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QUESTÕES DE CLASSE: Seminário IV - INTERPRETAÇÃO, VALIDADE, VIGÊNCIA E EFICÁCIA DA NORMA TRIBUTÁRIA ALUNA: ALINE PREVIATTI DOS SANTOS 1. Que significa afirmar que uma norma “N” é válida? Norma criada por autoridade incompetente, mas segundo o procedimento previsto em lei, é válida? E norma criada por autoridade competente, mas sem observância do procedimento previsto em lei é válida? R: Significa que a norma “N” pertence e existe dentro de um determinado sistema, se for jurídica, pertencerá e existirá dentro do sistema direito positivo. Ambas não terão validade, pois se a lei determina quem é competente para legislar e alguém que não possua os requisitos, ou seja, alguém incompetente cria determinada norma, ainda que atenda aos demais requisitos do processo legislativo, essa norma não terá validade. O mesmo vale para norma criada por autoridade competente e que não atenda aos procedimentos da lei, essa norma possui um vício formal, não sendo válida. Ambas podem ser vigentes e produzir efeitos, mas se passarem pelos devidos controles de constitucionalidade, serão excluídas do ordenamento jurídico. 2. Dada a seguinte lei, responder às questões que seguem: Lei ordinária federal n. 10.001, de 10/10/2016 (DO de 01/11/2015) Art. 1º Esta taxa de licenciamento de veículo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor com registro de domicílio no território nacional. Art. 2º A base de cálculo dessa taxa é o valor venal do veículo. Parágrafo único. A alíquota é de 1%. Art. 3º Contribuinte é o proprietário do veículo. Art. 4º Dá-se a incidência dessa taxa no primeiro dia do quarto mês de cada exercício, devendo o contribuinte que se encontrar na situação descrita pelo art. 1º dessa lei, desde logo, informar até o décimo dia deste mesmo mês, em formulário próprio (FORMGFA043), o valor venal, o tipo, a marca, o ano e a cilindrada do respectivo veículo. Art. 5º A importância devida, a título de taxa, deve ser recolhida até o décimo dia do mês subsequente, sob pena de multa de 10% sobre o valor do tributo devido. Art. 6º Diante da não emissão do formulário (FORMGFA043) na data aprazada, poderá, a autoridade fiscal competente lavrar Auto de Infração e Imposição de Multa, em decorrência da não observância dessa obrigação, impondo multa de 50% sobre o valor do tributo devido. (...) a) Em 01/06/2017, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em ação direta (com efeito erga omnes), pela inconstitucionalidade desta lei federal. Identificar nas datas abaixo fixadas, segundo os critérios indicados, a situação jurídica da regra que instituiu o tributo, justificando cada uma das situações: Critérios\ datas 11/10/2015 01/11/2016 01/02/2016 01/04/2017 01/07/2017 É válida não sim sim sim sim É vigente não não sim sim sim Incide não não não sim não Apresenta eficácia jurídica não não não sim não 3. Compete ao legislativo a positivação de interpretações? Existe lei puramente interpretativa? Tem aplicabilidade o art. 106, I do CTN ao dispor que a lei tributária interpretativa se aplica ao fato pretérito? Como confrontar este dispositivo do CTN com o princípio da irretroatividade? R: A interpretação das leis é feita por todos de uma sociedade, assim se os integrantes do poder legislativo verificarem a necessidade de produzir a chamada lei interpretativa não haverá óbices. Aliás, no direito tributário há previsão expressa para tanto, conforme art. 106, I, do CTN. Sim, existe lei puramente interpretativa. O art. 106, I, do CTN, tem total aplicabilidade, pois eventuais incertezas e interpretações variadas podem ser resolvidas por este dispositivo. Acredito que não se deve confrontar, pois a retroatividade interpretativa do art. 106, I do CTN, não vai de encontro ao princípio da irretroatividade das leis tributárias, previsto no art. 150, III, “a”, do CTN e o princípio da irretroatividade das leis, previsto no art. 5º, XXXVI, da CF. Esta retroatividade interpretativa serve apenas para esclarecer dúvidas que surgiram em razão da sua vagueza, o próprio art. 106 na íntegra, mostra que não haverá prejuízos com a interpretação adotada. No entanto, deve-se atentar ao seguinte o pressuposto deve ser aplicado apenas para interpretação, não podendo, por meio deste dispositivo, criar lei inovadora.