Logo Passei Direto
Buscar

AS MULHERES NO DIVÃ

Livro As mulheres no divã — análise da psicopatologia feminina, de Cláudia S. Pacheco. Reúne capítulos e estudos sobre inveja, inversão, sexualidade, narcisismo, casamento, paranóia e psicopatologia familiar.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

MULHERES
AS
UMA ANÁLISE DA PSICOPATOLOGIA FEMININA
NO DIVÃ
Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:291
Da mesma autora
• A Cura pela Consciência - Teomania e Stress
• O ABC da Trilogia Analítica (Psicanálise Integral)
• História Secreta do Brasil
• Dossiê América
Participação como autora
• Psicoterapias Alienantes
• From Sigmund Freud to Viktor E. Frankl: Integral Psychoanalysis
• The Technique of lnteriorization
• A Decadência do Povo Americano
• A Libertação dos Povos - Patologia do Poder The Decay of the
American People (and of the United States)
• Liberation of the People - The Pathology of Power
• Oppna Ditt Fõnster (Abra Sua Janela)
Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Pacheco, Cláudia S.
P118m As mulheres no divã: uma análise da psicopatologia feminina
/ Cláudia S. Pacheco. - São Paulo: Proton, 1987
Bibliografia.
ISBN 85-7072-012-2
1. Mulheres - Condições sociais 2. Mulheres -
Psicologia 3. Psicanálise I. Título. II. Título: Uma
análise da psicopatologia feminina.
CDD-616.891.7024042
-155.633
-305.42
87-0529 NLM-WM
Índices para catálogo sistemático:
1. Mulheres : Condições Sociais : Sociologia 305.42
2. Mulheres : Psicanálise : Medicina 616.8917024042
3. Mulheres : Psicologia 155.633
4. Psicanálise para mulheres : Medicina 616.8917024042
Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:292
Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco
MULHERES
PROTON EDITORA, LTDA.
Avenida Rebouças, 3819- Jd. Paulistano
05401-450 - São Paulo - Brasil
www.trilogiaanalitica.org
sitaenk@trilogiaanalitica.org
NO
AS
UMA ANÁLISE DA PSICOPATOLOGIA FEMININA
DIVÃ
Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:293
Capa
Carlos Gomes de Freitas II
Revisão
Henrique Keppe
João Léo Pinto Lima
Composição
Trilogical Graphic Design, Inc.
Mara Lúcia Szankowski
ISBN - 85-7072-012-2
Copyright 1987 Proton Editora Ltda- São Paulo, SP. Nenhuma parte
deste livro pode ser reproduzida sem a permissão por escrito do editor,
exceto em casos de pequenas passagens, desde que seja citada a fonte
em referência.
Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:294
I
Índice
Oferta ............................................................................................ 1
Explicação ao Leitor ...................................................................... 3
Introdução ..................................................................................... 7
Parte I
Estudo Psicopatológico
 1. A Inveja, a Inversão e as Mulheres ........................................ 13
 2. O Que Eu Não Vejo, Não Existe ........................................... 19
 3. As Evas dos Tempos Modernos ............................................ 21
 4. Cada Um Vive a Vida Que Pensa Ser Melhor
Para Si ................................................................................... 23
 5. A Mulher Não Se Desenvolve Por Falta de In-
teresse pelo Progresso ........................................................... 25
 6. O Atraso das Mulheres .......................................................... 28
 7. O Desejo do Domínio Impede Nosso Progresso .................. 28
 8. A Vida Psíquica da Menina Já É Basicamente
Igual à da Mulher Adulta ........................................................ 35
 9. A Sedução Feminina .............................................................. 38
10. Narcisismo - Megalomania ..................................................... 40
11. A Libertação da Mulher Não Virá Através da
Libido .................................................................................... 42
12. A Mulher e o Sexo................................................................. 45
Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:361
II
13. O Narcisismo Leva à Frigidez Sexual ..................................... 48
14. A Mulher Sempre Se Esconde Atrás de Um
Homem .................................................................................. 50
15. A Busca do Romance e a Autodestruição .............................. 52
16. A Mulher Inverte: Vê o Homem Afetivo Como
Frio e o Frio Como Muito Amoroso ...................................... 55
17. A Mulher Que Age Como Uma Criança
Neurótica.............................................. ................................ 58
18. A Paranóia Entre os Sexos ..................................................... 60
19. A Paranóia ao Afeto .............................................................. 64
20. O Casamento: Profissão da Mulher ........................................ 67
21. Os Casamentos Não Dão Certo Pois São o Pacto do
Narcisismo com a Megalomania ........................................... 69
22. Por Que os Homens Mentem Para as Mulheres? .................. 72
23. A Mulher Imita a Mãe na Conduta Afetiva ............................. 74
24. Os Pactos .............................................................................. 76
25. A Psicopatologia Familiar ....................................................... 78
26. Atrás de Um Homem Doente Sempre Existe
Uma Mãe Neurótica .............................................................. 80
27. A Mulher Cria, à sua Semelhança,
Filhos Inúteis e Alienados ....................................................... 83
28. A Intriga: O Crime da Mulher ................................................. 85
29. As Mulheres e a Solidão ........................................................ 88
Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:362
III
Parte II
Estudo Sociopatológico
1. A Influência da Teomania na Educação ..................................... 95
2. A Sociedade Ajuda a Estragar a Mulher ................................... 98
3. O Narcisismo e o Poder ........................................................ 101
4. As Mulheres e o Poder ...................................... .. ................ 106
5. Quem Sustenta a Economia Consumista É a Mulher .............. 114
6. A Mulher e o Crime................................................................ 117
7. A Guerra Entre as Feministas .................................................. 121
Parte III
Estudo sobre a Sanidade
1. Afinal Como É a Mulher? ................................... ................. 131
2. 0 Aspecto Feminino da Criação ............................................. 134
3. Deus Criou as Mulheres para Serem Semelhantes a Ele ........ 137
4. Um Breve Estudo Sobre Uma Mulher Original .................... 139
5. A Mulher do Futuro Será Espiritualizada ................................ 141
6. O Paraíso Perdido ................................................................. 145
7. O Poder do Amor .................................................................. 149
8. Receita da Felicidade ............................................................. 153
9. As Mulheres do Terceiro Milênio ........................................... 156
Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:363
IV
Mensagem Final
Mensagem ................................................................................. 163
Bibliografia ................................................................................. 165
Glossário .................................................................................... 169
Índice Remnissivo ..................................................................... 177
Livros Publicados pela Proton ................................................... 177
Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:364
3
Explicação ao Leitor
N
este livro procurei analisar em maior profundidade as causas
psicopatológicas (individuais) e sociopatológicas do sofrimento
da mulher e dos seus problemas. Não somente a mulher sofre como
também faz sofrer, muitas vezes inadvertidamente, por desorientação,
por alienação, como resultado de fortes pressões educacionais e sociais,
ou ainda por inveja e narcisismo dos quais não tem consciência e os
quais, conseqüentemente, não pode controlar.
A mulher ultimamente tem sido objeto de estudo freqüente, tanto das
próprias feministas, como de sociólogos,psicólogos e legistas, que tentam
decifrar os motivos que a levaram a ocupar uma posição de tanta
inferioridade e desigualdade em relação ao homem, na esmagadora
maioria das culturas do passado e presente.
Noto haver uma lacuna no que diz respeito a uma análise mais
específica da psicopatologia feminina (psico = relativo ao psicológico;
patologia = estudo da doença; psicopatologia = estudo da doença
psicológica). Portanto, procurei no decorrer deste trabalho focalizar a
mulher em todas as suas dimensões: nos problemas consigo mesma,
com o homem, com a família, com a sociedade e com o seu Criador.
O leitor deve perceber que, quando me refiro às mulheres, embora
eu pareça generalizar, estendendo os conceitos aqui descritos a todas
elas, busco tratar mais das atitudes patológicas, existentes em maior ou
menor grau dentre o gênero feminino.
Obviamente existem muitas mulheres de grande valor. E até mesmo
aquelas que são mais desequilibradas sempre têm algum aspecto de
sanidade.
Fato é que na ciência, que lida com a experimentação, é necessário
nos basearmos em princípios gerais, universais e básicos, mas também
respeitar a individualidade de cada ser humano. Portanto, para o trabalho
com as mulheres, a premissa de que cada caso é um caso e deve ser
analisado separadamente é válida; no tratamento psicanalítico trilógico
essas regras científicas são respeitadas.
O trabalho mais difícil para eu conseguir realizar foi este estudo
psicopatológico sobre nós, mulheres. Nunca tive tanta dificuldade, nunca
Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:403
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
4
as idéias se embaralharam tanto e foi tão penoso concatenar as coisas e
colocá-las no papel.
À medida que ia desenvolvendo o projeto, sentia uma enorme
resistência, preguiça — apareciam “projetos” que colocava como mais
importantes, para desviar-me.
Passava de uma atitude de muito pesar, por verificar o grau de loucura
a que nós mulheres chegamos, para, de outro lado, constatar que, à
medida que a mulher percebe os seus problemas, ela realmente se
desenvolve muito, e de uma maneira muito rápida.
Penso que terei muita dificuldade em ser ouvida pelas próprias
mulheres, mas por muitos homens também, que estão compactuados
com essa loucura já institucionalizada.
Muitas vezes em conversas e conferências, ao levantar a problemática
feminina, alguns homens reagiram ferozmente para defender aquelas
que eram nada mais nada menos que suas “mamães perfeitas”, que os
mimavam e “cocavam” desde a infância, criando-os “reizinhos do lar”.
Esses indivíduos eram mais difíceis de aceitar o diálogo do que a média
das mulheres.
Quando uma mulher fala à outra, por mais que ela resista, ela sabe o
que é verdade, pois sente aquilo dentro de si mesma como real. O homem
não. Para ele as más intenções e os meandros femininos não passam de
meras informações que eles, pela própria experiência no relacionamento
homem-mulher, poderão constatar como verdadeiras ou falsas. Portanto,
torna-se mais difícil a aceitação por parte deles, de uma nova imagem
feminina.
Na verdade, gostaria muito que a mulher e o homem que me lêem, e
que verão aqui descritos aspectos à primeira vista chocantes, procurassem
considerar estas hipóteses com seriedade. Elas têm sido aplicadas em
grande escala em mulheres que tive oportunidade de orientar, com
resultados animadores.
Outro cuidado que procurei tomar, foi o de pedir auxilio para outras
mulheres, e mesmo para os homens que estão direta ou indiretamente
envolvidos nessa nova compreensão da mulher.
Estou notando, aliás com satisfação, que gradativamente a mulher
vai percebendo que sua situação dentro da sociedade é totalmente
anormal. Está reagindo, procurando uma equiparação de direitos, buscando
uma atuação mais direta nos destinos de suas vidas e de seus familiares.
Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:404
Mulheres no Divã
5
 O que me preocupa, porém, é que as causas desse problema não
sejam analisadas na sua totalidade. Ou seja: por que a mulher colocou-se,
ou até, se quiserem, permitiu ficar nessa situação caótica, sub-humana
no cenário das civilizações?!
Se não formos dialéticos na maneira de analisar as causas do
subdesenvolvimento feminino e se enfocarmos somente os aspectos
sociais dessa problemática, incorreremos num grave engano. A
psicopatologia da mulher tem que ser profundamente analisada para
que ela lide com maturidade com os seus novos encargos e a sua
liberdade.
Por isso custou-me tanto escrever este livro. Durante todo o tempo
eu tive que ter o maior cuidado comigo mesma para não permitir que a
minha própria psicopatologia interferisse na análise dos fatos. Cuidado
semelhante teve que ser tomado com relação ao material das pesquisas,
principalmente com autores que muitas vezes tendiam a assumir posições
mais agressivas, tanto em relação aos homens como a outras mulheres.
Por vezes pecavam julgando as mulheres como vítimas inocentes
nas mãos de feras machistas; ou partiam para o exagero de críticas
ferinas contra as outras mulheres — mostrando uma atitude invejosa e
intransigente.
É muito difícil fazer-se justiça, pois o ser humano é muito falho para
julgar o próximo e a si mesmo. Portanto, o que procurarei fazer aqui é
uma análise, a mais objetiva possível, de pontos até hoje inabordados ou
considerados tabus por toda a sociedade.
Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:405
Oferta
E
u dedico este livro a todas as mulheres de valor que existi-
ram, e que existirão no mundo, que lutaram, lutam e lutarão
pela prevalecência da verdade, beleza e bondade, custe a quem
custar e doa a quem doer.
Dedico-o também a todas as mulheres honestas que, enganadas,
injustiçadas e desnorteadas, por lhes faltar uma orientação mais
correta, estão inconscientizadas das verdadeiras causas de seu
sofrimento, sem conseguir dar-lhes uma solução.
Dedico-o igualmente a todos os homens de valor, que buscaram
realmente nos ajudar e que amenizaram o nosso sofrimento como
puderam. Eles merecem conviver com mulheres melhores, que possam
retribuir-lhes o amor recebido.
Esse trabalho é a realização de um compromisso que eu tenho
com o meu Criador, que me deu todas as condições para que eu me
libertasse das amarras que prendiam o meu desenvolvimento.
Quero agradecer ao dr. Norberto R. Keppe, meu analista e
professor, pessoa que pacientemente plantou as sementes da
consciência no jardim da minha vida e que agora poderá ver seu
trabalho florescendo.
Finalmente, agradeço às minhas clientes que me forneceram a
maior parte do precioso material aqui descrito, e que confiaram na
minha ajuda e orientação.
A você leitor, na esperança de vermos em breve uma sociedade
mais humana, onde a mulher ocupe o seu verdadeiro papel que é o
de, dignamente, manifestar o amor ao mundo.
Cláudia Pacheco
Oferta_AF.p65 27/1/2004, 14:391
7
Introdução
T
odo indivíduo que começa a realizar algo na vida, que se decide
por fazer algo realmente bom, inicia um processo enorme de
conscientização.
Um leque incrível de possibilidades começa a lhe surgir pela frente;
quanto mais se coloca em ação, mais percebe o quanto poderia fazer, e
que são milhares as oportunidades de realização.
Porém, para realizar qualquer coisa hoje, nós precisamos de uma
base de realização e de aprendizagem passadas. Razão pela qual, o
indivíduo que começa a se colocar em ação realmente (e não qualquer
tipo de trabalho escravo e alienante) percebe o quanto poderia ter
aprendido no passado e não o fez.
A consciência de como desperdiçamos nossa vida passada é, ao
mesmo tempo, o início da formação de uma base rica para o futuro, pois,
qualquer coisa que façamos, temos que nos basear em uma consciência
de uma falha ou ignorância passadas.
Por exemplo: se quisesse ser uma cantora de ópera hoje e começar
a aprender canto, veria claramente o quanto já deveria ter me dedicado
ao estudo de música há muito tempo para poder balbuciar algumas
canções. A consciência do desperdício da minha vida ficariagritante.
E muitas pessoas não agüentam trabalhar com essa consciência por
muito tempo. A maioria desiste e parte para uma situação alienante, em
que não precise perceber o desperdício do passado. O resultado é que
cada vez a humanidade está se tornando mais e mais superficial.
Nós mulheres estamos numa situação crítica. Cada uma de nós que
decida sair da inércia e realizar algo de bom, de belo e verdadeiro, que
alimente nosso espírito, que nos dê um prazer genuíno (e não o
pseudoprazer de gastar dinheiro, por exemplo) e nos traga felicidade e
liberdade, verá que tem diante de si uma série enorme de restrições e
dificuldades a serem superadas. Essas restrições podem ser de natureza
social, econômica ou psicológica.
Sejam elas quais forem, precisaremos dispender um grande esforço
para superá-las e sairmos da inércia em direção à liberdade de realização.
Não será fácil conseguirmos criar uma realidade tal quer passemos
de simples seres dependentes e alienados para autores de trabalhos geniais
de relevância para a humanidade.
Introdução_AF.p65 27/1/2004, 14:427
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
8
Mas maior ainda terá que ser o esforço que teremos que fazer para
suportar o incômodo e frustração de toda a consciência de nossa
inutilidade e incapacidade passadas, e de como as mulheres desperdiçaram
suas vidas até hoje, jogando seus talentos fora.
Teremos também que transformar toda uma filosofia de vida e uma
preconceituação errôneas criadas em torno da mulher. Não será fácil
começarmos a sentir, pensar e agir corretamente.
Mas, amigas leitoras, valerá a pena o esforço!
Introdução_AF.p65 27/1/2004, 14:428
Parte I
Estudo Psicopatológico
Olho Parte I_AF.p65 27/1/2004, 14:449
“Eu porei inimizade entre ti e a mulher; entre a tua posteridade
e a dela. Ela te pisará a cabeça e tu procurarás mordê-la no
calcanhar.”
(Gênesis, cap.3, v.15)
Olho Parte I_AF.p65 27/1/2004, 14:4411
13
1
A Inveja, a Inversão e as Mulheres
0
s leitores irão notar que muitas vezes eu usarei o termo inveja no
decorrer deste trabalho. Por inveja, quero dizer a atitude que os
seres humanos têm de estragar o bem que existe na própria vida e na
vida dos outros. Freud deu o nome de instinto de morte (Tanatos) a
essa conduta, que via como proveniente de um inconsciente natural.
Freud já havia percebido que havia nos doentes mentais mais graves
— os psicóticos — um componente patológico de inveja muito forte.
Melanie Klein, outra psicanalista genial, aprofundou-se um pouco mais
no estudo da inveja atuando nos processos psicológicos doentios.
Norberto Keppe abriu ainda mais essa compreensão, verificando
que a inveja é a raiz de toda a problemática humana, tanto no sentido
psicológico individual, como no social.
O sentido da inveja para a Trilogia Analítica é diferente do sentido
que o povo normalmente dá para esse termo. Inveja, como diz a origem
da palavra em latim (invidere), quer dizer: não ver. Portanto, o
entendimento verdadeiro da palavra inveja deve ser retirado da sua
origem etimológica —invejoso é “o indivíduo que não quer ver”. Não
quer ver o quê? Não quer ver o que é bom, belo e verdadeiro; não
quer ver o que é — pois tudo o que é, por si, é bom. A realidade
original era somente boa, bela e verdadeira, até que o ser humano
começou a estragá-la pela inveja.
Na Trilogia, nós vemos a inveja como a base de todos os problemas
psicológicos, os quais dela decorrem ou a ela são imediatamente ligados:
a teomania (desejo de ser como um deus); a megalomania (idéias de
grandeza, que estão englobadas na teomania); o narcisismo (adoração
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0413
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
14
de si mesmo. do próprio corpo, da própria personalidade); a arrogância
(se achar sempre certo, o dono da verdade); a alienação; e a inversão,
que seria o mais grave de todos.
A inversão, conseqüência direta da inveja, causa uma visão invertida
de toda a vida — o que nos faz rejeitar e temer o que é bom e acatar
e desejar o que é mau. Por exemplo: temos muito medo de amar e
sermos anulados por esse sentimento; temos resistência em sermos
bons, pacientes, dedicados e recebermos em troca a falta de
reconhecimento dos outros e sermos prejudicados.
De outro lado, pensamos que se formos bem racionais, frios,
calcularmos bem as vantagens e desvantagens de cada passo,
poderemos precaver-nos de riscos mais graves. Que se evitarmos
gostar muito dos outros, então estaremos impedindo problemas futuros
como rejeição, abandono da pessoa amada, rompimentos, ingratidões
etc. Então, tomamos a dianteira e abandonamos tudo e todos que mais
apreciamos.
Argumentos não nos faltam para justificar a nossa “incapacidade”
de aceitar viver o que é bom, de usufruir da vida, de sermos
descontraídos e felizes.
Portanto, todo o invejoso é aquele que é contra, diz não para o
que ele, no fundo, mais gosta — o que é bonito, o que é veraz.
Essa negação a pessoa faz sem perceber claramente, e pode
direcionar toda a sua vida para a infelicidade, se ela for levada por
essa patologia inconscientizada.
Alguns chamam a isso masoquismo, outros sadismo — o desejo
de sofrer e fazermos os outros sofrerem. Estamos sempre querendo
estragar nossos bons momentos e os bons momentos dos outros. Essa
é uma atitude tão grave e tão infernal que mal podemos nos livrar deste
drama. A isso nós chamamos de inveja.
Cada um justifica essa inveja universal com um sistema de idéias
—filosofia de vida. O cristianismo, o judaísmo, por exemplo, sempre
apregoaram a necessidade de sofrer para se alcançar o céu — como
se Deus fosse um carrasco que quisesse o nosso sacrifício e estivesse
aguardando a primeira oportunidade para promover uma punição!
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0414
Mulheres no Divã
15
Não existe indivíduo que não seja invejoso. Existe aquele que tem
maior ou menor consciência de sua inveja, podendo, portanto, discernir
mais ou menos as causas de suas más escolhas na vida.
O mesmo podemos dizer dos indivíduos poderosos que, pela inveja
inconscientizada, não permitem nem a felicidade do povo e nem de si
mesmos, pois também pisam na própria vida e não somente na de seus
explorados.
Penso que Deus não se agrada em notar que criou um Paraíso
para nós usufruirmos, “de graça”, presenteou-nos com tudo, em
abundância, para vivermos na riqueza, na felicidade, na saúde, na
descontração, na alegria, no usufruto e na realização, enfim, Deus quis
que todos vivêssemos “numa boa” (como diz a gíria) e nós permitimos
que um pequeno grupo de doentes mentais, que detêm todo o poder
nas mãos, nos roubem o que é nosso de direito.
Eles criaram as guerras, fome, pobreza, doenças, destruição, um
verdadeiro caos no planeta, e ainda se queixam da vida — mas tudo
isso com a nossa conivência. Vivemos num inferno dialético — ou
seja, recebemos como herança de nossos antepassados uma civilização
baseada na “filosofia dos problemas”, e por outro lado, alimentamos e
passamos para frente o mesmo engano. Por que não paramos por aqui
esse ciclo infernal? O único a ser contrariado com isso seria o Lúcifer
e com ele os indivíduos que mais se identificam com ele, na inveja e
desejo de destruir.
A grande maioria dos problemas humanos foi criada pelos
indivíduos mais doentes na sociedade, com a nossa conivência e
omissão. Estão todos aí, e ignorar a consciência dos mesmos não vai
nos ajudar em nada. Mas é preciso notar que nós não temos tido
realmente a intenção de acabar com os problemas. No Brasil existe
um ditado que diz: “Por que simplificar se podemos complicar?”
Isso mostra bem que não aceitamos algo bom sem fazermos algo para
estragar.
O homem com poder é perito em criar sistemas sociais complexos
e problemáticos, que acabam sempre por criar dificuldades incríveis
para todos. E muitas mulheres, “poderosas do lar”, são peritas em
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0415
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
16
criar problemas na vida familiar, na vida íntima, no relacionamento com
filhos, amigos, namorados,maridos, amantes etc. Parece que o povo
aprendeu que a vida só é vida com problemas.
Por exemplo, você mulher que me lê, se for só um pouquinho
honesta, saberá identificar sua atitude. Quantas vezes você está num
bom momento com seu namorado, seu marido, seus filhos, ou mesmo
sozinha diante de um bonito pôr-do-sol, e está com a cabeça cheia de
caraminholas, criando uma profusão de preocupações que vão estragar
a sua paz e a dos demais?
Algumas mulheres procuram controlar um pouco esse aspecto
poupando pelo menos os seus entes queridos e tentando preservar a
paz de espírito dos mesmos. Mas certas pessoas são verdadeiras feras
de inveja, fazendo questão de criar um caos para si mesmas e para
quem está a seu redor.
Um bom exemplo a respeito da inveja inconscientizada — não
percebida com clareza pela própria pessoa — é a da cliente T.I..
Senhora de mais de 60 anos, iniciou a análise numa tentativa de melhorar
a qualidade de sua vida. Com filhos crescidos, netos até, pouco lhe
restava como atividade no lar, o que lhe provocava sentimentos de
profunda insatisfação. Totalmente dependente do marido, financeira,
social e psiquicamente, buscava uma forma de independência
construtiva, onde pudesse ter alguma atividade produtiva e que fosse
uma fonte a mais de renda para a família.
Nas duas primeiras sessões de análise já foi capaz de caminhar
muito no entendimento de seus problemas, bem como na maneira de
solucioná-los. Estava disposta a reiniciar suas atividades artísticas que
havia abandonado já há alguns anos; fazia trabalhos manuais de
cerâmica, de tapeçaria, e produzia artefatos de grande qualidade.
Se formasse a sua própria empresa trilógica, teria a liberdade
necessária para fazer aquilo de que gostava; ao mesmo tempo, tendo
uma boa flexibilidade com seus horários, poderia manter sua convivência
familiar. Tudo se encaminhava rapidamente para a realização de seus
sonhos.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0416
Mulheres no Divã
17
O resultado foi que ela mal conseguiu voltar ao meu consultório
para a terceira e quarta sessões de análise, pois foi acometida de uma
crise de dor na coluna — coisa que não lhe acontecia há anos.
Dores na coluna revelam forte tensão muscular, causada por um
stress emocional acentuado. O que haveria acontecido, naqueles últimos
dias, para lhe causar tanta tensão nervosa, a ponto de provocar-lhe
crise tão séria que mal a permitia caminhar? Ela conseguira tornar-se
praticamente imobilizada devido às fortes dores.
Durante mais de sessenta anos a sra. T.I. reforçara as atitudes de
negação, omissão e deturpação de sua vida, brecando suas atividades
e seu progresso, e mostrando com isso, muita inveja.
Certamente, a sociedade também exerceu grande influência no
sentido de desviar T.I. de sua realização pessoal, pois aquela também
é baseada na inveja.
A filosofia que domina a sociedade humana é a de que ninguém
gosta de facilitar o desenvolvimento de ninguém. Mas por quê,
justamente quando apoiada no sentido de realizar um trabalho de valor
e libertador, mostrou uma resistência tão grande?
Isto se explica através do mecanismo de projeção que muitas
mulheres desenvolvem, colocando toda a sua resistência ao progresso,
toda a sua estagnação invejosa, no marido, nos filhos, na sociedade
etc; não percebendo nada em si mesmas. Sua sabotagem fica totalmente
à solta.
Somente após sessenta anos, com filhos já criados, com a
permissão do marido, com apoio da analista e das amigas, tempo
totalmente livre, enfim, com condições ideais para realizar aquilo de
que dizia gostar, ela própria manifestou claramente a sua oposição à
felicidade, ficando-lhe claro o seu quadro psicopatológico.
Sabemos que as mulheres são tidas como os seres mais invejosos.
Diria que elas estão muito inconscientizadas para essa atitude tão
autodestrutiva.
As “sogras” são exemplos típicos do que quero dizer — invadem
o “ninho dos pombinhos” com uma carga enorme de perturbações e
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0417
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
18
intrigas, e conseguem, quase na totalidade das vezes, seu intento:
estragar o ambiente por muitas horas, muitos dias, muitos anos, ou até
uma vida toda. E por que as filhas permitem que isso aconteça? Porque
elas próprias têm a mesma filosofia de sofrimento. Algumas chegam a
pensar: “Como posso ser feliz se mamãe tem tantos problemas?”
ou “Como tenho o direito de usufruir da vida se minha família
está tão mal?”.
Quando P.C., atualmente com 38 anos, era criança, pensava:
“Como posso ser feliz e usufruir de meus brinquedos, vestidos
novos, comer bem, se tantos passam fome e frio no mundo?”
Queria ser missionária e partir para um país bem miserável, onde se
integrasse na fome e pobreza — assim, no seu raciocínio, estaria fazendo
a vontade de Deus, solidária com o sofrimento dos demais seres
humanos.
À primeira vista, este é um raciocínio até nobre, principalmente
para uma garotinha de 10 anos. Mas, no fundo, o que a motivava
nesse ideal era, em grande parte, a incapacidade de usufruir de festas
e viagens, pensando que sua mãe e irmã eram infelizes em sua idéia,
seria uma espécie de “traição” passar “insensivelmente” por cima da
infelicidade delas e ser ela própria feliz.
Hoje penso na loucura que é essa atitude dos seres humanos; e
quanto mais neurótico, mais o indivíduo é contra a felicidade. É óbvio
que isso não nos é muito consciente e principalmente, o que não
percebemos, é que a causa mais profunda desse fenômeno seja a inveja
universal.
Nós acreditamos que o que mais desejamos na vida é a felicidade.
E o que mais desejamos é justamente o que mais rejeitamos! Sim,
homens e mulheres (o ser humano) sofrem, têm neuroses, psicoses,
por simplesmente serem incapazes de aceitar a felicidade que o Criador
lhes oferece, e os mais loucos da sociedade fazem tudo para impedi-la.
Tenho a esperança de que conscientizada a verdadeira causa dessa
questão, a humanidade mude de atitude, passando a usufruir de todo o
bem que lhe foi destinado.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0418
2
O Que Eu Não Vejo, Não Existe
O
 ser humano pensa que o que ele não vê, não existe. E a mulher é
quem mais se apega a essa filosofia, acreditando que vivendo
alienada, tudo irá bem em sua vida. O pior é que justamente isso é o
que afunda a mulher, pois negando a consciência dos problemas, nega
a única coisa que poderá salvá-la.
Penso que nas últimas décadas as mulheres deram passos decisivos
para o alargamento de sua consciência. Os movimentos feministas, e
suas líderes, tiveram uma atuação muito positiva nesse sentido, tentando
abrir seus olhos para os problemas econômicos, sociais e familiares.
Muitos avanços foram alcançados; elas passaram a se interessar
mais pela situação socioeconômica de sua família e de si mesmas, pela
situação de seu país e dos governantes que regulam as suas leis.
Começaram a votar, a escolher seu presidente, seu governador, seu
prefeito; foram às universidades e puderam ter suas profissões e prover
seu sustento e, muitas vezes, até o da própria família — igualando-se
em muitos aspectos aos homens.
Porém, algo faltou nessa escalada: uma análise mais minuciosa de
seus próprios erros e problemas.
Muitas injustiças e maus tratos foram denunciados, e com isso
muitas mulheres puderam se emancipar. Mas deixamos de lado algo
que é muito importante, senão essencial — a autocrítica.
Criticamos as injustiças e as desigualdades cometidas pelos homens
contra nós, mas sobre nós mesmas, pouco falamos. Colocamo-nos
como “vítimas”, que nada fizeram para contribuir para a má situação
em que nos encontramos.
19
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0419
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
20
É por esse motivo que um livro como Complexo de Cinderela
teve tão grande repercussão e aceitação — foi o primeiro a tratar de
problemas femininos: o desejo de viver um conto de fadas, o que leva
à alienação e dependência em relação ao seu suposto príncipe
encantado.
O homem já está habituado a ser criticadopor seus problemas —
tratados e mais tratados foram feitos para analisar a psicopatologia
masculina. E isso lhe fez muito bem! Pôde então corrigir-se em muitos
aspectos, tendo, de qualquer forma, alguma evolução constante.
Isso nos faltou: alguém que nos criticasse em nossos reais problemas
e nos obrigasse a tratar deles, na sua origem, para que pudéssemos
nos desenvolver.
Precisamos muito de alguém que nos mostre tudo aquilo que não
queremos ver e espero que este livro seja um auxílio nesse sentido.
Outro grande auxilio é que só agora os poderosos, inimigos das
mulheres — e dos homens — começaram a ser denunciados pelo dr.
Norberto R. Keppe em seu livro A Libertação do Povo —
Psicopatologia do Poder.
Conscientizados esses problemas, um grande avanço será dado
no sentido da nossa libertação.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0420
3
As Evas dos Tempos Modernos
N
o inicio, o demônio tentou Eva diretamente, pois soube que era
mais susceptível às suas tentações. Assim como ele a tentou,
continua incentivando a mente das mulheres até hoje para adorarem a
si mesmas (narcisismo) e a megalomania de um homem.
Se uma mulher prestar atenção aos seus pensamentos, vai ve-
rificar que 99 % deles giram em torno de si mesma, de como ser mais
bonita, admirada e amada. Com exceção das horas que passa
trabalhando e é obrigada a se concentrar em algo útil, está sempre
fazendo fantasias nas quais ela é o centro.
Muitas haverão de se rebelar contra o que digo e não quererão
admiti-lo. Mas as mais honestas se conscientizarão, ficarão muito
envergonhadas com atitude tão ridícula e, com isso, começarão a
perceber o encanto que existe na vida, nas outras pessoas, na música,
na arte, na cultura, na natureza e, principalmente, em Deus — que tem
a beleza e perfeição absolutas — caindo apaixonadas por Ele.
Certamente muitos vão tentar impedir isso — a começar por
aqueles que de alguma maneira estão pactuados com essa maneira
narcísica de ser da mulher. Muitos homens que se alimentam do pacto
(megalomania-narcisismo) vão tentar impedir tal mudança; muitas
mulheres também, pela inveja, não quererão ver a felicidade e o
progresso de suas rivais. Sem falar do poder econômico que vive às
custas, em grande parte, da loucura das mulheres. Mas quem vai se
doer muito com essa mudança será certamente o Lúcifer, que vai se
“morder” de inveja vendo que muitos estão descobrindo a beleza, o
encanto d’Aquele de quem é rival absoluto!
21
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0421
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
22
Em contrapartida, muitos vão gostar disso. Muitos que têm amor
e boa intenção no coração verão as mulheres se libertando aliviadas
de grilhões tão pesados, das trevas resultantes da adoração a si mesmas.
Vê-las-ão se enriquecendo, começando a se integrar na vida, nas
atividades, na realização e até tornando-se mais bonitas pelo afeto que
naturalmente irão transbordar de si mesmas.
A mulher deveria ser como a flor que perfuma e embeleza a
sociedade com seu amor, dedicação, inteligência e sensibilidade
(voltados para os outros, para o exterior) e não se conservar num
casulo, olhando só para si mesma, enfeiando-se, emburrecendo-se e
tornando-se fria, inútil, egoísta e grosseira.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0422
4
Cada Um Vive a Vida Que Pensa Ser
Melhor Para Si
C
ada um de nós tem, em grande parte, a vida que escolhe como
mais vantajosa, mesmo que não percebamos com clareza esse
fenômeno.
Se nós mulheres estamos numa situação tão difícil, tão alheias à
realidade sócio-econômica, tão excluídas do chamado mundo masculino
de realizações, é porque sentimos no fundo que esta seja a melhor
vida. Nossa filosofia, nossos pensamentos e idéias podem ser certos
até certo ponto e seguirem a correnteza da sociedade, mas o que
sentimos é, muitas vezes, o contrário do que pensamos.
O que quero dizer é que sentimos ser melhores, vivermos alienadas,
distantes da consciência dos problemas sociais, políticos, econômicos
e até familiares, crendo que agindo como avestruzes, não seríamos
prejudicadas, e que sempre haveria quem cuidasse de nós.
Assim, tornamo-nos como loucas — pois esse foi o resultado da
nossa fuga. Loucas, incompetentes, alienadas, ignorantes de toda a
realidade que deveríamos saber para nos defender dos indivíduos mal
intencionados e das águias do poder.
Se a sociedade humana está no caos em que está, 50% da culpa é
nossa, pois perfazemos 51 % da população mundial. A qualidade de
vida dos povos depende do seu grau de consciência; portanto a má
qualidade de vida da humanidade se deve em grande parte à alienação
em que queremos nos manter.
Tentarei exemplificar. A cliente C.V. falava freqüentemente em suas
sessões de um menino que vivia em sua casa e era muito mimado pelos
pais, tios e amigos adultos. Manifestava grande envolvimento com o
23
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0423
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
24
garoto — um misto de irritação e preocupação constantes, algo que
não se justificava, pois ela não tinha nenhuma obrigação direta com
ele, de responsabilidade, ou cuidado. O que mais a perturbava era a
atitude mimada de Michael, que andava sempre na barra da saia da
mãe, e, na falta desta, na de outro adulto que aceitasse alimentar sua
dependência.
Perguntei-lhe se ela percebia que estava muito identificada com o
menino e que vivia numa situação de dependência e mimo, passando
de uma para outra, sempre alienada do cuidado com sua vida e evitando
enfrentar suas dificuldades.
Ela disse que podia perceber isso; não gostava de responsabilidade,
de trabalho sério e mesmo vivendo numa cidade como Nova York,
cheia de oportunidades para se enriquecer cultural e profissionalmente,
permanecia alheia a isso tudo, isolando-se em seu castelo de fantasias.
Óbvio é que os resultados dessa conduta não são muito nobres e
agradáveis. O sofrimento é inevitável.
A pergunta que lhe pairava era a seguinte: por que é que ela, tendo
percepção da orientação errada que estava dando a sua vida e do que
deveria fazer para produzir, agia de maneira contrária?
As mulheres não percebem que pensar é diferente de sentir. Elas
podem até “pensar” de maneira certa, mas “sentem” de maneira
invertida. Ou seja, racionalmente acham que a consciência, a
responsabilidade, o trabalho, o relacionamento humano, a busca de
novos horizontes o que há de melhor. Mas, no fundo, sentem que ao se
abrirem para a vida, lançarem-se a novos empreendimentos,
conhecerem novas pessoas e novas idéias, irão sofrer, ter mais
problemas, e se sentirão mal com isso.
Enfim, cada qual leva a vida que acha melhor, mais cômoda, mesmo
que não note que as conseqüências são nefastas.
C. V . pensava que, apesar de tudo, aquela vida dependente e
alienada, embora cheia de restrições, era melhor do que a que teria
enfrentando problemas “lá fora” (fora do seu castelo do lar). Em sua
idéia iria sofrer muito mais caso se abrisse para o mundo.
Ela não percebia que aí, e só aí, é que iria começar a se sentir bem e
feliz.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0424
5
A Mulher Não Se Desenvolve
Por Falta de Interesse pelo Progresso
C
erta vez uma cliente veio para sua sessão analisar o porquê de não
conseguir se concentrar em leituras de jornais, ou em livros sérios
e científicos que sabia serem necessários para seu desenvolvimento.
Disse que todas as noites, antes de se deitar, pegava um livro do dr.
Norberto R. Keppe sobre a Trilogia Analítica, que falava de seus
problemas, e começava a ler. Mas após algumas frases, via que não
conseguia ir adiante.
Ao perguntar-lhe por que não conseguia ler, ela disse que começava
a sentir sono ou a pensar no marido, nos filhos, o que ia fazer no dia
seguinte etc. Enfim, concluiu que não tinha interesse em ler.
Perguntei-lhe: a que a senhora associa a leitura?
Cliente: À cultura.
Eu: E essas idéias que tem quando começa a ler, a que
associa ?
Cliente: À fuga.
