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Banco do Brasil
Escriturário
1 - Sistema Financeiro Nacional: Estrutura do Sistema Financeiro Nacional; Órgãos
normativos e instituições supervisoras, executoras e operadoras. .......................................... 1
2 - Mercado financeiro e seus desdobramentos (mercados monetário, de crédito, de capitais
e cambial). ............................................................................................................................. 33
3 – Moeda e política monetária: Políticas monetárias convencionais e não convencionais
(Quantitative Easing); Taxa SELIC e operações compromissadas; O debate sobre os depósitos
remunerados dos bancos comerciais no Banco Central do Brasil. ......................................... 35
4- Orçamento público, títulos do Tesouro Nacional e dívida pública. ................................. 53
5 - Produtos Bancários: Noções de cartões de crédito e débito, crédito direto ao consumidor,
crédito rural, poupança, capitalização, previdência, consórcio, investimentos e seguros. ..... 73
6 - Noções de Mercado de capitais. .................................................................................. 88
7 - Noções de Mercado de Câmbio: Instituições autorizadas a operar e operações básicas.
8- Regimes de taxas de câmbio fixas, flutuantes e regimes intermediários. 9 - Taxas de câmbio
nominais e reais; 10 - Impactos das taxas de câmbio sobre as exportações e importações. 11
– Diferencial de juros interno e externo, prêmios de risco, fluxo de capitais e seus impactos
sobre as taxas de câmbio. ................................................................................................... 109
12- Dinâmica do Mercado: Operações no mercado interbancário. .................................. 132
13 - Mercado bancário: Operações de tesouraria, varejo bancário e recuperação de
crédito..... ............................................................................................................................ 132
14 - Taxas de juros de curto prazo e a curva de juros; taxas de juros nominais e reais. .. 143
15 - Garantias do Sistema Financeiro Nacional: aval; fiança; penhor mercantil; alienação
fiduciária; hipoteca; fianças bancárias. ................................................................................. 149
16 - Crime de lavagem de dinheiro: conceito e etapas; Prevenção e combate ao crime de
lavagem de dinheiro: Lei nº 9.613/98 e suas alterações; Circular nº 3.978, de 23 de janeiro de
2020 e Carta Circular nº 4.001, de 29 de janeiro de 2020 e suas alterações. ....................... 161
17- Autorregulação bancária. .......................................................................................... 197
18 - Sigilo Bancário: Lei Complementar nº 105/2001 e suas alterações. ........................ 201
19 - Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 e suas
alterações. ........................................................................................................................... 206
20 - Legislação anticorrupção: Lei nº 12.846/2013 e Decreto nº 8.420/2015 e suas
alterações. ............................................................................................................................ 228
21 - Segurança cibernética: Resolução CMN nº 4.658, de 26 de abril de 2018. ............. 246
22 - Ética aplicada: ética, moral, valores e virtudes; noções de ética empresarial e
profissional. A gestão da ética nas empresas públicas e privadas. ...................................... 253
Código de Ética do Banco do Brasil (disponível no sítio do BB na internet). ................... 286
23 - Política de Responsabilidade Socioambiental do Banco do Brasil (disponível no sítio do
BB na internet). .................................................................................................................... 296
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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O Sistema Financeiro Nacional é formado por um conjunto de instituições (financeiras) onde o principal
objetivo é propiciar condições satisfatórias para a manutenção dos fluxos dos recursos financeiros entre
poupadores e investidores do país. O Sistema Financeiro Nacional visa criar condições para que haja
intermediários financeiros, com o objetivo de realizar a ponte entre dois segmentos.
Compete ao Sistema Financeiro Nacional:
Moeda, crédito, capitais e câmbio:
O principal ramo do SFN lida diretamente com quatro tipos de mercado:
- Mercado monetário: é o mercado que fornece à economia papel-moeda e moeda escritural, aquela
depositada em conta corrente;
- Mercado de crédito: é o mercado que fornece recursos para o consumo das pessoas em geral e para
o funcionamento das empresas;
- Mercado de capitais: é o mercado que permite às empresas em geral captar recursos de terceiros e,
portanto, compartilhar os ganhos e os riscos;
- mercado de câmbio: é o mercado de compra e venda de moeda estrangeira.
Seguros Privados:
É o ramo do SFN para quem busca seguros privados, contratos de capitalização e previdência
complementar aberta.
- mercado de seguros privados: é o mercado que oferece serviços de proteção contra riscos;
- previdência complementar aberta: é um tipo de plano para aposentadoria, poupança ou pensão.
Funciona à parte do regime geral de previdência e aceita a participação do público em geral.
- contratos de capitalização: são os acordos em que o contratante deposita valores podendo recebê-
los de volta com juros e concorrer a prêmios.
Previdência Privada
Voltado para funcionários de empresas e organizações. O ramo dos fundos de pensão trata de planos
de aposentadoria, poupança ou pensão para funcionários de empresas, servidores públicos e integrantes
de associações ou entidades de classe.
É exatamente o Sistema financeiro que permite que um agente econômico qualquer (seja ele indivíduo
ou empresa) sem perspectivas de aplicação, em algum empreendimento próprio, da poupança que é
capaz de gerar, seja colocado em contato com outro, cujas perspectivas de investimento superam as
respectivas disponibilidades de poupança.
O atual Sistema Financeiro Nacional nasceu através da Lei 4.595/64, que também ficou conhecida
como Lei da Reforma Bancária. A caracterização legal do Sistema Financeiro Nacional está prevista na
Lei de Reforma Bancária, em seu art. 17:
Art. 17. Considera-se instituições financeiras, para efeitos da legislação em vigor,as pessoas
jurídicas públicas e privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, a
intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou
estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.
Parágrafo único: Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam se às instituições
financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma
permanente ou eventual.
O Sistema Financeiro Nacional – SFN - pode ser subdivido em entidades normativas, supervisoras
e operacionais.
As entidades normativas são responsáveis pela definição das políticas e diretrizes gerais do sistema
financeiro, sem função executiva. Em geral, são entidades colegiadas, com atribuições específicas e
utiliza-se de estruturas técnicas de apoio para a tomada das decisões. Atualmente, no Brasil funcionam
como entidades normativas o Conselho Monetário Nacional – CMN, o Conselho Nacional de Seguros
Privados - CNSP e o Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC.
1 - Sistema Financeiro Nacional: Estrutura do Sistema Financeiro Nacional;
Órgãos normativos e instituições supervisoras, executoras e operadoras
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As entidades supervisoras, por outro lado, assumem diversas funções executivas, como a fiscalização
das instituições sob sua responsabilidade, assim como funções normativas, com o intuito de regulamentar
as decisões tomadas pelas entidades normativas ou atribuições outorgadas a elas diretamente pela Lei.
O Banco Central do Brasil – BCB, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM, a Superintendência de
Seguros Privados – SUSEP e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC são
as entidades supervisoras do nosso Sistema Financeiro.
Além destas, há as entidades operadoras, que são todas as demais instituições financeiras, monetárias
ou não, oficiais ou não, como também demais instituições auxiliares, responsáveis, entre outras
atribuições, pelas intermediações de recursos entre poupadores e tomadores ou pela prestação de
serviços.
Abaixo, breve relação dessas instituições, com descrição das principais atribuições de algumas delas.
Entidades Normativas
a) Conselho Monetário Nacional - CMN
É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. O CMN não desempenha função
executiva, apenas tem funções normativas. Atualmente, o CMN é composto por três membros:
I - Ministro de Estado da Economia, que o presidirá; (Redação dada pela lei nº 13.844, de 2019).
II - Presidente do Banco Central do Brasil; e (Redação dada pela lei nº 13.844, de 2019).
III - Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia. (Redação dada pela lei nº 13.844, de
2019).
Trabalhando em conjunto com o CMN funciona a Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc),
que tem como atribuições o assessoramento técnico na formulação da política da moeda e do crédito do
País. As matérias aprovadas são regulamentadas por meio de Resoluções, normativos de caráter público,
sempre divulgadas no Diário Oficial da União e na página de normativos do Banco Central do Brasil.
b) Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP
O CNSP desempenha, entre outras, as atribuições de fixar as diretrizes e normas da política de
seguros privados, regular a constituição, organização, funcionamento e fiscalização das Sociedades
Seguradoras, de Capitalização, Entidades Abertas de Previdência Privada, Resseguradores e Corretores
de Seguros.
c) Conselho Nacional de Previdência Complementar - CNPC
O CNPC tem a função de regular o regime de previdência complementar operado pelas entidades
fechadas de previdência complementar (Fundos de Pensão).
Entidades Supervisoras
a) Banco Central do Brasil - BCB
O Banco Central do Brasil foi criado em 1964 com a promulgação da Lei da Reforma Bancária (Lei nº
4.595 de 31.12.64).
Sua sede é em Brasília, capital do país, e possui representações regionais em Belém, Belo Horizonte,
Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
É uma autarquia federal que tem como principal missão institucional assegurar a estabilidade do poder
de compra da moeda nacional e um sistema financeiro sólido e eficiente.
A partir da Constituição de 1988, a emissão de moeda ficou a cargo exclusivo do BCB.
O presidente do BCB e os seus diretores são nomeados pelo Presidente da República após a
aprovação prévia do Senado Federal, que é feita por uma arguição pública e posterior votação secreta.
Entre as várias competências do BCB destacam-se:
- Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional e da solidez do Sistema Financeiro
Nacional;
- Executar a política monetária mediante utilização de títulos do Tesouro Nacional;
- Fixar a taxa de referência para as operações compromissadas de um dia, conhecida como taxa
SELIC;
- Controlar as operações de crédito das instituições que compõem o Sistema Financeiro Nacional;
- Formular, executar e acompanhar a política cambial e de relações financeiras com o exterior;
- Fiscalizar as instituições financeiras e as clearings (câmaras de compensação);
- Emitir papel-moeda;
- Executar os serviços do meio circulante para atender à demanda de dinheiro necessária às atividades
econômicas;
- Manter o nível de preços (inflação) sob controle;
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- Manter sob controle a expansão da moeda e do crédito e a taxa de juros;
- Operar no mercado aberto, de recolhimento compulsório e de redesconto;
- Executar o sistema de metas para a inflação;
- Divulgar as decisões do Conselho Monetário Nacional;
- Manter ativos de ouro e de moedas estrangeiras para atuação nos mercados de câmbio;
- Administrar as reservas internacionais brasileiras;
- Tomar as medidas para garantir a liquidez e solvência das instituições financeiras nacionais;
- Conceder autorização para o funcionamento das instituições financeiras.
b) Comissão de Valores Mobiliários - CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi criada em 07 de dezembro de 1976 pela Lei 6.385 para
fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil.
A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, porém
sem subordinação hierárquica.
Com o objetivo de reforçar sua autonomia e seu poder fiscalizador, o governo federal editou, em
31.10.01, a Medida Provisória nº 8 (convertida na Lei 10.411 de 26.02.02), pela qual a CVM passa a ser
uma "entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade
jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade administrativa independente, ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia financeira e
orçamentária" (art. 5º).
É administrada por um Presidente e quatro Diretores nomeados pelo Presidente da República e
aprovados pelo Senado Federal. Eles formam o chamado "colegiado" da CVM. Seus integrantes têm
mandato de 5 anos e só perdem seus mandatos "em virtude de renúncia, de condenação judicial
transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar" (art. 6º § 2º). O Colegiado define as
políticas e estabelece as práticas a serem implantadas e desenvolvidas pelas Superintendências, as
instâncias executivas da CVM.
Sua sede é localizada na cidade do Rio de Janeiro com Superintendências Regionais nas cidades de
São Paulo e Brasília.
Essas são algumas de suas atribuições:
- Estimular a formação de poupança e a sua aplicação em valores mobiliários;
- Assegurar e fiscalizar o funcionamento eficiente das bolsas de valores, do mercado de balcão e das
bolsas de mercadorias e futuros;
- Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado contra emissões irregulares
de valores mobiliários e contra atos ilegais de administradoresde companhias abertas ou de carteira de
valores mobiliários;
- Evitar ou coibir modalidades de fraude ou de manipulação que criem condições artificiais de demanda,
oferta ou preço dos valores mobiliários negociados no mercado;
- Assegurar o acesso do público a informações sobre os valores mobiliários negociados e sobre as
companhias que os tenham emitido;
- Assegurar o cumprimento de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários;
- Assegurar o cumprimento, no mercado, das condições de utilização de crédito fixadas pelo Conselho
Monetário Nacional;
- Realizar atividades de credenciamento e fiscalização de auditores independentes, administradores
de carteiras de valores mobiliários, agentes autônomos, entre outros;
- Fiscalizar e inspecionar as companhias abertas e os fundos de investimento;
- Apurar, mediante inquérito administrativo, atos ilegais e práticas não-equitativas de administradores
de companhias abertas e de quaisquer participantes do mercado de valores mobiliários, aplicando as
penalidades previstas em lei;
- Fiscalizar e disciplinar as atividades dos auditores independentes, consultores e analistas de valores
mobiliários.
c) Superintendência de Seguros Privados - SUSEP
A Susep é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência
privada aberta, capitalização e resseguro. Criada em 1966 pelo Decreto-Lei 73/66, que também instituiu
o Sistema Nacional de Seguros Privados, de que fazem parte o CNSP, o IRB, as sociedades autorizadas
a operar em seguros privados e capitalização, as entidades de previdência privada aberta e os corretores
habilitados.
É uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, administrada por um Conselho Diretor, composto
pelo Superintendente e por quatro Diretores. Essas são algumas de suas atribuições:
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Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operação das Sociedades Seguradoras, de
Capitalização, Entidades Abertas de Previdência Privada e Resseguradores, na qualidade de executora
da política traçada pelo CNSP; Atuar no sentido de proteger a captação de poupança popular que se
efetua através das operações de seguro, previdência privada aberta, de capitalização e resseguro.
d) Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC
A Previc atua como entidade de fiscalização e de supervisão das atividades das entidades fechadas
de previdência complementar e de execução das políticas para o regime de previdência complementar
operado por essas entidades. É uma autarquia vinculada ao Ministério da Previdência Social.
Entidades Operadoras
Órgãos Oficiais
a) Banco do Brasil - BB
O Banco do Brasil é o mais antigo banco comercial do Brasil e foi criado em 12 de outubro de 1808
pelo príncipe regente Dom João. É uma sociedade de economia mista de capitais públicos e privados. É
também uma empresa aberta que possui ações cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo
(BM&FBOVESPA).
O BB opera como agente financeiro do Governo Federal e é o principal executor das políticas de crédito
rural e industrial e de banco comercial do governo. E a cada dia mais tem se ajustado a um perfil de banco
múltiplo tradicional.
b) Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES
Criado em 1952 como autarquia federal, hoje é uma empresa pública vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com personalidade jurídica de direito privado e
patrimônio próprio. É responsável pela política de investimentos a longo prazo do Governo Federal,
necessários ao fortalecimento da empresa privada nacional.
Com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital das empresas privadas e desenvolvimento do
mercado de capitais, o BNDES conta com linhas de apoio para financiamentos de longo prazo a custos
competitivos, para o desenvolvimento de projetos de investimentos e para a comercialização de máquinas
e equipamentos novos, fabricados no país, bem como para o incremento das exportações brasileiras.
Os financiamentos são feitos com recursos próprios, empréstimos e doações de entidades nacionais
e estrangeiras e de organismos internacionais, como o BID. Também recebe recursos do PIS e PASEP.
Conta com duas subsidiárias integrais, a FINAME (Agência Especial de Financiamento Industrial) e a
BNDESPAR (BNDES Participações), criadas com o objetivo, respectivamente, de financiar a
comercialização de máquinas e equipamentos; e de possibilitar a subscrição de valores mobiliários no
mercado de capitais brasileiro. As três empresas, juntas, compreendem o chamado "Sistema BNDES".
c) Caixa Econômica Federal - CEF
Criada em 12 de janeiro de 1861 por Dom Pedro II com o propósito de incentivar a poupança e de
conceder empréstimos sob penhor. É a instituição financeira responsável pela operacionalização das
políticas do Governo Federal para habitação popular e saneamento básico.
A Caixa é uma empresa 100% pública e não possui ações em bolsas.
Além das atividades comuns de um banco comercial, a CEF também atende aos trabalhadores formais
por meio do pagamento do FGTS, PIS e seguro-desemprego, e aos beneficiários de programas sociais e
apostadores das Loterias.
As ações da Caixa priorizam setores como habitação, saneamento básico, infraestrutura e prestação
de serviços.
Demais Entidades Operadoras
- Instituições Financeiras Monetárias
São as instituições autorizadas a captar depósitos à vista do público. Atualmente, apenas os Bancos
Comerciais, os Bancos Múltiplos com carteira comercial, a Caixa Econômica Federal e as Cooperativas
de Crédito possuem essa autorização.
Demais Instituições Financeiras
Incluem as instituições financeiras não autorizadas a receber depósitos à vista. Entre elas, podemos
citar:
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Agências de Fomento
Associações de Poupança e Empréstimo
Bancos de Câmbio
Bancos de Desenvolvimento
Bancos de Investimento
Companhias Hipotecárias
Cooperativas Centrais de Crédito
Sociedades Crédito, Financiamento e Investimento
Sociedades de Crédito Imobiliário
Sociedades de Crédito ao Microempreendedor
Outros Intermediários Financeiros
São também intermediários do Sistema Financeiro Nacional:
Administradoras de Consórcio;
Sociedades de Arrendamento Mercantil;
Sociedades corretoras de câmbio;
Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários;
Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
Instituições Auxiliares
Também compõem o Sistema Financeiro Nacional, como entidades operadoras auxiliares, as
entidades administradores de mercados organizados de valores mobiliários, como os de Bolsa, de
Mercadorias e Futuros e de Balcão Organizado.
Além das entidades relacionadas acima, também integram o SFN as companhias seguradoras, as
sociedades de capitalização, as entidades abertas de previdência complementar e os fundos de pensão.
Composição e segmentos do Sistema Financeiro Nacional1
1 https://www.bcb.gov.br/pre/composicao/composicao.asp?frame=1
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CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL
O Conselho Monetário Nacional é o órgão máximo do sistema financeiro brasileiro, cabendo-lhe traçar
as normas a serem empreendidas na política monetária. Nesse sentido tem como atividade primordial a
formulação da política de moeda e crédito do país, além de exercer o controle da organização bancária e
seus intermediários financeiros. O CMN é o órgão central da política financeira nacional, tendo suas
deliberações baixadas pelo Banco Central, sob a forma de resoluções.
Composição
É composto pelo ministro de Estado da Economia, que o presidirá; o presidente do Banco Central do
Brasil; e o Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia.
O CMN tem a responsabilidade primordial formular a política da moeda e docrédito, objetivando a
estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do País.
Os seus membros reúnem-se uma vez por mês para deliberarem sobre assuntos relacionados com as
competências do CMN. Em casos extraordinários pode acontecer mais de uma reunião por mês. As
matérias aprovadas são regulamentadas por meio de Resoluções, normativo de caráter público, sempre
divulgado no Diário Oficial da União e na página de normativos do Banco Central do Brasil. De todas as
reuniões são lavradas atas, cujo extrato é publicado no DOU.
Posto isso, resta-nos enumerar algumas das principais atribuições do Conselho Monetário Nacional.
A política do Conselho Monetário Nacional objetiva:
- Adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia nacional e seu
processo de desenvolvimento;
- Regular o valor interno da moeda, para tanto prevenindo ou corrigindo os surtos inflacionários ou
deflacionários de origem interna ou externa, as depressões econômicas e outros desequilíbrios oriundos
de fenômenos conjunturais;
- Regular o valor externo da moeda e o equilíbrio no balanço de pagamento do País, tendo em vista a
melhor utilização dos recursos em moeda estrangeira;
- Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, quer públicas, quer privadas, tendo
em vista propiciar, nas diferentes regiões do País, condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico
da economia nacional;
- Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior
eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos;
- Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;
- Coordenar as políticas monetárias, de crédito, orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e
externa. Compete ao Conselho Monetário Nacional;
Compete ao Conselho Monetário Nacional:
- Autorizar a emissão de papel moeda;
- Aprovar os orçamentos monetários, preparados pelo Banco Central do Brasil, por meio dos quais se
estimarão as necessidades globais de moeda e crédito;
- Fixar as diretrizes e normas da política cambial, inclusive quanto à compra e venda de ouro e
quaisquer operações em direitos especiais de saque e em moeda estrangeira;
- Disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias em todas as suas
formas, inclusive aceites, avais e prestações de quaisquer garantias por parte das instituições financeiras;
- Regular a constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas a
esta Lei, bem como a aplicação das penalidades previstas;
- Limitar, sempre que necessário, as taxas de juros, descontos, comissões e qualquer outra forma de
remuneração de operações e serviços bancários ou financeiros, inclusive os prestados pelo Banco
Central do Brasil, assegurando taxas favorecidas aos financiamentos que se destinem a promover:
- recuperação e fertilização do solo;
- reflorestamento;
- combate a epizootias e pragas, nas atividades rurais;
- eletrificação rural;
- mecanização;
- irrigação;
- investimentos indispensáveis às atividades agropecuárias;
- Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras poderão emprestar
a um mesmo cliente ou grupo de empresas;
- Estipular índices e outras condições técnicas sobre encaixes, imobilizações e outras relações
patrimoniais, a serem observadas pelas instituições financeiras;
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- Expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições
financeiras;
- Delimitar, com periodicidade não inferior a dois anos, o capital mínimo das instituições financeiras
privadas, levando em conta sua natureza, bem como a localização de suas sedes e agências ou filiais;
- Estabelecer para as instituições financeiras públicas a dedução dos depósitos de pessoas jurídicas
de direito público que lhes detenham o controle acionário, bem como das respectivas autarquias e
sociedades de economia mista, no cálculo a que se refere o artigo 10 inciso III, desta Lei.
- Regulamentar, fixando limites, prazos e outras condições, as operações de redesconto e de
empréstimo, efetuadas com quaisquer instituições financeiras públicas e privadas de natureza bancária;
- Outorgar ao Banco Central do Brasil o monopólio das operações de câmbio quando ocorrer grave
desequilíbrio no balanço de pagamentos ou houver sérias razões para prever a iminência de tal situação;
- Estabelecer normas a serem observadas pelo Banco Central do Brasil em suas transações com
títulos públicos e de entidades de que participe o Estado;
- Autorizar o Banco Central do Brasil e as instituições financeiras públicas federais a efetuar a
subscrição compra e venda de ações e outros papéis emitidos ou de responsabilidade das sociedades
de economia mista e empresas do Estado;
- Disciplinar as atividades das Bolsas de Valores e dos corretores de fundos públicos;
- Estatuir normas para as operações das instituições financeiras públicas, para preservar sua solidez
e adequar seu funcionamento aos objetivos desta Lei;
- Baixar normas que regulem as operações de câmbio, inclusive swaps, fixando limites, taxas, prazos
e outras condições.
Dica: Procurar gravar as palavras chaves como: autorizar, fixar, disciplinar, limitar, regular. Lembre-
se que o CMN é um órgão NORMATIVO assim não executa tarefas.
Maiores detalhes sobre a “Estrutura do Sistema Financeiro Nacional” e sobre o “Conselho
Monetário Nacional”, estão presentes nas Leis que serão apresentadas a seguir:
LEI Nº 4.595, DE 31 DE DEZEMBRO DE 19642
Dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias, Cria o Conselho
Monetário Nacional e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei:
Capítulo I
Do Sistema Financeiro Nacional
Art. 1º O sistema Financeiro Nacional, estruturado e regulado pela presente Lei, será constituído:
I - do Conselho Monetário Nacional;
II - do Banco Central do Brasil; (Redação dada pelo Del nº 278, de 28/02/67)
III - do Banco do Brasil S. A.;
IV - do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico;
V - das demais instituições financeiras públicas e privadas.
Capítulo II
Do Conselho Monetário Nacional
Art. 2º Fica extinto o Conselho da atual Superintendência da Moeda e do Crédito, e criado em
substituição, o Conselho Monetário Nacional, com a finalidade de formular a política da moeda e do crédito
como previsto nesta lei, objetivando o progresso econômico e social do País.
Art. 3º A política do Conselho Monetário Nacional objetivará:
I - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
II - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595compilado.htm. Acessado em 24.06.2021
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III - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
IV - Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, quer públicas, quer privadas; tendo
em vista propiciar, nas diferentes regiões do País, condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico
da economia nacional;
V - Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior
eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos;
VI - Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;
VII - Coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e
externa.
Art. 4º Compete ao Conselho Monetário Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente
da República: (Redação dada pela Lei nº 6.045, de 15/05/74)
I - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
II - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
III - Aprovar os orçamentos monetários, preparados pelo Banco Central da República do Brasil, por
meio dosquais se estimarão as necessidades globais de moeda e crédito;
IV - Determinar as características gerais (Vetado) das cédulas e das moedas;
V - Fixar as diretrizes e normas da política cambial, inclusive quanto a compra e venda de ouro e
quaisquer operações em Direitos Especiais de Saque e em moeda estrangeira; (Redação dada pelo Del
nº 581, de 14/05/69)
VI - Disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias em todas as suas
formas, inclusive aceites, avais e prestações de quaisquer garantias por parte das instituições financeiras;
VII - Coordenar a política de que trata o art. 3º desta Lei com a de investimentos do Governo Federal;
VIII - Regular a constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas
a esta lei, bem como a aplicação das penalidades previstas;
IX - Limitar, sempre que necessário, as taxas de juros, descontos comissões e qualquer outra forma
de remuneração de operações e serviços bancários ou financeiros, inclusive os prestados pelo Banco
Central da República do Brasil, assegurando taxas favorecidas aos financiamentos que se destinem a
promover:
- recuperação e fertilização do solo;
- reflorestamento;
- combate a epizootias e pragas, nas atividades rurais;
- eletrificação rural;
- mecanização;
- irrigação;
- investimento indispensáveis às atividades agropecuárias;
X - Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras poderão emprestar
a um mesmo cliente ou grupo de empresas;
XI - Estipular índices e outras condições técnicas sobre encaixes, mobilizações e outras relações
patrimoniais a serem observadas pelas instituições financeiras;
XII - Expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições
financeiras;
XIII - Delimitar, com periodicidade não inferior a dois anos o capital mínimo das instituições financeiras
privadas, levando em conta sua natureza, bem como a localização de suas sedes e agências ou filiais;
XIV - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XV - Estabelecer para as instituições financeiras públicas, a dedução dos depósitos de pessoas
jurídicas de direito público que lhes detenham o controle acionário, bem como dos das respectivas
autarquias e sociedades de economia mista, no cálculo a que se refere o inciso anterior;
XVI - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XVII - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XVIII - Outorgar ao Banco Central da República do Brasil o monopólio das operações de câmbio
quando ocorrer grave desequilíbrio no balanço de pagamentos ou houver sérias razões para prever a
iminência de tal situação;
XIX - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XX - Autoriza o Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas federais a
efetuar a subscrição, compra e venda de ações e outros papéis emitidos ou de responsabilidade das
sociedades de economia mista e empresas do Estado;
XXI - Disciplinar as atividades das Bolsas de Valores e dos corretores de fundos públicos;
XXII - Estatuir normas para as operações das instituições financeiras públicas, para preservar sua
solidez e adequar seu funcionamento aos objetivos desta lei;
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XXIII - Fixar, até quinze (15) vezes a soma do capital realizado e reservas livres, o limite além do qual
os excedentes dos depósitos das instituições financeiras serão recolhidos ao Banco Central da República
do Brasil ou aplicados de acordo com as normas que o Conselho estabelecer;
XXIV - Decidir de sua própria organização; elaborando seu regimento interno no prazo máximo de
trinta (30) dias;
XXV - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XXVI - Conhecer dos recursos de decisões do Banco Central da República do Brasil; (Vide Lei nº
9.069, de 29.6.1995)
XXVII - aprovar o regimento interno e as contas do Banco Central do Brasil e decidir sobre seu
orçamento e sobre seus sistemas de contabilidade, bem como sobre a forma e prazo de transferência de
seus resultados para o Tesouro Nacional, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União.
(Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.376, de 25.11.1987) (Vide art 10, inciso III)
XXVIII - Aplicar aos bancos estrangeiros que funcionem no País as mesmas vedações ou restrições
equivalentes, que vigorem nas praças de suas matrizes, em relação a bancos brasileiros ali instalados ou
que nelas desejem estabelecer - se;
XXIX - Colaborar com o Senado Federal, na instrução dos processos de empréstimos externos dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para cumprimento do disposto no art. 63, nº II, da
Constituição Federal;
XXX - Expedir normas e regulamentação para as designações e demais efeitos do art. 7º, desta lei.
(Vide Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.069, de 29.6.1995)
XXXI - Baixar normas que regulem as operações de câmbio, inclusive swaps, fixando limites, taxas,
prazos e outras condições.
XXXII - regular os depósitos a prazo de instituições financeiras e demais sociedades autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive entre aquelas sujeitas ao mesmo controle acionário ou
coligadas. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 2.290, de 1986)
§ 1º O Conselho Monetário Nacional, no exercício das atribuições previstas no inciso VIII deste artigo,
poderá determinar que o Banco Central da República do Brasil recuse autorização para o funcionamento
de novas instituições financeiras, em função de conveniências de ordem geral.
§ 2º Competirá ao Banco Central da República do Brasil acompanhar a execução dos orçamentos
monetários e relatar a matéria ao Conselho Monetário Nacional, apresentando as sugestões que
considerar convenientes.
§ 3º (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
§ 4º O Conselho Monetário nacional poderá convidar autoridades, pessoas ou entidades para prestar
esclarecimentos considerados necessários.
§ 5º Nas hipóteses do art. 4º, inciso I, e do § 6º, do art. 49, desta lei, se o Congresso Nacional negar
homologação à emissão extraordinária efetuada, as autoridades responsáveis serão responsabilizadas
nos termos da Lei nº 1059, de 10/04/1950.
§ 6º O Conselho Monetário Nacional encaminhará ao Congresso Nacional, até 31 de março de cada
ano, relatório da evolução da situação monetária e creditícia do País no ano anterior, no qual descreverá,
minudentemente as providências adotadas para cumprimento dos objetivos estabelecidos nesta lei,
justificando destacadamente os montantes das emissões de papel-moeda que tenham sido feitas para
atendimento das atividades produtivas.
§ 7º O Banco Nacional da Habitação é o principal instrumento de execução da política habitacional do
Governo Federal e integra o sistema financeiro nacional, juntamente com as sociedades de crédito
imobiliário, sob orientação, autorização, coordenação e fiscalização do Conselho Monetário Nacional e
do Banco Central da República do Brasil, quanto à execução, nos termos desta lei, revogadas as
disposições especiais em contrário. (Vide Lei nº 9.069, de 29.6.1995)
Art. 5º As deliberações do Conselho Monetário Nacional entendem-se de responsabilidade de seu
Presidente para os efeitos do art. 104, nº I, letra "b", da Constituição Federa e obrigarão também os
órgãos oficiais, inclusive autarquias e sociedades de economia mista, nas atividades que afetem o
mercado financeiro e o de capitais.
Art. 6º (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
Art. 7º (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
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CAPÍTULO III
Do Banco Central da República do Brasil
Art. 8º A atual Superintendência da Moeda e do Crédito é transformada em autarquia federal, tendo
sede e foro na Capital da República, sob a denominação de Banco Central da República do Brasil, com
personalidade jurídica e patrimônio próprioseste constituído dos bens, direitos e valores que lhe são
transferidos na forma desta Lei e ainda da apropriação dos juros e rendas resultantes, na data da vigência
desta lei, do disposto no art. 9º do Decreto-Lei número 8495, de 28/12/1945, dispositivo que ora é
expressamente revogado.
Parágrafo único. Os resultados obtidos pelo Banco Central do Brasil, consideradas as receitas e
despesas de todas as suas operações, serão, a partir de 1º de janeiro de 1988, apurados pelo regime de
competência e transferidos para o Tesouro Nacional, após compensados eventuais prejuízos de
exercícios anteriores. (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
Art. 9º Compete ao Banco Central da República do Brasil cumprir e fazer cumprir as disposições que
lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil:
I - Emitir moeda-papel e moeda metálica, nas condições e limites autorizados pelo Conselho Monetário
Nacional (Vetado)
II - Executar os serviços do meio-circulante;
III - determinar o recolhimento de até cem por cento do total dos depósitos à vista e de até sessenta
por cento de outros títulos contábeis das instituições financeiras, seja na forma de subscrição de Letras
ou Obrigações do Tesouro Nacional ou compra de títulos da Dívida Pública Federal, seja através de
recolhimento em espécie, em ambos os casos entregues ao Banco Central do Brasil, a forma e condições
por ele determinadas, podendo: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
a) adotar percentagens diferentes em função: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
1. das regiões geoeconômicas; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
2. das prioridades que atribuir às aplicações; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
3. da natureza das instituições financeiras; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
b) determinar percentuais que não serão recolhidos, desde que tenham sido reaplicados em
financiamentos à agricultura, sob juros favorecidos e outras condições por ele fixadas. (Incluído pela Lei
nº 7.730, de 31.1.1989)
IV - receber os recolhimentos compulsórios de que trata o inciso anterior e, ainda, os depósitos
voluntários à vista das instituições financeiras, nos termos do inciso III e § 2° do art. 19. (Redação dada
pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
V - realizar operações de redesconto e empréstimo com instituições financeiras públicas e privadas,
consoante remuneração, limites, prazos, garantias, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada; (Redação dada pela Lei Complementar nº 179, de
2021)
VI - Exercer o controle do crédito sob todas as suas formas; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de
31/01/89)
VII - Efetuar o controle dos capitais estrangeiros, nos termos da lei; (Renumerado pela Lei nº 7.730,
de 31/01/89)
VIII - Ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira e de Direitos Especiais de
Saque e fazer com estas últimas todas e quaisquer operações previstas no Convênio Constitutivo do
Fundo Monetário Internacional; (Redação dada pelo Del nº 581, de 14/05/69) (Renumerado pela Lei nº
7.730, de 31/01/89)
IX - Exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas; (Renumerado
pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
X - Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (Renumerado pela Lei nº
7.730, de 31/01/89)
a) funcionar no País;
b) instalar ou transferir suas sedes, ou dependências, inclusive no exterior;
c) ser transformadas, fundidas, incorporadas ou encampadas;
d) praticar operações de câmbio, crédito real e venda habitual de títulos da dívida pública federal,
estadual ou municipal, ações Debêntures, letras hipotecárias e outros títulos de crédito ou mobiliários;
e) ter prorrogados os prazos concedidos para funcionamento;
f) alterar seus estatutos.
g) alienar ou, por qualquer outra forma, transferir o seu controle acionário. (Incluído pelo Del nº 2.321,
de 25/02/87)
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XI - Estabelecer condições para a posse e para o exercício de quaisquer cargos de administração de
instituições financeiras privadas, assim como para o exercício de quaisquer funções em órgãos
consultivos, fiscais e semelhantes, segundo normas que forem expedidas pelo Conselho Monetário
Nacional; Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
XII - efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e venda de títulos públicos
federais, consoante remuneração, limites, prazos, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada, sem prejuízo do disposto no art. 39 da Lei
Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000; (Redação dada pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XIII - Determinar que as matrizes das instituições financeiras registrem os cadastros das firmas que
operam com suas agências há mais de um ano. (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
XIV - aprovar seu regimento interno; (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XV - efetuar, como instrumento de política cambial, operações de compra e venda de moeda
estrangeira e operações com instrumentos derivativos no mercado interno, consoante remuneração,
limites, prazos, formas de negociação e outras condições estabelecidos em regulamentação por ele
editada. (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso IX deste artigo, com base nas normas
estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, estudará os
pedidos que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou recusar a autorização pleiteada, podendo
(Vetado) incluir as cláusulas que reputar convenientes ao interesse público.
§ 2º Observado o disposto no parágrafo anterior, as instituições financeiras estrangeiras dependem de
autorização do Poder Executivo, mediante decreto, para que possam funcionar no País (Vetado)
§ 3º O Banco Central do Brasil informará previamente ao Conselho Monetário Nacional sobre o
deferimento de operações na forma estabelecida no inciso V do caput deste artigo, sempre que identificar
a possibilidade de impacto fiscal relevante. (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
Art. 11. Compete ainda ao Banco Central da República do Brasil;
I - Entender-se, em nome do Governo Brasileiro, com as instituições financeiras estrangeiras e
internacionais;
II - Promover, como agente do Governo Federal, a colocação de empréstimos internos ou externos,
podendo, também, encarregar-se dos respectivos serviços;
III - Atuar no sentido do funcionamento regular do mercado cambial, da estabilidade relativa das taxas
de câmbio e do equilíbrio no balanço de pagamentos, podendo para esse fim comprar e vender ouro e
moeda estrangeira, bem como realizar operações de crédito no exterior, inclusive as referentes aos
Direitos Especiais de Saque, e separar os mercados de câmbio financeiro e comercial; (Redação dada
pelo Del nº 581, de 14/05/69)
IV - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
V - Emitir títulos de responsabilidade própria, de acordo com as condições estabelecidas pelo Conselho
Monetário Nacional;
VI - Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis;
VII - Exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre empresas que, direta
ou indiretamente, interfiram nesses mercados e em relação às modalidades ou processos operacionais
que utilizem;
VIII - Prover, sob controle do Conselho Monetário Nacional, os serviços de sua Secretaria.
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso VIII do artigo 10 desta lei, o Banco Central
do Brasil poderá examinar os livros e documentos das pessoas naturais ou jurídicas que detenham o
controle acionário de instituição financeira, ficando essas pessoas sujeitas ao dispostono artigo 44, § 8º,
desta lei. (Incluído pelo Del nº 2.321, de 25/02/87)
§ 2º O Banco Central da República do Brasil instalará delegacias, com autorização do Conselho
Monetário Nacional, nas diferentes regiões geo-econômicas do País, tendo em vista a descentralização
administrativa para distribuição e recolhimento da moeda e o cumprimento das decisões adotadas pelo
mesmo Conselho ou prescritas em lei. (Renumerado pelo Del nº 2.321, de 25/02/87)
Art. 12. O Banco Central da República do Brasil operará exclusivamente com instituições financeiras
públicas e privadas, vedadas operações bancárias de qualquer natureza com outras pessoas de direito
público ou privado, salvo as expressamente autorizadas por lei.
Art. 13. Os encargos e serviços de competência do Banco Central, quando por ele não executados
diretamente, serão contratados de preferência com o Banco do Brasil S. A., exceto nos casos
especialmente autorizados pelo Conselho Monetário Nacional. (Redação dada pelo Del nº 278, de
28/02/67)
Art. 14. (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
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Art. 15. O regimento interno do Banco Central da República do Brasil, a que se refere o inciso XXVII,
do art. 4º, desta lei, prescreverá as atribuições do Presidente e dos Diretores e especificará os casos que
dependerão de deliberação da Diretoria, a qual será tomada por maioria de votos, presentes no mínimo
o Presidente ou seu substituto eventual e dois outros Diretores, cabendo ao Presidente também o voto
de qualidade.
Parágrafo único. A Diretoria se reunirá, ordinariamente, uma vez por semana, e, extraordinariamente,
sempre que necessário, por convocação do Presidente ou a requerimento de, pelo menos, dois de seus
membros.
Art. 16. Constituem receita do Banco Central do Brasil as rendas: (Redação dada pelo Del nº 2.376,
de 25/11/87)
I - de operações financeiras e de outras aplicações de seus recursos; (Redação dada pelo Del nº 2.376,
de 25/11/87)
II - das operações de câmbio, de compra e venda de ouro e de quaisquer outras operações em moeda
estrangeira; (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
III - eventuais, inclusive as derivadas de multas e de juros de mora aplicados por força do disposto na
legislação em vigor. (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
CAPÍTULO IV
DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
SEÇÃO I
Da caracterização e subordinação
Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas
jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação
ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a
custódia de valor de propriedade de terceiros.
Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições
financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma
permanente ou eventual.
Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização
do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras.
§ 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito,
financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de
crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no
que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que
efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua
emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de
terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando
nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas
instituições financeiras.
§ 2º O Banco Central da Republica do Brasil, no exercício da fiscalização que lhe compete, regulará
as condições de concorrência entre instituições financeiras, coibindo-lhes os abusos com a aplicação da
pena (Vetado) nos termos desta lei.
§ 3º Dependerão de prévia autorização do Banco Central da República do Brasil as campanhas
destinadas à coleta de recursos do público, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas abrangidas neste
artigo, salvo para subscrição pública de ações, nos termos da lei das sociedades por ações.
SEÇÃO II
DO BANCO DO BRASIL S. A.
Art. 19. Ao Banco do Brasil S. A. competirá precipuamente, sob a supervisão do Conselho Monetário
Nacional e como instrumento de execução da política creditícia e financeira do Governo Federal:
I - na qualidade de Agente, Financeiro do Tesouro Nacional, sem prejuízo de outras funções que lhe
venham a ser atribuídas e ressalvado o disposto no art. 8º, da Lei nº 1628, de 20 de junho de 1952:
a) receber, a crédito do Tesouro Nacional, as importâncias provenientes da arrecadação de tributos ou
rendas federais e ainda o produto das operações de que trata o art. 49, desta lei;
b) realizar os pagamentos e suprimentos necessários à execução do Orçamento Geral da União e leis
complementares, de acordo com as autorizações que lhe forem transmitidas pelo Ministério da Fazenda,
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as quais não poderão exceder o montante global dos recursos a que se refere a letra anterior, vedada a
concessão, pelo Banco, de créditos de qualquer natureza ao Tesouro Nacional;
c) conceder aval, fiança e outras garantias, consoante expressa autorização legal;
d) adquirir e financiar estoques de produção exportável;
e) executar a política de preços mínimos dos produtos agropastoris;
f) ser agente pagador e recebedor fora do País;
g) executar o serviço da dívida pública consolidada;
II - como principal executor dos serviços bancários de interesse do Governo Federal, inclusive suas
autarquias, receber em depósito, com exclusividade, as disponibilidades de quaisquer entidades federais,
compreendendo as repartições de todos os ministérios civis e militares, instituições de previdência e
outras autarquias, comissões, departamentos, entidades em regime especial de administração e
quaisquer pessoas físicas ou jurídicas responsáveis por adiantamentos, ressalvados o disposto no § 5º
deste artigo, as exceções previstas em lei ou casos especiais, expressamente autorizados pelo Conselho
Monetário Nacional, por proposta do Banco Central da República do Brasil;
III - arrecadar os depósitos voluntários, à vista, das instituições de que trata o inciso III, do art. 10, desta
lei, escriturando as respectivas contas; (Redação dada pelo Decreto-lei nº 2.284, de 1986)
IV - executar os serviços de compensação de cheques e outros papéis;
V - receber, com exclusividade, os depósitos de que tratam os artigos 38, item 3º, do Decreto-lei nº
2.627, de 26 de setembro de 1940, e 1º do Decreto-lei nº 5.956, de 01/11/43, ressalvado o disposto no
art. 27, desta lei;
VI - realizar, por conta própria, operações de compra e venda de moeda estrangeira e, por conta do
Banco Central da República do Brasil, nas condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional;
VII - realizar recebimentos ou pagamentos e outros serviços de interesse do Banco Central da
República do Brasil, mediante contratação na forma do art. 13, desta lei;
VIII - dar execução à política de comércio exterior (Vetado)
IX - financiar a aquisição e instalação da pequena e média propriedade rural, nos termos da legislação
que regular a matéria;
X - financiar as atividades industriais e rurais, estas com o favorecimento referido no art. 4º, inciso IX,
e art. 53, desta lei;
XI - difundir e orientar o crédito, inclusive às atividades comerciais suplementando a ação da rede
bancária;
a) no financiamentodas atividades econômicas, atendendo às necessidades creditícias das diferentes
regiões do País;
b) no financiamento das exportações e importações. (Vide Lei nº 8.490 de 19.11.1992)
§ 1º - O Conselho Monetário Nacional assegurará recursos específicos que possibilitem ao Banco do
Brasil S. A., sob adequada remuneração, o atendimento dos encargos previstos nesta lei.
