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2 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 6 
2 INTRODUÇÃO À FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO ........................................ 7 
2.1 Regulação e integração do corpo durante o exercício ......................... 8 
2.2 Reação aguda ao exercício ................................................................ 10 
2.3 Adaptações crônicas durante o exercício ........................................... 10 
3 HOMEOSTASE ......................................................................................... 11 
4 AJUSTES E ADAPTAÇÕES AO EXERCÍCIO FÍSICO ............................. 13 
4.1 Adaptações cardiopulmonares ........................................................... 14 
4.2 Adaptações musculares ..................................................................... 14 
4.3 Adaptações ósseas ............................................................................ 14 
4.4 Adaptações articulares ....................................................................... 15 
4.5 Adaptações ligamentares ................................................................... 15 
5 METABOLISMO ENERGÉTICO ............................................................... 16 
5.1 Reações químicas x Energia .............................................................. 16 
5.2 Divisões do metabolismo energético .................................................. 17 
5.3 Ciclo de Krebs .................................................................................... 17 
5.4 Compostos importantes ...................................................................... 18 
5.5 Metabolismo energético nos seres autotróficos e heterotróficos ........ 19 
6 JANELA DE ADAPTAÇÃO NEURAL ........................................................ 21 
6.1 Fisiologia da contração muscular ....................................................... 21 
6.2 Janela de adaptação neural ............................................................... 22 
7 AJUSTES E ADAPTAÇÕES NEUROMUSCULARES .............................. 23 
7.1 Sistema Nervoso Central (SNC) ......................................................... 23 
7.2 Sistema Nervoso Periférico ................................................................ 24 
 
3 
 
 
 
 
7.3 Organização do Córtex Motor ............................................................ 24 
7.4 Neurofisiologia do movimento na prática ............................................ 25 
7.5 Hipertrofia muscular e a neurofisiologia do exercício ......................... 26 
8 AJUSTES E ADAPTAÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS ....................... 26 
8.1 Equilíbrio entre a energia requerida pelos músculos (que trabalham) e 
o ritmo de produção de ATP .................................................................................. 29 
8.2 Fadiga muscular ................................................................................. 30 
9 AVALIAÇÃO CARDIOVASCULAR NO REPOUSO E NO EXERCÍCIO .... 31 
9.1 Frequência cardíaca ........................................................................... 31 
9.2 Frequência cardíaca de repouso ........................................................ 32 
9.3 Fatores que aumentam a FC de repouso. .......................................... 33 
9.4 Frequência cardíaca durante o exercício ........................................... 33 
10 ADAPTAÇÕES RESPIRATÓRIAS DURANTE O EXERCÍCIO.............. 35 
10.1 Regulação da ventilação durante o exercício.................................. 37 
10.2 Dispneia (respiração curta) ............................................................. 41 
10.3 Hiperventilação ............................................................................... 41 
10.4 Exemplos nos esportes ................................................................... 41 
10.5 Manobra de Valsalva ...................................................................... 42 
11 CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO ABSOLUTO (VO2MÁX) E 
RELATIVO (VO2MÁX/KG) ......................................................................................... 42 
11.1 Fatores que limitam o rendimento durante o VO2máx: ................... 43 
11.2 Consumo de oxigênio ..................................................................... 43 
11.3 Consumo máximo de oxigênio ou potência aeróbia máxima .......... 43 
11.4 Consumo máximo de oxigênio relativo ........................................... 44 
11.5 Fatores que influenciam o VO2máx e o VO2máx/kg ...................... 44 
11.6 Estado estável, déficit de O2 e dívida de O2 .................................. 44 
 
4 
 
 
 
 
11.7 Déficit de oxigênio ........................................................................... 45 
11.8 Dívida de oxigênio ........................................................................... 45 
12 AVALIAÇÃO: FREQUÊNCIA CARDÍACA MÁXIMA (FCMÁX) E DÉBITO 
CARDÍACO (DC) ....................................................................................................... 46 
12.1 Determinantes para a FCmáx máxima prevista de um ser humano 46 
12.2 Débito cardíaco: a capacidade funcional do sistema cardiovascular
 47 
12.3 Débito cardíaco em condições de repouso e durante o exercício ... 47 
12.4 Distribuição do débito cardíaco ....................................................... 50 
12.5 Fluxo sanguíneo e exercício ........................................................... 52 
13 Pressão arterial e exercício ................................................................... 52 
13.1 Duplo produto .................................................................................. 56 
13.2 Frequência cardíaca máxima .......................................................... 57 
13.3 Importância do metabolismo anaeróbio .......................................... 58 
13.4 Capacidade anaeróbia .................................................................... 58 
13.5 Potência anaeróbia ......................................................................... 58 
13.6 Capacidade anaeróbia aláctica ....................................................... 58 
13.7 Capacidade anaeróbia láctica ......................................................... 58 
13.8 Metabolismo do ácido láctico .......................................................... 59 
13.9 Limiar anaeróbio: um indicador importante no alto rendimento ....... 59 
13.10 Ventilação e metabolismo energético durante o exercício .............. 60 
13.11 Critério de determinação de limiares ventilatórios .......................... 60 
13.12 Limiar ventilatório (LV2) – limiar anaeróbio ..................................... 62 
13.13 Limiar láctico ................................................................................... 62 
13.14 Considerações sobre lactato, pH e regulação respiratória do 
equilíbrio acidobásico ............................................................................................ 63 
 
5 
 
 
 
 
13.15 Nível máximo de lactato sanguíneo no estado estável ................... 64 
13.16 Alto rendimento em provas supra máximas de carga constante ..... 65 
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 66 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, asperguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
 
 
2 INTRODUÇÃO À FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO 
 
Fonte: gograph.com 
Segundo FORJAZ (2011), o termo fisiologia vem do grego "Physis" = natureza, 
função ou funcionamento e "logos" = palavra ou estudo. Assim, a Fisiologia 
caracteriza-se como o ramo da Biologia que estuda as múltiplas funções mecânicas, 
físicas e bioquímicas dos seres vivos. Ela se utiliza dos conceitos da física e da 
química para explicar como ocorrem as funções vitais dos diferentes organismos e 
suas adaptações frente aos estímulos do meio ambiente. 
As atividades ou exercícios físicos que realizamos em diferentes situações da 
vida (cotidiana, laboral, recreativa), assim como os programas de exercício com fins 
de saúde e sobretudo o esporte competitivo em diferentes idades e níveis de 
competição, requerem liberação energética leve, moderada ou intensa, dependendo 
da duração e da intensidade do exercício e da relação carga do exercício-
descanso, frequência da atividade, estado de saúde, idade e condição física atuais do 
indivíduo. 
A energia necessária para fosforilar o ADP em ATP é proporcionado pela 
degradação aeróbia de carboidratos, gorduras e proteínas. Caso não se consiga um 
ritmo estável entre a fosforilação oxidativa e as necessidades energéticas da 
 
8 
 
 
 
 
atividade, desenvolve-se um desequilíbrio anaeróbio-aeróbio, acumula-se ácido 
láctico, a acidez nos tecidos aumenta e sobrevém rapidamente a fadiga. 
A capacidade de manter um alto nível de atividade física sem fadiga demasiada 
depende de dois fatores: 
Da capacidade de integração de diferentes sistemas fisiológicos (respiratório, 
circulatório, muscular, endócrino) para realizar o exercício. 
Da capacidade das células musculares específicas de gerar ATP de modo 
aeróbio. 
2.1 Regulação e integração do corpo durante o exercício 
Ajustes químicos, neurais e hormonais que ocorrem antes e durante a prática 
de exercícios. No início e até antes de começar o exercício (pré-arranque), principiam-
se alterações cardiovasculares a partir dos centros nervosos que estão acima da 
região medular. Tais ajustes proporcionam um aumento significativo na frequência e 
na força de bombeamento do coração, bem como promovem alterações previsíveis 
no fluxo sanguíneo regional, que são proporcionais à intensidade do exercício. Com o 
prosseguimento da atividade física, a saída de informação simpática colinérgica, junto 
com fatores metabólicos locais que atuam sobre os nervos quimiossensíveis, além de 
atuar diretamente sobre os vasos sanguíneo s, causa a dilatação dos vasos de 
resistência dentro dos músculos ativos. Essa resistência periférica reduzida permite 
que as áreas ativas recebam maior irrigação sanguínea. Quando o exercício se 
prolonga, há ajustes constritores adicionais nos tecidos menos ativos, que, assim, 
mantêm uma pressão de perfusão adequada, mesmo com uma grande vasodilatação 
muscular. Essa ação constritora permite a correta redistribuição do sangue para 
satisfazer às necessidades dos músculos ativos. 
Os fatores que afetam o retorno venoso são tão importantes quanto os que 
regulam o fluxo sanguíneo arterial. 
A pressão arterial é a resultante da combinação instantânea entre o débito 
cardíaco e a resistência vascular periférica e, qualquer alteração em um ou 
outro desses componentes, ou mesmo em ambos, interfere nos níveis 
pressóricos. (IRIGOYEN, 2000, apud LATERZA, 2008). 
 
9 
 
 
 
 
A ação das bombas musculares e ventilatórias e a crescente rigidez das 
próprias veias (provavelmente regulada pela atividade simpática) aumentam 
imediatamente o retorno sanguíneo ao ventrículo direito. Na verdade, ao aumentar o 
débito cardíaco, o tônus venoso também aumenta proporcionalmente, tanto nos 
músculos que trabalham como nos que não trabalham. Com esses ajustes, mantém-
se o equilíbrio entre o débito cardíaco e o retorno venoso. Os fatores que afetam o 
fluxo sanguíneo no sistema venoso são especialmente importantes em exercícios 
realizados de pé, nos quais a força da gravidade tende a se contrapor à pressão 
venosa nas extremidades. 
O sistema cardiovascular proporciona uma regulação rápida da frequência 
cardíaca, além de uma distribuição eficaz do sangue no circuito vascular, como 
resposta às necessidades metabólicas e fisiológicas do corpo. As catecolaminas 
simpáticas (adrenalina ou epinefrina e noradrenalina ou norepinefrina) atuam para 
acelerar a frequência cardíaca e aumentar a contratilidade do miocárdio. O 
neurotransmissor parassimpático acetilcolina, por meio do nervo vago, diminui a 
frequência cardíaca. 
Os fatores extrínsecos (neurais e hormonais) modificam o ritmo inerente do 
coração, permitindo-lhe acelerar rapidamente em antecipação ao exercício e 
aumentar até duzentos batimentos por minuto ou mais durante o exercício máximo. 
Como mencionado anteriormente, uma grande parte do ajuste da frequência 
cardíaca deve-se, provavelmente, à influência cortical exercida antes e durante as 
etapas iniciais da atividade. 
Os nervos, os hormônios e os fatores metabólicos atuam sobre as bandas de 
músculo liso nos vasos sanguíneos. Isso causa uma alteração de seu diâmetro interno 
regulando o fluxo sanguíneo: as fibras simpáticas adrenérgicas liberam noradrenalina, 
que causa vasoconstrição, e os neurônios simpáticos colinérgicos secretam 
acetilcolina, que produz vasodilatação. 
O exercício físico produz dois tipos de reação do ponto de vista fisiológico, 
segundo o tempo de duração em que se desenvolve: um tem ação aguda, como a 
resposta imediata ao estímulo do exercício, e o outro tem ação cumulativa, 
 
10 
 
 
 
 
progressiva e sistemática no organismo, que age de forma crônica quando a atividade 
física é realizada por 24 semanas ou mais. 
2.2 Reação aguda ao exercício 
A resposta biológica às cargas do treinamento denomina-se reação aguda. É 
quando estudamos o modo como o corpo responde a um treinamento individual, como 
caminhar, trotar em uma pista, nadar, correr sobre uma esteira ergométrica ou realizar 
uma repetição de força máxima com peso, como no halterofilismo. 
A atividade física aumenta tanto a produção de radical livre como a utilização 
de antioxidantes. A alimentação é responsável pelo fornecimento dos 
antioxidantes. A deficiência dietética de antioxidantes e de outras substâncias 
essenciais pode causar estresse oxidativo. Dentre tais substâncias está o 
magnésio, mineral que participa do metabolismo energético, da regulação 
dos transportadores de íons e da contração muscular. (INSTITUTO DE 
MEDICINA (DC), 1997, apud AMORIM, 2008). 
2.3 Adaptações crônicas durante o exercício 
Quando se realizam seis meses ou mais de treinamento de forma 
individualizada, sistemática e progressiva, ocorrem modificações importantes no 
organismo, como as que ocorrem nos sistemas cardiorrespiratório, endócrino-
metabólico, imunológico e musculoesquelético. 
Tais modificações estão relacionadas aos seguintes princípios: 
Individualidade (incluindo herança genética); 
Especificidade do treinamento (com predomínio aeróbio, anaeróbio ou misto); 
Relação entre volume e intensidade; 
Progressão da carga; 
Manutenção (a perda é reversível). 
 
11 
 
 
 
 
3 HOMEOSTASE 
 
mgtnutri.com.br 
As revisões ao conceito de homeostase, discutindo e elucidando a 
complexidade e a diversidade dos mecanismos subjacentes à capacidade de 
adaptação dos organismos, vem contribuindo decisivamentepara o 
entendimento da resposta de estresse. Entre os aspectos não contemplados 
no conceito clássico de homeostase, a discussão acerca das oscilações que 
ocorrem nos sistemas biológicos ocorreu nas décadas de 70 e 80 e foi 
revisada por MENNA-BARRETO. (MENNA BARRETO, 2004, apud DE 
SOUSA, 2015). 
A homeostase pode ser definida como a capacidade do organismo de manter 
o meio interno em equilíbrio apesar das alterações do meio. 
O corpo humano, para funcionar adequadamente, deve estar em equilíbrio. É 
fundamental, por exemplo, que nossa temperatura se mantenha constante, nossa 
pressão não se eleve nem caia abruptamente e que nossos batimentos cardíacos se 
mantenham em um ritmo adequado. Caso o meio seja alterado, as células não 
conseguem funcionar adequadamente. 
Como sabemos, as células são as unidades funcionais da vida e estão envoltas 
pelo líquido intersticial, que é proveniente do sangue. Esse líquido é considerado o 
meio interno do corpo e deve ser mantido em condições de equilíbrio para garantir 
que as células permaneçam vivas. 
 
