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Amálgama de Prata: Histórico: ➔ 1833: o Amálgama é o maior sucesso na odontologia para restauração direta desde o século XIX, introdução do Amálgama na América, procedimentos eram feitos aleatoriamente, o que quebrava os dentes, misturava-se mercúrio e moedas de prata ➔ 1840: juramento da sociedade americana de cirurgiões-dentistas, juramento de não usar este material pois os resultados eram imprevisíveis devido à má manipulação, para-se de se utilizar por ser feito aleatoriamente ➔ 1895: criação da liga Ag-Sn, melhorando as propriedades do material,Black criou o material, demonstrou que era bom e como utilizar, também criou as Cavidades de Black Generalidades: ➔ Material metálico ➔ Formado por mais de um metal (liga), vários metais ➔ Um dos metais é mercúrio, metal líquido em temperatura ambiente ➔ Além do mercúrio, formam a liga de prata (Ag), o cobre (Cu) e o Zinco (Zn Propriedades: ➔ Alta condutibilidade térmica e elétrica, conduz calor e eletricidade, por conta disso a necessidade de uma base cavitária, para essa condução não chegar à polpa ➔ Baixa resistência à corrosão, alta corrosão, sofre corrosão ➔ Sofre expansão tardia, pode expandir e paciente sentir dor, com a força da mastigação um restauração de amálgama antigo pode pressionar as paredes e pode até trincar o dente ➔ Boa resistência mecânica, considerando o material de restauração direta que dura mais Mal de Minamata: ➔ 01 de maio de 1956: se tornou a data oficial da descoberta do Mal de Minamata, doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio orgânico ➔ Acidente envolvendo mercúrio no Japão, uma fábrica descartava junto com resíduos, o mercúrio, animais da área começam a sofrer problemas neurológicos e morrer, peixes são contaminados, logo, entrar na dieta da população, muitos morreram contaminados ➔ Pesquisadora Karen Wetterhahn, estudava o mercúrio, sem querer deixou cair dentro de sua luva e alguns meses depois morreu de falência renal, pois o mercúrio leva à falência dos órgãos, não há como retirar do organismo ➔ Literatura: em Alice no País das Maravilhas, o personagem Chapeleiro Maluco, era baseado no que ocorria na realidade, naquele tempo chapeleiros usavam mercúrio na confecção de chapéus e tinham problemas neurológicos (malucos) ➔ Mercúrio Metálico (Hg), entra em contato com a corrente sanguínea, afeta pulmão ou rim, ocasiona eretismo e falência renal ou pulmonar por exposição aguda ou de alta intensidade ➔ A forma mais comum de contaminação é pelo consumo de peixes contaminados ➔ OMS começa a ficar atenta a tudo que tem mercúrio Toxicidade: ➔ Quadro de intoxicação por exposição crônica de baixa intensidade (pequenas doses durante a vida): levam a cansaço, depressão, ansiedade, baixa autoestima, irritação, delírios e perda de memória. Não são sintomas fáceis de diagnosticar. ➔ Na intoxicação por mercúrio o paciente irá apresentar: ★ Tremor nas pernas ★ Coceiras ★ Erupções cutâneas ★ Irritabilidade ★ Insônia ★ Cefaleia (dor de cabeça) ★ Hipertensão ★ Fadiga Crônica ★ Taquicardia ★ Disfunção neurológica ★ Alteração de personalidade ➔ Diferenças entre formas de absorção de mercúrio advindo de compostos orgânicos (como peixe contaminado) e metálico (forma presente na amálgama) ★ Ingestão: 1. Compostos Orgânicos: alta absorção, vai para a circulação, principal via de intoxicação 2. Metálico: baixa absorção, secretado normalmente ★ Pele: 1. Compostos Orgânicos: alta absorção 2. Metálico: média absorção, perigo pois a quantidade manipulada pode ser grande ★ Inalação: 1. Compostos Orgânicos: baixa absorção, pela dificuldade de formar vapores 2. Metálico: alta absorção, dentista usa em temperatura ambiente, motor no mercúrio gera calor, fazendo gás, também na hora de retirar é importante tentar