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Cuidados de Enfermagem nas lesões de Pele – Prescrição de tecnologias de coberturas e cuidados com estomas Profª Marina Leitão David Prevenção de LPP As lesões por pressão (LPP) são danos localizados na pele e/ou tecidos subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão isolada ou combinada com forças de cisalhamento e/ ou fricção. Os riscos aumentam quando somado aos fatores predisponentes intrínsecos da pessoa (NPUAP - National Pressure Ulcer Advisory Panel, 2016). Objetivos 1. Identificar e classificar os clientes com risco para LPP. 2. Implementar ações preventivas nos clientes com risco para LPP. 3. Identificar precocemente LPP em estágios iniciais. 4. Avaliar, tratar e evoluir as LPP instaladas. 5. Otimizar a indicação e uso racional dos insumos Grupos de Risco • Clientes com mobilidade física prejudicada (acamados/cadeirantes). • Clientes com a percepção sensorial comprometida. • Clientes submetidos à procedimentos cirúrgicos (tempo de cirurgia; posições cirúrgicas e tipo de anestesia). • Clientes com dispositivos médicos e outros artefatos (colar cervical; órteses; contensores mecânicos; cateteres; drenos; pronga nasal e outros). Fatores Predisponentes para LPP Extrínsecos: umidade; calor; pressão, força de cisalhamento e fricção. Intrínsecos: índice de massa corporal (IMC) > 30 Kg/m2 ou < 18,5 Kg/m2 , anemia, deficiência nutricional proteica; extremos de idade, hipotensão arterial sistêmica, incontinência urinária/fecal, edema, hipertermia, tabagismo, desidratação; infecções sistêmicas ou locais; comorbidades crônicas (diabetes mellitus; imunossupressão; doenças renal, cardiovascular, neuromuscular, gastrointestinal e outras); uso de alguns tipos de medicamentos (corticoides; sedativos; anestésicos, vasoativas) Escala de Braden Utilizado notas para identificar o risco do paciente em desenvolver úlcera por pressão. Quanto menor for a pontuação, maior será o risco, ou seja, quanto menor o escore da escala de Braden, maior é o risco de desenvolvimento de úlcera por pressão. Optamos por utilizar a escala de Braden por ter sido submetida a diversos estudos e testes de confiabilidade e validade em diferentes populações, dentre as escalas mais conhecidas (Norton, Gosnell e Waterloo). Foi validada também para a Língua Portuguesa. Utilizamos a Escala de Braden para todos os pacientes admitidos na UTI-A e na evolução diária do paciente até sua alta. • A contagem de pontos baixa, indica uma baixa habilidade funcional, estando o indivíduo em alto risco para desenvolver a úlcera de pressão; • A pontuação pode ir de 4 a 23; • Pacientes adultos hospitalizados, com uma contagem < que 16 pontos, são considerados de risco; • Uma pontuação de 16 é considerada risco mínimo; de 13 a 14, risco moderado de 12 ou menos, risco elevado. Medidas de Prevenção e de Identificação Precoce da Lesão por Pressão A- Cuidados com a pele. B - Redução da sobrecarga tissular e utilização de superfícies especiais de suporte. C- Cuidados com a hidratação e a nutrição. D- Educação em saúde. As intervenções deverão ser selecionadas/aplicadas de acordo com a classificação de risco e as individualidades do cliente. Cuidados de Enfermagem por Risco RISCO LEVE (15 a 18 pontos na escala Braden) ✓ Manter os lençóis da cama limpos, secos e esticados, sem dobras ou costuras em contato com pele, após os atendimentos assistenciais. ✓ Não expor o cliente ao frio. ✓ Manter a cabeceira elevada a 30° (com ou sem travesseiro) ✓ Utilizar recursos como lençol móvel ou dispositivo de transferência (passante) para promover a mobilidade no leito ou transferência, de forma a minimizar possíveis lesões na pele devido à fricção. ✓ Proteger a pele sob dispositivos médicos, que causam pressão e fricção (colar cervical; cânula; órteses; tubo traqueal e outros), com gazes, compressas ou dispositivos