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AN02FREV001/REV 4.0
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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação
CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
Aluno:
EaD - Educação a Distância Portal Educação
AN02FREV001/REV 4.0
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CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
MÓDULO I
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
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do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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SUMÁRIO
MÓDULO I
1 O PSICODIAGNÓSTICO
1.1 ORIGEM E HISTÓRICO DO PSICODIAGNÓSTICO
1.2 DEFINIÇÕES
1.3 SINTETIZANDO
1.3.1 Pontos fundamentais do Psicodiagnóstico
1.3.2 Momentos da avaliação
1.3.3 Prática do Psicodiagnóstico
1.4 OBJETIVOS
2 QUESTÕES IMPORTANTES NO PSICODIAGNÓSTICO
2.1 O PROBLEMA
2.2 SINAIS E SINTOMAS
2.3 MOTIVO DA CONSULTA
2.4 SINTETIZANDO
2.5 AVALIAÇÃO DA PSICOPATOLOGIA
MÓDULO II
3 PASSOS DO PROCESSO DIAGNÓSTICO/OPERACIONALIZAÇÃO DO
PROCESSO
3.1 FORMULAÇÃO DE PERGUNTAS
3.2 CONTRATO DE TRABALHO
3.3 ESTABELECIMENTO DE UM PLANO DE AVALIAÇÃO
3.4 BATERIA DE TESTES
3.5 ADMINISTRAÇÃO DE TESTES E TÉCNICAS
3.6 LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE DADOS
3.7 DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO
3.8 COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS NA ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO
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3.9 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO
3.9.1 Recomendações
3.9.2 Pontos importantes a frisar
MÓDULO III
4 ENTREVISTA DIAGNÓSTICA INICIAL
4.1 DEFINIÇÕES
4.2 PRIMEIRO CONTATO COM O PACIENTE
4.3 OBJETIVOS
4.4 PRINCIPAIS REGISTROS
5 ENQUADRE NO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO
6 O PROCESSO DIAGNÓSTICO NA INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E IDADE
ADULTA
6.1 HISTÓRIA DO EXAMINANDO
6.2 ENTREVISTA INICIAL NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL
6.3 TESTES QUE PODEM SER UTILIZADOS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL
6.4 FANTASIAS SOBRE A DOENÇA
6.5 ESCOLHA DA ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA ADEQUADA
MÓDULO IV
7 ENTREVISTAS, TESTES E EXAME DO ESTADO MENTAL
7.1 ENTREVISTA
7.1.1 Tipos de entrevistas
7.1.2 Outros tipos de entrevistas
7.2 EXAME DO ESTADO MENTAL
7.2.1 Descrição geral
7.2.2 Humor e afeto
7.2.3 Características do discurso
7.2.4 Percepção
7.2.5 Sensório e cognição
7.2.6 Impulsividade
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7.2.7 Discernimento e insight
7.2.8 Confiabilidade
8 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DECORRENTES DE AVALIAÇÕES
PSICOLÓGICAS
8.1 PRINCÍPIOS NORTEADORES NA ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS
8.2 PRINCÍPIOS TÉCNICOS DA LINGUAGEM ESCRITA
8.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E TÉCNICOS
8.3.1 Princípios éticos
8.3.2 Princípios técnicos
8.4 MODALIDADES DE DOCUMENTOS
8.5 LAUDO PSICOLÓGICO OU PERICIAL
8.5.1 Conceito e finalidade do Laudo Psicológico ou Pericial
8.5.2 Estrutura
8.6 RELATÓRIO PSICOLÓGICO
8.6.1 Conceito e finalidade do Relatório Psicológico
8.6.2 Estrutura
8.7 PARECER
8.7.1 Conceito e finalidade do Parecer
8.7.2 Estrutura
8.8 DECLARAÇÃO
8.8.1 Conceito e finalidade da Declaração
8.8.2 Estrutura
8.9 ATESTADO PSICOLÓGICO
8.9.1 Conceito e finalidade do Atestado Psicológico
8.9.2 Estrutura
8.10 VALIDADE DOS DOCUMENTOS
8.11 GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA
MÓDULO V
9 ASPECTOS ÉTICOS IMPLICADOS NO PSICODIAGNÓSTICO
9.1 COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO PSICÓLOGO EM UM
PSICODIAGNÓSTICO
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9.2 COMPETÊNCIAS QUE O AVALIADOR DEVE TER
9.3 GUIA DE RESPONSABILIDADE ÉTICA E PROFISSIONAL
9.4 RESOLUÇÕES DO CRP REFERENTES À AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
9.5 DISPOSITIVOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS PELO PSICÓLOGO NA
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
9.6 RESPONSABILIDADE DO DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO
10 RESOLUÇÕES NA ÍNTEGRA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MÓDULO I
1 O PSICODIAGNÓSTICO
1.1 ORIGEM E HISTÓRICO DO PSICODIAGNÓSTICO
Para que entendamos melhor o que significa o Psicodiagnóstico precisamos
saber um pouco sobre o diagnóstico e avaliação diagnóstica. A palavra diagnóstico
origina-se do grego diagõstikós e significa conhecimento (efetivo ou em
confirmação) sobre algo, ao momento do seu exame; ou descrição minuciosa de
algo, feita pelo examinador, classificador ou pesquisador; ou ainda juízo declarado
ou proferido sobre a característica, a composição, o comportamento, a natureza etc.
de algo, com base nos dados e/ou informações deste obtidos por meio de exame, ou
seja, discernimento, faculdade de conhecer. Utiliza-se este termo para referir-se à
possibilidade de conhecimento que vai além daquela que o senso comum pode dar,
ou seja, a possibilidade de significar a realidade fazendo uso de conceitos, noções e
teorias científicas.
Segundo Ancona-Lopez (2002), Psicodiagnóstico pode ser conceituado
como:
Um processo de intervenção;
Intervir é meter-se de permeio, estar presente, assistir, interpor os seus
bons ofícios;
Meter-se de permeio indica a atuação, posição ativa de alguém que
interfere, que se coloca entre pessoas, que de algum modo estabelece um elo, uma
ligação;
Estar presente parece indicar uma posição, alguém a quem se pode
recorrer e que está inteiro na situação;
Assistir indica ajudar, cuidar, apoiar;
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Interpolar os seus bons ofícios indica ação de quem tem algum preparo
em determinada área e põe seus conhecimentos à disposição de quem dele
necessita ou ação de quem acredita no que faz.
Quanto à avaliação diagnóstica, podemos dizer
que ela é mais ampla que o psicodiagnóstico, e seus
objetos de estudo podem ser um sujeito, um grupo, uma
instituição, uma comunidade; daí a importância dos
trabalhos interdisciplinares já que o objeto a avaliar é
sempre um sistema complexo, integrado por
subsistemas diversos: como o biológico, psicológico,
social, cultural, em interação permanente. Percebemos
que o Psicodiagnóstico é apenas uma parte da
avaliação diagnóstica.
O Psicodiagnóstico derivou da Psicologia Clínica, introduzida, segundo
Cunha (2003) por Lighter Witmer em 1896, e criada sobre a tradição da psicologia
acadêmica e da tradição médica. Mas de acordo com Fernández-Ballesteros (1986),
a paternidade do psicodiagnóstico também é atribuída a três autores, que deram os
primeiros passos nos estudos sobre Psicodiagnóstico lançados no final do século
XIX e no início do século XX:
Galton, que introduziu os estudos da diferenças individuais;
VOCÊ SABIA?
Enquanto os psicólogos em geral realizam
avaliações, os psicólogos clínicos entre
outras tarefas realizam psicodiagnósticos.
Pode-se dizer que a avaliação psicológica é
um conceito muito amplo. Psicodiagnóstico
é uma avaliação diagnóstica, feita com
propósito clínico e, portanto, não abrange
todos os modelos de avaliação psicológica
de diferenças individuais (CUNHA, 2004).
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Cattell, a quem se devem as primeiras provas chamadas de testes
mentais;
Binet, que propôs a utilização dos exames psicológicos por meio de
medidas intelectuais.
O Psicodiagnóstico surgiu como consequência do advento da psicanálise,
que ofereceu novo enfoque para o entendimento e a classificação dos transtornos
mentais; anteriormente, o modelo para o estudo das doenças mentais remontava ao
trabalho de Kraepelin e outros, e as suas tentativas para estabelecer critérios de
diagnóstico diferencial para a esquizofrenia.
Como discutiremos logo adiante, no período anterior a Freud, o enfoque do
transtorno mental era nitidamente médico, onde os pacientes de interesse para
ciência médica apresentavam quadros graves, estavamhospitalizados, e eram
identificados apenas sinais e sintomas que compunham as síndromes. Mas já no
período Freudiano, os pacientes atendidos não apresentavam quadros tão severos,
não estavam internados, e embora fossem levados em conta os seus sintomas,
estes eram percebidos de maneira compreensiva e dinâmica.
Ocampo (1981) faz um panorama sobre alguns modelos que seguiu o
processo de psicodiagnóstico ao longo do tempo:
Modelo Médico: aqui é sintetizada a distância do paciente, a falta de
identidade do psicólogo, onde o mais importante seria aplicar testes e mandar relato
a outro profissional.
Modelo da Psicanálise: marco de referência, influência no estudo da
personalidade, mas é diferente pela sua metodologia própria.
Diagnóstico de tipo compreensivo: o importante aqui seria encontrar
sentido, relevância e significativo e entrar em contato.
(...) tomar aquilo que é relevante e significativo na
personalidade, entrar empaticamente em contato emocional e,
também conhecer os motivos profundos da vida emocional de
alguém (...) (TRINCA, 1984).
Diagnóstico interventivo: aqui, segundo Ancona-Lopes (1984), seria
enfatizada a impossibilidade de separação entre as fases de avaliação e
intervenção.
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Até algum tempo o processo Psicodiagnóstico era considerado, como uma
situação em que o psicólogo apenas aplicava testes em alguém. De acordo com
Ocampo (1981), ele então cumpria uma solicitação seguindo os passos e utilizando
os instrumentos indicados por outros profissionais, quase sempre da área médica
(psiquiatra, pediatra, neurologista). Assim, o psicólogo atuava como alguém que
aprendeu a aplicar testes e esperava que o paciente colaborasse.
Percebe-se que as origens da avaliação psicológica e do Psicodiagnóstico
se deram sob uma tradição da medicina e da psicologia acadêmica, de orientações
tanto comportamentalistas ou psicanalistas, predominantemente, que seguiam
estratégias de avaliação comportamental, ou seja, identificação de comportamentos-
alvo, ou por uma orientação conceitual buscando uma visão de homem específica,
segundo as diretrizes de uma comunidade acadêmica. Assim, percebemos a ênfase
dada ao aspecto do sujeito em sofrimento, disfuncional ou em desajuste com um
ideal de saúde e normalidade.
Além do que citamos anteriormente, a avaliação psicológica perpassaria
também a psicometria, que tinha como métodos principais a aplicação de testes
psicológicos estruturados ou de testes projetivos. Não esquecendo também no
percurso dessas origens o uso de entrevistas psicológicas, herdada pela psiquiatria.
Cunha (2003) deixa claro que tanto o uso de testes quanto o de entrevistas
dirigidas para a identificação de sinais e sintomas seriam enfatizados, voltados para
uma perspectiva de saúde dissociada da doença ou do psicopatológico.
Psicodiagnóstico do francês psychodiagnostic e do inglês psychodiagnosis
significa um diagnóstico fundamentado no estudo dos sintomas puramente psíquicos
de um doente mental. Esse diagnóstico psicológico busca uma forma de
compreensão situada no âmbito da Psicologia, sendo uma das funções exclusivas
do psicólogo garantidas pela Lei nº 4119 de 27/08/62, que dispõe sobre a formação
em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo.
A seguir, apresentaremos um breve histórico pra que se entenda melhor
como se deram os principais acontecimentos que originaram a Avaliação
Diagnóstica ou mais especificamente o Psicodiagnóstico, de acordo com Alchieri e
Cruz (2004):
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1836 –1930: período em que houve muitas produções médico-científicas
e acadêmicas;
1905: Binet apresentou o teste de inteligência;
1906: Jung com o teste de associação de palavras;
1921: Hermann Rorschach publicou seu teste de manchas de tinta;
1930-1962: estabelecimento e difusão da psicologia no ensino das
universidades;
1960: a Psicologia se caracteriza pela regulamentação dos cursos de
formação (graduação) e a consequente expansão do ensino de psicologia no Brasil.
1962-1970: criação dos cursos de graduação em psicologia; mais
exatamente em 1962, há a regulamentação da profissão por meio da lei nº4119;
1970-1987: implantação dos cursos de pós-graduação;
1974: criação do Conselho Federal de Psicologia e dos Conselhos
Regionais de Psicologia pela Lei 5.766;
1987: emergência dos laboratórios de pesquisa em avaliação psicológica.
Voltando ao termo Psicodiagnóstico, Cunha (2003) diz que ele foi utilizado
pela primeira vez por Hermann Rorschach quando publicou em 1921 seu teste de
manchas de tinta. O teste de Rorschach seria uma prova psicológica projetiva
desenvolvida pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach, consistindo em dar
possíveis interpretações a dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir
das respostas obtidas pode-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do
indivíduo. As pranchas do teste, desenvolvidas por Rorschach, são sempre as
mesmas. No entanto, para a codificação e a interpretação, diferentes sistemas são
utilizados.
Esse teste alcançou grande admiração e popularidade durante as décadas
de 40 e 50 por ser considerado um passo essencial no psicodiagnóstico e pelo fato
de que os dados gerados pelo método eram compatíveis com os princípios básicos
da teoria psicanalítica.
Cunha (2003) deixa bem claro que a contribuição da psicometria foi
essencialmente importante para garantir a cientificidade dos instrumentos
psicológicos, e assim essa tradição psicométrica foi fundada e sedimentada pela
difusão das escalas de Binet. Essa escala apresentou em 1905 o teste de
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inteligência para separar crianças com retardo mental, seguidas pela criação dos
testes do exército americano, alfa e beta; em 1906 ocorreu o primeiro teste coletivo
para selecionar recrutas.
Assim, de acordo com Groth-Marnat (1999), percebe-se a necessidade de
diferenciar o psicometrista do psicólogo clínico, estabelecendo a seguinte diferença:
o primeiro tende a valorizar os aspectos técnicos da testagem; ele utiliza testes para
obter dados e em sua abordagem o produto final é muitas vezes uma série de traços
ou descrições de capacidades; enquanto o segundo utiliza testes e outras
estratégias, para avaliar o sujeito de forma sistemática, científica, orientada para
resolução de problemas.
Essa época foi marcada por descobertas na biologia como a tentativa da
correlação de síndromes clínicas com modificações morfológicas observadas na
autopsia. Com isso, a biologia forneceu muitos dados à medicina, o que levou a
psiquiatria a buscar as causas da doença mental
no organismo e em especial no sistema nervoso
central. A consequência disso foi que os
pacientes ao invés de lunáticos – assim como
eram chamados, passaram a ser considerados
neuróticos. Nessa época acontece a divisão
dicotômica dos transtornos psiquiátricos, em
orgânicos e funcionais. Foi nessa escala pré-
dinâmica da psiquiatria que surgiu Kraepelin, que
se notabilizou por seu sistema de classificação
dos transtornos mentais e, especialmente, por
seus estudos diferenciais entre esquizofrenia e
psicose maníaco-depressiva. Em consequência,
as classificações nosológicas e o diagnóstico
diferencial ganharam ênfase.
Desse período em diante temos Freud com suas obras que representaram o
primeiro elo de uma corrente de conteúdo dinâmico, seguida por Jung em 1906 com
o teste de associação de palavras. E como já citamos anteriormente segue-se com
Rorschach, em 1921, com seu teste com tintas.
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Nessa época começam a se multiplicar as técnicas projetivas, os testes de
personalidade, como o teste da figura humana (HTP), o Szondi, o MPAs e outros;
além do Rorschach e o Teste de Apercepção Temática (TAT), que eram os mais
usados na época.
E como tudo se modifica no decorrer do tempo, nessa mesmaépoca
algumas técnicas projetivas começaram a apresentar certo declínio em seu uso,
passaram a apresentar problemas metodológicos, pelo incremento de pesquisas
com instrumentos alternativos, também por estarem associadas a determinadas
correntes como a psicanalítica e por interpretações intuitivas, apesar do esforço para
a criação do escores.
De acordo com Cunha (2003), atualmente, há indiscutível ênfase no uso de
instrumentos mais objetivos e entrevistas diagnósticas mais estruturadas,
notadamente com o incremento no desenvolvimento de avaliações
computadorizadas de personalidade que vêm oferecendo novas estratégias neste
campo. Também, as necessidades de manter um embasamento científico para o
psicodiagnóstico, compatível com os progressos em outros ramos da ciência, têm
levado ao desenvolvimento de novos instrumentos mais precisos, especialmente
após o advento do DSM-IV e de baterias padronizadas, que permitem nova
abordagem na área diagnóstica da neuropsicologia, constituída pela confluência da
psicologia clínica e da neurologia comportamental.
Apesar de todas essas oscilações, podemos concluir que o campo da
avaliação psicológica tem feito contribuições de suma importância para a teoria,
prática e pesquisa clínica. Não deixando de focar a questão que algumas etapas que
têm que ser revistas e analisadas para que ele continue alcançando seus objetivos.
Uma delas é considerar que o reconhecimento da qualidade do Psicodiagnóstico
tem que ter, em primeiro lugar, um refinamento dos instrumentos e, em segundo
lugar, o psicólogo deve lançar mão de estratégias de marketing para aumentar a
utilização dos serviços de avaliação pelos receptores de laudos. Outra questão é
que muitas vezes, os psicólogos competentes acabam por fornecer uma grande
quantidade de informações inúteis para as fontes de encaminhamento, por falta de
uma compreensão adequada das verdadeiras razões que motivaram o
encaminhamento ou, em outras palavras, por desconhecimento das decisões que
devem ser tomadas com base nos resultados do Psicodiagnóstico.
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Diante dessas questões devem-se conhecer as necessidades do mercado e
de desenvolver estratégias de conquistas desse mercado. E onde está esse
mercado? Primeiramente, o psicólogo que lida com psicodiagnósticos exerce suas
funções numa instituição que presta serviços psiquiátricos ou de medicina geral,
num contexto educacional ou legal; ou numa clínica ou consultório psicológico, em
que o psicólogo recebe encaminhamento principalmente de psiquiatras, de outros
médicos (pediatras, neurologistas, etc.), da comunidade escolar (de orientadores,
professores, etc.), de juízes, de advogados; ou atende casos que procuram
espontaneamente um exame; ou são recomendados por algum familiar ou amigo.
É, pois, responsabilidade do clínico manter canais de comunicação com os
diferentes tipos de contextos profissionais para os quais trabalha,
familiarizando-se com a variabilidade de problemas com que se defrontam e
conhecendo as diversas decisões que os mesmos pressupõem. Mais do
que isto: deve determinar e esclarecer o que dele se espera, no caso
individual. Esta é uma estratégia de aproximação, que lhe permitirá adequar
CONCLUINDO!
Agora que já nos situamos um pouco mais sobre onde o psicólogo
clínico trabalha e qual é a clientela dele, podemos perceber que
a principal dificuldade desse profissional é quando se defronta
com questões como um encaminhamento, pois embora um
encaminhamento seja feito porque a pessoa necessita de
subsídios para basear uma decisão para resolver um problema,
muitas vezes ela não sabe claramente que perguntas levantar ou,
por razões de sigilo profissional, faz um encaminhamento vago
para uma avaliação psicológica. E isso acarreta algumas
consequências a quem encaminhou, pois o psicólogo aceita
silenciosamente tal encaminhamento, e realiza um
psicodiagnóstico, cujos resultados não são pertinentes às
necessidades da fonte de solicitação.
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seus dados às necessidades das fontes de encaminhamento, de forma que
seus resultados tenham o impacto que merecem e o Psicodiagnóstico
receba o crédito a que faz jus. (CUNHA, 2003).
Arzeno (1995) afirma que o Psicodiagnóstico atualmente está se
recuperando de uma época em que praticamente caiu no descrédito da maioria dos
profissionais da saúde mental.
Hoje, talvez, percebamos o verdadeiro sentindo do Psicodiagnóstico e
percebamos a importância do profissional que realiza essa avaliação.
Como vamos ver nos objetivos, um bom diagnóstico clínico está na base da
orientação vocacional e profissional, do trabalho com peritos forenses ou
trabalhistas, etc., e se o psicólogo é consultado é porque existe um problema,
alguém sofre ou está incomodado e deve indagar a verdadeira causa disso.
Outra questão que ainda persiste atualmente, segundo alguns autores, é a
tendência das duas grandes categorias, ou seja, os pacientes são agrupados em
duas grandes categorias de transtornos. Pacientes que apresentam transtornos mais
graves e que podem precisar de hospitalização tendem a ser encaminhados para
psiquiatras, enquanto os casos menos graves costumam ser encaminhados para
psicólogos ou psiquiatras, de acordo com o conceito de transtorno mental e da
avaliação da gravidade dos sintomas pela pessoa que identifica o problema e faz o
encaminhamento.
1.2 DEFINIÇÕES
O Psicodiagnóstico, segundo alguns autores, é uma área da Psicologia que
tem por finalidade básica o desenvolvimento e a aplicação das técnicas de
diagnóstico psicoterapêuticas (entrevistas, testes, técnicas projetivas e a observação
diagnóstica) para a identificação e tratamento de distúrbios do comportamento.
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Cunha (2003, p. 26) é bem enfático quando diz que o Psicodiagnóstico
É um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes
psicodiagnósticos (input), em nível individual ou não, seja para atender
problemas a luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos
específicos, seja por classificar o caso e prever seu curso possível,
comunicando os resultados (output), na base dos quais são propostas
soluções.
Ele pode também ser conceituado como um processo que visa a identificar
forças e fraquezas no funcionamento psicológico, com um foco na existência ou não
da psicopatologia. Ou um estudo profundo da personalidade, do ponto de vista
fundamentalmente clínico, onde quando o objetivo do estudo é outro como
trabalhista, educacional, forense, etc.; o Psicodiagnóstico clínico é anterior e serve
de base para as conclusões necessárias nessas outras áreas.
Não podemos esquecer que devido ao grande número de teorias existentes,
a atuação do psicólogo varia consideravelmente e com isso o próprio uso do termo
De acordo com Ancona-Lopez (1995), o Psicodiagnóstico é
realizado com tempo limitado, buscando descrever e compreender a
personalidade total do paciente, abrangendo, assim, aspectos
atemporais; desta forma, pode-se dizer que, um de seus objetivos é
direcionar o trabalho terapêutico.
Segundo Cunha (1993), Psicodiagnóstico é um processo científico,
limitado no tempo, no qual se realiza uma avaliação psicológica, por meio
de testagem. A realização dos testes possui propósitos clínicos e são
definidos durante a realização do diagnóstico.
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Psicodiagnóstico varia também podendo ser chamado de diagnóstico psicológico,
diagnóstico da personalidade, estudo de caso ou avaliação psicológica.
Trinca (1984) diz que na avaliação psicológica houve uma procura de
integração das diversas abordagens e quando olhamos para a Psicologia Clínica,
podemos verificar que houve grandes variações de conhecimentose atuações, e,
portanto, na prática do Psicodiagnóstico, temos também várias formas de atuação,
muitas das quais não podem ser consideradas decorrentes de exclusivamente uma
ou outra abordagem. Hoje, muitas abordagens em Psicologia partem de
pressupostos e métodos diferentes, mas concordam que para se compreender o
homem é necessário organizar conhecimentos que digam respeito à sua vida
biológica, intrapsíquica e social, não sendo possível excluir nenhum desses
horizontes.
Que fique claro que o Psicodiagnóstico é um procedimento científico que
necessariamente utiliza testes científicos, diferentes da avaliação psicológica na qual
o psicólogo pode ou não utilizar esses instrumentos.
Ele é caracterizado como um processo científico, por que deve partir de um
levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou infirmadas por meio de
passos predeterminados e com objetivos precisos, sendo assim – segundo Cunha
(2003) – limitado no tempo, baseado num contrato de trabalho entre paciente ou
VOCÊ SABIA!
Segundo alguns dicionários,
Psicodiagnóstico (psico+diagnóstico)
pode ser conceituado como
conhecimento de sintomas psíquicos;
determinação de capacidades, aptidões
e tendências psicológicas, por meios
clínicos e experimentais.
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responsável e o psicólogo, tão logo os dados iniciais permitam estabelecer um plano
de avaliação e uma estimativa de tempo necessário, ou seja, o número aproximado
de sessões para a realização do exame.
Ocampo e Arzeno (apud SANTIAGO, 2002) caracterizam o Psicodiagnóstico
como uma prática bem delimitada, cujo objetivo é obter uma descrição e
compreensão, a mais profunda e completa possível da personalidade total do
paciente ou do grupo familiar, abarcando aspectos passados, presentes
(diagnósticos) e futuros (prognóstico) dessa personalidade. Uma vez obtido um
panorama preciso e completo do caso, incluindo aspectos patológicos e adaptativos,
trataremos de formular recomendações terapêuticas adequadas como terapia breve
e prolongada, individual, de casal, de família, grupal, com qual frequência; se é
recomendável um terapeuta homem ou mulher, se a terapia pode ser analítica ou de
orientação analítica ou então outro tipo de terapia, e se é necessário um tratamento
medicamentoso paralelo.
Enfatizando o que dissemos acima, o processo Psicodiagnóstico, segundo
Ocampo (1981) pode ser visto como uma situação com papéis bem definidos e com
um contrato no qual o cliente pede uma ajuda, e o psicólogo aceita o pedido e se
compromete a satisfazê-lo na medida de suas possibilidades. Ela ainda caracteriza o
processo como uma situação bipessoal, de duração limitada, cujo objetivo é
conseguir uma descrição e compreensão profunda, e a mais completa possível, da
personalidade total do paciente ou do grupo familiar, enfatizando a investigação de
algum aspecto em particular, segundo a sintomatologia e as características da
indicação.
Ocampo (1981) também enfatiza alguns aspectos profissionais do Psicólogo
que atrapalhavam a atuação desse profissional: um deles era a falta de identidade
sólida, fazendo com que este não soubesse qual era seu verdadeiro trabalho dentro
das ocupações ligadas à saúde mental. Isso se devia ao modelo similar ao do
médico clínico que, para proceder com eficiência e objetividade, tomava a maior
distância possível em relação a seu paciente a fim de estabelecer um vínculo afetivo
que não lhe impedisse de trabalhar com a tranquilidade e objetividade necessárias;
assim, os testes eram utilizados como um escudo entre o profissional e o paciente,
como se eles constituíssem em si mesmos o objetivo do Psicodiagnóstico, evitando
dessa forma pensamentos e sentimentos que mobilizassem afetos.
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Ancona-Lopez (2002) também cita esse distanciamento quando fala da visão
clássica do Psicodiagnóstico, onde era recomendada uma atitude de neutralidade, o
que leva a certo distanciamento do profissional, para facilitar as manifestações
inconscientes do cliente; recomendava-se também que os contatos com o psicólogo
durante o Psicodiagnóstico não se estendessem além do necessário, a fim de evitar
o desenvolvimento de uma relação transferencial que exigiria outro tipo de
atendimento.
Alguns profissionais buscaram uma aproximação autêntica com o paciente,
no entanto, tiveram que abandonar o modelo médico sem estarem preparados para
isso. Assim o tempo passou e com a difusão da Psicanálise os psicólogos optaram
por aceitá-la como modelo de trabalho, o que trouxe progressos e ao mesmo tempo
uma nova crise de identidade no psicólogo, uma vez que este se esqueceu que a
dinâmica do processo psicanalítico era muito diferente da dinâmica do processo
Psicodiagnóstico.
Como já se percebeu o Psicodiagnóstico está vinculado com a clínica,
envolvendo temas de interesse clínicos, tais como nosologias psicopatológicas,
critérios de saúde psíquica, enfoques patogênicos e saudáveis. Logo, diagnosticar
supõe situarmo-nos no plano do processo saúde e doença e poder determinar em
que medida se está ou não em presença de uma patologia ou transtorno que
necessita de um determinado tipo de intervenção.
FONTE: Disponível em: < http://www.nhbar.org/uploads/images/BarExamBlueBook.jpg >. Acesso em:
10 ago. 2011.
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Ao caracterizarmos mais o Psicodiagnóstico pode-se dizer que de acordo
com Cunha (2003) e outros autores, o plano de avaliação é estabelecido com base
nas perguntas ou hipóteses iniciais, definindo-se não só quais os instrumentos
necessários, mas como e quando utilizá-los. Os psicólogos devem saber quais
instrumentos são eficazes, quais instrumentos podem ser eficientes, se aplicados
com propósitos específicos, para fornecer respostas a determinadas perguntas ou
testar certas hipóteses. Assim, percebemos que o psicólogo deve conhecer os
diferentes instrumentos de avaliação psicológica, dominando quais instrumentos são
eficientes e quais instrumentos fornecem respostas a determinadas perguntas ou
testam hipóteses.
O Psicodiagnóstico possui um fim em si mesmo, mas é também um meio
para outro fim, ou seja, a finalidade é conhecer alguém de forma mais profunda
possível.
Conclui-se que o Psicodiagnóstico é um diagnóstico psicológico, realizado
utilizando metodologia específica após solicitação ao psicólogo, com objetivo de
clarificar alguma dúvida ou dificuldade no tratamento de um paciente. Ele é realizado
utilizando entrevistas (inicial, anamnese, etc.) e aplicação de testes psicológicos
para confirmar ou descartar hipóteses levantadas durante as entrevistas. Ele inclui,
além das entrevistas iniciais, os testes, a hora de jogo com crianças, entrevistas
familiares, vinculares, etc. As conclusões de todo o material obtido são discutidas
com o interessado, com seus pais, ou com a família completa, conforme o caso e o
sistema do profissional.
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21
1.3 SINTETIZANDO
1.3.1 Pontos fundamentais do Psicodiagnóstico
O cliente deve ser visto como uma totalidade vertical (passado) e
horizontal (presente), ou seja, cada pessoa é sua própria história e esta história deve
estar aqui e agora presente;
É preciso que se faça e refaça a matriz individual e familiar do cliente:
onde vive, de onde ele vem, para onde vai, no seu contexto total;
Seu sistema de comunicação consigo e com o mundo deve ser avaliado;
Verificação contínua e cuidadosa de como ele faz ou diz as coisas;
Observar o aspecto relacional terapeuta/cliente.
1.3.2 Momentos da avaliação
Planejamento do diagnóstico psicológico: identificar o problema, escolher
ou construir o instrumental psicométrico adequado, logística a seguir na execução;
PSICODIAGNÓSTICO
O PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AO EQUILÍBRIO
O Psicodiagnósticoé uma avaliação de base científica que tem por objetivo
uma investigação minuciosa do comportamento dos indivíduos, envolvendo
não só seus sintomas, mas também suas possibilidades para superá-los. É por
meio deles que sabemos qual é o problema que nos aflige e qual a melhor
maneira de tratá-lo. Logo, o Psicodiagnóstico é o primeiro passo na direção do
equilíbrio psicológico de crianças, adolescentes e adultos que buscam um
tratamento seguro.
AN02FREV001/REV 4.0
22
Resultado do Psicodiagnóstico (interpretação e integração dos dados);
Comunicação dos dados.
1.3.3 Prática do Psicodiagnóstico
Consultório;
Contexto hospitalar - atendimento e pesquisa;
Área forense;
Instituições;
Situações especiais;
Educação;
Trabalho.
1.4 OBJETIVOS
Cunha (1993) define que o objetivo do Psicodiagnóstico abrange a
compreensão de problemas com base em pressupostos teóricos, identificação e
avaliação de aspectos específicos ou classificação do caso e possível previsão de
seu curso, comunicando, ao final do trabalho, os resultados obtidos. Ele aponta para
alguns possíveis usos do Psicodiagnóstico, o que vai depender das instituições
requerentes e dos objetivos a serem alcançados. Seu uso pode ter um ou vários
objetivos, dependendo das perguntas ou hipóteses inicialmente formuladas.
Dependendo da simplicidade ou da complexidade das questões propostas, variam
os objetivos.
Então podemos classificar os objetivos de uma avaliação psicológica clínica,
segundo Cunha (1993), como:
Classificação simples: especificamente podemos dizer que aqui o
exame compara amostras do comportamento da pessoa que está sendo examinada
com os resultados de outros sujeitos ou grupos específicos, com condições
demográficas equivalentes, onde esses resultados são fornecidos em dados
quantitativos, sendo classificados sumariamente, como em uma avaliação de nível
AN02FREV001/REV 4.0
23
intelectual. Percebemos que nesse tipo de avaliação psicológica compara-se o
sujeito a médias levantadas a partir de outros sujeitos da população.
As questões ou perguntas mais elementares que podem ser formuladas em
relação a uma capacidade, um traço, um estado emocional, seriam:
“Quanto?” ou “Qual?” Um exemplo comum de exame com tal objetivo seria
o de avaliação do nível intelectual, que permitiria uma classificação
simples. O examinando é submetido a testes, adequados à sua idade e
nível de escolaridade. São levantados escores, consultada tabelas e os
resultados são fornecidos em dados quantitativos, classificados
sumariamente. (CUNHA, 2003, p. 26).
É muito importante que o profissional escolha os objetivos adequados a
serem utilizados no processo de Psicodiagnóstico, pois não podemos deixar de
observar que se o profissional se detém apenas a este objetivo de classificação
simples, seu trabalho seria caracterizado mais como o de um psicometrista do que
um psicólogo clínico, pois como este tipo de objetivo se restringe a classificações
quantitativas, utilizar-se-ia de testes. Mas como o psicólogo clínico dificilmente perde
a referência de sujeito ou da pessoa do examinando, raramente ele se restringiria a
REFORÇANDO!
Quando falamos que são levantados
escores queremos dizer que se obtém
um valor quantitativo obtido pela soma
ou total de pontos creditados a um
indivíduo em situação de prova ou
teste.
AN02FREV001/REV 4.0
24
este objetivo, mesmo por que analisaria escores dos subtestes, diferenças inter e
intrateste que são suscetíveis de interpretação.
Ao fazer todas estas interpretações, identificaria forças e fraquezas no
funcionamento intelectual, aí já entraria no objetivo que citaremos a seguir, que é o
de descrição.
Descrição: esse tipo de avaliação ultrapassa a classificação simples,
interpretando diferenças de escores, identificando forças e fraquezas e descrevendo
o desempenho do paciente, como em uma avaliação de deficits neuropsicológicos.
Observamos que essa classificação tem um valor mais interpretativo acerca dos
escores levantados em testes, buscando identificar o desempenho do sujeito.
Um exemplo de objetivo focado pela maioria dos autores na descrição seria
o exame do estado mental, geralmente realizado sem a administração de testes, não
sendo, portanto, de uso exclusivo do psicólogo, ou seja, outros profissionais de
saúde podem manejá-lo. Esse exame pode ser conceituado como o processo por
meio do qual o profissional que trabalha com saúde mental (geralmente psiquiatras e
psicólogos) examina sistematicamente o estado mental de um paciente. Esse exame
é subjetivo e muito comum na rotina em clínicas psiquiátricas, ou melhor, ele é
subjetivo e baseia-se em informações dadas pelo paciente e em observações de seu
comportamento. Muitas vezes ele é completado por um exame objetivo. Nesse
recurso diagnóstico explora-se a presença de sinais e sintomas, eventualmente
utilizando provas muito simples, não padronizadas, para uma estimativa sumária de
algumas funções, como a consciência, inteligência, orientação, atenção e memória.
Classificação Nosológica: aqui, hipóteses iniciais são testadas,
tomando-se como referência critérios diagnósticos, ou seja, várias hipóteses surgem
no decorrer da coleta de dados resultantes do exame do estado mental, da história
clínica e da história pessoal do examinando, e essas hipóteses que surgem são
testadas para que sejam comprovadas ou rebaixadas.
Essa avaliação pode ser realizada pelo psiquiatra e, também, pelo psicólogo,
onde ambos fazem um julgamento clínico sobre a presença ou não de sintomas
significativos, assim verificando semelhanças desse paciente com outros pacientes
na mesma categoria diagnóstica.
Quando está sob a responsabilidade do psicólogo, sempre que possível,
além desses recursos o mesmo deverá lançar mão de outros instrumentos
AN02FREV001/REV 4.0
25
psicológicos, como baterias de testes e técnicas, para poder testar cientificamente
as suas hipótese ou ainda levantar outras hipóteses a serem analisadas, conforme
história e contexto de vida do paciente.
Esse tipo de classificação é muito importante, pois facilita a comunicação
entre profissionais; no caso, haveria uma grande interação entre psiquiatra e
psicólogo, além de contribuir para o levantamento de dados epidemiológicos de uma
população.
Diagnóstico Diferencial: investigação de irregularidades ou
inconsistências do quadro sintomático do examinando, para diferenciar alternativas
diagnósticas, níveis de funcionamento ou a natureza da patologia; ou seja, no
decorrer da coleta de dados surgem informações que não se encaixam, digamos
sintomas totalmente destoantes ou inconsistentes, assim o profissional deve estar
muito bem capacitado para atentar a fatos como este e saber identificar as variações
nos quadros sintomáticos e níveis de funcionamento patológico.
Cunha (2003) diz que o diagnóstico diferencial está associado ao objetivo
de classificação nosológica, assim podemos observar que o psicólogo investiga
irregularidades e inconsistências do quadro sintomático e dos resultados dos testes
para diferenciar categorias nosológicas, níveis de funcionamento mental. Um
exemplo seria a investigação de certos sintomas que o sujeito tem que não batem
com os achados dos testes. Assim, existem algumas objeções ao se trabalhar com
esse objetivo, ou seja, o psicólogo deve ter um bom conhecimento teórico, dominar
algumas técnicas, ter ampla experiência na área, ter sensibilidade clínica e muitos
conhecimentos avançados de psicopatologia e de técnicas sofisticadas de
diagnóstico.
Avaliação Compreensiva: nesse tipo de avaliação a primeira coisa que
se faz é determinar o nível de funcionamento da personalidade, examinando assim
funções do ego, em especial a de insight, condições do sistema de defesas,
facilitandoassim a indicação de recursos terapêuticos e prevendo possíveis
respostas ao mesmo.
A avaliação compreensiva considera o caso numa perspectiva mais ampla
e global, determinando o nível de funcionamento da personalidade, examinando
funções do ego; e quais seriam essas funções do ego? Poderiam ser controle da
percepção e da mobilidade; prova da realidade; antecipação, ordenação temporal;
AN02FREV001/REV 4.0
26
pensamento lógico, coerente, racional; elaboração das representações pela
linguagem e outras.
Nesse tipo de objetivo podem não ser utilizados testes, e essa não utilização
de testes é um objetivo explícito ou implícito nos contatos iniciais do paciente com
psiquiatras, psicanalistas e psicólogos de diferentes linhas de orientação terapêutica.
Caso o objetivo seja atingido por meio de um Psicodiagnóstico, obtêm-se evidências
mais objetivas e precisas, que podem, inclusive, servir de parâmetro para avaliar
resultados terapêuticos, mais tarde, por intermédio de um reteste.
Entendimento Dinâmico: nesse tipo de objetivo se associaria as
dimensões investigadas na avaliação compreensiva a uma perspectiva teórica;
haveria uma interpolação de dados, buscando inferir possíveis dificuldades futuras e
focos terapêuticos para além do material levantado nas entrevistas, ou seja, dá para
se perceber que esse tipo de avaliação ultrapassa os objetivos da avaliação anterior.
Aqui há um nível mais elevado de inferência clínica, havendo uma investigação de
dados com base teórica, ou seja, os dados seriam fundamentados. Esse objetivo
também permitiria se chegar a explicações de aspectos comportamentais nem
sempre acessíveis na entrevista, à antecipação de fontes de dificuldades na terapia
e à definição de focos terapêuticos.
Aqui é focada a personalidade de maneira global, pressupondo um nível
mais elevado de inferência clínica como dedução, conclusão, julgamento clínico, ou
seja, podemos dizer que ela é considerada uma avaliação compreensiva, onde se
procura entender a problemática do sujeito numa dimensão mais profunda,
observando a história do desenvolvimento, identificando conflitos, investigando
fatores psicodinâmicos e compreendendo o caso baseando-se num referencial
teórico.
Cunha (2003) deixa bem claro que um exame deste tipo requer entrevistas
muito bem conduzidas, cujos dados nem sempre se dão pelos passos específicos
de um Psicodiagnóstico, portanto, não sendo um recurso privativo do psicólogo
clínico.
Observa-se que frequentemente este tipo de objetivo se combina com os
objetivos de classificação nosológica e de diagnóstico diferencial, mas que fique
claro que quando é um objetivo do Psicodiagnóstico, leva não só a uma abordagem
AN02FREV001/REV 4.0
27
diferenciada das entrevistas e do material de testagem, como a uma integração dos
dados com base em pressupostos psicodinâmicos.
Prevenção: voltada para a identificação de problema precocemente,
buscando detectar fraquezas e forças do ego, da personalidade do sujeito em
questão, avaliando riscos e tentando identificar capacidade para enfrentar situações
novas, estressantes e difíceis, e como o próprio nome do objetivo diz, é uma
prevenção para que se tente evitar que problemas maiores ocorram futuramente.
Como citamos acima, esse exame visa à identificação precoce de
problemas, avalia riscos, faz uma estimativa de forças e fraquezas da personalidade,
avalia a capacidade para enfrentar situações novas, difíceis, conflitivas ou
ansiogênicas; depois de identificado tudo isso, investe-se na prevenção. Podemos
dizer que não pressupõe profundidade no levantamento de indícios de patologia, é
usada apenas para dar fundamentação ao desenvolvimento de programas
preventivos com grupos maiores. Nos exame individual pode requerer uma
dimensão mais profunda, especialmente envolvendo uma estimativa de condições
do ego frente a certos riscos ou no enfrentamento de situações difíceis, seria
indicado um Psicodiagnóstico.
Prognóstico: aqui se tenta determinar o curso provável do caso clínico.
Ao se identificar determinado transtorno por meio de outros objetivos, trabalha-se
aqui no prognóstico.
Objetivo que não é privativo do psicólogo e que pode dar uma contribuição
importante na medida em que, por meio do Psicodiagnóstico, pode avaliar condições
influenciadoras do transtorno. Esse tipo de objetivo depende fundamentalmente da
classificação nosológica e o que podemos dizer é que ainda necessita de muitas
pesquisas.
Perícia Forense: voltado para identificar insanidades, incapacidades e
patologias que possam estar associadas a infrações da lei e afetem o exercício da
cidadania. Esse tipo de objetivo é muito pedido por advogados, juízes e profissionais
que trabalham nessa área para definir questões de ordem legais.
Esse exame procura resolver questões relacionadas com “insanidade”,
competência para o exercício de funções de cidadão, avaliação de incapacidade ou
de comprometimentos psicopatológicos que na sua origem possam se associar com
infrações da lei, etc.
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28
Segundo Groth-Marnat (1984), o psicólogo, por meio de uma série de
interrogações, deve alcançar respostas claras, precisas e objetivas para que possa
instruir um determinado processo. Quanto aos testes deve haver um grau
satisfatório de certeza quanto aos dados coletados por meio desse instrumento, o
que é um pouco complexo, por que os dados descrevem o que uma pessoa pode ou
não fazer no contexto da testagem, mas o psicólogo deve ainda inferir, ou seja,
concluir, julgar, deduzir, o que ele acredita que o examinando poderia ou não fazer
na vida cotidiana.
Muitas vezes este processo se torna até certo ponto ansiogênico para o
próprio psicólogo, pois além da enorme responsabilidade que está nas mãos deste
profissional de decidir a vida do outro, este processo busca respostas que fornecem
subsídios para instruir decisões de caráter vital para o indivíduo, como por exemplo,
decisões delicadas de atestado de insanidade que podem tirar a guarda dos filhos
de uma mãe.
Acontece bastante e comumente do psiquiatra ser nomeado como perito e
solicitar o exame psicológico para fundamentar o seu parecer, assim, não obstante,
muitas vezes o psicólogo é chamado para colaborar com a justiça, de forma
independente.
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29
Resumindo podemos dizer que Ocampo (1981) afirma que a investigação
psicológica deve conseguir uma descrição e compreensão da personalidade do
paciente, onde é importante explicar a dinâmica do caso tal como aparece no
material recolhido, integrando-o num quadro global. E uma vez alcançado um
panorama preciso e completo do caso, incluindo os aspectos patológicos e os
adaptativos, trataremos de formular recomendações terapêuticas adequadas.
Arzeno (1995) cita algumas finalidades em que pode ser utilizado o
Psicodiagnóstico.
Diagnóstico;
Avaliação do tratamento;
Meio de comunicação;
Na investigação.
A principal finalidade de um estudo Psicodiagnóstico é a de estabelecer um
diagnóstico, ou seja, explicar o que ocorre realmente com aquele paciente, o que
Ocampo (2001) juntamente com Ancona-Lopez (1984) citam os
objetivos de forma mais geral:
1) Compreensão da personalidade como um todo;
2) Organizar conhecimentos: vida biológica, intrapsíquica e social;
3) Entender o sintoma: (fenomenológico e dinâmico) e se a ruptura
do equilíbrio expressa algo a nível familiar;
4) Mostrar a importância do desenvolvimento (criança) e a interação
dos fatores orgânicos com os emocionais;
5) Importância dos aspectos intrapsíquicos;
6) Principal objetivo seria conhecer os aspectos passados e
presentes (diagnóstico) e futuros (prognóstico);
7) Explicar dinâmica, ou seja, buscar relações (família, grupo);
8) Aspectos adaptativos e patológicos/ ser dinâmico.
