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3ºAula
A história da educação infantil no 
Brasil
Caro(s) estudante(s),
Na aula 02 conhecemos a biografia e as 
contribuições de teóricos importantes para a 
construção do campo educacional, especialmente 
para a educação infantil. 
Atente-se para as próximas reflexões!
Na aula 03 dialogaremos a respeito da história 
da educação infantil no Brasil. Perceberemos 
que as mudanças decorrentes em nosso país 
acompanharam as transformações que ocorreram 
em diversas partes do mundo, porém, com 
características próprias.
Boa aula!
Fundamentos e Metodologia da Educação Infantil
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Objetivos de aprendizagem
1 - A história da educação infantil no Brasil
2 - O Brasil República
3 - Os avanços da Educação Infantil
1 - A história da educação infantil 
no Brasil 
A partir da segunda metade do século XIX, 
inicia-se um processo de modificações que se 
dá logo após o período abolicionista, quando se 
percebe um aumento na migração da zona rural 
para a zona urbana, surgindo condições para certo 
desenvolvimento cultural e tecnológico e para a 
proclamação da República como forma de governo. 
A abolição da escravatura no Brasil desencadeou 
novos problemas decorrentes do destino dos filhos 
dos escravos, que já não iriam assumir o papel de pais. 
Suscitou também no aumento de filhos abandonados, 
o que levou à busca de soluções para o problema da 
infância. Na tentativa de amenizar os problemas 
relacionados a essa nova realidade, criaram então, creches, 
Ao término desta aula, você será capaz de:
• conhecer um pouco sobre a história da 
educação infantil em nosso país;
• reconhecer as melhorias em relação à 
compreensão da infância e ao atendimento dessas 
crianças de 0 a 5 anos de idade;
• analisar os reais avanços e perceber a 
necessidade de melhorias em relação a primeira 
etapa da educação básica;
• compreender melhor as políticas implantadas 
no atendimento das crianças.
Seções de estudo
Turma,
Essa aula é de grande relevância para os que fi zeram a 
opção de trabalhar com a educação, especialmente a etapa 
educação infantil.
Compreender a história signifi ca entender o porquê dos 
acontecimentos na atualidade e assim analisar as reais 
mudanças acerca da educação.
Vamos lá?
asilos e internatos, instituições estas que na época eram 
destinadas a cuidar de crianças pobres, com o intuito de 
esconder o problema das crianças abandonadas. 
A procura por uma solução rápida fazia com 
que buscassem um culpado, e a família recebeu 
esse demérito. Por outro lado, a construção de uma 
sociedade moderna, presente no final do século XIX, 
visava à realização de projetos sociais, que reunissem 
condições para que fossem compreendidas pela elite 
do país, as normas educacionais do Movimento das 
Escolas Novas, que se deram na Europa e vinham 
sendo trazidos ao Brasil.
Inúmeros debates foram gerados a partir da ideia 
de “jardim de infância” entre os políticos da época. 
Muitos deles criticavam por acreditar que se tratava 
de simples depósitos de crianças. Outros defendiam 
por esperar que ao contrário, fosse um lugar que 
as crianças obtivessem um bom desenvolvimento 
infantil sob a influência das escolanovistas. A grande 
polêmica tinha como âmago o seguinte: se os jardins 
de infância possuíam objetivos como a caridade e 
destinavam-se aos mais pobres, não deveriam ser 
mantidos pelo poder público.
Enquanto se discutia sobre as reais finalidades, 
eram criados no Rio de Janeiro os primeiros jardins 
de infância, nos anos de 1875 e, em São Paulo, em 
1877, sob os cuidados de entidades particulares. 
Somente alguns anos depois, surgiram os primeiros 
jardins de infância públicos, que, contudo, dirigiam 
seu atendimento às crianças, filhos de pais com 
melhores condições financeiras.
Vejamos alguns dos primeiros jardins de 
infância públicos:
• 1896 o da Escola Normal Caetano de Campos 
em São Paulo;
• 1909 o de Campos Sales;
• 1910 o de Marechal Hermes;
• 1922 o de Bárbara Otoni, sendo esses três 
últimos no Rio de Janeiro.
Nesse período, a preocupação com as crianças 
pobres também era enfatizada em toda imprensa e 
nos debates legislativos. 
Rui Barbosa considerava o jardim de infância 
como sendo a primeira etapa do ensino primário. 
Em 1822 apresentou um projeto de reformulação da 
instrução no país, diferenciando salas de asilo (nome 
dado a locais destinados à crianças), escolas infantis 
e jardim de infância. Ele observou o fortalecimento 
de um movimento de proteção à infância, que partia 
29
de um sentimento preconceituoso sobre a pobreza, 
defendendo um atendimento caracterizado como 
donativo aos menos favorecidos.
Para refl etir
Vimos que no início a preocupação em relação ao atendimento 
das crianças se deu, pelo fato da necessidade de protegê-las. 
E atualmente, como funciona o atendimento as crianças? 
Estamos preparados para fazer da prática algo signifi cativo? 
Que melhorias são almejadas pelos educadores?
Nossa segunda seção! 
