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Período Joanino e independência do Brasil Aula 1: A Independência: de Tiradentes à abertura dos portos Liberdade ainda que tardia, mas não para os escravos Quem foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792)? Um bandido e traidor da rainha de Portugal, ou um herói do povo brasileiro? Martírio de Tiradentes, óleo sobre tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854-1916). Tiradentes enforcado em 1792. De toda forma, as conjurações do fim do século XVIII levantaram o lema da “Liberdade ainda que tardia”, estampada na bandeira dos inconfidentes de 1789 e que inspirou o atual estandarte do estado de Minas Gerais. Era o princípio de um processo que cobrava dos envolvidos nele a tomada de partido em relação a duas questões bastante polêmicas: Monarquia ou República? Escravidão ou abolição? Como seria o Brasil independente de Portugal? É o que discutiremos nesta aula. Você viu nesta aula Conjurações pró-independência no século XVIII Mineira (1789), Fluminense (1794) e Baiana (1798) Influências importantes: Crise econômica (declínio da mineração) Ideias liberais do Iluminismo Independência dos Estados Unidos (1776) Revolução Francesa (1789) Revolta de São Domingos (1791-1804) no Haiti Inconfidência Mineira (1789) Caráter político conservador: Lideranças e bases aristocráticas Ideais republicanos Perspectivas predominantemente escravistas 1794: membros da Sociedade Literária do Rio de Janeiro foram acusados de conspiração contra a Coroa, julgados e punidos. Em 1817, a Revolução Pernambucana, já no Período Joanino, foi o mais importante dos movimentos. Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798) Caráter político progressista: Participação de setores populares: artesãos, ex-escravos etc. Ideais republicanos Objetivo abolicionista Conjuntura política europeia no início do século XIX Era Napoleônica na França (1799-1815): processo de industrialização Bloqueio continental contra a Inglaterra (1806) Invasão francesa e anexação de Portugal à França Relações entre Portugal e Brasil 1808: Transferência da Corte portuguesa para o Brasil; regência de d. João Abertura dos portos às nações amigas: fim do pacto colonial mercantilista Invasão e anexação da Guiana Francesa ao Brasil O domínio econômico britânico Tratados de 1810: Comércio e Navegação / Aliança e Amizade Impostos de alfândega preferenciais para mercadorias britânicas Direito de Extraterritorialidade jurídica aos britânicos no Brasil Compromisso de extinção gradativa do tráfico de escravos Proibição da entrada do Santo Ofício Católico (Inquisição) Mudanças no cotidiano da capital Liberação para a instalação de manufaturas no Brasil Fundação do Banco do Brasil Criação do Jardim Botânico e da Biblioteca Real Criação da Imprensa Régia Urbanização e crescimento populacional Chegada da Missão Artística Francesa Aula 2: A Independência: de d. João VI ao Sete de Setembro de 1822 1815: O Brasil não é mais colônia, mas também não é independente Na Batalha de Waterloo, em 1815, Napoleão encerrou sua participação na história. A Corte portuguesa poderia voltar a Lisboa, como queria a burguesia lusitana. Mas d. João decidiu ficar no Brasil e elevou a colônia a Reino Unido a Portugal. Anexou a Província Cisplatina, estendendo a fronteira até o Rio da Prata, e devolveu a Guiana à França. O Rio de Janeiro firmava-se na sua condição de capital com a criação de órgãos do aparato de Estado. Isso, somado aos portos abertos, irritava cada vez mais os portugueses. Em Pernambuco, liberais radicais viram, então, a hora oportuna para o levante da Revolução Republicana de 1817, que se converteu em guerra civil. Com a morte da rainha d. Maria, o regente d. João passou a ser o rei d. João VI. Mas sem o poder absoluto, porque, em 1820, a Revolução do Porto instituiu a Monarquia Constitucional em Portugal. Em 1821, a família real voltou para Lisboa. O Reino Unido estava com os dias contados. A imagem acima retrata o regresso da família real portuguesa a Lisboa, em 1821. Continue assistindo a esta aula e saiba mais sobre o processo que culminou na Independência do Brasil. Você viu nesta aula Conjuntura política europeia e o Reino Unido Brasil-Portugal 1815: fim da Era Napoleônica. Congresso de Viena: Princípio da Legitimidade Elevação do Brasil a Reino Unido. Capital: Rio de Janeiro Montagem de ministérios e outros órgãos do aparato de Estado Anexação da Província Cisplatina – atual Uruguai (1816) Devolução da Guiana à França (1817) Revolução Pernambucana de 1817 (ou dos Padres) Caráter republicano: instauração do Diretório como Poder Executivo Principais líderes: Padre Miguelino, Padre João Ribeiro, Frei Caneca, Cipriano Barata Revolução Liberal do Porto de 1820 Imposição da Monarquia Constitucional / fim do poder absolutista do rei Contradição: objetivo de restaurar o pacto colonial mercantilista no Brasil Retorno da Corte de d. João VI a Lisboa (1821) Regência do príncipe d. Pedro no Brasil (1821-1822) D. Pedro, filho primogênito de d. João VI, príncipe regente do Brasil (1821-1822) Partido Português: comerciantes, nobres e militares ligados à burguesia lusitana Objetivo: recolonização do Brasil (revogação dos atos de d. João entre 1808 e 1821) Partido Brasileiro: aristocratas, setores médios e militares brasileiros Objetivo: manutenção do quadro político-econômico (Reino Unido / Portos abertos) Dividia-se em duas alas: Conservadores (José Bonifácio) e Liberais (Gonçalves Lêdo). 1822 9 de janeiro: Dia do Fico: d. Pedro desafia a ordem da Corte para retornar a Lisboa e decide permanecer no Brasil Aconselhado pelo ministro Bonifácio, baixa o “Decreto do Cumpra-se”, pelo qual toda ordem de Portugal só teria validade com a assinatura do príncipe regente d. Pedro 7 de setembro: Grito do Ipiranga. Proclamação da Independência às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. Portugal só reconheceria a Independência do Brasil em 1825 Proclamação da República e República da Espada Aula 1: Movimento Republicano e o 15 de Novembro “Somos da América e queremos ser americanos” Em 1870, foi fundado no Rio de Janeiro um jornal chamado A República. Em plena capital do Império, algumas das pessoas mais poderosas do Brasil lançavam assim o movimento republicano. Fac-símile de um exemplar do jornal A República do ano de sua fundação: 1870. Os “subversivos” estavam ligados ao setor cafeeiro, que já era o carro-chefe da economia exportadora. E a inspiração para eles vinha do norte – não mais da Inglaterra, que continuava impondo respeito, mas de uma nova potência que despontava na própria América, sedutoramente republicana e federalista: os Estados Unidos. Mas o movimento republicano não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Na cidade paulista de Itu, em 1873, foi fundado o Partido Republicano Paulista, cabeça civil e moderada do movimento. Enquanto isso, oficiais do Exército liam as obras do pensador Augusto Comte (1798-1857) e sonhavam com uma república positivista; a classe média ascendente, por sua vez, via neles os porta-vozes de seus anseios políticos. Veja mais sobre essa confluência de interesses em torno do republicanismo no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 Movimento Repulicano: 1870-1889 Em 1870, um grupo do qual participavam profissionais liberais e fazendeiros lançou no Rio de Janeiro o Manifesto Republicano e o jornal A República; em 1873, cafeicultores paulistas organizaram a Convenção de Itu. Esses primeiros militantes ficaram conhecidos como Republicanos Históricos ou Moderados. Os participantes da Convenção de Itu fundaram o Partido Republicano Paulista (PRP). Dentre eles, Américo Brasiliense, Aristides Lobo, Campos Sales, Rodrigues Alves, Prudente de Moraes. A classe média identificava-se com setores republicanos do Exército, liderados por Benjamin Constant Botelho de Magalhães e influenciados pelo Positivismo. Estes ficaram conhecidos como Republicanos Idealistasou Exaltados. O Clube Militar foi fundado no Rio de Janeiro, em 1887. O positivismo era uma doutrina cientificista baseada na explicação dos fenômenos sociais, políticos e econômicos a partir da observação neutra obtida com métodos semelhantes aos das ciências naturais e exatas. Para Augusto Comte, seu principal mentor, o conhecimento positivo da realidade social serve para a intervenção nas situações de crises visando a estabilidade e o desenvolvimento da humanidade, ideia expressa no lema “Ordem e Progresso” inscrito na bandeira republicana do Brasil. “Viva o Imperador!”, gritou o marechal. Mas era a República que nascia. “República no Brasil é coisa impossível, porque será verdadeira desgraça [...]. Os brasileiros estão e estarão muito mal educados para ‘republicanos’. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela... Não te metas em questões ‘republicanas’, porquanto República no Brasil e desgraça completa é a mesma coisa; os brasileiros nunca se prepararão para isso, porque sempre lhes faltarão educação e respeito para isso”. Apud Castro, Celso. A Proclamação da República. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. Monumento em homenagem ao marechal Deodoro da Fonseca, na Praça Paris, no Rio de Janeiro. Quem escreveu estas linhas? Teria sido o imperador Pedro II? Não. Este é um trecho de carta escrita – pasmem! – pelo Marechal Deodoro da Fonseca. E isso em 1888. Mas não foi ele mesmo quem proclamou a República no ano seguinte? Pois é, um monarquista e amigo do imperador foi o fundador do que ele mesmo chamava de “desgraça”. O que terá mudado e tão rápido? É o que veremos no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 2 O declínio da Monarquia Questão religiosa (1871-1875) 1871: Lei do Ventre Livre ➔ conflito Maçonaria X Episcopado Padroado: atrelamento da Igreja ao Estado. Prisão de bispos Questões militares (1883-1885) Punições a oficiais de oposição ao governo 1885: Manifesto à Nação do Marechal Deodoro da Fonseca Questão abolicionista (1870-1888) Apoio de classe média (padres e militares) ➔ desgaste da monarquia 13 de maio de 1888: Lei Áurea (Ministro João Alfredo/Princesa Isabel) 1889 9/11: Baile da Ilha Fiscal/decisão final do Clube Militar 15/11: Queda do gabinete do Ministro Visconde de Ouro Preto 16/11: expulsão da Família Real (d. Pedro II se retira para a Europa) Aula 2: Militares no poder e o Encilhamento “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim” O Império do Brasil deu lugar à República dos Estados Unidos do Brasil. O imperador deposto d. Pedro II se exilara na Europa, onde viria a morrer dois anos depois. Os militares assumiram o poder e, além do presidencialismo e do federalismo bem ao estilo norte-americano, queriam também um Estado laico. Nada de religião oficial: sua “religião” era o positivismo de Augusto Comte: almejavam conhecer cientificamente a realidade social para transformá-la de forma ordenada rumo ao progresso da humanidade. Eram chamados de idealistas e sonhavam com a industrialização do país. A bandeira brasileira como a conhecemos hoje foi criada pouco depois da proclamação da República. A única alteração que sofreu de lá para cá foi no número de estrelas, que simbolizam os estados da federação: esse número aumenta à medida que é criado um novo estado. Os militares escolheram um ministro de ponta, Rui Barbosa, para realizar o projeto modernizador. Mas nem todos os brasileiros tinham as mesmas ideias sobre o futuro. Para muitos poderosos, as mudanças vieram para assegurar que tudo continuasse igual. Houve grandes especulações financeiras, a inflação disparou e o governo perdeu o controle da ordem. O progresso teve de esperar mais uma vez. Saiba mais sobre os primeiros tempos da República brasileira, assistindo ao vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 Governo Provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891) e o Encilhamento: Militares no poder ➔ projeto de industrialização Apoio: classe média urbana/burguesia industrial Oposição: agroexportadores (cafeicultores/PRP) Política Emissionista (Ministro da Fazenda: Rui Barbosa) ➢ Créditos livres para indústrias/Emissões de moeda ➢ Especulação e boicote: empresas-fantasmas e ações sem lastro ➢ Crise financeira: inflação e fracasso do surto industrial Constituinte de 1890 ➔ Constituição de 1891: primeira promulgada Republicana: Estado como instituição pública (governo representativo) Caráter liberal e laico (sem religião oficial/com liberdade de culto) Presidencialista: Poder Executivo chefiado pelo presidente eleito Federativa: autonomia político-administrativa dos estados federados Voto direto e aberto em todos os níveis Eleição indireta de Deodoro da Fonseca (Vice: Floriano Peixoto) Onde estava o povo quando a Revolta da Armada desafiou o Marechal de Ferro? Você já viu um presidente da República que não gosta de ser chamado assim? Pois nós tivemos um. O marechal Floriano Peixoto, que derrubou o presidente Deodoro da Fonseca por considerá-lo um traidor da causa modernizadora do Exército, preferia ser o eterno vice ou, simplesmente, marechal. Floriano Peixoto e a Revolta da Armada. Ilustração de Angelo Agostini. Nossa República começava em crise. E nessa crise não faltaram guerras civis. Em 1892, na primeira eleição para os governos estaduais no Brasil, dois caudilhos, ou seja, líderes políticos poderosos do sul, desentenderam-se sobre o resultado do pleito, os gaúchos foram à sangrenta Revolução Federalista. Enquanto isso, no Clube Naval, oficiais – alguns monarquistas, outros não – conspiravam para derrubar o governo e – quem sabe? – restaurar a monarquia. A chamada Revolta da Armada durou seis meses, mas fracassou. A repressão florianista foi violenta e consolidou de vez a República. Em seguida, o Marechal de Ferro convocou eleições para presidente e os militares se retiraram friamente do poder. Mais sobre as primeiras revoltas na República brasileira no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 2 Governo Constitucional de Deodoro da Fonseca (1891) e sua renúncia Agravamento da crise financeira Substituição do ministério Decreto de Estado de sítio e fechamento do Congresso Nacional Contragolpe do Exército ➔ Deodoro é obrigado a renunciar Governo Floriano Peixoto (1891-1894) e a Revolta da Armada Florianismo “jacobino” (radicalismo autoritário) Revolução Federalista (RS – 1892-1895) – Caudilhismo ➢ Disputa pelo Governo do RS Revolta da Armada (RJ – 1893-1894) ➢ Clube Naval: conspirações pela restauração da monarquia com o apoio do Almirante Saldanha da Gama ➢ Fracasso: consolidação da República Revolução Inglesa Aula: Revolução Inglesa God save the queen A monarquia inglesa é uma das que mais atraem as atenções da opinião pública no mundo atual. A rainha da Inglaterra e sua família são temas constantes em noticiários mundo afora. Mas quais as origens desta monarquia? Qual sua importância para a história da Europa e do mundo? Rainha Elizabeth II. Este é o tema tratado no vídeo a que você vai assistir. Você viu no Vídeo 1 A formação da monarquia inglesa na Baixa Idade Média, mais precisamente no século XIII. A importância da Magna Carta, acordo firmado entre rei e nobreza, e da Guerra das Duas Rosas, opondo as famílias Lancaster e York. Enfraquecimento da nobreza, que leva à dinastia de Tudor, com o absolutismo monárquico. Henrique VIII e a importância da criação da Igreja Anglicana (que recebeu oposição dos calvinistas) na formação do absolutismo inglês. O apogeu do absolutismo no reinado de Elizabeth I, época de Shakespeare, do mercantilismo, do colonialismo e do intervencionismo estatal. Bodas reais No dia 29 de abril de 2011 ocorreu o casamento de William, duque de Cambridge e segundo na linha desucessão ao trono britânico, com Catherine Middleton. A cerimonia realizou-se na Abadia de Westminster, em Londres. Cena do casamento real. A forte audiência do evento é interpretada como indício da popularidade da família real. A multidão nas ruas (estimada em um milhão de pessoas) foi comemorada pelos monarquistas como um sinal de apoio popular à realeza. Apesar da suntuosidade cerimonial, o centro do poder no país é o parlamento, e não a realeza. Nesta aula, vamos entender como ocorreu esse processo, que tirou o poder dos reis e, aos poucos, transmitiu-os a representantes eleitos pela população. Você viu no Vídeo 2 As relações entre o rei e o parlamento. A Revolução Puritana, verdadeira guerra civil, com os calvinistas lutando contra o absolutismo monárquico, o que levou a um curto período republicano. A Restauração Inglesa como reação conservadora das elites, com medo de transformações mais radicais da sociedade. A Revolução Gloriosa (ou Revolução Inglesa), que foi um pacto entre as elites e que pôs fim ao absolutismo, com um parlamento forte. Reinos Árabes Aula: Reinos árabes As origens do islamismo Na imagem, um minarete, torre da mesquita de onde o almuáden chama os fiéis muçulmanos para as orações diárias. À frente, símbolo que estampa a bandeira da Turquia, país que professa a fé islamita. O islamismo (designação da religião do Islã, que significa “aquele que se submete à vontade de Deus”) inspira multidões e se expande cada vez mais. Hoje é a religião que mais cresce no mundo. No final do século XX, ultrapassou o catolicismo em número de fiéis. Já há mais de um bilhão de muçulmanos (do árabe muslim, que significa “submisso”) no mundo. Esse crescimento se verifica até mesmo em áreas tradicionalmente cristãs, como a Europa, a África Ocidental e os Estados Unidos. Na Alemanha, eles são atualmente cerca de 3% da população, em sua maioria imigrantes de origem turca. No Brasil, estima-se que já exista meio milhão de muçulmanos, principalmente nas cidades de São Paulo, Brasília e Foz do Iguaçu. Em geral são descendentes de árabes e negros, todos empenhados em manter suas raízes islâmicas. Nesta aula, vamos estudar as origens do islamismo. Você viu no Vídeo O islamismo teve suas origens na península Arábica no século VII d.C. A religião traz herança das religiões judaica e a cristã. Maomé, profeta do islamismo, pregava a existência de um só Deus, Alá, e defendia a jihad, esforço pela fé. Em 622, migrou de Meca (na atual Arábia Saudita) para a cidade de Medina. Essa migração ficou conhecida como Hégira e foi adotada como o ponto de partida do calendário muçulmano. Em 630, Maomé retornou a Meca e transformou-a no principal centro religioso do islamismo. A Caaba, templo que contém a “pedra negra” sagrada das antigas religiões árabes, foi preservada como referência central do islamismo. Após a morte de Maomé, ocorreu uma divisão entre xiitas, que seguiam exclusivamente o Corão, e sunitas, que aceitavam a Suna e o Corão como livros sagrados. Os califas, líderes político-religiosos, articularam a expansão muçulmana justificando-a pela jihad. O domínio árabe espalhou-se pela costa do Mediterrâneo, chegando à península Ibérica, por onde os árabes pretendiam avançar sobre a Europa Ocidental. Eles foram barrados pelo exército franco na batalha de Poitiers (732), no sul da França. Na esfera cultural, os árabes desempenharam papel central na propagação da cultura grega durante a Idade Média e no desenvolvimento da matemática, da astronomia, da medicina, da arquitetura e da química. Revolução Russa Os dez dias que abalaram o mundo Foi com esta frase – “Os dez dias que abalaram o mundo” – que o jornalista norte-americano John Reed descreveu os eventos dramáticos que ocorreram na Rússia no final de 1917. Pôster da Revolução Russa de 1917. O impacto da Revolução Russa foi tremendo e, em grande parte, definiu aquilo que seria o século XX: da Segunda Guerra Mundial à Guerra Fria, passando pela rearticulação do movimento trabalhista mundial e pela própria reorientação do sistema capitalista. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) influenciou esses e muitos outros conflitos, movimentos, ajustes. Este é o tema desta aula. Continue conosco. Você viu nesta aula A Revolução Russa transformou a geopolítica mundial como poucos acontecimentos históricos. As características da Rússia que a levaram a mudanças tão profundas em suas estruturas políticas, econômicas, sociais e culturais foram a desigualdade social extrema, o regime autoritário e aristocrático dos czares e a crise provocada pela participação russa na Primeira Guerra Mundial. No ano de 1917, ocorreram as revoluções de fevereiro e de outubro, que foram responsáveis pela inauguração de um modelo de Estado até aquele momento inédito, pautado nas ideias socialistas de Marx e Engels. Uma proposta revolucionária tão radical sofre, evidentemente, uma grande oposição. Após a revolução de outubro de 1917, a Rússia passou por uma intensa guerra civil que se estendeu até a década de 1920. O socialismo bolchevique saiu vitorioso, mas as estruturas econômicas do país estavam em frangalhos. A solução proposta por Lenin foi dar um passo atrás para, depois, andar para frente: essa posição foi consolidada na Nova Política Econômica (NEP). Com a morte de Lenin, em 1924, concorreram ao cargo de líder máximo da URSS (que foi criada em 1922) León Trotsky e Josef Stalin. O primeiro era partidário da revolução mundial; o segundo defendia a consolidação da revolução primeiro na Rússia. Stalin venceu essa disputa. Com a subida de Stalin ao poder, implantaram-se a planificação econômica, a coletivização agrícola e uma violenta ditadura política. Economia e sociedade cafeeira Aula 1: Expansão do café no Sudeste O Brasil rebocado pelo café Como pode um país do tamanho do Brasil, com tantos recursos de solos e climas diversos, basear sua vida econômica num produto que é mera sobremesa? Ou será que o café não era só isso? Desde as origens africanas, o consumo dessa bebida estimulante se expandiu para o Oriente, tornando-se uma especiaria cobiçada na fase das Grandes Navegações. De início, a Igreja condenava o consumo daquela “bebida do diabo”, mas o Papa Clemente VIII experimentou e gostou, batizando-a para torná-la cristã. Uma lavoura de café no Brasil, no início do século XX. O café chegou ao Brasil no início do século XVIII. E, no século seguinte, tornou-se um dos símbolos da Belle Époque europeia. O importante é que uma guerra no Haiti quebrou a produção do principal produtor e abriu as portas para o Brasil. O café encaixava-se perfeitamente à situação brasileira, sobretudo porque, de início, não exigia altos investimentos para ser produzido em grande escala. No Brasil havia solos, climas e mão de obra adequada. Era o suficiente. Assista ao próximo vídeo para entender como foi o ciclo desse produto por aqui. Você viu no Vídeo 1 I. Expansão: Rio de Janeiro (Vale do Paraíba) → São Paulo (Oeste paulista) → MG e PR Centros produtos importantes: Vassouras (RJ) e Ribeirão Preto (SP) II. Fatores de estímulo à expansão no Brasil: Guerra civil no Haiti (principal produtor mundial) Infraestrutura econômica no Sudeste: estradas, portos, mão de obra etc. Existência de solos adequados: terra roxa Mão de obra não especializada suficiente e adequada Investimento inicial de capital relativamente baixo III. Consequências imediatas: Substituição da mão de obra escrava pelo trabalho assalariado Manutenção do sistema de plantation Expansão de ferrovias, telégrafos e setores de serviços Crescimento urbano (eixo São Paulo-Rio de Janeiro) Processo de modernização conservadora Era Mauá: quase que o Brasil desenvolve sua indústria; mas foi só um surto Irineu Evangelista de Souza, Barão e Visconde de Mauá. Era uma vez um garoto gaúcho filho de um pequeno fazendeiro. Chamava-se Irineu. Jovem ainda, teve o pai assassinado e foi trabalhar no Rio de Janeiro.Logo mostrou ao patrão o tino que tinha para lidar com dinheiro. Com a ajuda de patrões maçons, juntou dinheiro suficiente para fundar um banco e enriqueceu fazendo comércio. Mas seu sonho era ver um dia o Brasil industrializado. E sabia que o caminho passava por siderúrgicas, ferrovias e navios. Comprou estaleiros, libertou escravos e construiu a primeira estrada de ferro no país. Virou líder de uma nascente burguesia brasileira. Para os ingleses que exportavam seus produtos para cá, empresários importadores e latifundiários que exportavam para a Inglaterra, ele era visto como um homem perigoso. Era preciso deter o surto industrial da Era Mauá. O governo imperial, grandes fazendeiros exportadores e os ingleses se aliaram no boicote ao já Visconde de Mauá. Seu banco faliu, suas empresas foram passadas aos ingleses e o surto industrial fracassou. A história seguiu seu caminho. Mas Irineu Evangelista de Souza não morreu pobre... Conheça um pouco mais dessa história no próximo vídeo. Você viu no Vídeo 2 Aula 2: Imigrações e sociedade no século XIX Os escravos não atravessam mais o Atlântico. E agora? Em sua fazenda Ibicaba, em Limeira (hoje Cordeirópolis – SP), o senador Nicolau de Campos Vergueiro foi pioneiro na substituição de escravos por imigrantes assalariados. Não podemos imaginar que o trabalho escravo era plenamente aceito no Brasil e benéfico para nossa economia, quando, de repente, a princesa Isabel, regendo o Império em lugar de seu pai, resolveu assinar a Lei Áurea, abolindo a escravatura. O processo de declínio do trabalho escravo começou bem antes, tanto por fatores externos como internos. Desde 1810, os ingleses pressionavam os brasileiros pela extinção do tráfico negreiro. Eram liberais mesmo, não queriam concorrentes dos produtos de suas colônias no Caribe e desejavam mais consumidores. Em meados do século XIX decidiram acabar com o tráfico por meios militares, e as leis brasileiras ajudaram. Daí os cafeicultores, necessitados de mão de obra, terem optado pelos assalariados. Gradativamente os escravos foram sendo substituídos por imigrantes europeus. Em outras regiões, os negros se transformaram em trabalhadores livres, mas não assalariados, num caso de semisservidão. Importantes mudanças se anunciavam na sociedade brasileira. Mudanças que serão o tema do vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 Declínio da escravidão: substituição pelo trabalho assalariado Estrangeiros: quando “os outros” somos nós mesmos Em 1887, pouco antes da abolição da escravatura e da queda do Império, o ministro da Agricultura Rodrigo Augusto da Silva justificou o incentivo do governo às imigrações “como fator ativo [...] do povoamento do nosso vastíssimo território, da constituição da pequena propriedade, do desenvolvimento das indústrias de toda natureza, como agente eficaz, enfim, do progresso social em todas as suas esferas”. Ora, mas tudo isso os africanos já não faziam há séculos migrando forçados da África para cá? O ministro se referia, no caso, ao imigrante branco vindo da Europa, que era tido como superior, honesto e inteligente. O branqueamento da população faria bem ao país, pois o negro era tido como inferior, vagabundo e burro. Essa visão eugênica, para provocar uma suposta “melhoria de raça”, depois se voltou contra os próprios europeus, quando, na época de Getúlio Vargas, foi adotado um regime de cotas de estrangeiros vistos como perigosos anarquistas, vadios e criminosos. Hoje sabemos que a eugenia era uma bobagem... No próximo vídeo, veremos como se deu esse momento brasileiro. Você viu no Vídeo 2 As imigrações e o desenvolvimento Brasil Império Aula 1: O Primeiro Reinado e as Regências “Então não fui um imperador bom, justo e liberal?”, perguntou Pedro I Você já se perguntou por que o príncipe que proclamou a Independência do Brasil e se tornou nosso primeiro imperador foi expulso do país pouco tempo depois, em 1831? Por que um povo trataria assim um herói nacional? Ora, a disputa pelo poder entre portugueses e brasileiros não se encerrou em 7 de setembro de 1822. A Constituição imperial, primeira do Estado brasileiro, foi outorgada após o golpe que dissolveu a Assembleia Constituinte representante da elite nacional. A reação foi sangrenta, e a Confederação do Equador foi à guerra contra o rei. O reconhecimento da independência demorou anos e custou caro. D. Pedro I perdeu a Guerra Cisplatina, que gerou o Uruguai livre. Foi chamado de déspota incompetente em meio à profunda crise econômica da época. Parecia serrar os pés do trono em que se sentara. Mas tinha dúvidas sobre si próprio. Após a “Noite das garrafadas” na capital, foi derrubado e expulso do país que libertara de Portugal. Na tela de Aurélio de Figueiredo, d. Pedro I entrega da carta de abdicação ao trono, o que ocorreu em 7 de abril de 1831. Ele se tornou o rei d. Pedro IV de Portugal e morreu em Lisboa em 1834. O vídeo a seguir vai tratar dos primeiros anos do Brasil independente. Vamos a ele! Você viu no Vídeo 1 Constituição de 1824: outorgada pelo imperador em 25 de março. A Constituinte de 1823 pretendia instaurar a monarquia parlamentar. “Noite da Agonia”: golpe de Estado que dissolveu a Assembleia. Conselho de Estado: Poder Moderador atribuído ao Imperador. Caráter autoritário: centralismo/voto censitário/Senado vitalício. Confederação do Equador (1824). Movimento republicano e federalista. Fuzilamento de Frei Caneca. Reconhecimento da independência. 1824: reconhecimento dos EUA (Doutrina Monroe). 1825: reconhecimento português → dívida externa. 1827: reconhecimento britânico → Tratados de 1810 renovados. Guerra Cisplatina (1825/1828). Independência da Província Cisplatina → República do Uruguai. Crise final. Revolução Liberal de 1830 na França/assassinato de Líbero Badaró. “Noite das garrafadas” (RJ): conflito entre portugueses e brasileiros. 