quebrar e não desgastar, pois desgaste gera calor, porém as quantidades liberadas são normalmente pequenas, o vapor é inodoro e incolor ➔ Para ocorrer uma intoxicação de Hg por amálgama é muito difícil, é muito mais possível por uma dieta rica em peixes Cuidados de Manipulação: ➔ Manipulação com mão enluvada, uso de máscara e óculos de proteção (EPI) ➔ Consultório dotado de alta exaustão e ventilação, próximo à janela ou ar condicionado (com ar de troca) ➔ Uso de alta sucção durante a remoção de uma restauração e utilizar brocas novas e água gelada para este procedimento, sugador de alta potência e bastante água para quebrar o amálgama ➔ Uso da melhor relação possível de mercúrio na liga ➔ Uso de isolamento absoluto para evitar queda de amálgama na cavidade bucal, proteger o paciente ➔ Descartar resíduo no pote com fixador ou água, descarte adequado é responsabilidade do dentista, descartar dentro de um pote que feche bem, com um pouco de água no fundo e fixador, que não deixa o gás do Hg sair. Descrição no pote e contratar empresa de descarte correto. ➔ Lavar bem os materiais usados antes de esterilizar, se amálgama ficar na sujeira e esterilizar, esquenta e gera gás que contamina todo o local ➔ Atualmente, apenas se usa amálgama em cápsulas, Anvisa proibiu amálgama de mercúrio não encapsulada, pois outros tipos tem mais chance de contaminar Reação (amalgamação): ➔ Reação entre liga Ag, Sn e Hg para obtenção do material restaurador ➔ Inicia a trituração, aparelho mistura pó e líquido ➔ Reação de presa inicial (dureza parcial) em 20 minutos ➔ Acabamento e polimento em 24 horas, paciente vai embora e volta depois, orientar a não mastigar em cima ➔ Presa Final (processo de cristalização) em até 48 horas Gama (y): estanho e mercúrio, responsável pela corrosão do material Gama 1 (y1): prata e estanho Gama (y2): prata e estanho + mercúrio Ligas de Amálgama: ➔ Reação de Cristalização: ★ Ag3Sn + Hg(y) -> Ag3Sn(y) + Ag2Hg3 (y1) + Sn7Hg (y2) ★ Propriedades e fases: 1. Resistencia Mecánica (y> y1> y2) 2. Escoamento (y2> y1> y) 3. Corrosão (y2> y1 > y) ★ Mistura prata e mercúrio, forma um cristal novo, mercúrio não atinge todo o prata ★ Amálgama que produz muito gama 2 (y2) é pior, metal pouco nobre, gera bastante corrosão, fica poroso e escurecido na boca ➔ Classificação: ★ Forma do pó (limalha, esférico): composta basicamente por prata e estanho, formato de palha (raspadas), forma fase fraca chamada de limalha (gama 2) ★ Teor de Cobre: ligas de baixo teor de cobre 6% e com alto teor de cobre 13% a 30% ★ Teor de Zinco: contaminação por umidade em ligas, produzem gás hidrogênio que expande o amálgama (expansão tardia). Zinco impede a contaminação da liga, fica mais resistente, mas não pode entrar em contato com a saliva, pois depois de tomar presa expande e pode fraturar ➔ Classificação pelo formato das partículas de pó: ★ Limalha ou Convencional: baixo teor de cobre, as fasesy1 e porosidades são as menos resistentes mecanicamente ou à corrosão (podem e devem ser minimizadas), quanto maior for a proporção de Hg maiores serão as quantidades da fase y2, uma boa condensação diminui as fases y2 e porosidade, baixo teor de cobre forma y2 (fase fraca) e piores propriedades mecânicas, essa classificação é mais barata no mercado ★ Esferoidal: alto teor de cobre, não forma fase y2, promove melhoras significativas nas propriedades da amálgama, são mais difíceis de serem condensadas, dificuldade de estabelecer o contato proximal durante a condensação, liga esférica de prata, estanho, mercúrio e cobre, estanho prefere se ligar ao cobre do que ao mercúrio, estanho desloca-se para se ligar ao cobre, logo não forma gama 2 ★ Dispensa ou Mistura: (limalha + esférica) alto teor de cobre, no amálgama dispensa a fase y2, reage com o eutético, produzindo y1 