 
2. Delírios ou percepção delirante. 
3. Vozes alucinatórias ou outras alucinações persistentes de qualquer tipo. 
4. Discurso incoerente ou irrelevante, neologismos. 
 
 
5. Comportamento catatônico. 
6. "Sintomas negativos" (apatia, pobreza de discurso, embotamento ou
incongruência de respostas emocionais). 
 
 
7. Comportamento sem objetivo ou desorganizado. 
8. Comunicação não verbal pobre por expressão facial. 
9. Marcado declínio do desempenho social, escolar ou ocupacional, ou
retraimento social. 
 
 
10. Aparência estranha, excêntrica ou peculiar, ou autocuidado deficiente. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
169 
11. Experiências de despersonalização ou desrealização. 
 
 
12. Tempestade ou confusão emocional. 
 
 
13. Perplexidade ou identificação errônea de pessoas ou lugares. 
 
 
14. Motricidade aumentada ou diminuída. 
 
 
b) Como foi o início do transtorno? 
• Agudo 
• Crônico 
c) Qual é a duração do transtorno? 
• Em dias. 
• Em meses. 
d) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos? 
1. Doença mental orgânica. 
 
 
2. Transtorno de personalidade esquizoide. 
3. Modos de expressão influenciados (sub) culturalmente. 
4. Nível de inteligência abaixo do normal. 
5. Intoxicação relacionada com drogas ou álcool, ou abstinência causando a
síndrome. 
 
 
e) Qual dos seguintes estados está associado? 
1. Sintomas maníacos. 
2. Sintomas depressivos. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
170 
* Se algum SIM, considerar também Síndrome Afetiva. 
3. Abuso de álcool ou drogas coexistindo com a síndrome. 
 
 
*Caso SIM, considerar também Síndrome de Uso de Substância Psicoativa. 
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Esquizofrenia (F20). 
 
 
2. Transtorno esquizotípico (F21). 
3. Transtorno delirante (F22). 
4. Transtornos psicóticos agudos e transitórios (F23). 
5. Transtorno esquizoafetivo (F25). 
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
MANIA 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Humor anormalmente elevado ou irritável. 
2. Atividade aumentada ou inquietude física. 
3. Loquacidade aumentada ("pressão da fala"). 
4. Propensão à distração ou mudanças constantes nas atividades ou planos. 
5. Diminuição da necessidade de sono. 
6. Energia sexual aumentada ou indiscrições sexuais. 
7. Comportamento arriscado, imprudente ou irresponsável. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
171 
8. Sociabilidade aumentada ou familiaridade excessiva. 
 
 
9. Fuga de ideias ou pensamento acelerado. 
 
 
10. Autoestima inflada ou grandiosidade. 
 
 
11. Delírios. 
 
 
12. Alucinações. 
 
 
b) Quão grave é a síndrome? 
• Hipomaníaca. 
• Maníaca. 
c) Qual a duração da síndrome? 
• Em dias. 
d)Quantos episódios houve? 
e) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos? 
1. Doença endócrina precipitante. 
2. Tratamento medicamentoso precipitante. 
3. Anorexia nervosa. 
4. Esquizofrenia. 
f) Quais dos seguintes estados estão associados? 
1. Doença mental orgânica: 
• Causando a síndrome. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
172 
• Coexistindo com a síndrome. 
 
 
*Se algum SIM, também considerar Síndromes Mentais Orgânicas. 
2. Sintomas depressivos. 
 
 
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo Bipolar. 
3. Instabilidade de humor persistente. 
 
 
*Caso SIM, considerar Ciclotimia. 
4. Abuso de álcool ou drogas: 
• Causando a síndrome. 
• Coexistindo com a síndrome. 
*Caso SIM, também considerar Síndromes de Uso de Substância Psicoativa. 
5. Delírios ou alucinações. 
*Caso SIM, considerar Transtorno Esquizoafetivo. 
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Hipomania (F30.0). 
2. Mania sem sintomas psicóticos (F30.1). 
3. Mania com sintomas psicóticos (F30.2). 
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
DEPRESSÃO 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Humor deprimido. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
173 
2. Perda de interesse ou prazer. 
 
 
3. Energia diminuída ou fatigabilidade aumentada. 
 
 
4. Perda de confiança ou autoestima. 
 
 
5. Autorrecriminações irracionais ou culpa excessiva. 
 
 
6. Pensamentos ou comportamento suicida. 
 
 
7. Dificuldade para pensar ou se concentrar. 
8. Agitação ou retardo psicomotor (objetivo). 
9. Distúrbio do sono. 
10. Alteração do apetite e peso (5% do peso corporal). 
11. Perda da reatividade e eventos ou atividades. 
12. Depressão pior pela manhã. 
13. Marcada perda da libido. 
 
 
14. Choro frequente. 
15. Sentimentos de falta de esperança ou desespero. 
16. Incapacidade de levar adiante as responsabilidades rotineiras. 
17. Pessimismo a respeito do futuro ou ruminações sobre o passado. 
18. Falando menos do que o habitual. 
19. Estupor depressivo. 
20. Delírios. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
174 
21. Alucinações. 
 
 
b) Quão severa é a síndrome? 
1. Leve 
 
 
2. Moderada 
 
 
3. Grave 
 
 
c) Qual a duração da síndrome? 
• Em semanas. 
• Em meses. 
d) Quantos episódios houve neste período? 
e) Qual dos seguintes estados pode ser excluído? 
1. Doença endócrina precipitante ou tratamento medicamentoso. 
2. Esquizofrenia causando a síndrome. 
 
 
f) Quais dos seguintes estados estão associados? 
1. Doença mental orgânica. 
*Caso SIM, considerar Síndromes Mentais Orgânicas. 
2. Esquizofrenia coexistindo com o transtorno. 
*Caso SIM, considerar Esquizofrenia. 
3. Sintomas maníacos ou hipomaníacos. 
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo Bipolar. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
175 
4. Instabilidade persistente de humor por dois anos ou mais. 
 
 
*Caso SIM, considerar Ciclotimia. 
5. Menos de duas semanas de duração do transtorno. 
 
 
*Caso SIM, Considerar Transtorno Afetivo Breve ou Misto. 
6. Delírios ou alucinações. 
 
 
*Caso SIM, Considerar Transtorno Esquizoafetivo. 
7. Abuso de álcool ou drogas: 
• Causando a síndrome. 
• Coexistindo com a síndrome. 
*Se algum SIM, considerar também Uso de Substância Psicoativa. 
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Episódio depressivo leve (F32.0). 
 
 
2. Episódio depressivo moderado (F32.1). 
3. Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos (F32.2). 
4. Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos (F32.3). 
5. Episódios depressivos recorrentes (F33). 
6. Ciclotimia (F34.0). 
7. Distimia (F34.1). 
8. Transtorno afetivo bipolar (F31). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
176 
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
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MÓDULO F4/F5: SÍNDROMES NEURÓTICAS E COMPORTAMENTAIS 
 
TRANSTORNOS NEURÓTICOS 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Medos. 
2. Ataques de pânico. 
3. Ansiedade, preocupações, apreensões. 
4. Sintomas autonômicos de ansiedade. 
5. Pensamentos obsessivos ou atos compulsivos. 
6. Exposição a um estressor mental, físico ou social excepcional. 
 
 
7. Relembrar ou reviver persistentemente o estressor. 
8. Evita circunstâncias associadas ao estressor. 
9. Sintomas de sensibilidade psicológica ou vigilância aumentada. 
10. Sintomas ou estados dissociativos (conversivos). 
11. Queixas físicas múltiplas e variáveis não explicadas por nenhuma
doença física. 
 
 
12. Repetidas consultas médicas e recusas persistentes em aceitar
orientação médica. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
177 
13. Fadiga mental ou física persistente. 
 
 
b) Qual a duração da síndrome? 
• Em semanas. 
 
 
• Em meses. 
 
 
• Em anos. 
 
 
c) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos? 
1. Sintomas ou transtorno psicótico. 
2. Consumo excessivo ou abstinência de drogas. 
3. Simulação intencional. 
d) Quais dos seguintes estados estão associados? 
1. Sintomas afetivos. 
*Caso SIM, considerar também Síndrome Afetiva. 
2. Experiências de despersonalização ou desrealização. 
*Caso SIM, considerar também Síndrome Psicótica. 
e) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Fobias (F40.0-F40.2). 
2. Transtorno de pânico (F41.0). 
3. Transtorno de ansiedade generalizada (F41.1). 
4. Transtornos de ansiedade e depressão mistos ou outros transtornos
mistos de ansiedade (F41.2-F41.3). 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
178 
5. Transtorno obsessivo-compulsivo (F42). 
 
 
6. Reação aguda a estresse (F43.0). 
 
 
7. Transtorno de estresse pós-traumático (F43.1). 
 
 
8. Transtorno de ajustamento (F43.2). 
 
 
9. Transtornos dissociativos (ou conversivos) (F44). 
 
 
10. Transtornos somatoformes (F45.0-F45.4). 
11. Neurastenia (F48.0). 
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
SÍNDROMES COMPORTAMENTAIS 
 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Perda de peso significativa e autoinduzida. 
 
 
2. Episódios de orgias alimentares. 
3. Pavor de engordar. 
4. Consequências endócrinas (amenorreia, impotência). 
5. Distúrbio da quantidade, qualidade ou horário do sono. 
6. Episódios involuntários de levantar-se da cama durante o sono e 
caminhar. 
 
 
7. Episódios de despertar do sono com gritos de pânico e manifestações de
ansiedade. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
179 
8. Despertar de pesadelos com recordação vívida. 
 
 
9. Distúrbio de sono causando incômodo marcante ou interferindo nas
atividades ou na vida do paciente. 
 
 
10. Incapacidade frequente de participar numa relação sexual da maneira
como gostaria. 
 
 
b) Qual a duração da síndrome? 
• Em meses. 
• Em anos. 
c) Quantos episódios houve neste período? 
d) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos? 
1. Condição neurológica ou médica causando a síndrome. 
2. Tratamento medicamentoso precedente ou atual causando a síndrome. 
e) Quais dos seguintes estados estão associados? 
1. Transtorno depressivo. 
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo. 
2. Abuso de álcool ou drogas. 
*Caso SIM, considerar Transtornos de Uso de Substância Psicoativa. 
3. Doença mental orgânica. 
*Caso SIM, considerar Transtorno Mental Orgânico. 
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
180 
1. Anorexia nervosa (F50.0). 
 
 
2. Bulimia nervosa (F50.2). 
 
 
3. Transtornos não orgânicos de sono (F51). 
 
 
4. Disfunção sexual não causada por transtorno ou doença orgânica (F52). 
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
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MÓDULO F6: TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE 
 
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes? 
1. Desvio consistente e estável de traços de personalidadeou
comportamentos em relação às normas culturalmente aceitas de forma
estável e permanente. 
 
 
2. Comportamento inflexível, desadaptado ou, sob outros aspectos, 
disfuncional numa ampla gama de situações pessoais e sociais. 
 
 
3. Desconforto pessoal ou impacto adverso sobre o ambiente social. 
 
b) Quais das seguintes características e comportamentos estão presentes? 
1. Paranoide: 
• Sensibilidade excessiva a contratempos e rejeições. 
• Incapacidade de perdoar ofensas e injúrias. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
181 
• Desconfiança. 
 
 
• Combativo e obstinado no que se refere a direitos pessoais. 
 
 
• Propensão a ciúme patológico. 
 
 
• Tendência a experimentar excessiva autovalorização. 
 
 
• Preocupação com explicações "conspiratórias" não comprovadas sobre 
eventos. 
 
