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GUIA DE ENDODONTIA
Endodontia
Endodontia é a especialidade da endodontia que trata das alterações morfológicas e patológicas na polpa dental, bem como das suas repercussões no periodonto apical. Através de uma abertura feita na coroa dentária, os canais radiculares são limpos, desinfetados, modelados e preenchidos com um material inerte, prevenindo assim, novas infecções.
A palavra Endodontia vem do grego e significa:
ENDON= DENTRO
ODONTOS= DENTE
IA= AÇÃO
Indicações para o tratamento endodôntico:
Dentes com inflamação pulpar (geralmente proveniente de progressões da cárie dentária),
Dentes com necrose pulpar,
Dentes com necessidade protética,
Dentes traumatizados.
Tratamentos Endodônticos: divididos em tratamentos conservadores e tratamentos radicais. 
Tratamentos conservadores:
Capeamento Pulpar: É a manobra mais conservadora do tratamento endodôntico, em que consiste sempre na remoção do tecido cariado, a proteção do complexo dentina-polpa, e o selamento provisório da cavidade.
Curetagem Pulpar: Consiste na remoção superficial da polpa coronária (presente na coroa do dente) que eventualmente tenha sido exposta durante o tratamento conservador, potencialmente contaminado por microrganismos do meio bucal. 
Pulpotomia: é a remoção da polpa presente na câmara pulpar. Neste caso preserva-se o tecido pulpar que está nos condutos radiculares (canais). Devido a isso, a pulpotomia está indicada somente em casos que a lesão inflamatória restringe-se a uma pequena porção da polpa coronária. 
Tratamentos Endodônticos Radicais:
Pulpectomia: remoção cirúrgica do tecido pulpar de um dente vivo por motivos de inflamação ou injúria deste tecido.
Tratamento de dentes com polpa necrosada (necropulpectomia): O objetivo neste caso, é manter os dentes cujas polpas, por alguma razão, foram totalmente removidas ou perderam a condição de manter-se com vitalidade.
 Tratamento Cirúrgico: apicectomias e curetagens de lesões com ou sem obturação retrógrada.
Etapas que compõe o tratamento endodôntico:
1) procedimentos pré-operatórios
Esterilização e desinfecção do instrumental de uso endodôntico
Condicionamento do paciente
Anestesia
Preparo da coroa
Isolamento do campo operatório
2) acesso ao canal
Abertura coronária
Esvaziamento da câmara pulpar
Localização e preparo da entrada dos canais
Preparo do terço cervical
3) preparo do canal
Pulpectomia: exploração; odontometria; esvaziamento; modelagem
Necropulpectomia: exploração com esvaziamento parcial; odontometria; esvaziamento; modelagem.
4) curativo de demora
5) obturação do canal.
Cavidade Pulpar:
A cavidade pulpar é o espaço presente internamente no dente, limitado em toda sua extensão por dentina, exceto ao nível do forame ou foraminas, ou forames apicais.
Limite CDC: limite para obtenção de sucesso clínico, radiográfico, histológico e jurídico após o tratamento.
Polpa Dentária:
A polpa dentária, tem origem no mesênquima
A polpa é um tecido conjuntivo frouxo de características especiais, que mantém íntimo relacionamento com a dentina que a cerca, constituindo uma unidade funcional designada como complexo dentina-polpa. 
Ocupando a cavidade central do dente – câmara pulpar e canal radicular - a polpa comunica-se com o ligamento periodontal através do forame ou forames apicais ou ainda por meio de eventuais canais laterais, pelos quais passam os elementos vasculares e nervosos.
Composição:
75% de água e 25% de material orgânico;
 Tipo de tecido:
Tecido conjuntivo frouxo especial.
Células que compõe a polpa dental:
1-ODONTOBLASTOS
2- FIBROBLASTOS
3-CÉLULAS MESENQUIMAIS INDIFERENCIADAS
4-CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE
1- ODONTOBLASTOS:
São células altamente diferenciadas, especializadas na produção de dentina primária, secundária e terciária, dependente de estímulos fisiológicos ou patológicos: cárie incipiente de esmalte, cárie de progressão lenta, preparos cavitários rasos.