específicos ✓ Inspecionar a pele sobre as áreas suscetíveis ao desenvolvimento de LPP dos clientes pertencentes ao grupo de risco a cada 6 horas. Registrar os achados. OBS: O enfermeiro deverá reavaliar o plano de cuidados, se identificada a lesão. Prescrições/ Intervenções ✓ Aplicar solução à base de ácidos graxos essenciais sobre as áreas suscetíveis ao desenvolvimento de LPP, uma vez por plantão (M/T/N). OBS: Suspender o uso da solução, quando o cliente apresentar sudorese intensa ou alergia. ✓ Manter o cliente limpo e seco. ✓ Higienizar a pele com sabonete hipoalergênico e água morna, diariamente; ✓ Não massagear a pele sobre proeminências ósseas no banho e na aplicação de soluções/cremes. ✓ Realizar higiene íntima com água e sabonete líquido e aplicar protetores cutâneos tópicos, sem excesso, nas regiões genital, inguinal e perianal, imediatamente, após as eliminações. ✓ Pesar o cliente: Se perda de peso, comunicar ao médico ou ao nutricionista. ✓ Oferecer/Auxiliar na oferta da dieta hospitalar prescrita, quando necessário. ✓ Quantificar/qualificar a aceitação da refeição e de líquidos. Registrar no prontuário. ✓ Se ingesta insatisfatória, investigar possíveis Investigar presença de dor local. ✓ Se dor presente, investigar as causas e os fatores que aliviam ou pioram. ✓ Auxiliar a mudança de decúbito. ✓ Estimular movimentação no leito (utilizar quadros de aviso). ✓ A determinação do decúbito e do tempo deverá atender as necessidades e limitações do cliente. ✓ Promover mudanças posturais, após prévia avaliação, de acordo com as necessidades e limitações do cliente. ✓ Sentar a beira leito ✓ Sentar na poltrona ✓ Posicionar de pé a beira leito ✓ Não realizar as mudanças posturais, quando houver instabilidade hemodinâmica, fraturas não corrigidas, presença de dor e risco de queda. ✓ Retornar a posição inicial, caso o cliente apresente algum desconforto (dor, cansaço, lipotímia, câimbras e outros). RISCO MODERADO (13 - 14 pontos na escala Braden) • Realizar mudança de decúbitos (lateral direito, dorsal e lateral esquerdo), no máximo, a cada 2 horas; • A determinação do decúbito e do tempo deverá atender as necessidades e limitações e condições do cliente (fratura instável, piora do padrão hemodinâmico, presença de LPP, desconforto respiratório, pós-operatório, fixadores externos e outros); • Posicionar o cliente em decúbito lateral inclinado em ângulo de 30° com apoio de um travesseiro entre proeminências ósseas ou entre áreas do corpo com maior pressão com colchão; • Colocar bota de proteção para calcâneos e maléolos (espuma ou gel); • Utilizar colchão de fluxo de ar; • Orientar os clientes restritos à cadeira de roda a promover a sua mobilização, elevando a região glútea, com apoio dos membros superiores, a cada 15 minutos, para aliviar áreas sob pressão; • Posicionar coberturas protetoras (placas de hidrocoloide ou filme transparente de poliuretano) na pele sobre proeminências ósseas que estão sujeitas às forças de fricção e cisalhamento e mantê-las por até 7 dias. • Retirar a cobertura protetora, antes do prazo estabelecido, se bordas soltas e mudança de coloração. RISCO ALTO / MUITO ALTO (≤ 12 pontos na escala Braden) Utilizar colchão pneumático Avaliação da Lesão por Pressão Tratamento da LPP O tratamento da LPP instalada deverá ser implementado em conjunto com as medidas preventivas. Os tratamentos tópico e sistêmico da LPP considerarão: 1. Procedimentos de limpeza e de desbridamento; 2. Aplicação de terapia tópica (coberturas primárias, secundárias e de fixação) e 3. Intervenção sistêmica. Tratamento Tópico 1 Procedimentos de limpeza e de desbridamento A técnica de limpeza da lesão e da pele adjacente visa remover secreções, tecidos desvitalizados soltos, micro-organismos e resíduos das coberturas tópicas, preservando o tecido de granulação e minimizando riscos de trauma e/ou infecção. A