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Autoras: Profa. Cinthia Santos Miotto de Amorim Profa. Juliana Ferreira de Andrade Colaboradoras: Profa. Roberta Pasqualucci Ronca Profa. Laura Cristina da Cruz Dominiciano Evolução Histórica da Fisioterapia Professoras conteudistas: Cinthia Santos Miotto de Amorim / Juliana Ferreira de Andrade Cinthia Santos Miotto de Amorim É professora do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP) em diversos campi de São Paulo e no campus Alphaville. Atua também como professora conteudista da graduação em Fisioterapia da UNIP Interativa. Desde 2017, é doutora em Ciências da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); em 2010, se especializou em Fisioterapia nas Afecções da Coluna Vertebral pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP); formou-se em Reeducação Postural Global (RPG) e em Stretching Global Ativo (SGA) pelo Instituto Philippe Souchard (2008 e 2007) e se graduou em Fisioterapia pelo Centro Universitário São Camilo (2006). Atua como professora convidada do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP) em disciplinas como Introdução à Fisioterapia. Atua também na prática clínica e em pesquisas, como revisora de periódicos nacionais e internacionais e na orientação de Iniciação Científica (IC) e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UNIP em diversas áreas: evolução histórica da fisioterapia, biomecânica, cinesioterapia, semiologia aplicada à fisioterapia e avaliação funcional, bem como no bruxismo, disfunção temporomandibular, dor, coluna vertebral e postura. Juliana Ferreira de Andrade É professora do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP) em diversos campi de São Paulo e nos campi Alphaville e Jundiaí. Atua também como professora conteudista da graduação em Fisioterapia da UNIP Interativa. É mestre em Bioética pelo Centro Universitário São Camilo (2016), se especializou em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela Universidade Metodista de São Paulo (2005) e se graduou em Fisioterapia pelo Centro Universitário São Camilo (2002). Atua como professora convidada do curso de pós-graduação em Geriatria, na disciplina de Bioética do Envelhecimento, na orientação de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UNIP nas áreas: fisioterapia respiratória adulto, pediátrica e neonatal, e bioética. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) A524e Amorim, Cinthia Santos Miotto de. Evolução Histórica da Fisioterapia / Cinthia Santos Miotto de Amorim, Juliana Ferreira de Andrade. – São Paulo: Editora Sol, 2020. 172 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Reabilitação. 2. Áreas de atuação. 3. Avaliação fisioterapêutica. I. Andrade, Juliana Ferreira de. II. Título. CDU 615.8 U504.34 – 20 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Ingrid Lourenço Lucas Ricardi Sumário Evolução Histórica da Fisioterapia APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9 Unidade I 1 FISIOTERAPIA ..................................................................................................................................................... 11 1.1 O que é fisioterapia? ........................................................................................................................... 11 1.2 Qual é o símbolo oficial da fisioterapia? ..................................................................................... 16 1.3 Quem é o profissional fisioterapeuta? ......................................................................................... 19 1.4 Decreto-Lei n. 938 (1969) ................................................................................................................. 21 1.5 Lei n. 8.856 (1994) ............................................................................................................................... 22 1.6 Lei n. 6.316 (1975)................................................................................................................................ 24 1.6.1 Coffito ......................................................................................................................................................... 25 1.6.2 Crefitos ........................................................................................................................................................ 26 1.6.3 Departamento de Fiscalização (Defis) ............................................................................................ 30 1.7 Resoluções do Coffito ........................................................................................................................ 31 1.7.1 Resolução n. 468 (2016) – registro profissional ......................................................................... 31 1.7.2 Resolução n. 052 (1985) – registro profissional docente ....................................................... 32 1.7.3 Resolução n. 487 (2017) – anuidade .............................................................................................. 33 1.7.4 Resolução n. 483 (2013) – recadastramento nacional ............................................................ 33 1.7.5 Resolução n. 131 (1991) – diplomas no estrangeiro ................................................................ 34 1.8 Entidades de classe .............................................................................................................................. 36 1.8.1 Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais (Sinfito) ................................... 36 1.8.2 Associação de Fisioterapeutas do Brasil (AFB) ............................................................................ 39 1.8.3 World Confederation of Physical Therapy (WCPT) .................................................................... 42 2 HISTÓRIA DA REABILITAÇÃO NO MUNDO E DA FISIOTERAPIA NO BRASIL ............................. 43 2.1 História da reabilitação ...................................................................................................................... 43 2.1.1 Antiguidade ............................................................................................................................................... 44 2.1.2 Idade Média............................................................................................................................................... 46 2.1.3 Renascimento ........................................................................................................................................... 47 2.1.4 Industrialização .......................................................................................................................................48 2.1.5 Fisioterapia na Idade Contemporânea ........................................................................................... 49 2.2 História da fisioterapia no Brasil .................................................................................................... 52 Unidade II 3 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS E ÁREAS DE ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA ................................. 61 3.1 Áreas de atuação da fisioterapia clínica ..................................................................................... 61 3.2 Áreas de atuação da fisioterapia na saúde coletiva ............................................................... 61 3.3 Áreas de atuação da fisioterapia na educação ........................................................................ 62 3.4 Áreas de atuação da fisioterapia no esporte............................................................................. 64 3.5 Áreas de atuação da fisioterapia em equipamentos e produtos próprios .................... 65 4 ESPECIALIDADES RECONHECIDAS PELO COFFITO .............................................................................. 66 4.1 Especialidade profissional de fisioterapia em gerontologia................................................ 68 4.2 Especialidade profissional de fisioterapia do trabalho .......................................................... 68 4.2.1 Perícia fisioterapêutica e a atuação do perito ............................................................................ 69 4.3 Especialidade profissional em acupuntura e medicina tradicional chinesa (MTC) ................................................................................................................................................ 70 4.3.1 Prática da auriculoterapia pelo fisioterapeuta ........................................................................... 72 4.4 Especialidade profissional de fisioterapia cardiovascular .................................................... 73 4.5 Especialidade profissional de fisioterapia aquática ................................................................ 74 4.6 Especialidade profissional de fisioterapia na saúde da mulher ......................................... 76 4.7 Especialidade profissional em osteopatia................................................................................... 77 4.8 Especialidade de fisioterapia traumato-ortopédica funcional .......................................... 78 Unidade III 5 FORMAÇÃO PROFISSIONAL ......................................................................................................................... 85 5.1 Breve histórico da fisioterapia no Brasil ..................................................................................... 85 5.2 Diretrizes curriculares do curso de Fisioterapia ....................................................................... 86 5.3 Estágio curricular ................................................................................................................................. 90 6 ME FORMEI, E AGORA? COMO PROCEDER PARA EXERCER LEGALMENTE MINHA PROFISSÃO?........................................................................................................................................... 93 6.1 Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF) e parâmetros assistenciais ........................................................................................................................... 95 6.2 Código de Ética Profissional ............................................................................................................ 98 Unidade IV 7 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA E RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS ..........................................108 7.1 Anamnese ..............................................................................................................................................108 7.1.1 Sinais vitais .............................................................................................................................................. 110 7.1.2 Avaliação do nível de consciência .................................................................................................112 7.1.3 Exame físico ............................................................................................................................................113 7.1.4 Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica ......................................................................... 119 7.1.5 Prontuários ............................................................................................................................................. 128 8 RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS ..............................................................................................................129 8.1 Cinesioterapia ......................................................................................................................................130 8.1.1 Mecanoterapia .......................................................................................................................................131 8.1.2 Massoterapia...........................................................................................................................................131 8.1.3 Hidroterapia ........................................................................................................................................... 132 8.1.4 Eletroterapia ........................................................................................................................................... 132 8.1.5 Termoterapia e fototerapia .............................................................................................................. 136 8.1.6 Estimulação transcraniana ............................................................................................................... 136 8.1.7 Práticas complementares/integrativas de saúde .................................................................... 137 8.1.8 Treinamento funcional ...................................................................................................................... 139 8.1.9 Pilates ....................................................................................................................................................... 139 8.1.10 Equoterapia .......................................................................................................................................... 140 8.1.11 Reeducação postural global (RPG) ............................................................................................. 140 8.1.12 Osteopatia .............................................................................................................................................141 8.1.13 Acupuntura .......................................................................................................................................... 142 8.1.14 Kabat/Bobath ...................................................................................................................................... 143 8.2 Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) .............144 9 APRESENTAÇÃO Neste livro-texto, você compreenderá a evolução histórica da fisioterapia no Brasil e no mundo, suas repercussões políticas, econômicas e sociais, bem como suas áreas de atuação, legislação e papel da profissão no cenário da saúde nacional. Os objetivos gerais da disciplina são apresentar a história da fisioterapia, juntamente com as suas áreas de atuação e as condutas no tratamento fisioterapêutico; possibilitar a compreensão do que representa a profissão e sua importância para a sociedade; e capacitar o graduando a desenvolver e exercer um comportamento profissional adequado, sustentado nos códigos morais e na legislação. Já os objetivos específicos são apresentar as áreas de atuação da fisioterapia, especialidades reconhecidas na profissão e sua relação na saúde,educação e pesquisa; informar sobre o mercado de trabalho da fisioterapia; expor a evolução histórica da fisioterapia; mostrar as leis que fundamentam a profissão e órgãos fiscalizadores; informar as atribuições das entidades de classe da fisioterapia; discutir a responsabilidade profissional do fisioterapeuta frente aos pacientes, colegas de profissão e outros membros da equipe de saúde; e apresentar as principais condutas e recursos utilizados pelo fisioterapeuta. Nesta disciplina, você poderá entender a trajetória da fisioterapia pelo mundo e sua evolução no Brasil, bem como as disciplinas determinadas pelo Ministério da Educação, a importância da realização de um estágio curricular para sua atuação profissional após o seu devido registro no Conselho de Classe de sua região e conhecimento do Código de Ética para se tornar um profissional ético e humano, respeitando sempre seu paciente em todas as suas dimensões e resguardando as informações que lhe forem confidenciadas ou os dados que forem colhidos. INTRODUÇÃO Cada uma das unidades deste livro-texto apresenta uma particularidade do tema e foi organizada tendo em vista facilitar seu percurso dentro da temática. Inicialmente, a intenção principal do conteúdo aqui disposto é ajudar na compreensão do que é a fisioterapia, indicar o símbolo oficial da profissão e quem é o profissional da área, baseado em decretos-lei, leis e resoluções específicas, bem como a história da reabilitação e da fisioterapia no Brasil e no mundo. Depois, o objetivo é ajudar no entendimento de quais são as atribuições do profissional fisioterapeuta, as áreas de atuação e as especialidades reconhecidas pelo Coffito (Conselho Federal de fisioterapia e Terapia Ocupacional), bem como conhecer outras resoluções relacionadas a algumas especialidades. Posteriormente, o objetivo será entender as diretrizes curriculares de seu curso, as disciplinas e suas relações com a prática profissional desenvolvida no estágio curricular de caráter obrigatório e as suas obrigações éticas e disciplinares após a conclusão do curso por meio do conhecimento do Código de Ética da Fisioterapia e dos procedimentos necessários para adquirir o seu registro profissional e então exercer a profissão legalmente. 10 Finalmente, será abordada a importância de uma avaliação fisioterapêutica, bem como os recursos que podem ser utilizados pelo profissional após o estabelecimento de seus objetivos de tratamento. Devemos lembrar que a avaliação fisioterapêutica deverá ser completa, com uma anamnese bem detalhada e um exame físico completo. 11 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Unidade I 1 FISIOTERAPIA 1.1 O que é fisioterapia? É provável que, pelo menos uma vez na vida, você já foi ou conhece alguém que tenha ido ao fisioterapeuta. Mas será que todos os usuários dos serviços de fisioterapia sabem realmente de que se trata essa profissão, que em 2019 completou 50 anos de existência no Brasil? Embora até mesmo nos dias atuais existam algumas pessoas que não sabem responder o que faz o fisioterapeuta e outras falem que a função desse profissional se limita a fazer massagem, esse panorama começa a mudar. Paulatinamente, as pessoas têm relacionado a fisioterapia à reabilitação e à prevenção, um sinal de que a imagem da profissão junto à população vem sendo reconhecida a cada dia, provavelmente devido à sua maior exposição nas redes sociais e na mídia em geral. Desta forma, podemos dizer que a fisioterapia está inserida na área da saúde e mais especificamente nas ciências da vida, compondo uma profissão de grande importância para a população em geral, como a medicina e a odontologia, por exemplo. Além disso, a fisioterapia é a ciência que tem como objeto de estudo o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades. Então, além de estudar, diagnosticar e reabilitar indivíduos com distúrbios cinéticos funcionais que ocorrem em órgãos e sistemas do corpo humano, a fisioterapia previne e promove a saúde, definida como um estado completo de bem-estar físico, psíquico e social, e não simplesmente a ausência de doenças e enfermidades (SEGRE; FERRAZ, 1997). Figura 1 – Saúde: bem-estar físico, psíquico e social 12 Unidade I Observação Distúrbios cinéticos ou cinesiológicos funcionais se referem às perturbações de movimentos que levam às incapacidades nas funções de órgãos ou sistemas corporais. Figura 2 – Incapacidade funcional Estes distúrbios podem ser gerados por alterações genéticas, traumas ou doenças adquiridas que afetam a saúde de modo geral e podem, dessa forma, desencadear repercussões biopsicossociais, que referem tanto aos fatores biológicos ou físicos quanto aos psíquicos ou emocionais e/ou sociais de um ser humano. Além, disso, doença é definida como ausência de saúde e um processo patológico caracterizado por sinais e sintomas que podem afetar o corpo todo ou alguma de suas partes (CZERESNIA; FREITAS, 2009). Exemplo de aplicação A paralisia cerebral (PC) é uma doença crônica cujo aparecimento ocorre na infância. Ela limita as funções motoras em longo prazo de forma leve, moderada ou severa. No Brasil, de mil crianças nascidas vivas, em torno de sete têm a doença (SILVA, 2019). Reflita: a PC requer ou não um tratamento especial e eficaz, como a fisioterapia, para a sua reabilitação? Consulte o artigo a seguir e leia mais sobre o tema: SILVA, G. G.; ROMÃO, J.; ANDRADE, E. G. S. Paralisia cerebral e o impacto do diagnóstico para a família. Revista de Iniciação Científica e Extensão, v. 2, n. 1, p. 4-10, 27 jan. 2019. Disponível em: https://revistasfacesa. senaaires.com.br/index.php/iniciacao-cientifica/article/view/131/89. Acesso em: 31 jul. 2019. 13 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 3 – Paralisia cerebral Exemplo de aplicação Anomalias congênitas como as microcefalias ao nascer, caracterizadas pelo perímetro cefálico ou tamanho da cabeça inferior à média específica para o sexo e idade gestacional, podem ser causadas pela exposição intrauterina ao vírus Zika, como observamos no Brasil, principalmente na região Nordeste a partir de 2015 (MARINHO, 2016). Será que a fisioterapia pode contribuir não só no acompanhamento destas crianças e de suas famílias, mas também na prevenção de novos casos e na promoção da saúde? Para saber mais sobre microcefalia, leia a cartilha desenvolvida pelo Conselho Federal de fisioterapia e de Terapia Ocupacional (Coffito): COFFITO. Diagnóstico: microcefalia. E agora? Brasília, [s.d.]b. Disponível em: https://coffito.gov.br/ nsite/wp-content/uploads/comunicao/materialDownload/CartilhaMicrocefalia_Final.pdf. Acesso em: 31 jul. 2019. Consulte também o artigo científico a seguir: MARINHO, F. et al. Microcefalia no Brasil: prevalência e caracterização dos casos a partir do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), 2000-2015. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 25, n. 4, out./dez. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S2237-96222016000400701. Acesso em: 29 ago. 2019. Figura 4 – Microcefalia 14 Unidade I Exemplo de aplicação Cerca de 10 mil pessoas por ano ficam incapacitadas de se movimentarem e até de se locomoverem devido a lesões na medula espinhal, causadas principalmente por traumas, como acidentes de carro, quedas de grandes alturas ou violência (CEREZETTI et al., 2012). Em 2014, a ex-ginasta brasileira Lais Souza sofreu um acidente enquanto esquiava. A lesão que acometeu a medula espinhal de Lais ocorreu na região da coluna cervical, o que ocasionou, além de outras complicações, que ela ficasse tetraplégica, ou seja, paralisada do pescoço para baixo. Em entrevista, a ex-ginasta relatou que foi o amor à vida que a fez reerguer. E que é esse sentimento que a faz reencontrar a adrenalina que a instiga a cada atendimento de fisioterapia. Ela mencionou também que o seu processo de recuperação não foi nada fácil, pois ela levou três meses para recuperar a voz e parar de usar plaquinhas para que aspessoas soubessem o que ela queria dizer. Depois, começou a sentar e tenta, todos os dias, dar um passo para a sua recuperação. No ano passado, quando usou o Orthowalk, um robozinho fisioterápico que lhe permitiu ficar em pé, sentiu o mesmo de quando praticava ginástica artística. Aquela experiência lhe deu asas e fez aumentar, ainda mais, a sua esperança em uma evolução cada vez maior. Reflita sobre as formas por meio das quais você percebe que a fisioterapia faz a diferença na vida das pessoas. Leia sobre prematuridade no exemplo de aplicação a seguir: Exemplo de aplicação Você já ouviu falar em prematuridade? Prematuro é o bebê pré-termo, que nasce antes das 37 semanas completas de gestação (CHAGAS, 2009). Para a intervenção precoce da fisioterapia como forma de diminuir consideravelmente as chances de alto risco para problemas de desenvolvimento, de 0 a 1 ano é a idade “diamante”; e de 1 a 2 anos é a idade “ouro”. Portanto, a fisioterapia, ao mesclar diversas técnicas, é fundamental para evitar sequelas, prevenir e promover a saúde dessas crianças em curto, médio e longo prazo. Reflita acerca dessa importante e linda área de atuação do fisioterapeuta, a neonatologia, que assim como as áreas pediátrica e adulta, serão abordadas com maior profundidade no decorrer do curso, principalmente no momento em que você estudará sobre fisioterapia em terapia intensiva. Leia o artigo a seguir, para saber um pouco mais sobre a área neonatal da fisioterapia: VASCONCELOS, G. A. R.; ALMEIDA, R. C. A.; BEZERRA, A. L. Repercussões da fisioterapia na unidade de terapia intensiva neonatal. fisioterapia em Movimento, v. 24, n. 1, p. 65-73, 2011. Disponível em: http:// www.scielo.br/pdf/fm/v24n1/v24n1a08.pdf. Acesso em: 2 set. 2019. 15 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 5 – Bebê prematuro Sendo assim, é importante ressaltar que a fisioterapia tem como objetivo não apenas restabelecer, reabilitar, restaurar ou desenvolver a integridade dos órgãos, sistemas e/ou funções, mas também visa manter, preservar e promover a saúde e qualidade de vida aos indivíduos. Lembrete Neste contexto, é importante relembrar que saúde se trata do completo bem-estar biopsicossocial, e a fisioterapia, como profissão da área da saúde, tem um papel fundamental neste amplo aspecto. Propõe-se, nesta etapa, uma atividade. Imagine que já se passaram os quatro anos de graduação e agora, como fisioterapeuta formado, você faz a sua oração. Veja em que consiste: Oração da fisioterapia Senhor, eu sou fisioterapeuta. Um dia, depois de anos de estudos, me entregaram um diploma, dizendo que eu estava oficialmente autorizado a reabilitar. 16 Unidade I E eu jurei fazê-lo… conscientemente. Não é fácil, Senhor, não é nada fácil viver este juramento na rotina sempre repetida da vida de um fisioterapeuta: avaliando… tratando… reavaliando… tratando… acompanhando passo a passo a recuperação, às vezes lenta, dos pacientes. Contudo, Senhor, eu quero ser fisioterapeuta… Alguém junto de alguém. Não mecânico de uma engrenagem, mas gente reabilitando gente. Que todo aquele que me procura em busca de cura física encontre em mim algo mais que o profissional… Que eu saiba parar para ouvi-lo… sentar junto ao seu leito para animá-lo… É muito importante, Senhor: que eu não perca a capacidade de chorar. Que eu saiba ser fisioterapeuta. . .alguém junto de alguém… Gente reabilitando gente, com a tua ajuda, Senhor. Fonte: Crefito-6 (2019). Propõe-se mais uma atividade de imaginação. Desta vez, tente se imaginar no dia da sua formatura. Nesta ocasião, você participa do juramento solene em que promete praticar a fisioterapia da seguinte forma: Juramento da fisioterapia Juro, por Deus e minha família, diante de meus mestres que me dedicarei à fisioterapia com honra, dignidade, respeitando a vida humana desde a concepção até a morte, jamais cooperando em ato que voluntariamente se atente contra ela, ou que coloque em risco a integridade física, psíquica e social do ser humano; dispondo todo meu conhecimento, talento e inteligência para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Repassarei meus conhecimentos sempre que se fizer necessário e agirei com humildade e honestidade. Assim, eu juro. Fonte: Crefito-10 (2007). 1.2 Qual é o símbolo oficial da fisioterapia? Desde os primórdios da humanidade, o homem já se manifestava culturalmente utilizando símbolos, com representações de animais, plantas, pessoas e sinais gráficos abstratos. 17 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Quando observamos os símbolos das profissões, interpretamos informações visuais de como os profissionais atuam, criando sua identidade própria em relação à sua atuação. O símbolo da fisioterapia foi aprovado e oficializado pela Resolução n. 232 do Coffito, de 2002. Observação Resoluções são atos administrativos normativos que partem de autoridades superiores que disciplinam matéria de sua competência específica. No caso da fisioterapia, a autoridade superior é o Coffito. O símbolo demonstra, de forma gráfica, a identidade da profissão. Figura 6 – Símbolo da fisioterapia A composição é formada por duas serpentes entrelaçadas em espiral em volta de um raio. Essa imagem está inserida em uma moldura chamada de camafeu (do latim cammaeus) que, embora não demonstrado na figura anterior, deve conter também a inscrição da palavra fisioterapia ou fisioterapeuta. O que especificamente significa cada um dos componentes deste símbolo? • As serpentes: as duas serpentes são associadas à ciência e sabedoria, bem como à transmissão e utilização do conhecimento compreendido de forma sábia. Estão entrelaçadas para demonstrar elo ou integração entre os atributos da natureza – humana, social e profissional. A cor verde predominante simboliza a saúde. 18 Unidade I • O raio: identifica valores e práticas corretas da vida e por estar entre as serpentes, remete também à união entre a consciência individual e as técnicas utilizadas na fisioterapia. Curiosamente, as técnicas elétricas foram os primeiros recursos terapêuticos utilizados pela profissão. A cor amarelo-ouro simboliza a luz, claridade e brilho intenso. • O camafeu: a palavra significa pedra esculpida ou entalhada. Podemos nos referir ao elemento como uma moldura ou elipse em fundo branco, que representa a solidez da profissão. Além disso, de acordo com a Resolução n. 232 do Coffito (2002) citada anteriormente, esse símbolo tem seu uso autorizado: • no âmbito do Sistema dos Conselhos Federal (Coffito) e Regionais (Crefitos) da Fisioterapia, inclusive pode ser utilizado como segundo brasão nos seus documentos oficiais; • nas Forças Armadas, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares como símbolo profissional de indivíduo com patente de oficial, graduado em grau universitário superior em Fisioterapia; • por profissionais fisioterapeutas com registro em Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito); • por pessoas físicas ou jurídicas, desde que expressamente autorizadas pelo Coffito. Há quem diga que o símbolo da fisioterapia deveria incluir as mãos, visto que esse membro tão especial do corpo humano constitui um recurso terapêutico muito importante e utilizado pelos profissionais. Saiba mais Para mais detalhes sobre o símbolo oficial da fisioterapia, consulte a Resolução do Coffito n. 232 (2002): COFFITO. Resolução n. 232, de 27 de dezembro de 2002. Brasília, 2002. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=877. Acesso em: 2 set. 2019. A importância do uso das mãos no trabalho do fisioterapeuta nos faz lembrar um poema, disposto a seguir. As mãos do fisioterapeuta Mãos que entendem e se estendem nos labores, Silenciosas mãos de mil cansaços, Que em contatos contidos, feito abraços, Se enlaçam em lenitivo a tantas dores. 19 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Mãos que acalmam, diante dos temores, Calando o medo dos primeiros passos, Correndo, prescientes, pernas, braços, Que anseiam lassos pelos seus favores. Sãomãos que aos céus ascendem nos desvelos, As mãos profissionais cheias de zelos Que animam o amanhã nos dias seus. Mãos mágicas, que à luz de um hermeneuta, Refletem as mãos do fisioterapeuta, Firmes na fé que vem das mãos de Deus. Fonte: Lima (2000). Figura 7 – As mãos do fisioterapeuta 1.3 Quem é o profissional fisioterapeuta? O fisioterapeuta é o profissional da saúde com formação acadêmica superior, capacitado para atuar em todos os níveis de atenção à saúde e em diversas áreas, como veremos adiante. Observação Os três níveis de atuação à saúde são: o primário, secundário e terciário, também conhecidos como níveis básico, de média e alta complexidade, respectivamente. Pode-se dizer também que o fisioterapeuta é o profissional habilitado a realizar uma avaliação específica; elaborar o diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais; prescrever, ordenar e induzir as condutas fisioterapêuticas; bem como acompanhar a evolução do quadro clínico ou dos sinais e sintomas do paciente e estabelecer as condições para alta do serviço fisioterapêutico. 20 Unidade I Nesta disciplina, você já terá uma prévia do que compreende avaliação e diagnóstico fisioterapêuticos e conhecerá alguns recursos próprios da profissão. Observação Já foi explicado o que são os distúrbios cinéticos funcionais. Neste momento, é importante esclarecer que o seu diagnóstico é também conhecido como cinético funcional, cinesiológico funcional ou fisioterapêutico. Além de qualidades como responsabilidade, ética e autonomia, o profissional apresenta competências e habilidades adquiridas durante a sua formação acadêmica em Instituição de Ensino Superior, para prestar a melhor assistência possível às pessoas em geral. Trata-se de um profissional devidamente registrado no Crefito, conforme as importantes Resoluções n. 468 (2016) e n. 052 (1985) e com atividade regulamentada pelo Decreto-Lei n. 938 (1969), Leis n. 8.856 (1994) e n. 6.316 (1975) e outras Resoluções, que discutiremos a seguir. Observação Decreto-lei é um decreto com força de lei que foi muito utilizado no Brasil no regime militar com legitimidade efetiva de uma norma administrativa e poder de lei. A palavra lei trata basicamente do conjunto de normas estabelecidas por autoridades competentes. Figura 8 21 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Exemplo de aplicação Na maioria das vezes, as respostas aos questionamentos feitos a estudantes de Fisioterapia sobre o que mais os encanta na carreira profissional foram associadas ao amor ao próximo, à relação terapeuta-paciente, ao ato de ajudar, à empatia e à paciência, qualidades importantes para o profissional, mas principalmente para o ser humano que ele é. Para refletir ainda mais sobre essas qualidades e a relação terapeuta-paciente, assista a dois filmes: INTOCÁVEIS. Dir. Olivier Nakache; Éric Toledano. França: Gaumont, 2011. 112 minutos. PATCH Adams: o amor é contagioso. Dir. EUA: Blue Wolf, 1998. 115 minutos. Depois, escreva as cenas nas quais, em sua opinião, essas qualidades e relações ficaram mais evidentes. 1.4 Decreto‑Lei n. 938 (1969) Um dos documentos oficiais mais importantes da fisioterapia, que assegura o exercício da profissão, é o Decreto-Lei n. 938, de 13 de outubro de 1969, que posteriormente foi estabelecido como Dia do Fisioterapeuta. Nestas décadas de regulamentação, é fato que a profissão cresceu muito, técnica, social e cientificamente. Neste documento, elaborado durante o período do regime militar no Brasil pelos ministros da Marinha de Guerra, Exército e Aeronáutica Militar, o fisioterapeuta diplomado em escolas e cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) tornou-se um profissional de nível superior. Observação O curso de Fisioterapia no formato semipresencial é autorizado pela Resolução Consuni n. 190.411/2, de 11 de abril de 2019 (Portaria do MEC n. 1.095, de 25 de outubro de 2018). Esse Decreto-Lei ainda confirma que é atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas próprias com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente. E acrescenta que em seu campo de atividades específicas, o fisioterapeuta pode dirigir serviços em órgãos e estabelecimentos públicos ou particulares ou assessorá-los tecnicamente, exercer o magistério nas disciplinas de formação básica ou profissional, de nível superior ou médio e supervisionar profissionais e alunos em trabalhos técnicos e práticos. Além disso, o Decreto-lei atesta que os profissionais diplomados em escolas estrangeiras devidamente reconhecidas no país de origem podem revalidar seus diplomas. Maiores informações sobre isso são encontradas na Resolução n. 131 (1991). 