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ENFERMAGEM DA MULHER, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA E ASSISTÊNCIA A PACIENTES CRÍTICOS MÓDULO 4 ENFERMAGEM FICHA TÉCNICA – 2ª EDIÇÃO Preparação de Conteúdo: Professoras Maria das Graças Barros, Dalila Assis, Daniele Lídia, Daniela Menezes, Cristhiane Hélida, Rafaella de Andrade, Renata Adrielle e Roberta Raíssa Formatação e Normalização (ABNT): Ediane Souza Revisão Gramatical, Semântica e Estilística: Ediane Souza e Natalia Bastos Capas: Aporte Comunicação Folhas de Rosto: Thomas Arraes Editoração e Revisão Técnica/Final: Ediane Souza Diagramação: Ediane Souza Impressão: Provisual Gráfica e Editora Rua das Ninfas, 243 Soledade – Recife/PE – Brasil CEP: 50.070-050 Telefone: (81) 4062-9222 www.grautecnico.com.br Este material é exclusivo para uso do aluno Grau Técnico. Para dúvidas ou sugestões, envie-nos um e-mail: contato@grautecnico.com.br http://www.grautecnico.com.br/ mailto:contato@grautecnico.com.br ENFERMAGEM MÓDULO 4 5 REGULAMENTO INTERNO – VERSÃO 20171 Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a)! Para que possamos desenvolver as atividades de formação técnica com profissionalismo e excelência, se faz necessário o cumprimento de algumas normas, as quais estão descritas a seguir. 1 MATRÍCULA 1.1 O(a) aluno(a) deverá, no ato da matrícula, fazer a leitura do regulamento interno e do contrato de prestação de serviços com bastante atenção, para que possa conhecer seus direitos e deveres no decorrer do curso. 2 DIAS/HORÁRIOS 2.1 Turmas de segunda, quarta e sexta-feira, nos turnos da manhã, tarde e noite. 2.2 Turmas de terça e quinta-feira, nos turmas da manhã e noite, e aos sábados, pela manhã e tarde. 2.3 O curso de Enfermagem, exclusivamente, tem turmas de segunda à sexta, nos turnos da manhã, tarde e noite. Em breve, terá o formato de três dias, assim como os demais cursos. 2.4 A pontualidade e a assiduidade, bem como a postura pessoal serão pontuadas como indicadores do processo de avaliação. Atenção: observe em seu contrato os dias e horários das aulas. 3 ATIVIDADES COMPLEMENTARES 3.1 As atividades extraclasse (palestras, seminários, Visitas Pedagógicas Orientadas (VPOs) serão obrigatórias para o complemento da carga horária, sendo realizados nos mesmos horários das aulas, em dias alternados ou de acordo com a disponibilidade da escola ou da empresa (no caso das VOPs). 3.2 As visitas pedagógicas orientadas acontecerão de acordo com a disponibilidade da escola e das empresas parceiras. Cabe ao aluno interessado realizar o pagamento da taxa de transporte na secretaria, se houver. 3.3 O uso do fardamento é obrigatório para todas as visitas e aulas práticas (dentro e fora da instituição). 4 CERTIFICAÇÃO 4.1 A frequência nas aulas deve ser igual ou superior a 75% (setenta e cinco por cento) em cada disciplina. 4.2 A média em cada disciplina deve ser igual ou superior a 7,0 (sete). 4.3 O(a) aluno(a) que for reprovado(a) em alguma das disciplinas deverá pagar o valor de uma parcela para cursar novamente a disciplina, a fim de obter frequência e nota necessárias para a aprovação e para o recebimento do certificado. 4.4 Estar com todas as parcelas pagas. 4.5 Estar com toda documentação exigida pela Secretaria Estadual de Educação, conforme orientado no ato da matrícula. 4.6 Solicitar, por escrito, a emissão do diploma. O prazo de entrega, após solicitação, será de 1 O regimento em vigor será sempre a última versão, informada no título deste documento. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 6 até 60 (sessenta) dias. 4.7 Os cursos que possuem estágio obrigatório terão os seus diplomas entregues após o cumprimento da carga horária total, incluindo estágio. 5 REPOSIÇÃO DE AULA 5.1 Em caso de falta justificada, o(a) aluno(a) terá o direito de realizar a aula ou atividade perdida em outra turma, de acordo com a disponibilidade da escola, sem custo adicional. 5.2 A falta só poderá ser justificada perante atestado médico ou documento comprovando o motivo da ausência. 5.3 Em caso de falta sem justificativa, o(a) aluno(a) poderá requerer na secretaria a reposição da aula ou atividade, efetuando o pagamento referente à taxa do serviço. 5.4 Observa-se que a justificativa não anula a falta, apenas faz valer o direito de reposição da aula ou atividade. 6 CONSERVAÇÃO 6.1 No caso de danos ao espaço da escola ou a equipamentos pertencentes à mesma, o(a) aluno(a) ou seu representante legal será responsabilizado pelos gastos com o reparo, bem como, se necessário, submetido(a) às medidas disciplinares quando for cabível. 6.2 Ao término de cada aula, teórica ou prática, a sala ou laboratório utilizado deverá ser deixado organizado para a próxima turma. 7 SAÚDE E BEM-ESTAR GERAL 7.1 Não será permitida a utilização de aparelhos celulares ou fones de ouvido na sala de aula. 7.2 Não será permitida a permanência de pessoas em salas de aula e dependências internas da escola, a não ser alunos, instrutores ou funcionários em seus respectivos horários. 7.3 Não será permitida a entrada de alimentos ou bebidas nas salas de aula, laboratórios ou biblioteca. 7.4 Deve-se manter a limpeza, organização e conservação da escola como um todo. Devem- se utilizar os cestos de lixo disponibilizados em cada ambiente. 7.5 A escola não se responsabilizará por perdas ou danos de pertences dos alunos. 7.6 É obrigatório tratar os demais alunos, docentes e funcionários com respeito e civilidade, sob pena de aplicação de medida disciplinar de advertência, suspensão ou expulsão, a depender da gravidade da infração. 7.7 Temos câmeras sendo utilizadas em toda escola, a fim de proporcionar maior segurança aos nossos alunos. 8 BIBLIOTECA/ACESSO À INTERNET 8.1 A utilização da biblioteca será mediante agendamento com a coordenação pedagógica, fora do horário normal, com apresentação de documento para uso de livros. 8.2 O uso desta sala é exclusivo para estudo e pesquisa, portanto deverá ser mantido o silêncio e a disciplina, para não interferir na concentração dos demais alunos. 8.3 O uso dos computadores para pesquisa tem o tempo máximo de 30 minutos. 8.4 Não é permitida a retirada de livros para empréstimo. ENFERMAGEM MÓDULO 4 7 9 AVALIAÇÃO 9.1 As provas serão realizadas durante o turno que o aluno estuda e sempre na última aula da disciplina, tendo a duração média de 1h30. 9.2 O(a) aluno(a) que faltar à prova deverá comparecer à coordenação pedagógica da escola para requerer a avaliação em segunda chamada, agendar uma data para a realização desta, bem como efetuar o pagamento da taxa na secretaria. 9.3 As provas de recuperação ou segunda chamada acontecem na última semana de cada mês, conforme informado pela coordenação, no site e nos quadros de avisos. 10 CANCELAMENTO DO CONTRATO 10.1 O cancelamento do contrato poderá ocorrer a qualquer momento, sob autorização da diretoria da escola, em caso de indisciplina por parte do(a) aluno(a). Quanto a sua defesa, caberá aos dispositivos legais vigentes. 10.2 O cancelamento por parte do(a) aluno(a) deverá ser feito na coordenação da escola, mediante requerimento e pagamento da multa de cancelamento, conforme contrato de prestação de serviços. 10.3 O(a) aluno(a) que cancelar e desejar retornar ao curso poderá reverter sua multa em pagamentos de parcelas, sendo o valor descontado das últimas parcelas restantes. 10.4 Para o(a) aluno(a) retornar, deverá ser efetuado o pagamento do valor de uma parcela. 10.5 O aluno que for cancelado por motivo de indisciplina não poderá voltar a estudar no Grau Técnico. 11 PORTAL ACADÊMICO 11.1 Todos os informativos, notas, oportunidades e materiais extras serão disponibilizados Portal Acadêmico, no Website do Grau Técnico. 11.2 O acesso ao portal acadêmico é por meio do endereço eletrônico: www.grautecnico.com.br, no qual o(a)aluno(a) colocará o seu número de matrícula tanto no campo ‘usuário’, como naquele referente à ‘senha’. 11.3 Para a solicitação de declarações, deve-se respeitar o prazo de até 05 dias. 12 TRANSFERÊNCIA DE TURMA/SALA/INSTRUTOR/UNIDADES 12.1 A transferência de turma estará sujeita à disponibilidade de vagas nas turmas em andamento. 12.2 A transferência de Unidade terá o valor de uma parcela com desconto. Para tanto, o(a) aluno(a) tem que estar com as parcelas em dia, bem como a transferência deverá estar condicionada à confirmação da unidade destino, conforme disposição nas turmas. 12.3 O (a) aluno(a) que requerer transferência de Unidade sem nunca ter cursado na unidade de origem e desejar outro curso adiantará uma parcela com desconto na Unidade de origem e efetuará matrícula na unidade destino, se adequando ao plano de pagamento desta. 12.4 Para a otimização do espaço e aproveitamento das turmas, o Grau Técnico poderá mudar de sala durante o decorrer do curso, bem como unir duas ou mais turmas. 12.5 Durante o decorrer do curso, pode haver mudança de instrutor. Tendo em vista que os nossos cursos seguem um plano de aula, os alunos não terão nenhum prejuízo em relação ao aprendizado. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 8 13 DIAS E HORÁRIOS DE RECEBIMENTO DA ESCOLA 13.1 As parcelas do curso terão descontos de pontualidade, para os pagamentos efetuados até a data de vencimento. Para pagamentos após o vencimento, será cobrado o valor integral, mais multa acrescida de juros. 13.2 O desconto de pontualidade só será válido para pagamentos em espécie. Para todo tipo de cartão, a parcela será cobrada em valor integral. 13.3 A solicitação de declarações, diploma e histórico escolar é gratuita para a primeira via. As emissões extras destes documentos devem ser feitas mediante o pagamento de taxa de serviços, cujo valor será informado na secretaria da escola. 13.4 No ato da matrícula, será impresso o primeiro boleto do seu curso. Os demais deverão ser impressos a partir do portal acadêmico, no site www.grautecnico.com.br, acessando-o com o seu login e senha, no item financeiro, no link ‘Impressão de Boletos’, ou solicitando a sua impressão na secretaria da escola. O pagamento do boleto poderá ser realizado em qualquer banco ou caixa de pagamentos diversos. 14 AGÊNCIA DE ENCAMINHAMENTO GRAU TÉCNICO 14.1 Os alunos do Grau Técnico dispõem de uma Agência de Encaminhamento Profissional, que tem como objetivo realizar parceria com empresas para disponibilizar vagas de estágio e/ou emprego. Para participar, basta estar dentro do seguinte regulamento: apresentar nota igual ou superior a 7,0 (sete), ter frequência nas aulas igual ou superior a 75%, ter idade superior a 16 anos, ter concluído o primeiro módulo, estar em dia com as parcelas e participar de, no mínimo, 50% do ciclo de palestras disponibilizadas pela agência de encaminhamento. 14.2 O compromisso de encaminhamento profissional não é garantia de emprego ou de estágio, visto que a decisão da contratação é da empresa contratante e não do Grau Técnico. 14.3 Para os cursos de estágio não obrigatório, os alunos terão acesso às vagas disponíveis por meio da coordenação e por agências de integração entre empresa e escola. O estágio deverá ser feito fora do horário no qual o aluno esteja estudando. 14.4 Para os cursos de estágio obrigatório, os alunos deverão seguir o planejamento, conforme orientado pela coordenação pedagógica. 15 ENFERMAGEM/RADIOLOGIA/ANÁLISES CLÍNICAS 15.1 O estágio é obrigatório para os cursos de Enfermagem e Radiologia, podendo ser realizado no decorrer ou ao final do curso. Ocorrerá, preferencialmente, em turnos no qual ele esteja estudando, porém em dias diferentes. Pode ocorrer, ainda, de acordo com a disponibilidade da unidade de saúde (hospitais, postos de saúde, clínicas, etc.). Caso o aluno não conclua a disciplina do estágio, deverá realizar o pagamento de uma taxa referente a uma parcela, para poder refazer a disciplina. 15.2 O estágio para de Análises Clínicas é opcional. 15.3 Materiais imprescindíveis para as aulas práticas (laboratório) – sob total responsabilidade do aluno: No caso de Enfermagem: luvas de procedimento, luvas estéreis, seringas, agulhas, gazes, esparadrapo, máscaras, toucas, gorros, jelco calibre 22, scalp calibre 21 (verde), estetoscópio, tensiômetro, garrote, termômetro (digital). http://www.grautecnico.com.br/ ENFERMAGEM MÓDULO 4 9 No caso de Análises Clínicas: luvas de procedimento, luvas estéreis, seringas, agulhas, gazes, esparadrapo, máscaras, toucas, gorros, jelco calibre 22, scalp calibre 21 (verde), garrote. 15.4 Materiais Necessários para os estágios curriculares: No caso de Enfermagem: todo e qualquer material necessário às atividades práticas serão de responsabilidade do aluno e deverão ser entregues antecipadamente para garantia dos campos, tais como: luvas de procedimento, máscaras, propés, toucas, gorros, capote descartável, toalhas de papel, sabão ou sabonete líquido, ou quaisquer outros materiais solicitados pela instituição de saúde. No caso de Radiologia: dosímetro (disponibilizado pela escola, mas, em caso de perda, será de responsabilidade do aluno). Ciente e de acordo. _____________________________________________ Aluno(a)/Responsável Para sugestões e informações, enviar e-mail para: contato@grautecnico.com.br SEJA BEM-VINDO(A)! Atenciosamente, A Direção. mailto:contato@grautecnico.com.br MÓDULO 4 ENFERMAGEM 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 11 2 OBJETIVO DO CURSO............................................................................................................. 11 3 TÉCNICO EM ENFERMAGEM - MÓDULO 4 ............................................................................ 13 4 ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER ................................................................................ 17 5 ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE .............................................. 55 6 ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA .......................................................................................107 7 ENFERMAGEM EM PACIENTES CRÍTICOS ............................................................................183 ENFERMAGEM MÓDULO 4 11 1 INTRODUÇÃO O avanço tecnológico é inevitável. No mundo todo, ele vem quebrando fronteiras econômicas, sociais e culturais, trazendo consigo toda uma facilidade no acesso à informação, à liberdade de expressão e à inclusão social. Ao mesmo tempo, também se lida com certa desintegração dos valores humanos, com o consumo desenfreado, a marginalização social e a agressão ao meio ambiente. É necessário despertar o ser humano para a importância do conhecimento técnico e suas consequências. Também é preciso conscientizá-lo para a solidariedade, o respeito a si mesmo e ao outro e o trabalho em equipe. A atuação do Grau Técnico, portanto, é abrir caminho para oportunidades que beneficiem tanto o indivíduo, quanto o coletivo. É orientar para a realização profissional e inserção social, por meio de uma educação estimuladora e operadora de inovações na sociedade. 2 OBJETIVO DO CURSO Este curso tem como objetivo formar profissionais técnicos em Enfermagem, capazes de desenvolver assistência integral, pautados pelos princípios da ética, da qualidade, humanização, desenvolvendo assistência em enfermagem, baseada em competências e habilidades, atendendo ao contexto das ações de saúde e necessidades da clientela num mundo em mudanças. Objetivos específicos: a) Estimular o desenvolvimento de competências e habilidade dos alunos nos processos de assistência de enfermagem nos vários níveis de atenção à saúde; b) Destacar a qualidade e a humanização da assistência como focoprioritário das ações do cuidar; c) Enfatizar que o processo educacional converge para um modelo de vida sustentável, marcado pela qualidade e bem-estar dos clientes em todos os níveis da assistência; d) Atender ao cliente de forma holística, ética, inovando a prática educativa, com enfoque na liderança, trabalho em equipe, comunicação responsabilidade técnico-científica; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 12 e) Estimular a consciência crítica, reflexiva, criativa para a solução de situações de conflito nas diversas atividades da vida pessoal e profissional; f) Enfatizar a responsabilidade profissional da educação continuada para atuação responsável da assistência. APROVEITE BEM O CURSO E TRANSFORME O CONHECIMENTO ADQUIRIDO NAS AULAS EM OPORTUNIDADES DE TRABALHO! Atenciosamente, Ruy Maurício Loureiro Porto Carreiro Filho Diretor Geral ENFERMAGEM MÓDULO 4 13 3 TÉCNICO EM ENFERMAGEM - MÓDULO 4 O quarto módulo deste curso tratará acerca da saúde da mulher, da saúde da criança e do adolescente, da enfermagem em emergências e da enfermagem em pacientes críticos. Nele serão desenvolvidas as Habilidades e Competências descritas a seguir. 3.1 Competências e Habilidades a) Conhecer a anatomia e fisiologia da mulher. b) Identificar as mudanças que ocorrem na mulher durante a gestação. c) Conhecer e participar da assistência de enfermagem pré-natal. d) Identificar os sinais e sintomas das intercorrências obstétricas. e) Conhecer e participar da assistência de enfermagem à mulher no trabalho de parto e puerpério. f) Conhecer a estrutura e funcionamento do centro obstétrico. g) Identificar os métodos de prevenção dos cânceres de colo de útero e mama. h) Conhecer as afecções e agravos que acometem a mulher no ciclo reprodutivo. i) Identificar os métodos contraceptivos. j) Prestar assistência de enfermagem em afecções ginecológicas e obstétricas. k) Conhecer a estrutura, organização e funcionamento das unidades pediátricas. l) Conhecer os aspectos biopsicossociais da criança e do adolescente. m) Conhecer os parâmetros de crescimento e desenvolvimento infantil nas diferentes faixas etárias. n) Identificar sinais e sintomas que indiquem alterações fisiológicas e patológicas da criança e do adolescente. o) Caracterizar recém-nascido a termo, pré-termo e pós-termo. p) Possuir conhecimento sobre o aleitamento materno. q) Prestar assistência de enfermagem ao RN normal e patológico na unidade hospitalar. r) Conhecer as técnicas do exame físico e clínico na criança e adolescente. s) Conhecer o Programa Nacional de Imunizações. t) Reconhecer as principais afecções clínicas da criança e do adolescente. u) Reconhecer as características do adolescente e jovem sadio. v) Identificar sinais e sintomas que indiquem alterações fisiológicas e patológicas da criança e do adolescente. w) Identificar os sinais e sintomas de violência, abuso sexual em crianças e adolescentes. x) Conhecer a sistematização da assistência de enfermagem a criança e ao adolescente. y) Diferenciar urgência e emergência. z) Identificar as situações que requerem atendimento de enfermagem nas urgências e emergências. aa) Conhecer o atendimento pré-hospitalar e sua importância. bb) Analisar a conduta profissional do técnico de enfermagem nas emergências clínicas. Conhecer a unidade hospitalar de urgência e emergência, seu funcionamento e organização administrativa. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 14 cc) Conhecer o protocolo de classificação de risco que o paciente está submetido. Intervir realizando os primeiros socorros em situações específicas. dd) Identificar os equipamentos utilizados nos procedimento de atendimento a pacientes em situação de emergência. ee) Desenvolver técnicas de ressuscitação cardiopulmonar. ff) Avaliar as principais características da sepse e reconhecer intervenção. gg) Reconhecer o tipo de assistência de enfermagem aos queimados. hh) Compreender as funções e responsabilidades dos membros da equipe de trabalho em uma UTI; ii) Executar trabalho em equipe, tendo em vista as atribuições do técnico de enfermagem; jj) Manejar, com eficiência e precisão, os aparelhos existentes na UTI, de acordo com as orientações e determinações do enfermeiro (a) responsável; kk) Participar da assistência de enfermagem ao paciente crítico, em trabalho conjunto com um enfermeiro (a); ll) Colaborar com a equipe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (C.C.I. H) na captação de informações importantes; mm) Executar rotinas relacionadas a protocolos de trabalho; nn) Utilizar recursos e ferramentas da informática, específicos da área. ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER ENFERMAGEM MÓDULO 4 17 4 ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER Esta disciplina tem por objetivo desenvolver nos alunos habilidades para prestar assistência de enfermagem à Mulher durante seu desenvolvimento biológico, ações de saúde reprodutiva e controle do câncer ginecológico, doenças sexualmente transmissíveis, climatério, patologias inerentes ao sexo feminino no processo saúde- doença. 4.1 Aparelho Reprodutor Masculino e Feminino O sistema reprodutor humano é um sistema de órgãos que trabalham em conjunto com a finalidade de reprodução. Também chamado de sistema genital, é formado pelo aparelho genital masculino e feminino. 4.1.1 Aparelho Reprodutor Masculino O aparelho reprodutor masculino é formado por genitais externos que são a bolsa escrotal e o pênis e os genitais internos que são os testículos, epidídimo, canais deferentes, vesículas seminais, próstata, uretra e glândulas bulbouretrais. ▪ Bolsa escrotal - está localizada abaixo do pênis com forma de um saco de pele. Sua função é proteger os testículos e manter a temperatura adequada. ▪ Pênis - é formado pelo corpo do pênis e glande que é a cabeça do pênis e recoberta pelo prepúcio. Este órgão possui dupla função: função urinária e função sexual e reprodutiva como a penetração e ejaculação. A ereção é o aumento do tamanho do pênis causado pelo aumento do volume de sangue nos vasos sanguíneos do pênis durante a estimulação sexual. Quando a quantidade de sangue diminui, após a excitação ou ejaculação, o pênis volta a ficar flácido. ▪ Testículos - ficam dentro da bolsa escrotal e tem a função de produzir e armazenar os espermatozoides e produção da testosterona, hormônio masculino. ▪ Epidídimo - é o canal de armazenamento e amadurecimento dos espermatozoides e se localizam nos testículos. ▪ Canais deferentes - é por onde os espermatozoides percorrem dos testículos até a vesícula seminal. São dois tubos que partem dos testículos até o abdome e que abaixo da bexiga se juntam e formam o ducto ejaculador. ▪ Vesículas seminais - glândulas que ficam abaixo da bexiga tem a função de produzir o líquido seminal. ▪ Próstata - glândula que fica entre as vesículas seminais e abaixo da bexiga e tem a função de produzir o líquido prostático, um dos componentes do MÓDULO 4 ENFERMAGEM 18 esperma. ▪ Uretra - é um canal que sai da bexiga e passa por dentro do pênis. Tem a função de eliminar a urina e eliminar o esperma durante a ejaculação. ▪ Glândulas bulbouretrais - ficam de cada lado da uretra e produz uma secreção que faz parte do esperma. No homem, o hipotálamo produz o fator de liberação das gonadotropinas- GnRH que vão atuar na hipófise anterior ou adenohipofise estimulando a liberação do hormônio folículo-estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). O FSH vai atuar no testículo na formação de espermatozoide e o LH vai induzir a produção de testosterona, hormônio masculino. Os espermatozoides são fabricados nos túbulos seminíferos dos testículos. A sequência de eventos para produção de espermatozoides é chamada de espermatogênese. Nos túbulos seminíferos encontramos as espermatogônias que sofrem modificações se transformando em espermatocito primários, depois em secundário. Estespor sua vez se transformam em espermátides e depois em espermatozoide propriamente dito. Todo esse processo de maturação depende do hormônio FSH. Após esse processo eles são armazenados e completam sua maturação no epidídimo. O espermatozoide é uma célula móvel, que faz parte do líquido seminal e que consome energia sendo formado por uma cabeça e uma cauda que oferece a motilidade para o transporte ao local da fertilização. É transportado dos túbulos seminíferos para o epidídimo, passa pelos canais deferentes depois para a uretra para serem eliminados durante a ejaculação. 4.1.2 Aparelho Reprodutor Feminino O aparelho reprodutor feminino é formado por órgãos genitais externos que são a vulva e genitais internos como a vagina, o hímen, as trompas, os ovários e o útero. ▪ Vulva - representa a parte externa e é composta por grandes e pequenos lábios, abertura da vagina e da uretra, clitóris e monte Vênus. O clitóris é uma parte carnuda que aumenta de tamanho quando a mulher está excitada e promove prazer sexual. ▪ Vagina - é um canal composto por músculos elásticos e vai da vulva até o colo do útero. Durante a relação sexual a vagina se contrai e relaxa conforme a vontade da mulher. A entrada da vagina é coberta parcialmente pelo hímen, uma pele fina e elástica, que geralmente se rompe na primeira relação sexual. ▪ Trompas - são dois tubos que saem de cada lado do útero até os ovários. Ela conduz os ovócitos e os espermatozoides até a ampola da tuba uterina, onde ocorre a fecundação. É dividida em quatro partes: ENFERMAGEM MÓDULO 4 19 infundíbulo, ampola, istmo e porção uterina. ▪ Ovários - são glândulas reprodutivas, de forma arredondada, localizados um de cada lado do útero. Tem a função de produzir o estrógeno e a progesterona, que são os hormônios femininos, e guardar e amadurecer os óvulos que são as células reprodutoras femininas. ▪ Útero - é um órgão muscular onde o feto se desenvolve durante a gravidez. Tem duas partes: o corpo do útero, que é a parte mais larga e o colo do útero, a parte mais estreita. As paredes do corpo do útero são formadas pelo miométrio, que é a camada de fora do útero, e pelo endométrio, que é a camada de dentro. As mulheres sofrem ciclos reprodutivos que preparam o sistema reprodutivo para a gravidez. Esses ciclos envolvem atividade do hipotálamo, da hipófise, da vagina, glândulas mamárias, dos ovários, útero e tubas uterinas. O hipotálamo secreta o fator de liberação das gonadotropinas- GnRH que vão atuar na hipófise anterior ou adenohipofise estimulando a liberação do hormônio folículo- estimulante (FSH), que estimula o desenvolvimento do folículos ovarianos e produção do estrogênio, e do hormônio luteinizante (LH), que atua na ovulação e estimula as células foliculares e o corpo lúteo a produzir progesterona. 4.1.2.1 Ciclo Menstrual O ciclo menstrual é o período que vai a partir do primeiro dia de uma menstruação até o dia que antecede a menstruação seguinte. Geralmente dura cerca de 28 dias e essa duração varia de acordo com vários fatores, de mulher para mulher, ao longo da vida reprodutiva. Alguns fatores como: mudanças de ritmo de trabalho, alterações emocionais e doenças podem alterar o ciclo menstrual. O ciclo menstrual é regulado por mecanismos neuroendócrino constituindo pelo eixo hipotálamo – hipófise – ovários. Os estímulos do meio ambiente podem alterar o ciclo menstrual, estimular e inibir a ovulação, como também mudar o dia de seu aparecimento. O hipotálamo secreta o fator de liberação das gonadotropinas- GnRH que vão atuar na hipófise anterior ou adenohipofise estimulando a liberação do hormônio folículo- estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). Esses hormônios estimulam o ovário a produzir o estrógeno e a progesterona, que são hormônios femininos. O estrogênio e a progesterona provocam mudanças cíclicas no endométrio, que é a camada interna do útero, constituindo o ciclo endometrial ou ciclo menstrual. A cada ciclo menstrual ocorre a ovulação, que é a liberação pelo ovário de um óvulo maduro geralmente no 14º dia, e o útero se prepara para receber o óvulo fecundado, caso isso não aconteça, a camada interna do útero se desprende ocorrendo assim a menstruação. A menstruação é caracterizada pela perda sanguínea periódica e cíclica que ocorre da menarca até a menopausa. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 20 O ciclo menstrual é dividido em quatro fases: fase menstrual, fase proliferativa, fase lútea e fase isquêmica. ▪ Fase menstrual - é a fase em que a camada funcional da parede do útero se desfaz e é expulsa com o fluxo menstrual. ▪ Fase proliferativa - é a fase em que ocorre o crescimento dos folículos ovarianos estimulado pelo hormônio LH e dura cerca de 9 dias. Também ocorre um aumento da espessura do endométrio. ▪ Fase lútea - é a fase em que ocorre a formação, crescimento e funcionamento do corpo lúteo que produz progesterona e estimula o epitélio glandular. Dura cerca de 13 dias. Se a fertilização não ocorre o corpo lúteo se degenera, caem os níveis de estrogênio e progesterona e o endométrio entra na fase isquêmica. ▪ Fase isquêmica - inicia-se quando não ocorre a fertilização. É a fase em que o corpo lúteo se degenera, os níveis de estrogênio e progesterona caem e o ocorre alterações vasculares que provocam a isquemia do endométrio. As características das alterações do ciclo menstrual podem ser de acordo com: duração, quantidade e intervalo. Quanto à duração ▪ Hipermenorreia: quando o ciclo dura mais de 8 dias. ▪ Hipomenorreia: quando o ciclo dura menos de 2 dias. Quanto à quantidade ▪ Menorragia: ocorre um aumento da quantidade de sangue, sem alteração na duração, e perda sanguínea com coágulos. ▪ Oligomenorreia: ocorre uma escassez na quantidade de sangue. Quanto ao intervalo: este pode estar diminuído ou aumentado. ▪ Diminuído: Proiomenorreia: a menstruação pode ocorrer cada 20 ou 25 dias; Polimenorreia: a menstruação ocorre cada 15 dias, ou seja, duas menstruação no mês. ▪ Aumentado: Opsomenorreia: intervalo de 35 ou 40 dias; ENFERMAGEM MÓDULO 4 21 Espaniomenorreia: quando ocorre por 2 ou 3 meses. Algumas mulheres apresentam amenorreia que significa falta de menstruação durante o período da menarca até a menopausa, assim como dismenorreia que significa dor menstrual sendo uma das queixas mais frequentes entre as mulheres e varia de mulher para mulher e de acordo fatores como alimentação, alteração emocional, exercício físico, entre outros. Pode ocorrer também metrorragia que significa perda sanguínea genital que surge em qualquer época do período entre uma e outra menstruação. 4.1.2.2 Gestação e Fecundação A gestação é o processo, que dura aproximadamente 9 meses e inicia-se com a fecundação, passando pelo desenvolvimento fetal e termina com o parto. Durante a relação sexual, após a ejaculação, o esperma masculino é depositado na vagina da mulher, os espermatozoides se movimentam pelo canal da vagina penetram no útero e vão em direção as trompas. Nas trompas, geralmente na primeira porção, o espermatozoide se encontra com o óvulo e ocorre a fecundação. Para que ocorra esse fenômeno tem que ter ocorrido a ovulação, pois a mulher só é fértil no período da ovulação que ocorre a cada ciclo menstrual. A fecundação é uma sequência de eventos que começa com o encontro do espermatozoide e do óvulo e termina com a mistura dos cromossomos maternos e paternos. Após a entrada do espermatozoide no ovócito, a cabeça do espermatozoide é separada da cauda e aumenta de volume formando o pronúcleo masculino que se une ao pronúcleo feminino que é o ovócito maduro. O espermatozoide carrega 23 cromossomos não pareados que se misturam com 23 cromossomos, também não pareados, do óvulo durante a metástase da primeira divisão mitótica do zigoto e formam um complemento de 46 cromossomos dando início ao processo demultiplicação celular resultando no desenvolvimento de uma criança. A implantação do ovo ocorre no endométrio no final da primeira semana e completado na segunda semana. A esse processo chamamos de nidação. Esse processo pode ser detectado por ultrassonografia e dosagem de hCG. Os hormônios têm uma grande importância durante a gravidez e atuam tanto sobre a mãe quanto sobre o feto. A maior parte desses hormônios é produzida e secretada pela placenta. A placenta é um órgão materno-fetal formada por dois componentes: uma porção fetal e uma porção materna que se origina do endométrio. Possui três funções básicas: metabólica, transporte de gases e nutrientes e produção e secreção endócrina. ▪ Metabólica - Durante o início da gravidez a placenta produz glicogênio, colesterol e ácidos graxos que são fonte de nutrientes e energia para o feto. ▪ Transporte de gases e nutrientes - juntamente com o cordão umbilical funciona como um sistema de transporte das substancias que passam entre mãe e feto. Os nutrientes e oxigênio passam do sangue materno através de MÓDULO 4 ENFERMAGEM 22 membrana da vilosidade placentária para o sangue fetal e as excretas e dióxido de carbono passa do sangue fetal para o sangue materno para serem eliminados para o exterior pelas funções excretoras da mãe. Normalmente, não há mistura de sangue fetal com sangue materno. Os anticorpos maternos também são transportados pela placenta. ▪ Produção e secreção endócrina - produz e secreta gonadotrofina coriônica humana (hCG), somatomamotrofina coriônica humana, tireotrofina coriônica humana (hCT), corticotrofina coriônica humana (hCACTH), estrogênio e progesterona. Os hormônios da gravidez são composto basicamente pelo estrógeno, progesterona, gonadotrofina coriônica humana (hCG) e somatomamotrofina coriônica humana. O estrogênio durante a gravidez causa rápida proliferação da musculatura uterina, aumento do crescimento do sistema vascular para o útero, dilata os órgãos sexuais externos e orifício vaginal e promove crescimento rápido das mamas. A progesterona torna disponível para o feto, nutrientes adicionais como glicogênio, gorduras e aminoácidos que ficam armazenados no endométrio, inibe a musculatura uterina mantendo relaxada durante toda gravidez e complementa os efeitos sobre a mama, mantém a gravidez. A gonadotrofina coriônica humana (hCG) mantém o corpo lúteo impedindo o início dos ciclos menstruais. Modificações Fisiológicas durante a Gravidez: As alterações fisiológicas durante a gravidez são causadas principalmente pela ação dos hormônios e por fatores mecânicos. No primeiro trimestre de gravidez, o corpo da mulher se esforça para se adaptar ao desenvolvimento do embrião e da placenta. O corpo acelera todas as suas funções porque há um aumento da taxa metabólica; o ritmo cardíaco e respiratório aumenta; ocorre um aumento na vontade de urinar, devido a compressão do útero sobre a bexiga, pois as fibras musculares do útero ficam maiores e mais grossas; os seios aumentam de tamanho, tornam -se mais sensíveis e surgem novos ductos lactíferos assim como as aureolas ficam mais escuras. No segundo trimestre ocorre relaxamento da musculatura do trato gastrintestinal causando diminuição das secreções gástricas e constipação; aumento da frequência cardíaca; aumenta a pigmentação da pele; os seios ficam doloridos; pode ocorrer refluxo do esôfago provocando azia e parecer a linha nigra. No terceiro trimestre ocorre um aumento frequência respiratória, devido a pressão sobre o diafragma; o abdome aumenta de tamanho de acordo com o crescimento fetal, afetando a postura da mulher; as mãos e os pés ficam com edema causando desconforto e pode ser sinal de pré-eclâmpsia; pode ocorrer dores nas costas, os mamilos podem secretar colostro e aumenta a vontade e necessidade de repousar e dormir. ENFERMAGEM MÓDULO 4 23 Tipos de Gestação: ▪ Gravidez Tópica - é a gestação que se desenvolve dentro da cavidade uterina. Os sinais e sintomas são os gerais da gestação. ▪ Gravidez Ectópica - é a gestação que se desenvolve fora da cavidade uterina. Pode ser causada por vários fatores como: processos inflamatórios pélvicos, tumores, endometriose, gravidez ectópica anterior, anormalidade no ovo e fatores relacionados à reprodução assistida. Pode ser dividido em: Gestação abdominal: é a gestação que se desenvolve dentro da cavidade abdominal. Gestação tubária: gestação que se desenvolve dentro das tubas uterinas. Gestação ovariana: se desenvolve no ovário. Os sinais e sintomas da gravidez ectópica são: ▪ Dor abdominal e geralmente unilateral; ▪ Atraso menstrual; ▪ Sangramento genital; ▪ Os sintomas comuns da gestação; ▪ Dor, principalmente a palpação; ▪ Tamanho do útero pequeno para a Idade Gestacional. ▪ Gestação Gemelar: é a gravidez que ocorre com a presença de dois ou mais fetos. Os fatores de risco mais comuns são: aumento da frequência de relações sexuais, multiparidade, maior idade materna, técnicas de indução da ovulação ou de fertilização assistida. O diagnóstico é feito através da medida da altura, maior do que a esperada para a idade gestacional e ultrassonografia que confirma o diagnóstico. 4.1.2.3 Assistência Pré-Natal A assistência pré-natal é fundamental para a saúde materna e neonatal, e tem como objetivo prestar assistência de forma qualificada e humanizada à mulher desde o início da gravidez, assegurando o nascimento saudável de uma criança e garantindo o bem estar materno. Deve ser organizada para atender às necessidades das gestantes. O acolhimento envolve a recepção da mulher na unidade de saúde ouvindo suas queixas, preocupações e angustias buscando compreender os vários significados da gestação para a mulher e família. Os objetivos básicos da assistência pré-natal são: ▪ Orientar os hábitos de vida; ▪ Prestar apoio psicológico a gestante; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 24 ▪ Oferecer instruções sobre a gestação e parto; ▪ Tratar pequenos distúrbios habituais da gravidez; ▪ Fazer profilaxia, diagnóstico e tratamento das doenças próprias da gestação ou nela intercorrentes; ▪ Orientar e evitar o uso de medicações e medidas que podem colocar em risco a vida da mulher e do bebe. A consulta de pré-natal envolve procedimentos simples e condutas acolhedoras e sem intervenções desnecessárias e pode ser realizado na unidade de saúde ou durante a visita domiciliar. Deve ser iniciado precocemente, ser regular e completo. O objetivo das consultas é definir o estado de saúde da mãe e do feto, determinar a idade gestacional (IG) e iniciar um plano de cuidado continuado. De acordo com o ministério da saúde durante o pré-natal deverá ser realizado no mínimo seis consultas: uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no último trimestre. Primeira consulta: deve ser fornecido o cartão da gestante com identificação preenchida, número do Sistema de Informação sobre o Programa de Humanização no pré-natal e Nascimento - SISPRENATAL, calendário de vacinas e suas orientações e orientações sobre a participação de atividades educativas. É realizada uma anamnese abordando dados epidemiológicos, antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos e obstétricos, situação da gravidez atual, realizar exame físico geral e especifico como exame ginecológico e obstétrico, e solicitar exames complementares. Durante a primeira consulta é importante perguntar a gestante sobre a data da última menstruação para determinação da IG e data provável do parto (DPP). Consultas subsequentes: realizar uma revisão da ficha pré-natal, anamnese sucinta, controle do calendário de vacinação, monitorar as condições maternas e fetais, interpretação dos exames laboratoriais e solicitação de outros se necessário e realização de ações e práticas educativas e pesquisa de edemas. Durante todas as consultas deverá: ▪ Determinar a IG; ▪ Verificar peso, altura e pressãoarterial; ▪ Avaliar o estado nutricional e ganho de peso durante a gestação; ▪ Medir a altura uterina para acompanhamento do crescimento e desenvolvimento fetal: tem o objetivo de estimar o crescimento fetal correlacionando a medida da altura uterina com o número de semanas de gestação. Deve ser realizada com uma fita métrica partindo da borda superior da sínfise púbica até o fundo uterino, com a gestante posicionada em decúbito dorsal e com abdome descoberto; ▪ Auscultar os batimentos cardiofetais (BCF): a frequência cardíaca fetal é considerada normal entre 120 e 160bpm; ▪ Realizar exame das mamas; ▪ Fornecer as orientações quanto à higiene, nutrição, cuidados com o recém- nascido, amamentação e calendário de vacinação; ENFERMAGEM MÓDULO 4 25 ▪ Tomar condutas diante das alterações encontradas e se necessário providenciar encaminhamento; ▪ Registrar todos os dados obtidos no cartão da gestante; Os exames complementares que deverão ser solicitados durante as consultas de pré-natal são: ▪ Dosagem de hemoglobina e hematócrito (Hb/Ht); ▪ Grupo sanguíneo e fator Rh; ▪ Sorologia para sífilis (VDRL), ▪ Glicemia de jejum, ▪ Sumario de urina, ▪ Sorologia anti–HIV, para hepatite B (HBsAG) e para toxoplasmose. ▪ Podem ser solicitados também colpocitologia oncótica, sorologia para rubéola, urocultura, protoparasitologico e ultrassonografia obstétrica. Determinação da Idade Gestacional e data Provável do Parto: A Idade Gestacional (IG) corresponde ao número de semanas contadas a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM) até a data da consulta. Tem como objetivo estimar o tempo de gravidez e idade do feto. ▪ Quando a data da última menstruação (DUM) é conhecida: pode utilizar o calendário, somar número de dias do intervalo entre a DUM e a data da consulta e divide o total por 7; ou o disco (gestograma), colocar a seta no dia e mês que corresponde ao primeiro dia da última menstruação e observar o número de semanas indicado no dia do mês da consulta atual. ▪ Quando a DUM desconhecida mas se conhece o período do mês em que ela ocorreu: se o período for no início do mês considera dia 5, no meio do mês considera dia 15 e no final do mês considera dia 25. ▪ Quando a data e o período não forem conhecidos: pode utilizar a medida da altura do fundo uterino pelo toque vaginal. A IG e DPP serão inicialmente determinadas por aproximação. ▪ Quando não for possível determinar a IG clinicamente: solicitar o mais precocemente o exame de ultrassonografia obstétrica. A data provável do parto (DPP) tem como objetivo estimar o período provável do parto. Pode ser determinada pelo uso do calendário, uso do gestograma e pela regra de Nagele. ▪ Pelo calendário: considerar a duração média da gestação normal que é de 28 ou 40 semanas a partir da DUM. ▪ Pelo gestograma: colocar a seta sobre o dia e mês correspondente ao MÓDULO 4 ENFERMAGEM 26 primeiro dia da última menstruação e observar a seta na data (dia e mês) indicada como DPP. ▪ Regra de Nagele: somar sete dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrair três meses ao mês em que ocorreu a última menstruação ou adicionar nove meses se for ao mês de janeiro, fevereiro ou março. Ex.: DUM: 13/9/04 (13+7= 20/ 9 – 3 = 6) DPP= 20/6/05 Aspectos Importantes a serem abordados durante o Pré-natal: O profissional durante o pré-natal deve abordar a mulher de forma completa considerando sua história de vida, seus sentimentos e o ambiente em que vive. Reconhecer que durante a gestação a mulher passa por períodos em que prevalecem determinados sentimentos, alterações comportamentais, ansiedade e temores, escutar suas dúvidas e queixas, compreender seu estado emocional é essencial pra que se estabeleça uma relação de confiança e respeito entre o profissional, gestante e família favorecendo a adesão ao pré-natal. É importante também fornecer informações sobre a importância do pré-natal para a mulher e o bebê, sobre os cuidados quanto a higiene, sobre o desenvolvimento da gestação, as modificações corporais e emocionais ocorridas durante a gravidez, a atividade sexual e prevenção das DSTs/Aids, planejamento familiar, os sintomas comuns na gravidez e orientações para as queixas mais frequentes, alimentação saudável, realização de atividade física, sinais de alerta e o que fazer diante disso, preparação para o parto, importância da amamentação e cuidados com recém-nascido. Durante a gravidez ocorrem algumas alterações fisiológicas que produzem manifestações sobre o organismo da mulher que às vezes são percebidas como doenças. A maioria dos sintomas desaparece ou diminuem com orientações posturais e alimentares e sem uso de medicamentos, que deve ser evitado. O profissional de saúde durante o pré-natal deve fornecer orientações e informações para esclarecimento dessas alterações. Os sintomas mais comuns durante a gestação são: ▪ Náuseas, vômitos e tonturas; ▪ Azia; ▪ Aumento da saliva; ▪ Fraquezas e desmaios; ▪ Dor abdominal, cólicas, gases, constipação; ▪ Hemorroidas; ▪ Corrimento vaginal; ▪ Falta de ar e dificuldade para respirar; ▪ Cefaleia; ▪ Dor nas mamas e lombar; ▪ Câimbra; ▪ Manchas escuras no rosto; ▪ Estrias e varizes. ENFERMAGEM MÓDULO 4 27 Preparo das Mamas para Aleitamento Materno: Durante o pré-natal é importante que o profissional forneça a gestante informação sobre a vantagem da amamentação para ela e para o bebê e as orientações necessárias e adequadas para a amamentação. Para mulher: fortalece o vínculo afetivo, reduz o risco de hemorragia, contribui para o retorno do peso normal e para o aumento do intervalo entre gestações. Para a criança: é um alimento completo, facilita a eliminação de mecônio e diminui a incidência de icterícia, protege contra infecção, aumenta o vínculo afetivo, diminui as chances de alergias. Durante o pré-natal o profissional deve avaliar as mamas, orientar a gestante a usar sutiã e não usar sabão, cremes ou pomadas no mamilo preparando as mamas para o aleitamento. 