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Antonio Soares da Silva 
Alexssandra Juliane Vaz
Aula 6
A dinâmica interna 
do planeta Terra: 
placas tectônicas, 
atividades 
magmáticas e 
metamorfismo
Geologia Aplicada à Geografia
156
Meta da aula
Apresentar a tectônica do planeta Terra, as teorias e as confirmações da dinâmica das 
placas tectônicas.
Objetivos
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
1. conceituar a deriva continental;
2. identificar as principais placas tectônicas;
3. correlacionar a tectônica de placas e eventos metamórficos.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
157
INTRODUÇÃO
Todos nós sabemos que o Sol é o grande responsável 
pelos fenômenos que ocorrem na superfície do planeta Terra e na 
atmosfera. Entretanto, quando o assunto é o interior do planeta, seus 
efeitos são pouco expressivos. Nesta aula, vamos fazer uma viagem 
ao interior da Terra. E, para que você compreenda a dinâmica interna 
do nosso planeta, vamos voltar a estudar a tectônica de placas, 
considerando as diferentes camadas da Terra: a crosta, o manto e 
o núcleo (conforme exposto na Aula 1).
Porém, é importante destacar as dificuldades na realização 
de estudos no interior da Terra, devido à inacessibilidade das 
observações diretas. A tecnologia ainda não criou mecanismos 
capazes de enfrentar as altas pressões e temperaturas do interior 
do planeta. Por isso, todo o conhecimento produzido sobre a 
temperatura interior da Terra está limitado a dados obtidos através 
de furos de sondagem feitos na crosta, no interior das minas. Até o 
presente, o furo mais profundo atingiu doze quilômetros (feito em 
Koala, na Rússia). Preparado para seguir viagem?
Tectonismo
Conforme visto na primeira aula, o calor do interior da Terra 
aumenta à medida que a profundidade também aumenta (gradiente 
térmico). Entretanto, a sismologia descobriu que o núcleo interior da 
Terra é sólido, caso contrário, o crescente aumento de temperatura 
verificado com a profundidade faria com que todo o material fosse 
fundido.
O fluxo geotérmico (transporte de calor) dentro de uma 
camada da Terra é o produto da variação da temperatura com a 
profundidade, pela condutividade térmica das rochas ali presentes. 
Esse fluxo de calor pode variar de acordo com a composição, a 
idade e a natureza do material das rochas e dos processos que 
ocorrem logo abaixo delas.
A sismologia 
estuda a estrutura 
da Terra, desde 
a superfície até o 
seu núcleo, para 
compreender os 
mecanismos envolvidos 
na tectônica global do 
nosso planeta.
Geologia Aplicada à Geografia
158
O transporte de calor pode ocorrer por dois processos: 
condução e convecção. A condução é um processo lento, no qual 
ocorre a transferência de energia entre uma molécula e suas vizinhas, 
particularmente nas matérias sólidas. Já a convecção é um processo 
rápido que provoca movimento de massa e ocorre nos corpos fluidos 
do núcleo externo e do manto.
Todo esse movimento é consequência e, de certa forma, causa 
da injeção de matéria e calor na superfície, produzindo grandes 
transformações, algumas delas de maneira catastrófica (terremotos 
e vulcanismo), enquanto outras sequer são percebidas (orogenia).
Orogenia é o conjunto de processos que levam 
à formação ou ao rejuvenescimento de mon-
tanhas ou cadeias de montanhas. Sua área de 
atuação é marcada pela ocorrência frequente de 
sismos e pela presença abundante de vulcões.
Essas transformações – terremotos, vulcanismos e orogenia – 
são resultado dos movimentos da crosta terrestre. A crosta terrestre, 
ou litosfera, é uma camada de terra e rochas irregulares, sendo 
composta por placas tectônicas que não são fixas, porque ficam 
sobre o magma (rocha fundida de alta temperatura). Essas placas 
dão à litosfera terrestre a aparência de um grande quebra-cabeça, 
em que as peças se encaixam. As placas estão em constante 
movimento e exercem pressão umas contra as outras. Assim, as 
bordas das placas tectônicas se chocam ou se afastam, devido ao 
deslocamento que sofrem em variadas direções.