22 Unidade I Saiba mais Faça a leitura na íntegra do Decreto-Lei n. 938 (1969). BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto-Lei n. 938, de 13 de outubro de 1969. Brasília, 1969. Provê sobre as profissões de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Decreto-Lei/1965-1988/Del0938.htm. Acesso em: 3 set. 2019. 1.5 Lei n. 8.856 (1994) Em 1º de março de 1994, Itamar Franco, o presidente da época, sancionou ou aprovou a Lei n. 8.856, que fixa a jornada de trabalho dos profissionais fisioterapeutas à prestação máxima de 30 horas semanais de trabalho. Saiba mais Consulte a Lei n. 8.856 (1994). BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 8.856, de 1º de março de 1994. Fixa a Jornada de Trabalho dos Profissionais Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional. Brasília, 1994. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8856.htm. Acesso em: 3 set. 2019. Há alguns anos foi realizada uma pesquisa com o objetivo de traçar o perfil do fisioterapeuta no estado de São Paulo. O resultado foi que dos 2.323 fisioterapeutas participantes, em torno de 60% tinha conhecimento da regulação da carga horária que compõe a jornada de trabalho máxima de 30 horas semanais (SHIWA, SCHMITT; JOÃO, 2016). Isso quer dizer que o restante, aproximadamente 40% dos profissionais, desconhecia esta lei importante para a profissão, mesmo depois de 22 anos da sua aprovação. Quando lhe perguntarem qual é a jornada semanal de trabalho do fisioterapeuta, o que você responderá? Essa informação também será valiosa para você após a sua formação acadêmica, ao ingressar no mundo do trabalho da fisioterapia. 23 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Exemplo de aplicação No site do Crefito-3 (3ª Região), que tem o Estado de São Paulo como área de jurisdição – território sobre o qual determinada autoridade exerce poder –, foram divulgadas notícias sobre editais de concursos públicos com cargas horárias semanais superiores às estipuladas por lei. • A Prefeitura do município de Tatuí, em São Paulo, publicou edital de concurso (n. 01/2019) com carga horária de 44 horas semanais para fisioterapeutas. Veja a reportagem na íntegra: CREFITO-3. Crefito-3 notifica Prefeitura de Tatuí para retificação de edital de concurso. Brasília, 2019b. Disponível em: http://www.crefito3.org.br/dsn/noticias.asp?codnot=3233. Acesso em: 31 jul. 2019. • As prefeituras municipais de Itapevi, Santa Bárbara D’Oeste e Porto Ferreira em São Paulo publicaram os respectivos editais de concurso público: n. 01, 02 e 03/2018 em que constavam cargas horárias para vagas de fisioterapeuta também acima do que está previsto na lei. Confira reportagem na íntegra: CREFITO-3. Prefeituras ignoram notificação e Crefito-3 aciona Justiça contra irregularidades em concursos. Brasília, 2019e. Disponível em: http://www.crefito3.org.br/dsn/noticias. asp?codnot=3166. Acesso em: 31 jul. 2019. • Outros exemplos similares ocorreram em três municípios também de São Paulo: São João da Boa Vista, Angatuba e Sebastianópolis do Sul. Seus editais de concurso previam 40 horas de trabalho semanais para o fisioterapeuta. Veja essa notícia em: CREFITO-3. Outra vez,a carga horária de 40 horas para e fisioterapia terapia ocupacional. Brasília, 2018. Disponível em: http://www.crefito3.org.br/dsn/noticias.asp?codnot=2941. Acesso em: 31 jul. 2019. Após notificação do Crefito, será que as prefeituras tiveram que retificar a carga horária do edital sem redução da remuneração? Por que vêm ocorrendo esses descumprimentos da legislação vigente? Será que essa é uma realidade apenas de municípios do estado de São Paulo ou de outros também? Pesquise em fontes confiáveis, como nos sites dos Crefitos e Coffito, e reflita a respeito disso. 24 Unidade I Figura 9 – Estado de São Paulo Observação No caso dos Crefitos, cada área de jurisdição se refere a um ou mais estados do território brasileiro. 1.6 Lei n. 6.316 (1975) Em 17 de dezembro de 1975, o então presidente Ernesto Geisel sancionou a Lei n. 6.316, que constituiu e ainda constitui um instrumento fundamental para a fiscalização do exercício da fisioterapia. Essa lei criou o Coffito e os Crefitos, compostos por membros eleitos efetivos e suplentes com mandato de quatro anos, e determinou suas respectivas competências. Em conjunto, o Coffito e os Crefitos constituem uma autarquia federal que inicialmente foi vinculada ao Ministério do Trabalho. Porém, com a Lei n. 9.098 (1995) ocorreu o desvinculamento. Saiba mais Leia na íntegra a Lei n. 6.316 (1975): BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 6.316, de 17 de dezembro de 1975. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e dá outras providências. Brasília, 1975. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/ LEIS/1970-1979/L6316.htm. Acesso em: 4 set. 2019. 25 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 1.6.1 Coffito O Coffito está sediado em Brasília e sua área de jurisdição é todo o país. Saiba mais O endereço físico da sede do Coffito é SRTVS quadra 701, conjunto L, Edifício Assis Chateaubriand, bloco II, salas 602/614 – CEP 70340-906 – Brasília – DF e o telefone é (61) 3035-3800. Das 16 competências do Coffito especificadas na Lei n. 6.316 (1975), destacamos as seguintes: — Exercer função normativa, baixar atos necessários à […] fiscalização do exercício profissional […]; — Supervisionar a fiscalização do exercício profissional em todo o território nacional; — Organizar, instalar, orientar e inspecionar os Conselhos Regionais e examinar suas prestações de contas […]; — Fixar o valor das anuidades, taxas, emolumentos e multas devidas pelos profissionais e empresas aos Conselhos Regionais a que estejam jurisdicionados e destes, 20% constitui sua renda; — Dispor, com a participação de todos os Conselhos Regionais, sobre o Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunal Superior de Ética Profissional; — Estimular a exação no exercício da profissão, velando pelo prestígio e bom nome dos que a exercem; — Instituir o modelo das carteiras e cartões de identidade profissional (BRASIL, 1975). Portanto, o Coffito possui um rico histórico de luta em prol dos interesses da saúde e do bem-estar do povo brasileiro e atualmente continua se dedicando a fomentar a boa formação técnica e humanista do fisioterapeuta e a defender sua inserção profissional nos diversos ambientes no mundo do trabalho, para que a sociedade possa receber serviços resolutivos e de excelência. Além de zelar pelo cumprimento ético, o Coffito atua em uma série de frentes estratégicas em prol dos serviços de fisioterapia na sociedade e do seu crescimento científico. 26 Unidade I Saiba mais Para conferir maiores informações sobre o Coffito, acesse o site oficial: http://www.coffito.gov.br. 1.6.2 Crefitos Os 16 Crefitos representam regionalmente o órgão máximo federal, que, como vimos, é o Coffito. Eles estão sediados em capitais de Estados brasileiros ou áreas de jurisdição. Exemplo de aplicação O Crefito-3 já citado, possui como área de jurisdição, o Estado de São Paulo e está sediado na Rua Cincinato Braga, 277 – Bela Vista – CEP 01333-011 – São Paulo/SP e o telefone é 0800-750.5900. Explore, nos sites a seguir, as áreas de jurisdição, localizações e contatos dos outros 15 Conselhos Regionais de fisioterapia de todas as regiões do Brasil. Crefito 1 – www.crefito1.org.br Crefito 2 – www.crefito2.gov.br Crefito 4 – www.crefito4.org.br Crefito 5 – www.crefito5.org.br Crefito 6 – www.crefito6.org.br Crefito 7 – www.crefito7.gov.br Crefito 8 – www.crefito8.org.br Crefito 9 – www.crefito9.org.br Crefito 10 – www.crefito10.org.br Crefito 11 – www.crefito11.gov.br Crefito 12 – www.crefito12.org.br Crefito 13 – www.crefito13.org.br 27 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Crefito 14 – www.crefito14.org.br Crefito 15 – www.crefito15.org.br Crefito 16 – www.crefito16.gov.br Dentre as 15 competências dos Crefitos determinadas na Lei n. 6.316 (1975), veja as seguintes: — Fiscalizar o exercício profissional na área de sua jurisdição […]; — Funcionar como Tribunal Regional de Ética, conhecendo, processando e decidindo os casos que lhe forem submetidos; — Expedir a carteira de identidade profissional […] aos profissionais registrados; — Arrecadar e promover a cobrança de anuidades, multas, taxas e emolumentos […], sendo que 80% do produto arrecadado constitui sua renda; — Estimular a exação no exercício da profissão, velando pelo prestígio e bom conceito dos que a exercem (BRASIL, 1975). Até agora, você conseguiu notar diferenças e semelhanças entre o Coffito e os Crefitos? Você deve ter percebido que estimular a exação no exercício profissional, velando pelo prestígio e bom conceito ou bom nome dos que a exercem, é uma das competências comuns. É importante destacar que o livre exercício da profissão em todo o território nacional somente é permitido ao portador da carteira profissional, que, embora tenha seu modelo instituído pelo Coffito, é expedida pelo Crefito da área de jurisdição onde o registro foi feito. Observação Uma dúvida frequente dos alunos ingressantes no curso de Fisioterapia é se poderão atuar como fisioterapeutas em mais de um estado brasileiro ao mesmo tempo. De acordo com a lei que estamos tratando, pode-se dizer que sim. Primeiramente, é preciso verificar se a área de jurisdição dos Conselhos é a mesma ou não, pois alguns Crefitos abrangem mais de um estado. 28 Unidade I Entretanto, é necessário saber que o exercício simultâneo, temporário ou definitivo da profissão na área de jurisdição de dois ou mais Crefitos submeterá o profissional às exigências e formalidades do Coffito. Dessa forma, é recomendável entrar em contato com os Conselhos e também se familiarizar com os pormenores descritos na Resolução n. 487 (COFFITO, 2017c) sobre o pagamento das anuidades nestes casos diferenciados. Outro ponto relevante descrito na Lei que estamos considerando, a n. 6.316 (1975), é sobre a anuidade, cujo valor é fixado pelo Coffito e cuja arrecadação ou cobrança é feita pelo Crefito da respectiva jurisdição. Sendo assim, o pagamento da anuidade constitui condição de legitimidade do exercício da profissão. Isso quer dizer que ao realizar o pagamento anual, você poderá exercer a profissão de forma legítima, em conformidade com a lei. A contribuição de fiscalização profissional é um dos tributos ou impostos que nós, brasileiros, pagamos para exercer qualquer profissão. Podemos dizer que todas as profissões regulamentadas por Conselhos de Classe devem realizar esse pagamento. Por fim, a Lei aborda a questão das infrações. Infringir significa basicamente transgredir ou desrespeitar. O que constituem algumas infrações ou transgressões do profissional fisioterapeuta sujeitos à advertência, repreensão, multa, suspensão ou até ao cancelamento do registro dependendo da situação? A seguir, são listadas as infrações mencionadas na Lei n. 6.316 (BRASIL, 1975): • Transgredir preceito ou norma do Código de Ética Profissional. • Exercer a profissão quando impedido de fazê-lo. • Facilitar, por qualquer meio,o exercício profissional aos que não são registrados ou aos leigos. • Violar sigilo profissional. • Praticar ato que a Lei defina como crime ou contravenção (infração penal de menor gravidade que um crime). • Depois de notificado, não cumprir determinação emitida pelo Crefito no prazo determinado. • Deixar de pagar, pontualmente, as contribuições obrigatórias ao Crefito. • Faltar a qualquer dever profissional prescrito nesta Lei. • Manter conduta incompatível com o exercício da profissão. 29 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Lembrete O Coffito é o Tribunal Superior de Ética, e o Crefito é o Regional. Figura 10 – Coffito/Crefitos: Tribunais Superior e Regional de Ética da fisioterapia Exemplo de aplicação No primeiro semestre de 2019, alguns Crefitos publicaram notícias que relatavam histórias de falsos profissionais em diversas partes do país. • O Crefito-7 flagrou alguns casos de falsos profissionais em Salvador e em municípios do interior da Bahia: Barreiras, Crisópolis, Itapetinga, Nazaré das Farinhas, Senhor do Bonfim e Uruçuca. Esses leigos desempenhavam atividade própria do fisioterapeuta sem a devida formação acadêmica ou registro, o que se configurou como exercício irregular da profissão. Acesse a reportagem completa: CREFITO-7. Fiscalização flagra falsos fisioterapeutas atuando em Salvador e municípios do interior da Bahia. Brasília, 2019. Disponível em: https://crefito7.gov.br/?p=6651. Acesso em: 6 set. 2019. • Segundo matéria publicada no site do Crefito-3, em 2019 foram descobertos mais de seis leigos que prestavam assistência fisioterapêutica nas áreas de reumatologia e ortopedia a pacientes em clínicas da capital de São Paulo e em São Caetano do Sul, São José dos Campos e Ribeirão Preto; em alguns casos, com conivência de outros fisioterapeutas. Alguns desses falsos fisioterapeutas haviam cursado somente alguns semestres em cursos de graduação em Fisioterapia e uma tinha formação em Administração de Empresas. Acesse a reportagem completa: CREFITO-3. Falsos fisioterapeutas: mais seis casos são denunciados ao Ministério Público pelo Crefito-3. Brasília: 2019c. Disponível em: http://crefito3.org.br/dsn/noticias.asp?codnot=3212. Acesso em: 9 set. 2019. 30 Unidade I • Outro caso noticiado no site do Crefito-4 foi de uma falsa fisioterapeuta prestando atendimento em sua clínica em Minas Gerais. No momento da abordagem, a suposta fisioterapeuta afirmou ser a única profissional responsável pelo local. Foram localizados carimbo, cartões de visitas, banners, receituário e prontuários carimbados por ela, com numeração falsa do Crefito, além de um diploma de graduação em fisioterapia e de outro curso falsificados. Ela foi presa por falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão. Acesse a reportagem completa: CREFITO-4. Falsa fisioterapeuta é flagrada atuando no sul de Minas. Brasília, 2019b. Disponível em: http://crefito4.org.br/site/2019/05/29/falsa-fisioterapeuta-e-flagrada-atuando-no-sul-de- minas/. Acesso em: 9 set. 2019. Leia as reportagens e reflita sobre as seguintes questões: 1) Quais danos à saúde dos usuários esses serviços podem ter causado? 2) Como isso prejudicou a atuação dos fisioterapeutas na região? 3) Essas más práticas devem ou não ser denunciadas? Diante dessas e de outras infrações, é importante que usuários, fisioterapeutas e outros profissionais da área da saúde entrem em contato com o Crefito de sua jurisdição sempre que notarem alguma irregularidade no exercício da fisioterapia. Ressalta-se que todas as denúncias são devidamente apuradas pelo Departamento dos Crefitos especializado na fiscalização e proteção da sociedade de falsos fisioterapeutas e de outras más práticas profissionais. 1.6.3 Departamento de Fiscalização (Defis) O Departamento de Fiscalização foi criado pela Resolução do Coffito n. 194 (1998), que aprovou o seu estabelecimento na estrutura dos Crefitos. Desta forma, o Defis passou a integrar o regimento interno dos Crefitos, se tornando parte inerente desses Conselhos. É composto por um coordenador geral, dois membros, designados entre membros do colegiado, agentes fiscais, funcionários ou profissionais fisioterapeutas especialmente convidados, indicados e supervisionados pelo próprio presidente do Crefito. De acordo com a Resolução n. 194 (1998), as atribuições do Defis são: sistematizar a programação e custeio da fiscalização, bem como o roteiro a ser cumprido pelos agentes fiscais; supervisioná-los em sua atuação; e avaliar, analisar e dar parecer no processo administrativo-fiscalizador. Os atos fiscalizatórios do Defis se limitam ao estado sede e/ou estado(s) integrante(s) de sua jurisdição. 31 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Saiba mais Para maiores informações sobre o Defis, consulte a Resolução n. 194 (1998): COFFITO. Resolução n. 194, de 9 de dezembro de 1998. Brasília, 1998. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ resolução%20194.pdf. Acesso em: 9 set. 2019. Portanto, o Defis cumpre a função principal do Conselho Regional, isto é, fiscalizar o exercício da profissão de fisioterapia. Isso envolve manter a constante vigilância sobre os serviços de fisioterapia oferecidos por profissionais, instituições públicas e privadas, zelando pela segurança, qualidade e ética no atendimento prestado à população dentro da área de jurisdição. Exemplo de aplicação No site do Crefito-3, algumas das principais infrações observadas no estado de São Paulo foram: ausência de inscrição e de documentação profissional; fisioterapeuta que facilita exercício ilegal da profissão; leigo praticando ato privativo e carga horária acima de 30 horas semanais. Releia algumas das infrações descritas na Lei n. 6.316 (1975) que mencionamos previamente e lembre-se de quão importante é denunciá-las ao Crefito da sua jurisdição. 1.7 Resoluções do Coffito 1.7.1 Resolução n. 468 (2016) – registro profissional A Resolução n. 468 (2016) dispõe sobre o registro profissional que mencionamos antes e que é realizado para o portador de diploma ou certidão de conclusão de graduação, bacharelado em fisioterapia, em curso autorizado pelo MEC. Além do diploma, para o registro são necessários também a colação de grau e o histórico acadêmico. A universidade está preparada para oferecer aos graduandos todos os documentos e ajudar nos procedimentos necessários para que o seu registro profissional junto ao Crefito da área de sua jurisdição seja realizado após a sua formação. Sabemos que você não vê a hora de se registrar profissionalmente e receber sua carteira de identificação profissional de fisioterapeuta para começar a pôr em prática oficialmente tudo o que aprendeu na graduação. Aproveite bem esse momento único e faça dele um dos melhores da sua trajetória. 32 Unidade I Saiba mais Leia a Resolução completa: COFFITO. Resolução n. 468, de 19 de agosto de 2016. Brasília, 2016e. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ RESOLUCAO46816.pdf. Acesso em: 9 set. 2019. 1.7.2 Resolução n. 052 (1985) – registro profissional docente A inscrição no Crefito para docentes é obrigatória. A fisioterapia é uma profissão regulamentada em lei, tendo suas atividades descritas na legislação por meio do Decreto-Lei n. 938/69, o qual determina as atividades privativas da fisioterapia e prevê o exercício do magistério nas disciplinas de formação básica ou profissional, de nível superior ou médio. Além disso, a Lei n. 6.316 (1975) estabelece que o livre exercício da profissão em todo o território nacional é permitido ao profissional inscrito no Crefito e portador da carteira profissional, podendo assim exercer livremente a atividade de magistério. Observação Magistério é o cargo ou ofício de professor. Refere-se à docência. Desta forma, desde 1985 a Resolução n. 052 já tornava obrigatório o registro do fisioterapeuta que exerce o magistério junto ao Crefito de sua jurisdição, visto que dele se exigem conhecimentos técnicos, práticos e teóricos, alcançadosatravés do exercício profissional contínuo. Portanto, não será por se tornar professor que o profissional deixará de se tornar fisioterapeuta. Afinal, no ensino de suas disciplinas, o professor, via de regra, também age como efetivo profissional. Deste modo, ressalta-se que os fisioterapeutas necessitam de registro perante o Crefito para exercer o magistério e estão, consequentemente, sujeitos também ao pagamento da anuidade. Saiba mais Consulte a Resolução do Coffito n. 052 (1985) na íntegra: COFFITO. Resolução n. 052, de 16 de maio de 1985. Brasília, 1985. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ resolução%20052.pdf. Acesso em: 9 set. 2019. 33 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 1.7.3 Resolução n. 487 (2017) – anuidade O valor da anuidade é fixado pelo Coffito pela Resolução n. 487 (2017) e arrecadado pelos Crefitos. As Resoluções são sempre atualizadas no decorrer do tempo e é muito importante estar a par delas por meio da consulta constante de informações em sites confiáveis. A fixação e arrecadação das anuidades pelos fisioterapeutas acontecem devido a vários motivos: • São considerados tributos. • São indispensáveis para a existência da autarquia: Sistema Coffito/Crefitos. • A organização e funcionamento dos serviços úteis à regulamentação e fiscalização do exercício profissional dependem destas arrecadações. Atualmente, o valor está fixado em R$ 475,00 (quatrocentos e setenta e cinco reais), mas quando você se registrar pela primeira vez perante o Crefito, a anuidade será menor ou proporcional aos meses em que começar a vigorar a sua inscrição. A Resolução lhe assegura que se você realizar o pagamento à vista até os últimos dias úteis dos meses de janeiro, fevereiro ou março, você terá descontos de 15%, 10% ou 5%, respectivamente. Se preferir, poderá parcelar o valor em até cinco vezes, uma forma facilitada de você cumprir com a sua obrigação, principalmente em início de carreira. Saiba mais Para conferir as anuidades e taxas, acesse: COFFITO. Resolução n. 487, de 20 de outubro de 2017. Brasília, 2017c. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=7412. Acesso em: 16 out. 2019. 1.7.4 Resolução n. 483 (2013) – recadastramento nacional Foi por meio da Resolução n. 438 (2013) que o Coffito iniciou um importante trabalho, que, entre outros objetivos, unificou o cadastro de fisioterapeutas brasileiros e emitiu uma nova carteira de identidade profissional. Portanto, fique atento, pois atender à convocação para o recadastramento nacional constitui um ato obrigatório por parte de todos os fisioterapeutas devidamente registrados e tem por objetivo atualizar os dados pessoais e profissionais existentes junto ao Coffito e seus respectivos Crefitos. De acordo com o Código de Ética, o fisioterapeuta deve manter seus dados cadastrais atualizados e é obrigado a atender as convocações do Coffito e dos Crefitos. 34 Unidade I Saiba mais A última convocação para o pré-recadastramento nacional nos Sistemas Coffito/Crefitos ocorreu em 2018. Saiba mais sobre esse recadastramento na Resolução n. 438 (2013): COFFITO. Resolução n. 438, de 10 de dezembro de 2013. Brasília, 2013e. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ RESOLUCAO43813.pdf. Acesso em: 16 out. 2019. 1.7.5 Resolução n. 131 (1991) – diplomas no estrangeiro A Resolução n. 131 (1991) se refere aos diplomas de graduados no estrangeiro em cursos de Fisioterapia. Quando abordamos o Decreto-Lei n. 938 (1969), dissemos que os profissionais diplomados em escolas estrangeiras devidamente reconhecidas no país de origem podem revalidar seus diplomas aqui no Brasil. O profissional diplomado por Universidade com curso reconhecido com duração de no mínimo quatro anos e máxima de oito é profissional de nível superior no Brasil; a revalidação de diplomas de graduados no exterior exige uma isonomia ou igualdade de estudos superiores em instituições estrangeiras. Sendo assim, cabe à instituição brasileira responsável pela revalidação constatar se o diploma corresponde a estes estudos superiores; se a duração do curso é compatível com a mínima exigível no Brasil e se será concedida ou não a aprovação do exercício profissional para o diplomado no estrangeiro. Saiba mais Leia a Resolução n. 131 (1991): COFFITO. Resolução n. 131, de 26 de novembro de 1991. Brasília, 1991. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ resolução%20131.pdf. Acesso em: 10 set. 2019. Figura 11 – Diplomas no estrangeiro 35 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Observação Você sabia que em 1999 países europeus aderiram ao Processo de Bolonha e em 2010, criaram o Espaço Europeu de Ensino Superior? O objetivo deste espaço, hoje composto por 48 países-membros, sendo 28 estados-membros da União Europeia, é harmonizar os diferentes sistemas de ensino superior de forma a serem compatíveis, comparáveis e coerentes entre si (RODRIGUES, 2019). Curiosamente, uma das suas características é a duração mínima de graduação de Fisioterapia de três anos! Imagine um estrangeiro que veio morar e trabalhar no Brasil com diploma de graduação em Fisioterapia obtido em um dos países da União Europeia. Provavelmente, a instituição responsável pela revalidação deste diploma precisará criar processos de avaliação diferenciados, além da conferência dos comprovantes formais mencionados na Resolução n. 131 (1991). Figura 12 – Espaço Europeu de Ensino Superior Saiba mais E o que dizer do processo inverso, a revalidação do seu diploma de fisioterapeuta brasileiro em outro país? Essa é uma pergunta frequente dos alunos quando abordamos a Resolução n. 131 (1991). A UNIP mantém cooperação internacional com mais de cem instituições e agências internacionais de ensino. Leia mais sobre a área de Internacionalização Acadêmica da UNIP e seus programas de bolsa: UNIVERSIDADE PAULISTA (UNIP). Internacionalização acadêmica. [s.d.]. Disponível em: https://www.unip.br/presencial/universidade/ internacionalizacao_academica/. Acesso em: 10 set. 2019. 36 Unidade I 1.8 Entidades de classe Entidade de classe se refere a uma sociedade de empresas ou pessoas com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, sem fins lucrativos e não sujeita à falência, constituída para prestar serviços aos seus associados. Toda entidade de classe tem em comum a gratuidade do exercício de cargos eletivos, e os sindicatos, as associações e as confederações são alguns de seus exemplos. Você sabe diferenciar a atuação dos sindicatos, associações e confederações de fisioterapia? Conhecer a função de cada entidade de classe é fundamental para o esclarecimento de dúvidas e resolução de questionamentos ou problemas. 1.8.1 Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais (Sinfito) O sindicato é uma entidade sindical sem fins lucrativos que tem como objetivo representar uma categoria profissional. No caso do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais (Sinfito), sua finalidade principal é defender os interesses individuais e coletivos dos profissionais na sua relação de trabalho em suas respectivas bases territoriais. De forma geral, o Sinfito luta pela melhoria das condições de trabalho, remuneração dos profissionais e defesa da classe, garantindo todos os direitos trabalhistas previstos em lei. Observação A palavra sindicato é datada do ano 1409 e vem do francês syndicat, que significa crítica ou julgamento, e na língua portuguesa se originou em 1514 e remete à defesa de interesses comuns. A base de sustentação do Sinfito se dá por meio de contribuições sindical e assistencial. Porém, a Lei da Reforma Trabalhista n. 13.467 (2017) acabou com a sua obrigatoriedade e concluiu que a contribuição facultativa é constitucional. Ressalta-se que questões trabalhistas, como as que envolvem o piso salarial, são negociadas e conquistadas pelo Sinfito de cada estado brasileiro, bem como pelo Sindicato Patronal junto à Justiça de Trabalho por meio das ConvençõesColetivas de Trabalho. Você leu a expressão ”piso salarial”? Com certeza, ficou curioso para saber qual é o piso salarial do fisioterapeuta. Como vimos, não há política nacional para o estabelecimento do piso. Pelo contrário, os diferentes Sinfitos negociam e conquistam o valor digno da profissão em suas respectivas bases territoriais. Por exemplo: em São Paulo, o piso salarial mínimo e atual do fisioterapeuta é de aproximadamente R$ 3.000,00 (três mil reais), fora os 50% de adicional noturno. 37 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Observação Lembre-se que dependendo do momento em que você está lendo esse livro-texto, o reajuste desse valor pode ter ocorrido e pode ser superior. Recorde também que esse é o piso mínimo para a jornada de trabalho máxima de 30 horas semanais do fisioterapeuta em São Paulo. Figura 13 – Piso salarial Saiba mais Veja a reportagem publicada no site do Crefito-3, sobre a proposta de piso salarial de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) para os fisioterapeutas. CREFITO-3. Proposta de piso salarial de R$ 4.800 para fisioterapeutas precisa de apoio da categoria. Brasília, 2017. Disponível em: http://crefito3.org.br/dsn/ noticias.asp?codnot=2745. Acesso em: 16 out. 2019. Além dos Sinfitos, há também a Federação Nacional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais (Fenafito) em que são filiados todos os sindicatos de ambas as categorias profissionais no território brasileiro que estão devidamente regulamentados no Ministério do Trabalho. Dentre eles, podemos citar: Sinfito-SP, Sinfito-CE, Sinfito-MG, Sinfito-PE, Sinfito-PR, Sinfito-RJ e Sinfito-BA. 38 Unidade I Saiba mais O Sinfito do Estado de São Paulo (SP) foi fundado em 12 de agosto de 1980 e a Fenafito, em 13 de outubro de 1989. Ambos têm, atualmente, como presidente, o Dr. Edson Stéfani e estão sediadas à Rua 24 de Maio, 104 – 9º andar – República – SP – Cep: 01041-000. Sinfito-SP: Telefones para contato: (11) 3337-0045 / 3362-3855 E-mail: sinfitosp@sinfitosp.org.br Site: http://www.sinfitosp.org.br/ Fenafito: Telefone para contato: (11) 3337-6755 E-mail: fenafito@fenafito.com.br Site: www.fenafito.com.br Por meio desse exemplo, incentiva-se a busca por informações semelhantes dos outros Sinfitos: COFFITO. Sindicatos. [s.d.]c. Disponível em: www.coffito.gov.br/ nsite/?page_id=3578. Acesso em: 16 out. 2019. Figura 14 – Busca por informações 39 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Exemplo de aplicação Uma pesquisa feita com a finalidade de traçar o perfil do fisioterapeuta do estado de São Paulo mostrou que dos mais de 2.000 fisioterapeutas participantes, somente 13% responderam corretamente o valor do piso salarial da época (SHIWA; SCHMITT; JOÃO, 2016). Pesquise qual é o piso salarial mínimo e atual da região que você mora, bem como de outras. Acesse os sites dos Sinfitos e confira: COFFITO. Sindicatos. [s.d.]c. Disponível em: www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=3578. Acesso em: 16 out. 2019. 1.8.2 Associação de Fisioterapeutas do Brasil (AFB) Uma associação é uma organização resultante da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou sem personalidade jurídica, sem fins lucrativos para a realização de um objetivo comum. Neste contexto, as diversas associações existentes na fisioterapia foram criadas para agregar profissionais de determinada área, buscar o aprimoramento profissional por meio de cursos e congressos, bem como divulgar e valorizar ainda mais a profissão. Uma das associações principais da profissão é a Associação de Fisioterapeutas do Brasil (AFB), como é conhecida desde 2005 e que se refere à anterior, a Associação Brasileira de Fisioterapeutas (ABF), criada em 1959, reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 1962 e pela Confederação Mundial de fisioterapia – em inglês, a World Confederation of Physical Therapy (WCPT) – em 1963 e reconhecida como entidade pública em 1966. Alguns dos seus objetivos são: • Estimular a prática e educação da fisioterapia em alto nível. • Realizar a comunicação e a troca de informações, incluindo a organização de congressos nacionais para fisioterapeutas. • Organizar a criação e o desenvolvimento de associações estaduais e as representativas das áreas de atuação da fisioterapia no Brasil. • Representar os fisioterapeutas do Brasil junto à WCPT e à Confederación Latinoamericana de Fisioterapia y Kinesiologia (CLAFK), o que vem ocorrendo oficialmente desde 2007 após a mudança do nome e aprovação. Dessa forma, a participação da AFB nesses órgãos internacionais promove um intercâmbio científico e cultural dos fisioterapeutas brasileiros com o mundo, além de cooperar com o desenvolvimento da fisioterapia e promover a união dos fisioterapeutas. 40 Unidade I Saiba mais Para maiores informações sobre a AFB, acesse o site oficial: www.afb.org.br A atual presidente da AFB é a Dra. Denise Flavio de Carvalho Botelho Lima e a sede encontra-se à Rua Carlos de Vasconcelos 111, Tijuca, Rio de Janeiro-RJ. Os telefones e o e-mail para contato são: (21) 99982-5348 / (21) 99529-1235 / contato@afb.org.br Observação Desde 2005, a AFB promoveu Congressos Brasileiros de Fisioterapia (Cobrafs). Veja a seguir onde ocorreu cada um desses congressos: 2005 e 2007 → São Paulo 2009 → Rio de Janeiro 2011 → Santa Catarina 2013 → Ceará 2014 → São Paulo 2016 → Pernambuco 2018 → Minas Gerais 2020 → Rio de Janeiro Aguarde os próximos congressos. Quem sabe, você pode até mesmo apresentar o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em um dos congressos. Não é uma boa ideia? 41 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 15 – Congresso de fisioterapia 2020: Rio de Janeiro Exemplo de aplicação Além da AFB, a fisioterapia possui outras associações responsáveis por agregar profissionais das mais variadas áreas de atuação. Essas associações têm como objetivo o desenvolvimento profissional por meio de eventos e cursos, além de promover a divulgação da profissão, com o intuito de proporcionar oportunidades no mercado de trabalho aos associados e o fortalecimento das categorias. Pesquise sobre as associações relacionadas a seguir. • Associação dos Fisioterapeutas Acupunturistas do Brasil (AFA Brasil) • Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Acupunturistas (Sobrafisa) • Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional (Abrafidef) • Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe) • Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (Abrafin) • Associação Brasileira de Fisioterapia Aquática (ABFA) • Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) • Sociedade Brasileira de Fisioterapia em Cancerologia (SBFC) • Associação de Osteopatas do Brasil (AOB) • Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e fisioterapia em Terapia Intensiva (Assobrafir) • Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (Abrafism) 42 Unidade I • Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho (Abrafit) • Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica (Abrafito) Conheça essas associações em: COFFITO. Associações conveniadas. Brasília, [s.d.]a. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/ nsite/?page_id=3598. Acesso em: 16 out. 2019. 