4.1.2.4 Intercorrência Obstétricas Apesar de ser considerado um processo natural e fisiológico, a gravidez está sujeita a intercorrências. É imprescindível estar preparado para reconhecer e classificar os riscos materno-fetal e neonatal deste período, para providenciar a assistência e os encaminhamentos adequados, zelando pela saúde e bem-estar da mãe e do bebê. Abortamento: De acordo com Organização Mundial de Saúde abortamento é a expulsão ou retirada do embrião ou feto antes de 20 semanas de gestação com peso inferior a 500 gramas. Aproximadamente 15 a 20% das gestações termina em abortamento representando uma causa importante de morbimortalidade maternas, principalmente em países em que é realizado clandestinamente. O abortamento é dito precoce quando ocorre até a 13ª semana e tardio quando ocorre entre a 13ª e 22ª. O diagnóstico pode ser clínico (anamnese, exame ginecológico) ou ultrassonográfico. Atraso menstrual, perda sanguíneas e cólicas abdominais são dados clínicos que devem ser considerados. O abortamento é classificado, segundo sua forma clínica, em: ▪ Ameaça de Aborto: presença de sangramento sem contrações ou modificações do colo uterino. O sangramento é moderado e a dor é discreta. Neste caso deve realizar um USG para avaliar BCF, recomendar repouso e assegurar conforto para a gestante. ▪ Abortamento Inevitável: o sangramento uterino é moderado, vermelho vivo e com coágulos e acompanhado de dilatação cervical e a dor é persistente. Neste caso a conduta deverá ser a hospitalização. Gestantes MÓDULO 4 ENFERMAGEM 28 com útero de tamanho inferior a 12 semanas devem ser realizado a curetagem uterina. Nas gestantes com útero maior do que 12 semanas deverá promover a expulsão o feto, utilizando ocitocina, antes de realizar a curetagem. ▪ Abortamento Completo: é a expulsão total e espontânea de todotecido fetal e placentário da cavidade uterina. O sangramento é moderado e as cólicas vão diminuindo. Neste caso o volume uterino é menor do que o esperado para IG e deverá ser solicitado, em caso de dúvidas a respeito do diagnostico, USG. ▪ Abortamento Incompleto: é a expulsão parcial de todo o tecido fetal e placentário. O sangramento pode ser intenso e abundante podendo ter partes do feto com sangue e a dor é intensa e persistente. Neste caso a conduta é a hospitalização para a realização de curetagem. ▪ Abortamento Retido: morte do feto sem eliminação de qualquer parte fetal ou placentária. O sangramento é inexistente ou escasso e não ocorre dor. Neste caso a conduta é a realização de USG e internamento pra preparo da indução de aborto e realização de curetagem. ▪ Abortamento Infectado e Séptico: o infectado está associado com infecção intrauterina sem disseminação sistêmica da infecção. Quando ocorre disseminação da infecção pela circulação materna é chamado de séptico. Neste caso ocorre corrimento com odor fétido e a dor pode ser intensa e persistente. A conduta deve ser rápida, restituição da volemia, uso de antibióticos por via parenteral antes da curetagem. ▪ Abortamento Espontâneo: é aquele que ocorre espontaneamente devido a causas embrionárias (anomalias da placenta, defeitos das células germinativas, distúrbios cromossômicos) e causas maternas (insuficiência hormonal, alterações anatômicas do útero, doenças sistêmicas, infecções como sífilis, toxoplasmose e rubéola, tabagismo, substâncias toxicas, distúrbios nutricionais e fatores psíquicos). ▪ Abortamento Induzido ou Provocado: é uma forma frequente de interromper a gravidez indesejada. É uma prática ilegal, mas pode ser realizada em dois casos, previsto em lei: gestação decorrente de estupro ou que coloque em risco a vida materna. Os métodos mais utilizados para esse tipo de aborto são administração oral ou injeção intrauterina de substancias e inserção de objetos estranhos. Esse método de aborto pode causar complicações como perfuração uterina, lesão de vísceras abdominais, esterilidade, infecções e até a morte. Assistência de Enfermagem: ENFERMAGEM MÓDULO 4 29 Encaminhar para atendimento médico de urgência. Internação: Realizar punção venosa, verificar e registrar sinais vitais, avaliar as perdas vaginais, providenciar exames solicitados, administrar medicação prescrita, observar sinais de choque hipovolêmico, oferecer apoio emocional e orientar cuidados pós- aborto. Mola Hidatiforme: É um tipo de doença trofoblástica gestacional dividida, do ponto de vista genético, em mola parcial ou incompleta e mola completa. Ocorre sangramento vaginal abundante e irregular, geralmente de pequena intensidade, indolor podendo ser acompanhada de vesículas. Pode surgir hiperêmese gravídica, podendo levar a desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos, assim como sintomas de pré-eclâmpsia. Neste caso a altura uterina está maior do que o esperado para a Idade Gestacional e os Batimentos Cardiofetais podem estar ausentes. O diagnóstico pode é feito através da ultrassonografia que é útil para avaliar a invasão uterina por tecido trofoblástico e na suspeita ou confirmação de mola hidatiforme, deve encaminhar a gestante ao hospital de referência. O tratamento da mola hidatiforme é o esvaziamento uterino. Hiperêmese Gravídica: É caracterizada por vômitos contínuos e intensos que pode provocar desidratação, oligúria, perda de peso, e transtornos metabólicos como alcalose e alterações no metabolismo das gorduras e dos carboidratos. As causas podem estar associadas a aspectos emocionais, adaptações hormonais, gestação múltipla, mola hidatiforme, pré-eclâmpsia e diabetes. Nos casos graves pode levar a insuficiência hepática, renal e neurológica. A maneira de evitar os casos mais complicados consiste em oferecer apoio psicológico e ações educativas, reorientação alimentar, prescrição de medicamentos antieméticos e hidratação. Diabetes Gestacional: O diabetes mellitus é uma síndrome causada pela falta de insulina ou incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos. É caracterizada por hiperglicemia e pode estar acompanhada de hipertensão arterial e dislipidemia. Ela pode causar, em longo prazo, alterações vasculares que podem levar a disfunção, danos ou falência de vários órgãos. É classificado em: diabetes tipo1, tipo 2 e diabetes gestacional. O diabetes gestacional é a hiperglicemia diagnosticada na gravidez que MÓDULO 4 ENFERMAGEM 30 geralmente desaparece no período pós-parto podendo retornar mais tarde. É responsável por elevados índices de morbimortalidade perinatal, principalmente macrossomia fetal e malformações congênitas. Os principais fatores de risco para o diabetes gestacional são: ▪ História previa de diabetes gestacional; ▪ História familiar de diabetes (1º grau); ▪ Baixa estatura e idade inferior a 25 anos; ▪ Obesidade; ▪ Grande aumento de peso durante a gestação; ▪ Hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual; ▪ Algumas patologias; ▪ Antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal. Os sintomas mais comuns na diabetes são: poliúria, polidipsia, polidisfagi e perda involuntária de peso. Sintomas como fraqueza, fadiga, prurido na pele e na vulva e infecções de repetição podem estar presentes. O diagnóstico pode ser no final do segundo ou início do terceiro trimestre de gestação, na primeira consulta de pré-natal principalmente em mulheres que apresentam fatores de risco para o diabetes. É fundamental o rastreamento precoce dos níveis elevados de glicose no sangue na gestação. Os testes mais utilizados para confirmar e para controle glicêmico são: ▪ Glicemia de jejum: realizada após um jejum de 8 a 12 horas; ▪ Teste oral de tolerância à glicose; ▪ Glicemia casual: realizada a qualquer hora do dia. Para que a mulher portadora do diabetes tenha uma gestação normal é preciso que se tenha um controle rigoroso do nível de glicose no sangue, detectar precocemente os fatores de riscos e evitar suas complicações, adotar hábitos de vida saudáveis (alimentação saudável, atividade física), terapia com insulina injetável, pois os hipoglicemiantes orais são contraindicados devido ao risco aumentado de anomalias fetais e acompanhamento por equipe multidisciplinar. Assistência de Enfermagem: As ações de enfermagem devem ser direcionadas para educação sobre a doença, apoio psicológico, orientação para autoaplicação da insulina e ensinar o autocuidado, controle da glicemia, reconhecimento de sinais e sintomas de hipoglicemia, reforçar as recomendações terapêuticas e fornecer orientação sobre a evolução da gravidez. Toxemia Gravídica: ENFERMAGEM MÓDULO 4 31 Pode ser definida como Doença Hipertensiva na Gravidez. É classificada como pré-eclâmpsia e eclampsia, hipertensão crônica com pré-eclâmpsia associada, hipertensão gestacional e hipertensão transitória. Pré-eclâmpsia: É a doença hipertensiva específica da gravidez que geralmente se manifesta após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria (eliminação de proteína na urina). Apresenta-se quando o nível da pressão arterial for maior ou igual a 140/90 mmHg. Geralmente a hipertensão e a proteinúria surgem acompanhadas de edema patológico. Pode ocorrer aumento do ácido úrico. É mais comum em nulíparas ou gestação múltipla. Os fatores de risco são: mulheres com hipertensão arterial por mais de quatro anos e história familiar de pré-eclâmpsia e de doença renal. ▪ Eclampsia: é a ocorrência de convulsões em gestantes com pré-eclâmpsia. Pode ocorrer na gravidez, parto e puerpério imediato. ▪ Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia associada: é a pré-eclâmpsia em mulheres com hipertensão crônica ou doença renal. ▪ Hipertensão gestacional: é a hipertensão sem proteinúria que ocorre após 20ª semanas de gestação podendo evoluirpra pré-eclâmpsia e levar a prematuridade e retardo do crescimento fetal. ▪ Hipertensão transitória: é o aumento da pressão arterial que ocorre após a 20ª semana de gestação frequentemente perto da época do parto ou puerpério imediato. Geralmente é leve e volta ao normal cerca por volta de 12 semanas após o parto. A conduta a ser tomada depende da gravidade do quadro clínico. As pacientes com sinais de pré-eclâmpsia deve ser hospitalizada para acompanhamento em unidade de gestação de alto risco. O tratamento tem como objetivo reduzir o risco materno e a escolha do medicamento deve ser dirigido para a segurança do feto. No caso de eclampsia deve ser considerada como emergência e a paciente deve ser transferida para um hospital de referência o mais rápido possível. Neste caso algumas medidas devem ser tomadas: ▪ Manter vias aéreas livres; ▪ Oxigenação; ▪ Sonda vesical de demora; ▪ Realizar punção venosa ▪ Administrar medicação prescrita como anti-hipertensivo e anticonvulsivante. Aminiorexe Prematura: MÓDULO 4 ENFERMAGEM 32 É a ruptura da bolsa amniótica antes do início do trabalho de parto, independentemente da idade gestacional. Constitui-se como principal causa de partos prematuros contribuindo pra o aumento da morbidade perinatal. Os fatores predisponentes para a ruptura das membranas são: ▪ Incontinência istmo cervical; ▪ Inserção baixa da placenta; ▪ Microssomia; ▪ Aumento do volume do líquido amniótico; ▪ Trabalho de parto prematuro; ▪ Infecções. O quadro clínico é caracterizado pela história da paciente e visualização da saída do líquido amniótico. Essa perda de líquido pode ser rápida e intensa e pode ocasionar diminuição do abdome materno. Nos casos de infecção local pode ocorrer febre, aumento da frequência cardíaca, dor no baixo ventre e saída de secreção purulenta. O diagnóstico é baseado na história clínica da gestante e exame físico e obstétrico. A confirmação diagnóstica pode ser verificada pela: ▪ Presença do líquido em fundo de saco vaginal; ▪ Paredes vaginais limpas; ▪ Visualização de saída de líquido amniótico, espontaneamente ou após esforço materno, pelo orifício do colo; ▪ Ultrassonografia. Outros métodos: prova de cristalização, verificação do pH do conteúdo vaginal. Observação - não deve ser realizado o exame do toque vaginal, nos casos suspeitos nem nos casos confirmados, porque aumenta o risco de infecção amniótica, perinatais e puerperais. Diante deste caso, o profissional deve determinar a IG, avaliar se a paciente está em trabalho de parto, verificar se há sofrimento fetal através da ausculta dos batimentos cardiofetais. De acordo com o Ministério da Saúde, nas gestações de termo deve encaminhar a gestante para o hospital ou maternidade escolhida para o parto. Nas gestações pré-termo encaminhar a gestante para hospital de referência em gestação de alto risco. Descolamento de Placenta: É a separação abrupta da placenta do sitio normal, total ou parcialmente, após a 20ª semana de gestação, antes do nascimento do feto. Pode ser causado por traumas, aumento do líquido amniótico, cordão umbilical curto, pré-eclâmpsia, idade materna maior que 35 anos, tabagismo, uso de drogas ilícitas. ENFERMAGEM MÓDULO 4 33 O quadro clínico é caracterizado por dor abdominal intensa e súbita, sangramento de cor vermelho escura em pequena quantidade, início das contrações uterinas, aumento dos movimentos fetais, alterações ou ausência dos batimentos cardiofetais, sinais de choque incompatível com volume de perdas sanguíneas. O diagnóstico é realizado através da história clínica, exame físico e obstétrico e ultrassonografia. O descolamento prematuro da placenta deve ser considerado como urgência obstétrica. O tratamento vai depender do feto: se o feto estiver morto, a mãe estável e o trabalho de parto avançado pode esperar o parto normal; se o feto estiver vivo ou a mãe em risco deverá ser feito a cesárea urgente. Assistência de Enfermagem: ▪ Identificar sinais e sintomas e providenciar encaminhamento para atendimento de urgência; ▪ Oferecer apoio psicológico; ▪ Preparar a gestante para exames e procedimento escolhido; ▪ Observar aspecto do sangramento; ▪ Avaliar BCF e dinâmica uterina; ▪ Realizar punção venosa; ▪ Verificar sinais vitais; ▪ Observar sinais de choque; ▪ Administra medicação prescrita. Parto Prematuro: É o parto pré-termo em que a gestação termina entre a 22ª e 37ª semana, sendo considerado como principal causa de morte neonatal precoce, elevada incidência de Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-nascido, aumento da mortalidade no primeiro ano de vida. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 34 Os fatores de riscos associados ao parto prematuro são: ▪ Gestação gemelar; ▪ Ruptura prematura de membrana; ▪ Malformação uterina; ▪ Malformação fetal; ▪ Aumento do líquido amniótico; ▪ Infecções urinárias e vaginais; ▪ Prematuridade anterior; ▪ Sangramento uterino; ▪ Abortamento prévio ▪ Idade materna > 35 anos; ▪ Tabagismo. Para o diagnóstico do trabalho de parto prematuro devemos considerar a presença de contrações uterinas e modificações cervicais. As modificações cervicais podem ser diagnosticadas pelo exame vaginal e USG. Define-se o trabalho de parto pela presença de duas a três contrações uterinas com ritmo e frequência regular, a cada dez minutos e as modificações cervicais são caracterizadas pela dilatação maior ou igual a 2 cm. Se ocorrer a presença de contrações uterinas, rítmica e regular sem modificação cervical indica que está acontecendo um falso trabalho de parto prematuro. Se as contrações persistirem deve encaminhar a mulher para hospital de referência, pois haverá a necessidade de usar um tocolítico. Na presença de trabalho de parto prematuro com modificação no colo uterino deve encaminhar a mulher para hospital de referência. No caso de internação hospitalar devem ser observados alguns critérios. As pacientes que apresentarem menos de dois centímetros de dilatação com apagamento cervical menor que 80% podem ainda não estar em trabalho de parto. Tais pacientes deveram ficar em observação para avaliar a vitalidade fetal, em repouso para verificar se está com contrações uterinas e proceder a uma avaliação laboratorial para afastar infecção materna. Se a contração uterina parar, elas devem ser encaminhadas para o controle ambulatorial. Uma vez persista a contração ou já apresentem dois centímetros ou mais de dilatação cervical, é indicado o tratamento medicamentoso com tocolíticos. As pacientes que apresentarem seis centímetros ou mais de dilatação deverão ser encaminhadas para o hospital de referência em recém-nascidos pré-termos. Assistência de Enfermagem: ▪ Oferecer apoio psicológico; ▪ Monitorar BCF; ▪ Verificar sinais vitais; ▪ Administrar medicação prescrita. Assistência de Enfermagem no Trabalho de Parto: ENFERMAGEM MÓDULO 4 35 O parto é um momento de grande complexidade em que ocorrem intensas mudanças orgânicas, corporais e emocionais que gera ansiedade e insegurança. Cada parto e cada nascimento são episódios únicos na vida da mulher, da criança e da família constituindo como experiência de estrema importância. A assistência ao parto consiste em adoção de conjunto de ações e procedimentos direcionados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e controle das distocias específicas do período de trabalho de parto, em que a mulher se encontra em anormalidades sistêmicas. É importante que o profissional de saúde perceba que a mulher nesse período busca por ajuda, pois está com muitas expectativas, perspectivas, esperanças, preocupações, medo, ansiedade, e angustias. O parto normal é aquele que tem início espontâneo, de baixo risco em todo o trabalho de parto. O parto é dividido em quatro períodos clínicos, conforme se pode observar a seguir. ▪ Período de dilatação: é o primeiro períodoclínico do parto e vai do início da dilatação cervical até atingir seus 10 cm. Tem o objetivo permitir aumento do canal cervical para permitir a passagem. ▪ Período expulsivo: é o segundo período clínico do parto e se inicia quando a dilatação está completa e termina com a expulsão do feto. ▪ Período de dequitação ou secundamento: é o terceiro período clínico do parto que se inicia após a expulsão fetal. É caracterizado pelo descolamento, desprendimento e descida da placenta e das membranas. ▪ Período de Greenberg: é o quarto período clínico do parto e corresponde a primeira hora após a descida da placenta. Assistência no Período de Dilatação: ▪ Realizar a admissão com histórico de enfermagem e preparo da parturiente; ▪ Fornecer orientação sobre o trabalho de parto; ▪ Fornecer suporte emocional; ▪ Verificar sinais vitais (SSVV); ▪ Realizar tricotomia e higiene corporal; ▪ Monitorar o trabalho de parto e contrações uterinas; ▪ Toque vaginal; ▪ Monitoração do BCF; ▪ Ficar atento às queixas e outras manifestações. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 36 Assistência no Período Expulsivo: ▪ Realizar toque vaginal; ▪ Encaminhar a parturiente para a sala de parto; ▪ Ficar atenta ao BCF e estado geral da parturiente; ▪ Orientar aos esforços expulsivos, respiração e posicionamento; ▪ Realizar antissepsia da região vulvo-perineal; ▪ Realizar controle dos SSVV; ▪ Auxiliar ao desprendimento cefálico; ▪ Orientar a mulher sobre a realização de episiorrafia. Assistência no Período de Dequitação: ▪ Verificar pressão arterial; ▪ Monitorar e avaliar sangramento; ▪ Realizar higiene; ▪ Encaminhar a mulher para a sala de recuperação pós-parto; ▪ Registrar os dados relativos ao período expulsivo, a dequitação e as condições maternas. Assistência no Período de Greenberg: ▪ Verificar SSVV; ▪ Observar a involução uterina e sangramento vaginal; ▪ Avaliar coloração e hidratação das mucosas; ▪ Avaliar o estado das mamas; ▪ Observar as condições do períneo; ▪ Estimular a micção e a deambulação após o período de descanso; ▪ Fornecer o máximo conforto para a mulher. Distocia no Trabalho de Parto: Pode ser definida como qualquer alteração, que durante o trabalho, criam dificuldades a evolução do trabalho de parto e contratilidade uterina. Pode ser causada por: ▪ Anormalidades das forças expulsivas; ▪ Anormalidades da apresentação, posição ou desenvolvimento do feto; ▪ Anormalidades da pelve materna. As distocias podem ser divididas em distocias do trajeto e desproporção cefalopelvica, conforme o ilustra o Quadro 1 a seguir. ENFERMAGEM MÓDULO 4 37 Quadro 1 – Tipos de Distocia Tipos Causas Distocias do trajeto Distocias do colo do utero. Distocias da vagina. Tumorações pélvicas. Vícios pélvicos. Rigidez, aglutinação, edema. Varizes, cistos e abcessos, linforgranulomatoso venéria. Septos. Miomas uterinos. Pelve viciada. Desproporção cefalopélvica Desprporção feto pélvica. Polo craniano nas apresentacoes cefálicas, tronco nas nádegas, segmento cefálico. Fonte: Elaborado pelo autor (2017) Ações do Técnico de Enfermagem na Sala de Parto: A atenção adequada à mulher no momento do parto representa um passo indispensável para garantir que ela possa exercer a maternidade com segurança e bem- estar. Este é um direito fundamental de toda mulher. A equipe de saúde deve estar preparada para acolher a grávida, seu companheiro e família, respeitando todos os significados desse momento. Isso deve facilitar a criação de um vínculo mais profundo com a gestante, transmitindo-lhe confiança e tranquilidade. As ações do técnico de enfermagem na sala de parto são: ▪ Atuar como circulante na sala de parto empregando técnica asséptica; ▪ Auxiliar no trabalho de parto; ▪ Realizar a higiene; ▪ Verificar os sinais vitais; ▪ Preparo e administração de medicamentos; ▪ Após o parto, deixar o ambiente organizado; ▪ Auxiliar nos primeiros cuidados do recém-nascido. 4.1.3 Câncer de Colo de Útero, Miomas e Infecções Sexualmente Transmissíveis Câncer de Colo de Útero: O câncer, que não é uma doença única e sim um conjunto de mais de 100 doenças diferentes, é resultante de alterações que determinam um crescimento celular desordenado, não controlado pelo organismo e que compromete tecidos e órgãos. No caso do câncer do colo do útero, o órgão acometido é o útero, em uma parte específica – o colo, que fica em contato com a vagina. A história natural do câncer do colo do útero é descrita como sendo uma doença progressiva iniciada com transformações no tecido epitelial que reveste a camada interna do útero, que podem evoluir para um processo invasor num período que varia de 10 a 20 anos. O câncer de colo uterino é o câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, correspondendo a, aproximadamente, 24% de MÓDULO 4 ENFERMAGEM 38 todos os cânceres. O câncer do colo do útero é uma doença de crescimento lento e silencioso. Existe uma fase pré-clínica, sem sintomas, com transformações intraepiteliais progressivas importantes, em que a detecção de possíveis lesões precursoras são por meio da realização periódica do exame preventivo do colo do útero. Ele progride lentamente, por anos, antes de atingir o estágio invasor da doença, quando a cura se torna mais difícil, se não impossível. Nessa fase os principais sintomas são sangramento vaginal, corrimento e dor. Os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento do câncer do colo do útero são: ▪ Infecção pelo Papiloma Vírus Humano – HPV - sendo esse o principal fator de risco; ▪ Início precoce da atividade sexual; ▪ Multiplicidade de parceiros sexuais; ▪ Tabagismo, diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados; ▪ Baixa condição socioeconômica; ▪ Imunossupressão; ▪ Uso prolongado de contraceptivos orais; ▪ Higiene íntima inadequada. A efetiva detecção precoce associada ao tratamento em seus estágios iniciais tem resultado em uma redução das taxas de incidência de câncer invasor que pode chegar a 90%. Por isso a importância do exame citopatológico (exame preventivo) que ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade, uma vez por ano e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada três anos. O tratamento das pacientes portadoras desse câncer baseia-se na cirurgia, radioterapia e quimioterapia. O tratamento a ser realizado depende das condições clínica s da paciente, do tipo de tumor e de sua extensão. Quando o tumor é inicial, os resultados da cirurgia radical e da radioterapia são iguais. Miomas Uterinos: O mioma uterino é uma doença benigna que acomete as mulheres no período reprodutivo, sendo sua incidência de 25% ao redor dos 35 anos. A causa é desconhecida, mas sabe-se que seu crescimento é dependente de fatores hormonais, diminuindo de tamanho após a menopausa. Podem ser únicos ou múltiplos e desde bem pequenos até atingir enormes volumes. Pode ser um achado num exame ginecológico de rotina, ou em um exame onde a paciente procura o médico por estar apresentando sangramento acima do padrão normal do seu ciclo menstrual, muitas vezes com coágulos, podendo resultar em anemia. Os miomas uterinos são classificados em: Intramurais, subserosos, submucosos. Os que causam maior sangramento são os miomas submucosos. ENFERMAGEM MÓDULO 4 39 Os miomas podem ser assintomático, podendo ser descobertos em um exame ginecológico de rotina, sendo detectado um útero aumentado de tamanho com uma formação nodular e assimétrico. Mas dependendo do tamanho, da localização, a paciente refere os seguintes sintomas: ▪ Sangramento genital aumentado, com presença de coágulos; ▪ Dor pélvica. + cólicas no período menstrual e pré-menstrual; ▪ Peso no baixo ventre; ▪ Constipação por compressão do intestino (porção retal); ▪ Dor no ato sexual; ▪ Massa palpável no abdômen, quando em decúbito; ▪ Compressão da bexiga. Nem toda pacientedeve ser tratada de mioma, já que se trata de uma doença benigna e que na grande maioria dos casos não causa sintomas. O conceito principal é de que o mioma deve ser tratado quando causa sintomas significativos, para esses casos existem três tipos de tratamento: medicamentoso, cirúrgico e embolização (onde é realizada a colocação de um cateter dentro da artéria uterina que nutre o mioma, seguida da injeção de agentes que levam à formação de êmbolos no interior da artéria, com interrupção do fluxo de sangue). Nos casos assintomáticos, a paciente deve ser acompanhada regularmente. Infecções Sexualmente Transmissíveis: As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são doenças causadas por vários tipos de agentes. São transmitidas, principalmente, por contato sexual sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada e, geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. Certas DSTs são de fácil tratamento e de rápida resolução. Outras, contudo, têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas, apesar da sensação de melhora relatada pelos pacientes. As mulheres, em especial, devem ser bastante cuidadosas, já que, em diversos casos de DST, não é fácil distinguir os sintomas das reações orgânicas comuns de seu organismo. Isso exige da mulher consultas periódicas ao médico. Algumas DSTs, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves e até a morte. Determinadas DSTs também podem ser transmitidas da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou durante o parto. Podendo provocar assim, a interrupção espontânea da gravidez ou causar graves lesões ao feto, outras podem também ser transmitidas por transfusão de sangue contaminado ou compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente no uso de drogas injetáveis. As principais síndromes em DSTs são observadas no Quadro 2 a seguir. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 40 Quadro 2 - Principais Síndromes em DST Síndrome Sintomas mais comuns Sinais mais comuns Causas mais comuns Corrimento Vaginal Prurido; Dor à micção; Dor durante relação sexual; Odor fétido. Edema de vulva; Hiperemia de vulva; Corrimento vaginal e/ou cervical. Vulvovaginite infecciosa: Tricomoníase; Vaginose Bacteriana. Candidíase Cervicite: Gonorréia; Infecção por Clamídia. Corrimento Uretral Corrimento uretral; Prurido; Dificuldade de urinar; Micções frequentes Odor fétido Corrimento uretral Gonorréia; Infecção por clamídia; Tricomoníase; Micoplasma; ureoplasma. Úlcera genital Úlcera genital Úlcera genital Aumento de linfonodos inguinais. Sífilis; Cancro Mole; Herpes genital; Donovanose. Desconforto ou Dor Pélvica na Mulher Dor ou desconforto pélvico; Dor durante relação sexual. Corrimento cervical; Dor à palpação Abdominal; Dor à mobilização do colo; Temperatura >37,5ºC. Gonorreia; Infecção por clamídia; Infecção por germes; Anaeróbios; Fonte: Elaborado pelo autor (2017) Tipos de DST: Aids - Causada pela infecção do organismo humano pelo HIV (vírus da imunodeficiência adquirida). O HIV compromete o funcionamento do sistema imunológico humano, impedindo-o de executar adequadamente sua função de proteger o organismo contra as agressões externas, tais como: bactérias, outros vírus, parasitas e células cancerígenas. Cancro mole - Também chamada de cancro venéreo, popularmente é conhecida como cavalo. Manifesta-se através de feridas dolorosas com base mole. Gonorreia - É a mais comum das DST. Também é conhecida pelo nome de blenorragia, pingadeira, esquentamento. Nas mulheres, essa doença atinge principalmente o colo do útero. Clamídia - Também é uma DST muito comum e apresenta sintomas parecidos com os da gonorreia, como, por exemplo, corrimento parecido com clara de ovo no canal da urina e dor ao urinar. As mulheres contaminadas pela clamídia podem não apresentar nenhum sintoma da doença, mas a infecção pode atingir o útero e as trompas, provocando uma grave infecção. Nesses casos, pode haver complicações como dor durante as relações sexuais, gravidez nas trompas (fora do útero), parto prematuro e até esterilidade. Herpes genital - Manifesta-se a partir de pequenas bolhas localizadas ENFERMAGEM MÓDULO 4 41 principalmente na parte externa da vagina e na ponta do pênis. Essas bolhas podem arder e causam coceira intensa. Ao se coçar, a pessoa pode romper a bolha, causando uma ferida. Sífilis - Manifesta-se inicialmente como uma pequena ferida nos órgãos sexuais (cancro duro) e com ínguas (caroços) nas virilhas. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Após certo tempo, a ferida desaparece sem deixar cicatriz, dando à pessoa a falsa impressão de estar curada. Se a doença não for tratada, continua a avançar no organismo, surgindo manchas em várias partes do corpo (inclusive nas palmas das mãos e solas dos pés), queda de cabelos, cegueira, doença do coração, paralisias. Tricomoníase – Os sintomas são, principalmente, corrimento amarelo- esverdeado, com mau cheiro, dor durante o ato sexual, ardor, dificuldade para urinar e coceira nos órgãos sexuais. Na mulher, a doença pode também se localizar em partes internas do corpo, como o colo do útero. A maioria dos homens não apresenta sintomas. Quando isso ocorre, consiste em uma irritação na ponta do pênis. Vaginose bacteriana - é uma síndrome clínica resultante de um desequilíbrio da flora vaginal, correspondendo à principal causa de corrimento vaginal. O fator desencadeante é desconhecido, porém sabe-se que há uma diminuição dos lactobacillus e um crescimento polimicrobiano exagerado de bactérias anaeróbicas, Gardnerella vaginalis e Mycoplasma hominis. Donovanose - É uma infecção causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, que afeta a pele e mucosas das regiões da genitália, da virilha e do ânus. Causa úlceras e destrói a pele infectada. É mais frequente no Norte do Brasil e em pessoas com baixo nível socioeconômico e higiênico. Exame de Prevenção do Câncer de Colo de Útero: Coleta do Material Citopatológico: O exame citopatológico (Papanicolaou) é o exame preventivo do câncer do colo do útero. Ele consiste na análise das células oriundas da ectocérvice (parte externa do colo uterino) e da endocérvice (parte interna do colo uterino) que são extraídas por raspagem do colo do útero. A coleta do exame é realizada durante uma consulta ginecológica de rotina, após a introdução do espéculo vaginal, sem colocação de nenhum lubrificante (pode ser usado apenas o soro fisiológico). Normalmente não é doloroso, mas um desconforto variável pode acontecer, de acordo com a sensibilidade individual de cada paciente. As mulheres devem ter sido previamente orientadas a não terem relações sexuais ou fazerem uso de duchas, medicamentos ou exames intravaginais (como, por exemplo, a ultrassonografia) durante as 48 horas que precedem o exame. O exame deve ser realizado fora do período menstrual, pois o sangue dificulta a http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome http://pt.wikipedia.org/wiki/Flora_vaginal http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Corrimento_vaginal&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Lactobacillus http://pt.wikipedia.org/wiki/Lactobacillus http://pt.wikipedia.org/wiki/Bact%C3%A9ria http://pt.wikipedia.org/wiki/Gardnerella_vaginalis http://pt.wikipedia.org/wiki/Gardnerella_vaginalis http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Mycoplasma_hominis&action=edit&redlink=1 MÓDULO 4 ENFERMAGEM 42 leitura da lâmina, podendo até tornar o esfregaço inadequado para o diagnóstico citopatológico. Isto não quer dizer que, diante de um sangramento anormal, a coleta não possa ser realizada em algumas situações particulares. O procedimento de coleta propriamente dito deve ser realizado na ectocérvice e na endocérvice. No caso de mulheres histerectomizadas que comparecerem para a coleta, deve serobtido um esfregaço de fundo de saco vaginal. No caso de pacientes grávidas, a coleta endocervical não é contraindicada, mas deve ser realizada de maneira cuidadosa e com uma correta explicação do procedimento e do pequeno sangramento que pode ocorrer após o procedimento. Como existe uma eversão fisiológica da junção escamo-colunar do colo do útero durante a gravidez, a realização exclusiva da coleta ectocervical na grande maioria destes casos fornece um esfregaço satisfatório para análise laboratorial. Durante o momento do exame especular, na coleta do exame citopatológico, pode ser evidenciado no colo do útero alguma lesão que necessite de tratamento, algumas vezes independente do resultado do exame citopatológico. A visualização de um colo com aspecto tumoral é uma indicação de encaminhamento direto à colposcopia, mesmo na vigência de um resultado citopatológico negativo para malignidade (a coleta pode ter sido efetuada em área necrótica, onde o resultado poderá ser falso-negativo). Câncer de Mama: Diagnóstico e Prevenção: O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta frequência e, sobretudo, pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Este tipo de câncer representa nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas indicam o aumento de sua frequência tantos nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes. No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. Os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila. História familiar é um importante fator de risco para o câncer de mama, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) foram acometidas antes dos 50 anos de idade. Entretanto, o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos de cânceres de mama. A idade constitui um outro importante fator de risco, havendo um aumento ENFERMAGEM MÓDULO 4 43 rápido da incidência com o aumento da idade. A menarca precoce (idade da primeira menstruação), a menopausa tardia (após os 50 anos de idade), a ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e a nuliparidade (não ter tido filhos), constituem também fatores de risco para o câncer de mama. Ainda é controvertida a associação do uso de contraceptivos orais com o aumento do risco para o câncer de mama, apontando para certos subgrupos de mulheres como as que usaram contraceptivos orais de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram uso da medicação por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce, antes da primeira gravidez. A ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada, é identificada como fator de risco para o câncer de mama, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior a 35 anos. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico de câncer maior a probabilidade de cura. Rastreamento significa detectar a doença em sua fase pré-clínica enquanto diagnóstico precoce significa identificar câncer da mama em sua fase clínica precoce. As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico da mama - Quando realizado por um médico ou enfermeira treinados, pode detectar tumor de até 1 centímetro, se superficial - para mulheres a partir dos 40 anos de idade sendo feito anualmente e a mamografia, é a radiografia da mama que permite a detecção precoce do câncer, por ser capaz de mostrar lesões em fase inicial, muito pequenas, para mulheres com idade entre 50 a 69 anos de idade, com intervalo máximo de 2 anos entre os exames. Autoexame das Mamas: Este exame ajuda a mulher a conhecer melhor o seu próprio corpo. Uma vez observada alguma alteração, a mulher deverá procurar o serviço de saúde mais próximo de sua residência para ser avaliada por um profissional de saúde. 4.1.4 Planejamento Familiar Planejamento familiar é o ato consciente de planejar o nascimento dos filhos, tanto em relação ao número desejado, quanto à ocasião mais apropriada de tê-los. Isto pode ser conseguido através de técnicas e métodos anticoncepcionais e de procedimentos para obter a gravidez em casais inférteis. Bom método anticoncepcional é aquele que oferece segurança (protegendo a mulher de uma gravidez e não apresentando riscos à saúde) e que está de acordo com os conceitos éticos, morais e religiosos do casal. As ações de planejamento familiar devem estar voltadas para a população em idade fértil, assegurando continuidade no atendimento e avaliação. A equipe de saúde deve estar motivada, treinada e organizada para dar assistência à saúde reprodutiva da população, com intervenções preventivas, educativas e terapêuticas, garantindo um MÓDULO 4 ENFERMAGEM 44 serviço de qualidade. Fundado nos princípios da dignidade humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado proporcionar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas (CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA, 1988). Os elementos fundamentais na qualidade de atenção são: escolha livre de métodos, informação completa para os usuários, competência técnica de quem dispensa os métodos, boa relação usuário-serviço, acompanhamento adequado e a integração do planejamento familiar ao atendimento em saúde reprodutiva. A ação educativa em planejamento familiar deve ser realizada em pequenos grupos, usando metodologia participativa, tendo o objetivo de estabelecer um processo contínuo de educação, que vise trabalhar a atenção integral, focalizando outros aspectos da saúde reprodutiva, tais como a sexualidade, conhecimento do corpo, questões de gênero, vulnerabilidade às doenças sexualmente transmissíveis, violência, direitos sexuais e reprodutivos e também sobre as diferentes opções anticoncepcionais, de maneira que o usuário seja capaz de realizar uma escolha livre e informada. Devem ser fornecidas as informações de maneira clara e completa sobre mecanismo de ação dos anticoncepcionais, modo de uso, eficácia, efeitos colaterais e efeitos não contraceptivos para que o usuário possa ter: ▪ Capacidade - habilidade de a pessoa se reproduzir, regular sua fecundidade e desfrutar de uma vida sexual. ▪ Segurança - significa que a regulação da fecundidade, a gravidez e o parto não levem risco para a saúde, logo a relação sexual não pode ser de alto risco. ▪ Resultado - que no processo reprodutivo, a mulher/casal tenha um filho saudável e desejado. 4.1.4.1 Métodos Contraceptivos Os métodos contraceptivos são métodos que a mulher e/ou o casal utilizam para evitar a gravidez. É importante que se tenha em mente que, antes de optar por um método contraceptivo específico, é recomendável que consulte um ginecologista, este profissional será capaz de avaliar cada caso, já que nem todas as mulheres podem usar todos os métodos disponíveis. Ou seja, existem algumas contraindicações. Além do mais, durante a consulta, o profissional de saúde esclarecerá suas dúvidas e discutirá qual o melhor método deve ser indicado. Preservativo Masculino: Consiste em um envoltório de látex que recobre o pênis durante o ato sexual e retém o esperma por ocasião da ejaculaçãoimpedindo o contato com a ENFERMAGEM MÓDULO 4 45 vagina, assim como impede que os microrganismos da vagina entrem em contato com o pênis ou vice-versa. É um método que, além de evitar a gravidez, reduz o risco de transmissão do HIV e de outros agentes sexualmente transmissíveis. A taxa de falha deste método, no primeiro ano de uso, varia de 3%, quando usados, corretamente em todas as relações sexuais, a 14%, quando avaliado o uso habitual. Sua segurança depende de armazenamento adequado, da técnica de uso e da utilização em todas as relações sexuais. Preservativo Feminino: O preservativo feminino é um tubo de poliuretano com uma extremidade fechada e a outra aberta, acoplado a dois anéis flexíveis também de poliuretano. O primeiro, que fica solto dentro do tubo, serve para ajudar na inserção e na fixação de preservativo no interior da vagina. O segundo anel constitui o reforço externo do preservativo que, quando corretamente colocado, cobre parte da vulva. O produto já vem lubrificado e deve ser usado uma única vez. O poliuretano, por ser mais resistente do que o látex, pode ser usado com vários tipos de lubrificantes. Forma uma barreira física entre o pênis e a vagina, servindo de receptáculo ao esperma, impedindo seu contato com a vagina, assim como impede que os microrganismos da vagina entrem em contato com o pênis ou vice-versa. Nos primeiros seis meses de uso, a taxa de falha deste método varia de 1,6%, em uso correto, a 21%, em uso habitual. Dispositivo Intrauterino (DIU): Os dispositivos intrauterinos são feitos de objetos maleáveis que exercem efeito anticonceptivo quando colocados na cavidade uterina. Provocam uma reação inflamatória uterina, desencadeando alterações bioquímicas que interferem no transporte dos espermatozoides no aparelho genital feminino e alteram os óvulos e espermatozoides, impedindo a fecundação. Existem vários modelos de DIU. Os mais usados são os em forma de “T” de cobre. A fertilidade da mulher, ou seja, a sua capacidade de engravidar retorna logo após a retirada do DIU. A colocação do DIU no interior do útero deve ser feita por um profissional de saúde treinado. A mulher que usa o DIU pode apresentar aumento do sangramento menstrual e aumento na duração da menstruarão ou pode ainda apresentar cólicas. Tais efeitos não trazem problemas para saúde, a menos que a mulher tenha anemia severa. Laqueadura (Ligadura de Trompas): É cirurgia realizada na mulher para evitar a gravidez. É um método anticoncepcional considerado permanente ou irreversível, porque depois da cirurgia, é muito difícil recuperar a capacidade de engravidar novamente. Nessa cirurgia, as duas trompas podem ser cortadas e amarradas, cauterizadas, ou fechadas com grampos ou anéis. A ligadura de trompas age impedindo que os espermatozoides se encontrem com o óvulo. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 46 A ligadura de trompas, mesmo sendo uma operação simples, tem riscos e pode apresentar problemas como qualquer outra cirurgia. A Lei do Planejamento Familiar só permite realizar a ligadura de trompas e a vasectomia voluntárias nas seguintes condições: ▪ Em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade, ou pelo menos com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico. ▪ Nos casos em que há risco de vida para mulher ou riscos para a saúde da mulher ou do futuro bebê. A Lei do Planejamento Familiar proíbe a realização da ligadura de trompas durante o período de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade. Esses momentos não são os mais adequados para a realização dessa cirurgia. Vasectomia: É uma cirurgia simples, segura e rápida, que se faz em homens que não desejam mais ter filhos. É um método anticoncepcional considerado permanente ou irreversível, porque, depois de feita a cirurgia, é muito difícil recuperar a capacidade de ter filhos. Nessa cirurgia, os canais deferentes são cortados e amarrados, cauterizados, ou fechados com grampos. É uma cirurgia simples, que pode ser feita em ambulatório, com anestesia local e o homem não precisa ficar internado. A vasectomia age impedindo que os espermatozoides se encontrem com o óvulo. A vasectomia, mesmo sendo uma operação simples, tem riscos e pode apresentar problemas como qualquer outra cirurgia. O efeito da vasectomia não é imediato. Nas primeiras ejaculações depois da vasectomia, ainda existem espermatozoides no esperma ejaculado, ou seja, ainda existe o risco de o homem engravidar a mulher. A vasectomia só será considerada segura quando o exame realizado no esperma, o espermograma (análise do sêmen), mostrar que não existem mais espermatozoides no esperma ejaculado. A vasectomia não causa nenhum problema de saúde para o homem. O homem apenas não poderá mais engravidar uma mulher. A vasectomia não altera a vida sexual do homem. O desejo e a potência sexual continuam iguais ao que eram antes da cirurgia. A única diferença é que o esperma ejaculado não contém mais espermatozoides, mas não ocorrem alterações na quantidade e no aspecto do esperma. Espermaticida (Espermicida): É uma substância química que recobre a vagina e o colo do útero, impedindo a penetração dos espermatozoides, imobilizando-os ou destruindo-os. Pode ser usado sozinho ou combinado com o diafragma. ENFERMAGEM MÓDULO 4 47 O espermicida é eficaz por um período de uma hora após a sua aplicação. Não se recomenda o uso do espermicida para as mulheres que têm mais de um parceiro sexual ou cujos parceiros têm outros parceiros/parceiras e não usam camisinha em todas as relações sexuais, pois, nessas situações, existe risco maior de contrair doenças sexualmente transmissíveis. O espermicida é colocado com um aplicador, que deve ser introduzido na vagina o mais profundo possível. O aplicador deve ser lavado com água e sabão após cada uso. Contraceptivos Orais e Injetáveis: ▪ Contraceptivos Orais - Conhecido como pílula. São esteroides isolados ou em associação, com a finalidade de impedir a concepção. Vantagens: ▪ Muito prático; ▪ Não interfere no relacionamento sexual; ▪ Diminuição do fluxo menstrual; ▪ Regularidade do ciclo menstrual; ▪ Diminuição de doenças benignas das mamas; ▪ Regressão dos cistos funcionais ovarianos; ▪ Diminuição da incidência de endometriose; ▪ Diminuição da incidência de câncer de ovário e de endométrio; ▪ Diminuição do risco de doença inflamatória pélvica; ▪ Diminuição do risco de gravidez ectópica; ▪ Melhora de doenças como artrite reumatoide, anemia, acne. Contraindicação: ▪ Neoplasia hormônio-dependente ou suspeita; ▪ Câncer de mama declarado ou suspeito; ▪ Tromboflebite ou doenças tromboembólicas (no presente ou passado); ▪ Doença coronariana, doença cerebrovascular; ▪ Sangramento uterino anormal não diagnosticado; ▪ Gravidez; ▪ Hipertensão arterial grave; ▪ Diabete insulinodependente; ▪ Fumante com mais de 35 anos. Efeitos Colaterais: ▪ Cefaleia; ▪ Ganho de peso; ▪ Náuseas; ▪ Vômitos; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 48 ▪ Hipertensão arterial; ▪ Alterações hepáticas. ▪ Contraceptivos Injetáveis - São anticoncepcionais para uso feminino, que contêm progesterona isolada ou associada ao estrogênio natural, para administração parenteral intramuscular, com doses de longa duração. Anticoncepcional Injetável Mensal: Vantagens: ▪ Alta eficácia; ▪ Comodidade de aplicação por ser dose única mensal; ▪ Não interfere com o ato sexual; ▪ Menor repercussão metabólica que os AHCO, devido ao emprego dos estrogênios naturais; ▪ Preservação de sangramento semelhante ao do fluxo menstrual, ao fim do efeito contraceptivo. Contraindicação: ▪ Lactação; ▪ Gravidez; ▪ Câncer genital e mamário; ▪ Hepatopatia; ▪ Enxaqueca grave; ▪ Sangramento vaginal sem diagnóstico etiológico. Efeitos Colaterais: ▪ Alterações menstruais;▪ Cefaleia; ▪ Náuseas e vômitos; ▪ Mastalgia; ▪ Aumento de peso. Anticoncepcional Injetável Trimestral: Anticoncepcional a base de acetato de medroxiprogesterona de depósito, com alta eficácia por três meses e menor número de efeitos colaterais pela inexistência do estrogênio. Pode ser utilizado no pós-parto e durante a lactação, na presença de amenorreia, e não apresenta interação medicamentosa. ENFERMAGEM MÓDULO 4 49 Efeitos Colaterais: ▪ Irregularidades do ciclo menstrual; ▪ Amenorreia; ▪ Alterações de humor; ▪ Cefaleia; ▪ Demora no retorno da fertilidade; ▪ Diminuição da libido; ▪ Depressão, acne, náuseas; ▪ Distensão abdominal; ▪ Desconforto mamário; ▪ Aumento de peso. A primeira dose deve ser feita até o sétimo dia do ciclo menstrual, sendo indicado o uso de outro método anticonceptivo até o oitavo dia após a aplicação. Repetir a injeção a cada 90 dias. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 50 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência em planejamento familiar. Brasília, 2002. ________. Ministério da Saúde. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Brasília, 2006. ________. Ministério da Saúde. Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Brasília, 2006. ________. Ministério da Saúde. Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Brasília, 2006. ________. Ministério da Saúde. Pré-natal e puerpério. Brasília, 2006. ________. Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília, 1988. FREITAS F., Rotinas em obstetrícias. 4ª Ed. São Paulo: Arimed, 2003. MOORE PERSAUD, Embriologia clínica. 7ª Ed. São Paulo: Saunders Elsevier. RESENDE JORGE, Obstetrícia fundamental. 7ª ed. Rio de Janeiro, 1995. ENFERMAGEM MÓDULO 4 51 ANOTAÇÕES: ____________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 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_______________________________________________________________________ ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ENFERMAGEM MÓDULO 4 55 5 ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Esta disciplina tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de habilidades e competência para o desenvolvimento da assistência de enfermagem integral à saúde da criança e do adolescente no campo da promoção, prevenção e recuperação da saúde. 5.1 Histórico Desde as épocas mais remotas da História, a criança foi tratada com descaso, sendo considerada um ser humano inferior aos demais. Ao nascer, podia ser tanto desprezada, como morta. O infanticídio era praticado nas tribos primitivas por superstição, por questões econômicas, para manter igualado o número de meninos e meninas, dentre outros motivos igualmente bárbaros. Essa prática cruel foi utilizada pelos mais diferentes povos e nações - gregos, romanos, persas e árabes. Aos poucos, com o progresso das civilizações e com o advento do pensamento cristão, a criança passou a ser valorizada e entendida como alguém que precisa ser amparada e assistida. No Brasil, durante séculos, a assistência às crianças pobres ficou a cargo das instituições religiosas, que lhes ofereciam abrigo e alimentação e, em troca, recebiam dinheiro. Devido às condições precárias, a grande maioria das crianças recolhidas a esses internatos ali morria acometida de doenças. A implantação de uma política social que atendesse às necessidades da população, em particular das crianças e dos jovens, se fazia necessária. Era preciso promover condições para que crescessem e se desenvolvessem, recebendo também uma formação moral, filosófica e espiritual. Era necessário amparar e defender a criança - com direito à vida, saúde, lar e educação - como meio de assegurar o futuro da nação. Para tanto, a Legislação Brasileira tem estabelecido medidas de proteção à infância e adolescência, assegurando direitos que antes eram negligenciados ou lhes eram negados. O Ministério da Saúde tem instituído programas governamentais de saúde a serem implementados em todo o Brasil, por intermédio das Secretarias de Saúde estaduais e municipais, com o mesmo objetivo. É importante ressaltar que a promoção da saúde não se faz apenas com medidas de controle das doenças, mas sim com atenção básica, educação em saúde e garantia de trabalho para que as famílias possam promover seu sustento. Assim, leis e programas já existentes precisam ser priorizados e estendidos a um maior número de crianças e adolescentes, que ainda se encontram expostos aos mais variados problemas sociais e sanitários. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 56 5.1.2 Infância e Adolescência A infância é o período que vai desde o nascimento até aproximadamente o 12º ano de vida de uma pessoa. É um período de grande desenvolvimento físico, marcado pelo gradual crescimento da altura e do peso da criança - especialmente nos primeiros três anos de vida e durante a puberdade. Mais do que isto, é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo sucessivas mudanças no comportamento da pessoa e na aquisição das bases de sua personalidade. A adolescência pode ser definida de diferentes formas. Trata-se de uma etapa de crescimento e desenvolvimento do ser humano, marcada por grandes transformações físicas, psíquicas e sociais. Mais precisamente, entende-se adolescência como o período de desenvolvimento situado entre a infância e a idade adulta, delimitado cronologicamente pela Organização Mundial da Saúde como a faixa dos 10 aos 19 anos de idade, esta também adotada no Brasil, pelo Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera, ainda, como juventude o período que se estende dos 15 aos 24 anos, identificando adolescentes jovens (de 15 a 19 anos) e adultos jovens (de 20 a 24 anos). A lei brasileira, através do Estatuto da Criança e do Adolescente, considera adolescente o indivíduo de 12 a 18 anos. 5.1.3 Mortalidade Infantil no Brasil A atenção com a morte infantil na agenda de saúde pública do Brasil é tradicionalmente utilizada como indicador de qualidade de vida e de saúde de uma dada população. A mortalidade infantil (taxa de mortalidade infantil) entende-se como o número de óbitos de menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% entre 1990 e 2010 - de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 para 19,88/mil em 2010 -, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista médica “The Lancet”. Apesar dos avanços alcançados, os indicadores de saúde demonstram que ainda falta um longo caminho a percorrer para garantir às crianças o direito integral à saúde, como assumido em nossas leis. Os índices de mortalidade infantil, embora reduzidos na última década, ainda são altos. Estas mortes, que em sua maioria ocorrem nos países em desenvolvimento, têm em 70% dos casos a pneumonia, a diarreia, o sarampo e a malária como causas. Em mais da metade destes óbitos a desnutrição está presente como causa associada. ENFERMAGEM MÓDULO 4 57 5.2 Recém-Nascido: Classificação, Características Anátomo A classificação do recém-nascido é de suma importância, já que possibilita a avaliação quanto ao risco de morbimortalidade e ao planejamento da assistência adequada. Segundo a Organização Mundial de Saúde, recém-nascido é a criança que acabou de nascer até o 28º dia de vida. Recém-nascido a termo são crianças nascidas no período de 37 a 41 semanas e 6 dias de gestação. Antes de completadas as 37 semanas ele é classificado como RN pré-termo e ao completar 42 semanas de gestação ele é considerado RN pós-termo. 5.2.1 Fisiologia Os RNs possuem características anatômicas e funcionais próprias. O conhecimento dessas características possibilita que a assistência aos neonatos seja planejada, executada e avaliada de forma a garantir o atendimento de suas reais necessidades. Também permite a orientação aos pais a fim de capacitá-los para o cuidado após a alta. O peso dos bebês é influenciado por diversas condições associadas à gestação, tais como fumo, uso de drogas, paridade e alimentação materna. Os RNs apresentam durante os três primeiros dias de vida uma diminuição de 10 a 12% do seu peso ao nascimento, chamada de perda ponderal fisiológica, decorrente da grande eliminação de líquido extracelular, de eliminação de mecônio e de ingesta limitada de alimentos. Até a segunda semana de vida o peso de nascimento é recuperado, com ganho ponderal de 30g/diárias. Ao nascer, o recém-nascido a termo pesa entre 2500g e 4500g, podendo sofrer influências hereditárias, genéticas e das condições pré-natais. O perímetro cefálico dos RNs a termo é de 33-35cm. Já o perímetro torácico deve ser sempre 2-3cm menor que o cefálico. Os RNs são extremamente termolábeis, ou seja, têm dificuldade de manter estável a temperatura corporal, perdendo rapidamente calor para o ambiente externo quando exposto ao frio, molhado ou em contato com superfícies frias. Além disso, a superfície corporal dos bebês é relativamente grande em relação ao seu peso e eles têm uma capacidade limitada para produzir calor. A atitude e a postura dosRNs, nos primeiros dias de vida, refletem a posição em que se encontravam no útero materno. Em geral, eles apresentam uma postura fletida, com o queixo apoiado na parte superior do tórax, mãos fechadas, braços flexionados, pernas fletidas sobre as coxas e coxas, sobre o abdômen. Tem comportamento alerta, choro for te, mexe-se pouco e dorme a maior parte do tempo. A avaliação da pele do RN fornece importantes informações acerca do seu grau de maturidade, nutrição, hidratação e sobre a presença de condições patológicas. A pele do RN a termo, AIG (adequado para a idade gestacional) e que MÓDULO 4 ENFERMAGEM 58 se encontra em bom estado de hidratação e nutrição, tem aspecto sedoso, coloração rosada (nos RNs de raça branca) e/ou avermelhada (nos RNs de raça negra), turgor normal e é recoberta por vérnix caseoso. Nos bebês prematuros, a pele é fina e gelatinosa e nos bebês nascidos pós- termo, grossa e apergaminhada, com presença de descamação — principalmente nas palmas das mãos, plantas dos pés — e sulcos profundos. Têm também turgor diminuído. Das inúmeras características observadas na pele dos RNs destacamos as que se apresentam com maior frequência e sua condição ou não de normalidade. ▪ Eritema tóxico - consiste em pequenas lesões avermelhadas, semelhantes a picadas de insetos, que aparecem em geral após o 2º dia de vida e tem causa desconhecida. ▪ Millium - são glândulas sebáceas obstruídas que podem estar presentes na face, nariz, testa e queixo sob a forma de pequenos pontos brancos. ▪ Manchas mongólicas - manchas azuladas extensas, que aparecem nas costas, na região sacra e glútea. De origem racial – aparecem em crianças negras, amarelas e índias - costumam desaparecer com o decorrer dos anos. ▪ Cianose - quando localizada nas extremidades (mãos e pés) e/ou na região perioral e presente nas primeiras horas de vida, é considerada como um achado normal, em função da circulação periférica, mais lenta nesse período. Pode também ser causada por hipotermia, principalmente em bebês prematuros. Quando generalizada é uma ocorrência grave, que está em geral associada a distúrbios respiratórios e/ou cardíacos. ▪ Icterícia - coloração amarelada da pele, que aparece e evolui no sentido craniocaudal, que pode ter significado fisiológico ou patológico de acordo com o tempo de aparecimento e as condições associadas. As icterícias ocorridas antes de 48 horas de vida são em geral patológicas e as surgidas após esse período são chamadas de fisiológicas ou próprias do RN. ▪ Edema - ocorre ao redor dos olhos, no dorso das mãos, nos pés e na bolsa escrotal. Os cabelos do RN a termo são em geral abundantes e sedosos; já nos prematuros são muitas vezes escassos, finos e algodoados. A implantação baixa dos cabelos na testa e na nuca pode estar associada à presença de malformações cromossômicas. Os bebês apresentam lanugem (pelos finos), mais frequentemente observada ENFERMAGEM MÓDULO 4 59 em bebês prematuros. As unhas geralmente ultrapassam as pontas dos dedos ou são incompletas e até ausentes nos prematuros. Ao nascimento os ossos da cabeça não estão ainda completamente soldados e são separados por estruturas membranosas denominadas suturas. Entre as suturas estão localizadas as fontanelas. A bregmática, que tem formato de losango, se fecha por volta do 18º mês de vida e a lambdoide ou pequena fontanela, tem formato triangular e em geral se apresenta fechada no primeiro ou segundo mês de vida. A presença dessas estruturas permite a moldagem da cabeça do feto durante sua passagem no canal do parto. Esta moldagem tem caráter transitório e é também fisiológica. Além dessas, outras alterações podem aparecer na cabeça dos bebês como consequência de sua passagem pelo canal de parto. Dentre elas temos: ▪ Cefalematoma - derrame sanguíneo que ocorre em função do rompimento de vasos pela pressão dos ossos cranianos contra a estrutura da bacia materna. Tem consistência cística (amolecida com a sensação de presença de líquidos), volume variável e não atravessa as linhas das suturas, ficando restrito ao osso atingido. Aparece com mais frequência na região dos parietais, são dolorosos à palpação e podem levar semanas para ser reabsorvidos. ▪ Bossa serossanguínea - consiste em um edema do couro cabeludo, com sinal de cacifo positivo cujos limites são indefinidos, não respeitando as linhas das suturas ósseas. Desaparece nos primeiros dias de vida. Os olhos dos RN são simétricos e alinhados com as orelhas. Apresentam reação pupilar à luz e sua cor é incerta até o bebê alcançar 6 meses de idade. As orelhas devem ser observadas quanto à sua implantação que deve ser na linha dos olhos. Implantação baixa de orelhas é um achado sugestivo de malformações cromossômicas (Síndrome de Down). No nariz, a principal preocupação é quanto à presença de atresia de coanas, que acarreta insuficiência respiratória grave. A passagem da sonda na sala de parto, sem dificuldade, afasta essa possibilidade. Os espirros podem ser frequentes e são normais. É comum a presença de muco branco e ralo. A boca deve ser observada buscando-se avaliar a presença de dentes precoces, fissura labial e/ou fenda palatina. Vale salientar que a salivação é mínima ou ausente. O pescoço dos RNs é em geral curto, grosso e tem boa mobilidade. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 60 Diminuição da mobilidade e presença de massas indicam patologia, o que requer uma avaliação mais detalhada. O tórax, de forma cilíndrica, tem como características principais um apêndice xifoide muito proeminente e a pequena espessura de sua parede. Muitos RNs, de ambos os sexos, podem apresentar hipertrofia das glândulas mamárias, como consequência da estimulação hormonal materna recebida pela placenta. No coração do RN é comum a presença de sopro nos primeiros dias de vida. A frequência cardíaca é regular e varia de 120 a 160 bpm. O abdômen, em geral, é globoso e suas paredes finas possibilitam a observação fácil da presença de hérnias umbilicais e inguinais, principalmente quando os bebês estão chorando e nos períodos após a alimentação. A observação do abdômen do bebê permite também a avaliação do seu padrão respiratório, uma vez que a respiração do RN é do tipo abdominal. A cada incursão respiratória pode-se ver a elevação e descida da parede abdominal, com breves períodos em que há ausência de movimentos. Esses períodos são chamados de pausas e constituem um achado normal, pois a respiração dos neonatos tem um ritmo irregular. Essa irregularidade é observada principalmente nos prematuros. A frequência respiratória varia de 30 a 60 rpm. O coto umbilical, aproximadamente até o 4º dia de vida, apresenta-se com as mesmas características do nascimento - coloração branco-azulada e aspecto gelatinoso. Após esse período, inicia-se o processo de mumificação, durante o qual o coto resseca e passa a apresentar uma coloração escurecida. A queda do coto umbilical ocorre entre o 6º e o 15º dia de vida. A genitália masculina pode apresentar alterações devido à passagem de hormônios maternos pela placenta que ocasionam, com frequência, edema da bolsa escrotal, que assim pode manter-se até vários meses após o nascimento, sem necessidade de qualquer tipo de tratamento. A palpação da bolsa escrotal permite verificar a presença dos testículos, pois podem se encontrar nos canais inguinais. A glande está sempre coberta pelo prepúcio, sendo então a fimose uma condição normal. Deve-se observar a presença de um bom jato urinário no momento da micção. A transferência de hormônios maternos durante a gestação também é responsável por várias alterações na genitália feminina. A que mais chama a atenção é o sangramento via vaginal, denominado de menarca neonatal ou pseudomenstruação. É um achado normal que não deve durar mais que 2 ou 3 dias. Em relação ao ânus, a principal observação a ser feitadiz respeito à permeabilidade do orifício. Essa avaliação pode ser realizada pela visualização direta do orifício anal e pela eliminação de mecônio nas primeiras horas após o nascimento. Outro ponto importante refere-se às eliminações vesicais e intestinais. ENFERMAGEM MÓDULO 4 61 O RN elimina urina várias vezes ao dia. A primeira diurese deve ocorrer antes de completadas as primeiras 24 horas de vida, apresentando, como características, grande volume e coloração amarelo-clara. As primeiras fezes eliminadas pelos RNs consistem no mecônio, formado intrauterinamente, que apresenta consistência espessa e coloração verde-escura. Sua eliminação deve ocorrer até às primeiras 48 horas de vida. Quando a criança não elimina mecônio nesse período é preciso uma avaliação mais rigorosa pois a ausência d e eliminação de mecônio nos dois primeiros dias de vida pode estar associada a condições anormais (presença de rolha meconial, obstrução do reto). Com o início da alimentação, as fezes dos RNs vão assumindo as características do que se costuma denominar fezes lácteas ou fezes do leite. As fezes lácteas têm consistência pastosa e coloração que pode variar do verde, para o amarelo esverdeado, até a coloração amarelada. Evacuam várias vezes ao dia, em geral após a alimentação. Cuidados Imediatos e Mediatos ao Recém-nascido: O período das primeiras 24 horas pós-nascimento é considerado crítico principalmente no que se refere à adaptação respiratória. Alguns RNs podem, nesse período, apresentar um quadro de sofrimento respiratório com evolução até o óbito. Os cuidados imediatos ao RN são aqueles dispensados logo após o nascimento, ainda na sala de parto. Os principais objetivos são: auxiliar o bebê a fazer a transição da vida intrauterina para a vida extrauterina, assegurar a manutenção de sua temperatura corporal e promover o elo afetivo entre RN - mãe e seus familiares. Um cuidado importante a ser tomado na sala de parto consiste em manter as vias aéreas superiores (boca e nariz) pérveas, ou seja, desobstruídas. Assim, deve -se posicionar o RN em decúbito dorsal, com o pescoço ligeiramente estendido para proceder à aspiração. Após o nascimento, colocar o bebê sob fonte de calor radiante (berço aquecido e foco de luz), previamente aquecido, oferecendo um ambiente térmico adequado e secar rapidamente sua cabeça e seu corpo com uma toalha ou cobertor pré-aquecido. Caso o RN esteja bem, este será colocado sobre a mãe e amamentado. A avaliação do RN deve começar no momento do nascimento, utilizando a Escala de Apgar, no qual são observados cinco sinais: frequência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor. Cada sinal é avaliado de acordo com o grau em que está presente e recebe uma nota de 0 (zero), 1 (um) e 2 (dois). Essa avaliação é feita no primeiro e no quinto minuto após o nascimento. Caso, no quinto minuto, o índice persista abaixo de 7, é necessário reavaliar o bebê a MÓDULO 4 ENFERMAGEM 62 cada 5 minutos até que ele atinja o índice (nota) igual ou maior que 8. Quadro 1 – Escala de Apgar CÁLCULO DO ÍNDICE Pontos 0 1 2 Frequência cardíaca Ausente <100/min >100/min Respiração Ausente Fraca, irregular Forte/Choro Tônus muscular Flácido Flexão de pernas e braços Movimento ativo/Boa Flexão Cor Cianótico/Pálido Cianose de Extremidades Rosado Irritabilidade Reflexa Ausente Algum movimento Espirro/Choro Fonte: Elaborado pelo autor (2015) Outra ação consiste nos cuidados com o cordão umbilical. Colher sangue do cordão e enviar para o laboratório, cujo objetivo é avaliar as condições do RN, podendo ser usado para identificação da tipagem sanguínea, de doenças transmissíveis (HIV, rubéola), análise bioquímica, dentre outros exames. Em seguida, é realizada a ligadura do cordão e o bebê pode então ser colocado sobre a mãe ou no berço aquecido. Ainda na sala de parto, realiza-se o método de Credê ou credeização, que consiste na instilação de duas gotas de nitrato de prata a 1% no canto interno de cada olho, prevenindo a oftalmia gonocócica. Vale salientar que a credeização só ocorre em crianças que nasceram via parto normal. Ao nascer, o bebê não tem ainda capacidade de coagulação sanguínea devido à imaturidade do fígado, sendo necessária a administração da vitamina K, objetivando prevenir a doença hemorrágica no período neonatal. Aplica-se na região vasto-lateral da coxa por via IM ou gotas por VO. Cada bebê e sua mãe devem ser corretamente identificados antes de deixarem a sala de parto. Para a identificação, utiliza-se pulseira própria, na qual devem constar o nome e sobrenome da mãe, a data e a hora do nascimento, colocando-a no punho e no tornozelo do RN. Em casos de partos múltiplos, a ordem de nascimento deverá ser especificada nas pulseiras por meio de números (1, 2, 3...) após o nome da mãe. Outro ponto a ser lembrado consiste no registro no prontuário do RN de sua impressão plantar e a impressão do polegar direito da mãe. Os cuidados mediatos ao RN são aqueles realizados no berçário ou no alojamento conjunto. Têm como objetivos ajudar o RN a adaptar-se à vida extrauterina, prevenir possíveis complicações que possam advir e detectar precocemente qualquer anormalidade. Ao chegar ao berçário, o RN deve ser colocado em um berço ou incubadora aquecida, procedendo-se a sua admissão no setor, com registro da hora e de suas condições gerais. O RN pode também ser encaminhado diretamente da sala de parto ENFERMAGEM MÓDULO 4 63 para o setor de alojamento conjunto. Nesses casos a admissão e os demais cuidados serão providenciados lá. No momento da admissão e nas primeiras horas de vida é necessário proceder a uma avaliação dos sinais vitais, com especial atenção às condições respiratórias, coloração da pele, presença de secreções em vias aéreas superiores e de sangue no coto umbilical. Durante esse período de observação, o técnico de enfermagem deve preparar o ambiente e o material necessário para aferir os sinais vitais do RN. No entanto, precisamos atentar para alguns cuidados, pois alguns RNs podem ficar agitados ou chorosos quando manipulados pelos profissionais de saúde e isso pode alterar os valores da frequência cardíaca (pulso apical) e da respiração. Assim, é recomendável iniciar a verificação dos sinais vitais a partir da frequência respiratória, passando para a frequência cardíaca e por último à temperatura corporal. Os parâmetros de normalidade dos sinais vitais no RN são: ▪ Frequência respiratória - 25/60 incursões respiratórias por minuto; ▪ Frequência cardíaca - 120/180 batimentos por minuto; ▪ Temperatura - 36, 0 a 37,0ºC (axilar). Observação - Os sinais vitais devem ser sempre verificados antes da realização de qualquer procedimento e nunca após, pois podem alterar-se. 5.2.2 Verificação das Medidas Antropométricas Nessas medidas verifica-se o peso, o comprimento/estatura e os perímetros cefálico, torácico e abdominal, que são parâmetros importantes para a avaliação e acompanhamento dos bebês. Verificação do Peso: Tal procedimento deve ser realizado no momento da admissão do RN, diariamente e sempre que houver necessidade de nova avaliação. Servirá de base para o controle da curva ponderal. O peso deve ser registrado em gramas, em impresso próprio, assim como o ganho ou perda em relação ao peso anterior. Nos RNs com diagnóstico de infecção, quando não houver balança separada para esses casos, deve ser verificado seu peso após todos os demais. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 64 Verificação da Estatura: A estatura é verificada com régua antropométrica ou fita métrica e servirá de base para a avaliação do crescimento. Coloque o RN em decúbito dorsal em uma superfície plana, apoiando a parte fixa da régua na sua cabeça e a parte móvel no calcanhar. Estenda as pernas do bebê, segurando em seus joelhos, mantendoa régua bem posicionada ou a fita bem esticada e proceda à leitura. Perímetro Cefálico (PC): É a medida da circunferência da cabeça, sendo verificado com fita métrica. Servirá de base para a avaliação do crescimento e desenvolvimento. É realizada com o bebê em decúbito dorsal, passando-se a fita métrica a partir da maior saliência do osso occipital e acima das sobrancelhas, realizando-se então a leitura. Perímetro Torácico (PT): É a medida da circunferência do tórax, sendo verificado com fita métrica, variando em torno de 33 cm. O RN deve estar posicionado em decúbito dorsal, sem roupa. Passa-se a fita ao redor do tórax na altura dos mamilos, realizando a leitura. Perímetro Abdominal (PA): É a medida da circunferência do abdômen, sendo verificada com fita métrica, variando em torno de 35cm. O RN deve estar em decúbito dorsal e sem roupa. O perímetro abdominal é medido passando-se a fita em torno do abdome, logo acima do umbigo. Realize a leitura. É importante ressaltar que o registro das medidas antropométricas no prontuário da criança deve ser realizado imediatamente após a verificação das mesmas. Caso não seja possível, registre após a realização de todos os cuidados antes de encaminhar o RN para a mãe. Higiene Corporal do Neonato: A primeira higiene visa a retirar o excesso de sangue ou outras sujidades, principalmente na região da cabeça, não sendo necessário retirar todo o vérnix caseoso, pois ele será absorvido pela pele espontaneamente. O banho de imersão (na banheira ou bacia) é aquele feito quando o RN se encontra em condições clínicas estáveis. Por ser o tipo de banho que será feito em casa, após a alta, deve-se encorajar a participação materna durante sua realização. A água deverá estar com a temperatura adequada (nem fria demais, nem muito quente) evitando assim resfriar ou queimar a criança. O RN deve ser colocado suavemente dentro da bacia de forma que fique sentado e apoiado pelo profissional, que deverá segurá-lo com uma das mãos pela região cervical. Os canais auditivos podem ser protegidos com os dedos polegar e anelar da mão utilizada para segurar o bebê pela região cervical. ENFERMAGEM MÓDULO 4 65 Nos dias mais frios, a limpeza da face e da cabeça pode ser feita com o bebê vestido. Deve-se secar bem a face e o couro cabeludo, o que previne a perda de calor pela região cefálica que é proporcionalmente grande em relação ao resto do corpo. Para evitar infecções urinárias e vaginais nos RNs do sexo feminino a limpeza da genitália deve ser realizada com movimentos descendentes do clitóris ao ânus, afastando-se os grandes lábios e limpando cada um dos lados. Nos do sexo masculino, essa limpeza é realizada com movimentos descendentes do pênis ao ânus, afastando, sem forçar, o prepúcio. Esse cuidado também evita assaduras. Observação - Caso o bebê evacue dentro da bacia do banho ou a água fique muito turva devido ao excesso de sujidades, o procedimento deverá ser interrompido a fim de que a água possa ser trocada. Enquanto isso, o bebê deve ser mantido envolvido em uma toalha ou pano seco, para evitar a perda de calor. Ao retirar o RN da água envolva-o na toalha, secando-o delicadamente sem friccionar, tendo o cuidado de secar bem as dobras cutâneas, orelhas, entre os dedos das mãos e dos pés e o couro cabeludo. Em seguida, realize o curativo do coto umbilical conforme cuidados específicos, coloque a fralda, vista a roupa do RN e penteie seus cabelos, colocando-o no berço ou entregando-o à sua mãe. O momento de realização do banho de imersão propicia a observação direta de todo o corpo do bebê. Sendo assim, ao registrar o procedimento deve-se também apontar toda e qualquer anormalidade observada. Curativo do Coto Umbilical: O curativo do coto umbilical é feito diariamente após o banho ou sempre que estiver molhado de urina ou sujo de fezes. Tem por objetivo promover a cicatrização, por meio da mumificação e evitar a contaminação local. É importante atentar a qualquer anormalidade, como presença de sangramento, secreção purulenta, hiperemia, edema e odor fétido. 5.2.3 Assistência de Enfermagem no Alojamento Conjunto O alojamento conjunto é o sistema hospitalar no qual o RN sadio permanece ao lado de sua mãe 24 horas por dia, desde o nascimento até a alta hospitalar. A adoção desse sistema proporciona vantagens para todos os envolvidos. Para a mãe, favorece a interação com o bebê, por permitir lhe que cuide de seu filho desde os primeiros momentos; facilita a lactação (formação, secreção e excreção do leite), favorecendo o processo de amamentação; proporciona um intercâmbio de informações entre as mães e a participação do pai no cuidado do filho; permite maior relacionamento com a equipe de saúde, oferecendo assim satisfação, tranquilidade e segurança. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 66 Para o RN, oferece satisfação de suas necessidades biológicas e emocionais, pois os cuidados são realizados de forma mais imediata; possibilita que seja alimentado quando desejar e existe menor risco de que adquira infecção hospitalar, uma vez que sua permanência no berçário o expõe a tal. Inicialmente, todas as mães podem ir para o alojamento conjunto, com exceção daquelas cujas condições de saúde não permitam cuidar de seus filhos. A mãe deve participar ativamente dos cuidados de seu filho, porém cabe à equipe de enfermagem estar atenta a algumas observações: coloração da pele, frequência e aspecto das eliminações, aspecto do coto umbilical, capacidade de sucção, sinais vitais e qualquer alteração de seu estado geral. Além disso, deve ajudar a mãe em suas necessidades básicas como: higiene corporal, cuidados com as mamas, alimentação, sono e repouso. No sistema de alojamento conjunto é importante estar aberto para ouvir a mãe sobre suas preocupações, ansiedades ou medos, pois o fato de retornar para casa com um bebê pode deixá-la insegura e preocupada. 5.2.4 Assistência de Enfermagem no Método Canguru e no RN Patológico O método canguru é um tipo de assistência neonatal que implica em contato pele a pele precoce, entre mãe ou pai e o RN prematuro ou de baixo peso, de forma provisória, pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo dessa forma uma participação maior dos pais nos cuidados a seu filho. Possui como vantagens o favorecimento do controle térmico; o aumento do vínculo entre pais e filhos; a diminuição do tempo de separação da tríade, evitando longos períodos sem estimulação sensorial e a diminuição da possibilidade de infecção hospitalar. Mas como é que o bebê fica na posição canguru? O bebê fica semidespido (apenas com fralda) em decúbito ventral vertical sobre o tórax da mãe, entre seus seios, ou sobre o peito do pai, em contato direto com a pele. A cabeça deve estar sempre mais alta em relação ao resto do corpo, seja para alimentar, trocar fraldas ou qualquer outra atividade. Para segurá-lo deve ser utilizada uma faixa de tecido envolvendo mãe ou pai e a criança. O método canguru pode e deve ser iniciado o mais precocemente possível, a partir do momento em que o RN e a mãe tenham condições de participar. Dessa forma muitas vezes começa a ser aplicado na própria unidade de tratamento intensivo ou na unidade intermediária neonatal, constituindo a primeira etapa do método. Durante essa primeira etapa, o RN pode ser colocado em posição canguru mesmo em dieta zero ou utilizando sonda gástrica, com o objetivo de favorecer a aproximação entre mãe e filho e/ou apenas diminuir a perda de calor. Ambos começam a se adaptar ao método, sendo necessária a permanência mínima de 1 hora ENFERMAGEM MÓDULO 4 67 diária, sem interrupções. Assim que a criança possa deixar a unidade neonatal, o método passa a ser aplicado na enfermaria canguru, onde o bebê permanece 24 horas junto da mãe. A permanência na enfermaria caracteriza a segunda etapa do método.Na adaptação, mãe e filho devem ser acompanhados pela equipe de saúde, para detectar qualquer distúrbio que possa prejudicar a aplicação do método. Há também necessidade de maior estímulo à lactação através de ordenha manual, caso o bebê ainda não esteja sugando plenamente o seio materno. Para que mãe e filho participem dessa etapa alguns aspectos são fundamentais: ▪ Aspectos relacionados à mãe: ser participante e ter disponibilidade de tempo para o método; estar compromissada em aplicá-lo sem interrupções; ser capaz de reconhecer situações de risco do RN (mudança de coloração da pele, pausas respiratórias, regurgitações e diminuição de movimento); não ser portadora de limitações físicas ou de patologias que interfiram no cuidado com o bebê; ▪ Aspectos relacionados ao bebê: peso corporal mínimo de 1250g; não ser portador de patologia que contraindique o uso do método; ter ganho de peso sucessivo sem alimentar-se com sonda e/ou leite artificial; ter capacidade para sugar o seio materno ou para utilizar a técnica do copinho com coordenação entre sucção e deglutição. Cuidados Importantes na Enfermaria Canguru: No caso de incapacidade da mãe ou de qualquer indisponibilidade (como, por exemplo, tomar banho ou ordenha), outra pessoa poderá substituí-la, desde que sejam seguidas as condutas higiênicas básicas. Em relação ao vestuário, a mãe deve, respeitando-se sempre seus costumes culturais, colocar roupas íntimas de algodão e usar vestimentas largas (para poder acariciar facilmente a criança e manter um controle de observação). Recomenda-se não usar lã, colares, perfumes ou sutiãs de renda. Todas as roupas, tanto da mãe quanto da criança, devem ser lavadas com sabão neutro (hipoalergênico). A mãe também deve evitar, na sua toalete pessoal, qualquer produto “agressivo” como perfumes e cremes. Em relação à higiene do bebê é necessário ter cuidado para que ele não perca temperatura. A criança não deve ser despida completamente para a realização da higiene. A cada troca de fralda, é necessário limpar as regiões genital, perianal e glútea com água morna, tendo o cuidado de enxugá-las bem para não deixar qualquer vestígio de umidade. Manter a cabeça da criança elevada, apoiada numa almofada, evitando-se pressionar a região abdominal com a elevação dos membros inferiores, prevenindo assim o risco de regurgitação por pressão gástrica. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 68 Quanto à alimentação, o aleitamento materno deve ser sempre recomendado e privilegiado. Durante esse período, a mãe deve ser orientada e treinada sobre a ordenha do seu leite. Não é indicado nenhum tipo de prótese, bico ou bombas de tirar leite. A mãe deverá receber orientações adequadas, apoio, estímulo e ter reforçada sua autoconfiança quanto à capacidade de amamentar. No caso de uma impossibilidade qualquer (morte materna, rejeição) o aleitamento materno será substituído ou complementado por leite maternizado adaptado às crianças de baixo peso de nascimento ou por leite humano ordenhado pasteurizado distribuído pelo banco de leite. A noite, a pessoa que carrega a criança deve dormir em posição semissentada, apoiada em travesseiro ou almofadas, a fim de mantê-la sempre em posição vertical. A criança permanece preferencialmente 24 horas nessa posição. Quanto à duração, é a criança que determina o tempo de permanência na posição canguru. De maneira natural, chega o momento em que ela deseja deixar essa posição, porque já está pronta para regular sua temperatura. Começa a se sentir desconfortável, chora e procura tirar seus pés e mãos. No que diz respeito ao RN patológico, o nascimento prematuro é responsável por mais de 50% da mortalidade e da morbidade entre os RNs. Quanto menor a IG e o peso ao nascimento, maior o risco de morte e de aparecimento de complicações. Assim sendo, a sobrevida dos prematuros com peso de nascimento entre 1250 e 1500 gramas é de 90%. Para os que nascem com peso entre 750 e 1000 gramas, a taxa de sobrevida é de aproximadamente 60%. A possibilidade de sobrevivência dos bebês extremamente prematuros — peso ao nascimento menor que 750 gramas e IG de 25 semanas — é bastante reduzida, estando por volta de 20%. O nascimento de um bebê prematuro pode estar associado às seguintes condições maternas: desnutrição materna e ausência de assistência pré-natal relacionadas à baixa condição socioeconômica; ▪ Idade materna (menor de 16 anos ou maior de 35 anos); ▪ Patologias da gestação: doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG), ▪ Placenta prévia, excesso de líquido amniótico, malformações, traumatismos uterinos e infecção do líquido amniótico; ▪ Gestações múltiplas e gestações consecutivas com intervalo reduzido entre os partos. Em função do nascimento prematuro, os órgãos e sistemas dos bebês não se encontram ainda completamente desenvolvidos, acarretando com isso vários problemas que requerem cuidados e atenção especializada. Os prematuros são também mais vulneráveis à ação dos microrganismos, principalmente daqueles ENFERMAGEM MÓDULO 4 69 presentes no ambiente hospitalar. Sendo assim, é muito importante o emprego das medidas de prevenção e controle de infecções hospitalares. 5.2.5 Nutrição dos Prematuros Após o nascimento, a principal fonte de energia e nutrientes para o RN é o leite materno por meio da amamentação. Porém, alguns bebês podem estar impossibilitados de sugar o seio materno por motivos relacionados a seu estado de saúde e/ou relacionados a sua mãe. A nutrição de bebês prematuros constitui-se em um dos grandes desafios no campo da neonatologia. Essas crianças precisam de um suporte nutricional que possibilite um crescimento e desenvolvimento de todos os seus órgãos e sistemas, semelhante ao que ocorreria intrauterinamente. Durante o último trimestre de gestação há um acentuado crescimento e desenvolvimento corporal e cerebral, além do armazenamento de gordura, cálcio e vitaminas. O ganho de peso ideal para essas crianças gira em torno de 15 gramas por dia. Os prematuros apresentam dificuldades diversas para serem alimentados, relacionadas à instabilidade clínica, imaturidade do trato gastrintestinal (dificultando a absorção e digestão adequada dos nutrientes) e deficiência de reflexos. Embora o reflexo de sucção esteja presente a partir da 27ª – 28ª semana de gestação, a coordenação entre sucção, deglutição e respiração, fundamental para que o bebê receba alimentos por via oral, é observada somente entre a 32ª e a 34ª semana de gestação. As contraindicações à amamentação relacionadas à mãe são: uso de alguma medicação específica e/ou presença de alguma patologia. Nesses casos, se não houver um banco de leite que realize a pasteurização do leite materno, é indicado o uso de fórmulas lácteas artificiais apropriadas para RN. Na ausência de contraindicação, deve ser realizada a ordenha manual do leite humano, que será oferecido de acordo com a técnica indicada para cada RN – através do copinho ou sonda gástrica. Alimentação por Copinho Os bicos artificiais das mamadeiras, por melhor que sejam, costumam provocar uma sucção inadequada, na qual há interferência no posicionamento da língua, no fechamento da boca — que fica parcialmente aberta — e na respiração do RN. O RN não deve ser alimentado através de mamadeiras porque neste caso o esforço para sugar é pequeno já que o leite sai quase que sozinho. No seio materno é necessário fazer a ordenha do leite com a própria língua, exigindo um esforço maior. Se introduzido mamadeira logo de início, ao se tentar amamentá-lo ao seio, MÓDULO 4 ENFERMAGEM 70 ele poderá ter dificuldade de fazer a “pega” do mamilo, pois tentará sugá-lo como se fosse um bico artificial. Essa dificuldade é conhecida como “confusão de bicos”. Tudo isso pode levar ao desmame precoce, o que prejudica o desenvolvimento do bebê. Para evitá-lo é indicado o uso de “copinhos”pois com eles o bebê toma (sorve) o leite, não interferindo no processo de sucção do seio materno. Tal forma de alimentação constitui um método artificial seguro para os seguintes casos: RNs prematuros e/ou de baixo peso, até que tenham maturidade ou peso suficiente para serem alimentados ao seio materno; RNs GIG, PIG ou prematuros com risco de desenvolver hipoglicemia, que necessitem iniciar precocemente a dieta e cujas mães se encontrem impossibilitadas temporariamente de amamentar. Os pais devem ser orientados sobre os objetivos do método e sua importância, assim como estimulados a praticá-lo. É o momento propício também para as orientações sobre a importância do aleitamento materno, para a retirada de dúvidas e fornecimento de outras informações que estimulem a mãe a amamentar e a família a apoiar essa decisão. O tipo de copinho ideal é o descartável, pequeno, flexível e sem bordas que possam machucar o RN. Por ser de uso individual, é mais higiênico do que as mamadeiras. Além do copinho, são necessários gaze ou babador e o recipiente com a dieta prescrita. A fim de evitar falhas na administração, deve-se conferir o tipo e o volume da dieta prescrita com o rótulo do recipiente enviado pelo serviço de nutrição ou, então, o volume do leite ordenhado pela mãe. Jamais deve ser oferecido ao RN leite humano de outra mãe que não tenha sido pasteurizado previamente. O risco de contaminação é muito grande, principalmente se a mãe doadora for portadora do vírus da AIDS. A alimentação através do copinho é realizada quando a coordenação entre sucção, deglutição e o reflexo de engasgo, estiverem presentes. Antes de iniciar a alimentação é importante também verificar se a temperatura do leite está próxima da temperatura ambiente para não provocar desconforto e/ou queimaduras. O RN deve ser colocado no colo, em posição de semifowler, com o rosto e o corpo voltados para o profissional ou para a mãe. A gaze ou babador devem ser mantidos abaixo do queixo do bebê, evitando assim o desconforto causado pelo extravasamento do leite sobre a roupa. Após o enchimento do copinho com leite — entre a metade e o limite máximo — deve-se aproximá-lo dos lábios do bebê de forma que o leite apenas toque o lábio superior. Deixe então o bebê ir lambendo e sorvendo o leite, respeitando seu ritmo e as pausas para deglutição. Ao sorver o leite do copinho o bebê deglute muito ar. Ao término da dieta, a manutenção do bebê em pé no colo facilita a eructação e evita a ENFERMAGEM MÓDULO 4 71 ocorrência de regurgitação. Para facilitar a digestão, ao colocar o bebê no berço, opte pelas posições de decúbito ventral ou lateral direito. O registro do procedimento no prontuário do bebê envolve, além do tipo e volume de leite, observações quanto à aceitação e presença de episódios de regurgitação e/ou vômito. Alimentação por Sonda: A sondagem gástrica em RN tem por objetivos principais: administrar alimentação e medicamentos quando eles estiverem impossibilitados de sugar e/ou deglutir; esvaziar parcial ou totalmente o conteúdo gástrico a fim de evitar e/ou diminuir a distensão abdominal provocada por deglutição de ar, excesso de bile e/ou má digestão alimentar. A técnica e o material necessário para a sondagem nasogástrica no RN são semelhantes aos usados no adulto, modificando somente o calibre da sonda. O número da sonda a ser utilizada deve ser escolhido de acordo com a indicação para a sondagem gástrica e com o peso e IG do RN. Se a sonda for utilizada para alimentação, deve ser escolhida a de menor tamanho (4 ou 6), sendo o menor número para bebês prematuros. Dessa forma, evita-se que a gavagem seja realizada muito rapidamente, oferecendo risco de broncoaspiração. Se a sonda for utilizada para drenagem gástrica, deve ser escolhida a de maior número (8 ou 10), sendo que, dessa vez, o critério de escolha se baseia principalmente no aspecto, quantidade e viscosidade da secreção drenada. Quanto mais espessa for a secreção, maior deve ser o calibre da sonda, não se devendo ultrapassar a de número 10. Observação - Em RN, a sonda deve ser introduzida preferencialmente pela boca para não dificultar a respiração do bebê (lembrem- se, o RN respira apenas pelo nariz). Contudo, alguns serviços de neonatologia preferem a sondagem nasogástrica, principalmente quando querem tentar a alimentação por outros métodos sem retirar a sonda. A sonda poderá ser trocada com uma frequência de até três dias, a fim de evitar o manuseio excessivo e desconfortável para o RN. Porém, é necessário que a higiene oral seja feita com mais rigor para evitar e/ou remover a formação de crostas labiais, mais comum em crianças com sonda orogástrica. Caso a sonda saia acidentalmente, deve ser trocada, evitando-se sua reutilização. Quanto ao esparadrapo antialérgico usado para fixação, o mesmo deve ser trocado apenas quando estiver soltando da pele do RN, a fim de evitar lesões. Alimentação por Gavagem Intermitente: Assim é chamada a administração de leite humano ordenhado ou de fórmula láctea artificial, por meio de sonda, em intervalos regulares (de 2 ou 3 horas). É utilizada no caso de bebês que necessitam ser alimentados de forma segura, com um MÓDULO 4 ENFERMAGEM 72 mínimo de gasto energético, evitando esforço e perda de peso. Esses RNs geralmente apresentam algum problema que contraindica a administração da dieta por sucção, como por exemplo: imaturidade gastrintestinal; ausência ou incoordenação dos reflexos de sucção e deglutição; em uso de ventilação mecânica (respirador); prematuros e/ou PIG para os quais a alimentação por sucção representa esforço demasiado, acarretando perda de peso. Para a realização de gavagem nos RNs devem ser seguidos os mesmos princípios empregados na administração de alimentação em adultos, respeitando-se o que é específico de RN. A temperatura do leite tem que estar próxima à temperatura corporal, evitando-se assim desconforto para o bebê e prevenindo acidentes por queimadura. Aspire o resíduo gástrico conforme cuidados específicos, avaliando se o leite da dieta anterior foi digerido e também o posicionamento da sonda orogástrica. A fim de facilitar a digestão, mantenha o RN, durante a alimentação por gavagem, nas posições de semi-fowler ou de decúbito lateral direito, pois se diminui, assim, o risco de broncoaspiração caso ocorram episódios de regurgitação e/ou vômito. Ofereça a alimentação lentamente, mantendo sempre a seringa elevada. Para os bebês esse cuidado é fundamental pois evita que haja uma pressão elevada no estômago que pode provocar distensão abdominal, regurgitação, vômito e broncoaspiração. Interrompa a administração da dieta sempre que o RN estiver nauseado ou vomitando. Sua cabeça deve ser lateralizada e a sonda aberta para drenar o volume da dieta já administrada. As seringas utilizadas para medir o resíduo gástrico e ofertar o leite devem ser substituídas preferencialmente a cada horário da dieta para evitar a contaminação do material. Apenas a seringa com água destilada pode ser substituída a cada 12 horas. Aspiração e Avaliação de resíduo gástrico em RN: Resíduo gástrico é o excesso de líquido ou secreção que permanece no estômago após a alimentação ou até mesmo em dieta zero. O volume e o aspecto do resíduo gástrico determinam se há ou não tolerância aos alimentos e a capacidade de digeri-los. Também pode indicar se há algum problema na secreção de bile e/ou ácido do estômago. Em RNs que estão sendo alimentados, o aspecto do resíduo gástrico deve ser correspondente a leite não digerido (branco sem grumos) ou leite digerido (branco ou amarelado com grumos). O aspecto normal do resíduo em RN que está sem se alimentar deve ser “salivar”. A aspiração e a avaliação do resíduo gástrico devem ser sempre realizadas antes de cada dieta por gavagem intermitente e ou também quando há necessidade deENFERMAGEM MÓDULO 4 73 saber sobre a possibilidade de se iniciar a dieta para os bebês que estejam sem se alimentar. Após a adaptação da seringa à extremidade da sonda, o conteúdo gástrico deve ser aspirado suavemente. Se houver muita resistência não insista. Evite movimentos rápidos e bruscos para prevenir ocorrência de traumatismo. A seringa deve ser desconectada quando não houver mais saída de secreção ou quando for completada sua capacidade. O aspecto e volume do aspirado gástrico são avaliados de acordo com os seguintes critérios: ▪ No caso de RN em alimentação, se a quantidade de resíduo gástrico estiver entre 10 e 20% do volume total da dieta anteriormente administrada, ele deve ser devolvido, descontando-se esse valor da quantidade total da dieta a ser administrada. Exemplo - volume total de dieta administrada previamente = 10 ml volume do resíduo gástrico = 1 ml (10%) volume devolvido = 1 ml volume total de dieta administrado com desconto = 9 ml ▪ Se a quantidade de resíduo gástrico for superior a 20% do volume total administrado anteriormente, deve-se suspender a dieta e observar a presença de distensão abdominal, certificando se quanto ao funcionamento intestinal, fazendo todos os registros em prontuário. Nesse caso, é necessário solicitar avaliação médica. ▪ Se a quantidade de resíduo gástrico for inferior a 10% da dieta anteriormente administrada, o mesmo deve ser devolvido e não há necessidade de descontar do volume total da dieta a ser administrada pois a diferença é insignificante. ▪ Caso o resíduo gástrico esteja esverdeado (bilioso), sanguinolento ou acastanhado, mesmo em volume pequeno inferior a 20% da dieta, esta deve ser suspensa, o fato registrado no prontuário e solicitada avaliação médica. No caso de RN em dieta zero, com sonda orogástrica em sifonagem, o resíduo gástrico também deve ser medido a cada 3 horas, observando-se seu aspecto em comparação com o volume drenado, se houver. Na drenagem gástrica, a sonda deve estar adaptada a um coletor que deve ficar abaixo do nível da criança, para permitir a drenagem. 