Eu: Então, a senhora diz que foge da cultura porque
não tem interesse nela.
Cliente: Ah! Outrodia eu ouvi dizer que a pessoa não con-
segue ler por causa da inveja, mas eu não enten-
di. Eu, por exemplo, não acho que tenha inveja
do dr. Keppe. Eu o admiro muito.
Eu: Mas a pessoa só inveja o que admira!
Cliente: Ah, é?! Mas como? Na inveja a pessoa não quer
25
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0425
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
26
ser como o outro? E eu sei que não posso ser co-
mo o dr. Keppe... Ele é muito mais culto, mais
capaz... estudou desde criança sobre isso tudo...
Eu: Não. Na inveja a senhora quer que o outro seja
menos que a senhora. E como nota que é o con-
trário, se sente mal e não quer ver. Se a senhora
quisesse ser como ele, faria o que ele faz.
Cliente: Ah, mas eu acho que o dr. Keppe foi um iluminado.
É isso, agora achei o termo exato: ele foi um ilu-
minado, um escolhido por Deus.
Eu: Então note como sua argumentação comprova
sua inveja: a senhora disse que ele é um iluminado,
um escolhido, que este é o motivo de ter a capaci-
dade que tem. E não que ele se dedicou desde
criança e fez um grande esforço para chegar aonde
chegou. O que a senhora nunca quis e nunca teve
interesse. A senhora pensa: “a vida dele é fácil;
estudar, escrever para ele é fácil, mas para mim é
difícil. Ele é um iluminado, eu não...” Assim a
senhora tira o mérito dele, que vem da dedicação,
força de vontade e da atitude de não admitir
desinteresse e preguiça em si mesmo.
Acho que o poder econômico é corresponsável por isso, pois fez
um pacto com a mulher, alimentando sua preguiça e alienação. O
homem de poder tem inveja da mulher e gosta de vê-la numa situação
primitiva, de atraso intelectual, afetivo, cultural. Então conserva-a nesse
estado de atraso e subdesenvolvimento, para que ela não lhe seja uma
“ameaça”. Assim sente-se em superioridade e a tem sob total controle,
servindo a seus interesses.
Essa situação sai muito cara a todos pois se pensa que a pessoa
primitiva seja mais manejável, mais fácil de controlar e isto não é
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0426
Mulheres no Divã
27
verdade. Muito pelo contrário! O homem paga caríssimo pela burrice
e ignorância da mulher, que acaba se tornando sua inimiga feroz e
colocando filhos, família e amigos contra ele.
Depois de algum tempo o “lar” se transforma num campo de
batalhas de onde o marido quer manter longa distância!...
O homem se engana acreditando que a mulher alienada, “fora do
mundo”, não lhe causaria problemas. Muitas vezes, quer evitar que ela
lhe traga consciência de seus próprios problemas, pois, saindo para a
vida, ela abrirá os olhos para muitas coisas que antes lhe passariam
despercebidas. Imagina, sem notar bem isso, que aquela adorável
namorada, que o via e o tratava como um deus antes do casamento,
sem lhe acusar nenhum defeito, poderia continuar assim, sendo isolada
dentro de casa.
Que trágico engano! Aquela mesma doce e angelical namorada,
após ver seu marido preso a ela, seguro por um contrato assinado
(com testemunhas para não poder voltar atrás!), de deus passa a vê-lo
como o demônio da casa, acusando-o de todos os problemas, desde
a sua insatisfação pessoal até o fato da cozinheira ter pedido demissão,
ou pelos filhos irem mal na escola.
Vejo de fundamental importância a conscientização não só da
mulher, mas do homem também, de todos esses problemas que vêm
sendo mantidos encobertos, para que não apenas ela seja obrigada a
adotar uma conduta mais humana, mais consciente, de afeto verdadeiro,
como para que haja a possibilidade de haver casamentos felizes, com
ambos lado a lado, e não mais como dois inimigos.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0427
6
O Atraso das Mulheres
L
endo o Bartlett’s Familiar Quotations, um compêndio sobre as
mais significativas quotações da humanidade, foi com tristeza que
observei que a esmagadora maioria dos quotados era masculina.
As mulheres poderão argumentar que isto revela o domínio dos
homens no mundo cultural — e a sabotagem que eles fazem ao sexo
frágil, não valorizando o que elas dizem e realizam. Muitas pensarão
até que os editores, por serem homens, selecionam citações masculinas.
Mas, observando bem, o problema não é só esse. Dentre as poucas
mulheres que foram citadas, a maior parte fala sobre e para mulheres,
principalmente.
Os homens, na maioria, falam de assuntos sociais, filosóficos,
políticos, universais. São citações de que todos se beneficiam —
assuntos concernentes a homens, mulheres, crianças, velhos e moços.
As mulheres, no entanto, constantemente contestam, reivindicam e
discorrem sobre assuntos que só interessam a elas.
Isto demonstra uma atitude de alienação por parte do chamado
sexo frágil, que além de se colocar muitas vezes numa atitude querelante,
têm seus interesses mais voltados para si mesmo.
Não é, portanto, difícil compreender por que tão poucas mulheres
foram selecionadas nesse compêndio e em outros. Essa marginalização
cultural ocorre não só porque as mulheres sejam sabotadas ou excluídas
do sistema pelos homens, mas porque os assuntos que tratam são de
pouco interesse e utilidade tanto para a vida social em geral, como
para os indivíduos do próprio sexo.
Eu, particularmente, prefiro ler as citações de um Aristóteles, de
um Kant, Platão ou Lincoln do que de uma feminista. Por exemplo,
28
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0428
Mulheres no Divã
29
Anita Loos (1893-1981) traz a seguinte “contribuição” para a cultura
feminina:
“Um beijo na sua mão pode fazer você se sentir
extremamente bem, mas uma pulseira de brilhantes e safiras
dura para sempre”.
Por essa afirmação vemos claramente que a maior preocupação
de sua vida é obter aquilo que poderá lhe alimentar a sensação de
poder.
Não há nada de errado em uma mulher gostar de jóias, o problema
é quando ela faz disso uma das principais finalidades de sua vida, como
muitas fazem. Já atendi clientes que passaram 20, 30 anos de sua
existência esperando o dia em que receberiam uma aliança de brilhantes
ou um colar de pérolas.
Fomos treinadas a não pensar, a não usar nossa inteligência, nossas
capacidades. É de interesse dos esquemas do poder que a mulher seja
uma boa serva do sistema — que não questione nada.
Devemos servir ao poder de várias maneiras:
1. Com trabalho de qualidade e dedicado, ganhando salários bai-
xos.
2. Através do sistema consumista, gastando nosso dinheiro para
enriquecer ainda mais os que têm o poder do dinheiro.
3. Sendo “acessórios” na vida deles, servindo-os sexualmente,
pessoalmente, ou de alguma outra forma.
O pior é que toda a sociedade sofreu um tipo de lavagem cerebral
para conservar a mulher alienada.
Por exemplo: pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul
entrevistaram 1.250 mulheres que se formaram no curso colegial através
do Hunter College High School de Nova York entre 1911 e 1983.
(Esta escola exige um QI mínimo de 130 para admitir novos alunos).
Os resultados mostraram que:
“a grande maioria destas mulheres são donas de casa
ou trabalham em empregos que são predominantemente
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0429
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
30
femininos e mal pagos, como os de professora. Con-
siderando a capacidade extraordinária destas meninas,
notadamente poucas exerciam alguma função que
envolvesse a determinação de programas de alto nível,
de acordo com Betty Walker, professora de educação da
Universidade da Califórnia do Sul e ex-aluna do Hunter
High School.
Cerca de 98% foram “muito críticas” em relação ao
aconselhamento que receberam na escola. Muitas disseram
que saíram da escola sem realmente compreender as
opções que tinham para uma carreira. As expectativas
dos pais também contribuíram para um futuro inexpressivo
das filhas, afirmaram os entendidos no assunto”.
A mulher tem realizado menos dentro da civilização não porque
seja mais incapaz ou tenha menos inteligência que o homem, mas porque
realiza mais no campo em que tem mais interesse.
Se seus interesses são dirigidos para o mundo mais da fantasia, do
romance (alienação essa que interessamuito aos donos da economia),
ela vai se empenhar em ser habilidosa nesse campo, aperfeiçoando-se
no sentido da conquista, da moda, da superficialidade até.
Isso me parece um jogo diabólico para neutralizar a mulher que,
caso estivesse dirigindo seus interesses para uma atividade mais realista
(economia, sociedade, ciência etc.), estaria muito bem sucedida.
Certa vez uma cliente disse ter tido sempre muita dificuldade de
concentração em seu trabalho, perdida que estava em pensamentos
de ciúmes paranóides a respeito do marido. Sua produtividade e
criatividade estavam extremamente prejudicadas, pois 90% de seu
interesse concentrava-se naquele relacionamento — “seria ela realmente
bem amada por ele ou não?” — esquecendo-se da incrível dimensão
de sua vida (que estava abandonada).
Geralmente a mulher quer se ligar a um homem, a uma instituição,
a um grupo etc. Não está acostumada a pensar pela própria cabeça.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0430
Mulheres no Divã
31
Pelo contrário — o que seu médico lhe fala, o padre, ou pastor, um
chefe, ela procura seguir cegamente — esteja certo ou errado.
Nós mulheres não aprendemos a ter uma atitude mais voltada para
a vida, de maneira independente. Não gostamos de grandes decisões,
pois isto significa assumir erros e acertos. Como estamos habituadas a
seguir a cabeça de terceiros, perdemos o contato com a nossa
consciência interior. Perdemos muito com isso e seguimos muitos
exemplos errados, sem questioná-los. Se um médico nos orienta a dar
tranqüilizantes ou fortes antibióticos a nossos filhos, acatamos sem
questionar. Se nos encaminham para uma cirurgia, aceitamos sem
verificar as intenções ou incapacidade que esse médico possa ter. Pela
nossa intuição e bom senso poderíamos evitar muitos problemas para
nós mesmas e nossos filhos, caso começássemos a usar mais nossa
própria consciência.
A mulher parece ter rompido o contato direto com a verdade e o
Criador, para estabelecê-lo através da cabeça de outra pessoa — e
isso parece ser um dos principais motivos para a nossa incapacidade
atual.
Notas e Referências:
1. U.S.A. Today, 25 de fevereiro de 1986.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0431
7
O Desejo de Domínio Impede
Nosso Progresso
M
.L., arquiteta, 23 anos, trabalhava como decoradora de interiores
em São Paulo. Em sua firma era bem tratada pelos clientes que
costumavam convidá-la para jantar, almoçar, passear com eles.
Sentia-se admirada e respeitada em seu núcleo social, mesmo que seus
clientes não fossem indivíduos muito importantes na sociedade.
M.L. recebeu um convite para ir trabalhar e morar em Nova York.
Lá teria que começar tudo de novo — formar nova clientela, fazer-se
conhecida etc. Embora gostando demais dos EUA, e sabendo da
grande evolução profissional que teria, opunha grande resistência a
dar esse passo. Sentia medo, muito medo. Não havia razões objetivas
para isso, pois, além de ter familiares em Nova York, ela iria contar
com todo o apoio de seus amigos.
Nas sessões de análise, associava a vida em Nova York com
desenvolvimento, progresso. Por que então o temor? No fundo, ela
sabia que iria perder a estrutura montada que tinha no Brasil — iria ser
desconhecida no meio profissional e, pelo menos no início, seria vista
como um ser humano iniciante a mais entre muitos.
Quase todo o ser humano deseja, em seu íntimo, ser importante,
grande, estar “por cima” dominando uma situação. Isto se verifica das
formas mais diversas. Por exemplo, tanto o milionário Paul Getty
sentia-se dominante em seu esquema de vida, como o feitor de uma
fazenda no interior de Mato Grosso sente-se entre seus companheiros.
32
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0432
Mulheres no Divã
33
Geralmente o homem quer dominar mais no sentido social ou
profissional. Ele quer ter a sensação de que dentro de sua vida, de
alguma maneira, ele é “bom”, o mais importante — ou para seus
subordinados ou para seus alunos, sua mulher e filhos, namorada e até,
em último caso, para sua mãe.
Nós mulheres não somos diferentes no desejo de ser importantes.
Só que buscamos isso mais na área afetiva, familiar, de amizade, ou
com o namorado etc. Existe um ditado brasileiro que diz: “A mulher
aceita tudo no homem amado, menos outra mulher”. Pois os filhos
não representam ameaça (apesar de muitas mulheres ficarem
enciumadas de terem que dividir com eles o amor do marido); bebida,
jogo e trabalho — constituem apenas “concorrentes potenciais” no
jogo do domínio — mas outra igual (uma mulher) pode tornar-nos
totalmente dispensáveis na vida deles. Então isso ela não aceita.
Este é o motivo de nossa paranóia estar mais dirigida a este campo
— ele representa uma ameaça ao nosso domínio afetivo em relação a
um homem. Aí se originam muitos dos nossos medos: a ameaça de
perdermos nossa segurança, termos que reconquistar e merecer a
aceitação dos outros.
A segurança numa situação estratificada e aparentemente estável
nos faz perder a ótica real de nosso desempenho. Deixamos de nos
“checar”, de nos comparar aos outros e ver em que estamos indo mal.
Em que temos que progredir? Em que área devemos nos esforçar mais
para melhorar?
Já atendi a várias mulheres em psicoterapia que usavam de um
documento legal (a certidão de casamento) para conservarem-se nu-
ma situação artificial de segurança e poder sobre os membros da família.
Tais mulheres chegavam a um incrível grau de cegueira e alienação,
tornando-se verdadeiros “monstros”, no sentido físico e psíquico.
Uma coisa é eu ser vista pelos meus filhos como a melhor mãe, a
melhor filha pela minha mãe e até, quem sabe, a melhor esposa pelo
meu marido, já conformado com meus defeitos. Outra, é eu ser a melhor
profissional em uma situação onde todos evoluem ao mesmo tempo,
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0433
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
34
na concorrência a empregos ou disputa de vaga em escolas cada vez
melhores e mais difíceis de entrar.
Em tais situações, estamos sempre sendo “checadas” e com-
paradas, com olhos frios e objetivos, a muitas outras pessoas capazes
— o que, certamente, nos traz muita insegurança, fazendo com que
percamos o “domínio” da situação.
Já vi muitas mulheres terem receio de visitar o local de trabalho
dos maridos por medo de abrirem os olhos e ver demais. Ao lado de
seu marido talvez convivam, o dia inteiro, mulheres mais inteligentes e
mais bonitas, o que lhes causaria grande ansiedade e as faria perceber
a fragilidade de seu posto de “dona de seu homem”.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0434
8
A Vida Psíquica da Menina Já É
Basicamente Igual à da Mulher
Adulta
A
 sra. C.V. ficava muito preocupada, pois não conseguia se con
centrar na leitura, nos estudos e não tinha capacidade de síntese,
não apreendia a essência das coisas. Estimulada pelo marido e pela
própria análise, resolveu voltar a estudar, depois de alguns anos de
afastamento da escola.
Assim que reiniciou a faculdade, via grande dificuldade em
acompanhar o ritmo de suas colegas. Participava de grupos de estu-
dos mas sempre meio à parte das atividades. Era mais uma figura
decorativa no grupo; as outras moças se encarregavam de prestar-lhe
ajuda, fazendo os resumos, elaborando os esquemas, as críticas e
conclusões — e no final, por amizade, incluíam seu nome como
colaboradora. Nas provas, passava através de “colas” que levava
escondidas debaixo da saia, ou que as colegas lhe passavam.
Todo esse quadro deixava-a muito deprimida e vinha se queixando
de incapacidade para estudar e trabalhar. Alertei-a de que se ela não
tinha desenvolvido sua capacidade de trabalho e de estudo era porque
tinha outros interesses para os quais dedicava seu pensamento e energia.
Ninguém é “incapaz”, mas cada qual se desenvolve num sentido:
uns para a realidade, para a cultura, para o amor, e outros para a
tapeação, desonestidade, fantasia, aprimorando muito a técnica de
mentir.
Muito surpresa, ela disse:
35
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0435
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
36
C.V.:Mas, desde pequenina, dra. Cláudia?!... Pois desde
pequena, quando ia para o jardim de infância, já
tinha as mesmas dificuldades.
Eu: A senhora deveria procurar se lembrar quais eram
seus interesses naquela época.
C.V.: Ah... faz tanto tempo...
Eu: Então procure identificar quais são os seus pen-
samentos atualmente. Quais são os seus interesses?
No que fica pensando a maior parte do tempo? As-
sim poderá saber, de uma maneira geral, o que pen-
sava.
C.V.: Ah... Atualmente eu só penso em fantasias sexuais.
Como eu seria feliz se encontrasse um parceiro que
me amasse, com quem eu tivesse um bom rela-
cionamento sexual. Freqüentemente me vêm cenas
à mente onde estou beijando, abraçando e trocando
carícias com um homem. Estou sempre pensando em
sexo.
E mais! Lembrei-me agora que quando era criança,
havia muitos meninos onde eu morava e estudava e
eu estava sempre num quartinho isolado trocando
carícias sexuais com um deles. Enquanto as outras
crianças brincavam e estudavam, eu estava sempre
separada delas, com os meninos, namorando.
Sim... Parece-me que o que fazia quando criança é o
que faço até hoje. Sou aquela mesma menina isola-
da dos outros, sempre procurando um homem para
ter satisfação sexual, me dar atenção, me agradar,
acariciar, elogiar...
Notem que a senhora C.V. sempre foi, basicamente, a mesma
pessoa narcisista, egoísta, na busca de prazeres pessoais, com o
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0436
Mulheres no Divã
37
interesse totalmente voltado para si mesma, o que acabou por
incapacitá-la nas atividades sociais e profissionais.
Muitas mulheres culpam somente a sociedade por não apoiá-las
no sentido de se independerem e ter atividades de engajamento social
e profissional. Mas nunca assumem que elas próprias não têm interesse
em uma atitude mais objetiva, voltada para a realidade exterior. Que
seu único interesse sempre foi subjetivo: fantasias, megalomania e
interesses pessoais.
Outra cliente também comentava que nunca tinha tido capacidade
de fazer escolhas e tomar decisões. Não sabia o que estudar, que
profissão escolher, e pensava que lhe “faltasse” alguma capacidade
interior de decisão, que lhe “faltasse” firmeza.
Perguntei-lhe: será que lhe “falta” alguma capacidade ou a senhora
nunca teve interesse real por esses assuntos?
Concordou de pronto e disse que nunca se interessara mesmo por
assuntos que via mais como objeto de interesse masculino. Nunca tivera
um ideal maior de realização em sua vida. Sempre pretendera ter um
namorado culto e rico com quem posteriormente se casasse, para que
cuidasse dela e a sustentasse, não por sentir-se incapaz, mas por puro
comodismo — não queria servir, mas ser servida. Admitiu que durante
toda a vida dera valor ao supérfluo e desvalorizara o que tinha real
valor. Todas as boas oportunidades da vida desprezava e jogava fora
de forma cega e destrutiva, e isso, desde que era pequenina, e que
tinha lembrança.
Tendo posteriormente oportunidade de analisar sua filha. observei
uma enorme semelhança na vida psíquica de ambas. Isso se deve muito
ao fato de que a filha mulher segue em grande parte a orientação da
mãe, bem como a mesma filosofia de vida do ambiente e da sociedade
em que vive.
Tendo a possibilidade de conscientizar esses problemas desde
cedo, a mulher pode superá-los com muito mais facilidade.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0437
9
A Sedução Feminina
mar a um homem como um deus e ser por ele adorada
sobre todas as coisas”. Acredito que se o demônio falou com
Eva, foi assim que se expressou.
Foi o começo da sedução que se repete geração a geração —a
mulher elogiando o seu homem, como se ele fosse um deus, incentivando
sua fantasia e megalomania: “você é o deus da minha vida, por você
tudo faço; seja o maior e o melhor entre todos os homens e brilhe
no universo — mas em troca, adore a mim acima de tudo o que
você tiver na vida e faça de mim sua deusa. Caso isso não aconteça
— pensa em segredo — farei da sua vida um inferno”.
Aí se desencadeia o processo infernal. A mulher quer exigir o
impossível de seu amado. Primeiro que a adore acima de tudo, o que
não dá resultado pois ele próprio, em muitos casos, está mais interessado
em adorar a si mesmo.
E, admitindo-se que ele seja de fato uma pessoa afetiva, então
adorará primeiro a Deus e gostará dela, no máximo, como um ser
humano.
Outro fato é que a mulher espera do homem a perfeição absoluta
e o apoio que só podem vir de Deus. Assim sendo, quando ele não
corresponde (e isso acontecerá milhares de vezes) ela começa a
cobrança que não é fácil de suportar.
No início de minha formação analítica, dr. Keppe já me havia
alertado que sempre existia um componente de forte inveja na conduta
das prostitutas, e das pessoas muito erotizadas. Posteriormente,
analisando melhor a conduta das mulheres que mantêm casos amorosos
38
“A
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0438
Mulheres no Divã
39
com homens comprometidos, ficou-me claro que elas assim o fazem,
não por interesse afetivo ou até sexual, mas por inveja da outra mulher,
que é capaz de manter o interesse e afeto de um homem, e da própria
união afetiva entre os dois, a qual visa destruir, colocando-se entre
eles.
A conquista nesses casos é uma atitude extremamente agressiva
contra a rival e contra o próprio homem, embora muitas vezes a inveja
esteja encoberta e mascarada pelo romance, pela atração sexual e
pelas fantasias que criam em torno do caso todo.
Freqüentemente essas mulheres fazem tudo o que podem para
conseguir para si o homem que viam pertencendo a outra mulher,
separando-o da esposa (ou noiva, namorada) e da família; porém,
assim que começam a vida juntos e a inveja é satisfeita, elas perdem
todo o interesse pelo parceiro, passando a desprezá-lo abertamente.
Outro fato muito importante a se considerar é que o ser humano
só pode fazer a verdadeira dialética, isto é, ter um ponto de referência
para se orientar na vida, através de Deus — que é a Perfeição Suprema,
o Bem Absoluto, a Total Felicidade.
O ser humano, por melhor que seja, não dispõe de recursos que
possam satisfazer o outro ser humano. Por mais que nos esforcemos,
somos limitados e estamos muito, muito longe de ser o que Deus é.
Acho incrível que após quase dois milênios, não aprendemos a
lição; a única forma de sermos felizes, gozarmos de boa saúde física e
mental, de conseguirmos sucesso profissional, afetivo e social, é
amarmos a Beleza, Bondade e Verdade (Deus) acima de tudo, e ao
próximo como a nós mesmos.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0439
10
Narcisismo — Megalomania
O
 narcisismo e a megalomania são características comuns às
mulheres de todas as culturas. Certamente eles se revestem de
disfarces diferentes de povo para povo.
Por exemplo, a mulher latina tem aparentes características de
submissão e feminilidade, e a americana, de independência e auto-
suficiência. Mas ambas querem o mesmo: ter sua personalidade, não
raro o seu corpo, adorados por um homem, por outra mulher, ou por
multidões (artistas de cinema americano, as meninas das praias do Brasil
etc.). Não é à toa que a indústria consumista gira praticamente em
torno do narcisismo e da megalomania da mulher.
As “rainhas” querem encontrar seus “príncipes encantados” e com
eles organizarem seu “reinado do lar”. Esse pacto de megalomania —
adorar o próprio corpo e personalidade — bem como adorar o corpo
e a personalidade de outro ser humano é um enorme desvio que os
casais hetero ou homossexuais estabelecem do que deveria realmente
ser apreciado: Deus e a sua criação, que inclui o relacionamento
amoroso pessoal.
Porém, o que a maioria faz é excluir Deus que criou tudo e todos;
o único que realmente tem todas as qualidades, infinitas, para ser
adorado. Só um Ser muito incrível poderia criar um universo, com
planetas, estrelas, astros, bilhões de seres vivos; milhares de animais e
vegetais das mais diversas espécies de cores e formas; um mundo tão
diversificado, cheio de maravilhas e surpresasa cada passo e a cada
olhar, numa explosão de afeto que Ele quis manifestar, e que os homens
destroem a cada dia.
40
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0440
Mulheres no Divã
41
Um Ser assim tão formoso, tão amoroso e bondoso desperta, ao
mesmo tempo, duas reações: a primeira é de enorme admiração,
espanto até; se tento pensar nas múltiplas facetas do Criador fico
literalmente zonza. E, ao mesmo tempo, ficamos desapontadas, pois
perto d’Ele não passamos de um pontinho no espaço. Que perto d’Ele
não temos a menor chance de brilhar como as “únicas”, “as melhores”,
“as mais bonitas ou charmosas”. Perto d’Ele, toda a humanidade se
extasiará, no momento que admitir desvirar as costas que deu a Ele e
O olhar de frente!
Perto de Deus não temos muita escolha: ou participamos desta
adoração a Ele, e de sua obra, com isso tornando-nos também como
um Seu pequeno reflexo (com toda a felicidade que o amor pode nos
trazer) ou nos tornamos seres ridículos, meio humanos, meio demônios,
estourando de arrogância e burrice.
Se vocês forem bem honestas, como eu estou tentando ser, per-
ceberão com clareza a que me refiro, admitirão esse desejo íntimo,
ridículo, porém, poderoso, de querermos “brilhar” (ainda que por
momentos) como a estrela, a luz do universo (mesmo que muitas
mulheres vejam esse universo entre as quatro paredes do lar, ou de seu
escritório).
Justamente esse desejo é o que acaba com nossa felicidade, nos
aliena da realidade, e nos impede de viver o romance mais lindo e
sublime que existe: o amor entre um ser humano e Deus. Este amor, em
conseqüência, permite que amemos tudo e todos sem restrição, pois
todos os demais são um resultado desse amor primordial.
Por exemplo: se amamos um homem, amaremos seus filhos e tudo
o que ele fizer. E assim também com Deus — se deixamos nossa
megalomania e narcisismo de lado, poderemos amá-Lo muito — e
esse amor vai nos trazer tanta felicidade que tudo o que vier d’Ele (e
tudo o que é bom é d’Ele) aceitaremos bem.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0441
11
A Libertação da Mulher Não Virá
Através da Libido
A
 mulher faz da libido um verdadeiro culto em sua vida. Acredita
que a realização afetivo-sexual é o que vai lhe trazer felicidade.
Freud foi um dos responsáveis para que esta idéia distorcida e
invertida prevalecesse na sociedade ocidental. Mas, essa crença é
anterior a ele. Aliás, ele foi tão bem aceito em suas idéias porque veio
reafirmar o que já existia na mente de todos.
As mulheres brigam, organizam movimentos, mobilizam-se no
sentido de acabar com essa fama de objeto sexual que têm. Mas, na
verdade, essa farsa é alimentada por elas mesmas. Se não são objeto
sexual de muitos, são pelo menos de um (ou de uma, no caso das
homossexuais), e os homens são como o meio de se realizarem nesse
sentido.
Fantasias de ser feliz através de outro povoam a cabeça de todas
as do “sexo frágil” e desde menina essa idéia é alimentada por suas
mães.
Todas pensam que a felicidade e a infelicidade vêm através de um
homem. E nele projetam toda a carga de problemas e frustrações que
têm por sua própria culpa.
Quando decidi escrever este livro, sabia que iria sofrer enorme
oposição por parte da maioria das mulheres e de muitos do poder
econômico que estão pactuados com elas e interessados em mantê-Ias
nessa situação horrível de inferioridade social, psicológica, profissional
e cultural.
42
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0442
Mulheres no Divã
43
A mulher tem sido muito protegida por um “halo” de santidade
nos lares e na sociedade. Chamada de “o sexo frágil”, indefesa, símbolo
de afeto, fidelidade, pureza e abnegação, foi poupada de ter que sofrer
a consciência de sua patologia que é imensamente grave. Isso foi o que
acabou de afundar a mulher. Alienada de seus problemas, foi dia-a-dia
decaindo, sem trabalhar com a consciência de seus erros que não são
corrigidos há muito tempo.
O “sexo frágil” vem lançando ferozmente sobre o “sexo forte”
toda a culpa de seus problemas e infelicidade. E a sociedade em massa
endossa essa paranóia da mulher, fazendo-a ver-se como vítima e mártir
— mas na realidade estão longe disso. A estrutura socioeconômica
tem motivos óbvios, que discuto em outros capítulos, de enlouquecer
a mulher.
Enquanto as mulheres não perceberem a situação catastrófica em
que se colocaram, de megalomania e alienação totais — vivendo numa
fantasia trágica (da qual são as únicas prisioneiras), vão continuar numa
posição de submissão na sociedade, devido a sua incapacidade e
desequilíbrio.
Alguns homens mais imprudentes interessam-se em manter esse
pacto pois assim se vêem como os únicos sãos, capazes e equilibrados,
conservando a mulher numa situação de extrema patologia (alienada).
A vaidade deles é então alimentada porque notam que as mulheres,
realmente, tornaram-se incapazes, por trocar a realidade, o trabalho, a
consciência, por suas fantasias.
Muitos notam que a mulher é muito mais fantasiosa que o homem.
Isso equivale a dizer que a mulher é mais louca que ele. Por que então
a sociedade a vem conservando nesta situação deplorável, alimentando
seu mundo fantástico, alijado da realidade?
Isso precisa ser corrigido imediatamente, pois os prejuízos que
todos sofrem são muito grandes.
Mulheres, abram os olhos para esse terrível pacto de destruição e
morte! Só podemos evoluir para uma situação melhor, sermos
respeitadas e admiradas se tivermos valor para tal! Se trabalharmos
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0443
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
44
seriamente com a consciência de nossa patologia (inveja, megalomania,
preguiça, libidinagem, destruição, projeção) poderemos realizar nesta
terra o que até agora pouco realizamos: um trabalho digno e de altíssimo
valor. Foram tão poucas as mulheres que se destacaram na história da
civilização!
Quais as pintoras, compositoras, filósofas, cientistas e mulheres
que deram uma contribuição significativa para a humanidade? De quem
podemos nos lembrar? Podemos contá-las nos dedos. Mas estas
mulheres não eram inimigas dos homens. Nem tampouco dependentes.
Eram mulheres que assumiam sua vida com tudo o que nela está incluído
— talentos, possibilidades, dificuldades e mais do que tudo
responsabilidade.
Hoje se ouve muito falar de mulheres que querem se “assumir”.
Mas o que entendem por isso? A idéia é de que assumir-se na vida é
fazer-se o que se quer — deixar toda a fantasia, todos os desejos,
toda a patologia em liberdade para total expressão.
E não raro se confunde liberdade com libertação sexual. Muitas
que tiveram um passado de muita censura e repressão sexual,
imaginaram que se conseguissem colocar em prática todas as suas
fantasias sexuais, aí sim, estariam se “assumindo” e teriam felicidade.
Neste ponto surgiu a inversão — a mulher pensava (muito
freqüentemente com uma carga de inveja e rancor) que o homem era
mais feliz e privilegiado por colocar em prática as fantasias sexuais que
povoavam as mentes femininas.
Apesar de condenarem vivamente a infidelidade masculina,
imaginaram que eles estivessem tendo uma vida de delícias, prazeres e
felicidade que lhes era proibida por fatores sociais e culturais. Que a
mulher, que era obrigada a viver numa vida de maior castidade e
fidelidade, era muito mais infeliz por isso.
Agora que a maioria das mulheres já goza da liberdade que quis
(abertamente ou de forma velada) nem por isso tornou-se mais feliz ou
mais capaz.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0444
12
A Mulher e o Sexo
N
o passado, a mulher era tida como um ser meio imaculado, meio
como santa, a quem não era permitido nenhum prazer dos sentidos.
Mulheres sensuais eram vistas como exceções, e automaticamente
isoladas da sociedade; tidas como seres pecadores, e absolutamente
incompatíveis ao convívio familiar, formavam uma classe de “prostitutas”
à margem da estrutura social e somente os homens sedentos de prazeres
sexuais mantinham contacto com elas.
A partir da década de 50, houve muito progresso em relação às
questõessexuais e aquela censura terrível foi abrandada. A vida sexual
da mulher não só passou a ser vista como uma realidade a se estudar
de maneira científica, mas também, e principalmente, como um direito
que ela tem para sua satisfação e realização pessoal.
Porém, como a cada ação muito forte opõe-se uma reação de
igual intensidade, a mulher deslocou-se para um outro pólo, e passou a
dar uma importância excessiva a esse fator, que na verdade constitui
somente mais um aspecto de sua vida, de fato secundário.
Tantos têm sido os estudos e as pesquisas realizadas a respeito do
comportamento sexual feminino e tanto se tem escrito e falado sobre
ele que, ao invés das mulheres se acalmarem em sua vida íntima, outras
angústias se lhe acrescentaram. Por exemplo: antes inibiam-se a respeito
de suas necessidades e procuravam reprimi-las, escondendo-as de si
mesmas e de seus companheiros. À mulher honesta, à mãe, à esposa,
era proibida a experimentação dos instintos.
Após tantos tratados publicados a respeito de tipos e quantidades
de orgasmos (orgasmo vaginal, orgasmo clitoriano, orgasmos múltiplos
etc.), formas e posições diversas de relacionamento sexual, freqüência
45
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0445
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
46
de relações e preferências sexuais, a mulher se viu muito mais confusa
que antes. Sob certa forma, acrescentaram-se-lhe outros problemas
que antes não possuía.
Isto demonstra que o ser humano ainda é muito angustiado em
relação à vida sexual, pois a encara como um objeto especial de estudo.
Somente algo tão complexo, problemático e importante mereceria
tantos tratados a respeito.
Muitos agora se angustiam em procurar seguir um “padrão ideal”
de comportamento sexual, roubando toda a naturalidade e
espontaneidade que um ato instintivo deveria ter. Como analista, atendo
a dezenas de mulheres que chegam muito aflitas com questionamentos
que fazem a si mesmas, os quais exprimem com muita dificuldade devido
à censura que têm.
No passado, preocupavam-se por sentir em si mesmas
necessidades sexuais; atualmente preocupam-se por não saber se sua
vida sexual é normal, ou se são suficientemente ativas de acordo com
os cânones da sexologia moderna.
Minhas clientes trazem perguntas da seguinte natureza: “Será que
o meu tipo de orgasmo é correto? Será que tenho orgasmo vaginal?
Será que tenho orgasmo clitoriano? Será que devo me estimular ou
deverá ser dele este papel? Será que não sou excitável como as outras
mulheres? Por que não tenho orgasmo múltiplo? Será que sou frígida?
Será que meu marido não sabe me excitar? Será que outro homem
excitar-me-ia mais? Devo falar mais com ele a respeito de nossa vida
sexual?”
Muitas outras questões como estas passaram a povoar a mente
das mulheres “emancipadas”, que agora censuram-se por não ser tão
sexuadas como “deveriam”!
Percebem os leitores que a censura anterior continua, tendo só
trocado as roupagens? Qual o casal que pode manter um bom
relacionamento sexual com tantas preocupações a respeito?
Muitos psicólogos, médicos e psiquiatras recomendam que os casais
conversem sobre suas necessidades, gostos etc. Porém, essas longas
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0446
Mulheres no Divã
47
conversações só acrescentam mais tensão e expectativa em torno de
algo que é instintivo e natural.
O que tenho verificado é que quanto menos se “dialoga” a respeito
do sexo, melhor, pois essas longas conversas criam mais problemas
do que auxiliam o casal. Por exemplo, como pode alguém relaxar-se,
se o tempo todo está preocupado e atento para não tornar-se tenso?
Obviamente a educação sobre a fisiologia sexual é de necessidade
obrigatória, como o é o estudo do aparelho digestivo, respiratório, ou
qualquer outro. Porém, o estudo esmiuçado a respeito do sexo parece
mais uma forma de perversão do que de ciência.
Essa excessiva censura criada em torno desse assunto, mostra
que o ser humano supervaloriza o sexo, colocando-o num grau de
importância absolutamente indevido.
O sexo é absolutamente dispensável caso o indivíduo assim o
resolva, e pode ser agradável, caso encontre um parceiro por quem
sinta muito afeto. Mas nunca ocuparia uma posição primordial na vida
do ser humano normal, que está mais preocupado com questões de
realização e afeto.
As verdadeiras causas da felicidade ou da infelicidade residem em
outros fatores, os psicossociais, e não os sexuais. Os problemas sexuais
são criados como conseqüência da fuga que queremos fazer daquilo
que é fundamental: a psicossociopatologia.
Os indivíduos que estão satisfeitos em sua vida afetiva, que estão
realizando o bem para a sociedade, que estão engajados numa estrutura
social mais justa, humana e honesta, acalmam-se muito a respeito destas
questões e passam a vivenciar o sexo com naturalidade, sem
supervalorizá-lo.
É o que vemos acontecer nas residências trilógicas. Lá notamos
que as pessoas, podendo satisfazer suas necessidades afetivo-sociais
básicas, acalmam-se muito, sexualmente, passando a ter um
relacionamento inclusive mais saudável e satisfatório.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0447
13
O Narcisismo Leva à Frigidez Sexual
A
 mulher que ama muito o próprio corpo, que nutre fantasias de
que com ele poderá proporcionar intensos prazeres ao parceiro,
que faz muitos sonhos eróticos, acaba por tornar-se fria sexualmente.
Isso porque tem toda a sua atenção concentrada em si mesma e
sequer percebe o outro. Quanto mais achar que existe no parceiro
algo a ser apreciado, curtido e amado!
Muitas mulheres expressam a idéia de que seus maridos não são
hábeis o suficiente para estimulá-las sexualmente; “que deveria haver
um homem, que, percebendo o seu grande valor e amando-as como
mereceriam ser amadas, saberia arrancar de suas entranhas
prazeres imensuráveis”.
Essas mesmas pessoas procuraram, homem a homem, encontrar
o seu Romeu, sempre decepcionadas ao final de cada relacionamento.
Algumas acabaram tentando até realizar essa fantasia através de
relacionamentos homossexuais. “Se um homem não soube amar-me
como merecia, se eles não têm sensibilidade suficiente para me
satisfazer, quem sabe outra mulher o fará?” E aí enveredam por
um caminho, muitas vezes sem volta, de sofrimentos infernais.
A cliente A.S. sempre se queixava que seu marido era muito
primitivo, instintivo e materialista. Que a única coisa que queria dela
era o seu corpo e que não a olhava como ser humano, mas como um
objeto sexual, o que não só a irritava muito, como a fazia se desinteressar
pelo sexo.
Depois de algum tempo de análise, percebeu que ela colocava no
marido a sua própria idéia — que era ela quem só valorizava o seu
corpo e a sua capacidade de atrair os outros sexualmente.