São contadas dez grandes placas tectônicas: Placa Eurasiática, 
Placa Arábica, Placa Africana, Placa Australiana-indiana, Placa 
do Pacífico, Placa Sul-americana, Placa Norte-americana, Placa 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulc%C3%A3o
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
159
Antártica, Placa Filipina e Placa Nazca (Figura 6.1). Também 
existem várias outras placas menores, tais como a Placa do Caribe, 
a Placa das Filipinas, a Placa Scotia, a Placa de Cocos e a Placa 
Juan de Fuca. Mas nem sempre foi assim.
Figura 6.1: Mosaico de placas tectônicas. As setas indicam a direção do 
movimento. 
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Placas_tect2_pt_BR.svg
Ao longo das eras geológicas, as placas tectônicas se uniram 
e se separaram em vários momentos, formando configurações 
continentais muito diferentes daquela que temos hoje. Em um desses 
momentos, na passagem do Proterozoico para o Fanerozoico, teve 
início uma aglutinação dos continentes. Nessa época (540 milhões 
de anos atrás), foi formado o supercontinente denominado Pangea. 
A Figura 6.2 mostra as massas continentais unidas. Observe que 
o formato dos continentes atuais ainda não estava completamente 
definido, mas já é possível perceber alguns contornos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Placas_tect2_pt_BR.svg
Geologia Aplicada à Geografia
160
Figura 6.2: O megacontinente Pangea era constituído pelos continentes Laurásia 
e Gondwana.
Fonte: Modificado de Toledo et al. (2000).
Mas essa não foi a primeira vez que as massas continentais se 
uniram. Há indícios de que esse fenômeno ocorreu diversas outras 
vezes na história do planeta. Entretanto, as dimensões e os formatos 
dessas massas continentais eram muito diferentes.
A Pangea (pan = todo e gea = terra) teria ini-
ciado a sua formação por volta de 540 milhões 
de anos e durou todo o Paleozoico. A fragmen-
tação ocorreu durante o Mesozoico e continua 
até os dias atuais. Ainda durante o Proterozoico, há 
cerca de 1,1 bilhões de anos, outro supercontinente foi 
formado, Rondínia. Poucos percebem, entretanto, que 
as massas de terra continentais que, provavelmente, 
colidiram para formar supercontinentes, tenham se 
despedaçado várias vezes no passado.
Durante a época de formação da Pangea, foram for-
mados vários depósitos glaciais, indicando que a Terra 
foi mergulhada em uma grande idade do gelo,
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
161
e isso se refletiu nas diversas extinções em massa de 
que falamos na Aula 5.
Para mais informações e para ter acesso a animações, 
visite a página do Serviço Geológico dos Estados 
Unidos: http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/
index.html
Para ter acesso a uma animação que mostra a for-
mação da Pangea, acesse o link: http://geomaps.
wr.usgs.gov/parks/pltec/pangea.html
A Deriva Continental
Se observarmos a porção leste do mapa da América do 
Sul e a porção oeste do mapa do continente africano, é possível 
verificar uma nítida semelhança no formato dos dois continentes, 
como um encaixe perfeito entre as peças de um quebra-cabeça. Essa 
observação, levantada por Francis Bacon em 1620, foi a primeira 
evidência de que os continentes estiveram unidos no passado. Mas 
foi somente no início do século XX que a teoria da tectônica de placas 
surgiu, em decorrrência das ideias revolucionárias apresentadas 
anteriormente pelo alemão Alfred Wegener. 
Alfred Wegener
A formação inicial de Alfred Wegener foi 
Astronomia. No entanto, era visível seu interesse 
pela Geofísica, tornando-se profundo conhecedor 
de ciências emergentes como a Meteorologia e 
Climatologia. Wegener demonstrou que o clima e 
as litologias coincidiam mesmo que separados pelos 
oceanos. Depoisde encontrar vestígios de sementes 
arbóreas tropicais na Groenlândia, concluiu que isso
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/index.html
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/index.html
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/pangea.html
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/pangea.html
Geologia Aplicada à Geografia
162
somente poderia ocorrer devido ao deslocamento 
dos continentes. No entanto, ele não sabia explicar 
a razão pela qual os continentes se moviam e, a 
princípio, os geólogos, especialmente os norte-
americanos, desprezaram as suas ideias. Só se 
convenceram quando foram descobertas rochas 
magnéticas de idades diferentes que apontavam para 
direções diferentes e não apenas para o Polo Norte 
magnético. A melhor explicação para essas variações 
era o movimento dos continentes. Estava aí o início da 
comprovação da Teoria da Deriva Continental. 
