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Fernanda Cardoso Vieira A face é a superfície anterior da cabeça, da fronte ao queixo e de uma orelha à outra. Os ossos da face crescem por mais tempo do que os da calvária. O crescimento do etmoide, das cavidades orbitais e das partes superiores das cavidades nasais está quase completo aos 7 anos de idade. A expansão das órbitas e o crescimento do septo nasal deslocam as maxilas em sentido inferoanterior. O couro cabeludo é formado por pele e tecido subcutâneo, que cobrem o neurocrânio desde as linhas nucais superiores no occipital até as margens supraorbitais do frontal. Lateralmente, o couro cabeludo estende-se sobre a fáscia temporal até os arcos zigomáticos. O couro cabeludo tem cinco camadas: Pele: fina, exceto na região occipital; contém muitas glândulas sudoríferas e sebáceas, além de folículos pilosos. A irrigação arterial é abundante e há boa drenagem venosa e linfática Tecido conectivo: forma a tela subcutânea espessa, densa e ricamente vascularizada, bem suprida por nervos cutâneos Aponeurose epicrânica: a lâmina tendínea larga e forte que cobre a calvária e é o local de fixação dos ventres musculares que convergem da fronte e do occipúcio (o músculo occipitofrontal) e dos temporais de cada lado (os músculos temporoparietal e auricular superior). Juntas, essas estruturas constituem o epicrânio musculoaponeurótico. Todas as partes do epicrânio (músculo e aponeurose) são inervadas pelo nervo facial Tecido conectivo frouxo: uma camada esponjosa contendo espaços virtuais, que podem ser distendidos por líquido em caso de lesão ou infecção. Essa camada permite o livre movimento do couro cabeludo propriamente dito sobre a calvária Pericrânio: uma camada densa de tecido conectivo que forma o periósteo externo do neurocrânio. Está firmemente fixado, mas pode ser arrancado com facilidade do crânio de pessoas vivas, exceto nos locais onde é contínuo com o tecido fibroso nas suturas do crânio Fernanda Cardoso Vieira MÚSCULOS DA FACE E DO COURO CABELUDO Os músculos da face movimentam a pele e modificam as expressões faciais para exprimir o humor, atuam mediante a tração da pele, desenvolvem-se a partir do mesoderma nos segundos arcos faríngeos. Os músculos do couro cabeludo, da fronte e dos supercílios. O músculo occipitofrontal e digástricos são planos, e seus ventres occipital e frontal têm um tendão comum, a aponeurose epicrânica. A contração independente do ventre occipital retrai o couro cabeludo e a contração do ventre frontal o protrai. Os ventres frontal e occipital agem sinergicamente, criando a aparência de surpresa. Os músculos da boca,dos lábios e das bochechas ativa ao sorrir, mantém a bochechas tensas, evitando seu pregueamento e lesão durante a mastigação. O músculo orbicular da boca + bucinador + língua, evitam o acúmulo de comida na boca. Ajuda no assopro e na sucção. A fáscia bucofaríngea sofre espessamento e forma a rafe pterigomandibular. * Músculos Elevadores, Afastadores e Eversores do lábio superior; * Músculos Depressores, Afastadores e Eversores do lábio inferior; * Músculos Orbicular da boca, o Esfíncter ao redor da boca; * Músculo Bucinador, na bochecha. Classificaçao dos músculos: Occipitofrontal Ventre frontal Origem: Aponeurose epicrânica Inserçao: Pele e tela subcutânea dos supercílios e da fronte Açao: Eleva os supercílios e enruga a pele da fronte, protrai o couro cabeludo (indicando surpresa ou curiosidade) Ventre occipital Origem: Dois terços laterais da linha nucal superior Inserçao: Aponeurose epicrânica Açao: Retrai o couro cabeludo, aumenta a eficácia do ventre frontal Orbicular do olho (esfíncter orbital) Origem: Margem orbital medial, ligamento palpebral medial, lacrimal Inserçao: Pele ao redor da margem da órbita, lâminas tarsais superior e inferior Açao: Fecha as pálpebras: a parte palpebral com suavidade e a parte orbital com firmeza (piscar) Corrugador do supercílio Origem: Extremidade medial do arco superciliar Inserçao: Pele superior ao meio da margem supraorbital