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MULHERES AS UMA ANÁLISE DA PSICOPATOLOGIA FEMININA NO DIVÃ Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:291 Da mesma autora • A Cura pela Consciência - Teomania e Stress • O ABC da Trilogia Analítica (Psicanálise Integral) • História Secreta do Brasil • Dossiê América Participação como autora • Psicoterapias Alienantes • From Sigmund Freud to Viktor E. Frankl: Integral Psychoanalysis • The Technique of lnteriorization • A Decadência do Povo Americano • A Libertação dos Povos - Patologia do Poder The Decay of the American People (and of the United States) • Liberation of the People - The Pathology of Power • Oppna Ditt Fõnster (Abra Sua Janela) Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Pacheco, Cláudia S. P118m As mulheres no divã: uma análise da psicopatologia feminina / Cláudia S. Pacheco. - São Paulo: Proton, 1987 Bibliografia. ISBN 85-7072-012-2 1. Mulheres - Condições sociais 2. Mulheres - Psicologia 3. Psicanálise I. Título. II. Título: Uma análise da psicopatologia feminina. CDD-616.891.7024042 -155.633 -305.42 87-0529 NLM-WM Índices para catálogo sistemático: 1. Mulheres : Condições Sociais : Sociologia 305.42 2. Mulheres : Psicanálise : Medicina 616.8917024042 3. Mulheres : Psicologia 155.633 4. Psicanálise para mulheres : Medicina 616.8917024042 Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:292 Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco MULHERES PROTON EDITORA, LTDA. Avenida Rebouças, 3819- Jd. Paulistano 05401-450 - São Paulo - Brasil www.trilogiaanalitica.org sitaenk@trilogiaanalitica.org NO AS UMA ANÁLISE DA PSICOPATOLOGIA FEMININA DIVÃ Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:293 Capa Carlos Gomes de Freitas II Revisão Henrique Keppe João Léo Pinto Lima Composição Trilogical Graphic Design, Inc. Mara Lúcia Szankowski ISBN - 85-7072-012-2 Copyright 1987 Proton Editora Ltda- São Paulo, SP. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida sem a permissão por escrito do editor, exceto em casos de pequenas passagens, desde que seja citada a fonte em referência. Expediente_AF.p65 27/1/2004, 14:294 I Índice Oferta ............................................................................................ 1 Explicação ao Leitor ...................................................................... 3 Introdução ..................................................................................... 7 Parte I Estudo Psicopatológico 1. A Inveja, a Inversão e as Mulheres ........................................ 13 2. O Que Eu Não Vejo, Não Existe ........................................... 19 3. As Evas dos Tempos Modernos ............................................ 21 4. Cada Um Vive a Vida Que Pensa Ser Melhor Para Si ................................................................................... 23 5. A Mulher Não Se Desenvolve Por Falta de In- teresse pelo Progresso ........................................................... 25 6. O Atraso das Mulheres .......................................................... 28 7. O Desejo do Domínio Impede Nosso Progresso .................. 28 8. A Vida Psíquica da Menina Já É Basicamente Igual à da Mulher Adulta ........................................................ 35 9. A Sedução Feminina .............................................................. 38 10. Narcisismo - Megalomania ..................................................... 40 11. A Libertação da Mulher Não Virá Através da Libido .................................................................................... 42 12. A Mulher e o Sexo................................................................. 45 Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:361 II 13. O Narcisismo Leva à Frigidez Sexual ..................................... 48 14. A Mulher Sempre Se Esconde Atrás de Um Homem .................................................................................. 50 15. A Busca do Romance e a Autodestruição .............................. 52 16. A Mulher Inverte: Vê o Homem Afetivo Como Frio e o Frio Como Muito Amoroso ...................................... 55 17. A Mulher Que Age Como Uma Criança Neurótica.............................................. ................................ 58 18. A Paranóia Entre os Sexos ..................................................... 60 19. A Paranóia ao Afeto .............................................................. 64 20. O Casamento: Profissão da Mulher ........................................ 67 21. Os Casamentos Não Dão Certo Pois São o Pacto do Narcisismo com a Megalomania ........................................... 69 22. Por Que os Homens Mentem Para as Mulheres? .................. 72 23. A Mulher Imita a Mãe na Conduta Afetiva ............................. 74 24. Os Pactos .............................................................................. 76 25. A Psicopatologia Familiar ....................................................... 78 26. Atrás de Um Homem Doente Sempre Existe Uma Mãe Neurótica .............................................................. 80 27. A Mulher Cria, à sua Semelhança, Filhos Inúteis e Alienados ....................................................... 83 28. A Intriga: O Crime da Mulher ................................................. 85 29. As Mulheres e a Solidão ........................................................ 88 Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:362 III Parte II Estudo Sociopatológico 1. A Influência da Teomania na Educação ..................................... 95 2. A Sociedade Ajuda a Estragar a Mulher ................................... 98 3. O Narcisismo e o Poder ........................................................ 101 4. As Mulheres e o Poder ...................................... .. ................ 106 5. Quem Sustenta a Economia Consumista É a Mulher .............. 114 6. A Mulher e o Crime................................................................ 117 7. A Guerra Entre as Feministas .................................................. 121 Parte III Estudo sobre a Sanidade 1. Afinal Como É a Mulher? ................................... ................. 131 2. 0 Aspecto Feminino da Criação ............................................. 134 3. Deus Criou as Mulheres para Serem Semelhantes a Ele ........ 137 4. Um Breve Estudo Sobre Uma Mulher Original .................... 139 5. A Mulher do Futuro Será Espiritualizada ................................ 141 6. O Paraíso Perdido ................................................................. 145 7. O Poder do Amor .................................................................. 149 8. Receita da Felicidade ............................................................. 153 9. As Mulheres do Terceiro Milênio ........................................... 156 Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:363 IV Mensagem Final Mensagem ................................................................................. 163 Bibliografia ................................................................................. 165 Glossário .................................................................................... 169 Índice Remnissivo ..................................................................... 177 Livros Publicados pela Proton ................................................... 177 Índice_AF.p65 27/1/2004, 14:364 3 Explicação ao Leitor N este livro procurei analisar em maior profundidade as causas psicopatológicas (individuais) e sociopatológicas do sofrimento da mulher e dos seus problemas. Não somente a mulher sofre como também faz sofrer, muitas vezes inadvertidamente, por desorientação, por alienação, como resultado de fortes pressões educacionais e sociais, ou ainda por inveja e narcisismo dos quais não tem consciência e os quais, conseqüentemente, não pode controlar. A mulher ultimamente tem sido objeto de estudo freqüente, tanto das próprias feministas, como de sociólogos,psicólogos e legistas, que tentam decifrar os motivos que a levaram a ocupar uma posição de tanta inferioridade e desigualdade em relação ao homem, na esmagadora maioria das culturas do passado e presente. Noto haver uma lacuna no que diz respeito a uma análise mais específica da psicopatologia feminina (psico = relativo ao psicológico; patologia = estudo da doença; psicopatologia = estudo da doença psicológica). Portanto, procurei no decorrer deste trabalho focalizar a mulher em todas as suas dimensões: nos problemas consigo mesma, com o homem, com a família, com a sociedade e com o seu Criador. O leitor deve perceber que, quando me refiro às mulheres, embora eu pareça generalizar, estendendo os conceitos aqui descritos a todas elas, busco tratar mais das atitudes patológicas, existentes em maior ou menor grau dentre o gênero feminino. Obviamente existem muitas mulheres de grande valor. E até mesmo aquelas que são mais desequilibradas sempre têm algum aspecto de sanidade. Fato é que na ciência, que lida com a experimentação, é necessário nos basearmos em princípios gerais, universais e básicos, mas também respeitar a individualidade de cada ser humano. Portanto, para o trabalho com as mulheres, a premissa de que cada caso é um caso e deve ser analisado separadamente é válida; no tratamento psicanalítico trilógico essas regras científicas são respeitadas. O trabalho mais difícil para eu conseguir realizar foi este estudo psicopatológico sobre nós, mulheres. Nunca tive tanta dificuldade, nunca Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:403 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 4 as idéias se embaralharam tanto e foi tão penoso concatenar as coisas e colocá-las no papel. À medida que ia desenvolvendo o projeto, sentia uma enorme resistência, preguiça — apareciam “projetos” que colocava como mais importantes, para desviar-me. Passava de uma atitude de muito pesar, por verificar o grau de loucura a que nós mulheres chegamos, para, de outro lado, constatar que, à medida que a mulher percebe os seus problemas, ela realmente se desenvolve muito, e de uma maneira muito rápida. Penso que terei muita dificuldade em ser ouvida pelas próprias mulheres, mas por muitos homens também, que estão compactuados com essa loucura já institucionalizada. Muitas vezes em conversas e conferências, ao levantar a problemática feminina, alguns homens reagiram ferozmente para defender aquelas que eram nada mais nada menos que suas “mamães perfeitas”, que os mimavam e “cocavam” desde a infância, criando-os “reizinhos do lar”. Esses indivíduos eram mais difíceis de aceitar o diálogo do que a média das mulheres. Quando uma mulher fala à outra, por mais que ela resista, ela sabe o que é verdade, pois sente aquilo dentro de si mesma como real. O homem não. Para ele as más intenções e os meandros femininos não passam de meras informações que eles, pela própria experiência no relacionamento homem-mulher, poderão constatar como verdadeiras ou falsas. Portanto, torna-se mais difícil a aceitação por parte deles, de uma nova imagem feminina. Na verdade, gostaria muito que a mulher e o homem que me lêem, e que verão aqui descritos aspectos à primeira vista chocantes, procurassem considerar estas hipóteses com seriedade. Elas têm sido aplicadas em grande escala em mulheres que tive oportunidade de orientar, com resultados animadores. Outro cuidado que procurei tomar, foi o de pedir auxilio para outras mulheres, e mesmo para os homens que estão direta ou indiretamente envolvidos nessa nova compreensão da mulher. Estou notando, aliás com satisfação, que gradativamente a mulher vai percebendo que sua situação dentro da sociedade é totalmente anormal. Está reagindo, procurando uma equiparação de direitos, buscando uma atuação mais direta nos destinos de suas vidas e de seus familiares. Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:404 Mulheres no Divã 5 O que me preocupa, porém, é que as causas desse problema não sejam analisadas na sua totalidade. Ou seja: por que a mulher colocou-se, ou até, se quiserem, permitiu ficar nessa situação caótica, sub-humana no cenário das civilizações?! Se não formos dialéticos na maneira de analisar as causas do subdesenvolvimento feminino e se enfocarmos somente os aspectos sociais dessa problemática, incorreremos num grave engano. A psicopatologia da mulher tem que ser profundamente analisada para que ela lide com maturidade com os seus novos encargos e a sua liberdade. Por isso custou-me tanto escrever este livro. Durante todo o tempo eu tive que ter o maior cuidado comigo mesma para não permitir que a minha própria psicopatologia interferisse na análise dos fatos. Cuidado semelhante teve que ser tomado com relação ao material das pesquisas, principalmente com autores que muitas vezes tendiam a assumir posições mais agressivas, tanto em relação aos homens como a outras mulheres. Por vezes pecavam julgando as mulheres como vítimas inocentes nas mãos de feras machistas; ou partiam para o exagero de críticas ferinas contra as outras mulheres — mostrando uma atitude invejosa e intransigente. É muito difícil fazer-se justiça, pois o ser humano é muito falho para julgar o próximo e a si mesmo. Portanto, o que procurarei fazer aqui é uma análise, a mais objetiva possível, de pontos até hoje inabordados ou considerados tabus por toda a sociedade. Explicação_AF.p65 27/1/2004, 14:405 Oferta E u dedico este livro a todas as mulheres de valor que existi- ram, e que existirão no mundo, que lutaram, lutam e lutarão pela prevalecência da verdade, beleza e bondade, custe a quem custar e doa a quem doer. Dedico-o também a todas as mulheres honestas que, enganadas, injustiçadas e desnorteadas, por lhes faltar uma orientação mais correta, estão inconscientizadas das verdadeiras causas de seu sofrimento, sem conseguir dar-lhes uma solução. Dedico-o igualmente a todos os homens de valor, que buscaram realmente nos ajudar e que amenizaram o nosso sofrimento como puderam. Eles merecem conviver com mulheres melhores, que possam retribuir-lhes o amor recebido. Esse trabalho é a realização de um compromisso que eu tenho com o meu Criador, que me deu todas as condições para que eu me libertasse das amarras que prendiam o meu desenvolvimento. Quero agradecer ao dr. Norberto R. Keppe, meu analista e professor, pessoa que pacientemente plantou as sementes da consciência no jardim da minha vida e que agora poderá ver seu trabalho florescendo. Finalmente, agradeço às minhas clientes que me forneceram a maior parte do precioso material aqui descrito, e que confiaram na minha ajuda e orientação. A você leitor, na esperança de vermos em breve uma sociedade mais humana, onde a mulher ocupe o seu verdadeiro papel que é o de, dignamente, manifestar o amor ao mundo. Cláudia Pacheco Oferta_AF.p65 27/1/2004, 14:391 7 Introdução T odo indivíduo que começa a realizar algo na vida, que se decide por fazer algo realmente bom, inicia um processo enorme de conscientização. Um leque incrível de possibilidades começa a lhe surgir pela frente; quanto mais se coloca em ação, mais percebe o quanto poderia fazer, e que são milhares as oportunidades de realização. Porém, para realizar qualquer coisa hoje, nós precisamos de uma base de realização e de aprendizagem passadas. Razão pela qual, o indivíduo que começa a se colocar em ação realmente (e não qualquer tipo de trabalho escravo e alienante) percebe o quanto poderia ter aprendido no passado e não o fez. A consciência de como desperdiçamos nossa vida passada é, ao mesmo tempo, o início da formação de uma base rica para o futuro, pois, qualquer coisa que façamos, temos que nos basear em uma consciência de uma falha ou ignorância passadas. Por exemplo: se quisesse ser uma cantora de ópera hoje e começar a aprender canto, veria claramente o quanto já deveria ter me dedicado ao estudo de música há muito tempo para poder balbuciar algumas canções. A consciência do desperdício da minha vida ficariagritante. E muitas pessoas não agüentam trabalhar com essa consciência por muito tempo. A maioria desiste e parte para uma situação alienante, em que não precise perceber o desperdício do passado. O resultado é que cada vez a humanidade está se tornando mais e mais superficial. Nós mulheres estamos numa situação crítica. Cada uma de nós que decida sair da inércia e realizar algo de bom, de belo e verdadeiro, que alimente nosso espírito, que nos dê um prazer genuíno (e não o pseudoprazer de gastar dinheiro, por exemplo) e nos traga felicidade e liberdade, verá que tem diante de si uma série enorme de restrições e dificuldades a serem superadas. Essas restrições podem ser de natureza social, econômica ou psicológica. Sejam elas quais forem, precisaremos dispender um grande esforço para superá-las e sairmos da inércia em direção à liberdade de realização. Não será fácil conseguirmos criar uma realidade tal quer passemos de simples seres dependentes e alienados para autores de trabalhos geniais de relevância para a humanidade. Introdução_AF.p65 27/1/2004, 14:427 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 8 Mas maior ainda terá que ser o esforço que teremos que fazer para suportar o incômodo e frustração de toda a consciência de nossa inutilidade e incapacidade passadas, e de como as mulheres desperdiçaram suas vidas até hoje, jogando seus talentos fora. Teremos também que transformar toda uma filosofia de vida e uma preconceituação errôneas criadas em torno da mulher. Não será fácil começarmos a sentir, pensar e agir corretamente. Mas, amigas leitoras, valerá a pena o esforço! Introdução_AF.p65 27/1/2004, 14:428 Parte I Estudo Psicopatológico Olho Parte I_AF.p65 27/1/2004, 14:449 “Eu porei inimizade entre ti e a mulher; entre a tua posteridade e a dela. Ela te pisará a cabeça e tu procurarás mordê-la no calcanhar.” (Gênesis, cap.3, v.15) Olho Parte I_AF.p65 27/1/2004, 14:4411 13 1 A Inveja, a Inversão e as Mulheres 0 s leitores irão notar que muitas vezes eu usarei o termo inveja no decorrer deste trabalho. Por inveja, quero dizer a atitude que os seres humanos têm de estragar o bem que existe na própria vida e na vida dos outros. Freud deu o nome de instinto de morte (Tanatos) a essa conduta, que via como proveniente de um inconsciente natural. Freud já havia percebido que havia nos doentes mentais mais graves — os psicóticos — um componente patológico de inveja muito forte. Melanie Klein, outra psicanalista genial, aprofundou-se um pouco mais no estudo da inveja atuando nos processos psicológicos doentios. Norberto Keppe abriu ainda mais essa compreensão, verificando que a inveja é a raiz de toda a problemática humana, tanto no sentido psicológico individual, como no social. O sentido da inveja para a Trilogia Analítica é diferente do sentido que o povo normalmente dá para esse termo. Inveja, como diz a origem da palavra em latim (invidere), quer dizer: não ver. Portanto, o entendimento verdadeiro da palavra inveja deve ser retirado da sua origem etimológica —invejoso é “o indivíduo que não quer ver”. Não quer ver o quê? Não quer ver o que é bom, belo e verdadeiro; não quer ver o que é — pois tudo o que é, por si, é bom. A realidade original era somente boa, bela e verdadeira, até que o ser humano começou a estragá-la pela inveja. Na Trilogia, nós vemos a inveja como a base de todos os problemas psicológicos, os quais dela decorrem ou a ela são imediatamente ligados: a teomania (desejo de ser como um deus); a megalomania (idéias de grandeza, que estão englobadas na teomania); o narcisismo (adoração Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0413 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 14 de si mesmo. do próprio corpo, da própria personalidade); a arrogância (se achar sempre certo, o dono da verdade); a alienação; e a inversão, que seria o mais grave de todos. A inversão, conseqüência direta da inveja, causa uma visão invertida de toda a vida — o que nos faz rejeitar e temer o que é bom e acatar e desejar o que é mau. Por exemplo: temos muito medo de amar e sermos anulados por esse sentimento; temos resistência em sermos bons, pacientes, dedicados e recebermos em troca a falta de reconhecimento dos outros e sermos prejudicados. De outro lado, pensamos que se formos bem racionais, frios, calcularmos bem as vantagens e desvantagens de cada passo, poderemos precaver-nos de riscos mais graves. Que se evitarmos gostar muito dos outros, então estaremos impedindo problemas futuros como rejeição, abandono da pessoa amada, rompimentos, ingratidões etc. Então, tomamos a dianteira e abandonamos tudo e todos que mais apreciamos. Argumentos não nos faltam para justificar a nossa “incapacidade” de aceitar viver o que é bom, de usufruir da vida, de sermos descontraídos e felizes. Portanto, todo o invejoso é aquele que é contra, diz não para o que ele, no fundo, mais gosta — o que é bonito, o que é veraz. Essa negação a pessoa faz sem perceber claramente, e pode direcionar toda a sua vida para a infelicidade, se ela for levada por essa patologia inconscientizada. Alguns chamam a isso masoquismo, outros sadismo — o desejo de sofrer e fazermos os outros sofrerem. Estamos sempre querendo estragar nossos bons momentos e os bons momentos dos outros. Essa é uma atitude tão grave e tão infernal que mal podemos nos livrar deste drama. A isso nós chamamos de inveja. Cada um justifica essa inveja universal com um sistema de idéias —filosofia de vida. O cristianismo, o judaísmo, por exemplo, sempre apregoaram a necessidade de sofrer para se alcançar o céu — como se Deus fosse um carrasco que quisesse o nosso sacrifício e estivesse aguardando a primeira oportunidade para promover uma punição! Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0414 Mulheres no Divã 15 Não existe indivíduo que não seja invejoso. Existe aquele que tem maior ou menor consciência de sua inveja, podendo, portanto, discernir mais ou menos as causas de suas más escolhas na vida. O mesmo podemos dizer dos indivíduos poderosos que, pela inveja inconscientizada, não permitem nem a felicidade do povo e nem de si mesmos, pois também pisam na própria vida e não somente na de seus explorados. Penso que Deus não se agrada em notar que criou um Paraíso para nós usufruirmos, “de graça”, presenteou-nos com tudo, em abundância, para vivermos na riqueza, na felicidade, na saúde, na descontração, na alegria, no usufruto e na realização, enfim, Deus quis que todos vivêssemos “numa boa” (como diz a gíria) e nós permitimos que um pequeno grupo de doentes mentais, que detêm todo o poder nas mãos, nos roubem o que é nosso de direito. Eles criaram as guerras, fome, pobreza, doenças, destruição, um verdadeiro caos no planeta, e ainda se queixam da vida — mas tudo isso com a nossa conivência. Vivemos num inferno dialético — ou seja, recebemos como herança de nossos antepassados uma civilização baseada na “filosofia dos problemas”, e por outro lado, alimentamos e passamos para frente o mesmo engano. Por que não paramos por aqui esse ciclo infernal? O único a ser contrariado com isso seria o Lúcifer e com ele os indivíduos que mais se identificam com ele, na inveja e desejo de destruir. A grande maioria dos problemas humanos foi criada pelos indivíduos mais doentes na sociedade, com a nossa conivência e omissão. Estão todos aí, e ignorar a consciência dos mesmos não vai nos ajudar em nada. Mas é preciso notar que nós não temos tido realmente a intenção de acabar com os problemas. No Brasil existe um ditado que diz: “Por que simplificar se podemos complicar?” Isso mostra bem que não aceitamos algo bom sem fazermos algo para estragar. O homem com poder é perito em criar sistemas sociais complexos e problemáticos, que acabam sempre por criar dificuldades incríveis para todos. E muitas mulheres, “poderosas do lar”, são peritas em Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0415 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 16 criar problemas na vida familiar, na vida íntima, no relacionamento com filhos, amigos, namorados,maridos, amantes etc. Parece que o povo aprendeu que a vida só é vida com problemas. Por exemplo, você mulher que me lê, se for só um pouquinho honesta, saberá identificar sua atitude. Quantas vezes você está num bom momento com seu namorado, seu marido, seus filhos, ou mesmo sozinha diante de um bonito pôr-do-sol, e está com a cabeça cheia de caraminholas, criando uma profusão de preocupações que vão estragar a sua paz e a dos demais? Algumas mulheres procuram controlar um pouco esse aspecto poupando pelo menos os seus entes queridos e tentando preservar a paz de espírito dos mesmos. Mas certas pessoas são verdadeiras feras de inveja, fazendo questão de criar um caos para si mesmas e para quem está a seu redor. Um bom exemplo a respeito da inveja inconscientizada — não percebida com clareza pela própria pessoa — é a da cliente T.I.. Senhora de mais de 60 anos, iniciou a análise numa tentativa de melhorar a qualidade de sua vida. Com filhos crescidos, netos até, pouco lhe restava como atividade no lar, o que lhe provocava sentimentos de profunda insatisfação. Totalmente dependente do marido, financeira, social e psiquicamente, buscava uma forma de independência construtiva, onde pudesse ter alguma atividade produtiva e que fosse uma fonte a mais de renda para a família. Nas duas primeiras sessões de análise já foi capaz de caminhar muito no entendimento de seus problemas, bem como na maneira de solucioná-los. Estava disposta a reiniciar suas atividades artísticas que havia abandonado já há alguns anos; fazia trabalhos manuais de cerâmica, de tapeçaria, e produzia artefatos de grande qualidade. Se formasse a sua própria empresa trilógica, teria a liberdade necessária para fazer aquilo de que gostava; ao mesmo tempo, tendo uma boa flexibilidade com seus horários, poderia manter sua convivência familiar. Tudo se encaminhava rapidamente para a realização de seus sonhos. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0416 Mulheres no Divã 17 O resultado foi que ela mal conseguiu voltar ao meu consultório para a terceira e quarta sessões de análise, pois foi acometida de uma crise de dor na coluna — coisa que não lhe acontecia há anos. Dores na coluna revelam forte tensão muscular, causada por um stress emocional acentuado. O que haveria acontecido, naqueles últimos dias, para lhe causar tanta tensão nervosa, a ponto de provocar-lhe crise tão séria que mal a permitia caminhar? Ela conseguira tornar-se praticamente imobilizada devido às fortes dores. Durante mais de sessenta anos a sra. T.I. reforçara as atitudes de negação, omissão e deturpação de sua vida, brecando suas atividades e seu progresso, e mostrando com isso, muita inveja. Certamente, a sociedade também exerceu grande influência no sentido de desviar T.I. de sua realização pessoal, pois aquela também é baseada na inveja. A filosofia que domina a sociedade humana é a de que ninguém gosta de facilitar o desenvolvimento de ninguém. Mas por quê, justamente quando apoiada no sentido de realizar um trabalho de valor e libertador, mostrou uma resistência tão grande? Isto se explica através do mecanismo de projeção que muitas mulheres desenvolvem, colocando toda a sua resistência ao progresso, toda a sua estagnação invejosa, no marido, nos filhos, na sociedade etc; não percebendo nada em si mesmas. Sua sabotagem fica totalmente à solta. Somente após sessenta anos, com filhos já criados, com a permissão do marido, com apoio da analista e das amigas, tempo totalmente livre, enfim, com condições ideais para realizar aquilo de que dizia gostar, ela própria manifestou claramente a sua oposição à felicidade, ficando-lhe claro o seu quadro psicopatológico. Sabemos que as mulheres são tidas como os seres mais invejosos. Diria que elas estão muito inconscientizadas para essa atitude tão autodestrutiva. As “sogras” são exemplos típicos do que quero dizer — invadem o “ninho dos pombinhos” com uma carga enorme de perturbações e Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0417 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 18 intrigas, e conseguem, quase na totalidade das vezes, seu intento: estragar o ambiente por muitas horas, muitos dias, muitos anos, ou até uma vida toda. E por que as filhas permitem que isso aconteça? Porque elas próprias têm a mesma filosofia de sofrimento. Algumas chegam a pensar: “Como posso ser feliz se mamãe tem tantos problemas?” ou “Como tenho o direito de usufruir da vida se minha família está tão mal?”. Quando P.C., atualmente com 38 anos, era criança, pensava: “Como posso ser feliz e usufruir de meus brinquedos, vestidos novos, comer bem, se tantos passam fome e frio no mundo?” Queria ser missionária e partir para um país bem miserável, onde se integrasse na fome e pobreza — assim, no seu raciocínio, estaria fazendo a vontade de Deus, solidária com o sofrimento dos demais seres humanos. À primeira vista, este é um raciocínio até nobre, principalmente para uma garotinha de 10 anos. Mas, no fundo, o que a motivava nesse ideal era, em grande parte, a incapacidade de usufruir de festas e viagens, pensando que sua mãe e irmã eram infelizes em sua idéia, seria uma espécie de “traição” passar “insensivelmente” por cima da infelicidade delas e ser ela própria feliz. Hoje penso na loucura que é essa atitude dos seres humanos; e quanto mais neurótico, mais o indivíduo é contra a felicidade. É óbvio que isso não nos é muito consciente e principalmente, o que não percebemos, é que a causa mais profunda desse fenômeno seja a inveja universal. Nós acreditamos que o que mais desejamos na vida é a felicidade. E o que mais desejamos é justamente o que mais rejeitamos! Sim, homens e mulheres (o ser humano) sofrem, têm neuroses, psicoses, por simplesmente serem incapazes de aceitar a felicidade que o Criador lhes oferece, e os mais loucos da sociedade fazem tudo para impedi-la. Tenho a esperança de que conscientizada a verdadeira causa dessa questão, a humanidade mude de atitude, passando a usufruir de todo o bem que lhe foi destinado. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0418 2 O Que Eu Não Vejo, Não Existe O ser humano pensa que o que ele não vê, não existe. E a mulher é quem mais se apega a essa filosofia, acreditando que vivendo alienada, tudo irá bem em sua vida. O pior é que justamente isso é o que afunda a mulher, pois negando a consciência dos problemas, nega a única coisa que poderá salvá-la. Penso que nas últimas décadas as mulheres deram passos decisivos para o alargamento de sua consciência. Os movimentos feministas, e suas líderes, tiveram uma atuação muito positiva nesse sentido, tentando abrir seus olhos para os problemas econômicos, sociais e familiares. Muitos avanços foram alcançados; elas passaram a se interessar mais pela situação socioeconômica de sua família e de si mesmas, pela situação de seu país e dos governantes que regulam as suas leis. Começaram a votar, a escolher seu presidente, seu governador, seu prefeito; foram às universidades e puderam ter suas profissões e prover seu sustento e, muitas vezes, até o da própria família — igualando-se em muitos aspectos aos homens. Porém, algo faltou nessa escalada: uma análise mais minuciosa de seus próprios erros e problemas. Muitas injustiças e maus tratos foram denunciados, e com isso muitas mulheres puderam se emancipar. Mas deixamos de lado algo que é muito importante, senão essencial — a autocrítica. Criticamos as injustiças e as desigualdades cometidas pelos homens contra nós, mas sobre nós mesmas, pouco falamos. Colocamo-nos como “vítimas”, que nada fizeram para contribuir para a má situação em que nos encontramos. 19 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0419 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 20 É por esse motivo que um livro como Complexo de Cinderela teve tão grande repercussão e aceitação — foi o primeiro a tratar de problemas femininos: o desejo de viver um conto de fadas, o que leva à alienação e dependência em relação ao seu suposto príncipe encantado. O homem já está habituado a ser criticadopor seus problemas — tratados e mais tratados foram feitos para analisar a psicopatologia masculina. E isso lhe fez muito bem! Pôde então corrigir-se em muitos aspectos, tendo, de qualquer forma, alguma evolução constante. Isso nos faltou: alguém que nos criticasse em nossos reais problemas e nos obrigasse a tratar deles, na sua origem, para que pudéssemos nos desenvolver. Precisamos muito de alguém que nos mostre tudo aquilo que não queremos ver e espero que este livro seja um auxílio nesse sentido. Outro grande auxilio é que só agora os poderosos, inimigos das mulheres — e dos homens — começaram a ser denunciados pelo dr. Norberto R. Keppe em seu livro A Libertação do Povo — Psicopatologia do Poder. Conscientizados esses problemas, um grande avanço será dado no sentido da nossa libertação. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0420 3 As Evas dos Tempos Modernos N o inicio, o demônio tentou Eva diretamente, pois soube que era mais susceptível às suas tentações. Assim como ele a tentou, continua incentivando a mente das mulheres até hoje para adorarem a si mesmas (narcisismo) e a megalomania de um homem. Se uma mulher prestar atenção aos seus pensamentos, vai ve- rificar que 99 % deles giram em torno de si mesma, de como ser mais bonita, admirada e amada. Com exceção das horas que passa trabalhando e é obrigada a se concentrar em algo útil, está sempre fazendo fantasias nas quais ela é o centro. Muitas haverão de se rebelar contra o que digo e não quererão admiti-lo. Mas as mais honestas se conscientizarão, ficarão muito envergonhadas com atitude tão ridícula e, com isso, começarão a perceber o encanto que existe na vida, nas outras pessoas, na música, na arte, na cultura, na natureza e, principalmente, em Deus — que tem a beleza e perfeição absolutas — caindo apaixonadas por Ele. Certamente muitos vão tentar impedir isso — a começar por aqueles que de alguma maneira estão pactuados com essa maneira narcísica de ser da mulher. Muitos homens que se alimentam do pacto (megalomania-narcisismo) vão tentar impedir tal mudança; muitas mulheres também, pela inveja, não quererão ver a felicidade e o progresso de suas rivais. Sem falar do poder econômico que vive às custas, em grande parte, da loucura das mulheres. Mas quem vai se doer muito com essa mudança será certamente o Lúcifer, que vai se “morder” de inveja vendo que muitos estão descobrindo a beleza, o encanto d’Aquele de quem é rival absoluto! 21 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0421 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 22 Em contrapartida, muitos vão gostar disso. Muitos que têm amor e boa intenção no coração verão as mulheres se libertando aliviadas de grilhões tão pesados, das trevas resultantes da adoração a si mesmas. Vê-las-ão se enriquecendo, começando a se integrar na vida, nas atividades, na realização e até tornando-se mais bonitas pelo afeto que naturalmente irão transbordar de si mesmas. A mulher deveria ser como a flor que perfuma e embeleza a sociedade com seu amor, dedicação, inteligência e sensibilidade (voltados para os outros, para o exterior) e não se conservar num casulo, olhando só para si mesma, enfeiando-se, emburrecendo-se e tornando-se fria, inútil, egoísta e grosseira. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0422 4 Cada Um Vive a Vida Que Pensa Ser Melhor Para Si C ada um de nós tem, em grande parte, a vida que escolhe como mais vantajosa, mesmo que não percebamos com clareza esse fenômeno. Se nós mulheres estamos numa situação tão difícil, tão alheias à realidade sócio-econômica, tão excluídas do chamado mundo masculino de realizações, é porque sentimos no fundo que esta seja a melhor vida. Nossa filosofia, nossos pensamentos e idéias podem ser certos até certo ponto e seguirem a correnteza da sociedade, mas o que sentimos é, muitas vezes, o contrário do que pensamos. O que quero dizer é que sentimos ser melhores, vivermos alienadas, distantes da consciência dos problemas sociais, políticos, econômicos e até familiares, crendo que agindo como avestruzes, não seríamos prejudicadas, e que sempre haveria quem cuidasse de nós. Assim, tornamo-nos como loucas — pois esse foi o resultado da nossa fuga. Loucas, incompetentes, alienadas, ignorantes de toda a realidade que deveríamos saber para nos defender dos indivíduos mal intencionados e das águias do poder. Se a sociedade humana está no caos em que está, 50% da culpa é nossa, pois perfazemos 51 % da população mundial. A qualidade de vida dos povos depende do seu grau de consciência; portanto a má qualidade de vida da humanidade se deve em grande parte à alienação em que queremos nos manter. Tentarei exemplificar. A cliente C.V. falava freqüentemente em suas sessões de um menino que vivia em sua casa e era muito mimado pelos pais, tios e amigos adultos. Manifestava grande envolvimento com o 23 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0423 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 24 garoto — um misto de irritação e preocupação constantes, algo que não se justificava, pois ela não tinha nenhuma obrigação direta com ele, de responsabilidade, ou cuidado. O que mais a perturbava era a atitude mimada de Michael, que andava sempre na barra da saia da mãe, e, na falta desta, na de outro adulto que aceitasse alimentar sua dependência. Perguntei-lhe se ela percebia que estava muito identificada com o menino e que vivia numa situação de dependência e mimo, passando de uma para outra, sempre alienada do cuidado com sua vida e evitando enfrentar suas dificuldades. Ela disse que podia perceber isso; não gostava de responsabilidade, de trabalho sério e mesmo vivendo numa cidade como Nova York, cheia de oportunidades para se enriquecer cultural e profissionalmente, permanecia alheia a isso tudo, isolando-se em seu castelo de fantasias. Óbvio é que os resultados dessa conduta não são muito nobres e agradáveis. O sofrimento é inevitável. A pergunta que lhe pairava era a seguinte: por que é que ela, tendo percepção da orientação errada que estava dando a sua vida e do que deveria fazer para produzir, agia de maneira contrária? As mulheres não percebem que pensar é diferente de sentir. Elas podem até “pensar” de maneira certa, mas “sentem” de maneira invertida. Ou seja, racionalmente acham que a consciência, a responsabilidade, o trabalho, o relacionamento humano, a busca de novos horizontes o que há de melhor. Mas, no fundo, sentem que ao se abrirem para a vida, lançarem-se a novos empreendimentos, conhecerem novas pessoas e novas idéias, irão sofrer, ter mais problemas, e se sentirão mal com isso. Enfim, cada qual leva a vida que acha melhor, mais cômoda, mesmo que não note que as conseqüências são nefastas. C. V . pensava que, apesar de tudo, aquela vida dependente e alienada, embora cheia de restrições, era melhor do que a que teria enfrentando problemas “lá fora” (fora do seu castelo do lar). Em sua idéia iria sofrer muito mais caso se abrisse para o mundo. Ela não percebia que aí, e só aí, é que iria começar a se sentir bem e feliz. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0424 5 A Mulher Não Se Desenvolve Por Falta de Interesse pelo Progresso C erta vez uma cliente veio para sua sessão analisar o porquê de não conseguir se concentrar em leituras de jornais, ou em livros sérios e científicos que sabia serem necessários para seu desenvolvimento. Disse que todas as noites, antes de se deitar, pegava um livro do dr. Norberto R. Keppe sobre a Trilogia Analítica, que falava de seus problemas, e começava a ler. Mas após algumas frases, via que não conseguia ir adiante. Ao perguntar-lhe por que não conseguia ler, ela disse que começava a sentir sono ou a pensar no marido, nos filhos, o que ia fazer no dia seguinte etc. Enfim, concluiu que não tinha interesse em ler. Perguntei-lhe: a que a senhora associa a leitura? Cliente: À cultura. Eu: E essas idéias que tem quando começa a ler, a que associa ? Cliente: À fuga. Eu: Então, a senhora diz que foge da cultura porque não tem interesse nela. Cliente: Ah! Outrodia eu ouvi dizer que a pessoa não con- segue ler por causa da inveja, mas eu não enten- di. Eu, por exemplo, não acho que tenha inveja do dr. Keppe. Eu o admiro muito. Eu: Mas a pessoa só inveja o que admira! Cliente: Ah, é?! Mas como? Na inveja a pessoa não quer 25 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0425 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 26 ser como o outro? E eu sei que não posso ser co- mo o dr. Keppe... Ele é muito mais culto, mais capaz... estudou desde criança sobre isso tudo... Eu: Não. Na inveja a senhora quer que o outro seja menos que a senhora. E como nota que é o con- trário, se sente mal e não quer ver. Se a senhora quisesse ser como ele, faria o que ele faz. Cliente: Ah, mas eu acho que o dr. Keppe foi um iluminado. É isso, agora achei o termo exato: ele foi um ilu- minado, um escolhido por Deus. Eu: Então note como sua argumentação comprova sua inveja: a senhora disse que ele é um iluminado, um escolhido, que este é o motivo de ter a capaci- dade que tem. E não que ele se dedicou desde criança e fez um grande esforço para chegar aonde chegou. O que a senhora nunca quis e nunca teve interesse. A senhora pensa: “a vida dele é fácil; estudar, escrever para ele é fácil, mas para mim é difícil. Ele é um iluminado, eu não...” Assim a senhora tira o mérito dele, que vem da dedicação, força de vontade e da atitude de não admitir desinteresse e preguiça em si mesmo. Acho que o poder econômico é corresponsável por isso, pois fez um pacto com a mulher, alimentando sua preguiça e alienação. O homem de poder tem inveja da mulher e gosta de vê-la numa situação primitiva, de atraso intelectual, afetivo, cultural. Então conserva-a nesse estado de atraso e subdesenvolvimento, para que ela não lhe seja uma “ameaça”. Assim sente-se em superioridade e a tem sob total controle, servindo a seus interesses. Essa situação sai muito cara a todos pois se pensa que a pessoa primitiva seja mais manejável, mais fácil de controlar e isto não é Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0426 Mulheres no Divã 27 verdade. Muito pelo contrário! O homem paga caríssimo pela burrice e ignorância da mulher, que acaba se tornando sua inimiga feroz e colocando filhos, família e amigos contra ele. Depois de algum tempo o “lar” se transforma num campo de batalhas de onde o marido quer manter longa distância!... O homem se engana acreditando que a mulher alienada, “fora do mundo”, não lhe causaria problemas. Muitas vezes, quer evitar que ela lhe traga consciência de seus próprios problemas, pois, saindo para a vida, ela abrirá os olhos para muitas coisas que antes lhe passariam despercebidas. Imagina, sem notar bem isso, que aquela adorável namorada, que o via e o tratava como um deus antes do casamento, sem lhe acusar nenhum defeito, poderia continuar assim, sendo isolada dentro de casa. Que trágico engano! Aquela mesma doce e angelical namorada, após ver seu marido preso a ela, seguro por um contrato assinado (com testemunhas para não poder voltar atrás!), de deus passa a vê-lo como o demônio da casa, acusando-o de todos os problemas, desde a sua insatisfação pessoal até o fato da cozinheira ter pedido demissão, ou pelos filhos irem mal na escola. Vejo de fundamental importância a conscientização não só da mulher, mas do homem também, de todos esses problemas que vêm sendo mantidos encobertos, para que não apenas ela seja obrigada a adotar uma conduta mais humana, mais consciente, de afeto verdadeiro, como para que haja a possibilidade de haver casamentos felizes, com ambos lado a lado, e não mais como dois inimigos. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0427 6 O Atraso das Mulheres L endo o Bartlett’s Familiar Quotations, um compêndio sobre as mais significativas quotações da humanidade, foi com tristeza que observei que a esmagadora maioria dos quotados era masculina. As mulheres poderão argumentar que isto revela o domínio dos homens no mundo cultural — e a sabotagem que eles fazem ao sexo frágil, não valorizando o que elas dizem e realizam. Muitas pensarão até que os editores, por serem homens, selecionam citações masculinas. Mas, observando bem, o problema não é só esse. Dentre as poucas mulheres que foram citadas, a maior parte fala sobre e para mulheres, principalmente. Os homens, na maioria, falam de assuntos sociais, filosóficos, políticos, universais. São citações de que todos se beneficiam — assuntos concernentes a homens, mulheres, crianças, velhos e moços. As mulheres, no entanto, constantemente contestam, reivindicam e discorrem sobre assuntos que só interessam a elas. Isto demonstra uma atitude de alienação por parte do chamado sexo frágil, que além de se colocar muitas vezes numa atitude querelante, têm seus interesses mais voltados para si mesmo. Não é, portanto, difícil compreender por que tão poucas mulheres foram selecionadas nesse compêndio e em outros. Essa marginalização cultural ocorre não só porque as mulheres sejam sabotadas ou excluídas do sistema pelos homens, mas porque os assuntos que tratam são de pouco interesse e utilidade tanto para a vida social em geral, como para os indivíduos do próprio sexo. Eu, particularmente, prefiro ler as citações de um Aristóteles, de um Kant, Platão ou Lincoln do que de uma feminista. Por exemplo, 28 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0428 Mulheres no Divã 29 Anita Loos (1893-1981) traz a seguinte “contribuição” para a cultura feminina: “Um beijo na sua mão pode fazer você se sentir extremamente bem, mas uma pulseira de brilhantes e safiras dura para sempre”. Por essa afirmação vemos claramente que a maior preocupação de sua vida é obter aquilo que poderá lhe alimentar a sensação de poder. Não há nada de errado em uma mulher gostar de jóias, o problema é quando ela faz disso uma das principais finalidades de sua vida, como muitas fazem. Já atendi clientes que passaram 20, 30 anos de sua existência esperando o dia em que receberiam uma aliança de brilhantes ou um colar de pérolas. Fomos treinadas a não pensar, a não usar nossa inteligência, nossas capacidades. É de interesse dos esquemas do poder que a mulher seja uma boa serva do sistema — que não questione nada. Devemos servir ao poder de várias maneiras: 1. Com trabalho de qualidade e dedicado, ganhando salários bai- xos. 2. Através do sistema consumista, gastando nosso dinheiro para enriquecer ainda mais os que têm o poder do dinheiro. 3. Sendo “acessórios” na vida deles, servindo-os sexualmente, pessoalmente, ou de alguma outra forma. O pior é que toda a sociedade sofreu um tipo de lavagem cerebral para conservar a mulher alienada. Por exemplo: pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul entrevistaram 1.250 mulheres que se formaram no curso colegial através do Hunter College High School de Nova York entre 1911 e 1983. (Esta escola exige um QI mínimo de 130 para admitir novos alunos). Os resultados mostraram que: “a grande maioria destas mulheres são donas de casa ou trabalham em empregos que são predominantemente Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0429 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 30 femininos e mal pagos, como os de professora. Con- siderando a capacidade extraordinária destas meninas, notadamente poucas exerciam alguma função que envolvesse a determinação de programas de alto nível, de acordo com Betty Walker, professora de educação da Universidade da Califórnia do Sul e ex-aluna do Hunter High School. Cerca de 98% foram “muito críticas” em relação ao aconselhamento que receberam na escola. Muitas disseram que saíram da escola sem realmente compreender as opções que tinham para uma carreira. As expectativas dos pais também contribuíram para um futuro inexpressivo das filhas, afirmaram os entendidos no assunto”. A mulher tem realizado menos dentro da civilização não porque seja mais incapaz ou tenha menos inteligência que o homem, mas porque realiza mais no campo em que tem mais interesse. Se seus interesses são dirigidos para o mundo mais da fantasia, do romance (alienação essa que interessamuito aos donos da economia), ela vai se empenhar em ser habilidosa nesse campo, aperfeiçoando-se no sentido da conquista, da moda, da superficialidade até. Isso me parece um jogo diabólico para neutralizar a mulher que, caso estivesse dirigindo seus interesses para uma atividade mais realista (economia, sociedade, ciência etc.), estaria muito bem sucedida. Certa vez uma cliente disse ter tido sempre muita dificuldade de concentração em seu trabalho, perdida que estava em pensamentos de ciúmes paranóides a respeito do marido. Sua produtividade e criatividade estavam extremamente prejudicadas, pois 90% de seu interesse concentrava-se naquele relacionamento — “seria ela realmente bem amada por ele ou não?” — esquecendo-se da incrível dimensão de sua vida (que estava abandonada). Geralmente a mulher quer se ligar a um homem, a uma instituição, a um grupo etc. Não está acostumada a pensar pela própria cabeça. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0430 Mulheres no Divã 31 Pelo contrário — o que seu médico lhe fala, o padre, ou pastor, um chefe, ela procura seguir cegamente — esteja certo ou errado. Nós mulheres não aprendemos a ter uma atitude mais voltada para a vida, de maneira independente. Não gostamos de grandes decisões, pois isto significa assumir erros e acertos. Como estamos habituadas a seguir a cabeça de terceiros, perdemos o contato com a nossa consciência interior. Perdemos muito com isso e seguimos muitos exemplos errados, sem questioná-los. Se um médico nos orienta a dar tranqüilizantes ou fortes antibióticos a nossos filhos, acatamos sem questionar. Se nos encaminham para uma cirurgia, aceitamos sem verificar as intenções ou incapacidade que esse médico possa ter. Pela nossa intuição e bom senso poderíamos evitar muitos problemas para nós mesmas e nossos filhos, caso começássemos a usar mais nossa própria consciência. A mulher parece ter rompido o contato direto com a verdade e o Criador, para estabelecê-lo através da cabeça de outra pessoa — e isso parece ser um dos principais motivos para a nossa incapacidade atual. Notas e Referências: 1. U.S.A. Today, 25 de fevereiro de 1986. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0431 7 O Desejo de Domínio Impede Nosso Progresso M .L., arquiteta, 23 anos, trabalhava como decoradora de interiores em São Paulo. Em sua firma era bem tratada pelos clientes que costumavam convidá-la para jantar, almoçar, passear com eles. Sentia-se admirada e respeitada em seu núcleo social, mesmo que seus clientes não fossem indivíduos muito importantes na sociedade. M.L. recebeu um convite para ir trabalhar e morar em Nova York. Lá teria que começar tudo de novo — formar nova clientela, fazer-se conhecida etc. Embora gostando demais dos EUA, e sabendo da grande evolução profissional que teria, opunha grande resistência a dar esse passo. Sentia medo, muito medo. Não havia razões objetivas para isso, pois, além de ter familiares em Nova York, ela iria contar com todo o apoio de seus amigos. Nas sessões de análise, associava a vida em Nova York com desenvolvimento, progresso. Por que então o temor? No fundo, ela sabia que iria perder a estrutura montada que tinha no Brasil — iria ser desconhecida no meio profissional e, pelo menos no início, seria vista como um ser humano iniciante a mais entre muitos. Quase todo o ser humano deseja, em seu íntimo, ser importante, grande, estar “por cima” dominando uma situação. Isto se verifica das formas mais diversas. Por exemplo, tanto o milionário Paul Getty sentia-se dominante em seu esquema de vida, como o feitor de uma fazenda no interior de Mato Grosso sente-se entre seus companheiros. 32 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0432 Mulheres no Divã 33 Geralmente o homem quer dominar mais no sentido social ou profissional. Ele quer ter a sensação de que dentro de sua vida, de alguma maneira, ele é “bom”, o mais importante — ou para seus subordinados ou para seus alunos, sua mulher e filhos, namorada e até, em último caso, para sua mãe. Nós mulheres não somos diferentes no desejo de ser importantes. Só que buscamos isso mais na área afetiva, familiar, de amizade, ou com o namorado etc. Existe um ditado brasileiro que diz: “A mulher aceita tudo no homem amado, menos outra mulher”. Pois os filhos não representam ameaça (apesar de muitas mulheres ficarem enciumadas de terem que dividir com eles o amor do marido); bebida, jogo e trabalho — constituem apenas “concorrentes potenciais” no jogo do domínio — mas outra igual (uma mulher) pode tornar-nos totalmente dispensáveis na vida deles. Então isso ela não aceita. Este é o motivo de nossa paranóia estar mais dirigida a este campo — ele representa uma ameaça ao nosso domínio afetivo em relação a um homem. Aí se originam muitos dos nossos medos: a ameaça de perdermos nossa segurança, termos que reconquistar e merecer a aceitação dos outros. A segurança numa situação estratificada e aparentemente estável nos faz perder a ótica real de nosso desempenho. Deixamos de nos “checar”, de nos comparar aos outros e ver em que estamos indo mal. Em que temos que progredir? Em que área devemos nos esforçar mais para melhorar? Já atendi a várias mulheres em psicoterapia que usavam de um documento legal (a certidão de casamento) para conservarem-se nu- ma situação artificial de segurança e poder sobre os membros da família. Tais mulheres chegavam a um incrível grau de cegueira e alienação, tornando-se verdadeiros “monstros”, no sentido físico e psíquico. Uma coisa é eu ser vista pelos meus filhos como a melhor mãe, a melhor filha pela minha mãe e até, quem sabe, a melhor esposa pelo meu marido, já conformado com meus defeitos. Outra, é eu ser a melhor profissional em uma situação onde todos evoluem ao mesmo tempo, Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0433 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 34 na concorrência a empregos ou disputa de vaga em escolas cada vez melhores e mais difíceis de entrar. Em tais situações, estamos sempre sendo “checadas” e com- paradas, com olhos frios e objetivos, a muitas outras pessoas capazes — o que, certamente, nos traz muita insegurança, fazendo com que percamos o “domínio” da situação. Já vi muitas mulheres terem receio de visitar o local de trabalho dos maridos por medo de abrirem os olhos e ver demais. Ao lado de seu marido talvez convivam, o dia inteiro, mulheres mais inteligentes e mais bonitas, o que lhes causaria grande ansiedade e as faria perceber a fragilidade de seu posto de “dona de seu homem”. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0434 8 A Vida Psíquica da Menina Já É Basicamente Igual à da Mulher Adulta A sra. C.V. ficava muito preocupada, pois não conseguia se con centrar na leitura, nos estudos e não tinha capacidade de síntese, não apreendia a essência das coisas. Estimulada pelo marido e pela própria análise, resolveu voltar a estudar, depois de alguns anos de afastamento da escola. Assim que reiniciou a faculdade, via grande dificuldade em acompanhar o ritmo de suas colegas. Participava de grupos de estu- dos mas sempre meio à parte das atividades. Era mais uma figura decorativa no grupo; as outras moças se encarregavam de prestar-lhe ajuda, fazendo os resumos, elaborando os esquemas, as críticas e conclusões — e no final, por amizade, incluíam seu nome como colaboradora. Nas provas, passava através de “colas” que levava escondidas debaixo da saia, ou que as colegas lhe passavam. Todo esse quadro deixava-a muito deprimida e vinha se queixando de incapacidade para estudar e trabalhar. Alertei-a de que se ela não tinha desenvolvido sua capacidade de trabalho e de estudo era porque tinha outros interesses para os quais dedicava seu pensamento e energia. Ninguém é “incapaz”, mas cada qual se desenvolve num sentido: uns para a realidade, para a cultura, para o amor, e outros para a tapeação, desonestidade, fantasia, aprimorando muito a técnica de mentir. Muito surpresa, ela disse: 35 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0435 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 36 C.V.:Mas, desde pequenina, dra. Cláudia?!... Pois desde pequena, quando ia para o jardim de infância, já tinha as mesmas dificuldades. Eu: A senhora deveria procurar se lembrar quais eram seus interesses naquela época. C.V.: Ah... faz tanto tempo... Eu: Então procure identificar quais são os seus pen- samentos atualmente. Quais são os seus interesses? No que fica pensando a maior parte do tempo? As- sim poderá saber, de uma maneira geral, o que pen- sava. C.V.: Ah... Atualmente eu só penso em fantasias sexuais. Como eu seria feliz se encontrasse um parceiro que me amasse, com quem eu tivesse um bom rela- cionamento sexual. Freqüentemente me vêm cenas à mente onde estou beijando, abraçando e trocando carícias com um homem. Estou sempre pensando em sexo. E mais! Lembrei-me agora que quando era criança, havia muitos meninos onde eu morava e estudava e eu estava sempre num quartinho isolado trocando carícias sexuais com um deles. Enquanto as outras crianças brincavam e estudavam, eu estava sempre separada delas, com os meninos, namorando. Sim... Parece-me que o que fazia quando criança é o que faço até hoje. Sou aquela mesma menina isola- da dos outros, sempre procurando um homem para ter satisfação sexual, me dar atenção, me agradar, acariciar, elogiar... Notem que a senhora C.V. sempre foi, basicamente, a mesma pessoa narcisista, egoísta, na busca de prazeres pessoais, com o Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0436 Mulheres no Divã 37 interesse totalmente voltado para si mesma, o que acabou por incapacitá-la nas atividades sociais e profissionais. Muitas mulheres culpam somente a sociedade por não apoiá-las no sentido de se independerem e ter atividades de engajamento social e profissional. Mas nunca assumem que elas próprias não têm interesse em uma atitude mais objetiva, voltada para a realidade exterior. Que seu único interesse sempre foi subjetivo: fantasias, megalomania e interesses pessoais. Outra cliente também comentava que nunca tinha tido capacidade de fazer escolhas e tomar decisões. Não sabia o que estudar, que profissão escolher, e pensava que lhe “faltasse” alguma capacidade interior de decisão, que lhe “faltasse” firmeza. Perguntei-lhe: será que lhe “falta” alguma capacidade ou a senhora nunca teve interesse real por esses assuntos? Concordou de pronto e disse que nunca se interessara mesmo por assuntos que via mais como objeto de interesse masculino. Nunca tivera um ideal maior de realização em sua vida. Sempre pretendera ter um namorado culto e rico com quem posteriormente se casasse, para que cuidasse dela e a sustentasse, não por sentir-se incapaz, mas por puro comodismo — não queria servir, mas ser servida. Admitiu que durante toda a vida dera valor ao supérfluo e desvalorizara o que tinha real valor. Todas as boas oportunidades da vida desprezava e jogava fora de forma cega e destrutiva, e isso, desde que era pequenina, e que tinha lembrança. Tendo posteriormente oportunidade de analisar sua filha. observei uma enorme semelhança na vida psíquica de ambas. Isso se deve muito ao fato de que a filha mulher segue em grande parte a orientação da mãe, bem como a mesma filosofia de vida do ambiente e da sociedade em que vive. Tendo a possibilidade de conscientizar esses problemas desde cedo, a mulher pode superá-los com muito mais facilidade. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0437 9 A Sedução Feminina mar a um homem como um deus e ser por ele adorada sobre todas as coisas”. Acredito que se o demônio falou com Eva, foi assim que se expressou. Foi o começo da sedução que se repete geração a geração —a mulher elogiando o seu homem, como se ele fosse um deus, incentivando sua fantasia e megalomania: “você é o deus da minha vida, por você tudo faço; seja o maior e o melhor entre todos os homens e brilhe no universo — mas em troca, adore a mim acima de tudo o que você tiver na vida e faça de mim sua deusa. Caso isso não aconteça — pensa em segredo — farei da sua vida um inferno”. Aí se desencadeia o processo infernal. A mulher quer exigir o impossível de seu amado. Primeiro que a adore acima de tudo, o que não dá resultado pois ele próprio, em muitos casos, está mais interessado em adorar a si mesmo. E, admitindo-se que ele seja de fato uma pessoa afetiva, então adorará primeiro a Deus e gostará dela, no máximo, como um ser humano. Outro fato é que a mulher espera do homem a perfeição absoluta e o apoio que só podem vir de Deus. Assim sendo, quando ele não corresponde (e isso acontecerá milhares de vezes) ela começa a cobrança que não é fácil de suportar. No início de minha formação analítica, dr. Keppe já me havia alertado que sempre existia um componente de forte inveja na conduta das prostitutas, e das pessoas muito erotizadas. Posteriormente, analisando melhor a conduta das mulheres que mantêm casos amorosos 38 “A Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0438 Mulheres no Divã 39 com homens comprometidos, ficou-me claro que elas assim o fazem, não por interesse afetivo ou até sexual, mas por inveja da outra mulher, que é capaz de manter o interesse e afeto de um homem, e da própria união afetiva entre os dois, a qual visa destruir, colocando-se entre eles. A conquista nesses casos é uma atitude extremamente agressiva contra a rival e contra o próprio homem, embora muitas vezes a inveja esteja encoberta e mascarada pelo romance, pela atração sexual e pelas fantasias que criam em torno do caso todo. Freqüentemente essas mulheres fazem tudo o que podem para conseguir para si o homem que viam pertencendo a outra mulher, separando-o da esposa (ou noiva, namorada) e da família; porém, assim que começam a vida juntos e a inveja é satisfeita, elas perdem todo o interesse pelo parceiro, passando a desprezá-lo abertamente. Outro fato muito importante a se considerar é que o ser humano só pode fazer a verdadeira dialética, isto é, ter um ponto de referência para se orientar na vida, através de Deus — que é a Perfeição Suprema, o Bem Absoluto, a Total Felicidade. O ser humano, por melhor que seja, não dispõe de recursos que possam satisfazer o outro ser humano. Por mais que nos esforcemos, somos limitados e estamos muito, muito longe de ser o que Deus é. Acho incrível que após quase dois milênios, não aprendemos a lição; a única forma de sermos felizes, gozarmos de boa saúde física e mental, de conseguirmos sucesso profissional, afetivo e social, é amarmos a Beleza, Bondade e Verdade (Deus) acima de tudo, e ao próximo como a nós mesmos. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0439 10 Narcisismo — Megalomania O narcisismo e a megalomania são características comuns às mulheres de todas as culturas. Certamente eles se revestem de disfarces diferentes de povo para povo. Por exemplo, a mulher latina tem aparentes características de submissão e feminilidade, e a americana, de independência e auto- suficiência. Mas ambas querem o mesmo: ter sua personalidade, não raro o seu corpo, adorados por um homem, por outra mulher, ou por multidões (artistas de cinema americano, as meninas das praias do Brasil etc.). Não é à toa que a indústria consumista gira praticamente em torno do narcisismo e da megalomania da mulher. As “rainhas” querem encontrar seus “príncipes encantados” e com eles organizarem seu “reinado do lar”. Esse pacto de megalomania — adorar o próprio corpo e personalidade — bem como adorar o corpo e a personalidade de outro ser humano é um enorme desvio que os casais hetero ou homossexuais estabelecem do que deveria realmente ser apreciado: Deus e a sua criação, que inclui o relacionamento amoroso pessoal. Porém, o que a maioria faz é excluir Deus que criou tudo e todos; o único que realmente tem todas as qualidades, infinitas, para ser adorado. Só um Ser muito incrível poderia criar um universo, com planetas, estrelas, astros, bilhões de seres vivos; milhares de animais e vegetais das mais diversas espécies de cores e formas; um mundo tão diversificado, cheio de maravilhas e surpresasa cada passo e a cada olhar, numa explosão de afeto que Ele quis manifestar, e que os homens destroem a cada dia. 40 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0440 Mulheres no Divã 41 Um Ser assim tão formoso, tão amoroso e bondoso desperta, ao mesmo tempo, duas reações: a primeira é de enorme admiração, espanto até; se tento pensar nas múltiplas facetas do Criador fico literalmente zonza. E, ao mesmo tempo, ficamos desapontadas, pois perto d’Ele não passamos de um pontinho no espaço. Que perto d’Ele não temos a menor chance de brilhar como as “únicas”, “as melhores”, “as mais bonitas ou charmosas”. Perto d’Ele, toda a humanidade se extasiará, no momento que admitir desvirar as costas que deu a Ele e O olhar de frente! Perto de Deus não temos muita escolha: ou participamos desta adoração a Ele, e de sua obra, com isso tornando-nos também como um Seu pequeno reflexo (com toda a felicidade que o amor pode nos trazer) ou nos tornamos seres ridículos, meio humanos, meio demônios, estourando de arrogância e burrice. Se vocês forem bem honestas, como eu estou tentando ser, per- ceberão com clareza a que me refiro, admitirão esse desejo íntimo, ridículo, porém, poderoso, de querermos “brilhar” (ainda que por momentos) como a estrela, a luz do universo (mesmo que muitas mulheres vejam esse universo entre as quatro paredes do lar, ou de seu escritório). Justamente esse desejo é o que acaba com nossa felicidade, nos aliena da realidade, e nos impede de viver o romance mais lindo e sublime que existe: o amor entre um ser humano e Deus. Este amor, em conseqüência, permite que amemos tudo e todos sem restrição, pois todos os demais são um resultado desse amor primordial. Por exemplo: se amamos um homem, amaremos seus filhos e tudo o que ele fizer. E assim também com Deus — se deixamos nossa megalomania e narcisismo de lado, poderemos amá-Lo muito — e esse amor vai nos trazer tanta felicidade que tudo o que vier d’Ele (e tudo o que é bom é d’Ele) aceitaremos bem. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0441 11 A Libertação da Mulher Não Virá Através da Libido A mulher faz da libido um verdadeiro culto em sua vida. Acredita que a realização afetivo-sexual é o que vai lhe trazer felicidade. Freud foi um dos responsáveis para que esta idéia distorcida e invertida prevalecesse na sociedade ocidental. Mas, essa crença é anterior a ele. Aliás, ele foi tão bem aceito em suas idéias porque veio reafirmar o que já existia na mente de todos. As mulheres brigam, organizam movimentos, mobilizam-se no sentido de acabar com essa fama de objeto sexual que têm. Mas, na verdade, essa farsa é alimentada por elas mesmas. Se não são objeto sexual de muitos, são pelo menos de um (ou de uma, no caso das homossexuais), e os homens são como o meio de se realizarem nesse sentido. Fantasias de ser feliz através de outro povoam a cabeça de todas as do “sexo frágil” e desde menina essa idéia é alimentada por suas mães. Todas pensam que a felicidade e a infelicidade vêm através de um homem. E nele projetam toda a carga de problemas e frustrações que têm por sua própria culpa. Quando decidi escrever este livro, sabia que iria sofrer enorme oposição por parte da maioria das mulheres e de muitos do poder econômico que estão pactuados com elas e interessados em mantê-Ias nessa situação horrível de inferioridade social, psicológica, profissional e cultural. 42 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0442 Mulheres no Divã 43 A mulher tem sido muito protegida por um “halo” de santidade nos lares e na sociedade. Chamada de “o sexo frágil”, indefesa, símbolo de afeto, fidelidade, pureza e abnegação, foi poupada de ter que sofrer a consciência de sua patologia que é imensamente grave. Isso foi o que acabou de afundar a mulher. Alienada de seus problemas, foi dia-a-dia decaindo, sem trabalhar com a consciência de seus erros que não são corrigidos há muito tempo. O “sexo frágil” vem lançando ferozmente sobre o “sexo forte” toda a culpa de seus problemas e infelicidade. E a sociedade em massa endossa essa paranóia da mulher, fazendo-a ver-se como vítima e mártir — mas na realidade estão longe disso. A estrutura socioeconômica tem motivos óbvios, que discuto em outros capítulos, de enlouquecer a mulher. Enquanto as mulheres não perceberem a situação catastrófica em que se colocaram, de megalomania e alienação totais — vivendo numa fantasia trágica (da qual são as únicas prisioneiras), vão continuar numa posição de submissão na sociedade, devido a sua incapacidade e desequilíbrio. Alguns homens mais imprudentes interessam-se em manter esse pacto pois assim se vêem como os únicos sãos, capazes e equilibrados, conservando a mulher numa situação de extrema patologia (alienada). A vaidade deles é então alimentada porque notam que as mulheres, realmente, tornaram-se incapazes, por trocar a realidade, o trabalho, a consciência, por suas fantasias. Muitos notam que a mulher é muito mais fantasiosa que o homem. Isso equivale a dizer que a mulher é mais louca que ele. Por que então a sociedade a vem conservando nesta situação deplorável, alimentando seu mundo fantástico, alijado da realidade? Isso precisa ser corrigido imediatamente, pois os prejuízos que todos sofrem são muito grandes. Mulheres, abram os olhos para esse terrível pacto de destruição e morte! Só podemos evoluir para uma situação melhor, sermos respeitadas e admiradas se tivermos valor para tal! Se trabalharmos Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0443 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 44 seriamente com a consciência de nossa patologia (inveja, megalomania, preguiça, libidinagem, destruição, projeção) poderemos realizar nesta terra o que até agora pouco realizamos: um trabalho digno e de altíssimo valor. Foram tão poucas as mulheres que se destacaram na história da civilização! Quais as pintoras, compositoras, filósofas, cientistas e mulheres que deram uma contribuição significativa para a humanidade? De quem podemos nos lembrar? Podemos contá-las nos dedos. Mas estas mulheres não eram inimigas dos homens. Nem tampouco dependentes. Eram mulheres que assumiam sua vida com tudo o que nela está incluído — talentos, possibilidades, dificuldades e mais do que tudo responsabilidade. Hoje se ouve muito falar de mulheres que querem se “assumir”. Mas o que entendem por isso? A idéia é de que assumir-se na vida é fazer-se o que se quer — deixar toda a fantasia, todos os desejos, toda a patologia em liberdade para total expressão. E não raro se confunde liberdade com libertação sexual. Muitas que tiveram um passado de muita censura e repressão sexual, imaginaram que se conseguissem colocar em prática todas as suas fantasias sexuais, aí sim, estariam se “assumindo” e teriam felicidade. Neste ponto surgiu a inversão — a mulher pensava (muito freqüentemente com uma carga de inveja e rancor) que o homem era mais feliz e privilegiado por colocar em prática as fantasias sexuais que povoavam as mentes femininas. Apesar de condenarem vivamente a infidelidade masculina, imaginaram que eles estivessem tendo uma vida de delícias, prazeres e felicidade que lhes era proibida por fatores sociais e culturais. Que a mulher, que era obrigada a viver numa vida de maior castidade e fidelidade, era muito mais infeliz por isso. Agora que a maioria das mulheres já goza da liberdade que quis (abertamente ou de forma velada) nem por isso tornou-se mais feliz ou mais capaz. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0444 12 A Mulher e o Sexo N o passado, a mulher era tida como um ser meio imaculado, meio como santa, a quem não era permitido nenhum prazer dos sentidos. Mulheres sensuais eram vistas como exceções, e automaticamente isoladas da sociedade; tidas como seres pecadores, e absolutamente incompatíveis ao convívio familiar, formavam uma classe de “prostitutas” à margem da estrutura social e somente os homens sedentos de prazeres sexuais mantinham contacto com elas. A partir da década de 50, houve muito progresso em relação às questõessexuais e aquela censura terrível foi abrandada. A vida sexual da mulher não só passou a ser vista como uma realidade a se estudar de maneira científica, mas também, e principalmente, como um direito que ela tem para sua satisfação e realização pessoal. Porém, como a cada ação muito forte opõe-se uma reação de igual intensidade, a mulher deslocou-se para um outro pólo, e passou a dar uma importância excessiva a esse fator, que na verdade constitui somente mais um aspecto de sua vida, de fato secundário. Tantos têm sido os estudos e as pesquisas realizadas a respeito do comportamento sexual feminino e tanto se tem escrito e falado sobre ele que, ao invés das mulheres se acalmarem em sua vida íntima, outras angústias se lhe acrescentaram. Por exemplo: antes inibiam-se a respeito de suas necessidades e procuravam reprimi-las, escondendo-as de si mesmas e de seus companheiros. À mulher honesta, à mãe, à esposa, era proibida a experimentação dos instintos. Após tantos tratados publicados a respeito de tipos e quantidades de orgasmos (orgasmo vaginal, orgasmo clitoriano, orgasmos múltiplos etc.), formas e posições diversas de relacionamento sexual, freqüência 45 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0445 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 46 de relações e preferências sexuais, a mulher se viu muito mais confusa que antes. Sob certa forma, acrescentaram-se-lhe outros problemas que antes não possuía. Isto demonstra que o ser humano ainda é muito angustiado em relação à vida sexual, pois a encara como um objeto especial de estudo. Somente algo tão complexo, problemático e importante mereceria tantos tratados a respeito. Muitos agora se angustiam em procurar seguir um “padrão ideal” de comportamento sexual, roubando toda a naturalidade e espontaneidade que um ato instintivo deveria ter. Como analista, atendo a dezenas de mulheres que chegam muito aflitas com questionamentos que fazem a si mesmas, os quais exprimem com muita dificuldade devido à censura que têm. No passado, preocupavam-se por sentir em si mesmas necessidades sexuais; atualmente preocupam-se por não saber se sua vida sexual é normal, ou se são suficientemente ativas de acordo com os cânones da sexologia moderna. Minhas clientes trazem perguntas da seguinte natureza: “Será que o meu tipo de orgasmo é correto? Será que tenho orgasmo vaginal? Será que tenho orgasmo clitoriano? Será que devo me estimular ou deverá ser dele este papel? Será que não sou excitável como as outras mulheres? Por que não tenho orgasmo múltiplo? Será que sou frígida? Será que meu marido não sabe me excitar? Será que outro homem excitar-me-ia mais? Devo falar mais com ele a respeito de nossa vida sexual?” Muitas outras questões como estas passaram a povoar a mente das mulheres “emancipadas”, que agora censuram-se por não ser tão sexuadas como “deveriam”! Percebem os leitores que a censura anterior continua, tendo só trocado as roupagens? Qual o casal que pode manter um bom relacionamento sexual com tantas preocupações a respeito? Muitos psicólogos, médicos e psiquiatras recomendam que os casais conversem sobre suas necessidades, gostos etc. Porém, essas longas Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0446 Mulheres no Divã 47 conversações só acrescentam mais tensão e expectativa em torno de algo que é instintivo e natural. O que tenho verificado é que quanto menos se “dialoga” a respeito do sexo, melhor, pois essas longas conversas criam mais problemas do que auxiliam o casal. Por exemplo, como pode alguém relaxar-se, se o tempo todo está preocupado e atento para não tornar-se tenso? Obviamente a educação sobre a fisiologia sexual é de necessidade obrigatória, como o é o estudo do aparelho digestivo, respiratório, ou qualquer outro. Porém, o estudo esmiuçado a respeito do sexo parece mais uma forma de perversão do que de ciência. Essa excessiva censura criada em torno desse assunto, mostra que o ser humano supervaloriza o sexo, colocando-o num grau de importância absolutamente indevido. O sexo é absolutamente dispensável caso o indivíduo assim o resolva, e pode ser agradável, caso encontre um parceiro por quem sinta muito afeto. Mas nunca ocuparia uma posição primordial na vida do ser humano normal, que está mais preocupado com questões de realização e afeto. As verdadeiras causas da felicidade ou da infelicidade residem em outros fatores, os psicossociais, e não os sexuais. Os problemas sexuais são criados como conseqüência da fuga que queremos fazer daquilo que é fundamental: a psicossociopatologia. Os indivíduos que estão satisfeitos em sua vida afetiva, que estão realizando o bem para a sociedade, que estão engajados numa estrutura social mais justa, humana e honesta, acalmam-se muito a respeito destas questões e passam a vivenciar o sexo com naturalidade, sem supervalorizá-lo. É o que vemos acontecer nas residências trilógicas. Lá notamos que as pessoas, podendo satisfazer suas necessidades afetivo-sociais básicas, acalmam-se muito, sexualmente, passando a ter um relacionamento inclusive mais saudável e satisfatório. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0447 13 O Narcisismo Leva à Frigidez Sexual A mulher que ama muito o próprio corpo, que nutre fantasias de que com ele poderá proporcionar intensos prazeres ao parceiro, que faz muitos sonhos eróticos, acaba por tornar-se fria sexualmente. Isso porque tem toda a sua atenção concentrada em si mesma e sequer percebe o outro. Quanto mais achar que existe no parceiro algo a ser apreciado, curtido e amado! Muitas mulheres expressam a idéia de que seus maridos não são hábeis o suficiente para estimulá-las sexualmente; “que deveria haver um homem, que, percebendo o seu grande valor e amando-as como mereceriam ser amadas, saberia arrancar de suas entranhas prazeres imensuráveis”. Essas mesmas pessoas procuraram, homem a homem, encontrar o seu Romeu, sempre decepcionadas ao final de cada relacionamento. Algumas acabaram tentando até realizar essa fantasia através de relacionamentos homossexuais. “Se um homem não soube amar-me como merecia, se eles não têm sensibilidade suficiente para me satisfazer, quem sabe outra mulher o fará?” E aí enveredam por um caminho, muitas vezes sem volta, de sofrimentos infernais. A cliente A.S. sempre se queixava que seu marido era muito primitivo, instintivo e materialista. Que a única coisa que queria dela era o seu corpo e que não a olhava como ser humano, mas como um objeto sexual, o que não só a irritava muito, como a fazia se desinteressar pelo sexo. Depois de algum tempo de análise, percebeu que ela colocava no marido a sua própria idéia — que era ela quem só valorizava o seu corpo e a sua capacidade de atrair os outros sexualmente. 48 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0448 Mulheres no Divã 49 De fato, comentou que a arma que usou para atraí-lo para o casamento foi justamente a de despertar nele a atração sexual e que, após pouco tempo de casada, passou a negar-se sexualmente a ele, demonstrando até muita irritação quando a cortejava. Contou também que desde criança sua família alimentava muito sua vaidade, dizendo-lhe ser uma criança linda, e ela sempre procurou tirar partido desse fato. Ao terminar o curso colegial, achou melhor casar-se e ser sustentada por um marido rico e bem situado social e profissionalmente a ter que enfrentar uma faculdade, esforçar-se e desenvolver-se. Aí se percebe que a mulher, a maioria, prefere fazer-se valer pelo seu corpo (sexualmente) e beleza fisica, a ser reconhecida por um trabalho de valor, pela realização de algo bom para a família e a comunidade. Desta forma, a sociedade vem alimentando por séculos e séculos o narcisismo, levando-a a se tornar a rainha da vaidade. Não será devido a isso que as mulheres apresentam muito mais problemas de frieza sexual do que os homens? Várias pessoas me preveniram de que muitas mulheres vão me odiar ao ler este livro. E muitos homens também, que estão pactuados com elas, ajudando-as a se verem como as deusas dasociedade. Mas, por outro lado, vejo que não existe outra saída para nós mulheres a não ser nos conscientizarmos das verdadeiras causas que nos levaram a ficar numa situação de tanta dependência e até, não raro, de inferioridade em relação aos homens. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0449 14 A Mulher Sempre Se Esconde Atrás de Um Homem O que todos acham mais desagradável e desonesto na conduta das mulheres é elas não assumirem seus problemas. Estão sempre escondidas atrás de alguém, na maioria das vezes atrás de um homem, para não se responsabilizarem por suas vidas e por seus erros. Não raro, a mulher justifica seus insucessos culpando as restrições sociais, as leis mal feitas, os homens que não as ajudam, as famílias que as restringem ou não as apóiam etc. etc. O assunto se mostra grave e insolúvel, pelo menos até que a mulher resolva cair em si e se assumir diante da vida. É óbvio que muitos desses problemas citados por elas são reais. Mas a questão que se coloca é a seguinte: e os nossos problemas, onde ficam? Como poderemos solucioná-los se não assumimos a responsabilidade por nossas vidas, nossas decisões, nossos erros?! A mulher imagina que se ela não assumir a responsabilidade por sua vida e pelo que faz, não será responsável. Coloca a questão como algo “opcional”. Isto é, pode ou não assumir a responsabilidade por sua existência. O fato é que, assumindo ou não, a mulher é responsável por sua vida, por seus sucessos e insucessos. É inclusive responsável por suas más escolhas, pela maneira em que se relaciona com os indivíduos loucos e mal intencionados e com os problemas sociais. Tentarei exemplificar com o caso da cliente I.L., de 30 anos aproximadamente, casada, com duas filhas pequenas. 50 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0450 Mulheres no Divã 51 I.L. sempre se queixou de não ser ajudada pelo marido e pela sociedade, dizendo ser infeliz e não se desenvolver na vida por isso. Na verdade, morava numa residência trilógica e recebia o apoio de todos os amigos que moravam com ela, seja no sentido de educar os filhos, como também no trabalho. O marido, embora não fosse um sujeito de valor, dividia as despesas da família com ela quando podia, e quando I.L. estava desempregada, também a ajudava com dinheiro para suas despesas pessoais. De fato, não era um homem afetivo, realizador; pelo contrário, era irresponsável em muitos aspectos e resistente ao trabalho. A ajuda que prestava à mulher e filhas, não era de bom grado. Mas, era justamente isso que a mulher usava como pretexto para se esconder. Queixava-se com freqüência de não ser mais ajudada pelo marido, até nas tarefas que eram diretamente ligadas ao seu trabalho e de sua responsabilidade. Certo dia, perguntei-lhe: “e como a senhora viveria se ficasse viúva hoje?” , ao que ela respondeu: “bem, aí eu teria que me virar”, revelando muita malícia e desonestidade em sua conduta. Por que a mulher acha que pode usar essas desculpas para justificar seu atraso, sua preguiça?! Todas as mulheres deveriam viver como se fossem sozinhas, mesmo estando vivendo com alguém. Se recebemos ajuda de terceiros, ótimo, mas nossa existência é de nossa responsabilidade. Por algum motivo muito patológico muitas mulheres pensam que podem fazer de seu marido e dos outros seus empregados. Se eles não trabalharem para ela, ela mesma não sai do lugar. O mesmo fazem com os pais e a sociedade. Se somos exploradas por nossos patrões, vamos abrir nossos próprios negócios! Se nossos pais e maridos nos reprimem, não nos apóiam, temos que encontrar outros meios de realizarmos o que queremos. A mulher não quer perceber que ela própria não se apóia, ou seja, não apóia o trabalho e a responsabilidade, o que trará tudo aquilo que ela deseja — dinheiro, conforto, paz de espírito, amigos e liberdade. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0451 15 A Busca do Romance e a Autodestruição O leitor já observou que geralmente, assim que um casal começa a namorar mais seriamente, os dois se afastam dos amigos, dos parentes, da escola e de seus interesses pessoais? Não raro, o homem abandona os esportes, os cursos que gostava de freqüentar, os amigos da faculdade ou a turma do escritório... Torna-se triste, barrigudinho, começa a beber mais, assistir mais TV, dormir mais, preocupar-se mais com dinheiro etc. A mulher afasta-se também das amigas, muitas vezes abandona a profissão, interrompe a faculdade, ou então engaveta seu diploma. Começa a engordar, a enfeiar-se, “emburrece”, alienada da vida social, cultural, econômica. Torna-se deprimida, angustiada e insatisfeita. É raro entretanto ela admitir tudo isso, até que as brigas comecem entre os dois. A maneira tradicional que o casamento e as uniões afetivas são realizados parece diretamente contra a verdadeira natureza humana e a da própria vida afetiva. Até hoje observei que, na quase totalidade dos casos, quando uma pessoa se envolve num romance, ela automaticamente se desliga de todas as outras áreas de sua vida, passando a apresentar uma decadência muito grande no campo das amizades, cultura, profissão, espiritualidade etc. A pessoa apaixonada joga toda a vida fora, praticamente, para tentar curtir e viver somente aquele “pedacinho” da sua existência — o seu próprio romance — multiplicando a sua importância e vendo, com lentes de aumento, como o “tudo” de sua existência. 52 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0452 Mulheres no Divã 53 Mas, notem, isso acontece muito mais com a mulher do que com o homem. Ela destrói com extrema facilidade todos os seus dons, talentos, carreira, amizades, espiritualidade, enfim, essa gama incrível de vivências e opções que a vida lhe oferece, em troca de um romance. Por melhor que o relacionamento seja, é impraticável que uma mulher tente retirar a satisfação que uma vida toda pode dar, de um pedaço, de um pequeno compartimento dessa existência. Obviamente o relacionamento homem-mulher é um aspecto importante de nossa vida, mas não é o tudo e nem o mais importante. Quando a mulher abandona, ou coloca em segundo plano todas as áreas de interesse de sua vida para colocar sua expectativa em um romance, está cometendo o maior suicídio, a maior loucura que alguém poderia fazer. Não é à toa que os resultados sejam sempre tão desastrosos. Essa atitude, aliás altamente patológica, nada mais é que uma atitude de destruir tudo o que a mulher tem em si e recebe de bom da vida. Isso se compara ao que Eva fez, ao abandonar o Paraíso para seguir uma ilusão de ser “como uma deusa”, tentada que foi pelo demônio. Não é justamente esse padrão de comportamento que a mulher segue até hoje? Abandona todo o Paraíso que está diante de si, ou sejam, milhares de opções de progredir e viver bem, para ter seus olhos voltados para o seu “deus”, em seu mundo à parte. É um verdadeiro crime o que as mulheres vêm fazendo com suas vidas. É uma alienação com conseqüências desastrosas para todos. Dificilmente o homem adota essa atitude. Somente os mais doentes abandonam sua carreira para viver um romance. Não é essa a queixa da mulher? Que os homens, apesar de tudo, conservam sempre uma ligação forte com o mundo, com a humanidade e dão menos importância para o relacionamento afetivo do que as mulheres? Pois bem, é justamente isso que conserva os homens em maior equilíbrio. É uma pena que a mulher culpe tanto o homem por essa fantasia não dar certo. Isso ainda dificulta mais os relacionamentos, tornando-os tensos e até impraticáveis. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0453 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 54 Cada coisa deveria ter o seu lugar, a sua devida importância. Como querermos que um romance possa nos dar a satisfação que rejeitamos obter da própria vida? Acontece que, diante da grandeza da vida, somos somente um grãozinho de areia, em evolução constante; e dentro de um romance queremos ser o tudo para o parceiro; não estaria aí a raiz dessa inversão? Muitos argumentarão: mas, e os homens que gostam de ser tratadoscomo deuses e de serem adorados pelas suas companheiras? De fato, poderíamos dizer que a maioria dos homens se enquadra nesta categoria. A eles encanta essa idéia, embora eles próprios não façam o mesmo com suas amadas. Mas isso não justifica a concordância e obediência de tantas mulheres em relação a isso. Esse pacto só servirá de dissabor para ambos, sendo altamente insatisfatório. Um casal só pode se relacionar bem, se os dois se unem para um objetivo comum, que é superior aos dois — um ideal, um trabalho humanitário — que eleve sua vida além do objetivo da união dos dois em si mesmos. Segundo Margaret Anderson (1893-1973): “No amor verda- deiro você quer o bem da outra pessoa; no amor romântico você quer a outra pessoa”. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0454 16 A Mulher Inverte: Vê o Homem Afetivo Como Frio e o Frio Como Muito Amoroso M uitas vezes me perguntava por que as mulheres, em geral, preferiam os homens mais agressivos e malandros (os mais doentes, na realidade). Não foram poucas aquelas que relataram casos desastrosos de amores falidos, que, entretanto, se iniciaram na forma de grandes romances. Ou ainda tantas outras que deixaram seus maridos e filhos por um “grande amor”, que viria a acabar dolorosamente, e em pouco tempo. Seria afinal que a mulher embotou sua capacidade de perceber as coisas? Não consegue distinguir o homem pior do melhor? Quantas vezes os senhores mesmos devem ter acompanhado, atônitos, o desenrolar de casos de mulheres de valor que destruiram tudo o que tinham atrás de um tipo malandro, desonesto e agressivo? Somente após analisar muitas mulheres com esse problema é que percebi o que se passa. O homem afetivo de verdade está sempre dedicado ao seu trabalho, atento às suas responsabilidades — é sério, fiel, e seu interesse é desempenhar bem suas funções. Sendo assim, não tem tempo para dar muita atenção às mulheres, tratando-as naturalmente como a qualquer ser humano. Em suma — não vêem razão nenhuma para ficar paparicando as mulheres. Já o homem mal intencionado está sempre pronto a elogiá-las. Aliás, passa boa parte do seu tempo desenvolvendo técnicas de como agradá-las para conquistá-las e tê-las sob seu domínio. Perscrutam 55 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0455 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 56 suas almas e seus corações buscando saber o que elas mais gostam de ouvir, e o que elas mais apreciam que eles façam. Logicamente, esses homens não têm tempo de cuidar do que seria necessário — nem do trabalho, nem da família, do próximo, do desenvolvimento da ciência e do bem-estar social. São frios, calculistas e megalômanos — desenvolvendo com grande perícia uma “máscara” de afetividade. Galanteadores, presenteadores, fazem aquilo que a mulher mais gosta —tratam-nas como deusas. Mas isso dura muito pouco tempo. É só sua libido flutuante se voltar para uma “deusa” mais interessante, e não hesita em dar um basta naquela que agora só lhe causa problemas e desconforto. Certa vez uma cliente brasileira viajou de férias para os Estados Unidos e voltou muito decepcionada com o que viu e viveu no tempo em que lá ficou. Queixou-se da “arrogância” dos homens americanos que tratavam as mulheres com muita frieza. Muito acostumada a ser cortejada e galanteada pelos homens latinos, que flertam demais as mulheres nas ruas, estranhou a atitude mais séria dos americanos que não têm tempo nem interesse em ficar atrás delas, já que seu interesse está mais voltado para o campo econômico. Essa mesma cliente, no passado, tivera um namorado muito doente, com características de extrema possessividade e ciúme paranóico. O que a levara a se apaixonar por ele eram justamente as atitudes de “homem apaixonado” que apresentava, estando à sua volta 24 horas por dia, dando-lhe presentes, flores etc. Por inexperiência e ignorância em relação à psicopatologia, ela não percebia que aquele constante controle e querer estar sempre junto da mulher amada, nada mais era do que uma dependência extremamente neurótica, característica de uma personalidade muito doente. Com o passar do tempo o quadro paranóico foi-se acentuando e os delírios aumentaram de tal forma que conduziram o cidadão M. a agredir fisicamente minha cliente, levando-a quase à morte. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0456 Mulheres no Divã 57 Passados uns 3 anos, a mesma cliente conheceu um homem mais sério, mais equilibrado e dedicado a uma atividade útil à sociedade. Vindo depois a casar-se com ele, suas queixas tornaram-se freqüentes, pois ele não dava a ela as mesmas atenções doentias dispensadas pelo primeiro namorado. Ela acreditava que o homem apaixonado faria o que o antigo namorado psicótico fizera; na realidade, o homem afetivo, mais saudável psicologicamente, está tranqüilo em relação à mulher que ama, não tendo necessidades e dependências neuróticas em relação a ela. Obviamente, a mulher que deseja um tratamento fantasioso, que quer saciar seu narcisismo, sentir-se-á muito frustrada em relação ao homem mais equilibrado que tem outros interesses em sua vida, como, por exemplo, desenvolver um trabalho de significado para a humanidade. Muitas mulheres não agüentam esse tipo de tratamento, mais normal e equilibrado, pois nessa situação têm que sentir seus próprios problemas, insatisfações, que na realidade têm outras origens. Acabam por romper o relacionamento, buscando recomeçar outro com um homem neurótico. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0457 17 A Mulher Que Age Como Uma Criança Neurótica M uitas mulheres pensam que são como crianças — acham que podem fazer tudo o que quiserem e a sociedade tem obrigação de aceitá-las e suportá-las. Isso acontece muito por culpa dos indivíduos que vêm alimentando esse absurdo, temendo ocasionar maiores problemas se deixarem de ampará-las. Mas é o contrário, justamente. Se todos agissem da mesma forma, pressionando a mulher a ser mais madura e assumir seus erros como o homem tem que fazer, teríamos uma grande melhora na sociedade em geral. Tive, por exemplo, uma cliente que já é avó, com vários filhos, casada com um homem bondoso e trabalhador. Desde recém-casada vinha tendo crises constantes de depressão; com medo de sair de casa, nunca trabalhou. Dentro de casa sempre foi preguiçosa e dependente das empregadas. Na educação dos filhos foi um verdadeiro fracasso, criando-os totalmente à vontade, sem disciplina, colocando-os todos contra o pai — o que resultou em cinco pessoas desajustadas e inúteis. Ciumenta e invejosa, vivia vigiando a vida do marido, cheirando suas camisas, examinando seus bolsos e objetos pessoais. Passou a vida indo a psicanalistas, padres e médicos, num rosário de lamentações, não raro atacando o marido, fazendo intrigas, responsabilizando-o por seus problemas e colocando-o como o “algoz” perante todos. Justamente ele foi a pessoa que mais teve paciência com ela, sustentando-a, acalmando-a, resolvendo todas as suas dificuldades. 58 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0458 Mulheres no Divã 59 Certamente, foi muito culpado em tudo isso: alimentou a agressão e maldade da mulher o tempo todo, não permitindo que ela sentisse na própria pele as conseqüências da sua conduta amalucada e irresponsável. Isso deu também a idéia a seus filhos de que poderiam fazer o que quisessem, ficar sem trabalhar, agredir, desprezar os outros, viverem na alienação, que sempre haveria alguém por detrás a amparar e sustentar suas loucuras. Até hoje, já adultos, eles dependem financeiramente do pai, e minha cliente teve dificuldade em progredir em sua análise, pois toda interpretação que eu lhe dava para levá-la a ter uma atitude melhor, era amortizada pelo marido, que continuava mimando a esposa e acreditando nas chantagens que ela forjava (freqüentemente “passando mal” e ficando doente para manipular a família com isso). Isso faz muito lembrar a atitude da criança mimada que é incapaz de tolerar qualquer frustração sem criar situações de consternação familiar. Sabemosque existe um pacto social no sentido de conservar a mulher alienada da sociedade. Isso foi iniciado por interesses econômicos e de poder. Mas as conseqüências desse tipo de conduta são tão traumáticas, tanto para ela quanto para sua família, que todos precisarão forçá-la a retornar a uma atitude mais sã, assim como se tem que fazer com crianças mimadas. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0459 18 A Paranóia Entre os Sexos H omens e mulheres têm sido vítimas de uma orientação totalmente errônea, maliciosamente engendrada pelos indíviduos detentores do poder. Através dessa filosofia diabólica que engendrou, o poder econômico-social atiça a paranóia entre os sexos, promovendo a divisão entre eles, e, conseqüentemente, enfraquecendo a ambos, o que torna fácil o seu domínio. Enquanto brigam entre si, homens e mulheres vêm servindo sem resistência a milionários e a instituições de poder (no capítulo A Mulher e o Poder faço uma análise mais detalhada de como aquela está envolvida com tais estruturas de poder). É muito comum a mulher analisar sua situação em função de “sociedade masculina”, “sociedade com valores masculinos”, “economia masculina”, colocando a causa dos problemas em questões sexuais, sem perceber que a maioria dos homens também é escrava do poder sócioeconômico. Os próprios homens, inadvertidamente, pactuam com as injustiças sociais cometidas contra as mulheres, pois são teleguiados pela manipulação de inteligências malévolas, a serviço de grupos dominantes. Pais e maridos ajudaram e, em muitos casos, ainda ajudam, sem perceber, a encarcerar dentro de suas próprias casas as mulheres que trabalham, sem nenhuma remuneração, para beneficiar indiretamente os exploradores da sociedade. Somente o empregado que tem comida, roupa lavada e passada, casa arrumada, cuidado para os filhos, tudo de graça, poderá sobreviver com os salários miseráveis que os patrões lhe pagam. Se ele tivesse que remunerar toda essa mão-de-obra, tornar-se-ia absolutamente inviável a situação econômica atual; os homens teriam que, 60 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0460 Mulheres no Divã 61 imediatamente, exigir um aumento de pelo menos 200 % em seus salários, para manterem essa infra-estrutura que os leva a permanecer fora de casa a serviço dos patrões. Vejamos o que aconteceu com os povos dos chamados países civilizados: as mulheres que quiseram manter uma situação de certa dignidade para si mesmas e para sua família foram obrigadas a buscar empregos fora de casa, pois o salário dos maridos não era suficiente para atender à exploração que o poder econômico fazia ao povo, através dos bens de consumo, tais como comida, vestuário, eletrodomésticos, transporte, energia etc. etc. Ao contrário do que muitos pensam, as mulheres se viram obrigadas a ter dois empregos; um fora e outro dentro de casa, trabalhando de 12 a 19 horas por dia para sobreviverem e ainda cuidarem da casa e dos filhos. Os maiores prejudicados com isso são, justamente, os maridos e filhos, além da própria mulher, evidentemente. E os culpados dessa situação não são os homens (maridos e pais que também são sacrificados) mas somente os donos do poder econômico, que podem ser homens, mulheres ou ambos, em pacto. Glamour, uma revista americana para mulheres, publicou a “Pesquisa sobre os Pontos de Vista Femininos de 1986” baseada em 800 entrevistas com mulheres entre as idades de 18 a 65 anos, de todos os campos de atuação. A pesquisa diz que: “7 entre 10 mulheres que trabalham fora de casa meio período ou período integral, disseram ter mais preocupação com suas finanças pessoais este ano do que o ano passado”. No mesmo artigo dizem: “de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho, o pagamento para as mulheres que trabalham na nação, somente aumentou um centavo de dólar sobre 1984, concedendo-lhes 61 centavos para cada dólar que o homem ganha. E as mulheres “profissionais” — aquelas que tendem a encarar sua ocupação mais como carreira Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0461 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 62 do que meramente um emprego — ganharam 75 centavos para cada dólar do homem, mais que os 71 centavos um ano antes.” Isso deixa claro que existe um círculo vicioso alimentado pela exploração econômica: quanto menor a renda, menor a consciência da mulher que trabalha e vice-versa. Dificilmente uma mulher de baixa renda consegue meios econômicos de se capacitar e deixar de ser uma mera empregada explorada, e tornar-se uma “profissional” com condições de exigir um pagamento mais justo pelo seu trabalho. Para completar, nota-se que muitas das mulheres que nos anos 70 saíram valentemente para conquistar um lugar ao sol na estrutura econômica, agora começam a se decepcionar. De acordo com a mesma pesquisa 83 % sentem que elas têm menos oportunidades do que os homens para ganhar os salários mais altos e quase três quartos (73 %) acham que suas chances para progredir no emprego são menores do que as deles. 77 % percebem que têm menos oportunidades em política e 86 % sentem que seu acesso a um cargo político foi bloqueado. Coloca-se então a questão: as mulheres são de fato discriminadas pela sociedade ou os homens são mais aceitos e melhor pagos por realmente serem mais capazes do que elas? Eu diria que as duas hipóteses são verdadeiras. Primeiro, a mulher foi muito alienada pela estrutura social, formulada para servir somente aos interesses de pequenos grupos do poder econômico-social, sendo educada para permanecer fora dele. Segundo, os homens, por terem sido desde cedo educados para o serviço escravo ou para o trabalho de capatazes (empresários e chefes de seção que obrigam os escravos a renderem o mais possível pelo menor pagamento, para o lucro de seus patrões em troca de umas migalhas a mais em seu próprio salário mensal), realmente tornaram-se de mais valia para a estrutura econômica da forma como está organizada. Enquanto não houver interesse por parte dos poderosos, a sociedade não proverá condições para que a mulher saia da atual Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0462 Mulheres no Divã 63 situação, se integre e se capacite para uma função mais digna e atuante como cidadã, profissional, mãe, esposa e ser humano. Minha grande preocupação é que nem as mulheres nem os homens estão cientes de que não existe um abismo entre os sexos (“gender gap” em inglês), mas existe um grande abismo entre os poderosos e o povo, que o manipulam, dividem-no e criam cisões para poder escravizá-lo sem resistência; eles fabricam e alimentam a paranóia entre os sexos. Enquanto as mulheres e os homens brigam entre si, os verdadeiros culpados, os exploradores e armadores das intrigas permanecem de fora, sendo poupados dos ataques. Para conseguir isso, tal minoria do poder tem tudo sob seu controle: a educação, a medicina, a psicologia, as editoras, a mídia (rádio, TV, jornais e revistas), a ciência, a política, as empresas, o comércio, os “trusts” de toda ordem. Enfim, o povo está nas mãos de inteligências perversas e sofre um processo constante de lavagem cerebral, estando totalmente alheio a essa realidade. Todos vivem conformados e vêem a situação como irreversível, sem imaginar que esta não é a verdadeira vida e que algo muito diferente poderia ser vivido a partir de agora, bastando para isso que todos se conscientizassem desse problema. (Para entender melhor o que quero dizer, leia A Libertação dos Povos — Psicopatologia do Poder, Norberto R. Keppe, São Paulo, Editora Proton, 1987). Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0463 19 A Paranóia ao Afeto O ser humano, seja ele homem ou mulher, tem uma acentuada paranóia em relação ao afeto e luta contra quem mais gosta. Deus criou o homem e a mulher para “serem uma só carne” — com isso quis dizer que fez um para o outro, vivendo em estreita harmonia e em tal união que seus corpos seriam um só, bem como seu coração e seu pensamento. Por que então tornaram-se os maiores inimigos? Na base, todo casal se ama intensamente,mas o que atrapalha o relacionamento de ambos é a incrível paranóia criada em relação ao afeto e que se manifesta em ambos. A mulher projeta no homem que ama o ser que poderá trazer-lhe muito sofrimento, pois o amor que sente é mais forte que o seu controle. Então defende-se ao máximo daquele que sente como o perigo iminente — o que é absolutamente mais forte do que ela mesma. Porém, não percebe que não se refere ao seu parceiro, ele mesmo, mas ao sentimento que tem por ele. Por exemplo, conheci várias mulheres que procuraram casar-se com homens pelos quais não eram apaixonadas. Queriam um amor mais “tranqüilo”, mais “equilibrado”, sem “altos e baixos”, sem ciúmes, sem sofrimento etc. Mal sabiam elas que estariam condenando-se a casamentos desastrosos, pois o principal faltava: o verdadeiro amor. O mesmo acontece com os homens — só que eles projetam na mulher a idéia que têm sobre o amor — algo inferior. Muitos casam-se com mulheres que vêem como boas mães, boas cozinheiras, e não com aquelas que lhes despertam paixão. O homem tem a idéia invertida de que o amor é algo inferior em sua vida. Por exemplo: posição social, 64 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0464 Mulheres no Divã 65 o dinheiro, o poder, a arrogância, são fatores denotadores de muito valor para o homem. Mas o amor que tem por uma mulher é vergonhoso e inferior — algo que quer manter em segredo, escondido da sociedade e até de si mesmo. Portanto, acaba tendo da mulher que ama a mesma idéia que tem do sentimento: algo inferior, fraco, desprezível. Mas isto também está diretamente relacionado à paranóia que o homem faz em relação ao afeto. Ele tem pavor de sentir que algo é mais poderoso e forte do que ele mesmo, que o amor também é soberano em sua vida. Passa a identificar o amor com a mulher amada e sente-se indignado de ser “submisso a uma mulher tão inferior a si mesmo”. Pensa que, se amar muito, vai tornar-se fraco, impotente, humilhado, desprovido de sua arrogância — estará à mercê de uma mulher (e não do amor que tem em seu interior), o que acha terrível. O que seus amigos iriam pensar? Assim se dá o ciclo paranóico com a vida afetiva: A história de Sansão e Dalila que tão comumente é citada para exemplificar a inveja da mulher em relação ao homem, poderá também Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0465 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 66 estar sendo usada como arma para essa paranóia masculina em relação ao afeto — ele acha que se amar vai tornar-se fraco — perder todo o seu poder, como Sansão que perdeu seus cabelos cortados por Dalila e, com eles, toda a sua força. E aí vemos o problema da inversão, pois justamente é o amor, quando aceito, que fortalece a vida do ser humano, homem ou mulher. Cristo foi claro ao dizer que o único mandamento era o Amor. Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Não somos anjos; amamos com amor humano, e o amor que temos pelo sexo oposto não é diferente dos demais, praticamente tão genuíno, tão humano e tão edificante quanto o amor que podemos ter por Deus. Quando amamos alguém sentimos que esse sentimento é como que espontâneo — nascido sem nossa resolução, sem nossa vontade. Portanto, vindo de nossa natureza psíquica, jamais poderia ser inferior ou temerário. Mas nós só aceitamos aquilo que nós fazemos e temos controle. Portanto, rejeitamos o amor. Nossa cegueira é tão grande que não percebemos que todos os indivíduos que foram muito fortes e produziram grandes obras na vida, amaram intensamente. Foram indivíduos que aceitaram a força do sentimento existente no seu interior e tornaram-se incríveis na capacidade, no brilho, na criatividade (Cristo, Ghandi, Bach, Confúcio, Michelângelo etc.). O Amor é imortal, não pode ser destruído, muito menos dentro de nós. Só através dele podemos também nos tornar imortais. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0466 20 Casamento: Profissão da Mulher D urante meus 10 anos de experiência como psicanalista, acrescidos aos meus 38 anos de vida, observei uma série de dados a respeito da conduta da mulher que, infelizmente, não são dos mais abonadores. Após essa observação, cheguei à conclusão de que a maior patologia das mulheres é querer fazer de um casamento (ou de um homem) a sua profissão. Daí pretendem retirar seu sustento financeiro e psicológico. Às vezes me pergunto: de onde a mulher tirou a idéia de que o homem tem obrigação de sustentá-la? Muitos responderão que o problema está na educação. Desde pequenina, a menina é educada para ser a esposa de fulano de tal, mãe de seus filhos e dona de sua casa. Realmente não se vê uma família educar sua filha para o mundo — mas sim para o casamento, como se o universo fosse o chamado “lar” (que, diga-se de passagem, na maior parte das vezes é mais um rinque de luta do que qualquer outra coisa). As mães, desde cedo, induzem as filhas a procurarem um marido que preencha todas as qualidades esperadas para que possam levar uma vida bem alienada: primeiro, deverá ser honesto só com a família, não necessariamente com os outros; segundo, trabalhador, para que sua filha jamais tenha que trabalhar; terceiro, que seja bom pai, para cuidar dos filhos nas folgas da empregada e ficar com a parte mais difícil da educação — como dar castigos, vigiar as notas escolares, brigar com o pai do vizinho quando vier queixar-se de uma janela quebrada etc. etc.; quarto, que seja bonito para provocar inveja nas 67 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0467 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 68 outras e mostrar o “valor” de sua filha; quinto, que seja eunuco com as outras mulheres, mas que esteja a serviço de sua filha sempre que esta assim o desejar; sexto, que seja de “boa” família, preferentemente de muito dinheiro para garantir os desejos e caprichos de sua filhinha; sétimo, que, jamais, sob hipótese alguma, contrarie sua “doce menina”, aponte-lhe algum defeito ou de sua querida mãe. Assim se inicia a formação das pequeninas deusas. Outro passo é o de colocar as filhas contra o pai. Claro, devido a uma grande inveja, a mulher induz os filhos a verem o pai como errado, inimigo, censurador, “o louco” da casa, quando não “uma fera”, de quem todos têm que ter pavor. Aquele que sustenta a casa, que provê todas as suas necessidades, que se esforça para, a custo de muito suor, dar tudo o que a família precisa; é geralmente visto pelos filhos como inimigo. E sequer ele tem tempo ou oportunidade para desfazer essa imagem, pois sua mulher é que está com eles a maior parte do tempo, intrigando sutil e sorrateiramente e sabotando a imagem do pai. Assim sendo, dentro de pouco tempo, qualquer autoridade que o pai necessite usar para a educação de seus filhos fica prejudicada, pois o trabalho da mulher é justamente esse. Devido à inveja excessiva, ela estraga: a imagem do homem dentro da família; a educação dos filhos, com as intrigas que faz entre eles e o pai. Na maioria das vezes as mães são as responsáveis pela formação dos bandidos, dos indivíduos inúteis, dos doentes mentais e dos homossexuais, pois, sabotando a imagem dos pais, impedem que eles vejam em seu exemplo de trabalho algo favorável. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0468 21 Os Casamentos Não Dão Certo Pois São o Pacto do Narcisismo com a Megalomania O casamento é um pacto de morte que acontece porque o homem e a mulher se unem para: 1) ela adorar o poder (megalomania) de seu homem e 2) o homem, admirar o corpo (narcisismo) de sua mulher — no fundo venerando a si mesmos, um através do outro. É por isso que os casamentos, na maioria esmagadora, não dão certo. A maioria das mulheres exige de seu marido e de seus filhos adoração absoluta. Isso ainda quando ela aceita que o marido divida seu interesse entre ela e os filhos, pois não raro negam a gravidez, mesmo sem perceber, tornando-se estéreis, para conseguir permanecer sempre o centro das atenções. Muitos homens gostam que suas mulheres sejam bonitas, dependentes e ignorantes. Assim sentem-se importantese indispensáveis — e essa idéia lhes agrada. Pensam, ingenuamente, que elas permanecerão sob seu controle. Tudo isso, entretanto, sai tão caro para ambos! A realidade é que o homem é obrigado a conviver com uma mulher inútil, primitiva e materialista, incapaz sequer de compartilhar de conversas de seu interesse, pois elas só entendem de coisas concernentes ao seu pequeno reino doméstico. Nós mulheres ficamos condenadas a uma vida insatisfatória, alienadas e enlouquecidas, às voltas com crianças, cachorros, panelas e compras. Não são raros os exemplos de uniões afetivas desastrosas jus- tamente por esse motivo. 