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O produtor pergunta, a Embrapa responde.
Organizadores
Coleção 500 Perguntas 500 Respostas
Luiz Pinto Medeiros Eneide Santiago GirãoRaimundo Nonato Girão José Alcimar Leal
C
oleção 500 Perguntas 500 R
espostas
C
a
p
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in
o
s
O produtor pergunta, a Embrapa responde.
Organizadores
Coleção 500 Perguntas 500 Respostas
MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA E DO
ABASTECIMENTO
Trabalhando em todo o Brasil
GOVERNO
FEDERAL
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Meio-Norte
Embrapa Caprinos
Luiz Pinto Medeiros Eneide Santiago GirãoRaimundo Nonato Girão José Alcimar Leal
Embrapa Meio-Norte, em parceria com a 
Embrapa Caprinos, coloca à disposição dos 
produtores de caprinos, extensionistas, técnicos 
da assistência técnica privada, estudantes, professores e 
_consumidores o livro Caprinos 500 Perguntas, 500 Respostas.
As perguntas originaram-se das constantes indagações 
recebidas do público interessado na exploração de caprinos e 
as respostas foram baseadas nos resultados de pesquisa obtidos 
no período de 1977 a 1998 pela Embrapa Meio-Norte e pela 
Embrapa Caprinos, nas diversas áreas pesquisadas como:
raças nativas e exóticas, sanidade, instalações, manejo 
alimentar, manejo reprodutivo, manejo de cabras leiteiras
e melhoramento genético.
Esta publicação não aponta apenas as alternativas viáveis para 
o desenvolvimento sustentado da caprinocultura, mas 
propiciará uma maior parceria da Embrapa com os criadores
e com a sociedade.
Coleção ♦ 500 Perguntas ♦ 500 Respostas
O produtor pergunta, a Embrapa responde.
República Federativa do Brasil
Presidente
Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
Ministro
Marcus Vinicius Pratini de Moraes
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Diretor-Presidente
Alberto Duque Portugal
Diretores-Executivos
Elza Angela Battaggia Brito da Cunha
Dante Daniel Giacomelli Scolari
José Roberto Rodrigues Peres
Embrapa Meio-Norte
Chefe-Geral
Maria Pinheiro Fernandes Corrêa
Chefe-Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento
Hoston Tomás Santos do Nascimento
Chefe-Adjunto de Comunicação e Negócios
Cândido Athayde Sobrinho
Chefe-Adjunto de Administração
João Erivaldo Saraiva Serpa
Embrapa Caprinos
Chefe-Geral
Luiz Antônio de Araújo Lima
Chefe-Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento
Eneas Reis Leite
Chefe-Adjunto de Apoio Técnico
Arlindo Luiz da Costa
Chefe-Adjunto de Administração
Antônio Auderly de Oliveira
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia
Gerente-Geral
Lucio Brunale
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia
Brasília
2000
O produtor pergunta, a Embrapa responde.
Organizadores:
Luiz Pinto Medeiros
Raimundo Nonato Girão
Eneide Santiago Girão
José Alcimar Leal
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Meio-Norte
Embrapa Caprinos
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia
Parque Estação Biológica – PqEB, Av. W3 Norte (final)
Caixa Postal 040315
CEP 70770-901
Brasília, DF
Fone: (61) 448-4155/448-4433
Fax: (61) 340-2753
vendas@spi.embrapa.br
www.spi.embrapa.br
Embrapa Meio-Norte
Av. Duque de Caxias, 5650
Bairro Buenos Aires
Caixa Postal 01
CEP 64006-220
Teresina, PI
Fone: (86) 225-1141 / 214-3000
Fax: (86) 225-1142
cpamn@cpamn.embrapa.br
www.cpamn.embrapa.br
Embrapa Caprinos
Estrada Sobral–Groaíras, Km 04
Fazenda Três Lagoas
Caixa Postal D-10
CEP 62011-970
Sobral, CE
Fone: (88) 614-3077
Fax: (88) 614-3132
postmaster@cnpc.embrapa.br
www.cnpc.embrapa.br
1a edição
1a impressão (2000): 3.000 exemplares
Todos os direitos reservados.
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação do Copyright © (Lei no 9.610)
CIP-Brasil. Catalogação-na-publicação.
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia.
CDD 636.39
© Embrapa 2000
Caprinos: o produtor pergunta, a Embrapa responde / organizado por Luiz Pinto Medeiros; Raimundo
Nonato Girão; Eneide Santiago Girão; José Alcimar Leal. – Brasília : Embrapa Comunicação para
Transferência de Tecnologia ; Teresina : Embrapa Meio-Norte ; Sobral : Embrapa Caprinos, 2000.
170p. ; (Coleção 500 Perguntas 500 Respostas).
Inclui índice remissivo de assunto.
ISBN 85-7383-083-2
1. Caprino - Sanidade. 2. Caprino - Alimentação. 3. Caprino - Reprodução. 4. Caprino - Raça.
5. Caprino - Manejo. I. Medeiros, Luiz Pinto, org. II. Girão, Raimundo Nonato, org. III. Girão, Eneide
Santiago, org. IV. Leal, José Alcimar, org. V. Série.
CAPRINOS
500 Perguntas, 500 Respostas
(O produtor pergunta, a Embrapa responde)
Elaboração
Embrapa Meio-Norte
Embrapa Caprinos
Coordenação Editorial
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia
Editor Responsável
Carlos M. Andreotti
Copidesque, Revisão e Tratamento Editorial
Raquel Siqueira de Lemos
Programação Visual
Mayara Rosa Carneiro
Arte-final da Capa
Carlos Eduardo Felice Barbeiro
Editoração Eletrônica
José Batista Dantas
Ilustrações de Texto
Edilson Gonçalves da Silva
Foto da Capa
Arquivo da Embrapa Meio-Norte
6
Colaboradores Embrapa Meio-Norte
Eneide Santiago Girão
Hoston Tomás Santos do Nascimento
José Alcimar Leal
Luiz Pinto Medeiros
José Herculano de Carvalho
Maria do Perpétuo Socorro Cortez Bona do Nascimento
Raimundo Nonato Girão
Colaboradores Embrapa Caprinos
Antônio Cézar Rocha Cavalcante
Elizabete Rodrigues da Silva
Francisco Beni de Sousa
Francisco Luiz Ribeiro da Silva
Francisco Selmo Fernandes Alves
João Ambrósio de Araújo Filho
Luiz da Silva Vieira
Nelson Nogueira Barros
Nilzemary Lima da Silva
Ronaldo Ponte Dias
Vania Rodrigues Vasconcelos
Revisão Técnica
Lígia Maria Rolim Bandeira
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Apresentação
Mesmo sendo considerada uma atividade de elevada importância
sócio-econômica para o Nordeste, a caprinocultura tem, no pouco uso de
tecnologias, o grande entrave ao seu aprimoramento produtivo e econômico.
Muitas são as dúvidas quanto ao melhor sistema de criação e, como as
informações tecnológicas encontram-se dispersas, tornam-se pouco acessí-
veis aos produtores.
Portanto, é com imensa satisfação que a Embrapa, por intermédio da
Embrapa Meio-Norte, em parceria com a Embrapa Caprinos, coloca à dis-
posição dos produtores de caprinos a publicação Caprinos: 500 Perguntas,
500 Respostas – O produtor pergunta, a Embrapa responde.
Ao longo dos anos, os pesquisadores desses centros de pesquisa fo-
ram acumulando perguntas, que chegavam de produtores e técnicos, pelos
mais diversos meios de comunicação, originando a necessidade de se ela-
borar uma publicação nestes moldes. Produto do esforço conjunto de uma
equipe de pesquisadores dessas duas unidades, esperamos que esta obra
venha contribuir para dirimir dúvidas de cunho prático e tecnológico e tor-
nar a caprinocultura uma atividade atraente e lucrativa.
Maria Pinheiro Fernandes Corrêa
Chefe-Geral da Embrapa Meio-Norte
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Sumário
INTRODUÇÃO 11
ASPECTOS GERAIS DA CAPRINOCULTURA 13
RAÇAS 17
SANIDADE 23
INSTALAÇÕES 57
MANEJO 67
MANEJO ALIMENTAR 93
MANEJO REPRODUTIVO 115
MANEJO DE CABRAS LEITEIRAS 133
MELHORAMENTO GENÉTICO 141
ÍNDICE REMISSIVO 149
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Introdução
A caprinocultura, para consolidar-se como atividade competitiva no
cenário nacional, requer o uso de modelos mais eficientes que possam promo-
ver ganhos de produtividade e qualidade, ao tempo em que exige alternativas
viáveis para o manejo racional dos recursos naturais.
As tecnologias atualmente disponíveis nas áreas de alimentação e ma-
nejo animal permitem utilizar sistemas de produção competitivos, envolvendo
forrageiras com elevada produção de matériaseca e capazes de atender, na
maioria dos casos, as exigências nutricionais dos animais.
As práticas avançadas que envolvem tanto a higiene da produção como
o controle de agentes patogênicos são tecnologias disponíveis para muitas
atividades na produção animal, incluindo a caprinocultura, que se apresenta
como alternativa competitiva sobretudo para as regiões semi-áridas.
A caprinocultura desenvolvida na Região Nordeste do Brasil tem eleva-
da importância social e econômica para as populações rurais e para a própria
ecologia da região. Porém, o desempenho produtivo desses animais não é con-
siderado satisfatório, em decorrência, principalmente, da utilização de baixos
níveis de tecnologia relacionados com alimentação, manejo e sanidade.
A maioria dos produtores ainda utiliza os sistemas tradicionais de cria-
ção, nos quais a pastagem nativa é, praticamente, a única fonte de alimentação
disponível para os animais, durante o ano todo. Essa pastagem apresenta alta
disponibilidade e bom valor nutritivo na época das chuvas, mas a quantidade e
a qualidade diminuem bastante na época seca, comprometendo o desempenho
dos animais.
Entretanto, em algumas áreas localizadas, a caprinocultura já começa a
ser vista, por alguns produtores, como uma atividade produtiva, e não mais
como uma atividade de subsistência.
Diante dessa mudança, faz-se necessário indicar meios para que essa
atividade se torne um negócio competitivo. A disponibilidade de tecnologias e
o seu uso por uma parcela significativa de produtores são ferramentas de grande
importância nesse processo.
O atual cenário político e econômico mostra que os caprinocultores
alcançam êxito na atividade quando atuam de forma profissional, lançando
mão de seus conhecimentos, utilizando de forma coerente as tecnologias dispo-
níveis. Nesse contexto, as informações técnicas contidas neste trabalho contri-
buem para divulgar, a produtores de caprinos e técnicos ligados ao setor, as
tecnologias geradas por órgãos de pesquisa, acelerando o crescimento da
caprinocultura e tornando os sistemas de produção mais eficientes.
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Aspectos Gerais da Caprinocultura
Por que a criação de cabras é importante?
A criação de cabras é uma atividade econômica de grande impor-
tância para o produtor rural e tem como objetivo gerar receita com a venda
de leite e animais para abate, bem como de matrizes e reprodutores sele-
cionados.
Existem diferenças na exploração de caprinos entre as
diversas regiões do Brasil?
Sim. Na Região Nordeste a caprinocultura é explorada com baixo
nível de tecnologia e visa basicamente à produção de carne e pele. Nas
regiões Sudeste e Sul, a caprinocultura adota níveis elevados de tecnologia
e sua exploração destina-se à produção de leite e derivados e à venda de
matrizes e reprodutores de alta linhagem.
Muitos afirmam que os caprinos são rústicos e outros
dizem o contrário. Qual a opinião correta?
Os caprinos são animais rústicos e capazes de sobreviver em áreas
de pastagens de baixo valor nutritivo, impróprias para outras espécies e
para a exploração agrícola. No entanto, nessas condições, sua produtivida-
de é baixa, e isso significa que os animais precisam também de condições
adequadas de instalações, manejo e alimentação para responderem com
aumento de produção.
A exploração de caprinos para corte é uma atividade eco-
nomicamente importante no Nordeste?
Sim. O consumo per capita de carne caprina no Nordeste é relativa-
mente alto. Isso gera um mercado importante para o produtor que necessita
de tecnologias para tornar sua atividade mais produtiva e mais econômica.
 Que tipo de caprino é criado no Nordeste?
A população caprina do Nordeste é constituída, em sua maioria, de
animais mestiços das raças exóticas com o tipo sem raça definida (SRD).
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Aspectos Gerais da Caprinocultura
Onde se concentra a maior população de caprinos no
Brasil?
No Brasil, a caprinocultura é explorada em todas as regiões. No
entanto, cerca de 92% da população caprina nacional está distribuída nos
estados do Nordeste, sendo os maiores produtores os estados da Bahia, Piauí,
Pernambuco e Ceará.
Por que o leite de cabra, sabidamente um alimento de alto
valor nutritivo, é pouco consumido no Brasil?
Há diversos aspectos que limitam o consumo do leite de cabra. Nas
regiões Sul e Sudeste do Brasil, geralmente o leite é consumido por uma
população de alto poder aquisitivo, em virtude de seu alto preço de merca-
do, que chega a atingir duas a três vezes o preço do leite de vaca. Esse
preço elevado justifica-se em razão de o produto ser consumido como me-
dicamento e não como alimento. Em alguns estados do Nordeste, o leite de
cabra é consumido, principalmente, pela população rural de menor poder
aquisitivo. Entretanto, em segmentos diferenciados da população de todas
as regiões do país, sua aceitação é limitada por força de idéias
preconceituosas segundo as quais o leite de cabra tem cheiro desagradá-
vel e transmite doenças.
O que deve ser feito para incentivar o consumo de leite de
cabra?
Promover maior conscientização da população sobre o alto valor
nutritivo do leite de cabra e melhor organização dos produtores, bem como
uma oferta constante de leite e melhor qualidade do produto.
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Por que o mercado de lei-
te de cabra e de seus deri-
vados é ainda muito pe-
queno?
Porque não existe organização
dos produtores visando aumentar a pro-
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dução diária e manter constante a oferta de leite. Não existe divulgação
sobre a importância do produto e seus derivados nem rigor na utilização de
tecnologias eficientes na fabricação de derivados.
Como o leite de cabra é utilizado na alimentação humana?
Em decorrência de sua composição química, o leite de cabra é lar-
gamente usado na alimentação humana em várias partes do mundo, tanto
na forma natural quanto na forma industrializada, principalmente nos países
mais desenvolvidos. É um produto de grande digestibilidade, alcançando
preço duas a três vezes mais elevado que o leite de vaca.
Crianças alérgicas ao leite de vaca podem consumir o leite
de cabra?
Sim. Para algumas crianças, cujo organismo não aceita o leite de
vaca, recomenda-se sua substituição pelo leite de cabra.
Quais as vantagens do leite de cabra em relação ao leite de
vaca?
O leite de cabra tem composição semelhante à do leite humano.
Comparado com o leite de vaca, é mais digestível para as crianças, idosos
e doentes, usado na prevenção e tratamento de algumas doenças, mais rico
em minerais, vitaminas e proteínas. É utilizado na fabricação dos mais fa-
mosos e saborosos queijos do mundo, com melhor rendimento na fabrica-
ção de queijos.
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Raças
Qual a melhor raça de caprinos?
Em qualquer exploração de caprinos para produção de carne, de leite
ou de dupla aptidão (carne e leite), a melhor raça é aquela que apresenta
melhor resposta produtiva às condições da região e ao nível tecnológico
utilizado. Por isso, a melhor raça depende do tipo de exploração desejada.
Há alguma vantagem na criação de raças puras de caprinos?
As raças puras exóticas, por serem especializadas na produção de
carne ou de leite, embora mais exigentes em sistemas de criação que ga-
rantam recursos nutricionais e de manejo em geral, podem apresentar mai-
or retorno econômico à atividade.
Para fins de registro genealógico, quais as raças de caprinos
reconhecidas pela Associação Brasileira de Criadores de
Caprinos – ABCC?
• Raças nacionais: Moxotó, Mambrina, Jamnapari e Bhuj.
• Raças importadas: Anglonubiana, Saanen, Toggenburg, Alpina, Al-
pina Britânica, Alpina Americana e Angorá.
• As raças Murciana e Boer estão em processo de homologação ra-
cial no Ministério da Agricultura.
Recomenda-se a criação de caprinos leiteiros de raças pu-
ras em regime extensivo?
Não. Os caprinos de raças leiteiras purasnão se adaptam facilmente
aos sistemas extensivos de pastejo. Por isso, recomenda-se mantê-los, du-
rante o período seco, em regime intensivo e, durante a época chuvosa, em
regime semi-intensivo.
Os caprinos da raça Alpina podem se adaptar às condições
da região Nordeste do Brasil?
Sim, desde que seja implantado um manejo animal adequado e que
as instalações permitam conforto aos animais.
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Raças
Por que os caprinos nativos devem ser preservados?
Porque as raças nativas estão adaptadas às condições climáticas do
Nordeste, são menos exigentes que as raças exóticas e respondem bem aos
sistemas de produção com baixo nível de tecnologia. Quando cruzadas
com caprinos exóticos, produzem animais de bom valor zootécnico. São
também importantes para a manutenção da biodiversidade.
Que raças de caprinos produtoras de leite são recomenda-
das para o Nordeste?
Para a Região Nordeste, desde que o sistema de produção utilizado
atenda às exigências do animal, as raças caprinas produtoras de leite mais
recomendadas são a Alpina, Saanen, Anglonubiana e Toggenburg.
Como se deu a formação da raça Marota?
A raça ou tipo de caprinos Marota é nativa do Nordeste brasileiro e
descende das raças trazidas pelos colonizadores. Sua formação deu-se por
um processo de seleção natural, ao longo dos anos, em condições ambientais
adversas, originando, assim, um animal de pequeno porte e de baixo poten-
cial leiteiro, porém de grande rusticidade e adaptabilidade às condições do
Semi-Árido.
Quais as raças caprinas nativas do Nordeste com caracterís-
ticas definidas?
As raças ou tipos de caprinos nativos do Nordeste que apresentam
características raciais definidas são: Moxotó, Marota, Canindé, Repartida,
Cabra Azul e Gurguéia. Essas raças constituem material genético de gran-
de importância para a Região, mas acham-se, em sua maioria, em processo
progressivo de extinção.
Por que as raças nativas de caprinos formadas no Nordeste
estão em processo de extinção?
Esse processo de extinção é conseqüência do sistema extensivo de
exploração ainda existente na Região, que permite a ocorrência de cruza-
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Raças
mentos não controlados entre animais de raças nativas diferentes e destas
com as diversas raças exóticas introduzidas mais recentemente, dando ori-
gem a animais sem raça definida (SRD).
Como se originou a raça Gurguéia?
Apesar de não se dispor de descrição oficial dos caprinos da raça
Gurguéia, há registros segundo os quais sua formação se deu por um pro-
cesso de seleção natural ao longo dos anos, em condições ambientais ad-
versas, tendo como possível berço de formação a região do Vale do
Gurguéia, no Estado do Piauí.
Existe alguma raça de aptidão mista (produção de leite e
carne) recomendada para o Nordeste?
A raça Anglonubiana, considerada de aptidão mista, é uma boa op-
ção por ser composta de animais rústicos e, de certa forma, resistentes às
condições climáticas da região, apresentando produção satisfatória de car-
ne e leite.
As raças caprinas importadas têm contribuído para melho-
rar a caprinocultura no Nordeste?
Sim. A introdução de raças exóticas como a Anglonubiana e as Alpi-
nas tem contribuído significativamente para o melhoramento genético dos
caprinos no Nordeste. No entanto, os sistemas de produção em uso para a
exploração desses animais têm levado, às vezes, à sua inviabilidade eco-
nômica.
Quais as limitações no desempenho de raças exóticas nas
regiões semi-áridas do Nordeste do Brasil?
As raças oriundas de regiões de clima frio não se adaptam ao clima
quente. Como os sistemas de criação de caprinos, na região semi-árida, são
extensivos, em sua grande maioria, e os animais mantidos à base de pasto
nativo, precisando percorrer longas distâncias à procura de alimentos para
sua manutenção, principalmente na época seca, as raças exóticas, por se-
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Raças
rem mais exigentes em relação à alimentação e pouco tolerantes ao calor,
têm seus índices produtivos reduzidos.
Por que alguns produtores do Nordeste preferem criar
caprinos nativos?
Porque as raças nativas têm-se mostrado mais rústicas, mais prolíferas
do que as raças exóticas e, conseqüentemente, com menores índices de
mortalidade. Apesar de produzirem carcaças pequenas e pouco leite, estão
adaptadas às condições da região, podem utilizar bem as espécies forrageiras
disponíveis, inclusive as de baixa qualidade.
Qual o rendimento de carcaça das principais raças caprinas
criadas no Nordeste do Brasil?
Estudos preliminares indicam um rendimento de carcaça quente em
torno de 41% para raças nativas, de aproximadamente 37% para o tipo sem
raça definida (SRD) e de 44% para a raça Anglonubiana. Esses resultados
podem ser alterados futuramente, de acordo com a coleta de novos dados
de pesquisa.
No Brasil, existe raça caprina especializada na produção de
carne?
A raça Anglonubiana foi introduzida no Estado da Bahia em 1932 e
tem mostrado grande aptidão para a produção de animais com melhor apro-
veitamento de carcaça. Recentemente, introduziu-se a raça Boer, de ori-
gem africana, que apresenta excelente conformação tipo carne, mas cujo
comportamento produtivo precisa ser melhor estudado em nosso país.
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Sanidade
Embora os caprinos possam ser
vacinados contra várias doenças, a
vacinação do rebanho depende do
aparecimento de surtos de determina-
da enfermidade na região ou do apa-
recimento de condições de alto risco,
como exposições e feiras agrope-
Caprinos doentes podem ficar com o rebanho, no aprisco?
Não. Em qualquer exploração ocorrem casos de doenças infecto-con-
tagiosas em animais, que necessitam ser isolados do rebanho. Nesse caso,
recomenda-se a construção de um isolamento (área coberta) na proprieda-
de, distante do aprisco, com capacidade proporcional ao tamanho do reba-
nho e que ofereça boas condições aos animais doentes.
Existe doença cuja vacinação seja obrigatória nos caprinos?
Sim. De acordo com as normas das instituições responsáveis pela sa-
nidade animal, a aftosa é uma doença de vacinação obrigatória em caprinos
destinados à reprodução e que participam de leilões e exposições agrope-
cuárias.
Quais os procedimentos utilizados na prevenção de doen-
ças de caprinos?
Não incorporar animais de fora ao rebanho, sem antes submetê-los a
um processo de quarentena (observação do animal por um determinado
período); utilizar testes auxiliares de laboratório para diagnosticar precoce-
mente as doenças de caprinos; isolar os animais doentes e submetê-los a
tratamentos adequados; eliminar os animais portadores de doenças infec-
ciosas, abatendo-os e, em seguida, enterrando-os ou incinerando-os; desin-
fetar as instalações e combater insetos que possam transmitir doenças aos
animais; vacinar sistematicamente os animais quando da ocorrência de fo-
cos de doenças em outros animais da região.
Quais as vacinas recomendadas para caprinos?
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Sanidade
cuárias, transporte, etc. Em todos os casos, o médico veterinário deve ava-
liar os riscos e optar pelo uso ou não de determinada vacina. As seguintes
doenças podem ser prevenidas pelo uso de vacinas: carbúnculo sintomáti-
co, febre aftosa, ectima contagioso, enterotoxemia, leptospirose, raiva e o
complexo colibacilose-pasteurelose-salmonelose.
Que cuidados devem ser observados no manuseio de vaci-
nas para que não percam sua eficácia?
Deve-se manter o frasco das vacinas à temperatura de 2oC a 6oC. No
caso de transporte da vacina, acondicioná-la em caixa de isopor contendo
gelo. No momento da aplicação, evitar a exposição da vacina aos raios
solares.
A aplicação de vacinas pode provocar aborto?
Os abortos que ocorrem após a vacinação não são decorrentes da
aplicação de vacinas, estando relacionados ao manejo por ocasião da va-
cinação,resultando em traumatismo, estresse, etc.
Que doenças podem provocar sintomatologia nervosa?
As doenças do sistema nervoso de caprinos podem ser agrupadas em:
1 – doenças nutricionais e metabólicas (toxemia da prenhez, hipocalcemia,
hipoglicemia, encefalopatia hepática, uremia, choque cardíaco,
desequilíbrio ácido básico e hipoxia); 2 – doenças bacterianas (listeriose,
tétano); 3 – doenças causadas por vírus (raiva, artrite encefalite caprina);
4 – doenças provocadas por fungos (criptococose).
Quais as doenças mais freqüentes observadas em caprinos?
O aparecimento de determinada patologia está condicionado ao tipo
de manejo do rebanho, à presença de outras espécies animais e às condi-
ções climáticas da região. Embora exista grande número de patologias que
pode acometer os caprinos, os fatores acima descritos condicionam a maior
ou menor freqüência de aparecimento de uma em particular. De modo ge-
ral, podem estar presentes em um rebanho caprino a linfadenite caseosa, as
broncopneumonias, a pododermatite, a artrite encefalite caprina a vírus
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Sanidade
Que são helmintos ou vermes e quais os de ocorrência mais
comum em caprinos?
Helmintos são parasitas, isto é, seres que dependem de outros para
poder viver. Os helmintos de ocorrência mais comum em caprinos perten-
cem aos gêneros: Haemonchus, Trichostrongylus, Oesophagostomum e
Strongyloides. Esses helmintos são os principais responsáveis pelos prejuí-
zos causados aos rebanhos.
Quais os locais de predileção dos helmintos dentro do cor-
po do animal?
Os helmintos que mais parasitam os caprinos são os gastrintestinais.
Eles se localizam, principalmente, no abomaso, também conhecido por
coalheira, e nos intestinos delgado e grosso.
Qual o ciclo de vida dos
helmintos gastrintestinais?
Os helmintos gastrintestinais, de
acordo com seu ciclo evolutivo, passam
uma fase de sua vida nas pastagens (fase
de vida livre) e uma fase adulta no estô-
mago ou intestinos dos caprinos (fase pa-
rasitária).
Como evitar a umbigueira?
Para evitar a umbigueira, corta-se
o cordão umbilical do cabrito com tesoura
esterilizada, deixando um toco (pedaço)
de mais ou menos 2 cm, e aplicar solu-
ção de iodo a 10% durante três dias.
(AEC), as verminoses, as ectoparasitoses (sarnas, miíases e pediculoses),
ceratoconjuntivites, entre outras.
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Sanidade
Existem helmintos mais patogênicos que outros?
Sim. De todos os helmintos encontrados parasitando caprinos no Nor-
deste, o mais patogênico é o Haemonchus, que parasita o abomaso ou
coalheira dos animais. É um verme hematófago (alimenta-se de sangue),
que causa anemia, desidratação geral e morte de animais, principalmente
dos jovens.
Em que época do ano os caprinos são mais atacados pelos
vermes?
Embora os caprinos apresentem verminose durante todo o ano, são
mais atacados durante a época chuvosa, em conseqüência do aumento do
número de larvas no pasto.
Quais os sintomas da verminose gastrintestinal?
Os sintomas são anemia, edema na região submandibular (papeira),
diarréia, desidratação, pêlos arrepiados e sem brilho, perda de peso, dimi-
nuição da produção de leite e desenvolvimento lento.
A verminose pode ser transmitida pela pastagem, entre
caprinos?
Sim. Noventa e cinco por cento da contaminação da verminose é
feita pela pastagem. Os caprinos com verminose eliminam ovos dos helmintos
junto com as fezes. Após cinco a sete dias no solo, em condições ambientais
favoráveis, os ovos se desenvolvem e dão origem às larvas infectantes, que
contaminam as pastagens. Os caprinos são contaminados ao ingerirem lar-
vas infectantes juntamente com as pastagens. Uma vez ingeridas, as larvas
se transformam em vermes adultos em três ou quatro semanas.
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É possível combater vermes gastrintestinais em caprinos com
suplementação mineral?