§ 2º - Do montante global dos depósitos arrecadados, na forma do inciso III deste artigo o Banco do
Brasil S. A. Colocará à disposição do Banco Central da República do Brasil, observadas as normas que
forem estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, a parcela que exceder as necessidades normais
de movimentação das contas respectivas, em função dos serviços aludidos no inciso IV deste artigo.
§ 3º - Os encargos referidos no inciso I, deste artigo, serão objeto de contratação entre o Banco do
Brasil S. A. e a União Federal, esta representada pelo Ministro da Fazenda.
§ 4º - O Banco do Brasil S. A. prestará ao Banco Central da República do Brasil todas as informações
por este julgadas necessárias para a exata execução desta lei.
§ 5º - Os depósitos de que trata o inciso II deste artigo, também poderão ser feitos nas Caixas
econômicas Federais, nos limites e condições fixadas pelo Conselho Monetário Nacional.
Art. 20. O Banco do Brasil S. A. e o Banco Central da República do Brasil elaborarão, em conjunto, o
programa global de aplicações e recursos do primeiro, para fins de inclusão nos orçamentos monetários
de que trata o inciso III, do artigo 4º desta lei.
Art. 21. O Presidente e os Diretores do Banco do Brasil S. A. deverão ser pessoas de reputação ilibada
e notória capacidade.
§ 1º A nomeação do Presidente do Banco do Brasil S. A. será feita pelo Presidente da República, após
aprovação do Senado Federal.
§ 2º As substituições eventuais do Presidente do Banco do Brasil S. A. não poderão exceder o prazo
de 30 (trinta) dias consecutivos, sem que o Presidente da República submeta ao Senado Federal o nome
do substituto.
§ 3º (Vetado)
§ 4º (Vetado)
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SEÇÃO III
DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PÚBLICAS
Art. 22. As instituições financeiras públicas são órgãos auxiliares da execução da política de crédito do
Governo Federal.
§ 1º O Conselho Monetário Nacional regulará as atividades, capacidade e modalidade operacionais
das instituições financeiras públicas federais, que deverão submeter à aprovação daquele órgão, com a
prioridade por ele prescrita, seus programas de recursos e aplicações, de forma que se ajustem à política
de crédito do Governo Federal.
§ 2º A escolha dos Diretores ou Administradores das instituições financeiras públicas federais e a
nomeação dos respectivos Presidentes e designação dos substitutos observarão o disposto no art. 21,
parágrafos 1º e 2º, desta lei.
§ 3º A atuação das instituições financeiras públicas será coordenada nos termos do art. 4º desta lei.
Art. 23. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico é o principal instrumento de execução de
política de investimentos do Governo Federal, nos termos das Leis números 1628, de 20/06/1952 e 2973,
de 26/11/1956.
Art. 24. As instituições financeiras públicas não federais ficam sujeitas às disposições relativas às
instituições financeiras privadas, assegurada a forma de constituição das existentes na data da publicação
desta lei.
Parágrafo único. As Caixas Econômicas Estaduais equiparam-se, no que couber, às Caixas
Econômicas Federais, para os efeitos da legislação em vigor, estando isentas do recolhimento a que se
refere o art. 4º, inciso XIV, e à taxa de fiscalização, mencionada no art. 16, desta lei.
SEÇÃO IV
DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PRIVADAS
Art. 25. As instituições financeiras privadas, exceto as cooperativas de crédito, constituir-se-ão
unicamente sob a forma de sociedade anônima, devendo a totalidade de seu capital com direito a voto
ser representada por ações nominativas. (Redação dada pela Lei nº 5.710, de 07/10/71)
§ 1º Observadas as normas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional as instituições a que se refere
este artigo poderão emitir até o limite de 50% de seu capital social em ações preferenciais, nas formas
nominativas, e ao portador, sem direito a voto, às quais não se aplicará o disposto no parágrafo único do
art. 81 do Decreto-lei nº 2.627, de 26 de setembro de 1940. (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71)
§ 2º A emissão de ações preferenciais ao portador, que poderá ser feita em virtude de aumento de
capital, conversão de ações ordinárias ou de ações preferenciais nominativas, ficará sujeita a alterações
prévias dos estatutos das sociedades, a fim de que sejam neles incluídas as declarações sobre: (Incluído
pela Lei nº 5.710, de 07/10/71)
I - as vantagens, preferenciais e restrições atribuídas a cada classe de ações preferenciais, de acordo
com o Decreto-lei nº 2.627, de 26 de setembro de 1940; (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71)
II - as formas e prazos em que poderá ser autorizada a conversão das ações, vedada a conversão das
ações preferenciais em outro tipo de ações com direito a voto. (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71)
§ 3º Os títulos e cautelas representativas das ações preferenciais, emitidos nos termos dos parágrafos
anteriores, deverão conter expressamente as restrições ali especificadas. (Incluído pela Lei nº 5.710, de
07/10/71)
Art. 26. O capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em
moeda corrente.
Art. 27. Na subscrição do capital inicial e na de seus aumentos em moeda corrente, será exigida no
ato a realização de, pelo menos 50% (cinqüenta por cento) do montante subscrito.
§ 1º As quantias recebidas dos subscritores de ações serão recolhidas no prazo de 5 (cinco) dias,
contados do recebimento, ao Banco Central da República do Brasil, permanecendo indisponíveis até a
solução do respectivo processo.
§ 2º O remanescente do capital subscrito, inicial ou aumentado, em moeda corrente, deverá ser
integralizado dentro de um ano da data da solução do respectivo processo.
Art. 28. Os aumentos de capital que não forem realizados em moeda corrente, poderão decorrer da
incorporação de reservas, segundo normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, e da
reavaliação da parcela dos bens do ativo imobilizado, representado por imóveis de uso e instalações,
aplicados no caso, como limite máximo, os índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia.
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Art. 29. As instituições financeiras privadas deverão aplicar, de preferência, não menos de 50%
(cinqüenta por cento) dos depósitos do público que recolherem, na respectiva Unidade Federada ou
Território.
§ 1º O Conselho Monetário Nacional poderá, em casos especiais, admitir que o percentual referido
neste artigo seja aplicado em cada Estado e Território isoladamente ou por grupos de Estados e
Territórios componentes da mesma região geoeconômica.
§ 2º (Revogado pelo Del nº 48, de 18/11/66)
Art. 30. As instituições financeiras de direito privado, exceto as de investimento, só poderão participar
de capital de quaisquer sociedades com prévia autorização do Banco Central da República do Brasil,
solicitada justificadamente e concedida expressamente, ressalvados os casos de garantia de subscrição,
nas condições que forem estabelecidas, em caráter geral, pelo Conselho Monetário Nacional.
Parágrafo único (Vetado)
Art. 31. As instituições financeiras levantarão balanços gerais a 30 de junho e 31 de dezembro de cada
ano, obrigatoriamente, com observância das regras contábeis estabelecidas pelo Conselho Monetário
Nacional.
Art. 32. As instituições financeiras públicas deverão comunicar ao Banco Central da República do Brasil
a nomeação ou a eleição de diretores e membros de órgãos consultivos, fiscais e semelhantes, no prazo
de 15 dias da data de sua ocorrência.Art. 33. As instituições financeiras privadas deverão comunicar ao Banco Central da República do
Brasil os atos relativos à eleição de diretores e membros de órgão consultivos, fiscais e semelhantes, no
prazo de 15 dias de sua ocorrência, de acordo com o estabelecido no art. 10, inciso X, desta lei.
§ 1º O Banco Central da República do Brasil, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, decidirá aceitar
ou recusar o nome do eleito, que não atender às condições a que se refere o artigo 10, inciso X, desta
lei.
§ 2º A posse do eleito dependerá da aceitação a que se refere o parágrafo anterior.
§ 3º Oferecida integralmente a documentação prevista nas normas referidas no art. 10, inciso X, desta
lei, e decorrido, sem manifestação do Banco Central da República do Brasil, o prazo mencionado no § 1º
deste artigo, entender-se-á não ter havido recusa a posse.
Art. 34. É vedado às instituições financeiras realizar operação de crédito com a parte relacionada.
(Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
III -(revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
§ 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
§ 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017)
§ 3o Considera-se parte relacionada à instituição financeira, para efeitos deste artigo: (Incluído pela
Lei nº 13.506, de 2017)
I - seus controladores, pessoas físicas ou jurídicas, nos termos do art. 116 da Lei no 6.404, de 15 de
dezembro de 1976; (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
II - seus diretores e membros de órgãos estatutários ou contratuais; (Incluído pela Lei nº 13.506, de
2017)
III - o cônjuge, o companheiro e os parentes, consanguíneos ou afins, até o segundo grau, das pessoas
mencionadas nos incisos I e II deste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
IV - as pessoas físicas com participação societária qualificada em seu capital; e (Incluído pela Lei nº
13.506, de 2017)
V - as pessoas jurídicas: (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
a) com participação qualificada em seu capital; (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
b) em cujo capital, direta ou indiretamente, haja participação societária qualificada; (Incluído pela Lei
nº 13.506, de 2017)
c) nas quais haja controle operacional efetivo ou preponderância nas deliberações,
independentemente da participação societária; e (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
d) que possuírem diretor ou membro de conselho de administração em comum. (Incluído pela Lei nº
13.506, de 2017)
§ 4o Excetuam-se da vedação de que trata o caput deste artigo, respeitados os limites e as condições
estabelecidos em regulamentação: (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
I - as operações realizadas em condições compatíveis com as de mercado, inclusive quanto a limites,
taxas de juros, carência, prazos, garantias requeridas e critérios para classificação de risco para fins de
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constituição de provisão para perdas prováveis e baixa como prejuízo, sem benefícios adicionais ou
diferenciados comparativamente às operações deferidas aos demais clientes de mesmo perfil das
respectivas instituições; (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
II - as operações com empresas controladas pela União, no caso das instituições financeiras públicas
federais; (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
III - as operações de crédito que tenham como contraparte instituição financeira integrante do mesmo
conglomerado prudencial, desde que contenham cláusula contratual de subordinação, observado o
disposto no inciso V do art. 10 desta Lei, no caso das instituições financeiras bancárias; (Incluído pela
Lei nº 13.506, de 2017)
IV - os depósitos interfinanceiros regulados na forma do inciso XXXII do caput do art. 4o desta Lei;
(Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
V - as obrigações assumidas entre partes relacionadas em decorrência de responsabilidade imposta
a membros de compensação e demais participantes de câmaras ou prestadores de serviços de
compensação e de liquidação autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores
Mobiliários e suas respectivas contrapartes em operações conduzidas no âmbito das referidas câmaras
ou prestadores de serviços; e (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
VI - os demais casos autorizados pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 13.506, de
2017)
§ 5o Considera-se também realizada com parte relacionada qualquer operação que caracterize
negócio indireto, simulado ou mediante interposição de terceiro, com o fim de realizar operação vedada
nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
§ 6o O Conselho Monetário Nacional disciplinará o disposto neste artigo, inclusive a definição de
operação de crédito, de limites e de participação qualificada. (Incluído pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 35. (Revogado pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 36. (Revogado pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 37. As instituições financeiras, entidades e pessoas referidas nos artigos 17 e 18 desta lei, bem
como os corretores de fundos públicos, ficam, obrigados a fornecer ao Banco Central da República do
Brasil, na forma por ele determinada, os dados ou informes julgados necessários para o fiel desempenho
de suas atribuições.
Art. 38. (Revogado pela Lei Complementar nº 105, de 10.1.2001) (Vide Lei nº Lei 6.385, de 1976)
Art. 39. Aplicam-se às instituições financeiras estrangeiras, em funcionamento ou que venham a se
instalar no País, as disposições da presente lei, sem prejuízo das que se contém na legislação vigente.
Art. 40. (Revogado pela Lei Complementar nº 130, de 2009)
Art. 41. (Revogado pela Lei Complementar nº 130, de 2009)
CAPÍTULO V
DAS PENALIDADES
Art. 42. (Revogado pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 43. (Revogado pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 44. (Revogado pela Lei nº 13.506, de 2017)
Art. 45. As instituições financeiras públicas não federais e as privadas estão sujeitas, nos termos da
legislação vigente, à intervenção efetuada pelo Banco Central da República do Brasil ou à liquidação
extrajudicial.
Parágrafo único. A partir da vigência desta lei, as instituições de que trata este artigo não poderão
impetrar concordata.
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 46. Ficam transferidas as atribuições legais e regulamentares do Ministério da Fazenda
relativamente ao meio circulante inclusive as exercidas pela Caixa de Amortização para o Conselho
Monetário Nacional, e (VETADO) para o Banco Central da República do Brasil.
Art. 47. Será transferida à responsabilidade do Tesouro Nacional, mediante encampação, sendo
definitivamente incorporado ao meio circulante o montante das emissões feitas por solicitação da Carteira
de Redescontos do Banco do Brasil S.A. e da Caixa de Mobilização Bancária.
§ 1º O valor correspondente à encampação será destinado à liquidação das responsabilidades
financeiras do Tesouro Nacional no Banco do Brasil S. A., inclusive as decorrentes de operações de
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câmbio concluídas até a data da vigência desta lei, mediante aprovação especificado Poder Legislativo,
ao qual será submetida a lista completa dos débitos assim amortizados.
§ 2º Para a liquidação do saldo remanescente das responsabilidades do Tesouro Nacional, após a
encampação das emissões atuais por solicitação da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil S.A. e
da Caixa de Mobilização Bancária, o Poder Executivo submeterá ao Poder Legislativo proposta
específica, indicando os recursos e os meios necessários a esse fim.
Art. 48. Concluídos os acertos financeiros previstos no artigo anterior, a responsabilidade da moeda
em circulação passaráa ser do Banco Central da República do Brasil.
Art. 49. As operações de crédito da União, por antecipação de receita orçamentaria ou a qualquer outro
título, dentro dos limites legalmente autorizados, somente serão realizadas mediante colocação de
obrigações, apólices ou letras do Tesouro Nacional.
§ 1º A lei de orçamento, nos termos do artigo 73, § 1º inciso II, da Constituição Federal, determinará
quando for o caso, a parcela do déficit que poderá ser coberta pela venda de títulos do Tesouro Nacional
diretamente ao Banco Central da República do Brasil.
§ 2º O Banco Central da República do Brasil mediante autorização do Conselho Monetário Nacional
baseada na lei orçamentaria do exercício, poderá adquirir diretamente letras do Tesouro Nacional, com
emissão de papel-moeda.
§ 3º O Conselho Monetário Nacional decidirá, a seu exclusivo critério, a política de sustentação em
bolsa da cotação dos títulos de emissão do Tesouro Nacional.
§ 4º No caso de despesas urgentes e inadiáveis do Governo Federal, a serem atendidas mediante
créditos suplementares ou especiais, autorizados após a lei do orçamento, o Congresso Nacional
determinará, especificamente, os recursos a serem utilizados na cobertura de tais despesas,
estabelecendo, quando a situação do Tesouro Nacional for deficitária, a discriminação prevista neste
artigo.
§ 5º Na ocorrência das hipóteses citadas no parágrafo único, do artigo 75, da Constituição Federal, o
Presidente da República poderá determinar que o Conselho Monetário Nacional, através do Banco
Central da República do Brasil, faça a aquisição de letras do Tesouro Nacional com a emissão de papel-
moeda até o montante do crédito extraordinário que tiver sido decretado.
§ 6º O Presidente da República fará acompanhar a determinação ao Conselho Monetário Nacional,
mencionada no parágrafo anterior, de cópia da mensagem que deverá dirigir ao Congresso Nacional,
indicando os motivos que tornaram indispensável a emissão e solicitando a sua homologação.
§ 7º As letras do Tesouro Nacional, colocadas por antecipação de receita, não poderão ter vencimentos
posteriores a 120 (cento e vinte) dias do encerramento do exercício respectivo.
§ 8º Até 15 de março do ano seguinte, o Poder Executivo enviará mensagem ao Poder Legislativo,
propondo a forma de liquidação das letras do Tesouro Nacional emitidas no exercício anterior e não
resgatadas.
§ 9º É vedada a aquisição dos títulos mencionados neste artigo pelo Banco do Brasil S.A. e pelas
instituições bancárias de que a União detenha a maioria das ações.
Art. 50. O Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, o Banco Nacional do
Desenvolvimento Econômico, o Banco do Brasil S.A., O Banco do Nordeste do Brasil S.A. e o Banco de
Crédito da Amazônia S. A. gozarão dos favores, isenções e privilégios, inclusive fiscais, que são próprios
da Fazenda Nacional, ressalvado quanto aos três, últimos, o regime especial de tributação do Imposto de
Renda a que estão sujeitos, na forma da legislação em vigor.
Parágrafo único. São mantidos os favores, isenções e privilégios de que atualmente gozam as
instituições financeiras.
Art. 51. Ficam abolidas, após 3 (três) meses da data da vigência desta Lei, as exigências de "visto" em
"pedidos de licença" para efeitos de exportação, excetuadas as referentes a armas, munições,
entorpecentes, materiais estratégicos, objetos e obras de valor artístico, cultural ou histórico. (Vide Lei nº
5.025, de 1966)
Parágrafo único. Quando o interesse nacional exigir, o Conselho Monetário Nacional, criará o "visto"
ou exigência equivalente.
Art. 52. O quadro de pessoal do Banco Central da República do Brasil será constituído de: (Vide Lei nº
9.650, de 1998)
I - Pessoal próprio, admitido mediante concurso público de provas ou de títulos e provas, sujeita á pena
de nulidade a admissão que se processar com inobservância destas exigências;
II - Pessoal requisitado ao Banco do Brasil S. A. e a outras instituições financeiras federais, de comum
acordo com as respectivas administrações;
III - Pessoal requisitado a outras instituições e que venham prestando serviços à Superintendência da
Moeda e do Crédito há mais de 1 (um) ano, contado da data da publicação desta lei.
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§ 1º O Banco Central da República do Brasil baixará dentro de 90 (noventa) dias da vigência desta lei,
o Estatuto de seus funcionários e servidores, no qual serão garantidos os direitos legalmente atribuídos
a seus atuais servidores e mantidos deveres e obrigações que lhes são inerentes.
§ 2º Aos funcionários e servidores requisitados, na forma deste artigo as instituições de origem lhes
assegurarão os direitos e vantagens que lhes cabem ou lhes venham a ser atribuídos, como se em efetivo
exercício nelas estivessem.
§ 3º Correrão por conta do Banco Central da República do Brasil todas as despesas decorrentes do
cumprimento do disposto no parágrafo anterior, inclusive as de aposentadoria e pensão que sejam de
responsabilidade das instituições de origem ali mencionadas, estas últimas rateadas proporcionalmente
em função dos prazos de vigência da requisição.
§ 4º Os funcionários do quadro de pessoal próprio permanecerão com seus direitos e garantias regidos
pela legislação de proteção ao trabalho e de previdência social, incluídos na categoria profissional de
bancários.
§ 5º Durante o prazo de 10 (dez) anos, cotados da data da vigência desta lei, é facultado aos
funcionários de que tratam os inciso II e III deste artigo, manifestarem opção para transferência para o
Quadro do pessoal próprio do Banco Central da República do Brasil, desde que:
a) tenham sido admitidos nas respectivas instituições de origem, consoante determina o inciso I, deste
artigo;
b) estejam em exercício (Vetado) há mais de dois anos;
c) seja a opção aceita pela Diretoria do Banco Central da República do Brasil, que sobre ela deverá
pronunciar-se conclusivamente no prazo máximo de três meses, contados da entrega do respectivo
requerimento.
Art. 53. (Revogado pela Lei nº 4.829, de 05/11/65)
CAPÍTULO VII
Disposições Transitórias
Art. 54. O Poder Executivo, com base em proposta do Conselho Monetário Nacional, que deverá ser
apresentada dentro de 90 (noventa) dias de sua instalação, submeterá ao Poder Legislativo projeto de lei
que institucionalize o crédito rural, regule seu campo específico e caracterize as modalidades de
aplicação, indicando as respectivas fontes de recurso.
Parágrafo único. A Comissão Consultiva do Crédito Rural dará assessoramento ao Conselho
Monetário Nacional, na elaboração da proposta que estabelecerá a coordenação das instituições
existentes ou que venham a ser cridas, com o objetivo de garantir sua melhor utilização e da rede bancária
privada na difusão do crédito rural, inclusive com redução de seu custo.
Art. 55. Ficam transferidas ao Banco Central da República do Brasil as atribuições cometidas por lei
ao Ministério da Agricultura, no que concerne à autorização de funcionamento e fiscalização de
cooperativas de crédito de qualquer tipo, bem assim da seção de crédito das cooperativas que a tenham.
Art. 56. Ficam extintas a Carteira de Redescontos do Banco do Brasil S. A. e a Caixa de Mobilização
Bancária, incorporando-se seus bens direitos e obrigações ao Banco Central da República do Brasil.
Parágrafo único. As atribuições e prerrogativas legais da Caixa de Mobilização Bancária passam a ser
exercidas pelo Banco Central da República do Brasil, sem solução de continuidade.
Art. 57. Passam à competência do Conselho Monetário Nacional as atribuições de caráter normativo
da legislação cambial vigente e as executivas ao Banco Central da República do Brasil e ao Banco do
Brasil S. A., nos termos desta lei.
Parágrafo único. Fica extinta a Fiscalização Bancária do Banco do Brasil S. A., passando suas
atribuições e prerrogativas legais ao Banco Central da República do Brasil.Art. 58. Os prejuízos decorrentes das operações de câmbio concluídas e eventualmente não
regularizadas nos termos desta lei bem como os das operações de câmbio contratadas e não concluídas
até a data de vigência desta lei, pelo Banco do Brasil S.A., como mandatário do Governo Federal, serão
na medida em que se efetivarem, transferidos ao Banco Central da República do Brasil, sendo neste
registrados como responsabilidade do Tesouro Nacional.
§ 1º Os débitos do Tesouro Nacional perante o Banco Central da República do Brasil, provenientes
das transferências de que trata este artigo serão regularizados com recursos orçamentários da União.
§ 2º O disposto neste artigo se aplica também aos prejuízos decorrentes de operações de câmbio que
outras instituições financeiras federais, de natureza bancária, tenham realizado como mandatárias do
Governo Federal.
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Art. 59. É mantida, no Banco do Brasil S.A., a Carteira de Comércio Exterior, criada nos termos da Lei
nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953, e regulamentada pelo Decreto nº 42.820, de 16 de dezembro de
1957, como órgão executor da política de comércio exterior, (VETADO)
Art. 60. O valor equivalente aos recursos financeiros que, nos termos desta lei, passarem a
responsabilidade do Banco Central da República do Brasil, e estejam, na data de sua vigência em poder
do Baco do Brasil S. A., será neste escriturado em conta em nome do primeiro, considerando-se como
suprimento de recursos, nos termos do § 1º, do artigo 19, desta lei.
Art. 61. Para cumprir as disposições desta lei o Banco do Brasil S.A. tomará providências no sentido
de que seja remodelada sua estrutura administrativa, a fim de que possa eficazmente exercer os encargos
e executar os serviços que lhe estão reservados, como principal instrumento de execução da política de
crédito do Governo Federal.
Art. 62. O Conselho Monetário Nacional determinará providências no sentido de que a transferência
de atribuições dos órgãos existentes para o Banco Central da República do Brasil se processe sem
solução de continuidade dos serviços atingidos por esta lei.
Art. 63. Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Monetário Nacional, a que alude o inciso
IV, do artigo 6º desta lei serão respectivamente de 6 (seis), 5 (cinco), 4 (quatro), 3 (três), 2 (dois) e 1 (um)
anos.
Art. 64. O Conselho Monetário Nacional fixará prazo de até 1 (um) ano da vigência desta lei para a
adaptação das instituições financeiras às disposições desta lei.
§ 1º Em casos excepcionais, o Conselho Monetário Nacional poderá prorrogar até mais 1 (um) ano o
prazo para que seja complementada a adaptação a que se refere este artigo.
§ 2º Será de um ano, prorrogável, nos termos do parágrafo anterior, o prazo para cumprimento do
estabelecido por força do art. 30 desta lei.
Art. 65. Esta lei entrará em vigor 90 (noventa) dias após data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.
Brasília, 31 de dezembro de 1964; 143º da Independência e 76º da República.
H. CASTELO BRANCO
Otávio Gouveia de Bulhões
Daniel Farraco
Roberto de Oliveira Campos
DECRETO Nº 1.307, DE 9 DE NOVEMBRO DE 19943.
Aprova o regimento interno do Conselho Monetário Nacional.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, da
Constituição, e tendo em vista o disposto no § 6° do art. 8° da Medida Provisória n° 681, de 27 de outubro
de 1994,
DECRETA:
Art. 1° Fica aprovado o anexo Regimento Interno do Conselho Monetário Nacional, órgão superior do
Sistema Financeiro Nacional.
Art. 2° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de novembro de 1994; 173° da Independência e 106° da República.
ITAMAR FRANCO
Ciro Ferreira Gomes
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 10.11.1994
3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D1307.htm. Acesso em 24.06.2021
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ANEXO AO DECRETO
CAPÍTULO I
Da Finalidade e da Organização
Art. 1° O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional,
instituído pela Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e legislação posterior, e tem por finalidade
formular a política da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento
econômico e social do País.
Art. 2° O CMN é integrado pelos seguintes membros:
I - Ministro de Estado da Fazenda, na qualidade de Presidente;
II - Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Coordenação da
Presidência da República;
III - Presidente do Banco Central do Brasil.
Art. 3° As funções de membro do CMN são próprias do cargo, inclusive quando exercido em caráter
de substituição ou interinidade.
Art. 4° Junto ao CMN funcionará a Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc).
Art. 5° Funcionarão também junto ao CMN as seguintes Comissões Consultivas:
I - de Normas e Organização do Sistema Financeiro;
II - de Mercado de Valores Mobiliários e de Futuros;
III - de Crédito Rural;
IV - de Crédito Industrial;
V - de Endividamento Público;
VI - de Política Monetária e Cambial; e
VII - de Processos Administrativos.
Art. 6° A Secretaria-Executiva do CMN é exercida pelo Banco Central do Brasil.
CAPÍTULO II
Da Competência e das Atribuições
Seção I
Do Colegiado
Art. 7° A competência do CMN é a constante da Lei n° 4.595/64 e legislação posterior.
Seção II
Do Presidente
Art. 8° São atribuições do Presidente do CMN:
I - convocar as reuniões ordinárias e extraordinárias, abrir as reuniões e dirigir os trabalhos,
observadas as disposições deste regimento;
II - definir a pauta dos assuntos a serem discutidos em cada reunião;
III - aprovar a inclusão de assuntos extrapauta, quando revestidos de caráter de urgência, relevante
interesse ou de natureza sigilosa;
IV - conceder vistas de assuntos constantes da pauta ou extrapauta, durante as reuniões do conselho;
V - autorizar o adiamento da votação de assuntos incluídos na pauta ou extrapauta;
VI - determinar, quando for o caso, o reexame de assunto retirado de pauta;
VII - convidar para participar das reuniões do conselho sem direito a voto, outros Ministros de Estado,
assim como representantes de entidades públicas ou privadas,
VIII - deliberar ad referendum do colegiado, nos casos de urgência e de relevante interesse;
IX - convocar reuniões extraordinárias da Comissão Técnica da Moeda e do Crédito e das Comissões
Consultivas por Iniciativa própria ou por solicitação dos demais membros do CMN.
§ 1° Ocorrendo a hipótese prevista no inciso VI deste artigo, cabe ao Presidente do Conselho adotar,
dentre outras, as seguintes medidas:
a) solicitar manifestação da Comoc ou assessoramento das Comissões Consultivas;
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b) encaminhar a matéria a qualquer entidade ou órgão público, para manifestação;
c) nomear relator, dentre os membros da Comoc ou das Comissões Consultivas, para emitir parecer
sobre a matéria ou designar comissão relatora para fazê-lo, com indicação de seu coordenador;
d) propor, ao plenário, o cancelamento do registro do assunto.
§ 2° As manifestações solicitadas pelo presidente na forma das alíneas a, b, e c do parágrafo anterior
deverão ser atendidas no prazo de trinta dias.
§ 3° Na falta de manifestação poderá o presidente assinalar novo prazo ou dela prescindir,
encaminhando as matérias para deliberação do colegiado.
Seção III
Dos Conselheiros
Art. 9° São atribuições dos Conselheiros:
I - apresentar proposta ao CMN, na forma de voto, observadas as disposições deste regimento;
II - submeter ao colegiado o exame da conveniência de não divulgação de matéria tratada nas
reuniões;
III - solicitar manifestação da Comoc ou assessoramento das Comissões Consultivas;
IV -solicitar vistas de assunto constante da pauta ou apresentado extrapauta;
V - fazer declaração de voto;
VI - requerer preferência para votação de assunto incluído na pauta ou apresentado extrapauta;
VII - abster-se na votação de qualquer assunto;
VIII - solicitar o adiamento da votação de assuntos incluídos na pauta ou submetidos extrapauta.
Seção IV
Da Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc)
Art. 10. Compete à Comoc:
I - propor a regulamentação das matérias tratadas na Medida Provisória n° 681, de 27 de outubro de
1994, de competência do Conselho Monetário Nacional;
II - manifestar-se, previamente, na forma prevista em seu regimento, sobre as matérias de
competência do CMN, especialmente aquelas constantes da Lei n° 4.595/64;
III - examinar requerimentos de vantagens fiscais e correlatas cuja concessão dependa de aprovação
do conselho;
IV - convidar pessoas ou representantes de entidades públicas ou privadas para participar de suas
reuniões;
V - propor ao CMN alterações em seu regimento interno;
VI - outras atribuições que lhe forem cometidas pelo CMN.
Seção V
Das Comissões Consultivas
Art. 11. Compete às Comissões Consultivas, dentre outras atribuições previstas em seu regimento
interno:
I - por solicitação do CMN ou da Comoc, apreciar matérias atinentes às suas finalidades;
II - propor alteração em seu regimento interno, ao CMN;
III - convidar pessoas ou representantes de entidades públicas ou privadas para participar de suas
reuniões.
Seção VI
Da Secretaria-Executiva
Art. 12. À Secretaria-Executiva do CMN compete:
I - organizar a pauta das reuniões do colegiado, em conformidade com o disposto na Seção III do
Capítulo III deste regimento;
II - comunicar aos conselheiros a data, a hora e o local das reuniões ordinárias ou a convocação para
as reuniões extraordinárias;
III - enviar aos conselheiros e demais participantes das reuniões, imediatamente após a sua definição,
a pauta de cada reunião e cópia dos assuntos nela incluídos, conferindo-lhe tratamento confidencial;
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IV - prover os serviços de secretaria nas reuniões do conselho, elaborando inclusive as respectivas
atas;
V - manter arquivo e ementário de assuntos de interesse do CMN, bem como das decisões adotadas
em suas reuniões;
VI - colher a assinatura dos conselheiros nas atas das reuniões, após sua aprovação pelo colegiado;
VII - prover os serviços de secretaria e de apoio administrativo à Comoc e às Comissões Consultivas
do conselho;
VIII - encaminhar à Comoc as propostas dos conselheiros para sua manifestação prévia;
IX - encaminhar ao Presidente do CMN os expedientes recebidos, devidamente instruídos;
X - encaminhar aos conselheiros cópia das atas e das resoluções baixadas pelo CMN;
XI - encaminhar às Comissões Consultivas os assuntos que lhe forem destinados.
CAPÍTULO III
Das Reuniões
Seção I
Disposições Preliminares
Art. 13 O CMN reunir-se-á ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente por convocação do
seu presidente.
Art. 14. A data, a hora e o local de cada reunião serão determinados pelo presidente do conselho.
Art. 15. A ordem dos trabalhos nas reuniões do CMN é a seguinte:
I - discussão e votação dos assuntos incluídos em pauta;
II - discussão e votação dos assuntos extrapauta;
III - assuntos de ordem geral.
Art. 16. Participam das reuniões do CMN:
I - os Conselheiros;
II - os membros da Comoc;
III - os Diretores de Administração e Fiscalização do Banco Central do Brasil;
IV - representantes das Comissões Consultivas, quando convocados pelo Presidente do CMN.
§ 1° Poderão assistir às reuniões do CMN:
a) assessores credenciados individualmente pelos conselheiros;
b) convidados do presidente do conselho, conforme previsto no inciso VII do art. 8° deste regimento;
c) funcionários da secretaria-executiva do conselho, credenciados pelo Presidente do Banco Central
do Brasil.
§ 2° Somente aos conselheiros é dado o direito de voto.
Seção II
Da Apresentação de Propostas
Art. 17. As propostas dos conselheiros ao CMN deverão ser entregues à sua secretaria-executiva,
com a justificativa da proposição e minuta da resolução pertinente, se for o caso.
Art. 18. As propostas serão previamente encaminhadas para manifestação da Comoc, na forma do
seu regimento, especialmente aquelas que envolvam matérias constantes da Lei n° 4.595/64.
Art. 19. As propostas que implicarem dispêndio ou remanejamento de recursos financeiros, assim
como as que exigirem aplicações de recursos, deverão dimensionar tais recursos e apresentar, se for o
caso, o respectivo fluxo de fontes e usos.
Art. 20. As propostas que envolverem área de atuação, responsabilidade, orçamento, recursos ou
fundos de mais de um dos órgãos representados pelos conselheiros só poderão ser apresentadas com a
assinatura conjunta dos mesmos.
Art. 21. As propostas apresentadas por mais de um conselheiro poderão ser relatadas por qualquer
dos signatários, quando submetidas à deliberação do conselho.
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Art. 22. As propostas com pedido de vistas concedido deverão retornar na reunião ordinária
subsequente, salvo se o Presidente do CMN conceder prazo maior.
Art. 23. Os recursos de decisões do Banco Central do Brasil serão encaminhadas ao CMN, após
audiência da Comissão Consultiva pertinente e seguidos de manifestação da Comoc.
Seção III
Da Organização da Pauta
Art. 24. Para efeito de organização da pauta, a Secretaria-Executiva do CMN manterá controle das
propostas apresentadas pelos conselheiros, classificando-as em dois estágios:
I - estágio de instrução - as que estiverem aguardando manifestação de áreas competentes;
II - estágio de pauta - as que se encontrarem revestidas dos requisitos regimentais.
Art. 25. A Secretaria-Executiva do CMN concluirá a elaboração da pauta respectiva, abrangendo todas
as propostas que se encontrarem em estágio de pauta, submetendo-a à apreciação do Presidente do
CMN.
Art. 26. Não serão incluídas na pauta as propostas:
I - em desacordo com as disposições deste regimento;
II - em estágio de instrução.
Parágrafo único. A Secretaria-Executiva do CMN informará aos conselheiros as propostas em estágio
de instrução.
Art. 27. A distribuição dos assuntos na pauta obedecerá aos seguintes critérios:
I - assuntos aprovados ad referendum;
II - assuntos administrativos, incluindo aprovação da ata da reunião anterior;
III - assuntos técnicos.
CAPÍTULO IV
Das Votações e Decisões
Art. 28. A votação ocorrerá após o encerramento dos debates de cada assunto.
Art. 29. As decisões do CMN serão tomadas por maioria simples de votos.
Art. 30. As decisões de natureza normativa serão divulgadas mediante resoluções assinadas pelo
Presidente do Banco Central do Brasil, veiculadas pelo Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen)
e publicadas no Diário Oficial da União.
Art. 31. As decisões que não envolvam natureza normativa serão comunicadas pela Secretaria-
Executiva do CMN, por meio de correspondência.
Parágrafo único. As decisões de caráter confidencial serão comunicadas somente aos interessados.
CAPÍTULO V
Das Atas
Art. 32. Das reuniões do CMN serão lavradas atas que informarão o local e a data de sua realização,
nomes dos conselheiros presentes e demais participantes e convidados, resumo dos assuntos
apresentados e debates ocorridos e as deliberações tomadas.
Art. 33. As atas serão confeccionadas em folhas soltas e receberão autenticação da Secretaria-
Executiva do CMN e assinaturas do presidente e dos demais conselheiros presentes à reunião.
§ 1° Após assinadas por todos os conselheiros, extratos das atas serão publicados no Diário Oficial
da União, excluídos os assuntos de caráter confidencial.
§ 2° As atas serão posteriormentemicrofilmadas, encadernadas e arquivadas na Secretaria-Executiva
do CMN.
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CAPÍTULO VI
Disposição Final
Art. 34. Os casos omissos neste regimento serão resolvidos pelo plenário.
BANCO CENTRAL DO BRASIL
O Banco Central do Brasil, autarquia federal integrante do Sistema Financeiro Nacional, foi criado em
31.12.64, com a promulgação da Lei nº 4.595.
Antes da criação do Banco Central, o papel de autoridade monetária era desempenhado pela
Superintendência da Moeda e do Crédito - SUMOC, pelo Banco do Brasil - BB e pelo Tesouro Nacional.
A SUMOC, criada em 1945 com a finalidade de exercer o controle monetário e preparar a organização
de um banco central, tinha a responsabilidade de fixar os percentuais de reservas obrigatórias dos bancos
comerciais, as taxas do redesconto e da assistência financeira de liquidez, bem como os juros sobre
depósitos bancários.
Além disso, supervisionava a atuação dos bancos comerciais, orientava a política cambial e
representava o País junto a organismos internacionais.
O Banco do Brasil desempenhava as funções de banco do governo, mediante o controle das operações
de comércio exterior, o recebimento dos depósitos compulsórios e voluntários dos bancos comerciais e a
execução de operações de câmbio em nome de empresas públicas e do Tesouro Nacional, de acordo
com as normas estabelecidas pela SUMOC e pelo Banco de Crédito Agrícola, Comercial e Industrial.
O Tesouro Nacional era o órgão emissor de papel-moeda. Após a criação do Banco Central buscou-
se dotar a instituição de mecanismos voltados para o desempenho do papel de "bancos dos bancos". Em
1985 foi promovido o reordenamento financeiro governamental com a separação das contas e das
funções do Banco Central, Banco do Brasil e Tesouro Nacional. Em 1986 foi extinta a conta movimento
e o fornecimento de recursos do Banco Central ao Banco do Brasil passou a ser claramente identificado
nos orçamentos das duas instituições, eliminando-se os suprimentos automáticos que prejudicavam a
atuação do Banco Central.
O processo de reordenamento financeiro governamental se estendeu até 1988, quando as funções de
autoridade monetária foram transferidas progressivamente do Banco do Brasil para o Banco Central,
enquanto as atividades atípicas exercidas por esse último, como as relacionadas ao fomento e à
administração da dívida pública federal, foram transferidas para o Tesouro Nacional.
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu dispositivos importantes para a atuação do Banco Central,
dentre os quais destacam-se o exercício exclusivo da competência da União para emitir moeda e a
exigência de aprovação prévia pelo Senado Federal, em votação secreta, após arguição pública, dos
nomes indicados pelo Presidente da República para os cargos de presidente e diretores da instituição.
Além disso, vedou ao Banco Central a concessão direta ou indireta de empréstimos ao Tesouro Nacional.
A Constituição de 1988 prevê ainda, em seu artigo 192, a elaboração de Lei Complementar do Sistema
Financeiro Nacional, que deverá substituir a Lei 4.595/64 e redefinir as atribuições e estrutura do Banco
Central do Brasil.
Missão Institucional
Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e a solidez do sistema financeiro nacional.
Macroprocessos
- Formulação e gestão das políticas monetária e cambial, compatíveis com as diretrizes do Governo
Federal.
- Regulação e supervisão do sistema financeiro nacional.
- Administração do sistema de pagamentos e do meio circulante.
Macro objetivos
- Consolidar as políticas monetária e cambial no sentido de assegurar a estabilidade do poder de
compra da moeda.
- Assegurar que a regulação e a fiscalização do Sistema Financeiro observem padrões e práticas
internacionais.
- Consolidar a implantação do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro.
- Concluir o processo de saneamento e reestruturação dos bancos oficiais.
- Implantar modelo de administração gerencial para atuação do Banco Central.
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Como banco do governo, o BC administra a dívida pública mobiliária federal interna, ao financiar o
Tesouro Nacional, adquirindo títulos por ele emitidos, quando seus gastos superam suas receitas (da
mesma forma que nós recorremos aos bancos quando o nosso salário acaba antes do final do mês).
Administra, também, tanto as reservas como a dívida pública externas, além de fiscalizar e
supervisionar a dívida pública de estados e municípios, para evitar que seu eventual descontrole
prejudique apolítica fiscal do governo.
Como banco das instituições financeiras monetárias (bancos comerciais), administra suas reservas
bancárias, que nada mais são do que os depósitos que essas instituições mantêm junto ao BC (da mesma
forma que cada um de nós tem uma conta corrente em um banco comercial).
Uma parte desses depósitos fica compulsoriamente retida no BC com o objetivo, neste caso, de
controlar o estoque de recursos que os bancos podem disponibilizar como crédito aos seus clientes e,
dessa forma, tentar estabelecer o nível ideal de aumento de consumo sem aumento de inflação para cada
momento da economia.
Se o objetivo for aumentar ou mesmo diminuir o volume de reservas bancárias disponíveis para o
crédito e, consequentemente, tentar diminuir ou aumentar o preço deste crédito, o BC diminui ou aumenta
o depósito compulsório sobram as reservas dos bancos, originadas pelos nossos depósitos à vista.
Resultado: aumento ou diminuição da taxa de juros.
Como fiscal do sistema financeiro, o BC procura garantir o correto funcionamento de todas as suas
instituições, antecipando-se aos problemas de liquidez que algumas delas possam vir a ter e, assim,
preservando a integridade do sistema financeiro como um todo e das economias de cada um de nós em
particular.
Como gestor da política cambial, estabelece as regras de gestão e operação dos banco sem relação
à moeda estrangeira, mais especificamente ao dólar, de forma a permitir que, dependendo das condições
internas de nossa economia e de suas relações com o exterior, o preço do nosso real em relação ao dólar
(a taxa de câmbio) garanta um fluxo de moeda positivo do País com o exterior (recebemos mais dólares
do exterior do que somos obrigados a enviar) sem aumento de inflação.
Como gestor da política monetária, sua principal e mais crítica função, o BC procura determinar o
estoque e o fluxo de moeda na economia que permitam, para cada momento econômico, seu crescimento
sustentado, ou seja, sem inflação.
Para atingir esse objetivo, o BC age diretamente sobre o sistema financeiro, utilizando mecanismos
diretos de controle das reservas bancárias, quais sejam:
O depósito compulsório sobre os depósitos à vista, o qual, pelo seu poder de multiplicação de crédito,
tem um tratamento todo especial;
O empréstimo de liquidez, mais conhecido como redesconto, como uma ajuda temporária aos
bancos para recompor sua capacidade futura de crédito;
O contingenciamento de crédito, através do estabelecimento de regras restritivas para concessão de
crédito, a partir das reservas disponíveis para isso nos bancos; O mercado aberto de títulos públicos-
open market, ou seja, a compra e a venda consistentes e programadas de títulos públicos pelo BC, de
forma a retirar recursos do mercado pela venda dos títulos, ou colocar pela compra (resgate) desses
mesmos títulos.
Podemos concluir que não é fácil a vida do BC e, também, como são fundamentais a sua ação e a
participação do sistema financeiro em todo o processo econômico. É bom lembrar que, sem
desenvolvimento econômico e social, a estabilidade monetária não se justifica, mas sem estabilidade
monetária o desenvolvimento econômico não se sustenta e muito menos o social. Esse é o grande dilema.
Sua solução é responsabilidade do governo, do BC, do sistema financeiro, das empresas e, também, detodos nós.
