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DRENAGEM 
LINFÁTICA 
Aline Andressa Matiello 
Drenagem linfática 
em gestante
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identificar as alterações circulatórias e do sistema linfático na gestação.
 Explicar como ocorre a aplicação da drenagem linfática em membros 
inferiores.
 Descrever a aplicação da drenagem linfática na face, no abdome e
nos membros superiores.
Introdução
Durante a gestação, inúmeras alterações anatomofisiológicas ocorrem no 
corpo da mulher visando a criar um ambiente propício para o desenvol-
vimento do bebê. Dentre as alterações, podemos citar as que acontecem 
nos sistemas circulatório e linfático, que culminam com o acúmulo de 
líquido e o desenvolvimento de uma alteração bastante comum, que é 
o edema gestacional. Esse tipo de edema costuma afetar principalmente 
a região de tornozelos e pés, trazendo limitações importantes à gestante 
nesse período.
Para o tratamento e a prevenção dessa alteração, é possível empre-
gar técnicas que promovem a ativação da drenagem de líquidos que 
estão acumulados no espaço intersticial, ou seja, auxilia por meio da 
estimulação do sistema linfático em sua função. Dentre estas, podemos 
citar a utilização da drenagem linfática manual, que promoverá efeitos 
preventivos e terapêuticos no edema gestacional.
Entretanto, para que essa técnica seja aplicada de modo a garantir os 
resultados esperados e a segurança da gestante, é essencial que muitos 
cuidados sejam tomados, incluindo avaliação minuciosa da paciente e 
adaptações na técnica de drenagem linfática manual de modo a atender 
às necessidades da gestante.
Diante disso, neste capítulo, você vai estudar quais alterações 
ocorrem no corpo da mulher, principalmente nos sistemas linfáticos e 
circulatórios e de que maneira estas podem levar ao desenvolvimento 
do edema gestacional. Além disso, entenderá de que modo a técnica 
de drenagem linfática manual pode ser aplicada à gestante de modo 
seguro e efetivo. 
Alterações nos sistemas circulatório e linfático 
durante a gestação 
A gestação caracteriza-se por um período de intensas modifi cações no corpo da 
mulher, que são necessárias para dar suporte adequado para a carga adicional 
imprescindível para carregar um novo ser vivo, de modo que este consiga 
se adaptar e se desenvolver normalmente. Essas modifi cações são geradas 
principalmente pela elevação de inúmeras taxas hormonais. Essas novas 
taxas, responsáveis pelas alterações hormonais do organismo diante de novas 
condições, impactam sobre inúmeros sistemas orgânicos do organismo da 
gestante. Entretanto, em alguns deles, as alterações são mais intensas, como 
nos sistemas circulatório e linfático (VASCONCELOS, 2015). Mesmo que 
consideradas alterações fi siológicas, essas mudanças podem trazer algumas 
consequências no dia a dia da gestante, como dor e limitações nas atividades 
de vida diária. Tais alterações são percebidas desde o primeiro trimestre 
gestacional, entretanto, à medida que a gestação avança, elas vão se tornando 
mais intensas. 
No sistema circulatório, as alterações mais significativas são: aumento do 
débito e do volume cardíaco, além da redução da resistência vascular periférica 
(ALVES, 2012). O débito e o volume cardíaco aumentam gradativamente du-
rante a gestação, podendo chegar a um incremento de aproximadamente 50%. 
Esse aumento se faz necessário para que o corpo da gestante possa fornecer 
quantidade adequada de nutrientes ao bebê por meio do sangue. 
O aumento do volume sanguíneo desencadeia uma elevação na retenção 
hídrica no corpo, que pode chegar a um aumento de 6,5 litros de líquidos. À 
medida que o volume sanguíneo aumenta, há elevação da pressão hidrostática 
dentro dos vasos, podendo provocar também o aparecimento de petéquias 
nas extremidades de membros inferiores e maior extravasamento de liquido 
para os tecidos.