48
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0448
Mulheres no Divã
49
De fato, comentou que a arma que usou para atraí-lo para o
casamento foi justamente a de despertar nele a atração sexual e que,
após pouco tempo de casada, passou a negar-se sexualmente a ele,
demonstrando até muita irritação quando a cortejava.
Contou também que desde criança sua família alimentava muito
sua vaidade, dizendo-lhe ser uma criança linda, e ela sempre procurou
tirar partido desse fato. Ao terminar o curso colegial, achou melhor
casar-se e ser sustentada por um marido rico e bem situado social e
profissionalmente a ter que enfrentar uma faculdade, esforçar-se e
desenvolver-se.
Aí se percebe que a mulher, a maioria, prefere fazer-se valer pelo
seu corpo (sexualmente) e beleza fisica, a ser reconhecida por um
trabalho de valor, pela realização de algo bom para a família e a
comunidade.
Desta forma, a sociedade vem alimentando por séculos e séculos
o narcisismo, levando-a a se tornar a rainha da vaidade.
Não será devido a isso que as mulheres apresentam muito mais
problemas de frieza sexual do que os homens?
Várias pessoas me preveniram de que muitas mulheres vão me
odiar ao ler este livro. E muitos homens também, que estão pactuados
com elas, ajudando-as a se verem como as deusas dasociedade. Mas,
por outro lado, vejo que não existe outra saída para nós mulheres a
não ser nos conscientizarmos das verdadeiras causas que nos levaram
a ficar numa situação de tanta dependência e até, não raro, de
inferioridade em relação aos homens.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0449
14
A Mulher Sempre Se Esconde Atrás
de Um Homem
O
 que todos acham mais desagradável e desonesto na conduta das
mulheres é elas não assumirem seus problemas. Estão sempre
escondidas atrás de alguém, na maioria das vezes atrás de um homem,
para não se responsabilizarem por suas vidas e por seus erros.
Não raro, a mulher justifica seus insucessos culpando as restrições
sociais, as leis mal feitas, os homens que não as ajudam, as famílias que
as restringem ou não as apóiam etc. etc.
O assunto se mostra grave e insolúvel, pelo menos até que a mulher
resolva cair em si e se assumir diante da vida.
É óbvio que muitos desses problemas citados por elas são reais.
Mas a questão que se coloca é a seguinte: e os nossos problemas,
onde ficam? Como poderemos solucioná-los se não assumimos a
responsabilidade por nossas vidas, nossas decisões, nossos erros?!
A mulher imagina que se ela não assumir a responsabilidade por
sua vida e pelo que faz, não será responsável. Coloca a questão como
algo “opcional”. Isto é, pode ou não assumir a responsabilidade por
sua existência.
O fato é que, assumindo ou não, a mulher é responsável por sua
vida, por seus sucessos e insucessos. É inclusive responsável por suas
más escolhas, pela maneira em que se relaciona com os indivíduos
loucos e mal intencionados e com os problemas sociais.
Tentarei exemplificar com o caso da cliente I.L., de 30 anos
aproximadamente, casada, com duas filhas pequenas.
50
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0450
Mulheres no Divã
51
I.L. sempre se queixou de não ser ajudada pelo marido e pela
sociedade, dizendo ser infeliz e não se desenvolver na vida por isso.
Na verdade, morava numa residência trilógica e recebia o apoio
de todos os amigos que moravam com ela, seja no sentido de educar
os filhos, como também no trabalho.
O marido, embora não fosse um sujeito de valor, dividia as
despesas da família com ela quando podia, e quando I.L. estava
desempregada, também a ajudava com dinheiro para suas despesas
pessoais. De fato, não era um homem afetivo, realizador; pelo contrário,
era irresponsável em muitos aspectos e resistente ao trabalho. A ajuda
que prestava à mulher e filhas, não era de bom grado.
Mas, era justamente isso que a mulher usava como pretexto para
se esconder. Queixava-se com freqüência de não ser mais ajudada
pelo marido, até nas tarefas que eram diretamente ligadas ao seu
trabalho e de sua responsabilidade.
Certo dia, perguntei-lhe: “e como a senhora viveria se ficasse
viúva hoje?” , ao que ela respondeu: “bem, aí eu teria que me
virar”, revelando muita malícia e desonestidade em sua conduta. Por
que a mulher acha que pode usar essas desculpas para justificar seu
atraso, sua preguiça?! Todas as mulheres deveriam viver como se
fossem sozinhas, mesmo estando vivendo com alguém.
Se recebemos ajuda de terceiros, ótimo, mas nossa existência é
de nossa responsabilidade. Por algum motivo muito patológico muitas
mulheres pensam que podem fazer de seu marido e dos outros seus
empregados. Se eles não trabalharem para ela, ela mesma não sai do
lugar.
O mesmo fazem com os pais e a sociedade. Se somos exploradas
por nossos patrões, vamos abrir nossos próprios negócios! Se nossos
pais e maridos nos reprimem, não nos apóiam, temos que encontrar
outros meios de realizarmos o que queremos.
A mulher não quer perceber que ela própria não se apóia, ou seja,
não apóia o trabalho e a responsabilidade, o que trará tudo aquilo que
ela deseja — dinheiro, conforto, paz de espírito, amigos e liberdade.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0451
15
A Busca do Romance e a
Autodestruição
O
 leitor já observou que geralmente, assim que um casal começa a
namorar mais seriamente, os dois se afastam dos amigos, dos
parentes, da escola e de seus interesses pessoais?
Não raro, o homem abandona os esportes, os cursos que gostava
de freqüentar, os amigos da faculdade ou a turma do escritório...
Torna-se triste, barrigudinho, começa a beber mais, assistir mais TV,
dormir mais, preocupar-se mais com dinheiro etc.
A mulher afasta-se também das amigas, muitas vezes abandona a
profissão, interrompe a faculdade, ou então engaveta seu diploma.
Começa a engordar, a enfeiar-se, “emburrece”, alienada da vida social,
cultural, econômica. Torna-se deprimida, angustiada e insatisfeita. É
raro entretanto ela admitir tudo isso, até que as brigas comecem entre
os dois.
A maneira tradicional que o casamento e as uniões afetivas são
realizados parece diretamente contra a verdadeira natureza humana e
a da própria vida afetiva.
Até hoje observei que, na quase totalidade dos casos, quando
uma pessoa se envolve num romance, ela automaticamente se desliga
de todas as outras áreas de sua vida, passando a apresentar uma
decadência muito grande no campo das amizades, cultura, profissão,
espiritualidade etc. A pessoa apaixonada joga toda a vida fora,
praticamente, para tentar curtir e viver somente aquele “pedacinho” da
sua existência — o seu próprio romance — multiplicando a sua
importância e vendo, com lentes de aumento, como o “tudo” de sua
existência.
52
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0452
Mulheres no Divã
53
Mas, notem, isso acontece muito mais com a mulher do que com
o homem. Ela destrói com extrema facilidade todos os seus dons,
talentos, carreira, amizades, espiritualidade, enfim, essa gama incrível
de vivências e opções que a vida lhe oferece, em troca de um romance.
Por melhor que o relacionamento seja, é impraticável que uma
mulher tente retirar a satisfação que uma vida toda pode dar, de um
pedaço, de um pequeno compartimento dessa existência. Obviamente
o relacionamento homem-mulher é um aspecto importante de nossa
vida, mas não é o tudo e nem o mais importante.
Quando a mulher abandona, ou coloca em segundo plano todas
as áreas de interesse de sua vida para colocar sua expectativa em um
romance, está cometendo o maior suicídio, a maior loucura que alguém
poderia fazer. Não é à toa que os resultados sejam sempre tão
desastrosos.
Essa atitude, aliás altamente patológica, nada mais é que uma atitude
de destruir tudo o que a mulher tem em si e recebe de bom da vida.
Isso se compara ao que Eva fez, ao abandonar o Paraíso para
seguir uma ilusão de ser “como uma deusa”, tentada que foi pelo
demônio. Não é justamente esse padrão de comportamento que a
mulher segue até hoje? Abandona todo o Paraíso que está diante de si,
ou sejam, milhares de opções de progredir e viver bem, para ter seus
olhos voltados para o seu “deus”, em seu mundo à parte.
É um verdadeiro crime o que as mulheres vêm fazendo com suas
vidas. É uma alienação com conseqüências desastrosas para todos.
Dificilmente o homem adota essa atitude. Somente os mais doentes
abandonam sua carreira para viver um romance. Não é essa a queixa
da mulher? Que os homens, apesar de tudo, conservam sempre uma
ligação forte com o mundo, com a humanidade e dão menos importância
para o relacionamento afetivo do que as mulheres? Pois bem, é
justamente isso que conserva os homens em maior equilíbrio.
É uma pena que a mulher culpe tanto o homem por essa fantasia
não dar certo. Isso ainda dificulta mais os relacionamentos, tornando-os
tensos e até impraticáveis.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0453
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
54
Cada coisa deveria ter o seu lugar, a sua devida importância. Como
querermos que um romance possa nos dar a satisfação que rejeitamos
obter da própria vida?
Acontece que, diante da grandeza da vida, somos somente um
grãozinho de areia, em evolução constante; e dentro de um romance
queremos ser o tudo para o parceiro; não estaria aí a raiz dessa inversão?
Muitos argumentarão: mas, e os homens que gostam de ser tratadoscomo deuses e de serem adorados pelas suas companheiras? De fato,
poderíamos dizer que a maioria dos homens se enquadra nesta
categoria. A eles encanta essa idéia, embora eles próprios não façam
o mesmo com suas amadas.
Mas isso não justifica a concordância e obediência de tantas
mulheres em relação a isso. Esse pacto só servirá de dissabor para
ambos, sendo altamente insatisfatório.
Um casal só pode se relacionar bem, se os dois se unem para um
objetivo comum, que é superior aos dois — um ideal, um trabalho
humanitário — que eleve sua vida além do objetivo da união dos dois
em si mesmos.
Segundo Margaret Anderson (1893-1973): “No amor verda-
deiro você quer o bem da outra pessoa; no amor romântico você
quer a outra pessoa”.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0454
16
A Mulher Inverte: Vê o Homem Afetivo
Como Frio e o Frio Como Muito
Amoroso
M
uitas vezes me perguntava por que as mulheres, em geral,
preferiam os homens mais agressivos e malandros (os mais
doentes, na realidade). Não foram poucas aquelas que relataram casos
desastrosos de amores falidos, que, entretanto, se iniciaram na forma
de grandes romances. Ou ainda tantas outras que deixaram seus maridos
e filhos por um “grande amor”, que viria a acabar dolorosamente, e em
pouco tempo.
Seria afinal que a mulher embotou sua capacidade de perceber as
coisas? Não consegue distinguir o homem pior do melhor?
Quantas vezes os senhores mesmos devem ter acompanhado,
atônitos, o desenrolar de casos de mulheres de valor que destruiram
tudo o que tinham atrás de um tipo malandro, desonesto e agressivo?
Somente após analisar muitas mulheres com esse problema é que
percebi o que se passa. O homem afetivo de verdade está sempre
dedicado ao seu trabalho, atento às suas responsabilidades — é sério,
fiel, e seu interesse é desempenhar bem suas funções. Sendo assim,
não tem tempo para dar muita atenção às mulheres, tratando-as
naturalmente como a qualquer ser humano. Em suma — não vêem
razão nenhuma para ficar paparicando as mulheres.
Já o homem mal intencionado está sempre pronto a elogiá-las.
Aliás, passa boa parte do seu tempo desenvolvendo técnicas de como
agradá-las para conquistá-las e tê-las sob seu domínio. Perscrutam
55
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0455
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
56
suas almas e seus corações buscando saber o que elas mais gostam de
ouvir, e o que elas mais apreciam que eles façam.
Logicamente, esses homens não têm tempo de cuidar do que seria
necessário — nem do trabalho, nem da família, do próximo, do
desenvolvimento da ciência e do bem-estar social. São frios, calculistas
e megalômanos — desenvolvendo com grande perícia uma “máscara”
de afetividade.
Galanteadores, presenteadores, fazem aquilo que a mulher mais
gosta —tratam-nas como deusas. Mas isso dura muito pouco tempo.
É só sua libido flutuante se voltar para uma “deusa” mais interessante,
e não hesita em dar um basta naquela que agora só lhe causa problemas
e desconforto.
Certa vez uma cliente brasileira viajou de férias para os Estados
Unidos e voltou muito decepcionada com o que viu e viveu no tempo
em que lá ficou. Queixou-se da “arrogância” dos homens americanos
que tratavam as mulheres com muita frieza.
Muito acostumada a ser cortejada e galanteada pelos homens
latinos, que flertam demais as mulheres nas ruas, estranhou a atitude
mais séria dos americanos que não têm tempo nem interesse em ficar
atrás delas, já que seu interesse está mais voltado para o campo
econômico.
Essa mesma cliente, no passado, tivera um namorado muito doente,
com características de extrema possessividade e ciúme paranóico. O
que a levara a se apaixonar por ele eram justamente as atitudes de
“homem apaixonado” que apresentava, estando à sua volta 24 horas
por dia, dando-lhe presentes, flores etc. Por inexperiência e ignorância
em relação à psicopatologia, ela não percebia que aquele constante
controle e querer estar sempre junto da mulher amada, nada mais era
do que uma dependência extremamente neurótica, característica de
uma personalidade muito doente. Com o passar do tempo o quadro
paranóico foi-se acentuando e os delírios aumentaram de tal forma
que conduziram o cidadão M. a agredir fisicamente minha cliente,
levando-a quase à morte.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0456
Mulheres no Divã
57
Passados uns 3 anos, a mesma cliente conheceu um homem mais
sério, mais equilibrado e dedicado a uma atividade útil à sociedade.
Vindo depois a casar-se com ele, suas queixas tornaram-se freqüentes,
pois ele não dava a ela as mesmas atenções doentias dispensadas pelo
primeiro namorado. Ela acreditava que o homem apaixonado faria o
que o antigo namorado psicótico fizera; na realidade, o homem afetivo,
mais saudável psicologicamente, está tranqüilo em relação à mulher
que ama, não tendo necessidades e dependências neuróticas em relação
a ela.
Obviamente, a mulher que deseja um tratamento fantasioso, que
quer saciar seu narcisismo, sentir-se-á muito frustrada em relação ao
homem mais equilibrado que tem outros interesses em sua vida, como,
por exemplo, desenvolver um trabalho de significado para a
humanidade.
Muitas mulheres não agüentam esse tipo de tratamento, mais normal
e equilibrado, pois nessa situação têm que sentir seus próprios
problemas, insatisfações, que na realidade têm outras origens. Acabam
por romper o relacionamento, buscando recomeçar outro com um
homem neurótico.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0457
17
A Mulher Que Age Como Uma
Criança Neurótica
M
uitas mulheres pensam que são como crianças — acham que
podem fazer tudo o que quiserem e a sociedade tem obrigação
de aceitá-las e suportá-las.
Isso acontece muito por culpa dos indivíduos que vêm alimentando
esse absurdo, temendo ocasionar maiores problemas se deixarem de
ampará-las. Mas é o contrário, justamente. Se todos agissem da mesma
forma, pressionando a mulher a ser mais madura e assumir seus erros
como o homem tem que fazer, teríamos uma grande melhora na
sociedade em geral.
Tive, por exemplo, uma cliente que já é avó, com vários filhos,
casada com um homem bondoso e trabalhador. Desde recém-casada
vinha tendo crises constantes de depressão; com medo de sair de casa,
nunca trabalhou. Dentro de casa sempre foi preguiçosa e dependente
das empregadas. Na educação dos filhos foi um verdadeiro fracasso,
criando-os totalmente à vontade, sem disciplina, colocando-os todos
contra o pai — o que resultou em cinco pessoas desajustadas e inúteis.
Ciumenta e invejosa, vivia vigiando a vida do marido, cheirando suas
camisas, examinando seus bolsos e objetos pessoais.
Passou a vida indo a psicanalistas, padres e médicos, num rosário
de lamentações, não raro atacando o marido, fazendo intrigas,
responsabilizando-o por seus problemas e colocando-o como o “algoz”
perante todos. Justamente ele foi a pessoa que mais teve paciência
com ela, sustentando-a, acalmando-a, resolvendo todas as suas
dificuldades.
58
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0458
Mulheres no Divã
59
Certamente, foi muito culpado em tudo isso: alimentou a agressão
e maldade da mulher o tempo todo, não permitindo que ela sentisse na
própria pele as conseqüências da sua conduta amalucada e
irresponsável.
Isso deu também a idéia a seus filhos de que poderiam fazer o que
quisessem, ficar sem trabalhar, agredir, desprezar os outros, viverem
na alienação, que sempre haveria alguém por detrás a amparar e
sustentar suas loucuras.
Até hoje, já adultos, eles dependem financeiramente do pai, e minha
cliente teve dificuldade em progredir em sua análise, pois toda
interpretação que eu lhe dava para levá-la a ter uma atitude melhor, era
amortizada pelo marido, que continuava mimando a esposa e
acreditando nas chantagens que ela forjava (freqüentemente “passando
mal” e ficando doente para manipular a família com isso).
Isso faz muito lembrar a atitude da criança mimada que é incapaz
de tolerar qualquer frustração sem criar situações de consternação
familiar.
Sabemosque existe um pacto social no sentido de conservar a
mulher alienada da sociedade. Isso foi iniciado por interesses
econômicos e de poder. Mas as conseqüências desse tipo de conduta
são tão traumáticas, tanto para ela quanto para sua família, que todos
precisarão forçá-la a retornar a uma atitude mais sã, assim como se
tem que fazer com crianças mimadas.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0459
18
A Paranóia Entre os Sexos
H
omens e mulheres têm sido vítimas de uma orientação totalmente
errônea, maliciosamente engendrada pelos indíviduos detentores
do poder. Através dessa filosofia diabólica que engendrou, o poder
econômico-social atiça a paranóia entre os sexos, promovendo a
divisão entre eles, e, conseqüentemente, enfraquecendo a ambos, o
que torna fácil o seu domínio. Enquanto brigam entre si, homens e
mulheres vêm servindo sem resistência a milionários e a instituições de
poder (no capítulo A Mulher e o Poder faço uma análise mais detalhada
de como aquela está envolvida com tais estruturas de poder).
É muito comum a mulher analisar sua situação em função de
“sociedade masculina”, “sociedade com valores masculinos”, “economia
masculina”, colocando a causa dos problemas em questões sexuais,
sem perceber que a maioria dos homens também é escrava do poder
sócioeconômico.
Os próprios homens, inadvertidamente, pactuam com as injustiças
sociais cometidas contra as mulheres, pois são teleguiados pela
manipulação de inteligências malévolas, a serviço de grupos dominantes.
Pais e maridos ajudaram e, em muitos casos, ainda ajudam, sem
perceber, a encarcerar dentro de suas próprias casas as mulheres que
trabalham, sem nenhuma remuneração, para beneficiar indiretamente
os exploradores da sociedade.
Somente o empregado que tem comida, roupa lavada e passada,
casa arrumada, cuidado para os filhos, tudo de graça, poderá sobreviver
com os salários miseráveis que os patrões lhe pagam. Se ele tivesse
que remunerar toda essa mão-de-obra, tornar-se-ia absolutamente
inviável a situação econômica atual; os homens teriam que,
60
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0460
Mulheres no Divã
61
imediatamente, exigir um aumento de pelo menos 200 % em seus
salários, para manterem essa infra-estrutura que os leva a permanecer
fora de casa a serviço dos patrões.
Vejamos o que aconteceu com os povos dos chamados países
civilizados: as mulheres que quiseram manter uma situação de certa
dignidade para si mesmas e para sua família foram obrigadas a buscar
empregos fora de casa, pois o salário dos maridos não era suficiente
para atender à exploração que o poder econômico fazia ao povo,
através dos bens de consumo, tais como comida, vestuário,
eletrodomésticos, transporte, energia etc. etc.
Ao contrário do que muitos pensam, as mulheres se viram
obrigadas a ter dois empregos; um fora e outro dentro de casa,
trabalhando de 12 a 19 horas por dia para sobreviverem e ainda
cuidarem da casa e dos filhos.
Os maiores prejudicados com isso são, justamente, os maridos e
filhos, além da própria mulher, evidentemente. E os culpados dessa
situação não são os homens (maridos e pais que também são
sacrificados) mas somente os donos do poder econômico, que podem
ser homens, mulheres ou ambos, em pacto.
Glamour, uma revista americana para mulheres, publicou a
“Pesquisa sobre os Pontos de Vista Femininos de 1986” baseada
em 800 entrevistas com mulheres entre as idades de 18 a 65 anos, de
todos os campos de atuação. A pesquisa diz que:
“7 entre 10 mulheres que trabalham fora de casa meio
período ou período integral, disseram ter mais
preocupação com suas finanças pessoais este ano do que
o ano passado”.
No mesmo artigo dizem: “de acordo com o
Departamento de Estatísticas do Trabalho, o pagamento
para as mulheres que trabalham na nação, somente
aumentou um centavo de dólar sobre 1984,
concedendo-lhes 61 centavos para cada dólar que o
homem ganha. E as mulheres “profissionais” — aquelas
que tendem a encarar sua ocupação mais como carreira
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0461
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
62
do que meramente um emprego — ganharam 75 centavos
para cada dólar do homem, mais que os 71 centavos um
ano antes.”
Isso deixa claro que existe um círculo vicioso alimentado pela
exploração econômica: quanto menor a renda, menor a consciência da
mulher que trabalha e vice-versa. Dificilmente uma mulher de baixa
renda consegue meios econômicos de se capacitar e deixar de ser uma
mera empregada explorada, e tornar-se uma “profissional” com
condições de exigir um pagamento mais justo pelo seu trabalho.
Para completar, nota-se que muitas das mulheres que nos anos 70
saíram valentemente para conquistar um lugar ao sol na estrutura
econômica, agora começam a se decepcionar.
De acordo com a mesma pesquisa 83 % sentem que elas têm
menos oportunidades do que os homens para ganhar os salários mais
altos e quase três quartos (73 %) acham que suas chances para progredir
no emprego são menores do que as deles. 77 % percebem que têm
menos oportunidades em política e 86 % sentem que seu acesso a um
cargo político foi bloqueado.
Coloca-se então a questão: as mulheres são de fato discriminadas
pela sociedade ou os homens são mais aceitos e melhor pagos por
realmente serem mais capazes do que elas?
Eu diria que as duas hipóteses são verdadeiras. Primeiro, a mulher
foi muito alienada pela estrutura social, formulada para servir somente
aos interesses de pequenos grupos do poder econômico-social, sendo
educada para permanecer fora dele. Segundo, os homens, por terem
sido desde cedo educados para o serviço escravo ou para o trabalho
de capatazes (empresários e chefes de seção que obrigam os escravos
a renderem o mais possível pelo menor pagamento, para o lucro de
seus patrões em troca de umas migalhas a mais em seu próprio salário
mensal), realmente tornaram-se de mais valia para a estrutura econômica
da forma como está organizada.
Enquanto não houver interesse por parte dos poderosos, a
sociedade não proverá condições para que a mulher saia da atual
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0462
Mulheres no Divã
63
situação, se integre e se capacite para uma função mais digna e atuante
como cidadã, profissional, mãe, esposa e ser humano.
Minha grande preocupação é que nem as mulheres nem os homens
estão cientes de que não existe um abismo entre os sexos (“gender
gap” em inglês), mas existe um grande abismo entre os poderosos e o
povo, que o manipulam, dividem-no e criam cisões para poder
escravizá-lo sem resistência; eles fabricam e alimentam a paranóia entre
os sexos.
Enquanto as mulheres e os homens brigam entre si, os verdadeiros
culpados, os exploradores e armadores das intrigas permanecem de
fora, sendo poupados dos ataques. Para conseguir isso, tal minoria do
poder tem tudo sob seu controle: a educação, a medicina, a psicologia,
as editoras, a mídia (rádio, TV, jornais e revistas), a ciência, a política,
as empresas, o comércio, os “trusts” de toda ordem. Enfim, o povo
está nas mãos de inteligências perversas e sofre um processo constante
de lavagem cerebral, estando totalmente alheio a essa realidade. Todos
vivem conformados e vêem a situação como irreversível, sem imaginar
que esta não é a verdadeira vida e que algo muito diferente poderia ser
vivido a partir de agora, bastando para isso que todos se
conscientizassem desse problema. (Para entender melhor o que quero
dizer, leia A Libertação dos Povos — Psicopatologia do Poder,
Norberto R. Keppe, São Paulo, Editora Proton, 1987).
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0463
19
A Paranóia ao Afeto
O
 ser humano, seja ele homem ou mulher, tem uma acentuada
paranóia em relação ao afeto e luta contra quem mais gosta.
Deus criou o homem e a mulher para “serem uma só carne” —
com isso quis dizer que fez um para o outro, vivendo em estreita
harmonia e em tal união que seus corpos seriam um só, bem como seu
coração e seu pensamento.
Por que então tornaram-se os maiores inimigos? Na base, todo
casal se ama intensamente,mas o que atrapalha o relacionamento de
ambos é a incrível paranóia criada em relação ao afeto e que se manifesta
em ambos.
A mulher projeta no homem que ama o ser que poderá trazer-lhe
muito sofrimento, pois o amor que sente é mais forte que o seu controle.
Então defende-se ao máximo daquele que sente como o perigo iminente
— o que é absolutamente mais forte do que ela mesma. Porém, não
percebe que não se refere ao seu parceiro, ele mesmo, mas ao
sentimento que tem por ele.
Por exemplo, conheci várias mulheres que procuraram casar-se
com homens pelos quais não eram apaixonadas. Queriam um amor
mais “tranqüilo”, mais “equilibrado”, sem “altos e baixos”, sem ciúmes,
sem sofrimento etc. Mal sabiam elas que estariam condenando-se a
casamentos desastrosos, pois o principal faltava: o verdadeiro amor.
O mesmo acontece com os homens — só que eles projetam na
mulher a idéia que têm sobre o amor — algo inferior. Muitos casam-se
com mulheres que vêem como boas mães, boas cozinheiras, e não
com aquelas que lhes despertam paixão. O homem tem a idéia invertida
de que o amor é algo inferior em sua vida. Por exemplo: posição social,
64
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0464
Mulheres no Divã
65
o dinheiro, o poder, a arrogância, são fatores denotadores de muito
valor para o homem. Mas o amor que tem por uma mulher é vergonhoso
e inferior — algo que quer manter em segredo, escondido da sociedade
e até de si mesmo. Portanto, acaba tendo da mulher que ama a mesma
idéia que tem do sentimento: algo inferior, fraco, desprezível.
Mas isto também está diretamente relacionado à paranóia que o
homem faz em relação ao afeto. Ele tem pavor de sentir que algo é
mais poderoso e forte do que ele mesmo, que o amor também é
soberano em sua vida. Passa a identificar o amor com a mulher amada
e sente-se indignado de ser “submisso a uma mulher tão inferior a si
mesmo”. Pensa que, se amar muito, vai tornar-se fraco, impotente,
humilhado, desprovido de sua arrogância — estará à mercê de uma
mulher (e não do amor que tem em seu interior), o que acha terrível. O
que seus amigos iriam pensar?
Assim se dá o ciclo paranóico com a vida afetiva:
A história de Sansão e Dalila que tão comumente é citada para
exemplificar a inveja da mulher em relação ao homem, poderá também
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0465
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
66
estar sendo usada como arma para essa paranóia masculina em relação
ao afeto — ele acha que se amar vai tornar-se fraco — perder todo o
seu poder, como Sansão que perdeu seus cabelos cortados por Dalila
e, com eles, toda a sua força.
E aí vemos o problema da inversão, pois justamente é o amor,
quando aceito, que fortalece a vida do ser humano, homem ou mulher.
Cristo foi claro ao dizer que o único mandamento era o Amor.
Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Não somos anjos; amamos com amor humano, e o amor que temos
pelo sexo oposto não é diferente dos demais, praticamente tão genuíno,
tão humano e tão edificante quanto o amor que podemos ter por Deus.
Quando amamos alguém sentimos que esse sentimento é como
que espontâneo — nascido sem nossa resolução, sem nossa vontade.
Portanto, vindo de nossa natureza psíquica, jamais poderia ser inferior
ou temerário. Mas nós só aceitamos aquilo que nós fazemos e temos
controle. Portanto, rejeitamos o amor.
Nossa cegueira é tão grande que não percebemos que todos os
indivíduos que foram muito fortes e produziram grandes obras na vida,
amaram intensamente. Foram indivíduos que aceitaram a força do
sentimento existente no seu interior e tornaram-se incríveis na
capacidade, no brilho, na criatividade (Cristo, Ghandi, Bach, Confúcio,
Michelângelo etc.).
O Amor é imortal, não pode ser destruído, muito menos dentro de
nós. Só através dele podemos também nos tornar imortais.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0466
20
Casamento: Profissão da Mulher
D
urante meus 10 anos de experiência como psicanalista, acrescidos
aos meus 38 anos de vida, observei uma série de dados a respeito
da conduta da mulher que, infelizmente, não são dos mais abonadores.
Após essa observação, cheguei à conclusão de que a maior
patologia das mulheres é querer fazer de um casamento (ou de um
homem) a sua profissão. Daí pretendem retirar seu sustento financeiro
e psicológico.
Às vezes me pergunto: de onde a mulher tirou a idéia de que o
homem tem obrigação de sustentá-la? Muitos responderão que o
problema está na educação. Desde pequenina, a menina é educada
para ser a esposa de fulano de tal, mãe de seus filhos e dona de sua
casa.
Realmente não se vê uma família educar sua filha para o mundo —
mas sim para o casamento, como se o universo fosse o chamado “lar”
(que, diga-se de passagem, na maior parte das vezes é mais um rinque
de luta do que qualquer outra coisa).
As mães, desde cedo, induzem as filhas a procurarem um marido
que preencha todas as qualidades esperadas para que possam levar
uma vida bem alienada: primeiro, deverá ser honesto só com a família,
não necessariamente com os outros; segundo, trabalhador, para que
sua filha jamais tenha que trabalhar; terceiro, que seja bom pai, para
cuidar dos filhos nas folgas da empregada e ficar com a parte mais
difícil da educação — como dar castigos, vigiar as notas escolares,
brigar com o pai do vizinho quando vier queixar-se de uma janela
quebrada etc. etc.; quarto, que seja bonito para provocar inveja nas
67
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0467
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
68
outras e mostrar o “valor” de sua filha; quinto, que seja eunuco com as
outras mulheres, mas que esteja a serviço de sua filha sempre que esta
assim o desejar; sexto, que seja de “boa” família, preferentemente de
muito dinheiro para garantir os desejos e caprichos de sua filhinha;
sétimo, que, jamais, sob hipótese alguma, contrarie sua “doce menina”,
aponte-lhe algum defeito ou de sua querida mãe.
Assim se inicia a formação das pequeninas deusas. Outro passo é
o de colocar as filhas contra o pai. Claro, devido a uma grande inveja,
a mulher induz os filhos a verem o pai como errado, inimigo, censurador,
“o louco” da casa, quando não “uma fera”, de quem todos têm que ter
pavor. Aquele que sustenta a casa, que provê todas as suas
necessidades, que se esforça para, a custo de muito suor, dar tudo o
que a família precisa; é geralmente visto pelos filhos como inimigo. E
sequer ele tem tempo ou oportunidade para desfazer essa imagem,
pois sua mulher é que está com eles a maior parte do tempo, intrigando
sutil e sorrateiramente e sabotando a imagem do pai.
Assim sendo, dentro de pouco tempo, qualquer autoridade que o
pai necessite usar para a educação de seus filhos fica prejudicada, pois
o trabalho da mulher é justamente esse. Devido à inveja excessiva, ela
estraga:
 a imagem do homem dentro da família;
 a educação dos filhos, com as intrigas que faz entre eles e o
pai.
Na maioria das vezes as mães são as responsáveis pela formação
dos bandidos, dos indivíduos inúteis, dos doentes mentais e dos
homossexuais, pois, sabotando a imagem dos pais, impedem que eles
vejam em seu exemplo de trabalho algo favorável.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0468
21
Os Casamentos Não Dão Certo Pois
São o Pacto do Narcisismo com a
Megalomania
O
 casamento é um pacto de morte que acontece porque o homem
e a mulher se unem para: 1) ela adorar o poder (megalomania) de
seu homem e 2) o homem, admirar o corpo (narcisismo) de sua mulher
— no fundo venerando a si mesmos, um através do outro. É por isso
que os casamentos, na maioria esmagadora, não dão certo.
A maioria das mulheres exige de seu marido e de seus filhos
adoração absoluta. Isso ainda quando ela aceita que o marido divida
seu interesse entre ela e os filhos, pois não raro negam a gravidez,
mesmo sem perceber, tornando-se estéreis, para conseguir permanecer
sempre o centro das atenções.
Muitos homens gostam que suas mulheres sejam bonitas,
dependentes e ignorantes. Assim sentem-se importantese indispensáveis
— e essa idéia lhes agrada. Pensam, ingenuamente, que elas
permanecerão sob seu controle.
Tudo isso, entretanto, sai tão caro para ambos! A realidade é que
o homem é obrigado a conviver com uma mulher inútil, primitiva e
materialista, incapaz sequer de compartilhar de conversas de seu
interesse, pois elas só entendem de coisas concernentes ao seu pequeno
reino doméstico. Nós mulheres ficamos condenadas a uma vida
insatisfatória, alienadas e enlouquecidas, às voltas com crianças,
cachorros, panelas e compras.
Não são raros os exemplos de uniões afetivas desastrosas jus-
tamente por esse motivo.
69
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0469
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
70
Uma cliente, certa vez, procurou orientação por estar numa crise
existencial terrível. Estava doente, vivia em depressão constantemente,
não notando graça nenhuma na vida e em ninguém. Era casada com
um homem tipicamente megalômano, materialista, e só visavam o
acúmulo de glórias sociais e riqueza material.
Vivendo em torno de festas, em lojas, comprando roupas e ma-
quilagem, cabeleireiros e viagens, fazia com seu marido um pacto de
ostentação: os dois no seu reino, querendo aparentar felicidade absoluta
aos demais, mas a portas fechadas, sofrendo de terrível angústia.
À beira da separação, viviam num clima de ódio mútuo. Ela culpava
o marido por todos os seus sofrimentos e não suportava mais manter
relações sexuais com ele. Isso aumentava ainda mais a tensão do
ambiente familiar, chegando a tal grau o seu desespero que ela adoeceu
gravemente, tendo que ser hospitalizada.
Iniciada a análise, ambos perceberam que queriam formar o reino
próprio aqui na terra, voltados para seus interesses particulares, em
vez de se engajarem no reino que já existe — a verdadeira vida.
Quando o casal vive um ideal comum, trabalhando para a beleza,
verdade e bondade, então seu relacionamento pode se tornar muito
harmonioso e feliz. E isso em grande parte já tem sido conseguido por
casais que se conscientizaram de sua teomania e desistiram de suas
fantasias de poder, para viver o que é real. Seus desejos passam a ser
comuns, as brigas acabam, pois elas eram fruto de desejos
contraditórios, conflitantes, fundamentados no narcisismo, na mulher,
e megalomania ou desejo de poder, no homem.
Os cônjuges geralmente brigam pelos mesmos motivos: ela quer
mais atenção, mais dinheiro, mais sexo, mais distração; briga pela
infidelidade do marido (real ou imaginária), e este, irritado por tal
situação dentro de casa, se desespera e parte para fugas passageiras
com mulheres ou no trabalho. Alguns homens também brigam para
manter seu domínio dentro do lar, querendo obrigar a mulher e os
filhos a serem eternamente dependentes dele.
Na maioria dos casos, os maridos chegam exaustos do trabalho,
mal-humorados pelo desgaste do esforço dispendido pela luta pelo
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0470
Mulheres no Divã
71
poder, e ainda encontram uma carga enorme de lamúrias da mulher
queixosa e dos filhos eternamente “reivindicando” coisas.
Não há ninguém que suporte tal carga infernal! Manter o próprio
reino em pé é a mais difícil carga de se levar. Isso custa a vida de
muitos que morrem precocemente tentando moldar a realidade de
acordo com sua imaginação.
Se ambos passam a desejar o trabalho para a paz, o amor e a
beleza, acima de tudo, então “sacrificam” suas vaidades pessoais em
função de algo comum — a felicidade.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0471
22
Por Que os Homens Mentem Para as
Mulheres?
N
as reuniões sociais, no ambiente de trabalho, os homens sempre
acabam por formar grupinhos à parte das mulheres e vice-versa.
Parece que a sintonia da conversa masculina é muito diferente da
feminina. Cada sexo se comunica em “canais diferentes” e seus assuntos
não só não despertam interesse entre si, mas são muitas vezes
incompatíveis.
Vocês já notaram que existem muitos assuntos que os homens só
conversam entre eles, evitando a presença feminina? Todas as decisões
consideradas mais importantes preferem discutir longe delas. E com
razão! O homem é obrigado a omitir certos fatos e até a mentir para as
mulheres, pois elas não têm equilíbrio para lidar com a verdade.
O sexo feminino se reune longe dos homens para falar mal deles
ou para conversar sobre suas fantasias e futilidades. Eles, por sua vez,
se reunem longe delas para decidir assuntos de primeira importância
para a vida de ambos (além de falar sobre mulheres).
Elas não podem tomar conhecimento dos problemas sérios, pois,
além de não terem uma solução a dar, ficam apavoradas, tornando o
ambiente mais difícil ainda para que qualquer solução seja adotada.
Os homens permitem às mulheres participar de discussões que
tratem de assuntos afetivos e familiares, pois são os únicos em que têm
interesse. E dentro desse campo, elas criam as maiores confusões,
colocando uns contra os outros. Mas, quando se trata de assuntos
realmente importantes e vitais, eles tomam muito cuidado para evitar
sua presença; e quando isso não é possível, têm um grande trabalho
para neutralizar o desequilíbrio delas.
72
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0472
Mulheres no Divã
73
Certa vez ouvi um homem desabafar: “as mulheres se queixam
que os homens mentem para elas, mas elas não aceitam ouvir
nenhuma verdade! Se o homem fala a verdade para uma mulher,
ela fica tão furiosa, reage de maneira tão desequilibrada, briga
tanto, que ele desiste e passa a resolver a questão simplesmente
omitindo ou mentindo para elas.”
Isso ocorre porque a mulher se envolve emocionalmente com
qualquer assunto, e sua reação, na maioria das vezes, é desequilibrada;
ou briga e grita, ou chora. Assim se agrava o isolamento entre homens
e mulheres, cada grupo do seu lado, entendendo-se menos a cada dia
que passa.