Vamos acompanhar em seguida o que prevê a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, sobre o
Banco Central do Brasil:
CAPÍTULO III
Do Banco Central da República do Brasil
Art. 8º A atual Superintendência da Moeda e do Crédito é transformada em autarquia federal, tendo
sede e foro na Capital da República, sob a denominação de Banco Central da República do Brasil, com
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personalidade jurídica e patrimônio próprios este constituído dos bens, direitos e valores que lhe são
transferidos na forma desta Lei e ainda da apropriação dos juros e rendas resultantes, na data da vigência
desta lei, do disposto no art. 9º do Decreto-Lei número 8495, de 28/12/1945, dispositivo que ora é
expressamente revogado.
Parágrafo único. Os resultados obtidos pelo Banco Central do Brasil, consideradas as receitas e
despesas de todas as suas operações, serão, a partir de 1º de janeiro de 1988, apurados pelo regime de
competência e transferidos para o Tesouro Nacional, após compensados eventuais prejuízos de
exercícios anteriores. (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
Art. 9º Compete ao Banco Central da República do Brasil cumprir e fazer cumprir as disposições que
lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil:
I - Emitir moeda-papel e moeda metálica, nas condições e limites autorizados pelo Conselho Monetário
Nacional (Vetado)
II - Executar os serviços do meio-circulante;
III - determinar o recolhimento de até cem por cento do total dos depósitos à vista e de até sessenta
por cento de outros títulos contábeis das instituições financeiras, seja na forma de subscrição de Letras
ou Obrigações do Tesouro Nacional ou compra de títulos da Dívida Pública Federal, seja através de
recolhimento em espécie, em ambos os casos entregues ao Banco Central do Brasil, a forma e condições
por ele determinadas, podendo: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
a) adotar percentagens diferentes em função: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
1. das regiões geoeconômicas; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
2. das prioridades que atribuir às aplicações; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
3. da natureza das instituições financeiras; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989)
b) determinar percentuais que não serão recolhidos, desde que tenham sido reaplicados em
financiamentos à agricultura, sob juros favorecidos e outras condições por ele fixadas. (Incluído pela Lei
nº 7.730, de 31.1.1989)
IV - receber os recolhimentos compulsórios de que trata o inciso anterior e, ainda, os depósitos
voluntários à vista das instituições financeiras, nos termos do inciso III e § 2° do art. 19. (Redação dada
pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
V - realizar operações de redesconto e empréstimo com instituições financeiras públicas e privadas,
consoante remuneração, limites, prazos, garantias, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada; (Redação dada pela Lei Complementar nº 179, de
2021)
VI - Exercer o controle do crédito sob todas as suas formas; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de
31/01/89)
VII - Efetuar o controle dos capitais estrangeiros, nos termos da lei; (Renumerado pela Lei nº 7.730,
de 31/01/89)
VIII - Ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira e de Direitos Especiais de
Saque e fazer com estas últimas todas e quaisquer operações previstas no Convênio Constitutivo do
Fundo Monetário Internacional; (Redação dada pelo Del nº 581, de 14/05/69) (Renumerado pela Lei nº
7.730, de 31/01/89)
IX - Exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas; (Renumerado
pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
X - Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (Renumerado pela Lei nº
7.730, de 31/01/89)
a) funcionar no País;
b) instalar ou transferir suas sedes, ou dependências, inclusive no exterior;
c) ser transformadas, fundidas, incorporadas ou encampadas;
d) praticar operações de câmbio, crédito real e venda habitual de títulos da dívida pública federal,
estadual ou municipal, ações Debêntures, letras hipotecárias e outros títulos de crédito ou mobiliários;
e) ter prorrogados os prazos concedidos para funcionamento;
f) alterar seus estatutos.
g) alienar ou, por qualquer outra forma, transferir o seu controle acionário. (Incluído pelo Del nº 2.321,
de 25/02/87)
XI - Estabelecer condições para a posse e para o exercício de quaisquer cargos de administração de
instituições financeiras privadas, assim como para o exercício de quaisquer funções em órgãos
consultivos, fiscais e semelhantes, segundo normas que forem expedidas pelo Conselho Monetário
Nacional; Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
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XII - efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e venda de títulos públicos
federais, consoante remuneração, limites, prazos, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada, sem prejuízo do disposto no art. 39 da Lei
Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000; (Redação dada pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XIII - Determinar que as matrizes das instituições financeiras registrem os cadastros das firmas que
operam com suas agências há mais de um ano. (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89)
XIV - aprovar seu regimento interno; (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
XV - efetuar, como instrumento de política cambial, operações de compra e venda de moeda
estrangeira e operações com instrumentos derivativos no mercado interno, consoante remuneração,
limites, prazos, formas de negociação e outras condições estabelecidos em regulamentação por ele
editada. (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso IX deste artigo, com base nas normas
estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, estudará os
pedidos que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou recusar a autorização pleiteada, podendo
(Vetado) incluir as cláusulas que reputar convenientes ao interesse público.
§ 2º Observado o disposto no parágrafo anterior, as instituições financeiras estrangeiras dependem de
autorização do Poder Executivo, mediante decreto, para que possam funcionar no País (Vetado)
§ 3º O Banco Central do Brasil informará previamente ao Conselho Monetário Nacional sobre o
deferimento de operações na forma estabelecida no inciso V do caput deste artigo, sempre que identificar
a possibilidade de impacto fiscal relevante. (Incluído pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
Art. 11. Compete ainda ao Banco Central da República do Brasil;
I - Entender-se, em nome do Governo Brasileiro, com as instituições financeiras estrangeiras e
internacionais;
II - Promover, como agente do Governo Federal, a colocação de empréstimos internos ou externos,
podendo, também, encarregar-se dos respectivos serviços;
III - Atuar no sentido do funcionamento regular do mercado cambial, da estabilidade relativa das taxas
de câmbio e do equilíbrio no balanço de pagamentos, podendo para esse fim comprar e vender ouro e
moeda estrangeira, bem como realizar operações de crédito no exterior, inclusive as referentes aos
Direitos Especiais de Saque, e separar os mercados de câmbio financeiro e comercial; (Redação dada
pelo Del nº 581, de 14/05/69)
IV - (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
V - Emitir títulos de responsabilidade própria, de acordo com as condições estabelecidas pelo Conselho
Monetário Nacional;
VI - Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis;
VII - Exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre empresasque, direta
ou indiretamente, interfiram nesses mercados e em relação às modalidades ou processos operacionais
que utilizem;
VIII - Prover, sob controle do Conselho Monetário Nacional, os serviços de sua Secretaria.
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso VIII do artigo 10 desta lei, o Banco Central
do Brasil poderá examinar os livros e documentos das pessoas naturais ou jurídicas que detenham o
controle acionário de instituição financeira, ficando essas pessoas sujeitas ao disposto no artigo 44, § 8º,
desta lei. (Incluído pelo Del nº 2.321, de 25/02/87)
§ 2º O Banco Central da República do Brasil instalará delegacias, com autorização do Conselho
Monetário Nacional, nas diferentes regiões geo-econômicas do País, tendo em vista a descentralização
administrativa para distribuição e recolhimento da moeda e o cumprimento das decisões adotadas pelo
mesmo Conselho ou prescritas em lei. (Renumerado pelo Del nº 2.321, de 25/02/87)
Art. 12. O Banco Central da República do Brasil operará exclusivamente com instituições financeiras
públicas e privadas, vedadas operações bancárias de qualquer natureza com outras pessoas de direito
público ou privado, salvo as expressamente autorizadas por lei.
Art. 13. Os encargos e serviços de competência do Banco Central, quando por ele não executados
diretamente, serão contratados de preferência com o Banco do Brasil S. A., exceto nos casos
especialmente autorizados pelo Conselho Monetário Nacional. (Redação dada pelo Del nº 278, de
28/02/67)
Art. 14. (Revogado Pela Lei Complementar nº 179, de 2021)
Art. 15. O regimento interno do Banco Central da República do Brasil, a que se refere o inciso XXVII,
do art. 4º, desta lei, prescreverá as atribuições do Presidente e dos Diretores e especificará os casos que
dependerão de deliberação da Diretoria, a qual será tomada por maioria de votos, presentes no mínimo
o Presidente ou seu substituto eventual e dois outros Diretores, cabendo ao Presidente também o voto
de qualidade.
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Parágrafo único. A Diretoria se reunirá, ordinariamente, uma vez por semana, e, extraordinariamente,
sempre que necessário, por convocação do Presidente ou a requerimento de, pelo menos, dois de seus
membros.
Art. 16. Constituem receita do Banco Central do Brasil as rendas: (Redação dada pelo Del nº 2.376,
de 25/11/87)
I - de operações financeiras e de outras aplicações de seus recursos; (Redação dada pelo Del nº 2.376,
de 25/11/87)
II - das operações de câmbio, de compra e venda de ouro e de quaisquer outras operações em moeda
estrangeira; (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
III - eventuais, inclusive as derivadas de multas e de juros de mora aplicados por força do disposto na
legislação em vigor. (Redação dada pelo Del nº 2.376, de 25/11/87)
(...)
Cabe ainda realizar o estudo acerca de alguns dispositivos do Regimento Interno do Banco Central
PORTARIA Nº 84.287, DE 27 DE FEVEREIRO DE 2015
Divulga o novo Regimento Interno do Banco Central do Brasil.
(...)
REGIMENTO INTERNO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL
TÍTULO I
DA NATUREZA E FINALIDADE
Art. 1º O Banco Central do Brasil (BCB), criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma
autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, com sede e foro na Capital da República e atuação
em todo o território nacional.
Art. 2º O Banco Central tem por finalidade a formulação, a execução, o acompanhamento e o
controle das políticas monetária, cambial, de crédito e de relações financeiras com o exterior; a
organização, disciplina e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Consórcio;
a gestão do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e dos serviços do meio circulante.
Art. 3º As competências do Banco Central estão definidas no art. 164 da Constituição Federal, na Lei
nº 4.595, de 1964, e em legislação complementar.
(...)
TÍTULO III
DA DIRETORIA COLEGIADA
CAPÍTULO I
DA COMPOSIÇÃO E DAS REUNIÕES
Art. 5º A Diretoria Colegiada é composta por até nove membros, um dos quais o Presidente, todos
nomeados pelo Presidente da República, entre brasileiros de ilibada reputação e notória capacidade em
assuntos econômico-financeiros, após aprovação pelo Senado Federal, sendo demissíveis ad nutum.
Art. 6º A Diretoria Colegiada é o órgão de deliberação superior, responsável pela formulação de
políticas e diretrizes necessárias ao exercício das competências do Banco Central.
Art. 7º A Diretoria Colegiada reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por semana e, extraordinariamente,
na forma prevista neste Regimento, presentes, no mínimo, o Presidente, ou seu substituto, e metade do
número de Diretores.
Parágrafo único. As decisões da Diretoria Colegiada serão tomadas por maioria de votos, cabendo ao
Presidente, ou a seu substituto, o voto de qualidade.
Art. 8º O Presidente e os Diretores serão empossados em seus cargos mediante assinatura de termo
de posse lavrado em livro próprio.
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Art. 9º O Presidente será substituído, em seus impedimentos e ausências do território nacional, por um
Diretor, por ele designado, que acumulará as funções.
Art. 10. Os Diretores serão substituídos, em seus impedimentos e ausências do território nacional, por
outros membros da Diretoria Colegiada, designados pelo Presidente, que acumularão as funções.
CAPÍTULO II
DAS COMPETÊNCIAS
Art. 11. Compete à Diretoria Colegiada:
I - fixar, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a meta da Taxa Selic;
II - definir e aprovar as orientações e diretrizes estratégicas para a atuação do Banco Central;
III - formular, acompanhar e controlar, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN):
a) as políticas monetária, cambial e de crédito;
b) os critérios e os procedimentos relacionados à organização, à disciplina e à fiscalização do SFN;
c) as operações de crédito do Banco Central com instituições financeiras;
d) os serviços do meio circulante;
e) os critérios e os procedimentos relacionados à organização, à disciplina, à regulamentação, à
autorização e à supervisão do SPB;
IV - aprovar:
a) anteprojetos de lei e minutas de medidas provisórias, decretos, regulamentos e outros normativos,
para o encaminhamento necessário;
b) regulamentações diversas e manuais de uso interno e externo, exceto aqueles de competência das
unidades;
c) o plano anual de auditoria interna e os programas de comunicação do Banco Central;
d) os balancetes do Banco Central;
e) as propostas de inclusão de ações do Banco Central no Plano Plurianual (PPA);
f) a revisão das dotações constantes do orçamento das receitas e encargos das operações de
autoridade monetária, na forma que for decidida pelo CMN;
g) o Plano Anual de Capacitação (PAC);
h) o programa plurianual de recrutamento e seleção do Banco Central a ser encaminhado ao Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão;
i) o número de vagas e a seleção dos candidatos para o programa de pós-graduação stricto sensu,
sob o patrocínio do Banco Central;
j) propostas de encerramento de regimes de resolução em bancos e em instituições integrantes de
conglomerados bancários, neste último caso, se em conjunto com o banco líder do conglomerado,
ressalvada a hipótese prevista no art. 94-B, inciso XIV.
k) as regras para fixação de honorários do responsável pela condução de regime de resolução; (NR -
Portaria nº 91.163, de 17 de novembro de 2016)
l) a previsão para a inflação futura, a ser publicada no Relatório de Inflação;
m) a indicação de servidores para compor os conselhos Deliberativo e Fiscal da Fundação Banco
Central de Previdência Privada (Centrus);
n) a proposta do orçamento organizacional do Banco Central;
o) os indicadores de gestão e as metas estratégicas corporativas;
p) os projetos estratégicos e aqueles a serem custeadospela Reserva para o Desenvolvimento
Institucional do Banco Central do Brasil (Redi-BC);
q) as contas da Redi-BC;
r) as regulamentações pertinentes aos procedimentos internos relacionados com as competências
para instauração, análise e decisão de processos administrativos relacionados com instituições
supervisionadas, bem como com pessoas físicas e jurídicas, inclusive as obrigadas à prestação de
informações ao Banco Central;
V - aprovar para encaminhamento ao CMN:
a) solicitações de instalação no País de novas agências de instituições financeiras domiciliadas no
exterior, bem como pedidos de cancelamento das autorizações concedidas;
b) pedidos relativos à participação estrangeira no capital de instituições financeiras e demais
instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, em funcionamento ou em constituição, quando
necessária autorização do Presidente da República;
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c) propostas de regulamentação aplicável a instituições financeiras e demais instituições autorizadas
a funcionar pelo Banco Central, bem como a operações praticadas nos mercados financeiro e de capitais,
relativas às competências daquele Conselho;
d) propostas de cancelamento de autorização para funcionamento, no País, de filial de instituição
financeira estrangeira;
e) os balanços do Banco Central;
f) a proposta do orçamento de receitas e encargos das operações de autoridade monetária;
g) as características de cédulas e moedas e as respectivas datas de lançamento em circulação;
h) as alterações no Regimento Interno do Banco Central;
i) o processo de prestação de contas anual do Presidente do Banco Central ao Tribunal de Contas da
União (TCU);
j) propostas para a fixação das Taxas de Juros de Longo Prazo (TJLP);
k) proposta de extensão de gravame de indisponibilidade a bens específicos ou patrimônio de pessoas
que, além dos ex-administradores, de direito ou de fato, e controladores, tenham concorrido, nos últimos
doze meses, para a decretação de regime de resolução; (NR - Portaria nº 91.163, de 17 de novembro de
2016)
l) propostas de regulamentação aplicável ao SPB, relativas às competências daquele Conselho;
m) demais assuntos que dependam de decisão daquele Órgão;
VI - decidir sobre:
a) critérios e procedimentos de natureza administrativa, financeira e contábil a serem adotados para o
desempenho das atividades do Banco Central;
b) assuntos relativos às atividades do Banco Central a serem apreciados pelo CMN;
c) critérios relacionados a autorizações e registros previstos em lei ou em decisões do CMN;
d) política de aplicação de recursos do Banco Central;
e) doação de imóveis recebidos em dação em pagamento, submetida a matéria à apreciação do CMN;
f) alterações da estrutura organizacional do Banco Central, quando houver acréscimo na fixação de
funções comissionadas das unidades e nos casos de criação ou extinção de unidades;
g) constituição, reforço, baixa ou reversão de reservas de contingência na contabilidade do Banco
Central, quando de interesse desta Autarquia;
h) decretação de regime de resolução em instituições submetidas à fiscalização do Banco Central e a
fixação das condições para o encerramento dos regimes de resolução em bancos e em instituições
integrantes de conglomerados bancários; (NR - Portaria nº 91.163, de 17 de novembro de 2016)
i) enquadramento, como sistemicamente importantes, de sistemas de liquidação de câmaras e de
prestadores de serviços de compensação e de liquidação;
j) a autorização para o funcionamento de sistemas de liquidação, inclusive sob a forma de depósito
centralizado, de câmaras e de prestadores de serviços de compensação e de liquidação; (NR - Portaria
nº 93.503, de 18 de maio de 2017)
k) mudanças relevantes no funcionamento de câmaras e de prestadores de serviços de compensação
e de liquidação relacionadas com a concepção dos modelos de liquidação e de administração de riscos
financeiros;
l) medidas necessárias ao funcionamento regular do mercado de câmbio e ao equilíbrio do balanço de
pagamentos, podendo para esse fim autorizar a compra e a venda de ouro e moeda estrangeira e a
realização de operações de crédito no exterior, inclusive as referentes a direitos especiais de saque,
segundo diretrizes estabelecidas pelo CMN;
m) solicitações de interesse de instituições sujeitas à autorização do Banco Central para funcionar,
relativas a:
1. constituição de banco múltiplo, banco comercial, banco de investimento ou banco de câmbio; (NR -
Portaria nº 91.740, de 22 de dezembro de 2016)
2. (Revogado);
3. fusão, cisão, incorporação ou mudança de objeto social que resultar em banco múltiplo, em banco
comercial, em banco de investimento ou em banco de câmbio; (NR -Portaria nº 91.740, de 22 de
dezembro de 2016)
4. (Revogado);
5. (Revogado);
6. transferência ou alteração no controle acionário quando houver ingresso de novos acionistas, em
banco múltiplo, em banco comercial, em banco de investimento ou em banco de câmbio; (NR -Portaria nº
91.740, de 22 de dezembro de 2016)
7. atos de concentração cuja análise indicar que a operação acarreta impactos relevantes na
concorrência no sistema financeiro; (NR -Portaria nº 91.740, de 22 de dezembro de 2016)
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n) (Revogado);
o) propostas de regulamentação aplicável:
1. a instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, bem
como a operações praticadas nos mercados financeiro e de capitais, relativas às competências do Banco
Central;
2. a operações de grupos de consórcio e às instituições e empresas que os administram e outras
formas associativas assemelhadas que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza baseada em
competências detidas pela Autarquia;
3. ao crédito rural e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro); (NR -Portaria nº
91.740, de 22 de dezembro de 2016)
p) propostas de normas específicas de contabilidade, auditoria e estatística, a serem observadas pelas
instituições e pelas empresas mencionadas na alínea anterior;
q) o não atendimento ao público por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas
a funcionar pelo Banco Central, no estrito interesse público, em situações especiais que venham a se
apresentar, em todo ou em parte do território nacional;
r) (Revogado);
s) matérias que, por sua natureza, exijam deliberação colegiada ou disciplina aplicável a questões não
regulamentadas, no âmbito de ação do Banco Central;
t) proposição do Comitê de Projetos Corporativos (CPC);
u) critérios para o credenciamento, descredenciamento de instituições para realizar operações do
mercado aberto e operações de compra e venda de moeda estrangeira, no mercado interbancário, com
o Banco Central, bem como para a aplicação de sanções por descumprimento da regulamentação
pertinente;
v) (Revogado)
w) mudanças relevantes na estrutura e no funcionamento do arranjo de pagamento relacionadas ao
propósito, à modalidade e à abrangência do arranjo, às características do instrumento de pagamento, às
condições de participação que possam limitar a competição no provimento de serviços de pagamento e
aos mecanismos de gerenciamento de riscos;
x) a atuação e o exercício do voto no Comitê Permanente no âmbito do Arranjo Contingente de
Reservas dos BRICS, estabelecido mediante Tratado firmado entre Brasil, Rússia, China, Índia e África
do Sul (agrupamento conhecido pelo acrônimo de BRICS); (NR -Portaria nº 91.740, de 22 de dezembro
de 2016)
y) o Guia para Análise de Atos de Concentração no Sistema Financeiro Nacional; (NR -Portaria nº
91.740, de 22 de dezembro de 2016)
z) a autorização para o funcionamento de sistemas de registro de ativos financeiros; (NR - Portaria nº
93.503, de 18 de maio de 2017).
VII - baixar normas e determinar providências relacionadas às atividades das unidades do BancoCentral;
aa) registro de gestores de banco de dados para a recepção de informações de adimplemento oriundas
de instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central;
VIII - autorizar:
a) a associação do Banco Central a instituições e entidades representativas de segmentos relevantes
no contexto do Sistema Financeiro Nacional ou internacional, bem como o pagamento das respectivas
contribuições a título de manutenção ou anuidade;
b) a celebração de acordos e memorandos de entendimento com instituições estrangeiras e com
organismos internacionais;
IX - (Revogado);
X – (Revogado);
XI - exercer o controle da fiscalização das instituições sujeitas à autorização do Banco Central, bem
como da aplicação das penalidades previstas em lei e regulamentos;
XII - estabelecer diretrizes e parâmetros (benchmarks) para que a administração das reservas oficiais
de ouro e moeda estrangeira e de direitos especiais de saque esteja de acordo com as políticas monetária
e cambial do Governo;
XIII - propor ao CMN prazos para perda do poder liberatório de cédulas e moedas;
XIV - autorizar a subscrição brasileira em aumentos de capital de organismos financeiros
internacionais, cuja responsabilidade pela integralização seja do Banco Central;
XV - estabelecer limites operacionais para os bancos brasileiros autorizados a operar no Convênio de
Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), bem como os valores das linhas de crédito concedidas aos
Bancos Centrais participantes do referido convênio;
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XVI - decidir sobre alterações na área de atuação territorial das Gerências Técnicas Regionais e das
Procuradorias Regionais e nos Estados;
XVII - decidir, em última instância, ressalvada a competência do Conselho de Recursos do Sistema
Financeiro Nacional (CRSFN), bem como os recursos de servidores contra decisões do Diretor de
Administração, recursos contra atos da competência originária do Presidente ou dos Diretores;
XVIII - decidir, em última instância, recursos contra ato do Diretor de Organização do Sistema
Financeiro e de Resolução que tenha por objeto juízo sobre a reputação de controladores ou de membros
de órgãos estatutários de instituições financeiras e das demais instituições autorizadas a funcionar pelo
Banco Central; (NR -Portaria nº 91.740, de 22 de dezembro de 2016)
XIX - decidir sobre alterações no regulamento do Comitê de Segurança (Coseg) e no regulamento de
segurança de tecnologia da informação;
XX - exercer o controle dos processos de autorização e de supervisão no âmbito do SPB;
XXI - definir, em reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), as estratégias e as diretrizes
para preservar a estabilidade financeira e mitigar o risco sistêmico;
XXII - autorizar a assinatura de acordos, contratos e convênios cujo valor seja superior a
R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais);
XXIII - resolver sobre a solicitação, pelo BCB, de operações de swap de moedas locais, bem como
sobre o posterior uso dos recursos e o repasse da moeda estrangeira;
XXIV - autorizar a contratação de operações de swap solicitadas por banco central estrangeiro, bem
como a posterior utilização de reais por parte de banco central estrangeiro;
XXV - decidir, em última instância, recursos contra decisões relativas a autorizações de arranjos de
pagamento; e
XXVI - decidir sobre a eleição de membros para o conselho de administração dos fundos garantidores
de crédito, na forma da legislação e dos estatutos dessas entidades.
XXVII - fixar, em reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o valor do adicional
contracíclico de capital principal relativo ao Brasil (ACCPBrasil). (NR - Portaria nº 93.503, de 18 de maio
de 2017)
(...)
Questões
01. (Banco do Brasil - Escriturário - CESPE / CEBRASPE). O SFN atua na intermediação financeira,
processo pelo qual os agentes que estão superavitários, com sobra de dinheiro, transferem esses
recursos para aqueles que estejam deficitários, com falta de dinheiro.
( ) Certo ( ) Errado
02. (Banco do Brasil - Escriturário - CESPE / CEBRASPE). A área operativa do SFN é formada
pelas instituições financeiras públicas e privadas, que atuam no mercado financeiro.
( ) Certo ( ) Errado
03. (Banco do Brasil - Escriturário - CESPE / CEBRASPE). O CMN é o órgão formulador da política
da moeda e do crédito, devendo atuar, inclusive, no sentido de promover o aperfeiçoamento das
instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de
mobilização de recursos.
( ) Certo ( ) Errado
04. (BNB - Analista Bancário - FGV). O Sistema normativo é composto pelas entidades que regulam
e fiscalizam o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional. Por esse motivo estão no topo do
organograma, ou seja, as outras instituições têm que, obrigatoriamente, acatar as decisões do sistema
normativo. Entre as entidades que compõem o Sistema Normativo, encontram-se:
(A) sociedades corretivas e distribuidoras;
(B) bancos múltiplos e de investimento;
(C) Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal;
(D) Conselho Monetário Nacional e Banco Central do Brasil;
(E) Bolsa de Valores e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Gabarito
01. Certo / 02. Certo / 03. Certo / 04. D
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Comentários
01. Resposta: Certo
O Sistema Financeiro Nacional é composto de um conjunto de instituições financeiras que mantém o
fluxo de recursos entre poupadores (doares de recursos – agentes superavitários) e investidores
(tomadores de recursos – agentes deficitários), constituindo assim o mercado financeiro.
02. Resposta: Certo
O SFN é formado por: Órgãos Normativos, Entidades Supervisoras e Operadores.Órgãos Nominativos:
Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e o Conselho de
Gestão da Previdência Complementar (CGPC).Entidades Supervisoras: Banco Central do Brasil (BCB),
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Secretaria de
Previdência Complementar (SPC).Operadores: Instituições Financeiras (PÚBLICAS E PRIVADAS),
Bancos de Câmbio, Bolsa de mercadorias e futuros, Bolsas de Valores, Resseguradores, Sociedades
seguradoras, Sociedades de capitalização, Entidades abertas de previdência complementar e Entidades
fechadas de previdência complementa.
03. Resposta: Certo
Objetivos do Conselho Monetário Nacional:
1 - Adaptar o volume dos meios de pagamentos às reais necessidades da economia nacional e seu
processo de desenvolvimento;
2- Regular o valor interno da moeda, para tanto prevenindo ou corrigindo os surtos inflacionários ou
deflacionários de origem interna ou externa, as depressões econômicas e outros desequilíbrios oriundos
de fenônimos conjunturais;
3 - Regular o valor externo da moeda e o equilibrio no balanço de pagamento do País, tendo em vista
a melhor utilização dos recursos em moeda estrangeira;
4 - Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras, quer públicas, quer privadas, tendo
em vista propiciar, nas diferentes regiões do País, condições favoráveis ao desenvolvimento harmônico
da economia nacional;
5 - Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior
eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos;
6 - Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;
7 - Coordenar as políticas monetárias, de crédito, orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e
externa.
04. Resposta: D
Subsistemas Normativos:
-Conselho Monetário Nacional (CMN);
-Banco Central do Brasil (Bacen);
-Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
-Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), e;
-Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).
O mercado financeiro é definido por comoum conjunto de instituições financeiras que negociam
títulos e valores mobiliários, que tem por objetivo viabilizar a capitalização das empresas e dar liquidez
aos títulos por elas emitidos.
O mercado financeiro é composto pelas bolsas de valores, sociedades corretoras e outras instituições
financeiras autorizadas e é dividido em três áreas com diferentes finalidades:
Mercado Primário – O mercado primário é onde a empresa vende suas novas ações, e a renda dessas
vendas cai direto nos cofres da empresa.
Mercado Secundário – Esse mercado é o que dá liquidez às emissões. Após o encerramento da
colocação pública das ações, a empresa registra-se junto a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
2 - Mercado financeiro e seus desdobramentos (mercados monetário, de crédito,
de capitais e cambial)
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Cabe observar que feito isso, a empresa nada tem a ver com a transação das suas ações na Bolsa: a
transação é feita por intermediários, como corretoras e investidores. A venda das ações vai para o caixa
do acionista vendedor, caracterizando assim o mercado secundário.
Mercado de Balcão – É o mercado de títulos sem lugar físico determinado para as transações, que
são realizadas via telefone entre as instituições financeiras. São negociadas ações de empresas que não
estão registradas na Bolsa ou outros tipos de títulos.
A intermediação financeira se desenvolve em quatro grandes mercados:
Mercado monetário: Visa o controle da liquidez monetária da economia. Os papéis negociados tem
como parâmetro a taxa básica de juros da economia e caracterizam-se pelos reduzidos prazos de resgate
e alta liquidez.
Mercado de crédito: Objetiva o suprimento das necessidades de caixa de curto e médio prazo dos
vários agentes econômicos, através de empréstimos e financiamentos a empresas e concessão de credito
a pessoas físicas. Essas operações são realizadas por instituições financeiras bancárias.
Mercado de capitais: Desempenha papel importante no processo de desenvolvimento da economia
de um país. É nesse mercado que se efetua a ligação entre os que têm capacidade de poupar
(investidores) e aqueles carentes de recursos (tomadores) para o longo prazo. Procura suprir as
necessidades de financiamento por meio de operações de emissão de ações, debêntures e commercial
papers.
Mercado cambial: É nesse mercado que ocorrem as operações de compra e venda de moedas
internacionais conversíveis e reúne agentes econômicos que realizam transações com o exterior. A
demanda por moeda estrangeira está presente nos importadores, devedores com compromissos
externos, investidores internacionais etc. No grupo de vendedores estão os exportadores, turistas,
tomadores de empréstimos, entre outros. As principais moedas são: Dólar, Euro, Libra e Yen.
Os quatro principais organismos que regulamentam, normalizam, fiscalizam, e assessoram o mercado
financeiro brasileiro são:
- O Conselho Monetário Nacional (CMN);
- O Banco Central do Brasil (BACEN);
- A Comissão Técnica da Moeda e do Credito (COMOC);
- A Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O Conselho Monetário Nacional é presidido pelo ministro da fazenda. O Banco Central do Brasil atua
como órgão executivo. A Comissão Técnica da Moeda e do Crédito atua como assessoria e a Comissão
de Valores Mobiliários responde pela regulamentação e fomento do mercado, seja ele de bolsa ou balcão.
Taxas de Juros do Mercado Financeiro.
A seguir, observaremos alguns tipos de taxas de juros praticadas no mercado financeiro.
Taxa Referencial (TR)
Taxa criada em 1991, durante o Plano Collor II, para servir de referência para as transações financeiras
realizadas no País, atuando como uma taxa básica referencial dos juros a serem praticados no mês. Esta
taxa é calculada pelo Bacen com base em uma amostra dos juros pagos pelos CDB`s das trinta maiores
instituições financeiras selecionadas, sendo eliminadas as duas de menor e as duas de maior taxa média.
A base de cálculo da TR (Taxa Referencial de Juros) é o dia de referência, sendo calculada no dia útil
posterior. Sobre a média apurada das taxas dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) é aplicado
um redutor que varia mensalmente. Atualmente é utilizada para o cálculo do rendimento de vários
investimentos, tais como títulos públicos, caderneta de poupança e outras operações, tais como
empréstimos do SFH, pagamentos a prazo e seguros em geral.
Taxa Básica Financeira (TBF)
A Taxa Básica Financeira foi criada com o objetivo de alongar o perfil das aplicações em títulos com
uma taxa de juros de remuneração superior à TR. É uma taxa utilizada exclusivamente como base de
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remuneração de operações realizadas no mercado financeiro. Sua metodologia de cálculo é idêntica à da
TR (Taxa de Remuneração), com a diferença fundamental de que não se aplica nela o redutor.
Taxa Básica do Banco Central (TBC/TBAN)
A Taxa Básica do Banco Central é utilizada nos empréstimos de liquidez dos bancos junto ao BACEN
e por este definida no final do mês anterior ao de sua vigência, em reunião específica do COPOM.
A frequência de utilização e o tipo de garantia dado pela IF é que determinará o custo do empréstimo
de liquidez (redesconto).
Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)
Taxa utilizada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para seus
empréstimos e financiamentos.
A TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) foi criada para estimular os investimentos nos setores de
infraestrutura e consumo, sendo válida para os empréstimos de longo prazo para empresas com projetos
industriais e de geração de emprego em andamento.
O seu custo é variável, mas permanece fixo por períodos mínimos de três meses.
Taxa Média Selic (TMS)
É a taxa média praticada nas operações diárias com títulos públicos federais, registrados no Selic
(Sistema Especial de Liquidação e Custodia). A sua finalidade é definir a remuneração dos títulos
públicos. A apuração é pela taxa média de todas as operações efetuadas com títulos públicos federais
em um dia, registradas no Selic.
Certificado de Deposito Interfinanceiro (CDI)
É a taxa média praticada nas operações diárias interbancárias. A sua finalidade é instrumentalizar as
trocas financeiras entre bancos. A apuração é feita pela CETIP (Central de Custodia e Liquidação
Financeira de Títulos) por meio da média das operações financeiras realizadas entre os bancos.
Política Monetária
A política Monetária é o instrumento de política econômica utilizada pelo governo, para interferir na
economia. Enquanto a política fiscal afeta diretamente a demanda agregada e o nível de produto da
economia, através da arrecadação, do gasto público e do montante do déficit público, a política monetária
afeta o produto de forma indireta, através das intervenções sobre o mercado financeiro e sobre a taxa de
juros.
Assim, a política monetária refere-se à ação do governo no sentido de controlar as condições de
liquidez da economia. Com esse objetivo, o governo atua sobre a quantidade de moeda na economia,
sobre a capacidade de concessão de empréstimos por parte dos bancos e por, consequência, sobre os
níveis das taxas de jutos. Na realidade, o mercado monetário é como outro qualquer, onde existe
demanda (por moeda), oferta (de moeda) e preço de equilíbrio, que nada mais é do que a taxa de juros.
Um ponto que merece ser destacado é o objetivo da política monetária. Para os analistas, existem dois
tipos de política monetária: a ativa e a passiva.
Na primeira, o objetivo do governo é controlar a oferta de moeda e, neste caso, a taxa de juros oscila
para determinar o equilíbrio entre oferta e demanda de moeda. No segundo caso, o objetivo do governo
é determinar a taxa de juros e, neste caso, o governo, tanto via taxa de redesconto como pela
remuneração dos títulospúblicos, tenta determinar a taxa de juros de mercado, deixando a oferta de
moeda variar livremente para manter esta taxa de juros, ou seja, a oferta de moeda fica endogenamente
determinada.
Conceito e Tipos de Moedas
No Brasil, há uma grande polêmica sobre o significado de moeda. Pode-se começar a discussão a
partir das funções que a moeda desempenha. Assim, identificamos três funções que a moeda
3 – Moeda e política monetária: Políticas monetárias convencionais e não
convencionais (Quantitative Easing); Taxa SELIC e operações compromissadas;
O debate sobre os depósitos remunerados dos bancos comerciais no Banco
Central do Brasil
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desempenha no sistema econômico:
- Unidade de conta - ser o referencial das trocas, instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas,
dado que possibilita que todos os bens e serviços sejam expressos num mesmo denominador;
- Meio ou instrumento de troca - intermediário entre as mercadorias, por ter aceitação generalizada e
garantida por lei;
- Reserva de valor - poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza,
dado que representa liquidez imediata para quem a possui;
Nota-se que, enquanto unidade de conta, a moeda expressa a relação de troca das mercadorias, ou
seja, funciona como um medidor, um parâmetro. Assim, o preço de uma mercadoria é a expressão
monetária do valor de troca de um bem. A convivência com taxas muito elevadas de inflação por longos
períodos, fez com que a moeda brasileira não exercesse todas essas funções tradicionais. No auge do
período inflacionário, no início dos anos 90, quando a inflação superou a casa dos 80% ao mês, embora
a moeda fosse utilizada como meio de troca, o mesmo não se verificou em relação às demais funções.
Em períodos de inflação elevada não há interesse em reter a moeda como reserva de valor, até porque
o valor da moeda será corroído pela inflação. Da mesma forma a corrosão da moeda, derivada da inflação,
faz surgir outras unidades da conta, como dólar, UFIR, UPC, BTN e assim por diante (os preços passam
a ser expresso nessas unidades). E pelo mesmo motivo, não será utilizado como padrão para pagamentos
diferidos. Existem três tipos de moeda: as moedas metálicas, emitidas pelo Banco Central, normalmente
de pequeno valor e que visam facilitar as operações fracionadas; o papel- moeda, que são as cédulas
emitidas pelo Banco Central, que representam parcela importante do volume de dinheiro utilizado pelo
público e, finalmente, a moeda escritural, que representada pelos depósitos à vista efetuado nos bancos
comerciais.
A soma das moedas metálicas, o papel-moeda (que juntos compõem a moeda manual) e a moeda
escritural correspondem ao conceito tradicional de meios de pagamento. Os meios de pagamento
apresentam duas características peculiares:
- Têm liquidez imediata (isto é, podem ser utilizados imediatamente para efetuar transações);
- Não rendem juros.
Ainda em relação ao conceito de meios de pagamento, vale destacar que se refere a direitos do setor
privado não bancário, excluindo, portanto, o caixa dos próprios bancos e a moeda manual que está com
as autoridades monetárias. O depósito à vista são recursos à disposição do público não bancário e não
pertencem ao banco. Cabe observar, ainda, que no conceito tradicional de meios de pagamento aqui
definido (adiante serão apresentados outros conceitos), não estão incluídos os depósitos a prazo (como
fundos monetários, cadernetas de poupança etc.), porque rendem juros e não têm liquidez imediata. Para
entendermos melhor a influência da política monetária na economia, estudaremos primeiro a moeda,
iniciando pelo seu conceito o que leva a demanda e a oferta de moeda, os mecanismos de controle da
oferta de moeda pelo Banco Central - BACEN - e, por fim, a influência desta no sistema econômico.
A importância da moeda no sistema financeiro
A moeda é o instrumento básico para que se possa operar o mercado. Sem esta, o processo de troca
seria extremamente limitado, uma vez que, um hipotético sistema de escambo - trocas direta - para que
alguém adquira qualquer mercadoria deve encontrar no sistema alguém que possua aquilo que esteja
querendo adquirir e simultaneamente queira comprar aquilo que esteja sendo oferecido. Deste modo, a
introdução da moeda, enquanto representante do valor da mercadoria, permite que a troca se desenvolva,
desvinculando-a da necessidade da dupla coincidência de interesses. Como se pode perceber, a moeda
é o ativo utilizado para realizar as transações porque possui maior liquidez, ou seja, que tenha a
capacidade de converter-se rapidamente em poder de compra, isto é, transformar-se em mercadorias.
Percebe-se que ao ser colocada como intermediária das trocas, a moeda permite a separação temporal
entre o ato de compra e o de venda. O indivíduo não é obrigado a comprar instantaneamente apenas
pelo fato de ter vendido. Ele pode vender uma mercadoria hoje e só utilizar a moeda para comprar outra
depois de determinado período de tempo.
Demanda por Moeda
Por que os indivíduos demandam moeda? Podemos identificar pelo menos três motivos para que os
indivíduos demandem moeda:
- Motivo transacional
- Motivo precaução
- Motivo especulação.
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Observa-se aqui que enquanto meio de troca, a moeda começa a afetar o sistema econômico, pois
para realizar as trocas, para poder comprar, os indivíduos devem ter moeda. Neste sentido, porém, os
indivíduos não demandariam, não reteriam moeda por ela mesma, mas pelos bens que ela pode adquirir.
Esta é a chamada demanda de moeda por motivo transacional. Se a moeda se restringisse a esta função,
teríamos a seguinte relação: como os indivíduos não demandam moeda por si mesma, toda moeda no
sistema seria utilizada para realizar as trocas; dada a quantidade de bens existentes na economia, a
quantidade de moeda influenciaria tão-somente na determinação dos preços destes bens. Quanto mais
moeda houvesse, mais os indivíduos iriam querer gastar e, como a oferta de bens é dada no curto prazo,
o efeito seria uma elevação de preços. Os indivíduos, contudo, não recebem renda diariamente na
economia. Por exemplo, o salário é pago de mês em mês. Por outro lado, os agentes realizam gastos
diariamente, em alimentação, transporte, etc. Sendo assim, os indivíduos devem fazer frente a estas
defasagens entre recebimentos e pagamentos, guardando moeda para poderem realizar as transações
necessárias. A demanda de moeda para transações depende do padrão de gastos dos indivíduos e estes
do nível de renda. Assim, quanto maior a renda maior será a demanda de moeda para transações.
Quando consideramos a moeda como reserva de valor, temos novos motivos para demandar moeda.
Um segundo motivo a ser considerado é o motivo precaução. Os indivíduos têm incerteza em relação ao
futuro e guardam moeda para precaver-se dos infortúnios. Neste contexto, cabe a pergunta: por que se
precaver guardando moeda que não renda juros em vez de comprar outros ativos - títulos - que rendem,
podendo-se obter mais moeda no futuro? Uma resposta comumente aceita é que, no contexto de
incerteza, o único ativo que possibilita segurança a seu detentor é aquele que possui liquidez absoluta,
ou seja, a moeda - dinheiro. Assim, a posse de moeda dá a seu detentor maior segurança diante das
incertezas do futuro, pois tem liquidez absoluta. Este motivo é importante em momentos (ou de países)
com baixa inflação. O total de moeda que o indivíduo pode guardar para precaver-se do futuro está
diretamente relacionado com sua renda. Um terceiro motivo para demandar moeda, salientado por
Keynes, é o motivo especulação. O indivíduo, segundo Keynes, guarda moeda para esperar o melhor
momento para adquirir títulos que permitam rendimento. Imagine o caso de um título de longo prazo com
um rendimento anual fixo emreais - o que é chamado de perpetuidade. O rendimento do título é visto
como juros pagos pela aplicação de um capital. Sendo assim, o preço do título flutuará de acordo com as
mudanças na taxa de juros.
Assim, segundo a teoria keynesiana, a sociedade demanda moeda por três razões:
I. A demanda para transação, que se refere à necessidade que os agentes têm de possuírem moeda
para efetuar suas transações
II. A demanda para precaução, que se refere à procura de moeda por parte da sociedade para fazer
frente a eventuais compromissos não previstos; e
III. Finalmente, a demanda para especulação, que se verifica quando o agente econômico fica
esperando uma oportunidade de aplicação interessante. Enquanto essa oportunidade não se verifica, o
agente fica "posicionado" em moeda.
Por outro lado, pode-se identificar um conjunto de variáveis que influenciam o comportamento da
demanda por moeda. Em primeiro lugar, não é difícil perceber que à medida que o país se desenvolve
e a produção de bens e serviços aumenta, a necessidade de moeda eleva-se na mesma proporção. Já
quando as taxas de juros apresentam-se muito elevadas, há uma tendência à redução da demanda de
moeda por especulação, uma vez que a possibilidade de surgir novas e boas aplicações fica reduzida (na
realidade, a boa alternativa de aplicação já está existindo). Além disso, a própria demanda para
transação e precaução tende a reduzir-se com juros elevados, uma vez que os agentes trabalharão com
menor volume de dinheiro (tanto manual como escritural) para poder aplicar seus recursos em ativos que
rendem juros. Uma terceira variável importante refere-se aos efeitos da inflação. De um lado, verifica-se
que, à medida que os preços aumentam, a necessidade de moeda para transação também aumenta em
termos nominais. De outro lado, porém, quando a inflação é elevada, "carregar dinheiro no bolso" significa
perda, uma vez que os preços estão aumentando e o dinheiro fica parado, comprando um volume cada
vez menor de bens. Essa situação conduz ao conceito de "imposto inflacionário". Esse "imposto" recai sobre
os detentores de moeda, em períodos de inflação elevada, uma vez que o poder de compra da moeda
retida está sendo corroído pela inflação, impondo uma perda (real) ao proprietário da moeda, como se o
mesmo estivesse pagando um "imposto". Assim, em períodos de inflação muito elevada, os agentes
procuram "livrar-se" o mais rapidamente possível da moeda, fazendo com que contraia a demanda por
moeda (em termos reais). No auge da explosão dos preços, que seria a hiperinflação, a moeda é rejeitada
pela sociedade, e acaba sendo substituída por outros ativos ou outras moedas (como o dólar, por
exemplo).