técnica deverá ser asséptica e limpeza com soro fisiológico (SF) 0,9% morno e em jato. A solução aquosa de polihexanida 0,1% (PHMB) poderá serindicada também para limpeza da ferida, quando for necessário uma limpeza mais profunda e controle antimicrobiano. A remoção do tecido desvitalizado, quando houver, ocorrerá após a limpeza, sem agredir o tecido de granulação, por meio dos processos: 1° opção: Mecânico (jato de SF 0,9% ou gazes) 2° opção: Enzimático (cobertura tópica primária com enzimas proteolíticas) ou Autolítico (cobertura tópica primária com facilitadores da ação dos macrófagos e da atividade proteolítica endógena) 3° opção: Instrumental conservador (tesoura/bisturi) 4° opção: Cirúrgico Aplicação de terapias tópicas A prescrição das coberturas será embasada nas recomendações do preparo do leito da lesão que preconizam fazer as seguintes observações clínicas: tipo de tecido; estadiamento da lesão; quantidade de exsudato; presença de sangramento; sensibilidade à dor e presença de infecção. As coberturas incluem: as primárias, as secundárias e os dispositivos de fixação/suporte Bota de Unna Bandagem de algodão puro ou misto impregnada com óxido de zinco, glicerina, óleo de castor ou mineral. • Tipo de tratamento: Cobertura primária ou secundária • Tipo de ferida: Feridas decorrente de insuficiência venosa Mecanismo de ação Possui atividade cicatrizante e reepitelizante, atuando na contenção de edema ao auxiliar no melhor retorno venoso e redução de exsudato. • Indicação: Úlceras Venosas de MMII • Contraindicação: Hipersensibilidade aos componentes do produto, contraindicada para úlcera arterial. No caso de úlcera mista encaminhar para avaliação médica. Modo de Uso Aplicar preferencialmente no período da manhã, Solicitar ao paciente manter os membros afetados elevados acima do nível do corpo por no mínimo 15 minutos, antes do procedimento, na primeira aplicação e sempre que necessário na presença de edema. Avaliar a ferida e a necessidade de associação com outra cobertura primária, realizar o curativo. Iniciar o enfaixamento da bandagem pelos artelhos, aplicando progressivamente até a tuberosidade tibial. Na presença de muito exsudato, principalmente nas primeiras trocas, colocar gaze ou chumaço por cima da bota no local da lesão e enfaixar com atadura de crepe sobre a bota de unna. • Período de troca Após 1ª colocação, avaliação clínica em 24hs ou 48hs e 1ª troca em 4 dias. Após controle do exsudato deve permanecer até 7 dias. Trocar a cobertura secundária sempre que saturada Gaze com SF 0,9% Cobertura primária, indicado para todas as lesões. Mecanismo de ação: Contribui para a umidade da lesão, favorece a formação de tecido de granulação, estimula o desbridamento autolítico/mecânico e absorve exsudato. Indicação: Contribuir para a umidade da lesão; Proteger o tecido; Contraindicação: • Feridas que cicatrizam por primeira intenção; • Lesões com excesso de exsudato e secreção purulenta; • Locais de inserção de cateter; • Drenos; • Fixador externo. Modo de usar ✓ Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9%, preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; ✓ Recobrir toda a superfície com a gaze umedecida ao leito da lesão não fazendo compressão e atrito; ✓ Ocluir com cobertura secundária de gaze, chumaço ou compressa, fixar com atadura, fita hipoalergênica ou esparadrapo; ✓ Ao trocar as gazes se necessário umedecer com SF 0,9%. • Período de troca : O curativo deve ser trocado toda vez que estiver saturado com a secreção ou, no máximo, a cada 24 horas. Quando na presença de pouco exsudato, a gaze deverá ser umedecida duas a três vezes ao dia, com SF0,9%. Rayon – Cobertura não aderente Tecido em malha não aderente usado como cobertura primária para feridas agudas ou crônicas de qualquer etiologia, protege a lesão preservando tecido e evitando aderência no leito da ferida