12 
 
 
 
 
A homeostase é conseguida principalmente graças a dois sistemas básicos: o 
sistema nervoso e o sistema endócrino. Esse primeiro é responsável principalmente 
por coordenar todas as ações do organismo, enquanto o sistema endócrino sinaliza o 
que deve ser feito por cada órgão. 
Os mecanismos de controle da homeostase funcionam por processos de 
feedback negativo. Podemos definir esses processos, também chamados de 
retroalimentação negativa, como alterações no meio interno que desencadeiam 
alterações no sentido oposto. Nesse tipo de retroalimentação, o corpo tenta gerar 
respostas que diminuam um desequilíbrio, garantindo a homeostase do organismo. 
Como exemplo de feedback negativo, podemos considerar as ações do corpo 
perante a elevação da pressão arterial acima dos níveis considerados normais. Ao 
perceber esse desequilíbrio, o organismo realiza diferentes mecanismos para garantir 
que a pressão caia. Vale destacar que nas quedas bruscas de pressão, o corpo 
também garante ações que elevem a pressão para níveis normais. Observe que nos 
dois casos o organismo tenta produzir respostas que causem um efeito contrário ao 
desequilíbrio para que o corpo retorne às condições de homeostase. 
Apesar de mudanças que possam vir a ocorrer no organismo, internamente ou 
externamente, a homeostase é a constância do meio interno (líquido intersticial). 
Conservando-se em temperatura adequada (37º C) ela garante que as trocas 
necessárias para o corpo ocorram; e, assim, as células do corpo se desenvolvem. 
 Funções: Os responsáveis pelo controle da homeostase são o sistema nervoso 
e as glândulas endócrinas. Por exemplo, a insulina (que é um hormônio) age na 
redução dos níveis de glicose, quando ele está muito alto. Outro exemplo: No caso de 
aumento de temperatura do corpo, as glândulas sudoríparas são levadas a liberar 
mais suor; pois recebem o comando dos impulsos nervosos; dessa forma, o corpo é 
esfriado. 
https://alunosonline.uol.com.br/biologia/sistema-endocrino.html
https://alunosonline.uol.com.br/biologia/pressao-arterial.html
 
13 
 
 
 
 
4 AJUSTES E ADAPTAÇÕES AO EXERCÍCIO FÍSICO 
 
Fonte: fisioworkrs.com.br 
Durante a atividade física ocorre uma quebra do equilíbrio homeostático; 
O organismo tenta se adaptar a este desequilíbrio, alterando vários parâmetros 
bioquímicos, fisiológicos e biomecânicos; 
Se a atividade física passa a ser rotineira estas alterações tendem a 
permanecer enquanto esta rotina for mantida. 
Quanto aos efeitos crônicos, denominados "adaptações", eles correspondem 
às alterações estruturais e funcionais decorrentes de um período prolongado 
de treinamento físico regular (NÓBREGA, 2005, apud FORJAZ, 2011). 
Adaptações agudas: são aquelas que acontecem durante e imediatamente 
após a atividade física. Podem ser fisiológicas ou biomecânicas. Exemplos: aumento 
da frequência cardíaca e da pressão; aumento da temperatura corporal; aumento da 
frequência respiratória. 
Adaptações crônicas: são aquelas que ocorrem após a sistemática realização 
de atividade física. Exemplos: bradicardia, hipertrofia muscular, aumento massa 
magra, aumento da potência aeróbia, aumento da densidade mineral óssea. 
Entre as principais adaptações podemos citar: Alteração cardiopulmonares- 
musculares- ósseas- articulares- ligamentares. 
 
14 
 
 
 
 
4.1 Adaptações cardiopulmonares 
 A ventilação – minuto (l/min) aumenta atinge valores de até 180 l/min para 
homens e 130 l/m para mulheres. Ou seja, até 30 vezes os valores de repouso (4 – 
15 l/min). Músculo cardíaco sofre hipertrofia, especialmente o ventrículo esquerdo. A 
bomba cardíaca fica mais potente, ou seja, aumenta a eficiência. 
4.2 Adaptações musculares 
 Por hipertrofia: Ou seja, pelo aumento do volume das células musculares. 
Isto é consequência do aumento do número de filamentos de actina, miosina e de 
sarcômeros. 
 Por hiperplasia: Ou seja, ocorre o aumento do número de células no músculo. 
As pesquisas atuais, indicam, que em humanos isto só ocorre com o uso de esteroides 
anabólicos. 
Aumento do número e tamanho das mitocôndrias; Aumento da atividade no 
ciclo de Krebs; Aumento das reservas de glicogênio; Aumento das reservas de 
triglicerídeos; Aumento da atividade de enzimas na ativação, transporte de 
degradação de ácidos graxos; Melhora do sistema ATP-CP; Melhora da capacidade 
aeróbia (fast e slow fibers). 
Hipertrofia aguda: sarcoplasmática e transitória, resultante do aumento do 
volume muscular durante uma sessão de treinamento, devido principalmente ao 
acúmulo de líquido nos espaços intersticial e intracelular. 
Hipertrofia crônica: ocorre durante longo período de treinamento de força, 
está diretamente relacionada com as modificações na secção transversal. Considera-
se também o aumento de miofibrilas, número de filamentos de actina-miosina, 
conteúdo sarcoplasmático, tecido conjuntivo ou combinação de todos estes fatores. 
4.3 Adaptações ósseas 
Aumento da osteogênese, resultante da atividade anabólica (pelos 
osteoblastos); Aumento da densidade mineral óssea; Aumento da secção transversal 
 
15 
 
 
 
 
cortical; Aumento da capacidade de suportar forças compressivas, tensivas e de 
cisalhamento; A relação média destas forças é de 4:2:1; Diminuição e até 
desaparecimento da osteopenia; Diminuição e/ou estabilização da osteoporose; 
Especialmente em mulheres pós menopausa, a atividade física com impacto 
adequado, minimiza significativamente, os riscos da osteoporose. 
4.4 Adaptações articulares 
 Aumento da produção de líquido sinovial; Melhor redução do atrito articular; 
Melhora da capacidade visco elástica; Aumento da capacidade de suportar forças de 
cisalhamento; Aumento da eficiência da produção de proteoglicanos (resistente à 
compressão); Aumento da eficiência de síntese de colágeno (alta resistência à 
tensão); Aumento do número de condrócitos; Aumento da espessura da cartilagem 
articular (até 7mm); Melhora da capacidade de distribuição de forças na superfície 
articular. 
4.5 Adaptações ligamentares 
 Aumento da produção de colágeno no ligamento; Aumento da produção de 
elastina no ligamento; Aumento da produção de proteoglicanos; Porção fibrosa 
(colágeno + elastina) mais forte; Aumento da capacidade de suportar forças tensivas; 
Melhora na capacidade de transmitir força.; Melhora na capacidade de absorver 
impactos; Melhora na capacidade de armazenar e liberar energia; Diminuição da 
frouxidão ligamentar; Melhoria do equilíbrio catabolismo / anabolismo. 
 
16 
 
 
 
 
5 METABOLISMO ENERGÉTICO 
 
Fonte: clinicador.med.br 
5.1 Reações químicas x Energia 
Metabolismo energético são todas as alterações químicas que produzem a 
energia necessária para que organismo dos seres vivos funcionem da maneira 
adequada. 
As primeiras pesquisas sobre o tema surgiram há quatro séculos, com análise 
daconstituição orgânica dos animais. Com a evolução da ciência e o surgimento 
da Bioquímica, já é possível compreender, por exemplo, que todos os seres vivos 
necessitam de alimentos para que ocorra o processo metabólico e, 
consequentemente, a liberação de energia para o corpo. 
Isso vale para todos os organismos vivos, tanto os autotróficos, que produzem 
seu próprio alimento, como os heterotróficos, que não são capazes de produzir o 
próprio alimento. 
É possível observar que na cadeia alimentar os vegetais servem de alimento 
para os herbívoros e estes servem de alimento para os animais carnívoros. Por meio 
desse processo acontece a transferência de matéria e energia. 
 
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/bioquimica
 
17 
 
 
 
 
A partir dos anos 60, a Fisiologia do Exercício se estabeleceu como área de 
investigação científica com a presença de pesquisadores como William 
McArdle, Frank Katch, David Costill, Jack Wilmore, entre outros (DEVRIES, 
2000, apud FORJAZ, 20011). 
5.2 Divisões do metabolismo energético 
O metabolismo energético pode ser dividido em dois grupos: 
Anabolismo: são as atividades químicas que permitem a formação de 
moléculas complexas (reações de síntese). Um exemplo desse tipo de metabolismo 
energético ocorre com as pessoas que buscam ganhar massa muscular. Por meio de 
exercícios físicos e alimentos energéticos, o organismo recebe uma grande 
quantidade de energia suficiente para realizar os processos anabólicos, e assim, 
adquirir um aumento muscular. 
Catabolismo: nesse tipo de metabolismo energético as reações de degradação 
da molécula, ou seja, todas as reações em que os compostos orgânicos complexos 
são transformados em moléculas simples, como acontece no processo de digestão. 
Os alimentos são degradados e transformados em substâncias simples e, 
consequentemente, há produção de energia. 
Vale frisar que a glicose (C6H12O6) é a principal fonte de energia das células. 
Após o catabolismo, a glicose libera energia de suas ligações químicas e resíduos o 
que gera energia que possibilita o funcionamento das reações metabólicas. 
5.3 Ciclo de Krebs 
O ciclo de Krebs, também chamado de ciclo do ácido cítrico, ou ciclo do ácido 
tricarboxílico, é uma das fases da respiração celular descoberta pelo bioquímico Hans 
Adolf Krebs, no ano de 1938. Essa fase da respiração ocorre na matriz mitocondrial e 
é considerada uma rota anfibólica, catabólica e anabólica. 
No ciclo de Krebs, o ácido pirúvico (C3H4O3) proveniente da glicólise sofre 
uma descarboxilação oxidativa pela ação da enzima piruvato desidrogenase, existente 
no interior das mitocôndrias dos seres eucariontes, e reage com a coenzima A (CoA). 
O resultado dessa reação é a produção de acetilcoenzima A (acetilCoA) e de uma 
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/quimica/ligacoes-quimicas
 
18 
 
 
 
 
molécula de gás carbônico (CO2). Em seguida, o acetilCoA reage com 
o oxaloacetato, ou ácido oxalacético, liberando a molécula de coenzima A, que não 
permanece no ciclo, formando ácido cítrico. 
Depois de formar o ácido cítrico, haverá uma sequência de oito reações onde 
ocorrerá a liberação de duas moléculas de gás carbônico, elétrons e íons H+. Ao final 
das reações, o ácido oxalacético é restaurado e devolvido à matriz mitocondrial, onde 
estará pronto para se unir a outra molécula de acetilCoA e recomeçar o ciclo. 
Os elétrons e íons H+ que foram liberados nas reações são apreendidos por 
moléculas de NAD, que se convertem em moléculas de NADH, e também 
pelo FAD (dinucleotídeo de flavina-adenina), outro aceptor de elétrons. 
No ciclo de Krebs, a energia liberada em uma das etapas forma, a partir 
do GDP (difosfato de guanosina) e de um grupo fosfato inorgânico (Pi), uma molécula 
de GTP (trifosfato de guanosina) que difere do ATP apenas por conter a guanina 
como base nitrogenada ao invés da adenina. O GTP é o responsável por fornecer a 
energia necessária a alguns processos celulares, como a síntese de proteínas. 
Podemos concluir que o ciclo de Krebs é uma reação catabólica porque 
promove a oxidação do acetilCoA, a duas moléculas de CO2, e conserva parte da 
energia livre dessa reação na forma de coenzimas reduzidas, que serão utilizadas na 
produção de ATP na fosforilação oxidativa, a última etapa da respiração celular. 
O ciclo de Krebs também tem função anabólica, sendo por isso classificado 
como um ciclo anfibólico. Para que esse ciclo tenha, ao mesmo tempo, a função 
anabólica e catabólica, as concentrações dos compostos intermediários formados são 
mantidas e controladas através de um complexo sistema de reações auxiliares que 
chamamos de reações anapleróticas. Um exemplo de reação anaplerótica é a 
carboxilação de piruvato para se obter oxalacetato, catalisado pela enzima piruvato 
carboxilase. 
5.4 Compostos importantes 
O ATP – Adenosina Trifosfato é o elemento mais importante das células. Ele é 
responsável pela captação e armazenamento da energia liberada no processo de 
 
19 
 
 
 
 
quebra da glicose. Sua constituição é a adenosina, um nucleotídeo, associada a três 
radicais fosfato interligados em cadeia. 
É importante destacar também os compostos NAD + (Nicotinamida Adenina 
Dinucleótido) e FAD (Dinucleotídeo de Adenina Flavina), fundamentais para as 
funções do metabolismo energético por transportarem o hidrogênio liberado nas 
reações químicas. 
As principais reações químicas que utilizam ATP, nos músculos esquelético 
e cardíaco, estão associadas ao acoplamento excitação-contração: a miosina 
ATPase, nas miofibrilas, e a Ca2+-ATPase, no retículo sarcoplasmático 
(SERCA). Além disso, boa parte da ATP é hidrolisada pela Na+/K+- ATPase 
no sarcolema. Foi demonstrado que a CK se encontra localizada nesses 
sítios, acoplada, de forma funcional, às ATPases. (WALLIMANN, 
 1992, apud GUIMARÃES-FERREIRA, 2014). 
5.5 Metabolismo energético nos seres autotróficos e heterotróficos 
A fotossíntese e a respiração celular são os principais processos de obtenção 
de energia: 
Fotossíntese: A fotossíntese é o processo em que ocorre a síntese da glicose 
a partir de gás carbônico (CO2) e água (H2O) na presença de luz. É um mecanismo 
autotrófico (realizado por seres que produzem seu próprio alimento), como as plantas, 
bactérias e cianobactérias. 
Respiração celular: Na respiração celular ocorre o processo de degradação 
da molécula de glicose para que seja possível a liberação da energia armazenada. 
Acontece na maioria dos seres vivos e pode ser realizado na forma aeróbica ou 
anaeróbica. 
Na respiração aeróbica há a presença de gás oxigênio do ambiente. Ela 
acontece em três fases: Glicólise, Ciclo de Krebs e Fosforilação Oxidativa. 
A primeira fase é a Glicólise, quando ocorre um processo bioquímico em que a 
molécula de glicose (C6H12O6) é dividida em duas menores de ácido pirúvico ou 
piruvato (C3H4O3) e assim libera energia. 
Na sequência acontece o Ciclo de Krebs por meio de oito reações que tem a 
função de promover a degradação dos produtos finais do metabolismo dos lipídios, 
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/fotossintese
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/respiracao-celular
 