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Por outro lado, em períodos de queda brusca da inflação, como ocorreu nos planos de congelamento
ou mesmo no Plano Real, há uma tendência de aumento da demanda real da moeda, uma vez que o
custo de "carregar" dinheiro deixa de existir (o imposto inflacionário some quando a inflação é zero) e as
alternativas de aplicação financeira de curtíssimo prazo também tendem a desaparecer.
Oferta da Moeda
Por meio da política monetária, o governo atua sobre a oferta de moeda, uma vez que a demanda é
determinada pela sociedade. No Brasil, o órgão responsável pela execução da política monetária, é o
Banco Central cuja tarefa é regular a liquidez, de forma compatível com a produção de bens e serviços e
o controle da inflação (costuma-se dizer que o Banco Central é o "guardião da moeda").
Para entender essa tarefa do Banco Central, é importante observar que há dois agentes na economia
em condições de ofertar moeda: o próprio Banco Central que detém o monopólio da moeda manual, e os
bancos comerciais, por meio da multiplicação dos depósitos à vista (o Banco Central, como se verá, tem
condições de atuar nessa capacidade de multiplicação dos depósitos pelos bancos). O processo de
multiplicação dos depósitos a vista pelos bancos pode ser entendido a partir de um depósito inicial. Quando
ocorre um depósito à vista em um banco comercial, esse recurso pode ser movimentado a qualquer
momento, pelo titular da conta. Sabe-se entanto, que (em situações normais) no conjunto total dos
depósitos a vista, nem todos os recursos são sacados simultaneamente, havendo, na realidade, apenas
saques numa porcentagem desse valor total. O banco precisa guardar em seus cofres apenas esse
percentual, podendo emprestar o restante a seus clientes. Por outro lado, o cliente que tomou o
empréstimo irá fazer um novo depósito em outro banco (ou no mesmo) e o processo vai se repetindo.
1ª etapa:
• o banco A recebe um depósito de R$ 1.000,00;
• retém digamos, 30% para fazer frente às necessidades de saques (10% voluntários e taxa
compulsória do Banco Central de 20%) e empresta o restante R$ 700,00;
2ª etapa:
• o cliente que tomou emprestado R$ 700,00, deposita esse valor no Banco B;
• o banco B retém 30% (R$ 210,00) e emprestará o restante (R$ 490,00);
3ª etapa:
• o cliente que tomou emprestado R$ 490,00, deposita esse montante no banco C;
• o banco C retém 30% (R$ 147,00) e empresta R$ 343,00;
Demais etapas:
• como o depósito está se reduzindo em cada etapa, o processo continua até "zerar".
O efeito final será dado por um multiplicador igual ao inverso da percentagem das reservas bancárias.
Como, no exemplo, as reservas bancárias representam 30% (0,30), o multiplicador final será de 1/0,30 =
3,33..., isto é, o depósito inicial de R$ 1.000,00 transforma-se num acréscimo de meios de pagamento
de R$ 3.333,00. Como já foi destacado, o Banco Central tem capacidade de influenciar esse poder de
multiplicar, por meio de um dos instrumentos de política monetária que será discutido adiante (o depósito
compulsório).
Base Monetária
A base monetária refere-se à emissão primária de moeda. E mais abrangente que a moeda manual
utilizada no conceito de meios de pagamento, uma vez que inclui, além da moeda em poder do público, as
reservas dos bancos comerciais. Assim:
Base monetária = papel-moeda em poder do público + Reservas dos bancos comerciais
Da mesma forma, porém, em períodos de inflação muito elevada, a base monetária também se reduz
como porcentagem do PIB, já que a sociedade não retém moeda, por causa de sua contínua perda de valor.
Além da base monetária, existem outros quatro conceitos de meios de pagamento (M1 a M4), cujas
diferenças referem-se basicamente a menor ou maior liquidez dos ativos que os compõem. Parte-se do M1
que inclui apenas ativos de total liquidez e vai incorporando ativos até chegar-se a M4, que inclui os de
menor liquidez.
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(M1) liquidez total
O M1 é o conceito de meios de pagamento definido anteriormente, incluindo, portanto, o papel-moeda
em poder do público e os depósitos a vista nos bancos comerciais. Portanto:
M1 = Papel-moeda em poder do público + Depósitos a vista
(M2) liquidez com algumas restrições
O M2 é um conceito mais amplo de meios de pagamento já que inclui, além do os fundos do mercado
monetário (como os fundos de renda fixa, fundos DI etc.) mais os títulos do governo em poder do público.
Assim:
M2 = M1 + Fundos do mercado monetário + Títulos públicos
(M3) liquidez com mais restrições
O M3 agrega ao M2 os depósitos em caderneta de poupança. Vale lembrar que os depósitos em
caderneta de poupança, embora possam ser sacados a qualquer momento, para gerar rentabilidade,
precisam ficar inalterados durante 30 dias pelo menos, o que dá uma característica, em termos de
liquidez, diferente dos fundos do mercado monetário e dos títulos públicos.
Deste modo:
M3 = M2 + Depósitos de Poupança
(M4) liquidez de maior restrições
O M4 incorpora os títulos privados, que incluem certificados de depósito bancário (CDBs), outros
depósitos a prazo e letras de câmbio.Desta forma:
M4 = M3 + Títulos privados
A Tabela abaixo mostra o valor dos diferentes agregados monetários, não somente como porcentagem
do PIB, bem como em relação a M4.
Tabela – Agregados monetários
Discriminação
Saldo em R$ milhões % do PIB % do M4
Base Monetária 98.306 5,1 7,5
M1 142.451 7,4 10,9
M2 582.464 30,1 44,4
M3 1.166.502 60,2 88,9
M4 1.312.399 67,7 100,0
Fonte: Conjuntura Econômica, 2005.
É importante destacar um conceito muito utilizado em economia, que é o multiplicador da base
monetária, definido pela relação ente M1 e a base, isto é:
K=M1
Base
Onde K é o multiplicador. (No exemplo da tabela 01 o multiplicador é = 1,5)
O multiplicador, na realidade, mostra, a partir do comportamento da base, como será impactado o
montante de M1. Assim, se o multiplicador é igual a 1,5, significa dizer que um aumento de R$ 1,00 na
base monetária implicará em elevação de R$ 1,50 nos meios de pagamento (M).
Ferramentas de Política Monetária
São três as Ferramentas clássicas de política monetária: controle da base monetária, depósito
compulsório e política de redesconto.
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Controle da Base Monetária
Por determinação legal, o Banco Central controla o volume de moeda manual da economia. Para
entender como o governo controla a base monetária, é necessário verificar quais os fatores que,
tradicionalmente, levam a uma expansão ou contração de base monetária. Independentemente da política
monetária, existem três fatores que podem levar a oscilações na base monetária. O primeiro deles é o
resultado das contas públicas. Se o governo registrar déficit em suas contas, uma das formas de "bancar"
esse déficit é por meio da emissão de moeda, ampliando a base monetária. Na hipótese de superávit
público, ocorre o contrário, o governo retira mais dinheiro da sociedade (por meio de tributos) do que
injeta (por meio dos gastos), gerando redução da base. A segunda possibilidade de flutuação da base
monetária refere-se ao resultado líquido das operações do setor externo. Sempre que ocorre entrada de
dólares no Brasil, há pressão para a emissão de moeda, para fazer a conversão dos dólares, que
entraram, para reais. Quando os dólares saem ocorre o contrário. Para facilitar o entendimento desse
processo, basta imaginar que o Banco Central fosse como uma caixa única. Quando uma empresa
exportadora recebe dólares (ou qualquer outro tipo de entrada de moeda estrangeira), tais dólares serão
trocados no Banco Central do Brasil por reais, 106 obrigando este a emitir reais. Por outro lado, quando
uma empresa precisa importar, necessita comprar dólares e retira reais de circulação (pagando ao Banco
Central).
Se o saldo das entradas e saídas é zero, não ocorre qualquer pressão sobre a base monetária.
Contudo, se o resultado é de superávit nas contas externas, ocorrerá pressão para aumento da base
monetária, o inverso verificando-se quando há déficit (há pressão para reduzir a base).
Uma terceira fonte de oscilação da base monetária refere-se às operações de crédito do setor público.
Quando o saldo de tais operações é positivo há uma pressão para encolher a base, o inverso ocorrendo
na hipótese deficitária. Os fatores de pressão aqui citados são independentes da política monetária.
Ocorre que, muitas vezes, esses fatores atuam no sentido contrário das necessidades de moeda, isto é,
a economia está precisando de mais moeda e esses fatores estão levando a uma redução da base, e
vice-versa.
Para controlar essa situação, o governo faz uso das operações de mercado aberto (open market), que
consistem na compra e venda de títulos públicos. Quando o governo coloca títulos junto ao público, está
reduzindo (ou "enxugando") a base monetária, já que a moeda do setor privado está indo para o governo,
operando no sentido contrário, quando compra seus títulos, estará injetando moeda na economia. As
operações de mercado aberto permitem assim, controlar o volume da base monetária e atender às
flutuações sazonais da demanda de mercado, como ocorre, por exemplo, no final do ano, em função das
comemorações natalinas.
É importante destacar que toda vez que o governo coloca títulos junto à sociedade, além de restringir
base monetária, está incorrendo em aumento da dívida pública interna, já que esses títulos representam
obrigações para o governo e pagam juros e correção monetária. Assim, se a dívida pública crescer muito
(por causa do desequilíbrio nas contas públicas, juros elevados ou excessivos superávits externos), os
agentes econômicos tendem a perder a confiança nos títulos do governo e a política de mercado aberto
fica inviabilizada.
A Influência da Taxa de Juro
Podemos definir a taxa de juro como sendo aquilo que se ganha pela aplicação de recursos durante
determinado período de tempo, ou, inversamente, aquilo que se paga pela obtenção de recursos de
terceiros - tomada de empréstimos - durante determinado período de tempo. Assim, a taxa de juros deve
sempre especificar o período de tempo ao qual corresponde. Existem pelo menos duas correntes
alternativas sobre o que determina a taxa de juros. Uma primeira concepção, que considera a
possibilidade de se guardar a poupança na forma monetária, uma vez que moeda também é reserva de
valor, vê a taxa de juros como o prêmio pela renúncia à liquidez. De acordo com esta visão, o indivíduo
tem duas decisões a tomar: a primeira é quanto poupar e a segunda de que forma guardar a poupança.
O simples fato de poupar não garante a obtenção de um juros sobre a poupança. Esta só terá algum
rendimento se o indivíduo abrir mão de guardar a poupança na forma monetária e adquirir um ativo
financeiro. Assim, a taxa de juros é vista como o prêmio pela renúncia à liquidez - segurança - absoluta
oferecida pela moeda. Uma segunda corrente, vê a taxa de juros como o prêmio pela "espera", ou seja,
pela renúncia ao consumo presente em favor do consumo futuro. A taxa de juros, nesta concepção, é
vista como o prêmio pela poupança. Esta concepção parte da ideia de que a única forma de guardar
poupança é adquirindo ativos financeiros, dado que ninguém demandaria moeda como reserva de valor,
uma vez que ela não rende juros.
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Assim, teoricamente, podem-se dar duas explicações para a taxa de juros:
I. Taxa de juros é o prêmio pela renúncia à liquidez, isto é, o que se ganha por guardar a poupança na
forma de títulos e não na forma monetária.
II. A taxa de juros é o prêmio pela espera, isto é, o que se ganha por sacrificar o consumo hoje em
favor de um maior consumo futuro;
Agora podemos voltar a discussão de como a política monetária afeta a demanda agregada. Já vimos
que a demanda de moeda depende da renda e da taxa de juros. Dado o nível de renda, quanto maior a
taxa de juros menor a demanda de moeda. Define-se assim o nível de renda, quanto maior a taxa de
juros menor a demanda de moeda. A partir desta demanda de moeda, dada a oferta de moeda controlada
pelo governo, determina-se taxa de juros que equilibra demanda e oferta de moeda. É neste ponto que a
política monetária pode afetar o nível de demanda agregada da economia e, por consequência, afeta
também o produto. Como o investimento, ou mesmo o consumo de bens duráveis, varia inversamente
com a taxa de juros, sempre que o governo quiser conter a atividade econômica ele pode contrair a oferta
monetária e com isso afetar a taxa de juros e a demanda.
Sempre que o governo reduz ou aumenta os meios de pagamento, há uma tendência de elevação ou
redução das taxas de juros, porque a oferta de empréstimos se contrai ou se expande. Na realidade, a
taxa de juros tem um papel fundamental nas decisões dos agentes econômicos. No âmbito familiar, afeta
suas decisões de consumo de duas formas: na disposição de adquirir um bem a prazo (se a taxa de juros
sobe, as prestações aumentam)e na decisão entre consumir e poupar (juros mais elevados levam a um
aumento da poupança e redução do consumo).
Já do lado empresarial, as taxas de juros interferem nas decisões de investimento: quanto mais
elevadas às taxas de juros, menos os empresários estarão dispostos a investir: de um lado, porque o
custo de tomar emprestado o recurso fica mais alto, e de outro, porque pode ser mais atraente aplicar o
recurso no mercado financeiro (se dispuser do recurso) do que na atividade produtiva. Além disso, quando
os juros estão altos, as empresas procuram trabalhar com o menor estoque possível, tanto de produtos
finais como de matérias-primas, porque o custo de "carregar" o estoque fica muito alto (ou paga juros ou
está deixando de ganhar no mercado financeiro). As taxas de juros também têm papel importante para
as contas externas. Quando o país está necessitando de dólares, as taxas internas de juros podem ser
elevadas para atrair recursos do exterior, que vêm em busca de rendimentos mais altos.
Risco País
O risco país mede a confiança dos investidores estrangeiros na capacidade de pagamento do país e
de honrar os compromissos assumidos. Assim, poder-se-ia dividir, a título de simplificação, o mercado
financeiro internacional em dois grandes grupos: o primeiro refere-se ao mercado dos títulos emitidos
pelos países desenvolvidos (Estados Unidos e Europa), cujas características essenciais são de papéis
com reduzido grau de risco e, por consequência, baixa rentabilidade. O outro grupo refere-se aos
emergentes (América Latina e Ásia), em que o grau de risco é maior, o mesmo ocorrendo com as taxas
de juros. Os países são classificados, em termos de grau de risco, pelas empresas de rating. Além de
variáveis como a estabilidade política, uma questão que "pesa" muito na avaliação é a situação dos
chamados "fundamentos da economia", incluindo aí a situação fiscal (déficit e dívida pública), o grau de
solvência do balanço de pagamentos (que está associado à política cambial), combate inflacionário etc.
Além disso, há um fator extremamente importante na avaliação do risco de um país, que é o fato de já
ter declarado moratória em seu passado. Isso porque a ideia de risco está associada ao não- pagamento
de uma obrigação financeira por parte de um país. Ora, se um país (ou mesmo uma empresa do país)
tem um título vencendo, e esse país encontrar-se em moratória, não há como efetuar o pagamento e o
credor não receberá seu direito. Em função dos diferentes graus de risco, os países, ao lançarem seus
papéis no exterior, vão pagar diferentes taxas de juros. Países com elevado grau de risco pagarão taxas
mais elevadas; em outras palavras, pagarão um elevado spread (diferença entre a taxa paga pelo país e
a taxa básica de juros que pode ser a prime de New York, ou a libor, do mercado de Londres, ou ainda,
a taxa básica dos títulos do Tesouro dos EUA). Normalmente, o spread é medido em termos de pontos-
base, isto é, cada 1% de spread corresponde a 100 pontos-base.
Já quando uma empresa vai captar recursos no exterior, lançando títulos, o grau de risco envolvido nesta
operação é composto de duas partes: a primeira, refere-se a própria empresa, que pode não ter recursos
para arcar com as obrigações relativas à operações (pagamentos de juros, normalmente semestrais, e o
próprio título no vencimento); o outro componente é o risco do país, uma vez que, mesmo que a empresa
tenha condições de honrar seus compromissos, não há condições de efetuar o pagamento em dólar, se o
país encontrar-se em moratória, por ocasião dos vencimentos.
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O Banco Central e o Tesouro Nacional
No Brasil, há uma grande confusão entre política monetária, política de dívida pública, Banco Central
e Tesouro Nacional. Nos países em que há independência do Banco Central, o Tesouro coloca títulos
de longo prazo e o Banco Central controla a liquidez da economia, e não tem qualquer responsabilidade
sobre a situação financeira do Tesouro. A independência do Banco Central é caracterizada não somente
pelo fato dos administradores terem o mandato outorgado pelo poder legislativo, como também pela
legal do Banco Central financiar o Tesouro Nacional. No Brasil, a situação é completamente diferente. A
falta de credibilidade (derivada de constantes descontroles inflacionários, "calote" do Governo Collor,
entre outros fatores) não permite colocar títulos de longo prazo. Além disso, e até por consequência,
sempre houve cordão umbilical entre o Tesouro Nacional e o Banco Central, que, na realidade, sempre
foi o agente da dívida pública. A relação entre o Banco Central e o Tesouro Nacional nunca foi muito
clara, na medida em que há uma superposição entre a política da dívida pública (que deveria ser do
Tesouro) e a política de "open-market" (que deveria ser do Banco Central). O Banco Central compra
títulos de longo prazo do Tesouro Nacional (financiando assim o Tesouro) e faz política monetária com
títulos federais. A Constituição de 1988 proibiu o Banco Central de financiar o gasto público, mas, deixou
duas "brechas" que na realidade, autorizam o financiamento. De um lado, permitiu ao Banco Central
financiar bancos estatais, e, de outro, adquirir títulos do Tesouro Nacional nos leilões efetuados pela
Secretaria do Tesouro Nacional (que, na prática, significa financiar o déficit).
COPOM – Banco Central
O Comitê de Política Monetária (Copom) foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de
estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. A criação do Comitê buscou
proporcionar maior transparência e ritual adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era
adotado pelo Federal Open Market Committee (FOMC) do banco central dos Estados Unidos e pelo
Central Bank Council, do banco central da Alemanha. Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também
instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC), assim como o Banco Central Europeu, desde a criação
da moeda única em janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias em todo
o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo decisório, a transparência e a comunicação
com o público em geral. Desde 1996, o Regulamento do Copom tem sido atualizado no que se refere ao
seu objetivo, à periodicidade das reuniões, à composição e às atribuições e competências de seus
integrantes. Essas alterações visaram não apenas aperfeiçoar o processo decisório no âmbito do
Comitê, como também refletiram as mudanças de regime monetário.
Destaca-se a adoção, pelo Decreto 3.088, em 21 de junho de 1999, da sistemática de metas para a
inflação como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do Copom passaram a ter como
objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo o
mesmo Decreto, se as metas não forem atingidas, cabe ao presidente do Banco Central divulgar, em
Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazo
para o retorno da taxa de inflação aos limites estabelecidos. Formalmente, os objetivos do Copom são:
"implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório
de Inflação". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos
financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê. Se for o caso, o Copom
também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do Banco Central para alterar, na
direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as reuniões ordinárias.
As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a
segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito
aoano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de junho do ano anterior. O Copom
é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil: o presidente, que tem o
voto de qualidade; e os diretores de Administração, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos
Corporativos, Fiscalização, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito
Rural, Política Econômica, Política Monetária, Regulação do Sistema Financeiro, e Relacionamento
Institucional e Cidadania. Também participam do primeiro dia da reunião os chefes dos seguintes
departamentos do Banco Central: Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
(Deban), Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), Departamento Econômico (Depec),
Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), Departamento das Reservas Internacionais (Depin),
Departamento de Assuntos Internacionais (Derin), e Departamento de Relacionamento com Investidores
e Estudos Especiais (Gerin). A primeira sessão dos trabalhos conta ainda com a presença do chefe de
gabinete do presidente, do assessor de imprensa e de outros servidores do Banco Central, quando
autorizados pelo presidente.
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No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento apresentam uma análise da conjuntura
doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças
públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais,
mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e
expectativas gerais para variáveis macroeconômicas. No segundo dia da reunião, do qual participam
apenas os membros do Comitê e o chefe do Depep, sem direito a voto, os diretores de Política Monetária
e de Política Econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas
para a taxa de juros de curto prazo e fazem recomendações acerca da política monetária. Em seguida,
os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.
Ao final, procede-se à votação das propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. A decisão
final - a meta para a Taxa Selic e o viés, se houver - é imediatamente divulgada à imprensa ao mesmo
tempo em que é expedido Comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).
As atas em português das reuniões do Copom são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana
posterior a cada reunião, dentro do prazo regulamentar de seis dias úteis, sendo publicadas na página
do Banco Central na internet ("Atas do Copom") e para a imprensa. Ao final de cada trimestre civil (março,
junho, setembro e dezembro), o Copom publica o documento "Relatório de Inflação", que analisa
detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do País, bem como apresenta suas projeções para
a taxa de inflação.
O que é o Copom? Por que foi criado? O Comitê de Política Monetária, ou Copom, é o órgão
decisório da política monetária do Banco Central do Brasil (BCB), responsável por estabelecer a meta
para a taxa básica de juros, que no Brasil é a Taxa Over-Selic, ou Taxa Selic. O Comitê foi criado em
junho de 1996 com o objetivo de estabelecer ritual adequado ao processo decisório de política monetária
e aprimorar sua transparência.
Quais são os objetivos do Copom? No regime de metas para a inflação, implementado no Brasil em
1999, o principal objetivo do Copom é o de estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a meta
para a taxa básica de juros no Brasil. A partir dessa definição, cabe ao BCB, por meio de operações de
mercado aberto, buscar manter a Taxa Selic diária próxima a essa meta. A meta de inflação de cada ano,
por sua vez, é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com dois anos de antecedência,
sempre no mês de junho. Se, em determinado ano, a inflação ultrapassar a meta estabelecida pelo CMN,
o Presidente do BCB deve encaminhar carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando as razões do não
cumprimento da meta, bem como as medidas necessárias para trazer a inflação de volta à trajetória
predefinida e o tempo esperado para que essas medidas surtam efeito.
Quem são os membros do Copom? O Copom é composto pelos membros da Diretoria Colegiada
do BCB: o Presidente e os Diretores de Política Monetária, Política Econômica, Assuntos Internacionais
e Gestão de Riscos Corporativos, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações de
Crédito Rural, Fiscalização, Regulação do Sistema Financeiro, e Administração. O Presidente tem direito
ao voto decisório em caso de empate na decisão da política monetária surtam efeito.
Quando acontecem as reuniões do Copom? As reuniões ordinárias do Copom eram mensais até
2005. Em 2006, essas reuniões passaram a ocorrer oito vezes ao ano, aproximadamente a cada seis
semanas, e continuam a ser realizadas em dois dias. A primeira seção começa na tarde de terça-feira, e
a reunião é concluída, normalmente, no fim da tarde do dia seguinte. O calendário das reuniões ordinárias
do Copom de cada ano é divulgado até o final de outubro do ano anterior. Para ver o calendário de
reuniões do Copom para o ano em curso, acesse http://www.bcb.gov.br/?COPOM. O Copom pode se
reunir extraordinariamente, convocado pelo presidente do BCB, em função de alterações inesperadas do
cenário macroeconômico. Desde a sua criação, ocorreram três reuniões extraordinárias, a última das
quais em outubro de 2002.
Quem participa das reuniões do Copom? No primeiro dia participam da reunião do Copom seus
membros e os chefes de sete departamentos do Banco Central:
- Departamento de Assuntos Internacionais (Derin),
- Departamento Econômico (Depec),
- Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep),
- Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban),
- Departamento das Reservas Internacionais (Depin),
- Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), e
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- Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
(Gerin).
Participam também do primeiro dia de reunião o Secretário Executivo e o Assessor de Imprensa do
Banco Central. A participação no segundo dia de reunião é limitada aos membros do Copom e ao Chefe
do Depep.
O que é a Taxa Selic? A Taxa Selic, instrumento primário de política monetária do Copom, é a taxa
de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight), lastreados
por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O Copom
estabelece a meta para a Taxa Selic, e cabe à mesa de operações do mercado aberto do BCB manter a
Taxa Selic diária próxima à meta.
O que é o viés de taxa de juros? O Copom pode estabelecer viés de taxa de juros (de elevação ou
de redução), prerrogativa que autoriza o Presidente do BCB a alterar a meta para a Taxa Selic na direção
do viés a qualquer momento entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente,
quando alguma mudança significativa na conjuntura econômica for esperada. A última vez em que esse
expediente foi utilizado ocorreu na 82ª reunião do Comitê, em 19-20/3/2003.
O que é o viés de taxa de juros?
O Copom pode estabelecer viés de taxa de juros (de elevação ou de redução), prerrogativa que
autoriza o Presidente do BCB a alterar a meta para a Taxa Selic na direção do viés a qualquer momento
entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente, quando alguma mudança
significativa na conjuntura econômica for esperada. A última vez em que esse expediente foi utilizado
ocorreu na 82ª reunião do Comitê, em 19-20/3/2003.
O Copom divulga outras informações sobre política monetária e inflação?
Ao final de cada trimestre (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publicao Relatório de
Inflação, que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira no Brasil, bem como apresenta
suas projeções para a taxa de inflação. As projeções inflacionárias são exibidas por meio de um gráfico
com o leque de inflação, que mostra as projeções como uma distribuição probabilística, enfatizando o
grau de incerteza presente no momento em que as decisões de política monetária são tomadas. O Gráfico
1 reproduz o leque de inflação apresentado no Relatório de Inflação de março de 2013. Por uma questão
metodológica, as projeções apresentadas no leque de inflação assumem, para todo o horizonte de
previsões, taxa Selic constante e taxa de câmbio no nível do dia anterior à reunião do Copom (cenário de
referência). Para facilitar a análise, os Relatórios de Inflação também apresentam o leque de inflação
construído com base nas medianas das expectativas do mercado para a taxa Selic e a taxa de câmbio
na véspera da reunião do Copom (cenário de mercado).
COPOM e a Inflação
O Brasil possui um sistema de metas para inflação que foi instituído em Junho de 1999 pelo Banco
Central (BC). O indicador considerado para mensuração da inflação é o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA).
No atual regime de metas para a inflação, o principal objetivo da política monetária implementada pelo
Copom é o alcance das metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se,
em um determinado ano, a inflação ultrapassar a meta estabelecida pelo CMN, o presidente do Banco
Central deverá encaminhar uma Carta Aberta ao ministro da Fazenda, explicando as razões do não
cumprimento da meta, bem como as medidas necessárias para trazer a inflação de volta à trajetória
predefinida e o tempo esperado para que essas medidas surtam efeito.
Para manter a inflação controlada, um rigoroso controle sobre o consumo e os preços vem sendo
efetuado desde então pelo Banco Central, aquecendo ou desaquecendo a economia, através de seu
principal instrumento de política monetária: a Taxa Selic.
Para acesso às informações da Carta Aberta você candidata(o) e cidadã(ão), ter noção do que se trata
esse documento que comunica à Presidência, Ministro da Fazenda, demais autoridades e sociedade
sobre o cumprimento ou não cumprimento das metas sobre a SELIC.
No contexto geral, a Carta Aberta pode ser entendida como uma carta dirigida a alguém, mas que é
tornada pública, ao ser divulgada em um canal comunicativo público, em um sítio na Rede, em um
comunicado ou qualquer outro meio de difusão.
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O texto de uma carta aberta deve ser bem redigido, claro, preciso e com boa apresentação. As fórmulas
de cortesia a utilizar devem ser adequadas ao status do destinatário, como aliás toda a linguagem e o
tipo de discurso.
É muito diferente a forma como podemos dirigir a um diretor de um jornal, por exemplo, ou ao
Presidente da República. Mas, seja qual for a forma adotada e o status do destinatário, os elementos de
identificação do remetente são imprescindíveis e, ainda que apresentados de forma resumida, completos,
para que tanto o destinatário como os leitores compreendam o ponto de vista e o contexto e, até, a razão
de ser da própria carta aberta. Se o autor de uma carta aberta não for uma figura pública, a abertura da
carta tem mais ou menos a seguinte fórmula, de identificação que, no fundo, não diverge muito das que
se utilizam em outros textos utilitários.4
Política Monetária e Objetivos ee Política Econômica
Retornando à discussão sobre os objetivos de política econômica, pode-se verificar a capacidade da
política monetária de impactar tais objetivos. Para a expansão do PIB a curto prazo é preciso elevar o
nível de demanda agregada, o que pode ser feito com uma política monetária expansionista, isto é,
aumento da oferta de moeda e crédito e consequente redução dos juros (aumento da base, redução do
compulsório, ou da taxa de redesconto). Por outro lado, aumentos excessivos de moeda podem levar a
um nível inflacionário agudo. Nesse sentido, vale destacar a Teoria Quantitativa da Moeda que mostra
haver uma associação direta entre moeda e inflação. De acordo com essa teoria, se ocorrer, por exemplo,
um aumento de oferta de moeda, de 10% (tudo o mais constante) podem ocorrer três possibilidades:
- A produção aumentar 10% e a inflação não subir, isto é, se a produção acompanhar o aumento da
moeda, os preços ficarão constantes;
- A inflação pode subir 10% e a produção ficar estável; isso pode ocorrer em períodos nos quais a
economia já se encontra a pleno-emprego e toda a moeda excedente vira aumento de preços;
- E, por fim, um mix das duas coisas: um aumento de inflação (menor que 10%) e um aumento de
produção também menor que 10%.
Outra discussão interessante refere-se ao papel da política monetária nas economias altamente
indexadas. Nesse caso, contrações na quantidade ofertada de moeda não conseguem reduzir preços,
porque os preços são reajustados automaticamente. Por outro lado, aumentos de quantidade de
moeda acabam por "sancionar" uma inflação causada pelos mecanismos da indexação. Isso foi muito
comum no Brasil nos períodos de inflação elevada, durante os anos 80. Em termos de setor externo, a
política monetária pode influenciar os resultados de duas formas: de um lado, a política monetária
contracionista reduz o nível de demanda da economia e, por consequência, as importações. Por outro
lado, para atrair capitais externos para o país, as taxas de juros podem ser elevadas, em momentos de
déficits nas contas externas de um país. Esse expediente foi largamente utilizado pelo Brasil na primeira
fase do Plano Real, isto é, no período 1994-1998. Ainda no contexto do setor externo, é importante avaliar
a relação entre taxa de juros e taxa de câmbio. Como se sabe, no início do Plano Real, a moeda brasileira
foi fortemente apreciada (o dólar estava barato), elevando a demanda por importações e viagens ao
exterior, itens que geraram um forte déficit no setor externo. Para "cobrir" esse déficit, o governo usou
fortemente a política monetária praticando juros elevados para atrair capitais externos. Em outras
palavras, "dólar barato" só é compatível com juros elevados.
Por outro lado, a estratégia do governo utilizada até janeiro de 1999, para a recuperação gradual do
câmbio consistiu em desvalorizações de 0,6% ao mês (7,4% ao ano) da moeda nacional. Vale lembrar
que essa estratégica tem impacto nas taxas de juros, uma vez que o investidor externo raciocina em
dólares. Portanto, além das variáveis já definidas na equação que relaciona juros internos e externos, o
governo até então tinha que conduzir as taxas de juros de forma a garantir rentabilidade real ao investidor
estrangeiro (além do risco, obviamente), o que significa dizer incorporar à taxa de juros os 7,4% da
desvalorização cambial, no que se convencionou chamar de "cupom cambial".
Papel da Política Monetária5
Nesse sentido, o papel da política monetária é central, mas não no sentido de promover o crescimento,
mas sim de promover um ambiente macroeconômico estável.
A teoria econômica ensina que o crescimento econômico sustentado não ocorre sem aumentos de
produtividade. Diante disso, cabe perguntar se a estabilidade de preços é indutora ou inibidora de ganhos
de produtividade na economia. Como visto anteriormente, em períodos de alta inflação, a política monetária
4 CARTA ABERTA. Disponível em: http://www.teiaportuguesa.com/manual/unidade19cartas/cartaaberta.htm.
5 LIMA, L.A.F. O papel da política monetária no crescimento econômico. Redução da taxa de juros não é medida eficaz para acelerar a taxa de crescimento
econômico. Revista FAE BUSINESS, 2004.
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perde sua eficácia no estímulo do investimento.
Desde já, isso sugere que a inflação tende a não estar relacionada positivamente com ganhosde
produtividade. Em ambientes de inflação elevada, a taxa real de juros deixa de ser referência não apenas
para as decisões de consumo, mas principalmente para as decisões de investimento
A estabilidade de preços em si não garante o aumento da produtividade e tampouco a aceleração do
taxa de crescimento do produto. Mas a contenção dos aumentos de preços permite ganhos na capacidade
de predição do setor privado. Como já mencionado, em ambientes de inflação elevada, a taxa real de juros
deixa de ser referência não apenas para as decisões de consumo, mas principalmente para as decisões de
investimento. Nesse contexto, a estabilidade de preços passa a ser um instrumento. Não se trata de
condição suficiente, mas é certamente uma condição necessária para se atingir maiores taxas de
crescimento do produto. A política monetária só apresenta efeito em variáveis reais da economia no curto
prazo à medida que surpreende os agentes.
Ocorre que estes corrigem suas expectativas futuras com base na experiência presente. Isso significa
que reduções da taxa de juros podem induzir maiores taxas de gasto e investimento. Mas, se esse
movimento da política monetária for sucedido por aumentos da taxa de inflação em um segundo momento,
os mesmos agentes tendem a não responder da mesma forma a novos estímulos da taxa de juros. Isso
torna efêmero o expediente da redução da taxa de juros sem o controle da inflação. E, persistindo-se nesse
expediente, os agentes passarão a adotar comportamentos não apenas corretivos, mas até defensivos e
antecipados. Desse modo, torna-se presente a indexação, mesmo que informal, de preços e salários.
Estímulos da política monetária, neste caso, passam a ser não apenas ineficazes, mas também inócuos.
Por fim, se a justificativa da tolerância com a inflação está na promoção do crescimento para possibilitar
a geração de empregos e uma sociedade mais justa do ponto de vista social, vale lembrar que a busca pela
justiça social passa longe da alternativa inflacionária. Primeiro porque a redução da taxa de juros tende a
não se mostrar eficaz para a geração de empregos senão no curto prazo.
Instrumentos da Política Monetária6
São instrumentos utilizados pelo o Banco Central com a responsabilidade de conduzir a política
monetária.
Os instrumentos da política monetária são visto como um conjunto de ações que autoridades
econômicas usam para controlar a oferta da moeda e a taxa de juros.
Cabe ao Banco Central, emitir moedas, ser o guardião das reservas bancárias, promover empréstimos
de liquidez aos bancos comerciais, realizar operações de mercado aberto e o fazer o controle seletivo de
crédito.
Os instrumentos de Política Monetária são:
-Recolhimento compulsório
Recolhimento compulsório é um dos instrumentos de Política Monetária utilizado pelo Governo para
aquecer a economia. É um depósito obrigatório feito pelos bancos comerciais junto ao Banco Central.
Parte de todos depósitos que são efetuados à vista pela população junto aos bancos comerciais vão
para o Banco Central. O Banco Central fixa esta taxa de recolhimento. Esta taxa é variável, de acordo
com os interesses do Governo em acelerar ou não a economia.
O recolhimento compulsório tem por finalidade aumentar ou diminuir a circulação de moeda no País.
Quando o Governo precisa diminuir a circulação de moedas no país, o Banco Central aumenta a taxa do
compulsório, pois desta forma os bancos comerciais terão menos crédito disponível para população,
portanto, a economia acaba encolhendo.
Ocorre o inverso quando o Governo precisa aumentar a circulação de moedas no país. A taxa do
compulsório diminui e com isso os bancos comerciais fazem um depósito menor junto ao Banco Central.
Desta maneira, os bancos comerciais ficam com mais moeda disponível, consequentemente aumentam
suas linhas de crédito. Com mais dinheiro em circulação, há o aumento de consumo e a economia tende
a crescer.
Os bancos comerciais podem fazer transferências voluntárias, porém, o depósito compulsório é
obrigatório.
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-Redesconto Bancário
Outro instrumento de controle monetário é o Redesconto Bancário, no qual o Banco Central concede
“empréstimos” aos bancos comerciais a taxas acima das praticadas no mercado.
Os chamados empréstimos de assistência à liquidez são utilizados pelos bancos comerciais somente
quando existe uma insuficiência de caixa (fluxo de caixa), ou seja, quando a demanda de recursos
depositados não cobrem suas necessidades.
Quando a intenção do Banco Central é de injetar dinheiro no mercado, ele baixa a taxa de juros para
estimular os bancos comerciais a pegar estes empréstimos. Os bancos comerciais por sua vez, terão
mais disponibilidade de crédito para oferecer ao mercado, consequentemente a economia aquece.
E quando o Banco Central tem por necessidade retirar dinheiro do mercado, as taxas de juros
concedidas para estes empréstimos são altas, desestimulando os bancos comercias a pegá-los. Desta
forma, os bancos comerciais que precisam cumprir com suas necessidades imediatas, enxugam as linhas
de crédito, disponibilizando menos crédito ao mercado, com isso a economia desacelera.
-Operações com Títulos Públicos
Também conhecido como Open Market (Mercado Aberto), as operações com títulos públicos é mais
um dos instrumentos disponíveis de Política Monetária. Este instrumento, considerado um dos mais
eficazes, consegue equilibrar a oferta de moeda e regular a taxa de juros em curto prazo.
A compra e venda dos títulos públicos se dá pelo Banco Central. De acordo com a necessidade de
expandir ou reter a circulação de moedas do mercado, as autoridades monetárias competentes resgatam
ou vendem esses títulos.
Se existe a necessidade de diminuir a taxa de juros e aumentar a circulação de moedas, o Banco
Central compra (resgata) títulos públicos que estejam em circulação.
Se a necessidade for inversa, ou seja, aumentar a taxa de juros e diminuir a circulação de moedas, o
Banco Central vende (oferta) os títulos disponíveis.
Portanto, os títulos públicos são considerados ativos de renda fixa, tornando-se uma boa opção de
investimento para a sociedade.
Controle de Crédito
É um dos instrumentos mais difíceis de se conceituar e expor, pois é pouco utilizado devido as
constantes mudanças que sofre, pois as regras determinadas pelo Banco Central hoje, podem sofrer
mudanças ou até mesmo não existirem mais amanhã. É um instrumento que se refere ao controle direto
sobre o crédito. Pode estar relacionado ao volume de transações de crédito, ao prazo ou ainda a que se
destina este crédito.
É através de mais este instrumento de Política Monetária que as autoridades monetárias têm como
controlar o volume de crédito e distribuição das linhas de crédito, impondo taxas, condições e períodos.
Acaba por se tornar um instrumento pouco convencional, pois pode gerar distorções no livre
funcionamento do mercado e até desestimular a atividade de intermediação financeira, mas às vezes, é
utilizado pelo Banco Central de acordo com as necessidades exigidas pelo mercado econômico.
-Persuasão Moral
Os bancos centrais têm como função supervisionar o sistema bancário e financeiro, influenciam os
sistemas de liquidação e de pagamentos, principalmente como fornecedores de uma variedade de
serviços de liquidação e de pagamentos para outros bancos. Esses serviços devem ser confiáveis, para
estarem disponíveis mesmo quando os mercados nos quais eles funcionem estiverem em crise. Eles não
devem, nunca, ser a origem de tais crises.
Apenas recentemente a vigilância se tornou uma função dos bancos centrais, em que os objetivos de
segurança e eficiência são promovidos pelo monitoramento dos sistemas existentes ou planejados, pela
avaliação deles contra esses objetivos e, quando necessário, pela indução a mudanças. Entretanto,
embora recente, esse desenvolvimento na natureza davigilância tem sido rápido e a função agora é
reconhecida como uma das principais responsabilidades dos bancos centrais.
Na prática, a maioria dos bancos centrais usa a persuasão moral em suas atividades diárias de
vigilância. A persuasão é uma estratégia de comunicação que consiste em utilizar recursos lógico-
racionais ou simbólicos para induzir alguém a aceitar uma ideia, uma atitude, ou realizar uma ação.
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Existem, por exemplo, formas de pressionar os bancos para que ofereçam linhas de crédito para
pequenos empresários e pessoas de baixa renda. Uma delas seria através da persuasão moral implícita,
onde o Banco Central influencia a atuação dos bancos por meio de pressão para que o sistema bancário
possa ser mais acessível. Uma outra forma seria por meio de leis sobre divulgação financeira.
Questões
01. (Banco do Brasil – Escriturário – FCC) O Comitê de Política Monetária (COPOM), instituído pelo
Banco Central do Brasil em 1996 e composto por membros daquela instituição, toma decisões:
(A) Sobre a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
(B) A respeito dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais.
(C) De acordo com a maioria dos participantes nas reuniões periódicas de dois dias.
(D) A serem ratificadas pelo Ministro da Fazenda.
(E) Conforme os votos da Diretoria Colegiada.
02. (Banco do Brasil – Escriturário – CESGRANRIO) O Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central do Brasil estabelece as ações que definem a política monetária do governo.
O Copom:
(A) administra as reservas em divisas internacionais do Brasil.
(B) determina periodicamente a taxa de juros interbancários de referência, a taxa Selic.
(C) é presidido pelo Ministro da Fazenda.
(D) impõe limites mínimos de capitalização aos bancos comerciais.
(E) impede a entrada de capitais financeiros especulativos no país.
03. (Caixa - Técnico Bancário – CESPE) O Brasil segue o regime de metas da inflação. Caso a meta
não seja cumprida, o presidente do BCB divulgará publicamente as razões do descumprimento, por meio
de carta aberta ao ministro de estado da Fazenda.
( ) Certo ( ) Errado
04. (Banco do Brasil – Escriturário – FCC) O Comitê de Política Monetária (COPOM)
(A) divulga semanalmente a taxa de juros de curto prazo verificada no mercado financeiro.
(B) tem como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pela Presidência da República.
(C) é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil.
(D) tem suas decisões homologadas pelo ministro da Fazenda.
(E) discute e determina a atuação do Banco Central do Brasil no mercado de câmbio.
05. (METRÔ/SP - Analista Treinee – Economia – FCC) É atribuição do COPOM (Comitê de Política
Monetária) definir
(A) a meta da taxa anual de inflação.
(B) a taxa média anual de crescimento econômico a longo prazo.
(C) a meta para a Taxa SELIC e seu eventual viés.
(D) o superávit esperado do balanço de transações correntes.
(E) a política de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
06. (BNDES – Administrador - NCE-UFRJ) A política monetária e a política fiscal diferem, entre outras,
pela seguinte razão:
(A) a política monetária é deliberadamente executada num esforço de manter o PNL (Produto Nacional
Líquido) na região de pleno emprego, enquanto a fiscal tem efeitos de pouca importância sobre o nível do
PNL;
(B) a política monetária trata dos totais de dinheiro gasto e arrecadado pelo governo, enquanto que a
fiscal trata da taxa de juros;
(C) a política monetária procura estimular ou desestimular as despesas de investimento e de consumo
influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito, enquanto a fiscal funciona diretamente sobre
as rendas através do dispêndio e da tributação;
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(D) a política fiscal funciona principalmente através de alterações no nível de despesas de investimento,
enquanto que a monetária afeta quase nada as despesas de investimento;
(E) são executadas por duas instituições diferentes, não havendo, na essência, diferença significativa
entre elas.
Gabarito
01. E / 02. B / 03. Certo / 04. C / 05. C / 06. C
Comentários
01. Resposta: E
Segundo o Banco Central do Brasil, No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento
apresentam uma análise da conjuntura doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos
agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de
câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação
prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.