Ele reage de várias maneiras à intolerância que ela tem em ver a
verdade, seus próprios erros e problemas em geral: pede o divórcio,
dá-lhe bastante dinheiro para que ela se distraia em viagens e compras,
tranca-a dentro de casa cuidando dos filhos, foge periodicamente através
de amantes ou algum vício, ou simplesmente, resolve ficar solteiro para
sempre.
Quando os filhos crescem um pouco, eles também começam a
conscientizar a dificuldade que seu pai sempre teve, pois eles próprios
aprendem que não podem falar a verdade para sua mãe, sem que ela
brigue ou faça dramas.
A mim não agrada ver a que ponto de desequilíbrio nosso sexo
chegou. Gostaria muito que as mulheres mais honestas que me lêem,
conscientizando-se desse problema, modificassem sua atitude e
ajudassem a mudar também as outras mulheres.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0473
23
A Mulher Imita a Mãe na Conduta
Afetiva
S
e a mãe tem uma boa aceitação do afeto, aceita bem o marido e os
homens, a filha terá muito mais chances de aceitar também sua vida
afetiva. Caso contrário, se a mãe rejeita os homens da casa, a mulher
terá grande dificuldade em aceitar seu marido, namorado, companheiro,
filho ou qualquer homem, pois a filha imita a mãe na sua conduta em
relação ao afeto.
A jovem V. R. apresentava sérios problemas de relacionamento
com figuras masculinas. Não conseguia se aproximar delas e só fazia
amizades com mulheres, mas também com dificuldades. Não tinha
namorado e isto a deixava muito complexada. Sempre que trabalhava,
preferia chefes mulheres, e procurava analistas mulheres também para
fazer psicoterapia.
A sua família foi, nesse caso, peça importante no desenrolar de
seu comportamento neurótico. Sua mãe, esquizofrênica, sofrera
internações em hospital psiquiátrico. O pai, homem depressivo, mas
bondoso, costumava agir como uma “esponja” absorvendo todas as
agressões e ataques da invejosa esposa.
Logo cedo V.R. aprendeu essa conduta louca da mãe e começou,
ela também, a atacar o pai, imitando a mãe na conduta invejosa e
raivosa contra os homens.
Certo dia, V.R. trouxe para análise um problema que a afligia
especialmente: estava triste por não conseguir arranjar namorado.Dizia
ser desprezada por todos os rapazes que lhe interessavam. Tendo
investigado mais a fundo, ela me revelou que já havia tido um namorado,
74
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0474
Mulheres no Divã
75
por 5 anos, e que este também a havia abandonado, trocando-a por
outra, com a qual se casou em seguida.
Obviamente V.R. não percebia que ela era a única culpada do que
lhe acontecia. De tal forma fui conduzindo sua análise que consegui
levá-la a perceber que ela tivera uma conduta de tanto ódio e desprezo
por seu namorado, numa imitação da mãe, que afugentou o rapaz de
sua vida.
Relembrando o passado, contou que durante 5 anos agrediu aber-
tamente o namorado, em conluio com sua mãe. As duas faziam um
pacto: a mãe desprezava o pai, ela o namorado. Viam-se como seres
muito superiores em relação a seus companheiros e criavam um clima
de hostilidade insuportável a ambos.
Sem dúvida, o rapaz, por mais masoquista que fosse, iria sucum-
bir mais cedo ou mais tarde àquela guerra aberta. Tendo encontrado
garota mais afetiva, que o tratava bem, não hesitou em trocar uma pela
outra. Esse foi seu primeiro e último namorado.
Em seu relato, V.R. disse que ficou com muito ódio quando o
rapaz a abandonou. Eu completei: “Não, aí a senhora percebeu
quanto ódio sempre teve, razão que afastou o seu namorado da
senhora”.
A mulher precisa perceber que imita muito mais a conduta
patológica da mãe e das mulheres da família do que pensa. Muitos
problemas conjugais e de relacionamento afetivo sérios poderiam ser
evitados se ela se apercebesse disso a tempo. É muito comum a mulher
tratar o marido como a mãe tratava o pai — e faz isso sem perceber,
pois ela mesma critica a maneira desagradável de ser de sua mãe na
família.
Somente através dessa conscientização é que a mulher pode acor-
dar para os erros graves que comete, destruindo sua própria vida sem
que se aperceba de tal fato.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0475
24
Os Pactos
P
or falar em pactos, Jean Jacques Rousseau já dizia: “O homem
fala o que sabe, a mulher fala o que agrada”, querendo dizer
que a mulher quer agradar a quem ouve, e não está preocupada em
fazer valer a verdade.
Com isso elas criam as maiores confusões e intrigas, pois o que
agrada uma mulher é ouvir falar mal dos outros.
Mesmo considerando-se que existem mulheres mais bondosas,
elas dificilmente querem desagradar a quem quer que seja falando a
verdade, pois, muitas vezes, esta mostra a dureza da loucura humana.
Assim sendo, desde criança a mulher poupa a si mesma e aos
outros a visão dos problemas e das maldades humanas, criando em
torno de si um mundo róseo de hiprocrisia e alienação.
Quando eu digo a certas clientes que elas devem romper o “pacto”
que fizeram com os homens, tendo acatado uma posição de submissão,
subserviência e dependência, em troca de uma vida de alienação e
irresponsabilidade social, não estou querendo dizer que devam partir
para uma guerra contra eles, como se fossem vitimas em mãos algozes;
afinal, quando existe um pacto, ambas as partes devem estar de comum
acordo.
É muito freqüente as mulheres passarem de um extremo ao outro
— ou adotam uma posição de conivência (até certo ponto imoral)
com a patologia do marido, filhos e sociedade, ou então optam por
uma atitude de liberdade para a agressão e para a loucura. De “beatas”
e “Amélias”, passam à libertinagem.
O difícil é a mulher manter um relacionamento sem pactuar com o
que sabe que não é certo no outro.
76
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0476
Mulheres no Divã
77
É comum mulheres de civilizações mais atrasadas (latinas, árabes,
orientais) passarem anos a fio com medo de contrariar o marido —
sem trabalhar, sem estudar, sem sair sozinhas, apanhando
silenciosamente. Quando percebem o absurdo de tal situação, muitas
descambam para o extremo oposto, alimentam uma guerra dentro de
casa, atormentam os filhos e amigos, não aceitando mais qualquer
restrição às suas vontades e, muitas vezes, exigindo o divórcio. Parecem
querer viver numa só tacada todas as fantasias que reprimiram até
então.
Esta atitude carece de bom senso. É óbvio que afeto, trabalho,
estudo, jamais podem fazer mal a quem quer que seja, mas desde que
a pessoa não perca o bom senso e cheque suas intenções.
A mulher que pactua com um homem agressivo e repressor, na
verdade tem dentro de si a mesma intenção agressiva e destrutiva contra
a sua própria vida, só que não o percebe e projeta nele toda a sua
patologia.
Caso ela não conscientize isso, todas as decisões que tomar
conservarão o mesmo padrão de destrutividade, e não adiantará um
afastamento ou uma ruptura social, pois a raiz do mal permanecerá
intacta em seu interior.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0477
25
A Psicopatologia Familiar
A
 mulher repete através de várias gerações a conduta patológica
das mulheres da família; ou seja, a neta repete o comportamento
neurótico da mãe, da avó, que por sua vez repetiu o de sua mãe e avó.
R. M., casada e mãe de uma menina muito graciosa, acompanhou
o marido quando este se transferiu de país por motivos de trabalho.
Em princípio, ambos tinham interesse em se desenvolver com essa
experiência, e viam vantagem também na ida da menina que iria vivenciar
uma cultura diferente, aprender uma nova língua etc.
Durante o primeiro ano, R. M. mostrou-se irritada e insatisfeita
com a vida no novo país, o que causava constantes dissabores ao
marido. Em seguida, com suas queixas de saudades da mãe e da família,
conseguiu criar um clima de tensão no casal. Terminado esse tempo,
ela aumentou a pressão para voltar ao país natal e levar a filha e o
marido, embora este não tivesse a menor intenção de abandonar sua
nova empresa, que estava em amplo desenvolvimento.
Sem que o percebesse claramente, R. M. estava provocando uma
situação insustentável, a qual iria resultar num divórcio a médio prazo.
Ela estava repetindo a conduta da mãe, que tendo ficado viúva muito
jovem, jamais se casara novamente, sob o pretexto de assim poder
cuidar melhor dos filhos.
Fato é que nem a mãe nem a filha aceitavam uma vida ligada a um
homem. Sendo alertada para tal fato, R.M. passou a preocupar-se
muito mais com suas intenções inconscientizadas, o que facilitou muito
o entrosamento do casal.
Estranhamente, R.M. tinha uma ligação muito forte com sua mãe,
a ponto de chorar desesperadamente por ter que viver longe dela, ao
78
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0478
Mulheres no Divã
79
lado do marido e da filha. Mostrava uma dependência mórbida, mais
resultado de um “pacto” psicopatológico fortíssimo entre as duas, do
que de uma ligação afetiva.
É muito comum notarmos esse fenômeno: muitas mulheres que se
casam, não querem se desligar da posição de “filhas” e passar para a
posição de esposas e mães. Casam-se, mas continuam vivendo
estreitamente ligadas ao ambiente familiar, especialmente à mãe, e tentam
impingir ao marido e aos filhos o mesmo tipo de vida.
Almoços obrigatórios aos domingos, festas de Natal e Fim de
Ano, dia das mães, dia dos pais, presença da sogra em todas as
decisões do casal, são alguns exemplos dos sacrificios que uma mulher
consegue impor a quem desejasse unir-se a ela (e não à família dela).
E sendo que esses pactos mãe-filha são, na maioria das vezes,
baseados em motivos muito doentios, a influência da mulher torna-se
extremamente desagradável nas relações familiares.
É incrível como as mulheres conseguiram criar uma rede de tanto
poder e manipulação emocional na área afetiva da vida, o que, a meu
ver, pode ser até mais torturante que o poder socioeconômico exercido
pelos homens. O poder feminino é exercido através da chantagem
afetiva, mexendo no que é mais íntimo no ser humano: seus sentimentos
e sua alma.
É devido a isso que eu tive em várias mães dos meus clientes as
maiores inimigas, pois assim que eles começavam a progredir, rompiam
o pacto doentio que mantinham com elas, exigindo um relacionamento
mais maduro, livre e equilibrado. As que aceitaram conscientizaro
problema, desenvolveram-se junto com os filhos; as demais, tiraram
os filhos da análise (quando esses dependiam economicamente dos
pais), ou fizeram o possível para convencê-los da “grande destruição
que o tratamento estava causando à família”.
Esses clientes não aceitavam mais o controle e a manipulação da
família; queriam afeto, amizade e não pactos doentios.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0479
26
Atrás de Um Homem Doente Sempre
Existe Uma Mãe Neurótica
O
 dr. A.C., dentista de meia idade, procurou a análise para tentar
resolver seus problemas de fobia intensa. Era dependente de
calmantes, não conseguia trabalhar nem realizar qualquer coisa útil,
sob pena de ser acometido de terríveis angústias. Era totalmente
dependente de sua mulher, e não saía para lugar algum sem ela; havia
praticamente parado de trabalhar.
Após um mês de análise já havia deixado os calmantes. E pouco
tempo depois já conseguia viajar sozinho de sua cidade (situada a 3
horas de distância) para São Paulo, demonstrando amplo progresso
no processo de se independer, inclusive sendo capaz de retornar às
atividades em seu consultório. Porém, essa ansiedade persecutória em
relação ao trabalho continuava de forma latente, perturbando muito o
seu desempenho.
Pude então notar que sua mãe fôra uma figura muito importante e
dominante em sua vida. Filho caçula, com 12 anos de diferença do
irmão mais novo, ainda na infância perdeu o irmão mais velho, em
condições traumáticas.
Sua mãe, muito possessiva e neurótica, cercou A.C. de excessivo
cuidado e superproteção. Fazia todos os deveres de escola com o
garoto e cercava-o de mimos, transmitindo-lhe a idéia de que a vida, a
realidade, o estudo e o trabalho eram um perigo, um fardo, um grande
sacrifício.
Ele admitiu ter-se identificado muito com a mentalidade da mãe,
passando a ter uma idéia invertida, feminina aliás, de que o trabalho é
pesado e negativo.
80
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0480
Mulheres no Divã
81
Como poderia ele aceitar com agrado o que no fundo acreditava
ser causa de dissabor e desgaste? Com isso, sem que percebesse,
fazia grande oposição ao trabalho, o que lhe causava muita ansiedade
e angústia.
A essência do homem é sua capacidade de realização dentro da
criação — o homem é, fundamentalmente, o que ele faz, e não o que
ele pensa. Portanto, se bloqueia sua atividade por vê-la como
patologizante, está sufocando seu próprio ser, entrando em terríveis
angústias e fobias.
Deus nos criou para sermos semelhantes a Ele na conduta e deu-nos
a honra de participar do processo de criação do universo
completando-o e aperfeiçoando-o. Só assim nos tornamos realmente
semelhantes a Ele.
Notem os leitores que as mães que mimam os filhos dando-lhes a
idéia de que o trabalho é sacrificado e desgastante, que devem
defender-se do mundo e dos outros que lhes são inimigos, estão agindo
diretamente contra os filhos — mesmo que não o percebam com nitidez.
Em inglês usa-se a palavra “spoil” para designar bem o que as
mães, pela inveja inconscientizada, desejam fazer com os filhos e,
definitivamente, fazem.
Nos Estados Unidos, o número de homossexuais aumentou as-
sustadoramente nos últimos 10 anos. Algumas estatísticas chegam a
falar que 50 % dos homens solteiros em São Francisco e em Nova
York (maiores centros de homossexualidade) são homossexuais. Isto
sem se considerar que muitos casados têm comportamento bissexual.
Este fato coincide com o aumento de famílias onde somente a mãe
está presente. 30% das famílias americanas são “female headed families”
(famílias dirigidas por mulheres).
Portanto, 30% dos filhos criados em lares americanos não contam
com a figura paterna para que possam fazer uma boa identificação, tão
necessária na fase de amadurecimento da personalidade. Convivendo
só com as mães, os meninos têm, muitas vezes, a idéia de que ser
como uma mulher é o ideal, pois nada sabem a respeito de como um
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0481
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
82
homem maduro, de verdade, não dispondo do modelo certo para a
identificação, seja.
Mas o fator mais problemático é que, na maioria das vezes, o
menino adquire a mesma idéia negativa que sua mãe possui a respeito
dos homens. Não raro, a mulher divorciada mantém, mesmo sem o
perceber, um conceito muito negativo a respeito daquele que foi o pai
de seu filho. Consciente ou inconscientemente, transmite isso a seus
filhos, vindo a ocasionar problemas tão graves como o
homossexualismo, pois o menino terá horror de ser igual àquele que
tanto fez sofrer sua mãe, figura afetiva de maior importância em sua
vida.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0482
27
A Mulher Cria, à sua Semelhança,
Filhos Inúteis e Alienados
A
 mulher que não está consciente de sua psicopatologia, que não
enxerga os seus problemas, pode causar danos incalculáveis a
seus filhos.
As mães educam os filhos tomando como base seus próprios
valores, sua filosofia de vida, experiência pessoal, e não percebem que
elas próprias são muito alienadas e que suas idéias do que seja o melhor
para as crianças, poderá ser o pior (como foi para elas mesmas).
Como a mulher, na maioria das vezes, foi criada alienada, “fora da
vida”, somente estudando e esperando um marido, sem nunca ter
experimentado o valor do trabalho sério dos que sustentam a si mesmos,
pensa que esta seria também a melhor vida para seus filhos.
Exemplificando: ao encerrar a faculdade, o cliente B.P., de 26 anos,
decidiu mudar de país para começar uma vida diferente; era a primeira
vez que deixava a casa e a experiência de ter que prover seu sustento
lhe era algo desconhecido.
Foram tantas as dificuldades que teve que passar, sofreu tanto até
começar a se adaptar, que se não estivesse se submetendo à análise,
não teria agüentado e teria desistido da empreitada.
B.P. disse que nunca poderia ter imaginado a falta que lhe faria a
ausência de uma experiência de trabalho desde adolescente, pois agora
sentia como uma violência a adaptação ao mundo. Nada disso
acontecia aos seus amigos que tinham iniciado o trabalho ao lado dos
estudos, desde os 13 ou 14 anos de idade.
83
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0483
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
84
Muito magoado, relatou que sua mãe jamais permitira que ele
trabalhasse e estudasse ao mesmo tempo. Ela usava de argumentos
como: “agora é hora de estudar seriamente, e não de trabalhar. Se
você não levar a sério seus estudos agora, no futuro vai se ressentir.
Depois você terá muito tempo para trabalhar.”
Seu pai, pelo contrário, homem culto mas também com muita
experiência prática na vida, não discordava do filho; percebia quão
importante era a experiência de trabalho, que é útil, inclusive, para
fixar melhor os conceitos aprendidos na escola. Sabia que os melhores
alunos nunca se tornam bons profissionais, o que mostra o perigo da
intelectualização na formação de uma personalidade.
B.P., quando criança, queria trabalhar como office-boy; sua mãe,
indignada, não o permitiu, pois via seu filho como “bom demais para
tal tarefa. Iria passar por muitas humilhações e perigos, além de
não aprender nada com aquilo.”
Notem que a mãe de B.P. projetava-se no filho e imaginava-se em
seu lugar; tinha horror ao trabalho, que via como humilhante e sem
utilidade. Queria ser uma “poderosa” na sociedade, casada com um
homem que fosse mais ambicioso do que seu marido se mostrava.
Não permitia que seus filhos fizessem aquilo que achava ser prejudicial
para si mesma e para eles.
Portanto, a mãe de B.P. educara seus filhos da melhor maneira
que podia, dentro dos seus critérios de valor. Ela era inútil, só tinha
estudado e trabalhado levemente, tendo logo se casado para transferir
para o marido a dependência que tinha dos pais. Queria para seus
filhos o que fizera consigo, pois nada via de errado em sua conduta.
Se um indivíduo não começa a trabalhar desde cedo, dificilmente
conseguirá fazê-lo mais tarde; terá enormes dificuldades para realizar
qualquer coisa, passarápor angústias terríveis, como se pode ver nesse
caso, devido à situação criada artificialmente pela mãe com o apoio da
sociedade.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0484
28
A Intriga: O Crime da Mulher
S
e podemos dizer que existe um defeito tipicamente feminino, esse
defeito é a intriga. A mulher abre a boca para conversar com o
marido, com os filhos, ou com as amigas, e 90% do que diz consiste
em comentários maldosos a respeito dos outros.
Quando uma mulher fala, é necessário sempre perguntar: será que
o que ela está dizendo é a expressão da realidade, ou será que ela diz
o que gostaria que nós acreditássemos?
A maior arma de destruição de que a mulher dispõe é a sua língua,
que manifesta toda a malícia, veneno, inveja, que vai em seu coração.
Às vezes sutil, com voz aveludada, em tom de quem “só fala para
poder ajudar”, a mulher aproveita para destilar toda a sua fúria intrigando
sobre os outros. Consegue colocar todos contra a pessoa de quem
tem inveja, e quantas vezes essa pessoa não é seu próprio marido ou
melhor amiga?
Infelizmente, é preciso reconhecer que a maioria das mulheres
praticamente tem inveja de tudo. E sequer percebe essa realidade, o
que agrava mais a situação.
Nos escritórios as intrigas são sempre feitas pelas mulheres. O
mesmo na família, nos clubes, entre os amigos, na escola e faculdade...
Os banheiros femininos têm sempre uma rodinha que, se prestarmos
atenção, tem como tema central uma fofoca, uma intriga.
Falar mal dos outros é um gosto feminino. De tal forma isso é
verdadeiro que, além das mulheres, somente alguns homossexuais, que
imitam as mães, também têm línguas viperinas, que se aprazem em ver
a imagem dos outros destruída.
85
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0485
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
86
Separar casais, amigos, amigas, colocar colegas em má situação
perante chefes e professores — é a intenção advinda da inveja in-
conscientizada das mulheres.
O quê, melhor do que a intriga para “acabar” com a rival que
ameaça a situação de destaque que uma mulher quer ocupar? O quê,
melhor do que falar dos “podres” dos outros, para que sinta
engrandecida perante os demais?
O que muito me entristece é constatar, na experiência de
psicanalista, que são, decididamente, as mulheres as grandes
caluniadoras. São as que maldizem os demais, as que lançam lama
com prazer sobre o nome dos amigos e familiares, com um prazer tão
grande como só os demônios poderiam ter.
Uma calúnia, uma intriga, prejudicam muito mais do que uma
agressão física. A má língua de uma mulher é muito mais perigosa do
que uma arma. Um soco, uma facada, muitas vezes um tiro até, podem
ser de fácil recuperação, mas as intrigas, as calúnias, estas jamais são
totalmente apagadas. Um indivíduo pode ter sua vida inteira arrasada
por intrigas da sua mulher.
A mulher lembra o demônio nessa conduta, pois ele é chamado de
“o caluniador” que passa a eternidade tentando colocar Deus contra
os seres humanos, e estes, uns contra os outros. Ambos: mulheres e
demônios querem separar, ferir, destruir reputação, mentir, caluniar,
pelo prazer de ver a inveja realizada, não se contêm.
Não falo somente das mulheres que são doentes mentais graves,
falo da mulher comum, que mesmo que procure disfarçar um pouco
sua língua maldosa, acaba sempre colocando veneno em suas palavras.
Espero que as leitoras sejam honestas o suficiente para reconhecer
esse problema, pois, com isso, o sexo feminino vem causando um mal
imensurável nos bastidores das civilizações. Agem como verdadeiras
bruxas, com máscara de anjos. Escondem-se atrás dos homens e os
insuflam para a vingança, o ódio, a agressão.
Uma das grandes dificuldades que tem um psicanalista, é “filtrar”
o que a cliente fala sobre os outros. Seus relatos quase nunca são
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0486
Mulheres no Divã
87
imparciais, objetivos. São, na maioria das vezes, engendrados com
alguma finalidade; querem chegar a um objetivo egoísta, e dão ao que
dizem a interpretação que lhes interessa Acrescentam idéias e
julgamentos seus, sempre puxando para uma certa direção, para que o
ouvinte fique influenciado contra aquele de quem fala.
Exemplificando, M.F., ao falar de um colega disse: “Parece que
fulano não tem jeito mesmo. Ele foi o único que não trabalhou
nas equipes de trabalho que foram organizadas para a manuten-
ção da ordem e limpeza na nossa comunidade”, querendo dizer da
preguiça e arrogância do referido. Perguntei-lhe: “Por que diz isso?
Alguém fez algum comentário? Como a senhora sabe disso?” Ela
respondeu: “Não... ninguém disse nada. Eu é que acho isso, mas é
porque eu nunca o vi trabalhando.”
Vejam que a intenção de M.F. era a de criar uma situação de
desconfiança e mal estar contra a pessoa de quem falava, pois estava
simplesmente inferindo algo que sua inveja a fazia pensar. O fato de
não ter visto o colega trabalhar nas tarefas da casa não lhe dá direitos
de, só por isso, concluir que ele não trabalha. Não teria ele efetuado
suas tarefas longe de sua visão?
Façam um teste vocês mesmos. Começem a observar o que falam
as mulheres (e o que vocês próprias falam) e coloquem o que dizem
em dúvida, mesmo que elas pareçam muito seguras de si. Descobrirão
um mundo incrível de mentiras, fantasias e calúnias, que jamais
imaginaram!
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0487
29
As Mulheres e a Solidão
N
ão há nada mais desagradável do que a companhia de uma mulher
solitária. Aquela que é só, não é rejeitada por acaso, mas criou
uma situação de atrito com os outros, que tornou insustentável a sua
convivência em sociedade. Geralmente são pessoas muito agressivas
e causam a reação de afastamento e repulsa por parte dos demais.
Não raro, essas pessoas têm família, ou, no mínimo, parentes.
Mas todos estes se afastam, reafirmando ainda mais seu quadro de
“vítimas da sociedade”.
Mas se observarmos bem, essas solitárias têm hábitos esdrúxulos,
são implicantes, muito arrogantes, agressivas, culpam a todos pelos
seus males e sofrimentos. No fundo, o real motivo de sua queixa é o
fato de não serem tratadas como “deusas” — seus familiares ou a
sociedade se voltam para seus próprios interesses, e isso frustra o seu
egocentrismo e narcisismo.
A cliente P. E., de meia idade, nascida em um país da América
Central, vivendo e trabalhando em Nova York por muitos anos, veio
fazer análise por sofrer de angústias e sintomas psicossomáticos que
lhe causavam muito desconforto — tais como tonturas, perturbações
visuais, dores de cabeça etc.
O seu relato foi o seguinte: mulher de meia idade, era desquitada,
dois filhos já adultos, um solteiro e outro casado.
Muito solitária, desconfiada de todos, acabara de sofrer uma grande
desilusão na vida afetiva. Conhecera um colega de trabalho pelo qual,
apaixonada, nutrira fantasias de ser correspondida e de poder
brevemente viver e trabalhar com ele. Após pouco tempo de amizade
mais próxima, o homem do qual gostava confessou-lhe seu
88
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0488
Mulheres no Divã
89
homossexualismo. P. E. teve uma reação emocional muito forte caindo
na crise que motivou sua vinda para a análise. Estava sob efeito de
remédios e calmantes e impossibilitada de trabalhar.
Se considerarmos a questão sob o ponto de vista dela, veremos
uma mulher sozinha, vítima da maldade e ingratidão do ex-marido a
quem dedicara metade de sua existência, da frieza dos filhos que a
abandonaram por interesses egoístas e, atualmente, da inconseqüência
de seu novo amor. A vida não lhe teria sido nada camarada.
Se analisarmos o que está por detrás do seu relato, veremos que
P. E. sempre teve, de maneira inconscientizada, uma grande rejeição
ao afeto, procurando, intuitivamente, unir-se a pessoas mais patológicas
e recusando ligações mais saudáveis. Acrescentada a essa inversão
afetiva, que a levava a desconfiar e rejeitar verdadeiros amigos e a
buscar os inimigos, havia a filosofia de vida aprendida de sua mãe e
avó, que era a “filosofia do sofrimento”, em quea mulher de valor é a
que sofre, enquanto a felicidade e o bem-viver seriam características
de pessoas levianas.
Isso tudo levou P.E. a uma atitude tão negativista e pesada diante
da vida, que nem seus filhos suportavam sua presença. Movidos por
uma defesa própria de bem-estar, eles tendiam ao afastamento, o que
gerava maiores cobranças por parte da mãe e, conseqüentemente,
desencadeava um círculo vicioso, aumentando cada vez mais sua
solidão.
As exigências que as solitárias fazem são muito maiores do que
uma pessoa comum faz. Demandam atenção constante voltada para
elas, são ciumentas e invejosas — não admitindo repartir o objeto
afetivo com ninguém. Não suportam ser contrariadas em nada; seus
caprichos têm que ser atendidos e não agüentam frustrações.
Quando namoradas, absorvem o parceiro completamente, iso-
lando-o dos amigos, do trabalho, da família. Vigiam até seus
pensamentos.
Quando esposas, exigem que os maridos as coloquem como cen-
tro de suas vidas, como objetivo principal. Se pudessem, todas
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0489
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
90
prenderiam os maridos em casa. Como não podem (senão morreriam
de fome e, por outro lado, também por quererem o dinheiro que eles
trazem), então vigiam a hora em que eles saem de casa, a que horas
voltam, onde estiveram nesse espaço de tempo, em que pensaram etc.
etc. Quando os maridos estão em casa, implicam com eles o tempo
todo, fazendo da vida um tal inferno, até o ponto em que eles desistem
e literalmente desaparecem para que suas esposas nunca mais possam
encontrá-los.
Resultado — furiosa e frustrada em seu narcisismo, essa mulher
procura os amigos do casal (geralmente do marido), os parentes, o
médico ou o padre da família para se queixarem e se lamentarem de
“tão grande traição e ingratidão”; “elas que sempre foram tão
dedicadas receberam a solidão como paga”. E, em pouco tempo,
conseguem afastar estes também.
Mas o fenômeno é que as solitárias sempre se acham perfeitas!
Fenômeno, pois se elas são realmente o que apregoam, deveriam ter
atrás de si uma fila de gente ávida a usufruir, pelo menos um pouquinho,
de sua bondade e de seu afeto!... Por que será que isso não acontece?
Elas podem até se enganar, e terem como seus aliados algumas
pessoas que não convivem diariamente com elas e que ainda não foram
alvos dos seus tentáculos. Mas pobres daqueles que estiverem em
“sua mira”: é absolutamente insustentável o convívio com as “solitárias”.
Todos esses problemas só poderão ser solucionados se a so-
ciedade for organizada de maneira diferente, onde as mulheres possam
viver em comunidades que lhes proporcionem chances de uma
realização verdadeira, isto é, onde possam dirigir sua afetividade para
a realização do bem para a sociedade e onde seus potenciais internos
possam ser utilizados corretamente.
É quase impossível que um ser humano possa se realizar afe-
tivamente vivendo na sociedade da maneira em que ela está organizada,
pois não existem meios de o indivíduo canalizar sua energia afetiva de
maneira livre e saudável.
O potencial afetivo humano é enorme, e se ele não pode ser utilizado
corretamente, através de ações úteis dentro da ciência, arte e cultura
verdadeiras, acaba por se concentrar, de maneira patológica, em um
número pequeno de relacionamentos.
Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0490
Parte II
Estudo Sociopatológico
Olho Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0691
“Temos que admitir que o nosso sistema social não está
organizado em benefício das mulheres, artistas e intelectuais. Ele
foi estruturado pelos mais espertos para o benefício deles e em
detrimento do povo em geral. Além disso, sabemos que isso foi
feito porque as famílias são mais afetuosas e o sentimento, que é a
base da existência, é considerado pelos poderosos inapropriado à
vida.”
(Liberation of the People, Norberto R. Keppe, pág. 212).
Olho Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0693
95
1
A Influência da Teomania na
Educação
A
 sociedade é como uma forma que ensina o menino a se achar o
maior e mais poderoso no que faz, e a mulher, a mais bela,
simpática e sedutora das criaturas. A tal ponto chegou a loucura da
humanidade que toda a estrutura de vida gira em torno da teomania.
Assim sendo, qualquer pessoa que queira seguir uma conduta mais
saudável, mais voltada para a realidade, para o progresso, para o bem-
estar e felicidade dos homens, e ser, conseqüentemente, mais verdadeira
e honesta, é automaticamente rejeitada.
Por exemplo: o menino mais afetuoso, que não se preocupa em
ter um harém de garotas, nem se interessa por ostentação de carros,
motocicletas e drogas, é rejeitado por seus colegas e pelas garotas,
sendo visto como anormal.
A menina mais equilibrada, menos vaidosa, é igualmente vista como
“diferente” e não é bem aceita entre as meninas e meninos.
E sempre os mais loucos são eleitos como líderes dos grupos de
crianças e jovens.
Da mesma forma, os pais se encarregam de orientar seus filhos no
mesmo caminho: na busca de poder, glória e riquezas; e a mãe ensina
sua filha a ser vaidosa e egocêntrica, incensando-lhe o narcisismo e
mostrando uma perspectiva totalmente distorcida de vida — onde ela
se realizaria como “a mulher de alguém”.
Observem os senhores as conversas das meninas desde pequeninas:
estão sempre se invejando mutuamente. Umas falam mal das outras
por trás e depois trocam os pares e voltam a falar mal das que
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0995
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
96
primeiramente ouviram suas confidências. Tentam mostrar sempre que
nenhuma tem valor pois isso ofuscaria seu brilho. Assim, desde cedo,
a competição e intriga femininas tomam força a tal ponto que um dia
ouvi dizer: a maior inimiga da mulher é a outra mulher.
Parece que nós mulheres nunca podemos confiar em outra mulher
— desde a infância aprendi que se quisesse um amigo verdadeiro, este
teria que ser homem.
Mas o que é mais preocupante é o pacto de hipocrisia que é mantido
pelas famílias em relação a seus filhos. Cada criança é um ser social
que deveria ser educado e “moldado” pela sociedade; no entanto, as
mães não permitem que ninguém corrija seus filhos sem ficar ofendidas
e indignadas.
Quantas vezes, por exemplo, numa festinha de aniversário todos
ficam constrangidos ao ver a bagunça e destruição que Joãozinho faz
na casa do aniversariante, sob os olhares orgulhosos e benevolentes
de sua mãe? Ou quantas vezes os vizinhos lançam olhares apiedados
para o casal de meia idade que está totalmente alheio às fofocas e
comentários apimentados que o bairro faz sobre sua filha adolescente
que passa “de mão em mão” entre os rapazes?
Os outros sabem muito mais coisas sobre os filhos que os pró-
prios pais, porém nada podem fazer para ajudá-los, sob pena de se-
rem vistos como intrometidos e perderem a amizade de anos com
poucas palavras. Fato é que as mães são as maiores “felinas” que
protegem seus filhos de qualquer consciência de seus erros e pro-
blemas, conservando-os como nobres delirantes, fora do mundo.
Seria tão mais fácil se cada criança e adolescente pudessem ser
educados por todas as pessoas! Seria um alívio e uma ajuda ines-
timável caso as mães assim o permitissem. Elas próprias não teriam
tanto desgaste para conseguir segurá-los num caminho mais realista,
algo que se torna impossível para uma mãe sozinha, em se tratando de
filhos adolescentes.
Filhas muito mimadas pelas mães jamais conseguem se engajar
numa vida real, onde têm que enfrentar os problemas que são impostos
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0996
Mulheres no Divã
97
a todos os seres humanos. Tornam-se figuras grotescas, iludidas a seu
próprio respeito e dos outros.
Os leitores se lembram de mulheres que envelheceram como
pessoas deslumbradas, conservando a idade emocional de 9 ou 10
anos? E como todos temem derrubar o castelo em que elas vivem,
com medo de magoá-las ou até causar-lhes uma crise emocional grave?
É realmente chocante notarmos a representação existenteentre a
sociedade e as mulheres; a sociedade eternamente fingindo que acredita
nas fantasias que a mulher elabora (com ajuda da mãe) a respeito de si
mesma e dos outros.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0997
2
A Sociedade Ajuda a Estragar a
Mulher
A
 educação leva a mulher a uma filosofia de vida narcisista. Desde
que nasce ela é ensinada pelos pais, marido e sociedade a adorar
sua máscara e a cultivar sua vaidade.
Pequenina já se acostuma a ouvir dizer: “Veja que gracinha ela
é... “, “que olhinhos mais lindos”, “que cabelinhos graciosos”,
“que gracinha de menina”, e assim por diante. Assim vai criando a
idéia que o que tem valor é sua aparência, seu corpo, sua beleza, e não
suas boas ações.
O menino já não. Desde criança seus pais o tratam com mais
firmeza, e qualquer sinal de vaidade lhe é podado na raiz com
expressões: “o que é isso, fulaninho, você não é menina... Não
pode ter essas vaidades. Isso é coisa de mulher”. Com grande
vantagem para ele, pois aprende desde cedo que não vale pela sua
beleza, ou pela sua máscara bonita, mas pela sua realização, pelas
suas idéias, inteligência, capacidade, gentileza para com o próximo.
Desde a mais tenra infância a menina é insensada, e insuflada em
sua vaidade e narcisismo, e o menino é ensinado a trabalhar.
Aliás, o menino que age de maneira diferente é imediatamente
rechaçado e comparado a um homossexual ou a uma mulherzinha, o
que evita que enverede pelo mesmo caminho alienado da mulher.
Desta forma, ele aprende a se interessar pela vida, pelos outros,
pela realidade, sempre tendo em mente que um dia terá que produzir
para se sustentar, para sustentar sua família e sobressair-se numa
atividade qualquer para ser respeitado.
98
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0998
Mulheres no Divã
99
Muitos dirão: “mas o homem geralmente vive só para ganhar
dinheiro”. Concordo, e acho que isso é lamentável. Mas, para ganhar
dinheiro, numa sociedade competitiva, o homem tem que desenvolver
alguma capacidade ou habilidade a fim de despertar o interesse da
população a ponto de “vender” seu produto, sua idéia, sua
mão-de-obra. Com exceção dos poucos poderosos milionários, não
se pode ser muito louco, se se quer ganhar a vida.
A mulher não precisa disso. Desde menina é levada a crer que
provavelmente seu marido a sustentará. Ou a herança de seu pai, ou
na falta disso, pode contar que muitos homens criarão empresas,
universidades, estruturas tais que lhe possibilitem um emprego seguro
e rentável. E, na maioria, sem a responsabilidade de criar e manter
aquele negócio. Assim ela tem todo o seu interesse voltado para que
roupas deve usar, que maquiagem, que corte de cabelo, que entonação
de voz para fazer valer mais seu “tipo”.
A competição entre as mulheres se dá mais nesse nível. Ela quer
atrair a atenção dos outros pelo que é externamente e não pelo que
realiza socialmente e para o bem do próximo. Tudo o que ela vê,
imediatamente relaciona consigo pensando: “como essa pessoa ou
essa situação pode servir a meus interesses pessoais?” Raríssimas
vezes pensa: “o que eu poderia realizar? Como posso auxiliar no
progresso da humanidade? Como poderia trabalhar com essa
pessoa? “
O único interesse que a menina aprende a ter, é em si mesma, em
seu corpo, em sua beleza, em seu charme.
O menino aprende a ter interesse além de si mesmo, nas meninas,
nos outros meninos, nos pais, nas brincadeiras, na realidade, na vida
em geral. É mais atirado, é criado mais “solto”, cresce e se desenvolve
com mais naturalidade. Conseqüentemente sua inteligência se desenvolve
mais, torna-se mais esperto e apreende muito mais dados da realidade.
O homem sempre tem em mente que um dia terá que ser um
cientista, um engenheiro, um filósofo, um educador, um industrial, ou
pelo menos, ganhar dinheiro, o que exigirá de si uma perícia em alguma
coisa, pois a competição em matéria de dinheiro é grande.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0999
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
100
A mulher presta atenção em si 90 % do tempo e 10 % na reali-
dade. O homem, pelo contrário, habitua-se a pensar 10 % do tempo
em si e 90% do tempo em fatores externos.
Com isso, não é de se surpreender que a mulher embote sua
inteligência, que ao nascer é idêntica, potencialmente, à do homem.
Por isso se entende por que existiram tão poucas mulheres no
campo da ciência, filosofia, teologia, música, artes em geral —porque
elas não têm interesse por isso e jamais passou pelas suas cabeças que
um dia teriam que realizar algo, como um homem já está acostumado a
ter em mente que deve realizar.
