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INTRODUÇÃO
 O Ara Pacis Augustae (o Altar da Paz de Augusto) é um altar dedicado à deusa Pax, construído
pelo imperador romano Augusto em 9 a.C., para celebrar o período da Pax Romana. Depois de
algumas vitórias na Gália e na Espanha, o imperador Augusto voltou a Roma, ele restaurou a
calma em todo o império, aumentando sua popularidade entre ricos e pobres. Por isso, foi
considerada uma ação inteligente usar a Pax Romana que ele trouxe o máximo possível em sua
propaganda. Em homenagem a essa paz, ele mandou construir o Ara Pacis (literalmente: altar da
paz). O monumento se tornaria uma obra-prima da escultura romana, mas acima de tudo uma
homenagem à paz e à prosperidade que Augusto trouxe na época a Roma. Esta mensagem foi
disfarçada em belos relevos simbólicos e mitológicos que rodeava todos os lados do altar.
 A construção do Ara Pacis por decisão do próprio Augusto, ocorreu no Campo de Marte, atual
centro histórico de Roma que abriga diversos outros monumentos, como o Panteão. Na
antiguidade romana, o Campo de Marte – que leva esse nome por causa do deus da Guerra, Marte
era um campo que ficava fora das muralhas da cidade, sendo utilizado como pasto por alguns
indivíduos que deixavam suas ovelhas e cavalos no local. Mais tarde, o local foi muito utilizado
para celebrar as vitórias do exército.
 A medida que Roma foi se urbanizando, os imperadores pensaram em construir algo na área. Por
essa razão que se encontra ali uma grande variedade de templos, teatros, fontes termais e outras
infraestruturas, como o anfiteatro. 
 Inicialmente, o altar foi implantado em uma curva do rio Tibre que era usada principalmente
para treinamento militar, aonde o Ara Pacis fazia parte de um complexo de obras feitas pelo
comando de Augusto seu próprio mausoléu, junto com a construção de seu Solário uma espécie de
relógio gigantesco em forma de um longo obelisco alto. O altar ficava estrategicamente em uma
posição que permitia que a sombra do obelisco o alcançasse no dia do aniversário do imperador. 
Figura 1 - Mausoléu, Obelisco e Ara Pacis no Campo de Marte. (Ara Pacis (2017)
 Com o apoio de Agripa, que decidiu doar ao Estado várias propriedades herdadas sucessivamente
de Marco Antônio, Augusto conseguiu concluir seu programa de monumentalização, concentrando
a maior parte das edificações ao sul do Campo de Marte, sendo o primeiro plano urbano de Roma,
base para as futuras transformações da cidade. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Altar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_romana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pax
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_romano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pax_Romana
 Todos os edifícios seguiriam um plano que de norte a sul, seria disposto estabelecendo uma linha
reta que unisse seu Mausoléu (ao norte) com o Panteão (ao sul), assim, pode encontrar entre eles o
Teatro de Marcelo, o Ara Pacis, o Relógio Solar Augusto, os Banhos Nero, o Estádio Domiciano
(hoje Praça Navona), o Crematório Imperial e o Teatro Pompeu . Por várias décadas após a
inauguração, surgiram problemas nesta parte do Campo de Marte devido às elevações do solo,
provavelmente devido à inundação do Tibre. Eles tentaram em vão proteger o monumento, mas
sem sucesso, com isso o Ara Pacis ficou submerso em lodo por mais de um milênio. 
Figura 2 - Campo de Marte em Roma. (Francisco Javier Tostado (2017)
 Os primeiros fragmentos do Ara Pacis foram encontrados em 1568, mas somente no século XIX
o trabalho de escavação no local foi retomado, ordenado pelo governo de Mussolini, e em 1938 foi
reinaugurado em comemoração ao 2.000º aniversário do nascimento de Augusto. Dada a
impossibilidade de reconstituí-lo em seu local de origem, os fragmentos subsistentes foram
montados em outro local, próximo ao Mausoléu de Augusto e dentro protegido de um pavilhão
destinado para ele.