1.8.3 World Confederation of Physical Therapy (WCPT) A Confederação Mundial de Fisioterapia ou World Confederation of Physical Therapy (WCPT) é uma organização sem fins lucrativos, sediada no Reino Unido, fundada em 1951 e ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se da única voz internacional para mais de 450 mil fisioterapeutas em todo o mundo através de seus 120 países-membros, incluindo o Brasil, por meio da AFB. A WCPT está empenhada em promover o crescimento da profissão e melhorar a saúde global e, por isso, tem como principais finalidades: • Encorajar elevados padrões de pesquisa, educação e prática na fisioterapia. • Promover o intercâmbio entre os fisioterapeutas dos países-membros. • Colaborar com organizações nacionais e internacionais, como a AFB, por exemplo. A fim de atingir essesobjetivos, a WCPT organiza congressos internacionais em diversas partes do mundo. Saiba mais Consulte muitas informações sobre a profissão em diversas regiões do mundo no site da WCPT: https://www.wcpt.org. Figura 16 – WCPT 43 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Observação Os congressos internacionais promovidos pela WCPT de 2003 até 2021 são os seguintes: 2003 → Espanha (Barcelona) 2007 → Canadá (Vancouver) 2011 → Holanda (Amsterdã) 2015 → Singapura 2017 → África do Sul (Cidade do Cabo) 2019 → Suíça (Genebra) 2021 → Emirados Árabes (Dubai) 2 HISTÓRIA DA REABILITAÇÃO NO MUNDO E DA FISIOTERAPIA NO BRASIL Neste material, teremos a oportunidade de estudar o surgimento da reabilitação no mundo e da fisioterapia no Brasil, juntamente com o desenvolvimento do profissional e sua presença nos momentos históricos que fazem da fisioterapia essa importante profissão nos dias atuais (REBELATTO; BOTOMÉ, 1998). Convidamos você agora a viajar pelas diferentes épocas da história da profissão e a refletir sobre como a fisioterapia foi definida e em que momento ocorreram as mudanças que a transformaram na profissão que é conhecida hoje. 2.1 História da reabilitação Primeiramente, vale a pena recordar que os nossos ancestrais, os caçadores-coletores, usufruíam de um estilo de vida interessante, relativamente confortável e compensador, no sentido de que, provavelmente, saíam do acampamento por volta das oito horas da manhã; perambulavam pelas florestas das redondezas, caçando animais e coletando plantas; voltavam ao acampamento no começo da tarde para almoçar e ainda tinham tempo suficiente para fofocar, contar histórias, brincar com os filhos ou simplesmente descansar na companhia dos outros. Eles conheciam os segredos da natureza, já que sua sobrevivência dependia do conhecimento íntimo das plantas e dos animais. Sendo assim, o homem caçador-coletor trabalhava na busca por alimento em média cinco horas por dia (HARARI, 2018). 44 Unidade I No entanto, com o marco da agricultura, cuja transição ocorreu em torno de 9500 a.C. a 8500 a.C. de caçador-coletor, o homem se tornou agricultor e teve que mudar completamente seu modo de vida, visto que foi forçado a realizar novas tarefas que demandavam muito tempo e trabalho duro. Curiosamente, a carga de trabalho diária passou a ser de, em média, 10 longas horas em troca de uma alimentação e condições precárias, apesar do aumento total de alimentos advindo com a Revolução Agrícola. Desta forma, em vez de pronunciar uma era de vida tranquila, a situação das pessoas ficou mais difícil e menos gratificante que a dos seus ancestrais. O corpo do homem, incluindo a coluna, os joelhos, o pescoço e as plantas dos pés, pagou o preço, pois os problemas de saúde começaram a aparecer (HARARI, 2018). 2.1.1 Antiguidade Na Antiguidade ou Idade Antiga, período entre 4000 a.C. e 395 d.C., houve uma grande preocupação com as doenças que eram consideradas como “diferenças incômodas”, as quais se referiam não só aos aspectos orgânicos das doenças, mas também aos sociais, comportamentais e outros. Observação São termos equivalentes às “diferenças incômodas”: morbidade, disfunção, mal e deformidade. A preocupação principal era a diminuição ou eliminação dessas “diferenças incômodas” por intermédio de meios físicos disponíveis naquela época. Você consegue se lembrar, pelos seus conhecimentos prévios de História em geral, de algum meio físico usado pelo homem antigo? A água, luz, calor, peixe-elétrico ou movimentos do corpo humano foram alguns agentes físicos utilizados como técnicas, instrumentos, recursos e procedimentos com o objetivo de reduzir ou acabar com as doenças. Há quem pergunte, por curiosidade, como os peixes-elétricos eram utilizados terapeuticamente. Algumas espécies de peixes possuem um órgão especializado ou elétrico composto por milhares de células, chamadas de eletrócitos, que se carregam e descarregam continuamente. Um exemplo é o brasileiro puraquê (Electrophorus electricus), que significa ”o que faz dormir ou o que entorpece”, também conhecido como enguia, que pode chegar a mais de dois metros de comprimento e ser capaz de emitir mais de 600 volts (v) numa única descarga elétrica, o que é o equivalente a mais de cinco vezes a de uma tomada de 110 v. Porém, pesquisas mostram que todas as outras espécies de peixes elétricos produzem descargas mais fracas, que variam entre menos de 1 e 5 v. Provavelmente, foram esses os tipos de choques elétricos utilizados para o alívio de dor e outras doenças na Antiguidade (COMO..., 2018). 45 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 17 – Electrophorus electricus Saiba mais A fim de ampliar os conhecimentos sobre o tema, leia a matéria a seguir: COMO os peixes-elétricos geram eletricidade? Mundo Estranho, 4 jul. 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como- os-peixes-eletricos-geram-eletricidade/. Acesso em: 18 set. 2019. Pode-se dizer que a profissão, antes mesmo de ser conhecida pelo nome, surgiu nesse momento histórico com o foco na terapia ou no tratamento de doenças já instaladas, por meio de recursos físicos utilizados até hoje. Por exemplo, já se utilizava a eletroterapia sob formas de choques elétricos transmitidos por peixes-elétricos; bem como a cinesioterapia, por meio do costume de usar o movimento do corpo humano no tratamento de doenças já estabelecidas e, portanto, com finalidades terapêuticas. Observação Um dos componentes do símbolo oficial da fisioterapia é o raio amarelo-ouro que remete à eletricidade, um dos primeiros recursos utilizados pela profissão. A seguir, estão dispostos comentários que confirmam o uso de movimentos corporais para fins terapêuticos na Idade Antiga. Note a ênfase dada naquela época: No ano de 2698 a.C., o Imperador chinês Hoong-Ti criou um tipo de ginástica curativa que continha exercícios respiratórios e exercícios para evitar a obstrução dos órgãos […] 46 Unidade I Na medicina grega, a terapia por movimento constituía uma parte fixa do tratamento […] Galeno (130 a 199 d.C.) informa que conseguiu, através de uma ginástica do tronco e pulmões, corrigir o tórax deformado de um rapaz até lograr condições normais (REBELATTO; BOTOMÉ, 1998, p. 13). Ao ler esses comentários, é possível identificar quais palavras indicam que o foco era a reabilitação e não a prevenção das doenças? Termos como “ginástica curativa”, ”tratamento” e “corrigir” apontam para este fato. Vale a pena mencionar que em algumas regiões da Grécia Antiga vigorava a concepção “men sana in corpore sano”, que quer dizer “uma mente sã em um corpo são”. Porém, essa ideia não chegou a ter forte influência nas ações relativas aos cuidados com o corpo nesse período. Portanto, podemos afirmar que o objetivo da fisioterapia na época do seu surgimento, na Antiguidade, não era voltado para prevenir, mas sim para reabilitar partes isoladas do corpo. Sendo assim, os questionamentos que surgem são: o que aconteceria nas épocas seguintes e que mudanças haveria? 2.1.2 Idade Média Na Idade Média ou época medieval, período entre os séculos IV e XV, predominou-se uma ordem social estabelecida no plano divino em que a fé era uma obrigação elementar ou básica dos homens que se organizavam de forma hierárquica, ou seja, de acordo com uma relação de subordinação entre os membros da sociedade. Você talvez esteja se lembrando de que a sociedade se dividia em três grupos organizados dos seguintes modos: • O clero, que tinha como função principal o serviço divino e, portanto, detinha o poder determinante das decisões sobre os caminhos a serem seguidos pela sociedade. • A nobreza, que devia guerrear. • As camadas populares ou camponeses, que deviam trabalhar ou produzir. Sendo assim, as classes mais privilegiadas e beneficiadas eram o clero e a nobreza, isto é, a minoria. Para eles, as relações impostas de servidão eram convenientes, em especial para o clero, que, por meio da religião da época, também difundiuinteresses próprios, como a valorização do culto de alma e espírito e não do corpo. Na verdade, o corpo era considerado como inferior e inimigo e acreditava-se que o que acontecia com ele externamente era causado pelo que estava dentro dele, como se fosse um mero recipiente. Esses pensamentos refletiam o desinteresse pelos avanços dos estudos na área da saúde e cuidados com o corpo. Para se ter uma ideia, os hospitais, naquela era da história, estavam interligados com 47 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA as igrejas, e suas salas de enfermos, como eram chamadas, se localizavam literalmente ao lado das capelas. Havia inclusive altares nessas salas, porém nenhum espaço físico apropriado para a realização de exercícios, por exemplo. Podemos dizer que em determinado momento desse período, a nobreza e o clero começaram a se interessar por atividade física. Porém, não era um interesse pelo exercício físico focado na reabilitação, similar à Idade Antiga, e sim por uma atividade física específica dirigida para o aumento da força e potência física com foco no que constituía responsabilidades deles, ou seja, no controle da população, bens e guerra. Desta forma, para as camadas populares, a atividade física era um tipo de lazer barato e acessível que apenas compensava as más condições em que viviam e trabalhavam. Para os burgueses e lavradores, os exercícios serviam, cada vez mais, unicamente como diversão; não havia interesse em aumentar a potência corporal” (REBELATTO; BOTOMÉ, 1998). E agora, podemos nos perguntar: será que essas novas concepções do uso do exercício físico não apoiado cientificamente na Idade Média foram difundidas mais concretamente em épocas posteriores? 2.1.3 Renascimento O Renascimento, período compreendido entre os séculos XV e XVI, se iniciou na Itália e depois se espalhou para outros países da Europa por meio de um movimento artístico e literário que contribuiu para o desenvolvimento da arquitetura, escultura, pintura, artes decorativas, literatura e música. Neste período, a beleza e o culto ao físico começaram a ser valorizados, enquanto os valores morais e religiosos rígidos da Idade Média não foram mais aceitos e sofreram decadência. Surgiram também as Universidades, onde se buscava conhecimento e compreensão do mundo, o que proporcionou a retomada de estudos relativos aos cuidados com o corpo e o bem-estar físico do homem. Por exemplo, Mercurialis, professor de Medicina em Pádua, Itália, desenvolveu os princípios da ginástica médica: • Exercícios para conservar um estado saudável já existente. • Regularidade no exercício. • Exercícios individuais especiais para convalescentes. • Exercícios para pessoas com ocupações sedentárias. A partir daí, as ações profissionais não se dirigiam somente para o tratamento do corpo doente, mas também para a manutenção das condições normais existentes em indivíduos saudáveis, o que fortalecia o conceito da prevenção. Será que esses conceitos mais amplos continuariam nas próximas épocas da história até chegar aos nossos dias? 48 Unidade I Exemplo de aplicação Analise os novos conceitos relacionados aos exercícios durante o Renascimento, a fim de diferenciá-los dos que verificamos na Antiguidade e na Idade Média. 2.1.4 Industrialização Os novos conceitos sobre os cuidados com o corpo iniciados no Renascimento sofreram alterações significativas com a Revolução Industrial. A industrialização, período entre os séculos XVIII e XIX, começou na Inglaterra e se caracterizou por grandes transformações sociais devido à mecanização, aumento dos sistemas de produção nas indústrias e, consequentemente, intensificação do trabalho operário. Figura 18 – Mecanização Nesta fase da história, as jornadas de trabalho eram estafantes, visto que giravam em torno de 16 horas por dia, e como a população se aglomerava ao redor das cidades, as condições sanitárias, alimentares, de vida, trabalho e moradia se tornaram precárias e insatisfatórias, o que contribuiu para o aparecimento e a proliferação de novos problemas de saúde, até então não conhecidos, como cólera, tuberculose pulmonar, alcoolismo e sequelas de acidentes de trabalho. Com isso, inovações tecnológicas e científicas inicialmente voltadas para a construção de máquinas e formação de engenheiros foram canalizadas também para as escolas de Medicina. O saber médico estava a serviço das classes dominantes, às quais não convinham modificações profundas nas relações de trabalho sob pena de diminuir a produção e o lucro. Ao invés disso, o tratamento puro e simples das doenças decorrentes das condições adversas de trabalho interessava mais do que mudar esta situação. Portanto, essa forma de tratamento, dadas as relações do homem com seu trabalho, influenciou grandemente atividades profissionais e áreas de estudo ligadas à saúde do homem, concentrando esforços na busca de novos métodos de tratamento. A preocupação passou a ser o doente, descontextualizado de todos os fatores que contribuíram para a industrialização da doença. Houve o surgimento do atendimento hospitalar, em que o hospital, além de prestar atendimento à população com ênfase no tratamento das doenças, e, portanto, na assistência curativa, recuperativa 49 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA e reabilitadora; serviu, na época, como local de treinamento de profissionais e laboratório de estudos clínicos e anatômicos. Esse direcionamento da pesquisa contribuiu para o surgimento das especializações ainda no século XIX. Portanto, surgem nessa época, na medicina, as especialidades que conhecemos hoje: dermatologia, pediatria, psiquiatria, oftalmologia, otorrinolaringologia e outras derivadas de um tronco central formadas pela cirurgia, obstetrícia e clínica médica. 2.1.5 Fisioterapia na Idade Contemporânea Seguindo a mesma direção das especialidades médicas no sentido de compartimentalizar áreas de estudo e campos de atuação profissional, os conhecimentos e formas de trabalho que caracterizariam a fisioterapia apareceram na metade do século XIX na Europa. Na Inglaterra, por exemplo, trabalhos sobre massoterapia foram iniciados por Mendell e Cyriax; sobre cinesioterapia respiratória, por Linton; e sobre fisioterapia neurológica, por Berta e Karel Bobath, que criaram o Método Bobath para o tratamento de pacientes com paralisia cerebral. No início do século XX, exercícios físicos foram desenvolvidos com a preocupação voltada para o tratamento, como os de Klapp, que desenvolveu exercícios na “posição de gato” para o tratamento de desvios laterais da coluna vertebral, também conhecidos como escoliose; e Kohlransch, que criou os fundamentos do tratamento para enfermidades ginecológicas baseados em exercícios terapêuticos. Além disso, não só a industrialização, mas também as Guerras Mundiais produziram um grande número de pessoas com lesões, mutilações e sequelas que necessitavam de tratamento para a recuperação, a reabilitação e a obtenção de condições mínimas para o retorno às atividades sociais e produtivas. Desta forma, as guerras contribuíram de forma decisiva para a fragmentação das áreas de atuação na fisioterapia, pois o que importava não era a percepção global dos problemas, e sim as técnicas diretas e efetivas visando a resolução dos problemas antes desconhecidos, para que o indivíduo voltasse rapidamente a produzir. Figura 19 – Primeira Guerra Mundial 50 Unidade I Acredita-se também que a poliomielite ou paralisia infantil influenciou fortemente o desenvolvimento da fisioterapia e de suas técnicas em grande parte do mundo. A primeira grande epidemia de poliomielite nos Estados Unidos ocorreu em 1916, levando a milhares de mortes. O presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt contraiu a poliomielite em 1921 e criou a Fundação Nacional para Paralisia Infantil, que investiu mais de um milhão de dólares para o avanço da fisioterapia como forma de tratamento. Figura 20 – Estátua do presidente Franklin Delano Roosevelt Observação Poliomielite éuma doença infectocontagiosa viral aguda, caracterizada por paralisia flácida de início súbito e por sequelas motoras, em geral de forma assimétrica em membros inferiores (BRASIL, 2017a). Figura 21 – Tratamento fisioterápico para poliomielite 51 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 22 – Tratamento fisioterápico para poliomielite Escolas de cinesioterapia foram criadas a partir de clínicas universitárias, e as especializações de tratamento se tornaram convenientes ao sistema existente pelo compromisso implícito com a recuperação da parte afetada, sem se preocupar com as causas que originaram as doenças. Fazendo parte da área da saúde e tendo sofrido oscilações no decorrer da história, a fisioterapia teve os seus recursos quase que exclusivamente direcionados a uma prática de atendimento ao indivíduo doente. O próprio nome “fisioterapia” já evidencia essa atuação terapêutica, sob as formas de cinesioterapia, eletroterapia, termoterapia, massoterapia e crioterapia. Dessa forma, o objeto de trabalho da fisioterapia parece, hoje, não se apresentar de forma muito diferente da época do seu surgimento, quando havia a preocupação com as “diferenças incômodas”. Essa somatória de fatores gerou avanços tecnológicos para muitos campos e atividades, ao mesmo tempo que originou um compromisso com essa concepção do papel do fisioterapeuta. Lembrete É importante lembrar nesse momento que, com o objetivo de intensificar a fisioterapia no mundo e fornecer amparo técnico-científico e sociocultural, a World Confederation Physical Therapy (WCPT) foi criada em 1951. 52 Unidade I 2.2 História da fisioterapia no Brasil O surgimento da medicina, inicialmente, e do profissional fisioterapeuta, posteriormente, se relacionam basicamente com as condições de vida na época da industrialização, com as epidemias de poliomielite e com as duas grandes Guerras Mundiais, devido ao número enorme de indivíduos feridos e incapacitados fisicamente; na sua maioria, jovens com expectativa de futuro, necessitando restituir suas capacidades individuais e sociais. No Brasil, a fisioterapia começou no final do século XIX, com a criação do serviço de eletricidade médica e hidroterapia no Rio de Janeiro: a Casa das Duchas, que utilizava água doce e do mar no tratamento das doenças. Em 1884, o médico Arthur Silva criou no Hospital de Misericórdia do Rio de Janeiro, o primeiro serviço de fisioterapia da América do Sul. Em 1919, segunda década do século XX, o médico e professor Raphael de Barros fundou o Departamento de Eletricidade Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Dez anos mais tarde, em 1929, o médico Waldo Rolim de Moraes instalou no Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo o serviço de fisioterapia. Já na década de 1930, foi inaugurado também o serviço de fisioterapia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Em 1932, foi inaugurada a cátedra de Fisioterapia Médica na Faculdade de Ciências Médicas no Rio de Janeiro, reconhecida como a primeira escola de Medicina do Brasil a ensinar fisioterapia aos seus estudantes. Provavelmente, baseado no contexto histórico em que diversas capitais brasileiras foram fortemente afetadas pela poliomielite, inclusive em São Paulo e no Rio de Janeiro (1939), é que em 1946 foi fundado o Lar Escola São Francisco em São Paulo, com o objetivo de atender as crianças portadoras de necessidades especiais, com posterior convênio com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo para aperfeiçoar o serviço prestado; e em 1947 foi inaugurado o primeiro serviço de Medicina Física e Reabilitação no Rio de Janeiro. Como a eletroterapia era uma modalidade terapêutica muito valorizada, os médicos que trabalhavam nesses serviços eram conhecidos como médicos de reabilitação, e, por algum tempo, houve necessidade de técnicos, que auxiliavam e aplicavam técnicas terapêuticas, como as correntes elétricas prescritas pelos médicos. Foi nesse momento que surgiu o técnico em fisioterapia, que então recebia uma prescrição com a descrição da técnica, tempo, intensidade e local do corpo onde seria feita a aplicação. Dessa forma, com o objetivo de suprir a demanda por técnicos, em 1951 o Dr. Waldo Rolim de Moraes criou o primeiro curso técnico em Fisioterapia do Brasil, nomeado Dr. Raphael de Barros, no Hospital das Clínicas da FMUSP, com duração de um ano. Na mesma época, no Rio de Janeiro foi criada a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e o curso técnico em Reabilitação na Faculdade de Ciências Médicas. Esses cursos foram de grande importância para a formação de uma nova classe profissional de nível técnico e auxiliar médico, que gradualmente começou a refletir sobre sua profissão, carreira e futuro. Ainda na década de 1950, pelos entendimentos entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), OMS e WCPT, foi criado o Instituto Nacional de Reabilitação (INAR), anexo à disciplina de Ortopedia e 53 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Traumatologia da FMUSP, com o objetivo de estabelecer um centro de treinamento de profissionais de Reabilitação com padrão internacional na América Latina e suprir a demanda de um grande número de pessoas que necessitavam de reabilitação em função dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort) decorrentes do crescente processo de industrialização no Brasil, inclusive em São Paulo, onde o número de operários e fábricas girava em torno de 840 mil e 29 mil, respectivamente. Além disso, era alta a incidência de poliomielite, apesar de todo o crescimento da fisioterapia que, até então, ainda era prescrita pelo médico e aplicada pelos técnicos. O Inar, posteriormente chamado de Instituto de Reabilitação (IR) da FMUSP, criou outro curso para formação de técnicos em Fisioterapia, substituindo o curso “Dr. Raphael de Barros”, com padrão internacional exigido que se alinhava com outros semelhantes na América do Norte e Europa e com duração de dois anos. Nessa época, os técnicos formados já encontravam uma profissão mais organizada que seus colegas anteriores e começaram a planejar um futuro para a fisioterapia. Pela primeira vez, os próprios técnicos começavam a tentar decidir os rumos de sua profissão. Todo o movimento teve como marco inicial histórico a fundação da ABF, que ocorreu em 19 de agosto de 1959, em São Paulo. Essa associação teve como objetivos iniciais promover o aperfeiçoamento profissional, estabelecer parâmetros políticos e deontológicos para o exercício da profissão, unificar a classe em todo o Brasil e discutir a formação profissional, o que foi ímpar para o desenvolvimento da fisioterapia no Brasil e posterior criação de seu primeiro curso de nível superior. Em poucos anos de existência, a ABF, por meio de um trabalho sério, adquiriu o respeito de uma parcela esclarecida de profissionais da área da saúde, inclusive da Associação Médica Brasileira, que reconheceu sua existência, oficialmente, em 1962. Em 1963, a WCPT também reconheceu a Associação de Fisioterapeutas do Brasil (ABF) em âmbito internacional, e esse apoio fortaleceu a associação, conferindo grande credibilidade aos profissionais no Brasil e no mundo. Em 1966, a ABF foi declarada de utilidade pública e em 2005 seu nome foi alterado para Associação de Fisioterapeutas do Brasil, como é conhecida atualmente. Infelizmente, a fisioterapia ainda carregava consigo a herança de auxiliar médico, técnico, profissional limitado à reabilitação, sem nenhuma autonomia sobre seus tratamentos. Afinal, não competia ao profissional, na época, a avaliação, escolha e forma de aplicação dos procedimentos fisioterapêuticos, sendo estes ainda restritos ao médico. Entretanto, a capacidade desses profissionais transcendia o mero papel de cumpridores de ordem, visto que até mesmo um profissional tecnicista possui certo grau de autonomia para sua prática profissional. A almejada autonomia profissional movia a classe a repensar suas práticas. Dessa forma,a criação do curso superior de Fisioterapia entusiasmava os membros da ABF que centralizam suas forças nesse objetivo. O MEC, atendendo parcialmente à classe de fisioterapeutas, reconheceu os cursos técnicos em fisioterapia no Brasil pelo Parecer nº 388 (1963) elaborado pelo Conselho Federal de Educação (CFE). Esses cursos, diferentemente dos anteriores, deveriam se basear em um currículo mínimo e ter a duração de três anos, e os profissionais formados deveriam ser denominados técnicos em fisioterapia. 54 Unidade I Apesar do padrão mínimo internacional de qualidade, os cursos não contribuíram expressivamente para o aperfeiçoamento científico da profissão e não ofereceram a autonomia pretendida pela classe. Os técnicos em fisioterapia ainda permaneciam subalternos e obedientes às ordens do médico e sem condições de comprovar e avaliar suas práticas, como acontece atualmente. Sendo assim, durante o regime militar, a ABF, por meio de uma estratégia política, finalmente conseguiu uma das maiores conquistas da profissão: adquiriu os seus direitos. Em 1969, os ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica assinaram o Decreto-Lei n. 938, de 13 de outubro, em que a fisioterapia foi reconhecida como um curso de nível superior e foi definitivamente regulamentada. Este Decreto-Lei assegura o exercício do profissional não mais como auxiliar médico ou técnico, mas como profissional da área da saúde, especificamente da fisioterapia, como sua atividade privativa e que contempla vários atos profissionais, como a elaboração do diagnóstico cinético-funcional, chefia de serviços, atuação no ensino e pesquisas, entre outros. Exemplo de aplicação Relembre as informações relatadas sobre o Decreto-Lei n. 938 (1969) discutido previamente. Nesse sentido, os Congressos Brasileiros de Fisioterapia passaram a exercer papel fundamental para a organização de ideias e planejamento de novos rumos da profissão. O primeiro aconteceu em 1964 no Rio de Janeiro, antes mesmo da criação do Decreto-Lei n. 938. O segundo ocorreu após o surgimento do Decreto, especificamente em 1972, em São Paulo. Estes eventos culminaram em outra decisão histórica muito importante para a profissão, que foi a Lei n. 6.316, de 17 de dezembro de 1975, que criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito e Crefitos, respectivamente), que, de forma geral, constituem órgãos regulamentadores que consolidam a legalidade da fisioterapia, atendem aos preceitos éticos e deontológicos do profissional e fiscalizam o exercício da profissão no Brasil. Exemplo de aplicação Relembre esses e outros pormenores da Lei n. 6316 (1975), a qual já foi estudada antes. Apesar dos avanços, a fisioterapia entrava em confronto com uma das áreas da medicina, a fisiatria. Com a organização dos Conselhos e início das regulamentações, esse enfrentamento se agravou ainda mais, pois legalmente todos os estabelecimentos que possuíam serviços de fisioterapia deveriam, obrigatoriamente, fazer seu registo junto ao Crefito e manter em seu quadro de funcionários ao menos um profissional fisioterapeuta com formação superior também registrado no Crefito, para responder como responsável técnico pelo setor. Essas obrigatoriedades prejudicaram o andamento de algumas clínicas médicas de propriedade de fisiatras e até mesmo de médicos de outras especialidades que se utilizavam de mão de obra não qualificada para exercer as funções do fisioterapeuta, o que permitia a manutenção de um serviço de 55 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA fisioterapia de custo baixo, tendo em vista que o salário pago a esses indivíduos era pequeno em relação ao salário de profissionais habilitados. Como uma das funções do Crefito é a fiscalização do oferecimento de serviços de fisioterapia de qualidade à população, os estabelecimentos deveriam se enquadrar na regulamentação ou não poderiam oferecer o serviço. Sendo assim, a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação moveu uma representação do que acreditava constituir institucionalidades do Decreto-Lei n. 938 e Lei n. 6.316. Porém, o Superior Tribunal Federal, por decisão unânime, a julgou improcedente. Esse episódio tornou evidente a pressão imposta, sobretudo pelos médicos fisiatras, para manter um controle sobre os fisioterapeutas. Lembrete Para exercer a profissão, o fisioterapeuta necessita da inscrição e do registro no Crefito respectivo da sua região previstos na Lei n. 6.316 (1975) e Resolução n. 468 (2016). Além disso, as conquistas granjeadas pelos fisioterapeutas concederam à classe maior credibilidade e confiança para propor a alteração do currículo mínimo dos cursos. Essa alteração só aconteceu em 28 de fevereiro de 1983, com a Resolução n. 4 do CFE, que estabeleceu mudanças na carga horária mínima, a qual passou a ser de 3.240 horas/aula, duração do curso de quatro anos e inclusão de áreas na formação do profissional, o que constituiu uma estratégia para o crescimento do ponto de vista acadêmico e consolidação da autonomia de atuação profissional perante a área médica. Na década de 1980, houve um crescimento no número de universidades associado ao surgimento de novos campos de atuação, como a promoção e a prevenção da saúde da população. Essa situação decorreu de novas concepções no cenário mundial do processo saúde-doença que respaldaram a reformulação das políticas de saúde no Brasil, dando ênfase às condições de vida. Essas novas políticas públicas de saúde se alicerçaram com a promulgação da Constituição Federal (1988), que declara que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e outros agravos e o acesso universal às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. No início da década de 1990, não se evidenciava preocupação com a expansão de matrículas e melhoria da qualidade dos serviços ofertados nas instituições públicas de ensino, o que favoreceu a expansão das instituições de ensino privado. Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (Lei n. 9.394/96), o exercício da autonomia pelas universidades foi ampliado, o que tornou possível a incorporação da prevenção nas estruturas curriculares que, até então, eram fundamentados na lógica curativo-reabilitadora. Como exemplo de lutas anteriores na história da fisioterapia, as conquistas no ensino e na profissão somente foram possíveis com o comprometimento dos docentes, discentes, profissionais e entidades 56 Unidade I da classe. Sendo assim, em 2001, uma Comissão de Especialistas de Ensino de Fisioterapia do MEC recomendou à Câmara de Educação Superior (CES) do Conselho Nacional de Educação (CNE), a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Fisioterapia. Assim, surgiu a Resolução n. 4, de 19 de fevereiro de 2002, que instituiu essas diretrizes a serem observadas até os dias de hoje, pelas instituições de Ensino Superior. Leia a seguir um de seus trechos: O Curso de Graduação em Fisioterapia tem como perfil do formando egresso/profissional o fisioterapeuta, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base no rigor científico e intelectual. Detém visão ampla e global, respeitando os princípios éticos/bioéticos, e culturais do indivíduo e da coletividade. Capaz de ter como objeto de estudo o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, quer nas alterações patológicas, cinético-funcionais, quer nas suas repercussões psíquicas e orgânicas, objetivando a preservar, desenvolver, restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções, desde a elaboração do diagnóstico físico e funcional, eleição e execução dos procedimentos fisioterapêuticos pertinentes a cada situação (BRASIL, 2002a). Então, as novas diretrizes curriculares ressaltam que a formação do fisioterapeuta tem por objetivo dotar o profissionaldos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades gerais e específicas no mundo do trabalho. Outro ponto importante a ser destacado é que após dez anos de discussões, reuniões e pareceres entre as entidades representativas da área da saúde e o CNE/CES, foi promulgada a Resolução n. 4 (2009), que elevou para 4.000 horas a carga horária mínima dos cursos de graduação de Fisioterapia. Atualmente, a fisioterapia é uma profissão consolidada, devidamente regulamentada e controlada pela autarquia federal, em pleno desenvolvimento e que colabora e cumpre seu papel na melhora constante da saúde no Brasil. Agora, você consegue entender por que algumas pessoas ainda hoje confundem o objeto de trabalho da fisioterapia, ou seja, não entendem completamente o que o fisioterapeuta faz, qual sua área de conhecimento ou o seu campo profissional? A fisioterapia, como é considerada atualmente, se desenvolveu por caminhos distintos e diversos daqueles da época do seu surgimento. No início, não muito remoto, era considerada uma profissão de nível secundário caracterizada pela formação de auxiliares e técnicos de fisioterapia subordinados a outra profissão da área da saúde, a medicina. Entretanto, devido às inúmeras mudanças que ocorreram, a fisioterapia se tornou uma profissão autônoma de nível superior. 57 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Resumo Nesta unidade, você teve a oportunidade de entender que a fisioterapia é uma importante profissão de nível superior da área de saúde que envolve não só a reabilitação de disfunções relacionadas aos movimentos e funções corporais, mas também a prevenção e promoção da saúde, que engloba o bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo. Você compreendeu que essa definição da fisioterapia é bem representada pelo significado do seu símbolo oficial, formado por duas serpentes verdes entrelaçadas ao redor de um raio amarelo-ouro dentro de uma moldura com fundo branco. Além disso, ficou claro que, de forma geral, o fisioterapeuta é o profissional habilitado a realizar a avaliação e o diagnóstico fisioterapêuticos, bem como planejar condutas baseadas em recursos próprios da área, reavaliar e dar alta ao paciente. Desta forma, a fisioterapia está consolidada e respaldada por documentos importantes que mostram a sua solidez. Entre eles, podemos destacar o Decreto-Lei n. 938 (1969), que regulamentou a profissão em 13 de outubro, Dia do Fisioterapeuta, e a Lei n. 6316 (1975), que criou o Sistema Coffito/Crefitos. Não podemos nos esquecer também das outras leis e resoluções do Coffito que fundamentam a profissão e contribuem fortemente para o seu avanço perante a sociedade. Também foram estudadas as etapas da reabilitação no mundo, passando pela Antiguidade, Idade Média, Renascimento e Revolução Industrial até chegar à Idade Contemporânea. Exercícios Questão 1. (UFRJ, 2014) O que regulamenta e determina o campo de atuação, estudo ou intervenção de uma profissão são documentos legais publicados oficialmente. Na fisioterapia, podemos nos referenciar, entre outros, por dois documentos legais, um que regulamentou a profissão definindo-a como de nível superior e outro que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais, sendo eles: A) Decreto-Lei n. 938 de 1969 e Resolução Coffito-8. B) Parecer n. 388 de 1963 e Decreto-Lei n. 938 de 1969. C) Parecer n. 388 de 1963 e Resolução Coffito-8. 