Não. A suplementação mineral ajuda a reduzir os efeitos nocivos
das verminoses, melhorando a resistência dos animais ou repondo parte
daquilo que foi espoliado pelos parasitas, mas não atua diretamente sobre
os parasitas.
É fácil saber se o animal morreu por verminose?
No caso de verminose gastrintestinal, sim. Basta abrir o cadáver e
verificar a existência de vermes no abomaso (coalheira) e nos intestinos.
Quais as recomendações de vermifugação em propriedades
que adotam a estação de monta?
Recomenda-se vermifugar as cabras duas a três semanas antes da
estação de monta, um mês antes e dez a quinze dias após a parição.
Por que vermifugar as cabras dez a quinze dias após a
parição?
A partir de que idade deve-se vermifugar os cabritos?
Os cabritos devem ser vermifugados um mês após sua saída para
o pasto e ao desmame (quando estão com três a quatro meses). Após
esse período, seguir as épocas de vermifugação recomendadas para o
rebanho.
Porque as cabras lactantes pro-
movem maior disseminação de ovos
de helmintos nas pastagens, ocasio-
nando contaminação dos animais jo-
vens.
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Quais os sintomas causados pela teníase?
No caso de grandes infecções, os caprinos enfraquecem e perdem
peso rapidamente. Freqüentemente observa-se a presença de tênias
(proglotes) nas fezes dos animais.
Quais os anti-helmínticos que têm atividade contra tênias?
São os benzimidazóis de amplo espectro (fenbendazole, oxfendazole,
albendazole), em dose dupla.
O que são vermifugações estratégicas?
São vermifugações preventivas utilizadas antes do período de maior
ocorrência dos vermes (período das chuvas), para reduzir infecções que
comprometem os índices produtivos do rebanho.
Os animais podem ir ao pasto imediatamente após a
vermifugação?
Não. Os animais devem permanecer nas instalações por um período
mínimo de 12 horas após a vermifugação. Isso evitará que os ovos de ver-
mes expelidos logo após a vermifugação (que não sofreram o efeito do anti-
helmíntico) contaminem as pastagens.
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O que é tênia?
Tênia é um cestódeo do
gênero Moniezia, mede de 1 a
5 m de comprimento por 1,5 cm
de largura. Vive no intestino del-
gado dos caprinos.
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Sanidade
Como deve ser feito o controle da verminose de caprinos na
região semi-árida do Nordeste do Brasil?
O controle da verminose
dos caprinos deve ser realizado
pela aplicação de medicamen-
tos para vermes associada a prá-
ticas de manejo que ajudem a di-
minuir o número de larvas no
pasto. A aplicação dos vermí-
fugos (vermifugação estratégica)
deve ser feita quatro vezes por ano, distribuída da seguinte forma: no início,
no meio, no final da época seca e em meados do período chuvoso.
Em outras regiões do Nordeste não incluídas no Semi-Árido, é neces-
sário uma quinta aplicação no início do período das chuvas.
Além da vermifugação estratégica, que medidas profilá-
ticas são recomendadas para auxiliar no controle da vermi-
nose?
Além da vermifugação estratégica, as seguintes medidas adicionais
são recomendadas para auxiliar no controle da verminose:
• Manter as instalações limpas e desinfetadas.
• Manter as fezes em locais distantes do rebanho e, se possível, cons-
truir esterqueiras na propriedade.
• Não utilizar fezes frescas para adubar capineiras, pastagens culti-
vadas e outras culturas. As fezes devem primeiro passar por um pro-
cesso de curtimento em esterqueiras ou empilhadas e cobertas com
plástico ou lona, por um período de, no mínimo, 30 dias, antes de
serem utilizadas.
• Evitar aglomeração de animais.
• Separar os animais por faixa etária (formar grupos de mesma idade).
• Vermifugar o rebanho ao trocar de área.
• Animais adquiridos em outras propriedades só devem ser incorpora-
dos ao rebanho após terem sido vermifugados.
• Manter os animais no aprisco até, no mínimo, 12 horas após a
vermifugação.
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As cabras prenhespodem ser vermifugadas?
As cabras não devem ser vermifugadas até 45 dias de prenhez, uma
vez que alguns vermífugos utilizados comprometem a formação do feto,
podendo provocar o nascimento de alguns animais malformados (aleijados,
etc.).
Por que os caprinos devem ser vermifugados maior número
de vezes na época seca?
As vermifugações no período seco visam controlar os nematódeos em
seus respectivos hospedeiros, visto que nesse período, as condições de tem-
peratura e umidade não permitem o desenvolvimento e a sobrevivência de
ovos e larvas no pasto. Dessa forma, a vermifugação nessa época reduz a
infecção dos animais e, conseqüentemente, a contaminação da pastagem
na estação chuvosa vindoura.
Qual o método mais utilizado para avaliar o grau de infec-
ção por vermes no rebanho caprino?
O método mais utilizado para avaliar o nível de infecção por vermes
é a contagem do número de ovos por grama de fezes (OPG). Em regiões
onde não é possível adotar o esquema de vermifugação estratégica, em
conseqüência da irregularidade das chuvas, recomenda-se vermifugar os
caprinos quando o OPG médio de uma amostragem for igual ou superior a
700.
Como se faz a coleta de fe-
zes para os exames parasito-
lógicos?
As fezes devem ser coletadas dire-
tamente do reto dos animais e colocadas
em sacos de plástico ou em vidros de boca larga, totalmente limpos. O
número de animais a ser coletado deve ser equivalente a 10% do rebanho.
Quando se tratar de pequenos criatórios com um número inferior a 20 ani-
mais, recomenda-se coletar amostras de todos os animais.
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Como enviar fezes para o laboratório?
Após a coleta, as amostras de fezes devem ser devidamente
identificadas com os seguintes dados: nome do proprietário, nome da fazen-
da, categoria dos animais (fêmeas adultas, jovens, reprodutores, etc.) e o
número do brinco do animal; em seguida, devem ser colocadas em isopor
contendo gelo e enviadas ao laboratório.
Que vermífugos são recomendados para caprinos?
Recomenda-se utilizar vermífugos de amplo espectro, por via oral,
cujo princípio ativo seja à base de albendazole, oxfendazole, fenbenda-
zole, levamisole e avermectina. As instruções do fabricante, especialmente
quanto à dosificação, devem ser rigorosamente observadas.
Quais as medidas recomendadas para evitar o aparecimen-
to de resistência dos vermes aos vermífugos?
A resistência aos vermífugos é uma conseqüência da vermifugação e
não pode ser evitada. A resistência surge mais rapidamente em proprieda-
des onde os vermífugos não são utilizados corretamente. Algumas medidas
devem ser adotadas, visando retardar seu aparecimento, de forma a não
comprometer a eficácia da vermifugação estratégica. Dessa forma, reco-
menda-se utilizar os vermífugos na dose correta, evitando o uso de subdoses;
verificar se a pistola dosificadora está em bom estado de funcionamento,
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calibrando-a corretamente; no período de um ano, utilizar apenas vermífugo
pertencente a um único grupo químico, alternando no ano seguinte, e evi-
tando vermifugações desnecessárias.
Quais são os principais danos causados pelos vermes ao re-
banho caprino?
Os vermes gastrintestinais são res-
ponsáveis por atraso no crescimento,
perda de peso, diminuição da produção
de leite e aumento das taxas de morta-
lidade de animais, principalmente dos
jovens.
O que é coccidiose ou eimeriose?
Coccidiose ou eimeriose é uma doença parasitária que provoca alte-
rações intestinais nos caprinos, sendo causada por várias espécies de
protozoários do gênero Eimeria. É uma enfermidade comum em animais
criados em regime de confinamento, por isso é muito freqüente em reba-
nhos leiteiros. Atinge principalmente os animais jovens, até seis meses de
idade, podendo ser adquirida logo após o nascimento.
Quais são os principais sintomas apresentados pelo animal
com eimeriose?
Os animais com eimeriose apresentam diarréia de coloração escura,
às vezes com presença de sangue e muco, desidratação, pêlos arrepiados,
falta de apetite, perda de peso, debilidade orgânica generalizada e, às ve-
zes, morte. Além disso, a resistência do animal com eimeriose fica compro-
metida, propiciando a instalação de outras doenças como pneumonia.
Como os caprinos adquirem a eimeriose?
Os caprinos adquirem essa doença pela ingestão de água e alimentos
contaminados com o parasito.
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Como distinguir a eimeriose da verminose?
Não é fácil distinguir a eimeriose da verminose apenas pela observa-
ção dos animais doentes, uma vez que os sintomas das duas parasitoses são
semelhantes. Entretanto, deve-se considerar a idade dos animais, visto que
a eimeriose clínica é mais comum em cabritos na faixa etária de um a três
meses de idade. O diagnóstico definitivo deve ser realizado pelo exame de
fezes.
Como é feito o tratamento da eimeriose?
Os produtos recomendados para o tratamento preventivo são os antibióti-
cos ionóforos. Entre os antibióticos ionóforos, a salinomicina na dose de
2 mg/kg, administrada no leite, apresenta bons resultados. Os animais com
sintomatologia clínica devem receber tratamento curativo à base de toltrazuril
durante três dias consecutivos. Além do toltrazuril, medicamentos à base de
amprólio e sulfas são também recomendados para o tratamento curativo.
Os animais doentes devem ser isolados do rebanho e, além do medicamen-
to para eimeriose, devem receber tratamento sintomático para controlar a
desidratação e, quando necessário, antibióticos específicos, para combater
as infecções secundárias.
Nenhuma droga é capaz de con-
trolar a eimeriose depois que os sinais
clínicos da doença tenham aparecido.
O tratamento preventivo, pela adminis-
tração de medicamentos na água, leite
ou ração, é recomendado para rebanhos
criados em regime de confinamento. A
medicação preventiva deve ser inicia-
da entre uma e duas semanas de vida.
Quais as medidas preventivas recomendadas para o contro-
le da eimeriose?
As medidas sanitárias e de manejo são as mais importantes no contro-
le da doença. Elas visam impedir ou diminuir a ingestão de formas infectivas
do parasito, pelos animais, que devem permanecer em instalações limpas e
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secas. Os bebedouros e comedouros devem ser localizados do lado de fora
do aprisco, de forma a evitar sua contaminação pelas fezes. Após a limpeza
das instalações, por varredura e lavagem, de preferência com água sob
pressão, as mesmas devem ser desinfetadas com creosol a 5% e lança-
chamas (vassoura-de-fogo). Os animais adultos são portadores de várias
espécies de Eimeria, e funcionam como fonte de contaminação para o meio
ambiente. Por isso, devem ser separados dos jovens. Como medidas adicio-
nais, recomenda-se evitar o estresse e a aglomeração de animais.
Quais as principais doenças de pele dos caprinos causadas
por parasitos?
Entre as doenças de pele provocadas por parasitos as mais im-
portantes são as causadas por piolhos (pediculoses), sarnas e bicheiras ou
miíases.
O que é sarna? Que tipos acometem os caprinos?
psoróptica ou auricular, os animais apresentam prurido intenso no pa-
vilhão auditivo e na parte mais interna do pavilhão auricular, presença
de crostas quebradiças, sendo o ácaro encontrado nas lesões mais
recentes. Na sarna sarcóptica os animais apresentam prurido intenso, for-
mação de pápulas avermelhadas contendo líquido seroso, que forma , pos-
teriormente, crostas amareladas localizadas na cabeça, principal-
mente ao redor dos olhos e narinas. A sarna demodécica, também conhe-
cida como bexiga, é caracterizada pelo aparecimento de nódulos na
pele contendo, em seu interior, ácaros em diferentes estágios de desenvol-
vimento.
Sarna é uma ectopara-
sitose causada por várias es-
pécies de ácaros. Os ca-
prinos são acometidos pelas
sarnas psoróptica, sarcópticae demodécica. Na sarna
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Qual o tratamento recomendado para a sarna?
Os animais doentes devem ser separados do rebanho e tratados com
sarnicidas de uso tópico ou geral (banhos com carrapaticidas). Na sarna da
orelha (psoróptica), recomenda-se primeiramente a limpeza do local afeta-
do, com retirada das crostas e a utilização de acaricidas em solução oleosa
na proporção de 1:3, repetindo o tratamento a intervalos de três dias.
O tratamento da sarna sarcóptica é realizado por meio de banhos de imersão
ou aspersão com produtos fosforados e piretroídes, repetindo-se o tratamen-
to após dez dias. No caso da sarna nodular (bexiga), administrar ivermectin
por via subcutânea na dosagem de 0,2 mg/kg de peso vivo, em dose única.
O que é miíase ou bicheira?
É uma doença causada por larvas de moscas conhecidas como vare-
jeiras. A miíase instala-se a partir da oviposição das moscas em orifícios
naturais ou ferimentos dos animais. Esses ferimentos podem ser provocados
acidentalmente ou decorrentes de práticas de manejo como descorna,
assinalação, brincagem.
Quais os danos ocasionados pelas miíases?
Após instalarem-se nas feridas, as larvas destroem os tecidos do ani-
mal, causando complicações sérias como destruição do úbere, testículo,
perfuração do rúmen, otites, além de provocar infecções secundárias diver-
sas.
Como tratar e evitar as miíases nos animais?
O tratamento é realizado por meio
de aplicação de produtos conhecidos
como mata-bicheiras, após a limpeza
das feridas e retirada das larvas. Esses
produtos, além de matarem as larvas,
são cicatrizantes e repelentes, evitando
novas posturas. Alguns animais reque-
rem antibioticoterapia complementar.
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Os piolhos são prejudiciais aos caprinos?
Sim, os piolhos são os ectoparasitos que ocorrem com maior freqüên-
cia em caprinos, causando irritação e prurido. O animal esfrega o corpo em
postes e cercas o que, muitas vezes, leva ao aparecimento de ferimentos
que podem se agravar pela invasão de larvas de moscas e bactérias. Com
isso observa-se redução no ganho de peso e na produção de leite, afetando
a produtividade dos animais. Além disso, devem ser considerados os preju-
ízos na indústria coureira, decorrentes da baixa qualidade das peles.
Quando os animais são mais atacados por piolhos?
Como controlar os piolhos?
Para o tratamento da pediculose (infestação de piolhos) recomenda-
se banhos de aspersão e imersão, com produtos à base de fosforados e
piretróides, que devem ser repetidos após sete a dez dias.
Além dos produtos químicos,
pode-se controlar os piolhos
com plantas? Como fazer o tra-
tamento?
Na Embrapa Meio-Norte vem sendo
testado com algum sucesso o melão-de-são-caetano (Momordica charantia),
na dose de 1 kg de folhas verdes para dez litros de água. As folhas são
Os piolhos podem ser encon-
trados parasitando os animais duran-
te todo o ano, sendo a época seca o
período de maior infestação. Qual-
quer caprino pode ser infestado por
piolho, porém os desnutridos e os
manejados em instalações com pre-
cárias condições de higiene apre-
sentam maior susceptibilidade.
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maceradas e misturadas com água. Em seguida, todo o corpo do animal é
banhado com essa mistura, repetindo o tratamento após dez dias.
O que se recomenda para controlar os ectoparasitos de
caprinos (sarnas, piolhos e bicheiras)?
Para evitar a propagação dessas parasitoses no rebanho, reco-
menda-se:
• Inspecionar periodicamente o rebanho.
• Evitar a introdução na propriedade de animais infestados com pio-
lhos ou sarnas.
• Isolar os animais doentes.
• Tratar adequadamente todas as feridas, e evitar a deposição de ovos
das varejeiras (moscas).
• Proceder à higiene rigorosa das instalações, evitando, assim, a pro-
pagação das moscas.
• Ao realizar práticas de manejo que causem traumatismo (assinalação,
castração, corte do umbigo, brincagem e descorna), usar repelentes
e, quando possível, realizar essas práticas de manejo no período
seco.
• Realizar a desinfecção do umbigo com tintura de iodo a 10%.
O que é ectima contagioso ou boqueira?
É uma doença dos caprinos causada por vírus, sendo mais fre-
qüente nos animais jovens. Até os seis meses, os caprinos são susceptí-
veis a essa doença, que pode manifestar-se a partir da quarta semana de
vida.
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Quais os sintomas apresentados
pelos animais com ectima con-
tagioso?
Os sintomas iniciais são a formação de
lesões que se espalham em forma de crostas
pelos lábios, gengivas e narinas. O úbere, a
vulva e os espaços interdigitais dos cascos
dos animais adultos podem ser afetados.
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Os animais geralmente têm pouco apetite. Nos casos de lesões extensas na
boca e outros órgãos digestivos, os animais ficam impossibilitados de ali-
mentar-se.
Qual o tratamento para os animais com ectima contagioso?
Indica-se, como tratamen-
to, o isolamento dos animais do-
entes, a aplicação diária, no lo-
cal das lesões, de uma solução
de iodo a 10% mais glicerina, na
proporção de 1:1, ou violeta de
genciana a 3%. Nas cabras com
lesões no úbere, utiliza-se a mes-
ma solução de iodo, porém na
proporção de 1:3.
O que é Artrite Encefalite Caprina (AEC) e como se mani-
festa?
É uma doença causada por vírus da subfamília Lentivirinae, que aco-
mete caprinos de todas as idades, sendo as raças leiteiras as mais afetadas.
Apresenta-se na forma nervosa em animais entre dois e quatro meses, ca-
racterizada por paralisia nos membros posteriores progredindo, na maioria
dos casos, para a morte. A forma articular se caracteriza por artrite não
purulenta, uni ou bilateral, afetando a articulação do joelho (carpo-
metacarpiana), ocorrendo com freqüência em animais adultos. Na forma
mamária, observa-se o endurecimento geral da glândula, diminuição na
produção total de leite e mastite não purulenta. Um quadro de pneumonia
fibrótica é desencadeado nos animais portadores dessa enfermidade.
Que outros nomes são usados para a AEC?
Os mais usados são: Leucoencefalomielite Artrítica Viral, Encefalite
Caprina, Leucoencefalomielite Infecciosa, Artrite Crônica Caprina, Encefalite
Granulomatosa, Visna Caprina, Artrite Encefalítica Caprina e Encefalite Ar-
trite Caprina.
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Como se faz o diagnóstico da AEC
e qual o teste sorológico recomen-
dado?
O diagnóstico baseia-se no histórico dos
animais, em sinais clínicos, no exame sorológico
ou no isolamento do vírus. O teste mais utilizado
é o de Imunodifusão em Gel de Agarose (IDGA).
É um teste simples, e serve para avaliar um re-
banho.
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De que maneira pode-se controlar a AEC?
Uma vez detectada a doença no rebanho, implantar de imediato as
seguintes medidas de controle:
• Separar o cabrito imediatamente após o parto, não deixando que a
cabra o lamba.
• Fornecer colostro termizado (56oC por 60 minutos), ou leite de vaca
pasteurizado.
• Separar animais com sorologia positiva em aprisco à parte.
• Evitar adquirir animais com sintomas de artrite.
• Realizar exame sorológico de rotina a cada seis meses ou, depen-
dendo das medidas implantadas, eliminar animais doentes, na me-
dida do possível.
Existe tratamento para a AEC?
Não. Uma vez detectada a doença em um rebanho, necessita-se de
medidas de prevenção e controle.
De que maneira ocorre a transmissão da AEC?
Pela ingestão de colostro e leite contaminados. Outras formas de trans-
missão ocorrem por meio de secreções, sangue, agulhas, aparelhos de tatu-
agem ou outros objetos contaminados. Existe possibilidade de transmissão
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quando se utiliza um reprodutor infectado pelo vírus da AEC com ferimentos
no sistema reprodutivo.
A carne oriunda dos animais infectados com o vírus da AEC
pode ser consumida?
Sim, porque o vírus da AECé próprio da espécie caprina, não infecta
humanos, e é sensível a altas temperaturas, não suportando fervura. No en-
tanto, como é uma doença crônica debilitante, o estado geral da carcaça
pode determinar sua condenação.
O que é pododermatite ou frieira?
É uma doença que aco-
mete os caprinos de qualquer
idade, caracterizada por uma
inflamação localizada na jun-
ção da pele com o casco, pre-
judicando a locomoção dos
animais, também conhecida
como podridão-do-pé, mal-
do-casco e manqueira. O agente causador da frieira é Bacteroides nodosus,
podendo haver associação com outras bactérias como Fusobacterium
necrophorum e Corynebacterium pyogenes.
Qual a época de maior ocorrência de frieira no rebanho?
Essa enfermidade ocorre com maior freqüência na época chuvosa,
em locais onde as pastagens estão alagadas, úmidas e mal drenadas, asso-
ciando-se a isso o pisoteio dos animais nesses locais formando lamaceiros,
que reúnem condições favoráveis ao aparecimento da doença.
Quais os sintomas observados num animal com frieira?
O sintoma mais comum é a manqueira, geralmente seguida de infla-
mação, supuração e dor na coroa dos cascos. O animal não acompanha o
rebanho, isola-se, caminha com dificuldade, não se alimenta, passando gran-
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de parte do tempo deitado ou apoiado nos joelhos. Se não for tratado, pode
emagrecer progressivamente e morrer por inanição.
Como tratar os animais que apresentam frieira?
Para o tratamento, recomenda-se
transferir os animais para um local lim-
po e seco, isolar os doentes, proceder
ao corte dos cascos e fazer uma limpe-
za com água e sabão das patas afeta-
das, retirando as áreas necrosadas. Em
seguida, aplica-se solução desinfetan-
te de sulfato de cobre a 10%, formol a
2% a 5%. Nos casos mais graves com infecções secundárias, é necessário
fazer curativo a cada dois ou três dias. O uso de antibióticos é recomenda-
do quando houver sinais de comprometimento orgânico e nos casos de
pododermatite contagiosa.
Que medidas devem ser adotadas para reduzir os casos de
frieira no rebanho?
Caso seja realizada a identificação do agente responsável pela insta-
lação da doença no rebanho, a medida profilática mais eficaz é a aplicação
de vacinas. No entanto, o uso de vacinas não invalida a adoção das medi-
das profiláticas, por apresentarem resultados eficazes na redução da inci-
dência da doença. São elas:
• Colocar os animais em locais limpos e secos.
• Proceder ao corte e à limpeza dos cascos duas vezes ao ano (início
da época seca e antes da época chuvosa).
• Iniciar a passagem dos animais pelo pedilúvio antes da época chu-
vosa.
• Isolar os animais doentes.
• Evitar o acesso e a permanência dos animais em pastos encharcados,
pisos excessivamente úmidos e escorregadios.
O que é linfadenite caseosa ou mal-do-caroço?
É uma doença infecto-contagiosa, crônica, causada pela bactéria
Corynebacterium pseudotuberculosis, que se manifesta pela presença de
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abscessos ou caroços nos gânglios superficiais e, em menor escala, nos
gânglios internos e órgãos como pulmão, fígado e baço.
Como ocorre a transmissão da linfadenite caseosa e onde se
localizam os abscessos?
Ocorre por contato do ma-
terial purulento com ferimentos e
arranhões na pele dos caprinos.
Após a penetração, a bactéria alo-
ja-se nos gânglios mais próximos,
desencadeando a formação dos
abscessos. Os gânglios mais afe-
tados são os da região da mandí-
bula (parotídeos), escapulares e
crurais.
Que medidas devem ser adotadas no caso de reaparecimento
da linfadenite caseosa em um animal que já foi tratado ci-
rurgicamente?
Nesses casos, deve-se realizar o descarte do animal, evitando assim
a propagação da doença no rebanho.
De que maneira a linfadenite caseosa pode ser evitada?
Ao realizar a compra de novos
animais, evitar adquiri-los em propri-
edades onde a doença esteja presen-
te. Antes de introduzir novos animais
no rebanho, submetê-los a um perío-
do de quarentena; fazer inspeção ro-
tineira do rebanho; isolar os caprinos
com abscessos antes que se rompam
espontaneamente no meio ambiente;
fazer higienização periódica das ins-
talações.
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Existe vacina para prevenir a linfadenite caseosa?
Sim. Existe uma vacina disponível, fabricada pela Empresa Baiana de
Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). Entretanto, essa vacina não apre-
senta poder de imunidade satisfatório. Estudos continuam sendo desenvol-
vidos em busca da obtenção de uma vacina eficiente.
Qual o tratamento indicado para a linfadenite caseosa e quais
as medidas de controle dessa doença?
A aplicação de quimioterápicos e antibióticos, além de ser pouco
econômica, não produz efeito satisfatório. Nesse caso, são recomendadas
medidas profiláticas que visam apenas reduzir a incidência da doença no
rebanho como inspeção periódica do rebanho; isolamento dos animais com
abscessos e incisão cirúrgica antes que os abscessos se rompam espon-
taneamente no meio ambiente. Antes da abertura do abscesso, deve-se pro-
ceder à retirada do pêlo da região (tricotomia) e à desinfecção do local com
solução de álcool iodado. A abertura do abscesso deve ser ampla no sen-
tido vertical, permitindo a retirada de todo o conteúdo purulento, seguida de
lavagem e desinfecção com iodo a 10%; o tratamento deve ser reali-
zado fora das instalações, o material retirado do abscesso deve ser queima-
do e os instrumentos desinfetados; os animais só devem retornar ao rebanho
após completa cicatrização; evitar a compra de animais clinicamente
doentes.
Quais as perdas econômicas causadas pela linfadenite
caseosa?
Os abscessos externos danificam a pele e, por isso, são fontes poten-
ciais de perdas econômicas para os criadores. Entretanto, não existe
base científica indicando que essa forma de doença esteja associada à bai-
xa produtividade do animal. A forma interna, no entanto, é freqüentemente
associada à perda de peso corporal, diminuição da produção de leite
(depende da localização do abscesso), morbidez e baixa eficiência
reprodutiva. A localização de abscessos em órgãos vitais pode levar o ani-
mal à morte.
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O que é broncopneumonia e quais as principais causas e
sintomas?
É uma inflamação que acomete os pulmões, causada por bactérias,
vírus e parasitas, podendo ainda ser desencadeada por fatores do meio am-
biente (químicos, físicos). Caracteriza-se por tosse, febre, corrimento nasal,
dificuldade respiratória, falta de apetite e enfraquecimento.
Qual o tratamento recomendado para os animais acometi-
dos de broncopneumonia?
Observar em que estado se en-
contra o animal; isolá-lo em ambi-
ente seco e higiênico; administrar
antibióticos de largo espectro como
penicilinas, tetraciclinas e medica-
ção de suporte, entre outros; ofere-
cer água e alimento no cocho.
Quais as medidas de prevenção da broncopneumonia?
Fazer a higiene das instalações, conservando-as sempre limpas; evi-
tar umidade nas instalações; evitar superlotação; abrigar os animais das
correntes de ar (utilizando cortinas) e da chuva; inspecionar o rebanho no
aprisco para observar animais com tosse ou secreção nasal, isolando-os;
evitar a entrada de animais enfermos.
Que é ceratoconjuntivite ou oftalmia contagiosa?
Ceratoconjuntivite é uma doença infecciosa e contagiosa que ataca
os olhos dos animais, podendo comprometer seu desempenho produtivo se
não tratada a tempo. Ocorre com maior freqüência em épocas e locais onde
existem moscas que se alimentam das secreções nasal e ocular dos ani-
mais. A doença é causada por vários microrganismos e os sinais clínicos
apresentados são semelhantes. O agente infeccioso chega a outros animais,
transportado pelas moscas, mas também por contato direto, isto é, de ani-
mal para animal, e transportado por pessoas e poeira contaminadas.106
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Quais os sintomas da ceratoconjuntivite?
Inicialmente, os animais apre-
sentam lacrimejamento abundante,
olhos congestos (vermelhão), diminui-
ção do apetite, febre moderada e, de-
pendendo do agente causal, uma pe-
quena mancha branca na parte cen-
tral do olho afetado. Em dois ou três
dias, essa mancha pode progredir para
todo o olho, que adquire coloração
branco-azulada. Observam-se peque-
nas e múltiplas úlceras, que se tornam maiores nos dias seguintes, quase
sempre evoluindo para a cegueira.
Qual o tratamento para a ceratoconjuntivite?