7 de abril de 1831: abdicação de Pedro I. As regências do Império ou uma quase República Na história não existe o “se”, mas será que se os governos do Período Regencial do Império tivessem conseguido superar a grave crise econômica em que o Brasil estava mergulhado, nós teríamos tido o Segundo Reinado? Talvez não. Mas o fato é que foi exatamente aquela a época mais conturbada no país até então. As disputas políticas se acirraram em sangrentas revoltas e guerras civis. O Partido Português virou Restaurador, pois queria d. Pedro I de volta; o Partido Brasileiro quebrou em dois: moderados e exaltados, alguns destes pensando até em república. Em 1834, d. Pedro I faleceu em Portugal, e os restauradores se aliaram aos moderados, fundando o Partido Regressista. Os exaltados se tornaram o Partido Progressista. Em 1840, regressistas mudaram para Partido Conservador, e progressistas viraram Partido Liberal. Assim nasceram os primeiros partidos políticos brasileiros, que mais se aproximam do modelo atual. Vamos conhecer um pouco mais dessa história no próximo vídeo. Você viu no Vídeo 2 II - Regência Trina Permanente (1831-1835) Criação da Guarda Nacional pelo ministro da Justiça Diogo Feijó, cuja função era a repressão política interna. Origem do Coronelismo. Ato adicional de 1834: primeira reforma constitucional ¤ Regências Unas: eleição direta / Mandato de quatro anos ¤ Criação das Assembleias Legislativas Provinciais ¤ Extinção do Conselho de Estado III - Regências Unas (1835/1840) Aula 2: Política no Segundo Reinado O menino rei era o único imperador nas Américas Em toda a sua vida, Pedro II foi retratado por pintores. Aqui, aos 12 anos, vestindo uniforme de almirante e com insígnia da Ordem do Tosão de Ouro de 1838. Como é que podeum menino de 14 anos ser coroado imperador de um país, ainda mais em guerra civil? Pois foi o que aconteceu no Brasil em 1840. As disputas políticas sangravam as províncias e ameaçavam a integridade territorial da nação. A oposição liberal ao governo conservador do Regente Araújo Lima pôs na rua, então, a campanha da Maioridade. Antecipar a coroação de Pedro II se apresentava a “salvação da pátria”. Mas o jovem príncipe tinha competência para governar? Desde que fosse com os liberais, sim, diziam os próprios. Por quase meio século revezaram-se no poder com os conservadores. E o rei é que decidia isso. A monarquia parecia liberal, mas era escravista e repressora. Havia a Constituição, mas era igualmente autoritária. Ocorriam eleições, mas quem não tinha dinheiro não podia votar, e as fraudes eram regra. E quanto aos partidos, “nada mais liberal que um conservador no poder, nem mais conservador que um liberal no poder”, dizia-se no Império do café e do sr. d. Pedro II. Vamos conhecer mais detalhes dessa história no próximo vídeo. Você viu no Vídeo 1 I. Campanha da Maioridade (1840): movimento do Partido Liberal Golpe da Maioridade → “Ministério dos Irmãos” (ministro Antônio Carlos) “Eleições do Cacete”: fraude → queda dos liberais e volta dos conservadores II. Características autoritárias do período monárquico Sociedade escravista Constituição: outorgada, centralista (não federativa) – Poder Moderador Guarda Nacional: repressão política – coronelismo Estrutura partidária elitista Sistema eleitoral: censitário e fraudulento Sistema de governo parlamentarista “invertido” III. Partidos políticos Partido Liberal e Partido Conservador Bases aristocráticas sem diferenças de caráter ideológico Parlamentarismo às avessas Pedro II e o Parlamentarismo de cabeça para baixo A Revolução Inglesa de 1688, chamada Gloriosa, instituiu a monarquia parlamentarista no Reino Unido. Neste sistema de governo, cabia ao rei a chefia do Estado, e ao Parlamento, os poderes Legislativo e Executivo, esse último exercido por um Primeiro Ministro eleito pelo Parlamento. Hoje até mesmo repúblicas adotaram o parlamentarismo, ainda vigente na Inglaterra. No império de d. Pedro II, entretanto, as coisas não eram bem assim. O Primeiro Ministro não era eleito, nem direta nem indiretamente, mas nomeado pelo imperador. E no caso de divergências entre o Poder Executivo (Primeiro Ministro) e o Parlamento, ou o imperador demitia o Primeiro Ministro e nomeava outro, ou dissolvia a Câmara dos Deputados e realizava novas eleições. As fraudes eleitorais se encarregavam de “construir” as maiorias que o partido predominante quisesse. Você viu no Vídeo 2 Parlamentarismo às avessas (1847-1889): O Primeiro Ministro exercia o Poder Executivo, mas era nomeado pelo Imperador (Poder Moderador), e não eleito pela Assembleia Nacional, o Parlamento, a que cabia o Poder Legislativo. O Poder Executivo (Primeiro Ministro) podia controlar as maiorias no Parlamento por meio das eleições fraudulentas. Organograma do sistema de governo do Segundo Reinado: Aula 3: As guerras do Império no Prata Paz no interior e guerras nas fronteiras do Império Desde os primórdios da colonização luso-espanhola da Bacia Platina, essa região foi palco de sangrentas disputas. Os rios navegáveis em quase toda a sua extensão facilitavam a circulação no continente e o florescimento de um rico comércio. Depois de bandeirantes, jesuítas e índios, foi a vez de caudilhos latifundiários e militares protagonizarem confrontos em pleno processo de formação dos Estados Nacionais sul-americanos. Interesses estrangeiros de poderosas potências, como França e Inglaterra, e emergentes, como os EUA, também influenciaram um quadro de constante ameaça de guerra. Um expansionismo territorial de parte a parte indispôs o Império brasileiro contra dois governos uruguaios, de Oribe e Aguirre, contra o caudilho de Buenos Aires Juan Manuel de Rosas (El Monstro) e, principalmente, contra o ditador paraguaio Francisco Solano Lopez na guerra de 1864-1870. Quem terá sido o grande vencedor? Vamos ver isso no próximo vídeo. Rosas, que participou da formação da República Argentina, e Pedro II, no já consolidado Império brasileiro, foram símbolos vivos de uma rivalidade herdada entre espanhóis e portugueses. Você viu no Vídeo 1 Guerras externas durante o império: I. 1851/1852: contra Manuel Oribe (Uruguai) e Juan Manuel de Rosas (Argentina) Principais batalhas: Toneleros (1851) e Monte Caseros (1852). Comandantes aliados: General Jose Urquiza, General Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias). II. 1864-1870: contra Atanázio Aguirre (Uruguai) e Solano Lopez (Paraguai) Principais batalhas: Riachuelo, Tuiuti, Curupaiti, Humaitá, Itororó, Avaí, Cerro Corá. Comandantes aliados: Generais Bartolomé Mitre e Venâncio Flores, Caxias, General Manuel Luís Osório, Almirantes Tamandaré (Joaquim Marques Lisboa) e Francisco Manuel Barroso da Silva. Causas fundamentais: Disputa pelo domínio da Bacia Platina (comércio) Caudilhismo: rivalidades entre grandes proprietários de terras Expansionismo territorial na formação dos Estados nacionais na região platina Interesses estrangeiros: liberalismo X protecionismo A Tríplice Aliança contra o "Napoleão do Prata" A Guerra Grande mudou de nome para Guerra do Paraguai. Mas nos livros de história paraguaios não existe nenhuma “Guerra do Paraguai”; lá é a Guerra da Tríplice Aliança. Afinal, qual seria o nome correto? Como se vê, aqui, como em tantos outros temas da história, depende do ponto de vista. A partir de sua independência, o Paraguai nasceu governado pelo caudilho Jose Gaspar Francia, também chamado “El Supremo”. Seu sucessor, Carlos Antonio Lopez, legou um regime ditatorial ao filho Francisco Solano Lopez, que alimentava o sonho de restaurar “el gran Paraguai”, isto é, anexar terras argentinas, uruguaias e brasileiras até o Atlântico. Procurava justificar o expansionismo por serem territórios guaranis desde antes de Portugal e Espanha existirem. Para tanto o ditador aproximou-se do imperador Luiz Napoleão III, o que lhe valeu o apelido de “Napoleon del Plata”. A guerra destruiu seu país. Vejamos tudo isso no vídeo a seguir, que mostrará como a hegemonia inglesa se consolidou nas décadas seguintes em toda a América do Sul. Você viu no Vídeo 2 O Paraguai de Solano Lopez: Regime ditatorial desde a independência (governo Gaspar Francia) Estabilidade econômica e financeira: sem dívida externa Ausência de analfabetismo e de desemprego Melhor distribuição de renda dentre os países sul-americanos Suficiente produção de alimentos Desenvolvimento de indústrias próprias Forte aparelhamento militar (aproximação com a França) Partidos políticos uruguaios e início da guerra: Blancos (aliados ao Paraguai) X Colorados (aliados ao Brasil) Invasão brasileira contra o presidente Aguirre → reação armada paraguaia Formação da Tríplice Aliança com apoio britânico: Argentina, Brasil e Uruguai (do governo Venâncio Flores, Colorado) Principais consequências da guerra: Aumento da dívida externa brasileira Consolidação do domínio econômico inglês no continente Organização e politização dos militares: republicanismo no Exército Destruição da economia paraguaia Independências na África e descolonizações na Ásia A partilha do mundo O fim da Segunda Guerra e as consequentes tensões geradas pela Guerra Fria influenciaram toda a geopolítica mundial, inclusive o processo de descolonização afro-asiática. As colônias africanas e asiáticas viram naquele cenário de enfraquecimento econômico e militar das metrópoles europeias a oportunidade de lutar pela emancipação. Quatro líderes de processos de descolonização na África e na Ásia: o argelino Ahmed Ben-Bella, o sul-africano Nelson Mandela, o indiano Mahatma Gandhi, o vietnamita Ho Chi Minh. Os Estados Unidos e a União Soviética,as duas superpotências mundiais, interfeririam nessas independências buscando ampliar suas áreas de influência, enquanto os países em processo de descolonização, na Conferência de Bandung (1955), buscavam de todo o mundo o reconhecimento da igualdade de todas as raças e da soberania e da integridade territorial de todas as nações. No entanto, as independências na Ásia e, sobretudo, na África, não significariam o início de um período de paz e prosperidade. As estruturas da exploração imperialista, enraizadas no cotidiano daqueles países, ainda trariam muitos conflitos e subdesenvolvimento. Nos vídeos a seguir, vamos discutir essas questões. Você viu nesta aula O processo de descolonização afro-asiática está inserido do contexto de Guerra Fria. A maioria das fronteiras artificiais das colônias africanas foram mantidas após as respectivas independências. Na Conferência de Bandung, em 1955, reúnem-se países asiáticos e africanos que pretendiam ser independentes da influência dos dois blocos político-econômicos. A África do Sul torna-se independente da Inglaterra em 1948. Após a independência, estabelece-se no poder o partido Afrikaner, que institui o regime do apartheid. Esse regime de segregação dos negros vigora até 1991. Duas figuras importantes na luta contra a segregação racial na África do Sul são o bispo Desmond Tutu (1931-) e o ativista Nelson Mandela (1918-2013). Revolução dos Cravos em Portugal (1974): encerrou o longo período ditatorial português e estimulou a ampliação dos movimentos de libertação nacional, como os de Angola e de Moçambique. A guerra de independência na Argélia levou à morte milhares de pessoas. A luta pela independência na Índia, liderada por Mahatma Gandhi (1869-1948), foi norteada pela tática da desobediência civil. A independência do Vietnã em relação à França foi reconhecida em 1954, na Conferência de Genebra. O país foi dividido em Vietnã do Norte (alinhado ao comunismo), liderado por Ho Chi Minh (1890-1969), e Vietnã do Sul (alinhado ao capitalismo). Vietnã do Norte e Vietnã do Sul entram em guerra, devido às investidas do Vietcong (guerrilha comunista contra o Vietnã do Sul). Estados Unidos intervêm nessa guerra civil a favor do Vietnã do Sul. Os Vietcongs vencem a guerra. Oriente Antigo Mesopotâmia: o triunfo da vontade dos deuses Na história da humanidade, é comum a intensa relação entre política e religiosidade. De diversos modos e por diversas razões, governantes sentem a necessidade de interagir com as crenças religiosas de seu povo. Na Mesopotâmia, região no Oriente Médio onde se desenvolveu uma das mais antigas civilizações da História, não foi diferente. Uma das evidências de que a relação entre política e religiosidade estava presente na Mesopotâmia é a peça em que foi registrado o Código de Hamurabi, um dos primeiros códigos de lei de que se tem notícia, elaborado pelo rei de mesmo nome. Observe as imagens. À esquerda, pedra de 2,25 m de altura por 1,5 m de circunferência onde está gravado o Código de Hamurabi. A peça, exposta no Museu do Louvre (Paris), é datada do século XVIII a.C. À direita, detalhe dessa mesma peça. Note que na parte superior do código (imagem à direita), encabeçando o texto legislativo registrado no corpo da pedra, encontram-se o deus Sol, em pé, e o rei Hamurabi, sentado. Observe, ainda, que o deus e o rei estão voltados um para o outro. Assista ao vídeo a seguir e saiba mais sobre a civilização mesopotâmica e o que seu código de leis pode revelar sobre ela. Você viu no Vídeo 1 A Mesopotâmia desenvolveu-se no entorno dos rios Tigre e Eufrates. A civilização mesopotâmica notabiliza-se pela organização de cidades e pela economia baseada na agricultura. Através da escrita cuneiforme (em forma de cunha), os povos da região organizavam a produção, relatavam seus mitos e registravam suas leis. O Código de Hamurabi, de caráter patriarcal, foi um conjunto de leis marcado pela defesa da honra, da família e do direito à propriedade. O Egito é uma dádiva da ação humana Visões estereotipadas, análises simplistas e preconceitos marcaram inúmeras concepções ocidentais a respeito do Egito antigo. O cinema costuma apresentá-lo como um lugar mágico e sobrenatural, povoado por criaturas místicas e faraós perversos. O cartaz do filme A Múmia (Estados Unidos, 1999) traz alguns desses elementos caracterizadores. Cartaz do filme A Múmia, produção estadunidense de 1999. A múmia, que tem aspecto assustador, toma quase todo o cartaz, enquanto as pirâmides e o deserto ao fundo ajudam a reforçar o clima de mistério, suspense (ou mesmo terror) que o filme pretende construir. Mas será que o Egito antigo era só mistério? No próximo vídeo, vamos saber mais sobre a economia, a sociedade e a religiosidade no antigo Egito, indo além dos estereótipos. Você viu no Vídeo 2 O desenvolvimento da agricultura às margens do rio Nilo favoreceu a formação de comunidades que acabaram por se unir em torno de um faraó, o que levou ao estabelecimento de um governo unificado. O poder do faraó, justificado pela religião, estendia-se a todos os setores da sociedade. Em torno do faraó, gravitava a aristocracia, composta por altos funcionários do Estado e pelos sacerdotes. Abaixo estava uma camada de servidores e trabalhadores, com destaque para os escribas. Na base da pirâmide social, encontravam-se os trabalhadores braçais, em sua maioria camponeses. Revolução Cubana De colônia espanhola a protetorado americano; de protetorado americano a país socialista Qual é o significado da independência para uma nação? Para José Martí (1853-1895), poeta e líder do PRC (Partido Revolucionário Cubano), não bastava a ruptura dos vínculos coloniais, nem deixar de seguir as determinações do Pacto Colonial; para ser verdadeiramente livre, Cuba deveria criar sua própria história, sem interferências, sem relações com interesses imperialistas. Mas, apesar de bem sustentado, o projeto de independência martiano fracassou. A ilha caribenha não conheceu a soberania com a independência. É verdade que Cuba deixou de ser uma colônia; mas a colaboração dos EUA na sua guerra de independência não sairia barato para seu povo. Em vez de Pacto Colonial, veio a Emenda Platt, substituída na década de 1930 pela Política da Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Delano Roosevelt. Ernesto Che Guevara e Fidel Castro em Havana, em 1961, com as suas características fardas e barbas de guerrilheiros. Nas primeiras décadas do século XX, subiram ao poder vários ditadores alinhados aos EUA. E nesse mesmo período não foram poucos os grupos insurgentes a se alçar na ilha contra a situação política e econômica do país. Na década de 1950, surge mais um movimento revolucionário – dessa vez liderado por um jovem advogado chamado Fidel Castro (1926-) – disposto a lutar por uma Cuba que romperia com a interferência estrangeira e se tornaria de fato independente. O mundo vivia a Guerra Fria, e a ilha finalmente concluiria a sua revolução. Continue conosco e saiba mais sobre a Revolução Cubana. Você viu nesta aula A participação dos Estados Unidos no processo de independência de Cuba estreitou ainda mais a relação desigual entre a ilha e o imperialismo norte-americano. A formação do Estado cubano foi norteada pela Emenda Platt e por ditaduras internas pró-EUA, o que gerou questionamentos por parte de grupos nacionalistas cubanos ao longo de toda a primeira metade do século XX. Vale destacar a primeira tentativa de insurreição liderada por Fidel Castro, a tomada do quartel de Moncada, em 1953. Fidel foi preso, condenado e exilado após o fracasso do levante. No primeiro dia de 1959, após uma intensa guerrilha iniciada em Sierra Maestra, Fidel Castro avança com suas tropas pela capital, Havana. O ditador Fulgencio Batista foge de Cuba e os revolucionários tomam o poder. A revolução tinha caráter nacionalista, mas a sempre iminente ameaça de invasão contrarrevolucionária, apoiada pelos norte-americanos, acelerou a aproximaçãode Cuba com o bloco socialista liderado pela URSS, em um contexto de Guerra Fria. Diversas sanções foram impostas à ilha pelos EUA após a adesão de Cuba ao socialismo, sendo a mais destacável o embargo econômico, que fechou a economia cubana para os países capitalistas aliados aos americanos. O embargo vigora até hoje e, conforme declarações dos presidentes dos Estados Unidos e de Cuba – Barack Obama e Raúl Castro, respectivamente –, está em vias de acabar. Nova ordem mundial Depois da Guerra Fria, a Nova Ordem No final da década de 1980, a crise soviética levava o bloco socialista ao colapso. O muro de Berlim, derrubado tijolo a tijolo, já não dividia a Alemanha, nem o mundo. A Guerra Fria dava seus últimos suspiros. A derrota do socialismo dava passagem para o capitalismo, que parecia não ter mais limites. O mundo, antes dividido, bipolarizado, agora tinha uma única referência: os Estados Unidos da América. Era o início da Nova Ordem Mundial e, economicamente, a vez do neoliberalismo. Ronald Reagan, presidente dos EUA, e Margaret Thatcher, primeira ministra da Inglaterra. Ambos foram os principais expoentes do neoliberalismo durante a década de 1980. Saiba mais sobre o neoliberalismo e a Nova Ordem Mundial. Continue conosco! Você viu nesta aula A queda do muro de Berlim e o colapso da URSS abriram um espaço praticamente ilimitado para o capitalismo no contexto mundial. A ascensão de Ronald Reagan à presidência dos EUA e de Margaret Thatcher como primeira ministra da Inglaterra trouxeram à tona projetos neoliberais. O Consenso de Washington estabeleceu as principais linhas do neoliberalismo, destacando-se a busca pelo Estado mínimo e a política de privatizações. Os megablocos econômicos são exemplos da busca de um livre mercado, meta concreta das políticas econômicas neoliberais. A globalização consolidada no final do século XX e início do XXI destaca a intensa integração econômica e cultural em escala mundial. Atualmente, podemos destacar dois grandes focos de resistência à globalização capitalista: o terrorismo pan-islâmico e a chamada “nova esquerda latino-americana”. Pré-História Aula: Como era a Pré-História? O que existia antes da História? A História não começa com o surgimento do homem? Mas quando o homem surgiu? Quais os dados que temos para estudar o que ocorreu há dezenas, centenas de milhares de anos? Essas perguntas, que sempre surgem quando se estuda História, demonstram a dificuldade que temos de investigar períodos históricos anteriores ao surgimento da escrita. Os analistas que se dedicam a esse campo do conhecimento carecem de documentos e registros que possam levá-los a conclusões mais precisas. Assim, estudar o que chamamos de Pré-História implica enfrentar dificuldades que não se impõem quando se estudam outros períodos. Mesmo assim, é possível diferenciar as sociedades nômades de caçadores-coletores do Paleolítico das sociedades agrícolas e sedentárias do Neolítico. Utensílios pré-históricos, como esses bifaces encontrados na Espanha, são testemunhos de como o homem pré-histórico vivia. Aos historiadores dedicados a estudar esse período, cabe desvendar o que esses instrumentos têm a contar. Destaca-se nesse campo de estudo a importância da Revolução Agrícola, ou seja, o início da domesticação de plantas e animais. Vamos começar a tratar disso assistindo ao vídeo a seguir. A agricultura muda a vida do homem Nas sociedades do Neolítico, o excedente agrícola possibilitou diversas mudanças, dentre as quais destacam-se a sedentarização, o desenvolvimento de núcleos urbanos cada vez mais sofisticados, a criação das primeiras organizações estatais e diferenciações sociais cada vez maiores. Imagem de “Vênus do Neolítico”. Trata-se de divindade com formas femininas, esculpida em pedra polida. O desenvolvimento da agricultura deu lugar, em muitas regiões, ao culto a deusas mulheres, vistas como férteis e responsáveis pelo sucesso da colheita. Assista ao vídeo e saiba mais sobre as sociedades do Neolítico. E no Brasil, como era? No Brasil, as sociedades pré-históricas desenvolveram-se a partir da chegada dos primeiros grupos humanos ao continente americano. Há, no entanto, pesquisadores que defendem a existência de grupos autóctones nesse território. Seja como for, o que se têm com certeza são testemunhos da presença de comunidades pré-históricas aqui, no Brasil. A pintura rupestre é um deles. Pintura rupestre de uma ave, encontrada em uma caverna de Diamantina, Minas Gerais. Assista ao vídeo a seguir e saiba mais sobre a presença humana no Brasil no período pré-histórico. Entreguerras: 1919-1938 O período entreguerras Uma crise entre duas guerras O período entre as duas Guerras Mundiais foi bastante difícil. A quebra da Bolsa de Nova York desencadeou a Grande Depressão, a maior crise da economia mundial em todos os tempos. A crise começou nos Estados Unidos, onde foi tirada a foto a seguir. Mãe com os dois filhos em Oklahoma, no sul dos Estados Unidos, logo após a crise de 1929. Quais as origens da imensa crise? Por que se tornou mundial? E, finalmente, como foi combatida e vencida? É o que veremos nesta aula. Continue conosco. Você viu nesta aula Desde o final da Primeira Guerra Mundial, vinha aumentando o desequilíbrio entre produção e consumo na economia norte-americana. Esse aumento culminou na crise de 1929, que foi uma crise de superprodução. O esgotamento da especulação com ações provocou a quebra da Bolsa de Nova York, fazendo com que os efeitos da crise (desemprego, falências) se manifestassem em larga escala e rapidamente. O colapso dos Estados Unidos implicou o colapso da economia mundial, pois o país era a principal potência econômica mundial e praticava comércio com todos os outros países. O combate à crise iniciou-se após a eleição do presidente Franklyn Roosevelt, que adotou um conjunto de medidas conhecido como o New Deal. O New Deal caracterizava-se pela intervenção do Estado na economia, contrariando as práticas do liberalismo. Essa política incluiu a realização de grandes obras, que promoviam a recuperação dos níveis de emprego. Houve aumento nos investimentos e nos gastos do governo, além de medidas de proteção social e a emissão de papel-moeda. Regimes totalitários Fascismo e nazismo: fantasmas do passado? Atualmente, movimentos e partidos de extrema-direita ganham espaço não só na Europa como no mundo todo. Com eles, voltam ao debate temas como fascismo, racismo, xenofobia, nacionalismo e militarismo. Jogador de futebol grego faz saudação nazista durante partida em 2013. Mesmo criticados e punidos por clubes e federações, gestos como este não são raros nos estádios da Europa. Nos dois vídeos a seguir, veremos como o fascismo e o nazismo surgiram em meio às guerras e crises da primeira metade do século XX e conheceremos suas principais características. Isso nos ajudará a compreender melhor este começo de século XXI em que vivemos. Continue conosco. Você viu nesta aula Os movimentos fascista, na Itália, e nazista, na Alemanha, ambos de extrema-direita, surgem no período entre as duas grandes guerras mundiais. O fenômeno se espalha pela Europa, notadamente na Espanha e em Portugal, e chega até ao Brasil, com o movimento integralista. A ascensão desses movimentos se associa ao momento de crise econômica, de reação ao avanço do comunismo, de revanchismo em relação ao desfecho da Primeira Guerra e de descrença das populações em relação às formas tradicionais de governo. Os movimentos de extrema-direita caracterizavam-se por serem antidemocráticos, anticomunistas, radicalmente nacionalistas, idealistas e românticos, e por defenderem a intervenção do Estado na economia. Esses movimentos alcançaram o poder por meio da força e da manipulação das massas, e contaram com o apoio de setores da elite, da classe média e até das camadas populares. Uma vez no poder, esses movimentos construíram os chamados Estados totalitários, que almejavam deter total controlesobre instituições (escolas, imprensa etc.) e indivíduos. São características desses Estados a centralização do poder, a repressão à oposição, o militarismo e o expansionismo, a intervenção na economia e o uso da propaganda para controle das massas. Na Alemanha nazista somaram-se ao nacionalismo um racismo radical e propostas de “limpeza” racial e social, executadas por meio da perseguição, repressão e até extermínio de minorias étnicas, como ciganos, eslavos e principalmente judeus (antissemitismo). Homossexuais também eram perseguidos. Atualmente, partidos de extrema-direita, grupos neonazistas e demonstrações de racismo e xenofobia muitas vezes violentas manifestam a permanência de ideias e valores fascistas e nazistas em nossa sociedade. Economia e sociedade açucareira Aula 1: Economia açucareira do Nordeste O Brasil começou como um imenso canavial Henry Koster. Engenho de açúcar (1816). Você já parou para se perguntar por que o Brasil português iniciou sua história como um grande produtor de cana-de-açúcar? Essa pergunta é mais importante do que parece à primeira vista. Afinal, o Brasil sempre ofereceu condições – solo e clima favoráveis – a diversas outras produções agrícolas, e ainda assim optou pela cana-de-açúcar, que, a propósito, continua sendo uma das lavouras mais lucrativas no nosso país. E lá vão quinhentos anos! Por que, então, a cana-de-açúcar? Veremos a resposta nesta aula. Você viu no Vídeo 1 A montagem do sistema colonial mercantilista no Brasil português baseou-se na economia açucareira. A opção da Coroa lusitana por essa atividade deveu-se a vários fatores: Condições naturais favoráveis, como clima tropical e solos adequados. Mercados consumidores em expansão na Europa. Experiência portuguesa na produção de cana em larga escala. Associação com capitalistas flamengos que financiavam e distribuíam o produto. Uma vez estabelecida a escolha da atividade básica, Portugal definiria as demais características de sua nova colônia de exploração na América. A origem africana dos brasileiros pede passagem Na 4ª Conferência Latino-Americana e do Caribe, realizada em Santo Domingo em 1992, o papa João Paulo II referiu-se à escravidão como “um dos episódios mais tristes da história e como uma ofensa escandalosa para a história da humanidade”. O papa afirmou ainda que a escravidão dos negros e as matanças de índios foram os maiores pecados da expansão colonial no Ocidente. Johann Moritz Rugendas. Navio negreiro (1835). Em 1997, em viagem pelo Brasil, o mesmo papa declarou: “Estes brasileiros de origem africana merecem, têm direito e podem, com razão, pedir e esperar o máximo respeito aos traços fundamentais de sua cultura, como cidadãos a pleno título”. A escravidão africana era uma das engrenagens do sistema agrário dominante na época da economia açucareira. E no vídeo a seguir, falaremos mais sobre esse sistema e sobre a escravidão, aspecto nefasto da nossa história colonial. Você viu no Vídeo 2 O sistema agrário em que se baseou a produção açucareira no Brasil colonial combinava os seguintes fatores: Grande propriedade rural, ou latifúndio. Monocultura canavieira. Produção voltada para mercados europeus. Trabalho escravo. Denominado plantation, esse sistema propiciou altos lucros aos burgueses lusitanos dedicados ao tráfico negreiro na África. A articulação atlântica vinculava o comércio de matérias-primas e produtos primários da América, manufaturados da Europa e mão de obra da África. Aula 2: Sociedade rural e patriarcal na Colônia Mudamos? Johan Moritz Rugendas. Açoites no tronco – Rio de Janeiro. A desigualdade social e econômica não é nova no Brasil, e sim persiste desde o século XVI, quando estas terras foram integradas ao sistema econômico vigente na Europa. Isso quer dizer que a sociedade brasileira pouco mudou de lá para cá? Uma classe social qualquer só existe em função de outra classe específica e definida. Se uma muda, a outra muda também. Percebendo isso é que podemos começar a entender por que as sociedades não são idênticas, mesmo apresentando semelhanças em vários aspectos. Para compreender o Brasil de hoje é preciso voltar até a formação da nossa sociedade. Então, veremos que mudamos, mas que há elementos coloniais ainda vivos em nossos dias. Tratamos de alguns deles no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 A sociedade colonial caracterizava-se por uma estrutura básica, na qual os escravos – sobretudo negros, mas também indígenas – trabalhavam para os senhores de uma aristocracia rural proprietária de terras. A partir dessa relação de produção fundamental, identificamos fatores marcantes naquele meio social, tais como: A origem dos aristocráticos senhores numa nobreza lusitana decadente. A existência de uma reduzida camada intermediária composta de padres, funcionários, artesão, mascates, soldados etc. A rígida estratificação social. A quase inexistente mobilidade entre as classes sociais. Alta concentração de renda em mãos da elite dominante. O peso do patriarcalismo escravocrata em nossa história Quando os navegadores portugueses desembarcaram no continente americano, havia aqui, onde hoje é o Brasil, uma população de alguns milhões de indivíduos, segundo estimativas. Por que, então, a Coroa portuguesa montou um sistema de produção baseado em trabalhadores africanos para cá trazidos em arriscadas viagens pelo Atlântico? Durante o século XVI, pelo menos 50 mil deles vieram compor a força de trabalho nos engenhos de cana. No século seguinte esse número subiu para 560 mil. No XVIII foram 1,4 milhão de negros, e no XIX dois milhões, totalizando mais de quatro milhões de escravos empregados nas mais diversas atividades. Esse número ultrapassa 40% de toda a população escravizada trazida para as Américas. No vídeo a seguir, vamos explicar por que tantos indivíduos negros foram trazidos à força ao Brasil e indicar o que legaram para a nossa cultura e identidade os povos da África, por um lado, e o sistema escravista, por outro. Você viu no Vídeo 2 Os fatores que explicam a opção portuguesa pela escravidão e, principalmente, pelos