São compostas por corpo e prolongamento celulares e estão dispostas lado a lado na periferia do tecido pulpar. Sua principal função é a formação de dentina.
2-FIBROBLASTOS:
São as células predominantes do tecido pulpar, com formato geralmente estrelado, possuem uma grande quantidade de organelas. Sua principal função é a síntese e secreção de matriz extracelular e fibras. Quando envelhecidas, são chamadas de fibrócitos. 
3- CÉLULAS MESENQUIMAIS INDIFERENCIADAS:
Semelhantes aos fibroblastos;
Células de reserva;
Capacidade de diferenciação em odontoblastos, fibroblastos; 
Localizadas ao redor dos vasos sanguíneos;
Diminuem com a idade;
4- CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE:
Linfócitos T, Macrófagos, Células dendríticas.
Componentes Extra Celulares:
MATRIZ EXTRACELULAR:
- Meio de transporte para nutrição,
- Compostas de proteoglicanas e água,
- Abriga os feixes de fibras, nervos, vasos sangüíneose elementos celulares.
Trama de fibras da polpa dental:
Fibras colágenas: arcabouço do tecido pulpar
Colágeno tipo I (60%),
Maior concentração próximo ao ápice, dispostas paralelamente.
Pequena quantidade em polpas jovens,
Resposta pulpar inversamente relacionada com sua presença.
Fibras reticulares:(von Korff):em torno dos vasos
Colágeno tipo III
Fibras elásticas: paredes dos vasos
Escassas
Vasos sanguíneos:
A polpa é ricamente vascularizada,
Sistema micro circulatório: Arteríolas, capilares e vênulas.
INERVAÇÃO:
- Corpos celulares no gânglio trigeminal. Nervos oftálmico, maxilar e mandibular.
Terminações nervosas livres (nociceptores).
Nociceptor é um receptor sensorial que envia sinal que causa a percepção da dor em resposta a um estímulo. A nocicepção é uma das duas possíveis manifestações de dor persistente. A outra manifestação de dor persistente é a dor neuropática que ocorre quando nervos no sistema nervoso central ou periférico não estão funcionando corretamente.
Os nociceptores são receptores silenciosos e não captam, respondem ou sentem estímulos normais. Somente quando estimulados por uma ameaça em potencial ao organismo humano, eles desencadeiam o reflexo da dor.
A maioria das terminações está situada na interface dentina-polpa da polpa coronária.
Composta de:
Fibras mielínicas (tipo A)
Fibras amielínicas (tipo C)
Fibras mielínicas (tipo A)
•Localização periférica
• Algumas penetram nos túbulos dentinários
• Respondem a estímulos “hidrodinâmicos” aplicados na dentina
•Dor aguda, pulsátil, rápida
•Sensibilidade dentinária. Ativação mecânica das fibras tipo A. Teoria hidrodinâmica da dor. 
Fibras amielínicas (tipo C)
•Localização profunda;
•Limiar de excitação alto;
•Estímulos mais fortes (térmicos ou mecânicos intensos) e mediadores inflamatórios;
•Dor difusa, mais lenta;
•Mantém a integridade por mais tempo
Polpa dental:
Camada odontoblástica
Camada subodontoblástica ou pobre em células (Weil)
Camada rica em células
Região central
Funções da polpa dental:
Formadora
 - Produção de dentina.
Nutritiva
Vascularização; 
Líquido para as estruturas orgânicas dos tecidos mineralizados.
Defensiva
- Formação de dentina reacional ou reparadora;
- Sensibilidade dolorosa;
Sistema de defesa celular.
Sensorial
Resposta aos estímulos nocivos da dor.
MODIFICAÇÕES PULPARES COM A IDADE
Com a idade, o volume pulpar se reduz em face da produção constante de dentina secundária e da produção eventual de dentina terciária.
A circulação se reduz devido ao estreitamento dos acessos pelos forames e por processo degenerativos vasculares.
Calcificações;
Degeneração de fibras nervosas;
Aumento da trama fibrilar;
Diminuição dos componentes celulares;
 Diminuição da capacidade de reparação. 
Referências bibliográficas. 
Cohen, Stephen; Hargreaves, Kenneth; tradução Alcir Costa. Caminhos da Polpa. 10. ed. Rio de Janeiro:Elsevier,2011.
 
