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UNIDADE 2 METODOLOGICAMENTE FALANDO: CURRÍCULO NA PRÁTICA EDUCATIVA GESSI NOGUEIRA OLIVEIRA TEORIAS E PRÁTICAS DO CURRÍCULO 1 Currículo e Cultura A escola educa as novas gerações produzindo e reproduzindo a cultura de uma sociedade. Por meio do currículo, os alunos em diferentes situações, aprendem comportamentos e os valores que fazem parte dessa cultura. A cultura que compõe o currículo oficial define ainda um tipo de linguagem, de pensamento, de consciências e de modos de ver, viver e atuar no mundo. 2 CURRÍCULO E A ORIGEM DO TERMO CULTURA Segundo Moreira e Candau (2007), O mais antigo dos significados da palavra cultura data do século XV e estava associado ao cultivo da terra, plantações e animais. Já no século XVI, o significado da palavra permeava a ideia de mente humana cultivada, quando apenas alguns indivíduos ou classes sociais tinham este privilégio, o que representava um elevado padrão social, considerado culto e civilizado. O século XVII acabou então por consolidar esse caráter classista de cultura, reafirmando a ideia de que somente as classes privilegiadas da sociedade europeia podiam atingir o nível de refinamento que as caracterizariam como cultos. QUAL A RELAÇÃO ENTRE CULTURA E CURRÍCULO? CURRÍCULO CULTURA A CULTURA abre espaço para os conhecimentos curriculares; O CURRÍCULO elemento essencial, onde se processam disputas pela preservação ou pela superação das divisões sociais; Currículo é uma forma institucionalizada de transmitir cultura a uma sociedade. 4 O currículo é um campo que tenta impor uma definição particular de cultura de um determinado grupo, assim como também o conteúdo dessa cultura. Entretanto, essa forma de conceber o currículo deixa a instituição escolar relegada a uma parcela muito restrita do conhecimento, permitindo que ela escute uma só voz e tenha apenas uma forma para olhar e compreender o conhecimento. UMA SÓ CULTURA? Ou DIVERSIDADE CULTURAL? Currículo Escolar O currículo escolar deve ser tratado como um espaço de cruzamento de culturas e saberes, compreendendo a diversidade como algo positivo, liberto de olhares preconceituosos, possibilitando a elevação do sentimento e a valorização pela cultura do outro. 8 As teorias tradicionais colocam o currículo num território unitário e incontestado, onde se negam e silenciam as diferentes culturas e vozes, com vistas a dar continuidade ao processo cultural de reprodução das relações classistas da sociedade. No século XVIII, Kant detalhou como deveria ser a educação escolarizada, de modo que se tornasse eficiente para a construção de uma nova germanidade. A PERSPECTIVA TRADICIONAL DE CULTURA E CURRÍCULO O currículo tradicional em sua concepção cultural reflete: A epistemologia da lógica dominante, Eurocêntrico, Cristão, Masculino, Branco Heterossexual A PERSPECTIVA TRADICIONAL DE CULTURA E CURRÍCULO CURRÍCULO E CULTURA NA PERSPECTIVA CRÍTICA Para a perspectiva crítica, a ideia de cultura é inseparável de grupos e de classes sociais. Para esta corrente, cultura é terreno de excelência onde se dá a luta pela manutenção ou superação das divisões sociais e o currículo é o espaço privilegiado de manifestação desses conflitos. 11 CONCEPÇÕES INTERDISCIPLINARES DE CURRÍCULO Surgiu na metade dos anos sessenta na Europa, sendo bem mais intenso na França e na Itália; Na educação brasileira, o movimento da interdisciplinaridade começa nos anos 70, mas explode nas décadas de 80 e 90. Dessa forma, procurando contribuir neste cenário, a interdisciplinaridade “deriva da palavra primitiva disciplinar (que diz respeito à disciplina), por prefixação (inter- ação recíproca, comum) e sufixação (DADE- qualidade, estado ou resultado da ação)". (ANDRADE, 2012). 12 CONCEPÇÕES INTERDISCIPLINARES DE CURRÍCULO Zabala (1998, p.143) diz que “interdisciplinaridade é a interação entre duas ou mais disciplinas, que podem ir desde uma simples comunicação de ideias até a integração recíproca dos conceitos fundamentais e da teoria do conhecimento, da metodologia e dos dados da pesquisa”. 13 CURRÍCULO: O SABER E O CONHECIMENTO 15 QUAL IMAGEM É MAIS ATRATIVA PARA APRENDER? 16 MOVIMENTO CÍCLICO DA APRENDIZAGEM (CICLO GNOSIOLÓGICO) O que significa dizer que, não existe conhecimento sem as experiências da vida cotidiana, dos aspectos que envolvem o mundo. Que a princípio são gerados e interpretados pelo senso comum, com o envolvimento em massa, tendo como articuladores do processo todos aqueles que de uma maneira ou de outra fazem parte da vida em comum, seja ele, padre, juiz ou advogado. Assim também, podemos citar Paulo Freire, sobre as práticas curriculares, tendo como principal preocupação a relação entre os professores e os alunos, tendo como objetivo de ligação, o acesso e a conquista do conhecimento, onde deve ser embasado pelo ensino e aprendizagem. CONHECER PARA TRANSFORMAR ENSINO Fundamentada em uma metodologia (conteúdo) EDUCAÇÃO Fundamentada formação do sujeito (pessoa). Treinamento quer dizer adestramento do ser humano. Caracteriza-se como a capacidade de repetir uma determinada ação sem nela interferir de forma crítica e reflexiva. CURRÍCULO E AVALIAÇÃO: METODOLOGIA, SIGNIFICADO E DESENVOLVIMENTO ESCOLAR O principal mecanismo de sustentação e, muitas vezes, pode ser legitimadora do fracasso escolar, ocupando papel central nas relações escolares. Avaliar vem do latim A + AVALIARE, que significa atribuir valor e mérito ao objetivo em estudo. Portanto, avaliar é atribuir um juízo de valor sobre a propriedade de um processo para a aferição da qualidade do resultado. AVALIAÇÃO CURRÍCULO É o acompanhamento de cada etapa do processo de aprendizagem dos sujeitos de maneira contínua, constante, gradual, cumulativa, coerente, cooperativa e participativa. Você já se perguntou para que serve a avaliação dentro da instituição escolar? Pois saiba que existem três tipos de avaliação dentro dessa instituição, que são: - a AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES, em que o professor está implicado como protagonista central; - a AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL, em que o coletivo dos profissionais a executam guiados sob o projeto político pedagógico; e - A AVALIAÇÃO DO SISTEMA ESCOLAR em que a responsabilidade principal é do poder público. O objetivo Baseando-nos em Hoffmann (2009) apontamos a seguir os condicionantes da avaliação da perspectiva classificatória liberal: • Ação individual e competitiva. • Concepção classificatória, sentenciva. • Intenção de reprodução das classes sociais. • Postura disciplinadora e diretiva do professor. • Privilégio a memorização. • Exigência burocrática periódica. Para Hoffmann (2009), avaliação na perspectiva libertadora promove: • Ação coletiva e consensual. • Concepção investigativa e reflexiva. • Proposição de conscientização das desigualdades sociais e culturais. • Postura cooperativa entre os elementos da ação educativa. • Privilégio à compreensão. • Consciência crítica e responsável de todos, sobre o cotidiano. AVALIAÇÃO CLASSIFICATÓRIA LIBERAL CONSERVADORA 28