 
2. Esquizoide: 
• Incapacidade de experimentar prazer (anedonia). 
• Frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada. 
• Indiferença tanto para elogios quanto para críticas. 
• Pouco interesse em ter experiências sexuais. 
• Preferência por fantasias, atividades solitárias e introspecção. 
 
 
• Falta de amigos íntimos. 
• Dificuldade em reconhecer e aderir a convenções sociais (comportamento 
excêntrico). 
 
 
3. Antissocial: 
• Falta de capacidade de empatia. 
• Irresponsabilidade e desrespeito por normas sociais. 
• Incapacidade de manter relacionamentos persistentes. 
• Baixa tolerância à frustração e baixo limiar para descarga de agressão. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
182 
• Incapacidade de experimentar culpa. 
 
 
• Propensão para culpar os outros. 
 
 
• Irritabilidade persistente. 
 
 
4. Emocionalmente instável: 
• Tendência a agir inesperadamente e sem consideração das 
consequências. 
 
 
• Tendência a comportamentos beligerante e a ter conflitos com os outros. 
• Facilidade para ter explosões de raiva ou violência. 
• Incapacidade evidente de planejar adiante ou prever acontecimentos 
futuros que têm grande chance de ocorrer. 
 
 
• Dificuldade em persistir em qualquer tarefa que não ofereça gratificação 
imediata. 
 
 
• Humor instável e caprichoso. 
 
 
• Perturbações e incerteza sobre autoimagem e preferências internas 
(incluindo a sexual). 
 
 
• Propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis. 
• Ameaças ou atos recorrentes de dano a si próprio. 
5. Histriônico: 
• Autodramatização, teatralidade. 
• Sugestionabilidade. 
• Afetividade superficial e lábil. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
183 
• Egocentricidade. 
 
 
• Busca contínua de apreciação. 
 
 
• Necessidade de excitação ou de ser o centro das atenções. 
 
 
• Comportamento manipulativo para adquirir necessidades próprias. 
 
 
6. Anancástico: 
• Indecisão. 
• Perfeccionismo. 
• Consciencioso, escrupuloso. 
• Pedantismo e convencional. 
• Rigidez e teimosia. 
• Intrusão de pensamentos ou impulsos insistentes e indesejáveis. 
• Planejamento em longo prazo de todas as atividades e com detalhes 
imutáveis. 
 
 
7. Ansioso (de evitação): 
• Sentimentos de tensão e apreensão. 
• Autoconsciência e sentimentos de insegurança e inferioridade. 
• Desejo de ser querido e aceito. 
• Hipersensibilidade à rejeição e críticas. 
• Recusa em se envolver com pessoas, a não ser com garantias de 
aceitação sem críticas. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
184 
• Propensão habitual a exagerar o potencial de perigo ou riscos em situações
cotidianas. 
 
 
• Estilo de vida restrito devido à necessidade de certeza e segurança. 
 
 
8. Dependente: 
• Permitir que outros assumam responsabilidades em áreas principais da 
vida. 
 
 
• Subordinação de suas próprias necessidades àquelas dos outros dos quais 
é dependente. 
 
 
• Relutância em fazer exigências, ainda que razoáveis, às pessoas das quais 
depende. 
 
 
• Perceber a si mesmo como desamparo, incompetente e sem vigor. 
• Medo de ser abandonado e necessidade constante de se assegurar contra 
isso. 
 
 
• Sentimentos de ruína e desamparo quando um relacionamento íntimo 
termina. 
 
 
• Transferir responsabilidades para outros. 
c) Qual a duração da síndrome? 
• Em anos. 
d) Qual dos seguintes estados pode ser excluído? 
1. Desvio resultante de outra doença mental adulta. 
2. Desvio resultante de doença ou dano cerebral orgânico. 
e) Quais dos seguintes estados estão associados? 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
185 
1. Abuso de álcool ou drogas. 
 
 
*Caso SIM, considerar Síndromes Decorrentes do Uso de Substância Psicoativa. 
2. Sintomas afetivos. 
 
 
*Caso SIM, considerar também Síndrome Afetiva. 
3. Sintomas psicóticos. 
 
 
*Caso SIM, considerar Síndrome Psicótica. 
4. Sintomas neuróticos. 
*Caso SIM, considerar Síndrome Neurótica. 
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente? 
1. Transtorno de personalidade paranoide (F60.0). 
2. Transtorno de personalidade (F60.1). 
3. Transtorno de personalidade (F60.2). 
 
 
4. Transtornos de personalidade emocionalmente instável: 
• Tipo impulsivo (F60.30). 
• Tipo boderline (F60.31). 
5. Transtorno de personalidade histriônica (F60.4). 
6. Transtorno de personalidade anancástica (F60.5). 
7. Transtorno de personalidade ansiosa (de evitação) (F60.6). 
8. Transtorno de personalidade dependente (F60.7). 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
186 
9. Outros transtornos de personalidade especificados (F60.8). 
 
 
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto. 
 
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8 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DECORRENTES DE AVALIAÇÕES 
PSICOLÓGICAS 
 
 
Neste tópico informaremos sobre os vários documentos existentes como a 
Declaração, o Atestado Psicológico, o Relatório Psicológico, Laudo Psicológico e o 
Parecer Psicológico. 
Desses, os mais usados na entrevista devolutiva são o Laudo Psicológico, o 
Relatório e o Parecer, mas aqui falaremos de todos os documentos a título de 
informação aos profissionais. 
Estas informações sobre a elaboração dos instrumentos foram colhidas no 
site www.pol.org.br em resoluções do CFP Nº. 07/2003 e têm por objetivos: 
 Orientar o profissional psicólogo na confecção de documentos 
decorrentes das avaliações psicológicas; 
 Fornecer os subsídios éticos e técnicos necessários para a elaboração 
qualificada da comunicação escrita. 
 
A avaliação psicológica é entendida como o processo científico de coleta de 
dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos 
psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade, 
utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e 
instrumentos. Os resultados das avaliações devem identificar os 
condicionantes sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalidade de 
serem instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, mas na 
modificação desses condicionantes sociais. (POL, 2010, s. p.). 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
187 
 
Itens: 
 Princípios norteadores da elaboração documental; 
 Modalidades de documentos; 
 Conceito e Finalidade/Estrutura; 
 Validade dos documentos; 
 Guarda dos documentos. 
 
 
8.1 PRINCÍPIOS NORTEADORES NA ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS 
 
 
O psicólogo, na elaboração de seus documentos, deverá adotar como 
princípios norteadores as técnicas da linguagem escrita e os princípios éticos, 
técnicos e científicos da profissão. 
 
 
8.2 PRINCÍPIOS TÉCNICOS DA LINGUAGEM ESCRITA 
 
 
O documento deve, na expressão escrita, apresentar uma redação bem-
estruturada e definida, ou seja, expressar o pensamento, o que se quer comunicar. 
Deve ter uma ordenação que possibilite a compreensão por quem o lê – o que é 
fornecido pela estrutura, composição de parágrafos ou frases, além da correção 
gramatical. 
O emprego de expressões ou termos deve ser compatível com as 
expressões próprias da linguagem profissional,garantindo a precisão da 
comunicação e evitando a diversidade de significações da linguagem popular. 
A comunicação deve ainda apresentar como qualidades a clareza, a 
concisão e a harmonia. A clareza se traduz na estrutura frasal, pela sequência ou 
ordenamento adequado dos conteúdos, pela explicitação da natureza e função de 
cada parte na construção do todo. A concisão se verifica no emprego da linguagem 
adequada, da palavra exata e necessária. Essa “economia verbal” requer do 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
188 
psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação lacônica ou o exagero 
de uma redação prolixa. Finalmente, a harmonia se traduz na correlação adequada 
das frases, no aspecto sonoro e na ausência de cacofonias. 
 
 
8.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E TÉCNICOS 
 
 
8.3.1 Princípios éticos 
 
 
Na elaboração de DOCUMENTO, o psicólogo baseará suas informações na 
observância dos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do 
Psicólogo. Enfatizamos aqui os cuidados em relação: aos deveres do psicólogo nas 
suas relações com a pessoa atendida, ao sigilo profissional, às relações com a 
Justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em 
relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão 
de relações de poder. 
 
 
8.3.2 Princípios técnicos 
 
 
O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste 
procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas, 
sociais, econômicas e políticas, sendo os mesmos elementos constitutivos no 
processo de subjetivação. O DOCUMENTO, portanto, deve considerar a natureza 
dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. 
Os psicólogos, ao produzirem documentos escritos, devem se basear 
exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas, testes, observações, 
dinâmicas de grupo, escuta, intervenções verbais etc.) que se configuram como 
métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados, estudos e interpretações de 
informações a respeito da pessoa ou grupo atendido, bem como sobre outros 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
189 
materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em 
questão. 
A linguagem nos documentos deve ser rigorosa, precisa, clara e inteligível. 
 
 
8.4 MODALIDADES DE DOCUMENTOS 
 
 
 Laudo Psicológico; 
 Relatório Psicológico; 
 Parecer Psicológico; 
 Declaração; 
 Atestado. 
 
 
8.5 LAUDO PSICOLÓGICO OU PERICIAL 
 
 
8.5.1 Conceito e finalidade do Laudo Psicológico ou Pericial 
 
 
A palavra laudo é originária do idioma latino, do genitivo laudis e significa 
originalmente mérito, valor, glória. É um documento conciso, minucioso e 
abrangente, que busca relatar, analisar e integrar os dados colhidos no processo de 
avaliação psicológica tendo como objetivo apresentar diagnóstico e/ou prognóstico, 
para subsidiar ações, decisões ou encaminhamentos. 
Portanto, diferencia-se do Relatório Psicológico por ter como objetivo 
subsidiar uma tomada de decisão, por realizar uma extensa pesquisa cujas 
observações e dados colhidos deverão ser relacionados às questões e situações 
levantadas pela decisão a ser tomada. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
190 
 
8.5.2 Estrutura 
 
 
Na sua estrutura básica, o laudo psicológico contém os seguintes itens: 
1) Identificação; 
2) Descrição da demanda; 
3) Métodos e técnicas utilizadas; 
4) Conclusão. 
 
 
1) Identificação 
Refere-se à descrição dos dados básicos do avaliado, como nome, data de 
nascimento, idade, escolaridade, filiação, profissão etc. 
 
2) Descrição da demanda 
Nesse item, o psicólogo apresenta as informações referentes a motivos, 
queixas ou problemáticas apresentadas, esclarecendo quais ações, decisões ou 
encaminhamentos o laudo deverá subsidiar. 
 
3) Métodos e técnicas utilizadas 
Refere-se à descrição dos recursos utilizados e dos resultados obtidos. 
 
4) Conclusão 
Destina-se a apresentar uma síntese do diagnóstico e/ou prognóstico da 
avaliação realizada e/ou encaminhamentos, necessariamente relacionados à 
demanda. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
191 
 
8.6 RELATÓRIO PSICOLÓGICO 
 
 
8.6.1 Conceito e finalidade do Relatório Psicológico 
 
 
O Relatório Psicológico é uma apresentação descritiva e/ou interpretativa 
acerca de situações ou estados psicológicos e suas determinações históricas, 
sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de Avaliação Psicológica. 
Como todo DOCUMENTO, deve ser subsidiado em dados colhidos e analisados à 
luz de um instrumental técnico (entrevistas, dinâmicas, testes psicológicos, 
observação, escuta, intervenção verbal etc.), consubstanciado em referencial 
técnico-filosófico e científico, adotado pelo psicólogo. 
A finalidade do Relatório Psicológico será sempre a de apresentar resultados 
e conclusões da avaliação psicológica. Entretanto, em função da petição ou da 
solicitação do interessado, o Relatório Psicológico poderá destinar-se a finalidades 
diversas, como: encaminhamento, intervenção, diagnóstico, prognóstico, parecer, 
orientação, solicitação de acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para 
acompanhamento psicológico etc. Enfim, a solicitação do requerente é que irá 
apontar o objetivo último do Relatório Psicológico. 
 