5.2.6 Controle Térmico Nos prematuros os processos físicos que ocasionam a perda de calor para o ambiente externo são acentuados em função de: sua pele fina e a quantidade reduzida MÓDULO 4 ENFERMAGEM 74 de tecido subcutâneo. Além disso, eles têm menor flexão permanecendo com os membros em extensão, expondo assim, quase a totalidade da sua superfície corporal à temperatura do ambiente. Por isso é preciso implementar medidas que favoreçam a estabilidade da temperatura nos RNs prematuros. Deve-se mantê-los sempre aquecidos, através do uso de incubadoras, berços de calor radiante ou contato pele a pele. Quando forem utilizadas as incubadoras, os cuidados devem ser realizados de preferência através das portinholas. Manter as incubadoras e berços aquecidos afastados de janelas, correntes de ar e ar condicionado também contribui para a estabilidade da temperatura dos bebês. Quando houver necessidade de administrar oxigênio, use umidificador e aquecedor. Deve-se aquecer o estetoscópio antes de colocá-lo em contato com o bebê e forrar a balança com lençol ou folha de papel toalha. Trocar as fraldas com frequência e os lençóis sempre que estiverem molhados com urina ou secreções são algumas medidas a serem adotadas. Assim que o quadro clínico permitir, mantenha o RN prematuro vestido. 5.2.7 Recém-nascido Filho de Mãe Diabética A gestante diabética é considerada gestante de alto risco devido às complicações fetais, neonatais e de parto que podem surgir. Quanto maior a gravidade do diabetes materno, maior o risco para o bebê. As complicações do RN de mãe diabética incluem: ▪ Hipoglicemia - Durante a gestação, o feto produz insulina em resposta às altas concentrações de glicose materna. Ao nascimento, mesmo à termo e alimentado, ocorre a hipoglicemia devido à alta concentração de insulina no sangue. A sintomatologia costuma ser inespecífica, pois são comuns a outras patologias também. É principalmente caracterizada por: tremores, abalos e/ou convulsões (nos casos mais graves); apatia, letargia, hipotonia muscular; apneia, cianose, parada cardiorrespiratória (nos casos mais graves sem assistência imediata); irritabilidade e choro anormal (estridente); sonolência (apatia) e recusa alimentar. ▪ Hipocalcemia - Consiste na diminuição da concentração de cálcio no organismo. Os filhos de mães diabéticas por apresentarem um atraso na produção do hormônio paratireoidiano - que é responsável pelo aumento do cálcio no sangue - podem desenvolver a hipocalcemia ao nascimento. Alguns casos são assintomáticos. Quando presente, a sintomatologia também é inespecífica e semelhante ao de outras patologias, caracterizando-se por: tremores e abalos; irritabilidade reflexa (reações bruscas e involuntárias a pequenos estímulos); hipertonia e convulsões (nos casos mais graves). ▪ Anomalias congênitas - Estão relacionadas a alterações vasculares maternas e ao tempo e grau de dependência insulínica. As principais ENFERMAGEM MÓDULO 4 75 anomalias que acometem esses bebês são malformações cardíacas, deformidades do sistema nervoso central (SNC) e osteomusculares. ▪ Macrossomia fetal - grande parte dos filhos de mães diabéticas nasce com peso acima do esperado, sendo classificados como GIG. Esse ganho de peso se inicia na gestação normalmente a partir do 3o mês, devido ao hiperinsulinismo fetal, ou seja, produção excessiva de insulina pelo feto em resposta aos altos índices de glicose na corrente sanguínea da mãe, o que acaba acarretando um aumento da produção e deposição de gordura pelo feto. O ideal é a prevenção que consiste no controle do diabetes materno durante a gestação por equipe especializada que inclui o endocrinologista e/ou obstetra. A assistência pré-natal precoce diminui o risco para o bebê, prevenindo dessa forma possíveis sequelas no seu desenvolvimento. Em relação ao RN, o tratamento consiste em monitorar as situações de risco e complicações, com cuidado específico para cada uma delas. 5.2.8 Recém-nascido com Hiperbilirrubinemia A hiperbilirrubinemia é a elevação anormal de bilirrubina no sangue, causada principalmente pela destruição excessiva das hemácias. O acúmulo de bilirrubina na corrente sanguínea provoca a icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e das mucosas. Pode ser fisiológica ou patológica. A fisiológica ocorre após 48 horas de vida, podendo perdurar até o 3º dia e desaparecer no fim da 1ª semana. A patológica normalmente aparece nas primeiras 24 horas após o nascimento. A preocupação com a hiperbilirrubinemia no bebê deve-se ao fato de a bilirrubina, quando em níveis elevados na corrente sanguínea, ser tóxica para o organismo, podendo provocar lesões no sistema nervoso central. O tratamento da icterícia faz-se por meio da fototerapia e da exsanguineotransfusão. A fototerapia consiste na aplicação de uma luz na pele exposta do RN com o objetivo de transformar a bilirrubina em substância não tóxica ao sistema nervoso e aumentar sua excreção pelo intestino. As lâmpadas utilizadas no aparelho de fototerapia são do tipo fluorescente ou dicróica-halógena. Alguns cuidados devem ser tomados pelo profissional de saúde ao manusear o aparelho e o RN durante o tratamento. ▪ Manter o aparelho em local ventilado, evitando superaquecimento; ▪ Colocar, nas laterais desses aparelhos, panos brancos até a altura do berço, aumentando, assim, a eficácia da fototerapia pela reflexão; ▪ Se os RNs forem colocados sob os aparelhos tipo spot, estes deverão MÓDULO 4 ENFERMAGEM 76 cobrir a maior superfície corporal possível do bebê; ▪ Antes de colocar o RN sob fototerapia é necessário retirar toda a roupa, permitindo que a superfície corpórea fique exposta à luz, não devendo ser usado óleo ou hidratante, já que seu uso favorece queimaduras.A fim de prevenir lesão de retina, deve-se colocar em seus olhos uma máscara de cor escura tendo o cuidado de manter suas pálpebras fechadas; ▪ Ao posicionar o RN sob o aparelho, deve-se guardar uma distância de aproximadamente 45 a 50 cm da fonte de luz, mudando- o de posição a cada duas horas; ▪ Durante a fototerapia deve-se: atentar para o estado de hidratação do RN, verificando o turgor de sua pele e a umidade da mucosa; observar as condições da pele, tais como: cor, presença de erupções e queimaduras; oferecer líquidos por via oral com frequência e controlar a velocidade de infusão venosa; fazer o controle diário do peso; observar as características das eliminações vesicais e intestinais (cor, consistência, frequência e volume), acompanhando e avaliando a ação do tratamento; ▪ Deve-se verificar a temperatura do recém–nascido a cada 4 horas, pois a fototerapia pode provocar alterações da temperatura corporal; ▪ Caso seja necessário colher amostras de sangue para a dosagem de bilirrubina, desligue o aparelho e proteja o frasco que receberá a amostra com papel escuro, evitando falsos resultados do exame. A exsanguineotransfusão consiste na tentativa da substituição do sangue do RN por outro, normalmente pelo coto umbilical, utilizando técnica asséptica. Seu objetivo é protegê-lo dos efeitos tóxicos da hiperbilirrubinemia prevenindo lesões no sistema nervoso central, que geralmente acontece com RNs acometidos por doenças hemolíticas. Esse procedimento é realizado pela equipe médica com o auxílio da equipe de enfermagem, preferencialmente no centro cirúrgico. 5.2.9 Aleitamento Materno É a forma natural de alimentar o RN. Requer atenção por parte dos profissionais de saúde, já que os índices de desmame precoce no Brasil ainda são bastante elevados. A criança deve ser alimentada exclusivamente ao seio materno até os 6 meses de idade. Nesse período não é necessário nenhum tipo de complementação, nem mesmo água. O leite materno é um alimento completo que atende a todas as necessidades do organismo da criança e a protege contra infecções. Entretanto, para algumas mulheres, amamentar é muito difícil. É importante deixar claro que o sucesso da amamentação depende da decisão da mulher, e pode ser ENFERMAGEM MÓDULO 4 77 facilitado por um trabalho de acompanhamento e envolvimento de toda a equipe, voltado principalmente para o apoio, a orientação e o incentivo ao aleitamento materno. A apojadura (descida do leite) normalmente ocorre entre o 2º e o 5º dias após o nascimento do bebê e toda mãe deve ser orientada sobre a necessidade de se ordenhar o leite para auxiliar no esvaziamento da mama. Esse procedimento visa a diminuir o desconforto do ingurgitamento mamário e o risco de aparecimento de mastite. O ideal é que na hora de cada mamada, a mãe procure um local tranquilo e confortável para ela e o bebê, evitando o aglomerado de pessoas próximas, muito barulho, luminosidade excessiva, fatores que possam atrapalhar os dois num momento tão importante. Ao colocar o bebê para sugar o seio materno, alguns aspectos devem ser observados de forma a facilitar e favorecer a amamentação, principalmente a primeira, como por exemplo: ▪ A mãe deve estar preferencialmente sentada em cadeira ou poltrona com apoio para as costas. Caso seja impossível, poderá ficar deitada com o bebê deitado ao seu lado e de frente para ela “barriga com barriga”. ▪ É importante frisar que o bebê é que deve ser levado ao seio e não a mãe se inclinar para frente para levar o seio ao filho. Dessa forma ela ficará desconfortável e logo desejará interromper a mamada para descansar as costas. ▪ O bebê deve abocanhar toda a aréola e não apenas o mamilo. A boca deve ficar totalmente aberta com os lábios (superior e inferior) voltados para fora. Seu queixo deve tocar o seio materno. Assim, assegura-se um adequado esvaziamento dos seios lactíferos, onde se armazena o leite. ▪ A sucção deve ser lenta e profunda com pausas coordenadas para a respiração entre as mamadas. O processo é sugar, deglutir e respirar. Se o bebê não pegar corretamente o seio materno ou se a mãe sentir muitas dores no mamilo, a sucção deve ser interrompida, para logo após ser reiniciada. ▪ Caso o bebê aceite, a mãe deve sempre oferecer um seio e depois o outro sem limite de tempo. Assim fazendo, previne-se o ingurgitamento mamário e o aparecimento de rachaduras ou fissuras. Na mamada seguinte, deve ser oferecida a mama sugada por último de forma a garantir o completo esvaziamento dos seios lactíferos. Não devem ser estipulados horários para as mamadas. O RN deve sugar o peito quantas vezes e por quanto tempo desejar. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 78 A mãe deve ser orientada para que deixe o bebê soltar o seio espontaneamente antes de oferecer o outro. Contudo, se, por algum motivo, ela necessitar interromper a mamada, pode fazê-lo colocando a ponta do dedo no canto da boca do bebê fazendo com que ele solte o seio sem machucar o mamilo. O tempo médio de duração de uma mamada costuma ser de 10 a 15 minutos. Porém, existem crianças que levam até 30 minutos sugando apenas um seio. É o caso principalmente dos prematuros que costumam ser mais vagarosos do que os RN a termo. As mães não precisam preocupar-se com isso, pois estudos já revelaram que o volume de leite sugado não é diferente em decorrência do tempo de sucção. Ao terminar a mamada, o bebê deve ser colocado para eructar (arrotar). A posição ideal é vertical com a cabeça apoiada sobre o ombro materno. Evita-se assim que o RN regurgite (golfada) e corra o risco de broncoaspirar o leite. Os motivos do desmame estão relacionados a fatores sociais, culturais e emocionais que podem ser amenizados com a orientação, apoio e acompanhamento às nutrizes e demais pessoas envolvidas tais como marido, sogra, vizinha entre outros. Uma nutriz bem orientada certamente estará envolvida, sensibilizada e fortalecida para o exigente ato de amamentar. 5.3 Enfermagem e a Assistência Integral a Saúde da Criança e do Adolescente Nas últimas décadas, a assistência à criança, no processo saúde-doença, tem sofrido modificações acentuadas, não se admitindo que os profissionais de saúde ignorem a importância do papel da mãe, da família e da comunidade, pois cuidar da criança envolve também cuidar de sua família, considerando suas necessidades nos diferentes aspectos. Esse novo modelo de assistência tem sido utilizado e divulgado pela enfermagem, no atendimento a toda e qualquer criança, bem como no trato do adolescente, desde aquele que necessita de atendimento sanitário básico até aquele que requer internação de pequena, média e alta complexidade (exames, tratamento especializado). A equipe de enfermagem, ao atender uma criança e sua mãe com algum agravo à saúde, quer seja na comunidade quer seja no hospital, deverá atentar não só para o que é referido sobre a doença atual, mas também investigar os motivos que possam tê-la levado ao quadro de morbidade. Assim, é necessário: ▪ Conhecer como se deu o crescimento e o desenvolvimento, desde o nascimento até a atualidade, e como podem ter sido afetados; ▪ Conhecer as condições do meio ambiente em que vive, atentando para as condições físicas, os recursos disponíveis para o sustento da família, a sua ENFERMAGEM MÓDULO 4 79 constituição, suas crenças, hábitos e valores; considerar os aspectos afetivos, culturais e sociais; ▪ Estabelecer uma relação de respeito e confiança com a família, de modo a favorecer a relação de ajuda; ▪ Identificar os problemas de saúde, oferecendo suporte para o atendimento às necessidades do cliente/família, possibilitando- lhes, quando possível, participar de maneira ativa do processo de recuperação da saúde. 5.3.1 A Criança e o Adolescente no Processo Saúde/Doença A atenção à saúde da criança e do adolescente no Brasil tem suas metas traçadaspelo Ministério da Saúde, a partir do conhecimento dos agravos que mais acometem esses grupos e dos fatores causadores de morte, principalmente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), feita em 1992 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 53% das crianças e adolescentes brasileiros integram famílias com renda mensal inferior a meio salário mínimo. Tal condição de miséria teve como consequências, nos anos posteriores: alta taxa de mortalidade infantil (64 óbitos para 1000 nascidos vivos); grande número de crianças com diarreia, desidratação, infecção respiratória (sendo esta a primeira causa de internação em crianças menores de 1 ano, e a pneumonia a principal causa de óbito), com deficiência nutricional (anemia, falta de vitamina A) e com doenças evitáveis com o uso de vacinas, como sarampo, coqueluche, difteria, tétano neonatal e acidental, hepatite B; aumento da gravidez na adolescência, levando ao nascimento de crianças com peso abaixo de 2500 gramas; grande número de morte materna por doenças no período pré-pacto, no parto e no puerpério. 5.3.2 A Hospitalização da Criança/Família De maneira geral, nos hospitais não era permitida a permanência das mães nas enfermarias junto ao filho internado por um período maior de tempo. Elas eram consideradas como um visitante qualquer, só podendo vê-los e estar com eles durante o horário de visita pré-determinado pela instituição. Exceção era feita quando a criança estava sendo amamentada no peito ou quando gravemente enferma. Entretanto, a equipe de enfermagem observou que, com a presença da mãe, era mais fácil cuidar, realizar os procedimentos e que, acima de tudo, a criança voltava mais cedo para casa. Essa constatação fez com que os profissionais se tornassem mais flexíveis à abertura de novas concessões, apesar da resistência de alguns que alegavam que o familiar incomodava porque não obedecia às regras, perguntava muito e acabava dando trabalho em dobro para a equipe. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 80 Na verdade, embora muitos ainda neguem, pesquisas feitas por psicólogos, enfermeiros e médicos têm constatado que a presença de um familiar/ acompanhante junto à criança/adolescente tem diminuído a incidência de traumas decorrentes dos procedimentos dolorosos, feitos pelos profissionais de saúde. No entanto, deve-se lembrar de que as reações da criança/adolescente à hospitalização podem ser variadas, dependendo da idade, do estágio de desenvolvimento emocional, do conhecimento sobre si mesmo e sobre a doença. Acredita-se que as crianças/adolescentes portadores de doenças agudas apresentam necessidades diferentes daquelas com doenças crônicas pois estas geram mudanças na rotina diária do doente e da família, interferindo principalmente nos aspectos emocionais. De maneira geral, a doença altera sua capacidade de expressar seu mundo interior e dificulta sua interação com o meio. Por isso, é natural que nas enfermarias de pediatria elas se recusem a falar com a equipe, a expressar seus medos e ansiedades. É indispensável que a equipe identifique essa problemática e procure tornar cada contato o menos traumático e agressivo possível. Deve-se tratar a criança e a família com carinho, com palavras de conforto, chamando-os pelo nome. Acima de tudo, cada procedimento a ser realizado deve ser lhes explicado, com uma linguagem acessível ao seu entendimento. A enfermagem realiza grande parte dos procedimentos indispensáveis à criança, como também tem maior possibilidade de estar a seu lado. Portanto, esse contato deve ser afetivo e efetivo, feito para amenizar o sofrimento, a dor da criança/adolescente, de modo a lhe restabelecer a saúde. Isso deve ser explicado ao cliente e deve constituir objetivo de toda a equipe. Toda ação deve ser realizada de maneira delicada, com tranquilidade e sem pressa. Se o profissional está tentando puncionar uma veia e não consegue fazê-lo até a terceira tentativa, se possível, deve passar a tarefa para outro membro da equipe. Se não houver ninguém, deve aguardar e tentar em outro momento, evitando-se, assim, aumentar o sofrimento da criança. Evite conter a criança no leito com ataduras ou qualquer outro tipo de material. Mesmo aquelas muito agitadas que ficam querendo retirar cateteres, sondas. Procure descobrir os reais motivos do que está acontecendo e discuta com outro profissional e a família o que pode ser feito para acalmá-la. Procure respeitar seus momentos de descanso. O sono e o repouso também são necessários para seu restabelecimento. Os adolescentes podem considerar a doença como castigo ou fraqueza do corpo, o que pode se manifestar pela falta de apetite, de sono e até mesmo por depressão. Alguns medicamentos podem também levar a esse quadro, como, por exemplo, os corticoides. O técnico de enfermagem deve estar sempre alerta ao seguinte: ENFERMAGEM MÓDULO 4 81 ▪ Surgimento de reações de sofrimento e de dor, mesmo que a criança não fale; esse quadro poderá ser identificado nas crianças muito caladas, que não interagem com os colegas da enfermaria, que recusam alimentação; ▪ Necessidade do respeito à criança/adolescente, explicando-lhe o que será feito, o que facilitará sua colaboração; ▪ Conveniência de possibilitar o apoio, o carinho e a presença da família, fortalecendo a confiança na equipe de saúde, favorecendo a recuperação, a alegria e a autoestima. O Direito de Brincar: Brincar é o modo natural de a criança expressar sentimentos e fazer descobertas na vida e sobre si mesma. Está comprovado que o ato de brincar tem várias funções, como a promoção do desenvolvimento da inteligência, da criatividade, da sensibilidade. Para os profissionais de saúde, a brincadeira é um importante aliado, pois brincando a criança estará liberando a tensão por estar em um ambiente diferente, para ela agressivo, reduzindo seus medos e auxiliando na compreensão e adaptação aos procedimentos. Nos dias atuais, algumas unidades que atendem crianças já possuem áreas de recreação, que contam com pessoal especializado. Sendo assim, a equipe de saúde e de enfermagem, em particular, deverá sempre que possível incentivar a criança a participar das atividades propostas pelo grupo de recreadoras. Caso não exista nada formalizado, poderá ser montado um local com material próprio para as diversas idades, que poderá ser arrecadado por meio de campanha de doação de brinquedos usados. Outro modo de reduzir o estresse da criança, principalmente nas internações, é proporcionar a ela o contato com alguns materiais que simulem o instrumental hospitalar. Por exemplo, deixar que brinque com seringas, estetoscópio, pinças, bem como que tenha acesso a materiais usados que possam ser transformados em novos brinquedos. 5.3.3 Aspectos do Crescimento e Desenvolvimento Acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança e do adolescente é dever do Estado e direito da população, o que tem sido recomendado pelas organizações mundiais como um compromisso universal a ser seguido por todos os países. Cumprindo tal determinação, desde 1984, o Ministério da Saúde determinou que fazê-lo constitui uma das cinco ações básicas da assistência à saúde da população infantil. Para esse segmento, devemos utilizar como instrumento o Cartão da Criança, que contém a curva de crescimento e a ficha de acompanhamento do desenvolvimento. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 82 Avaliar o crescimento e o desenvolvimento da criança/adolescente significa acompanhar seu amadurecimento biológico, psicológico, intelectual e moral. Esses fatores determinarão seu modo de viver e interagir com o ambiente e as pessoas. Crescimento é o aumento de tamanho e o desenvolvimento é a ocorrência de mudanças na maturidade psicomotora e emocional. No cartão da criança é necessário o registro mensal de seu peso, o que possibilitará a elaboração do gráfico da curva de crescimentocomo também a observação e o registro do desenvolvimento psicomotor. A partir desses dados, serão fornecidas orientações à família sempre que necessário. Infância: Esta fase compreende três estágios, a saber: a primeira infância (até os 2 anos de idade), a segunda infância ou fase pré-escolar (dos 2 aos 6 anos) e a terceira infância ou fase escolar (dos 6 anos até o início da puberdade). A primeira infância a - fase do lactente - é o período no qual a principal alimentação da criança é o leite, principalmente materno. Ela passa por modificações importantes durante seu desenvolvimento físico, e vai adquirindo habilidades, por exemplo: a partir de 3 meses já ri, observa o ambiente que a cerca; senta-se aos 6 meses; engatinha aos 9 meses e até um ano já estará andando sozinha. A família deve estar orientada para promover a estimulação da criança, com medidas simples, mas muito eficazes, como: conversando, emitindo sons diferentes, acariciando-a. Além disso, por ser uma fase de descobertas, a família também deve ter o máximo cuidado com acidentes a que a criança possa estar sujeita. Por isso, não se deve deixar a criança ter contato com peças pequenas ou substâncias nocivas que possa engolir, deve-se evitar quedas, queimaduras e sufocamento com plásticos. A partir dos dois anos a criança está em pleno desenvolvimento motor, começa a ficar independente e se interessar pelo outro, participando de brincadeiras, ouvindo histórias. Encontra-se em plena fase de curiosidade, querendo saber o que e o porquê das coisas a sua volta, já conhecendo um número maior de palavras. Reage muito à separação dos pais, mas suporta períodos curtos de ausência. À medida que os anos passam, a criança mostra-se ativa, independente, confiante e quer fazer tudo o que vem a sua cabeça, precisando haver, portanto, atenção redobrada da família que precisa impor-lhe limites. Ela está aprimorando suas habilidades musculares, bem como buscando conhecer e dominar coisas novas, em busca de sua independência. Também passa a ter preferências, escolhendo seu grupo. O indivíduo nessa fase está em processo de formação da personalidade e começando a conhecer valores como responsabilidade, compromisso, cooperação, moral. Puberdade e Adolescência: A adolescência caracteriza-se por alterações biológicas, psicológicas, sociais e ENFERMAGEM MÓDULO 4 83 culturais, e pode ter duração variada, dependendo do indivíduo. As modificações que ocorrem com o adolescente se dão em todos os órgãos e estruturas do corpo, devido à ação dos hormônios. Trata-se da fase chamada de puberdade, que termina quando para o crescimento dos ossos e conclui-se o amadurecimento das gônadas, quando o indivíduo já pode gerar filhos. Durante esse período os jovens estão em busca de identidade, formada através da interação do mundo interior com o exterior, o que poderá levá-lo ao sentimento de perda, devido à passagem da fase infantil para a adulta; à procura de autonomia, autoafirmação; evoluem sexualmente; reivindicam seu espaço na sociedade, tendendo a reunir-se em grupos afins; estão sujeitos a constantes mudanças de comportamento, por isso necessitam de diálogo e apoio. Para a avaliação do crescimento do adolescente, o Ministério da Saúde determina que se faça o acompanhamento da altura e da idade, através da curva de crescimento para o sexo feminino e masculino. A curva é adotada na forma de gráfico e cabe à equipe de saúde anotar os dados do cliente. Por meio dessa curva, também podemos ter informações sobre o estado nutricional nessa faixa etária, avaliando os dados a situá-los em relação a estados de desnutrição ou de obesidade, por exemplo. Ainda é importante avaliar o estirão de crescimento e alguns caracteres sexuais, como o crescimento das gônadas, a primeira menstruação (menarca), o desenvolvimento das mamas (telarca) e o aparecimento dos pelos pubianos (pubarca). Considera-se que o adolescente apresenta uma puberdade normal quando nas meninas há o surgimento do broto mamário e dos pelos pubianos entre os 8 e os 13 anos; já nos meninos, quando há o aumento do volume dos testículos e o aparecimento dos pelos pubianos entre os 9 e os 14 anos. Dentre os problemas encontrados na adolescência, pode-se falar da puberdade precoce, ou seja, quando os caracteres sexuais já citados surgem antes dos 8 anos de idade. Pode haver também a puberdade retardada, quando o adolescente ainda não apresenta os caracteres sexuais desenvolvidos após os 14 anos de idade. Quando há evidências de desenvolvimento físico anormal (baixa estatura, aquisição de massa muscular, demora ou precocidade no aparecimento dos caracteres sexuais), o profissional de saúde deve agendar as sessões de acompanhamento do adolescente a intervalos regulares não superiores a seis meses. Deve ser investigada a história familiar, a presença de patologias como desnutrição, parasitoses, doença crônica. Se houver necessidade, deve-se encaminhá-lo para serviços especializados de referência na região. Outro aspecto importante a ser observado na adolescência é o desenvolvimento psicológico. Todos nós sabemos ser esta fase um momento difícil na vida do indivíduo e de sua família. O adolescente começa a querer expressar opinião e pensamento próprios, o que muitas vezes, pode levar a brigas, revolta e inconformismo. Cabe à família proporcionar um convívio saudável, através do diálogo. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 84 Caso seja detectada alteração marcante no comportamento do adolescente (conduta agressiva, isolamento, desinteresse e consequente abandono da escola, desleixo pessoal, dificuldades no convívio familiar e no relacionamento interpessoal), o profissional de saúde deve encaminhá-lo para atendimento nos setores de saúde mental. O término da adolescência acontece de maneira distinta para cada indivíduo, por isso é difícil precisar a época. Alguns fatores como determinados sinais de maturidade, desenvolvimento sexual e a estrutura familiar são indicadores e determinantes nesse processo. Sexualidade: A sexualidade normalmente manifesta-se antes da adolescência, por meio da masturbação praticada por meninos e meninas. Na adolescência há uma evolução sexual, quando o conhecimento e o desenvolvimento do aparelho genital estimula a prática do sexo e leva à escolha de um parceiro. De início, de forma tímida e superficial, mas aos poucos progride no sentido de maior intensidade e busca de intimidade, tornando o adolescente sexualmente ativo. A educação sexual deve ser iniciada na família e na escola desde o ensino fundamental e reforçada nos períodos posteriores, principalmente na adolescência. Deve ser dada ênfase aos cuidados com a higiene do corpo e ao comportamento sexualmente responsável, com a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e com o uso de práticas contraceptivas, além de se abordar outros pontos, às vezes polêmicos, como masturbação, namoro, aborto, homo e heterossexualidade e atitude pornográfica. A iniciação sexual precoce tem sido motivo de preocupação da família e da área de saúde. Ocorre devido à falta de orientação segura por parte de todos os responsáveis pela educação do adolescente nos diferentes espaços. Tal procedimento tem ocasionado graves consequências tanto físicas quanto psíquicas para ele e tem levado, em número crescente de casos, à gravidez indesejada, à promiscuidade sexual e ao aborto. Cabe aos profissionais de saúde, no caso especialmente ao técnico de enfermagem, promover uma prática de saúde na comunidade (praticando educação para a saúde na visita domiciliar, em escolas, associações) e nas instituições, colaborando na mudança de hábitos prejudiciais à saúde, estimulando o autocuidado. O profissional de saúde como educador deve ser um facilitador, um ouvinte que leva em conta o saber do adolescente e adota uma postura compreensiva e crítica, buscando as soluções em conjuntocom os envolvidos. ENFERMAGEM MÓDULO 4 85 5.3.4 Gravidez na Adolescência A gravidez na adolescência é fator preocupante, correspondendo a 24,63% das internações obstétricas do Sistema Único de Saúde e tem havido ultimamente um aumento de incidência. As consequências da gravidez e da maternidade nesse período da vida são de ordem sanitária —biológica, psicológica— social e demográfica. As crises daí advindas implicam a necessidade de reestruturação e reajustamento. Esse fenômeno está presente nas diferentes classes sociais, porém tem maior incidência nas mais pobres. As reações da adolescente à gravid ez podem manifestar- se de diferentes maneiras, dependendo das experiências anteriores e da aceitação do novo papel - antes ser adolescente e agora ser adolescente gestante. Atualmente a gravidez na adolescência não é mais considerada como sendo biologicamente desvantajosa somente para o feto, mas também para a mãe, que, via de regra, necessita abandonar a escola, prover o seu sustento e ainda sofrer pressões emocionais por parte da família e da sociedade. É necessário frisar que a adolescente grávida está sujeita a riscos relativos à sua saúde e à do feto, tais como: trabalho de parto prematuro, recém-nascido com baixo peso para a idade gestacional, hipertensão m eterna, anemia por falta de ferro (ferropriva) e outros. O risco gestacional na adolescência não está relacionado apenas ao fator idade, mas à falta de condições adequadas para o acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a desinformação, a nutrição deficiente. Essa responsabilidade é das instituições governamentais, bem como dos profissionais de saúde. O cuidado profissional deve favorecer o conhecimento da adolescente gestante sobre as transformações por que ela vai passar, estimulando-a ao autocuidado e ao enfrentamento das dificuldades e conflitos, através da formação de grupos de discussão nos serviços de saúde e na comunidade, onde as adolescentes encontrem soluções para seus próprios problemas e dificuldades. Um diálogo franco e aberto é fundamental. Deve-se tentar reduzir as consequências psicossociais de uma gestação precoce e outros agravos aos filhos, à própria mulher e à família. Dentre essas consequências, podemos destacar o medo; a insegurança; a não - aceitação da gravidez pelos familiares; a rejeição à gravidez pela própria gestante; a responsabilidade com um novo ser. Um tratamento pré-natal de qualidade deve estar disponível durante todo processo até o período posterior ao nascimento do bebê, o que certamente resultará em situações tão favoráveis quanto nos casos de gravidez de mulheres de maior idade. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 86 Devem ser dadas orientações em relação aos cuidados com o corpo e a mente; informações sobre as transformações corporais; sexualidade; nutrição adequada; sono; repouso; cuidados com o recém-nascido. É preciso que a adolescente aceite a maternidade como um processo que pode ser saudável e conscientize-se do seu papel de mãe. Facilitar sua adaptação à nova situação, oferecendo-lhe suporte e recuperação da autoestima é indispensável. 5.4 A Atuação Governamental nas Diretrizes para a atenção à Saúde da Criança e do Adolescente Nos últimos anos, o governo brasileiro tem instituído leis e colocado em ação, por intermédio do Ministério da Saúde, vários programas de saúde para atender à população materno-infantil e aos adolescentes em nível nacional. O Estatuto da Criança e do Adolescente foi instituído pela Lei Federal nº 8.069 de 1990, em substituição ao Código de Menores e tem como finalidade a proteção, defesa e desenvolvimento da criança e do adolescente. Ele determina os seus direitos e o que se espera da família, considerada como primeira e principal cuidadora. A lei ressalta que esse grupo deve ter todos os direitos como todo ser humano, bem como oportunidades para seu desenvolvimento físico, mental, moral, social e espiritual. Cabe ao poder público, à sociedade e à comunidade dar prioridade ao atendimento dos direitos da criança e do adolescente, ou seja, o direito à vida, saúde, educação, alimentação, lazer e esporte, cultura, profissionalização, dignidade, respeito e poder conviver no seio da família. O Estatuto prevê como fiscalizadores desses direitos o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (atua nos níveis federal, estadual e municipal) e o Conselho Tutelar (atua nos municípios). Apesar disso, a realidade tem mostrado que a população infanto-juvenil está submetida a situações de risco, exploração do seu trabalho, violência, drogas e outros problemas. Tal situação nos obriga a constatar que a lei não tem sido cumprida no país, necessitando que todos os responsáveis se unam em prol da garantia de uma adequada qualidade de vida para esse grupo, principalmente dos oriundos das classes menos favorecidas, em situação de pobreza quase absoluta. 5.4.1 Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (Paisc) Este programa objetiva criar condições para o atendimento à saúde da criança de zero a cinco anos. A ênfase do programa é dada à atenção àquelas crianças consideradas como grupo de risco de adoecer e morrer, visando a reduzir essas condições através da melhoria da qualidade da assistência, tentando aumentar o número de crianças atendidas nos serviços de saúde pertencentes ao Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Materno-Infantil e em ENFERMAGEM MÓDULO 4 87 conjunto com outros órgãos nacionais e internacionais, tem avaliado periodicamente o cumprimento das Metas da Cúpula Mundial em Favor da Infância. Dentre essas metas, para o ano de 2000, foi estabelecida a redução da mortalidade infantil, principalmente dos menores de cinco anos, por doenças diarreicas e pelas infecções respiratórias agudas. Conforme dados da Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (1996), algumas ações têm contribuído para a redução das taxas de mortalidade, como o aumento do número de domicílios abastecidos com água, o Programa de Saúde Materno-Infantil, cuja atenção está voltada para o pré-natal, parto e puerpério e as campanhas de vacinação. Entretanto, constata-se que a redução se deu em partes das áreas urbanas. A área rural e outras também carentes de serviços de atenção primária (saúde, educação e saneamento) permanecem em condições ainda muito precárias. Nessas áreas a mortalidade infantil ainda é muito alta (207 para 1000 nascidos vivos), devido à falta de acompanhamento às mães no pré-natal e durante o parto. As condições nutricionais infantis também são precárias. Ainda podemos citar a existência de projetos em parceria com a sociedade civil, por exemplo, o Programa Comunidade Solidária. Esses projetos objetivam intensificar os programas já instituídos pelo governo federal. A luta contra a mortalidade infantil é uma das metas principais, a ênfase é dada às áreas mais pobres, por intermédio da articulação com outros setores como educação, agricultura, saneamento, segurança alimentar e meio ambiente. O Programa dos Agentes Comunitários de Saúde e a Pastoral da Criança têm contribuído para a divulgação da terapia de reidratação oral, utilizada com eficácia no combate à desidratação ocasionada por diarreias, o que mata muitas de nossas crianças. É necessário destacar o trabalho desenvolvido pela Pastoral da Criança em prol da qualidade de vida da criança brasileira. Esse serviço tem incentivado a alimentação enriquecida, fazendo com que mães e outras pessoas da comunidade aprendam como aproveitar alimentos que, em geral, são desperdiçados. São preparadas e servidas às crianças diagnosticadas como desnutridas, receitas variadas feitas com folhas de diversos tipos, sementes de casca de alimentos, casca de ovos e outras disponíveis na própria comunidade. Essa alimentação é conhecida comomultimistura e tem recuperado, com sucesso, crianças em estado de extrema desnutrição, por fornecer uma gama de orientações que auxiliam na redução dos índices de morbimortalidade infantil. As ações já colocadas em prática precisam ser intensificadas, mas, principalmente, é necessário e urgente melhorar as condições de vida da população brasileira, com oferta de emprego, distribuição de terra, saúde e educação, para que, MÓDULO 4 ENFERMAGEM 88 desse modo, as famílias possam prover seu sustento e exercer sua cidadania. Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (Aidpi): A taxa de mortalidade infantil nos países em desenvolvimento é um fator importante nas avaliações de qualidade de vida. No Brasil essa taxa varia conforme a região, oscilando entre quinze por mil, em alguns municípios das regiões Sul e Sudeste e mais de cem por mil em regiões do Nordeste. A maior parte das mortes na infância poderia ser evitada com medidas simples e eficazes, como a utilização do soro caseiro, práticas de higiene e vacinação. Mais de setenta por cento das mortes deve-se à pneumonia, diarreia, desnutrição, malária e doenças perinatais. Considerável declínio da taxa de mortalidade nos últimos anos deve-se às ações implementadas especificamente para a infância, tais como: estímulo ao aleitamento materno, aumento da cobertura vacinal, utilização de sais de reidratação oral, programas de controle das doenças diarreicas e respiratórias, suplementação alimentar e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento. Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Unicef elaboraram o AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância), a fim de alcançar as crianças doentes que chegam ao nível primário de atenção. Em vez de treinamentos específicos para cada doença, a estratégia AIDPI propõe um atendimento sistematizado envolvendo as doenças mais comuns até os cinco anos. Considerando as limitações de tempo e de recursos, o Aidpi indica uma abordagem completa que pretende avaliar, classificar e estabelecer normas para encaminhamentos e/ou tratamentos, incluindo ações educativas e de orientação à mãe/responsável. Essa estratégia pretende, também, intervir na organização dos serviços de saúde fazendo com que alcancem uma maior resolutividade. Entendendo que as doenças não são fenômenos isolados, mais que, ao contrário, se constituem em um processo com vários fatores interligados, a estratégia pretende alcançar, pelo menos, os fatores de ordem biológica e cultural, promovendo um impacto sobre a morbimortalidade infantil nos países do Terceiro Mundo. O AIDPI é adaptado, em cada país, às normas nacionais e às características epidemiológicas da população, atende às principais razões pelas quais se leva uma criança ao médico, assim como capacita o profissional que o utiliza a buscar as referências adequadas a cada caso. A estratégia não é definir diagnósticos específicos mas, por intermédio dos sinais e sintomas avaliados, definir o grau de risco em que se encontra a criança, estabelecendo a intervenção apropriada. Para que se alcancem as metas estabelecidas para o Aidpi é necessário que aconteçam treinamentos e divulgação, por meio dos demais programas ENFERMAGEM MÓDULO 4 89 governamentais, objetivando uma cobertura nacional. Programa de Atendimento aos Desnutridos e às Gestantes em Risco Nutricional Este programa está baseado no diagnóstico precoce do estado nutricional de gestantes e crianças entre seis e vinte três meses de idade. O diagnóstico é feito na comunidade, nos postos e centros de saúde e os dados são encaminhados para o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), que está sob a responsabilidade dos estados e municípios. Aquelas crianças que passaram por uma avaliação nutricional e foram consideradas em situação de risco recebem do governo uma suplementação alimentar com leite integral em pó ou leite pasteurizado e óleo de soja, periodicamente, bem como recebem tratamento e acompanhamento adequados. É fornecido à mãe um litro de leite ou 120 gramas de leite integral em pó por dia e uma lata de óleo de soja por mês. Todas as crianças que fazem parte do programa devem ser prioritariamente acompanhadas uma vez por mês e o peso anotado no Cartão da Criança, sendo necessária a busca ativa na ausência de comparecimento. Caso seja detectado que ela tenha carência de vitamina A ou de ferro, será providenciado o tratamento adequado, como também acompanhamento para prevenção e recuperação nutricional. Programa Saúde do Adolescente (Prosad) e Projeto Acolher: um compromisso da enfermagem como adolescente brasileiro A preocupação com a saúde dos adolescentes tem aumentado nos últimos anos, mais precisamente na última década, devido aos problemas encontrados nessa população, agravados pela situação social e econômica. A adolescência é considerada pelo Ministério da Saúde como a fase compreendida entre os 10 e os 19 anos. Durante esse período, ocorrem mudanças e transformações marcantes na vida do indivíduo, como já vimos. Esse grupo tem sido considerado de risco porque os jovens estão cada vez mais sujeitos a situações de privação, quais sejam: fome, desnutrição, analfabetismo; defrontam- se com a violência; sujeitam-se à prostituição e às drogas; vivem situações de desintegração familiar e social. Ao atender um adolescente nas unidades de saúde, os profissionais da área devem levar em consideração que ele poderá estar passando por alterações biológicas, psicológicas, sociais e culturais. Pensando em tais possibilidades, o Ministério da Saúde propõe como ação básica atender o adolescente de maneira integral, determinando como prioridade o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento. O Projeto Acolher, criado por uma parceria do Ministério da Saúde e da MÓDULO 4 ENFERMAGEM 90 Associação Brasileira de Enfermagem, tem como objetivo propor e desenvolver ações integradas que propiciem transformações no modo de pensar e de fazer enfermagem, renovando seu compromisso com a integralidade da assistência ao adolescente. Para tal, é necessário sensibilizar o corpo profissional e dar condições para que enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem atuem de maneira diferenciada na atenção à saúde do adolescente, planejando, implementando e avaliando as ações previstas no projeto. A equipe de enfermagem deve proporcionar ao adolescente a possibilidade de exercer um papel ativo na construção de sua vida pessoal e nas relações em seu contexto social, na busca de autonomia, exercício da cidadania e assunção da responsabilidade social. Devemos reconhecer a adolescência como um momento diferenciado da vida do indivíduo; assim, é preciso abandonar os preconceitos e julgamentos e manter com o jovem uma relação humanizada. Esse cuidado deve incluir sua família, pois é aí que ele estabelece vínculos que levam à construção da sua identidade e totalidade como ser humano. Programa Saúde da Família (PSF): Este programa consiste numa estratégia implantada pelo Ministério da Saúde, visando a reorganizar a atenção básica através da vigilância à saúde, de modo a proporcionar qualidade de vida à população necessitada. A meta proposta objetiva garantir e facilitar o acesso aos serviços oferecidos, nos diferentes níveis de atenção (primária, secundária e terciária). A atenção à criança/adolescente no PSF está voltada para as necessidades e cuidados durante as várias fases do crescimento e desenvolvimento (desde o recém- nascido, lactente, passando pelo pré-escolar, escolar até o adolescente), por meio de ações e intervenções direcionadas à criança/adolescente, a sua família e ao meio onde vive. Nas suas ações, as equipes de saúde do programa deverão priorizar os seguintes pontos: ▪ Prevenção dos fatores de risco inerentes a cada faixa etária, inclusive no que se refere ao meio em quea criança/adolescente está inserido, de modo a promover a prevenção das doenças que mais acometem a população, como diarreias, problemas respiratórios, dentre outros; ▪ Incentivo ao aleitamento materno e à nutrição adequada; ▪ Sensibilização da família sobre a importância das vacinas na qualidade de vida da criança. Em relação ao adolescente, os profissionais devem oferecer atenção e apoio não só quanto ao desenvolvimento emocional e afetivo, como também aos fatores de risco a que ele pode estar sujeito, como as doenças sexualmente transmissíveis, a ENFERMAGEM MÓDULO 4 91 gravidez indesejada e o uso de drogas. 