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ORIGENS DA TERAPIA FAMILIAR A PSICANÁLISE COMO CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO DA TERAPIA FAMILIAR TERAPIA FAMILIAR Mudança epistemológica em Freud Na obra de Freud assistimos a uma mudança de epistemologia entre os primeiros escritos (os sintomas neuróticos derivariam de um “princípio causador”- traumatismos infantis) e, os escritos ulteriores (os sintomas neuróticos resultariam da interação dinâmica entre as várias instâncias internas). TERAPIA FAMILIAR Nova epistemologia -Teoria Geral dos Sistemas O foco já não está na “causa”, ligada a aspectos intrínsecos próprios da pessoa doente, mas nas funções que cada um representa no sistema familiar. Lado a lado nestas novas abordagens sistêmicas utilizam-se elementos do paradigma sociológico e psicológico. TERAPIA FAMILIAR Gênese psíquica do sofrimento Antes de Freud a doença psíquica era atribuída, segundo o princípio aristotélico a uma “essência causal” - só a contenção e o controle externo a corrigiriam. Freud ao relacionar o sofrimento psíquico com circunstâncias particulares do desenvolvimento precoce da personalidade, tornou possível a criação de um método de tratamento destinado a corrigir a perturbação psicológica. TERAPIAS FAMILIARES O início A psicanálise, ao relacionar certas perturbações psíquicas com circunstâncias particulares do desenvolvimento precoce da personalidade, tornou possível a criação de um método baseado em ajudar o paciente a elaborar o conflito intrapsíquico e a encontrar para ele solução. O espaço relacional entre o cliente e o analista seria, segundo Freud, a zona instrumental de ação terapêutica. Neste espaço, o paciente projetaria no terapeuta (transferência) problemas vividos noutras relações significativas. Alguns terapeutas alteraram este modelo, fazendo deslocar o seu foco de ação terapêutica para o espaço das relações interpessoais entre o paciente e as pessoas significativas que o rodeiam. A FAMÍLIA Terapia Familiar Freud escolheu, como zona instrumental de ação terapêutica (para acesso e elaboração dos conflitos intrapsíquicos) o espaço da relação entre o cliente e o analista, onde o primeiro projeta (“transferência”) problemas e padrões de interação vividos noutras relações significativas (por ex. com os pais). •Alguns terapeutas deslocaram o foco de ação terapêutica para o espaço das relações interpessoais entre o cliente e as pessoas significativas que o rodeiam. DESTA TENDÊNCIA IRIAM NASCER AS TERAPIAS DE FAMÍLIA. TERAPIA FAMILIAR: OS PRIMEIROS PASSOS Os primeiros passos Freud e a Psicanálise; Assistentes Sociais; Teorias dos papéis – dinâmica de grupo; Os primeiros movimentos resultaram da conjugação de duas profissões: - Conselheiros conjugais “social warkers” (1930); - Técnicos de saúde mental inspirados nas linhas da psiquiatria social e psicanalítica da criança e do psicótico. A geração de 50 A Terapia de Família surgiu nos Estados Unidos na década de 1950 - Pós-guerra. Os Estados Unidos: momento de consolidação da expansão (desde durante a Segunda Guerra Mundial) e transformações em diversas áreas, como: o aumento da industrialização, a participação das mulheres no mercado de trabalho, novas tecnologias, relações sociais modificadas, aumento do acesso à educação... O clima era de otimismo e fé no futuro, o que favoreceu o aumento das famílias e a crença de que a família era um lugar da felicidade (Ponciano, 1999). A geração de 50 A Segunda Guerra Mundial permitiu um ambiente intelectual diversificado com a imigração da Europa para os Estados Unidos, de vários profissionais de diversas áreas. Esses imigrantes levaram consigo suas histórias e experiências vividas durante a guerra e esses acontecimentos tiveram efeito importante sobre as disciplinas relacionadas com a saúde mental. Em situações de guerras a capacidade que as pessoas costumam ter de possuir o controle sobre as próprias vidas e destino parece ser posta à mercê de forças sobre as quais elas não têm nenhum controle. A geração de 50 Com isso, a consciência da importância do contexto social sobre a vida dos indivíduos aumentou