Indicação: Lesões na qual se objetiva evitar trauma no leito e preservar o tecido viável Contraindicação: Lesões com tecido desvitalizado ou inviável Modo de usar: Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; ✓ Associar a cobertura indicada; ✓ Recobrir toda a superfície da lesão não fazendo compressão e atrito; ✓ Ocluir com cobertura secundária de gaze, chumaço ou compressa, fixar com atadura, fita hipoalergênica ou esparadrapo. Ácido Graxos Essencial - AGE Óleo vegetal composto de ácido linoleico, ácido caprílico, ácido cáprico, vitamina A, E e lecitina de soja. Utilizado para cobertura primaria em Feridas agudas ou crônicas com perda de tecido superficial ou parcial. Mecanismo de ação: Protege a ferida preservando o tecido vitalizado e mantendo meio úmido proporcionando nutrição celular local. Acelera o processo de granulação tecidual. Evita a aderência ao leito da lesão e em lesões exsudativas atua como proteção de borda da lesão. Indicação: Tratar feridas abertas vitalizadas, não infectadas, em fases de granulação e epitelização (com ou sem exsudato); Proteção da pele peri- lesão; *Prevenção de úlcera por Pressão Contraindicação:Tecido desvitalizados, hipergranulação, lesões infectadas, feridas oncológicas, Modo de usar ➢ Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; ➢ Aplicar o AGE topicamente sob a lesão; ➢Ocluir com cobertura secundária de gaze, chumaço ou compressa, fixar com atadura, fita hipoalergênica ou esparadrapo. Período de troca: O curativo deve ser trocado toda vez que estiver saturado com a secreção ou, no máximo, a cada 24 horas. Hidrocolóide em Placa Curativo estéril recortável composto internamente por no mínimo carboximetilcelulose. Camada externa composta por espuma ou filme de poliuretano, impermeável. Cobertura primária para Lesões vitalizadas ou com necrose com pouco/médio exsudato. Ex: escoriações, queimaduras de 1º e 2º grau e skin tears (lesões por fricção e pequenos traumas em pele). *Prevenção ou tratamento de úlceras por pressão não infectadas. Mecanismo de ação: As partículas de celulose se expandem ao absorver líquidos e criam um ambiente úmido, que permite às células do microambiente da úlcera fornecer um desbridamento autolítico. Esta condição estimula a angiogênese, tecido de granulação e protege as terminações nervosas. Ele mantém o ambiente úmido, enquanto protege as células de traumas, da contaminação bacteriana, e mantém também o isolamento térmico. Indicação: Tratamento de feridas abertas não infectadas com leve a moderada exsudação. Contraindicação: Lesões infectadas e queimaduras de 3º ou 4º grau. Modo de usar: Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; ✓ Recortar o hidrocolóide com diâmetro que ultrapasse a borda da lesão pelo menos 2 a 3 centímetros; · Aquecer o hidrocolóide entre as mãos, retirar o papel protetor e aplicar o hidrocolóide segurando-o pelas bordas da placa; ✓ Pressionar firmemente as bordas e massagear a placa, para perfeita aderência. Se necessário, reforçar as bordas com fita hipoalergênica. ✓ Realizar escarificação em tecido necrótico, antes de aplicar. Período de troca A cada sete dias ou quando saturado. Em caso de necrose a troca deverá ser realizada em até 3 dias. Hidrogel com ou sem alginato de cálcio e sódio Gel transparente e incolor composto por água e no mínimo carboximetilcelulose. Encontram-se apresentações com ou sem alginato de cálcio e sódio associados. Usadas como cobertura primária para Lesões com pouca exsudação ou seca. Mecanismo de ação Possibilita um ambiente úmido que promove o desbridamento autolitico, estimulando a cicatrização. Indicação: ✓ Feridas abertas com tecido vitalizado ou desvitalizado; ✓ Queimaduras de 2º e 3º grau; ✓ Úlceras venosas e ulceras por pressão. Contraindicação: Pele íntegra; · Feridas operatórias fechadas; · Feridas muito exsudativas; · Fístulas. Modo de Usar ➢ Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigaçãoem jato; ➢ Aplicar fina camada do gel sobre a ferida ou introduzir na cavidade assepticamente; ➢ Ocluir a ferida com cobertura secundária estéril. ➢ Recomenda-se umedecer levemente a gaze quando esta for utilizada como cobertura secundária. Período de troca Quando utilizado com gaze como cobertura troca a cada 24hs. Pode permanecer por até 7 dias quando associado com algumas coberturas como por exemplo hidrocolóide ou hidrofibra. Feridas infectadas troca no máximo a cada 24hs. Feridas com necrose troca no máximo cada 72hs. OBS: gel de barreira nas bordas Hidrofibra sem Prata Curativo absorvente composto por fibras de carboximetilcelulose sódica, usado como cobertura primária nas Úlceras por pressão grau III e IV, úlceras diabéticas, feridas operatórias, queimaduras 2º grau. Mecanismo de ação: Auxiliar o desbridamento osmótico autolítico ao manter o meio úmido, induz hemostasia, possui alta capacidade de absorção de exsudato e sua retirada é atraumática preservando o tecido vitalizado. Indicação: Feridas com exsudato moderado a alto, feridas cavitárias. Contraindicação: Feridas com pouca exsudação e uso limitado em feridas superficiais. Modo de Usar ✓ Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; ✓ Secar a pele ao redor, modelar a hidrofibra no interior da ferida, deixando uma margem de 1 centímetro a mais, se necessário recortar a placa antes de aplicá-la; ✓ Ocluir com curativo secundário (gazes ou chumaço). Período de troca: Trocar curativo secundário quando saturado ou em até 24 horas, a placa de hidrofibra poderá permanecer na ferida por até 7 dias. Observação O curativo pode ser usado sob compressão e se necessário pode ser previamente umedecido com SF 0,9% Hidrofibra com Prata Curativo absorvente composto por fibras de carboximetilcelulose sódica e prata (Ag), usada como cobertura primária para Úlceras por pressão grau III e IV, úlceras diabéticas, feridas operatórias, queimaduras 2º grau. Mecanismo de ação: Auxiliar o desbridamento osmótico autolítico ao manter o meio úmido, induz hemostasia, possui alta capacidade de absorção de exsudato e sua retirada é atraumática preservando o tecido vitalizado. É bactericida e fungicida. Mantém atividade antimicrobiana através da liberação controlada da prata. Indicação: Feridas com exsudato moderado a alto, feridas cavitárias e altamente colonizadas ou infectadas Contraindicação: • Feridas com pouca exsudação e uso limitado em feridas superficiais. • Feridas com necrose seca ou tecido inviável. • Hipersensibilidade a prata Modo de usar Modo de Usar Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; Secar a pele ao redor, modelar a hidrofibra no interior da ferida, deixando uma margem de 1 centímetro a mais, se necessário recortar a placa antes de aplicá-la. Ocluir com curativo secundário (gazes ou chumaço). Período de troca: Trocar curativo secundário quando saturado ou em até 24 horas. A placa de hidrofibra poderá permanecer na ferida por até 7 dias. Nos casos de queimadura 2º grau a hidrofibra com AG pode permanecer até 14 dias na ferida. Nestes casos recortar a hidrofibra que se desprende da pele ao redor da ferida conforme a epitelização do tecido. Observação O curativo pode ser usado sob compressão e se necessário pode ser previamente umedecido com SF 0,9% Carvão Ativado Curativo composto por carvão ativado, impregnado por íons de prata, envolto por uma camada de não tecido, usado como cobertura primária em Feridas altamente colonizadas ou infectadas, neoplásicas, pé diabético, crônicas ou agudas. Mecanismo de ação: O carvão ativado é responsável por neutralizar o odor através do mecanismo de adsorção. A prata exerce ação bactericida. Indicação: Feridas exsudativas e infectadas, com ou sem odor Contraindicação: Hipersensibilidade a prata, Feridas com sangramento, Aplicação direta em