Pomadas ou colírios à base de cloranfenicol, penicilina e nitrofurazona
podem ser utilizados. As aplicações devem ser feitas, no mínimo, duas ve-
zes ao dia, até dois a três dias após o desaparecimento dos sintomas. O tra-
tamento também pode ser feito por via parenteral (injeção) utilizando-se a
oxitetraciclina de ação prolongada, em dias alternados, até 72 horas após o
desaparecimento dos sintomas.
Como evitar a ceratoconjuntivite?
A prevenção pode ser feita com a introdução de medidas higiênicas,
de medidas que evitem traumatismos nos olhos dos animais e com o uso de
vacina específica em rebanhos com incidência freqüente da doença.
O que é mastite?
Mastite, ou mamite, é o processo inflamatório da glândula mamária,
sendo caracterizada por alterações do úbere e, conseqüentemente, do lei-
te. Duas formas da doença são reconhecidas: a forma clínica e a forma
subclínica.
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Sanidade
Como os animais contraem a mastite?
Em conseqüência do grande
número de agentes causadores da
doença, não existe um tratamen-
to padrão a ser recomendado para
todos os casos de mastite. Desse
modo, no campo, onde não seja pos-
sível o isolamento do agente mi-
crobiano, produtos que tenham ação
sobre várias espécies devem ser
preferidos. A via para a aplicação
dos antimastíticos é a intramamária,
devendo o tratamento ser repetido
Os micróbios penetram no
úbere através de feridas ou do ori-
fício das tetas. O piso e os utensíli-
os de ordenha, bem como o cabri-
to ao mamar ou a mão do ordenha-
dor, atuam como veículos de trans-
missão dos germes causadores da
enfermidade, de animais doentes
para os sadios.
Quais os principais sintomas da mastite?
Na mastite clínica, observa-se leite visivelmente alterado, diminui-
ção na quantidade de leite produzida, úbere quente, inchado e dolorido à
palpação e, dependendo do microrganismo presente, o animal pode apre-
sentar febre, perda do apetite e apatia. O endurecimento total ou parcial do
úbere está presente na mastite crônica. Na mastite subclínica, nenhuma
alteração visível é observada no leite e úbere, pois essa forma da doença só
é detectada por testes laboratoriais, mas a redução na produção de leite é
perceptível.
Que tratamento é recomendado para a mastite?
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por três a cinco dias. A aplicação de produtos por via sistêmica (injeção) é
recomendada apenas para os casos em que o animal apresenta aumento da
temperatura corporal, diminuição do apetite e apatia (sinais indicativos do
comprometimento orgânico). O leite de animais mastíticos e em tratamento
deve ser descartado, respeitando-se o período de carência recomendado
pelo fabricante do produto.
Como evitar que um animal tenha mastite?
Em rebanhos leiteiros é necessária a introdução de um programa de
prevenção da mastite, baseado em medidas higiênicas antes, durante e após
a ordenha. Desse modo, deve-se manter as instalações sempre limpas, la-
var o úbere antes da ordenha com solução anti-séptica ou com água cor-
rente, secando em seguida com toalhas individuais; após a ordenha, colo-
car as tetas dentro de um recipiente contendo solução iodada (0,5% a 1%)
com glicerina; eliminar animais com mastite crônica. O ordenhador deve
manter unhas aparadas e mãos limpas.
Como é feito o diagnóstico de cabras com mastite?
Pode-se diagnosticar a
mastite, em sua fase inicial,
usando-se caneca de fundo es-
curo ou caneca telada. Nesse
teste, os primeiros jatos de leite
de cada teta são recolhidos e
observados para detectar altera-
ções de cor, consistência ou pre-
sença de grumos. Em estágio
mais adiantado, a mastite pode
ser detectada pela palpação da glândula mamária, após a ordenha, onde
ficam evidentes os sinais de inflamação.
Quais os prejuízos ocasionados pela mastite?
Na forma clínica, os prejuízos econômicos são devidos principalmen-
te ao descarte do leite, aos custos com medicamentos e à substituição de
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matrizes. Na mastite subclínica, os prejuízos são devidos à perda progressi-
va da produção de leite. Em rebanhos, cuja finalidade é a produção de
carne, a mortalidade de filhotes de fêmeas mastíticas, o menor percentual
de ganho de peso e o descarte ou morte de matrizes representam sensíveis
perdas econômicas.
Quais as principais causas de aborto em cabras?
Várias são as causas de aborto em fêmeas caprinas, estando envolvi-
dos na etiologia fatores de ordem nutricional e infecciosos. Estão incluídas
como causas infecciosas a brucelose, a micoplasmose, a toxoplasmose, a
listeriose, entre outras. Além desses fatores, o estresse funciona como im-
portante fator no desencadeamento do aborto caprino.
As cabras que abortam devem ser retiradas do rebanho?
A eliminação de uma fêmea com histórico de aborto depende da sus-
peita da causa do aborto que, sempre que possível, deve ser confirmada por
meio de exames laboratoriais. Em casos de aborto infeccioso, a fêmea deve
ser retirada do rebanho o mais rápido possível; fêmeas com abortos de ori-
gem não infecciosa devem ser adequadamente manejadas de acordo com
a causa.
Que cuidados sanitários devem ser observados no confina-
mento de cabras?
A introdução de medidas higiênicas é o fator mais importante para
animais em confinamento: os animais devem ser alocados em ambiente
confortável, limpo e arejado. A higienização diária do ambiente minimiza o
aparecimento de grande número de doenças, particularmente da mastite,
em se tratando de animais leiteiros. Medidas sanitárias específicas, como
vacinações, devem ser introduzidas de acordo com a ocorrência de deter-
minada doença no rebanho ou na região.
O que é micoplasmose e quais os principais sintomas?
É uma doença causada por microrganismo do gênero Mycoplasma,
que acomete caprinos de todas as idades e raças. Caracteriza-se por sinto-
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mas articulares (aumento de volume da articulação), pulmonares (febre,
tosse, dificuldade respiratória e, às vezes, corrimento nasal), mastite (con-
sistência dura à palpação) e oculares (inflamação da córnea, membranas
do olho e lacrimejamento).
Como a micoplasmose é transmitida e qual a forma de trata-
mento?
É transmitida pelo contato direto com secreções nasais, oculares,
leite e com líquidos articulares entre animais doentes e sadios. As crias se
infectam mamando o colostro ou o leite das cabras infectadas. O trata-
mento à base de antibióticos melhora o estado clínico (sintomas e lesões),
mas nenhum deles tem efeito micoplasmicida in vivo. Alguns dos antibióti-
cos usados são: tilosina, eritromicina, tetraciclina, gentamicina, linco-
micina, espectromicina e espiramicina. No entanto, mesmo após o trata-
mento, apesar de não apresentar sintomas, o animal é considerado um por-
tador.
Quais os procedimentos para o controle e a prevenção da
micoplasmose?
Os procedimentos de controle variam com a doença e a espécie ani-
mal afetada. Em caprinos, deve-se identificar os animais por meio de teste
sorológico; isolar animais positivos em aprisco à parte; o manejo das crias
deve seguir os critérios orientadores do controle e prevenção da AEC. Os
fatores básicos de prevenção são: evitar a compra de animais oriundos de
rebanhos infectados; adquirir animaistestados sorologicamente e adotar
padrões de higienização das instalações.
O que são zoonoses e como ocorre sua transmissão?
São doenças naturalmente transmissíveis entre as diversas espécies
animais e o homem. A transmissão pode ocorrer por contato direto com o
animal enfermo, ou por meios indiretos (aerossóis, líquidos corporais, ingestão
de carne ou leite de animais doentes).
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Sanidade
Quais as principais doenças dos caprinos que podem ser con-
sideradas zoonoses?
A brucelose, a leptospirose (rara), a linfadenite caseosa (rara), o ectima
contagioso, a raiva, a febre aftosa (rara), a criptosporidiose, a hidatidose e a
toxoplasmose.
O que são clostridioses e quais os principais tipos que aco-
metem os caprinos?
Clostridioses são doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium,
que se caracterizam por toxiinfecções ou intoxicações nos animais. De acor-
do com sua localização, podem causar enterotoxemias, alterações nervo-
sas e musculares. Em caprinos, a forma mais comum é a enterotoxêmica,
causada pelo Clostridium perfringens tipos C e D, que comumente são en-
contrados no solo e no intestino do animal. Geralmente essa forma da doen-
ça é fatal, afetando caprinos de todas as idades, ocorrendo com maior fre-
qüência em animais de 3 a 12 semanas de idade.
Quais os sintomas observados nos caprinos com a forma
enterotoxêmica?
Os animais doentes apresentam fortes dores abdominais, mantêm a
cabeça repousada sobre o costado, entram em coma e morrem, quase sem-
pre, em curto período. Os cabritos deixam de comer, ficam tristes, deitam-
se e morrem muito rapidamente, por vezes, num intervalo de uma hora. Em
animais adultos, observam-se perturbações intestinais acompanhadas de
uma diarréia escura, de odor fétido. Outras vezes, ocorrem perturbações
nervosas características como convulsões. Não existe tratamento satisfatório.
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O que é febre aftosa,
quais os sintomas e
como os caprinos a ad-
quirem?
É uma doença infecto-conta-
giosa causada por vírus, caracteriza-
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Sanidade
da por febre, depressão, manqueira, salivação, formação de vesículas (bo-
lhas) nos lábios, nas mucosas da boca, língua, espaço interdigital e úbere. O
vírus é transmitido por contato direto, por aerossóis e por produtos de secre-
ções e excreções de animais infectados (saliva, lágrima, urina, fezes, leite,
sêmen e membranas de feto).
Qual o tratamento recomendado para a febre aftosa?
Não existe tratamento específico para a febre aftosa. Entretanto, as
práticas de manejo adequado (higiene das instalações, isolamento de ani-
mal enfermo, etc.) e o tratamento das infecções bacterianas secundárias
reduzem as perdas. O tratamento sintomático das lesões dos cascos é feito
com sulfato de cobre a 10%, o das lesões da boca, com soluções bactericidas,
e o do úbere, para evitar ou diminuir as infecções secundárias, além da
assepsia com água e sabão neutro, com aplicação de pomadas tópicas
cicratizantes.
Quais os exames recomendados quando da aquisição de
novos animais?
Deve-se exigir, por ocasião da compra, atestados negativos para a
brucelose (particularmente na importação de outros países) e para a Artrite
Encefalite Caprina (AEC) e atestado de vacinação contra a febre aftosa,
principalmente na existência da doença na região de origem do animal. Em
todos os casos, no entanto, todo animal proveniente de outro rebanho deve
ser colocado em quarentena para observação de quaisquer sintomas suges-
tivos de enfermidade contagiosa. Após o período de quarentena, o animal
pode ser incorporado ao rebanho, caso não tenha sido observada nenhuma
patologia.
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Qual o método de preven-
ção da febre aftosa?
Ao importar caprinos de regiões
onde ocorre a doença em outras espécies
animais, verificar se o lote a ser adquirido
foi vacinado; vacinar os caprinos de seis
em seis meses em áreas endêmicas, a
partir dos quatro meses de idade.
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Sanidade
O que é timpanismo?
O timpanismo, ou meteorismo, é uma doença provocada pelo acúmulo
de gases no rúmen (pança) e retículo, determinando um aumento exagera-
do do volume abdominal. Dependendo da causa tem-se o timpanismo
primário, determinado pela ingestão de alimentos (dieta rica em grãos,
leguminosas, silagens estragadas) e o timpanismo secundário, causado,
mais freqüentemente, por obstruções esofágicas.
Quando ocorre o timpanismo?
O timpanismo ocorre quando o mecanismo de eructação (eliminação
de gases) é falho, e impede a expulsão desses gases.
Quais os sintomas mais comuns do timpanismo?
Os animais apresentam súbito aumento do volume abdominal, ausên-
cia de apetite e afastam-se do rebanho. Se não forem socorridos prontamen-
te, a doença evolui e determina a morte do animal por deficiência respirató-
ria, pois o aumento do volume abdominal comprime os pulmões, diminuin-
do a área respiratória do animal afetado.
Qual o tratamento para o timpanismo?
O tratamento do timpanismo de origem alimentar é feito com substân-
cias que facilitem a expulsão dos gases retidos (substâncias antiespumantes),
devendo-se retirar o alimento causador do problema da dieta alimentar até
sua recuperação. O tratamento para os casos de timpanismo causado pela
obstrução esofágica é feito retirando-se o agente obstrutor. Na presença de
perigo de morte do animal por insuficiência respiratória, a punção do rúmen
(flanco esquerdo) deve ser realizada, utilizando-se trocarte ou material cor-
tante. Nesses casos, deve-se solicitar a presença de um médico veterinário.
No caso do timpanismo moderado, deve-se fazer pressão sobre os flancos
ou forçar o animal a caminhar.
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Sanidade
Como evitar o timpanismo?
A adição de volumosos, não causadores de timpania, à dieta do reba-
nho é uma medida que diminui o aparecimento do timpanismo primário.
Para o timpanismo secundário, mesmo sendo pouco freqüente em pequenos
ruminantes, evitar o acesso dos animais a corpos estranhos que possam
causar obstrução do esôfago.
Qual a causa da obstrução urinária em caprinos?
A etiologia da obstrução urinária ou urolitíase obstrutiva é complexa e
multifatorial. Influências geográficas, bem como fatores dietéticos
(desequilíbrio nutricional), ambientais, hormonais e doenças infecciosas do
trato urinário, têm sido comprovados como responsáveis pela formação de
cálculos urinários.
Quais os sintomas da obstrução urinária?
A obstrução da uretra por cálculos causa dor abdominal, marcha ar-
rastando os membros posteriores, contrações repetidas do pênis, esforços
para urinar, conseguindo o animal apenas eliminar gotas de urina tingida de
sangue. A ruptura da uretra ou bexiga pode ocorrer observando-se, nesses
casos, apatia, ausência de apetite, desidratação e decúbito.
Qual o tratamento da obstrução urinária?
Existem várias opções de tratamento da urolitíase obstrutiva em pe-
quenos ruminantes. Entretanto, em decorrência da localização dos cálculos
nessas espécies animais, a maioria dos procedimentos é utilizada apenas
para salvaguardar a vida do animal até o momento do abate.
Quais as medidas de prevenção da obstrução urinária?
O fornecimento de alimentação equilibrada, aumento do consumo de
água e da área por animal em confinamento são os procedimentos mais
adequados para prevenir a urolitíase obstrutiva, especialmente após terem
sido identificados o problema e a natureza dos cálculos.
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Sanidade
Os caprinos podem contrair tétano?
Sim. O tétano afeta as diversas faixas etárias de caprinos, porém é
mais freqüente em animais jovens. Geralmente, os animais se contaminam
por ferimentos com perfuração profunda. Os micróbios (Clostridium tetani)
estão comumente presentes nas fezes dos animais e no solo contaminado
por fezes (principalmente de eqüinos).
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Instalações
 Que instalaçõessão necessárias na exploração de caprinos?
As instalações devem ser planejadas levando-se em conta a finalida-
de da exploração. Em caprinocultura, a instalação mais importante é o cen-
tro de manejo que, nos sistemas tecnificados destinados à produção de car-
ne, é constituído por apriscos suspensos de piso ripado, apriscos de chão
batido (chiqueiros), currais de manejo, brete, balança, pedilúvio, comedouros,
bebedouros, saleiros, área de isolamento e cercas externas e divisórias.
Na exploração de caprinos leiteiros deve-se dispor, também, de sala
de ordenha, sala de leite e queijaria. Nos dois tipos de exploração, necessi-
tam-se de instalações complementares como galpões, depósitos e
esterqueira.
As instalações para caprinos devem ser padronizadas?
Não. Cada produtor constrói suas instalações conforme o material exis-
tente, o clima, o tipo de exploração e, principalmente, seu poder aquisitivo.
As instalações devem ser construídas de modo a se tornarem funcionais, a
fim de facilitar o manejo dos animais e para que os fatores climáticos não
afetem a fisiologia do animal e, conseqüentemente, sua produtividade.
O que é um centro de manejo e onde deve localizar-se?
É o local onde está situado o conjunto de instalações destinadas à
execução das práticas de manejo utilizadas com o rebanho. Uma função
básica é abrigar e proteger os animais das intempéries ambientais, pois,
normalmente, os caprinos são recolhidos, diariamente, para pernoite no
centro de manejo.
Deve ser planejado em função do tamanho do rebanho e da finalida-
de da exploração (carne ou leite) e construído em local estratégico da pro-
priedade, em terreno plano, firme e bem drenado.
Quais são as vantagens do uso de instalações adequadas na
criação de caprinos?
O uso de instalações adequadas permite a execução, com eficiência,
das práticas de manejo do rebanho como separação dos animais por cate-
goria, desmame das crias, identificação dos animais, controle de endo e
ectoparasitas, castração, vacinação, pesagem e suplementação alimentar.
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Instalações
Quais as especificações técnicas utilizadas na construção de
um aprisco?
Na construção do aprisco, deve-se obedecer às seguintes recomen-
dações: 1 – dispor de uma área coberta de 0,80 m2 a 1,00 m2 por animal;
2 – altura mínima do pé-direito de 2,30 m; 3 – piso ripado suspenso a um
metro do solo, com espaçamento entre ripas de um centímetro; 4 – coberta
de telhas ou palhas, de acordo com o poder aquisitivo do produtor e da
disponibilidade dos materiais na região; 5 – dividido em baias para as diver-
sas categorias de animais; 6 – a área interna deve ser bem iluminada,
posicionada de forma que o sol faça seu percurso em todo o comprimento
do aprisco, para reduzir a umidade e favorecer o bem-estar dos animais.
Por que os apriscos de piso ripado suspenso são mais reco-
mendados?
Os apriscos de piso ripado suspenso são recomendados porque evi-
tam o contato dos caprinos com as fezes depositadas no chão, reduzindo a
umidade freqüentemente encontrada nos chiqueiros de chão batido e nos
currais. Os apriscos suspensos contribuem para reduzir as infecções por
parasitas gastrintestinais e outras doenças que acometem o rebanho.
Pode ser recomendado o uso de aprisco de chão batido (chi-
queiro)?
Sim. Nas regiões onde a temperatura é alta, a precipitação pluvial e a
umidade relativa do ar são baixas, pode ser recomendado esse tipo de
aprisco. Nesse caso, recomenda-se o uso de cama à base de palha de arroz
ou similar para diminuir a umidade. Sua troca deve ser feita duas a três
vezes por mês, porém, as partes úmidas e as fezes devem ser removidas
diariamente.
Quais os produtos mais indicados na desinfecção das insta-
lações?
Podem ser usados qualquer um dos seguintes produtos: formol comer-
cial a 5%, soda cáustica a 1%, iodophos a 1%, os desinfetantes à base de
fenol a 5% e de enezóis a 5%.
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Instalações
O que é sala de ordenha e qual sua localização adequada
no centro de manejo?
Sala de ordenha é o local onde as fêmeas em lactação são ordenha-
das. Deve ser construída anexa ao aprisco, de modo a facilitar o acesso dos
animais e do tratador ao local e permitir uma higienização adequada dos
equipamentos e das instalações.
Esse tipo de instalação é recomendado em sistemas de produção que
mantêm um número expressivo de cabras em lactação. Para rebanhos pe-
quenos indica-se o uso da plataforma individual de ordenha.
Como deve ser feita a hi-
gienização do local de orde-
nha?
O local de ordenha deve ser lava-
do com água e sabão, diariamente, e de-
sinfetado a cada semana, com produtos
como iodophos a 1% ou formol comer-
cial a 5%. Não se deve utilizar desinfe-
tante à base de cresóis, pois deixam odor
no leite.
Em uma exploração de caprinos é necessária a existência de
galpões e de depósitos?
Galpões e depósitos são instalações complementares e devem ser
construídos com fins específicos. O número de galpões e de depósitos de-
pende, evidentemente, do dimensionamento da exploração. Em geral, são
utilizados com as seguintes finalidades:
• Galpão para implementos agrícolas.
• Galpão ou depósito para armazenagem de suprimentos alimentares
(ração, feno, etc.).
• Depósito para guarda de medicamentos e equipamentos veterinári-
os (farmácia).
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Instalações
O que é pedilúvio?
É um tanque construído na
entrada dos currais, apriscos ou
chiqueiros, medindo 2,0 m de
comprimento por 0,10 m de pro-
fundidade e largura correspon-
dente à da porteira, com proteção lateral feita com cerca de arame liso ou
ripas, com 1,40 m de altura.
Qual a finalidade do pedilúvio?
Fazer a desinfecção dos cascos dos animais. Essa desinfecção pode
ser feita com solução de formol comercial a 10% ou sulfato de cobre a 10%.
Na ausência desses produtos químicos, a cal virgem diluída em água (40%)
funciona como um bom desinfetante.
O que é quarentenário?
É uma área de isolamento de animais oriundos de outros rebanhos ou
de outras regiões. Essa área deve ser localizada distante do centro de ma-
nejo e constar de um pequeno espaço coberto, divisões internas e área de
pastejo. No quarentenário, os animais devem ser observados por um deter-
minado período (quarentena) antes de serem incorporados ao rebanho. Du-
rante esse período devem ser realizados exames clínicos e de laboratório,
para identificação de possíveis enfermidades, especialmente as infecto-con-
tagiosas.
O que é esterqueira?
É uma área previamente cons-
truída para servir de depósito de es-
terco. Tem como objetivo melhorar as
condições higiênicas da criação e di-
minuir a ocorrência de doenças, além
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Instalações
de contribuir para reduzir a poluição ambiental e melhorar o aproveitamen-
to do esterco, como fertilizante para lavouras ou pastagens.
Qual a localização ideal e como é feita a esterqueira?
A esterqueira deve ser localizada a uma distância mínima de 50 m do
centro de manejo, para não comprometer a sanidade do rebanho.
A esterqueira deve ser construída, de preferência, em terreno inclinado, de
forma semi-enterrada, visando facilitar o carregamento e a descarga do
esterco. O piso deve ser de concreto simples, com 0,10 m de espessura e as
paredes de alvenaria (tijolo maciço). Outra opção é o uso de pilares pré-
fabricados nos quais são encaixadas placas de concreto também pré-
fabricadas.
Onde e como devem ser construídos os currais de manejo?
Devem ser construídos em áreas altas da propriedade para assegurar
uma boa drenagem e com dimensões variando de acordo com o tamanho
do rebanho. O uso de 2 a 3 m2 por animal adulto é uma boa recomendação.
Tais currais devem ter comunicação entre si e com cada baia para facilitar
o manejo dos animais e reduzir a mão-de-obra na execução dos trabalhos.
Para que serve o brete e quaissuas dimensões?
O brete destina-se à contenção dos caprinos, facilitando o manejo e
as práticas sanitárias. O brete deve ser construído de madeira serrada, ten-
do 1,40 m de altura, 0,30 m de largura na parte inferior e 0,40 m na parte
superior. As partes laterais internas devem ser construídas com pranchas de
madeira unidas, começando a 5 cm do solo. O comprimento pode variar em
função do tamanho do rebanho a ser manejado, devendo dispor, na extre-
midade externa, de uma pequena porteira para conter os animais na execu-
ção dos serviços.
Que dimensões deve ter
um embarcadouro?
O embarcadouro é uma insta-
lação constituída de um corredor es-
treito com rampa destinada ao embar-
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Instalações
que e desembarque dos animais. É muito útil para reduzir os riscos de aci-
dentes e facilitar a mão-de-obra na chegada ou saída dos animais. Pode ser
fixo ou móvel e conter as seguintes dimensões: largura – 0,60 m; compri-
mento – 4,00 m; altura na parte final – 1,20 m; altura das cercas laterais –
1,40 m.
O que é saleiro e que materiais são utilizados em sua cons-
trução?
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Saleiro é um cocho utilizado na
suplementação mineral do rebanho. Os
saleiros podem ser de alvenaria, com su-
perfícies lisas, de madeira ou de pneus
cortados. Esses últimos são baratos e fun-
cionais.
Na construção de saleiros de madeira ou alvenaria quais as
dimensões recomendadas?
As dimensões variam em função do número de animais. Para cada
grupo de 30 animais, recomenda-se um saleiro com 1 m de comprimento,
20 cm de profundidade e 30 cm de largura. Deve ser colocado a 30 cm do
solo para que os animais jovens tenham acesso à mistura mineral.
Qual a localização recomendada para os saleiros?
Devem ser localizados nas dependências do centro de manejo, de
preferência no aprisco ou chiqueiro e nos currais, para facilitar a distribui-
ção do sal e o manejo dos animais. Essa localização estimula os animais a
retornarem do pasto, para o centro de manejo.
Quais os tipos de bebedouros mais indicados na criação de
caprinos?
Podem ser usados os seguintes tipos de bebedouros: 1 – de nível cons-
tante ou vasos comunicantes; 2 – automático com bóia ou com válvula;
3 – recipientes com abastecimento manual como baldes de plástico, metal
ou fibra de vidro e 4 – manilhas, caixas ou tanques de alvenaria.
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Instalações
Quais as características do bebedouro tipo vaso comuni-
cante ou de nível constante?
É formado por um conjunto de be-
bedouros mantidos no mesmo nível e
que se comunicam por um encanamen-
to, alimentado por caixa d’água. Esse
sistema é simples e eficiente, podendo
ser utilizados diversos tipos de recipien-
tes (funis, recipientes plásticos ou metá-
licos).
Qual a melhor localização para os bebedouros?
Os bebedouros devem ser construídos em local de fácil acesso para
os animais e para o tratador. Recomenda-se não colocá-los próximo aos
cochos de volumosos e de sal mineral. Podem ser colocados nos currais de
manejo ou dentro do aprisco ou chiqueiro. Em qualquer das situações, os
bebedouros devem ser protegidos por cercas ou grades, evitando-se dessa
forma que a água seja contaminada com fezes e urina. Outra alternativa é
construir os bebedouros fora das baias.
Os bebedouros podem ser localizados nos piquetes?
Os bebedouros não devem ser colocados nos piquetes porque, ao
beberem no campo, os caprinos não retornam ao aprisco ou chiqueiro, dia-
riamente, dificultando o manejo. Quando localizados nos piquetes, os be-
bedouros podem também servir como fonte de contaminação dos caprinos,
por verminose e outras doenças, pois sua limpeza é de difícil realização.
Como devem ser construídos os tanques ou caixas usados
como bebedouros?
Devem ser construídos de alvenaria, revestidos com cimento e de
superfícies lisas, para facilitar a higienização. Seu tamanho deve ser de
acordo com o número de animais da propriedade, considerando-se que, em
média, um caprino adulto consome cinco litros de água por dia.
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Instalações
Quais os materiais mais recomendados para a construção
de comedouros ou cochos?
Os comedouros ou cochos podem
ser construídos de alvenaria ou madeira
resistente à umidade, como pau-d’arco e
outras madeiras-de-lei.
Quais as dimensões dos comedouros?
Depende do número de animais a serem alimentados. No entanto,
recomendam-se comedouros com 2,00 m de comprimento, 0,30 m de largu-
ra e 0,30 m de altura.
Qual a importância da divisão da propriedade em piquetes?
A existência de vários piquetes ou cer-
cados é importante para permitir a separa-
ção do rebanho em categorias como cabras
recém-paridas, cabritos antes da estação de
reprodução, etc. Melhora a utilização da
pastagem, elevando sua disponibilidade qua-
litativa e quantitativa. Além dessas divisões,
devem existir pequenas áreas, localizadas
próximas ao centro de manejo, utilizadas na forma de capineiras destinadas
à alimentação dos reprodutores ou animais que exijam cuidados especiais.
Em quantos piquetes a pastagem deve ser dividida numa
criação de caprinos?
Considerando que em um rebanho existem pelo menos quatro cate-
gorias de animais, isto é, matrizes, reprodutores, machos e fêmeas desma-
mados, recomenda-se a divisão da pastagem utilizando, no mínimo, um
piquete para cada categoria, além de um para as fêmeas na estação de
parição (piquete-maternidade) e outro utilizado como capineira.
Qual o melhor tipo de cerca para caprinos?