O aumento do débito cardíaco ao final da gestação é maior quando a 
gestante se encontra na posição de decúbito lateral do que na posição supina, 
Drenagem linfática em gestante2
principalmente no decúbito lateral direito. Isso se deve ao fato de que na 
posição lateral, em virtude do peso do útero, este faz uma compressão sobre 
a veia cava inferior, principalmente na região inguinal direita, fazendo com 
que o retorno venoso seja reduzido para o coração, afetando a pressão san-
guínea. Tal alteração é também chamada de síndrome da hipotensão supina 
(LOUROZA, 2013). 
Essa alteração circulatória tem uma importância clínica muito grande, 
uma vez que o profissional que atua no atendimento a gestantes deve estar 
atento para o correto posicionamento destas, a fim de evitar desconfortos, 
dor, tonturas, formigamento do membro inferior e mal-estar por conta dessa 
alteração circulatória gestacional.
A compressão de veias pelo aumento do volume do útero, além de causar 
a síndrome da hipotensão supina, pode ainda gerar quadros de incontinência 
urinária. O aparecimento de varizes em veias da região pélvica pode ocorrer 
pelo mesmo motivo de compressão de veias pelo peso uterino, ocasionando 
o surgimento de quadros de hemorroidas.
Outra alteração comum é o aumento da pressão venosa nos membros infe-
riores, resultante da compressão tanto da veia cava inferior quanto da ilíaca, 
que causa redução no retorno venoso e, consequentemente, estase venosa. 
Esses fatores associados causam aumento na vasodilatação periférica que está 
associada ao aparecimento de varizes em membros inferiores e também à maior 
saída de líquido de dentro dos vasos venosos, sendo comum o aparecimento 
de edema em pés e pernas.
Essas alterações, a nível cardíaco, vascular e associado às alterações oca-
sionadas pela compressão uterina, resultam também em varizes de membros 
inferiores que estão associadas ao aumento da fragilidade e da permeabilidade 
capilar pela ação hormonal. A permeabilidade capilar aumentada procede vasos 
com poros mais dilatados, provocando extravasamento maior de líquidos e 
também de proteínas para os tecidos. Essas proteínas, quando saem dos vasos 
e se acumulam nos tecidos, reduzem a pressão oncótica dos tecidos, de modo 
a acumular líquido fora deles. 
Todas essas modificações, que incluem aumento da pressão hidrostática, 
aumento da permeabilidade capilar, redução da pressão oncótica e redução 
da resistência vascular periférica, alteram a quantidade de líquido intersticial, 
uma vez que predispõem a saída deste dos vasos sanguíneos, aumentado o 
volume de líquido que permanece nos tecidos.
Em condições fisiológicas, o sistema linfático, por meio de suas vias, tem 
condições suficientes de enviar o líquido presente nos tecidos de volta à grande 
circulação, garantindo um equilíbrio. Entretanto, quando o extravasamento é 
3Drenagem linfática em gestante
maior que a capacidade do sistema linfático em retirar o líquido dos tecidos, 
ocorre uma sobrecarga linfática e parte desse líquido permanece nos tecidos, 
ocasionando o edema. O edema ocorre nesse caso, porque o líquido dentro do 
tecido distende a pele pelo aumento da pressão intratecidual e a região incha 
(LEDUC; LEDUC, 2007). 
A Figura 1 mostra exatamente um sistema de equilíbrio entre a quantidade 
de líquido que sai dos vasos em direção ao espaço intersticial e a quantidade 
de líquido que é drenada pelo sistema linfático, ou seja, entre a filtração e 
a absorção deste. Na Figura 1 há um equilíbrio, logo, o sistema linfático é 
capaz de drenar o excesso de linfa acumulado, entretanto, caso esse equilíbrio 
não se mantenha, ocorre aumento do volume de líquido fora do vaso (espaço 
intersticial), causando a distensão dos tecidos e o aumento de volume, chamado 
de edema (SANTOS, [2019?]). 
Figura 1. Equilíbrio entre sistemas para evitar o edema.
Fonte: Adaptada de Martinez ([2010?]).
Dessa maneira, é possível verificar que o sistema circulatório e o sistema 
linfático estão intimamente ligados de modo a prevenir a formação do edema, 
entretanto, na gestação há um desequilíbrio, pelomaior aporte de líquido nos 
tecidos decorrentes de alterações nas pressões que estes exercem sobre os vasos. 