De acordo com a teoria de Wegener, havia um supercontinente, 
que ele denominou de Pangea, que teria iniciado sua fragmentação 
há cerca de 220 milhões de anos (Triássico), quando os dinossauros 
ainda habitavam a Terra. Segundo essa teoria, a fragmentação 
originou dois continentes: Laurásia e Gondwana.
As principais evidências da deriva dos continentes apresentada 
por Wegener foram a presença de fósseis comuns no Brasil e na 
África e a evidência de glaciações em lugares como o sudeste 
brasileiro, o sul da África e o oeste da Austrália.
A teoria desenvolvida por Wegener ficou esquecida após 
a sua morte (1930) e só voltou à tona durante a Segunda Guerra 
Mundial, com as tecnologias militares desenvolvidas para localizar 
submarinos no fundo dos mares. Isso possibilitou o traçado de mapas 
detalhados do relevo do fundo oceânico, mostrando um ambiente 
geologicamente mais ativo do que se imaginava até então.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
163
Seguindo essa lógica, entre as décadas de 1950 e 1960, a 
Geocronologia trouxe novas informações sobre a idade das rochas 
oceânicas e o estudo do seu magnetismo. Assim, a deriva dos 
continentes passou a ser estudada com mais seriedade.
Logo em seguida, o norte-americano Harry Hess apresentou 
a hipótese da expansão do fundo oceânico, em que apontava que 
essas estruturas estariam relacionadas a processos de convecção 
do interior da Terra.
Biogeografia e Deriva Continental: a 
Linha Wallace
A chamada Linha Wallace foi estabelecida pelo 
geógrafo e naturalista Alffred Russel Wallace e 
mostrou, no século XIX, a separação de duas zonas 
zoogeográficas: Ásia e Austrália. Nas ilhas situadas a 
oeste da linha havia macacos, chimpanzés, lêmures, 
tigres, ursos, veados e elefantes, enquanto que nas 
terras influenciadas pela Austrália não havia nenhum 
desses animais. Por outro lado, na Austrália havia 
cangurus, gambás e ornitorrincos. A Linha Wallace 
separa populações tão distintas e que permanecem até 
os dias atuais completamente separadas, exceto pelos 
animais que conseguem voar. Em nenhum lugar do 
mundo há um contraste tão grande de faunas sepa-
radas por distâncias tão pequenas (apenas 25 km). 
Apesar da brilhante constatação, Wallace não pode 
explicar o que levou a tamanha segregação. Não 
imaginou e não havia conhecimento na época que 
indicasse uma influência direta da tectônica de placas. 
Hoje a fauna é diferente, mas existem fósseis iguais 
nos dois continentes. 
Geologia Aplicada à Geografia
164
Figura 6.3: Linha Wallace.
A Teoria da Deriva Continental foi a hipótese elaborada por 
Alfred Wegener no início do século XX para explicar o arranjo e a 
distribuição das massas continentais atuais. Mais recentemente, na 
década de 1960, um grupo de cientistas reuniu diversas evidências 
para tentar explicar como esse processo teria ocorrido, elaborando 
a Teoria da Tectônica de Placas. A principal evidência apontada por 
Wegener foi o contorno dos continentes (a costa leste da América 
do Sul tem uma forma que quase se encaixa na forma da costa 
oeste da África), o que evidencia que no passado existia apenas 
uma massa continental (Pangea) que, ao se fragmentar, resultou nos 
continentes que temos hoje e na formação de algumas ilhas oceânicas 
(fragmentos deixados durante o deslocamento dos continentes).
A Teoria da Tectônica de Placas foi a evolução desse 
pensamento de Wegener. A diferença é que passou-se a considerar 
que a crosta terrestre está dividida e se movimenta sobre grandes 
placas tectônicas. Estas se movimentam impulsionadas pelas forças 
provenientes do interior da Terra, que Wegener ainda não conhecia.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
165
Atende aos Objetivos 1 e 2
1. A partir das proposições e dos conceitos apresentados, apresente as evidências que 
comprovam a Teoria da Deriva Continental e a da Tectônica de Placas.
Resposta Comentada
São várias as comprovações que podem ser utilizadas nos dias atuais. A primeira delas está 
relacionada ao formato dos continentes, principalmente América do Sul e África. O litoral leste 
da América do Sul e o oeste da África se encaixam perfeitamente. A segunda delas diz respeito 
aos fósseis encontrados nesses dois continentes, que comprovam que um dia foram apenas um. 