- Leonardo, Mário Roberto; Leonardo,Renato de Toledo. Endodontia: Conceitos biológicos e Recursos Tecnológicos. São Paulo:ed.Artes Médicas,2009.
 
Soares, Ilson José;goldberg,Fernando; Endodontia Técnica e fundamentos.São Paulo:Artemededitora,2001.
Anatomia Interna dos canais Radiculares.
Cavidade Pulpar:
A cavidade pulpar é o espaço presente internamente no dente, limitado em toda sua extensão por dentina, exceto ao nível do forame ou foraminas, ou forames apicais. Tem forma aproximada do exterior do dente, não apresentando a mesma regularidade, por possuir saliências, reentrâncias e fendas, consequentes da deposição de dentina reacional ou secundária.
Está dividida em duas porções:
1- Câmara Pulpar:
Contém: assoalho, paredes mesial, distal, vestibular e palatal/ lingual, teto, cornos pulpares.
2- Canal Radicular:
É o espaço ocupado pela polpa Radicular.
Início:
Assoalho da câmara pulpar
Término: 
Forame apical
É dividido em 3 terços:
•Cervical
•Médio
•Apical
Biologicamente:
•Canal dentinário 
(Campo de ação)
•Canal cementário 
O canal principal pode apresentar múltiplas modificações, que recebem denominações de acordo com sua posição e/ou características: 
 1) canal principal
 2) colateral; 													
 
 3) lateral ou adventício; 
 4) secundário;
 5) acessório; 
 6) interconduto; 
 7) recorrente; 
 8) cavo-inter-radicular 
 9) canais reticulares
 10) Delta apical 
Em 68% dos dentes jovens e em 80% dos dentes senis o canal cementário não segue a direção do dentinário nem acaba no vértice apical. Por essa razão, o forame fica localizado lateralmente e essa lateralidade chega a alcançar, às vezes, até 3mm.
INCISIVO CENTRAL SUPERIOR:
Canal amplo e reto. As vezes possui leve curvatura radicular para distal. Raiz única, e canal único.
INCISIVO LATERAL SUPERIOR:
Uma característica deste dente é uma curvatura, por vezes acentuada, que o terço apical de sua raiz apresenta no sentido disto-palatal. Geralmente apresenta única raiz e canal também único.
INCISIVO CENTRALINFERIOR:
Apresenta a coroa com forma trapezoidal e uma raiz fortemente achatada no sentido mésio-distal, com sulcos longitudinais em suas faces proximais.
CANINO SUPERIOR:
É o dente mais longo da arcada dentária humana, atingindo comprimentos muitas vezes incomuns, em algumas ocasiões até mesmo superiores a 30mm. Essas medidas determinam a realização de cuidadosa odontometria.
CANINO INFERIOR:
É muito semelhante ao canino superior, no entanto, proporcionalmente menor em todas as dimensões.
PRIMEIRO PRÉ MOLAR SUPERIOR:
A coroa do primeiro pré-molar superior tem um aspecto aproximadamente cubóide.
Apresenta, em 61% dos casos, duas raízes: uma vestibular e outra palatal. Em 35,5% dos casos, pode apresentar raiz única e, em um percentual menor (3,5%), três raízes: duas vestibulares e uma palatal.
SEGUNDO PRÉ MOLAR SUPERIOR:
O segundo pré-molar superior apresenta um aspecto coronário muito semelhante ao do primeiro, porém em quase 95% dos casos apresenta raiz única.
PRIMEIRO PRÉ MOLAR INFERIOR:
Apresenta a coroa com forma ovóide, bicuspidada e geralmente uma raiz de secção também ovóide, achatada no sentido mésio-distal.
SEGUNDO PRÉ MOLAR INFERIOR:
É anatomicamente muito semelhante ao primeiro.
PRIMEIROMOLAR SUPERIOR:
Apresenta três raízes, na maior parte das vezes bem diferenciadas, sendo duas vestibulares e uma palatal.
SEGUNDO MOLAR SUPERIOR:
Pode assumir conformações variadas e apresentar uma forma tetracuspidada; outras vezes, tricuspidada e, ainda, uma forma denominada compressão, quando as entradas dos canais, no assoalho da câmara pulpar, podem se dispor em linha.
PRIMEIRO MOLAR INFERIOR:
É o mais volumoso dente da arcada dentária humana. Sua coroa apresenta cinco cúspides, três vestibulares e duas linguais. Possui geralmente duas raízes bem diferenciadas, uma mesial e uma distal.
SEGUNDO MOLAR INFERIOR:
Os aspectos anatômicos são tão diferenciados como o primeiro molar inferior, podendo até mesmo apresentar fusionamento total ou parcial.
Muitas vezes encontram-se exceções:
Instrumentos Endodônticos
Para a correta escolha de instrumentos endodônticos, precisa-se de entendimento suficiente de sua fabricação, desenho e principalmente do seu manuseio.
Partes dos Instrumentos Endodônticos:
A- Cabo
B- Intermediário
C- Parte Ativa
D- Ponta ou Guia de Penetração
Estandardização dos Instrumentos Endodônticos:
Tamanhos:
21mm,
25 mm;
31mm.
Calibres:
	Série/
Cor
	Primeira Série
	Segunda Série
	Terceira Série
	Extra série
	Rosa
	