20 
 
 
 
 
carboidratos e aminoácidos, que são convertidos em acetilCoA, com a liberação de 
CO2, H2O e síntese de ATP. 
Encerrando o processo, ocorre a Fosforilação Oxidativa ou Cadeia 
Respiratória, fase em que acontece a maior parte da produção de energia. Parte da 
energia produzida na quebra de compostos nas fases anteriores é armazenada em 
moléculas intermediárias, como NAD+ e o FAD. Estas liberam elétrons energizados e 
os íons H+ que passarão por diversas proteínas, constituindo assim a cadeia 
respiratória. 
Dessa forma, o balanço energético da cadeira respiratória pode ser 
demonstrado da seguinte maneira: 
Glicólise: 4 ATP + 2 NADH – 2 ATP = 2 ATP + 2 NADH 
A regulação de componentes do metabolismo primário está envolvida direta 
ou indiretamentena defesa em plantas (ROJAS et al., 2014, apud DO 
NASCIMENTO, 2016). 
Ciclo de Krebs: Como são duas moléculas de piruvato, a equação deve ser 
multiplicada por 2: 2 x (4 NADH + 1 FADH2 + 1 ATP) = 8 NADH + 2 FADH2 + 2 ATP. 
Fosforilação Oxidativa: 2 NADH da glicólise = 6 ATP 
8 NADH do ciclo de Krebs = 24 ATP 
2 FADH2 do ciclo de Krebs = 4 ATP. 
No total são produzidos 38 ATP’s durante a respiração aeróbica. 
Ao contrário da aeróbica, a respiração anaeróbica acontece sem a presença de 
oxigênio, como na fermentação, quando ocorre a degradação das substâncias 
simples. Ela pode acontecer de duas formas, a depender do produto formado pela 
degradação da glicose. 
Fermentação alcoólica: nesse processo duas moléculas de piruvatos 
(composto orgânico que contém três átomos de carbono, originado ao fim da glicólise) 
são convertidas em álcool etílico, com a liberação das moléculas de CO2 e a formação 
de duas moléculas de ATP. É produzida por algumas bactérias e leveduras e utilizada 
na produção de bebidas alcoólicas, como vinho e cerveja, pão, entre outros alimentos. 
Fermentação lática: cada molécula de piruvato se transforma em ácido lático 
que formam duas moléculas de ATP. Realizado por protozoários, fungos, bactérias, 
 
21 
 
 
 
 
hemácias e células do tecido muscular. A fadiga muscular causada pelo exercício 
físico, por exemplo, é decorrente da liberação do ácido lático pelas células ao 
realizarem a fermentação, por conta da ausência de oxigênio. 
6 JANELA DE ADAPTAÇÃO NEURAL 
 
Fonte: cienciadotreinamento.com.br 
6.1 Fisiologia da contração muscular 
Antes que ocorra o ato da contração muscular, um comando motor neural, 
vindo do encéfalo, viaja por axônios e motoneurônios, levando a informação nervosa 
do sistema motor para os músculos específicos (até a fibra muscular). (Este fato 
ocorre em qualquer músculo). No músculo temos as fibras musculares, onde estão 
presentes os sarcômeros (que são as menores unidades contráteis musculares), 
formados por actina e miosina. Encontramos também fibras e células musculares e 
dentro das fibras musculares as miofibrilas. 
As miofibrilas compõe unidades contráteis do músculo, que são os sarcômeros. 
Quando o músculo alonga, o sarcômero se alonga, quando o músculo se contrai, o 
sarcômero se contrai. A fibra muscular é a responsável pelo ato motor, mas quem 
envia o comando é o sistema nervoso (SNC), através dos motoneurônios. 
 
22 
 
 
 
 
A terminação nervosa libera acetilcolina que nada mais é que uma substância 
química, que transmite o ato do comando motor para a célula muscular, através de 
abertura de canais na fibra muscular, onde o sódio (também uma substância química) 
entra através de uma fenda na membrana, fazendo com que a polaridade da célula 
mude, produzindo assim a contração muscular. A informação transmitida pelo 
motoneurônios até a célula, é chamada de transmissão eletroquímica. Ou seja, haverá 
uma carga elétrica negativa dentro da célula (no neurônio em repouso) e do lado de 
fora positiva. 
Existem canais de abertura para o sódio que irá ingressar para dentro deste 
neurônio invertendo o valor intracelular e extracelular, gerando um impulso nervoso, 
(comando nervoso) que irá ser produzido e conduzido pelo axônio- neurônio até as 
extremidades do axônio neurônio, onde estão as fibras musculares. Esta é uma forma 
de transmissão do comando nervoso. 
Em resumo: Quando o neurônio motor está finalizado, com sua placa motora 
terminal, em contato com a fibra muscular, ele irá então transmitir esta informação 
nervosa para a fibra muscular através da liberação de acetilcolina, que abre os canais 
de cálcio pela parede da membrana da fibra muscular. Estes canais sendo abertos, 
ocorre o ingresso de sódio para o interior da fibra muscular e através do retículo 
sarcoplasmático, esta inversão da carga centrada do sódio, se perpetuará e se 
deslocará por toda fibra muscular. Ao se deslocar pela fibra muscular liberará Ca+, 
que será fundamental pelo mecanismo de contração muscular. 
Observação: A falta ou deficiência do organismo em produzir os elementos 
químicos (cálcio e sódio) podem levar a fadiga muscular. 
6.2 Janela de adaptação neural 
Na medula espinha, temos um ramo nervoso e deste ramo um axônio de 
neurônio motor (motoneurônio), que se ramifica em quatro partes que irão inervar ou 
levar comando motor para quatro fibras musculares. Quando temos quatro fibras 
sendo inervadas por um neurônio motor (por exemplo), temos o que chamamos de 
unidade motora. 
 
23 
 
 
 
 
A partir destas informações podemos entender como funciona a janela de 
adaptação neural. Ou seja, uma vez o SNC aprende a recrutar cada vez mais 
unidades motoras em um determinado exercício, maior será o recrutamento de fibras 
musculares, levando assim ao aumento da força muscular. 
A janela de adaptação neural ocorre cerca de três a quatro meses de 
treinamento. Este tempo irá depender do organismo de cada indivíduo. O SNC 
durante o treinamento em iniciantes também irá ser treinado para recrutar cada vez 
mais fibras musculares, para ganho de força muscular, devido a sincronização dos 
treinos, lembrando que o volume muscular continua o mesmo. 
Quando esta janela se fechar, o indivíduo conseguirá obter hipertrofia muscular, 
pois a partir deste ponto o grupamento muscular terá força o suficiente para tal. 
7 AJUSTES E ADAPTAÇÕES NEUROMUSCULARES 
 
Fonte: educacaofisicaanalitica.wordpress.com 
7.1 Sistema Nervoso Central (SNC) 
Formado por encéfalo e medula. Uma parte desse sistema é responsável pela 
compreensão, pensamento e comandos. O sistema nervoso central comanda várias 
funções em nosso corpo, sendo primordial para o seu bom funcionamento. O cérebro 
 
24 
 
 
 
 
é responsável pela percepção dos diferentes estímulos externos através dos sentidos, 
da inteligência e da memória. 
As neurociências introduziram uma variedade de novos conceitos 
neurológicos e novos métodos científicos de investigação do sistema nervoso 
associando à discussão de fatores de estresse físico e ambiental, como o 
exercício físico. Mesmo com as evidências dos benefícios à saúde em geral 
da prática regular de exercício físico, em pessoas saudáveis e em diversas 
doenças como diabetes melito, asma, obesidade, hipertensão, artroses e 
artrites; os efeitos do exercício no cérebro ainda apresentam resultados 
controversos. (WARBURTON, 2006, apud AGUIAR, 2007). 
7.2 Sistema Nervoso Periférico 
Formado pelos nervos e gânglios, esse sistema é responsável por conduzir 
informações pelo nosso corpo (está ligado com a coordenação das diversas atividades 
do organismo, sendo responsável também por permitir a interpretação do meio que 
nos cerca). Quando é gerado um potencial de ação para o movimento corporal, por 
exemplo, o nervo transfere o que foi criado no SNC (no nível de córtex) até as fibras 
musculares. Esses sinais vão promover a liberação de neurotransmissores 
(acetilcolina) na fenda sináptica da placa motora, que por sua vez vai interagir com a 
membrana da célula muscular, estimulando-a para promover o potencial de ação na 
célula, fazendo com que aconteça a contração muscular. 
O movimento gera tanto aferência (sentido ou percepção de que há algo se 
movimentando) quanto a eferência (impulso de movimento voluntário). Por 
exemplo: toda vez que você faz uma contração muscular concêntrica, acontece um 
estiramento contrário a essa ação. Isso é captado por determinadas estruturas que 
enviarão sinais de aferências e é justamente assim que o praticante irá entender que 
precisa fazer mais força para vencer aquela resistência. 
7.3 Organização do Córtex Motor 
Não existe apenas uma área no córtex responsável pelo movimento. Na 
verdade, existem quatro áreas, dentre as quais a primária (que controla a execução 
do movimento) está no giro pré-frontal. 
https://www.iespe.com.br/blog/o-musculo-e-suas-estruturas/
https://www.iespe.com.br/blog/o-musculo-e-suas-estruturas/25 
 
 
 
 
Movimentar-se ou anular o movimento é muito complexo, então existe uma 
área responsável pela execução e se a movimentação fica mais complicada (duas 
mãos executando o movimento, por exemplo), são utilizadas outras áreas motoras, 
como a secundária. Ela está próxima do córtex cognitivo e, assim, busca estratégias 
de movimentação mais refinadas. 
E certas vezes, para realizar o movimento, é preciso visualizá-lo usando uma 
área associativa além dessas duas. Uma ajuda no comando da execução, a outra a 
organizar exercícios que são complicados (como os bilaterais) e a terceira cria 
estratégias para ordenar o movimento. 
A plasticidade neuronal é a capacidade de modificação e adaptação do SNC 
frente a diversas experiências e estímulos. A plasticidade pode ocorrer 
através do nascimento de novos neurônios (neurogênese adulta), 
remodelamento das sinapses (9) e alterações funcionais nas células 
neuronais. (VAN PRAAG, 1999, apud NASCIMENTO- CASTRO, 2017). 
7.4 Neurofisiologia do movimento na prática 
Reparem no jogo de basquete: quando um jogador sofre uma falta, deve se 
posicionar e esperar para receber a bola do árbitro. Apesar de ainda não ter acesso a 
ela, o atleta faz a orientação do corpo exatamente na posição que vai arremessar e 
executa um arremesso com uma bola imaginária, da mesma forma que faria com uma 
real. Ele está se preparando para o exercício, visualizando e buscando estratégias 
para poder executar. Em outras palavras, é como se ele estivesse calibrando o 
Sistema Nervoso para marcar a cesta. Logo após, ele recebe a bola do árbitro e 
executa a tarefa da mesma forma de quando fez apenas imaginando. 
Se quisermos complicar um pouco mais essa questão do movimento, podemos 
pensar no handebol. Quando o jogador recebe o lançamento e precisa finalizar em 
direção ao gol, ele vê a bola vindo em sua direção e existe aí uma aferência, um 
estímulo visual. Isso será tratado na área visual primária, só que é preciso ligar a parte 
do córtex que é visual com o córtex motor. É aí que entra o córtex parietal posterior 
que vai visualizar o trajeto da bola e calcular o quanto será preciso deslocar para 
recebê-la. 
 
26 
 
 
 
 
7.5 Hipertrofia muscular e a neurofisiologia do exercício 
A hipertrofia e o ganho de força, por exemplo, começam no SNC (através do 
período neural, que acontece antes do hipertrófico). Nas primeiras semanas, ainda 
não há hipertrofia significativa, mas existe um ganho de força produzido pelo 
aprendizado do exercício, melhorando a interação intermuscular. 
Com o conhecimento dessa área, os parâmetros de treinamento serão 
organizados de forma diferente, principalmente para idosos, crianças ou pessoas com 
lesões osteomioarticulares ou do sistema nervoso. 
Além de observar o número de repetições para quantificar a carga, deve ser 
considerado o padrão de movimento. Ele que causará as adaptações no cérebro e é 
ali que tudo acontece. O SNC é a chave inicial do exercício, pois é a partir dele que 
de fato vamos controlar o exercício de maneira efetiva. 
8 AJUSTES E ADAPTAÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS 
 
Fonte: previuva.com.br 
Frente às específicas respostas que o músculo esquelético apresenta diante 
de certos tipos de atividade, pouco se relata na literatura quais são as adaptações 
neurofisiológicas provocadas pelo treinamento com exercícios de caráter aeróbio. No 
https://www.iespe.com.br/blog/treino-de-forca-e-treino-de-hipertrofia/
 
27 
 
 
 
 
entanto, esse percalço pode estar relacionado ao fato de o referido treinamento não 
proporcionar significativos incrementos de força e potência muscular, que são 
consideradas as principais respostas a serem evidenciadas coma realização do 
exercício físico. Entretanto, HOWLEY (2007) destacam que adaptações 
neurofisiológicas promovidas por atividades como corridas de média e longa distância, 
são expressas por um maior grau de aperfeiçoamento na coordenação intermuscular, 
que, por consequência, acarreta altos níveis de economia de movimento e esforço. 
As respostas adaptativas neurofisiológicas caracterizam-se, principalmente, 
pelo aprimoramento da relação entre os estímulos provenientes no sistema nervoso 
central e o recrutamento de unidades funcionais de movimento, as unidades motoras 
(MCARDLE et al., 2003, p.405). Segundo estes autores, essas respostas também se 
aperfeiçoam por meio de uma maior frequência de descargas elétricas (neurais que 
ocorrem para promover uma contração muscular. BACURAU (2001) e WEINECK 
(1999) destacam que o aumento da força promovida predominantemente pelo 
treinamento com pesos é a principal resposta neurofisiológica de uma maior 
coordenação intra e intermuscular. 
O exercício físico é capaz de aumentar o aprendizado e a memória em 
crianças, adolescentes, adultos e em idosos. Efeitos positivos do exercício 
físico também são extensivamente relatados para melhora da depressão e 
da ansiedade. (ERICKSON, 2012, apud NASCIMENTO-CASTRO, 2017). 
Por sua vez, às respostas morfológicas e metabólicas, atribui- se uma série de 
modificações estruturais e bioquímicas, que podem ser exemplificadas pelo aumento 
das reservas energéticas glicolíticas e de fosfocreatina, acréscimo do número e 
volume das mitocôndrias, incremento da seção transversal (hipertrofia), 
aprimoramento da ação de determinadas enzimas, entre outros (MCARDLE et al., 
2003). 
Ao se compreender que o músculo esquelético humano responde aos 
estímulos advindos do treinamento físico tanto no âmbito metabólico e morfológico 
como no neurofisiológico, torna-se relevante ressaltar que as características 
apresentadas por estas respostas, entendidas também como adaptações, se 
estabelecem de maneira intimamente relacionada a dois fatores de potencial 
interferência, que são: o tipo de exercício executado e as características pessoais do 
 
28 
 
 
 
 
indivíduo que realiza. Esses fatores inevitavelmente, se inserem nos princípios do 
condicionamento físico, que são comumente usados para o aprimoramento do 
desempenho muscular. 
Um bom programa de exercícios, também referido como programa de 
condicionamento físico, deve incluir todos os componentes básicos da aptidão física 
relacionada à saúde, quer dizer: a resistência cardiorrespiratória, a flexibilidade, a 
força e resistência muscular, e a composição corporal. Para que um programa de 
exercícios seja eficaz e seguro, precisa ser planejado, regular, e observar 
certos princípios básicos derivados dos estudos científicos do treinamento esportivo 
moderno, particularmente da fisiologia do exercício. 
1. Princípio da Sobrecarga 
Para desenvolver qualquer aspecto da aptidão física de um indivíduo em 
treinamento, o organismo deve ser submetido a estímulos mais fortes do que está 
normalmente acostumado; ou seja, os sistemas orgânicos devem ser submetidos a 
cargas ou esforços que provoquem adaptações, tornando-os mais aptos para produzir 
energia ou realizar atividades em geral. 
2. Princípio da Progressão e da Continuidade 
Para melhorar a condição funcional do organismo, ou parte dele, um programa 
de condicionamento físico deve estimular este organismo de maneira gradualmente 
crescente e com regularidade. Se um mesmo nível de esforço é sempre repetido, o 
organismo se adapta a ele e deixa de progredir. Isto é mais importante para atletas e 
indivíduos interessados em desenvolver a aptidão física, sendo menos relevante para 
a promoção da saúde, onde a regularidade da prática de atividades físicas gerais, que 
estimulem suficientemente o organismo, parece ser mais importante. 
3. Princípio do Uso e do Desuso 
O uso continuado de nossas funções estimula o aprimoramento dessas 
funções, enquanto o desuso promove a deterioração do organismo, como um todo ou 
em partes. Este princípio já fora observado pelos antigos gregos e a ciência moderna 
mostrou, inicialmente, sua importância para a performance esportiva e, de forma mais 
contundente, em relação à saúde.Como o efeito da atividade física não se mantém 
se esta for interrompida, vê-se a importância de um estilo de vida ativo por toda a vida. 
 