escravos africanos na montagem do sistema colonial no Brasil foram os seguintes: Os altos lucros que o comércio de escravos monopolizado pelos lusos proporcionava aos traficantes e à Coroa de Portugal. O fato de não haver um contingente de trabalhadores livres disponíveis para migrar da metrópole para a nova colônia. A inadequação dos indígenas, que não dominavam técnicas agrícolas e resistiam à escravização em seus próprios territórios. Os interesses dos missionários jesuítas em catequizar os índios e utilizá-los como mão de obra nas Missões. Os séculos de escravidão consolidaram uma sociedade marcada pelo patriarcalismo alicerçado na posse de terras e de escravos. O poder de vida e morte dos grandes senhores está relacionado à formação social brasileira, e manifesta-se em características como: A composição étnica marcadamente mestiça do povo brasileiro. A cultura afro-brasileira expressa na música, dança, religião, culinária etc. O envilecimento do trabalho, visto como atividade inferior. A discriminação e o preconceito de fundo racial. A banalização da violência (tanto criminosa como na ação do Estado). O autoritarismo político. Ditaduras militares na América Latina Uma Cuba já era demais para os americanos Resumidamente, no contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos, de um lado, se defendiam, combatendo a expansão do socialismo; e a União Soviética, de outro, incentivava os movimentos de resistência ou contrários ao capitalismo. Nesse cenário, a Revolução Cubana de 1959 ganhou destaque. A menos de 200 km dos Estados Unidos, um país até então atrelado ao capitalismo rompeu com o imperialismo norte-americano e promoveu mudanças profundas, que acabaram por conduzi-lo ao socialismo e à zona de influência soviética. O exemplo cubano se espalhou pela América Latina e encorajou diversos movimentos de esquerda anti-imperialistas.Para os EUA, isso era inadmissível. Movimentos militares latino-americanos foram fortalecidos por Washington e tomaram o poder, através de golpes, em vários países. A América do Sul era literalmente tomada de assalto pelas ditaduras. Na imagem, o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, sendo bombardeado pelos militares no dia 11 de setembro de 1973. O presidente Salvador Allende, eleito democraticamente, foi morto, ou cometeu suicídio, nesse dia. Continue conosco e saiba mais sobre as ditaduras latino-americanas no contexto da Guerra Fria. Você viu na aula As ditaduras estabelecidas na América Latina entre as décadas de 1960 e 1990 estão inseridas em um contexto de Guerra Fria. Preocupados com o exemplo cubano, os EUA incentivaram movimentos golpistas no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no Chile. As ditaduras estabelecidas na América do Sul organizaram governos alinhados aos interesses norte-americanos, que muitas vezes valeram-se de métodos extremamente violentos para conter os seus opositores. A Operação Condor, apoiada pela CIA, consistiu na aliança político-militar entre as ditaduras latino-americanas e visava a dificultar a ação dos grupos e movimentos opositores, notadamente de esquerda. A Guerra das Malvinas, em 1982, foi uma tentativa da ditadura argentina de ganhar o apoio da população por meio da tomada das Ilhas Malvinas, possessão britânica desde o século XIX. Após 75 dias de conflito, a Inglaterra venceu a guerra. A derrota argentina acelerou a derrocada da ditadura e o processo de redemocratização do país. Revolução Industrial A Revolução Industrial foi uma simples "aventura tecnológica"? Alguns acham que é possível explicar em poucas palavras o que foi a Revolução Industrial: máquinas foram inventadas e pronto, fez-se a revolução! Talvez por causa dessa visão simplista, o processo todo parece ter sido pouco mais do que uma “aventura tecnológica” – e assim uma cronologia das invenções mais importantes explicaria tudo. Nada mais impreciso. A Revolução industrial representou principalmente uma mudança na forma de organização do trabalho, e as máquinas acabaram surgindo mais como uma consequência do que como uma causa do processo. Continue assistindo a esta aula e saiba mais sobre esse importante processo. Você viu nesta aula A Revolução Industrial foi um processo de aceleração da produção, em que substituiu-se a ferramenta pela máquina, a força humana pela força motriz e o sistema doméstico pelo sistema fabril. A mudança mais importante não foi a tecnológica (passagem da ferramenta à máquina), e sim a introdução do sistema fabril de organização da produção. Além de contar com recursos naturais como o ferro e o carvão, a Inglaterra dispunha de capitais, de uma burguesia estabelecida (devido a uma precoce revolução burguesa), da mentalidade puritana de valorização do trabalho e de mão de obra abundante, em decorrência dos cercamentos e do consequente êxodo de camponeses para as cidades. Daí o seu pioneirismo. A concentração de um grande número de trabalhadores em um mesmo local possibilitou a racionalização do trabalho, culminando na introdução da linha de produção, fundada no controle da mão de obra através da disciplina. A partir daí deu-se o salto na produção, que se acelerou ainda mais com a progressiva introdução de máquinas no processo. O resultado da industrialização foi o embrutecimento da mão de obra – devido à perda de conhecimentos técnicos, por falta de aplicabilidade – a queda nos salários e a crescente alienação do trabalhador. Independência e expansão dos Estados Unidos Estados Unidos: independência, expansão territorial e Guerra de Secessão Estados Unidos: da América para o mundo Nação pioneira das independências da América, os Estados Unidos se tornaram, em finais do século XIX, uma das principais economias industrializadas do mundo. Legitimada por ideais de superioridade religiosa e racial, sua expansão impôs seus interesses sobre outros países e povos. Mas em meio às conquistas, os EUA atravessaram uma guerra civil que rasgou o território em dois. O ideal expansionista e as tensões raciais presentes na Guerra de Secessão nunca abandonaram esse país, que se converteu na maior dentre todas as potências do planeta. Grupos como a Ku-Klux-Klan explicitavam um país repleto de segregação e violência contra determinados setores da população, gerando questionamentos sobre quem realmente gozava das liberdades e igualdade prometidas na Constituição. Nesta aula, vamos conhecer um pouco mais da história dos Estados Unidos. Você viu nesta aula A partir do século XVIII, a Inglaterra intensificou a cobrança de impostos e as políticas monopolistas sobre as Treze Colônias (com o Sugar Act e o Tea Act), uma vez que precisava se recuperar dos gastos militares decorrentes da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e se interessava pelo crescimento econômico das colônias, devido ao comércio entre América, Europa e África. Percebendo nessas imposições a perda de sua histórica autonomia, e considerando injustos esses atos metropolitanos, pois os colonos não possuíam representação no Parlamento britânico para defender seus interesses, os americanos se insurgem contra a Metrópole. A Boston Tea Party (1773) foi a revolta mais significativa. Por sua vez, a Inglaterra impôs uma série de leis consideradas abusivas pelos americanos. Dotados de ideais de liberdade e igualdade, as Treze Colônias proclamam a sua Declaração de Independência (1776), anunciando sua ruptura com as amarras metropolitanas. Com o apoio da França e da Espanha, os estadunidenses vencem a Guerra de Independência. As então ex-colônias, com a Constituição de 1787, fundam o país Estados Unidos da América, assentado em uma legislação republicana e federativa. Trata-se da primeira nação a conquistar a independência em todo o continente. Em princípios do século XIX, em meio às guerras de independência das Américas, o presidente dos Estados Unidos, James Monroe (1817-1825), realiza um discurso contundente contra os objetivos recolonizadores da Europa. Sob o lema “América para os americanos”, a chamada Doutrina Monroe pautava uma política externa que defendia a soberania dos recém-formados países livres do continente americano e reconhecia sua independência em relação às metrópoles europeias. No século XIX, os EUA iniciam sua expansão territorial com a chamada marcha para o Oeste. Em busca de terras férteis e do ouro encontrado naquela região, a população dos Estados Unidos, acrescida de um aumento gradativo de imigrantes, parte para a anexação de territórios. Essa expansão ocorreu por meio da compra de territórios – como a Flórida, o Alasca, a Califórnia – que até então pertenciam a países europeus, e, sobretudo, por meio da guerra contra o México (1846-1848) e de massacres às populações indígenas. Cada passo da expansão era justificado como expressão da vontade divina, ou do Destino Manifesto baseado na crença calvinista da predestinação dos norte-americanos a conquistar o continente. O desenvolvimento dos Estados Unidos tornou mais agudas as diferenças entre os estados do Norte e os do Sul. Ao norte, onde a economia historicamente assentava-se na mão de obra livre, formaram-se estados industrializados, cujas economias aceitavam ligeiras intervenções estatais, e defensores da abolição da escravidão. Os estados do Sul, por sua vez, organizados economicamente em torno da plantation escravista, eram defensores do pleno liberalismo e opunham-se às políticas nortistas. Ao ser eleito presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln (1809-1865), defensor do abolicionismo, encontra os estados do Sul insurgindo-se pela separação em relação ao restante do país. A partir de 1861, as hostilidades culminaram em uma guerra civil entre o Norte (União) e o Sul (Confederação); a Guerra de Secessão se estendeu até 1865. A vitória do Norte foi resultado da conjugação de diversos fatores. Um dos mais relevantes foi a desestabilização da economia dos estadosdo Sul, por conta das crescentes fugas de escravos e da aprovação da 13º Emenda à Constituição dos EUA (1865), que abolia a escravidão no país. Posteriormente, constituíram-se nos estados do Sul grupos contrários à igualdade entre negros e brancos – como a Ku-Klux-Klan (KKK) –, que afirmavam a segregação racial e praticavam atos de violência contra negros. Ao defender a supremacia branca, tratavam como inferiores todos os setores da sociedade que não fossem identificados como WASP (White Anglo-Saxon Protestant). Com a vitória do Norte, os Estados Unidos fortaleceram sua economia industrializada e tornaram-se uma das nações mais poderosas do mundo, passando a projetar seu expansionismo sobre a América Central e ilhas do Oceano Pacífico. Um dos principais representantes da hegemonia estadunidense sobre territórios latinos foi o presidente Theodor Roosevelt (1901-1909). Sua política externa foi denominada Big stick policy, ou “política do grande porrete”: essa política preconizava a intervenção militar sobre os países que não acatassem o controle direto dos EUA sobre seus territórios – o chamado Corolário Roosevelt. Iluminismo e Reformismo Ilustrado Luz, ideias, ação! Questionar as tradições, duvidar dos mitos, experimentar, deduzir, pensar cientificamente e confiar apenas na razão. Essas foram as propostas que revolucionaram o pensamento ocidental e moldaram o mundo a partir do século XVIII. O século do Iluminismo. Para os pensadores iluministas, os homens nasciam iguais e livres, e aos governos caberia preservar esses direitos. Acreditava-se que qualquer pessoa dotada de razão seria capaz de perceber que isso era verdade... e de lutar por isso. Conhecer tudo! Questionar livremente! Educar o homem para a liberdade, igualdade, fraternidade e felicidade... A luz acesa no século XVIII ainda guia mentes no XXI, como a sua! Nesta aula, vamos conhecer um pouco mais do Iluminismo. Você viu nesta aula O pensamento iluminista revolucionou a forma de ver o mundo e a sociedade dos homens do século XVIII e serviu de base para reivindicações reformistas e revolucionárias ao longo da Idade Contemporânea. Esse modo de pensar tem enorme influência em nosso mundo atual. São exemplos de movimentos políticos influenciados pelo pensamento iluminista: a Independência dos Estados Unidos em 1776, a Revolução Francesa de 1789 e a Inconfidência Mineira, também em 1789. As ideias iluministas tiveram grande repercussão entre as elites letradas da Europa e América, burgueses e setores da nobreza, mas também embasaram reivindicações de caráter popular e radical. O pensamento iluminista foi influenciado pela revolução científica em curso no século XVII. Pensadores como René Descartes (1596-1650) e Isaac Newton (1643-1727) defenderam o primado da razão e da ciência e afirmaram ser possível compreender o universo, a natureza e suas leis. O filósofo inglês John Locke (1632-1704) é considerado o precursor do pensamento iluminista e um dos fundadores do liberalismo político. Para ele, a liberdade, a igualdade perante a lei e a propriedade seriam direitos naturais dos homens, e o governo que não os assegurasse poderia ser derrubado. Na França, François Marie Arouet, ou Voltaire (1694-1778), destacou-se pela defesa da liberdade de expressão e de pensamento e por seu anticlericalismo. Sua influência sobre membros da alta nobreza e governantes europeus contribuiu para a adoção de algumas monarquias europeias ao chamado despotismo esclarecido ou reformismo ilustrado. Déspotas esclarecidos eram os monarcas que, influenciados pelas ideias ilustradas, buscaram reformar a administração de seus reinos e incentivar as ciências e a educação sem, no entanto, revolucionar a sociedade tradicional. O nobre Barão de Montesquieu (1689-1755) foi um dos grandes críticos do absolutismo monárquico, defendendo a divisão de poderes em Legislativo, Judiciário e Executivo e a criação de constituições que limitassem o poder dos governantes. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) é considerado o mais radical dos grandes pensadores iluministas. Precursor do Romantismo, Rousseau acreditava que o homem seria naturalmente bom e que a sociedade e suas desigualdades seriam os responsáveis por sua corrupção. Para Rousseau, a sociedade ideal garantiria a igualdade entre os homens, que então viveriam em harmonia, buscando o bem comum através da vontade geral do povo. Suas ideias tiveram grande importância na fase radical da Revolução Francesa e, posteriormente, em movimentos socialistas. No campo do pensamento econômico, destacou-se a figura de Adam Smith (1723-1790). Smith afirmou que toda a riqueza é proveniente do trabalho e defendeu que as liberdades econômicas, como a de concorrência e a de mercado, eram o caminho para a riqueza das nações. A mais importante obra associada ao Iluminismo foi a Enciclopédia, organizada por Denis Diderot (1713-1784) e Jean le Rond d’Alembert (1717-1783). A Enciclopédia pretendia ser a compilação de todo o saber racional até então disponível. Congresso de Viena e Santa Aliança Era napoleônica, Congresso de Viena e Santa Aliança Liberdade, igualdade e Fraternidade Infantaria, Artilharia e Cavalaria As guerras perpetradas por Napoleão, imperador dos franceses, são a continuação da Revolução e da luta contra as monarquias absolutistas e o Antigo Regime. Derrubando reis e mudando as leis em nome dos princípios liberais, Napoleão e seu exército atravessaram a Europa como um furacão revolucionário, que, num intervalo de quinze anos, “inaugurou” a Idade Contemporânea. Na pintura de Francisco Goya, espanhóis são massacrados pela máquina de guerra do exército napoleônico. Anos mais tarde, os franceses e sua revolução seriam os derrotados. A derrota de Napoleão em Waterloo foi um duro golpe, não só para a França, mas para a Revolução e seus ideais como um todo. Reunidos no Congresso de Viena, os vencedores, representando o Antigo Regime, restauraram monarquias e privilégios da nobreza e fizeram a história andar para trás... ao menos, por algum tempo. Você viu nesta aula Napoleão, que governou a França no início do século XIX, representou a continuação e consolidação da Revolução Francesa. O General subiu ao poder através do denominado “Golpe do 18 de Brumário”, que pôs fim à República do diretório e criou um governo centralizado e repressor, o Consulado, contando com o apoio de setores do exército e burguesia. O novo regime justificou-se como ferramenta para deter o radicalismo jacobino e enfrentar e o risco de contrarrevolução e restauração do Antigo Regime. O Código Civil promulgado por Napoleão e influenciado pelas ideias iluministas e revolucionárias definia a igualdade perante a lei e direito à propriedade, mas vetava o direito à greve e restaurava a escravidão nas colônias, representando, assim, uma concepção elitista de Liberdade e Igualdade. Napoleão realizou uma série de reformas sociais, como a distribuição de terras, anteriormente pertencentes à nobreza e à Igreja, para os camponeses, e a reforma do sistema de ensino público, visando a formar a elite francesa. Ao coroar-se e impedir o Papa de fazê-lo, Napoleão expressou simbolicamente a superioridade e autonomia de seu poder perante a Igreja, pois sua coroação representaria a vontade geral dos cidadãos franceses, e não a vontade divina. Isso afirmou o caráter republicano e revolucionário de seu Império. Através de um conjunto de campanhas militares Napoleão derrotou as monarquias do Antigo Regime em quase toda a Europa e impôs seu Código Civil sobre os territórios conquistados, expandindo a influência do ideário revolucionário. Os exércitos napoleônicos dominaram o continente europeu, mas fracassaram na luta contra a Inglaterra, que com sua poderosa indústria e marinha resiste ao imperador. Na tentativa de sufocar a economia inglesa, Napoleão impôs o bloqueio continental, que proibia os países europeus de adquirirem artigos ingleses, bem como a exportação de matérias-primas para a Inglaterra.Diversos países desobedeceram o bloqueio, devido a antigas alianças e relações de dependência com a Inglaterra, o que levou Napoleão a organizar expedições punitivas. Destacam-se os casos de Portugal e Rússia. A invasão de Portugal pelo exército de Napoleão teve por consequência a fuga da família real para a colônia brasileira, evento fundamental para o processo de independência do Brasil. A resistência russa fundada na guerrilha e estratégia da terra devastada levaram Napoleão à primeira e mais importante derrota militar e ao início do declínio de seu exército e Império, o que culminou com sua derrota na batalha de Waterloo. A derrota de Napoleão representou a derrota do projeto revolucionário, iluminista, liberal e burguês, e a vitória das forças da Restauração e Antigo Regime. Reuniram-se no Congresso de Viena os representantes das monarquias absolutistas, com o intuito de reorganizar o cenário político europeu segundo o princípio da legitimidade. Assim, foram restaurados os privilégios da nobreza, as formas de governo e dinastias anteriores à Revolução Francesa. Segundo o princípio do equilíbrio europeu, as principais potências do continente (Rússia, Prússia, Império Austríaco e Inglaterra) dividiram a Europa em zonas de influência, desrespeitando fronteiras tradicionais e nacionalidades. Para garantir as determinações do Congresso de Viena, foi criada a Santa Aliança, que se comprometeu a enfrentar os movimentos liberais e revolucionários herdeiros da Revolução Francesa. Reinos africanos Reinos africanos e a diáspora negra Várias Áfricas, uma diáspora O continente africano caracteriza-se desde sempre pela enorme diversidade étnica e cultural. Os incontáveis povos da África, antes da chegada dos europeus ao continente, dividiam-se em reinos, cidades e tribos – muitas vezes rivais entre si. Os contatos com árabes e europeus no contexto das grandes navegações, no entanto, semeou a catástrofe. Traficantes no Atlântico e senhores na América fizeram fortuna à custa dos africanos, seja capturando-os e vendendo-os, seja explorando a mão de obra escrava até o limite da morte do indivíduo escravizado. A golpes de açoite, o escravismo marcou a história de toda a humanidade para sempre. Pessoas como a mulher banto da imagem acima foram capturadas como presas, vendidas como mercadorias, levadas contra a própria vontade para muito longe da terra natal: involuntariamente, elas participaram da chamada diáspora africana. Vamos conhecer um pouco mais dessa história nos vídeos a seguir. Continue conosco. Você viu nesta aula O continente africano era habitado por milhões de pessoas antes da chegada dos europeus, e estes diversos povos se dividiam em grupos culturais, etnias, tribos e clãs muitas vezes rivais entre si. Os africanos se organizavam de diversas formas: tribos, cidades-Estado, grupos nômades e reinos. Ao sul do Saara destacavam-se Estados organizados, dotados de complexa estrutura administrativa, que controlavam grandes populações, como os reinos Ashanti, do Congo e de Songai. Os povos do norte e do sul do Saara mantiveram durante séculos rotas de caravanas que lhes permitiam realizar trocas comerciais e culturais entre si. No âmbito cultural, destacou-se a influência do islamismo de origem árabe entre diversos povos da África. Diversas formas de escravidão foram praticadas pelos africanos, como a de linhagem, de prisioneiros de guerra, a motivada por dívidas e por crimes. Muito antes dos europeus, árabes e outros grupos muçulmanos traficavam escravos africanos. O contato com os europeus e a enorme demanda por escravos para suprir uma economia mercantil aumentaram drasticamente a proporção e o impacto da escravidão no continente africano. A prática do escravismo gerou enormes lucros para traficantes árabes e europeus e para os senhores da América, que obrigavam pessoas escravizadas a trabalhar nas plantations, minas e casas-grandes. Calcula-se que mais de doze milhões de pessoas tenham sido trazidas à força para as Américas, o que ficou conhecido como a diáspora africana. Esse deslocamento e mais o enorme número de mortos nas capturas e viagens provocaram o despovoamento de muitas regiões da África. A violência do apresamento e o conflito entre grupos africanos em nome de interesses europeus desestruturaram as antigas e tradicionais formações sociais no continente, causando enorme crise. Redemocratização brasileira e República Nova Aula 1: A Constituição Cidadã e o impeachment presidencial Era a Nova República ou o Brasil Novo? Eleito presidente da República em 1985, Tancredo Neves chamou de Nova República o regime que nascia após 21 anos de ditadura. Talvez fosse uma alusão indireta à República Nova de Getúlio Vargas, de quem ele fora muito próximo. Mas Tancredo morreu e quem teve de dar início à "Nova República" foi seu vice, José Sarney. Veio uma crise, o Plano Cruzado e uma sucessão de seis planos de estabilização econômica que fracassaram até 1994. O país parecia de pernas para o ar. Politicamente, a democracia deu um passo importante com a Constituição de 1988, aclamada e apelidada de “Cidadã”. Veio a primeira eleição direta para a presidência desde 1960, e o governador de Alagoas foi eleito presidente pelo Partido da Reconstrução Nacional (observe bem esse nome). Ele dizia que em sua gestão deixaria “a direita revoltada e a esquerda perplexa”. Com seu Plano Collor, revoltou a todos, e perplexo ficou ele diante da reação popular. Os “caras pintadas” o derrubaram. Comemoração no Congresso Nacional, ao final da Assembleia Constituinte de 1988. A Constituinte e as eleições de 1989 inauguraram mesmo um Brasil Novo? É o que veremos nesta aula. Você viu nesta aula Redemocratização e crise econômica Aliança Democrática: PMDB + Frente Liberal do PDS Eleição de Tancredo Neves presidente pelo Colégio Eleitoral Posse do vice-presidente José Sarney (1985-1990) Plano de Estabilização Econômica (Plano Cruzado) Substituição do Cruzeiro (Cr$) pelo Cruzado (Cz$) Congelamento geral dos preços Valorização da moeda nacional em relação ao dólar Reajustes dos salários com nível de inflação em 20% (gatilhos salariais) Fracasso: espiral inflacionária ➔ Planos Cruzado II / Bresser / Verão (Cruzado Novo – NCz$) Constituinte de 1986¹: promulgação da Constituição de 1988 – a “Cidadã” Bloco de direita: PDS + PFL + PTB Bloco “centrão”: PMDB + PSDB + PDT Bloco de esquerda: PT + PSB + PPS + PCdoB Preconizava: Reforma agrária Eleições livres e diretas Proibição da censura 1989: primeira eleição direta para presidente desde 1960. Vence Fernando Collor de Mello, do PRN (Partido da Renovação Nacional) Governo Collor: 1990-1992 Plano Collor (neoliberal): abertura econômica; substituição do Cruzado Novo pelo Cruzeiro (Cr$); privatizações de empresas estatais (como a CSN); confisco governamental de depósitos bancários Resultado: fracasso e crise inflacionária Processo de impeachment (1992) Denúncias de crime eleitoral e corrupção no governo Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI): encaminhamento ao STF Mobilização dos “caras pintadas”; campanha pelo “Fora Collor” (1) Partidos Políticos: Partido Democrático Social (PDS): deu origem ao atual Partido Progressista (PP) Partido da Frente Liberal: dissidência do PDS que deu origem ao atual Democratas Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB): dissidência do PMDB Partido Democrático Trabalhista (PDT): oriundo do PTB getulista (Leonel Brizola) Partidos dos Trabalhadores: origens no sindicalismo, nos meios intelectuais e na Igreja Partido Socialista Brasileiro (PSD): chamado de esquerda democrática Partido Popular Socialista (PPS): dissidência do PCB Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Aula 2: Da República “tucana” ao Partido dos Trabalhadores no poder Da “estadolatria” à “estadofobia” O presidente Fernando HenriqueCardoso e o presidente recém-eleito, Luís Inácio Lula da Silva, se atrapalham na transmissão da faixa presidencial, em 2003. Ao fundo, o vice de Lula, José Alencar. Em 1995, FHC afirmou, em seu discurso de posse, que os tucanos chegavam ao poder “para encerrar a Era Vargas”. O que quis dizer com isso? O que se viu na prática, em relação ao legado de Vargas, foi a privatização das empresas estatais e a retirada de direitos dos trabalhadores. Como dizia na época o ex-ministro Delfim Netto, passamos muito depressa “da estadolatria para a estadofobia”. Essa política caracteriza-se pela hegemonia do capital financeiro e de sua doutrina de caráter neoliberal. Ela se manteve tanto com o PSDB como com o PT no poder. Nesta aula veremos como se desenvolve esse processo. Continue conosco. Você viu nesta aula Plano Real e neoliberalismo: PMDB / PSDB e a estabilização financeira Governo Itamar Franco (1992 – 1995): Ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso Plano Real (1994) Criação da nova moeda: Real (R$) – referência: Dólar (US$) Privatizações de empresas estatais Juros altos: conter a inflação e atrair capitais estrangeiros Desindexação salarial: desvinculação dos reajustes à inflação Governo FHC (1995-1998 e 1999-2002): os “tucanos” no poder Política econômica neoliberal (Consenso de Washington – 1989): Estado Mínimo Estabilidade financeira: controle da inflação Privatizações de empresas estatais (Cia. Vale do Rio Doce) Desregulamentação de mercados: livre fluxo de capitais Flexibilização de direitos trabalhistas Desnacionalização de setores de mineração (CVRD), bancos e telecomunicações Aumento do desemprego e da dívida externa Denúncias de corrupção na emenda constitucional da reeleição dos executivos Agravamento da questão agrária: massacre de Eldorado dos Carajás (PA) em 1996 Fortalecimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST): luta pela reforma agrária Governo Lula (2003-2006 e 2007-2010): O PT no poder Hegemonia do capital financeiro Programas assistencialistas: Fome Zero / Bolsa Família / cotas sociais / Prouni Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): investimentos em infraestrutura Descoberta das reservas de petróleo do Pré-Sal pela Petrobras Política externa: aproximação com o Mercosul¹ e com os BRICS² Denúncias de corrupção do “mensalão” envolvendo deputados e senadores (1) Mercosul: tratado de livre-comércio e união aduaneira estabelecido entre Brasil, Argentina, Venezuela, Uruguai e Paraguai (2) BRICS: Bloco político-econômico constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Revoltas do Brasil Império Revoltas do Brasil Império Os liberais do Império não queriam continuar sendo brasileiros? Na primeira metade do século XIX, os brasileiros foram às armas contra o Império. A postura autoritária de d. Pedro I levantou as províncias nordestinas na Confederação do Equador, violentamente sufocada, e o desgaste do imperador só aumentou até que a “Noite das Garrafadas”, em 1831, detonou a crise política que resultou na abdicação. Forças imperiais em posição de ataque aos rebeldes pernambucanos em Recife, na Confederação do Equador (1824). A queda do Partido Português anunciava novos tempos, e a reforma da Constituição, em 1834, também trouxe esperanças. Mas esses dois eventos não evitaram que aquele fosse um dos períodos mais sangrentos da nossa história. A Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Guerra dos Farrapos foram os mais importantes conflitos de uma série ainda mais ampla. Muitos desses movimentos chegaram a vislumbrar a fragmentação do país. No anseio por maior liberdade, parecia que os brasileiros abriam mão de ser parte do Brasil... Nesta aula, mais sobre as insurreições contra o Império. Você viu no Vídeo 1 Primeiro Reinado: Confederação do Equador (1824) Uniu as províncias de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará Causas: dissolução da Assembleia Constituinte e outorga da Constituição Estado republicano e federativo com capital em Recife (PE) Repressão imperial: fuzilamento de Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Frei Caneca (líder popular republicano) Principais rebeliões do Período Regencial Cabanagem (PA – 1835-1840): levante da população cabana, camada mais pobre, sob a liderança de setores da elite local contrária à nomeação do presidente provincial. Sabinada (BA – 1837-1838): revolta armada de setores médios da população de Salvador (BA) que não reconheciam o governo regencial e proclamaram a República Baiense provisória até a maioridade de d. Pedro II. Balaiada (MA e PI – 1838-1841): rebelião de grupos semelhantes aos futuros cangaceiros nordestinos liderados por Manuel dos Anjos Ferreira, o Balaio. Foram derrotados por Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, o “Pacificador”. Revolução Farroupilha (RS e SC – 1835-1845): mais longa guerra civil da história brasileira, instaurou a República Rio-grandense de Piratini. Principais líderes: Bento Gonçalves, David Canabarro, Bento Manuel Ribeiro e Giuseppe Garibaldi. Fatores causais Centralismo e autoritarismo do Estado monárquico Grave crise econômica e financeira Objetivos comuns Maior autonomia política para as províncias Estado de caráter federativo Quem eram os descontentes: os ricos ou os pobres? A resposta é: quase todos os brasileiros, que passavam por dificuldades no Brasil após o ciclo do ouro e antes do ciclo do café. Setores das elites queriam mais autonomia federativa e alguns sonhavam até com a República. Já os trabalhadores esperavam melhorar de vida, o que, no caso dos escravos, começava pela abolição da escravatura. Um exemplo de rebelião escrava visando a esse fim foi a Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835 – aliás, a mais importante rebelião urbana de escravos no Brasil. Jean-Baptiste Debret (1768-1848) retrata os chamados escravos de serviço, que exerciam atividades urbanas. Foram escravos de serviço que professavam a fé muçulmana – os malês – que desencadearam a maior revolta de escravos urbanos do Brasil imperial. Em 1842, foi a vez de senhores de escravos levantarem armas contra d. Pedro II, em São Paulo e Minas Gerais. Caxias calou-os a baionetas. E em 1848 eclodiu em Pernambuco o Movimento Praieiro, que foi a última guerra civil no Império. Dessa vez, o Partido Liberal chegou a defender até a repartição de terras! E não é que a ira da população carioca mostrou-se na Revolta do Vintém, porque o governo aumentou o preço dos bondes puxados a burros? Faz tempo. Foi em 1879. Assista ao vídeo a seguir e saiba mais sobre as revoltas ocorridas durante o reinado de d. Pedro II. Você viu no Vídeo 2 Revolta dos Malês (BA – 1835): levante de escravos muçulmanos da etnia iorubá, em Salvador (BA). Objetivo: liberdade; extinção da obrigatoriedade do catolicismo. Revoltas Liberais de 1842 (SP e MG): reação do Partido Liberal à demissão do ministro Antônio Carlos de Andrada e ao retorno do Partido Conservador ao poder. Foram sufocadas pelo Marquês de Caxias. Revolução Praieira (PE – 1848-1850): Revolta do Partido Liberal, apelidado em Recife de Praieiro, contra a nomeação de um político conservador para a presidência da província. Por meio do “Manifesto ao Mundo”, publicado no Diário Novo de Pernambuco, os liberais reivindicavam: Liberdade de imprensa Sufrágio universal Fim do Poder Moderador Autonomia federativa Acesso à terra aos trabalhadores pobres (influência do Socialismo Utópico) Alguns líderes defendiam a abolição da escravatura, como o capitão Pedro Ivo Veloso da Silveira. O movimento era carregado ainda de forte sentimento antilusitano. Revolta do Vintém (RJ – 1879-1880): Rebelião urbana na capital contra o aumento nas passagens dos bondes cariocas em 20 réis (um vintém) determinado pelo governo em dezembro de 1879. A população revoltada depredou bondes e ameaçou instalações do governo. Foram registradas três mortes. Em janeiro a decisão oficial foirevogada, serenando os ânimos populares. Grécia Antiga Aula: Tudo veio da Grécia... Em nossa civilização, costuma-se chamar a Grécia de “berço do Ocidente”; em outras palavras, consideramos que a cultura ocidental nasceu na Grécia. Uma das mais importantes contribuições dos gregos antigos foi a construção de um pensamento que diminuiu significativamente a importância de explicações sobrenaturais para os fenômenos. Muitos pensadores da Grécia antiga consideravam que, para saber como a natureza funciona, era preciso investigar, e assim evitavam atribuir alguma causa sobrenatural aos eventos. Hipócrates, por exemplo, foi o primeiro médico a tratar os doentes com dieta, ar fresco e mudança de clima. Buscou exercer a medicina baseando-se única e exclusivamente nos sinais e sintomas das doenças — ou seja, desvinculou o tratamento de doenças das práticas religiosas. Hipócrates foi tão importante que, ainda hoje, o Ocidente o reconhece como "Pai da Medicina". Retrato de Hipócrates de Cós (c. 460 – c. 370 a.C.) feito no século XIX. No Ocidente, ele é considerado o “Pai da Medicina”. Mas de que forma o percurso histórico da Grécia antiga contribuiu para tão vasta expansão dos valores gregos? Para saber mais, assista ao vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 Período Creto-Micênico: formação da Grécia antiga. Migração dos povos indo-europeus (jônios, aqueus, eólios e dórios) para a região do mar Egeu. Período Homérico: desestruturação das cidades e formação da sociedade gentílica, baseada no coletivismo. O Pater Familia como chefe político e religioso. Período Arcaico: formação da pólis, a cidade-Estado grega – unidades políticas autônomas. O constante problema da escassez de terras. Cidade-Estado de Esparta: caracterizava-se pela predominância da agricultura como atividade econômica; leis rígidas; sociedade altamente militarizada. É a exceção das cidades-estados gregas ao se fechar para o mundo grego. Cidade-Estado de Atenas: caracterizava-se pela predominância do comércio marítimo pelo mar Mediterrâneo como atividade econômica; formação de colônias; conflitos políticos entre os comerciantes e a aristocracia proprietária de terras. Modificações políticas: leis escritas (Drácon), abolição da escravidão por dívidas (Sólon). Nessa cidade-Estado surgiu a democracia, que consistia no regime em que os cidadãos participavam de forma direta na organização política da cidade. Período Clássico: apogeu da Democracia ateniense. Guerras Médicas – conflito entre gregos e o Império Persa – e a formação da Liga de Delos (aliança militar grega), liderada por Atenas. Aumento da rivalidade entre as cidades-Estados, levando à Guerra do Peloponeso: desavenças no mundo grego, entre Atenas e Esparta. Fragilização do mundo grego e a invasão dos macedônicos. Período Helenístico: formação do Império de Alexandre, o Grande. Difusão da cultura grega por meio da expansão do Império. Período de fusão da cultura grega com a cultura oriental. A alma grega O teatro nasceu como um jogo, um concurso nos festivais religiosos em homenagem a Dionísio, deus do vinho, da vegetação, do crescimento e da procriação. Acreditava-se que o deus chegava à Grécia com os primeiros raios de sol da primavera. Homens e mulheres comemoravam o fim do inverno e saudavam a nova estação, que lhes parecia um bem. Ruínas do teatro de Mileto, que atualmente pertence à Itália. Em homenagem a Dionísio, que, acreditava-se, estaria presente animando a cerimônia, organizava-se a Grande Dionisíaca: um concurso de peças teatrais (com destaque para as tragédias e as comédias). Na condição de cidadãos, os gregos sentiam-se participando ativamente das questões políticas, e na de espectadores experimentavam um intenso envolvimento nas tragédias, na medida em que seus heróis lutavam contra os deuses e o destino. Esses elementos contribuíram na construção da identidade grega. No próximo vídeo, vamos abordar como ocorreu a integração cultural na Grécia antiga. Você viu no Vídeo 2 Identidade na Grécia antiga A pólis é uma unidade politicamente autônoma, o que favorece a diversidade entre as cidades-Estados do mundo grego. Todavia, em meio a essa diversidade, há elementos em comum. Dentre eles, podemos citar a valorização da figura do guerreiro, os Jogos Olímpicos, o naturalismo nas artes e o teatro grego. Valorização do guerreiro: como apresentado nas obras literárias Ilíada e Odisseia (obras centrais da formação da cultura e da identidade gregas), a competição e a busca do melhor guerreiro criam um referencial de glória e heroísmo. Jogos Olímpicos: celebram uma religiosidade comum. Trata-se de uma homenagem aos deuses do Olimpo, e nesse período ocorria trégua nas guerras. Os jogos celebram a competição, a escolha do melhor guerreiro. Naturalismo: a busca da perfeição das formas na escultura grega. Forma de valorização do homem, de apresentá-lo como o centro das atenções do mundo grego (antropocentrismo). Esse modelo de arte influenciou vários movimentos culturais ao longo da História, como o Renascimento, na Idade Moderna. Teatro: possui basicamente duas modalidades: a comédia, que satiriza os costumes, e a tragédia, que aborda a trajetória do herói lutando contra o seu destino – esta última tornou-se uma das grandes heranças gregas para a contemporaneidade. Havia competições de peças teatrais nos teatros de arena apresentados aos cidadãos da pólis. Modelo político – Democracia Na pólis grega, valorizava-se o que hoje chamamos de cidadania, ou seja, a participação do cidadão na elaboração política. Por isso, essas cidades caracterizavam-se por ter em seu centro o espaço aberto de reunião, a ágora. A elaboração das leis e a cidadania davam-se de modo direto (em oposição ao nosso modelo atual, em que votamos em representantes que fazem leis em nosso nome – sistema indireto). O sistema direto de participação política grego favorecia a discussão entre os cidadãos, uma reflexão direta sobre quais seriam as melhores leis. Diferentemente do que ocorria em Esparta, em Atenas valorizava-se a palavra e a discussão em detrimento da força, da militarização. Isso torna o homem a questão central da democracia, o que explica por que a arte valoriza o indivíduo e por que foi nessa cidade que se desenvolveu a filosofia – fruto da discussão entre os indivíduos. Limites da cidadania: a cidadania estava restrita a uma minoria da população, sendo excluídos os metecos (estrangeiros que não foram escravizados), as mulheres (vistas como criaturas do lar) e os escravos. A escravidão é um elemento central da democracia grega. Os escravos são os prisioneiros de guerra submetidos nas colônias gregas. Havia um grande comércio de escravos nas cidades gregas. O escravo era considerado um ser inferior, e a ele cabia realizar uma série de trabalhos manuais, principalmente. O escravo da pólis realizava as tarefas cotidianas no lugar do cidadão, que, dessa forma, tinha tempo para se dedicar à atividade política. Daí a ideia de democracia escravista grega – só há democracia porque há escravidão. Primeira Guerra Mundial Por que chamamos de "Primeira" uma "guerra para acabar com todas as guerras”? Soldados alemães são levados para as linhas de combate (1914). Quando começou, a guerra de 1914-1918 foi chamada apenas de a “Grande Guerra”, devido ao enorme número de soldados e países envolvidos. No começo, havia a ideia de que seria uma guerra decisiva, para resolver diversas questões, para “acabar com todas as guerras”. Porém, o prolongamento do conflito por quatro anos e, principalmente, a forma como foram conduzidas as negociações de paz fizeram com que as pessoas percebessem que mais cedo ou mais tarde haveria outra guerra. E assim a Grande Guerra tornou-se a Primeira Guerra Mundial... Vamos entender melhor esse período da História nesta aula. Você viu nesta aula A Primeira Guerra Mundialpode ser considerada a grande guerra do imperialismo, uma vez que envolveu dois blocos de países com interesses fundados em necessidade de expansão econômica. Além disso, havia o nacionalismo disseminado, que alimentava diversas questões, como o revanchismo francês contra a Alemanha. A corrida naval, o sistema europeu de alianças e a questão balcânica também podem ser considerados causas da guerra. O atentado de Sarajevo, que resultou no assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, príncipe herdeiro do trono austríaco, foi o estopim da conflito. O conflito logo se transformou em uma “guerra de trincheiras”, na qual imensos exércitos, formados por milhões de soldados, chocavam-se em batalhas frontais, que foram se tornando cada vez mais mortíferas com o emprego de avançada tecnologia na produção de armas em escala industrial, como grandes canhões, metralhadoras, tanques de guerra, submarinos e gás venenoso. Em 1917, a situação estratégica da guerra foi alterada, com o colapso da Rússia – provocado pela Revolução – e a entrada dos Estados Unidos na guerra – determinado pela guerra submarina alemã e pelo seu crescente envolvimento econômico com os países da Entente. Em 1918, ocorreram intensas batalhas, em que os alemães começaram a ser derrotados. O presidente norte-americano Wilson lançou um plano de paz, chamado de “Os 14 pontos”, de caráter conciliador, o que acabou estimulando o cessar fogo, em novembro de 1917. Todavia, na Conferência de Paz que se seguiu, realizada na cidade de Paris, os representantes da Entente, liderados pela França, aproveitaram-se da situação de crise vivida pela Alemanha no imediato pós-guerra e impuseram exigências cada vez maiores, resultando no Tratado de Versalhes. A humilhação da Alemanha resultou no crescimento do nacionalismo alemão, que logo resultou na ascensão de grupos políticos como o Partido Nazista. Renascimento Renascimento: Quando a arte morreu? O uso do termo Renascimento é muito controverso. Sem dúvida, a genialidade de Leonardo, Rafael e Michelangelo é impressionante, mas antes deles a arte e a ciência não estavam mortas. A expressão desses gênios marca, na realidade, o apogeu de um processo de transformações culturais, sociais e econômicas que se iniciou séculos antes, ainda na Idade Média, quando mercadores, artistas e pensadores já apontavam suas lunetas e pincéis em direção ao mundo moderno. Duzentos anos antes de Leonardo da Vinci (1452-1519), o mestre Giotto di Bondone (1266-1337), pintor do quadro acima, já manifesta em seu trabalho traços do Renascimento, como a preocupação com a perspectiva. Nos vídeos a seguir, vamos conhecer mais algumas características desse período tão importante para a história da humanidade. Você viu na aula O Renascimento cultural é uma transformação no campo do pensamento como um todo – arte, ciência, filosofia, valores e visão de mundo – associada à formação da Idade Moderna. O fenômeno tem longa duração, iniciando-se na Baixa Idade Média, período em que se percebem suas raízes na produção de artistas e pensadores como Dante Alighieri (1265-1321), Giotto di Bondone e Roger Bacon (1214-1294). Atualmente muitos historiadores questionam se o termo Renascimento, cunhado no século XVI, é o mais apropriado, preferindo enxergar o fenômeno como a conclusão de um processo iniciado na Baixa Idade Média. Enquanto transformação no campo do pensamento, o Renascimento associa-se às grandes transformações econômicas e sociais do período, como o desenvolvimento do comércio com o Oriente, o crescimento das cidades, a ascensão da burguesia. O comércio, por exemplo, possibilitou o intercâmbio de influências especialmente com Bizâncio, além dos recursos para o financiamento de artistas e cientistas. Já os burgueses serão os responsáveis por patrocinar, através do mecenato, as obras de arte e as descobertas científicas. Esses comerciantes, artesãos e banqueiros buscavam através dessas ações reconhecimento e ascensão social, além de lucro. As cidades, principalmente da Itália e do Norte da Europa, foram o cenário desse movimento, justamente por concentrar as condições econômicas e sociais favoráveis. As principais características da expressão renascentista são: a retomada de valores e padrões estéticos da cultura clássica, a oposição à tradição medieval, a valorização da razão e da ciência em oposição ao misticismo, o Humanismo e Antropocentrismo, idealização do homem e de suas qualidades em oposição ao Teocentrismo. Na produção renascentista manifesta-se a associação entre conhecimento científico e talento artístico. Em muitos casos as inovações renascentistas entraram em choque com as tradições católicas. Galileu Galilei (1564-1642), por exemplo, foi perseguido pela Inquisição por defender a teoria heliocêntrica (de que o Sol é o centro do sistema solar), que se contrapunha à tradição geocêntrica, defendida pela Igreja. Independências da América Espanhola Libertadores da América No início do século XIX, o chamado mundo ocidental virava de cabeça para baixo. Na Europa, os revolucionários exigiam liberdade e igualdade; nas Américas, os colonos clamavam por independência. Dos dois lados do Atlântico, os ideais republicanos e liberais avançavam a golpes de baioneta, tiros e flechas. Apesar de terem atuado nas lutas de independência, os indígenas não conquistaram o direito à participação política nos Estados americanos recém-criados. Como ilustra a cédula peruana, tornaram-se símbolos de países que não governaram. Do México à Patagônia, índios, mestiços e membros da elite criolla enfrentaram as forças metropolitanas espanholas em sangrentas guerras de libertação. Vencida a luta, novos conflitos surgiram: a nova América seria governada por quem? Para quem? É o que veremos nesta aula. Você viu nesta aula As lutas de independência na América espanhola estiveram associadas à crise do Antigo Regime, à difusão das ideias iluministas e liberais e às instabilidades causadas, na Europa, pelas guerras napoleônicas. A ocorrência de revoltas contra a dominação metropolitana espanhola é marcante na história do continente desde a sua conquista. Muitas delas contaram com a participação e a liderança de negros, mestiços e indígenas. No século XVIII, Tupac Amaru II, por exemplo, enfrentou as autoridades coloniais com o apoio principalmente da população indígena do Peru. As guerras de independência no século XIX foram lideradas pela chamada elite criolla, composta pelos indivíduos mais ricos da colônia, notadamente latifundiários. Para as elites americanas, a independência deveria resultar em maior autonomia política e liberdade econômica, mas não em alterações sociais radicais. Muitos desses países independentes mantiveram a escravidão e seus negros, índios e mestiços em condição marginal. Nas guerras de independência, os libertadores contaram com o apoio diplomático e militar dos Estados Unidos da América e da Inglaterra, interessados na abertura de mercados e no enfraquecimento da Espanha. Simón Bolívar (1783-1830) e outros independentistas tentaram dar unidade às colônias recém-libertadas, com o objetivo de fortalecê-las política e economicamente. Esse projeto ficou conhecido como pan-americanismo. O fracasso do projeto pan-americano deveu-se à oposição inglesa e estadunidense e aos conflitos e disputas de poder entre as diversas elites locais. O caso haitiano representa uma grande exceção, pois contou com a liderança de negros e mestiços que, influenciados pelo ideário liberal, proclamaram a independência em relação à França e aboliram a escravidão. Guerra Fria Guerra ou paz? Já no final da Segunda Guerra Mundial notava-se um outro conflito em construção. À medida que as forças do Eixo sofriam as derrotas que as levariam à rendição incondicional, Estados Unidos e União Soviética buscavam projetar-se nos conflitos. Afinal, qual das duas potências venceria Hitler e salvaria o mundo do grande inimigo? A URSS chegou primeiro a Berlim, e a carta de rendição alemãfoi entregue aos comunistas liderados por Stalin. Para os americanos, ainda havia os japoneses insurretos no Pacífico, e naquele cenário era importante mostrar força para os inimigos, para o mundo e, principalmente, para a URSS. Estados Unidos então lançaram a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, destruindo completamente as duas cidades japonesas. Explosão da bomba atômica em Nagasaki. Terminada a guerra, o planeta começava a se dividir. Havia então duas superpotências a disputar a hegemonia econômica, política, militar e ideológica no planeta. Iniciava-se, assim, a Guerra Fria. Nos vídeos a seguir falamos mais sobre esse conturbado período. Continue conosco. Você viu nesta aula As características da Guerra Fria – bipolarização, disputa ideológica entre capitalismo (EUA) e socialismo (URSS), a corrida armamentista; nos EUA/bloco capitalista: o Plano Marshall, a doutrina Truman, a criação da OTAN, o macartismo; na URSS/bloco socialista: a criação do Comecon e do Pacto de Varsóvia. A divisão da Alemanha entre as duas potências se dá na Conferência de Potsdan (1945). O muro de Berlim, que divide a cidade de Berlim e simboliza a divisão da Alemanha, começa a ser construído em 1961. Trata-se de um importante símbolo da Guerra Fria. Ele foi destruído em 1989, quando as tensões chegaram ao fim. No período conhecido como coexistência pacífica (1953-1959), URSS e EUA tentam estabelecer um diálogo mais diplomático. Após período de grandes tensões, entre 1959 e 1973, inicia-se a distensão, ou détente. O declínio da Guerra Fria tem início em 1989 e é simbolizado pela queda do muro de Berlim; em 1991, a URSS se desintegra. Primavera dos povos Às armas, cidadãos! 1830, 1848, 1871... são tantas as revoluções no século XIX, e em tantos lugares – França, Itália, Pernambuco –, que são justificáveis os epítetos dados ao período: Era das Revoluções, Século das Revoluções, Esquina do Mundo ou, ainda mais romanticamente, Primavera dos Povos. Na pintura de E. Meissonier, testemunha da revolução de 1848, vemos, em meio às pedras das barricadas, os cadáveres vestidos com as cores da bandeira francesa. Era a trágica derrota da revolução popular frente à reação burguesa: o fim de uma primeira primavera. Herdeiros da Revolução Francesa, iluminista e burguesa, e da Revolução Industrial, que concentrou hordas de operários explorados nos grandes centros urbanos, esses movimentos foram os responsáveis pelo fim do Antigo Regime, das monarquias absolutistas e dos privilégios da nobreza. Muitas vezes unindo nacionalistas, socialistas e liberais, operários e patrões, estudantes e camponeses, essas revoluções nasceram tão divididas e contraditórias como o mundo contemporâneo que inauguravam – e podemos afirmar que refletiram conflitos políticos ainda hoje repetidos em outras primaveras. Vamos à aula, então, conhecer as primaveras inaugurais. Você viu nesta aula As revoluções do século XIX carregam influência dos ideais liberais e nacionalistas herdados da Revolução Francesa e dos ideais anarquistas e socialistas. Com a participação principalmente da burguesia, das classes médias urbanas e dos operários, elas podem ser associadas ao processo de industrialização e crescimento das cidades no século XIX, bem como à situação de penúria do proletariado. Essas revoluções colaboram para a derrocada das monarquias absolutistas europeias e dos grupos que as sustentavam: a nobreza e o clero. O século revolucionário começa na França em 1830, com a luta contra a monarquia absolutista restaurada de Carlos X. Esse movimento ficou conhecido como Segunda Revolução Francesa e resultou na implantação de uma monarquia parlamentar de caráter liberal, à frente da qual estava o rei Luís Felipe de Orleans. Em 1848 uma nova revolução, dessa vez de caráter republicano, derruba Luís Felipe. Esse movimento contou com importante participação popular, influenciada pelas ideologias socialista e anarquista. A difusão dos ideais revolucionários pela Europa e América estimulou a explosão de um conjunto de lutas e reivindicações genericamente conhecidas como Primavera dos Povos. Seus efeitos puderam ser sentidos até mesmo no Brasil, manifestadamente na Revolução Praieira (1848-1850), em Pernambuco. Os clamores por mudanças sociais radicais vindos de grupos e movimentos políticos populares desencadeiam uma “reação burguesa”, manifestada na forma de uma repressão violenta, o que demonstra as contradições e conflitos da nova república francesa e, de forma exemplar, da própria sociedade e política contemporâneas. Representando a reação burguesa e conservadora, Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão, sobe ao poder na França como Napoleão III, inaugurando o Segundo Império e contendo o movimento revolucionário. De caráter nacionalista, burguês e expansionista, este governo busca recuperar o posto de potência europeia que o país ocupara no início do século, durante a era napoleônica. O traçado das ruas, os monumentos e o formato da Paris reformada sob o Império atestam o caráter nacionalista e burguês da nova forma de governo e da sociedade projetados por Napoleão III. Os fracassos militares levaram à deposição do imperador em 1871 e a uma situação de crise cuja consequência mais importante é o início de um novo movimento revolucionário na França, denominado Comuna de Paris. Apesar de sua curta duração, a Comuna de Paris é considerada a primeira experiência de governo popular; esse breve governo realizou reformas sociais radicais, claramente influenciadas pelos pensamentos anarquista e socialista. A dura repressão aos denominados comunardos finda no continente europeu o século das revoluções e as tentativas de mudança social radical, permitindo a consolidação de regimes liberais moderados sob a forma de monarquias constitucionais e repúblicas. América Pré-colombiana e conquista espanhola A espada e a cruz chegam à América No início da Idade Moderna, os primeiros conquistadores europeus chegam à América, onde viviam mais de 100 milhões de pessoas com os mais diversos costumes, línguas e tradições. Dentro desta variada América indígena, destacaram-se civilizações como a dos maias, astecas e incas, capazes de erguer cidades, formar impérios, produzir impressionantes avanços científicos e construir maravilhas arquitetônicas e artísticas. Em nome dos reis europeus, da fé cristã e dos interesses mercantis, Hernán Cortés (1485-1547) e Francisco Pizarro (1478-1541) vão liderar a conquista do continente e o massacre de suas populações, promovendo um verdadeiro genocídio americano. Todo encontro tem dois lados: para os primeiros europeus na América, os indígenas e suas cidades causavam assombro, seja pela riqueza, seja por hábitos como o de fazer sacrifícios humanos. Já para os indígenas, assustadores eram os europeus, com seus cavalos, suas armas de fogo e a sede de ouro e guerra. Essa história de guerras, destruição e doenças é também o início da história do continente que conhecemos hoje como América: índia e europeia, mestiça e múltipla. Muito mais do que ruínas, estes povos conquistados e conquistadores construíram nossas fundações. Vamos saber um pouco mais sobre encontro e suas implicações nos vídeos a seguir. Você viu nesta aula Denominamos pré-colombiana a história dos povos indígenas que habitavam o continente americano antes da conquista pelos europeus. Na história do continente americano destacam-se as grandes civilizações maia e asteca, na América Central ou Mesoamérica, e inca, na região andina da América do Sul. Durante séculos essas civilizações foram consideradas selvagens, primitivas ou bárbaras pelos europeus, pois não compartilhavam dos mesmos valores e cultura dos conquistadores. Essa visão é decorrente de um olhar eurocêntrico, ou seja, baseado em parâmetros culturais europeus. As civilizações pré-colombianas foram capazes de construir grandes cidades e obras e dominavam conhecimentos em áreas como matemática, engenharia, astronomia e medicina, conforme atestam os vestígiose ruínas por elas deixados. Politicamente, essas civilizações organizaram Estados, como as cidades-Estado maias e os impérios asteca e inca, dotados de burocracia organizada, legislações e exércitos. Nesses Estados, os governantes eram associados às divindades, que legitimavam sua autoridade – ou seja, tratava-se de uma teocracia. Essas sociedades pré-colombianas eram estratificadas, havendo nelas pouquíssima mobilidade social. No topo estava a nobreza, ou aristocracia, composta por sacerdotes e guerreiros, que governava comerciantes, artesãos e camponeses. A economia baseava-se principalmente na agricultura de produtos diversos, como batata e milho, e eram conhecidas avançadas técnicas de plantio e irrigação, como terraços e aquedutos. A conquista do continente foi liderada pelos espanhóis Hernán Cortés e Francisco Pizarro. Contribuíram para a conquista a tecnologia militar europeia, como a pólvora e os cavalos, as divisões e os conflitos entre os povos indígenas – que muitas vezes se aliaram aos espanhóis –, e as doenças trazidas da Europa, contra as quais os indígenas não possuíam resistência. A conquista teve por resultado milhões de mortes, caracterizando um verdadeiro genocídio. O objetivo da conquista era, no campo material, a obtenção de metais preciosos de interesse da Espanha mercantilista, e, no campo cultural, a expansão da fé cristã dentro da lógica cruzadista do século XVI. No encontro entre as culturas, uma e outra reagiram ao diferente de maneira diversa: europeus encaravam os indígenas com assombro, desprezo e desejo de lhes impor sua cultura e religião; os indígenas, no contato com os europeus, manifestaram espanto, tendência à assimilação e, ao mesmo tempo, resistência. Reforma e Contrarreforma O contexto da Reforma Religiosa A discussão religiosa ocupava corações e mentes na Europa da Idade Moderna. Na Idade Média, a Igreja enfrentara diversas críticas, mas até então conseguia sufocar ou absorver movimentos dissidentes. Uma das grandes novidades da Idade Moderna foi que alguns desses críticos conseguiram romper com a Igreja e criar novas interpretações do cristianismo. O que mudou na Idade Moderna que favoreceu a crítica? É o que veremos no vídeo a seguir. A Reforma Religiosa Apesar de a maioria dos muçulmanos defender a tolerância religiosa, o grupo Estado Islâmico, atuante no Iraque, obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao Islamismo. Em sua intolerância religiosa, matam e torturam aqueles que se recusam à conversão. O estudo da Reforma Religiosa nos possibilita refletir sobre o quanto a tolerância religiosa, tão desejada na democracia contemporânea, é difícil de ser alcançada e preservada. Na Idade Moderna, as guerras de religião levaram à morte milhares de pessoas. Embora atribuíssem a si mesmas motivações de fundo religioso, essas guerras envolviam diversas disputas políticas e interesses econômicos. Cada uma das partes implicadas se dizia a única portadora da maneira correta de se acreditar em Deus. América inglesa no período colonial As Treze Colônias e a busca por liberdade Fugindo das perseguições religiosas na Europa, calvinistas britânicos aportaram no norte da América dispostos a formar uma nova sociedade pautada na valorização do trabalho e na retidão moral, em que a prosperidade da comunidade e do indivíduo seriam o reflexo da predestinação divina. Ao conciliar busca por liberdade, esforço individual e autonomia em relação à Metrópole – e mais a crença no brilho do próprio destino –, essa comunidade acabou por contribuir para a construção de uma das nações mais poderosas do planeta: os Estados Unidos da América. Celebrações calvinistas e, sobretudo, assembleias de governo próprias refletiam uma sociedade distinta das demais assentadas na América colonial. Nos dois vídeos a seguir, vamos compreender melhor como se deu esse processo. Você viu nesta aula A formação das Treze Colônias britânicas na América refletia a expansão econômica da Inglaterra associada às práticas mercantilistas, que cobrava dos ingleses a ampliação de suas exportações e a obtenção de produtos tropicais. Essa expansão econômica incentivou a colonização da América do Norte, ainda, na medida em que os cercamentos, associados ao desenvolvimento das manufaturas na Metrópole, faziam com que camponeses perdessem o acesso à terra e migrassem para as colônias. A colonização britânica possuiu um forte caráter calvinista. Puritanos e quakers viam na migração para a América uma forma de fugir das perseguições religiosas. Seguidores da religiosidade de João Calvino, acreditavam na Predestinação Absoluta, e, dessa forma, a ida para as Treze Colônias representaria o reflexo dos desígnios divinos sobre os puritanos, escolhidos não apenas para a salvação, mas também para a colonização. Os valores morais calvinistas marcaram a mentalidade dessa nova sociedade colonial. Para os puritanos, o bom cristão era aquele que vivia em função de realizar a obra divina em Terra, ou seja, de desempenhar assiduamente seu trabalho, possuir uma sólida retidão moral e louvar a Deus. A prosperidade material era considerada reflexo da bênção divina. Outra especificidade das Treze Colônias inglesas é a presença de um conjunto de características socioeconômicas que diferenciavam as colônias do Norte em relação às do Sul. As colônias do Sul baseavam-se na plantation, ou seja, no latifúndio monocultor voltado para a exportação e mantido pelo trabalho escravo. Nelas produziam-se principalmente tabaco e algodão. Nas colônias do Norte, por sua vez, predominava o povoamento puritano, em que se formaram pequenas propriedades agrárias baseadas na mão de obra livre e na produção de manufaturas voltadas sobretudo para o mercado interno. A Inglaterra foi marcadamente negligente em relação a suas colônias do Norte, uma vez que não eram atraentes do ponto de vista econômico. Com isso, formaram-se sem dificuldade, nessas colônias, instituições de administração controladas pelos próprios colonos, o self-government, único no mundo colonial. Essas instituições portavam um ideal de autonomia que estaria presente, futuramente, nas lutas pela independência. As colônias do Norte e do Sul, de forma autônoma em relação à Metrópole, inseriam-se nas ricas rotas mercantis, participando do chamado comércio triangular, entre América, Europa e África. Unificações europeias Aula 1: Unificações europeias O nacionalismo se alista para a guerra No século XIX, a ideia de que cada povo deveria se governar de forma independente era revolucionária e se espalhava pela Europa como um rastilho de pólvora. Italianos e alemães lutaram por suas unificações contra austríacos, franceses, o Papado e demais países que temiam a força desses novos países. Internamente aos dois países em formação, forças opostas disputavam a liderança do movimento: na Itália, monarquistas do norte contra republicanos do sul; na Alemanha, a aristocracia e a burguesia prussianas contra a resto. Dessas lutas emergem novos impérios e as questões e revanchismos que levarão às grandes guerras do século XX. Na caricatura francesa, o Kaiser Wilhelm II é retratado devorando o mundo em uma sátira às pretensões imperialistas do novo estado germânico. Continue conosco e saiba mais sobre o processo de formação da Itália e da Alemanha. Você viu nesta aula: A Itália e a Alemanha não existiam enquanto Estados-nação até a segunda metade do século XIX. Seus territórios estavam divididos segundo as determinações do Congresso de Viena em vários pequenos Estados independentes sob influência de potências estrangeiras. Influenciada por movimentos nacionalistas de diversos matizes, como a Primavera dos Povos (1848), setores das sociedades italiana e alemã passaram a reivindicar a unificação e o direito ao autogoverno nacional. Na Itália, dois movimentos se destacaram: no sul, os camisa rossa, liderados por Giuseppe Garibaldi, de caráter popular e republicano; e no norte, o Risorgimento, de caráter monarquista,liberal moderado e burguês, comandado pelo conde Cavour e pelo rei do Piemonte-Sardenha, Vítor Emanuel II. As guerras de unificação italianas contra a Áustria terminam de forma inconclusiva, com territórios considerados italianos ainda sob controle austríaco. A rivalidade entre os dois países é uma das causas para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. A anexação de Roma ao nascente Estado italiano cria um confronto com o Papado, que não reconhece a legitimidade da monarquia italiana. O episódio é conhecido como Questão Romana. O processo de modernização e industrialização da economia italiana, liderado pela burguesia do norte do país, após a unificação não atende aos interesses das camadas populares, que, marginalizadas economicamente, migram para países como Estados Unidos e Brasil. Na Alemanha destaca-se na luta pela unificação o papel da aristocracia e da burguesia da região da Prússia, comandadas pelo chanceler Otto von Bismarck. Na unificação da Alemanha, o Zollverein, união alfandegária dos Estados alemães, teve papel fundamental na criação da unidade econômica do novo Estado. As lutas de unificação alemãs provocaram um conjunto de guerras e conflitos, dentre os quais se destacam a Guerra dos Dois Ducados contra a Dinamarca, as sete semanas de conflito contra a Áustria e a Guerra Franco-Prussiana contra a França. A derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana e a cessão dos territórios da Alsácia e Lorena para os alemães formam a base do sentimento e movimento revanchista francês. A unificação alemã tem como consequência a impressionante industrialização dos país, que se transformou em uma nova potência e desequilibrou as relações de poder na Europa central. O desequilíbrio europeu, as disputas imperialistas motivadas por interesses econômicos e os revanchismos herdados do século XIX estão diretamente relacionados à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Segunda Guerra Mundial A Segunda Guerra Mundial A Segunda Guerra Mundial foi a maior de todas as guerras. Esse conflito promoveu uma destruição material e massacres humanos sem precedentes. Tropas russas marcham em meio às ruínas da cidade de Kiev, após reconquistá-la do controle alemão, em 1943. Quais são as causas dessa guerra? Como ela se desenrolou? Quais seus impactos no futuro da humanidade? Nesta aula, vamos estudar este que foi um dos acontecimentos mais importantes do século XX. Você viu nesta aula A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade. Seguem os episódios que a antecederam e foram responsáveis pelo seu estopim: A ascensão do nazismo acarretou um enorme desequilíbrio na Europa, principalmente devido à sua política de rearmamento e expansão (anexação da Áustria e Sudetos em 1938). Na Ásia, as disputas imperialistas entre Japão e Estados Unidos também se acirraram, principalmente a partir do prolongamento e da expansão da guerra entre Japão e China. Na Espanha ocorreu a maior crise que antecedeu a Segunda Guerra Mundial: a Guerra Civil Espanhola, que opôs o governo republicano de esquerda contra a oposição nacionalista, de inspiração fascista e comandada pelo general Francisco Franco. O ataque aéreo à cidade de Guernica foi um dos maiores massacres da guerra, episódio imortalizado na tela do pintor espanhol Pablo Picasso. Em 1939, as reivindicações territoriais alemãs sobre a Polônia desagradaram a França e a Inglaterra e desencadearam a Segunda Guerra Mundial. No início da Guerra, a Alemanha obteve impressionantes vitórias, ocupando a França (1940) e invadindo a União Soviética (1941). O ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, levou a guerra para todo o mundo. No final de 1941 estavam consolidadas as alianças inimigas: Eixo (Alemanha, Itália e Japão) de um lado e Aliados (Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética) de outro. A grande mobilização industrial e humana entre os Aliados acabou fazendo a diferença, e a guerra mudou de direção a partir de 1942; um marco dessa verdadeira “virada” foi a vitória soviética contra os alemães na batalha de Stalingrado. Nos momentos finais da guerra, aliados avançavam em direção ao coração da Alemanha e ao arquipélago japonês. O Dia D, desembarque anglo-americano na Normandia (região do norte da França ocupada pelos alemães), foi um importante episódio da reconquista europeia. Durante o avanço dos Aliados por todo o continente, os campos de concentração e extermínio foram abertos. Foram constantes os ataques aéreos devastadores sobre os territórios do Eixo, destruindo cidades e centros industriais. O ponto culminante dessa política de destruição foi o ataque nuclear às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, que precipitou a rendição japonesa. Roma Antiga Todos os caminhos ainda levam a Roma? Foto de turistas visitando o Panteão (templo dedicado aos deuses) de Roma. Construído em 27 a.C., foi destruído por um incêndio em 80 d.C. e reconstruído em 125. E. H. Gombrich (1909-2001) é um dos mais famosos historiadores da arte de nosso tempo. Seu livro, A História da Arte, é lido em todo o mundo. Sobre a Roma Antiga ele escreveu: “Sentimo-nos formigas quando caminhamos em Roma entre seus enormes pilares. Foram essas ruínas, de fato, que tornaram impossível às gerações seguintes esquecer a grandeza de Roma [...]” (GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981). No vídeo a seguir, vamos estudar as origens da Roma antiga e abordar os principais fatores que contribuíram para o esplendor da civilização romana. Você viu no Vídeo 1 As origens da Roma antiga estão ligadas ao contato com outras culturas, como a etrusca e a helênica (grega). A primeira forma de governo da cidade de Roma foi a Monarquia. Os reis de origem patrícia (aristocracia) eram a elite dominante que submetia os plebeus, pequenos proprietários de terra. Os reis patrícios foram sobrepujados pela invasão dos etruscos, cujos reis adotavam regimes fortemente centralizados. A elite patrícia, com o apoio dos plebeus, depõe o último dos reis etruscos e cria a República romana. A República caracterizou-se por retirar o poder das mãos do monarca e dá-lo ao Senado romano. Ideia de res publica, em que os homens se reúnem no senado para discutir os assuntos públicos, o que é de todos. O espírito público, o interesse da sociedade romana, estaria acima de todos os outros. Participação plebeia na república: os senadores romanos eram todos patrícios, enquanto os plebeus estavam completamente marginalizados da vida pública. Estes exigiam maior participação política, e essa reivindicação gerou constantes lutas sociais. Com essas lutas os plebeus conquistam vários direitos, como o fim da escravidão por dívidas, a criação de leis escritas (Leis das XII Tábulas), o cargo de tribuno da plebe (representante dos plebeus junto ao Senado romano), entre outros; passaram, ainda, a ser considerados cidadãos – porém de segunda classe, já que o controle político jamais saiu das mãos dos patrícios. Forma-se uma verdadeira elite plebeia, em que poucos são favorecidos por essas conquistas. Vitórias militares durante a República: a primeira das guerras foram as Guerras Púnicas, em que Roma vence Cartago na busca pelo controle do Mediterrâneo. Essa vitória dá inicio a uma política imperialista romana por toda a bacia do Mediterrâneo. Entre as repercussões dessa conquista, podemos citar o aumento da importância do exército enquanto instituição, o grande volume de riqueza que passa a entrar na cidade, o aumento significativo do número de escravos e o aparecimento do latifúndio (grandes propriedades cultivadas por mão de obra escrava). A configuração desses latifúndios cria uma tensão com os plebeus. Muitos plebeus empobrecidos acabam abandonando suas terras e migrando para a cidade. Com a sua marginalização, aumentam novamente as tensões sociais. Como forma de reverter esse quadro, os irmãos Tibério Graco e Caio Graco propõem uma reforma agrária em Roma, para que a classe plebeia pudesse voltarpara o campo. A elite patrícia opõe-se fortemente ao projeto. As tensões sociais geram uma crise no regime republicano. Há pressões dos generais do exército sobre o Senado, dos plebeus sobre os patrícios, dos escravos sobre os homens livres. Em pouco tempo, a República dará lugar ao Império. As modificações geradas pelas conquistas militares descritas acima vão produzir mudanças no regime político, como a submissão do Senado ao imperador e a concentração do poder em suas mãos. Roma e o Império É chamado de universal aquilo que pertence ao cosmo, algo que, de alguma forma, serve para todos os homens, é comum aos seres humanos. Era assim que a Roma antiga, no seu apogeu, gostava de ser vista. Ela desejava ser a capital do Universo. Nas palavras de um famoso escritor romano, chamado Virgílio: “Tu, romano, lembra-te de que nasceste para impor tuas leis ao Universo.” Em seu apogeu, a arte romana reunia elementos de diversas partes do mundo. O imperador Adriano, por exemplo, construiu uma vila cheia de jardins em Tivoli e ordenou que ela fosse decorada com monumentos que o fizessem lembrar de suas viagens ao Egito e à Grécia. No vídeo a seguir, tratamos do apogeu e do declínio da Roma antiga. Vamos a ele. Você viu no Vídeo 2 O Império caracteriza-se pela grande concentração de poderes nas mãos do imperador. Apesar de perder o poder, o Senado continuou sendo uma referência para a cidade de Roma. O Império é dividido em duas fases: Alto Império e Baixo Império. Alto Império: corresponde ao período de apogeu, quando o volume de conquistas militares alcança o seu ápice. Uma das marcas do poder do imperador é a sua associação com o exército. Ele é um general que comanda as tropas e a cidade romana. Ele é Augusto, divino. Nesse período, o Estado dispunha também de muitas riquezas, o que permitiu o investimento em obras públicas como aquedutos e estradas. Essas obras são símbolos visíveis do poder de Roma, e formas de seduzir a população dominada por suas tropas. A política do “Pão e Circo” foi um dos elementos centrais do Alto Império. O Estado oferecia mantimentos e diversão à chamada plebe romana. Essa política buscava atrair a plebe para o Estado, deixá-la satisfeita e envolvida com o Império. Tratava-se de uma forma de resolver o problema da plebe sem alterar os privilégios da elite patrícia. Baixo Império: corresponde ao período de crise, da queda de Roma e marcou a transição da Idade Antiga para a Idade Média. Essa crise está associada à escassez de mão de obra – a chamada crise do escravismo. Com o fim das conquistas militares, há uma queda significativa do número de escravos – e vale lembrar que todo o sistema produtivo romano estava calcado na mão de obra escrava. Durante três séculos, o número de escravos vinha caindo, e seu preço, consequentemente, vinha aumentando. Uma vez que a produção estava baseada na produtividade dos escravos, com a sua progressiva escassez a produção diminui, gerando também o aumento dos preços dos produtos (inflação). Da crise do escravismo, advém a crise na produção. Evidentemente, produzindo-se menos, arrecadam-se menos impostos. Essa instabilidade na produção trouxe dentro dela uma crise no próprio Estado. Um Estado com menos recursos para manter o exército, que progressivamente se enfraquece. Esse exército enfraquecido favorece invasões estrangeiras, que os romanos denominaram de invasões bárbaras (povos que não falavam o latim). Essas invasões contribuem decisivamente para a deterioração do Império. Em 476 d.C., a cidade de Roma é dominada pelos bárbaros, e nos estudos históricos esse momento é considerado o do fim do Império Romano do Ocidente. Vale destacar, todavia, que na parte oriental do Império as invasões e a crise econômica não foram fortes o suficiente para derrubá-lo. A parte oriental sobreviveu à Idade Média com o nome de Império Bizantino ou Império do Oriente. Em meio à crise, ganhava espaço o cristianismo. Surgido no Alto Império, os cristãos eram, em princípio, perseguidos pelos imperadores, com o argumento de que se recusavam a divinizar o imperador. No Baixo Império, o cristianismo ganha corpo. Com a assinatura do Édito de Milão, pelo imperador Constantino, foi estabelecida a liberdade de culto, o que favoreceu a propagação da religião cristã. No final do século IV, com o imperador Teodósio, o cristianismo tornou-se a religiosidade oficial, por meio do Édito de Tessalônica. A partir de então os perseguidos passam a ser os não cristãos. No século V, enquanto desmorona o Império, o cristianismo sobrevive e se consolida como elemento vital da sociedade onde a Igreja está nascendo. Considera-se que a Idade Média tem início nesse momento. Revolução Francesa Aula 1: Revolução Francesa: significado e antecedentes É Revolução que não acaba mais Não é de hoje que vamos às ruas gritar por liberdade, igualdade e fraternidade. Desde o triunfo da Revolução Francesa, há mais de duzentos anos, o fazemos em nome das mais diversas causas, em busca dos mais diversos direitos. Há os que lutam contra governos opressores e ditaduras, os que querem o fim dos preconceitos e desigualdades, os que exigem direitos, os que inventam direitos novos. Sempre há uma liberdade ou igualdade nova a ser conquistada. No início de 2015, cartunistas do periódico Charlie Hebdo foram assassinados por fundamentalistas islâmicos, por terem satirizado o profeta Maomé. Na França e em todo o mundo, multidões foram às ruas protestar pelo direito à liberdade de pensamento e à vida. Saiba mais sobre a Revolução Francesa. Continue conosco. Você viu nesta aula A Revolução Francesa é considerada o marco simbólico para o início da Idade Contemporânea – o nosso período histórico atual. A atualidade da Revolução Francesa está relacionada principalmente aos valores e ideais por ela representados, como a luta por liberdade política e de pensamento, a igualdade de direitos e condições, a democracia e o republicanismo. Esses valores e ideais compõem o chamado pensamento iluminista e liberal, fundado na valorização da razão e das liberdades individuais. Do século XVIII ao XXI, diversos movimentos sociais, no Brasil e no mundo, exemplificam a permanência dos valores da Revolução Francesa, como a Primavera dos Povos, o movimento negro, o feminismo, o movimento pelos direitos dos homossexuais, as Diretas Já, movimentos por liberdade de expressão. Propondo uma nova ordem social e política, os revolucionários opunham-se ao chamado Antigo Regime, caracterizado pela monarquia absolutista de direito divino e pela sociedade estamental, com privilégios definidos pelo nascimento e tradição. Contra a monarquia de direito divino, os revolucionários propunham formas de governo representativas da vontade geral da nação e baseadas no direito à cidadania e participação. O clero e a nobreza compunham, respectivamente, o Primeiro e o Segundo Estado, dotados de privilégios como o de não pagar impostos e o de ocupar cargos na corte. O Terceiro Estado era composto por alta burguesia, classes médias, trabalhadores urbanos e camponeses destituídos de poder político. Grande parte dos camponeses franceses ainda vivia em regime de servidão. Para estes, a revolução representou o fim de formas de exploração de origem feudal. Aula 2: Os projetos, grupos e etapas da Revolução Francesa Liberdade, Igualdade, baionetas e guilhotinas. Burguesa ou popular? Jacobina ou girondina? Urbana ou camponesa? Existiram várias Revoluções Francesas, que em comum tinham o mesmo inimigo: o Antigo Regime. E só. Afinal, de resto, os rumos da revolução foram disputados por partidos e grupos políticos com visões bastante diferentes sobre o que significa liberdade, igualdade e fraternidade. Ao longo de dez anos bastante agitados, a monarquia, a nobreza, a Igreja e seus símbolos foram atacados por declarações de direitos, constituições, lanças e guilhotinas. Diversa e contraditória, nascia a Revolução Francesa e, com ela, a Idade Contemporânea. As furiosas sans-culottescom suas lanças e gorros vermelhos são exemplo e símbolo do radicalismo revolucionário e da participação popular na Revolução Francesa. Nos vídeos a seguir, vamos conhecer as características dessa revolução. Você viu nesta aula A Revolução Francesa é um fenômeno sujeito a múltiplas interpretações. Pode-se considerá-la várias revoluções em uma só. Os principais grupos sociais a participar da revolução são a alta burguesia, representada principalmente pelo partido girondino, e a baixa burguesia e camadas populares, que se agruparam ao redor do partido jacobino. Apesar de coincidirem na oposição ao Antigo Regime, à monarquia absolutista e à sociedade estamental e de privilégios, os girondinos, à direita, e os jacobinos, à esquerda, tinham projetos e ideais diferentes e disputaram o controle da Revolução e do Estado francês. Os girondinos defendiam o voto censitário, a igualdade de direitos – como à liberdade política e à propriedade –, e a meritocracia. Já os jacobinos defendiam o voto universal masculino e reformas sociais com o objetivo de criar uma sociedade mais igualitária. Destacam-se entre as bandeiras jacobinas: reforma agrária, ensino público, abolição da escravidão nas colônias e tabelamento de preços. A Revolução foi precedida por uma grave crise econômica, associada a guerras contra a Inglaterra, más colheitas e gastos excessivos da monarquia. O fracasso da Assembleia dos Estados Gerais, convocada por Luís XVI em 1789 para resolver a crise econômica, é considerado o estopim da revolução. No chamado Juramento do Salão de Jogos, os representantes do Terceiro Estado se comprometeram a criar para a França uma nova Constituição, que, inspirada nos ideais iluministas, limitaria os poderes do rei e transformaria as leis e o governo. Semanas depois, a tomada da fortaleza da Bastilha pelo povo de Paris representa o grande marco da revolução no campo simbólico. Mais que uma fortaleza, a Bastilha era a expressão visível da tradição, tirania e opressão do Antigo Regime. Entre 1792 e 1794, a Revolução se radicaliza sob a liderança dos jacobinos, o que ficou conhecido como o período do Terror, marcado pela perseguição e execução daqueles que eram considerados contrarrevolucionários. O próprio monarca Luís XVI, que se recusara a aceitar o novo governo, acaba sendo guilhotinado em praça publica. Expansão marítima europeia Aula: O pioneirismo português nas grandes navegações O povo português também nasceu mestiço Castelo de São Miguel, na cidade de Guimarães, em Portugal, onde residiu D. Afonso Henriques, primeiro rei português e fundador do Estado Nacional. Portugal foi o primeiro Estado Nacional da chamada Era Moderna, e esse pioneirismo tem consideráveis implicações históricas, em nível global. Afinal, é um dos fatores que explicam por que os portugueses foram pioneiros também na aventura de se lançar ao Atlântico e enfrentar o desafio da sobrevivência nos oceanos. Nos séculos XV e XVI, um senhor feudal não teria as condições necessárias para se envolver em uma empresa dessa grandeza. Já um rei tinha. Afinal, o rei era o símbolo maior do Estado, que, por sua vez, é a instituição social que detém o poder de governar um ou mais povos que compõem uma Nação, instalada dentro de um território demarcado. Então, antes de haver um Estado Nacional, é preciso que haja um povo que se identifica como tal. Na formação do povo lusitano, celtas, visigodos, latinos e árabes se misturaram durante séculos de convivência e guerras. Entre a Guerra de Independência contra Castela (1140) e a Revolução de Avis (1383-1385), incentivada pela burguesia mercantil, formaram-se o reino e uma cultura mestiça. E foram esses lusos que voltaram a se misturar com outros povos da América e África no processo de formação do que viria a ser o Brasil. No vídeo a seguir, mais sobre a formação e consolidação do Reino de Portugal. Você viu no Vídeo 1 Com o declínio do Império Romano, a Península Ibérica foi invadida por povos considerados bárbaros, como os visigodos, durante o século V. No século VIII, a península foi dominada pelos árabes muçulmanos que se expandiram pelo norte da África e atravessaram o estreito de Gibraltar. Durante a Guerra de Reconquista, Castela aliou-se a Borgonha, dando origem à dinastia do Condado de Portucale. D. Afonso I de Borgonha liderou a Guerra de Independência (1140) contra os castelhanos e se proclamou rei de Portugal em 1143. Os reis seguintes, seus descendentes, conquistaram os territórios até o sul, na região do Algarve, configurando os limites do reino lusitano. Entre 1383 e 1385, diante de nova ameaça castelhana, a Revolução de Avis selou a aliança entre o Mestre de Avis, d. João, a burguesia mercantil e o povo (“arraia-miúda”), fechando o processo de centralização da monarquia portuguesa. “Navegar é preciso, viver não é preciso”, já sabiam os portugueses Caravelas portuguesas do século XVI e a sonda espacial Mariner 10, lançada pela NASA em 1973. Observe esses aparatos criados pelo homem em momentos históricos bem distintos. O que têm em comum? Criatividade, ciência, tecnologia, e também o objetivo: servir ao desbravamento de mundos desconhecidos, transportar o homem (ainda que virtualmente, no caso da sonda) até aonde ele ainda não esteve – ou supostamente não esteve. Esses revolucionários meios de navegação têm, ainda, outro ponto comum: ambos contam com o financiamento empresarial e a ação do Estado para existirem e realizarem as expedições a que se destinam. Na Era Moderna, os financiadores eram as classes mercantis aliadas ao rei; na fase contemporânea, são as grandes empresas capitalistas aliadas aos Estados que encabeçam as maiores potências econômicas. Assista ao vídeo a seguir e saiba mais sobre as grandes navegações. Você viu no Vídeo 2 Fatores fundamentais para a expansão marítima europeia: ascensão econômica da burguesia mercantil. busca por domínio do comércio das especiarias orientais. centralização dos Estados nacionais monárquicos. O pioneirismo português explica-se, além desses fatores, por sua posição geográfica favorável e pelo apoio da Igreja Católica. Entre as consequências das grandes navegações, cabe destacar: os descobrimentos de rotas marítimas e de novas terras, a partir de então colonizadas por europeus. o eixo mundial de comércio passou do Mediterrâneo para o Atlântico. a prática de princípios econômicos mercantilistas. o desenvolvimento científico e tecnológico. Expedições marítimas marcantes nas grandes navegações dos séculos XV – XVI: 1415: conquista de Ceuta pelo rei d. João I de Avis. 1487: passagem do Cabo das Tormentas (Boa Esperança) por Bartolomeu Dias. 1492: chegada de Cristóvão Colombo à América. 1498: chegada de Vasco da Gama a Calicute, na Índia. 1500: descobrimento de Vera Cruz (Brasil) por Pedro Álvares Cabral. 