58 Unidade I D) Decreto-Lei n. 938 de 1969 e Lei n. 6.316 de 1975. E) Parecer n. 388 de 1963 e Lei n. 6.316 de 1975. Resposta correta: alternativa D. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: a Resolução Coffito-8 aprova normas para habilitação ao exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional e, portanto, não foi a que regulamentou a profissão. B) Alternativa incorreta. Justificativa: no Parecer n. 388/63 do Conselho Federal de Educação, foram estabelecidos cursos de duração de 3 anos com a formação de profissionais técnicos em fisioterapia e terapia ocupacional e, portanto, não foi a lei que regulamentou a profissão como nível superior. C) Alternativa incorreta. Justificativa: Parecer n. 388 de 1963 e Resolução Coffito- 8 incorretos, porque não foram as leis que regulamentaram a profissão. D) Alternativa correta. Justificativa: o Decreto-Lei n. 938 de 1969 regulamentou a profissão de fisioterapeuta a nível superior e a Lei n. 6.316 de 1975 criou o Conselho Federal (Coffito) e os Conselhos Regionais de fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito). E) Alternativa incorreta. Justificativa: o Parecer n. 388 de 1963 não regulamentou a profissão como nível superior. Questão 2. (FCC, 2018) Com base no Código de Ética do Fisioterapeuta, constitui-se dever fundamental dos fisioterapeutas relacionados à assistência ao cliente/paciente/usuário: A) prestar assistência ao ser humano, respeitados a sua dignidade e os direitos humanos de modo a que a prioridade no atendimento obedeça a razões de urgência, independentemente de qualquer consideração relativa à raça, etnia, nacionalidade, credo sociopolítico, gênero, religião, cultura, condições socioeconômicas, orientação sexual e qualquer outra forma de preconceito, sempre em defesa da vida. 59 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA B) autorizar a utilização ou não coibi-la, mesmo a título gratuito, de seu nome ou de sociedade que seja sócio, para atos que impliquem na mercantilização da saúde e da fisioterapia em detrimento da responsabilidade social e socioambiental. C) recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, quando praticado sem o consentimento formal do cliente/paciente/usuário ou de seu representante legal ou responsável, quando se tratar de menor ou incapaz. D) dar consulta ou prescrever tratamento fisioterapêutico de forma não presencial, salvo em casos regulamentados pelo Conselho Federal de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. E) recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, quando: atentatório à moral ou à saúde do cliente/paciente/usuário. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: a Resolução n. 424/2013 em seu Artigo 14º diz que constituem-se deveres fundamentais dos fisioterapeutas relacionados à assistência ao cliente/paciente/usuário: I – respeitar a vida humana desde a concepção até a morte, jamais cooperando em ato em que voluntariamente se atente contra ela, ou que coloque em risco a integridade física, psíquica, moral, cultural e social do ser humano; II – prestar assistência ao ser humano, respeitados a sua dignidade e os direitos humanos de modo que a prioridade no atendimento obedeça a razões de urgência, independentemente de qualquer consideração relativa à raça, etnia, nacionalidade, credo sociopolítico, gênero, religião, cultura, condições socioeconômicas, orientação sexual e qualquer outra forma de preconceito, sempre em defesa da vida; III – respeitar o natural pudor e a intimidade do cliente/paciente/usuário; IV – respeitar o princípio bioético de autonomia, beneficência e não maleficência do cliente/paciente/usuário de decidir sobre a sua pessoa e seu bem-estar; V – informar ao cliente/paciente/usuário quanto à consulta fisioterapêutica, diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos, objetivos do tratamento, condutas e procedimentos a serem adotados, esclarecendo-o ou o seu responsável legal; VI – prestar assistência fisioterapêutica respeitando os princípios da bioética. B) Alternativa incorreta. Justificativa: não pode autorizar a utilização de seu nome ou de sociedade para atos que impliquem a mercantilização da saúde e da fisioterapia em detrimento da responsabilidade social e socioambiental. C) Alternativa incorreta. Justificativa: recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, quando praticado somente sob o consentimento formal do cliente/paciente/usuário ou de seu representante legal ou responsável, quando se tratar de menor ou incapaz.60 Unidade I D) Alternativa incorreta. Justificativa: dar consulta ou prescrever tratamento fisioterapêutico de forma presencial. E) Alternativa incorreta. Justificativa: recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, respeitando a dignidade do cliente/paciente/usuário. 61 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Unidade II 3 ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS E ÁREAS DE ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA Você já ouviu ou leu alguma vez a expressão “atribuições profissionais”? De forma simples, podemos dizer que se refere às responsabilidades ou competências próprias de um determinado cargo ou função. Em outras palavras, se tratam das atividades principais inerentes do exercício da profissão em diversos domínios. Os domínios ou esferas de ação da fisioterapia compreendem: • a fisioterapia clínica; • a fisioterapia na saúde coletiva; • a fisioterapia na educação; • a fisioterapia no esporte; • a fisioterapia em equipamentos e produtos próprios. Em cada um desses domínios, há uma ampla diversidade de áreas em que o profissional poderá atuar. São as chamadas áreas de atuação da fisioterapia e envolvem os locais que o profissional poderá trabalhar. 3.1 Áreas de atuação da fisioterapia clínica Na esfera da fisioterapia clínica, o profissional pode atuar em consultórios; centros de reabilitação; hospitais (ambulatório, leito e/ou terapia intensiva) e clínicas (particulares e/ou terceirizadas); em praticamente qualquer uma das especialidades existentes e que serão abordadas adiante. De forma geral, as atribuições ou atividades principais do fisioterapeuta que atua em uma das áreas da fisioterapia clínica são: elaborar o diagnóstico cinesiológico funcional; prescrever, planejar, ordenar, analisar, supervisionar e avaliar os projetos fisioterapêuticos, a sua eficácia, resolutividade e condições de alta; e prestar assistência fisioterapêutica. 3.2 Áreas de atuação da fisioterapia na saúde coletiva Na esfera da fisioterapia na saúde coletiva, o fisioterapeuta pode atuar em ações básicas de saúde, como em postos conhecidos como Unidades Básicas de Saúde (UBS); fisioterapia do trabalho, como em fábricas e indústrias; programas institucionais juntamente com equipes multidisciplinares no planejamento e aplicação de métodos de intervenção fisioterapêutica; e até mesmo na vigilância sanitária. 62 Unidade II Observação A fisioterapia do trabalho, além de uma área de atuação, constitui uma das especialidades reconhecidas pelo Coffito. As atribuições gerais do profissional que atua em áreas da fisioterapia na saúde coletiva envolvem promover a educação, prevenção e assistência coletiva, na atenção primária ou básica em saúde. Observação A fisioterapia na saúde coletiva também é uma das especialidades reconhecidas pelo Coffito e, de forma simplificada, podemos nos referir a ela como fisioterapia preventiva. A fisioterapia tem como objetivos, além de reabilitar, manter, preservar e promover a saúde. Exemplo de aplicação Você já ouviu falar dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf)? O Nasf foi criado em 2008 pelo Ministério da Saúde para apoiar a consolidação da atenção primária no Brasil, ampliando as ofertas de saúde, resolutividade, abrangência e ações na rede de serviços. É composto por equipes multiprofissionais, inclusive por fisioterapeutas que atuam de forma integrada em UBS e visitas domiciliares, discutem os casos clínicos e constroem projetos com foco prioritário nas ações de prevenção e promoção da saúde à população. Veja mais detalhes acessando: BRASIL. Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). Brasília, [s.d.]. Disponível em: http://www. saude.gov.br/acoes‑e‑programas/saude‑da‑familia/nucleo‑de‑apoio‑a‑saude‑da‑familia‑nasf. Acesso em: 31 jul. 2019. 3.3 Áreas de atuação da fisioterapia na educação Na esfera da fisioterapia na educação, o fisioterapeuta pode atuar na direção e coordenação de cursos; docência nos níveis secundário e superior; extensão e supervisões técnicas e administrativas em instituições de ensino superior. Além disso, como pesquisador, pode contribuir dentro do seu campo de atuação, para o crescimento técnico e científico da profissão. 63 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Dependendo da área de atuação do fisioterapeuta na educação, diversas responsabilidades lhes são atribuídas, como coordenar cursos de graduação em Fisioterapia ou Saúde; lecionar disciplinas; supervisionar programas de estágio; e participar de estudos e pesquisas. Figura 23 – Pesquisadora Observação Você talvez já tenha se perguntado por que é importante pesquisar. A pesquisa ou investigação, além de produzir novos conhecimentos na fisioterapia (recursos, métodos e técnicas), contribui para a formação de pesquisadores e para o aprimoramento científico da profissão. Veja um exemplo: de 2007 a 2008, a produção científica brasileira cresceu aproximadamente 60%! Dos 20 países com maior produção científica, já naquela época, o Brasil subiu de 15º para 13º no ranking (PEREIRA, 2009). E o que dizer das pesquisas na fisioterapia? Por atuar como pesquisador na esfera da fisioterapia na educação, temos a oportunidade de consolidar cada vez mais a prática clínica da fisioterapia baseada em evidências científicas. A vivência dessa área durante a graduação ocorre no momento de elaborar, com a ajuda de um(a) professor(a) orientador(a), o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A qualificação profissional é necessária para a prestação de um serviço de fisioterapia seguro e eficaz à sociedade. Uma das ferramentas para conquistar essa qualificação é a publicação de artigos científicos em revistas e outros meios de divulgação comprometidos com o desenvolvimento da profissão e, consequentemente, do ser humano. 64 Unidade II Saiba mais O Coffito concede auxílio financeiro a essas revistas. Para se habilitarem, os editores das revistas interessados devem ficar atentos aos editais publicados anualmente e aos critérios mínimos exigidos. Confira a Resolução n. 375 (2010), que dispõe sobre esses procedimentos: COFFITO. Resolução n. 375, de 14 de maio de 2010. Brasília, 2010a. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20375.pdf. Acesso em: 23 set. 2019. Desde cedo, muitos alunos despertam a vontade de ingressar no universo da pesquisa científica. Para dar os primeiros passos, um excelente caminho é a participação no Programa de Iniciação Científica, em que o graduando poderá desenvolver um projeto de pesquisa com a orientação de um pesquisador experiente vinculado à universidade. E o interessante é que há a possibilidade de você fazer sua pesquisa com o auxílio de bolsas de fomento. E o mais importante é que, independentemente disso, a Iniciação Científica produzirá novos conhecimentos sobre determinado tema que precisa ser difundido no meio científico. Saiba mais Ficou interessado? Acesse as informações sobre esse programa: UNIVERSIDADE PAULISTA (UNIP). Pesquisa. 2019. Disponível em: https://www.unip.br/Ead/pesquisa. Acesso em: 17 out. 2019. 3.4 Áreas de atuação da fisioterapia no esporte No domínio da fisioterapia no esporte, o fisioterapeuta pode atuar em centros esportivos, clubes e/ou academias. Ao atuar em uma ou mais áreas da esfera esportiva, compete ao fisioterapeuta, entre outras funções, integrar uma equipe multiprofissional, realizar avaliações, elaborar programas de assistência fisioterapêutica destinados à recuperação funcional de atletas e acompanhá‑los. Observação A fisioterapia esportiva, além de uma atribuição profissional, é reconhecida também como uma das especialidades do Coffito. 65 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 3.5 Áreas de atuação da fisioterapia em equipamentos e produtos próprios Neste domínio, o fisioterapeuta pode atuar tanto na industrialização quanto na comercialização de equipamentos e produtos fisioterapêuticos. Saiba mais Diversos eventos e feiras nas áreas da fisioterapia e saúde são organizados periodicamente. Um deles é a Feira Internacionalde Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), que acontece a cada dois anos e é considerada a principal do setor na América Latina. Independentemente de o seu interesse ser na área da industrialização ou comercialização de equipamentos e produtos fisioterapêuticos, como graduando é muito importante estar atualizado, por meio de eventos como esse. Para saber mais informações sobre a feira, visite o site: http://reatechbrasil.com.br/ Nestas áreas de atuação, são atribuições do fisioterapeuta: assessorar tecnicamente o desenvolvimento de produtos de qualidade e de interesse da profissão; elaborar manual de especificações e de apoio para treinamento; coordenar demonstrações técnicas e apresentações do produto em feiras e eventos e/ou participar de equipes multiprofissionais responsáveis pelo desenvolvimento, análise, controle de qualidade e risco sanitário do produto. Saiba mais Para saber mais detalhes sobre as atribuições gerais e específicas das áreas de atuação da fisioterapia, acesse: CREFITO‑4. Definição de fisioterapia e áreas de atuação. Brasília, 2019a. Disponível em: crefito4.org.br/site/definicao/. Acesso em: 23 set. 2019. Além dessas áreas de atuação, o fisioterapeuta pode trabalhar em atendimento domiciliar. Uma pesquisa realizada com mais de 2.000 fisioterapeutas paulistas mostrou que 35% trabalham nessa área (SHIWA; SCHMITT; JOÃO, 2016). 66 Unidade II 4 ESPECIALIDADES RECONHECIDAS PELO COFFITO Podemos nos referir à especialidade como o campo de conhecimento específico dominado pelo profissional. Na fisioterapia, há diversas especialidades reconhecidas pelo Coffito. O exercício de qualquer uma dessas especialidades está condicionado ao conhecimento de determinadas disciplinas, bem como ao domínio de grandes e específicas áreas de competências que serão estudadas e desenvolvidas no decorrer da graduação. Lembrete O fisioterapeuta especialista pode exercer qualquer uma das atribuições profissionais mencionadas anteriormente e é incentivado também a produzir conhecimento científico e torná‑lo acessível à população em geral. Essas são as 16 especialidades reconhecidas pelo Coffito até o ano de 2019: • fisioterapia em gerontologia; • fisioterapia do trabalho; • acupuntura e medicina tradicional chinesa (MTC); • fisioterapia cardiovascular; • fisioterapia aquática; • fisioterapia em saúde da mulher; • fisioterapia em osteopatia; • fisioterapia traumato‑ortopédica funcional; • fisioterapia dermatofuncional; • fisioterapia neurofuncional; • fisioterapia esportiva; • fisioterapia oncofuncional; • fisioterapia respiratória; • fisioterapia em terapia intensiva; • fisioterapia em quiropraxia; • fisioterapia em saúde coletiva. 67 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Saiba mais Para saber se novas especialidades foram reconhecidas pelo Coffito, acesse: https://www.coffito.gov.br/nsite/ De acordo com a Resolução do Coffito n. 377 (2010), o título de especialidade profissional requer um maior preparo e, perante a sociedade, representa uma maior responsabilidade, no sentido de que requer do fisioterapeuta a prestação da assistência com uma atenção diferenciada e especial. O título concedido ao profissional fisioterapeuta será de “especialista profissional em”, seguido da nomenclatura que define a sua especialidade. As condições para a sua permissão são as seguintes: • Inscrição no Crefito de sua jurisdição há pelo menos dois anos ininterruptos ou intermitentes. • Comprovação de dois anos de atividade e/ou aperfeiçoamento profissional no exterior ao profissional que esteve fora do país. • Diploma de graduação revalidado por instituição brasileira de Ensino Superior ao profissional estrangeiro ou brasileiro que tenha se graduado no exterior. • Aprovação em exame de conhecimento composto por questões de múltipla escolha e dissertativas, para verificar o conhecimento do profissional na especialidade requerida. • Aprovação em prova de títulos, que consiste na avaliação objetiva de documentação que comprova a experiência prática e o aperfeiçoamento do profissional. Saiba mais Tanto o exame de conhecimento quanto a prova de títulos são eventos públicos, com convocação anual feita por meio de edital, dependendo da demanda ou obrigatoriamente a cada dois anos. Consulte a Resolução n. 377 (2010), que dispõe sobre o registro de título de especialidade profissional na fisioterapia. COFFITO. Resolução n. 377, de 11 de junho de 2010. Brasília, 2010b. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20377.pdf. Acesso em: 23 set. 2019. 68 Unidade II 4.1 Especialidade profissional de fisioterapia em gerontologia A palavra gerontologia vem do grego gero, que significa envelhecimento, e logia, que se refere a estudo; portanto, é definida como a ciência que estuda o processo de envelhecimento em suas dimensões biológica, psicológica e social. A população mundial com mais de 60 anos duplicará até 2050. Isso implica que os novos desafios da saúde pública nas próximas décadas serão as doenças crônicas inerentes ao processo de envelhecimento e o bem‑estar da terceira idade. Será que o fisioterapeuta, principalmente o especialista em gerontologia, tem e terá muito trabalho a desenvolver? É importante reflitir sobre a importância desse profissional na prevenção e promoção de saúde, bem como no aumento da qualidade de vida dessa grande parte da população, que logo em breve representará um quinto do planeta. Saiba mais Consulte a Resolução n. 476 (2016), que dispõe sobre a especialidade profissional de fisioterapia em gerontologia: COFFITO. Resolução n. 476, de 20 de dezembro de 2016. Brasília, 2016f. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ RESOLUCAO47616.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. 4.2 Especialidade profissional de fisioterapia do trabalho Sabemos que o trabalho, além de necessário para manter as condições de vida humana, é um importante fator para o bem‑estar biopsicossocial do trabalhador, pois dependendo do ambiente, pode submetê‑lo a riscos à sua saúde. Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho, também conhecidas como doenças ocupacionais, podem ser provocadas gradativamente até chegar à incapacidade funcional. Essa situação, por sua vez, pode gerar faltas, afastamentos, acidentes e gastos para a empresa, comprometendo a sua produtividade. Dessa forma, podemos dizer que a especialidade profissional de fisioterapia do trabalho já nasceu forte. Estima‑se que os atendimentos fisioterapêuticos realizados dentro das empresas começaram nos anos 1980, fundamentados no conhecimento básico de outras disciplinas, como a cinesiologia, a biomecânica e a fisiologia. 69 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Saiba mais Consulte a Resolução n. 465 (2016), que dispõe sobre a especialidade profissional de fisioterapia do trabalho: COFFITO. Resolução n. 465, de 20 de maio de 2016. Brasília, 2016c. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/RESOLUCAO 46416.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. Inicialmente, esses atendimentos se baseavam em programas de ginástica laboral, mas logo os fisioterapeutas pioneiros na área perceberam que havia muito mais ações a serem desenvolvidas. Isso fez com que essa especialidade fosse construída e fortalecida no decorrer do tempo. Hoje, é notável ver o respeito granjeado pelos fisioterapeutas do trabalho por empresas privadas e públicas que entendem a versatilidade e habilidade na tomada de ações desses profissionais. Saiba mais A ginástica laboral é uma atividade aplicada às pessoas que se encontram na relação de trabalho com o objetivo de melhorar a saúde e evitar lesões resultantes de doenças ocupacionais. Veja mais detalhes sobre o uso da ginástica laboral pelo fisioterapeuta na Resolução n. 385 (2011a): COFFITO. Resolução n. 385, de 8 de junho de 2011. Brasília, 2011a. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20385.pdf. Acesso em: 25 set. 2019.A fisioterapia do trabalho constitui também uma área de atuação da atribuição ou competência profissional: fisioterapia em saúde coletiva. A entidade representativa dos fisioterapeutas do trabalho é a Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho (Abrafit). Ela tem como foco o crescimento e o fortalecimento da especialidade. 4.2.1 Perícia fisioterapêutica e a atuação do perito O perito é o sábio, hábil, o que é sabedor ou especialista em determinado assunto, nomeado judicialmente para avaliação, exame ou vistoria. 70 Unidade II De acordo com o fisioterapeuta e professor renomado na área, o doutor Veronesi Junior (2014), o fisioterapeuta do trabalho pode atuar tanto em perícia ocupacional quanto em perícia judicial. Ele define o perito como o indivíduo de confiança do juiz, sendo até denominado de “os olhos” e “os ouvidos” do juiz, figurado como auxiliar da justiça detentor dos conhecimentos técnicos e científicos indispensáveis ao esclarecimento de determinados problemas. Sendo assim, o trabalho realizado por um perito é diferente daquele realizado no dia a dia por um fisioterapeuta que trabalha em clínicas ou hospitais; requer muito aprendizado de outras áreas e adaptação em ambientes pouco conhecidos. No entanto, a perícia fisioterapêutica, além de ato exclusivo do fisioterapeuta, é uma carreira promissora para os que desejam ter mais flexibilidade de horário, com muita responsabilidade e bom retorno financeiro, pois ainda apresenta poucos profissionais preparados e, portanto, está em expansão. Saiba mais Consulte a Resolução n. 466 (2016), que dispõe sobre perícia fisioterapêutica e a atuação do perito: COFFITO. Resolução n. 466, de 20 de maio de 2016. Brasília, 2016d. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/RESOLUCAO 46616.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. 4.3 Especialidade profissional em acupuntura e medicina tradicional chinesa (MTC) Embora seja considerada de caráter multiprofissional, ou seja, não é exclusiva de uma determinada profissão da saúde, o Coffito, por meio de Resoluções específicas, reconhece a prática e a especialidade da acupuntura e da medicina tradicional chinesa (MTC) pelos fisioterapeutas devidamente habilitados. O fisioterapeuta exerce a acupuntura no país desde o ano de 1985, sob controle ético e autorização do Coffito, e uma das suas Resoluções menciona o seguinte: O exercício profissional do fisioterapeuta especialista em Acupuntura é condicionado ao conhecimento, estudo e avaliação dos distúrbios cinéticos e funcionais e sistemas do corpo humano, amparado pelos mecanismos próprios, sistematizados pelos estudos da Física, Biologia, Fisiologia, das ciências morfológicas, bioquímicas, biomecânicas, biofísicas, da cinesiologia funcional, e da patologia de órgãos e sistemas do corpo humano. Utilizando‑se dos conhecimentos filosóficos milenares da Medicina Tradicional Chinesa como a dualidade do yin/yang, os cinco elementos (movimentos), etiopatogenia e fisiopatologia dos órgãos e vísceras (Zang/ Fu), com bases filosóficas e científicas da Acupuntura/MTC (COFFITO, 2011b). 71 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Observação A MTC é uma abordagem terapêutica milenar que tem a teoria do yin/yang e cinco elementos como bases fundamentais para avaliar e tratar desequilíbrios do estado energético com procedimentos próprios. Figura 24 – Acupuntura Em 2019, o Coffito, bem como diversos Crefitos, publicaram notas de esclarecimento sobre o exercício da acupuntura por fisioterapeutas e alertas sobre fake news. Em suma, confirmaram que a suposta proibição do exercício da acupuntura por fisioterapeutas é falsa e destacaram a importância de não acreditar nessas notícias mentirosas. Nota de esclarecimento O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), em razão de recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no processo nº 2002.34.00.005143‑3/DF, em que a 7ª Turma do TRF da 1ª Região havia declarado a nulidade da Resolução nº 60/1985 e de suas Resoluções derivadas, vem esclarecer que não se trata de decisão que tenha abordado o mérito da ação, ou seja, não houve a análise, pelo STJ, da Resolução do Coffito. Informa, ainda, que há em curso, também no STJ, recurso que versa sobre regulação da acupuntura, ou seja, o tema se encontra pendente de solução junto ao Poder Judiciário, permanecendo franqueado, aos profissionais fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, o exercício da acupuntura. Assim, no intuito de tranquilizar os profissionais e a sociedade, o Coffito reitera que esta decisão não contesta o exercício da acupuntura por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais e, sim, o poder regulador da Autarquia. O Conselho Federal se manterá vigilante em defesa das prerrogativas profissionais e contrário a toda e qualquer tentativa de reserva e cerceamento de mercado, inclusive no que tange à divulgação de notícias e informações inverídicas – fake news – acerca de suposta proibição do exercício da acupuntura por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. A disseminação 72 Unidade II desse tipo de notícia é condenada pelo Ministério Público Federal e objeto da Ação Civil pública n. 1004717‑55.2019.4.01.3800, em curso na 7ª Vara Federal Cível da SJMG. […] Brasília, 30 de maio de 2019. Fonte: Coffito (2019). Afinal, a acupuntura não é exclusiva de nenhuma profissão, nem mesmo da classe médica, e sua utilização no Brasil pelos fisioterapeutas é regulamentada e fiscalizada pelo Coffito, que estabelece critérios para garantir à população um tratamento ético e responsável. Saiba mais Consulte as Resoluções n. 393 (2011d) e 219 (2000), que dispõem sobre a especialidade profissional em acupuntura/MTC: COFFITO. Resolução n. 393, de 3 de agosto de 2011. Brasília, 2011d. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20393.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. COFFITO. Resolução n. 219, de 14 de dezembro de 2000. Brasília, 2000. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20219.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. As entidades representativas dos fisioterapeutas acupunturistas são a Associação dos Fisioterapeutas Acupunturistas do Brasil (AFA Brasil) e a Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Acupunturistas (Sobrafisa). Consulte os sites de ambas para maiores informações: afabrasil.org.br sobrafisa.org.br 4.3.1 Prática da auriculoterapia pelo fisioterapeuta A prestação de atendimento em acupuntura, na maioria das vezes, é associada à prática da auriculoterapia. Nesse contexto, podemos mencionar a Resolução do Coffito n. 462 (2015b), que reconhece a prática da auriculoterapia pelo fisioterapeuta. Para isso, o fisioterapeuta deve comprovar certificação de conhecimento e apresentar títulos que comprovem o domínio da prática da auriculoterapia com origem em instituições credenciadas pelo Ministério da Educação ou entidades nacionais científicas da fisioterapia. 73 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 25 – Auriculoterapia Saiba mais Consulte a Resolução n. 462 (2015), que dispõe sobre a prática da auriculoterapia pelo fisioterapeuta: COFFITO. Resolução n. 462, de 21 de dezembro de 2015. Brasília, 2015b. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ RESOLUCAO46215.pdf. Acesso em: 25 set. 2019. 4.4 Especialidade profissional de fisioterapia cardiovascular De acordo com a Opas e a OMS (BRASIL, 2017a), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Estima‑se que quase 18 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares em 2015, o que representou em torno de 30% de todas as mortes ocorridas no mundo inteiro. Saiba mais Leia a matéria completa sobre as doenças cardiovasculares: BRASIL. Organização Pan‑Americana da Saúde (OPAS). Doenças cardiovasculares. Brasília, 2017a. Disponível em: www.paho.org/bra/ index.php?option=com_content&view=article&id=5253:doencas‑ cardiovasculares&Itemid=1096. Acesso em: 25 set. 2019. Entre as causas de mortes mais comunsocorridas no mundo, destacam‑se os ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais (AVCs), popularmente conhecidos como derrames. Essas doenças podem ser prevenidas. 74 Unidade II Será que a fisioterapia, principalmente a cardiovascular, pode contribuir não só na reabilitação quando a doença já está instalada, mas também na prevenção dos fatores de risco? Saiba mais Consulte a Resolução n. 454 (2015), que dispõe sobre especialidade profissional de fisioterapia cardiovascular: COFFITO. Resolução n. 454, de 25 de abril de 2015. Brasília, 2015a. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/RESOLUCAO 45415.pdf. Acesso em: 27 set. 2019. A entidade representativa dessa área é a Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória, que é a mesma da fisioterapia em terapia intensiva (Assobrafir). Exemplo de aplicação Para refletir sobre importância do trabalho da fisioterapia em diversas áreas, inclusive na especialidade cardiovascular, observe este exemplo. Após um AVC, popularmente conhecido como derrame, Luciana Scotti, aos 22 anos, precisou aprender a lidar com uma vida sem fala e sem movimentos! Leia a história real e motivadora de Luciana, publicada no livro Sem asas ao amanhecer (1998), que ela mesma escreveu com o movimento de apenas um dedo: SCOTTI, L. Sem asas ao amanhecer. São Paulo: O Nome da Rosa, 1998. 4.5 Especialidade profissional de fisioterapia aquática A fisioterapia aquática é considerada pelo Coffito uma especialidade profissional que utiliza a água em diversos ambientes e estados físicos. Um dos recursos utilizados nessa especialidade é a hidroterapia, que por métodos específicos e exercícios terapêuticos em piscina aquecida trata muitos tipos de patologias. Podemos dizer que o fisioterapeuta especialista nessa área é conhecedor de praticamente todas as outras da fisioterapia, inclusive a ortopedia, reumatologia, cardiovascular, oncologia, neurologia, esportiva, gerontologia e pediatria. Além disso, dependendo da técnica e dos equipamentos empregados, bem como da temperatura e profundidade da água, é possível fortalecer os músculos, melhorar o equilíbrio, a coordenação, o condicionamento e a postura, e inclusive diminuir a dor. 75 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Saiba mais Consulte a Resolução n. 443 (2014), que dispõe sobre especialidade profissional de fisioterapia aquática: COFFITO. Resolução n. 443, de 3 de setembro de 2014. Brasília, 2014a. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/RESOLUCAO 44314.pdf. Acesso em: 27 set. 2019. Acesse o site da Associação Brasileira de fisioterapia Aquática (ABFA) para conhecer as novidades dessa especialidade: http://abfaquatica.com.br/ A entidade representativa dessa área é a Associação Brasileira de fisioterapia Aquática (ABFA). Exemplo de aplicação O que faz uma pessoa passar boa parte dos seus dias dentro de uma piscina? Você pensou em você mesmo ou em alguém de férias, não é? Poderia até ser, mas não é o caso do Dr. Fábio Rodrigues Branco, fisioterapeuta renomado, especialista em fisioterapia Aquática e gerente de terapias da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Ele diz que foi a oportunidade de devolver habilidades funcionais às pessoas, antes mesmo de elas serem possíveis no solo, que o fez escolher a especialidade. Aos profissionais e alunos de graduação, ele recomenda a reflexão da seguinte frase: “Nunca deixe de se emocionar”. Isso nos faz lembrar um caso em uma aula presencial nessa mesma disciplina há um tempo. Uma aluna perguntou: “Professora, fisioterapeuta pode chorar?“ O que você acha? Pode ou não pode diante do que falamos? Podemos dizer que sim! Uma das qualidades notáveis do profissional fisioterapeuta é a empatia. Sabe o que significa? Basicamente, é a capacidade de se identificar com outra pessoa e de sentir o que ela sente por se colocar no lugar dela. Portanto, reflita sobre o seguinte trecho da oração do fisioterapeuta que está em plena harmonia com as palavras do Dr. Fábio: ”É muito importante, que não percamos a capacidade de chorar”. Na prática ela se aplica perfeitamente a essa especialidade profissional, a fisioterapia aquática (CREFITO‑6, s.d.). 76 Unidade II 4.6 Especialidade profissional de fisioterapia na saúde da mulher Apesar de pouco conhecida pela população em geral, a fisioterapia na saúde da mulher é um campo de trabalho amplo e que atualmente está aquecido. Esta é uma especialidade que dá atenção especial às mudanças no corpo e na mente da mulher ao vivenciar todo o seu ciclo vital, ou seja, desde a infância, passando pela gravidez (caso haja), trabalho de parto, pós‑parto, puerpério, climatério, até chegar à terceira idade. Essa especialidade da fisioterapia cresce a cada dia por meio de evidências científicas com foco no atendimento das necessidades femininas nos diversos níveis de atenção à saúde. Saiba mais Consulte a Resolução n. 401 (2011f), que dispõe sobre a especialidade profissional de fisioterapia na saúde da mulher: COFFITO. Resolução n. 401, de 18 de agosto de 2011. Brasília, 2011f. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ resolução%20401.pdf. Acesso em: 30 set. 2019. Figura 26 – Fisioterapia da saúde da mulher Lembrete Na Idade Contemporânea, as enfermidades ginecológicas tratadas em exercícios terapêuticos indicavam o rumo da profissão na questão das especializações, inclusive a focada na saúde da mulher. 