Figura 3 - Roma, 1903. Escavação de Ara Pacis, a recuperação de uma grande laje com espirais
(Ara Pacis (2017)
 Mussolini, em seu regime fascista na Itália durante a década de 1930, se apropriou dos anos de
ouro de Augusto, o ditador se identificava com o imperador justificando suas ações com o ideal de
promover a continuidade do Império Romano.
https://es.wikipedia.org/wiki/Termas_de_Ner%C3%B3n
http://catedu.es/aragonromano/estadio.htm
http://www.udc.es/dep/com/castellano/arte_virtual/fichas/roma/arquitectura/arqromana_ficha03_l10.html
 A arte, a arquitetura e a iconografia tinha um papel fundamental em um certo avivamento
propagandístico. Após a recuperação em 1937 de fragmentos adicionais do altar, Mussolini elegeu
o arquiteto Vittorio Ballio Morpurgo para construir um recinto para o altar restaurado ligado às
ruínas do Mausoléu de Augusto, perto do rio Tibre, criando um complexo chave para uma
propaganda fascista, a “ Piazza Augusto Imperatore ”(Praça do imperador Augusto). Além disso, o
Res Gestae Divi Augusti (os "Atos do divino Augusto" uma narrativa escrita pelo próprio
imperador romano, citando as obras executadas durante sua longa carreira política) foi recriado na
parede do pavilhão do altar, com o objetivo de levar o espectador associar as realizações de
Mussolini com o próprio Augusto. O Ara Pacis, portanto, é um artefato colocado ao serviço de
ideias, sejam elas antigas ou modernas aonde, sua identidade tornou-se uma mistura de
classicismo, fascismo e modernismo.
Figura 4 - Benito Mussolini percorre o Ara Pacis
reconstruído, 1938. (Roma Sparita (2008)
Figura 5 - O edifício original do Ara Pacis, 1938. 
(The History Blog (2013)
 Contudo, na década de 1990 verificou-se que o altar estava sofrendo acelerada degradação por
causa da poluição atmosférica e excessivas variações de temperatura e umidade, e assim em 1995
a administração municipal decidiu construir um outro pavilhão, mais adequado, que foi projetado
pelo arquiteto Richard Meier e inaugurado em 2006. Hoje não apenas protege o monumento mas
também abriga o Museu da Ara Pacis.
ORIGEM E CARACTERÍSTICAS DO ACERVO
 Localizado atualmente no ponto escolhido pelo ditador Benito Mussolini , próximo ao mausoléu
de Augusto e às margens do rio que corta a cidade, o monumento foi reconstruído a partir de seus
fragmentos achados em um sítio onde ficou impossível erguê-lo novamente.
 O monumento é constituído todo em mármore esculpido, é uma construção quadrangular aberta
tendo 11,65 m de comprimento, 10,62 de largura e 6 m de altura. Em seu interior, possui um
pequeno altar cujo acesso é feito por três escadarias. A porta principal, orientada para o oeste e
localizada em um pedestal, era usada pelo sacerdote que oficiava o ritual de abate; a porta
orientada para o leste em contato com o chão, era onde animais do recinto sagrado eram
introduzidos e abatidos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o_atmosf%C3%A9rica
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Museu_da_Ara_Pacis&action=edit&redlink=1
Figura 6 - Reconstituição artística do Ara Pacis
(Ensinar História (2016)
Figura 7 - Localização das portas do Ara
Pacis (Carme Aranda (2010)
 O Altar da Paz é um altar ao ar livre propício para sacrifícios associados à religião. O abate
ritualístico e oferta de animais (geralmente eram sacrificados um carneiro e dois bois todos os
anos) na religião romana era rotineira, e tais ritos normalmente aconteciam na parte exterior. As
paredes internas e externas são inteiramente decoradas com relevos onde se destacam figuras
humanas em tamanho natural, não são tipos idealizados, como faziam os gregos, mas retratos de
personalidades e alguns deles podem ser reconhecidos como a família de Augusto.
Figura 8 - Friso processional do Ara Pacis mostrando membros da família imperial: Tibério (1), enteado do imperador
Augusto e seu futuro sucessor, Antônia, a jovem (2), sobrinha de Augusto junto com o marido Druso (3), irmão de
Tibério e enteado de Augusto, segura pela mão o filho Germânico (4), segue Antonia Maior (5), sobrinha de Augusto
e prima de Tibério, casada com o cônsul Lucius Domitius Aenobarbo (6) e seus filhos Cneus DemitiusAenobarbo (7)
que, no futuro, viria a ser pai do imperador Nero, e Domitia (8). (Ensinar História (2016)
Figura 9 - Cena processional no lado sul do Ara Pacis (Jeffrey Becker (2015)
 Os historiadores da arte são interpretados como plantas e animais dispostos por todo o altar
como mais uma representação da fertilidade e abundância de idade de ouro de Augusto. Um
paralelo pode ser traçado entre essa presença e a presença de figuras que usam coroas de louro em
suas cabeças, símbolo tradicional da vitória.
Figura 10 - Parede ao lado sul do Ara Pacis, Roma. 9 a.C. Ênfase nas plantas
geometrizadas abaixo da faixa grega (História das Artes Visuais (2017)
 As narrativas em relevo são representações, sobretudo de cenas de devoção nas quais homens,
mulheres e crianças se aproximam em direção ao próprio altar para honrar os deuses por meio de
sacrifícios juntamente com o imperador e sua família.
 As festividades eram mergulhadas na tradição mitológica e no simbolismo ritual, em que era
celebrado o período de paz em Roma, aonde consultas com sacerdotes e adivinhadores também
são representadas.
PROCESSO DE MANUTENÇÃO E RESTAURO
 Durante a década de 1980, foi realizado o primeiro trabalho sistemático de restauração do Ara
Pacis, que envolveu a desmontagem e substituição de alguns dos pinos de ferro que suportavam as
partes salientes do relevo, bem como a reparação das fraturas da argamassa, consolidação de
restaurações históricas, a recuperação da cor de peças não originais e a remoção de poeiras e
resíduos acumulados ao longo dos anos. Nessa mesma intervenção, foi retirada a cabeça
reconhecida como Honos, e erroneamente inserida no painel de Enéias.
 Embora não fosse adequadamente isolado pelos vitrais restaurados, esperava-se que as
intervenções da década de 1980 permitissem que o monumento fosse bem preservado a longo
prazo. Por outro lado, já em meados dos anos noventa os problemas ligados a uma temperatura
muito alta e repentina e a umidade tornaram-se evidentes aonde, a argamassa voltou a se abrir em
uma rede de microfissuras; a umidade, tendo atingido os pinos de ferro que não havia sido possível
substituir, causou sua expansão e fratura por dentro do mármore; além disso, das investigações
realizadas sobre a resistência das lajes maiores, surgiram resultados preocupantes, como indícios
de desprendimento do muro de contenção; uma camada de poeira gordurosa e ácida se depositou
com espantosa rapidez em toda a superfície do altar, como resultado do aumento descontrolado do
tráfego de veículos e da poluição. As precárias condições do monumento, na impossibilidade de
adaptação do relicário existente, levaram a Câmara Municipal de Roma em 1995 a pensar na
substituição do antigo relicário.
 Figura 11 – Processo de Restauro (Ara Pacis (2017)
 Uma boa parte da restauração moderna foi realizada na parede norte, com muitas cabeças
fortemente restauradas ou substituídas. A parede sul da tela externa mostra Augusto e sua família
imediata. A identificação das figuras individuais tem sido fonte de muitos debates acadêmicos.
Retratados na Figura 12 estão Augusto (danificado, ele aparece na extrema esquerda) e Marcus
Agrippa (amigo, genro e tenente de Augusto, ele aparece encapuzado, Figura 13), junto com
outros membros do casa imperial. Todos os presentes estão vestidos com trajes cerimoniais
apropriados para o sacrifício do Estado. A presença de padres estaduais conhecidos como flamens
indica ainda mais a solenidade da ocasião.
 O novo local foi planejado para proteger o legado cultural e artístico de Roma, substituindo o
antigo edifício que estava em péssimas condições, foi projetado pelo arquiteto Richard Meier que
visava o contraste entre luz e sombra e integrar o altar com uma área de pedestre ao redor do
Mausoléu adjacente de Augusto, mas junto ao já existente altar o novo complexo inclui salas
subterrâneas para exposições temporárias e instalações dedicadas a temas arqueológicos, uma
biblioteca digital sobre a cultura e arte de Augusto e um auditório. Além de um terraço ao ar livre
acima do auditório que inclui um bar e cafeteria com vista para o Mausoléu de Augusto a leste e o
Rio Tibre a oeste.
Figura 12 – Augusto (extrema esquerda) e membros da
casa imperial (lado sul) (Jeffrey Becker (2015)
Figura 13 - Cena processional (lado sul) com Agripa
(encapuzado) (Steven Zucker (2012)
NOVAS IMPLANTAÇÕES
ANÁLISE DOS ELEMENTOS GRÁFICOS E FLUXOS
 O novo edifício foi implantado às margens do rio Tibre, no
Lungotevere na Roma , dando um novo e renovado ambiente à
“ara”, no extremo oeste da Piazza Augusto Imperador (Piazza
Augusto Imperatore) e abriu oficialmente na primavera de 2006.
 O edifício foi pensado para ser permeável e transparente no
contexto urbano, sem prejudicar a conservação do monumento,
predominante em uma parede de cortina de vidro medindo 45,72 m 
 Figura 14 – Vista do Altar da Paz (Ara Pacis (2017) Figura 15 – Auditório (Ara Pacis (2017)
 Figura 16 – Implantação
(ArchaDaly (2011)
https://es.wikiarquitectura.com/arquitecto/meier-richard/
https://es.wikiarquitectura.com/ubicacion/italia/roma/
 O novo complexo do museu está dividido em três princípios principais. O primeiro setor é
acessado inicialmente uma galeria fechada à luz natural, através de uma escada que vence o vão
entre a via Ripetta e Lungotevere e conecta a nova construção com as igrejas neoclássicas em
frente, aonde a escadaria apresenta dois elementos que evocam o passado um chafariz, que
lembra o antigo porto de Ripetta e uma coluna cuja distância do altar é a mesma que no período
Augustano, separando o altar do obelisco do meridiano principal. 
 Em relação à galeria com os serviços de recepção, tem dupla função de apresentação ao visitante
ao monumento e de "blindar" o altar a sul. Após esta área sombreada é acessado ao pavilhão
central, onde durante o dia o altar fica em plena luz difundido por claraboias e grandes janelas.
Para isso, 1.550 m2 de vidro temperado foram montados em peças de até 3 x 5 m para eliminar o
efeito de gaiola do pavilhão e garantir a máxima visibilidade.
 O terceiro setor a norte, abriga uma sala de serviço com dois pisos, bem como uma zona de
restauração. Em cima da sala, tem um terraço aberto ao público com vista para o Mausoléu de
Augusto, aonde se aproveitou o desnível entre Lungotevere e via Ripetta, existe um piso semi-
subterrâneo, ladeado pela parede da Res Gestae, único elemento preservado do antigo pavilhão.
Estes espaços foram utilizados para uma biblioteca, os escritórios da administração e duas grandes
salas com iluminação artificial, onde são expostos os fragmentos que não foram realocados na
construção de 1938 e outros relevos importantes do Ara Pacis, podendo também ser utilizados
para arrecadações temporárias, podem ser acessado tanto pelo interior como por duas entradas
independentes a Sul ou a Norte da via Ripetta.
Figura 17 - Planta do Ara Paces (ArchaDaly (2011)
1 - Fonte de Água 2- Escadaria 3- Hall de Entrada 4- Altar da Paz 5- Foyer 6 - Auditório
 Acesso ao Ara Paces - Trajeto Acesso Principal ao Altar da Paz
Figura 18 - Corte (ArchaDaly (2011)
de comprimento por 12,19 m de altura, com isso o projeto é uma estrutura linear que está dividida
em áreas abertas, salas totalmente fechadas e áreas fechadas que integra o altar com uma área
pedestre ao redor do Mausoléu adjacente de Augusto, aonde os volumes e as proporções do
edifício se relacionam às antigas estruturas de Roma. 
3
4 6
21 5
 As escolhas dos materiais tinha como objetivo a integração com o ambiente com isso, fez o uso
de transvertido, cor, gesso e vidro que permite a combinação do lado externo e interno com efeito
simultâneo do volume, transparência, plenitude e vazio.
 O travertino vem das pedreiras onde foi extraído o mármore da Praça Augusto Imperatone na
década de 1930, uma construção entalhada são características próprias do mineral tornando em um
material único particular pelo próprio arquiteto Meier. Em relação a sua iluminação tanto interior
como exterior,seja ela noturna ou diurna, foi utilizada refletores com acessórios anti-reflexo,
filtros para sublinhar as cores e lentes que definem e modulam a distribuição do feixe de luz,
devido as características das obras expostas.
 O gesso branco Sto-Verotec foi usado em peças de vidro reciclado de em grandes dimensões. o
vidro especial é por ser extremamente polido, através do processo de sete camadas aplicadas sobre
uma rede de vítrea e pela sua capacidade de autolimpeza contra os agentes atmosféricos. O vidro
temperado que envolve o ara é composto por duas camadas de 12 mm cada, integrado por um
espaço preenchido com gás argônio e composto por uma camada de íons de metais nobres para
filtrar os raios de luz.
 A sua tecnologia, foi estudada para obter uma relação entre os resultados estéticos, transparência,
isolamento acústico e térmico e filtragem da luz, sendo levada ao limite das possibilidades atuais.
Uma cortina de ar sobre as janelas evita a condensação do ar e estabilizada a temperatura, com
uma espessa camada de poliestireno sob o pavimento permite que a água morna, quente ou fria
flua conforme necessário para criação das condições climáticas ideais para o espaço.
 O salão também possui sofisticados equipamentos para circulação de ar com alto grau de
filtragem para situações de grande influência de até 2 vezes o máximo previsto. sendo o mais
discreto em relação a arquitetura envolvente e a realidade em pouco tempo as causas que
perturbam as condições térmicas e de umidade.
MATERIAIS E TECNOLOGIAS
Figura 19 - Ara Paces e os materiais utilizados (ArchaDaly (2011)
ANALISE DO ACERVO 
"Quando voltei a Roma da Gália e da Espanha, sob o consulado
de Tibério Nero e Publius Quintilio, concluindo felizmente os
empreendimentos nessas províncias, o Senado decretou que um
altar à Paz de Augusto deveria ser consagrado no Campo de
Marte e ordenou que nele padres e magistrados celebrassem um
sacrifício todos os anos.” Augusto.
 O monumento é constituído por uma planta retangular sendo, um altar com narrativas em
relevos. O processo de reconstituição da Ara Pacis foi extremamente conturbado, em 1568 dez
fragmentos foram encontrados por acaso durante a construção do Palazzo Peretti, após reparos em
1859, mais 17 foram recuperados, as escavações arqueológicas de 1909 descobriram a posição
exata do altar e mais 53 fragmentos, durante o longo processo de descoberta as peças acabaram se
espalhando por museus da Europa, mas foram requisitados pelos fascistas.
 No interior, um friso com gravuras de guirlandas e bucrânios decoram a parte superior das
paredes, enquanto no exterior os pedestais são revestidos por volutas de acanto. Os frisos
exteriores têm decoração diferenciada de acordo com a sua localização, ladeando as portas quatro
alegorias e duas procissões nas paredes laterais.
 As pilastras Coríntias se localizam nos quatro cantos da construção e nas extremidades verticais
das portas. Já as fitas fronteiras gregas dividem os relevos exteriores em duas faixas a parte
inferior decorada com folhas de acanto e motivos florais e o topo com cenas históricas e
mitológicas relacionados ao imperador Augusto. O altar em si é circundado por uma sala quadrada
sem teto e aberta nos dois lados, sendo sua decoração interior assenta em relevos em mau estado
que retratam cenas do sacrifício anual . Já na parte superior do altar podemos ver pergaminhos e 
 Figura 20 – Reconstrução 3D do Ara Pacis, noroeste
( História Antiga (2016)
 Figura 21 – Reconstrução 3D do Ara Pacis, nordeste 
( História Antiga (2016)
 Figura 23 – Reconstrução 3D, altar interior
( História Antiga (2016)
 Figura 22 – Reconstrução 3D do Ara Pacis, sudoeste
( História Antiga (2016)
leões alados, peças artísticas que nos ajudam a apresentar dois dos elementos permanentes nos
relevos do monumento a vegetação e a fauna , ou seja, a natureza domesticada, símbolo da
abundância e prosperidade. No inferior, santuários rústicos rodeados por uma paliçada, o crânio
bovino lembra a importância do sacrifício no cotidiano romano, cujo significado no contexto da
religiosidade ancestral deve ser entendido como dar algo valioso a uma divindade para que ela o
faça. recompensar, estabelecendo assim uma relação de amizade entre homens e deuses que
mantivesse a harmonia cósmica estabelecida por poderes sobrenaturais.