1519: primeira circunavegação da Terra por Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano. Ditadura militar no Brasil Aula 1: A ditadura militar e o “milagre brasileiro” Golpe, revolução ou regime militar? O grupo militar que se apossou do poder no Brasil, em 1964, com amplo apoio das elites dominantes e de setores médios da população, apressou-se em afirmar que se estava instaurando uma “nova ordem”. Alegava-se que era preciso limpar o Estado dos vícios populistas e dos programas nacionalistas e, ao mesmo tempo, responder aos anseios de mudança. Assim, o país entrou na era dos Atos Institucionais, dos quais o AI-5 viria a despontar como o mais importante. Todos os partidos antigos foram banidos, e em 1967 uma Constituição foi promulgada sem Constituinte. A sociedade, como organismo vivo que é, buscou reagir e foi violentamente reprimida pelos aparatos policiais e militares, que calaram os oposicionistas. O slogan “Brasil: ame-o ou deixe-o”: um claro recado do governo durante a ditadura militar àqueles que se opunham ao regime. O militares deram aos brasileiros apenas duas opções: “amar” o Brasil, ou deixá-lo. Osoposicionistas, por sua vez, buscaram maneiras de ficar e lutar contra esse estado de coisas. Continue conosco e saiba mais sobre esse conturbado período da história brasileira. Você viu nesta aula 1964-1985: Regime militar, o Ato Institucional nº 5 e o “milagre brasileiro” A Junta Militar e o AI-1 Cassações de mandatos políticos e suspensão de direitos constitucionais Eleição indireta para a Presidência da República Governo Castelo Branco (1964-1967) Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) Ato Institucional nº 2: antigos partidos proibidos Serviço Nacional de Informações (SNI) ➔ repressão Bipartidarismo: Aliança Renovadora Nacional (ARENA) - formada pela UDN e parte do PSD Movimento Democrático Brasileiro (MDB) - formado pelo PTB e parte do PSD Constituição de 1967: Promulgada pelo Congresso Nacional; caráter autoritário Governo Costa e Silva (1967-1969) Opositores: estudantes, padres, artistas (que se manifestavam em festivais musicais) Formação da Frente Ampla (1967): Jango, JK e Carlos Lacerda (exilados) AI-5: repressão (Operação Bandeirante / DOI-CODI¹) Guerrilhas de esquerda: Araguaia / luta armada urbana Governo Médici (1969-1974) 1º Plano Nacional de Desenvolvimento = “milagre brasileiro” “Segurança e Desenvolvimento” ➔ crescimento econômico Repressão e acumulação de capital Arrocho salarial e investimentos estrangeiros e estatais Problemas que resultaram na crise do milagre: Aceleração da inflação / descontrole da dívida externa Concentração de renda / desnacionalização da economia Aula 2: A crise do “milagre” e o fim do regime militar "Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil..." A intervenção dos militares na política nacional – que, segundo seus articuladores, não era para ter durado vinte anos – resultou no milagre econômico, em suas obras, em seus problemas. Na metade final do período, os governantes perderam popularidade, e além disso pressões externas vinham comprometendo a estabilidade do regime. Foi preciso relaxar a censura à imprensa, negociar com operários grevistas, anistiar presos e exilados e controlar o aparato de repressão. A cantora Elis Regina (1945-1982), intérprete da canção O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, uma das incontáveis letras que fazem referência à ditadura e seus desmandos. Mais concessões foram feitas: o AI-5 foi revogado, novos partidos puderam ser criados. Líderes populares chegaram a acreditar que seria possível convocar eleições para presidente e, quem sabe, também para uma Assembleia Constituinte. E puseram o povo nas ruas. Mas ainda não era para aqueles dias. O povo teria de esperar mais alguns anos para escolher seu presidente. Não era tão fácil apagar os "anos de chumbo". Continue assistindo a esta aula e saiba mais sobre a abertura política no Brasil. Você viu nesta aula 1964-1985: Regime militar, abertura política e o movimento Diretas Já Governo Geisel (1974-1979): “Abertura lenta, gradual e segura” Pressões internas: Dívida externa Inflação 1975: Assassinato do jornalista Vladimir Herzog 1978: Greves operárias no ABC paulista, das quais uma das lideranças era Luís Inácio da Silva (Lula) Pressões externas: Crise do petróleo de 1973 31/12/1978: revogação do Ato Institucional nº 5 Governo João Batista Figueiredo (1979-1985): Anistia e campanha das Diretas Já 1979: Lei da Anistia ➔ retorno do exílio e libertação de líderes oposicionistas / inclusão dos agentes dos aparatos ilegais de repressão Oposição radical de extrema direita: atentados a bombas / caso Riocentro Reforma partidária ARENA ➔ Partido Democrático Social (PDS) MDB ➔ Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) Partido Democrático Trabalhista (PDT) - Leonel Brizola Partido dos Trabalhadores (PT) – sindicalistas do ABC Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) 1982: eleições diretas para governadores estaduais ➔ vitória das oposições 1984: Campanha pelas Diretas Já (Emenda Dante de Oliveira por eleições presidenciais diretas) – rejeitada pelo Congresso Nacional 1985: Aliança democrática ➔ PMDB (Tancredo Neves) + Frente Liberal do PDS (José Sarney) tem vitória no Colégio Eleitoral contra Paulo Maluf (PDS) Estudo da História Aula: História no passado e no presente Estudar a História é essencialmente olhar o passado. Mas, nessa frase, a ênfase toda deve recair em “olhar”, e não em “passado”, pois, por mais que seja dirigido ao passado, esse olhar é um ato presente, feito por pessoas reais nos dias de hoje. Sendo assim, um estudo da História tem a capacidade de desvendar tanto o passado quanto o presente. No vídeo a seguir, mais considerações sobre a importância do conhecimento histórico. Em sentido horário: representação de Clio, que, na mitologia grega, é a musa inspiradora dos historiadores; busto dos historiadores Heródoto (484--425 a.C.) e Tucídides (460-400 a.C.); retrato dos historiadores Jules Michelet (1798-1874); Capistrano de Abreu (1853-1927), Johan Huizinga (1872-1945) e Nicolau Sevcenko (1952-2014). Você viu no Vídeo 1 O olhar sobre o passado é um ato presente. O conhecimento histórico contribui para a construção do futuro. Os documentos históricos nos aproximam do passado. São diversos os olhares Se a História dedica-se a olhar o passado, é de se supor que diversos olhares diferentes são possíveis, o que implica diferentes formas de enxergá-lo. Ou seja, há diversas interpretações possíveis sobre o passado, o que acaba por permitir a identificação de diversas formas de explicar a História. As meninas, uma das obras mais conhecidas do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660). Você viu no Vídeo 2 O historiador parte de um determinado ponto de vista para realizar o seu estudo. Neocolonialismo Imperialismo e neocolonialismo A civilização da indústria e do racismo No século XIX, movidos por interesses econômicos e pela crença na superioridade de sua civilização, europeus, estadunidenses e japoneses invadiram, dividiram e submeteram o planeta aos seus propósitos imperialistas. O mundo se integrava de forma extremamente desigual: para uns a riqueza, o avanço tecnológico e o progresso; para outros, a exploração e a revolta. As consequências dessa política marcaram o século XX e são sentidas até hoje: grandes guerras mundiais entre os impérios, difusão global da cultura ocidental, miséria e conflitos na ex-colônias. A “europeização” do mundo, ou imposição dos padrões culturais europeus, baseava-se na crença racista da superioridade do homem branco. Na imagem acima, de uma propaganda, a cor negra é “lavada” pelo sabonete Pears. Continue conosco e saiba mais sobre o decisivo papel do imperialismo e do neocolonialismo para a conformação do mundo que conhecemos hoje. Você viu nesta aula A expansão neocolonial e imperialista teve como principais protagonistas os países da Europa – notadamente Inglaterra e França –, os Estados Unidos da América e o Japão. Essas potências imperialistas dividiram grandes parcelas da África, Ásia e América Central em colônias e zonas de influência. O acúmulo de capital por grandes empresas e bancos, que definiu o período do chamado capitalismo financeiro ou monopolista, possibilitou os investimentos na exploração de colônias e zonas de influência. O fenômeno imperialista e neocolonial está associado à Segunda Revolução Industrial e seus avanços tecnológicos, que cobravam matérias-primas como ferro e petróleo, mercados consumidores e o desenvolvimento de meios de transporte, como trens e navios, que possibilitassem a exploração das áreas mais remotas. A colonização de territórios além-mar estava relacionada também à necessidade de escoamento populacional, principalmente por parte dos países europeus. A ação imperialista e neocolonial era justificada por um conjunto de teorias que defendiam a superioridade da raça,sociedade e cultura dos colonizadores sobre os colonizados e a necessidade de imposição dessa superioridade para o progresso das populações submissas. A isso denominava-se missão civilizadora. Dentre as teorias de superioridade dos colonizadores usadas para justificar a dominação de territórios, destacam-se o darwinismo social, que defendia a superioridade da raça europeia, e a Doutrina Monroe, que colocava os EUA na posição de defensor da liberdade nas Américas. O neocolonialismo do século XIX se diferencia do colonialismo do século XVI, associado à busca de metais preciosos, especiarias e produtos tropicais. Diversas revoltas contra a ação imperialista atestam a resistência e insubordinação dos povos conquistados, como a Revolta dos Boxers na China e dos Sipaios na Índia. A disputa por recursos e territórios levou as nações europeias à escalada de conflitos e à corrida armamentista que serviram de base para a construção do cenário da Primeira Guerra Mundial. Como heranças do neocolonialismo, podemos destacar a miséria dos países colonizados – cuja economia foi moldada para atender a interesses externos –, e a permanência de conflitos étnicos e políticos muitas vezes associados a fronteiras e formações estatais criadas pelos colonizadores sem levar em consideração interesses e características das populações locais. Brasil Pré-Colonial Por que Portugal não se interessou pela América? Será que se os primeiros lusitanos a pisar terras da América tivessem se deparado com pirâmides incas, maias ou astecas transbordando ouro, prata e diamantes, nós teríamos tido um período pré-colonial na nossa história? É presumível que não. Os povos encontrados nesta Terra de Santa Cruz estavam em estágios de desenvolvimento bem diferentes em comparação aos das civilizações mais ricas das terras vizinhas. Além disso, aos comerciantes portugueses aliados do rei d. Manuel I ofereciam-se outras alternativas de lucros a princípio mais interessantes do que as encontradas, à primeira vista, no Brasil: num primeiro plano, a Índia, rico entreposto das especiarias orientais, e, em segundo, a costa africana, onde os portugueses dominavam empórios de escravos também extremamente lucrativos. O pau-brasil (Caesalpinia echinata) chamou a atenção dos comerciantes portugueses como potencial fonte de lucros. No entanto, um produto da terra americana atraiu a atenção desses comerciantes: esse produto era uma árvore, batizada por eles de pau-brasil. E havia ainda outro forte argumento a favor da colonização desta terra: como franceses e espanhóis também haviam aportado aqui, Portugal corria o risco de perder este território caso não o ocupasse. Veja mais sobre esse dilema português no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 O Mercantilismo foi um conjunto de práticas econômicas dos Estados europeus a partir do século XV que constituiu as bases do chamado Capitalismo Comercial, predominante até a Revolução Industrial. Dentre elas destacam-se: Intervenção do Estado direcionada para o protecionismo do setor mercantil. Monopólio comercial, chamado em Portugal de comércio “exclusivo”. Princípio da balança comercial favorável na relação exportações-importações. Pactos coloniais: dominação e exploração das metrópoles sobre suas colônias. Acumulação de capitais nas metrópoles europeias (metalismo). O Pré-Colonial (1500-1530): Opções portuguesas: Ásia (especiarias), África (escravos) e América (pau-brasil). Expedições militares de reconhecimento e patrulhamento contra corsários. Extrativismo do pau-brasil: → Escambo: troca direta com os indígenas nativos. → Mão de obra indígena livre. → Feitorias: instalações provisórias na costa para armazenagem da madeira. Quem disse que o planeta Terra pertencia aos portugueses e aos espanhóis? Francisco I da França (1494-1547) foi um dos monarcas que questionaram o Tratado de Tordesilhas. Ele afirmou, ironicamente, desconhecer a cláusula no testamento de Adão em que este concedia a propriedade das terras americanas apenas a portugueses e espanhóis. Mesmo com a bênção do Papa Alexandre VI ao Tratado de Tordesilhas, assinado entre as duas Coroas em 1494, o rei Francisco I da França questionou, em 1540, a partilha das terras americanas entre os ibéricos. Os franceses também queriam um quinhão da América. Antes do questionamento de Francisco I, porém, já estava claro para Portugal que era arriscado não colonizar o território brasileiro, sob pena de perdê-lo para outras nações. Além disso, uma importante premissa animava os portugueses: os espanhóis haviam descoberto povos pré-colombianos cobertos de riquezas minerais; por que não haveria povos igualmente ricos no interior do Brasil? Foi ela que motivou o envio ao Brasil da expedição colonizadora de Martim Afonso, em 1530. O que os primeiros colonos encontraram aqui? Um só povo? Não. Os povos da terra não se consideravam iguais, e realmente não o eram. Com línguas e religiões diferentes, compunham culturas distintas. Mas os civilizados europeus não enxergavam isso. Preferiam acreditar no testamento de Adão. Você viu no Vídeo 2 A expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza foi montada, em 1530, pelo rei d. João III. As preocupações da Coroa eram, fundamentalmente: O risco real de perder a terra na América para outros países europeus. A expectativa da descoberta de ouro, prata e outras riquezas minerais no Brasil. O declínio dos preços das especiarias orientais com o aumento da oferta. A mais importante consequência da expedição foi a fundação da Vila de São Vicente, em 1532. Os povos nativos contatados viviam em comunidades tribais caracterizadas: Pela prática da caça, pesca e coleta. Em poucos casos, por conhecimentos em agricultura, pecuária e cerâmica. Pelo predomínio da divisão sexual do trabalho. Pela organização em aldeias (tabas) com territórios delimitados. Pela hierarquização a partir de critérios guerreiros (cacicado) e místicos (pajelança). Pela grande diversidade étnica e cultural com mais de 140 grupos tribais, divididos em subgrupos. Escravidão no Brasil Tráfico negreiro e abolicionismo Os negros da África e os “negros da terra”: todos escravos No século XV, os navegantes portugueses desembarcaram no continente africano e viram homens negros escravizados por outros negros. Era uma prática originada nas disputas por territórios entre etnias rivais, que tinham línguas e religiões diferentes. Depois os navegantes chegaram a terras americanas e conheceram povos de pele vermelha, livres e guerreiros, que em geral não dominavam a agricultura. Quando começou a colonização do Brasil, não havia em Portugal um contingente de homens livres que pudesse ser enviado para cá. Recorreu-se então ao trabalho escravo. Em relação aos africanos, havia traficantes de escravos que obtinham altos lucros à vista impondo aos colonos do açúcar que comprassem suas mercadorias humanas. Em relação aos índios, chamados de “negros da terra”, milhares foram escravizados, apesar da resistência dos jesuítas, que os preferiam “salvos” pela catequese. Africanos e indígenas passaram então a ter em comum o destino escravizado. Pintura de Jean-Baptiste Debret retrata flagelação de escravo no Rio de Janeiro, no século XIX. Na fotografia, também do século XIX, indígenas escravizados. Você viu no Vídeo 1 Opção mercantilista pela escravidão negra Trabalhadores livres em Portugal: eram necessários na metrópole. Mercantilismo: lucros do tráfico negreiro estabelecido com reinados africanos. Indígenas: desconhecimento da agricultura/resistência no próprio território. Interesses jesuítas: índios catequizados eram mão de obra nas Missões. II. Escravos africanos e índios: a força motriz da economia Escravos negros: atividades com açúcar, ouro, tabaco, algodão, café etc. Escravos índios: culturas de subsistência, extração de drogas do sertão, madeira etc. Indígenas livres: pecuária, comércio, artesanato. De Zumbi a Isabel,a luta pela liberdade. E a plena cidadania? Retrato de Zumbi (1655-1695), líder do Quilombo dos Palmares, pintado no século XX, e fotografia da princesa Isabel (1846-1921). Em contextos distintos, e motivados por razões também diferentes, ambos atuaram pelo fim da escravidão. Praticamente quatro quintos da história do Brasil transcorreram na fase escravista. Cerca de 40% do total de escravos enviados a todo o continente americano vieram para o Brasil. E o nosso país foi um dos últimos a abolir a escravidão. Esses dados são o suficiente para demonstrar o peso da escravização de milhões de africanos e indígenas, homens e mulheres, na formação e no desenvolvimento da sociedade brasileira? Não por acaso a campanha abolicionista foi uma das questões mais polêmicas e incendiárias de nossa história e contribuiu para a queda do Império e a instauração da República, em 1889. A evolução do capitalismo eliminou o tráfico atlântico de escravos. Políticos, intelectuais, jornalistas, militares e operários se engajaram na Campanha Abolicionista, e ela atingiu seu objetivo num dia 13 de maio. Mas essa história não acabou com a abolição: faltava a inclusão da população negra nos direitos de cidadania, pois, como afirmou o jurista Joaquim Nabuco, não bastava ao Estado pôr fim à escravidão; havia que dar aos libertos as condições para uma vida digna. Você viu no Vídeo 2 Séc. XIX: QUESTÃO DO TRÁFICO 1810: Tratados com a Inglaterra ➔ pressões pelo fim do tráfico 1831: Proibição do tráfico ➔ lei “para inglês ver” (não previa punições) 1845: Bill Aberdeen ➔ repressão militar ao tráfico 1850: Lei Eusébio de Queirós ➔ repressão interna ao tráfico Expansão do café: burguesia agrária/classe média urbana “Onda Negra”: tráfico interno de escravos do norte para a região cafeeira II. CAMPANHA ABOLICIONISTA: declínio do sistema escravocrata Vanguardas abolicionistas: setores agrários, de classe média (jornalistas, políticos) Ativistas de destaque: Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Luís Gama, Castro Alves, André Rebouças, Eusébio de Queirós, Rui Barbosa, Tobias Barreto, Antônio Bento Leis abolicionistas: 1850: Lei Eusébio de Queirós: repressão ao tráfico 1871: Lei Rio Branco ou do Ventre Livre: liberdade aos filhos de escravas 1884: abolição da escravatura no Ceará (a primeira província) 1885: Lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários: libertação aos 60 anos de idade 1888: Lei João Alfredo ou Áurea: em 13 de maio a Princesa Isabel assina a abolição da escravatura em todo o Brasil. Baixa Idade Média Aula 1: O mundo das Cruzadas A cruz e o lucro A Europa cristã da Baixa Idade Média era uma civilização em expansão nos aspectos econômico, cultural e militar. Em nome de Cristo e em busca de dinheiro, peregrinos guerreiros e comerciantes rumaram para o Oriente, atrás da Terra Santa e de suas riquezas. Ao retornarem para a Europa, trouxeram na bagagem moedas e ideias que transformaram radicalmente o mundo medieval. Comerciantes, banqueiros e coletores de impostos, a burguesia era a cara da Baixa Idade Média. No vídeo a seguir, veja como essa transformação ocorreu. Você viu na aula O crescimento demográfico na Baixa Idade Média, decorrente do aumento da produção de alimentos e da cessação de guerras, gera um grande contingente de marginalizados. Isso resulta em insatisfação social e em busca por soluções econômicas. Ganhou espaço, nesse contexto, o avanço militar em direção ao Oriente, sob orientação da Igreja Católica, definido como Cruzadas. Seu objetivo era a conquista de Jerusalém, que estava sob o controle muçulmano; e sua principal motivação era facilitar o acesso de peregrinos cristãos à Terra Santa. O movimento cruzadista atraiu principalmente cavaleiros sem-terra, marginalizados na ordem feudal, porque abria-lhes a possibilidade de obter terras; mobilizou também servos marginalizados em busca de alternativas para a sobrevivência e da oportunidade de fazer uma peregrinação. As Cruzadas eram movidas à religiosidade cristã. E a Igreja via nelas, além do reforço da fé entre seus seguidores e da possibilidade de conquistar Jerusalém, um meio de estender sua influência para o mundo oriental e de enfraquecer a Igreja Ortodoxa. Havia ainda motivações comerciais, pois as Cruzadas criavam para os comerciantes a oportunidade de ampliar os contatos com Constantinopla. Isso levou prósperos mercadores de cidades italianas a apoiá-las. O movimento cruzadista, apesar do fracasso em obter o controle sobre Jerusalém, contribuiu para ampliar as relações comerciais e culturais com o Oriente através do Mediterrâneo. O mar Mediterrâneo, principal rota de comércio marítimo, era dominado pelas cidades italianas de Gênova e Veneza, que comercializavam especiarias adquiridas principalmente em Constantinopla. No norte da Europa, consolidou-se uma associação de cidades que comercializavam através de rotas marítimas nos mares Báltico e do Norte, estendendo-se pelo litoral da Grã-Bretanha e da França. Era a chamada Liga Hanseática. No interior da Europa desenvolveram-se rotas terrestres em torno das quais surgiram inúmeras feiras. A mais destacada de todas era a da região de Champanhe. Ao longo das rotas, multiplicavam-se centros comerciais urbanos, chamados de burgos. Sua origem mais comum relacionava-se ao estabelecimento de comerciantes junto aos muros de um castelo. As cidades eram caracterizadas pela presença de uma muralha que cercava o centro urbano, no qual invariavelmente havia uma igreja. Esses comerciantes que se instalavam junto às muralhas solicitavam a proteção do senhor local, geralmente em troca de algum pagamento. Esses nobres, por sua vez, viam com interesse a formação das cidades e o desenvolvimento do comércio, e procuravam controlá-lo. Os interesses dos comerciantes das cidades – também chamados de burgueses – chocam-se com os dos nobres feudais, e aqueles lideram movimentos em busca de autonomia em relação a estes. Esse movimento comunal levou os comerciantes à busca da autonomia –, conseguida mediante pagamento ao nobre – e à obtenção dos direitos de governo, através da Carta de Franquia. A concentração das atividades artesanais levou à formação das Corporações de Ofício, associações de produtores destinadas a proteger a atividade, evitar a concorrência e estabelecer o preço justo – soma do valor da matéria-prima utilizada e do valor da remuneração pelo trabalho. O desenvolvimento das atividades econômicas urbanas trouxe alterações significativas à ordem feudal dominante, na medida em que criaram um novo universo de valores associados às operações mercantis. Aula 2: Formação das monarquias nacionais Idade Média sem trevas, mas em tons de cinza A Baixa Idade Média é comumente associada a bruxas, fogueiras e barbárie. É verdade que houve tudo isso, mas esta é só uma parte da história. Esse período foi marcado também pelo avanço do comércio e da urbanização, que propiciaram o cenário e os meios para o desenvolvimento do pensamento escolástico, no campo da filosofia; dos estilos românico e gótico, no campo da arquitetura; e dos primeiros Estados nacionais europeus, no campo da política. Para a História do pensamento, a arquitetura é documento. Observe a Catedral de Colônia, na Alemanha, e imagine os recursos e conhecimentos de que dispunham os homens que a construíram. É deste período complexo, de crises e realizações, que vamos tratar nesta aula. Continue conosco. Você viu na aula Em geral, os reis foram os grandes vitoriosos políticos das transformações ocorridas na Baixa Idade Média. Nesse período ocorreram diversas iniciativas centralizadoras: organização dos impostos e padronização da moeda; estruturação de um exército nacional comandado pelo rei. Do ponto de vista da cultura, destacaram-se o florescimento do pensamento escolástico, em sua busca por conciliar razão e fé, e a criação de universidades. Na arquitetura, o estilo românico era marcado pelo caráter rústico, as poucas janelase o interior obscuro, enquanto o gótico caracterizava-se pelo rebuscamento e pelos vitrais, que contribuíam para a luminosidade e o colorido no interior dos edifícios. A chamada “crise do século XIV” foi marcada pela Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, a partir de 1337. O conflito favoreceu a consolidação de ambas as monarquias. O período foi assolado também pela peste negra, que se alastrou pelas cidades insalubres da Europa, e por rebeliões camponesas. A conjugação de guerras, peste, rebeliões e fome provocavam histeria e alimentaram superstições populares. Na vitória francesa sobre a Inglaterra, na Guerra dos Cem Anos, destaca-se a participação da jovem Joana D’Arc. Sua trajetória alimentou a religiosidade cristã francesa e contribuiu para a construção da identidade nacional. Brasil colonial Aula 1: Estrutura política da Colônia Quem governa o Brasil em nome do rei? Você já pensou o que seria do Brasil se o governo fosse exercido por vereadores, e não por um presidente da República? Talvez você ache que não seria conveniente dar tanto poder aos políticos eleitos pelas populações das cidades, certo? É, mas as coisas já foram assim por aqui. À esquerda, o governador geral Tomé de Sousa, empossado pelo rei D. João III em 1548; à direita, Martim Afonso de Sousa, fundador da vila de São Vicente e donatário da Capitania de mesmo nome. O primeiro órgão administrativo montado no Brasil colonial foi a Câmara Municipal. A primeira Câmara foi instalada na vila de São Vicente, fundada por Martim Afonso de Sousa em 1532. Depois disso, toda a colônia foi dividida em 15 unidades muito maiores do que as vilas, as chamadas de Capitanias Hereditárias, governadas pelo capitão donatário. Até que em 1548 chegou o primeiro governador geral, D. Tomé de Sousa, encarregado de administrar todo o vasto território da colônia. Este detinha o poder supremo, era a palavra do rei. Mas em vista do imenso território, das dificuldades de transportes e comunicações, as Câmaras eram, na prática, o poder político mais atuante na vida cotidiana. Já o capitão donatário era uma espécie de governador de província, embora estivesse subordinado ao governador-geral português. Você viu no Vídeo 1 O sistema colonial montado no Brasil era gerenciado por meio de uma estrutura político-administrativa constituída em três níveis: Câmara Municipal, Capitanias Hereditárias (Donatárias) e Governo Geral. Câmaras eram compostas por vereadores eleitos por voto censitário (critério de renda): Pela renda mínima, somente proprietários de terras, comerciantes e altos funcionários podiam participar das eleições; eram os “Homens Bons” da colônia. Não havia prefeitos; os vereadores eram os governantes mais ativos na colônia. Capitanias Hereditárias foram criadas para transferir a particulares as despesas com a colonização; com poucas exceções, fracassaram pela falta de recursos dos donatários. A Carta de Doação e o Foral determinavam os direitos e deveres dos donatários, como a cobrança de impostos, a defesa militar e os poderes judiciais. Governo Geral: criado em 1548, era sediado em Salvador (Bahia). Mais alta instância de decisões políticas, judiciais, militares etc. A União Ibérica e o Brasil holandês Será que se o Brasil tivesse sido colonizado por holandeses, em vez de portugueses, hoje seria um país muito diferente? Há quem pense que sim. Os holandeses eram calvinistas, e o governo de Nassau inovou no contexto colonial ao trazer artistas, permitir certa liberdade religiosa e procurar acomodar seus interesses com os dos senhores de engenho de Pernambuco. A primeira sinagoga das Américas foi construída na Recife ocupada pelos holandeses. Na foto, fachada da sinagoga reconstruída no terreno onde se erguia a primeira. Mas os holandeses eram tão mercantilistas e colonialistas quanto os ibéricos, pois todas essas medidas visavam beneficiar o comércio do açúcar, que movimentava muito dinheiro na Europa. Ademais, Maurício de Nassau, aqui considerado um governante conciliador, nem sempre agradava aos seus superiores em Amsterdã. Em suma, não há qualquer garantia de que os colonizadores holandeses se portariam, no Brasil, como vinha se comportando Maurício Nassau, ou de maneira diferente em comparação aos colonizadores portugueses. Você viu no Vídeo 2 União Ibérica: em 1580, D. Felipe II, rei da Espanha, assumiu a coroa lusitana após o desaparecimento do rei D. Sebastião, seu primo, em Alcácer Quibir, na África. O Brasil foi atacado por ingleses, franceses e holandeses, nações inimigas da Espanha. Corsários franceses fundaram uma colônia em São Luís do Maranhão, batizada de França Equinocial. Nordeste holandês: a Guerra de Independência da Holanda contra a Espanha, que então era a detentora do Brasil, provocou o embargo do açúcar brasileiro à Companhia das Índias Ocidentais holandesa. Em 1630, os holandeses atacaram Pernambuco, principal produtor de açúcar. O governo de Maurício de Nassau (1637-1644) estendeu os domínios flamengos até o Maranhão e a Bahia. Em 1640, a Restauração Portuguesa, sob a liderança de D. João IV, Duque de Bragança, quebrou o domínio espanhol. A Insurreição Pernambucana (1645-1654) expulsou os holandeses do Brasil. Aula 2: Expansão territorial da Colônia Bandeirantes paulistas: heróis ou vilões? Monumento às Bandeiras (1954), na cidade de São Paulo, de autoria do escultor Victor Brecheret. O monumento, que é cartão-postal da cidade, é uma homenagem aos bandeirantes paulistas. O monumento de Victor Brecheret em homenagem aos bandeirantes, em São Paulo, recentemente amanheceu pichado; nele alguém escreveu a palavra “assassinos”. Por que, se os livros didáticos destacam o papel fundamental das Entradas e Bandeiras no processo de expansão do território brasileiro para muito além da linha de Tordesilhas? Seriam os bandeirantes vilões, em vez de heróis? Vamos encará-los como homens de seu tempo. Violentos e destemidos, com sua visão de mundo e sua coragem, eram produto da pobreza e do isolamento e estavam em luta pela subsistência num ambiente guerreiro. Não criavam raízes. Lançaram-se a escravizar indígenas e procurar ouro. Aprenderam a sobreviver nas selvas e aceitaram destruir quilombos de escravos fugitivos. Mataram padres, índios e negros, e expandiram as terras portuguesas, contribuindo para o povoamento de novas áreas nas terras que no futuro seriam o Brasil. Veja mais sobre as Bandeiras no vídeo a seguir. Você viu no Vídeo 1 Origens das Bandeiras: Capitania de São Vicente. Economia de subsistência → isolamento e pobreza. Desenraizamento da população vicentina. Bandeiras de Apresamento: escravização de indígenas. Destruição das Missões jesuíticas do sul (Tape, Guairá e Itatim). Bandeiras de Prospecção: busca de metais e pedras preciosas. Descoberta do ouro → novas capitanias: Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Sertanismo de contrato: destruição de quilombos. Destruição de Palmares por Domingos Jorge Velho. Morte de Zumbi (1695). Consequências importantes: expansão territorial / interiorização do povoamento. Monções: expedições bandeirantes que utilizavam os rios para adentrar os sertões. A vez do gado, das fortalezas e das missões Além das Bandeiras Paulistas, outros eventos contribuíram para a expansão do território colonial. A criação de gado foi um importante incentivo para essa expansão. No nordeste, esse gado era utilizado nos engenhos; nos Pampas, serviam ao comércio de couro e carne charqueada. Mas tanto no nordeste como no sul, peões em regime de trabalho livre ou semi-servil ocuparam amplas áreas com seus gados. Não escravos? Escravidão e gado não costumam dar certo, dada a natureza do trabalho, nas pastagens distantes. Ruínas de São Miguel das Missões, uma das trinta missões fundadas pelos jesuítas no sul do continente americano. Enquanto isso, na costa norte, o que motivava a colonização era a construção de fortes em torno dos quais, mais tarde, surgiram cidades que acabaramse convertendo em capitais, como Natal, Fortaleza e Belém. No sul também foi construído um forte, por iniciativa do governo português, nas margens do Rio da Prata. Esse forte deu origem à Colônia do Sacramento. Os jesuítas, por sua vez, construíram trinta missões na região platina, as quais abrigavam uma numerosa população de indígenas guarani. Em 1750, em conformidade com o Tratado de Madri, esses territórios foram trocados – e as populações guarani resistentes a deixar as missões totalmente destruídas. Assista ao vídeo e conheça mais dessa história. Você viu no Vídeo 2 Pecuária no Nordeste → mão de obra semi-servil indígena e trabalhadores livres. Gado bovino para os engenhos: expansão para o sertão (séc. XVII). Pecuária no Sul → Jesuítas, paulistas e portugueses. Gado bovino para exportação de couro e charque (séc. XVIII). Expansão Oficial no Norte → Fortificações no litoral para combate a corsários. Estado do Maranhão (1621 – 1763): drogas do sertão e algodão. Expansão Oficial no Sul → Colônia do Sacramento (Uruguai) – Sete Povoas das Missões. Tratado de Madri (1750): fronteiras próximas das atuais. Economia e sociedade mineira Aula 1: Mineração: mudanças sociais e econômicas O Século das Luzes português vivia do Século do Ouro brasileiro Entre 1706 e 1750, D. João V, da Casa de Bragança, reinou em Portugal em meio ao luxo proporcionado pelo ouro descoberto no Brasil pelos bandeirantes. Portugal não escondia o esplendor, nem dentro, nem fora do país: no século em questão, as embaixadas mais ricamente decoradas da Europa eram as portuguesas. Segundo o folclore político lusitano, o rei D. João V teria dito: “O meu avô temia e devia; o meu pai devia; eu não temo nem devo!”