 
8.6.2 Estrutura 
 
 
Independentemente das finalidades a que se destina, o Relatório Psicológico 
é uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter narrativa detalhada e 
didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível 
ao destinatário. 
Os termos técnicos devem, portanto, estar acompanhados das explicações 
e/ou conceituações retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
192 
Independentemente também, da finalidade a que se destina, o Relatório 
Psicológico deve conter, no mínimo, três etapas: introdução, descrição e conclusão, 
além do cabeçalho. 
1) Cabeçalho; 
2) Introdução ou Histórico; 
3) Descrição ou Desenvolvimento; 
4) Conclusão; 
 
1) Cabeçalho 
É a parte superior da primeira parte do Relatório Psicológico com a 
finalidade de identificar: 
 Autor/relator – quem elabora o Relatório Psicológico; 
 Interessado – quem solicita o Relatório Psicológico; 
 O assunto/finalidade – qual a razão/finalidade do Relatório Psicológico. 
 
No identificador AUTOR/RELATOR deverá(ão) ser colocado(s) o(s) nome(s) 
do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição 
(ões) no Conselho Regional. 
No identificador INTERESSADO, o psicólogo indicará o nome do autor do 
pedido (se a solicitação foi da Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente). 
No identificador ASSUNTO, o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido 
(se para acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para 
acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica). 
 
2) Introdução ou Histórico 
Alguns psicólogos, em seus Relatórios, intitulam essa primeira parte como 
HISTÓRICO. Ela é destinada à narração histórica e sucinta dos fatos que 
produziram o pedido do Relatório Psicológico. Inicia-se com as razões do pedido, 
seguida da descrição do processo ou procedimentos utilizados para coletar as 
informações, contextualizando fatos e pessoas neles envolvidos e a metodologia 
empregada, possibilitando assim, para quem lê, a compreensão do ocorrido, o que 
se está analisando, solicitando e/ou questionando. 
Portanto, a introdução tratará da narração: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
193 
a) Dos fatos motivadores do pedido; 
b) Dos procedimentos e instrumentos utilizados na coleta de dados (número 
de encontros, pessoas ouvidas, instrumentos utilizados), à luz do referencial teórico-
filosófico que os embasa. 
 
3) Descrição ou Desenvolvimento 
É a parte do Relatório na qual o psicólogo faz uma exposição descritiva de 
forma metódica, objetivae fiel dos dados colhidos e das situações vividas. Nessa 
exposição, devem respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental 
técnico utilizado, bem como princípios éticos, como as questões relativas ao sigilo 
das informações. Somente deve ser relatado o que for necessário para o 
esclarecimento do encaminhamento, como disposto no parágrafo 2o do Artigo 23 do 
Código de Ética Profissional. 
O psicólogo, ainda nessa parte, poderá se valer de citações ou transcrições, 
visando a reforçar as conclusões de sua análise. Não deve fazer afirmações sem 
sustentação em fatos e/ou teorias, devendo ter linguagem precisa, especialmente 
quando se referir aos dados de natureza subjetiva, expressando-se de maneira clara 
e exata. 
 
4) Conclusão 
É a parte final, conclusiva, do Relatório Psicológico. Nela, o psicólogo vai 
espelhar e dar ênfase às evidências encontradas na análise dos dados a partir das 
referências adotadas, que subsidiaram o resultado a que o psicólogo chegou, 
sustentando assim a finalidade a que se propôs. Escrita logo após a descrição, o 
psicólogo deve expor o resultado e/ou considerações. Após a narração conclusiva, o 
Relatório Psicológico é encerrado, com indicação do local, data de emissão e 
assinatura do psicólogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
194 
 
8.7 PARECER 
 
 
8.7.1 Conceito e finalidade do Parecer 
 
 
O Parecer é uma manifestação técnica fundamentada e resumida sobre uma 
questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo. 
O Parecer tem como finalidade apresentar resposta esclarecedora, no 
campo do conhecimento psicológico, por meio de uma avaliação técnica 
especializada, de uma “questão-problema”, visando a dirimir dúvidas que estão 
interferindo na decisão, sendo, portanto, uma resposta a uma consulta, que exige de 
quem responde competência no assunto. 
 
 
8.7.2 Estrutura 
 
 
O psicólogo nomeado perito deve fazer a análise do problema apresentado, 
destacar os aspectos relevantes e opinar a respeito, considerando os quesitos 
apontados e com fundamento em referencial teórico-científico. 
Devem-se rubricar todas as folhas dos documentos. Havendo quesitos, o 
psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente, não deixando 
nenhum quesito sem resposta. Quando não houver dados para a resposta ou 
quando o psicólogo não puder ser categórico, deve-se utilizar a expressão “sem 
elementos de convicção”. Se o quesito estiver mal formulado, pode-se afirmar 
“prejudicado”, “sem elementos” ou “aguarda evolução”. 
O parecer é composto de quatro partes: 
1) Cabeçalho; 
2) Exposição de motivos; 
3) Discussão; 
4) Conclusão. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
195 
 
1) Cabeçalho 
É a parte que consiste em identificar o nome do perito e sua titulação, o 
nome do autor da solicitação e sua titulação. 
 
2) Exposição de Motivos 
Essa parte destina-se à transcrição do objetivo da consulta e os quesitos ou 
à apresentação das dúvidas levantadas pelo solicitante. Deve-se apresentar a 
“questão-problema”, não sendo necessária, portanto, a descrição detalhada dos 
procedimentos, como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos. 
 
3) Discussão 
A discussão do parecer constitui-se na análise minuciosa da “questão-
problema”, explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários 
existentes, seja na ética, na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica. 
 
4) Conclusão 
É a parte final do parecer, em que o psicólogo irá apresentar seu 
posicionamento, respondendo à questão levantada. Ao final do posicionamento ou 
do parecer propriamente dito, informar o local e data em que foi elaborado e assinar 
o documento. 
 
 
8.8 DECLARAÇÃO 
 
 
8.8.1 Conceito e finalidade da Declaração 
 
 
É um documento que visa a informar a ocorrência de fatos ou situações 
objetivas relacionados ao atendimento psicológico, com a finalidade de: 
a) Declarar comparecimentos do atendido; 
b) Declarar o acompanhamento psicológico do atendido; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
196 
c) Informações diversas sobre o enquadre do atendimento (tempo de 
acompanhamento, dias ou horários); 
 
Não deve ser feito o registro de sintomas, situações ou estados psicológicos. 
 
 
8.8.2 Estrutura 
 
 
a) Ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do 
documento o carimbo, em que constem nome e sobrenome do psicólogo acrescido 
de sua inscrição profissional (“Nome do Psicólogo/N.º da inscrição”); 
b) A Declaração deve expor: 
 Registro do nome e sobrenome do solicitante; 
 Finalidade do documento (por exemplo, para fins de comprovação); 
 Registro de informações solicitadas em relação ao atendimento (por 
exemplo: se faz acompanhamento psicológico, em quais dias, qual horário); 
 Registro do local e data da expedição da Declaração; 
 Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP, e/ou 
carimbo com as mesmas informações. Assinatura do psicólogo acima da 
identificação do psicólogo ou do carimbo. 
 
 
8.9 ATESTADO PSICOLÓGICO 
 
 
8.9.1 Conceito e finalidade do Atestado Psicológico 
 
 
É um documento expedido pelo psicólogo que certifica uma determinada 
situação ou estado psicológico, tendo como finalidade: 
a) Afirmar como testemunha, por escrito, a informação ou estado psicológico 
de quem, por requerimento, o solicita, aos fins expressos por este; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
197 
b) Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante, atestando-os como 
decorrentes do estado psicológico informado; 
c) Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na 
afirmação atestada do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº 015/96. 
 
 
8.9.2 Estrutura 
 
 
A formulação do Atestado deve restringir-se à informação solicitada pelo 
requerente, contendo expressamente o fato constatado. Embora seja um documento 
simples, deve cumprir algumas formalidades: 
a) Ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do 
documento o carimbo, em que conste seu nome e sobrenome acrescido de sua 
inscrição profissional (“Nome do Psicólogo / N.ºda inscrição”). 
b) O Atestado deve expor: 
 Registro do nome e sobrenome do cliente; 
 Finalidade do documento; 
 Registro da informação pelo sintoma, situação ou estado psicológico que 
justifica o atendimento, afastamento ou falta – podendo registrar sob o indicativo do 
código da Classificação Internacional de Doenças (CID); 
 Registro do local e data da expedição do Atestado; 
 Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP, e/ou 
carimbo com as mesmas informações; 
 Assinatura do psicólogo acima da identificação do psicólogo ou do 
carimbo. 
 
Se a finalidade do Atestado for solicitar afastamento ou dispensa, o registro 
da informação/pedido deverá estar justificado pelo sintoma, situação ou estado 
psicológico. 
Os registros deverão estar transcritos de forma corrida, ou seja, separados 
apenas pela pontuação, sem parágrafos, evitando, com isso, riscos de adulterações. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
198 
No caso em que seja necessária a utilização de parágrafos, o psicólogo deverá 
preencher esses espaços com traços. 
 
 
8.10 VALIDADE DOS DOCUMENTOS 
 
 
O prazo de validade dos documentos escritos decorrentes das avaliações 
psicológicas deverá considerar a legislação vigente nos casos já definidos. 
Não havendo definição legal, o psicólogo, onde for possível, indicará o prazo 
de validade em função das características avaliadas, das informações obtidas e dos 
objetivos da avaliação. 
Quando não for possível a indicação do prazo, informará o caráter 
situacional e temporal dos dados de uma avaliação psicológica. 
Ao definir o prazo, o psicólogo deve dispor dos fundamentos para a 
indicação, devendo apresentá-los sempre que solicitado. 
 
 
8.11 GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA 
 
 
Os documentos escritos decorrentes de avaliação psicológica, bem como 
todoo material que os fundamentou, deverão ser guardados pelo prazo mínimo de 
cinco anos, observando-se a responsabilidade por eles tanto do psicólogo quanto da 
instituição em que ocorreu a avaliação psicológica. 
Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por solicitação 
judicial, ou ainda em casos específicos em que seja necessária a manutenção da 
guarda por maior tempo. 
Em caso de extinção de serviço psicológico, o material privativo e os 
documentos escritos devem permanecer em posse do psicólogo responsável, que 
os manterá sob sua guarda pelo prazo previsto neste manual. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
199 
Atingido esse prazo, o psicólogo ou instituição responsável pela guarda 
deverá destruir o material de forma a não permitir a quebra do sigilo das informações 
nele contidas. 
O psicólogo responsável pelo documento escrito decorrente da avaliação 
psicológica deverá estar atento ao artigo 24 do Código de Ética Profissional do 
Psicólogo, garantido, assim, o sigilo profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO IV 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
199 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
 
 
MÓDULO V 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
200 
 
 
MÓDULO V 
 
 
9 ASPECTOS ÉTICOS IMPLICADOS NO PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
9.1 COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO PSICÓLOGO EM UM 
PSICODIAGNÓSTICO 
 
 
Devemos saber que na operacionalização dessa avaliação devem ser 
considerados os comportamentos específicos do psicólogo e os passos para 
realização do Psicodiagnóstico com um modelo psicológico de natureza clínica; tais 
passos serão discutidos no próximo tópico. 
De acordo com alguns autores, sendo um deles Cunha (2003 & 2004), os 
comportamentos específicos do psicólogo podem variar na sua especificidade e na 
sua seriação, conforme os objetivos do Psicodiagnóstico. 
Citaremos os mais importantes: 
 Determinar os motivos do encaminhamento, queixas e outros problemas 
iniciais; 
 Colher dados sobre a história clínica e história pessoal ou anamnese, 
procurando reconhecer denominadores comuns com a situação atual, do ponto de 
vista psicopatológico e dinâmico; 
 Levantar dados de natureza psicológica, social, médica, profissional e/ou 
escolar, etc. sobre o sujeito e pessoas significativas, solicitando eventualmente 
informações de fontes complementares; 
 Realizar o exame do estado mental do paciente (exame subjetivo), 
eventualmente complementado por outras fontes (exame objetivo); 
 Levantar hipóteses iniciais e definir os objetivos do exame; 
 Estabelecer um plano de avaliação; 
 Estabelecer um contrato de trabalho com o sujeito ou responsável; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
201 
 Administrar testes e técnicas psicológicas; 
 Levantar dados quantitativos e qualitativos; 
 Selecionar, organizar e integrar todos os dados significativos para os 
objetivos do exame, conforme o nível de inferência (dedução, conclusão, 
julgamento) previsto; 
 Comunicar os resultados (entrevista devolutiva, relatório, laudo, parecer e 
outros informes); 
 Encerrar o processo Psicodiagnóstico. 
 