O tipo de cerca depende das necessidades locais, da aptidão dos ani-
mais a serem manejados, do material disponível na propriedade e do custo
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desse material. Tem como principais funções proporcionar um manejo efici-
ente e oferecer proteção aos animais.
Com quantos fios de arame devem ser construídas as cercas
para caprinos?
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Por seu comportamento e indepen-
dentemente da disponibilidade de forra-
gem na área, os caprinos precisam de
meios eficientes de contenção. Portanto,
uma cerca para contê-los necessita ter,
pelo menos, nove fios de arame farpado.
Quando se utiliza cerca elétrica, dois fios
de arame apenas são suficientes.
Qual a importância do piquete-maternidade e onde deve
ser localizado?
O piquete-maternidade tem por finalidade abrigar as fêmeas nos últi-
mos 20 dias de gestação e nos primeiros dias após o parto e deve ser loca-
lizado nas proximidades do centro de manejo, para que todas as fêmeas
nessa fase sejam melhor assistidas pelo tratador.
As instalações podem contribuir para melhorar o desempe-
nho dos caprinos?
Sim. As instalações, quando construídas e utilizadas corretamente,
podem melhorar o desempenho dos caprinos. No entanto, como fator isola-
do, não contribuem para melhorar a produtividade do rebanho. Outros
parâmetros devem ser levados em conta como sanidade, manejo alimentar,
manejo reprodutivo e melhoramento genético.
É verdade que a mortalidade de cabritos é menor quando
manejados em instalações adequadas?
Sim. Os cabritos têm maiores possibilidades de sobrevivência quando
nascem em piquetes-maternidade e são levados para o aprisco imediatamen-
te após o nascimento, onde são protegidos das condições adversas do clima.
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Manejo
 Que fatores devem ser considerados no manejo de caprinos?
Nutrição, saúde, instalações e manejadores são os fatores mais im-
portantes no manejo de caprinos. Cada fator é afetado pelo tamanho do
rebanho e pelas condições da propriedade. Esses fatores, quando inadequa-
damente utilizados, afetam a reprodução e a produção e, conseqüentemen-
te, o desempenho do rebanho.
Como melhorar a eficiência do manejo de caprinos?
Para melhorar a eficiência do manejo, recomenda-se a contratação
de manejadores cuidadosos e bem treinados, com conhecimentos na área
de instalações (cercas, apriscos, cochos e bebedouros),sanidade, reprodu-
ção e alimentação.
Os machos que não se destinam à reprodução devem ser
castrados?
Sim, porque se tornam mais
mansos e podem ser mantidos com
as fêmeas. Além disso, os machos
castrados produzem carne mais
tenra, sem sabor e odor desagra-
dáveis. A ausência da atividade
sexual possibilita melhor aprovei-
tamento dos alimentos e o animal
engorda mais rapidamente.
Com que idade o macho deve ser castrado?
A castração é mais fácil e oferece menores riscos quando o animal é
novo. Recomenda-se a castração entre dois e quatro meses de idade. Nessa
faixa etária a operação é pouco dolorosa e a cicatrização é mais rápida.
A castração deve ser feita nos dias menos quentes, pela manhã.
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Manejo
Quais os métodos de castração mais recomendados para
cabritos?
O método que utiliza o burdizzo é
muito eficiente, não há perigo de hemor-
ragia, não corta, não fere a pele e não
provoca complicações. Esse método age
pelo esmagamento dos cordões esper-
máticos, provocando a degeneração dos
testículos, pela interrupção da corrente
sangüínea. Recomenda-se a participação
de um ajudante para conter o animal. O operador puxa um dos testículos
para junto da bolsa escrotal, coloca a “boca” do burdizzo perpendicular ao
cordão e fecha-o durante um minuto. Em seguida, repete a operação com o
outro cordão.
A castração cirúrgica consiste em efetuar um corte com bisturi, cani-
vete ou faca bem limpa, na parte inferior da bolsa escrotal, suficiente para a
saída do testículo. Em seguida, o testículo é puxado para baixo, juntamente
com o cordão (um de cada vez), que é raspado até seu rompimento total.
Antes da operação, a região escrotal deve ser lavada e desinfetada e trata-
da, em seguida, com solução anti-séptica ou pomada, para evitar ocorrên-
cia de miíase na incisão.
Que manejo sanitário deve ser adotado para cabras, no pe-
ríodo final da prenhez?
De modo geral, no manejo de fêmeas prenhes, deve ser incluído um
bom plano nutricional, a fim de atender as exigências dessa categoria ani-
mal, a higienização e alocação em instalações adequadas. Medidas espe-
cíficas, como vacinações, devem ser realizadas apenas quando do apare-
cimento de enfermidades no rebanho ou região que justifique sua introdu-
ção.
Que medicamentos devem ser dados às cabras após o parto,
quando apresentam sinais de fraqueza e perda de apetite?
A fraqueza e a perda de peso no pós-parto podem ser um reflexo de
deficiência nutricional ou de restrição alimentar durante o período de pre-
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Manejo
nhez, bem como decorrer de doenças específicas que podem surgir logo
após a parição. Para evitar a presença desses sinais, as fêmeas recém-pari-
das devem ser submetidas a um plano nutricional adequado durante toda a
prenhez. Se após a introdução dessas medidas, as cabras recém-paridas
continuarem a apresentar alterações em seu estado de saúde, o criador
deve procurar um médico veterinário, para avaliar a saúde do rebanho e
prescrever um tratamento ou medidas adequadas.
Quais as principais causas de mortalidade de cabritos no
primeiro mês de vida?
As doenças mais freqüentes e as principais causas de mortalidade no
primeiro mês de vida de cabritos estão relacionadas à subnutrição, resulta-
do da negligência ou abandono materno, de enterites, broncopneumonias e
infecções umbilicais.
Em que consiste a assistência ao parto?
Consiste em ajudar a cabra durante a expulsão do feto, limpar restos
placentários e desobstruir as narinas das crias, estimular as funções respira-
tórias e circulatórias, segurando o recém-nascido pelos membros posterio-
res, colocando-o de cabeça para baixo e, se necessário, fazer massagem
no tórax. Deve-se ter o cuidado de lavar as mãos antes de iniciar essas
tarefas.
O que é colostro e qual sua função na vida de cabritos re-
cém-nascidos?
O colostro é o primeiro leite obtido após o parto. Os recém-nascidos
devem ingeri-lo pelos seguintes motivos: estimula a fisiologia do trato
gastrintestinal nas primeiras horas após o nascimento, serve de laxante, fa-
cilitando a eliminação do mecônio, e aumenta a defesa orgânica por meio
de anticorpos.
O colostro pode ser substituído por outro produto?
O colostro é de grande importância; por meio dele a cria adquire imu-
nidade contra as doenças que acometem os recém-nascidos. Os cabritos
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Manejo
devem mamar o colostro logo após o nascimento. Não existe produto capaz
de substituir o colostro com a mesma eficiência. Os substitutos do leite en-
contrados no mercado são ineficientes para os cabritos logo após o nasci-
mento.
Por que é necessário desinfetar o cordão umbilical?
O umbigo funciona como uma por-
ta de entrada para diversas doenças.
Quando não curado logo após o nasci-
mento, permite a entrada de germes, que
penetram no sangue e afetam diversos
órgãos do organismo. As principais
afecções que podem acometer o animal
cujo umbigo não foi tratado são proble-
mas articulares, pneumonias, abscessos no fígado e pulmão, febre e diar-
réia. A desinfeção do umbigo auxilia no processo de cicatrização, dificul-
tando a penetração de micróbios através do cordão umbilical. Logo após o
nascimento do cabrito, deve-se cortar o cordão umbilical com uma tesoura
limpa (desinfetada) a uma altura de dois dedos abaixo do umbigo. Em segui-
da, mergulhar o coto umbilical em solução de iodo a 10%, por 1 a 2 minu-
tos. Repetir esse procedimento por três dias.
Até que idade os cabritos devem ficar retidos no aprisco?
Durante os primeiros 15 ou 20 dias de vida, deve-se manter os recém-
nascidos presos em instalações limpas e arejadas (aprisco ou chiqueiro) que
ofereçam proteção contra ventos fortes, chuvas e frio intenso. Para isso,
recomenda-se colocar uma cerca de 60 cm de altura na porteira do
cabriteiro. Quando os cabritos saltarem essa cerca, estarão aptos a acom-
panhar as mães ao pasto. Essa prática evita o confinamento desnecessário
das crias.
Quando ocorre a desmama natural?
A desmama natural pode ocorrer quando a própria cabra impede que
o cabrito mame, o que, geralmente, acontece após 120 dias, quando o ca-
brito substitui totalmente o leite da cabra-mãe pelas pastagens.
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Manejo
Qual a melhor época do ano para desmamar cabritos?
Considerando a importância da alimentação para os animais, princi-
palmente os jovens, recomenda-se que os cabritos sejam desmamados nos
meses em que haja boa disponibilidade de pastagem. A idade recomendada
situa-se em torno de 112 a 120 dias, devendo os cabritos serem colocados
em piquetes com boa pastagem ou fornecida uma boa suplementação ali-
mentar, para não interromper seu desenvolvimento.
O que caracteriza a unidade animal (UA) na caprinocultura?
Unidade animal ou UA é uma unidade de referência usada para esti-
mar a carga animal ou a lotação de uma pastagem. É uma unidade muito
usada na criação de bovinos e representa um animal adulto com 450 kg. Em
caprinocultura, uma UA representa mais ou menos oito a dez cabras adul-
tas.
Como deve ser feita a identificação dos cabritos?
Nos sistemas tradicionais de cri-
ação, o método de identificação mais
usado são cortes feitos nas orelhas que
representam sinais característicos de
propriedade do caprino. Para um me-
lhor controle do rebanho, recomenda-
se fazer a identificação individual da
cria, com a utilização de brincos plás-
ticos numerados ou outros métodos
como coleiras ou chapas finas de alumínio para gravação do número.
A identificação individual permite o registro de todas as ocorrências na vida
do animal.
Com que idade as crias devem ser separadas por sexo?
As crias devem ser separadas por sexo no momento da desmama.
Essa prática favorece a eficiência reprodutiva do rebanho, evita cobrição
precoce das fêmeas e diminui os riscos de consangüinidade no rebanho.
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Manejo
O que se entende por desmame precoce na exploração de
caprinos?
É a separação definitiva da cria do convívio da mãe. Nesse sistema as
crias são submetidas ao aleitamento artificial, após a fase de colostro (72
horas após o nascimento). Existem relatos de que a separação deve ocorrer
após o sétimo dia de vida.
O desmame precoce é uma prática de manejo recomenda-
da para todos os criadores?
Não. Essa prática só deve ser recomendada para os produtores que
tiverem condições de oferecer aos animais alimentos com valor nutritivo
que possibilite o desenvolvimento normal do animal e que tenham na pro-
priedade áreas cercadas para conter os animais desmamados.
Em que situação o desmame precoce é recomendado?
O desmame precoce é recomendado na exploração de cabras leitei-
ras, tendo como objetivo a produção econômica de leite.
Sim. Existem trabalhos que recomendam administrar o colostro em
mamadeiras até o quinto ou sétimo dia de vida.
Que quantidade de colostro deve ser fornecida à cria?
Em geral, recomenda-se fornecer de 0,50 kg a 0,80 kg/cria/dia, divi-
didos em duas mamadas, durante três dias. Os recém-nascidos que rece-
bem colostro nesse período adquirem imunidade contra as doenças que
costumam acometê-los nessa faixa etária.
No aleitamento artificial,
o desmame pode ser feito
antes de o cabrito mamar
o colostro?
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Manejo
No aleitamento artificial, há necessidade de reajuste na quan-
tidade de leite quando o fornecimento é feito com base no
peso vivo?
Sim. A quantidade de leite fornecida com base no peso vivo requer
um reajuste na quantidade de leite, no mínimo, semanal, até a sétima sema-
na de vida. A partir dessa idade, a quantidade de leite pode permanecer
constante até o desaleitamento.
Quais as vantagens na
adoção do aleitamento
artificial das crias?
O aleitamento artificial possi-
bilita o uso de sucedâneos mais ba-
ratos, liberando o leite de cabra para
o consumo humano, nas diferentes
formas de utilização, nas quais se obtêm cotações mais compensadoras;
permite o controle do consumo individual, facilitando o cálculo do custo de
produção por animal desaleitado, o que pode contribuir para a redução do
custo de produção.
Qual o efeito do desmame precoce sobre a cabra?
O desmame precoce reduz o estímulo da amamentação, contribuin-
do para que a cabra possa antecipar o próximo período de cio, encurtando
conseqüentemente o intervalo entre partos, aumentando assim a eficiência
reprodutiva.
A partir de que idade é aconselhável o fornecimento de con-
centrados e volumosos às crias?
A partir da terceira semana de vida. Com esse procedimento, pro-
move-se o desenvolvimento mais rápido da população microbiana do
rúmen.
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Manejo
No aleitamento artificial, qual a idade mais indicada para o
desaleitamento total das crias?
Existem indicações de que a idade de desaleitamento pode variar
de 35 a 91 dias, levando em consideração, principalmente, o custo de pro-
dução. Entretanto, os sistemas que adotam o desaleitamento entre 56 e
64 dias de idade têm obtido resultados satisfatórios na relação custo/bene-
fício.
Quais as vantagens do aleitamento natural em caprinos?
No aleitamento natural, o cabrito
recebe o leite diretamente da teta da ca-
bra. Mama várias vezes ao dia, em quan-
tidade suficiente, e o leite apresenta sem-
pre temperatura adequada e não é conta-
minado pelo ambiente externo.
Por que se recomenda um bom plano alimentar para as ca-
bras em reprodução?
Quando bem alimentadas, as cabras apresentam um bom desempe-
nho reprodutivo, pelo aumento do índice de natalidade, da percentagem de
partos normais e da produção de leite. Aumenta também o peso dos cabritos
ao nascer e reduz a taxa de mortalidade.
Em que tipo de exploração é mais aconselhável fazer o des-
mame antecipado de cabritos?
O desmame antecipado é uma prática recomendada para os reba-
nhos de produção de carne. Nesses sistemas de produção, quando se utiliza
alto nível de tecnologia, pode-se desmamar os cabritos com idade de 56 a
64 dias. Embora no início ocorra um ligeiro retardamento do crescimento
dos cabritos, este é recuperado posteriormente. Deve-se evitar desmame
muito cedo porque na maioria das vezes a recuperação não é atingida to-
talmente.
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Manejo
O leite da cabra é suficiente para o cabrito ter um bom de-
senvolvimento corporal?
Embora o leite da cabra seja o principal alimento do cabrito, para que
ele atinja todo seu potencial de crescimento precisa receber uma alimenta-
ção complementar à base de volumoso, ração concentrada, minerais e água
de boa qualidade.
A descorna é uma prática recomendada em caprinocultura?
A descorna é recomendada em rebanhos de exploração leiteira, par-
ticularmente em regime de confinamento.
Quais as vantagens da descorna?
Torna o animal menos agressivo, reduz a ocorrência de acidentes pro-
vocados por chifradas, favorece a economia de espaço e facilita o manejo
do rebanho.
Que método de descorna é mais recomendado para
caprinos?
O método de descorna a fogo é o mais econômico e eficiente e
não causa grande estresse aos animais, quando comparado ao método ci-
rúrgico.
Quando deve ser feita a descorna a fogo?214
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Essa prática deve ser feita nos
primeiros dez dias de vida do cabrito
e consiste no corte do botão do chifre,
cauterização com ferro em brasa, por
um período aproximado de dez segun-
dos para cada botão e, em seguida,
a aplicação de repelentes e cicatri-
zantes.
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Manejo
Quais as principais causas de mortalidade de cabritos, do
nascimento ao desmame (112 dias)?
Carência alimentar, principalmente para os animais nascidos durante
a estação seca, em virtude da baixa produção de leite das cabras que pa-
rem nesse período, alta incidência de parasitas gastrintestinais, doenças
respiratórias, ectima contagioso e baixo peso ao nascimento, sobretudo das
crias nascidas de partos gemelares.
Qual a época ideal para o nascimento de cabritos?
Para reduzir a taxa de mortalidade é necessário adotar uma estação
de monta em que o terço final de gestação e o início da lactação não ocor-
ram em período de escassez de pastagem, nem no pique das chuvas. O pro-
dutor deve suplementar as matrizes em lactação para aumentar a produção
de leite, de modo a suprir as necessidades nutricionais dos cabritos.
Por que a pastagem é importante na criação de caprinos?
O uso de pasto na alimentação, sob qualquer forma, é a maneira mais
prática para reduzir os custos de produção na caprinocultura. As pastagens
nas regiões tropicais, de modo geral, possuem alto potencial para a produ-
ção de matéria seca. Contudo, seu grande problema é a estacionalidade de
produção, em função do regime pluviométrico predominante (chuvoso e
seco). Esse efeito pode ser diminuído com o emprego de técnicas de manejo
e conservação de forragens.
Como aumentar o nascimento de cabritos em criação ex-
tensiva?
Aumentando a oferta de alimentos em épocas estratégicas, associada
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ao estabelecimento de estações de mon-
ta dirigida, para fazer coincidir a época
de nascimento com a época de abun-
dância de pasto. Nesse esquema, as
demais atividades de manejo podem ser
disciplinadas e aplicadas em idades
corretas e em épocas do ano mais ade-
quadas.
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O sistema de semiconfinamento pode ser usado para caprino
leiteiro?
Sim. Nesse sistema os animais são manejados nos piquetes de pasta-
gens, geralmente próximos do centro de manejo para onde são recolhidos
à noite, nas horas quentes e chuvosas, onde recebem alimentação suple-
mentar.
O que caracteriza um sistema intensivo de criação?
No sistema intensivo os animais são criados em regime de confinamento
total, recebendo todaa alimentação nos cochos, e tendo à sua disposição
uma pequena área para exercício, denominada solário, podendo ser de chão
batido.
Quais os fatores mais importantes nos sistemas intensivo e
semi-intensivo de exploração?
Entre os fatores mais importantes nos sistemas intensivo e semi-inten-
sivo de exploração da caprinocultura destacam-se a forma de controle do
rebanho associada à implantação e ao manejo das espécies forrageiras adap-
tadas às condições da região, considerando-se a adoção de práticas sanitá-
rias e de reprodução eficazes, bem como instalações adaptadas às condi-
ções ambientais e ao tipo de exploração.
Por que a caprinocultura leiteira no Nordeste ainda é pou-
co difundida?
Porque é uma atividade nova, não consolidada, conseqüentemente
ainda em fase de formação, que requer um nível razoável de tecnologia,
não tendo ainda os produtores absorvido as mudanças necessárias para o
sucesso do setor e, inclusive, porque o mercado ainda se encontra em fase
de formação.
Na exploração de caprinos em confinamento, que alimen-
tação o produtor deve fornecer aos animais?
Além de volumosos à base de gramíneas e leguminosas, o produtor
deve fornecer aos caprinos alimentos concentrados, de acordo com a dis-
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Manejo
ponibilidade da região, e que sejam capazes de atender as exigências
nutricionais, dependendo da finalidade da exploração. Esse critério é reco-
mendado na exploração de cabras leiteiras, bem como na produção de
cabritos em crescimento, reprodutores durante a estação de reprodução,
cabras no terço final de gestação ou em lactação. Deve ser observada a
relação custo/benefício da suplementação.
Em condições de confinamento, pode-se juntar caprinos de
várias idades para o fornecimento de ração?
Não. Para alimentar adequadamente caprinos em confinamento é ne-
cessário separá-los por idade e nível de produção, dispondo-se de instala-
ções espaçosas e suficientes para que as diversas categorias recebam, ao
mesmo tempo, ração na quantidade recomendada.
Em que situação o sistema de criação intensivo é recomen-
dado?
O sistema de confinamento é recomendado para rebanhos de raças
especializadas, cujos animais requerem cuidados especiais ou quando a
área é um fator limitante.
O que é sistema semi-intensivo ou de semiconfinamento?
É aquele em que os animais têm acesso aos piquetes de pastagens du-
rante algumas horas do dia, permanecendo o restante do tempo no centro de
manejo para serem suplementados com forragens, rações e sais minerais.
Para caprinos estabulados, a alimentação diária deve ser
fornecida de uma só vez?
Não. Os alimentos devem ser oferecidos pelo menos três vezes ao
dia, pois à medida que aumenta a freqüência de distribuição aumenta a
ingestão de alimentos, obtendo-se, também, menores perdas.
A deficiência de minerais interfere na produtividade do re-
banho?
Sim. A deficiência de minerais reflete-se negativamente na produtivi-
dade do rebanho, provocando baixa porcentagem de nascimentos, cresci-
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mento retardado, baixa produção de leite, diminuição da resistência às do-
enças, má-formação óssea e até mortes. Portanto, a mineralização é uma
prática importante e imprescindível na atividade pecuária.
Por que os reprodutores devem ficar em local distante das
cabras em lactação?
A baia para reprodutores deve ser projetada em instalação indepen-
dente, distante do aprisco das cabras em lactação ou sala de ordenha, para
evitar que o leite absorva os odores do macho. A baia pode ser individual ou
coletiva, com uma área de 2 a 3 m2 por animal, comunicando-se com uma
área para exercício, de aproximadamente 5 m2 por animal.
Qual o destino das crias na exploração de cabras lei-
teiras?
Os machos devem ser vendidos para o abate com idade em torno de
30 dias, uma vez que possuem carne de boa qualidade e alto rendimento de
carcaça, com boa cotação no mercado. Devem ser mantidos no rebanho os
filhos de cabras de alta linhagem, para serem vendidos como reprodutores,
assim como as fêmeas de reposição.
Como proceder com o rebanho para garantir alta produtivi-
dade?
Utilizar práticas adequadas de manejo, plano nutricional conforme as
exigências animais, complementação alimentar nas épocas críticas,
suplementação mineral, controle sanitário e melhoramento genético por meio
de seleção ou cruzamentos.
Qual o período de vida útil da cabra leiteira?
Normalmente, a cabra alcança a máxima produção de leite entre
3 e 6 anos de idade. Entretanto, uma cabra de boa produção e em estado
normal de saúde pode ser economicamente produtiva até 8 a 10 anos de
idade.
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ção coincidam com a época de maior disponibilidade de forragem.
Qual a importância do leite nos primeiros dias de vida do
cabrito?
Nos primeiros 30 dias de vida, os cabritos alimentam-se quase que
exclusivamente de leite. Na carência do leite o cabrito deve receber leite
de outra fonte, pois seu desenvolvimento normal está estritamente relacio-
nado com a quantidade de leite consumida.
Por que ocorre maior mortalidade dos cabritos nos primei-
ros dias de vida?
Porque as cabras, principalmente as nativas ou sem raça definida
(SRD), têm baixa produção de leite, insuficiente para atender as necessida-
des nutricionais dos cabritos. Além disso, muitos nascem com peso baixo, o
que reduz as possibilidades de sobrevivência.
Quando as cabras produzem mais leite?
As cabras atingem o pico da lactação geralmente aos 50 dias pós-
parto. A partir daí, a produção se reduz progressivamente, principalmente
nas cabras nativas, cuja produção, às vezes, é insuficiente para alimentar
as crias após 90 dias. Para evitar o crescimento retardado, recomenda-se a
inclusão na dieta do cabrito, a partir do décimo dia, de capim verde, ramas,
feno e concentrado, para que as crias tenham a capacidade de sobreviver
apesar da restrição do leite.
Como manter o peso dos caprinos na época de escassez de
forragem?
Algumas práticas de manejo devem
ser adotadas: evitar a superlotação das pas-
tagens, para que haja alimentação sufici-
ente para o rebanho durante todo o ano;
suplementar os animais nas épocas de es-
cassez de forragem; programar a reprodu-
ção das fêmeas para que o terço final da
gestação (45 dias antes do parto) e a pari-
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Manejo
Qual o período de lactação de uma cabra leiteira?
As cabras leiteiras, geralmente, têm um período longo de lactação,
podendo produzir leite o ano todo. Todavia, nos dois últimos meses de pre-
nhez, a lactação deve ser interrompida para que haja a formação de colostro
e para que a cabra possa usar melhor a alimentação nessa fase, em benefí-
cio do próximo parto e da próxima lactação.
Como se deve proceder nas épocas de excesso de produção
de colostro?
O excesso de colostro deve ser congelado e armazenado em tempe-
ratura de -20oC, para atendimento de necessidades posteriores. No momen-
to de ser usado, deve ser descongelado em banho-maria e fornecido aos
recém-nascidos, conforme suas necessidades.
Os caprinos podem ser mantidos com bovinos ou ovinos no
mesmo pasto?
Sim. Os hábitos alimentares dos
caprinos, em condições de pastoreio,
são diferentes dos outros ruminantes,
pois os caprinos têm preferência por
brotos e ramas. Por essa razão, o cria-
dor pode manejar seus caprinos na
mesma área, com bovinos ou ovinos,
sem que haja até certo ponto concorrência pelas mesmas espécies
forrageiras.
O sistema de criação extensivo pode ser recomendado para
caprinos leiteiros?
Não. O melhor sistema para caprino leiteiro é o intensivo, onde os
animais ficam totalmente confinados (no aprisco). Em algumas situações
pode ser recomendado o semi-intensivo.
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Manejo
Como selecionar uma cabra produtora de leite?
Em primeiro lugar, deve-seesco-
lher a raça ou o tipo racial que melhor
se adapte à região e, em seguida, co-
nhecer a quantidade de leite produzida
e a duração da lactação das cabras
selecionadas para comporem o rebanho.
As cabras com período curto de
lactação, mesmo sendo altas produtoras,
não devem ser selecionadas.
Como fazer o descarte orientado no rebanho caprino?
Eliminando-se os animais portadores de defeitos físicos ou malforma-
ções e que tenham filhos com tais características, animais de baixa produti-
vidade, assim como cabras com baixa habilidade materna.
Quais os defeitos físicos que justificam o descarte de ani-
mais do rebanho?
Taras genéticas como prognatismo e agnatismo (projeção anormal dos
maxilares), hérnias, intersexo (animais portadores de órgãos sexuais mas-
culinos e femininos), criptorquidismo uni ou bilateral (testículos localizados
dentro da cavidade abdominal) e anorquia escrotal (ausência dos testícu-
los). Também recomenda-se eliminar os portadores de inflamação dos testí-
culos (orquite crônica e epididimite crônica), fêmeas portadoras de mastite
crônica e que apresentem abortos e partos distócicos reincidentes.
Que fatores devem ser considerados para a obtenção de
carne de boa qualidade?
Castrar os machos com 2 a 5 meses de idade, abater animais com
idade de 8 meses e que estejam em bom estado nutricional e adotar medi-
das de higiene no abate.
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A temperatura de caprinos pode variar em função das con-
dições ambientais?
Sim, os caprinos expostos a fortes ventos têm temperatura mais baixa
do que os contidos em aprisco. Os caprinos expostos ao sol apresentam
temperatura mais elevada do que os mantidos à sombra. Os submetidos a
exercícios também apresentam elevações da temperatura em relação aos
animais em repouso. Por essas razões, a temperatura deve ser tomada le-
vando-se em conta a situação em que se encontra o animal.
Qual a temperatura normal de uma cabra?
A temperatura corporal de uma cabra varia de 37oC a 40oC, sen-
do em média de 39,5oC. Acima dessa temperatura, o animal pode estar
febril.
Que fatores contribuem para a diminuição da produção de
caprinos?
Muitas são as causas responsáveis pelos baixos índices produtivos de
caprinos, entre as quais podem ser mencionadas as enfermidades infeccio-
sas e parasitárias, o manejo inadequado do rebanho, as secas sucessivas,
que provocam a redução da disponibilidade quantitativa e qualitativa das
pastagens, e a baixa qualidade do rebanho.
Quais os efeitos da alimentação inadequada nos animais
jovens?
Quando não recebem ali-
mentação adequada, os animais
jovens tornam-se fracos, têm
crescimento lento, atingem a ida-
de adulta com peso inferior à mé-
dia da raça, retardam a idade de
reprodução e têm baixo valor
quando destinados ao abate.
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Quais as recomendações técnicas para o abate de caprinos?
Os animais destinados ao abate devem estar sadios, descansados e
em jejum de 12 horas. O abate deve ser realizado em abatedouros apropri-
ados ou em lugares rigorosamente higiênicos. Durante a retirada da pele
deve-se evitar o contato das mãos sujas do operador e da própria pele com
a carcaça, para evitar a transferência de odores para a carne. Após a retira-
da das vísceras, a carcaça deve ficar suspensa, de preferência na sombra,
caso não seja destinada ao consumo nas próximas 12 horas, devendo ser
conservada a uma temperatura de 5oC a 7oC.
Quando devem ser comercializados os caprinos destinados
à produção de carne?
A comercialização deve ocorrer quando os caprinos atingirem peso
vivo igual ou superior a 20 kg, para que a pele seja classificada como de
primeira.
Quais os cuidados na adaptação dos caprinos quando trans-
feridos para outra região?
Ao serem transportados para outra região, os caprinos precisam rece-
ber cuidados especiais, principalmente no período de adaptação, porque as
diferenças de clima entre as regiões geralmente constituem sérios obstácu-
los para sua exploração. Além do clima, a alimentação também pode preju-
dicar a exploração. Para evitar mudanças bruscas e transtornos gástricos
nos animais, o produtor deve fornecer, inicialmente, uma alimentação simi-
lar à consumida em sua região de origem, fazendo-se a substituição gradu-
almente até a completa adaptação.
O que é controle leiteiro e qual sua importância?
É a pesagem do leite das cabras
durante o período de lactação, com a fi-
nalidade de computar a produção total.
Pode ser feito diariamente, semanalmen-
te ou quinzenalmente. É por meio do con-
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trole leiteiro que se selecionam as matrizes de melhor desempenho para
comporem o rebanho de produção na caprinocultura de leite.
Por que caprinos estabulados precisam de pequenos pique-
tes para exercício?
Porque ao serem estabulados em pequenas áreas suas unhas crescem
excessivamente e de forma irregular, em decorrência do pouco exercício.
Ao longo do tempo, os animais sentem dificuldade em caminhar, desequili-
brando-se facilmente e podem cair, quando precisam correr. Os piquetes
para exercício proporcionam aos animais movimentação mais freqüente,
evitando o crescimento irregular dos cascos e mantendo os animais mais
dispostos aos deslocamentos necessários.
Por que as cabras leiteiras necessitam de complementação
alimentar quando criadas em regime de pasto?
Porque os caprinos, em sua grande maioria, incluindo as cabras leitei-
ras, são criados em pastagem nativa, geralmente de baixo valor nutritivo.
Quando mantidos em pastagem cultivada, quase sempre, essa pastagem
não recebe as condições de manejo recomendadas, proporcionando ao
animal quantidades insuficientes de nutrientes para atender às necessida-
des requeridas pela cabra na produção de leite.
Qual o melhor sistema de criação para cabras leiteiras?
O sistema de confinamento tem sido utilizado com muita freqüência
para caprinos leiteiros, pelo fato de localizar-se preferencialmente em pe-
quenas áreas próximas às grandes cidades (centros consumidores), onde a
disponibilidade de área é um fator limitante. Nessas condições, o produtor
pode utilizar pequenas áreas e manter rigorosamente o controle dos ani-
mais, tendo em vista sua permanência no aprisco o dia todo, com pequenas
áreas destinadas a exercício.
O excesso de umidade pode interferir negativamente na pro-
dução de caprinos?
Sim. Para se obter bons resultados na exploração de caprinos, reco-
menda-se evitar a utilização de áreas com alta umidade, que afeta os ani-
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mais pela redução do tempo de pastejo, pela quebra de resistência contra
algumas doenças e pelo aumento da contaminação por helmintos.
O que fazer com o esterco acumulado nas instalações?
O esterco não deve ficar amontoado nas instalações porque pode pre-
judicar a saúde dos animais. Deve ser retirado e acumulado na esterqueira
e posteriormente ser vendido ou distribuído nas áreas de cultivo.
Durante o processo de esfola dos caprinos, quais os princi-
pais cuidados para se obter pele de boa qualidade?
Ao se iniciar a esfola, deve-se riscar o animal simetricamente e longi-
tudinalmente pela parte ventral. Fazer a esfola à mão, com auxílio de uma
faca sem ponta para evitar que a pele seja perfurada, mantendo sempre o
animal suspenso pelos pés. Deve ser retirado o excesso de gordura e fazer
a lavagem das peles com água fria, logo após a esfola.
Na exploração de cabras leiteiras recomenda-se a cobrição
de todo o rebanho no mesmo período?
Não. Recomenda-se dividir o rebanho em dois grupos, para assegurar
uma produção de leite constante durante todos os meses do ano, o que
requer a cobrição dos grupos em períodos diferentes do ano.
Como organizar a comercialização da carne caprina?
Por meio da instalação de matadouros municipais por grupos de pro-
dutores organizadosna forma de associações ou cooperativas. Esse sistema
regulariza a oferta, melhora a qualidade do produto e valoriza o produtor.
A produção de carne caprina no Nordeste é considerada
baixa?
Não. A maior parte da carne caprina produzida na região ainda é
consumida na zona rural, onde as estatísticas têm pouco poder de alcance,
dando a impressão de baixa produção. No entanto, a carne caprina repre-
senta uma das principais fontes de proteína para a maioria da população
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rural, reconhecendo-se nos caprinos uma grande importância sócio-econô-
mica no Nordeste, principalmente na região semi-árida.
Quais os principais produtos derivados do leite de cabra?
Além dos derivados utilizados na alimentação como queijo, mantei-
ga, iogurte e doces, o leite de cabra é usado largamente na fabricação de
cosméticos como xampus, condicionadores, loções, cremes faciais e sabo-
netes.
Como melhorar a produtividade dos caprinos criados de
forma extensiva?
A baixa produção dos caprinos criados extensivamente é atribuída
principalmente à nutrição deficiente, em conseqüência da estacionalidade
na produção de forragem, durante o período seco. Para melhorar a produti-
vidade, recomenda-se melhorar a pastagem nativa pelo emprego de
raleamento ou de introdução de plantas arbóreas/arbustivas adaptadas à
região, de aumento da disponibilidade de forragem para o período seco e
de melhoria do sistema de manejo e do controle sanitário.
O que caracteriza o baixo desempenho produtivo dos
caprinos?
O baixo desempenho produtivo dos caprinos é caracterizado pela alta
taxa de mortalidade, principalmente de crias, baixo índice de prolificidade,
baixo peso e elevada idade de abate e longo intervalo entre partos.
Qual o tipo de animal indicado para o pequeno produtor
iniciar uma criação de cabras de leite?
O pequeno produtor deve optar por cabras mestiças oriundas do cru-
zamento de caprinos de raça nativa com os de raças exóticas leiteiras. Essa
mestiçagem vem sendo adotada com o objetivo de aumentar a produção de
leite e o porte dos animais, mantendo a rusticidade do rebanho.
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A época de nascimento pode influenciar no crescimento dos
caprinos?
Sim. Os efeitos da época de nascimento podem ser relacionados com
as condições de clima e disponibilidade de alimentos, refletindo-se no cres-
cimento do animal. Por isso, recomenda-se programar a concentração dos
nascimentos nos meses em que existe alimentação abundante e de melhor
qualidade.
O peso do cabrito, ao nascer, tem alguma relação com o
peso do animal adulto?
Sim. O peso ao nascer é um fator importante na avaliação do desem-
penho dos animais dentro de uma raça, em certas condições. Tem importan-
te função no ganho de peso e, conseqüentemente, no peso em idades futu-
ras. De maneira geral, os cabritos mais pesados ao nascer são também os
mais pesados ao desmame e na idade de abate.
Quais os cuidados básicos na criação de caprinos?
Fornecer aos animais suplementação alimentar, utilizar pastagem
cultivada de boa qualidade nos períodos de carência, fazer vermifugações
estratégicas e suplementação mineral.
Como devem ser os piquetes destinados ao manejo das ca-
bras em lactação?
As cabras em lactação devem ser mantidas em piquetes de fácil aces-
so e próximos ao centro de manejo, reduzindo as caminhadas, evitando
perdas desnecessárias de energia. Os piquetes devem ter água de boa qua-
lidade, boas cercas para evitar a entrada de animais estranhos e serem
sombreados para proteger as cabras no período de calor, pois o aumento de
temperatura reduz o consumo de alimentos e a produção de leite.
Qual o tipo de exploração recomendado para as pequenas
áreas?
Nas pequenas áreas, localizadas próximas aos centros consumido-
res, recomenda-se criar cabras leiteiras, adotando o sistema de criação inten-
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sivo. Nesse sistema, os animais recebem alimentação nos comedouros e
têm apenas uma pequena área para exercício.
Que manejo deve ser recomendado para evitar o nascimen-
to de cabrito com peso abaixo da média?
Vários trabalhos têm comprovado que o peso ao nascer interfere na
taxa de sobrevivência de cabritos. Para evitar o nascimento de cabritos
com peso muito baixo, deve-se fornecer às cabras, na fase de pré-parto,
alimentação de boa qualidade e manter o rebanho em boas condições sani-
tárias.
Que animais devem ser comercializados anualmente?
Em qualquer propriedade, devem ser comercializados anualmente os
machos castrados, com peso de carcaça acima de 10 kg, cabras velhas,
machos e fêmeas portadores de defeitos físicos, inférteis e animais exce-
dentes.
A exploração de mestiços anglonubianos (anglonubiano x
nativo) é recomendada para o Nordeste?
Sim. Esses mestiços adaptam-se melhor às condições do Nordeste
do que os puros da raça Anglonubiana, mais exigentes em alimentação.
As raças nativas são resistentes, porém de pequeno porte, e precisam ser
melhoradas para aumentar o tamanho da carcaça. A produção desses mes-
tiços no Nordeste é uma alternativa viável para aumentar a oferta de carne
no mercado.
Os cabritos mestiços são mais exigentes do que os nativos?
Quando é feito o cruzamento entre as raças nativas com as exóticas,
os cabritos da primeira geração (1/2 sangue) nascem mais exigentes, em
decorrência das exigências da raça exótica. Nesse caso, a produção de
leite da cabra nativa é insuficiente, sendo necessário o fornecimento adici-
onal de leite, para complementar a dieta alimentar do cabrito.
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Qual o ganho de peso diário de caprinos criados em pasta-
gens nativas?
Os caprinos de raças nativas e os sem raça definida (SRD) apresen-
tam baixa taxa de ganho de peso (em torno de 60 g/dia) quando criados em
pastagens nativas. Por essa razão, o abate é retardado até os 15 meses de
idade, aproximadamente.
Quais os principais cuidados com as peles logo após a
esfola?
Imediatamente após a esfola, deve-se fazer a lavagem da pele com
água (lado do pêlo e o interno) para a remoção de sangue e de outras sujei-
ras que ficam aderidas. Recomenda-se a retirada de restos de carne e de
gordura presos à parte carnal e das partes não aproveitadas pelo curtume,
ou seja, pele da cabeça até a metade do pescoço, das patas, do saco escrotal
e das tetas.
Qual a importância econômica da pele caprina?
A pele de caprinos constitui uma renda auxiliar para o produtor e uma
fonte geradora de divisas para o País, tendo em vista sua grande demanda
nos mercados interno e externo.
Quais os principais fatores responsáveis pela depreciação
da pele caprina?
Quando manejada adequadamente, a pele caprina apresenta alta qua-
lidade. Entretanto, diversos fatores podem causar sua depreciação e resul-
tar em enormes prejuízos. Os principais fatores que depreciam a pele caprina
são: a) antes do abate – provocados por sarnas (bexigas), mal-do-caroço,
por perfurações de arame farpado, de espinhos e por injeções aplicadas em
locais impróprios; b) durante o abate e esfola – veiamento, restos de tecidos
ou gordura que ficam aderidos à pele e cortes por facas pontiagudas usadas
na esfola; c) durante o processo de conservação – representados por seca-
gem excessiva, marcas de varas, manchas de fermentação e ardimento.
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Quais os principais usos da
pele caprina?
A pele caprina é utilizada na fabri-
cação de vários produtos manufaturados
de alto valor comercial como vestuários,
calçados, luvas, bolsas e artesanatos.
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Qual a vantagem do preparo da área para o plantio?
Recomenda-se, inicialmente, fazer a análise de fertilidade do solo.
Caso necessário, aplicar o calcário com antecedência de pelo menos 30
dias em relação ao plantio. Realizar uma aração e uma gradagem cruzada.Na véspera do plantio, aplicar os adubos necessários e fazer nova gradagem
para incorporá-los ao solo.
O bom preparo da área favorece a infiltração da água e a aeração do
solo, servindo também para diminuir a ocorrência de plantas invasoras.
A calagem e a adubação melhoram a oferta de nutrientes para as plantas,
favorecendo, portanto, o seu crescimento e a produção de forragem
Qual a importância de uma capineira?
A capineira constitui uma fonte de
alimentação volumosa de boa qualida-
de para utilização durante todo o ano,
mas requer um manejo cuidadoso. Aju-
da a reduzir os custos da alimentação
de caprinos, principalmente nos reba-
nhos produtores de leite.
Qual a principal forrageira utilizada na formação de uma
capineira?
É o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum.). Existem muitas
variedades de capim-elefante, sendo as mais conhecidas a Napier, Cameron
e Mineirão.
Quais as espécies mais recomendadas na formação de pas-
tagem cultivada para caprinos?
Das espécies forrageiras mais recomendadas atualmente para pastejo
de caprinos, citam-se as gramíneas capim-andropógon, rio-de-janeiro, ca-
pim-braquiarão, búfel cv. Aridus e capim-elefante-anão (dependendo das
condições ambientais e de manejo). Entre as leguminosas, destacam-se a
leucena, guandu e cunhã.
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Qual o local e o tipo de área recomendados para a implan-
tação da capineira?
É recomendável que a área de formação da capineira fique próxima
ao centro de manejo ou do local onde a forragem vai ser fornecida aos
animais. A área deve ser plana, com solo profundo, bem drenado e favorá-
vel à mecanização.
Por que o capim-andropógon é recomendado para caprinos?
Porque é tolerante à seca, tem alto potencial para produzir forragens
e sementes, não causa problemas de fotossensibilidade, é pouco atacado
pela cigarrinha e apresenta boa aceitação pelos caprinos.
Como o produtor pode reduzir o custo da implantação da
pastagem cultivada?
Geralmente a formação de pastagem é uma prática pouco utilizada,
principalmente pelos pequenos produtores, devido aos altos custos de im-
plantação. Para diminuir esses custos recomenda-se, quando possível, o
plantio em consórcio com culturas alimentares.
Qual a época recomendada para o plantio das pastagens?
Para garantir a implantação de uma pastagem, deve-se fazer a seme-
adura ou o plantio em pleno período chuvoso, porque no início das chuvas
pode ocorrer estiagem, prejudicando a germinação das sementes ou cau-
sando a morte das plantas jovens, por falta de umidade no solo. No final das
chuvas, também não se recomenda a semeadura ou plantio, porque a umi-
dade do solo pode ser insuficiente para o estabelecimento da pastagem.
O pau-ferro ou jucá pode ser cultivado para a alimentação
de caprinos?
Sim. O pau-ferro é uma planta xerófila de importância na alimenta-
ção de caprinos, principalmente na época seca, quando a maioria das plan-
tas que compõem a dieta dos animais está desfolhada. Trata-se de uma
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forrageira perene de boa capacidade de rebrota na época seca, mantendo
sua folhagem em qualquer época do ano.
Como preparar as mudas de pau-ferro?
O plantio das sementes para formação de mudas é feito em sacos de
polietileno preto, perfurados, medindo 15 cm x 6,5 cm. O substrato para o
enchimento dos sacos é composto de três partes de terra vegetal e uma
parte de esterco de curral bem curtido. Para cada metro cúbico do substrato,
misturar 2 kg de superfosfato simples e 1 kg de cloreto de potássio. Plantar
três a quatro sementes em cada saco e molhar diariamente.
Como fazer o plantio de mudas de pau-ferro?
Após o preparo da área, abrem-se as covas no espaçamento de
1,0 m x 0,5 m ou de 1,0 m x 1,0 m realizando adubação fosfatada e potássica
na quantidade de 30 g da mistura por cova. Em seguida, faz-se o plantio da
muda, depois da retirada do saco de plástico. O plantio deve ser feito de
preferência em época de pleno período chuvoso, para garantir a sobrevi-
vência das plantas.
As sementes de pau-ferro germinam facilmente?
Não. As sementes de pau-ferro, como a maioria das leguminosas, apre-
sentam dormência, isto é, casca dura, o que dificulta a germinação. Existem
maneiras práticas de quebrar a dormência das sementes como imersão em
água quente (80oC) durante cinco minutos, escarificação com lixa e imersão
em água à temperatura ambiente durante 48 horas.
Como fazer inoculação em sementes?
A inoculação em sementes consiste em dissolver o inoculante, espe-
cífico para cada leguminosa, em água e misturar com as sementes já
escarificadas, até a formação de uma película em volta das sementes, e a
seguir secar à sombra.
É necessário inocular sementes de leucena?
As plantas de leucena, a exemplo das leguminosas, de modo geral,
desenvolvem em seu sistema nódulos radiculares constituídos de bactérias.
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Essas bactérias vivem em simbiose com as raízes e são capazes de retirar o
nitrogênio do ar atmosférico e incorporá-lo ao solo. Portanto, a formação
dos nódulos e, conseqüentemente, a fixação do nitrogênio, na leucena ou
em outra leguminosa, só é possível quando existe a bactéria no solo ou pela
inoculação da bactéria nas sementes.
A Brachiaria decumbens pode ser utilizada como alimento
exclusivo?
Apesar de ser uma forrageira de boa qualidade, não deve ser utiliza-
da como alimento exclusivo, porque provoca o aparecimento de
fotossensibilização, principalmente nos caprinos jovens. É necessário o con-
sumo de outra(s) forrageira(s) associada(s) ao da braquiária.
Como melhorar a capacidade de suporte das pastagens na-
tivas?
Eliminando as plantas inaproveitáveis na dieta alimentar dos caprinos
e introduzindo espécies forrageiras adaptadas à região e de boa aceitação
pelos animais. É de grande importância a preservação das plantas nativas
apreciadas pelos caprinos, especialmente as leguminosas, arbustivas ou
rasteiras.
Qual a vantagem em subdividir as pastagens?
A subdivisão das pastagens é benéfica para o pasto e para os animais,
resultando em melhor utilização das forrageiras e melhor manejo dos ani-
mais.
O que é taxa de lotação?
É o número de animais por unidade de área. Constitui o fator mais
importante no manejo da pastagem.
O que o produtor deve fazer para evitar a degradação das
pastagens?
Utilizar a taxa de lotação adequada é o primeiro passo, mas também
é muito importante o controle das invasoras, a adubação e o descanso do
pasto.
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O que é pressão de pastejo?
É o número de animais por quilo-
grama de forragem disponível em uma
área. Embora essa relação proporcio-
ne melhor indicação do alimento dis-
ponível aos animais do que a taxa de
lotação, sua determinação é bem mais
complicada.
O que é capacidade de suporte?
É o número de animais que uma pastagem pode suportar, sem prejudi-
car a disponibilidade quantitativa e qualitativa de forragem. É a taxa de
lotação ótima.
Qual a capacidade de suporte para as pastagens nativas?
A capacidade de suporte depende de cada tipo de pastagem. No Nor-
deste, considera-se uma lotação de 1,50 ha/cabra/ano, incluindo o cabrito
até 112 dias de idade (desmame).
Quando os animais devem ser retirados de um piquete de
capim-colonião?
Os caprinos devem permanecer no piquete de capim-colonião até as
plantas serem reduzidas a uma altura entre 20 e 30 cm, quando praticamen-
te todas as folhas foram consumidas.
Como devem ser utilizadas as pastagens recém-formadas?
As pastagens recém-formadas devem ser utilizadas com muito cuida-
do, colocando-se um número de animais inferior à sua capacidade de su-
porte, para que as plantas possam rebrotar facilmente e manter seu cresci-
mento normal.
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Qual é o intervalo entre cortes recomendado para as
capineiras?
O corte deve ser feito no momento em que a planta apresentar eleva-
da produção e alto valor nutritivo. O intervalo de corte é variável, depen-
dendo da espécie e da umidade e fertilidade do solo.
Qual o período máximo de pastejo recomendado?
Cada tipo de pastagem tem seu período próprio de pastejo, devendo-
se, por essa razão, utilizar a pastagem de forma a evitar que os animais
iniciem o consumo dos rebrotes. Para tal, recomenda-se dividir a área em
piquetes e controlar a taxa de lotação, para que a pastagem seja consumida
uniformemente.
Quando deve ocorrer o primeiro pastejo em pastagem re-
cém-formada?
A maioria das pastagens recém-formadas pode ser pastejada por volta
dos 120 dias da semeadura ou plantio. Esse período, no entanto, depende da
espécie da planta, da fertilidade e da umidade do solo.
Qual o período de descanso de uma pastagem?
O período de descanso recomendado varia com o tipo da pastagem,
com a época do pastejo, com a fertilidade do solo e com a intensidade de
utilização do pasto. Em gramíneas, no período chuvoso, pode-se recomen-
dar um descanso em torno de 40 dias, caso a desfoliação não tenha sido
muito acentuada. No período seco, praticamente não há rebrotação ou cres-
cimento do pasto, mesmo quando o descanso é prolongado.
Qual o prejuízo à pastagem quando ocorre superpastejo?
Quando ocorre superpastejo em uma
área, verifica-se que as espécies forrageiras
mais consumidas vão se debilitando e de-
saparecendo gradativamente, favorecendo
o aparecimento de ervas invasoras, que vão
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competir por nutrientes, água e luz com a pastagem em degradação. Se
persistir o superpastejo, as pastagens desaparecem totalmente.
Como devem ser manejadas as pastagens?
Para melhor utilização e perenidade das pastagens, deve-se manejá-
las de acordo com a disponibilidade de forragem, o que trará benefícios
também aos animais. No período de crescimento das plantas (produtivo)
aumenta-se a taxa de lotação na área, reduzindo-a no período de escassez
de pasto (período seco).
Como utilizar corretamente uma pastagem?
Utilizar a taxa de lotação adequada para evitar desperdício ou a
superutilização do pasto; definir o sistema de pastejo; ajustar o número e o
tamanho dos piquetes para se obter um eficiente pastejo e um bom manejo
dos animais; utilizar sempre a pastagem na época adequada.
O subpastejo (subutilização das pastagens) é uma prática
recomendável?
Não. A subutilização de uma pastagem é uma prática inadequada,
pois favorece o aumento do teor de fibra da pastagem, tornando-a pouco
nutritiva, de baixa digestibilidade e pouco aceita pelos animais, além de
reduzir sua capacidade de rebrotação.
Qual a capacidade de suporte de uma pastagem bem for-
mada ?
Em uma pastagem bem formada, com disponibilidade quantitativa e
qualitativa de forrageiras, pode-se colocar de oito a dez cabras com cria ao
pé, por hectare/ano.
O que é fenação?
A fenação é um processo utilizado na conservação das forragens ba-
seado na desidratação e armazenamento de forma adequada.
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Manejo Alimentar
Quais as forrageiras indicadas para fenação?
Embora não existam forrageiras específicas para fenação, o material
a ser utilizado deve ser adaptado às condições ambientais, possuir estrutura
morfológica de forma a facilitar a perda de umidade, baixa perda de folhas,
alta produção de massa verde, palatabilidade e valor nutritivo médio ou
alto. As leguminosas forrageiras, em geral, são as que produzem os melho-
res fenos. As gramíneas, quando bem manejadas, podem produzir fenos de
boa qualidade, dependendo da espécie, da época de fenação e do tipo de
armazenamento. Para as regiões tropicais do Brasil, podem ser utilizados
para fenação os capins jaraguá, pangola, coast- cross, tifton, estrela, etc., e
as leguminosas leucena, guandu, cunhã-siratro, centrosema, estilosante etc.
Para as áreas subtropicais ou temperadas, podem ser utilizadas as gramíneas
azevém, centeio, festuca, aveia e as leguminosas alfafa, soja perene,
cornichão, ervilhaca, trevo-branco, trevo-vermelho, etc. É importante es-
colher para cada local as forrageiras mais adaptadas
O feno-de-cunhã é uma boa alimentação para caprinos?
Sim. O feno-de-cunhã é considerado uma das melhores alternati-
vas para os criadores suplementarem seu rebanho, especialmente na época
de escassez de alimento, que ocorre com freqüência na região semi-árida
nordestina, onde o regime alimentar básico dos caprinos é a pastagem
nativa.
Quais as desvantagens da cunhã como produtora de feno?
A cunhã é exigente em fertilidade e umidade do solo, e apresenta
grande perda de folhas, se o tempo de exposição ao sol, no processo de
fenação, for muito prolongado.
Qual a melhor época para fenar as plantas forrageiras?
A melhor época para fenar as plantas forrageiras é o momento em que
se obtém a melhor combinação entre produtividade e valor nutritivo, o que
geralmente ocorre no início da floração.
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Manejo Alimentar
Qual a importância da fenação?
O feno é um recurso muito importante para os animais e de custo
relativamente barato. No entanto, seu valor para os animais depende de
suas qualidades nutritivas, o que está relacionado, principalmente, à época
de corte e a técnicas de preparo.
Como proceder no preparo do feno?
Corta-se e espalha-se a forragem
no solo, revirando-a pelo menos três
vezes ao dia, para se obter murcha
uniforme. A duração da operação de-
pende da temperatura e da umidade
do ambiente. A murcha ideal é aque-
la em que a planta forrageira mantém
coloração verde clara, cheiro agradá-
vel e não se apresenta quebradiça ou
com muita umidade.
O feno da rama de mandioca pode ser usado na alimenta-
ção de caprinos?
Sim. Trabalhos de pesquisas têm demonstrado a viabilidade do uso do
feno da rama de mandioca na alimentação dos caprinos, em virtude de seu
alto teor de proteína bruta.
Como preparar o feno da rama de mandioca?
Além do corte na época mais adequada, é necessário observar alguns
cuidados como picar, revirar, secar e armazenar. O material deve ser pica-
do em pedaços de aproximadamente 2 cm e deixado ao sol até ficar com-
pletamente seco, sendo periodicamente revirado. Deve-se evitar que o
material receba chuvas e que perca folhas. Após a secagem, o feno deve
ser armazenado em lugar fresco e seco.
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Como a parte aérea da mandioca deve ser usada na alimen-
tação de caprinos?
A parte aérea da mandioca (folhas e ramos) apresenta alto valor nutri-
tivo e boa aceitação pelos animais. Os ramos da mandioca mansa podem
ser fornecidos sem problemas de intoxicação, bastando, para isso, picar e
distribuir nos cochos. A mandioca brava só pode ser fornecida após um
período de 24 horas de murchamento, para eliminar o ácido cianídrico que
é uma substância tóxica.
O mata-pasto produz bom feno para caprinos?
O mata-pasto, planta invasora pouco consumida quando verde, é bem
aceito pelos caprinos quando fenado, principalmente durante o período de
escassez de forragens. Além disso, seu valor nutritivo é elevado, com teor
de proteína em torno de 18% quando a planta é fenada no início do
florescimento.
Qual a importância do feno de leucena para os caprinos?
Além do feno de leucena apresentar alta palatabilidade, é rico em
proteína bruta (18% a 24%, na matéria seca), cálcio e fósforo, quando com-
parado com os fenos de gramíneas.
Qual a composição básica da dieta alimentar dos caprinos
nas épocas chuvosa e seca?
Durante a época chuvosa, as plantas arbustivas e herbáceas constitu-
em a maior parte da forragem consumida pelos caprinos. Durante o período
seco, a quantidade e a disponibilidade da forragem diminueme a dieta
alimentar dos caprinos é composta, basicamente, de folhas caídas das árvo-
res e dos arbustos.
