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TAREFA 2.1
DISSERTAÇÃO
Há limite para a atuação do Estado na vida íntima das pessoas?
Em sua resposta, reflita sobre o conceito, a finalidade e as funções do Estado e considere o atual Estado Democrático de Direito.
O questionamento em discursão é se existe limite para o Estado atuar na vida íntima das pessoas, ou seja, se o Estado pode intervir na intimidade das pessoas. Esse é um ponto muito delicado. Pois a intimidade das pessoas, não devem ser exposta ou decidida por terceiros, mesmo que este terceiro seja o Estado, cada indivíduo tem autonomia sobre sua vida íntima.
Partimos então do entendimento de que cada indivíduo tem direito a sua intimidade, sendo sua violação, uma ruptura de seus direitos. A Constituição Federal do Brasil, tem como Princípio Fundamental a “DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA”, como descrito no seu artigo 1º, inciso III, sendo este um dos fundamentos do Estado Democrático de Direto. Podemos ainda citar o direito a “INVIOLABILIDADE DA INTIMIDADE E DA VIDA PRIVADA” que está garantido pelo artigo 5º, inciso X da Constituição Federal. Desta forma podemos dizer que o Estado não poderia invadir a vida íntima da pessoa, e sim resguarda-la.
Buscando consolidar nossa resposta iremos ver alguns conceitos. Começaremos pelo conceito de Estado, com a ajuda de alguns autores. Os Professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, conceituam o Estado como: 
Estado é pessoa jurídica territorial soberana, formada pelos elementos povo, território e governo soberano. Esses três elementos são indissociáveis e indispensáveis para a noção de um estado independente: o povo, em um dado território, organizado segundo sua livre e soberana vontade. (ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. 2013, p. 13.)[footnoteRef:1] [1: ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. São Paulo: Editora Método, 21º edição, 2013.] 
O Mestre em Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho (2009, p.1), conceitua que o “Estado é um ente personalizado, apresentando-se não apenas exteriormente, nas relações internacionais, como internamente, neste caso como pessoa jurídica de direito público, capaz de adquirir direitos e contrair obrigações na ordem jurídica”[footnoteRef:2]. [2: FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 21ª Edição, 2009.] 
Outro aspecto que veremos é o da finalidade e a função do Estado. O Estado tem a finalidade de organizar e reger as relações humanas, criando regras, direitos e deveres, para que todos possam interagir de uma forma a respeitar os limites um dos outros. Além de buscar o bem comum, regulando o Estado e a sociedade, bem como, o direito público e o direito particular. Podemos utilizar o que diz o Dallari:
O Estado, como sociedade política, tem um fim geral, constituindo-se em meio para que os indivíduos e as demais sociedades possam atingir seus respectivos fins particulares. Assim, pois, pode-se concluir que o fim do Estado é o bem comum, entendido este como o conceituou o Papa João XXIII, ou seja, o conjunto de todas as condições de vida social que consistam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana. (DALLARI, 2005, p. 108).[footnoteRef:3] [3: DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva, 2005.] 
Agora falaremos sobre o função do Estado, o Estado tem o princípio da Separação de Poderes, e as funções Estatais são divididas em três esferas de poder, ou seja, Poder Legislativo, Poder Judiciário e Poder executivo. Essa divisão de poderes, chama-se TRIPARTIÇÃO de Montesquieu.
Integram a organização política do Estado os denominados “Poderes”, que representam uma divisão estrutural interna, visando ao mesmo tempo à especialização no exercício das funções estatais e impedir a concentração de todo o poder do Estado nas mãos de uma única pessoa ou órgão. No clássico modelo de tripartição, concebido em 1748 por Charles de Montesquieu, esses Poderes do Estado são o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. 2013, p. 14 e 15).[footnoteRef:4] [4: ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. São Paulo: Editora Método, 21º edição, 2013.] 
O Atual Estado Democrático de Direito na visão do Mestre Carvalho Filho.
A evolução da instituição acabou culminando no surgimento do Estado de direito, noção que se baseia na regra de que ao mesmo tempo em que o Estado cria o direito de sujeitar-se a ele. A fórmula do rule of law prosperou de tal forma que no mundo jurídico ocidental foi ela guindada a verdadeiro postulado fundamental. (CARVALHO FILHO, 2009, p. 2).[footnoteRef:5] [5: FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 21ª Edição, 2009.] 
Desta forma, podemos afirmar que o Estado deve limitar-se a atuar na vida íntima da pessoa, de acordo com a lei, pois o Estado regulariza as Lei e deve também cumpri-las. Assim, o direito a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA e a INVIOLABILIDADE DA INTIMIDADE E DA VIDA PRIVADA, são garantias fundamentais, resguardas pela Constituição Federal, devendo o Estado respeitar tais limites.