AN02FREV001/REV 4.0
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ocorrealém do que o paciente pode descrever conscientemente, enfim, descobrir o
que tem aquele paciente a nível mental.
Na primeira entrevista, são elaboradas hipóteses que podem ou não serem
confirmadas. (Obs.: a entrevista projetiva, mesmo sendo imprescindível, não é
suficiente para um diagnóstico cientificamente fundamentado.)
Pode-se dizer que a entrevista clínica não é uma ferramenta infalível, nem
os testes, mas se utilizarmos ambos os instrumentos de forma complementar há
uma margem de segurança maior para chegar a um diagnóstico correto,
especialmente se incluirmos testes padronizados. Então, o que vai diminuir a
margem de erro são a interpretação e interpolação adequada dos dados obtidos por
meio de entrevistas, testes e observação pelo profissional.
Para se avaliar o tratamento, pode ser feito o reteste, consistindo em aplicar
novamente a mesma bateria de testes aplicados na primeira ocasião. Isso pode ser
feito para verificar os avanços terapêuticos de forma mais objetiva e também para
planejar uma alta, ou seja, descobrir o motivo de um impasse no tratamento e para
que o paciente e o terapeuta possam falar sobre isso, estabelecendo um novo
contrato sobre bases atualizadas.
Ainda existe o caso da disparidade de opiniões entre o paciente e o
terapeuta, sendo que este é o que está apenas realizando o tratamento terapêutico
e talvez ele não tenha realizado o Psicodiagnóstico. Nesse caso esclarece-se ao
paciente e ao terapeuta que o Psicodiagnóstico registrará as situações para depois
comentá-las.
Essa decisão de se fazer ou não o Psicodiagnóstico vai depender muito das
instituições em que está sendo realizado. Nas particulares, o terapeuta é quem
decide o momento adequado para um novo Psicodiagnóstico, sendo públicas ou
privadas, são elas que fixam os critérios que devem ser levados em consideração.
Algumas deixam a critério dos terapeutas, outras consideram tanto a necessidade
de avaliar a eficiência de seus profissionais quanto a de contar com um banco de
dados úteis, por exemplo, para fins de pesquisa.
Uma coisa que podemos ter certeza é que ao longo de um processo que se
estende nas primeiras entrevistas aproximadamente, podemos observar como o
paciente se relaciona diante de cada proposta, podemos extrair conclusões de
AN02FREV001/REV 4.0
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grande utilidade para prever como será o vínculo terapêutico, caso continue e quais
serão os momentos mais difíceis do tratamento, os riscos de deserção e etc.
Se usarmos diferentes instrumentos diagnósticos, isso nos permite estudar o
paciente por meio de várias vias: falar livremente, por meio de lâminas, desenhos,
imaginação, quebra cabeças e etc. e por algum motivo o domínio da linguagem
verbal não foi alcançado, por conta da idade, doença, casos de surdos-mudos;
podem-se usar nesse caso os testes gráficos e lúdicos que facilitam a comunicação.
Na investigação se tem dois objetivos, o primeiro é a criação de novos
instrumentos de exploração da personalidade que podem ser incluídos na tarefa
psicodiagnóstica; ex.: Rorschach quando criou o teste das manchas. O outro
objetivo é o de planejar a investigação para o estudo de uma determinada patologia,
algum problema trabalhista, educacional ou forense, etc.
VOCÊ SABIA !
O Psicodiagnóstico, segundo Arzeno (1995), é
também realizado como meio de comunicação, porque
muitos pacientes têm dificuldades para conversar
espontaneamente sobre seus problemas, com
crianças muito pequenas, existem pacientes que só
dão respostas lacônicas, e quando o profissional
favorece a comunicação, a tomada de insight, ele
contribui para que aquele que consulta adquira a
consciência de sofrimento suficiente para aceitar
cooperar na consulta, o que também provoca a perda
de certas inibições, possibilitando assim um
comportamento mais natural.
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32
Agora vamos ver outros usos do Psicodiagnóstico por psicólogos:
Casos de dúvidas diagnósticas;
Na obtenção de informação mais precisa. Ex.: suspeita de risco de
suicídio, dependência de drogas, desestruturação psicótica;
Quando não tem certeza sobre o tratamento mais aconselhável. Ex.:
terapia comportamental, psicanálise, terapia breve;
Outros prescindem totalmente do Psicodiagnóstico e não concedem valor
científico algum aos testes projetivos;
Outros dizem que não é importante fazer um diagnóstico inicial, que as
informações chegam ao longo do tratamento.
Quanto aos motivos de encaminhamento para se realizar um
Psicodiagnóstico, muitas são as situações, como:
Dificuldades em se chegar a um diagnóstico médico;
Todos os tratamentos medicamentosos falharam;
Quando nada explica um determinado comportamento que afeta
negativamente o indivíduo.
(Obs.: por razões éticas, ninguém poderá ser encaminhado por curiosidade
em saber seu nível de inteligência ou QI, por exemplo.)
Como já dissemos, um diagnóstico psicológico não significa
necessariamente o mesmo que fazer um Psicodiagnóstico, porque este termo
implica automaticamente a administração de testes e os testes nem sempre são
necessários ou convenientes nesse caso.
Vejamos agora algumas questões importantes que tornam o
Psicodiagnóstico imprescindível:
É realizado para saber o que ocorre e suas causas, de forma a responder
ao pedido com o qual foi iniciada a consulta;
Outra questão que o torna fundamental é porque iniciar um tratamento
sem o questionamento prévio do que realmente ocorre representa um risco muito
alto, pois o paciente acredita que de alguma forma vamos poder ajudá-lo e “curá-lo”
e caso apareçam situações inesperadas ou complicadas, teremos que interromper o
AN02FREV001/REV 4.0
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tratamento e, além disso, decepcionar o paciente, o qual terá muitas dúvidas antes
de tornar a solicitar ajuda;
Outra questão imprescindível é quanto à proteção do psicólogo, que ao
iniciar o tratamento contrai automaticamente um compromisso em dois sentidos, o
clínico e ético; onde do ponto de vista clínico, deve estar certo de poder ser idôneo
perante o caso sem cair em posturas ingênuas nem onipotentes, e do ponto de vista
ético, deve proteger-se de situações nas quais está implicitamente comprometendo-
se a fazer algo que não sabe exatamente o que é, ou seja, a consequência do não
cumprimento de um contrato terapêutico pode ser a cassação da carteira
profissional.
2 QUESTÕES IMPORTANTES NO PSICODIAGNÓSTICO
2.1 O PROBLEMA
Segundo Cunha (2003), o Psicodiagnóstico é desencadeado quase sempre em vista
de um encaminhamento, iniciando por uma consulta, a partir da qual outro
profissional ou mesmo um psicólogo encaminham o paciente a um psicólogo clínico
que trabalhe com Psicodiagnóstico. Esta avaliação que irá ser feita decorre da
existência de um problema prévio, ou seja, um problema que o psicólogo deve
identificar e avaliar, para poder chegar a um diagnóstico.
Segundo Yager & Gitlin (1999), geralmente os sintomas estão presentes
quando os limites da variabilidade normal são ultrapassados. Na maioria das vezes
evidencia-se a dificuldade de identificar o início do problema que necessite de uma
avaliação clínica. Os mesmos autores frisam também que a natureza e a expressão
dos sinais e sintomas psiquiátricos são profundamente alteradas pelos recursos
pessoais, capacidades de enfrentamento e defesas psicológicas do paciente.
O psicólogo, ao exercer sua função, deve examinar as circunstâncias que
precederam a consulta, avaliar a maneira de perceber o problema e delimitá-lo,
investigar quando os sintomas começaram e se houve algum fator estressante que o
AN02FREV001/REV 4.0
34
desencadeasse, investigar os estados emocionais associados à vida diária,
atribuindo a sinais e sintomas sua significação adequada.
Um problema é identificado quando são reconhecidasalterações ou
mudanças nos padrões de comportamento comum, que podem ser
percebidas como sendo de natureza quantitativa ou qualitativa. (CUNHA,
2003, p. 33).
As perguntas que irão ser abordadas são muito importantes para se definir e
se chegar a um diagnóstico correto, então a pergunta que devemos fazer a nós
mesmos, para sabermos se estamos agindo corretamente com o paciente é: “A
pergunta que estou a ponto de fazer será útil para entrevistado? Estou perguntando
questões que realmente são significativas no processo?”; pois se você é um
profissional que apenas faz a pergunta, que faz perguntas demais que confundem o
entrevistado, e, em consequência, não ouve a resposta do cliente, você ensina ao
REFORÇANDO!
É preciso ficar bem claro que um sintoma único não tem
valor diagnóstico por si, assim, dado a relatividade dos
critérios usuais na definição de um problema, a abordagem
científica atual para a determinação diagnóstica defende o
uso de critérios operacionais; isso quer dizer que é
necessário que o paciente apresente certo número de
características sintomatológicas, durante certo período de
tempo, para ser possível chegar a uma decisão diagnóstica,
ou seja, para cada transtorno existe um critério diagnóstico
que define se um determinado sujeito pode ser enquadrado
ou não naquele diagnóstico. Uma fonte útil nesse momento
seria a utilização do CID-10 ou do DSM-IV.
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entrevistado que nossa função é fazer perguntas e a dele, responder, ou seja,
estipulamos que nós somos os chefes e somente nós sabemos o que é importante
para ele. Este modelo (pergunta/resposta) não cria a atmosfera em que se pode
desenvolver um relacionamento positivo cordial, em que o entrevistado tenha a
oportunidade de crescer.
Outro fato importante que devemos atentar é quanto a perguntas abertas e
fechadas. Que fique claro que as perguntas abertas são amplas, convidando o
entrevistado/cliente a alargar seu campo perceptivo, falando de concepções,
opiniões, pensamentos e sentimentos. Nesse tipo de pergunta surgirão muitos
conteúdos e até mesmo questões chaves que estejam angustiando o paciente. Já as
questões fechadas exigem apenas fatos objetivos, muitas vezes não deixando o
sujeito se alargar nas suas respostas ou falar questões que o atormentam. Existe
também a pergunta retórica, que é mais que fechada, porque é um tipo de pergunta
que já inclui a resposta.
As perguntas diretas podem ser conceituadas como perguntas que são
interrogações precisas, enquanto que as perguntas indiretas perguntam sem parecer
fazê-lo, aparecendo sem o ponto de interrogação, mas ainda assim fica claro que
aquilo é uma pergunta e deseja-se uma resposta. Esta cria empatia, mostrando
interesse pelo cliente.
Às vezes aparecem em entrevista perguntas duplas, que alguns autores
dizem que são perguntas sem utilidade nenhuma em entrevistas. Servem apenas
para bombardear o entrevistado e nada acrescentam, só dificultam a confiança.
Essa questão é delicada, pois muitos pacientes não se sentem bem com o
bombardeio de perguntas, quebrando na hora a atmosfera de confiança e o rapport
que está tentando estabelecer.
E quando o entrevistado passa a me interrogar, quando ele tenta inverter os
papéis, o que devo fazer? É claro que não se deve dar uma resposta a todas as
perguntas, mas deve-se responder a todas que nos forem feitas que sejam a
respeito do paciente e não ao nosso respeito, e tratá-las da mesma maneira que
tratamos tudo o que o entrevistado diz – escutando, visando à compreensão, pois
muitas não exigem resposta, mas sim atenção, outras vezes deve-se responder
diretamente quando for conveniente, não ficando muito tempo com a palavra e
retornando a ele o mais rapidamente possível. E, caso o entrevistado nos faça
AN02FREV001/REV 4.0
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perguntas sobre outras pessoas, não devemos ignorar, mas também não responder
diretamente; uma estratégia seria ignorar a perguntar e fazer outra que englobe o
assunto a que ele se referir, afinal, não estamos ali para sermos interrogados e sim
para se chegar a um Psicodiagnóstico. E se a pergunta for sobre ele mesmo, deve-
se ter um cuidado maior, pois dependendo da nossa resposta o entrevistado pode
se fechar, defender-se e racionalizar, mas o que acontece muitas vezes, é que
quando eles se referem a si próprios é para ter mais informações sobre seu
comportamento, sintomas e tratamento.
FONTE: Disponível em: <
http://www.topgyn.com.br/home/thumbnail.php?file=12_08_automedicacao_457861735.jpg&size=artic
le_medium >. Acesso em: 10 ago. 2011.
2.2 SINAIS E SINTOMAS
Sintoma é qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de
seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não
consistir-se em um indício de doença. Eles são subjetivos, sujeitos à interpretação
do próprio paciente, sua variabilidade varia enormemente em função da cultura do
paciente, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias
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percepções. Aqui, no estudo de Psicodiagnóstico, chamaremos “sintoma” àquilo que
o cliente traz como motivo manifesto da consulta.
Já sinais na área de saúde podem ser conceituados como as alterações no
metabolismo, no aspecto de uma pessoa, em sua conformação física, que podem
ser indicadoras de adoecimento e podem ser percebidas ou medidas pelo
profissional de saúde.
Essa terminologia é oriunda da medicina, mas pode ter sentido comparável
na psicologia. Sintomas são frequentemente confundidos com sinais, que são as
alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de
saúde.
Mas quando se trata de doença mental essa diferenciação se torna muito
vaga, porque segundo Yager & Gitlin (1999), envolve estados internos, uma
psicopatologia subjetiva, algo difícil de descrever; os sintomas estão presentes
quando os limites da variabilidade normal são ultrapassados. Já Shaw (1977) afirma
VOCÊ SABIA!
A diferença entre sintoma e sinal é que o sinal é
aquilo que pode ser percebido por outra pessoa
sem o relato ou comunicação do paciente, ou seja,
o que outras pessoas percebem só de observar; e
o sintoma é a queixa relatada pelo paciente, mas
que só ele consegue perceber, ou seja, é algo
subjetivo como falamos acima. Então, sinais são
comportamentos observáveis, segundo Kaplan e
Sadock (2007), achados objetivos, e sintomas
achados subjetivos.
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que sintoma é um sinal, porque se torna significativo na medida em que evidencia
uma perturbação.
Autores da linha psicanalítica – Freud é um deles – afirmam que podemos
perceber é que: à medida que a primeira entrevista se desenvolve poderemos
perceber se é realmente um sintoma, do ponto de vista clínico, ou se está somente
encobrindo outros, mas geralmente o que ocorre é que o motivo latente não aflora
no início porque, geralmente, angustia muito e permanece inconsciente. E na
verdade o que acontecerá é que quando o motivo manifesto parecer trivial demais
para justificar uma consulta é que suspeitaremos com maior segurança da presença
de um motivo latente de maior envergadura e deveremos prolongar a entrevista
inicial ou realizar outra até obtermos maiores esclarecimentos sobre o caso. Sintoma
pode ser conceituado como aquilo que o paciente traz como motivo manifesto da
solicitação de Psicodiagnóstico.
Devemos levar em consideração alguns fatores importantes para se chegar
a um resultado correto no Psicodiagnóstico:
Quando estamos falando sobre sintomas, devemos levar em
consideração a etapa de desenvolvimento em que se encontra a pessoa que nos
consulta.
Algo muito importante a ser questionado é por que o sintoma preocupa
agora, em casos em que existe sintomatologiabastante antiga. Quanto maior o
tempo transcorrido entre o aparecimento da sintomatologia até o momento em que
se concretiza a consulta, maior a nossa suspeita de que exista outro motivo latente,
que foi o desencadeante para realizar a consulta. Certamente, o problema foi
ignorado até esse momento, mas algo ocorreu que os fez tomar a decisão de
consultar.
A razão pela qual esse sintoma preocupa o paciente ou aos pais desse,
ou a ambos.
A sintomatologia descrita por cada um dos interessados no processo de
estudo psicológico pode diferir enormemente, mas essa contradição é apenas
aparente; teríamos assim diferentes motivos de consulta manifestos dentro de um
mesmo caso.
Devemos integrar as várias imagens de uma única personalidade que
surgirão, definir o que realmente ocorre com a criança, entre todas aquelas
AN02FREV001/REV 4.0
39
projeções feitas pelos outros envolvidos, e decidir a ordem de relevância dos
sintomas.
Segundo Arzeno (1995) e Ancona-Lopez (2002), o sintoma ou os sintomas
trazidos como motivos da consulta devem ser colocados dentro de um contexto
evolutivo, de forma a não serem superdimensionados, pois estes sintomas
apresentam várias características como: um aspecto fenomenológico; um benefício
secundário, ou seja, eles podem estar funcionando como interferência para a
intimidade dos pais; o sintoma está expressando alguma coisa, algo não dito, dentro
do contexto familiar; todo sintoma implica fracasso ou rompimento do equilíbrio entre
as séries complementares; o sintoma está no lugar de uma palavra que falta, ele
vem como máscara ou palavra fantasiada.
2.3 MOTIVO DA CONSULTA
Na primeira entrevista o paciente deve expor o que acontece com ele, o que lhe
levou a procurar uma ajuda médica ou psicológica e esclarecer por que deseja
consultar-se. O paciente vai apresentar vários motivos, esses motivos apresentados
serão chamados de motivo manifesto, não sendo os mais autênticos, mas ao longo
do processo podem ser descobertos outros motivos subjacentes, geralmente
inconscientes que podemos chamar de motivos latentes sobre os quais se deverá
falar da forma mais ampla possível e aconselhável.
Arzeno (1995) nos confirma isso quando diz que à medida que a primeira
entrevista se desenvolve poderemos perceber se é realmente um sintoma, aquilo
que o consultante traz como motivo manifesto da consulta, do ponto de vista clínico,
ou se está somente encobrindo outros. O que ocorre comumente é que o motivo
latente não aflora no início por seu conteúdo ser, geralmente, muito angustiante,
permanecendo, assim, no inconsciente. O paciente pode ter diferentes motivos de
consulta manifestos dentro de um mesmo caso, o que da mesma forma, quanto
maior o tempo transcorrido entre o aparecimento da sintomatologia até o momento
em que se concretiza a consulta, maior a nossa suspeita de que exista outro motivo
AN02FREV001/REV 4.0
40
latente, que foi o desencadeante para realizar a consulta. Certamente, o problema
foi ignorado até esse momento, mas algo ocorreu que o fez tomar a decisão de
consultar.
Isso adverte o terapeuta sobre o tipo de conflito que pode encontrar ao longo
da terapia de um paciente, que pode solicitar o tratamento por um motivo e na
verdade o que percebemos com o decorrer do processo é que existe algo mais
profundo a ser investigado.
Outro conceito, que segundo Arzeno (1995) deve ser levado em
consideração, do ponto de vista teórico, é que na consulta o interessado deve expor
a sua preocupação, o motivo que o leva a consultar, o que ele considera o sintoma
preocupante; está implícita uma fantasia de doença e de cura que guarda uma
estreita relação com o motivo latente da consulta.
2.4 SINTETIZANDO
Motivo da Consulta:
Alguém solicita ou encaminha;
Presença de doença física;
Familiares angustiados.
Nesta situação é importante que o psicólogo coloque-se:
Como referência, delimitando claramente sua função (enquadramento),
ao mesmo tempo em que observa a relação familiar;
O terapeuta do cliente não deve agir de forma abrupta, ou seja, que não
obrigue o paciente a fazer insight fora do timing.
DEVERÃO SER OBSERVADOS:
Estado emocional geral do paciente:
Estrutura emocional básica;
Autoconceito;
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41
Relação familiar;
Nível de ansiedade;
Grau de informação sobre a doença;
Grau de informação sobre o tratamento.
Observar a existência de conflitos:
Com internação anterior;
Com tratamento anterior;
Com cirurgia anterior;
Com separação de pessoas queridas;
Com perdas.
Temperamento emocional básico presente:
Introvertido ou extrovertido (acentuado ou compensado);
Avaliação Psicológica no hospital.
Características especiais do desenvolvimento psicológico:
Observar adequação do ponto de vista intelectual, social e emocional.
Estado Emocional geral da família:
Estrutura;
Nível de Ansiedade;
Nível de Informação sobre a doença e tratamento;
Conflitos observados.
Obs.: Na realidade, o que possibilita uma boa observação são os sólidos
conceitos na área de personalidade, infância, adolescência, linha teórica,
psicopatologia, além do próprio psicólogo que é seu próprio e melhor instrumento.
É importante observar:
Relações familiares em que nunca existe uma comunicação de mão
dupla;
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42
Em que o desejo não se manifesta, ou que há poucas palavras poucas
trocas vivas. Ex.: O desejo que só se responde nos momentos das necessidades
vitais no quais os familiares preocupam-se com as questões técnicas;
Familiares deprimidos, superprotetores e/ou ansiosos;
Familiares que largam todos os seus afazeres.
Na avaliação do paciente:
Fazer uma avaliação compreensiva da personalidade, nível de
funcionamento, funções do ego.
Capacidade de insight, condições do sistema de defesa, facilitando assim,
a indicação de recursos terapêuticos e prevendo a possível resposta aos mesmos;
Outro ponto relevante para quem trabalha com Psicodiagnóstico é a
importância da familiaridade com os sistemas de classificação nosológica, já que a
nomenclatura oficial dos transtornos é extremamente útil para comunicação entre
profissionais, além do fato de que outros documentos como atestados, além de
laudos –, podem exigir o código do transtorno de um paciente. Por isso é importante
conferir cuidadosamente todos os critérios a partir das hipóteses diagnósticas,
examinar o que diferencia o caso de outros transtornos e ter em mente os critérios
usados para a exclusão de outros diagnósticos.
2.5 AVALIAÇÃO DA PSICOPATOLOGIA
No que diz respeito à Psicopatologia, o Psicodiagnóstico consiste,
sobretudo, na identificação de forças e fraquezas do funcionamento psicológico e se
distingue de outros tipos de avaliação psicológica de diferenças individuais por seu
foco na existência ou não de psicopatologia.
Então, de acordo com Cunha (2003), Arzeno (1995) e Ocampo (2001),
analisando todas suas definições sobre o processo de Psicodiagnóstico e sua
relação com a psicopatologia, podemos dizer que embora o Psicodiagnóstico tenha
um domínio próprio, o seu foco na existência ou não da psicopatologia torna
essencial a manutenção de canais de comunicação com outras áreas, precisando o
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43
psicólogo estar atento para questões que são fundamentais na determinação de um
diagnóstico.
FIM DO MÓDULO I
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42
CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
MÓDULO II
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do mesmo sem a autorização expressado Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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MÓDULO II
3 PASSOS DO PROCESSO DIAGNÓSTICO/OPERACIONALIZAÇÃO DO
PROCESSO
Sabemos que um dos pontos-chaves no Psicodiagnóstico é saber
claramente qual é o objetivo desse processo que vamos realizar, de forma que antes
de iniciar a tarefa, o profissional, no caso o psicólogo, deve esclarecer com o cliente
qual é o motivo manifesto e mais consciente do estudo e intuir qual seria o motivo
latente e inconsciente do mesmo, dedicando o tempo que for necessário. Pode-se
dizer que o motivo manifesto diz respeito à queixa principal do paciente, e o latente é
algo que está oculto por detrás dessa queixa.
Primeiramente, vamos fazer algumas comparações entre os principais
autores que discutem as teorias do Psicodiagnóstico, Ocampo e Cunha, depois
detalharemos tópico por tópico.
Ocampo (1981) cita os seguintes passos:
Primeiro contato e entrevista inicial com o paciente;
Aplicação ou uso de testes e técnicas ordenadas e selecionadas de
acordo com o caso;
Encerramento do processo com a entrevista de devolução oral ao
paciente e aos pais;
Informe escrito para o requerente.
Cunha (2003) diz que os passos de um Psicodiagnóstico são os seguintes:
Formulação de perguntas;
Contrato de trabalho;
Estabelecimento de um Plano de Avaliação;
Bateria de Testes;
Administração de Testes e Técnicas;
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44
Levantamento, Análise, Interpretação e Integração de Dados;
Diagnóstico e Prognóstico;
Comunicação dos Resultados.
3.1 FORMULAÇÃO DE PERGUNTAS
De acordo com Cunha (2003) podemos conceituar esse passo como um
processo científico que parte de perguntas específicas, cujas respostas prováveis se
estruturam na forma de hipóteses que serão confirmadas ou não por meio dos
passos seguintes do processo. Mas que fique claro que o primeiro passo ocorre
desde o momento em que o cliente ou seus responsáveis fazem a solicitação da
consulta até o encontro pessoal com o profissional.
Deve-se ter um cuidado maior com essa etapa do processo para que não se
formule perguntas que não vão acrescentar valor a anamnese, pois muitas vezes o
profissional, por algum motivo de informação, na sua formação ou mesmo
inexperiência, bombardeia o paciente com perguntas que não vão acrescentar nada
ao processo. Sabemos que a anamnese, como toda ferramenta de investigação,
pode ser mais ou menos precisa na obtenção das informações desejadas, assim
CONCLUINDO!
Percebemos que o processo descrito
por Ocampo está englobado dentro
do processo descrito por Jurema
Cunha, então, optaremos por
detalhar o processo de
Psicodiagnóstico de acordo com a
ordem exposta em Cunha (2003).
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45
devemos estar atentos a induções nas respostas, na formulação de perguntas
amplas e na satisfação com respostas vagas.
O ponto de partida para iniciar esse processo seria o encaminhamento, e se
o paciente foi encaminhado a um profissional que trabalha na área de psicologia é
porque há uma pressuposição que este apresenta problemas psicológicos, a pessoa
que encaminhou deve ter hipotetizado algo, feito alguma pergunta, a qual só um
profissional habilitado a realizar uma investigação psicodiagnóstica poderia
responder ou solucionar.
Geralmente, existe uma preocupação que expressa uma pergunta, seja de
um leigo, seja da família, seja do
profissional que o encaminhou.
Então, é nesse momento que se
inicia a investigação, pois o
psicólogo precisa de mais dados
para continuar a investigação ou
desdobrar a pergunta que ainda está
vaga. Um exemplo seria: meu filho
está apresentando determinado
comportamento, será que ele tem
algum transtorno mental?
Inicia-se a investigação com
a história do paciente, pois com a
história de vida, o psicólogo
consegue alternativas de explicação
que chamaremos de hipóteses, que serão testadas no decorrer do psicodiagnóstico.
Assim, no decorrer da coleta dos dados de vida vão surgindo algumas hipóteses
novas que podem ser confirmadas ou descartadas.
Nesta etapa o esclarecimento e a organização das questões pressupostas
num encaminhamento são de inteira responsabilidade do psicólogo; ele deve
trabalhar para que tudo saia como planejado.
Se for um profissional que encaminha, provavelmente ele encaminhou
porque tem em mente uma série de questões específicas, fundamentadas em
observações ou informações prévias. Na maioria das vezes as questões vão
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46
explícitas no encaminhamento, outras vezes elas são expostas por meio de um
telefonema ou outro contato. Esse contato entre o profissional que encaminhou e o
psicólogo clínico que realizará a investigação é muito importante para o desenrolar
do caso.
Percebe-se então que as questões quando reformuladas pelo psicólogo irão
dar embasamento adequado a um exame, permitindo assim que o laudo sirva de
fundamento para decisões que devam ser tomadas.
Como já citamos antes, é muito importante perceber que os objetivos do
Psicodiagnóstico dependem das perguntas iniciais. Ocampo (2001) diz que as
entrevistas iniciais com o paciente poderão levantar perguntas complementares, que
definem novos objetivos para o exame e algumas vezes o elenco de perguntas
necessárias só fica inteiramente completo após o levantamento de toda história de
vida do paciente.
Conclui-se que no momento em que é possível levantar as questões básicas
e estabelecer os objetivos, ou seja, se já se conseguiu levantar as questões ou
hipóteses pertinentes, que geralmente ocorrem no final da primeira ou segunda
entrevista, já há condições para o estabelecimento de um plano de avaliação com
bases nessas hipóteses e consequentemente há condições para realizar um
contrato de trabalho, que é a próxima etapa a ser detalhada.
3.2 CONTRATO DE TRABALHO
Como já sabemos o Psicodiagnóstico é um processo limitado no tempo, ou
seja, ele tem um prazo para ser realizado e concluído, e depois que se é esclarecido
as primeiras questões que relatamos no item anterior, o psicólogo tem condições
para saber qual o tipo de exame que é adequado para chegar a conclusões, e se ele
já tem ideia de quais técnicas irá aplicar; então, ele pode prever o tempo necessário
para realizá-lo. A duração do Psicodiagnóstico constitui uma estimativa de tempo,
em que se podem operacionalizar as tarefas implícitas pelo plano de avaliação, bem
como completar as tarefas subsequentes até a comunicação dos resultados.
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47
Em outras palavras, e de acordo com Cunha (2003) e Ocampo (2001), aqui
se tenta esclarecer o motivo latente e o motivo manifesto da consulta, as ansiedades
e defesas que a pessoa que consulta mostra sobre a fantasia de doença, cura e
análise que cada um traz e a construção da história do indivíduo e da família em
questão.
Na hora que o psicólogo tiver uma previsão, deve formalizar os termos com
o paciente como papéis, direitos e responsabilidades.
O estabelecimento do contrato de trabalho depende de variáveis como:
Precisão das questões iniciais;
Objetivos (quais objetivos irá utilizar);
Experiência do psicólogo;
Sintomatologia do paciente;
Estilo de trabalho.
O contrato de trabalho envolve que o psicólogo compromete-se a realizar um
exame:
Durante certo número de sessões;
Cada sessão com duração prevista;
Sessões em horário predeterminado;
Definição dos informes necessários;
E quem terá acesso aos informes.
Muitos autores dizem que quando são necessários vários tipos de informes
ou laudos mais elaborados, o tempo estimado para sua confecção deve ser
computado na duração do processo, mas se forem pareceres muitosimples, deve-
se prever um período de duas horas para a preparação dos informes.
Assim, com base na estimativa do tempo, são estabelecidos:
Honorários;
Datas;
Formas de pagamento;
Entrevista de devolução.
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48
E se perguntássemos quais os deveres do paciente nesse processo? Afinal,
ele tem deveres?
A resposta seria sim, ele tem deveres e se ele não os cumprir vai dificultar
muito o andamento do processo. Seus deveres seriam:
Comprometer-se a comparecer nas horas determinadas;
Comprometer-se a comparecer nos dias previstos;
Colaborar para que o plano de avaliação seja realizado sem problemas e
interferências;
Estar à disposição para esclarecer qualquer dúvida do profissional que
dirige o processo.
Só assim, depois de se ter em mente todas estas questões, deve ser firmado
o contrato de trabalho. Esse contrato de trabalho deve ser feito adequando-o ao
paciente e deve ter flexibilidade, devendo ser revisto sempre que o processo tiver
modificações. Modificações estas que podem surgir por alguns motivos como:
Surgimento de novas hipóteses;
Obstáculos do próprio paciente;
Necessidade de uso de novos instrumentos.
Cunha (2003) diz que caso o psicólogo já tenha feito o contrato de trabalho e
perceba que necessite da administração de mais um instrumento para elucidar
algumas dúvidas, ele deve chamar o paciente e comunicar que usará mais um
instrumento, sem qualquer ônus para ele.
3.3 ESTABELECIMENTO DE UM PLANO DE AVALIAÇÃO
Esse passo do Psicodiagnóstico pode ser conceituado de várias formas, umas delas
e bem simples é a parte em que será feito um planejamento do que vai haver em
todo o processo. Será passado ao paciente como o processo acontecerá, o que será
feito e como será feito, ou seja, quais instrumentos serão utilizados. Pode ser
também conceituado como o processo que procura identificar recursos que
permitam estabelecer uma relação entre as perguntas iniciais e suas possíveis
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49
respostas, ou seja, traduzir as perguntas em termos de técnicas e testes, programar
a administração de uma série de instrumentos adequados ao sujeito específico e
especialmente selecionados para fornecer subsídios que se possa chegar às
respostas para as perguntas iniciais; ou seja, o profissional faria uma reflexão sobre
o material colhido anteriormente e sobre todas as hipóteses iniciais para planejar os
passos a serem seguidos e os instrumentos diagnósticos a serem utilizados e
administrados posteriormente durante o processo.
Cunha (2003) diz que esse plano de avaliação frequentemente só é
estabelecido após a entrevista com o sujeito e/ou responsável, quando então se dá
o início ao processo de testagem. Mas chama a atenção para algumas questões,
como:
Às vezes, é necessário observações do comportamento em situações da
vida diária;
Observação de resultados de exames médicos;
Análise de outros materiais que não contribuíram para a anamnese como
fotografias, gravações, diários, pinturas, desenhos, cadernos escolares e etc.
Aqui se deve estar atento a cada técnica que vai ser utilizada, suas
especificidades como o tempo que determinada técnica consome, para que seja
estabelecido um adequado plano de ação. Mas no caso de se ter uma diferença
apreciável no tempo de duração previsto no contrato de trabalho, deve-se
reexaminar com o paciente e/ou responsável, nunca se esquecendo de dar uma
margem de tolerância, caso não se tenha ainda a estimativa segura do ritmo de
desempenho do sujeito.
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50
3.4 BATERIA DE TESTES
Os testes psicológicos têm sido utilizados com as mais diferentes
finalidades. Hoje, se observa um crescimento na utilização de testes na área clínica
como um recurso auxiliar no autoconhecimento e como auxilio também na
anamnese, nas observações, e como um parâmetro para avaliar os resultados
obtidos ao longo do tratamento.
Bateria de testes é conceituada por muitos autores como a reunião de
inúmeros testes, formando a bateria ou como Cunha conceitua “um conjunto de
testes ou de técnicas, que podem variar entre dois a cinco ou mais instrumentos,
que são incluídos no processo Psicodiagnóstico para fornecer subsídios que
permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais, atendendo o objetivo da
avaliação”.
No planejamento da bateria temos que pensar que o processo
psicodiagnóstico deve ser suficientemente amplo para compreender bem o
RESUMINDO!
O profissional irá comunicar ao
cliente a duração do processo e o que
será realizado durante esse tempo,
quais os instrumentos e técnicas
terão que ser utilizados para
confirmar ou descartar as hipóteses
que existem sobre o cliente.
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51
paciente, mas ao mesmo tempo, não se deve exceder porque isto implica
uma alteração no vínculo psicólogo/paciente. (OCAMPO, 1981).
Razões porque a bateria de testes é usada ao invés de somente um teste ou
uma técnica, segundo Exner (1999):
Considera-se que nenhum teste, isoladamente, pode proporcionar uma
avaliação abrangente da pessoa como um todo;
O emprego de uma série de testes envolve a tentativa de uma validação
intertestes dos dados obtidos, a partir de cada instrumento em particular, diminuindo,
dessa maneira, a margem de erro e fornecendo melhor fundamento para se chegar
a inferências clínicas.
É necessário incluir, entre os testes gráficos, diferentes conteúdos em
relação ao tema solicitado, começando pelos de temas mais ambíguos até chegar
aos mais específicos. E no planejamento de bateria de testes, é necessário pensar
em testes que captem o maior número possível de condutas verbais, gráficas e
lúdicas, de maneira a possibilitar a comparação de um mesmo tipo de conduta,
provocada por diferentes estímulos ou instrumentos, e diferentes tipos de conduta
entre si. Isso é comprovado quando Ocampo (1981) diz que numa bateria, devem
ser incluídos, entre os testes projetivos, aqueles que promovam condutas diferentes,
por exemplo, a bateria projetiva deve incluir testes gráficos, verbais e lúdicos, ou
seja, a bateria de testes utilizada deve incluir instrumentos que permitam obter ao
máximo a projeção de si mesmo.
“O teste psicológico pode ser definido como uma situação padronizada
que serve de estímulo a um comportamento por parte do examinando;
esse comportamento é avaliado, por comparação estatística com o de
outros indivíduos submetidos à mesma situação, permitindo assim sua
classificação quantitativa e qualitativa”. (SCHEEFFER, 1968).
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52
Arzeno (1995) fala que na seleção da bateria de testes, devem-se introduzir
outros fatores a serem considerados nessa dada escolha:
Quem formula a solicitação;
Levar-se em conta a idade cronológica do consultante e o nível
sociocultural;
O momento em que está sendo pedida essa avaliação (ela menciona que
em momentos de crises vitais deve-se esperar para realizar o Psicodiagnóstico e
encarar a situação como um tratamento de crise, até recorrendo a estratégias
medicamentosas);
O contexto espaçotemporal no qual se realiza, onde ela vai enfatizar a
situação das instituições onde o psicólogo dispõe de pouco tempo e material para a
realização dessas práticas.
Quanto às baterias de testes, Cunha (2003) diz que existem dois tipos:
Baterias padronizadas para avaliações específicas;
Baterias de testes não padronizadas, que são organizadas a partir de um
plano de avaliação.
De acordo com Anastasi (2000), os testes psicológicos podem ser definidos
como medidas objetivas e padronizadas de uma amostra de comportamento que
tem como objetivo predizer ou diagnosticar a resposta comportamental do indivíduo
em diferentes situações a partir dos resultados obtidos na avaliação.Podemos conceituar como padronizados testes que têm uniformidade de
procedimento tanto na aplicação quanto na pontuação do teste, ou seja, as
condições de testagem têm que ser as mesmas para todas as pessoas. Então, as
baterias de testes padronizadas ou específicas não resultam de uma seleção de
instrumentos de acordo com as questões levantadas num caso individual, a não ser
quando se trata de bateria padronizada especializada. A organização dessa bateria
é feita com base em pesquisas, ou seja, ela é padronizada, com objetivos explícitos
e deve ser administrado na sua íntegra, o que não impede o psicólogo de
administrar outros testes, como acrescentar testes de personalidade a essa bateria.
A bateria não padronizada é a mais tradicional. No plano de avaliação são
determinadas as especificidades e o número de testes que são programados
sequencialmente, conforme:
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53
Sua natureza;
Tipo;
Propriedades psicométricas;
Tempo de administração;
Grau de dificuldade;
Qualidade ansiogênica;
E características do paciente individual.
Embora a bateria não padronizada deva atender, então, a vários requisitos,
ela é organizada de acordo com critérios mais flexíveis do que a bateria
padronizada, um exemplo são os números de testes que eventualmente podem ser
modificados para mais ou para menos.
Frequentemente a bateria de testes inclui testes psicométricos e técnicas
projetivas, devido à variedade de questões propostas inicialmente e adequadas aos
objetivos do Psicodiagnóstico. O que se faz nesse caso é considerar
cuidadosamente a sequência e distribuição relativa da bateria de testes, levando em
conta:
O tempo necessário para a administração;
O grau de dificuldades das mesmas;
Sua qualidade ansiogênica;
E as características específicas do paciente.
É muito importante discriminar a sequência em que serão aplicados os
testes escolhidos, sendo estabelecida em função de dois fatores: a natureza do teste
e a do caso em questão.
Segundo Ocampo (1981) é importante observar a questão da mobilização ou
não da ansiedade na distribuição sequencial das técnicas, recomendando prioridade
para instrumentos não ansiogênicos; um exemplo é que se um paciente está
iniciando uma testagem e apresenta certo grau de ansiedade, sugere-se que as
técnicas gráficas sejam usadas nesse momento, pois vão concorrer para baixar o
nível de ansiedade.
Outra questão importante é quanto à distribuição de técnicas, que devem ser
distribuídas adequadamente para que corroborem com os objetivos vigentes. Se
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54
estiverem previstas técnicas projetivas e psicométricas, é conveniente alterná-las,
iniciando e completando a bateria com material pouco ou não ansiogênico.
Os testes para serem aplicados de forma adequada devem seguir certas
regras, uma delas é a administração do tempo, que também é muito importante.
Devem-se programar as sessões de testagem, o tempo de administração de cada
instrumento e a possibilidade ou não de o mesmo ser interrompido para ser
concluído outro dia. (Obs.: As técnicas projetivas, de um modo geral, não devem ser
interrompidas com exceção do TAT e do Rorschach (apenas o inquérito pode ser
outro dia)).
Veremos logo abaixo sugestões de técnicas que poderão ser utilizadas
segundo alguns autores:
Entrevistas de vários tipos;
Técnicas de associação;
Técnicas de complemento;
Técnica expressivo-gráfica;
Técnicas expressivo-lúdicas;
Técnicas de ordenação;
Técnicas de construção;
Testes de inteligência;
Inventários de personalidade;
Inventário de traços ou estados afetivos;
Inventários de sintomas específicos;
Técnicas expressivo-gráficas psicométricas;
Escala de maturidade viso-motora e muitas outras.
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55
3.5 ADMINISTRAÇÃO DE TESTES E TÉCNICAS
Nesse tópico falaremos das particularidades da situação da interação com o
examinando e do manejo clínico. De início, é básico que o psicólogo saiba que o
foco da testagem deve ser o sujeito e não os testes, e para que este profissional
possa concentrar sua atenção no paciente, deve estar perfeitamente seguro quanto
à escolha adequada dos instrumentos para o paciente que vai ser examinado; deve
também estar familiarizado com instruções, sistema de escores, sabendo manejar o
material pertinente e sempre ter em mente os objetivos a que se propõem para cada
instrumento.
Que fique claro que não há um modelo rígido de Psicodiagnóstico, ou
melhor, não há uma receita pronta que possa ser usada em todos os casos, assim a
melhor orientação para cada caso virá da experiência clínica e nível de análise
pessoal do psicólogo. Cada caso é um caso, sendo assim, deve-se analisar a
melhor forma de administrar os testes de acordo com aquele sujeito. Cunha (2003)
propõe algumas questões básicas relacionadas à administração de testes:
Primeiro, que fique claro, que de acordo com Art. 1º, da RESOLUÇÃO
CFP N.º 002/2003: os Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou
mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou
uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1o
do Art. 13 da Lei no 4.119/62;
É importante revisar particularidades referentes aos instrumentos e as
características do paciente, mesmo que o profissional tenha estabelecido seu plano
de avaliação e previamente a administração: deve-se conferir se o teste selecionado
é a opção mais apropriada, observar certas características do paciente.
Estar suficientemente familiarizado com o instrumento: jamais utilizar uma
técnica que ele não esteja treinado o suficiente para aplicar, ou seja, não basta
conhecer, tem que entender mesmo o que vai manejar e saber como interpretar e se
chegar aos resultados, ou seja, ter certeza que tem pleno domínio sob a aplicação
do teste e sobre o processo.
Organizar todo o material que pretende utilizar antes da chegado do
cliente: com essa organização facilita-se o manejo do material e evitam-se
imprevistos, que possam atrapalhar e atrasar o processo.
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56
É importante ter em mente os objetivos para a inclusão de cada técnica
da bateria: nesse caso, se ele tem esses objetivos bem presentes, vai estar atento a
vários indícios que possam surgir, onde poderá introduzir questionamentos
pertinentes no momento certo.
Uma questão importante é o rapport, pois com um bom relacionamento se
administrará de forma genuína os testes.
O psicólogo deve esclarecer as dúvidas do paciente, não só durante o
rapport, mas antes da introdução de qualquer instrumento.
O psicólogo deve ser honesto com o paciente e nunca prometer o que
não pode cumprir, assim como a confidencialidade da avaliação.
Os testes devem ser realizados em ambiente adequado, ou seja, com boa
ventilação, boa iluminação, deve haver condições de privacidade e silêncio. Quanto
ao examinando, este deve estar em uma posição adequada, confortável em relação
à mesa, especialmente em técnicas que exijam maior precisão.
Que não esqueçamos que as instruções na aplicação dos testes devem
ser seguidas cuidadosamente, para garantir a fidedignidade de seus resultados.
Não apenas especificamente as respostas dos testes, mas também todas
as reações verbais ou não, ou seja, todos os indícios comportamentais devem ser
cuidadosamente observados e anotados durante a administração de testes e
técnicas.
3.6 LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE DADOS
Chegamos ao levantamento, análise, interpretação e integração dos dados e
como o próprio título já diz é hora de pegar todos os dados colhidos e analisá-los,
interpretá-los e tentar articulá-los para que se chegue ao diagnóstico final; ou seja,
nessa etapa acontece o estudo do material para obter um quadro, omais claro
possível sobre o caso em questão. Aqui, o psicólogo já possui muitas informações
do paciente, independente das informações do testes, então, ele é capaz de
descrever uma série de comportamentos do examinando.
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57
Assim, todo material dos testes é agora conjugado com as entrevistas – já
tivemos numa primeira entrevista o motivo da queixa; em outras entrevistas houve
aprofundamento dos dados e foram levantadas hipóteses; aplicou-se os testes de
acordo com o exposto pelo paciente, e agora de posse de todo esse material deve-
se utilizar o material reunido, relatar os dados coletados nas entrevistas, as nossas
impressões, de forma organizada, para serem trabalhados depois.
Nas inúmeras definições vigentes, muitas expressam a importância dos
resultados: “Psicodiagnóstico é um processo científico, que utiliza técnicas e testes
psicológicos (input) e, por meio de uma série de passos, termina com a
comunicação de resultados (output) após a integração e seleção de dados”
(CUNHA, 2003).