e arco superciliar Açao: Leva o supercílio medial e inferiormente, criando rugas verticais acima do nariz (interesse ou preocupação) Fernanda Cardoso Vieira Prócero mais parte transversa do M. nasal Origem: Fáscia aponeurótica que cobre o osso nasal e a cartilagem nasal lateral Inserçao: Pele da fronte inferior, entre os supercílios Açao: Abaixa a extremidade medial do supercílio, enruga a pele sobre o dorso do nariz (exprimindo desdém ou aversão) Parte da asa do nariz mais M. levantador do lábio superior e asa do nariz Origem: Processo frontal da maxila Inserçao: Cartilagem alar maior Açao: Abaixa a asa lateralmente, dilatando a abertura nasal anterior (“alargando as narinas”) Orbicular da boca (esfíncter oral) Origem: Parte medial da maxila e mandíbula, face profunda da pele perioral, ângulo da boca Inserçao: Túnica mucosa dos lábios Açao: O tônus fecha a rima da boca, a contração fásica comprime e protrai os lábios (ao beijar) ou resiste à distensão (ao soprar) Levantador do lábio superior Origem: Margem infraorbital Inserçao: Pele do lábio superior Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, retraem (elevam) ou evertem o lábio superior, aprofundam o sulco nasolabial (exprimindo tristeza) Zigomático menor Origem: Face anterior, zigomático Inserçao: Pele do lábio superior Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, retraem (elevam) ou evertem o lábio superior, aprofundam o sulco nasolabial (exprimindo tristeza) Bucinador (músculo da bochecha) Origem: Mandíbula, processos alveolares da maxila e mandíbula, rafe pterigomandibular Inserçao: Ângulo da boca, orbicular da boca Açao: Pressiona a bochecha contra os dentes molares, atua com a língua para manter o alimento entre as faces oclusais e fora do vestíbulo da boca, resiste à distensão (ao soprar) Zigomático maior Origem: Face lateral do zigomático Inserçao: Ângulo da boca Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, elevam a comissura labial — bilateralmente para sorrir (felicidade), unilateralmente para zombar (desdém) Levantador do ângulo da boca Origem: Maxila infraorbital Inserçao: Ângulo da boca Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, alarga a rima da boca, como ao sorrir com os dentes à mostra ou fazer careta Fernanda Cardoso Vieira Risório Origem: Fáscia parotídea e pele da boca Inserçao: Ângulo da boca Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, abaixa a comissura labial bilateralmente para exprimir reprovação (tristeza) Abaixador do ângulo da boca Origem: Base anterolateral da mandíbula Inserçao: Ângulo da boca Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, abaixa a comissura labial bilateralmente para exprimir reprovação (tristeza) Abaixador do lábio inferior Origem: Platisma e parte anterolateral do corpo da mandíbula Inserçao: Pele do lábio inferior Açao: Parte dos Mm. dilatadores da boca, retrai (abaixa) ou everte o lábio inferior (“fazer beicinho”, tristeza) Mentual Origem: Corpo da mandíbula Inserçao: Pele do queixo (sulco mentolabial) Açao: Eleva e protrai o lábio inferior; eleva a pele do queixo (exprimindo dúvida) Platisma Origem: Tela subcutânea das regiões infraclavicular e supraclavicular Inserçao: Base da mandíbula, pele da bochecha e do lábio inferior, ângulo da boca, orbicular da boca Açao: Abaixa a mandíbula (contra resistência), tensiona a pele da região inferior da face e do pescoço (exprimindo tensão e estresse) Fernanda Cardoso Vieira Fernanda Cardoso Vieira NERVOS CUTÂNEOS DA FACE E DO COURO CABELUDO Nervos cutâneos derivados do nervo oftálmico Supraorbital Maior ramo da bifurcaçãodo N. frontal, aproximadamente no meio do teto da órbita Continua anteriormente ao longo do teto da órbita, emergindo através da incisura ou forame supraorbital; ascende na fronte, dividindo-se em ramos Túnica mucosa do seio frontal; pele e túnica conjuntiva do meio da pálpebra superior; pele e pericrânio da região anterolateral da fronte e couro cabeludo até o vértice (linha interauricular) Supratroclear Menor ramo da bifurcação do