5.5 Os Agravos à Saúde da Criança e do Adolescente As doenças do sistema respiratório são a principal causa de morte em crianças até cinco anos de idade, sobretudo se estão desnutridas ou com outras doenças infecciosas, como, por exemplo, o sarampo. Por esse motivo, os programas que têm a saúde da criança como alvo incluem sempre o conhecimento dos sinais e sintomas dessas doenças, assim como os níveis de gravidade, indicando as diferentes condutas, conforme a classificação do risco. 5.5.1 Distúrbios Respiratórios A pneumonia bacteriana é a principal doença do sistema respiratório que pode levar à morte, acentuadamente nas crianças até um ano de idade. A pneumonia, como qualquer outra infecção, estimula o sistema imunológico, fazendo com que as células de defesa se organizem para destruir o agente invasor. Quando uma criança está desnutrida e/ou doente, suas defesas não funcionam bem e a infecção espalha-se por todo o corpo rapidamente, podendo levá-la facilmente à morte. Por esses motivos algumas orientações devem ser oferecidas à mãe e/ou responsável para evitar pneumonias. Dentre elas, podemos destacar: a manutenção das vacinas em dia, evitando assim que doenças como o sarampo e a pneumonia por hemóphilos coloquem em risco a vida da criança; uma nutrição adequada, acompanhando o crescimento e o desenvolvimento pelo cartão da criança e inscrevendo-a nos programas de suplementação alimentar, caso seja necessário; não permanência da criança por muito tempo em ambientes fechados, sem ventilação, principalmente se neles houver alguém doente; estímulo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses, já que o leite materno é uma fonte importantíssima de nutrientes e de células de defesa para a criança. Ao receber uma criança é preciso observar os sinais indicativos de sofrimento respiratório, pela contagem da frequência respiratória e pela observação de tiragens intercostais e subcostais. Serão esses sinais que deverão indicar, ou não, a emergência das ações. Essa contagem deverá respeitar o tempo de um minuto; caso haja dúvida, deve -se refazer a contagem. Em um bebê de até dois meses, as tiragens são comuns, uma vez que a musculatura dele é ainda pouco rígida; no entanto, mesmo nesses casos é possível avaliar o grau de esforço da musculatura, considerando se há ou não sofrimento respiratório. Outros dados serão importantes na avaliação da gravidade da doença da criança, mas os que se encontram acima descritos são os mais sugestivos da necessidade de adoção de medidas urgentes. É importante saber se a criança tem tosse, há quantos dias, se há presença de muco (catarro) ou outra forma de secreção nas vias aéreas e nas eliminações intestinais, como também quais as características MÓDULO 4 ENFERMAGEM 92 desse muco (quantidade, coloração e odor). Se amarelada ou esverdeada, a secreção possivelmente está contaminada por bactérias. Caso a criança pareça estar com o peito “cheio” quando tosse, é possível que esteja com uma pneumonia. É importante atentar para a presença de hipertermia (temperatura corporal acima de 37,5°C) ou hipotermia (abaixo de 36°C). A febre é um sinal de infecção ou uma reação desejável do organismo à agressão de agentes etiológicos (que causam doenças). A hipotermia pode ser um sinal de infecção em crianças muito pequenas (imunoincompetentes) ou em crianças com quadro de desnutrição grave, portadoras do vírus HIV ou que fazem tratamentos prolongados com drogas imunossupressoras. A hipotermia poderá ser um sinal de gravidade severa do quadro (choque séptico). Gemidos, palidez cutaneomucosa acentuada, letargia, dificuldade em sugar ou alimentar-se, convulsões, estridor (respiração ruidosa, som rouco e grosseiro nas vias aéreas altas) em repouso, crises de apneia (parada respiratória), cianose em língua, unhas e região em torno da boca, são sinais de extrema gravidade e exigem intervenção imediata. O tratamento para pneumonias inclui o uso de antibióticos via oral, intramuscular ou venosa. É importante que esses medicamentos sejam administrados rigorosamente no horário, pois eles levam um tempo determinado para alcançar, no sangue, uma quantidade suficiente para matar ou impedir a multiplicação das bactérias. Quando o intervalo não é respeitado, as bactérias podem tornar-se resistentes ao tratamento. Os antibióticos podem causar uma série de efeitos indesejáveis, desde náuseas e vômitos até reações anafiláticas graves. Quando administrados por via oral, deve-se observar o nível de tolerância (o aparecimento de enjoos, dor); por via intramuscular, o surgimento de reações locais e sistêmicas de alergia; e por via endovenosa, a evolução muito rápida para o quadro de choque anafilático. Todas essas reações exigem avaliação. O uso de oxigênio é muito comum em crianças com pneumonia e é administrado através de diferentes métodos. A macronebulização é bastante utilizada nos hospitais. Quando se pretende uma concentração maior, utiliza-se capacete ou tenda de oxigênio. Em casos de maior gravidade, pode ser necessário o uso de ventiladores mecânicos, após intubação endotraqueal. O oxigênio não é uma substância inócua (isenta de efeitos colaterais), podendo causar complicações quando administrado de forma indevida. Sua utilização deve seguir criteriosamente a quantidade prescrita. Lembramos que devem ser rigorosamente observados alguns cuidados ao lidarmos com uma criança em quadro de desconforto respiratório, quais sejam: ENFERMAGEM MÓDULO 4 93 ▪ Manter a cabeceira elevada, sobretudo durante a alimentação da criança, o que diminuirá o risco de broncoaspiração; ▪ Manter a temperatura infantil sob controle por meio de banhos e aplicações de compressas frias, além da administração da medicação antitérmica prescrita; ▪ Aspirar as vias aéreas superiores ou tubo traqueal, seguindo as normas preconizadas, conforme a necessidade da criança; ▪ Administrar oxigênio e medicação, observando os cuidados já mencionados. Em locais onde não haja um serviço de fisioterapia disponível, cabem à enfermagem os cuidados de mobilização das secreções (mudança de decúbito, vibração torácica), evitando assim atelectasia (áreas com alvéolos obstruídos não possibilitando as trocas gasosas necessárias). Bronquite e asma são problemas do sistema respiratório que, depois das pneumonias, mais acometem às crianças. Quando encontramos uma criança com um quadro de bronquite ou asma, podemos achar que ela está com pneumonia. É possível confundir os dois quadros, já que uma criança pode apresentar os dois distúrbios. 5.5.2 Diarreia e Desidratação Assim como no caso das doenças respiratórias, há alguns cuidados que devem ser tomados em relação às doenças que afetam o sistema gastrintestinal, principalmente as diarreias, muito comuns em crianças, sobretudo naquelas muito pequenas, que vivem em condições de pouca higiene e em lugares sem saneamento básico. Essas diarreias muitas vezes não são valorizadas pelos adultos e podem levar a criança a importantes atrasos no seu crescimento e desenvolvimento neurológico, ou mesmo à morte. A maior parte das diarreias são autolimitantes, isto é, resolvem-se sozinhas, sem necessidade de utilização de qualquer medicamento. O uso de medicamentos pode serprejudicial à criança, muitas vezes atrasando a cura. Durante a diarreia, é importante manter a alimentação da criança para que seu estado geral não piore ainda mais, assim como é preciso avaliá-la a fim de estabelecer a necessidade ou não de se iniciar a reidratação oral ou venosa. Quando a diarreia é causada por um agente infeccioso ou por um parasita espoliante poderá ocorrer uma desidratação. A desidratação acontece quando a perda de líquidos e eletrólitos está acima da capacidade de reposição do indivíduo; nesses casos é preciso providenciar uma reposição adequada, evitando que a criança necessite ser hospitalizada, o que, além de traumático, a afasta de seu ambiente familiar. A desidratação, por ser um quadro grave e rápido, podendo levar a criança à morte em poucas horas, deve ser atendida prioritariamente. Os responsáveis devem MÓDULO 4 ENFERMAGEM 94 ser orientados a iniciar a terapia de reidratação oral, em caso de diarreia, mesmo quando a criança ainda está em casa. A criança desidratada apresentará: olhos encovados, fontanela (moleira) deprimida (em criança de até 18 meses), saliva espessa ou ausente, língua seca, ausência de lágrimas e de brilho no olhar, turgor diminuído, diurese diminuída e de cor escura. Esses sinais podem se agravar se a criança não for atendida rapidamente, podendo chegar ao óbito por choque hipovolêmico. São sinais de agravamento da desidratação: anúria, letargia, pulso fino e rápido, taquipneia e posteriormente bradipneia. A terapia de reidratação oral (TRO), ou seja, a reposição de sais e glicose, elementos fundamentais para a manutenção da vida, foi concebida para evitar que a criança necessitasse de reidratação venosa e, portanto, de internação hospitalar, já que a maior parte das desidratações pode ser tratada por via oral, não necessitando, assim, de internação. Apenas as desidratações graves necessitam de reposição venosa. O protocolo de tratamento classifica-as em: ▪ Desidratação - se a criança apresentar dois ou mais dos sinais que se seguem: pulso rápido e débil, olhos fundos, irritados, ausência de lágrimas, boca e língua secas, bebendo líquidos oferecidos rápida e avidamente, manifestações de intranquilidade e o sinal da prega desaparecendo lentamente; ▪ Desidratação grave – se a criança se mostra comatosa ou hipotônica, com pulso muito débil ou ausente, olhos muito fundos, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas; bebendo mal o que lhe é oferecido ou estando incapaz de beber, o sinal da prega desaparecendo muito lentamente. 5.5.3 Desnutrição Proteico-Calórica Chamamos de desnutrição o processo de atraso no crescimento e desenvolvimento infantil por carência alimentar. Quando há principalmente ausência ou carência de proteínas, a desnutrição é chamada de kwashiorkor, que acontece muito comumente quando a criança é desmamada. Nesse caso ela se mostra enfraquecida, com as extremidades frias, abdome globoso, pele áspera e seca, cabelos igualmente secos, ásperos e opacos. A outra forma de desnutrição é chamada de marasmo. É uma forma mais grave de desnutrição e acontece por ingestão insuficiente de proteínas e calorias. É comum em famílias nas quais os adultos se alimentam antes das crianças, em época de carência de alimentos — época de seca, por exemplo. A criança com marasmo apresenta-se irritadiça, retraída, letárgica, com a pele flácida e enrugada, com aparência de velha. É frequente o aparecimento de doenças debilitantes nessas crianças, como: ENFERMAGEM MÓDULO 4 95 tuberculose, parasitoses, disenteria, e outras. O marasmo significa não só a ingestão insuficiente de nutrientes, mas também encarna a síndrome da falta de afeto e de proteção. 5.5.4 Problemas Hematológicos Anemia significa redução do número de hemácias ou de hemoglobinas circulantes. Como são elas as responsáveis pelo transporte de oxigênio até os tecidos, sua diminuição pode significar importante sofrimento. Na infância o volume de sangue está em franco processo de expansão em função do crescimento corporal, o que aumenta muito a necessidade de ferro, como elemento fundamental na formação das hemácias. Existem vários tipos de anemias, mas aqui abordaremos somente as mais frequentes; são elas: ▪ Anemia por deficiência de ferro - cujas causas mais comuns são prematuridade, má absorção de nutrientes, sangramento crônico, infecções, ingestão insuficiente de ferro. No caso das anemias por deficiência de ferro é preciso orientar a família quanto à utilização do suprimento medicamentoso de ferro, assim como informá-la sobre as principais fontes alimentares. Deve-se enfatizar que o ferro deve ser administrado longe das principais refeições, que o leite e seus derivados prejudicam sua absorção e que a ingestão de vitamina C deve ser estimulada para uma assimilação satisfatória do ferro. ▪ Anemia falciforme - doença hereditária que atinge a hemoglobina. Acomete indivíduos da raça negra (não necessariamente de pele negra). A doença apresenta períodos de crise — a chamada crise falcêmica— e possui tal denominação devido à forma de foice das hemácias. Com esta forma as hemácias formam trombos que obstruem a passagem do sangue. Essas hemácias anormais são maciçamente destruídas pelo organismo, levando à anemia. Durante as crises, a criança refere dor intensa localizada preferencialmente no abdômen e nas articulações, que ficam edemaciadas, dolorosas e algumas vezes avermelhadas. A família de uma criança portadora dessa enfermidade deve estar bem informada quanto à necessidade de mantê-la hidratada, o que torna o sangue mais diluído, diminuindo os episódios de crise; de realizar precocemente o diagnóstico de infecção, intervindo adequadamente com a antibioticoterapia; de mantê-la em repouso quando das crises, uma vez que sente muitas dores nesses momentos e, como o aporte de oxigênio está prejudicado pela ausência de hemácias saudáveis na circulação sanguínea, o risco de hipóxia tecidual aumenta com o esforço; além disso, a criança se cansa muito rapidamente. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 96 A leucemia pertence a um grupo de doenças neoplásicas que acometem a medula óssea (órgão formador do sangue) e o sistema linfático. Caracteriza-se pela produção de leucócitos (glóbulos brancos) imaturos, jogados na circulação sem capacidade para exercer suas funções. Agem da mesma forma que um tumor sólido, invadindo e substituindo o tecido invadido, acometendo os órgãos mais vascularizados. É o que se pode chamar de câncer do sangue. Os sintomas que envolvem a leucemia dependem das áreas atingidas. Há os sintomas da anemia, da tendência hemorrágica, da susceptibilidade a infecções e alguns específicos que merecem da enfermagem todo o cuidado possível, tais como: intensa dor óssea, resultado da invasão do tecido neoplásico na medula óssea. A dor nessa fase pode ser tão intensa que não cede aos mais potentes analgésicos. É uma situação de extremo sofrimento para a criança, para o acompanhante e para a equipe. O tratamento da oncologia pediátrica pode ser quase tão doloroso quanto a própria doença, uma vez que lida com situações-limite. Lidar com a criança portadora de uma neoplasia é um desafio para a equipe, exigindo do profissional a competência técnica e sensibilidade para suportar, muitas vezes, o sofrimento e as perdas, oriundas da sua vida profissional. 5.5.6 HIV-AIDS A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) não é distinta na criança no que se refere à fisiopatologia. Difere apenas em relação ao adulto quanto ao mecanismo de transmissão que, na criança, se dá predominantemente por via vertical, ou seja, a doença é transmitida da mãe para a criança por via transplacentária, durante a gestação, ou durante a amamentação. Tal realidade vem sofrendo modificações a partir do protocolo medicamentoso que, utilizado durante a gravidez, consegue reduzir consideravelmente os níveis de contaminaçãofetal. As medicações utilizadas no tratamento das crianças portadoras do vírus ou acometidas pela AIDS podem ser específicas para o combate ao vírus ou para o tratamento de doenças oportunistas. É importante observar as precauções universais ou precauções padrão como, por exemplo, o uso de luvas em punções venosas, de equipamento de proteção durante a realização de broncoscopias e outras, ao lidar com crianças com AIDS, entendendo que fazê-lo não significa preconceito ou discriminação. 5.5.7 Maus Tratos e Violência O termo “maus tratos” pode referir-se a uma ação prejudicial por negligência ou a um ato intencional, provocando danos de ordem física e emocional, e ao abuso sexual. Trata-se de problema social grave que tem afetado crianças e adolescentes em todo o país, provocando-lhes inclusive a morte. Considera-se que houve negligência em relação à criança quando a pessoa encarregada de cuidar dela não o faz, privando-a do atendimento em suas ENFERMAGEM MÓDULO 4 97 necessidades básicas. A negligência pode ser de natureza física — privação de alimentação, higiene, abrigo, vestimenta e outros—ou emocional —privação de afeto, atenção e apoio emocional. Os maus tratos emocionais muitas vezes são dispensados de modo deliberado pela rejeição, humilhação, isolamento, comprometendo autoestima da criança. Os maus tratos físicos provocam lesões as mais variadas, como queimaduras, traumatismos, envenenamento, que podem comprometer toda a vida da criança. Grande parte das vítimas de maus tratos físicos apresenta lesões que podem ir de hematomas a ossos fraturados. Tais agressões normalmente acontecem dentro de casa, onde deveriam sentir-se mais seguras. Isso geralmente acontece com crianças cujos pais também sofreram coisas semelhantes quando crianças. A violência doméstica quase não aparece nas estatísticas oficiais, no entanto, sabemos que a agressão física contra crianças e adolescentes é uma prática comum em nossa sociedade. O abuso sexual é um tipo de violência cometido pelos próprios pais, padrastos ou por outros familiares, vizinhos e conhecidos. O estupro é uma violência que atinge meninas e meninos, adolescentes e mulheres no Brasil e no mundo e produz sequelas físicas e psicológicas sérias. As crianças e adolescentes que sofreram violência sexual devem ser atendidas por uma equipe multiprofissional composta por médicos, pessoal de enfermagem e psicólogos, principalmente. Esse grupo deve ser capaz de estabelecer uma relação de confiança, respeito e ajuda, em local adequado e reservado para a realização da entrevista, do exame clínico (inclusive do aparelho genital, principalmente nos casos de gravidez). Devem ser também realizados exames laboratoriais, a saber: tipo sanguíneo, sorologia para sífilis, hepatite B e anti-HIV, cultura de secreção vaginal. Deve-se proceder, na medida do possível, à coleta de material para identificar o agressor, administrar medicamento de emergência para evitar a gravidez e verificar se houve contágio por doenças sexualmente transmissíveis, tomando as providências cabíveis. Em caso de gravidez já constatada, o aborto para a mulher que assim o desejar é permitido por lei, de acordo com a idade da gestação, desde que abaixo de 20 semanas. A equipe de saúde e educadores — em particular a enfermagem — devem estar preparados para identificar situações que possam caracterizar maus tratos e oferecer suporte (inclusive tratamento) à criança maltratada e sua família. Mais do que identificar e tratar é necessário promover campanhas para a prevenção de violência contra crianças e adolescentes, com participação da MÓDULO 4 ENFERMAGEM 98 comunidade, da escola, da igreja e de toda a sociedade civil. 5.6 Imunologia / Imunização O sistema imunológico ou sistema imune é de grande eficiência no combate a microrganismos invasores, mas não é só isso; ele também é responsável pela “limpeza” do organismo, ou seja, a retirada de células mortas, a renovação de determinadas estruturas, rejeição de enxertos, e memória imunológica. Também é ativo contra células alteradas, que diariamente surgem no nosso corpo, como resultado de mitoses anormais. Essas células, se não forem destruídas, podem dar origem a tumores. Células do sistema imune são altamente organizadas como um exército. Cada tipo de célula age de acordo com sua função. Algumas são encarregadas de receber ou enviar mensagens de ataque, ou mensagens de supressão (inibição), outras apresentam o “inimigo” ao exército do sistema imune, outras só atacam para matar, outras constroem substâncias que neutralizam os “inimigos” ou neutralizam substâncias liberadas pelos “inimigos”. A imunização é um conjunto de métodos terapêuticos destinados a conferir ao organismo um estado de resistência, ou seja, de imunidade, contra determinadas enfermidades infecciosas. É uma das estratégias de prevenção mais significativas, entretanto, não está isenta de riscos, tais como: ▪ Infecção no local da inoculação; ▪ Transmissão de doenças por meio do produto injetado e contaminação do material empregado na administração; ▪ Complicação devido a outros composto dos produtos imunizantes (hidróxido de alumínio); ▪ Encefalite pós-vacinal, quando da utilização de antígenos vivos; ▪ Agravamentos de enfermidades crônicas cardíacas, renais, do sistema nervoso central, entre outras; ▪ Reações locais gerais: nódulos, edemas, dor ou mal-estar, lipotimia, entre outras; ▪ Reações de hipersensibilidade; ▪ Complicações específicas secundárias à natureza e tipos de antígenos ou substâncias fontes de anticorpos. Podemos classificar a imunidade como: Natural, compreende mecanismos inespecíficos de defesa de pele, pH, e a imunidade conferida pela mãe através da via transplacentária e pelo leite materno ao recém-nascido; e Adquirida, pode ser espontânea, após um processo infeccioso, ou induzida de maneira ativa ou passiva: ▪ Passiva: administração de anticorpos previamente formados (imunoglobulinas) ou soros hiperimunes. Útil em pacientes com defeito na formação de anticorpos ou imunodeprimidos; ENFERMAGEM MÓDULO 4 99 ▪ Ativa: uso de microrganismos vivos atenuados, mortos e componentes inativados de microrganismos. São consideradas contraindicações ao uso de vacinas de bactérias ou vírus vivos: ▪ Portadores de doenças com deficiências imunitárias, como imunodeficiência combinada à gamaglobulina ou hipogamaglobulina; ▪ Pacientes com imunodeficiências por defeitos congênitos ou enfermidades ativas do sistema linfoide ou reticuloendotelial (leucemia, linfoma, doença de Hodgkin...); ▪ Imunodepressão devido a terapia com corticoide sistêmico em altas doses, com antimetabólitos, agentes alquilantes ou irradiação; ▪ Grávidas, salvo situações de alto risco de exposição a algumas doenças virais imunopreveníveis, como febre amarela, por exemplo. Com relação a pacientes HIV positivos assintomáticos, poderão receber todas as vacinas do esquema básico; os doentes com AIDS só não poderão receber a BCG. Há casos em que a vacinação precisa ser somente adiada: ▪ Tratamento com imunossupressores (corticosteroides, quimioterapia antineoplásica, radioterapia.), deve-se adiar para 90 dias após a suspensão do uso da substância; ▪ Durante a evolução de doenças agudas febris graves; ▪ Não recomenda-se aplicar a BCG em crianças com menos de dois quilos de peso. Os Quadros 1 e 2 a seguir ilustram o calendário de vacinação e a imunização básica que deve ser observada na infância. A profilaxia do tétano é ilustrada no Quadro 3. Quadro 1 – Calendário de Vacinação (continua) CALENDÁRIO VACINAL IDADE VACINAS 1 mês * BCG e hepatite B 2 meses DPT, poliomielite e hepatite B 4 meses DPT e poliomielite 6 meses DPT e poliomielite 9 meses Sarampo e hepatite B MÓDULO 4 ENFERMAGEM 100 CALENDÁRIO VACINAL IDADE VACINAS 15 meses DPT,poliomielite e MMR 5 ou 6 anos DPT e poliomielite 15 anos** DT *Pode ser aplicada desde o nascimento. **Reforço a cada 10 anos, por toda vida. Fonte: Elaborado pelo Autor (2017) Quadro 2 - Imunização Básica na Infância T IPOS DE VACINAS DOSE, VIA E LOCAL DE APLICAÇÃO SINAIS E SINTOMAS PÓS- VACINAIS Sabin (contra poliomielite) 2 a 3 gotas, de acordo com a origem/via oral (VO) Náuseas logo após a vacinação devido ao sabor desagradável BCG (contra tuberculose) 0,1ml, intradérmico (ID)/ inserção inferior do deltóide direito Enduração/mácula/nódulo/ úlcera/crosta/cicatriz (em torno de 3 meses pós- vacinal) Raro: enfartamento de gânglios linfáticos Tríplice - DPT (contra tétano, difteria e coqueluche) 0,5ml intramuscular (IM) profunda /face antero-l atéral da coxa em crianças que não andam e dorso-glútea nas demais Febre até 48 h após vacinação Dor e nódulo local Raro: reações neurológicas (cefaléia, convulsão, choque) Hepatite B 0,5ml intramuscular (IM) profunda /face anterolateral da coxa num ângulo de 45° Sensibilidade no local da aplicação, acompanhada ou não de sinais inflamatórios; febre igual ou superior a 37,7ºC, em alguns casos erupções cutâneas, prurido e manifestações neurológicas Dupla infantil-DT* e Dupla Adulto - dT**(contra tétano e difteria) 0,5ml/IM profunda/região dorso- glútea ou deltóidea Febre até 48 hs após vacinação Dor e nódulo local MMR (contra caxumba, rubéola e sarampo) 0,5ml subcutâneo (SC) em região glútea Febre/dor/enduração e eritema local/linfadenopatia discreta/dor de garganta/"rush", artrite e artralgias Aumento das parótidas VAS (contra sarampo) Idem MMR Febre e exantema de curta duração *Indicada para crianças até 6 anos e 11 meses de idade que tenham contra-indicação médica formal de receber o componente pertussis da vacina DPT. **Indicada a partir de 7 anos para pessoas que não tenham recebido a DPT ou DT, ou cujo estado imunitário seja desconhecido. Fonte: Elaborado pelo Autor (2017) Quadro 3 - Profilaxia do Tétano após Ferimento (continua) IMUNIZAÇÃO CONTRA O TÉTANO FERIMENTO LIMPO E SUPERFICIAL OUTROS FERIMENTOS VACINA IMUNIZAÇÃO PASSIVA VACINA IMUNIZAÇÃO PASSIVA Incerta ou menos de três doses sim não sim sim Três doses ou mais*: -última dose há menos de cinco anos não não não não -última dose entre cinco e não não sim não ENFERMAGEM MÓDULO 4 101 IMUNIZAÇÃO CONTRA O TÉTANO FERIMENTO LIMPO E SUPERFICIAL OUTROS FERIMENTOS VACINA IMUNIZAÇÃO PASSIVA VACINA IMUNIZAÇÃO PASSIVA dez anos -última dose há mais de dez anos sim não sim não *Aproveitar a oportunidade para indicar a complementação do esquema vacinal. Vacina: DPT, DT ou dT dependendo da idade, na falta destes usar o toxóide tetânico (TT). Imunização passiva: com soro anti-tetânico e teste prévio, na dose de 5000 unidades, pela via intramuscular ou imunoglobulina humana antitetânica, na dose de 250 unidades, (IM). Fonte: Elaborado pelo Autor (2017) Conservação de Vacinas: A Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS e o Programa Nacional de Imunizações - PNI estabelecem que o intervalo de temperatura para conservação de soros e vacinas precisa ser de +4 a +8°C. Faz-se necessário a presença de um termômetro dentro do refrigerador. Utilizar termômetro de 3 colunas, pois registra as temperaturas mínima, máxima e atual. ▪ Vacinas de vírus vivos atenuados (pólio, sarampo, rubéola, caxumba) são mais sensíveis ao calor, devendo ser acondicionadas na unidade de saúde por 1 mês no máximo. É preferencial mantê-las na prateleira superior do refrigerador. ▪ Vacinas de bactérias vivas e atenuadas (tuberculose) são menos sensíveis às oscilações de temperatura, podendo ser conservadas por até um ano na parte superior do refrigerador. ▪ Vacinas inativadas virais e bacterianas (toxoides tetânico e diftérico; coqueluche) são as mais estáveis. Devem ser armazenadas por 6 meses na prateleira inferior do refrigerador. ▪ Os diluentes precisam estar na mesma temperatura que as vacinas; não utilizar o refrigerador para outras finalidades. O refrigerador precisa ficar num local fresco, ao abrigo da luz solar e fontes de calor, distante pelo menos 15 cm das paredes e sua porta precisa ficar bem vedada. ▪ Recomenda-se colocar sacos e garrafas plásticas com água no congelador e parte inferior do refrigerador a fim de manter a temperatura, caso haja interrupção no fornecimento de energia. NÃO UTILIZAR A PORTA DO REFRIGERADOR, POIS PODE DANIFICAR A VEDAÇÃO E OCORRER AQUECIMENTO INTERNO. ▪ A circulação de ar também precisa ser respeitada, por isso é necessário que as vacinas sejam dispostas em bandejas ou caixas furadas e descobertas, deixando entre os frascos uma distância de 1 a 2 cm. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 102 ▪ Para transportar as vacinas, utilizar caixas isotérmicas (de isopor). Cercar as vacinas com sacos de gelo, sem que haja contato direto (isolar os frascos com papelão ou espuma). Preparar a caixa 15 a 20 minutos antes de sair (manter um termômetro em seu interior), fechá-la com fita adesiva até chegar ao destino. IMPORTANTE: O serviço de saúde precisa informar o nível regional ou central da rede de frio, sobre lotes de vacina que tenham sofrido variações de temperatura inferior ou superior à temperatura estabelecida pela OPAS ou PNI, para que estes deem as diretrizes que devem ser seguidas. ENFERMAGEM MÓDULO 4 103 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Profissionalização de auxiliares de enfermagem. Cadernos do aluno. Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Série F. Comunicação e Educação em Saúde. 2ª Edição. Brasília, 2003. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/profae/pae_cad8.pdf Acesso em janeiro de 2017. ________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. Saúde integral de adolescentes e jovens: orientação para organização de serviços de saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília, 2005. GUSHIKEN, C.T. & CHAGAS, L.G.C.P. Imunização. In: CURSINO, M.R. et al. Assistência de enfermagem em pediatria. São Paulo: Sarvier, 1992. PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Manual de atenção à saúde do adolescente. Área Técnica de Saúde da Criança e do Adolescente (Codepps). Secretaria Municipal da Saúde: São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.alexandracaracol.com/Ficheiros/Manual_do_Adolescente.pdf Acesso em janeiro de 2017. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/profae/pae_cad8.pdf http://www.alexandracaracol.com/Ficheiros/Manual_do_Adolescente.pdf MÓDULO 4 ENFERMAGEM 104 ANOTAÇÕES: ____________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA ENFERMAGEM MÓDULO 4 107 6 ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA A enfermagem participa em todos os processos do atendimento, seja na urgência ou na emergência. A urgência diz respeito aos eventos graves, que devem ser resolvidos prontamente, mas não se caracterizam enquanto imediatistas. Embora deva haver empenho para que o paciente seja tratado e não corra risco de morte, as ações podem ser planejadas. A emergência é uma situação de extrema gravidade, que deve ser imediatamente tratada, correndo o risco, em caso contrário, de o paciente vir a óbito ou apresentar uma sequela irreversível. Esta disciplina abordará o papel da enfermagem diante de eventos considerados de emergência. 6.1 Triagem na Unidade de Primeiro Atendimento (UPA) ou Hospitais A triagem foi introduzida nos hospitais, particularmente em unidades de emergência, meados de 1950 e 1960. Em Hospitais americanos, esse processo é realizado por enfermeiros, que, além de selecionarem os pacientes por prioridade, têm autonomia para solicitar exames e administrar medicamentos previamente estabelecidos em protocolos institucionais. No Brasil, o enfermeiro é o profissional preparado para exercer a função de “triador”, reconhecida e respaldada pela Lei do Exercício Profissional, cabendo -lhe tanto a “consulta de enfermagem quanto a prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde” (BRASIL, 2001). Desta forma, a triagem envolve as duas funções, embora, em algumas unidades de atendimento, o enfermeiro realize somente a consulta de enfermagem, não havendo, até o momento, protocolos de medicamentos aprovados para serem administrados a partir dos sintomas/sinais identificados na triagem. A avaliação dos próprios pacientes e seus familiares está repleta de dados subjetivos, vinculados a temores, ansiedade ou medo da morte. Cabe o enfermeiro embasado em dados clínicos, dispor de informações objetivas e subjetivas e experiência, além de avaliar qual paciente necessita de atendimento imediato e qual pode esperar. É comum o profissional encontrar dualidades para fazer a sua avaliação e tomar a decisão mais correta ou pertinente. De forma a amenizar dúvidas e incertezas, o serviço de triagem dos hospitais desenvolveu protocolos de atendimento multiprofissional, que permitem auxiliar o enfermeiro na tomada de decisão e, assim, aumentar a precisão da triagem. É importante observar que, em uma emergência, a triagem segue algumas MÓDULO 4 ENFERMAGEM 108 premissas importantes, as quais serão descritas a seguir. ▪ Identificar os pacientes que necessitam de cuidados imediatos; ▪ Encaminhar adequadamente os pacientes ao médico, de acordo com a especialidade, observando-se os protocolos estabelecidos; ▪ Escolher o local adequado para que o paciente seja acomodado e avaliado pelo médico, em caso de o atendimento ser priorizado; ▪ Fornecer informações e orientações aos pacientes e seus familiares na tentativa de amenizar ansiedades decorrentes da procura por unidades de primeiro atendimento, muitas vezes associadas ao estresse. Perfil desejado para o enfermeiro de triagem: A competência exigida para o profissional que realiza a triagem pode variar de hospital para hospital. Dentre as competências exigidas, observam-se: ▪ Conhecimento técnico-científico; ▪ Desejável: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (da sigla em inglês ACLS), Suporte Avançado em Vida em Pediatria (da sigla em inglês PALS), Suporte Avançado de Vida em Trauma (da sigla em inglês ATLS); ▪ Experiência em unidade de emergência; ▪ Comunicação e relacionamento interpessoal adequados; ▪ Habilidades no uso do processo de enfermagem; ▪ Flexibilidade/adaptabilidade; ▪ Tomada de decisão/segurança; ▪ Raciocínio clínico. 6.2 Estrutura Disponível O local da triagem de pacientes que dão entrada em UPAS e Hospitais de emergência está localizado na entrada principal do Hospital, espaço no qual o paciente recebe uma senha de atendimento fornecida por um assistente administrativo que orienta quanto aos procedimentos de atendimento. Há três tipos de senhas de atendimento. Atendimento normal: É observado o atendimento normal para aqueles pacientes que chegam caminhando com dificuldade ou em cadeira de rodas, recebem a senha para atendimento normal e são posteriormente chamados pelo enfermeiro. O tempo médio de uma triagem é de 2 a 3 minutos para um adulto e 3 a 5 minutos para crianças e idosos. Senha preferencial: São as senhas entregues pelo assistente administrativo aos pacientes idosos, ENFERMAGEM MÓDULO 4 109 gestantes, deficientes físicos e mães com crianças de colo, de acordo com a Lei n. 10.048/2.000. Caso o paciente chegue à recepção com sinais de gravidade, ferimentos expostos ou ansiedade exacerbada, o assistente administrativo é orientado a fornecer uma senha preferencial e avisar ao enfermeiro. Neste caso, o enfermeiro, ao realizar a triagem, avalia se realmente é necessário priorizar o caso para ser atendido pelo médico ou se é possível acalmar o paciente e encaminhá-lo ao cadastro. Cadastro: Este tipo de senha é entregue ao paciente em situações de retorno ortopédico (até 15 dias da consulta); procedimentos com a equipe de enfermagem, tais como curativos e troca de sondas; ou medicações com receita médica anexada. Em casos assim, os pacientes não passam pelo processo de triagem. 6.2.1 Instalações e Estrutura Física A Triagem na UPA é realizada em duas salas separadas, permanecendo um enfermeiro 24 horas em cada uma delas. A chamada da senha é feita dentro de sala de triagem e o paciente se dirigeao enfermeiro, que se apresenta e inicia o processo de entrevista. A sala de triagem é composta por um balcão com impressos e material de apoio, duas cadeiras, uma balança, 1 aparelho de pressão manual (esfignomanômetro e estetoscópio), 1 aparelho de glicemia capilar, 1 aparelho multifunção automático com PA não invasiva e oxímetro (mensuração de saturação de O e FC), 1 termômetro individual do profissional, além de gases, luvas, máscaras e um telefone para solicitar a vaga do paciente ao local de destino. A triagem, também chamada de “avaliação inicial, é registrada em impresso próprio, servindo como guia para as perguntas que devem ser feitas e, assim, adquirir informações para o enfermeiro tomar as suas decisões e classificar o nível de atendimentos e especialidades mais adequados. O impresso consta de vinte questões iniciais. As principais, para se chegar a uma decisão, compreendem: queixa principal e duração; sinais vitais; antecedentes pessoais e familiares (quando pertinente); medicações de uso habitual e atual; cirurgias prévias e alegrias. Baseado nas questões do impresso, na inspeção e observação e num rápido exame físico, além do suporte dos protocolos, o enfermeiro é capaz de tomar a decisão e classificar o paciente de acordo com a gravidade e especialidade que deverá avaliá- lo. O processo para a tomada de decisão do enfermeiro deve seguir alguns critérios, conforme descrito a seguir. ▪ Durante a descrição da queixa do paciente, o enfermeiro deve utilizar o raciocínio clínico para registrar e tomar a decisão com segurança. Caso o paciente seja um mau informante, o enfermeiro deve tentar aprofundar a sua entrevista, em busca de uma história mais detalhada, considerando os dados subjetivos, a localização do problema, irradiação, intensidade, história pregressa dos sintomas e, também, dados objetivos, ou seja, MÓDULO 4 ENFERMAGEM 110 observação da aparência física (coloração da pele, como cianose ou palidez, sudorese, etc.). ▪ Avaliação de sinais vitais e conhecimento de suas alterações relacionadas com a queixa do paciente. ▪ Avaliação e associação com outros aspectos, como: uso de medicamentos, problemas de saúde pregressos, antecedentes cirúrgicos (destacando os mais recentes), alegrias, vacinação (destacando o tétano para adultos com ferimento e vacinas da infância para todas as crianças). Desta forma, a triagem da UPA-Hospitais é realizada com o principal objetivo de classificar o paciente quanto à urgência, à especialidade médica que irá atendê-lo e ao local apropriado para este atendimento. A maioria dos serviços utiliza três categorias de tomada de decisão nas triagens: emergência (vermelha), urgência (amarela e não urgência (verde), mais alguns serviços utilizam um sistema de classificação de cinco níveis, também empregado na Austrália, Canadá e Reino Unido, que permite uma avaliação mais confiável e uma classificação mais detalhada das diversas complexidades. A UPA-Hospital utiliza o sistema de três categorias de classificação de tomada de decisão, identificadas pelas cores vermelho, amarelo e verde, correspondentes aos níveis 1, 2 e 3, respectivamente. Em relação às especialidades médicas disponíveis na UPA-Hospital, o paciente poderá ser encaminhado para um clínico, cirurgião, pediatra, ortopedista, neurologista, cardiologista ou ginecologista. A classificação de urgência estabelecida pelo enfermeiro, assim como a especialidade médica indicada são determinadas de acordo com protocolos de atendimento multiprofissionais, médico e equipe de enfermagem, instituídos na UPA a partir de 2004. Estes protocolos auxiliam o enfermeiro na tomada de decisão, pois se apresentam em forma de fluxograma, divididos por queixas mais comuns (sinais e sintomas), destino do paciente (sala de emergência, consultório ou observação), especialidade médica indicada e intervenções de enfermagem imediata (eletrocardiograma, monitorização do paciente, oxigenoterapia, glicemia capilar). Além das especialidades médicas de plantão na UPA-Hospital, o enfermeiro também pode triar o paciente para otorrinolaringologista e oftalmologista, que ficam à distância (retaguarda) da Unidade de Primeiro Atendimento, seguindo um protocolo de tomada de decisão aprovado pelos representantes da equipe multiprofissional e coordenação da UPA-Hospital. Sala de atendimento de emergência: O serviço de emergência devido sua diversidade de situações exige alguns recursos materiais dispostos de forma ordenada e de fácil acesso. A estrutura da unidade de emergência deve ocupar o andar térreo. O planejamento físico da unidade tem alguns propósitos básicos que são: a criação de espaços para abrigar equipamentos e permitir livre circulação da equipe de trabalho; a eficácia nos ENFERMAGEM MÓDULO 4 111 atendimentos, através de recursos; a redução de ações improvisadas; a assistência será mais completa se aliada a recursos materiais e ambiente físico adequados; atendimento com segurança, eficácia no uso do pessoal e equipamento, que a unidade pode desenvolver. Todos os equipamentos devem estar em boas condições de uso e devem ser testados regularmente. Materiais necessários: ▪ Fontes de oxigênio e de ar comprimido; ▪ Fontes de vácuo para aspiração; ▪ Foco auxiliar; ▪ Drenos torácicos (diversos tamanhos); ▪ Prancha rígida longa; ▪ Colar cervical (diversos tamanhos); ▪ Materiais esterilizados para procedimentos cirúrgicos de urgência (luvas, campos e aventais); ▪ Esfignomanômetro e estetoscópio; ▪ Carro de emergência com monitor cardíaco, oxímetro de pulso, desfibrilador (cardiovesor), sondas de aspiração, sondas vesicais e gástricas de diversos tamanhos, jelcos e escalpes de diversos calibres, lâminas de bisturi e fios de sutura. Além de gavetas para medicações específicas de emergência; ▪ Cânula de Guedel e pinça de Magill; ▪ Reanimador (Ambul), lâminas curvas e retas de diversos tamanhos e laringoscópio para intubação traqueal; ▪ Materiais para proteção individual, como luvas gorros e máscaras descartáveis. 6.2.2 Considerações Finais O enfermeiro que realiza triagem deve conhecer as técnicas para entrevistar o paciente, ter conhecimento técnico-cientifico para fazer uma boa avaliação e, sobretudo, deve entender o seu papel profissional capacitado para exercer esta função. Embora as avaliações e tomada de decisão sejam guiadas por protocolos institucionais, o enfermeiro também deve levar em consideração sua instituição/experiência e não se limitar a processos que mecanizem o seu saber. Atualmente, a UPA-Hospital utiliza a triagem de pacientes de três níveis (vermelho, amarelo e verde). Entretanto, a equipe de enfermeiros, em parceria com a equipe médica, prevê a implantação de triagem de quatro ou cinco níveis, necessidade sentida em função do aumento da demanda de pacientes, sobretudo daqueles com queixas menos urgentes e que aguardam o mesmo tempo de atendimento daqueles com queixas mais agudas. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 112 Outra perspectiva deste serviço é a criação de um indicador de qualidade da triagem, que possibilite avaliar qualitativamente a conduta tomada pelo enfermeiro e, assim, propor melhorias e treinamentos específicos para esta prática. É importante destacar que a UPA-Hospital pretende informatizar seus registros e, desta forma, transformar seu sistema de triagem convencional em um sistema eletrônico e de fácil acesso ao enfermeiro. 6.3 Apresentação sobre Enfermagem A enfermagem possui um papel primordial em situações de emergência, porém, para que o profissional exerça a sua função, é necessário conhecimentos técnico e prático, associados ao embasamento teórico, além de equilíbrio emocional para lidar com as diversas situações que lhe são propostas. A tomada de decisão de forma eficaz, implica na redução de riscos para o nosso cliente. Em emergência, muitas vidas são alvas com medidas práticas, rápidase relativamente fáceis, se executadas de forma ordenada. O trabalho em equipe deve ser feito de uma forma sistemática, na qual cada membro conhece exatamente a sua função e interage com os outros em busca de um objetivo comum: salvar vidas. 