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Biologia 2 Classe Insecta Conceito Os insetos são artrópodos, geralmente com asas, de respiração traqueal, excreção por tubos de Malpighi, dí- ceros, portadores de três pares de patas que partem do tórax (hexápodes) é a classe mais numerosa do filo, pois correspondem a 97% dos Artropoda, ou seja, mais de 900.000 espécies. Os insetos são os animais mais bem-sucedidos da natureza. São também os mais numerosos e sofrem adaptações aos mais diversos ambientes e aos mais di- ferentes meios de vida. Morfologia Externa Os insetos apresentam o corpo dividido em três re- giões: cabeça, tórax e abdômen. Os olhos são compostos facetados ou múltiplos, constituídos de unidades visuais chamados omatídios, podendo existir milhares num só olho composto. Também há olhos simples ditos ocelos. Os ocelos são sensíveis à luz e à sombra, mas não formam ima- gens. Os olhos compostos formam imagens “quadricu- ladas” dos objetos, isto é, cada omatídio (unidade visual) “enxerga” uma parte do objeto. Os olhos compostos também percebem (identificam) algumas cores. Digestão O tubo é completo, contando inclusive com glându- las salivares, fígado e pâncreas (fundidos em hepato- pâncreas). O tubo digestivo é composto por: boca, faringe (mus- cular), esôfago, papo (armazenamento), moela ou pro- ventrículo (trituração), estômago (ventrículo) ligado aos cecos gástricos (produz enzimas digestivas), intestino (absorção), reto e ânus. Aparalhos Bucais Biologia 2 Respiração O sistema respiratório dos insetos é do tipo tra- queal. Na parede do corpo (tórax e abdômen) existem ori- fícios, denominados estigmas, ligados a tubos, tra- quéias, muito ramificados e que chegam até as proxi- midades de cada célula do corpo por meio das traquéias e traqueíolas (ramificações finíssimas das traquéias). Alguns insetos possuem sacos aéreos (gafanhotos) - dilatações das traquéias, que servem como reservatório de ar. O ar atmosférico em oxigênio, atinge todas as célu- las do corpo e o gás carbônico por elas produzido se di- funde para o meio ambiente. As traquéias dos insetos A) Troncos grandes e ramos. B) Parede celular de um tubo traqueal e seu filamento espiralado. C) Ramos terminais ao redor de fibras musculares. D) Traqueíolas finas distribuídas sobre fibras musculares. Circulação O sistema circulatório dos insetos é do tipo aberto ou lacunar; o coração é dorsal, mandando sangue (também chamado hemolinfa) às lacunas entre os órgãos. A grande diferença entre o sistema circulatório dos insetos e crustáceos é que nos primeiros não existem pigmentos respiratórios, tais como ao hemocianina pre- sente nos crustáceos. A função do sistema circulatório é transportar ali- mentos e substâncias respiratórias. Portanto, nos inse- tos, o sistema respiratório não está associado ao circulatório, como acontece em outros animais, inclusi- ve em outros artrópodes. Excreção A eliminação das excreções que circulam no san- gue dos insetos é feita através de estruturas filiformes, os túbulos de Malpighi. Estes túbulos estão mergulha- dos na cavidade corporal, em contato com o sangue, de onde removem as excreções (ácido úrico, uréia, sais). Seus dutos excretores desembocam no intestino, onde os produtos de excreção são lançados e sendo então, eliminados com as fezes. Coordenação O sistema nervoso, muito semelhante ao dos anelí- deos, é constituído por gânglios cerebróides e uma ca- deia ganglionar ventral (hiponeuros). Reprodução Os insetos são organismos dióicos. O macho e a fê- mea podem geralmente, ser distinguidos externamente, ou seja, apresentam dimorfismo sexual evidente. A reprodução inicia-se com a cópula. O macho intro- duz o pênis na vagina da fêmea e ejacula, isto é, elimi- na seus espermatozóides. Estes vão até a espermate- ca, onde são armazenados temporariamente. Os óvulos produzidos pelos ovários descem pelos ovidutos e, ao passarem pela espermateca, são fecundados pelos es- permatozóides ali presentes, sendo eliminados em se- guida. A fecundação é, portanto, interna. Em alguns insetos, a porção terminal do abdômen da fêmea forma uma projeção, o ovopositor, que serve para perfurar o solo, frutas ou mesmo outros animais e aí introduzir seus ovos. O desenvolvimento dos ovos dos insetos pode ser direto ou indireto. Durante o desenvolvimento do ovo, a maioria dos insetos sofre metamorfose. Dependendo do grau de metamorfose, eles são classificados em três ti- pos: Ametábolos: Alguns insetos podem eclodir do ovo já com forma semelhante ao adulto. Ocorrem mudas sucessivas durante o seu desenvolvimento, o que é ne- cessário para que possam crescer, já que seu exoes- queleto quitinoso é rígido. Quando atingem o estágio adulto, as mudas cessam. Insetos deste tipo, em que o jovem é muito semelhante ao adulto, são denominados ametábolos (de a = “não” e de metabolé = “mudança”). Exemplo: traça (Lepisma sp.), que pertencente à ordem Thysanura. Biologia 2 Hemimetábolos: Outros insetos podem durante seu desenvolvimento, passar por mudanças graduais ou incompletas. Assim que saem do ovo, são chamados ninfas (sem asas e sem sistema reprodutor mas com olhos compostos), tendo alguma semelhança com o adulto. Com as sucessivas mudas, o jovem vai sofren- do uma metamorfose incompleta que culmina com a transformação no adulto, chamado imago. Insetos que sofrem metamorfose incompleta são chamados hemimetábolos (de hemi = “metade” e de metabolé = “mudança”). Obs: As ninfas aquáticas são ditas náiades, e as ninfas de gafanhoto, saltão. Holometábolos: Em outros insetos, do ovo eclode um pequeno organismo vermiforme com corpo segmen- tado, que pode ou não ter pernas, mas não tem olhos nem asas. Esta fase vermiforme é chamada larva (sem olhos compostos) e passa por sucessivas mudas, trans- formando-se em uma pupa. A pupa difere da larva por apresentar, geralmente, menor movimentação. Na pupa ocorrem profundas mudanças; os tecidos larvais são destruídos e novos tecidos, características do adulto, são formados. A fase de pupa representa, assim, o momento da transformação da larva no adulto. Uma vez formado, o adulto romperá a cutícula pupal e emergirá a partir daí não sofrerá mais nenhuma muda. O termo crisálida é mais usada para borboletas e mariposas e pupas para moscas e mosquitos. Pupa e crisálida não se nutrem, mas sofrem muitas modifica- ções para se transformar no imago. A transformação da pupa em adulto é a metamor- fose completa, e os insetos que a possuem são cha- mados holometábos (de hólos = “total” ee de metabolé = mudança). D ES EN VO LV IM EN TO Direto (Ametábolos = sem metamorfose) Primitivamente sem asas Ovo → adulto (imago) Ex.: traças-de-livro Indireto (Metábolos = com metamorfose) Primitvamente com asas Metamorfose Incompleta (Hemimetábolos) Ovo → Ninfa → adulto (imago) Ex.: percevejos, baratas, gafanhotos, louva-a-deus, grilos, cigarras Metamorfose Completa (Holometábolos) Ovo → Larva → Pupa → Adulto (imago) Ex.:moscas, mosquitos, borboletas, besouros, abelhas, formigas, cupins.