. Estava concretizado o sonho do Eldorado português na América. D. João V de Portugal (1689-1750): o rei que não devia nem temia. Importantes transformações ocorreriam na vida da imensa colônia. Portugal e Inglaterra estreitaram laços pelo Tratado de Methuen de 1703, e o ouro brasileiro foi financiar a Revolução Industrial britânica. Quando D. João V morreu, as jazidas estavam quase esgotadas. Seu filho D. José entregou todo o poder ao ministro Marquês de Pombal, que se encarregou de promover profundas reformas na colônia. Mas já era tarde. E, dessa vez, a crise seria fatal para Portugal. Continue assistindo a esta aula e saiba mais sobre este período. Os santos eram do pau oco e a colônia nunca mais seria a mesma Os fiscais do rei sabiam que estava vazando ouro e pedras preciosas das burras reais para particulares corruptos e outros países. O esquema mais famoso de desvio de ouro era o “santo do pau oco”: tratava-se de imagem de santo em cujo interior eram ocultados quilos e quilos de ouro não declarados à Coroa. A Coroa reagiu a esses contrabandos, como já vimos, com a criação das Casas de Fundição, em 1720; mas mesmo assim eles continuaram levando Portugal a expulsar ordens religiosas envolvidas nessas irregularidades. Até aí, nenhuma novidade. A bela cidade de Ouro Preto, outrora conhecida como Vila Rica. As novidades estavam nas cidades que brotavam pelo território, direta ou indiretamente ligadas à mineração. Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto tornou-se um símbolo das mudanças vividas pela colônia ainda essencialmente rural e multipolarizada. A colônia começava a conhecer as ideias que se espalhavam pelas Américas e a se fazer a pergunta: por que continuar sendo colônia? Saiba mais sobre as mudanças socioeconômicas ocorridas no Brasil nesse período. Você viu nesta aula Século XVIII: o Ciclo do Ouro A estrutura de produção mineradora era definida no Estatuto das Minas de 1703. Intendência das Minas: mais alto órgão administrativo das atividades Concedia a propriedade de lotes de exploração aos colonos Arrecadava impostos sobre a mineração Combatia o contrabando Casas de Fundição: subordinadas ao Intendente das Minas Fundiam o ouro bruto em barras, descontando o imposto do Quinto Proibiam a circulação de ouro bruto; apenas barras timbradas com o brasão real eram consideradas legais Datas: era o lote padrão de propriedade mineradora Faíscas ou faiscações: pequenas propriedades eram a maioria, com escravos ou não Lavras: grandes propriedades com mão de obra predominantemente escrava Impostos importantes: Quinto: porcentagem cobrada sobre a produção de ouro Capitação: imposto cobrado sobre o número de pessoas empregadas em qualquer atividade Principais transformações socioeconômicas ocorridas no século XVIII: Novo polo econômico no Sudeste: A infraestrutura criada em função da atividade mineradora (estradas, portos, cidades etc.) permitiria à região tornar-se, nos séculos seguintes, o centro econômico em que se desenvolveria a cultura do café e se implantariam as indústrias. Surgimento de um mercado interno: Relações comerciais com outras regiões vieram servir à manutenção da população mineradora. Gado muar para as tropas de transportes até o litoral vinha do Sul; escravos para as minas vinham do Nordeste; manufaturados eram trazidos pelos tropeiros no retorno às cidades. Desenvolvimento de vida social urbana: Setores de serviços (comércio, artesanato etc.) cresceram nos meios urbanos. Crescimento da camada média: composta por faisqueiros (pequenos mineradores), padres, burocratas, artesãos, comerciantes, militares etc. Maior mobilidade social: em comparação com outras regiões, eram mais possíveis as alforrias de escravos e a ascensão social. Aula 2: Era Pombalina: o apogeu do ouro Em Portugal, déspota era o rei e esclarecido era Pombal O reinado de D. José, entre 1750 e 1777, caracterizava-se como despotismo esclarecido, nem tanto pelo rei, mas sobretudo pelo ministro que ele escolheu, em 1756, para governar o Império lusitano: Sebastião José de Carvalho e Melo, o todo-poderoso Marquês de Pombal. O monarca e o ministro: à esquerda, o rei D. José I de Portugal; à direita, o Marquês de Pombal. Os novos ventos liberais, insuflados pelo pensamento iluminista, tomavam conta da Europa, e cada monarquia enfrentou-os à sua maneira: a Inglaterra, depois de muito sangue derramado, selou a monarquia parlamentarista; a França optou pela repressão sanguinária; e outros países, como Portugal, buscou a terceira via do despotismo esclarecido. Continue conosco e saiba mais sobre as transformações ocorridas no Brasil durante a Era Pombalina. Pombal e o Brasil O Tratado de Madri, entre Portugal e Espanha, foi firmado em 1750 pelo pai de D. José I, o rei D. João V, que era amigo de Pombal. O tratado, que anulava o de Tordesilhas e reconhecia que o Brasil português se estendia até a Amazônia, deu a Pombal, poucos anos depois, a oportunidade de realizar uma ampla reformulação no desenho das fronteiras internas da colônia. Mas as reformas pombalinas foram além. O ministro promoveu a desapropriação das últimas capitanias hereditárias, então transformadas em capitanias reais, e transferiu a sede do governo geral de Salvador para o Rio de Janeiro, de onde se fiscalizavam os carregamentos de ouro transportados do interior para a costa pela Estrada Real. Trecho mineiro da Estrada Real. Mas a grande marca de sua gestão foi a expulsão dos jesuítas de todo o Império lusitano. Nas missões do Sul, os padres pagaram com a vida, junto aos índios, o desafio ao Marquês, que, como se não bastassem a expulsão e o tratamento violento, ainda convenceu o papa Clemente XIV a dissolver a Companhia de Jesus. No vídeo a seguir falamos mais sobre esses processos. Não perca. Você viu nesta aula Despotismo esclarecido: regime político vigente em países como Portugal, Espanha e Rússia durante o século XVIII, no qual monarcas absolutistas admitiram reformas de cunho liberal. Objetivos do governo pombalino no reinado de D. José (1756-1777): Recuperar a economia portuguesa Fortalecer a burguesia mercantil Enfraquecer influências da nobreza e do clero Especificidades da exploração de diamantes:o Distrito Diamantino Situava-se na região do Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina (MG) Substituição da livre extração pelo monopólio da Coroa no Distrito Principais reformas promovidas no Brasil: Extinção do sistema de Capitanias Hereditárias: as últimas foram desapropriadas e convertidas pela Coroa em Capitanias Reais Expulsão da Companhia de Jesus (1759): vistos como ameaça aos interesses comerciais lusos em todo o Império, os jesuítas tiveram todas as missões no Sul destruídas sob a vigência do Tratado de Madri (1750); a expulsão resultou na primeira reforma de ensino no Brasil, com a secularização de escolas Mudança da capital (governo geral) para o Rio de Janeiro (1763): era o principal porto de escoamento do ouro para a Europa Criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão: exemplo de preocupação com a exploração mercantilista no Brasil Ameaça de restabelecimento da “derrama” nas áreas mineradoras: diante do declínio da mineração e dos atrasos nos pagamentos de impostos, a “derrama” seria a cobrança violenta por meio de confiscos de bens. Estado Moderno e absolutismo Todo o poder ao Rei No início da Idade Moderna se constituem na Europa as monarquias absolutistas. Nelas, como o próprio termo expressa, os reis detinham o poder absoluto, pois legislavam, julgavam e executavam as principais decisões do reino, encarnando, em suma, todos os poderes do Estado. Amparados na nobreza, no clero e na burguesia, esses monarcas representavam ao mesmo tempo a manutenção de privilégios sociais e de tradições medievais e a abertura a práticas econômicas modernas e mercantis. Seus reinados ajudaram a construir Estados como o da França, da Inglaterra, da Espanha e de Portugal. Apesar de caracterizar a Idade Moderna, o absolutismo monárquico, em alguns casos, sobreviveu até a contemporaneidade. Na imagem, o último czar (imperador) da Rússia, Nicolau II, veste os símbolos sagrados de seu poder, em pleno século XX. No campo das ideias, o regime absolutista encontrava sustentação nas teorias de Nicolau Maquiavel (1469-1527), Thomas Hobbes (1588-1679) e Jacques Bossuet(1627-1704); pensadores importantes, cujas frases famosas ainda hoje ecoam entre nós: quem nunca ouviu a máxima hobbesiana, de que “o homem é o lobo do homem”, ou a maquiavélica, segundo a qual “os fins justificam os meios”? Nesta aula, falamos mais sobre as monarquias europeias. Continue conosco. Você viu nesta aula Ao longo da Idade Moderna, o processo de centralização do poder iniciado na Idade Média alcança seu apogeu com a constituição de monarquias absolutistas europeias, como as da França, Inglaterra, Portugal e Espanha. Nesse regime, o monarca detinha o poder absoluto sobre as decisões de governo e encarnava simbolicamente o Estado que representava. Essas formas de governo eram baseadas ao mesmo tempo no apoio de setores da nobreza, que mantinham seus privilégios, cargos e influência na corte, e da burguesia, cujos interesses e práticas mercantis eram respaldados pelo monarca. Por tradição, considerava-se que o poder desses monarcas tinha origem divina, o que lhes concedia enorme influência sobre assuntos religiosos e sobre as Igrejas nacionais. O florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi o grande defensor da teoria da razão de Estado, segundo a qual o monarca detém o poder absoluto (pode usar de quaisquer meios para governar), pois assim pode atender ao interesse do Estado (fim último da política). O pensador inglês Thomas Hobbes (1588-1679) afirmava que dar ao Estado o poder absoluto era a melhor forma de impedir que os homens entrassem em conflito (guerra de todos contra todos), como fazem por natureza. O bispo francês Jacques Bossuet (1627-1704), por sua vez, afirmava que o poder real era oriundo da vontade de Deus e, portanto, indiscutivelmente absoluto. Os estados absolutistas promoveram um conjunto de práticas com o objetivo de incentivar as atividades comerciais que ficaram conhecidas como mercantilismo. Dentre elas destacam-se a intervenção na economia, para proteger os interesses nacionais, e a busca de colônias e de controle sobre rotas de comércio. Essas ações econômicas assentavam-se na crença de que a riqueza de um Estado baseava-se na quantidade de metal precioso entesourado e na capacidade de manter uma balança comercial favorável na relação com as nações rivais. América Espanhola no período colonial América Espanhola: o domínio sobre o "outro" A colonização espanhola sobre a América consistiu em uma das mais devastadoras ações de uma civilização sobre outra. Povos e impérios indígenas encarados como “o outro” (o não europeu) foram reduzidos à servidão para enriquecimento de nobres e comerciantes espanhóis. O reluzir das moedas cunhadas com o ouro e a prata saqueados refletia uma sociedade desigual e hierarquizada, em que os símbolos de poder do colonizador manifestavam em toda parte a imposição de sua cultura e religiosidade. Sobre um continente indígena construía-se, assim, uma América espanhola. A Catedral de Vilcashuamán, erguida sobre as ruínas do antigo Templo do Sol dos incas, em Vilcashuamán (Peru), simboliza a dominação colonial pela imposição da religiosidade e também da arquitetura europeia sobre a indígena. Analisamos nesta aula esse processo de colonização. Continue conosco. Você viu nesta aula A partir do século XVI tem início o processo de colonização europeia sobre o continente americano. Na América espanhola, os monarcas espanhóis criaram instituições específicas para a organização da colonização. A Casa de Contratação era responsável pelo controle do comércio e da exploração econômica das colônias. O Conselho das Índias, por sua vez, era o órgão que comandava as políticas de administração colonial. As principais atividades econômicas coloniais eram a mineração (entre os séculos XVI e XVII) e a agricultura (nos séculos XVIII e XIX). O regime de trabalho predominante na colônia era o compulsório. A servidão era imposta aos indígenas por meio da mita (trabalho obrigatório nas minas de extração de prata e ouro) e da encomienda (em que colonizadores que exploravam o trabalho dos nativos em diversas atividades econômicas tinham o dever, imposto pela Coroa, de convertê-los ao cristianismo). De forma mais restrita à região caribenha, os espanhóis também se utilizaram da escravidão africana. As colonizações também se associam a um projeto de expansão religiosa. A Igreja católica construiu numerosos templos, disseminou sua fé por meio dos jesuítas e demais ordens religiosas e instaurou o Tribunal da Inquisição no continente americano. Mesmo preservando alguns aspectos de suas tradições culturais, os povos nativos foram submetidos à religiosidade e à cultura dos colonizadores. Os governos centrais na América espanhola eram controlados pelos chapetones, espanhóis nomeados diretamente pelos reis da Espanha para exercerem a administração das colônias. Já os governos locais eram organizados por meio dos cabildos (câmaras municipais), controlados pelos criollos. Representantes das elites econômicas, os criollos eram americanos descendentes de espanhóis. Mas o fato de terem nascido na América impedia-os de exercer os governos centrais. Ao longo da colonização, os criollos manifestaram uma crescente oposição ao poder dos chapetones. Dessa forma, a América espanhola caracterizava-se pelas disputas entre os representantes das elites econômicas locais e a elite política europeia que governava a região, assim como pela opressão que essas elites exerciam sobre os grupos subjugados, como indígenas, mestiços e negros. Revolução Mexicana Um país em ebulição Após a Independência, que se deu em 1821, a história do México foi marcada por disputas territoriais com os Estados Unidos, pela dependência econômica do capital externo, pela exploração dos trabalhadores indígenas e por governos monopolizados por ditadores e caudilhos. Assim, durante o século XIX, as questões sociais, como a miséria e a impossibilidade deacesso à terra, ignoradas pelo Estado, tornavam-se cada vez mais intensas, o que vai suscitar questionamentos, de caráter nacionalista, de parte dos operários e das comunidades indígenas. Na entrada no século XX, a concentração fundiária, a exploração do trabalho e a ditadura de Porfirio Díaz tornaram-se insuportáveis para o povo. A Revolução Mexicana eclode nesse contexto. Diego Rivera, El Levantamiento, 1931. Nesse afresco, o pintor destaca os conflitos entre as tropas oficiais do governo e as comunidades camponesas e operárias. Nos vídeos a seguir, falamos mais sobre essa importante revolução. Continue conosco. Revolução Mexicana Você viu nesta aula Durante o século XIX, o México consolidou sua dependência em relação ao capital externo. A pobreza e a marginalização são consequências do colonialismo, da crise econômica pós-independência e da monopolização do poder pelas elites. Durante o governo de Porfirio Díaz, que durou 30 anos, os problemas sociais do México se agravaram. Francisco Madero, líder da burguesia mexicana, buscou apoio nos camponeses e de seus líderes, Emiliano Zapata e Pancho Villa, para derrubar Díaz e ascender ao poder. A Revolução de 1910 derrubou Porfirio Díaz e empossou Madero, que não aceitou as exigências de Zapata, de realização de uma reforma agrária radical. O general Victoriano Huerta deu um golpe de Estado e tomou o poder após o assassinato de Madero. Zapata e Villa continuaram o levante revolucionário contra Huerta, enquanto Venustiano Carranza tentava subir ao poder. Carranza chegou à presidência e assumiu uma postura constitucionalista. Promulgou uma nova carta constitucional em 1917. Carranza se aproximou dos trabalhadores através de direitos trabalhistas e desarticulou os camponeses a partir do momento em que implementou uma reforma agrária moderada. Assim, esse presidente tampouco atendeu às reivindicações de Zapata e Villa, de uma reforma agrária radical. Entre 1919 e 1923, Emiliano Zapata, Venustiano Carranza e Pancho Villa foram assassinados. Populismo na América Latina O conceito de populismo Ao analisarmos a história da América Latina, percebemos que suas dinâmicas sempre estiveram atreladas a interesses externos, seja das antigas metrópoles, seja da Inglaterra e dos Estados Unidos. É comum identificarmos, ainda, no estudo dos países latino-americanos pós-independência, grupos oligárquicos a monopolizar o poder político ao longo de boa parte de sua história. Três representantes do populismo latino-americano: Getúlio Vargas, Lázaro Cárdenas e Juan Domingo Perón. Nas primeiras décadas do século XX, começaram a surgir organizações de trabalhadores bem articuladas, que passaram a pressionar as camadas dominantes reivindicando direitos e benefícios. A crise mundial de 1929 abalou todas as estruturas econômicas e políticas, e nesse cenário surgiram os políticos populistas, chefes de Estado que conseguiram sensibilizar as massas populares e convencê-las de que suas ações estavam voltadas ao atendimento de seus interesses. Eles se apresentavam como árbitros dos diversos conflitos de classes entre os diversos grupos sociais. Nos dois vídeos a seguir, vamos conhecer um pouco mais do populismo analisando a trajetória de três importantes líderes populistas: o brasileiro Getúlio Vargas, o mexicano Lázaro Cárdenas e o argentino Juan Domingo Perón. Você viu nesta aula Populismo: modelo de governo pautado na figura carismática do chefe de Estado, que se apresenta como um árbitro dos conflitos de classe. Getúlio Vargas (1882-1954) encarnou o populismo brasileiro. No México, esse modelo é representado por Lázaro Cárdenas (1895-1970). Mas Cárdenas pode ser visto como uma exceção, pois era um defensor de fato dos interesses dos trabalhadores rurais, e nem sempre um conciliador de interesses. Na Argentina, o populismo teve expressão no governo de Juan Domingo Perón (1895-1974). Perón utilizava bastante a imagem carismática de sua esposa, Eva Perón (1919-1952), para se aproximar cada vez mais das camadas populares trabalhadoras. Governos populistas no Brasil Aula 1: A Guerra Fria e o suicídio de Getúlio Vargas “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” Ao centro, o presidente Eurico Gaspar Dutra, e à sua esquerda, o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, em 1947. A frase atribuída ao General Juracy Magalhães, tenentista de 1930 que depois se tornou adversário de Getúlio Vargas, expressava o pensamento de muitos brasileiros no período pós-guerra. O nacionalismo autoritário de Getúlio era combatido por um liberalismo alimentado pela propaganda da vitória aliada, pelos chamativos investimentos dos EUA nos países aliados e pela ideologia anticomunista. O Brasil saiu da guerra com uma ascendente indústria de base, os trabalhadores organizados em sindicatos e partidos, praticamente sem dívidas externas e “amigo” da maior potência econômica do planeta. Tinha tudo para se desenvolver. Mas como? Qual seria o melhor caminho? O regime garantido pela Constituição de 1946, a mais democrática no Brasil até então, era pluripartidário. E cada partido tinha o seu projeto. Alguns pensavam como o General Magalhães; outros, não. Veja mais sobre o período marcado pela Constituição de 1946 no vídeo a seguir. O Brasil parou no dia em que Getúlio saiu da vida para entrar na História Pijama que Getúlio Vargas usava na noite em que cometeu suicídio. Ao lado, a arma com que deu o tiro que lhe tirou a vida. Afinal, quem foi o verdadeiro Getúlio Vargas? O revolucionário de 1930, o golpista de 1937, o ditador do Estado Novo, o derrotado de 1945, o democrata renovado em 1950, ou o suicida de 1954? Vargas foi chamado de fascista pelas esquerdas e de socialista pelas direitas; de liberal pelos conservadores e de conservador pelos progressistas. Foi o “pai dos pobres” para uns e a “mãe dos ricos” para outros. Mas quanto a uma coisa não há qualquer dúvida: foi o maior líder político, popular e populista, da história brasileira. Pode ser amado ou odiado; só não é possível ignorar sua passagem pelo governo do país. Era o Doutor Getulinho e era também o temido presidente Vargas. Pela ditadura de extrema direita impôs direitos trabalhistas, e pelo Brasil na Segunda Guerra construiu indústrias de base. Os sindicatos eram pelegos, mas os trabalhadores tinham um salário mínimo e previdência social. Quiseram derrubá-lo, mas um tiro no coração levantou um povo contra os golpistas. Foi sua última jogada política. Mais sobre o último governo de Vargas no vídeo a seguir. Você viu nesta aula Governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951): Guerra Fria e Desenvolvimentismo Principais partidos da Constituinte de 1946 PTB (nacionalismo estatizante) e PSD (nacional-desenvolvimentismo): Aliança populista UDN (desenvolvimento associado): Oposição liberal Conjuntura mundial Guerra Fria: polarização econômica, política, militar e ideológica entre os blocos capitalista, sob a liderança dos EUA, e comunista, liderado pela URSS. Conjuntura nacional Alinhamento com os Estados Unidos 1946: Constituição promulgada, liberal, federativa 1947: Cassação da legalidade do PCB 1949: Fundação da Escola Superior de Guerra (ESG) PLANO SALTE: metas de saúde, alimentação, transportes e energia Prioridades: Rodovia Presidente Dutra / Hidrelétrica do São Francisco Governo Vargas (1951-1954): Getulismo (PTB) X Udenismo (Carlos Lacerda) 1952: criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), voltado para investimentos nas empresas estatais, nas indústrias de base e na infraestrutura. 1953: “O petróleo é nosso” PTB / sindicatos / PCB / Clube Militar / União Nacional dos Estudantes (UNE) / jornal Última Hora Fundação da estatal Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras): monopolista na prospecção 1954: Campanha da UDN (deputado Carlos Lacerda – jornal Tribuna da Imprensa) contra Vargas, a corrupção e o nacionalismo estatizante. 5 de agosto: atentado da rua Tonelero contra Carlos Lacerda e morte do majorRubens Vaz (FAB), segurança do deputado. Crise militar: a Aeronáutica exige a renúncia de Getúlio Vargas. Prisão de Gregório Fortunato, chefe da Guarda Presidencial, acusado de mandante do crime da rua Tonelero. 24 de agosto: suicídio do presidente Vargas, diante da iminência de um golpe militar. Reação popular violenta contra os golpistas: posse do vice-presidente João Café Filho. 1955: Eleição de Juscelino Kubitschek (PSD) presidente e de João Goulart (PTB) vice-presidente. Aula 2: Dos Anos JK ao golpe de 1964 A Bossa Nova na política Memorial JK, em Brasília (DF). Projeto de Oscar Niemeyer. O slogan da campanha eleitoral de Juscelino Kubitschek – "50 anos em 5" –, em 1955, talvez tenha sido o mais eficiente dentre todos os lançados na República brasileira. Tanto que foi mantido durante sua gestão presidencial e cimentou seu nome na história. O menino de Diamantina (MG), filho de professora primária, que se fez médico com muito sacrifício e foi lançado à vida política durante o Estado Novo como interventor em Belo Horizonte, tornou-se um dos maiores líderes do PSD, que então era o maior partido político brasileiro. Inteligente, simpático e hábil negociador, JK preparou-se para ser presidente da República. Cuidou de elaborar um programa de metas de crescimento ousadas e de costurar uma sólida base de apoios na sociedade. Após os traumas da crise recente, acenou com a modernidade e foi chamado "presidente Bossa Nova" na onda de um movimento musical avassalador, da força do Cinema Novo e, ainda por cima, da vitória brasileira na Copa do Mundo de 1958. Os 50 anos em 5 tinham a marca JK... Do “tostão contra o milhão” à vassourinha contra a corrupção Jânio Quadros quis ser o novo pai dos pobres alegando que era “o tostão contra o milhão”. Inventou a vassourinha, foi eleito presidente e assumiu o governo do país. Enfrentou crises e pressões durante sete meses e renunciou. Foi acusado de tentar um golpe de Estado que não teria dado certo, o que negou até o fim de sua vida. Jânio Quadros recebeu o ministro da Indústria da Cuba revolucionária, Ernesto “Che” Guevara (à esquerda), em 1961. A posse do vice, João Goulart, teve que contar com o povo na rua exigindo respeito à Constituição. O novo presidente propôs as reformas que gente poderosa repudiava, e foi derrubado pelas Forças Armadas sob os aplausos da classe média e das elites. Para os que o depuseram, Jango era corrupto, incompetente e esquerdista. Para os que o apoiavam, ele caiu porque era popular, reformista e nacionalista. Assista ao vídeo e saiba mais sobre o governo Jânio/Jango, que antecedeu o golpe de 1964. Você viu nesta aula Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) Posse em meio a grave crise política / Apoios: PSD + PTB + Clube Militar Plano de Metas: Nacionalismo desenvolvimentista: 30 metas de crescimento Prioridades: Educação, transportes, alimentação, energia, indústria pesada Crescimento econômico: Abertura a investimentos estrangeiros nos setores industriais Argumentos favoráveis à construção de Brasília Descentralização do desenvolvimento Promoção da integração nacional Argumentos contrários ao projeto Altos custos (“obra faraônica”) Objetivo real: distanciar o governo do povo 1961: Jânio Quadros vem aí! A renúncia e a crise político-militar Eleito pelos Comitês JAN-JAN: Jânio (UDN) presidente e Jango (PTB) vice-presidente Janismo: Postura autoritária e carismática Propaganda: honestidade e austeridade Símbolo pessoal: Vassoura (para varrer a corrupção) Ausência de programa de governo Problemas: inflação / dívida externa Política equidistante: Diplomacia independente / comércio com países socialistas Pressões: oposição (PSD/PTB) + UDN + militares 25 de agosto: RENÚNCIA ➔ Crise: militares contra a posse do vice João Goulart Rede da legalidade: Mobilização popular liderada pelo governador Leonel Brizola (RS) 1961-1964: João Goulart e as Reformas de Base República Oligárquica Aula 1: A hegemonia dos cafeicultores “O sertão vai virar mar e jorrará leite da serra”, dizia o mito “Há bons seis meses que todo o centro desta e da Província da Bahia, chegado (diz ele) do Ceará, infesta um aventureiro santarrão que se apelida por Antonio dos Mares: o que, à vista dos aparentes e mentirosos milagres que dizem ter ele feito, tem dado lugar a que o povo o trate por S. Antonio dos Mares”. Assim o jornal O Rabudo, de Sergipe, referiu-se em 1874 ao beato Conselheiro. Foi a primeira vez que ele apareceu na imprensa. Compare agora duas imagens de Antônio Conselheiro: Caricatura de Angelo Agostini, publicado na Revista Ilustrada (RJ) e fotografia de Flávio de Barros, em Canudos, em 1897. Na primeira imagem, caricatura da Revista Ilustrada da então capital, o beato barra a República como um fanfarrão monarquista. Na segunda, única foto tirada de Conselheiro, seu cadáver exumado pelos militares pouco antes de ser decapitado para que a cabeça fosse levada a Salvador e examinada para comprovar sua loucura. Nem provas disso foram obtidas, nem de que se preocupasse com a monarquia. Aliás, nem que o sertão viraria mar existem registros em suas falas. Então, por que ele tinha que ser destruído? Vamos ver isso no próximo vídeo. Você viu no Vídeo 1 Governo Prudente de Moraes (PRP) – 1894-1898 Crise econômica na Europa ➔ influência nas exportações de café Efeitos da crise do Encilhamento Declínio do florianismo II – A GUERRA DE CANUDOS (BA) – 1896-1897 1874: no jornal O Rabudo (Sergipe), a primeira referência a Antônio Conselheiro 1893: após longa peregrinação pelo Nordeste, fixação do movimento em Canudos Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro (1830-1897), nasceu em Quixeramobim (CE). Pequeno comerciante, caixeiro viajante, amansador de cavalos e beato, organizou mutirões levantando capelas, e seus seguidores se rebelavam contra a cobrança de impostos. Em 1893 fixaram–se em Canudos, às margens do rio Vaza Barris, fundando o Arraial do Belo Monte, na Capela de Santo Antônio. Quatro expedições: General Artur Oscar/Ministro da Guerra Machado Bittencourt Messianismo: movimento popular, normalmente rural, que mobiliza uma população pobre contra a ordem vigente (coronelista) por meio de mensagens religiosas (apolíticas). Pode ser milenarista (pregação do fim do mundo) e sebastianista (espera por um ente místico salvador do povo) ou não. “O Brasil não tem povo, tem público”. Lima Barreto tinha razão? Vamos imaginar de forma figurada o funcionamento do regime político da nossa “Primeira República”, na fase de 1894 a 1930. Podemos visualizar uma pirâmide em que a base seria o clientelismo dos coronéis movido pelo voto de cabresto, o corpo central seria a Política dos Governadores, idealizada por Campos Sales, e o cimo seria a Política do Café com Leite. É do topo que se vislumbra a sociedade como um todo para exercer a hegemonia do poder. A expressão “café com leite” foi consagrada na época para ilustrar o domínio dos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais no âmbito federal. Mas veja bem: eram oligarquias cafeicultoras. E nem era necessário que o presidente da República fosse paulista ou mineiro; o importante era estar em sintonia com o PRP e o PRM. A partir dali, os governadores estaduais e os coronéis se encarregavam da manipulação dos eleitores. Como observou o jornalista Lima Barreto, o povo assistia ao “espetáculo” político sem poder interferir. Como um público bem comportado. Se bem que nem sempre... Vamos conferir como se deu esse momento no próximo vídeo! Você viu no Vídeo 2 I - Governos Campos Sales (1898-1902) e Rodrigues Aves (1902-1906): poder com o PRP II - Hegemonia política dos cafeicultores Política do Café Com Leite: domínio do poder federal pelas oligarquias cafeicultoras paulista (PRP) e mineira (PRM). Política dos Governadores (ou dos Estados): trocade apoio político entre o governo federal e as oligarquias agrárias estaduais; Comissão Verificadora de Poderes = “Degola eleitoral” – órgão do Congresso Nacional relacionado aos partidos políticos e às eleições em todo o país. Política de Clientela = Coronelismo: Voto de cabresto = manipulações das eleições - Voto aberto (Eleições a bico de pena) → - Favores (compra de votos) - Violência (currais eleitorais) III - Oligarquia: “governo de poucos”, na origem grega, ou grupo político que exerce ou pretende exercer o poder de Estado. Associa-se à ideia de facção política organizada em um ou mais partidos na sociedade. No universo das classes dominantes, podemos identificar diversas oligarquias, conforme a conjuntura, ligadas aos setores rurais, urbanos, comerciais, industriais, financeiros etc. Aula 2: As economias do café e da borracha na República das oligarquias Defender o café a qualquer custo era a palavra de ordem Para que serve a um grupo político organizado, oligarquia ou partido, exercer a hegemonia governamental em certo país durante um dado período? Ora, para que possa pôr em prática o modelo de desenvolvimento econômico que atende aos seus interesses ou, eventualmente, aos interesses nacionais. O Partido Republicano Paulista (PRP) assumiu o poder da República exatamente no apogeu do café brasileiro no mercado mundial. Mas na passagem do século XIX para o XX, as exportações diminuíram muito em razão da crise que ocorria na Europa, nosso principal mercado consumidor na época, e os efeitos da crise financeira advinda do Encilhamento aumentaram. Campos Sales conseguiu, em 1898, quase um milagre: a renegociação da dívida externa pela primeira vez na história. Foi um alívio, contudo, não bastou. Seu sucessor, Rodrigues Alves, patrocinou o Convênio de Taubaté, de 1906: o governo correria em socorro aos cafeicultores comprando seu café não exportado. Mas com que dinheiro? O dinheiro público, evidentemente. Uma socialização de perdas que traria graves consequências mais tarde. Dali para frente a Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão de 1929 atingiram em cheio a base de nossa economia. Vamos saber mais detalhes sobre esse momento da história brasileira no próximo vídeo. Você viu no Vídeo 1 Política econômica do regime oligárquico 1898: Funding Loan = Renegociação da dívida externa (governo Campos Sales 1898-1902) Moratória de três anos (suspensão de pagamentos da dívida e juros). Nova escala de prazos de pagamentos. Garantia: hipoteca dos impostos dos portos aos credores ingleses. Política de combate à inflação: aumento de impostos + arrocho salarial. Valorização da moeda (mil réis) e saneamento financeiro. Deflação (baixas de preços), recessão econômica e desemprego. 