e y, o desaparecimento da fase y2 promove melhoras significativas nas propriedades mecânicas, cobre em partículas que são esféricas, gera outro material, também gera y2, mas com o tempo cobre vai preferindo se ligar com o estanho e vai eliminando o y2 CREEP: ➔ Escoamento passivo, o convencional sofre bastante escoamento, dente antagonista pressiona sempre essa região ➔ Expansão do material ➔ Produção do GAP (valamento marginal) Fragilidade: ➔ Amálgama é friável e as fraturas ocorrerem quando as espessuras forem menores que 2 mm ➔ Frágil, não pode colocar em cavidades muito rasas, deve ter pelo menos 2 a 3 mm de espessura se não material quebra Corrosão: ➔ Fase gama 2 é responsável pela corrosão, material vai soltando íons de metal que ficam entre a restauração e o dente ➔ A corrosão marginal pode ser benéfica promovendo vedamento da interface (auto vedamento marginal), devido a deposição de óxidos na interface dente e restauração ➔ Não deixa bactérias infiltrarem, quanto mais tempo passa menor será a infiltração, vai se auto vedando e se protegendo ➔ Alteração da textura superficial ➔ Manchamento dos tecidos dentais, se espalha e pode escurecer a dentina ➔ Pode causar infiltração Serviço Público: ➔ Muitas vezes o que o Serviço Público tem é o Amálgama Convencional com fase gama 2, cuidados: condensar bem (espremer o material), para que que o mercúrio suba e retirar seu excesso, deve-se fazer isso em todos os tipos, mas principalmente o convencional, para aumentar sua resistência e duração ➔ Classe 2, cuidados: fazer ponto de contato entre os dentes, usar cunha plástica ou de madeira e condensar bem o material nas proximais ➔ Liga esférica, problemas: força num material composto por bolinhas, pelo formato da partícula elas fogem do condensador. dificultando a condensação, prejudica a escultura ➔ De todos o melhor é o dispensa/mistura, a condensação, escultura e forma porco y2 que pode desaparecer com o tempo Materiais Específicos: 1. Amálgama em cápsulas 2. Porta-amálgama 3. Condensador Ward 1 4. Condensador Ward 2 5. Brunidor nº 29 6. Hollenback nº 3s 7. Pinça Clínica 8. Sonda Exploradora nº 5 9. Potes dappen de vidro e plástico/silicone 10. Porta matriz angulado Tofflemire 11. Matriz de aço para porta matriz Tofflemire (5 a 7 mm) 12. Tesoura reta pequena (tipo íris) 13. Cunhas de madeira Manipulação Classe 1: ➔ Preparo Cavitário: fazer preparo com verniz ou base cavitária ➔ Trituração: apertar cápsula e colocar no triturador por cerca de 9 segundos ★ Tempo de trituração determina a consistência, resistência e textura superficial da mistura, só pode pressionar o êmbolo na hora. observar hora de colocar no dappen ★ Bem triturado: massa plástica, coesa, brilhante e com tempo de trabalho suficiente (melhor, massa plástica melhor de modelar) ★ Super-triturado: massa plástica, coesa, pouco brilho, quente e com pouco tempo de trabalho ★ Sub-triturado: massa sem plasticidade, pouco coesa e pó aparente ➔ Colocar mistura dentro do pote dappen ➔ Pegar amálgama com porta-amálgama e preencher o espaço exageradamente ➔ Condensação: com condensador menor para o maior ir apertando e fazendo o mercúrio ir para cima, para assim retirar com o excesso (para acomodar à cavidade e fazer subir o mercúrio da massa) ★ Ato mecânico de compactação com instrumentos e pressão sobre o material ★ Retira porosidades e remove os espaços vazios ★ Remove o excesso de mercúrio que produz uma superfície rugosa e porosa, além de aumentar a corrosão e diminuir a resistência mecânica ★ Sempre do condensador menor para o maior ★ Brilho para a superfície, mercúrio para fora ➔ Brunimento Pré-Escultura: passando instrumento sobre o amálgama com movimentos lentos e pesados (serve para aflorar e retirar o excesso de mercúrio e acomodar a massa à cavidade) ★ Movimentos