 O friso inferior leste, pretende captar o cenário paradisíaco e harmônico entre deuses, homens e
natureza, um ambiente distante do confronto civil a que o novo regime político havia acabado. Já o
cisne é delineado como o pássaro associado a Apolo, divindade com a qual Augusto manteve um
vínculo especial, como cobras, segundo J. Gómez Pallarès estariam relacionadas a uma lenda que
é contada sobre a fundação de Alexandria pelo herói mais admirado do príncipe, Alexandre, o
Grande. aonde a história descreve que enquanto o monarca macedônio fundava a cidade no Egito,
uma grande serpente apareceu e foi sacrificada e então honrada com a construção de um templo 
 Figura 24 – Leão alado Interior 
( História Antiga (2016)
 Figura 25 – Bucranium e guirlandas Interior 
( História Antiga (2016)
 Figura 26 – Escorpião, friso leste inferior
( História Antiga (2016)
 Figura 27 – Alívio de um cisne, friso inferior do sul
( História Antiga (2016)
para ela. Depois disso, muitos répteis emergiram da terra e se refugiaram nas casas da nova cidade,
interpretando o fato como algo positivo. Essas cobras, aparecem na iconografia de Agatodaimon,
uma divindade associada à proteção e à proteção das plantações. Por isso, este réptil, também
ligado a um personagem profundamente admirado e considerado modelo por Augusto, como o
líder macedônio foi colocado em um dos relevos do Ara Pacis.
 O friso superior constitui o destaque do programa iconográfico, sendo através de suas cenas
mitológicas onde se mostra todo o potencial artístico que servirá ao príncipe como propaganda
política para consolidar os alicerces do novo regime. A representação dos heróis fundadores de
Roma, Enéias e Rômulo, obedece o desejo expresso de Augusto de se identificar e a sua dinastia, a
Gens Lulia, com as origens míticas da cidade.
O SACRIFÍCIO DE ÉNEAS 
 Localizada na parte superior direita do friso, na entrada do santuário. Nela aparece Éneas com
Toga, embora sem túnica, como segundo Plínio eram representados os reis de Roma nas estátuas
do Capitólio. O momento registrado é o da oferta de frutos aos Penates, divindades protetoras dos
lares resgatadas de Tróia. Estas aparecem no interior do templo situado à esquerda, obra que o
próprio Éneas prometera construir. Assim, aparecem os dois adolescentes romanos, mas com
vestimentas do tempo de Augusto, aos que olha o herói que, como tal, está descalço.
 Éneas, que leva uma lança na mão, símbolo da sua dignidade, ou como uma metáfora de
Alexandre, apresenta também um grande parecido com Augusto de Ascánio, que mantém como
suas vestes troianas e a porta a vara de pastor.
 Figura 28 – Oferecimento de Enéias aos deuses Penates em sua chegada à Lazio ( História Antiga (2016)
 No relevo da esquerda da porta, fica Marte observando a loba Capitolina no momento de
amamentar os gémeos Rómulo e Remo. Zanker estima que nele devessem figurar também a
figueira, debaixo da que tinha encontrado o pastor Faustulo, assim como o pássaro de Marte, que
tinha ajudado a alimentá-los, estas cenas são cheias de intencionalidade. 
A ROMA E A ALEGORIA Á DEUSA TELLUS
 Os painéis na parte oriental do Ara Pacis
representam, por um lado, uma Roma divinizada
sentada em armas entre o Senado e o povo
romana, e por outro, uma divindade materna
geralmente identificada como Tellus, embora
também possa ser relacionada com deusas Pax,
Vênus ou Ceres. Nela a deusa aparece sentada
sobre uma rocha, com duas crianças nos braços,
rodeada de espigas, plantas e animais, pelo
assento, também aludido à fecundidade e à Pax
Augusta. Mas o “Carmen Saeculare” de Horário
tão ligado às atuações áulicas do momento
inclina a pensar em Tellus (Que a Terra, fértil em
frutose gado, presente a Ceres uma coroa de
espigas). Debaixo dela aparecer uma raiz e uma 
 Figura 29 – Relevo supercal ( História Antiga (2016)
 Figura 30 – Relevo Roma ( História Antiga (2016)
 No que se refere aos relevos laterais das paredes exteriores , aquelas que representa a procissão
do 4 de julho do ano 13 a.c. quando Augusto regressou das suas campanhas na Gália e na
Hispânia, aonde este relevo é uma representação processional considerada como um magnífico
exemplo de relevo histórico. Inclui não apenas vários magistrados do povo romano e seus
acompanhantes, os lictores , mas também os colégios sacerdotais e a própria família imperial de
Augusto, aparece esculpido no friso sul como um pontífice máximo rodeado por vários padres.