Faça anotações enquanto se lê. Essa é uma boa maneira de 
destacar os principais assuntos desenvolvidos na aula. 
Então vamos continuar a leitura?
2 - O Brasil República
Em 1889, com a proclamação da República, 
o cenário de renovação ideológica trouxe também 
modificações nas questões sociais.
O Instituto de Proteção e Assistência à Infância 
foi criado por particulares, no ano de 1899, e precedeu 
a criação do Departamento da Criança, em 1919, 
agora, por iniciativa governamental, que partiu da 
preocupação com a saúde pública e acabou por gerar 
a ideia de assistência científica à infância. Com esse 
propósito, surgem inúmeras escolas infantis e jardins 
de infância, alguns deles criados pelos europeus para 
atender seus filhos.
Em 1908, surgiu a primeira escola infantil, em 
Belo Horizonte e, em 1909, o primeiro jardim de 
infância municipal no Rio de Janeiro. Levantamentos 
realizados em 1921 e 1924 mostraram um crescimento 
de 15 para 47 creches e de 15 para 42 jardins de infância 
em todo o país (Kuhlmann Jr., 2000, p.5). Todavia, 
na época os investimentos estavam destinados aos 
primeiros anos do ensino primário que atendia parte 
da população em idade escolar.
Enquanto isso, a urbanização e a industrialização 
nos centros urbanos maiores, intensificadas no início 
do século XX, foram responsáveis por diversas 
mudanças, tanto na estrutura familiar, quanto na 
organização do mercado de trabalho. A atividade 
industrial exigiu muita mão de obra, levando as 
mulheres a se empregarem nas indústrias. Houve 
então a necessidade de se dispor de um lugar adequado 
para deixar os filhos enquanto trabalhavam. Porém, 
esse não era um problema que as indústrias estivessem 
preocupadas em solucionar, deixando para as próprias 
mulheres resolver de maneira emergencial, procurando 
em seu próprio núcleo familiar pessoas que pudessem 
cuidar das crianças em troca de dinheiro. Essas pessoas 
foram denominadas de “criadeiras” e estigmatizadas 
como “fazedoras de anjos” em consequência da alta 
mortalidade de crianças cuidadas por elas. As mortes 
eram em consequência das más condições de higiene 
e de materiais, segundo a justificativa dada na época. 
Hoje, porém, acrescentaríamos também como uma 
das causas os problemas psicológicos decorrentes da 
separação da criança de sua família. Entretanto, embora 
a necessidade de ajuda para cuidar dos filhos estivesse 
ligada à situação econômica, isso não era visto como 
uma responsabilidade social, mas ao contrário, era tido 
como um favor prestado e certas pessoas.
Inspirados nos manifestos ocorridos nos 
Estados Unidos e na Europa, os trabalhadores 
começaram a exigir melhores condições de trabalho 
e um local apropriado para as mulheres deixarem 
os filhos enquanto trabalhavam. Tal manifesto se 
deu na década de 20 e no início da década de 30. 
As conquistas se deram graças a alguns empresários, 
que a fim de enfraquecer o manifesto resolveram 
conceder alguns benefícios sociais. Para isso, 
fundaram vilas operárias, clubes para filhos de 
operários em cidades do Rio de Janeiro, São Pauloe outras no interior de Minas Gerais e no norte do 
país, iniciativas que foram seguidas gradativamente 
por outros empresários.
As poucas conquistas ocorreram em certas 
regiões através de conflitos. As reivindicações dos 
trabalhadores, iniciadas pelos empresários, foram 
dirigidas para o Estado que atuaram como força de 
pressão para a criação de creches, escolas maternais e 
parques infantis por parte de órgãos governamentais.
Em 1923, a primeira regulamentação do trabalho 
da mulher, defendia a criação de creches e salas de 
amamentação durante as jornadas de trabalho.
Em 1922, no Rio de Janeiro, ocorreu o Primeiro 
Congresso Brasileiro de Proteção à Infância, onde 
foram discutidos vários temas como, por exemplo: 
a educação moral e higiênica e o aprimoramento 
da raça, com ênfase no papel da mulher como 
cuidadora. Nesse contexto, surgiram as primeiras 
regulamentações do atendimento de crianças 
pequenas em escolas maternais e jardins de infância.
Diante de tais acontecimentos, alguns educadores 
se preocupavam com a qualidade do trabalho 
Fundamentos e Metodologia da Educação Infantil
30
pedagógico, apoiavam movimentos de renovação 
pedagógica conhecida como “escolanovismo”. Os 
debates que estavam acontecendo no país, falavam 
no sentido da transformação radical das escolas 
brasileiras, trazendo a questão educacional para o 
centro das discussões políticas nacionais.
Em 1924, educadores interessados nos 
Movimentos das Escolas Novas criaram a Associação 
Brasileira de Educação. Lourenço Filho publicou 
no ano de 1929 o livro Introdução ao estudo da 
Escola Nova, mostrando novos conceitos entre os 
educadores brasileiros.
 Em 1932, surge um Manifesto dos Pioneiros 
da Educação Nova, documento que tinha como 
propósito defender pontos relevantes como: a 
educação como função pública, a existência de uma 
única escola, e a co-educação de meninos e meninas, 
necessidade de um ensino ativo nas salas de ensino 
gratuito e obrigatório. Partindo daquele movimento 
alguns educadores brasileiros como Mário de 
Andrade, em São Paulo, propunham a propagação 
de praças de jogos nas cidades, à semelhança dos 
jardins de infância de Froebel, tal como ocorria 
em vários locais da América Latina, como Havana, 
Buenos Aires, Montevidéu e Santiago. Essas praças 
originaram os parques infantis construídos em várias 
cidades do país.
Surgiram assim, novos jardins de infância e, 
ainda, cursos para a formação de professores, mas 
nenhum deles direcionado ao ensino de crianças das 
camadas populares.
Apesar de na década de 30, já terem sido criadas 
algumas instituições oficiais voltadas à proteção 
à infância, foi na década de 40 que prosperaram 
iniciativas governamentais na área de saúde, 
previdência e assistência.
Nesse quadro de tensões sociais presentes na 
década de 30 e a procura por regulamentações das 
relações entre patrões e empregados, na busca de 
manter a ordem, o Estado fundou uma estratégia 
combinada de repressão e de concessões às 
reivindicações dos operários, dentro da legislação 
social. O governo Vargas (1930-1945), uniu a 
necessidade de se manter os interesses da pátria, 
como o de reconhecer alguns direitos políticos 
dos trabalhadores, como a Consolidação das Leis 
do Trabalho – CLT, de 1943, que contém algumas 
indicações sobre o atendimento dos filhos das 
mulheres trabalhadoras com o objetivo de facilitar a 
amamentação durante a jornada de trabalho.
Percebe a importância dos manifestos na busca de melhorias 
e conquistas acerca da educação de crianças? 
Continuemos a leitura!
Desde o início até a década de 50, poucas foram 
as creches que não faziam parte das indústrias e 
estas eram de responsabilidades filantrópicas, laicas 
e, principalmente religiosas, ou seja, o governo 
pouco fazia diante da necessidade de se criar 
instituições adequadas para o cuidado das crianças. 
Mesmo assim, os trabalhos com as crianças tinham 
assumido um caráter assistencialista, que se limitava 
à preocupação de se alimentar, cuidar da higiene e da 
segurança física, sendo pouco valorizado o trabalho 
pedagógico, visando ao desenvolvimento intelectual 
e afetivo das crianças.
Em 1953, o Departamento Nacional da Criança 
passou a integrar o Ministério da Saúde, sendo 
substituído em 1970 pela Coordenação de Proteção 
Materno-Infantil.
Apesar de os textos oficiais da época defenderem 
que as creches e os jardins de infância necessitassem 
de material apropriado para a educação de crianças, o 
atendimento a elas não deixou de ser assistencialista. 
Durante a segunda metade do século XX, a 
característica do sistema econômico adotado no 
Brasil fez com que a maioria da população não tivesse 
uma condição de vida satisfatória. Ao mesmo tempo, 
o aumento da industrialização e da urbanização no 
país contribuiu para a ampliação da participação 
da mulher no mercado de trabalho. Assim, creches 
e parques infantis que ofereciam períodos integrais 
foram sendo cada vez mais procurados, agora, não 
apenas por mulheres de classes menos favorecidas, 
mas, também por trabalhadoras do comércio e 
funcionárias públicas.
No início desse período, uma mudança importante 
ocorreu com o surgimento da Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional aprovada em 1961 (Lei 
4024/61), que aprofundou a perspectiva apontada 
desde a criação dos jardins de infância: sua inclusão no 
sistema de ensino. Assim dispunha essa lei:
Art.23 – “A educação pré-primária destina-se aos menores 
de até 7 anos e será ministrada em escolas maternais ou 
jardins-de-infância”.
Art.24 – “As empresas que tenham aos seus serviços mães 
de menores de sete anos serão estimuladas a organizar e 
manter, por iniciativa própria ou em cooperação com os 
poderes públicos, instituições de educação pré-primária”.
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Toda essa situação era refletida pelo momento 
vivido na época em relação ao contexto sóciopolítico 
e econômico do início da década de 60, que seria 
modificado pelo governo militar a partir do ano de 
1964, com importantes reflexos sobre a educação em 
geral e a educação das crianças pequenas em especial.
Vejamos abaixo breve resumo dos avanços da educação 
infantil no Brasil nos últimos anos. 
Observe atentamente os motivos a que levaram tais 
modifi cações na nossa próxima seção de estudo. 
3 - Os avanços da educação infantil
Historicamente percebemos grandes avanços na 
educação das crianças de 0 a 5 anos de idade no Brasil. 
Novos conceitos e condições estão se firmando e 
tudo isso devido à junção de alguns fatores como:
• grande aumento da demanda;
• esclarecimento sobre o papel da educação infantil;
• maior comprometimento de políticas públicas 
na área.
O primeiro se dá pela necessidade de atendimento 
às crianças de 0 a 6 anos que vem crescendo 
cada dia mais em nossa sociedade, resultantes de 
intensas transformações que englobam fatores 
sociais, econômicos e culturais. Dessa maneira, o 
atendimento a essa demanda, também contribui com 
tais mudanças.
Mudanças essas que repercutem na maneira de 
criar os filhos a partir do momento em que mulheres 
que têm crianças pequenas compreendem a necessidade 
de trabalhar fora, auxiliando no sustento da família 
e, muitas vezes, sendo o único meio de se adquirir 
alguma renda. Atualmente, muitas mulheres são 
responsáveis por esse sustento por serem divorciadas, 
situação muito comum nos nossos dias. Há também as 
que trabalham não apenas por necessidade, mas pelo 
desejo de realização pessoal e profissional.
Com essas mudanças surgem também inúmeros 
questionamentos que envolvem a composição e 
as relações de poder da família, nascendo então 
novas formas de organização familiar como, por 
exemplo: manutenção e tarefas de casa divididas 
entre marido e mulher, criação dos filhos somente 
pela mãe, na maioria das vezes, ou pela avó, a união 
de companheiros do mesmo sexo, são alguns deles.
Hoje, em todas as classes sociais, a preocupação 
dos pais ou responsáveis quanto ao desenvolvimento 
saudável inclui a procura por instituições que 
garantam não apenasa educação, mas também, o 
cuidado, dividindo com eles as tarefas.
O segundo fator se dá pelo melhor esclarecimento 
sobre qual o verdadeiro papel da educação infantil, que 
tem ocorrido diante de inúmeras pesquisas realizadas e 
também pela prática reconhecida dos educadores.
A psicologia até pouco tempo atrás defendia a 
ideia de que o ambiente ideal para crianças crescerem 
e se desenvolverem era o ambiente familiar. Poucos 
estudiosos acreditavam, focalizavam a interação das 
crianças como forma de aprendizagem e aquisição 
de conhecimentos.
No entanto, vale ressaltar que a realidade é 
muito mais complexa. A criança vive em grandes 
comunidades, é cuidada por pessoas diferentes, 
sejam elas parte da família ou não e nem por isso 
tornam-se menos desenvolvidas ou saudáveis.
O ambiente da creche nos apresenta um novo 
desafio, o de compreender o desenvolvimento 
da criança em um contexto que não seja aquele já 
vivido anteriormente e os responsáveis por essas 
crianças são profissionais que não têm o mesmo 
envolvimento afetivo que a mãe, e os companheiros 
mais interessantes para a interação são as outras 
crianças da mesma idade. 
Cada vez mais, estudos mostram como criar 
um lugar adequado para o melhor desenvolvimento, 
cuidado e educação dessas crianças. Com isso, 
podemos citar alguns deles:
• ambiente adequado e organizado em 
instituições de educação em grupo;
• interação entre crianças e entre crianças e 
educadores;
• integração das crianças e famílias a essas 
instituições;
• inclusão de crianças portadoras de necessidades 
educacionais especiais;
• organização de rotinas e currículos apropriados;
• formação inicial e continuada dos educadores;
• promoção da qualidade do atendimento na 
educação infantil.
Em geral, pesquisas mostram que é possível um 
atendimento de qualidade às crianças mesmo nos seus 
primeiros anos de vida, mas, é extremamente importante 
que a família seja participativa e interaja com a instituição 
a fim de uma parceria com os mesmos objetivos.
Fundamentos e Metodologia da Educação Infantil
32
Através de uma dedicação diária, tais instituições 
de educação infantil podem, certamente, tornarem-
se um espaço agradável, estimulante e seguro para 
a criança, concedendo a ela a oportunidade de um 
desenvolvimento significativo e muito prazeroso.
O último fator, que engloba o maior 
comprometimento de políticas públicas, ou seja, a 
maneira como o Estado participa da organização e 
funcionamento de vários setores da sociedade. Elas 
oferecem a esses setores regras, metas e diretrizes 
que orientam o desenvolvimento dos mesmos.
A política pública nasce da capacidade de 
negociação entre o governo e a sociedade. Ao estado 
cabe a regulamentação e o gerenciamento da política 
pública fruto dessa negociação.
Apesar de diversos problemas apresentados 
pelas políticas públicas, não podemos negar os 
grandes avanços que ocorreram especialmente 
a partir da Constituição de 1988, que oferece a 
possibilidade de fiscalização das ações do governo 
por parte de cidadãos comuns, dando oportunidade 
de uma participação mais ativa, ou pelo menos 
deveria assim ser, através de seus representantes do 
poder executivo e da sociedade.
No caso da educação infantil, observamos que 
em muitos municípios há um aumento no número 
de experiências inovadoras. Impulsionados pelas 
atuais concepções da infância e de atendimento 
em instituições e utilizando-se de organismos 
de participação do Estado e da sociedade, criam 
programas alternativos.
Para uma participação mais consciente visando 
à melhoria desse atendimento tão necessário 
nos dias atuas, implica em um movimento de 
corresponsabilidade, assumindo definitivamente 
o papel de cidadão, no qual, diretores, educadores, 
pais e governantes muito têm a aprender e colaborar 
nesse processo.