Qual é a preferência dos caprinos
em pastagem com gramíneas e
leguminosas?
Quando em pastejo em área de pastagem
consorciada, os caprinos apresentam prefe-
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rências pelas plantas arbustivas e herbáceas de folhas largas. No entanto,
aceitam bem as gramíneas, principalmente quando novas ou quando as
plantas arbustivas e herbáceas de folhas largas são escassas.
Como a subnutrição interfere na vida reprodutiva dos
caprinos?
Reduzindo a taxa de crescimento, atrasando o início da fase
reprodutiva, aumentando o intervalo entre partos e produzindo cabritos com
baixo peso e conseqüentemente com menor capacidade de sobrevivência.
Por que os cabritos recém-nascidos devem mamar várias
vezes por dia?
Para evitar a ingestão de grandes quantidades de leite em cada ma-
mada, que pode acarretar o surgimento de diarréia. Esta, quando não con-
trolada, pode causar perda de peso no animal e, inclusive, a morte.
Pode ser usado leite de vaca no aleitamento do cabrito?
Sim. Quando as cabras de baixa produção de leite têm partos duplo
ou triplo, geralmente a quantidade de leite produzida não é suficiente para
alimentar os cabritos. Nesse caso, é necessário completar a dieta do cabrito
utilizando leite de vaca aquecido a 38oC. Essa mesma recomendação deve
ser seguida para crias que perdem a mãe ou que são rejeitadas.
O aleitamento artificial pode ser recomendado para caprinos
leiteiros?
Sim. O aleitamento artifical é uma prática bastante utilizada e ofere-
ce ao produtor maior rendimento no sistema de exploração.
Visando antecipar o desmame, a partir de que idade os ca-
britos devem ter forragem à sua disposição?
Aconselha-se fornecer forragem aos cabritos a partir do 100 dia de
idade. Com esse procedimento, o rúmen se desenvolve muito mais cedo,
favorecendo o desmame precoce e a redução dos custos com aleitamento.
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Qual a quantidade de forragem suficiente para alimentar
uma cabra?
Em geral, nas regiões tropicais, uma cabra consome cerca de 10% de
seu peso vivo em forragem verde ou de 3% a 5% de forragem seca.
Qual a quantidade diária de água consumida por um
caprino?
A quantidade de água consumida por um caprino durante um dia va-
ria com a temperatura ambiente e a dieta alimentar oferecida. Quando o
dia é quente e a alimentação é seca, o consumo diário pode chegar a dez
litros. Nos dias frios e com alimentação verde, o consumo baixa considera-
velmente, podendo reduzir-se a dois litros diários.
A utilização de pastagem cultivada pode melhorar a produ-
ção de caprinos?
Sim. Entre as inúmeras alternativas para se obter um incremento na
produção de caprinos, destaca-se a utilização de pastagens cultivadas. Essa
prática aumenta significativamente a disponibilidade de alimentos para o
rebanho. Entretanto, os produtores têm dado pouca importância a seu uso.
A alimentação adequada pode aumentar a eficiência
reprodutiva dos caprinos?
Sim. Quando recebem alimentação adequada, as cabras aumentam
consideravelmente a eficiência reprodutiva bem como a produção de leite
em relação às que recebem um plano nutricional médio ou baixo.
Por que a superalimentação não é recomendada para
cabra?
A superalimentação da cabra não é recomendada porque, além de
ser uma prática antieconômica, é prejudicial à saúde e à produtividade,
diminui os índices de fecundação, podendo provocar auto-intoxicação.
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A alimentação insuficiente afeta a reprodução?
Sim. Está demonstrado em trabalhos científicos que a deficiência ali-
mentar atrasa, em todas as espécies, o início da puberdade. No macho,
provoca alterações na mortalidade dos espermatozóides, diminui o volume
do ejaculado e a capacidade de fecundação. E na fêmea, reduz o índice de
partos.
É necessário suplementar as cabras leiteiras durante a
lactação?
Sim. É importante concentrar a época da parição na estação de maior
produção das pastagens. No entanto, para aumentar a produção de leite por
cabra, é necessário fornecer suplementação, qualquer que seja a época do
ano em que ocorra a parição.
Qual a alimentação adequada para cabras leiteiras?
A alimentação para cabras leiteiras varia em função de sua produção
e de seu peso. Cabras mais produtivas têm requerimento nutricional superi-
or ao das menos produtivas mas, independentemente de sua produção, as
cabras em lactação precisam de uma alimentação volumosa de boa quali-
dade e suplementação com concentrados, de forma a atender suas exigên-
cias nutricionais.
Pode-se recomendar uma alimentação exclusiva de
gramíneas para caprinos?
Não. Recomenda-se estabelecer uma área de leguminosa arbustiva,
para servir de banco de proteína, visando sua utilização na época seca,
quando os teores protéicos das gramíneas são reduzidos. A leucena, o pau-
ferro e o guandu são plantas forrageiras de alta qualidade e recomendadas
para utilização em pastejo direto, sob a forma de feno ou associadas com as
pastagens de gramíneas.
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A leucena pode ser usada em substituição a concentrados
protéicos?
Alguns trabalhos conduzidos com leucena indicam que sua utiliza-
ção na forma de feno ou banco de proteína pode substituir os concentrados
protéicos comerciais utilizados na alimentação dos rebanhos.
Por que as leguminosas arbóreas e arbustivas são importan-
tes na alimentação de caprinos?
Porque, de modo geral, as
leguminosas arbóreas e arbustivas
produzem forragem (ramas ou va-
gens) de alto valor nutritivo e eleva-
da aceitação pelos caprinos, em épo-
ca de escassez. Suas folhas secas,
caídas ao chão, também constituem
importante alimento.
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Como devem ser alimentados os cabritos destinados à re-
produção?
Os cabritos selecionados para reprodução devem receber alimenta-
ção abundante e nutritiva, imediatamente após o desmame, para terem um
bom desenvolvimento corporal.
Em que condições deve-se adotar o confinamento para
caprinos?
Trabalhos de pesquisa têm demonstrado que os caprinos comuns cria-
dos no Nordeste não respondem satisfatoriamente ao confinamento. Os
caprinos produtores de leite, especialmente os de raças exóticas, apresen-
tam adaptação aos sistemas de semiconfinamento ou confinamento. Nor-
malmente, a prática de confinamento apresenta custo elevado, sendo
indicada somente em criações com alta produção de leite e em épocas de
pouca disponibilidade de pastagem.
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Manejo Alimentar
O leite de vaca pode substituir o leite de cabra para a ali-
mentação de cabritos?
Em algumas criações de cabras leiteiras, o leite de vaca vem sendo
utilizado como substituto adequado ao leite de cabra. Esse produto, no en-
tanto, apresenta menor digestibilidade, provocando alguns problemas em
cabritos mais jovens.
Quais as principais causas da deficiência nutricional em
caprinos?
As principais causas da deficiência nutricional em caprinos são a bai-
xa disponibilidade de alimentos e/ou sua má qualidade. Quando isso ocor-
re, o animal não consegue suprir suas necessidades de energia, proteínas,
minerais ou vitaminas, prejudicando sua saúde e desempenho.
A época do ano exerce influência sobre o valor nutritivo das
pastagens?
No semi-árido nordestino a disponibilidade de forragem durante a es-
tação chuvosa é elevada, assim como seu valor nutritivo. Na época seca,
no entanto, a forragem disponível não atende às exigências nutricionais dos
caprinos, havendo necessidade de suplementação alimentar, para minimizar
os efeitos das carências nutricionais sobre o desempenho do rebanho.
Quais os alimentos recomendados para cabritos?
Para os cabritos obterem bom desenvolvimento e ganhode peso pre-
cisam receber leite em quantidades adequadas, por faixa etária, assim como
volumoso, sal mineral, ração balanceada com teor de proteína acima de
12% e água de boa qualidade.
A suplementação alimentar é recomendada para caprinos?
Sim, a suplementação alimentar para caprinos, notadamente na épo-
ca de escassez de alimentos, é uma prática altamente viável, pois além de
aumentar o índice produtivo do rebanho, contribui para diminuir a mortali-
dade, principalmente dos animais jovens.
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Quais os principais alimentos utilizados na suplementação
para caprinos?
Na suplementação podem ser usados os subprodutos da agricultura,
como restolhos das culturas de milho, feijão, soja, fenos de forrageiras di-
versas, principalmente de leguminosas, e silagem. Outras alternativas que
devem ser usadas na época seca são as gramíneas (que podem ser fornecidas
picadas ou amarradas em feixes), as ramas e raízes de mandioca e as va-
gens de leguminosas como algaroba, faveira, etc.
Em que fase produtiva a suplementação alimentar é mais
recomendada?
A suplementação alimentar é mais recomendada no terço final da
gestação (45 dias antes do parto), imediatamente após o parto e durante o
período de lactação, no período de acasalamento, para animais recém-des-
mamados e animais debilitados.
Como evitar a perda de peso de caprinos durante as épocas
críticas de pastagens?
Para evitar ou reduzir a perda
de peso nos períodos críticos de pas-
tagens, o produtor deve ter em sua pro-
priedade uma área de reserva de pas-
tagem para ser utilizada como banco
de proteína e preparo de feno. Podem
ser usados também os restolhos de
culturas e, em alguns casos especiais, a silagem e concentrados protéicos e
energéticos.
O uso de ração concentrada para cabras leiteiras é econo-
micamente viável?
Sim. Muitos trabalhos têm mostrado que o emprego de rações con-
centradas na alimentação de cabras leiteiras é viável, dependendo do po-
tencial produtivo das cabras.
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Por que a fêmea deve ser melhor alimentada no terço final
da gestação?
Porque o maior desenvolvimento do feto (65% a 70% de seu tamanho)
ocorre entre os 45 e 50 dias antes do nascimento. Nesse caso, a fêmea que
recebe uma alimentação inadequada produz um feto pouco desenvolvido,
ocorrendo o nascimento de crias com peso abaixo da média e, conseqüen-
temente, alta taxa de mortalidade.
Como proceder na formulação da mistura mineral?
A mistura mineral deve conter, em sua composição, o sal comum,
uma fonte de cálcio e fósforo (farinha de ossos ou fosfato bicálcico) e um
complexo mineral. Normalmente, utilizam-se na mistura as proporções de
50% de sal comum, 49% da fonte de cálcio e fósforo e 1% de complexo
mineral. Essa mistura deve ser fornecida aos animais à vontade, em cochos
protegidos da chuva.
Qual o consumo médio diário de sal mineral por caprino?
O consumo médio de sal mine-
ral é de 10 g/cabeça/dia, variando de
5 a 30 g de acordo com a época do
ano e a qualidade das pastagens. A
mistura mineral deve ser fornecida
em quantidade suficiente para dois a
três dias, no máximo, a fim de evitar
perdas, principalmente na época chu-
vosa.
Que minerais são importantes na nutrição de caprinos?
Pelo menos quinze minerais são identificados como nutricionalmente
essenciais para os caprinos e demais ruminantes. Elementos como cálcio
(Ca), fósforo (P), potássio (K), sódio (Na), cloro (Cl), magnésio (Mg) e enxofre
(S) são requeridos em quantidades maiores e são chamados macronutrientes.
Outros elementos como cobalto (Co), cobre (Cu), iodo (I), ferro (Fe), manganês
(Mn), molibidênio (Mo), selênio (Se) e zinco (Zn) são necessários em quan-
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tidades menores e são denominados micronutrientes. Todos esses minerais
devem estar contidos na dieta de maneira adequada, para que se tenha
uma produção de carne ou leite eficiente.
Como prevenir a deficiência mineral?
É possível prevenir a deficiência de minerais pela adubação da pasta-
gem ou pela mineralização no cocho. A adubação da pastagem é onerosa e
nem sempre corrige toda a deficiência de minerais. A mineralização no
cocho é mais simples, sendo possível oferecer misturas balanceadas com
todos os elementos necessários. Essas misturas devem, necessariamente,
conter fontes de cálcio e fósforo, como fosfatos bicálcicos ou farinha de
osso, cloreto de sódio e uma pré-mistura comercial que contenha os
micronutrientes essenciais.
Qual a quantidade de feno recomendada para fornecimen-
to aos caprinos?
A quantidade de feno recomendada para um caprino é diretamente
proporcional a seu peso. Por exemplo, uma cabra com 50 kg de peso vivo
deve receber em torno de 2,5 kg de feno, o que corresponde a 5% de seu
peso.
É desnecessária a suplementação mineral na época de boas
pastagens?
Não. Estudos mostram que a suplementação mineral é melhor utiliza-
da pelos animais na época de boas pastagens do que na época de deficiên-
cia de pastos, quando faltam aos animais proteína e energia necessárias ao
crescimento e produção.
Os macronutrientes são mais importantes à nutrição de
caprinos do que os micronutrientes?
Não. Os micronutrientes são também indispensáveis e sua falta
causa diminuição da produção, doenças e até mesmo morte dos animais.
Eles são necessários em quantidades muito reduzidas mas têm grande im-
portância.
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Manejo Alimentar
Pode-se usar uréia (adubo) na alimentação de caprinos?
É recomendável que seja usada a uréia própria para a alimentação
animal, pois a uréia-adubo pode conter, como parte de seu material inerte,
substâncias prejudiciais à nutrição dos caprinos.
Qual a vantagem do uso de uréia na alimentação de
caprinos?
A uréia constitui uma forma barata de fornecer nitrogênio aos rumi-
nantes. Esse nitrogênio, após várias modificações no estômago, se transfor-
ma em proteína. Portanto, em dietas pobres em proteína, a uréia pode ser
usada com vantagens.
Como usar uréia na alimentação de caprinos?
A uréia pode ser fornecida no cocho, misturada à ração na proporção
de até 1,5%; pode também fazer parte da mistura mineral, participando em
até 10%. Para que a uréia seja devidamente aproveitada, os caprinos ne-
cessitam também receber alimentação adequada em termos de energia.
Pode-se usar os adubos fosfatados nas misturas minerais para
caprinos?
As melhores fontes de fósforo para a mineralização de caprinos são o
ortofosfato e o fosfato-bicálcico. O superfosfato triplo pode ser usado, mistu-
rado com um desses, na dosagem de 50%, para reduzir o custo da minera-
lização. Os fosfatos de rocha, além da baixa solubilidade, têm concentração
de flúor em níveis prejudiciais aos caprinos, sendo desaconselhado seu uso.
O hábito alimentar dos
caprinos difere dos de-
mais ruminantes?
De maneira geral, os caprinos
utilizam mais os arbustos que os
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Manejo Alimentar
outros ruminantes e selecionam mais intensamente a parte mais tenra, mais
palatável e mais nutritiva da pastagem de sua preferência.
Qual a melhor maneira de oferecer forragem aos ca-
prinos?
Os caprinos comem bem as forragens quando oferecidas amarradas
em pequenos feixes, pendurados nas baias. Assim, eles selecionam as par-
tes tenras, deixando de consumir as porções mais fibrosas. O uso da picadeira
de forragem, cortando o material em pedaços de cerca de 2 cm, diminui em
parte a seleção, mas ainda assim os animais a fazem. O uso da máquina
forrageira, deixando o material mais fino se, por um lado, tem a vantagem
de forçar o consumo de todo o material fornecido, sem possibilidade de
seleção, por outro , implica a ingestão de material de qualidade inferior.
Tem-se observado que os caprinos opõem resistência ao consumo do mate-rial passado pela máquina forrageira, preferindo as formas de oferta que
possibilitem a seleção.
Os caprinos têm maior habilidade para digerir forragem de
baixa qualidade do que outros animais domésticos?
Sim, os caprinos têm maior eficiência digestiva do que outros rumi-
nantes, em virtude da combinação de fatores como tempo de retenção do
alimento no rúmen, taxa e quantidade de secreção de saliva, maior con-
centração da flora digestiva, etc. Além disso, os caprinos têm elevada ca-
pacidade para selecionar sua dieta, ingerindo, entre o disponível, o alimen-
to de melhor qualidade.
A limentação de caprinos deve ser exclusivamente à base de
vegetação arbustiva-arbórea?
Não. Apesar de terem grande preferência por certos tipos de vegeta-
ção, os caprinos adaptam-se perfeitamente às pastagens formadas por
gramíneas e outras plantas herbáceas. Recomenda-se, porém, evitar a mu-
dança brusca da pastagem arbustiva-arbórea para a pastagem à base de
gramíneas.
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pécies animais da propriedade. Se os caprinos recebem boa alimentação,
pode-se constatar facilmente seu melhor desempenho.
É verdade que os caprinos provocam degradação nas pasta-
gens?
Não. A degradação das pastagens geralmente ocorre como decorrên-
cia de práticas de manejo inadequadas. No caso do superpastejo, após con-
sumirem as folhas, os caprinos passam a anelar as plantas (tirar a casca),
provocando, às vezes, sua morte. Por essa razão, são injustamente acusa-
dos de degradarem as pastagens quando, na realidade, é o homem que não
sabe manejá-las.
Os caprinos aproveitam bem as forragens de baixo valor
nutritivo?
Sim. Em virtude de sua alta eficiência digestiva, os caprinos aprovei-
tam melhor as forragens pobres do que as outras espécies de ruminantes.
Quais são as forrageiras nativas preferidas pelos caprinos?
As forrageiras preferidas são o pau-ferro (ou jucá), sabiá (ou unha-de-
gato), umbuzeiro, juazeiro, mororó, canafístula, malva, jurema, camaratuba,
feijão-bravo e várias outras.
É verdade que não é preciso investir na alimentação dos
caprinos?
Não. Nas regiões onde os capri-
nos são criados em sistemas de pro-
dução extensivo, é comum dizer-se
que não é necessário melhorar a ali-
mentação, porque os caprinos comem
qualquer coisa. A alimentação dos
caprinos deve ter a mesma importân-
cia que a alimentação das demais es-
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Manejo Reprodutivo
O que é cio?
Cio é o período em que a fêmea aceita o macho e está apta a ser
fecundada.
Qual a duração do cio na cabra?
Em média, o cio tem uma duração de 36 a 48 horas. A identificação
da fêmea em cio é de grande importância para a eficiência reprodutiva,
principalmente, em criações que adotam a reprodução controlada.
Como se conhece uma cabra em cio?
Durante o cio a cabra apresenta
mudança em seu comportamento, tor-
na-se inquieta, monta sobre a compa-
nheira ou aceita ser montada pelo ma-
cho e por outras cabras, diminui o ape-
tite (chegando a perder peso), berra
freqüentemente e procura o macho com
grande interesse. A cauda apresenta
movimentos laterais rápidos e a vulva
mostra-se inchada e avermelhada, apresentando uma secreção com aspec-
to de clara de ovo, no início do cio, tornando-se mais clara ao final.
Quando ocorre a ovulação na cabra?
A ovulação ocorre no terço final do cio, isto é, entre 24 e 36 horas
após o início do cio.
O que caracteriza a puberdade nos caprinos?
Depende do sexo, raça, desenvolvimento corporal, fatores climáti-
cos, nutrição, manejo e estado sanitário do rebanho. No entanto, define-se
como sendo a fase em que os animais iniciam o processo reprodutivo.
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Manejo Reprodutivo
Qual a melhor maneira de identificar a cabra em cio?
A melhor maneira de identificar uma cabra em cio é pelo uso do ru-
fião (macho adulto vasectomizado). A observação dos sintomas por um
manejador experiente tem apresentado eficiência.
Qual o intervalo normal entre cios?
A ocorrência do cio é cíclica e o período entre dois cios chama-se
ciclo estral. Na cabra, a duração normal do ciclo estral é de 18 a 21 dias,
havendo, entretanto, variações para mais (ciclos longos) ou para menos
(ciclos curtos).
No manejo reprodutivo dos caprinos, quais os sistemas de
acasalamento recomendados?
Pode-se utilizar a monta natural, no campo ou no aprisco, ou a
inseminação artificial.
Como se realiza a monta
natural?
Na monta natural não controlada,
as cabras são deixadas permanentemen-
te com os reprodutores, ocorrendo co-
bertura durante todos os meses do ano,
sem qualquer controle. Esse tipo de acasalamento é usado, de maneira ge-
ral, no sistema de criação extensivo, no qual as cabras são separadas ape-
nas quando estão próximas da parição.
Como se faz a monta controlada?
Na monta controlada, o reprodutor é mantido separado das fêmeas e
o rufião é deixado com as fêmeas durante 24 horas por dia. Recomendam-
se três rufiões para cem cabras. O rufião deve ser marcado na região peito-
ral, duas vezes ao dia (no início da manhã e no final da tarde), com uma
mistura composta de uma parte de tinta para quatro de graxa.
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Manejo Reprodutivo
O rebanho deve ser examinado duas vezes por dia. Pela manhã, faz-
se a primeira observação e todas as cabras marcadas pelo rufião, durante
a noite, são colocadas para serem cobertas pelo reprodutor às 7h e às 17h.
À tarde, faz-se a segunda observação, sendo as cabras marcadas pelo ru-
fião, durante o dia, cobertas às 17h e às 7h do dia seguinte. Recomenda-se
para cada reprodutor o máximo de dez cobrições por dia.
 Que relação reprodutor-matriz recomenda-se para a cria-
ção extensiva?
Essa relação depende basicamente da idade e do estado nutritivo dos
reprodutores e do tamanho da área utilizada. No entanto, uma relação de
um reprodutor para 25 cabras pode ser considerada boa na maior parte das
situações.
Como fazer a seleção de um macho para reprodução?
Na escolha de um macho para reprodutor deve-se adotar rigorosos
critérios de seleção, para evitar a transmissão de problemas graves aos seus
descendentes. O macho destinado à reprodução deve atender as seguintes
exigências: apresentar padrão racial característico da raça selecionada;
não ser portador de doenças específicas da reprodução ou de outras enfer-
midades; apresentar aspecto masculino, os testículos morfologicamente
normais, isto é, simétricos, ovóides, firmes e presentes na bolsa escrotal;
não ser portador de anomalias, como criptorquidia (testículo dentro da cavi-
dade abdominal) uni ou bilateral, degeneração testicular irreversível em
conseqüência de causas diversas, hipoplasia testicular (testículos pequenos
ou ausentes) e lesões penianas e prepuciais; apresentar boa libido (interesse
sexual pela fêmea), cascos sadios e bons aprumos; ter boa capacidade
reprodutiva e fertilidade comprovada.
Com que idade o reprodutor deve ser selecionado?
A seleção do reprodutor deve ser feita a partir dos seis meses de ida-
de, oportunidade em que os machos refugos são castrados. Quando são
procedentes de compra, aconselha-se que a seleção e a aquisição dos ani-
mais sejam feitas entre oito e doze meses de idade, com características
indispensáveis a um bom reprodutor.
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Manejo Reprodutivo
Por quanto tempo um reprodutor deve permanecer no re-
banho?
A vida reprodutiva do reprodutor caprino pode ir além dos 8 anos. No
entanto, recomenda-se a substituição dos reprodutores de um mesmo reba-
nho de cabras a cada dois anos para evitar que cubram suas próprias filhas
e netas trazendo, dessa forma, problemas de consangüinidade para o reba-
nho.
O que o produtor deve fazer antes de selecionar as cabras
para reprodução?
Antes da seleção ou aquisição de fêmeas para reprodução, o produtor
precisa decidir se a exploração destina-seà produção de carne e pele, à
produção de leite ou de animais de dupla aptidão (carne e leite). A seleção
deve ser feita levando-se em conta o tipo de exploração desejada.
Que critérios devem ser adotados para selecionar cabras para
reprodução?
Independentemente do tipo de exploração, a escolha de uma fêmea
para reprodução deve obedecer a critérios rigorosos de seleção. Uma fê-
mea destinada à reprodução deve apresentar as seguintes características:
aspecto feminino, bom desenvolvimento ponderal, ausência de defeitos físi-
cos, padrão racial característico da raça selecionada e boa conformação
de úbere. Deve apresentar bom potencial leiteiro, gestação e parto nor-
mais, cascos sadios e bons aprumos, boa aptidão para criar, idade jovem,
boa fertilidade e boa prolificidade.
Como melhorar os índices de fertilidade e prolificidade em
fêmeas caprinas?
Aproximadamente 21 dias antes da estação de monta, recomenda-se
fornecer uma ração energética, à base de milho, a todas as cabras em re-
produção, para que esses animais estejam em boas condições alimentares
durante o período de acasalamento.
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Manejo Reprodutivo
Na cabra, o índice de prolificidade muito elevado sempre se
traduz em vantagem para o produtor?
Não. Um índice de prolificidade muito elevado nem sempre se traduz
em vantagem para o produtor. Quando a cabra produz mais de duas crias
por parição, normalmente as crias são fracas, apresentam menor índice de
sobrevivência e desenvolvimento ponderal lento, em razão da disputa pelo
leite materno.
Qual a taxa de reposição de fêmeas, indicada para o reba-
nho caprino?
Recomenda-se uma taxa de reposição em torno de 20% a 25% ao
ano. Nesse processo é muito importante a elevação da taxa de parição e a
redução da taxa de mortalidade.
Que peso deve ter uma fêmea jovem para entrar em repro-
dução?
Normalmente, nas condições da Região Nordeste do Brasil, as fême-
as caprinas chegam à puberdade com 14 a 20 kg de peso corporal, em
média, e em torno de 7 a 12 meses de idade. Em geral, recomenda-se que
as fêmeas sejam usadas em reprodução quando atingirem de 60% a 70% do
peso de uma fêmea adulta de sua raça ou tipo e idade superior a 10 meses.
Como saber se a cabra está prenhe?
Quando está prenhe, a cabra apresenta inicialmente sinais caracte-
rísticos como falta de interesse pelo macho e ausência de cio. Posterior-
mente ocorre o desenvolvimento do ventre, principalmente no terço final
da gestação.
Quais os principais sinais que
a cabra apresenta nas proxi-
midades do parto?
Os sinais mais importantes que a ca-
bra apresenta nas proximidades do parto são
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Manejo Reprodutivo
a modificação da garupa, com marcante depressão em cada lado da cauda,
depressão nos flancos, aumento do úbere e presença de corrimento vaginal
opaco, ligeiramente amarelo. Horas antes do parto, a cabra apresenta-se
inquieta, deitando-se e levantando-se, freqüentemente.
A cabra necessita de cuidados especiais durante a
 prenhez?
Sim. O cuidado com a cabra durante a prenhez contribui para a ocor-
rência de partos normais e para o aumento da sobrevivência das crias. Re-
comenda-se evitar pancadas, correrias e passagens rápidas em porteiras e
retirar os animais agressivos do lote de cabras prenhes. Esses procedimen-
tos diminuem a ocorrência de abortos por traumatismos.
Em que período de prenhez a cabra apresenta maior exi-
gência nutricional?
No terço final da prenhez, ou seja, nos últimos 45-50 dias, ocorre 70%
do desenvolvimento fetal, verificando-se maior exigência nutricional da mãe,
principalmente nas gestações múltiplas.
Qual a duração da gestação e do intervalo entre partos nos
caprinos?
A duração da gestação nos caprinos é de aproximadamente 150 dias.
O intervalo entre partos depende do sistema de exploração. Nos sistemas
de criação extensiva, esse intervalo fica próximo de doze meses. No entan-
to, com a intensificação dos sistemas de manejo e alimentação, esse inter-
valo pode ser reduzido para nove meses.
Qual o tempo médio para o nascimento do cabrito?
É de aproximadamente 30 minutos. Logo que a bolsa d’água se rom-
pe, aparecem os primeiros sinais de saída do feto, ou seja, as patas anterio-
res com a cabeça descansando entre elas.
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Manejo Reprodutivo
400 As cabras que abortam à primeira prenhez tendem a conti-
nuar abortando?
Sim. As cabras que abortam à primeira prenhez tendem a continuar
abortando. Nesses casos, recomenda-se descartá-las, para não comprome-
terem a fertilidade e a produtividade do rebanho.
Como prevenir as infecções uterinas?
Deve-se atender às exigências nutricionais do animal, assistir a cabra
ao parto e orientar para que o mesmo ocorra em lugar apropriado. Evitar a
retenção de placenta e, conseqüentemente, a penetração de germes infec-
ciosos no útero da parturiente.
