Prévia do material em texto
Patologia Patologia cardíaca - Existem patologias que são restritas a esses tecidos, como a Insuficiência e Estenose, onde podemos ver as complicações de abertura e fechamento das valvas, assim como as degenerações e as calcificações que podem ser encontradas. ENDOCARDITE INFECCIOSA - Colonização ou invasão das valvas cardíacas ou do endocárdio mural por um microorganismo, que leva a formação de vegetações friáveis e volumosas, frequentemente associados à destruição dos tecidos cardíacos subjacentes. Quando esse organismo se instala nesse local ele começa a multiplicar e causar o aspecto macroscópico (imagem) que são nodulações ou vegetações sobre o tecido valvar ou endocárdio que vai proliferando. - A maioria dos casos é causada por bactérias → endocardite bacteriana - Todas as endocardites são infecciosas? Não, existem endocardites não bacterianas não infecciosas. Ex. Lúpus Patologia - Para haver colonização endocárdica e desencadear uma endocardite, há necessidade de bacteriemia ou fungemia transitória ou duradoura. - Estas se originam de focos infecciosos em diversos locais do organismo, relacionados a manipulações dentárias, queimaduras, uso prolongado de invasivos (colocação de cateteres intravasculares e hemodiálise) e uso de substâncias injetáveis por viciados em drogas. - Em geral, as endocardites se estabelecem em valvas previamente lesadas ou próteses valvares. - No Brasil e em outros países em que a prevalência da doença reumática é elevada, a da endocardite também é por causa desse fator de risco - Na maioria dos casos, a endocardite infecciosa localiza-se nas faces das valvas de maior impacto do fluxo sanguíneo - As valvas mais atingidas são a mitral e a aórtica. Então, no coração esquerdo a possibilidade de desenvolvimento de endocardite infecciosa é maior. Pergunta de prova!! Qual é a principal característica macroscópica, o que se espera encontrar na microscopia da endocardite? R: VEGETAÇÕES OU NODULAÇÕES sobre as superfícies valvares ou endocárdio. E microscopicamente? R: Colônias bacterianas, células inflamatórias e fibrinas. O que está circulado na imagem são as vegetações. Com consistência macia ou friável. Patologia Formação de um trombo sobre uma área de vegetação ou fragmentação dessa vegetação e ela embolizar. CARDIOPATIA REUMÁTICA -A doença reumática é uma afecção inflamatória sistêmica, de natureza imunitária e caráter recorrente, secundária a uma infecção estreptocócica da orofaringe. - É uma complicação tardia, não- supurativa, mediada por anticorpos, de infecções das vias aéreas superiores causadas por estreptococos B-hemolíticos do grupo A de Lancefield - Na história natural da doença, o indivíduo inicialmente tem uma infecção da orofaringe seguida, duas a quatro semanas depois, de episódio agudo da doença reumática. - No entanto, como a doença tem evolução longa, suas principais repercussões aparecem em indivíduos jovens ou adultos. - As evidências principais indicam haver uma reação imunitária cruzada com moléculas de partes do próprio organismo como o coração e as articulações. - No coração, a inflamação pode comprometer o pericárdio, miocárdio ou endocárdio, isolada ou conjuntamente → PANCARDITE - As lesões principais são as das valvas: a valva mais acometida é a mitral, isoladamente (50 a 70% dos casos) ou em associação com a aórtica (30 a 50 %) - Recidivas = piora progressiva das cicatrizes + disfunção das valvas. - Na fase aguda, o coração de indivíduos falecidos com cardite reumática é aumentado de volume, flácido ou globoso e frequentemente apresenta pericardite fibrinosa. - A abertura do órgão, observa-se certo grau de hipertrofia e evidente dilatação das câmaras cardíacas, principalmente dos ventrículos. - Pequenas vegetações ou verrugas de cor róseo-acinzentada podem aparecer ao longo da borda de fechamento das válvulas. - O diagnostico baseias-se principalmente no nódulo de Aschoff, que é considerado patognomônico da doença. Patologia Na primeira imagem: aspecto parecido “pão com manteiga” (liga) e na segunda: o restante do pericárdio fica “áspero” com aspecto grumoso. - O coração mostra-se aumentado de volume e flácido, apresentando hipertrofia e dilatação das câmaras cardíacas. Na imagem o coração está globoso, mais arredondado que o normal. Uma das características que podemos encontrar em pacientes com cardiopatia reumática é o acometimento do tecido valvar, levando ao espessamento do folheto dessa valva. Com a agressão continuada desse tecido valvar, podem ir surgindo deformidades que podem levar a estenose e a insuficiência valvares. O aspecto do nódulo de Aschoff varia com seu período de evolução, sendo distinguidas três fases: 1. Exsudativa ou inicial (2-3 semanas de doença) → se caracteriza por tumefação, fragmentação e aumento da eosinofilia das fibras colágenas (que ficam com aspecto fibrinóide), em associação com alguns linfócitos e plasmócitos. 