Ainda podemos afirmar que, indiretamente, a Linha Wallace comprova a aproximação de duas 
placas tectônicas, que carregam consigo faunas que evoluíram de maneira diferente.
Geologia Aplicada à Geografia
166
As placas tectônicas
As placas litosféricas podem ser classificadas em oceânicas ou 
continentais e apresentam características bastante distintas. Variam 
na composição litológica e química, na morfologia, na estrutura, na 
espessura, idade e dinâmica. A maioria das placas possui porções 
oceânicas e continentais.
Para compreender a movimentação das placas tectônicas, 
é preciso considerar a íntima ligação entre a astenosfera e a 
litosfera, porque a primeira é movida se a segunda se mover. 
Além disso, a litosfera possui uma energia cinética, por conta do 
fluxo térmico do interior da Terra. O princípio é o de uma célula de 
convecção. 
Célula ou corrente de convecção
A convecção ocorre no manto. É um movimento 
lento da rocha que, sob temperatura elevada, 
apresenta-se como um material plástico-viscoso 
que, devido à menor densidade, migra para cima 
se expandindo. Enquanto isso, o material que está ao 
redor – mais frio e denso – desce, ocupando o lugar 
deixado pela massa aquecida. A velocidade do movi-
mento de convecção é de apenas alguns centímetros 
por ano.
O alto fluxo de calor interno provoca a ascensão do 
material do manto, porque o aumento da tempera-
tura o torna mais denso. Quando o material atinge 
a superfície, se movimenta lateralmente e o fundo 
oceânico se afasta, produzindo uma fenda que é ra-
pidamente preenchida por novas lavas. Estas, quando 
solidificadas, formam um novo fundo oceânico, a 
partir da Dorsal, como você pode observar na figura 
a seguir.
Litosfera é a 
camada superficial 
da Terra, que flutua 
sobre um substrato 
mais denso, que é a 
astenosfera, uma 
camada mais plástica 
– porque as rochas são 
mais maleáveis –, que 
constitui uma zona de 
baixa velocidade. Ela 
se comporta como um 
fluido viscoso, no qual 
ocorrem deformações 
na escala do tempo 
geológico.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
167
Figura 6.4: Esquema das correntes de convecção responsáveis 
pela injeção de matéria e espalhamento do fundo oceânico. 
Fonte: Modificado de Toledo et al. (2000).
Figura 6.5: Movimentação das placas tectônicas devido às 
correntes convectivas. 
Fonte: Modificado de Toledo et al. (2000).
A classificação dos limites das placas tectônicas 
Podemos classificar três tipos distintos de limites entre as 
placas tectônicas. 
a) Limite convergente – nesse tipo de limite ocorre a colisão de 
placas tectônicas(Figura 6.6). O comportamento e o destino das 
placas convergentes dependem principalmente do tipo de litosfera 
de que eles são feitos. Placas muito espessas e pouco densas, tais 
Geologia Aplicada à Geografia
168
como as placas continentais, apresentam comportamento diferente 
das placas oceânicas, que são finas e muito densas (vide boxe 
explicativo sobre a colisão de placas tectônicas). 
Figura 6.6: Limite convergente de placa continental x oceânica.
Fonte: Modificado de http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/converge.html.
b) Limite divergente – quase toda a crosta da Terra é formada 
nos limites divergentes de placas, pois se encontram nas profundezas 
dos oceanos. Estas são zonas onde duas placas se afastam uma 
da outra, permitindo que o magma do manto possa subir e se 
solidificar como uma nova crosta. Podemos dar vários exemplos de 
limites divergentes de placas. O mais famoso deles é o limite entre 
a América do Sul e a África, mas ele fica submerso pelo oceano 
Atlântico. Outro exemplo é o limite entre a África e a Península 
Arábica (Figura 6.7). Esse limite ativo forma o mar Vermelho, que 
hoje separa o que já foi unido no passado. Podemos comparar esse 
mar com o início da formação de um novo oceano. A placa africana 
está sofrendo um grande processo de fragmentação. O próprio vale 
do rio Nilo corre em grande parte em um rift. 
Rift é um vale de 
grande extensão 
formado a partir das 
fraturas decorrentes do 
movimento distensivo 
da crosta, ou seja, 
quando as placas se 
movem em sentidos 
opostos. O resultado 
desse afastamento são 
as falhas, que podem 
ter maior ou menor 
complexidade, mas, 
em geral, prolongam-
se por centenas de 
quilômetros.