tumor, Feridas limpas e secas Modo de usar: Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; Remover exsudato e tecido desvitalizado se necessário, não secar o leito da ferida. Colocar o curativo de carvão ativado sobre a ferida. Ocluir com cobertura secundária Período de troca: O curativo pode permanecer até 7 dias. As trocas ocorrem em média de 3 a 7 dias dependendo da capacidade de adsorção. Trocar a cobertura secundária sempre que estiver saturada. Observações O curativo não pode ser cortado. Na presença de pouco exsudato e tecido de granulação avaliar a troca para outro tipo de cobertura para manutenção do meio úmido. Hidroalginato de Cálcio com Prata Curativo composto de fibras de alginato de cálcio, carboximetilcelulose e prata usado como cobertura primária em Feridas agudas ou crônicas como úlceras por pressão, úlceras venosas feridas traumáticas, deiscências, pé diabético, queimaduras Mecanismo de Ação: Absorve e retém o exsudato, controla a atividade microbiana através da liberação sustentada da prata, promove hemostasia. Em contato com o exsudato gelifica minimizando dor e traumas durante as trocas. Indicação: Tratamento de feridas infectadas ou com um alto risco de infecção e exsudato de moderado a alto Contraindicação: Feridas com pouca exsudação e uso limitado em feridas superficiais, Feridas com necrose seca ou tecido inviável, Hipersensibilidade a prata e ao alginato Modo de usar • Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; secar a pele ao redor. • Modelar o hidroalginato com prata no interior da ferida, deixando uma margem de 1 centímetro a mais. Se necessário recortar a placa antes de aplicá-la. • Ocluir com curativo secundário. Período de Troca: Pode permanecer por até 7 dias. As trocas variam dependendo da saturação do curativo. Trocar o curativo secundário sempre que saturado. No caso de queimaduras de 2º grau alguns fabricantes orientam a troca até 14 dias. Consultar bula do produto. Hidropolímero/ espuma não adesiva Curativo composto de uma camada interna de espuma de poliuretano, absorvente, revestido externamente de filme de poliuretano sendo permeável a trocas gasosas e impermeável a água e microrganismos, usado para cobertura primária em Feridas crônicas ou agudas, úlceras venosas, úlceras por pressão estagio III ou IV, pé diabético, deiscências, traqueostomia. Mecanismo de ação: Manutenção do ambiente úmido favorável a cicatrização. Controla o exsudato permitindo a transmissão da umidade por vapores para meio externo. Impede a passagem de água e bactérias para o interior da ferida. Indicação: Feridas sem infecção com exsudato moderado a intenso · Feridas abertas com tecido vitalizado ou desvitalizado; Contraindicação: Necrose seca (Tecido desvitalizados), hipergranulação e feridas com pouca exsudação. Modo de usar: Limpar a lesão com soro fisiológico 0,9% preferencialmente morno, utilizando o método de irrigação em jato; Recortar a espuma do tamanho da ferida; Ocluir a ferida com cobertura secundária estéril. Período de troca: Pode permanecer por até 7 dias. As trocas variam dependendo da saturação do curativo. Trocar o curativo secundário sempre que saturado. Curativo com Pressão Negativa Técnica • Espuma de poliuretano recortada no tamanho da lesão, filme plástico, aparelho gerador de pressão sub-atmosférica (125mmhg abaixo da pressão ambiente) com um dreno. • Reduz edemas, drena fluidos, melhora a circulação local, o que leva a maior granulação e aceleração do fechamento da ferida • Contra indicado em necroses!! Papaína 10% Enzimas proteolíticas do látex do mamão papaia, usado como cobertura primária em lesões com necrose seca Mecanismo de ação: Dissociação das moléculas de proteína (desbridamento químico). Anti-inflamatório, bactericida e bacteriostático. Estimula a força tensil e acelera o processo cicatricial. Indicação: Tratamento de feridas abertas