Qual o período normal para a eliminação da placenta, após
o parto?
Na cabra, normalmente, a eliminação da placenta ocorre nas primei-
ras horas após o parto, considerando-se normal a expulsão da placenta no
período de três a oito horas pós-parto.
 Quais os prejuízos causados pela retenção de placenta?
A retenção de placenta é uma das principais causas de infecção uterina,
comumente instalada no período pós-parto. Pode ocasionar infertilidade ou
esterilidade nas cabras e causar prejuízos irreparáveis ao rebanho.
É possível uma cabra parir duas vezes ao ano?
Sim. Quando submetidas a um sistema intensivo de reprodução ou à
monta contínua, as cabras apresentam um curto período de serviço (primei-
ro estro fértil pós-parto), podendo, então, serem fecundadas, de modo a te-
rem duas parições ao ano.
Quais as desvantagens da monta contínua?
O sistema tradicional de cobertura (monta contínua), no qual o
reprodutor permanece o ano todo no rebanho, contribui para que haja nasci-
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Manejo Reprodutivo
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mentos de cabritos ao longo de todo o ano, dificultando a adoção de práti-
cas indispensáveis de manejo. Além disso, quando ocorrem nascimentos
em épocas inadequadas, verificam-se altas taxas de mortalidade das crias,
reduzindo o número de crias/cabra/ano e, conseqüentemente, causando
grandes prejuízos aos produtores.
Com que idade o macho caprino deve ser usado para a pri-
meira cobrição?
Em geral, os machos caprinos criados na Região Nordeste atingem a
maturidade sexual em torno dos 6 a 8 meses de idade. Com essa idade,
podem ser usados na cobrição de cabras, embora de forma cautelosa e
servindo a um pequeno número de fêmeas. Procedendo-se dessa maneira,
evitam-se prejuízos ao desenvolvimento do reprodutor e à fertilidade do
rebanho.
Quando um caprino está púbere?
Quando se torna capaz de fertilizar ou ser fertilizado, ou seja, quando
a fêmea apresenta a primeira ovulação, e o macho, espermatozóides no
ejaculado.
Em caprinos, pode-se conseguir três parições em dois anos?
Sim. Nas regiões tropicais onde existe a poliestria contínua, desde
que se melhorem as condições de manejo, é possível conseguir intervalos
de oito meses entre partos e, conseqüentemente, a ocorrência de três partos
em dois anos.
Que fatores podem interferir na atividade reprodutiva dos
caprinos?
Vários. Entre eles a nutrição, temperatura, umidade relativa, idade,
estado sanitário e raça.
A constatação de baixa fertilidade em um rebanho caprino
deve ser atribuída somente às fêmeas?
Não. Existe uma tendência a se isentar os machos como responsáveis
por problemas de baixa fertilidade observada nos rebanhos. Avaliações da
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Manejo Reprodutivo
capacidade reprodutiva dos machos têm revelado a ocorrência de vários
problemas que afetam a fertilidade de forma permanente ou temporária.
Portanto, sempre que possível, os machos devem ser submetidos a exames
clínico-andrológicos.Existe relação entre a circunferência escrotal e a fertilidade
dos machos?
Sim. Vários trabalhos têm demonstrado correlações positivas entre cir-
cunferência escrotal e fertilidade. Machos com maior circunferência escrotal
apresentam melhor produção de sêmen, em quantidade e qualidade e, em
conseqüência, melhores índices de fertilidade.
Por que a estação de monta geralmente é pouco adotada
entre os caprinocultores?
Os caprinocultores, principalmente os pequenos, têm dificuldades em
adotar a estação de monta por falta de instalações adequadas na proprieda-
de, e pelo desconhecimento das técnicas de manejo reprodutivo.
Como evitar a cobertura indesejável das cabras em criações
extensivas?
Recomenda-se castrar os machos antes dos 4 meses de idade ou
separá-los das fêmeas.
Qual a duração da estação de monta e qual a época ideal
para realizá-la?
A estação de monta, com 45 a 63 dias de duração, é suficiente para
que todas as fêmeas sejam cobertas. Recomenda-se iniciá-la entre 100 e
120 dias antes do início do período chuvoso de cada região. Com esse pro-
cedimento, ficam conciliadas as épocas de maior exigência nutricional (ter-
ço final da prenhez e lactação) com as épocas de maior disponibilidade e
melhor qualidade das forragens.
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415 Por que a estação de monta é vantajosa?
Com o estabelecimento da estação de monta, pode-se concentrar os
nascimentos na melhor época do ano, ou seja, quando existe disponibilida-
de qualitativa e quantitativa de pastagens, beneficiando as fêmeas em re-
produção e as crias. Isso facilita a execução das práticas de manejo, como
marcação, castração, desmame, separação por sexo e descarte de animais
inservíveis à reprodução, além de permitir melhor planejamento da
comercialização e dos programas de melhoramento genético.
Quais os principais critérios utilizados na formação de um
rebanho caprino, visando à exploração econômica?
Na formação de um rebanho caprino para fins de exploração econo-
micamente viável, é necessário utilizar critérios como a seleção dos ani-
mais em função da exploração (carne ou leite), escolha de uma raça adap-
tada à região, exame cuidadoso de cada animal para evitar a inclusão dos
portadores de doenças, defeituosos e velhos, e verificação da conformação
do animal, de seu estado nutricional e de tamanho compatível com o pa-
drão da raça.
Qual a idade recomendada para separar os machos das
fêmeas?
Os machos devem ser separados das fêmeas entre 3 e 4 meses de
idade (antes de atingirem a puberdade), para evitar cruzamentos indesejá-
veis.
É recomendada a cobrição, no primeiro cio, das fêmeas com
baixo peso corporal?
Não, porque a ocorrência de prenhez em fêmeas muito jovens e com
baixo peso ocasiona o retardamento de seu desenvolvimento físico e
reprodutivo, tendo em vista que nutrientes destinados ao seu crescimento
são desviados para a formação e desenvolvimento do feto. Nessas fêmeas,
geralmente, ocorrem aborto, natimortalidade ou morte pós-parto da cria e,
às vezes, da própria mãe.
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Manejo Reprodutivo
A nutrição é importante na reprodução dos animais?
Sim. A nutrição é um fator muito importante para a obtenção de eleva-
do desempenho reprodutivo dos caprinos.
O que é prolificidade?
É a capacidade de uma fêmea produ-
zir vários descendentes. É um atributo do
animal, da família, da raça ou da espécie.
Como medir a eficiência reprodutiva dos caprinos?
A eficiência reprodutiva dos caprinos é medida pelo número de cabri-
tos desmamados por ano em relação ao número de fêmeas em idade de
reprodução.
O que é índice de prolificidade?
É o número de crias nascidas/fêmea/parto. É uma medida que deter-
mina a eficiência reprodutiva do rebanho.
A inseminação artificial é recomendada para qualquer nível
de exploração de caprinos?
Não. A inseminação artificial é
uma prática recomendada para produ-
tores que possuem rebanhos especia-
lizados. É bastante utilizada em outros
países, principalmente na França. No
Brasil, vem sendo introduzida com bons
resultados, sobretudo no Sudeste e, mais
recentemente, no Nordeste, em reba-
nhos leiteiros.
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Manejo Reprodutivo
O que fazer para se obter melhor eficiência reprodutiva no
rebanho?
Usar reprodutores com fertilidade comprovada, fazer descarte dos ani-
mais subférteis, não usar o reprodutor de maneira intensa, pois isso pode
reduzir sua fertilidade, manter o reprodutor em bom estado nutricional e
sanitário, introduzir reprodutores jovens, adotar, anualmente, estação de
monta no período de melhores condições de alimentação, fazer exames
andrológicos nos reprodutores 60 dias antes da estação de monta, usar a
relação reprodutor/matriz corretamente. Normalmente, recomenda-se um
reprodutor para 25 a 30 cabras.
O reprodutor caprino pode ser usado logo após a aqui-
sição?
Não. Antes da introdução, o novo reprodutor deve ser examinado cui-
dadosamente para comprovação do bom estado sanitário e reprodutivo.
A aquisição deve ser feita bem antes do início da estação de monta para
possibilitar melhor adaptação do animal ao ambiente.
Quais são as vantagens da sincronização do cio?
A sincronização do cio permite que as cabras entrem no cio ao mes-
mo tempo, promovendo a concentração do período de cobrição ou
inseminação, possibilita a concentração dos partos em épocas mais ade-
quadas e melhor manejo das crias, evitando altas taxas de mortalidade.
É recomendável o uso de reprodutor caprino muito velho?
Não. Em geral, a partir dos 8 a 10 anos de idade o reprodutor apresen-
ta diminuição de seu potencial reprodutivo. Portanto, seu uso pode compro-
meter o desempenho reprodutivo do rebanho e ocasionar prejuízos para o
produtor.
Quais as modalidades de uso do sêmen na inseminação arti-
ficial de caprinos?
Na inseminação artificial, o sêmen pode ser usado nas seguintes for-
mas: fresco: puro ou diluído, para utilização imediata; refrigerado: faz-se a
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diluição, refrigera-se e procede-se à inseminação entre zero e 24 horas
após a refrigeração; congelado: o congelamento é realizado por indústrias
especializadas (centrais) em inseminação.
Na inseminação artificial da cabra, o local de depósito do
sêmen interfere na percentagem de fertilidade do rebanho?
Sim. Os melhores índices de fertilidade são alcançados quando o sê-
men é depositado no útero (inseminação intra-uterina), sendo os menores
índices obtidos na inseminação vaginal. Portanto, recomenda-se, sempre
que possível, realizar a inseminação cervical profunda ou intra-uterina.
Quais são as vantagens da inseminação artificial?
O produtor pode:
• Programar a concentração de parição em época de abundância de
pastagens, favorecendo a cabra recém-parida e o desenvolvimento
das crias.
• Evitar a transmissão de doenças da reprodução, por se tratar de sê-
men de reprodutores rigorosamente sadios.
• Usar o sêmen de reprodutores de alta linhagem, impossibilitados de
efetuar a monta natural.
• Proporcionar a melhoria da produção do rebanho, com o uso de
sêmen de reprodutores especializados, já testados.
• Fertilizar as fêmeas de várias propriedades com apenas um repro-
dutor.
Quais as principais causas de aborto em caprinos?
A ocorrência de abortos em caprinos pode ser atribuída a doenças
infecciosas e nutricionais, traumatismos, idade das fêmeas e a fatores gené-
ticos.
Quais os principais fatores que afetam a fertilidade de um
reprodutor?
Vários fatores podem afetar a fertilidade do reprodutor. Entre esses,
merecem destaque:
• Alimentação inadequada, principalmente a energética, que provo-
ca a diminuição da atividade sexual e da produção de sêmen.
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• Doenças dos órgãos genitais, estados febris,infestações parasitárias
(ectoparasitas e endoparasitas), abscessos, feridas e outras infec-
ções.
• Degeneração testicular de causas variadas, deficiência de vitami-
na A.
• Alguns processos de origem genética como criptorquidismo e
hipoplasia testicular.
Que manejo alimentar é recomendado para reprodutores
antes da estação de monta?
Recomenda-se a suplementação alimentar durante os 45 dias que an-
tecedem as cobrições, uma vez que o reprodutor é usado intensivamente
na cobrição de um grande número de cabras. A suplementação alimentar
de boa qualidade mantém o animal em boas condições físicas e melhora a
atividade sexual e a produção de sêmen. Recomenda-se uma área de pas-
tagem melhorada e uma suplementação de feno de boa qualidade, na quan-
tidade de 1,5 kg por animal/dia ou ração balanceada (0,50 a 1,00 kg/ani-
mal/dia).
Que manejo é indicado para reprodutores depois da esta-
ção de monta?
Os reprodutores devem ser examinados para se verificar a possível
ocorrência de problemas genitais, vermifugados e colocados em piquete
com boas condições de alimentação.
Existe relação entre ordem do parto e ocorrência de partos
múltiplos?
Sim. Em geral, nas cabras a partir do terceiro parto, ocorrem mais
partos múltiplos do que nas cabras mais jovens (primeiro e segundo parto).
Quais os cuidados básicos que o produtor deve ter com os
reprodutores durante a estação de monta?
Durante a estação de monta os reprodutores devem receber atenção
especial em relação às práticas de manejo alimentar, sanitário e reprodutivo.
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Isso permite manter os reprodutores em bom estado nutricional, com boas
condições físicas e de saúde, possibilitando uma atividade sexual mais
intensa com maior produção de sêmen, obtendo-se, conseqüentemente,
maior desempenho reprodutivo do rebanho.
Qual a vantagem em colocar os rufiões com as cabras antes
da estação de reprodução?
Tem-se observado, na prática, que o odor do macho caprino estimula
o aparecimento do cio na cabra. Portanto, recomenda-se que o produtor
coloque os rufiões com as cabras aproximadamente 30 dias antes do início
da estação de monta.
É freqüente a ocorrência de partos difíceis em cabras?
Não. A cabra geralmente não apresenta partos difíceis, princi-
palmente se, durante a gestação, recebeu boa alimentação e manejo ade-
quado.
Que tipo de macho caprino deve ser descartado do reba-
nho?
Devem ser rigorosamente descartados e levados para abate todos os
machos portadores de criptorquidia (testículos dentro da cavidade abdomi-
nal) unilateral ou bilateral; hipoplasia testicular (testículo pequeno); dege-
neração testicular irreversível (testículos moles); hérnias; agnatismo e
prognatismo.
Quando uma cabra deve ser descartada do rebanho?
A cabra produtora de carne, leite ou de dupla aptidão deve ser des-
cartada do rebanho quando apresentar: malformação do úbere; tetas muito
grandes ou supranumerária; mastite crônica; parto distócico por mais de
duas vezes consecutivas; defeitos físicos ou hereditários; idade incompatí-
vel com a reprodução (muito velha); raquitismo e infertilidade.
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Manejo Reprodutivo
Quais as vantagens em concentrar o nascimento das crias
na época de maior quantidade de pastagens?
As vantagens proporcionadas por esse tipo de manejo são a obtenção
de maior peso ao nascimento e de maior peso de carcaça ao abate, bem
como a redução da taxa de mortalidade de recém-nascidos.
Há influência da época do ano na atividade sexual das ca-
bras?
Sim. Na Região Nordeste, as fêmeas geralmente apresentam estro ou
cio e ovulam o ano todo. O mesmo não acontece com rebanhos criados nas
regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde as fêmeas só apresentam atividade
sexual em determinadas épocas do ano (verão-outono) e poliestria estacional,
em função, principalmente, da duração de horas/luz/dia (fotoperíodo).
Na Região Nordeste do Brasil, em que época os caprinos
apresentam atividade sexual mais intensa?
Nas regiões tropicais, como a Região Nordeste, as cabras são
poliéstricas contínuas, ou seja, apresentam cio em todos os meses do ano.
Entretanto, verifica-se que a época de maior atividade sexual coincide com
a ocorrência das primeiras chuvas e, conseqüentemente, com o surgimento
do rebrotamento de várias espécies de forrageiras nativas.
Após o parto, quando uma cabra deve ser coberta ou
inseminada?
O produtor deve observar rigorosamente as cabras após o parto, para
poder efetuar a cobrição ou a inseminação artificial no primeiro estro pós-
parto. Muitas cabras apresentam longo período entre um parto e outro por-
que, às vezes, o produtor não adota estação de cobrição, e as cabras dei-
xam de ser cobertas.
A carência alimentar prejudica a capacidade reprodutiva do
reprodutor?
Sim. A atividade sexual dos machos caprinos, principalmente a pro-
dução espermática, geralmente é diminuída durante a época de carência
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alimentar. Por essa razão, a partir dos 30 dias antes do início da estação de
reprodução até seu final, os reprodutores devem receber uma suplementação
alimentar adequada.
O que é um rufião?
É um macho inteiro que foi submetido a uma cirurgia (vasectomia e/
ou desvio do pênis). Efetua a monta normalmente, mas está impossibilitado
de fecundar a fêmea. Uma fêmea androgenizada, também, pode ser usada
como rufião.
Na monta ou cobrição controlada ou na inseminação artifi-
cial, qual o momento para realizar a cobrição ou a
inseminação artificial das cabras?
O momento ideal para se proceder à cobrição ou à inseminação arti-
ficial das cabras é durante o intervalo de 12 a 18 horas após a aceitação da
monta pelo rufião ou pelas companheiras. Nesse instante, o muco vaginal
deve apresentar aspecto viscoso e coloração creme-clara.
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Manejo de Cabras Leiteiras
Qual a duração da lactação de uma cabra?
A duração da lactação varia em função das condições de alimenta-
ção e manejo oferecidas às cabras em lactação. Nas cabras de raças nati-
vas, o período de lactação varia de 90 a 120 dias, ao passo que nas cabras
de raças puras e nas mestiças, especializadas na produção de leite, esse
período pode atingir dez meses.
Considerando que uma cabra leiteira pode produzir leite o
ano todo, como fazer para secá-la?
O produtor deve diminuir a alimentação à base de grãos e forragem
verde, bem como o fornecimento de água e o número de ordenhas por dia.
Em que período ocorre maior produção de leite durante a
lactação?
O pico ou o ponto máximo de produção de leite ocorre entre a segun-
da e a décima semana após o parto. Após o pico, há um declínio na produ-
ção de leite de cerca de 10% ao mês.
Quanto de alimento uma cabra leiteira pode consumir por
dia?
O consumo diário de alimentos depende de vários fatores relaciona-
dos ao alimento oferecido, como valor nutritivo, disponibilidade,
aceitabilidade, forma e freqüência de fornecimento. Depende, também, de
características do animal como idade, peso vivo, raça, estado fisiológico,
nível de produção, etc. Em geral, o nível de ingestão de matéria seca de
animais em mantença situa-se em torno de 3% a 4% do peso vivo e, nas
últimas oito semanas de gestação, de 2,2% a 2,8% do peso vivo. Durante a
lactação os níveis variam muito, ficando entre 3% e 5% do peso vivo.
Em que estágio de lactação a cabra atinge o ponto máximo
de consumo de alimentos?
Há grande variação na capacidade de ingestão de alimentos após o
parto, estando essa variação relacionada com o estágio de lactação. Geral-
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Manejo de Cabras Leiteiras
mente, a ingestão de alimentos aumenta cerca de 4% durante as primeiras
semanas, atingindo o máximo entre a sexta e a décima semana de lactação.
Entretanto, a ingestão de alimentos depende do nível de produção de leite e
dopeso vivo do animal.
Quais os principais fatores ligados à qualidade das forrageiras
que afetam seu consumo pelas cabras?
O tipo de forrageira tem grande influência no nível de consumo: as
leguminosas são ingeridas em maior quantidade do que as gramíneas.
É importante também o estágio de crescimento, pois o consumo decresce
em razão do aumento no teor de fibra da forragem após a floração. Constitui
também fator de importância o teor de umidade da forragem. Quando muito
alto, o animal ingere grande volume de alimentos sem a quantidade neces-
sária de matéria seca.
Quando é necessário o fornecimento de alimento concen-
trado para cabras leiteiras?
O fornecimento de alimento concentrado é praticamente obrigatório
quando a qualidade ou a disponibilidade do volumoso é baixa. Além disso,
deve ser fornecido quando as exigências nutricionais dos animais são ele-
vadas, como no caso de cabras em final de gestação ou em lactação. Isso
porque o nível de produção de leite está diretamente relacionado ao nível
de ingestão de energia, sendo o fornecimento de alimento concentrado a
maneira mais fácil de elevá-lo.
Qual o nível ideal de alimento concentrado na dieta de ca-
bras leiteiras de alta produção?
O nível ideal de concentrado na dieta de cabras leiteiras pode variar
entre 30% e 60%, pois abaixo desse nível torna-se difícil atender as exigên-
cias nutricionais dos animais em produção de leite ou em gestação, ao pas-
so que acima desses níveis a eficiência no aproveitamento dos nutrientes e
o nível de ingestão de alimentos tendem a diminuir, comprometendo o de-
sempenho e, em alguns casos, a sanidade do animal em conseqüência de
distúrbios metabólicos.
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Manejo de Cabras Leiteiras
Que medidas podem ser adotadas para se reduzir ao máxi-
mo a inclusão de alimento concentrado na dieta de cabras
leiteiras?
Principalmente pela utilização de volumoso de boa qualidade. De-
pendendo da qualidade da forragem, a quantidade de volumoso a ser
fornecida deve considerar a possibilidade de uma sobra variando de 20% a
30%.
Como avaliar de forma rápida e eficiente se as práticas de
manejo e a alimentação adotadas para o rebanho leiteiro
estão sendo adequadas?
Um modo de estimar se as práticas de manejo e alimentação do reba-
nho estão corretas é pela avaliação geral da condição física ou corporal da
cabra. É uma avaliação simples e que pode ser feita por qualquer pessoa
após alguma prática.
Como definir se uma cabra leiteira está em boas condições
físicas?
Por meio do registro de sua condição física ou corporal. Basta dar
notas aos animais numa escala que pode variar de zero a cinco: zero para
animais muito magros e cinco para animais muito gordos. Essas notas po-
dem ser dadas a partir da observação das fêmeas nas áreas do lombo, inser-
ção da cauda, costelas ou dorso. Cabras com notas baixas, de meio a um e
meio, resultam em menor produção de leite, ao passo que as de nota quatro
ou mais podem indicar superalimentação.
Qual o melhor momento para fazer a avaliação física de
cabras leiteiras e de cabritas?
As cabras devem ser avaliadas por ocasião do parto, da cobertura e a
partir da metade da lactação em diante até a secagem. Normalmente, ca-
bras leiteiras de alta produção perdem peso no início da lactação, ganham
peso a partir da metade da lactação, e devem retornar à condição corporal
ideal quando secarem ou no parto seguinte. O momento ideal para a avali-
ação física de cabritas é por ocasião da cobertura e do parto.
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Manejo de Cabras Leiteiras
O que fazer com as cabras leiteiras que estiverem em condi-
ção corporal inadequada?
Devem ser realizadas mudanças na alimentação dos animais para
corrigir os problemas. Um balanceamento cuidadoso da ração e a utiliza-
ção de práticas corretas de manejo nos diferentes estágios de lactação irão
garantir a correta condição corporal. O melhor momento para elevar a con-
dição corporal de uma cabra leiteira é no final da lactação, utilizando die-
tas com alta densidade de energia.
Por que é importante garantir boa condição física às cabras
de alta produção nos períodos finais de gestação?
Porque no início da lactação as cabras iniciam uma fase de balanço
energético negativo em virtude de sua incapacidade em consumir energia
suficiente para satisfazer suas necessidades nutricionais. Nessa fase, cerca
de 50% da produção de leite pode depender da mobilização de suas reser-
vas energéticas.
Que cuidados são necessários com a alimentação de cabras
secas?
A alimentação de cabras secas é extremamente importante para a
obtenção de uma lactação elevada. Se uma cabra seca apresentar condi-
ção física acentuadamente boa, seu peso pode ser parcialmente reduzido
com o fornecimento de uma dieta mais alta em fibra e pobre em energia.
Se o animal estiver em condição ruim, é necessário fornecer-lhe uma dieta
rica em energia. O importante é que elas estejam em boas condições físicas
no momento do parto.
Que cuidados são necessários com a alimentação de cabras
no período pós-parto?
No início da lactação, deve-se fornecer forragens de boa qualidade,
além de alimentação concentrada. Do meio para o fim da lactação, como
as exigências tornam-se decrescentes e há aumento na ingestão de alimen-
tos pela cabra, deve-se reduzir as quantidades de alimentos concentrados
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Manejo de Cabras Leiteiras
Que cuidados devem ser dispensados à cabra logo após a
ordenha?
Deve-se fazer a limpeza das tetas para evitar a penetração no úbere
de bactérias causadoras da mastite. Normalmente essa limpeza ou desin-
fecção é feita mergulhando-se as tetas em recipiente contendo uma solu-
ção de glicerina iodada.
na dieta e aumentar proporcionalmente a participação de volumosos. No
final da lactação, deve-se considerar não só os requerimentos para produ-
ção de leite como também as necessidades para repor as reservas do corpo
para a próxima prenhez e lactação. É importante ter em mente que um
manejo alimentar correto no início da lactação não compensa uma alimen-
tação inadequada ao final da prenhez, da mesma forma que a alimentação
correta ao final da prenhez não dispensa uma alimentação adequada após
o parto.
A dieta fornecida às cabras afeta a produção de leite?
A natureza e a composição da dieta afetam não só a produção de leite
como sua composição e, em alguns casos, a performance reprodutiva do
animal, sendo o nível de ingestão de proteína e, principalmente, de energia,
os principais fatores que afetam a produção de leite.
Qual o número ideal de ordenhas para se obter máxima pro-
dução de leite?
O ideal é que se realize pelo me-
nos duas ordenhas diárias. Um método
natural para aumentar a produção é au-
mentar o número de ordenhas, sem pre-
judicar a saúde do animal ou a qualidade
do leite e sem apresentar efeitos colaterais
indesejáveis. A ordenha feita três vezes
ao dia, comparada a duas vezes, pode
incrementar a secreção leiteira na lacta-
ção completa.
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Manejo de Cabras Leiteiras
Como proceder quando ocorrem doenças em cabras
lactantes?
A primeira providência é a separação das cabras doentes do restante
do rebanho. Elas devem continuar sendo ordenhadas, porém, depois das
demais cabras. Seu leite não deve ser usado para alimentar os cabritos nem
para o consumo humano.
Como proceder para a obtenção de leite de boa qualidade?
Para a obtenção de leite de boa qualidade, o ordenhador deve estar
com unhas aparadas, roupa limpa, mãos e antebraços lavados com água e
sabão neutro e não ser portador de doença infecto-contagiosa. O local re-
servado para ordenhar as cabras deve ser distante das instalações dos
reprodutores (pelo menos 150 m) e higienizado rigorosamente. Os baldes e
botijões utilizados durante a ordenha e no acondicionamento do leite de-
vem estar bem limpos. Não ordenhar ascabras doentes, em cio ou em perí-
odo colostral. As cabras devem ser ordenhadas diariamente, pela manhã e
à tarde, no mesmo horário, e preferencialmente com o mesmo ordenhador.
Lavar o úbere e as tetas da cabra com água e sabão neutro e enxugá-los
com papel toalha, coletando os primeiros jatos de leite (50 ml das duas
tetas) em uma caneca de fundo escuro, para diagnosticar a mastite subclínica.
Concluída a ordenha, o que fazer para manter a boa quali-
dade do leite?
O leite deve ser filtrado em tela milimétrica ou em tecido filtrante
próprio, para eliminar as sujeiras que favorecem o desenvolvimento de bac-
térias e tornam o leite imprestável ao consumo humano. Sendo as cabras
ordenhadas no aprisco, retirar o leite desse local imediatamente, para evi-
tar a absorção de odores desagradáveis e contaminação. Sempre que possí-
vel, pasteurizar o leite.
Quais os principais fatores que influenciam a produção de
leite de cabra?
Os principais fatores que influenciam a produção de leite de cabra
são as condições de saúde, o nível nutricional, a raça, a idade e a ordem de
parto.
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470
471 Qual a produção de leite de uma boa cabra?
Uma boa cabra produz de 8 a 15 vezes seu peso em leite, num perío-
do de lactação de dez meses havendo, no entanto, cabras de alta produção
que podem atingir até 40 vezes seu peso em leite durante dez meses.
Quais as principais causas responsáveis pela má qualidade
do leite de cabra?
As principais causas são problemas de saúde da cabra em lactação,
presença de mastite uni ou bilateral, tipo de alimentação oferecida, falta de
higiene durante e após a ordenha no manuseio do leite, acondicionamento
do leite em vasilhames não higienizados e falta de resfriamento imediata-
mente após a ordenha.
Qual a principal vantagem da pasteurização do leite?
O processo de pasteurização elimina as bactérias patogênicas que
são prejudiciais à saúde.
A partir de quantos dias após o parto o leite de cabra pode
ser usado para o consumo humano?