6.3.1 Enfermagem em Emergência Há algum tempo, os profissionais que trabalhavam em emergências ou em intervenções pré-hospitalares na recebiam quase nenhum treinamento, ou seja, não possuíam especialização suficiente para lidar com determinadas situações. Somente com o passar dos anos, na década de 1980, essa realidade foi se modificando e se observou que era cada vez mais necessário que houvesse profissionais capacitados para atuar nesses serviços, com o objetivo de melhoria na qualidade do atendimento ao paciente. Alguns conceitos básicos devem ser observados em enfermagem em emergência, tais como os descritos a seguir. Emergência: Uma situação de emergência é aquela caracterizada como: de gravidade excepcional, que obriga a tomar providencias; acontecimento inesperado; incidente; ato de emergir; aparecimento; nascimento; surgimento; ocorrência perigosa; situação crítica ou necessidade imediata. Atendimento de emergência: Denomina-se atendimento de emergência o conjunto de ações empregadas para a recuperação de pacientes, cujos agravos à saúde necessitam de assistência imediata, por apresentarem risco de vida, uma vez que põem em risco determinadas ENFERMAGEM MÓDULO 4 113 funções vitais que, com o passar do tempo, diminuem sua chance de eventual recuperação. Urgência: A urgência se caracteriza enquanto pressa, rapidez, brevidade ou necessidade imediata. O atendimento de urgência são ações destinadas à recuperação dos pacientes em condições agudas, mas não há perigo iminente de falência de quaisquer de suas funções vitais. As condições urgentes são graves, mas geralmente não perigosas, se o suporte médico e o tratamento tiverem uma pequena demora. O tratamento deve ter início num período entre 20 minutos e 2 horas. Pronto atendimento: São os estabelecimentos de saúde que prestam assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato, mas que funciona durante 24h e dispõe de leitos de observação. Todos os pacientes que procuram atenção médica devem ser atendidos. No entanto, a função de pronto- socorro é priorizar o atendimento de urgência e emergência. A organização dos serviços de emergência é complexa e está ligada ao fato de que a assistência ao paciente deve ocorrer no menor tempo possível, ser organizada, que possa garantir a prestação de cuidados contínuos e coerentes com as suas necessidades. A recusa na prestação de socorro é crime e o profissional pode sofrer as sanções previstas em lei. Omissão de socorro: A prestação de socorro, além de um dever moral, é um dever legal, e a sua recusa constitui crime de omissão de socorro, previsto no artigo 135 do código penal brasileiro. Deixar de prestar assistência, quando possível, fazê-lo sem risco pessoal, a criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave ou eminente perigo; ou não pedir nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena – Detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único – A pena é aumentada da metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. Abandono: O artigo 133 do código Penal Brasileiro diz que: Abandonar pessoa que está sob o seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono. Pena: Detenção, de seis meses a três MÓDULO 4 ENFERMAGEM 114 anos. § 1º. Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: Reclusão, se um a cinco anos. §2º. Se resulta morte: Reclusão, de quatro a doze anos. 6.3.2 Bases Legais para o Exercício da Enfermagem O profissional técnico de enfermagem desenvolve suas atividades com competência, responsabilidade e qualidade, garantindo uma assistência livre de danos causados por imperícia, imprudência e negligência (RESOLUÇÃO 311/07, ART.12). Deverá prestar assistência a pacientes graves, porém, sempre com a supervisão do enfermeiro, o qual deverá garantir uma prática segura, aliada ao conhecimento científico do qual é portador. Com o crescimento do polo hospitalar em nosso país, é perceptível a formação de profissionais cada vez mais habilitado para exercer a sua função de forma compatível com a demanda hospitalar. Para tal, o profissional de enfermagem, baseado em sua legislação específica, tem como direito: Art. 1º - Exercer a enfermagem com liberdade, autonomia e ser tratado segundo os pressupostos e princípios legais, éticos e dos direitos humanos. Art. 2º - Aprimorar os seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais que dão sustentação a sua prática profissional. Diante desse sacerdócio que é a profissão de técnico de enfermagem, temos como responsabilidade e deveres: Art. 5º - Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e lealdade. Art.12 - Assegurar à pessoa, família e coletividade assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. Art. 21 - Proteger a pessoa, família e coletividade contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde. Art. 41- Prestar informações, escritas e verbais, completas e fidedignas necessárias para assegurar a continuidade da assistência. A legislação para urgência e emergência é ilustrada no Quadro 1 a seguir. Quadro 1 - Legislação para urgência e emergência (continua) Portaria Assunto GM/MS 2923 Cria o Programa de Apoio à Implantação dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar para atendimento de urgência e emergência. GM/MS 479 Estabelece os critérios para o credenciamento dos hospitais em ENFERMAGEM MÓDULO 4 115 Portaria Assunto urgência e emergência nos níveis I, II e III. GM/MS 905 Estabelece a criacao da Comissão Intra-hospitalar de Transplante. GM/MS 2048 Aprova o regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergência. GM/MS 1839 Exclui o recebimento do Índice de Valorização Hospitalar de Emergência IVH-E para os hospitais que não cumprirem os critérios. Fonte: Elaborado pelos autores (2017) 6.3.3 O Atendimento Pré-hospitalar: Portaria no 2.048 de 2002 prevê a estruturação dos Sistemas Estaduais de Urgências e Emergências envolvendo toda a rede assistencial de forma regionalizada e hierarquizada, desde a rede pré-hospitalar fixa (unidades da atenção primária da saúde e unidades não hospitalares de atendimento às urgências e emergências), Serviço de Atendimento Pré-hospitalar (SvAPH) móvel, até a rede hospitalar de alta complexidade, mediados pelo mecanismo de Regulação Médica. O Sistema de Atenção Integral às Urgências compreende: 1) Pré-hospitalar Fixo: Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Saúde da Família e Agentes Comunitários, Ambulatórios Especializados Serviço de Diagnóstico e Terapia, Serviços de Atendimento às Urgências não hospitalares (PS, Pronto Atendimento). 2) Pré-hospitalar Móvel, Sistema de Atenção Integral às Urgências. 3) Hospitalar: Prontos Socorros das unidades hospitalares, Leitos de internação: gerais terapia intensiva especializados longa permanência. 4) Pós-hospitalar: Atenção domiciliar (assistência e internação domiciliar) Reabilitação. Atendimento pré-hospitalar (APH) é o atendimento emergencial em ambiente extra-hospitalar (fora do hospital). É um dos elos da cadeia de atendimento a vítimas. Caracteriza-se por ser realizado fora do ambiente tradicional da atenção à saúde. No Brasil, o Atendimento Pré-hospitalar tem suas diretrizes fixadas pela Portaria ministerial814/GM de 1° de junho de 2001, que, entre outras coisas, Normatiza os Serviços de Atendimento Pré-hospitalar Móvel de Urgências. Nesta portaria também estão contidos todos os equipamento e profissionais necessários para o bom funcionamento do serviço de atendimento pré-hospitalar. Ainda de acordo com essa portaria, o Ministério da Saúde considera como nível pré-hospitalar móvel na área de urgência o atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza traumática ou não, ou, ainda, psiquiátrica), que possa levar ao sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento e/ou transporte MÓDULO 4 ENFERMAGEM 116 adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde. Os profissionais necessários são: médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem, telefonistas, condutores, radio-operador, bombeiros militares e profissionais responsáveis pela segurança. Técnico em enfermagem em emergência médica: Profissional titular do certificado ou diploma de Técnico de Enfermagem, devidamente registrado no Conselho Regional de Enfermagem de sua jurisdição. Exerce atividades auxiliares, de nível técnico, sendo habilitado para o Atendimento Pré-hospitalar Móvel, integrando sua equipe, conforme os termos desta Portaria. Além da intervenção conservadora no atendimento do paciente, é habilitado a realizar procedimentos a ele delegados, sob supervisão do profissional Enfermeiro, dentro do âmbito de sua qualificação profissional (PORTARIA GM 814/01). O perfil desejado para este profissional é observado a seguir. ▪ Maior de dezoito anos; ▪ Disposição pessoal para a atividade; ▪ Capacidade física e mental para a atividade; ▪ Equilíbrio emocional e autocontrole; ▪ Disposição para cumprir ações orientadas; ▪ Disponibilidade para (re)certificação periódica; ▪ Experiência profissional prévia em serviço de saúde voltado ao atendimento de urgências e emergências; ▪ Capacidade de trabalhar em equipe; e, ▪ Escolaridade: Ensino Médio Completo e curso regular de técnico de enfermagem. Os tipos veículos: As ambulâncias são classificadas por tipo, conforme descrito a seguir. ▪ Tipo A – ambulância de transporte: veículo destinado ao transporte em decúbito horizontal de pacientes que não apresentam risco de vida, para remoções simples, de caráter eletivo. ▪ Tipo B – ambulância de suporte básico: veículo destinado ao transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida desconhecido, não classificado com potencial de necessitar de intervenção médica no local e/ou durante transporte até o serviço se destino. Quando utilizado no atendimento pré-hospitalar de vítimas e acidentes, deverá conter todos os materiais e equipamentos necessários à imobilização de pacientes. ▪ Tipo C – Ambulância de resgate: veículo de atendimento de emergências pré-hospitalares de pacientes vítimas de acidentes ou pacientes em locais de difícil acesso, com equipamentos específicos de imobilização e suporte básico, além de equipamentos de salvamento (terrestre, aquático e em ENFERMAGEM MÓDULO 4 117 alturas). Essas ambulâncias mistas deverão ter uma configuração que garanta um salão de atendimento às vítimas de, no mínimo, 8m, além do compartimento isolado para a guarda de equipamentos de salvamento. ▪ Tipo D – Ambulância de suporte avançado: veículo destinado ao atendimento e transporte de pacientes de alto risco em emergência pré- hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar, que necessitam de cuidados médicos intensivos. Deve contar com os equipamentos médicos necessários para esta função. ▪ Tipo E – Aeronave de transporte médico: aeronave de asa fixa ou rotativa, utilizada para transporte inter-hospitalar de pacientes e aeronave de asa rotativa para ações de resgate, dotada de equipamentos médicos homologados pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). ▪ Tipo F – Nave de transporte médico: veículo motorizado hidroviário, destinado ao transporte por via marítima ou fluvial. Deve possuir os equipamentos médicos necessários ao atendimento de pacientes, conforme a sua gravidade. ▪ Veículos de intervenção rápida: apoio rápido. Também chamados de veículos leves, veículos rápidos ou veículos de ligação médica. São indicados para transporte de médicos com equipamentos que possibilitam oferecer suporte avançado de vida nas ambulâncias do Tipo A, B, C. As Figuras 1 a 4 a seguir ilustram os tipos de veículos de intervenção rápida, utilizados em enfermagem em emergência. Figura 1 - Ambulância Fonte: Google imagens MÓDULO 4 ENFERMAGEM 118 Figura 2 - Ambulancha Fonte: Google imagens Figura 3 - Motolância Fonte: Google imagens ENFERMAGEM MÓDULO 4 119 Figura 4- Aeronave de transporte médico Fonte: Google imagens 6.3.4 Sistema de Atenção Integral às Urgências O Sistema de Atenção Integral às Urgências compreende o pré-hospitalar fixo e o pré-hospitalar móvel. O primeiro diz respeito às Unidades Básicas de Saúde, Unidade da Família e Agentes Comunitários, ambulatórios especializados, serviços de diagnóstico e terapia, serviços de atendimento às urgências não hospitalares (OS, Pronto Atendimento), enquanto que o segundo se refere aos prontos socorros das unidades hospitalares, leitos de internação: terapia intensiva especializada de longa permanência, no que diz respeito ao atendimento hospitalar, e atenção domiciliar (assistência e internação domiciliar) e reabilitação, no que diz respeito ao atendimento pré-hospitalar. 6.4 Os Principais Casos de Atendimento em Enfermagem em Emergência Serão observados a seguir os principais casos de entrada de pacientes em unidades de atendimento de emergência. Em primeiro lugar, é importante que o profissional de enfermagem conheça a anatomia do corpo humano, a qual será observada a seguir, com breve descrição e ilustrações. Breve revisão anatômica: A enfermagem deve conhecer minuciosamente a anatomia do corpo humano, bem como as alterações funcionais que este pode apresentar, para que se possa descrever, ou seja, registrar, de forma clara e precisa, qualquer tipo de anormalidade envolvendo o corpo. Sem um bom domínio da estrutura dos ossos e dos músculos, por MÓDULO 4 ENFERMAGEM 120 exemplo, não será possível relacionar o mecanismo do trauma com as lesões que o paciente poderá apresentar, sejam elas aparentes ou internas. As Figuras 5 a 8 a seguir ilustrarão a anatomia corpo. Figura 5 - Esquema esqueletico* Fonte: Google imagens *O corpo humano tem um total de 206 ossos ENFERMAGEM MÓDULO 4 121 Figura 6 - Sistema muscular Fonte: Google imagens Os músculos, além de contribuírem para a forma externa, representam a parte ativa do aparelho locomotor, fazendo a ligação do sistema nervoso com os ossos. Figura 7 - Quadrante abdominal Fonte: Google imagens MÓDULO 4 ENFERMAGEM 122 Figura 8- A pele Fonte: Google imagens A pele é o maior órgão do corpo. É formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme, da mais externa para a mais profunda, respectivamente. 6.4.1 Febre A febre é definida pela elevação da temperatura corporal acima da variação fisiológica circadiana. A temperatura oral varia de 37,2 oC (±0,4 oC) pela manhã a 37,7 oC (±0,4 oC) à tarde. A temperatura axilar, em geral, é 0,5 oC inferior aos valores acima. Portanto, uma elevação da temperatura axilar acima de 37,7 oC pode ser considerada patológica. Febre é um sintoma muito comum na unidade de primeiro atendimento, que deve ser avaliado dentro de um leque de diagnósticos diferenciais. A doença decorrente de febre pode ser autolimitada ou incutir risco à vida ou morbidade incluindo a internação em unidade de terapia intensiva ou internaçãoprolongada. A maioria das causas está relacionada às infecções e destas, a maior parte é representada pelas infecções virais. Fatores de risco na investigação da febre são: retorno de viagem para zona endêmica de malária ou de doenças infecciosas; infecção prévia pelo vírus HIV; transplante de órgão; quimioterapia ou radioterapia prévia nas últimas 6 semanas; esplenectomia; uso de corticosteroides, drogas imunossupressoras, alcoolismo ou uso de drogas ilícitas intravenosas; neoplasia, cardiopatia ou pneumopatia com comprometimento funcional, insuficiência renal e diabetes mellitus; uso recente de antibióticos; tremores, icterícia, vômitos, rash cutâneo, alteração do estado mental e sinais neurológicos focais novos. ENFERMAGEM MÓDULO 4 123 O controle de temperatura é regulado pelo hipotálamo. A vasoconstrição produz sensação de frio nas mãos e nos pés, há desvio do fluxo sanguíneo para os órgãos internos que elevam a temperatura em 1 a 2 oC. Uma vez que a temperatura alvo é atingida, o hipotálamo a mantém no estado febril, e quando o limiar térmico volta ao normal, há perda de calor por vasodilatação, sudorese e transpiração. Do ponto de vista bioquímico, a febre é resultado da secreção de citocinas pirogênicas (TNF-alfa, Interleucinas -1 e -6). Outras condições em que há ativação da resposta inflamatória, como trauma e doenças inflamatórias, também induzem a secreção de citocinas, que induzem o hipotálamo a elevar o “set point” da temperatura. As citocinas estimulam e síntese de prostaglandina E2 (PGE2) pelas células endoteliais, macrófagos e nos neurônios. 6.4.2 Hematúria Apesar de muitas doenças graves do trato geniturinário apresentarem hematúria como sintoma, a presença de sangue na urina não ocorre em mais do que 40% de cada uma delas. A hematúria é também parte do quadro clínico de diversas afecções benignas. Hematúria é a eliminação de hemácias na urina. Pode ser macroscópica quando vista a olho nu ou microscópica quando só é percebida ao exame microscópico do sedimento urinário (urina tipo I). Nas diferentes faixas etárias, as etiologias de hematúria variam em natureza e prevalência. As hematúrias podem ser divididas em alta e baixa. Hematúria alta ou glomerular é lesão da arquitetura dos capilares glomerulares, que leva à hiperfiltração de hemácias que se deformam ao passar pela parede dos vasos, dando origem a um sedimento urinário com dimorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos. Hematúria baixa ou não glomerular é observada quando as hemácias do sedimento urinário provêm de via urinária, não havendo distorção da sua forma. Não há dimorfismo nem cilindros hemáticos. 6.4.3 Dor Lombar A dor lombar promove morbidade e incapacidade, estando entre os distúrbios dolorosos que acometem o homem, com incidência apenas menor que a cefaleia. Para o diagnóstico da dor lombar, a história tem um caráter fundamental, e os seguintes itens da anamnese devem ser questionados. ▪ Na hérnia discal e nas lombalgias inflamatórias: a dor pode ocorrer pela manhã; ▪ Na estenose degenerativa do canal vertebral: a dor piora no decorrer do dia; ▪ No osteoma osteoide: a dor piora no final da tarde, após a jornada de trabalho; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 124 ▪ Na lombalgia mecânico-degenerativa: a dor piora no final da tarde, após a jornada de trabalho; ▪ Nas espondiloartropatias: a dor é material, melhorando ao longo do dia. Exame físico: Durante o exame físico, são observados: ▪ Flexão e extensão da coluna lombar; ▪ Manobra de Valsava; ▪ Manobra de Lasègue; ▪ Manobra de Romberg; ▪ Sinal das Pontas; ▪ Pesquisa de Reflexos; ▪ Pesquisa de força muscular nos membros inferiores; ▪ Sinais relacionados à dor lombar de causa psicossomática. Diagnóstico diferencial (sinais de alerta de afecções graves): O diagnóstico diferenciado, observando-se os sinais de alerta de afecções graves, ocorre diante dos seguintes casos: Tumor maligno ou infecção; Fratura; Síndrome da cauda equina; Úlcera péptica perfurada; Pancreatite; Colite e Proctite; Distúrbio Gênito-urinário; Problemas na aorta. Exames complementares: Devem ser observados os seguintes exames complementares. Radiologia simples; Tomografia computadorizada; Ressonância magnética; Mielografia dinâmica; Mielotomografia computadorizada; Discografia; Cintilografia óssea; Eletroneuromiografia. ENFERMAGEM MÓDULO 4 125 Tratamento da dor lombar e mecanismo postural: No tratamento da dor lombar, é contraindicado, porém, o repouso relativo de 2 a 4 dias, com orientação postural, melhora o conforto do paciente. O mesmo deve ser posicionado em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos em 90 graus, bem como os quadris. Alguns pacientes preferem o decúbito lateral, com um travesseiro entre as coxas. A extensão dos quadris e das pernas (reproduzindo a manobra de Lasègue) agrava os sintomas, principalmente nas lombociatalgias. Nos casos com sinais clínicos evidentes de compressão radicular, o repouso pode se estender até 10 dias. Os pacientes devem ser orientados a não carregar peso e evitar subir e descer escadas. O retorno gradual às atividades cotidianas deve ser estimulado. Medicamentos: Alguns medicamentos podem ser úteis para o tratamento da lombalgia e lombociatalgia, podendo ser ministrados analgésicos comuns, anti-inflamatórios não- hormonais, relaxantes musculares e antidepressivos tricíclicos. As drogas devem ser prescritas por médico e utilizadas por curto período de tempo, com monitoração dos efeitos colaterais. Recomendam-se: ▪ Analgésicos comuns (não narcóticos); ▪ Anti-inflamatórios não hormonais (AINH); ▪ Relaxantes musculares; ▪ Analgésicos narcóticos; ▪ Corticosteroides; ▪ Infiltração de corticosteroide no espaço peridural; ▪ Infiltração de corticosteroide perirradicular (foraminal). Cirurgia: O tratamento cirúrgico é realizado com base no diagnóstico clínico e nos exames por imagens. Cada vez mais, tal procedimento é indicado com menor frequência, e a única indicação emergencial corresponde à Síndrome da Compressão da cauda equina. 6.4.4 Dor Abdominal A dor abdominal aguda é comumente definida como dor com menos de uma semana de duração. Já o termo “abdome agudo” se refere a um distúrbio agudo, súbito, espontâneo, cuja principal manifestação é a dor abdominal e que frequentemente necessita de uma cirurgia de urgência. Devemos ter em mente que, nesses casos, mais importante que um diagnóstico apurado é a conduta correta, que deve ser rapidamente estabelecida com MÓDULO 4 ENFERMAGEM 126 o tratamento dos desequilíbrios hemodinâmicos e hidroeletrolíticos e a cirurgia imediata. Na maioria das vezes, existe tempo para se estabelecer uma história, um exame físico e organizar as investigações que irão ajudar no diagnóstico e planejamento terapêutico. Epidemiologia: A dor abdominal é uma das principais causas de admissões nos Departamentos de Emergências. A taxa de admissão por dor abdominal varia de 18 a 42%, sendo de até 63% e pacientes com mais de 65 anos. Em até 40% dos casos, não se consegue chegar ao diagnóstico etiológico. Fisiopatologia: A dor abdominal é classicamente dividida em três categorias: visceral, parietal é referida. Em geral, a dor visceral (autonômica) e parietal (somática) são consideradas as duas causas básicas de dor abdominal. A dor referida pode ser considerada separadamente como má interpretação cortical de um estímulo aferente visceral ou parietal. Dor visceral: É geralmente causada por estiramento de fibras aferentes C, que inervam a parede das vísceras e as cápsulas que envolvem os órgãos parenquimatosos. Ocorre por distensão, inflamação ou isquemia, que estimula os neurônios receptores, ou por envolvimento direto da inervação sensorial. Por exemplo, o estímulo das fibras viscerais na parede do apêndice entra na medula ao nível de T10.Quando ocorre a distensão do apêndice, na fase inicial, a dor é percebida na cicatriz umbilical, que corresponde ao dermátomo cutâneo de T10. Dor parietal: A dor parietalÉ medida pelas fibras nervosas Delta C e A, senso esta última a responsável pela transmissão da dor mais aguda, intensa e localizada. A dor é causada por irritação (pus, bile, urina e outras secreções) das fibras que inervam o peritônio parietal, que cobre a porção anterior da parede abdominal. Sua distribuição cutânea corresponde às fibras de T6 -L1. A dor parietal é localizada porque as fibras aferentes somáticas são dirigidas a apenas um dos sistema nervoso. A dor abdominal parietal costuma ser descrita em um dos quadrantes ou na região epigástrica ou central. Dor referida: A dor referida é aquela sentida num local distante do órgãos primariamente acometidos. Caracterizada por produzir sintomas, e não sinais, a dor referida costuma ser ipsilateral ao órgão envolvido. Assim como na dor visceral, o padrão de dor referida também se baseia no desenvolvimento embriológico. O ureter e os testículos, por ENFERMAGEM MÓDULO 4 127 exemplo, são anatomicamente contíguos e, desta maneira, dividem a mesma inervação segmentar. Assim, a obstrução uretral aguda é frequentemente associada com a dor testicular. A localização da dor serve como guia ao diagnóstico, porém devemos lembrar que o quadro clássico ocorre com apenas 2/2 dos casos. A grande variabilidade é dada pelos padrões de dor atípica, evolução da patologia e o estado imunológico do paciente. 6.4.5 Traumas No que diz respeito à avaliação e ao atendimento inicial ao politraumatizado, o grande objetivo em emergência é identificar aquelas situações que representam risco imediato à vida. O atendimento é multidisciplinar, visando salvar vidas, não agravar lesões e do restabelecimento das funções comprometidas. O protocolo de atendimento a vítimas neste caso foi estabelecido pelo Colégio Americano de Cirurgiões, e tem como objetivo atender de forma sistemática e com identificação e acesso rápido as lesões e tratamento adequado ao paciente politraumatizado. O politraumatismo é um termo utilizado quando há mais de uma lesão no corpo. É o resultado de grandes acidentes, casos nos quais a vítima poderá apresentar lesões de diversos tipos, como: óssea, musculares dérmica, viscerais, vasculares e lesões em órgãos internos. A avaliação inicial compreende: a) avaliação das vias aéreas + imobilização da região cervical; b) avaliação respiratória; c) avaliação circulatória; d) avaliação neurológica (AVDI); e e) exposição, as quais serão descritas e ilustradas a seguir. Avaliação das vias aéreas com controle da região cervical: A avaliação deve proceder, em primeiro lugar, com a permeabilidade de vias aéreas, seus sinais de obstrução por corpos estranhos, sangue, secreções, dentes, próteses, ossos, etc., fraturas faciais e fraturas mandibulares. Realizam-se manobras para estabelecer a permeabilidade das vias aéreas, tais como proteção da coluna cervical. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 128 Figura 9 - Manobra Jaw Thrust Fonte: Google imagens Nesta manobra, é importante procurar não hiperestender, hiperfletir ou rodar a cabeça. Deve-se suspeitar de trauma cervical em todos os pacientes que demonstrem rebaixamento do nível de consciência e traumas acima da clavícula. Utiliza-se a manobra de deslocamento anterior da mandíbula (Jaw Thrust), apoiando- se a mandíbula de cada lado no ângulo. A mesma é deslocada para a frente, desobstruindo a hipofaringe, conforme ilustra a Figura 9. Avaliação respiratória: Assim como em qualquer atendimento de emergência, a prioridade é garantir oxigenação para os tecidos do corpo e, principalmente, para o cérebro. É muito importante avaliar o quadro respiratório do paciente, pois as vias aéreas pérvias somente não garantem ventilação adequada. Deve-se observar: funcionamento adequado dos pulmões, expansão da parede torácica, e qualidade (frequência, superficialidade, ritmo e ruídos), atentar para sinais de parada respiratória e, se necessário, iniciar a administração de oxigênio sob máscara facial bem ajustada, ou ainda, se necessário, utilizar o ambu + mascara, até que o paciente melhore ou que o médico chegue para realizar a intubação. De forma prática, utiliza-se a sigla VOS, que diz respeito a ver, ouvir e sentir, conforme descrito a seguir. ENFERMAGEM MÓDULO 4 129 ▪ Ver: ▪ Agitação, torpor; ▪ Cianose, tiragem intercostal; ▪ Uso da musculatura acessória. ▪ Ouvir: ▪ Ruídos aéreos anormais; ▪ Respiração ruidosa (significa obstrução). ▪ Sentir: ▪ Movimento do ar durante o esforço respiratório. Avaliação circulatória – sangramento e perfusão: As grandes perdas sanguíneos são umas das causas mais frequentes de morte em pacientes politraumatizados, pois evoluem com choque hipovolêmico. As hemorragias externas devem ser tratadas com curativos compressivos, cujo controle deve ser realizado nesta etapa, porque se o sangramento não for controlado, o potencial de morte aumenta muito. A reposição volêmica deve ser realizada com acesso venoso de grosso calibre e soluções de cristaloides de 1500 – 2000 ml. Os pacientes com hipovolemia podem apresentar alterações de nível de consciência e alterações de pulso. Avaliação neurológica (AVDI): Corrigindo-se todos os problemas elencados nos tópicos anteriores, segue-se para a avaliação neurológica, no qual se avalia o nível de consciência. A avaliação rápida neurológica compreende a sigla AVDI, que inclui: ▪ A – alerta. ▪ V – resposta ao estímulo verbal. ▪ D – só responde à dor. ▪ I – inconsciente. É importante que seja utilizada a escala de coma de Glasgow quando há rebaixamento de nível de consciência e se o paciente apresentar TCE2. Exposição: Neste item, se observam a exposição e avaliação cefalocaudal da vítima. A roupa da vítima deve ser removida à procura de lesões. Não se deve se esquecer do 2 Este tema será mais bem tratado em seções subsequentes. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 130 dorso, tomando cuidado com a coluna cervical. A vítima deve ser protegida com cobertores para o controle de hipotermia. A regra geral é remover o tanto de roupa necessária para determinar a ausência ou presença de lesões. 6.4.5.1 Traumatismo Crânio-encefálico (TCE) Trata-se de uma ferida ou lesão, intencional ou não, infligida ao crânio por um mecanismo contra o qual este não pode se proteger. É também denominado Traumatismo craniano. É a principal causa de morte entre jovens, sendo as mais frequentes: acidentes automobilísticos, quedas e agressões. Os grupos em mais alto risco de lesão cerebral traumática são as pessoas com idade entre 15 e 24 anos e os indivíduos de sexo masculino. No Brasil, O TCE representa um importante problema de saúde pública, pelos altos custos e por atingir uma parcela economicamente ativa da nossa sociedade. Ocorre 1 TCE a cada 15 segundos, 1 óbito a cada 5 minutos e 1 sequela a cada 5 minutos. O TCE pode se limitar a lesões evidentes (couro cabeludo) ou lesões em estruturas mais profundas (cérebro). Os tipos mais comuns de traumas cranianos serão observados a seguir. Lesões de couro cabeludo: As lesões de couro cabeludo são observadas em casos de arranhões, cortes, hematomas e escalpelamentos, como ilustra a Figura 10. Figura 10 - Escalpelamento Fonte: Revista Fórum ENFERMAGEM MÓDULO 4 131 Fraturas de crânio: As fraturas de crânio são comuns, mas nem sempre são associadas à lesão cerebral, ou seja, pode ocorrer a fratura do crânio sem que nenhuma estrutura cerebral seja lesionada. As fraturas podem ser classificadas como simples, cominutivas, deprimidas ou basilares. Uma fratura simples (linear) é uma solução na continuidade do osso. Uma fratura de crânio cominutivadesigna uma linha de fratura múltipla ou com estilhaços. Quando há fragmentos ósseos incrustados do tecido cerebral, a fratura é deprimida. São sinônimos de TCE grave e exigem observação rigorosa. Um quadro muito preocupante é a fratura de base de crânio que não permite a visualização do dano ósseo. Deve se suspeitar deste tipo de fratura quando houver saída de líquor pelo nariz (rinoliquorreia – Figura 11) ou pelo ouvido (otoliquorreia), ou vítimas que apresenta equimose nas pálpebras (olhos de guaxinim – Figura 12) ou na região mastoidea (sinal de Batle – Figura 13). Figura 11 - Rinoliquorreia Fonte: Google Imagens Figura 12 - Olhos de guaxinim Fonte: Google Imagens MÓDULO 4 ENFERMAGEM 132 Figura 13- Sinal de Battle Fonte: Google Imagens Lesão cerebral: A lesão cerebral está dividida em concussão, contusão e hemorragias. Na concussão, não se associa qualquer lesão identificável ao exame. O paciente apresenta perda temporária da consciência ou da memória, cefaleia, náuseas e vômitos. O paciente deverá ficar em observação até cessar a sintomatologia. Na contusão, há ferimento do tecido nervoso e manifestam-se mais distúrbios da função cerebral do que na concussão, porque existe edema. Pode haver alteração prolongada do estado de consciência, irritabilidade, desorientação, vômitos, mudanças dos sinais vitais (bradicardia, bradipneia, hipertensão), que tendem a ser progressivos. Nas hemorragias, os hematomas são as lesões mais graves, podendo ser epidural (acima da dura), subdural (abaixo da dura-máter) ou intracerebral (dentro do cérebro). Os sintomas, muitas vezes, demoram a aparecer, até que o hematoma esteja grande o bastante para causar distorção do cérebro ou aumento da PIC (Pressão Intracraniana). ▪ Hematoma epidural: Coleção de sangue entre a dura-máter e o crânio. Sua causa mais comum é o trauma direto de baixa velocidade no osso temporal (pouco espesso) resultando na lesão de artéria meníngea média. Os sintomas são a perda da consciência, seguida de lucidez, seguindo novamente a perda progressiva da consciência e diminuição da força muscular do lado oposto. A medida que o hematoma expande, a pupila se torna dilatada e deixa de responder à luz. ▪ Hematoma subdural: Coleção de sangue entre a dura-máter e a aracnoide. Geralmente resulta de ENFERMAGEM MÓDULO 4 133 uma lesão venosa durante um impacto violento na cabeça, déficits neurológicos focais podem aparecer imediatamente após o trauma ou podem demorar dias ou até meses para se apresentar. Os sinais e sintomas mais comuns são: cefaleia, irritabilidade, vômitos, alterações do nível de consciência, assimetria de pupilas (anisocoria) e alterações sensitivas e motoras, como distúrbios visuais, alteração de personalidade e dificuldade de fala. ▪ Hematomas cerebrais: Podem ocorrer em qualquer localização, mas são mais frequentes nos lobos temporais e frontais. O déficit neurológico depende da área cerebral que foi afetada e do tamanho da hemorragia. A Figura 14 a seguir ilustra os hematomas cerebrais (subdural, epidural e intracerebral). Figura 14- Hematomas cerebrais Fonte: Google Imagens Lesão penetrante: A lesão penetrante é causado pela penetração do corpo estranho que não deve ser removido do local. A retirado do objeto somente poderá ser realizada por profissionais especializados, em centro cirúrgico. O corpo estranho deve ser fixado para que ele não produza lesões secundários ao transporte. Para a avaliação do TCE, deve-se observar: ▪ História; ▪ Avaliação inicial: permeabilidade das vias áreas, circulação; ▪ Avaliação neurológica (nível de consciência – escala de coma de Glasgow); ▪ Avaliação das pupilas. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 134 Escala de coma de Glasgow: É um dos parâmetros mais importantes para se avaliar a evolução de um TCE. Por isso, esta avaliação deve ser feita em intervalos regulares. Esta escala é universal e permite uma visão do nível de resposta do paciente a partir de três reações diferentes, conforme ilustra o Quadro 2 e a Figura 15 a seguir. Quadro 2- Escala de coma de Glasgow Avaliação Pontuação 1- Abertura ocular Espontanea Por estímulo verbal Por estímulo a dor Sem respostas 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1 ponto 2- Resposta verbal Orientação Confuso (mas ainda responde) Resposta inapropriada Sons incompreensiveis Sem resposta 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 ponto 1 ponto 3- Resposta motora Obedece comandos Localiza dor Movimento de retirada Flexão anormal Extensão anormal Nenhuma 6 pontos 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 ponto 1 ponto Total máximo Total mínimo Intubação 15 3 8 Fonte: Elaborada pelos autores (2017) ENFERMAGEM MÓDULO 4 135 Figura 15 - Escala de coma de Glasgow Fonte: Google Imagens ▪ TCE grave: escala de coma menor ou igual a 8; ▪ TCE moderado: escala de coma entre 9 e 12; ▪ TCE leve: escala de coma entre 13 e 15. A assistência de enfermagem em casos de TCE, o atendimento inicial deve ser direcionado à prevenção de hipóxia, manutenção do metabolismo cerebral e prevenção e controle da pressão intracraniana. Deve-se observar: ▪ Estabelecer via aérea e mantê-la pérvia (controle de coluna cervical); ▪ Administrar O2 sob cateter S/N; ▪ Monitorar Sinais vitais; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 136 ▪ Avaliar nível de consciência; ▪ Puncionar acesso venoso; ▪ Avaliar tamanhos das pupilas e resposta a luz; ▪ Proteger ferimentos; ▪ Manter o paciente calmo e descrever todo o procedimento que irá fazer; ▪ Realizar sondagem nasogástrica; ▪ Realizar sondagem vesical monitorando o débito urinário; ▪ Encaminhar o paciente para exames radiológicos e eletroencefalográficos; ▪ Administrar medicações prescritas. 6.4.5.2 Traumatismo Raquemedular (TRM) Diz-se da lesão traumática da raqui (coluna) e medula espinal, resultando em algum grau de comprometimento temporário ou permanente das funções neurológicas. Pode ocorrer uma lesão total, ou seja, uma ruptura da medula (sintomas irreversíveis), ou compressão (sintomas regridem com o tratamento), ambas podendo levar ao choque neurogênico. A hiperextensão (Figura 16), movimentos bruscos como uma freada repentina de um carro ou pancadas muito fortes, como mergulho em águas rasas, perfurações por arma de fogo, podem causar uma lesão medular. As manifestações do TRM dependem do nível de sua localização, pois comprometem a inervação do corpo abaixo do nível de sua localização. Se a lesão na medula cervical for alta, o comprometimento motor pode levar à parada respiratória pela paralisia dos músculos. Figura 16- Hiperextensão Fonte: Plataforma Slideshare (2014) As vértebras mais frequentes envolvidas são a 5°, 6° e 7° do pescoço (C5-C7), a 12° vértebra torácica (T12) e a 1° lombar (L1). Essas vértebras são mais vulneráveis porque há maior mobilidade da coluna vertebral nessas áreas. Lesões cervicais altas: C3, C4 e C5 afetam o padrão respiratório por paralisia diafragmática; C2 e C3 causam apneia e morte; C5 paralisia dos músculos acessórios. Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes sem que haja lesões de ENFERMAGEM MÓDULO 4 137 medula espinhal. Por isso, a vítima deve ser imobilizada de forma correta preservando sua coluna. A Figura 17 a seguir ilustra a coluna vertebral e os seus segmentos. Figura 17 - A coluna vertebral e os seus segmentos Fonte: Medicina – facilitando fontes (2013) Disponível em: http://medicinafontes.blogspot.com.br/2013/04/fisiopatologia-e-avaliacao- clinica-do.html Para o tratamento da TRM deve-se observar: imobilização da coluna cervical para prevenir lesões secundárias; cirurgia para redução de fraturas; realinhamento de coluna por meio de fixação externa e interna. A assistência de enfermagem deve proceder tal como listado a seguir. ▪ Realizar o protocolo para paciente vítimade trauma; ▪ Estabelecer via aérea e mantê-la pérvia (controle de coluna cervical); ▪ Administrar O2 sob cateter S/N; ▪ Monitorar sinais vitais; ▪ Puncionar acesso venoso; ▪ Manter o paciente calmo e descrever todo o procedimento que irá fazer; ▪ Examinar a coluna cuidadosamente com o paciente em posição neutra (deformidades, edemas, equimoses, etc.); ▪ Valorizar as queixas de perda de força ou dormência; ▪ Realizar sondagem vertical, monitorando o débito urinário S/N; ▪ Encaminhar o paciente para exames radiológicas; ▪ Mobilizar o paciente sempre em bloco; http://medicinafontes.blogspot.com.br/2013/04/fisiopatologia-e-avaliacao-clinica-do.html http://medicinafontes.blogspot.com.br/2013/04/fisiopatologia-e-avaliacao-clinica-do.html MÓDULO 4 ENFERMAGEM 138 ▪ Administrar medicações prescritas (manitol e corticoides). 6.4.6 Emergências Neurológicas As emergências neurológicas dizem respeito às crises convulsivas e epilépticas, as quais serão descritas a seguir. 6.4.6.1 Crise Convulsiva Crise convulsiva são contrações musculares múltiplas, involuntárias, descoordenadas, resultantes de um estímulo cerebral anormal, acompanhadas, na maioria dos casos, de perda da consciência. Principais causas: ▪ Epilepsia – causa mais comum; ▪ Trauma; ▪ Tumores cerebrais; ▪ Febre elevada (em crianças menores de 6 anos); ▪ Doença infecciosa como meningite e encefalites; ▪ Outras. O paciente em crise convulsiva não apresenta reflexo de deglutição e há um acúmulo de saliva, sendo esta liberada em forma de espuma, pelo estímulo excessivo dos músculos apresenta os dentes cerrados, a respiração se torna irregular e ruidosa, o paciente também pode apresentar a liberação dos esfíncteres. Sinais e sintomas: ▪ Perda da consciência; ▪ Agitação psicomotora; ▪ Pode ocorrer cianose ▪ Olhar ausente; ▪ Os olhos podem ficar fixos na parte superior ou lateral; ▪ Contrações e espasmos musculares, com movimentos de contração e flexão muscular, que podem ser suaves a muito fortes; ▪ Sialorreia; ▪ Encerramento da boca com muita força, podendo haver o perigo de morder a língua e lábios; ▪ Descontrole dos esfíncteres (urina e/ou fezes). Tipos de crise epiléptica: ▪ Crise tônico-clônica generalizada: (crise convulsiva) abalos crônicos movimentos violentos, rítmicos e involuntários; ▪ Crise de ausência: desorientação: olhos parados e é de curta duração; ▪ Crise parcial simples: consciência preservada, abalos nos lábios no lado ENFERMAGEM MÓDULO 4 139 afetado; ▪ Crise parcial complexa: olhos abertos, automatismo mastigatório, movimentos repetitivos, consciência prejudicada. Anota-se o tempo de duração da crise. Fala-se com o paciente calmamente, conduzindo-o para um local seguro. A crise tônico-clônica é ilustrada pela Figura 18 a seguir. Figura 18 - Crise tônico-clônica generalizada Fonte: Google Imagens Assistência de enfermagem: Nos causos de crise convulsiva, devem ser observados os seguintes procedimentos na assistência de enfermagem. ▪ Verificar se vias aéreas estão livres; ▪ Avaliar a respiração; ▪ Oferecer O2 a 100%; ▪ Se possível, lateralizar a cabeça do paciente e proteger contra trauma; ▪ Afrouxar roupas; ▪ Não conter o paciente; ▪ Certificar-se se há pulso arterial, bem como os outros parâmetros vitais (Pressão arterial, frequência respiratória, saturação de oxigênio, glicemia capilar); ▪ Puncionar acesso venoso ▪ Administrar medicações prescritas – anticonvulsivantes. ▪ Aspirar secreções se necessário; ▪ Realizar sondagem gástrica se necessário; ▪ Registrar em prontuário: frequência, duração e tipo de crise; ▪ Dar apoio psicológico a família e ao paciente; ▪ Proteger a integridade moral do paciente. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 140 Sinais de gravidade da crise epiléptica: ▪ Crise convulsiva prolongada (maior ou igual a 5 minutos); ▪ Sem recuperação da consciência entre as crises; ▪ Gravidez; ▪ Ferimentos secundários à crise epiléptica; ▪ Primeira crise epiléptica (sem crises prévias). 6.4.7 Emergências Respiratórias As crises respiratórias são classificadas em asma brônquica, Insuficiência Respiratória Aguda (IRA), obstrução das vias aéreas, obstrução em vias aéreas por corpo estranho (Ovace) em vítimas conscientes, Edema Agudo do Pulmão (EAP), as quais serão descritas a seguir. 6.4.7.1 Asma Brônquica A asma brônquica constitui a 4° causa de hospitalização pelo SUS, com cerca de 350.000 internações por ano. Na asma, há uma diminuição do calibre das vias aéreas (broncoconstrição), dificultando a passagem do ar, como ilustra a Figura 19. Esta diminuição ocorre devido ao processo inflamatório que produz muco em excesso e também o edema. Este processo pode ser desencadeado por estímulos, como o contato inalatório com poeira, mofo, pólens, exercícios físicos exagerados e o frio. Figura 19 - Asma bronquica Fonte: Google Imagens Muito embora seja uma patologia crônica, a asma é reversível espontaneamente ou por intervenção terapêutica e os cuidados são realizados pela equipe de enfermagem. É importante observar que, se não for tratada, a asma poderá evoluir para o estado de mal asmático, insuficiência respiratória ou atelectasia. ENFERMAGEM MÓDULO 4 141 Observam-se a seguir os principais sinais e sintomas da asma brônquica, bem como os procedimentos realizados pela assistência de enfermagem. Sinais e sintomas: ▪ Três sinais frequentes: tosse, dispneia, sibilos (chiado ou chieira); ▪ Sudorese; ▪ Desidratação; ▪ Fala interrompida por dispneia; ▪ Uso da musculatura acessória; ▪ Esforço respiratório (retração dos espaços intercostais); ▪ Batimento de asa de nariz. Assistência de enfermagem: ▪ Manter VAS permeáveis; ▪ Administrar oxigênio por máscara ou cateter nasal; ▪ Reconhecer os sinais e sintomas da exacerbação da asma (aumento da dispneia, cianose de extremidade, ansiedade); ▪ Transmitir segurança e tranquilidade para o paciente; ▪ Manter paciente em repouso na fase crítica; ▪ Manter o paciente em posição de flower, mudança de decúbito; ▪ Deambular, quando possível; ▪ Observar e anotar sinais e sintomas; ▪ Estimular a alimentação e ingestão de líquidos; ▪ Orientar paciente quanto à coleta de material para exames; ▪ Orientar evitar: fumo, extremos de calor e frio, fumaça, poeira, uso de lã, convívio com animais domésticos e pessoas com infecções de trato respiratório; ▪ Ter cuidado com equipamentos de terapia respiratória; ▪ Administrar medicações conforme prescrição (corticosteroides, xantinas, agentes anticolinérgicos). 6.4.7.2 Insuficiência Respiratória Aguda (IRA) Diz-se da incapacidade do sistema respiratório de realizar suas funções básicas de ventilação e oxigenação e promover adequada oxigenação arterial para os tecidos e eliminação do gás carbônico, resultando em prejuízo das trocas gasosas, que leva à hipoxemia e/ou hipercapnia. É caracterizada por PaO2 ≤ 60 mmHg, saturação de O2 menor que 90% e a PaCO2 ≥ 45 mmHg. A IRA é a falência respiratória que surge nos pulmões, cujo funcionamento era normal antes do início da doença atual. Após a IRA, o pulmão volta ao seu estado original, diferente da insuficiência respiratória crônica, na qual a lesão é irreversível, observada em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema pulmonar e bronquite crônica. A seguir, serão observadas as principais causas, os sinais e sintomas, bem MÓDULO 4 ENFERMAGEM 142 como os procedimentos em assistência de enfermagem. Causas: ▪ Depressão no SNC, condições que afetam os nervos e músculos que controlam a respiração; ▪ Trauma dos tecidos e costelas envolvendo os pulmões. ▪ Obstrução das vias aéreas; ▪ Overdose de drogas e/ou álcool. Isso afeta a área do cérebro que controla a respiração; ▪ Doenças pulmonares, como doença pulmonária obstrutiva crônica, pneumonia; ▪ Síndrome do desconforto respiratório agudo, emboliapulmonar, e fibrose cística. Essas doenças podem afetar o fluxo de ar e sangue para dentro e fora dos pulmões; ▪ Lesões pulmonares agudas (inalar gases danosos ou fumaça que podem lesionar os pulmões); ▪ Pacientes de pós-operatório, devido aos efeitos dos anestésicos, analgésicos e sedativos podem evoluir com IRA. Sinais e sintomas: ▪ Dispneia, taquipneia; ▪ Aumento do trabalho respiratório; ▪ Uso da musculatura acessória; ▪ Tiragem intercostal; ▪ Batimento de asa do nariz; ▪ Sudorese; ▪ Ansiedade; ▪ Agitação, confusão mental; ▪ Sonolência ou perda da consciência; ▪ Taquicardia, hipotensão; ▪ Choque. Assistência de enfermagem: O paciente com esta patologia deve ser avaliado criteriosamente, pois seu estado pode mudar repentinamente para estado grave com risco de vida. Os procedimentos de assistência de enfermagem recomendados são: ▪ Manter VAS permeáveis; ▪ Administrar oxigênio conforme prescrição; ▪ Monitorar oxigenação com oximetria de pulso e gasometria arterial; ▪ Transmitir segurança e tranquilidade para o paciente; ▪ Manter paciente em repouso na fase crítica; ▪ Posição de Fowler, mudança de decúbito; ENFERMAGEM MÓDULO 4 143 ▪ Observação e anotar sinais e sintomas da evolução clínica do paciente; ▪ Puncionar acesso venoso calibroso para medicação e hidratação; ▪ Manter medicamentos de emergência em local de fácil acesso; ▪ Estar sempre alerta com o bom funcionamento dos equipamentos; ▪ Monitorar resposta ventilatória do paciente. 