77 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 4.7 Especialidade profissional em osteopatia A osteopatia, criada nos Estados Unidos pelo doutor Andrew Taylor Still (1828‑1917), além de uma especialidade, é um método de terapia manual muito importante da fisioterapia para restabelecer a função das estruturas e sistemas corporais. A filosofia própria da osteopatia basicamente se centraliza na individualidade do paciente e respeita o princípio da unidade do corpo em que todas as suas estruturas – articulações, músculos, vísceras, sistema nervoso e outros – interagem de forma completa, ampla, contínua e recíproca em busca do equilíbrio e função ótima do corpo. Esse conceito filosófico da osteopatia é resumido no princípio de que sobre a lesão, o importante é encontrá‑la, corrigi‑la e deixar o corpo agir. Por isso, a osteopatia é recomendada em quase todos os casos patológicos, desde recém‑nascidos até idosos, sendo definida como uma medicina não medicamentosa, no sentido de que se pode tratar quase tudo, porém com uma intervenção manual. Dessa forma, uma boa e adequada formação é essencial para o exercício da especialidade e para elevar a osteopatia e, consequentemente, a fisioterapia para um nível mais alto, gerando assim uma maior valorização profissional. Saiba mais Acesse o site da Associação Brasileira de Fisioterapeutas Osteopatas (AOB) e encontre dicas de como seguir os passos corretos para se desenvolver nessa área e se tornar um profissional legalmente reconhecido no Brasil e encontrar as dicas de formação em Fisioterapia em Osteopatia: www.osteopatiabrasil.org.br Figura 27 – Osteopatia 78 Unidade II Saiba mais Consulte a Resolução n. 398 (2011e), que dispõe sobre a especialidade profissional em osteopatia: COFFITO. Resolução n. 398, de 3 de agosto de 2011. Brasília, 2011e. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/resolução% 20398.pdf. Acesso em: 30 set. 2019. 4.8 Especialidade de fisioterapia traumato‑ortopédica funcional Alguma vez você sentiu dores nas costas? Precisou tomar um remédio após segurar um objeto pesado? Acordou mais cansado do que quando foi dormir? Ou ficou sentado por muito tempo e, em seguida, sentiu dificuldade de se levantar? Se você respondeu “sim” a pelo menos uma pergunta, você faz parte dos 80% da população mundial que sofre de lombalgia – nome técnico dado para a dor na região da coluna lombar, que atinge desde crianças até idosos, sejam atletas ou pessoas sedentárias. Assim sendo, a fisioterapia, em especial na suaárea própria e exclusiva, a traumato‑ortopédica funcional, pode ajudar. Imagine quantas pessoas no Brasil e no mundo não necessitam e necessitarão dos serviços desse fisioterapeuta especialista hoje e no futuro. Nesses casos, o foco será a intervenção livre dos efeitos colaterais e indesejados dos medicamentos, mas com exercícios terapêuticos, como os baseados no método de reeducação postural, área também promissora do mercado de trabalho do fisioterapeuta. Saiba mais Consulte a Resolução n. 260 (2004), que dispõe sobre a especialidade de fisioterapia traumato‑ortopédica funcional: COFFITO. Resolução n. 260, de 11 de fevereiro de 2004. Brasília, 2004. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/legislacao/ resolução%20260.pdf. Acesso em: 30 set. 2019. 79 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 28 – Fisioterapia traumato‑ortopédica funcional Figura 29 – Dor lombar Saiba mais Para maiores informações sobre cursos e eventos nessa especialidade, acesse o site da Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato‑Ortopédica (Abrafito): www.abrafitobr.com.br A entidade representativa dessa área é a Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato‑Ortopédica (Abrafito). Existem diversos métodos de terapia manual para a reeducação postural usados na fisioterapia. Entre eles, podemos citar a reeducação postural global (RPG). 80 Unidade II Esse método foi criado em 1981 pelo doutor francês Philippe Souchard após 15 anos de pesquisa no domínio da biomecânica e valoriza a função dos músculos que podem se encurtar e perder a flexibilidade, freando os movimentos e deformando o corpo. Afinal, músculos encurtados são os responsáveis não só pelas deformações corporais, mas também por lesões articulares e dores na coluna vertebral nas regiões da coluna lombar e cervical, principalmente. A RPG se baseia em três princípios: individualidade, que considera cada ser humano como único; causalidade, que indica que a verdadeira causa do problema pode estar distante do sintoma; e globalidade, ou seja, o corpo é tratado como um todo. Saiba mais Confira mais informações sobre a RPG no site oficial do curso criado por Souchard: http://www.rpgsouchard.com.br Figura 30 – Coluna vertebral Estudo realizado por Shiwa, Schmitt e João (2016) com fisioterapeutas graduados mostrou que em torno de 90% deles optaram por realizar algum curso após a graduação. Quase 70% optaram por realizar uma pós‑graduação lato sensu e as especialidades cursadas foram bem diversificadas. Dentre as reconhecidas pelo Coffito, as mais frequentes foram: traumato‑ortopédica funcional, cardiovascular, respiratória, acupuntura, osteopatia, fisioterapia do trabalho, saúde da mulher, aquática, gerontologia, neurofuncional, esportiva, dermatofuncional e saúde coletiva. 81 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 31 Exemplo de aplicação Das 16 especialidades reconhecidas pelo Coffito até 2019, neste livro‑texto foi destacada apenas a metade. Agora, então, o incentivamos à leitura completa dessas Resoluções e à pesquisa de outras que falam sobre o restante. A seguir estão os números e anos das Resoluções que falam dessas outras especialidades, para facilitar a sua busca. • Fisioterapia dermatofuncional – Resolução n. 394/11 • Fisioterapia neurofuncional – Resolução n. 396/11 • Fisioterapia esportiva – Resolução n. 337/07 • Fisioterapia oncológica – Resolução n. 397/11 • Fisioterapia respiratória – Resolução n. 400/11 • Fisioterapia em terapia intensiva – Resolução n. 402/11 • Fisioterapia em quiropraxia – Resolução n. 399/11 • Fisioterapia em saúde coletiva – Resolução n. 363/09 Resumo Nesta unidade, foi exposto que as atribuições profissionais ou atividades principais da fisioterapia se dividem em: clínica; saúde coletiva ou preventiva; educação; esporte e equipamentos e produtos próprios. Em cada uma dessas esferas de ação da fisioterapia há uma diversidade enorme de áreas ou locais em que você poderá atuar profissionalmente: hospitais, clínicas, consultórios, centros de reabilitação, postos de saúde, 82 Unidade II fábricas, indústrias, escolas, vigilância sanitária, instituições de Ensino Superior, centros esportivos, clubes, academias, domicílios etc. Além disso, também foram apresentadas algumas especialidades reconhecidas pelo Coffito, como a gerontologia, fisioterapia do trabalho, acupuntura/mtc, aquática, cardiovascular, osteopatia, traumato‑ortopédica funcional e saúde da mulher. Exercícios Questão 1. (Instituto de Seleção, Crefito‑1, 2017) Resolução n. 8 do Coffito, de 20 de fevereiro de 1978, aprova as normas para habilitação ao exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. A inscrição e a franquia profissional constituem os vínculos de habilitação junto ao Conselho Regional para o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Assinale a alternativa correta quanto ao direito à inscrição e à franquia profissional: A) A inscrição e a franquia profissional constituem os vínculos de habilitação junto ao Coffito para o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. B) Tem direito à inscrição o titular de diploma de fisioterapeuta ou do terapeuta ocupacional obtido em curso de graduação de instituições de ensino públicas ou particulares. C) Tem direito à inscrição o titular de diploma conferido por escola, curso ou outro órgão estrangeiro, segundo as leis do país de origem, tendo validade plena no Brasil como de nível superior de fisioterapia e/ou de terapia ocupacional. D) A revalidação do diploma, de acordo com este artigo, é dispensada quando se trata de cursos de graduação acima de 5.000 horas. E) É permitido ao presidente do Crefito autorizar ao inscrito em outro Crefito, desde que em pleno gozo de seus direitos profissionais, o exercício profissional temporário, isento de inscrição, por prazo não excedente de 90 (noventa) dias, na área de jurisdição do Regional sob sua direção. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: diferentemente do que foi apresentado, a inscrição e a franquia profissional constituem os vínculos de habilitação junto ao Crefito, e não ao Coffito, para o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. 83 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA B) Alternativa incorreta. Justificativa: tem direito à inscrição: I – o titular de diploma de fisioterapeuta ou do terapeuta ocupacional obtido em curso oficial ou reconhecido, de instituição de ensino autorizada nos termos da lei. C) Alternativa incorreta. Justificativa: tem direito à inscrição: II – o titular de diploma conferido por escola, curso ou outro órgão estrangeiro, segundo as leis do país de origem, depois de revalidado no Brasil como de nível superior de fisioterapia e/ou de terapia ocupacional. D) Alternativa incorreta. Justificativa: Parágrafo único – A revalidação a que se refere o inciso II, deste artigo é dispensada quando da vigência de acordo, convênio ou outro instrumento legalmente instituído entre o Brasil e o país de origem, que determina a dispensa. E) Alternativa correta. Justificativa: Art. 17. É permitido ao presidente do Crefito autorizar ao inscrito em outro Crefito, desde que em pleno gozo de seus direitos profissionais, o exercício profissional temporário, isento de inscrição, por prazo não excedente de 90 (noventa) dias, na área de jurisdição do regional sob sua direção. Questão 2. (Fafipa, 2014) Assinale a alternativa que apresenta as atribuições do fisioterapeuta no PSF e da atenção primária. A) Atua no diagnóstico e tratamento na área de ortopedia, geriatria e ginecologia. B) Educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva e individual. C) Atua na promoção, na prevenção e na saúde da mulher. D) Realiza reabilitação neurológica e integra e socializa o indivíduo a suas atividades de vida diária. E) Atua na equipe multidisciplinar realizando apenas palestras e orientações.Resposta correta: alternativa B. 84 Unidade II Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: na esfera da fisioterapia na saúde coletiva, o fisioterapeuta pode atuar em ações básicas de saúde, como em postos de saúde conhecidos como Unidades Básicas de Saúde (UBS); fisioterapia do trabalho, como em fábricas e em indústrias; programas institucionais juntamente com equipes multidisciplinares no planejamento e aplicação de métodos de intervenção fisioterapêutica; e até mesmo na vigilância sanitária. B) Alternativa correta. Justificativa: engloba os níveis de atenção e faz referência à questão da educação em saúde e ao atendimento coletivo (grupos). C) Alternativa incorreta. Justificativa: atua não somente na promoção, prevenção e na saúde da mulher, mas também em outras áreas e grupos. D) Alternativa incorreta. Justificativa: realiza não somente a reabilitação neurológica e integra e socializa o indivíduo a suas atividades de vida diária, mas também atua em outras áreas. E) Alternativa incorreta. Justificativa: na atenção primária, estudamos que o fisioterapeuta desenvolve ações de educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva. 85 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Unidade III 5 FORMAÇÃO PROFISSIONAL Para darmos início a esta unidade, relembraremos alguns fatos importantes da história da fisioterapia no Brasil, abordaremos as diretrizes curriculares dos cursos de graduação de Fisioterapia, bem como os passos adotados após a conclusão do curso de bacharelado em Fisioterapia e algumas resoluções do Coffito que regulamentam a profissão. 5.1 Breve histórico da fisioterapia no Brasil A fisioterapia consiste em uma ciência da saúde capacitada a prognosticar, diagnosticar e intervir, buscando a melhora ou a manutenção funcional do indivíduo além da prevenção de agravos à saúde. Ela nasceu na metade do século XIX, no continente europeu, e desde então vem utilizando o movimento e técnicas terapêuticas com ênfase nos recursos físico‑naturais, como água, calor, luz e eletricidade (GAVA, 2004). A fisioterapia foi fundamental para o tratamento de pessoas que perdiam parcialmente ou totalmente algum membro em decorrência das Grandes Guerras, além daquelas que adquiriam atrofias e/ou paralisias decorrentes também de acidentes ocorridos nas Grandes Guerras e de epidemias que surgiam a todo momento. A atuação profissional neste momento histórico era voltada para atenuar ou diminuir o sofrimento, reabilitar membros lesados ou recuperar as condições de saúde (REBELATTO; BOTOMÉ, 1999). As primeiras escolas de fisioterapia foram criadas na Alemanha, nas cidades de Kiel em 1902 e Dresdem em 1918, e logo em seguida na Inglaterra, onde emergiram as atividades de massoterapia realizadas por Mendell e J. Cyriax, a cinésioterapia respiratória por Linton e os tratamentos com indivíduos com distúrbios neurológicos por Berta Bobath, que contribuíram para o destaque da fisioterapia no cenário mundial (GAVA, 2004). No Brasil, a fisioterapia foi implantada com o objetivo de solucionar os altos índices de acidentes de trabalho, curar ou reabilitar estas pessoas para reintegrá‑las ao sistema produtivo ou atenuar seu sofrimento. O próprio contexto histórico e o nível de desenvolvimento da saúde no país somaram a esta condição da fisioterapia com ênfase na atuação e dedicação à doença e não propriamente à saúde da população (REBELATTO; BOTOME,1999). Em 1929, foi criado o primeiro curso técnico de Fisioterapia no Brasil, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e o maior objetivo de sua criação foi o grande número de portadores de poliomielite com distúrbios do aparelho locomotor, bem como o aumento no índice de acidentes de trabalho (BISPO JÚNIOR, 2009). 86 Unidade III Em 1959, foi criada a ABF, que se filiou à WCPT, cujo objetivo era buscar o amparo técnico‑científico e sociocultural para o desenvolvimento da profissão. Somente no dia 13 de outubro de 1969 a profissão adquiriu seus direitos, por meio do Decreto‑Lei n. 938/69, no qual a Fisioterapia foi reconhecida como um curso de nível superior e, definitivamente, regulamentada (Crefito‑3, 2019b). O curso de Fisioterapia no Brasil pode ser dividido em três períodos de atuação profissional, sendo o primeiro de 1957 até 1969, que marca o reconhecimento da profissão; o segundo entre 1970 e 1982, quando houve uma rápida evolução da profissão e uma grande proliferação de escolas que ofereciam o curso de Fisioterapia; e o terceiro entre 1983 e 1995, caracterizado pelo incentivo a eventos científicos e troca de informações (FONSECA, 2002). A preocupação com a formação de novos profissionais vem sendo cada vez mais enfatizada, pois antigamente entendia‑se que a fisioterapia estaria voltada apenas para o nível de atenção terciária, ou seja, apenas para reabilitação de lesões existentes. Hoje sabe‑se que a fisioterapia também está inserida no nível de atenção primária à saúde, atuando na prevenção, promoção e educação à saúde e, desta forma, contribuindo positivamente para uma melhora na qualidade de vida da população. Para isso, os profissionais deverão estar bem preparados e atentos às políticas de saúde vigentes, principalmente o Sistema Único de Saúde (SUS) (SILVA; ROS, 2007). Lembrete A Fisioterapia apenas foi reconhecida como curso superior no ano de 1969. Antes desse período, a profissão era reconhecida como um curso técnico. O objeto de trabalho do fisioterapeuta é o movimento humano tanto no âmbito individual quanto coletivo, estudando, prevenindo e tratando os distúrbios cinéticos funcionais decorrentes de alterações genéticas, traumas ou doenças adquiridas. O fisioterapeuta é um profissional de nível superior, com formação científica, habilitado à elaboração de diagnósticos cinéticos funcionais, prescrição de condutas fisioterapêuticas e acompanhamento da evolução do quadro clínico e das condições de alta da terapia. Ele atua não apenas na reabilitação, mas também nas áreas de promoção, prevenção e manutenção da saúde e da qualidade de vida (BRASIL, 2002b; DELIBERATO, 2002). 5.2 Diretrizes curriculares do curso de Fisioterapia As diretrizes curriculares do curso de Fisioterapia foram instituídas em 2002 pelo Conselho Nacional de Educação, mediante a Resolução CNE/CES n. 4/02. Estas diretrizes fornecem orientações e definições dos princípios, fundamentos e condições para a formação dos profissionais fisioterapeutas em todas as instituições nacionais, descrevendo a formação do profissional como generalista, através de uma formação crítica, humanista e reflexiva, com condições para atuar em todos os níveis de atenção à saúde (BRASIL, 2002a). 87 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA O SUS é a forma de organização de saúde no Brasil. Ele tem um modelo integral de atenção à saúde, não apenas centrado na doença, mas também no indivíduo como um todo, e está baseado nos princípios da integralidade, universalidade, equidade e intersetorialidade. Para que o profissional esteja apto a exercer a profissão na atenção básica, a formação deve ser além de apenas técnica; precisa ser voltada também às necessidades da população e para um trabalho interdisciplinar. Sob a perspectiva das bases curriculares, os cursos de Fisioterapia devem apresentar como objetivo geral a formação de profissionais críticos, capazes de perceberem o homem no seu conceito global e com objetivos específicos contextualizar o fisioterapeuta como profissional da área da saúde em todos os níveis; analisar as variáveis orgânicas, emocional, histórica, social e política que possam interferir no processo terapêutico; estimular a prática da pesquisa; conscientizar a prática de fisioterapia não apenas como reabilitadora, mas também como profilaxia; selecionar técnicas terapêuticas adequadas a cada paciente; entre outros (JOSÉ, 2006). Os conteúdos para o curso de graduação em Fisioterapia deverão estar relacionados com todo o processo saúde‑doença não apenas do paciente, mas também da famíliae da comunidade, e deverão estar integrados à realidade epidemiológica, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em fisioterapia. Desta forma, o ensino deverá abranger quatro grandes áreas: ciências biológicas e saúde; ciências humanas e sociais; conhecimentos biotecnológicos; conhecimentos fisioterapêuticos. Todos esses conteúdos devem estar interligados entre si, proporcionando uma formação humanística, generalista, crítica e reflexiva centrada no ser humano e respeitando sempre seus aspectos biopsicossociais. Os conteúdos não deverão abordar apenas conteúdo teórico, mas a prática na área da fisioterapia é de extrema importância, e durante o curso de Fisioterapia, além de aulas práticas, o aluno deverá efetuar um estágio curricular sob supervisão docente (BRASIL, 2002b). Saiba mais Para mais informações sobre as diretrizes curriculares do curso de Fisioterapia, consulte o documento a seguir: BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CES 2002. Brasília, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/mais‑educacao/323‑ secretar ias‑112877938/orgaos‑v inculados‑82187207/13192‑ resolucaoces‑2002. Acesso em: 2 out. 2019. O fisioterapeuta, de acordo com as diretrizes curriculares, deverá ter como objeto de estudo o movimento humano em todas as suas formas de expressão, seja em alterações patológicas, cinético‑funcionais, seja em suas repercussões psíquicas e orgânicas, com o objetivo de prevenção, promoção e recuperação de alterações em órgãos, sistemas e funções, sendo capaz de elaborar o diagnóstico cinético e funcional e também de prescrever e executar os procedimentos fisioterapêuticos pertinentes a cada situação. Além disso, é de suma importância que o profissional tenha conhecimento da realidade social e cultural da população a ser atendida, para que seja efetuada uma correta avaliação e elaboração de um plano de tratamento adequado. 88 Unidade III A formação profissional deverá, entre outros, capacitar o fisioterapeuta a: • Respeitar os princípios éticos e bioéticos referentes ao exercício profissional contidos no Código de Ética da Fisioterapia: a palavra “ética” é originada do grego ethos, que por sua vez significa propriedade de caráter, e, portanto, podemos dizer que a ética profissional é um conjunto de normas éticas que norteiam a moral e os costumes do profissional e, desta forma, ela também deve fazer parte da consciência do profissional em seu âmbito pessoal. O Código de Ética Profissional consiste em um conjunto de regras que direciona o comportamento do profissional durante o exercício de sua profissão. Ele é elaborado pelos conselhos que regulamentam as profissões. • Respeitar e valorizar o ser humano: cada indivíduo é um ser único, composto por três dimensões: social, psíquica e espiritual, e todas devem ser respeitadas, e não julgadas ou questionadas. Cada ser humano, por ser único, possui o seu valor e a sua dignidade e deve ser respeitado desde o início de sua vida até o momento de sua morte. Todo paciente deve ser atendido igualmente, independentemente de sua classe social, gênero, raça ou cor, pois todo ser humano, apesar de único, é igual perante a lei e deve ser tratado igualmente. Por exemplo: durante seu atendimento a um senhor de 70 anos, ele apresenta um escape de urina e fica todo constrangido na sua frente devido à situação. A sua conduta ideal seria manter o paciente calmo, não demonstrar desconforto com a situação e procurar de alguma forma minimizar esse desconforto. • Atuar em equipes multidisciplinares e interdisciplinares: o fisioterapeuta deve ser apto a trabalhar em equipes inter e multidisciplinares, pois o objetivo comum é o bem‑estar do paciente e, portanto, todos os profissionais responsáveis pelo paciente devem interagir e decidir a melhor conduta para ele. Por exemplo: um paciente com diagnóstico de câncer de pulmão, internado na enfermaria de um determinado hospital, será acompanhado por uma equipe composta por médico, enfermeiro, nutricionista, fonoaudiólogo, farmacêutico, fisioterapeuta, psicólogo, assistente social, entre outros, de acordo com sua necessidade. Ao realizar o atendimento fisioterapêutico a esse paciente, o fisioterapeuta deverá conhecer as condutas dos outros profissionais e comunicar a eles qualquer alteração observada no paciente. • Garantir a integralidade da assistência individual e/ou coletiva: o fisioterapeuta poderá atender o paciente individualmente ou em grupos e não deve interromper o tratamento do paciente se ele não tiver condições de afastar‑se da fisioterapia, a não ser em casos em que o próprio paciente não queira o atendimento, sendo desta forma respeitada sua autonomia. — Contribuir para a manutenção da qualidade de vida e do bem‑estar de seus pacientes: a fisioterapia atua no âmbito primário com atividades de promoção e prevenção à saúde; no âmbito secundário, através do diagnóstico precoce; e no âmbito terciário, com a reabilitação, e desta forma contribuindo para uma melhora da qualidade de vida e do bem‑estar dos pacientes. 89 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA — Realizar consultas, avaliações e reavaliações, bem como prescrever o tratamento adequado e elaborar sua alta de acordo com a necessidade de cada paciente: o fisioterapeuta é um profissional graduado capacitado para realizar a avaliação fisioterapêutica em seu paciente e, de acordo com o código de ética profissional, está habilitado a realizar o diagnóstico, com o objetivo de identificar os efeitos da doença sobre os diversos sistemas do movimento, bem como as alterações funcionais desencadeadas pela doença. A partir do conhecimento das alterações funcionais, ele deverá traçar os objetivos terapêuticos, além de prescrever o plano de tratamento. — Emitir laudos, pareceres, atestados e relatórios sempre que necessários e que sejam solicitados pelos pacientes ou por colegas da equipe multidisciplinar; conforme disposto na Resolução 464/16 do Coffito: a Resolução 391/11 do Coffito dispõe sobre a proibição da oferta de serviços fisioterapêuticos por meios de sites para fins da realização de negócios jurídicos eletrônicos, especializados ou não. Conforme a Resolução 464/16, que revoga a Resolução 381/10 do Coffito, o fisioterapeuta tem competência para elaborar e emitir atestado (documento que confirma a veracidade sobre as condições do paciente), relatório técnico (documento que contém opinião técnico‑científica referente à atuação das especialidades da fisioterapia) e pareceres (documentos técnico‑científicos solicitados por pessoa física ou jurídica de natureza pública ou privada que emite opinião fundamentada sobre os aspectos gerais ou específicos baseados no diagnóstico fisioterapêutico e no tratamento do paciente) que indicam o grau de capacidade ou de incapacidade funcional, além de apontar competências ou incompetências laborais transitórios e ou definitivas que podem ocasionar mudanças ou adaptações nas funcionalidades de maneira transitória ou definitiva quando solicitado pelo empregador. Todos os documentos emitidos pelo fisioterapeuta deverão seguir criteriosamente aspectos éticos e bioéticos contidos no Código de Ética Profissional. Figura 32 90 Unidade III — Esclarecer dúvidas e orientar tanto pacientes quanto familiares em relação ao tratamento a ser realizado, bem como em relação ao seu diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico: todo paciente tem o direito de saber sobre seu diagnóstico, bem como sobre seu tratamento e prognóstico. Apenas quando o paciente que esteja pleno de suas faculdades mentais menciona que não quer saber informações sobre diagnóstico ou prognóstico é que eles devem ser omitidos do paciente, respeitando desta forma sua autonomia. — Manter a confidencialidade de informações; encaminhar o paciente a outros profissionais quando necessário visando um melhor resultado ao tratamento dos pacientes; entre outros: as informações contidas em prontuários ou colhidas com o paciente deverão ser mantidas em sigilo, desdeque elas não ofereçam perigo para a sociedade. 5.3 Estágio curricular O estágio curricular abrange as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural proporcionadas aos estudantes pela participação em situações reais da vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. O estágio curricular é um componente obrigatório integrado à proposta pedagógica do curso sob a supervisão de um profissional já habilitado. Esta parte da formação acadêmica é de extrema importância, pois constitui‑se como um momento de formação profissional, não sendo, portanto, uma atividade facultativa. O fisioterapeuta somente estará habilitado ao seu exercício profissional e obter sua respectiva licença mediante sua participação em ambientes próprios de atividades da sua área profissional (RODRIGUES, 2013). O estágio é um momento em que o aluno será preparado para a vida profissional. Ele é obrigatório, faz parte do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e é regulamentado pela Lei n. 11.788/08. Sua carga horária é essencial para a obtenção do diploma do curso. No estágio, a instituição de ensino deverá oferecer um termo de compromisso entre o aluno e a unidade onde ele será realizado. Neste termo, serão indicadas as condições de estágio, que devem estar adequadas ao PPC e ao calendário escolar da instituição. Saiba mais Para se aprofundar na Lei que rege o estágio supervisionado, acesse: BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes; altera a redação do… Brasília, 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2007‑2010/2008/Lei/L11788.htm. Acesso em: 2 out. 2019. Conforme a Resolução n. 431/13 do Coffito, o estágio, além de obrigatório, deverá ser supervisionado diretamente por um docente fisioterapeuta que possua vínculo direto com a instituição de Ensino 91 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Superior, não sendo permitido a realização de estágio de caráter obrigatório em outras instituições que não sejam vinculadas à instituição. Os serviços de fisioterapia que oferecem os estágios deverão ofertar instalações, materiais e equipamentos necessários ao aprendizado social, cultural e profissional do aluno, garantindo a qualidade de assistência fisioterapêutica. O estágio é um momento em que o aluno irá executar a ação dos conhecimentos obtidos por meio de ensino, pesquisa e atividades de extensão e refletir sobre as ações executadas, devendo ainda contribuir para a realização de ações de cidadania para uma comunidade. A prática deve ser realizada de tal forma que o aluno seja capaz de pensar criticamente, analisar os problemas, apresentar e ser capaz de propor soluções para eles, realizando o atendimento ao paciente dentro dos preceitos éticos e bioéticos. Estágio curricular supervisionado de ensino entendido como o tempo de aprendizagem que, através de um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício. Assim o estágio curricular supervisionado supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário. “Por isso é que este momento se chama estágio curricular supervisionado…” (BRASIL, 2001). Lembrete O estágio curricular é uma parte muito importante de sua graduação, e essencial para a sua formação. Neste momento, você aplicará na prática todos os conceitos e técnicas que aprendeu na sala de aula, sempre levando em consideração que o paciente deve ser considerado em sua totalidade. O trabalho teórico é indispensável para a compreensão da realidade; já a atividade prática é real, tendo como objeto a natureza, a sociedade ou homens reais. A educação é dinâmica, histórica e está sempre em construção com a finalidade de humanizar o ser humano (DAIBEM,1997). Os estágios de caráter obrigatório iniciam‑se no 6º período, cujo olhar é voltado à atenção primária em saúde, e estendem‑se até o 7º e o 8º períodos, em que o estágio passa a ser voltado para a manutenção e a recuperação da saúde, além da prevenção. Nesta instituição de ensino, o estágio obrigatório abrange as quatro grandes áreas da fisioterapia – fisioterapia hospitalar, fisioterapia neurológica adulto e infantil; fisioterapia ortopédica adulto e infantil; saúde coletiva – e ainda conta com a hidroterapia aplicada à neurologia e à ortopedia. O graduando também poderá realizar o estágio de caráter não obrigatório, conforme disposto na Resolução n. 432/13 do Coffito, desde que esteja regularmente matriculado em uma instituição de Ensino Superior, no mínimo no penúltimo ano do curso, respeitando a jornada de até 30 horas semanais e com supervisão direta do fisioterapeuta da unidade, o qual deverá ser acompanhado também pela Instituição de Ensino Superior. 92 Unidade III Estágio Curricular Supervisionado Teoria Prática Figura 33 Observação Diferentemente do que ocorre após a conclusão da graduação, ao realizar a evolução do seu paciente, ela deverá ser assinada pelo supervisor de estágio, que também deverá informar seu registro profissional. Estágio Aperfeiçoamento Aprendizagem social Treinamento Atualização dos conhecimentos Desenvolvimento profissional Prática supervisionada Situação real da vida e do trabalho Crescimento cultural De responsabilidade da IES Procedimento didático‑ pedagógico Figura 34 93 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 6 ME FORMEI, E AGORA? COMO PROCEDER PARA EXERCER LEGALMENTE MINHA PROFISSÃO? Após a conclusão do curso, para exercer a profissão, o fisioterapeuta deverá se inscrever no Crefito no território em que irá atuar, mantendo sempre seus dados atualizados. Após a inscrição, o profissional receberá sua carteira de identificação profissional, na qual constará seu número de inscrição. O profissional deverá portar o seu documento de identificação ao exercer sua profissão em todos os níveis de atenção: primário, secundário e/ou terciário (COFFITO, 2013e). Observação Cada território possui seu Crefito correspondente. Por exemplo, o Crefito‑1 abrange as áreas de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte. Caso o fisioterapeuta formado em São Paulo vá trabalhar em Pernambuco, deverá efetuar seu registro no Crefito‑1 para exercer sua profissão nessa região. Figura 35 Até 2015, o fisioterapeuta, ao se formar, recebia uma Licença Temporária de Trabalho (LTT) que dava direito ao recém‑formado que ainda não possuía o diploma de exercer legalmente sua profissão antes de dar entrada na sua licença definitiva. Em 2016, o Coffito inseriu novas normas referentes ao registro profissional, conforme descrito na Resolução 468/2016, que permite ao fisioterapeuta que retire sua licença definitiva de trabalho apenas com a declaração de colação de grau e o histórico escolar fornecido pela IES. Após obter a sua licença de trabalho definitiva, o fisioterapeuta deverá efetuar o pagamento da anuidade para que possa exercer legalmente sua profissão. Caso o fisioterapeuta não realize o pagamento de sua anuidade, poderá até perder a sua licença de trabalho para exercer sua profissão. Para requerer a licença de trabalho definitiva, é necessária a entrega da seguinte documentação: • Requerimento devidamente preenchido e assinado. • Cópia autenticada do diploma de graduação ou certidão original emitida pela IES com data de expedição recente (últimos 6 meses). 94 Unidade III • Ato regulatório de reconhecimento ou renovação de reconhecimento do curso pelo Ministério de Educação. • Cópia autenticada do histórico acadêmico de graduação. • Cópia do comprovante da taxa de expediente para o registro. • 3 fotos 3x4 (homens deverão usar terno e gravata e mulheres, preferencialmente, camisa socialescura – blusas decotadas e de alça não serão aceitas). • Cópia autenticada da carteira de identidade (RG). • Cópia autenticada do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). • Cópia autenticada do Título de Eleitor. • Cópia autenticada do Certificado de Reservista (só para homens). • Cópia autenticada da Certidão de Nascimento (para solteiros). • Cópia autenticada da Certidão de Casamento (para os casados) ou da Certidão de Casamento com a averbação (para divorciados ou separados). Após a solicitação, o prazo para entrega do documento ao profissional é de 45 dias. Caso necessite de urgência para iniciar suas atividades profissionais, o profissional poderá efetuar a solicitação de uma autorização para exercício profissional juntamente com a solicitação do seu registro. Essa autorização é um documento no qual constará o número de inscrição, emitido pelo Crefito da região onde o fisioterapeuta irá exercer sua profissão, que permite a atividade profissional até a emissão do registro definitivo. Durante a cerimônia de colação de grau, o formando deverá efetuar um juramento da profissão. Leia‑o a seguir: Prometo dedicar‑me à profissão de Fisioterapeuta utilizando todo conhecimento científico e recursos técnicos por mim adquiridos durante o medir de esforços, assegurando aos pacientes sob meus cuidados o bem‑estar físico, psíquico e social. Juro honrar o nome da fisioterapia com amor, respeito e dignidade, empregando todos os meios para fazê‑la conhecida e valorizada (CREFITO‑3, 2019b). Os Crefitos, respaldados na Lei n. 6.316, de 17 de dezembro de 1975, têm como objetivo a fiscalização do exercício profissional de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Além da fiscalização, o Crefito também tem a finalidade de arrecadar anuidades dos profissionais inscritos e funciona como um tribunal de ética, recebendo e apurando as denúncias recebidas a aplicando as sanções necessárias ao profissional, entre outras funções. Através do site do Crefito correspondente da sua região, o profissional, bem como o cidadão comum, tem acesso a todos os profissionais registrados e pode consultar se ele está apto ou não para exercer sua função. A consulta pode ser feita por meio de seu número de registro, CPF ou, simplesmente, pela pesquisa do nome. 95 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA O profissional deverá defender a sua dignidade profissional, por meio de direito por remuneração e condições adequadas de trabalho compatíveis com o exercício ético da profissão. Dessa forma, de acordo com o código de ética profissional, o fisioterapeuta deve divulgar os seus serviços profissionais de acordo com a dignidade da profissão. E ao promover publicamente seus serviços, deverá fazê‑lo com excelência, observando sempre o que está disposto em seu código de ética profissional. 