Percebe-se como alguns deles parecem amontoar-se em torno do príncipe, aonde evidencia a
inegável importância de Augusto sobre os demais personagens retratados no painel.
A PROVIÇÃO CÍVICA
 Figura 31 – Alívio da deusa Tellus ( História Antiga (2016)
ovelha. Segundo Paul Zanker o fato de que uma raiz e uma espiga foram usados já nas moedas de
Augusto dos anos 27 e 26, como símbolos da promissão da paz, o que, numa última instância,
oferece uma possibilidade de advertir a mensagem que se pretende transmitir nesta representação a
respeito da relação entre a Terra e a sua riqueza, assim como a Pax Augustea.
 Figura 32 – Friso processional sul ( História Antiga (2016)
 A importância dada ao retrato dos padres no altar tem explicação, Augusto deu destaque a estás
escolas tinha um papel fundamental, justamente, na celebração de ritos, festas e procissões como a
narrada no Ara Pacis. Não surpreendendo visto que já se tenha notado como a devoção religiosa
era vista como um elemento essencial que todos os romanos deveria professar no novo regime.
Augusto fez o possível para que assim fosse, uma vez que foi proclamado pontifex maximus com a
morte de Lépido, que ocupava este cargo utilizado por deter a mais alta autoridade religiosa.
Investido como tal, Suetônio indica (31 de agosto, 4), pois o príncipe tinha liberdade para restaurar
"algumas das antigas instituições religiosas que foram abolidas aos poucos", entre elas a festa dos
Lupercales ou os jogos seculares.
ANALISE DA EXPOGRÁFIA
 A exposição é feita de modo linear devido principalmente a forma do edifício retangular, da qual
é percorrido por salas, aonde sua sala central é o próprio Altar da Paz que consequentemente tem
em todas as suas paredes a história a ser contada, em salas subsequentes a este espaço se encontra
algumas galerias com fragmentos encontrados na escavação mais não alocado ao altar, o público
tem contato direto com toda a exposição.
 Outro ponto é a preocupação com uma iluminação, aonde ocorre o contraste entre a iluminação
suave do espaço de entrada do salão principal com teto iluminado e rigorosamente simétrico,
incentiva uma circulação progressiva natural dos visitantes que levou à instalação de claraboias e
de paredes de cortinas de vidro, que também permite a integração do pavilhão com a Piazza
Augusto Imperatore.
 O friso norte, outros membros da família imperial são retratados como por exemplo Otávia e
Lívia, irmã e esposa, respectivamente, do príncipe, os dois filhos, Julia la Menor e Lucio César,
irmão de Caio e neto de Augusto, também acompanham a procissão, localizado em frente de todos
eles o grupo de faculdades sacerdotais pode ser visto, tal como os quindecemviri, augures e
septemviri.
 Figura 33 – Friso processional norte ( História Antiga (2016)
 Figura 34 – Altar da Paz, Iluminação diurna
( História Antiga (2016)
 Figura 35 – Altar da Paz, iluminação noturna
( História Antiga (2016)
 O museu também proporciona a ligação do público com a exposição, no caso o monumento
principal o Altar da Paz, através da realidade aumentada, aonde ocorre a personificação do
mármore do altar pelo efeito da luz avermelhada permitindo que o mundo virtual seja misturado ao
real. Com o auxílio de um visor de realidade aumentada e a sua câmera, uma aplicação reconhece a
tridimensionalidade dos relevos e das esculturas do Altar da Paz de Augusto assim, cada visitante
pode realizar uma série de gestos e ações que o envolve em uma atmosfera mágica, sua visão é
invadida por personagens como cidadãos da antiga Roma prontos a celebrarem sacrifícios, seus
ouvidos poderão escutar sons similares aqueles do período imperial com isso, cada personagem da
família de Augusto terá vida própria e contara sua própria história com as vozes de famosos
dubladores italianos. O mármore branco do monumento podem ser visto em cores, para se
assemelhar ao original na qual elas eram pintadas em cores vivas e com pigmentos orgânicos.
 Figura 38 – Altar da Paz uso da tecnologia aumentada (Sérgio Bastos(2015)
 Figura 36 – Altar da Paz com as cores
( Post- Italy (2016)
 Figura 37 – Altar da Paz uso da tecnologia aumentada
( Post- Italy (2016)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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<https://ensinarhistoria.com.br/roma-antiga-arte-como-propaganda/> [Acesso em: 15/10/2021].

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