	
	
	06
	Cinza
	
	
	
	08
	Roxo
	
	
	
	10
	Branco
	15
	45
	90
	
	Amarelo
	20
	50
	100
	
	Vermelho
	25
	55
	110
	
	Azul
	30
	60
	120
	
	Verde 
	35
	70
	130
	
	Preto
	40
	80
	140
	
 O calibre do instrumento corresponde ao diâmetro de sua ponta da seguinte forma:
Instrumento 15- 0,15mm diâmetro em sua ponta.
Conicidade:
02- a cada milímetro de altura da parte ativa, o diâmetro do instrumento aumenta 0,02 mm
04- a cada milímetro de altura da parte ativa, o diâmetro do instrumento aumenta 0,04 mm
06
08
10
Chama-se D0 o primeiro diâmetro, ou seja, o diâmetro da ponta do instrumento, D1 o diâmetro 1mm após, e assim sucessivamente até D16, porque todos os instrumentos têm 16 mm na sua parte ativa.
Estudo dos principais instrumentos:
Os instrumentos mauais na endodontia são fabricados a partir de uma liga de aço inoxidável principalmente.
Alargadores:
São instrumentos com secção transversal triangular;
Indicações: Exploração de canais, esvaziamento e modelagem de canais retos;
Cinemática: Rotação;
Obs. Se girados no interior de canais curvos, a sua ponta descreve a trajetória de uma elipse, destruindo assim, o ápice do dente.
Limas tipo K:
Instrumentos com secção transversal quadrangular;
Indicação: Esvaziamento e modelagem de canais retos;
Cinemática: Rotação e limagem;
São instrumentos pouco flexíveis por serem robustos (secção quadrangular).
Limas tipo Flex:
Secção transversal triangular;
Indicação: esvaziamento e modelagem de canais retos e curvos;
Cinemática: rotação e limagem
São flexíveis por serem de secção triangular.
Obs.: apresentam um quadrado no cabo, por serem limas (maior número de espirais).
Limas Hedstroem:
Secção transversal circular (cones sobrepostos);
Indicação: Esvaziamento e modelagem de canais, principalmente terços médio e cervical, alisamento das paredes dos canais;
Cinemática: Limagem;
São instrumentos torneados, e possuem uma zona de fragilidade na parte mais fina do cone.
Fatores que influenciam a flexibilidade dos instrumentos:
Secção transversal;
Liga empregada na fabricação;
Calibre do instrumento.
O movimento adotado pela nossa disciplina é o de cateterismo ou parcial alternado na porção apical do canal que compreende um quarto de volta para a direita, um quarto de volta para a esquerda e tração.
Outros instrumentos endodônticos:
Extirpa nervos ou extirpa polpas: Instrumento farpado, indicado para remoção de conteúdo pulpar, ou resíduos e curativos.
Brocas de Gates Glidden:
São brocas sem corte na ponta, usadas em baixa rotação, sempre no sentido anti- horário
Usadas para o preparo dos terços médio e cervical,
Tem o número indicado por riscos no cabo,
Tamanhos de 28 e 32 mm
 