29 
 
 
 
 
4. Princípio da Especificidade 
 O desenvolvimento específico de cada componente da aptidão física é 
produzido por tipos específicos de atividades físicas. Além do tipo de atividade, a 
combinação entre duração e intensidade também provocam adaptações específicas 
em cada situação. Assim, os exercícios aeróbicos (caminhada, corrida ou ciclismo, 
em ritmos que permitam exercitar-se por 10 minutos ou mais) desenvolvem 
a resistência cardiorrespiratória; exercícios de alongamento muscular melhoram 
a flexibilidade; exercícios com sobrecargas (pesos) desenvolvem a força e resistência 
muscular. Além disso, atividades que envolvem certas partes corporais ou enfatizam 
certos padrões de movimento, desenvolverão especificamente as características 
presentes nessas atividades. 
É esse princípio que explica porque um campeão de ciclismo não tem, 
necessariamente, um grande desempenho numa corrida ou numa prova de natação. 
A especificidade das modalidades e do treinamento faz a diferença. 
 Para as pessoas em geral, a questão da especificidade é menos importante 
do que para atletas. Para quem se exercita para melhorar sua aptidão física e a saúde, 
é até interessante que se realize atividades diversas, evitando-se a monotonia que 
pode existir na prática de uma só forma de exercício ou esporte. 
5. Princípio da Individualidade Biológica 
Cada organismo reage aos estímulos de um programa de exercícios de 
maneira única. A adaptação ao treinamento depende da idade do indivíduo, do grau 
de obesidade, dos hábitos de repouso e sono, da nutrição, da existência de doenças, 
do nível inicial de condicionamento e da motivação pessoal. Algumas pessoas devem 
apenas caminhar, enquanto outras podem correr em ritmos fortes; umas podem se 
exercitar com halteres, enquanto outras não; e assim por diante. 
8.1 Equilíbrio entre a energia requerida pelos músculos (que trabalham) e o 
ritmo de produção de ATP 
 Mantêm-se constantes as variáveis: FC, FR, PA, DC, volume respiratório por 
minuto, VO2máx/kg, lactato, gesto esportivo, entre outros. 
 
30 
 
 
 
 
No esporte de alto rendimento, sobretudo em modalidades de resistência, é 
importante trabalhar em um percentual elevado do VO2máx em condições de estado 
estável, uma vez que se está trabalhando com uma alta eficiência, deixando de usar, 
nesse momento, uma fonte energética importante de caráter anaeróbio. 
Força muscular pode ser definida como a quantidade máxima de força que 
um músculo ou grupo muscular pode gerar em um padrão específico de 
movimento realizado em dada velocidade (FLECK et al, 1999, apud 
NOGUEIRA, 2014). 
8.2 Fadiga muscular 
Segundo Weineck (1991), fadiga é um mecanismo de proteção do organismo 
contra o esforço extremo do exercício costuma evitar a morte súbita, ocasiona 
uma deterioração da atividade desempenhada e afeta fisiologicamente o SNC 
e o sistema nervoso periférico com o intuito de interromper o exercício. 
Fadiga muscular é definida como a incapacidade de se manter o rendimento 
durante o exercício físico intenso ou prolongado. Seria a inabilidade do músculo 
esquelético de gerar elevados níveis de força muscular ou mantê-los durante um 
determinado tempo. 
Assim, segundo Mark H. (2006), fadiga é qualquer redução na habilidade do 
sistema neuromuscular de gerar força. Esta situação é corriqueira em esportes de 
resistência bem como em atividades de maior intensidade. 
O controle neural do movimento envolve uma cadeia de processos fisiológicos 
que abrange desde o controle cortical no cérebro até o comando periférico da 
musculatura esquelética. 
A fadiga muscular, uma vez instaurada, demonstra que pode ter havido uma 
falha em qualquer um dos níveis do trajeto desde o sistema nervoso central até a 
periferia, representada pela mecânica da contração muscular (Silva et al., 2006). 
Situações típicas de fadiga muscular ocorrem diariamente, por exemplo, um 
campeão mundial de natação que liderava todo o percurso da prova entra em fadiga 
muscular aguda e perde a medalha de ouro nos metros finais daquela prova (com isso 
perde o treinador, perde o patrocínio milionário e os contratos com empresas 
esportivas). 
https://blogeducacaofisica.com.br/forca-muscular/
 
31 
 
 
 
 
Para retardar a fadiga da depleção dos substratos energéticos indica-se a 
ingestão de alguns nutrientes degradados no esforço físico, sendo 
indicada principalmente a reposição dos carboidratos (MAUGHAN, et al, 
2004, apud JÚNIOR, 2015). 
 
9 AVALIAÇÃO CARDIOVASCULAR NO REPOUSO E NO EXERCÍCIO 
 
Fonte: revistaevidencia.com.br 
A realização de qualquer exercício físico pressupõe o estabelecimento de uma 
situação de sobrecarga para o sistema cardiovascular. A atividade física traduz-se na 
existência de um aumento de substâncias nutritivas e no aumento do aporte de 
oxigênio necessário para os músculos ativos. Secundariamente, aumentam também 
os níveis de anidrido carbônico e de metabólitos, os quais precisam ser eliminados. 
Para responder a isso, é necessária uma série de ajustes no sistema cardiovascular 
e em sua inter-relação com os diferentes órgãos e sistemas do corpo. 
9.1 Frequência cardíaca 
O controle da frequência cardíaca (FC) durante o repouso e o exercício é um 
bom indicador do nível de intensidade em que o coração está trabalhando e é uma 
informação importante do estado de saúde de uma pessoa. O músculo cardíaco 
 
32 
 
 
 
 
responderá diretamente à necessidade de oxigênio e de fluxo sanguíneo do 
organismo em diferentes momentos da vida, tanto para realizar um exercício de 
determinado nível de intensidade como durante períodos de doença ou de 
necessidade externa, em que o organismo responde enviando fluxo sanguíneo aos 
músculos e/ou órgãos que necessitem do aporte de sangue e de O2. A frequência 
cardíaca é parte importante de diferentes variáveis fisiológicas. Por exemplo, junto ao 
volume sistólico forma o débito cardíaco. A frequência cardíaca é também parte do 
duplo produto. 
Toda atividade física requer ajustes rápidos no sistema cardiovascular (SCV) 
para manter a homeostase circulatória. A regulação da frequência cardíaca 
(FC) e a modulação de suas oscilações estão em grande parte na 
dependência do sistema nervoso autonômico (SNA) por meio da estimulação 
ou inibição dos seus eferentes, o sistema nervoso parassimpático (SNP), 
através do vago, e o sistema nervoso simpático (SNS) (FREENMAN, 2006, 
apud LEITE, 2010). 
Existe uma correlação linear entre o aumento do consumo máximo de 
O2 (VO2máx) durante o exercício e o aumento da frequência cardíaca. Nesse caso, 
com respeito ao percentual da FC máxima. A seguir, abordaremos a importância do 
controle da frequência cardíaca. 
9.2 Frequência cardíaca de repouso 
A frequência cardíaca de repouso (FCR) é de 60 a 80 batimentos por minuto 
(bpm) em média. Em indivíduos sedentários e de meia-idade, ela pode superar 100 
bpm. Esportistas em forma e de modalidades de resistência podem apresentar entre 
28 e 40 bpm, pelo aumento do volume sistólico, a partir de uma hipertrofia ventricular 
esquerda de caráter fisiológico. 
A FC normalmente diminui com a idade, tanto em repouso como durante 
exercícios submáximos e máximos (principalmente neste último, em consequência do 
processo biológico do envelhecimento). 
 
33 
 
 
 
 
9.3 Fatores que aumentam a FC de repouso. 
Antes do exercício, a FC costuma aumentar acima dos valores normais, o que 
se denomina resposta antecipatória. Devido a isso, as verificações de FC de repouso 
prévias ao exercício devem ser desconsideradas. A verdadeira FC de repouso deve 
ser verificada nas primeiras horas da manhã, quando a pessoa levanta. 
Se quando estivermos deitados nossa FC de repouso for de 50 bpm, quando 
estivermos sentados aumentarápara 55 bpm e, quando estivermos de pé, para 60 
bpm. A FC de repouso aumenta porque, quando nosso corpo passa de uma posição, 
deitado, para outra, de pé, o volume sistólico cai imediatamente. Isso se deve 
sobretudo ao efeito da gravidade, que faz com que o sangue se acumule nas pernas, 
reduzindo o volume de sangue que retorna para o coração. Isso, ao mesmo tempo, 
produz um aumento da FC de repouso, para manter o débito cardíaco de repouso. 
Por fim, determinadas doenças e medicamentos podem aumentar ou diminuir 
a FC de repouso. 
9.4 Frequência cardíaca durante o exercício 
Quando se inicia um exercício, a FC aumenta proporcionalmente à sua 
intensidade (de acordo com a capacidade física atual). 
Existe uma correlação direta entre a intensidade da FCmáx e o VO2máx 
durante o exercício, embora próximo do VO2máx se perca a linearidade. 
A frequência cardíaca máxima é muito importante para o planejamento do 
treinamento e seu controle, assim como para determinados testes de laboratório e de 
campo, tanto para esportistas como para a população em geral. 
Segundo a fórmula da OMS-Karvonen, a Fcmáx é 220 – idade (fórmula 
aplicada pela Organização Mundial de Saúde- OMS). No entanto, isso é uma 
estimativa, e os valores individuais variam consideravelmente em relação a esses 
valores médios. Por exemplo, em uma pessoa com 40 anos de idade, a Fcmáx seria 
estimada em 180 bpm. No entanto, segundo estudos realizados, dentre pessoas de 
40 anos, 68% apresentam uma Fcmáx entre 168 e 192 bpm e 95% entre 156 e 204 
bpm. O próprio Karvonen possui outra fórmula para avaliar o VO2máx ou a FC de 
 
34 
 
 
 
 
reserva: Fcmáx – FCR. Ambas as fórmulas são importantes para conhecer o potencial 
cardiovascular, mas as duas possuem margem de erro. A partir desses resultados 
planeja-se o pulso de treinamento. 
A fórmula da OMS é a mais utilizada na população (FCmáx = 220 – idade). 
Perde-se 1 bpm por ano de vida. 
Quando o ritmo de esforço se mantém constante, em níveis submáximos de 
exercício, a FC aumenta muito rapidamente, até estabilizar-se. O ponto de 
estabilização é conhecido como estável da FC e é o ritmo ideal do coração para 
satisfazer as exigências circulatórias a esse ritmo específico de esforço. Para cada 
incremento posterior de intensidade, a FC alcançará um novo valor dentro de um ou 
dois minutos. 
Apesar disso, quanto mais intenso é o exercício, mais se demora para alcançar 
o estado estável. 
Nesse princípio de cargas crescentes, utiliza-se um teste de laboratório para o 
diagnóstico da capacidade funcional. 
A insuficiência cardíaca (IC) é considerada um dos maiores problemas de 
saúde pública em todo o mundo, sendo associada a elevados custos e 
frequentes admissões hospitalares. Configurando-se como uma síndrome 
clínica complexa, é caracterizada pela incapacidade do coração de manter 
um débito cardíaco adequado às necessidades metabólicas dos tecidos. 
(SILVA- NETO, 2003, apud MARTINS, 2012) 
Após seis meses de treinamento moderado a moderado- intenso, a FC durante 
o exercício submáximo costuma diminuir cerca de 20 a 40 bpm. A FC submáxima de 
uma pessoa reduz-se proporcionalmente à quantidade de treinamento realizado. 
O período de recuperação da FC diminui aumentando-se o treinamento de 
resistência; é uma variável considerada para avaliar o progresso do treinamento. 
Fazendo jogging (trote) a um ritmo moderado de 140 bpm, pode-se chegar a 
180 bpm ou mais se passamos a correr a uma grande velocidade. O débito cardíaco 
(DC) aumentará por duas causas: maior volume sistólico e maior FC durante o 
exercício, em virtude da demanda de fluxo sanguíneo e O2 dos músculos que estão 
trabalhando. 
Vários fatores afetam a FC durante o repouso e durante o exercício, como 
temperatura, umidade, horário do exercício, modificação de posição, ingestão de 
 
35 
 
 
 
 
alimentos, entre outros. O uso de determinados medicamentos pode alterar a FC 
durante a prática de exercícios; por exemplo, os betabloqueadores diminuem a FC. 
Situações parecidas também ocorrem durante o repouso. 
Fatores como as modificações de posição durante o exercício (posição 
ortostática (como ocorre durante a corrida), ou sentado (como ocorre no ciclismo e 
durante a natação) afetam a frequência cardíaca em uma intensidade similar de 
trabalho. 
10 ADAPTAÇÕES RESPIRATÓRIAS DURANTE O EXERCÍCIO 
 
Fonte: portalsaudenoar.com.br 
A respiração é uma função vital do organismo, que tem como fim primordial o 
aporte de O2 da atmosfera até os tecidos e a eliminação de CO2 destes para o 
exterior. Para isso, o sistema respiratório usa uma série de músculos (músculos 
respiratórios), que produzem variações de pressão e volume na cavidade torácica, 
possibilitando a aeração dos alvéolos. 
O processo respiratório pode ser dividido em duas fases, uma externa e outra 
interna. A respiração externa ocorre em três etapas: ventilação pulmonar, que significa 
troca de ar (entrada e saída) entre a atmosfera e os alvéolos pulmonares; difusão de 
 