O edema, quando ocorre na gestação por esses motivos, é chamado de 
edema gestacional. Não tem cunho patológico, uma vez que é parte das al-
terações fisiológicas do corpo da mulher. O edema gestacional pode afetar 
Drenagem linfática em gestante4
o corpo de forma generalizada (em apenas 5% dos casos em média) ou ter 
característica localizada, afetando membros inferiores no restante dos casos. 
Aproximadamente 30 a 40% das gestantes têm edema gestacional.
A presença de edema e de sintomas associados, como sensação de peso 
em membros inferiores, formigamentos e dor é uma das principais queixas 
relacionadas ao período gestacional e que influenciam de maneira negativa na 
qualidade de vida. Com finalidade de intervir diante dessas queixas, algumas 
técnicas podem ser elencadas para amenizar o edema e seus sintomas, dentre 
elas a drenagem linfática manual (CARDOSO; SOUZA; SOUZA, 2017). 
Aplicação da drenagem linfática manual 
no edema gestacional 
No período gestacional, pode-se atuar de modo preventivo ou terapêutico 
nas alterações promovidas pelas modifi cações nos sistemas circulatórios 
e linfáticos por meio de inúmeras técnicas, incluindo a drenagem linfá-
tica manual. Esta é a técnica mais utilizada atualmente com enfoque no 
edema gestacional. Além da redução da sintomatologia, essa técnica pode 
ser aplicada à gestante com objetivos secundários, como melhora do sono, 
efeito relaxante pela ativação do sistema parassimpático, além de benefícios 
estéticos relacionados à redução do quadro de fi broedema geloide (FREITAS 
E SILVA; GUERRA, 2017). 
Para isso, o profissional que realizará o tratamento necessita ter alguns 
cuidados específicos, considerando todas as alterações as quais a gestante está 
vivenciando (PASSOS; NOBREGA; COSTA, 2013). Esses cuidados incluem a 
realização da avaliação prévia ao tratamento, com informações descritas em 
prontuário, incluindo dados pessoais, clínicos, anamnese e avaliação física. 
Nesta última, é importante realizar perimetria antes e depois de cada sessão 
para verificar os resultados do tratamento. Anexo ao prontuário, é importante 
que o profissional de estética tenha a autorização médica para realização 
do tratamento, uma vez que esta sempre deverá ser feita com a autorização 
médica, garantindo, assim, segurança no tratamento (VASCONCELOS, 2015). 
Além da realização de uma avaliação minuciosa que leve em consideração 
as particularidades da gestação, deve-se lembrar de que existem situações 
independentes ao período que contraindicam a realização de drenagem linfática 
manual, como: tumores malignos, inflamação aguda, processos infecciosos, 
doenças de pele como eczemas, distúrbios circulatórios graves, trombose 
venosa profunda (TVP), dentre outros. Gestantes que fazem uso de heparina 
apresentam maior fragilidade capilar, aumentando o risco de trombocitopenia 
5Drenagem linfática em gestante
e hemorragias, situações estas em que esse tipo de drenagem traz mais riscos, 
logo, sua indicação deve ser bem avaliada pelo médico (ROZA, 2018). 
Dentro do escopo de cuidados com a gestante, a mensuração da pressão 
arterial deve ser feita antes e após a realização da técnica em virtude das mo-
dificações hemodinâmicas que esse tratamento ocasiona, pelo maior retorno 
de linfa à grande circulação e, consequentemente, aumento da pressão arterial. 
Quanto ao início das sessões, aconselha-se iniciar a drenagem linfática 
manual a partir do primeiro trimestre ou da décima sexta semana gestacional. 
As sessões podem se estender até a quadragésima semana, na frequência de 
uma ou duas sessões por semana, desde que devidamente autorizadas pelo 
médico. Além disso, cabe ao profissional avaliar quaisquer sinais de desconforto 
pela cliente e, na presença deste, é obrigação do profissional interromper as 
sessões e fazer o encaminhamento para o médico. 
Basicamente, até o quinto mês a gestante não terá muita dificuldade 
quanto ao posicionamento para realizar o tratamento. Porém, após esse 
período, com a progressão do volume abdominal, o posicionamento fica 
mais difícil e demanda cuidados especiais, para garantir conforto e segu-
rança da gestante. Antes de iniciar a sessão, posicione a gestante na maca 
e acomode-a de maneira confortável, com uso de almofadas e travesseiros. 