69 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0469 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 70 Uma cliente, certa vez, procurou orientação por estar numa crise existencial terrível. Estava doente, vivia em depressão constantemente, não notando graça nenhuma na vida e em ninguém. Era casada com um homem tipicamente megalômano, materialista, e só visavam o acúmulo de glórias sociais e riqueza material. Vivendo em torno de festas, em lojas, comprando roupas e ma- quilagem, cabeleireiros e viagens, fazia com seu marido um pacto de ostentação: os dois no seu reino, querendo aparentar felicidade absoluta aos demais, mas a portas fechadas, sofrendo de terrível angústia. À beira da separação, viviam num clima de ódio mútuo. Ela culpava o marido por todos os seus sofrimentos e não suportava mais manter relações sexuais com ele. Isso aumentava ainda mais a tensão do ambiente familiar, chegando a tal grau o seu desespero que ela adoeceu gravemente, tendo que ser hospitalizada. Iniciada a análise, ambos perceberam que queriam formar o reino próprio aqui na terra, voltados para seus interesses particulares, em vez de se engajarem no reino que já existe — a verdadeira vida. Quando o casal vive um ideal comum, trabalhando para a beleza, verdade e bondade, então seu relacionamento pode se tornar muito harmonioso e feliz. E isso em grande parte já tem sido conseguido por casais que se conscientizaram de sua teomania e desistiram de suas fantasias de poder, para viver o que é real. Seus desejos passam a ser comuns, as brigas acabam, pois elas eram fruto de desejos contraditórios, conflitantes, fundamentados no narcisismo, na mulher, e megalomania ou desejo de poder, no homem. Os cônjuges geralmente brigam pelos mesmos motivos: ela quer mais atenção, mais dinheiro, mais sexo, mais distração; briga pela infidelidade do marido (real ou imaginária), e este, irritado por tal situação dentro de casa, se desespera e parte para fugas passageiras com mulheres ou no trabalho. Alguns homens também brigam para manter seu domínio dentro do lar, querendo obrigar a mulher e os filhos a serem eternamente dependentes dele. Na maioria dos casos, os maridos chegam exaustos do trabalho, mal-humorados pelo desgaste do esforço dispendido pela luta pelo Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0470 Mulheres no Divã 71 poder, e ainda encontram uma carga enorme de lamúrias da mulher queixosa e dos filhos eternamente “reivindicando” coisas. Não há ninguém que suporte tal carga infernal! Manter o próprio reino em pé é a mais difícil carga de se levar. Isso custa a vida de muitos que morrem precocemente tentando moldar a realidade de acordo com sua imaginação. Se ambos passam a desejar o trabalho para a paz, o amor e a beleza, acima de tudo, então “sacrificam” suas vaidades pessoais em função de algo comum — a felicidade. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0471 22 Por Que os Homens Mentem Para as Mulheres? N as reuniões sociais, no ambiente de trabalho, os homens sempre acabam por formar grupinhos à parte das mulheres e vice-versa. Parece que a sintonia da conversa masculina é muito diferente da feminina. Cada sexo se comunica em “canais diferentes” e seus assuntos não só não despertam interesse entre si, mas são muitas vezes incompatíveis. Vocês já notaram que existem muitos assuntos que os homens só conversam entre eles, evitando a presença feminina? Todas as decisões consideradas mais importantes preferem discutir longe delas. E com razão! O homem é obrigado a omitir certos fatos e até a mentir para as mulheres, pois elas não têm equilíbrio para lidar com a verdade. O sexo feminino se reune longe dos homens para falar mal deles ou para conversar sobre suas fantasias e futilidades. Eles, por sua vez, se reunem longe delas para decidir assuntos de primeira importância para a vida de ambos (além de falar sobre mulheres). Elas não podem tomar conhecimento dos problemas sérios, pois, além de não terem uma solução a dar, ficam apavoradas, tornando o ambiente mais difícil ainda para que qualquer solução seja adotada. Os homens permitem às mulheres participar de discussões que tratem de assuntos afetivos e familiares, pois são os únicos em que têm interesse. E dentro desse campo, elas criam as maiores confusões, colocando uns contra os outros. Mas, quando se trata de assuntos realmente importantes e vitais, eles tomam muito cuidado para evitar sua presença; e quando isso não é possível, têm um grande trabalho para neutralizar o desequilíbrio delas. 72 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0472 Mulheres no Divã 73 Certa vez ouvi um homem desabafar: “as mulheres se queixam que os homens mentem para elas, mas elas não aceitam ouvir nenhuma verdade! Se o homem fala a verdade para uma mulher, ela fica tão furiosa, reage de maneira tão desequilibrada, briga tanto, que ele desiste e passa a resolver a questão simplesmente omitindo ou mentindo para elas.” Isso ocorre porque a mulher se envolve emocionalmente com qualquer assunto, e sua reação, na maioria das vezes, é desequilibrada; ou briga e grita, ou chora. Assim se agrava o isolamento entre homens e mulheres, cada grupo do seu lado, entendendo-se menos a cada dia que passa. Ele reage de várias maneiras à intolerância que ela tem em ver a verdade, seus próprios erros e problemas em geral: pede o divórcio, dá-lhe bastante dinheiro para que ela se distraia em viagens e compras, tranca-a dentro de casa cuidando dos filhos, foge periodicamente através de amantes ou algum vício, ou simplesmente, resolve ficar solteiro para sempre. Quando os filhos crescem um pouco, eles também começam a conscientizar a dificuldade que seu pai sempre teve, pois eles próprios aprendem que não podem falar a verdade para sua mãe, sem que ela brigue ou faça dramas. A mim não agrada ver a que ponto de desequilíbrio nosso sexo chegou. Gostaria muito que as mulheres mais honestas que me lêem, conscientizando-se desse problema, modificassem sua atitude e ajudassem a mudar também as outras mulheres. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0473 23 A Mulher Imita a Mãe na Conduta Afetiva S e a mãe tem uma boa aceitação do afeto, aceita bem o marido e os homens, a filha terá muito mais chances de aceitar também sua vida afetiva. Caso contrário, se a mãe rejeita os homens da casa, a mulher terá grande dificuldade em aceitar seu marido, namorado, companheiro, filho ou qualquer homem, pois a filha imita a mãe na sua conduta em relação ao afeto. A jovem V. R. apresentava sérios problemas de relacionamento com figuras masculinas. Não conseguia se aproximar delas e só fazia amizades com mulheres, mas também com dificuldades. Não tinha namorado e isto a deixava muito complexada. Sempre que trabalhava, preferia chefes mulheres, e procurava analistas mulheres também para fazer psicoterapia. A sua família foi, nesse caso, peça importante no desenrolar de seu comportamento neurótico. Sua mãe, esquizofrênica, sofrera internações em hospital psiquiátrico. O pai, homem depressivo, mas bondoso, costumava agir como uma “esponja” absorvendo todas as agressões e ataques da invejosa esposa. Logo cedo V.R. aprendeu essa conduta louca da mãe e começou, ela também, a atacar o pai, imitando a mãe na conduta invejosa e raivosa contra os homens. Certo dia, V.R. trouxe para análise um problema que a afligia especialmente: estava triste por não conseguir arranjar namorado.Dizia ser desprezada por todos os rapazes que lhe interessavam. Tendo investigado mais a fundo, ela me revelou que já havia tido um namorado, 74 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0474 Mulheres no Divã 75 por 5 anos, e que este também a havia abandonado, trocando-a por outra, com a qual se casou em seguida. Obviamente V.R. não percebia que ela era a única culpada do que lhe acontecia. De tal forma fui conduzindo sua análise que consegui levá-la a perceber que ela tivera uma conduta de tanto ódio e desprezo por seu namorado, numa imitação da mãe, que afugentou o rapaz de sua vida. Relembrando o passado, contou que durante 5 anos agrediu aber- tamente o namorado, em conluio com sua mãe. As duas faziam um pacto: a mãe desprezava o pai, ela o namorado. Viam-se como seres muito superiores em relação a seus companheiros e criavam um clima de hostilidade insuportável a ambos. Sem dúvida, o rapaz, por mais masoquista que fosse, iria sucum- bir mais cedo ou mais tarde àquela guerra aberta. Tendo encontrado garota mais afetiva, que o tratava bem, não hesitou em trocar uma pela outra. Esse foi seu primeiro e último namorado. Em seu relato, V.R. disse que ficou com muito ódio quando o rapaz a abandonou. Eu completei: “Não, aí a senhora percebeu quanto ódio sempre teve, razão que afastou o seu namorado da senhora”. A mulher precisa perceber que imita muito mais a conduta patológica da mãe e das mulheres da família do que pensa. Muitos problemas conjugais e de relacionamento afetivo sérios poderiam ser evitados se ela se apercebesse disso a tempo. É muito comum a mulher tratar o marido como a mãe tratava o pai — e faz isso sem perceber, pois ela mesma critica a maneira desagradável de ser de sua mãe na família. Somente através dessa conscientização é que a mulher pode acor- dar para os erros graves que comete, destruindo sua própria vida sem que se aperceba de tal fato. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0475 24 Os Pactos P or falar em pactos, Jean Jacques Rousseau já dizia: “O homem fala o que sabe, a mulher fala o que agrada”, querendo dizer que a mulher quer agradar a quem ouve, e não está preocupada em fazer valer a verdade. Com isso elas criam as maiores confusões e intrigas, pois o que agrada uma mulher é ouvir falar mal dos outros. Mesmo considerando-se que existem mulheres mais bondosas, elas dificilmente querem desagradar a quem quer que seja falando a verdade, pois, muitas vezes, esta mostra a dureza da loucura humana. Assim sendo, desde criança a mulher poupa a si mesma e aos outros a visão dos problemas e das maldades humanas, criando em torno de si um mundo róseo de hiprocrisia e alienação. Quando eu digo a certas clientes que elas devem romper o “pacto” que fizeram com os homens, tendo acatado uma posição de submissão, subserviência e dependência, em troca de uma vida de alienação e irresponsabilidade social, não estou querendo dizer que devam partir para uma guerra contra eles, como se fossem vitimas em mãos algozes; afinal, quando existe um pacto, ambas as partes devem estar de comum acordo. É muito freqüente as mulheres passarem de um extremo ao outro — ou adotam uma posição de conivência (até certo ponto imoral) com a patologia do marido, filhos e sociedade, ou então optam por uma atitude de liberdade para a agressão e para a loucura. De “beatas” e “Amélias”, passam à libertinagem. O difícil é a mulher manter um relacionamento sem pactuar com o que sabe que não é certo no outro. 76 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0476 Mulheres no Divã 77 É comum mulheres de civilizações mais atrasadas (latinas, árabes, orientais) passarem anos a fio com medo de contrariar o marido — sem trabalhar, sem estudar, sem sair sozinhas, apanhando silenciosamente. Quando percebem o absurdo de tal situação, muitas descambam para o extremo oposto, alimentam uma guerra dentro de casa, atormentam os filhos e amigos, não aceitando mais qualquer restrição às suas vontades e, muitas vezes, exigindo o divórcio. Parecem querer viver numa só tacada todas as fantasias que reprimiram até então. Esta atitude carece de bom senso. É óbvio que afeto, trabalho, estudo, jamais podem fazer mal a quem quer que seja, mas desde que a pessoa não perca o bom senso e cheque suas intenções. A mulher que pactua com um homem agressivo e repressor, na verdade tem dentro de si a mesma intenção agressiva e destrutiva contra a sua própria vida, só que não o percebe e projeta nele toda a sua patologia. Caso ela não conscientize isso, todas as decisões que tomar conservarão o mesmo padrão de destrutividade, e não adiantará um afastamento ou uma ruptura social, pois a raiz do mal permanecerá intacta em seu interior. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0477 25 A Psicopatologia Familiar A mulher repete através de várias gerações a conduta patológica das mulheres da família; ou seja, a neta repete o comportamento neurótico da mãe, da avó, que por sua vez repetiu o de sua mãe e avó. R. M., casada e mãe de uma menina muito graciosa, acompanhou o marido quando este se transferiu de país por motivos de trabalho. Em princípio, ambos tinham interesse em se desenvolver com essa experiência, e viam vantagem também na ida da menina que iria vivenciar uma cultura diferente, aprender uma nova língua etc. Durante o primeiro ano, R. M. mostrou-se irritada e insatisfeita com a vida no novo país, o que causava constantes dissabores ao marido. Em seguida, com suas queixas de saudades da mãe e da família, conseguiu criar um clima de tensão no casal. Terminado esse tempo, ela aumentou a pressão para voltar ao país natal e levar a filha e o marido, embora este não tivesse a menor intenção de abandonar sua nova empresa, que estava em amplo desenvolvimento. Sem que o percebesse claramente, R. M. estava provocando uma situação insustentável, a qual iria resultar num divórcio a médio prazo. Ela estava repetindo a conduta da mãe, que tendo ficado viúva muito jovem, jamais se casara novamente, sob o pretexto de assim poder cuidar melhor dos filhos. Fato é que nem a mãe nem a filha aceitavam uma vida ligada a um homem. Sendo alertada para tal fato, R.M. passou a preocupar-se muito mais com suas intenções inconscientizadas, o que facilitou muito o entrosamento do casal. Estranhamente, R.M. tinha uma ligação muito forte com sua mãe, a ponto de chorar desesperadamente por ter que viver longe dela, ao 78 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0478 Mulheres no Divã 79 lado do marido e da filha. Mostrava uma dependência mórbida, mais resultado de um “pacto” psicopatológico fortíssimo entre as duas, do que de uma ligação afetiva. É muito comum notarmos esse fenômeno: muitas mulheres que se casam, não querem se desligar da posição de “filhas” e passar para a posição de esposas e mães. Casam-se, mas continuam vivendo estreitamente ligadas ao ambiente familiar, especialmente à mãe, e tentam impingir ao marido e aos filhos o mesmo tipo de vida. Almoços obrigatórios aos domingos, festas de Natal e Fim de Ano, dia das mães, dia dos pais, presença da sogra em todas as decisões do casal, são alguns exemplos dos sacrificios que uma mulher consegue impor a quem desejasse unir-se a ela (e não à família dela). E sendo que esses pactos mãe-filha são, na maioria das vezes, baseados em motivos muito doentios, a influência da mulher torna-se extremamente desagradável nas relações familiares. É incrível como as mulheres conseguiram criar uma rede de tanto poder e manipulação emocional na área afetiva da vida, o que, a meu ver, pode ser até mais torturante que o poder socioeconômico exercido pelos homens. O poder feminino é exercido através da chantagem afetiva, mexendo no que é mais íntimo no ser humano: seus sentimentos e sua alma. É devido a isso que eu tive em várias mães dos meus clientes as maiores inimigas, pois assim que eles começavam a progredir, rompiam o pacto doentio que mantinham com elas, exigindo um relacionamento mais maduro, livre e equilibrado. As que aceitaram conscientizaro problema, desenvolveram-se junto com os filhos; as demais, tiraram os filhos da análise (quando esses dependiam economicamente dos pais), ou fizeram o possível para convencê-los da “grande destruição que o tratamento estava causando à família”. Esses clientes não aceitavam mais o controle e a manipulação da família; queriam afeto, amizade e não pactos doentios. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0479 26 Atrás de Um Homem Doente Sempre Existe Uma Mãe Neurótica O dr. A.C., dentista de meia idade, procurou a análise para tentar resolver seus problemas de fobia intensa. Era dependente de calmantes, não conseguia trabalhar nem realizar qualquer coisa útil, sob pena de ser acometido de terríveis angústias. Era totalmente dependente de sua mulher, e não saía para lugar algum sem ela; havia praticamente parado de trabalhar. Após um mês de análise já havia deixado os calmantes. E pouco tempo depois já conseguia viajar sozinho de sua cidade (situada a 3 horas de distância) para São Paulo, demonstrando amplo progresso no processo de se independer, inclusive sendo capaz de retornar às atividades em seu consultório. Porém, essa ansiedade persecutória em relação ao trabalho continuava de forma latente, perturbando muito o seu desempenho. Pude então notar que sua mãe fôra uma figura muito importante e dominante em sua vida. Filho caçula, com 12 anos de diferença do irmão mais novo, ainda na infância perdeu o irmão mais velho, em condições traumáticas. Sua mãe, muito possessiva e neurótica, cercou A.C. de excessivo cuidado e superproteção. Fazia todos os deveres de escola com o garoto e cercava-o de mimos, transmitindo-lhe a idéia de que a vida, a realidade, o estudo e o trabalho eram um perigo, um fardo, um grande sacrifício. Ele admitiu ter-se identificado muito com a mentalidade da mãe, passando a ter uma idéia invertida, feminina aliás, de que o trabalho é pesado e negativo. 80 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0480 Mulheres no Divã 81 Como poderia ele aceitar com agrado o que no fundo acreditava ser causa de dissabor e desgaste? Com isso, sem que percebesse, fazia grande oposição ao trabalho, o que lhe causava muita ansiedade e angústia. A essência do homem é sua capacidade de realização dentro da criação — o homem é, fundamentalmente, o que ele faz, e não o que ele pensa. Portanto, se bloqueia sua atividade por vê-la como patologizante, está sufocando seu próprio ser, entrando em terríveis angústias e fobias. Deus nos criou para sermos semelhantes a Ele na conduta e deu-nos a honra de participar do processo de criação do universo completando-o e aperfeiçoando-o. Só assim nos tornamos realmente semelhantes a Ele. Notem os leitores que as mães que mimam os filhos dando-lhes a idéia de que o trabalho é sacrificado e desgastante, que devem defender-se do mundo e dos outros que lhes são inimigos, estão agindo diretamente contra os filhos — mesmo que não o percebam com nitidez. Em inglês usa-se a palavra “spoil” para designar bem o que as mães, pela inveja inconscientizada, desejam fazer com os filhos e, definitivamente, fazem. Nos Estados Unidos, o número de homossexuais aumentou as- sustadoramente nos últimos 10 anos. Algumas estatísticas chegam a falar que 50 % dos homens solteiros em São Francisco e em Nova York (maiores centros de homossexualidade) são homossexuais. Isto sem se considerar que muitos casados têm comportamento bissexual. Este fato coincide com o aumento de famílias onde somente a mãe está presente. 30% das famílias americanas são “female headed families” (famílias dirigidas por mulheres). Portanto, 30% dos filhos criados em lares americanos não contam com a figura paterna para que possam fazer uma boa identificação, tão necessária na fase de amadurecimento da personalidade. Convivendo só com as mães, os meninos têm, muitas vezes, a idéia de que ser como uma mulher é o ideal, pois nada sabem a respeito de como um Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0481 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 82 homem maduro, de verdade, não dispondo do modelo certo para a identificação, seja. Mas o fator mais problemático é que, na maioria das vezes, o menino adquire a mesma idéia negativa que sua mãe possui a respeito dos homens. Não raro, a mulher divorciada mantém, mesmo sem o perceber, um conceito muito negativo a respeito daquele que foi o pai de seu filho. Consciente ou inconscientemente, transmite isso a seus filhos, vindo a ocasionar problemas tão graves como o homossexualismo, pois o menino terá horror de ser igual àquele que tanto fez sofrer sua mãe, figura afetiva de maior importância em sua vida. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0482 27 A Mulher Cria, à sua Semelhança, Filhos Inúteis e Alienados A mulher que não está consciente de sua psicopatologia, que não enxerga os seus problemas, pode causar danos incalculáveis a seus filhos. As mães educam os filhos tomando como base seus próprios valores, sua filosofia de vida, experiência pessoal, e não percebem que elas próprias são muito alienadas e que suas idéias do que seja o melhor para as crianças, poderá ser o pior (como foi para elas mesmas). Como a mulher, na maioria das vezes, foi criada alienada, “fora da vida”, somente estudando e esperando um marido, sem nunca ter experimentado o valor do trabalho sério dos que sustentam a si mesmos, pensa que esta seria também a melhor vida para seus filhos. Exemplificando: ao encerrar a faculdade, o cliente B.P., de 26 anos, decidiu mudar de país para começar uma vida diferente; era a primeira vez que deixava a casa e a experiência de ter que prover seu sustento lhe era algo desconhecido. Foram tantas as dificuldades que teve que passar, sofreu tanto até começar a se adaptar, que se não estivesse se submetendo à análise, não teria agüentado e teria desistido da empreitada. B.P. disse que nunca poderia ter imaginado a falta que lhe faria a ausência de uma experiência de trabalho desde adolescente, pois agora sentia como uma violência a adaptação ao mundo. Nada disso acontecia aos seus amigos que tinham iniciado o trabalho ao lado dos estudos, desde os 13 ou 14 anos de idade. 83 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0483 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 84 Muito magoado, relatou que sua mãe jamais permitira que ele trabalhasse e estudasse ao mesmo tempo. Ela usava de argumentos como: “agora é hora de estudar seriamente, e não de trabalhar. Se você não levar a sério seus estudos agora, no futuro vai se ressentir. Depois você terá muito tempo para trabalhar.” Seu pai, pelo contrário, homem culto mas também com muita experiência prática na vida, não discordava do filho; percebia quão importante era a experiência de trabalho, que é útil, inclusive, para fixar melhor os conceitos aprendidos na escola. Sabia que os melhores alunos nunca se tornam bons profissionais, o que mostra o perigo da intelectualização na formação de uma personalidade. B.P., quando criança, queria trabalhar como office-boy; sua mãe, indignada, não o permitiu, pois via seu filho como “bom demais para tal tarefa. Iria passar por muitas humilhações e perigos, além de não aprender nada com aquilo.” Notem que a mãe de B.P. projetava-se no filho e imaginava-se em seu lugar; tinha horror ao trabalho, que via como humilhante e sem utilidade. Queria ser uma “poderosa” na sociedade, casada com um homem que fosse mais ambicioso do que seu marido se mostrava. Não permitia que seus filhos fizessem aquilo que achava ser prejudicial para si mesma e para eles. Portanto, a mãe de B.P. educara seus filhos da melhor maneira que podia, dentro dos seus critérios de valor. Ela era inútil, só tinha estudado e trabalhado levemente, tendo logo se casado para transferir para o marido a dependência que tinha dos pais. Queria para seus filhos o que fizera consigo, pois nada via de errado em sua conduta. Se um indivíduo não começa a trabalhar desde cedo, dificilmente conseguirá fazê-lo mais tarde; terá enormes dificuldades para realizar qualquer coisa, passarápor angústias terríveis, como se pode ver nesse caso, devido à situação criada artificialmente pela mãe com o apoio da sociedade. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0484 28 A Intriga: O Crime da Mulher S e podemos dizer que existe um defeito tipicamente feminino, esse defeito é a intriga. A mulher abre a boca para conversar com o marido, com os filhos, ou com as amigas, e 90% do que diz consiste em comentários maldosos a respeito dos outros. Quando uma mulher fala, é necessário sempre perguntar: será que o que ela está dizendo é a expressão da realidade, ou será que ela diz o que gostaria que nós acreditássemos? A maior arma de destruição de que a mulher dispõe é a sua língua, que manifesta toda a malícia, veneno, inveja, que vai em seu coração. Às vezes sutil, com voz aveludada, em tom de quem “só fala para poder ajudar”, a mulher aproveita para destilar toda a sua fúria intrigando sobre os outros. Consegue colocar todos contra a pessoa de quem tem inveja, e quantas vezes essa pessoa não é seu próprio marido ou melhor amiga? Infelizmente, é preciso reconhecer que a maioria das mulheres praticamente tem inveja de tudo. E sequer percebe essa realidade, o que agrava mais a situação. Nos escritórios as intrigas são sempre feitas pelas mulheres. O mesmo na família, nos clubes, entre os amigos, na escola e faculdade... Os banheiros femininos têm sempre uma rodinha que, se prestarmos atenção, tem como tema central uma fofoca, uma intriga. Falar mal dos outros é um gosto feminino. De tal forma isso é verdadeiro que, além das mulheres, somente alguns homossexuais, que imitam as mães, também têm línguas viperinas, que se aprazem em ver a imagem dos outros destruída. 85 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0485 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 86 Separar casais, amigos, amigas, colocar colegas em má situação perante chefes e professores — é a intenção advinda da inveja in- conscientizada das mulheres. O quê, melhor do que a intriga para “acabar” com a rival que ameaça a situação de destaque que uma mulher quer ocupar? O quê, melhor do que falar dos “podres” dos outros, para que sinta engrandecida perante os demais? O que muito me entristece é constatar, na experiência de psicanalista, que são, decididamente, as mulheres as grandes caluniadoras. São as que maldizem os demais, as que lançam lama com prazer sobre o nome dos amigos e familiares, com um prazer tão grande como só os demônios poderiam ter. Uma calúnia, uma intriga, prejudicam muito mais do que uma agressão física. A má língua de uma mulher é muito mais perigosa do que uma arma. Um soco, uma facada, muitas vezes um tiro até, podem ser de fácil recuperação, mas as intrigas, as calúnias, estas jamais são totalmente apagadas. Um indivíduo pode ter sua vida inteira arrasada por intrigas da sua mulher. A mulher lembra o demônio nessa conduta, pois ele é chamado de “o caluniador” que passa a eternidade tentando colocar Deus contra os seres humanos, e estes, uns contra os outros. Ambos: mulheres e demônios querem separar, ferir, destruir reputação, mentir, caluniar, pelo prazer de ver a inveja realizada, não se contêm. Não falo somente das mulheres que são doentes mentais graves, falo da mulher comum, que mesmo que procure disfarçar um pouco sua língua maldosa, acaba sempre colocando veneno em suas palavras. Espero que as leitoras sejam honestas o suficiente para reconhecer esse problema, pois, com isso, o sexo feminino vem causando um mal imensurável nos bastidores das civilizações. Agem como verdadeiras bruxas, com máscara de anjos. Escondem-se atrás dos homens e os insuflam para a vingança, o ódio, a agressão. Uma das grandes dificuldades que tem um psicanalista, é “filtrar” o que a cliente fala sobre os outros. Seus relatos quase nunca são Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0486 Mulheres no Divã 87 imparciais, objetivos. São, na maioria das vezes, engendrados com alguma finalidade; querem chegar a um objetivo egoísta, e dão ao que dizem a interpretação que lhes interessa Acrescentam idéias e julgamentos seus, sempre puxando para uma certa direção, para que o ouvinte fique influenciado contra aquele de quem fala. Exemplificando, M.F., ao falar de um colega disse: “Parece que fulano não tem jeito mesmo. Ele foi o único que não trabalhou nas equipes de trabalho que foram organizadas para a manuten- ção da ordem e limpeza na nossa comunidade”, querendo dizer da preguiça e arrogância do referido. Perguntei-lhe: “Por que diz isso? Alguém fez algum comentário? Como a senhora sabe disso?” Ela respondeu: “Não... ninguém disse nada. Eu é que acho isso, mas é porque eu nunca o vi trabalhando.” Vejam que a intenção de M.F. era a de criar uma situação de desconfiança e mal estar contra a pessoa de quem falava, pois estava simplesmente inferindo algo que sua inveja a fazia pensar. O fato de não ter visto o colega trabalhar nas tarefas da casa não lhe dá direitos de, só por isso, concluir que ele não trabalha. Não teria ele efetuado suas tarefas longe de sua visão? Façam um teste vocês mesmos. Começem a observar o que falam as mulheres (e o que vocês próprias falam) e coloquem o que dizem em dúvida, mesmo que elas pareçam muito seguras de si. Descobrirão um mundo incrível de mentiras, fantasias e calúnias, que jamais imaginaram! Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0487 29 As Mulheres e a Solidão N ão há nada mais desagradável do que a companhia de uma mulher solitária. Aquela que é só, não é rejeitada por acaso, mas criou uma situação de atrito com os outros, que tornou insustentável a sua convivência em sociedade. Geralmente são pessoas muito agressivas e causam a reação de afastamento e repulsa por parte dos demais. Não raro, essas pessoas têm família, ou, no mínimo, parentes. Mas todos estes se afastam, reafirmando ainda mais seu quadro de “vítimas da sociedade”. Mas se observarmos bem, essas solitárias têm hábitos esdrúxulos, são implicantes, muito arrogantes, agressivas, culpam a todos pelos seus males e sofrimentos. No fundo, o real motivo de sua queixa é o fato de não serem tratadas como “deusas” — seus familiares ou a sociedade se voltam para seus próprios interesses, e isso frustra o seu egocentrismo e narcisismo. A cliente P. E., de meia idade, nascida em um país da América Central, vivendo e trabalhando em Nova York por muitos anos, veio fazer análise por sofrer de angústias e sintomas psicossomáticos que lhe causavam muito desconforto — tais como tonturas, perturbações visuais, dores de cabeça etc. O seu relato foi o seguinte: mulher de meia idade, era desquitada, dois filhos já adultos, um solteiro e outro casado. Muito solitária, desconfiada de todos, acabara de sofrer uma grande desilusão na vida afetiva. Conhecera um colega de trabalho pelo qual, apaixonada, nutrira fantasias de ser correspondida e de poder brevemente viver e trabalhar com ele. Após pouco tempo de amizade mais próxima, o homem do qual gostava confessou-lhe seu 88 Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0488 Mulheres no Divã 89 homossexualismo. P. E. teve uma reação emocional muito forte caindo na crise que motivou sua vinda para a análise. Estava sob efeito de remédios e calmantes e impossibilitada de trabalhar. Se considerarmos a questão sob o ponto de vista dela, veremos uma mulher sozinha, vítima da maldade e ingratidão do ex-marido a quem dedicara metade de sua existência, da frieza dos filhos que a abandonaram por interesses egoístas e, atualmente, da inconseqüência de seu novo amor. A vida não lhe teria sido nada camarada. Se analisarmos o que está por detrás do seu relato, veremos que P. E. sempre teve, de maneira inconscientizada, uma grande rejeição ao afeto, procurando, intuitivamente, unir-se a pessoas mais patológicas e recusando ligações mais saudáveis. Acrescentada a essa inversão afetiva, que a levava a desconfiar e rejeitar verdadeiros amigos e a buscar os inimigos, havia a filosofia de vida aprendida de sua mãe e avó, que era a “filosofia do sofrimento”, em quea mulher de valor é a que sofre, enquanto a felicidade e o bem-viver seriam características de pessoas levianas. Isso tudo levou P.E. a uma atitude tão negativista e pesada diante da vida, que nem seus filhos suportavam sua presença. Movidos por uma defesa própria de bem-estar, eles tendiam ao afastamento, o que gerava maiores cobranças por parte da mãe e, conseqüentemente, desencadeava um círculo vicioso, aumentando cada vez mais sua solidão. As exigências que as solitárias fazem são muito maiores do que uma pessoa comum faz. Demandam atenção constante voltada para elas, são ciumentas e invejosas — não admitindo repartir o objeto afetivo com ninguém. Não suportam ser contrariadas em nada; seus caprichos têm que ser atendidos e não agüentam frustrações. Quando namoradas, absorvem o parceiro completamente, iso- lando-o dos amigos, do trabalho, da família. Vigiam até seus pensamentos. Quando esposas, exigem que os maridos as coloquem como cen- tro de suas vidas, como objetivo principal. Se pudessem, todas Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0489 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 90 prenderiam os maridos em casa. Como não podem (senão morreriam de fome e, por outro lado, também por quererem o dinheiro que eles trazem), então vigiam a hora em que eles saem de casa, a que horas voltam, onde estiveram nesse espaço de tempo, em que pensaram etc. etc. Quando os maridos estão em casa, implicam com eles o tempo todo, fazendo da vida um tal inferno, até o ponto em que eles desistem e literalmente desaparecem para que suas esposas nunca mais possam encontrá-los. Resultado — furiosa e frustrada em seu narcisismo, essa mulher procura os amigos do casal (geralmente do marido), os parentes, o médico ou o padre da família para se queixarem e se lamentarem de “tão grande traição e ingratidão”; “elas que sempre foram tão dedicadas receberam a solidão como paga”. E, em pouco tempo, conseguem afastar estes também. Mas o fenômeno é que as solitárias sempre se acham perfeitas! Fenômeno, pois se elas são realmente o que apregoam, deveriam ter atrás de si uma fila de gente ávida a usufruir, pelo menos um pouquinho, de sua bondade e de seu afeto!... Por que será que isso não acontece? Elas podem até se enganar, e terem como seus aliados algumas pessoas que não convivem diariamente com elas e que ainda não foram alvos dos seus tentáculos. Mas pobres daqueles que estiverem em “sua mira”: é absolutamente insustentável o convívio com as “solitárias”. Todos esses problemas só poderão ser solucionados se a so- ciedade for organizada de maneira diferente, onde as mulheres possam viver em comunidades que lhes proporcionem chances de uma realização verdadeira, isto é, onde possam dirigir sua afetividade para a realização do bem para a sociedade e onde seus potenciais internos possam ser utilizados corretamente. É quase impossível que um ser humano possa se realizar afe- tivamente vivendo na sociedade da maneira em que ela está organizada, pois não existem meios de o indivíduo canalizar sua energia afetiva de maneira livre e saudável. O potencial afetivo humano é enorme, e se ele não pode ser utilizado corretamente, através de ações úteis dentro da ciência, arte e cultura verdadeiras, acaba por se concentrar, de maneira patológica, em um número pequeno de relacionamentos. Parte I_AF.p65 27/1/2004, 15:0490 Parte II Estudo Sociopatológico Olho Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0691 “Temos que admitir que o nosso sistema social não está organizado em benefício das mulheres, artistas e intelectuais. Ele foi estruturado pelos mais espertos para o benefício deles e em detrimento do povo em geral. Além disso, sabemos que isso foi feito porque as famílias são mais afetuosas e o sentimento, que é a base da existência, é considerado pelos poderosos inapropriado à vida.” (Liberation of the People, Norberto R. Keppe, pág. 212). Olho Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0693 95 1 A Influência da Teomania na Educação A sociedade é como uma forma que ensina o menino a se achar o maior e mais poderoso no que faz, e a mulher, a mais bela, simpática e sedutora das criaturas. A tal ponto chegou a loucura da humanidade que toda a estrutura de vida gira em torno da teomania. Assim sendo, qualquer pessoa que queira seguir uma conduta mais saudável, mais voltada para a realidade, para o progresso, para o bem- estar e felicidade dos homens, e ser, conseqüentemente, mais verdadeira e honesta, é automaticamente rejeitada. Por exemplo: o menino mais afetuoso, que não se preocupa em ter um harém de garotas, nem se interessa por ostentação de carros, motocicletas e drogas, é rejeitado por seus colegas e pelas garotas, sendo visto como anormal. A menina mais equilibrada, menos vaidosa, é igualmente vista como “diferente” e não é bem aceita entre as meninas e meninos. E sempre os mais loucos são eleitos como líderes dos grupos de crianças e jovens. Da mesma forma, os pais se encarregam de orientar seus filhos no mesmo caminho: na busca de poder, glória e riquezas; e a mãe ensina sua filha a ser vaidosa e egocêntrica, incensando-lhe o narcisismo e mostrando uma perspectiva totalmente distorcida de vida — onde ela se realizaria como “a mulher de alguém”. Observem os senhores as conversas das meninas desde pequeninas: estão sempre se invejando mutuamente. Umas falam mal das outras por trás e depois trocam os pares e voltam a falar mal das que Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0995 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 96 primeiramente ouviram suas confidências. Tentam mostrar sempre que nenhuma tem valor pois isso ofuscaria seu brilho. Assim, desde cedo, a competição e intriga femininas tomam força a tal ponto que um dia ouvi dizer: a maior inimiga da mulher é a outra mulher. Parece que nós mulheres nunca podemos confiar em outra mulher — desde a infância aprendi que se quisesse um amigo verdadeiro, este teria que ser homem. Mas o que é mais preocupante é o pacto de hipocrisia que é mantido pelas famílias em relação a seus filhos. Cada criança é um ser social que deveria ser educado e “moldado” pela sociedade; no entanto, as mães não permitem que ninguém corrija seus filhos sem ficar ofendidas e indignadas. Quantas vezes, por exemplo, numa festinha de aniversário todos ficam constrangidos ao ver a bagunça e destruição que Joãozinho faz na casa do aniversariante, sob os olhares orgulhosos e benevolentes de sua mãe? Ou quantas vezes os vizinhos lançam olhares apiedados para o casal de meia idade que está totalmente alheio às fofocas e comentários apimentados que o bairro faz sobre sua filha adolescente que passa “de mão em mão” entre os rapazes? Os outros sabem muito mais coisas sobre os filhos que os pró- prios pais, porém nada podem fazer para ajudá-los, sob pena de se- rem vistos como intrometidos e perderem a amizade de anos com poucas palavras. Fato é que as mães são as maiores “felinas” que protegem seus filhos de qualquer consciência de seus erros e pro- blemas, conservando-os como nobres delirantes, fora do mundo. Seria tão mais fácil se cada criança e adolescente pudessem ser educados por todas as pessoas! Seria um alívio e uma ajuda ines- timável caso as mães assim o permitissem. Elas próprias não teriam tanto desgaste para conseguir segurá-los num caminho mais realista, algo que se torna impossível para uma mãe sozinha, em se tratando de filhos adolescentes. Filhas muito mimadas pelas mães jamais conseguem se engajar numa vida real, onde têm que enfrentar os problemas que são impostos Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0996 Mulheres no Divã 97 a todos os seres humanos. Tornam-se figuras grotescas, iludidas a seu próprio respeito e dos outros. Os leitores se lembram de mulheres que envelheceram como pessoas deslumbradas, conservando a idade emocional de 9 ou 10 anos? E como todos temem derrubar o castelo em que elas vivem, com medo de magoá-las ou até causar-lhes uma crise emocional grave? É realmente chocante notarmos a representação existenteentre a sociedade e as mulheres; a sociedade eternamente fingindo que acredita nas fantasias que a mulher elabora (com ajuda da mãe) a respeito de si mesma e dos outros. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0997 2 A Sociedade Ajuda a Estragar a Mulher A educação leva a mulher a uma filosofia de vida narcisista. Desde que nasce ela é ensinada pelos pais, marido e sociedade a adorar sua máscara e a cultivar sua vaidade. Pequenina já se acostuma a ouvir dizer: “Veja que gracinha ela é... “, “que olhinhos mais lindos”, “que cabelinhos graciosos”, “que gracinha de menina”, e assim por diante. Assim vai criando a idéia que o que tem valor é sua aparência, seu corpo, sua beleza, e não suas boas ações. O menino já não. Desde criança seus pais o tratam com mais firmeza, e qualquer sinal de vaidade lhe é podado na raiz com expressões: “o que é isso, fulaninho, você não é menina... Não pode ter essas vaidades. Isso é coisa de mulher”. Com grande vantagem para ele, pois aprende desde cedo que não vale pela sua beleza, ou pela sua máscara bonita, mas pela sua realização, pelas suas idéias, inteligência, capacidade, gentileza para com o próximo. Desde a mais tenra infância a menina é insensada, e insuflada em sua vaidade e narcisismo, e o menino é ensinado a trabalhar. Aliás, o menino que age de maneira diferente é imediatamente rechaçado e comparado a um homossexual ou a uma mulherzinha, o que evita que enverede pelo mesmo caminho alienado da mulher. Desta forma, ele aprende a se interessar pela vida, pelos outros, pela realidade, sempre tendo em mente que um dia terá que produzir para se sustentar, para sustentar sua família e sobressair-se numa atividade qualquer para ser respeitado. 98 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0998 Mulheres no Divã 99 Muitos dirão: “mas o homem geralmente vive só para ganhar dinheiro”. Concordo, e acho que isso é lamentável. Mas, para ganhar dinheiro, numa sociedade competitiva, o homem tem que desenvolver alguma capacidade ou habilidade a fim de despertar o interesse da população a ponto de “vender” seu produto, sua idéia, sua mão-de-obra. Com exceção dos poucos poderosos milionários, não se pode ser muito louco, se se quer ganhar a vida. A mulher não precisa disso. Desde menina é levada a crer que provavelmente seu marido a sustentará. Ou a herança de seu pai, ou na falta disso, pode contar que muitos homens criarão empresas, universidades, estruturas tais que lhe possibilitem um emprego seguro e rentável. E, na maioria, sem a responsabilidade de criar e manter aquele negócio. Assim ela tem todo o seu interesse voltado para que roupas deve usar, que maquiagem, que corte de cabelo, que entonação de voz para fazer valer mais seu “tipo”. A competição entre as mulheres se dá mais nesse nível. Ela quer atrair a atenção dos outros pelo que é externamente e não pelo que realiza socialmente e para o bem do próximo. Tudo o que ela vê, imediatamente relaciona consigo pensando: “como essa pessoa ou essa situação pode servir a meus interesses pessoais?” Raríssimas vezes pensa: “o que eu poderia realizar? Como posso auxiliar no progresso da humanidade? Como poderia trabalhar com essa pessoa? “ O único interesse que a menina aprende a ter, é em si mesma, em seu corpo, em sua beleza, em seu charme. O menino aprende a ter interesse além de si mesmo, nas meninas, nos outros meninos, nos pais, nas brincadeiras, na realidade, na vida em geral. É mais atirado, é criado mais “solto”, cresce e se desenvolve com mais naturalidade. Conseqüentemente sua inteligência se desenvolve mais, torna-se mais esperto e apreende muito mais dados da realidade. O homem sempre tem em mente que um dia terá que ser um cientista, um engenheiro, um filósofo, um educador, um industrial, ou pelo menos, ganhar dinheiro, o que exigirá de si uma perícia em alguma coisa, pois a competição em matéria de dinheiro é grande. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:0999 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 100 A mulher presta atenção em si 90 % do tempo e 10 % na reali- dade. O homem, pelo contrário, habitua-se a pensar 10 % do tempo em si e 90% do tempo em fatores externos. Com isso, não é de se surpreender que a mulher embote sua inteligência, que ao nascer é idêntica, potencialmente, à do homem. Por isso se entende por que existiram tão poucas mulheres no campo da ciência, filosofia, teologia, música, artes em geral —porque elas não têm interesse por isso e jamais passou pelas suas cabeças que um dia teriam que realizar algo, como um homem já está acostumado a ter em mente que deve realizar. Haja vista algumas raras mulheres que voltaram seu interesse para a consciência e para a realidade, e que conseguiram realizar como um homem (Joana d’Arc, mme. Curie, Teresa d’Ávila, Agatha Christie, Melanie Klein). Acredito que no momento em que a mulher perceber que o seu universo não é o universo real (pois no seu, ela é a deusa), começará a se erguer e veremos surgirem grandes inventoras, artistas, compositoras, num número igual ao dos homens. Quando me perguntam: “por que você não critica também os homens? Eles não são santos, são criminosos, ladrões etc. Eu respondo: “como mulher que sou, estou humilhada de ver o meu sexo condenado a viver eternamente na mediocridade, sempre por detrás de um grande homem (com inveja dele) ou de um crimi- noso, numa vida de bastidores, própria de quem não quer apa- recer para não mostrar e assumir seus erros”. Quero ver as minhas companheiras de sexo se elevando, realizan- do algo de muito valor, e que sejam reconhecidas e lembradas na história como quem auxiliou de verdade na construção da civilização do futuro. A mim não interessa, no momento, quais são os problemas dos homens, e no que eles têm que evoluir. Estou sim interessada em conscientizar os nossos erros e a nossa patologia para que nós mulheres possamos evoluir, para que, após isso, tenhamos o que oferecer em auxilio aos demais homens e mulheres, do universo, e tenhamos moral para reivindicar nossos direitos perante a sociedade. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09100 3 O Narcisismo e o Poder A mulher, por ter sido mais avantajada pela natureza, que lhe deu um belo corpo de formas harmoniosas, atraentes, percebe desde pequena que sua beleza é uma arma eficaz. Com ele pode seduzir, pode conquistar, pode conseguir muitas vantagens. Não me refiro necessariamente a questões de sexo, mas vamos supor uma menina muito bonitinha; ela perceberá que atrai muito mais a atenção, os elogios e os mimos dos pais, parentes e amigos, do que seu irmãozinho que não foi tão privilegiado em suas formas. E isso reforça a sua vaidade. Ela própria, ao olhar-se no espelho com seus vestidos rendados, coloridos, laços de fita e adornos que lhe caem tão bem, perceberá que é bonita. A beleza de uma meninazinha pode derreter o coração de pessoas mais duras e frias, e ela percebe bem isso. Os encantos femininos vão, dia-a-dia, se transformando. Na adolescência eles começam a ser temperados com um erotismo, inicialmente fresco e inocente. Pouco a pouco, a mulher percebe que na sociedade em que vive essa é a única arma que lhe confere algum poder a mais do que aos homens e até mesmo outras mulheres, e usa disso na competição pelo dinheiro e o status social. Mas, justamente é o belo corpo feminino que acaba por apri- sioná-la em sua própria loucura. Isso porque a mulher passa a ser prisioneira de sua vaidade, dessa euforia estranha que toma conta do seu interior, esterilizando-o e destruindo todo o sentimento que lá existe. A partir daí, a felicidade torna-se algo impossível, pois ela vem do amor e só do amor. Do amor pelos homens, pelas crianças, por outras mulheres, pela vida, pelas flores, pelos pássaros, pela natureza, por tudo. 101 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09101 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 102 O narcisismo é como uma erva daninha que toma conta do nosso íntimo e não deixa que lá cresçam flores e frutos. Nessa esterilidade, tudo o que a mulhervê, ela coloca em função de si mesma; ela não enxerga o mundo em si, vendo-o em função de seus interesses. Ela raciocina: “Como um homem poderá servir aos meus interesses? Como uma mulher poderá pactuar com os mesmos pontos de vista e dar apoio ao meu egoísmo? Como uma paisagem ou um carro, ou uma casa poderão servir de moldura ao romance que faço de minha vida, onde eu sou a figura central?” Mulheres minhas amigas: somente uma mulher pode entendê-las tão bem e avisá-las de que esse é o maior perigo para a sua felicidade — aqui mesmo nesta terra. Esse é o único motivo — o desejo de se estar “por cima”, dominando, que nos aprisiona. Não é terrível a preocupação constante que a mulher tem em estar sempre bem, em ser vista como bonita, elegante, inteligente e charmosa? Essa obsessão, essa idéia fixa, esse pavor em não estar perfeitamente em forma, a preocupação do que os outros pensam sobre nós, isso é um tormento que não compensa. A preocupação com roupas, com a maquiagem, com o penteado, com jóias, com a forma física, não passam de uma prisão terrível na qual a mulher se coloca e foi colocada pelo sistema econômico-social. Vocês percebem que uma dádiva da natureza pode se transformar numa câmara de torturas, dependendo do uso que queremos dar a ela? Não estou querendo dizer com isso que não se deva valorizar o bonito corpo que se recebeu, muito pelo contrário, devemos cuidar dele com carinho e respeito. A beleza deve ser valorizada, preservada e incentivada. Mas o que quero dizer é que não podemos permitir que o nosso desejo excuso de poder e controle sobre os outros corrompa uma das dádivas mais importantes que recebemos, e que usamos para “comprar” os outros e conseguir poder. O narcisismo é o desejo de poder ser mais do que os outros através da beleza. E isso é loucura; e como toda loucura, só traz angústia, depressão, tormentos internos. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09102 Mulheres no Divã 103 A mulher que perceber isso, vai ter enorme alívio pois poderá inclusive usufruir melhor do que tem. A própria ansiedade, que a vaidade ambiciosa traz, gera uma tensão nervosa muito grande, causando em seguida o stress e o envelhecimento precoce. Por isso as mulheres mais narcisistas envelhecem mais rapidamente, e as mulheres mais bondosas conservam um frescor natural por muito mais tempo, refletindo, sem nenhuma cirurgia plástica, um frescor e juventude que emanam do seu interior. Outro aspecto que as mulheres não pensam, é que a idéia de poder através de seu corpo é muito relativa e fugaz. Na realidade, nenhum homem é controlado por muito tempo através disso. A mulher que se casa com um poderoso usando de seus dotes físicos para atraí-lo, brevemente perceberá que aquele poder, como toda fantasia, vai se desfazendo. O resultado geralmente lhe sai desfavorável. O mesmo homem acaba por trocá-la por outra mais jovem e mais bonita, deixando-a sozinha, sem dinheiro e proteção social. Além da prisão interior que o narcisismo traz, ele provoca em- botamento psicológico, pois a mulher, por já possuir o corpo como seu principal recurso, não desenvolve sua inteligência e sua capacidade profissional como o homem, que é obrigado a realizar, caso queira conseguir poder dentro da sociedade. Mas o que é mais grave, é que a mulher é absolutamente con- trolada pela propaganda e pela indústria da beleza. Os poderosos do poder econômico-social, percebendo essa fraqueza feminina, usam dela para escravizá-la. Somos bombardeadas, desde crianças, com uma campanha mágica que coloca todo o valor da mulher em sua beleza física — livros (como emagrecer, como estar bem fisicamente, sexualmente etc.), revistas, propagandas de maquiagem, de moda etc., reforçam a idéia de que a mulher que não se vestir muito bem, na moda, não consumir dessa indústria poderosíssima de beleza, não será aceita na sociedade, não conquistará a ninguém, não conseguirá casar-se com um homem rico e poderoso etc. Portanto, tudo o que a mulher ganhar com seu trabalho, o que conseguir tirar de seu pai ou de seu marido, “torrará” em vestidos, Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09103 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 104 sapatos, cabeleireiro, jóias, casacos de pele — e todo o seu guarda- roupa terá que ser constantemente renovado para estar “na moda”. Vocês percebem que somos vitimas dessa enorme indústria e que não conseguimos nos libertar dela devido ao nosso desejo interior de ter poder através da beleza física? Cada vez que compramos um par de sapatos, um vestido, ou mesmo um batom, estamos colaborando com a “caixinha” dos poderosos. Estamos tirando o dinheiro do nosso bolso, de nossos pais e maridos, para dar para aqueles que já têm demais e que impedem que esse dinheiro seja distribuído de maneira mais equilibrada entre todos os seres humanos. Duvido que alguém consiga se sentir bem num vestido com a grife de um poderoso, dentro de um casaco de mink, com sapatos de crocodilo e brilhantes nos dedos, pescoço e orelhas, ao lado de tantos indivíduos de pés descalços, sentindo frio e fome, sujos até, por não terem dinheiro para viver com dignidade. Não precisamos ir longe — não deveríamos ter mais do que necessitamos para viver dentro da dignidade, beleza e conforto. O supérfluo é imoral. Por que queremos tantos pares de sapatos se não podemos usar mais do que um de cada vez? Se guardamos tanta coisa dentro do nosso guarda-roupa, estamos não só alimentando os grandes poderosos do dinheiro, donos das indústrias de moda, mas também estamos ajudando a impedir que muitos milhões de indivíduos, menos favorecidos, possam ter o que lhes é de direito — vestir os seus pés descalços. Obviamente que não iria resolver o problema se aquele que tem 10 pares desse 9 para os demais. O sistema econômico é que deve ser mudado. Mas, se nós não consumirmos tanto das indústrias daqueles que já têm milhões, estaremos ativamente contribuindo para que essa estrutura diabólica de poder econômico caia por terra, e que outro destino seja dado ao dinheiro do povo (que eles conservam vorazmente só para si). Por exemplo, indústrias de calçados e de moda, de iniciativa do povo, deverão ser criadas (como de fato já estão sendo), onde o dinheiro arrecadado será utilizado para o bem dos próprios funcionários. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09104 Mulheres no Divã 105 Assim sendo, cada vestido e calçado que comprarmos de uma dessas empresas trilógicas, e não de uma grande rede de exploração, será uma maneira de se contribuir para a nossa libertação da máquina opressora do sistema econômico-social. Afinal de contas, não é nada agradável ter uma minoria de ca- beças decidindo, nos escritórios das grandes multinacionais, que cor de vestido eu serei obrigada a usar no verão do ano que vem, e como terei que gastar meu dinheiro para que não me sinta “fora de moda”, rejeitada pela sociedade. Vocês já observaram a quantidade de dinheiro investido em pro- paganda para a indústria da moda? Já notaram que a maioria dos anúncios do New York Times, por exemplo, é dirigido a mulheres, apelando para a nossa vaidade? Imaginem quanto dinheiro nós damos a eles para que seja compensador um tão grande investimento em propaganda! Os “águias” do poder econômico investem mais no que é mais consumido pelo povo. Se não houvesse mercado para essa indústria, ela iria à falência, assim como se os homens desistissem de tentar a loucura do poder através do jogo, todos os hotéis de Atlantic City se fechariam de um dia para o outro. Estou tentando fazer as leitoras perceberem que não sou contra a beleza e a elegância, muito pelo contrário, isso tudo é parte essencial de uma sociedade equilibrada e da saúde física e mental. Os poderosos é que são contra o povo, seguram tudo só para si. Mas se percebermos que a vaidade é uma doença que nos torna infelizes, e é por aí que os exploradores malévolos nos pegam, poderemos nos libertar dessa prisão ridícula, fabricada por eles, que é a ilusão de que vocêterá mais poder se comprar uma porção de vestidos, sapatos e maquiagem para aprimorar a máscara (narcisismo). Se todas as mulheres ficarem um ano somente sem comprar roupas novas ou artigos supérfluos, fazendo uso do que já têm em seus guarda-roupas, levarão, facilmente, à falência todas essas empresas de poder que nos fizeram de “bonecas” até hoje. Faço aqui uma convocação para que as mulheres de mais consciência sigam esse conselho e guardem seu dinheiro para uma finalidade melhor. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09105 4 As Mulheres e o Poder Atualmente, mesmo após muitas lutas e reivindicações (algumas bem sucedidas, outras não), a grande maioria das mulheres ainda atua nos bastidores da sociedade. Não pretendo neste livro fazer uma análise de todas as injustiças e barbaridades cometidas contra as mulheres no cenário da história, pois já existem muitos trabalhos, aliás muito bem escritos, verdadeiros compêndios, que informaram muito bem sobre as bruxas incendiadas na Idade Média; sobre as esposas espancadas e mortas; sobre a discriminação nos empregos; as injustiças quanto a salários; e muito, muito mais. Minha finalidade neste capítulo é tentar alertar, mesmo que brevemente, para um problema mais sério ainda: o de como as mulheres vêm contribuindo para manter e fortalecer o sistema de poder. Sim — este é um ponto que considero de extrema importância — pois 51 % da população da humanidade é de mulheres, e se as injustiças permanecem em tal grau entre os seres humanos, podemos concluir claramente que nós mulheres não temos feito um bom trabalho para trazer mais paz, saúde e progresso para o mundo. Afinal, as mulheres estão lado a lado com os homens. Somos nós que convivemos intimamente com eles, que os educamos quando crianças até a juventude, que lhes fornecemos os principais e perenes valores da existência. Quer como mães, quer como babás, ou mesmo como professoras nas escolas, temos, sem o saber, contribuído fundamentalmente para a preservação desse esquema invertido de existência. Somos nós que, com nosso exemplo — e com palavras, ensinamos as crianças a adorarem, servirem e temerem os poderosos. Não raro 106 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09106 Mulheres no Divã 107 são as mães que incutem nos filhos o desejo de fama, poder e prestígio para conseguirem a felicidade. A mulher não é diferente do homem, muito pelo contrário, psi- quicamente somos até semelhantes demais no desejo pelo poder. Infelizmente, por razões que não quero analisar agora em maior profundidade, temos muitas vezes saído como perdedoras nessa competição. Os meios de que a mulher dispõe para competir socialmente são diferentes dos do homem — não tem a mesma força física, o que a limita nessa luta em vários aspectos — mas dispõe de outros meios dos quais se utiliza, e os quais aperfeiçoa ao máximo, e que são por vezes altamente eficazes: a chantagem afetiva, a dependência sexual, a “aparente” fragilidade etc. “Se você não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele” diz o ditado. Foi isso que a mulher fez durante séculos e séculos. Como não conseguiu tomar o poder para si, tenta juntar-se aos poderosos a fim de, através de um pacto diabólico, tirar o proveito que puder dentro dessa selva de exploração. Sim, é vergonhoso. Mas também muito poucas mulheres tentaram modificar o “status quo” dominante no mundo. Estou certa de que teríamos conseguido caso tivéssemos nos empenhado neste sentido. O problema é que a maneira de pensar das mulheres, mais e mais, é idêntica a dos homens — querem dinheiro, prestígio e poder. Se o conseguem através de herança ou casamento, estão satisfeitas. Se não, tentarão outros meios de exploração como os usados pelos homens para conseguirem o que querem, caso contrário muitas delas desenvolverão uma série de doenças orgânicas e mentais. Ultimamente a mulher vem se rebelando contra a situação de domínio econômico-social que o homem sempre manteve sobre ela. O pacto inicialmente feito de divisão de reinados (a mulher dentro de casa e o homem fora, na sociedade) mostrou-se insatisfatório, principalmente para a mulher. A alienação total em que ela se dispôs a viver, e que obviamente achara boa de início, agora se comprovou como o maior desastre para Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09107 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 108 o sexo feminino. Perdedora de todo o controle da situação, recomeçou, pouco a pouco, a reivindicar posições de que anteriormente abrira mão por julgar tal fato vantajoso (julgava mais fácil viver alienada, dentro de quatro paredes, mas ser sustentada por um homem e “protegida” dos “problemas da vida”). Do início do século passado para cá, muitos movimentos feministas se organizaram, muitas lutas e protestos se travaram contra as injus- tiças sociais sofridas pela mulher. Gradualmente ela foi conseguindo mais direitos como cidadã e ser humano. Mas o quê, e para quê a mulher reivindica? Pelo que constatamos, pelos trágicos resultados observáveis por qualquer pessoa, a mulher mostra que não almeja mais liberdade e poder a fim de trazer maior justiça e uma vida mais digna para a humanidade. Ela quer “poder” tudo o que o homem “pode”, mas no sentido fantasioso, psicopatológico. É óbvio que a mulher tem o direito de ter liberdade para viajar, para ganhar seu sustento de maneira justa, de ter a profissão que bem entende, de viver com quem gosta, estudar o que quer. Liberdade para ser livre, realizar o bem e ser feliz é um direito inalienável de todo ser humano, isso não se discute. Mas, o que se tem visto, em grande parte, como resultado da “libertação feminina”? A mulher quer ser livre para poder realizar toda a loucura que o homem realiza: poder, dinheiro e prestígio. O cerne da doença mental localiza-se justamente no desejo louco, irrefreado de poder. A euforia de poder explorar o próximo, de ser servido, de pisar no próximo, de ser “mais” que os outros, de controlar a vida dos outros e manipular os demais de acordo com seu desejo, passou a ser o desejo da mulher. Ela não se contentou em ter o controle doméstico sobre os filhos, marido, empregados e cachorro — ela quis muito mais. Em sua ambição desmedida, a mulher pensou: “Por que dependerei de um homem para realizar o que desejo? Poderei ter todo o poder que quiser por mim mesma”. Assim começou a escalada feminina para profissões de mando e influência social. Não quero dizer que 100 % das mulheres tenha essa intenção, mas é necessário notar que a sua esmagadora maioria aguarda a oportunidade de realizar esse sonho íntimo. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09108 Mulheres no Divã 109 Poderíamos seguramente afirmar que a mulher pode ter dois tipos básicos de anseio: ou ela deseja ter poder sobre um ou mais homens através do sexo (seu narcisismo, sua atuação no campo afetivo-sexual) ou mais ultimamente, ter uma carreira profissional que lhe dê fama, dinheiro e prestígio social. Saímos de uma situação de absoluta insignificância no cenário social para uma pior ainda, pois agora tomamos parte, ativamente, na corrida pelo poder. É com muita tristeza que noto que nós mulheres poderíamos realizar o bem muito mais do que temos feito e, ao contrário, temos, muitas vezes, ou nos omitido ou agido diretamente no sentido de prejudicar ainda mais o bem-estar já tão comprometido do nosso próximo. Na revista U.S. News & World Report, de 12 de novembro de 1984, foi publicado o artigo “A participação da Mulher em Crimes Também Aumenta” que mostra que: “o número de apreensões de mulheres por delitos sérios aumentou quase 20% nos últimos 10 anos, comparado com um aumento de 13.3 % para os homens. Em geral, aproximadamente 20% de todas as apreensões feitas por ano são de mulheres. O número de mulheres encarceradas — quase 20.000 — aumentou 147% na mesma década, enquanto o número de homens encarcerados subiu 96%. Mas, o que é mais significante ainda é que as mulheres cometem crimes do tipo contra a propriedade, especial- mente osde fraude e furto.” Isto mostra que não é que as mulheres estejam piores em sua conduta ética, mas que sua desonestidade, antes mais restrita às relações familiares, agora se estende ao mundo dos negócios, onde, dia-a-dia, têm mais participação. Quero deixar bem claro que a idéia de que a mulher sempre foi melhor que o homem, mais “indefesa” ou “frágil”, não é bem verdade. Esse é um mito extremamente sutil e diabólico que tem ajudado a manter as mulheres protegidas de uma correção social que lhes seria altamente benéfica. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09109 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 110 No mesmo artigo lê-se: “A maioria das mulheres é carinhosa, e não se pode ser carinhosa e matar ao mesmo tempo”, comenta Anna Kuhl, criminologista da Universidade Estadual de San José. Acres- centa Darrell Steffensmeier, sociologista da Universidade Es- tadual da Pensilvânia: “na maioria das mulheres se sente que o caráter da ação criminosa não está condizente com os valores femininos”. Isto, de um lado, é verdade, mas por esses comentários nota-se a ingenuidade que a sociedade tem ao julgar generalizadamente o comportamento da mulher. A criminologista Ira Silverman, da Universidade da Flórida do Sul, está mais certa quando diz: “Antigamente, quando uma mulher ia presa e começava a chorar, os guardas às vezes a soltavam. O mesmo raramente acontece hoje em dia”. Na realidade, a maioria dos crimes e mesmo violências, cometidos por mulheres, ocorria no meio de suas relações pessoais com a família, os parentes e amigos, porque este era o campo em que a mulher dominava. Mas quanto mais essas mulheres ingressam em posições mais altas no emprego, mais elas são desonestas com seus chefes ou com fregueses, da mesma maneira que eram com seus maridos, filhos, parentes, amigos, empregadas etc. Se as mulheres cometem a maioria dos furtos em lojas, elas agirão de maneira desonesta nas grandes transações também. De acordo com Dianne Brown, da Comissão de Comércio de Washington, somente na área de Washington, D.C., onde mercadorias no valor de 500 milhões de dólares são furtadas anualmente das lojas, a maioria das pessoas presas por estes crimes é de donas de casa (não me refiro aqui às mulheres que roubam para alimentar os próprios filhos famintos). Como ultimamente a mulher vem participando mais e mais do mercado de trabalho (ou de roubos) antigamente tido como tipicamente masculino, numa luta cada vez mais voraz pelo poder econômico-social, então acontecem fatos como os seguintes: Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09110 Mulheres no Divã 111 • Nancy Young, advogada de Nova York, roubou $300.000 das contas de clientes durante um período de 9 anos; • Frances Cox admitiu ter roubado $48.000 da prefeitura de Fairfax, Virgínia, enquanto ela era tesoureira municipal; • Mary Tredwell foi presa por fraude a inquilinos no valor de milhares de dólares em aluguéis, através do projeto de habi- tação que ela gerenciava em Washington, D. C.. A maior razão pela qual as mulheres não praticaram mais crimes como estes acima, é que elas se mantiveram até então como que reclusas no seu campo de ação, que tem sido o familiar e de relações pessoais, o que pode demonstrar um grau de desequilíbrio psíquico maior. Não raro a mulher se esconde atrás da violência do homem ao qual está ligada. Por exemplo, qual é a necessidade da esposa de um “paterfamilia” (chefe da Máfia) matar, roubar ou violentar a sociedade, se seu marido já faz tudo isso por ela e por seus filhos, para garantir-lhe toda a riqueza e poder que ela deseja? Muito cômoda, aliás, esta posição. O mesmo podemos dizer da mulher que se une a todo homem de poder. Ela simplesmente deseja uma posição de usufruir, sem se arriscar no mundo lá de fora. Se essa espécie de pacto deu certo ou não, isso é um outro problema. Obviamente que não poderia ter funcionado pois jamais a mulher imagina que a violência e domínio que o seu homem exerce fora, acabarão por voltar contra ela mesma. Em outras situações, a mulher peca por omissão e alienação, ou seja, fecha os olhos para o que seu pai, marido ou filho esteja fazendo no sentido de explorar, agredir ou prejudicar a humanidade. Por detrás de um poderoso, de um explorador, de um criminoso, sempre encontraremos uma mãe ou uma esposa desonesta. A maior parte das mulheres não educa seus filhos para uma atuação social honesta, construtiva, a serviço da humanidade, e também não permite que os outros os eduquem. O mesmo acontece com muitas esposas, que incitam o marido ao roubo e exploração para que o fruto dessas más ações as beneficiem. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09111 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 112 As meninas adolescentes não gostam dos rapazes que são de- dicados, honestos. Desde a infância admiram os mais agressivos, os que exibem maior poder, demonstrando com isso um extremo desprezo à realidade, bondade e honestidade. Não é à toa que milhares de meninas desmaiam por cantores de rock e artistas, que caracterizam claramente o próprio demônio. Sendo assim, como podemos nos queixar se formos maltratadas por esses mesmos demônios a quem demos todo o apoio e proteção? É verdade que até agora tudo isso está se passando sem que as mulheres mesmas tenham consciência, fato que nos tem mantido em posição de desvantagem em muitos aspectos, pois são justamente esses homens “poderosos” que atraem tanto as mulheres, que vão acabar esmagando impiedosamente as suas cabeças. Uma cliente americana contou-me certo dia que passou sua juventude com um livro debaixo do braço, do qual fez sua nova bíblia; o nome do livro era Power, Money and Prestige. Somente agora, já na maturidade avançada, veio a desconfiar que foi vítima de um grande engodo, e que a felicidade está longe do que esse manual pregava. O grande problema da mulher é que ela também vive em busca da mesma meta que os homens. Quando escolhe um parceiro, uma profissão, ou uma instituição, está buscando um meio de conseguir alguma espécie de poder através da escolha. Por exemplo, o homem que se apresentar como rico, com status, prestígio, força física e potência sexual, que exercer influência sobre outros e tiver poder social, será, automaticamente, o preferido pelas mulheres. Portanto, os homens mais doentes. Aqueles que buscam mais poder e que estão, logicamente, mais interessados em consegui-lo, são sem dúvida os mais doentes, e conseqüentemente, os mais loucos, os mais agressivos, os mais prejudiciais. E estes não pouparão suas mulheres de suas agressões. Até mesmo grande parte das freiras buscam as instituições religiosas pelo mesmo motivo — as instituições por si mesmas já sugerem uma idéia de “segurança” para quem a elas se agrega. As madres dos conventos passaram a simbolizar o despotismo, inveja e injustiça encarnados numa mulher. Santa Terezinha do Menino Jesus foi um dos Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09112 Mulheres no Divã 113 casos mais famosos de perseguição; uma mulher de tanto valor e bondade, que sofreu “o diabo” nas mãos de suas colegas invejosas. A mulher que tem algum cargo de poder, pode tornar-se pior do que muitos homens. E quanto maior o poder, maior a tirania. Por exemplo, as patroas massacram suas empregadas, fazendo-as de escravas e perseguindo-as, muito mais do que seus patrões. Uma cliente, enfermeira que trabalhou 8 anos e meio no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (na seção de informações e registro) e sempre teve chefes mulheres, lembra-se horrorizada das intrigas, pactos de interesses e perseguições feitas pelas supervisoras. Implicantes, perseguiam os funcionários nos mínimos detalhes — observando a maneira com que eles penteavam o cabelo, se suas roupas estavam bem engomadas, se tratavam a chefe com especial deferência; e no entanto, a competência e eficácia eram sempre relegadas a segundo plano. Atualmente trabalhando como “housekeeper” para um casal de psiquiatras americanos, relata a maneira tirânica com que suapatroa a trata — bem diferente de seu chefe que a trata com polidez e consideração. Para exemplificar, a mulher exige que escove o chão da cozinha, diariamente, de joelhos no chão; segura-a até tarde da noite, após o horário de trabalho; exige que saia à rua para compras, mesmo que não tenha agasalho suficiente, num frio de 8 graus C negativos; apega-se a minúcias obrigando-a a refazer a mesma tarefa, demonstrando que quer aproveitar todos os minutos que sua “escrava” está à sua disposição, e tirar o máximo proveito dos parcos dólares que lhe paga por dia de trabalho. No entanto, o seu patrão, que também sente na sua própria pele as agressões da mulher, procura tratá-la de forma mais humana, cedendo-lhe seu próprio chapéu e luvas para sair à rua no frio, e não raro, tentando minimizar a fúria da mulher contra a funcionária. Muitas mulheres queixam-se por não serem nomeadas para cargos de comando com a mesma freqüência que os homens, mas isso é, até certo ponto, compreensível, pois muitas delas assim que se vêem numa situação de poder sobre outros, tornam-se irascíveis e mostram-se sem senso de justiça, apegando-se a detalhes e impedindo que o trabalho deslanche. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09113 5 Quem Sustenta a Economia Consumista É a Mulher M uitas vezes ficamos chocados pelo fato de os Estados Unidos gastarem uma parcela tão grande de seu produto nacional bruto em armamentos. O orçamento para a fabricação de material bélico no ano de 1983 foi de US$ 214,8 bilhões, o que é um absurdo — tanto dinheiro desviado para a destruição! No entanto, se computarmos tudo o que as mulheres gastam em superficialidades, ficaremos assustados com o resultado — de antemão, podemos garantir que o montante em dólares se aproxima do orçamento da indústria bélica. Se os leitores pensarem bem, irão perceber que, na maior parte das famílias americanas, a mulher é quem controla o orçamento da casa. Com isso ela dá o destino que bem entende aos rendimentos da família (não só a dela, mas do marido também). Sabe-se que a mulher é responsável pela compra não só do que ela usa, mas é ela quem faz compras para os filhos, e muitas vezes para o marido e para a casa. Isso se não contarmos com a pressão que ela exerce sobre o marido no sentido de comprar carros novos, de viajar, de mudar os móveis, de adquirir casa nova etc. A propaganda em massa é dirigida à mulher. A maioria dos anún- cios é planejada com a finalidade de estimular a psique feminina — seu narcisismo (jóias, roupas, maquiagem, cabeleireiros, casas de massagem); suas fantasias (viagens, diversões em geral, erotismo, cigarros, bebidas, revistas), sua megalomania (coisas para casa, casas novas, carro novo, maridos, filhos e namorados bem vestidos, dinheiro no banco). Atrás de tantas compras está escondida muita inveja, pois a mulher não é voraz somente com a comida mas também com sexo e 114 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09114 Mulheres no Divã 115 com tudo o que possa lhe trazer prazer e fazê-la sentir-se melhor que as outras mulheres (e, não raro, melhor que os homens). Por exemplo, em 1983 a mulher americana gastou US$ 23,8 bilhões só em roupas (fora calçados) e US$ 4,450 milhões em cosméticos, o que representa uma pequena parcela de suas compras totais. Os espertos da indústria e propaganda consumistas aproveitam-se dessa fraqueza caracteristicamente feminina e garantem seus gordos lucros. Todo o dinheiro que poderia ser gasto com o melhoramento de escolas, de hospitais, da ciência, e que poderia favorecer o progresso em geral, é praticamente “torrado” em futilidades. Imaginem os leitores se pelo menos 50% dos gastos supérfluos que a mulher média faz fossem poupados para a utilização de pes- quisas cientificas, qual não seria o progresso da sociedade! Se nós mulheres queremos ser respeitadas por realizar algo de valor para a humanidade, por que não começamos por aqui? Muitas se queixam por não terem salários mais altos, equiparando-se aos homens, mas grande parte dos salários dos maridos é gasta com a mulher e os filhos. Na realidade, o homem sempre pensa como “ga- nhar” dinheiro; a mulher, como “gastá-lo”. Portanto, a maior parte dos homens trabalha para trazer o dinheiro para casa e as mulheres passam o tempo pensando em como desfazer-se desse dinheiro. Embora mulher, tenho que admitir que é praticamente a mulher que alimenta a economia capitalista no sentido de ser a maior com- pradora da indústria do supérfluo, com a enorme voracidade que lhe é característica. Por exemplo, no New York Times, de 8 de agosto de 1984, havia 32 anúncios tipicamente femininos e 33 procurando atrair mais as mulheres (embora também incluíssem homens como compradores), enquanto somente 14 eram dirigidos aos homens. Isto sem considerarmos a enorme quantidade de revistas especificamente femininas e o esmagador apelo promocional para a venda dos artigos consumidos por elas. Enquanto a mulher se deixar levar pela inveja e narcisismo, como tem feito até agora, a filosofia econômica estará altamente com- Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09115 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 116 prometida, bem como todos os outros setores da nação, ficando as áreas de saúde, educação, artes, agricultura, lazer e pesquisa prejudicadas em função da manutenção da vaidade feminina. Os interessados na indústria do supérfluo argumentam que dão muitos empregos com os seus negócios — mas muito melhor seria se promovessem empregos em atividades de base como as acima citadas. Obviamente estão interessados em manter o lucro comercial varejista, com as altas cifras anuais de US$ 545,9 bilhões (estatísticas de 1983)! Certamente as mulheres não querem se frustrar, por isso dão vazão total à voracidade, à megalomania e a essa desabalada vida de “gastar dinheiro”. Quando essa economia consumista acabar de desmoronar, elas não só não poderão mais ter tudo o que desejam em exagero e abundância, como vão ter que sentir os problemas que até então evitaram sentir. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09116 6 A Mulher e o Crime E xiste um incrível pacto social em torno da criminalidade feminina, a que os criminalistas chamam de “desinteresse” pelo assunto. Hans Göppinger, professor da Universidade de Tubinga,1 diz que esse assunto não é tratado com a devida seriedade devido a uma série de “preconceitos ideológicos” e concepções pseudofilosóficas. Existe uma incrível escassez de pesquisas e material de estudos sobre a matéria, ao contrário da riquíssima produção de trabalhos sobre a criminalidade masculina. Mesmo que a criminalidade feminina seja extraordinariamente inferior à masculina, oscilando em torno de 20 a 25 % do total da criminalidade registrada oficialmente, não podemos concluir que as mulheres sejam menos ativas do que os homens na arte de prejudicar o próximo. O que me parece é que a estrutura social foi formulada de tal maneira que a mulher tem menos poder de decisão e atuação. Logo, sua criminalidade se restringe ao seu campo de atuação social. Tal é a ligação existente entre sua vida sexual e os crimes come- tidos pela mulher, que muitos criminalistas chegam a colocar os problemas psicobiológicos (menstruação, menopausa, gravidez, parto, puberdade) como causas determinantes dos desvios de comportamento feminino. Ochman e Pollack,2 por exemplo, seguiram a tese do médico francês Legrand Du Salle, do ano de 1864, e tentaram relacionar os roubos das ladras dos grandes magazines parisienses com a fase da menstruação — o que Hans Göppinger refuta com veemência, dizendo que a seu ver “não existem conhecimentos acreditados sobre uma causação predominantemente condicionada por crises biológicas”. 117 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09117 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 118 De fato, as questões psicossociais são muito mais evidentes, e em regiões onde a mulher atua na sociedade de maneira mais eqüitativa à do homem, as taxas de criminalidade trazem percentuais bem próximos, como o queocorre nos estados do sul dos Estados Unidos. Porém, embora criminalistas de renome como Otto Pollack, Von Hentig, Reckless e Newman considerem a criminalidade feminina “mascarada” por uma série de fatores, a mulher tende a beneficiar-se da opinião pública que lhe é favorável, do Poder Judiciário, da Polícia, da Imprensa, quando não da própria vítima (nos crimes praticados contra familiares), todos preocupados em favorecê-la, inserindo-a numa categoria especial, particularmente quando se trata de uma pessoa de “bom nível social”, como diz Giuseppe Di Gennaro.3 Em outras palavras, as mulheres de poder socioeconômico safam-se das punições de seus crimes da mesma maneira que os homens poderosos. Mas fato muito interessante é que todos os criminalistas são unânimes em afirmar que a mulher difere qualitativamente dos homens. Alguns chegam a dizer que as cifras da criminalidade feminina seriam muito mais expressivas se ao lado dos crimes como aborto, infanticídio, prostituição, furtos em magazines ou supermercados, a calúnia, a injúria, a difamação, maus tratos inflingidos a crianças, e outros, também fossem registrados. Por que a sociedade considera todos esses crimes acima como irrelevantes, se na realidade são justamente os pecados de inveja, o ódio, a agressão à honra, as intrigas, a calúnia, os mais graves e os que, muitas vezes, conduzem os homens a cometerem crimes de violência? Mesmo que lhe falte a força física, a mulher dispõe de uma arma mais eficaz do que as armas brancas e os revólveres para exercerem o poder: o sexo. Não raro lançam mão da prostituição dentro ou fora do lar, pois muitas senhoras da sociedade agem como verdadeiras prostitutas com seus próprios maridos. A sedução é, ao ver da profa. Esther de Figueiredo Ferraz,4 a estrada mais fácil para exprimir sua criminalidade, fato até facilitado pelo próprio homem. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09118 Mulheres no Divã 119 Uma frágil mulher facilmente pode dominar um assassino mus- culoso através da sedução sexual, fato que é notório a todos. Freqüentemente as mulheres frágeis assumem o papel de ins- tigadoras ou mandantes (delitos “por procuração” como dizem os criminalistas) e parecem “escolher” os que lhes trazem mais vantagens e menos riscos. Escondem-se por detrás de homens que executam o que elas desejam, porém não têm coragem de executar, “deixando ao homem a posse e a deselegância da execução”.5 Jacques Lee’auté distingue revoltas políticas de revoluções po- líticas — as primeiras, menos importantes, e as segundas, mais duradouras. Curiosamente, as mulheres desempenham um papel de relevo nas revoltas e irrelevante nas revoluções, o que caracteriza o seu tipo de personalidade, muito superficial e extremamente querelante, intrigante e revoltada, estando mais pronta a se queixar, contestar sem fundamento, do que a sugerir e lutar por transformações sociais de significância, o que exigiria uma intenção mais construtiva. De outro lado, temos que considerar que as grandes guerras, os grandes crimes, foram sempre realizados por homens — as mulheres, objetivamente falando, não tiveram uma ação direta em relação à destruição do mundo. Precisamos sim, urgentemente, perceber que temos pactuado demasiadamente com este estado de coisas. Não raro, muitas mulheres adoram os poderosos do crime e os mantêm com o apoio afetivo-social e não raro, econômico. As mulheres deveriam fazer valer o sentimento de amor e de nutrição para o qual foram destinadas — criar seus filhos para a justiça, honestidade, para uma vida de ajuda ao próximo e deveriam brecar e até punir, se possível, os homens aos quais estão ligadas e que tiverem uma atitude desonesta e maldosa. Por exemplo: se uma mulher e todas as outras negarem afeto e sexo aos homens desonestos, eles, mais dia menos dia, terão que rever sua escala de valores. Elas têm muitas armas que poderiam usar para fazer valer o bem, e isso muito poucas fazem. Não temos força física, isto é certo, mas Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09119 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 120 em compensação a ausência de amor, cuidado, de sexo até, pode doer mais do que um soco no nariz. O maior crime, a meu ver, que temos cometido é o pacto que fazemos com os homens criminosos. Nos EUA, por exemplo, onde a mulher vem conseguindo para si uma boa parcela do poder social e econômico, também vemos que a taxa de criminalidade feminina aumentou consideravelmente.6 Se a mulher tivesse o mesmo poder que o homem de fazer guerras, decidir sobre a vida do próximo, será que tomaria decisões mais justas, mais honestas do que as que eles têm tomado? Vemos atualmente o exemplo de mulheres que assumiram o poder e nem por isso exerceram um governo que fosse mais brilhante do que os dos estadistas masculinos. Indira Gandhi, Margareth Tatcher, Golda Meyer são exemplos claros disto. Penso que a psicopatologia da mulher é semelhante à do homem — sua manifestação é que é diferente. Portanto, uma mulher alienada de sua psicopatologia ofereceria o mesmo perigo que um homem à sociedade. Notas e Referências: 1. Göppinger, Hans, Criminologia, tradução espanhola, Rens S.A., Madri, 1975, pág.439. 2. Stherlanda, Edwin H. e Cressey, D. R., Principes de Criminologie, tradução francesa, Paris, 1966, pág.112. 3. Di Genaro, Giuseppe, Vecchie e Nuque Ipotesi Sulla Criminalita Feminile ni Appunti di Criminologia, Roma, 1970, pág.185. 4. Ferraz, profa. Esther de Figueiredo, Aspectos Típicos da Criminalidade Feminina, Revista do Advogado, Número 1, Ano 1, São Paulo, pág.41. 5. Lee’auté, Jacques, Criminologie et Science Peritenciaire, Presses Universitaires dê France, Paris, 1972. 6. U.S. News & World Report, 12 de novembro de 1984. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09120 7 A Guerra Entre as Feministas P arece-me que nos EUA existem duas facções feministas distintas: o grupo das feministas com base religiosa (cristãs na maioria) e o grupo das humanistas, que seguem uma filosofia antiteísta. No meio destas existem as feministas mais ecléticas, ou seja, aquelas que, de maneira não fanática, simplesmente apóiam qualquer melhoramento na condição de vida das mulheres. O primeiro grupo caracteriza-se, em grande parte, por uma visão mais moralista, defendendo valores tidos como básicos: a família tradicional, o capitalismo e instituições em geral. Poderíamos chamá-las “as feministas de direita” ou “reacionárias”. Entre as representantes deste grupo estão as Concerned Women for America, Inc. (Mulheres Preocupadas com a América), cuja presidente é Beverly La Haye, esposa de um evangelista e que conta com 200.000 membros por todos os Estados Unidos. O segundo grupo caracteriza-se mais por uma defesa dos inte- resses pessoais das mulheres, no que diz respeito à sua realização individual, seja qual for a sua natureza, como por exemplo, defender o sexo livre, o homossexualismo, o aborto, a vida materialista, a descrença de todo e qualquer sistema de valores — ou seja, o amor, a maternidade, a fidelidade, a espiritualidade etc. Elas poderiam ser vistas como o extremo da esquerda (embora não comunistas necessaria- mente). O mais expressivo grupo representante das humanistas é a N.O.W. National Organization for Women (Organização Nacional das Mulheres), cuja presidente é Judith Goldsmith, e conta com aproximadamente 250.000 membros. Foi fundado em 1966 e suas 121 Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09121 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 122 principais representantes são Betty Friedan e Gloria Steinem, já conhecidas no mundo todo como criadoras do Women’s Liberation Movement (Movimento de Libertação das Mulheres). Com uma renda anual de US$ 4.550.000,00 (1983) e tendo se tornado politicamente ativas e sofisticadas, elas dizem ter trabalhado pelos direitos das donas de casa, cidadãos idosos, mulheres de negócios, inclusive dizem ter servido de intermediárias nas lutas pelos direitos das lésbicas e homossexuais. Muitas mulheres reconhecem esse movimentocomo favorável:1 � 67 % das americanas apóiam os objetivos do movimento feminista (de acordo com uma pesquisa realizada pela re- vista Parents, de outubro de 1983). � 42 % dizem que o movimento desenvolveu suas vidas. Parece claro que muitas melhorias nas condições de vida sócio- econômicas foram conseguidas por esses grupos feministas. Mas essa não parece ser a opinião de todas as mulheres, que acreditam que esses movimentos também causaram prejuízos. No mesmo artigo do jornal U.S.A. Today, Phyllis Schaffly diz: “Eu penso que elas foram perdedoras... muitas mu- lheres se tornaram infelizes por causa do Movimento de Libertação das Mulheres. Ele as ensina como ampliar suas orientações para se sentirem maltratadas e reprimidas”. Certamente que muitas mulheres vêm sendo maltratadas e reprimidas, mas a causa desta problemática não foi bem esclarecida até hoje. Pelo contrário, a filosofia de ódio e revolta por elas pregada, só leva a um agravamento na situação de infelicidade das mulheres, colocando-as diretamente contra seus amigos, filhos, sociedade e Deus. Esse ódio fica claro até entre os próprios grupos feministas. Exemplificando: outro dia chegou às minhas mãos uma carta assinada por Says La Haye, do Concerned Women for America (Mulheres Preocupadas com a América), convocando as mulheres da América para uma arregimentação contra o movimento National Organization for Women (Organização Nacional das Mulheres). Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09122 Mulheres no Divã 123 São suas as palavras: “Quando ela disse (referindo-se a Betty Friedan) que elas iriam fazer da América uma nação humanista até o ano 2000, eu determinadamente afirmei que isso só aconteceria sobre meu cadáver!”, manifestando com essa afirmação um intenso ódio contra suas com- panheiras de sexo. Aliás uma das características mais claras desses movimentos feministas, quer sejam eles humanistas ou reacionários, é a de intensa paranóia dirigida aos homens, à sociedade, às outras mulheres e até a Deus. Essas mulheres sempre se colocam só como vítimas de problemas externos, caindo numa parcialidade perigosamente patológica, pois não assumem nenhuma parcela de responsabilidade por seus problemas e pela situação difícil que encontram na sociedade. Nas linhas que se seguem tento exemplificar o quadro de paranóia expresso por essas mulheres, sem timidez: “Nós devemos destruir o amor... O amor promove a vulnerabilidade, a dependência, a possessividade, a sus- ceptilidade à dor, e impede o total desenvolvimento do potencial das mulheres, direcionando todas as suas ener- gias para fora, segundo o interesse de outros” Esses movimentos tiveram uma grande aceitação no mundo todo na década de 70. Sua influência fez-se sentir inclusive nos povos do Terceiro Mundo. No Brasil, por exemplo, 1975 foi o marco inicial das atividades feministas, ainda que na ocasião fossem em pequeno número e intensidade. Em junho deste mesmo ano foi comemorado o Ano Internacional da Mulher, e todos os resultados revelados nessa data foram unânimes em afirmar que, em todos os países, independentemente de seu grau de desenvolvimento econômico, a mulher era tratada como um ser desigual e inferior. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09123 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 124 Baseando-se nestes dados, a Organização das Nações Unidas (ONU) houve por bem criar a Década da Mulher (1975-1985), com a finalidade de que todos os países, durante esse período, se esforçassem ao máximo no sentido de superar os obstáculos que impedissem e limitassem a plena cidadania feminina. Muitas iniciativas de lá para cá foram criadas, mas poucos re- sultados concretos foram conseguidos. Isso me faz pensar que existem problemas realmente determinantes desta situação que não estão sendo devidamente abordados. Um deles, um dos principais, é o fato de a mulher estar vendo no homem seu maior inimigo, e não nos homens e mulheres do poder econômico. Outro motivo primordial é o fato de as mulheres acharem mais vantagem nessa situação de alienação em que se encontram, tendo interesse em permanecer na dependência dos homens. Na revista Insight foi publicada uma reportagem de Diana West, chamada “The Mystique of Female Journalists” (A Mística das Jornalistas Femininas)3 falando de um encontro realizado em Washington D.C., entre 100 jornalistas de 39 países: o International Women’s Media Project (Projeto Internacional da Mulher na Mídia). Elas não devotaram muito do seu tempo para discu- tir trocas de notícias ou ética, disse Diane, elas estavam muito preocupadas com a discriminação sexual, isto é, as jornalistas dos Estados Unidos estavam. As representantes dos outros países pareciam ter muita dificuldade em com- preender qual era o grande problema. O que a jornalista tenta demonstrar é que parece que as ame- ricanas têm uma preocupação exagerada em combater o que elas vêem como diferenças entre os sexos, enquanto as demais jornalistas dos outros países estavam mais preocupadas em como desenvolver melhor o seu desempenho profissional. No mesmo artigo transcreve o seguinte: Georgia Anne Geyer... concluiu que homens e mulhe- res são irrevogavelmente diferentes. As mulheres entendem Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09124 Mulheres no Divã 125 as questões melhor que os homens, ela afirmou. Referindo-se à transação de armas do Presidente Reagan com o Irã, ela disse que o homem que fez tal coisa não tinha nenhum conhecimento da cultura do Irã. Mas suas opiniões sobre outras questões estrangeiras não pareciam concordar. Françoise Van de Moortel, da TV belga, se levantando da platéia, afirmou: eu estou cheia da idéia de que se as mulheres estivessem no poder, se as mulheres pudessem fazer todas as histórias, o mundo se- ria um lugar maravilhoso. Notem os leitores que as idéias feministas não somente têm perdido a força ultimamente como, até certo ponto, estão caindo no ridículo. Notas e Referências: 1. U.S.A. Today, 30 de setembro de 1983. 2. Women’s Liberation, notas do Segundo Ano. 3. lnsight, 15 de dezembro de 1986. Parte II_AF.p65 27/1/2004, 15:09125 Parte III Estudo sobre a Sanidade Olho Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:10127 “O momento em que a mulher conscientizar a sua inveja, o momento em que aceitar a consciência da inveja, ela deixará o homem para trás, pois estará mais próxima dos anjos e de Deus, e mais próxima da genuína verdade.” (Liberation of the People, Norberto R. Keppe, pág. 210). Olho Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:10129 131 1 Afinal, Como É Mesmo a Mulher? M uitas vezes me perguntava como deveria ser a mulher ver- dadeiramente, isto é, em sua origem; pela natureza, ela foi criada bem diferente do que é a maioria delas hoje. Se tentava imaginar Eva, antes de pecar pela primeira vez seguindo as sugestões demoníacas, ficava com a mente meio nebulosa, somente me lembrando de certas figuras, muito inexpressivas aliás, de pinturas e desenhos que vemos em museus e em livros religiosos. Procurei então verificar as qualidades de mulheres de expressão na história, tentei fazer um “feixe” de qualidades através do qual as mulheres teriam um ponto de referência para se conhecer melhor. Vi muitos autores opinarem que a mulher era totalmente diferente do homem, física e psiquicamente. Outros já diferiam dessa opinião fazendo quase que nenhuma distinção entre os sexos. A imagem bíblica da Eva sendo criada por Deus, de uma costela de Adão, deu margem a várias opiniões como: 1) A mulher seria inferior ao homem, pois seria somente um pro- longamento deste. 2)A mulher é o símbolo do sentimento e o homem, da cabeça, pois ela teria saído de uma costela do lado do coração. Sendo assim, sempre a humanidade considerou o sentimento como inferior à razão, tendo que ser dominado pela última (representada pelo homem). Depois de séculos de desprezo ao sexo feminino, alguns povos começaram a reformular seus conceitos indo, muitas vezes, como aconteceu nos EUA, a um extremo oposto, ondeboa parte do povo Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14131 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 132 vê a mulher como superior ao homem. Teses afirmando que o planeta Terra é feminino; que Deus é feminino e não masculino; que as sociedades matriarcais são mais equilibradas etc., começaram a vicejar dentro dos movimentos feministas americanos. Mas tudo isso sempre me pareceu parcial, injusto e muito pouco provável. Considerarmos o homem superior à mulher, pela natureza me soava tão incerto quanto a hipótese contrária. O que podia observar dentro da minha experiência como ser humano, como mulher, e como psicanalista, era que na maioria das sociedades, principalmente latinas, árabes, judaicas e orientais, as mulheres tinham uma filosofia de vida que lhes fora altamente destrutiva, e que passavam de geração a geração. Geraram, através de seu comportamento muito patológico, uma grande decadência — tanto para si, que passaram a ser vistas como sexo “frágil”, como para as sociedades a que pertenciam. Mas esta questão me foi satisfatoriamente elucidada quando certo dia, numa conversa, dr. Keppe (criador da Trilogia Analítica) me disse que achava que “Deus tinha em si qualidades femininas e masculinas, e que havia repartido entre o homem e a mulher suas qualidades”. A mulher, se é de valor e autêntica, tem características que lhe são específicas. Por exemplo, ela é carinhosa, cuida dos indivíduos, de detalhes, de embelezar a vida para os outros, de satisfazer desejos; é suave, meiga, sentimental e sensível; é paciente, tolerante e conciliadora. Assim como o Criador, que foi capaz de criar borboletas tão delicadas, o perfume e beleza das flores tão suaves, animaizinhos tão meigos e brincalhões, fêmeas tão maternais que morrem pela defesa de seus filhos... Bem, essas são qualidades que existem em Deus, e que estão potencialmente presentes em todas as mulheres. O homem já apresenta outras qualidades que existem em Deus: força, coragem, espírito empreendedor, mente abrangente e universal. Assim sendo, os dois unidos deveriam repetir na Terra a realidade existente em Deus. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14132 Mulheres no Divã 133 E isso sucederá mais rápido, caso ambos se conscientizem de sua inveja. Cada qual quer ser como o outro, ter suas vantagens imaginárias, e com isso anula as qualidades que lhe são características, tornando-se seres meio animalescos, meio demoníacos, insatisfeitos e sem personalidade. Muitas vezes a mulher tem sido inimiga do homem (e vice-versa). Desde pequenina, mesmo antes de conhecer seu marido, sua mãe, tias e avós já a instigam contra o futuro “opressor”. A sociedade, de início, já está dividida por esse motivo. Imaginem o que não será o mundo no momento que ambos conscientizarem esse pacto diabólico e se tornarem amigos e se complementarem? A mulher precisa das qualidades do homem e ele, as da mulher. De que vale um homem sozinho na vida, que não aceita nem a si mesmo? Ou de que adianta uma mulher sem afeto, querendo negar sua natureza? Percebendo-se como seres complementares, a mulher e o homem poderão se desabrochar em toda a sua intensidade e realizar o que nunca cada um, sozinho, antes conseguiu; inclusive descobrindo em si mesmos potencialidades totalmente desconhecidas. Aí, certamente, existirá um maior número de “gênios” femininos na história da nossa civilização, pois possuímos, como mulheres, características semelhantes às divinas, de igual valor às que existem nos seres do sexo masculino. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14133 134 2 O Aspecto Feminino da Criação O s cromossomos da mulher contêm dois fatores repetidos (XX), e os do homem, um igual ao da mulher e outro diferente (XY). Isto sugere que: primeiro, existem diferenças essenciais entre os sexos, mas a base, ou seja, o elemento X é o mesmo; segundo, que existe na natureza um elemento (o feminino) que se repete, portanto, parecendo ser o mais forte, o básico na natureza. Se fizermos uma analogia com as 3 Pessoas de Deus, poderíamos dizer que Deus Pai, que é o gerador do Filho, seria mais feminino na essência, ou seja, o Amor; Cristo, o Filho, seria mais masculino, a Razão; e o Espírito Santo seria o resultado da união dos dois, a Consciência. O que se nota é que a mulher é mais ligada às emoções e aos sentimentos (XX) do que o homem, que já mistura a razão aos seus sentimentos em sua maneira de ser (XY). Quando a mulher aceita o amor, então sua conduta é extrema- mente apreciável e superior à da maioria dos homens; mas quando nega o afeto, deixa-se levar somente pelas emoções baixas, como a inveja, o ódio, o ciúme, adotando um comportamento inferior ao dos homens, que conservam o aspecto da razão. A mulher virtuosa parece ser mais até que o homem. Poderia citar como exemplo as que apoiaram os cientistas e artistas, permanecendo obscuras na história da humanidade; elas lhes deram apoio sem pretender glórias ou poder, sem utilizá-los para aumentar seu prestígio pessoal. Tristão de Ataíde, renomado filósofo brasileiro, já dizia que a mulher se aproxima mais dos anjos e dos demônios por estar mais próxima à dimensão espiritual. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14134 Mulheres no Divã 135 Andréa Salomé é um exemplo; apoiou Freud, Nietzsche e outros, com intenções muito diferentes das dos Médici que, por sua vez, se utilizaram de Leonardo da Vinci para mostrar seu poder social. O próprio artista desabafou: “Os Médici me criaram e me destruíram”,1 revelando a grande tristeza que sofria por ter sido objeto de absoluta exploração por essa família italiana de doentes mentais, poderosos da Idade Média. Aliás, a maioria das mulheres que apoiaram os gênios e homens de valor, ficaram anônimas na sociedade — foi o que aconteceu com a grande quantidade delas que acompanhou Cristo e o serviu com trabalho e com seus bens. 2 Interessante também é notar que Cristo apareceu primeiro às mulheres, 3 e foi a uma mulher que pela primeira vez mencionou ser o Messias, 4 demonstrando grande aceitação por elas. Entretanto, os apóstolos não acreditaram no testemunho de Madalena, pois a tradição judaico-cristã sempre viu o sexo feminino essencialmente inferior aos homens, mostrando um pensamento parcial e tendencioso. Fato é que as mulheres deram muitos motivos para que os homens assim pensassem. Se algumas apoiaram gênios, muitas fizeram o que puderam para sabotá-los, fazendo-nos crer que as Xantipas existiram em maior número. Falando em Xantipa (mulher de Sócrates), a mitologia grega tem a seguinte tradição: “Zeus, de sua morada além do Monte Olimpo, odiava a humanidade e privou os homens do fogo. Prometeu roubou o fogo do Céu e Zeus jurou vingança. Os gigantes se rebelaram e empilharam montanha sobre montanha para escalar o Céu. Depois de uma guerra titânica que convulsionou a Terra e o Céu, Zeus venceu: e para punir o homem, ele criou a mulher, Pandora, de cuja famosa caixa deixou sairem todas as misérias para afligir a hu- manidade”.5 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14135 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 136 Essa história da mitologia é semelhante à tradição bíblica, que vê Eva como a introdutora do mal para Adão e para todos os seus descendentes. Por que a mulher? Se entendermos a mulher como o símbolo do amor, poderíamos então concluir que o mal entrou no mundo através da negação do amor, ou seja, a inveja, presente no interior da mulher, como do homem; e sendo que a mulher é mais ligada ao sentimento, nela ficam mais evidentes tanto o amor como a inveja. Haja vista a dificuldade que existe em se controlar as mulheres nos sanatórios psiquiátricos e nas penitenciárias, pois elas dão muito mais trabalho que os homens para os enfermeiros e guardas, exigindo vigilância constante, uma vez que se atacam sem parar. Não é pelo mesmo motivo que os homens das sociedades ma- chistas, que negam o componente afetivo (tido como feminino), tornam-se perigosos pela violência e agressividade? E, de outro lado,as sociedades mais evoluídas não são aquelas nas quais o homem é mais feminino na conduta, aceitando valores como carinho, afeto, beleza, sensibilidade? Na Suécia, por exemplo, existe muito pouca diferenciação entre os sexos, e é uma sociedade bem mais pacífica. O mesmo se passa em nosso organismo: o amor é a única emoção capaz de produzir as doses certas de substâncias que regulam nosso sistema imunológico. Qualquer perturbação na vida afetiva gera perturbações no funcionamento orgânico. Notas e Referências: 1. Bartlett, John, Bartlett’s Familiar Quotations, Little Brown and Company, Boston, 1980. 2. Lucas 8, 1-3; Marcos 15, 40-41. 3. Matteus 28, 1-10, As Mulheres e os Guardas; João 20, 1-18, Maria Madalena. 4. João 4, 22. 5. Drake, W. Raymond, Deuses e Astronautas na Grécia e Roma Antigas. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14136 3 Deus Criou as Mulheres para Serem Semelhantes a Ele V ocês já notaram que ridícula é a atitude da mulher que se adora? Como ela caminha nas ruas, com jeito de “deusa”, achando-se a beleza, a perfeição da Criação? Como é desagradável a mulher que é inútil, libidinosa, que só pensa em homens, roupas, maquiagem, jóias; egoísta, querendo que os filhos, o marido e amigos a fiquem mimando e prestando-lhe atenção e elogios! Por outro lado, como é agradável a mulher que é amiga, sempre pronta a ajudar os outros, a servir como pode sua família e a sociedade — fazendo-se útil e necessária (e até indispensável em certos casos), mas pelo que realiza e não pelo que simplesmente é! Sei que muitas mulheres ficam ferozes com a idéia de ter que “servir”. Esse vocábulo lhes provoca alergia. Mas não percebem elas que ninguém vale pelo que é, mas só pelo que faz? O ser humano recebeu um potencial que é maravilhoso. Recebeu afeto, beleza, bondade e inteligência, mas que só têm valor se são usados. Usados como? Se nos voltarmos para nós mesmos, a bondade se torna egoísmo, a beleza se apaga e o afeto se transforma num grosseiro narcisismo, como uma vela que não pode iluminar a si mesma, sob pena de se apagar. Deus nos fez de tal forma parecidos com Ele, que não podemos agir de forma diferente da Sua — já disse, quando esteve na Terra, que deveríamos ser como Ele é: servir aos outros da melhor forma possível e tentar ajudar até os inimigos. 137 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14137 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 138 Nossa estrutura psicológica e vontade genuínas não podem ser deturpadas como têm sido, sob pena de arcarmos com o resultado que a repressão afetiva ocasionou: nós mulheres nos tornamos, não raro, verdadeiras “Xantipas” da Criação, tornando-nos esposas, sogras, amantes e solteironas indesejáveis. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14138 4 Um Breve Estudo Sobre Uma Mulher Original P elo que se saiba, o único ser humano que já existiu e que não sofreu a decadência do pecado original, portanto tinha a sua essência intacta, foi a mãe de Cristo. Chamada de Virgem Maria, Nossa Senhora, a Mãe de Deus, seu nome original em hebreu era Míriam. Muito poucas informações objetivas se tem a seu respeito, a não ser as poucas registradas nos textos do Novo Testamento, fato que revela a sabotagem feita pela tradição judaica, que tende a desprezar a mulher e a valorizar o homem. Mas pelos estudos teológicos e filosóficos realizados poste- riormente, sabemos que ela nasceu sem mácula em seu corpo e sua alma, tendo sido por isso chamada de Imaculada. Por não ter tido o pecado original, ela não se submeteu à morte, mas foi elevada ao céu pelo poder de Deus, em vida, o que levou os cristãos a festejar anualmente a Assunção da Virgem Maria. Mas o que eu acho mais interessante é estudar a personalidade de Míriam. Pelo que pude perceber, ela era extremamente ativa, trabalhava muito, dentro e fora de casa, era atuante entre os amigos seguidores de seu filho. Era totalmente obediente à vontade de Deus (ler o Magnificat onde ela expressa seus sentimentos em relação à sua gravidez, gerada pelo Espírito de Deus), mas não restringia a sua liberdade (ler João, Cap.2, onde ela pede a seu Filho, mesmo contra a Sua vontade, que Este 139 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14139 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 140 transforme a água em vinho, diante dos convidados numa festa de casamento). Sua personalidade era tão marcante, e tão fiel foi sua conduta em relação ao trabalho de seu Filho, que seu brilho ofuscou o de seu marido José, figura até certo ponto inexpressiva na história de Cristo. De outro lado, ela parecia acatar as correções e advertências que seu Filho lhe fazia quando tentava supervalorizar seu papel e direitos de mãe, em detrimento do trabalho que Ele deveria realizar aqui na Terra. Escolhida por Cristo como a Mãe de todos os seres humanos, ela foi um exemplo de coragem, iniciativa, vivacidade e fortaleza, pois foi devido a ela que Cristo conseguiu chegar são e salvo à maturidade, apesar de todas as perseguições a que estava sujeito. Mulher independente e avessa a toda hipocrisia social, enfrentou tranqüilamente a desconfiança inicial de seu marido José, quando ficou grávida de um filho que não era dele, até que este se acalmasse com a revelação de que seu filho era o Cristo. Entretanto, jamais negou afeto a quem quer que fosse, e por isso tornou-se o exemplo universal da mulher amorosa, tolerante e virtuosa. Dotada de extrema graça e beleza, foi a musa inspiradora de uma infinidade de artistas. Diz a tradição religiosa que Míriam (Maria) é a mulher que vencerá o demônio (representado muitas vezes como serpente), pois ela é incorruptível. Mas sem nossa ajuda, mulheres de todas as raças, ficará difícil ela conseguir tal intento neste planeta povoado de tantas Evas! Na realidade, deveríamos imitar e aperfeiçoar o seu modelo de equilíbrio e sanidade, já que contamos com muitos recursos a nosso favor, inexistentes em sua época (ciência, tecnologia, desenvolvimento social, filosófico etc.). Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14140 5 A Mulher do Futuro Será Espiritualizada Q uando eu falo em ser feliz através do relacionamento com Deus, as mulheres que me lêem não devem entender muito bem o que seja isso. Idéias de repugnância virão às suas mentes. E com razão! Pensemos, por exemplo, nas religiosas (monjas, rabinas, irmãs de caridade etc.): muitas delas não são, nem em sonho, o ideal de felicidade para uma mulher. É muito comum a mulher ingressar na carreira religiosa para fugir aos problemas de rejeição à própria feminilidade e afeto. Nem tampouco é atrativa a imagem tradicional de “mãe e esposa” que tivemos de nossas mães e tias. Também não é animador ver a expressão angustiada e as vidas agitadas das mulheres famosas, como as estrelas de cinema, artistas de teatro, profissionais de sucesso... Quando ando nas ruas de Nova York, São Paulo, Paris, Londres, ou qualquer cidade do mundo, o que vejo na expressão facial das mulheres é sempre angústia, tensão, preocupação, tristeza, ou então arrogância, vaidade, competição, risos alienados que mostram superficialidade e, na maioria, vejo expressões de raiva, impaciência e inveja. Como é raro ver uma mulher com expressão tranqüila, feliz, em paz consigo e com o mundo! Isso me causa muita pena... Logo as leitoras pensarão — “mas como poderíamos ser felizes com tantas dificuldades que temos na vida ? “ O que quero dizer é que a mulher é a maior inimiga de si mesma, pois é incapaz de usufruir o que tem em sua vida. 141 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14141 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 142 Por exemplo, a maior parte das mulheres passa 99 % do tempo imaginando o que gostaria de ser e ter, e não usufrui o que lhe está à mão. E se consegue o que quer, não aproveita tampouco — começa, pela inveja, a pensar quando irá perder a felicidade de que dispõe — arranjando mil idéias e preocupações para estragar os bons momentos da vida. A mulher faz um pacto com o demônio, na medida que ele nos afasta da maravilha ofuscante de Deus para nos“dopar” com ilusões de que nós somos as deusas. Tudo isso é acompanhado de enorme angústia, mesmo que não percebamos. A felicidade consiste desse “turning-point” (ponto de decisão): abandonar a ilusão de sermos felizes “como deusas”, imersas na inveja e no narcisismo, e passar a viver a felicidade de Deus. A mulher muito invejosa não consegue ser feliz, pois não se aproxima mais da alegria que existe n’Ele e no que é d’Ele. O inferno consiste em estarmos vivendo dentro do Paraíso, cercados de tanta beleza, sem podermos usufruí-la. Dando exemplos práticos: a mulher mais invejosa procura sempre os ambientes inferiores a si mesma, no que se refere à cultura, qualidade de vida, capacidade de trabalho e qualidades pessoais. Preferirá amigas mais feias e menos inteligentes, homens primitivos, inferiores a si mesma, economicamente, ou no espírito (muitos homens podem fornecer status e dinheiro para alimentar a megalomania de uma mulher, sem entretanto causar-lhe inveja, pois são pobres de espírito). Muitas mulheres chegam ao extremo de escolher parceiros in- feriores em tudo: na profissão, na cultura, na situação social, no equilíbrio psicológico, chegando a casar-se com esquizofrênicos, delinqüentes etc. Perto deles sempre se sentem “as melhores”, “as maiores”, “as bondosas”, “as afetivas”, “as sãs”. Quando as conseqüências começam a bater à porta, muitas não agüentam e fogem da situação: não querem apanhar, ou sofrer demais. Queriam somente aliviar sua inveja quando escolheram um louco para se casar, pensando que sua bondade, sua capacidade iriam “salvar” o pobre coitado. Não pensam nunca que esse “coitadinho” vai virar-se, ferozmente, contra elas mesmas, em pouco tempo. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14142 Mulheres no Divã 143 Não é daí que vem a idéia de “mulher Amélia”, que todos co- nhecemos tão bem? Essas mulheres tidas como boazinhas, vítimas da agressão dos maridos, que suportam a tudo caladas, sem reagir, pacientemente, nada mais são do que monstros de inveja que preferem destruir a si mesmas, mas viver num clima demoníaco, cinzento, de desgraça e infelicidade. Elas próprias jamais agüentariam uma situação feliz — pois teriam que reconhecer que sua felicidade era devida a outras pessoas e a Deus que tudo fornece, e não às suas qualidades e merecimentos pessoais. Pela experimentação científica podemos saber que tudo o que é bom, belo e real vem de Deus. Portanto, viver uma vida espiritualizada significa, entre outras coisas, querer, em primeiro lugar, a verdadeira e mais intensa felicidade. Isto, logicamente, só se encontra: � No trabalho bom, belo e verdadeiro, pois a preguiça e o tra- balho pelo poder são muito estressantes e insatisfatórios. � No estudo, na cultura, pois fornecem uma grande variedade de informações interessantes e úteis. � Na riqueza, no conforto, mas sem megalomania, inveja e des- perdício, que constituem fontes de insatisfação. � Nas boas intenções, pois a má intenção sempre se volta contra nós e é percebida por todos. � No amor, pois a inveja e ódio causam tristeza e angústia, além de serem os responsáveis pelas doenças orgânicas e mentais. � Na paciência, pois a impaciência traz irritação e mal estar. � Na dedicação, pois a inconstância não permite que cheguemos ao fim que desejamos. � Na humildade e aceitação dos nossos erros, pois só assim po- deremos corrigi-los e viver sem tensão. � Na dignidade, pois não devemos nos vender por pouco (di- nheiro, elogios, prestígio ou status), e o desprezo que recebemos em seguida é muito doloroso. � Na esperança, pois a desesperança só leva à estagnação, à destruição, ao desânimo e à preguiça. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14143 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 144 � Na caridade e no perdão, pois o rancor envenena nossa psi- quéee também nosso corpo, enchendo-o de toxinas que nos tornam velhas e feias em pouco tempo. � Na procura de ser sempre agradável com os outros, pois a pessoa emburrada está sempre sozinha, sem amigos, rejeitada. Quem deseja uma má companhia (a não ser outro semelhan- te)? � No interesse constante em coisas úteis, elevadas, pois caso contrário reduzimos nossa inteligência e nosso panorama a algo pequeno, pobre e triste. � Na concentração e atenção, pois a alienação e o “laissez faire” nos torna incapazes de raciocinar com clareza e lucidez, le- vando a uma superficialidade de pensamentos e sentimentos, e conseqüentemente a uma vida insatisfatória. � E o principal: amar a verdade com todo o coração, com toda a alma e todo o pensamento, colocando seus interesses pessoais em segundo plano. Se fizermos isso, todos os relacionamentos afetivos serão bem sucedidos, pois eles são dependentes do relacionamento que temos com o Criador. A mulher que procura seguir essas premissas, terá o que deseja, pois só assim será amada e admirada como uma mulher gostaria de ser. Assim sendo, ser espiritualizada é estar de acordo com a rea- lidade, com o Bem, a Beleza, a Verdade; é buscar a conduta equilibrada, sem extremos. Ser santa é ser sã, psíquica e fisicamente. Embora estejamos longe disso, é importante que tenhamos esse ideal em mente para pautarmos nossa conduta nessa direção. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14144 6 O Paraíso Perdido E u percebi que todo o ser humano tem em seu interior uma lembrança gravada, como uma memória transcendental, do paraíso perdido, de um Shangri-Lá no qual viveu; uma situação em que ele se sentia totalmente feliz e satisfeito. Nunca vi um indivíduo verdadeiramente são, sentir-se completa- mente satisfeito com essa existência. Muitos problemas nos cercam, problemas gravíssimos aos quais não podemos ficar indiferentes. Temos momentos de felicidade interior intensa, fugazes entretan- to. Eles não podem durar muito tempo sem que uma agressão externa, ou até mesmo nossa própria patologia (inveja) os extermine. Uma vez o ser humano foi completamente feliz — isto parece certo. Mas há quantos milhares de anos? Isso se desconhece; o que se sabe (desde que a história pode contar), é que um homem explorou outro homem, o escravizou, agrediu, humilhou e foi infeliz. Desde que se tem conhecimento, o amor também foi sinônimo de sofrimento, mostrando que no campo da afetividade existe um alto grau de psicopatologia, misturando-se ao afeto e causando muita dor. O Shangri-Lá, o Paraíso Celestial, existiu de fato, e a prova disso é a noção nostálgica que temos da felicidade, a qual buscamos de volta e que não podemos readquirir. A satisfação plena deixou suas marcas impressas em nosso intimo. Nenhuma lavagem cerebral poderá apagá-la totalmente. Esse é o desejo e a finalidade mais genuína e inerente ao ser humano. Por isso não deixamos incessantemente de buscá-la. Na Bíblia está escrito que depois que Adão e Eva deixaram o Paraíso, o homem iria trabalhar com suor no rosto, e a mulher iria parir 145 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14145 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 146 seus filhos com dor, pois haviam sido enganados pelo demônio, e quiseram ser deuses. Obviamente isso aconteceu conosco — o sofrimento passaria a ser a realidade de nossas vidas. Vejo que essa questão pode ser agora melhor explicada através da ciência sociopsicopatológica. O homem e a mulher abandonaram a sanidade pela busca da felicidade: através do poder econômico-social no caso do homem (“trabalho”), e da vida afetiva no caso da mulher (o “parir dos filhos”). Isso significa que todo o trabalho humano seria dirigido para o poder e dominação dos outros, e a vida afetiva da mulher seria também deturpada por seu desejo de ser adorada pelo homem amado e seus filhos. O que estou tentando dizer é que nós realmente estamos enga- nados: buscamos incessantemente a felicidade perdida, aquela sensação de total satisfação que um dia tivemos, mas buscamo-la no que jamais poderia nos realizar totalmente. Essa estrutura de vida diabólica que criamos não permite que tenhamos paz. Vivemos num inferno interno e externo. Nãosão somente os explorados e oprimidos que são infelizes neste sistema socioeconômico; os poderosos também o são. O mesmo se pode dizer das mulheres. Não são somente as feias, sozinhas, rejeitadas pelos homens as infelizes, mas as lindas, que têm a quantidade que quiserem de apaixonados a seus pés, são ainda mais infelizes e insatisfeitas. O poderoso e a mulher narcisista, amada por muitos homens, são justamente os mais infelizes e insatisfeitos, pois buscaram, mais do que ninguém, seu Shangri-Lá onde jamais ele poderia estar. Mulheres passam de homem para homem, trocando de parceiro a cada mês, cada vez mais desesperadas — o homem quer mais e mais dinheiro, pensando que se tiverem mais alguns milhares de dólares, serão felizes e realizados. Que estultice! Em que engodo caímos! Por isso, não haverá jamais aquele “homem ideal” que faça uma mulher feliz, e homem algum achará felicidade em sua fortuna, por maior que ela seja. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14146 Mulheres no Divã 147 O que se passa é que a mulher psicologicamente mais invertida (a mais doente), torna-se feroz contra aquele homem no qual deposita toda a esperança de ser feliz, culpando-o de ter-lhe roubado a feli- cidade. Não raro, parte para uma agressão feroz contra ele, num desejo de vingança por sentir-se “enganada”. As mulheres mais equilibradas, ao perceberem, logo após o casamento ou a vida em comum, que caíram numa esparrela esperando o Éden daquele relacionamento, podem agüentar a frustração e procuram desenvolver, ao lado disso, atividades que lhe sejam satisfatórias. Mas sempre aquela mágoa profunda fica em seu coração. E a pergunta surge: “outro homem me traria aquela felicidade? Quem sabe este é muito frio, ou muito egoísta, ou muito rígido, ou muito controlador, ou muito materialista, ou muito isso, muito aquilo — e a minha metade da laranja estaria me aguardando em algum canto do mundo, escondida? A “alma gêmea”, que me compreendesse totalmente, que me amasse sem restrições, poderia me fazer sentir aquela “felicidade perdida”? Sim. Sabemos que a felicidade está perdida em algum lugar; e prova disso é a insatisfação amarga que está sempre presente. Mas enquanto não despertarmos desse engano diabólico, de que homem algum poderá preencher nossa expectativa, por melhor que ele seja, e que a felicidade não consiste em sermos amadas por um homem e pelos nossos filhos, seremos prisioneiras encarceradas em nós mesmas. Esse parece ser o nosso pecado original — e por isso Eva disse (ao comer da maçã do “poder ser como uma deusa”): “fui enganada”. Por isso agora temos que renunciar a essa fantasia se quisermos recuperar a felicidade; precisamos desistir dessa idéia, que na verdade é o que nos aprisionou até hoje. Não digo que não devamos amar a um homem e a nossos filhos. Muito pelo contrário! Eles são uma parte importante de nossas vidas. Mas como esperar de um ser humano, por melhor que seja, um Shangri-Lá?! Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14147 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 148 O Paraíso que abandonamos deveria ser a coisa mais incrível e grandiosa, a qual sequer podemos imaginar; na presença de Deus, na total harmonia social, ecológica, psicológica, numa enorme atividade, plena de realização na Verdade, Beleza e Bondade. Onde inveja, ódio, censura, restrição, tristeza, agressão, cansaço, preguiça, desconfiança, inexistam. A total riqueza usufruída por todos! Como um ser humano, com todos os seus problemas poderia oferecer tudo o que retirávamos disso?! Mesmo o homem original, sem pecado, não seria suficiente para desempenhar tal tarefa. A mulher, bem como o homem, “decaiu” muito em suas ex- pectativas. O ideal anterior, que era de extrema riqueza e complexidade (procurem imaginar, se puderem, o que é viver num Paraíso, ao lado de Deus), ela trocou por um homem (decaído ainda por acréscimo...). E o homem trocou o Paraíso pelo poder, que jamais poderá trazer a felicidade esperada. O homem que trabalha só pelo dinheiro e pelo poder que ele trará, será fatalmente infeliz. O mesmo a respeito da mulher: aquela que se unir a um homem ou mesmo a que nutrir essa ilusão, para ser feliz através disso, também sofrerá extremamente, pois estará se restringindo sobremaneira. Temos que retornar à nossa vida original. Mesmo que isso exija esforço e “sacrifício”, pois aí está a nossa libertação. A Trilogia Analítica é a ciência que foi criada com essa finalidade — fornecer os elementos para o ser humano recuperar, ao máximo que puder, o seu Paraíso perdido. O sentido dado na Bíblia “parirás com dor” parece representar mais a dificuldade, o sofrimento que a mulher passou a sentir ao dar de si, ao dar afeto, pois essa idéia lhe provoca muita contração e teme o sofrimento. E somente através dessa conscientização é que podemos nos libertar. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14148 7 O Poder do Amor A mulher (bem como o homem) se relaciona com o mundo através do amor. O sentimento de afeto é a base de tudo — e a verdadeira fonte da existência: Não me refiro ao amor sexual propriamente. Podemos amar a um homem sem jamais termos qualquer relacionamento sexual com ele. Como também podemos passar a vida sem acharmos alguém que desperte em nós um afeto “preferencial”, e no entanto amarmos intensamente a vida e as pessoas. Mas pensamos invertidamente e cremos que o amor nos torne vulneráveis. Por exemplo: P.C. sempre pensou (e essa é a idéia da humanidade) que se ela não amasse a um homem ele não a poderia atingir — ela se tornaria quase que inatingível por qualquer coisa que fizesse (ele poderia ter os problemas que tivesse: mulheres, bebida, mau gênio etc.), e tudo seria superável, desde que ela não fosse envolvida afetivamente com ele. Sempre ouvi muitas pessoas se queixarem de que o sofrimento começa junto com o amor — se não amamos, não sofremos. Afinal, a literatura, as artes, a tradição cultural também não confirmam essa idéia? Até os religiosos apóiam essa tese. Eles acham que existem duas espécies de amor — o amor verdadeiro e o amor humano. O primeiro, de cunho espiritual, seria o amor a Deus e o fraterno; e o segundo, o falso, a danação — as paixões que levam à perdição e ao sofrimento. O primeiro incompatível com o outro. Pela experimentação científica trilógica, podemos comprovar o contrário: o amor é um só. Um só sentimento verdadeiro e apaixonado 149 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14149 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 150 que podemos dirigir a Deus, a um homem, aos filhos, família e toda a humanidade de uma só vez. Os seres humanos só têm um tipo de afeto, e este amor é o amor humano. Não podemos amar como um anjo ou como Deus ama. Portanto, cada vez que tentamos impedir que o afeto exista ou se manifeste, por quem quer que seja, estamos secando a fonte da vida que deve jorrar do nosso interior. Podemos concluir que série enorme de sofrimentos e problemas daí surgem: brigas, separações, divórcios, adultérios, abortos, doenças físicas, psíquicas e sociais etc. Aí se coloca outra questão: por que vemos no amor um sofrimento tão atroz? Por que uma mulher traída não sofre se o homem que a trai não é o que ela ama? Por que tudo o que vem do homem amado lhe cai diferente, causando uma série interminável de atritos? Somente quem ama, tem consciência de sua psicopatologia e de seus enganos. É, portanto, através da aceitação da vida afetiva que o indivíduo poderá perceber sua inveja, seu ódio, sua megalomania, seu egoísmo, que se manifestam conjuntamente ao afeto. O indivíduo racionalista “imagina” que não tem ódio, inveja etc., mas na realidade, ele somente inconscientizou o que sente, deixando toda a sua frieza e maldade à solta. (Por exemplo, muitos religiosos pensam que têm muito amor, mas são sem nenhuma piedade). Se esse indivíduo começar a gostar de alguém, passará a perceber como é invejoso, ciumento, possessivo, egoísta, dominante etc. etc., imaginando que os sentimentos são ruins em si, e que se todasas emoções forem reprimidas, ele será são e equilibrado. Não perceberá que só reprimiu o amor, e que a patologia permanece; só ele é que não terá consciência disso, embora sua loucura seja clara para os demais. Aqui entramos numa senda de difícil aceitação — pois o ser hu- mano é por demais arrogante para admitir que tem que se “submeter” a algo. O amor é soberano. É maior e todo poderoso sobre nós mesmos. Ou o acatamos, ou nos destruímos. Como então poderíamos aceitar a idéia de não termos domínio sobre um aspecto do nosso ser? Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14150 Mulheres no Divã 151 Existe uma confusão psicológica que é muito importante que se perceba: nós colocamos no objeto amado o poder e magnitude que o amor possui. E pensamos: “Por que haveremos de nos submeter a esta ou aquela pessoa, que tem tais e tais problemas (que me rejeita, ou que me trai, ou que me agrediu etc. etc.)?” Sentimo-nos humilhadas de sermos dependentes de alguém e até termos que negar nosso orgulho e “amor próprio”. Quando amamos a alguém não somos submissos à outra pessoa mas somos totalmente impotentes diante do próprio afeto que espontaneamente existe em nós. E qualquer tentativa de brecar esse sentimento resulta em so- frimentos incríveis, de ordem psicológica e física, dando início a uma série interminável de ansiedades, fobias, insônias, falta de apetite, depressão, desânimo, improdutividade, falta de concentração, dificuldade de relacionamento com as demais pessoas, com o mundo, e até com o próprio Deus. O ser humano vê no afeto um grande prejuízo, portanto faz o mesmo com o próprio Criador. Essa inversão carregamos dentro de nós, o que nos custa grande pesar. A cliente X foi casada por 20 anos com um homem ao qual amava sobremaneira. Esse homem era doente, neurótico, e precisava muito de seu afeto. Tinha problemas com ele, mas era feliz. Um belo dia, resolveu seguir sua inversão e arrogância, apoiada por orientações da psicologia moderna, e passou a cuidar “de si mesma”. O marido mudou-se para outro estado e ela permaneceu em Nova York, onde tinha seus amigos, seu grupo de psicoterapia, seus “interesses pessoais”. Após algum tempo de separação, soube que outra mulher havia ocupado o seu posto; perdeu o afeto do marido, a segurança social e econômica, e toda a felicidade que obtinha daquele casamento. Achava-se insubstituível — jamais pensara que outra mulher pu- desse usufruir de tudo aquilo que havia sido seu e que rejeitara, principalmente o amor do marido. Jamais se conformou com isso. Só Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14151 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 152 começou a se acalmar quando percebeu a atitude invertida que adotara — que o seu sofrimento não advinha do marido, mas somente de sua atitude de matar a vida afetiva, coisa que sempre fizera e continuava fazendo. Mas algo extremamente importante também deve ser conscien- tizado: toda a estrutura social nos ensina, desde nosso nascimento, que não devemos amar. Amor é sinônimo de fraqueza, ódio, poder. Qual não é essa inversão, pois é dessa desunião entre os sexos que os sistemas, interessados no domínio e exploração dos mais fracos, tiram vantagem. “Casa dividida é casa fraca”, “separar para governar”, como dizia Maquiavel. Se os seres humanos perceberem que estão sendo vítimas de uma lavagem cerebral que incentiva a separação e a paranóia, para servir a interesses espúrios dos indivíduos do poder, então poderão aplainar os problemas e viver em harmonia e força. Na base, homem e mulher se amam, mas tudo é feito para atiçar um contra o outro. Outra questão importante relativa à vida afetiva é que somente o indivíduo que aceita conscientizar os seus sentimentos (sentir-se a si mesmo) pode ter saúde física e mental. Em meu livro A Cura pela Consciência isto é melhor explicado. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14152 8 Receita da Felicidade Q uando falo a vocês, falo como uma cientista — jamais como religiosa. Muitos religiosos já afastaram muita gente de Deus — pois deturparam a sua imagem para um ser sádico, frio, primitivo, que quer que soframos para que ele se realize. Sabem que deus é esse? Não preciso dizer que é o demônio. E eu própria tenho horror à mentalidade de muitos religiosos fanáticos que causaram tanto dissabor e ressentimento em relação a Deus. Falo como uma psicanalista que pesquisa há anos uma maneira de a mulher ser mais feliz. Nunca acreditei que as mulheres tivessem sido realmente criadas como “inferiores” em relação aos homens — e que precisassem deles para serem guiadas na vida e até para chegar a Deus. Se em grande parte isso aconteceu, foi devido à nossa atitude de inveja muito grande, que acabou por nos incapacitar e decair de nossa posição original, que era certamente superior à condição dos homens e mulheres atuais. Eu nunca me conformei com a idéia de que eu deveria ser infeliz e pronto. Ou então, “um pouco” feliz, medianamente feliz. Sempre fui ambiciosa no que se refere à felicidade. Quis e quero ser o mais feliz possível. E desde pequena, sempre notei estreita correlação entre felicidade e bondade, altruísmo, amor e, principalmente, amor a Deus. Porém, muito ainda me era desconhecido — as descobertas do dr. Norberto Keppe só começaram a premiar minha vida a partir de 1972, e daí por diante, foi num crescendo até hoje. Até aquela data experimentara tudo o que me parecera apto a trazer felicidade. Posso dizer até que tive tudo o que uma mulher pudesse desejar para ser feliz: certa inteligência e beleza, dinheiro, status, marido, 153 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14153 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 154 filhos, admiradores, sexo, viagens, tudo. No entanto, só o que estava relacionado a Deus me trazia satisfação, fosse o que fosse. E isso foi gradualmente ficando cada vez mais claro para mim. Quanto mais próxima de Deus era uma experiência, maior era a intensidade da felicidade que sentia — até o ponto de sentir, muitas vezes, a felicidade que só pensei existir no céu — quando aproximei mais o meu coração d’Ele. E sinto essa mesma felicidade quando penso que muitas outras mulheres poderão sentir o mesmo que eu, e que eu poderei ajudá-las a isso, com a minha experiência. Assim, fui experimentando, observando cada vez que me sentia feliz e tinha mais paz, ao quê aquela felicidade estava relacionada. E vice-versa — cada vez que me sentia mal e infeliz, pensava ao quê o mal-estar estaria relacionado. O mesmo fazia com minhas clientes e, espantosamente, por ensaio e erro, fui aprendendo, na prática, a ser feliz! E esse caminho científico-experimental me levou a concluir que a mulher nasceu para completar a criação de Deus, assim como o homem, e só nessa realização podemos ser felizes. Na minha opinião, a mulher nasceu para ser feliz, amando a Deus e vivendo em sintonia com Sua vontade. Como poderemos gostar de Deus se não O vemos, se não sa- bemos bem como Ele é, se nossos olhos não podem vislumbrar Sua beleza? Penso que devido a nossa enorme inveja a Ele, prejudicamos muito nossa visão de Deus. De outro lado, procuramos sempre compará-lo a algo humano — como nós somos, e não como Ele é. Portanto, muitas de Suas Manifestações nos passam despercebidas. Por exemplo, Deus se manifesta através da Criação. E se observarmos bem o que é criado, o que é real, poderemos conhecer muitas das facetas de Deus. Quando olhamos para um quadro, muito podemos saber do seu pintor; quando lemos um livro, muito podemos ver da alma do seu escritor; muito podemos saber também do pai e da mãe, se olharmos para os traços do rosto de seu filho. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14154 Mulheres no Divã 155 Procurem observar o que existe — o que existe ainda de original e que não foi estragado e deturpado pela inveja dos seres humanos e dos demônios. Vocês verão facetas de Deus incríveis, reveladas sutilmente: � Seu Bom Humor, através de bichinhos, de peixes e insetos tão engraçados. � Sua Beleza, através de todas asformas da natureza. � Sua Delicadeza de sentimentos, através das flores, crianças e ani- mais delicados. � Seu Afeto, através da música. � Sua Bondade, através da possibilidade de perdão, de recupe- ração de todo aquele que quer ser feliz e retornar à honestidade. � Sua Justiça, que não permite que os arrogantes sejam felizes e que garante a felicidade aos humildes de coração. � Sua Grandeza e Poder, quando pensamos nos bilhões de galáxias que Ele criou e governa. � Sua Sabedoria e Inteligência, quando vemos as leis da física, quí- mica, biologia etc. � Sua Multiplicidade de interesses e Criatividade, quando vemos o oceano repleto das mais incríveis e diversas espécies de seres vivos. � Sua Luz e Grandeza, quando vemos a luz do sol brilhando de horizonte a horizonte. E assim, infinitamente, procurem vocês próprios começar a ob- servar, e verão o quanto vão saber d’Ele. E sabem o que mais? Este Ser, que é tão incrível, está sempre atento a nós, sempre nos ouve. Ele jamais nos esquece, jamais nos trai, jamais nos quer mal, sente raiva ou ciúmes, ou inveja. Ele sabe do nosso íntimo e nos compreende em cada aflição, cada intenção, cada anseio, sem a menor possibilidade de desentendimento. Ele é o Parceiro Perfeito! Imaginem leitoras, que tempo estamos perdendo! E nascemos justamente para isso, para viver esse grande Amor, sem fim e sem que ninguém nos separe — a não ser nós mesmas, que O rejeitamos e buscamos o que não existe, fora d’Ele. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14155 9 As Mulheres do Terceiro Milênio P ela experiência e observação científicas, percebi que as mulheres, através da Trilogia Analítica, puderam se desenvolver tanto ou melhor do que os homens. Por exemplo, nas Sociedades Trilógicas, as mulheres demonstraram ser mais honestas, mais dedicadas, mantendo seus compromissos sempre em dia e, não raro, tendo um desempenho profissional e pessoal muito superior ao dos homens. Na avaliação global, que é feita anualmente nas Sociedades Trilógicas, dois terços dos aprovados eram de mulheres. Se a mulher se conscientizar de sua inveja e do pacto que vem mantendo com o esquema de poder, terá com certeza um desen- volvimento assustador. Temos a nosso favor uma tradição passada de maior obediência, dedicação, tolerância à dor, às frustrações, e aos problemas; maior paciência e amor com as crianças e com os seres humanos em geral. Nossa intuição e sensibilidade nos permitem chegar ao entendimento das coisas materiais e imateriais com muita rapidez; isso sem mencionar que fomos muito humilhadas até hoje. Este fato obrigou-nos a manter mais os pés na terra, e não nos é tão difícil quanto para os homens, que estiveram sempre habituados a uma posição de mando e poder sociais, conscientizarmo-nos de nossos erros. Poderíamos dizer que a mulher não tem muito o que perder, pois já se encontra numa posição desfavorecida diante da sociedade. Portanto, só teremos o que ganhar ao admitirmos os nossos erros passados e presentes. O mesmo erro que Eva cometeu ao trocar Deus pelo demônio, repetimos atualmente, adorando os homens poderosos, que não passam de seres decaídos a uma condição quase demoníaca. Os bons amigos, 156 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14156 Mulheres no Divã 157 os verdadeiros, esses são rejeitados pelas mulheres e, não raro, humilhados, e usados somente como um meio de alimentar sua vaidade. Tenho certeza de que as mulheres vão entender o que quero dizer, pois toda a mulher, em alguma fase de sua vida, rejeitou o afeto de um homem bom e honesto e sofreu, por gostar, sem ser correspondida, de um sujeito agressivo, frio e arrogante. O grande engano que as mulheres das civilizações mais adian- tadas estão cometendo é que estão procurando a felicidade pelos mesmos meios que os homens a procuram. Por exemplo, as nossas avós sentiam-se muito prejudicadas pois seus maridos tinham total liberdade sexual, mantendo casos amorosos fora do casamento e abandonando mulher e filhos. Na realidade sentiam inveja por não poderem fazer o mesmo; imaginavam que esta conduta traria enormes prazeres. Não foi este o rumo que as gerações de 60 e 70 tomaram ao adotar uma conduta totalmente promíscua na busca da felicidade? Uma pesquisa realizada entre 2.600 estudantes do colégio, idade entre 18 a 22 anos, feita pela revista Forbes (24 de fevereiro), revelou que 31.4 % pensam que a geração de seus pais foi muito promíscua. Quando as mulheres perceberam que isso não estava sendo suficiente para trazer a felicidade ansiada, partiram para um engano maior ainda: lutam atualmente pela conquista do poder eco- nômico-social, munidas de um terno, uma pasta e muita “agressividade”. Os maus resultados vêm a galope, pois mais e mais a mulher se afasta da sua verdadeira essência, que é na verdade igual a dos homens (verdade, beleza e bondade). Assim sendo, mulheres e homens agora compartilham, quase lado a lado, dos índices de pressão alta, doenças cardíacas, câncer de pulmão etc. A mulher, cega pela inveja, não percebeu que não poderia ser feliz através desses valores masculinos, pois os próprios homens não conseguiram a felicidade com eles. Teríamos acertado mais se tivéssemos nos desenvolvido na direção certa e conscientizado os homens de seus erros também. Não foi o que fizemos: além de termos perdido o que mais tínhamos de valor, nós mulheres adotamos erros mais graves, que antes eram mais característicos dos homens. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14157 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 158 Betty Friedan atualmente se questiona se a libertação feminista à qual deu impulso atingiu os seus propósitos. A mulher atualmente é mais feliz do que a do passado? Não nos parece. A libertação de um ser humano, seja ele homem ou mulher, só pode acontecer dentro da bondade, beleza e verdade. A direção que as mulheres deram à sua libertação foi invertida; caímos numa armadilha, pois a liberdade para fazer o errado, para optar pelo mal, pela destruição, pela agressão, pela infidelidade, pela euforia do poder econômico-social, não poderia fazer ninguém feliz. Não estou dizendo que a mulher devesse continuar numa posição de explorada, humilhada, traída, sem nenhuma segurança e voz ativa. Eu quero dizer que se seguirmos a consciência e nos mantivermos firmes na realidade, conseguiremos mudar a face da Terra. Teremos o poder e autoridade daquele que é altivo, generoso, consciente, altruísta, honesto e que luta pela justiça na face da Terra. Poderíamos ter até as rédeas da civilização nas nossas mãos, caso quiséssemos, verdadeiramente, conduzí-la para a felicidade dentro do bem. Nós mulheres fomos nossas maiores inimigas, pois desprezamos nosso poder verdadeiro que é o amor, a dedicação, a tenacidade, a intuição, a paciência, a sensibilidade. Temos até maior resistência às doenças físicas e à dor, e não valorizamos isso. Temos enorme influência sobre as crianças, os homens de amanhã! Poderemos, caso nos conscientizarmos disso tudo, forçar a mudança deste mundo infernal para aquele em que gostaríamos de viver. Para tal, necessitaremos de uma visão sincera e profunda da nossa própria psicopatologia, a fim de nos fortalecermos internamente. Faço aqui uma convocação a todas as mulheres que queiram seguir essa empreitada. Sei bem, como mulher e psicanalista, o quanto a mulher tem sido infeliz até hoje; e sei também como orientá-las para o sentido contrário, pois é o que temos conseguido através das descobertas da Trilogia Analítica. Penso que agora será a hora de provarmos se as mulheres têm valor ou não. A luta contra os poderosos deveria ser vencida por nós, Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14158 Mulheres no Divã 159 que ainda estamos menos comprometidas com o poder. Se nas Socie- dades Trilógicas as mulheres são melhores que os homens em 2/3 do total, isso nos leva a crer que a revolução da consciência deverá ser realizada pela maioria das mulheres. Nós dispomos de meios para lutar contra os poderosos que os homensdesconhecem. Nossas armas são diferentes das deles, não são armas de fogo, nem músculos fortes. Quem melhor do que a mulher para perseverar numa empreitada que deseja? Temos a paciência, a sutileza e técnicas invisíveis de sabotagem a que nenhum homem consegue resistir. Não dizem que as mulheres vencem os homens pelo cansaço? O único problema é que temos lutado contra os inimigos errados; ao invés de lutarmos contra nossos pais e maridos, teremos que enfraquecer a resistência dos poderosos, para que os vençamos com as armas de que dispomos e que eles desconhecem. Quando se fala em “guerrinha psicológica” somos as primeiras. Agora, teremos que direcionar nossos poderes contra os verdadeiros inimigos que vêm nos explorando e usando como objetos para manter o seu poder. No livro A Decadência do Povo Americano (e dos Estados Unidos), denunciei o fato de que somos nós, as mulheres, que ba- sicamente sustentamos a sociedade consumista. Somos nós que muitas vezes, pressionadas pela propaganda massiça, pela voracidade, pela necessidade de aplacar nossa insatisfação, e também pela inveja, consumimos aquilo de que não temos a menor necessidade. O comércio do supérfluo tem sustentado boa parte do mercado do poder. Se nos conscientizarmos desses problemas internos que nos tornam psicologicamente dependentes do consumismo, poderemos já numa primeira fase, provocar uma grande sabotagem e quebra do sistema de exploração, até que iniciativas mais honestas sejam criadas e que possamos comprar somente produtos de empresas do povo, onde a distribuição dos lucros seja para o povo (empresas trilógicas). Por exemplo: somos nós que, na maioria das vezes, compramos comida, roupas, utensílios para a casa e a família. Caberá a nós não Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14159 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 160 mais favorecer as grandes multinacionais ou cadeias de exploração, e somente comprar artigos de boa qualidade, produzidas honestamente por empresas do povo, trilógicas. Nós poderíamos iniciar um esquema de sabotagem e não comprar nada que fosse supérfluo, e reservar todo o dinheiro para um destino melhor — o de fortalecer as iniciativas trilógicas populares, por exemplo. Por iniciativas trilógicas populares, quero dizer empresas ou qualquer trabalho ou sociedade que mantenham os princípios de honestidade, liberdade, bondade, igualdade, que aceitem o trabalho com a consciência dos erros, sendo de iniciativa absolutamente popular, e que dividam o lucro pela produtividade e não pelo capital. Para isso haverá a necessidade de um período de transição, onde novas empresas dessa natureza sejam criadas para que possam cobrir toda a necessidade do povo, pouco a pouco. E essa seria a maneira fácil e direta para transferir o dinheiro da mão dos capitalistas e do estado exploradores, para o povo trabalhador. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14160 Mensagem Final Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14161 P ara finalizar, gostaria de citar o que Betty Friedan falou a respei- to da mulher do futuro: “Quem sabe o quê as mulheres poderão ser quando finalmente estiverem livres para serem elas mesmas? Quem sabe em que a inteligência feminina contribui- rá quando puder ser nutrida sem negar o amor? Chegou o tempo em que as vozes da mística feminina não mais podem abafar a voz interior que está impul- sionando as mulheres a se tornarem completas.” 1 Notas e Referências: 1. 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Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14168 Glossário Ação — A essência do ser humano. A base de toda vida é a ação boa, bela e verdadeira. O amor e o pensamento são ações inter- nas; a saúde é resultado da realização boa. A ação verdadeira é diferente da atividade agitada ou destrutiva, a qual reflete atitu- des que negam a ação boa e verdadeira. Toda ação que vise a aumentar o poder de alguém é patológica. Por exemplo: traba- lhar somente para ganhar dinheiro. A ação real é servir aos ou- tros e à humanidade como um todo. Alienação — A atitude voluntária, mas freqüentemente não percebi- da, de se desligar da realidade. Quando o indivíduo se nega a aceitar a consciência, ele usa muitas formas diferentes de aliena- ção: sexo, poder, dinheiro, superatividade, viagens, televisão, bebidas alcoólicas etc. A sociedade foi organizada de forma a alienar as pessoas das coisas essenciais na vida: amor, beleza, bondade, boas ações, verdadeiro desenvolvimento do ser hu- mano e da sociedade e, principalmente, da consciência dos pró- prios erros. Ciúme — Inveja do ser amado. Consciência — Total percepção da realidade (interna e externa). De acordo com a Trilogia Analítica, a consciência resulta da unifica- ção do amor, da inteligência e da ação, e inclui a percepção do certo e do errado, de atitudes psicopatológicas, e da verdadeira realidade (bondade, beleza e verdade). Doença Psicossomática — De acordo com a Trilogia Analítica, to- das as formas de doença envolvem um forte elemento emocional e podem ser tratadas somente através do diálogo. A doença é causada por uma quebra no sistema imunológico a qual resulta da negação da consciência. Conscientização — Processo psíquico de percepção da realidade interna e externa. 169 Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14169 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 170 Emoções — O termo usado para designar “sentimentos” de amor, felicidade, tristeza, raiva, inveja etc. Empresa Trilógica — Um novo modelo de empresa cujo objetivo é resolver os problemas básicos do sistema econômico vigente: • cada indivíduo é sócio baseado na sua produtividade, e não no dinheiro investido; • salários e distribuição de lucros são baseados na pro- dutividade individual; • o investimento de capital é tratado como um empréstimo, não como base para distribuição de lucros; • todos que trabalham na empresa participam de um programa que ajuda o indivíduo a se conscientizar dos seus erros e atitu- des que são prejudiciais à sua produtividade. Esta proposta é diferente do capitalismo e socialismo/comunismo. Através deste sistema o poder do dinheiro é substituído pelo valor do traba- lho e realização. Oferece uma solução prática ao problema econômico dos indivíduos e da sociedade. Desde 1985, cerca de trinta empresas começaram a funcionar baseadas nestes princípios em Nova York (EUA) e São Paulo (Brasil). Espiritualidade — Ligação do homem a Deus (verdade). Na Trilogia Analítica não é vista como qualquer ato externo tal como uma filiação com uma Igreja deteminada ou participação numa ado- ração/culto formal. Fantasia — Na Trilogia é sempre usada para expressar o uso pato- lógico da imaginação; o mesmo que ilusão ou devaneio. Uma forma de alienação da realidade na qual o indivíduo tenta realizar o que é impossível. Imaginação — O ato de formar imagens mentais de algo não pre- sente; a criação de novas idéias através da combinação de ex- periências anteriores. Saudável só quando usada no sentido de planejar boas ações futuras; patológica quando usada para ali- mentar idéias de grandeza ou má intenção. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14170 Mulheres no Divã 171 Inconscientização — Neologismo de Norberto R. Keppe — atitu- de de esconder, reprimir ou negar a consciência que temos. Interiorização, Técnica de — Diferente de internalização, consiste em usar a realidade externa como um espelho, para entender mais claramente o que existe no interior do indivíduo (sentimen- tos, pensamentos, consciência, intuição, emoção etc.). É a técni- ca principal usada na análise individual trilógica. Inveja — Descontentamento e má vontade com relação à felicidade, vantagens, posses, beleza, bondade etc., de outros. Do latim invidere, significa “não querer ver” a bondade, a beleza, a ver- dade. Tem a raiz na Teomania. Inversão — Processo através do qual a pessoa vê o bem no que é ruim e o mal no que é bom; isto é, acredita que a fantasia leva à realização, e que a realidade causa sofrimento; vê a preguiça como prazerosa e a virtude como sacrifício; considera Deus restritivo ou punitivo, e o demônio como libertador e doador de prazer; pensa que o amor traz sofrimento e que a razão pura leva ao equilíbrio; acredita que o poder social significa felicidade e que o serviço para a humanidade significa sacrifício e inferiorida- de. Farmácia Interna — Termo criado pela dra. Cláudia Bernhardt S. Pacheco que se refere às substâncias imunológicas, naturais do organismo, com as quais a Trilogia trabalha indiretamente para conseguir a cura das doenças através de psicoterapia. Medicina Psicossomática Trilógica — Tratamento médico que lida somente com fatores psicológicos. Não se usam drogas, inter- venção cirúrgica ou tranqüilizantes. A cura é conseguida através da consciência individual das atitudes negativas que causam alte- rações patológicas na “farmácia interna” (vide glossário) do indi- víduo. Megalomania — Delírios de grandeza; uma forma de arrogância em que a pessoa vê a si mesma maior do que é realmente. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14171 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 172 Pacto — Termo usado na Trilogia para descrever um acordo mal intencionado, consciente ou não, entre duas ou mais pessoas (in- cluindo seres espirituais), para esconder a verdade e sabotar a bondade e a beleza. Comum entre membros da mesma família, amigos, e colegas de trabalho, resultando da crença de que a verdade é dolorosa e a mentira poderá ser benéfica. Pessoas Poderosas — Um termo que se aplica aos indivíduos mais doentes que lutam por posições de poder na sociedade e que tiranizam o povo. Poder Patológico — Desejo de ser maior do que os outros, de ex- plorar os outros; um “antipoder”; o desejo de impedir que o verdadeiro poder exista entre o povo. Motivados pela inveja, alguns indivíduos desejam dominar, controlar os outros na soci- edade como uma forma de saciar sua teomania (ver teomania). A intenção de tais indivíduos é tirar a felicidade, a liberdade, o dinheiro e o bem-estar dos outros; não servir aos outros, mas serem servidos por eles. O poder patológico é uma força arro- gante utilizada para impedir a vida e a liberdade;traz somente destruição e doença aos poderosos e à sociedade. Poder Real — Todo poder real vem da ação fundamentada naquilo que é verdadeiro, bom e belo. O poder humano é ligado, através da consciência, à energia de Deus, e se manifesta através do trabalho feito para beneficiar a humanidade. Aqueles que ser- vem aos outros se tornam mais poderosos. O poder real é base- ado na liberdade. Psicanálìse Integral — O tratamento psicanalítico que, ao contrário da psicanálise tradicional, coloca a etiologia da neurose não nos problemas relacionados à libido, mas no desejo do ser humano de ser como Deus (teomania), e na patologia da estrutura social, que dá poder aos indivíduos mais teomânicos. O mesmo que Trilogia Analítica ou Psicanálise Trilógica. Psicopatologia — Estudo da doença psicológica (pathos = doença). Também usado como sinônimo das doenças psicológicas. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14172 Mulheres no Divã 173 Psicossociopatologia — O estudo dos problemas psicológicos e sociais. Também usado como um sinônimo dos problemas psi- cológicos e sociais. Realidade, Verdadeira ou Real — Verdadeira ou original —Tudo que existe no mundo material e não-material, que não foi distorcido por qualquer interferência maléfica. Tudo que pertence ao reino do Criador. Realidade, Pseudo — Erros e problemas criados pela omissão, ne- gação ou deturpação da realidade encontrada no ser humano e na sociedade. Realidade Atual — Combinação dos dois acima; vida como é atualmente, é bastante diferente do que deveria ser. A realidade atual inclui a doença, guerras, desonestidade, neurose, psicose, pobreza, poluição etc., misturados com a realidade ainda intacta e as boas ações de indivíduos equilibrados. Repressão — Ato de restringir um sentimento, uma atitude, uma idéia. A repressão do amor e da verdadeira realização é a causa de todas as enfermidades. Sentimentos — O único sentimento real é o amor; a inveja, o ódio e a raiva são primordialmente atitudes contra o amor. Às vezes usado como sinônimo de emoções. SITA — Sociedade Internacional de Trilogia Analítica (anteriormente Sociedade de Psicanálise Integral) fundada pelo dr. Norberto R. Keppe em 1970 no Departamento de Medicina Psicossomática da USP. A Sociedade é uma organização internacional científi- co-cultural sem fins lucrativos, cujo objetivo é desenvolver pes- quisa, treinamento e aplicação das ciências trilógicas. Sociedade Trilógica — (Sociedade do futuro) — Uma nova organi- zação da sociedade, já em andamento com a formação das Re- sidências e Empresas Trilógicas, na qual as pessoas estão ver- dadeiramente livres para realizar tudo que é bom, belo e verda- Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14173 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 174 deiro; na qual o povo, consciente da psicopatologia humana (in- veja, preguiça, desejo por poder), não permite que os indivídu- os mais desequilibrados dominem a sociedade. Somente aque- les que são equilibrados podem ter posições de liderança. Na sociedade trilógica, a estrutura socioeconômica não impede o povo de usufruir o que por direito lhe pertence: o planeta e tudo nele; e nem pode deter a civilização de desenvolver na direção do bem comum. A Sociedade Trilógica é baseada na unificação da teologia, filosofia e ciência. Não segue nenhuma orientação religiosa específica, mas respeita as leis universais criadas por Deus. Somatização — Processo de transformar os problemas emocionais em doenças orgânicas. Ocorre sem que o indivíduo o perceba, o qual sente só os sintomas, não a sua causa emocional. Teomania — O desejo megalômano e invejoso de se ter um poder “divino”; mais forte em indivíduos psicóticos e pessoas em posi- ções de poder na sociedade. De acordo com dr. Keppe, a teomania, uma forma extrema de magalomania, é a causa por detrás de toda doença (social, mental e orgânica). Psicóticos freqüentemente se vêem como sendo Jesus Cristo, o Espírito Santo, a Essência Divina etc. Mas a teomania está presente em todos os indivíduos, em maior ou menor grau. Trilogia Analítica — (Anteriormente chamada Psicanálise Integral) — Uma nova metodologia e teoria científicas criadas pelo psica- nalista brasileiro Norberto R. Keppe, Ph.D., que unificam os campos da ciência, filosofia e teologia. No indivíduo corresponde à unificação do sentimento, pensamento e ação que resulta na consciência completa. A Trilogia está sendo aplicada nas áreas da psicoterapia, medicina, educação, economia, sociologia, ar- tes, entre outras, nos três níveis: psicológico, social e espiritual. Residências Trilógicas — Uma alternativa econômica para se viver em um ambiente de cooperação e relacionamento humano, in- dependente da sociedade tradicional; visa estimular o interesse pela cultura e ciência; auxiliar os que sofrem de solidão, insegu- Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14174 Mulheres no Divã 175 rança, falta de integração social, dificuldades econômicas de qualquer ordem; encorajar altruísmo, honestidade e crescimento pessoal; enfim, criar um ambiente favorável e eficaz ao trabalho com os problemas e dificuldades que todos os seres humanos têm com sua própria vida, com os outros e com a sociedade em geral. Verdade — É o que é. É absoluta e a mesma para todos. A verdade não é relativa a cada pessoa. Por exemplo: comida estragada não é boa para ninguém; agressão machuca a todos; tirania não é boa para ninguém; amor é bom para todos; oxigênio é bom e necessário para todos etc. Parte III_AF.p65 27/1/2004, 15:14175 177 A Aborto, 118 Ação, 7 Adão, 131, 135, 145 Adolescentes, 111 Afeto, 40, 65, 74, 145, 151 • união, 52 • negação ao, 134 • máscara de, 56 • chantagem, 79 • rejeição ao, 89 • inversão do, 89 Agressão, 58 Alienação, 3, 7, 14, 19, 20, 23, 26, 28, 43, 53, 59, 76, 83, 107, 111, 124, 144 Amélia, 142 Amor, 41, 64, 65, 66, 119, 123, 134, 136, 145, 149, 150, 151, 155 • rejeição ao, 66 • negação do, 136 Angústia, 70 Ano Internacional da Mulher, 123 Aristóteles, 28 Armas, 119 Arrogância, 14, 151 Ataíde, Tristão de, 134 Atitudes • patológicas, 3 • de inveja, 5 • de negação, 17 • de omissão, 17 • de deturpação, 17 B Bach, Johan S., 66 Bardett’s Familiar Quotations, 28 Beleza, 2, 21, 39, 70, 101, 102 Bíblia, 145, 148 Bondade, 2, 39, 70, 111, 160 Brown, Dianne, 110 C Calúnia, 86, 118 Casamento, 33, 52, 67, 69 Casas Trilógicas, 47 Censura, 46, 47 Christie, Agatha, 100 Ciência, 3 Ciúmes, 30 Competição, 95, 99, 107 Complexo de Cinderela, 19 Comunicação, 72 Comunidades, 90 Concentração, 25, 30, 35 Concerned Women For Índice Remissivo Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15177 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 178 America, 121, 122 Conduta saudável, 95 Confúcio 66 Consciência, 2, 7, 8, 23, 24, 27, 43, 61, 62, 100, • dos problemas, 19 • da patologia, 43 • dos erros, 160 Conscientização, 7, 27, 75, 100 Controle, 102, 103 Convocação, 105 Cox, Frances, 110 Criador, 2, 3, 18, 31, 40, 131, 144, 151 Crimes, 109, 118, 119 • femininos, 117, 118 • masculinos, 117 • sexuais, 117 Cristianismo, 14 • tradição judáico-cristã, 135 Cristo, 66, 135, 139, 140 Cromossomos, 134 Cura pela Consciência, A, 152 Curie, Mme., 100 D Da Vinci, Leonardo, 135 Dalila, 66 Década da Mulher, 123 Decadência do Povo Americano (e dos Estados Unidos), A, 159 Decadência, 132 Demônio, 38, 53, 86, 111, 140, 146, 153, 154, 156 Departamento de Estatísticas do Trabalho, 61 Dependência, 20, 24, 56 Depressão, 58, 70 Desequilíbrio, 73 Desilusão, 88 Desonestidade, 109 Destruição, 85 • do mundo, 119 Deus, 13, 14, 15, 18, 21, 38, 39, 40, 41, 64, 66, 81, 86, 122, 123, 131, 132, 134, 137, 139, 142, 143, 147, 148, 149, 150, 151, 153, 155, 156 • amor a, 153, 154 • relacionamento com, 141 Di Gennaro, Giuseppe, 120 Difamação, 120 Dignidade,61 Discriminação, 62 Doenças mentais, 107, 108 Doenças orgânicas, 107 Domínio, 33 Drake, Raymond, 135 Du Salle, Legrand, 117 D’Arc, Joana, 100 D’Ávila, Teresa, 100 E Eden,147 Educação, 81, 95, 96, 106, 111 Empresa Trilógica, 16, 104, 159 Envelhecimento precoce, 103 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15178 Mulheres no Divã 179 Equilíbrio, 53 Erotismo, 38 Escravidão, 60, 103 Espiritualização, 144 Essência, 81, 157 Eva, 20, 38, 53, 131, 135, 140, 145, 147, 156 Existência, fonte de, 149 Exploração, 61 F Fantasia, 21, 24, 38, 43, 48, 114 • sexuais, 36, 42 • de poder, 70 Felicidade, 7, 17, 18, 41, 42, 47, 71, 101, 142, 143, 145, 146, 147, 154 Feministas • de direita, 123 • movimentos, 125 • libertação, 158 Figueiredo Ferraz, Esther, 118 Filosofia de vida, 23, 98, 107, 132 Fobia, 80 Fraqueza feminina, 115 Freud, Sigmund, 13, 42, 135 Friedan, Betty, 121, 123, 158,163 Frustração, 59 G Getty, Paul, 32 Geyer, Georgia Anne, 124 Ghandi, 66 Ghandi, Indira, 120 Glamour, 61 Goldsmith, Judith, 121 Goppinger, Hans, 117 Greater Washington Board of Trade, 110 H Hentig, Von, 118 Hipocrisia, 76, 96 Homem, qualidades do, 132 Homossexualismo, 81, 82 • relacionamento, 48, 68 Honestidade, 111, 160 Hospital das Clínicas da Universi- dade de São Paulo, 112 Hudson Oil Co., 110 Hudson, Mary, 110 Humanistas, 121 Hunter College High School, 29 I Idade Média, 106 • poderosos da, 135 Ideal, 37, 54, 70 Igualdade, 160 Imunológico, sistema, 136 Incapacidade, 35, 43 Inconscientização, 2 Indústria Consumista, 40 Infanticídio, 118 Infelicidade, 14, 42, 47, 143 Inferno, 15, 142, 146 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15179 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 180 Iniciativas Trilógicas Populares, 159, 160 Injúria, 118 Injustiça social, 60 Insatisfação, fontes de, 143 Insegurança, 33 Insight, 124 Intelectualização, 84 International Women’s Media Project, 124 Intriga, 17, 85, 86, 95, 118 Inveja, 3, 13, 14, 15, 16, 17,21, 25, 26, 38, 39, 44, 66,67, 68, 81, 86, 87, 95, 114, 118, 132, 136, 142, 153, 154, 156, 157, 159 • universal, 14, 18 • inconscientizada, 16, 85 • conduta invejosa, 74 • monstros de, 142 Inversão, 14, 44, 53, 65, 66, 151 J João, São, 135, 139 Jogo diabólico, 30 José (marido Virgem Maria, 140 Judaísmo, 14 • tradição judáica-cristã, 135 K Kant, Emmanuel, 28 Keppe, Norberto R., 2, 13, 20, 25, 38, 132, 153 Klein, Melanie, 13, 100 Kuhl, Anna, 109 L La Haye, Beverly, 121 La Haye, Says, 122 Lee’Aute, Jacques, 119 Liberdade, 7, 44, 108, 160 Libertação dos Povos - Psicopatologia do Poder, 20, 63 Libertação, 20, 148, 158 • sexual, 44 • feminista, 158 Libido, 42 Lincoln, Abraham, 28 Loos, Anita, 29 Loucura, 102 • do poder, 105 Lucas, São, 135 Lúcifer, 15, 21 M Madres, 112 Máfia, 111 Manipulação emocional, 79 Maquiavel, 151 Marcos, São, 135 Maria (mãe de Cristo), 140 Maria Madalena, 135 Mateus, São, 135 Masoquismo, 14 Medici (família), 135 Medo, 32 Megalomania, 13, 21, 38, 40, 43, 69, 70, 114, 116, 142 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15180 Mulheres no Divã 181 Messias, 135 Meyer, Golda, 120 Michelângelo, 66 Míriam, 139, 140 Moralismo, 121 Movimentos Feministas, 19, 108, 123, 132 Mulher, qualidades da, 131, 132, 133 N Narcisismo, 3, 13, 20, 21, 36 40, 49, 57, 69, 70, 90, 98 101, 102, 103, 105, 108, 114, 137, 142, 146 Negação, 14 Neurose, comportamento, 74 New York Times, 105, 115 Newman, 118 Nietzche, 135 Nossa Senhora, 139 Novo Testamento, 139 Nutrição, 119 N.O. W. - National Organization for Women, 121, 122 O Objeto sexual, 42, 48 Ockman, 117 Ódio, 118, 123, 151 • filosofia de, 121 Omissão, 111 O.N.U. - Organização das Nações Unidas, 123 P Pacto, 21, 26, 54, 60, 69, 70 75, 76, 77, 79, 107, 142, 156 • de megalomania, 40 • social, 59, 117 • de hipocrisia, 96 • diabólico, 107 Pandora, 135 Papel da mulher, 2 Paraíso, 15, 53, 142, 145, 147, 148 • perdido, 145 Paranóia, 33, 56, 60, 62, 64, 66, 123 Parents, 122 Patologia, 67 • inconscientizada, 14 • conduta, 78 Patroas, 112 Pecado original, 139, 147 Pennsylvania State University, 109 Platão, 28 Poder, 15, 33, 60, 79, 102, 103, 108, 111, 112, 113, 120 • econômico-social, 21, 26 42, 62, 79, 104, 146, 157, 158, 159 • sensação de, 29 • fantasias de, 70 • desejo de, 70, 102 • loucura do, 105 • sistema de, 106 • verdadeiro, 158 Poderosos(as), 15, 20, 26, 29, 62, 105, 112, 146, 152, 159 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15181 Cláudia Bernhardt S. Pacheco 182 • do lar, 15 • do crime, 119 • da Idade Média, 135 Pollack, Otto, 117, 118 Potencial, 137 Power, Money and Prestige, 112 Prazer genuíno, 7 Presidente Reagan, 124 Problemas, humanos, 13 • psicológicos, 13 • sexuais, 47 Projeção, 17 Propaganda, 105 Prostituição, 118 Psicopatologia, 83, 120, 145 • feminina, 3 Psico-sociopatologia, 47, 146 Psicossomática, 88 Psicóticos, 13 R Razão, 131 Realidade, original, 13 • desprezo a, 111 Realização, 7, 30, 37, 90, 100 Reckless, 118 Reinvidicação, 108 Relacionamento, 53, 76 Religiosos(as), 141, 150, 153 Residência Trilógica, 51 Resistência, 14, 17 Responsabilidade, 50, 51 Revolta, 119, 122 Revolução, 119 Romance, 41, 52, 53, 55 Romeu, 48 Rousseau, Jean Jacques, 76 S Sadismo, 14 Salomé, Andrea, 135 San José State University, 109 Sansão, 66 Saúde, conduta saudável, 95 Sedução, 38 Segurança, 33 Sentimento, 129 Sexo, 47, 118 • frieza, 49 • sedução, 119 • discriminação, 124 Shaffly, Phyllis, 122 Shangri-Lá, 145, 146, 147 Silverman, Ira, 110 Sócrates, 135 Sofrimento, 2, 3, 17, 24, 146, 149, 150, 151 • filosofia do, 89 Sogras, 17 Solidão, 88, 89 Steffensmeier, Darrell, 109 Steinen, Gloria, 121 Stress, 103 Subdesenvolvimento feminino, 5 Superficialidade, 141 Supervisoras, 113 Superproteção, 80 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15182 Mulheres no Divã 183 T Tanatos, 13 Tatcher, Margareth, 120 Teomania, 15, 70, 95 Teresinha do Menino Jesus, Sta., 112 Trabalho, 71 Tratamento psicanalítico trilógico, 3 Tredwell, Mary, 110 Trilogia Analítica, 13, 25, 132, 148, 156, 158 U Universidade de Tubinga, 117 University of South Flórida, 110 University of Southern California, 29 U S. News & World Report, 109, 110 USA Today, 30, 122 V Vaidade, 43, 49, 98,101, 105 Van de Moorteh, Françoise, 124 Verdade, 2, 39, 70, 73, 76 Vida, qualidade de, 23 • sexual, 45, 46 • afetiva, 47, 74, 136, 146, 150, 152 • filosofia de, 96, 107, 132 • sexual e crime, 117 Virgem Maria, Assunção, 139 Vítima, 5, 19, 43, 103, 123 • sociedade, 88 Voracidade, 114, 115, 116, 159 w Walker, Betty, 30 West, Diana, 124 Women’s Lib Movement,122, 123 X Xantipa, 135, 138 Y Young, Nancy, 110 Z Zeus, 135 Índice Remissivo_AF.p65 27/1/2004, 15:15183 185 Livros publicados pela Proton Editora Ltda. NORBERTO R. KEPPE Terra, o Planeta Ilusório - 1ª ed., 2003, 175 páginas - Este livro constitui uma súmula da orientação científica, filosófica e revelatória sobre a civilização humana do nosso planeta. O autor pretende mostrar também um universo incrível no interior do ser humano pronto para ser despertado. A Origem da Sanidade - 1ª ed., 2001, 133 páginas - Nesta obra o autor demons- tra por que os seres humanos não conseguem obter equilíbrio e satisfa- ção através da vida sensorial: o Pensamento, o Amor e o Belo vêm do Ser (e não dos sentidos). Traduzido para: Sueco. A Origem das Enfermidades (Psíquicas, Orgânicas, Sociais) - 2ª edição, 2001, 145 páginas - Segundo o autor, “a capa deste livro constitui uma homena- gem ao grande psiquiatra francês Philippe Pinet que no ano de 1798 (9 anos após o início da Revolução Francesa) libertou os doentes mentais das prisões que os amarravam fisicamente às verdadeiras masmorras que eram os hospitais psiquiátricos. Minha intenção com este livro tam- bém é a de libertar os doentes psicológicos de seus sofrimentos (ansie- dades e angústias), o que constituiria a realização máxima para a humani- dade - vamos dizer, uma libertação dos grilhões internos que acorrentam o ser humano às suas enfermidades”. Traduzido para: Inglês, Sueco, Fin- landês. O Homem Universal- 1999, 155 páginas - A conscientização dos nossos próprios erros leva-nos à possibilidade de elaborar os meios para evitá- los e corrigi-los. No plano da metafísica tradicional, o autor leva-nos, neste livro, à conscientização dos erros por ela praticados, revelando-nos a cor- reção que se faz necessária. Assim, o leitor verificará os resultados obti- dos por Keppe ao questionar a validade do método científico na atualida- de. E desse questionamento, chegar-se-á à conclusão de que o ser hu- mano precisa retornar a sua estrutura trinitária — bondade, verdade e ato puro —, única via que leva à normalidade pessoal e social. A Libertação - 3ª Ed., 1998, 273 págs. - A origem da neurose, seu tratamento e o processo de cura do cliente, dentro de uma compreensão psicanalítica nova. Sua leitura é terapêutica em si, com uma linguagem simples e uma mensagem profunda. É nesta obra que o autor organiza a estrutura metodológica e teórica da Trilogia Analítica, sendo o livro básico para a sua compreensão. Traduzido para Inglês, Sueco, Finlandês. A Nova Física da Metafísica Desinvertida - 1996, 155 págs. - As descobertas da Física são fundamentais para haver conhecimento não só da Biologia (com sua Genética), mas principalmente da Psicologia. Porém, todos esses setores científicos foram inspirados na Metafísica de Aristóteles Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17185 186 CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO (que o escritor deste livro vem estudando há 48 anos – acreditando que em sua estrutura básica, está invertida, tendo levado as ciências para idêntico rumo). Norberto R. Keppe mostra aqui a necessidade de unir esses três setores (Física, Biologia e Psicologia), para que sejam entendidos inteiramente, desde que, ao mesmo tempo, são comple- mentares e independentes entre si. Metafísica Trilógica I – A Libertação do Ser - 1993, 328 págs. - Neste primeiro estudo científico da Metafísica, Keppe baseia-se em Aristóteles e nos filó- sofos aristotélico-tomistas, desinvertendo esse setor e estabelecendo uma relação das doenças humanas e sociais com a negação do Ser. Estamos atualmente em condições de libertar o Ser de prisões milenares, posto que finalmente os conhecimentos da Teologia e Filosofia integraram-se à Ciência. A religação à realidade dá-se por meio dos sentidos – fonte do conhecimento do mundo físico e transcendental. ATO PURO (ação boa, bela e verdadeira) é o caminho de volta à sanidade. Traduzido para: Inglês, Francês, Sueco. Metafísica Trilógica II – Fenômenos Sensoriais “Transcendentais” - 1994, 270 págs. - Trata-se de um livro que estuda os fenômenos denominados pela Parapsicologia de transcendentais, perfeitamente explicados por meio da ciência Física – mesmo que seu funcionamento se estenda ao campo da energia pura; de qualquer forma, é lá que habitam os seres espirituais. De outro lado, é uma nova visão sobre a origem e tratamento das doenças por meio do campo psicoenergético, que abarca as grandes descobertas, neste século XX, da chamada rainha das ciências (Física): Aharonov, Bohm, De La Warr, Einstein, Heisenberg, Hoaf, Plank e, princi- palmente, Tesla, com a descoberta máxima sobre a energia escalar. Tra- duzido para: Finlandês. Metafísica Trilógica III – Cura Através das Forças Energéticas - 1995, 192 págs. - O Funcionamento Cerebral e as Energias Curativas. O Verdadeiro Esoterismo. As Seitas, as Sociedades Secretas e a Doença Social. “A Saúde advém da conduta interna relacionada com os pensamentos corre- tos e sentimentos bons, que formam uma tríade perfeita, captando a ener- gia escalar (energia essencial) que fornece o equilíbrio suficiente ao orga- nismo psicossomático para funcionar.” A Libertação da Vontade (A Libertação do Livre-Arbítrio) - 1992, 248 págs.- Este livro mostra que a origem da neurose e de todos os males humanos e sociais consiste no uso da vontade invertida no homem, ocasionando- lhe todos os prejuízos que vem sofrendo. Daí a importância de se libertar da escravidão desse tipo de “liberdade”, que consiste em se livrar da vontade (errônea). De outro lado, o autor esclarece o valor da filosofia estoicista do Império Romano, dos mais extensos que a humanidade teve, justamente por causa disso. Traduzido para: Francês, Italiano, Sue- co, Finlandês. Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17186 187 Mulheres no Divã A Libertação pelo Conhecimento (A Idade da Razão) - 1991, 307 págs. - Neste livro, o 21º de sua obra, Norberto Keppe trata da principal ferida do gênero humano: a corrupção – raiz de todas as doenças e de todos os males individuais e sociais. Mostra como a sua conscientização é o mais impor- tante de todos os conhecimentos, podendo conduzir a humanidade a uma liberdade total e o seu conseqüente desenvolvimento. Keppe propõe uma metodologia científica para que os povos e indivíduos se libertem das emoções e racionalismos em que vivem até hoje, causadores de todas as formas de dificuldade (guerras, pobreza, doenças), para finalmente entrar na idade da Razão. Traduzido para: Inglês e Francês. Sociopatologia (Bases para a Civilização do 3º Milênio) - 2ª edição, 2002, 299 paginas - Este livro constitui um verdadeiro hino à beleza e às artes na civilização. O autor analisa o processo doentio da organização social mos- trando suas origens e conseqüências, bem como uma forma de socioterapia (tratamento da patologia social). Mostra que a ética, a estética e as artes são a base da civilização e da ciência e não a matemática, colocada erroneamente como base da vida científica e social. Esclarece a unificação de todos os campos do conhecimento - e como um elemento não pode existir sem outro - ou seja, a unidade existente entre todos os conhecimentos e sentimentos humanos. Traduzido para: Francês. A Glorificação - 2ª ed., 1987, 168 págs. - Este livro, já denominado na América Central e Rússia como Nova Teologia do 3º Milênio, ou seja, a unificação entre ciência, filosofia e teologia (corrigidas). É constituído de três partes: Revelação (da patologia humana), Ascensão (tratamento) e Glorificação (do bem, juntamente com Deus). Trata-se de um hino de glória ao Criador e sua criação, bem como a consciência da participação do ser humano em todo o processo divino. Traduzido para: Inglês, Sueco, Finlandês. A Libertação dos Povos – A Patologia do Poder - 1986, 290 págs. - Livro que serviu de fonte para o trabalho da Perestroika, é uma análise científica profunda da patologia social. Trata-se de um estudo do poder econômico- social que passou a dominar todos os outros (inclusive o político) colocan- do a cultura e civilização em perigo. As nações são dominadas pelos especuladores e banqueiros que criaram as «leis» sociais para proteger seus negócios – que são ilícitos porque destroem os países. Apresenta uma proposta prática para um novo modelo de economia, de empresas e de residências trilógicas, onde o poder patológico e corrupção são denun- ciados, para que não possam destruir o indivíduo e a sociedade. Traduzi- do para Inglês, Francês. A Decadência do Povo Americano (e dos EUA) - 1985, 240 págs. - Livro pioneiro, posteriormente muito copiado por outros autores, como Paul Kennedy e Norman Cusins, é a análise das causas psicológicas, filosóficas e econômico- sociais que levaram os EUA à decadência, diagnosticada por Keppe com anos de antecedência. Traz vasto material estatístico e científico que mostra como a orientação filosófica e psicológica errônea Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17187 188 CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO levou a primeira nação do mundo à derrocada, que só 10 anos depois (a partir de 1995) a humanidade está constatando. Traduzido para Inglês. Reino do Homem - Volumes I e II - 1982, 303 págs. - O autor realiza aqui o estudo da patologia dos filósofos, cientistas e teólogos, bem como os erros que cometeram em seu trabalho por causa da própria doença; este é o motivo de ter sido organizada uma sociedade anti-humana, causando problemas para o homem e sua existência.Antes de tratar do indivíduo, é necessário haver uma grande mudança social para que a situação seja normalizada, não só do ser humano, mas principalmente da estrutura social. Contemplação e Ação - 1982, 166 págs. - Trata-se de uma análise científica sobre a espiritualidade, dentro da qual o autor demonstra que a teologia não pode estar separada de filosofia e ciência – a verdade, sendo uma só, não poderá haver contradição entre uma e outra, motivo pelo qual as instituições religiosas vêm perdendo sua credibilidade. Aliás, a única maneira de a humanidade se desenvolver é através da aceitação dessa unidade. Trilogia - 1978, 174 págs. - Nesta época, o autor passou a perceber a tríade que existe em todos os elementos naturais ou criados pelo homem. Keppe mostra que tanto a patologia individual como a social têm de ser cuidadas conjuntamente, para haver o autêntico processo de cura – desde que todos os fatores são interligados de maneira trina. A Consciência - 1978, 179 págs. - Este foi o primeiro livro que Keppe escreveu sobre suas descobertas a respeito da nova psicopatologia, ou melhor, o que pode ser denominada verdadeira patologia do homem: sua oposição à consciência. A partir daí, trouxe conceitos fundamentais: doença é a atitude de não querer ver (inconscientização), devido à inversão em que o ser humano vive; não é bem questão de ter problemas, mas de não que- rer conscientizá-los. Aliás, a maior dificuldade do homem está no fato de não querer ter consciência. Auto-Sentimento - 1977, 228 págs. - Auto-sentimento é um neologismo para dizer sobre a necessidade de a pessoa sentir a si mesma, como único meio de entrar em contato com a patologia – desde que a doença está localizada nesse setor (Patós, em grego, significa paixão). O maior proble- ma atual está na alienação que a sociedade traz para os indivíduos, não permitindo que sintam seu interior, cujo protótipo é a civilização america- na, que coloca fora, projeta todas as dificuldades. Alienação significa es- tar alheio a si mesmo, distante dos próprios sentimentos. Psicanálise da Sociedade - 1976, 384 págs. - Trata-se do estudo da patologia social, mas usando as descobertas de S. Freud e M. Klein. Os leitores que já conhecem o trabalho trilógico, poderão observar que, naquele tempo (1975), Keppe tinha basicamente os mesmos conhecimentos de agora e Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17188 189 Mulheres no Divã idêntico anseio de resolver os problemas sociais (teomania, egocentrismo, narcisismo, sadismo, com predomínio do desejo de poder (errôneo), que elabora toda espécie de atritos e desavenças sociais). Foi nessa ocasião que a CIA iniciou seu ataque contra o autor, ainda se servindo do Conselho Regional de Psicologia (que sempre tem sob seu controle). OUTROS AUTORES História Secreta do Brasil. O Millennium e o Homem Universal - Cláudia B. S. Pacheco - 2ª edição, 2001, 296 páginas - O livro revela a história que não nos contam nas escolas - 2.500 anos do mais belo sonho acalentado por nossos ancestrais e continua entusiasmando até hoje as pessoas idea- listas: o de realizar, neste milênio, no Brasil, a Era de Ouro, ou seja, uma sociedade justa, próspera, livre e universal. Dossiê América: Caso U.S. Government X Keppe & Pacheco - Cláudia B.S. Pacheco e Márcia R. Bull - 1995, 240 págs. - O Dossiê América tem a finalidade de levar ao conhecimento do público em geral o Caso Keppe & Pacheco – resultado de uma armadilha perpetrada por agentes especiais do FBI, articulada ao nível de altos escalões da Justiça Americana, em conluio com a Administração e mídias brasileiras, por motivos ideológi- cos, e com o fito de impedir que ambos levassem adiante no mundo as denúncias sobre crimes de corrupção: tráfico de armas e narcóticos que, ao que tudo indica, levaram ao escândalo Irã/Contra e Iraque Gate. A Cura Pela Consciência – Teomania e Stress - 3ª ed., 1994, 197 págs. - Aplicação da Ciência Trilógica na Medicina Psicossomática, este livro mostra que a verdadeira causa do estresse e das doenças psicológicas e orgânicas está no desconhecimento, tanto das atitudes e emoções patológicas do indivíduo, como da doença da sociedade. Relata casos clínicos e mostra como o leitor pode curar a si mesmo e aos demais pelo método de interiorização (conscientização). Leitura indicada para qualquer pessoa, é de grande utilidade a profissionais da área de saúde e psicoterapia. Publicado em 8 idiomas. Traduzido para: Inglês, Francês, Alemão, Italiano, Sueco, Finlandês e Russo. A Multinacional Americana das Drogas — Dossiê - 2ª ed., 125 págs., 1994 - A finalidade do lançamento desse dossiê é a de alertar a população para os perigos gerados pelos indivíduos que estão manipulando os cordões do narcotráfico internacional e conscientizá-la das verdadeiras intenções que o poder econômico-social e o «establishment» (principalmente o ameri- cano) têm de alienar os povos e destruir a sua consciência. Mulheres no Divã (Uma Análise da Patologia Feminina) - 1987, 175 págs. - Baseado na experiência com centenas de casos clínicos, a autora analisa Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17189 190 CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO a realidade social e psicológica das mulheres e de sua luta pela real libertação, mostrando, em termos práticos, que elas podem obter realiza- ção genuína e felicidade duradoura, através de uma maior percepção das suas atitudes psicopatológicas. Traduzido para: Inglês, Francês, Finlan- dês. ABC da Trilogia Analítica - (Psicanálise Integral) - 1986, 150 págs. - Explica os princípios fundamentais da Trilogia Analítica (Psicanálise Integral) que unifica ciência, filosofia e espiritualidade. Escrito em linguagem simples, é dirigido aos interessados na área de psicoterapia, saúde, educação, eco- nomia, sociologia, filosofia e a todas as pessoas que desejam orientação. Traduzido para: Inglês, Francês, Alemão, Sueco, Finlandês e Russo. Odontologia do 3º Milênio (Trilógica) - Márcia Sgrinhelli e Heloisa Coelho, Supervisão de Cláudia B.S. Pacheco, 1998, 190 págs. - O único método de tratamento e prevenção das doenças bucais que vê o cliente como um todo, um ser Integral, Psicossomático (corpo e alma); é tratado neste livro, escrito em linguagem simples, para todos os leigos e profissionais de saúde que estejam interessados em melhorar a qualidade de vida. Ele é bastante elucidativo, porque relata 80 casos clínicos dentre os 8 mil clientes atendidos pelas autoras no Brasil, EUA e Europa. Stop à Destruição do Mundo - Diversos Autores, 1994,340 págs. - Este livro, redigido pelo jornalista José Ortiz Neto, professor de Redação da Escola de Línguas Millennium, contém teses elaboradas em grupo por alunos e professores da Escola Norberto Keppe, as quais foram apresentadas no Fórum “STOP à Destruição do Mundo”, em maio de 1993, no Palácio Galveias, Lisboa. As teses referem-se à necessidade de conscientização social e individual acerca das causas da destruição generalizada em nos- so planeta, as quais encontram-se na predominância doentia do poder econômico sobre todos os setores: Educação, Comunicação Social, Saú- de e Artes, entre outros. O propósito é de que sejam formuladas novas leis mais justas que levarão à realização de um novo mundo de paz. Vida e Obra de Norberto Keppe - Marc André da Rocha Keppe - 1990, 206 págs. - Uma análise histórica da vida de Norberto Keppe, criador da Trilogia Analítica. As palestras, artigos nas mídias, participação em Congressos e tudo o que contribuiu para o desenvolvimento desta nova ciência, bem como a rede de ataques e intrigas levados a cabo pelos grupos de corrupção, que tentam até hoje impedir a difusão dessa ciência revolucio- nária. A Origem da Terra - Marc André R. Keppe, 1984, 185 págs. - Aplicando a Trilogia Analítica aos campos da História, Geologia e Biologia, o autor contesta as teorias evolucionistas de Darwin, mostrando que cientifica- mente a teoria evolucionista é uma aberração e não ciência. Traduzido para: Inglês.Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17190 191 Mulheres no Divã Por Dentro da Música - Gilbert Gambucci, 1ª ed., 2000, 115 páginas. Por Dentro da Música é um núcleo de vital conhecimento científico neces- sário para a recuperação da arte erudita contemporânea. Este estudo revolucionário pela primeira vez esclarece como idéias equivocadas na filosofia moderna providenciaram a total derrocada da música erudita contemportânea (dodecafonia). O Segredo de Alguino - Suely M. Keppe, 1983, 16 págs. - Esta história não foi escrita somente para crianças, mas também, para os pais, que nela en- contrarão mensagens muito importantes para ajudá-los a educar seus filhos, resolver problemas e serem felizes. O Dentinho Porcalhão na Fábrica da Mastigação - Marcia Sgrinhelli e Maria Silvia Almeida, 2000, 10 páginas. Este livro para colorir tem como objetivo mostrar às crianças e aos pais a inter-relação existente entre as nossas emoções e a saúde bucal. A história é baseada nas descobertas de Norberto R. Keppe, fundador da SITA - Sociedade Internacional de Trilogia Analítica (Psicanálise Integral), que explica que o aspecto essencial da vida é a ação real, isto é, ação dirigida pela bondade, beleza e verdade, em harmonia com a essência do ser humano. Baseando-se também no livro A Cura pela Consciência - Teomania e Stress, de Cláudia B.S. Pacheco, vice-presidente da SITA, esta história ilustra a causa e a prevenção das cáries dentárias numa perspectiva psicológica única, mostrando à criança como obter saúde bucal. Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17191 PROTON EDITORA LTDA. É o nome internacional da Proton Editora Ltda., originária de São Paulo, Brasil. Conta atualmente com representação em Lisboa, Paris, Londres, Estocolmo e Helsinque. Os temas principais abordados pela editora são Sociais (sociologia, economia etc.), Saúde, Ciências Naturais e Psicanálise. Neste último item é dada ênfase às obras de Norberto R. Keppe, psicanalista e criador da Escola de Psicanálise Integral (Trilogia Analítica) e de sua principal assistente Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco. COMO OBTER OS LIVROS? Os livros podem ser encomendados por correio diretamente ou podem ser encontrados nas melhores livrarias da Europa, Estados Unidos e América Latina. INFORMAÇÕES Para maiores informações sobre a Psicanálise Integral (Trilogia Analítica) telefone ou escreva à Proton Editora Ltda. BRASIL Av. Rebouças nº 3.819 - Cep 05401-450 São Paulo Tel. (55)(11) 3032 36 16 - Fax. (55)(11) 3815 99 20 www.trilogiaanalitica.org sitaenk@trilogiaanalitica.org Livros_AF.p65 27/1/2004, 15:17192 Expediente_AF Índice_AF Explicação_AF Oferta_AF Introdução_AF Olho Parte I_AF Parte I_AF Olho Parte II_AF Parte II_AF Olho Parte III_AF Parte III_AF Índice Remissivo_AF Livros_AF