36 
 
 
 
 
O2 e CO2 entre os alvéolos e o sangue e perfusão dos alvéolos; e transporte de 
O2 até as células e de CO2 dos líquidos corporais até o pulmão. 
A respiração interna, ou respiração celular, implica a utilização de O2 e a 
produção de anidrido carbônico (CO2) pelos tecidos, reações metabólicas essenciais 
para a produção de energia a partir dos alimentos. Todas essas etapas da respiração 
são reguladas e controladas pelos centros respiratórios. 
Alguns aspectos merecem ser relembrados: 
Os volumes pulmonares variam com a idade, com o sexo, com o tamanho 
corporal e especialmente com a altura e devem ser avaliados apenas com relação às 
normas que consideram esses fatores. 
A ventilação pulmonar é ajustada para favorecer concentrações alveolares de 
oxigênio e dióxido de carbono que assegurem a aeração adequada do sangue que 
passa pelos pulmões. 
Não é possível avaliar o rendimento respiratório em indivíduos sadios a partir 
das medidas da função pulmonar sempre que estas se encontrem dentro da 
normalidade, seja em pessoas sedentárias sadias, treinadas ou esportistas de elite. A 
natação e o mergulho são os esportes que mais aumentam a capacidade vital e 
diminuem o volume residual, porque os músculos respiratórios lutam contra a pressão 
exercida pela água e melhoram sua capacidade aeróbia com o treinamento. 
Volumes pulmonares acima do normal e capacidades pulmonares em alguns 
esportistas parecem ser devidos ao genótipo. Isso, acompanhado do treinamento 
específico dos músculos respiratórios, melhora o rendimento físico. O treinamento dos 
músculos respiratórios favorece a manutenção de altos níveis de ventilação 
submáxima, uma vez que melhora a resistência ventilatória ao aumentar o número de 
enzimas aeróbias dos músculos ventilatórios. Assim, consegue-se um retardo no 
aparecimento da fadiga ventilatória, a qual está relacionada com uma sensação de 
“falta de ar” e com um mal-estar local provocado pelos níveis de lactato sanguíneo. 
O volume de ar corrente aumenta durante o exercício, invadindo tanto o volume 
inspiratório de reserva como o volume expiratório. Em uma inspiração máxima, 
mesmo quando uma pessoa respira com toda sua capacidade vital, o ar permanece 
 
37 
 
 
 
 
nos pulmões. Esse volume pulmonar residual permite trocas contínuas de gás durante 
todas as fases do ciclo respiratório. 
A ventilação alveolar é a parte da ventilação pulmonar por minuto que entra nos 
alvéolos e está implicada na troca gasosa com o sangue. A relação da ventilação 
alveolar com o fluxo sanguíneo pulmonar denomina-se relação ventilação/perfusão. 
Em repouso e durante exercícios leves, a relação mantém-se em torno de 0,8 L. Isso 
indica que cada litro de sangue pulmonar se relaciona a uma ventilação alveolar de 
0,8 L. No exercício vigoroso, a ventilação alveolar em pessoas sadias aumenta de 
maneira desproporcional, e a relação pode alcançar 5 L. 
A ventilação pulmonarou volume ventilatório máximo (VVM) por minuto em 
repouso é de 6 L, embora possa chegar até 10 L. A fórmula é: 
VVM = frequência respiratória x volume de ar corrente 
=6 L/min = 12 x 0,5 L 
O aumento significativo da ventilação pulmonar por minuto resulta de um 
aumento na profundidade, na frequência ou em ambas. Durante o exercício vigoroso, 
a frequência respiratória de adultos jovens sadios aumenta normalmente para 35 a 45 
respirações/min (embora tenham sido registradas, em esportistas de elite, frequências 
respiratórias tão altas quanto 60 a 76 durante exercício máximo). Volumes correntes 
de 2 L/min são comuns durante o exercício. 
Homens jovens sadios treinados alcançam, durante um exercício intenso, um 
volume ventilatório máximo de 140 a 180 L/min, e as mulheres, de 80 a 120 L/min. A 
diferença diminui nas esportistas de alto rendimento. Foram relatados valores de 200 
L/min em homens esportistas de competição de alto nível. Diminuem em pacientes 
com patologia obstrutiva até 40% do considerado normal para sua idade e tamanho 
corporal. 
10.1 Regulação da ventilação durante o exercício 
A realização do exercício produz modificações na dinâmica respiratória que se 
traduzem em taquipneia e hiperpneia (aumento na frequência e na amplitude 
respiratórias, respectivamente); com isso, pretende-se satisfazer às grandes 
 
38 
 
 
 
 
necessidades de O2 existentes durante a atividade física. Normalmente, existe uma 
fase precoce de desequilíbrio entre as exigências e os aportes, que é a dívida de O2. 
Quando a demanda é satisfeita, entra em uma fase de equilíbrio entre a captação e o 
consumo de oxigênio. Se o trabalho é de grande intensidade, chega o momento em 
que a adaptação respiratória é insuficiente para compensar as necessidades. Nas 
competições esportivas, costuma-se realizar um trabalho máximo que cria 
rapidamente dívida de O2, desembocando no metabolismo anaeróbio, o que pode 
acarretar uma rápida depleção quando as necessidades de O2 superam amplamente 
os aportes. A dívida criada será compensada no período de recuperação. 
Embora aumentem tanto a frequência como a amplitude respiratórias, esta 
última é a que mais aumenta, sendo denominada hiperpneia do exercício. 
Antes do exercício, da mesma forma que ocorre no sistema cardiovascular, 
ocorrem fenômenos de pré-arranque, aumentando o volume ventilatório expiratório 
(VVE) à custa da frequência respiratória, principalmente. 
Durante atividades moderadas, a ventilação aumenta em relação ao VO2. Em 
uma respiração de até 30 L/min, o trabalho respiratório é realizado pelos músculos 
inspiratórios, uma vez que a expiração é passiva, devido à elasticidade 
toracopulmonar. Daí em diante, a respiração torna-se ativa, entram em jogo os 
músculos expiratórios e, ao chegar aos 100 L/min, intervêm também os músculos 
respiratórios acessórios. Essa participação em bloco de todos os músculos 
respiratórios condiciona um VO2 que pode privar o resto do organismo de oxigênio, 
ou seja, a mobilização de ar durante o esforço físico consome O2, o que constitui um 
limite ventilatório para a realização do trabalho. Em indivíduos treinados, esse limite 
chega a 150 a 200 L/min; a mobilização de qualquer volume adicionado requer um 
aporte de O2 que repercute sobre o rendimento do organismo. 
Uma conclusão prática é que a realização de um trabalho aeróbio máximo 
nunca desenvolve níveis extremos de ventilação pulmonar. Por outro lado, a 
ventilação é limitada pela circulação, ou seja, pelo tempo que o eritrócito permanece 
em contato com a barreira hematogasosa e pode captar O2 alveolar (hematose). 
A regulação da respiração durante o exercício é o resultado da combinação de 
fatores neurais e químicos: 
 
39 
 
 
 
 
Regulação pré-exercício de origem neural (similar ao sistema cardiovascular), 
o que aumenta o incremento ventilatório antes do exercício a partir de informações 
das regiões do córtex motor que estimulam os neurônios respiratórios medulares. 
Uma resposta reflexa, cuja origem se encontra na estimulação dos 
quimiorreceptores e dos mecanorreceptores musculares. 
Elevação da temperatura muscular, que tem um efeito estimulador sobre os 
neurônios do centro respiratório, tendo relevância em exercícios de certa duração. 
Mais tarde, os metabólitos procedentes dos músculos (CO2, ácido láctico) 
estimulam, diretamente ou por mediadores (H+), os quimiorreceptores aórticos e 
carotídeos e até mesmo os centros respiratórios, aumentando a ventilação. Como 
demoram um certo tempo para ser produzidos, não podem ser a única causa de 
hiperventilação. Além disso, apenas sua presença não é suficientemente potente para 
desencadear as modificações que ocorrem em um exercício vigoroso. 
A pressão de oxigênio (PaO2) aumenta e não constitui um estímulo para a 
ventilação. 
A hiperventilação produz uma redução da PaCO2, circunstância que inibe a 
hiperventilação. No entanto, esses fatores estimulantes sofrem oscilações entre o final 
da inspiração e o final da expiração (PaCO2 capilar e alveolar, mais alta no final da 
expiração e mais baixa no final da inspiração). Isso, associado a um provável aumento 
na sensibilidade dos quimiorreceptores periféricos, provoca parte do estímulo 
hiperventilatório durante o exercício. 
Regulação respiratória do equilíbrio acidobásico durante o exercício 
O pH do sangue mantém-se levemente alcalino (7,4), qualidade que não pode 
sofrer modificações importantes para a correta homeostase do organismo. A 
realização do exercício sempre gera um aumento na produção de CO2 e quase 
sempre de ácido láctico, com um aumento da concentração do íon hidrogênio (H+); 
por isso, durante o exercício há uma tendência à acidose metabólica. Isso pode ser 
compensado com sistemas tamponadores, presentes nos líquidos corporais, como o 
tampão bicarbonato, o fosfato e as proteínas plasmáticas. Esses sistemas 
químicos esgotam-se com certa rapidez, razão pela qual necessitam de 
 
40 
 
 
 
 
tamponadores físicos, como os pulmões e os rins, os quais atuam a médio e longo 
prazos e, além disso, potencializam a atividade dos tamponadores químicos. 
Qualquer aumento dos H+ nos líquidos extracelulares e no plasma estimula o 
centro respiratório e provoca uma hiperventilação. Isso reduz rapidamente o CO2 do 
sangue que sai com o ar expirado e facilita a recombinação de H+ com HCO3–
desaparecendo valências ácidas do meio. 
A magnitude potencial do pulmão como tamponador foi estimada como o dobro 
de todos os tampões químicos juntos. 
O treinamento anaeróbio permite desenvolver uma adaptação no esportista, 
que suporta níveis mais altos de ácido láctico e mais baixos de pH do que os que 
suportava antes do treinamento. 
Em resumo, os principais mecanismos que operam durante a regulação da 
ventilação pulmonar são: 
Os centros respiratórios no tronco encefálico, que estabelecem a frequência e 
a profundidade da respiração. 
Os quimiorreceptores centrais (no bulbo), que respondem às alterações de 
CO2 e H+. Quando qualquer um dos dois aumenta, o centro respiratório intensifica a 
respiração. 
Receptores periféricos no arco da aorta e na bifurcação da artéria carótida, que 
respondem a modificações do O2, mas também do CO2 e dos H+. 
Durante o exercício, a ventilação aumenta quase imediatamente, devido à 
atividade muscular que estimula o centro respiratório. A isso, segue-se um aumento 
gradual por elevação da temperatura e das alterações químicas no sangue arterial 
produzidas pela atividade muscular. 
Entre os problemas associados com a respiração durante o 
exercício, encontram-se: dispneia, hiperventilação e execução da manobra de 
Valsalva. 
 
41 
 
 
 
 
10.2 Dispneia (respiração curta) 
Sensação de dispneia durante o exercício. Isso se apresenta com maior 
frequência em pessoas com má condição física que tentam fazer exercícios intensos. 
As concentrações de CO2 e H+ aumentam de forma importante. 
Enviam estímulos fortesao centro respiratório para aumentar a frequência e a 
profundidade da ventilação. 
Esses indivíduos não apresentam uma resposta adequada para restabelecer a 
homeostase normal, pelo mau condicionamento dos músculos respiratórios. 
10.3 Hiperventilação 
Produz um incremento de ventilação, que aumenta a necessidade metabólica 
de O2, o que, em condições de repouso, reduz a PaCO2 no sangue arterial de 40 para 
15 mmHg. Esse comportamento também reduz H+ com aumento do pH (alcalose). 
Aumento do PO2 alveolar, não aumentando o PO2 sanguíneo, já que o sangue 
que sai dos pulmões está saturado com O2 a 98%. 
A respiração rápida e profunda pode provocar tontura e até perda de 
consciência, pela sensibilidade da regulação do sistema respiratório ao CO2 e ao pH. 
10.4 Exemplos nos esportes 
Natação: hiperventilação antes da competição com a finalidade de melhorar a 
mecânica das braçadas durante os primeiros 8 a 10 s da prova. Isso é seguramente 
uma desvantagem em provas de 200 m ou mais, pois caem os níveis de PaO2, o que 
dificulta a oxigenação muscular. 
Imersão/esporte subaquático: perigoso, pois o O2 no sangue reduz 
criticamente antes que o acúmulo de CO2 indique que se deve subir à superfície. 
 
42 
 
 
 
 
10.5 Manobra de Valsalva 
Ocorre quando se tenta levantar um objeto pesado ou quando se tenta 
estabilizar a parede do tórax. Pode ocorre devido: Fechamento da glote; aumento da 
pressão intra-abdominal, contraindo o diafragma e os músculos abdominais de forma 
forçada; aumento da pressão intratorácica, contraindo os músculos respiratórios de 
forma forçada. Estes episódios diminuem o retorno venoso, colapsando as veias 
grandes. Quando se mantém durante um tempo prolongado, o volume de sangue que 
volta ao coração diminui, reduzindo o débito cardíaco, o que é muito perigoso para 
pacientes com HAS e doenças cardiovasculares. 
11 CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO ABSOLUTO (VO2MÁX) E RELATIVO 
(VO2MÁX/KG) 
Nos estudos biomédicos do exercício em esportistas e também na população, 
é importante realizar teste de esforço cardiorrespiratório máximo (ergometria ou 
ergoespirometria funcional) para determinar o VO2máx e o VO2máx/kg. 
O sucesso nos esportes de resistência está relacionado: A valores elevados de 
VO2máx e VO2máx/kg, assim como à eficiência do limiar anaeróbio; À economia do 
gesto esportivo, como a eficácia da passada para um corredor ou da braçada para um 
nadador; À capacidade para manter um esforço submáximo por tempo prolongado. 
 O VO2máx/kg é uma variável de grande importância aos programas de saúde 
na população com o fim de conhecer o condicionamento cardiorrespiratório. 
Existem circunstâncias que limitam o VO2 no homem, entre as quais se 
destacam: 
A velocidade do transporte de nutrientes para os tecidos em atividade, que 
depende da função cardiovascular e respiratória; 
A capacidade de utilização do O2 pelas células ativas; 
A capacidade de difusão de O2 nos pulmões; 
A inatividade, a idade, o condicionamento físico e as doenças. 
 