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/converge.html
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
169
Figura 6.7: Processo de separação da África e da Península Arábica, com a 
formação de um novo oceano. 
Fonte: Modificado de http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/diverge.html.
c) Limite conservativo ou transformante – nesses limites 
as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra e não 
provocam destruição nem geração de crosta ao longo das fraturas 
(falhas transformantes). As transformações imprimidas nas placas 
ficam restritas a zonas de metamorfismo, provocando diversos 
terremotos, como os que ocorrem na Califórnia, na zona de contato 
entre a placa norte-americana, a partir da placa do Pacífico, ao 
longo da Falha de San Andreas (ou Santo André) (Figura 6.8).
Figura 6.8: Limite de placa conservativo ou transformante, 
onde não há destruição de placas. 
Fonte: Modificado de: http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/
SAtransform244x201.gif
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/SAtransform244x201.gif
http://geomaps.wr.usgs.gov/parks/pltec/SAtransform244x201.gif
Geologia Aplicada à Geografia
170
A colisão de placas tectônicas
A colisão de placas tectônicas pode ser dos 
seguintes tipos: continental x oceânica; oceânica 
x oceânica; continental x continental.
No primeiro caso, há a colisão de uma placa mais 
leve com uma mais densa. A mais densa mergulha 
sob a menos densa. Nesse caso, é gerada uma zona 
de subducção e de intenso magmatismo, porque a 
crosta que mergulhou sofre processo de fusão parcial. 
Também são nesses limites que ocorrem fossas e 
províncias vulcânicas. A placa menos densa sobe e 
forma os grandes dobramentos modernos (Andes e 
Montanhas Rochosas, por exemplo).
A placa oceânica permanece sólida até cerca de 
100 km de profundidade. A partir dessa profundidade 
há um aumento brutal na temperatura e na pressão, 
fazendo com que a placa “derreta” e libere água e 
gases. Esses fluidos forçam a placa que está acima, 
gerando uma cadeia de reações químicas que 
irá fundir o manto acima da placa que submerge. 
Assim são criadas as condições para que o magma 
(rocha derretida) faça seu caminho em direção à 
superfície. Quando esse material consegue chegar à 
superfície, forma os vulcões, que expelem gás, cinzas 
e lava. Nessas zonas são gerados também grandes 
terremotos, que causam muita destruição na superfície.
No segundo caso – placa oceânica x placa oceânica 
–, novamente a densidade é a chave para a nossa 
resposta. Lembre-se de que as placas oceânicas 
nascem nas dorsais oceânicas, onde a rocha derretida 
do manto se eleva, esfria e se solidifica. A rocha 
recém-criada é menos densa que a rocha criada há 
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
171
muito tempo. Ou seja, quanto mais afastada da dorsal 
oceânica, mais fria e mais densa (mais pesada) fica. 
Assim, quando duas placas oceânicas colidem, a 
placa que é mais antiga, portanto mais fria e mais 
densa, é a que vai afundar. O resto da história é 
muito parecido com a colisão de placas continentais 
versus oceânicas, que acabamos de ver.
O terceiro tipo de colisão envolve placa continental 
x placa continental. Já é possível imaginar que as 
placas são leves o suficiente para não afundar. Logo, 
somente temos um caminho: em direção ao céu. É 
assim que as maiores montanhas são formadas, e o 
melhor exemplo é a Cordilheira do Himalaia. Nesses 
limites, rochas sólidas são dobradas e falhadas, sendo 
lançadas umas por cima das outras, fazendo com que 
a montanha não pare de crescer. 
Como nasce um oceano?
O nascimento de um oceano tem início com a 
quebra de um continente. A placa litosférica con-
tinental é puxada lateralmente por forças divergen-
tes. Com o estiramento da crosta continental, ocorre 
o fraturamento, formando uma depressão no meio do 
continente. Nessa etapa, as águas começam a inundar 
as terras continentais, gerando lagos salinos. A ativi-
dade vulcânica é intensa, pois o estiramento da crosta 
continental faz com que o magma se aproxime da 
superfície. Continuando o processo, há a separação 
do continente em dois e, entre eles, um oceano que
Geologia Aplicada à Geografia
172
está nascendo. A subida de material magmático 
quente da astenosfera gera uma série de erupções 
vulcânicas, que formam um denso assoalho oceânico 
de basalto, denominado crosta oceânica. Esse mate-
rial que sobe empurra os dois continentes em direções 
opostas, ampliando ainda mais o oceano, que atinge 
um estágio mais avançado. Caso a atividade vulcâni-
ca seja muito intensa, pode vir a formar uma cadeia 
mesoceânica. Um exemplo atual de um oceano em es-
tágio de abertura inicial é o Mar Vermelho, que separa 
a Península Arábica da África Oriental. Um exemplo 
atual de um oceano maduro é o Oceano Atlântico, que 
separa a América da África e Europa. 