6.1 Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF) e parâmetros assistenciais A remuneração do profissional deverá seguir os valores do Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF), expresso em reais. Esses custos são calculados por meio da interpretação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos (CHF), conforme expresso na Resolução n. 482 do Coffito, de 1º de abril de 2017. O valor do CHF é atualizado anualmente aplicando‑se o valor acumulado ao ano do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/Fipe), Setor Saúde e/ou outros que o substitua, respondendo às perdas inflacionárias no período, com data‑base no dia 1º de janeiro. Em 2019, o valor de cada CHF foi estipulado em R$ 0,60. O referencial de honorários é o resultado de um trabalho iniciado há cerca de 20 anos, sob registro do Coffito, com princípios e fins ético‑deontológicos, que recebeu apoio, incentivo e contribuições da Federação Nacional das Associações de Empresas Prestadoras de Serviços de fisioterapia (Fenafisio), Associação de Fisioterapeutas do Brasil (AFB), associações científicas de especialidades, Federação Nacional dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais (Fenafito), entre outras entidades representativas da classe. Os valores expressos baseiam‑se em estudos regionais – de custo operacional e sustentabilidade técnica – dos serviços de fisioterapia, identificando os custos para o atendimento fisioterapêutico nas várias situações, sem desconsiderar a realidade dos valores dos serviços de saúde no país. O RNPF descreve todos os procedimentos realizados pelo fisioterapeuta de acordo com sua área de atuação, da complexidade dos pacientes e procedimentos, na promoção de saúde, prevenção e recuperação da funcionalidade e incapacidades apresentadas em cada caso, sendo recomendada a utilização do modelo, da linguagem e da estrutura da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), da OMS, para a descrição das alterações funcionais, alterações estruturais, limitações de atividades, restrições da participação social e envolvimento dos fatores ambientais. Os valores referentes aos procedimentos fisioterapêuticos contidos no RNPF, de acordo com as características de cada região, poderão sofrer uma redução de até 20% (vinte por cento) em seu valor, assim como poderão ter um aumento de 50% (cinquenta por cento) quando realizados em situações de urgência e/ou emergência no período das 19h às 7h do dia seguinte; além de também poder ter um acréscimo de 100% (cem por cento) quando os procedimentos forem realizados em qualquer horário aos domingos e feriados, conforme previsto na legislação trabalhista e nos acordos coletivos de trabalho. Já os procedimentos realizados durante atendimentos por especialistas profissionais com especialização registrada pelo Coffito poderão ser acrescidos de 20% (vinte por cento). 96 Unidade III O fisioterapeuta não deverá afixar o valor de seus honorários fora do seu local de assistência, promover sua divulgação de forma incompatível com a dignidade da profissão ou cobrar honorários e pacientes em instituições que se destinam à prestação de serviços públicos, conforme disposto em seu Código de Ética Profissional. Observação O RNHF é um documento no qual constam os valores mínimos que devem ser cobrados pelo fisioterapeuta durante o seu atendimento, evitando dessa forma que o profissional ofereça serviços abaixo desse valor mínimo, despertando a concorrência desleal e indo contra seu código de ética profissional. Exemplo: Um fisioterapeuta que irá realizar uma consulta hospitalar (150 CHF) a um paciente que possui uma disfunção neurofuncional que lhe confere uma dependência total (180 CHF). Qual será o valor de sua remuneração, tendo como base o valor de CHF de R$ 0,60? Informações úteis: 150 CHF – referente à consulta hospitalar + 180 CHF – referente à disfunção neurofuncional com dependência total Total = 330 CHF Cada CHF possui o valor de R$ 0,60. Portanto, o valor mínimo a ser cobrado pelo fisioterapeuta pelo seu atendimento a este paciente será de: 330 x 0,60 = R$ 198,00 Saiba mais O Referencial Nacional de Honorários Fisioterapêuticos foi aprovado conforme os incisos II e XII do Artigo 5º da Lei n. 6.316, de 17 de dezembro de 1975. Para ler o RNPF na íntegra, acesse: COFFITO. Resolução n. 482, de 1º de abril de 2017. Brasília, 2017b. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=2353. Acesso em: 4 out. 2019. 97 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA O fisioterapeuta pode divulgar os seus serviços em qualquer meio de comunicação, desde que o faça com zelo e respeite a dignidade da profissão. Nessa divulgação, deve constar o nome do profissional e o seu número de inscrição no Conselho Regional. O Coffito também estabelece, por meio da Resolução n. 444/14, os parâmetros assistências fisioterapêuticos nas mais diversas modalidades; ou seja, dependendo de sua área de atuação e da complexidade do paciente a ser atendido, o profissional poderá atender um montante de 8 a 10 pacientes. Por exemplo, um fisioterapeuta que atue em Unidade de Terapia Intensiva(UTI) ou em um setor de urgência/emergência deverá atender no seu período de trabalho de 6 horas diárias um montante de 6 a 10 pacientes; o número exato dependerá do nível de complexidade do paciente. Já um profissional que atue em um ambulatório geral que inclua pacientes traumáticos, ortopédicos, reumatológicos, de clínica geral, pós‑cirúrgico tardio e qualquer outro paciente que se enquadre em cuidados mínimos, em seu período de trabalho deverá atender no máximo 12 pacientes individualmente. O fisioterapeuta, de acordo com a Lei n. 8.856/94, deverá exercer sua jornada de trabalho em no máximo 30 horas semanais de trabalho; ou seja, se o seu turno de trabalho for de 6 horas/dia, você não poderá trabalhar mais do que cinco dias da semana, pois se você trabalhar por um período de 6 horas/dia por 6 dias da semana, sua carga horária semanal será de 36 horas, ultrapassando a máxima, estipulada por lei. Quando falamos em terapia em grupo, como um grupo de idosas que concorde em participar desta modalidade de terapia, que possuem problemas associados a dores lombares crônicas mas que se encontrem estáveis e em condições físicas satisfatórias, o fisioterapeuta responsável deverá organizar o grupo com idosas que possuem o mesmo perfil, com no máximo 6 pessoas por grupo a cada 1 hora de atendimento. Então, em um período de 6 horas, por exemplo, o fisioterapeuta poderá atender a até 6 grupos com 6 pacientes cada. A consulta fisioterapêutica e a prescrição de tratamento deverão ser realizadas de forma presencial, sendo proibido ao fisioterapeuta, por exemplo, dar consultas ou prescrever um simples exercício via mensagens por rede social, sem avaliar o paciente, bem como é proibido prometer uma terapia infalível cuja eficácia não seja comprovada. É terminantemente proibido ao fisioterapeuta divulgar ou oferecer avaliação fisioterapêutica gratuita ou sessão experimental. Exemplo de aplicação Sua tia de 65 anos estava limpando a casa e, ao subir no banquinho para limpar o lustre de seu quarto, sofreu uma queda e passou a sentir muitas dores em região de coluna lombar. No mesmo momento, ela se lembra que você é estudante de Fisioterapia e pode auxiliá‑la naquele momento, então lhe envia uma mensagem solicitando uma dica sobre o que ela poderia fazer para amenizar a dor que está sentindo. Qual seria a sua conduta neste momento? Nesse caso, você deve solicitar à sua tia que se dirija a um pronto atendimento para realização de exames complementares e avaliação médica, para que seja descartada a possibilidade de lesões. Posteriormente, solicite‑a que compareça ao seu consultório para uma avaliação fisioterapêutica. 98 Unidade III Observação Ao se formar, você obterá o título de fisioterapeuta. Expressões como “terapeuta corporal”, “massagista”, “terapeuta funcional”, “pilateiro”, “bobatiano”, “esteticista” etc. definem outros profissionais que possuem outras funções que não devem, portanto, ser confundidas com as executadas por fisioterapeutas. 6.2 Código de Ética Profissional O Código de Ética e Deontologia da fisioterapia foi estabelecido por meio da Resolução n. 424/13 e é composto por 11 capítulos e 57 artigos que estabelecem os deveres do fisioterapeuta referentes ao exercício de sua profissão, e o profissional que infringir esse código estará sujeito a penalidades previstas na legislação em vigor. O primeiro Código de Ética foi elaborado em 1978 e era destinado tanto à fisioterapia quanto à terapia ocupacional, e em 2013 o Coffito separou as profissões e delegou um código de ética profissional para cada profissão. Saiba mais O Primeiro Código de Ética da Fisioterapia foi elaborado em 1978 e somente em 2013 sofreu revisões e adaptações pertinentes, bem como sua separação do Código de Ética da Terapia Ocupacional. Consulte o Código de Ética da Fisioterapia: CREFITO‑3. Códigos de Ética. Brasília, 2019a. Disponível em: http://www. crefito3.org.br/dsn/verLegis.asp?pg=7. Acesso em: 7 out. 2019. Os capítulos do Código de Ética profissional estão assim divididos: Capítulo I – Disposições preliminares O Código de Ética trata dos deveres do fisioterapeuta, e é de competência do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional observar os princípios dele, funcionando como Conselho Superior de Ética em casos de infrações ao Código. Os conselhos regionais funcionam como órgão julgador de infrações éticas em primeira instância. Os fisioterapeutas inscritos em seu devido Conselho Regional deverão comunicar fatos que não estejam de acordo com o seu código de ética ao seu respectivo Conselho Regional, para a tomada das devidas providências. 99 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Capítulo II – Das responsabilidades fundamentais O fisioterapeuta presta assistência ao ser humano tanto no plano individual quanto no plano coletivo, participando da promoção, prevenção, tratamento, recuperação e cuidados paliativos. O fisioterapeuta protege o seu paciente e a instituição em que trabalha contra imperícia, negligência ou imprudência. O fisioterapeuta avalia sua capacidade técnica e somente aceita atribuição ou assume um cargo quando for capaz de desempenhar sua função de forma segura. O fisioterapeuta deve atualizar e aperfeiçoar seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, amparando‑se nos princípios da beneficência e da não maleficência. Figura 36 Capítulo III – Do relacionamento com o cliente/paciente/usuário O fisioterapeuta deve se responsabilizar pela elaboração do diagnóstico fisioterapêutico e instituir o plano de tratamento. Abandonar o paciente em meio ao tratamento, sem garantia de continuidade de assistência. Respeitar a vida humana desde sua concepção até a morte; prestar assistência ao ser humano, respeitando sua dignidade e os direitos humanos. Proibido inserir em anúncio ou divulgação profissional iniciais de nomes, fotografia que comparam o antes e o depois do tratamento realizado. Relacionamento com o paciente Proibido Dever fundamental Figura 37 100 Unidade III Capítulo IV – Do relacionamento com a equipe Enquanto participante de equipes multiprofissionais e interdisciplinares, o fisioterapeuta deve colaborar com seus conhecimentos na assistência ao ser humano. É proibido permitir que seu nome conste do quadro de pessoal de instituição pública ou privada sem nele exercer a função de fisioterapeuta. Deve tratar membros da equipe de saúde e outros profissionais com respeito, seja verbalmente, por escrito ou por via eletrônica. É proibido permitir que o trabalho executado por você seja assinado por outro profissional, bem como assinar um trabalho que não tenha sido realizado por você. Figura 38 Capítulo V – Das responsabilidades no exercício da fisioterapia O fisioterapeuta deve atuar em consonância com a política nacional de saúde, independentemente de atuar em setor público ou privado. É proibido trabalhar ou ser colaborador de entidades onde sejam desrespeitados princípios éticos e bioéticos além da autonomia profissional. É proibido promover ou participar de atividade de ensino ou de pesquisa que não esteja de acordo com as normas reguladoras de ética e pesquisa. Figura 39 101 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Capítulo VI – Do sigilo profissional Proibido revelar sem justa causa fato sigiloso de que tenha conhecimento. Proibido fazer referência a casos clínicos identificando e usando a imagem de pacientes em qualquer meio de comunicação se não for autorizado pelo paciente. Proibido negligenciar a orientação de seus colaboradores. Qualquer infração poderá culminar com a demissão do profissional por justa causa. Figura 40 Exemplo de aplicação Você está atendendo um paciente e durante a terapia ele confidencia a você que apesar de ser portador do vírus HIV e estar casado, tem mais duas namoradas que não sabem que ele é portador do vírus e pede a você que não comente com ninguém, pois ele podeperder as namoradas. Qual seria a sua conduta? Apesar da obrigatoriedade do sigilo profissional, a situação apresentada anteriormente oferece risco à sociedade, pois as duas namoradas que não sabem sobre o parceiro ser portador do vírus podem estar contaminadas pois não fizeram uso de preservativos e, caso tenham relações sexuais desprotegidas com outras pessoas, podem contaminá‑las também. Você deverá comunicar a situação à equipe, para que as devidas providências sejam tomadas. 102 Unidade III Capítulo VII – Do fisioterapeuta perante as entidades de classe Quadro 1 O fisioterapeuta frente às entidades de classe Deve participar da determinação de condições justas de trabalho. É recomendado que o fisioterapeuta participe de entidades associativas de classe. É proibido ao fisioterapeuta divulgar conteúdo que atente de forma depreciativa contra o conselho de classe. Capítulo VIII – Dos honorários Conforme o Código de Ética Profissional, o fisioterapeuta tem direito a uma remuneração justa pela execução de seus serviços profissionais e somente poderá deixar de cobrar seus honorários quando prestar assistência a pessoas que vivam sob sua responsabilidade econômica e/ou pessoa que não possua recursos econômicos suficientes comprovados. Porém, é proibido ao fisioterapeuta prestar assistência gratuita ou a preço inferior fora das situações anteriormente mencionadas. O fisioterapeuta deverá guiar‑se pelo referencial de honorários fisioterapêuticos para estabelecer o valor mínimo de remuneração referente ao atendimento realizado ao paciente de acordo com sua patologia e complexidade, não devendo efetuar a cobrança de valores abaixo deste referencial, respeitando assim a dignidade da profissão. Capítulo IX – Da docência, preceptoria, pesquisa e publicação Cuidado em não instigar ou induzir alunos contra órgãos de classe. Proibido transmitir conhecimento do ensino de procedimentos próprios da fisioterapia a outros profissionais. Induzir ou contribuir para a manipulação de dados quando estiver atuando em pesquisas. Figura 41 103 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Capítulo X – Da divulgação profissional A promoção de seus serviços deve ser feita com dignidade, observando os preceitos do Código de Ética. Em anúncios, deverá constar o nome do profissional, bem como seu registro no Conselho Regional, titulo de formação acadêmica, endereço, telefone, convênios atendidos, entre outros. É permitido ao fisioterapeuta que atua em um serviço multiprofissional divulgar sua atividade profissional em anúncio coletivo. Figura 42 Capítulo XI – Das disposições gerais De acordo com a Resolução n. 423/13, qualquer infração ético‑disciplinar cometida pelo profissional fisioterapeuta tramitará em sigilo e somente as partes e seus procuradores terão acesso aos autos. O Crefito e o Coffito são os órgãos competentes responsáveis pelo processamento e julgamento de processos éticos. O resultado final do julgamento será publicado no Diário Oficial da União; porém, caso haja penalidade, advertência, repreensão e/ou multa, a intimação deverá ser pessoal, em ofício reservado, salvo em caso de reincidência. As penas disciplinares aos infratores do Código de Ética estão previstas no artigo 17 da Lei n. 6.316, de 17 de dezembro de 1975, e a punibilidade prescreve em cinco anos. Após a conclusão do curso, o fisioterapeuta deverá estar atento aos seus direitos e aos seus deveres que constam em seu código de ética profissional para um exercício legal, ético e bioético de sua profissão. Observação Direito: o que pode ser exigido pelo profissional de acordo com as leis ou a justiça. Dever: ato que deve ser executado em preceito de ordem, obrigação. Responsabilidade: obrigação por responder por suas ações. 104 Unidade III O Código de Ética auxilia no estabelecimento de normas e regras que contribuem para o relacionamento entre colegas de trabalho e pacientes, tendo como referência valores como honestidade, respeito e responsabilidade, e abrange valores universais, tais como fazer o bem, evitar o mal e agir com justiça e equidade. Utilizar os conhecimentos técnico‑científicos e aprimorá‑los de forma contínua e permanente. Exercer sua atividade com zelo, probidade e decoro. Manter segredo sobre fato sigiloso. Cumprir os Parâmetros Assistenciais e o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos. Cumprir e fazer cumprir os princípios contidos neste Código, independentemente da função ou cargo que ocupa. Oferecer ou divulgar seus serviços profissionais de forma ética e digna. Colocar seus serviços profissionais à disposição da comunidade em caso de guerra/catástrofe/epidemia/ crise social. Assumir responsabilidade técnica por serviço de fisioterapia, em caráter de urgência, se solicitado ou for o único profissional no local. Deveres fundamentais I IIVIII VII III IVVI V Figura 43 Resumo Nesta unidade, foi possível relembrar que a fisioterapia nasceu na metade do século XIX, no continente europeu. No Brasil, ela foi implantada com o objetivo de solucionar os altos índices de acidentes de trabalho, a fim de curar ou reabilitar as pessoas para reintegrá‑las ao sistema produtivo ou atenuar seu sofrimento. As Diretrizes Curriculares do curso de Fisioterapia foram instituídas em 2002, pelo Conselho Nacional de Educação, mediante a Resolução CNE/CES n. 4/02. Os conteúdos para o curso de graduação de Fisioterapia deverão estar relacionados com todo o processo saúde‑doença não apenas do paciente, mas também da família e da comunidade, e deverão estar integrados à realidade. O curso conta com estágio obrigatório conforme a Resolução n. 431/13 do Coffito, sendo sua realização necessária para conclusão do curso. Após a conclusão do curso, para exercer a profissão, o fisioterapeuta deverá se inscrever no Crefito do território em que irá atuar, mantendo sempre seus 105 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA dados atualizados. O profissional também deverá seguir o Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia durante o exercício de sua profissão. A remuneração do fisioterapeuta deverá seguir os valores do Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF), por meio da interpretação dos valores do Coeficiente de Honorários Fisioterapêuticos (CHF), expresso em reais e atualizado anualmente. Exercícios Questão 1. (Iades, 2019) O fisioterapeuta é um profissional de saúde, com formação acadêmica superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais (diagnóstico fisioterapêutico), prescrição das condutas fisioterapêuticas, a respectiva ordenação e indução no paciente, bem como o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e das condições para alta do serviço. Em relação às responsabilidades fundamentais e atribuições do fisioterapeuta, assinale a alternativa correta. A) Elaborar o diagnóstico clínico e prescrever, planejar, ordenar, analisar, supervisionar e avaliar os projetos fisioterapêuticos quanto à respectiva eficácia, à resolutividade e às condições de alta do cliente submetido a essas práticas de saúde. B) Integrar a equipe multiprofissional de saúde desde que na qualidade de chefe de equipe, porém com participação plena na atenção prestada ao cliente. C) Todos os fisioterapeutas em atividade são obrigados a desenvolver estudos e pesquisas relacionados à respectiva área de atuação. D) Para o exercício da atividade profissional de fisioterapia no país, é exigível, além da formação em curso universitário superior, o registro do título do profissional no Conselho Profissional da categoria e a especialização em nível lato sensu. E) Desenvolver/projetar protótipos de produtos de interesse do fisioterapeuta e (ou) da fisioterapia pode ser uma das referidas atribuições. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: artigo 4º – O fisioterapeuta presta assistência ao ser humano,tanto no plano individual quanto no coletivo, participando da promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e recuperação da sua saúde e cuidados paliativos, sempre tendo em vista a qualidade de vida, sem discriminação de qualquer forma ou pretexto, segundo os princípios do sistema de saúde vigente no Brasil. 106 Unidade III B) Alternativa incorreta. Justificativa: artigo 9º – Constituem‑se deveres fundamentais do fisioterapeuta, segundo sua área e atribuição específica: I – assumir responsabilidade técnica por serviço de fisioterapia, em caráter de urgência, quando designado ou quando for o único profissional do setor, atendendo à Resolução específica. C) Alternativa incorreta. Justificativa: utilizar todos os conhecimentos técnico‑científicos a seu alcance e aprimorá‑los contínua e permanentemente, para promover a saúde e prevenir condições que impliquem a perda da qualidade da vida do ser humano. D) Alternativa incorreta. Justificativa: artigo 3º – Para o exercício profissional da fisioterapia, é obrigatória a inscrição no Conselho Regional da circunscrição em que atuar na forma da legislação em vigor, mantendo obrigatoriamente seus dados cadastrais atualizados junto ao sistema Coffito/ Crefitos. §1º: O fisioterapeuta deve portar sua identificação profissional sempre que em exercício. §2º: A atualização cadastral deve ocorrer minimamente a cada ano, respeitadas as regras específicas quanto ao recadastramento nacional. E) Alternativa correta. Justificativa: artigo 8º – O fisioterapeuta deve se atualizar e aperfeiçoar seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, amparando‑se nos princípios da beneficência e da não maleficência, no desenvolvimento de sua profissão, inserindo‑se em programas de educação continuada e de educação permanente. Questão 2. (Enade, 2007) De acordo com a Declaração de Alma‑Ata, promulgada em 1978, no encerramento da Conferência de Alma‑Ata (OMS), as ações primárias de saúde pressupõem a participação da população em seu planejamento, organização, execução e controle. Uma das Diretrizes do Sistema Único de Saúde em concordância com este princípio da Declaração de Alma‑Ata é a participação da comunidade, ou seja, o exercício do controle social sobre as atividades e os serviços públicos de saúde. Com base no texto acima, nas Diretrizes do SUS e no funcionamento do Sistema de Saúde brasileiro, pode‑se afirmar que: A) embora seja uma diretriz constitucional, a participação da comunidade no Sistema de Saúde ainda não foi implantada no Brasil devido à dificuldade de acesso à saúde. B) embora seja uma diretriz constitucional, a participação da comunidade no Sistema de Saúde ainda não foi implantada no Brasil, devido às dificuldades de financiamento. 107 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA C) a participação da comunidade no Sistema de Saúde ocorre de fato, e é feita através das estratégias do Programa Saúde da Família. D) a participação da comunidade no Sistema de Saúde ocorre de fato, e suas atividades de organização, execução e controle são direcionadas apenas para as ações de promoção da saúde. E) a participação da comunidade ocorre de fato, e é feita por meio das Conferências e Conselhos de Saúde, nos níveis nacional, estaduais, municipais e distritais. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: não dependem do acesso aos serviços de saúde pela população. B) Alternativa incorreta. Justificativa: não dependem do financiamento. C) Alternativa incorreta. Justificativa: está indicado a participação popular apenas através de estratégias do Programa de Saúde da Família, que prioriza a atenção básica à população local. D) Alternativa incorreta. Justificativa: indica a participação popular exclusivamente para as ações de promoção da saúde. Na realidade, elas envolvem ações em geral que deliberam sobre a saúde geral da população. E) Alternativa correta. Justificativa: os conselhos de saúde têm caráter permanente e atribuição de deliberar sobre as políticas em cada âmbito de governo (municipal, estadual e nacional). Devem aprovar o plano de saúde e o orçamento setorial, acompanhar a execução das políticas de saúde, avaliar os serviços de saúde e fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros. 108 Unidade IV Unidade IV 7 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA E RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS 7.1 Anamnese O fisioterapeuta deverá ser capaz de avaliar o seu paciente e, a partir de uma avaliação minuciosa, determinar os objetivos e as condutas a serem realizadas com ele. Para isso, o fisioterapeuta deverá realizar uma boa anamnese de seu paciente. A anamnese é caracterizada por uma entrevista minuciosa com o paciente onde serão coletados os dados pessoais do paciente, a história clínica do paciente, antecedentes familiares, sinais e sintomas etc. para que seja elaborado o plano de tratamento do paciente. Ela é a primeira parte da avaliação e no dia a dia ela se torna cada vez mais completa. Observação Sinais: tudo aquilo que podemos verificar no paciente, por meio dos nossos sentidos. Ou seja, sinais são objetivos. Exemplo: febre. Sintomas: as queixas do paciente. Ou seja, sintomas são subjetivos. Exemplo: dor. A avaliação do paciente depende de um exame minucioso e sistemático, que para levar a um diagnóstico correto, é necessário que o fisioterapeuta possua: • conhecimento de anatomia; • histórico preciso do paciente; • exame físico detalhado. Quando um fisioterapeuta se depara com um paciente e vai realizar a anamnese, ele deve colher primeiramente os dados pessoais do paciente, como: • nome; • idade/data de nascimento; 109 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA • gênero; • cor; • estado civil; • peso; • nacionalidade; • naturalidade; • profissão/ocupação. O fisioterapeuta, de acordo com o Código de Ética do Coffito (2013), deverá sempre chamar seu paciente pelo nome, respeitá‑lo, tratá‑lo com dignidade e oferecer um tratamento integral e igualitário a todos os pacientes, independentemente de cor, raça, credo, condição socioeconômica, além de respeitar a intimidade e o pudor do paciente. Ainda de acordo com o Código de Ética, o fisioterapeuta deverá estar com o crachá em local visível, para que o paciente possa identificá‑lo. Após a coleta dos dados pessoais, o fisioterapeuta deverá averiguar a história clínica do paciente, ou seja, colher dados referentes à doença apresentada pelo paciente ou, no caso de crianças, pelo acompanhante. Para a anamnese, o fisioterapeuta deverá realizar perguntas claras e de fácil entendimento do paciente e, ao mesmo tempo, mostrar‑se interessado durante o procedimento, anotando todos os comentários realizados pelo paciente, pois eles podem ser de extrema importância para elaboração do tratamento fisioterapêutico. Nesta história clínica, o fisioterapeuta deverá conhecer: • A queixa principal do paciente: quais são os sintomas apresentados por ele. Exemplos: — Por que procurou a fisioterapia? — Qual é a queixa? • A história da moléstia atual (HMA): colher informações sobre o processo saúde‑doença atual do paciente; deve ser bem detalhada, e os sinais e sintomas deverão ser bem caracterizados. Essas informações deverão ser escritas em uma ordem cronológica, obedecendo a uma ordem de instalação dos sintomas, dos mais antigos para os mais recentes. Exemplos: — Como aconteceu? Foi por trauma, dor intensa quando movimenta, dor à noite etc.? — Onde localizava‑se a dor ou outros sintomas no início do problema? 110 Unidade IV — Quais movimentos ou atividades causam dor? — Há quanto tempo existe o problema? • A história da moléstia pregressa (HMP): colher informações sobre o passado do paciente, que a princípio não aparentam correlação direta ou indireta de causa e efeito com a HMA. Devem constar dados sobre doenças prévias, traumatismos, gestações e partos, cirurgias, hospitalizações, exames laboratoriais realizados, uso de medicamentos, tabagismo, etilismo, uso de tóxicos, fatoresde risco, imunizações, sono e hábitos alimentares, entre outros. Esta é uma parte da anamnese muito importante e que pode trazer aspectos relevantes ao tratamento do paciente. Use sempre uma linguagem coloquial, sem muitos termos técnicos, para que o paciente consiga entender o seu questionamento e fornecer as informações relevantes e necessárias ao seu tratamento. • Antecedentes familiares: doenças apresentadas por familiares (avós, pais, irmãos e filhos) que podem estar relacionadas com a patologia do paciente, ou podem ser um fator de risco para o desenvolvimento de determinada patologia. Exemplos: histórico de câncer na família, doenças cardíacas, diabetes etc. As informações devem ser colhidas diariamente, seja com o próprio paciente, com seu responsável legal ou mesmo com o seu acompanhante no momento da internação em casos em que o paciente está impossibilitado de se comunicar. Muitas informações podem ser omitidas ou esquecidas na primeira avaliação, e após o estabelecimento do vínculo terapeuta‑paciente, elas poderão ser compartilhadas. Lembrete Uma boa anamnese não termina após o primeiro contato com o paciente, ou no caso de pacientes em ambientes hospitalares, após a verificação do prontuário. Ela deve ser feita durante todo o período de terapia do paciente. 7.1.1 Sinais vitais Os sinais vitais são medidas que fornecem dados fisiológicos, indicando o estado de saúde de uma pessoa, e evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal com o objetivo de auxiliar na avaliação do estado de saúde. Os sinais vitais são compostos por: Pressão arterial (PA) Informa a força que o sangue exerce sobre a parede das artérias, ou seja, PA = volume sanguíneo versus resistência periférica. É composto por dois números, sendo o primeiro, ou o de maior valor, chamado de sistólico, o qual corresponde à pressão da artéria no momento em que o sangue foi bombeado pelo 111 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA coração; e o segundo número, ou o de menor valor, é chamado de diastólico, e corresponde à pressão na mesma artéria, no momento em que o coração está relaxado após uma contração. A unidade de medida utilizada é o milímetro de mercúrio (mmHg). Exemplo: 120 x 80 mmHg. Para se realizar a aferição dessa medida, deve‑se utilizar um estetoscópio e o esfigmomanômetro. Frequência cardíaca/pulso (FC/P) É uma sensação ondular que pode ser palpada em uma das artérias periféricas (radial, braquial, pediosa do pé, carótida, temporal, femoral, poplítea, tibial posterior) quando ocorre a contração ventricular. A cada contração ventricular, aproximadamente de 60 a 70 ml de sangue entram na aorta (volume sistólico). A frequência cardíaca é o número de pulsações periféricas palpadas a cada minuto. Para se verificar a frequência de pulsação, frequência cardíaca ou pulso, devemos realizar uma palpação nas grandes artérias e em um período de um minuto, contar quantas sensações de onda sentimos a palpação. A unidade de medida é batimentos por minuto (BPM). Ela também pode ser aferida por meio de equipamentos como monitores cardíacos ou oxímetros. Exemplo: Ao palpar a artéria radial de um paciente internado na enfermaria ortopédica devido a uma fratura de fêmur ocasionada por um atropelamento, foi encontrada uma frequência cardíaca de 95 BPM. Frequência respiratória (FR) A respiração é a troca de gases dos pulmões com o meio exterior, que tem como objetivo a absorção do oxigênio e a eliminação do gás carbônico. A frequência respiratória, por intermédio do ritmo, profundidade e som, reflete o estado metabólico do corpo e a condição do diafragma e dos músculos do tórax, fornecendo O2 ao trato respiratório e aos alvéolos. Deve‑se contar a frequência respiratória do paciente em um minuto, e cada frequência corresponde a inspiração e expiração. A FR também pode ser fornecida por meio do ventilador mecânico, caso o paciente encontre‑se sob o uso de uma via aérea artificial, internado em uma UTI por não conseguir realizar as incursões respiratórias voluntariamente. A unidade de medida é expressa em respirações por minuto (RPM) ou incursões por minuto (IPM). Exemplo: Ao avaliar um paciente internado na enfermaria ortopédica devido a uma fratura de fêmur ocasionada por um atropelamento em 1 minuto, ele apresenta uma FR de 19 RPM (cada RPM corresponde ao movimento de inspiração e expiração). Temperatura (ºC) Consiste no equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado pelo centro termorregulador localizado no hipotálamo. Para obtenção da medida deve‑se utilizar um termômetro 112 Unidade IV digital, pois o termômetro de mercúrio não pode mais ser utilizado. A temperatura também pode estar visível em monitores de sinais vitais, e é aferida através de sensores que estão posicionados na axila do paciente. A unidade de medida é graus Celsius. Observação Os sinais vitais pressão arterial (PA), frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC), temperatura (ºC), bem como a análise do nível de consciência do paciente, também deverão ser coletados e analisados não somente na primeira avaliação, mas durante todo o período que o paciente permanecer em terapia, ou no mínimo antes e após a realização da terapia. 