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Matheus dos Santos Correia UniFG – Medicina (Dermatologia) 15 Erisipela x Celulite erisipela A erisipela é denominada como a forma aguda e superficial de uma celulite. Por ser mais superficial a sua apresentação clínica pode se distinguir da celulite a principal entidade clínica que estabelece diagnóstico diferencial. A erisipela é causada pelo Streptococos pyogens ou pelo Sthaphyloccocus aureus, não apresentando nenhuma prevalência sobre algum grupo etário. Tais bactérias causa a infecção através da presença de soluções de continuidade (úlceras ou abrasões na pele) com o organismo. Sendo assim, o principal local de acometimento são os membros inferiores, seguido da região cervical e malar. Cabe destacar que algumas condições fisiológicas favorecem o surgimento desse tipo de infecção, por exemplo, presença de estase sanguínea o sistema imunológico suprimido. A apresentação clínica dos pacientes com erisipela se dá pela presença de uma lesão eritematosa com rápida progressão, presença de bordas bem definidas (semelhantes a projeções de pseudópodes), acompanhada de dor, adenomegalia reacional, febre e calor no local. Em alguns casos pode apresentar bolhas (erisipela bolhosa). Cabe destacar que como se tratada de uma infecção mais superficial, a erisipela pode complicar e se transformar em uma celulite (infecção profunda da pele) ou até mesmo uma faceite necrotizante, causando repercussões sistêmicas. O diagnóstico é clínico, sendo ele feito com base na apresentação clínica com as demais entidades: eczemas (sem febre e desvio à esquerda) e celulite (lesão mais profunda, com bordas não delimitas e sem a presença de forma bolhosa). Caso a lesão persista com o tratamento iniciado podemos lançar mão de uma cultura com antibiograma. O tratamento é utilizado penicilina, podendo ser ela a penicilina cristalina (evitar recorrência) ou a amoxicilina (tto domiciliar). O período do tratamento é de 02 semanas a fim de diminuir a chance de recorrência. Cabe destacar que devido o acometimento reacional da cadeia linfática podemos ter a presença da forma recorrente da erisipela a qual demora um pouco mais de tratar. Caso o comprometimento da pele seja mais profundo, podemos utilizar cefalosporina ou macrolídeos. Lembrando que como o acometimento é maior nos membros inferiores devemos sempre orientar os pacientes quanto ao repouso, elevação dos membros e uso de compressas frias. celulite A celulite é caracterizar por uma lesão infecciosa de origem bacteriana mais profunda, acometendo geralmente os membros inferiores, fácia e músculo. Os agentes infecciosos podem ser os mesmos causadores de erisipela (lembrar que uma erisipela pode dar origem a um quadro de celulite). Entretanto, a celulite pode ser causada por outros agentes e pode apresentar origem diferente da infecção. A manifestação clínica mais comum é dor no local com presença de eritema com bordas mal definidas que acomete a derme e hipoderme. A presença de necrose com ulcerações e abscessos também são frequentes e são complicações da celulite. O diagnóstico aqui é clínico podendo em alguns casos complicados haver a necessidade de solicitar uma cultura. Os pacientes neste caso geralmente se apresentam mais toxemiados o que justifica a internação hospitalar e administração de antibióticos por via parenteral.Os acometimentos submandibular e cervical (angina de Ludwig), muitas vezes associados a abscessos dentários, podem ter dor importante e risco de obstrução de vias aéreas e/ou disseminação para o mediastino, sendo por isso uma urgência médica. O tratamento pode ser realizado por cefalosporinas e quinolonas, principalmente o ciprofloxacino. Em casos de pacientes diabéticos podemos associar com clindamicina. Pacientes denominados de alto risco (dor desproporcional, lesões hemorrágicas, bolhar, áreas de anestesia, crepidação e toxemia) devem ser internados e tratados com oxacilina. Devemos ainda sempre avaliar a necessidade de drenagem e desbridamento.