No segundo dia da reunião, do qual participam apenas os membros do Comitê e o chefe do Depep,
sem direito a voto, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, após análise das projeções
atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa de juros de curto prazo e fazem
recomendações acerca da política monetária. Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas
ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, procede-se à votação das
propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. A decisão final - a meta para a Taxa Selic e
o viés, se houver - é imediatamente divulgada à imprensa ao mesmo tempo em que é expedido
Comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).
02. Resposta: B
O Comitê de Política Monetária (Copom) é formado pelo presidente e os diretores do Banco Central,
que se reúnem a cada 45 dias para fixar a taxa básica de juros, a Selic.
O objetivo das mudanças nos juros é manter a inflação sob controle, ou seja, cumprir a meta de inflação
para o ano. A decisão do BC sobre os juros é soberana e não precisa de aprovação do presidente da
República nem do ministro da Fazenda. Já a meta de inflação é fixada pelo governo.
03. Resposta: Certo
A carta aberta é uma carta que pode ser lida por todos, não apenas pelo Ministro da Fazenda.
Detalhe:
Deverá explicar o motivo de não ter atingido a meta: SELIC META 4,5% com erro de 2% para mais ou
para menos.
Na carta deve constar:
- Porquê não foi atingida.
- O que será feito para atingir.
- Quando será cumprido.
04. Resposta: C
Reuniões: As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras
e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito
ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de outubro do ano anterior. Composto:
membros da diretoria colegiada do Banco Central. Objetivo: Cumprir as metas para a inflação definidas pelo
CMN. OBS: Se a meta não for atingida, cabe o presidente do BC divulgar em Carta Aberta ao Ministro da
Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazo para o retorno da taxa de
inflação aos limites estabelecidos.
05. Resposta: C
Copom foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política
monetária e de definir a taxa de juros. A criação do Comitê buscou proporcionar maior transparência e ritual
adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open Market Committee
(FOMC) do Banco Central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council, do Banco Central da Alemanha.
Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC), assim
como o Banco Central Europeu, desde a criação da moeda única em janeiro de 1999. Atualmente, uma
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vasta gama de autoridades monetárias em todo o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo
decisório, a transparência e a comunicação com o público em geral.
Formalmente, os objetivos doCopom são "implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic
e seu eventual viés, e analisar o 'Relatório de Inflação'". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a
meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no
Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do
Comitê. Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do
Banco Central para alterar, na direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as
reuniões ordinárias.
06. Resposta: C
Afirmação correta ao afirmar que a política monetária procura estimular ou desestimular as despesas de
investimento e de consumo influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito, enquanto a fiscal
funciona diretamente sobre as rendas através do dispêndio e da tributação.
SELIC – SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA
A implantação do Selic78 ocorreu em 14/11/1979, sob a égide da Circular 466, de 11/10/1979, do Banco
Central do Brasil, que aprovou o Regulamento do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia de Letras
do Tesouro Nacional.
Podemos definir a Taxa Selic9 como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa,
são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio
Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação
(art. 1° da Circular n° 2.900, de 24 de junho de 1999, com a alteração introduzida pelo art. 1° da Circular
n° 3.119, de 18 de abril de 2002).
O SELIC10 é o depositário central dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do
Brasil e nessa condição processa, relativamente a esses títulos, a emissão, o resgate, o pagamento dos
juros e a custódia. O sistema processa também a liquidação das operações definitivas e compromissadas
registradas em seu ambiente, observando o modelo 1 de entrega contra pagamento.
Todos os títulos são escriturais, isto é, emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A liquidação da
ponta financeira de cada operação é realizada por intermédio do Sistema de Transferência de Reservas
(STR), ao qual o SELIC é interligado.
O sistema, que é gerido pelo Banco Central do Brasil e é por ele operado em parceria com a Anbima,
tem seus centros operacionais (centro principal e centro de contingência) localizados na cidade do Rio de
Janeiro. Para comandar operações, os participantes liquidantes e os participantes responsáveis por
sistemas de compensação e de liquidação encaminham mensagens por intermédio da Rede do Sistema
Financeiro Nacional (RSFN), observando padrões e procedimentos previstos em manuais específicos da
rede. Os demais participantes utilizam outras redes, conforme procedimentos previstos no regulamento
do sistema.
Participam do sistema, na qualidade de titular de conta de custódia, além do Tesouro Nacional e do
Banco Central do Brasil, bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimento, caixas
econômicas, distribuidoras e corretoras de títulos e valores mobiliários, entidades operadoras de serviços
de compensação e de liquidação, fundos de investimento e diversas outras instituições integrantes do
Sistema Financeiro Nacional.
São considerados liquidantes, respondendo diretamente pela liquidação financeira de operações, além
do Banco Central do Brasil, os participantes titulares de conta de reservas bancárias, incluindo-se nessa
situação, obrigatoriamente, os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira comercial e as caixas
econômicas, e, opcionalmente, os bancos de investimento.
Os não liquidantes pagam suas operações por intermédio de participantes liquidantes, conforme
acordo entre as partes, e operam dentro de limites fixados por eles. Cada participante não liquidante pode
utilizar os serviços de mais de um participante liquidante, exceto no caso de operações específicas,
previstas no regulamento do sistema, tais como pagamento de juros e resgate de títulos, que são
obrigatoriamente liquidadas por intermédio de um liquidante-padrão previamente indicado pelo
participante não liquidante.
8 http://www.bcb.gov.br/htms/selic/selicintro.asp?idpai=SELIC
9 http://www.bcb.gov.br/htms/selic/conceito_taxaselic.asp?idpai=SELICTAXA
10 https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/concursos/sistema-especial-de-liquidacao-e-custodia-selic-sistema-financeiro-nacional/46487
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
51
Os participantes não liquidantes são classificados como autônomos ou como subordinados, conforme
registrem suas operações diretamente ou o façam por intermédio de seu liquidante-padrão. Os fundos de
investimento são normalmente subordinados e as corretoras e distribuidoras, normalmente autônomas.
As entidades responsáveis por sistemas de compensação e de liquidação são obrigatoriamente
participantes autônomos. Também, obrigatoriamente, são participantes subordinados as sociedades
seguradoras, as sociedades de capitalização, as entidades abertas de previdência, as entidades fechadas
de previdência e as resseguradoras locais. O sistema conta com cerca de 6.879 participantes (set/2009).
Tratando-se de um sistema de liquidação em tempo real, a liquidação de operações é sempre
condicionada à disponibilidade do título negociado na conta de custódia do vendedor e à disponibilidade
de recursos por parte do comprador. Se a conta de custódia do vendedor não apresentar saldo suficiente
de títulos, a operação é mantida em pendência pelo prazo máximo de 60 minutos ou até 18h30, o que
ocorrer primeiro (não se enquadram nessa restrição as operações de venda de títulos adquiridos em leilão
primário realizado no dia).
A operação só é encaminhada ao STR para liquidação da ponta financeira após o bloqueio dos títulos
negociados, sendo que a não liquidação por insuficiência de fundos implica sua rejeição pelo STR e, em
seguida, pelo SELIC. Na forma do regulamento do sistema, são admitidas algumas associações de
operações. Nesses casos, embora ao final a liquidação seja feita operação por operação, são
considerados, na verificação da disponibilidade de títulos e de recursos financeiros, os resultados líquidos
relacionados com o conjunto de operações associadas.
Questões
1- (PGE/BA - Analista de Procuradoria - FCC) A taxa SELIC
(A) é um tributo que incide sobre o exercício regular do poder de polícia do Estado consistente em
fiscalizar se o recolhimento dos tributos se deu nas datas legais.
(B) tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, instituída pelo Banco
Central do Brasil e utilizada como instrumento regulador do mercado.
(C) pode ser utilizada como referência para a taxa de juros de mora fixada por leis específicas de
tributos.
(D) é a taxa de juros remuneratórios fixada no Código Tributário Nacional e aplicada, como regra
geral, para incidir sobre o crédito tributário em caso de mora.
(E) deve ser utilizada para o cálculo dos juros de mora, se a lei do tributo não dispuser de modo
diverso, segundo estabelece o Código Tributário Nacional.
2- (Banco do Brasil - Escriturário - FCC) O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC)
(A) é o depositário central de títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.
(B) pode ter investidores individuais como participantes titulares de contas de custódia.
(C) é contraparte nas operações de leilão de títulos privados.
(D) registra operações com debêntures no mercado secundário.
(E) é a câmara de liquidação física e financeira de títulos de emissão privada.
3- (CREMESP - Assistente Financeiro - VUNESP) O Selic é o depositário central dos títulos
emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil e, nessa condição,processa,
relativamente a esses títulos, a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia. Todos os
títulos são escriturais, isto é, emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A liquidação da ponta
financeira de cada operação é realizada por intermédio
(A) do STR, ao qual o Selic é interligado
(B) da SBLC, ao qual o Selic é interligado.
(C) do SITRAF.
(D) do RSFN
(E) do SILOC.
Gabarito
01. C / 02. A / 03. A
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Comentários
1- Resposta: C
Podemos definir a Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa,
são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio
Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação
(art. 1° da Circular n° 2.900, de 24 de junho de 1999, com a alteração introduzida pelo art. 1° da Circular
n° 3.119, de 18 de abril de 2002).
2- Resposta: A
O SELIC é o depositário central dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do
Brasil e nessa condição processa, relativamente a esses títulos, a emissão, o resgate, o pagamento dos
juros e a custódia. O sistema processa também a liquidação das operações definitivas e compromissadas
registradas em seu ambiente, observando o modelo 1 de entrega contra pagamento.
3- Resposta: A
O SELIC é o depositário central dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do
Brasil e nessa condição processa, relativamente a esses títulos, a emissão, o resgate, o pagamento dos
juros e a custódia. O sistema processa também a liquidação das operações definitivas e compromissadas
registradas em seu ambiente, observando o modelo 1 de entrega contra pagamento. Todos os títulos são
escriturais, isto é, emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A liquidação da ponta financeira de cada
operação é realizada por intermédio do Sistema de Transferência de Reservas (STR), ao qual o SELIC é
interligado.
O DEBATE SOBRE OS DEPÓSITOS REMUNERADOS DOS BANCOS COMERCIAIS NO BANCO
CENTRAL DO BRASIL
O Projeto de Lei 3877/2011 autoriza o Banco Central (BC) a receber depósitos voluntários remunerados
das instituições financeiras, ou seja, os bancos terão a opção de depositar recursos no Banco, que
renderão juros.
A ideia é dar ao BC mais uma ferramenta para controlar a quantidade de moeda em circulação no
sistema financeiro (liquidez bancária), que tem impacto sobre a inflação, sem afetar a dívida pública. A
proposta, aprovada pelo Senado, tramita na Câmara dos Deputados
Dívida pública
Atualmente, o principal instrumento utilizado pelo BC para gerenciar a liquidez bancária são as
chamadas “operações compromissadas”: o órgão vende títulos públicos do Tesouro Nacional, que estão
sob seu poder, aos bancos e investidores. Em troca, recebe moedas que estavam em circulação,
enxugando a liquidez.
O problema dessa operação é que ela é incluída na dívida pública. Quanto mais operações
compromissadas o BC realiza, mais a dívida pública aumenta.
Os depósitos voluntários vão funcionar como um instrumento alternativo às operações
compromissadas.
Ao deixar o dinheiro no BC, os bancos reduzem a quantidade de moeda em circulação. Pelo texto, a
taxa de rendimento e as condições dos depósitos, à vista ou a prazo, serão definidas por ato do BC.
Prestação de contas
O projeto prevê que o Banco Central apresente à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do
Senado informações detalhadas sobre o acolhimento dos depósitos a prazo.
O BC deverá divulgar ainda, semestralmente, um demonstrativo dos depósitos voluntários, e
trimestralmente prestará contas ao Congresso Nacional sobre as operações realizadas.
Projeto do Executivo
O projeto é de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Atualmente tramita na Câmara uma
proposta parecida, apresentada pelo governo Michel Temer. Os dois projetos deverão ser analisados em
conjunto
Este projeto na data de hoje (24/06/2021) ainda está aguardando sanção na Câmara de Deputados
11 https://www.camara.leg.br/noticias/706698-camara-vai-analisar-permissao-para-banco-central-receber-por-depositos-voluntarios
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Possíveis Intenções do Banco Central
Hoje o BC12 administra a quantidade de dinheiro no sistema bancário por meio da venda com
compromisso de recompra dos títulos públicos de sua carteira, as chamadas ‘operações
compromissadas’. Com os depósitos voluntários, o BC ganha maior autonomia, uma vez que deixa de
depender exclusivamente dessas operações para regular a liquidez bancária e, consequentemente,
manter a taxa básica de juros (Selic) próxima da meta fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom)”
(ver )
Dessa forma, os chamados “depósitos voluntários remunerados” caminham juntos com a autonomia
do Banco Central, e não por acaso ambas as propostas foram aprovadas na mesma sessão de 3/11/2020
pelo Senado Federal, respectivamente, por meio do PL 3.877/2020 (do Senador Rogério Carvalho –
PT/SE) e do PLP 19/2019 (do Senador Plínio Valério – PSDB/AM). Caso sejam aprovados também na
Câmara, os projetos darão autonomia total ao BC em relação ao governo e à sociedade, e ele ficará
totalmente livre para praticar esta política – baseada na busca da tal “meta de inflação” criada por FHC a
mando do FMI – que gerou a grave crise na qual estamos desde 2015, provocada principalmente pelo
grande aumento das “operações compromissadas” a partir de 2014. Absurdo maior ainda é aprovar estes
projetos tão relevantes – e que já se encontram já há anos em pauta, não tendo sido votados exatamente
devido à pressão popular – em uma conjuntura onde não é possível o debate aprofundado no parlamento,
em sessões virtuais.
Caso essa autonomia do BC seja aprovada, não adiantará no futuro eleger um Presidente da República
que queira mudar esta política, uma vez que o presidente e diretores do Banco Central não poderão ser
demitidos, e poderão continuar a remunerar os rentistas sem limite algum, às custas do Tesouro – que é
quem cobre os prejuízos do BC sem limite.
A alternativa clara é fazer como os outros países estão fazendo: injetar (ver ) dinheiro na economia (e
não retirar), fazendo com que os juros caiam de verdade (se tornando nulos ou negativos) e os bancos
tenham de emprestar ao setor produtivo para não perder dinheiro. Mas isso é impossível com a
“autonomia”, blindando o BC das reivindicações da sociedade, deixando-o ainda mais submetido à
vontade dos bancos privados.
ORÇAMENTO PÚBLICO
Orçamento é um dos mais antigos e tradicionais instrumentos utilizados na gestão dos negócios
públicos, sendo concebido inicialmente como um mecanismo eficaz de controle parlamentar sobre o
Executivo. Ao longo do tempo, sofreu mudanças no plano conceitual e técnico (aspectos jurídico,
econômico, financeiro, de planejamento e programação, gerencial e controle administrativo, por exemplo)
para acompanhar a própria evolução das funções do Estado.
Conceito
Os primeiros Orçamentos de que se têm notícia eram os chamados orçamentos tradicionais, que se
importavam apenas com o gasto. Eram meros documentos de previsão de receita e autorização de
despesas sem nenhum vínculo com um sistema de planejamento governamental. Simplesmente se fazia
uma estimativa de quanto se ia arrecadar e decidia-se o que comprar, sem nenhuma prioridade ou senso
distributivo na alocação dos recursos públicos.
Era compreendido como uma peça que continha apenas a previsão das receitas e a fixação das
despesas para determinado período, sem preocupação com planos governamentais de desenvolvimento,
tratando-se, assim, de mera peça contábil-financeira. Tal conceito se revela ultrapassado, pois a
intervenção Estatal na vida da sociedade aumentoude forma acentuada e, com isso, o planejamento das
ações do Estado é imprescindível.
A história divide a evolução conceitual do Orçamento Público em duas fases: o Orçamento tradicional
e o Orçamento moderno. Até o século XIX, os doutrinadores consideram que perdurou o Orçamento
12 https://auditoriacidada.org.br/conteudo/as-verdadeiras-intencoes-do-banco-central-com-o-deposito-voluntario-remunerado-por-rodrigo-avila/
4- Orçamento público, títulos do Tesouro Nacional e dívida pública
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Tradicional, que, é marcado pelo controle político (orçamento como instrumento de controle) cuja
preocupação, seria controlar os gastos públicos. Os gastos públicos eram vistos como um mal necessário.
A partir dos primórdios do século XX, tendo como indutor os EUA, desenvolveu-se na Administração
Pública a preocupação em ser mais eficiente, visando promover o desenvolvimento econômico e social.
O orçamento, antes era considera do um mero demonstrativo de autorizações legislativas e que não
atendia as necessidades, passou a ser visto como algo mais que uma simples previsão de receitas ou
estimativa de despesa. Este passaria a ser considerado como um instrumento de administração visando
cumprir os programas de governo.
Desta forma, o Orçamento evoluiu ao longo da história para um conceito de Orçamento-programa,
segundo o qual o Orçamento não é apenas um mero documento de previsão da arrecadação e
autorização do gasto, que além de conter a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem
realizadas por um governo, em um determinado exercício financeiro mas um documento legal, que
contém programas e ações vinculados a um processo de planejamento público, com objetivos e metas a
alcançar no exercício (a ênfase no Orçamento-programa é nas realizações do Governo).
O orçamento é utilizado hodiernamente como instrumento de planejamento da ação governamental,
possuindo um aspecto dinâmico, ao contrário do orçamento tradicional já superado, que possuía caráter
eminentemente estático.
Apesar de todas as divergências existentes na doutrina, considera-se o orçamento como uma lei
formal, que apenas prevê as receitas públicas e autoriza os gastos, não criando direitos subjetivos nem
modificando as leis tributárias e financeiras.
Sendo uma lei formal, a simples previsão de despesa na lei orçamentária anual não cria direito
subjetivo, não sendo possível se exigir, por via judicial, que uma despesa específica fixada no orçamento
seja realizada.
São listadas as seguintes características da lei orçamentária:
- Lei Formal: formalmente o orçamento é uma lei, mas, conforme vimos acima, em vários casos ela
não obriga o Poder Público, que pode, por exemplo, deixar de realizar uma despesa autorizada pelo
legislativo; embora lei, em sentido formal não possui coercibilidade.
- Lei Temporária: a lei orçamentária tem vigência limitada.
- Lei Ordinária: todas as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) são leis ordinárias. Os créditos
suplementares e especiais também são aprovados como leis ordinárias.
- Lei Especial: possui processo legislativo diferenciado e trata de matéria específica.
O orçamento compreende quatro aspectos fundamentais:
a) o jurídico, que envolve a natureza do ato orçamentário quanto aos direitos e obrigações que ele
gera à Administração, aos agentes públicos e aos administrados.
b) o político, que indica para qual direção o poder político está atuando, isto é, qual necessidade
coletiva entendeu ser de interesse público e usará, para sua satisfação, o serviço público mediante seu
critério de gasto.
c) o econômico, quanto às diretrizes econômicas e políticas fiscais adotadas em sua elaboração e que
se tornarão postulados a serem seguidos.
d) técnico-financeiro, estabelecendo metodologias e procedimentos administrativos e contábeis
adotados à persecução dos fins do instrumento orçamentário.
Os objetivos da política orçamentária são corrigir as falhas de mercado e as distorções, visando manter
a estabilidade, melhorar a distribuição de renda, e alocar os recursos com mais eficiência. O Orçamento
tem a função de também regular o mercado e coibir abusos, reduzindo falhas de mercado e
externalidades negativas (fatores adversos causados pela produção, como poluição, problemas urbanos,
dentre outros).
O Estado intervém de várias formas no mercado, como através da política fiscal e da política monetária,
com controle de preços, salários, inflação, dentre outros. São exemplos de instrumentos e recursos
utilizados pelo Estado para intervir na economia:
- Política Fiscal: envolve a administração e a geração de receitas, além do cumprimento de metas e
objetivos governamentais no orçamento, utilizado para a alocação, distribuição de recursos e
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estabilização da economia. É possível, com a política fiscal, aumentar a renda e o PIB e aquecer a
economia, com uma melhor distribuição de renda.
- Política Regulatória: envolve o uso de medidas legais como decretos, leis, portarias, etc., expedidas
como alternativa para se alocar, distribuir os recursos e estabilizar a economia. Com o uso das normas,
diversas condutas podem ser banidas, como a criação de monopólios, cartéis, práticas abusivas,
poluição, etc.
- Política Monetária: envolve o controle da oferta de moeda, da taxa de juros e do crédito em geral,
para efeito de estabilização da economia e influência na decisão de produtores e consumidores. Com a
política monetária, pode-se controlar a inflação, preços, restringir a demanda, etc.
O Orçamento Público funciona como um balizador na economia; existindo elevados investimentos
governamentais no orçamento, provavelmente haverá reflexos na criação de empregos e aumento de
renda; em contraposição, um orçamento restritivo em investimentos, provocará desemprego,
desaceleração da economia e decréscimo no produto interno bruto.
Natureza Jurídica do Orçamento
O debate sobre a natureza jurídica do orçamento público não é pacífico e a controvérsia nesta matéria
ainda é comum. Há entendimentos de que o orçamento público seria uma lei formal. Para outros seria
uma lei material. Há quem afirme tratar-se de uma lei especial.
A posição que nos parece mais adequada ao atual ordenamento jurídico brasileiro, em que a
arrecadação de receitas e a realização de despesas, no mais das vezes, decorrem de atos-regra (leis,
contratos, convênios etc.) – sendo o orçamento um pré-requisito para a realização da despesa –, é a de
Ricardo Lobo Torres. Para ele, “a teoria de que o orçamento é lei formal, que apenas prevê as receitas
públicas e autoriza os gastos, sem criar direitos subjetivos e sem modificar as leis tributárias e financeiras,
é, a nosso ver, a que melhor se adapta ao direito constitucional brasileiro”.13
Deste modo, pode-se afirmar que, no Brasil, o orçamento é apenas AUTORIZATIVO. Os gestores só
podem realizar as despesas que estejam previstas no orçamento, mas a efetivação das despesas não é
obrigatória só pelo fato de estarem projetadas no orçamento. Exemplo: o Governo incluiu no orçamento
do próximo ano despesas referentes à construção de novas rodovias. Neste caso, trata-se tão somente
de uma intenção. No curso do exercício financeiro, antes de assinar qualquer contrato, o Governo poderá
desistir da obra.
Nesse contexto, tem sido o posicionamento do STF: “o simples fato de ser incluída no orçamento uma
verba de auxílio a esta ou àquela instituição não gera, de pronto, direito a esse auxílio; (...) a previsão de
despesa, em lei orçamentária, não gera direito subjetivo a ser assegurado por via judicial” (Recursos
Extraordinários nº 34.581-DF e nº 75.908-PR).
Deixando as controvérsias doutrinárias atinentes à natureza jurídica do orçamento no seu lugar, cabe
dizer que o ordenamento jurídico brasileiro trata o orçamento público como LEI (arts. 165 e 84, XXIII,da
CF/1988). Trata-se, contudo, de uma LEI:
- TEMPORÁRIA (vigência limitada);
- ESPECIAL (de conteúdo determinado e processo legislativo peculiar);
- LEI ORDINÁRIA (aprovada por maioria simples).
Funções
Dentre as funções consubstanciadas no Orçamento Público, destacamos:
a) A Função Alocativa: diz respeito a promover ajustamentos na alocação de recursos, justifica-se
quando o funcionamento do mecanismo de mercado (sistema de ação privada) não garante a necessária
eficiência na utilização desses recursos. Portanto, a utilização desse instrumento de atuação se efetiva
em situações de “falha de mercado”, como, por exemplo, na presença de externalidades ou de bens
públicos.
b) A Função Distributiva: por sua vez, diz respeito a promover ajustamentos na distribuição de renda.
Justifica-se seu emprego nos casos em que o resultado distributivo do mecanismo de ação privada não
13 J. Teixeira Machado Jr. e Heraldo da Costa Reis. A Lei no 4.320 Comentada. 30. ed., Rio de Janeiro: IBAM, 2000
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for considerado socialmente justificável ou desejado. Mais uma vez a justificativa está ligada à correção
das falhas de mercado.
c) A função Estabilizadora: por fim, está associada à manutenção da estabilidade econômica,
justificada como meio de atenuar o impacto social e econômico na presença de inflação ou depressão.
Portanto, seu emprego gera estabilidade dos níveis de preço (combate às pressões inflacionárias),
diminui os potenciais efeitos da depressão e mantém o nível de emprego (combate ao desemprego),
tendo à disposição dois instrumentos macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.
Tipos e Técnicas de Orçamento
As técnicas orçamentárias também conhecidas como espécies ou tipos de orçamento, podem ser
classificadas da seguinte forma:
- Orçamento Clássico ou Tradicional: Era aquele onde constavam apenas a fixação da despesa e
a previsão da receita, sem nenhuma espécie de planejamento das ações do governo. Era peça
meramente contábil – financeira, um documento de previsão de receita e de autorização de despesas.
Neste tipo de orçamento não havia preocupação com a realização dos programas de trabalho do
governo, preocupando-se apenas com as necessidades dos órgãos públicos para realização das suas
tarefas, sem se questionar sobre objetivos e metas.
- Orçamento de Desempenho ou por Realizações: Uma evolução do orçamento clássico foi o
chamado orçamento de desempenho em um contexto de Administração por Resultados. Neste tipo de
orçamento, o gestor começa a se preocupar com o resultado dos gastos e não apenas com o gasto em
si, ou seja, preocupa-se agora em saber “as coisas que o governo faz e não as coisas que o governo
compra”. Apesar de ser um passo importante, o orçamento de desempenho ainda se encontra
desvinculado de um planejamento central das ações do governo e, embora já ligado aos objetivos, não
pode, ainda, ser considerado um orçamento-programa, visto que lhe falta uma característica essencial,
que é a vinculação ao Sistema de Planejamento.14
Nesse tipo de orçamento, a ênfase era as coisas que o governo fazia, ou seja, o foco era, basicamente,
nos resultados, com desvinculação entre planejamento e orçamento.
Como objetivos do orçamento de desempenho podem ser citados a melhoria da priorização das
despesas e o aprimoramento da eficiência técnica. Como meio de alcançar os objetivos realiza-se a
vinculação de dotações orçamentárias a resultados, utilizando Informações de Desempenho (ID). Pode
abranger todo governo ou ser setorial.
Orçamento por desempenho leva tempo para ser realizado, uma vez que demanda um Sistema de
Informações de Desempenho. Ressalta-se que este orçamento possui sua Contabilidade orientada por
resultados. Outro ponto de destaque é que a capacitação é crucial, tanto para os ministros responsáveis
pela gestão, como o Ministério da Fazenda e outras agências federais, sendo assim, requerendo grandes
esforços de capacitação. Por fim, este orçamento de desempenho demanda reformas mais amplas, estas
são cruciais e necessitam de muito compromisso político.
- Orçamento Programa: Esse tipo de orçamento foi introduzido no Brasil pela Lei 4320/64 e do
Decreto-lei 200/67 e funciona como um plano de trabalho, um instrumento de planejamento da ação do
governo, pela identificação dos seus programas de trabalho, projetos e atividades, além do
estabelecimento de objetivos e metas a serem implementados, bem como a previsão dos custos
relacionados.
A CF/88 implantou definitivamente o orçamento – programa no Brasil, ao estabelecer a normatização
da matéria orçamentária pelo PPA, da LDO e da LOA, ficando evidente o extremo zelo do constituinte
para com o planejamento das ações do governo.
Alguns autores têm destacado as seguintes vantagens do orçamento-programa em relação a métodos
de elaboração orçamentária tradicionais:
a) melhor planejamento de trabalho;
b) maior precisão na elaboração dos orçamentos;
c) melhor determinação das responsabilidades;
d) maior oportunidade para redução dos custos;
14ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público.
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e) maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte do Executivo, do Legislativo e da população
em geral
f) facilidade para identificação de duplicação de funções;
g) melhor controle da execução do programa;
h) identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos absolutos e
relativos;
i) apresentação dos objetivos e dos recursos da instituição e do inter-relacionamento entre custos e
programas; e
j) ênfase no que a instituição realiza e não no que ela gasta.
Em sua elaboração, o Orçamento-Programa tem uma lógica que o distingue de outros modelos. Essa
lógica pode ser traduzida em fases que, ao serem cumpridas, dão ao orçamento-programa toda a sua
peculiaridade. São elas:
-Determinação da situação: identificação dos problemas existentes.
-Diagnóstico da situação: identificação das causas que concorrem para o aparecimento dos problemas.
-Apresentação das soluções: identificação das alternativas viáveis para solucionar os problemas.
Estabelecimento das prioridades: ordenamento das soluções encontradas.
-Definição dos objetivos: estabelecimento do que se pretende fazer e o que se conseguirá com isso.
-Determinação das tarefas: identificação das ações necessárias para atingir os objetivos.
-Determinação dos recursos: arrolamento dos meios: recursos humanos, materiais, técnicos,
institucionais e serviços de terceiros necessários.
-Determinação dos meios financeiros: expressão monetária dos recursos alocados.
Em síntese, o Orçamento-programa é aquele que apresenta os propósitos, objetivos e metas para os
quais a administração solicita os recursos necessários, identifica os custos dos programas propostos para
alcançar tais objetivos e os dados quantitativos que medem as realizações e o trabalho realizado dentro
de cada programa. Foi introduzido no Brasil por meio da Lei no 4.320/64 e do Decreto-Lei no 200/67. A
Constituição Federal de 1988 consolidou definitivamente a adoção do orçamento-programa, ao vincular
o processo orçamentário ao PPA, à LDO e à LOA.
Orçamento de Base Zero ou por Estratégia
É um orçamento de baixo para cima, como se o orçamento estivesse sendo preparado pela primeira
vez. Todos os gastos propostos devem ser revistos. A metodologia do OBZ não é adotada no Brasil, em
nenhuma das unidades da Federação.
O orçamento de base zero é uma metodologia orçamentária a qual exige que todas as despesas dos
órgãos ou das entidades públicas, programas ou projetos governamentais sejam detalhadamente
justificadas a cada ano, como se cada item de despesa se tratasse de uma nova iniciativa do governo.
O foco principal do orçamento de base zero é o controle das despesas de capital (investimentos), ou
seja, parte-seda premissa do que precisa ser feito e não o que seria bom ser feito. Assim sendo, o
orçamento se torna o mais próximo possível da realidade.
Essa espécie de orçamento consiste basicamente em uma análise crítica de todos os recursos
solicitados pelos órgãos governamentais. Neste tipo de abordagem, na fase de elaboração da proposta
orçamentária, questionar-se-ão as reais necessidades de cada área, sem compromisso com nenhum
montante inicial de dotação.
Os órgãos governamentais, por sua vez, deverão justificar anualmente, na fase de elaboração da sua
proposta orçamentária, a totalidade de seus gastos, sem utilizar o ano anterior como valor inicial mínimo15.
Orçamento Participativo
Os orçamentos públicos nas democracias representativas são elaborados pelos poderes Executivo e
Legislativo. Aliás, segundo os juristas especializados, a principal razão da existência do Legislativo na
sua função precípua de representação popular, está na co-participação com o executivo na alocação dos
recursos públicos por intermédio da elaboração dos orçamentos. O orçamento participativo incorpora a
população ao processo decisório da elaboração orçamentária, seja por meio de lideranças da sociedade
civil, seja por meio de audiências públicas ou por outras formas de consulta direta à sociedade. Trata-se
de ouvir de forma direta as comunidades para a definição das ações do Governo para resolução dos
problemas por elas considerados prioritários. É exercitado no Brasil em alguns estados da federação e
em muitas Prefeituras. Na União, não tem sido aplicado, embora sejam feitas audiências públicas durante.
15 ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público.
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Tabela Resumida de Técnicas e Práticas Orçamentárias
A tabela abaixo objetiva dar uma visão agregada das técnica orçamentárias vistas até aqui, bem como
contempla outras práticas de elaboração orçamentária.
Denominação Características Observações
Orçamento
Tradicional
Processo orçamentário em que é
explicitado apenas o objeto de gasto.
Apresenta valores para as
despesas com pessoal, material,
serviços etc., sem relacionar os
gastos a nenhuma finalidade
(programa ou ação). Também é
conhecido como Orçamento
Clássico.
Orçamento
de
Desempenho
Processo orçamentário que apresenta
duas dimensões do orçamento:
- objeto de gasto;
- um programa de trabalho, contendo
as ações desenvolvidas.
Enfatiza o desempenho organizacional
Também conhecido como
orçamento funcional
Orçamento
Programa
Orçamento que expressa, financeira e
fisicamente, os programas de trabalho de
governo, possibilitando:
a) a integração do planejamento com o
orçamento;
b) a quantificação de objetivos e a
fixação de metas;
c) as relações insumo-produto;
d) as alternativas programáticas;
e) o acompanhamento físicofinanceiro;
f) a avaliação de resultados;
g) a gerência por objetivos
Originalmente, integrava o sistema
de planejamento, programação e
orçamentação introduzido nos
Estados Unidos, no final da década
de 1950, sob a denominação PPBS
(Planning Programming Budgeting
System)
Orçamento
Participativo
Processo orçamentário que contempla
a população no processo decisório, por
meio de lideranças ou audiências
públicas
Existência de uma coparticipação do
Executivo e Legislativo na elaboração dos
orçamentos
Transparência dos critérios e
informações que nortearão a tomada de
decisões
Necessidade de um maior
discricionariedade do governo na
alocação dos gastos, a fim de que
possa atender os anseios da
Sociedade.
Requer auto grau de mobilização
social.
Deve haver disposição do poder
público em descentralizar e repartir o
poder.
Orçamento
Base-Zero
Processo orçamentário que se apoia
na necessidade de justificativa de todos
os programas cada vez que se inicia um
novo ciclo orçamentário.
Analisa, revê e avalia todas as
despesas propostas e não apenas as das
solicitações que ultrapassam o nível de
gasto já existente.
Abordagem orçamentária
desenvolvida nos Estados Unidos,
pela Texas Instruments Inc., durante
o ano de 1969. Foi adotada pelo
Estado da Geórgia (governo Jimmy
Carter), com vistas ao ano fiscal
de1973.
Orçamento
Incremental
(ou inercial)
Orçamento elaborado através de
ajustes marginais nos seus itens de
receita e despesa.
Repetição do orçamento anterior
acrescido da variação de preços
ocorrida no período.
Orçamento
Com Teto
Fixo
Critério de alocação de recursos
através do estabelecimento de um
quantitativo financeiro fixo (teto), obtido
mediante a aplicação de um percentual
único sobre as despesas realizadas em
determinado período
Esse percentual único serve de
base para que os órgãos/unidades
elaborem suas propostas
orçamentárias parciais.
Fonte: ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público.
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Princípios Orçamentários16
Desde seus primórdios, a instituição orçamentária foi cercada de uma série de regras com a finalidade
de aumentar-lhe a consistência no cumprimento de sua principal finalidade: auxiliar o controle parlamentar
sobre os Executivos. Essas regras ou princípios receberam grande ênfase na fase que os orçamentos
possuíam grande conotação jurídica, chegando alguns incorporados na corrente legislação: basicamente
na Constituição, na Lei 4.320/64 e nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs). Os princípios
orçamentários são premissas a serem observadas na concepção da proposta orçamentária.
- Unidade: o orçamento deve ser uno, ou seja, deve existir apenas um orçamento para dado exercício
financeiro. Dessa forma integrado, é possível obter eficazmente um retrato geral das finanças públicas e,
o mais importante, permite-se ao Poder Legislativo o controle racional e direto das operações financeiras
de responsabilidade do Executivo.
São evidências do cumprimento deste princípio, o fato de que apenas um único orçamento é
examinado, aprovado e homologado. Além disso, tem-se um caixa único e uma única contabilidade.
O princípio da unidade é respaldado legalmente por meio do Art. 2º da Lei 4.320/64 e pelo § 5º do art.
165 da CF 88.
Mas mesmo assim, o princípio clássico da unidade não estava, na verdade, sendo observado. As
dificuldades começaram antes da Constituição de 88 em razão da própria evolução do sistema
orçamentário brasileiro. Na década de 80, havia um convívio simultâneo com três orçamentos distintos,
o orçamento fiscal, o orçamento monetário e o orçamento das estatais. Não ocorria nenhuma
consolidação entre os mesmos.
Na verdade, o art.62, da Constituição de 1967, emendada, limitava o alcance de sua aplicação, ao
excluir expressamente do orçamento anual as entidades que não recebessem subvenções ou
transferências à conta do orçamento (exemplo: Banco do Brasil - exceto se houver integralização de
capital pela União).
No seu § 1º, estabelecia que a inclusão, no orçamento anual, da despesa e da receita dos órgãos da
administração indireta será feita em dotações globais e não lhes prejudicará a autonomia na gestão legal
dos seus recursos.
O orçamento Fiscal era sempre equilibrado e era aprovado pelo Legislativo. O orçamento monetário e
o das Empresas Estatais eram deficitários e sem controle e, além do mais, não eram votados. Ora, como
o déficit público e os subsídios mais importantes estavam no orçamento monetário, o Legislativo
encontrava-se, praticamente, alijado das decisões mais relevantes em relação à política fiscal e monetária
da Nação.
- Totalidade: coube à doutrina tratar de reconceituar o princípio da unidade de forma que abrangesse
as novas situações. Surgiu, então, o princípio da totalidade, que possibilitava a coexistência de múltiplos
orçamentos que, entretanto, devem sofrer consolidação, de forma a permitir uma visão geral do conjunto
das finanças públicas.
A Constituição de 1988 trouxe melhorentendimento para a questão ao precisar a composição do
orçamento anual que passará a ser integrado pelas seguintes partes: a) orçamento fiscal; b) orçamento
da seguridade social e c) orçamento de investimentos das estatais. Este modelo, em linhas gerais segue
o princípio da totalidade.
- Universalidade: princípio pelo qual o orçamento deve conter todas as receitas e todas as despesas
do Estado. Indispensável para o controle parlamentar, pois possibilita:
a) conhecer a priori todas as receitas e despesas do governo e dar prévia autorização para respectiva
arrecadação e realização;
b) impedir ao Executivo a realização de qualquer operação de receita e de despesa sem prévia
autorização Legislativa;
c) conhecer o exato volume global das despesas projetadas pelo governo, a fim de autorizar a cobrança
de tributos estritamente necessários para atendê-las.
Na Lei 4.320/64, o cumprimento da regra é exigido nos seguintes dispositivos:
▪ Art.2º A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e da despesa, de forma a evidenciar
a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios de
unidade, universalidade e anualidade.
▪ Art.3º A Lei do Orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive as operações de crédito
autorizadas em lei.
16 http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/cidadao/entenda/cursopo/principios.html
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A Emenda Constitucional n.º 1/69 consagra essa regra de forma peculiar: "O orçamento anual
compreenderá obrigatoriamente as despesas e receitas relativas a todos os Poderes, órgãos, fundos,
tanto da administração direta quanto da indireta, excluídas apenas as entidades que não recebam
subvenções ou transferências à conta do orçamento.
Observa-se, claramente, que houve um mal entendimento entre a condição de auto-suficiência ou não
da entidade com a questão, que é fundamental, da utilização ou não de recursos públicos.
Somente a partir de 1988 as operações de crédito foram incluídas no orçamento. Além disso, as
empresas estatais e de economia mista, bem como as agências oficiais de fomento (BNDES, CEF, Banco
da Amazônia, BNB) e os Fundos Constitucionais (FINAM, FINOR, PIN/PROTERRA) não têm a
obrigatoriedade de integrar suas despesas e receitas operacionais ao orçamento público. Esses
orçamentos são organizados e acompanhados com a participação do Ministério do Planejamento (MPO),
ou seja, não são apreciados pelo Legislativo. A inclusão de seus investimentos no Orçamento da União
é justificada na medida que tais aplicações contam com o apoio do orçamento fiscal e até mesmo da
seguridade.
- Anualidade ou Periodicidade: o orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado
período de tempo, geralmente um ano. A exceção se dá nos créditos especiais e extraordinário
autorizados nos últimos quatro meses do exercício, reabertos nos limites de seus saldos, serão
incorporados ao orçamento do exercício subsequente.
Este princípio tem origem na questão surgida na Idade Média sobre a anualidade do imposto. E aí se
encontra a principal consequência positiva em relação a este princípio, pois dessa forma exige-se
autorização periódica do Parlamento. No Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil, como sói
acontecer na maioria dos países. Mas isso não é regra geral. Na Itália e na Suécia o exercício financeiro
começa em 1/7 e termina em 30/6. Na Inglaterra, no Japão e na Alemanha o exercício financeiro vai de
1/4 a 31/3. Nos Estados Unidos começa em 1/10, prolongando-se até 30/9.
O § 5º do art. 165 da CF 88 dá respaldo legal a este princípio quando dispõe que: "A lei orçamentária
anual compreenderá:"
O cumprimento deste princípio torna-se evidente nas ementas das Leis Orçamentárias, como por
exemplo, a da Lei 10.837/2004: "Estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro
de 2004."
Observe-se, finalmente, que a programação financeira, trimestral na Lei 4.320/64 e mensal nos
Decretos de Contingenciamento, limitando a faculdade de os órgãos empenhar despesas, não mais ao
montante das dotações anuais, pode ser entendido como um abandono parcial do princípio da
anualidade.
- Exclusividade: a lei orçamentária deverá conter apenas matéria orçamentária ou financeira. Ou seja,
dela deve ser excluído qualquer dispositivo estranha à estimativa de receita e à fixação de despesa. O
objetivo deste princípio é evitar a presença de "caldas e rabilongos"
Não se inclui na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de
operações de crédito, ainda que por antecipação de receita.
Este princípio encontra-se expresso no art. 165, § 8º da CF de 88: "A lei orçamentária anual não
conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa ..."
- Especificação, Especialização ou Discriminação: as receitas e as despesas devem aparecer de
forma discriminada, de tal forma que se possa saber, pormenorizadamente, as origens dos recursos e
sua aplicação. Como regra clássica tinha o objetivo de facilitar a função de acompanhamento e controle
do gasto público, pois inibe a concessão de autorizações genéricas (comumente chamadas de emendas
curinga ou "rachadinhas") que propiciam demasiada flexibilidade e arbítrio ao Poder Executivo, dando
mais segurança ao contribuinte e ao Legislativo.
A Lei nº 4.320/64 incorpora o princípio no seu art. 5º: "A Lei de Orçamento não consignará dotações
globais para atender indiferentemente as despesas…, "
O art. 15 da referida Lei exige também um nível mínimo de detalhamento: "...a discriminação da
despesa far-se-á, no mínimo, por elementos".
Como evidência de cumprimento deste princípio pode-se citar a Atividade 4775, cujo título é
"Capacitação de agentes atuantes nas culturas de oleaginosas". Mas, também, existem vários exemplos
do não cumprimento como, por exemplo, a Ação 0620 "Apoio a projetos municipais de infraestrutura e
serviços em agricultura familiar’, ou o subtítulo "Ações de Saneamento Básico em pequenas cidades da
Região Sul"
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- Não Vinculação ou Não Afetação das Receitas: nenhuma parcela da receita geral poderá ser
reservada ou comprometida para atender a certos casos ou a determinado gasto. Ou seja, a receita não
pode ter vinculações. Essas reduzem o grau de liberdade do gestor e engessa o planejamento de longo,
médio e curto prazos.
Este princípio encontra-se claramente expresso no inciso IV do art. 167 da CF de 88, mas aplica-se
somente às receitas de impostos.
"São vedados "a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a
repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts., 158 e 159, a destinação
de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino (art. 212), prestação de garantias às
operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º".
As evidências de receitas afetadas são abundantes:
▪ Taxas, contribuições: servem para custear certos serviços prestados;
▪ Empréstimos: comprometidos para determinadas finalidades;
▪ Fundos: receitas vinculadas.
Observe-se ainda que as vinculações foram eliminadas no governo Figueiredo, mas, infelizmente,
ressuscitadas na Constituição de 1988.