Brocas Lentulo: 
Servem para introduzir medicação ou cimentos pastosos no interior do canal,
Usadas sempre em baixa rotação.
Condensadores de Mc Spadden:
Usados para obturação do canal pela técnica termoplastificada,
Usados em baixa rotação sempre no sentido anti- horário.
Espaçadores Digitais: Usados para obturação, fazendo com que a sua introdução no canal abra espaço para a colocação de novos cones de guta- percha.
Limas mecanizadas: 
São acionadas a motor,
São fabricadas com liga de níquel titânio,
Tem conicidades diferenciadas,
Conferem maior rapidez à instrumentação do canal, melhor desempenho por preparar o canal de maneira regular, 
Desvantagem: alto custo.
Abertura Coronária em Endodontia
Passos do Tratamento Endodôntico:
Abertura;
Exploração e Odontometria;
Limpeza e Modelagem;
MedicaçãoIntracanal;
Obturação e Restauração;
Proservação
Conceito: 
É a remoção do teto da câmara pulpar, visando o preparo dos canais radiculares;
É a projeção da anatomia interna do dente sobre a superfície da coroa;
Permite que o instrumento trabalhe de forma livre e direta no comprimento de trabalho.
Objetivos:
Remoção de todo conteúdo da câmara pulpar: essencial para se conseguir a desinfecção do canal radicular, evitando sua recontaminação e alteração cromática da coroa dental;
Luminosidade e visão do assoalho e entrada dos canais radiculares: obtida com paredes circundantes lisas e divergentes para a superfície externa da coroa;
Acesso direto à região apical: as paredes circundantes devem permitir a entrada e os movimentos dos instrumentos nos canais radiculares a fim de evitar limpeza insuficiente, mudança de forma e posição do forame apical, formação de degrau e desvio do canal, perfuração radicular, fratura do instrumento, etc.; e
Selamento cavitário: as paredes circundantes divergentes reterão a restauração provisória, evitando sua intrusão e consequente contaminação do canal.
Importante a análise da radiografia inicial para a detecção de:
Tamanho e localização da câmara pulpar,
Alterações de contorno,
Calcificações,
Número de canais,
Inclinação dentária.
Princípios:
O acesso da lima ao canal deve ser em linha mais reta possível;
A região de furca deve ser preservada;
Todo teto da câmara pulpar deve ser removido;
Os limites da abertura devem ser incluindo os cornos pulpares.
Etapas:
Ponto de Eleição;
Acesso ou direção de trepanação;
Forma de Contorno;
Forma de Conveniência;
Esvaziamento da Câmara Pulpar;
Localização da entrada do canal.
A broca usada na abertura deve ser esférica diamantada (usada em alta rotação) e com o diâmetro compatível a câmara no RX, e deve ser sempre direcionada ao longo eixo do dente!!!!!!
Sinais clínicos do acesso:
Tecido vivo, sangrante; ou
Tecido necrosado (sensação de cair no vazio); ou
Pus no caso de abscesso.
Cuidado:
Grupo de Incisivos:
PONTO DE ELEIÇÃO: 2 mm acima do cíngulo;
ACESSO;
FORMA DE CONTORNO: Triangular com a base para incisal. Após acesso, movimentar a broca de dentro para fora (movimentos de tração) a fim de remover o teto da câmara pulpar. A FORMA DE CONTORNO É OBTIDA COM A REMOÇÃO DO TETO DA CÂMARA PULPAR.
Verificar remanescentes do teto da câmara pulpar:
 