2. Proliferativa ou granulomatosa (3-4 semanas do inicio da doença) → é representado pelo acúmulo, ao redor das áreas de alterações do colágeno, de macrófagos e células gigantes, linfócitos e fibroblastos dispostos em arranjo grosseiramente paralelo. Os macrófagos são grandes, possuem citoplasma basofílico e núcleo hipercromático. 3. Cicatricial (4 a 6 meses) → quando o processo proliferativo regride, surgem fibroblastos e se formam fibras colágenas até a fibrose completa (aspecto conhecido como lesão em "chama de vela", perivascular) Patologia Essas células têm um núcleo que apresenta projeções lineares que vão dando a essas células quando estão de lado o aspecto em “lagarta” ou “núcleos em taturana”. E quando são vistas de frente também apresentam esse aspecto mais felpudo que vão ser chamados de “núcleos em olho de coruja”. - Infiltrado inflamatório mononuclear (linfocitário) e polimorfonuclear (neutrófilos) com deposições de substâncias fibrinóide. - Presença dos nódulos de Aschoff → área de alteração das fibras colágenas, apresentando ao seu redor acúmulo de histiócitos, linfócitos e fibroblastos = fagocitose do material fibrinóide. - Fibrose - Além dos nódulos, pode haver miocardite intersticial difusa e inespecífica. - Essa miocardite é caracterizada por edema do tecido conjuntivo e infiltrado inflamatório com linfócitos, plasmócitos, macrófagos, neutrófilos e ocasionais eosinófilos, em todo o miocárdio. - Acompanha-se de agressão e necrose das fibras miocárdicas. - Na fase crônica, o componente mais importante é a inflamação valvar com mononucleares, acompanhada de neoformação vascular, fibrose e cicatrização. - As cúspides encontram-se irregularmente espessadas, encurtadas e, às vezes, calcificadas - Frequente também é a fusão das comissuras → nos casos típicos, esta é muito importante e torna o orifício valvar muito reduzido e alongado, em formato conhecido como "boca de peixe”.Patologia - A fusão de comissuras é um dos principais mecanismos de estenose valvar na doença reumática. - Nas valvas átrio-ventriculares, existem ainda, espessamento, fusão e encurtamento das cordas tendíneas, resultando em insuficiência valvar INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO - CARDIOPATIA ISQUÊMICA é a principal causa de óbito em todo mundo - Doença em que se verifica isquemia (diminuição do fornecimento de sangue) do miocárdio, normalmente devido a uma aterosclerose coronariana. Então todas as vezes que temos infarto agudo do miocárdio teremos necrose de células miocárdica. - PERFUSÃO x DEMANDA Irrigação cardíaca: 1. Coronária direita → descendente posterior 2. Coronária esquerda → descendente anterior / circunflexa 3. Artéria epicárdicas → epicárdico – miocárdio – endocárdio → o sangue intracavitário não irriga o coração → Endocárdio: maior risco isquêmico → ↑ FC: ↓ tempo diastólico = ↑ consumo de O2 Principais fatores de risco: - Idade (acima 60 anos) - Sexo (homens) - Historia familiar - Sd. metabólica (dislipidemia, DM, HAS, obesidade) - Tabagismo - Sedentarismo -Estresse Outras causas: - Uso de cocaína – vasoespasmo - Embolização de trombos cavitários - Hipotensão – choque - Doenças de vasos intramurais – vasculites Patologia No infarto agudo do miocárdio - Isquemia levando a morte de células musculares cardíacas - Obliteração total, ou quase total, da luz arterial - Morte celular do músculo cardíaco: necrose de coagulação ou necrose isquêmica - Subendocárdico ou transmural – a maioria é transmural (necrose isquêmica acomete toda ou quase toda a espessura da parede ventricular), mas o subendocárdico é mais comum ele envolve a parte mais próxima do endocárdio, porque o endocárdio é menos vascularizado porque é mais interno. - No infarto subendocárdico há envolvimento do 1/3 interior ou no máximo da metade da parede do ventrículo Gravidade da lesão - Calibre do vaso obstruído - Área irrigada - Tempo de isquemia - Gravidade da oclusão - Espessura do infarto - Presença de circulação colateral (isquemia crônica) - Ocorrência de espasmos artérias Os aspectos macro e microscópicos de uma área de infarto, na necropsia, dependem da sobrevida do paciente após o evento - As alterações histopatológicas típicas tornam-se detectáveis a partir das primeiras 4-12 horas - perda da contratilidade: 60 segundos - Necrose de coagulação: 20 - 40 min 6 - 12h completa Lesão irreversível Patologia Podemos observar em um coração com cerca de 1 a 3 dias, células miocárdica mais adelgaçadas, mais finais e mais rosada. O núcleo dessas células vai desaparecer / apagando, por isso que esse infarto é caracterizado por essas células fantasmas. Outra característica são essas estriações que acontece por alterações nos canais de cálcio nas células. Essas estriações que são chamadas de bandas de hipercontração são característica desse tecido. E na fase aguda vão ser encontrados os neutrófilos polimorfonuclares. E na fase crônica como é um tecido que não sofre regeneração ele é caracterizado por ficar mais adelgaçado e mais duro que o normal, porque essa área de infarto vai sendo substituída por uma área de fibrose. Essa cicatriz fibrosa fica uma área mais brancacenta, mais dura do que a musculatura cardíaca. Patologia 1 dia – mudança da coloração e formato dos miocardiocitos, eles vão ficar mais rosados, mais eosinofílicos, mais delgados e começa a se observar a perda no núcleo dessas células. 