N. frontal, aproximadamente no meio do teto da órbita Continua em sentido anteromedial ao longo do teto da órbita, seguindo lateralmente à tróclea e ascendendo na fronte Pele e túnica conjuntiva da face medial da pálpebra superior; pele e pericrânio da região anteromedial da fronte Lacrimal Menor ramo da trifurcação do NC V1, proximal à fissura orbital superior Segue em sentido superolateral através da órbita, recebendo fibras secretomotoras através de um ramo comunicante do nervo zigomaticotemporal Glândula lacrimal (fibras secretomotoras); pequena área de pele e túnica conjuntiva da parte lateral da pálpebra superior Infratroclear Ramo terminal (com o N. etmoidal anterior) do N. nasociliar Acompanha a parede medial da órbita, passando inferiormente à tróclea Pele lateral à raiz do nariz; pele e túnica conjuntiva das pálpebras adjacentes ao canto medial, saco lacrimal e carúncula lacrimal Nasal externo Ramo terminal do N. etmoidal anterior Emerge da cavidade nasal passando entre o osso nasal e a cartilagem nasal lateral Pele da asa do nariz, vestíbulo e dorso do nariz, inclusive o ápice Nervos cutâneos derivados do nervo maxilar Infraorbital Continuação do NC V2 distal à sua entrada na órbita através da fissura orbital inferior Atravessa o sulco infraorbital e o canal no assoalho da órbita, dando origem a ramos alveolares superiores; depois emerge através do forame infraorbital, dividindo-se imediatamente em ramos palpebral inferior, nasais interno e externo, e labial superior Túnica mucosa do seio maxilar; dentes prémolares, caninos e incisivos maxilares; pele e túnica conjuntiva da pálpebra inferior; pele da bochecha, região lateral do nariz e região anteroinferior do septo nasal; pele e túnica mucosa oral do lábio superior Fernanda Cardoso Vieira Zigomaticofacial Ramo terminal menor (com o N. zigomaticotemporal) do N. zigomático Atravessa o canal zigomaticofacial no zigomático no ângulo inferolateral da órbita Pele na proeminência da bochecha Zigomaticotemporal Ramo terminal maior (com o N. zigomaticofacial) do N. zigomático Envia o ramo comunicante para o N. lacrimal na órbita; depois segue até a fossa temporal através do canal zigomaticotemporal no zigomático Pele sem pelos na parte anterior da fossa temporal Nervos cutâneos derivados do nervo mandibular Auriculotemporal Na fossa infratemporal através de duas raízes do tronco posterior do NC V3 que circundam a artéria meníngea média Segue em direção posterior, profundamente ao ramo da mandíbula e à parte profunda superior da glândula parótida, emergindo posteriormente à articulação temporomandibular Pele anterior à orelha e dois terços posteriores da região temporal; pele do trago e hélice adjacente da orelha; pele do teto do meato acústico externo; e pele da membrana timpânica superior Bucal Na fossa infratemporal como ramo sensitivo do tronco anterior do NC V3 Passa entre duas partes do M. pterigóideo lateral, emergindo anteriormente do revestimento do ramo da mandíbula e M. masseter, unindo-se aos ramos bucais do N. facial Pele e túnica mucosa oral da bochecha (sobrejacente e profundamente à parte anterior do M. bucinador); gengiva bucal adjacente ao segundo e ao terceiro molares Mentual Ramo terminal do N. alveolar inferior (NC V3) Emerge do canal mandibular através do forame mentual na face anterolateral do corpo da mandíbula Pele do queixo e pele; túnica mucosa oral do lábio inferior Nervos cutâneos derivados dos ramos anteriores dos nervos espinais cervicais Auricular magno Nn. espinais C2 e C3 através do plexo cervical Ascende verticalmente através do músculo esternocleidomastóideo, posterior à veia jugular externa Pele sobre o ângulo da mandíbula e lobo inferior da orelha; bainha parotídea Occipital menor Nn. espinais C2 e C3 através do plexo cervical Segue a margem posteriordo músculo esternocleidomastóideo; depois ascende posteriormente à orelha Couro cabeludo posterior à orelha Fernanda Cardoso Vieira Nervos cutâneos derivados dos ramos posteriores dos nervos espinais cervicais Occipital maior Como ramo medial do ramo posterior do N. espinal C2 Emerge entre o áxis e o M. oblíquo inferior da cabeça; depois perfura o M. trapézio Couro cabeludo da região occipital Occipital terceiro Como ramo lateral do ramo posterior do N. espinal C3 Perfura o M. trapézio Couro cabeludo das regiões occipital inferior e suboccipital Fernanda Cardoso Vieira NERVOS DO COURO CABELUDO A inervação do couro cabeludo é feita por todos os ramos do nervo trigêmeo. Na região posterior às orelhas, a inervação provém dos nervos cutâneos espinais. NERVOS MOTORES DA FACE Os nervos motores da face são o nervo facial para os músculos da expressão facial e a raiz motora do nervo trigêmeo/nervo mandibular para os músculos da mastigação (masseter, temporal, e pterigóideos medial e lateral). Esses nervos também suprem alguns músculos mais profundos. NERVO FACIAL (Inerva os músculos das expressões faciais) A raiz motora do NC VII supre os músculos da expressão facial, inclusive o platisma, músculos auriculares, músculos do couro cabeludo e alguns outros músculos derivados do mesoderma no segundo arco faríngeo embrionário. Seguindo um trajeto tortuoso através do temporal, o NC VII emerge do crânio através do forame estilomastóideo localizado entre os processos mastoide e estiloide. Imediatamente dá origem ao nervo auricular posterior, que segue posterossuperiormente à orelha para suprir o músculo auricular posterior e o ventre occipital do músculo occipitofrontal. O tronco principal do NC VII segue anteriormente e é englobado pela glândula parótida, na qual forma o plexo intraparotídeo. Este plexo dá origem aos cinco ramos terminais do nervo facial: temporal, zigomático, bucal, marginal da mandíbula e cervical. Os nomes dos ramos referem-se às regiões que inervam. O ramo temporal do NC VII emerge da margem superior da glândula parótida e cruza o arco zigomático para suprir os músculos auricular superior e auricular anterior; o ventre frontal do músculo occipitofrontal e a parte superior do músculo orbicular do olho. O ramo zigomático do NC VII segue através de dois ou três ramos superiormente e inferiormente ao olho para suprir a parte inferior do músculo orbicular do olho e outros músculos faciais inferiores à órbita. O ramo bucal do NC VII segue externamente ao músculo bucinador para suprir este músculo e os músculos do lábio superior (partes superiores do músculo orbicular da boca e fibras inferiores do músculo levantador do lábio superior). O ramo marginal da mandíbula do NC VII supre os músculos risório e do lábio inferior e do queixo. Emerge da margem inferior da glândula parótida e cruza a margem inferior da mandíbula profundamente ao músculo platisma até chegar à face. O ramo cervical do NC VII segue inferiormente a partir da margem inferior da glândula parótida e posteriormente à mandíbula para suprir o músculo platisma. Fernanda Cardoso Vieira ARTÉRIAS SUPERFICIAIS DA FACE E DO COURO CABELUDO Classificaçao de acordo com a origem, trajeto e distribuição: Facial A. carótida externa Ascende profundamente à glândula submandibular; espirala-se ao redor da margem inferior da mandíbula e entra na face Músculos da expressão facial e faceLabial inferior A. facial perto do ângulo da boca Segue medialmente no lábio inferior Lábio inferior Labial superior A. facial perto do ângulo da boca Segue medialmente no lábio superior Lábio superior e asa (lateral) e septo do nariz Nasal lateral A. facial quando ascende ao longo do nariz Segue até a asa do nariz Pele na asa e dorso do nariz Angular Ramo terminal da A. facial Segue até o ângulo medial do olho Parte superior da bochecha e pálpebra inferior Occipital A. carótida externa Segue medial ao ventre posterior do M. digástrico e processo mastoide; acompanha o N. occipital na região occipital Couro cabeludo do dorso da cabeça, até o vértice Auricular posterior A. carótida externa Segue posteriormente, profundamente à glândula parótida, ao longo do processo estiloide, entre o processo mastoide e a orelha Orelha e couro cabeludo posterior à orelha Temporal superficial