43 
 
 
 
 
Há diferentes métodos não-invasivos para obter o VO2máx de forma direta 
(com a utilização de analisadores respiratórios durante testes de esforço, em 
condições de laboratório e de campo) e indireta (mediante teste de laboratório com a 
relação da carga utilizada e sua resposta biológica). Em testes de campo, a partir da 
velocidade realizada em diferentes distâncias, calcula-se o VO2máx absoluto e 
relativo como nos testes de Cooper, entre outros. 
Existem múltiplos protocolos nos testes de laboratório para a obtenção do 
VO2máx, de forma direta ou indireta. 
O consumo de 1 L de O2 gera 5 kcal, existindo uma relação perfeita entre o 
O2 consumido e a energia produzida. Portanto, quanto maior for o VO2, maior será o 
rendimento energético. 
11.1 Fatores que limitam o rendimento durante o VO2máx: 
Fatores internos: Ventilação pulmonar; capacidade de difusão dos pulmões; 
débito cardíaco; capacidade do sangue para transportar o oxigênio; utilização 
periférica do oxigênio; composição das fibras musculares. 
Fatores externos: Formas de carga; quantidade de massa muscular implicada; 
Posição corporal; disponibilidade parcial de oxigênio; clima. 
11.2 Consumo de oxigênio 
É a quantidade necessária para responder à demanda energética de uma 
determinada atividade. O VO2 aumenta de forma linear com a intensidade da carga e 
com a FC, até um limite. É medido em litros (L). 
11.3 Consumo máximo de oxigênio ou potência aeróbia máxima 
É a medição, em L/min, da capacidade máxima de transporte de O2 do coração 
e dos pulmões de um indivíduo, assim como a capacidade dos músculos para utilizar 
 
44 
 
 
 
 
e consumir o O2. Quando o VO2máx chega até seus limites ocorre um platô: apesar 
de aumentar a carga, não há aumento do VO2máx. 
Em condições de repouso, o consumo de O2 basal é de 0,25 L de O2/min; é 
igual para indivíduos sedentários e para os que praticam qualquer tipo de esporte. 
Durante o exercício leve, uma pessoa normal pode triplicá-lo para 0,75 L de O2/min. 
Se o exercício for moderado ou submáximo, pode multiplicá-lo 8 a 12 vezes, ou seja, 
até valores de 2 a 3 L de O2/min. O indivíduo treinado pode chegar até 4 a 5 L/min. 
Atletas de capacidade superior podem atingir 6,2 L/min. Os valores vão diminuindo 
com a idade e aumentando com o treinamento. 
11.4 Consumo máximo de oxigênio relativo 
É o VO2máx por kg de peso, expresso em ml/kg/min. É o indicador biológico 
mais importante de saúde e da condição física da população. É um indicador 
importante para o esporte de alta competição, sobretudo para as modalidades de 
resistência. 
11.5 Fatores que influenciam o VO2máx e o VO2máx/kg 
Os seguintes fatores influenciam o VO2máx e o VO2máx/kg: genéticos, 
constitucionais (composição corporal), sexo, idade, atividade física ou modalidade 
esportiva, nível de treinamento, temperatura ambiental, pressão atmosférica, estado 
de saúde, esforço realizado durante a prova ou teste e habilidade e técnica para 
realizar o gesto esportivo. 
11.6 Estado estável, déficit de O2 e dívida de O2 
Quando se realiza uma atividade física de forma econômica, em que existe um 
equilíbrio da relação gasto de energia/ produção, mantém-se o trabalho do 
metabolismo aeróbio sem ultrapassar o limiar anaeróbio (3,4 mmol/L de ácido láctico). 
Quando a intensidade da atividade ultrapassa o nível de produção de ácido láctico, 
 
45 
 
 
 
 
depende-se do metabolismo anaeróbio para responder ao déficit de O2, que 
finalmente leva a uma dívida de O2. 
11.7 Déficit de oxigênio 
É a diferença entre as necessidades de O2 e a quantidade real fornecida e 
consumida. Ocorre no início de um trabalho determinado (mesmo muito leve). A 
energia é proporcionada pelo metabolismo anaeróbio. Às vezes o déficit de 
O2 mantém-se todo o tempo durante provas intensas de pouca duração, como 100 
até 800 m rasos no atletismo e entre 50 e 200 m na natação, entre outros. Em esportes 
de resistência na aceleração final, para melhor tempo e êxito esportivo, necessita-
se de energia anaeróbia. 
11.8 Dívida de oxigênio 
Define-se como a quantidade de O2 consumida após o exercício, acima do 
consumo basal prévio à prática esportiva. 
Reflete o pagamento do organismo, pelo metabolismo aeróbio, do gasto 
energético que se acumulou durante o trabalho (o qual foi facilitado pela via anaeróbia 
para responder ao déficit), assim como de ajustes endócrino-
metabólicos, cardiorrespiratórios e neuromusculares durante a recuperação. 
A restituição da dívida é rápida no início, sendo depois mais lenta. A dívida de 
O2 máxima de cada indivíduo limita a realização do exercício por ser um fator que 
condiciona o aparecimento da fadiga. O treinamento físico aumenta o volume da 
dívida antes que apareça a fadiga. 
 
46 
 
 
 
 
12 AVALIAÇÃO: FREQUÊNCIA CARDÍACA MÁXIMA (FCMÁX) E DÉBITO 
CARDÍACO (DC) 
 
Fonte: scielo.br 
12.1 Determinantes para a FCmáx máxima prevista deum ser humano 
Tanto no esporte de rendimento como nos programas de saúde direcionados à 
população utilizamos diferentes fórmulas: 
FCmáx = 220 – idade (OMS-Karvonen); 
FCmáx de reserva ou VO2máx = FCmáx – FC de repouso (Karvonen); 
FCmáx = 208 – (0,7 × idade) (fórmula da Universidade do Colorado, EUA). 
De posse dessa informação, o médico com conhecimentos de fisiologia do 
exercício, o professor de educação física ou o técnico do esporte, entre outros 
profissionais da área, podem planejar de forma simples em que faixa do percentual 
de intensidade da FCmáx devem treinar seu atleta, cliente ou paciente para obter os 
resultados esperados, criando um nível inferior e outro superior de intensidade, 
controlado, nesse caso, pelos bpm, o que constitui, então, a banda ou faixa de pulso 
de treinamento. 
Em casos de doença, trabalha-se a partir da frequência de trabalho 
submáximo, e a fórmula que se utiliza para obtê-la é: 
FC submáxima= FC máxima x 0,85 
 
47 
 
 
 
 
Em cardiologia e em medicina do esporte, utilizam-se as fórmulas de Vivacqua 
e Spagna para a reserva cronotrópica (RC) e o déficit cronotrópico (DF). 
RC = FCmáx – FC de repouso (também conhecida como FCmáx de reserva ou 
percentual de VO2máx, utilizado por Karnoven) 
 DC = FCmáx prevista – FCmáx alcançada / FCmáx prevista 
12.2 Débito cardíaco: a capacidade funcional do sistema cardiovascular 
O débito cardíaco é o primeiro indicador da capacidade funcional da circulação 
para satisfazer as demandas da atividade física. Os dois fatores que determinam a 
capacidade do débito cardíaco são a frequência cardíaca e o volume sistólico (VS). A 
relação é: 
 DC = FC x VS 
 Dispõe-se de vários métodos, invasivos (como o método de Fick) e não-
invasivos (como o método de reinalação), para medir o débito cardíaco. Cada um tem 
suas vantagens e desvantagens, sobretudo quando utilizados durante a prática de 
exercícios. 
A fórmula do método de Fick é esta: 
 DC = VO2máx x 100 = ml/min / Diferença a-vO2 
 Em condições de repouso, o organismo dispõe de aproximadamente 250 mL 
de VO2máx, os quais são utilizados durante um minuto em repouso para responder ao 
gasto energético, e a diferença arteriovenosa durante esse tempo é de 5 mL de O2 por 
100 mL de sangue. Assim, conforme a fórmula de Fick, teríamos um DC de 5.000 
mL/min de sangue, ou seja, de 5 L/min. 
12.3 Débito cardíaco em condições de repouso e durante o exercício 
O DC aumenta proporcionalmente à intensidade do exercício, desde 5 L em 
condições de repouso a um máximo de 20 a 25 L/min em homens jovens e que 
realizam atividade física; em esportistas de elite o DC é maior, sendo mais evidente 
nos esportistas de resistência, que podem ter entre 35 e 40 L/min de sangue de DC. 
 
48 
 
 
 
 
Essas diferenças devem-se inteiramente ao grande volume sistólico de indivíduos 
treinados, já que o exercício físico contínuo de características aeróbias produz 
hipertrofia fisiológica do ventrículo esquerdo, com aumento do volume sistólico, 
gerando um batimento mais forte. 
Em consequência disso, aqueles que realizam exercícios aeróbios possuem 
um DC de repouso mais econômico, com menor FC do que pessoas sedentárias, uma 
vez que seu VS é maior (de 70 a 71 mL em indivíduos sedentários e de 
aproximadamente 100 mL em indivíduos treinados). Os valores médios do DC em 
condições de repouso são resumidos a seguir: 
 Repouso: 
Débito cardíaco = frequência cardíaca x volume sistólico; 
Indivíduos sedentários: 4.970 mL/min = 70 bpm x 71 mL/batimento; 
Indivíduos treinados: 5.000 mL/min = 50 bpm x 100 mL/batimento. 
Durante o exercício máximo, a diferença não é só de economia, mas também 
de quantidade e qualidade do DC. Ao possuir um VS maior, a pessoa treinada tem um 
DC maior diante de um esforço máximo. Em homens sedentários, o VS médio fica 
entre 103 e 113 mL de sangue por batimento, enquanto em pessoas treinadas pode 
ser entre 150 e 210 mL/batimento. Como exemplo, consideremos duas pessoas que 
realizam um esforço máximo de 195 bpm: 
 Esforço máximo: 
Débito cardíaco = frequência cardíaca x volume sistólico; 
Indivíduos sedentários: 21.450 mL/min = 195 bpm x 110 mL/batimento; 
Indivíduos treinados: 34.950 mL/min = 195 bpm x 179 mL/batimento. 
Devemos salientar que a eficiência do trabalho é muito diferente entre os 
exemplos que podemos apresentar, já que o que é um esforço máximo para um 
sedentário (por exemplo, correr 2 km em 13 minutos e 30 segundos) pode ser um 
esforço submáximo ou moderado (correr esses 2 km em 12 minutos e 45 segundos) 
para uma pessoa que realiza atividade física aeróbia de forma sistemática e pode ser 
um esforço leve para um esportista de alto rendimento (que percorra 2 km em 11 
minutos e 20 segundos). Os mecanismos de recuperação da FC, do VS e, por 
conseguinte, do DC são mais rápidos em indivíduos treinados. 
 
49 
 
 
 
 
Durante exercícios realizados em pé, o volume sistólico aumenta durante a 
transição do repouso ao exercício leve, com valores máximos que chegam a 45% do 
VO2máx. Depois desse ponto, o débito cardíaco intensifica-se conforme aumenta a 
frequência cardíaca. Os aumentos no volume sistólico em exercícios realizados em 
pé devem-se geralmente a um esvaziamento sistólico mais completo, em lugar de um 
maior enchimento dos ventrículos durante a diástole. A ejeção sistólica aumenta por 
meio dos hormônios simpáticos. O treinamento de fundo melhora a força miocárdica, 
que também contribui consideravelmente para a potência do batimento durante a 
sístole. 
A frequência cardíaca e o consumo de O2 estão relacionados de maneira linear, 
tanto em indivíduos treinados como em não-treinados, durante a maior parte do 
exercício. Com o treinamento de resistência, essa relação desloca-se 
significativamente para a direita, devido à melhora no volume sistólico cardíaco. Por 
conseguinte, a frequência cardíaca reduz-se consideravelmente, em nível de trabalho 
submáximo, nos indivíduos treinados em exercícios de resistência aeróbia. 
Após um treinamento de resistência cardiorrespiratória, o volume sistólico 
aumenta em repouso, assim como ao realizar exercícios de nível submáximo ou 
máximo de intensidade. Durante o treinamento aeróbio, ocorre um aumento do volume 
diastólico final, causado principalmente pelo aumento do volume plasmático. 
O ventrículo esquerdo é a câmara do coração mais modificada em resposta ao 
treinamento de resistência. As dimensões internas do ventrículo esquerdo aumentam 
sobretudo como resposta a um aumento no enchimento ventricular. Durante o 
treinamento de resistência cardiorrespiratória, a espessura da parede ventricular 
esquerda também aumenta, intensificando o potencial de força das contrações do 
ventrículo esquerdo. 
A lei de Frank Starling descreve que o fator principal no controle e no 
desenvolvimento do volume sistólico é o grau de estiramento dos ventrículos. Quando 
os ventrículos se estiram mais, eles se contraem com mais força. Por exemplo, se um 
grande volume de sangue entra na câmara quando os ventrículos se enchem durante 
a diástole, as paredes dos ventrículos se distenderão mais do que quando entra um 
 
50 
 
 
 
 
volume menor de sangue. Com o objetivo de expulsar essa quantidade maior de 
sangue, os ventrículos devem reagir ao estiramento, contraindo-se com mais força. 
O trabalho sistemático de treinamento de resistência aeróbia ou de 
condicionamento cardiorrespiratório produz uma hipertrofia cardíaca esquerda com 
predomínio do ventrículo esquerdo, o que garante um coração mais forte e eficiente 
em condições de repouso e durante o exercício submáximo e máximo. 
O volume ou débito sistólico previsto pode ser calculado (Ellestad) por meio da 
seguinte fórmula indireta: 
 Volume sistólico previsto em homens: VSp = 112 – (0,363 x idade) mL/min 
Volume sistólico previsto em mulheres: VSp = 74 – (0,172 x idade) mL/min 
 O volume sistólico avaliado durante um teste de esforço é obtido,para ambos 
os sexos: 
 VS = 1.000 x DC / FCmáx = mL/bpm 
12.4 Distribuição do débito cardíaco 
O sangue que flui para os diferentes tecidos do organismo é geralmente 
proporcional à atividade metabólica realizada em estado de repouso ou em atividade 
física. Problemas de saúde podem alterar o fluxo sanguíneo, em condições de 
repouso, para diferentes órgãos. O exercício físico modifica o volume de fluxo 
sanguíneo no organismo, deslocando uma quantidade significativa de sangue para os 
músculos que trabalham. 
Cerca de um quinto do débito cardíaco dirige-se ao tecido muscular, ao passo 
que a maior parte do sangue irriga o baço, o fígado, o intestino, o trato gastrintestinal 
e o cérebro. 
O fluxo sanguíneo durante o exercício possui uma distribuição diferente, 
dependendo de o exercício ser leve, moderado, intenso ou máximo. Embora a 
irrigação sanguínea durante a atividade física varie consideravelmente segundo o tipo 
de exercício, sua intensidade e duração, o nível de condicionamento físico, o estado 
de saúde e a idade do indivíduo e as condições ambientais, a maior parte do débito 
cardíaco desvia-se para os músculos ativos. 
 