Cunha (2003) e Ancona-Lopez (2002) afirmam que é bastante conveniente
fazer um exame da história clínica, pois estas poderão contribuir para atribuição de
significados e interpretação de dados coletados também por meio dos testes. Então,
se percebe a importância dessa interseção dos dados da história clínica com os
dados fornecidos pelos testes, fazendo com que haja uma melhor interpretação dos
dados. Mas esse processo não é tão fácil assim, muitas vezes gera resistências,
mesmo em profissionais de boa formação e que trabalham com seriedade, então é
muito importante encontrar o significado de pontos obscuros, correlacionar os
diferentes instrumentos utilizados entre si e com a história do indivíduo e de sua
família, como já mencionamos.
Em seguida, devem-se recapitular os questionamentos levantados
inicialmente, ou melhor, as hipóteses, sempre tendo em mente os objetivos, que
foram estabelecidos de acordo com as hipóteses ou perguntas iniciais. De acordo
com muitos autores, as perguntas iniciais servirão de critérios para análise, seleção
e escolha dos dados úteis; elas indicarão que respostas devem ser buscadas e
assim confirmando ou não as hipóteses e os objetivos que nortearão a organização
das informações obtidas.
Nessa etapa do Psicodiagnóstico, segundo Cunha (2003), o psicólogo deve
procurar compreender algumas incongruências ou contradições e aceitá-las como
tais, ou seja, renunciar à onipotência de poder entender tudo, porque muitas vezes
surgem dados que não se encaixam com as hipóteses levantadas e assim não deve-
se desprezar essas questões, pelo contrário, deverão ser colocadas no laudo que
AN02FREV001/REV 4.0
58
enviarmos a quem solicitou o estudo, para deixá-lo de sobreaviso; mas quanto ao
paciente, o melhor que poderia ser feito é poupá-lo de entrar em contato com essas
questões nesse momento, sendo imprudente incluí-los na devolução ao paciente,
pois elas poderão trazer angústias e provocar uma crise, um ataque ao psicólogo ou
até mesmo desistência do tratamento.
Quanto aos testes, podemos falar em termos de quantitativos e qualitativos:
quando se trata de quantitativos, devem-se atribuir escores para as suas respostas,
porque cada teste quantitativo tem sua padronização e regras que devem ser
obedecidas. Já os testes qualitativos perdem em objetividade quanto aos
quantitativos, mas seus resultados podem ser corroborados com outros dados
coletados para que se tenha uma melhor compreensão dinâmica do paciente.
Quanto ao estudo do material coletado, como entrevista inicial, testes,
entrevistas vinculares, familiares, e outros, o psicólogo precisa dedicar-se a
classificar e interpretar suas respostas para poder usar as suas conclusões e
integrá-las ao resto do material, pois todos esses materiais reunidos com
informações do paciente são muito ricos em informações, e sendo usados e
articulados de forma adequada vão trazer respostas às perguntas-problemas e às
hipóteses feitas no início do processo.
Arzeno (1995) diz que nas entrevistas realizadas devem ser feitas leituras de
maneira a extrair certos padrões de conduta do sujeito e de sua família, certas
condutas chamativas, comentários, significativos, etc., pois isso poderá ajudar
bastante a encaixar os dados.
REFORÇANDO!
Todas essas etapas são de suma
importância para que não se corra o
risco de um erro diagnóstico. Erros
estes que podem acontecer por se
ter desprezado dados não julgados
importantes e na verdade eram a
chave da investigação.
AN02FREV001/REV 4.0
59
Uma das funções do psicólogo é observar, durante as diferentes entrevistas,
o momento em que aparece o sintoma; se ele chega a ser observável ou não; quais
as circunstâncias em que isso ocorre e como reagem depois o sujeito e os outros
membros presentes; assim, a sintomatologia descrita poderá ser registrada ou
confirmada pelos pais ou, pelo contrário, outra completamente diferente que
passava despercebida para todos poderá ser identificada.
O psicólogo, como profissional responsável pelo direcionamento do
processo, deve buscar ou conseguir uma boa integração de tudo o que foi
registrado; e como sabemos que não se trata de uma ciência exata não podemos
aplicar critérios fixos, e sim fazermos um estudo das recorrências e convergências
que vão aparecendo e assim esclarecendo cada caso, ou seja, o psicólogo é
responsável tanto pela direção do processo como por uma das partes altas do
processo, a articulação dos dados obtidos.
Percebemos que elaborar um diagnóstico consiste em conseguir descrever
uma personalidade que pode ser conceituada como tudo aquilo que distingue um
indivíduo de outros indivíduos, ou seja, o conjunto de características psicológicas
que determinam a sua individualidade pessoal e social.
Mas que fique claro que não significa colocar um rótulo ou enquadrar o
sujeito de acordo com a personalidade que ele tem. Isso não é possível porque em
muitos casos a patologia é mista e complexa, constituindo um verdadeiro desafio
para o profissional, que, se não souber reconhecer os seus limites e aqueles que
toda ciência possui poderá cair em afirmações equivocadas. Em outros casos, o
pedido de Psicodiagnóstico é feito para um diagnóstico diferencial, então o
profissional deve tentar ser claro e preciso.
Veja agora algumas dicas de como proceder para chegar a conclusões
claras, simples e convincentes para o paciente, à sua família e para o destinatário do
informe que será elaborado a posteriori.
Faça uma listagem de tudo o que o paciente traz como motivo de
consulta, assim como o que preocupa seu pai, a sua mãe e irmãos, até mesmo
professores ou outras pessoas. Assim não se corre o risco de omissão, desprezo ou
perda de dados importantes.
AN02FREV001/REV 4.0
60
Após haver estudado todo o material deve-se voltar novamente ali para
tentar encontrar uma explicação, ou seja, ler e reler os materiais inúmeras vezes é
importante para conseguir entender o caso.
Usam-se inúmeros instrumentos diagnósticos para se chegar a um fim:
depois de analisadas todas as entrevistas, esboçam-se as hipóteses preliminares,
então se tenta estudar o material para encontrar um grau de certeza para essas
hipóteses.
A escolha dos testes adequados ao caso daquele paciente é fundamental
para coletar informações importantes, então se deve escolher uma bateria de testes
que nos proporcione informações sobre um quadro completo; por exemplo, os testes
gráficos que mostram o que é mais profundo e patológico estão padronizados, o que
nos permite comparar a produção do paciente com a maioria das estatísticas e
extrair conclusões que nos resguardam de cair numa subjetividade que mistura a
produção do sujeito com nossos próprios conteúdos.
Mas que fique claro que, de acordo com Cunha (2003), o
Psicodiagnósticonão pode passar apenas pelo mais patológico e excluir outros
aspectos da personalidade mais desenvolvidos, adaptáveis e maduros, pois a
maioria das patologias aparece nos traços formais – esses traços são os mais
relacionados com a parte estrutural da personalidade e, portanto, os mais estáveis;
são os que variam mais lentamente à medida que o indivíduo amadurece ou se
modifica, e os mais confiáveis para medir os resultados de um tratamento ou fazer
ou outro teste.
Arzeno (1995) afirma que o estudo do material consiste
fundamentalmente na busca de recorrências e convergências, ou seja, aparecem
constelações simbólicas que se repetem e que são complementares com outras,
sendo este outro critério que fornece segurança para nossas conclusões. Esse
trabalho de interpretação do material é constituído por idas e vindas constantes de
um material a outro, do observável ao inferível, da teoria à prática, das entrevistas
livres às pautadas, aos testes, etc., assim somos guiados tanto por nossos
conhecimentos quanto pelas nossas dúvidas, pelas próprias associações do sujeito
observado e ouvido.
Recapitulando o que já dissemos anteriormente, pode acontecer de
algumas questões não se encaixarem, pois pode aparecer algum elemento estranho
AN02FREV001/REV 4.0
61
em algum teste com desenhos ou mesmo na fala do paciente, e nesse caso
devemos pedir associações ao sujeito, caso isso não resolva, precisamos aceitar o
não entendimento do seu significado. Poderíamos catalogar isso como núcleos
estranhos, talvez psicóticos, que deveremos colocar no informe como advertência
para o terapeuta, pediatra, etc.; e durante a devolução ao sujeito e/ou a seus pais
aproveitaremos para fazer algumas perguntas sem despertar suspeitas, para não
despertar no sujeito e na família grande ansiedade.
Segundo Alchieri e Bandeira (2002), outro recurso para obter resultados
mais exatos é usar testes devidamente validados.
Finalmente, é recomendável a supervisão do trabalho por outro colega
com mais experiência, especialmente para aqueles que estão iniciando, pois casos
difíceis podem surgir para todos e esse é um recurso valioso.
3.7 DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO
Para ficar mais claro essa etapa, vamos tentar definir diagnóstico e
prognóstico de acordo com área médica.
Diagnóstico: é o conhecimento ou juízo ao momento, feito pelo
profissional da saúde, acerca das características de uma doença ou de um quadro
clínico, que comumente suscita um prognóstico, com base nas possibilidades
terapêuticas, segundo o estado da arte, acerca da duração, da evolução e do
eventual termo da doença ou do quadro clínico sob seu cuidado ou orientação.
Prognóstico: é conhecimento ou juízo antecipado, prévio, baseado
necessariamente no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, segundo o
estado da arte, acerca da duração, da evolução e do eventual termo de uma doença
ou quadro clínico sob seu cuidado ou orientação. É predição do médico de como a
doença do paciente irá evoluir, e se há e quais são as chances de cura.
Agora que ficaram mais claras as definições citadas, podemos dizer que
muitas vezes o quadro sintomático e a história clínica do examinando podem conter
informações suficientes para se chegar a um determinado diagnóstico. Outras
AN02FREV001/REV 4.0
62
vezes, mesmo quando não há dúvida quanto ao diagnóstico, o psicólogo pode ser
convocado para coletar dados mais substanciais com base para um prognóstico.
Mas que fique claro que para se chegar a um diagnóstico, o psicólogo deve
primeiramente examinar os dados de que dispõe como quadro sintomático, dados
da história clínica, as observações do comportamento do paciente durante o
processo Psicodiagnóstico e os resultados da testagem, em função de vários
critérios diagnósticos, podendo chegar a inúmeras alternativas diagnósticas.
Pode se chegar ao prognóstico ou a indícios muito úteis por meio do testes
utilizados no Psicodiagnóstico.
Para se verificar se um caso preenche os critérios de uma categoria
diagnóstica, o psicólogo pode e deve utilizar algum sistema oficial de classificação
de transtornos mentais. Os sistemas de classificação mais difundidos são o CID-10 e
o DSM-IV.
“Fica facultado ao psicólogo o uso do Código Internacional de Doenças -
CID, ou outros Códigos de diagnóstico, científica e socialmente reconhecidos, como
fonte para enquadramento de diagnóstico”. (Parágrafo único, do Art. 1º, da resolução
CFP N.º 015/1996 de 13 de dezembro de 1996).
Veja no último módulo as resoluções na íntegra.
3.8 COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS NA ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO
O informe ou a comunicação dos resultados constitui uma unidade essencial
do Psicodiagnóstico e, portanto, deve ser previsto no contrato de trabalho com o
sujeito e/ou responsável. Essa etapa pode ser vista também como a entrevista
devolutiva, pois é o momento em que o profissional dará o feedback ao paciente, ou
melhor, será anunciada ao paciente todas as conclusões a que se chegaram.
Temos que estar sensíveis a uma serie de dúvidas, conflitos que o sujeito
nos traz e saber trabalhar os conteúdos inconscientes, os afetos, pois ele acredita e
tem a expectativa que possamos ajudá-lo de alguma forma. Não esqueçamos que
estamos falando de conteúdos consciente e inconsciente que o paciente deposita ali
no espaço terapêutico e precisa receber de volta esses conteúdos de forma mais
organizada e integrada, mostrando o que está acontecendo com ele.
AN02FREV001/REV 4.0
63
Outras unidades fundamentais que compõem a estrutura do
Psicodiagnóstico e são essenciais para que se chegue ao final do processo são:
Sujeito ou examinado;
Psicólogo;
Testes e técnicas psicológicas;
Informe Psicodiagnóstico, como já citamos;
Receptor.
A comunicação do resultado é o último passo, seguida apenas das
recomendações pertinentes e do encerramento, e é o psicólogo que define como
será o tipo, conteúdo e forma. A entrevista de devolução de informação pode ser
somente uma ou várias; geralmente é feita de forma separada, ou uma com o
indivíduo chave da consulta e outra com os pais e o restante da família, mas caso a
consulta tenha sido iniciada como familiar, a devolução e as conclusões também
serão feitas a toda a família, não esquecendo que deve ser enviado um laudo ou
relatório ao profissional que a solicitou.
VOCÊ SABIA!
Duas questões são muito importantes na
devolutiva, a primeira é a curiosidade do
sujeito e de sua família para saber o que
pensamos que ocorre depois de fazer os
estudos, e a segunda é a necessidade do
profissional de transmitir esses resultados
e o fato de que as reações que forem
registradas nessa entrevista final poderão
ratificar o nosso diagnóstico ou modificá-lo
substancialmente.
AN02FREV001/REV 4.0
64
Nesta entrevista devolutiva, pode-se ainda colher dados, aí surge a
pergunta: Mas por que fazer isso se estamos encerrando o processo? Isso é feito
por quê:
O profissional irá gradualmente aventando suas conclusões e observando
as reações que estas produzem nele ou nos entrevistados.
O sujeito ou seus pais podem não ter mencionado algo que surge no
material registrado, e aproveitaremos essa entrevista para perguntar; o que pode
mudar radicalmente as hipóteses levantadas pelo profissional, e sua presença é um
bom sinal porque aumenta o grau de sinceridade e confiança do cliente.
Cunha (2003) diz que o tipo de comunicação dos resultados ou do informe é
definido basicamente pelos objetivos do exame.
Existem alguns casos específicos, deveremos fazer uma entrevista
devolutiva diferente, especialmente em uma família com crianças, dependendo do
que tenhamos percebido nas entrevistas familiares diagnósticas, pode ser adequado
realizar a entrevista de devolução com uma técnica lúdica que se alterne coma
verbal, especialmente naqueles casos no qual o indivíduo ou a família são movidos
mais por códigos de ação que de verbalização.
O informe ou a forma como vão ser comunicados os resultados consiste no
resumo das conclusões diagnósticas e prognósticas do caso estudado e inclui,
muitas vezes, as recomendações terapêuticas adequadas ao mesmo.
Assim, podem ser realizados exames como laudo, parecer ou relatório. O
laudo vai responder vários tipos de questões como, o quê, quanto, como, porquê,
para que, quando, e quase sempre constituem resultados de um processo
Psicodiagnóstico com vários objetivos, sendo mais extensos, abrangentes e
minuciosos. Geralmente, o laudo é iniciado com dados de identificação, seguido da
época de realização do exame, registram os motivos explícitos e implícitos da
consulta, citam-se por extenso as técnicas utilizadas, comunica-se a impressão
sobre o sujeito, apresenta-se dados sobre o estado mental, relata-se sua história
clínica, descrevem-se os resultados da testagem organizados em tópicos e
conforme o objetivo dos exames faz-se, se for o caso, o entendimento dinâmico e/ou
a classificação nosológica, com prognóstico com possíveis encaminhamentos ou
recomendações.
AN02FREV001/REV 4.0
65
O informe tem suas peculiaridades e algumas regras que devem ser
seguidas como a questão dele constar em cada conjunto de documentos, tanto no
nosso trabalho particular como no institucional; no institucional ele é imprescindível
devido à rotatividade permanente de profissionais, permitindo assim que o terapeuta
que vier a se encarregar de um caso deixado por outro possa ter informação
adequada sem precisar estudar todos os testes do material. E caso seja solicitada
numa interconsulta os resultados do estudo, podemos oferecer o informe
Psicodiagnóstico e não uma cópia dos testes, que não serão entendidos por
neurologistas, pediatras, cardiologistas, etc. ou quaisquer outros profissionais que
não estejam habilitados a lidar com testes psicológicos.
Nesse informe, o importante não é que o psicólogo escreva tudo o que sabe
sobre o sujeito, mas o que for pertinente aos objetivos do exame e de interesse para
o receptor.
Já o parecer se restringe à análise de problemas específicos colocados por
determinado profissional que já dispõe de muitas informações sobre o examinando,
pressupõe um único objetivo e são no geral focalizados, resumidos e curtos.
E como se dá a comunicação? Bem, isso também depende dos objetivos,
onde podem ser necessários vários tipos de comunicação.
Ex.:
Uma entrevista de devolução com os pais e com o sujeito;
Laudo encaminhado ao pediatra;
Laudo encaminhado à escola;
Um parecer ao serviço de orientação da escola;
Ao psicoterapeuta.
Que fique claro que o conteúdo da comunicação é definido, segundo
Ocampo (2001) e Cunha (2003), pelas questões específicas, formuladas no início do
processo e também pela identidade do receptor, variando assim quanto à natureza
dos dados que vai depender da pessoa que vai receber, e das questões que
interessam a cada receptor, seja a escola, o psicoterapeuta, o psiquiatra, a família.
Isso nos mostra que as mesmas questões podem ser respondidas a cada receptor
por meio de comunicações diferentes, sendo o conteúdo de cada um diverso, em
especificidade, profundidade e extensão.
AN02FREV001/REV 4.0
66
Nesse momento, de acordo com o código de ética do psicólogo, entra em
questão o sigilo profissional, onde este compromete o psicólogo a não fornecer
certas informações, ou a prestá-las somente a quem de direito e sempre em
benefício do paciente.
Em muitos casos, quando sabemos que o local onde vai ser enviado um
informe, como, por exemplo, uma escola, não dispõe de um local em que seja
mantido o informe em sigilo, podemos nos restringir a uma comunicação pessoal ou
telefônica. É muito importante essa questão da segurança e privacidade das
informações, pois elas poderão cair em mãos de pessoas leigas, que podem
distorcer essas informações por não entendê-las.
A forma do informe deve ser definida pela identidade e qualidade do
receptor, deve estar de acordo com a profissão, nível sociocultural e intelectual e
com as condições emocionais do receptor; como por exemplo, se o informe for a
uma pessoa mais humilde, neste caso, não se podem usar termos científicos, a qual
a pessoa que está sendo informada não entenda, deve-se tentar ao máximo explicar
o resultado de acordo com seu grau de entendimento.
O psicólogo também é peça fundamental nesse momento, pois ele vai
encaminhar decisões cruciais para a vida de outra pessoa; ele precisa estar muito
consciente do que está ocorrendo, ser ágil em suas percepções, flexível no manejo
da relação, muito seguro de suas conclusões e de si mesmo para manter a sua
sensibilidade clínica e ser hábil em sua comunicação.
O sujeito ou responsável pela solicitação do Psicodiagnóstico tem direito
regulamentarmente à devolução – sendo esta obrigatória, tem que haver esse
feedback. De acordo com o código de ética, o psicólogo é obrigado a fornecer ao
examinando as informações que foram encaminhadas ao solicitante e a orientá-lo
em função dos resultados obtidos, sendo essa comunicação clara, precisa e
inteligível.
Ao cliente e a pessoas da família é mais recomendável dar um feedback por
meio de uma entrevista de devolução; a comunicação oral será um recurso mais
esclarecedor do que as informações por escrito, prevenindo assim interpretações
dúbias e entendimentos errôneos.
Existem casos em que não é exigido na entrevista de devolução laudo ou
parecer escrito, e isso acontece quando o psicólogo faz parte de uma equipe
AN02FREV001/REV 4.0
67
multidisciplinar, pois o caso é discutido em equipe, onde cada profissional utiliza seu
modelo próprio para o exame do sujeito, sendo integrados os dados num informe,
conforme os objetivos propostos.
Vejamos alguns tipos de informe:
Aos pais: como já citamos anteriormente, a esse receptor é preferível
a entrevista de devolução para comunicar os resultados, mas caso os pais solicitem
algum relatório por escrito, há duas questões: se o motivo for apresentar o informe
em algum lugar (ex.: escola), perguntaremos onde e elaboraremos o informe
pertinente, que será enviado diretamente ao destinatário; o outro caso é porque os
pais querem conservar algo escrito para que sirva como um auxílio para a memória
sobre tudo o que foi falado, assim, aceitaremos entregar-lhes um informe redigido
numa linguagem simples resumindo tudo o que foi falado de forma tal que possa ser
lido também pelo próprio sujeito (criança, adolescente ou adulto) com quem foi
realizado o estudo.
A um Psicoterapeuta: usa-se linguagem técnica, fazendo referência
concreta ao material de testes do qual foram extraídas as conclusões, devendo-se
fazer uma descrição minuciosa da estrutura básica da personalidade, das
ansiedades e defesas.
A uma Escola: este será breve, referindo-se exclusivamente ao que o
professor precisa saber, expressando a linguagem cotidiana usada. A este receptor
deve-se tomar cuidado para que não transpareçam intimidades do caso que não se
relacionam com o campo pedagógico.
A médicos: o informe fará referência simplesmente ao registro ou não de
transtornos emocionais, à sua gravidade e à conveniência de um tratamento
psicológico do sujeito, da sua família, etc.
A advogados: geralmente se refere a uma perícia que terá peso numa
sentença e isso faz dele um trabalho difícil, principalmente no campo penal, então
deveremos ser bastante cuidadosos com os termos utilizados e a informação que
iremos oferecer. Esse informe deve ser expresso em termos inequívocos e com
afirmações que não deixem margem para que sejam usadas conforme convier à
causa, porque uma vez formulada a nossa conclusão em relação à dúvida que levou
à solicitação do estudo, é convenientejustificar essa conclusão usando como apoio
AN02FREV001/REV 4.0
68
alguns pontos do material, mas sempre expressando-nos claros e de uso comum no
âmbito forense.
A empresas: esse tipo de receptor busca informações as quais
responderá se os traços de personalidade requeridos para a função correspondem
ao perfil do examinando, devendo-se dizer o necessário e de tal forma que sempre
possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do
individuo em questão.
Concluindo podemos dizer que os informes podem ser sistemáticos ou
assistemáticos, e reiterando algumas informações importantes, o tipo de
comunicação dos resultados ou devolução é definido pelos objetivos do exame e
seu conteúdo é definido pelas questões específicas iniciais e pela identidade do
receptor.
3.9 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO
3.9.1 Recomendações
De acordo com Cunha, Freitas e Raymundo (1991), algumas
recomendações sobre a entrevista de devolução devem ser seguidas:
Deve-se evitar o uso da linguagem técnica, termos que são difíceis de ser
entendidos por leigos, e iniciar por sintoma ligado diretamente à queixa principal;
Essa entrevista servirá para o entrevistador comunicar em que consiste o
Psicodiagnóstico, e indicar a terapêutica que julga mais adequada;
Nesse momento, o entrevistador retoma os motivos da consulta e a
maneira como o processo de avaliação foi conduzido;
Ela inicia com os aspectos menos comprometidos do paciente, ou seja,
menos causadores de ansiedade;
A devolutiva deve encerrar com a indicação terapêutica.
AN02FREV001/REV 4.0
69
Muitos autores são claros quando dizem que a devolutiva, também chamada
de entrevista de devolução, é um dos momentos mais importantes do mesmo, pois é
o que particulariza e caracteriza o processo de Psicodiagnóstico. E acredita-se que a
cada vez que lemos o material podemos encontrar algo a mais.
A entrevista de devolução começa sempre pela aquisição de um bom
conhecimento do caso, ou seja, ao terminar o processo, o psicólogo analisará
criteriosamente todo o material colhido e irá elaborar hipóteses explicativas que
serão capazes de situar o cliente dentro de um contexto, um todo, levando-se em
conta as suas capacidades, limitações e defesas.
Continuando as recomendações, de acordo com Ocampo (1981):
Um ponto fundamental é comparar a entrevista inicial com a de
devolução, pois se vai ter uma noção de como é que foi todo o processo e de como
é que está sendo a devolução de informações, se aconteceu alguma mudança, se a
queixa se desdobrou ou se transformou, e assim vai mostrar que modificações
houve.
O psicólogo deve identificar os aspectos mais sadios e adaptativos, assim
como os menos sadios e adaptativos, tanto do cliente quanto do seu grupo familiar;
depois ele irá fazer uma distinção entre o que pode e o não pode ser dito ao cliente,
como consciência de questões sobre o que é menos adaptativo e
consequentemente mais doente, muitas vezes não deve ser dito para respeitar as
possibilidades do cliente e seus limites. Assim, a entrevista inicia-se com os
aspectos mais adaptativos do cliente e prossegue até chegarmos aos menos
adaptativos. Resumindo esse tópico, devemos ficar atento ao cliente para identificar
a tolerância ou não às informações que estão sendo ditas e podem aparecer por
meio de aspectos verbais conscientes; há também os inconscientes que são os
lapsos ou então a aceitação passiva para simplesmente não pensar no assunto, e
ainda os não verbais, tais como os atrasos, as faltas, a resistência do final do
processo – pode-se também perceber isso quanto os sinais de tolerância com
relação àquilo que é devolvido.
É importante devolver os conteúdos desse paciente que ficaram
depositados sobre o psicólogo, mas como já citamos, de forma organizada, pra ser
AN02FREV001/REV 4.0
70
saudável também para o profissional e para que este não seja depositário dessas
expectativas e conflitos que o outro traz.
Com esses elementos bem definidos o psicólogo pode elaborar um roteiro
suficientemente flexível, que sirva de parâmetro – algo que determina os limites e
assuntos a serem abordados.
A linguagem a ser utilizada deve ser observada, sendo a mais adequada
possível, como não utilizar termos técnicos e evitar termos ambíguos, na medida do
possível lançar mão da linguagem empregada pelo cliente e seus pais.
Sabemos que o cliente vai depositar muitas angústias no psicólogo e a
função deste é reorganizar essas informações e devolvê-las; o ideal seria que ele
processe essa angústia e devolva ao cliente ou paciente de forma reconfigurada,
reconduzindo e reorganizando aquilo que está caótico para aquele sujeito.
Assim, o psicólogo vai passando o conteúdo menos ansiógeno ao mais
ansiógeno, mas devemos ficar atentos a alguns casos em que é difícil identificar, do
ponto de vista do cliente, o que é mais e menos ansiógeno; aqui, o melhor se que
pode fazer é seguir a mesma sequência apontada pelos pais no momento da queixa.
Na devolução, como já citamos antes, ainda pode surgir uma série de
coisas e até um dado novo que seja importante pra questão que está sendo
discutida, assim essas novas informações podem ratificar o diagnóstico ou modificá-
lo no sentido de ampliar. Então, há a probabilidade de que modifiquemos nosso
laudo, nesse caso, adiaríamos a entrega do laudo, pra que ele seja mais completo.
Percebe-se nesse ponto que o profissional deve ter flexibilidade e capacidade de
captar o que está sendo dito e reinserir no que está sendo dito na entrevista de
devolução.
O psicólogo deve estar sempre preocupado em se expressar claramente,
tentando fazer o fechamento dos assuntos de forma que o cliente, que pode ser a
criança e seus pais, também o faça.
Outra questão importante e que não se deve perder de vista é quanto ao
objetivo da devolução que é, segundo Ocampo (1981), "sintetizar ou unir aspectos
reparadores e destrutivos, assim, podemos mostrar como o presente e o futuro
funcionam como elementos de reparação".
Uma entrevista de devolução tem alguns parâmetros a serem seguidos,
mas não é estático como um laudo.
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71
A seguir mostraremos alguns parâmetros, caracterizados por Ocampo
(1981), que são relevantes para compreensão da entrevista de devolução, assim
Ocampo os analisa sob o ponto de vista do:
PROFISSIONAL: o psicólogo deve restituir aos seus verdadeiros donos o
que nele foi depositado durante todo o processo, tanto consciente quanto
inconscientemente, com a intenção de preservar a si próprio; espera-se do psicólogo
a capacidade de escuta, discriminação, discernimento e percepção do que se passa
ou do que pode se passar, podendo então transmitir as informações da melhor
maneira possível.
CLIENTE: se o cliente/paciente for uma criança ou um adolescente não
implica em privá-lo dessa posição, que fique claro que a entrevista deve circular a
todos os interessados e principalmente ao cliente; deve-se devolver a informação
aos pais e ao filho separadamente, favorecendo a discriminação de identidades
dentro do grupo familiar, pois no caso da criança, se não houver devolução, ela
poderá sentir-se como um terceiro excluído de uma comunicação, a qual tem direito
por ser a principal interessada; a devolução de informações gera comprometimento,
na medida em que o cliente toma ciência das informações observadas pelo
profissional; ao devolvermos as informações dá-se ao cliente a oportunidade de se
enxergar com mais critério de realidade, redefinindo a sua personalidade atual e
possibilitamos a ele esse movimento de redefinição.
PAIS DO CLIENTE: caso os pais cheguem ao Psicodiagnóstico, enviados
por terceiros, a entrevista de devolução funciona como uma oportunidade para fazer
com que consigam certo insight a respeito da situação real; caso o profissionalseja
procurado espontaneamente, a entrevista de devolução serve para reintegrar e
atualizar uma imagem do cliente; caso o profissional foi procurado com a intenção
de que se descubra o que o paciente tem, a entrevista de devolução aparece como
o momento onde os pais irão conhecer a percepção do profissional.
3.9.2 Pontos importantes a frisar
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72
Definição da Entrevista de Devolução:
ntrevista em que se devem transmitir os resultados do Psicodiagnóstico
de forma discriminada, organizada e de acordo com o destinatário;
A linguagem verbal, gráfica ou lúdica deve ser apropriada ao mesmo,
para que seja clara e adequadamente compreendida;
A escolha da linguagem é importante pra devolução pra que o paciente
compreenda tudo.
Objetivos da entrevista de devolução:
Transmitir uma informação a qual o paciente busca;
Observar as reações do paciente, principalmente as verbais, gestuais,
etc. e a capacidade para fazer "insight";
Proporcionar um panorama complementar em relação ao material
anteriormente recolhido;
Conforme as reações dos pais do filho, ou do adulto em questão, durante
esta entrevista manteremos a recomendação terapêutica previamente pensada ou a
modificaremos apropriadamente;
De acordo com a resposta dos envolvidos nessa entrevista de devolução
poder-se pensar se é apropriada nossa recomendação, ou seja, podemos ter noção
se os envolvidos irão acolher os encaminhamentos e também nosso prognóstico.
Motivo pelo qual a entrevista de devolução é realizada:
Falar dos resultados que obteve de todo o processo;
De acordo com a teoria da Gestalt, toda forma tende ao seu próprio
fechamento, nesse processo acontece a mesma coisa, tanto para o paciente como
para o profissional, pois aquilo que não é concluído fica como algo pendente;
Reintegrar de forma organizada e explicada ao paciente aquilo que ele
trouxe;
Quando a consulta é feita por uma parte da família em relação à outra
parte, ela deve ser feita separada, pois ajuda a discriminar e a reconhecer que o
cliente foi trazido como um ser humano e não como um objeto de manipulação;
É uma experiência clínica de valor incalculável que nos dará o maior grau
de segurança possível na delicada tarefa psicodiagnóstica.
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73
Importantes no processo:
Oportunidade de insight;
Papel do psicólogo: transmitir resultados e observar reações.
PASSOS DO PSICODIAGNÓSTICO
ENCAMINHAMENTO;
↓
CONTATOS COM OS FATOS;
↓
PERGUNTAS OU HIPÓTESES;
↓
OBJETIVOS ESTABELECIDOS;
↓
CONTRATO DE TRABALHO;
↓
CONFRONTAÇÃO DE DADOS E ESTABELECIMENTO DO PLANO DE
AVALIAÇÃO;
↓
SELEÇÃO DA BATERIA DE TESTES;
↓
LEVANTAMENTO, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS DADOS;
↓
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO;
↓
COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS
ou
ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO.
AN02FREV001/REV 4.0
74
FIM DO MÓDULO II
AN02FREV001/REV 4.0
73
CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
MÓDULO III
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MÓDULO III
4 ENTREVISTA DIAGNÓSTICA INICIAL
4.1 DEFINIÇÕES
Podemos defini-la como sendo a primeira entrevista de um processo de
Psicodiagnóstico.
Segundo alguns autores, nessa entrevista o sujeito fica livre para expor
seus problemas.
Segundo Fiorini (1987), o empenho do terapeuta nessa primeira
entrevista pode ter uma influência decisiva na continuidade ou no abandono do
tratamento.
Para Gilliéron (1996), a primeira entrevista permite conhecer: o modo de
chegada do paciente à consulta, como por si mesmo, enviado por alguém ou a
conselho de alguém; permite conhecer o tipo de relação que a paciente procura
estabelecer com o seu terapeuta, e permite adentrar nas queixas iniciais
verbalizadas pelo paciente, em particular a maneira pela qual ele formula seu pedido
de ajuda.
De acordo com Pinheiro (2004), essa entrevista ocorre num certo
contexto de relação constantemente negociada, ou seja, quando falamos de
negociação estamos nos referindo ao posicionamento definido como um processo
discursivo, por meio do qual são situados numa conversação como participantes
observáveis, subjetivamente coerentes em linhas de histórias conjuntamente
produzidas.
Essa entrevista inicial geralmente inicia-se com a chamada telefônica de
outro profissional, encaminhando o entrevistado para a avaliação psicodiagnóstica,
ou mesmo com a chamada do próprio entrevistado.
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A “primeira entrevista” tem um conceito referente à primeira etapa
diagnóstica, que tem um objetivo específico, mas não significa que deve ser só uma,
nem que deva ser realizada obrigatoriamente no início do processo diagnóstico. Em
circunstâncias especiais podemos obter dados após a aplicação dos testes, e não
no início da consulta.
A partir dessa entrevista vão surgir impressões e expectativas.
Entrevistador e entrevistado constroem mutuamente suas transferências,
contratransferências, e resistências que foram ativadas bem antes de ocorrer o
encontro propriamente dito.
No final dessa entrevista, devem ficar esclarecidos os seguintes pontos:
horários, duração das sessões, honorários, formas de pagamento, condições para
administrar instrumentos de testagem e para as condições de consulta a terceiros;
Este tipo de entrevista pressupõe uma apresentação mútua, seguida de
um rapport e finalmente o esclarecimento, por parte do psicólogo do
enquadramento/contrato, ou seja, tendo o cliente relatado o motivo que o levou a
procurar a ajuda profissional, cabe a esse esclarecer alguns parâmetros que
deverão ser respeitados durante todo processo de Psicodiagnóstico.
4.2 PRIMEIRO CONTATO COM O PACIENTE
O primeiro contato passa muitas informações, dá uma imagem dos pais do
paciente, conforme ele nos foi enviado, por que motivo, e segundo as características
de seu primeiro vínculo conosco. Assim, questões como respeitar o horário marcado
e ligar na hora combinada implicam desde o início uma atitude de respeito com o
profissional, fazendo com que percebamos como aquela família age diante de
algumas situações. Já as consultas canceladas repetidamente não dão uma imagem
positiva do paciente ou daquele que consulta, pois a atitude é evidentemente
bastante fóbica, pois o paciente prevê que iniciar uma consulta vai ser algo muito
mobilizador e talvez desestruturante.
Muitos autores, dentre eles Trinca (1984), dizem que uma forma delicada e
adequada de iniciar a entrevista inicial, após as respectivas apresentações, pode ser
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com a seguinte pergunta: “Em que posso ajudá-lo?” e adequar-se à resposta
recebida para decidir a estratégia seguinte. Então, a resposta a essa pergunta dará
uma pauta que dirigirá a nossa atenção para um determinado caminho, dando-nos a
possibilidade de fazermos novas perguntas.
Retomando o conceito de motivo manifesto, podemos dizer que de acordo
com Ocampo (1981) é aquilo que está mais próximo da consciência e o que o
indivíduo prefere mencionar em primeiro lugar. Já os latentes ou inconscientes são
mencionados quando o paciente adquire mais confiança, ou melhor, eles vêm
implícitos e cabe ao psicólogo ir analisando-os de acordo com o discurso, testes,
observações.
De acordo com Arzeno (1995), em cada um dos pais, no paciente e no
profissional que escuta o que é relatado, há uma fantasia de doença, sendo queessas fantasias nem sempre coincidem. Então o ideal seria detectar isto o mais
rápido possível, porque nos informaria sobre as várias resistências vigentes e assim
nos alertaria em relação ao enquadre da tarefa, e a ser muito cauteloso na entrevista
final para ajudar aos pais de forma que revejam a sua concepção de vida, da doença
e da cura.
VOCÊ SABIA!
É muito importante que durante a primeira
entrevista, além de explicitar o sintoma
que o paciente traz, e as suas fantasias de
doença e cura, tentemos obter uma história
familiar, dando atenção a dados
cronológicos extras; mas mais importante
ainda é a versão que os pais ou o paciente
trazem sobre essa história, pois irá ajudar
a desvendar a história do sintoma em torno
do qual vai se entrelaçando a história do
paciente e de sua família.
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Mas como muitas vezes o nível de ansiedade dos pais ou adulto é muito alto
ao chegar para a primeira entrevista, então o ideal nessas entrevistas é ela ser mais
curta e centralizada na descrição daquilo que causa preocupação no momento,
depois num segundo momento pode adentrar em assuntos mais delicados, pelo fato
dos indivíduos estarem menos tensos e mais colaboradores.
Muitas vezes também eles realmente não acreditem que possam ser
ajudados por um psicólogo, e esse seria um ponto no qual devemos deter-nos todo
o tempo necessário, evitando assim que o estudo precise ser interrompido mais
adiante.
De acordo com alguns autores, após a entrevista inicial, em que são obtidas
impressões sobre a pessoa do paciente, esclarecimentos sobre os motivos da
procura, e realizado o contrato de trabalho do Psicodiagnóstico, são necessários
mais alguns encontros, cujo objetivo é a obtenção de mais dados com riqueza de
detalhes sobre a história do entrevistado, tais como: fases do seu desenvolvimento,
escolaridade, relações familiares, profissionais, sociais e outros, para que se tenham
os dados necessários para se chegar ao Psicodiagnóstico.
Se estivermos tratando de um paciente de outro profissional, na primeira
entrevista pode-se ter uma breve conversa sobre dados de filiação, constelação
familiar primária e atual, profissão, etc., mas isso se o cliente tem conhecimento do
motivo pelo qual foi enviado e se já fez algo semelhante antes, não se esquecendo
de frisar que devemos evitar que esse relato se transforme em um relato detalhado e
prolongado da história da vida do paciente, já que isso tende a estabelecer um
vínculo que interfere naquele estabelecido previamente com o seu terapeuta,
confundindo o paciente.
Nestas circunstâncias, o psicólogo deve controlar a sua curiosidade e
manter uma distância ideal que possibilite um clima agradável para trabalhar, sem
fomentar falsas expectativas no sentido de criar um vínculo que muito brevemente
será interrompido.
O objetivo primordial da primeira entrevista, geralmente, é conhecer a
história do sujeito e de sua família, mas mais importante que o registro cronológico
dos fatos de três gerações é a reconstrução da estrutura e essa história familiar com
seus mitos, seus segredos, suas tradições, etc. Uma vez conhecido o motivo
manifesto da consulta, faremos perguntas sobre tudo o que possa estar relacionado
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com ele, isso claramente de acordo com o estado emocional do paciente, sendo que
às vezes só é possível num segundo momento.
Dependendo das condições do paciente – alguns autores como Trinca
(1984) afirmam – torna-se imprescindível interrogar, durante a primeira entrevista,
sobre o nome e sobrenome de cada progenitor, idade atual, se o pai e a mãe vivem
ou são falecidos (quando e por qual motivo), se os encontros com esses são
frequentes ou não e como é a relação. Também serão feitas perguntas sobre os
irmãos de cada um e as suas idades, assim como a história e todos os detalhes do
ou dos nomes escolhidos para o filho que foi trazido para consultar, ou para o adulto
que está consultando.
Em relação aos recursos de que dispõe o psicólogo para registrar tudo o que
é necessário desde a entrevista inicial, cabe resumir o seguinte: a comunicação
verbal é a via essencial para tal objetivo; o registro do não verbal também é
essencial e por isso o psicólogo deve ser um ouvinte atento a gestos, lapsos,
atuações, etc. Neste momento não é o inquérito, mas a observação atenta que serve
ao psicólogo como fonte de coleta de dados.
Arzeno (1995) afirma que no encerramento da primeira entrevista, que é o
momento da despedida desse primeiro encontro entre os pais ou o adulto e o
psicólogo, é indicado combinar os passos que serão seguidos, os horários das
consultas posteriores, assim como esclarecer também quais serão os honorários e a
forma de pagamento dos mesmos.
E por onde começar? É recomendável começar pelo motivo manifesto da
consulta passando por todas as áreas que possam ter conexão com o mesmo, para
logo investigar as outras cautelosamente sem descartá-las sob nenhuma hipótese,
já que podem surgir dados muito valiosos.
Sabemos e percebemos que na primeira entrevista, os pais, o adolescente,
a criança ou o adulto chegam cada um com uma expectativa; o ideal é deixá-los
bem à vontade para que possam expressar o que lhes preocupa. Embora existam
casos em que não é tão claro entender o sintoma como uma palavra não dita pelos
pais, há alguns nos quais isto é muito verdadeiro, e por isso, durante o diagnóstico
devemos manter uma posição de abertura a todos os enfoques teóricos seriamente
desenvolvidos, pois cada caso torna-se mais facilmente compreensível se focalizado
a partir de uma determinada teoria.
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Quanto a quem entrevistar, podemos dizer que será indispensável incluir a
entrevista com os pais, para colher dados sobre a história do paciente. Assim,
quando a ligação for feita pelos pais de uma criança, o primeiro contato será feito
com eles; já quando o psicólogo for procurado por um jovem adolescente é
diferente, pois às vezes, são eles mesmos que nos ligam, e então as primeiras
entrevistas serão com eles. E somente mais tarde, geralmente antes de decidir se
vai ser necessário ou não o tratamento e de que natureza, é que são chamados os
pais, pois como dissemos antes, os pais são fundamentais para coleta de mais
informações.
Mas caso esse adolescente seja um adolescente tardio, será diferente, pois
este provavelmente já possui independência econômica e idade suficiente para
poder enfrentar a responsabilidade de um contrato terapêutico por si próprio. Aqui a
opinião dos pais ainda pode ter influência, mas não tanta como a de um jovem
adolescente, ou pode-se dizer que talvez já não tenha nenhuma influência, mas em
se tratando de crianças e jovens adolescentes, é imprescindível contar com a
presença e colaboração dos pais.
Então, percebe-se a importância do primeiro contato, sendo evidentes
quantos dados ou informações podemos obter nesse contato inicial, como:
Ele nos dá uma imagem dos pais do paciente;
Ele nos dá uma imagem do próprio paciente, conforme ele nos foi
enviado, por que motivo, e segundo as características de seu primeiro vínculo
conosco.
Algumas atitudes dos pais do paciente e do paciente também nos revelam
muito:
Respeitar o horário marcado e ligar na hora combinada implica desde o
início uma atitude de respeito com o profissional;
Já as consultas canceladas repetidamente não dão uma imagem positiva
do paciente ou daquele que consulta, pois a atitude é evidentemente bastante
fóbica. De acordo com Arzeno, isso trará muitas dúvidas em relação ao
cancelamento da consulta, se esta não foi concretizada porque o paciente projetou
nele o seu temor e evitou o encontro, se cancelou a entrevista porque no momento
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preferiu manter o status quo e não modificar nada ou se, finalmente,trata-se de uma
conduta psicótica na qual deixar esperando é o cartão de apresentação do paciente.
Então podemos caracterizar algumas posturas:
Fóbico: este é percebido como inseguro, temeroso, talvez fale de uma
forma peculiar e se mostre mais dependente; ele inspira necessidade de tranquilizá-
lo.
Psicopata: este tipo de paciente provoca sentimentos agressivos ou pelo
menos de impaciência, geralmente são casos que não avisam com a antecipação
devida e esse “deixar esperando” provoca rejeição e um sentimento de não atendê-
lo se tornar a ligar.
Pré-psicóticos: neste caso dá-se uma reação de espera paciente até a
chegada do momento apropriado para concretizar a consulta.
Sintetizando a entrevista inicial, devemos estar atentos a:
A queixa e a demanda;
Se o cliente for uma criança deve-se investigar sua vida desde o
nascimento até o presente; questões como a dinâmica com os outros, família, e
pode também haver um formulário para a mãe completar em casa, checando-se na
próxima sessão. Nesse tipo de entrevista é importante ter no consultório e usar caixa
lúdica com massinha, lápis coloridos, bonecos representando família, lego, etc.; usa-
se de acordo com o objetivo e o sexo.
4.3 OBJETIVOS
Geralmente o objetivo desse primeiro encontro é conhecer-nos, pois muitas
vezes o nível de ansiedade dos pais ou adulto é muito alto ao chegar para a primeira
entrevista, e assim torna-se difícil manter um clima ideal de trabalho.
Na primeira entrevista que os pais ou paciente adulto fazem, ela é o primeiro
passo do processo Psicodiagnóstico e deve reunir certos requisitos para cobrir seus
objetivos, tais como no começo ser:
Livre;
Não direcionada.
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Mas por que ser livre e não direcionada? Porque, segundo Arzeno (1995), é
dessa forma que possibilitará a investigação do papel que cada um dos pais
desempenha, entre eles e conosco; o papel que cada um parece desempenhar com
o filho, a fantasia que cada um traz sobre o filho, a fantasia de doença e cura que
cada um tem, a distância entre o motivo manifesto e o latente da consulta, o grau de
colaboração ou de resistência com o profissional, etc. Então, concluímos que no
início da primeira entrevista, nossas perguntas devem ser mínimas, para dar mais
liberdade ao sujeito ou aos pais, mas à medida que formos elaborando hipóteses
sobre o que estiver ocorrendo será imprescindível fazer comentários e perguntas
pertinentes.