6.4.7.3 Obstrução das Vias Aéreas O reconhecimento precoce da obstrução de vias aéreas é indispensável para o sucesso no atendimento. Pode ocorrer por obstrução mecânica, que pode ser pela queda da língua ocluindo a hipofaringe, ou simplesmente por corpos estranhos, como alimento, próteses dentárias dentes e etc. Assegurar uma via aérea pérvia é a primeira prioridade em qualquer situação de emergência. Manobras manuais: No paciente inconsciente, a língua fica flácida e cai, obstruindo a hipofaringe, impedindo a passagem do ar. Então, realiza-se a manobra de Chin lift (Figura 20), estendendo a cabeça e levantando o queixo, com o paciente em decúbito dorsal. Esta manobra não pode ser realizada em vítimas de trauma. Figura 20 - Manobra de Chin lift Fonte: Google Imagens A abertura das vias áreas inclui a inspeção da acidade oral, com retirada manual de qualquer corpo estranho, incluindo prótese dentária. A manobra Jaw Trust (Figura 21) é indicada no lugar da Chin lift, em casos de vítimas de trauma com risco de lesão cervical. Nesta manobra, a cabeça do paciente não é estendida e apenas tracionam-se anteriormente os ângulos mandibulares. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 144 Figura 21 - Manobra Jaw Trust Fonte: Google Imagens Aspiração: Alguns pacientes podem não ser capazes de eliminar com eficiência algumas secreções, e estas podem obstruir a passagem do ar para os pulmões. A aspiração de secreções é muito importante para permitir a permeabilidade das vias aéreas. Acessórios básicos: São aqueles utilizados quando as técnicas manuais falham ou quando se faz necessária uma manutenção continua das vias aéreas. Dentre eles encontram-se as cânulas orofaríngea, cânulas nasofaríngeas e cânulas de duplo lúmen. ▪ Cânula orofaríngea: As cânulas orofaríngeas (Figura 22) recebem também o nome de cânula de Guedel, utilizadas em vítimas inconscientes para manter vias aéreas pérvias e impedir que os paciente intubados mordam o tubo. Se utilizadas em vítimas conscientes, podem provocar vômito e até laringoespasmos. É necessária a correta técnica de colocação, para que não ocorra o rebaixamento da língua. Figura 22 - Cânula orofaríngea Fonte: Google Imagens ENFERMAGEM MÓDULO 4 145 ▪ Cânula nasofaríngea: A cânula nasofaríngea também pode ser utilizada em pacientes que não são capazes de manter via aérea pérvia, é confeccionada em látex, é bem flexível. É introduzida delicadamente em uma das narinas até a orofaringe, pode provocar hemorragias por trauma na hora de sua colocação. Figura 23 - Cânula nasofaríngea Fonte: Google Imagens ▪ Intubação traqueal: É o método para se conseguir controle máximo sobre a via aérea de um paciente. É introduzido um tubo por via oral ou nasal, até a traqueia do paciente. Permite a ventilação com 100% de oxigênio. Elimina a necessidade de máscaras ajustadas, diminui os riscos de aspiração e permite uma via adicional para medicações. É um procedimento médico. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 146 Figura 24 - Intubação traqueal Fonte: Google Imagens 6.4.7.4 Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho (Ovace) É uma situação emergencial, em que há uma obstrução do fluxo de ar pelas vias áreas. Esta obstrução pode ser parcial ou total. A restauração desta via tem que ser realizada de forma rápida e efetiva, para que o paciente não fique por muito tempo sem oxigenação. Pode ser causada por: alimentos, vômitos e por ingestão de objetos em geral. O Quadro 3 a seguir ilustra a classificação da obstrução. Quadro 3 - Classifcação da obstrução Total Parcial Não tosse Tosse Não respira Respira Movimentos paradoxais Ruíidos Fala Fonte: Elaborado pelo autor (2015) A seguir, observam-se os sinais e sintomas e a forma de desobstrução indicada. Sinais e sintomas: ▪ Tosse ou tentativa de tossir; ▪ Respiração ruidosa; ▪ Dificuldade respiratória; ▪ Movimentos respiratórios ineficazes; ▪ Aflição; ENFERMAGEM MÓDULO 4 147 ▪ Não conseguir falar; ▪ Engasgado – sinal clássico. Figura 25- Manobra de Heimlich Fonte: Google Imagens Na desobstrução, pode ser utilizada a manobra de Heimlich, que consiste na realização de uma série de compressões em nível da parte superior do abdômen, mais precisamente abaixo do esterno. Estas compressões devem ser rápidas, pressionando para dentro e para cima, na região acima da cicatriz umbilical. Devem ser realizadas manobras até a saída do objeto. Entretanto, em caso de perda de consciência, deve-se parar imediatamente de executar a manobra. É preciso estar atento, pois isso pode acontecer a qualquer momento, se o objeto não for removido. Devem-se chamar serviços de emergência e pedir ajuda imediata, ou que alguém faça isso, sempre que possível, para economizar tempo. 6.4.7.5 Edema Agudo do Pulmão (EAP) Insuficiência respiratória súbita e progressiva, correspondente ao extravasamento de líquido para o espaço intersticial e/ou alvéolos pulmonares, resultando em: hipoxemia, comprometimento das trocas gasosas (V/P) e diminuição da complacência pulmonar. O edema agudo de pulmão é uma condição clínica grave, frequentemente secundária à insuficiência cardíaca, em que há um acúmulo de sangue nas veias e capilares pulmonares, a tal ponto que acontece um extravasamento de fluidos para os espaços aéreos dos pulmões. Isso deixa o pulmão menos elástico e com menos superfície de contato entre os gases inspirados e o sangue. Observam-se a seguir as principais causas, sinais e sintomas, bem como tratamento e assistência de enfermagem. Causas: ▪ Infarto do miocárdio – é a causa mais comum; ▪ Disfunção do músculo cardíaco; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 148 ▪ Doenças das válvulas aórtica ou pulmonar; ▪ Sobrecarga circulatória: administração exagerada de líquidos, comum em crianças ou pacientes que recebem líquidos (soros) em excesso pelas veias; ▪ Lesões pulmonares, inalação de fumaça. Sinais e sintomas: ▪ Dispneia rapidamente progressiva; ▪ Taquipneia; ▪ Tosse; ▪ Escarro espumoso e sanguinolento (róseo); ▪ Ansiedade, pânico, confusão mental; ▪ Cianose com sudorese intensa; ▪ Palidez; ▪ Taquicardia e pulso fino; ▪ PA aumentada; ▪ Respiração ruidosa – estertores bolhosos e roncos bilaterais; ▪ Ritmo de galope; ▪ Sopros cardíacos. Observação: o paciente se torna ansioso, agravando ainda maiso seu estado. Se não houver intervenção rápida, pode evoluir para óbito em pouco tempo. Tratamento/medicações administradas: O principal alvo do tratamento é reduzir o influxo de sangue sistêmico no átrio D- e reduzir o retorno venoso. ▪ O2 100% + monitor + oximetria + via venosa; ▪ Tratar a causa subjacente (HAS - ↓ PAD); ▪ Corrigir fatores contribuintes; ▪ Restrição de fluidos e de sódio; ▪ Morfina – diminui a ansiedade e melhora a circulação arteriolar e venular; ▪ Diuréticos – reduzem o volume de líquido, aumenta de forma intensa a excreção de urina e sódio pelo organismo; ▪ Nitroprussiado de sódio (reduz a pressão arterial e pulmonar); ▪ Aminofilina (atua como vasodilatador, diurético e broncodilatador); ▪ Digitálicos (aumentam a força contrátil do coração). Assistência de enfermagem: ▪ Posicionar o paciente em posição sentada – pés e pernas para fora do leito, para favorecer a retenção do sangue nos membros diminuindo o retorno para o coração; ▪ Oferecer O2 em grande concentração; ▪ Manter acesso venoso pérvio; ENFERMAGEM MÓDULO 4 149 ▪ Administrar medicações prescritas; ▪ Realizar sondagem vesical para controle de diurese e balanço hídrico; ▪ Atentar para depressão do quadro respiratório; ▪ Monitorar sinais vitais; ▪ Descrever sinais, sintomas e evolução clínica do paciente. É importante salientar que a morfina pode aumentar a hipotensão, por isso é necessário deixar sempre à disposição o antagonista da morfina – naloxone. 6.4.8 Emergências do Trauma Nas seções que seguem, trataremos acerca da assistência de emergências em situações de traumas, de acordo com as suas especificidades. 6.4.8.1 Trauma Torácico Como ocorre com outras formas de lesões, o trauma torácico pode ser causado por mecanismos contusos ou penetrantes. Uma força exercida contra o tórax pode causar ruptura da anatomia e fisiologia normal dos órgãos torácicos. Os órgãos torácicos são intimamente envolvidos na manutenção da oxigenação, ventilação e oferta de oxigênio. As lesões de tórax são a principal causa de morte por trauma (uma em cada quatro) a cada ano, embora a grande maioria de todos os traumas torácicos (90% dos traumas fechados e 80% dos ferimentos penetrantes) seja tratada sem cirurgia. Vários mecanismos de trauma, incluindo colisões de veículos motorizados, quedas, lesões por prática de esportes, lesões por esmagamento e ferimentos por arma branca ou por projétil de arma de fogo, podem causar trauma no tórax. As lesões de tórax podem ser penetrantes ou fechadas. As lesões penetrantes são causadas por forças distribuídas por uma área pequena que penetram dentro da cavidade torácica. Ex.: causadas por projétil de armas de fogo e armas brancas ou quedas sobre objetos afiados. Lesões contusas: as forças são distribuídas sobre uma área maior e as lesões ocorrem devido à compressão e às forças de cisalhamento. Ex.: pneumotórax, tamponamento cardíaco, tórax instável, contusão pulmonar e ruptura de aorta. Fraturas de costelas: Mesmo sendo protegidas pela musculatura subjacente, as fraturas de costelas são comuns no trauma torácico. A localização mais comum das fraturas de costelas é a face lateral da 4ª a 8ª costela, pois são finas e menos protegidas. As pontas das costelas podem ocasionar lesões no músculo, pulmões e vasos. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 150 Figura 26 - Fraturas na costela Fonte: Google Imagens Os sinais e sintomas de fratura de costelas são dor à movimentação, à palpação do local, podendo ocorrer falta de ar e, eventualmente, crepitação óssea. O tratamento inicial dos doentes com fraturas simples de costelas é a redução da dor por meio de imobilização e diminuição do movimento das costelas. Isto pode ser realizado usando o braço do doente e uma tipoia. Vibrações anormais e tosse devem ser encorajadas, apesar da associada. Estes cuidados evitam atelectasias. Os sintomas associados às lesões de tórax são como em outras áreas do corpo: quando presentes, indicam lesão. Entretanto, a ausência de sinais e sintomas não indica que não exista lesão. Tórax instável: Diz-se tórax instável, quando duas ou mais costelas adjacentes são fraturadas em pelo menos dois lugares (Figura 27), ocasionando segmento de flutuação livre. A parede torácica perde a estabilidade e ocorre o comprometimento respiratório. O segmento da parede torácica que está instável perdeu o suporte ósseo e a fixação à caixa torácica. Este segmento “livre” irá se mover em direção oposta à do resto do tórax durante a inspiração e a expiração, O resultado destes dois movimentos paradoxais da parede do tórax é a diminuição da ventilação, levando à hipóxia e a hipercapnia. ENFERMAGEM MÓDULO 4 151 Figura 27- Tórax instável Fonte: Google Imagens ▪ Tratamento/assistência de enfermagem: O tratamento nestes casos é voltado para o alívio da dor, suporte ventilatório e monitoramento de uma possível piora do quadro. ▪ Administrar oxigênio; ▪ Puncionar acesso venoso calibroso; ▪ Administrar medicações prescritas, conforme prescrição (analgésicos e outros); ▪ Incentivar a respiração profunda; ▪ Monitorar oximetria de pulso e controle de sinais vitais – rigorosamente; ▪ Para casos graves, se faz necessário que o médico realize a intubação traqueal e o paciente receba ventilação mecânica. Contusão pulmonar: Uma contusão pulmonar ocorre quando o tecido pulmonar é lacerado ou rompido por mecanismos contusos ou penetrantes. A contusão pode resultar de trauma fechado, como no tórax instável, mas pode também ser resultado de ferimento penetrante. Entretanto, quer tenha como causa um trauma fechado ou um ferimento penetrante, a contusão pulmonar apresenta o mesmo problema clínico: áreas do pulmão sem ventilação. Mesmo sem a presença associada de um tórax instável, a contusão pulmonar é uma lesão torácica comum e potencialmente letal. Insuficiência respiratória grave pode se desenvolver rapidamente ao longo das primeiras 24 horas. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 152 ▪ Tratamento e assistência de enfermagem: ▪ Administrar oxigênio suplementar; ▪ Deve-se avaliar repetidamente a avaliação da FR, oximetria de pulso, bem como os demais sinais vitais; ▪ Acesso venoso – manter via pérvia; ▪ Se o paciente não apresenta grande perda sanguínea, limitar a infusão de fluidos; ▪ Para casos graves, se faz necessário que o médico realize a intubação traqueal e o paciente receba ventilação mecânica. Pneumotórax: Envolve a entrada de ar para o espaço pleural, que normalmente apresenta 15ml de líquido, sendo este apenas para lubrificação e facilitar o deslizamento das pleuras. Os três tipos de pneumotórax representam níveis crescentes de gravidade, conforme descrito a seguir. ▪ Pneumotórax simples: É causado pela presença de ar no espaço pleural. À medida que o ar aumenta, o pulmão daquele lado sofre colabamento. ▪ Pneumotórax aberto: Ocorre devido a um defeito na parede torácica que permite que o ar que vem de fora entre e saia do espaço pleural com esforço ventilatório (Figura 28). O tratamento inicial envolve a realização do curativo de três pontos, o que evita a entrada de ar na inspiração ao mesmo tempo em que o ar escapa pelo lado aberto durante a expiração. Figura 28- Pneumotórax aberto Fonte: Google Imagens ENFERMAGEM MÓDULO 4 153 ▪ Pneumotórax hipertensivo: Ocorre quando o ar continua a entrar no espaço pleural, sem um trajeto por onde sair, causando o aumento da pressão dentro deste espaço, fazendo colabar ainda mais o pulmão no lado acometido e empurrando o mediastino (coração e vãos sanguíneos) para o lado oposto (contralateral) (Figura 29). O paciente apresenta fome de ar, agitação, hipotensão, taquicardia e cianose. Figura 29- Pneumotórax hipertensivo Fonte: Google Imagens O paciente deve receber imediatamente alta concentração de oxigênio e deveser realizada a descompressão com uma agulha intravenosa de grosso calibre, para que haja um escape de ar. Esse procedimento torna o pneumotórax hipertensivo em pneumotórax aberto simples. Tratamento para pneumotórax: O tratamento de um doente com pneumotórax consiste em diminuir a pressão no espaço pleural, mediante descompressão com agulha (toracocentese) ou drenagem com dreno torácico sob selo d’água. Administração de O2 suplementar e acesso venoso calibroso. Hemotórax: É a presença de sangue no espaço pleural (Figura 30). O sangramento pode ter origem na parede da musculatura torácica, nos vasos intercostais ou no tecido pulmonar. O tratamento consiste em toracocentese ou instalação de um dreno ligado ao selo d’água. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 154 Figura 30 - Hemotórax Fonte: Google Imagens ▪ Assistência de enfermagem na drenagem torácica: ▪ Preparar o doente, explicando todo o procedimento; ▪ Trocar diariamente o curativo (cuidados no local da inserção do dreno); ▪ Avaliar o funcionamento do tubo torácico diariamente; ▪ Observar nível de água; ▪ O frasco de selo d’água deve estar no mínimo a 50cm abaixo do tórax do paciente: ▪ Tubos devem ser fixados com látex que não impeçam a locomoção do paciente, cuidando para que não fiquem dobrados; ▪ Realizar ordenha s/n; ▪ Manter em fácil acesso duas pinças Kelly, em caso de quebra de frasco ou desconexão. É importante observar os casos em que o dreno deve ser retirado: quando a drenagem for inferior a 50ml nas 24 horas, após o paciente recuperar a sua função respiratória normal, se não existe oscilação na coluna de líquido ou borbulhar (após excluída hipótese de obstrução ou deslocamento do dreno), e após avaliação por RX. ENFERMAGEM MÓDULO 4 155 Contusão cardíaca: A causa mais comum da lesão cardíaca é a aplicação de força na região anterior do tórax. O coração ocupa uma grande parte do centro do tórax e está situado entre o esterno e a coluna torácica. No trauma torácico fechado grave, como ocorre em colisões frontais com veículos motorizados, primeiro o tórax atinge o painel ou a direção e, então, o coração é comprimido entre o esterno e a coluna. Pode haver vários tipos de lesão cardíaca, mas a mais comum é a contusão miocárdica. Esta contusão pode causar destruição das células da parede, ruptura da própria parede do coração ou danos as suas válvulas. O ventrículo direito (VD) é mais comumente lesado devido à sua localização subesternal. Uma contusão parcial ou que atinja toda a espessura da musculatura pode ser sinalizada pela diminuição do débito cardíaco ou por arritmias. O tratamento consiste em suporte farmacológico para arritmias, oxigenoterapia, monitorização e, dependendo da extensão da contusão, correção cirúrgica da lesão. Tamponamento cardíaco: Ocorre quando há um acúmulo agudo de líquido entre o saco pericárdico e o coração. O saco pericárdico é composto de um tecido fibroso inelástico e normalmente há pouco líquido. Este acúmulo de líquido ocasiona o aumento da pressão dentro do saco pericárdico, impede o retorno venoso ao coração e leva à diminuição do debito cardíaco e da pressão arterial. O sangue pode entrar no espaço pericárdico se os vasos sanguíneos do pericárdio se romperem por trauma fechado ou penetrante ou se houver ruptura ou penetração do miocárdio. Esta condição, chamada de hemopericárdio, pode levar ao tamponamento cardíaco. O tamponamento cardíaco é mais frequentemente devido a ferimentos por arma branca. O tratamento envolve e remoção do sangue do pericárdio (pericardiocentese) e a interrupção do sangramento. ▪ Manifestações clínicas: Enquanto manifestações clínicas, observam-se: veias do pescoço distendidas, hipotensão arterial, batimentos cardíacos abafados, ansiedade, confusão, além de poder apresentar do precordial. ▪ Assistência de enfermagem: ▪ Fornecer oxigênio em alta concentração; ▪ Reposição volêmica com acesso venoso de grosso calibre; ▪ Tranquilizar o paciente explicando todos os procedimentos que serão realizados; ▪ Controlar rigorosamente os sinais vitais já que podem ocorrer alterações graves em um curto intervalo de tempo; ▪ Preparar e manter sempre em ordem o material de emergência e material para drenagem. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 156 6.4.9 Emergências Cardiovasculares As emergências cardiovasculares são observadas enquanto: choque, parada cardiorrespiratória, reanimação cardiopulmonar, as quais serão descritas e ilustradas a seguir. 6.4.9.1 Choque Denomina-se choque cardiovascular o distúrbio agudo na circulação com alteração na relação oferta-demanda de oxigênio aos tecidos, causada por uma redução do volume circulante, resultando em isquemia dos tecidos e consequente morte celular. Caso não haja correção, o choque pode ocorrer, por falha no mecanismo que bombeia o sangue (coração), por problemas no vaso sanguíneo (alterações na resistência da parede dos vasos) e baixo nível de fluido no corpo (sangue e líquidos corporais). Sinais e sintomas: ▪ Inquietude; ▪ Taquicardia; ▪ Pulso fino e taquicárdico; ▪ Pele fria e pegajosa; ▪ Sudorese abundante; ▪ Mucosas descoradas; ▪ Cianose; ▪ Resfriamento de extremidades; ▪ Hipotermia; ▪ Respiração superficial, rápida e irregular; ▪ Náuseas e vômito; ▪ Hipotensão; ▪ Alterações neurossensoriais. O choque pode ser classificado em hipovolêmico, cardiogênico, séptico, anafilático e neurogênico, os quais serão descritos a seguir. Choque hipovolêmico: Ocorre por redução aguda no volume circulante no corpo. Observa-se a perda de 15 a 25% de perda de líquidos corporais, o que equivale a cerca de 700 a 1300ml de perda. ▪ Causas: ▪ Perda sanguínea – hemorragia; ▪ Perda de líquido e eletrólitos por vômitos e diarreia; ▪ Perda hídrica interna (‘grande queimado’, ascite). ENFERMAGEM MÓDULO 4 157 ▪ Tratamento: ▪ Consiste em tratar a causa básica; ▪ Reposição hídrica e sanguínea; ▪ Redistribuição de líquido; ▪ Medicações vasoativas. Derivados de sangue são indicados quando a causa do choque hipovolêmico for hemorragia. Deve-se administrar oxigênio por máscara. Choque cardiogênico: É a incapacidade de o coração bombear uma quantidade adequada de sangue para os órgãos nobres, causando queda da pressão arterial, falta de oxigênio nos tecidos e acúmulo de líquidos nos pulmões. Diz-se de uma das maiores complicações do infarto agudo do miocárdio e se não for tratada com urgência, pode levar à morte em 50% dos casos. ▪ Causas: ▪ São de etiologia coronária; ▪ Infarto agudo do miocárdio (IAM); ▪ Falência miocárdica; ▪ Arritmias; ▪ Miocardites. ▪ Tratamento: ▪ Trata-se a causa com o objetivo de limitar a lesão cardíaca, preservar o miocárdio e melhorar a capacidade do coração em exercer sua função de bomba. Pode ser cirúrgico ou com o uso de drogas vasoativas. Choque séptico: É decorrente de um processo infeccioso disseminado, grave, em que ocorre a liberação de mediadores, inflamatórios que produzem lesão do endotélio do vaso, ocasionando a permeabilidade do vaso e extravasamento de líquido. O choque séptico tem como causas as infecções de sítios diversos. O tratamento é feito a partir do uso de antibióticos específicos para combater a bactéria causadora das infecções. Choque anafilático: O choque anafilático é desencadeado por uma reação alérgica exacerbada determinando vasoplegia generalizada, com consequente redução do volume MÓDULO 4 ENFERMAGEM 158 circulante. ▪ Causas: ▪ Picadas de inseto; ▪ Drogas; ▪ Alimentos. ▪ Tratamento: ▪ Adrenalina; ▪ Anti-histamínicos; ▪ Corticoides. Choque neurogênico: No choque neurogênico ocorre vasodilatação por perda do controle vasomotor. ▪ Causas: ▪ Lesão no sistema nervoso central (SNC); ▪ Trauma raquimedular; ▪ Bloqueios anestésicos; ▪ Efeitos depressores de medicamentos. ▪ Tratamento:Consiste em restauração do tônus simpático, por meio da estabilização da medula espinhal, posicionamento correto do paciente, em caso de anestesia espinhal. ▪ Assistência de enfermagem: ▪ Manter posição antichoque; ▪ Controlar os sinais vitais (SSVV) com frequência; ▪ Administrar oxigênio conforme prescrição médica; ▪ Tranquilizar o paciente, transmitindo-lhe segurança; ▪ Monitorar as condições cardíacas; ▪ Proporcionar conforto ao paciente; ▪ Administrar medicações prescritas; ▪ Promover balanço hídrico rigoroso; ▪ Realizar a punção venosa com jelco de grosso calibre, para administração de hemoderivados (choque hipovolêmico) e infusão de líquido; ▪ Observar quanto a reações alérgicas; ▪ Utilizar técnicas assépticas em todos os procedimentos. ENFERMAGEM MÓDULO 4 159 Parada cardiorrespiratória (PCR): Denomina-se parada cardiorrespiratória a interrupção súbita dos batimentos cardíacos, resultando na cessação de uma circulação efetiva. É um limite de gravidade eu impõe atendimento imediato. Ocorre perda de consciência, ausência de pulso e batimento cardíaco inaudível. O início da lesão cerebral irreversível começa com aproximadamente 4 minutos de interrupção da circulação. Por isso, se devem iniciar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar o quanto antes. ▪ Sinais e sintomas: ▪ Ausência de pulso em grandes artérias; ▪ Ausência de respiração; ▪ Inconsciência; ▪ Dilatação pupilar; ▪ Palidez; ▪ Cianose. ▪ Reanimação cardiopulmonar (RCP): Em 2015, as Diretrizes da American Heart Association (AHA) propuseram novas recomendações sobre a Ressuscitação (ou reanimação) Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE). Uma das alterações foi a utilização de “Cadeias de Sobrevivência” distintas para pacientes que sofrem uma PCR no ambiente intra ou extra-hospitalar. Essa alteração aconteceu devido as diferenças existentes nos processos até que os pacientes sejam encaminhados à unidade de cuidados intensivos, onde serão fornecidos os cuidados pós-PCR. Como se observa na Figura 31 (6), devem ser observados passos descritos a seguir. Figura 31 (6)- Passos para a reanimação cardiopulmonar Fonte: Disponível em: http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/atendimento-de-enfermagem- na-parada-cardiorrespiratoria-no-ambiente-intra-hospitalar-de-acordo-com-as-diretrizes-da- american-heart-association-2015/ Acesso em fevereiro de 2017 ▪ Vigilância e prevenção: De acordo com Sakamoto (2016), os pacientes no ambiente hospitalar dependem de um sistema de vigilância adequado, a fim de prevenir a PCR. Entretanto, http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/atendimento-de-enfermagem-na-parada-cardiorrespiratoria-no-ambiente-intra-hospitalar-de-acordo-com-as-diretrizes-da-american-heart-association-2015/ http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/atendimento-de-enfermagem-na-parada-cardiorrespiratoria-no-ambiente-intra-hospitalar-de-acordo-com-as-diretrizes-da-american-heart-association-2015/ http://www.enfermeiroaprendiz.com.br/atendimento-de-enfermagem-na-parada-cardiorrespiratoria-no-ambiente-intra-hospitalar-de-acordo-com-as-diretrizes-da-american-heart-association-2015/ MÓDULO 4 ENFERMAGEM 160 na ocorrência da PCR, é preciso uma interação harmoniosa dos vários departamentos e serviços da instituição e de um time multidisciplinar de profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros. A nova diretriz da American Heart Association preconiza o acionamento imediato do time de resposta rápida na iminência de pacientes com deterioração clínica aguda, com o objetivo de prevenir a Parada Respiratório Intra-hospitalar (PCRIH). ▪ Reconhecimento e acionamento imediato do serviço médico de emergência: O profissional de saúde deve reconhecer a PCR. É importante avaliar a responsividade (chamando o paciente pelo nome), avaliar a respiração e pulso, de forma simultânea, por dez segundos. Em casa de detecção destes sinais, o profissional deve solicitar a outro, clara e objetivamente, que acione a equipe médica, traga o carro de emergência e o desfibrilador. De modo geral, a instituição possui um protocolo para o acionamento da equipe médica ou time de resposta rápida. Após os comandos acima descritos, deve-se iniciar imediatamente a Sequência de Atendimento C – A – B: C: Compressões torácicas de alta qualidade; A: Vias aéreas – abrir vias aéreas; B: Boa ventilação – garantir via aérea avançada. ▪ RCP imediata, de alta qualidade: Após o acionamento do serviço médico, devem-se iniciar as compressões torácicas e ventilação em todos os pacientes adultos com PCR, seja por causa cardíaca ou não. As compressões torácicas de alta qualidade se dão conforme descrito a seguir: a) Com as mãos sobre a metade inferior do esterno (região hipotenar), sem flexionar os cotovelos; b) Frequência: 100 a 120 compressões/minuto; c) Profundidade: mínima de 2 polegadas (5 cm) e máximo 2,4 polegadas (6 cm); d) Permitir retorno total do tórax após cada compressão. Não apoiar-se sobre o tórax entre as compressões; e) Minimizar as interrupções nas compressões. Não interromper as compressões por mais de 10 segundos; f) Colocar a prancha rígida embaixo do tórax do paciente, assim que disponível. ENFERMAGEM MÓDULO 4 161 No que diz respeito à relação ventilação-compressão adequada: a) Sem via aérea avançada: b) Realizar abertura de vias aéreas; c) Ventilação numa relação: 30:2, ou seja, 30 compressões: 2 ventilações (até a garantia de uma via aérea avançada); d) Com via aérea avançada: e) Compressões contínuas a uma frequência 100 a 120/ minuto e 1 ventilação a cada 6 segundos (10 respirações por minuto). ▪ Rápida desfibrilação: a) De posse do Desfibrilador Externo Automático (DEA), deve-se verificar o ritmo; b) Em caso de ritmo chocável (Fibrilação Ventricular ou Taquicardia Ventricular sem Pulso), deve-se: aplicar 1 choque; reiniciar a RCP por 2 minutos até o DEA avisar sobre a verificação do ritmo; continuar o Suporte Avançado de Vida assuma ou a vítima se movimente; c) Em caso de ritmo não chocável, deve-se: reiniciar a RCP por 2 minutos, até ser avisado pelo DEA para verificação do ritmo e continuar até que o pessoal do SAV assuma ou até que a vítima se movimente. Sakamoto (2016) afirma que a utilização do DEA no ambiente hospitalar pode ser considerada para facilitar a desfibrilação precoce (meta de administração de choques em tempo ≤ 3 minutos do colapso), especialmente nas áreas cujo pessoal não esteja capacitado para reconhecer ritmos ou em que o uso de desfibriladores não seja frequente. O DEA pode ser utilizado pelo Enfermeiro ou pela equipe de enfermagem sob sua supervisão, na presença ou ausência do profissional médico, conforme previsto no protocolo de Suporte Básico de Vida. Em alguns hospitais, não se encontra disponível o DEA, somente o desfibrilador manual, e, nesse caso, necessita que a equipe médica esteja disponível 24 horas, tendo em vista que é um procedimento privativo do profissional médico e segundo Parecer Técnico n. 0001/2012 do COREN-ES: “*…+ não é atribuição do enfermeiro o uso do desfibrilador manual dentro do ambiente intra-hospitalar *…+”. É essencial que a equipe de enfermagem esteja atualizada e capacitada para a execução dos protocolos da instituição, entendendo suas particularidades, uma vez que um bom atendimento pode determinar a sobrevivência do paciente. ▪ Suporte avançado de vida e cuidados pós PCR: Segundo Tallo e cols. (2012 apud SAKAMOTO, 2016), o suporte avançado de vida (SAV) engloba recursos adicionais como monitorização cardíaca, administração de fármacos, desfibriladores, equipamentos especiais para ventilação, marcapasso e cuidados após o retorno a circulação espontânea. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 162 A desfibrilação manual é utilizada no Suporte Avançado de Vida (SAV), em que a equipe multiprofissional está presente, incluindo o Médico,e existe equipamento disponível, preferencialmente desfibrilador manual bifásico. Ladeira (2013 apud SAKAMOTO, 2016) afirma que quando indicado, o choque inicial é aplicado de forma única, na energia máxima do DEA ou do desfibrilador manual disponível (360 J no aparelho monofásico ou 180 a 220 J no aparelho bifásico). É importante observar a diferença entre a Desfibrilação e a Cardioversão, que eventualmente causam dúvidas entre os profissionais. Na cardioversão elétrica, o procedimento eletivo no qual se aplica o choque elétrico de maneira ‘sincronizada’, ou seja, a descarga elétrica é liberada na onda R, no período refratário da despolarização cardíaca. É indicada no tratamento de taquiarritmias, tais como a Fibrilação atrial (FA) flutter atrial, taquicardia paroxística supraventricular e taquicardias com complexo largo e com pulso. A desfibrilação elétrica é um procedimento terapêutico que consiste na aplicação de uma corrente elétrica contínua ‘não sincronizada’ no músculo cardíaco. Esse choque despolariza em conjunto todas as fibras musculares do miocárdio, tornando possível a reversão de arritmias graves como a TV e a FV, permitindo ao nó sinusal retomar a geração e o controle do ritmo cardíaco. Enquanto o médico assume a responsabilidade quanto ao desfibrilador, estabelecimento de uma via aérea avançada e orientações sobre os medicamentos a serem administrados (dose e frequência), a equipe de enfermagem necessita prestar assistência de forma organizada, de acordo com cada competência, conforme se observa a seguir: a) Enfermeiro: controle do carro de emergência (preparo das medicações) e do tempo (intervalo entre as medicações e manobras de ressuscitação cardiopulmonar); b) Técnico de enfermagem responsável pelo paciente: à beira leito, administrando as medicações solicitadas pelo médico; c) Técnico de enfermagem auxiliar (“dupla): assistência ao médico na execução da compressão torácica e suporte para demais atividades que se fizerem necessárias; d) O fisioterapeuta realiza os cuidados com a via aérea e ventilação (AMBU/ventilador mecânico), conforme orientação médica. Os medicamentos mais utilizados na PCR são, de acordo com Sakamoto (2016): a) Epinefrina: vasopressor para ressuscitação, pode ser utilizada logo após o início da PCR devido a um ritmo não chocável; b) Lidocaína e amiodarona: ambas são indicadas para evitar recorrência da fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso; c) Difosfato de adenosina: a adenosina é recomendada como segura e potencialmente eficaz para o tratamento e o diagnóstico inicial da taquicardia de complexo largo monomórfica regular indiferenciada; ENFERMAGEM MÓDULO 4 163 d) Betabloqueadores: indicados para tratamento pós-PCR por FV ou TVSP, pois estão relacionados com maior probabilidade de sobrevivência. No entanto, devem ser avaliados caso a caso, pois podem ocasionar uma grave instabilidade hemodinâmica, exacerbar a bradiarritmia e insuficiência cardíaca. Para alguns pacientes que já eram cardiopatas e faziam uso de Betabloqueadores antes, indica-se manter a prescrição para melhor prognóstico. São observamos também os materiais necessários para o suporte ventilatório, que são: a) Laringoscópio, com laminas de diferentes tamanhos; b) Ambu; c) Máscaras; d) Cânulas de Guedel; e) Pinça de Magill; f) Tubos endotraqueais; g) Cadarço para amarração do tubo; h) Seringas de 10 e 20cc, sondas para aspiração; i) Luvas e máscaras para EPI da equipe; j) Pontos de oxigênio; k) Ar comprimido e vácuo; l) Desfibrilador; m) Eletrocardiógrafo. 6.4.10 Emergências Digestivas As emergências digestivas compreendem o trauma abdominal e as hemorragias digestivas, conforme descrito a seguir. Trauma abdominal: As lesões abdominais não reconhecidas são uma das principais causas de morte nos pacientes traumatizados. A morte pode ocorrer devido à perda intensa de sangue, em decorrência de ferimentos nos órgãos. As lesões abdominais podem ser causadas por ferimentos penetrantes ou por trauma fechado. Pode ocorrer lesão de múltiplos órgãos, nos ferimentos penetrantes, embora isso seja menos provável nos fermentos por arma branca que naqueles por arma de fogo. A compressão se dá quando os órgãos abdominais são comprimidos entre objetos sólidos, como, por exemplo, entre o volante e a coluna vertebral. Forças de cisalhamento rompem órgãos sólidos ou vasos sanguíneos na cavidade abdominal, devido à tração exercida sobre os ligamentos de fixação e os vasos. O fígado e o baço podem se romper e sangrar com facilidade e a perda de sangue pode ser rápida. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 164 Observam-se os seguintes indicadores seguros para suspeitar a presença de lesão abdominal: a) Mecanismo de lesão ou estrago no carro; b) Sinais externos de trauma; c) Choque de causa não explicada; d) Choque mais grave do que o explicado por outras lesões; e) Presença de rigidez abdominal ou distensão. É importante salientar que o indicador mais confiável de sangramento intra- abdominal é a presença de choque de origem não explicada. ▪ Evisceração: A evisceração ocorre quando um segmento do intestino ou outro órgão abdominal sai através de um ferimento, ficando fora da cavidade abdominal. Não se deve tentar colocar o órgão de volta. O conteúdo deve ser coberto com compressa estéril, umedecida com solução fisiológica, regularmente, para evitar o ressecamento dos órgãos expostos. ▪ Objetos encravados: Um objeto encravado no abdômen nunca deve ser mobilizado ou retirado antes que sua forma e localização tenham sido identificadas radiologicamente. Se houver sangramento à volta do objeto, deve ser feita a pressão direta em volta do ferimento, com a palma da mão, em torno do objeto. O abdômen não dever ser apalpado, para que não provoque mais laceração ou afunde ainda mais a ponta do objeto. Hemorragias digestivas (HD): As hemorragias digestivas são situações clínicas sem que há uma quantidade anormal de sangue dentro do tubo digestivo. Classificam-se em hemorragia digestiva alta (HDA) e hemorragia digestiva baixa (HDB). ▪ Hemorragia digestiva alta (HDA): Neste tipo de hemorragia ocorre o sangramento proveniente do tubo digestivo, decorrente de lesões localizadas entre o esôfago e o ângulo de Treitz. As principais causas são: ▪ Ruptura de varizes esofagiana; ▪ Câncer de esôfago ou estômago; ▪ Ulcera péptica gastroduodenal; ▪ Gastrite erosiva medicamentosa. ENFERMAGEM MÓDULO 4 165 Enquanto fatores de risco, observam-se: uso de bebidas alcoólicas, politraumatismo, hepatopatia com hipertensão porta, distúrbios de coagulação, medicamentos (AINES, ASS e anticoagulantes). Os principais sinais e sintomas da hemorragia digestiva alta são observados a sequir: ▪ Hematêmese; ▪ Melena; ▪ Manifestações relacionadas à perda sanguínea – mucosas decoradas, hipotensão arterial, taquicardia, sudorese, choque hipovolêmico. O tratamento da HDA é feito a partir da lavagem gástrica, dieta zero ou líquida, manutenção do estado hemodinâmico, administração de medicações como ranitidina, omeprazol, somatostatina. O tratamento endoscópico (escleroterapia ou injeção endoscópica do polímero) é indicado nos casos preditivos de ressangramento ou de mau prognóstico, tratamento com o balão Sengstaken-Blakemore (utilizado quando há falha no controle do sangramento, impossibilidade de realizar EDA, ressecamento após 2 sessões de escleroterapia) e tratamento cirúrgico. ▪ Hemorragia digestiva baixa (HDB): Na HDB ocorre sangramento proveniente do trato intestinal distal ao ângulo de Treitz. Exterioriza-se por melena e/ou hematoquesia. Observam-se para este tipo de hemorragia observam-se as principais causas: ▪ Sangramento do intestino grosso; ▪ Pólipos em cólon; ▪ Doenças inflamatórias intestinais; ▪ Hemorroidas; ▪ Ulceras ou lacerações (reto ou ânus); ▪ Câncer de cólon; ▪ Coliteisquêmica. Enquanto sinais e sintomas, observam-se: ▪ Dor abdominal; ▪ Diarreia sanguinolenta – melena; ▪ Manifestações relacionadas à perda sanguínea – mucosa decoradas, hipotensão arterial, taquicárdica, sudorese, choque hipovolêmico. Para a assistência de enfermagem nos sangramentos gerais com sinais de choque são observados os seguintes procedimentos: ▪ Oferecer oxigênio por cateter nasal; ▪ Instalar 2 acessos venosos de grosso calibre; ▪ Iniciar reposição volêmica; MÓDULO 4 ENFERMAGEM 166 ▪ Conforme rotina da instituição, colher sangue para prova cruzada, hemograma e etc.; ▪ Realizar sondagem vesical de demora e monitorar diurese; ▪ Monitorar balanço hídrico; ▪ Manter dieta zero; ▪ Realizar lavagem intestinal até retorno limpo; ▪ Aferir sinais vitais rigorosamente. ▪ Se houver indicação realizar a sondagem gástrica e lavagem gástrica, observando o aspecto da drenagem; ▪ Proporcionar acomodação segura e confortável para os pacientes; ▪ Anotar todos os procedimentos que serão realizados no paciente e comunicá-lo previamente. 6.4.11 Emergências do Sistema Tegumentar e Musculoesquelético As emergências do sistema tegumentar e musculoesquelético são aquelas advindas de ferimentos, traumas musculoesqueléticos, fraturas e luxações, contusão e distensão, e queimaduras, as quais serão descrita a seguir. Ferimentos: São qualquer rompimento de tecidos como mucosas ou pele que resultam de uma agressão contra determinado segmento, podendo ser por agressão física, química ou biológica. Constituem ameaças por causar uma abertura nos tecidos, colocando em contato o meio externo com o interno, aumentando o risco de infecções e sangramentos. ▪ Tipos: ▪ Laceração: ruptura da pele com bordas irregulares, causadas por instrumento grosseiros. ▪ Avulsão: tecidos desprendidos das estruturas de sustentação. ▪ Abrasão: pele desnuda, queimadura por fricção da pele contra superfícies rígidas. ▪ Contusão: sangue preso sob a superfície da pele, causado por impacto de um objeto rombudo de encontro ao corpo. ▪ Hematoma: massa de sangue semelhante a um tumor presa sob a pele. ▪ Perfuração: incisão da pele com bordas bem definidas, geralmente causadas por instrumentos pontiagudos. ▪ Cortes ou incisões: Incisão da pele com bordas bem definidas, geralmente mais longa que funda. ▪ Moldada: feridas apresentando o contorno de um objeto que causou (volante de carro). ENFERMAGEM MÓDULO 4 167 Trauma musculoesquelético: As lesões de extremidades, embora comuns nos traumatizados, raramente apresentam riscos de vida, apenas quando o paciente apresenta perda de sangue significativa por conta desta lesão. O trauma musculoesquelético pode ser classificado em três principais tipos: trauma isolado sem risco de vida, trauma sem risco de vida, mas associado a trauma multissistêmico com risco de vida, e lesões musculoesqueléticas com risco de vida (fratura de bacia, fêmur- risco de vida pela perda sanguínea). As lesões de extremidades resultam em dois problemas que exigem tratamento ainda no atendimento pré-hospitalar: a hemorragia e as instabilidades. ▪ Hemorragias: A hemorragia é o extravasamento de sangue de dentro dos vasos através de uma lesão que ocasionou ruptura dos vasos. O sangue vermelho escuro flui de capilares venosos, e o vermelho vivo com fluxo pulsante é proveniente de uma arteira. A velocidade de sangue perdida e a velocidade da sua perda determinarão a capacidade de o paciente compensar a perda ou entrar em choque. ▪ Controle de hemorragias externas: O tratamento das hemorragias externas envolve a aplicação de pressão direta firme nas artérias envolvida em um ponto que seja proximal à ferida. Muitos sangramentos podem ser estancados por pressão direta. É importante observar que um torniquete é aplicado em uma extremidade unicamente como último recurso em casos em que a hemorragia externa não possa ser controlada de nenhum outro modo e uma cirurgia imediata não seja possível (BRUNNER, 2009). ▪ Controle de hemorragias internas: Se o paciente não apresentar nenhum sinal visível de sangramento, mas apresentar taquicardia, hipotensão, sede, ansiedade, pelo fria e úmida, suspeita-se de hemorragia interna. Geralmente se administra o concentrado de hemácia para reposição sanguínea e prepara-se o paciente para o tratamento definitivo (cirurgia ou terapia farmacológica). Instabilidade/fraturas e luxações: As duas lesões que causam instabilidade de osso ou articulação são as fraturas e as luxações. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 168 ▪ Fraturas: Denominam-se fraturas a interrupção na continuidade de um osso, sendo definida de acordo com o seu tipo e extensão. As fraturas acontecem quando o osso recebe um impacto maior do que aquele que pode receber. A lesão das estruturas pode ocorrer pela força que ocasionou a fratura ou pelo movimento das extremidades pontiagudas do osso fraturado, podendo lesar vasos sanguíneos, causando hemorragias interna ou externa, além de lesar o tecido muscular e os nervos. ▪ Tipos de fraturas (Figura 32): Fratura completa: envolve uma ruptura em todo o perímetro do osso; Fratura incompleta: ruptura apenas em parte do perímetro do osso; Fratura cominutiva: produz vários fragmentos ósseos; Fratura fechada: também conhecida como simples é aquela que não causa ruptura da pele; Fratura aberta: também chamada de composta ou complexa, é aquela em que a ferida na pele em torno dela se estende até o osso fraturado; Fraturas compressivas: o osso foi corrompido até ocorrer, de fato, a fratura; Fratura depressiva: os fragmentos dos ossos são empurrados para dentro; Fratura epifisária: fratura que atinge a extremidade do osso; Fratura em galho verde: é aquela que um lado do osso é quebrado e o outro se inclina; Fratura impactada: o fragmento ósseo é empurrado contra o outro fragmento e penetra nele; Oblíqua: forma um ângulo através do osso; Fratura patológica: ocorre numa área de osso doente; Fratura espiral: contorna a diáfise; Fratura transversal: é transversal ao osso. ENFERMAGEM MÓDULO 4 169 Figura 32 - Tipos de fratura Fonte: Google Imagens Os principais sinais e sintomas são a dor, a perda da função, deformidade, encurtamento de extremidade, crepitação, edema e mudança de cor. As formas de tratamento podem ser: emergencial, médica, redução e imobilização, as quais serão descritos a seguir. ▪ Tratamento emergencial: Sempre que se suspeitar de uma fratura, é necessário que se realize a imobilização. Durante este procedimento, deve-se segurar a extremidade distal e a proximal ao local fraturado, para evitar os movimentos de rotação e angular do membro afetado. Nas fraturas abertas, as feridas devem ser cobertas com compressa estéril, para evitar contaminações dos tecidos mais profundos. Não se deve, em hipótese alguma, tentar reduzir a fratura. ▪ Tratamento médico: O tratamento médico inclui redução, imobilização e recuperação da função normal do membro afetado. ▪ Redução: É a restauração dos fragmentos da fratura ao alinhamento e à rotação anatômica. Pode ser usada rotação aberta – os fragmentos de algumas fraturas são reduzidos por abordagem cirúrgica, colocando-se dispositivos de fixação, como por exemplo: pinos metálicos, fios, parafusos, placas, pregos e hastes. Na redução fechada: os ossos são colocados em justaposição (extremidades em contato), é realizada por manipulação ou tração manual. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 170 ▪ Imobilização: A imobilização pode ser feita por fixação interna (talas internas e implantes metálicos) ou externa (bandagens, gesso, talas, tração contínua e fixadores externos). Os fragmentos ósseos devem ser imobilizados e mantidos em posição e alinhamento correto, até que haja a consolidação total do osso. ▪ Assistência de enfermagem: ▪ Remover joiase relógios, para que não prejudique a circulação; ▪ Atentar para as queixas do paciente; ▪ Observar sempre a perfusão do membro imobilizado; ▪ Posicionar o paciente de forma correta e confortável; ▪ Depois da imobilização, considerar a elevação do membro para diminuição do edema; ▪ Estar atento a sinais e sintomas de complicações; ▪ Em caso de fratura com grande perda sanguínea, realizar a reposição volêmica; ▪ Administrar medicações prescritas (analgésicos, antibióticos). Atenção: em cada foco de fratura pode haver sangramento importante devido a laceração de vasos ou pela lesão dos músculos próximos ao local da fratura. Por exemplo, pode ocorrer perda de 1000 a 2000 ml de sangue por coxa fraturada. Outro local em que pode haver grande perda sanguínea é a fratura da bacia. Luxações: É a separação dos dois ossos de uma articulação, causada por uma ruptura significativa dos ligamentos. Os ossos se apresentam literalmente “desconjuntados”, criando uma área de instabilidade óssea, fazendo-se necessária a imobilização. Os indivíduos que já tiveram luxações possuem ligamentos mais frouxos e podem estar propensos a luxações mais frequentes, a menos que o problema seja corrigido cirurgicamente. As luxações podem ser congênitas (presente no nascimento, como, por exemplo: luxação no quadril), espontâneas ou patológicas (doença de estrutura articular) e traumáticas (a articulação é rompida por uma força). ▪ Sinais e sintomas: ▪ Dor aguda; ▪ Alterações no contorno das articulações: ▪ E comprimento da extremidade, perda da mobilidade normal e alterações no eixo dos ossos em luxação. ENFERMAGEM MÓDULO 4 171 ▪ Tratamento: No hospital, o médico realiza a redução manual e imobiliza com tala, gesso ou bandagens para preservar a função articular. Utilizam-se analgésicos, anestésicos e relaxantes musculares para diminuição da dor. É importante salientar que as luxações são emergências ortopédicas, porque os nervos associados à estrutura, o suprimento sanguíneo e estruturas articulares podem estar comprometidos, podendo levar à necrose vascular. ▪ Assistência de enfermagem: ▪ Manter a imobilização do membro; ▪ Atentar para queixas do paciente; ▪ Promover conforto ao paciente; ▪ Preparar e informar ao paciente sobre a redução da luxação; ▪ Preparar materiais para a redução; ▪ Administrar medicações prescritas. Entorse: Trata-se de uma lesão em que os ligamentos e fibras musculares de sustentação que circundam uma articulação são estirados ou até lacerados. Este ligamento rompido perde sua capacidade de estabilização. As entorses, como ilustra a Figura 33, são causadas por torção ou puxão violento. Figura 33- Entorse de tornozelo Fonte: Google Imagens MÓDULO 4 ENFERMAGEM 172 Enquanto sinais e sintomas, observa-se a ruptura de vasos sanguíneos, formando hematomas, edemas, tornando a articulação muito sensível ao toque e ao movimento. As entorses se classificam em: I grau: há ruptura de apenas algumas fibras de ligamento. Há edema leve, hipersensibilidade e dor ao mover a articulação. II grau: há ruptura de mais fibras. Há um grau maior de edema, instabilidade articular e perda parcial da função articular. III grau: o ligamento se rompe totalmente: há dor interna, movimento articular anormal, hipersensibilidade grave, edema aumentado. Para o tratamento, se observa a utilização do acrônimo RICE, para que não se esqueça da conduta terapêutica: R (repouso); I (Ice, gelo em inglês); C (compressão); E (elevação do membro). No que diz respeito à assistência de enfermagem, estava deverá ser baseada na implantação do tratamento, seguindo o protocolo para entorse. Amputação: Em casos de amputação por acidente, a parte do corpo é totalmente separada de um membro, ficando sem irrigação sanguínea e, por conseguinte, sem oxigenação e nutrição. Se não for prestado o atendimento correto, esta parte do pode ter morte celular (necrose) e não pode ser mais implantada. A avulsão é a laceração e desprendimento de partes moles. No início, o sangramento pode ser volumoso, entretanto, o mecanismo de defesa do corpo faz com que os vãos do local lesado se contraiam. ▪ Princípios do atendimento para a parte amputada: ▪ A parte amputada deve ser limpa cuidadosamente com solução de ringer lactato; ▪ Deve ser envolvido com compressas estéril umedecida com solução de ringer lactato e colocar no saco plástico ou numa caixa; ▪ Deve-se identificar o saco e colocá-lo em um recipiente com gelo triturado; ▪ Não se deve colocar gelo diretamente na parte amputada. Quanto mais tempo a amputação fica sem oxigenação, menor é a probabilidade de ser reimplantada. Contusão e distensão: A contusão é produzida por força não penetrante, causada por uma pancada ou queda, ocasionando uma lesão dos tecidos moles. Ocorre rompimento de pequenos vasos sanguíneos, levando à formação de hematoma. ENFERMAGEM MÓDULO 4 173 A distensão é um estiramento ou ruptura do músculo ou tendão, causado por esforço ou estresse excessivo. A contusão quanto a distensão têm como sinais e sintomas a dor, o edema e a mudança de cor. Assim como na entorse, observa-se o RICE como forma de tratamento. Queimaduras: A queimadura é observada enquanto um trauma de origem térmica nos tecidos orgânicos, que resulta em dor e ansiedade. As lesões de queimadura não se restringem apenas à pele. As grandes queimaduras podem causar lesões extensas e multissistêmicas, podendo provocar lesões com risco de vida, pois podem afetar indiretamente o rim, o coração, o trato gastrointestinal e o sistema imune da vítima. As queimaduras têm como causas as listadas a seguir. ▪ Agentes térmicos: causados por vapor úmido, valor líquido, calor, objetos e produtos aquecidos, água quente, chama, etc.; ▪ Agentes químicos: temos vários produtos capazes de produzir queimaduras químicas. As lesões são resultados de exposição prolongada e podem ser agravadas enquanto a substância permanece na pele. Ex.: potássio, bário e hidróxido de sódio; ▪ Eletricidade: as queimaduras por corrente elétrica só devastadoras. A lesão aparente pode não refletir com exatidão a lesão causada; ▪ Radiação: sol, aparelhos de raios-X, raios ultravioleta, nucleares, etc.; ▪ Agentes biológicos: animais (lagarta-de-fogo, água-viva, medusa, etc.) e vegetais (o látex de certas plantas, urtiga, etc.). ▪ Manifestações clínicas: ▪ Destruição dos tecidos: depende do fator que causou e d intensidade da exposição; ▪ Dor: na queimadura, milhares de filetes nervosos ficam expostos e a passagem do ar por estes ambientes causam dor. Nas queimaduras mais profundas, esta dor tende a diminuir devido à destruição total dessas terminações; ▪ Perda local de líquido: dá-se a vasodilatação e o aumento da permeabilidade capilar, causadas pelo calor que leva à passagem de plasma para os tecidos ao redor; ▪ Infecção: a intensa destruição dos tecidos favorece a migração de micro- organismos para as lesões e até mesmo para a corrente sanguínea. ▪ Fisiopatologia: As principais alterações fisiológicas que ocorrem num processo de queimadura são: aumento de permeabilidade capilar e edema; flictenas e edemas MÓDULO 4 ENFERMAGEM 174 generalizados ocorrem devido ao excesso de líquido intersticial que sai da queimadura. A lesão térmica determina a exposição do colágeno no tecido afetado, levando à liberação de histamina. A histamina, juntamente com outras cininas liberam prostaglandinas. Todos esses mediadores inflamatórios aumentam a permeabilidade capilar aos líquidos com consequente edema. Este acúmulo de líquido pode, muitas vezes, pode comprometer a circulação sanguínea dos membros. As queimaduras se classificam quanto à profundidade em primeiro, segundo e terceiro graus, como ilustra a Figura 34, e quanto à extensão em pequeno, médio e grande queimado, conforme se observaráa seguir. Figura 34- Profundade da queimadura Fonte: Google Imagens ▪ Queimadura de primeiro grau: As queimaduras de primeiro grau afetam apenas a epiderme, que é a camada mais externa da pele. São avermelhadas e dolorosas, como, por exemplo, a queimadura solar. ▪ Queimadura de segundo grau: Envolve a epiderme e a derme, apresenta pele avermelhada e com bolhas (flictenas), além de dor severa. ▪ Queimadura de terceiro grau: Acomete a totalidade das camadas da pele, ossos, músculos, nervos e vasos. O ENFERMAGEM MÓDULO 4 175 paciente apresenta pouca ou nenhuma dor. A queimadura se aparenta cor branca, amarela ou marrom, não cicatriza espontaneamente e necessita de enxerto. A extensão da queimadura é determinada por meio da avaliação da porcentagem da superfície corporal que sofreu a queimadura. Este sistema atribui porcentagem em múltiplos de nove (Figura 35 (6)). Esta estimativa é necessária para que se realize o tratamento e a reposição volêmica correta e evite complicações associadas ao choque hipovolêmico. Figura 35 (6)- Extensão da queimadura Fonte: Google Imagens ▪ Pequeno queimado: Queimaduras de primeiro grau em qualquer extensão e/ou de segundo grau com área corporal atingida até 5% em crianças menores de 12 anos e 10% em maiores de 12 anos. ▪ Médio queimado: Queimaduras de segundo grau, com área corporal atingida entre 5% a 15% em menores de 12 anos e 10% e 20% em maiores de 12 anos, ou de terceiro grau, com até 10% da área corporal atingida em adultos, quando não envolver face ou mão ou períneo ou pé, e menor que 5% nos menores de 12 anos ou qualquer queimadura de segundo grau envolvendo mão ou pé ou face ou pescoço ou axila. ▪ Grande queimado: Queimaduras de segundo grau, com área corpora atingida maior do que 15% em menores de 12 anos ou maior de 20% em maiores de 12 anos, ou queimaduras de terceiro grau, com mais de 10% da área corporal atingida no adulto e maior que 5% nos menores de 12 anos, ou queimaduras no períneo ou por corrente elétrica, ou de mão ou pé ou face ou pescoço ou axila, que tenha terceiro grau. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 176 ▪ Indicação de internação hospitalar: ▪ Lesão por inalação; ▪ Queimadura de terceiro grau em qualquer grupo etário; ▪ Queimadura de face, mãos, pés, genitália e região perineal; ▪ Queimadura elétrica; ▪ Intoxicação por fumaça; ▪ Lesões de via aéreas; ▪ Lesões de terceiro grau, atingindo mias de 10% da SCQ adulto e 5% em crianças; ▪ Lesões de segundo grau, atingindo área superior a 20% adulto e 10% em crianças. ▪ Princípios básicos para o atendimento à vítima de queimadura: ▪ Avaliação do comprometimento das vias áreas; ▪ Estabilidade hemodinâmica; ▪ Controle rigoroso do balanço hidroeletrolítico. ▪ Assistência de enfermagem: ▪ Como toda a vítima de trauma, segue-se o protocolo do trauma ACB, observando-se: ▪ Fazer a abordagem das vias áreas, aferindo a frequência respiratória, atentando para queimaduras de pelos nasais, cílios e sobrancelhas, tosse ou rouquidão; ▪ Administrar O2 conforme prescrição e, se necessário, preparar o material para intubação; ▪ Manter acessos venosos calibrosos e seguros; ▪ Atentar para sinais de confusão mental, cianose perilabial, agitação psicomotora, bem como sinais de instabilidade hemodinâmicas; ▪ Remover roupas de formas delicada; ▪ Controlar a hipotermia; ▪ Determinar a extensão da lesão, o que ocasionou e profundidade; ▪ Realizar sondagem vesical nos pacientes graves e aqueles que tiverem lesão de genitais; ▪ Monitorar rigorosamente o balanço hídrico; ▪ Controlar a dor administrando medicações prescritas; ▪ Caso necessário, realizar sondagem gástrica; ▪ Informar ao paciente todos os procedimentos que serão realizados; ▪ Tratar a queimadura conforme protocolo do serviço; ▪ Realizar a profilaxia antitetânica; ▪ Oferecer apoio psicológico; ▪ Auxiliar no cuidado às feridas; ▪ Aferir SSVV. ENFERMAGEM MÓDULO 4 177 ▪ Complicações das queimaduras: ▪ Alterações no sistema respiratório: ▪ Alterações no sistema gastrointestinais; ▪ Lesão renal; ▪ Infecções locais podendo evoluir para septicemia; ▪ Sequelas funcionais e estéticas que prejudicam a autoestima do paciente; ▪ Choque. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 178 REFERÊNCIAS BRASIL. Portaria Ministerial N°2048, de 05 de novembro de 2002. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. BRASIL. Portaria Ministerial N°814, de 01 de junho de 2001. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. BRUNO, P.; OLDENBURG, C. Enfermagem em pronto-socorro. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2006. BUENO, M.A.S. et al. Consultas em emergências: Unidade de Primeiro Atendimento (UPA): Hospital Israelita Albert Einstein. São Paulo, 2009. FIGUEIREDO, N.M.A. Enfermagem: cuidando em emergência. 2ª ed. São Caetano do Sul: Yendis Editora, 2008. Disponível em: http://www.queimados.com.pt/Queimaduras/Fisiopatologia/tabid/89/Default.aspx Acessado em 15 de fevereiro de 2011. POTTER, P. 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_______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 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_______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ MÓDULO 4 ENFERMAGEM 180 _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 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_______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ENFERMAGEM EM PACIENTES CRÍTICOS ENFERMAGEM MÓDULO 4 183 7 ENFERMAGEM EM PACIENTES CRÍTICOS De acordo com Ramalho Neto et al. (2011), enquanto profissão, a enfermagem começou na Inglaterra, no século XIX, a partir dos trabalhos de Florence Nightingale, que recrutou e treinou um grupo de mulheres para colaborarem nos cuidados e na higiene dos soldados feridos durante a Guerra da Criméia (1854-1856). Naquela época, também com Florence Nightingale, surgiu a ideia de classificar os doentes de acordo com o grau de dependência, os quais eram dispostos em enfermarias, de tal modo que os mais graves ficassem próximos à área de trabalho das enfermeiras, para maior vigilância e melhor atendimento. Uma vez tendo avançado os procedimentos cirúrgicos, a necessidade de maiores cuidados ao paciente, durante o período pós-operatório imediato, levou ao desenvolvimento das unidades especiais de terapia. De início, segundo Ramalho Neto et al. (2011), o tratamento era realizado em salas especiais, adjacentes às salas de cirurgias, tendo o acompanhamento conduzido pelo cirurgião e, posteriormente, pelo anestesista. Com o passar do tempo, atribuiu-se aos enfermeiros e à equipe a responsabilidade direta pela observação e tratamento clínico dos pacientes de risco. Da necessidade de oferecer um suporte avançado de vida a pacientes agudamente doentes, com chances de sobrevivência, nasceram as Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A UTI é a área responsável por cuidar dos pacientes graves, que se encontram internados no Hospital. É constituída por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, equipamentos sofisticados e principalmente de pacientes graves. A principal finalidade da UTI é a preservação da vida do paciente (RAMALHO NETO, et al., 2011). Os autores (Op. cit.) ressaltam que nem todo o paciente grave necessita ser internado na Terapia Intensiva, uma vez que o internamento em UTI não está baseado apenas na gravidade do quadro clínico. É preciso que haja possibilidade de reversão da doença apresentada pelo paciente, ou seja não se encontre na fase final da doença. Na UTI, é comum o paciente estar conectado a vários aparelhos, que monitorizam ou substituem sistemas orgânicos. Tais equipamentos dispõe de indicadores sonoros, que alertam a equipe da UTI a respeito das modificações que ocorrem com o paciente. Embora seja desconfortável, é extremamente importante para a segurança do paciente. 7.1 Conceitos de UTI As Unidades deTerapia Intensiva (UTIs) foram criadas a partir da necessidade de atendimento ao paciente cujo estado crítico exigia assistência e observação contínua de médicos e enfermeiros. Tal preocupação teve início com Florence Nightingale, durante a guerra da Criméia no século XIX, que procurou selecionar indivíduos mais graves, acomodando-os de forma a favorecer o cuidado imediato (LINO; SILVA, 2001 apud VARGAS; BRAGA, 2010). MÓDULO 4 ENFERMAGEM 184 Autores como Amorim; Silvério (1998 apud VARGAS; BRAGA, 2010) afirmam que a unidade de terapia intensiva é um conjunto de elementos que funcionam de forma agrupada, que se destina a atender pacientes graves ou em situação de risco, que necessitam de assistência médica e de enfermagem continuamente, além de equipamentos e recursos humanos especializados. A UTI desempenha um papel fundamental para a chance de sobrevida de pacientes gravemente enfermos, sejam estes vítimas de traumas ou qualquer outro tipo de doença vital. A incorporação de tecnologia advinda da informática tem permitido o desenvolvimento e a modernização de vários equipamentos de monitorizarão dos diversos sistemas fisiológicos do organismo humano, desde ventiladores mecânicos com a incorporação de vários modos de assistência respiratória completa ou parcial, até bombas de infusão com o controle mais exato da dosagem dos medicamentos e de seus diluentes (LIRA, 2012). A terapia intensiva é única entre as especialidades médicas, como advogam Bongard; Sue (2005). O que a diferencia das outras especialidades é que, enquanto estas buscam estreitar o foco de interesse em um único sistema orgânico, em uma terapia em particular ou mesmo em um grupo etário em particular, a terapia intensiva está voltada a pacientes com ampla variedade de doenças, que têm como denominador comum a sua gravidade ou o potencial para desenvolver graves complicações a partir da própria moléstia ou do seu tratamento. A multiplicidade de doenças observada em uma população gravemente enferma requer um conhecimento abrangente das manifestações e dos mecanismos da doença. A gravidade da doença exige uma abordagem do paciente, considerada, ao mesmo tempo, específica e global, e dependente do acúmulo de dados bem integrados. De modo geral, os ‘intensivistas’, assim chamados os praticantes da terapia intensiva, são, em sua maioria, especialistas em pneumologia, cardiologia, nefrologia, anestesiologia, e cirurgia. Entretanto, a habilidade para praticar uma terapia intensiva efetiva depende dos princípios do manejo do paciente em medicina interna e cirurgia. Neste sentido, conforme advogam Bongard; Sue (2005), a terapia intensiva deve ser considerada não como uma especialidade, mas como uma filosofia de cuidados ao paciente. Os estudos mostram que os intensivistas em tempo integral melhoram o desfecho do paciente. Entretanto, é importante observar que pode haver o argumento de que práticas médicas locais, interações entre médicos de cuidados básicos, subespecialistas, intensivistas, fatores relacionados ao paciente, enfermagem e suporte auxiliar podem desempenhar um papel muito maior na determinação do desfecho. Os princípios gerais da terapia intensiva serão apresentados nesta seção, assim como alguns roteiros para aqueles que são responsáveis pelas UTIs. ENFERMAGEM MÓDULO 4 185 7.1.1 Importância da UTI A terapia intensiva envolve o cuidado de pacientes com doenças graves e com risco de vida. Então, é esperado que esses indivíduos apresentem, ou estejam na iminência de apresentar, a disfunção de um ou mais sistemas orgânicos. São pacientes que têm tendência a desenvolver, por exemplo, insuficiência renal, respiratória ou cardíaca mais facilmente do que outros tipos de pacientes. Além disso, existem relações causais claras entre a falência de um sistema orgânico e a falência de outros, como a insuficiência cardíaca, contribuindo para a insuficiência renal, ou a insuficiência renal associada à acidose metabólica, disfunção plaquetária e hipocalcemia. O tratamento da falência orgânica também tem um papel na complexa interação entre os sistemas orgânicos. Por exemplo, a ventilação mecânica de pacientes com insuficiência respiratória contribui para a diminuição do débito cardíaco e, como consequência, a disfunção renal, a gastrintestinal e a do sistema nervoso central. Múltiplas medicações são prescritas com frequência, cada uma necessária para o tratamento de um aspecto específico do problema do paciente, quanto maior o número de drogas. 7.1.2 Estrutura Física da UTI Projetar uma UTI ou modificar uma unidade existente exige conhecimento das normas dos agentes reguladores, além da experiência dos profissionais de terapia intensiva, que estão familiarizados com as necessidades específicas da população de pacientes. Revisões periódicas devem ser consideradas, à medida que a prática da terapia intensiva evolui. O projeto deve ser abordado por um grupo multidisciplinar, composto de diretor médico, enfermeiro chefe da UTI, arquiteto principal, administrador hospitalar e engenheiros. Esse grupo deve avaliar a demanda esperada da UTI baseado na avaliação dos pontos de fornecimento de seus pacientes, nos critérios de admissão e alta, e na taxa esperada de ocupação. É necessária uma análise dos recursos médicos, de pessoal de suporte (enfermagem, fisioterapia, nutricionista, psicólogo e assistente social) e da disponibilidade dos serviços de apoio (laboratório, radiologia, farmácia e outros). Localização: A UTI dede ser uma área geográfica distinta dentro do hospital. Quando possível, deve ter acesso controlado, sem trânsito para os outros departamentos. A sua localização deve ter acesso direto e ser próxima de: elevador, serviço de emergência, centro cirúrgico, sala de recuperação pós-anestésica, unidades intermediárias de terapia e serviços laboratório e radiologia. A Figura 1 a seguir ilustra um ambiente de UTI. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 186 Figura 1 - Ambiente de UTI, com um técnico em enfermagem Fonte: Google imagens Número de leitos: A população do hospital é quem determina o número de leitos necessários para fornecer uma cobertura segura e adequada para os pacientes gravemente doentes em um hospital. Além deste, outros fatores tais como: a quantidade de cirurgias, o grau de compromisso com os cuidados intensivos pela administração do hospital, médicos e enfermeiros, e os recursos institucionais. Um método empírico comumente abordado pelos autores é que um hospital geral deve destinar 10% da sua capacidade de leitos para UTI. Uma UTI deve compor, no mínimo, cinco leitos, em hospitais com capacidade para cem ou mais leitos. Uma instalação com menos de cinco leitos se torna impraticável e onerosa, tendo o seu rendimento insatisfatório no que diz respeito ao atendimento. Do ponto de vista funcional, o ideal a ser considerado é de oito a doze leitos por unidade. Forma da unidade: Os leitos de UTI podem estar dispostos em área comum (tipo vigilância), em quartos fechados ou área mista. ▪ Unidades em área comum: Este tipo de espaço proporciona a observação contínua do paciente, no qual é indicada a separação dos leitos por divisórias laváveis, que proporcionam relativa privacidade. ▪ Unidades em quarto fechado: Estas áreas devem ser dotadas de painéis de vidro, de modo a facilitar a ENFERMAGEM MÓDULO 4 187 observação dos pacientes, sendo necessária uma central de monitorização no posto de enfermagem, com transmissão de onda eletrocardiógrafa e frequência cardíaca. Recomendam-se, ainda, em cada instalação de saúde, as salas de isolamento de compressão positiva e negativa, que irão depender, principalmente, da população de pacientes e dos requisitos do departamento de saúde pública. Áreas de internação: As áreas de internação em uma UTI compreendem vários ambientes e necessidades, os quaisserão descritos a seguir. ▪ Áreas de pacientes: De acordo com os especialistas em UTI, nestas áreas, os pacientes devem ficar localizados de modo que a visualização direta ou indireta se possível durante todo o tempo, permitindo a monitorização do seu estado em função das circunstancias de rotina e de emergência. O projeto ideal deve ser aquele que permita uma linha direta de visão entre o paciente e o posto de enfermagem. Em relação à sobrecarga auditiva nas UTIs, o Conselho Internacional de Ruído recomenda que o nível de ruído não ultrapasse 45dB(A) durante o dia, 40dB(A) durante a noite e 20dB(A) durante a madrugada. Recomenda-se a utilização de pisos que absorvam os sons, levando-se em conta os aspectos de manutenção do controle das infecções hospitalares, dos equipamentos e sua movimentação. Além disso, as paredes e tetos devem ser construídos com material de alta capacidade de absorção acústica. ▪ Posto de enfermagem: O posto de enfermagem deve ser centralizado, com, no mínimo, um para cada doze leitos, e prover uma área confortável, de tamanho suficiente para acomodar todas as funções da equipe de trabalho, com dimensões mínimas de 8m2. Cada posto deve ser servido por uma área de serviços destinada ao preparo de medicação, com dimensão mínima de 8m2, e ser localizado anexo ao posto de enfermagem. Deve haver iluminação adequada de teto, para tarefas específicas, energia de emergência, instalação de água fria, balcão, lavabo, um sistema funcional de estocagem de medicamentos, materiais e soluções e um relógio de parede. No caso da utilização de sistemas informatizados, é necessário um espaço para terminais de computador e impressoras. Deve ser previsto um espaço para colocar os gráficos de registros médicos e de enfermagem, que devem ser armazenados em prateleiras ou armários, de modo que possam ser facilmente acessados por todas as pessoas que requeiram o seu uso. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 188 ▪ Sala de utensílios limpos e sujos: Estas salas devem ser separadas e não interligadas. Seus pisos devem ser cobertos com materiais sem emendas ou junções, de modo a facilitar a limpeza. Utiliza-se a sala de utensílios limpos para armazenar suprimentos limpos e esterilizados, podendo, ainda, acondicionar roupas limpas. As prateleiras e os armários para armazenagem devem estar em locais acima do solo, para facilitar a limpeza do piso. A sala de expurgo (materiais sujos) deve ser localizada fora da área de circulação da unidade. Pode ter uma pia e um tanque, ambos com torneiras misturadoras de água fria e quente, para desinfecção e preparo de materiais. Deve ser projetada para abrigar roupa suja antes de encaminhar ao destino, dispor de mecanismos para descartar itens contaminados com substâncias e fluidos corporais. Recipientes especiais devem ser providenciados para descartar agulhas e outros objetos perfurocortantes. Para desinfecção dos materiais não descartáveis, são necessários dois recipientes com tampa, um para materiais de borracha e vidro e outro para materiais de inox, ou uma máquina processadora. ▪ Banheiro dos pacientes: O banheiro dos pacientes deve ser localizado na área de internação da unidade (geral) ou anexo ao quarto (isolamento). Todos os banheiros e sanitários de pacientes internados devem ter duchas higiênicas e chuveiro. ▪ Copa de pacientes: Trata-se de um local destinado ao serviço de nutrição e dietética, sendo receptora e distribuidora das dietas dos pacientes da unidade. Deve ter pia, geladeira e lixo específico para desprezar restos de alimentos. ▪ Sala de serviços gerais: Sala destinada à guarda de materiais e soluções utilizadas na limpeza e desinfecção da Unidade. Deve ser provida de tanque e prateleiras suspensas. ▪ Sala de procedimentos especiais: Se uma sala de procedimentos especiais é desejada, sua localização deve ser dentro ou adjacente à UTI, podendo atender às diversas UTIs próximas. Deve ser de fácil acesso, com tamanho suficiente para acomodar os equipamentos e as pessoas necessárias. As capacidades de monitorização, equipamentos, serviços de apoio e condições de segurança devem ser compatíveis com serviços fornecidos pela UTI. ▪ ENFERMAGEM MÓDULO 4 189 ▪ Sala de armazenamento de equipamentos: É importante que seja planejada uma área para guardar os equipamentos que não estão em uso ativo, de fácil acesso e espaço adequado para pronta localização e remoção do equipamento desejado. Devem ser previstas tomadas elétricas aterradas em número suficiente para permitir a recarga dos equipamentos que operam com bateria. ▪ Laboratório: Todas as UTIs devem ter serviço de laboratório clínico disponível vinte e quatro horas por dia. Quando o laboratório central do hospital não puder atender as necessidades da UTI, um laboratório satélite dentro da UTI (ou adjacente) deve ser capaz de fornecer os testes químicos e hematológicos mínimos, incluindo análises de gases do sangue arterial. ▪ Sala de reuniões: É importante que uma área distinta ou separada, porém próxima de cada UTI ou grupos de UTIs, seja preparada para reuniões entre os profissionais de saúde, para que possam observar, armazenar registos médicos, estudar e discutir os casos dos pacientes. Deve ter um negatoscópio ou carrossel de tamanho adequado, para permitir a observação simultânea de uma série de radiografias. ▪ Área de descanso dos funcionários: Ao planejar uma UTI (ou agrupamento de UTIs), deve-se prever uma sala de descanso, ligada a esta por um sistema de intercomunicação. Um local privado, confortável, com ambiente descontraído, contendo sanitários masculino e feminino, dotados de chuveiro e armários. Além disto, deve ter uma copa, com instalações adequadas, utensílios eletrodomésticos. ▪ Conforto médico: O centro médico deve ser próximo à área de internação, de fácil acesso, com instalações sanitárias e chuveiro. A sala deve ser ligada à UTI por telefone e/ou sistema de intercomunicação. ▪ Sala de estudos: Uma sala de estudos para equipe multidisciplinar da UTI deve ser planejada para educação continuada, ensino dos funcionários ou aulas multidisciplinares sobre terapia dos pacientes. Devem estar previstos também recursos audiovisuais, equipamentos informatizados interativos para autoaprendizado e referências médicas, enfermagem e outros. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 190 ▪ Recepção da UTI: Cada UTI ou agrupamento de UTIs deve ter uma área para controlar o acesso de visitantes. A sua localização deve ser planejada de modo que os visitantes se identifiquem antes de entrar. Por ser uma unidade de acesso restrito, é desejável que a entrada para os profissionais de saúde, seja separada dos visitantes, e que tenha um sistema de intercomunicação com as áreas da UTI efetivo. ▪ Sala de espera de visitantes: A sala de espera e visitantes é uma área indispensável e deve ser localizada próximo de cada UTI ou agrupamento de UTIs. É destinada aos familiares de pacientes, enquanto aguardam informações ou são preparados para visita na unidade. O acesso de visitantes deve ser controlado pela recepção. Um bebedouro e sanitários devem ser localizados dentro da área ou próximo a ela. São desejáveis para este ambiente cores vivas, carpete, janelas, iluminação indireta e suave. Devem ser previstos telefones públicos, sofás, cadeiras retas e reclináveis, terminais de circuito interno de TV e materiais educativos. ▪ Rota de transporte de pacientes: Os corredores utilizados para transportar os pacientes devem ser separados daqueles utilizados pelos visitantes. O transporte dos pacientes deve ser rápido e a privacidade preservada. Quando necessário, o uso de elevadores, deve ser previsto um tamanho superdimensionado e separado do acesso público. ▪ Corredores de suprimento e serviço: Em cada UTI deve ser planejado um corredor com 2,4 metros, portas com abertura no mínimo 0,9metros, permitindo fácil acesso. A circulação exclusiva para itens sujos e limpos é uma medida dispensável. O transporte de material contaminado pode ser por meio de quaisquer ambiente e cruzar com material esterilizado ou mesmo com o paciente, sem risco algum, uma vez que esteja acondicionado em carros fechados, com tampa e técnica adequada. O revestimento do piso deve ser resistente a trabalho pesado e permitir que os equipamentos com rodas se movam sem dificuldades. ▪ Módulo de pacientes: Os módulos dos pacientes devem ser projetados para apoiar todas as funções necessárias de saúde. A área de cada leito deve ser suficiente para conter todos os equipamentos e permitir livre movimentação da equipe para atender às necessidades de terapia do paciente. Segundo as Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, o quarto fechado para adulto ou adolescente deve ter dimensão mínima de 12 ENFERMAGEM MÓDULO 4 191 m2, com distância de 1,0 metro entre paredes e leito, exceto cabeceira. A área coletiva deve ter dimensões mínimas para 10 m2, distância de 1,0 metro entre paredes e 2,0 metros entre leitos. O quarto de isolamento é recomendável, e deve ser dotado de banheiro privativo e de área específica para recipientes estanques de roupa limpa e suja e de lavatório. Na ausência de isolamento, o quarto privativo tem flexibilidade para, sempre que for requerida proteção coletiva, operar como isolamento. No projeto da UTI, um ambiente que minimize o stress do paciente e dos funcionários deve ser planejado, incluindo iluminação natural e vista externa. As janelas são aspectos importantes de orientação sensorial e o maior número possível das salas deve ter janelas, para indicação de dia/noite. Para controlar o nível de iluminação, podem-se utilizar cortinas, toldos externos, vidros pintados ou reflexivos. Outros recursos para melhorar a orientação sensorial dos pacientes pode incluir a provisão de calendário, relógio, rádio, televisão e ramal telefônico. A instalação de TV deve ficar fora do alcance dos pacientes e o equipamento deve ser operado por controle remoto. As considerações de conforto devem incluir métodos para estabelecer a privacidade dos pacientes. O uso de persianas, cortinas, biombos e portas controla o contato do paciente com a área ao redor. Uma poltrona deve estar disponível à beira do leito para visita de familiares. A escolha das cores das paredes proporciona descanso e propicia ambiente tranquilo. ▪ Serviços de utilidade: Uma UTI deve ter recursos que propiciem segurança para os pacientes e funcionários, sob condições normais e de emergência. Cada unidade deve ser provida de eletricidade, água, vácuo clínico, oxigênio, ar comprimido e devem atender as normas mínimas ou os códigos dos agentes reguladores ou credenciadores. Os serviços de utilidades podem ser fornecidos por uma coluna montada no teto, no solo ou livre. Quando localizadas adequadamente, permitem fácil acesso à cabeceira do paciente, facilitando o atendimento de urgência. Se o sistema de colunas não for viável, os serviços de utilidades podem ser fornecidos no painel de cabeceira. A Figura 2 a seguir ilustra um leito de UTI e seus equipamentos. MÓDULO 4 ENFERMAGEM 192 Figura 2- Leito de UTI, com alguns equipamentos Fonte: Google imagens ▪ Recursos humanos: Toda UTI, em suas 24 horas de funcionamento, deve dispor de: ▪ Um médico plantonista para cada dez leitos, responsável pelo atendimento na UTI e semi-intensiva, quando existente; ▪ Um enfermeiro para cada turno de trabalho; ▪ Um técnico de enfermagem para cada dois leitos de UTI adulto ou pediátrico e um técnico de enfermagem para cada leito de UTI-neonatal; ▪ Um fisioterapeuta; ▪ Um auxiliar de serviços diversos/secretária; ▪ Um funcionário exclusivo para serviços de limpeza. Os plantonistas da UTI que não apresentarem título de especialista em medicina intensiva devem possuir, no mínimo, estágio ou experiência profissional comprovada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) de, pelo menos, um ano na área. 7.2 Ética, Bioética em Terapia Intensiva Uma unidade de terapia intensiva tem algumas características peculiares: a gravidade dos pacientes internados, a ênfase no conhecimento técnico-científico e na tecnologia, a ansiedade dos pacientes e familiares, a possibilidade, muitas vezes tão ENFERMAGEM MÓDULO 4 193 próxima, da ocorrência da morte, dentre outras. Tais características nos levam a refletir acerca dos valores éticos e humanos que envolvem o cuidar em terapia intensiva, nos propondo alguns questionamentos: nesse local é possível pensar em formas de participação do paciente? Como é considerado o homem? As técnicas invasivas e os recursos tecnológicos respondem a que necessidades do ser humano? E possível humanizar esse serviço de saúde? Que direitos podem ser garantidos aos pacientes de terapia intensiva? A bioética pode ser compreendida como o estudo interdisciplinar dos problemas gerados pelo progresso da tecnologia (em nível de relação individual, institucional ou de estrutura social), das suas repercussões e de seus sistemas de valores. A bioética considera o home como um ser que tem autonomia sobre si e não como um simples objeto. Por autonomia entenda-se a capacidade que tem a racionalidade humana de fazer leis para si mesma, podendo se autogovernar, escolher, dividir, avaliar. No Brasil, de forma geral, o usuário do sistema de saúde exerce minimamente essa autonomia, predominando uma relação na qual o profissional de saúde, uma vez observado como o dono do saber técnico-científico, impõe ao cliente as suas receitas, as suas ordens, cuidados e conselhos. Essa situação acaba por fortalecer uma cultura profissional que valoriza o paciente passivo, "o bonzinho", aquele que não reclama, que não pergunta sobre o tratamento, que não exige ser bem tratado. Cultura esta que se acentua na medida em que o paciente torna-se grave, menos capaz de cuidar de si mesmo, ou seja, de se autogovernar. Os pacientes em UTI, muitas vezes, ficam impedidos de falar, de se expressar com mais clareza, devido a presença de tubos, aparelhos de ventilação artificial, sedação, coma, dentre outros aspectos, perdendo o poder de controlar o seu próprio corpo quanto aos cuidados diários de higiene, vestimentas, alimentação, movimentação, dependendo completamente dos cuidados dos profissionais de saúde. Nesses casos, não há praticamente nenhum grau de autonomia do paciente, nem mesmo em relação às atitudes, levando o profissional de saúde a tomar as decisões para a manutenção da vida do mesmo. Além de monitorização completa e vigilância 24 horas, ainda é função da UTI amenizar sofrimentos, tais como a dor e a falta de ar. Independentemente do prognóstico, é importante proporcionar conforto adequado respeitando a dignidade e autodeterminação de cada pessoa internada. É importante observar também o uso dos recursos tecnológicos, tão necessários à manutenção da vida, porém os profissionais não devem se esquecer de que jamais a máquina substituirá a essência humana. É possível resgatar a totalidade da pessoa humana, a partir de outro olhar para o paciente de UTI, que ultrapassa a lógica racional, a detecção de sinais e sintomas que se diferem dos padrões de normalidade, ou seja, é preciso mudar a visão pela qual MÓDULO 4 ENFERMAGEM 194 esses pacientes são reduzidos apenas à vida biológica, a um corpo a ser manipulado, pois os procedimentos executados e os aparelhos utilizados, respondem a algumas necessidades biológicas, mas não às necessidades individuais que cada pessoa tem. O cuidar técnico em UTI se torna complexo em muitos aspectos. Um banho, uma mudança de decúbito, uma higiene oral são procedimentos razoavelmente simples, mas que exigem ainda mais cuidados, principalmente, tendo em vista a atenção para que esses procedimentosnão lesem o paciente, por exemplo, desconectando-o da máquina que no momento dá sustentação à vida dele. Contudo, durante os procedimentos, devemos dedicar o devido respeito ao paciente, explicar o procedimento que será realizado, bem como sua finalidade, mesmo que, aparentemente, ele não esteja escutando. O fato de ele não poder naquele momento, queixar-se da forma com a qual o profissional de saúde lhe presta assistência, não dá este o direito de tratá-lo mal, ou como se fosse apenas um trabalho a realizar, ignorando que ali está um ser humano, lutando para sobreviver. Na literatura de enfermagem, principalmente a partir da década de 80, revelam-se preocupações com respeito à privacidade do paciente, à assistência psicoespiritual, à presença dos familiares, às informações acerca da gravidade, dos riscos e prognósticos, entre outros aspectos. Entretanto, esses cuidados não devem ser oferecidos como um cuidado extra, prestados, às vezes, a alguns pacientes. O fato de o paciente não poder perceber o que está se passando à sua volta, não dá ao profissional de saúde o direito, por exemplo, de realizar o banho no leito sem preservar sua privacidade, pois assim estaria violando um direito do paciente, pelo fato de não poder exercer sua autonomia naquele momento, além de apresentar uma postura antiética. A gravidade, a dependência, o medo da morte e do desconhecido podem tornar o paciente “desligado” dos seus próprios direitos enquanto paciente hospitalizado e pessoa humana, tendo o seu corpo totalmente entregue aos profissionais de saúde. Cabe a estes zelar por esse corpo como se fosse o próprio, como gostariam que agissem consigo ou com um ente querido seu, caso vivenciasse a mesma situação. Sendo assim, a ética profissional é imprescindível para a qualidade da assistência ao paciente gravemente enfermo. 7.2.1 Humanização em UTI Para Terra e Gomes (2015), humanizar a UTI significa cuidar do paciente como um todo, envolvendo o contexto familiar e social. Esta é uma prática que deve incorporar os valores, as esperanças, os aspectos culturais e as preocupações de cada um. Trata-se de um conjunto de medidas englobando o ambiente físico, o cuidado dos pacientes e seus familiares e as relações entre a equipe de saúde. Estas intervenções visam, sobretudo, tornar efetiva a assistência ao indivíduo criticamente doente, considerando-o como um todo bio-psico-sócio-espiritual. Entende-se por humanização o ato ou efeito de humanizar. Não se trata de uma técnica ou de uma arte, como afirmam Terra e Gomes (2015). É um processo que ENFERMAGEM MÓDULO 4 195 perpassa todas as atividades de um local e de pessoas que lidam com o paciente, lhe ofertando o tratamento merecido, dentro das circunstâncias peculiares nas quais cada um se encontra naquele momento de sua internação. O paciente internado na UTI necessita de cuidados de excelência, voltados não apenas para os problemas fisiopatológicos, mas também para as questões psicossociais, ambientais e familiares que se tornam intimamente interligadas à doença física. A essência da enfermagem em unidade de terapia intensiva não está no ambiente ou nos equipamentos especiais, mas no processo de tomada de decisões, baseado na sólida compreensão das condições fisiológicas e psicológicas do paciente (TERRA; GOMES, 2015). Para que haja humanização total em uma UTI, três diferentes aspectos devem ser considerados: o ambiente físico, o cuidado com o paciente e seus familiares e a atenção ao profissional da equipe. A humanização e o ambiente físico em UTI: Para que uma unidade de terapia intensiva se apresenta de forma mais humana, devem ser observados os seguintes aspectos: ▪ Cores leves nas paredes e portas tornam o ambiente mais tranquilo. ▪ Proporcionar ambiente calmo e silencioso, minimizando ao máximo os ruídos dos equipamentos e da equipe. ▪ Presença de janelas, que permitam ver o azul do céu, a luz do sol e o verde das árvores. ▪ Garantir bom espaço entre os leitos, para facilitar o trabalho dos profissionais, além de maior privacidade para o paciente. ▪ Separar pacientes mais graves para que os conscientes não vejam ou ouçam as intervenções que se processam ao seu redor, gerando menos ansiedade. O cuidado com o paciente e a família: Os profissionais que atuam em unidades de terapia intensiva devem estar atentos aos seguintes cuidados: ▪ O envolvimento com o paciente e a família é um pré-requisito essencial para humanizar. ▪ Adotar comportamento de compaixão, solidariedade e ajuda, no sentido de promover o bem, visando o bem-estar do paciente, a sua integridade moral e a sua dignidade como pessoa. ▪ É a atitude de conversar, ouvir, tocar o paciente, identificá-lo pelo nome. Reconhecê-lo como uma pessoa que está passando por uma fase difícil de doença, necessitando de cuidados humanos, além dos técnicos, com uma dose de sentimento. ▪ Oferecer informações e conscientização dos familiares sobre a doença e o MÓDULO 4 ENFERMAGEM 196 tratamento ao qual o paciente está sendo submetido, avaliando suas necessidades e o grau de satisfação em relação aos cuidados prestados. Atenção ao profissional da equipe: Como observam Terra e Gomes (2015), a equipe de enfermagem está, provavelmente, exposta a um nível maior de estresse que qualquer outra do hospital, porque deve lidar não somente com a assistência a seus pacientes e familiares, mas também com suas próprias emoções e conflitos. Neste sentido, “deve-se cuidar de quem cuida”, afirmam os autores, evitando as manifestações do estresse, como fadiga física e emocional, tensão e ansiedade, geradas comumente em uma UTI e como condição necessária para aumentar a qualidade do cuidado prestado. É importante que a equipe tenha uma remuneração justa, sala de descanso para os plantonistas, atendimento psicológico e participe de palestras educativas. A solução para a humanização está na equipe de saúde, que deve mostrar seu lado humano a cada procedimento e, acima de tudo, que tem sentimentos, que são conscientes dos desafios a serem enfrentados e dos limites a serem transpostos. A humanização deve fazer parte da filosofia da enfermagem. O ambiente físico, os recursos materiais e tecnológicos são importantes, porém não mais significativos do que a essência humana. Esta sim, irá conduzir o pensamento e as ações da equipe, tornando-os capazes de criticar e construir uma realidade mais humana, menos agressiva e hostil para os que diariamente vivenciam a UTI. 7.3 Critérios de Admissão e Alta As indicações para admissão e alta da UTI são atribuições exclusivas do médico intensivista, que deve observar: ▪ Paciente grave ou de risco, com probabilidade de sobrevida e recuperação. ▪ Paciente em morte cerebral, por tratar-se de potencial doador de órgãos. São considerados graves ou de risco os pacientes portadores de: ▪ Patologias cardiovasculares como: angina instável de alto risco, infarto agudo do miocárdio, choque, arritmias complexas, emergências hipertensivas, recuperação pós parada cardiorrespiratória entre outras. ▪ Patologias respiratórias como: insuficiência respiratória aguda, embolia pulmonar com instabilidade, necessidade de fisioterapia respiratória intensiva, hemoptise maciça entre outras. ▪ Patologias neurológicas como: coma, hipertensão intracraniana com potencial herniação, desordens neuromusculares graves, acidente vascular cerebral com sensório rebaixado entre outras. ▪ Patologias toxicológicas como: instabilidade hemodinâmica, insuficiência respiratória ou convulsão após uso de drogas. ▪ Patologias gastrointestinais como: perfuração esofagiana, hemorragia ENFERMAGEM MÓDULO 4 197 gastrointestinal complicada, insuficiência hepática fulminante, pancreatite grave entre outras. ▪ Patologias endócrinas como: cetoacidose diabética complicada e crise adrenal instável entre outras. Pacientes pós-operados