Tornar a instituição de educação infantil mais 
transparente pode ser o início de uma nova forma 
de estabelecer políticas públicas mais desafiadoras 
e construtivas, fazendo com que esses ambientes 
cumpram com sua função de educar com qualidade, 
educando-as para o exercício da cidadania.
Saber mais
Continuemos nossa leitura e a seguir façamos refl exões 
sobre as políticas de educação e cuidado da criança em 
nosso país.
Políticas de cuidado e educação da criança 
pequena no Brasil
A “Roda dos Expostos”, uma instituição para 
educar crianças cujos pais não podiam fazê-lo, foi o 
primeiro tipo de atendimento oferecido às crianças 
pequenas no Brasil. Em função da alta taxa de 
mortalidade (cerca de 50%), houve um incentivo à 
criação de creches, no final do século XIX, para que 
os pais não abandonassem seus filhos na “Roda” 
(Montenegro, 2001). Apesar de terem ocorrido 
algumas iniciativas em anos anteriores, o ano de 1899 
pode ser considerado como um primeiro marco no 
que diz respeito ao atendimento à criança pequena, 
pois nesse ano foi fundado o Instituto de Proteção e 
Assistência à Infância do Rio de Janeiro e a primeira 
creche para filhos de pais trabalhadores do país, 
nessa mesma cidade (Kuhlmann, 1998).
Os primeiros jardins de infância surgiram antes 
das creches, em 1883. Tratavam-se, porém, de 
instituições privadas e, como nos Estados Unidos 
da América, as crianças de famílias abastadas 
foram as que primeiro tiveram acesso a esse tipo de 
serviço. Com o intuito de diferenciá-los das creches 
– destinadas às crianças da classe trabalhadora – 
empregava-se com frequência o termo “pedagógico” 
(Kuhlmann, 1998). Em outras palavras, os jardins de 
infância, para as crianças ricas, visavam à educação; 
as creches, para as crianças pobres, tinham por 
objetivo o “cuidado”.
Ao longo do século XX, ocorreram várias 
transformações nesse cenário. A partir da década 
de 1920, o processo de industrialização provocou 
mudanças estruturais na sociedade brasileira 
semelhantes àquelas ocorridas nos Estados Unidos da 
América. Todavia, durante vários anos o governo não 
se preocupou em regulamentar e fiscalizar os serviços 
de atendimento à criança pequena. Mesmo quando a 
legislação trabalhista do governo do Presidente Getúlio 
Vargas (1930-1945) estabeleceu a obrigatoriedade 
da criação de creches para abrigar os filhos de mães 
trabalhadoras durante o período de amamentação, tal 
conquista legal não se tornou realidade.
Durante o regime militar (1964-1985), porém, o 
governo encarregou-se de construir algumas creches. 
Em consonância com as políticas americanas da 
época, o atendimento à criança pequena visava à 
promoção de uma educação compensatória. Na 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB 
(Lei 5.692), de 1971, a oferta de educação anterior 
à educação obrigatória (7 aos 14 anos) pretendia 
33
preparar as crianças oriundas das camadas sociais 
mais baixas para a alfabetização, a fim de diminuir 
os altos índices de fracasso escolar (Kramer, 1984). 
Essa mesma concepção estava presente em outros 
programas de atenção à primeira infância, os quais 
buscavam “compensar carências” (nutricionais, 
sanitárias, afetivas e sociais). Em 1977, a Legião 
Brasileira de Assistência (LBA) lançou o “Projeto 
Casulo” que visava à criação e à manutenção de 
creches comunitárias. Segundo Vasconcellos, 
Aquino e Lobo (2003), até nesse projeto havia o 
predomínio da função assistencialista nas creches. 
“Acreditava-se em rígidas e inflexíveis etapas do 
desenvolvimento e priorizavam-se as questões 
ligadas à saúde das crianças (alimentação, nutrição e 
medicação)” (p. 244). Ainda segundo essas autoras, 
em 1981, o Ministério da Previdência e Assistência 
Social publicou um documento intitulado “Vamos 
Fazer uma Creche?”, no qual propôs que as creches 
e pré-escolas assumissem, além da “função guardiã”, 
a “função pedagógica”. Dito de outra maneira, pela 
primeira vez, apareceu a proposta de superação 
da dicotomia entre “cuidar” e “educar” presente 
também nas políticas de atendimento à criança 
pequena no Brasil.
Com o processo de redemocratização do país 
e, especialmente, após a promulgação da nova 
Constituição (Brasil,1988), o atendimento às 
crianças a partir do nascimento foi estabelecido 
como um direito da própria criança e de sua família 
e reconhecido como um dever do Estado, pela 
primeira vez na história do país. Dois anos mais 
tarde, o Estatuto da Criança e do Adolescente – 
ECA de 1990 (Brasil, 1991) reiterou o direito de 
cidadania da criança, definindo seus direitos de 
proteção e educação. Finalmente, com a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação – LDB (Lei 9.394), 
de 1996, a educação das crianças de zero a seis anos 
passou a integrar o sistema brasileiro de ensino. A 
LDB/96 define a Educação Infantil – destinada à 
faixa etária de zero a seis anos – como a primeira 
etapa da Educação Básica e afirma que essa “tem 
como finalidade o desenvolvimento integral da 
criança até os seis anos de idade, em seus aspectos 
físico, psíquico, intelectual e social” (art. 29). Neste 
mesmo artigo, fica estabelecido que os serviços 
de atendimento à criança pequena (creche e pré-
escola) complementam a ação da família e da 
comunidade. Esta mesma lei também beneficia as 
crianças pequenas com necessidades especiais ao 
definir a educação especial como uma modalidade 
da educação escolar que permeia a todos os níveis 
de ensino. O artigo 58 prevê a existência de serviços 
especializados na escola regular e o atendimento 
educacional a partir da Educação Infantil. É também 
digno de nota que a resolução CNE/CNB Nº 2 
(Brasil, 2001) propõe a participação da família na 
tomada de decisões quanto à necessidade e ao tipo 
de atendimento especial mais adequado à criança 
(art. 1º e art. 9º).