Este mesmo autor diz que no primeiro contato a entrevista deve ser livre,
para fluir melhor, mas ele frisa que em outro momento ou mesmo num segundo
contato, deve ser mais dirigida, devendo-se solicitar dados, colher informação
exaustiva sobre a história do sintoma e também deixar estabelecido um contrato
para esta etapa do trabalho diagnóstico, ou seja, devem ser estabelecidas questões
como quantas entrevistas serão feitas, quem deve participar, em que horário e que
ordem será dada ao filho, quais serão os honorários, qual o objetivo de todo o
estudo, em que vamos centrá-lo, qual é o motivo mais profundo, que destino terá a
informação que obtivermos (se será transmitida a eles ou ao filho, ou além deles ao
pediatra, à professora, a um juiz, etc.).
Arzeno (1995) enumera alguns objetivos bastante importantes:
Discutir expectativas;
Clarear as metas do trabalho;
Coletar informações sobre o entrevistado, que não poderiam ser obtidas
de outras fontes;
Saber sobre as primeiras impressões sobre o entrevistado, sua aparência,
comportamento durante a espera e outros.
O que seria então levado em consideração durante a primeira entrevista? São
levados em consideração elementos verbais como não verbais da entrevista, a
gesticulação dos pais, seus lapsos, suas ações – como, por exemplo, ir ao banheiro,
esquecer algo ao partir, segurar uma bolsa ou pasta o tempo todo, fazer
comentários profissionais, fazer alguma queixa, desencontro do casal ao chegar
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para a primeira entrevista, trocar o horário por engano, trazer uma lista escrita com
dados excessivamente detalhados, olhar o teto o tempo todo, pedir um conselho
rapidamente, etc.
Então, caso a primeira entrevista seja com os pais, quando conhecermos o
filho, no passo seguinte do processo, já poderemos comparar essa imagem que
temos dele com a que realmente estamos recebendo.
Ocampo (1981) cita vários objetivos da entrevista inicial:
É importante observar sua linguagem corporal, suas roupas, seus gestos,
sua maneira peculiar de ficar quieto ou mover-se, seus semblantes, para que
percebamos a primeira impressão que o cliente nos causa.
Avaliar características, que aspectos da vida o cliente escolhe para falar,
o que expressa como motivo manifesto da consulta; para isso deve-se considerar o
que, quando, como e em que ritmo o cliente verbaliza.
Como já citamos, o motivo da consulta se divide em dois, o manifesto e o
latente. Então devemos investigar o motivo manifesto (aquele que preocupa quem
solicita a consulta) e o latente (aquele mais relevante do que o evocado em primeiro
lugar e, portanto mais sério) que carece de percepção para que possamos identificá-
lo.
O psicólogo deve escutar o cliente, mas não deve se contentar,
ingenuamente, com a versão que ele lhe transmite.
Estabelecer o grau de coerência ou discrepância entre tudo que foi
verbalizado e tudo que captamos de sua linguagem não-verbal, com o intuito de
identificar o que é apresentado como motivo manifesto da consulta e o que é
percebido como motivo subjacente ou latente.
Estabelecer um bom rapport que reduza ao mínimo a possibilidade de
bloqueios e que consequentemente crie um clima favorável para os subsequentes
encontros.
Planejar a bateria de teste mais adequada (elementos a utilizar,
sequência, ritmo, etc.).
É importante identificar que tipo de vínculo o cliente procura estabelecer
com o psicólogo e que sentimentos e fantasias o psicólogo experimenta com relação
ao cliente, e também identificar que tipo de vínculo une o casal, como que tipo de
vínculo une o filho a esses e esses ao filho, o cliente ao psicólogo, os pais.
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Avaliar a capacidade dos pais de elaboração da situação diagnóstica
atual e potencial, pois os pais transmitem a queixa da maneira que querem, mas
principalmente da forma que dão conta.
E não se esquecer de averiguar desde o início que fantasias e que
concepções de vida, de saúde, de doença têm os pais e/ou o cliente.
Detectar na primeira entrevista seja com os pais, com o filho, com o
adolescente ou com o adulto, o nível de angústia, o nível de preocupação que
provoca isso que está ocorrendo com eles, porque assim mais dados vão surgindo
ao adentrar nessa angústia e mais próximo fica do conteúdo latente.
E não esquecendo de citar o Psicodiagnóstico grupal, onde este pode ser
caracterizado como uma breve entrevista inicial ou mesmo não havendo uma
primeira entrevista inicial individual. Nesses casos, deve-se iniciar convocando o
grupo para a aplicação de uma série de provas coletivas (ou seja, cada um fará o
seu trabalho simultaneamente ao trabalho dos outros) ou grupais (nas quais, entre
todos, vão elaborar uma resposta a uma solicitação nossa).
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A atitude do psicólogo deve ser ao mesmo tempo plástica, aberta, permeável
e concretamente precisa e centralizada em um objetivo que não podemos ignorar ou
perder de vista em momento algum, pois ficarmos com respostas ambíguas significa
não podermos chegar às conclusões necessárias para realizar o diagnóstico ou
prognóstico, nem tomar uma decisão ou dar sugestões quanto à estratégia
terapêutica, enfim realizar um bom informe. Então quando surge resistência por
partedo paciente, o que podemos fazer para mudar essa situação:
Podemos trocá-la por outra equivalente, sem omiti-la;
Podemos encontrar outro teste paralelo ou propor-lhe outra atividade;
FIQUE LIGADO!
Outra questão que todo psicólogo que trabalhe na área deve
saber é a diferença entre uma entrevista clínica habitual e a
entrevista usada para iniciar o Psicodiagnóstico. Nesta
deveremos manter um duplo papel: no início, um papel de não
intervenção ativa, limitando-nos a sermos um observador da
situação que está se desenvolvendo no campo do qual estamos
participando. Tentaremos manter o nosso papel de
observador que escuta e registra (por meio do material do
paciente e dos efeitos contratransferenciais). Já na outra
podemos intercalar perguntas ou tentar dirigir o diálogo,
adotando um papel mais ativo, tal como intervir, investigar, e
inclusive enfrentar os pais com suas próprias contradições,
falta de recordações ou falta de sensibilidade para registrar
a seriedade da sintomatologia e os riscos que o filho está
correndo.
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Podemos não aplicar nenhum teste no momento, simplesmente dedicar
horas de jogo, caso seja uma criança, ou caso seja um adolescente ou adulto,
realizar entrevistas. Mas isso não significa que deixaremos de fazê-lo mais adiante,
no momento mais oportuno.
De acordo com Ocampo (1981), podemos terminar a primeira entrevista,
caso ela tenha cumprido seus objetivos, com uma imagem do conflito central e seus
derivados, com uma história da vida do paciente e da situação desencadeadora,
com hipótese inicial sobre o motivo profundo do conflito, a qual será ratificada ou
modificada, segundo o material projetivo dos testes e da entrevista de devolução e
com uma estratégia para usar determinados instrumentos diagnósticos seguindo
uma determinada ordem, de modo que sirvam para ratificar e ampliar as nossas
hipóteses prévias ou para retificá-las.
4.4 PRINCIPAIS REGISTROS
Podemos dizer que são muitos os registros que poderão ser feitos, mas que
fique claro que nem todos vão importar para se chegar à queixa latente, mas vamos
resumir esses registros nos principais, como registrar sempre que possível o que diz
cada um dos pais, como e quando dizem; registrar o que cada um lembra, o que
cada um faz e como faz e não só o que lembra, mas o que esquecem também;
registra-se também a sequência dos aspectos do filho que os pais vão relatando,
sejam favoráveis ou desfavoráveis.
Se partirmos do princípio que o principal objetivo do Psicodiagnóstico é a
busca de compreensão, por parte do psicólogo, dos processos biopsicossociais
referentes ao cliente, qualquer anotação que possibilite o alcance desses processos
é de extrema relevância.
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5 ENQUADRE NO PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO
Sabemos que em todas as atividades clínicas é necessário partir de um
enquadre, e no Psicodiagnóstico não é diferente. Ele pode se apresentar de várias
maneiras: pode ser mais estrito, mais amplo, mais permeável ou mais plástico,
conforme as diferentes modalidades do trabalho individual e variando de acordo com
o enfoque teórico que serve como marco referencial predominante para o
profissional, conforme a sua formação, suas características pessoais e também
conforme as características do cliente.
Mas a pergunta que sempre existe: Que enquadre usar? Podemos dizer que
seja um adolescente, um adulto ou os pais de uma criança, a primeira entrevista nos
dará subsídios que facilitarão o enquadre a ser escolhido, então não precisa se
preocupar que enquadre usar, ele vai ser escolhido de acordo com o paciente, com
o seu comportamento, seu discurso, suas reações, ou seja, tudo isso são
indicadores que nos ajudam a resolver que tipo de enquadre usaremos, se mais
estrito ou mais permissivo. No decorrer do capítulo, você entenderá mais sobre
enquadramento.
Segundo Santiago (1995), o enquadre do Psicodiagnóstico consiste em
alguns itens:
Esclarecimento dos papéis respectivos: limite e natureza da função que
cada parte integrante do contrato desempenha;
Lugar de realização das entrevistas;
Horários e duração do processo: nem muito longo, nem muito curto;
Honorários (caso se trate de consulta particular);
Que fique claro que qualquer entrevista posterior à devolução requer o
estabelecimento de um novo contrato que explicite o enquadre, as características e
os objetivos da tarefa.
Vejamos alguns parâmetros que deverão ser respeitados durante o processo
de Psicodiagnóstico a qual o enquadre está inserido:
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Devem ser definidos os objetivos que caracterizarão o tipo de
atendimento ou processo ao qual o cliente irá se submeter;
Devem-se esclarecer os papéis, preocupando-se em clarear natureza e
limite da função que cada parte do contrato desempenha, tanto cliente como
psicólogo;
Definir o lugar aonde irão se realizar os encontros e combinar os horários;
Explicar ao cliente como alcançará seu principal objetivo, ou seja, quais
técnicas, entrevistas, observações serão usadas ou como serão usadas;
Indicar a duração do processo;
Caso se trate de clínica particular ou instituição paga, irá combinar os
honorários;
Informar sobre a entrevista de devolução e encaminhamentos, se
necessário;
Ratificar a condição de sigilo pela qual o processo se passa.
Segundo determinados autores, alguns profissionais afirmam que trabalham
sem enquadre, então o que podemos dizer é que cada profissional assume um
sistema de trabalho que o caracteriza, além das variáveis que possa introduzir no
caso; se ele opta trabalhar sem enquadre não se questiona.
Muitas questões devem ficar claras para que o profissional não cometa erros
quanto ao enquadre; segundo alguns autores como Arzeno (1995) e Trinca (1984):
Quanto à patologia do cliente: a qualidade e o grau da patologia nos
obrigam a adaptar o enquadre a cada caso, pois não é possível trabalhar da mesma
forma com pacientes com patologias diferentes; cada caso implica diferentes graus
de plasticidade e técnicas diferentes.
Quanto à idade do cliente: questões de idade também influem no
enquadre escolhido, pois nós agiremos de diferentes formas com crianças,
adolescentes e adultos. Com uma criança pequena nós poderemos sentar para
brincar no chão se ela assim solicitar, já com adolescentes precisaremos ser mais
tolerantes quanto à sua frequência, sua pontualidade e suas resistências para
realizar certos testes dos quais não gostam.
Quanto a questões do próprio enquadre: ele inclui não somente o modo
de formulação do trabalho, mas também o objetivo, a frequência dos encontros, o
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lugar, os horários, os honorários e, principalmente, o papel que cabe a cada um, o
papel de cliente e do profissional.
Quanto ao papel do Psicólogo: o psicólogo dispõe de conhecimentos e
instrumentos de trabalho para ajudar o paciente a decifrar os seus problemas, ao
encontrar uma explicação para os seus conflitos e para aconselhá-lo sobre a
maneira mais eficiente de resolvê-los.
Quanto a não aceitação do paciente: se o cliente não acredita ou aceita
atendimento psicológico, mas foi por ser enviado ao médico, é preciso que se diga a
ele que se o médico nos enviou seu paciente e espera receber um informe
psicológico, devemos explicar-lhe que mesmo que ele não acredite faremos alguns
testes para poder enviar ao médico uma resposta conforme o que ele espera de nós.
Quanto à entrevista e observação: o campo da entrevista também não é
fixo, ou seja, está sujeito a uma mudança permanente, assim percebemos que cada
situação humana é sempre única e original; sendo assim, a forma de observar bem
é ir formulando hipóteses enquanto se observa, e no transcorrer da entrevista
verificar e retificar as hipóteses durante o seu próprioandamento, em função das
observações subsequentes que, por sua vez, vão ser enriquecidas pelas hipóteses
prévias.
Quanto a modificações no enquadre: o enquadre funciona como um tipo
de padronização da situação estímulo para ele, mas que deixe de oscilar como
variável para o entrevistador, caso o enquadre sofra alguma modificação (por
exemplo, porque a entrevista é realizada em um lugar diferente), essa modificação
deve ser considerada como uma variável sujeita à observação, tanto como o próprio
entrevistado.
Quanto ao papel do Psicólogo na devolução: a recomendação da
estratégia terapêutica mais adequada deve ser formulada e devidamente
fundamentada pelo profissional e na entrevista final anunciada. Na entrevista final,
agimos ativamente, pois vamos dar nossa opinião sobre o que ocorre e caso o
paciente não assimile todas as informações, é aconselhável que se marque mais
uma entrevista.
Quanto a não aceitação do resultado do Psicodiagnóstico: muitas vezes o
processo Psicodiagnóstico e nossas conclusões não são bem aceitos pelo paciente.
Muitas vezes, o cliente ou seus responsáveis precisam de tempo para pensar, para
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assimilar o que lhes foi dito, e nós também precisamos de tempo para ratificar e
retificar as nossas hipóteses. Assim, algumas vezes é necessário modificar o
enquadre inicial no que se refere ao número de entrevistas e deixar mais espaço
para concluir o processo com maior clareza.
Quanto à responsabilidade dos instrumentos: as instituições podem fixar
os limites dentro dos quais vão se desenvolver o trabalho do psicólogo, como a
duração de cada entrevista, o tipo de diagnóstico que se espera, o modo de deixar
registrado e arquivado o material, o tipo de informe final, etc. Mas quando se trata de
testes, do tipo de bateria a ser usada e a sua sequência, é de responsabilidade
exclusiva do psicólogo.
Segundo Arzeno (1995), para obter o campo particular da entrevista que
descrevemos, devemos contar com um enquadre fixo que consiste na transformação
de certo conjunto de variáveis em constantes. Dentro deste enquadre inclui-se não
somente a atitude técnica e o papel do entrevistador como o temos descrito, mas
também os objetivos, o lugar e a duração da entrevista.
A importância do enquadre, segundo Arzeno (1995), é que ele seria o fundo
ou a base; e o processo Psicodiagnóstico, a imagem do que, unindo ambos os
conceitos (enquadre e processo) configurariam a situação terapêutica. E que fique
claro que o enquadre seria o fator constante, e o processo seria aquilo que é
variável, que se modifica. E no caso de um Psicodiagnóstico podemos fazer uso
destes conceitos, pois mesmo que a situação não seja terapêutica, mas da mesma
forma, precisamos observar o indivíduo para fazer um diagnóstico correto e
devemos ter certeza de que aquilo que surgir será material do paciente (variáveis
por ele introduzidas) e não nosso.
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6 O PROCESSO DIAGNÓSTICO NA INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E IDADE
ADULTA
6.1 HISTÓRIA DO EXAMINANDO
De acordo com Strauss (1999), a história do paciente também é considerada
um dos recursos básicos de um diagnóstico e se desenvolve como outra interação
clínica, no contexto de uma entrevista.
Uma questão importante é que em muitos casos a função do psicólogo vai
se restringir ao uso da entrevista e ao exame do estado mental, pois às vezes o
paciente não é testável, dado ao grau de comprometimento de funções psíquicas ou
cognitivas, onde quanto mais grave o estado do paciente, mais seu trabalho será
parecido com o do psiquiatra. Sua função vai se restringir também ao uso da
entrevista e ao exame do estado mental, dependendo dos objetivos, como o objetivo
“avaliação compreensiva” que visa a uma intervenção terapêutica imediata ou o
CONCLUINDO!
Depois de tudo exposto que é
impossível trabalhar sem um
enquadre, embora existam
profissionais, como citamos,
que trabalhem dessa forma.
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“entendimento dinâmico”, que visa à identificação de conflitos e possíveis fatores
psicodinâmicos. Percebe-se que avaliações como essas têm caráter mais
interpretativo, descritivo, formal e dinâmico.
Cunha (2003) diz que quando se fala de história do paciente, pode ser
investigado a:
História pessoal ou anamnese;
História clínica ou história da doença atual;
Avaliação psicodinâmica (perspectiva histórica para compreender a
doença atual)
“A anamnese ou a história pessoal pressupõe uma reconstituição global da
vida do paciente, como um marco referencial em que a problemática atual se
enquadra e ganha significação” (CUNHA, 2003, p. 59).
HISTÓRIA PESSOAL OU ANAMNESE:
Existem inúmeros modelos de roteiros, diferindo apenas por serem mais ou
menos completos, sendo que não podemos deixar de focar a necessidade de se ter
em mente que não é uma simples entrevista de coleta de dados e datas, ou seja,
todas as perguntas que fazemos devem ter como objetivo a construção da história
do sujeito investigado, e bases sólidas para um diagnóstico e prognóstico futuros.
Muitas vezes acontece de se coletar muitas informações que não contribuem
para o entendimento do caso. Ao observar esse ponto precisa-se entender que a
história pessoal deve ser coletada tendo em vista os objetivos do exame e o tipo e
idade do paciente. E não esquecendo que é impossível coletar dados completos
sobre a vida de um paciente.
A história pessoal pode ser complementada com a história clínica. Assim,
muitas vezes o psicólogo segue um esquema ou tópicos para que tenha referência e
controle da sua investigação.
E de acordo com Strauss (1999), a ênfase que é dada a cada esquema vai
depender, de como acabamos de citar, do objetivo, tipo e idade do paciente.
De acordo com Kaplan & Sadock (2007), a história pessoal do paciente
permite compreender a doença do paciente e sua situação atual de vida, devendo-
AN02FREV001/REV 4.0
92
se ter uma compreensão minuciosa do seu passado e da sua relação com o
problema emocional atual.
Cunha (2000) apresenta tópicos que podem servir como pontos de
referência para a exploração da vida do paciente. Kaplan & Sadock (2007) também
detalham todos os tópicos a seguir:
CONTEXTO FAMILIAR: uma breve declaração sobre qualquer doença
psiquiátrica, hospitalização e tratamento de familiares do paciente deve fazer parte
da história familiar. Deve-se definir o papel que cada pessoa desempenha na
criação e atual relacionamento com o paciente. Investiga-se também o
conhecimento e a atitude da família para com a doença do paciente. O paciente
deve descrever todos os membros da família. Aconselha-se construir um
genetograma focalizando principalmente o núcleo familiar atual. Deve-se procurar
descrever o contexto familiar por ocasião da concepção, as condições socioculturais,
o clima das relações afetivas do casal ou da família, suas expectativas quanto à
vinda de um bebê ou a existência de algum tipo de planejamento familiar, bem com
as reações ante a gravidez.
HISTÓRIA PRÉ-NATAL E PERINATAL: aqui se considera a situação
doméstica na qual o paciente nasceu e se o mesmo foi desejado e planejado,
investiga-se se houve problemas com a gravidez e no parto; o estado emocional da
mãe no nascimento; se havia problemas de saúde da mãe e consumo de álcool.
Podemos dizer que procuramos nesse item esclarecer as condições em que se
processou a gestação: idade da mãe e do pai à época; saúde física e mental dos
dois; possível consanguinidade de ambos; se a mãe teve doenças infecciosas ou
intoxicações, tombos ou acidentes; tentativas mecânicas ou químicas de aborto e
até que mês elas foram praticadas; verificação da existência de estados tóxicos ou
infecciosos responsáveis por transformações permanentes na estruturafetal. Quanto
ao parto especificamente investiga-se se foi demasiado rápido ou lento, natural, a
fórceps ou cesariana, se foi planejado ou realizado de emergência. Sobre este item,
por vezes, se conseguem melhores informações com o pai que, no momento do
parto, e logo a seguir, costuma estar em melhores condições emocionais e físicas do
que a mãe para ser notificado pelo médico sobre as condições de nascimento do
AN02FREV001/REV 4.0
93
filho. Investigam-se também como os pais reagiram às mudanças ocorridas com a
inclusão de um novo membro na família.
De acordo com Knobel (1977), é muito importante conhecer a história de
vida da criança, isto é, a sua história cronológica biopsicossocial e da família até o
momento em que ela vem ao consultório, pois esta começa desde o momento da
concepção e inclui todos os elementos que possam influir no desenvolvimento da
criança. Mas, devemos lembrar que, na realidade, a investigação necessária não se
refere somente ao processo evolutivo da criança em seu micromundo social, que é
basicamente a sua família, mas também deve levar em consideração o macromundo
social, com todas as influências socioeconômicas, políticas e culturais.
A PRIMEIRA INFÂNCIA (DO NASCIMENTO ATÉ OS TRÊS ANOS):
Nesta fase, é de especial importância a qualidade da relação materno-infantil, desde
a ligação simbiótica primária até a fase de separação/individuação, ou seja, é
significativa a qualidade de interação mãe/bebê e algumas questões merecem
atenção como a interação na hora da alimentação e no treinamento higiênico,
questões de ansiedade de separação, que detalharemos a seguir:
HÁBITOS ALIMENTARES: aqui se investiga sobre como era a
amamentação ou mamadeira e se houve problemas alimentares, pois indícios
significativos sobre a experiência afetiva podem ser encontrados exatamente nos
problemas na amamentação ou nos sintomas exacerbados de cólicas. Atenta-se
também se houve dificuldades de sucção durante os primeiros dias de vida, durante
quanto tempo a criança foi alimentada ao seio, condições em que se deu o processo
de alimentação artificial, se tiveram problemas de vômitos ou desidratação. Essa
parte deve ser investigada com bastante atenção, pois sabemos que uma atitude
plenamente negativista por parte da criança no que diz respeito à alimentação pode
ter causas patológicas graves ou ser uma forma de chamar a atenção.
NORMAS E ASPECTOS SOCIAIS: quando se fala em normas, é de
suma importância obter dados sobre como era o treinamento da higiene, a idade em
que ocorreu o controle dos esfíncteres, entrando assim na investigação os conflitos
entre obediência e oposição. No que tange aos aspectos sociais, estes podem ser
AN02FREV001/REV 4.0
94
explorados, principalmente pela análise das ligações afetivas com irmãos e na
competição pelo afeto dos pais, rivalidades, alianças.
SONO: nessa fase, em algumas crianças estão presentes pesadelos,
sonambulismo, terrores noturnos, sono agitado, insônia ou sonolência durante o dia,
ou seja, investigam-se todos os padrões do sono. Nessa fase podem aparecer
distúrbios precoces nos padrões. Assim, deve ser investigado, pois muitos deles
estão ligados a fatores afetivos e emocionais. Um exemplo seria a resistência que a
criança por vezes apresenta para dormir em horário normal, assim como a
propensão a passar durante a noite para a cama dos pais, sendo importante
também, por razões óbvias, pesquisar até que idade a criança dormiu no quarto dos
mesmos.
SAÚDE: questões ligadas à saúde da criança devem ser exploradas para
que se descubra se estas têm alguma ligação com os problemas psicológicos. Aqui
se sondam os primeiros dias de vida, se a criança teve febres altas, desidratação,
possíveis intoxicações, assim como a superação das doenças chamadas de infantis
e suas possíveis complicações, sendo importante investigar como esta criança
reagia diante da doença e a atitude dos pais durante a mesma.
MOTRICIDADE: sondam-se questões como quando a criança caminhou,
falou, quando começou a crescer os dentes, questões de desenvolvimento motor e
de linguagem. Existem escalas próprias sobre maturidade motora, que em caso de
necessidade podem ser consultadas, mas é aconselhável que sejam usadas com
parcimônia e flexibilidade.
Obs.: Sintomas especiais como roer unhas, chupar dedos, enurese, explosão de
raiva, tiques, terrores noturnos, medos, devem ser investigados se tiveram
continuidade depois dessa fase e como foram manejados pelos pais.
INFÂNCIA INTERMEDIÁRIA (03 A 11 ANOS): nessa faixa etária
sondam-se temas importantes, como identificação de gênero, punições usadas no
lar, pessoas que proporcionaram a disciplina e influenciaram a formação da
consciência. De acordo com os autores citados, geralmente é nesta fase que há um
alargamento da rede de relações sociais da criança, pelo ingresso na escolinha e
paralelamente, no começo desta fase, a criança vê-se às voltas com a experiência e
AN02FREV001/REV 4.0
95
os conflitos, associados com a situação do triângulo edípico. Sendo importante
enfatizar:
RELACIONAMENTO AFETIVO e SOCIAL: devem-se investigar dados
sobre as primeiras amizades e relacionamentos pessoais. Determinar o número e a
proximidade dos amigos, descrever se o paciente assumia um papel de líder ou de
seguidor, bem como sua popularidade social e participação em atividades de grupo
ou turma. A maior parte das solicitações de Psicodiagnósticos refere-se a algumas
das três áreas da personalidade (afetivo, social e sexual), excluindo as solicitações
de pareceres sobre problema de deficiência intelectual. Então, percebe-se que a
coleta de informações provenientes dos pais e por vezes de outras pessoas se
fazem necessárias. Histórias de pesadelos, fobias, urinar na cama, provocação de
incêndios, crueldade com animais e masturbação compulsiva devem ser muito bem
analisadas e exploradas, pois são importantes no reconhecimento de distúrbios
psicológicos. Contudo, desde que a criança ou o adolescente tenha condições de
comunicar-se nos termos que essa comunicação seja factível, deve ser a fonte de
dados.
HISTÓRIA ESCOLAR: investigam-se as primeiras experiências
escolares, especialmente se o paciente tolerava se separar de sua mãe no início.
Padrões de afirmação, impulsividade, agressividade, passividade, ansiedade ou
comportamento antissocial emerge nesse contexto escolar. Que fique claro que essa
área deve ser investigada desde os primeiros contatos do paciente com a escola, se
o problema tiver implicações de desajustamento escolar, caso não tenha, é
suficiente sabermos se está estudando a série que lhe corresponde de acordo com a
idade e se acompanha a turma. O desempenho escolar deve ser investigado
considerando forças e fraquezas em determinadas áreas.
DINÂMICA FAMILIAR: aqui se deve entender o clima familiar no qual
cresceu o paciente, nível de ajustamento dos pais, preferência ou rejeição em
relação aos irmãos, ambiente alegre, descontraído ou opressivo e restrito.
INFÂNCIA TARDIA (DA PUBERDADE À ADOLESCÊNCIA): Kaplan &
Sadock (2007) falam que nesta fase as pessoas começam a desenvolver mais
independência de seus pais, por meio de relacionamentos com amigos e atividades
em grupos, assim tenta-se identificar os valores dos grupos sociais e determinar
AN02FREV001/REV 4.0
96
quem eram as figuras que o paciente idealizava, para se chegar à autoimagem do
paciente.
HISTÓRIA ESCOLAR/DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E MOTOR:
exploram-se seus relacionamentos com professores e estudos, e interesses
favoritos, tanto na escola, como em atividades extracurriculares, participação em
esportes e hobbies, questionando sobre problemas emocionais e físicos que podem
ter surgido nessa época. Questões como se aprendeu a ler e outras habilidades
intelectuais e motoras, sobre disfunção cerebral mínima, e dificuldadesde
aprendizagem também devem ser investigadas.
RELACIONAMENTOS SOCIAIS: investigam-se atitudes para com os
irmãos e colegas, líder ou seguidor, popularidade social, participação em atividades,
figuras idealizadas, agressividade, passividade, ansiedade e comportamento
antissocial. Também é conveniente analisar fracassos, interrupções na vida escolar,
por necessidade de trabalhar ou por outras razões, e o impacto que esta teve na
vida do sujeito.
PROBLEMAS EMOCIONAIS, FÍSICOS E SEXUAIS: sonda-se questões
como pesadelos, fobias, se ainda urina na cama, fugas, delinquência, uso de álcool
e outras substâncias; tabagismo, problemas com peso, anorexia, bulimia,
sentimentos de inferioridade, depressão e ideias e atos suicidas. Quanto à área
sexual, exploram-se as primeiras experiências, atitudes frente a outro sexo, práticas
sexuais, escolha e variabilidade de parceiros, dificuldades, conflitos e as reações da
família frente ao desenvolvimento sexual.
IDADE ADULTA: aqui se investiga tudo a respeito da vida ocupacional,
conjugal, educacional, militar (se prestou serviço a essa corporação), religiosa,
social, sexual até chegar à atual situação de vida.
HISTÓRIA OCUPACIONAL: investiga-se a escolha da ocupação do
paciente, a formação e a preparação necessária, conflitos relacionados ao trabalho,
bem como ambições e objetivos de longo prazo, relacionamento no trabalho,
descrevendo toda sua história ocupacional. Essa história deve ser investigada em
continuidade às expectativas do adolescente em relação ao futuro acadêmico e/ou
profissional, as concretizações que houve e êxitos e fracassos, trabalho atual,
relações com chefias, colegas e subordinados e suas condições financeiras atuais.
AN02FREV001/REV 4.0
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HISTÓRIA EDUCACIONAL: tendo uma base clara da imagem
educacional do paciente, podemos entender sua origem social e cultural, sua
inteligência, motivação e quaisquer obstáculos a sua realização.
HISTÓRIA DE RELACIONAMENTOS E CONJUGAL: o paciente aqui vai
relatar a história de seu(s) casamento(s) ou relacionamentos significativos com
pessoas com quem o paciente viveu por um período de tempo prolongado. Nessa
área descreve-se a evolução do relacionamento, incluindo formas de lidar com
dinheiro, dificuldades domésticas, atitudes ao cuidar dos filhos, como ele vive o
relacionamento atual e outras questões.
HISTÓRIA SEXUAL: como grande parte da história sexual infantil não
pode ser recuperada, deve-se investigar como o paciente aprendeu a respeito do
sexo, quais eram as atitudes dos pais em relação ao desenvolvimento sexual,
investigam-se sobre abusos sexuais na infância, histórias de masturbação, atitudes
para com o sexo, sua orientação sexual, relações extraconjugais, distúrbios de
ordem sexual, se apresenta doenças sexualmente transmissíveis e se usa
contraceptivo. Essa área sexual pode ser explorada, até certo ponto e em certos
casos, junto com a história conjugal.
TABELA DE TRIAGEM DA HISTÓRIA SEXUAL DE ACORDO COM KAPLAN &
SADOCK (2007):
.
Questões de triagem:
a. Você é sexualmente ativo?
b. Notou alguma mudança ou problema com o sexo recentemente?
.
Desenvolvimento:
a. Aquisição de conhecimento sexual;
b. Início da puberdade/menarca;
c. Desenvolvimento da identidade e da orientação sexual;
d. Primeiras experiências sexuais;
e. Sexo no relacionamento amoroso;
f. Experiências ou preferências diferentes ao longo do tempo;
g. Sexo e idade avançada.
Esclarecimentos de problemas sexuais:
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98
a. Fase do desejo:
Presença de pensamento ou fantasias sexuais;
Quando ocorrem e qual o seu objetivo;
Quem inicia o sexo e como?
b. Fase da excitação:
Dificuldade de excitação sexual (atingir ou manter ereções,
lubrificação) durante preliminares e antes do orgasmo.
c. Fase do orgasmo:
Ocorre orgasmo?
Manifesta-se cedo ou tarde demais?
Com que frequência e sob quais circunstâncias o orgasmo ocorre?
Se não há orgasmo, é por não está excitado ou ele não ocorre mesmo
com excitação?
d. Fase de resolução:
O que acontece quando o sexo termina (contentamento, frustração,
excitação continuada)?
FONTE: KAPLAN & SADOCK , 2007.
HISTÓRIA MILITAR (se houver): sonda-se a adaptação do paciente no
serviço militar, se ele participou de algum combate, se teve lesões prolongadas e a
natureza de sua saída.
HISTÓRIA SOCIAL: Atém-se à vida social do paciente e à natureza de
suas amizades, com ênfase na profundidade, na duração e na qualidade de seus
relacionamentos; como é o relacionamento com pessoas do mesmo sexo e do sexo
oposto, é isolado ou antissocial, motivos que levam o paciente a escolher e manter
determinados relacionamentos, dificuldades para compartilhar ideias, interesses e
afetos.
RELIGIÃO: procura-se descrever a origem religiosa dos pais e os
detalhes da formação do paciente sob esse aspecto. Investiga-se se a família tinha
ou tem atitude rígida ou permissiva para com a religião, qual a relação do paciente
em relação à religião.
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99
HISTÓRIA LEGAL: aqui se averigua se o paciente deve algo à justiça, se
o paciente já foi preso, se cometeu algum delito, se apresenta história de agressão e
violência.
ATUAL SITUAÇÃO DE VIDA: descrever onde vive e com quem vive,
como é a intimidade da família, questões de renda e outras.
Enfim, finaliza averiguando como o sujeito lidou com situações críticas e
fatores estressantes, sendo alguns normais como mudanças e crises que ocorrem
ao longo da vida.
OBSEVAÇÕES IMPORTANTES: é muito importante termos uma informação
concreta da importância que cada um dos pais dá aos problemas do filho, grau de
envolvimento e participação nesses problemas, assim algumas questões merecem
atenção em relação à atitude dos pais:
Compete ao profissional criar um clima adequado para que o
aconselhamento possa dar frutos, pois muitas vezes um dos pais não admite
determinado aspecto do problema, ou o problema em si, tornando-se muito difícil
aceitar as sugestões sobre aconselhamento que o orientador possa levantar no
parecer;
Outras vezes acontece de os pais ocultarem ou colocarem em segundo
plano o verdadeiro motivo da procura de assistência psicológica, e isto
acompanhado de uma dose muito intensa de emoção e ansiedade.
Quando os pais, ao dar as informações sobre o filho, colocam, junto aos
aspectos negativos, características positivas que valorizam e atenuam o possível
aspecto destrutivo do conteúdo da problemática, isso é muito positivo em relação
aos pais;
Outros pais idealizam muito o filho na hora da entrevista a ponto de não
conseguir colocar para o psicólogo o problema e, ao que tudo indica,
experimentando um grande envolvimento acompanhado de sentimentos de culpa,
esquecem, literalmente, qualquer coisa de negativo em relação à criança ou ao
adolescente.
AN02FREV001/REV 4.0
100
De acordo com Adrados (1993), de acordo com a psicanálise, o profissional
na hora da entrevista precisa atuar com grande tolerância e compreensão aceitando
que a maior parte das motivações do comportamento humano são inconscientes,
assim percebemos que mais importante que os fundamentos lógicos desse
comportamento são as causas psicológicas distinguindo a realidade objetiva da
realidade subjetiva do examinando.
HISTÓRIA CLÍNICA OU HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL:
De acordo com Cunha (2003), a história clínica é chamada muitas vezes de
história da doença atual por influência do modelo médico, mas quando se trata de
um profissional como o psicólogo, este não pode categorizar quaisquer problemas
como doença mental, pois embora envolva uma sintomatologia pertinente e que
justifique uma intervenção clínica, pode não ser classificado como tal.
Kaplan & Sadock (2007) afirmam que a história clínica, seja de doenças
atuais ou passadas, pode proporcionar um quadro abrangentee cronológico dos
eventos que levam ao momento atual de vida do paciente. Quanto mais detalhada a
história da doença atual, mais preciso será o diagnóstico. Ela caracteriza a
emergência de sintoma ou de mudanças comportamentais, numa determinada
época, e sua evolução até o momento atual.
Quando se começam a levantar dados da história clínica, já se tem
conhecimento das queixas, dos motivos que levaram à consulta, de acordo com
informações prévias dadas por alguém ou discriminadas no encaminhamento, mas
ressaltando que sempre se deve averiguar a versão clínica do próprio paciente.
AN02FREV001/REV 4.0
101
Quando se investiga os sintomas ou mudanças de comportamento é muito
importante que sejam bem descritos, procurando localizar no tempo o seu
aparecimento, tentando fazer associações com as circunstâncias de vida no
momento, analisando seu impacto em diferentes áreas da vida pessoal ou dos
demais, avaliando sua repercussão em atividades e relações da vida do
entrevistado.
Além da determinação do início da história clínica e de seu curso, ainda é
necessário um levantamento da sintomatologia e das condições de vida do paciente
no momento atual e da história psiquiátrica pregressa.
AVALIAÇÃO PSICODINÂMICA (perspectiva histórica para
compreender a doença atual)
Geralmente, é realizada integrada com a história, buscando uma relação
entre a pessoa com seus problemas específicos atuais e as experiências de sua
vida passada.
FIQUE ATENTO!
Muitas vezes, o paciente nega ter
qualquer problema, nesse caso pode ser falta
de insight, ou uma posição defensiva; ou ele
pode estar sendo sincero e o que pode estar
havendo é um encaminhamento por pressão do
meio devido a comportamentos não aceitáveis
ou intolerância de familiares ante uma crise.
AN02FREV001/REV 4.0
102
Cunha diz que se pretende colocar a problemática presente numa
perspectiva histórica, que permita compreender o transtorno dentro de um processo
vital, em um contexto temporal, afetivo e social.
Gabbard (1998) diz que a entrevista dinâmica não é uma sessão de
psicanálise, trata-se de um modo específico de compreender os fatos. Os
acontecimentos devem ser entendidos em função da época em que ocorreram, pois
a sua repercussão psicodinâmica pode ser intensificada em meio a vários motivos
como, por exemplo, uma crise de desenvolvimento.
Assim, partimos das queixas, identificamos conflitos, pesquisamos causas,
interrelacionamos conteúdos, reunimos e integramos informações que embasam o
entendimento dinâmico no fluxo da história do paciente, ou seja, tudo vai ser
explicado e justificado pelos dados históricos.
IMPORTANTE!
Caso o sujeito analisado seja uma criança ou um
adolescente, o cuidado deve ser redobrado, pois
deve ser feita uma investigação minuciosa
examinando os enfrentamentos das questões
psicodinâmicas da fase em que a criança ou
adolescente se encontra, com isso tentando
determinar se os problemas não estão
circunscritos a estas fases de desenvolvimento.
AN02FREV001/REV 4.0
103
Modelo de anamnese mais comum, utilizados por profissionais da área,
exibido no site http://www.psiquiatriageral.com:
IDENTIFICAÇÃO: aqui os dados são colocados na mesma linha, em
sequência, como podemos ver abaixo:
Somente as iniciais do nome completo do paciente, uma vez que, por
extenso, constará o mesmo do seu prontuário ou ficha de triagem (ex.: J.P.S.);
Idade em anos redondos (ex.: “28 anos”);
Sexo;
Cor: branca, negra, parda, amarela;
Nacionalidade;
Grau de instrução: analfabeto, alfabetizado, primeiro, segundo ou terceiro
grau completo ou incompleto;
Profissão;
Estado civil – não necessariamente a situação legal, mas se o paciente se
considera ou não casado, por exemplo, numa situação de coabitação;
Religião;
Número do prontuário.
QUEIXA PRINCIPAL (QP): neste item, explicita-se o motivo pelo qual o
paciente recorre ao serviço em busca de atendimento. Caso o paciente traga várias
queixas, registra-se aquela que mais o incomoda e, preferencialmente, em não mais
de duas linhas, bem sintetizadas e da forma que foi dita pelo paciente.
HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA): esse item já foi muito bem
detalhado anteriormente, então só sintetizando, podemos dizer que ele busca
informações sobre a doença psíquica, “como” ela se manifesta, com que frequência
e intensidade e quais os tratamentos tentados.
HISTÓRIA PESSOAL (HP): coloca-se, de forma sucinta, separando-se cada
tópico em parágrafos, dados sobre a infância, educação, escolaridade,
relacionamento com os pais, relacionamento social, aprendizado sobre sexo, tudo
que falamos anteriormente, enfim, tudo o que se refere à vida pessoal do paciente.
AN02FREV001/REV 4.0
104
Mas que fique claro que não se titulam esses tópicos, apenas relata-se a que se
referem cada um deles. Mais a frente mostraremos como este tópico deve ser feito.
DE NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO:
Gestação (quadros infecciosos, traumatismos emocionais ou físicos,
prematuridade ou nascimento a termo):
Parto (normal, uso de fórceps, cesariana);
Condições ao nascer;
Se o paciente foi uma criança precoce ou lenta;
Dentição;
Deambulação (ato de andar ou caminhar);
Como foi o desenvolvimento da linguagem e a excreta (urina e fezes).
SINTOMAS NEURÓTICOS DA INFÂNCIA:
Medos;
Terror noturno;
Sonambulismo;
Sonilóquio (falar dormindo);
Tartamudez (gagueira);
Enurese noturna;
Condutas impulsivas (agressão ou fuga);
Chupar o dedo ou chupeta (até que idade);
Ser uma criança modelo;
Tinha crises de nervosismo, tiques, roer unhas.
ESCOLARIDADE:
Anotar começo e evolução;
Rendimento escolar;
Especiais aptidões;
Dificuldades de aprendizagem;
Relações com professores e colegas;
Jogos mais comuns ou preferidos;
Divertimentos;
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105
Formação de grupos, amizades;
Popularidade;
Interesse por esportes;
Escolha da profissão.
LEMBRANÇA SIGNIFICATIVA:
Perguntar ao paciente qual sua lembrança antiga mais significativa que
consegue recordar, tendo como objetivo observar a capacidade de estabelecer
vínculos, além do auxílio à compreensão da ligação passado/presente.
PUBERDADE:
Época de aparição das primeiras mudanças: nas mulheres, a história
menstrual (menarca, cólicas e cefaleias; alterações psíquicas, como nervosismo,
emotividade, irritabilidade, depressão; menopausa, última menstruação).
HISTÓRIA SEXUAL:
Aqui se registram as primeiras informações que o paciente obteve e de
quem as primeiras experiências masturbatórias; início da atividade sexual; jogos
sexuais; atitude ante o sexo oposto; intimidades, namoros; experiências sexuais
extraconjugais; homossexualismo; separações; desvios sexuais.
TRABALHO:
Registrar quando o paciente começou a trabalhar diferentes empregos e
funções desempenhadas (sempre em ordem cronológica), regularidade nos
empregos e motivos que levaram o paciente a sair de algum deles, satisfação no
trabalho, ambições e circunstâncias econômicas atuais, aposentadoria.
HISTÓRIA FAMILIAR (HF)
Este item deve abrigar as relações familiares (começa pela filiação do
paciente).
AN02FREV001/REV 4.0
106
Pais: idade; saúde; se mortos; causa e data do falecimento; ocupação;
personalidade; recasamentos se houver, de cada um deles. Verificar se há caso de
doença mental em um deles ou ambos;
Irmãos: idade; condições maritais; ocupação; personalidade. Indagar se
há caso de doença mental. Apenas referir-se por iniciais;
Cônjuge: idade, ocupação e personalidade; compatibilidade; vida sexual;
frigidez ou impotência; medidas anticoncepcionais;
Filhos: número;idades; saúde; personalidade. Também referir-se apenas
pelas iniciais;
Lar: neste quesito, descrevem-se, em poucas palavras, a atmosfera
familiar, os acontecimentos mais importantes durante os primeiros anos e aqueles
que, no momento, estão mobilizando toda a família; as relações dos parentes entre
si e destes com o paciente.
HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP)
Nesta etapa, investigam-se os antecedentes mórbidos do paciente. Devem
constar somente as doenças físicas como viroses comuns da infância, desmaios,
convulsões e sua frequência, doenças, operações, acidentes, traumatismos
(sintomas, datas, duração), internações e tratamentos.
EXAME PSÍQUICO (EP)
O exame do estado mental será detalhado no próximo módulo.
Obs.: nunca é demais lembrar que se evite o estilo romanceado e opiniões
pessoais por parte de quem faz a anamnese. Frases curtas e objetivas, contendo
dados essenciais, facilitarão a apreensão do caso. A utilização das palavras do
paciente será produtiva na medida em que se queira explicitar, de maneira objetiva e
clara, alguma situação ou característica relevante.
ANAMNESE
1. IDENTIFICAÇÃO:
AN02FREV001/REV 4.0
107
Nome:
________________________________________________________________
Idade:
_______________________________________________________________
Sexo:
_________________________________________________________________
Cor:
________________________________________________________________
Nacionalidade:
_______________________________________________________________
Grau de instrução:
___________________________________________________________________
Profissão:
______________________________________________________________
Estado civil:
_________________________________________________________________
Religião:
______________________________________________________________
Número do prontuário:
___________________________________________________________________
2. QUEIXA PRINCIPAL:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA)
Aqui se trata apenas da doença psíquica do paciente:
Sintomas mais significativos:
___________________________________________________________________
Época em que começou o distúrbio:
___________________________________________________________________
Como vem se apresentando:
___________________________________________________________________
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108
Sob que condições, você melhora ou piora:
___________________________________________________________________
Houve instalação súbita ou progressiva?