Ramo terminal menor da A. carótida externa Ascende anteriormente à orelha até a região temporal e termina no couro cabeludo Músculos faciais e pele das regiões frontal e temporal Fernanda Cardoso Vieira Facial transversa A. temporal superficial na glândula parótida Atravessa a face superficialmente ao M. masseter e inferiormente ao arco zigomático Glândula parótida e ducto parotídeo, músculos e pele da face Mentual Ramo terminal da A. alveolar inferior Emerge do forame mentual e segue até o queixo Músculos faciais e pele do queixo Supraorbital Ramo terminal da A. oftálmica Segue superiormente a partir do forame supraorbital Músculos e pele da fronte e couro cabeludo e túnica conjuntiva superior Supratroclear Ramo terminal da A. oftálmica Segue superiormente a partir da incisura supratroclear Músculos e pele da fronte e couro cabeludo e túnica conjuntiva superior Fernanda Cardoso Vieira VEIAS DA FACE E DO COURO CABELUDO Classificação de acordo com origem, trajeto, término e área drenada: Supratroclear Começa no plexo venoso na fronte e no couro cabeludo, através do qual se comunica com o ramo frontal da V. temporal superficial, a veia contralateral e V. supraorbital Desce perto da linha mediana da fronte até a raiz do nariz, onde se une à V. supraorbital V. angular na raiz do nariz Parte anterior do couro cabeludo e da fronte Supraorbital Começa na fronte anastomosando-se com a tributária frontal da V. temporal superficial Segue medialmente superior à órbita; une-se à V. supratroclear; um ramo atravessa a incisura supraorbital e se une à V. oftálmica superior V. angular na raiz do nariz Parte anterior do couro cabeludo e da fronte Angular Começa na raiz do nariz pela união das Vv. supratroclear e supraorbital Desce obliquamente ao longo da raiz e face lateral do nariz até a margem orbital inferior Torna-se a V. facial na margem inferior da órbita Parte anterior do couro cabeludo e fronte; pálpebras superior e inferior e túnica conjuntiva; pode receber a drenagem do seio cavernoso Facial Continuação da V. angular além da margem inferior da órbita Desce ao longo da margem lateral do nariz, recebendo as Vv. nasal externa e palpebral inferior; depois segue obliquamente através da face para cruzar a margem inferior da mandíbula; recebe comunicação da V. retromandibular (depois do que, às vezes, é denominada V. facial comum) V. jugular interna oposta ou inferior ao nível do hioide Parte anterior do couro cabeludo e fronte; pálpebras; parte externa do nariz; região anterior da bochecha; lábios; queixo; e glândula submandibular Facial profunda Plexo venoso pterigóideo Segue anteriormente sobre a maxila, superiormente ao M. bucinador e profundamente ao M. masseter, emergindo medialmente à margem anterior do M. masseter para a face Entra na face posterior da V. facial Fossa infratemporal (a maioria das áreas supridas pela A. maxilar) Temporal superficial Começa a partir do amplo plexo venoso na lateral do couro cabeludo e ao longo do arco zigomático As tributárias frontal e parietal se unem anteriormente à orelha; cruza a raiz temporal do arco zigomático para sair da região temporal e entrar na substância da glândula parótida Une-se à veia maxilar posteriormente ao colo da mandíbula para formar a V. retromandibular Região lateral do couro cabeludo; face superficial do M. temporal; e orelha externa Fernanda Cardoso Vieira Retromandibular Formada anteriormente à orelha pela união das Vv. temporal superficial e maxilar Segue posterior e profundamente ao ramo da mandíbula através da substância da glândula parótida; comunica-se na extremidade inferior com a veia facial Une-se à V. auricular posterior para formar a V. jugular externa Glândula parótida e M. masseter Anatomia clinica Lesões do couro cabeludo: Como se originam nas laterais da cabeça, as artérias do couro cabeludo são bem protegidas por tecido conjuntivo denso e se anastomosam livremente, um couro cabeludo parcialmente descolado pode ser reposicionado com chance razoável de cicatrização desde que um dos vasos