A forma de conveniência é realizada com uma broca diamantada de alta rotação tronco cônica sem corte na ponta como a 2082,3083. Permite o acesso da lima direto e livre ao canal. Chamada de desgaste compensatório porque desgasta projeções de dentina.
Brocas usadas para a forma de conveniência:
Broca Endo Z,
Pontas diamantadas 2083,3083,3080,3081;
Gates Glidden,
Largo,
Broca de Batt.
Limite laranja: Forma de contorno
Limite amarelo: Forma de conveniência
Esvaziamento da câmara pulpar:
Feito com curetas de dentina e irrigação abundante com hipoclorito de sódio 1%
Caninos:
Ponto de eleição: 2 mm acima do cíngulo /centro da face lingual;
Acesso;
Forma de Contorno: oval;
Forma de Conveniência;
Esvaziamento da câmara pulpar;
Localização da entrada do canal.
Pré Molares Inferiores:
Ponto de eleição: Centro do sulco oclusal;
Acesso: cuidar da direção, sempre paralela ao longo eixo do dente. No caso da cúspide lingual ser atrofiada, inclinar um pouco a broca em direção vestibular, a fim de atingir a porção mais volumosa da câmara pulpar;
Forma de Contorno: circular;
Forma de Conveniência;
Esvaziamento da câmara pulpar;
Localização da entrada do canal.
Pré Molares Superiores:
Ponto de eleição: centro do sulco oclusal;
Acesso: a direção de abertura deve ser de tal maneira que a broca atinja a porção mais volumosa da câmara pulpar, que neste caso, está na entrada do canal palatal. Inclinar a broca em direção palatal.
Forma de Contorno: oval;
Forma de Conveniência: desgaste compensatório;
Esvaziamento da Câmara Pulpar;
Localização das entradas dos canais: com uma sonda modificada, deslizá-la pelas paredes da câmara e furca, a fim de localizar as entradas dos canais. Muitas vezes, necessitamos de um instrumento endodôntico para tal fim, como um alargador fino.
Molares Inferiores:
Ponto de eleição: fosseta central da face oclusal;
Acesso: direção da broca voltada para a entrada do canal distal;
Forma de Contorno: trapézio com a base maior voltada para mesial, e base menor para distal;
Forma de Conveniência: desgaste compensatório para facilitar a entrada das limas nos canais;
Esvaziamento da câmara pulpar;
Localização das entradas dos canais (sempre procurar por dois canais na raiz distal)
Forma de Conveniência:
Cuidado com variações anatômicas, como mudança na altura da câmara pulpar por deposição de dentina terciária 
Molares Superiores:
Ponto de eleição: fosseta central da face oclusal;
Acesso: direção voltada para a entrada do canal palatal;
Forma de Contorno: trapézio com base maior voltada para vestibular, e base menor voltada para palatal;
Forma de Conveniência: desgaste compensatório;
Esvaziamento da câmara pulpar;
Localização das entradas dos canais: em primeiros molares, procurar sempre o canal palatino da raiz mesial.
Fatores que influenciam a abertura coronária:
Deposição de dentina secundária;
Deposição de dentina terciária;
Variações anatômicas.
Exploração e Odontometria
Passos do Tratamento Endodôntico:
Abertura;
Exploração e Odontometria;
Limpeza e Modelagem;
Medicação Intracanal;
Obturação e Restauração;
Proservação.
Exploração
É o método usado para conhecermos o canal através de limas exploradoras,
Através da exploração conseguimos “sentir” o canal, ou seja determinarmos curvaturas, dimensão do canal, obstruções, etc.
CUIDADO com o conteúdo séptico que possa existir dentro do canal!!!!!!!!!
Tipo de instrumento usado para exploração: alargador, lima flex ou lima tipo k;
Movimento indicado: Cateterismo (para não empurrar restos necróticos e bactérias para o periápice);
Calibre: o mais fino possível dependendo da dimensão do canal. Ex: 08, 10, 15 ou 20.
Comprimento: Comprimento de Trabalho de Exploração, medido pela fórmula:
CTEx= CAD+ CMD /2 – 3mm, onde:
CAD= Comprimento Aparente do Dente (medido pela radiografia inicial),
CMD= Comprimento Médio do Dente (tabela ).
A fórmula define uma média entre os comprimentos aparente e médio, diminuído 3 mm como margem de segurança.
Tabela de comprimento médio dos dentes:
	