vigorosos e com força (brunidor) ★ Adaptação à cavidade ★ Afloramento de mercúrio residual ★ Escultura regressiva, coloca-se um monte de amálgama e depois vai retirando ★ Pressionar bem ➔ Retirar excesso de mercúrio de cima ➔ Escultura: ★ Delineamento do sulco principal ★ Anatomia dental (com uso do hollenback e sonda exploradora) ★ Esculpir com bastante excesso de material ➔ Brunimento Pós-Escultura: até ficar bem brilhoso, com movimentos leves e rápidos (serve para alisar a massa dando conforto ao paciente e brilho) ★ Movimentos leves e delicados ★ Redução da porosidade ★ Alisamento do material ★ Pressionar bem, fazer brilhar ➔ 24 horas depois: acabamento e polimento Manipulação Classe 2: ➔ Preparo cavitário: fazer preparo com verniz ou base cavitária ➔ Trituração: apertar cápsula e colocar no triturador por cerca de 9 segundos ➔ Porta-matriz de Tofflemire: ★ Fixar matriz no dente ★ Sistema de matrizes: pré-fabricados ★ Largura de 5 a 7 mm ★ Espessura de 0,03 a 0,05 mm ★ Faz-se um laço em volta do dente com matriz de metal e aperta ➔ Cunhas de madeira/plásticas: ★ Estabilização da matriz do dente ★ Melhor adaptação marginal da restauração ★ Evitam excessos na porção cervical ★ Diminuem a secreção de sulco gengival ★ Separação do dente ★ Força a matriz contra o dente, sem mínimo de espaço ➔ Colocar mistura dentro do pote dappen ➔ Pegar amálgama com porta-amálgama e preencher o espaço exageradamente ➔ Condensação: com condensador menor para o maior ir apertando e fazendo o mercúrio ir para cima, para assim retirar com o excesso (para acomodar à cavidade e fazer subir o mercúrio da massa) ➔ Brunimento Pré-Escultura: passando instrumento sobre o amálgama com movimentos lentos e pesados (serve para aflorar e retirar o excesso de mercúrio e acomodar a massa à cavidade) ➔ Retirar excesso de mercúrio de cima ➔ Escultura: ★ Começa sempre na região proximal com sonda exploradora ★ Anatomia com hollenback, fazendo vertentes, arestas e sulcos ➔ Brunimento Pós-Escultura: até ficar bem brilhoso, com movimentos leves e rápidos (serve para alisar a massa dando conforto ao pacientee brilho) ➔ Após 24 horas: acabamento e polimento Tatuagem de Amálgama: ➔ Inclusão de partículas de amálgama na lâmina própria de gengiva ➔ O pigmento se deposita nas fibras colágenas e na parede dos vasos sanguíneos (seta), permanecendo aí por tempo indeterminado como uma tatuagem ➔ O pigmento causa pouca ou nenhuma reação inflamatória (poucas células inflamatórias) ➔ Amálgama que cai para fora cria tatuagem ➔ Não faz mal, apenas esteticamente, não tem como retirar Resina Composta VS Amálgama: ➔ A Amálgama é um excelente material para restauração em dentes posteriores ➔ Resina depende da adesão e plástico degrada na saliva, o amálgama dura muito mais e não precisa de sistema adesivo para aderência ➔ Numa cárie pequena resina é melhor, pois cobre a cavidade pequena, a amálgama precisa de maiores cavidades ➔ Resina utiliza uma técnica mais complexa e demorada (técnica incremental oblíqua) ➔ Amálgama é muito mais interessante para uso na saúde pública pela sua duração ➔ Resina há maior possibilidade de haver sensibilidade, contração de polimerização, solução é a técnica incremental oblíqua ➔ Resina desgasta mais rápido ➔ Amálgama mais antiga gera corrosão benéfica, pois fica mais difícil de infiltrar bactérias ➔ Resina tem boas propriedades estéticas ➔ Resina tem bom isolamento térmico e elétrico ➔ Resina conserva mais o dente ➔ Resina gera mais sensibilidade e infiltra com o passar do tempo ➔ Adesivo da resina se desfaz com o tempo ➔ Vantagem da amálgama: pequena chance de microinfiltração por conta de corrosão, que deposita metálicos entre restauração e dente, causando o auto vedamento marginal, durabilidade maior Siga no insta para ver mais resumos: @odontoinspira