Haja vista algumas raras mulheres que voltaram seu interesse para
a consciência e para a realidade, e que conseguiram realizar como um
homem (Joana d’Arc, mme. Curie, Teresa d’Ávila, Agatha Christie,
Melanie Klein). Acredito que no momento em que a mulher perceber
que o seu universo não é o universo real (pois no seu, ela é a deusa),
começará a se erguer e veremos surgirem grandes inventoras, artistas,
compositoras, num número igual ao dos homens.
Quando me perguntam: “por que você não critica também os
homens? Eles não são santos, são criminosos, ladrões etc. Eu
respondo: “como mulher que sou, estou humilhada de ver o meu
sexo condenado a viver eternamente na mediocridade, sempre por
detrás de um grande homem (com inveja dele) ou de um crimi-
noso, numa vida de bastidores, própria de quem não quer apa-
recer para não mostrar e assumir seus erros”.
Quero ver as minhas companheiras de sexo se elevando, realizan-
do algo de muito valor, e que sejam reconhecidas e lembradas na história
como quem auxiliou de verdade na construção da civilização do futuro.
A mim não interessa, no momento, quais são os problemas dos homens,
e no que eles têm que evoluir.
Estou sim interessada em conscientizar os nossos erros e a nossa
patologia para que nós mulheres possamos evoluir, para que, após
isso, tenhamos o que oferecer em auxilio aos demais homens e mulheres,
do universo, e tenhamos moral para reivindicar nossos direitos perante
a sociedade.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09100
3
O Narcisismo e o Poder
A
 mulher, por ter sido mais avantajada pela natureza, que lhe deu
um belo corpo de formas harmoniosas, atraentes, percebe desde
pequena que sua beleza é uma arma eficaz. Com ele pode seduzir,
pode conquistar, pode conseguir muitas vantagens. Não me refiro
necessariamente a questões de sexo, mas vamos supor uma menina
muito bonitinha; ela perceberá que atrai muito mais a atenção, os elogios
e os mimos dos pais, parentes e amigos, do que seu irmãozinho que
não foi tão privilegiado em suas formas. E isso reforça a sua vaidade.
Ela própria, ao olhar-se no espelho com seus vestidos rendados,
coloridos, laços de fita e adornos que lhe caem tão bem, perceberá
que é bonita. A beleza de uma meninazinha pode derreter o coração
de pessoas mais duras e frias, e ela percebe bem isso. Os encantos
femininos vão, dia-a-dia, se transformando. Na adolescência eles
começam a ser temperados com um erotismo, inicialmente fresco e
inocente.
Pouco a pouco, a mulher percebe que na sociedade em que vive
essa é a única arma que lhe confere algum poder a mais do que aos
homens e até mesmo outras mulheres, e usa disso na competição pelo
dinheiro e o status social.
Mas, justamente é o belo corpo feminino que acaba por apri-
sioná-la em sua própria loucura. Isso porque a mulher passa a ser
prisioneira de sua vaidade, dessa euforia estranha que toma conta do
seu interior, esterilizando-o e destruindo todo o sentimento que lá existe.
A partir daí, a felicidade torna-se algo impossível, pois ela vem do
amor e só do amor. Do amor pelos homens, pelas crianças, por outras
mulheres, pela vida, pelas flores, pelos pássaros, pela natureza, por
tudo.
101
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09101
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
102
O narcisismo é como uma erva daninha que toma conta do nosso
íntimo e não deixa que lá cresçam flores e frutos. Nessa esterilidade,
tudo o que a mulhervê, ela coloca em função de si mesma; ela não
enxerga o mundo em si, vendo-o em função de seus interesses. Ela
raciocina: “Como um homem poderá servir aos meus interesses?
Como uma mulher poderá pactuar com os mesmos pontos de vista
e dar apoio ao meu egoísmo? Como uma paisagem ou um carro,
ou uma casa poderão servir de moldura ao romance que faço de
minha vida, onde eu sou a figura central?”
Mulheres minhas amigas: somente uma mulher pode entendê-las
tão bem e avisá-las de que esse é o maior perigo para a sua felicidade
— aqui mesmo nesta terra. Esse é o único motivo — o desejo de se
estar “por cima”, dominando, que nos aprisiona. Não é terrível a
preocupação constante que a mulher tem em estar sempre bem, em
ser vista como bonita, elegante, inteligente e charmosa? Essa obsessão,
essa idéia fixa, esse pavor em não estar perfeitamente em forma, a
preocupação do que os outros pensam sobre nós, isso é um tormento
que não compensa.
A preocupação com roupas, com a maquiagem, com o penteado,
com jóias, com a forma física, não passam de uma prisão terrível na
qual a mulher se coloca e foi colocada pelo sistema econômico-social.
Vocês percebem que uma dádiva da natureza pode se transformar
numa câmara de torturas, dependendo do uso que queremos dar a
ela?
Não estou querendo dizer com isso que não se deva valorizar o
bonito corpo que se recebeu, muito pelo contrário, devemos cuidar
dele com carinho e respeito. A beleza deve ser valorizada, preservada
e incentivada. Mas o que quero dizer é que não podemos permitir que
o nosso desejo excuso de poder e controle sobre os outros corrompa
uma das dádivas mais importantes que recebemos, e que usamos para
“comprar” os outros e conseguir poder.
O narcisismo é o desejo de poder ser mais do que os outros através
da beleza. E isso é loucura; e como toda loucura, só traz angústia,
depressão, tormentos internos.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09102
Mulheres no Divã
103
A mulher que perceber isso, vai ter enorme alívio pois poderá
inclusive usufruir melhor do que tem. A própria ansiedade, que a vaidade
ambiciosa traz, gera uma tensão nervosa muito grande, causando em
seguida o stress e o envelhecimento precoce. Por isso as mulheres
mais narcisistas envelhecem mais rapidamente, e as mulheres mais
bondosas conservam um frescor natural por muito mais tempo,
refletindo, sem nenhuma cirurgia plástica, um frescor e juventude que
emanam do seu interior.
Outro aspecto que as mulheres não pensam, é que a idéia de poder
através de seu corpo é muito relativa e fugaz. Na realidade, nenhum
homem é controlado por muito tempo através disso. A mulher que se
casa com um poderoso usando de seus dotes físicos para atraí-lo,
brevemente perceberá que aquele poder, como toda fantasia, vai se
desfazendo. O resultado geralmente lhe sai desfavorável. O mesmo
homem acaba por trocá-la por outra mais jovem e mais bonita,
deixando-a sozinha, sem dinheiro e proteção social.
Além da prisão interior que o narcisismo traz, ele provoca em-
botamento psicológico, pois a mulher, por já possuir o corpo como
seu principal recurso, não desenvolve sua inteligência e sua capacidade
profissional como o homem, que é obrigado a realizar, caso queira
conseguir poder dentro da sociedade.
Mas o que é mais grave, é que a mulher é absolutamente con-
trolada pela propaganda e pela indústria da beleza. Os poderosos do
poder econômico-social, percebendo essa fraqueza feminina, usam dela
para escravizá-la. Somos bombardeadas, desde crianças, com uma
campanha mágica que coloca todo o valor da mulher em sua beleza
física — livros (como emagrecer, como estar bem fisicamente,
sexualmente etc.), revistas, propagandas de maquiagem, de moda etc.,
reforçam a idéia de que a mulher que não se vestir muito bem, na
moda, não consumir dessa indústria poderosíssima de beleza, não será
aceita na sociedade, não conquistará a ninguém, não conseguirá
casar-se com um homem rico e poderoso etc.
Portanto, tudo o que a mulher ganhar com seu trabalho, o que
conseguir tirar de seu pai ou de seu marido, “torrará” em vestidos,
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09103
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
104
sapatos, cabeleireiro, jóias, casacos de pele — e todo o seu guarda-
roupa terá que ser constantemente renovado para estar “na moda”.
Vocês percebem que somos vitimas dessa enorme indústria e que
não conseguimos nos libertar dela devido ao nosso desejo interior de
ter poder através da beleza física?
Cada vez que compramos um par de sapatos, um vestido, ou
mesmo um batom, estamos colaborando com a “caixinha” dos
poderosos. Estamos tirando o dinheiro do nosso bolso, de nossos pais
e maridos, para dar para aqueles que já têm demais e que impedem
que esse dinheiro seja distribuído de maneira mais equilibrada entre
todos os seres humanos.
Duvido que alguém consiga se sentir bem num vestido com a grife
de um poderoso, dentro de um casaco de mink, com sapatos de
crocodilo e brilhantes nos dedos, pescoço e orelhas, ao lado de tantos
indivíduos de pés descalços, sentindo frio e fome, sujos até, por não
terem dinheiro para viver com dignidade.
Não precisamos ir longe — não deveríamos ter mais do que
necessitamos para viver dentro da dignidade, beleza e conforto. O
supérfluo é imoral. Por que queremos tantos pares de sapatos se não
podemos usar mais do que um de cada vez? Se guardamos tanta coisa
dentro do nosso guarda-roupa, estamos não só alimentando os grandes
poderosos do dinheiro, donos das indústrias de moda, mas também
estamos ajudando a impedir que muitos milhões de indivíduos, menos
favorecidos, possam ter o que lhes é de direito — vestir os seus pés
descalços.
Obviamente que não iria resolver o problema se aquele que tem
10 pares desse 9 para os demais. O sistema econômico é que deve ser
mudado. Mas, se nós não consumirmos tanto das indústrias daqueles
que já têm milhões, estaremos ativamente contribuindo para que essa
estrutura diabólica de poder econômico caia por terra, e que outro
destino seja dado ao dinheiro do povo (que eles conservam
vorazmente só para si).
Por exemplo, indústrias de calçados e de moda, de iniciativa do
povo, deverão ser criadas (como de fato já estão sendo), onde o
dinheiro arrecadado será utilizado para o bem dos próprios funcionários.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09104
Mulheres no Divã
105
Assim sendo, cada vestido e calçado que comprarmos de uma dessas
empresas trilógicas, e não de uma grande rede de exploração, será
uma maneira de se contribuir para a nossa libertação da máquina
opressora do sistema econômico-social.
Afinal de contas, não é nada agradável ter uma minoria de ca-
beças decidindo, nos escritórios das grandes multinacionais, que cor
de vestido eu serei obrigada a usar no verão do ano que vem, e como
terei que gastar meu dinheiro para que não me sinta “fora de moda”,
rejeitada pela sociedade.
Vocês já observaram a quantidade de dinheiro investido em pro-
paganda para a indústria da moda? Já notaram que a maioria dos
anúncios do New York Times, por exemplo, é dirigido a mulheres,
apelando para a nossa vaidade? Imaginem quanto dinheiro nós damos
a eles para que seja compensador um tão grande investimento em
propaganda!
Os “águias” do poder econômico investem mais no que é mais
consumido pelo povo. Se não houvesse mercado para essa indústria,
ela iria à falência, assim como se os homens desistissem de tentar a
loucura do poder através do jogo, todos os hotéis de Atlantic City se
fechariam de um dia para o outro.
Estou tentando fazer as leitoras perceberem que não sou contra a
beleza e a elegância, muito pelo contrário, isso tudo é parte essencial
de uma sociedade equilibrada e da saúde física e mental.
Os poderosos é que são contra o povo, seguram tudo só para si.
Mas se percebermos que a vaidade é uma doença que nos torna infelizes,
e é por aí que os exploradores malévolos nos pegam, poderemos nos
libertar dessa prisão ridícula, fabricada por eles, que é a ilusão de que
vocêterá mais poder se comprar uma porção de vestidos, sapatos e
maquiagem para aprimorar a máscara (narcisismo).
Se todas as mulheres ficarem um ano somente sem comprar roupas
novas ou artigos supérfluos, fazendo uso do que já têm em seus
guarda-roupas, levarão, facilmente, à falência todas essas empresas
de poder que nos fizeram de “bonecas” até hoje. Faço aqui uma
convocação para que as mulheres de mais consciência sigam esse
conselho e guardem seu dinheiro para uma finalidade melhor.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09105
4
As Mulheres e o Poder
Atualmente, mesmo após muitas lutas e reivindicações (algumas
bem sucedidas, outras não), a grande maioria das mulheres ainda atua
nos bastidores da sociedade. Não pretendo neste livro fazer uma análise
de todas as injustiças e barbaridades cometidas contra as mulheres no
cenário da história, pois já existem muitos trabalhos, aliás muito bem
escritos, verdadeiros compêndios, que informaram muito bem sobre
as bruxas incendiadas na Idade Média; sobre as esposas espancadas
e mortas; sobre a discriminação nos empregos; as injustiças quanto a
salários; e muito, muito mais.
Minha finalidade neste capítulo é tentar alertar, mesmo que
brevemente, para um problema mais sério ainda: o de como as mulheres
vêm contribuindo para manter e fortalecer o sistema de poder.
Sim — este é um ponto que considero de extrema importância —
pois 51 % da população da humanidade é de mulheres, e se as injustiças
permanecem em tal grau entre os seres humanos, podemos concluir
claramente que nós mulheres não temos feito um bom trabalho para
trazer mais paz, saúde e progresso para o mundo.
Afinal, as mulheres estão lado a lado com os homens. Somos nós
que convivemos intimamente com eles, que os educamos quando
crianças até a juventude, que lhes fornecemos os principais e perenes
valores da existência. Quer como mães, quer como babás, ou mesmo
como professoras nas escolas, temos, sem o saber, contribuído
fundamentalmente para a preservação desse esquema invertido de
existência.
Somos nós que, com nosso exemplo — e com palavras, ensinamos
as crianças a adorarem, servirem e temerem os poderosos. Não raro
106
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09106
Mulheres no Divã
107
são as mães que incutem nos filhos o desejo de fama, poder e prestígio
para conseguirem a felicidade.
A mulher não é diferente do homem, muito pelo contrário, psi-
quicamente somos até semelhantes demais no desejo pelo poder.
Infelizmente, por razões que não quero analisar agora em maior
profundidade, temos muitas vezes saído como perdedoras nessa
competição.
Os meios de que a mulher dispõe para competir socialmente são
diferentes dos do homem — não tem a mesma força física, o que a
limita nessa luta em vários aspectos — mas dispõe de outros meios
dos quais se utiliza, e os quais aperfeiçoa ao máximo, e que são por
vezes altamente eficazes: a chantagem afetiva, a dependência sexual, a
“aparente” fragilidade etc.
“Se você não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele” diz o
ditado. Foi isso que a mulher fez durante séculos e séculos. Como não
conseguiu tomar o poder para si, tenta juntar-se aos poderosos a fim
de, através de um pacto diabólico, tirar o proveito que puder dentro
dessa selva de exploração.
Sim, é vergonhoso. Mas também muito poucas mulheres tentaram
modificar o “status quo” dominante no mundo. Estou certa de que
teríamos conseguido caso tivéssemos nos empenhado neste sentido.
O problema é que a maneira de pensar das mulheres, mais e mais, é
idêntica a dos homens — querem dinheiro, prestígio e poder. Se o
conseguem através de herança ou casamento, estão satisfeitas. Se não,
tentarão outros meios de exploração como os usados pelos homens
para conseguirem o que querem, caso contrário muitas delas
desenvolverão uma série de doenças orgânicas e mentais.
Ultimamente a mulher vem se rebelando contra a situação de
domínio econômico-social que o homem sempre manteve sobre ela.
O pacto inicialmente feito de divisão de reinados (a mulher dentro de
casa e o homem fora, na sociedade) mostrou-se insatisfatório,
principalmente para a mulher.
A alienação total em que ela se dispôs a viver, e que obviamente
achara boa de início, agora se comprovou como o maior desastre para
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09107
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
108
o sexo feminino. Perdedora de todo o controle da situação, recomeçou,
pouco a pouco, a reivindicar posições de que anteriormente abrira
mão por julgar tal fato vantajoso (julgava mais fácil viver alienada, dentro
de quatro paredes, mas ser sustentada por um homem e “protegida”
dos “problemas da vida”).
Do início do século passado para cá, muitos movimentos feministas
se organizaram, muitas lutas e protestos se travaram contra as injus-
tiças sociais sofridas pela mulher. Gradualmente ela foi conseguindo
mais direitos como cidadã e ser humano. Mas o quê, e para quê a
mulher reivindica? Pelo que constatamos, pelos trágicos resultados
observáveis por qualquer pessoa, a mulher mostra que não almeja mais
liberdade e poder a fim de trazer maior justiça e uma vida mais digna
para a humanidade. Ela quer “poder” tudo o que o homem “pode”,
mas no sentido fantasioso, psicopatológico.
É óbvio que a mulher tem o direito de ter liberdade para viajar,
para ganhar seu sustento de maneira justa, de ter a profissão que bem
entende, de viver com quem gosta, estudar o que quer. Liberdade
para ser livre, realizar o bem e ser feliz é um direito inalienável de todo
ser humano, isso não se discute. Mas, o que se tem visto, em grande
parte, como resultado da “libertação feminina”? A mulher quer ser
livre para poder realizar toda a loucura que o homem realiza: poder,
dinheiro e prestígio.
O cerne da doença mental localiza-se justamente no desejo louco,
irrefreado de poder. A euforia de poder explorar o próximo, de ser
servido, de pisar no próximo, de ser “mais” que os outros, de controlar
a vida dos outros e manipular os demais de acordo com seu desejo,
passou a ser o desejo da mulher. Ela não se contentou em ter o controle
doméstico sobre os filhos, marido, empregados e cachorro — ela quis
muito mais. Em sua ambição desmedida, a mulher pensou: “Por que
dependerei de um homem para realizar o que desejo? Poderei ter
todo o poder que quiser por mim mesma”.
Assim começou a escalada feminina para profissões de mando e
influência social. Não quero dizer que 100 % das mulheres tenha essa
intenção, mas é necessário notar que a sua esmagadora maioria aguarda
a oportunidade de realizar esse sonho íntimo.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09108
Mulheres no Divã
109
Poderíamos seguramente afirmar que a mulher pode ter dois tipos
básicos de anseio: ou ela deseja ter poder sobre um ou mais homens
através do sexo (seu narcisismo, sua atuação no campo afetivo-sexual)
ou mais ultimamente, ter uma carreira profissional que lhe dê fama,
dinheiro e prestígio social. Saímos de uma situação de absoluta
insignificância no cenário social para uma pior ainda, pois agora tomamos
parte, ativamente, na corrida pelo poder.
É com muita tristeza que noto que nós mulheres poderíamos realizar
o bem muito mais do que temos feito e, ao contrário, temos, muitas
vezes, ou nos omitido ou agido diretamente no sentido de prejudicar
ainda mais o bem-estar já tão comprometido do nosso próximo.
Na revista U.S. News & World Report, de 12 de novembro de
1984, foi publicado o artigo “A participação da Mulher em Crimes
Também Aumenta” que mostra que:
“o número de apreensões de mulheres por delitos sérios
aumentou quase 20% nos últimos 10 anos, comparado
com um aumento de 13.3 % para os homens. Em geral,
aproximadamente 20% de todas as apreensões feitas por
ano são de mulheres. O número de mulheres encarceradas
— quase 20.000 — aumentou 147% na mesma década,
enquanto o número de homens encarcerados subiu 96%.
Mas, o que é mais significante ainda é que as mulheres
cometem crimes do tipo contra a propriedade, especial-
mente osde fraude e furto.”
Isto mostra que não é que as mulheres estejam piores em sua
conduta ética, mas que sua desonestidade, antes mais restrita às
relações familiares, agora se estende ao mundo dos negócios, onde,
dia-a-dia, têm mais participação.
Quero deixar bem claro que a idéia de que a mulher sempre foi
melhor que o homem, mais “indefesa” ou “frágil”, não é bem verdade.
Esse é um mito extremamente sutil e diabólico que tem ajudado a manter
as mulheres protegidas de uma correção social que lhes seria altamente
benéfica.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09109
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
110
No mesmo artigo lê-se:
“A maioria das mulheres é carinhosa, e não se pode ser
carinhosa e matar ao mesmo tempo”, comenta Anna Kuhl,
criminologista da Universidade Estadual de San José. Acres-
centa Darrell Steffensmeier, sociologista da Universidade Es-
tadual da Pensilvânia: “na maioria das mulheres se sente
que o caráter da ação criminosa não está condizente com
os valores femininos”.
Isto, de um lado, é verdade, mas por esses comentários nota-se a
ingenuidade que a sociedade tem ao julgar generalizadamente o
comportamento da mulher. A criminologista Ira Silverman, da
Universidade da Flórida do Sul, está mais certa quando diz:
“Antigamente, quando uma mulher ia presa e começava
a chorar, os guardas às vezes a soltavam. O mesmo
raramente acontece hoje em dia”.
Na realidade, a maioria dos crimes e mesmo violências, cometidos
por mulheres, ocorria no meio de suas relações pessoais com a família,
os parentes e amigos, porque este era o campo em que a mulher
dominava. Mas quanto mais essas mulheres ingressam em posições
mais altas no emprego, mais elas são desonestas com seus chefes ou
com fregueses, da mesma maneira que eram com seus maridos, filhos,
parentes, amigos, empregadas etc.
Se as mulheres cometem a maioria dos furtos em lojas, elas agirão
de maneira desonesta nas grandes transações também. De acordo com
Dianne Brown, da Comissão de Comércio de Washington, somente
na área de Washington, D.C., onde mercadorias no valor de 500
milhões de dólares são furtadas anualmente das lojas, a maioria das
pessoas presas por estes crimes é de donas de casa (não me refiro
aqui às mulheres que roubam para alimentar os próprios filhos famintos).
Como ultimamente a mulher vem participando mais e mais do
mercado de trabalho (ou de roubos) antigamente tido como tipicamente
masculino, numa luta cada vez mais voraz pelo poder econômico-social,
então acontecem fatos como os seguintes:
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09110
Mulheres no Divã
111
• Nancy Young, advogada de Nova York, roubou $300.000 das
contas de clientes durante um período de 9 anos;
• Frances Cox admitiu ter roubado $48.000 da prefeitura de
Fairfax, Virgínia, enquanto ela era tesoureira municipal;
• Mary Tredwell foi presa por fraude a inquilinos no valor de
milhares de dólares em aluguéis, através do projeto de habi-
tação que ela gerenciava em Washington, D. C..
A maior razão pela qual as mulheres não praticaram mais crimes
como estes acima, é que elas se mantiveram até então como que
reclusas no seu campo de ação, que tem sido o familiar e de relações
pessoais, o que pode demonstrar um grau de desequilíbrio psíquico
maior.
Não raro a mulher se esconde atrás da violência do homem ao
qual está ligada. Por exemplo, qual é a necessidade da esposa de um
“paterfamilia” (chefe da Máfia) matar, roubar ou violentar a sociedade,
se seu marido já faz tudo isso por ela e por seus filhos, para garantir-lhe
toda a riqueza e poder que ela deseja? Muito cômoda, aliás, esta
posição.
O mesmo podemos dizer da mulher que se une a todo homem de
poder. Ela simplesmente deseja uma posição de usufruir, sem se arriscar
no mundo lá de fora. Se essa espécie de pacto deu certo ou não, isso
é um outro problema. Obviamente que não poderia ter funcionado
pois jamais a mulher imagina que a violência e domínio que o seu homem
exerce fora, acabarão por voltar contra ela mesma.
Em outras situações, a mulher peca por omissão e alienação, ou
seja, fecha os olhos para o que seu pai, marido ou filho esteja fazendo
no sentido de explorar, agredir ou prejudicar a humanidade.
Por detrás de um poderoso, de um explorador, de um criminoso,
sempre encontraremos uma mãe ou uma esposa desonesta. A maior
parte das mulheres não educa seus filhos para uma atuação social
honesta, construtiva, a serviço da humanidade, e também não permite
que os outros os eduquem. O mesmo acontece com muitas esposas,
que incitam o marido ao roubo e exploração para que o fruto dessas
más ações as beneficiem.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09111
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
112
As meninas adolescentes não gostam dos rapazes que são de-
dicados, honestos. Desde a infância admiram os mais agressivos, os
que exibem maior poder, demonstrando com isso um extremo desprezo
à realidade, bondade e honestidade. Não é à toa que milhares de
meninas desmaiam por cantores de rock e artistas, que caracterizam
claramente o próprio demônio.
Sendo assim, como podemos nos queixar se formos maltratadas
por esses mesmos demônios a quem demos todo o apoio e proteção?
É verdade que até agora tudo isso está se passando sem que as
mulheres mesmas tenham consciência, fato que nos tem mantido em
posição de desvantagem em muitos aspectos, pois são justamente esses
homens “poderosos” que atraem tanto as mulheres, que vão acabar
esmagando impiedosamente as suas cabeças.
Uma cliente americana contou-me certo dia que passou sua
juventude com um livro debaixo do braço, do qual fez sua nova bíblia;
o nome do livro era Power, Money and Prestige. Somente agora, já
na maturidade avançada, veio a desconfiar que foi vítima de um grande
engodo, e que a felicidade está longe do que esse manual pregava.
O grande problema da mulher é que ela também vive em busca da
mesma meta que os homens. Quando escolhe um parceiro, uma
profissão, ou uma instituição, está buscando um meio de conseguir
alguma espécie de poder através da escolha. Por exemplo, o homem
que se apresentar como rico, com status, prestígio, força física e
potência sexual, que exercer influência sobre outros e tiver poder social,
será, automaticamente, o preferido pelas mulheres. Portanto, os homens
mais doentes. Aqueles que buscam mais poder e que estão, logicamente,
mais interessados em consegui-lo, são sem dúvida os mais doentes, e
conseqüentemente, os mais loucos, os mais agressivos, os mais
prejudiciais. E estes não pouparão suas mulheres de suas agressões.
Até mesmo grande parte das freiras buscam as instituições religiosas
pelo mesmo motivo — as instituições por si mesmas já sugerem uma
idéia de “segurança” para quem a elas se agrega. As madres dos
conventos passaram a simbolizar o despotismo, inveja e injustiça
encarnados numa mulher. Santa Terezinha do Menino Jesus foi um dos
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09112
Mulheres no Divã
113
casos mais famosos de perseguição; uma mulher de tanto valor e
bondade, que sofreu “o diabo” nas mãos de suas colegas invejosas.
A mulher que tem algum cargo de poder, pode tornar-se pior do
que muitos homens. E quanto maior o poder, maior a tirania. Por
exemplo, as patroas massacram suas empregadas, fazendo-as de
escravas e perseguindo-as, muito mais do que seus patrões. Uma
cliente, enfermeira que trabalhou 8 anos e meio no Hospital das Clínicas
da Universidade de São Paulo (na seção de informações e registro) e
sempre teve chefes mulheres, lembra-se horrorizada das intrigas, pactos
de interesses e perseguições feitas pelas supervisoras. Implicantes,
perseguiam os funcionários nos mínimos detalhes — observando a
maneira com que eles penteavam o cabelo, se suas roupas estavam
bem engomadas, se tratavam a chefe com especial deferência; e no
entanto, a competência e eficácia eram sempre relegadas a segundo
plano.
Atualmente trabalhando como “housekeeper” para um casal de
psiquiatras americanos, relata a maneira tirânica com que suapatroa a
trata — bem diferente de seu chefe que a trata com polidez e
consideração. Para exemplificar, a mulher exige que escove o chão da
cozinha, diariamente, de joelhos no chão; segura-a até tarde da noite,
após o horário de trabalho; exige que saia à rua para compras, mesmo
que não tenha agasalho suficiente, num frio de 8 graus C negativos;
apega-se a minúcias obrigando-a a refazer a mesma tarefa,
demonstrando que quer aproveitar todos os minutos que sua “escrava”
está à sua disposição, e tirar o máximo proveito dos parcos dólares
que lhe paga por dia de trabalho. No entanto, o seu patrão, que também
sente na sua própria pele as agressões da mulher, procura tratá-la de
forma mais humana, cedendo-lhe seu próprio chapéu e luvas para sair
à rua no frio, e não raro, tentando minimizar a fúria da mulher contra a
funcionária.
Muitas mulheres queixam-se por não serem nomeadas para cargos
de comando com a mesma freqüência que os homens, mas isso é, até
certo ponto, compreensível, pois muitas delas assim que se vêem numa
situação de poder sobre outros, tornam-se irascíveis e mostram-se
sem senso de justiça, apegando-se a detalhes e impedindo que o
trabalho deslanche.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09113
5
Quem Sustenta a Economia
Consumista É a Mulher
M
uitas vezes ficamos chocados pelo fato de os Estados Unidos
gastarem uma parcela tão grande de seu produto nacional bruto
em armamentos. O orçamento para a fabricação de material bélico no
ano de 1983 foi de US$ 214,8 bilhões, o que é um absurdo — tanto
dinheiro desviado para a destruição!
No entanto, se computarmos tudo o que as mulheres gastam em
superficialidades, ficaremos assustados com o resultado — de antemão,
podemos garantir que o montante em dólares se aproxima do
orçamento da indústria bélica.
Se os leitores pensarem bem, irão perceber que, na maior parte
das famílias americanas, a mulher é quem controla o orçamento da
casa. Com isso ela dá o destino que bem entende aos rendimentos da
família (não só a dela, mas do marido também). Sabe-se que a mulher
é responsável pela compra não só do que ela usa, mas é ela quem faz
compras para os filhos, e muitas vezes para o marido e para a casa.
Isso se não contarmos com a pressão que ela exerce sobre o marido
no sentido de comprar carros novos, de viajar, de mudar os móveis,
de adquirir casa nova etc.
A propaganda em massa é dirigida à mulher. A maioria dos anún-
cios é planejada com a finalidade de estimular a psique feminina — seu
narcisismo (jóias, roupas, maquiagem, cabeleireiros, casas de
massagem); suas fantasias (viagens, diversões em geral, erotismo,
cigarros, bebidas, revistas), sua megalomania (coisas para casa, casas
novas, carro novo, maridos, filhos e namorados bem vestidos, dinheiro
no banco). Atrás de tantas compras está escondida muita inveja, pois
a mulher não é voraz somente com a comida mas também com sexo e
114
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09114
Mulheres no Divã
115
com tudo o que possa lhe trazer prazer e fazê-la sentir-se melhor que
as outras mulheres (e, não raro, melhor que os homens). Por exemplo,
em 1983 a mulher americana gastou US$ 23,8 bilhões só em roupas
(fora calçados) e US$ 4,450 milhões em cosméticos, o que representa
uma pequena parcela de suas compras totais.
Os espertos da indústria e propaganda consumistas aproveitam-se
dessa fraqueza caracteristicamente feminina e garantem seus gordos
lucros. Todo o dinheiro que poderia ser gasto com o melhoramento de
escolas, de hospitais, da ciência, e que poderia favorecer o progresso
em geral, é praticamente “torrado” em futilidades.
Imaginem os leitores se pelo menos 50% dos gastos supérfluos
que a mulher média faz fossem poupados para a utilização de pes-
quisas cientificas, qual não seria o progresso da sociedade!
Se nós mulheres queremos ser respeitadas por realizar algo de
valor para a humanidade, por que não começamos por aqui? Muitas
se queixam por não terem salários mais altos, equiparando-se aos
homens, mas grande parte dos salários dos maridos é gasta com a
mulher e os filhos. Na realidade, o homem sempre pensa como “ga-
nhar” dinheiro; a mulher, como “gastá-lo”. Portanto, a maior parte dos
homens trabalha para trazer o dinheiro para casa e as mulheres passam
o tempo pensando em como desfazer-se desse dinheiro.
Embora mulher, tenho que admitir que é praticamente a mulher
que alimenta a economia capitalista no sentido de ser a maior com-
pradora da indústria do supérfluo, com a enorme voracidade que lhe é
característica.
Por exemplo, no New York Times, de 8 de agosto de 1984, havia
32 anúncios tipicamente femininos e 33 procurando atrair mais as
mulheres (embora também incluíssem homens como compradores),
enquanto somente 14 eram dirigidos aos homens. Isto sem
considerarmos a enorme quantidade de revistas especificamente
femininas e o esmagador apelo promocional para a venda dos artigos
consumidos por elas.
Enquanto a mulher se deixar levar pela inveja e narcisismo, como
tem feito até agora, a filosofia econômica estará altamente com-
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09115
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
116
prometida, bem como todos os outros setores da nação, ficando as
áreas de saúde, educação, artes, agricultura, lazer e pesquisa
prejudicadas em função da manutenção da vaidade feminina.
Os interessados na indústria do supérfluo argumentam que dão
muitos empregos com os seus negócios — mas muito melhor seria se
promovessem empregos em atividades de base como as acima citadas.
Obviamente estão interessados em manter o lucro comercial varejista,
com as altas cifras anuais de US$ 545,9 bilhões (estatísticas de 1983)!
Certamente as mulheres não querem se frustrar, por isso dão vazão
total à voracidade, à megalomania e a essa desabalada vida de “gastar
dinheiro”. Quando essa economia consumista acabar de desmoronar,
elas não só não poderão mais ter tudo o que desejam em exagero e
abundância, como vão ter que sentir os problemas que até então
evitaram sentir.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09116
6
A Mulher e o Crime
E
xiste um incrível pacto social em torno da criminalidade feminina, a
que os criminalistas chamam de “desinteresse” pelo assunto.
Hans Göppinger, professor da Universidade de Tubinga,1 diz que
esse assunto não é tratado com a devida seriedade devido a uma série
de “preconceitos ideológicos” e concepções pseudofilosóficas.
Existe uma incrível escassez de pesquisas e material de estudos
sobre a matéria, ao contrário da riquíssima produção de trabalhos sobre
a criminalidade masculina.
Mesmo que a criminalidade feminina seja extraordinariamente
inferior à masculina, oscilando em torno de 20 a 25 % do total da
criminalidade registrada oficialmente, não podemos concluir que as
mulheres sejam menos ativas do que os homens na arte de prejudicar
o próximo. O que me parece é que a estrutura social foi formulada de
tal maneira que a mulher tem menos poder de decisão e atuação. Logo,
sua criminalidade se restringe ao seu campo de atuação social.
Tal é a ligação existente entre sua vida sexual e os crimes come-
tidos pela mulher, que muitos criminalistas chegam a colocar os
problemas psicobiológicos (menstruação, menopausa, gravidez, parto,
puberdade) como causas determinantes dos desvios de comportamento
feminino.
Ochman e Pollack,2 por exemplo, seguiram a tese do médico
francês Legrand Du Salle, do ano de 1864, e tentaram relacionar os
roubos das ladras dos grandes magazines parisienses com a fase da
menstruação — o que Hans Göppinger refuta com veemência, dizendo
que a seu ver “não existem conhecimentos acreditados sobre uma
causação predominantemente condicionada por crises biológicas”.
117
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09117
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
118
De fato, as questões psicossociais são muito mais evidentes, e em
regiões onde a mulher atua na sociedade de maneira mais eqüitativa à
do homem, as taxas de criminalidade trazem percentuais bem próximos,
como o queocorre nos estados do sul dos Estados Unidos.
Porém, embora criminalistas de renome como Otto Pollack, Von
Hentig, Reckless e Newman considerem a criminalidade feminina
“mascarada” por uma série de fatores, a mulher tende a beneficiar-se
da opinião pública que lhe é favorável, do Poder Judiciário, da Polícia,
da Imprensa, quando não da própria vítima (nos crimes praticados
contra familiares), todos preocupados em favorecê-la, inserindo-a numa
categoria especial, particularmente quando se trata de uma pessoa de
“bom nível social”, como diz Giuseppe Di Gennaro.3 Em outras
palavras, as mulheres de poder socioeconômico safam-se das punições
de seus crimes da mesma maneira que os homens poderosos.
Mas fato muito interessante é que todos os criminalistas são
unânimes em afirmar que a mulher difere qualitativamente dos homens.
Alguns chegam a dizer que as cifras da criminalidade feminina seriam
muito mais expressivas se ao lado dos crimes como aborto, infanticídio,
prostituição, furtos em magazines ou supermercados, a calúnia, a injúria,
a difamação, maus tratos inflingidos a crianças, e outros, também fossem
registrados.
Por que a sociedade considera todos esses crimes acima como
irrelevantes, se na realidade são justamente os pecados de inveja, o
ódio, a agressão à honra, as intrigas, a calúnia, os mais graves e os
que, muitas vezes, conduzem os homens a cometerem crimes de
violência?
Mesmo que lhe falte a força física, a mulher dispõe de uma arma
mais eficaz do que as armas brancas e os revólveres para exercerem o
poder: o sexo.
Não raro lançam mão da prostituição dentro ou fora do lar, pois
muitas senhoras da sociedade agem como verdadeiras prostitutas com
seus próprios maridos. A sedução é, ao ver da profa. Esther de
Figueiredo Ferraz,4 a estrada mais fácil para exprimir sua criminalidade,
fato até facilitado pelo próprio homem.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09118
Mulheres no Divã
119
Uma frágil mulher facilmente pode dominar um assassino mus-
culoso através da sedução sexual, fato que é notório a todos.
Freqüentemente as mulheres frágeis assumem o papel de ins-
tigadoras ou mandantes (delitos “por procuração” como dizem os
criminalistas) e parecem “escolher” os que lhes trazem mais vantagens
e menos riscos. Escondem-se por detrás de homens que executam o
que elas desejam, porém não têm coragem de executar, “deixando
ao homem a posse e a deselegância da execução”.5
Jacques Lee’auté distingue revoltas políticas de revoluções po-
líticas — as primeiras, menos importantes, e as segundas, mais
duradouras. Curiosamente, as mulheres desempenham um papel de
relevo nas revoltas e irrelevante nas revoluções, o que caracteriza o
seu tipo de personalidade, muito superficial e extremamente querelante,
intrigante e revoltada, estando mais pronta a se queixar, contestar sem
fundamento, do que a sugerir e lutar por transformações sociais de
significância, o que exigiria uma intenção mais construtiva.
De outro lado, temos que considerar que as grandes guerras, os
grandes crimes, foram sempre realizados por homens — as mulheres,
objetivamente falando, não tiveram uma ação direta em relação à
destruição do mundo.
Precisamos sim, urgentemente, perceber que temos pactuado
demasiadamente com este estado de coisas. Não raro, muitas mulheres
adoram os poderosos do crime e os mantêm com o apoio afetivo-social
e não raro, econômico.
As mulheres deveriam fazer valer o sentimento de amor e de
nutrição para o qual foram destinadas — criar seus filhos para a justiça,
honestidade, para uma vida de ajuda ao próximo e deveriam brecar e
até punir, se possível, os homens aos quais estão ligadas e que tiverem
uma atitude desonesta e maldosa. Por exemplo: se uma mulher e todas
as outras negarem afeto e sexo aos homens desonestos, eles, mais dia
menos dia, terão que rever sua escala de valores.