51 
 
 
 
 
Em repouso, em torno de 4 a 7 ml de sangue são fornecidos a cada minuto 
para cada 100 g de músculo. Esse débito aumenta constantemente; com esforço 
máximo, o fluxo sanguíneo muscular pode ser tão alto quanto 50 a 75 Ml por 100 g de 
tecido. Isso representa em torno de 85% do débito cardíaco total. 
 Observamos como órgãos importantes, como o coração, aumentam 
gradualmente a quantidade de fluxo sanguíneo que necessitam e, ao mesmo tempo, 
mantêm constante o percentual (4%) durante os diferentes níveis de intensidade de 
exercício. Mesmo durante o repouso, podem aumentar de 4 a 5 vezes de condições 
de repouso ao exercício vigoroso. Já o cérebro aumenta apenas 50 ml de condições 
de repouso ao exercício leve, mantendo-se constante nos exercícios moderados e 
máximos. 
O débito cardíaco, ou volume cardíaco por minuto, pode ser previsto pelas 
seguintes fórmulas indiretas de Hossack: 
 DC previsto (homens) = 26,5 – (0,17 × idade) L/min 
DC previsto (mulheres) = 15 – (0,071 × idade) L/min 
O débito cardíaco durante um teste de esforço cardiorrespiratório é avaliado de 
forma indireta por meio da seguinte fórmula de Hossack e colaboradores: 
DC previsto (homens) = (VO2máx/kg × peso kg × 0,0046) + 5,31 = L/min 
DC previsto (mulheres) = (VO2máx/kg × peso kg × 0,00407) + 4,72 = L/min 
DC cardiopatas = (VO2máx/kg × peso kg × 0,0046) + 3,10 = L/min 
O débito cardíaco informa quanto sangue abandona o coração a cada minuto, 
enquanto a diferença arteriovenosa de oxigênio (dif a-vO2) indica quanto oxigênio é 
extraído do sangue pelos tecidos. O produto desses dois fatores indica o ritmo de 
consumo de oxigênio (VO2), expresso na seguinte fórmula: 
 
VO2 = VS × FC × dif a-vO2 
 
Existe uma relação direta entre o exercício e o aumento do DC, porque este 
assegura o aumento de O2 durante o exercício. 
 
 
52 
 
 
 
 
12.5 Fluxo sanguíneo e exercício 
O fluxo sanguíneo aumenta durante o esforço, principalmente pelo exercício 
que desenvolve o condicionamento cardiorrespiratório, com um aumento do volume 
sistólico e do débito cardíaco. Esse aumento é devido a três fatores: 
 Maior capilarização; Maior abertura dos capilares existentes; Redistribuição 
mais efetiva do sangue. 
13 PRESSÃO ARTERIAL E EXERCÍCIO 
 
Fonte: horadotreino.com.br 
Na hipertensão arterial estabelecida, existem alterações em praticamente 
todos esses controladores, sendo difícil estabelecer quais os mecanismos 
que tiveram papel preponderante no desencadeamento e mesmo na 
manutenção de valores elevados de pressão artérial. (IRIGOYEN, 2000, 
apud LATER4ZA, 2008). 
A pressão sistólica (PAS) aumenta em proporção ao consumo de O2, ao débito 
cardíaco e à progressão do exercício, enquanto a pressão diastólica (PAD) 
permanece relativamente igual ou aumenta apenas levemente. Com a mesma carga 
relativa de trabalho, as pressões sistólicas são maiores quando o trabalho se realiza 
mais com os braços do que com as pernas, devido à menor massa muscular e à menor 
vascularização que existe nos membros superiores. 
 
53 
 
 
 
 
Em pessoas treinadas em exercícios aeróbios com a finalidade de prevenir 
doenças ou recuperar a saúde, e sobretudo em esportistas de competição, 
principalmente nas modalidades de resistência, durante exercícios de grande 
intensidade, aumenta consideravelmente a pressão arterial diferencial, elevando a 
sistólica e diminuindo a diastólica e produzindo uma diminuição da resistência 
periférica geral com o propósito de levar um maior fluxo sanguíneo e de O2 aos 
tecidos que trabalham (em especial aos músculos) de uma forma econômica e efetiva. 
Durante o exercício isométrico (estático), com pesos e com máquinas 
hidráulicas, as pressões sistólica e diastólica aumentam o estado hipertensivo, o que 
constitui um risco para o indivíduo hipertenso ou com outra doença cardiovascular. 
Como se sabe, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) impõe uma carga crônica 
sobre a função cardíaca. O treinamento aeróbio (caminhada, trote, natação, ciclismo, 
entre outros.) regular, de forma individualizada e conservadora para cada paciente, 
produz melhora da hipertensão arterial, tanto em condições de repouso como no 
exercício submáximo. Devemos ser cuidadosos com os estágios graves e muito 
graves da HAS; apenas com acompanhamento médico a prática de exercícios físicos 
é indicada para esses indivíduos. 
Pacientes com hipertensão arterial leve podem realizar, sem exageros, 
exercícios de força, de caráter isotônico ou dinâmico, sempre sob prescrição médica 
e com pressão arterial normal. 
 Devem-se observar as seguintes considerações: 
-Antes de mais nada, deve-se recordar que a pressão sistólica de repouso 
oscila entre 135 e 100 mmHg e que a diastólica ou mínima, entre 85 e 60 mmHg. 
Podem-se observar valores tensionais normais, principalmente no sexo feminino, 
entre 100 e 90 mmHg de sistólica e 60 mmHg de diastólica. Uma pressão normal típica 
é de 120/80 ou 110/70 mmHg, o que assegura uma pressão diferencial de 40 mmHg. 
Em pacientes hipertensos ou com predisposição, o estímulo do exercício 
escalonado, com o objetivo de levar à frequência cardíaca máxima durante um teste 
de esforço, pode produzir uma resposta hipertensiva tanto sistólica como diastólica. 
A pressão (ou tensão) arterial sistólica aumenta, durante o exercício, 
proporcionalmente ao consumo de O2 e ao débito cardíaco, que aumenta durante o 
 
54 
 
 
 
 
exercício progressivo. A pressão diastólica permanece relativamente igual, aumenta 
levemente ou diminui, dependendo do grau de atividade da pessoa, do estado de 
saúde e do tipo de exercício realizado. 
Em esportistas submetidos a esforços máximos, pode-se obter 200 a 250 
mmHg de PAS. Relataram-se 240 a 250 mmHg em esportistas de alto nível e 
saudáveis. 
A atividade física sistemática melhora a qualidade da resposta da PAS e da 
PAD durante o exercício, elevando a pressão arterial diferencial. 
Durante um exercício máximo progressivo, podemos encontrar em esportistas, 
sobretudo de modalidades de resistência, valores de 250 mmHg na sistólica e de 30 
ou menos na diastólica, garantindo uma pressão arterial diferencial grande, para obter 
a eficiência do aumento do débito cardíaco com um maior fluxo de sangue e de 
oxigenação para os músculos. 
Indivíduos sedentários e/ou com hipertensão arterial não respondem de forma 
fisiológica ao exercício aeróbio, com dificuldades na pressão arterial diastólica, que 
geralmente aumenta, diminuindo a pressão arterial diferencial, que torna o trabalho 
menos econômico. 
A Fisiologia do Exercício envolve pesquisas de cunho básico e aplicado. No 
contexto básico, os estudos investigam os mecanismos; enquanto que as 
pesquisas aplicadas testam diferentes características do exercício físico em 
diferentes populaçõese avaliam os efeitos dessas diferenças nas respostas 
agudas e crônicas das funções orgânicas (THOMAS, et al, 2005, apud 
FORJAZ, 2011). 
Na hipertensão arterial leve ou moderada, a atividade física aeróbia sistemática 
diminui, em condições de repouso, uma média de 11 mmHg da PAS e de 8 mm da 
PAD, reduzindo, assim, a pressão média. 
Um aumento de 15 mm na pressão arterial diastólica durante o exercício é 
considerado uma resposta anormal ao exercício, sobretudo em pessoas 
“aparentemente saudáveis”. 
A resposta ao trabalho de halterofilismo de grande intensidade e volume pode 
chegar até o valor patológico de PAS de 480 e de PAD 350 mm (480/350 mmHg), 
segundo refere Wilmore (2000), em pessoas hipertensas e que praticam halterofilismo 
ou fisiculturismo de forma intensa e perigosa. 
 
55 
 
 
 
 
O treinamento de força isotônico bem-realizado não gera problemas de saúde 
em pessoas saudáveis. É um método importante de exercícios para melhorar de forma 
notável o condicionamento musculoesquelético e também colabora com o 
condicionamento cardiorrespiratório. 
A pressão diferencial é obtida subtraindo-se a pressão arterial diastólica da 
pressão arterial sistólica; por exemplo: se a PA de repouso for 120/80 mmHg, a 
pressão diferencial será 40; para uma PA de 220/30 durante o exercício de um atleta 
de esporte de resistência, em um teste de esforço máximo progressivo, a tensão ou 
pressão diferencial será de 190 mmHg. 
A pressão ou tensão arterial média (PAM ou TAM) é obtida por meio da 
seguinte fórmula: 
PAM = PAS + (2 x PAD) / 3 
Vivacqua e Spagna (Lamb, 1985) propuseram uma avaliação de parâmetros 
da pressão arterial com respeito à pressão arterial durante repouso (basal) e esforço, 
relacionada aos equivalentes metabólicos de tarefa (METs) alcançados durante o 
esforço, que se expressam em mmHg/MET. Essa avaliação é usada principalmente 
em cardiologia, mas também em medicina do esporte. As fórmulas são as seguintes: 
 Variação da pressão arterial sistólica (VAR PAS): 
VAR PAS = PAS máxima – PAS repouso / METs 
 Variação da pressão arterial diastólica (VAR PAD): 
VAR PAD = PAD máxima – PAD repouso / METs 
Lembrar que 1 MET equivale ao consumo metabólico de uma pessoa sentada 
e em condições de repouso (1 MET= 3,5 mL O2/kg/min). 
Para garantir que uma pessoa possa caminhar a um passo normal, necessita-
se de 5 METs (17,5 mL de O2/kg/min). 
Observação: MET: Energia dispendida (kcal ou kJ) da atividade física 
considerada e a energia equivalente a situação de repouso. 
Os efeitos agudos tardios do EF são aqueles observados nas primeiras 24 ou 
48 horas (ou até 72h) após o exercício, levando a uma discreta redução dos 
níveis tensionais. Já os crônicos adaptativos resultam da exposição regular, 
associando-se a adaptações fisiológicas que ocorrem num prazo mais longo, 
decorrentes de treinamento regular e dependentes do tipo de sobrecarga 
aplicada. Em indivíduos treinados, verifica-se atenuação da hipertensão 
 
56 
 
 
 
 
arterial sistêmica (HAS), levando à bradicardia de repouso. (BRUM, 2004, 
apud NOGUEIRA, 2012). 
13.1 Duplo produto 
O consumo de O2 pelo miocárdio e o fluxo miocárdico de sangue são 
diretamente proporcionais ao produto da frequência cardíaca e da pressão arterial 
sistólica, o que é definido como duplo produto (DP). 
DP = FC x PAS 
O DP é uma estimativa do trabalho do miocárdio e do VO2máx. 
Em cardiologia, utiliza-se o duplo produto para avaliar o risco cardiovascular ao 
esforço físico, tanto por aumento da FC quanto da PAS. 
O DP é utilizado para análise comparativa em um mesmo indivíduo, para avaliar 
a ação terapêutica de um medicamento e sua utilização ou não e para a prescrição 
de exercícios físicos e de procedimentos clínicos de cardiologia, como a evolução da 
revascularização miocárdica. 
Durante exercícios contínuos, a FC e a PAS aumentam paralelamente com a 
intensidade do esforço, como ocorre nos testes máximos de ergonomia funcional. 
Nos esportistas, sobretudo das modalidades de resistência, e em pessoas 
ativas e saudáveis que realizam exercício de forma sistemática para melhorar o 
condicionamento cardiorrespiratório, o duplo produto diminui em condições de 
repouso. O DP é utilizado pelos cardiologistas e pelos médicos do esporte. 
O exercício físico deve ser avaliado e prescrito em termos de intensidade, 
frequência, duração, modo e progressão. A escolha do tipo de atividade física 
deverá ser orientada de acordo com as preferências individuais, respeitando 
as limitações impostas pela idade, como evitar o estresse ortopédico. 
(FLETCHER, 2001, apud NOGUEIRA, 2012). 
Segundo Ellestad, obtemos o duplo produto (mmHg/ bpm) por meio das 
seguintes fórmulas: 
DPmáx previsto = 360 – (0,54 x idade) x 100 
DPmáx avaliado = PAS x FCmáx 
A partir da obtenção do DP, podemos saber de forma indireta o VO2máx do 
miocárdio (Hellesterns et al., in Lamb, 1985), que se expressa em unidade de mL x 
 
57 
 
 
 
 
100 g de ventrículo esquerdo, e o déficit funcional do ventrículo esquerdo (DFVE), que 
se expressa em porcentagem; ambos são muito utilizados em cardiologia, mediante 
as seguintes fórmulas: 
VO2máx do miocárdio = (DP x 0,0014) – 6,3 ml 
DFVE = 100 x DPmáx previsto – DPmáx alcançado / DPmáx previsto 
13.2 Frequência cardíaca máxima 
Tanto para o esporte de rendimento como para programas de saúde 
direcionados à população, podemos utilizar a seguinte fórmula: 
FCmáx = 220 – idade; 
Por exemplo, a FCmáx de um atleta de 22 anos é 198. 
 O conhecimento da FCmáx permite que o médico do esporte, o treinador, o 
professor de educação física ou o preparador físico possa planejar a faixa do 
percentual de intensidade da FCmáx, ou seja, a faixa de bpm ante determinada carga 
de exercícios, em função do desenvolvimento de diferentes objetivos individualizados 
no esporte de competição ou em programas de atividade física para a saúde. Para 
pessoas da terceira idade e para portadores de doenças, o exercício deve ser prescrito 
pelo médico. 
O limiar anaeróbio de um indivíduo normal (3 a 4 mmol/L de ácido láctico), em 
boas condições físicas, deve estar entre 75 e 85% do VO2máx. Um atleta de alto nível 
e bem treinado pode ter seu LA em 90% da FCmáx ou discretamente mais elevado. 
Tudo isso pode ser relacionado com outras respostas biológicas às cargas de 
treinamento do ponto de vista bioquímico, como o ácido láctico, a ureia, entre outros. 
Os treinadores e médicos do esporte devem considerar a informação oferecida por 
Pollock e Wilmore e adequá-las as avaliações diárias do treinamento com o objetivo 
de correlacionar essas variáveis de respostas com as cargas, tanto de forma 
quantitativa como qualitativa, podendo fazer parte do diário do treinamento de cada 
atleta. 
 