7.1.2 Avaliação do nível de consciência O nível de consciência do paciente também é um fator muito importante a ser avaliado e analisado pelo profissional durante sua avaliação, pois através dela o fisioterapeuta consegue detectar se o paciente em questão encontra‑se confuso, por exemplo, ou se está apresentando uma redução do seu nível de consciência, sendo necessária a utilização de alguns recursos, como o uso de oxigênio ou uma abordagem médica imediata para uma intervenção mais invasiva. Para avaliação do nível de consciência, o fisioterapeuta poderá utilizar‑se de recursos como: • Escala de coma de glasgow: avalia o comprometimento do nível de consciência através da análise de três parâmetros, que são abertura ocular, resposta verbal e resposta motora associadas à presença ou não do reflexo pupilar. • Escala de Ramsay ou RAAS: avalia o paciente que encontra‑se sob uso de sedação. Saiba mais A escala de Coma de Glasgow passou por algumas alterações em 2018. Para saber mais sobre o assunto, acesse: ESCALA de coma de Glasgow. Biblioteca Virtual de Enfermagem, 25 out. 2018. Disponível em: http://biblioteca.cofen.gov.br/escala‑de‑coma‑de‑ glasgow/. Acesso em: 18 out. 2019. 113 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 7.1.3 Exame físico Após a coleta da história do paciente, o fisioterapeuta deverá realizar com ele o exame físico e, juntamente com os dados obtidos na anamnese, elaborar o diagnóstico fisioterapêutico, os objetivos e as condutas de tratamento, localizar uma queixa, associá‑la a uma região anatômica específica e qualificá‑la, definir sua relação com o movimento e a função. O exame físico clarifica a história e os sintomas de um paciente (examinador conhecedor de anatomia). O exame físico do paciente deverá ser realizado de forma global, avaliando o paciente em sua totalidade, porém com enfoque na real necessidade do paciente. Portanto, poderá conter itens específicos de avaliação de acordo com a especialidade fisioterapêutica. Aqui abordaremos uma avaliação de forma geral, e não específica. Inspeção (observação) O ato de observar o paciente detalhadamente deve ser realizado bilateralmente de forma comparativa. Ao realizar a inspeção, a área a ser avaliada deve estar despida, o ambiente deve ser adequado e todo o procedimento precisa ser bem esclarecido ao paciente ou ao responsável. O paciente deve ser observado detalhadamente. Os principais itens a serem inspecionados são: — face: expressões, assimetrias; — ombros: desníveis, assimetria da cintura escapular; — cintura pélvica: assimetria; — tipo de tórax; — alterações posturais; — pele: aspecto, sinais de inflamação, cicatrizes, dermatites, deformidades; — tipo de marcha (se usa auxílio para locomoção); — musculatura: tônus:hipertonia, hipotonia; — trofismo: hipertrofismo, hipotrofismo; — movimentos involuntários; — edema. O fisioterapeuta, durante seu exame físico, também deve atentar‑se à avaliação da marcha do paciente, verificando se há alguma alteração importante em alguma de suas fases. 114 Unidade IV Observação A avaliação da marcha será realizada apenas para pacientes que consigam realizá‑las, ou seja, em um paciente que está internado em uma UTI sob sedação, esse item não é aplicável, bem como em uma paciente que possui amputação bilateral sem uso de próteses. Apoio do calcanhar Aceleração Aplanamento do pé Oscilação intemediária Acomodação intermediária Desaceleração Impulso Apoio do calcanhar Figura 44 O estado geral do paciente também deverá ser avaliado pelo fisioterapeuta, o que inclui coloração de pele (verificar se o paciente apresenta coloração azulada de pele, indicando falta de oxigenação em tecidos – cianose), presença de deformidades já instaladas, presença de feridas, entre outros. A dor do paciente também deverá ser avaliada, lembrando que a dor é um sintoma relatado pelo paciente, porém é um item de avaliação subjetivo, e como referência de dor, podemos utilizar uma escala visual analógica (EVA). Palpação Ato de tocar o paciente, deve ser realizado através do tato e/ou pressão. Durante a palpação, o fisioterapeuta poderá sentir a temperatura do local avaliado, sentir se há deformidades ósseas ou alterações referentes à altura de estruturas, verificar a expansibilidade torácica do paciente, bem como simetria ou assimetria de regiões, alinhamento de processos vertebrais na coluna, aderências ou não de cicatrizes, trofismo muscular. 115 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Ausculta pulmonar Também deverá ser realizada para avaliação de alterações no som pulmonar fisiológico (murmúrio vesicular ou apenas som pulmonar) e presença de sons patológicos (roncos, sibilos inspiratórios, sibilos expiratórios, estertores creptantes ou creptações grossas, estertores subcreptantes ou creptações finas) que podem ser indicativos de afecções pulmonares, como atelectasias, derrames pleurais, broncoespasmo e presença de secreções pulmonares. A ausculta pulmonar é realizada com o auxílio de um estetoscópio em pontos específicos do tórax, tanto em sua parte anterior quanto em sua parte posterior. Deve‑se tomar cuidado para não colocar o estetoscópio em cima de estruturas ósseas, pois a ausculta poderá ficar comprometida. Goniometria O fisioterapeuta, com o auxílio de um goniômetro, deverá avaliar a amplitude de movimento das articulações a serem avaliadas, para determinar alterações e limitações de movimento e desta forma traçar seu objetivo de tratamento para ganhar a amplitude de movimento necessária. A goniometria deverá ser realizada em todas as etapas do tratamento, devendo ser anotada no prontuário do paciente e relatada a ele posteriormente, como forma de incentivo à sua recuperação. Figura 45 Perimetria Ainda com um auxílio de uma fita métrica, o fisioterapeuta deverá realizar a perimetria, ou seja, uma medida de membros para verificar a presença ou não de edemas e alterações no trofismo muscular. Deverá ser realizada de forma bilateral e comparativa. 116 Unidade IV Braço superior Braço inferior Antebraço superior Antebraço médio Antebraço inferior Mão C C C C C C R h h h r Figura 46 Força muscular A força muscular do paciente deverá ser avaliada, para se verificar a força que um músculo ou grupo muscular possui para vencer ou suportar determinada resistência. Essa avaliação é fundamental para verificar a funcionalidade do paciente com o objetivo de uma medida preditiva ou prognóstica para a ocorrência de limitações na realização das atividades de vida diária, ocorrência frequente de quedas, retorno às atividades esportivas pós‑cirurgias, dentre outros. Existem testes específicos para esta avaliação que podem ser usados pelo fisioterapeuta. Teste de sensibilidade Deve ser realizado para verificar a presença de anestesia ou hipoestesia no território do nervo lesado; verificar sensibilidade cutânea; verificar se o território/região inervada por determinada raiz nervosa foi afetada devido à lesão apresentada. O teste de sensibilidade poderá ser realizado com o auxílio de objetos de diferentes texturas ou com o auxílio do estesiômetro, um kit de monofilamentos para testar a sensibilidade da pele. 117 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Figura 47 Testes para avaliação de reflexos São testes utilizados para analisar as raízes nervosas que suprem o reflexo e avaliar o reflexo normal, ou seja, a integridade do arco reflexo. Os testes determinam a presença ou não de espasticidade, lesão do neurônio motor. Para a realização desses testes, o fisioterapeuta utiliza o martelo de reflexo de Buck, que também possui dispositivos que avaliam a sensibilidade do paciente, ou o martelo de reflexos de Taylor. Figura 48 – Checagem dos reflexos com martelo de Buck 118 Unidade IV Figura 49 – Martelo de reflexo Taylor Avaliação de exames complementares São considerados exames complementares todos os exames que são apresentados pelo paciente e que podem complementar a avaliação do fisioterapeuta e, dessa forma, tornar o objetivo de seu tratamento mais específico, visando o bem‑estar e melhora do quadro clínico e da qualidade de vida do paciente. Além do exame físico, o fisioterapeuta deverá estar apto a avaliar exames complementares apresentados pelo paciente, como: • RX; • tomografia computadorizada; • ressonância magnética; • ultrassonografia; • doppler de membros; • ecocardiograma; • eletrocardiograma; • exames de sangue (hemograma, gasometria arterial, função renal, enzimas cardíacas etc.); • teste ergométrico e ergoespirométrico; • espirometria. 119 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA J R-R R R P‑RS Q P T Q‑T S‑T Tempo = seg Voltagem = mV 10 mm = 1mV 5 mm = 0,2 seg 1 mm = 0,04 seg 0,1 mV Figura 50 7.1.4 Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica Todos os dados colhidos deverão ser anotados em uma ficha de avaliação do paciente/prontuário, bem como os testes realizados, sinais vitais e interpretação de exames complementares. Todas as sessões realizadas pelo paciente deverão ser anotadas no prontuário com especificações de sinais vitais, avaliações realizadas no dia em questão, terapia realizada no dia em questão, evolução do paciente durante e após o atendimento fisioterapêutico. A seguir, um exemplo de uma ficha de avaliação fisioterapêutica, que poderá ter itens inclusos ou retirados de acordo com a especialidade fisioterapêutica e de acordo com a necessidade do paciente. FICHA DE AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DATA: ___ / ___ / ___ 1 – IDENTIFICAÇÃO Nome: _______________________________________________________________ Data de nascimento: ___ / ___ / ___ Idade: ____ anos Gênero: ( ) Feminino ( ) Masculino Raça: ( ) Branca ( ) Negra ( ) Oriental ( ) Outra: ________________ Naturalidade: __________________ Estado civil: ( ) Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado ( ) Viúvo 120 Unidade IV Escolaridade: ( ) Nenhuma ( ) Ens. Fundamental ( ) Ens. Médio ( ) Ens. Superior Completo ( ) Ens. Superior Incompleto Profissão: ___________________________ Ocupação: __________________ Endereço:__________________________________________________________ n. _____ Compl.: ____________ CEP: ______ – ____ Cidade: ________________ UF: _______ Telefones: ( ) ____________________ / ( ) _____________________ E‑mail: __________________________________________ DIAGNÓSTICO MÉDICO: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ NOME DO MÉDICO RESPONSÁVEL: ______________________________________________________________________________ Telefone: ( ) ____________________ DIAGNÓSTICO FISIOTERAPÊUTICO (clínico‑funcional): ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2 – ANAMNESE Queixa principal (QP): ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ História da moléstia atual (HMA): ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 121 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA História da moléstia pregressa: (HMP): ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Antecedentes pessoais (AP): ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Antecedentes ginecológicos (específico para pacientes do gênero feminino): Data da última menstruação (DUM): ___ / ___ / ___ Usa algum método anticoncepcional? ( ) Não. ( ) Sim. Qual? _______________ Gestação? ( ) Não. ( ) Sim. Menarca: ( ) Não. ( ) Sim. Com quantos anos? ______ Menopausa: ( ) Não. ( ) Sim. Com quantos anos? ______ Antecedentes obstétricos (específico para pacientes do gênero feminino): Número de gestações: _______ Vaginal: _____ Cesárea: ______ Fórceps: ______ Aborto: ______ Número de filhos: _____ Alergias: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Antecedentes familiares (AF): ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 122 Unidade IV Cirurgias realizadas: 1. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ 2. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ 3. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ 4. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ 5. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Exames complementares: 1. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Conclusão: __________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Conclusão: __________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 3. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Conclusão: __________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 4. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Conclusão: __________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 5. ________________________________________________________ Data: ___ / ___ / ___ Conclusão: __________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Hábitos de vida: Tabagismo: ( ) Não. ( ) Sim. Etilismo: ( ) Não. ( ) Sim. 123 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Atividade física: ( ) Não. ( ) Sim. Frequência: ____x/sem. Tipo: ______________________ Duração: _____ min. Frequência: ____x/sem. Tipo: ______________________ Duração: _____ min. Frequência: ____x/sem. Tipo: ______________________ Duração: _____ min. Medicamentos: Nome do medicamento Dosagem Frequência Indicação 1 2 3 4 5 Estado geral do paciente: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 3 – EXAME FÍSICO Peso: _______ kg Estatura: ________ cm Índice de massa corporal (IMC) = ____________ kg/m² Sinais vitais (SV): Frequência cardíaca (FC): ________ bpm Pressão arterial (PA): _____ X _____ mmHg Frequência respiratória (FR): _______ rpm Temperatura (T): ___________ ºC 124 Unidade IV Inspeção: Figura 51 Observações: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 4 – AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Nível de consciência: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 125 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA ESCALA DE GLASGOW Total: _______________ Tabela 1 Resposta ocular Resposta verbal Resposta motora Pontuação A ordens Orientado Localizadora 5 Espontânea Confuso Flexão normal 4 Ao som Palavras Flexão anormal 3 A pressão Sons Extensão 2 Ausente Ausente Ausente 1 Não testável NT NT NT Adaptada de: Iespe (2018). Tabela 2 Olhos não reativos à luz Pontuação de reatividade de pupila Ambos os olhos 2 Um olho 1 Nenhum olho 0 Adaptada de: Iespe (2018). ESCALA DE RAMSEY Graduação: _________________ Tabela 3 Pontuação Reação 1 Ansioso, agitado ou irritado 2 Cooperativo, orientado, tranquilo 3 Sonolento, respondendo ao estímulo verbal 4 Dormindo, com resposta mínima a estímulo tátil ou auditivo 5 Sem resposta a estímulo auditivo ou tátil, porém com resposta à dor 6 Sem resposta a estímulos dolorosos Adaptada de: Iespe (2018). 126 Unidade IV Avaliação de pupilas: Isocórica ( ) Anisocórica ( ) _________ Miótica ( ) Midriática ( ) 5 – PALPAÇÃO Figura 52 Observações: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 127 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 6 – AVALIAÇÃO DA MARCHA Fase de apoio Fase de balanço Ciclo da marcha Contato inicial Duplo apoio Duplo apoio Resposta à carga Apoio médio Apoio simples Apoio simples Apoio final Pré‑ balanço Balanço inicial Balanço médio Balanço final Figura 53 7 – AVALIAÇÃO POSTURAL Figura 54 Observações: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 128 Unidade IV AVALIAÇÃO DA DOR DATA: ___/___/___ LOCAL: _____________ NÍVEL DA DOR: ___ DATA: ___/___/___ LOCAL: _____________ NÍVEL DA DOR: ___ DATA: ___/___/___ LOCAL: _____________ NÍVEL DA DOR: ___ DATA: ___/___/___ LOCAL: _____________ NÍVEL DA DOR: ___ Figura 55 – Escala visual analógica (EVA) Objetivos fisioterapêuticos: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Condutas fisioterapêuticas: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ Nome do estagiário ______________________________________________________________________________ Supervisor responsável ______________________________________________________________________________ 7.1.5 Prontuários Conforme a Resolução do Coffito n. 414/12, é obrigação do fisioterapeuta registrar dados pessoais, avaliação física, história clínica, diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico, exames complementares, recursos utilizados, plano terapêutico incluindo exercícios realizados e objetivos terapêuticos a serem alcançados, bem como a descrição do estado de saúde do paciente, tratamento realizado e eventuais intercorrências. O registro deverá ser efetuado com letra legível ou em prontuário eletrônico, assinado e carimbado pelo profissional fisioterapeuta que realizou o atendimento. 129 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Os dados contidos no prontuário são sigilosos, e apenas a equipe multiprofissional e o paciente, caso ele mesmo ou seu responsável legal o solicite, poderá ter acesso aos dados ali contidos. O prontuário deverá ser guardado em local que garanta seu sigilo e sua privacidade e é de responsabilidade do fisioterapeuta ou da instituição em que o atendimento foi realizado guardar o prontuário por no mínimo cinco anos após o último registro do paciente. Se o atendimento for realizado no domicílio do paciente, o prontuário deverá ser guardado no próprio domicílio, sendo responsabilidade do fisioterapeuta orientar aos familiares sobre o sigilo dos dados ali contidos, e ele poderá guardar consigo uma cópia de inteiro teor do prontuário do paciente, bem como solicitar a assinatura do paciente ou do representante legal atestando que o atendimento foi realizado. 8 RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS O fisioterapeuta possui diversos recursos exclusivos de sua profissão para o tratamento de seus pacientes em suas diversas áreas de atuação. Os procedimentos da fisioterapia contribuem para a prevenção, promoção cura e recuperação da saúde. Para determinar o melhor recurso a ser utilizado no tratamento fisioterapêutico de seu paciente, o fisioterapeuta deverá ter realizado uma boa anamnese, bem como um exame físico detalhado para determinar o diagnóstico cinesiológico funcional e, dessa forma, estabelecer os objetivos e o plano de tratamento de seu paciente e os recursos terapêuticos adequados para o tratamento deste paciente. Entre os recursos fisioterapêuticos utilizados, temos a cinesioterapia, mecanoterapia, eletroterapia, termoterapia, fototerapia, massoterapia, crioterapia, hidroterapia, e algumas terapias complementares. Cada um desses recursos será elencado para o tratamento do paciente pelo fisioterapeuta, que é o profissional responsável pelo diagnóstico fisioterapêutico. Esses recursos podem ser utilizados em todas as áreas de atuação do fisioterapeuta, respeitando sempre as condições clínicas do paciente e as indicações e contraindicações de cada recurso. Não se pode esquecer que cada paciente é único, mesmo possuindo a mesma patologia, ou seja, o recurso terapêutico indicado para os dois pacientes pode não ser tão confortável ou não surtir o efeito desejado para um deles. Portanto, mais uma vez ressalta‑se a importância de uma boa anamnese, de uma avaliação completa e minuciosa, levando em consideração as características individuais de cada um e avaliando seu paciente por meio do modelo biopsicossocial, ou seja, levando em consideração não apenas aspectos relacionados à patologia, mas atentando‑se a aspectos psicológicos e sociais. Fatores biológicos Fatores sociais Fatores psicológicos Figura 56 130 Unidade IV 8.1 Cinesioterapia Consiste no uso do movimento ou exercício como forma de tratamento. Etimologicamente, “cinesioterapia” se originou a partir da junção das palavras gregas kínesis, que significa “movimento”, e therapeia, que quer dizer “terapia”. A cinesioterapia é uma técnica que se baseia nos conhecimentos de anatomia, fisiologia e biomecânica, a fim de proporcionar ao paciente um melhor e mais eficaz trabalho de prevenção, cura e reabilitação. O exercício terapêutico utilizado na cinesioterapia tem como objetivo manter, corrigir e/ou recuperar uma determinada função, atuando diretamente no desenvolvimento, melhora, restauração e manutenção da força, da resistência à fadiga, da mobilidade e flexibilidade, do relaxamento e da coordenação motora (KISNER; COLBY, 1998). A fisioterapia, por meio da utilização de metodologias e técnicas próprias, privativas e exclusivas baseadas na utilização terapêutica dos movimentos e dos fenômenos físicos, busca uma melhor qualidade de vida para o cidadão, frente às disfunções apresentadas. Os exercícios terapêuticos ou cinesioterapêuticos podem ser utilizados nas mais diversas áreas de atuação do fisioterapeuta, sendo denominados, por exemplo, de cinesioterapia respiratória – exercícios respiratórios associados ao movimento utilizados pela área da fisioterapia respiratória na prevenção, reabilitação de patologias respiratórias, como a asma. A cinesioterapia é, portanto, o tratamento através do movimento, aplicado em todas as especialidades fisioterapêuticas, utilizando‑se de exercícios que podem ser passivos, ativos, ativos assistidos, incluindo também alongamentos que da mesma forma podem ser passivos, ativos ou ativos assistidos. • Exercícios passivos: o fisioterapeuta ou dispositivos que imitam os movimentos fisiológicos realizam manipulações de diferentes segmentos ou tecidos ou realizam os movimentos para o paciente. Neste caso, não há contração muscular voluntária. • Exercícios ativos: o paciente realiza os exercícios de forma ativa e consciente. Ele pode realizar de forma livre com ou sem o auxílio da gravidade, denominado exercício ativo livre, ou, ainda, realizar o exercício contra uma resistência aplicada pelo fisioterapeuta, denominado exercício ativo resistido. • Exercícios ativos assistidos: o paciente realiza o exercício de forma ativa, porém pode necessitar de auxílio do fisioterapeuta para completar a amplitude de movimento adequada. Observação O programa de exercícios para cada paciente é determinado de acordo com suas necessidades. A duração e a intensidade dos exercícios é baseada na condição clínica apresentada pelo paciente, bem como no seu exame físico, sinais vitais, diagnóstico médico e fisioterapêutico. Portanto, a cinesioterapia é voltada para a parte respiratória, ortopédica, cardiovascular, uroginecológica, neurológica etc. 131 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 8.1.1 Mecanoterapia A mecanoterapia consiste na utilização de equipamentos para realização da cinesioterapia com finalidadeterapêutica. Os equipamentos utilizados têm o objetivo de promover, desenvolver e restaurar a força muscular; melhorar flexibilidade, mobilidade articular e equilíbrio; melhorar resistência; melhorar mobilidade articular; auxiliar no relaxamento muscular; e pode auxiliar no ganho de massa muscular. Os equipamentos utilizados pelo fisioterapeuta podem ser: halteres, caneleiras, molas, elásticos, cama elástica, prancha de equilíbrio, bolas, equipamentos de musculação, entre outros. A utilização de aparelhos na cinesioterapia pelo fisioterapeuta deve ter como objetivo terapêutico a obtenção da funcionalidade do movimento livre de qualquer limitação. 8.1.2 Massoterapia Um recurso terapêutico utilizado é a massagem. A massoterapia é definida como manipulações aplicadas ao corpo realizadas com as mãos com o objetivo preventivo, reabilitador, terapêutico e psicológico. Seu uso vem de tempos remotos e em meados do século XIX sua eficácia foi demonstrada, definindo‑se indicações terapêuticas (LACOMBA; SALVAT, 2006). É considerada uma abordagem terapêutica que tem como objetivo a mobilização e/ou manipulação de tecidos, segmentos articulares, músculos, estimulando a circulação e a mobilidade de tecidos. De acordo com Boff (1999), a mão configura a pessoa humana, pois ela toca, acaricia, segura, acalma, acalenta e possibilita o contato humano, executando o cuidado corporal e a reabilitação das funções físicas e motoras. A carícia consiste em uma das expressões máximas do cuidado. É pelas mãos que o fisioterapeuta exerce sua profissão, que fez a sua história profissional e que permite uma aproximação física e uma comunicação entre terapeuta e paciente. O toque terapêutico, que deve ser respeitoso e ético, é uma importante forma de aproximação do profissional com seu paciente. Existem diversas formas de massoterapia utilizada pelos fisioterapeutas, e podem ser utilizadas em todas as idades, nas mais diferentes áreas de atuação. Entre essas técnicas, podem‑se destacar: massagem clássica, shiatsu, shantala (massagem no bebê), drenagem linfática. Figura 57 132 Unidade IV 8.1.3 Hidroterapia Desde a Antiguidade, a água vem sendo utilizada como recurso terapêutico em diversas culturas para tratar doenças reumáticas, ortopédicas, respiratórias, neurológicas. As propriedades físicas da água, somadas aos exercícios, podem alcançar a maioria dos objetivos físicos propostos em um programa de reabilitação. A hidroterapia é um termo utilizado desde o século XIX pelos terapeutas naturais ou naturopatas para descrever modalidades utilizadas em tratamentos naturais, como banhos parciais ou gerais, compressas, jatos de água direcionados, uso do vapor, entre outros (HELLMANN; RODRIGUES, 2017). No começo do século XX, a água passou a ser utilizada de forma mais ativa, utilizando‑se as propriedades da água para a realização de exercícios. A hidroterapia é executada em uma piscina terapêutica e pode ser realizada em todas as idades, nas mais diversas patologias (cardiovasculares, respiratórias, neurológicas, traumato‑ortopédicas etc.), promovendo relaxamento, fortalecimento, estabilidade, equilíbrio e coordenação; porém, existem alguns cuidados e contraindicações que devem ser observados. Pessoas que possuem alguma doença de pele, por exemplo, não podem frequentar a terapia na piscina, pessoas que possuem epilepsia devem ser observadas com mais atenção durante o seu atendimento na piscina, pessoas com fobia a água não devem ser indicadas para realização de hidroterapia. Há alguma diferença entre hidroterapia e hidroginástica? Hidroterapia HidroginásticaTécnicas e exercícios aquáticos específicos, privativos do fisioterapeuta com objetivo terapêutico. Métodos: – Halliwick – Bad Ragaz – Watsu Atividades físicas praticadas na água, realizadas por profissionais da educação física. Não há técnicas específicas como as da hidroterapia. Figura 58 8.1.4 Eletroterapia Consiste no uso de correntes elétricas através de aparelhos que se utilizam de correntes elétricas com intensidade de corrente baixa, sendo o organismo considerado como condutor. Devem‑se considerar parâmetros como intensidade, voltagem, potência e condutividade na aplicabilidade de cada recurso eletroterápico, lembrando sempre que cada paciente possui suas individualidades e, portanto, deve ser avaliado, e o aparelho escolhido deve estar de acordo com suas necessidades. 133 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Existe uma gama de correntes que podem ser utilizadas na eletroterapia, cada qual com sua particularidade em relação à indicação e contra indicação, porém com objetivo em comum: produzir um efeito no tecido a ser tratado que é obtido por meio das reações físicas, biológicas e fisiológicas que o tecido desenvolve ao ser submetido à terapia (SOARES, 2017). Uma das principais queixas relatadas pelos pacientes que procuram a fisioterapia é a dor. De acordo com Merskey (1994), a dor “é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada com um dano de tecido real ou potencial, ou descrita em termos de tal lesão”. A dor pode ser classificada em dor aguda e dor crônica, sendo que a dor aguda tem uma duração curta e a dor crônica tem a característica de ser um processo de longa duração, estando, geralmente, associada à depressão, à ansiedade e ao desespero, ocasionando uma alteração na qualidade de vida do paciente e uma redução na realização de atividades funcionais. A eletroterapia também pode ser utilizada nas mais diversas áreas de atuação do fisioterapeuta. Podemos usar a eletroterapia na fisioterapia uroginecológica como recurso para auxiliar o fortalecimento do assoalho pélvico; na fisioterapia respiratória, como recurso para auxiliar o fortalecimento ou a estimulação da musculatura respiratória; na fisioterapia neurológica, como recurso para auxiliar na recuperação de pacientes com sequela de AVC; na fisioterapia dermatofuncional, como recurso para auxiliar no pós‑operatório de cirurgia estética para redução de aderência cicatricial etc. Figura 59 – Ilustração representativa de equipamentos fisioterápicos Estimulação elétrica transcutânea (Tens) É caracterizada por uma estimulação elétrica simples e não invasiva, através de eletrodos, com o principal objetivo de analgesia, através da redução de transmissão de impulsos dolorosos das pequenas fibras de dor para o sistema nervoso central (SNC). O Tens é indicado para artrose, fibromialgia, pós‑cirúrgicos, alívio de dores associadas a cólicas menstruais, entre outros, e além de analgesia, também tem o objetivo de relaxamento muscular e aumento do fluxo sanguíneo. O Tens é contraindicado para pacientes portadores de marca‑passo; que estejam no primeiro trimestre da gestação; e com perda de sensibilidade. 134 Unidade IV O Tens como analgesia pode ser utilizado pelo fisioterapeuta em gestantes, para amenizar as dores ocasionadas pelas contrações durante o trabalho de parto. Correntes interferenciais (IFC) É o fenômeno que ocorre quando se aplicam duas ou mais oscilações simultâneas no mesmo ponto de um determinado meio, com frequências levemente diferentes. Atua inibindo o estímulo nociceptivo e, portanto, reduzindo a dor por meio de mecanismos similares ao do Tens. Não possui efeito anti‑inflamatório, porém também atua na reparação de tecidos e na estimulação muscular. São mais adequadas para o tratamento das camadas mais profundas dos tecidos. Indicada em entorses, contraturas, tendinites, varizes, neurites e reeducação uroginecológica, e contraindicada em pacientes portadores de marca‑passo, que estejam no primeiro trimestre de gravidez ou em caso de dores sem etiologia conhecida, entre outros. Estimulação elétrica funcional (FES) Estimulação de músculos que não possuem controle motor ou com insuficiência de contratilidade ou “postural”, com o objetivo de produzir um movimento funcional e/ou substituir uma órtese convencional, hipertrofia muscular, aumento de retorno venoso e linfático, melhorada irrigação sanguínea local, entre outros (PEREIRA et al., 2011). Muito utilizada em subluxação de ombro, ortostatismo e marcha em lesões medulares, auxílio funcional aos membros superiores (MMSS), redução de medidas, redução do fibro edema gelóide, aumento de tônus muscular etc., e contraindicado em pacientes com marca‑passo, fraturas não consolidadas, entre outros. Uso da eletroestimulação neuromuscular em fisioterapia NMES (EE Clínica) Estimulação elétrica neuromuscular: estimulação do músculo através de seu nervo periférico intacto, com o objetivo de restaurar, manter ou melhorar sua capacidade funcional. [NMES = nome geral do procedimento = NMES/FES, corrente russa e corrente aussie] FES (EE Funcional) Estimulação elétrica funcional: estimulação de músculos desprovidos de controle motor ou com insuficiência contrátil ou “postural”, com o objetivo de produzir um movimento funcional e/ou substituir uma órtese convencional. Fonte: Uso... (s.d.). Corrente russa Estimulador elétrico para aumentar o ganho de força descoberto em 1977 por Yakov Kots, vem sendo utilizado para fortalecimento muscular por meio da estimulação dos nervos motores, induzindo a contração 135 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA muscular mais intensa e sincronizada, além de atuar na flacidez (LIMA; RODRIGUES, 2012). É um recurso muito utilizado pela fisioterapia dermatofuncional justamente por estimular o fluxo sanguíneo e linfático e atuar na hipotonia muscular, combatendo a flacidez. Uma de suas indicações também está associada à melhora do desempenho de atletas, já que aumenta o tônus muscular. Está contraindicada em casos de fraturas não consolidadas, tecidos neoplásicos, sobre a área cardíaca, entre outros Correntes diadinâmicas de Bernard Desenvolvidas na França pelo dentista Pierre Bernard no início da década de 1950. São correntes alternadas retificadas em ondas completas ou em semiondas com um amplo efeito analgésico em tecidos moles e desordens sistêmicas. Ela é classificada em cinco tipos diferentes de corrente, e cada uma possui seu efeito fisiológico específico (CAMARGO; SANTOS; LIEBANO, 2012), conforme descrito no quadro a seguir. Quadro 2 Tipo de corrente Efeito Indicação Corrente difásica fixa (DF) Analgesia rápida e temporária, tonificação muscular Tratamento de transtornos circulatórios funcionais periféricos Corrente monofásica fixa (MF) Eletroestimulação muscular Acelera o metabolismo Analgésico Tratamento de estrias, celulites e flacidez Estimulação do tecido conjuntivo Corrente de curto período (CP) Efeito circulatório intenso Analgesia temporária Estimula trofismo muscular Neurites, neuralgias, mialgias Pós‑traumatismos ósteo‑articulares e de tecidos moles Transtornos tróficos Corrente de longo período (LP) Efeito analgésico persistente a nível muscular, ocasionando relaxamento Espasmos Contraturas Mialgias Corrente de ritmo sincopado (RS) Aumento de força e tônus muscular Imobilização prolongada Atrofia por desuso Rugas e tecidos flácidos De um modo geral, essas correntes estão indicadas para patologias dos nervos periféricos, transtornos circulatórios, transtornos funcionais vegetativos de órgãos internos e enfermidades do aparelho músculo ligamentar esquelético, e contraindicadas em pacientes portadores de marca‑passos, endopróteses ou grampos medulares e pacientes com alterações de sensibilidade. Corrente galvânica/corrente direta contínua É uma das mais conhecidas em eletroterapia. Ela atua nos nervos vasomotores, causando uma hiperemia que resulta em uma maior oxigenação tecidual, favorecendo a reparação tecidual e os mecanismos de defesa, sendo portanto muito utilizada devido ao seu efeito bactericida, analgésico e anti‑inflamatório e por acelerar a cicatrização. Indicada na fase crônica da artrite reumatoide, lombalgia, tendinite etc. 136 Unidade IV Juntamente com a aplicação da corrente galvânica, pode‑se associar medicamentos que são absorvidos pela rede local e conduzidos pela circulação sanguínea a todas as regiões do corpo. 