__________________________________________________________
Algum fato desencadeou a doença ou episódios semelhantes que
pudessem ser correlacionados aos sintomas atuais?
___________________________________________________________________
Alguma coisa fazia prever o surgimento da doença?
___________________________________________________________________
Houve alguma alteração nos interesses, hábitos, comportamento ou
personalidade?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Quais as providências tomadas?
___________________________________________________________________
Já esteve em tratamento?
___________________________________________________________________
Como foi realizado?
___________________________________________________________________
Quais os resultados obtidos?
___________________________________________________________________
Houve internações?
_____________________________________________________________
Quais as causas da internação?
___________________________________________________________________
Explique, o mais claro e detalhado possível, o que sente atualmente:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Toma algum medicamento (doses, duração e uso)?
___________________________________________________________________
Caso não tome remédios, registra-se: “Não faz uso de medicamentos”.
4. HISTÓRIA PESSOAL (HP)
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109
De nascimento e desenvolvimento: Ex.: “Paciente declara ter nascido de
gestação bastante complicada, parto cesárea...”.
Sintomas neuróticos da infância: Ex.: “J.P.S. informa ter urinado na cama
até 10 anos de idade, além de chupar o dedo até sete anos.
Escolaridade: Ex.: “Afirma que chorava muito para não ir à escola...”
Lembrança significativa: Ex.: “Quando eu tinha uns cinco anos, uma
pessoa da minha família desapareceu, ficamos desesperados...”
Puberdade: Ex.: “Paciente relata que os primeiros sinais da puberdade
ocorreram aos 12 anos e que obteve informações sobre menstruação...”
História sexual: Ex.: “Nunca teve experiência sexual...”
Trabalho: Ex.: “Conta que aos 18 anos obteve seu primeiro trabalho como
secretária numa empresa transportadora...”
Hábitos: Ex.: “Não faz uso de álcool, fumo ou quaisquer outras drogas”
5. HISTÓRIA FAMILIAR (HF)
Pais: Ex: “J.P.S. é a quinta filha de uma prole de seis. Seu pai, J.C.,
falecido, em 1990, aos 60 anos, de infarto...”
Irmãos: Ex: “Seus irmãos são: A.M., 24 anos, solteiro, desempregado,
descrito como violento, não se dá com ele...”
Cônjuge: Ex: J.P. coabita maritalmente com M., 35 anos, do lar, descrita
como carinhosa, mas às vezes explosiva.
Filhos: Ex: “Tem dois filhos: J., de 8 anos, cursando a 2ª série do 1º grau,
apontado como “carinhoso, mas cobra demais de mim e da minha mulher”
Lar: Ex: “Quanto ao seu lar, diz não uma das filhas, a mais nova, é muito
desobediente, isso tem dificultado a relação entre eles...”
6. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP)
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
FONTE: Adaptado de: Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com>. Acesso em: 10
ago. 2011.
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110
6.2 ENTREVISTA INICIAL NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL
Sabemos que trabalhar com crianças é diferente, pois o profissional tem que
dominar as questões que ocorrem em cada fase do desenvolvimento, então esse
profissional deve entender de psicologia evolutiva, conhecimentos básicos de
fisiologia, neurologia e psicomotricidade que o possibilite identificar questões
próprias da fase. Assim, existem essas peculiaridades na clínica com crianças que
exigem especial atenção por parte desses profissionais, assim como uma
investigação normal, torna-se de extrema importância esclarecer a razão do
encaminhamento, o motivo da busca por psicoterapia e de quem parte a queixa
principal.
Pode-se dizer que a primeira entrevista é destinada à investigação clínica, a
coleta da maior quantidade de dados sobre a história da criança, que requer
informações obtidas com os relatos dos pais e/ou responsáveis, pela criança.
Geralmente é solicitado aos pais que compareçam à entrevista inicial sem a criança,
para que eles possam discorrer livremente sobre o motivo da consulta, assim, eles
podem fornecer suas próprias teorias e temores sobre o comportamento do filho,
que são informações valiosas, pois podem nos dizer algo sobre as crenças e
estigmas dos pais em relação aos afetos e à própria dinâmica familiar.
Depois de realizada a primeira entrevista com os pais, mantém-se o primeiro
contato com a criança, que pode ser por meio de uma entrevista lúdica. Os pais
devem conversar com a criança os motivos da sua ida a este profissional; assim,
caso os pais não saibam, o psicólogo deve combinar isso com os pais. Dessa forma,
no primeiro encontro com a criança,o psicólogo deve investigar se esta sabe por
que está ali, e o que os pais falaram a ela sobre sua ida ao psicólogo. Fazendo isso
se compreenderá as fantasias da criança a respeito do processo de
Psicodiagnóstico, assim caso a criança esteja desinformada, deve-se fazer um breve
relato superficial sobre o que foi falado com os pais, sem entrar em detalhes, mas
sempre falando a verdade.
Outros profissionais consideram útil fazer logo de início uma entrevista
conjunta com pais e filho, assim se observaria como eles interagem entre si. Esses
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111
profissionais argumentam que, concomitante à obtenção da história da criança e do
relato dos sintomas, o profissional deve estar atento às diversas formas de
comunicações e trocas extraverbais entre os familiares. Mas há de se concordar que
numa situação dessas, os pais ficariam preocupados sobre como falar dos filhos na
frente deles e ficar boa parte do tempo medindo palavras. Então, essa modalidade
pode não ser tão eficaz no objetivo de escuta aos pais, pois a entrevista não flui com
a mesma naturalidade. Assim, a maioria dos profissionais concorda que esse tipo de
entrevista conjunta deve ser deixada para o segundo encontro.
Como já citamos várias vezes, e aqui no Psicodiagnóstico Infantil não seria
diferente, é muito importante estabelecer primeiramente o rapport. Adrados (1982)
diz que o rapport antecede à entrevista; é uma conversa informal, um bate papo, que
tem como objetivo principal deixar o entrevistado à vontade. Ele antecede qualquer
encontro, não só as entrevistas iniciais mais também e principalmente as
subsequentes que são as entrevistas de aplicação de testes, no caso do
Psicodiagnóstico infantil. E caso esse rapport não se desenvolva adequadamente,
isso faz com que se desenvolvam, com relação ao entrevistador, fantasias que
somente dificultarão a comunicação e/ou a transmissão de informações.
Quando iniciamos o contato com a criança, logo na primeira hora de jogo a
criança dramatiza, associa, desenha, modela e brinca, mostrando, sem saber, qual é
a sua fantasia de doença e cura, assim já colhemos informações sobre o motivo
latente da consulta e as fantasias de doença e cura, mas muitas vezes isso talvez
não apareça exatamente na primeira hora de jogo e pode ser necessária outra hora
para isso, ficando então a critério do profissional. Essa atividade pode ser
complementada com o Desenho Livre, que traz muitas informações importantes.
A Hora de Jogo Diagnóstico é um recurso técnico utilizado no processo
Psicodiagnóstico com o objetivo de conhecer a realidade da criança que está sendo
analisada, implicando no desenvolvimento de um vínculo breve para conhecer e
compreender esta criança, isso de acordo com Efron (1979). Não se esquecendo de
ressaltar que esse recurso tem começo, meio e fim em si mesmo, operando como
unidade para o conhecimento inicial da criança, sendo os dados confirmados ou não
com a testagem.
As instruções mais importantes e específicas numa entrevista lúdica, de
acordo com Cunha (2003), consistem em oferecer à criança a oportunidade de
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112
brincar, da forma que desejar, com todo o material lúdico disponível no consultório,
esclarecendo para criança, de forma simples, questões sobre o tempo que poderá
brincar, sobre o espaço, sobre os objetivos dessa atividade, onde possibilitarão
conhecê-lo melhor para ajudá-lo.
Quanto à postura do psicólogo, seria indicado em todos os casos, a de
estimular a interação, compreendendo o momento, acolhendo, respeitando a
criança, de forma que esta se sinta segura e aceita por este profissional, o que
ajudará no estabelecimento de um bom rapport.
Na entrevista lúdica, podem-se obter muitas informações que não seriam
possíveis por meio das palavras. Assim, o profissional, acima de tudo, deve ser um
bom observador, pois o papel do psicólogo na entrevista lúdica diagnóstica pode ser
passivo (profissional apenas observa), mas também ativo (estando atento na
compreensão e formulação das hipóteses, fazendo perguntas para esclarecer
dúvidas sobre a brincadeira, e ainda participar da brincadeira, caso seja a vontade
da criança). Então, percebe-se que as possibilidades de comunicação são mediadas
utilizando-se a atividade lúdica; por meio de um brinquedo a criança pode expressar
aquilo que vivencia no momento.
No Jogo Diagnóstico existem alguns indicadores importantes para fins
diagnósticos e prognósticos, em especial, para classificação do nível de
funcionamento da personalidade, segundo Efron (1978):
Escolha de brinquedos e brincadeiras: essa escolha deve ser feita
conforme a idade da criança, ou seja, deve atender o momento evolutivo emocional
e intelectual que a criança se encontra.
Modalidade de brincadeira: quando se trata de optar pela modalidade,
isso deve ser feito com cuidado, pois dependendo da modalidade vai-se detectar
plasticidade, rigidez, estereotipia e perseverança.
Personificação: analisa a capacidade da criança para assumir e
desempenhar papéis no brincar.
Motricidade: ao se analisar a motricidade poderá se perceber se há
desenvolvimento neurológico e de fatores psicológicos e ambientais.
Criatividade: brincadeiras que exigem criatividade demonstrarão se a
criança é plástica, tolerante e aberta para experiências novas.
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113
Tolerância à frustração: que está relacionada ao princípio de prazer e de
realidade e da aceitação de limites.
Capacidade simbólica: aqui demonstrará se a criança tem capacidade
intelectual para resolução de conflito.
Adequação à realidade: aqui se faz uma avaliação das possibilidades
egoicas e também aceitação de limites.
No caso de estar lidando com crianças, é mais adequado trabalhar em uma
sala que não seja o consultório do adulto, sendo mais conveniente utilizar uma sala
que esteja preparada para brincar. Quanto ao material que será utilizado, no caso
lúdico, deve ser apresentado a criança sem uma ordem aparente, em caixas ou
armários, sempre com tampas ou portas abertas, devendo estar de acordo com a
idade, sexo e interesses dessa criança.
Os brinquedos mais usados são:
Papel;
Lápis preto e colorido;
Canetinhas;
Borrachas;
Apontador;
Régua;
Cola;
Fita adesiva;
Corda;
Tesoura;
Massa para modelar;
Argila;
Tinta;
Pincéis;
Bonecos e família de bonecos;
Marionetes;
Família de animais domésticos e selvagens;
Bloquinhos de construção;
Carros, aviões, caminhões;
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114
Bolas;
Armas de brinquedo;
Cowboys e índios;
Equipamentos de cozinha e ferramentas domésticas;
Equipamentos de enfermagem;
Quebra-cabeça;
Telefone;
Panos;
Jogos de competição;
Quadro negro.
Casinha.
Podemos dizer que a avaliação psicológica ou Psicodiagnóstico, de acordo
com Cunha configura uma situação com papéis bem-definidos, e com um contrato
no qual uma pessoa, que é o paciente solicita ajuda, e o outro, que no caso é o
psicólogo, aceita a esse pedido e se compromete a satisfazê-lo dentro de suas
possibilidades, objetivando investigar alguns aspectos em particular, de acordo com
a sintomatologia e informações da indicação ou queixa. Alguns autores como
Nascimento (2005) afirmam que a avaliação psicológica não tem por objetivo
somente identificar os aspectos deficitários ou patológicos do indivíduo, mas
também reconhecer as suas capacidades e possibilidades, assim procura valorizar o
que ele tem de melhor, para viabilizar seus potenciais.
E se nos perguntarmos como se dá a utilização de testes em crianças?
Quais seriam os testes utilizados? Os instrumentos de avaliação de crianças
possuem aspectos peculiares em relação àqueles de aplicação em adultos, pois
como já citamos anteriormente, a criança é um indivíduo em desenvolvimento,
apresentando assimcaracterísticas distintas dependendo da idade em que se
encontram, então, alguns instrumentos de avaliação infanto-juvenil devem
apresentar versões específicas para as diferentes faixas etárias. Citaremos alguns
posteriormente.
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115
IMPORTANTE!
Na seleção da bateria de testes, no Psicodiagnóstico
infantil, o psicólogo deve ser muito cuidadoso,
cauteloso, não só na escolha, como também para
analisar os resultados, procurando aproximá-los da
realidade social da criança, não se prendendo somente
a parâmetros meramente quantitativos, mas
principalmente, qualitativos. Que fique claro que não
há uma bateria padrão de testes a ser empregada com
toda criança, mas a necessidade de cada caso ser vista
cuidadosamente e dentro das especificidades da
criança analisada se escolhe o material.
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116
6.3 TESTES QUE PODEM SER UTILIZADOS NO PSICODIAGNÓSTICO INFANTIL
Entrevista Familiar Estruturada: técnica que pretende trazer à tona o
dinamismo do funcionamento familiar, possibilitando a realização, em tempo mais
curto, de uma avaliação das relações familiares.
Teste de Maturidade Mental Colúmbia: fornece uma estimativa da
capacidade de raciocínio geral de crianças de três anos e meio a nove anos e 11
meses.
Escala de Transtorno de Deficit de Atenção/Hiperatividade:
instrumento que pretende avaliar sintomas comportamentais do TDAH, no contexto
escolar, tendo o professor como fonte de informação.
Teste das Fábulas: teste projetivo adequado para detectar crises
situacionais e de desenvolvimento; conflitos neuróticos, transtornos neuróticos e
psicóticos, entendimento psicodinâmico da criança e acompanhamento da evolução
do caso, durante o processo terapêutico.
ESI – Escala de Stress Infantil: escala que se propõe a verificar a
existência ou não de stress em crianças de seis a 14 anos, determinando o grau de
reação ao stress mais frequente apresentada pela criança.
R2 – Teste de Inteligência não verbal: teste de inteligência não verbal
que avalia mais especificamente o “fator g” da inteligência em crianças de cinco a 11
anos.
Bender – Sistema de Pontuação Gradual: teste para avaliar a
maturação perceptomotora em crianças de seis a 10 anos.
Desenho da Figura Humana III: teste que utiliza o desenho da figura
humana como medida do desenvolvimento cognitivo e de desenvolvimento
conceitual em crianças de cinco a 12 anos.
Raven Escala Especial: avaliação da inteligência geral em crianças de
cinco a 11 anos (desenvolvimento intelectual).
TDE - Teste de Desempenho Escolar: avaliação do desempenho de
alunos em escolas a fim de dimensionar quais áreas da aprendizagem apresenta
eventuais dificuldades.
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117
De acordo com Winnicott, os testes devem ser utilizados da seguinte
maneira: ele propõe uma linha de pensamento para a escolha dos testes, saindo dos
mais lúdicos (técnicas projetivas gráficas) para se chegar aos mais estruturados,
como os de inteligência, ressaltando uma análise qualitativa da produção obtida
nesses testes, levando-se em conta os fatores emocionais que possam estar
interferindo no desempenho intelectual da criança.
6.4 FANTASIAS SOBRE A DOENÇA
E quando tocamos num assunto importante, que é a fantasia dos pais e da
criança em relação à doença ou ao seu diagnóstico, percebemos que essas
fantasias nem sempre coincidem; às vezes, para a mãe, toda a patologia do filho é
devido a que ela tem sido condescendente demais na educação do menino desde o
início, já o pai pode pensar da mesma forma e dizer-nos que na realidade para ele
tudo vai se resolver quando o menino for crescendo, porque tudo pode ser corrigido
exclusivamente com a experiência, ou seja, a vida ensina a cada um como resolver
os seus problemas. A criança, por sua vez, pode ter a fantasia de que o seu
problema seja incurável e tem muito medo de não poder ser ajudado – detectar isto
é importante porque nos informa que as resistências são muitas.
Não podemos esquecer-nos de citar um fator bastante importante sobre as
fantasias advindas da mãe: suas fantasias de cura são vindas de fora, e deixam
pouca margem para a reparação de um dano causado em uma época passada que
não pode ser modificada. Quanto às fantasias do pai, podemos dizer que elas giram
em torno de que o homem se faz a pancadas, descarta a possibilidade de ajudar o
filho e, ainda mais, desqualifica qualquer intervenção reparadora. A fantasia da
criança é a de que tem uma doença incurável. Tudo isso alertará ao terapeuta em
relação ao enquadre de sua tarefa, e a ser muito cauteloso na entrevista final para
ajudar aos pais de forma que revejam a sua concepção da vida, da doença e da
cura.
AN02FREV001/REV 4.0
118
Segundo Arminda Aberastury (1978), a fantasia de doença e cura é
considerada como algo muito importante a ser levado em consideração na primeira
hora do jogo diagnóstico. Ela diz que a criança é capaz de estruturar, por meio dos
brinquedos, a representação de seus conflitos básicos, suas principais defesas e
fantasias de doença e cura, deixando em evidência, já nos primeiros encontros do
acompanhamento, o seu funcionamento mental. Aberastury (1982), além de
evidenciar o valor diagnóstico da entrevista lúdica, tentou diferenciar a hora do jogo
diagnóstica com a hora do jogo terapêutica.
Arzeno recomenda incluir e correlacionar:
Em crianças pequenas: horas do jogo, desenho livre, técnicas projetivas;
Em crianças com mais de dez anos, adolescentes e adultos: entrevista,
desenho livre, técnicas projetivas.
O objetivo é a de que encontraremos resultados coincidentes (recorrentes ou
convergentes).
Arzeno (1995) enfatizou o conceito de fantasia de análise que vai se
desenvolvendo ao longo do tratamento. Esse conceito diz respeito a algo que está
ali, dentro dela; é algo diferente de si mesmo, é algo que é sentido como
egodistônico (do contrário não seria fantasia de doença) e que exerce uma enorme
influência sobre si mesmo (self) e com o qual existe um determinado tipo de vínculo.
Por isso seria muito importante estudar o material dos testes e das entrevistas,
tentando encontrar essas fantasias.
Assim, quase no encerramento da primeira entrevista, costumamos explicar
ao paciente e/ou aos seus pais, que deverá fazer alguns desenhos, inventar
algumas histórias, etc., e que logo após haverá a reunião para conversar sobre os
resultados. E quando estiver prevista uma entrevista familiar, devemos também
adverti-lo com o tempo, que normalmente não há resistência quando é dito que
desejamos conhecer como é a família quando estão todos juntos.
Durante a hora do jogo diagnóstico e das entrevistas familiares diagnósticas,
nosso papel será o de um observador não participante ou participante; em alguns
casos, o mesmo acontece no momento de aplicar os testes. Somente após colher a
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119
produção espontânea do indivíduo deve-se intervir mais ao fazer algum inquérito e
inclusive algum exame de limites.
É importante ressaltar que o contrato, no caso do Psicodiagnóstico infantil,
deve ser feito não só com os pais ou responsáveis, mas também com a criança. E
ainda, que o psicólogo deve assumir uma postura permeável e aberta com a
intenção de não estabelecer condições que logo se tornem insustentáveis, ou por
falta de limites ou por limites muito rígidos. Isso implica em dizer que logo que o
cliente exponha a queixa inicial, os elementos imprescindíveis do contrato devem ser
marcados, deixando os mais variáveis para serem abordados no final da entrevista
inicial.
6.5 ESCOLHA DA ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA ADEQUADA
Depois de tudo que já foi falado, já dá para termos uma ideia que um
Psicodiagnósticocompleto e corretamente administrado permite-nos estimar o
prognóstico do caso e a estratégia mais adequada para ajudar o cliente, assim
poderemos usar entrevistas de esclarecimento, de apoio, terapia breve, psicanálise,
terapia de grupo, familiar ou vincular, sistêmica ou estrutural; análise transacional,
gestáltica, etc.
FON
AL
1) Pacient
2) Profissi
3) Do gera
4) Evita di
5) Impede
6) Objetivi
7) Esclare
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CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
MÓDULO IV
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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MÓDULO IV
7 ENTREVISTAS, TESTES E EXAME DO ESTADO MENTAL
Tudo se modifica com o passar do tempo e com a entrevista psicológica não
foi diferente: ela sofreu algumas modificações no início do século XIX, quando
predominava totalmente o modelo médico. Ainda naquela época, Kraepelin usava a
entrevista com o objetivo de detalhar o comportamento do paciente, e, assim, poder
identificar as síndromes e as doenças específicas que as classificavam segundo as
doenças vigentes; já Meyer se interessava pelo enfoque psicobiológico, que visava
aos aspectos biológicos, históricos, psicológicos e sociais do entrevistado.
Já na época de Anna Freud o interesse da entrevista se deslocou para as
defesas do paciente, defesas estas, muito bem discutidas por Freud. Assim a
psicanálise teve sua influência na investigação dos processos psicológicos, sem
enfatizar o aspecto diagnóstico, antes valorizado e centrado no modelo da medicina.
Com a técnica Análise Associativa, criada na década de 50 por Deutsch e
Murphy, considerava-se importante registrar não somente o que o paciente dizia,
mas também, em fornecer informações sobre o mesmo, desviando-se assim o foco
sobre o comportamento psicopatológico para o comportamento dinâmico.
Já Carl Rogers procurava compreender significados e componentes
emocionais, tendo como base a sua aceitação incondicional por parte do
entrevistador.
Esses são os fatos mais importantes que aconteceram e fizeram com que a
entrevista assumisse a importância que ela tem hoje no processo psicoterápico e do
psicodiagnóstico.
Agora falaremos das técnicas, e muitas são usadas para se fazer a
avaliação psicológica, mas que fique claro aqui que não são apenas os testes que
constituem a avaliação, ela é feita por meio de observações, da entrevista e mesmo
da aplicação de testes e inventários.
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120
Segundo Alchieri e Cruz (2004), a avaliação psicológica perpassa por três
dimensões:
Dimensão observacional;
Dimensão inquiridora;
Dimensão representativa.
A dimensão observacional é centrada na manifestação da conduta e
expressa o mais imediato dos meios para emitir uma apreciação da ação e reação
do avaliando; aqui as atividades estão representadas na ação de observar e
categorizar conteúdos, onde podemos exemplificar essa dimensão por meio da
observação do comportamento infantil no jogo, na forma, conteúdo e estrutura de
suas atividades.
A dimensão inquiridora, segundo Alchieri e Cruz (2004), representa a
possibilidade de verificação mediada pela autopercepção do avaliando, de suas
manifestações comportamentais e cuja expressão centra-se no diálogo estabelecido
entre avaliador e avaliando. Esta dimensão pode ser representada de duas formas:
Escrita por meio de:
Questionários;
Inventários.
Verbal por meio de:
Entrevistas
A dimensão representativa é a medida de comportamentos correlatos;
representa o uso de procedimentos de avaliação e medida do comportamento
pretendido, nela se verifica o comportamento por meios de provas similares de
medidas dos aspectos identificados anteriormente, ou seja, os testes de ação do
comportamento. Aqui os testes representam ações, reações, condutas, expressões
de afetos ou habilidades cujo interesse do avaliador está em representar uma
expressão do comportamento antes mesmo de sua emergência.
1. Dimensão Observacional:
Foco na ação;
Conteúdo: comportamento.
AN02FREV001/REV 4.0
121
2. Dimensão Inquiridora:
Foco por meio da entrevista;
Conteúdo: relação entre avaliador e avaliando.
3. Dimensão representativa:
Foco no comportamento;
Conteúdo: ação representativa.
7.1 ENTREVISTA
A entrevista é uma técnica, mas deve ser vista como um contato social entre
duas ou mais pessoas. Ela não é única, existem várias formas de abordá-la de
acordo com seu objetivo específico (que determinam suas estratégias, seus
alcances e seus limites) e a orientação do entrevistador.
Definições:
A entrevista clínica pode ser entendida como um conjunto de técnicas de
investigação, que tem o seu tempo delimitado e é direcionada por um profissional
treinado, que vai utilizar conhecimentos psicológicos, com o objetivo de descrever e
avaliar os aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos (indivíduo, casal, família,
rede social) do entrevistado, em um processo que visa a fazer recomendações,
encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas
entrevistadas (CUNHA, 2003);
É um processo bidirecional de interação, entre duas ou mais pessoas com
o propósito previamente fixado no qual uma delas – o entrevistador – procura saber
o que acontece com a outra, o entrevistado, procurando agir conforme esse
conhecimento (NUNES apud CUNHA, 1993);
“Um campo de trabalho no qual se investiga a conduta e a personalidade
de seres humanos.” (BLEGER, 1960, p. 21);
A entrevista é parte de um processo, ou melhor, um processo de
avaliação, que pode ocorrer em apenas uma sessão e ser dirigido a fazer um
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122
encaminhamento, ou a definir os objetivos de um processo psicoterapêutico
(CUNHA, 2003);
É um procedimento poderoso que é capaz de adaptar-se à diversidade de
situações clínicas relevantes e de fazer explicitar particularidades que escapam a
outros procedimentos, principalmente aos padronizados;
“Uma forma especial de conversão, um método sistemático para entrar na
vida do outro, na sua intimidade.” (RIBEIRO, 1988, p. 154);
É a única técnica capaz de testar os limites de aparentes contradições e
de tornar explícitas características indicadas pelos instrumentos padronizados,
dando a eles validade clínica, por isso, a necessidade de dar destaque à entrevista
clínica no âmbito da avaliação psicológica;
É tida como uma técnica, dentre outras, de extrema relevância,
principalmente porque subexiste ao dia a dia tornando-se cada vez mais eficiente e
imprescindível, constituindo-se como ponto fundamental para o alcance de uma
visão global e, consequentemente, deuma conclusão diagnóstica, a respeito do
cliente (ADRADOS, 1982);
“Uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar
dados e a outra se apresenta como fonte de informação.” (GIL, 1999, p. 117).
Mas o que seria a técnica?
Esta é conceituada como uma série de procedimentos que possibilita
investigar os temas em questão, permitindo o alcance dos objetivos primordiais da
entrevista, que são descrever e avaliar, ou seja, levantar informações, a partir das
quais se torna possível relacionar eventos e experiências, fazer inferências,
estabelecer conclusões e tomar decisões;
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123
O aspecto avaliativo de uma entrevista inicial muitas vezes confunde-se com
a psicoterapia que se inicia, devido:
Ao processo de avaliação que é complexo e exige um conjunto
diferenciado de técnicas de entrevistas e de instrumentos e procedimentos de
avaliação, como, por exemplo, além da entrevista, os instrumentos projetivos ou
cognitivos, as técnicas de observação, etc.;
Ao aspecto terapêutico intrínseco a um processo de avaliação e ao
aspecto avaliativo intrínseco à psicoterapia.
Percebe-se que ao vermos a entrevista como um processo ou parte do
processo do psicodiagnóstico consegue-se vislumbrar seu papel e o seu contexto ao
lado de uma grande quantidade possível de procedimentos em psicologia.
Uma das características da entrevista é a de ser dirigida, então, mesmo nas
chamadas entrevistas livres é necessário um direcionamento, o reconhecimento de
VOCÊ SABIA!
Segundo alguns autores, essa investigação se dá
dentro de domínios específicos da psicologia clínica
e leva em consideração conceitos e conhecimentos
amplos e profundos nessas áreas. Esses domínios
incluem, por exemplo, a psicologia do
desenvolvimento, a psicopatologia, a psicodinâmica,
as teorias sistêmicas. Aspectos específicos em cada
uma dessas áreas podem ser priorizados como, por
exemplo, o desenvolvimento psicossexual, sinais e
sintomas psicopatológicos, conflitos de identidade,
relação conjugal, etc.
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124
seus objetivos pelo entrevistador, pois é no intuito de alcançar os objetivos da
entrevista que o entrevistador estrutura suas intervenção.
Às vezes, o indivíduo tenta dar outros rumos ou direcionamento à entrevista
e nesse momento o entrevistador precisa estar preparado para lidar de forma a
otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa.
Existem alguns momentos em que o entrevistador define direções:
Quando confronta defesas;
Reconhece afetos;
Pede esclarecimentos.
Algumas funções específicas do entrevistador, segundo Anastasi (2000) e
Cunha (2003):
É dele a responsabilidade pela condução do processo e pela aplicação de
conhecimentos psicológicos em benefício das pessoas envolvidas;
É responsabilidade dele dominar as especificidades da técnica e a
complexidade do conhecimento utilizado;
É responsabilidade delimitar (estruturar) o processo em seus aspectos
clínicos;
Assumir essas responsabilidades profissionais pelo outro tem aspectos
éticos fundamentais, significa reconhecer a desigualdade intrínseca na relação que
dá uma posição privilegiada ao entrevistador;
CONCLUINDO!
Toda entrevista, qualquer tipo que
seja, tem alguma forma de
estruturação no sentido de alcançar os
objetivos desejados e assim tanto o
entrevistador como o entrevistado têm
atribuições diferenciadas de papéis na
entrevista.
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125
É responsabilidade dele compreender algo de natureza psicológica, para
poder fazer alguma recomendação, encaminhamento ou sugerir algum tipo de
tratamento ou intervenção;
É responsabilidade zelar pelo interesse e bem-estar do outro;
Também é do entrevistador a responsabilidade de reconhecer a
necessidade de treinamento especializado e atualizações constantes ou periódicas.
Cunha (2003) diz que a complexidade dos procedimentos específicos de
cada tipo de entrevista clínica, dos conhecimentos psicológicos envolvidos e dos
aspectos relativos à competência do entrevistador, necessário para sustentar uma
relação interpessoal de investigação clínica, requerem treinamento especializado; ou
seja, Cunha nos diz que os resultados de uma entrevista dependem largamente da
experiência e da habilidade do entrevistador, além do domínio da técnica.
A entrevista clínica deve ter como beneficiário direto as pessoas
entrevistadas, mas nos dias de hoje, quanto aos psicólogos, têm de haver, cada vez
mais, terceiros envolvidos, como escolas, juízes, empregados, empresas de seguros
e etc.; isso fica um pouco obscuro. Nesse sentido é necessário o psicólogo definir
em que sentido quem é o cliente (empresa ou empregado, por ex.), que demandas
são apropriadas ou não e ter explícito o conflito; com essas atitudes o psicólogo
poderá estabelecer a conduta apropriada a cada uma das situações.
IMPORTANTE!
Deve haver a delimitação temporal
para que fique claro o início e o fim de
determinado processo. Assim,
podemos citar o processo de
entrevista, que não há um contrato de
continuidade como em um processo
terapêutico, embora, a entrevista
clínica resulte em um contrato
terapêutico.
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126
Essa delimitação temporal que o profissional deve fazer entre a entrevista
inicial e o processo terapêutico tem a função de explicitar as diferenças existentes
entre os dois procedimentos e dos papéis diferenciados do profissional nas duas
situações.
Com essa delimitação o profissional define o setting e fortalece o contrato
terapêutico, que pode ser consolidado como conclusões das entrevistas iniciais,
sendo que as recomendações, o encaminhamento ou a definição de um setting e
contrato terapêutico podem ocorrer integrados como parte de uma única sessão de
entrevista ou podem ser reservados para uma entrevista designada exclusivamente
para este fim, que chamamos de entrevista de devolução, demarcando, de maneira
mais precisa, o término do processo de avaliação.
A entrevista é uma relação humana entre duas pessoas com características
particulares, devendo assim coletar dados completos do comportamento do
indivíduo, ter uma função de escuta, de observar e vivenciar o que houve.
Na entrevista deve-se estar atento aos fatores como ao grau de ansiedade.
Isso surge porque ambos estão diante de uma situação desconhecida, implicando
numa desorganização da personalidade de cada um dos participantes; esta
desorganização poderíamos dizer que é o fator causador da ansiedade. Sendo
assim, durante a sessão, podem aumentar a ansiedade e os mecanismos de defesa,
pois o desconhecido pode ser perigoso em relação à própria personalidade. Em
alguns casos a ansiedade deve ser instrumentalizada.
De acordo com Bleger (1980), a entrevista se diferencia de acordo com o
beneficiário do resultado, assim fica claro que há a entrevista que se realiza em
benefício do entrevistado (consulta psicológica ou psiquiátrica); existe a entrevista
cujo objetivo é a pesquisa, valorizando, apenas, o resultado científico da mesma; e
ainda a entrevista que se realiza para terceiros (serviço a uma instituição).
Já Gilliéron (1996) se refere à entrevista em termos de anamnese, citando
que se podem estudar os comportamentos do paciente praticamente em relação a
dois eixos: do ponto de vista histórico (a anamnese do sujeito que permite a
observação dos comportamentos repetitivos que dão uma ideia exata da sua
personalidade) e do ponto de vista da observação, que também fornece indicações
muito precisas sobre a organização da sua personalidade.
AN02FREV001/REV 4.0
127
De acordo com Erickson (apud KAPLAN E SADOCK, 2007), algumas
recomendações devem ser aplicáveisao processo de entrevista psicológica: o
tempo de entrevista deve ser marcado e o entrevistador deve tomar esse cuidado
para não extrapolar ou mesmo terminar antes; deve-se limitar o número de assuntos
em cada sessão para não confundir o entrevistado com um bombardeio de
assuntos; o entrevistador deve usar expressões mais vagas ao invés de EU; o
entrevistador deve ter o cuidado para não transformar a entrevista numa conversa
social, assim como também o término da entrevista não deve transformar-se numa
conversa social, sem ter nenhuma relação com os problemas discutidos; indica-se
ao entrevistador que faça um resumo do que foi discutido, podendo este fazer uma
síntese de tudo ao entrevistado; uma forma de iniciar a entrevista é usando algumas
expressões como: “Como posso ajudá-lo?”; a atitude do entrevistador deve ser de
aceitação completa das vivências do entrevistado, não devendo haver discussão dos
pontos de vista de um ou de outro quando forem divergentes e também o
entrevistador não deve completar as frases do entrevistado; pausas e silêncios são,
na maioria das vezes, constrangedores para o entrevistador, possivelmente, nesse
momento de silêncio o entrevistado está revivendo experiências que não consegue
expressar verbalmente e caso essas pausas sejam longas, o que o entrevistador
deve fazer é retomar um tópico anterior que estava sendo discutido; devem-se evitar
perguntas que induzam respostas do tipo “sim” ou “não” e tentar nunca interromper o
fluxo do pensamento do entrevistado, a não ser que ele se perca em ideias que
fogem dos tópicos da entrevista. Com essas dicas de Erickson pode-se realizar uma
entrevista bastante proveitosa e sem deslizes.
Gil (1999) diz que as entrevistas podem ocorrer em duas modalidades. A
primeira modalidade que ele enumera é a face a face (que ele diz ser a tradicional) e
a segunda por telefone, a qual a caracterizaremos agora.
Assim como a tradicional, ela tem vantagens e desvantagens. As vantagens
seriam por conta dos custos, que seriam mais baixos, da facilidade na seleção da
amostra; maior aceitação dos moradores das grandes cidades, que temem abrir
suas portas para estranhos, mais rápida, e a facilidade de agendar o momento mais
apropriado para a realização da entrevista. As desvantagens estariam ligadas às
limitações havendo: menor quantidade de informações; muitas vezes interrupção da
entrevista pelo entrevistado; impossibilidade de descrever as características do
AN02FREV001/REV 4.0
128
entrevistado ou observar seu comportamento ou as circunstâncias em que se
realizou a entrevista.
Foddy (2002) aconselha o investigador ou entrevistador a usar expressões
como: “Por acaso você...”; assim revelaria uma atitude casual e comum por parte do
entrevistador; tentar olhar o entrevistado bem nos olhos, e colocar a pergunta sem
rodeios de modo a que eles tenham dificuldade em mentir; colocar as perguntas
causadoras de ansiedade ou perturbadoras na parte final da entrevista de modo que
as respostas não sofram qualquer consequência desse efeito; usar técnicas
projetivas para conseguir algumas informações desejadas, ou seja, de forma
indireta.
VOCÊ SABIA!
Há algumas informações que o entrevistador não
pode deixar passar, pois embora sejam mínimas,
elas podem ter grande repercussão no
entrevistado. Uma delas é que o entrevistador não
deve expor suas reações e nem sua história de
vida, não deve permitir que o entrevistado o
considere um amigo e nem entrar em relação
comercial que não seja o pagamento dos seus
honorários. O entrevistado deve ser recebido com
cordialidade, e não de forma efusiva.
AN02FREV001/REV 4.0
129
De acordo com Bleger (1980), o entrevistado que fala muito não traz à tona
aspectos relevantes das suas dificuldades, um desses aspectos revelados nessa
circunstância é evitar uma verdadeira comunicação.
E quando se trata do silêncio? O que pode significar esse silêncio? Como
agir diante dessa circunstância? Alguns autores dizem que o silêncio é uma
expressão não verbal que muitas vezes comunica bem mais que as palavras, e ele é
geralmente o fantasma do entrevistador iniciante. Ele também pode ser considerado
uma tentativa de encobrir algo a qual o sujeito não consegue enfrentar.
Agora veremos alguns “silêncios” que podem ocorrer com frequência
durante uma entrevista ou sessão psicoterápica, citados por Castilho (1995):
De reflexão: este tipo de silêncio pode aparecer após um feedback, uma
intervenção do entrevistador ou depois do entrevistador ter passado por algum tipo
de vivência. Nele não há tensões, há um recolhimento introspectivo de elaboração
mental, ou seja, é como se o entrevistado estivesse elaborado o conteúdo liberado
pelo entrevistador.
De medo: nesse tipo de silêncio o entrevistado fica com medo como se
tentasse fugir de uma situação psicologicamente ameaçadora; é um silêncio tenso.
Silêncio de tensão: este tipo de silêncio já expressa ansiedade, assim
podemos observá-lo por meio da postura corporal que pode expressar tensão ou
inquietude, da sua respiração ofegante, do tamborilar dos dedos.
De desinteresse: aqui o entrevistado perde o foco da atenção, camufla
resistência, se desinteressa pela situação externa porque interiormente ela o atinge.
De acordo com Gori (2002), a transferência e a contratransferência são
fenômenos que estão presentes em toda relação interpessoal, inclusive na
entrevista. Na transferência o entrevistado atribui papéis ao entrevistador, e se
comporta em função dos mesmos, transfere situações e modelos para a realidade
presente e desconhecida, e tende a configurar esta última como situação já
conhecida, repetitiva.
Segundo Sang (2001, p. 319-20), é a situação analítica e não a sua pessoa
o que levou a paciente a se apaixonar por ele, isto é, que o amor de transferência é
essencialmente impessoal. “[...] o analista não deve nem reprimir nem satisfazer as
AN02FREV001/REV 4.0
130
pretensões amorosas da paciente. Deve sim, tratá-las como algo irreal”. No que é
confirmado por Yalom (2006, p.175), quando diz que os sentimentos que surgem na
situação terapêutica geralmente pertencem mais ao papel que à pessoa; é um
equívoco tomar a adoração transferencial como um sinal de sua atratividade ou
charme pessoal irresistível.
Já na contratransferência as reações emergem do entrevistador, que se
originam do campo psicológico em que se estrutura a entrevista, mas se constituindo
num indício de grande significação e valor para orientar o entrevistador, quando bem
conduzida. Caso ela haja, a contratransferência compete ao entrevistador averiguar
como essas atitudes funcionam e como o afetam.
7.1.1 Tipos de entrevistas
Existem diversos tipos de entrevistas, que irão se diferenciar de acordo com
seu objetivo principal e com o trabalho que está sendo realizado. Para cada
processo há um tipo de entrevista, que podem ser classificadas de várias maneiras:
A) Segundo o seu aspecto formal ou estruturação;
B) Segundo os objetivos.
Quanto ao aspecto formal ou estruturação, as entrevistas podem ser
divididas em:
Estruturadas;
Semiestruturadas;
Livre estruturação.
1) As entrevistas estruturadas são de pouca utilidade clínica, sendo sua
aplicação mais frequente em pesquisas e sua utilização raramente considera as
necessidades ou demandas do sujeito avaliado – usualmente ela se destina ao
levantamento de informações definidas pelas necessidades de um projeto, pois
privilegiam a objetividade, sendo as perguntas quase sempre fechadas ou
delimitadas por opções previamente determinadas, buscando assim respostas
AN02FREV001/REV 4.0
131
específicas a questões específicas. Segundo Gil (1999), a entrevista Estruturada ou
Fechada se desenvolve a partir de uma relação fixa de perguntas, cujaordem e
redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados, que geralmente são
em grande número. Ela tem muitas funções, uma delas é poder possibilitar o
tratamento quantitativo dos dados, tornando-se mais adequada para o
desenvolvimento de levantamentos sociais. Ex.: Entrevista epidemiológica.
2) A entrevista de livre estruturação, segundo Cunha (2000), pode ser
chamada de entrevista livre ou não estruturada, ou ainda aberta. Nesse modelo o
paciente é convidado a falar livremente sobre aquilo que quiser. Gil (1999) chama
esse tipo de entrevista de Informe e a caracteriza como um tipo menos estruturado,
distinguindo-se da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta
de dados, onde o que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema
pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do
entrevistado.
3) Nas entrevistas semiestruturadas o entrevistador tem clareza de seus
objetivos, de que tipo de informação é necessária para atingi-los, de como essa
informação deve ser obtida, quando ou em que sequência; em que condições devem
ser investigadas e como devem ser consideradas. Muitos autores, como Cunha, a
preferem porque além de modo padronizado, ela aumenta a confiabilidade ou
fidedignidade da informação obtida. Gil (1999) vai mais adiante e subdivide esse tipo
de entrevista em duas: Entrevista Focalizada, que é tão livre quanto a informal,
todavia, enfoca um tema bem específico, permitindo ao entrevistado falar livremente
sobre o assunto, mas quando este se desvia do tema original o entrevistador deve
se esforçar para sua retomada; e Entrevista por Pautas, que apresenta certo grau
de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesses que o
entrevistador vai explorando ao longo do seu curso, onde as pautas devem ser
ordenadas e guardar certa relação entre si, fazendo com que o entrevistador faça
poucas perguntas diretas e deixando-se falar livremente à medida que se refere às
pautas assimiladas, e se ele por ventura se afasta, o entrevistador intervém de
maneira sutil, para preservar a espontaneidade da entrevista. Ex.: geralmente a
entrevista clínica é assim.
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132
Quanto à classificação das entrevistas a partir dos seus objetivos
podemos dizer que há uma grande variedade. Dentre as mais estudadas vamos
citar:
Entrevista de triagem;
Entrevista de anamnese;
Entrevistas diagnósticas;
Entrevistas sistêmicas;
Entrevista de devolução;
Entrevista de encaminhamento;
Entrevista psicoterápica;
Entrevista de seleção;
Entrevista de desligamento;
Entrevista de pesquisa.
1. Entrevista de triagem: tem por objetivo principal avaliar a demanda do
sujeito e fazer um encaminhamento. Ela é fundamental para avaliar a gravidade do
caso ou da crise que o indivíduo está passando, pois muitas vezes é necessário o
encaminhamento para apoio medicamentoso. Geralmente, é utilizada em serviços
de saúde pública ou em clínicas sociais, onde existe a procura contínua por uma
diversidade de serviços psicológicos, e torna-se necessário a adequação da
demanda em relação ao encaminhamento pretendido. Uma observação importante e
que não pode ser deixada de lado é que o clínico que trabalha sozinho também terá
que triar seus clientes e encaminhar aqueles que não julgar adequado atender, isso
conforme sua especialidade e competência.
2. Entrevista de anamnese: tem por objetivo o levantamento detalhado da
história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. A anamnese é
uma técnica de entrevista que pode ser facilmente estruturada cronologicamente,
pois vai analisar e facilitar a apreciação de questões desenvolvimentais por parte do
clínico, sendo investigadas fases importantes do desenvolvimento. (será
aprofundada no tópico seguinte).
3. Entrevistas diagnósticas: esta entrevista visa ao exame e análise de
uma condição na tentativa de compreendê-la, explicá-la e talvez, ou possivelmente,
modificá-la. Aqui há implicações como descrever, avaliar, relacionar e inferir para
AN02FREV001/REV 4.0
133
que se possa modificar aquela condição a qual o paciente traz. Visa a estabelecer o
diagnóstico e o prognóstico do paciente, bem como as indicações terapêuticas
adequadas, fazendo-se necessário uma coleta de dados sobre a história do paciente
e sua motivação para o tratamento. Quase sempre, a entrevista diagnóstica é parte
de um processo mais amplo de avaliação clínica que inclui testagem psicológica.
Esse tipo de entrevista pode, segundo Cunha (2003), priorizar os aspectos
sindrômicos ou psicodinâmicos. Os aspectos sindrômicos visam à descrição de
sinais e sintomas para a classificação de um quadro ou síndrome. Os aspectos
psicodinâmicos visam ao modo de funcionamento, à descrição e à compreensão da
experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito, tendo em vista uma
abordagem teórica. É um tipo de entrevista que visa à modificação de um quadro
apresentado em benefício do sujeito.
4. Entrevistas sistêmicas: focalizam a avaliação da estrutura ou da história
relacional ou familiar. Podem também avaliar aspectos importantes da rede social de
pessoas e famílias.
5. Entrevista de devolução: tem por finalidade comunicar ao sujeito o
resultado da avaliação. Essa entrevista também pode ser útil, por permitir ao sujeito
expressar seus sentimentos em relação às conclusões e recomendações do
avaliador. Podendo ainda avaliar a reação do sujeito à conclusão. Ela pode ser
integrada em uma mesma sessão, ao final da entrevista ou quando as atividades de
avaliação se estendem por mais de uma sessão, ela pode se destacar do restante
do processo por meio da entrevista de devolução.
