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Vou pra casa entristecido Dá vontade de beber E pra aumentar meu tédio Eu nem posso olhar pro prédio Que eu ajudei a fazer. (BARBOSA, L. In: ZÉ RAMALHO. 20 Super Sucessos. Rio de Janeiro: Sony Music, 1999. Fragmento.) Texto II O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais rique- za e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. Esse fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor. (MARX, K. Manuscritos econômicos-filosóficos (Primeiro manuscrito). São Paulo: Boitempo Editorial, 2004. Adaptado.) Com base nos textos, a relação entre trabalho e modo de pro- dução capitalista é A) baseada na desvalorização do trabalho especializado e no aumento da demanda social por novos postos de emprego. B) fundada no crescimento proporcional entre o número de trabalhadores e o aumento da produção de bens e serviços. C) estruturada na distribuição equânime de renda e no declí- nio do capitalismo industrial e tecnocrata. D) instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da criação da economia solidária. E) derivada do aumento da riqueza e da ampliação da explo- ração do trabalhador. 24. (Enem-2016) A imagem da relação patrão-empregado geralmente veiculada pelas classes dominantes bra- sileiras na República Velha era de que esta relação se assemelhava em muitos aspectos à relação entre pais e filhos. O patrão era uma espécie de “juiz doméstico” que pro- curava guiar e aconselhar o trabalhador que, em troca, devia realizar suas tarefas em dedicação e respeitar o seu patrão. (CHALHOUB, S. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores do Rio de Janeiro da Belle Époque. Campinas: Unicamp, 2001.) No contexto da transição do trabalho escravo para o trabalho li- vre, a construção da imagem descrita no texto tinha por objetivo A) esvaziar o conflito de uma relação baseada na desigualda- de entre os indivíduos que dela participavam. B) driblar a lentidão da nascente Justiça do Trabalho, que não conseguia conter os conflitos cotidianos. C) separar os âmbitos público e privado na organização do trabalho para aumentar a eficiência dos funcionários. D) burlar a aplicação das leis trabalhistas conquistadas pelos operários nos primeiros governos civis do período republicano. E) compensar os prejuízos econômicos sofridos pelas elites em função da ausência de indenização pela libertação dos escravos. 25. (Enem-2015) Uma dimensão da flexibilização do tempo de trabalho é a sutileza cada vez maior das fronteiras que separam o espaço de trabalho e o do lar, o tempo de trabalho e o de não trabalho. Os mecanismos mo- dernos de comunicação permitem que, no horário de descanso, os trabalhadores permaneçam ligados à empresa. Mesmo não exer- cendo diretamente suas atividades profissionais, o trabalhador fica à disposição da empresa ou leva problemas para refletir em casa. É muito comum o trabalhador estar de plantão, para o caso de a empresa ligar para o seu celular ou pager. A remuneração para esse estado de alerta é irrisória ou inexistente. (KREIN, J. D. Mudanças e tendências recentes na regulação do trabalho. In: DEDECCA, C. S.; PRONI, M. W. (Org.). Políticas públicas e trabalho: textos para estudo dirigido. Campinas: IE/Unicamp; Brasília: MTE, 2006. Adaptado.) A relação entre mudanças tecnológicas e tempo de trabalho apresentada pelo texto implica o A) prolongamento da jornada de trabalho com a intensifica- ção da exploração. B) aumento da fragmentação da produção com a racionaliza- ção do trabalho. C) privilégio de funcionários familiarizados com equipamen- tos eletrônicos. D) crescimento da contratação de mão de obra pouco qualificada. E) declínio dos salários pagos aos empregados mais idosos. 26. (Enem-2015) O impulso para o ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de di- nheiro não tem, em si mesma, nada que ver com o ca- pitalismo. Tal impulso existe e sempre existiu. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte e condição humana em todos os tempos e em todos os países, sempre que se tenha apre- sentada a possibilidade objetiva para tanto. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. Pois assim deve ser: numa ordem completamente capitalista da sociedade, uma empresa individual que não tirasse vantagem das oportuni- dades de obter lucros estaria condenada à extinção. (WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001. Adaptado.) O capitalismo moderno, segundo Max Weber, apresenta como característica fundamental a A) competitividade decorrente da acumulação de capital. B) implementação da flexibilidade produtiva e comercial. C) ação calculada e planejada para obter rentabilidade. D) socialização das condições de produção. E) mercantilização da força de trabalho. 27. (Enem-2015) No final do século XX e em razão dos avanços da ciência, produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e asse- gurando ao novo sistema uma presença planetária. Um mercado que utiliza esse sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa. (SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008. Adaptado.) Uma consequência para o setor produtivo e outra para o mundo do trabalho advindas das transformações citadas no texto estão presentes, respectivamente, em: A) Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da legis- lação laboral. B) Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de associa- ções sindicais. C) Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos postos qualificados. D) Concentração das áreas manufatureiras e redução da jor- nada semanal. E) Automatização dos processos fabris e aumento dos níveis de desemprego. 28. (Enem-2015) Dominar a luz implica tanto um avanço tecnológico quanto uma certa liberação dos ritmos cíclicos da natureza, com a passagem das estações e as alternâncias de dia e noite. Com a iluminação no- turna, a escuridão vai cedendo lugar à claridade, e a percepção temporal começa a se pautar pela marcação do relógio. Se a luz invade a noite, perde sentido a separação tradicional entre trabalho e descanso – todas as partes do dia podem ser apro- veitadas produtivamente. (SILVA FILHO, A. L. M. Fortaleza: imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará; Secult-CE, 2001. Adaptado.) SociologiaSociologia Vou pra casa entristecido A relação entre mudanças tecnológicas e tempo de trabalho SociologiaSociologia 408 PG18EA445SD00_QE_2018_MIOLO.indb 408 26/02/2018 16:48:15