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Na imagem acima podemos observar a manifestação de um profissional da saúde satirizando o jeito como um de seus pacientes pronunciou as palavras “pneumonia” e “raio X”. O médico chegou a postar essa foto nas redes sociais expondo o ocorrido, contudo houve muitas respostas repudiando sua atitude, principalmente da família do paciente. Ele foi afastado e se desculpou publicamente. Noticia: https://vejasp.abril.com.br/blog/pop/a-reacao-nada-profissional-de-um-jovem-medico-no-facebook-provocou-seu-afastamento/ Na imagem acima observamos o incomodo recorrente do protagonista devido algumas palavras usadas ou faladas fora da norma. Pela expressão do personagem e pelo titulo do texto fica explicito o preconceito linguístico. A desaprovação e julgamento da maneira de falar dos demais, mesmo cumprindo o objetivo da comunicação. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Que mal fazia? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabia falar direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando como um escravo. Desentupia o bebedouro, consertava as cercas, curava os animais – aproveitara um casco de fazenda sem valor. Tudo em ordem podiam ver. Tinha culpa de ser bruto? Quem teria culpa? [...] Difícil pensar. Vivia agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares (RAMOS, 2005, p. 35). Na palma da mão as notas estavam úmidas de suor. Desejava saber o tamanho da extorsão. Da última vez que fizera contas com o amo o prejuízo parecia menor. Alarmou-se. Ouvira falar em juros e em prazos. Isto lhe dera uma impressão bastante penosa: sempre que os homens sabidos lhe diziam palavras difíceis, ele saía logrado. Sobressaltava-se escutando-as. Evidentemente só serviam para encobrir ladroeiras. Mas eram bonitas. Às vezes decorava algumas e empregava-as fora de propósito. Depois esquecia-as. Para que um pobre da laia dele usar conversa de gente rica? Sinhá Terta é que tinha uma ponta de língua terrível. Era: falava tão bem quanto as pessoas da cidade. Se ele soubesse falar como Sinhá Terta, procuraria serviço em outra fazenda, haveria de arranjar-se. Não sabia. Nas horas de aperto dava para gaguejar, embaraçava-se como um menino, coçava os cotovelos, aperreado. Por isso esfolavam-no. Safados. Tomar as coisas de um infeliz que não tinha nem onde cair morto! Não viam que isso não estava certo? Que iam ganhar com semelhante procedimento? Hem? Que iam ganhar? ... (RAMOS, 2005, p. 35). Os dois trechos da obra Vidas Secas – Graciliano Ramos apresentam as consequências do preconceito linguístico. No primeiro fica evidente que o Fabiano (personagem principal) foi preso por uma falha na comunicação com o guarda, por ele não saber falar como o mesmo, não se expressar de maneira “correta”. No segundo Fabiano lamenta não saber falar como a Sinha Terta, pois se ele soubesse não seria enganado pelo patrão; Este que aproveitava de sua ignorância para lhe explorar e extorquir usando palavras que não pudera compreender, desta forma refutava seus argumentos e reivindicações de seus direitos, além de ameaças de demissão.