Figura 6.9: Esquema do nascimento de um oceano: a) início da 
fragmentação devido a pressões e fusão parcial da crosta; b) a placa 
já separada começa a ser empurrada em direções opostas, devido à 
injeção de magmas básicos; c) o novo oceano começa a se formar, 
com a injeção de água nos locais mais baixos; d) o oceano formado 
não pára de crescer. 
Fonte: Modificado de Toledo et al. (2000).
Para saber mais sobre esse tema, consulte o sítio do 
Projeto Caminhos Geológicos: http://www.caminhos-
geologicos.rj.gov.br/sitept/home/
http://www.caminhosgeologicos.rj.gov.br/sitept/home/
http://www.caminhosgeologicos.rj.gov.br/sitept/home/
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
173
As margens continentais
A dança das placas tectônicas (fragmentação e aglutinação) 
deixa evidências geológicas nas margens dos continentes atuais, que 
podem ser ativas ou passivas. As margens continentais ativas estão 
situadas nos limites das placas convergentes, local de ocorrência de 
zonas de subducção e falhas transformantes. Nas margens ativas, 
se desenvolvem as mais importantes atividades tectônicas, formando 
as cordilheiras. Esse processo recebe o nome de orogênese (tema 
da Aula 9). Como exemplo, podemos apontar a costado Pacífico 
na América do Sul, porque a cadeia andina está em constante 
desenvolvimento.
As margens continentais passivas são aquelas que se 
desenvolveram durante o processo de formação das bacias 
oceânicas, que ocorre mediante a fragmentação dos continentes. 
Na Geologia esse processo é chamado de rifteamento, palavra 
derivada do termo em inglês rift valley.
Zona de 
subducção é o 
local de convergência 
das placas tectônicas 
onde uma das placas 
desliza para baixo da 
outra. Esse movimento 
descendente provoca 
a fusão parcial do 
manto subjacente e 
induz à ocorrência 
de vulcanismos. As 
maiores zonas de 
subducção encontram-
se no oceano Pacífico 
(costa oeste da 
América do Sul e da 
América do Norte).
Atende ao Objetivo 2
2. A origem dos oceanos está associada à fragmentação das placas continentais. Tomando-
se como exemplo a continuidade da fragmentação da placa africana, identifique o tipo de 
limite existente entre essas novas placas tectônicas que irão se formar e explique sua resposta.
a. ( ) Convergente
b. ( ) Divergente
c. ( ) Conservativo
Geologia Aplicada à Geografia
174
Resposta Comentada
O tipo de limite de Placa Tectônica Convergente ocorre quando as placas tectônicas colidem. 
No tipo de limite conservativo, as placas tectônicas se movem em direções opostas, mas sem 
colidirem. As placas tectônicas que se fragmentam geram um limite divergente, como o que 
ocorreu entre as placas da América do Sul e a da África, entre a Placa Arábica e a Placa de 
Núbia. Assim, caso a Placa Africana continue a se separar, os blocos fraturados tenderão a se 
afastar, gerando um limite divergente. 
A tectônica de placas e o metamorfismo
Já estudamos o fenômeno do metamorfismo na Aula 3. Mas, 
a partir de agora, vamos explicar com mais detalhes os processos 
que resultam no metamorfismo de rochas. 
Existem diferentes tipos de metamorfismo (metamorfismo 
regional, metamorfismo de contato, metamorfismo de soterramento, 
metamorfismo hidrotermal, metamorfismo de fundo oceânico e 
metamorfismo de impacto). No entanto, se for levada em consideração 
a tectônica global, veremos que o metamorfismo é formado em três 
ambientes distintos dos limites das placas convergentes: nas zonas 
de subducção, nas zonas de colisão e no fundo oceânico.