Elas têm muitas armas que poderiam usar para fazer valer o bem,
e isso muito poucas fazem. Não temos força física, isto é certo, mas
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09119
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
120
em compensação a ausência de amor, cuidado, de sexo até, pode
doer mais do que um soco no nariz. O maior crime, a meu ver, que
temos cometido é o pacto que fazemos com os homens criminosos.
Nos EUA, por exemplo, onde a mulher vem conseguindo para si
uma boa parcela do poder social e econômico, também vemos que a
taxa de criminalidade feminina aumentou consideravelmente.6 Se a
mulher tivesse o mesmo poder que o homem de fazer guerras, decidir
sobre a vida do próximo, será que tomaria decisões mais justas, mais
honestas do que as que eles têm tomado? Vemos atualmente o exemplo
de mulheres que assumiram o poder e nem por isso exerceram um
governo que fosse mais brilhante do que os dos estadistas masculinos.
Indira Gandhi, Margareth Tatcher, Golda Meyer são exemplos claros
disto.
Penso que a psicopatologia da mulher é semelhante à do homem
— sua manifestação é que é diferente. Portanto, uma mulher alienada
de sua psicopatologia ofereceria o mesmo perigo que um homem à
sociedade.
Notas e Referências:
1. Göppinger, Hans, Criminologia, tradução espanhola, Rens S.A., Madri,
1975, pág.439.
2. Stherlanda, Edwin H. e Cressey, D. R., Principes de Criminologie,
tradução francesa, Paris, 1966, pág.112.
3. Di Genaro, Giuseppe, Vecchie e Nuque Ipotesi Sulla
Criminalita Feminile ni Appunti di Criminologia, Roma,
1970, pág.185.
4. Ferraz, profa. Esther de Figueiredo, Aspectos Típicos da
Criminalidade Feminina, Revista do Advogado, Número 1, Ano 1,
São Paulo, pág.41.
5. Lee’auté, Jacques, Criminologie et Science Peritenciaire, Presses
Universitaires dê France, Paris, 1972.
6. U.S. News & World Report, 12 de novembro de 1984.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09120
7
A Guerra Entre as Feministas
P
arece-me que nos EUA existem duas facções feministas distintas:
o grupo das feministas com base religiosa (cristãs na maioria) e o
grupo das humanistas, que seguem uma filosofia antiteísta. No meio
destas existem as feministas mais ecléticas, ou seja, aquelas que, de
maneira não fanática, simplesmente apóiam qualquer melhoramento na
condição de vida das mulheres.
O primeiro grupo caracteriza-se, em grande parte, por uma visão
mais moralista, defendendo valores tidos como básicos: a família
tradicional, o capitalismo e instituições em geral. Poderíamos chamá-las
“as feministas de direita” ou “reacionárias”. Entre as representantes
deste grupo estão as Concerned Women for America, Inc. (Mulheres
Preocupadas com a América), cuja presidente é Beverly La Haye,
esposa de um evangelista e que conta com 200.000 membros por
todos os Estados Unidos.
O segundo grupo caracteriza-se mais por uma defesa dos inte-
resses pessoais das mulheres, no que diz respeito à sua realização
individual, seja qual for a sua natureza, como por exemplo, defender o
sexo livre, o homossexualismo, o aborto, a vida materialista, a descrença
de todo e qualquer sistema de valores — ou seja, o amor, a
maternidade, a fidelidade, a espiritualidade etc. Elas poderiam ser vistas
como o extremo da esquerda (embora não comunistas necessaria-
mente).
O mais expressivo grupo representante das humanistas é a N.O.W.
National Organization for Women (Organização Nacional das
Mulheres), cuja presidente é Judith Goldsmith, e conta com
aproximadamente 250.000 membros. Foi fundado em 1966 e suas
121
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09121
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
122
principais representantes são Betty Friedan e Gloria Steinem, já
conhecidas no mundo todo como criadoras do Women’s Liberation
Movement (Movimento de Libertação das Mulheres).
Com uma renda anual de US$ 4.550.000,00 (1983) e tendo se
tornado politicamente ativas e sofisticadas, elas dizem ter trabalhado
pelos direitos das donas de casa, cidadãos idosos, mulheres de
negócios, inclusive dizem ter servido de intermediárias nas lutas pelos
direitos das lésbicas e homossexuais.
Muitas mulheres reconhecem esse movimentocomo favorável:1
� 67 % das americanas apóiam os objetivos do movimento
feminista (de acordo com uma pesquisa realizada pela re-
vista Parents, de outubro de 1983).
� 42 % dizem que o movimento desenvolveu suas vidas.
Parece claro que muitas melhorias nas condições de vida sócio-
econômicas foram conseguidas por esses grupos feministas.
Mas essa não parece ser a opinião de todas as mulheres, que
acreditam que esses movimentos também causaram prejuízos. No
mesmo artigo do jornal U.S.A. Today, Phyllis Schaffly diz:
“Eu penso que elas foram perdedoras... muitas mu-
lheres se tornaram infelizes por causa do Movimento de
Libertação das Mulheres. Ele as ensina como ampliar suas
orientações para se sentirem maltratadas e reprimidas”.
Certamente que muitas mulheres vêm sendo maltratadas e
reprimidas, mas a causa desta problemática não foi bem esclarecida
até hoje. Pelo contrário, a filosofia de ódio e revolta por elas pregada,
só leva a um agravamento na situação de infelicidade das mulheres,
colocando-as diretamente contra seus amigos, filhos, sociedade e Deus.
Esse ódio fica claro até entre os próprios grupos feministas.
Exemplificando: outro dia chegou às minhas mãos uma carta assinada
por Says La Haye, do Concerned Women for America (Mulheres
Preocupadas com a América), convocando as mulheres da América
para uma arregimentação contra o movimento National Organization
for Women (Organização Nacional das Mulheres).
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09122
Mulheres no Divã
123
São suas as palavras:
“Quando ela disse (referindo-se a Betty Friedan)
que elas iriam fazer da América uma nação humanista
até o ano 2000, eu determinadamente afirmei que isso
só aconteceria sobre meu cadáver!”,
manifestando com essa afirmação um intenso ódio contra suas com-
panheiras de sexo.
Aliás uma das características mais claras desses movimentos
feministas, quer sejam eles humanistas ou reacionários, é a de intensa
paranóia dirigida aos homens, à sociedade, às outras mulheres e até a
Deus. Essas mulheres sempre se colocam só como vítimas de problemas
externos, caindo numa parcialidade perigosamente patológica, pois não
assumem nenhuma parcela de responsabilidade por seus problemas e
pela situação difícil que encontram na sociedade.
Nas linhas que se seguem tento exemplificar o quadro de paranóia
expresso por essas mulheres, sem timidez:
“Nós devemos destruir o amor... O amor promove a
vulnerabilidade, a dependência, a possessividade, a sus-
ceptilidade à dor, e impede o total desenvolvimento do
potencial das mulheres, direcionando todas as suas ener-
gias para fora, segundo o interesse de outros”
Esses movimentos tiveram uma grande aceitação no mundo todo
na década de 70. Sua influência fez-se sentir inclusive nos povos do
Terceiro Mundo.
No Brasil, por exemplo, 1975 foi o marco inicial das atividades
feministas, ainda que na ocasião fossem em pequeno número e
intensidade.
Em junho deste mesmo ano foi comemorado o Ano Internacional
da Mulher, e todos os resultados revelados nessa data foram unânimes
em afirmar que, em todos os países, independentemente de seu grau
de desenvolvimento econômico, a mulher era tratada como um ser
desigual e inferior.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09123
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
124
Baseando-se nestes dados, a Organização das Nações Unidas
(ONU) houve por bem criar a Década da Mulher (1975-1985), com
a finalidade de que todos os países, durante esse período, se
esforçassem ao máximo no sentido de superar os obstáculos que
impedissem e limitassem a plena cidadania feminina.
Muitas iniciativas de lá para cá foram criadas, mas poucos re-
sultados concretos foram conseguidos. Isso me faz pensar que existem
problemas realmente determinantes desta situação que não estão sendo
devidamente abordados.
Um deles, um dos principais, é o fato de a mulher estar vendo no
homem seu maior inimigo, e não nos homens e mulheres do poder
econômico. Outro motivo primordial é o fato de as mulheres acharem
mais vantagem nessa situação de alienação em que se encontram, tendo
interesse em permanecer na dependência dos homens.
Na revista Insight foi publicada uma reportagem de Diana West,
chamada “The Mystique of Female Journalists” (A Mística das
Jornalistas Femininas)3 falando de um encontro realizado em Washington
D.C., entre 100 jornalistas de 39 países: o International Women’s Media
Project (Projeto Internacional da Mulher na Mídia).
Elas não devotaram muito do seu tempo para discu-
tir trocas de notícias ou ética, disse Diane, elas estavam
muito preocupadas com a discriminação sexual, isto é, as
jornalistas dos Estados Unidos estavam. As representantes
dos outros países pareciam ter muita dificuldade em com-
preender qual era o grande problema.
O que a jornalista tenta demonstrar é que parece que as ame-
ricanas têm uma preocupação exagerada em combater o que elas vêem
como diferenças entre os sexos, enquanto as demais jornalistas dos
outros países estavam mais preocupadas em como desenvolver melhor
o seu desempenho profissional.
No mesmo artigo transcreve o seguinte:
Georgia Anne Geyer... concluiu que homens e mulhe-
res são irrevogavelmente diferentes. As mulheres entendem
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09124
Mulheres no Divã
125
as questões melhor que os homens, ela afirmou.
Referindo-se à transação de armas do Presidente Reagan
com o Irã, ela disse que o homem que fez tal coisa não
tinha nenhum conhecimento da cultura do Irã.
Mas suas opiniões sobre outras questões estrangeiras
não pareciam concordar. Françoise Van de Moortel, da
TV belga, se levantando da platéia, afirmou: eu estou cheia
da idéia de que se as mulheres estivessem no poder, se as
mulheres pudessem fazer todas as histórias, o mundo se-
ria um lugar maravilhoso.
Notem os leitores que as idéias feministas não somente têm perdido
a força ultimamente como, até certo ponto, estão caindo no ridículo.
Notas e Referências:
1. U.S.A. Today, 30 de setembro de 1983.
2. Women’s Liberation, notas do Segundo Ano.
3. lnsight, 15 de dezembro de 1986.
Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09125
Parte III
Estudo sobre a Sanidade
Olho Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:10127
“O momento em que a mulher conscientizar a sua inveja, o
momento em que aceitar a consciência da inveja, ela deixará o
homem para trás, pois estará mais próxima dos anjos e de Deus, e
mais próxima da genuína verdade.”
(Liberation of the People, Norberto R. Keppe, pág. 210).
Olho Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:10129
131
1
Afinal, Como É Mesmo a Mulher?
M
uitas vezes me perguntava como deveria ser a mulher ver-
dadeiramente, isto é, em sua origem; pela natureza, ela foi criada
bem diferente do que é a maioria delas hoje.
Se tentava imaginar Eva, antes de pecar pela primeira vez seguindo
as sugestões demoníacas, ficava com a mente meio nebulosa, somente
me lembrando de certas figuras, muito inexpressivas aliás, de pinturas
e desenhos que vemos em museus e em livros religiosos. Procurei então
verificar as qualidades de mulheres de expressão na história, tentei
fazer um “feixe” de qualidades através do qual as mulheres teriam um
ponto de referência para se conhecer melhor.
Vi muitos autores opinarem que a mulher era totalmente diferente
do homem, física e psiquicamente. Outros já diferiam dessa opinião
fazendo quase que nenhuma distinção entre os sexos. A imagem bíblica
da Eva sendo criada por Deus, de uma costela de Adão, deu margem
a várias opiniões como:
1) A mulher seria inferior ao homem, pois seria somente um pro-
longamento deste.
2)A mulher é o símbolo do sentimento e o homem, da cabeça,
pois ela teria saído de uma costela do lado do coração.
Sendo assim, sempre a humanidade considerou o sentimento como
inferior à razão, tendo que ser dominado pela última (representada
pelo homem).
Depois de séculos de desprezo ao sexo feminino, alguns povos
começaram a reformular seus conceitos indo, muitas vezes, como
aconteceu nos EUA, a um extremo oposto, ondeboa parte do povo
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14131
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
132
vê a mulher como superior ao homem. Teses afirmando que o planeta
Terra é feminino; que Deus é feminino e não masculino; que as
sociedades matriarcais são mais equilibradas etc., começaram a vicejar
dentro dos movimentos feministas americanos.
Mas tudo isso sempre me pareceu parcial, injusto e muito pouco
provável. Considerarmos o homem superior à mulher, pela natureza
me soava tão incerto quanto a hipótese contrária.
O que podia observar dentro da minha experiência como ser
humano, como mulher, e como psicanalista, era que na maioria das
sociedades, principalmente latinas, árabes, judaicas e orientais, as
mulheres tinham uma filosofia de vida que lhes fora altamente destrutiva,
e que passavam de geração a geração. Geraram, através de seu
comportamento muito patológico, uma grande decadência — tanto
para si, que passaram a ser vistas como sexo “frágil”, como para as
sociedades a que pertenciam.
Mas esta questão me foi satisfatoriamente elucidada quando certo
dia, numa conversa, dr. Keppe (criador da Trilogia Analítica) me disse
que achava que “Deus tinha em si qualidades femininas e
masculinas, e que havia repartido entre o homem e a mulher suas
qualidades”.
A mulher, se é de valor e autêntica, tem características que lhe são
específicas. Por exemplo, ela é carinhosa, cuida dos indivíduos, de
detalhes, de embelezar a vida para os outros, de satisfazer desejos; é
suave, meiga, sentimental e sensível; é paciente, tolerante e conciliadora.
Assim como o Criador, que foi capaz de criar borboletas tão delicadas,
o perfume e beleza das flores tão suaves, animaizinhos tão meigos e
brincalhões, fêmeas tão maternais que morrem pela defesa de seus
filhos... Bem, essas são qualidades que existem em Deus, e que estão
potencialmente presentes em todas as mulheres.
O homem já apresenta outras qualidades que existem em Deus:
força, coragem, espírito empreendedor, mente abrangente e universal.
Assim sendo, os dois unidos deveriam repetir na Terra a realidade
existente em Deus.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14132
Mulheres no Divã
133
E isso sucederá mais rápido, caso ambos se conscientizem de sua
inveja. Cada qual quer ser como o outro, ter suas vantagens imaginárias,
e com isso anula as qualidades que lhe são características, tornando-se
seres meio animalescos, meio demoníacos, insatisfeitos e sem
personalidade.
Muitas vezes a mulher tem sido inimiga do homem (e vice-versa).
Desde pequenina, mesmo antes de conhecer seu marido, sua mãe, tias
e avós já a instigam contra o futuro “opressor”. A sociedade, de início,
já está dividida por esse motivo. Imaginem o que não será o mundo no
momento que ambos conscientizarem esse pacto diabólico e se tornarem
amigos e se complementarem?
A mulher precisa das qualidades do homem e ele, as da mulher.
De que vale um homem sozinho na vida, que não aceita nem a si mesmo?
Ou de que adianta uma mulher sem afeto, querendo negar sua natureza?
Percebendo-se como seres complementares, a mulher e o homem
poderão se desabrochar em toda a sua intensidade e realizar o que
nunca cada um, sozinho, antes conseguiu; inclusive descobrindo em si
mesmos potencialidades totalmente desconhecidas. Aí, certamente,
existirá um maior número de “gênios” femininos na história da nossa
civilização, pois possuímos, como mulheres, características semelhantes
às divinas, de igual valor às que existem nos seres do sexo masculino.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14133
134
2
O Aspecto Feminino da Criação
O
s cromossomos da mulher contêm dois fatores repetidos (XX), e
os do homem, um igual ao da mulher e outro diferente (XY). Isto
sugere que: primeiro, existem diferenças essenciais entre os sexos, mas
a base, ou seja, o elemento X é o mesmo; segundo, que existe na
natureza um elemento (o feminino) que se repete, portanto, parecendo
ser o mais forte, o básico na natureza.
Se fizermos uma analogia com as 3 Pessoas de Deus, poderíamos
dizer que Deus Pai, que é o gerador do Filho, seria mais feminino na
essência, ou seja, o Amor; Cristo, o Filho, seria mais masculino, a
Razão; e o Espírito Santo seria o resultado da união dos dois, a
Consciência.
O que se nota é que a mulher é mais ligada às emoções e aos
sentimentos (XX) do que o homem, que já mistura a razão aos seus
sentimentos em sua maneira de ser (XY).
Quando a mulher aceita o amor, então sua conduta é extrema-
mente apreciável e superior à da maioria dos homens; mas quando
nega o afeto, deixa-se levar somente pelas emoções baixas, como a
inveja, o ódio, o ciúme, adotando um comportamento inferior ao dos
homens, que conservam o aspecto da razão.
A mulher virtuosa parece ser mais até que o homem. Poderia citar
como exemplo as que apoiaram os cientistas e artistas, permanecendo
obscuras na história da humanidade; elas lhes deram apoio sem
pretender glórias ou poder, sem utilizá-los para aumentar seu prestígio
pessoal.
Tristão de Ataíde, renomado filósofo brasileiro, já dizia que a mulher
se aproxima mais dos anjos e dos demônios por estar mais próxima à
dimensão espiritual.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14134
Mulheres no Divã
135
Andréa Salomé é um exemplo; apoiou Freud, Nietzsche e outros,
com intenções muito diferentes das dos Médici que, por sua vez, se
utilizaram de Leonardo da Vinci para mostrar seu poder social. O
próprio artista desabafou: “Os Médici me criaram e me destruíram”,1
revelando a grande tristeza que sofria por ter sido objeto de absoluta
exploração por essa família italiana de doentes mentais, poderosos da
Idade Média.
Aliás, a maioria das mulheres que apoiaram os gênios e homens
de valor, ficaram anônimas na sociedade — foi o que aconteceu com a
grande quantidade delas que acompanhou Cristo e o serviu com
trabalho e com seus bens.
2
Interessante também é notar que Cristo apareceu primeiro às
mulheres,
3
 e foi a uma mulher que pela primeira vez mencionou ser o
Messias,
4
 demonstrando grande aceitação por elas.
Entretanto, os apóstolos não acreditaram no testemunho de
Madalena, pois a tradição judaico-cristã sempre viu o sexo feminino
essencialmente inferior aos homens, mostrando um pensamento parcial
e tendencioso.
Fato é que as mulheres deram muitos motivos para que os homens
assim pensassem. Se algumas apoiaram gênios, muitas fizeram o que
puderam para sabotá-los, fazendo-nos crer que as Xantipas existiram
em maior número.
Falando em Xantipa (mulher de Sócrates), a mitologia grega tem a
seguinte tradição:
“Zeus, de sua morada além do Monte Olimpo, odiava
a humanidade e privou os homens do fogo. Prometeu
roubou o fogo do Céu e Zeus jurou vingança. Os gigantes
se rebelaram e empilharam montanha sobre montanha
para escalar o Céu. Depois de uma guerra titânica que
convulsionou a Terra e o Céu, Zeus venceu: e para punir
o homem, ele criou a mulher, Pandora, de cuja famosa
caixa deixou sairem todas as misérias para afligir a hu-
manidade”.5
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14135
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
136
Essa história da mitologia é semelhante à tradição bíblica, que vê
Eva como a introdutora do mal para Adão e para todos os seus
descendentes.
Por que a mulher?
 Se entendermos a mulher como o símbolo do amor, poderíamos
então concluir que o mal entrou no mundo através da negação do amor,
ou seja, a inveja, presente no interior da mulher, como do homem; e
sendo que a mulher é mais ligada ao sentimento, nela ficam mais
evidentes tanto o amor como a inveja.
Haja vista a dificuldade que existe em se controlar as mulheres nos
sanatórios psiquiátricos e nas penitenciárias, pois elas dão muito mais
trabalho que os homens para os enfermeiros e guardas, exigindo
vigilância constante, uma vez que se atacam sem parar.
Não é pelo mesmo motivo que os homens das sociedades ma-
chistas, que negam o componente afetivo (tido como feminino),
tornam-se perigosos pela violência e agressividade? E, de outro lado,as sociedades mais evoluídas não são aquelas nas quais o homem é
mais feminino na conduta, aceitando valores como carinho, afeto, beleza,
sensibilidade? Na Suécia, por exemplo, existe muito pouca
diferenciação entre os sexos, e é uma sociedade bem mais pacífica.
O mesmo se passa em nosso organismo: o amor é a única emoção
capaz de produzir as doses certas de substâncias que regulam nosso
sistema imunológico. Qualquer perturbação na vida afetiva gera
perturbações no funcionamento orgânico.
Notas e Referências:
1. Bartlett, John, Bartlett’s Familiar Quotations, Little Brown and
Company, Boston, 1980.
2. Lucas 8, 1-3; Marcos 15, 40-41.
3. Matteus 28, 1-10, As Mulheres e os Guardas; João 20, 1-18, Maria
Madalena.
4. João 4, 22.
5. Drake, W. Raymond, Deuses e Astronautas na Grécia e Roma
Antigas.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14136
3
Deus Criou as Mulheres para Serem
Semelhantes a Ele
V
ocês já notaram que ridícula é a atitude da mulher que se adora?
Como ela caminha nas ruas, com jeito de “deusa”, achando-se a
beleza, a perfeição da Criação? Como é desagradável a mulher que é
inútil, libidinosa, que só pensa em homens, roupas, maquiagem, jóias;
egoísta, querendo que os filhos, o marido e amigos a fiquem mimando
e prestando-lhe atenção e elogios!
Por outro lado, como é agradável a mulher que é amiga, sempre
pronta a ajudar os outros, a servir como pode sua família e a sociedade
— fazendo-se útil e necessária (e até indispensável em certos casos),
mas pelo que realiza e não pelo que simplesmente é!
Sei que muitas mulheres ficam ferozes com a idéia de ter que
“servir”. Esse vocábulo lhes provoca alergia. Mas não percebem elas
que ninguém vale pelo que é, mas só pelo que faz?
O ser humano recebeu um potencial que é maravilhoso. Recebeu
afeto, beleza, bondade e inteligência, mas que só têm valor se são
usados. Usados como? Se nos voltarmos para nós mesmos, a bondade
se torna egoísmo, a beleza se apaga e o afeto se transforma num
grosseiro narcisismo, como uma vela que não pode iluminar a si mesma,
sob pena de se apagar.
Deus nos fez de tal forma parecidos com Ele, que não podemos
agir de forma diferente da Sua — já disse, quando esteve na Terra,
que deveríamos ser como Ele é: servir aos outros da melhor forma
possível e tentar ajudar até os inimigos.
137
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14137
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
138
Nossa estrutura psicológica e vontade genuínas não podem ser
deturpadas como têm sido, sob pena de arcarmos com o resultado
que a repressão afetiva ocasionou: nós mulheres nos tornamos, não
raro, verdadeiras “Xantipas” da Criação, tornando-nos esposas, sogras,
amantes e solteironas indesejáveis.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14138
4
Um Breve Estudo Sobre Uma Mulher
Original
P
elo que se saiba, o único ser humano que já existiu e que não sofreu
a decadência do pecado original, portanto tinha a sua essência
intacta, foi a mãe de Cristo. Chamada de Virgem Maria, Nossa Senhora,
a Mãe de Deus, seu nome original em hebreu era Míriam.
Muito poucas informações objetivas se tem a seu respeito, a não
ser as poucas registradas nos textos do Novo Testamento, fato que
revela a sabotagem feita pela tradição judaica, que tende a desprezar a
mulher e a valorizar o homem.
Mas pelos estudos teológicos e filosóficos realizados poste-
riormente, sabemos que ela nasceu sem mácula em seu corpo e sua
alma, tendo sido por isso chamada de Imaculada. Por não ter tido o
pecado original, ela não se submeteu à morte, mas foi elevada ao céu
pelo poder de Deus, em vida, o que levou os cristãos a festejar
anualmente a Assunção da Virgem Maria.
Mas o que eu acho mais interessante é estudar a personalidade de
Míriam.
Pelo que pude perceber, ela era extremamente ativa, trabalhava
muito, dentro e fora de casa, era atuante entre os amigos seguidores
de seu filho.
Era totalmente obediente à vontade de Deus (ler o Magnificat onde
ela expressa seus sentimentos em relação à sua gravidez, gerada pelo
Espírito de Deus), mas não restringia a sua liberdade (ler João, Cap.2,
onde ela pede a seu Filho, mesmo contra a Sua vontade, que Este
139
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14139
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
140
transforme a água em vinho, diante dos convidados numa festa de
casamento).
Sua personalidade era tão marcante, e tão fiel foi sua conduta em
relação ao trabalho de seu Filho, que seu brilho ofuscou o de seu marido
José, figura até certo ponto inexpressiva na história de Cristo.
De outro lado, ela parecia acatar as correções e advertências que
seu Filho lhe fazia quando tentava supervalorizar seu papel e direitos
de mãe, em detrimento do trabalho que Ele deveria realizar aqui na
Terra.
Escolhida por Cristo como a Mãe de todos os seres humanos, ela
foi um exemplo de coragem, iniciativa, vivacidade e fortaleza, pois foi
devido a ela que Cristo conseguiu chegar são e salvo à maturidade,
apesar de todas as perseguições a que estava sujeito.
Mulher independente e avessa a toda hipocrisia social, enfrentou
tranqüilamente a desconfiança inicial de seu marido José, quando ficou
grávida de um filho que não era dele, até que este se acalmasse com a
revelação de que seu filho era o Cristo.
Entretanto, jamais negou afeto a quem quer que fosse, e por isso
tornou-se o exemplo universal da mulher amorosa, tolerante e virtuosa.
Dotada de extrema graça e beleza, foi a musa inspiradora de uma
infinidade de artistas. Diz a tradição religiosa que Míriam (Maria) é a
mulher que vencerá o demônio (representado muitas vezes como
serpente), pois ela é incorruptível. Mas sem nossa ajuda, mulheres de
todas as raças, ficará difícil ela conseguir tal intento neste planeta
povoado de tantas Evas!
Na realidade, deveríamos imitar e aperfeiçoar o seu modelo de
equilíbrio e sanidade, já que contamos com muitos recursos a nosso
favor, inexistentes em sua época (ciência, tecnologia, desenvolvimento
social, filosófico etc.).
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14140
5
A Mulher do Futuro Será
Espiritualizada
Q
uando eu falo em ser feliz através do relacionamento com Deus,
as mulheres que me lêem não devem entender muito bem o que
seja isso. Idéias de repugnância virão às suas mentes. E com razão!
Pensemos, por exemplo, nas religiosas (monjas, rabinas, irmãs de
caridade etc.): muitas delas não são, nem em sonho, o ideal de felicidade
para uma mulher. É muito comum a mulher ingressar na carreira religiosa
para fugir aos problemas de rejeição à própria feminilidade e afeto.
Nem tampouco é atrativa a imagem tradicional de “mãe e esposa”
que tivemos de nossas mães e tias. Também não é animador ver a
expressão angustiada e as vidas agitadas das mulheres famosas, como
as estrelas de cinema, artistas de teatro, profissionais de sucesso...
Quando ando nas ruas de Nova York, São Paulo, Paris, Londres,
ou qualquer cidade do mundo, o que vejo na expressão facial das
mulheres é sempre angústia, tensão, preocupação, tristeza, ou então
arrogância, vaidade, competição, risos alienados que mostram
superficialidade e, na maioria, vejo expressões de raiva, impaciência e
inveja.
Como é raro ver uma mulher com expressão tranqüila, feliz, em
paz consigo e com o mundo! Isso me causa muita pena...
Logo as leitoras pensarão — “mas como poderíamos ser felizes
com tantas dificuldades que temos na vida ? “
O que quero dizer é que a mulher é a maior inimiga de si mesma,
pois é incapaz de usufruir o que tem em sua vida.
141
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14141
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
142
Por exemplo, a maior parte das mulheres passa 99 % do tempo
imaginando o que gostaria de ser e ter, e não usufrui o que lhe está à
mão. E se consegue o que quer, não aproveita tampouco — começa,
pela inveja, a pensar quando irá perder a felicidade de que dispõe —
arranjando mil idéias e preocupações para estragar os bons momentos
da vida.
A mulher faz um pacto com o demônio, na medida que ele nos
afasta da maravilha ofuscante de Deus para nos“dopar” com ilusões
de que nós somos as deusas. Tudo isso é acompanhado de enorme
angústia, mesmo que não percebamos.
A felicidade consiste desse “turning-point” (ponto de decisão):
abandonar a ilusão de sermos felizes “como deusas”, imersas na inveja
e no narcisismo, e passar a viver a felicidade de Deus. A mulher muito
invejosa não consegue ser feliz, pois não se aproxima mais da alegria
que existe n’Ele e no que é d’Ele. O inferno consiste em estarmos
vivendo dentro do Paraíso, cercados de tanta beleza, sem podermos
usufruí-la.
Dando exemplos práticos: a mulher mais invejosa procura sempre
os ambientes inferiores a si mesma, no que se refere à cultura, qualidade
de vida, capacidade de trabalho e qualidades pessoais. Preferirá amigas
mais feias e menos inteligentes, homens primitivos, inferiores a si mesma,
economicamente, ou no espírito (muitos homens podem fornecer status
e dinheiro para alimentar a megalomania de uma mulher, sem entretanto
causar-lhe inveja, pois são pobres de espírito).
Muitas mulheres chegam ao extremo de escolher parceiros in-
feriores em tudo: na profissão, na cultura, na situação social, no equilíbrio
psicológico, chegando a casar-se com esquizofrênicos, delinqüentes
etc. Perto deles sempre se sentem “as melhores”, “as maiores”, “as
bondosas”, “as afetivas”, “as sãs”. Quando as conseqüências começam
a bater à porta, muitas não agüentam e fogem da situação: não querem
apanhar, ou sofrer demais. Queriam somente aliviar sua inveja quando
escolheram um louco para se casar, pensando que sua bondade, sua
capacidade iriam “salvar” o pobre coitado. Não pensam nunca que
esse “coitadinho” vai virar-se, ferozmente, contra elas mesmas, em
pouco tempo.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14142
Mulheres no Divã
143
Não é daí que vem a idéia de “mulher Amélia”, que todos co-
nhecemos tão bem? Essas mulheres tidas como boazinhas, vítimas da
agressão dos maridos, que suportam a tudo caladas, sem reagir,
pacientemente, nada mais são do que monstros de inveja que preferem
destruir a si mesmas, mas viver num clima demoníaco, cinzento, de
desgraça e infelicidade. Elas próprias jamais agüentariam uma situação
feliz — pois teriam que reconhecer que sua felicidade era devida a
outras pessoas e a Deus que tudo fornece, e não às suas qualidades e
merecimentos pessoais.
Pela experimentação científica podemos saber que tudo o que é
bom, belo e real vem de Deus. Portanto, viver uma vida espiritualizada
significa, entre outras coisas, querer, em primeiro lugar, a verdadeira e
mais intensa felicidade. Isto, logicamente, só se encontra:
� No trabalho bom, belo e verdadeiro, pois a preguiça e o tra-
balho pelo poder são muito estressantes e insatisfatórios.
� No estudo, na cultura, pois fornecem uma grande variedade de
informações interessantes e úteis.
� Na riqueza, no conforto, mas sem megalomania, inveja e des-
perdício, que constituem fontes de insatisfação.
� Nas boas intenções, pois a má intenção sempre se volta contra
nós e é percebida por todos.
� No amor, pois a inveja e ódio causam tristeza e angústia, além
de serem os responsáveis pelas doenças orgânicas e mentais.
� Na paciência, pois a impaciência traz irritação e mal estar.
� Na dedicação, pois a inconstância não permite que cheguemos
ao fim que desejamos.
� Na humildade e aceitação dos nossos erros, pois só assim po-
deremos corrigi-los e viver sem tensão.
� Na dignidade, pois não devemos nos vender por pouco (di-
nheiro, elogios, prestígio ou status), e o desprezo que recebemos
em seguida é muito doloroso.
� Na esperança, pois a desesperança só leva à estagnação, à
destruição, ao desânimo e à preguiça.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14143
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
144
� Na caridade e no perdão, pois o rancor envenena nossa psi-
quéee também nosso corpo, enchendo-o de toxinas que nos
tornam velhas e feias em pouco tempo.
� Na procura de ser sempre agradável com os outros, pois a
pessoa emburrada está sempre sozinha, sem amigos, rejeitada.
Quem deseja uma má companhia (a não ser outro semelhan-
te)?
� No interesse constante em coisas úteis, elevadas, pois caso
contrário reduzimos nossa inteligência e nosso panorama a algo
pequeno, pobre e triste.
� Na concentração e atenção, pois a alienação e o “laissez faire”
nos torna incapazes de raciocinar com clareza e lucidez, le-
vando a uma superficialidade de pensamentos e sentimentos, e
conseqüentemente a uma vida insatisfatória.
� E o principal: amar a verdade com todo o coração, com toda a
alma e todo o pensamento, colocando seus interesses pessoais
em segundo plano. Se fizermos isso, todos os relacionamentos
afetivos serão bem sucedidos, pois eles são dependentes do
relacionamento que temos com o Criador.
A mulher que procura seguir essas premissas, terá o que deseja,
pois só assim será amada e admirada como uma mulher gostaria de
ser.
Assim sendo, ser espiritualizada é estar de acordo com a rea-
lidade, com o Bem, a Beleza, a Verdade; é buscar a conduta equilibrada,
sem extremos. Ser santa é ser sã, psíquica e fisicamente. Embora
estejamos longe disso, é importante que tenhamos esse ideal em mente
para pautarmos nossa conduta nessa direção.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14144
6
O Paraíso Perdido
E
u percebi que todo o ser humano tem em seu interior uma lembrança
gravada, como uma memória transcendental, do paraíso perdido,
de um Shangri-Lá no qual viveu; uma situação em que ele se sentia
totalmente feliz e satisfeito.
Nunca vi um indivíduo verdadeiramente são, sentir-se completa-
mente satisfeito com essa existência. Muitos problemas nos cercam,
problemas gravíssimos aos quais não podemos ficar indiferentes.
Temos momentos de felicidade interior intensa, fugazes entretan-
to. Eles não podem durar muito tempo sem que uma agressão externa,
ou até mesmo nossa própria patologia (inveja) os extermine.
Uma vez o ser humano foi completamente feliz — isto parece certo.
Mas há quantos milhares de anos? Isso se desconhece; o que se sabe
(desde que a história pode contar), é que um homem explorou outro
homem, o escravizou, agrediu, humilhou e foi infeliz. Desde que se tem
conhecimento, o amor também foi sinônimo de sofrimento, mostrando
que no campo da afetividade existe um alto grau de psicopatologia,
misturando-se ao afeto e causando muita dor.
O Shangri-Lá, o Paraíso Celestial, existiu de fato, e a prova disso
é a noção nostálgica que temos da felicidade, a qual buscamos de
volta e que não podemos readquirir. A satisfação plena deixou suas
marcas impressas em nosso intimo. Nenhuma lavagem cerebral poderá
apagá-la totalmente. Esse é o desejo e a finalidade mais genuína e
inerente ao ser humano. Por isso não deixamos incessantemente de
buscá-la.
Na Bíblia está escrito que depois que Adão e Eva deixaram o
Paraíso, o homem iria trabalhar com suor no rosto, e a mulher iria parir
145
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14145
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
146
seus filhos com dor, pois haviam sido enganados pelo demônio, e
quiseram ser deuses. Obviamente isso aconteceu conosco — o
sofrimento passaria a ser a realidade de nossas vidas.
Vejo que essa questão pode ser agora melhor explicada através
da ciência sociopsicopatológica. O homem e a mulher abandonaram a
sanidade pela busca da felicidade: através do poder econômico-social
no caso do homem (“trabalho”), e da vida afetiva no caso da mulher (o
“parir dos filhos”). Isso significa que todo o trabalho humano seria
dirigido para o poder e dominação dos outros, e a vida afetiva da
mulher seria também deturpada por seu desejo de ser adorada pelo
homem amado e seus filhos.
O que estou tentando dizer é que nós realmente estamos enga-
nados: buscamos incessantemente a felicidade perdida, aquela sensação
de total satisfação que um dia tivemos, mas buscamo-la no que jamais
poderia nos realizar totalmente.
Essa estrutura de vida diabólica que criamos não permite que
tenhamos paz. Vivemos num inferno interno e externo. Nãosão somente
os explorados e oprimidos que são infelizes neste sistema
socioeconômico; os poderosos também o são.
O mesmo se pode dizer das mulheres. Não são somente as feias,
sozinhas, rejeitadas pelos homens as infelizes, mas as lindas, que têm a
quantidade que quiserem de apaixonados a seus pés, são ainda mais
infelizes e insatisfeitas. O poderoso e a mulher narcisista, amada por
muitos homens, são justamente os mais infelizes e insatisfeitos, pois
buscaram, mais do que ninguém, seu Shangri-Lá onde jamais ele
poderia estar.
Mulheres passam de homem para homem, trocando de parceiro a
cada mês, cada vez mais desesperadas — o homem quer mais e mais
dinheiro, pensando que se tiverem mais alguns milhares de dólares,
serão felizes e realizados. Que estultice! Em que engodo caímos! Por
isso, não haverá jamais aquele “homem ideal” que faça uma mulher
feliz, e homem algum achará felicidade em sua fortuna, por maior que
ela seja.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14146
Mulheres no Divã
147
O que se passa é que a mulher psicologicamente mais invertida (a
mais doente), torna-se feroz contra aquele homem no qual deposita
toda a esperança de ser feliz, culpando-o de ter-lhe roubado a feli-
cidade. Não raro, parte para uma agressão feroz contra ele, num desejo
de vingança por sentir-se “enganada”.
As mulheres mais equilibradas, ao perceberem, logo após o
casamento ou a vida em comum, que caíram numa esparrela esperando
o Éden daquele relacionamento, podem agüentar a frustração e
procuram desenvolver, ao lado disso, atividades que lhe sejam
satisfatórias. Mas sempre aquela mágoa profunda fica em seu coração.
E a pergunta surge: “outro homem me traria aquela felicidade?
Quem sabe este é muito frio, ou muito egoísta, ou muito rígido, ou
muito controlador, ou muito materialista, ou muito isso, muito
aquilo — e a minha metade da laranja estaria me aguardando em
algum canto do mundo, escondida? A “alma gêmea”, que me
compreendesse totalmente, que me amasse sem restrições, poderia
me fazer sentir aquela “felicidade perdida”?