Todos esses procedimentos feitos com rigor e atenção levam a um processo 
com resultados satisfatórios. 
 
 
9.2 COMPETÊNCIAS QUE O AVALIADOR DEVE TER 
 
 
A aceitação das recomendações ou a permanência no tratamento dependem 
de algumas características importantes do primeiro contato, que são influenciadas 
por um conjunto de competências do entrevistador. Percebemos que as primeiras 
entrevistas, como ponto de contato inicial, são cruciais para o desenvolvimento de 
uma relação de ajuda. 
Nesse processo deve realmente ser construído o rapport, pois podem haver 
muitas dificuldades de aceitação das recomendações ou a desistência de iniciar um 
processo terapêutico, e isso normalmente ocorre nos primeiros contatos 
terapêuticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
202 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sabemos que existem muitas orientações teóricas entre os entrevistadores e 
também objetivos específicos da entrevista, mas algumas competências pessoais 
essenciais para a condução de uma entrevista devem ser peculiares entre esses 
entrevistadores. E para o êxito da entrevista em si, deve ter uma atenção especial a 
esses aspectos e ao desenvolvimento dessas competências. 
Segundo Cunha (2003 & 2004), para se levar uma entrevista a termo de 
modo adequado, o entrevistador deve ser capaz de: 
 Estar presente, no sentido de estar inteiramente disponível para o 
outro naquele momento, e poder ouvi-lo sem a interferência de questões 
pessoais, ou seja, a atenção do entrevistador deve ser focada no paciente e ele 
ainda tem que ser capaz de isolar outras preocupações. O entrevistador deve cuidar 
de suas necessidades pessoais, suas ansiedades para que estas não interfiram na 
escuta terapêutica. Cordioli (1993) fala dessa escuta diferenciada, que é 
considerada um dos elementos terapêuticos. 
IMPORTANTE! 
 
O sucesso de uma entrevista dependerá de 
qualidades gerais de um bom contato social, 
entre o entrevistador e o examinando, sobre qual 
se apoiam as técnicas clínicas específicas, sendo 
que a execução dessas técnicas é influenciada 
pelas habilidades interpessoais desse 
entrevistador. Podemos observar uma grande 
interdependência entre as habilidades 
interpessoais e os usos da técnica, muitas vezes 
sendo impossível separá-las. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
203 
 Ajudar o paciente a se sentir à vontade e desenvolver uma aliança de 
trabalho, para que a relação seja construída baseada em confiança e sinceridade. 
Essa aliança de trabalho mais tarde se transformará em uma aliança terapêutica, 
que segundo alguns autores pode ser composta por dois fatores: a percepção de 
estar e recebendo apoio e o sentimento de estarem trabalhando juntos. O terapeuta 
deve ser receptivo às dificuldades do examinando e este deve perceber essa 
receptividade e também a aceitação do entrevistador em relação às suas 
dificuldades. Com essa atmosfera de colaboração e a percepção dessa 
receptividade, a relação entre ambos é fortalecida. 
 Facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa a ser 
encaminhada ou a buscar ajuda. Para isso, o paciente deve se sentir seguro o 
suficiente para poder arriscar-se, e esta segurança para enfrentar certas situações 
vem em parte do tipo de escuta e atenção que o examinando percebe estar 
recebendo, como também da capacidade do entrevistador de facilitar a expressão 
de experiências, sentimentos e pensamentos relevantes; 
 Buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas, pois 
estas atuam como defesas que obscurecem o assunto em questão, e quando o 
entrevistador deixa passar esse momento, perde uma oportunidade de desenvolver 
uma ideia mais clara sobre assunto, além de não ajudar o paciente a ampliar sua 
percepção da questão. 
 Confrontar, de forma gentil, esquivas e contradições, ou seja, saber 
manejar esse retorno ao paciente de forma que ele não se sinta ameaçado ou 
acuado. A confrontação é uma técnica dirigida ao insight e requer certa capacidade 
de tolerar a ansiedade; deve-se criar um contexto suficiente de apoio para que o 
sujeito se sinta em condições de enfrentar esses momentos. 
 Tolerar, ter paciência com a ansiedade relacionada aos temas 
evocados na entrevista. Muitos temas que envolvem emoção e experiências 
dolorosas aparecem durante a entrevista e o entrevistador deve saber lidar e falar 
abertamente sobre esses temas difíceis. 
 Reconhecer defesas e modelosde estruturação do paciente, 
especialmente quando elas atuam diretamente na relação com o entrevistador, 
ou seja, saber identificar possíveis transferências (processo que segundo 
Roudinesco & Plon (1998) é constitutivo do tratamento psicanalítico mediante o qual 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
204 
os desejos inconscientes do analisando concernentes a objetos externos passam a 
se repetir, no âmbito da relação analítica, na pessoa do analista, colocado na 
posição desses diversos objetos, ou seja, a transferência é um conjunto de 
sentimentos positivos ou negativos que o paciente dirige ao entrevistador ou 
psicoterapeuta, sentimentos estes que não são justificáveis em sua atitude 
profissional, mas que estão fundamentados nas experiências que o paciente teve 
em sua vida com seus pais ou criadores) a que estão sujeitos o entrevistador e o 
examinando. Se o entrevistador reconhecer esses aspectos, poderá antecipar 
situações de transferência e evitar resposta contratransferenciais inadequadas, 
assim o terapeuta pode antecipar as ansiedades da pessoa e adaptar-se de modo 
correspondente. 
 Compreender seus processos contratransferenciais (que segundo 
Laplanche & Pontalis (2001) pode ser compreendido como o conjunto das reações 
inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à 
transferência deste). Esse é um dos recursos mais importantes do clínico, porque se 
ele sabe reconhecer como processos mentais e afetivos são mobilizados em si 
mesmo e ser capaz de relacionar esse processo ao que se passa na relação 
imediata com o sujeito fornece uma via muito grande de compreensão do outro. 
 Assumir a iniciativa em momentos de impasse. Isso significa usar da 
criatividade para dar uma resposta eficaz no momento, e ainda mobilizar recursos 
pessoais diante de situações difíceis e inesperadas; 
 Saber muito bem sobre os elementos que está manejando, ou seja, 
dominar as técnicas que utiliza. Se o entrevistador domina as técnicas que usa, 
este deixa de se preocupar com a execução e se concentra no paciente, no que ele 
apresenta e na sua relação com ele. A falta desse domínio da técnica pode resultar 
em uma aplicação mecânica e desconexa das diretrizes da técnica. 
Quanto à utilização da Avaliação Psicológica e mais especificamente dos 
testes, Almeida (2005) deixa bem claro que o profissional que vai manejar os testes 
deve ter uma formação sólida em avaliação psicológica, sustentada pelo ensino que 
privilegie o aprofundamento teórico, as atividades práticas e investigativas. Outros 
autores acrescentam ainda que a formação em avaliação psicológica vai além do 
ensino de graduação, fazendo-se necessário que o profissional realize cursos de 
atualização e se insira em programas de pós-graduação para a continuidade de sua 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
205 
formação e aprimoramento do conhecimento pertinente ao uso dos instrumentos de 
avaliação. 
 
 
9.3 GUIA DE RESPONSABILIDADE ÉTICA E PROFISSIONAL 
 
 
Como já ressaltamos anteriormente a avaliação psicológica no Brasil é 
função privativa do psicólogo, definida pela lei nº 4.119, de 1962, que regulamenta a 
profissão e corresponde ao processo de coleta de dados e interpretações de 
informações, por meio de teorias, métodos e instrumentos psicológicos. De acordo 
com Wechsler (1999), tem por finalidade obter maior conhecimento do indivíduo, do 
grupo ou situações, a fim de atingir os objetivos definidos e, assim, auxiliar em 
processos de tomada de decisões. 
Sabemos que a avaliação psicológica é uma atividade ampla e fundamental, 
onde a utilização pode se dar em vários contextos de atuação do psicólogo. 
Alchieri & Bandeira (2002) falam dos problemas relativos à área, referindo-se 
à precária formação dos profissionais, ao uso inadequado de instrumentos 
psicológicos, aos instrumentos desatualizados e sem fundamentação científica, à 
falta de professores especializados e à falta de consenso sobre como deve ser feita 
a formação do psicólogo nessa área, no âmbito da graduação. E muitos desses 
problemas são decorrentes das dificuldades que permearam a área da avaliação no 
início da década de 60, ainda quando os primeiros instrumentos estavam sendo 
estudados no país. 
Assim, as primeiras intervenções para que se modificasse essa situação 
vigente em torno da Avaliação Psicológica no Brasil foi de certa forma reforçada pelo 
Conselho Federal de Psicologia, que publicou em novembro de 2001 a primeira 
edição da Resolução CFP nº. 25/01 (CFP, 2001). 
Dois anos depois de algumas reformulações, em 2003, passou a vigorar a 
Resolução CFP nº. 02/2003 (CFP, 2003), onde esse documento define e 
regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos, com o 
objetivo de aprimorar os procedimentos de avaliação por meio da aferição da 
qualidade dos instrumentos existentes, impedindo o uso de instrumentos de má 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
206 
qualidade. Para isso, estabelece os requisitos mínimos que os testes devem possuir 
para serem utilizados pelos profissionais, tais como, fundamentação teórica, 
validade, precisão e normas com amostras brasileiras, visando à realização de um 
exercício profissional ético e adequado ao atendimento das diferentes demandas 
sociais. 
Diante de tantas dificuldades, um guia de Procedimentos Éticos para 
Avaliação Psicológica foi publicado por Solange Wechsler, em 1999, que segundo 
ela, os psicólogos têm um Código de Ética, estabelecido pelo CRP - Conselho 
Federal de Psicologia, orientando de maneira geral as ações dos psicólogos nas 
suas mais diversas áreas de atuação, mas não tinham ou faltava um código de ética 
específico para as áreas de avaliação psicológica, apresentando diretrizes 
específicas para os diversos passos envolvidos no processo de avaliação 
psicológica, assim como acontece em outros países. 
O Guia é um instrumento de grande valia para profissionais que trabalham 
com avaliação objetivando orientar o trabalho de avaliação psicológica por meio das 
explicações sobre o uso de instrumentos psicológicos objetivos. 
É vigente que os Princípios Éticos são determinantes no trabalho de 
qualquer profissional e mais especificamente, de acordo com o que estamos 
discutindo com o psicólogo e a avaliação psicológica, acresce a responsabilidade 
inerente ao cumprimento do código de Ética. 
Vários aspectos são mencionados no guia, dentre eles podemos citar: 
 A utilização dos testes psicológicos é de inteira competência e 
responsabilidade do psicólogo, pois somente ele tem o treinamento e experiência 
necessária para assumir esta responsabilidade de maneira profissional, ética e 
técnica; 
 Cabe exclusivamente ao psicólogo a responsabilidade pela qualidade da 
aplicação dos testes psicológicos, sendo esta condição essencial para a obtenção 
de um resultado fidedigno; 
 De acordo com o código é vedado ao psicólogo ceder, emprestar ou 
vender testes psicológicos ou materiais integrantes destes (folha de correção, 
manual, tabelas de normatização, etc.) a outros profissionais que não sejam 
psicólogos. Esta regra também se aplica às editoras e distribuidoras de instrumentos 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
207 
psicológicos, devendo qualquer infração ser denunciada ao CFP, que tomará as 
medidas necessárias; 
 O psicólogo deverá seguir rigorosamente as instruções, os exemplos, o 
tempo e outras orientações que se encontrem no manual ou no próprio caderno do 
teste, evitando quaisquer improvisações que possam comprometer todo o processo 
de validade do instrumento; 
 Cabe ao psicólogo a responsabilidade do trabalho de correção dos testes 
psicológicos, seguindo os critérios e as tabelas apropriadas para cada finalidade; 
 É vedado ao psicólogo o uso de material de teste fotocopiado ou em 
outras formas que não sejam as originais do teste, a fim de que seja garantida a 
qualidade padronizada do instrumento. 
 