Durante o tratamento, é essencial que ela mude de decúbito algumas vezes 
para evitar desconfortos pelo tempo prolongado na mesma posição, evitando 
principalmente a posição exagerada de decúbito lateral direito, de modo a 
prevenir a síndrome de hipotensão venosa.
O posicionamento adequado para início do tratamento é decúbito dorsal, 
com a cabeça apoiada em um travesseiro baixo e outro travesseiro abaixo 
dos joelhos para evitar desconforto lombar. Posteriormente, a técnica deverá 
ser aplicada em decúbito dorsal direito e esquerdo. Após o posicionamento, 
o profissional pode dar início ao protocolo de drenagem linfática manual 
aplicado à gestante.
Lembre-se que à medida que o útero cresce, ele aumenta a pressão sobre a bexiga, 
principalmente no decúbito dorsal. Logo, é importante que o profissional preste atenção 
na gestante e a libere para urinar em intervalos menores, mesmo que isso cause um 
aumento no tempo de tratamento, pela necessidade de interromper a sessão de uma 
a duas vezes para a cliente ir ao banheiro.
Drenagem linfática em gestante6
Vale lembrar que as manobras escolhidas dependerão do método de drena-
gem linfática manual aplicada. Entretanto, fisiologicamente, todos os métodos 
têm os mesmos objetivos, a diferença entre eles está em algumas particula-
ridades quanto à realização das manobras. Podemos citar os métodos Leduc, 
Godoy e Vodder. 
Drenagem linfática aplicada 
aos membros inferiores
Com a gestante posicionada, é iniciada a estimulação dos linfonodos por meio 
da manobra de bombeamento das cadeias axilares, supra e infraclaviculares, 
externais, inguinais, poplíteas e posteriores aos maléolos, para posteriormente 
dar início às manobras de membros inferiores (BORGES, 2016).
Para drenagem de membros inferiores, indica-se a realização das manobras 
com a cliente em decúbito dorsal e com as pernas fletidas, apoiadas sobre um 
rolo ou travesseiro, drenando as regiões anterior, lateral e posterior de coxas 
e pernas nessa posição. As manobras de deslizamento superficial e profundo 
são feitas na coxa, encaminhando a linfa em direção às cadeias de linfonodos 
inguinais e, novamente, os linfonodos dessa região são bombeados, evitando 
o acúmulo de líquido na região. 
Ao chegar na região do joelho, é importante fazer o bombeamento da cadeia 
de linfonodos poplíteos novamente. Nessa fase, as pontas dos dedos penetram 
no espaço poplíteo transversalmente em relação ao eixo da coxa. Para drenar 
a face anterior do joelho, são utilizados movimentos de círculos realizados 
com os dedos, encaminhando a linfa para a região anterior e medial da coxa.
Posterior a isso, são realizadas as manobras de deslizamentos profundos 
e superficiais na panturrilha e, novamente, os linfonodos poplíteos recebem 
bombeamento associado a uma nova repetição de deslizamentos na coxa, 
levando a linfa para a região inguinal, na qual são novamente bombeados.
Na região dos pés, pode-se iniciar a drenagem na região de linfonodos 
retro e pré-maleolares, como mostra a Figura 2 a seguir (números 15 e 16). 
Inicialmente, é realizado o bombeamento desses linfonodos e, posterior a isso, 
a drenagem dos líquidos da região. A face medial do pé é drenada iniciando 
pela região representada pelo número 13, enviando a linfa por meio de movi-
mentos circulares com as pontas dos dedos em direção ao tendão calcâneo. 
Ao chegar no tendão, o profissional pode deslizar os dedos, no formato de 
pinça, de distal para proximal, visando drenar o líquido dessa região medial 
do pé em direção à panturrilha. Podem ser utilizadas manobras de bracelete 
7Drenagem linfática em gestante(mãos enlaçam o membro) para direcionar a linfa até a cadeia ganglionar a 
qual se objetiva.