rapidamente e adquiriu maior complexidade (Bloch e Rambo, 1998). O trabalho inicial centrado na família começou como pesquisa voltada, principalmente, para famílias com pacientes esquizofrênicos e delinqüentes, que não estavam se beneficiando dos tratamentos convencionais. TEORIA GERAL DOS SISTEMAS -TGS A Teoria Geral dos Sistemas foi desenvolvida por Ludwig Bertalanffy desde a década de 30, buscando desenvolver leis que explicassem o funcionamento de sistemas gerais, independentes de sua natureza. Segundo essa teoria, existem princípios e leis que se aplicam a sistemas em geral, independente de seu tipo particular, da natureza de seus elementos e das relações que atuam entre eles. TEORIA GERAL DOS SISTEMAS -TGS A busca por princípios universais aplicáveis aos sistemas em geral, obteve como resultado propriedades que estariam presentes nos sistemas. A TGS operou o deslocamento da ênfase no conteúdo para a estrutura (Ponciano, 1999). As dimensões da simplicidade, da estabilidade e da objetividade, são substituídos pela complexidade, instabilidade e intersubjetividade. PROPRIEDADE DOS SISTEMAS Totalidade: se refere ao fato de todos os sistemas serem compostos de elementos interdependentes e em interação; Relação: diz respeito às estruturas básicas dos elementos e ao modo como eles se relacionam; Equifinalidade: é a característica de o mesmo estado final pode ser alcançado partindo de diferentes condições iniciais e de diversas maneiras. CONCEPÇÕES E PROPRIEDADES DA TGS Visão de mundo e de homem: - A visão de mundo é holística e/ou ecológica onde o universo é uma rede de interrelações. Nada existe se não em relação. - Desse modo, o homem é parte desta rede que está em constante mudança. Nada é definitivo, tudo é relativo. * Isso não inviabiliza a construção de hipóteses, porém, essas hipóteses não são vistas como verdadeiras ou falsas e podem sofrer transformações conforme mudanças na rede de interrelações. CONCEPÇÕES E PROPRIEDADES DA TGS Globalidade: todo e qualquer sistema comporta-se como um todo coeso. Assim, uma mudança em uma parte do sistema provoca mudança em todas as outras partes e no sistema como um todo. CONCEPÇÕES E PROPRIEDADES DA TGS Não-Somatividade: - um sistema não pode ser considerado como a soma de suas partes. Esse princípio definidor implica que se considere o todo, na sua complexidade e organização, em detrimento de suas partes. - A complexidade sistêmica não pode ser explicada a partir da soma de seus elementos. Contudo, qualquer mudança nas relações entre as partes constituintes de um sistema implica uma mudança no funcionamento do todo. CONCEPÇÕES E PROPRIEDADES DA TGS Circularidade: a interação entre os componentes de um sistema manifesta-se como uma sequência circular, de modo que a relação entre quaisquer de seus elementos é bilateral. Dentro desse pressuposto de causalidade circular, a ordem dos fatores não altera o produto, um todo não possui começo nem fim. As partes unidas de um sistema estão em relação circular, num circuito de retroalimentação: cada pessoa afeta e é afetada pelo comportamento de outra pessoa e do contexto em que está inserido. Relatividade: tudo que é visto, é visto através de alguém Relatividade: - Tudo que é visto, é visto através de alguém. Então não existe uma verdade única. Ela pode ser construída e desconstruída pelo grupo de observadores, pela família, pelo sistema terapêutico, criando-se espaços consensuais de intersubjetividade. Relatividade: tudo que é visto, é visto através de alguém Sintoma: a ideia central é ver o doente, o membro sintomático como um representante circunstancial, de alguma disfunção no sistema familiar (paciente identificado = PI). O sintoma é a expressão de padrões inadequados de interação no interior da família. É um movimento de sair do mal-estar em direção ao bem-estar para os membros do sistema de uma situaçãotida como problema. Cibernética Norbert Wiener (1948) cunhou o termo Cibernética para o emergente corpo de conhecimento sobre como o feedback controla os sistemas que processam a informação. Aplicada às famílias, a metáfora Cibernética chamou a atenção para como as famílias