1906: Convênio de Taubaté = Política de valorização do café (governo Rodrigues Alves 1902-1906) Problema: superprodução de café → quedas de preços. Compra e estocagem dos excedentes pelo governo. Desvalorizações da moeda (mil réis) no câmbio. Consequências: inflação e socialização de perdas. O ouro branco da floresta e a “ferrovia do diabo” Teatro Amazonas, em Manaus, e locomotiva da Mad Maria, símbolos do Ciclo da Borracha. A segunda Revolução Industrial trouxe o automóvel e o avião à vida cotidiana da humanidade. E com essas novidades modernas outras tantas invenções tecnológicas de ponta. Dentre elas, a borracha, tão importante nas indústrias da época. Para que existisse, era preciso extrair o látex das seringueiras, árvores que estavam na Amazônia. Seu suco leitoso logo se tornou valioso como ouro. Moveu fortunas e provocou muitas mortes. No Acre, chão boliviano, brasileiros tomaram o território e se proclamaram independentes. Pela paz e pelo lucro, o Brasil comprou o Acre e ainda construiu uma estrada de ferro que faria parte de um complexo ferro-hidroviário para interligar o Atlântico ao Pacífico. A construção da “ferrovia do diabo” custou caro em vidas humanas. E não valeu a pena. Quando o ciclo da borracha acabou, foi abandonada. Este é o momento da história brasileira que vamos estudar nesta aula. Você viu no Vídeo 2 O ciclo da borracha e a questão do Acre 1842: Charles Goodyear desenvolve a borracha usando o látex das seringueiras. O suco leitoso que, misturado a enxofre, torna-se borracha vulcanizada é matéria-prima industrial na Europa e nos Estados Unidos. Ciclo da borracha na Amazônia: expansão da extração do látex pelos seringais na última década do século XIX e primeira do século XX. Migração de contingentes trabalhadores de outras regiões, sobretudo Nordeste, para as florestas. “Invasão” de brasileiros ao Acre – território oficialmente boliviano desde 1867. Confrontos entre militares bolivianos e seringueiros – a “Revolução Acreana”. Fordlândia: construída no Pará às margens do rio Tapajós, em 1927, por iniciativa do empresário norte-americano Henry Ford para o cultivo de seringais. Após a morte do empresário, fracassou por causa de pragas. Fim do ciclo: roubo de mudas de seringueiras pelos ingleses para plantation no Ceilão e desenvolvimento da borracha sintética, derivada do petróleo. Questão do Acre (1903) Arrendamento do Acre ao truste anglo-americano Bolivian Syndicate da borracha. Seringueiros brasileiros, comandados pelo gaúcho José Plácido de Castro, proclamam o Acre território independente da Bolívia e pedem anexação ao Brasil. Tratado de Petrópolis (17/11/1903): negociado pelo Barão do Rio Branco ➢ Anexação do Acre ao Brasil (142 800 km2). ➢ Pagamento de 2 milhões de libras esterlinas ao governo boliviano. ➢ Construção da Estrada de Ferro Madeira–Mamoré (EFMM), a Mad Maria. ➢ A “ferrovia do diabo”, obra do empresário norte-americano Percival Farqhar, ligava Porto Velho a Guajará Mirim. Custou a vida de 30 mil trabalhadores. Aula 3: Movimentos sociais na República das oligarquias “Um porto parisiense num corredor de exportação tropical” – o Rio de Janeiro segundo o prefeito Pereira Passos A capital que a República havia herdado do Império continuava no mesmo lugar bonito, mas era uma cidade feia e insegura, infectada por epidemias que assustavam os estrangeiros e eliminavam vidas entre os mais pobres. Coube ao paulista Rodrigues Alves promover ampla reforma urbana que tornaria o Rio de Janeiro uma “Paris tropical”. Pelo menos era assim que o prefeito Passos pensava. Só que o povo não foi levado em conta, a não ser quando puseram abaixo seus cortiços e o enxotaram para o alto dos morros próximos. Assim nasceram as favelas cariocas. A reação foi violenta e a repressão mais ainda. Mas a cidade ganhou novos ares. As heranças do Império estavam presentes também no tratamento aos negros. Embora não mais escravos, eram chicoteados como se fossem. E onde isso? Nos navios da Marinha republicana em que a disciplina e a modernidade deveriam estar. A Revolta da Chibata deixou sangue, o resgate da dignidade e um nome para a história: João Cândido. Tudo isso será o tema do próximo vídeo. Vamos lá! João Cândido, o mais alto ao centro, junto a outros marinheiros, oficiais e repórteres, no navio de guerra Minas Gerais, em 26 de novembro de 1910, último dia da Revolta da Chibata. Você viu no Vídeo 1 Rio de Janeiro, a capital federal no início do século XX Cidade suja, com cortiços e ruas mal cuidados, alta criminalidade e graves epidemias pelas péssimas condições de higiene pública. Principais problemas de saúde: febre amarela, varíola, cólera, peste bubônica e tuberculose. Modernidade republicana Prefeito Francisco Pereira Passos, Engenheiro Paulo de Frontin, médico Osvaldo Cruz. Reforma urbana, o “Bota abaixo”: obras no porto, aterrodo Flamengo, avenidas etc. Deslocamento da população pobre, sem planejamento, de forma truculenta, gerando um processo de favelização nas periferias cariocas. Revolta da Vacina (RJ - 1904): governo Rodrigues Alves (1902-1906) Programas: “compradores de ratos” e “mata-mosquitos”. Diretor Geral da Saúde Pública e do Instituto Manguinhos (hoje Fundação Oswaldo Cruz). Vacinação obrigatória contra varíola. Rebelião popular: barricadas, depredações, ataques à polícia, incêndios e repressão. Oposições “em nome da lei” ou “pelos bons costumes” – prisões e deportações. Movimento social apolítico resultante das condições de vida impostas à maioria pobre. Revolta da Chibata (RJ - 1910): governo do Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914) Rebelião de marinheiros contra a prática de castigos corporais na Marinha de Guerra. Tomada dos couraçados São Paulo e Minas Gerais e ameaças de bombardeio à cidade. Liderança do marinheiro negro de Primeira Classe João Cândido Felisberto. Revelação de preconceitos raciais e más condições de trabalho impostas aos marujos. Promulgação de lei contra a chibata nas Forças Armadas e concessão de anistia aos revoltosos. Após outra rebelião de fuzileiros navais, decreto de estado de sítio e repressão. Beatos no campo e operários anarquistas nas fábricas Os avanços do capitalismo no Brasil do século XX encontravam e geravam resistências de variadas formas. Depois da experiência de Canudos, na Bahia, era como se um novo Conselheiro surgisse, desta vez no Sul. Os estados do Paraná e de Santa Catarina discutiam suas fronteiras numa extensa área que até hoje é chamada o “Contestado”. Boa para extrair madeira, criar gado e plantar o mate, mas razão de sangrentas disputas entre posseiros, coronéis grileiros e modernos capitalistas, como o conhecido Mr. Farqhar, que construiu uma ferrovia arrasando tudo pela frente. Milhares de sertanejos se armaram em nome do “monge” Zé Maria e sua apregoada monarquia celestial dos “pelados”. Cabeças raspadas eram prova de fé. Houve um genocídio semelhante ao de Canudos. Enquanto isso, operários aprendiam a se organizar com os anarquistas, que não gostavam de partidos. A greve geral destruiria o poder dos patrões e do Estado. Não deu certo; mas era um começo... Você viu no Vídeo 2 Guerra do Contestado (PR/SC 1912-1916): governos Hermes da Fonseca e Wenceslau Braz Movimento messiânico (milenarista e sebastianista) no sul do país: “monge” José Maria. Exploração de madeira pela Southern Brazil Lumber Co. dos EUA (Percival Farqhar). Construção da Ferrovia São Paulo–Porto Alegre (Brazil Railway Co.). “Monge”: pregação messiânica do fim do mundo e da monarquia celestial. Resistência dos sertanejos: Exército Encantado de São Sebastião, os “pelados” (cabeça raspadas) contra o Exército nacional e milícias da madeireira, os “peludos”. Repressão militar (General Setembrino de Carvalho): destruição das “cidades santas”. Surto industrial e movimento operário Greve geral de 1917 (SP) Causas básicas: arrocho salarial (condições de vida) / influência do anarquismo Entre 1917 e 1922, dezenas de greves ocorreram por todo o país. Em 1922, foi fundado o Partido Comunista do Brasil (PCB), no Rio de Janeiro. Anarquismo: doutrina política libertária, anticapitalista e contrária a qualquer forma de organização partidária dos trabalhadores. Esses devem lutar contra a burguesia dominante e o Estado pela ação direta, como a greve geral pela socialização dos meios de produção. Trazida ao Brasil por imigrantes europeus, exerceu forte influência no movimento operário da República oligárquica. Também é comumente chamada de anarcossindicalismo. Aula 4: A Revolução de 1930 Os tenentes sabiam bem o que não queriam; mas só Marcha dos 18 do Forte pela avenida Copacabana, na revolta tenentista de 1922. Esta foto talvez seja a mais famosa imagem da Revolta de Copacabana, ocorrida em 1922. Os oficiais do Forte Copacabana, na capital federal, rebelaram-se contra a prisão do ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, ordenada pelo presidente Epitácio Pessoa em meio à grave crise política. Isolados pelas tropas legalistas, os soldados se renderam, restando um punhado de homens que decidiram enfrentar as metralhadoras e morreram numa manhã de 5 de julho. Todos? Não. Dois deles sobreviveram: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. Tornaram-se símbolos da luta contra o regime dos coronéis e líderes do movimento tenentista, que marcou a década de 1920 e o declínio da Primeira República. Mas, além de derrubar o governo, o que mais pretendiam aqueles brasileiros? O mesmo que amplas parcelas da sociedade: saúde, educação, democracia, desenvolvimento e paz. E como é que se consegue isso? Eles não sabiam, mas era preciso tentar. Vamos investigar essa história. Você viu no Vídeo 1 Oposições ao “Café com leite” → declínio das oligarquias Tenentismo: movimento político essencialmente militar, elitista e reformista, além de ideologicamente heterogêneo. Apresentava uma visão salvacionista, com várias tendências nacionalistas e autoritárias. Pretendia uma reforma política baseada no voto secreto e no regime constitucional, o desenvolvimento econômico a partir da industrialização e melhorias sociais pela educação, mas sua opção para chegar ao poder era a via armada. “Façamos a revolução antes que o povo a faça” No centro da foto, Getúlio Vargas em posse no Rio de Janeiro, com a vitória na Revolução de 1930. Na foto, vemos o então governador gaúcho Getúlio Vargas tomando posse no Rio de Janeiro, após a vitória da Revolução de 1930, que pôs um ponto final na República Oligárquica. Pode ser a imagem do povo no poder, não é? Por outro lado, o título deste texto é a fala de Antônio Carlos de Andrada, governador de Minas Gerais, em 1930, um dos principais aliados de Getúlio alguns dias antes. Mas, afinal, quem fez a Revolução? Aliás, terá sido mesmo uma revolução? Vários setores da sociedade se opunham na época à continuação do regime dos coronéis. Até oligarquias agrárias, como a gaúcha, a mineira e outras se uniram na Aliança Liberal contra o “café com leite”. Nas eleições de 1930, um paulista, Júlio Prestes, foi eleito sucessor de outro, Washington Luiz. O derrotado era Getúlio Vargas. Dias depois, João Pessoa, candidato a vice-presidente com Vargas, foi assassinado. Foi a gota d’água. Logo João Pessoa, que havia declarado “prefiro dez Júlio Prestes a uma revolução”. No próximo vídeo veremos como esse episódio se desenrolou. Você viu no Vídeo 2 Revolução de 1930 → Fim da República das oligarquias Era Vargas Aula 1: A Guerra Constitucionalista de 1932 “Problema de salário é caso de polícia” A frase acima, ou uma variante dela – “Problema de operário é caso de polícia” –, foi atribuída ao ex-presidente Washington Luiz, derrubado em 1930. Independentemente de a frase ter sido dita ou não, o fato é que era desse modo que as elites agrárias coronelistas enxergavam os problemas sociais no Brasil republicano. A partir da Era Vargas essa visão começou a mudar. Uma facção da burguesia nacional, a industrial ascendente, entendeu que a propalada modernização do país passava necessariamente pela institucionalização das relações de trabalho nos moldes do capitalismo mais avançado. E, além do mais, o século XX passou a conviver com o surgimento da União Soviética, em 1922, e com o "fantasma" da revolução comunista. Por que não atender a algumas das reivindicações das classes populares, para evitar que elas se mobilizassem para conquistar direitos? Convinha dar atenção ao menos às que não ameaçavam as classes dominantes. E foi assim que Getúlio se tornou o “pai dos pobres”. Quer saber mais sobre esse primeiro momento da chamada Era Vargas? Continue assistindo a esta aula. “Viveram pouco para morrer bem / Morreram jovens para viver sempre” Monumento aos combatentes de 1932, no Ibirapuera, em São Paulo. A frase talhada sobre o portal do obelisco aos combatentes da chamada Revoluçãode 1932, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, homenageia os que tombaram pelo Movimento Constitucionalista contra Getúlio Vargas. A Revolução de 1930 visara acabar com o regime das oligarquias. Prometeu democracia e desenvolvimento, mas o Governo Provisório rasgou a Constituição, fechou o Congresso, nomeou interventores, calou a imprensa. Muitos apenas se decepcionaram, enquanto outros buscaram revanche e atuaram para recuperar o poder. Os constitucionalistas não queriam separação, e sim um regime liberal. E após três meses de guerra civil, levantaram bandeira branca: foram militarmente derrotados. Mas não deixaram de se considerar vitoriosos. Afinal, uma Constituinte foi eleita e uma nova Constituição foi promulgada. O Brasil voltava ao regime constitucional, e Getúlio permaneceria no poder por mais 13 anos. Entenda, entre outras coisas, porque 9 de julho é feriado em São Paulo. Assista ao vídeo a seguir. Você viu nesta aula Governo Provisório de Vargas (1930-1934): o Trabalhismo no poder Medidas políticas: LEI ORGÂNICA (caráter autoritário: revogação da Constituição de 1891) Dissolução do Congresso Nacional, das assembleias e das câmaras municipais Interventores federais nomeados nos governos estaduais Rígida censura à imprensa Medidas sociais: Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (Lindolfo Collor) Estrutura sindical atrelada ao Estado Legislação trabalhista: jornada diária, férias etc. Medidas econômicas: Defesa do setor cafeeiro: queimas dos excedentes, estabilização de preços Incentivos à industrialização: substituição de importações Medidas que evitavam o desemprego e controlavam a inflação Regime de características populistas: Causas da Campanha Constitucionalista: Fim da hegemonia paulista (Revolução de 1930) Caráter autoritário do Governo Provisório Objetivos da Frente Única Paulista (FUP), que reuniu o Partido Democrático (PD) e o Partido Republicano Paulista (PRP): Líderes: Armando Sales Oliveira, Pedro de Toledo, Euclides Figueiredo, Bertoldo Klinger Em 1932: 23 de maio: morte em São Paulo dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC), em manifestação contra Vargas 9 de julho: início da guerra civil 2 de outubro: rendição paulista Consequências do movimento: Nomeação de Armando Sales interventor em São Paulo Eleições para a Assembleia Constituinte de 1933 Constituição de 1934: Promulgada pela Constituinte eleita Inclusão de direitos trabalhistas Voto secreto/voto feminino Eleição indireta de Getúlio Vargas para a presidência da República Aula 2: A República Nova de Vargas Alguns nacionalistas são mais nacionalistas que os outros? O que significa ser nacionalista? É desejar o bem de toda a nação com a qual a gente se identifica? Mas o que é melhor para o povo, e como realizar o bem nacional? Adolf Hitler, Franklin Roosevelt, Joseph Stalin e o Imperador Hirohito eram todos nacionalistas. Um nazista, um liberal, um comunista, um monarquista. Em geral, o nacionalismo é uma postura política que vem acompanhada de algum outro “ismo”. E na República Nova de Getúlio Vargas não foi diferente. Nesse período a República viveu um fenômeno comum a outros países na época: a radicalização política. Surgiram dois novos partidos, ou melhor, um movimento (o Integralismo) e uma frente (a ANL). Ambos diziam-se nacionalistas e estavam sob influência de ideias externas, porém, eram rivais absolutos na disputa violenta pelo poder. Os dois estavam certos e os dois estavam errados; só dependia do ponto de vista. À esquerda, Luís Carlos Prestes, um dos líderes da Aliança Nacional Libertadora (ANL); à direita, Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira. E quem se beneficiou disso? Getúlio Vargas. Mais sobre a República Nova no vídeo a seguir. Vargas balança, mas não cai Os getulistas chamavam o regime de República Nova, em detrimento da “República Velha”, anterior a 1930, que teria sido marcada pela falsa democracia das oligarquias. Mas seria mesmo a República Nova um regime democrático? A Constituição de 1934 havia sido promulgada pela Constituinte livremente eleita, havia partidos políticos e a imprensa era relativamente livre. Mas esse estado de coisas perdurou apenas até novembro de 1935, quando militares prestistas e o PCB decidiram tomar o poder pelas armas e fracassaram. Monumento aos soldados mortos durante a Intentona Comunista no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Decretou-se então estado de sítio, centenas de pessoas foram perseguidas e torturadas, a imprensa permaneceu calada. As eleições presidenciais estavam marcadas para 1938, e de repente os jornais começaram a bradar a descoberta de um plano comunista no comando do Exército. Com Prestes na prisão, dessa vez o comandante do golpe seria um misterioso judeu chamado Cohen. Tão misterioso que ninguém jamais o viu. E quem deu o golpe foi Getúlio Vargas. No vídeo a seguir, mais sobre o golpe do Estado Novo. Você viu na aula A república nova e a radicalização política 1932: Ação Integralista Brasileiras (“Camisas Verdes”) Estado Integral (base corporativa) Nacionalismo autoritário Antiliberalismo Anticomunismo Caráter de ultra direita Líder: Plínio Salgado Símbolo: a letra grega sigma – ∑ –, símbolo da somatória Saudação: Anauê (irmão) Lema: “Deus, Pátria e Família” 1935: Aliança Nacional Libertadora (ANL) Aliança entre esquerdistas e liberais Frente democrática Nacionalismo liberal Anti-imperialista Antilatifundiária Líderes: Luiz Carlos Prestes (PCB)/Hercolino Cascardo Defendia a reforma agrária e o não pagamento da dívida externa Conjuntura: confrontos violentos de rua entre os grupos políticos rivais e repressão policial Cassação da legalidade da ANL ➔ Insurreição Comunista de 1935 Estado de sítio/Divulgação do Plano Cohen ➔ Golpe de Estado de 1937 A Intentona comunista e o golpe do Estado Novo Intentona Comunista de 1935 Em novembro, insurreições militares principalmente no Rio de Janeiro, em Recife e em Natal Causa: cassação da legalidade da ANL sob alegação de comunismo Líderes: Luís Carlos Prestes, Agildo Barata, Gregório Bezerra e outros Repressão da Polícia Especial e Forças Armadas ➔ fracasso do levante Estado de sítio mantido por dois anos Prisão de Prestes e de vários agentes comunistas, brasileiros e estrangeiros 1937: divulgação em setembro da descoberta do Plano Cohen Suposto plano de golpe de Estado descoberto no Estado Maior do Exército Comunistas liderados por um suposto líder judeu, Cohen, instaurariam o socialismo no Brasil por meio de uma ditadura militar 1955: comprovação no Supremo Tribunal Militar de que o Plano Cohen foi uma farsa armada pelo governo com a contribuição de integralistas 10/11/1937: Golpe do Estado Novo Getúlio Vargas cancela as eleições presidenciais de 1938 O Congresso Nacional é dissolvido Nova Constituição é outorgada pelo governo federal Interventores federais são nomeados para os governos estaduais Todos os partidos políticos são proibidos Rígida censura é imposta aos meios de comunicação Putsch integralista de 1938 Reação armada dos integralistas contra a proibição do partido Fracasso do ataque ao palácio presidencial ➔ repressão e exílio de Plínio Salgado Aula 3: O Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial “Polaca”, pelegos e a ditadura do “pai dos pobres” Cartaz de propaganda do Estado Novo. Será que Getúlio Vargas já vinha planejando o golpe de 1937 há algum tempo? A pergunta tem sentido porque já no dia seguinte ao do golpe havia uma nova Constituição pronta. Ela foi apelidada de “polaca”, porque era quase uma cópia de um projeto dos nazistas poloneses. Mas para controlar a população, a “polaca” não era suficiente. Os sindicatos ditos “pelegos”, porque eram como peles macias para amortecer as relações entre patrões e empregados, jáestavam montados. Havia que cuidar da propaganda e da educação das crianças, peças fundamentais para o apoio total ao Estado Novo. No vídeo a seguir, mais sobre esse período da Era Vargas. E o Estado Novo de Vargas ficou velho aos oito anos de idade A Segunda Guerra Mundial colocou Getúlio numa situação complicada: os mesmos militares que sustentavam a ditadura no Brasil foram lutar pela democracia na Itália. Por quê? A personagem de histórias em quadrinhos Zé Carioca, criada por Walt Disney. O presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, estivera no Brasil na mesma época em que Walt Disney criava uma personagem em homenagem aos brasileiros. Em resumo, para ser amigo dos EUA, era preciso ser democrático, ainda que malandro, como o Zé Carioca... Saiba mais sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial assistindo ao vídeo a seguir. Você viu na aula Constituição “polaca” de 1937 Outorgada pelo Poder Executivo Negação do federalismo: fim da autonomia de estados e municípios Pena de morte para crimes contra a segurança nacional Corporativismo pelego (sindicatos atrelados ao governo) 1940: instituição do salário mínimo 1942: criação da nova moeda nacional, o Cruzeiro (Cr$) 1943: Consolidação das Leis do Trabalho (primeiro código trabalhista) Departamento de imprensa e propaganda Controle dos meios de comunicação e propaganda oficial do regime Redemocratização (1943-1945): Contradição básica: militares de um regime como o Estado Novo na luta pela democracia contra os exércitos nazifascistas na Europa 1943: publicação do Manifesto dos Mineiros pelo regime liberal Relaxamento da censura à imprensa pelo DIP 1945: decreto de anistia ➔ campanha pela legalização do PCB Fundação de novos partidos políticos: União Democrática Nacional (UDN) Partido Social Democrático (PSD) Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Convocação de eleições para a Assembleia Constituinte de 1946 Queremismo: movimento popular pela permanência de Getúlio no governo Oposições: UDN/militares/aliados ao capital norte-americano/imprensa 29/10/1945: Getúlio foi deposto pelo General Goes Monteiro Alta Idade Média Aula: Reinos Bárbaros O mundo depois de Roma Da fragmentação europeia decorrente da queda de Roma nascia uma civilização com elementos greco-romanos, tradições germânicas e visão cristã. A gravura ilustra a coroação de Carlos Magno (742-814), rei dos francos e um dos principais monarcas da Alta Idade Média, pelo papa Leão III. Era forte a aliança entre os soberanos medievais e a Igreja. A partir do século V, os invasores germânicos fundaram reinos no norte da África, na Itália, na Espanha, na Gália, na Bretanha. E assim ia nascendo o que depois convencionou-se chamar de mundo medieval. Neste vídeo, vamos começar a entender como ocorreu esse processo. Você viu no Vídeo 1 Na Europa Ocidental, após a queda do Império Romano do Ocidente, temos a chamada formação dos Reinos Bárbaros, também denominados Reinos Bárbaros Cristãos (vale lembrar que a palavra “bárbaro” é um juízo de valor, e assim expressa a ideia de superioridade cultural de um povo em relação a outro). Já não havia unidade em torno da cidade de Roma, o que configurou um período de fragmentação do poder político. Surgem diversos reinos, e uma de suas marcas é a fragilidade de seus governantes. Esses reinos tinham em sua estrutura de governo o que chamamos de comitatus – tradição germânica de divisão das terras entre guerreiros, encarregados de governá-las. Outro elemento importante nesse período é o protagonismo do cristianismo no processo de formação da nova Europa. Durante esse período, a Igreja é a única instituição forte que sobreviveu à queda de Roma, e os soberanos dos reinos em formação dela se aproximavam em busca de legitimidade diante da população. Como exemplo, vale citar Clóvis, rei dos francos no século V. Nessa direção, na passagem do século VII para o VIII, Carlos Magno, o mais importante rei franco, chama a atenção por sua forte relação com a Igreja. Carlos Magno apresentou-se ao Papa para ser por ele coroado, no ano 800, e além disso foi o monarca que conquistou Roma e entregou seus territórios para a Igreja. Carlos Magno promove uma centralização do poder administrativo, que se destaca por tentar reforçar a aliança com a Igreja. Ele incentivou o estudo do latim, do grego, do direito e da filosofia com a criação de inúmeras escolas. Foi um período de forte efervescência cultural e produção artística muito ligada à religiosidade cristã. É conhecido como Renascimento Carolíngio. A Igreja e o cristianismo se constituem como um dos principais elementos de identidade da sociedade medieval. Religião e estrutura feudal No mundo feudal, a religiosidade estava carregada de preocupações com a proximidade do fim do mundo. A crença no fim dos tempos vinha de uma interpretação literal do texto bíblico do Apocalipse de São João. Nesse texto lê-se, “depois de se consumirem mil anos, Satanás será solto da prisão” para “seduzir as nações do mundo”. Um eclipse, um incêndio inexplicável, pragas agrícolas, o nascimento de um bebê monstruoso, a passagem de um cometa no céu, o relato da aparição de uma baleia do tamanho de uma ilha na costa francesa, a grande epidemia de 997 – tudo isso era interpretado como sinais claros da proximidade do fim do mundo. No vídeo a seguir, vamos buscar entender as relações dessa sociedade com a religiosidade cristã. Você viu no Vídeo 2 O feudalismo é um sistema econômico, político e social centrado na terra. Nesse sistema, a agricultura é a atividade econômica mais importante, em detrimento da baixa atividade comercial. O período feudal é marcado pela insegurança, nos planos cultural e militar. A Igreja tem um papel fundamental ao abrigar os homens que buscam a salvação da alma; ela é o centro de identidade e integração do homem medieval, uma vez que não há mais Estado centralizado. Segundo a Igreja, a sociedade feudal dividia-se entre aqueles que rezam (clero), aqueles que lutam (nobreza) e aqueles que trabalham (servos), e essa divisão atendia ao plano de Deus. Servidão: os trabalhadores servis recebem do senhor proteção e a terra que lhes permite a sobrevivência. Em troca, eles pagam uma série de obrigações. Dentre elas podemos citar a talha (tributo pago com uma parte da produção); a corveia (tributo pago por meio do trabalho compulsório em alguns dias da semana); e as banalidades (tributo pago em produtos pelo uso de ferramentas e instrumentos do senhor). Os servos ocupam o posto mais baixo na sociedade feudal. Suserania e Vassalagem: entre os nobres (senhores feudais, cavaleiros) existe uma relação bastante importante denominada suserania e vassalagem. Nela, o suserano é o que cede o benefício, tradicionalmente uma porção de terra, e o vassalo é o que recebe o benefício. Suserano e vassalo consolidam a aliança fazendo um juramento solene, geralmente na presença do clero, em que ambos se comprometem a auxiliar um ao outro. Essencialmente, ocorre um acordo militar entre dois guerreiros que se comprometem a prestar auxílio mútuo em caso de guerra. Na medida em que o Estado se fragilizou, essa cadeia de auxílio militar era extremamente importante para que os senhores mantivessem a posse de suas terras.