6. Entrevista Psicoterápica: este tipo de entrevista procura colocar em
prática estratégia de intervenção psicológica presente nas diversas abordagens,
para acompanhar o paciente, esclarecer suas dificuldades, tentando ajudá-lo a
solucionar seus problemas. Como exemplo, podemos citar a abordagem rogeriana
(C. Rogers), jungiana (C. Jung), gestalt (F. Perls), bioenergética (A. Lowen),
logoterapia (V. Frankl) e outras.
7. Entrevista de Encaminhamento: nesse tipo de entrevista deve ficar claro
para o entrevistado, logo no início, que a mesma tem como objetivo indicar seu
tratamento, e que este não será conduzido pelo entrevistador ou continuará o
processo, ou seja, deixa-se explícito que será apenas uma entrevista e o paciente
será encaminhado logo ao seu final. Assim devem-se obter informações suficientes
AN02FREV001/REV 4.0
134
para se fazer uma indicação e ao mesmo tempo evitar que o entrevistado
desenvolva um vínculo forte, uma vez que pode dificultar o processo de encaminhar.
7.1.2 Outros tipos de entrevistas
Entrevista de Seleção: realizada principalmente em empresas que
objetivam contratar mão de obra. Aqui o entrevistador deve ter um conhecimento
prévio do currículo do entrevistado, do perfil do cargo, deve fazer uma sondagem
sobre as informações que o candidato tem a respeito da empresa, e destacar os
aspectos mais significativos do examinando em relação à vaga que ele deseja
ocupar.
Entrevista de Desligamento: essa entrevista tem como objetivo
identificar os benefícios do tratamento por ocasião da alta do paciente; examina
junto com ele os planos da pós-alta ou a necessidade de trabalhar algum problema
ainda pendente; ela também é utilizada com o funcionário que está deixando a
empresa, e tem como o objetivo obter um feedback sobre o ambiente de trabalho,
para providenciais intervenções do psicólogo em caso, por exemplo, de alta
rotatividade de demissão num determinado setor.
Entrevista de Pesquisa: aqui o objetivo principal é investigar temas em
áreas das mais diversas ciências; tem algumas restrições como só poder ser
realizada somente a partir da assinatura do entrevistadoou paciente com o
documento: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Resolução CNS no
196/96), no qual estará explícita a garantia ao sigilo das suas informações e
identificação, e liberdade de continuar ou não no processo.
7.2 EXAME DO ESTADO MENTAL
Como já citamos antes, de acordo com Strauss (1999), o exame do estado
mental do paciente e a entrevista também são considerados recursos básicos de um
AN02FREV001/REV 4.0
135
diagnóstico e se desenvolve como outra interação clínica, no contexto de uma
entrevista. Ele permite a coleta de subsídios introdutórios que vai fundamentar o
processo a que chamamos de psicodiagnóstico.
As anotações feitas neste exame deverão ser feitas de forma que alguém de
fora da área médica ou especificamente de fora da área psicológica possa
compreendê-las. Sua organização deve obedecer a determinadas categorias que,
obrigatoriamente, serão citados pelo entrevistador, como aparência, fala, humor,
pensamento, percepções, sensórios, insight e discernimento. Estes tópicos apontam
para os diferentes aspectos da vida psíquica do indivíduo que devem ser
investigados.
O exame do estado mental, segundo Kaplan e Sadock (2007), é a descrição
da aparência, do discurso, das ações e dos pensamentos do paciente durante a
entrevista. Descreveremos todas as categorias de acordo com os autores acima
citados.
7.2.1 Descrição geral
Nessa categoria descreve-se a impressão geral que o paciente causa no
entrevistador. Aqui são investigados dados como:
Aparência: descreve-se a aparência e impressão física do paciente, tipo
constitucional, condições de higiene pessoal, vestuário, cuidados pessoais. Não
confundir com a classe social a que pertence o indivíduo. Pode descrever a
aparência por meio de termos como saudável, doentia, mal-estar, equilibrada, jovial,
desarrumada, infantil ou bizarra. Pode-se também descrever sinais de ansiedade
observados como mãos úmidas, olhos arregalados, postura tensa ou testa suada.
Comportamento e Atividade psicomotora: essa categoria refere-se a
aspectos quantitativos e qualitativos do comportamento motor do paciente, incluindo
tiques, gestos, contrações musculares, maneirismos, comportamentos
estereotipados, hiperatividade, agitação, flexibilidade, rigidez, andar e agilidade.
Então, procura-se observar atitudes e movimentos expressivos da fisionomia: triste,
alegre, ansioso, temeroso, desconfiado, esquivo, dramático, medroso; gesticulação,
observando se é ausente ou exagerada; a capacidade motora se é inquieto, imóvel,
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136
incapaz de manter-se em um determinado local; observa-se seu modo de caminhar,
se é tenso, elástico, largado, amaneirado, encurvado. É importante também
descrever, se houver, retardos motores ou redução generalizada nos movimentos
corporais e relatar atividades sem propósito ou objetivo. A psicomotricidade pode ser
observada no decorrer da entrevista.
Atitude para com o entrevistador: aqui se registra o nível de harmonia
estabelecido entre examinador e examinando. Atitudes como amigável, cooperativo,
submisso, interessado, arrogante, sedutor, franco, desconfiado, apático, perplexo,
superior, desdenhoso, irritado, indiferente, evasivo, hostil, bem-humorado,
normalmente responsivo às deixas do entrevistador, não espontâneo (tipo pergunta
e resposta), fala muito, exaltado e muitos outros termos adjetivos poderão ser
usados.Ex.: “Mostra-se tímido, mas tem uma atitude amigável com o examinador...”.
7.2.2 Humor e afeto
Humor: o humor é definido como uma emoção ampla e prolongada que
colore a percepção que se tem do mundo. Ele é mais superficial e variável do que a
afetividade, podendo-se observar com mais facilidade numa entrevista; é uma
emoção difusa. O humor em algumas pessoas pode ser instável, flutuante e alternar
rapidamente entre extremos. Aqui se investiga como o paciente se sente: se
deprimido, desesperado, angustiado, bravo, irritável, ansioso, apavorado, zangado,
expansivo, perplexo, eufórico, culpado, atônito, fútil, autodepreciativo. Existem
alguns tipos de humor:
o Normotímico: normal;
o Hipertímico: exaltado;
o Hipotímico: baixa de humor;
o Distímico: quebra súbita da tonalidade do humor durante a entrevista;
o Esses que citamos acima são os mais comuns, mas existem outras
classificações, que apenas as citaremos a título de informação: Humor disfórico,
eutímico, expansivo, irritável, instável ou também conhecido como flutuações de
AN02FREV001/REV 4.0
137
humor, humor elevado, euforia, êxtase, depressão, anedonia, luto, alexitimia, júbilo,
hipomania, mania, melancolia, La belle indifférence.
Nesse exame, deve-se descrever o humor do paciente sem registrar termos
técnico. Ex.: “O paciente apresenta humor exaltado...”.
Afeto: o afeto revela a sensibilidade intensa da pessoa frente à satisfação
ou frustração das suas necessidades, podendo ainda ser definida como uma
resposta emocional atual do paciente, inferida a partir de sua expressão facial,
incluindo a quantidade e variedade de comportamentos expressivos. O fato pode ser
ou não congruente com o humor, sendo descrito como estando dentro de um limite:
o Normal: aqui há uma variação na expressão facial, no tom de voz, no uso
das mãos e nos movimentos corporais;
o Constrito: a variedade e intensidade das expressões são reduzidas;
o Embotado: a expressão emocional é reduzida ainda mais;
o Plano: não há nenhum sinal de expressão afetiva;
o Outros tipos de afeto: afeto inadequado, afeto instável. Então, percebe-se
que o afeto diz respeito à tonalidade afetiva com que alguém se relaciona às
ligações afetivas que o paciente estabelece com a família e com o mundo.
7.2.3 Características do discurso
Discurso: quando se discute sobre o discurso, analisam-se as
características físicas do discurso, que pode ser referido em termo de sua
quantidade, taxa de produção e qualidade. Assim o paciente pode ser descrito como
falante, tagarela, calado, fluente, pouco espontâneo ou que responde normalmente
às pistas fornecidas pelo entrevistador. Já quando se trata da fala, podemos
classificá-la como lenta, hesitante, apressada, monótona, ruidosa, confusa,
emocional, dramática e etc. Aqui incluímos algumas limitações da fala como a
gagueira, ou disprosódias.
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138
7.2.4 Percepção
Pensamento: este item da anamnese é destinado à investigação do
curso, forma e conteúdo do pensamento, pois é por meio deste que o ser humano é
capaz de manifestar suas possibilidades de adaptar-se ao meio, sendo por
intermédio dele que se elaboram conceitos, articulam-se juízos, constrói-se,
solucionam-se problemas, elaboram-se conhecimentos adquiridos e ideias. O
pensamento pode ser dividido em:
o Processo (forma): maneira como o indivíduo reúne ideias e associações,
a forma como ele pensa, podendo ser lógicos e coerentes ou completamente
ilógicos e incompreensíveis. A forma é a maneira como o conteúdo do pensamento
é expresso. O pensamento abriga um encadeamento coerente de ideias ligadas a
uma carga afetiva, que é transmitida pela comunicação. As desordens da forma
podem ocorrer por perdas (orgânicas) ou deficiência (oligofrenia) qualitativas ou
quantitativas de conceitos ou por perda da intencionalidade (fusão ou condensação,
desagregação ou escape do pensamento, pensamento imposto ou fabricado), onde
pode se compreender as palavras que são ditas, mas o conjunto é incompreensível.
o Conteúdo: se refere àquilo que o sujeito realmente pensa sobre delírios,
crenças, preocupações, obsessões, compulsões, fobias, planos intenções, ideias
recorrentes sobre suicídio ou homicídio, sintomas hipocondríacos e ânsia
antissociais específicas.
o Curso: alguns autores citam esse tipo de classificação para o
pensamento: trata-se da velocidade com que o pensamento é expressoe pode ir do
acelerado ao retardado, passando por variações.
De acordo com Kaplan e Sadock (2007), nas perturbações da forma do
pensamento acontecem uma superabundância ou pobreza de ideias, podendo
haver Transtornos de Pensamento Formal:
o Circunstancialidades: perda da capacidade de pensar de forma
orientada para os próprios objetivos, inclusão exagerada de detalhes triviais ou
irrelevantes que impedem de se chegar à questão;
o Associação por assonância: pensamentos associados pelo som das
palavras e não por seu significado, como rimas;
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139
o Descarrilhamento ou associações frouxas: ideias frouxas ou ideias que
parecem não ser relacionadas ou conectadas, ou seja, quebra na conexão lógica
entre as ideias e o sentido de objetividade geral;
o Fuga de ideias: sucessão de associações múltiplas, de maneira que o
pensamento parece trocar abruptamente de ideia para ideia;
o Neologismo: invenção de novas palavras ou expressões ou uso de
palavras convencionais de maneira idiossincráticas;
o Perseverança: repetição de palavras, ideias e expressões fora do
contexto;
o Tangencialiodade: o paciente não reponde à questão a qual foi
questionado, dá uma resposta que é apropriada para o tópico geral;
o Bloqueios: interrupção do fluxo do pensamento antes de uma ideia ser
concluída, quebra no fluxo de ideias;
o Outros transtornos: incoerência, verbigeração, ecolalia, condensação e
glossolalia.
As perturbações no conteúdo do pensamento estão associadas a
determinadas alterações, como as obsessões, hipocondrias, fobias e especialmente
os delírios.
Os transtornos específicos no conteúdo do pensamento são: pobreza de
conteúdo, ideia supervalorizada, delírio (engloba vários tipos, que citaremos
adiante), pensamento tendencioso, egomania, monomania, hipocondria, obsessão,
compulsão, coprolalia, fobia, noese, unio mystica.
Prenderemo-nos aos delírios que podem ser classificados como: bizarro,
sistematizado, congruente com o humor, incongruente com o humor, niilista, de
pobreza, somático, paranoide, de autoacusação, de controle, de infidelidade,
erotomania e delírio de pseudologia fantástica.
Para se classificar uma ideia de delirante tem-se que levar em conta alguns
aspectos:
o Incorrigibilidade: não há como modificar a ideia delirante por meio de
correções;
o Ininfluenciabilidade: a vivência é muito intensa no sujeito, chegando a
ser mais fácil o delirante influenciar a pessoa dita normal;
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140
o Incompreensibilidade: não pode ser explicada logicamente.
O delírio é uma convicção íntima, contra a qual não há argumento. Eles
podem ser primários (núcleo da patologia) ou secundários (são consequentes a uma
situação social, a uma manifestação afetiva ou a uma disfunção cerebral).
Faz-se necessário fazer a distinção entre delirium e delírio: o primeiro pode-
se dizer que é um rebaixamento da consciência e como exemplo temos o delirium
tremens; delirium febril. O segundo é conceituado como uma alteração do
pensamento, ou seja, alteração do juízo e pode se dividir em ideia delirante ou
delírio verdadeiro, que é primário e ocorre com lucidez de consciência, não sendo
consequência de qualquer outro fenômeno, ou simplificando podemos dizer que é
um conjunto de juízos falsos, que não se sabe como eclodiu. E ideia deliroide, que é
secundária a uma perturbação do humor ou a uma situação afetiva traumática,
existencial grave ou uso de droga. Há uma compreensão dos mecanismos que a
originaram.
As ideias delirantes podem ser agrupadas em expansão do eu (grandeza,
ciúme, reivindicação, genealógico, místico, de missão salvadora, deificação, erótico,
de ciúmes, invenção ou reforma, ideias fantásticas, excessiva saúde, capacidade
física, beleza...); retração do eu (prejuízo, autorreferência, perseguição, influência,
possessão, humildade, experiências apocalípticas) ou ainda negação do eu
(hipocondríaco, negação e transformação corporal, autoacusação, culpa, ruína,
niilismo, tendência ao suicídio).
Senso percepção: fundamenta-se na capacidade de perceber e sentir,
investigando-se assim as experiências ilusórias ou alucinatórias que são
acompanhadas de profundas alterações do pensamento. Ilusão é a percepção
deformada da realidade, uma interpretação errônea do que existe. Já Alucinação é
uma percepção sensorial falsa, sem associação e estímulos externos reais, podendo
ou não haver uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Pode-se dizer
uma percepção sem objeto. Os transtornos de percepção podem ser subdivididos
em: Alucinações e Ilusões. Caso o paciente não apresente nenhuma situação digna
de nota neste item, pode-se registrar: “Não apresenta experiências ilusórias ou
alucinatórias”.
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141
Consciência do Eu e da doença: o indivíduo tem consciência dos
próprios atos psíquicos? Qual percepção tem do seu eu? O terapeuta orientará sua
entrevista no sentido de saber se o paciente acha que seus pensamentos ou atos
são controlados por alguém ou forças exteriores. E quanto à consciência da
doença atual, verifica-se o grau de consciência e compreensão que o paciente tem
de estar enfermo, assim como a sua percepção de que precisa ou não de um
tratamento.
7.2.5 Sensório e cognição
Consciência: significa ter ciência, ou seja, percepção de alguma coisa.
Sentimento ou percepção do que se passa em nós; voz secreta da alma que aprova
ou reprova as nossas ações. É a capacidade do indivíduo de dar conta do que está
ocorrendo dentro e fora de si mesmo. Aqui será a indicação do processo psíquico
complexo, que é capaz de integrar acontecimentos de um determinado momento
numa atividade de coordenação e síntese. Os distúrbios da consciência geralmente
indicam dano cerebral orgânico, assim o que acontece é que as informações
sensoriais chegam amortecidas ou nem chegam à consciência. Existem vários
transtornos para descrever o nível de consciência do sujeito, e como já dissemos,
eles costumam estar associados a patologias cerebrais: Sonolência; Rebaixamento
ou embotamento; Turvação ou Obnubilação: rebaixamento geral da capacidade de
perceber o ambiente; Estupor; Coma; Coma vígil; Letargia; Alerta; Estreitamento
(perda da percepção do todo com uma concentração em um único objetivo paralelo
à realidade); Perturbação da consciência; Estado crepuscular; Estado onírico e
Crepuscular. No decorrer do exame do estado mental cabe ao entrevistador avaliar
o grau de alteração da consciência, observando se o paciente faz esforço para
manter o diálogo e levar a entrevista a termo, se a confusão mental interfere na
exatidão das respostas, que se fazem com lentidão, ou se o paciente chega mesmo
a cochilar, adormecer no curso da entrevista.
Orientação: é o estado normal do indivíduo em relação a seu entorno em
termos de tempo, lugar ou pessoa. Complexo de funções psíquicas, pelo qual
AN02FREV001/REV 4.0
142
tomamos consciência da situação real em que nos encontramos a cada momento de
nossa vida. Os transtornos de orientação costumam ser separados em tempo, lugar
e pessoa, pois geralmente qualquer limitação aparece nessa ordem e de maneira
semelhante, à medida que a melhora ocorre, a limitação desaparece na ordem
inversa. A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de consciência. Para
definir melhor como se dá a desorientação, pode-se dizer que o primeiro sentido de
orientação que se perde é o do tempo, depois o do espaço, que envolve
deslocamento e localização e, num estado mais grave, a desorientação do próprio
eu (identidade e corpo). A orientação divide-se em:
o Autopsíquica: paciente sabe quem ele é, reconhece dados de
identificação pessoal;
o Alopsíquica: paciente reconhece os dados fora dele ou podemos dizer
do eu no ambiente: Temporal: dia, mês, ano em que está; em que parte do dia se
localiza (manhã,tarde, noite); Espacial: o paciente reconhece o lugar em que se
encontra, para que serve; a cidade onde está; como chegou ao consultório;
Somatopsíquica: alterações do esquema corporal, como, por exemplo, a
incapacidade de localizar o próprio nariz ou olhos.
Memória: função pela qual as informações armazenadas no cérebro são
trazidas à consciência posteriormente. Ela permite a integração de cada momento
passado, presente e futuro. As funções da memória são tradicionalmente divididas
em quatro áreas:
o Memória remota;
o Memória do passado recente;
o Memória recente (anterógrada);
o Retenção e recuperação imediata.
Há cinco dimensões principais do seu funcionamento:
o Percepção: maneira como o sujeito percebe os fatos e atitudes em seu
cotidiano e os reconhece psiquicamente;
o Fixação: é a capacidade de gravar imagens na memória;
o Conservação: refere-se a tudo que o sujeito guarda para o resto da vida;
a memória aparece como um todo e é um processo tipicamente afetivo;
o Evocação: atualização dos dados fixados – nem tudo pode ser evocado;
AN02FREV001/REV 4.0
143
o Reconhecimento: é o momento em que fica mais difícil detectar onde e
quando determinado fato aconteceu no tempo e no espaço.
Resumo de testes de memória, de acordo com Kaplan e Sadock (2007),
tentando-se avaliar o envolvimento dos processos de registro, retenção ou
recuperação do material:
o Memória remota: pergunta ao paciente sobre dados da infância, eventos
importantes que ocorreram quando o paciente era jovem ou saudável, questões
pessoais;
o Memória do passado recente: questiona-se algo sobre os últimos meses;
o Memória recente (anterógrada): pergunta-se sobre os últimos dias, aquilo
que o paciente fez ontem, anteontem, o que comeu no café da manhã, no almoço,
no jantar;
o Retenção e recuperação imediata: aqui se avaliam medidas de
lembranças de números, capacidade de repetir seis números após o examinador o
ditar, primeiramente em uma ordem, depois em ordem inversa (aqueles com
problemas de memória em geral conseguem repetir seis números de trás para
diante), capacidade de repetir três palavras imediatamente, e três a cinco minutos
depois.
VOCÊ SABIA!
Os transtornos de memória mais comuns
exposto em Kaplan e Sadock (2007) são:
Amnésia (Anterógrada ou Retrógrada);
Paramnésia (Fausse reconnaissance; Falsificação
retrospectiva; Confabulação; Déjà vu; Déjà
entendu; Déjà pensé; Jamais vu e Falsa
memória); Hipermnésia; Imagem eidética;
Memória seletiva; Repressão; Letológica e
Apagamento.
AN02FREV001/REV 4.0
144
Concentração e Atenção: No dicionário Aurélio, encontramos o
fenômeno da atenção definido como “aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa”
e concentração como “aplicação da atenção da mente de modo interno e exclusivo.
A concentração pode ser afetada por transtornos cognitivos, depressivos, de
ansiedade e estímulos internos, como alucinações auditivas. A atenção é um
processo psíquico que concentra a atividade mental sobre determinado ponto,
traduzindo um esforço mental”. Destaca-se aí a:
o Vigilância: consciência sem foco, difusa, com atenção em tudo ao redor;
o Tenacidade: capacidade de se concentrar num foco.
Investiga-se assim:
o Atenção normal ou euprossexia ou Normovigilância;
o Hipervigilância: ocorre num exagero, na facilidade com que a atenção é
atraída pelos acontecimentos externos;
o Hipovigilância: é um enfraquecimento significativo da atenção, onde é
difícil obter a atenção do paciente;
o Hipertenacidade: a atenção se adere em demasia a algum estímulo ou
tópico; concentração num estímulo;
o Hipotenacidade: a atenção se afasta com demasiada rapidez do estímulo
ou tópico.
Inteligência: capacidade de entender, recuperar, mobilizar e integrar de
maneira construtiva os aprendizados anteriores ao deparar-se com situações novas.
Aqui se faz uma pequena avaliação para se constatar se o paciente está dentro da
normalidade, interessando a autonomia que o paciente tenha a sua capacidade
laborativa. Assim, é avaliado se o paciente tem: Retardo mental; Demência;
Pseudodemência; Pensamento concreto e Pensamento abstrato.
Que fique claro que a consciência, a inteligência e a memória estão
alocadas entre as funções psíquicas de base.
Linguagem: conjunto das palavras e expressões usadas por um povo,
por uma nação, e o conjunto de regras da sua gramática, e é por meio da linguagem
que nos comunicamos. Ela é considerada como um processo mental
predominantemente consciente, significativo, além de ser orientada para o social. É
AN02FREV001/REV 4.0
145
um processo dinâmico que se inicia na percepção e termina na palavra falada ou
escrita e, por isso, se modifica constantemente. A linguagem verbal é expressa por
intermédio da fala, ou seja, a fala é conceituada como conjunto de ideias,
pensamentos, sentimentos expressados por meio da linguagem. Citaremos alguns
transtornos da fala e transtornos afásicos (alterações na produção da linguagem) de
acordo com Kaplan e Sadock (2007):
Transtornos da fala: Pressão da fala; Volubilidade ou logorreia; Pobreza
da fala; Fala não espontânea; Pobreza de conteúdo; Disprosódia; Fala
excessivamente alta ou baixa; Tartamudez; Cluttering (fala errática ou disrítmica);
Aculalia; Bradilia e Disfonia.
Transtornos Afásicos: Afasia motora ou afasia de Broca; Afasia
sensorial; Afasia nominal; Afasia sintática; Afasia de jargão; Afasia global; Alogia e
Coprofrasia.
7.2.6 Impulsividade
Uma avaliação do controle de impulsos é essencial para verificar se o
paciente tem consciência de comportamentos socialmente apropriados,
representando uma medida do perigo potencial do paciente para si mesmo e para
terceiros. Verifica-se se o paciente é capaz de controlar impulsos sexuais,
agressivos e outros.
7.2.7 Discernimento e insight
Aqui se avaliam muitos aspectos da capacidade de discernimento do
paciente, como se ele entende o resultado provável de seu comportamento? É
influenciado por esse entendimento? Consegue prever situações imaginárias?
Quanto ao insight, podemos conceituá-lo como o grau de consciência e
entendimento em relação a estar doente.
AN02FREV001/REV 4.0
146
7.2.8 Confiabilidade
Este relatório termina com esta seção, onde se avalia a confiabilidade do
paciente em relação ao profissional; isso pode ser confirmado quando o paciente
conta algo que tenha a ver com problemas legais ou da lei.
Uma vez realizado e redigido o exame psíquico, deverão constar na súmula
os termos técnicos que expressam a normalidade ou as patologias observadas no
paciente. Trata-se de um resumo técnico de tudo o que foi observado na entrevista.
Agora apresentaremos dois modelos de roteiros usados para se fazer o
Exame do Estado Mental:
ROTEIRO 1
EXAME PSÍQUICO
Apresentação:
Aspecto geral e cuidados (ex.: higiene, cabelo, barba, vestes, presença
de adornos);
Faces (ex.: marmórea, melancólica);
Porte (ex.: encurvado, retraído);
Atitude em relação ao investigador (ex.: adequação, colaboração,
hostilidade, oposição, desconfiança).
Consciência:
Quantitativa ou Nível de consciência:
o Vigil/hipervigil (aumentada);
o Alerta (normal);
o Obnulado;
o Comatoso/flutuação (diminuição);
Qualitativa: estados crepusculares, estados dissociativos, transe;
Fenômenos da Consciência do Eu (continuidade, atividade, oposição,
identidade).
AN02FREV001/REV 4.0
147
Orientação:
Alopsíquica:
o Tempo (ano/mês/dia/hora);
o Espaço (lugar caminho realizado);
Autopsíquica: nome, idade, sexo, profissão, estado civil (...).
Atenção:
Voluntária (concentração/tenacidade): avaliação: digit span, soletrar
“MUNDO” em ordem inversa.
Espontânea (reação aos estímulos externos - prosexia).
Obs.: distraibilidade: atençãovoluntária ↓ e espontânea ↑(ex: mania,
delirium).
Memória:
Alterações quantitativas:
o Fixação (pesquisar fatos recentes/avaliar aquisição de informações
novas; ex.: “teste das três palavras”);
o Evocação (pesquisar fatos antigos/autobiográficos).
Alterações Qualitativas:
o Confabulação;
o Amnésia dissociativa (presente na histeria);
o Rememorações delirantes (ex: delírios persistentes, esquizofrenia).
Afetividade
Componentes do afeto:
o Tônus (quantidade, carga);
o Modulação (variação);
o Ressonância: aos estímulos + ou –.
Tipos:
o Embotamento afetivo (afeto hipotônico, hipomodulante e pouco
ressonante característico da esquizofrenia);
AN02FREV001/REV 4.0
148
o Labilidade afetiva (passagem súbita de um estado afetivo para outro);
o Dissociação do afeto (incoerência entre a ideia expressa e o afeto
presente na histeria -“La belle indifference”);
o Ambivalência (amor/ódio ao objeto vivenciado na esquizofrenia).
Humor (estado basal do afeto)
Tipos:
o Eutímico (normal);
o Depressivo;
o Elado/elevado (ex.: hipomania);
o Eufórico (ex.: mania/intoxicação exógena);
o Disfórico (instável, depressivo e irritável; ex.: personalidade borderline);
o Ansioso;
o Irritável;
o Delirante ou tremático (perplexidade característica das fases prodrômicas
das psicoses);
Pensamento/Discurso:
Componentes do Pensamento:
o Curso:
Aceleração;
Lentificação;
Bloqueio/roubo do pensamento;
o Forma:
Organizada (lógica);
Arboriforme (intencionalidade/meta preservada);
“Fuga de ideias” / “descarrilamento” (pensamento mais veloz que
articulação das palavras, conexão dos elementos por assonância, perda da meta);
Desorganizado/desagregado (falta de conexão entre as ideias, “salada
de palavras”);
o Conteúdo (tema): desvalia, ruína, niilista, grandiosidade,
persecutoriedade, místico/religioso. Obs.: o pensamento é inferido indiretamente
pelo discurso.
AN02FREV001/REV 4.0
149
Discurso (manifestação explicita da linguagem):
o Logorreia/pressão de discurso (ex.: mania);
o Prolixo/barroco (ex.: obsessivo, epilepsia);
o Concreto (ex.: crianças, retardo mental);
o Perseverante (ex.: lesão lobo frontal);
o Lacônico (pouco, conciso);
o Neologismos (esquizofrenia hebefrênica);
o Ecolalia (catatonia, síndrome de tiques);
o Coprolalia (idem).
Sensopercepção:
IIusão: distorção de um percepto real, não necessariamente patológica
(ex.:ilusão óptica);
Alucinações (verdadeiras): percepção nítida, objetiva e externa na
ausência de um percepto real (ex.: “Doutor, são vozes de mulheres vindas da sala
que comentam as minhas ações.”); Obs.: alucinações auditivas são as mais
comuns; visuais, tácteis e cenestésicas: afastar transtorno orgânico (ex.: delirium,
epilepsia, tumor);
Pseudoalucinações: localizadas no espaço subjetivo interno (ex.: “vozes
dentro da cabeça”);
Alucinose: crítica do indivíduo em relação ao fenômeno (ex.: alucinose
alcoólica)
Juízo:
Capacidade de criticar/ajuizar/avaliar satisfatoriamente a realidade vivida;
Gradações:
o Ideias sobrevaloradas (ex.: fundamentalismo religioso, apaixonamentos);
o Ideias deliroides (ex.: ideias de grandeza em mania);
o Delírio: alteração patológica do juízo: pensamento errôneo, fato
improvável caracterizado por uma certeza subjetiva, irrefutabilidade pela lógica e
impossibilidade de se compartilhado;
Tipos: ciúme, persecutórios, ruína, grandeza, místico etc. (ex.:
AN02FREV001/REV 4.0
150
esquizofrenia e delírios persistentes).
Vontade/Conação:
1º: representações volitivas = intenção (vontade/desejo/interesse):
o Alterações quantitativas:
Hipobulia (ex.: depressão);
Hiperbulia (ex.: mania);
o Alterações Qualitativas: piromania, parafilias (ex.: pedofilia).
2º: tomada de decisão (envolve juízos, deliberação):
o Alteração: hesitação enfrentada em estados depressivos e obsessivos;
3º: pragmatismo: capacidade de praticar ou interromper ações (ex.:
cessar um vício); capacidade de manter atividades gerais da vida prática (ex.:
banhar-se, estudar).
Psicomotricidade:
Lentificação (ex.: Parkinson, depressão);
Inquietude (ex.: ansiedade);
Agitação (ex.: mania);
Movimentos repetitivos e estereotipados (ex.: tiques, ecopraxia);
Flexibilidade cerúlea (ex.: catatonia);
Distonias;
Acatisia;
Discinesia tardia (ocasionada pelo uso de neurolépticos).
Inteligência:
Função psíquica complexa que determina resolução de problemas e
adaptação do indivíduo;
Avaliar histórico escolar, profissão; considerar nível cultural e
regionalismos;
Medida quantitativa (QI); cálculo, resolução de equações, capacidade de
abstração (ex.: compreensão de ditados populares).
AN02FREV001/REV 4.0
151
Personalidade:
Função psíquica complexa que determina o ajustamento do indivíduo e
seu padrão de resposta às condições impostas.
Determinada por quatro componentes:
o Temperamento (componente afetivo): predominantemente herdado (“ele
é explosivo como o pai”);
o Caráter (componente conativo): predominantemente adquirido (“ele ficou
egoísta depois que saiu do orfanato”);
o Componente intelectivo (Inteligência);
o Componente somático/biológico (estatura, genética).
Avaliação do padrão “gatilho-resposta”, diversas entrevistas, convocação de
familiares.
ROTEIRO 2
EXAME PSÍQUICO
Pontos principais a serem investigados:
1. INSPEÇÃO:
Vestuário, a atitude, os gestos, a fisionomia, a mímica, linguagem,
conduta (atos simples, complexos, isolados, associados, voluntários, involuntários,
com objetivos ou sem objetivos etc.).
2. EXAME DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS:
Atenção;
Percepção;
Memória;
Imaginação;
Associação ideativa;
AN02FREV001/REV 4.0
152
Julgamento;
Orientação auto e alopsíquica;
Consciência;
Inteligência;
Afetividade;
Sentimentos éticos;
Vontade;
Iniciativa pragmática;
Atividade (anorexia, sitofobia, bulimia, dipsomania, desvios sexuais,
avareza, prodigalidade, agressividade, tentativa de suicídio, atos delituosos, etc.).
COMPORTAMENTO GERAL:
1. Aparência: face (alegre, triste, perplexa, desconfiada), vestuário, fala.
2. Atividade psicomotora.
3. Linguagem.
4. Atitude em relação ao terapeuta: cooperativa, agressiva, desconfiado e
evasivo.
SINAIS E SINTOMAS PSICOPATOLÓGICOS
I. CONSCIÊNCIA:
Conhecimento do próprio eu e do mundo externo momentâneo.
1. Transtorno do sono:
Hipersonia;
Insônia.
2. Diminuição de claridade:
Obnubilação simples;
Obnubilação acompanhada de onirismo (delírio onírico).
3. Estreitamento do campo da consciência:
Estados crepusculares.
4. Abolição de consciência:
AN02FREV001/REV 4.0
153
Paroxísticos (ataques epilépticos, síncopes);
Prolongados (comas).
II. ATENÇÃO:
Concentração sobre o estímulo que o solicita.
Atenção espontânea;
Atenção voluntária.
1. Aprosexia:
Ausência.
2. Hipoprosexia:
Por falta de interesse;
Por deficit intelectual;
Por obnubilação da consciência.
3. Hiperprosexia:
(excesso de mobilidade de atenção)
4. Distraibilidade:
Incapacidade de fixar a atenção para um determinado fim.
5. Paraprosexia ou disprosexia.
III. AFETIVIDADE:
Totalidade afetiva
1. Hipertimia:
Euforia (sentimento agradável do bem-estar e confiança);
Elação (idem, mais afetividade motora exagerada)
2. Hipotimia:
Depressão patológica (sentimento de tristeza imotivada).
3. Apatia ou indiferença afetiva.
4. Irritabilidade patológica.
5. Ansiedade.
6. Ambivalência afetiva
7. Incongruência afetiva
8. Fobias:
AN02FREV001/REV 4.0
154
Acrofobia;
Agorafobia;
Claustrofobia.
IV. SENSOPERCEPÇÃO:
Conhecimento pelos órgãos do sentido.
1. Alteração da intensidade: Hiperestesia;
Hipoestesia;
Abolição de percepção (anestesia, cegueira, surdez, agnosia, anosmia).
2. Alterações qualitativas:
Alucinações:
o Auditivas;
o Visuais;
o Olfativas;
o Gustativas;
o Cenestésicas;
o Cinestésicas.
Pseudoalucinações ou alucinações psíquicas;
Alucinose;
Ilusão.
V. PENSAMENTO:
Fuga de ideias;
Inibição do pensamento;
Bloqueio;
Prolixidade;
Incoerência;
Inserção;
Subtração, roubo de pensamento;
Perseverança;
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155
Ideia fixa;
Ideia obsessiva.
DELÍRIOS:
Juízo falso, não forma parte da cultura, época, ambiente convicção
subjetiva.
Não é rebatido pela experiência e argumentação lógica.
Delírios de:
o Grandeza;
o Perseguição;
o Ruína/prejuízo;
o Influência ou de controle;
o Ciúmes;
o Autoacusação;
o Relação ou de referência;
o Místico;
o Negação.
VI. ALTERAÇÕES DA ATIVIDADE VOLUNTÁRIA:
Estados de exaltação;
Debilidade da vontade;
Estupor;
Negativismo;
Estereotipias;
Atos impulsivos - ações isoladas, súbitas, involuntárias e desprovidas de
finalidade;
Compulsão - impulso incontrolado de desempenhar um ato
repetitivamente;
Tiques;
Obediência passiva - Flexibilidade cérea (Catalepsia);
Cataplexia.
AN02FREV001/REV 4.0
156
VII. MEMÓRIA:
Capacidade de fixação e capacidade de evocação ou reprodução.
Hipermnésia;
Hipomnésia e amnésia;
Amnésia anterógrada:
o Perturbação de fixação;
o Consciência obnubilada;
o Demência senil.
Amnésia retrógrada de evocação;
Amnésia retroanterógrada ou total;
Amnésia transitória;
Paramnésia ou Dismnésia:
o Falsificação da memória por distorção;
o Confabulações;
o Fenômeno já visto na evocação.
VIII. INTELIGÊNCIA:
1. Capacidade geral para resolver problemas novos.
2. Capacidade para utilizar o pensamento de forma eficaz e produtiva.
3. Capacidade de síntese.
4. Capacidade de distinguir o essencial do acessório:
Retardo Mental:
o Leve (QI 53 A 67);
o Moderado (QI 36 a 51);
o Profunda (QI menor que 20).
Demência.
IX. LINGUAGEM:
1. Alterações por causas orgânicas:
Disartria: dificuldades para articular as palavras;
Dislalia: malformações: língua, abóbada palatina ou órgão de fonação
AN02FREV001/REV 4.0
157
(omissão, substituição ou deformação do fonema);
Afasia:
o Afasia motora: compreende, mas não fala;
o Afasia sensorial: fala, mas não entende;
o Afasia global.
Disfemias: gagueira;
Disfonias: defeitos na voz.
2. Alterações da linguagem funcional:
Logorreia;
Ecolalia;
Bradilalia;
Neologismo;
Verbigeração;
Estereotipia verbal;
Mutismo.
3. Alterações dos movimentos de expressão:
Hipomimia;
Hipermimia;
Paramimia.
X. ORIENTAÇÃO:
(Orientação no tempo e no espaço, e da própria pessoa)
Desorientação apática;
Desorientação amnéstica;
Desorientação amencial;
Desorientação delirante;
Desdobramento de personalidade;
Despersonalização.
Temporalidade:
Império do presente: oligofrenia, demência;
Império do passado: depressivos;
AN02FREV001/REV 4.0
158
Império do futuro: angústia, fobias.
FONTE: Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/educacaomedica/educacaomed2.htm>.
Acesso em: 10 ago. 2011.
CHECK-LIST DE SINTOMAS DO CID-10 PARA TRANSTORNOS MENTAIS
Apresentaremos a versão 1.1, preparado por: Dr. A. Janca, Dr. T.B. Üstün,
Dr. J. van Drimmelen, Dr. V. Dittmann e Dr. M. Isaac, todos da Divisão para
Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde Genebra (1994), disponível no
site www.psiquiatriageral.com.br.
INTRODUÇÃO
INSTRUMENTO
O checklist de sintomas para Transtornos Mentais - CID-10 é um
instrumento semiestruturado para avaliação de sintomas e síndromes
psiquiátricas nas categorias F0 a F6 do CID-10. O instrumento consiste de: folha
de rosto, triagem e módulos. Os seguintes módulos são incluídos no checklist: a)
Módulo F0/F1: Síndromes Mentais Orgânicas e de Uso de Substância Psicoativa.
b) Módulo F2/F3: Síndromes Psicóticas e Afetivas. c) Módulo F4/F5: Síndromes
Neuróticas e Comportamentais. d) Módulo F6: Transtornos de Personalidade.
Para facilitar o uso, os módulos são impressos em diferentes cores, e o
usuário usará apenas aqueles módulos em que o paciente for triado
positivamente.
Cada um dos módulos consiste de uma lista de sintomas e listas de
estados que, de acordo com os critérios do CID-10, devem ser excluídos ou
podem estar associados à síndrome. Estas listas são acompanhadas de
AN02FREV001/REV 4.0
159
instruções que podem ajudar o usuário a considerar outras possíveis síndromes
e, portanto, o uso de outros módulos da checklist. Se for o caso, os módulos
também oferecem a possibilidade de se registrar o início, a severidade e a
duração da síndrome, assim como o número de episódios.
APLICAÇÃO
O usuário do checklist deve estar familiarizado com os critérios
diagnósticos do CID-10. Os passos a seguir são recomendados na administração
do checklist:
Passo 1: registrar e codificar as informações gerais na folha de rosto.
Passo 2: checar os sintomas positivos listados na avaliação (usar X).
Passo 3: usar apenas os módulos para os quais o paciente for avaliado
positivamente.
Passo 4: checar os sintomas positivos nos módulos utilizados (usar X).
Para a duração da síndrome e o número de episódios, escrever o número
apropriado no box (por exemplo, 03).
Passo 5: considerar diagnósticos diferenciais ou síndromes conforme é
instruído nos módulos. Se necessário, consultar outros módulos.
Passo 6: codificar diagnósticos positivos na folha de rosto usando as
categorias F (por exemplo, F41.0).
Passo 7: checar confiabilidade diagnóstica na folha de rosto (usar X).
Passo 8: registrar qualquer comentário na folha de rosto.
AN02FREV001/REV 4.0
160
FOLHA DE ROSTO Código
Instituição:___________________________________________
Estudo:______________________________________________
Clínico:______________________________________________
Data:___/___/_____
Paciente:____________________________________________
Idade:_______________________________________________
Sexo:
Masculino
Feminino
Diagnóstico CID-10 (categoria F):
Principal
Secundário
Grau de confiança do diagnóstico:
Alto
Moderado
AN02FREV001/REV 4.0
161
Anotações do Clínico:
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
TRIAGEM
Identificação do caso psiquiátrico
• Queixas psicológicas.
• Queixas somáticas não explicadas medicamente.
• Comportamento desviado das normas culturalmente aceitas.
• Nenhum dos acima, mas é um caso.
Explique:__________________________________________________
*Se todos NÃO, parar.
• Comprometimento ou incapacidade social ou ocupacional.
• Condição ou doença física coexistente.
• Estressor psicossocial.
Síndromes Mentais Orgânicas e de Uso de Substância Psicoativa
AN02FREV001/REV 4.0
162
• Prejuízo da memória ou de outra habilidade intelectual.
• Alteração da consciência.
• Uso de substância psicoativa.
*Se algum SIM, usar módulo F0/F1 (páginas amarelas).
Síndromes Psicóticas e Afetivas
• Conduta catatônica.
• Delírios ou alucinações.
• Humor elevado, expansivo, irritável ou desconfiado.
• Humor deprimido ou diminuído.
• Retraimento social ou diminuiçãodo desempenho social.
*Se algum SIM, usar módulo F2/F3 (páginas rosa).
Síndromes Neuróticas e Síndromes Comportamentais
• Fobia ou ansiedade (pânico).
• Obsessões ou compulsões.
• Estados dissociativos (conversão).
• Somatização.
• Anorexia ou bulimia.
• Dissonias ou parassonias.
• Disfunções sexuais.
AN02FREV001/REV 4.0
163
* Se algum SIM, usar módulo F4/F5 (páginas azuis).
Transtorno de Personalidade
• Desvio prolongado de traço de personalidade ou padrões de
comportamento.
* Caso SIM, usar módulo F6 (páginas verdes).
MÓDULO F0/F1: SÍNDROMES MENTAIS ORGÂNICOS E DE USO DE
SUBSTÂNCIA PSICOATIVA
TRANSTORNOS MENTAIS ORGÂNICOS
a) Quais dos sintomas a seguir estão presentes?
1. Prejuízo da memória.
2. Prejuízo de outras habilidades intelectuais.
3. Deterioração no controle emocional, comportamento social ou motivação.
4. Comprometimento da consciência e atenção.
5. Distúrbios de percepção ou desorientação.
6. Distúrbios psicomotores.
7. Distúrbio do ciclo sono/vigília.
8. Início rápido e flutuações diurnas dos sintomas.
b) Quão severa é a síndrome?
1. Leve
AN02FREV001/REV 4.0
164
2. Moderada
3. Grave
c) Como foi o início da síndrome?
1. Agudo
2. Crônico
d) Qual é a duração da síndrome?
1. Em dias.
2. Em meses.
3. Em anos.
e) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos?
1. Retardo mental.
2. Transtorno mental iatrogênico devido à medicação.
f) Qual dos seguintes estados está associado?
1. Sintomas depressivos.
2. Sintomas maníacos.
* Se algum SIM, também considerar Síndrome Afetiva.
3. Abuso de álcool ou drogas:
• Causando a síndrome.
• Coexistindo com a síndrome.
AN02FREV001/REV 4.0
165
*Se algum SIM, também considerar Síndromes Decorrentes do Uso de Substância
Psicoativa.
4. Mudanças na personalidade ou no comportamento.
*Caso SIM, considerar Transtorno de Personalidade.
5. Sintomas psicóticos agudos ou transitórios.
6. Sintomas agudos de esquizofrenia.
*Se algum SIM, considerar Síndromes Psicóticas.
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Demência (F01-F03).
2. Delirium (F05).
3. Transtorno orgânico de personalidade (F07).
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
4. Outros transtornos mentais orgânicos:
• Alucinose orgânica (F06.0).
• Transtorno catatônico orgânico - estupor ou excitação (F06.1).
• Transtorno delirante (esquizofreniforme) orgânico (F06.2).
• Transtorno orgânico do humor (afetivo) (F06.3).
• Transtorno orgânico de ansiedade (F06.4).
• Transtorno dissociativo orgânico (F06.5).
• Transtorno emocional orgânico lábil (F06.6).
AN02FREV001/REV 4.0
166
* Se algum SIM, considerar também o módulo apropriado após codificar a categoria
F na folha de rosto.
TRANSTORNO DO USO DE SUBSTÂNCIA PSICOATIVA
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Forte desejo ou senso de compulsão em usar uma substância (craving).
2. Capacidade prejudicada de controlar o uso de uma substância ("perda do
controle").
3. Estado de abstinência.
4. Uso de uma substância para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.
5. Tolerância (fisiológica, comportamental ou psicológica).
6. Redução no repertório do padrão de uso de substâncias.
7. Abandono progressivo de divertimentos, comportamentos ou interesses
alternativos em favor do uso de uma substância.