- Orçamento Bruto: este princípio clássico surgiu juntamente com o da universalidade, visando ao
mesmo objetivo. Todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no orçamento em seus
valores brutos, sem qualquer tipo de dedução.
A intenção é a de impedir a inclusão de valores líquidos ou de saldos resultantes do confronto entre
receitas e as despesas de determinado serviço público.
Lei 4.320/64 consagra este princípio em seu art. 6º: "Todas as receitas e despesas constarão da Lei
do Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. Reforçando este princípio, o § 1º do
mesmo artigo estabelece o mecanismode transferência entre unidades governamentais "
Dessa forma, as cotas de receita que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como
despesa, no orçamento da entidade obrigada à transferência e, como receita, no orçamento da que as
deva receber. Como exemplo desse procedimento pode-se citar o caso da Arrecadação do Imposto
Territorial Rural, que se constitui numa receita prevista no orçamento da União para 2004 com o valor de
R$ 309,4 milhões. No mesmo orçamento, fixa-se uma despesa relativa à Transferência para Municípios
(UO 73108-Transferências Constitucionais) no valor de R$ 154,7 milhões.
Ou seja, se o Orçamento registrasse apenas uma entrada líquida para a União de apenas R$ 154,7
milhões, parte da história estaria perdida.
- Equilíbrio: princípio clássico que tem merecido maior atenção, mesmo fora do âmbito específico do
orçamento, pautado nos ideais liberais dos economistas clássicos (Smith, Say, Ricardo). O
keynesianismo (a partir dos anos 30) tornou-se uma contraposição ao princípio do orçamento equilibrado,
justificando a intervenção do governo nos períodos de recessão. Admitia-se o déficit (dívida) e seu
financiamento. Economicamente haveria compensação, pois a utilização de recursos ociosos geraria
mais emprego, mais renda, mais receita para o Governo e, finalmente, recolocaria a economia na sua
rota de crescimento.
No Brasil, as últimas Constituições têm tratado essa questão ora de maneira explícita ora de forma
indireta. A Constituição de 1967 dispunha que: "O montante da despesa autorizada em cada exercício
financeiro não poderá ser superior ao total de receitas estimadas para o mesmo período."
Observa-se a existência de dificuldades estruturais para o cumprimento desse princípio, principalmente
em fases de crescimento da economia, pois as despesas públicas normalmente crescem mais que as
receitas públicas quando há crescimento da renda interna.
De qualquer forma, ex-ante, o equilíbrio orçamentário é respeitado, conforme pode ser verificado nos
Arts. 2º e 3º da Lei 10.837/2003, onde: A Receita Total é estimada em R$ 1.469.087.336,00, e a Despesa
Total é fixada em R$ 1.469.087.336,00.
Entretanto, nas cifras acima encontra-se um tremendo déficit, devidamente financiado por
empréstimos. O déficit aparece embutido nas chamadas Operações de Crédito que classificam tanto os
financiamentos de longo prazo contratados para obras, as operações de curto prazo de recomposição de
caixa e que se transformam em longo prazo pela permanente rolagem e a receita com a colocação de
títulos e obrigações emitidas pelo Tesouro.
A CF 88 adotou uma postura mais realista. Propôs o equilíbrio entre operações de crédito e as
despesas de capital. O art. 167, inciso III, veda: "a realização de operações de créditos que excedam o
montante das despesas de capital …";
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Qual a mensagem que se encontra vinculada a esse dispositivo? Claramente a de que o endividamento
só pode ser admitido para a realização de investimento ou abatimento da dívida. Ou seja, deve-se evitar
tomar dinheiro emprestado para gastar com despesa corrente, mas pode pegar emprestado para cobrir
despesa de capital (o déficit aqui é permitido). Essa é uma norma lógica e de grande importância para as
finanças públicas do País. Na verdade, é a Regra de Ouro reforçada na Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF, art. 12, § 2º): "O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior
ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária."
Essa Regra também significa, por outro lado, que a receita corrente deve cobrir as despesas correntes
(não pode haver déficit corrente). A Regra de Ouro vem sendo adequadamente cumprida nos últimos
orçamentos, exceto nos dois últimos (2003 e 2004). Para o exercício de 2004, o valor das operações de
crédito dos orçamentos fiscal e da seguridade é de R$ 629,7 bilhões. Se somado a esse, o valor
corresponde ao Orçamento de Investimento das Estatais &mdash OIE - (R$ 5,9 milhões) chega-se ao
total de R$ 635,6 milhões.
Já as despesas de capital dos orçamentos fiscal e da seguridade social somam R$ 612,7 milhões.
Com R$ 23,8 do OIE, chega-se ao total de R$ 636,5 milhões. Ou seja, só se cumpre a regra de ouro se
se considera na contabilização os dados relativos ao Orçamento das Estatais.
Ainda com relação ao princípio do equilíbrio, um terceiro conceito surge a partir da Lei de
Responsabilidade Fiscal &mdash o chamado Equilíbrio Fiscal. Na verdade, exige-se mais que o equilíbrio,
exige-se um superávit (fiscal), ou seja, a receita (primária) deve superar a despesa (primária) de forma
que o saldo possa ser utilizado para pagamento do serviço da dívida pública.
Essa variação do princípio do equilíbrio faz parte das orientações orçamentárias constantes das leis
de diretrizes orçamentárias. O art. 15 da Lei nº 10.707, de 30 de julho de 2003 (LDO 2004) dispõe, por
exemplo, que: "Art. 15. A elaboração do projeto da lei orçamentária de 2004, a aprovação e a execução
da respectiva lei deverão levar em conta a obtenção de superávit primário em percentual do Produto
Interno Bruto - PIB, conforme discriminado no Anexo de Metas Fiscais, constante do Anexo III desta Lei."
- Legalidade: historicamente, sempre se procurou dar um cunho jurídico ao orçamento, ou seja, para
ser legal, tanto as receitas e as despesas precisam estar previstas a Lei Orçamentária Anual, ou seja, a
aprovação do orçamento deve observar processo legislativo porque trata-se de um dispositivo de grande
interesse da sociedade.
O respaldo a este princípio pode ser encontrado nos art. 37 166 da CF de 1988. O Art. 166 dispõe que:
"Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos
créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento
comum."
A evidência de seu cumprimento encontra-se na própria ementa das leis orçamentárias, como por
exemplo, a da Lei nº 10.837/2003: "O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte lei:"
- Publicidade: o conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) nos veículos oficiais de
comunicação para conhecimento do público e para eficácia de sua validade. Este princípio é consagrado
no art. 37 da CF de 88: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: ..."
- Clareza ou Objetividade: o orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e
compreensível a todas pessoas que, por força do ofício ou interesse, precisam manipulá-lo. Difícil de ser
empregado em razão da facilidade de a burocracia se expressar em linguagem complexa. Observe-se,
por exemplo, o título da ação nº 0373 do orçamento para 2004: "Equalização de Juros e Bônus de
Adimplência no Alongamento de Dívidas Originárias do Crédito Rural".
- Exatidão: de acordo com esse princípio as estimativas devem ser tão exatas quanto possível, de
forma a garantir à peça orçamentária um mínimo de consistência para que possa ser empregado como
instrumento de programação, gerência e controle. Indiretamente, os autores especializados em matéria
orçamentária apontam os arts. 7º e 16 do Decreto-Lei nº 200/67 como respaldo ao mesmo.
Questões
01. (DETRAN/RJ - Analista - EXATUS) A história da evolução conceitual do Orçamento Público é
dividida em duas fases, quais são elas?
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63
(A) Orçamento Tradicional e Orçamento Moderno.
(B) Orçamento Conceitual e Orçamento Sustentável
(C) Orçamento Original e Orçamento Evolutivo.
(D) Orçamento Primário e Orçamento Vigente.
02. (TRT 18ª Região/GO - Técnico Judiciário - FCC) O Orçamento Públicono Brasil.
(A) é uma peça administrativa, de caráter indicativo, sem efeito legal.
(B) é um instrumento de elaboração técnico-contábil que independe de negociações políticas entre
esferas de poder.
(C) tem sua proposição, aprovação e controle de execução como atribuições exclusivas de
responsabilidade do Poder Executivo.
(D) constitui-se em instrumento legal que estabelece as possibilidades de despesas do poder público,
com base em estimativa de receita
(E) é utilizado como ferramenta de política monetária a partir do controle dos padrões de investimentos
dos entes financeiros privados.
03. (Secretaria do Estado Planejamento e Gestão/DF - Auditor Fiscal Atividades Urbanas -
FUNIVERSA) Com relação ao orçamento público, assinale a alternativa correta.
(A) Tem a natureza jurídica de lei complementar.
(B) O projeto da lei orçamentária é de iniciativa de qualquer um dos poderes.
(C) A Lei n.º 4.320/1964 estabelece o regime de tramitação do projeto de lei orçamentária.
(D) Sob o enfoque formal, tem natureza jurídica de lei anual.
(E) É um instrumento que estima a despesa e fixa a receita.
04. (TRF 1º REGIÃO - Analista Judiciário - FCC) Com relação aos tipos de orçamentos, considere
as afirmativas abaixo:
I. No orçamento de tipo tradicional há grande preocupação com a clareza dos objetivos econômicos e
sociais que motivaram a elaboração da peça orçamentária.
II. O orçamento base-zero exige a reavaliação de todos os programas cada vez que se inicia um novo
ciclo orçamentário e não apenas as das solicitações que ultrapassam o nível de gasto já existente.
III. O orçamento-programa considera os objetivos que o Governo pretende atingir, num prazo pré-
determinado.
IV. O orçamento de desempenho não pode ser considerado um orçamento-programa, pois não
incorpora o controle contábil do gasto e o detalhamento da despesa.
V. No orçamento-programa a alocação dos recursos para unidades orçamentárias se dá com base na
proporção dos recursos gastos em exercícios anteriores.
Está correto o que se afirma SOMENTE em:
(A) I e IV.
(B) I, III e IV.
(C) II, III e V.
(D) I, III, IV e V.
(E) II e III.
05. (CVM - Analista - ESAF) A abordagem orçamentária cujas principais características são a análise,
revisão e avaliação de todas as despesas propostas e não apenas das solicitações que ultrapassam o
nível de gasto já existente, de modo que todos os programas devem ser justificados cada vez que se
inicia um novo ciclo orçamentário, denomina-se:
(A) orçamento tradicional.
(B) orçamento de base zero.
(C) orçamento de desempenho.
(D) orçamento programa.
(E) orçamento incremental.
06. (TRE/MS - Analista Judiciário - CESPE) Acerca do orçamento público no Brasil, assinale a opção
correta.
(A) A disposição dos três orçamentos que constituem a lei orçamentária anual – fiscal, seguridade
social e orçamento de investimento das empresas – é, da mesma forma, estabelecida nas leis de
diretrizes orçamentárias.
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64
(B) A elaboração do orçamento anual desenvolve-se no âmbito do Sistema de Planejamento e de
Orçamento Federal, cujo órgão central é o Ministério do Desenvolvimento Social.
(C) Assim como os temas orçamentários, a obrigatoriedade de se adotar sistematicamente o
planejamento nas diversas esferas do governo tornou-se realidade com a Constituição de 1967.
(D) O plano plurianual constitui a síntese dos esforços de planejamento da União, não atingindo os
demais entes da Federação.
(E) O orçamento anual constitui princípio orientador para a elaboração das diretrizes orçamentárias.
07. (TJ/RR - Administrador - CESPE) Ao determinar o tipo e a quantidade de bens e serviços públicos
que devem ser oferecidos, bem como o valor das contribuições de cada consumidor, o governo exerce
sua função estabilizadora, mediante a aplicação de uma política monetária.
( ) Certo ( ) Errado
08. (TRE/MS - Analista Judiciário - CESPE) Tendo em vista que as funções econômicas do Estado
são os principais instrumentos de ação estatal na economia, assinale a opção correta.
(A) A função estabilizadora ocorre, principalmente, nas situações em que o governo se utiliza do
orçamento para a provisão de bens mistos.
(B) Para o exercício da função estabilizadora, o governo tem à disposição dois instrumentos
macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.
(C) A função alocativa do governo justifica-se nos casos em que existe eficiência por parte do
mecanismo de ação privada (sistema de mercado).
(D) A função estabilizadora, que promove o ajustamento da distribuição de renda, visa o chamado ideal
de Pareto, que preconiza a melhoria do indivíduo sem que a situação dos demais seja deteriorada.
(E) Para o exercício da função distributiva, o governo tem um único instrumento, denominado imposto
de renda progressivo por faixas de renda.
Gabarito
01.A / 02.D / 03.D / 04.E / 05.B / 06.A / 07.ERRADO / 08.B
Comentários
01. Resposta: A
A história divide a evolução conceitual do Orçamento Público em duas fases: o Orçamento tradicional
e o Orçamento moderno. Até o século XIX, o s doutrinadores consideram que perdurou o Orçamento
Tradicional, que, é marcado pelo controle político (orçamento como instrumento de controle) cuja
preocupação seria controlar os gastos públicos. Os gastos públicos eram vistos como um mal necessário.
02. Resposta: D
O Orçamento Público contém a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas
por um governo, em um determinado exercício financeiro.
03 - Resposta D
Lei Orçamentária Anual – LOA
Orçamento Público O orçamento público é um instrumento de planejamento governamental onde são
previstas as receitas e fixadas as despesas para um determinado período.
Discute-se se ela é uma lei anual, entretanto, para a maioria dos autores, não existe tal dúvida, visto
que essa lei, entre outras metas e prioridades administrativas, inclui as despesas de capital para o
exercício financeiro subsequente e orientará a elaboração da lei orçamentária anual.
Além do estabelecimento de metas e prioridades, deve a lei orçamentária dispor sobre a política de
aplicação das agências financeiras oficiais de fomento, procurando equilibrar as despesas com as
receitas
04. Resposta E
Orçamento Base Zero: Processo orçamentário que se apoia na necessidade de justificativa de todos
os programas cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.
Analisa, revê e avalia todas as despesas propostas e não apenas as das solicitações que ultrapassam
o nível de gasto já existente.
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Orçamento Programa: Orçamento que expressa, financeira e fisicamente, os programas de trabalho
de governo, possibilitando:
a) a integração do planejamento com o orçamento;
b) a quantificação de objetivos e fixação de metas;
c) as relações insumo-produto;
d) as alternativas programáticas;
e) o acompanhamento físicofinanceiro;
f) a avaliação de resultados;
g) a gerência por objetivos
05. Resposta B
Orçamento Base Zero: Processo orçamentário que se apoia na necessidade de justificativa de todos
os programas cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.
Analisa, revê e avalia todas as despesas propostas e não apenas as das solicitações que ultrapassam
o nível de gasto já existente.
06. Resposta A
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.
§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:
I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a
maioria do capital social com direito a voto;
III - o orçamento da seguridadesocial, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da
administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder
Público.
07. Resposta: Errado
A correta é a função Alocativa que diz respeito a promover ajustamentos na alocação de recursos,
justifica-se quando o funcionamento do mecanismo de mercado (sistema de ação privada) não garante a
necessária eficiência na utilização desses recursos. Portanto, a utilização desse instrumento de atuação
se efetiva em situações de “falha de mercado”, como, por exemplo, na presença de externalidades ou de
bens públicos.
08. Resposta: B
A função estabilizadora, por fim, está associada à manutenção da estabilidade econômica, justificada
como meio de atenuar o impacto social e econômico na presença de inflação ou depressão. Portanto,
seu emprego gera estabilidade dos níveis de preço (combate às pressões inflacionárias), diminui os
potenciais efeitos da depressão e mantém o nível de emprego (combate ao desemprego), tendo à
disposição dois instrumentos macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.
TÍTULOS DO TESOURO NACIONAL
Os títulos públicos são ativos de renda fixa que possuem a finalidade de captar recursos para o
financiamento da dívida pública e financiar atividades do Governo Federal, como educação, saúde e
infraestrutura.
Pela internet, com o primeiro aporte de apenas R$ 30, você pode comprar papéis do Tesouro Nacional.
Em troca, o governo federal paga juros aos investidores.
Por ser um investimento em ativos garantidos pelo governo brasileiro, o risco é considerado muito
baixo. Quem aplica nesses títulos também tem a vantagem de escolher a forma como será remunerado
e o prazo, com títulos pré ou pós-fixados de curto, médio ou longo prazo. Isso significa que você pode
comprar um ativo já sabendo quanto receberá ao fim do investimento, para os pré-fixados; ou comprar
um título que atualize o valor a ser pago no fim da aplicação através de índices financeiros de inflação ou
juros, para os índices pós-fixados.
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Os principais títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional são:
- LFT - Letras Financeiras do Tesouro - papeis com rendimentos pós-fixados - indexados pela SELIC
+ taxa de juros ao ano;
- LTN - Letras do Tesouro Nacional - papeis com rendimentos prefixados;
- NTN-D - Notas do Tesouro Nacional série D - papéis pós-fixados com rendimentos atrelados ao
dólar, também utilizados pelo governo para atender às demandas do mercado por dólar - indexados ao
dólar + taxa de juros ao ano;
- NTN-C - Notas do Tesouro Nacional série C - papéis pós-fixados com rendimentos atrelados ao
IGPM + taxa de juros ao ano;
- NTN-B - Notas do Tesouro Nacional série B - papéis pós-fixados com rendimentos atrelados ao
IPCA + taxa de juros ao ano;
- NTN-F - Notas do Tesouro Nacional série F - papéis de longo prazo - vencimento em 2008 – com
rentabilidade prefixada.
Todos esses títulos, além de outros papéis, costumam compor as carteiras dos diferentes fundos de
investimento disponíveis no mercado. Além disso podem ser adquiridos diretamente pelos investidores
pessoas físicas na Internet por meio do Tesouro Direto.
Importante saber:
O investimento em títulos públicos é considerado de baixo risco, ainda assim, como toda aplicação
financeira, o Tesouro Direto também tem riscos. O primeiro risco é o de crédito, que é a probabilidade de
o devedor, no caso, o governo federal, não honrar a dívida. Atualmente esta possibilidade é considerada
pouco provável, o que torna o título público um dos investimentos mais conservadores e seguros. Outro
risco é o de liquidez, que corresponde à capacidade de transformar o título em dinheiro antes do
vencimento. Em relação a este risco, o Tesouro Nacional, garante a recompra semanal dos títulos todas
as quartas-feiras. E por último, o risco de mercado, que tem a ver com a variação do preço do título
público.
Os títulos públicos são marcados a mercado, o extrato/saldo do investidor reflete o preço de mercado
dos títulos. Desta forma, havendo queda nos preços negociados no mercado, o saldo do investidor cairá.
Por outro lado, se houver valorização do título, o saldo do investidor irá se elevar. O Tesouro Nacional
não pode afirmar se o investidor obterá ganho ou perda financeira no caso de venda antecipada,
dependerá das condições de mercado na referida data. Entretanto, se o investidor "carregar" os títulos de
sua carteira até a data de vencimento, receberá o valor correspondente à rentabilidade bruta pactuada
no momento da compra. Entre os títulos públicos ofertados, o investidor deve escolher aqueles cujas
características sejam compatíveis com o seu perfil.
Os títulos públicos ofertados no Tesouro Direto não são todos iguais, e podem ter comportamentos
diferentes quanto à variação de mercado num mesmo período. Isto quer dizer que em determinado
momento, pode ser mais vantajoso comprar um título do que outro. Por isso, é muito importante você
conhecer as características de cada título oferecido no Tesouro Direto. Recomendamos a leitura da seção
Descubra seu Perfil, no site do Tesouro Direto, onde você poderá obter informações detalhadas sobre
cada tipo de título.
Títulos públicos não possuem garantias contra perdas e não contam com a cobertura do Fundo
Garantidor de Crédito – FGC.
MERCADO INTERBANCÁRIO,
O Mercado Interbancário é um mercado organizado entre bancos, os quais realizam entre si operações
de financiamento à vista e a prazo (geralmente curto prazo). Neste tipo de operações, os bancos com
liquidez excedentária cedem fundos aos bancos que se encontrem na situação inversa.
Atualmente, pouquíssimas pessoas mantêm muito dinheiro no bolso. Elas têm contas correntes em
que fazem depósitos. Quando precisam de dinheiro, fazem saques ou recorrem a um empréstimo.
E como ficam os bancos? É claro que eles não mantêm o dinheiro que você deposita guardado, mas
fazem empréstimos com ele. Se você e muitos outros resolverem sacar recursos de seu banco hoje, ele
pode fechar o dia no negativo.
É por isso que os bancos também têm seu banco, o Banco Central, onde cada um mantém uma conta
de reservas. Como você, eles depositam os excessos em dia de saldo positivo e pegam dinheiro
emprestado quando ele é negativo.
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Por meio do chamado mercado interbancário, os bancos emprestam dinheiro uns aos outros.
Obviamente, eles cobram e pagam juros por isso.
Pode ocorrer, entretanto, que grande quantidade de bancos tenha saldo negativo no mesmo dia. Os
saques podem ocorrer simplesmente porque é fim de ano e começo das férias ou pelo medo causado por
uma crise internacional, por exemplo.
Com a demanda excessiva por recursos, os juros do mercado entre bancos poderiam subir demais.
Ao pagarem mais por recursos, os bancos também cobrariam mais por eles. Os juros altos chegariam ao
seu bolso. Para evitar essas oscilações, o Banco Central pode entrar com uma oferta extra de reservas.
A atuação do Banco Central, ofertando mais ou menos recursos, vai permitir que a taxa cobrada no
interbancário suba mais ou menos, ou até caia. À média das taxas das operações de um dia é dado o
nome de taxa Selic.
Os juros que você paga, quando o dinheiro chega às suas mãos, são muito afetados por toda essa
dinâmica. O Bacen pode manejar esse tipo de política de forma a controlar a disponibilidade de dinheiro
na economia. Ele faz isso por meio de metas para a Selic e com a política monetária.
DÍVIDA PÚBLICA
Dívida pública17 é a dívida contraída pelo governo com entidades financeiras ou pessoas da sociedade
para financiar parte de seus gastos que não são cobertos com a arrecadação de impostos ou alcançar
alguns objetivos de gestão econômica, tais como controlar o nível de atividade, o crédito e o consumo ou,
ainda, captar dólaresno exterior. A dívida pública se subdivide em dívida interna e dívida externa. Os
principais credores do setor público são, normalmente, bancos públicos e privados que operam no País,
investidores privados, instituições financeiras internacionais e governos de outros países.
Conceito
Segundo Santiago18, Déficit Público é o nome que se dá à relação na qual o valor total das despesas
públicas é maior que valor total das receitas públicas, considerando-se, nesta determinada relação os
valores nominais, ou melhor, a inflação e a correção monetária do mesmo período considerado.
Embora a especificação do déficit governamental em termos de diferenças entre as receitas e
despesas de setor público seja de definição excessivamente simplificada e de fácil compreensão, pode
ser melhor elaborada com a especificação de diversos componentes do processo orçamentário que são
indispensáveis para uma mais objetiva determinação das causas do déficit, permitindo uma avaliação
mais apurada da política fiscal.
Desse modo, dentro da definição de déficit, temos certos fatores que se "escondem" dentro da
definição de déficit:
- os métodos de financiamentos utilizados;
- a contribuição de déficits passados para o atual déficit;
- o impacto das dívidas interna e externa sobre o déficit;
- a necessidade de emissão de moeda;
- o efeito da inflação sobre a receita e os gastos do governo;
- o efeito de variações nas taxas de juros;
- a cobrança de imposto inflacionário;
- a existência de erros e omissões nas contas governamentais;
O déficit público, ou governamental encobre diversas características do processo orçamentário que
são fundamentais para a determinação das causas do mesmo. Merecem destaque:
- a contribuição do déficit passado para o atual;
- o efeito da inflação sobre a receita e despesa do governo;
- o efeito da variação das taxas de juros;
A Carga tributária bruta representa o total de impostos arrecadados no país. Se desse total subtrairmos
as transferências governamentais (juros da dívida pública, subsídios e gastos com assistência e
previdência social), chegamos ao conceito de carga tributária líquida. Com base nessa carga é que o
governo pode financiar seus gastos correntes (também chamado de consumo do governo). A diferença
entre a receita líquida e o consumo do governo é definida como poupança do governo em conta corrente.
17 http://www.planejamento.gov.br/servicos/faq/orcamento-da-uniao/conceitos-sobre-orcamento/o-que-e-divida-publica
18 SANTIAGO, E. Déficit público. Disponível em: < http://www.infoescola.com/economia/deficit-publico/ >
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68
Existe uma importante categoria de gastos chamada de investimento público, que representa as
despesas de capital de governo com construção de estradas, hospitais, escolas etc. Déficit público é a
diferença entre o investimento público e a poupança do governo em conta corrente.
O tamanho do déficit público, em última instância, dá a participação do governo na atividade econômica
em termos de complementação da demanda privada. Quando esse déficit é menor do que zero, isto é,
quando há um superávit, pode-se afirmar que o governo está com uma política fiscal contracionista, isto
é, estão restringindo a demanda. Se for maior do que zero, diz-se que o governo está com uma política
fiscal expansionista, com impactos positivos sobre a demanda.
A existência de déficits implica que ele deve ser financiado de alguma forma. Como alternativa de
financiamento do déficit público, pode-se citar:
- a venda de títulos públicos ao setor privado;
- a venda de títulos públicos ao Banco Central.
A primeira alternativa representa uma transferência de poupança do setor privado para o setor público.
Na segunda, a aquisição de títulos pelo Banco Central é feita por meio de emissão de moeda. Ambas
levam ao endividamento do setor público (mais precisamente do Tesouro Nacional, órgão responsável
pela arrecadação e gastos).
O Endividamento do Setor Público representa nova categoria de gastos públicos: a rolagem e o
pagamento dos serviços dessa dívida. Os juros sobre a dívida entram na categoria de gastos com
transferências. Quanto maior for o estoque da dívida, maior será o gasto com juros e, consequentemente,
maior será a diferença entre carga tributária bruta e líquida.
Uma dificuldade na definição de déficit diz respeito à definição de setor público. Na Contabilidade
Nacional, consideram-se como governo apenas a administração direta e os órgãos que realizam as
funções típicas do governo, cuja receita advém de dotações orçamentárias. As empresas estatais ou
públicas, que produzem bens e serviços, são classificadas junto com as empresas privadas. Nos países
subdesenvolvidos, por inúmeras razões, o Estado assumiu o papel principal na promoção do
desenvolvimento econômico. A intervenção pública deu-se na forma de criação de empresas públicas
encarregadas de atuar em setores estratégicos. Em muitos casos, foram também criados órgãos de
desenvolvimento para atuar em setores específicos ou mesmo agências de financiamento, com o objetivo
de captar recursos necessários aos investimentos. Em tais países, o conceito de governo como
administração direta é bastante limitado para avaliar o papel do Estado na economia e,
consequentemente, avaliar o déficit público.
Considerando o caso brasileiro, cujo Estado teve papel fundamental no processo de desenvolvimento,
foram desenvolvidos alguns conceitos para se medir o déficit público. Entre esses conceitos, destaca-se
o de Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), utilizado pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI). Tal conceito começou a ser medido no início dos anos 80, a partir da vinda do FMI
ao país para acompanhar a condução da política econômica no contexto de renegociação da dívida
externa a partir da crise de 1982.
Déficit fiscal ou superávit fiscal - Diferença entre despesa e receita do governo. Quando os gastos
são maiores do que a arrecadação, há déficit e o governo é forçado a recorrer ao mercado para se
financiar. O montante do déficit é também chamado de necessidade de financiamento do setor público.
O governo poderia também emitir moeda, mas esta medida tem inúmeros inconvenientes.
Déficit nominal - necessidade de financiamento do setor público, incluindo os efeitos da correção
monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
Déficit operacional - necessidade de financiamento do setor público, excluindo-se os efeitos da
correção monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
Déficit orçamentário - despesa maior do que receita, havendo distinção entre déficit previsto no
orçamento e o déficit da execução orçamentária.
Déficit primário - déficit operacional retirando-se os encargos financeiros embutidos no conjunto das
despesas e das receitas.
Déficit previdenciário - é a diferença entre o que o Governo arrecada de contribuição para a
manutenção da Previdência Social e o valor pago em benefícios.
Na avaliação das contas externas, os principais conceitos são:
Déficit comercial - é a diferença entre o valor recebido com exportações e os gastos com importações.
Quando o país importa mais do que exporta, ele tem déficit na balança comercial.
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Déficit em Conta Corrente - o cálculo do resultado em conta corrente considera o resultado da
balança comercial, da balança de serviços e de transferências unilaterais. Se a soma das despesas
nesses três itens for superior à entrada de divisas, temos déficit em conta corrente.
De acordo com o site do Tesouro da Fazenda19, a Dívida Pública Federal (DPF) é a dívida contraída
pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do Governo Federal, nele incluído o
refinanciamento da própria dívida, bem como para realizar operações com finalidades específicas
definidas em lei.
Classificação
A Dívida Pública Federalpode ser classificada de distintas formas, sendo as principais:
-quanto à forma utilizada para o endividamento, e
-quanto à moeda na qual ocorrem os fluxos de recebimento e pagamento da dívida.
Em relação à forma, o endividamento por ocorrer por meio da emissão de títulos públicos ou pela
assinatura de contratos. Quando os recursos são captados por meio da emissão de títulos públicos, a
dívida daí decorrente é chamada de mobiliária. Quando a captação é feita via celebração de contratos, a
dívida é classificada como contratual.
Os títulos públicos federais são instrumentos financeiros de renda fixa emitidos pelo Governo Federal
via oferta pública (leilão) ou diretamente ao detentor. Já os contratos são usualmente firmados com
organismos multilaterais, tais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, com
agências governamentais, como o Japan Bank For International Cooperation e o KfW, e com bancos
privados.
Em relação à moeda na qual ocorrem seus fluxos de recebimento e pagamento, a Dívida Pública
Federal pode ser classificada como interna ou externa. Quando os pagamentos e recebimentos são
realizados na moeda corrente em circulação no país, no caso brasileiro o real, a dívida é chamada de
interna. Por sua vez, quando tais fluxos financeiros ocorrem em moeda estrangeira, usualmente o dólar
norte-americano, a dívida é classificada como externa.
Atualmente, toda a Dívida Pública Federal em circulação no mercado nacional é paga em real e
captada por meio da emissão de títulos públicos, sendo por essa razão definida como Dívida Pública
Mobiliária Federal interna (DPMFi).
Já a Dívida Pública Federal existente no mercado internacional é paga em outras moedas que não o
real e tem sido captada tanto por meio da emissão de títulos quanto por contratos, sendo por isso definida
como Dívida Pública Federal externa (DPFe).
Dívida líquida
A Dívida Líquida do Governo Geral corresponde ao endividamento líquido (balanceamento de débitos
e créditos) do Governo Federal (inclusive Previdência Social), dos governos estaduais e dos governos
municipais, junto ao sistema financeiro público e privado, setor privado não-financeiro e resto do mundo.
Dívida bruta
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) abrange o total dos débitos de responsabilidade do Governo
Federal, dos governos estaduais e dos governos municipais, junto ao setor privado, ao setor público
financeiro e ao resto do mundo. São incluídas também as operações compromissadas realizadas pelo
Banco Central com títulos públicos. Essas operações são incluídas porque apresentam estreita relação
com a dívida do Tesouro Nacional, e sua inclusão na DBGG permite melhor acompanhar a situação fiscal
do governo. Os débitos de responsabilidade das empresas estatais das três esferas de governo não são
abrangidos pelo conceito. Os débitos são considerados pelos valores brutos, sendo as obrigações
vinculadas à área externa convertidas para reais pela taxa de câmbio de final de período (compra).
São deduzidos da dívida bruta do Governo Federal os créditos representados por títulos públicos que
se encontram em poder de seus órgãos da administração direta e indireta, de fundos públicos federais,
dos estados e dos municípios, a saber: aplicações da previdência social em títulos públicos, aplicações
do FAT e outros fundos em títulos públicos e aplicações dos estados em títulos públicos federais.
19 TESOURO NACIONAL. O que é Dívida Pública Fiscal? Disponível em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/o-que-e-a-divida-publica-federal-. Acesso em:
março 2015.
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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Analogamente, são deduzidas da dívida dos governos estaduais e dos municipais as parcelas
correspondentes aos títulos em tesouraria.
Evolução
Déficit brasileiro – Veja nos anos recentes a sua evolução20
Segundo Martello21, a forte deterioração das contas no ano de 2014, resultado de aumento de gastos
em um ano eleitoral e do fraco comportamento da arrecadação – fruto das desonerações de tributos e do
baixo nível de atividade – levaram o setor público consolidado (governo, estados, municípios e empresas
estatais) a registrar, em doze meses até outubro, um déficit nominal (contabilizado após o pagamento de
juros da dívida) de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central.
A marca emblemática de 5% para o déficit público no conceito nominal, em doze meses, não era
atingida desde dezembro de 2003 – quando o indicador somava 5,24% do PIB, segundo números do BC.
Em dezembro de 2010, 2011, 2012 e 2013, resultado negativo das contas públicas, pelo conceito nominal
(após pagar juros), somava 2,48% do PIB, 2,61% do PIB, 2,48% do PIB e 3,25% do PIB.
O chamado déficit nominal é uma das principais formas de comparação da situação das contas
públicas entre os países. O conceito também é utilizado pelas agências de classificação de risco para dar
notas para as economias e, deste modo, sugerir investimentos em determinadas economias, ou, por outro
lado, desaconselhar a aplicação de recursos em determinados países.
Já em Abril de 2015, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$13,4. O Governo
Central, os governos regionais e as empresas estatais apresentaram superávits, na ordem, de R$10,6
bilhões, R$2,6 bilhões e R$208 milhões.
No ano, o superávit primário acumulado é de R$32,4 bilhões, ante superávit de R$42,5 bilhões no
primeiro quadrimestre de 2014. No acumulado em doze meses, registrou-se déficit primário de R$42,6
bilhões (0,76% do PIB), comparativamente a déficit de R$39,2 bilhões (0,7% do PIB) em março.
Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$2,2 bilhões em abril,
comparativamente a R$69,5 bilhões em março. Contribuíram para essa redução o menor número de dias
úteis e o resultado favorável de R$31,8 bilhões das operações de swap cambial no mês, ante resultado
desfavorável de R$34,5 bilhões em março. No acumulado no ano, os juros nominais somam R$146,1
bilhões, comparativamente a R$80,2 bilhões no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros
nominais totalizaram R$377,3 bilhões (6,71% do PIB), reduzindo-se 0,39 p.p. do PIB em relação ao
observado em março.
O resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi superavitário
em R$11,2 bilhões em abril. No ano, o déficit nominal soma R$113,6 bilhões, comparativamente a déficit
de R$37,6 bilhões no mesmo período de 2014. No acumulado em doze meses, o resultado nominal
deficitário alcançou R$419,9 bilhões (7,47% do PIB), 0,33 p.p. do PIB inferior ao registrado no mês
anterior.
O superávit nominal de abril refletiu reduções de R$8 bilhões na dívida bancária líquida e de R$5,3
bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, contrabalançadas,
parcialmente, pelos aumentos de R$1,7 bilhão na dívida mobiliária e de R$367 milhões no financiamento
externo líquido.
Sobre 2016 e 2017.
Já a notícia22 apurada mais recente sobre a Dívida pública (24/04/2017), informa que: Dívida pública
sobe 3,17% em março, para R$ 3,23 trilhões.
Segundo o Tesouro Nacional, aumento é resultado de emissão de títulos públicos acima dos
vencimentos e das despesas com juros.
A dívida pública federal, que inclui os endividamentos do governo dentro do Brasil e no exterior,
avançou 3,17% em março, para R$ 3,23 trilhões, informou a Secretaria do Tesouro Nacional nesta
segunda-feira (24). Em fevereiro, a dívida estava em R$ 3,13 trilhões.
O aumento se deve à emissão de títulos acima do volume de resgates (quando o governo paga a
investidores por papéis da dívida que venceram). Em março, as emissões somaram R$ 80,37 bilhões e,
os resgates, totalizaram R$ 13,78 bilhões.
Já as despesas com juros da dívida pública, outro fator que impulsiona para cima a dívida pública,
somaram R$ 32,95 bilhões.
20 Banco Central do Brasil. Política Fiscal. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOLFISC>21 MARTELLO, A. Após juro, déficit público atinge 5% do PIB, algo sem registro desde 2003. G1. 2014. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/apos-juro-deficit-publico-atinge-5-do-pib-algo-sem-registro-desde-2003.html >
22 Por Alexandro Martello, G1, Brasília. 24/04/2017 10h09. Atualizado 24/04/2017 10h48. http://g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-sobe-317-em-
marco-para-r-323-trilhoes.ghtml
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A dívida pública é a emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo
federal. Quando os pagamentos e recebimentos são realizados em real, a dívida é chamada de interna.
Quando tais operações ocorrem em moeda estrangeira (dólar, normalmente), é classificada como
externa.
Em 2016, a dívida pública registrou crescimento de 11,42%, para R$ 3,11 trilhões.
Para 2017- Para este ano, a expectativa do Tesouro Nacional é de novo aumento na dívida pública. A
programação da instituição prevê que ela pode chegar aos R$ 3,65 tilhões no fim de 2017.
Se isso se confirmar, a alta da dívida, neste ano, será de R$ 538 bilhões, aumento 17,28% em relação
ao fechamento de 2016.
O patamar de R$ 3,65 trilhões é o máximo previsto para a dívida interna e externa. Portanto, o
crescimento pode ser menor. Estimativas do Tesouro apontam que a alta pode ficar em R$ 338 bilhões
e, neste caso, a dívida chegaria ao final de 2017 em R$ 3,45, elevação de 10,86%.
Dívidas interna e externa - No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi
registrada uma elevação de 3,08% em março, para R$ 3,11 trilhões. Neste caso, a alta foi de R$ 93
bilhões.
A dívida externa brasileira, resultado da emissão de bônus soberanos (títulos da dívida) no mercado
internacional e de contratos firmados no passado, contabilizou uma alta de 5,59% no mês passado, para
R$ 120,3 bilhões. O aumento da dívida externa foi de R$ 6,37 bilhões por conta, principalmente, da alta
do dólar no período.
Compradores - Os números do Tesouro Nacional também revelam que a participação dos investidores
estrangeiros na dívida pública interna continuou a cair em março. Em fevereiro, os não residentes
detinham 13,66% do total da dívida interna (R$ 412 bilhões). No fechamento de março, detinham 13,26%,
mas o valor se manteve em R$ 412 bilhões.
Mesmo assim, os estrangeiros seguem na quarta colocação de principais detentores da dívida pública
interna, atrás dos fundos de previdência, com R$ 808 bilhões em março, ou 25,98% do total; dos fundos
de investimento (23,16% do total, ou R$ 721 bilhões) e das instituições financeiras (22,7% do total, ou R$
706 bilhões).
Perfil da dívida - Em março deste ano, o percentual de papéis prefixados somou 35,87% do total, ou
R$ 1,11 trilhão, contra 35,09% em fevereiro (R$ 1,06 trilhão). Os números foram calculados após a
contabilização dos contratos de "swap cambial".
Os títulos atrelados à taxa Selic, chamados de pós-fixados, por sua vez, tiveram sua participação
elevada no mês passado. Em fevereiro, representaram 28% do total (R$ 847 bilhões), avançando para
28,2% em março (ou R$ 878 bilhões).
A parcela da dívida atrelada aos índices de preços (inflação), por sua vez, somou 33,2% em março
deste ano, o equivalente a R$ 1,03 trilhão, contra 33,61% em fevereiro (R$ 1,01 trilhão).
Os ativos indexados à variação da taxa de câmbio, por sua vez, somaram 2,72% do total em março,
ou R$ 84,77 bilhões, contra 3,23% em fevereiro deste ano, ou R$ 97,55 bilhões.
A queda da dívida em dólar se deve ao resgate, por parte do Banco Central, de contratos de "swap
cambial" - na esteira do processo de queda da cotação do dólar no Brasil.
Questões:
01. (Prefeitura de São José do Rio Preto – SP - Auditor Fiscal Tributário Municipal – VUNESP) A
diferença entre os conceitos de déficit público nominal e operacional é que o primeiro
(A) é obtido incluindo-se os gastos com os juros nominais cobrados sobre as dívidas interna e externa,
enquanto no segundo somente são incluídos os juros reais.
(B) representa a diferença entre as receitas e despesas correntes de todas as esferas de Governo,
enquanto no segundo é representada a diferença entre as receitas e despesas de capital.
(C) representa a diferença entre as receitas e despesas financeiras dos entes públicos, enquanto o
segundo representa a diferença entre as receitas e despesas não financeiras
(D) corresponde ao aumento da dívida bruta do setor público, enquanto o segundo corresponde ao
aumento da dívida líquida
(E) não inclui os investimentos realizados pelos entes públicos, enquanto o segundo inclui
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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02. (SP-URBANISMO - Analista Administrativo - VUNESP) Numa economia, o déficit nominal e o
operacional são iguais, e ambos são superiores ao déficit primário. Isso significa que
(A) o governo só gasta o que arrecada.
(B) não há dívida pública.
(C) a taxa de juros é zero.
(D) a taxa de inflação é zero.
(E) não há investimentos do setor público.
03. (CGU - Analista de Finanças e Controle - Área - Auditoria e Fiscalização – ESAF) Com relação
a déficit público e dívida pública, não se pode afirmar que
(A) para avaliar o estímulo do governo à atividade econômica em termos de complementação da
demanda privada, há interesse em se medir o tamanho do déficit público.
(B) quando o déficit público é menor que zero, o governo está fazendo uma política fiscal contracionista.
(C) se o déficit público for maior que zero, o governo estará contribuindo para aumentar a demanda.
(D) caso o governo incorra em um déficit, o gasto que supera a receita deverá ser financiado de alguma
forma.
(E) quanto menor for o estoque da dívida pública, maior será o gasto com juros.
04. (UFPR - Economista - NC-UFPR) Sobre os principais conceitos e definições de déficit público, é
correto afirmar:
(A) O déficit operacional resulta do déficit primário, adicionadas as despesas com juros da dívida
constituída.
(B) O déficit operacional resulta do déficit primário, adicionadas as despesas com juros da dívida
constituída, a correção monetária e a correção cambial.
(C) O déficit de caixa resulta do déficit operacional, adicionados o principal e os juros da dívida do setor
público a vencer.
(D) O déficit fiscal resulta do déficit nominal, subtraída a correção monetária.
05. (MPE/SC - Técnico em Contas Públicas – FEPESE) Assinale a alternativa que apresenta a
definição de déficit nominal.
(A) Maior saída de numerário em relação à entrada, em um determinado período.
(B) Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), incluindo os efeitos da correção
monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
(C) Despesa maior do que receita, havendo distinção entre déficit previsto e o déficit da execução
orçamentária.
(D) Necessidade de financiamento do setor público, excluindo-se os efeitos da correção monetária e
cambial nas despesas e nas receitas.
(E) Diferença entre as receitas e as despesas de um orçamento público, não se considerando, nas
receitas de capital, as operações de crédito a serem contratadas para o financiamento do déficit.
06. (ESAF - Gerência de Projetos e Governança de TI – ESAF) Considerando os conceitos básicos
em macroeconomia, é correto afirmar que:
(A) a dívida pública não pode ser maior do que o déficit público nominal.
(B) independente da renda enviada ou recebida do exterior, a dívida pública total do governo pode ser
maior do que o Produto Nacional Bruto.
(C) a poupança externa nunca pode ser negativa.
(D) um aumento no valor nominal do PIB implica necessariamente em um aumento na renda real da
economia.
(E) O PIB nominal não é influenciado pela inflação já que se trata de uma medida de desempenho real
da economia.