ficam presas em circuitos repetitivos de comportamentos improdutivos. A Cibernética e Gregório Bateson Para Bateson todo indivíduo está inserido e é assimilado por um sistema cultural de “comunicação” que não é um sistema linear, mas de tipo circular em que os próprios efeitos reagem sobre as causas e vice-versa. Esses mecanismos de retro-ação permitem que o sistema familiar se auto-regule e funcione em equilíbrio (Fonseca, F.). O duplo vínculo “double binde” Bateson (o grande mentor do que se tornou a Abordagem Sistêmica na Terapia de Família, nos anos 30) se propôs a estudar quais os possíveis efeitos sobre o comportamento dos indivíduos ao surgirem paradoxos no decorrer das trocas de informações. Desenvolveu a teoria do “duplo vínculo”. Com essa teoria, pela primeira vez foi proposta uma explicação da esquizofrenia relacionada ao fenômeno interpessoal, como um problema de comunicação surgido no interior do sistema familiar. O duplo vínculo “double binde” Em famílias estruturalmente perturbadas o indivíduo pode ser submetido à ação de emissões contraditórias simultâneas, que lhe induzem uma verdadeira patologia da comunicação. A emissão repetida deste tipo mensagens, impede a criança de validar e ter confiança nas suas próprias percepções, ligando-a aos pais (patologicamente) por um duplo vínculo (“double binde”). Algumas formas de esquizofrenia parecem derivar deste transtorno da comunicação intrafamiliar. A esquizofrenia, a nova epistemologia e os novos paradigmas A partir de Gregório Bateson = esquizofrenia passa a ser estudada como uma doença resultante duma perturbação funcional da comunicação, não só no indivíduo portador da anomalia, mas em todo o sistema relacional, designadamente na família. A nova epistemologia, na sua pureza, valoriza muito mais as funções do que as pessoas. Na prática clínica, mantém-se ainda ligada à antiga epistemologia, utilizando lado a lado paradigmas sociológicos e psicológicos clássicos. ASSIM TEMOS: Classificação de sistemas familiares Sistemas funcionais - os que velam pela maturação dos seus membros, estabelecendo entre eles limites inter-relacionais bem definidos, permitindo que em data oportuna se possa operar a separação equilibrada dos que o desejem fazer. Sistemas transitoriamente disfuncionais - dificuldades em superar certas crises do ciclo vital. A comunicação é, no entanto, suficientemente clara para permitir à família operar mudanças no sentido do equilíbrio (só ou com ajuda dum terapeuta). Sistemas cronicamente disfuncionais - distância emocional entre os seus membros. Por vezes inversão dos papéis. As crises do ciclo vital são enfrentadas com muitas dificuldades. (Fonseca, F.). O duplo vínculo “double binde” Com essa visão sistêmica da doença mental, definindo-a como um distúrbio da comunicação, a perspectiva terapêutica sofre modificações fundamentais. As pesquisas sobre a esquizofrenia avançam e em 1959, Don Jackson funda o Mental Research Institute (MRI), em Palo Alto, que “ torna-se a história da evolução de uma concepção da terapia sistêmica” (Witteazaele e Garcia, 1995 p.185), na qual o objeto da terapia não é mais o portador do sintoma, mas toda a sua família. O duplo vínculo “double binde” O MRI era o local que concentrava os principais estudos sobre o desenvolvimento de uma terapia de família. mas deixou de ser o único e alguns de seus membros formaram outros centros, levando a bagagem teórica e prática que haviam construído em conjunto. É dessa forma que surgem as variações da terapia de família sistêmica, a partir de uma base comum. Assim, a partir de uma fonte comum hoje podemos encontrar uma grande variedade de teorias e práticas consideradas Terapias de Família Sistêmicas, tais como a Terapia Estratégica, a Estrutural, entre outras. No Brasil, mais especificamente, no Rio de janeiro segundo Ponciano (1999), a Terapia de Família só surge nos anos 70, com 20 anos de atraso em relação aos Estados Unidos. ASSIM, O PENSAMENTO SISTÊMICO E A CIBERNÉTICA SÃO EIXOS NORTEADORES DA PRÁTICA DA TERAPIA FAMILIAR. DESTACAM DESSA FORMA, A IMPORTÂNCIA DOS CONTEXTOS E DAS RELAÇÕES ENTRE AS PARTES E O TODO NO UNIVERSO