8. Dano físico ou psicológico devido ao uso de uma substância (deve ser
claramente especificado).
9. Persistir com o uso de uma substância apesar de claras evidências de
consequências danosas.
b) Qual a duração do transtorno?
1. Em meses.
2. Em anos.
c) Quais das seguintes substâncias foram usadas?
Álcool
AN02FREV001/REV 4.0
167
Opioides
Canabinoides
Hipnóticos
Cocaína
Estimulantes (incluindo cafeína)
Alucinógenos
Tabaco
Solventes voláteis
Substâncias psicoativas ou múltiplas outras
d) Qual dos seguintes estados está associado?
1. Delirium.
2. Síndrome amnésica.
*Se algum SIM, também considerar Transtornos Mentais Orgânicos.
3. Sintomas psicóticos.
*Caso SIM, considerar Síndrome Psicótica.
e) Quais dos seguintes diagnósticos estão presentes?
1. Uso nocivo (F1x.1).
Se SIM, registrar a(s) substância (s) psicoativa (s)
_____________________________________________________________
2. Síndrome de dependência (F1x.2).
AN02FREV001/REV 4.0
168
Se SIM, registrar a(s) substância (s) psicoativa (s)
_____________________________________________________________
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
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MÓDULO F2/F3: SÍNDROMES PSICÓTICAS E AFETIVAS
TRANSTORNOS PSICÓTICOS
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Eco do pensamento, inserção ou roubo do pensamento, ou irradiação do
pensamento.
2. Delírios ou percepção delirante.
3. Vozes alucinatórias ou outras alucinações persistentes de qualquer tipo.
4. Discurso incoerente ou irrelevante, neologismos.
5. Comportamento catatônico.
6. "Sintomas negativos" (apatia, pobreza de discurso, embotamento ou
incongruência de respostas emocionais).
7. Comportamento sem objetivo ou desorganizado.
8. Comunicação não verbal pobre por expressão facial.
9. Marcado declínio do desempenho social, escolar ou ocupacional, ou
retraimento social.
10. Aparência estranha, excêntrica ou peculiar, ou autocuidado deficiente.
AN02FREV001/REV 4.0
169
11. Experiências de despersonalização ou desrealização.
12. Tempestade ou confusão emocional.
13. Perplexidade ou identificação errônea de pessoas ou lugares.
14. Motricidade aumentada ou diminuída.
b) Como foi o início do transtorno?
• Agudo
• Crônico
c) Qual é a duração do transtorno?
• Em dias.
• Em meses.
d) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos?
1. Doença mental orgânica.
2. Transtorno de personalidade esquizoide.
3. Modos de expressão influenciados (sub) culturalmente.
4. Nível de inteligência abaixo do normal.
5. Intoxicação relacionada com drogas ou álcool, ou abstinência causando a
síndrome.
e) Qual dos seguintes estados está associado?
1. Sintomas maníacos.
2. Sintomas depressivos.
AN02FREV001/REV 4.0
170
* Se algum SIM, considerar também Síndrome Afetiva.
3. Abuso de álcool ou drogas coexistindo com a síndrome.
*Caso SIM, considerar também Síndrome de Uso de Substância Psicoativa.
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Esquizofrenia (F20).
2. Transtorno esquizotípico (F21).
3. Transtorno delirante (F22).
4. Transtornos psicóticos agudos e transitórios (F23).
5. Transtorno esquizoafetivo (F25).
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
MANIA
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Humor anormalmente elevado ou irritável.
2. Atividade aumentada ou inquietude física.
3. Loquacidade aumentada ("pressão da fala").
4. Propensão à distração ou mudanças constantes nas atividades ou planos.
5. Diminuição da necessidade de sono.
6. Energia sexual aumentada ou indiscrições sexuais.
7. Comportamento arriscado, imprudente ou irresponsável.
AN02FREV001/REV 4.0
171
8. Sociabilidade aumentada ou familiaridade excessiva.
9. Fuga de ideias ou pensamento acelerado.
10. Autoestima inflada ou grandiosidade.
11. Delírios.
12. Alucinações.
b) Quão grave é a síndrome?
• Hipomaníaca.
• Maníaca.
c) Qual a duração da síndrome?
• Em dias.
d)Quantos episódios houve?
e) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos?
1. Doença endócrina precipitante.
2. Tratamento medicamentoso precipitante.
3. Anorexia nervosa.
4. Esquizofrenia.
f) Quais dos seguintes estados estão associados?
1. Doença mental orgânica:
• Causando a síndrome.
AN02FREV001/REV 4.0
172
• Coexistindo com a síndrome.
*Se algum SIM, também considerar Síndromes Mentais Orgânicas.
2. Sintomas depressivos.
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo Bipolar.
3. Instabilidade de humor persistente.
*Caso SIM, considerar Ciclotimia.
4. Abuso de álcool ou drogas:
• Causando a síndrome.
• Coexistindo com a síndrome.
*Caso SIM, também considerar Síndromes de Uso de Substância Psicoativa.
5. Delírios ou alucinações.
*Caso SIM, considerar Transtorno Esquizoafetivo.
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Hipomania (F30.0).
2. Mania sem sintomas psicóticos (F30.1).
3. Mania com sintomas psicóticos (F30.2).
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
DEPRESSÃO
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Humor deprimido.
AN02FREV001/REV 4.0
173
2. Perda de interesse ou prazer.
3. Energia diminuída ou fatigabilidade aumentada.
4. Perda de confiança ou autoestima.
5. Autorrecriminações irracionais ou culpa excessiva.
6. Pensamentos ou comportamento suicida.
7. Dificuldade para pensar ou se concentrar.
8. Agitação ou retardo psicomotor (objetivo).
9. Distúrbio do sono.
10. Alteração do apetite e peso (5% do peso corporal).
11. Perda da reatividade e eventos ou atividades.
12. Depressão pior pela manhã.
13. Marcada perda da libido.
14. Choro frequente.
15. Sentimentos de falta de esperança ou desespero.
16. Incapacidade de levar adiante as responsabilidades rotineiras.
17. Pessimismo a respeito do futuro ou ruminações sobre o passado.
18. Falando menos do que o habitual.
19. Estupor depressivo.
20. Delírios.
AN02FREV001/REV 4.0
174
21. Alucinações.
b) Quão severa é a síndrome?
1. Leve
2. Moderada
3. Grave
c) Qual a duração da síndrome?
• Em semanas.
• Em meses.
d) Quantos episódios houve neste período?
e) Qual dos seguintes estados pode ser excluído?
1. Doença endócrina precipitante ou tratamento medicamentoso.
2. Esquizofrenia causando a síndrome.
f) Quais dos seguintes estados estão associados?
1. Doença mental orgânica.
*Caso SIM, considerar Síndromes Mentais Orgânicas.
2. Esquizofrenia coexistindo com o transtorno.
*Caso SIM, considerar Esquizofrenia.
3. Sintomas maníacos ou hipomaníacos.
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo Bipolar.
AN02FREV001/REV 4.0
175
4. Instabilidade persistente de humor por dois anos ou mais.
*Caso SIM, considerar Ciclotimia.
5. Menos de duas semanas de duração do transtorno.
*Caso SIM, Considerar Transtorno Afetivo Breve ou Misto.
6. Delírios ou alucinações.
*Caso SIM, Considerar Transtorno Esquizoafetivo.
7. Abuso de álcool ou drogas:
• Causando a síndrome.
• Coexistindo com a síndrome.
*Se algum SIM, considerar também Uso de Substância Psicoativa.
g) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Episódio depressivo leve (F32.0).
2. Episódio depressivo moderado (F32.1).
3. Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos (F32.2).
4. Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos (F32.3).
5. Episódios depressivos recorrentes (F33).
6. Ciclotimia (F34.0).
7. Distimia (F34.1).
8. Transtorno afetivo bipolar (F31).
AN02FREV001/REV 4.0
176
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
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MÓDULO F4/F5: SÍNDROMES NEURÓTICAS E COMPORTAMENTAIS
TRANSTORNOS NEURÓTICOS
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Medos.
2. Ataques de pânico.
3. Ansiedade, preocupações, apreensões.
4. Sintomas autonômicos de ansiedade.
5. Pensamentos obsessivos ou atos compulsivos.
6. Exposição a um estressor mental, físico ou social excepcional.
7. Relembrar ou reviver persistentemente o estressor.
8. Evita circunstâncias associadas ao estressor.
9. Sintomas de sensibilidade psicológica ou vigilância aumentada.
10. Sintomas ou estados dissociativos (conversivos).
11. Queixas físicas múltiplas e variáveis não explicadas por nenhuma
doença física.
12. Repetidas consultas médicas e recusas persistentes em aceitar
orientação médica.
AN02FREV001/REV 4.0
177
13. Fadiga mental ou física persistente.
b) Qual a duração da síndrome?
• Em semanas.
• Em meses.
• Em anos.
c) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos?
1. Sintomas ou transtorno psicótico.
2. Consumo excessivo ou abstinência de drogas.
3. Simulação intencional.
d) Quais dos seguintes estados estão associados?
1. Sintomas afetivos.
*Caso SIM, considerar também Síndrome Afetiva.
2. Experiências de despersonalização ou desrealização.
*Caso SIM, considerar também Síndrome Psicótica.
e) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Fobias (F40.0-F40.2).
2. Transtorno de pânico (F41.0).
3. Transtorno de ansiedade generalizada (F41.1).
4. Transtornos de ansiedade e depressão mistos ou outros transtornos
mistos de ansiedade (F41.2-F41.3).
AN02FREV001/REV 4.0
178
5. Transtorno obsessivo-compulsivo (F42).
6. Reação aguda a estresse (F43.0).
7. Transtorno de estresse pós-traumático (F43.1).
8. Transtorno de ajustamento (F43.2).
9. Transtornos dissociativos (ou conversivos) (F44).
10. Transtornos somatoformes (F45.0-F45.4).
11. Neurastenia (F48.0).
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
SÍNDROMES COMPORTAMENTAIS
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Perda de peso significativa e autoinduzida.
2. Episódios de orgias alimentares.
3. Pavor de engordar.
4. Consequências endócrinas (amenorreia, impotência).
5. Distúrbio da quantidade, qualidade ou horário do sono.
6. Episódios involuntários de levantar-se da cama durante o sono e
caminhar.
7. Episódios de despertar do sono com gritos de pânico e manifestações de
ansiedade.
AN02FREV001/REV 4.0
179
8. Despertar de pesadelos com recordação vívida.
9. Distúrbio de sono causando incômodo marcante ou interferindo nas
atividades ou na vida do paciente.
10. Incapacidade frequente de participar numa relação sexual da maneira
como gostaria.
b) Qual a duração da síndrome?
• Em meses.
• Em anos.
c) Quantos episódios houve neste período?
d) Quais dos seguintes estados podem ser excluídos?
1. Condição neurológica ou médica causando a síndrome.
2. Tratamento medicamentoso precedente ou atual causando a síndrome.
e) Quais dos seguintes estados estão associados?
1. Transtorno depressivo.
*Caso SIM, considerar Transtorno Afetivo.
2. Abuso de álcool ou drogas.
*Caso SIM, considerar Transtornos de Uso de Substância Psicoativa.
3. Doença mental orgânica.
*Caso SIM, considerar Transtorno Mental Orgânico.
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
AN02FREV001/REV 4.0
180
1. Anorexia nervosa (F50.0).
2. Bulimia nervosa (F50.2).
3. Transtornos não orgânicos de sono (F51).
4. Disfunção sexual não causada por transtorno ou doença orgânica (F52).
* Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
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MÓDULO F6: TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE
a) Quais dos seguintes sintomas estão presentes?
1. Desvio consistente e estável de traços de personalidadeou
comportamentos em relação às normas culturalmente aceitas de forma
estável e permanente.
2. Comportamento inflexível, desadaptado ou, sob outros aspectos,
disfuncional numa ampla gama de situações pessoais e sociais.
3. Desconforto pessoal ou impacto adverso sobre o ambiente social.
b) Quais das seguintes características e comportamentos estão presentes?
1. Paranoide:
• Sensibilidade excessiva a contratempos e rejeições.
• Incapacidade de perdoar ofensas e injúrias.
AN02FREV001/REV 4.0
181
• Desconfiança.
• Combativo e obstinado no que se refere a direitos pessoais.
• Propensão a ciúme patológico.
• Tendência a experimentar excessiva autovalorização.
• Preocupação com explicações "conspiratórias" não comprovadas sobre
eventos.
2. Esquizoide:
• Incapacidade de experimentar prazer (anedonia).
• Frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada.
• Indiferença tanto para elogios quanto para críticas.
• Pouco interesse em ter experiências sexuais.
• Preferência por fantasias, atividades solitárias e introspecção.
• Falta de amigos íntimos.
• Dificuldade em reconhecer e aderir a convenções sociais (comportamento
excêntrico).
3. Antissocial:
• Falta de capacidade de empatia.
• Irresponsabilidade e desrespeito por normas sociais.
• Incapacidade de manter relacionamentos persistentes.
• Baixa tolerância à frustração e baixo limiar para descarga de agressão.
AN02FREV001/REV 4.0
182
• Incapacidade de experimentar culpa.
• Propensão para culpar os outros.
• Irritabilidade persistente.
4. Emocionalmente instável:
• Tendência a agir inesperadamente e sem consideração das
consequências.
• Tendência a comportamentos beligerante e a ter conflitos com os outros.
• Facilidade para ter explosões de raiva ou violência.
• Incapacidade evidente de planejar adiante ou prever acontecimentos
futuros que têm grande chance de ocorrer.
• Dificuldade em persistir em qualquer tarefa que não ofereça gratificação
imediata.
• Humor instável e caprichoso.
• Perturbações e incerteza sobre autoimagem e preferências internas
(incluindo a sexual).
• Propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis.
• Ameaças ou atos recorrentes de dano a si próprio.
5. Histriônico:
• Autodramatização, teatralidade.
• Sugestionabilidade.
• Afetividade superficial e lábil.
AN02FREV001/REV 4.0
183
• Egocentricidade.
• Busca contínua de apreciação.
• Necessidade de excitação ou de ser o centro das atenções.
• Comportamento manipulativo para adquirir necessidades próprias.
6. Anancástico:
• Indecisão.
• Perfeccionismo.
• Consciencioso, escrupuloso.
• Pedantismo e convencional.
• Rigidez e teimosia.
• Intrusão de pensamentos ou impulsos insistentes e indesejáveis.
• Planejamento em longo prazo de todas as atividades e com detalhes
imutáveis.
7. Ansioso (de evitação):
• Sentimentos de tensão e apreensão.
• Autoconsciência e sentimentos de insegurança e inferioridade.
• Desejo de ser querido e aceito.
• Hipersensibilidade à rejeição e críticas.
• Recusa em se envolver com pessoas, a não ser com garantias de
aceitação sem críticas.
AN02FREV001/REV 4.0
184
• Propensão habitual a exagerar o potencial de perigo ou riscos em situações
cotidianas.
• Estilo de vida restrito devido à necessidade de certeza e segurança.
8. Dependente:
• Permitir que outros assumam responsabilidades em áreas principais da
vida.
• Subordinação de suas próprias necessidades àquelas dos outros dos quais
é dependente.
• Relutância em fazer exigências, ainda que razoáveis, às pessoas das quais
depende.
• Perceber a si mesmo como desamparo, incompetente e sem vigor.
• Medo de ser abandonado e necessidade constante de se assegurar contra
isso.
• Sentimentos de ruína e desamparo quando um relacionamento íntimo
termina.
• Transferir responsabilidades para outros.
c) Qual a duração da síndrome?
• Em anos.
d) Qual dos seguintes estados pode ser excluído?
1. Desvio resultante de outra doença mental adulta.
2. Desvio resultante de doença ou dano cerebral orgânico.
e) Quais dos seguintes estados estão associados?
AN02FREV001/REV 4.0
185
1. Abuso de álcool ou drogas.
*Caso SIM, considerar Síndromes Decorrentes do Uso de Substância Psicoativa.
2. Sintomas afetivos.
*Caso SIM, considerar também Síndrome Afetiva.
3. Sintomas psicóticos.
*Caso SIM, considerar Síndrome Psicótica.
4. Sintomas neuróticos.
*Caso SIM, considerar Síndrome Neurótica.
f) Qual dos seguintes diagnósticos está presente?
1. Transtorno de personalidade paranoide (F60.0).
2. Transtorno de personalidade (F60.1).
3. Transtorno de personalidade (F60.2).
4. Transtornos de personalidade emocionalmente instável:
• Tipo impulsivo (F60.30).
• Tipo boderline (F60.31).
5. Transtorno de personalidade histriônica (F60.4).
6. Transtorno de personalidade anancástica (F60.5).
7. Transtorno de personalidade ansiosa (de evitação) (F60.6).
8. Transtorno de personalidade dependente (F60.7).
AN02FREV001/REV 4.0
186
9. Outros transtornos de personalidade especificados (F60.8).
*Se algum SIM, codificar a categoria F na folha de rosto.
Voltar à triagem
8 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DECORRENTES DE AVALIAÇÕES
PSICOLÓGICAS
Neste tópico informaremos sobre os vários documentos existentes como a
Declaração, o Atestado Psicológico, o Relatório Psicológico, Laudo Psicológico e o
Parecer Psicológico.
Desses, os mais usados na entrevista devolutiva são o Laudo Psicológico, o
Relatório e o Parecer, mas aqui falaremos de todos os documentos a título de
informação aos profissionais.
Estas informações sobre a elaboração dos instrumentos foram colhidas no
site www.pol.org.br em resoluções do CFP Nº. 07/2003 e têm por objetivos:
Orientar o profissional psicólogo na confecção de documentos
decorrentes das avaliações psicológicas;
Fornecer os subsídios éticos e técnicos necessários para a elaboração
qualificada da comunicação escrita.
A avaliação psicológica é entendida como o processo científico de coleta de
dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos
psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade,
utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e
instrumentos. Os resultados das avaliações devem identificar os
condicionantes sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalidade de
serem instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, mas na
modificação desses condicionantes sociais. (POL, 2010, s. p.).
AN02FREV001/REV 4.0
187
Itens:
Princípios norteadores da elaboração documental;
Modalidades de documentos;
Conceito e Finalidade/Estrutura;
Validade dos documentos;
Guarda dos documentos.
8.1 PRINCÍPIOS NORTEADORES NA ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS
O psicólogo, na elaboração de seus documentos, deverá adotar como
princípios norteadores as técnicas da linguagem escrita e os princípios éticos,
técnicos e científicos da profissão.
8.2 PRINCÍPIOS TÉCNICOS DA LINGUAGEM ESCRITA
O documento deve, na expressão escrita, apresentar uma redação bem-
estruturada e definida, ou seja, expressar o pensamento, o que se quer comunicar.
Deve ter uma ordenação que possibilite a compreensão por quem o lê – o que é
fornecido pela estrutura, composição de parágrafos ou frases, além da correção
gramatical.
O emprego de expressões ou termos deve ser compatível com as
expressões próprias da linguagem profissional,garantindo a precisão da
comunicação e evitando a diversidade de significações da linguagem popular.
A comunicação deve ainda apresentar como qualidades a clareza, a
concisão e a harmonia. A clareza se traduz na estrutura frasal, pela sequência ou
ordenamento adequado dos conteúdos, pela explicitação da natureza e função de
cada parte na construção do todo. A concisão se verifica no emprego da linguagem
adequada, da palavra exata e necessária. Essa “economia verbal” requer do
AN02FREV001/REV 4.0
188
psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação lacônica ou o exagero
de uma redação prolixa. Finalmente, a harmonia se traduz na correlação adequada
das frases, no aspecto sonoro e na ausência de cacofonias.
8.3 PRINCÍPIOS ÉTICOS E TÉCNICOS
8.3.1 Princípios éticos
Na elaboração de DOCUMENTO, o psicólogo baseará suas informações na
observância dos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do
Psicólogo. Enfatizamos aqui os cuidados em relação: aos deveres do psicólogo nas
suas relações com a pessoa atendida, ao sigilo profissional, às relações com a
Justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em
relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão
de relações de poder.
8.3.2 Princípios técnicos
O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste
procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas,
sociais, econômicas e políticas, sendo os mesmos elementos constitutivos no
processo de subjetivação. O DOCUMENTO, portanto, deve considerar a natureza
dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo.
Os psicólogos, ao produzirem documentos escritos, devem se basear
exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas, testes, observações,
dinâmicas de grupo, escuta, intervenções verbais etc.) que se configuram como
métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados, estudos e interpretações de
informações a respeito da pessoa ou grupo atendido, bem como sobre outros
AN02FREV001/REV 4.0
189
materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em
questão.
A linguagem nos documentos deve ser rigorosa, precisa, clara e inteligível.
8.4 MODALIDADES DE DOCUMENTOS
Laudo Psicológico;
Relatório Psicológico;
Parecer Psicológico;
Declaração;
Atestado.
8.5 LAUDO PSICOLÓGICO OU PERICIAL
8.5.1 Conceito e finalidade do Laudo Psicológico ou Pericial
A palavra laudo é originária do idioma latino, do genitivo laudis e significa
originalmente mérito, valor, glória. É um documento conciso, minucioso e
abrangente, que busca relatar, analisar e integrar os dados colhidos no processo de
avaliação psicológica tendo como objetivo apresentar diagnóstico e/ou prognóstico,
para subsidiar ações, decisões ou encaminhamentos.
Portanto, diferencia-se do Relatório Psicológico por ter como objetivo
subsidiar uma tomada de decisão, por realizar uma extensa pesquisa cujas
observações e dados colhidos deverão ser relacionados às questões e situações
levantadas pela decisão a ser tomada.
AN02FREV001/REV 4.0
190
8.5.2 Estrutura
Na sua estrutura básica, o laudo psicológico contém os seguintes itens:
1) Identificação;
2) Descrição da demanda;
3) Métodos e técnicas utilizadas;
4) Conclusão.
1) Identificação
Refere-se à descrição dos dados básicos do avaliado, como nome, data de
nascimento, idade, escolaridade, filiação, profissão etc.
2) Descrição da demanda
Nesse item, o psicólogo apresenta as informações referentes a motivos,
queixas ou problemáticas apresentadas, esclarecendo quais ações, decisões ou
encaminhamentos o laudo deverá subsidiar.
3) Métodos e técnicas utilizadas
Refere-se à descrição dos recursos utilizados e dos resultados obtidos.
4) Conclusão
Destina-se a apresentar uma síntese do diagnóstico e/ou prognóstico da
avaliação realizada e/ou encaminhamentos, necessariamente relacionados à
demanda.
AN02FREV001/REV 4.0
191
8.6 RELATÓRIO PSICOLÓGICO
8.6.1 Conceito e finalidade do Relatório Psicológico
O Relatório Psicológico é uma apresentação descritiva e/ou interpretativa
acerca de situações ou estados psicológicos e suas determinações históricas,
sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de Avaliação Psicológica.
Como todo DOCUMENTO, deve ser subsidiado em dados colhidos e analisados à
luz de um instrumental técnico (entrevistas, dinâmicas, testes psicológicos,
observação, escuta, intervenção verbal etc.), consubstanciado em referencial
técnico-filosófico e científico, adotado pelo psicólogo.
A finalidade do Relatório Psicológico será sempre a de apresentar resultados
e conclusões da avaliação psicológica. Entretanto, em função da petição ou da
solicitação do interessado, o Relatório Psicológico poderá destinar-se a finalidades
diversas, como: encaminhamento, intervenção, diagnóstico, prognóstico, parecer,
orientação, solicitação de acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para
acompanhamento psicológico etc. Enfim, a solicitação do requerente é que irá
apontar o objetivo último do Relatório Psicológico.
8.6.2 Estrutura
Independentemente das finalidades a que se destina, o Relatório Psicológico
é uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter narrativa detalhada e
didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível
ao destinatário.
Os termos técnicos devem, portanto, estar acompanhados das explicações
e/ou conceituações retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam.
AN02FREV001/REV 4.0
192
Independentemente também, da finalidade a que se destina, o Relatório
Psicológico deve conter, no mínimo, três etapas: introdução, descrição e conclusão,
além do cabeçalho.
1) Cabeçalho;
2) Introdução ou Histórico;
3) Descrição ou Desenvolvimento;
4) Conclusão;
1) Cabeçalho
É a parte superior da primeira parte do Relatório Psicológico com a
finalidade de identificar:
Autor/relator – quem elabora o Relatório Psicológico;
Interessado – quem solicita o Relatório Psicológico;
O assunto/finalidade – qual a razão/finalidade do Relatório Psicológico.
No identificador AUTOR/RELATOR deverá(ão) ser colocado(s) o(s) nome(s)
do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição
(ões) no Conselho Regional.
No identificador INTERESSADO, o psicólogo indicará o nome do autor do
pedido (se a solicitação foi da Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente).
No identificador ASSUNTO, o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido
(se para acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para
acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica).
2) Introdução ou Histórico
Alguns psicólogos, em seus Relatórios, intitulam essa primeira parte como
HISTÓRICO. Ela é destinada à narração histórica e sucinta dos fatos que
produziram o pedido do Relatório Psicológico. Inicia-se com as razões do pedido,
seguida da descrição do processo ou procedimentos utilizados para coletar as
informações, contextualizando fatos e pessoas neles envolvidos e a metodologia
empregada, possibilitando assim, para quem lê, a compreensão do ocorrido, o que
se está analisando, solicitando e/ou questionando.
Portanto, a introdução tratará da narração:
AN02FREV001/REV 4.0
193
a) Dos fatos motivadores do pedido;
b) Dos procedimentos e instrumentos utilizados na coleta de dados (número
de encontros, pessoas ouvidas, instrumentos utilizados), à luz do referencial teórico-
filosófico que os embasa.
3) Descrição ou Desenvolvimento
É a parte do Relatório na qual o psicólogo faz uma exposição descritiva de
forma metódica, objetivae fiel dos dados colhidos e das situações vividas. Nessa
exposição, devem respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental
técnico utilizado, bem como princípios éticos, como as questões relativas ao sigilo
das informações. Somente deve ser relatado o que for necessário para o
esclarecimento do encaminhamento, como disposto no parágrafo 2o do Artigo 23 do
Código de Ética Profissional.
O psicólogo, ainda nessa parte, poderá se valer de citações ou transcrições,
visando a reforçar as conclusões de sua análise. Não deve fazer afirmações sem
sustentação em fatos e/ou teorias, devendo ter linguagem precisa, especialmente
quando se referir aos dados de natureza subjetiva, expressando-se de maneira clara
e exata.
4) Conclusão
É a parte final, conclusiva, do Relatório Psicológico. Nela, o psicólogo vai
espelhar e dar ênfase às evidências encontradas na análise dos dados a partir das
referências adotadas, que subsidiaram o resultado a que o psicólogo chegou,
sustentando assim a finalidade a que se propôs. Escrita logo após a descrição, o
psicólogo deve expor o resultado e/ou considerações. Após a narração conclusiva, o
Relatório Psicológico é encerrado, com indicação do local, data de emissão e
assinatura do psicólogo.
AN02FREV001/REV 4.0
194
8.7 PARECER
8.7.1 Conceito e finalidade do Parecer
O Parecer é uma manifestação técnica fundamentada e resumida sobre uma
questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.
O Parecer tem como finalidade apresentar resposta esclarecedora, no
campo do conhecimento psicológico, por meio de uma avaliação técnica
especializada, de uma “questão-problema”, visando a dirimir dúvidas que estão
interferindo na decisão, sendo, portanto, uma resposta a uma consulta, que exige de
quem responde competência no assunto.
8.7.2 Estrutura
O psicólogo nomeado perito deve fazer a análise do problema apresentado,
destacar os aspectos relevantes e opinar a respeito, considerando os quesitos
apontados e com fundamento em referencial teórico-científico.
Devem-se rubricar todas as folhas dos documentos. Havendo quesitos, o
psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente, não deixando
nenhum quesito sem resposta. Quando não houver dados para a resposta ou
quando o psicólogo não puder ser categórico, deve-se utilizar a expressão “sem
elementos de convicção”. Se o quesito estiver mal formulado, pode-se afirmar
“prejudicado”, “sem elementos” ou “aguarda evolução”.
O parecer é composto de quatro partes:
1) Cabeçalho;
2) Exposição de motivos;
3) Discussão;
4) Conclusão.
AN02FREV001/REV 4.0
195
1) Cabeçalho
É a parte que consiste em identificar o nome do perito e sua titulação, o
nome do autor da solicitação e sua titulação.
2) Exposição de Motivos
Essa parte destina-se à transcrição do objetivo da consulta e os quesitos ou
à apresentação das dúvidas levantadas pelo solicitante. Deve-se apresentar a
“questão-problema”, não sendo necessária, portanto, a descrição detalhada dos
procedimentos, como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos.
3) Discussão
A discussão do parecer constitui-se na análise minuciosa da “questão-
problema”, explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários
existentes, seja na ética, na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica.
4) Conclusão
É a parte final do parecer, em que o psicólogo irá apresentar seu
posicionamento, respondendo à questão levantada. Ao final do posicionamento ou
do parecer propriamente dito, informar o local e data em que foi elaborado e assinar
o documento.
8.8 DECLARAÇÃO
8.8.1 Conceito e finalidade da Declaração
É um documento que visa a informar a ocorrência de fatos ou situações
objetivas relacionados ao atendimento psicológico, com a finalidade de:
a) Declarar comparecimentos do atendido;
b) Declarar o acompanhamento psicológico do atendido;
AN02FREV001/REV 4.0
196
c) Informações diversas sobre o enquadre do atendimento (tempo de
acompanhamento, dias ou horários);
Não deve ser feito o registro de sintomas, situações ou estados psicológicos.
8.8.2 Estrutura
a) Ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do
documento o carimbo, em que constem nome e sobrenome do psicólogo acrescido
de sua inscrição profissional (“Nome do Psicólogo/N.º da inscrição”);
b) A Declaração deve expor:
Registro do nome e sobrenome do solicitante;
Finalidade do documento (por exemplo, para fins de comprovação);
Registro de informações solicitadas em relação ao atendimento (por
exemplo: se faz acompanhamento psicológico, em quais dias, qual horário);
Registro do local e data da expedição da Declaração;
Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP, e/ou
carimbo com as mesmas informações. Assinatura do psicólogo acima da
identificação do psicólogo ou do carimbo.
8.9 ATESTADO PSICOLÓGICO
8.9.1 Conceito e finalidade do Atestado Psicológico
É um documento expedido pelo psicólogo que certifica uma determinada
situação ou estado psicológico, tendo como finalidade:
a) Afirmar como testemunha, por escrito, a informação ou estado psicológico
de quem, por requerimento, o solicita, aos fins expressos por este;
AN02FREV001/REV 4.0
197
b) Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante, atestando-os como
decorrentes do estado psicológico informado;
c) Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na
afirmação atestada do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº 015/96.
8.9.2 Estrutura
A formulação do Atestado deve restringir-se à informação solicitada pelo
requerente, contendo expressamente o fato constatado. Embora seja um documento
simples, deve cumprir algumas formalidades:
a) Ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do
documento o carimbo, em que conste seu nome e sobrenome acrescido de sua
inscrição profissional (“Nome do Psicólogo / N.ºda inscrição”).
b) O Atestado deve expor:
Registro do nome e sobrenome do cliente;
Finalidade do documento;
Registro da informação pelo sintoma, situação ou estado psicológico que
justifica o atendimento, afastamento ou falta – podendo registrar sob o indicativo do
código da Classificação Internacional de Doenças (CID);
Registro do local e data da expedição do Atestado;
Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP, e/ou
carimbo com as mesmas informações;
Assinatura do psicólogo acima da identificação do psicólogo ou do
carimbo.
Se a finalidade do Atestado for solicitar afastamento ou dispensa, o registro
da informação/pedido deverá estar justificado pelo sintoma, situação ou estado
psicológico.
Os registros deverão estar transcritos de forma corrida, ou seja, separados
apenas pela pontuação, sem parágrafos, evitando, com isso, riscos de adulterações.
AN02FREV001/REV 4.0
198
No caso em que seja necessária a utilização de parágrafos, o psicólogo deverá
preencher esses espaços com traços.
8.10 VALIDADE DOS DOCUMENTOS
O prazo de validade dos documentos escritos decorrentes das avaliações
psicológicas deverá considerar a legislação vigente nos casos já definidos.
Não havendo definição legal, o psicólogo, onde for possível, indicará o prazo
de validade em função das características avaliadas, das informações obtidas e dos
objetivos da avaliação.
Quando não for possível a indicação do prazo, informará o caráter
situacional e temporal dos dados de uma avaliação psicológica.
Ao definir o prazo, o psicólogo deve dispor dos fundamentos para a
indicação, devendo apresentá-los sempre que solicitado.
8.11 GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA
Os documentos escritos decorrentes de avaliação psicológica, bem como
todoo material que os fundamentou, deverão ser guardados pelo prazo mínimo de
cinco anos, observando-se a responsabilidade por eles tanto do psicólogo quanto da
instituição em que ocorreu a avaliação psicológica.
Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por solicitação
judicial, ou ainda em casos específicos em que seja necessária a manutenção da
guarda por maior tempo.
Em caso de extinção de serviço psicológico, o material privativo e os
documentos escritos devem permanecer em posse do psicólogo responsável, que
os manterá sob sua guarda pelo prazo previsto neste manual.
AN02FREV001/REV 4.0
199
Atingido esse prazo, o psicólogo ou instituição responsável pela guarda
deverá destruir o material de forma a não permitir a quebra do sigilo das informações
nele contidas.
O psicólogo responsável pelo documento escrito decorrente da avaliação
psicológica deverá estar atento ao artigo 24 do Código de Ética Profissional do
Psicólogo, garantido, assim, o sigilo profissional.
FIM DO MÓDULO IV
AN02FREV001/REV 4.0
199
CURSO DE
PSICODIAGNÓSTICO
MÓDULO V
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
AN02FREV001/REV 4.0
200
MÓDULO V
9 ASPECTOS ÉTICOS IMPLICADOS NO PSICODIAGNÓSTICO
9.1 COMPORTAMENTOS ESPECÍFICOS DO PSICÓLOGO EM UM
PSICODIAGNÓSTICO
Devemos saber que na operacionalização dessa avaliação devem ser
considerados os comportamentos específicos do psicólogo e os passos para
realização do Psicodiagnóstico com um modelo psicológico de natureza clínica; tais
passos serão discutidos no próximo tópico.
De acordo com alguns autores, sendo um deles Cunha (2003 & 2004), os
comportamentos específicos do psicólogo podem variar na sua especificidade e na
sua seriação, conforme os objetivos do Psicodiagnóstico.
Citaremos os mais importantes:
Determinar os motivos do encaminhamento, queixas e outros problemas
iniciais;
Colher dados sobre a história clínica e história pessoal ou anamnese,
procurando reconhecer denominadores comuns com a situação atual, do ponto de
vista psicopatológico e dinâmico;
Levantar dados de natureza psicológica, social, médica, profissional e/ou
escolar, etc. sobre o sujeito e pessoas significativas, solicitando eventualmente
informações de fontes complementares;
Realizar o exame do estado mental do paciente (exame subjetivo),
eventualmente complementado por outras fontes (exame objetivo);
Levantar hipóteses iniciais e definir os objetivos do exame;
Estabelecer um plano de avaliação;
Estabelecer um contrato de trabalho com o sujeito ou responsável;
AN02FREV001/REV 4.0
201
Administrar testes e técnicas psicológicas;
Levantar dados quantitativos e qualitativos;
Selecionar, organizar e integrar todos os dados significativos para os
objetivos do exame, conforme o nível de inferência (dedução, conclusão,
julgamento) previsto;
Comunicar os resultados (entrevista devolutiva, relatório, laudo, parecer e
outros informes);
Encerrar o processo Psicodiagnóstico.
Todos esses procedimentos feitos com rigor e atenção levam a um processo
com resultados satisfatórios.
9.2 COMPETÊNCIAS QUE O AVALIADOR DEVE TER
A aceitação das recomendações ou a permanência no tratamento dependem
de algumas características importantes do primeiro contato, que são influenciadas
por um conjunto de competências do entrevistador. Percebemos que as primeiras
entrevistas, como ponto de contato inicial, são cruciais para o desenvolvimento de
uma relação de ajuda.
Nesse processo deve realmente ser construído o rapport, pois podem haver
muitas dificuldades de aceitação das recomendações ou a desistência de iniciar um
processo terapêutico, e isso normalmente ocorre nos primeiros contatos
terapêuticos.
AN02FREV001/REV 4.0
202
Sabemos que existem muitas orientações teóricas entre os entrevistadores e
também objetivos específicos da entrevista, mas algumas competências pessoais
essenciais para a condução de uma entrevista devem ser peculiares entre esses
entrevistadores. E para o êxito da entrevista em si, deve ter uma atenção especial a
esses aspectos e ao desenvolvimento dessas competências.
Segundo Cunha (2003 & 2004), para se levar uma entrevista a termo de
modo adequado, o entrevistador deve ser capaz de:
Estar presente, no sentido de estar inteiramente disponível para o
outro naquele momento, e poder ouvi-lo sem a interferência de questões
pessoais, ou seja, a atenção do entrevistador deve ser focada no paciente e ele
ainda tem que ser capaz de isolar outras preocupações. O entrevistador deve cuidar
de suas necessidades pessoais, suas ansiedades para que estas não interfiram na
escuta terapêutica. Cordioli (1993) fala dessa escuta diferenciada, que é
considerada um dos elementos terapêuticos.
IMPORTANTE!
O sucesso de uma entrevista dependerá de
qualidades gerais de um bom contato social,
entre o entrevistador e o examinando, sobre qual
se apoiam as técnicas clínicas específicas, sendo
que a execução dessas técnicas é influenciada
pelas habilidades interpessoais desse
entrevistador. Podemos observar uma grande
interdependência entre as habilidades
interpessoais e os usos da técnica, muitas vezes
sendo impossível separá-las.
AN02FREV001/REV 4.0
203
Ajudar o paciente a se sentir à vontade e desenvolver uma aliança de
trabalho, para que a relação seja construída baseada em confiança e sinceridade.
Essa aliança de trabalho mais tarde se transformará em uma aliança terapêutica,
que segundo alguns autores pode ser composta por dois fatores: a percepção de
estar e recebendo apoio e o sentimento de estarem trabalhando juntos. O terapeuta
deve ser receptivo às dificuldades do examinando e este deve perceber essa
receptividade e também a aceitação do entrevistador em relação às suas
dificuldades. Com essa atmosfera de colaboração e a percepção dessa
receptividade, a relação entre ambos é fortalecida.
Facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa a ser
encaminhada ou a buscar ajuda. Para isso, o paciente deve se sentir seguro o
suficiente para poder arriscar-se, e esta segurança para enfrentar certas situações
vem em parte do tipo de escuta e atenção que o examinando percebe estar
recebendo, como também da capacidade do entrevistador de facilitar a expressão
de experiências, sentimentos e pensamentos relevantes;
Buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas, pois
estas atuam como defesas que obscurecem o assunto em questão, e quando o
entrevistador deixa passar esse momento, perde uma oportunidade de desenvolver
uma ideia mais clara sobre assunto, além de não ajudar o paciente a ampliar sua
percepção da questão.
Confrontar, de forma gentil, esquivas e contradições, ou seja, saber
manejar esse retorno ao paciente de forma que ele não se sinta ameaçado ou
acuado. A confrontação é uma técnica dirigida ao insight e requer certa capacidade
de tolerar a ansiedade; deve-se criar um contexto suficiente de apoio para que o
sujeito se sinta em condições de enfrentar esses momentos.
Tolerar, ter paciência com a ansiedade relacionada aos temas
evocados na entrevista. Muitos temas que envolvem emoção e experiências
dolorosas aparecem durante a entrevista e o entrevistador deve saber lidar e falar
abertamente sobre esses temas difíceis.
Reconhecer defesas e modelosde estruturação do paciente,
especialmente quando elas atuam diretamente na relação com o entrevistador,
ou seja, saber identificar possíveis transferências (processo que segundo
Roudinesco & Plon (1998) é constitutivo do tratamento psicanalítico mediante o qual
AN02FREV001/REV 4.0
204
os desejos inconscientes do analisando concernentes a objetos externos passam a
se repetir, no âmbito da relação analítica, na pessoa do analista, colocado na
posição desses diversos objetos, ou seja, a transferência é um conjunto de
sentimentos positivos ou negativos que o paciente dirige ao entrevistador ou
psicoterapeuta, sentimentos estes que não são justificáveis em sua atitude
profissional, mas que estão fundamentados nas experiências que o paciente teve
em sua vida com seus pais ou criadores) a que estão sujeitos o entrevistador e o
examinando. Se o entrevistador reconhecer esses aspectos, poderá antecipar
situações de transferência e evitar resposta contratransferenciais inadequadas,
assim o terapeuta pode antecipar as ansiedades da pessoa e adaptar-se de modo
correspondente.
Compreender seus processos contratransferenciais (que segundo
Laplanche & Pontalis (2001) pode ser compreendido como o conjunto das reações
inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à
transferência deste). Esse é um dos recursos mais importantes do clínico, porque se
ele sabe reconhecer como processos mentais e afetivos são mobilizados em si
mesmo e ser capaz de relacionar esse processo ao que se passa na relação
imediata com o sujeito fornece uma via muito grande de compreensão do outro.
Assumir a iniciativa em momentos de impasse. Isso significa usar da
criatividade para dar uma resposta eficaz no momento, e ainda mobilizar recursos
pessoais diante de situações difíceis e inesperadas;
Saber muito bem sobre os elementos que está manejando, ou seja,
dominar as técnicas que utiliza. Se o entrevistador domina as técnicas que usa,
este deixa de se preocupar com a execução e se concentra no paciente, no que ele
apresenta e na sua relação com ele. A falta desse domínio da técnica pode resultar
em uma aplicação mecânica e desconexa das diretrizes da técnica.
Quanto à utilização da Avaliação Psicológica e mais especificamente dos
testes, Almeida (2005) deixa bem claro que o profissional que vai manejar os testes
deve ter uma formação sólida em avaliação psicológica, sustentada pelo ensino que
privilegie o aprofundamento teórico, as atividades práticas e investigativas. Outros
autores acrescentam ainda que a formação em avaliação psicológica vai além do
ensino de graduação, fazendo-se necessário que o profissional realize cursos de
atualização e se insira em programas de pós-graduação para a continuidade de sua
AN02FREV001/REV 4.0
205
formação e aprimoramento do conhecimento pertinente ao uso dos instrumentos de
avaliação.
9.3 GUIA DE RESPONSABILIDADE ÉTICA E PROFISSIONAL
Como já ressaltamos anteriormente a avaliação psicológica no Brasil é
função privativa do psicólogo, definida pela lei nº 4.119, de 1962, que regulamenta a
profissão e corresponde ao processo de coleta de dados e interpretações de
informações, por meio de teorias, métodos e instrumentos psicológicos. De acordo
com Wechsler (1999), tem por finalidade obter maior conhecimento do indivíduo, do
grupo ou situações, a fim de atingir os objetivos definidos e, assim, auxiliar em
processos de tomada de decisões.
Sabemos que a avaliação psicológica é uma atividade ampla e fundamental,
onde a utilização pode se dar em vários contextos de atuação do psicólogo.
Alchieri & Bandeira (2002) falam dos problemas relativos à área, referindo-se
à precária formação dos profissionais, ao uso inadequado de instrumentos
psicológicos, aos instrumentos desatualizados e sem fundamentação científica, à
falta de professores especializados e à falta de consenso sobre como deve ser feita
a formação do psicólogo nessa área, no âmbito da graduação. E muitos desses
problemas são decorrentes das dificuldades que permearam a área da avaliação no
início da década de 60, ainda quando os primeiros instrumentos estavam sendo
estudados no país.
Assim, as primeiras intervenções para que se modificasse essa situação
vigente em torno da Avaliação Psicológica no Brasil foi de certa forma reforçada pelo
Conselho Federal de Psicologia, que publicou em novembro de 2001 a primeira
edição da Resolução CFP nº. 25/01 (CFP, 2001).
Dois anos depois de algumas reformulações, em 2003, passou a vigorar a
Resolução CFP nº. 02/2003 (CFP, 2003), onde esse documento define e
regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos, com o
objetivo de aprimorar os procedimentos de avaliação por meio da aferição da
qualidade dos instrumentos existentes, impedindo o uso de instrumentos de má
AN02FREV001/REV 4.0
206
qualidade. Para isso, estabelece os requisitos mínimos que os testes devem possuir
para serem utilizados pelos profissionais, tais como, fundamentação teórica,
validade, precisão e normas com amostras brasileiras, visando à realização de um
exercício profissional ético e adequado ao atendimento das diferentes demandas
sociais.
Diante de tantas dificuldades, um guia de Procedimentos Éticos para
Avaliação Psicológica foi publicado por Solange Wechsler, em 1999, que segundo
ela, os psicólogos têm um Código de Ética, estabelecido pelo CRP - Conselho
Federal de Psicologia, orientando de maneira geral as ações dos psicólogos nas
suas mais diversas áreas de atuação, mas não tinham ou faltava um código de ética
específico para as áreas de avaliação psicológica, apresentando diretrizes
específicas para os diversos passos envolvidos no processo de avaliação
psicológica, assim como acontece em outros países.