No que diz respeito às políticas de saúde específicas 
para as crianças pequenas, também ocorreram alguns 
avanços. O acompanhamento e avaliação contínua 
do crescimento e desenvolvimento passaram a ser 
compreendidos como um direito da criança e um 
dever do Estado e foram definidos como uma das 
cinco ações básicas do programa de Assistência à 
Saúde da Criança. Crescimento e desenvolvimento 
passaram a ser compreendidos como indissociáveis, 
mas distintos: “enquanto o crescimento se define por 
mudança de tamanho, o desenvolvimento caracteriza-
se por mudanças em complexidades e funções” 
(BIBLIOTECA VIRTUAL DO MINISTÉRIO DA 
SAÚDE, 2001, p.20). Nesse programa, compreende-
se a saúde não apenas como ausência de doença, 
mas como a qualidade de vida oferecida à criança e 
considera-se importante levar em conta o contexto 
em que ela vive. O Ministério da Saúde criou o 
“Cartão da Criança” como um dos instrumentos 
necessários para implementar essas ações, além de 
promover cursos de capacitação para os profissionais. 
No entanto, 
o último inquérito nacional de demografi a 
e saúde realizado no país (PNDS, 1996) 
mostrou que, embora a maioria das 
crianças tenha o seu cartão e as mães o 
levem quando vão à consulta nos serviços 
de saúde, menos de 10% têm o peso da 
criança anotado e menor percentagem 
ainda têm a curva de crescimento da 
criança anotado no cartão. Isto demonstra 
que os profi ssionais de saúde têm dado 
pouco valor ao crescimento da criança, 
pouco fazendo em favor do bom 
desenvolvimento da criança. (Biblioteca 
Virtual do Ministério da Saúde, 2001, p.8)
Em nosso país, como nos Estados Unidos 
da América, parece que os pediatras não dispõem 
de formação e instrumentos adequados para 
diagnosticar problemas de desenvolvimento.
Fundamentos e Metodologia da Educação Infantil
34
ATENÇÃO!
O texto que lerá agora é parte de um artigo da revista 
HISTEBRB On-line, Campinas, n.33, p.82. Publicado em 
março de 2009 com o título: A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
INFANTIL NO BRASIL: AVANÇOS, RETROCESSOS E DESAFIOS 
DESSA MODALIDADE EDUCACIONAL, escrito por Jaqueline 
Delgado Paschoal e Maria Cristina Gomes Machado.
A educação das crianças: a particularidade 
brasileira
Diferentemente dos países europeus, no 
Brasil, as primeiras tentativas de organização 
de creche, asilos e orfanatos surgiram com um 
caráter assistencialista, com o intuito de auxiliar as 
mulheres que trabalhavam fora de casa e as viúvas 
desamparadas. Outro elemento que contribuiu para 
o surgimento dessas instituições foram as iniciativas 
de acolhimento aos órfãos abandonados que, apesar 
do apoio da alta sociedade, tinham como finalidade 
esconder a vergonha da mãe solteira, já que as crianças 
“[...] eram sempre filhos de mulheres da corte, pois 
somente essas tinham do que se envergonhar e motivo 
para se descartar do filho indesejado”(RIZZO, 
2003, p.37). Numa sociedade patriarcal, a ideia era 
criar uma solução para os problemas dos homens, 
ou seja, retirar dos mesmos a responsabilidade de 
assumir a paternidade. Considerando que, nessa 
época, não se tinha um conceito bem definido sobre 
as especificidades da criança, a mesma era “[...] 
concebida como um objeto descartável, sem valor 
intrínseco de ser humano” (RIZZO, 2003, p.37).
Fatores como o alto índice de mortalidade 
infantil, a desnutrição generalizada e o número 
significativo de acidentes domésticos, fizeram com 
que alguns setores da sociedade, dentre eles os 
religiosos, os empresários e educadores, começassem 
a pensar num espaço de cuidados da criança fora 
do âmbito familiar. De maneira que foi com essa 
preocupação, ou com esse “[...] problema, que a 
criança começou a ser vista pela sociedade e com 
um sentimento filantrópico, caricativo, assistencial 
é que começou a ser entendida fora da família” 
(DIDONET, 2001, p.13).