com tecido inviável seco Contraindicação:Desde que usada a concentração adequada não há contraindicação. Modo de Usar Aplicar topicamente sobre o ferimento 1 vezes ao dia. Período de troca: Sempre que o curativo secundário estiver saturado ou no máximo a cada 24hs. Observação Conservar sempre no interior da geladeira. Evolução da Lesão por Pressão O registro da evolução da LPP deverá ser realizado a cada 7 dias, considerando os parâmetros: área da lesão; tipo de tecido e quantidade de exsudato. Como medir a área da LPP? ESFACELO Necrose seca ESCARA Diferença entre úlcera Venosa e Arterial Ulcera Varicosa Úlcera Arterial ENTEROSTOMIA É UM PROCEDIMENTO CIRÚRGICO QUE ENVOLVE A CRIAÇÃO DE UMA ABERTURA ARTIFICIAL NO EXTERIOR DO CORPO, A FIM DE DESVIAR O INTESTINO. ESSAS ABERTURAS- ESTOMAS, SÃO USADAS PARA AJUDAR A ELIMINAR AS FEZES DO CORPO. ESTE PROCEDIMENTO GERALMENTE É REALIZADO QUANDO UMA DOENÇA DO INTESTINO TORNA DIFÍCIL OU IMPOSSÍVEL PARA OS RESÍDUOS DE EVACUAR NATURALMENTE. ESTOMAS GERALMENTE ESTÃO LOCALIZADOS EM ALGUM LUGAR DO ABDÔMEN, DEPENDENDO DO TIPO DE DOENÇA OU PROCEDIMENTO. Cuidados com pacientes Osmomizados A PARTE VISÍVEL DE UMA COLOSTOMIA É CHAMADA DE ESTOMA. A LOCALIZAÇÃO DO ESTOMA NO ABDÔMEN VARIA DEPENDENDO DE ONDE NO COLO A COLOSTOMIA É CRIADA . PARA CRIAR O ESTOMA, O CIRURGIÃO TRAZ O CÓLON PARA O EXTERIOR DO ABDÔMEN E COMO RESULTADO A PARTE VISÍVEL OU ESTOMA, NO ABDÔMEN É O REVESTIMENTO INTERNO DO CÓLON. O ESTOMA É MACIO, ÚMIDO E ROSADO- VERMELHO NA COR SEMELHANTE AO TECIDO DENTRO DA BOCA. O TAMANHO DE UM ESTOMA VARIA DEPENDENDO DO INDIVÍDUO E DA NATUREZA DA CIRURGIA. PODE SANGRAR LIGEIRAMENTE QUANDO, TOCADO, UMA VEZ QUE MUITOS PEQUENOS VASOS SANGUÍNEOS ESTÃO MUITO PERTO DA SUPERFÍCIE. NÃO FAZ MAL QUANDO TOCADO OU QUANDO FEZES E GÁS SÃO PASSADOS. VOCÊ NÃO PODE CONTROLAR O MOVIMENTO DE FEZES E GÁS ATRAVÉS DO ESTOMA. PORTANTO UM SISTEMA DE BOLSA DEVE SER USADO EM TODOS OS MOMENTOS. Cuidando da pele periestoma • O cuidado com o ostoma ou estoma envolve também o cuidado periestoma, ou seja, ao redor do estoma, essa pele precisa estar preparada e muito saudável para receber a placa que será acoplada à bolsa. • Então, segue algumas dicas importantes: • Lavar as mãos antes e após a lavagem da bolsa; • Lavar a região da pele periostomal com água limpa, sabão neutro; • Secar suavemente a pele com uma toalha fina ou lenço de papel; • Sempre que possível expor a região periestomal (protegendo a ostomia) ao sol da manhã durante um minuto; • Evitar o uso do álcool, éter ou soro fisiológico, podem ressecar a pele e irritar; • Despregar a bolsa de cima para baixo, empurrando a pele para o lado com o crescimento dos pelos; • Quando a pele apresentar coceira na região ao redor do estoma, imediatamente retirar a bolsa; • Quando a pele periestomal tiver pelos, cortá-los com uma tesoura rente a pele. Se usar barbeador corre-se o risco de cortar a pele e usar inflamação nos pelos. • Trocar a bolsa de preferência durante o banho, aproveitando para tocar seu estoma; • Manter o corte da bolsa próximo ao ostoma; • Não furar a bolsa; • Ao fazer a limpeza da bolsa drenável usar água normal e sabão líquido de preferência com a ducha ou spray; • Manter a pele periestomal sempre limpa e seca; • Usar a bolsa até enquanto a pele não apresentar reação adversa; • Evitar trocar a bolsa com muita freqüência (o mínimo para manter são 3 dias); • Sempre esvaziar a bolsa quando for dormir para sua segurança; • Sempre após a limpeza da bolsa, lavar e enxugar com papel higiênico, gaze ou pano, a abertura da bolsa; • Após a limpeza, sugerimos para enxugar a pele, materiais delicados como papel (fino), gaze ou pano macio para não irritar a pele; • O uso de barreiras protetoras (seja em forma de spray ou lenços) na pele periestoma, após a higienização da pele ajuda na proteção dessa pele evitando dermatites (irritações).