VIVO E HUMANO, BUSCANDO AS INTERDENPEDÊNCIAS ENTRE OS MEMBROS DE UM SISTEMA. AUTORES DE DESTAQUE NA CONSTRUÇÃO DA TERAPIA FAMILIAR: A geração de 50 John Bell – (Terapia de grupo familiar - o envolvimento da família no processo terapêutico). Nathan Ackerman - a família como unidade – SISTEMA (terapia com crianças). Gregório Bateson - o grupo de Palo Alto (esquizofrênicos). Don Jackson - psicoterapia interacional da família. A Cibernética (ação circular/feedback/holismo) e a Teoria Geral dos Sistemas (comunicação) – Homeostase familiar. Terapia familiar A segunda geração Enquanto na 1ª Geração a terapêutica se inspirava no modelo analítico, na 2ª Geração (pós década de 1950) surgiram doutrinas relativamente claras sobre o funcionamento do grupo familiar em crise e sobre os fatores susceptíveis de operar uma mudança terapêutica do sistema. Terapia familiar - A 2ª Geração Salvador Minuchin - “Escola Estrutural”. A estrutura da família deverá assentar em regras claras de funcionamento ao nível do relacionamento entre os diversos membros, tais como: fronteiras (barreiras simbólicas entre gerações), hierarquia, alianças e poder. Minuchin baseou-na na observação da estrutura caótica das famílias dos marginais de Nova York contrastando com as famílias conservadoras de tradição vitoriana que, no fundo, haviam inspirado a teoria psicanalítica freudiana. O “Mental Research Institute” de Palo Alto Atenção particular aos sintomas como instrumentos de comunicação. Todos os sintomas e problemas que as pessoas transportam para a sessão podem ser considerados “problemas de interação”. Uma história longa de um problema pode corresponder a uma solução inapropriada para uma dificuldade inicial que constitui o verdadeiro problema. O objetivo da terapia é interromper o ciclo vicioso de comportamento e informação retroativa “feedback”. O “Mental Research Institute” de Palo Alto A terapia é encarada de modo pragmático, orientada pelo sintoma, visando a resolução do problema. O objetivo da mudança terapêutica deve ser realista e possível de atingir. Os meios para atingir estes fins incluem intervenções paradoxais destinadas a interromper ciclos viciosos. Intervenções baseadas no senso comum ajudam muitas vezes a reforçar a “velha solução”. PRIMEIRAS ESCOLAS DE TERAPIA FAMILIAR ESTRUTURAL ESTRATÉGICA GRUPO DE MILÃO ESCOLA ESTRUTURAL Principal referência: Salvador Minuchin. Os padrões transacionais da família se estabelecem através da organização hierárquica e fronteiras entre os subsistemas (nítidas, difusas ou rígidas); É no processo de união com a família que o terapeuta obtém os dados, identifica os padrões transacionais e as fronteiras, levanta hipóteses sobre os padrões disfuncionais e obtém assim um mapa familiar. O terapeuta desempenha papel de líder, criando circunstâncias que permitam a transformação da estrutura. A terapia estrutural é uma terapia da ação, o sintoma é visto como um recurso do sistema para manter uma determinada estrutura. ESCOLA ESTRUTURAL Enfatiza a organização familiar. Agente terapêutico: individual (ator e diretor) – caixa de ressonância. O terapeuta é um expert, ao mesmo tempo se une ao sistema e o provoca. O terapeuta alia-se alternadamente com diferentes partes do sistema a fim de reequilibrá-los. Comunicação através da representação (cenários). ESCOLA ESTRUTURAL Sessões: semanais (maior frequência no início, intervalos maiores no final da terapia). Evita pré-sessões (para que o terapeuta possa mais facilmente unir-se aosistema). Mudanças ocorrem na sessão e em casa através de designação de tarefas. ESCOLA ESTRATÉGICA Principal referência: Jay Haley, Jackson, Bateson, Weakland e Watzlawick. Trabalha com uma equipe terapêutica (são flexíveis quanto a isso). Concentra-se na comunicação verbal e não-verbal. Ênfase nos padrões de comunicação que mantem o “problema”. As situações disfuncionais se desenvolvem através da superênfase ou subênfase nas dificuldades cotidianas. ESCOLA ESTRATÉGICA Para esta teoria o que caracteriza o sistema familiar é a luta pelo poder. A terapia estratégica é qualquer terapia em que o terapeuta realiza ativamente intervenções