Enquanto para as famílias mais abastadas 
pagaram uma babá, as pobres se viam 
na contingência de deixar os fi lhos 
sozinhos ou colocá-los numa instituição 
que deles cuidasse. Para os fi lhos das 
mulheres trabalhadoras, a creche tinha 
que ser em tempo integral: para os fi lhos 
de operárias de baixa renda, tinha que 
ser gratuita ou cobrar muito pouco, ou 
para cuidar da criança enquanto a mãe 
estava trabalhando fora de casa, tinha 
que zelar pela saúde, ensinar hábitos de 
higiene e alimentar a criança. Essa origem 
determinou a associação creche, criança 
pobre e o caráter assistencial da creche 
(DIDONET, 2001, p.13).
É importante ressaltar que, ao longo das 
décadas, arranjos alternativos foram se constituindo 
no sentido de atender às crianças das classes menos 
favorecidas. Uma das instituições brasileiras mais 
duradouras de atendimento à infância, que teve 
seu início antes da criação de creches, foi a roda 
dos expostos ou roda dos excluídos. Esse nome 
provém do dispositivo onde se colocam os bebês 
abandonados e era composto por uma forma 
cilíndrica, dividida ao meio por uma divisória e fixado 
na janela da instituição ou das casas de misericórdia. 
Assim, a criança era colocada no tabuleiro pela mãe 
ou qualquer outra pessoa da família; essa, ao girar 
a roda, puxava uma corda para avisar a rodeira que 
um bebê acabava de ser abandonado, retirando-se do 
local e preservando sua identidade.
Por mais de um século a roda de expostos foi a 
única instituição de assistência à criança abandonada 
no Brasil e, apesar dos movimentos contrários a essa 
instituição por parte de um segmento da sociedade, 
foi somente no século XX, já em meados de 1950, 
que o Brasil efetivamente extinguiu-a, sendo o último 
país a acabar com o sistema da roda dos enjeitados 
(MARCÍLIO, 1997).
Ainda no final do século XIX, período de 
abolição da escravatura no país, quando se acentuou 
a migração para as grandes cidades e o início da 
República, houve iniciativas isoladas de proteção 
à infância, no sentido de combater os altos índices 
de mortalidade infantil. Mesmo com o trabalho 
desenvolvido nas casas de Misericórdia, por meio 
da roda dos expostos, um número significativo 
de creches foi criado não pelo poder público, mas 
exclusivamente por organizações filantrópicas. Se, 
por um lado, os programas de baixo custo, voltados 
para o atendimento às crianças pobres, surgiram no 
sentido de atender às mães trabalhadoras que não 
tinham onde deixar seus filhos, a criação de jardins 
de infância foi defendida, por alguns setores da 
sociedade, por acreditaremque os mesmos trariam 
vantagens para o desenvolvimento infantil, ao 
mesmo tempo foi criticado por identificá-los com 
instituições europeias.
35
As tendências que acompanharam a implantação 
de creches e jardins de infância, no final do século 
XIX e durante as primeiras décadas do século XX 
no Brasil, foram: a jurídico-policial, que defendia 
a infância moralmente abandonada, a médico-
higienista e a religiosa, ambas tinham a intenção 
de combater o alto índice de mortalidade infantil 
tanto no interior da família como nas instituições 
de atendimento à infância. Na realidade, cada 
instituição “[...] apresentava as suas justificativas para 
a implantação de creches, asilos e jardins de infância 
onde seus agentes promoveram a constituição de 
associações assistenciais privadas”(KUHLMANN 
Jr., 1998, p.88).
Nesse período, foi criado o Instiuto de Proteção 
à Infância do Rio de Janeiro pelo médico Arthur 
Moncorvo Filho, que tinha como objetivos não só 
atender às mães grávidas pobres, mas dar assistência 
aos recém-nascidos, distribuição de leite, consulta 
de lactantes, vacinação e higiene dos bebês. Foi 
considerada uma das entidades mais importantes, 
mormente por ter expandido seus serviços por todo o 
território brasileiro. Outra instituição importante criada 
nesse ano foi o Instituto de Proteção e Assistência 
à Infância, este precedeu, em 1919, a criação do 
Departamento da Criança, que tinha como objetivo 
não só fiscalizar as instituições de atendimento à 
criança, mas combater o trabalho das mães voluntárias 
que cuidavam, de maneira precária, dos filhos das 
trabalhadoras (KUHLMANN Jr., 1998).
Devido a muitos fatores, como o processo de 
implantação da industrialização no país, a inserção 
da mão de obra feminina no mercado de trabalho 
e a chegada dos imigrantes europeus no Brasil, 
os movimentos operários ganharam força. Eles 
começaram a se organizar nos centros urbanos mais 
industrializados e reivindicaram melhores condições 
de trabalho; dentre estas, a criação de instituições de 
educação e cuidados para seus filhos:
os donos das fábricas, por seu lado, 
procurando diminuir a força dos 
movimentos operários, foram concedendo 
certos benefícios sociais e propondo 
novas formas de disciplinar seus 
trabalhadores. Eles buscavam o controle 
do comportamento dos operários, dentro 
e fora da fábrica. Para tanto, vão sendo 
criadas vilas operárias, clubes esportivos e 
também creches e escolas maternais para 
os fi lhos dos operários. O fato dos fi lhos 
das operarias estarem sendo atendidos 
em creche, escolas maternais e jardins de 
infância, montadas pelas fábricas, passou 
a ser reconhecido por alguns empresários 
como vantajoso, pois mais satisfeitas, 
as mães operárias produziam melhor. 