 
9.4 RESOLUÇÕES DO CRP REFERENTES À AVALIAÇÃOPSICOLÓGICA 
 
 
Veja todas essas resoluções detalhadamente nos anexos. 
 Resolução CFP nº. 012/1997: 
Disciplina o ensino de métodos e técnicas psicológicas em cursos livres e de 
pós-graduação, por psicólogos a não psicólogos. 
 Resolução CFP nº. 012/2000: 
Instituição do Manual para Avaliação Psicológica de candidatos à CNH e 
condutores de veículos automotores. 
 Resolução CFP nº. 025/2001: 
Definição do teste psicológico como método de avaliação privativo do 
psicólogo e regulamentação de normas para elaboração, publicação, 
comercialização e uso dos testes psicológicos (Esta resolução foi revogada pela 
resolução 002/2003). 
 Resolução CFP nº. 030/2001: 
Criação do Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de 
Avaliação Psicológica. (Esta resolução foi revogada pela resolução 017/2002). 
 Resolução CFP nº. 001/2002: 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
208 
Regulamenta a Avaliação Psicológica em concursos públicos e processos 
seletivos da mesma natureza. 
 Resolução CFP nº. 016/2002: 
Dispõe acerca do trabalho do psicólogo na avaliação psicológica de 
candidatos à CNH e condutores de veículos automotores. 
 Resolução CFP nº. 017/2002: 
Institui o Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de 
Avaliação Psicológica. Esta resolução foi revogada pela 007/2003. 
 Resolução CFP nº. 002/2003: 
Define e regulamenta o uso e a comercialização de testes psicológicos no 
Brasil. 
 Resolução CFP nº. 007/2003: 
Institui o Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de 
Avaliação Psicológica. Esta resolução revoga a 017/2002. 
 Resolução CFP nº. 006/2004: 
Altera a resolução 002/2003. 
 
 
9.5 DISPOSITIVOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS PELO PSICÓLOGO NA 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 
 
Agora, abordaremos, devido à extensão do Código de Ética, somente as 
principais questões referentes à Avaliação Psicológica: 
Art. 1º - São deveres fundamentais dos psicólogos: 
 b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as 
quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente; 
 c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho 
dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, 
conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, 
na ética e na legislação profissional; 
 h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a 
partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os 
documentos pertinentes ao bom termo do trabalho; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
209 
 i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo, 
guarda e formas de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitos 
conforme os princípios deste Código. 
Art. 2º - É vedado ao psicólogo: 
 g) emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica; 
 k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus 
vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade 
do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação; 
 h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas 
psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas; 
 q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados 
de serviços psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas, 
grupos ou organizações. 
Art. 6º - O psicólogo, no relacionamento com profissionais não psicólogos: 
 b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço 
prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a 
responsabilidade de quem as receber, de preservar o sigilo. 
Art. 12º - Nos documentos que embasam as atividades em equipe 
multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o 
cumprimento dos objetivos do trabalho. 
Art. 14º - A utilização de quaisquer meios de registro e observação da 
prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional 
vigente, devendo o usuário ou beneficiário, desde o início, ser informado. 
Art. 18º - O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou 
venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o 
exercício ilegal da profissão. 
 
 
9.6 RESPONSABILIDADE DO DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO 
 
Nesse tópico vamos enumerar quais profissionais podem realmente realizar 
o Psicodiagnóstico, mas de já podemos dizer que de acordo com a definição de 
alguns casos, em que o diagnóstico deve ser da responsabilidade do psicólogo, 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
210 
pelos membros da sociedade em geral, vai depender essencialmente da atuação 
profissional do psicólogo e da adequabilidade das respostas que puder dar às 
necessidades reais do mercado. 
Os profissionais que estão aptos a realizar o Psicodiagnóstico são eles: 
 O Psicodiagnóstico pode ser realizado por psicólogos, por psiquiatras, e 
segundo Cunha (2003), atualmente ele pode ser realizado eventualmente por 
neurologistas ou psicanalistas, com vários objetivos, exceto o de classificação 
simples, desde que seja utilizado o modelo médico apenas, no exame de funções, 
identificação de patologias, sem uso de testes e técnicas privativas do psicólogo 
clínico; 
 Pelo psicólogo clínico exclusivamente, para consecução de qualquer ou 
vários dos objetivos, quando é utilizado o modelo psicológico – o Psicodiagnóstico – 
incluindo técnicas e testes privativos desse profissional; 
 Pela equipe multiprofissional como psicólogos, psiquiatras, neurologistas, 
orientadores educacionais, assistentes sociais e outros, para êxito dos objetivos 
citados e, eventualmente, de outros, desde que cada profissional utilize seu modelo 
próprio, em avaliação mais complexa e inclusiva, em que é necessário integrar 
dados muitos interdependentes de natureza psicológica, médica, social e etc. 
Segundo Cunha (2004), a atribuição da responsabilidade pelo diagnóstico 
tradicionalmente vem se baseando numa avaliação sumária do caso e numa 
expectativa do tipo de tratamento necessário, só que essa posição vem mudando 
pela consideração do tipo de exame que o caso individual requer. Podemos 
perceber que hoje, com as urgências psiquiátricas, os encaminhamentos começam 
a ser feitos de acordo com a complexidade do caso e não a sua gravidade, e 
consequentemente, a necessidade de que o diagnóstico seja feito por meio de um 
exame mais ou menos sofisticado. 
 
 
10 RESOLUÇÕES NA ÍNTEGRA 
 
Essas resoluções foram obtidas no site www.pol.org.br, que dispõe 
informações sobre o CFP. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
211 
 
RESOLUCÃO CFP N° 015/96 
 
Institui e regulamenta a Concessão de Atestado Psicológico para tratamento 
de saúde por problemas psicológicos. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais: 
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO é um profissional que atua também 
na área da SAÚDE, com fundamento, inclusive, na caracterização efetuada pela 
OIT, OMS e CBO; 
CONSIDERANDO que o parágrafo 1° do artigo 13 da Lei n° 4.1 19 de 27 de 
agosto de 1962 estabelece que é função do psicólogo a elaboração de diagnóstico 
psicológico; 
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO pode diagnosticar condições mentais 
que incapacitem o paciente para o trabalho e/ou estudos; 
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO pode diagnosticar condições mentais 
que ofereçam riscos para o paciente e para o próprio meio ambiente onde se insere; 
CONSIDERANDO que para o devido restabelecimento do equilíbrio mental 
do paciente é muitas vezes necessário seu atestamento das atividades laborais ou 
de estudos; 
CONSIDERANDO que tal medida visa, sobretudo, promover a sanidade 
mental, garantir as condições de trabalho necessárias ao bem-estar individual e 
social, valorizando os direitos do cidadão; 
CONSIDERANDO, ainda, a ampla repercussão da resolução n° 07/94, as 
discussõesocorridas em várias instâncias e o deliberado no II Congresso Nacional 
de Psicologia. 
 
RESOLVE: 
Art. 1° - É atribuição do PSICÓLOGO a emissão de atestado psicológico 
circunscrito às suas atribuições profissionais e com fundamento no diagnóstico 
psicológico produzido. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
212 
Parágrafo único - Fica facultado ao psicólogo o uso do Código Internacional 
de Doenças - CID, ou outros Códigos de diagnóstico, cientifica e socialmente 
reconhecidos, como fonte para enquadramento de diagnóstico. 
Art. 2° - Quando emitir atestado com a finalidade de abastamento para 
tratamento de saúde, fica o PSICÓLOGO obrigado a manter em seus arquivos a 
documentação técnica que fundamente o atestado por ele concedido e a registrar as 
situações decorrentes da emissão do mesmo. 
Parágrafo único - Os Conselhos Regionais poderão a qualquer tempo 
suscitar o PSICÓLOGO a apresentar a documentação que se refere o "caput" para 
comprovação da fundamentação científica do atestado. 
Art.3° - No caso do afastamento para tratamento de saúde ultrapassar a 15 
(quinze) dias o paciente deverá ser encaminhado pela empresa à Perícia da 
Previdência Social, para efeito de concessão de auxílio-doença. 
Art. 4° - O atestado emitido pelo PSICÓLOGO deverá ser fornecido ao 
paciente, que por sua vez se incumbirá de apresentá-lo a quem de direito para efeito 
de justificativa de falta, por motivo de tratamento de saúde. 
Art. 5° - O PSICÓLOGO será profissionalmente responsável pelos termos 
contidos no atestado emitido, devendo cumprir seu mister com zelo e competência 
sob pena de violação, dentre outros, do art. 2, alínea "m" do Código de Ética 
Profissional do Psicólogo. 
Art. 6° - Os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais. 
Art. 7° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
 
 
RESOLUÇÃO CFP N° 012/97 
 
Disciplina o Ensino de Métodos e Técnicas Psicológicas em cursos livres e 
de pós-graduação, por Psicólogos a não Psicólogos. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA no uso das atribuições que lhe 
conferem o Art. 06, alíneas a e b, da lei 5.766 de 20 de dezembro de 1971, e o art. 
6, incisos IV e V, do decreto n° 79.822 de 17 de junho de 1977, e; 
CONSIDERANDO o art. 13, parágrafo 1°, da Lei 4.119, de 27 de agosto de 
1962, que estabelece como função privativa do Psicólogo o uso de métodos e 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
213 
técnicas Psicológicas; 
CONSIDERANDO o disposto no Art. 35 da Resolução CFP n° 2/87 de 15 de 
agosto de 1987, que aprovou o Código de Ética Profissional do psicólogo, e que 
proíbe a divulgação, cessão, doação, empréstimo ou venda a leigos de instrumentos 
e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão; 
CONSIDERANDO a grande incidência dos chamados cursos de formação, 
regulares ou não, onde, a título de especialização, têm sido ministrados, para não 
psicólogos, métodos e técnicas psicológicas de uso exclusivos do Psicólogo; 
CONSIDERANDO que, frequentemente, os responsáveis pela administração 
desses conteúdos são Psicólogos; 
CONSIDERANDO as frequentes denúncias de exercício ilegal da profissão 
contra pessoas não habilitadas, egressas desses cursos; 
 
RESOLVE: 
Art. 1 - O ensino de métodos e técnicas psicológicas fica reservado 
exclusivamente aos alunos regularmente matriculados nos Cursos de Psicologia, 
regulamentados nos termos da lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, e aos psicólogos 
registrados no respectivo Conselho Regional. 
Art. 2 - O descumprimento ao estabelecido nesta resolução constituir-se-á 
em infração ao Código de Ética Profissional do Psicólogo. 
Art. 3 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação e 
revogadas as disposições em contrário. 
 