As regiões lateral e anterior do pé serão drenadas com o movimento de 
círculos com o uso dos polegares, iniciando na altura das articulações metatarso 
falangianas (número 17) e direcionando essa linfa para os linfonodos retro e 
pré-maleolares (números 15 e 16) e posteriormente para os coletores dorsais 
(número 14) e o tendão calcâneo (número 13), mostrados na Figura 2 a seguir 
(LEDUC; LEDUC, 2007).
Figura 2. Drenagem linfática manual aplicada às regiões lateral e medial de pés.
Fonte: Adaptada de ann131313/Shutterstock.com.
Finalizando a drenagem em decúbito dorsal, é feito o deslizamento da região 
do pé até a região inguinal, estimulando novamente os linfonodos inguinais. 
Na gestante, é importante dar atenção especial à drenagem da região de pés, 
enfatizando-a, uma vez que é a região mais acometida pelo edema gestacional. 
Após drenar um membro inferior, é necessário repetir o mesmo procedimento 
no membro contralateral. 
Posterior a isso, a cliente deve ser posicionada em decúbito lateral 
direito ou esquerdo, como mostra a Figura 3 a seguir. Para isso, auxilie 
na transferência e no posicionamento com a utilização de um travesseiro 
sobre a maca. A paciente deve deitar com a perna posicionada na região 
inferior esticada e a perna que se encontra posicionada superiormente 
deve ser f letida, com joelho apoiado sobre o travesseiro que se encontra 
Drenagem linfática em gestante8
na maca. Esse posicionamento evita que a gestante tenha dores pelo desa-
linhamento corporal. Além disso, outro travesseiro deve ser posicionado 
entre os braços. Nesse posicionamento, o profissional pode fazer a drena-
gem da região de costas, glúteos e regiões internas e posteriores de coxas 
(VASCONCELOS, 2015). 
Figura 3. Posicionamento da gestante em decúbito lateral.
Fonte: comzeal images/Shutterstock.com.
Com a gestante em decúbito lateral, o profissional pode iniciar a drenagem 
da região dos glúteos. A drenagem dessa região normalmente é feita com 
os clientes na posição em decúbito ventral. Na gestante, essa drenagem é 
feita no decúbito lateral (VASCONCELOS, 2015). Para drenagem dessa 
região, o profissional faz movimentos circulares com os polegares na face 
externa das nádegas. Vale lembrar que os dois terços externos das nádegas 
são drenados para os linfonodos inguinais, enquanto o um terço medial é 
drenado para a via interna em direção aos linfonodos inguinais superoin-
ternos, logo, o terço medial das nádegas é direcionado para a raiz da coxa 
(LEDUC; LEDUC, 2007). 
Na Figura 4 a seguir é possível visualizar os passos da drenagem da região 
de glúteos da gestante. Inicia com a manobra de bombeamento na região dos 
linfonodos do sulco interglúteo (número 1). Posterior a isso, a linfa da face medial 
e inferior do glúteo será direcionada por meio de movimentos circulatórios com os 
9Drenagem linfática em gestante
dedos para esse sulco (número 2). A região da face externa do glúteo é direcionada, 
utilizando os mesmos movimentos circulares, para a região de linfonodos ingui-
nais (número 3). A linfa da região do sacro é direcionada para a lateral do glúteo, 
sentido 5-4, posteriormente 4, até ser encaminhada para os linfonodos inguinais. 
Figura 4. Drenagem linfática manual da região glútea.
Fonte: Lange (2012, p. 104).
Caso a cliente não se sinta bem em permanecer em decúbito dorsal para 
a drenagem de membros inferiores, esse processo pode ser feito também no 
decúbito lateral, atentando-se ao posicionamento ideal da paciente. Ao finalizar 
a técnica de um dos membros inferiores da gestante, esta deve ser reposicionada 
no decúbito contrário e a técnica deve ser realizada no outro membro.
Lembre-se de não deixar a gestante por muito tempo na posição de decúbito lateral 
direito para evitar sintomatologia decorrente da compressão da veia cava inferior 
(VASCONCELOS, 2015).
Drenagem linfática em gestante10
Drenagem linfática da região posterolateral do tronco 
e das mamas
Mantendo o posicionamento da gestante em decúbito lateral, é realizada a 
técnica na região de tronco posterior e região lombar. A linfa proveniente 
da região superior do tronco deve ser escoada para a cadeia de linfonodos 
axilares, enquanto a linfa da região inferior do tronco escoará para a cadeia 
de linfonodos inguinais, de modo que essa região de tronco posterior tem 
duas direções opostas de escoamento do líquido e que devem ser respeitadas. 