4 dias - vão surgir a células inflamatórias, bandas de hipercontração. 10 dias – formação de tecido de granulação começa a depositar colágeno e formação de novos vasos. 6 semanas – só encontraremos tecido fibroso denso INSUFICIENCIA CARDÍACA - Coração é incapaz de bombear sangue em taxa proporcional às necessidades dos tecidos ou é capaz disso apenas em uma pressão de enchimento elevada. Caracterizado por: - Diminuição do debito cardíaco - Represamento de sangue no sistema venoso - Ambos (ou as 2 coisas) Patologia - Qualquer condição que leve a alterações na estrutura ou função do coração pode predispor o paciente a evoluir com insuficiência cardíaca 1. Doença miocárdica primária ou secundária (Insuf. coronariana, HAS, cardiomiopatia dilatada e hipertrófica idiopática, cardiomiopatia restritiva e doenças infiltrativas, cariopatia alcoólica, miocardite) 2. Doença valvar 3. Doença congênita 4. Doença pericárdica 5. Arritmias – taqui e bradiarritmias 6. Drogas de efeito inotrópico negativo Patologia Insuficiencia cardiaca ESQUERDA Congestão Pulmonar Caracteriza-se por achados de congestão como a dispneia, ortopneia, dispneia paroxistica noturna, consequentes à disfunção do VE. DIREITA Congestão da circulação venosa Caracteriza-se por manifestações de congestão sistemica, como distensão veneosa jugular, hepatomegalia e edema periferico, consequentes à disfunção do VD. OBS: Geralmente a ICD vem acompanhada da ICE. MORFOLOGIA DA INSUFICIÊNCIA CARDIACA ESQUERDA (ICE) CORAÇÃO PULMÕES Hipertrofia Dilatação Pulmões encharcados Pesados Células da Insuficiência cardíaca Nesse pulmão o que chama a atenção é essa quantidade de liquido que fica espumando na árvore respiratória. Essa espuma NÃO é característica do tecido pulmonar. A microscopia de um pulmão normal contém esses alvéolos aerados (que são as áreas brancas). Um pulmão com edema essas áreas brancas (alvéolos) ficam preenchidas por um liquido róseo, esse liquido na luz alveolar impede que o paciente respire adequadamente. Esse paciente vai apresentar Patologia clinica de edema agudo de pulmão nos casos que exista uma quantidade grande de liquido na árvore respiratória. Ele pode ter alguns alvéolos preenchidos por liquido e não manifestar crise de dispneia e sim momentos de dispneia, essa descompensação é progressiva. PULMÕES: - Pressão nas veias pulmonares - Congestão dos capilares e artérias pulmonares - Edema no interstício e alvéolos - Hemácias extravasadas → macrófagos → hemossiderina = células da IC (macrófagos com citoplasma acastanhado) – fase crônica Fase aguda da IC observa-se áreas de hemorragia nos alvéolos, nos espaços alveolares, o paciente com dispneia a árvore respiratória repleta de liquido e de sangue e esse colapso alveolar. Células da IC dentro de um alvéolo, onde deveria ser encontrando um local aerado, sem esse tipo celular. Esse edema pulmonar é progressivo. MORFOLOGIA DA INSUFICIÊNCIA CARDIACA DIREITA (ICD) - Isolada ocorre apenas em algumas doenças - Geralmente conseqüência 2ª da IC esquerda → ICE= aumento da pressão na circulação pulmonar → aumento da carga do lado direito - IC direita isolada = cor pulmonale (hipertensão pulmonar crônica) - Congestão pulmonar mínima Ingurgitamento do sistema venoso e portal Patologia Congestão sistêmica: - Hepato-esplenomegalia - Ascite - Derrame pleural e pericárdico - Edema periférico (tornozelo, pré-tibial, região sacra) - Anasarca (edema generalizado) Cirrose cardíaca é um fígado completamente alterado em sua morfologia, com áreas de fibrose, áreas de congestão e essas alterações são secundárias a uma congestão retrograda ( uma sobrecarga no coração direito, podendo ser esquerdo também) e um acúmulo desse tecido dentro do fígado com áreas de hemorragia, remodelação do estroma e substituição por fibrose formando nodulações hepáticas, e consequentemente disfunção desse tecido hepático. Resumindo: São esses dois órgãos (fígado e coração) que vão está bastante comprometido em pacientes que apresentam IC direita e esquerda. No coração encontraremos o espessamento da parede (hipertrofia) e dilatação das câmaras cardíacas.