58 
 
 
 
 
13.3 Importância do metabolismo anaeróbio 
No esporte de competição, é muito importante o treinamento, em qualquer 
modalidade esportiva, por meio do metabolismo anaeróbio, sendo mais predominante 
nos esportes que dependem da velocidade e/ou da força. As fontes principais são a 
via anaeróbia aláctica, mediante a CP, e a via glicolítica anaeróbia láctica, com o 
acúmulo de ácido láctico. 
13.4 Capacidade anaeróbia 
É a quantidade máxima de ATP ressintetizada pelo metabolismo anaeróbio (da 
totalidade do organismo) durante um tipo específico de esforço máximo de curta 
duração (Green, 1994). Ou seja, se o esgotamento ocorrer em menos de dois minutos, 
a quantidade de ATP fornecida pelo metabolismo anaeróbio provavelmente não será 
máxima. O termo capacidade anaeróbio indica o máximo de ATP que o metabolismo 
anaeróbio pode fornecer. 
13.5 Potência anaeróbia 
É a velocidade máxima na qual o metabolismo anaeróbio pode ressintetizar 
ATP durante um esforço máximo de curta duração. 
13.6 Capacidade anaeróbia aláctica 
É a quantidade de ATP que pode ser ressintetizada por processos metabólicos 
anaeróbios à custa de CP, sem a produção de lactato. 
13.7 Capacidade anaeróbialáctica 
É a quantidade de ATP que pode ser ressintetizado pela via glicolítica, em um 
esforço de máxima intensidade até o esgotamento, com a produção de lactato. 
 
59 
 
 
 
 
13.8 Metabolismo do ácido láctico 
É de grande importância, pois permite ao músculo obter energia de maneira 
muito rápida e sem depender dos mecanismos de transporte de O2. A quantidade total 
de energia produzida nessa via (glicolítica anaeróbia) é menor do que quando há uma 
oxidação completa. O acúmulo de lactato no músculo é um mecanismo indutor de 
fadiga. 
13.9 Limiar anaeróbio: um indicador importante no alto rendimento 
É o percentual do VO2máx utilizável durante um período prolongado. Esse 
limiar é superado quando se trabalha a uma intensidade superior, que resulta em 
rápido acúmulo de ácido láctico e na perda do limiar anaeróbio. O limiar também pode 
ser superado quando o tempo de trabalho é muito longo, esgotando as reservas 
energéticas. 
O LA é o ponto de intensidade em que o lactato começa a se acumular, sendo 
sua concentração de aproximadamente 3 e 4 mmol/L. Esse limiar define duas zonas, 
uma inferior e outra superior. É um indicador importante de eficiência no esporte de 
alto rendimento, até superior ao VO2máx/kg. 
Trabalhar em uma intensidade elevada no LA do percentual do VO2máx 
garante uma velocidade maior, sem o acúmulo de lactato e com demora no 
aparecimento de fadiga. 
O estado estável pode ser encontrado dentro do LA. 
O limite inferior desse limiar é o limiar aeróbio, com valores aproximados entre 
1,5 e 2,9 mmol/L. 
O LA de uma pessoa saudável e ativa encontra-se entre 75 e 85% do VO2máx. 
Em um atleta de alto nível de modalidades de resistência pode-se encontrar 90% do 
VO2máx. 
 
60 
 
 
 
 
13.10Ventilação e metabolismo energético durante o exercício 
Denominamos equivalente ventilatório para o oxigênio (VE/ VO2) a proporção 
entre o volume de ar ventilado (VE) e a quantidade de O2 consumido pelos tecidos 
(VO2), o qual indica a economia do O2. 
Em condições de repouso, o VE/VO2 pode oscilar entre 23 e 28 L de ar por L 
de O2 consumido. 
Durante exercícios de intensidade leve, com estado constante, a ventilação 
reflete com precisão o ritmo do metabolismo energético. 
O ponto máximo de tensão ventilatória tolerável é o momento em que a 
ventilação aumenta abruptamente, embora o consumo de O2 não o faça. Esse 
aumento reflete a necessidade de eliminar o excesso de CO2. 
O equivalente respiratório do O2 (VE/VO2) é uma das variáveis respiratórias 
utilizadas para determinar o limiar aeróbio e o limiar anaeróbio. 
13.11 Critério de determinação de limiares ventilatórios 
A fisiologia respiratória revela os limiares ventilatórios aeróbios e anaeróbios 
por meio de cargas crescentes (teste progressivo) em equipamentos de laboratório a 
partir do uso de bicicleta ergométrica, esteira rolante, entre outros, sempre acoplados 
a equipamentos analisadores de gases respiratórios com monitorização 
eletrocardiográfica. É um teste não-invasivo e de caráter máximo (embora se possa 
dar certo valor ao submáximo) e é utilizado principalmente em esportes de 
competição. São levadas em conta diferentes variáveis respiratórias durante o esforço 
físico, como consumo de O2, consumo de CO2, volume expiratório, equivalente 
respiratório de O2, equivalente respiratório de CO2, pressão de O2 do ar final da 
expiração (PET O2), pressão de CO2 do ar final da expiração (PET CO2), quociente 
respiratório e consumo máximo de O2 (VO2máx), as quais são relacionadas com 
variáveis cardiovasculares durante o repouso, o exercício e a recuperação, como a 
FC, a PA e a eletrocardiografia. Às vezes, realiza-se a medida de ácido láctico 
sanguíneo durante diferentes cargas, segundo a metodologia aplicada, com a 
finalidade de relacionar os resultados bioquímicos com os respiratórios e 
 
61 
 
 
 
 
cardiovasculares. A partir de todas essas variáveis obtemos outras, como VO2máx/kg, 
pulso de O2/VO2máx/FCmáx, duplo produto, entre outros. 
Quando a intensidade do exercício de esforço máximo aumenta com cada 
carga incrementada, observamos modificações, como: 
O VO2 aumenta linearmente até alcançar um valor máximo, onde se mantém 
(VO2máx) na forma de platô. 
O VE e o VCO2 aumentam linearmente até um ponto crítico (zona de transição), 
a partir do qual o aumento é maior do que o do VO2. 
O VE/VO2 e a pressão de O2 do PET O2 diminuem nas primeiras cargas, para 
depois aumentarem progressivamente. 
No nível bioquímico, as modificações em um teste progressivo obedecem ao 
imperativo muscular de obter energia para realizar a contração muscular e, portanto, 
o movimento. 
As vias de utilização prolongada de energia submáxima vão passando da 
utilização inicial de fosfogênicos, passando pela glicólise anaeróbia, pela glicólise 
aeróbia e a pela utilização de ácidos graxos como fonte principal para obtenção de 
energia. 
O momento em que a energia proporcionada pela glicólise aeróbia cruza com 
a proporcionada pela oxidação de ácidos graxos denominou-se recentemente Cross-
over (Brooks e Mercier, 1994). Durante o tempo de um teste de esforço (20 a 25 
minutos), o Cross-over ocorre a 60 a 70% do VO2máx. 
Se o exercício prossegue até intensidades máximas, começa o recrutamento 
maciço de fibras do tipo II, aumenta a glicólise anaeróbia e ocorre um aumento da 
produção de ácido láctico. 
O tamponamento do ácido láctico formado é realizado predominantemente pelo 
sistema do bicarbonato: Ácido láctico + bicarbonato sódico = lactato sódico + ácido 
carbônico. O ácido carbônico passa rapidamente a anidrido carbônico e água por ação 
da anidrase carbônica. O aumento na produção de CO2 e, portanto, do VE tem sido 
classicamente descrito como o fundamento bioquímico das alterações respiratórias 
nesse tipo de testes de esforço (Wasermann, 1973). 
 
62 
 
 
 
 
 Existem diferentes métodos para se obter os limiares ventilatórios aeróbios e 
anaeróbios: 
 Limiar ventilatório (LV1) – limiar aeróbio 
Primeiro aumento não-linear da ventilação. 
Aumento do VE/VO2 sem um aumento simultâneo do VE/VCO2. 
Elevação de PET O2 sem uma redução recíproca de PET CO2. 
A produção de lactato no sangue fica entre 1,5 e 2,9 mmol/L. 
13.12 Limiar ventilatório (LV2) – limiar anaeróbio 
Segundo aumento desproporcional e não-linear da ventilação. 
Aumento não-linear do VE/VO2 com aumento simultâneo do VE/VCO2. 
Elevação da PET O2 com uma redução recíproca da PET CO2. 
A produção de lactato no sangue fica entre 3 e 4 mmol/L. Deve-se considerar 
que o ideal é realizar o teste até 100% da FCmáx. Também poderiam ser critérios 
para finalizar o teste: alterações importantes no eletrocardiograma (depressão do 
segmento ST, extras sístoles ventriculares importantes), resposta hipertensiva grave 
ao esforço, dor precordial, entre outros. 
13.13 Limiar láctico 
Na realização do teste progressivo, ocorre uma série de processos metabólicos 
observáveis em amostras seriadas de lactato no sangue. As quantidades obtidas 
obedecem à interação entre o lactato produzido e o depurado (Broocks, 1985). 
A maior produção de lactato pelo recrutamento das fibras musculares rápidas, 
junto à diminuição de fluxo sanguíneo para o fígado e rins (órgãos fundamentais para 
sua depuração) e à dificuldade dos músculos que realizam o exercício para extrair e 
oxidar o lactato, são as causas do aumento exponencial do lactato em um determinado 
momento, que é denominado limiar láctico (LT). 
 
63 
 
 
 
 
A produção de lactato cai, uma vez que seu acúmulo produz uma acidez 
metabólica, gerando fadiga nos níveis bioquímico e respiratório, a qual não permite a 
continuação de um exercício tão intenso. 
Com baixas intensidades de esforço, o nível de lactato sanguíneo é muito 
próximo ao do repouso. Ao chegar a uma determinada intensidade, que varia entre 
indivíduos, a concentração de lactato começa a aumentar. Quando a intensidade do 
trabalho aumenta ainda mais,o lactato aumenta progressivamente durante todo o 
período de exercício. O ponto de intensidade em que se começa a acumular lactato 
se denomina limiar anaeróbio, o qual tem sido situado entre 3 e 4 mmol/L pela maioria 
dos especialistas. 
O LA define duas regiões, a primeira, inferior, corresponde à produção de 
energia predominantemente pelo sistema aeróbio, com o auxílio, de forma leve, do 
sistema anaeróbio, que produz ácido láctico. Nessa primeira zona, a eliminação e o 
aparecimento de ácido láctico no sangue caminham lado a lado, mantendo um 
equilíbrio estável. Na segunda zona (superior ao LA), observa-se um desequilíbrio 
entre a produção de lactato, seu aparecimento na corrente circulatória e sua 
eliminação. 
As variações da curva de lactato durante o treinamento podem dar indicações 
para o planejamento posterior do treinamento (Grasser et al., 1989). 
13.14 Considerações sobre lactato, pH e regulação respiratória do equilíbrio 
acidobásico 
Em condições de repouso, o lactato no sangue é de 0,8 a 1,5 mmol/L. 
O lactato sanguíneo recupera-se mais rapidamente durante a recuperação 
ativa do que durante a passiva. A recuperação regenerativa (60 a 70% da FCmáx) 
mantém elevado o fluxo de sangue através dos músculos ativos, o que, por sua vez, 
favorece a difusão do lactato para fora dos músculos e sua oxigenação. 
Embora o lactato sanguíneo permaneça elevado por 1 a 2 horas após um 
exercício extremamente anaeróbio, as concentrações de H+ no sangue e nos 
músculos voltam a seus valores anteriores dentro de 30 a 40 minutos de recuperação. 
 
64 
 
 
 
 
Essa homeostase acidobásica normal, ocorre principalmente em 
consequência do tamponamento químico pelo bicarbonato e pelo aumento da 
respiração, eliminando CO2, o que é um meio essencial para a redução de H+. No 
equilíbrio do pH também intervêm quimicamente proteínas, fosfatos, hemoglobinas e 
a atividade renal. 
O excesso de concentração de H+ (mais do que o lactato) é o que diminui o 
pH, dificultando a contratilidade muscular e a formação de ATP. 
13.15 Nível máximo de lactato sanguíneo no estado estável 
Além do conceito de limiar anaeróbio, surgiu um novo conceito no esporte de 
alto rendimento, denominado MLSS (maximal lactate steady state), o nível máximo de 
lactato sanguíneo no estado estável. Define-se como a intensidade do exercício em 
que se produz o máximo nível de lactato em estado estável no sangue e relaciona-
se com a velocidade máxima que pode ser mantida durante um tempo prolongado 
sem um contínuo aumento de lactato, ou seja, a formação e a eliminação de lactato 
estão equilibradas e não ocasionam fadiga muscular. Utilizaram-se protocolos em 
laboratório e em campo com cargas submáximas: a primeira geralmente entre 60 e 
65% do VO2máx e a segunda entre 75 e 80%, existindo diferentes metodologias. Os 
limiares nesses estudos oscilaram entre 2,2 e 6,8 mmol/L de ácido láctico. Isso 
dependia de fatores como modalidade esportiva, genótipo, etapa do treinamento, grau 
de treinamento e rendimento esportivo, entre outros, sendo os mais dotados para 
melhorar um tempo determinado os que podiam desenvolver uma velocidade ótima 
em um MLSS determinado. 
No esporte de alto rendimento isso é importante, sobretudo para as 
modalidades que necessitam do metabolismo anaeróbio durante uma prova intensa, 
cíclica e de certa duração, como as provas de 400-800 m rasos no atletismo, 100-
200 m na natação, 500 m na canoagem e 1 km no ciclismo de pista, modalidades de 
resistência de curta duração (RCD). Elas se desenvolvem em uma velocidade intensa, 
em um tempo compreendido entre 35 s até 2 min, mas também podem ocorrer em 
provas de maior duração (2 a 6 min), como as modalidades que se desenvolvem 
 
65 
 
 
 
 
dentro do conceito de resistência de média duração (RDM), com a finalidade de 
manter uma velocidade adequada e terminar de forma estável durante uma faixa de 
tempo determinado (45 s a 2 min). Isso pode ocorrer em modalidades como os 1.500 
m no atletismo, os 400 m na natação, os 1.000 m na canoagem, entre outros. Para 
obter um MLSS ideal, é necessário possuir potência e capacidade glicolítica 
adequadas e tolerância ao lactato e à acidez. 
13.16 Alto rendimento em provas supra máximas de carga constante 
Esse comportamento, pode ser explicado por fatores relacionados com as 
qualidades anaeróbias, como, por exemplo, um aumento de: Velocidade da glicólise; 
Depósitos musculares de fosfocreatina; Capacidade de tamponamento muscular; 
Capacidade de tamponamento sanguíneo; Capacidade de transporte de lactato para 
o espaço extracelular, graças ao aumento da concentração da proteína transportadora 
de lactato do sarcolema. 
Porém, também é explicável por fatores alheios ao metabolismo anaeróbio, 
como: Aumento do VO2máx; Deslocamento da cinética do VO2 para a esquerda; 
Melhoria da eficiência mecânica; Maior motivação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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