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Leishmaniose Tegumentar Americana PARASITOLOGIA Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA): A LTA é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania, que acomete pele e mucosas. Merece bastante atenção devido à sua magnitude, assim como pelo risco de ocorrência de deformidades que pode produzir no ser humano, e também pelo envolvimento psicológico, com reflexos no campo social e econômico. Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA): Fonte:MANUAL DE VIGILÂNCIA DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA Agente etiológico: A Leishmania é um protozoário pertencente à família Trypanosomatidae. É um parasito intracelular obrigatório das células do sistema fagocítico mononuclear. Possui duas formas principais: uma flagelada ou promastigota, encontrada no tubo digestivo do inseto vetor, e outra aflagelada ou amastigota, observada nos tecidos dos hospedeiros vertebrados. Forma flagelada ou promastigota. Forma aflagelada ou amastigota. Formas amastigotas (A): apresentam-se tipicamente, ovóides ou esféricas. Formas promastigotas (B): são formas alongadas em cuja região anterior emerge um flagelo livre. Formas paramastigotas (C): apresentam-se ovais ou arredondadas com o cinetoplasto margeando o núcleo ou posterior a este e um pequeno flagelo livre. Morfologia: Fonte: Parasitologia Humana - David Pereira Neves Vetor: Os vetores da LTA são insetos denominados flebotomíneos, pertencentes à Ordem Díptera, Família Psychodidae, Subfamília Phlebotominae, Gênero Lutzomyia. Conhecidos popularmente, dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, tatuquira, birigui, entre outros. A transmissão do parasito ocorre durante o processo de alimentação do flebotomíneo; Os promastigotas são fagocitados pelos macrófagos e outras células mononucleares fagocíticas; Nessas células, os promastigotas se transformam em amastigotas (o estágio tecidual); Os amastigotas se multiplicam por divisão simples e infectam outras células fagocíticas mononucleares; Ao se alimentarem do sangue de um hospedeiro infectado, as flebotomíneas são infectadas pela ingestão de macrófagos infectados por amastigotas; No intestino médio das flebotomíneas, os amastigotas se transformam em promastigotas. Ciclo no vertebrado: 1. 2. 3. 4. 5. 6. A saliva do flebotomíneo possui neuropeptideos vasodilatadores que atuam facilitando a alimentação do inseto e ao mesmo tempo imunossuprimindo a resposta do hospedeiro vertebrado desta forma, exerce importante papel no sucesso da infectividade das promastigotas metaciclicas. Ciclo biológico Ao fazer repasto sanguíneo em hospedeiro infectado, as fêmeas dos flebotomíneos ingerem sangue com macrófagos e monócitos parasitados. No intestino médio do inseto, as formas amastigotas são liberadas e após divisão se transformam nas formas promastigotas, infectantes para o homem. Ciclo no intertebrado: Ciclo biológico Formas clínicas: Fonte: Parasitologia Humana - David Pereira Neves Três semanas a três meses depois da picada do inseto, aparece no local uma ferida arredondada, com as bordas elevadas, que não dói, não sai pus, mas pode coçar. Neste começo da doença é possível notar também o aparecimento de “glândulas ou íngua” próximo ao local da lesão. Cicatriza lentamente sem necessidade de tratamento entre 2 a 15 meses; Sinais/sintomas: 1. Leishmaniose cutânea Caracteriza-se por lesões destrutivas na mucosa das vias aéreas superiores, como nariz, orofaringe, palatos, lábios, língua, laringe e, mais dificilmente, traqueia e parte superior dos pulmões. Na mucosa podem ser observados vermelhidão, inchaço, infiltração e ulceração. Se houver infecção secundária por bactérias, as lesões podem apresentar secreção purulenta e crostas. Na mucosa do nariz, pode haver perfuração ou até destruição do septo cartilaginoso e, na boca, pode haver perfuração do palato mole. 2. Leishmaniose mucosa ou mucocutânea Sinais/sintomas: Essas lesões são precedidas do entupimento do nariz, saída de crostas com ou sem sangramento, inchaço do nariz e ferida por dentro da narina. A doença evolui muito lentamente, portanto, estes sintomas podem perdurar por anos. 2. Leishmaniose mucosa ou mucocutânea Sinais/sintomas: Sinais/sintomas: 3. Leishmaniose difusa Diagnóstico clínico: Pode ser feito com base na característica da lesão que o paciente apresenta, associado a anamnese, na qual os dados epidemiológicos são de grande importância. Diagnóstico laboratorial: A demonstração do parasito pode ser feita do material obtido da lesão existente através de: Exame direto de esfregaços corados; Exames imunológicos; Inoculo em animais; Exames moleculares: reação em cadeia de polimerase (PCR). 1. 2. 3. 4. Diagnóstico: Tratamento: A droga de primeira escolha é o antimonial pentavalente. Há dois tipos de antimoniais pentavalentes que podem ser utilizados: o antimoniato de N-metil glucamina e o stibogluconato de sódio (não comercializado no Brasil). Tratamento: Uso de repelentes quando exposto a ambientes onde os vetores habitualmente possam ser encontrados. Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir a aproximação de mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos. Evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite) Manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos, a fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para formas imaturas do vetor Profilaxia: Uso de mosquiteiros de malha fina, bem como a telagem de portas e janelas; Limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos. Manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a noite, de modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para este ambiente; Poda de árvores, de modo a diminuir o sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de larvas de flebotomíneos; Profilaxia: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – 2. ed. atual. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_leishmaniose_tegumentar_ame ricana.pdf. Acesso em 8 de agosto de 2021. VASCONSELOS, J; GOMES, C; SOUSA, A; Et al. Leishmaniose tegumentar americana: perfil epidemiológico, diagnóstico e tratamento. Disponível em: http://www.rbac.org.br/artigos/leishmaniose-tegumentar-americana-perfil-epidemiologico- diagnostico-e-tratamento/. Acesso em 8 de agosto de 2021. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – 6. ed. – Brasília :Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Guia_Vig_Epid_novo2.pdf. Acesso em 8 de agosto de 2021. 1. 2. 3. Referências: 4. NEVES, D; MELO, A; LINARDI, P; VITOR, R. Parasitologia Humana. 11ª ed. Atheneu. Disponível em: https://classroom.google.com/u/0/c/MzUxMTA5NDkxNjU4/m/MzA0NDQzMjQ5ODc3/details. Aceso em 8 de agosto de 2021. 5. VIANA, A. Leishmaniose tegumentar: o que é, sintomas e tratamento. Tua Saúde. Disponível em: https://www.tuasaude.com/leishmaniose-tegumentar/. Acesso em 9 de agosto de 2021. 6. GOVERNO DE SANTA CATARINA. Leishmaniose Tegumentar Americana: informações para a população. Disponível em: http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/zoonoses/publicacoes/Leishmaniose_Tegumentar_American a_Para_populacao.pdf. Acesso em 9 de agosto de 2021. Referências: