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Aspectos básicos da intoxicação por Dieffenbachia seguinte ( comigo-ninguém-pode) Características gerais Dieffenbachia seguinte ( comigo-ninguém-pode) Existem muitas plantas com caráter toxico que estão presentes nas casas de praticamente toda a população, devido a sua beleza como ornamento ou como símbolo de alguma prática, fazendo com que essas plantas estejam sempre ao alcance de crianças e animais e por consequência acaba por aumentar os casos de intoxicação por plantas. Dentre essas plantas umas das mais conhecidas pela população brasileira está a Dieffenbachia seguinte também conhecida popularmente no Brasil como “comigo-ninguém-pode”, pertencem a família Araceae que apresenta distribuição cosmopolita (por todo mundo) sendo que no Brasil ocorrem 34 gêneros e 400 espécies dessa planta, tais plantas possuem alto grau de toxicidade, demonstrando o quão são importantes campanha informativas sobre plantas toxicas para manter a população ciente das plantas que cultivam em seus quintais. A comigo-ninguém-pode se apresenta com um espesso caule ereto parecido com cana de açúcar, folhas grandes, ovais, vistosas, geralmente com folhas verde escuro brilhante com tons branco á amarelado no centro da folha formando como se fosse de formato manchado, podendo chegar de 2 a 3 metros de altura, possui seiva leitosa tendo concentração alta de cristais de oxalato de cálcio, conforme a espécie sofre algumas variações nos padrões de cores. Principio ativo da Dieffenbachia seguinte ( comigo-ninguém-pode) A Dieffenbachia seguinte ( comigo-ninguém-pode), apresenta na sua estrutura idioblastos, que são células que apresentam vacúolos com substâncias especiais, dentre estas substancias a mais importante é o oxalato de cálcio, que é uma substancia que forma cristais de oxalato de cálcio, estes cristais formam as ráfides, que possuem formato de agulhas e quando expostos perfuram a pele e mucosas causando irritação. Além de causar a irritação pela perfuração, as ráfides liberam uma substância chamada Dumbcaina, que é uma proteína que causa lise celular, esta proteína é injetada na pele pelas ráfides e causa uma reação alérgica que pode se manifestar de forma leve ou grave, seu principio ativo se resume as ráfides de oxalato de cálcio e a dumbcaina, além disso contem saponinas glicosídeos cianogênios enzimas proteolíticas alcaloides e outras substancias que aumentam sua resposta tóxica. Idioblastos com ráfides em seu interior Ráfides liberadas em formato de agulha Toxicocinética O contato com a Dieffenbachias spp. normalmente é via oral, dérmica e ocular, causando reações e sinais clínicos característicos com o local e tempo de contato. basicamente ao se cortar, arranhar ou entrar em contato com a planta, ela sofre uma pressão osmótica que estimulam os idioblastos a liberar os cristais de oxalato de cálcio em formato de agulhas, que são chamados de ráfides, estes penetram e perfuram o tecido causando irritação (coceira, dor e prurido) e liberam a dumbcaina que desencadeia uma resposta alérgica. Toxicodinâmica Ao ser injetada pelas ráfides a Dumbcaina provoca a lise das membranas celulares, quando em contato com a pele desencadeia uma resposta alérgica que vai atrair imunoglobulinas (IGg e IGm), as imunoglobulinas vão atrair os mastócitos que serão degranulados e irão liberar a histamina. A histamina causará várias alterações como: edema, eritema, prurido, dor, inchaço, aumento do debito cardíaco, cólica e outros. A liberação da histamina vai causar diversas modificações nos diversos órgãos causando os sinais clínicos da intoxicação característica da planta. Abaixo uma lista de como a histamina vai agir em cada órgão: A histamina agirá em diferentes receptores causando diversos sintomas: Liga-se ao receptor H2 no vaso sanguíneo causando vasodilatação e aumenta permeabilidade vascular: causando edema da glote e língua obstruindo a entrada de ar, e edema de mucosa e pele Liga-se ao receptor H2 no coração causando aumento da liberação de