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Então passou Caiuanogue, a estrela da manhã. Macunaíma 
já meio enjoado de tanto viver pediu pra ela que o carregasse 
pro céu.
Caiuanogue foi se chegando porém o herói fedia muito. 
— Vá tomar banho! – ela fez. E foi-se embora. 
Assim nasceu a expressão “vá tomar banho” que os brasi-
leiros empregam se referindo a certos imigrantes europeus. 
(ANDRADE, M. Macunaíma: o herói sem nenhum 
caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008.) 
O fragmento de texto faz parte do capítulo VII, intitulado “Vei, a 
sol”, do livro Macunaíma, de Mário de Andrade, pertencente à 
primeira fase do Modernismo brasileiro. Considerando a lingua-
gem empregada pelo narrador, é possível identificar 
A) resquícios do discurso naturalista usado pelos escritores 
do século XIX.
B) ausência de linearidade no tratamento do tempo, recurso 
comum ao texto narrativo da primeira fase modernista. 
C) referência à fauna como meio de denunciar o primitivismo 
e o atraso de algumas regiões do país. 
D) descrição preconceituosa dos tipos populares brasileiros, 
representados por Macunaíma e Caiuanogue. 
E) uso da linguagem coloquial e de temáticas do lendário brasi-
leiro como meio de valorização da cultura popular nacional.
33. (Enem-2015)
O peru de Natal
 O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de 
meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conse-
quências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos 
familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: 
gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves 
dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza 
cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma 
exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos 
faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felici-
dades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição 
de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase 
dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres. 
(ANDRADE, M. In: MORICONI, I. Os cem melhores contos brasileiros do 
século. São Paulo: Objetiva, 2000. Fragmento.)
No fragmento do conto de Mário de Andrade, o tom confessio-
nal do narrador em primeira pessoa revela uma concepção das 
relações humanas marcada por
A) distanciamento de estados de espírito acentuado pelo pa-
pel das gerações. 
B) relevância dos festejos religiosos em família na sociedade 
moderna. 
C) preocupação econômica em uma sociedade urbana em 
crise.
D) consumo de bens materiais por parte de jovens, adultos e 
idosos.
E) pesar e reação de luto diante da morte de um familiar 
querido.
34. (Enem-2014)
Camelôs
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado
E as canetinhas – tinteiro que jamais escreverão coisa alguma.
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
— “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai
Buscar um
Pedaço de banana para eu ascender o charuto.
Naturalmente o menino pensará: Papai está malu...”
Outros, coitados, têm a língua atada.
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino
Ingênuo de
demiurgos de inutilidades.
E ensinaram no tumulto das ruas os mitos heroicos da
Meninice...
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes
uma lição de infância.
(BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.)
Uma das diretrizes do Modernismo foi a percepção de elementos 
do cotidiano como matéria de inspiração poética. O poema de 
Manuel Bandeira exemplifica essa tendência e alcança expres-
sividade porque
A) realiza um inventário dos elementos lúdicos-tradicionais 
da criança brasileira.
B) promove uma reflexão sobre a realidade de pobreza dos 
centros urbanos.
C) traduz em linguagem lírica o mosaico de elementos de sig-
nificação corriqueira.
D) introduz a interlocução como mecanismo de construção 
de uma poética nova.
E) constata a condição melancólica dos homens distantes da 
simplicidade infantil.
35. (Enem-2013)
Olá! Negro
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
E a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor
Tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações quando apagarem
A tua tatuagem execranda,
Não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,
Negro-fujão, negro cativo, negro ioruba,
Negro que foste para o algodão de USA
Para os canaviais do Brasil,
Para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
De todos os senhores do mundo;
Eu melhor compreendo agora os teus blues
Nesta hora triste da raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
(LIMA, J. Obras completas. Rio de Janeiro: Aquilar, 1958.)
O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão 
do eu lírico, um contexto social assinalado por 
A) modernização dos modos de produção e consequente en-
riquecimento dos brancos.
B) preservação da memória ancestral e resistência negra à 
apatia cultural dos brancos. 
C) superação dos costumes antigos por meio da incorporação 
de valores dos colonizados.
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Então passou Caiuanogue, a estrela da manhã. Macunaíma Alegria das calçadas
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PG18EA445SD00_QE_2018_MIOLO.indb 92 26/02/2018 16:42:09