para resolver o problemas. O sintoma é a expressão metafórica ou analógica de um problema representando, ao mesmo tempo, uma forma de solução insatisfatória para os membros do sistema. Orientação franca para o sintoma e os problemas são vistos como dificuldades interacionais. ESCOLA ESTRATÉGICA A abordagem terapêutica é pragmática: trabalham-se as interações e evitam-se os porquês. São utilizadas intervenções paradoxais que consistem em prescrever comportamentos que, aparentemente estão em oposição aos objetivos estabelecidos, mas que visam a mudança em direção a eles. A instrução paradoxal é frequentemente utilizada sob a forma de prescrição de sintoma, isto é, encorajando-se aparentemente o comportamento sintomático. ESCOLA ESTRATÉGICA A equipe pode intervir em um membro da família, em um subsistema, na família toda ou em um sistema extrafamílias. Tempo das sessões: Sessões semanais, por um período de 10 sessões. Estrutura da sessão: sessões e intervenção (prescrição) e pós-sessão. Colheita do dados através de focalização no problema e nas tentativas de resolução do mesmo. ESCOLA ESTRATÉGICA O terapeuta atua predominantemente através de sugestões ou propostas em lugar de ordens diretas. Adota um postura de aparente “ignorância ou confusão” - acredita que os pacientes seguem os conselhos mais rapidamente quando o terapeuta evita parecer forte e seguro. As mudanças ocorrem em casa através da prescrição, geralmente paradoxal. GRUPO DE MILÃO INFLUENCIADO PELO GRUPO DE PALO ALTO PRINCIPAIS REFERÊNCIAS: BOSCOLO, CECCIN E PRATA, MARA SELVINI PALAZZOLI. METODOLOGIA DE INSPIRAÇÃO PSICANALÍTICA. GRUPO DE MILÃO Modelos rigorosos de processamento de informação. Utilização de um processo extremamente dinâmico (terapeuta e família por um lado e entre ambos e a equipa pelo outro). Resolução dos paradoxos (no fundo a família diz: “mude-nos, mas sem nos mudar”). O terapeuta deve implicitamente transmitir a mensagem de que estarão todos envolvidos no problema que ocasionou o sintoma no “doente designado”. Compreender e respeitar o ciclo homeostático da família (compatibilizar a tendência para a mudança e para a estabilidade ao longo da vida). GRUPO DE MILÃO Esta escola parte dos mesmos pressupostos da escola estratégica, considerando que os problemas emergem quando os padrões de comportamento desenvolvidos não são mais úteis nas situações atuais. Dada a tendência da homeostase, os problemas surgem quando as regras que governam os sistemas são tão rígidos que possibilitam padrões de interação repetitivos, homeostáticos (estáveis) e vistos como “pontos nodais” do sistema. GRUPO DE MILÃO Para essa Escola, o distanciamento e a intimidade entre os membros de uma família se organizam ao redor do seguinte paradoxo: as pessoas da família necessitam de um feedback sobre seus comportamentos e dos outros membros da família, e isso é alcançado, geralmente, através dos relacionamentos íntimos entre os indivíduos desse grupo familiar. GRUPO DE MILÃO Um princípio terapêutico fundamental para o grupo de Milão é a conotação positiva dos comportamentos apresentados pela família. Uma intervenção muito utilizada é o Ritual familiar, ou seja, uma ação ou uma série de ações das quais todos os membros da família são levados a participar. A prescrição de um ritual visa criar novas regras que substituam tacitamente as regras precedentes. GRUPO DE MILÃO A função da técnica dos rituais, são usados para reenquadrar os sintomas dento de um sistema. Trabalha com equipe terapêutica. Enfatiza a neutralidade do terapeuta. Enfatiza a objetividade e busca um consenso sobre as hipóteses e intervenção ou diagnóstico sistêmico. Concentra-se na comunicação verbal. Ênfase no questionamento circular através do qual exploram-se diferenças. GRUPO DE MILÃO Minimização do conceito de organização dos subsistemas e hierarquia familiar. Ênfase no questionamento familiar: mudar ou não-mudar. Tempo sessões: uma vez por mês, pois algumas semanas são necessárias para que as informações oferecidas pelo terapeuta possa reverberar no sistema familiar. Estrutura sessões: pré-sessão, sessão, inter-sessão (diagnóstico sistêmico) e