Para a região inferior do tronco posterior, a drenagem deve dar início com 
nova estimulação dos linfonodos inguinais. Após isso, por meio de movimen-
tos circulares dos polegares, a linfa é direcionada da musculatura lateral da 
lombar em direção à virilha, sendo que cada hemicorpo é drenado para a sua 
cadeia de linfonodos inguinais homolateral. Dessa maneira, a drenagem é 
feita na metade da região lombar e, após a paciente mudar de decúbito, a outra 
metade é drenada, finalizando com novo bombeamento inguinal (LEDUC; 
LEDUC, 2007).
Para drenagem das mamas da gestante, esta deve estar posicionada em 
decúbito dorsal, com os braços levemente abduzidos. Inicialmente é feito o 
bombeamento da região axilar por meio de movimentos com os dedos, pene-
trando suavemente na fossa axilar. Em seguida, os dedos são posicionados nos 
linfonodos mamários externos, nos quais a linfa será carreada dessa região 
para os linfonodos centrais. Além disso, o profissional deve drenar a região 
de linfonodos subescapulares que, por meio de algumas conexões, também 
recebem linfa da região anterior do tronco. Em seguida, com os polegares 
ou as falanges distais, o profissional faz círculos concêntricos em direção à 
aréola. Isso se deve ao fato de que uma via especial presente nessa região leva 
a linfa diretamente para os linfonodos subclávios, sem passar pelos linfonodos 
axilares. A região infra-areolar da mama é drenada em direção aos linfonodos 
mamários externos. 
As laterais do tronco da paciente são drenadas encaminhando a linfa da 
região abaixo da cintura para os linfonodos inguinais, por meio do movimento 
de deslizamento, passando por baixo do útero gravídico. A linfa da região 
acima da cintura, basicamente nas laterais do abdome, é drenada para os 
linfonodos axilares.
11Drenagem linfática em gestante
Drenagem linfática de membros superiores, 
face e abdome 
Para a drenagem linfática manual de membros superiores, a cliente deve ser 
posicionada em decúbito dorsal, com membros superiores abduzidos e em 
pequeno declive. O início da drenagem nessa região se dá na cadeia de lin-
fonodos da pirâmide axilar. O profi ssional pode utilizar manobras circulares 
com os dedos para fazer o bombeamento nessa região e, posteriormente, em 
região de linfonodos subclaviculares e linfonodos umerais.
Posterior a isso, é feito o movimento de drenagem da linfa da região 
próxima do braço para os linfonodos que foram bombeados anteriormente. 
Pode-se utilizar o movimento de bracelete para direcionar a linfa. Ao 
chegar na região do cotovelo, é feita a liberação da cadeia de linfonodos 
do cotovelo com movimentos circulares com as pontas dos dedos. Essa 
cadeia de linfonodos é chamada de supraepitrocleares. As manobras seguem 
para o antebraço, mantendo o direcionamento da linfa para a região do 
cotovelo. Vale ressaltar que a face externa do cotovelo e do antebraço é 
drenada em direção à face externa do braço e à prega do cotovelo (LEDUC; 
LEDUC, 2007).
Para a drenagem de punho e mão, é feita a liberação dos linfonodos radiais 
e ulnais, localizados no punho. Em seguida, a região da eminência tenar e 
hipotenar da mão é drenada por meio de círculos com os polegares, com a 
pressão levando a linfa aos linfonodos radiais e ulnares. A palma da mão é 
drenada com movimentos circulares utilizando os polegares até a região das 
articulações metacarpofalangianas. Já os dedos são drenados por meio de 
círculos combinados com as pontas de todos os dedos, inclusive do polegar ao 
longo de suasfaces laterais. Finalmente o movimento de bracelete é utilizado 
para direcionar novamente a linfa até os linfonodos axilares, nos quais serão 
estimulados novamente.