permaneça intacto. Durante uma craniotomia vinculada as incisões geralmente são convexas e voltadas para cima, e a artéria temporal superficial é incluída no retalho de tecido. Muitas vezes o couro cabeludo propriamente dito, as três primeiras camadas, é considerado clinicamente como uma única camada porque estas permanecem juntas quando se faz um retalho do couro cabeludo durante a craniotomia e quando parte do couro cabeludo é arrancada. Os nervos e vasos do couro cabeludo entram na parte inferior e ascendem através da segunda camada até a pele. As artérias do couro cabeludo levam pouco sangue para a calvária, que é irrigada basicamente pelas artérias meníngeas médias. Portanto, a perda do couro cabeludo não causa necrose dos ossos da calvária. Feridas do couro cabeludo: A aponeurose epicrânica é clinicamente importante. Devido à resistência dessa aponeurose, feridas superficiais no couro cabeludo não se abrem, e as margens da ferida são Fernanda Cardoso Vieira mantidas juntas. Além disso, não são necessárias suturas profundas para feridas superficiais, porque a aponeurose epicrânica não permite grande afastamento da pele. As feridas profundas do couro cabeludo abrem-se muito quando a aponeurose epicrânica é lacerada no plano coronal. Infecções do couro cabeludo: A camada de tecido conjuntivo frouxo é a área de perigo do couro cabeludo, porque há fácil disseminação de pus ou sangue nela. A infecção nessa camada também pode passar para a cavidade do crânio através de pequenas veias emissárias, que atravessam os forames parietais na calvária, e chegam a estruturas intracranianas como as meninges. A infecção não passa para o pescoço, porque os ventres occipitais do músculo occipitofrontal fixam-se ao occipital e às partes mastóideas dos temporais. Também não se dissemina lateralmente além dos arcos zigomáticos, porque a aponeurose epicrânica é contínua com a fáscia temporal que se fixa a esses arcos. Uma infecção ou líquido pode entrar nas pálpebras e na raiz do nariz porque o músculo occipitofrontal se insere na pele e na tela subcutânea, e não se fixa ao osso. A pele da pálpebra é a mais fina do corpo e é delicada e sensível. Em face da natureza frouxa da tela subcutânea nas pálpebras, até mesmo uma lesão relativamente pequena ou inflamação pode resultar em acúmulo de líquido, que causa edema palpebral. Golpes na região periorbital geralmente causam lesão dos tecidos moles porque os tecidos são esmagados contra a margem forte e relativamente saliente. Assim, “olhos roxos” (equimose periorbital) podem ser causados por lesão do couro cabeludo ou fronte. A equimose decorre do extravasamento de sangue para a tela subcutâneae para a pele das pálpebras e regiões adjacentes. Cefalematoma: Às vezes, depois de um parto difícil, há sangramento entre o pericrânio e a calvária do bebê, geralmente sobre um parietal. O sangue fica aprisionado nessa área, causando um cefalematoma. Esse distúrbio benigno costuma resultar de traumatismo no parto, que rompe várias e pequenas artérias periosteais que nutrem os ossos da calvária. Paralisia dos músculos faciais: A lesão do nervo facial ou de seus ramos causa paralisia de alguns ou de todos os músculos faciais no lado afetado (paralisia de Bell). Há flacidez da área afetada e distorção da expressão facial, que parece passiva ou triste. A perda do tônus do músculo orbicular do olho causa eversão da pálpebra inferior. Assim, o líquido lacrimal não se espalha sobre a córnea, impedindo a lubrificação adequada, hidratação e lavagem da superfície da córnea. Isso torna a córnea vulnerável à ulceração. A consequente cicatriz na córnea pode comprometer a visão. Se a lesão causar enfraquecimento ou paralisia dos músculos bucinador e orbicular da boca, haverá acúmulo de alimento no vestíbulo da boca durante a mastigação, em geral exigindo a remoção contínua com um dedo. Quando os músculos esfíncteres ou dilatadores da boca são afetados, o deslocamento da boca é causado pela contração sem oposição de músculos faciais contralaterais e pela