Gabarito
01. A / 02. D / 03. E / 04. A / 05. B / 06. B
Comentários
01. Resposta: A
A diferença entre os conceitos nominal e operacional resideno fato de que o primeiro inclui juros reais
e a inflação (correção monetária), enquanto o segundo inclui somente os juros reais. Ao mesmo tempo,
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
73
sabemos que juros reais mais a inflação nos conduzem ao conceito de juros nominais (juros nominais =
juros reais + inflação). Assim:
Déficit nominal = déficit primário + juros nominais
Déficit operacional = déficit primário + juros reais
Logo, a única alternativa que apresenta de modo correto a diferença entre o déficit nominal e o déficit
operacional é a letra A. Observe que também estaria correta se houvesse uma assertiva afirmando que
a diferença entre os dois conceitos fosse a inclusão da inflação (correção monetária) no conceito nominal.
02. Resposta: D
Vamos retomar que:
Déficit Primário: Gastos – Arrecadação. Sem correção monetária, taxa de juros ou taxa de inflação
Déficit Operacional: Déficit Primário + Juros reais da dívida. Sem correção monetária ou inflação
Déficit Nominal: Déficit Primário + Juros nominais da dívida. Com correção monetária e com inflação
DN = DO => Juros nominais da dívida =Juros reais da dívida => Inflação =0.
03. Resposta: E
Os juros são cobrados sobre o capital emprestado (dívida), portanto quanto maior a dívida, maiores
serão os gastos com juros cobrados.
04. Resposta: A
1- Déficit Nominal (DN)= Inclui todas as despesas do governo, inclusive as financeiras (Juros,
Correção monetária e Cambial), ou seja, DN= DO + Correção Monetária + Correção Cambial. Assim o
setor público vai necessitar de Financiamento privado (NFSP) para honrar seus compromissos.
2- Déficit Operacional (DO) = Déficit Nominal (DP) + Despesas com Juros, ou seja, DO=DP + Juros
3- Déficit primário (DP) ou Déficit Público = Déficit Operacional (DO) – Despesas com qualquer tipo de
encargo financeiro, ou seja, DP=DO-Juros
Logo, podemos dizer que: DP está contido no DO que está contido no DN.
05. Resposta: B
Déficit Nominal Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), incluindo os efeitos da
correção monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
06. Resposta: B
a) Incorreta. Absurda. Na verdade, as dívidas públicas dos países, em regra, são bem superiores aos
déficits públicos.
b) Correta. Em termos econômicos, não há impedimentos para que um país tenha uma dívida superior
a seu PNB. De fato, vários países hoje em dia possuem dívidas que ultrapassam seus PNB (Japão,
Grécia, Portugal, EUA, etc).
c) Incorreta. Ela pode ser negativa, positiva ou nula.
d) Incorreta. Se a inflação aumentar em um percentual superior ao aumento do valor nominal do PIB,
então, teremos uma queda da renda real da economia.
e) Incorreta. Na verdade, é o PIB real (e não o PIB nominal) que não é influenciado pela inflação.
Cartão de Crédito
Em meados de 1950, vários executivos23 financeiros estavam em um restaurante na cidade de Nova
York e um deles percebeu que tinha esquecido seu dinheiro e seu talão de cheques para pagar a conta.
Teve, então a ideia de criar um cartão em que contivesse o nome de seu proprietário e com uma
modalidade conhecida na época como “assine agora e pague depois”. O cartão era confeccionado em
papel, sendo aceito inicialmente em aproximadamente 20 restaurantes e utilizado por cerca de 150
executivos, a maioria, amigos de serviço. Foi então criado um clube que teve nome de Diners Club Card.
23 http://www.conciliadora.com.br/blog/a-historia-do-cartao-de-credito/
5 - Produtos Bancários: Noções de cartões de crédito e débito, crédito direto ao
consumidor, crédito rural, poupança, capitalização, previdência, consórcio,
investimentos e seguros
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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Com o sucesso do modelo do cartão de crédito, o Diners Club expande sua franquia para diversos
países como Hong-Kong, Japão, Malásia, Nova Zelândia, entre outros.
Apenas em 1968 chegou ao Brasil24 o primeiro cartão de crédito pertencente a uma instituição
bancária. Era o ELO e pertencia ao Banco Bradesco.
Já a partir de 1977 cada banco passou a emitir seu próprio cartão. Foi nesse período que surgiram os
cartões com tarja magnética, o que facilitou o uso para os consumidores. Em 1983 foi lançado o Cartão
de Débito.
O cartão de crédito é um serviço de intermediação que permite ao consumidor adquirir bens e serviços
em estabelecimentos comerciais previamente credenciados, mediante a comprovação de sua condição
de usuário. Tal comprovação é feita com a apresentação do cartão no ato da aquisição da mercadoria.
Juridicamente, o cartão de crédito é um contrato de adesão entre consumidor e administradora de
cartões de crédito, que tem por objeto a prestação dos seguintes serviços:
I – serviços de intermediação de pagamentos à vista entre consumidor e fornecedor pertencente a uma
rede credenciada;
II – serviço de intermediação financeira (crédito) para cobertura de obrigações assumidas através do
cartão de crédito junto a fornecedor pertencente a uma rede credenciada;
III – serviço de intermediação financeira (crédito) para cobertura de inadimplemento por parte do
consumidor de obrigações assumidas junto a fornecedor pertencente a uma rede credenciada;
IV – serviço de intermediação financeira (crédito) para empréstimos em dinheiro direto ao consumidor,
disponibilizado através de operação de saque.
O contrato de intermediação de pagamentos à vista é o contrato realizado entre o consumidor e uma
administradora de cartões de crédito, que tem por objeto a prestação do serviço de intermediação de
pagamentos à vista das obrigações assumidas por meio de cartão, até um limite estabelecido entre o
consumidor e um fornecedor de bens ou serviços pertencente a uma rede credenciada, desde que o
consumidor pague suas obrigações integralmente até o dia do vencimento da fatura e não opte pelo
parcelamento do valor das compras.
As empresas detentoras de uma determinada marca (popularmente chamadas de bandeiras)
autorizam outras empresas (chamadas emissoras) gerar cartões ostentando a respectiva marca.
Funcionamento do Cartão de Crédito
Cartão de crédito é uma forma de pagamento eletrônico. É um cartão de plástico que pode conter ou
não um chip e apresenta na frente o nome do portador, número do cartão e data de validade (pelo menos)
e, no verso, um campo para assinatura do cliente, o número de segurança e a tarja magnética (geralmente
preta). A maioria de cartões de crédito tem forma e tamanho padronizados, como especificado pelo
padrão do ISO 7810.
O cartão de crédito pode ser usado como meio de pagamento para comprar um bem ou contratar um
serviço. O titular recebe mensalmente no endereço indicado a fatura para pagamento e pode escolher
pagar o total cobrado, somente o mínimo ou algum valor intermediário, postergando o pagamento do
restante para o mês seguinte mediante cobrança de juros.
Toda conta de cartão de crédito possui um limite de compras definido pelo banco emissor. As compras
efetuadas reduzem o limite disponível até que, quando insuficiente, novas compras são negadas. O
pagamento da fatura libera o limite para ser utilizado novamente.
Atualmente, os cartões de crédito possuem avançadas tecnologias que garantem a segurança e a
comodidade dos usuários. As transações eletrônicas dão mais segurança para quem aceita pagamentos
com os cartões, pois caso o banco não aprove a compra, a negação da transação é instantânea.
Faixa Magnética
Na faixa magnética há três linhas responsáveis pela codificação dos dados bancários dos usuários dos
cartões e correntistas. Estas linhas dividas barras minúsculas que são magnetizadas para sul ou norte,
fazendo com que cada conjunto represente uma numeração diferente.
Os terminais eletrônicos instalados em estabelecimentos comerciais, ainda possui suporte para a
leitura das faixas magnéticas, mas com o passar do tempo, estas faixas começaram a perder importância
devido a grande parte dosbancos terem migrado para o uso de chips.
24 http://www.museudocartao.com.br/linha_interna.php?id=80
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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Chip
Vários cartões atualmente possuem chips e nele ficam armazenados vários dados criptografados pela
fabricante. Todas às vezes que for utilizado os dados são cruzados com as informações enviadas pelas
instituições bancárias dando mais segurança nas transações comerciais. Existem várias vantagens nos
cartões com chips. A principal delas está na necessidade de senha para sua ativação. Os cartões de
crédito mais antigos só necessitavam da parte física e de uma assinatura do portador para serem aceitos.
Atualmente a assinatura é dispensada pela exigência da senha cruzamento de dados e sua posterior
autorização.
Aprovação da compra
Havendo a aprovação da compra, a informação é redirecionada para o terminal do estabelecimento
liberando assim a compra pelo portador do cartão.
Depois de liberada a compra a administradora do cartão de crédito repassa o respectivo valor da
compra para a conta corrente da empresa que efetuou a venda. Não havendo a quitação da fatura do
cartão por parte do portador, a empresa que fornecedor o crédito fica com prejuízo, por este motivo é
cobrado juros sobre cada dívida não paga pelo portador do cartão.
Numeração do Cartão
Existe diversos cálculos que são realizados para que a criação dos cartões não fuja de um padrão
numérico. Os números contidos nos cartões de crédito tem uma razão e uma fórmula matemática para o
controle. No caso do primeiro número do cartão é representado da seguinte forma:
Inicial com número 1: alguns setores da indústria;
Inicial com número 2: empresas aéreas;
Inicial com número 3: empresas áreas e indústria relacionada;
Inicial com número 4, 5 e 6: instituições bancárias;
Inicial com número 7: empresas de petróleo;
Inicial com número 8: telecomunicações;
Inicial com número 9: empresas nacionais.
Código de Verificação do Cartão de Crédito
O código de verificação do cartão são os três ou quatro dígitos do código de segurança do cartão de
crédito. Caso esse número não seja gravado no cartão, o mesmo pode ser impresso em recibos fazendo
com que impeça a qualquer outra pessoa além do portador do cartão de crédito utilize o número.
Passo a passo de uma compra com cartão de crédito
Toda a operação de uma compra é realizada em segundos, mas o que muitos não sabem é que esse
processo envolve etapas cruciais para o procedimento de uma compra.
Ao inserir o cartão na maquininha, é enviada uma mensagem criptografada à bandeira (conhecidas
como Visa e MasterCard, por exemplo) pela adquirente. Esta mensagem contém um pedido de
autorização para que a transação possa ser realizada.
É função da bandeira entrar em contato com o banco emissor (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil) para
conferir se essa transação pode ou não ser aprovada.
Neste momento, é verificada a existência de crédito disponível no Banco. Em caso positivo, o banco
responde à mensagem de autorização para a bandeira, que autoriza a transação para a maquininha.
Neste ponto, a compra foi efetivada e ambas as partes, cliente e comerciante, ficam com uma via que
comprova a transação.
O valor efetivado na compra precisa ser pago pelo consumidor, e o varejista precisa receber o dinheiro
da venda.
Por isso, a adquirente envia para a bandeira os dados da venda. Esses dados serão validados pela
bandeira, que enviará as informações para o banco do consumidor.
A partir disso, o banco desconta as taxas aplicadas na transação e repassa o dinheiro para a
adquirente.
A adquirente, por sua vez, desconta a taxa do serviço prestado (que fora acordada previamente com
o varejista) e paga o dinheiro referente à venda.
Por fim, o banco do cliente emite uma fatura para que a compra seja paga.
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Cartão de Débito
O cartão de débito é uma forma de pagamento eletrônica que permite a dedução do valor de uma
compra diretamente na conta bancária do titular do cartão (corrente ou poupança).
Fisicamente, o cartão de débito possui as mesmas dimensões de um cartão de crédito, mas quanto ao
uso assemelha-se ao cheque, por representar uma ordem de pagamento à vista expedida sobre fundos
da conta do cliente.
Os cartões de débito muitas vezes são chamados de “dinheiro de plástico” já que, para fazer uma
compra com ele, basta inserir o cartão na maquininha, digitar uma senha e pronto: pagamento aprovado.
Diferentemente do cartão de crédito, em que o usuário paga a compra cerca de um mês depois de ter
feito a transação, no débito esse pagamento é na hora e o dinheiro sai diretamente da conta do usuário.
Isso significa que, para fazer uma compra usando o cartão de débito, é preciso ter o saldo em sua
conta-corrente, conta-poupança ou qualquer outro tipo de conta que você possuir.
Caso o usuário não possua o saldo necessário para pagar a compra, o pagamento não é aprovado ou
o pagamento é aprovado, mas o usuário entra no cheque especial, se tiver um limite de crédito.
Exatamente por isso que o cartão de débito é o meio de pagamento mais próximo do dinheiro físico.
Este também é o motivo pelo qual o cartão de débito só faz pagamentos à vista: o dinheiro sai da conta
no mesmo momento do pagamento. No caso do cartão de crédito, é possível fazer compras parceladas
porque o pagamento é feito somente após o fechamento da fatura.
Rede de Aceitação (Adquirentes)
São companhias que efetuam as transações financeiras. Ou seja, são instituições que aceitam o
pagamento da compra.
Ainda que as operadoras de cartão de crédito e as bandeiras desempenhem papéis relacionados nas
operações financeiras via cartão, são coisas diferentes. As operadoras, também chamadas de
adquirentes, possibilitam a comunicação entre as bandeiras e os bancos emissores.
Os adquirentes são responsáveis por processar pagamentos no e-commerce e nas lojas físicas. Ela é
a tradicional “maquininha” que faz a comunicação direta entre a loja (física ou online), bandeiras e os
bancos emissores de cartões.
Essas empresas possuem soluções que permitem estabelecer uma conexão direta com o e-commerce
e lojas físicas.
Em uma compra, por exemplo, a adquirente começa a fazer o seu papel a partir do momento que o
cliente insere os dados bancários para realizar uma compra.
Assim, a adquirente “conversa” diretamente com as bandeiras, que verificam com os bancos
emissores, para analisar se existe saldo ou crédito para que a transação seja realizada.
Além disso, obrigatoriamente, as adquirentes possuem o certificado de PCI Compliance, uma das
maiores soluções de segurança do mundo.
Essa certificação é necessária para todas as empresas que realizam o processamento,
armazenamento e transmissão dos dados de cartões pela web. É requerida para a garantia de segurança
de informações sensíveis.
Alguns exemplos das principais adquirentes disponíveis no mercado são: Cielo, Rede, Stone e Getnet.
Essas adquirentes são as responsáveis por se comunicar com bandeiras como Visa, MasterCard, Elo
e bancos emissores, como o Bradesco, Itaú, Santander, entre outras agências.
Bandeiras de Cartão
A bandeira de cartão realiza a mediação das operações de venda que são realizadas em um
estabelecimento comercial, junto à operadora do cartão de crédito. Dessa forma, como ela faz a
intermediação dessa relação, a principal função da bandeira do cartão é diz respeito à aceitabilidade do
cartão de crédito ou débito nos pontos de venda. E esse tipo de empresa também que determina as
regras de utilização do cartão.
O cartão de crédito ou débito só é aceito em determinado estabelecimento por meio da bandeira, que
valida a maquininha (aquela que usamos para passar o cartão). E na hora da compra, ela se comunica
com a administradora do cartão de crédito para validar a transação.
É de responsabilidade dasbandeiras:
O gerenciamento das tecnologias (maquininhas);
Aceitar as transações;
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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Cobrar uma porcentagem do estabelecimento a cada venda realizada;
Analisar o perfil de consumo dos clientes.
Credenciar estabelecimentos.
As principais bandeiras de cartão de crédito no Brasil, são :Visa; Mastercard; Elo; American Express;
Diners Clube; Hipercard.
Crédito direto ao consumidor
Quem já teve a experiência de comprar um eletrodoméstico pagando em muitas vezes pode até não
saber, mas com certeza o fez através do Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Este conceito de
empréstimo é cedido por instituições financeiras, bancos, ou através das lojas de departamentos. As
compras a prazo no cartão de crédito também podem ser consideradas Crédito Direto ao Consumidor
(CDC).
A vantagem deste tipo de empréstimo é que o consumidor passa a possuir o bem no ato da compra,
sem precisar ter pago seu valor total. As parcelas são acrescidas de juros cujas taxas são menores do
que os do cheque especial ou dos cartões de crédito: por outro lado, são bem maiores do que o
rendimento da caderneta de poupança. As taxas variam segundo a instituição financeira e podem ser
consultadas no site do Banco Central.
O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) também é oferecido dentro de um pacote de serviços de
bancos, como opção de empréstimo pré-aprovado, imediato e sem burocracia para os correntistas com
renda estável. O pagamento pode ser feito em até 60 meses e as parcelas são debitadas
automaticamente da conta corrente.
É importante, antes de pedir um CDC, fazer um controle de despesas rigoroso: pode ser fácil conseguir
o empréstimo, mas pagar a dívida, nem sempre. Infelizmente, a inadimplência tem crescido no Brasil, e
portanto, é bom seguir algumas regras básicas na hora de contratar um Crédito Direto ao Consumido
(CDC). Em geral, uma prestação que não exceda 30% da renda mensal é uma boa base para um
empréstimo seguro.
Geralmente são apresentadas as seguintes condições:
- Prazos: De 1 a 60 meses, dependendo do bem financiado.
- Entrada Mínima (sob consulta): Varia em função do prazo da operação e do tipo de bem ou serviço
escolhido.
- Tributação: IOF - Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativos a títulos e
valores imobiliários.
Crédito rural
O Crédito Rural abrange recursos destinados ao custeio, investimento ou comercialização. As suas
regras, finalidades e condições estão estabelecidas no Manual de Crédito Rural (MCR), elaborado pelo
Banco Central do Brasil. Essas normas são seguidas por todos os agentes que compõem o Sistema
Nacional de Crédito Rural (SNCR), como bancos e cooperativas de crédito. Representa importante
operação ativa realizada pelo Banco do Brasil, sendo que tal instituição é o principal agente do Governo
Federal neste segmento.
As fontes de recursos do Crédito Rural
O crédito rural pode ser concedido com recursos de 2 categorias:
a) controlados: assim considerados da exigibilidade de recursos obrigatórios, das Operações Oficiais
de Crédito sob supervisão do Ministério da Fazenda; da poupança rural, do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) e do Fundo de Investimento Extramercado (outro fundo administrado pelo Governo
Federal), quando aplicados em operações subvencionadas pela União sob a forma de equalização de
encargos financeiros, além de outros que vierem a ser especificados pelo Conselho Monetário Nacional;
b) não controlados: assim considerados os da exigibilidade e livres da poupança rural, de fundos,
programas e linhas específicas, de recursos livres.
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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As aplicações em crédito rural
A instituição financeira deve consignar no instrumento de crédito a fonte dos recursos utilizados no
financiamento, observada a classificação do parágrafo anterior, registrando a denominação do fundo,
programa ou linha específica, se for o caso.
Os financiamentos ao amparo de recursos controlados do crédito rural podem ser concedidos
diretamente a produtores rurais ou repassados por suas cooperativas.
A legislação específica do segmento determina a aplicação obrigatória em crédito rural de uma parcela
de recursos captados pelas instituições financeiras.
As normas existentes detalham como é calculada esta parcela e quais instituições estão sujeitas ao
cumprimento de tal obrigatoriedade.
Geralmente, nesta modalidade, as operações de crédito rural realizadas pelas instituições financeiras
têm taxas subsidiadas.
De igual modo, uma parcela dos recursos livres de uma instituição financeira (e recebem este nome
pois a instituição financeira pode aplicar livremente) pode ser aplicada no crédito rural, desde que as taxas
destas operações observem as taxas das operações bancárias comuns. Isto quer dizer que operações
de crédito rural contratadas com recursos livres não são subsidiadas.
As linhas de Crédito Rural
As principais linhas de crédito rural podem ser resumidas em 3 grandes grupos:
1) Créditos de Custeio: destinam-se ao custeio das despesas normais da atividade, como por
exemplo, do ciclo produtivo de lavouras periódicas, da entressafra de lavouras permanentes, de
exploração pecuária e do beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários.
2) Créditos de Investimentos: São utilizados para o financiamento de investimentos fixos, semifixos.
São exemplos de investimento fixos a construção, reforma ou ampliação de benfeitorias e instalações
permanentes e a aquisição de máquinas e equipamentos de provável vida útil superior a 5 anos.
São exemplos de investimentos semifixos a aquisição de animais de pequeno, médio e grande porte
para criação, recriação, engorda ou serviço e a aquisição de veículos, tratores colheitadeiras,
implementos, embarcações e aeronaves que necessariamente devem ser utilizas na atividade
agropecuária.
3) Créditos de Comercialização: Têm o objetivo de assegurar ao produtor rural ou às suas
cooperativas os recursos necessários à comercialização de seus produtos no mercado, compreendendo
a pré-comercialização, o desconto, os adiantamentos a cooperados por parte de cooperativas na fase
imediata à colheita da produção própria ou de cooperados.
Poupança
A conta poupança é um tipo de conta bancária, de baixo risco e de rendimento pré-fixado de 0,5% ao
mês mais a correção da TR - Taxa Referencial, garantida pelo FGC - Fundo Garantidor de Crédito até o
valor de R$ 250.000,00 por cliente, independente de qual banco é a sua depositária.
Importante destacar que atualmente o limite de ressarcimento do FGC é de 250 mil reais por CPF, por
instituição financeira. Assim, se uma única pessoa tem, em um mesmo banco, conta corrente, conta
poupança e CDB, por exemplo, a cobertura global dos três produtos será de 250 mil reais.
Isso significa que se o total depositado nas três modalidades for de 300 mil reais, por exemplo, essa
pessoa receberá de volta apenas 250 mil reais, em caso de quebra do banco.
Desde 4 de maio de 2012 a poupança no Brasil passou a seguir a taxa Selic, assim, sempre quando
esta estiver igual ou inferior a 8,5% a remuneração será de 70% da Selic mais a taxa referencial.
O BC estabeleceu, ainda, que os depósitos até R$ 5 mil, efetuados por intermédio de cheques em
contas de poupança, continuarão a ter o mesmo tratamento atual, de serem remunerados a partir da data
em que realizados.
Tipos de cadernetas de poupança
Talvez a caderneta de poupança tradicional seja a única aplicação em que se pode aportar pequenas
quantias de dinheiro e ter liquidez imediata. Contudo, a rentabilidade é perdida quando o saque é
feito fora da data de aniversário, ou seja, da data em que a aplicação foi feita.
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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A poupança é remunerada mensalmente por uma taxa de juros de 0,5%, aplicada sobre os valores
atualizadospela TR (taxa referencial) na sua data de aniversário. Ela rende, portanto, de acordo com a
quantidade de dias úteis no mês e a variação da TR do período.
A caderneta recebe depósitos tanto de pessoas físicas quanto de empresas (inclusive micro e
pequenas empresas), sendo que sua abertura pode ser feita em qualquer dia do mês. As contas abertas
nos dias 29, 30 e 31, contudo, passam a valer somente a partir do primeiro dia útil do mês seguinte.
Para pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos, a remuneração da aplicação é mensal e não há
incidência de imposto de renda (IR) sobre ganhos de capital. Para empresas (pessoas jurídicas com fins
lucrativos), a remuneração é trimestral e há incidência do imposto de renda (pela tabela regressiva).
Ademais, como já foi dito, seus rendimentos são garantidos pelo governo, por meio do FGC, no limite
de R$ 250 mil. E você pode ter quantas cadernetas quiser.
Outras modalidades de caderneta de poupança
Atualmente, além da tradicional, existem outros quatro tipos distintos de caderneta de poupança: de
rendimento trimestral, de rendimento crescente, com finalidade específica e rural. How Stuff Works
explica como funciona cada um deles:
a) Rendimento trimestral: criada em 1993, esta caderneta só permite o resgate com prazo mínimo
de 90 dias, para que o rendimento não seja perdido. Sua remuneração é dada pela variação da TR, mais
0,5% ao mês, além de um adicional de 0,38% (alíquota atual da CPMF). Novas aplicações somente são
aceitas na data de aniversário da aplicação, que é trimestral.
b) Rendimento crescente: esta caderneta aceita somente um depósito inicial em cada conta e,
obviamente, apenas um resgate, o que a torna pouco flexível. Sua remuneração é calculada sobre a
variação da TR do período, corrigida trimestralmente, de forma crescente, conforme a sequência abaixo:
- 1,5% ao trimestre, do primeiro a terceiro trimestres;
- 1,705% ao trimestre, do quarto ao oitavo trimestres;
- 1,942% ao trimestre, do nono ao décimo primeiro trimestres; e
- 2,177% ao trimestre, do décimo segundo trimestre em diante.
O poupador se beneficia, ainda, de um adicional compensatório da CPMF sobre o saque, desde que
o mesmo não seja feito antes de 90 dias de aplicação.
c) Com finalidade específica: A mecânica de remuneração desta caderneta de poupança é idêntica
à tradicional mensal (TR + 0,5%) ou trimestral (TR + 1,5%). A diferença é que sua utilização ocorre apenas
em fins específicos, como por exemplo, a caução da fiança de um locatário. As modalidades disponíveis
são:
- Garantia locatícia;
- Revendedores lotéricos;
- Trabalho de condenado;
- o Crédito de valores de quotas de PIS/Pasep, do FGTS, de fundos de investimento e de saldos
liberados nas contas de depositantes falecidos, e
- o leiloeiros.
d) Rural (caderneta verde): esta caderneta de poupança é idêntica à tradicional. A única diferença é
que os recursos captados são destinados para o financiamento de operações rurais (e não para o SFH).
As instituições que oferecem exclusivamente estes produtos são: Banco da Amazônia, Banco do
Nordeste, Banco do Brasil e os Bancos Cooperativos.
Vale lembrar que as instituições financeiras, motivadas pela alta competitividade do setor, oferecem
uma ampla gama de aplicações de poupança. Estas centenas de produtos, no entanto, não são nada
mais do que variantes dos tipos de caderneta relacionados neste artigo.
É muito comum que os bancos ofereçam facilidades e serviços agregados às cadernetas, como, por
exemplo, depósitos e saques diretos pela conta corrente, mesmo número e senha da conta corrente,
aplicação e resgate pelo telefone programação do investimento por períodos de até 1(um) ano, entre
outros.
Mas não se engane, a remuneração da caderneta de poupança é definida pelo Banco Central e os
valores nunca mudam, independente do seu banco, tampouco do produto que você aplica.
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O que é Poupança e Investimento?
Os recursos necessários para uma aplicação provêm da parcela não consumida da renda, a qual se
dá o nome de poupança (por menor que seja seu valor) ou uma disponibilidade financeira, pode efetuar
um investimento, dele esperando obter:
- reserva para qualquer despesa imprevista e uma garantia para o futuro - SEGURANÇA;
- boa remuneração – RENTABILIDADE;
- esperança de ver crescer o capital empregado – VALORIAZAÇÃO;
- defesa contra eventual desvalorização do dinheiro – PROTEÇÃO;
- oportunidade de associação com empresas dinâmicas – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO;
- rápida disponibilidade do dinheiro aplicado - LIQUIDEZ.
Por que e onde Investir?
Todo investidor busca a otimização de três aspectos básicos em um investimento: retorno, prazo e
proteção.
Ao avaliá-lo, portanto, deve estimar sua rentabilidade, liquidez e grau de risco. A rentabilidade é sempre
diretamente relacionada ao risco. Ao investidor cabe definir o nível de risco que está disposto a correr,
em função de obter uma maior ou menor lucratividade.
Investimentos Imobiliários
Envolvem a aquisição de bens imóveis, como terrenos e habitações. Para a economia como um todo,
entretanto, a compra de um imóvel já existente não constitui investimento, mas apenas transferência de
propriedade.
Os objetivos do investidor em imóveis são geralmente distintos daqueles almejados pelos que
procuram aplicar em valores mobiliários, sobretudo no que se refere ao fator liquidez de um e de outro
investimento.
Investimento em Títulos
Abrangem aplicações em ativos diversos, negociados no mercado financeiro (de crédito), que
apresentam características básicas com referência a:
- renda - variável ou fixa;
- prazo - variável ou fixo;
- emissão - particular ou pública.
Renda
A renda é fixa quando se conhece previamente a forma do rendimento que será conferida ao título.
Nesse caso, o rendimento pode ser pós ou prefixado, como ocorre, por exemplo, com o certificado de
depósito bancário.
A renda variável será definida de acordo com os resultados obtidos pela empresa ou instituição
emissora do respectivo título.
Prazo
Há títulos com prazo de emissão variável ou indeterminado, isto é, não têm data definida para resgate
ou vencimento, podendo sua conversão em dinheiro ser feita a qualquer momento. Já os títulos de prazo
fixo apresentam data estipulada para vencimento ou resgate, quando seu detentor receberá o valor
correspondente à sua aplicação, acrescida da respectiva remuneração.
Capitalização
A Capitalização é um instrumento financeiro diferente de qualquer outro. É uma forma alternativa de
acumular reservas com prazo e taxas de juros previamente determinados. É o instrumento ideal para
quem deseja realizar um projeto de vida bem especial.
Diferente da Caderneta de Poupança, um Título de Capitalização tem prazo de carência para resgates,
em geral, de 12 meses. Por esta razão, a aplicação em Títulos de Capitalização tornou-se uma das formas
mais atraentes para planejar o futuro: o estudo dos filhos, a viagem de férias, a montagem de um negócio,
a formação profissional, a compra de um carro e tantos outros projetos que exigem investimento e
disciplina para que se tornem realidade.
Depois de conviver tantos anos com inflação, o surgimento de instrumentos como o Título de
Capitalização vem transformando a vida de muitos brasileiros, estimulando a cultura da poupança e
1682404 E-book gerado especialmente para JOAO AFONSO VIEIRA JR
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abrindo a perspectiva de multiplicar o patrimônio por meio de sorteios. Os valores aplicados podem ser
capitalizados mensalmente ou de uma só vez.
A premiação é efetuada por meio de sorteios periódicos realizados pelas empresas de capitalização
ou não, sendo a forma mais frequente a utilização de combinação de dezenas, em série de números
previamente estabelecidos, tendo como base os sorteios da Loteria Federal.
Títulos de capitalização
É uma aplicação pela qual osubscritor (comprador do título) constitui um capital, segundo cláusulas e
regras aprovadas e mencionadas no próprio título (Condições Gerais do Título) e que será pago em
moeda corrente num prazo máximo estabelecido.
Eles são considerados, para todos os fins legais, títulos de crédito.
O título de capitalização só pode ser comercializado pelas sociedades de capitalização devidamente
autorizadas a funcionar.
A contratação de um título é realizada através do preenchimento e da assinatura do contrato.
O envio (a entrega) da proposta devidamente assinada representa a concretização da subscrição do
Título, sendo proibida a cobrança de qualquer taxa a título de inscrição.
Importante destacar que as Condições Gerais do título devem estar disponíveis ao subscritor no ato
da contratação.
A disponibilização das Condições Gerais em momento posterior ao da contratação constitui violação
às normas, sendo a Sociedade, portanto, passível de multa; O título pode ser adquirido para outra pessoa,
aliás, o subscritor, que é a pessoa que adquire o título e assume o dever de efetuar os pagamentos, pode,
desde que comunique por escrito à Sociedade, a qualquer momento, e não somente no ato da
contratação, definir quem será o titular, isto é, quem assumirá os direitos relativos ao título, tais como o
resgate e o sorteio; Os títulos mais comuns no mercado são: o PM (pagamento mensal) e o
PU(pagamento único).
O PM é um plano em que os seus pagamentos, geralmente, são mensais e sucessivos.
É possível que após o último pagamento, o plano ainda continue em vigor, pois seu prazo de vigência
pode ser maior do que o prazo de pagamento estipulado na proposta. Por sua vez, o PU é um plano em
que o pagamento é único (realizado uma única vez), tendo sua vigência estipulada na proposta.
Enquanto que o prazo de pagamento é o período durante o qual o Subscritor compromete-se a efetuar
os pagamentos que, em geral, são mensais e sucessivos.
Outra possibilidade, como colocada acima, é a de o título ser de Pagamento Único (P.U.). Prazo de
Vigência, por sua vez, é o período durante o qual o Título de Capitalização está sendo administrado pela
Sociedade de Capitalização, sendo o capital relativo ao título atualizado monetariamente pela TR e
capitalizado pela taxa de juros informada nas Condições Gerais. Tal período deverá ser igual ou superior
ao período de pagamento.
Previdência
Previdência privada, também chamada de Previdência complementar, é uma forma de seguro
contratado para garantir uma renda ao comprador ou seu beneficiário. O valor do prêmio é aplicado pela
entidade gestora, que com base em cálculos atuariais, determina o valor do benefício.
Em resumo, pode-se dizer que é um sistema que acumula recursos que garantam uma renda mensal
no futuro, especialmente no período em que se deseja parar de trabalhar. Num primeiro momento, era
vista como uma forma uma poupança extra, além da previdência oficial, mas como o benefício do governo
tende a ficar cada vez menor, muitos adquirem um plano como forma de garantir uma renda razoável ao
fim de sua carreira profissional.
Há dois tipos de plano de previdência no Brasil. A aberta e a fechada.
A aberta pode ser contratada por qualquer pessoa, enquanto a fechada é destinada a grupos, como
por exemplo, funcionários de uma empresa.
Benefícios dos Planos Previdenciários
Os planos de aposentadoria e pensão privados podem ser contratados deforma individual ou coletiva
(averbados ou instituídos); e podem oferecer juntos ou separadamente, alguns tipos básicos de
benefícios, quais sejam:
- Renda por sobrevivência - renda a ser paga ao participante do plano que sobreviver ao prazo de
diferimento contratado, geralmente denominada de aposentadoria.
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- Renda por invalidez - renda a ser paga ao participante, em decorrência de sua invalidez total e
permanente ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de carência estabelecido
no Plano; Planos de Aposentadoria.
- Pensão por morte - renda a ser paga ao(s) beneficiário(s) indicado(s) na proposta de inscrição, em
decorrência da morte do Participante ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período
de carência estabelecido no Plano.
- Pecúlio por morte - importância em dinheiro, pagável de uma só vez ao(s) beneficiário(s) indicado(s)
na proposta de inscrição, em decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de cobertura
e após cumprido o período de carência estabelecido no Plano.
- Pecúlio por invalidez - importância em dinheiro, pagável de uma só vez ao próprio participante, em
decorrência de sua invalidez total e permanente ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido
o período de carência estabelecido no Plano.
A SUSEP e as entidades que atuam no sistema criaram os seguintes planos padrões que atualmente
são comercializados pelo mercado de previdência aberta complementar:
PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre
A legislação não exige depósitos periódicos no caso dos PGBLs, tipo contribuições mensais.
Os depósitos podem ser feitos à medida que haja recursos disponíveis, dentro do que for contratado
com o administrador. O participante deve verificar se tem renda para garantir o fluxo de pagamentos
acertado no contrato.
O período de contribuição para os planos depende do prazo existente entre a decisão de poupar e a
idade que o contribuinte deseja receber o benefício.
Quanto antes começa um plano de previdência privada, mais fácil é formar a poupança, porque o
volume de dinheiro que será poupado será distribuído por um número maior de meses.
Segundo, porque o efeito da parte dos juros no capital final é maior quanto maior o tempo de
contribuição. A poupança que vai garantir o pagamento dos benefícios é formada por dois valores básicos.
Um é a soma das contribuições feitas, retirando daí todos os custos. O outro é o rendimento obtido ao
longo dos anos. Quanto maior o número de anos, maior a contribuição do rendimento na formação do
capital.
VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre
O VGBL – Vida Gerador de Benefícios Livres dá ao cliente o direito de resgatarem vida, após o período
de carência, uma parte ou a totalidade do montante aplicado, acrescido do rendimento durante esse
período.
O VGBL é bastante parecido com o PGBL. Isso porque o investidor também tem seus recursos
aplicados em um FIF exclusivo, sendo cobrada taxa de carregamento, e ainda pode optar pelo perfil do
fundo em que aportará suas reservas.
O VGBL não tem garantia de remuneração mínima, sendo o benefício baseado na rentabilidade da
carteira de investimento do FIF. A transferência (portabilidade) dos recursos de uma seguradora para
outra é permitida, devendo apenas ser respeitado o período de carência, que ainda não foi regulamentado
pela Susep (Superintendência de Seguros Privados).
Conforme exposto, o PGBL e o VGBL são produtos com características bastante semelhantes. A
grande diferença está no tratamento fiscal. No PGBL, o investidor conta com o incentivo fiscal concedido
aos planos de previdência, que permite ao poupador deduzir de sua base de cálculo do Imposto de Renda
contribuições feitas a estes planos, até o limite de 12% de sua renda bruta anual.
Já o VGBL não conta com esse incentivo, mas, em compensação, o investidor não é tributado com
base na tabela progressiva no momento do resgate ou do recebimento do benefício, como ocorre no
PGBL. Sua tributação acontece apenas em relação ao ganho de capital – ou seja, o lucro. Sendo assim,
o VGBL torna-se um produto ideal para pessoas que atuam na economia informal ou que estão isentas
do Imposto de Renda e, por isso, não podem contar com a vantagem fiscal do PGBL e dos planos de
previdência em geral.
Consórcios
O consórcio é uma modalidade de aquisição, baseada na união de pessoas que têm o objetivo comum
de adquirir um bem ou serviço. Mensalmente,todos os integrantes contribuem com um valor determinado,
formando uma poupança comum a todos.
Até o fim do período estipulado em contrato, todos têm acesso à sua carta de crédito e podem adquirir
o bem desejado. Caso queira aumentar as chances de contemplação, existe a possibilidade de ofertar
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um lance, que nada mais é que um valor oferecido pelo participante como antecipação de parcelas do
consórcio. É possível planejar diversos tipos de aquisição, pois existem consórcios para bens móveis —
como carros, motos e caminhões —, imóveis — casas, apartamentos e prédios comerciais — e até
serviços — viagens, tratamentos estéticos etc.
O consórcio é organizado por empresas, chamadas de administradoras e o funcionamento delas é
fiscalizado pelo Banco Central do Brasil. Como é isso que garante a segurança das suas transações, é
muito importante checar a lista no site dessa instituição fiscalizadora antes de começar a investir.
Investimentos
Há muitos tipos de fundos mútuos com diferentes objetivos para atender às necessidades do
investidor. Em geral, existem três tipos básicos: fundos de ações, fundos de renda fixa e fundos
balanceados.
Fundos Mútuos de Ações
Os fundos mútuos de ações investem principalmente em ações ordinárias e representam a maior
categoria dos fundos mútuos. Alguns fundos de ações investem apenas em empresas de um país ou
indústria específica enquanto outros podem investir amplamente em qualquer país ou indústria.
Características Gerais
Uma vez que tais fundos estão sujeitos à atividade do mercado, os fundos de ações são associados
com maior risco do que os fundos de renda fixa. Todavia, pelas mesmas razões, eles também oferecem
retornos potenciais mais elevados. Ao passo que o valor de uma ação pode subir e cair rapidamente ao
longo de um curto espaço de tempo, a história tem mostrado que as ações têm melhor desempenho no
longo prazo em comparação a outros tipos de investimentos, tais como obrigações e instrumentos de
mercados monetários.
Perfil do Investidor
Os fundos de ações são geralmente apropriados para investidores mais agressivos, com um horizonte
de investimento mais longo.
Fundos De Renda Fixa
Os fundos de renda fixa investem principalmente em instrumentos de dívida de longo prazo, tais como
títulos de empresas, de governo e municípios, debêntures e hipotecas, com uma taxa de juros definida.
Características Gerais
Os fundos de renda fixa têm o propósito de fornecer aos investidores um rendimento corrente, e em
determinadas situações também o potencial de ganho de capital. Os fundos de renda fixa podem ser
afetados por mudanças nas taxas de juros, variações cambiais e pelo panorama econômico.
Perfil do Investidor
Os fundos de renda fixa podem ser apropriados para investidores conservadores que estejam
buscando fluxo de caixa regular. Este tipo de fundo também é uma boa escolha para adicionar
diversificação a qualquer carteira de investimento.
Fundos balanceados
Fundos balanceados investem principalmente em ações e ativos de renda fixa, variando ativos entre
ações, títulos e instrumentos financeiros de alta liquidez dependendo das atuais condições de mercado.
Características Gerais
Os fundos balanceados têm a intenção de fornecer uma mistura balanceada de segurança, rendimento
e valorização do capital. Os fundos mútuos balanceados são afetados por mudanças nas taxas de juros,
pelo desempenho do mercado de ações e pelo panorama econômico.
Um outro fundo parecido é um fundo de alocação de ativos, que mantém objetivos comparáveis aos
dos fundos balanceados, mas que tipicamente não mantêm uma percentagem específica de nenhuma
classe de ativo. Em fundos de alocação de ativos, o gestor de carteira pode escolher livremente os ativos,
a quantidade, e determinar o que pode trazer mais benefícios em vista das tendências atuais e futuras do
mercado.
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Perfil do Investidor
Os fundos balanceados podem ser apropriados para investidores que estejam em busca de carteiras
mais diversificadas em um fundo. Caso o investidor seja iniciante no investimento em fundo mútuo ou
tenha apenas um pequeno valor para investir, um fundo balanceado pode ser um bom ponto de partida.
Este tipo de fundo pode dar benefícios de diversificação em um único fundo.
Tipos específicos de Fundos
Fundo Mútuo de Investimento em Debêntures e Notas Promissórias (Commercial Papers)
Semelhante aos fundos de renda fixa.
A diferença essencial é que:
- os fundos de renda fixa carregam títulos de emissão de instituições financeiras;
- os Fundos Mútuos de Investimento em Debêntures e Notas Promissórias carregam títulos de emissão
de empresas.
- Permitem que pequenos e médios investidores tenham, indiretamente, acesso às Debêntures (hoje
inacessíveis pelos seus altos valores de face).
Fundo Mútuo de Investimento em ações (FMIA)
É um fundo destinado a investidores atraídos pelo mercado de ações que não tenham tempo ou
conhecimento para investir.
Formado por cotas com variação diária de valor.
Aplicações e restantes feitos por telefone (Com créditos e débitos automáticos na conta corrente).
Resgate - conversão das cotas é feita no dia seguinte.
Carteira de aplicações:
- 51% em ações de companhias abertas;
- outros valores mobiliários emitidos por companhias abertas;
- cotas de FIF e títulos de renda fixa;
Pode manter posições em mercados organizados de liquidação futura - máximo 9% do PL.
O resgate pode ser efetuado a qualquer tempo, embora os estatutos prevejam a possibilidade de
carência.
Instituições não financeiras podem administrar estes fundos.
Fundo Mútuo de Investimento em ações - carteira livre (FMIA-CL)
É um fundo de ações que tem a alternativa de concentrar suas aplicações em operações de maior
risco e, portanto, com a possibilidade de alcançar maiores ganhos ou perdas.
Sua composição consiste, no mínimo, de 51% de suas aplicações em:
- ações, bônus de subscrição e debêntures conversíveis em ações das companhias abertas de
depósito de ações, negociáveis no país, de empresas do Mercosul;
As posições em mercados organizados de liquidação futura, envolvendo contratos referenciados em
ações ou índices de ações desde que não caracterize operações de hedge ou rendimentos pré-fixados;
O saldo de recursos (até 49%) poderá ser aplicado em outros valores mobiliários de emissão de
companhias abertas, adquiridos em bolsas de valores, mercados de balcão organizados, ou durante o
período de distribuição pública;
- cotas de FIF e títulos de renda fixa;
- cotas de FMIA e FMIA-CL.
Fundo de Investimento em Cotas de Fundo Mútuo de Investimento em ações
Fundos cuja carteira é composta de aplicações em cotas de FMIA, FMIA-CIL no limite mínimo de 95%.
Os saldos dos recursos podem ser aplicados em cotas de FIF ou títulos de renda fixa.
As demais características são idênticas às dos FMIA / FMIA-CL.
Estes fundos foram uma alternativa para pequenas instituições que não possuem uma infraestrutura
para adequada análise do mercado de ações.
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Seguros
Apólices de Seguro
Uma apólice é um documento emitido por uma seguradora, que formaliza a aceitação do risco objeto
do contrato de seguro. Nela estão discriminadas uma série de condições, como o bem segurado ou a
pessoa segurada, as coberturas e garantias contratadas, o valor do prémio, assim como o prazo do
contrato, entre outras.