8.1.5 Termoterapia e fototerapia Recursos físicos térmicos e fototerápicos que alteram a temperatura corporal com o objetivo de gerar respostas fisiológicas e terapêuticas, pela utilização de ondas eletromagnéticas para sensibilizar termorreceptores corporais. A termoterapia consiste em todo processo que se utiliza de mudanças de temperatura para fins estéticos ou terapêuticos. Sempre que a temperatura corporal estiver fora do seu valor ideal – que é de 36,7 ºC a 37,1 ºC –, são desencadeados mecanismos autônomos de termorregulação, que permitem que o corpo retome sua temperatura adequada. O aumento de temperatura ocasiona vasodilatação, transpiração e aumento do metabolismo. A terapia por calor consiste na aplicação de calor superficial através de condução com uso de parafina ou compressa quente através de convecção com uso de infravermelho e forno de Bier ou na aplicação de calor profundo através de conversão com o uso de ondas curtas, micro‑ondas e ultrassom. O calor produz efeitos analgésicos, acelera a cicatrização, atua na reparação tecidual e alivia espasmos musculares, promovendo o relaxamento muscular. A termoterapia é contraindicada em pacientes que possuem alteração de sensibilidade térmica cutânea, tumores de pele e alterações agudas de pele, como dermatites. Entre os recursos aqui citados, a terapia com parafina e a terapia com forno de Bier foram recursos muito utilizados pelos fisioterapeutas para controle de dor, por exemplo, porém atualmente não são mais utilizados. A crioterapia, ou terapia com a utilização de gelo, também é muito utilizada pelos fisioterapeutas como recurso terapêutico com o objetivo de reduzir o metabolismo local, diminuindo a necessidade de oxigênio das células. O uso de baixas temperaturas ocasiona uma vasoconstrição reflexa, diminuição da sudorese, aumento do tônus muscular e redução das trocas metabólicas. O principal objetivo da crioterapia é a analgesia. É indicada em contraturas e processos inflamatórios em geral, e contraindicada em pessoas com diminuição de sensibilidade térmica, entre outros. 8.1.6 Estimulação transcraniana O Acórdão 378/94 (TCU, 1994) regulamenta o uso da estimulação magnética transcraniana e da estimulação transcraniana por corrente contínua pelo fisioterapeuta. A estimulação magnética transcraniana (EMT) utiliza os princípios da indução eletromagnética para diagnóstico e prognóstico cinético funcional em condições musculoesqueléticas, neuromusculares e cardiorrespiratórias. Estudos recentes mostram o uso da EMT em analgesia, pacientes pós‑acidente vascular encefálico (AVE), doenças neuromusculares, doença de Parkinson, depressão e esquizofrenia. 137 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Já a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) tem mostrado resultado para analgesia, fibromialgia, desordens de movimento e recuperação de movimento em membro superior de pacientes pós‑AVE (SOARES, 2017). 8.1.7 Práticas complementares/integrativas de saúde As práticas integrativas complementares são consideradas tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecidos tradicionais voltados para a prevenção ou até como tratamento paliativo em algumas doenças crônicas. As práticas integrativas, atualmente, são oferecidas pelo SUS, e estudos demonstram benefícios do tratamento integrado da medicina convencional com elas. São regulamentadas pela Resolução do Coffito n. 380/10, que autoriza a prática pelo fisioterapeuta de atos complementares ao seu exercício profissional na promoção, educação, restauração e preservação da saúde. Para que o fisioterapeuta utilize terapias complementares, ele deverá comprovar conhecimento através de certificado de instituição de Ensino Superior e instituições credenciadas pelo MEC junto ao Crefito de sua circunscrição na referida terapia. As terapias complementares que podem ser executas pelo fisioterapeuta incluem: fitoterapia, práticas manuais,corporais e meditativas; terapia floral, magnetoterapia, fisioterapia antroposófica, termalismo/balneoterapia/crenoterapia; hipnose. A fisioterapia também se utiliza de algumas terapias complementares que auxiliam no tratamento do paciente. Conforme o Acórdão n. 611/17 do Coffito, ficou estabelecido que o fisioterapeuta pode utilizar e/ou indicar substâncias de livre prescrição de forma complementar à sua prática profissional somente quando estas substâncias tiverem indicações de uso relacionadas com o seu campo de atuação e forem embasadas em trabalhos científicos ou em uso tradicional reconhecido, devendo‑se levar em consideração as contraindicações e possíveis efeitos tóxicos de determinadas substâncias. Entre as substâncias de livre prescrição, estão os fitoterápicos/fitofármacos, medicamentos antroposóficos, medicamentos homeopáticos, medicamentos ortomoleculares, florais, medicamentos de livre venda para fonoforese e iontoforese e fotossensibilizadores para terapia fotodinâmica nos distúrbios cinético‑funcionais (COFFITO, 2017a). A magnetoterapia tem sua origem na China, com a criação da bússola, e durante séculos foi conhecida pelo uso de ímãs naturais para a cura e a prevenção de doenças inflamatórias, redução da dor, retardamento do processo de envelhecimento e manutenção da saúde. No fim do século XVIII, a associação de correntes elétricas ao magnetismo abriu espaço para uma ampliação dos estudos sobre os campos eletromagnéticos e seus efeitos sobre a saúde. Os campos magnéticos de baixa frequência são muito utilizados na fisioterapia para o tratamento de dor, inflamação, regeneração nervosa, cicatrização, proteção e regeneração da cartilagem articular (MEYER, 2011). A medicina antroposófica foi fundada em 1920, por Rudolf Steiner e Ita Wegman, sendo considerada uma modalidade de tratamento multimodal e integrativa que agrega uma abordagem holística sobre o homem e a natureza e sobre a doença e a cura. Ela é praticada não apenas por médicos, mas também por enfermeiros e fisioterapeutas, e consiste em tratamentos e terapias específicos que incluem medicamentos, 138 Unidade IV arte, movimento e massagens. De acordo com a antroposofia, possuímos três dimensões — orgânica, psíquica e noética (dimensão espiritual humana) — em desenvolvimento noopsicossomático ao longo da vida, as quais estruturam nosso corpo a partir de três origens embrionárias, citando três sistemas diferentes, mas interligados morfofuncionalmente: o sistema neuro-sensorial (SNS), o sistema rítmico (SR) e o sistema metabólico-motor (SMM) (KIENLE et al., 2015). É uma modalidade de medicina utilizada e reconhecida em vários países. No Brasil, a medicina antroposófica foi introduzida na década de 1950 e reconhecida como prática médica apenas em 1993 (Parecer 21/93 do CFM) e desde 2006 integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Ministério da Saúde, o qual tem denominado esse conjunto de ações lideradas como antroposofia aplicada à saúde. A fisioterapia antroposófica tem como principal objetivo a humanização e, dessa forma, enxerga seu paciente como corpo, alma e espírito. Se utiliza de terapias como escalda‑pés, enfaixamentos, compressas e banhos medicinais. As técnicas hidroterapêuticas, como a balneoterapia, crenoterapia e termalismo, podem ser utilizadas pelo fisioterapeuta como práticas complementares ao tratamento proposto ao paciente com o objetivo de auxiliar na prevenção de doenças e redução de seus sintomas. A balneoterapia consiste em práticas terapêuticas realizadas em águas minerais naturais mornas ou quentes; já a crenoterapia, na ingestão de águas minerais direto da fonte no cuidado à saúde; e o termalismo, no uso de águas termais, minerais e naturais na recuperação, manutenção e ampliação da saúde, sendo considerada um sinônimo de balneoterapia (HELLMANN, 2017). A hipnose existe desde tempos remotos e, nos dias de hoje, desperta a desconfiança das pessoas por ter sido ligada a rituais ancestrais no Egito Antigo e por associar a hipnose ao uso de pêndulos pelos mágicos que controlavam as pessoas conforme mostrado em filmes. Porém, a hipnose é uma técnica reconhecida e regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1999. A hipnose não é mística, e é um mecanismo mental explicado pela ciência. Entrar em um estado hipnótico é algo normal e fisiológico que experimentamos todos os dias em diversas situações cotidianas. Por exemplo, quando estamos na frente da televisão assistindo ao nosso programa favorito, dificilmente prestamos atenção em em outra coisa que não seja o programa favorito; ou quando você está saindo de sua casa, com seu celular na mão olhando suas mensagens de aplicativos de comunicação, você está tão concentrado nessa ação que tranca a porta de casa e depois fica com a sensação de que não trancou. Estes exemplos são considerados estados hipnóticos. A hipnose, portanto, não é considerada um controle mental, mas sim um estado de transe, um estado alterado de consciência que mantém a pessoa presente, caracterizado por um relaxamento, foco e concentração. O transe nada mais é do que um estado de alta concentração e intensificação da imaginação. Ela pode ser utilizada em inúmeras áreas da vida cotidiana, como apresentação em palco, esportes, ambiente corporativo, terapias, consultórios médicos e odontológicos e por outros profissionais da área da saúde, como o fisioterapeuta. 139 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Durante o estado de hipnose, o paciente não dorme mas experimenta um rebaixamento de frequência cerebral; ele não fica inconsciente, apenas experimenta um estado alterado do nível de consciência, mas sem perdê‑la. Apesar de estar em estado de vigília durante o estado hipnótico, o paciente mantém o controle de tudo, escuta tudo e sente tudo o que está sendo executado, podendo inclusive se manter de olhos abertos. Entre as indicações clínicas da hipnose, estão a redução de dor, auxílio em terapias comportamentais e psicológicas etc. 8.1.8 Treinamento funcional O treinamento funcional também é considerado uma terapia complementar ao fisioterapeuta, porém não exclusiva, pois, conforme o Acórdão n. 497/16 do Coffito, o treinamento funcional é reconhecido como uma ferramenta para o desenvolvimento de capacidades, podendo, portanto, ser considerada uma competência profissional do fisioterapeuta. O treinamento funcional é baseado nos princípios de cinesiologia, cinesioterapia, biomecânica e fisiologia do exercício, objetivando o equilíbrio das estruturas musculares, a prevenção de lesões e melhora do controle e desempenho motor. Pode e deve ser aplicado na prevenção ou no tratamento fisioterapêutico de pacientes que apresentam qualquer tipo de disfunção funcional. Por não ser um recurso exclusivo do fisioterapeuta, o educador físico também possui o direito de utilizar o treinamento funcional como prática de seu exercício profissional 8.1.9 Pilates O Pilates é um recurso cinesioterapêutico e mecanoterapêutico que promove a educação e reeducação do movimento corporal, sendo composto por exercícios terapêuticos de promoção, prevenção e recuperação da saúde físico‑funcional com o objetivo de verificar a melhoria da força muscular para desempenho das atividades de vida diária, mobilidade articular, equilíbrio corporal e harmonia das cadeias musculares, ocasionando uma melhor estabilização da postura e uma melhor condição de saúde e qualidade de vida de seus pacientes. O método, porém, não é exclusivo do fisioterapeuta, e conforme a Resolução do Coffito n. 386/11, o método pode ser utilizado pelo fisioterapeuta no exercício de sua profissão, sendo necessário o registro de seu consultório ou empresa no conselho regional de sua circunscrição, e também pelo profissional de educação física. Para se realizar o Pilates, o fisioterapeuta deverá também realizar uma avaliação cinesiológica funcional, anamnese minuciosa e em seu consultório/estúdio/clínica deveráconstar o prontuário do paciente com toda a avaliação realizada, bem como os exercícios realizados e a evolução do paciente em cada terapia. 140 Unidade IV Lembrete O método Pilates não é um método exclusivo do fisioterapeuta, podendo ser exercido também pelo profissional de educação física. 8.1.10 Equoterapia A equoterapia, de acordo com a Resolução do Coffito n. 348/08, é reconhecida como um recurso fisioterapêutico de caráter transdisciplinar inserida no campo das práticas integrativas. O fisioterapeuta poderá utilizar a equoterapia com base no diagnóstico cinesiológico funcional obtido após uma minuciosa avaliação fisioterapêutica em conformidade com a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF). 8.1.11 Reeducação postural global (RPG) A reeducação postural global (RPG) é um método originário na França na década de 1950 pela terapeuta corporal Françoise Mézières, que observou que cada vez que se tentava acentuar menos uma curvatura da coluna, ela se deslocava para outro lado, sendo necessário tratar o corpo como um todo, e não apenas segmentos específicos. Isso fundamentou o método Mézières, que hoje é reconhecido como RPG (TEODORI et al., 2011). O RPG baseia‑se no alongamento global de músculos organizados em cadeias musculares alongadas simultaneamente e não apenas um alongamento estático de apenas um músculo ou grupo muscular específico, como o utilizado pela fisioterapia convencional. É baseado em três princípios fundamentais: • Individualidade: cada ser humano é único. • Causalidade: a verdadeira causa do problema pode não estar relacionada ao sintoma apresentado pelo paciente. • Globalidade: o corpo deve ser tratado como um todo, e não deve‑se segmentá‑lo para o tratamento. É indicado para problemas morfológicos, problemas funcionais, alterações e problemas posturais, problemas articulares, sequelas neurológicas, problemas respiratórios, entre outros. É muito usado em tratamentos de escoliose, porém também pode ser utilizado como uma técnica de preparação para o parto. Esta é uma técnica exclusiva de fisioterapeutas, e para utilizar este tipo de técnica, é necessário ser um profissional já formado e realizar um curso específico em instituições reconhecidas. 141 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 8.1.12 Osteopatia A medicina osteopática está baseada na interpretação do indivíduo como um ser único e integrado, indivisível. A osteopatia é considerada ciência, e não técnica, e procura entender o movimento sob todas as suas formas. Em uma patologia qualquer, observamos a alteração de alguma estrutura, função ou órgão. Dessa forma, a osteopatia interliga o sistema músculo‑esquelético ao sistema visceral, ao sistema craniano e todas as estruturas e sistemas entre si (REZENDE; GABRIEL 2008). A osteopatia estuda a perda funcional que pode ser de uma estrutura músculo‑esquelética, visceral, craniana ou até uma disfunção somatossensorial, objetivando uma melhora da qualidade de vida do paciente. O osteopata parte do conhecimento da anatomia e da fisiologia que leva a identificação da causa do problema que está ocasionando uma alteração na funcionalidade do paciente. Por exemplo, um paciente com uma tendinite de ombro, ao ser avaliado integralmente pelo osteopata, pode levar a um outro diagnóstico que está desencadeando essa patologia, como uma disfunção na articulação temporomandibular (ATM). Embora a osteopatia tenha nascido na medicina, foi na fisioterapia que ela encontrou sua identidade, culminando com seu avanço na ciência e no conhecimento. Conforme a Resolução n. 398/11 do Coffito, a osteopatia passou a ser considerada uma especialidade exclusiva do fisioterapeuta. Dessa forma, para ser um especialista na área, o profissional deve obrigatoriamente ter concluído seu curso de graduação em fisioterapia. Para exercer a especialidade de fisioterapeuta osteopático, o fisioterapeuta deverá possuir amplo conhecimento e domínio em anatomia geral dos órgãos e sistemas e em especial do sistema músculo‑esquelético; biomecânica; fisiologia geral; fisiopatologia das doenças músculo‑esqueléticas; semiologia; farmacologia aplicada; próteses, órteses e tecnologia assistiva; técnicas de Trust de baixa amplitude e alta velocidade para todas as articulações corporais; técnicas de energia muscular em suas diversas variações para todos os músculos do corpo; técnicas de pompagem fascial; técnicas de Jones (técnicas de liberação pelo posicionamento); técnicas de mobilização articular; técnica de inibição muscular; técnicas funcionais; técnicas neuromusculares; técnicas de regulação do sistema nervoso autônomo; técnicas viscerais (coração, pulmão, rins, estômago, fígado, baço, pâncreas, hemodinâmicas, útero, ovário, próstata, intestinos); técnicas cranianas (suturais, membranosas, bombeamento de líquido, entre outras); humanização; ética e bioética; entre outras. A profissão de osteopata não é regulamentada no país. Portanto, profissionais que realizam o curso em outros países, para exercer a profissão de forma regulamentada no Brasil deverão estar de acordo com a regulamentação estabelecida pela legislação brasileira. Ou seja, ele deverá ser profissional formado em fisioterapia e realizar um curso de especialização com duração mínima de três anos para garantir um atendimento de qualidade e com total segurança. As áreas de atuação do fisioterapeuta osteopático são amplas e abrangem hospitais, clínicas, ambulatórios, domiciliar, home care, serviços públicos e privados, serviços filantrópicos, serviços militares, entre outros. 142 Unidade IV Figura 60 8.1.13 Acupuntura A acupuntura é uma técnica milenar da medicina tradicional chinesa focada não apenas no indivíduo, mas também em seu meio ambiente. É uma técnica que tem por finalidade o diagnóstico de doenças e a promoção de cura a partir do estímulo da força de autocura do corpo. Ela teve origem há mais de 4.000 anos em países asiáticos como Japão e Coréia do Norte e passou a ser utilizada no mundo ocidental a partir da década de 1970. O objetivo da acupuntura é realinhar e redirecionar as energias do corpo, através da estimulação de pontos de acupuntura por meio de pressão digital, uso de laser e agulhas específicas para a técnica, que acabam por estimular os nervos periféricos, alterando os neurotransmissores do sistema nervoso central (GOYATÁ et al., 2016). É uma técnica indicada para o tratamento de patologias do sistema músculo‑esquelético, articular, metabólico, neurológico, distúrbios psicológicos, distúrbios de ansiedade, obesidade, dores em geral, entre outros. Pode ser realizada também através de pontos encontrados na orelha, denominada auriculoterapia. A acupuntura é considerada uma especialidade multiprofissional, podendo ser exercida por profissionais das mais diversas áreas da saúde, como médicos, enfermeiros, veterinários, fisioterapeutas, entre outros. Todos eles são importantes na promoção, prevenção e educação em saúde. Esta técnica possui bases preventivas e curativas utilizadas no SUS, nas mais diversas disfunções e desordens dos sistemas sobre a ótica de desequilíbrio e perda da homeostase do yin/yang e das energias como frio, calor, vento, umidade e secura, causando o adoecimento. Para estar apto para exercer a especialidade de acupuntura em seus pacientes, o fisioterapeuta deverá realizar cursos de formação específica na área. 143 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA 8.1.14 Kabat/Bobath O Kabat consiste em uma técnica exclusiva do fisioterapeuta, iniciado com o Dr. Herman Kabat em meados da década de 1940. Inicialmente era utilizado o termo técnica de facilitação proprioceptiva e reabilitação neuromuscular; nos dias de hoje, usa‑se facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) (VOSS; IONTA; MYERS, 1987). Esta técnica está baseada em exercícios terapêuticos utilizando diversos mecanismos facilitadores, com o objetivo de promover e/ou melhorar a contração muscular, a coordenação, o equilíbrio e o relaxamento muscular, aumentandoa amplitude de movimento, melhorando a estabilidade, direcionando um movimento ativo por meio da introdução de resistência ideal, da maneira correta, estimulando os movimentos coordenados por meio da sincronização correta dos estímulos e ampliando a resistência (REICHEL, 1998). Para realização da técnica, são utilizados movimentos em diagonais preestabelecidas que encontram‑se no ponto mediano do corpo; baseadas no entrelaçamento muscular das diagonais em espiral do aparelho locomotor. Para que essa técnica possua uma melhor eficácia, devem ser seguidos alguns princípios: • A resistência ideal máxima em que os movimentos isotônicos devem ocorrer facilmente e o paciente deve ser capaz de manter as tensões isométricas. • A irradiação e o reforço, que é a introdução do princípio do excesso de energia para estimulação dos grupos de músculos mais fracos pelos mais fortes. • O contato manual, que possibilita a direção adequada para o emprego da força. • O estímulo verbal. • O feedback visual, que facilita a execução dos movimentos. • A tração, que proporciona movimentos e é utilizada nos exercícios contra a resistência. O método Bobath, ou de facilitação motora, foi desenvolvido durante a década de 1950 e se mantém atual ao longo dos anos, devido à sua capacidade de adaptação frente às novas bases neurocientíficas. Está baseado em dois princípios: a inibição de padrões anormais responsáveis pelos padrões de hipertonia e a facilitação de padrões normais integrados ao equilíbrio em sua própria sequência de desenvolvimento neuropsicomotor, com progressão para atividade motora especializada (PAGNUSSAT et al., 2013). É um método utilizado para contribuir na reabilitação de crianças com paralisia cerebral e outras patologias neurológicas com o objetivo de preparar a criança para uma função motora ou manter a sua função ou até aprimorar as já existentes. Ele também atua na diminuição das sequelas, proporcionando um maior grau de independência em suas atividades. Quanto mais precoce a sua intervenção, maior a chance de se adotar movimentos normais e quebrar os padrões de movimentos anormais (BOBATH, 1984). 144 Unidade IV O método está em constante atualização e, portanto, passou a se chamar Conceito Bobath. Ele se utiliza de recursos mecanoterapêuticos como bola, rolo, feijão, espelhos, entre outros, de forma a estimular a criança ao desenvolvimento de padrões normais de movimento. Lembrete Após o diagnóstico fisioterapêutico, o profissional determinará seus objetivos de tratamento e as melhores técnicas para o tratamento do paciente em questão. 8.2 Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) A CIF foi aprovada pela Organização Mundial da Saúde em 2001 devido à necessidade de uma informação mais detalhada sobre funcionalidade e incapacidade. Devido ao aumento da expectativa de vida, ela proporciona um sistema para a codificação de uma ampla gama de informações sobre saúde (diagnóstico, funcionalidade e incapacidade, motivos de contato com os serviços de saúde) e utiliza uma linguagem comum padronizada que permite a comunicação sobre saúde e cuidados de saúde em todo o mundo, entre várias disciplinas e ciências (ARAÚJO, 2012). Ela surgiu da necessidade de se conhecer o que acontece com o paciente após o diagnóstico médico baseado na etiologia, anatomia e causas externas através da CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, décima revisão) e, portanto, descreve a funcionalidade e a incapacidade relacionadas à saúde, identificando o que uma pessoa pode ou não pode fazer em suas atividades de vida diária, baseando‑se nas funções dos órgãos, sistemas ou estruturas do corpo humano, bem como as limitações de atividades, baseadas em um modelo biopsicossocial em que os componentes de saúde estão interligados a componentes corporais e sociais. Dessa forma, a avaliação de uma pessoa com deficiência é baseada não apenas no modelo biomédico, focado somente na patologia, mas também preocupa‑se com a dimensão psicológica e social. A CID 10 e a CIF são complementares, pois a informação sobre o diagnóstico, juntamente com a funcionalidade, contribui para uma obtenção mais ampla sobre a saúde do indivíduo (FARIAS, 2005). Condição de saúde (desordem/doença) Estruturas e funções do corpo (deficiência) Fatores ambientais Fatores pessoais Atividades (limitação da atividade) Participação (restrição da participação) Figura 61 145 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA A CIF não classifica pessoas, mas descreve a sua situação dentro de uma gama de domínios de saúde ou relacionados a ela, levando os fatores ambientais e sociais em consideração. Uma mesma patologia em vários indivíduos não causará o mesmo impacto, pois cada indivíduo é único, reside em determinado ambiente que pode conter fatores que alteram a sua condição de saúde, bem como apresenta condições pessoais que também irão alterar suas condições de saúde, ocasionando uma determinada evolução e desfecho de sua patologia. A avaliação deverá ser voltada para o paciente e incluir suas atividades sociais. A CIF define domínios necessários para elaboração do diagnóstico, que englobam os seguintes termos: • Funcionalidade: estruturas e funções do corpo, atividades e participação social. • Incapacidade: deficiência, limitação de atividade e restrição à participação social. A Resolução do Coffito n. 370/09 dispõe sobre a adoção da CIF pelo fisioterapeuta de acordo com recomendações da OMS. O profissional deverá ser capacitado a utilizar o modelo multidimensional da CIF tanto na atenção como no cuidado fisioterapêutico de acordo com a necessidade dos pacientes por ele atendidos e após uma completa avaliação do paciente, bem como a elaborar seu diagnóstico terapêutico. A CIF e seus domínios têm como objetivo descrever a saúde e os estados de saúde alterados pelas diversas patologias e pelas condições relacionadas, como a inatividade. Ela engloba todas as estruturas e funções corporais, não estando restrita apenas aos aspectos relacionados ao movimento humano. Podem‑se observar alguns domínios e suas definições no quadro a seguir: Quadro 3 Domínio Definição Funções do corpo Funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo as funções psicológicas), ou seja, refere‑se a como cada sistema executa seus objetivos. Exemplo: a função do sistema respiratório é efetuar a troca gasosa e oxigenar os diversos tecidos do corpo; porém, para isso, é necessário que existam estruturas anatômicas preservadas, como pulmão e vasos. Estruturas do corpo Partes anatômicas do corpo, como órgãos, membros e seus componentes. Atividade Execução das diversas tarefas ou ações pelo indivíduo no seu dia a dia. Participação social Envolvimento que o indivíduo pode ter com as diversas situações da vida real. Deficiência Toda a alteração das funções e estruturas do corpo. Exemplo: o indivíduo que tem insuficiência cardíaca terá deficiência de estrutura (coração com anatomia modificada) e de função (débito cardíaco reduzido). Limitação de atividade Problemas que o indivíduo apresenta na execução de suas atividades. Exemplo: um indivíduo acometido por um AVE tem limitação para andar; porém, pode locomover‑se com auxílio de dispositivos auxiliares, como bengala. Restrição de participação Problemas que o indivíduo pode enfrentar nas situações da vida real. Exemplo: um indivíduo com alteração na marcha poderá ter restrição para participação social de ir à igreja de forma independente. 146 Unidade IV Para se entender melhor sobre a CIF, o fisioterapeuta deverá realizar um curso complementar, para estudar as funções e domínios relacionados à CIF para então utilizá‑la de forma correta. A CIF pode ser utilizada nas mais diversas especialidades da fisioterapia. Saiba mais Para saber mais sobre a Classificação Internacional de Funcionalidade e Saúde (CIF), acesse: COMO usar a CIF: um manual prático para o uso da Classificação Internacionalde Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). FSP, 2013. Disponível em: http://www.fsp.usp.br/cbcd/wp‑content/uploads/2015/11/ Manual‑Pra%CC%81tico‑da‑CIF.pdf. Acesso em: 21 out. 2019. Resumo O fisioterapeuta deverá ser capaz de avaliar o seu paciente e, a partir de uma avaliação minuciosa determinar os objetivos e as condutas a serem realizadas com ele. Após a coleta dos dados pessoais, o profissional deverá averiguar a história clínica do paciente, ou seja, colher dados referentes à doença apresentada pelo paciente ou, no caso de crianças, pelo acompanhante. Após a coleta da história do paciente, o fisioterapeuta deverá realizar o exame físico para que possa, juntamente com os dados obtidos na anamnese, elaborar o diagnóstico fisioterapêutico, os objetivos e as condutas de tratamento. O fisioterapeuta possui diversos recursos exclusivos de sua profissão para o tratamento de seus pacientes em suas diversas áreas de atuação. Os procedimentos da fisioterapia contribuem para a prevenção, promoção cura e recuperação da saúde. Os recursos fisioterapêuticos disponíveis são cinesioterapia, mecanoterapia, eletroterapia, termoterapia, fototerapia, massoterapia, crioterapia, hidroterapia, e algumas terapias complementares. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi aprovada pela OMS em 2001, devido à necessidade de uma informação mais detalhada sobre funcionalidade e incapacidade. 147 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA A CIF não classifica pessoas, mas descreve a sua situação dentro de uma gama de domínios de saúde ou relacionados a ela, levando em consideração os fatores ambientais e sociais. Exercícios Questão 1. (FCC, 2018) Em crianças sob cuidados paliativos para tratamento de câncer, que apresentam dor, pode‑se realizar terapia manual, cinesioterapia: A) eletroterapia e termoterapia, pois estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento. A crioterapia deve ser evitada por dificultar o tratamento medicamentoso. B) eletroterapia e crioterapia, pois estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento, sem efeito sobre o crescimento tumoral. A termoterapia deve ser evitada por promover aceleração no metabolismo celular. C) eletroterapia, crioterapia e termoterapia, pois estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento, independentemente do fato de que alguns deles podem ter efeitos indesejáveis sobre o crescimento tumoral. D) pois estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento, sem efeitos deletérios sobre o tumor. Eletroterapia, crioterapia e termoterapia devem ser evitados, pois podem ter efeitos indesejáveis sobre o crescimento tumoral. E) crioterapia, pois estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento, sem efeitos deletérios sobre o tumor. Eletroterapia e termoterapia devem ser evitados, pois podem ter efeitos indesejáveis sobre o crescimento tumoral. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: na termoterapia, deve‑se atentar que o calor direcionado ao local do tumor não é recomendável devido ao aumento de irrigação sanguínea gerada; porém, por se tratar de alívio de dor, um cuidado paliativo não irá alterar o prognóstico. A crioterapia é um recurso útil para dores musculoesqueléticas. B) Alternativa incorreta. Justificativa: eletroterapia, termoterapia e crioterapia são cuidados paliativos para aliviar a dor e dar maior conforto ao paciente, que são os objetivos principais da fisioterapia nessa fase de tratamento do paciente oncológico. 148 Unidade IV C) Alternativa correta. Justificativa: a crioterapia tem um histórico expressivo como tratamento de dor, com eficácia comprovada, baixo custo e fácil aplicação. A eletroterapia traz resultados imediatos no alívio da dor, e a termoterapia superficial (bolsa térmica e compressa de parafina) pode ser utilizada para aliviar a dor oncológica de pacientes em controle paliativo. D) Alternativa incorreta. Justificativa: estes recursos podem modular a dor, que é o objetivo principal nesta fase do tratamento. Eletroterapia, crioterapia e termoterapia devem ser utilizadas nesta fase paliativa do tratamento. E) Alternativa incorreta. Justificativa: não apenas a crioterapia, mas também outros recursos que colaborem para o alívio da dor do paciente. Questão 2. (UFPA, 2017) O conceito neuroevolutivo Bobath oferece uma abordagem interdisciplinar baseada no trabalho do casal Karel e Berta Bobath com crianças com paralisia cerebral (PC). Na abordagem fisioterapêutica, considere o seguinte: I – O método é neuroevolutivo porque obedece à sequência do desenvolvimento motor normal. II – O atendimento evolui a partir de posturas que demandam maior controle motor até atingir posturas mais simples. III – Considera na sua intervenção a inibição de padrões reflexos e a organização do tônus. IV – Considera em sua abordagem os padrões de movimento que influenciam o tônus. V – O conceito foi desenvolvido diretamente para ser utilizado em crianças de 0 a 5 anos com PC. Está correto o que se afirma em: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) IV e V. 149 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FISIOTERAPIA Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o conceito neuroevolutivo Bobath é uma abordagem para a solução de problemas, para a avaliação e para o tratamento de indivíduos com distúrbios da função, do movimento e do controle postural, devido a lesões do sistema nervoso central. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: o atendimento evolui a partir de posturas mais simples até posturas que demandem maior controle motor. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: considera na sua intervenção a inibição de padrões reflexos, posicionamento da criança em posturas neuroevolutivas, organização do tônus, tornando o tratamento mais dinâmico ao englobar os padrões de movimento, influenciando o tônus. IV – Afirmativa correta. Justificativa: o método Bobath visa a restauração dos movimentos normais e eliminação de movimentos anormais, baseado na inibição dos reflexos primitivos, padrões patológicos de movimento, diminuir as sequelas da patologia e proporcionar maior grau de independência em suas atividades. V – Afirmativa incorreta. Justificativa: o conceito foi desenvolvido diretamente para ser utilizado em crianças de 0 a 5 anos com PC; e quanto mais precoce a ação para proteger ou estimular o sistema nervoso central, melhor será a resposta e o prognóstico do indivíduo. Quanto antes o diagnóstico e o tratamento, maior eficácia terá o trabalho reabilitador, voltado a prevenir deformidades músculo‑esqueléticas e estimular o desenvolvimento e as habilidades motoras. 150 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 BEACH‑21815_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2012/03/04/00/13/ beach‑21815_960_720.jpg. Acesso em: 14 out. 2019. Figura 2 WHEELCHAIR‑1595802_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/08/15/16/17/ wheelchair‑1595802_960_720.jpg. Acesso em: 14 out. 2019. Figura 3 CEREBRAL_PALSY.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/32/ Cerebral_palsy.jpg. Acesso em: 14 out. 2019. Figura 4 MICROCEPHALY‑COMPARISON‑500PX.JPG. 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