 
RESOLUÇÃO CFP N.º 012/2000 
 
Institui o Manual para Avaliação Psicológica de candidatos à Carteira 
Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº. 5.766, de 20 de dezembro 
de 1971 e; 
CONSIDERANDO a necessidade de normatização e qualificação de 
procedimentos relacionados à prática da avaliação psicológica de candidatos à 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
214 
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores e; 
CONSIDERANDO as exigências do novo Código de Trânsito Brasileiro e 
resoluções conexas e; 
CONSIDERANDO o trabalho realizado pela câmara interinstitucional de 
Avaliação Psicológica, grupo de trabalho integrado por entidades e segmentos 
envolvidos com a área e; 
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas 
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 8 de dezembro de 2000 e; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em Sessão realizada no dia 16 
de dezembro de 2000; 
 
RESOLVE: 
Art. 1 – Fica aprovado o Manual para Avaliação Psicológica de Candidatos à 
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores, que dispõe 
sobre os seguintes itens: 
I – Conceito de Avaliação Psicológica; 
II – Perfil do Candidato à CNH e dos Condutores de Veículos Automotores; 
III – Instrumentos de Avaliação Psicológica; 
IV – Condições do Aplicador; 
V – Condições da Aplicação dos Instrumentos de Avaliação Psicológica; 
VI – Material Utilizado; 
VII – Mensuração e Avaliação; 
VIII – Laudo Psicológico 
Art. 2 – Os dispositivos deste manual constituem exigências mínimas de 
qualidade referentes à área de avaliação psicológica de candidatos à Carteira 
Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores. 
§ 1º - Para cumprimento do que dispõe o inciso 6.2 do Anexo II da 
Resolução n.°0/98 do CONTRAN, os Conselhos Regionais de Psicologia serão 
responsáveis pela verificação do cumprimento desta Resolução, do Código de Ética 
Profissional e demais normas referentes ao exercício profissional do Psicólogo. 
§ 2º – A desobediência à presente norma constitui-se falta eticodisciplinar 
passível de capitulação nos dispositivos referentes ao exercício profissional do 
Código de Ética Profissional dos Psicólogos, sem prejuízo de outros que possam ser 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
215 
arguidos. 
Art. 3 - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. 
Art. 4 - Revogam-se as disposições em contrário. 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 25/2001 
 
Esta Resolução foi revogada pela 02/2003, sendo assim torna-se bastante 
semelhante seus artigos e parágrafos. Ela será apresentada na íntegra na resolução 
na 02/2003. 
Define teste psicológico como método de avaliação privativo do psicólogo e 
regulamenta sua elaboração, comercialização e uso. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e 
regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e; 
CONSIDERANDO o disposto no § 1
o
 do Art. 13 da Lei n
o
 4.119/62, que 
restringe ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas; 
CONSIDERANDO a necessidade de aprimorar os instrumentos e 
procedimentos técnicos dos psicólogos, com o objetivo de garantir serviços com 
qualidade técnica e ética à população usuária desses serviços; 
CONSIDERANDO a necessidade de revisão periódica das condições dos 
métodos e técnicas utilizados na avaliação psicológica; 
CONSIDERANDO as deliberações do IV Congresso Nacional da Psicologia 
acerca do tratamento a ser dispensado aos testes psicológicos; 
CONSIDERANDO propostas encaminhadas por psicólogos, delegados das 
diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação Psicológica, 
realizado em dezembro de 2000; 
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas 
e Financeiras em reunião realizada no dia 4 de maio de 2001; 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 30/2001 
 
Esta resolução foi revogada pela 17/2002 e posteriormente pela 07/2003. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
216 
Portanto, devido à semelhança de parágrafos, ela será apresentada na íntegra na 
resolução 07/2003. 
Institui o Manualde Elaboração de Documentos produzidos pelo psicólogo, 
decorrentes de Avaliações Psicológicas. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais que lhe são conferidas pela Lei n
o
 5.766, de 20 de dezembro de 
1971; 
CONSIDERANDO que o psicólogo no seu exercício profissional tem sido 
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos; 
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo 
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de Avaliação 
Psicológica; 
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são 
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos 
documentos escritos, decorrentes de Avaliação Psicológica, produzidos pelos 
psicólogos; 
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a 
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica 
contidos no código de Ética Profissional do Psicólogo; 
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso 
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de Avaliações Psicológicas; 
CONSIDERANDO propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000; 
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas 
e Financeiras em reunião realizada no dia 4 de maio de 2001 e; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada em 1º de 
dezembro de 2001. 
OBS: O Manual de Elaboração de Documentos foi visto anteriormente. 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 01/2002 
 
Regulamenta a Avaliação Psicológica em Concurso Público e processos 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
217 
seletivos da mesma natureza. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e 
regimentais que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e; 
CONSIDERANDO o disposto no § 1º do Art. 13 da lei 4119/62, que restringe 
ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas; 
CONSIDERANDO a natureza pública do Conselho Federal de Psicologia, da 
qual decorre tanto a necessidade de aprimorar os serviços técnicos dos psicólogos, 
quanto a defesa da população usuária desses serviços; 
CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer normas que garantam ao 
usuário dos serviços de avaliação psicológica, além de qualidade técnica, condições 
legais e éticas adequadas; 
CONSIDERANDO a necessidade de orientação aos psicólogos a respeito de 
procedimentos adequados quando da sua participação em processos seletivos; 
CONSIDERANDO propostas encaminhadas por psicólogos, delegados das 
diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação Psicológica, 
realizado em dezembro de 2000; 
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas 
e Financeiras em reunião realizada no dia 15 de dezembro de 2001; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário nesta data; 
CONSIDERANDO a necessidade de orientar os órgãos públicos e demais 
pessoas jurídicas a respeito das informações relacionadas à avaliação psicológica 
que devem constar nos Editais de concurso para garantia dos direitos dos 
candidatos; 
 
RESOLVE: 
 
Art. 1 - A avaliação psicológica para fins de seleção de candidatos é um 
processo realizado mediante o emprego de um conjunto de procedimentos objetivos 
e científicos, que permite identificar aspectos psicológicos do candidato para fins de 
prognóstico do desempenho das atividades relativas ao cargo pretendido. 
§ 1º - Para proceder à avaliação referida no caput deste artigo, o psicólogo 
deverá utilizar métodos e técnicas psicológicas que possuam características e 
normas obtidas por meio de procedimentos psicológicos reconhecidos pela 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
218 
comunidade científica como adequados para instrumentos dessa natureza. 
§ 2º - Optando pelo uso de testes psicológicos, o psicólogo deverá utilizar 
testes validados em nível nacional, aprovados pelo CFP de acordo com a Resolução 
CFP nº. 25/2001, que garantam a precisão dos diagnósticos individuais obtidos 
pelos candidatos. 
Art. 2 - Para alcançar os objetivos referidos no artigo anterior, o psicólogo 
deverá: 
I - utilizar testes definidos com base no perfil profissiográfico do cargo 
pretendido; 
II – incluir, nos instrumentos de avaliação, técnicas capazes, minimamente, 
de aferir características tais como inteligência, funções cognitivas, habilidades 
específicas e personalidade; 
III - à luz dos resultados de cada instrumento, proceder à análise conjunta de 
todas as técnicas utilizadas, relacionando-as ao perfil do cargo e aos fatores 
restritivos para a profissão, considerando a capacidade do candidato para utilizar as 
funções psicológicas necessárias ao desempenho do cargo; 
IV - seguir sempre a recomendação atualizada dos manuais técnicos 
adotados a respeito dos procedimentos de aplicação e avaliação quantitativa e 
qualitativa. 
Art. 3 - O Edital deverá conter informações, em linguagem compreensível ao 
leigo, sobre a avaliação psicológica a ser realizada e os critérios de avaliação, 
relacionando-os aos aspectos psicológicos considerados compatíveis com o 
desempenho esperado para o cargo. 
Art. 4 - O psicólogo ou comissão responsável deverá ser designada pela 
instituição ou empresa que promove o concurso ou a seleção, por meio de ato 
formal, devendo todos estar regularmente inscritos em Conselho Regional de 
Psicologia. 
Art. 5 - O psicólogo deverá declarar-se impedido de avaliar candidatos com 
os quais tenha relação que possa interferir na avaliação. 
Parágrafo Único – Na hipótese do exposto no caput desse artigo, o 
candidato deverá ser encaminhado a outro membro da comissão de avaliação ou a 
outro profissional. 
Art. 6 - A publicação do resultado da avaliação psicológica será feita por 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
219 
meio de relação nominal, constando os candidatos indicados. 
§ 1º - O sigilo sobre os resultados obtidos na avaliação psicológica deverá 
ser mantido pelo psicólogo, na forma prevista pelo código de ética da categoria 
profissional. 
§ 2º - Será facultado ao candidato, e somente a este, conhecer o resultado 
da avaliação por meio de entrevista devolutiva. 
Art. 7 – Na hipótese de recurso à instância competente, o candidato poderá 
ser assessorado ou representado por psicólogo que não tenha feito parte da 
comissão avaliadora, que fundamentará o pedido e a revisão do processo de 
avaliação do recorrente, com base nas provas realizadas. 
§ 1º - Havendo recurso para realização de perícia, ficam os membros da 
comissão impedidos de participarem do processo. 
§ 2º - Os peritos deverão considerar todas as informações referentes ao 
cargo, fornecidas pelo órgão. 
Art. 8 - Tanto para a entrevista de devolução quanto para a apresentação do 
recurso, não será admitida a remoção dos testes do candidato do seu local de 
arquivamento público, devendo o psicólogo contratado fazer seu trabalho na 
presença de um psicólogo da comissão examinadora, salvo determinação judicial. 
Art. 9 - A avaliação psicológica em concurso público ou processo seletivo da 
mesma natureza terá sua validade de acordo com a Resolução CFP n.º 25/2001. 
Parágrafo Único – Caso o candidato possua aprovação em concurso público 
e o exame psicológico esteja fora do prazo de validade, a admissão do candidato 
estará sujeita à nova avaliação psicológica. 
Art. 10 - O laudo psicológico deverá ser assinado, ao menos, pelo 
responsável técnico da avaliação. 
Art. 11 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 16/2002 
 
Dispõe acerca do trabalho do psicólogo na avaliação psicológica de 
candidatos à Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos 
automotores. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
220 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº. 5.766, de 20 de dezembro 
de 1971; 
CONSIDERANDO a necessidade de normatizaçãoe qualificação de 
procedimentos relacionados à prática da avaliação psicológica de candidatos à 
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores; 
CONSIDERANDO a importância de todos os exames de avaliação 
psicológica serem distribuídos imparcialmente, por meio de divisão equitativa, 
aleatória e impessoal entre as entidades credenciadas na área de jurisdição do 
órgão executivo do trânsito; 
CONSIDERANDO as exigências do novo Código de Trânsito Brasileiro e 
resoluções conexas; 
CONSIDERANDO o disposto na Resolução CFP Nº. 012/2000; 
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas 
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 14 de dezembro de 2002 
e; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em Sessão realizada no dia 19 
de dezembro de 2002; 
 
RESOLVE: 
 