A emissão da apólice não condiciona o início da cobertura do bem. O bem estará coberto assim que o
risco tiver sido aceito pelo Corretor de Seguros, caso tenha poderes para o fazer, ou mais vulgarmente
pela própria seguradora. Esta operação poderá resultar na emissão de um bilhete de seguro ou certificado
de cobertura. A apólice será enviada posteriormente.
Planosde Seguro
As sociedades seguradoras são as únicas entidades a negociar planos de seguros.
Para tanto, tais entidades seguem um conjunto de regras definidas em legislação especifica relativa
ao assunto.
Os planos de seguros existentes no mercado brasileiro são:
1. Seguro rural;
2. Seguro contra incêndio;
3. Seguro garantia;
4. Seguro de pessoas;
5. Seguro de transporte;
6. Seguro de crédito interno;
7. Seguro de automóveis.
Seguro Rural
O Seguro Rural é um dos mais importantes instrumentos de política agrícola, por permitir ao produtor
proteger-se contra perdas decorrentes principalmente de fenômenos climáticos adversos. Contudo é mais
abrangente, cobrindo não só atividade agrícola, mas também a atividade pecuária, o patrimônio do
produtor rural, seus produtos, o crédito para comercialização desses produtos, além do seguro de vida
dos produtores.
O objetivo maior do Seguro Rural é oferecer coberturas, que ao mesmo tempo atendam ao produtor e
a sua produção, à sua família, à geração de garantias a seus financiadores, investidores, parceiros de
negócios, todos interessados na maior diluição possível dos riscos, pela combinação dos diversos ramos
de seguro.
Seguro contra incêndio
Para fins de seguro, o incêndio pode ser definido como fogo que se propaga, ou se desenvolve com
intensidade, destruindo e causando prejuízos (danos). Para que fique caracterizado a ocorrência de
incêndio, para fins de seguro, não basta que exista fogo é preciso:
- que o fogo se alastre, se desenvolva, se propague;
- que a capacidade de alastrar-se não esteja limitada a um recipiente ou qualquer outro local em que
habitualmente haja fogo, ou seja, que ocorra em local indesejado ou não habitual; e
- que o fogo cause danos.
Seguro de Garantia
É um seguro que tem a finalidade de garantir o fiel cumprimento das obrigações contraídas pelo
tomador junto ao segurado em contratos privados ou públicos, bem como em licitações.
As partes se relacionam da seguinte forma: o segurado recebe uma apólice de seguro emitida pela
seguradora, garantindo as obrigações do tomador contraídas no contrato principal. Para que se conclua
a operação, a seguradora e o tomador assinam o contrato de contra garantia, garantindo o direito de
regresso da seguradora contra o tomador em um eventual sinistro.
O tomador é a pessoa jurídica ou pessoa física que assume a tarefa de construir, fornecer bens ou
prestar serviços, por meio de um contrato contendo as obrigações estabelecidas.
Ao mesmo tempo, torna-se cliente e parceiro da seguradora, que passa a garantir seus serviços.
O Tomador é o risco; o interessado em cumprir o contrato. É ele quem paga o prêmio do seguro;
O segurado é a pessoa física ou jurídica contratante da obrigação junto ao tomador e o segurador é
quem garante a realização do contrato. Geralmente este seguro é utilizado na construção civil, porém
pode ser aplicado em contratos de prestação de serviços, fornecimento e obrigações aduaneiras.
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As relações entre o tomador e a seguradora regem-se pelo estabelecido na proposta de seguro e no
contrato de contra garantia.
Tal contrato é o instrumento legal que permite obter ressarcimento junto ao tomador e seus fiadores
dos valores pagos pela seguradora ao segurado. Este contrato não interfere no direito do segurado.
Seguro de Pessoas
São feitas pelas seguradoras visando a proteção de riscos suportados por pessoas físicas. Podem ser
subdivididos nas seguintes modalidades:
- Seguro de vida em grupo: garantem um pagamento de uma indenização ao segurado e aos seus
beneficiários observadas as garantias contratadas que podem ser básicas (geralmente morte ou invalidez
permanente) ou adicionais. São feitos para garantir duas ou mais pessoas, sendo obrigatoriamente
contratados por uma estipulante, que representa os segurados;
- Seguro de acidentes pessoais: garante o pagamento de uma indenização ao segurado ou a seus
beneficiários, caso aquele venha a sofre um acidente pessoal;
- Seguro de vida individual: é o seguro que garante um único segurado, contratado pelo próprio
interessado;
- Seguro educacional: auxilia o custeio das despesas com educação dos beneficiários do segurado, à
luz da ocorrência dos riscos segurados definidos no contrato;
- Seguro prestamista: são seguros em grupo, onde os segurados convencionam pagar prestações ao
estipulante pelo valor do saldo da dívida ou do compromisso feito pelo segurado.
Seguro de Transporte
Para que possamos compreender como funciona o seguro de transporte, temos que entender como
está estruturada a operação de transporte.
O conhecimento de embarque é o contrato feito para o transporte da mercadoria entre comprador (ou
vendedor) e o transportador (ou operador de transporte multimodal). A relação existente entre as partes
deverá ser definida no contrato de compra e venda, uma vez que a definição de quem tem a obrigação
de contratar o frete constará deste.
Os principais contratos de transporte são:
- FOB: O vendedor é o responsável pela contratação do transporte e do seguro da mercadoria até a
colocação da mesma a bordo da embarcação. Cabe ao comprador contratar o transporte e o seguro a
partir deste ponto;
- CIF: este contrato prevê a obrigatoriedade do vendedor providenciar o transporte e o seguro até o
porto de destino final. Costuma ser utilizado nas exportações brasileiras; Quem pode contratar o seguro
transporte é a pessoa que tem o interesse em preservar o patrimônio contra os riscos inerentes à viagem.
Ou seja, por qualquer pessoa que tenha o interesse segurável na carga a ser transportada. Este
interesse segurável será esclarecido no contrato de compra e venda.
Neste contrato, estará definido a partir de que momento o interesse segurável passará do vendedor
ao comprador da mercadoria;
Seguro de Crédito Interno
Entende-se por operação de crédito todo ato de vontade ou disposição de alguém de destacar ou
ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que essa parcela
volte a sua posse integralmente, após decorrer o tempo estipulado.
O seguro de crédito interno é uma modalidade de seguro que tem por objetivo ressarcir o segurado
(credor), nas operações de crédito realizadas dentro do território nacional, das Perdas Líquidas Definitivas
– PLD – causadas por devedor insolvente.
O sinistro é caracterizado quando ocorre a insolvência do devedor reconhecida por meio de medidas
judiciais ou extrajudiciais realizadas para o pagamento da dívida.
Este seguro é geralmente contratado por empresas que realizam operações de crédito em suas
vendas, tanto para pessoa física como para pessoa jurídica, ou intermediários de operações de crédito,
financiamento e investimento; consórcios, empresas de factoring, etc.
Caracterizados desta forma como segurados das operações de crédito.
Os segurados também são os responsáveis pelo pagamento do prêmio de seguro. Os contratantes da
operação de crédito, ou seja, os devedores são denominados garantidos, e é sobre eles que incide o risco
de inadimplência.
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Seguro de Automóveis
O Seguro de Automóveis poderá ser contratado pelas modalidades de Valor Determinado ou Valor de
Mercado Referenciado. As Seguradoras podem oferecer apenas a contratação na modalidade Valor
Determinado, apenas na modalidade Valor de Mercado Referenciado, ou ambas; As principais garantias
oferecidas são Compreensiva (colisão, incêndio e roubo), Incêndio e Roubo, Colisão e Incêndio,
Acidentes Pessoais de Passageiros e Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos: Outras garantias
podem ser contratadas. São elas:
- A assistência 24 Horas: tem como objetivo prestar assistência ao veículo segurado e a seus
ocupantes, em caso de acidente ou pane mecânica e/ou elétrica;
- Acessórios: garante a indenização dos prejuízoscausados aos acessórios do veículo pelos mesmos
riscos previstos na apólice contratada.
Entende-se como acessório, original de fábrica ou não, rádio e toca-fitas, Cd players, televisores, etc,
desde que fixados em caráter permanente no veículo segurado;
- Equipamentos: garante a indenização dos prejuízos causados aos equipamentos do veículo pelos
mesmos riscos previstos na apólice contratada. Entende-se como equipamento, qualquer peça ou
aparelho fixado em caráter permanente no veículo segurado, exceto áudio e vídeo;
- Carroceria: garante indenização, no caso de danos causados à carroceria do veículo segurado, desde
que o sinistro seja decorrente de um dos riscos cobertos na apólice;
- Blindagem: está coberta por esta garantia, a blindagem do veículo segurado, contra eventos cobertos
pela apólice;
- Despesas Extraordinárias: garante ao segurado, em caso de indenização integral, uma quantia
estipulada no contrato de seguro, para o pagamento de despesas extras relativas a documentação do
veículo, etc;
- Danos Morais: garante ao Segurado o reembolso da indenização por danos morais causados a
terceiros, pela qual vier a ser responsável civilmente em sentença judicial transitada em julgado, ou em
acordo judicial ou extrajudicial autorizado de modo expresso pela seguradora;
- Extensão de Perímetro para os Países da América do Sul: por meio desta garantia, o Segurado
poderá ampliar a área de abrangência do seguro do seu veículo para os países da América do Sul;
- Valor de Novo: Garante ao Segurado, no caso de indenização integral, a indenização referente à
Cobertura de Casco pelo Valor de Novo, nos casos em que o sinistro ocorra em até 6 ou 12 meses da
saída do veículo da concessionária.
Nas apólices celebradas com a garantia de Valor de Mercado Referenciado para veículo zero Km, é
obrigatória a fixação contratual do período de tempo, não inferior a noventa dias, em que o veículo
sinistrado com indenização integral será indenizado pelo Valor de Novo, contado a partir da data de
entrega do veículo ao segurado, devendo a Sociedade Seguradora definir expressamente as condições
necessárias para que seja aceita a cobertura como Valor de Novo.
Questões
1- O código de verificação do cartão é composto por apenas três dígitos.
( ) Certo ( ) Errado
2- Os cartões de crédito com os números começados em 4,5 e 6 pertencem:
(A) Setores da Indústria
(B) Empresa Nacionais
(C) Instituições Bancárias
(D) Empresas Aéreas
Gabarito
01. Errado / 02. C
Comentários
1- Resposta: ERRADO
O código de verificação do cartão são os três ou quatro dígitos do código de segurança do cartão de
crédito.
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2- Resposta: C
Existe diversos cálculos que são realizados para que a criação dos cartões não fuja de um padrão
numérico. O número contido nos cartões de crédito tem uma razão e uma fórmula matemática para o
controle. No caso do primeiro número do cartão é representado da seguinte forma:
[...]
Inicial com número 4, 5 e 6: instituições bancárias;
O mercado de capitais é um sistema de distribuição de valores mobiliários, que tem o propósito de
proporcionar liquidez aos títulos de emissão de empresas e viabilizar seu processo de capitalização.
É constituído pelas bolsas de valores, sociedades corretoras e outras instituições financeiras
autorizadas.
No mercado de capitais, os principais títulos negociados são os representativos do capital de empresas
- as ações - ou de empréstimos tomados, via mercado, por empresas – debêntures conversíveis em
ações, bônus de subscrição e "commercial papers" - que permitem a circulação de capital para custear o
desenvolvimento econômico.
O mercado de capitais abrange, ainda, as negociações com direitos e recibos de subscrição de valores
mobiliários, certificados de depósitos de ações e demais derivativos autorizados à negociação.
Seu objetivo é canalizar as poupanças (recursos financeiros) da sociedade para o comércio, a indústria
e outras atividades econômicas. Distingue-se do mercado monetário que movimenta recursos a curto
prazo, embora tenham muitas instituições em comum.
Tipos de Mercados
Mercado de crédito ou Mercado Monetário
Os contratos são feitos de forma individualizada entre as duas partes e as obrigações resultantes em
geral não são transferíveis. Há intermediação financeira, no caso o banco comercial é o intermediador
entre o tomador do empréstimo e o proprietário do recurso.
Podem ser divididos em:
- curto prazo e
- médio e longo prazo
O mercado de curto prazo pode ser dividido em três segmentos principais:
- mercado monetário interbancário
- mercado de dívida pública e
- mercado de dívida das empresas.
O mercado monetário interbancário (que abrange também o mercado interbancário de títulos), é um
importante segmento do mercado monetário, integrado exclusivamente por bancos, incluindo o banco
emissor. É um mercado de grande volume de transações diárias e de elevada liquidez, que abrange os
12 países da União Monetária Europeia, os da zona euro. Das transações diárias deste mercado retira-
se um importante indicador do custo do dinheiro no tempo, para prazos curtos (até um ano): a euribor
(european interbank offer rate).
O mercado de dívida pública é o espaço de emissão e transação de títulos de dívida pública a curto
prazo, nomeadamente bilhetes do tesouro. Deste mercado retira-se igualmente um importante indicador
do custo do dinheiro no tempo, sem risco, a chamada yield dos BT's.
O mercado de dívida das empresas é constituído pelas operações de crédito bancário a curto prazo e
pelo mercado de títulos de dívida de empresas a curto prazo, o papel comercial.
O mercado de médio e longo prazo ou mercado de capitais divide-se em:
- mercado de capitais próprios (equity) e
- mercado de dívida.
6 - Noções de Mercado de capitais
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Esta distinção não se aplica ao mercado monetário porque os capitais próprios são fundos a longo
prazo (na realidade, o capital próprio não tem prazo). Assume especial interesse o mercado titulado de
capitais próprios e especialmente o constituído pelas ações cotadas em bolsa.
No mercado da dívida voltamos a encontrar os segmentos de dívida pública e de dívida de empresas
(dívida bancária e mercado de obrigações). O mercado de obrigações é particularmente importante, tanto
como o mercado de ações, porque oferece liquidez e uma base objetiva de avaliação a estes títulos. O
mercado de obrigações de dívida pública (obrigações do tesouro) é muito significativo, em volume de
transações e, portanto, em liquidez. Dele se extrai um terceiro indicador importante do preço do dinheiro
no tempo (a longo prazo e sem risco), a yield das OT's.
O mercado de obrigações abrange uma variedade de títulos, desde obrigações comuns (com juros, a
taxa fixa ou variável, prazo determinado e reembolso), passando pelas obrigações perpétuas (sem prazo),
de cupão zero (sem juros periódicos), convertíveis em ações, com warrants (direitos de compra de ações),
participantes, etc. Estas últimas são geralmente incluídas num segmento classificado como híbrido,
porque se trata de títulos com características de títulos de capital próprios e características de títulos de
capital alheio.
Mercado de títulos
Os contratos são mais genéricos e padronizados de forma que podem ser transferíveis a terceiros, ou
seja, tais contratos podem ser negociáveis em mercados secundários, ganhando liquidez. Não há
intermediação financeira, o banco apenas promove o encontro entre investidores e tomadores com a
cobrança de uma taxa de corretagem.
Divide-se em:
- Títulos de Propriedade (Ações)
- Títulos de Dívidas (Debentures, Commercial Papers, bônus-bonds)
Mercado primário
Refere-se à emissão inicial de um título, é aqui que o emissor toma e obtém os recursos. Os
lançamentosde ações novas no mercado, de forma ampla e não restrita à subscrição pelos atuais
acionistas, chamam-se lançamentos públicos de ações. É um esquema de lançamento de uma emissão
de ações para subscrição pública, no qual a empresa encarrega a um intermediário financeiro a colocação
desses títulos no mercado. Para colocação de ações no mercado primário, a empresa contrata os serviços
de instituições especializadas, tais como: bancos de investimento, sociedades corretoras e sociedades
distribuidoras, que formarão um pool de instituições financeiras para a realização de uma operação, que
pode ser conceituada como sendo um contrato firmado entre a instituição financeira líder do lançamento
de ações e a sociedade anônima, que deseja abrir o capital social.
Mercado secundário
Onde ocorre a negociação contínua dos papéis emitidos no passado. Ex: Bolsa de valores e BM&F
Para operar no mercado secundário, é necessário que o investidor se dirija a uma Sociedade corretora
membro de uma bolsa de valores, na qual funcionários especializados poderão fornecer os mais diversos
esclarecimentos e orientação na seleção do investimento, de acordo com os objetivos definidos pelo
aplicador. Se pretender adquirir ações de emissão nova, ou seja, no mercado primário, o investidor deverá
procurar um banco, uma corretora ou uma distribuidora de valores mobiliários, que participem do
lançamento das ações pretendidas. Mais recentemente, tem se popularizado no Brasil o uso do home-
broker, ferramenta de uso da internet para a operação de compra e venda de ativos financeiros junto às
corretoras que oferecem o serviço.
Funções:
a) Proporcionar liquidez
b) Estabelecer preço para o mercado primário.
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Principais Ativos
Ativos Privados de Renda Variável
1. Ações
Títulos de renda variável, emitidos por sociedades anônimas, que representam a menor fração do
capital da empresa emitente. Podem ser escriturais ou representadas por cautelas ou certificados.
O investidor em ações é um coproprietário da sociedade anônima da qual é acionista, participando dos
seus resultados. As ações são conversíveis em dinheiro, a qualquer tempo, pela negociação em bolsas
de valores ou no mercado de balcão.
2.Tipos
2.1 Ordinárias: Proporcionam participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito
de voto em assembleias gerais.
2.2 Preferenciais: Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em
percentual mais elevado do que o atribuído às ações ordinárias) e no reembolso de capital, no caso de
dissolução da sociedade.
3. Formas
3.1 Nominativas: Cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista, cuja transferência é
feita com a entrega da cautela e a averbação de termo, em livro próprio da sociedade emitente,
identificando novo acionista.
3.2 Escriturais: Ações que não são representadas por cautelas ou certificados, funcionando como uma
conta corrente, na qual os valores são lançados a débito ou a crédito dos acionistas, não havendo
movimentação física dos documentos.
4. Rentabilidade
É variável. Parte dela, composta de dividendos ou participação nos resultados e benefícios concedidos
pela empresa, advém da posse da ação; outra parte advém do eventual ganho de capital na venda da
ação.
4.1 Dividendos: A participação nos resultados de uma sociedade é feita sob a forma de distribuição de
dividendos em dinheiro, em percentual a ser definido pela empresa, de acordo com os seus resultados,
referentes ao período correspondente ao direito.
Quando uma empresa obtém lucro, em geral é feito um rateio, que destina parte deste lucro para
reinvestimentos, parte para reservas e parte para pagamento de dividendos.
4.2 Juros sobre o Capital Próprio: As empresas, na distribuição de resultados aos seus acionistas,
podem optar por remunerá-los por meio do pagamento de juros sobre o capital próprio, em vez de
distribuir dividendos, desde que sejam atendidas determinadas condições estabelecidas em
regulamentação específica.
4.3 Bonificação em Ações: Advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporação
de reservas e lucros, quando são distribuídas gratuitamente novas ações a seus acionistas, em número
proporcional às já possuídas.
4.4 Bonificações em Dinheiro: Excepcionalmente, além dos dividendos, uma empresa poderá conceder
a seus acionistas uma participação adicional nos lucros, por meio de uma bonificação em dinheiro.
4.5 Direitos de Subscrição: É o direito de aquisição de novo lote de ações pelos acionistas — com
preferência na subscrição — em quantidade proporcional às possuídas, em contrapartida à estratégia de
aumento de capital da empresa.
4.6 Venda de Direitos de Subscrição: Como não é obrigatório o exercício de preferência na subscrição
de novas ações, o acionista poderá vender a terceiros, em bolsa, os direitos que detém.
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5. Opções sobre Ações
São direitos de compra ou de venda de um lote de ações, a um preço determinado (preço de exercício),
durante um prazo estabelecido (vencimento). Para se adquirir uma opção, paga-se ao vendedor um
prêmio. Os prêmios das opções são negociados em Bolsa.
Sua forma é escritural e sua negociação é realizada em bolsa de valores. A rentabilidade é dada em
função da relação preço/prêmio, existente entre os momentos de compra e venda das opções.
5.1 Opções de Compra: São aquelas que garantem a seu titular o direito de comprar do lançador (o
vendedor) um lote determinado de ações, ao preço de exercício, a qualquer tempo até a data de
vencimento da opção.
5.2 Opções de Venda: São aquelas que garantem a seu titular o direito de vender ao lançador
(vendedor da opção) um lote determinado de ações, ao preço de exercício, na data de vencimento da
opção.
Como é possível ter diferentes posições, tanto titulares como lançadoras em opções de compra e/ou
opções de venda, pode-se formar diversas estratégias neste mercado, segundo a maior ou menor
propensão do investidor ao risco.
Tanto o titular como o lançador de opções (de compra ou de venda) podem, a qualquer instante, sair
do mercado, pela realização de uma operação de natureza oposta.
6. Operações em Margem
Modalidade operacional em bolsas de valores, no mercado a vista, pela qual o investidor pode vender
ações emprestadas por uma corretora, ou tomar dinheiro emprestado numa corretora para a compra de
ações.
7. Banco de Títulos CBLC - BTC
Serviço de empréstimo de títulos, disponível por meio do sistema eletrônico, no qual os participantes
da Custódia Fungível da CBLC, atuando como doadores e tomadores, podem registrar suas ofertas, bem
como efetuar o fechamento de operações de empréstimo.
8. Clube de Investimento
Instrumento de participação dos pequenos e médios investidores no mercado de ações, que pode ser
administrado por uma sociedade corretora, distribuidora, banco de investimento ou banco múltiplo com
carteira de investimento. A participação é feita pela aquisição de quotas iguais, representativas de uma
parcela do patrimônio do clube e sua rentabilidade depende do desempenho dos títulos componentes de
sua carteira.
Difere-se dos fundos mútuos pelo limite de participantes — máximo de 150, sendo que é assegurado
a cada membro o direito de aumentar o número de suas quotas, por novos investimentos, até o limite
máximo de 40% das quotas existentes — e pela possibilidade de participação na gestão dos recursos da
carteira do clube.
9. Clube de Investimento - FGTS
Caracteriza-se pelo condomínio constituído exclusivamente por pessoas físicas, que o utilizem para
aplicar parcela de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na aquisição de cotas de Fundos
Mútuos de Privatização - FGTS. As cotas do Clube de Investimento - FGTS correspondem a frações
ideais em quese divide o seu patrimônio, assumindo a forma escritural e assegurando a seus detentores
direitos iguais.
10. Fundos Mútuos de Investimento
Condomínio aberto ou fechado de investidores, para aplicação de recursos em uma carteira
diversificada de títulos e valores mobiliários, em forma de quotas.
Podem ser administrados por sociedades corretoras, distribuidoras, bancos múltiplos com carteira de
investimento e bancos de investimento, e devem dispor em seu regulamento sobre os ativos que poderão
compor suas carteiras de aplicações.
As quotas do Fundo Mútuo de Investimento correspondem a frações ideais do seu patrimônio e
assumem a forma nominativa ou escritural.
10.1 Fundo Mútuo de Investimento em Ações - Carteira Livre: Constituído sob a forma de condomínio
aberto ou fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aplicação em carteira diversificada de
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títulos e valores mobiliários. Deverá manter, diariamente, no mínimo 51% do seu patrimônio aplicado em
ações e opções sobre índices de ações.
10.2 Fundo Mútuo de Ações: Forma de Investimento que aplica, diariamente, no mínimo 51% de seu
patrimônio em ações.
11. Fundo de Investimento Financeiro (FIF)
Fundo de investimento constituído sob a forma de condomínio aberto, cujo patrimônio destina-se à
aplicação em carteira diversificada de ativos financeiros e demais modalidades operacionais disponíveis
no âmbito do mercado financeiro. Para fins de resgate, suas quotas devem ser atualizadas a intervalos
mínimos de 30 dias, contados a partir da data de emissão.
12. Fundo de Investimento Financeiro - Curto Prazo
Sua constituição é regida pelas mesmas normas do Fundo de Investimento Financeiro (FIF), com a
diferença de que este fundo admite o resgate de quotas a qualquer tempo, com rendimento diário.
13. Fundo de Aplicação em Quotas de Fundos de Investimento Financeiro
Tem por objetivo exclusivo a aplicação de recursos em quotas de fundos de investimento financeiro e
demais fundos de investimento que vierem a ser especificados.
14. Fundo Imobiliário
Fundo de investimento constituído sob a forma de condomínio fechado, cujo patrimônio é destinado a
aplicações em empreendimentos imobiliários. As quotas desses fundos, que não podem ser resgatadas,
são registradas na CVM, podendo ser negociadas em bolsas de valores ou no mercado de balcão.
15. Fundo Mútuo de Investimento em Empresas Emergentes
Constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados a aplicação
em carteira diversificada de valores mobiliários de emissão de empresas emergentes. Entende-se como
empresa emergente, a companhia que satisfaça os seguintes parâmetros:
- Tenha faturamento líquido anual inferior ao equivalente a R$ 60 milhões;
- Não seja integrante de grupo de sociedades com patrimônio líquido consolidado maior ou igual a R$
120 milhões.
Tal como nos clubes de investimento, a rentabilidade de um fundo mútuo é dada em função do
comportamento dos títulos que compõem sua carteira.
16. Fundo Mútuo de Privatização - FGTS
Constituído sob a forma de condomínio aberto, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição
de valores mobiliários no âmbito do Programa Nacional de Desestatização e de Programas Estaduais de
Desestatização.
É formado, exclusivamente, por recursos de pessoas físicas participantes do FGTS, diretamente ou
por intermédio de clubes de investimento. Suas cotas são integralizadas, exclusivamente, com recursos
integrantes da conversão parcial dos saldos do FGTS dos respectivos participantes.
17. Opções de Compra Não-padronizadas (Warrants)
Warrant de compra é um título que dá ao seu possuidor o direito de comprar um ativo financeiro a um
preço predeterminado (preço de exercício), em um prazo também predeterminado. O emissor da Warrant
pode ser a própria empresa emissora do ativo subjacente à Warrant, ou qualquer instituição que detenha
em sua carteira de investimentos uma grande quantidade de ações emitidas por outra instituição.
18. Recibo de Carteira Selecionada de Ações - RCSA
O RCSA é um recibo que representa uma carteira preestabelecida de ações, cujas quantidades são
fixadas e perfeitamente conhecidas antes de sua constituição. Os papéis integrantes dos RCSAs devem
ser depositados em custódia antes de sua emissão e, uma vez constituídos, os recibos são negociados
na BOVESPA como se fossem um título qualquer, com seu valor sendo determinado pelo mercado. A
principal característica do RCSA é que ele permite que o investidor compre ou venda um conjunto de
ações por meio de uma única operação.
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Ativos Privados de Renda Fixa
1. Debêntures e Debêntures Conversíveis em Ações
Títulos emitidos por sociedades anônimas, representativos de parcela de empréstimo contraído pela
emitente com o investidor, a médio e/ou longo prazos, garantidos pelo ativo da empresa.
No caso de debêntures não conversíveis, o empréstimo é liquidado normalmente no prazo previsto.
Quanto às debêntures conversíveis em ações, o investidor poderá, em prazos determinados e sob
condições previamente definidas, optar pela conversão de seu valor em ações, incorporando-o ao capital
da sociedade emitente. Todas as condições pertinentes à emissão, prazos, resgates, rendimentos,
conversão em ações e vencimento de debêntures são obrigatoriamente fixados em assembleia geral de
acionistas.
2. Commercial Papers
Títulos de emissão de sociedades anônimas abertas, representativos de dívida de curto prazo (mínimo
de 30 e máximo de 360 dias).
3. Letras de Câmbio
Emitidas por sociedades de crédito, financiamento e investimento, para captação de recursos para
financiamento da compra de bens de consumo durável ou do capital de giro das empresas. São lançadas
na forma nominativa, têm renda fixa e prazo certo de vencimento.
4. Bônus
Título emitido por uma sociedade anônima de capital aberto, dentro do limite do capital autorizado, que
confere a seu titular, nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações, que será
exercido contra apresentação do bônus à companhia e pagamento do preço de emissão.
5. Letras Imobiliárias
Títulos emitidos por sociedade de crédito imobiliário, com garantia da Caixa Econômica Federal, para
a captação de poupança destinada ao Sistema Financeiro da Habitação.
6. Cadernetas de Poupança
Emitidas nominativamente por sociedade de crédito imobiliário, associações de poupança e
empréstimos e caixas econômicas estaduais e federal, com o objetivo de captar recursos para o
financiamento de construtores e adquirentes de imóveis. As aplicações são corrigidas a cada período de
30 dias pela Taxa Referencial (TR) do período, e remuneradas com uma taxa de juros de 0,5% ao mês.
Podem ser resgatadas sem perda da remuneração a cada “aniversário” de 30 dias, a partir da data da
aplicação.
7. Certificados de Depósito Bancário - CDB
Títulos representativos de depósitos a prazo determinado, emitidos por bancos de investimentos e
comerciais, negociáveis antes de seu vencimento, por meio de endosso. Segundo a remuneração
oferecida, podem ser pós ou prefixados. Os CDBs prefixados estabelecem a priori a taxa de remuneração
pelo período do investimento. Os CDBs pós-fixados são remunerados por uma taxa de juros aplicada
sobre o valor do investimento corrigido pela TR ou IGP-M do período da aplicação.
8. Recibos de Depósito Bancário - RDB
Têm as mesmas características do CDB, com a diferença de não serem negociados em mercado.
Ativos Públicos de Renda Fixa
1. Bônus do Banco Central (BBC), Notas do Tesouro Nacional (NTN), Letras Financeiras do
Tesouro (LFT) e Notas do Banco Central (NBC)
Atualmente, a execução da política monetária é feita pela colocação desses títulos nas instituições
financeiras, por intermédio de leilões que podem ter periodicidadesemanal.
2. Letras Financeiras dos Tesouros Estaduais - LFTE
Também denominadas Títulos da Dívida Pública Estadual. São emitidas para atender às necessidades
de caixa e aos desequilíbrios orçamentários dos governos estaduais.
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3. Letras Financeiras dos Tesouros Municipais - LFTM
Representam empréstimos municipais. São emitidas para que seja possível o financiamento de obras
públicas.
Instituições do mercado de capitais
Comissão de Valores Mobiliários
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia especial, vinculada ao Ministério da
Fazenda, com a responsabilidade de disciplinar, fiscalizar e promover o mercado de valores mobiliários.
Criada pela Lei 6.385, de 07/12/76, a CVM exerce atividade de fiscalização e normatização do mercado
de valores mobiliários, de modo a assegurar o exercício de práticas equitativas e coibir qualquer tipo de
irregularidade. Ao mesmo tempo, elabora estudos e pesquisas dos quais obtém elementos necessários
à definição de políticas e iniciativas capazes de promover o desenvolvimento do mercado. No exercício
de suas atribuições, a Comissão de Valores Mobiliários poderá examinar registros contábeis, livros e
documentos de pessoas e/ ou empresas sujeitas à sua fiscalização, intimá-las a prestar declarações ou
esclarecimentos sob pena de multa; requisitar informações de órgãos públicos, outras autarquias e
empresas públicas; determinar às companhias abertas a republicação de demonstrações financeiras e
dados diversos; apurar infração mediante inquéritos administrativos e aplicar penalidade.
Bolsas
As bolsas são locais que oferecem as condições e os sistemas necessários para a realização de
negociação de compra e venda de títulos e valores mobiliários, e de outros ativos, de forma transparente.
Além de oferecer um ambiente para a negociação dos títulos nelas registrados, orientar e fiscalizar os
serviços prestados por seus intermediários, facilitar a divulgação constante de informações sobre as
empresas e sobre os negócios que se realizam sob seu controle, as bolsas propiciam liquidez às
aplicações de médio e longo prazos, por intermédio de um mercado contínuo representado por seus
pregões diários.
É por meio das bolsas que se pode viabilizar um importante objetivo: o incentivo à poupança do grande
público e ao investimento em empresas em expansão, que, diante desse apoio, poderão assegurar as
condições para seu desenvolvimento.
Corretoras
Corretoras são instituições financeiras credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela CVM e pela
Bolsa, habilitadas a negociar valores mobiliários em pregão. As corretoras podem ser definidas como
intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por
seus clientes, além da prestação de uma série de serviços a investidores e empresas, tais como:
- diretrizes para seleção de investimentos;
- intermediação de operações de câmbio;
- assessoria a empresas na abertura de capital, emissão de debêntures e debêntures conversíveis em
ações, renovação do registro de capital etc.
A BM&FBOVESPA
A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA) foi criada em maio de 2008 com a
integração da Bolsa de Mercadorias & Futuros e da Bovespa Holding. Juntas, essas companhias
originaram uma das maiores bolsas do mundo em valor de mercado. A BM&FBOVESPA oferece à
negociação ações, contratos futuros, de opções, a termo e de swaps referenciados em índices, taxas de
juro e câmbio, e commodities agropecuárias e de energia, além de operações no mercado a vista, como
ouro, dólar pronto e títulos públicos federais.
Financeiramente, um título mobiliário tem liquidez quando pode ser comprado ou vendido, em questão
de minutos, a um preço justo de mercado, determinado pelo exercício natural das leis de oferta e
demanda.
Na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, são negociados os mais variados títulos e valores
mobiliários de empresas criteriosamente selecionadas. A BM&FBOVESPA exerce, em defesa do
investidor, rigoroso acompanhamento de todos os aspectos envolvidos nas transações, assegurando o
cumprimento dos negócios realizados.
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Todas as operações são realizadas via pregão eletrônico. Mercado a vista No qual a liquidação física
(entrega de títulos vendidos) se processa no 3º dia útil após a realização do negócio na Bolsa e a
liquidação financeira (pagamento e recebimento do valor da operação) também se dá no 3º dia útil
posterior à negociação, e somente mediante a efetiva liquidação física.
Mercado a Termo
Operações com prazos de liquidação diferidos, entre 16 e 999 dias corridos. Para aplicações no
mercado a termo são requeridos, além do registro na BM&FBOVESPA, um limite mínimo para transação
e depósito de valores na BM&FBOVESPA — tanto pelo vendedor como pelo comprador —, utilizados
como margem de garantia da operação. O contrato a termo pode ainda ser liquidado antes de seu
vencimento.
Termo em Pontos
Assim como na modalidade tradicional, o termo em pontos constituísse na compra ou venda de certa
quantidade de ações a um preço preestabelecido para liquidação em prazo determinado, a contar da data
de sua realização.
As principais diferenças em relação ao termo tradicional são as seguintes:
- o preço contratado entre as partes é convertido para pontos e ajustado de acordo com o indicador
estabelecido, que pode ser escolhido dentre os autorizados pela BM&FBOVESPA;
- tem negociação secundária.
Mercado de Opções
A opção proporciona ao investidor que a adquire — mediante o pagamento de um prêmio em dinheiro
— o direito de comprar ou vender um lote de ações a outro investidor, com preço e prazo de exercício
preestabelecidos contratualmente.
O comprador da opção de compra, até a data do vencimento, poderá exercê-la comprando o lote de
ações ou revendendo a opção no mercado.
O comprador da opção de venda, por sua vez, somente poderá exercê-la na data do vencimento da
opção, quando então poderá vender as ações-objeto da opção ao lançador. Tanto o titular como o
lançador sempre poderão negociar suas opções no mercado a qualquer tempo, até a data do vencimento.
O lançador de uma opção de compra poderá cobrir (depositar os ativos objeto da operação) ou “margear”
sua posição. O lançador de uma opção de venda deverá margear sua posição por meio do depósito de
valores.
Conta-Margem
Uma compra em margem consiste na aquisição de ações no mercado a vista com recursos financiados
por uma corretora. Uma venda em margem representa uma operação de empréstimo de ações em uma
corretora para sua venda subsequente pelo investidor.
Opções Referenciadas em Dólar
Nessa modalidade, o preço de exercício é expresso em pontos; cada ponto equivale a um centésimo
da taxa de câmbio real por dólar norteamericano divulgada pelo Banco Central do Brasil.
Opções sobre o Ibovespa
Proporcionam a seus detentores o direito de comprar ou vender um lote-padrão do Índice Bovespa
(Ibovespa) ou múltiplos do lote-padrão até (ou em) determinada data. Tanto o prêmio como o preço de
exercício dessas opções são expressos em pontos do índice, cujo valor econômico é determinado pela
BM&FBOVESPA.
Termo em Dólar
Tem características idênticas ao tradicional termo em reais, sua única diferença em relação a este é o
fato de que o preço contratado é corrigido diariamente pela variação entre a taxa de câmbio média de
reais por dólar norte-americano, para o período compreendido entre o dia da operação, inclusive, e o dia
de encerramento, exclusive.
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Por que e como Investir no Mercado de Capitais?
À medida que cresce o nível de poupança individual e a poupança das empresas (lucros) constituem
a fonte principal do financiamento dos investimentosde um país. Tais investimentos são o motor do
crescimento econômico e este, por sua vez, gera aumento de renda, com consequente aumento da
poupança e do investimento, assim por diante.
Esse é o esquema da circulação de capital, presente no processo de desenvolvimento econômico. As
empresas, à medida que se expandem, carecem de mais e mais recursos, que podem ser obtidos por
meio de:
- empréstimos;
- reinvestimentos de lucros;
- participação de acionistas.
As duas primeiras fontes de recursos são limitadas. Geralmente, as empresas utilizam-nas para manter
sua atividade operacional.
Mas é pelas participações de novos sócios - os acionistas - que uma empresa ganha condição de obter
novos recursos não exigíveis, como contrapartida à participação no seu capital.
Com os recursos necessários, as empresas têm condições de investir em novos equipamentos ou no
desenvolvimento de pesquisas melhorando seu processo produtivo, tornando-o mais eficiente e
beneficiando toda a comunidade.
O investidor em ações contribui assim para a produção de bens, dos quais ele também é consumidor.
Como acionista, ele é sócio da empresa e se beneficia da distribuição de dividendos sempre que a
empresa obtiver lucros.
Essa é a mecânica da democratização do capital de uma empresa e da participação em seus lucros.
Para operar no mercado secundário de ações, é necessário que o investidor se dirija a uma sociedade
corretora membro de uma bolsa de valores, na qual funcionários especializados poderão fornecer os mais
diversos esclarecimentos e orientação na seleção do investimento, de acordo com os objetivos definidos
pelo aplicador.
Se pretender adquirir ações de emissão nova, ou seja, no mercado primário, o investidor deverá
procurar um banco, uma corretora ou uma distribuidora de valores mobiliários, que participem do
lançamento das ações pretendidas.
Os países capitalistas mais desenvolvidos possuem mercados de capitais fortes e dinâmicos.
A fraqueza desse mercado nos países subdesenvolvidos dificulta a formação de poupança, constitui
um sério obstáculo ao desenvolvimento e obriga esses países a recorrer aos mercados de capitais
internacionais, sediados nas potências centrais.
Funcionamento do Mercado de Capitais
A principal função do mercado de capitais é distribuir títulos e ativos das empresas entre os
investidores. Há três grandes categorias de ativos, também chamados de valores mobiliários, em
negociação no mercado de capitais:
Ações
Características e Direitos
Disciplina o insigne doutrinador Fabio Ulhoa Coelho sobre as ações: “A ação é o valor mobiliário
representativo de uma parcela do capital social da sociedade anônima emissora que atribui ao seu titular
a condição de sócio desta. Ao fracionar o capital social da anônima em valores mobiliários, a lei facilita a
negociação da participação societária desse tipo de sociedade e ressalta a natureza de investimento do
ato de ingresso no seu quadro de sócios. Claro que participar de sociedade limitada também é investir,
empregar dinheiro numa atividade econômica, mas, na medida em que esta última se define como
sociedade contratual, a negociação da quota normalmente encontra maiores obstáculos que a da ação.
Quer dizer, quem adquire quotas de sociedade limitada não contrata apenas com o alienante, mas
também com os demais sócios componentes da sociedade, aos quais passa a ligar-se por vínculos
também contratuais, enquanto o adquirente da ação contrata apenas com o acionista que a está
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vendendo, surgindo desse contrato vínculos institucionais (não contratuais) com os outros integrantes da
sociedade anônima”. 25
Classificação
As ações classificam-se de acordo com três critérios: espécie, forma e classe. O primeiro critério leva
em conta a extensão dos direitos e vantagens conferidos aos acionistas e contempla três categorias:
ordinárias, preferenciais e de fruição. O segundo considera o ato de transferência da titularidade do valor
mobiliário e o distingue em ações nominativas e escriturais. O último diz respeito à especificação dos
direitos titularizados pelos acionistas, com o objetivo de atrair os mais diversos interesses dos investidores
atuantes no mercado, e se traduz na identificação de cada categoria por uma letra (classe A, B, C etc.)
Espécies
A ação ordinária é a que confere ao acionista os direitos de um sócio comum, ou seja, os direitos
ordinários de sócio. O titular de uma ação dessa espécie (conhecido, entre os advogados da área, como
ordinarialista) não possui nenhuma vantagem, nem se sujeita a qualquer tipo de restrição, relativamente
aos direitos que normalmente são atribuídos aos sócios da sociedade anônima. As ações ordinárias
concedem, sempre, ao respectivo titular o direito de voto na assembleia geral, de modo que o acionista
detentor de mais da metade das ações dessa espécie é controlador da companhia e pode, por essa razão,
eleger os administradores, aprovar a maior parte de alterações estatutárias, decidir os assuntos de
natureza geral do interesse da sociedade etc. Os ordinarialistas, por isso, podem ser divididos em
controlador (ou controladores), de um lado, e minoritários, de outro. As relações entre os dois grupos são
complexas e muitas vezes conflituosas, representando uma das mais sérias preocupações do direito
societário a compatibilização entre o exercício do poder de controle e a tutela dos interesses da minoria.
A ação preferencial atribui ao acionista uma vantagem, relativamente às ordinárias, isto é, um
tratamento diferenciado. A diferença é definida pelo estatuto da sociedade anônima emissora do valor
mobiliário. Neste documento, deve-se encontrar dispositivo que fixe a preferência relacionada a tal
espécie de ação. O preferencialista (expressão de uso corrente entre os advogados da área para
identificar o acionista titular de ações preferenciais) deve usufruir uma condição vantajosa, não conferida
aos demais acionistas. As preferenciais não admitidas à negociação no mercado de capitais podem
conceder vantagens de natureza exclusivamente política (LSA, art. 18). Quando a vantagem reconhecida
aos preferencialistas diz respeito a situação privilegiada na distribuição dos resultados da sociedade, ela
se denomina dividendo preferencial ou prioritário, do qual são modalidades o fixo, o mínimo e o diferencial.
As ações de fruição são atribuídas aos acionistas cujas ordinárias ou preferenciais foram totalmente
amortizadas (LSA, art. 44, § 5º). A amortização é a antecipação ao acionista do valor que ele receberia,
caso a sociedade anônima fosse dissolvida e liquidada. Essa antecipação não pode afetar o capital social.
Procede-se à simulação contábil da hipótese definindo-se, em balanço de determinação, o valor do
patrimônio líquido da companhia no momento da amortização. Calculada a proporção cabível a cada ação
(isto é, o seu valor patrimonial), paga-se-a ao acionista, integral ou parcialmente. Se a amortização é total,
prevê a lei a possibilidade de substituição das ações titularizadas pelos acionistas beneficiados com a
operação por ações de fruição. As restrições relativas às ações de fruição, se não definidas pelo estatuto,
devem ser especificadas pela assembleia geral. Desse modo, um preferencialista pode, ao receber ações
de fruição em troca das suas preferenciais não votantes, adquirir o direito de voto, se essa é, por exemplo,
a prescrição constante dos estatutos. Também é possível o ordinarialista perder esse direito, em razão
da amortização total de suas ações, se assim o determina a assembleia geral ao aprovar a operação. Em
termos gerais, portanto, o acionista com ação de fruição sujeita-se a restrições especialmente definidas
para o caso. Há, contudo, três hipóteses de limitação dos direitos societários dos acionistas com ações
de fruição que não dependem de previsão estatutária ou deliberação assemblear, ou seja, restrições que