Metamorfismo regional
Nas zonas de colisão de placas tectônicas (oceânica x 
continental; oceânica x oceânica; ou continental x continental), o 
metamorfismo é do tipo regional, ou seja, atinge grandes dimensões 
da superfície do planeta (Figura 6.10). 
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
175
Quando ocorre a colisão de placas oceânicas com placas 
continentais, ocorre a subducção da placa oceânica – mais densa – e 
o soerguimento da placa continental – mais leve. As transformações 
nas rochas ocorrem ao longo das cordilheiras, como exemplificado 
nos Andes e nas montanhas Rochosas. O metamorfismo gerado 
nesses ambientes ocorre a partir da combinação de aumento de 
temperatura e pressão durante milhões de anos. 
Figura 6.10: Metamorfismo regional com diferentes intensidades de metamorfismo. 
Na superfície são produzidas rochas de baixo grau, tais como ardósias e filitos, e 
no interior são produzidas rochas de alto grau, tais como gnaisses e migmatitos.
Fonte: Modificado de Teixeira et al, 2009.
Metamorfismo de contato
O metamorfismo de contato ou termal ocorre em rochas 
encaixantes ao redor de corpos ígneos intrusivos, formando 
auréolas de metamorfismo (Figura 6.11). As transformações nas 
rochas pré-existentes decorrem do aumento de calor e pressão 
emanados do corpo ígneo. A extensão do metamorfismo depende 
diretamente da intensidade do calor emanado. O grau de 
metamorfismo é maior junto à fonte de calor e diminui à medida 
que se afasta do corpo intrusivo. 
Rocha encaixante 
Refere-se a uma rocha 
mais antiga em relação 
a um corpo de rochas 
mais recente, que a 
penetrou (intrudiu). 
Uma rocha encaixante 
sempre tem idade 
superior à rocha que a 
penetrou.
Geologia Aplicada à Geografia
176
Figura 6.11: Metamorfismo de contato ou termal. A intensidade do metamorfismo 
é maior junto ao corpo ígneo. 
Fonte: Modificado de Teixeira et al., 2009.
Metamorfismo de soterramento
Esse tipo de metamorfismo não está mais relacionado à 
tectônica e ocorre durante a subsidência de bacias sedimentares 
e em locais onde a crosta está se tornando mais fina. Com o 
empilhamento de sucessivas camadas de sedimentos, há aumento 
de calor e pressão, e aquelas camadas situadas na base podem 
se deformar e se metamorfizar (Figura 6.12). Nesse caso, o grau 
de metamorfismo não é elevado e, normalmente, está associado à 
foliação das micas, que se orientam em função do peso das camadas 
superiores.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
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Figura 6.12: Metamorfismo de soterramento.
 Fonte: Modificado de Teixeira et al., 2009.
Metamorfismo cataclástico
O metamorfismo cataclástico ou dinâmico ocorre ao longo 
de zonas de falhamento ou cisalhamento (Figura 6.13). Esse 
tipo de metamorfismo provoca poucas transformações texturais e 
estruturais e minerais mais frequentemente fragmentados, fraturados 
ou pulverizados.
Figura 6.13: Metamorfismo cataclástico ou dinâmico.
Fonte: Modificado de Teixeira et al., 2009.
Geologia Aplicada à Geografia
178
Metamorfismo hidrotermal
O metamorfismo hidrotermal ocorre a partir da percolação 
da água nas fraturas e espaços intergrãos das rochas. Processa-se 
através de trocas iônicas entre a água quente, com temperaturas 
entre 100°C e 370°C, e as paredes das fraturas.
Metamorfismo de fundo oceânico
O metamorfismo de fundo oceânico ocorre junto às dorsais 
meso-oceânicas, a partir das interações entre a água fria e a crosta 
recém-formada e aquecida. É um tipo específico de metamorfismo 
hidrotermal, pois envolve a troca iônica entre a água que se aquece 
e os minerais das rochas formadas recentemente.
Metamorfismo de impacto
Finalmente, o metamorfismo de impacto ocorre ao redor das 
crateras resultantes do impacto de meteoritos. As ondas de choque 
se dissipam, gerando auréolas de metamorfismo, em função da 
fragmentação das rochas e do excessivo calor que pode chegar a 
5.000°C.