(OLIVEIRA, 1992, p.18).
Ao longo das décadas, as poucas conquistas 
não se fizeram sem conflitos. Com o avanço da 
industrialização e o aumento das mulheres da classe 
média no mercado de trabalho, aumentou a demanda 
pelo serviço das instituições de atendimento à infância. 
Para Haddad (1993), os movimentos feministas que 
partiram dos Estados Unidos tiveram papel especial na 
revisão do significado das instituições de atendimento 
à criança, porque as feministas mudaram seu enfoque, 
defendendo a ideia de que tanto as creches como as 
pré-escolas deveriam atender a todas as mulheres, 
independentemente de sua necessidade de trabalho ou 
condição econômica. O resultado desse movimento 
culminou no aumento do número de instituições 
mantidas e geridas pelo poder público.
Essas instituições ganharam enfoque diferente, 
passando a ser reivindicadas como um direito de 
todas as mulheres trabalhadoras e era baseado no 
movimento da teoria da privação cultural. Essa 
teoria, defendida tanto nos Estados Unidos na 
década de sessenta como no Brasil em meados 
de 1970, considerava que o atendimento à criança 
pequena fora do lar possibilitaria a superação das 
precárias condições sociais a que ela estava sujeita. 
Era a defesa de uma educação compensatória.
Kramer (1995, p.24). ao discutir esse assunto, 
ressalta que o discurso do poder público, em defesa 
do atendimento das crianças das classes menos 
favorecidas, parte de determinada concepção de 
infância, já que o mesmo reconhece esse período 
de vida da criança de maneira padronizada e 
homogênea. A ideia é de que as crianças oriundas 
das classes sociais dominadas são consideradas “[...] 
carentes, deficientes e inferiores na medida em que 
não correspondem ao padrão estabelecido; faltariam 
a essas crianças privadas culturalmente, determinados 
atributos ou conteúdos que deveriam ser nelas 
incutidos”. Por esse motivo e a fim de superar as 
deficiências de saúde e nutrição, assim como as 
deficiências escolares, são oferecidas diferentes 
propostas no sentido de compensar tais carências. 
Nessa perspectiva, a pré-escola funcionaria, segundo 
a autora, como mola propulsora da mudança social, 
uma vez que possibilitaria a democratização das 
oportunidades educacionais.
Fundamentos e Metodologia da Educação Infantil
36
Ambas as funções podem ser 
desmistifi cadas. Ao nível da primeira 
função, considera-se a educação como 
promotora da melhoria social, o que 
é uma maneira de esconder os reais 
problemas da sociedade e de evitar 
a discussão dos aspectos políticos e 
econômicos mais complexos. A proposta 
que ressurge, de elaborar programas de 
educação pré-escolar a fi m de transformar 
a sociedade no futuro, é uma forma 
de culpar o passado pela situação de 
hoje e de focalizar no futuro quaisquer 
possibilidades de mudança. Fica-se, assim, 
isento de realizar no presente ações ou 
transformações signifi cativas que visem 
a atender às necessidades sociais atuais 
(KRAMER, 1995, p.30).
Enquanto as instituições públicas atendiam às 
crianças das camadas mais populares, as propostas das 
particularidades, de cunho pedagógico, funcionavam 
em meio turno, dando ênfase à socialização e à 
preparação para o ensino regular. Nota-se que as 
crianças das diferentes classes sociais eram submetidas 
a contextos de desenvolvimento diferentes, já que, 
enquanto as crianças das classes menos favorecidas 
eram atendidas com propostas de trabalhos que 
partiam da ideia de carência e deficiência, as 
crianças das classes sociais mais abastadas recebiam 
uma educação que privilegiava a criatividade e a 
sociabilidade infantil (KRAMER, 1995).
Com a preocupação de atendimento a todas as 
crianças, independente de sua classe social, iniciou-
se um processo de regulamentação desse trabalho no 
âmbito da legislação.
Retomando a aula
Procure retomar as aulas anteriores sempre 
que possível!
Não deixe de pesquisar os artigos, livros e 
fi lmes sugeridos.
 1 – A história da educação infantil no Brasil
Abordamos sinteticamente a respeito da história 
da educação infantil no Brasil e percebemos que 
inicialmente as crianças de classes menos favorecidas 
eram tratadas diferentes das crianças de uma classe 
econômica superior.
2 – O Brasil República
Foram apresentados os primeiros jardins de 
infância e sua finalidade de caráter assistencialista.
3 – Os avanços da Educação Infantil
Analisamos os avanços acerca da educação 
infantil no Brasil e retomamos, com base no artigo 
escrito por Paschoal e Machado (2009), questões 
sobre as especificidades das crianças brasileiras.
Vale a pena
• Pro dia nascer feliz;
• Forest Gump.
Vale a pena assistir