O Guia é um instrumento de grande valia para profissionais que trabalham
com avaliação objetivando orientar o trabalho de avaliação psicológica por meio das
explicações sobre o uso de instrumentos psicológicos objetivos.
É vigente que os Princípios Éticos são determinantes no trabalho de
qualquer profissional e mais especificamente, de acordo com o que estamos
discutindo com o psicólogo e a avaliação psicológica, acresce a responsabilidade
inerente ao cumprimento do código de Ética.
Vários aspectos são mencionados no guia, dentre eles podemos citar:
A utilização dos testes psicológicos é de inteira competência e
responsabilidade do psicólogo, pois somente ele tem o treinamento e experiência
necessária para assumir esta responsabilidade de maneira profissional, ética e
técnica;
Cabe exclusivamente ao psicólogo a responsabilidade pela qualidade da
aplicação dos testes psicológicos, sendo esta condição essencial para a obtenção
de um resultado fidedigno;
De acordo com o código é vedado ao psicólogo ceder, emprestar ou
vender testes psicológicos ou materiais integrantes destes (folha de correção,
manual, tabelas de normatização, etc.) a outros profissionais que não sejam
psicólogos. Esta regra também se aplica às editoras e distribuidoras de instrumentos
AN02FREV001/REV 4.0
207
psicológicos, devendo qualquer infração ser denunciada ao CFP, que tomará as
medidas necessárias;
O psicólogo deverá seguir rigorosamente as instruções, os exemplos, o
tempo e outras orientações que se encontrem no manual ou no próprio caderno do
teste, evitando quaisquer improvisações que possam comprometer todo o processo
de validade do instrumento;
Cabe ao psicólogo a responsabilidade do trabalho de correção dos testes
psicológicos, seguindo os critérios e as tabelas apropriadas para cada finalidade;
É vedado ao psicólogo o uso de material de teste fotocopiado ou em
outras formas que não sejam as originais do teste, a fim de que seja garantida a
qualidade padronizada do instrumento.
9.4 RESOLUÇÕES DO CRP REFERENTES À AVALIAÇÃOPSICOLÓGICA
Veja todas essas resoluções detalhadamente nos anexos.
Resolução CFP nº. 012/1997:
Disciplina o ensino de métodos e técnicas psicológicas em cursos livres e de
pós-graduação, por psicólogos a não psicólogos.
Resolução CFP nº. 012/2000:
Instituição do Manual para Avaliação Psicológica de candidatos à CNH e
condutores de veículos automotores.
Resolução CFP nº. 025/2001:
Definição do teste psicológico como método de avaliação privativo do
psicólogo e regulamentação de normas para elaboração, publicação,
comercialização e uso dos testes psicológicos (Esta resolução foi revogada pela
resolução 002/2003).
Resolução CFP nº. 030/2001:
Criação do Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de
Avaliação Psicológica. (Esta resolução foi revogada pela resolução 017/2002).
Resolução CFP nº. 001/2002:
AN02FREV001/REV 4.0
208
Regulamenta a Avaliação Psicológica em concursos públicos e processos
seletivos da mesma natureza.
Resolução CFP nº. 016/2002:
Dispõe acerca do trabalho do psicólogo na avaliação psicológica de
candidatos à CNH e condutores de veículos automotores.
Resolução CFP nº. 017/2002:
Institui o Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de
Avaliação Psicológica. Esta resolução foi revogada pela 007/2003.
Resolução CFP nº. 002/2003:
Define e regulamenta o uso e a comercialização de testes psicológicos no
Brasil.
Resolução CFP nº. 007/2003:
Institui o Manual de elaboração de documentos escritos decorrentes de
Avaliação Psicológica. Esta resolução revoga a 017/2002.
Resolução CFP nº. 006/2004:
Altera a resolução 002/2003.
9.5 DISPOSITIVOS QUE DEVEM SER OBSERVADOS PELO PSICÓLOGO NA
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Agora, abordaremos, devido à extensão do Código de Ética, somente as
principais questões referentes à Avaliação Psicológica:
Art. 1º - São deveres fundamentais dos psicólogos:
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as
quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho
dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios,
conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica,
na ética e na legislação profissional;
h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a
partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os
documentos pertinentes ao bom termo do trabalho;
AN02FREV001/REV 4.0
209
i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo,
guarda e formas de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitos
conforme os princípios deste Código.
Art. 2º - É vedado ao psicólogo:
g) emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica;
k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus
vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade
do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação;
h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas
psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas;
q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados
de serviços psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas,
grupos ou organizações.
Art. 6º - O psicólogo, no relacionamento com profissionais não psicólogos:
b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço
prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a
responsabilidade de quem as receber, de preservar o sigilo.
Art. 12º - Nos documentos que embasam as atividades em equipe
multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o
cumprimento dos objetivos do trabalho.
Art. 14º - A utilização de quaisquer meios de registro e observação da
prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional
vigente, devendo o usuário ou beneficiário, desde o início, ser informado.
Art. 18º - O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou
venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o
exercício ilegal da profissão.
9.6 RESPONSABILIDADE DO DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO
Nesse tópico vamos enumerar quais profissionais podem realmente realizar
o Psicodiagnóstico, mas de já podemos dizer que de acordo com a definição de
alguns casos, em que o diagnóstico deve ser da responsabilidade do psicólogo,
AN02FREV001/REV 4.0
210
pelos membros da sociedade em geral, vai depender essencialmente da atuação
profissional do psicólogo e da adequabilidade das respostas que puder dar às
necessidades reais do mercado.
Os profissionais que estão aptos a realizar o Psicodiagnóstico são eles:
O Psicodiagnóstico pode ser realizado por psicólogos, por psiquiatras, e
segundo Cunha (2003), atualmente ele pode ser realizado eventualmente por
neurologistas ou psicanalistas, com vários objetivos, exceto o de classificação
simples, desde que seja utilizado o modelo médico apenas, no exame de funções,
identificação de patologias, sem uso de testes e técnicas privativas do psicólogo
clínico;
Pelo psicólogo clínico exclusivamente, para consecução de qualquer ou
vários dos objetivos, quando é utilizado o modelo psicológico – o Psicodiagnóstico –
incluindo técnicas e testes privativos desse profissional;
Pela equipe multiprofissional como psicólogos, psiquiatras, neurologistas,
orientadores educacionais, assistentes sociais e outros, para êxito dos objetivos
citados e, eventualmente, de outros, desde que cada profissional utilize seu modelo
próprio, em avaliação mais complexa e inclusiva, em que é necessário integrar
dados muitos interdependentes de natureza psicológica, médica, social e etc.
Segundo Cunha (2004), a atribuição da responsabilidade pelo diagnóstico
tradicionalmente vem se baseando numa avaliação sumária do caso e numa
expectativa do tipo de tratamento necessário, só que essa posição vem mudando
pela consideração do tipo de exame que o caso individual requer. Podemos
perceber que hoje, com as urgências psiquiátricas, os encaminhamentos começam
a ser feitos de acordo com a complexidade do caso e não a sua gravidade, e
consequentemente, a necessidade de que o diagnóstico seja feito por meio de um
exame mais ou menos sofisticado.
10 RESOLUÇÕES NA ÍNTEGRA
Essas resoluções foram obtidas no site www.pol.org.br, que dispõe
informações sobre o CFP.
AN02FREV001/REV 4.0
211
RESOLUCÃO CFP N° 015/96
Institui e regulamenta a Concessão de Atestado Psicológico para tratamento
de saúde por problemas psicológicos.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais:
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO é um profissional que atua também
na área da SAÚDE, com fundamento, inclusive, na caracterização efetuada pela
OIT, OMS e CBO;
CONSIDERANDO que o parágrafo 1° do artigo 13 da Lei n° 4.1 19 de 27 de
agosto de 1962 estabelece que é função do psicólogo a elaboração de diagnóstico
psicológico;
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO pode diagnosticar condições mentais
que incapacitem o paciente para o trabalho e/ou estudos;
CONSIDERANDO que o PSICÓLOGO pode diagnosticar condições mentais
que ofereçam riscos para o paciente e para o próprio meio ambiente onde se insere;
CONSIDERANDO que para o devido restabelecimento do equilíbrio mental
do paciente é muitas vezes necessário seu atestamento das atividades laborais ou
de estudos;
CONSIDERANDO que tal medida visa, sobretudo, promover a sanidade
mental, garantir as condições de trabalho necessárias ao bem-estar individual e
social, valorizando os direitos do cidadão;
CONSIDERANDO, ainda, a ampla repercussão da resolução n° 07/94, as
discussõesocorridas em várias instâncias e o deliberado no II Congresso Nacional
de Psicologia.
RESOLVE:
Art. 1° - É atribuição do PSICÓLOGO a emissão de atestado psicológico
circunscrito às suas atribuições profissionais e com fundamento no diagnóstico
psicológico produzido.
AN02FREV001/REV 4.0
212
Parágrafo único - Fica facultado ao psicólogo o uso do Código Internacional
de Doenças - CID, ou outros Códigos de diagnóstico, cientifica e socialmente
reconhecidos, como fonte para enquadramento de diagnóstico.
Art. 2° - Quando emitir atestado com a finalidade de abastamento para
tratamento de saúde, fica o PSICÓLOGO obrigado a manter em seus arquivos a
documentação técnica que fundamente o atestado por ele concedido e a registrar as
situações decorrentes da emissão do mesmo.
Parágrafo único - Os Conselhos Regionais poderão a qualquer tempo
suscitar o PSICÓLOGO a apresentar a documentação que se refere o "caput" para
comprovação da fundamentação científica do atestado.
Art.3° - No caso do afastamento para tratamento de saúde ultrapassar a 15
(quinze) dias o paciente deverá ser encaminhado pela empresa à Perícia da
Previdência Social, para efeito de concessão de auxílio-doença.
Art. 4° - O atestado emitido pelo PSICÓLOGO deverá ser fornecido ao
paciente, que por sua vez se incumbirá de apresentá-lo a quem de direito para efeito
de justificativa de falta, por motivo de tratamento de saúde.
Art. 5° - O PSICÓLOGO será profissionalmente responsável pelos termos
contidos no atestado emitido, devendo cumprir seu mister com zelo e competência
sob pena de violação, dentre outros, do art. 2, alínea "m" do Código de Ética
Profissional do Psicólogo.
Art. 6° - Os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais.
Art. 7° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
RESOLUÇÃO CFP N° 012/97
Disciplina o Ensino de Métodos e Técnicas Psicológicas em cursos livres e
de pós-graduação, por Psicólogos a não Psicólogos.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA no uso das atribuições que lhe
conferem o Art. 06, alíneas a e b, da lei 5.766 de 20 de dezembro de 1971, e o art.
6, incisos IV e V, do decreto n° 79.822 de 17 de junho de 1977, e;
CONSIDERANDO o art. 13, parágrafo 1°, da Lei 4.119, de 27 de agosto de
1962, que estabelece como função privativa do Psicólogo o uso de métodos e
AN02FREV001/REV 4.0
213
técnicas Psicológicas;
CONSIDERANDO o disposto no Art. 35 da Resolução CFP n° 2/87 de 15 de
agosto de 1987, que aprovou o Código de Ética Profissional do psicólogo, e que
proíbe a divulgação, cessão, doação, empréstimo ou venda a leigos de instrumentos
e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão;
CONSIDERANDO a grande incidência dos chamados cursos de formação,
regulares ou não, onde, a título de especialização, têm sido ministrados, para não
psicólogos, métodos e técnicas psicológicas de uso exclusivos do Psicólogo;
CONSIDERANDO que, frequentemente, os responsáveis pela administração
desses conteúdos são Psicólogos;
CONSIDERANDO as frequentes denúncias de exercício ilegal da profissão
contra pessoas não habilitadas, egressas desses cursos;
RESOLVE:
Art. 1 - O ensino de métodos e técnicas psicológicas fica reservado
exclusivamente aos alunos regularmente matriculados nos Cursos de Psicologia,
regulamentados nos termos da lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, e aos psicólogos
registrados no respectivo Conselho Regional.
Art. 2 - O descumprimento ao estabelecido nesta resolução constituir-se-á
em infração ao Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Art. 3 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação e
revogadas as disposições em contrário.
RESOLUÇÃO CFP N.º 012/2000
Institui o Manual para Avaliação Psicológica de candidatos à Carteira
Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº. 5.766, de 20 de dezembro
de 1971 e;
CONSIDERANDO a necessidade de normatização e qualificação de
procedimentos relacionados à prática da avaliação psicológica de candidatos à
AN02FREV001/REV 4.0
214
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores e;
CONSIDERANDO as exigências do novo Código de Trânsito Brasileiro e
resoluções conexas e;
CONSIDERANDO o trabalho realizado pela câmara interinstitucional de
Avaliação Psicológica, grupo de trabalho integrado por entidades e segmentos
envolvidos com a área e;
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 8 de dezembro de 2000 e;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em Sessão realizada no dia 16
de dezembro de 2000;
RESOLVE:
Art. 1 – Fica aprovado o Manual para Avaliação Psicológica de Candidatos à
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores, que dispõe
sobre os seguintes itens:
I – Conceito de Avaliação Psicológica;
II – Perfil do Candidato à CNH e dos Condutores de Veículos Automotores;
III – Instrumentos de Avaliação Psicológica;
IV – Condições do Aplicador;
V – Condições da Aplicação dos Instrumentos de Avaliação Psicológica;
VI – Material Utilizado;
VII – Mensuração e Avaliação;
VIII – Laudo Psicológico
Art. 2 – Os dispositivos deste manual constituem exigências mínimas de
qualidade referentes à área de avaliação psicológica de candidatos à Carteira
Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores.
§ 1º - Para cumprimento do que dispõe o inciso 6.2 do Anexo II da
Resolução n.°0/98 do CONTRAN, os Conselhos Regionais de Psicologia serão
responsáveis pela verificação do cumprimento desta Resolução, do Código de Ética
Profissional e demais normas referentes ao exercício profissional do Psicólogo.
§ 2º – A desobediência à presente norma constitui-se falta eticodisciplinar
passível de capitulação nos dispositivos referentes ao exercício profissional do
Código de Ética Profissional dos Psicólogos, sem prejuízo de outros que possam ser
AN02FREV001/REV 4.0
215
arguidos.
Art. 3 - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 4 - Revogam-se as disposições em contrário.
RESOLUÇÃO CFP Nº. 25/2001
Esta Resolução foi revogada pela 02/2003, sendo assim torna-se bastante
semelhante seus artigos e parágrafos. Ela será apresentada na íntegra na resolução
na 02/2003.
Define teste psicológico como método de avaliação privativo do psicólogo e
regulamenta sua elaboração, comercialização e uso.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e
regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e;
CONSIDERANDO o disposto no § 1
o
do Art. 13 da Lei n
o
4.119/62, que
restringe ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas;
CONSIDERANDO a necessidade de aprimorar os instrumentos e
procedimentos técnicos dos psicólogos, com o objetivo de garantir serviços com
qualidade técnica e ética à população usuária desses serviços;
CONSIDERANDO a necessidade de revisão periódica das condições dos
métodos e técnicas utilizados na avaliação psicológica;
CONSIDERANDO as deliberações do IV Congresso Nacional da Psicologia
acerca do tratamento a ser dispensado aos testes psicológicos;
CONSIDERANDO propostas encaminhadas por psicólogos, delegados das
diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação Psicológica,
realizado em dezembro de 2000;
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas
e Financeiras em reunião realizada no dia 4 de maio de 2001;
RESOLUÇÃO CFP Nº. 30/2001
Esta resolução foi revogada pela 17/2002 e posteriormente pela 07/2003.
AN02FREV001/REV 4.0
216
Portanto, devido à semelhança de parágrafos, ela será apresentada na íntegra na
resolução 07/2003.
Institui o Manualde Elaboração de Documentos produzidos pelo psicólogo,
decorrentes de Avaliações Psicológicas.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais que lhe são conferidas pela Lei n
o
5.766, de 20 de dezembro de
1971;
CONSIDERANDO que o psicólogo no seu exercício profissional tem sido
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos;
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de Avaliação
Psicológica;
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos
documentos escritos, decorrentes de Avaliação Psicológica, produzidos pelos
psicólogos;
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica
contidos no código de Ética Profissional do Psicólogo;
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de Avaliações Psicológicas;
CONSIDERANDO propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000;
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas
e Financeiras em reunião realizada no dia 4 de maio de 2001 e;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada em 1º de
dezembro de 2001.
OBS: O Manual de Elaboração de Documentos foi visto anteriormente.
RESOLUÇÃO CFP Nº. 01/2002
Regulamenta a Avaliação Psicológica em Concurso Público e processos
AN02FREV001/REV 4.0
217
seletivos da mesma natureza.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e
regimentais que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e;
CONSIDERANDO o disposto no § 1º do Art. 13 da lei 4119/62, que restringe
ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas;
CONSIDERANDO a natureza pública do Conselho Federal de Psicologia, da
qual decorre tanto a necessidade de aprimorar os serviços técnicos dos psicólogos,
quanto a defesa da população usuária desses serviços;
CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer normas que garantam ao
usuário dos serviços de avaliação psicológica, além de qualidade técnica, condições
legais e éticas adequadas;
CONSIDERANDO a necessidade de orientação aos psicólogos a respeito de
procedimentos adequados quando da sua participação em processos seletivos;
CONSIDERANDO propostas encaminhadas por psicólogos, delegados das
diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação Psicológica,
realizado em dezembro de 2000;
CONSIDERANDO deliberação da Assembleia das Políticas Administrativas
e Financeiras em reunião realizada no dia 15 de dezembro de 2001;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário nesta data;
CONSIDERANDO a necessidade de orientar os órgãos públicos e demais
pessoas jurídicas a respeito das informações relacionadas à avaliação psicológica
que devem constar nos Editais de concurso para garantia dos direitos dos
candidatos;
RESOLVE:
Art. 1 - A avaliação psicológica para fins de seleção de candidatos é um
processo realizado mediante o emprego de um conjunto de procedimentos objetivos
e científicos, que permite identificar aspectos psicológicos do candidato para fins de
prognóstico do desempenho das atividades relativas ao cargo pretendido.
§ 1º - Para proceder à avaliação referida no caput deste artigo, o psicólogo
deverá utilizar métodos e técnicas psicológicas que possuam características e
normas obtidas por meio de procedimentos psicológicos reconhecidos pela
AN02FREV001/REV 4.0
218
comunidade científica como adequados para instrumentos dessa natureza.
§ 2º - Optando pelo uso de testes psicológicos, o psicólogo deverá utilizar
testes validados em nível nacional, aprovados pelo CFP de acordo com a Resolução
CFP nº. 25/2001, que garantam a precisão dos diagnósticos individuais obtidos
pelos candidatos.
Art. 2 - Para alcançar os objetivos referidos no artigo anterior, o psicólogo
deverá:
I - utilizar testes definidos com base no perfil profissiográfico do cargo
pretendido;
II – incluir, nos instrumentos de avaliação, técnicas capazes, minimamente,
de aferir características tais como inteligência, funções cognitivas, habilidades
específicas e personalidade;
III - à luz dos resultados de cada instrumento, proceder à análise conjunta de
todas as técnicas utilizadas, relacionando-as ao perfil do cargo e aos fatores
restritivos para a profissão, considerando a capacidade do candidato para utilizar as
funções psicológicas necessárias ao desempenho do cargo;
IV - seguir sempre a recomendação atualizada dos manuais técnicos
adotados a respeito dos procedimentos de aplicação e avaliação quantitativa e
qualitativa.
Art. 3 - O Edital deverá conter informações, em linguagem compreensível ao
leigo, sobre a avaliação psicológica a ser realizada e os critérios de avaliação,
relacionando-os aos aspectos psicológicos considerados compatíveis com o
desempenho esperado para o cargo.
Art. 4 - O psicólogo ou comissão responsável deverá ser designada pela
instituição ou empresa que promove o concurso ou a seleção, por meio de ato
formal, devendo todos estar regularmente inscritos em Conselho Regional de
Psicologia.
Art. 5 - O psicólogo deverá declarar-se impedido de avaliar candidatos com
os quais tenha relação que possa interferir na avaliação.
Parágrafo Único – Na hipótese do exposto no caput desse artigo, o
candidato deverá ser encaminhado a outro membro da comissão de avaliação ou a
outro profissional.
Art. 6 - A publicação do resultado da avaliação psicológica será feita por
AN02FREV001/REV 4.0
219
meio de relação nominal, constando os candidatos indicados.
§ 1º - O sigilo sobre os resultados obtidos na avaliação psicológica deverá
ser mantido pelo psicólogo, na forma prevista pelo código de ética da categoria
profissional.
§ 2º - Será facultado ao candidato, e somente a este, conhecer o resultado
da avaliação por meio de entrevista devolutiva.
Art. 7 – Na hipótese de recurso à instância competente, o candidato poderá
ser assessorado ou representado por psicólogo que não tenha feito parte da
comissão avaliadora, que fundamentará o pedido e a revisão do processo de
avaliação do recorrente, com base nas provas realizadas.
§ 1º - Havendo recurso para realização de perícia, ficam os membros da
comissão impedidos de participarem do processo.
§ 2º - Os peritos deverão considerar todas as informações referentes ao
cargo, fornecidas pelo órgão.
Art. 8 - Tanto para a entrevista de devolução quanto para a apresentação do
recurso, não será admitida a remoção dos testes do candidato do seu local de
arquivamento público, devendo o psicólogo contratado fazer seu trabalho na
presença de um psicólogo da comissão examinadora, salvo determinação judicial.
Art. 9 - A avaliação psicológica em concurso público ou processo seletivo da
mesma natureza terá sua validade de acordo com a Resolução CFP n.º 25/2001.
Parágrafo Único – Caso o candidato possua aprovação em concurso público
e o exame psicológico esteja fora do prazo de validade, a admissão do candidato
estará sujeita à nova avaliação psicológica.
Art. 10 - O laudo psicológico deverá ser assinado, ao menos, pelo
responsável técnico da avaliação.
Art. 11 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
RESOLUÇÃO CFP Nº. 16/2002
Dispõe acerca do trabalho do psicólogo na avaliação psicológica de
candidatos à Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos
automotores.
AN02FREV001/REV 4.0
220
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei nº. 5.766, de 20 de dezembro
de 1971;
CONSIDERANDO a necessidade de normatizaçãoe qualificação de
procedimentos relacionados à prática da avaliação psicológica de candidatos à
Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores;
CONSIDERANDO a importância de todos os exames de avaliação
psicológica serem distribuídos imparcialmente, por meio de divisão equitativa,
aleatória e impessoal entre as entidades credenciadas na área de jurisdição do
órgão executivo do trânsito;
CONSIDERANDO as exigências do novo Código de Trânsito Brasileiro e
resoluções conexas;
CONSIDERANDO o disposto na Resolução CFP Nº. 012/2000;
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 14 de dezembro de 2002
e;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em Sessão realizada no dia 19
de dezembro de 2002;
RESOLVE:
Art. 1 - A Avaliação Psicológica de Candidatos à Carteira Nacional de
Habilitação e condutores de veículos automotores não poderá ser realizada em
centros de formação de condutores ou em qualquer outro local, público ou privado,
cujos agentes tenham interesse no resultado dos exames psicológicos, dada sua
natureza pericial.
Art. 2 - Os locais para a realização das avaliações psicológicas para
candidatos à Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores
devem ser exclusivos para esse tipo de procedimento.
§ Parágrafo único – Nos locais referidos no caput deste artigo poderão ser
realizados também exames de sanidade física e mental com a finalidade de
obtenção da Carteira Nacional de Habilitação e condutores de veículos automotores.
AN02FREV001/REV 4.0
221
Art. 3 - Aos psicólogos peritos responsáveis pela avaliação psicológica fica
vedado estabelecer qualquer vínculo com os Centros de Formação de Condutores
(CFCs), seja como pessoa física, seja como jurídica.
Art. 4 - O prazo para a adequação de procedimentos contidos nesta
Resolução será de 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua publicação.
Art. 5 - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 6 - Revogam-se as disposições em contrário.
RESOLUÇÃO CFP Nº. 17/2002
Esta resolução foi revogada pela 007/2003 e esta por sua vez, revogou a
resolução 30/2001. Por esse motivo ela será apresentada na íntegra na resolução
07/2003.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei no 5.766, de 20 de dezembro
de 1971;
CONSIDERANDO que o psicólogo no seu exercício profissional tem sido
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos;
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de avaliação
psicológica;
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos
documentos escritos, decorrentes de avaliação psicológica, produzidos pelos
psicólogos;
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica
contidos no código de Ética Profissional do Psicólogo;
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de avaliações psicológicas;
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE
AN02FREV001/REV 4.0
222
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000;
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas
Administrativas e Financeiras, em reunião realizada em 15 de dezembro de 2002,
para tratar da revisão do Manual de Elaboração de Documentos produzidos pelos
psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada em 19 de
dezembro de 2002;
RESOLUÇÃO CFP Nº. 02/2003
Define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes
psicológicos e revoga a Resolução CFP n° 025/2001.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e
regimentais que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971, e;
CONSIDERANDO o disposto no § 1
o
do Art. 13 da Lei n
o
4.119/62, que
restringe ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas;
CONSIDERANDO a necessidade de aprimorar os instrumentos e
procedimentos técnicos de trabalho dos psicólogos e de revisão periódica das
condições dos métodos e técnicas utilizados na avaliação psicológica, com o
objetivo de garantir serviços com qualidade técnica e ética à população usuária
desses serviços;
CONSIDERANDO a demanda social e a necessidade de construir um
sistema contínuo de avaliação dos testes psicológicos, adequado à dinâmica da
comunidade científica e profissional, que vem disponibilizando com frequência novos
instrumentos dessa natureza aos psicólogos;
CONSIDERANDO as deliberações do IV Congresso Nacional de Psicologia
acerca do tratamento a ser dispensado aos testes psicológicos;
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas por psicólogos, delegados
das diversas regiões, que participaram do I Fórum Nacional de Avaliação
Psicológica, realizado em dezembro de 2000;
AN02FREV001/REV 4.0
223
CONSIDERANDO a necessidade de agilizar e de tornar público o processo
de avaliação desses instrumentos;
CONSIDERANDO a função social dos Conselhos de Psicologia em buscar a
qualidade técnica e ética dos produtos e serviços profissionais do psicólogo;
CONSIDERANDO a necessidade de divulgação prévia aos psicólogos dos
requisitos mínimos que devem ter os testes psicológicos, conforme disposto no
Anexo I da presente Resolução;
CONSIDERANDO que a divulgação dos requisitos mínimos proporcionará
as condições para a adoção de providências imediatas para a qualificação dos
testes;
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas
Administrativas e Financeiras em reunião realizada no dia 14 de dezembro de 2002
e;
CONSIDERANDO decisão deste Plenário no dia 16 de março de 2003;
RESOLVE:
Art. 1 - Os Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou
mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou uma
técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1
o
do Art. 13
da Lei n
o
4.119/62.
Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput deste artigo, os testes
psicológicos são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras
de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou
mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente
nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade,
psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais
diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos
instrumentos.
Art. 2 - Os documentos a seguir são referências para a definição dos
conceitos, princípios e procedimentos, bem como o detalhamento dos requisitos
estabelecidos nesta Resolução:
I - International Test Commission (2000). ITC Guidelines on Adapting Tests.
AN02FREV001/REV 4.0
224
International Test Commission. Disponível on-line em: http://www.intestcom.org.
II - American Educational Research Association, American Psychological
Association & National Council on Measurement in Education (1999). Standards for
Educational and Psychological Testing. New York: American Educational Research
Association.
III - Canadian Psychological Association (1996). Guidelines for Educational
and Psychological Testing. Ontário, CA: CPA. Disponível On-Line em:
http://www.cpa.ca/guide9.html;
Art. 3
- Os requisitos mínimos que os instrumentos devem possuir para
serem reconhecidos como testes psicológicos e possam ser utilizados pelos
profissionais da psicologia são os previstos nesta Resolução.
Art. 4- Para efeito do disposto no artigo anterior,são requisitos mínimos e
obrigatórios para os instrumentos de avaliação psicológica que utilizam questões de
múltipla escolha e outros similares, tais como "acerto e erro", "inventários" e
"escalas":
I - apresentação da fundamentação teórica do instrumento, com especial
ênfase na definição do construto, sendo o instrumento descrito em seu aspecto
constitutivo e operacional, incluindo a definição dos seus possíveis propósitos e os
contextos principais para os quais ele foi desenvolvido;
II - apresentação de evidências empíricas de validade e precisão das
interpretações propostas para os escores do teste, justificando os procedimentos
específicos adotados na investigação;
III - apresentação de dados empíricos sobre as propriedades psicométricas
dos itens do instrumento;
IV - apresentação do sistema de correção e interpretação dos escores,
explicitando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do sistema de
interpretação adotado, que pode ser:
a) referenciada à norma, devendo, nesse caso, relatar as características da
amostra de padronização de maneira clara e exaustiva, preferencialmente
comparando com estimativas nacionais, possibilitando o julgamento do nível de
representatividade do grupo de referência usado para a transformação dos escores;
b) Diferente da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso, explicar o
embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de interpretação utilizado.
AN02FREV001/REV 4.0
225
V - Apresentação clara dos procedimentos de aplicação e correção, bem
como as condições nas quais o teste deve ser aplicado, para que haja a garantia da
uniformidade dos procedimentos envolvidos na sua aplicação;
VI - Compilação das informações indicadas acima, bem como outras que
forem importantes, em um manual contendo, pelo menos, informações sobre:
a) O aspecto técnico-científico, relatando a fundamentação e os estudos
empíricos sobre o instrumento;
b) O aspecto prático, explicando a aplicação, correção e interpretação dos
resultados do teste;
c) A literatura científica relacionada ao instrumento, indicando os meios para
a sua obtenção.
Art. 5 - São requisitos mínimos obrigatórios para os instrumentos de
avaliação psicológica classificados como "testes projetivos":
I - Apresentação da fundamentação teórica do instrumento com especial
ênfase na definição do construto a ser avaliado e dos possíveis propósitos do
instrumento e os contextos principais para os quais ele foi desenvolvido;
II - Apresentação de evidências empíricas de validade e precisão das
interpretações propostas para os escores do teste, com justificativas para os
procedimentos específicos adotados na investigação, com especial ênfase na
precisão de avaliadores, quando o processo de correção for complexo;
III - Apresentação do sistema de correção e interpretação dos escores,
explicitando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do sistema de
interpretação adotado, que pode ser:
a) Referenciada à norma, devendo, nesse caso, relatar as características da
amostra de padronização de maneira clara e exaustiva, preferencialmente
comparando com estimativas nacionais, possibilitando o julgamento do nível de
representatividade do grupo de referência usado para a transformação dos escores;
b) Diferente da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso,
explicar o embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de
interpretação utilizado;
IV - Apresentação clara dos procedimentos de aplicação e correção e das
condições nas quais o teste deve ser aplicado para garantir a uniformidade dos
procedimentos envolvidos na sua aplicação;
AN02FREV001/REV 4.0
226
V - compilação das informações indicadas acima, bem como outras que
forem importantes, em um manual contendo, pelo menos, informações sobre:
a) o aspecto técnico-científico, relatando a fundamentação e os estudos
empíricos sobre o instrumento;
b) o aspecto prático, explicando a aplicação, correção e interpretação dos
resultados do teste e;
c) a literatura científica relacionada ao instrumento, indicando os meios para
a sua obtenção.
Art. 6 - Os requisitos mínimos obrigatórios são aqueles contidos no Anexo I
desta Resolução, Formulário de Avaliação da Qualidade de Testes Psicológicos.
Parágrafo Único – O Anexo que trata o caput deste Artigo é parte integrante
desta Resolução.
Art. 7- Também estão sujeitos aos requisitos estabelecidos na presente
Resolução os testes estrangeiros de qualquer natureza, traduzidos para o
português, que devem ser adequados a partir de estudos realizados com amostras
brasileiras, considerando a relação de contingência entre as evidências de validade,
precisão e dados normativos com o ambiente cultural onde foram realizados os
estudos para sua elaboração.
Parágrafo Único - Os requerentes, autores, editores, laboratórios e
responsáveis técnicos de testes psicológicos, comercializados ou não, poderão
encaminhar os mesmos ao CFP a qualquer tempo, protocolando requerimento
dirigido ao presidente do CFP, acompanhado de 2 (dois) exemplares completos do
instrumento.
Art. 8 – O CFP manterá uma Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica
integrada por psicólogos convidados, de reconhecido saber em testes psicológicos,
com o objetivo de analisar e emitir parecer sobre os testes psicológicos
encaminhados ao CFP, com base nos parâmetros definidos nesta Resolução, bem
como apresentar sugestões para o aprimoramento dos procedimentos e critérios
envolvidos nessa tarefa, subsidiando as decisões do Plenário a respeito da matéria.
§ 1
0
– A Comissão de que trata o caput deste artigo, nomeada Comissão
Consultiva em Avaliação Psicológica, será composta por, no mínimo, 4 (quatro)
membros, podendo valer-se da colaboração de pareceristas Ad hoc.
§ 2
0
– Os pareceristas Ad hoc serão psicólogos convidados pelo CFP,
AN02FREV001/REV 4.0
227
escolhidos por notório saber na área.
§ 3º - O trabalho da Comissão e dos pareceristas Ad hoc não será
remunerado, e não representará vínculo empregatício com o CFP.
Art. 9 – Os testes recebidos terão tramitação interna de acordo com as
seguintes etapas, cujo procedimento se descreve:
I- Recepção;
II- Análise;
III- Avaliação;
IV- Comunicação da avaliação para os requerentes, com prazo para recurso;
V- Análise do recurso;
VI- Avaliação Final.
§ 1
º-
A recepção consiste no protocolo de recebimento, inclusão no banco de
dados e encaminhamento para análise.
§ 2
º-
A análise é feita com a verificação técnica do cumprimento das
condições mínimas contidas no Anexo I desta resolução, realizada inicialmente
pelos pareceristas Ad hoc e, posteriormente, pela Comissão Consultiva em
Avaliação Psicológica, resultando em um parecer a ser enviado para decisão da
Plenária do CFP;
§ 3
º
– A avaliação poderá ser favorável quando, por decisão do Plenário do
CFP, o teste é considerado em condições de uso, ou desfavorável quando, por
decisão do Plenário do CFP, a análise indica que o teste não apresenta as
condições mínimas para uso. Nesse caso, o Parecer deverá apresentar as razões,
bem como as orientações para que o problema seja sanado.
§ 4º - A comunicação de avaliação ocorre quando do recebimento desta pelo
requerente, podendo o mesmo apresentar recurso no prazo de 30 dias, previsto no
Art. 12, inciso IV desta Resolução, a contar da data que consta no Aviso de
Recebimento (AR).
§ 5º - A análise do recurso à avaliação desfavorável, realizada pela
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, ocorre quando do recebimento do
recurso do requerente.
§ 6
º
– A avaliação final desfavorável ocorre quando, mediante análise, a
avaliação desfavorável prevalece diante da resposta de que trata o parágrafo
anterior, ou quando esta resposta não for apresentada no prazo estabelecido nesta
AN02FREV001/REV 4.0
228
resolução, caso em que o testeserá considerado sem condições de uso.
Art. 10 - Será considerado teste psicológico em condições de uso, seja ele
comercializado ou disponibilizado por outros meios, aquele que, após receber
Parecer da Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, for aprovado pelo CFP.
Parágrafo único – Para o disposto no caput deste artigo, o Conselho Federal
de Psicologia considerará os parâmetros de construção e princípios reconhecidos
pela comunidade científica, especialmente os desenvolvidos pela Psicometria.
Art. 11 – As condições de uso dos instrumentos devem ser consideradas
apenas para os contextos e propósitos para os quais os estudos empíricos
indicaram resultados favoráveis.
Parágrafo Único – A consideração da informação referida no caput deste
artigo é parte fundamental do processo de avaliação psicológica, especialmente na
escolha do teste mais adequado a cada propósito e será de responsabilidade do
psicólogo que utilizar o instrumento.
Art. 12 – Os prazos para cada etapa descrita no Art. 9º desta Resolução são
de até:
I – 30 (trinta) dias, a partir da data de recebimento do teste psicológico pelo
CFP, para os procedimentos de recepção e encaminhamento à Comissão
Consultiva em Avaliação Psicológica ou parecerista Ad hoc por esta indicado;
II – 60 (sessenta) dias, a partir do recebimento do teste para análise, para
emissão de parecer pelo parecerista Ad hoc;
III – 30 (trinta) dias, a partir do recebimento do parecer, para emissão do
parecer pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica;
IV – 30 (trinta) dias, a partir da notificação, para apresentação de recurso
pelo responsável técnico pelo teste psicológico;
V – 30 (trinta) dias, a partir do recebimento, para análise e parecer da
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica ao recurso do requerente.
§ 1
0
– Caso haja desacordo entre o parecer do parecerista Ad hoc e o da
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, o instrumento será enviado para
outro parecerista Ad hoc, que terá o prazo de até 40 (quarenta) dias para emissão
de novo parecer.
AN02FREV001/REV 4.0
229
RESOLUÇÃO CFP Nº. 07/2003
Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo
psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP nº.
17/2002.
O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições
legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n
o
5.766, de 20 de dezembro
de 1971;
CONSIDERANDO que o psicólogo, no seu exercício profissional, tem sido
solicitado a apresentar informações documentais com objetivos diversos;
CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar o psicólogo
na produção qualificada de documentos escritos decorrentes de avaliação
psicológica;
CONSIDERANDO a frequência com que representações éticas são
desencadeadas a partir de queixas que colocam em questão a qualidade dos
documentos escritos, decorrentes de avaliação psicológica, produzidos pelos
psicólogos;
CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a
atividade profissional do psicólogo e os dispositivos sobre avaliação psicológica
contidos no Código de Ética Profissional do Psicólogo;
CONSIDERANDO as implicações sociais decorrentes da finalidade do uso
dos documentos escritos pelos psicólogos a partir de avaliações psicológicas;
CONSIDERANDO as propostas encaminhadas no I FORUM NACIONAL DE
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, ocorrido em dezembro de 2000;
CONSIDERANDO a deliberação da Assembleia das Políticas
Administrativas e Financeiras, em reunião realizada em 14 de dezembro de 2002,
para tratar da revisão do Manual de Elaboração de Documentos produzidos pelos
psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas;
CONSIDERANDO a decisão deste Plenário em sessão realizada no dia 14
de junho de 2003;
RESOLVE:
AN02FREV001/REV 4.0
230
Art. 1 - Instituir o Manual de Elaboração de Documentos Escritos,
produzidos por psicólogos, decorrentes de avaliações psicológicas.
Art. 2 - O Manual de Elaboração de Documentos Escritos, referido no artigo
anterior, dispõe sobre os seguintes itens:
I. Princípios norteadores;
II. Modalidades de documentos;
III. Conceito / finalidade / estrutura;
IV. Validade dos documentos;
V. Guarda dos documentos.
Art. 3- Toda e qualquer comunicação por escrito decorrente de avaliação
psicológica deverá seguir as diretrizes descritas neste manual.
Parágrafo único – A não observância da presente norma constitui falta
eticodisciplinar, passível de capitulação nos dispositivos referentes ao exercício
profissional do Código de Ética Profissional do Psicólogo, sem prejuízo de outros
que possam ser arguidos.
Art. 4 - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 5 - Revogam-se as disposições em contrário.
SUGESTÕES DE LEITURAS COMPLEMENTARES
ALGO sobre vestibular. Disponível em:
<http://www.algosobre.com.br/psicologia>. Acesso em: 2 jul. 2010.
AUGRAS, M. O ser da compreensão: fenomenologia da situação de
Psicodiagnóstico. Petrópolis: Vozes, 1978.
BEZERRA, A. R. C.; CHALEGRE, C. T.; GUIMARÃES, D. S. L.; CAMILO, D. I.
S. Intervenção terapêutica-ocupacional na psicose infantil. Psiqweb, jan. 2005.
Disponível em: <http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=30&art=105>.
Acesso em: 05 jul 2010.
BION, W. R. (1957): Diferenciação entre a personalidade psicótica e a não
psicótica. In: ______. Estudos Psicanalíticos Revisados. Rio de Janeiro:
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BLEGER, J. Temas de psicologia: entrevista e grupos. Trad. Rita M. de
Moraes. São Paulo: Martins Fontes, 1980.
CASTILHO, A. A dinâmica do trabalho de grupo. 2 ed. Rio de Janeiro:
Qualitymark, 1995.
CLÍNICA Psiquiatra de Londrina. Disponível em:
<http://www.psiquiatrianet.com.br/>. Acesso em: 2 jul. 2010.
FIORINI, H. J. Teoria e técnica de psicoterapias. Trad. Carlos Sussekind. 7
ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987.
FODDY, W. Como perguntar: teoria e prática da construção de perguntas em
entrevistas e questionários. 2 ed. Trad. Luís Campos. Oeiras-PT: Celta, 2002.
FREUD, S. (1924): Neurose e psicose. In: ______. Obras Completas Vol. XIX.
Rio de Janeiro: Imago, 1976. p. 189-193.
______. (1924[1923]): A perda da realidade na neurose e na psicose. In In:
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GILLIÉRON, E. A primeira entrevista em psicoterapia. Trad. M. S. Gonçalves
& A. U. Sobral. São Paulo: Loyola, 1996.
GOLDER, E. M. Clínica da primeira entrevista. Trad. P. Abreu. Rio de Janeiro:
Zahar, 2000.
GORI, C. A. Forças indômitas: considerações teóricas sobre a transferência em
um fragmento de ópera. Revista Psicanálise e Universidade, n. 16, São
Paulo, abr. 2002.
GRASSANO, E. (1977/1984): Indicadores psicopatológicos nas técnicas
projetivas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.
PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1985.
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PERRON-BORELLI, M. & PERRON, R. O Exame Psicológico da Criança.
Lisboa: 70, 1980.
PINHEIRO, O. G. Entrevista: uma prática discursiva. In: SPINK, M. J. P. (Org.)
Práticas discursivas e produção no cotidiano: aproximações teóricas e
metodológicas. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2004.
RIBEIRO, J. P. Teorias e técnicas psicoterápicas. 2. ed. Petrópolis: Vozes,
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SANG, E. R. Sobre o amor de transferência: um caso clínico. Revista Alter
(SPB). Origens: mente e psicanálise, Brasília, v. XX, n. 2, dez. 2001.
SCHEEFFER, R. Aconselhamento psicológico. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1977.
SENDIN, M. C. Diagnóstico Psicológico: bases conceptuales y guia pratico
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SOIFER, R. Psicodinamismos das famílias com crianças. Petrópolis:Vozes,
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YALOM. I. D. Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas.
Trad. Vera de Paula Assis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.
ZASLAVSKY, J.; SANTOS, M. J. P. Contratransferência em psicoterapia e
psiquiatria hoje. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 27, n. 3,
set./dez. 2005.
AN02FREV001/REV 4.0
233
FIM DO MÓDULO V
AN02FREV001/REV 4.0
234
AN02FREV001/REV 4.0
235
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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para o diagnóstico infantil. Taubaté: Cabral, 1998.
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RAPPORT, David. Testes de Diagnóstico Psicológico. Buenos Aires: Paidós,
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PASQUALI, L. Técnicas de Exame Psicológico – TEP: manual. São Paulo: Casa
do Psicólogo / Conselho Federal de Psicologia, 2001.
AN02FREV001/REV 4.0
238
ANEXO A - MODELO DE RELATÓRIO: LAUDO PSICOLÓGICO FORENSE PARA
FINS DE ESCLARECIMENTO À JUSTIÇA
O Juiz de Direito ............................................................... designou o perito forense
....................................................
IDENTIFICAÇÃO:
NOME
..............................................................................................................................
COR ............................. IDADE ..........
PROFISSÃO .......................................................
FILIAÇÃO
.........................................................................................................................
ESTADO CIVIL ................................
NATURAL DE .........................................................
ESTADO...........
RESIDÊNCIA ..........................................................................................
ANAMNESE
HISTÓRIA FAMILIAR: relata-se tudo sobre pai, mãe, se falecidos, quem, quando,
porque, se goza de boa saúde, se tem irmãos. Se tiver alguém com doença mental,
se não tiver relata que não há.
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
HISTÓRIA PESSOAL: relata gestação, nascimento, desenvolvimento, doenças
infectocontagiosas, primeira infância, escolaridade, quantos anos iniciou
relacionamento afetivo, menarca.
AN02FREV001/REV 4.0
239
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
Uso de bebida alcoólica, problema de saúde.
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
HISTÓRIA CRIMINAL
a) Versão do acusado: segundo o examinando
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
b) Versão dos autos: conta nos autos do processo; coloca-se tudo.
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
EXAME PSÍQUICO
Percepção, funções intelectuais, funções volitivas, linguagem.
* Observar a postura solícita, se prestou todas as informações mnêmicas, se
apresenta ou não sinais de periculosidade.
DIAGNÓSTICO:
Ex.: Transtorno de comportamento decorrente de substância psicoativa;
Deficiência mental leve.
ESCLARECIMENTO AO JUIZ:
Ao Juiz de Direito ..................................... fala sobre o examinado: nome, idade, se
apresenta ou não doença mental, se apresenta ou não periculosidade, conduta no
estabelecimento se trabalha, etc.
AN02FREV001/REV 4.0
240
FIM DO CURSO
Programa de Educação
Continuada