Sim. Sabemos que a felicidade está perdida em algum lugar; e
prova disso é a insatisfação amarga que está sempre presente. Mas
enquanto não despertarmos desse engano diabólico, de que homem
algum poderá preencher nossa expectativa, por melhor que ele seja, e
que a felicidade não consiste em sermos amadas por um homem e
pelos nossos filhos, seremos prisioneiras encarceradas em nós mesmas.
Esse parece ser o nosso pecado original — e por isso Eva disse
(ao comer da maçã do “poder ser como uma deusa”): “fui enganada”.
Por isso agora temos que renunciar a essa fantasia se quisermos
recuperar a felicidade; precisamos desistir dessa idéia, que na verdade
é o que nos aprisionou até hoje. Não digo que não devamos amar a
um homem e a nossos filhos. Muito pelo contrário! Eles são uma parte
importante de nossas vidas.
Mas como esperar de um ser humano, por melhor que seja, um
Shangri-Lá?!
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14147
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
148
O Paraíso que abandonamos deveria ser a coisa mais incrível e
grandiosa, a qual sequer podemos imaginar; na presença de Deus, na
total harmonia social, ecológica, psicológica, numa enorme atividade,
plena de realização na Verdade, Beleza e Bondade. Onde inveja, ódio,
censura, restrição, tristeza, agressão, cansaço, preguiça, desconfiança,
inexistam. A total riqueza usufruída por todos!
Como um ser humano, com todos os seus problemas poderia
oferecer tudo o que retirávamos disso?! Mesmo o homem original,
sem pecado, não seria suficiente para desempenhar tal tarefa.
A mulher, bem como o homem, “decaiu” muito em suas ex-
pectativas. O ideal anterior, que era de extrema riqueza e complexidade
(procurem imaginar, se puderem, o que é viver num Paraíso, ao lado
de Deus), ela trocou por um homem (decaído ainda por acréscimo...).
E o homem trocou o Paraíso pelo poder, que jamais poderá trazer a
felicidade esperada.
O homem que trabalha só pelo dinheiro e pelo poder que ele trará,
será fatalmente infeliz. O mesmo a respeito da mulher: aquela que se
unir a um homem ou mesmo a que nutrir essa ilusão, para ser feliz
através disso, também sofrerá extremamente, pois estará se restringindo
sobremaneira.
Temos que retornar à nossa vida original. Mesmo que isso exija
esforço e “sacrifício”, pois aí está a nossa libertação.
A Trilogia Analítica é a ciência que foi criada com essa finalidade
— fornecer os elementos para o ser humano recuperar, ao máximo
que puder, o seu Paraíso perdido.
O sentido dado na Bíblia “parirás com dor” parece representar
mais a dificuldade, o sofrimento que a mulher passou a sentir ao dar de
si, ao dar afeto, pois essa idéia lhe provoca muita contração e teme o
sofrimento. E somente através dessa conscientização é que podemos
nos libertar.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14148
7
O Poder do Amor
A
 mulher (bem como o homem) se relaciona com o mundo através
do amor. O sentimento de afeto é a base de tudo — e a verdadeira
fonte da existência:
Não me refiro ao amor sexual propriamente. Podemos amar a um
homem sem jamais termos qualquer relacionamento sexual com ele.
Como também podemos passar a vida sem acharmos alguém que
desperte em nós um afeto “preferencial”, e no entanto amarmos
intensamente a vida e as pessoas.
Mas pensamos invertidamente e cremos que o amor nos torne
vulneráveis. Por exemplo: P.C. sempre pensou (e essa é a idéia da
humanidade) que se ela não amasse a um homem ele não a poderia
atingir — ela se tornaria quase que inatingível por qualquer coisa que
fizesse (ele poderia ter os problemas que tivesse: mulheres, bebida,
mau gênio etc.), e tudo seria superável, desde que ela não fosse envolvida
afetivamente com ele.
Sempre ouvi muitas pessoas se queixarem de que o sofrimento
começa junto com o amor — se não amamos, não sofremos. Afinal, a
literatura, as artes, a tradição cultural também não confirmam essa idéia?
Até os religiosos apóiam essa tese. Eles acham que existem duas
espécies de amor — o amor verdadeiro e o amor humano. O primeiro,
de cunho espiritual, seria o amor a Deus e o fraterno; e o segundo, o
falso, a danação — as paixões que levam à perdição e ao sofrimento.
O primeiro incompatível com o outro.
Pela experimentação científica trilógica, podemos comprovar o
contrário: o amor é um só. Um só sentimento verdadeiro e apaixonado
149
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14149
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
150
que podemos dirigir a Deus, a um homem, aos filhos, família e toda a
humanidade de uma só vez.
Os seres humanos só têm um tipo de afeto, e este amor é o amor
humano. Não podemos amar como um anjo ou como Deus ama.
Portanto, cada vez que tentamos impedir que o afeto exista ou se
manifeste, por quem quer que seja, estamos secando a fonte da vida
que deve jorrar do nosso interior.
Podemos concluir que série enorme de sofrimentos e problemas
daí surgem: brigas, separações, divórcios, adultérios, abortos, doenças
físicas, psíquicas e sociais etc.
Aí se coloca outra questão: por que vemos no amor um sofrimento
tão atroz? Por que uma mulher traída não sofre se o homem que a trai
não é o que ela ama? Por que tudo o que vem do homem amado lhe
cai diferente, causando uma série interminável de atritos?
Somente quem ama, tem consciência de sua psicopatologia e de
seus enganos. É, portanto, através da aceitação da vida afetiva que o
indivíduo poderá perceber sua inveja, seu ódio, sua megalomania, seu
egoísmo, que se manifestam conjuntamente ao afeto.
O indivíduo racionalista “imagina” que não tem ódio, inveja etc.,
mas na realidade, ele somente inconscientizou o que sente, deixando
toda a sua frieza e maldade à solta. (Por exemplo, muitos religiosos
pensam que têm muito amor, mas são sem nenhuma piedade). Se esse
indivíduo começar a gostar de alguém, passará a perceber como é
invejoso, ciumento, possessivo, egoísta, dominante etc. etc., imaginando
que os sentimentos são ruins em si, e que se todasas emoções forem
reprimidas, ele será são e equilibrado. Não perceberá que só reprimiu
o amor, e que a patologia permanece; só ele é que não terá consciência
disso, embora sua loucura seja clara para os demais.
Aqui entramos numa senda de difícil aceitação — pois o ser hu-
mano é por demais arrogante para admitir que tem que se “submeter”
a algo. O amor é soberano. É maior e todo poderoso sobre nós mesmos.
Ou o acatamos, ou nos destruímos. Como então poderíamos aceitar a
idéia de não termos domínio sobre um aspecto do nosso ser?
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14150
Mulheres no Divã
151
Existe uma confusão psicológica que é muito importante que se
perceba: nós colocamos no objeto amado o poder e magnitude que o
amor possui.
E pensamos: “Por que haveremos de nos submeter a esta ou
aquela pessoa, que tem tais e tais problemas (que me rejeita, ou
que me trai, ou que me agrediu etc. etc.)?” Sentimo-nos humilhadas
de sermos dependentes de alguém e até termos que negar nosso orgulho
e “amor próprio”.
Quando amamos a alguém não somos submissos à outra pessoa
mas somos totalmente impotentes diante do próprio afeto que
espontaneamente existe em nós.
E qualquer tentativa de brecar esse sentimento resulta em so-
frimentos incríveis, de ordem psicológica e física, dando início a uma
série interminável de ansiedades, fobias, insônias, falta de apetite,
depressão, desânimo, improdutividade, falta de concentração,
dificuldade de relacionamento com as demais pessoas, com o mundo,
e até com o próprio Deus.
O ser humano vê no afeto um grande prejuízo, portanto faz o
mesmo com o próprio Criador. Essa inversão carregamos dentro de
nós, o que nos custa grande pesar.
A cliente X foi casada por 20 anos com um homem ao qual amava
sobremaneira. Esse homem era doente, neurótico, e precisava muito
de seu afeto. Tinha problemas com ele, mas era feliz. Um belo dia,
resolveu seguir sua inversão e arrogância, apoiada por orientações da
psicologia moderna, e passou a cuidar “de si mesma”. O marido
mudou-se para outro estado e ela permaneceu em Nova York, onde
tinha seus amigos, seu grupo de psicoterapia, seus “interesses pessoais”.
Após algum tempo de separação, soube que outra mulher havia
ocupado o seu posto; perdeu o afeto do marido, a segurança social e
econômica, e toda a felicidade que obtinha daquele casamento.
Achava-se insubstituível — jamais pensara que outra mulher pu-
desse usufruir de tudo aquilo que havia sido seu e que rejeitara,
principalmente o amor do marido. Jamais se conformou com isso. Só
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14151
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
152
começou a se acalmar quando percebeu a atitude invertida que adotara
— que o seu sofrimento não advinha do marido, mas somente de sua
atitude de matar a vida afetiva, coisa que sempre fizera e continuava
fazendo.
Mas algo extremamente importante também deve ser conscien-
tizado: toda a estrutura social nos ensina, desde nosso nascimento, que
não devemos amar. Amor é sinônimo de fraqueza, ódio, poder. Qual
não é essa inversão, pois é dessa desunião entre os sexos que os
sistemas, interessados no domínio e exploração dos mais fracos, tiram
vantagem.
“Casa dividida é casa fraca”, “separar para governar”, como
dizia Maquiavel. Se os seres humanos perceberem que estão sendo
vítimas de uma lavagem cerebral que incentiva a separação e a paranóia,
para servir a interesses espúrios dos indivíduos do poder, então poderão
aplainar os problemas e viver em harmonia e força. Na base, homem e
mulher se amam, mas tudo é feito para atiçar um contra o outro.
Outra questão importante relativa à vida afetiva é que somente o
indivíduo que aceita conscientizar os seus sentimentos (sentir-se a si
mesmo) pode ter saúde física e mental. Em meu livro A Cura pela
Consciência isto é melhor explicado.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14152
8
Receita da Felicidade
Q
uando falo a vocês, falo como uma cientista — jamais como
religiosa. Muitos religiosos já afastaram muita gente de Deus —
pois deturparam a sua imagem para um ser sádico, frio, primitivo, que
quer que soframos para que ele se realize. Sabem que deus é esse?
Não preciso dizer que é o demônio.
E eu própria tenho horror à mentalidade de muitos religiosos
fanáticos que causaram tanto dissabor e ressentimento em relação a
Deus.
Falo como uma psicanalista que pesquisa há anos uma maneira de
a mulher ser mais feliz. Nunca acreditei que as mulheres tivessem sido
realmente criadas como “inferiores” em relação aos homens — e que
precisassem deles para serem guiadas na vida e até para chegar a
Deus. Se em grande parte isso aconteceu, foi devido à nossa atitude
de inveja muito grande, que acabou por nos incapacitar e decair de
nossa posição original, que era certamente superior à condição dos
homens e mulheres atuais.
Eu nunca me conformei com a idéia de que eu deveria ser infeliz e
pronto. Ou então, “um pouco” feliz, medianamente feliz. Sempre fui
ambiciosa no que se refere à felicidade. Quis e quero ser o mais feliz
possível. E desde pequena, sempre notei estreita correlação entre
felicidade e bondade, altruísmo, amor e, principalmente, amor a Deus.
Porém, muito ainda me era desconhecido — as descobertas do
dr. Norberto Keppe só começaram a premiar minha vida a partir de
1972, e daí por diante, foi num crescendo até hoje.
Até aquela data experimentara tudo o que me parecera apto a
trazer felicidade. Posso dizer até que tive tudo o que uma mulher pudesse
desejar para ser feliz: certa inteligência e beleza, dinheiro, status, marido,
153
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14153
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
154
filhos, admiradores, sexo, viagens, tudo. No entanto, só o que estava
relacionado a Deus me trazia satisfação, fosse o que fosse.
E isso foi gradualmente ficando cada vez mais claro para mim.
Quanto mais próxima de Deus era uma experiência, maior era a
intensidade da felicidade que sentia — até o ponto de sentir, muitas
vezes, a felicidade que só pensei existir no céu — quando aproximei
mais o meu coração d’Ele.
E sinto essa mesma felicidade quando penso que muitas outras
mulheres poderão sentir o mesmo que eu, e que eu poderei ajudá-las a
isso, com a minha experiência.
Assim, fui experimentando, observando cada vez que me sentia
feliz e tinha mais paz, ao quê aquela felicidade estava relacionada. E
vice-versa — cada vez que me sentia mal e infeliz, pensava ao quê o
mal-estar estaria relacionado.
O mesmo fazia com minhas clientes e, espantosamente, por ensaio
e erro, fui aprendendo, na prática, a ser feliz! E esse caminho
científico-experimental me levou a concluir que a mulher nasceu para
completar a criação de Deus, assim como o homem, e só nessa
realização podemos ser felizes.
Na minha opinião, a mulher nasceu para ser feliz, amando a Deus
e vivendo em sintonia com Sua vontade.
Como poderemos gostar de Deus se não O vemos, se não sa-
bemos bem como Ele é, se nossos olhos não podem vislumbrar Sua
beleza?
Penso que devido a nossa enorme inveja a Ele, prejudicamos muito
nossa visão de Deus. De outro lado, procuramos sempre compará-lo
a algo humano — como nós somos, e não como Ele é. Portanto, muitas
de Suas Manifestações nos passam despercebidas. Por exemplo, Deus
se manifesta através da Criação. E se observarmos bem o que é criado,
o que é real, poderemos conhecer muitas das facetas de Deus.
Quando olhamos para um quadro, muito podemos saber do seu
pintor; quando lemos um livro, muito podemos ver da alma do seu
escritor; muito podemos saber também do pai e da mãe, se olharmos
para os traços do rosto de seu filho.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14154
Mulheres no Divã
155
Procurem observar o que existe — o que existe ainda de original
e que não foi estragado e deturpado pela inveja dos seres humanos e
dos demônios.
Vocês verão facetas de Deus incríveis, reveladas sutilmente:
� Seu Bom Humor, através de bichinhos, de peixes e insetos tão
engraçados.
� Sua Beleza, através de todas asformas da natureza.
� Sua Delicadeza de sentimentos, através das flores, crianças e ani-
mais delicados.
� Seu Afeto, através da música.
� Sua Bondade, através da possibilidade de perdão, de recupe-
ração de todo aquele que quer ser feliz e retornar à honestidade.
� Sua Justiça, que não permite que os arrogantes sejam felizes e que
garante a felicidade aos humildes de coração.
� Sua Grandeza e Poder, quando pensamos nos bilhões de galáxias
que Ele criou e governa.
� Sua Sabedoria e Inteligência, quando vemos as leis da física, quí-
mica, biologia etc.
� Sua Multiplicidade de interesses e Criatividade, quando vemos o
oceano repleto das mais incríveis e diversas espécies de seres
vivos.
� Sua Luz e Grandeza, quando vemos a luz do sol brilhando de
horizonte a horizonte.
E assim, infinitamente, procurem vocês próprios começar a ob-
servar, e verão o quanto vão saber d’Ele.
E sabem o que mais? Este Ser, que é tão incrível, está sempre
atento a nós, sempre nos ouve. Ele jamais nos esquece, jamais nos
trai, jamais nos quer mal, sente raiva ou ciúmes, ou inveja. Ele sabe do
nosso íntimo e nos compreende em cada aflição, cada intenção, cada
anseio, sem a menor possibilidade de desentendimento.
Ele é o Parceiro Perfeito! Imaginem leitoras, que tempo estamos
perdendo! E nascemos justamente para isso, para viver esse grande
Amor, sem fim e sem que ninguém nos separe — a não ser nós mesmas,
que O rejeitamos e buscamos o que não existe, fora d’Ele.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14155
9
As Mulheres do Terceiro Milênio
P
ela experiência e observação científicas, percebi que as mulheres,
através da Trilogia Analítica, puderam se desenvolver tanto ou
melhor do que os homens. Por exemplo, nas Sociedades Trilógicas, as
mulheres demonstraram ser mais honestas, mais dedicadas, mantendo
seus compromissos sempre em dia e, não raro, tendo um desempenho
profissional e pessoal muito superior ao dos homens. Na avaliação
global, que é feita anualmente nas Sociedades Trilógicas, dois terços
dos aprovados eram de mulheres.
Se a mulher se conscientizar de sua inveja e do pacto que vem
mantendo com o esquema de poder, terá com certeza um desen-
volvimento assustador. Temos a nosso favor uma tradição passada de
maior obediência, dedicação, tolerância à dor, às frustrações, e aos
problemas; maior paciência e amor com as crianças e com os seres
humanos em geral. Nossa intuição e sensibilidade nos permitem chegar
ao entendimento das coisas materiais e imateriais com muita rapidez;
isso sem mencionar que fomos muito humilhadas até hoje. Este fato
obrigou-nos a manter mais os pés na terra, e não nos é tão difícil quanto
para os homens, que estiveram sempre habituados a uma posição de
mando e poder sociais, conscientizarmo-nos de nossos erros.
Poderíamos dizer que a mulher não tem muito o que perder, pois
já se encontra numa posição desfavorecida diante da sociedade.
Portanto, só teremos o que ganhar ao admitirmos os nossos erros
passados e presentes.
O mesmo erro que Eva cometeu ao trocar Deus pelo demônio,
repetimos atualmente, adorando os homens poderosos, que não passam
de seres decaídos a uma condição quase demoníaca. Os bons amigos,
156
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14156
Mulheres no Divã
157
os verdadeiros, esses são rejeitados pelas mulheres e, não raro,
humilhados, e usados somente como um meio de alimentar sua vaidade.
Tenho certeza de que as mulheres vão entender o que quero dizer, pois
toda a mulher, em alguma fase de sua vida, rejeitou o afeto de um
homem bom e honesto e sofreu, por gostar, sem ser correspondida, de
um sujeito agressivo, frio e arrogante.
O grande engano que as mulheres das civilizações mais adian-
tadas estão cometendo é que estão procurando a felicidade pelos
mesmos meios que os homens a procuram. Por exemplo, as nossas
avós sentiam-se muito prejudicadas pois seus maridos tinham total
liberdade sexual, mantendo casos amorosos fora do casamento e
abandonando mulher e filhos. Na realidade sentiam inveja por não
poderem fazer o mesmo; imaginavam que esta conduta traria enormes
prazeres. Não foi este o rumo que as gerações de 60 e 70 tomaram ao
adotar uma conduta totalmente promíscua na busca da felicidade?
Uma pesquisa realizada entre 2.600 estudantes do colégio, idade
entre 18 a 22 anos, feita pela revista Forbes (24 de fevereiro), revelou
que 31.4 % pensam que a geração de seus pais foi muito promíscua.
Quando as mulheres perceberam que isso não estava sendo
suficiente para trazer a felicidade ansiada, partiram para um engano
maior ainda: lutam atualmente pela conquista do poder eco-
nômico-social, munidas de um terno, uma pasta e muita “agressividade”.
Os maus resultados vêm a galope, pois mais e mais a mulher se afasta
da sua verdadeira essência, que é na verdade igual a dos homens
(verdade, beleza e bondade). Assim sendo, mulheres e homens agora
compartilham, quase lado a lado, dos índices de pressão alta, doenças
cardíacas, câncer de pulmão etc.
A mulher, cega pela inveja, não percebeu que não poderia ser feliz
através desses valores masculinos, pois os próprios homens não
conseguiram a felicidade com eles. Teríamos acertado mais se
tivéssemos nos desenvolvido na direção certa e conscientizado os
homens de seus erros também. Não foi o que fizemos: além de termos
perdido o que mais tínhamos de valor, nós mulheres adotamos erros
mais graves, que antes eram mais característicos dos homens.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14157
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
158
Betty Friedan atualmente se questiona se a libertação feminista à
qual deu impulso atingiu os seus propósitos. A mulher atualmente é
mais feliz do que a do passado? Não nos parece.
A libertação de um ser humano, seja ele homem ou mulher, só
pode acontecer dentro da bondade, beleza e verdade. A direção que
as mulheres deram à sua libertação foi invertida; caímos numa armadilha,
pois a liberdade para fazer o errado, para optar pelo mal, pela
destruição, pela agressão, pela infidelidade, pela euforia do poder
econômico-social, não poderia fazer ninguém feliz.
Não estou dizendo que a mulher devesse continuar numa posição
de explorada, humilhada, traída, sem nenhuma segurança e voz ativa.
Eu quero dizer que se seguirmos a consciência e nos mantivermos firmes
na realidade, conseguiremos mudar a face da Terra. Teremos o poder
e autoridade daquele que é altivo, generoso, consciente, altruísta,
honesto e que luta pela justiça na face da Terra. Poderíamos ter até as
rédeas da civilização nas nossas mãos, caso quiséssemos,
verdadeiramente, conduzí-la para a felicidade dentro do bem.
Nós mulheres fomos nossas maiores inimigas, pois desprezamos
nosso poder verdadeiro que é o amor, a dedicação, a tenacidade, a
intuição, a paciência, a sensibilidade. Temos até maior resistência às
doenças físicas e à dor, e não valorizamos isso. Temos enorme influência
sobre as crianças, os homens de amanhã! Poderemos, caso nos
conscientizarmos disso tudo, forçar a mudança deste mundo infernal
para aquele em que gostaríamos de viver.
Para tal, necessitaremos de uma visão sincera e profunda da nossa
própria psicopatologia, a fim de nos fortalecermos internamente. Faço
aqui uma convocação a todas as mulheres que queiram seguir essa
empreitada. Sei bem, como mulher e psicanalista, o quanto a mulher
tem sido infeliz até hoje; e sei também como orientá-las para o sentido
contrário, pois é o que temos conseguido através das descobertas da
Trilogia Analítica.
Penso que agora será a hora de provarmos se as mulheres têm
valor ou não. A luta contra os poderosos deveria ser vencida por nós,
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14158
Mulheres no Divã
159
que ainda estamos menos comprometidas com o poder. Se nas Socie-
dades Trilógicas as mulheres são melhores que os homens em 2/3 do
total, isso nos leva a crer que a revolução da consciência deverá ser
realizada pela maioria das mulheres.
Nós dispomos de meios para lutar contra os poderosos que os
homensdesconhecem. Nossas armas são diferentes das deles, não
são armas de fogo, nem músculos fortes. Quem melhor do que a mulher
para perseverar numa empreitada que deseja? Temos a paciência, a
sutileza e técnicas invisíveis de sabotagem a que nenhum homem
consegue resistir. Não dizem que as mulheres vencem os homens pelo
cansaço?
O único problema é que temos lutado contra os inimigos errados;
ao invés de lutarmos contra nossos pais e maridos, teremos que
enfraquecer a resistência dos poderosos, para que os vençamos com
as armas de que dispomos e que eles desconhecem. Quando se fala
em “guerrinha psicológica” somos as primeiras. Agora, teremos que
direcionar nossos poderes contra os verdadeiros inimigos que vêm
nos explorando e usando como objetos para manter o seu poder.
No livro A Decadência do Povo Americano (e dos Estados
Unidos), denunciei o fato de que somos nós, as mulheres, que ba-
sicamente sustentamos a sociedade consumista. Somos nós que muitas
vezes, pressionadas pela propaganda massiça, pela voracidade, pela
necessidade de aplacar nossa insatisfação, e também pela inveja,
consumimos aquilo de que não temos a menor necessidade.
O comércio do supérfluo tem sustentado boa parte do mercado
do poder. Se nos conscientizarmos desses problemas internos que nos
tornam psicologicamente dependentes do consumismo, poderemos já
numa primeira fase, provocar uma grande sabotagem e quebra do
sistema de exploração, até que iniciativas mais honestas sejam criadas
e que possamos comprar somente produtos de empresas do povo,
onde a distribuição dos lucros seja para o povo (empresas trilógicas).
Por exemplo: somos nós que, na maioria das vezes, compramos
comida, roupas, utensílios para a casa e a família. Caberá a nós não
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14159
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
160
mais favorecer as grandes multinacionais ou cadeias de exploração, e
somente comprar artigos de boa qualidade, produzidas honestamente
por empresas do povo, trilógicas. Nós poderíamos iniciar um esquema
de sabotagem e não comprar nada que fosse supérfluo, e reservar
todo o dinheiro para um destino melhor — o de fortalecer as iniciativas
trilógicas populares, por exemplo.
Por iniciativas trilógicas populares, quero dizer empresas ou
qualquer trabalho ou sociedade que mantenham os princípios de
honestidade, liberdade, bondade, igualdade, que aceitem o trabalho
com a consciência dos erros, sendo de iniciativa absolutamente popular,
e que dividam o lucro pela produtividade e não pelo capital.
Para isso haverá a necessidade de um período de transição, onde
novas empresas dessa natureza sejam criadas para que possam cobrir
toda a necessidade do povo, pouco a pouco. E essa seria a maneira
fácil e direta para transferir o dinheiro da mão dos capitalistas e do
estado exploradores, para o povo trabalhador.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14160
Mensagem Final
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14161
P
ara finalizar, gostaria de citar o que Betty Friedan falou a respei-
to da mulher do futuro:
“Quem sabe o quê as mulheres poderão ser quando
finalmente estiverem livres para serem elas mesmas?
 Quem sabe em que a inteligência feminina contribui-
rá quando puder ser nutrida sem negar o amor?
Chegou o tempo em que as vozes da mística feminina
não mais podem abafar a voz interior que está impul-
sionando as mulheres a se tornarem completas.”
1
Notas e Referências:
1. Bardett, John, Bartlett’s Familiar Quotations, Little, Brown and
Company, Boston, 1980.
163
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14163
Bibliografia
• Arrojo, Manuel Lopez Rey y, La Criminalidad, Un Estudio Analíti-
co, Editorial Tecnos S.A., Madri, 1976.
• Auerbach, Nina, Woman and the Demon — The Life of a Victorian
Myth, Harvard University Press, Massachusetts, 1982.
• Bruschini, Cristina, Mulher e Trabalho — Uma Avaliação da Déca-
da da Mulher, Nobel: Conselho Estadual da Condição Feminina,
São Paulo, 1985.
• Carneiro, Sueli; Costa, Albertina G. de Oliveira, Mulher Negra —
Política Governamental e a Mulher, Nobel: Conselho Estadual
da Condição Feminina, São Paulo, 1985.
• Corção, Gustavo, A Missão da Mulher, em As Fronteiras da Técni-
ca, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1952.
• Dowling, Colette, Complexo de Cinderela, Melhoramentos, São Pau-
lo, 1986.
• Esquire, A Celebration of the New American Woman, June, 1984.
• Friedan, Betty, The Second Stage, Summit Books, New York, 1981.
• Gennaro, Guiseppe Di, Vecchie e Nuove Ipotesi Sulla Criminalita
Feminile, em Appunti di Criminologia, Libreria Richerche, Roma,
1970.
• Ghougassian, Joseph P., Toward Women — A Study of the Origins of
Western Attitudes Through Greco-Roman Philosophy, Lukas
& Sons Publishers, San Diego, Califórnia, 1977.
• Göppinger, Hans, Criminologia, tradução espanhola, Reus S. A., Madri,
1975.
• Hays, H. R., O Sexo Perigoso — O Mito da Maldade Feminina,
Biblioteca Universal Popular, Rio de Janeiro, 1968.
• Henting, Hans Von, Crime, Causes and Conditions, McGraw Hill
Book Company, Inc., New York, 1947.
• Keppe, Norberto R., Liberation of the People, Proton Publishing
House, Inc., New York, 1986.
165
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14165
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
166
• Keppe, Norberto R., Tthe Decay of the American People (and of
the United States), Proton Editora Ltda., São Paulo, 1985.
• Keppe, Norberto R., O Reino do Homem, Vol. I e II, Proton Editora
Ltda., São Paulo, 1983.
• Keppe, Norberto R., Contemplação e Ação, Proton Editora Ltda.,
São Paulo, 1981.
• Keppe, Norberto R., A Glorificação, Proton Editora Ltda., São Pau-
lo, 1981.
• Keppe, Norberto R., A Libertação, Proton Editora Lta., São Paulo,
1980.
• Keppe, Norberto R., From Sigmund Freud to Viktor E. Frankl: In-
tegral Psychoanalysis, Proton Editora Ltda., São Paulo, 1980.
• Keppe, Norberto R., A Consciência, Proton Editora Ltda., São Paulo,
1977.
• Keppe, Norberto R., Auto-Sentimento, Proton Editora Ltda., São Paulo,
1977.
• Keppe, Norberto R., Trilogia, Proton Editora Ltda., São Paulo, 1977.
• Keppe, Norberto R., Psicanálise da Sociedade, Proton Editora Ltda.,
São Paulo, 1975.
• Keppe, Norberto R., Sexo e Religião, Livrex, São Paulo,
1968.
• Keppe, Norberto R., A Medicina da Alma, Hemus Livraria e Editora
Ltda., São Paulo, 1967.
• Keppe, Norberto R., Psicologia Experimental e Geral, Livraria Nobel
Experimental, 2a. Edição, 1966.
• Keppe, Norberto R., Psicanálise Integral, Editora Atlas S. A., São
Paulo, 1964.
• Kinzer, Nora Scott, Stress and The American Woman, Anchor Press,
New York, 1979.
• Klimpel, Felicitas, La Mujer, El Delito Y La Sociedad, Libreria El
Ateneo Edditorial, Buenos Aires, 1945.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14166
Mulheres no Divã
167
• Langley, Roger; Levy, Richard C., Mulheres Espancadas —Fenô-
meno Invisível, Editora Hugitec, São Paulo, 1980.
• Leaute, Jacques, Criminologie et Science Penitenciaire, Presses
Universitaires de France, Paris, 1972.
• Levine, Suzanne; Lyons, Harriet, The Decade of Women, Paragon
Books, New York, 1980.
• Lynch, John W., Woman Wrapped in Silence, The MacMillan Com-
pany, New York, 1941.
• Metzger, Edmund, Criminologia, tradução espanhola, Editorial Revis-
ta de Derecho Privado, Madri, 1942.
• Morais, Maria Lygia Quartim de, Mulheres em Movimento —O Ba-
lanço da Década da Mulher do Ponto de Vista do Feminis-
mo, das Religiões e da Política, Nobel: Conselho Estadual da
Condição Feminina, São Paulo, 1985.
• Neumann, Erich, The Great Mother — An Analysis of the Archetype,
Princeton University Press, 1974.
• Orwell, George, A Filha do Reverendo, Editora Nova Fronteira, Rio
de Janeiro, 1985.
• Pollack, Otto, The Criminality of Women, University of Pennsylvania
Press, Philadelphia, 1920.
• Pomeroy, Sarah B., Goodesses, Whores, Wives and Slaves — Women
in Classical Antiquity, Schocken Books, New York, 1975.
• Reckless, W. C. and Newman, C. C., Similarities in Components of
Female and Male Delinquency, Interdisciplinary Problems of
Criminology,1964.
• Rich-McCoy, Lois, Millionaires — Self Made Women of America,
Harper & Row, Publishers, New York, 1978.
• Seelig, Emst, Traite de Criminologie, tradução francesa, Presses
Universitaires de France, Paris, 1956.
• Stapleton, Rosalie M., Woman Stuff 3, R. Stapleton & Associates,
Califórnia, 1977.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14167
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
168
• Studart, Heloneida, Mulher Objeto de Cama e Mesa, Editora Vozes,
Rio de Janeiro, 1974.
• Suplicy, Marta, De Mariazinha a Maria, Editora Vozes Ltda., Rio de
Janeiro, 1985.
• Tiger, Lionel; Shepher Lionel, Women in the Kibbutz, A Harvest Book,
1976.
• Vários Autores, Boletim No. 3, Centro Informação Mulher, São Pau-
lo, Dezembro, 1984.
• Vários Autores, Boletim No. 4, Centro Informação Mulher, São
Paulo, Abril, 1985.
• Vários Autores, Boletim No. 5, Centro Informação Mulher, São
Paulo, Setembro, 1985.
• Vários Autores, Os Direitos da Mulher na França, Publicações
Ministério dos Direitos da Mulher, Rio de Janeiro, 1981.
• Verucci, Florisa; Marino, Edira, Os Direitos da Mulher, Nobel:
Conselho Estadual da Condição Feminina, São Paulo, 1985.
• Vilar, Esther, O Homem Domado, Editora Nórdica Ltda., Rio de
Janeiro, 1972.
• Whitelegg, Elizabeth and Others, The Changing Experience of
Women, Basil Blackwell, Oxford, Inglaterra, 1984.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14168
Glossário
Ação — A essência do ser humano. A base de toda vida é a ação
boa, bela e verdadeira. O amor e o pensamento são ações inter-
nas; a saúde é resultado da realização boa. A ação verdadeira é
diferente da atividade agitada ou destrutiva, a qual reflete atitu-
des que negam a ação boa e verdadeira. Toda ação que vise a
aumentar o poder de alguém é patológica. Por exemplo: traba-
lhar somente para ganhar dinheiro. A ação real é servir aos ou-
tros e à humanidade como um todo.
Alienação — A atitude voluntária, mas freqüentemente não percebi-
da, de se desligar da realidade. Quando o indivíduo se nega a
aceitar a consciência, ele usa muitas formas diferentes de aliena-
ção: sexo, poder, dinheiro, superatividade, viagens, televisão,
bebidas alcoólicas etc. A sociedade foi organizada de forma a
alienar as pessoas das coisas essenciais na vida: amor, beleza,
bondade, boas ações, verdadeiro desenvolvimento do ser hu-
mano e da sociedade e, principalmente, da consciência dos pró-
prios erros.
Ciúme — Inveja do ser amado.
Consciência — Total percepção da realidade (interna e externa). De
acordo com a Trilogia Analítica, a consciência resulta da unifica-
ção do amor, da inteligência e da ação, e inclui a percepção do
certo e do errado, de atitudes psicopatológicas, e da verdadeira
realidade (bondade, beleza e verdade).
Doença Psicossomática — De acordo com a Trilogia Analítica, to-
das as formas de doença envolvem um forte elemento emocional
e podem ser tratadas somente através do diálogo. A doença é
causada por uma quebra no sistema imunológico a qual resulta
da negação da consciência.
Conscientização — Processo psíquico de percepção da realidade
interna e externa.
169
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14169
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
170
Emoções — O termo usado para designar “sentimentos” de amor,
felicidade, tristeza, raiva, inveja etc.
Empresa Trilógica — Um novo modelo de empresa cujo objetivo é
resolver os problemas básicos do sistema econômico vigente:
• cada indivíduo é sócio baseado na sua produtividade, e não no
dinheiro investido;
• salários e distribuição de lucros são baseados na pro-
dutividade individual;
• o investimento de capital é tratado como um empréstimo, não
como base para distribuição de lucros;
• todos que trabalham na empresa participam de um programa
que ajuda o indivíduo a se conscientizar dos seus erros e atitu-
des que são prejudiciais à sua produtividade. Esta proposta é
diferente do capitalismo e socialismo/comunismo. Através deste
sistema o poder do dinheiro é substituído pelo valor do traba-
lho e realização. Oferece uma solução prática ao problema
econômico dos indivíduos e da sociedade. Desde 1985, cerca
de trinta empresas começaram a funcionar baseadas nestes
princípios em Nova York (EUA) e São Paulo (Brasil).
Espiritualidade — Ligação do homem a Deus (verdade). Na Trilogia
Analítica não é vista como qualquer ato externo tal como uma
filiação com uma Igreja deteminada ou participação numa ado-
ração/culto formal.
Fantasia — Na Trilogia é sempre usada para expressar o uso pato-
lógico da imaginação; o mesmo que ilusão ou devaneio. Uma
forma de alienação da realidade na qual o indivíduo tenta realizar
o que é impossível.
Imaginação — O ato de formar imagens mentais de algo não pre-
sente; a criação de novas idéias através da combinação de ex-
periências anteriores. Saudável só quando usada no sentido de
planejar boas ações futuras; patológica quando usada para ali-
mentar idéias de grandeza ou má intenção.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14170
Mulheres no Divã
171
Inconscientização — Neologismo de Norberto R. Keppe — atitu-
de de esconder, reprimir ou negar a consciência que temos.
Interiorização, Técnica de — Diferente de internalização, consiste
em usar a realidade externa como um espelho, para entender
mais claramente o que existe no interior do indivíduo (sentimen-
tos, pensamentos, consciência, intuição, emoção etc.). É a técni-
ca principal usada na análise individual trilógica.
Inveja — Descontentamento e má vontade com relação à felicidade,
vantagens, posses, beleza, bondade etc., de outros. Do latim
invidere, significa “não querer ver” a bondade, a beleza, a ver-
dade. Tem a raiz na Teomania.
Inversão — Processo através do qual a pessoa vê o bem no que é
ruim e o mal no que é bom; isto é, acredita que a fantasia leva à
realização, e que a realidade causa sofrimento; vê a preguiça
como prazerosa e a virtude como sacrifício; considera Deus
restritivo ou punitivo, e o demônio como libertador e doador de
prazer; pensa que o amor traz sofrimento e que a razão pura leva
ao equilíbrio; acredita que o poder social significa felicidade e
que o serviço para a humanidade significa sacrifício e inferiorida-
de.
Farmácia Interna — Termo criado pela dra. Cláudia Bernhardt S.
Pacheco que se refere às substâncias imunológicas, naturais do
organismo, com as quais a Trilogia trabalha indiretamente para
conseguir a cura das doenças através de psicoterapia.
Medicina Psicossomática Trilógica — Tratamento médico que lida
somente com fatores psicológicos. Não se usam drogas, inter-
venção cirúrgica ou tranqüilizantes. A cura é conseguida através
da consciência individual das atitudes negativas que causam alte-
rações patológicas na “farmácia interna” (vide glossário) do indi-
víduo.
Megalomania — Delírios de grandeza; uma forma de arrogância em
que a pessoa vê a si mesma maior do que é realmente.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14171
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
172
Pacto — Termo usado na Trilogia para descrever um acordo mal
intencionado, consciente ou não, entre duas ou mais pessoas (in-
cluindo seres espirituais), para esconder a verdade e sabotar a
bondade e a beleza. Comum entre membros da mesma família,
amigos, e colegas de trabalho, resultando da crença de que a
verdade é dolorosa e a mentira poderá ser benéfica.
Pessoas Poderosas — Um termo que se aplica aos indivíduos mais
doentes que lutam por posições de poder na sociedade e que
tiranizam o povo.