A drenagem linfática manual da face e da cabeça deve ser antecedida 
da aplicação da técnica na região do pescoço, uma vez que face e cabeça 
encontram-se dispostas distalmente. A drenagem no pescoço tem início com 
movimentos de bombeamento na região de cadeia de linfonodos retrocla-
civular. Em seguida, por meio de movimentos circulares com os dedos, a 
linfa é drenada pela região do esternocleidomastóideo, até a inserção desse 
músculo no processo mastoide. Além disso, a região lateral do esternoclei-
domastóideo também é drenada em direção aos linfonodos retroclaviculares. 
Drenagem linfática em gestante12
Esses movimentos de círculos devem ser feitos paralelos em ambos os lados 
do pescoço. A região da nuca é drenada lateralmente para a face externa 
do pescoço, com movimentos circulares a partir da fossa retroclavicular, 
terminando sobre a linha nucal média e se estendendo até a região de inserção 
craniana do musculo trapézio.
Posterior à drenagem do pescoço, pode-se dar início à drenagem de face 
propriamente dita, com as manobras de bombeamento dos linfonodos da 
região. Inicia-se com a manobra de bombeamento, por cinco repetições, com 
movimentos lentos e suaves, com intervalo de tempo de 1 e 1,5 segundos 
entre cada movimento, sendo executados bombeamentos sobre: fossa supra-
clavicular, base do pescoço, parotídeos, submandibulares, pré-auriculares, 
retroauriculares, temporais e occipitais (VASCONCELOS, 2015). 
Com os linfonodos já estimulados pelas manobras de bombeamento, o 
profissional deve realizar movimentos circulares com as pontas dos dedos 
da região submandibular até a região dos linfonodos parotídeos, seguindo 
a mandíbula. Com movimento de concha, o profissional deve direcionar a 
linfa da região mentoniana e das comissuras labiais em direção à região 
submandibular. Volta-se com os movimentos dos dedos, direcionando a 
linfa da região submental (abaixo do queixo) em direção aos linfonodos 
parotídeos. Da região parotídea a linfa será direcionada para os ângulos 
venosos do pescoço.
A linfa dos lábios superiores é direcionada com as falanges em direção à 
área submandibular, assim como a região do canto do nariz é também direcio-
nada para a área submandibular. As laterais do nariz também serão drenadas 
para os linfonodos submandibulares, mas por meio de movimentos em forma 
de concha associados ao movimento de rotação para baixo. Esse mesmo 
movimento é repetido saindo da região nasogeniana e direcionando-se para 
a área submandibular. Para evitar acúmulo de linfa na área dos linfonodos 
submandibulares, novamente é realizado o movimento de direcionamento 
desse líquido para os linfonodos parotídeos. Dos linfonodos parotídeos a linfa 
é toda drenada para a base do pescoço.
A região superior da face é drenada da área frontal até o canto do olho, 
na região zigomática, por meio de movimentos circulares, direcionando a 
linfa para a região temporal. Além disso, o profissional pode usar o segundo 
dedo e o terceiro dedos para fazer movimentos circulares na glabela, no 
centro da testa e na linha próxima ao cabelo em direção às têmporas. A linfa 
recolhida da região superior da face é direcionada primeiramente para os 
13Drenagem linfática em gestante
linfonodos pré e retroarticulares e posteriormente para a região temporal. 
Após isso, essa linfa desce pela região cervical até os ângulos venosos 
na base do pescoço, até desaguar finalmente na fossa supraclavicular. A 
Figura 5 a seguir mostra uma imagem resumida do sentido da drenagem 
facial na gestante. 
Figura 5. Drenagem linfática manual da face. 
Fonte: Adaptada de Alla Bagrina/Shutterstock.com.
Não é recomendada a utilização de nenhuma manobra de drenagem linfática 
na região abdominal da gestante, uma vez que tais manobras podem de alguma 
maneira estimular contrações uterinas e predispor a um aborto espontâneo 
(BORGES, 2016). Para melhorar o contato do profissional com a gestante e 
proporcionar a ela uma condição de relaxamento, o profissional pode fazer no 
abdome da gestante aplicação de creme hidratante, com movimentos circulares 
em sentido horário, preconizando movimentos leves e suaves, apenas com 
finalidade relaxante (VASCONCELOS, 2015). 
Drenagem linfática em gestante14
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15Drenagem linfática em gestante

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