gravidade, resultando em gotejamento de alimento e saliva pelo canto da boca. O enfraquecimento dos músculos labiais afeta a fala em virtude de redução da capacidade de produzir sons labiais. As pessoas afetadas não conseguem assobiar nem tocar um instrumento de sopro. Secam os olhos e a boca com frequência com um lenço para limpar o líquido, que escorre da pálpebra e da boca; o líquido e o ato de secar constantemente podem resultar em irritação cutânea localizada. Neuralgia do trigêmeo: ou tic doulourex é um distúrbio sensitivo da raiz sensitiva do NC V, mais frequente em pessoas de meia-idade e idosas. É caracterizada por crises súbitas de golpes excruciantes, semelhantes a faíscas. A dor pode ser tão intensa que a pessoa treme; daí o termo comum tique (espasmo). Em alguns casos, a dor é tão intensa que ocorrem alterações psicológicas, causando depressão e até mesmo tentativas de suicídio. Os paroxismos de dor súbita em caráter de punhalada costumam ser desencadeados ao tocar a face, escovar os dentes, fazer a barba, beber ou mastigar. Muitas vezes a dor é iniciada tocando-se uma zona de gatilho mais sensível, que frequentemente está localizada em torno da ponta do nariz ou na bochecha. Na neuralgia do Fernanda Cardoso Vieira trigêmeo há desmielinização de axônios na raiz sensitiva. Na maioria dos casos isso é causado por pressão de uma pequena artéria aberrante. Amiúde, quando a artéria aberrante é afastada da raiz sensitiva do nervo V, os sintomas desaparecem. A dor é aliviada com tratamento clínico ou cirúrgico, ou ambos. Quando há acometimento do NC V2, foram feitas tentativas para bloquear o nervo infraorbital no forame infraorbital com o uso de álcool. Em geral, esse tratamento causa alívio temporário da dor. O procedimento cirúrgico mais simples é a avulsão ou secção dos ramos do nervo no forame infraorbital. Outros tratamentos empregaram ablação seletiva por radio-frequência de partes do gânglio trigeminal por um eletrodo de agulha que atravessa a bochecha e o forame oval. Em alguns casos, é necessário seccionar a raiz sensitiva para obter alívio da dor. Para evitar a regeneração de fibras nervosas, a raiz sensitiva do nervo trigêmeo pode ser parcialmente seccionada entre o gânglio e o tronco encefálico. Os cirurgiões tentam distinguir e seccionar apenas as fibras sensitivas para a divisão do NC V envolvido. O mesmo resultado pode ser obtido por secção do trato espinal do NC V. Depois dessa cirurgia, há perda da sensibilidade à dor, temperatura e tato leve na área de pele e mucosa suprida pelo componente afetado do NC V. Essa perda de sensibilidade perturba o paciente, que não reconhece a presença de alimento no lábio e na bochecha ou pode não senti-lo na boca no lado da secção do nervo, mas essas incapacidades geralmente são preferíveis à dor excruciante. Lesões do nervo trigêmeo: causam anestesia difusa com acometimento da metade anterior correspondente do couro cabeludo, face exceto uma área ao redor do ângulo da mandíbula, a córnea e a conjuntiva, mucosa do nariz, boca e parte anterior da língua. Também há paralisia dos músculos da mastigação. Herpes-zóster do gânglio trigeminal: A infecção pelo vírus herpes-zóster pode lesar os gânglios cranianos. A infecção é caracterizada pela erupção de grupos de vesículas que seguem o trajeto do nervo afetado. Qualquer divisão do NC V pode ser acometida, mas a divisão oftálmica é afetada com maior frequência. Em geral há acometimento da córnea, o que frequentemente resulta em ulceração corneana dolorosa e subsequente fibrose da córnea. Carcinoma espinocelular do lábio: geralmente ocorre no lábio inferior. A exposição excessiva à luz solar durante muitos anos é um fator comum nesses casos. A irritação crônica causada pelo hábito de fumar cachimbo também contribui. As células cancerosas da parte central do lábio inferior, do assoalho da boca e do ápice da língua disseminam-se para os linfonodos submentuais, enquanto as células cancerosas de partes laterais do lábio inferior drenam para os linfonodos submandibulares.