Prévia do material em texto
Atenção à Saúde Bucal nas Comunidades Indígenas Os primeiros cuidados de saúde foram proporcionados aos grupos indígenas por missões religiosas, sendo que a primeira política indigenista instituída pelo Estado Brasileiro foi o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), criado em 1910, que permaneceu até 1967. Os indígenas do Brasil perfazem um total de 547 mil, distribuídos em 4.200 comunidades, abrangendo 225 etnias, sendo faladas mais de 170 línguas maternas Os povos indígenas brasileiros recebem assistência à saúde através do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) Os agentes indígenas de saúde são definidos como base de mediação entre os saberes e práticas tradicionais e biomédicas de atenção à saúde. A promoção de saúde, realizada com minorias étnicas, requer dos técnicos e pesquisadores formação antropológica, para identificar as nuances culturais presentes na etnografia e história da população estudada, de modo que o trabalho seja realizado com compromisso étnico-social. Eles desempenham ações educativas e de prevenção nas comunidades, realizam visita domiciliar, encaminham o usuário para o atendimento individual executado pelo dentista, prestam orientação sobre doenças bucais, realizam escovação supervisionada, distribuem materiais de higiene oral, orientam sobre os cuidados de higiene e conservação das escovas e cremes dentais, organizam o descarte das escovas, tubos de cremes dentais e de fios dentais e desenvolvem as atividades de saúde bucal em conjunto com os professores das escolas indígenas. A atenção à saúde destes povos, apresentam características peculiares de organização social, política e cultural. Observa-se que são várias as barreiras encontradas diante do atendimento odontológico nas aldeias, destacando-se as tecnológicas, geográficas, ambientais, linguísticas e culturais. A atenção à saúde dos povos indígenas foi organizada por meio da Lei n. 9.836, de 23 de setembro de 1999, denominada Lei Arouca, que criou o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, vinculado ao Sistema Único de Saúde, englobando os Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Estudos mostram uma associação entre a deterioração da saúde bucal e o consumo de alimentos industrializados, envolvendo também a precariedade da atenção odontológica. Há indícios de que o aumento da prevalência de cárie nas populações indígenas possa ser atribuído às mudanças na dieta, aliado às modificações socioeconômicas, ambientais e à falta de programas preventivos. A normatização da assistência em saúde bucal teve início com a construção do documento “Diretrizes para a Atenção à Saúde Bucal dos Povos Indígenas”. Observa-se que até a criação da Política Nacional de Saúde Bucal, denominada Brasil Sorridente, as ações em favor dos indígenas eram pontuais e localizadas. É importante que o Sistema de Informação de Atenção à Saúde Indígena seja alimentado no contexto da saúde bucal e as informações necessárias à expansão de conhecimento sobre a saúde bucal desses povos sejam socializadas. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, um modelo de atenção diferenciado, que respeita os métodos de tratamento tradicionais e a diversidade cultural e social dos povos indígenas, tem apresentado evoluções desde sua implantação, em 1999.