Art. 1 - A Avaliação Psicológica de Candidatos à Carteira Nacional de 
Habilitação e condutores de veículos automotores não poderá ser realizada em 
centros de formação de condutores ou em qualquer outro local, público ou privado, 
cujos agentes tenham interesse no resultado dos exames psicológicos, dada sua 
natureza pericial. 
Art. 2 - Os locais para a realização das avaliações psicológicas para 
candidatos à Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores 
devem ser exclusivos para esse tipo de procedimento. 
§ Parágrafo único – Nos locais referidos no caput deste artigo poderão ser 
realizados também exames de sanidade física e mental com a finalidade de 
obtenção da Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
221 
Art. 3 - Aos psicólogos peritos responsáveis pela avaliação psicológica fica 
vedado estabelecer qualquer vínculo com os Centros de Formação de Condutores 
(CFCs), seja como pessoa física, seja como jurídica. 
Art. 4 - O prazo para a adequação de procedimentos contidos nesta 
Resolução será de 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua publicação. 
Art. 5 - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. 
Art. 6 - Revogam-se as disposições em contrário. 
 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 17/2002 
 
Esta resolução foi revogada pela 007/2003 e esta por sua vez, revogou a 
resolução 30/2001. Por esse motivo ela será apresentada na íntegra na resolução 
07/2003. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei no 5.766, de 20 de dezembro 
de 1971; 
CONSIDERANDO que o psicólogo no seu exercício profissional tem sido 
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos; 
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo 
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de avaliação 
psicológica; 
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são 
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos 
documentos escritos, decorrentes de avaliação psicológica, produzidos pelos 
psicólogos; 
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a 
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica 
contidos no código de Ética Profissional do Psicólogo; 
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso 
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de avaliações psicológicas; 
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
222 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000; 
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas 
Administrativas e Financeiras, em reunião realizada em 15 de dezembro de 2002, 
para tratar da revisão do Manual de Elaboração de Documentos produzidos pelos 
psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada em 19 de 
dezembro de 2002; 
 
 
 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 02/2003 
 
Define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes 
psicológicos e revoga a Resolução CFP n° 025/2001. 
 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e 
regimentais que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971, e; 
CONSIDERANDO o disposto no § 1
o
 do Art. 13 da Lei n
o
 4.119/62, que 
restringe ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas; 
CONSIDERANDO a necessidade de aprimorar os instrumentos e 
procedimentos técnicos de trabalho dos psicólogos e de revisão periódica das 
condições dos métodos e técnicas utilizados na avaliação psicológica, com o 
objetivo de garantir serviços com qualidade técnica e ética à população usuária 
desses serviços; 
CONSIDERANDO a demanda social e a necessidade de construir um 
sistema contínuo de avaliação dos testes psicológicos, adequado à dinâmica da 
comunidade científica e profissional, que vem disponibilizando com frequência novos 
instrumentos dessa natureza aos psicólogos; 
CONSIDERANDO as deliberações do IV Congresso Nacional de Psicologia 
acerca do tratamento a ser dispensado aos testes psicológicos; 
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas por psicólogos, delegados 
das diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação 
Psicológica, realizado em dezembro de 2000; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
223 
CONSIDERANDO a necessidade de agilizar e de tornar público o processo 
de avaliação desses instrumentos; 
CONSIDERANDO a função social dos Conselhos de Psicologia em buscar a 
qualidade técnica e ética dos produtos e serviços profissionais do psicólogo; 
CONSIDERANDO a necessidade de divulgação prévia aos psicólogos dos 
requisitos mínimos que devem ter os testes psicológicos, conforme disposto no 
Anexo I da presente Resolução; 
CONSIDERANDO que a divulgação dos requisitos mínimos proporcionará 
as condições para a adoção de providências imediatas para a qualificação dos 
testes; 
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas 
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 14 de dezembro de 2002 
e; 
CONSIDERANDO decisão deste Plenário no dia 16 de março de 2003; 
 
RESOLVE: 
 
Art. 1 - Os Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou 
mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou uma 
técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1
o
do Art. 13 
da Lei n
o
 4.119/62. 
Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput deste artigo, os testes 
psicológicos são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras 
de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou 
mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente 
nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade, 
psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais 
diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos 
instrumentos. 
Art. 2 - Os documentos a seguir são referências para a definição dos 
conceitos, princípios e procedimentos, bem como o detalhamento dos requisitos 
estabelecidos nesta Resolução: 
I - International Test Commission (2000). ITC Guidelines on Adapting Tests. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
224 
International Test Commission. Disponível on-line em: http://www.intestcom.org. 
II - American Educational Research Association, American Psychological 
Association & National Council on Measurement in Education (1999). Standards for 
Educational and Psychological Testing. New York: American Educational Research 
Association. 
III - Canadian Psychological Association (1996). Guidelines for Educational 
and Psychological Testing. Ontário, CA: CPA. Disponível On-Line em: 
http://www.cpa.ca/guide9.html; 
Art. 3
 
- Os requisitos mínimos que os instrumentos devem possuir para 
serem reconhecidos como testes psicológicos e possam ser utilizados pelos 
profissionais da psicologia são os previstos nesta Resolução. 
Art. 4- Para efeito do disposto no artigo anterior,são requisitos mínimos e 
obrigatórios para os instrumentos de avaliação psicológica que utilizam questões de 
múltipla escolha e outros similares, tais como "acerto e erro", "inventários" e 
"escalas": 
I - apresentação da fundamentação teórica do instrumento, com especial 
ênfase na definição do construto, sendo o instrumento descrito em seu aspecto 
constitutivo e operacional, incluindo a definição dos seus possíveis propósitos e os 
contextos principais para os quais ele foi desenvolvido; 
II - apresentação de evidências empíricas de validade e precisão das 
interpretações propostas para os escores do teste, justificando os procedimentos 
específicos adotados na investigação; 
III - apresentação de dados empíricos sobre as propriedades psicométricas 
dos itens do instrumento; 
IV - apresentação do sistema de correção e interpretação dos escores, 
explicitando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do sistema de 
interpretação adotado, que pode ser: 
a) referenciada à norma, devendo, nesse caso, relatar as características da 
amostra de padronização de maneira clara e exaustiva, preferencialmente 
comparando com estimativas nacionais, possibilitando o julgamento do nível de 
representatividade do grupo de referência usado para a transformação dos escores; 
b) Diferente da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso, explicar o 
embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de interpretação utilizado. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
225 
V - Apresentação clara dos procedimentos de aplicação e correção, bem 
como as condições nas quais o teste deve ser aplicado, para que haja a garantia da 
uniformidade dos procedimentos envolvidos na sua aplicação; 
VI - Compilação das informações indicadas acima, bem como outras que 
forem importantes, em um manual contendo, pelo menos, informações sobre: 
a) O aspecto técnico-científico, relatando a fundamentação e os estudos 
empíricos sobre o instrumento; 
b) O aspecto prático, explicando a aplicação, correção e interpretação dos 
resultados do teste; 
c) A literatura científica relacionada ao instrumento, indicando os meios para 
a sua obtenção. 
Art. 5 - São requisitos mínimos obrigatórios para os instrumentos de 
avaliação psicológica classificados como "testes projetivos": 
I - Apresentação da fundamentação teórica do instrumento com especial 
ênfase na definição do construto a ser avaliado e dos possíveis propósitos do 
instrumento e os contextos principais para os quais ele foi desenvolvido; 
II - Apresentação de evidências empíricas de validade e precisão das 
interpretações propostas para os escores do teste, com justificativas para os 
procedimentos específicos adotados na investigação, com especial ênfase na 
precisão de avaliadores, quando o processo de correção for complexo; 
III - Apresentação do sistema de correção e interpretação dos escores, 
explicitando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do sistema de 
interpretação adotado, que pode ser: 
a) Referenciada à norma, devendo, nesse caso, relatar as características da 
amostra de padronização de maneira clara e exaustiva, preferencialmente 
comparando com estimativas nacionais, possibilitando o julgamento do nível de 
representatividade do grupo de referência usado para a transformação dos escores; 
b) Diferente da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso, 
explicar o embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de 
interpretação utilizado; 
IV - Apresentação clara dos procedimentos de aplicação e correção e das 
condições nas quais o teste deve ser aplicado para garantir a uniformidade dos 
procedimentos envolvidos na sua aplicação; 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
226 
V - compilação das informações indicadas acima, bem como outras que 
forem importantes, em um manual contendo, pelo menos, informações sobre: 
a) o aspecto técnico-científico, relatando a fundamentação e os estudos 
empíricos sobre o instrumento; 
b) o aspecto prático, explicando a aplicação, correção e interpretação dos 
resultados do teste e; 
c) a literatura científica relacionada ao instrumento, indicando os meios para 
a sua obtenção. 
Art. 6 - Os requisitos mínimos obrigatórios são aqueles contidos no Anexo I 
desta Resolução, Formulário de Avaliação da Qualidade de Testes Psicológicos. 
Parágrafo Único – O Anexo que trata o caput deste Artigo é parte integrante 
desta Resolução. 
Art. 7- Também estão sujeitos aos requisitos estabelecidos na presente 
Resolução os testes estrangeiros de qualquer natureza, traduzidos para o 
português, que devem ser adequados a partir de estudos realizados com amostras 
brasileiras, considerando a relação de contingência entre as evidências de validade, 
precisão e dados normativos com o ambiente cultural onde foram realizados os 
estudos para sua elaboração. 
Parágrafo Único - Os requerentes, autores, editores, laboratórios e 
responsáveis técnicos de testes psicológicos, comercializados ou não, poderão 
encaminhar os mesmos ao CFP a qualquer tempo, protocolando requerimento 
dirigido ao presidente do CFP, acompanhado de 2 (dois) exemplares completos do 
instrumento. 
Art. 8 – O CFP manterá uma Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica 
integrada por psicólogos convidados, de reconhecido saber em testes psicológicos, 
com o objetivo de analisar e emitir parecer sobre os testes psicológicos 
encaminhados ao CFP, com base nos parâmetros definidos nesta Resolução, bem 
como apresentar sugestões para o aprimoramento dos procedimentos e critérios 
envolvidos nessa tarefa, subsidiando as decisões do Plenário a respeito da matéria. 
§ 1
0
 – A Comissão de que trata o caput deste artigo, nomeada Comissão 
Consultiva em Avaliação Psicológica, será composta por, no mínimo, 4 (quatro) 
membros, podendo valer-se da colaboração de pareceristas Ad hoc. 
§ 2
0
 – Os pareceristas Ad hoc serão psicólogos convidados pelo CFP, 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
227 
escolhidos por notório saber na área. 
§ 3º - O trabalho da Comissão e dos pareceristas Ad hoc não será 
remunerado, e não representará vínculo empregatício com o CFP. 
Art. 9 – Os testes recebidos terão tramitação interna de acordo com as 
seguintes etapas, cujo procedimento se descreve: 
I- Recepção; 
II- Análise; 
III- Avaliação; 
IV- Comunicação da avaliação para os requerentes, com prazo para recurso; 
V- Análise do recurso; 
VI- Avaliação Final. 
§ 1
º- 
A recepção consiste no protocolo de recebimento, inclusão no banco de 
dados e encaminhamento para análise. 
§ 2
º-
 A análise é feita com a verificação técnica do cumprimento das 
condições mínimas contidas no Anexo I desta resolução, realizada inicialmente 
pelos pareceristas Ad hoc e, posteriormente, pela Comissão Consultiva em 
Avaliação Psicológica, resultando em um parecer a ser enviado para decisão da 
Plenária do CFP; 
§ 3
º
 – A avaliação poderá ser favorável quando, por decisão do Plenário do 
CFP, o teste é considerado em condições de uso, ou desfavorável quando, por 
decisão do Plenário do CFP, a análise indica que o teste não apresenta as 
condições mínimas para uso. Nesse caso, o Parecer deverá apresentar as razões, 
bem como as orientações para que o problema seja sanado. 
§ 4º - A comunicação de avaliação ocorre quando do recebimento desta pelo 
requerente, podendo o mesmo apresentar recurso no prazo de 30 dias, previsto no 
Art. 12, inciso IV desta Resolução, a contar da data que consta no Aviso de 
Recebimento (AR). 
§ 5º - A análise do recurso à avaliação desfavorável, realizada pela 
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, ocorre quando do recebimento do 
recurso do requerente. 
§ 6
º
 – A avaliação final desfavorável ocorre quando, mediante análise, a 
avaliação desfavorável prevalece diante da resposta de que trata o parágrafo 
anterior, ou quando esta resposta não for apresentada no prazo estabelecido nesta 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
228 
resolução, caso em que o testeserá considerado sem condições de uso. 
Art. 10 - Será considerado teste psicológico em condições de uso, seja ele 
comercializado ou disponibilizado por outros meios, aquele que, após receber 
Parecer da Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, for aprovado pelo CFP. 
Parágrafo único – Para o disposto no caput deste artigo, o Conselho Federal 
de Psicologia considerará os parâmetros de construção e princípios reconhecidos 
pela comunidade científica, especialmente os desenvolvidos pela Psicometria. 
Art. 11 – As condições de uso dos instrumentos devem ser consideradas 
apenas para os contextos e propósitos para os quais os estudos empíricos 
indicaram resultados favoráveis. 
Parágrafo Único – A consideração da informação referida no caput deste 
artigo é parte fundamental do processo de avaliação psicológica, especialmente na 
escolha do teste mais adequado a cada propósito e será de responsabilidade do 
psicólogo que utilizar o instrumento. 
Art. 12 – Os prazos para cada etapa descrita no Art. 9º desta Resolução são 
de até: 
I – 30 (trinta) dias, a partir da data de recebimento do teste psicológico pelo 
CFP, para os procedimentos de recepção e encaminhamento à Comissão 
Consultiva em Avaliação Psicológica ou parecerista Ad hoc por esta indicado; 
II – 60 (sessenta) dias, a partir do recebimento do teste para análise, para 
emissão de parecer pelo parecerista Ad hoc; 
III – 30 (trinta) dias, a partir do recebimento do parecer, para emissão do 
parecer pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica; 
IV – 30 (trinta) dias, a partir da notificação, para apresentação de recurso 
pelo responsável técnico pelo teste psicológico; 
V – 30 (trinta) dias, a partir do recebimento, para análise e parecer da 
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica ao recurso do requerente. 
§ 1
0
 – Caso haja desacordo entre o parecer do parecerista Ad hoc e o da 
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, o instrumento será enviado para 
outro parecerista Ad hoc, que terá o prazo de até 40 (quarenta) dias para emissão 
de novo parecer. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
229 
RESOLUÇÃO CFP Nº. 07/2003 
 
Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo 
psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP nº. 
17/2002. 
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições 
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n
o
 5.766, de 20 de dezembro 
de 1971; 
CONSIDERANDO que o psicólogo, no seu exercício profissional, tem sido 
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos; 
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo 
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de avaliação 
psicológica; 
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são 
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos 
documentos escritos, decorrentes de avaliação psicológica, produzidos pelos 
psicólogos; 
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a 
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica 
contidos no Código de Ética Profissional do Psicólogo; 
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso 
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de avaliações psicológicas; 
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000; 
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas 
Administrativas e Financeiras, em reunião realizada em 14 de dezembro de 2002, 
para tratar da revisão do Manual de Elaboração de Documentos produzidos pelos 
psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas; 
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada no dia 14 
de junho de 2003; 
 
RESOLVE: 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
230 
Art. 1 - Instituir o Manual de Elaboração de Documentos Escritos, 
produzidos por psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas. 
Art. 2 - O Manual de Elaboração de Documentos Escritos, referido no artigo 
anterior, dispõe sobre os seguintes itens: 
I. Princípios norteadores; 
II. Modalidades de documentos; 
III. Conceito / finalidade / estrutura; 
IV. Validade dos documentos; 
V. Guarda dos documentos. 
Art. 3- Toda e qualquer comunicação por escrito decorrente de avaliação 
psicológica deverá seguir as diretrizes descritas neste manual. 
Parágrafo único – A não observância da presente norma constitui falta 
eticodisciplinar, passível de capitulação nos dispositivos referentes ao exercício 
profissional do Código de Ética Profissional do Psicólogo, sem prejuízo de outros 
que possam ser arguidos. 
Art. 4 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação. 
Art. 5 - Revogam-se as disposições em contrário. 
 
 
SUGESTÕES DE LEITURAS COMPLEMENTARES 
 
 
ALGO sobre vestibular. Disponível em: 
<http://www.algosobre.com.br/psicologia>. Acesso em: 2 jul. 2010. 
 
 
AUGRAS, M. O ser da compreensão: fenomenologia da situação de 
Psicodiagnóstico. Petrópolis: Vozes, 1978. 
 
 
BEZERRA, A. R. C.; CHALEGRE, C. T.; GUIMARÃES, D. S. L.; CAMILO, D. I. 
S. Intervenção terapêutica-ocupacional na psicose infantil. Psiqweb, jan. 2005. 
Disponível em: <http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=30&art=105>. 
Acesso em: 05 jul 2010. 
 
 
BION, W. R. (1957): Diferenciação entre a personalidade psicótica e a não 
psicótica. In: ______. Estudos Psicanalíticos Revisados. Rio de Janeiro: 
Imago. 1988. p. 45-61. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
231 
 
BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. Trad. Rita M. de 
Moraes. São Paulo: Martins Fontes, 1980. 
 
 
CASTILHO, A. A dinâmica do trabalho de grupo. 2 ed. Rio de Janeiro: 
Qualitymark, 1995. 
 
 
CLÍNICA Psiquiatra de Londrina. Disponível em: 
<http://www.psiquiatrianet.com.br/>. Acesso em: 2 jul. 2010. 
 
 
FIORINI, H. J. Teoria e técnica de psicoterapias. Trad. Carlos Sussekind. 7 
ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987. 
 
 
FODDY, W. Como perguntar: teoria e prática da construção de perguntas em 
entrevistas e questionários. 2 ed. Trad. Luís Campos. Oeiras-PT: Celta, 2002. 
 
 
FREUD, S. (1924): Neurose e psicose. In: ______. Obras Completas Vol. XIX. 
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______. (1924[1923]): A perda da realidade na neurose e na psicose. In In: 
______. Obras Completas Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1976. p. 229-234. 
 
 
GILLIÉRON, E. A primeira entrevista em psicoterapia. Trad. M. S. Gonçalves 
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GOLDER, E. M. Clínica da primeira entrevista. Trad. P. Abreu. Rio de Janeiro: 
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Práticas discursivas e produção no cotidiano: aproximações teóricas e 
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(SPB). Origens: mente e psicanálise, Brasília, v. XX, n. 2, dez. 2001. 
 
 
SCHEEFFER, R. Aconselhamento psicológico. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1977. 
 
 
SENDIN, M. C. Diagnóstico Psicológico: bases conceptuales y guia pratico 
en los contextos clinico y educativo. Madrid: Psimática, 2002. 
 
 
SIMON, R. Psicologia clínica preventiva: novos fundamentos. São Paulo: 
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SOIFER, R. Psicodinamismos das famílias com crianças. Petrópolis:Vozes, 
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TRINCA, W. (Org.) Formas de investigação clínica em psicologia. São 
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YALOM. I. D. Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas. 
Trad. Vera de Paula Assis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006. 
 
 
ZASLAVSKY, J.; SANTOS, M. J. P. Contratransferência em psicoterapia e 
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set./dez. 2005. 
 
 
 
 
 
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233 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO V 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
234 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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235 
 
 
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Alegre: Artes Médicas, 1991. 
 
 
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Impressão Digital do Brasil Gráfica e Editora Ltda., 2002. 
 
 
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______. Psicodiagnóstico: processo de intervenção. São Paulo: Cortez, 2002. 
 
 
ANCONA-LOPEZ, S. O mundo do adolescente. In: ANCONA-LOPEZ, M. 
Psicodiagnóstico: processo de intervenção. São Paulo: Cortez. 1995. 
 
 
______. Reflexões sobre entrevistas de triagem ou: na prática a teoria é outra, 
Interações, São Paulo, v.1, n. 1, p. 47- 57, jan./jun. 1996. 
 
 
ARZENO, M. E. G. Psicodiagnóstico clínico: novas contribuições. Porto Alegre: 
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Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. 
 
 
 
CORDIOLI, A. V. Psicoterapias: abordagens atuais. 2. ed. Porto Alegre: Artes 
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CUNHA, J. et al. Fundamentos do psicodiagnóstico. N.: Psicodiagnóstico-R. 4. 
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CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico – V.Porto Alegre: Artmed, 2003. 
 
 
CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico – V. Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
 
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 
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EFRON, A. M.; FRAINBERG, E.; KLEINER, Y.; SIGAL, A. M.; WOSCOBOINIK, P. 
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GABBARD, G. O. Psiquiatria dinâmica baseada no DSM-IV. Porto Alegre: Artmed, 
1998. 
 
 
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KNOBEL, M. Psiquiatria infantil psicodinâmica. Buenos Aires: Paidós, 1977. 
 
 
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 AN02FREV001/REV 4.0
237 
 
 
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 AN02FREV001/REV 4.0
238 
ANEXO A - MODELO DE RELATÓRIO: LAUDO PSICOLÓGICO FORENSE PARA 
FINS DE ESCLARECIMENTO À JUSTIÇA 
 
 
O Juiz de Direito ............................................................... designou o perito forense 
.................................................... 
 
 
IDENTIFICAÇÃO: 
NOME 
.............................................................................................................................. 
COR ............................. IDADE .......... 
PROFISSÃO ....................................................... 
FILIAÇÃO 
......................................................................................................................... 
ESTADO CIVIL ................................ 
NATURAL DE ......................................................... 
ESTADO........... 
RESIDÊNCIA .......................................................................................... 
 
 
ANAMNESE 
 
HISTÓRIA FAMILIAR: relata-se tudo sobre pai, mãe, se falecidos, quem, quando, 
porque, se goza de boa saúde, se tem irmãos. Se tiver alguém com doença mental, 
se não tiver relata que não há. 
........................................................................................................................................ 
........................................................................................................................................ 
 
 
HISTÓRIA PESSOAL: relata gestação, nascimento, desenvolvimento, doenças 
infectocontagiosas, primeira infância, escolaridade, quantos anos iniciou 
relacionamento afetivo, menarca. 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
239 
........................................................................................................................................ 
........................................................................................................................................
Uso de bebida alcoólica, problema de saúde. 
........................................................................................................................................ 
........................................................................................................................................ 
 
 
HISTÓRIA CRIMINAL 
a) Versão do acusado: segundo o examinando 
........................................................................................................................................ 
........................................................................................................................................ 
b) Versão dos autos: conta nos autos do processo; coloca-se tudo. 
........................................................................................................................................ 
........................................................................................................................................ 
 
 
EXAME PSÍQUICO 
Percepção, funções intelectuais, funções volitivas, linguagem. 
* Observar a postura solícita, se prestou todas as informações mnêmicas, se 
apresenta ou não sinais de periculosidade. 
 
DIAGNÓSTICO: 
Ex.: Transtorno de comportamento decorrente de substância psicoativa; 
Deficiência mental leve. 
 
ESCLARECIMENTO AO JUIZ: 
Ao Juiz de Direito ..................................... fala sobre o examinado: nome, idade, se 
apresenta ou não doença mental, se apresenta ou não periculosidade, conduta no 
estabelecimento se trabalha, etc. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0
240 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO CURSO 
 
 
 
 
 
 
 
Programa de Educação 
Continuada