cálcio: aumento do debito cardíaco. Liga-se ao receptor H2 na célula parietal gástrica vai causar aumento de secreção de HCl (liga em receptor H2 aumenta cálcio aumenta bombeamento de ions H+ pro lumem do estomago formanco HCL): desconforto gástrico e sensação de queimação e aumento da contração da musculatura lisa intestinal causando: cólica desconforto gástrico e sensação de queimação. Liga-se ao receptor H2 na musculatura lisa do intestino causa contração muscular causando diarreia e cólica. Liga-se ao receptor H1 nos nociceptores vai causar a dor e prurido: dor no local e erupções com prurido. H1 na musculatura lisa brônquica causa contração: obstrução das vias aéreas A manifestação destes sinais no animal intoxicado vai depender do organismo do animal e da quantidade de toxina ao qual o animal foi exposto. Sinais clínicos e sintomas A ingestão de qualquer parte da planta leva à intoxicação, o animal pode se apresentar agitado, com a face ventral do abdômen hiperêmico (avermelhado), hipertermia (temperatura elevada), com irritação acentuada da mucosa bucal e da faringe, edema e eritema nos lábios, língua e gengivas, esofagite, disfagia, asfixia causando taquipnéia, taquicardia, vômito, cólicas, diarreia e dor abdominal a palpação. Contato ocular: irritação intensa com congestão, edema, fotofobia e lacrimejamento. Os cristais de oxalato de cálcio tendem a provocar injúria renal e diminuir absorção de cálcio seguindo de hipocalcemia. Saponinas presentes na planta são princípios ativos tóxicos que causam dermatite, sinais digestivos, entre outros, tais como anorexia, sialorréia, dispneia e convulsão, além de atuarem a nível hepático, podendo causar alterações funcionais. O inchaço do sistema digestório pode levar à obstrução do sistema respiratório, ocasionando dificuldade para respirar e, algumas vezes, a morte. Diversos autores relataram que o principal sintoma e causa de morte por intoxicação pela planta é o edema (inchaço) de glote seguida por asfixia. Achados laboratoriais Em alguns relatos de caso os exames laboratoriais revelaram alterações como leucopenia, trombocitopenia, elevação de uréia, creatinina, alanina aminotransferase e aspartato aminotransferase. A elevação de AST, neste caso é causada pelas lesões celulares, devida a penetração dos cristais de oxalato de cálcio e, as lesões celulares no trato gastrintestinal. Tratamento Em caso de intoxicação, o tratamento pode ser feito com lavagem gástrica ou medidas que provoquem vômitos, isso com muito cuidado, em virtude dos efeitos irritantes da planta. Visto que o tratamento é sintomático, pode se fazer uso de demulcentes (como clara de ovo, óleo de oliva), pode ser feito também com administração de antiespasmódicos, analgésicos, diuréticos sendo que anti-histamínicos também são utilizados e, em casos mais graves, pode ser administrados corticosteróides. Já as lesões oculares são tratadas com lavagem demorada de água corrente ou soro fisiológico sem esfregar e aplicação de colírios anti-sépticos, ou corticosteróides por via sistêmica, nos casos mais graves. Na maioria dos casos, a terapia envolve o cuidado de suporte da dor e do inchamento. Prognóstico Apesar de ser uma planta toxica, ela é muito difundida como planta ornamental e também para simpatias, pois se acredita que a mantendo em casa possui o poder de retirar “mal olhado”. Em função da grande utilização de acordo com a SINITOX (sistema nacional de informações toxico-farmacológicas) ela se destaca entre as 16 plantas que mais causam intoxicação no Brasil. Porém seu prognostico é favorável, pois a ingestão da planta causa uma salivação o que dificulta a ingestão em grande quantidade favorecendo o tratamento. Quanto antes o animal intoxicado for levado ao veterinário, melhor o prognostico e mais rápido a sua recuperação. A maioria dos casos de intoxicação registrados são em crianças até 4 anos e animais de companhia. Casos de morte relatadossão raros, com o controle da asfixia e controle dos sintomas o animal consegue se recuperar sem sequelas.