pós-sessão. GRUPO DE MILÃO Colheita de dados: através de questionamento circular – O terapeuta inicia as perguntas, solicitando aos membros que discutam sobre a opinião de cada um deles e sobre suas diferenças. A postura do terapeuta é neutra. Une-se ao sistema total. A inter-sessão propicia a neutralidade do terapeuta durante a sessão. Mudanças ocorrem fora da sessão através do diagnóstico sistêmico a ser implementado em casa. DUAS CRÍTICAS À TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA: DESCONSIDERAÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS. E DESIGUALDADES BASEADAS NAS ATITUDES SOCIAIS. Terapia familiar Clínica - indicações prioritárias Existência de crise relacional no grupo familiar (conflito conjugal, psicose puerperal, “folie à deux” (Transtorno psicótico induzido, partilhado entre duas pessoas), negligência de cuidados parenterais, violência, incesto). Doente insuficientemente individualizado e dependente em relação a um ou mais membros Incluem-se neste grupo: –Quase todas as situações de infância e adolescência; –Jovem-adulto incapaz de autonomia sócio profissional; Terapia familiar Clínica - indicações prioritárias Situações de psicoterapia individual em que: O tratamento estagna sem explicação; O cliente mantém a família informada de tudo o que diz nas sessões (incapacidade de estabelecer uma aliança com alguém fora da família); O cliente passa as sessões a falar dos seus problemas com a família; As melhoras do cliente são neutralizadas pelas reações a elas do resto da família; As melhoras do cliente são seguidas pela descompensação de outro membro da família. Terapia familiar Modalidades técnicas de intervenção Terapeutas que preferem a presença de toda a família nuclear em cada sessão (Escola de Milão). Terapeutas que escolhem para cada caso a configuração mais operacional (Escola Estruturalista). Terapeutas que aceitam mesmo trabalhar com um único membro da família numa perspectiva sistêmica (Palo Alto). Terapeutas inspirados em técnicas de grupo (casais, terapias familiares múltiplas). Equipe terapêutica e co-terapia (Escolas Estratégicas ligadas ao grupo de Milão). INDEPENDENTE DA ABORDAGEM O PAPEL DO TERAPEUTA FAMILIAR É... PARA OS TERAPEUTAS FAMILIARES: A família é mais do que a coleção de indivíduos separados; é um sistema, um todo orgânico cujas partes funcionam de uma maneira que transcende suas características separadas. Todavia, mesmo como membros de sistemas familiares, não deixamos de ser indivíduos, com corações mentes, e desejos próprios. Trabalhar com um sistema completo significa considerar todos os membros da família, mas também as dimensões pessoais da sua experiência. PARA OS TERAPEUTAS FAMILIARES: A família deve ser estudada e compreendida como um todo, um sistema aberto e em trocas com seu meio. Um sintoma psicológico deve ser considerado, no seu contexto familiar e social, como sinal de uma homeostasia (equilíbrio/estabilidade) perturbada no sistema. No diagnóstico sistêmico não deve ser esquecido o papel do terapeuta na análise do conjunto. O papel do terapeuta familiar é: É levar o sujeito a acordar a respeito da sua responsabilidade no que tange ao mal estar emsuas relações. O que mantém as pessoas empancadas é a sua grande dificuldade de enxergar a própria participação nos problemas que as atormentam. O “poder” da terapia familiar deriva-se de juntar pais e filhos para transformar suas interações... Esperar que as outras pessoas mudem, é como planejar o futuro em torno de ganhar na loteria. BIBLIOGRAFIA GRANDESSO, M.A. Sobre a reconstrução do significado: uma análise epistemológica e hermenêutica da prática clínica. São Paulo: Casa do psicólogo. 2000 . PONCIANO, E.T. História da Terapia de família: De Palo Alto ao Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro. 1999. RAPIZO, R. Terapia Sistêmica de Família: da instrução à construção. Rio de Janeiro: Noos. 2002 VASCONCELLOS, M.J.E. Pensamento Sistêmico: O novo paradigma da ciência. Campinas, SP: Papirus WITTEAZAELE, J.J., GARCIA, T. A abordagem clínica de Palo Alto. In ELKAIN, M. . Panorama das Terapias Familiares. Vol.1. São Paulo: Summus. 1998.