Após 72 horas do parto.
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474
142
Melhoramento Genético
O que é melhoramento genético?
É um conjunto de processos seletivos cujo objetivo é aumentar a fre-
qüência dos genes desejáveis ou das combinações genéticas boas em uma
população.
O melhoramento genético de caprinos, utilizando apenas a
introdução de reprodutores exóticos, é um processo efici-
ente?
Não. Só há aumento no desempenho dos animais se houver interação
positiva entre raça, meio ambiente e manejo. Apesar disso, muitos
caprinocultores tentam melhorar a produtividade do rebanho somente com
a introdução de reprodutores de raças exóticas, não levando em considera-
ção, também, a necessidade de melhoria das técnicas de manejo.
Só se consegue o melhoramento genético com o cruzamen-
to entre raças diferentes?
Não. Pode-se também realizar o melhoramento genético pela sele-
ção dentro de raças, seguida de forte pressão de seleção para as caracterís-
ticas a serem exploradas.
Qual a importância da herdabilidade no melhoramento
genético?
A herdabilidade é o parâmetro pelo qual se mede o grau em que a
herança influencia uma característica, ou seja, indica o grau de associação
entre o valor fenotípico (peso, produção de leite) observado e o valor gené-
tico do indivíduo como reprodutor. Quando uma característica (ex. ganho
de peso) apresenta alta herdabilidade, significa que é facilmente repassada
dos pais para os filhos. Baixa herdabilidade significa o oposto, isto é, a ca-
racterística, apesar de possuída pelos pais, não é transmitida aos descen-
dentes.
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478
143
Melhoramento Genético
Os problemas genéticos são os únicos fatores responsáveis
pelos baixos índices produtivos do rebanho?
Não. A produtividade depende da capacidade individual do animal e
das condições do ambiente. No entanto, o melhoramento genético no reba-
nho, acompanhado de melhorias das condições de manejo, nutrição, sani-
dade e instalações, resultará em incremento significativo na produtividade
de caprinos.
Quais os critérios mais importantes a serem seguidos para a
seleção de caprinos dentro de um rebanho?
Selecionar animais que se adaptem bem às condições ambientes, que
apresentem boa fertilidade, produção de leite e ganho de peso sem a neces-
sidade de altos investimentos no sistema de exploração.
A seleção dentro de uma raça é considerada um método de
melhoramento?
Sim. Quando seleciona os melhores animais, dentro da raça, o produ-
tor está melhorando geneticamente seu rebanho. É um processo lento, mas
cumulativo no decorrer dos anos e tem custo baixo em relação a outros
métodos.
Como fazer a seleção em um rebanho caprino?
Nos trabalhos de seleção deve-se eliminar os animais com caracte-
rísticas indesejáveis, e selecionar os que contribuam para melhorar a efici-
ência e aumentar os índices produtivos do rebanho. Devem ser levados em
conta também os dados econômicos do rebanho.
Quais os tipos de seleção recomendados em caprinos?
• Seleção fenotípica – O animal é selecionado pelo que representa
ou desempenha.
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144
Melhoramento Genético
• Seleção zootécnica – Leva em consideração a produção econômi-
ca do animal. Nesse caso, registram-se seus índices produtivos, des-
prezando-se, na maioria das vezes, as características fenotípicas.
• Seleção geneatípica – Tem como referencial a produção dos ances-
trais.
O que é cruzamento?
É o acasalamento entre animais de diferentes raças ou tipos.
Quais os tipos de cruzamento mais utilizados nos progra-
mas de melhoramento genético de caprinos, nas regiões de
clima tropical?
Nos trópicos, os tipos de cruzamento mais utilizados são o cruzamen-
to industrial e o absorvente, utilizando-se animais exóticos e nativos.
Em que consiste o cruzamento absorvente?
Consiste no acasalamento entre duas raças puras diferentes ou de
reprodutores de uma raça pura com fêmeas de raça indefinida, sendo os
descendentes acasalados, nas sucessivas gerações, com animais de uma
das raças parentes.
Em que consiste o cruzamento rotativo ou alternado?
Nesse sistema há alternância no uso de reprodutores de raças dife-
rentes, podendo-se utilizar duas, três ou mais raças.
Os cruzamentos são recomendados em qualquer
situação?
Não. Os cruzamentos devem ser controlados, pois sem orientação
técnica são indesejáveis, porque favorecem o retrocesso do sistema de pro-
dução em vez de promoverem o progresso.
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145
Melhoramento Genético
489 O cruzamento das raças nativas com as raças exóticas é van-
tajoso?
Sim. Os produtos oriundos dos cruzamentos orientados entre caprinos
nativos e exóticos têm dado bons resultados, pois as mestiças são de boa
rusticidade, produtividade, principalmente na primeira geração (1/2 san-
gue), quando o vigor híbrido ou a heterose é máxima.
Quais os passos utilizados no processo de melhoramento de
um rebanho por meio de cruzamento?
Seleciona-se uma raça melhorada com produção conhecida, esco-
lhe-se o parâmetro desejado e procede-se ao cruzamento orientado, segui-
do da seleção dentro do rebanho, para se obter o melhoramento genético
definido.
Quando um caprino pode ser considerado puro por cruza
(PC)?
Para a obtenção de fêmeas PC, é necessário fazer cruzamentos ab-
sorventes com fêmeas de raça nativa e reprodutor puro de origem (PO) da
raça melhorada escolhida até atingir a quarta geração (15/16 de sangue).
No entanto, para a obtenção do macho PC, é necessária mais uma geração
(quinta geração) ou 31/32 de sangue exótico.
Qual a importância do parentesco na formação do material
genético?
Para avaliar a importância do parentesco de um caprino dentro da
família é necessário conhecer a contribuição de cada animal, obedecendo
à seguinte ordem: o pai e a mãe contribuem com 50% cada; os avós, com
25% cada um;os bisavós, com 12,5% e os tetravós, com 6,25%, cada. Daí
por diante o parentesco tem pouca importância.
Quando um reprodutor pode ser considerado melhorador?
Um reprodutor pode ser considerado melhorador quando a produção
de seus filhos e filhas for superior à produção das companheiras de rebanho.
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492
493
146
Melhoramento Genético
Qual o grau de sangue recomendado para se iniciar uma
criação de caprinos?
Em se tratando de criador que ainda não domina as práticas moder-
nas de manejo e não possui instalações adequadas e alimentação suficiente
para os animais puros, recomenda-se a aquisição de fêmeas nativas ou
mestiças (de 1/2 a 3/4 de sangue exótico), e reprodutor puro para que, em
cruzamentos orientados, possa obter caprinos produtivos e adaptados à re-
gião.
A introdução de uma raça é sempre uma prática recomen-
dável?
Não, a não ser que o produtor se disponha a fazer investimentos para
criar condições artificiais que se adequem às exigências dos animais intro-
duzidos. A melhor alternativa é promover o melhoramento das raças nati-
vas por meio de cruzamentos orientados, com o objetivo de se obterem
mestiços adaptados.
Qual o método mais rápido para se obter progresso genéti-
co no rebanho caprino?
Recomendam-se cruzamentos entre as raças desejadas. Assim, pode-
se aumentar o desempenho da raça e até chegar a uma nova raça para os
futuros cruzamentos. Outro processo de melhoria é a seleção dentro da
raça.
Quais são os principais métodos de melhoramento utiliza-
dos em caprinos?
O cruzamento e a seleção são os principais métodos de melhoramen-
to de caprinos. Para o êxito de cada método, o criador deve receber orien-
tação de um profissional a fim de não correr o risco de estar eliminando
características desejáveis no rebanho.
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495
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497
147
Melhoramento Genético
Por que não se deve usar reprodutores caprinos portadores
de defeitos genéticos?
Porque esses defeitos têm origem genética e são transmitidos de pais
para filhos. Nesse caso, os animais não devem ser usados para reprodução.
A eficiência reprodutiva é mais influenciada pela herança
ou pelo ambiente?
Pelas condições ambientes. De modo geral, as características repro-
dutivas, excluindo as relacionadas com as de crescimento, têm baixa her-
dabilidade. Mesmo assim, as fêmeas com baixa eficiência reprodutiva não
devem ser retidas no rebanho, pois causam grande prejuízo econômico.
Que relação tem a eficiência reprodutiva com o melhora-
mento genético animal?
A eficiência reprodutiva viabiliza o melhoramento genético animal.
Todos os recursos disponíveis para o melhoramento genético, como seleção
e cruzamento, dependem da eficiência reprodutiva do rebanho que, por
sua vez, depende do estado nutricional e sanitário, que afeta diretamente
sua fertilidade.
500
499
498
150
Índice Remissivo
A Abate
caprino 249, 275
Aborto
cabra 119, 120, 400
caprino 431
Acasalamento
caprino 381
AEC 86, 87, 92
controle 89
diagnóstico 88
transmissão 91
tratamento 90
Água
consumo
caprino 333
Aleitamento
cabrito 329
recém-nascido 328
Aleitamento artificial
cabrito 200, 202, 203, 206
caprino leiteiro 330
Aleitamento natural
cabrito 207
Alimentação
cabra 208, 354
forrageira 453
pós-parto 463
ração concentrada 353
cabra leiteira 254, 339, 451, 452, 457
cabra seca 462
cabrito 234, 343, 348
leite de vaca 345
caprino 239, 248, 335
adubo fosfatado 365
baixo investimento 373
estabulado 227
leguminosa arbórea 342
leguminosa arbustiva 342
mistura mineral 365
pastagem 218
pastagem cultivada 334
uréia 362, 363, 364
vegetação arbustiva arbórea 369
151
Índice Remissivo
B
C
Alimentação humana
leite
cabra 10, 11, 12, 474
Alimentação insuficiente
caprino 337
Alimento concentrado
cabra leiteira 454, 455, 456
Anti-helmíntico
tênia 53
Aprisco de chão batido 149
Aprisco suspenso 148
Aquisição
caprinos 132
Artrite encefalite caprina a vírus ver AEC
Atividade sexual
cabra 442, 443
Avaliação física
cabra leiteira 459
Bebedouro 165, 166, 167, 168, 169
Bicheira 75, 76, 77
controle 82
Boqueira 83, 84, 85
Brachiaria decumbens 294
Brete 160
Broncopneumonia
causa 105
prevenção 107
tratamento 106
Cabra
 aborto 119, 120, 400
alimentação 208, 210, 354
forrageira 453
forragem 332
atividade sexual 442, 443
cio 374, 375, 376, 379, 380
cobrição
baixo peso 418
época 444
indesejável 413
confinamento 121
descarte 440
desenvolvimento corporal 210
152
Índice Remissivo
dieta alimentar 464
fertilidade 390
gestação
duração 398
inseminação artificial 444, 447
lactação 448
leite
alimentação humana 10, 11, 12, 474
consumo 7, 8
derivado 9, 262, 450
produção 236, 470, 471
qualidade 468, 469, 472
vantagem 12
manejo sanitário 184
ovulação 377
parição 404, 408
parto 187, 395, 435, 438
perda de apetite 185
piquete 269
placenta
retenção 403
expulsão 402
plano alimentar 208
pós-parto
alimentação 463
prenhez 394, 396, 397
prolificidade 390, 391
reprodução
peso 393
seleção 388, 389
superalimentação 336
taxa de reposição 392
temperatura corporal 246
útero
infecção 401
vermifugação 48, 49, 58
Cabra leiteira
alimentação 254, 339, 451, 452, 457
alimento concentrado 353, 454, 455, 456
avaliação física 459
cobrição 259
complementação alimentar 254
condição física 458, 461
condição corporal 460
153
Índice Remissivo
criação 265
sistema 255
sistema intensivo 270
doença 467
lactação 237, 448, 450, 452, 467
interrupção 449
manejo 448 a 474
ordenha 465, 466
seleção 241
suplementação alimentar 338
vida útil 232
Cabra seca
alimentação 462
Cabrito
aleitamento 329
recém-nascido 328
aleitamento artificial 200, 202, 203, 206
aleitamento natural 207
alimentação 234, 343, 348
forragem 331
leite de vaca 345
castração 181, 182, 183
cordão umbilical 190
criação
sistema extensivo 218
desaleitamento 206
desmame 193
desmame antecipado 209, 331
desmame natural 192
desmame precoce 197, 198, 199, 204
identificação 195
instalação 191
mortalidade 215, 235
pós-parto 186
nascimento 216, 399
peso 267, 271
raça
mestiça 274
umbigueira 38
vermifugação 50
CAEV ver AEC
Capacidade de suporte 300, 312
pastagem nativa 295, 301
Capim-andropógon
154
Índice Remissivo
caprino
alimentação 285
Capim-colonião 302
Capineira
formação 282
implantação 280, 284
importância 281
intervalo entre corte 304
Caprino
abate 249, 275
aborto 431
acasalamento 381
adaptação 251
água
consumo 333
alimentação 239
adubo fosfatado 365
baixo investimento 373
capim-andropógon 285
gramínea 340
inadequada 248
leguminosa arbórea 342
leguminosa arbustiva 342
mandioca
parte aérea 322
mistura mineral 355, 365
pastagem 217
pastagem cultivada 283, 334
pau-ferro 288
uréia 362, 363, 364
vegetação arbustiva arbórea 369
alimentação adequada 335
alimentação insuficiente 337
aquisição 132
baixa fertilidade 410
baixo índice produtivo 247, 264, 479
carcaça
rendimento 28
carne
comercialização 260
produção 261
qualidade 244
circunferência escrotal 411
cobrição
155
Índice Remissivo
idade 406
comercialização 250, 272
confinamento 223, 224, 344
criação 1
cuidado 268
efeito da umidade 256
Nordeste 5
sistema extensivo 263, 384
sistema intensivo 220, 221, 225
sistema semi-intensivo 221, 226
deficiência nutricional 346
descarte 242, 243, 439
descorna 211, 213
método 214, 215
dieta alimentar 325
doença 30, 37
pele 72
prevenção 32
sistema nervoso 36
eficiência reprodutiva 421, 424, 499, 500
exploração 416
Brasil 2
Nordeste 4
feno
quantidade recomendada 359
fertilidade 411
forrageira nativa
preferência 372
forragem
baixo valor nutritivo
aproveitamento 368, 371
fornecimento 367
grau de sangue 494
hábitoalimentar 366
helminto gastrintestinal 39, 40, 41, 42
idade de abate 230
inseminação artificial 423, 428, 429, 430
isolamento 30
macho
descarte 439
reprodução 385
manejo 179 a 279
alimentar 280 a 373
reprodutivo 374 a 447
156
Índice Remissivo
melhoramento genético 475 a 500
cruzamento 485
entre raças 477
eficiência reprodutiva 500
herdabilidade 478
método 497
reprodutor exótico 476
monta controlada 383
monta natural 382
nascimento
época 266
nutrição
macronutriente 361
micronutriente 361
mineral 357
reprodução 419
pele
esfola 258, 276
importância econômica 277
qualidade 258, 276, 278
uso 279
perda de peso 352
peso 233, 275, 352
população 6
produção
baixo índice 247, 264
preferência alimentar 326
puberdade 378, 407
puro por cruza 491
raça 13 a 29
Alpina 17
aptidão mista 24
exótica 25, 26
Gurguéia 23
leiteira 16, 19
Marota 20
mestiça
Anglo-nubiana 273
nativa 18, 21, 22, 27
registro genealógico 15
reprodução 409
reprodutor 425, 434
carência alimentar 445
defeito genético 498
157
Índice Remissivo
desempenho 436
fertilidade 432
idade 386, 427
manejo alimentar 433
permanência no rebanho 387
seleção 385
rusticidade 3
sal mineral
consumo 356
sanidade 30 a 142
seleção 480, 481, 482, 483
separação por sexo 417
subnutrição 327
suplementação alimentar 349, 350, 351
suplementação mineral 360
temperatura corporal 245
vacina 31, 33, 34, 35
vermifugação 57, 58, 59
vermífugo 63
verminose gastrintestinal 43, 44, 45, 46, 47
Caprino estabulado 253
alimentação 227
Caprino leiteiro
aleitamento artificial 330
criação
sistema extensivo 16, 240
Nordeste 222
semiconfinamento 219
Caprinocultura
estação de monta 412, 414, 415
produtividade 231
Carcaça
rendimento 28, 29
Carne
caprino
qualidade 244
Castração
cabrito 181, 182, 183
Centro de manejo 145, 151
Ceratoconjuntivite 108
prevenção 111
sintoma 109
tratamento 110
Cerca 174, 175
158
Índice Remissivo
Cio
cabra 374, 375, 376, 379, 380
sincronização 426
Circunferência escrotal
caprino 411
Clostridiose 127
enterotoxemia 128
Cobertura
cabra 413
Cobrição
cabra
baixo peso 418
época 444
cabra leiteira 259
caprino
idade 406
Coccidiose ver Eimeriose
Cocho 170, 171
Coleta
fezes 61, 62
Colostro 188, 189, 201, 238
Comedouro 170, 171
Comercialização
caprino 250, 272
carne 260
Complementação alimentar
cabra leiteira 254
Concentrado 205
Condição corporal
cabra leiteira 460
Condição física
cabra leiteira 458, 461
Confinamento
cabra 121
caprino 223, 224, 344
Controle leiteiro
importância 252
Cordão umbilical
cabrito 190
Cria
colostro 201
concentrado 205
destino 230
nascimento 441
159
Índice Remissivo
separação por sexo 196
volumoso 205
Criação
caprino 1
cabra leiteira 265
sistema 255
sistema intensivo 270
cabrito
sistema extensivo 212
caprino
cuidado 268
efeito da umidade 256
Nordeste 5
sistema extensivo 263, 384
sistema intensivo 220, 221, 225
sistema semi-intensivo 221, 226
Cruzamento 484, 485, 488, 490
Cruzamento raça nativa x raça exótica 489
Cruzamento absorvente 486
Cruzamento rotativo 487
Cunhã
feno 315, 316
Curral de manejo 159
Deficiência mineral 228
 prevenção 358
Deficiência nutricional
caprino 346
Desaleitamento
cabrito 206
Descarte
cabra 440
caprino 242, 243
macho 439
Descorna
caprino 211, 212
método 213, 214
Desenvolvimento corporal
cabra 210
Desmame
cabrito 193
Desmame antecipado
cabrito 209
D
160
Índice Remissivo
Desmame natural
cabrito 192
Desmame precoce
cabrito 197, 198, 199, 204
Dieta alimentar
cabra 464
caprino 325
Doença
cabra leiteira 467
caprino 30, 37
pele 72
prevenção 32
sistema nervoso 36
Ectima contagiosa ver Boqueira
Eficiência reprodutiva 499, 500
caprino 421, 424
Eimeriose 66, 67, 68, 69
prevenção 71
tratamento 70
Embarcadouro 161
Esfola
caprino 258, 276
Estação de monta 436, 437
caprinocultura 412, 414, 415
Esterco
utilização 257
Esterqueira 157, 158
Exploração
caprino
Brasil 2
Nordeste 4
Febre aftosa 129
prevenção 131
tratamento 130
Fenação 313, 314
importância 318
plantas forrageiras 317
Feno
cunhã 315, 316
leucena 324, 341
mata-pasto 323
E
F
161
Índice Remissivo
preparo 319
quantidade recomendada
caprino 359
ramo da mandioca 320, 321
Fertilidade
cabra 390
caprino 411
reprodutor 432
Fezes
coleta 61, 62
Forrageira
cabra
alimentação 453
Forragem
alimentação
cabra 332
cabrito 331
baixo valor nutritivo
aproveitamento
caprino 368, 371
escassez 233
fornecimento
caprino 367
Forrageira nativa
preferência
caprino 372
Frieira 93, 94
prevenção 97
sintoma 95
tratamento 96
Germinação
semente
pau-ferro 291
Gestação
cabra
duração 398
Gramínea
alimentação
caprino 340
Grau de sangue
caprino 494
G
162
Índice Remissivo
I
Helminto gastrintestinal
caprino 39, 40, 41, 42
Herdabilidade
melhoramento genético 478
Idade de abate
caprino 230
Inoculação
semente 292
leucena 293
Inseminação artificial
cabra 429, 444, 447
caprino 423, 428, 430
Instalação 143 a 178
aprisco de chão batido 149
aprisco suspenso 148
bebedouro 165, 166, 167, 168, 169
brete 160
cabrito 178
centro de manejo 145, 151
cerca 174, 175
cocho 170, 171
comedouro 170, 171
construção 147
curral de manejo 159
depósito 153
desinfecção 150
embarcadouro 161
esterqueira 157, 158
galpão 153
limpeza 150
pedilúvio 154, 155
piquete 172, 173
piquete-maternidade 176
quarentenário 156
reprodutor 229
sala de ordenha 151, 152
saleiro 162, 163, 164
vantagem 146
Isolamento
caprino 30
H
163
Índice Remissivo
M
Lactação
cabra 448
cabra leiteira 237, 448, 450, 451, 452, 467
interrupção 449
Leguminosa arbórea
alimentação
caprino 342
Leguminosa arbustiva
alimentação
caprino 342
Leite
cabra
alimentação humana 10, 11, 12, 474
consumo 7, 8
derivado 9, 262
pasteurização 473
produção 236, 470, 471
qualidade 468, 469, 472
vantagem 12
vaca
alimentação
cabrito 345
Leucena
feno 324, 341
semente
inoculação 293
Linfadenite caseosa 98, 100, 104
prevenção 101, 102
transmissão 99
tratamento 103
vacina 101
Macho
caprino
descarte 439
reprodução 385
Mal-do-caroço ver Linfadenite caseosa
Mandioca
parte aérea
alimentação
caprino 322
rama
feno 320, 321
L
164
Índice Remissivo
Manejo 179 a 279
cabra leiteira 448 a 474
caprino 179, 180
pastagem 309
Manejo alimentar 280 a 373
caprino
reprodutor 433
Manejo reprodutivo 374 a 447
Manejo sanitário
cabra 184
Mastite 112
contaminação 113
diagnóstico 117
prejuízo 118
prevenção 116
sintoma 114
tratamento 115
Mata-pasto
feno 323
Material genético
parentesco
formação 492
Melhoramento genético 475 a 500
cruzamento 485
eficiência reprodutiva 500
entre raças 477
herdabilidade 478
método 497
reprodutor exótico 476
Micoplasmose
controle 124
prevenção 124
sintomas 122
transmissão 125
tratamento 123
Miíase ver Bicheira
Mineral
deficiência 228, 358
Mistura mineral
formulação 355
Monta contínua
desvantagem 405
Monta controlada
caprino 383
165
Índice Remissivo
O
P
N
Monta natural
caprino 382
Mortalidade
cabrito 216, 235
pós-parto
cabrito 186
Nascimento
cabrito 217, 399
caprino
época 266
cria 441
Nutrição
caprino 361
reprodução 419
Nutrição mineral
caprino 357
Obstrução urinária 138
prevenção 141
sintoma 139
tratamento 140
OPG
verme
método de avaliação 60
Ordenha
cabra leiteira 465, 466
Ovulação
cabra 377
Parição
cabra 404, 408
Parto
cabra 187, 395, 435
Pastagem
alimentação
caprino 218
brachiaria decumbens 294
capacidade de suporte 300, 312
capim-andropógon 285
capim-colonião302
166
Índice Remissivo
cunhã 315, 316
degradação 298, 370
descanso 307
leucena 293, 324, 341
manejo 309
pau-ferro 288, 289, 290, 291
período de pastejo 305, 306
plantio 287
recém-formada 303
pastejo 306
subdivisão 296
subpastejo 311
superpastejo 308
utilização 310
valor nutritivo 347
Pastagem cultivada 334
alimentação
caprino 334
formação 283
implantação 286
Pastagem nativa
capacidade de suporte 295, 301
Pastejo
pressão 299
Pasteurização
leite
cabra 473
Pau-ferro
caprino
alimentação 288
muda
plantio 290
preparo 289
semente
germinação 291
Pedilúvio 154, 155
Pele
caprino
esfola 258, 276
importância econômica 277
qualidade 258, 276, 278
uso 279
Peso
cabra
reprodução 393
167
Índice Remissivo
Q
R
cabrito 267, 271
caprino 233, 275, 352
Piolho 78, 79
controle 80, 81, 82
Piquete 172, 173
cabra 269
Piquete maternidade 176
Placenta
cabra
expulsão 402
retenção 403
Planta forrageira
fenação 317
Pododermatite ver Frieira
População
caprino 6
Prenhez
cabra 394, 396, 397
Produção
cabra
leite 236
caprino
baixo índice 247, 264
carne 261
Progresso genético 496
Prolificidade 420
cabra 390, 391
índice 422
Puberdade
caprino 378, 407
Quarentenário 156
Raça
 cabrito
mestiça 274
caprino 13 a 29
Alpina 17
aptidão mista 24
exótica 25, 26
Gurguéia 23
leiteiro 15, 16, 19
168
Índice Remissivo
S
Marota 20
mestiça
Anglonubiana 273
nativa 18, 21, 22, 27
introdução 495
Reprodução 335, 337
cabra
peso 393
seleção 388, 389
caprino 409, 425
nutrição 419
Reprodutor
caprino
carência alimentar 445
defeito genético 498
desempenho 436
fertilidade 432
idade 386, 427
manejo alimentar 433, 434
permanência no rebanho 387
seleção 385
melhorador 493
instalação 229
Reprodutor x matriz 384
Rufião 437, 446
Rusticidade
caprino 3
Saleiro 162, 163, 164
Sal mineral
consumo
caprino 356
Sanidade
caprino 30 a 142
Sarna 73, 74
controle 82
Seleção
cabra leiteira 241
caprino 480, 481, 482, 483
Semente
germinação
pau-ferro 291
inoculação 292
169
Índice Remissivo
T
U
leucena 293
Separação por sexo
caprino 417
cria 196
Semiconfinamento
caprino leiteiro 219
Subpastejo 311
Superalimentação
cabra 336
Superpastejo 308
Suplementação alimentar
cabra leiteira 338
caprino 349, 350, 351
Suplementação mineral
caprinos 360
Taxa de lotação 297
Temperatura corporal
cabra 246
caprino 245
Tênia 51, 52, 53
anti-helmíntico 53
Tétano 142
Timpanismo 133, 137
prevenção 136
sintoma 134
tratamento 135
Umbigueira
cabrito 38
Unidade animal 194
Útero
cabra
infecção 401
Utilização
pastagem 310
Vacina
caprino 31, 33, 34, 35
Valor nutritivo
pastagem 347
V
z
Verme ver também helminto gastrintestinal
dano 65
método de avaliação
OPG 60
Vermifugação 55
cabra 48, 49, 58
cabrito 50
caprino 59
Vermifugação estratégica 54, 57
Vermífugo ver também anti-helmíntico
caprino 63
resistência 64
Verminose gastrintestinal
caprino 43, 44, 45, 46, 47, 56, 57
Vida útil
cabra leiteira 232
Volumoso 205
Zoonose 125, 126
Produção editorial, impressão e acabamento
Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia
MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA E DO
ABASTECIMENTO
Trabalhando em todo o Brasil
GOVERNO
FEDERAL
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Meio-Norte
Embrapa Caprinos
Embrapa Meio-Norte, em parceria com a 
Embrapa Caprinos, coloca à disposição dos 
produtores de caprinos, extensionistas, técnicos 
da assistência técnica privada, estudantes, professores e 
_consumidores o livro Caprinos 500 Perguntas, 500 Respostas.
As perguntas originaram-se das constantes indagações 
recebidas do público interessado na exploração de caprinos e 
as respostas foram baseadas nos resultados de pesquisa obtidos 
no período de 1977 a 1998 pela Embrapa Meio-Norte e pela 
Embrapa Caprinos, nas diversas áreas pesquisadas como:
raças nativas e exóticas, sanidade, instalações, manejo 
alimentar, manejo reprodutivo, manejo de cabras leiteiras
e melhoramento genético.
Esta publicação não aponta apenas as alternativas viáveis para 
o desenvolvimento sustentado da caprinocultura, mas 
propiciará uma maior parceria da Embrapa com os criadores
e com a sociedade.
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