Poder Patológico — Desejo de ser maior do que os outros, de ex-
plorar os outros; um “antipoder”; o desejo de impedir que o
verdadeiro poder exista entre o povo. Motivados pela inveja,
alguns indivíduos desejam dominar, controlar os outros na soci-
edade como uma forma de saciar sua teomania (ver teomania).
A intenção de tais indivíduos é tirar a felicidade, a liberdade, o
dinheiro e o bem-estar dos outros; não servir aos outros, mas
serem servidos por eles. O poder patológico é uma força arro-
gante utilizada para impedir a vida e a liberdade;traz somente
destruição e doença aos poderosos e à sociedade.
Poder Real — Todo poder real vem da ação fundamentada naquilo
que é verdadeiro, bom e belo. O poder humano é ligado, através
da consciência, à energia de Deus, e se manifesta através do
trabalho feito para beneficiar a humanidade. Aqueles que ser-
vem aos outros se tornam mais poderosos. O poder real é base-
ado na liberdade.
Psicanálìse Integral — O tratamento psicanalítico que, ao contrário
da psicanálise tradicional, coloca a etiologia da neurose não nos
problemas relacionados à libido, mas no desejo do ser humano
de ser como Deus (teomania), e na patologia da estrutura social,
que dá poder aos indivíduos mais teomânicos. O mesmo que
Trilogia Analítica ou Psicanálise Trilógica.
Psicopatologia — Estudo da doença psicológica (pathos = doença).
Também usado como sinônimo das doenças psicológicas.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14172
Mulheres no Divã
173
Psicossociopatologia — O estudo dos problemas psicológicos e
sociais. Também usado como um sinônimo dos problemas psi-
cológicos e sociais.
Realidade, Verdadeira ou Real — Verdadeira ou original —Tudo
que existe no mundo material e não-material, que não foi distorcido
por qualquer interferência maléfica. Tudo que pertence ao reino
do Criador.
Realidade, Pseudo — Erros e problemas criados pela omissão, ne-
gação ou deturpação da realidade encontrada no ser humano e
na sociedade.
Realidade Atual — Combinação dos dois acima; vida como é
atualmente, é bastante diferente do que deveria ser. A realidade
atual inclui a doença, guerras, desonestidade, neurose, psicose,
pobreza, poluição etc., misturados com a realidade ainda intacta
e as boas ações de indivíduos equilibrados.
Repressão — Ato de restringir um sentimento, uma atitude, uma idéia.
A repressão do amor e da verdadeira realização é a causa de
todas as enfermidades.
Sentimentos — O único sentimento real é o amor; a inveja, o ódio e
a raiva são primordialmente atitudes contra o amor. Às vezes
usado como sinônimo de emoções.
SITA — Sociedade Internacional de Trilogia Analítica (anteriormente
Sociedade de Psicanálise Integral) fundada pelo dr. Norberto R.
Keppe em 1970 no Departamento de Medicina Psicossomática
da USP. A Sociedade é uma organização internacional científi-
co-cultural sem fins lucrativos, cujo objetivo é desenvolver pes-
quisa, treinamento e aplicação das ciências trilógicas.
Sociedade Trilógica — (Sociedade do futuro) — Uma nova organi-
zação da sociedade, já em andamento com a formação das Re-
sidências e Empresas Trilógicas, na qual as pessoas estão ver-
dadeiramente livres para realizar tudo que é bom, belo e verda-
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14173
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
174
deiro; na qual o povo, consciente da psicopatologia humana (in-
veja, preguiça, desejo por poder), não permite que os indivídu-
os mais desequilibrados dominem a sociedade. Somente aque-
les que são equilibrados podem ter posições de liderança. Na
sociedade trilógica, a estrutura socioeconômica não impede o
povo de usufruir o que por direito lhe pertence: o planeta e tudo
nele; e nem pode deter a civilização de desenvolver na direção
do bem comum. A Sociedade Trilógica é baseada na unificação
da teologia, filosofia e ciência. Não segue nenhuma orientação
religiosa específica, mas respeita as leis universais criadas por
Deus.
Somatização — Processo de transformar os problemas emocionais
em doenças orgânicas. Ocorre sem que o indivíduo o perceba, o
qual sente só os sintomas, não a sua causa emocional.
Teomania — O desejo megalômano e invejoso de se ter um poder
“divino”; mais forte em indivíduos psicóticos e pessoas em posi-
ções de poder na sociedade. De acordo com dr. Keppe, a
teomania, uma forma extrema de magalomania, é a causa por
detrás de toda doença (social, mental e orgânica). Psicóticos
freqüentemente se vêem como sendo Jesus Cristo, o Espírito
Santo, a Essência Divina etc. Mas a teomania está presente em
todos os indivíduos, em maior ou menor grau.
Trilogia Analítica — (Anteriormente chamada Psicanálise Integral)
— Uma nova metodologia e teoria científicas criadas pelo psica-
nalista brasileiro Norberto R. Keppe, Ph.D., que unificam os
campos da ciência, filosofia e teologia. No indivíduo corresponde
à unificação do sentimento, pensamento e ação que resulta na
consciência completa. A Trilogia está sendo aplicada nas áreas
da psicoterapia, medicina, educação, economia, sociologia, ar-
tes, entre outras, nos três níveis: psicológico, social e espiritual.
Residências Trilógicas — Uma alternativa econômica para se viver
em um ambiente de cooperação e relacionamento humano, in-
dependente da sociedade tradicional; visa estimular o interesse
pela cultura e ciência; auxiliar os que sofrem de solidão, insegu-
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14174
Mulheres no Divã
175
rança, falta de integração social, dificuldades econômicas de
qualquer ordem; encorajar altruísmo, honestidade e crescimento
pessoal; enfim, criar um ambiente favorável e eficaz ao trabalho
com os problemas e dificuldades que todos os seres humanos
têm com sua própria vida, com os outros e com a sociedade em
geral.
Verdade — É o que é. É absoluta e a mesma para todos. A verdade
não é relativa a cada pessoa. Por exemplo: comida estragada
não é boa para ninguém; agressão machuca a todos; tirania não
é boa para ninguém; amor é bom para todos; oxigênio é bom e
necessário para todos etc.
Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14175
177
A
Aborto, 118
Ação, 7
Adão, 131, 135, 145
Adolescentes, 111
Afeto, 40, 65, 74, 145, 151
• união, 52
• negação ao, 134
• máscara de, 56
• chantagem, 79
• rejeição ao, 89
• inversão do, 89
Agressão, 58 Alienação, 3, 7, 14,
19, 20, 23, 26, 28, 43, 53, 59,
76, 83, 107, 111, 124, 144
Amélia, 142
Amor, 41, 64, 65, 66, 119,
123, 134, 136, 145, 149,
150, 151, 155
• rejeição ao, 66
• negação do, 136
Angústia, 70
Ano Internacional da Mulher,
123
Aristóteles, 28
Armas, 119
Arrogância, 14, 151
Ataíde, Tristão de, 134
Atitudes
• patológicas, 3
• de inveja, 5
• de negação, 17
• de omissão, 17
• de deturpação, 17
B
Bach, Johan S., 66
Bardett’s Familiar Quotations,
28
Beleza, 2, 21, 39, 70, 101,
102
Bíblia, 145, 148
Bondade, 2, 39, 70, 111, 160
Brown, Dianne, 110
C
Calúnia, 86, 118
Casamento, 33, 52, 67, 69
Casas Trilógicas, 47
Censura, 46, 47
Christie, Agatha, 100
Ciência, 3
Ciúmes, 30
Competição, 95, 99, 107
Complexo de Cinderela, 19
Comunicação, 72
Comunidades, 90
Concentração, 25, 30, 35
Concerned Women For
Índice Remissivo
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15177
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
178
America, 121, 122
Conduta saudável, 95
Confúcio 66
Consciência, 2, 7, 8, 23, 24,
27, 43, 61, 62, 100,
• dos problemas, 19
• da patologia, 43
• dos erros, 160
Conscientização, 7, 27, 75,
100
Controle, 102, 103
Convocação, 105
Cox, Frances, 110
Criador, 2, 3, 18, 31, 40, 131,
144, 151
Crimes, 109, 118, 119
• femininos, 117, 118
• masculinos, 117
• sexuais, 117
Cristianismo, 14
• tradição judáico-cristã, 135
Cristo, 66, 135, 139, 140
Cromossomos, 134
Cura pela Consciência, A, 152
Curie, Mme., 100
D
Da Vinci, Leonardo, 135
Dalila, 66
Década da Mulher, 123
Decadência do Povo Americano
(e dos Estados Unidos), A, 159
Decadência, 132
Demônio, 38, 53, 86, 111,
140, 146, 153, 154, 156
Departamento de Estatísticas
do Trabalho, 61
Dependência, 20, 24, 56
Depressão, 58, 70
Desequilíbrio, 73
Desilusão, 88
Desonestidade, 109
Destruição, 85
• do mundo, 119
Deus, 13, 14, 15, 18, 21, 38, 39,
40, 41, 64, 66, 81, 86, 122, 123,
131, 132, 134, 137, 139, 142,
143, 147, 148, 149, 150, 151,
153, 155, 156
• amor a, 153, 154
• relacionamento com, 141
Di Gennaro, Giuseppe, 120
Difamação, 120
Dignidade,61
Discriminação, 62
Doenças mentais, 107, 108
Doenças orgânicas, 107
Domínio, 33
Drake, Raymond, 135
Du Salle, Legrand, 117
D’Arc, Joana, 100
D’Ávila, Teresa, 100
E
Eden,147
Educação, 81, 95, 96, 106, 111
Empresa Trilógica, 16, 104, 159
Envelhecimento precoce, 103
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15178
Mulheres no Divã
179
Equilíbrio, 53
Erotismo, 38
Escravidão, 60, 103
Espiritualização, 144
Essência, 81, 157
Eva, 20, 38, 53, 131, 135, 140,
145, 147, 156
Existência, fonte de, 149
Exploração, 61
F
Fantasia, 21, 24, 38, 43, 48, 114
• sexuais, 36, 42
• de poder, 70
Felicidade, 7, 17, 18, 41, 42,
47, 71, 101, 142, 143, 145,
146, 147, 154
Feministas
• de direita, 123
• movimentos, 125
• libertação, 158
Figueiredo Ferraz, Esther, 118
Filosofia de vida, 23, 98, 107, 132
Fobia, 80
Fraqueza feminina, 115
Freud, Sigmund, 13, 42, 135
Friedan, Betty, 121, 123, 158,163
Frustração, 59
G
Getty, Paul, 32
Geyer, Georgia Anne, 124
Ghandi, 66
Ghandi, Indira, 120
Glamour, 61
Goldsmith, Judith, 121
Goppinger, Hans, 117
Greater Washington Board of
Trade, 110
H
Hentig, Von, 118
Hipocrisia, 76, 96
Homem, qualidades do, 132
Homossexualismo, 81, 82
• relacionamento, 48, 68
Honestidade, 111, 160
Hospital das Clínicas da Universi-
dade de São Paulo, 112
Hudson Oil Co., 110
Hudson, Mary, 110
Humanistas, 121
Hunter College High School, 29
I
Idade Média, 106
• poderosos da, 135
Ideal, 37, 54, 70
Igualdade, 160
Imunológico, sistema, 136
Incapacidade, 35, 43
Inconscientização, 2
Indústria Consumista, 40
Infanticídio, 118
Infelicidade, 14, 42, 47, 143
Inferno, 15, 142, 146
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15179
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
180
Iniciativas Trilógicas Populares,
159, 160
Injúria, 118
Injustiça social, 60
Insatisfação, fontes de, 143
Insegurança, 33
Insight, 124
Intelectualização, 84
International Women’s Media
Project, 124
Intriga, 17, 85, 86, 95, 118
Inveja, 3, 13, 14, 15, 16, 17,21, 25,
26, 38, 39, 44, 66,67, 68, 81, 86,
87, 95, 114, 118, 132, 136, 142,
153, 154, 156, 157, 159
• universal, 14, 18
• inconscientizada, 16, 85
• conduta invejosa, 74
• monstros de, 142
Inversão, 14, 44, 53, 65, 66,
151
J
João, São, 135, 139
Jogo diabólico, 30
José (marido Virgem Maria,
140
Judaísmo, 14
• tradição judáica-cristã, 135
K
Kant, Emmanuel, 28
Keppe, Norberto R., 2, 13,
20, 25, 38, 132, 153
Klein, Melanie, 13, 100
Kuhl, Anna, 109
L
La Haye, Beverly, 121
La Haye, Says, 122
Lee’Aute, Jacques, 119
Liberdade, 7, 44, 108, 160
Libertação dos Povos -
Psicopatologia do Poder, 20, 63
Libertação, 20, 148, 158
• sexual, 44
• feminista, 158 Libido, 42
Lincoln, Abraham, 28 Loos,
Anita, 29 Loucura, 102
• do poder, 105 Lucas, São, 135
Lúcifer, 15, 21
M
Madres, 112
Máfia, 111
Manipulação emocional, 79
Maquiavel, 151
Marcos, São, 135
Maria (mãe de Cristo), 140
Maria Madalena, 135
Mateus, São, 135
Masoquismo, 14
Medici (família), 135
Medo, 32
Megalomania, 13, 21, 38, 40, 43,
69, 70, 114, 116, 142
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15180
Mulheres no Divã
181
Messias, 135 Meyer, Golda, 120
Michelângelo, 66
Míriam, 139, 140
Moralismo, 121
Movimentos Feministas, 19, 108,
123, 132
Mulher, qualidades da, 131, 132,
133
N
Narcisismo, 3, 13, 20, 21, 36 40, 49,
57, 69, 70, 90, 98 101, 102, 103,
105, 108, 114, 137, 142, 146
Negação, 14
Neurose, comportamento, 74
New York Times, 105, 115
Newman, 118
Nietzche, 135
Nossa Senhora, 139
Novo Testamento, 139
Nutrição, 119
N.O. W. - National Organization
for Women, 121, 122
O
Objeto sexual, 42, 48
Ockman, 117
Ódio, 118, 123, 151
• filosofia de, 121
Omissão, 111
O.N.U. - Organização das Nações
Unidas, 123
P
Pacto, 21, 26, 54, 60, 69, 70 75, 76,
77, 79, 107, 142, 156
• de megalomania, 40
• social, 59, 117
• de hipocrisia, 96
• diabólico, 107
Pandora, 135
Papel da mulher, 2
Paraíso, 15, 53, 142, 145, 147, 148
• perdido, 145
Paranóia, 33, 56, 60, 62, 64, 66,
123
Parents, 122
Patologia, 67
• inconscientizada, 14
• conduta, 78
Patroas, 112
Pecado original, 139, 147
Pennsylvania State University,
109
Platão, 28
Poder, 15, 33, 60, 79, 102, 103,
108, 111, 112, 113, 120
• econômico-social, 21, 26 42, 62,
79, 104, 146, 157, 158, 159
• sensação de, 29
• fantasias de, 70
• desejo de, 70, 102
• loucura do, 105
• sistema de, 106
• verdadeiro, 158
Poderosos(as), 15, 20, 26, 29, 62,
105, 112, 146, 152, 159
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15181
Cláudia Bernhardt S. Pacheco
182
• do lar, 15
• do crime, 119
• da Idade Média, 135
Pollack, Otto, 117, 118
Potencial, 137
Power, Money and Prestige, 112
Prazer genuíno, 7
Presidente Reagan, 124
Problemas, humanos, 13
• psicológicos, 13
• sexuais, 47
Projeção, 17
Propaganda, 105
Prostituição, 118
Psicopatologia, 83, 120, 145
• feminina, 3
Psico-sociopatologia, 47, 146
Psicossomática, 88 Psicóticos, 13
R
Razão, 131
Realidade, original, 13
• desprezo a, 111
Realização, 7, 30, 37, 90, 100
Reckless, 118
Reinvidicação, 108
Relacionamento, 53, 76
Religiosos(as), 141, 150, 153
Residência Trilógica, 51
Resistência, 14, 17
Responsabilidade, 50, 51
Revolta, 119, 122
Revolução, 119
Romance, 41, 52, 53, 55
Romeu, 48
Rousseau, Jean Jacques, 76
S
Sadismo, 14
Salomé, Andrea, 135
San José State University, 109
Sansão, 66
Saúde, conduta saudável, 95
Sedução, 38
Segurança, 33
Sentimento, 129
Sexo, 47, 118
• frieza, 49
• sedução, 119
• discriminação, 124
Shaffly, Phyllis, 122
Shangri-Lá, 145, 146, 147
Silverman, Ira, 110
Sócrates, 135
Sofrimento, 2, 3, 17, 24, 146, 149,
150, 151
• filosofia do, 89
Sogras, 17
Solidão, 88, 89
Steffensmeier, Darrell, 109
Steinen, Gloria, 121
Stress, 103
Subdesenvolvimento feminino, 5
Superficialidade, 141
Supervisoras, 113
Superproteção, 80
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15182
Mulheres no Divã
183
T
Tanatos, 13
Tatcher, Margareth, 120
Teomania, 15, 70, 95
Teresinha do Menino Jesus,
Sta., 112
Trabalho, 71
Tratamento psicanalítico trilógico,
3
Tredwell, Mary, 110
Trilogia Analítica, 13, 25, 132,
148, 156, 158
U
Universidade de Tubinga, 117
University of South Flórida, 110
University of Southern California,
29
U S. News & World Report, 109,
110
USA Today, 30, 122
V
Vaidade, 43, 49, 98,101, 105
Van de Moorteh, Françoise, 124
Verdade, 2, 39, 70, 73, 76
Vida, qualidade de, 23
• sexual, 45, 46
• afetiva, 47, 74, 136, 146, 150, 152
• filosofia de, 96, 107, 132
• sexual e crime, 117
Virgem Maria, Assunção, 139
Vítima, 5, 19, 43, 103, 123
• sociedade, 88
Voracidade, 114, 115, 116, 159
w
Walker, Betty, 30
West, Diana, 124
Women’s Lib Movement,122, 123
X
Xantipa, 135, 138
Y
Young, Nancy, 110
Z
Zeus, 135
Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15183
185
Livros publicados pela Proton Editora Ltda.
NORBERTO R. KEPPE
Terra, o Planeta Ilusório - 1ª ed., 2003, 175 páginas - Este livro constitui uma
súmula da orientação científica, filosófica e revelatória sobre a civilização
humana do nosso planeta. O autor pretende mostrar também um universo
incrível no interior do ser humano pronto para ser despertado.
A Origem da Sanidade - 1ª ed., 2001, 133 páginas - Nesta obra o autor demons-
tra por que os seres humanos não conseguem obter equilíbrio e satisfa-
ção através da vida sensorial: o Pensamento, o Amor e o Belo vêm do Ser
(e não dos sentidos). Traduzido para: Sueco.
A Origem das Enfermidades (Psíquicas, Orgânicas, Sociais) - 2ª edição, 2001,
145 páginas - Segundo o autor, “a capa deste livro constitui uma homena-
gem ao grande psiquiatra francês Philippe Pinet que no ano de 1798 (9
anos após o início da Revolução Francesa) libertou os doentes mentais
das prisões que os amarravam fisicamente às verdadeiras masmorras
que eram os hospitais psiquiátricos. Minha intenção com este livro tam-
bém é a de libertar os doentes psicológicos de seus sofrimentos (ansie-
dades e angústias), o que constituiria a realização máxima para a humani-
dade - vamos dizer, uma libertação dos grilhões internos que acorrentam
o ser humano às suas enfermidades”. Traduzido para: Inglês, Sueco, Fin-
landês.
O Homem Universal- 1999, 155 páginas - A conscientização dos nossos
próprios erros leva-nos à possibilidade de elaborar os meios para evitá-
los e corrigi-los. No plano da metafísica tradicional, o autor leva-nos, neste
livro, à conscientização dos erros por ela praticados, revelando-nos a cor-
reção que se faz necessária. Assim, o leitor verificará os resultados obti-
dos por Keppe ao questionar a validade do método científico na atualida-
de. E desse questionamento, chegar-se-á à conclusão de que o ser hu-
mano precisa retornar a sua estrutura trinitária — bondade, verdade e ato
puro —, única via que leva à normalidade pessoal e social.
A Libertação - 3ª Ed., 1998, 273 págs. - A origem da neurose, seu tratamento e
o processo de cura do cliente, dentro de uma compreensão psicanalítica
nova. Sua leitura é terapêutica em si, com uma linguagem simples e uma
mensagem profunda. É nesta obra que o autor organiza a estrutura
metodológica e teórica da Trilogia Analítica, sendo o livro básico para a sua
compreensão. Traduzido para Inglês, Sueco, Finlandês.
A Nova Física da Metafísica Desinvertida - 1996, 155 págs. - As descobertas
da Física são fundamentais para haver conhecimento não só da Biologia
(com sua Genética), mas principalmente da Psicologia. Porém, todos
esses setores científicos foram inspirados na Metafísica de Aristóteles
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17185
186
CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO
(que o escritor deste livro vem estudando há 48 anos – acreditando que
em sua estrutura básica, está invertida, tendo levado as ciências para
idêntico rumo). Norberto R. Keppe mostra aqui a necessidade de unir
esses três setores (Física, Biologia e Psicologia), para que sejam
entendidos inteiramente, desde que, ao mesmo tempo, são comple-
mentares e independentes entre si.
Metafísica Trilógica I – A Libertação do Ser - 1993, 328 págs. - Neste primeiro
estudo científico da Metafísica, Keppe baseia-se em Aristóteles e nos filó-
sofos aristotélico-tomistas, desinvertendo esse setor e estabelecendo uma
relação das doenças humanas e sociais com a negação do Ser. Estamos
atualmente em condições de libertar o Ser de prisões milenares, posto
que finalmente os conhecimentos da Teologia e Filosofia integraram-se à
Ciência. A religação à realidade dá-se por meio dos sentidos – fonte do
conhecimento do mundo físico e transcendental. ATO PURO (ação boa,
bela e verdadeira) é o caminho de volta à sanidade. Traduzido para: Inglês,
Francês, Sueco.
Metafísica Trilógica II – Fenômenos Sensoriais “Transcendentais” - 1994,
270 págs. - Trata-se de um livro que estuda os fenômenos denominados
pela Parapsicologia de transcendentais, perfeitamente explicados por
meio da ciência Física – mesmo que seu funcionamento se estenda ao
campo da energia pura; de qualquer forma, é lá que habitam os seres
espirituais. De outro lado, é uma nova visão sobre a origem e tratamento
das doenças por meio do campo psicoenergético, que abarca as grandes
descobertas, neste século XX, da chamada rainha das ciências (Física):
Aharonov, Bohm, De La Warr, Einstein, Heisenberg, Hoaf, Plank e, princi-
palmente, Tesla, com a descoberta máxima sobre a energia escalar. Tra-
duzido para: Finlandês.
Metafísica Trilógica III – Cura Através das Forças Energéticas - 1995, 192
págs. - O Funcionamento Cerebral e as Energias Curativas. O Verdadeiro
Esoterismo. As Seitas, as Sociedades Secretas e a Doença Social. “A
Saúde advém da conduta interna relacionada com os pensamentos corre-
tos e sentimentos bons, que formam uma tríade perfeita, captando a ener-
gia escalar (energia essencial) que fornece o equilíbrio suficiente ao orga-
nismo psicossomático para funcionar.”
A Libertação da Vontade (A Libertação do Livre-Arbítrio) - 1992, 248 págs.-
Este livro mostra que a origem da neurose e de todos os males humanos
e sociais consiste no uso da vontade invertida no homem, ocasionando-
lhe todos os prejuízos que vem sofrendo. Daí a importância de se libertar
da escravidão desse tipo de “liberdade”, que consiste em se livrar da
vontade (errônea). De outro lado, o autor esclarece o valor da filosofia
estoicista do Império Romano, dos mais extensos que a humanidade
teve, justamente por causa disso. Traduzido para: Francês, Italiano, Sue-
co, Finlandês.
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17186
187
Mulheres no Divã
A Libertação pelo Conhecimento (A Idade da Razão) - 1991, 307 págs. - Neste
livro, o 21º de sua obra, Norberto Keppe trata da principal ferida do gênero
humano: a corrupção – raiz de todas as doenças e de todos os males
individuais e sociais. Mostra como a sua conscientização é o mais impor-
tante de todos os conhecimentos, podendo conduzir a humanidade a uma
liberdade total e o seu conseqüente desenvolvimento. Keppe propõe uma
metodologia científica para que os povos e indivíduos se libertem das
emoções e racionalismos em que vivem até hoje, causadores de todas as
formas de dificuldade (guerras, pobreza, doenças), para finalmente entrar
na idade da Razão. Traduzido para: Inglês e Francês.
Sociopatologia (Bases para a Civilização do 3º Milênio) - 2ª edição, 2002, 299
paginas - Este livro constitui um verdadeiro hino à beleza e às artes na
civilização. O autor analisa o processo doentio da organização social mos-
trando suas origens e conseqüências, bem como uma forma de
socioterapia (tratamento da patologia social). Mostra que a ética, a estética
e as artes são a base da civilização e da ciência e não a matemática,
colocada erroneamente como base da vida científica e social. Esclarece a
unificação de todos os campos do conhecimento - e como um elemento
não pode existir sem outro - ou seja, a unidade existente entre todos os
conhecimentos e sentimentos humanos. Traduzido para: Francês.
A Glorificação - 2ª ed., 1987, 168 págs. - Este livro, já denominado na América
Central e Rússia como Nova Teologia do 3º Milênio, ou seja, a unificação
entre ciência, filosofia e teologia (corrigidas). É constituído de três partes:
Revelação (da patologia humana), Ascensão (tratamento) e Glorificação
(do bem, juntamente com Deus). Trata-se de um hino de glória ao Criador
e sua criação, bem como a consciência da participação do ser humano
em todo o processo divino. Traduzido para: Inglês, Sueco, Finlandês.
A Libertação dos Povos – A Patologia do Poder - 1986, 290 págs. - Livro que
serviu de fonte para o trabalho da Perestroika, é uma análise científica
profunda da patologia social. Trata-se de um estudo do poder econômico-
social que passou a dominar todos os outros (inclusive o político) colocan-
do a cultura e civilização em perigo. As nações são dominadas pelos
especuladores e banqueiros que criaram as «leis» sociais para proteger
seus negócios – que são ilícitos porque destroem os países. Apresenta
uma proposta prática para um novo modelo de economia, de empresas e
de residências trilógicas, onde o poder patológico e corrupção são denun-
ciados, para que não possam destruir o indivíduo e a sociedade. Traduzi-
do para Inglês, Francês.
A Decadência do Povo Americano (e dos EUA) - 1985, 240 págs. - Livro
pioneiro, posteriormente muito copiado por outros autores, como Paul
Kennedy e Norman Cusins, é a análise das causas psicológicas, filosóficas
e econômico- sociais que levaram os EUA à decadência, diagnosticada
por Keppe com anos de antecedência. Traz vasto material estatístico e
científico que mostra como a orientação filosófica e psicológica errônea
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17187
188
CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO
levou a primeira nação do mundo à derrocada, que só 10 anos depois (a
partir de 1995) a humanidade está constatando. Traduzido para Inglês.
 Reino do Homem - Volumes I e II - 1982, 303 págs. - O autor realiza aqui o
estudo da patologia dos filósofos, cientistas e teólogos, bem como os
erros que cometeram em seu trabalho por causa da própria doença; este
é o motivo de ter sido organizada uma sociedade anti-humana, causando
problemas para o homem e sua existência.Antes de tratar do indivíduo, é
necessário haver uma grande mudança social para que a situação seja
normalizada, não só do ser humano, mas principalmente da estrutura
social.
Contemplação e Ação - 1982, 166 págs. - Trata-se de uma análise científica
sobre a espiritualidade, dentro da qual o autor demonstra que a teologia
não pode estar separada de filosofia e ciência – a verdade, sendo uma só,
não poderá haver contradição entre uma e outra, motivo pelo qual as
instituições religiosas vêm perdendo sua credibilidade. Aliás, a única
maneira de a humanidade se desenvolver é através da aceitação dessa
unidade.
Trilogia - 1978, 174 págs. - Nesta época, o autor passou a perceber a tríade que
existe em todos os elementos naturais ou criados pelo homem. Keppe
mostra que tanto a patologia individual como a social têm de ser cuidadas
conjuntamente, para haver o autêntico processo de cura – desde que
todos os fatores são interligados de maneira trina.
A Consciência - 1978, 179 págs. - Este foi o primeiro livro que Keppe escreveu
sobre suas descobertas a respeito da nova psicopatologia, ou melhor, o
que pode ser denominada verdadeira patologia do homem: sua oposição
à consciência. A partir daí, trouxe conceitos fundamentais: doença é a
atitude de não querer ver (inconscientização), devido à inversão em que o
ser humano vive; não é bem questão de ter problemas, mas de não que-
rer conscientizá-los. Aliás, a maior dificuldade do homem está no fato de
não querer ter consciência.
Auto-Sentimento - 1977, 228 págs. - Auto-sentimento é um neologismo para
dizer sobre a necessidade de a pessoa sentir a si mesma, como único
meio de entrar em contato com a patologia – desde que a doença está
localizada nesse setor (Patós, em grego, significa paixão). O maior proble-
ma atual está na alienação que a sociedade traz para os indivíduos, não
permitindo que sintam seu interior, cujo protótipo é a civilização america-
na, que coloca fora, projeta todas as dificuldades. Alienação significa es-
tar alheio a si mesmo, distante dos próprios sentimentos.
Psicanálise da Sociedade - 1976, 384 págs. - Trata-se do estudo da patologia
social, mas usando as descobertas de S. Freud e M. Klein. Os leitores que
já conhecem o trabalho trilógico, poderão observar que, naquele tempo
(1975), Keppe tinha basicamente os mesmos conhecimentos de agora e
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17188
189
Mulheres no Divã
idêntico anseio de resolver os problemas sociais (teomania, egocentrismo,
narcisismo, sadismo, com predomínio do desejo de poder (errôneo), que
elabora toda espécie de atritos e desavenças sociais). Foi nessa ocasião
que a CIA iniciou seu ataque contra o autor, ainda se servindo do Conselho
Regional de Psicologia (que sempre tem sob seu controle).
OUTROS AUTORES
História Secreta do Brasil. O Millennium e o Homem Universal - Cláudia B. S.
Pacheco - 2ª edição, 2001, 296 páginas - O livro revela a história que não
nos contam nas escolas - 2.500 anos do mais belo sonho acalentado por
nossos ancestrais e continua entusiasmando até hoje as pessoas idea-
listas: o de realizar, neste milênio, no Brasil, a Era de Ouro, ou seja, uma
sociedade justa, próspera, livre e universal.
Dossiê América: Caso U.S. Government X Keppe & Pacheco - Cláudia B.S.
Pacheco e Márcia R. Bull - 1995, 240 págs. - O Dossiê América tem a
finalidade de levar ao conhecimento do público em geral o Caso Keppe &
Pacheco – resultado de uma armadilha perpetrada por agentes especiais
do FBI, articulada ao nível de altos escalões da Justiça Americana, em
conluio com a Administração e mídias brasileiras, por motivos ideológi-
cos, e com o fito de impedir que ambos levassem adiante no mundo as
denúncias sobre crimes de corrupção: tráfico de armas e narcóticos que,
ao que tudo indica, levaram ao escândalo Irã/Contra e Iraque Gate.
A Cura Pela Consciência – Teomania e Stress - 3ª ed., 1994, 197 págs. -
Aplicação da Ciência Trilógica na Medicina Psicossomática, este livro
mostra que a verdadeira causa do estresse e das doenças psicológicas e
orgânicas está no desconhecimento, tanto das atitudes e emoções
patológicas do indivíduo, como da doença da sociedade. Relata casos
clínicos e mostra como o leitor pode curar a si mesmo e aos demais pelo
método de interiorização (conscientização). Leitura indicada para qualquer
pessoa, é de grande utilidade a profissionais da área de saúde e
psicoterapia. Publicado em 8 idiomas. Traduzido para: Inglês, Francês,
Alemão, Italiano, Sueco, Finlandês e Russo.
A Multinacional Americana das Drogas — Dossiê - 2ª ed., 125 págs., 1994 - A
finalidade do lançamento desse dossiê é a de alertar a população para os
perigos gerados pelos indivíduos que estão manipulando os cordões do
narcotráfico internacional e conscientizá-la das verdadeiras intenções que
o poder econômico-social e o «establishment» (principalmente o ameri-
cano) têm de alienar os povos e destruir a sua consciência.
Mulheres no Divã (Uma Análise da Patologia Feminina) - 1987, 175 págs. -
Baseado na experiência com centenas de casos clínicos, a autora analisa
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17189
190
CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO
a realidade social e psicológica das mulheres e de sua luta pela real
libertação, mostrando, em termos práticos, que elas podem obter realiza-
ção genuína e felicidade duradoura, através de uma maior percepção das
suas atitudes psicopatológicas. Traduzido para: Inglês, Francês, Finlan-
dês.
ABC da Trilogia Analítica - (Psicanálise Integral) - 1986, 150 págs. - Explica os
princípios fundamentais da Trilogia Analítica (Psicanálise Integral) que
unifica ciência, filosofia e espiritualidade. Escrito em linguagem simples, é
dirigido aos interessados na área de psicoterapia, saúde, educação, eco-
nomia, sociologia, filosofia e a todas as pessoas que desejam orientação.
Traduzido para: Inglês, Francês, Alemão, Sueco, Finlandês e Russo.
Odontologia do 3º Milênio (Trilógica) - Márcia Sgrinhelli e Heloisa Coelho,
Supervisão de Cláudia B.S. Pacheco, 1998, 190 págs. - O único método de
tratamento e prevenção das doenças bucais que vê o cliente como um
todo, um ser Integral, Psicossomático (corpo e alma); é tratado neste livro,
escrito em linguagem simples, para todos os leigos e profissionais de
saúde que estejam interessados em melhorar a qualidade de vida. Ele é
bastante elucidativo, porque relata 80 casos clínicos dentre os 8 mil clientes
atendidos pelas autoras no Brasil, EUA e Europa.
Stop à Destruição do Mundo - Diversos Autores, 1994,340 págs. - Este livro,
redigido pelo jornalista José Ortiz Neto, professor de Redação da Escola
de Línguas Millennium, contém teses elaboradas em grupo por alunos e
professores da Escola Norberto Keppe, as quais foram apresentadas no
Fórum “STOP à Destruição do Mundo”, em maio de 1993, no Palácio
Galveias, Lisboa. As teses referem-se à necessidade de conscientização
social e individual acerca das causas da destruição generalizada em nos-
so planeta, as quais encontram-se na predominância doentia do poder
econômico sobre todos os setores: Educação, Comunicação Social, Saú-
de e Artes, entre outros. O propósito é de que sejam formuladas novas leis
mais justas que levarão à realização de um novo mundo de paz.
Vida e Obra de Norberto Keppe - Marc André da Rocha Keppe - 1990, 206
págs. - Uma análise histórica da vida de Norberto Keppe, criador da Trilogia
Analítica. As palestras, artigos nas mídias, participação em Congressos e
tudo o que contribuiu para o desenvolvimento desta nova ciência, bem
como a rede de ataques e intrigas levados a cabo pelos grupos de
corrupção, que tentam até hoje impedir a difusão dessa ciência revolucio-
nária.
A Origem da Terra - Marc André R. Keppe, 1984, 185 págs. - Aplicando a
Trilogia Analítica aos campos da História, Geologia e Biologia, o autor
contesta as teorias evolucionistas de Darwin, mostrando que cientifica-
mente a teoria evolucionista é uma aberração e não ciência. Traduzido
para: Inglês.Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17190
191
Mulheres no Divã
Por Dentro da Música - Gilbert Gambucci, 1ª ed., 2000, 115 páginas. Por
Dentro da Música é um núcleo de vital conhecimento científico neces-
sário para a recuperação da arte erudita contemporânea. Este estudo
revolucionário pela primeira vez esclarece como idéias equivocadas na
filosofia moderna providenciaram a total derrocada da música erudita
contemportânea (dodecafonia).
O Segredo de Alguino - Suely M. Keppe, 1983, 16 págs. - Esta história não foi
escrita somente para crianças, mas também, para os pais, que nela en-
contrarão mensagens muito importantes para ajudá-los a educar seus
filhos, resolver problemas e serem felizes.
O Dentinho Porcalhão na Fábrica da Mastigação - Marcia Sgrinhelli e Maria
Silvia Almeida, 2000, 10 páginas. Este livro para colorir tem como objetivo
mostrar às crianças e aos pais a inter-relação existente entre as nossas
emoções e a saúde bucal. A história é baseada nas descobertas de
Norberto R. Keppe, fundador da SITA - Sociedade Internacional de Trilogia
Analítica (Psicanálise Integral), que explica que o aspecto essencial da
vida é a ação real, isto é, ação dirigida pela bondade, beleza e verdade, em
harmonia com a essência do ser humano. Baseando-se também no livro
A Cura pela Consciência - Teomania e Stress, de Cláudia B.S. Pacheco,
vice-presidente da SITA, esta história ilustra a causa e a prevenção das
cáries dentárias numa perspectiva psicológica única, mostrando à criança
como obter saúde bucal.
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17191
PROTON EDITORA LTDA.
É o nome internacional da Proton Editora Ltda., originária de
São Paulo, Brasil. Conta atualmente com representação em
Lisboa, Paris, Londres, Estocolmo e Helsinque.
Os temas principais abordados pela editora são Sociais
(sociologia, economia etc.), Saúde, Ciências Naturais e
Psicanálise. Neste último item é dada ênfase às obras de Norberto
R. Keppe, psicanalista e criador da Escola de Psicanálise Integral
(Trilogia Analítica) e de sua principal assistente Cláudia Bernhardt
de Souza Pacheco.
COMO OBTER OS LIVROS?
Os livros podem ser encomendados por correio diretamente
ou podem ser encontrados nas melhores livrarias da Europa,
Estados Unidos e América Latina.
INFORMAÇÕES
Para maiores informações sobre a Psicanálise Integral
(Trilogia Analítica) telefone ou escreva à Proton Editora Ltda.
BRASIL
Av. Rebouças nº 3.819 - Cep 05401-450 São Paulo
Tel. (55)(11) 3032 36 16 - Fax. (55)(11) 3815 99 20
www.trilogiaanalitica.org
sitaenk@trilogiaanalitica.org
Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17192
	Expediente_AF
	Índice_AF
	Explicação_AF
	Oferta_AF
	Introdução_AF
	Olho Parte I_AF
	Parte I_AF
	Olho Parte II_AF
	Parte II_AF
	Olho Parte III_AF
	Parte III_AF
	Índice Remissivo_AF
	Livros_AF

Mais conteúdos dessa disciplina