De acordo com a variação de pressão e temperatura, o 
metamorfismo pode ser de alto, médio ou baixo grau. Um metamorfismo 
de alto grau implica em fortes alterações nas características do 
protolito, podendo quase gerar uma nova rocha magmática. O grau 
baixo ocorre quando as condições de temperatura e pressão não 
são muito elevadas. O grau médio de metamorfismo é uma condição 
intermediária entre o alto e o baixo grau.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
179
Atende ao Objetivo 3
3. A palavra metamorfismo nos faz remeter à metamorfose, que significa transformação, 
mudança de forma. Dentre os tipos de metamorfismo, dois atuaram na região Sudeste do 
Brasil. O primeiro tem idade de mais de 200 milhões de anos, e o segundo fenômeno de 
metamorfismo ocorreu há, aproximadamente, 70 milhões de anos, quando promoveu a 
formação da Serra do Mar. Quais os tipos de metamorfismo que ocorreram em cada um 
desses eventos?
Resposta Comentada
O primeiro evento ocorreu com a colisão das placas da América do Sul e da África, quando 
formaram o megacontinente Gondwana. O tipo de metamorfismo gerado nesse evento foi 
o regional, que ocorre em zonas de colisão de placas. O segundo evento ocorreu após a 
separação desses dois continentes. As fraturas na crosta geraram zonas de fraqueza, o que 
permitiu que corpos magmáticos começassem a subir. Esses corpos magmáticos muito aquecidos 
deformam as rochas encaixantes, que passam a ter seus minerais reorganizados. O tipo de 
metamorfismo gerado nesse evento foi o metamorfismo de contato.
GeologiaAplicada à Geografia
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CONCLUsÃO
Ao nos depararmos com informações de que nos afastamos da 
África um pouco mais a cada ano, e que a Austrália está em processo 
contínuo de aproximação da Ásia, não imaginamos como isso pode 
ocorrer. No entanto, as evidências de que isso está ocorrendo são 
as mais diversas, e a cada dia os cientistas acrescentam uma nova 
peça ao grande quebra-cabeça que é a explicação do mosaico de 
placas tectônicas. Podemos concluir que, da mesma forma como as 
placas já estiveram unidas no passado, elas voltarão a se unir em um 
futuro geológico muito distante. Não sabemos como isso ocorrerá, 
mas, ao observarmos a disposição dos atuais continentes, podemos 
afirmar que a África se fragmentará em vários pedaços e um deles 
se unirá à Europa, fechando o mar Mediterrâneo.
Atividade Final 
Atende aos Objetivos 1, 2 e 3
As margens continentais podem ser classificadas de acordo com a tectônica global e, em 
escala de detalhe, segundo as oscilações de marés, os regimes de ondas etc. Isso explica 
a ocorrência de terremotos em muitos países. Considerando a tectônica global, como pode 
ser classificado o litoral do Brasil? Por que não ocorrem terremotos de grande magnitude 
no Brasil? Explique sua resposta.
Aula 6 – A dinâmica interna do planeta Terra: placas tectônicas, atividades magmáticas e metamorfismo
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Resposta Comentada
O Brasil está localizado na porção central da Placa Sul-americana. O nosso litoral é banhado pelo 
oceano Atlântico, e portanto, em zona de distensão da placa. Assim, nosso litoral é classificado 
como de margem passiva, pois não apresenta colisão de placas e, por consequência, também 
não ocorrem terremotos, como na costa oeste da América do Sul (oceano Pacífico).
ResUMO
Nesta aula falamos sobre tectônica de placas e deriva 
continental. A Geologia teve um grande avanço com a confirmação 
do deslocamento das placas tectônicas. Hoje são conhecidas dez 
grandes placas e algumas placas menores. O deslocamento dessas 
placas influencia diretamente toda a vida do planeta, na maioria 
das vezes afastando, ora aproximando faunas diversas. As zonas 
de contato de placas produzem algumas transformações nas rochas, 
produzindo um novo grupo de rochas, denominado de metamórficas. 
Existem alguns tipos de metamorfismo que somente ocorrem nas 
zonas de colisão de placas. Todos os grandes dobramentos modernos 
são produzidos nas zonas de colisão. 
Informação sobre a próxima aula
Na próxima aula, falaremos sobre vulcanismo e terremotos. 
Esses eventos estão intimamente ligados à tectônica de placas, que 
você acabou de ver. Falaremos sobre os diversos tipos de vulcanismo, 
os tipos de terremotos e sobre essa atividade no Brasil e no mundo.

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