	IC
	IL
	C
	1 PM
	2 PM
	1 M
	2M
	3 M
	Sup
	22
	22
	27
	22
	21
	21
	21
	19
	Inf
	21
	22
	25
	21
	22
	21
	21
	19
Odontometria:
É o procedimento no qual se determina o comprimento real do dente- CRD.
A correta determinação do comprimento real do dente tem por objetivo assegurar que os procedimentos endodônticos sejam realizados dentro dos limites do canal radicular.
Para odontometria, existem métodos eletrônicos e radiográficos.
O método usado pela nossa disciplina é o Método Radiográfico de Ingle.
A princípio deve-se realizar uma radiografia periapical do dente em tratamento com instrumento explorador no interior do canal (CTEx)
O Comprimento Real do Dente (CRD) é o CTEx acrescido da distância da ponta da lima ao ápice radiográfico. Medir a distância entre a ponta da lima na radiografia e o ápice:
Se a medida da ponta da lima ao ápice ficar 3 mm ou mais, não podemos considerar o Comprimento Real do Dente (CRD) como verdadeiro, pois pode ter havido distorções na radiografia. Então, calcular um novo CTEX de modo que essa distância diminua para 1 mm (no caso do exemplo, aumentar 2 mm de comprimento da lima), e bater outro RX
A determinação da odontometria é em grande parte passível de erros, provocados desde distorções da técnica radiográfica, falta de contraste e nitidez, medição da radiografia com régua milimetrada, transferência das medidas obtidas aos instrumentos, por meio de cursores ou limitadoresde silicone, entre outros.
Limitações dos Métodos Radiográficos:
Imagem bidimensional;
Anatomia apical;
Interpretação radiográfica;
Variações de angulações;
 Sobreposição de estruturas.
As dificuldades da odontometria estão sendo vencidas pelo uso de aparelhos eletrônicos resultantes de significativos avanços tecnológicos e que, associados a sinais auditivos (método eletrônico /audiométrico), permitem a localização da constrição e do forame apicais com expressivo percentual de acerto.
Com a penetração da lima, conectada ao eletrodo, em direção apical, a discrepância entre os valores de impedância começa a aumentar e será máxima na constrição apical. Aliada à observação do visor do aparelho, um alarme sonoro indicará aquela posição. 
Limpeza e Modelagem
Passos do Tratamento Endodôntico:
Abertura;
Exploração e Odontometria;
Limpeza e Modelagem;
Medicação Intracanal;
Obturação e Restauração;
Proservação.
Limpeza refere-se à remoção de todo conteúdo de canais radiculares antes e durante a modelagem: substratos orgânicos, microrganismos, produtos tóxicos provenientes de bactérias, alimentos, cáries, cálculos pulpares, remanescentes pulpares, material obturador e raspas de dentina resultantes do preparo do canal.
É conseguida pela ação mecânica dos instrumentos endodônticos junto as paredes internas do canal radicular principal e pela ação química das soluções auxiliares de instrumentação.
Obs: Essas substâncias devem ser dotadas de propriedades solventes de matéria orgânica e de atividade antimicrobiana; a ação solvente visa a remoção de tecido pulpar vivo ou necrosado que devem ser removidos para não servirem de substrato para as bactérias; a ação antibacteriana das soluções são para desinfetar (necro) ou evitar contaminação (Bio). 
A modelagem refere-se a uma forma específica da cavidade, que atende a cinco objetivos propostos por HERBERT SCHILDER (1974):
Desenvolver uma forma cônica progressiva no preparo do canal radicular.
Fazer o canal mais estreito apicalmente, com o menor diâmetro seccional no seu término.
Obter o preparo cônico em múltiplos planos.
Nunca transportar o forame.
Manter o forame apical tão pequeno quanto prático.
Através da modelagem, damos ao canal radicular uma forma cônica para posteriormente fecharmos esse espaço com a obturação. A modelagem também visa a remoção da dentina contaminada das paredes do canal, além de alisamento das mesmas.
A modelagem compreende três passos: 
Pré alargamento dos terços cervical e médio;
Construção do batente apical;
Recuo progressivo.
Passos para a Limpeza e Modelagem:
Após a determinação do comprimento real do dente, utilizar uma lima K 08 ou 10 como Patência (lima utilizada para manter o forame apical livre de debris e desobstruído);
Realizar o pré alargamento dos terços cervical e médio. Para isso, sugerimos brocas Gates- Glidden compatíveis com a dimensão do canal. (Ex. GG 04 com 13 mm para p terço cervical e GG 03 com 15 mm para o terço médio)
Com o estabelecimento da lima anatômica (lima que se adapta no comprimento de trabalho de modelagem (CTM) sem ficar solta), utilizar mais duas ou três numerações para estabelecer o batente apical (lima memória);
Após o estabelecimento do batente apical, realizar o recuo progressivo: diminui-se 1mm para a próxima lima, recuando 3mm com três limas;
OBS: 
_ CTM= CRD- 1 mm
_ Sempre que passar de uma lima para outra, deve-se irrigar com hipoclorito, e utilizar a lima patência ; quando realizar o recuo progressivo sempre utilizar a lima memória, patência e irrigação com hipoclorito. 
_ A irrigação deve ser feita com uma agulha fina, sempre calibrada 2mm aquém do CTM, e deve estar sempre solta no canal para que haja refluxo da solução irrigadora e esta não seja forçada (impulsionada) para a região periapical.
_ Não se trabalha no canal radicular sem a lima estar calibrada com cursor.
ESQUEMA SUGERIDO DE INSTRUMENTAÇÃO:
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
GG 04 com 13 mm
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
GG 03 com 15 mm
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 15 no CTM ( lima anatômica)
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 20 no CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 25 no CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K ou H 35; 1 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_lima K ou H 40; 2 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_lima K ou H 45; 3 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_ Quando a instrumentação estiver concluída, realizar a irrigação final: 3 ml de EDTA, sendo 1 minuto de agitação com um cone de guta percha ( com o mesmo calibre do instrumento de memória) e esperar mais 2 minutos para a solução agir.Posteriormente aspirar,irrigar com mais 3ml de hipoclorito, secar com cones de papel absorvente compatível (mesma numeração da lima memória) e colocar medicação intracanal de hidróxido de cálcio (Ultracall).
_ colocação do curativo de demora no canal: usar a agulha do Ultracall calibrada no CTM, posteriormente com uma lentulo (compatível com a lima memória) calibrada 2mm aquém do CTM (comprimento de trabalho de modelagem) e com o contra-ângulo no sentido horário (sempre no sentido horário), preencher o canal com a medicação com a velocidade do micro motor reduzida.
_posteriormente, remover o excesso de medicação, colocar uma bolinha de algodão esterilizada 
Irrigação e Medicação Intracanal.
Passos do Tratamento Endodôntico:
Abertura;
Exploração e Odontometria;
Limpeza e Modelagem;
Medicação Intracanal;
Obturação e Restauração;
Proservação.
Irrigantes usados em Endodontia:
SOLUÇÕES DE DETERGENTE ANIÔNICO,
ÁGUA OXIGENADA A 10 VOLUMES,
SOLUÇÃO DE HIDRÓXIDO DE CÁLCIO,
CLOREXIDINA LÍQUIDA,
EDTA (ÁCIDO ETILENODIAMINO- TETRACÉTICO- QUELANTE)
SOLUÇÕES DE HIPOCLORITO DE SÓDIO
Importância da irrigação:
LIMPEZA
DESINFECÇÃO
LUBRIFICAÇÃO
Hipoclorito de sódio:
0,5% - LÍQUIDO DE DAKIN
1%- SOLUÇÃO DE MILTON
2,5%- ÁGUA SANITÁRIA
4%- SODA CLORADA
5,25%- SOLUÇÃO DE LABARRAQUE
Vantagens do Hipoclorito:
BOA CAPACIDADE DE LIMPEZA,
EFETIVO PODER ANTIMICROBIANO,
NEUTRALIZANTE DE PRODUTOS TÓXICOS,
DISSOLVENTE DE TECIDO ORGÂNICO,
AÇÃO DESODORIZANTE,
AÇÃO RÁPIDA,
SOLUÇÃO CLAREADORA.
EDTA:
AÇÃO QUELANTE,
PODER LIMITANTE,
AGE MELHOR QUANDO AGITADO.
3 ml. DURANTE 3 MINUTOS (1 DE AGITAÇÃO E 2 DE ESPERA).
 
Medicação Intracanal:
COLOCAÇÃO DE UMA SUBSTÂNCIA MEDICAMENTOSA NO INTERIOR DA CAVIDADE PULPAR, ENTRE SESSÕES DO TRATAMENTO ENDODÔNTICO.
Substâncias Utilizadas:
ASSOCIAÇÃO CORTICÓIDE- ANTIBIÓTICO (Otosporin)
HIDRÓXIDO DE CÁLCIO
TRICRESOL FORMALINA
PARAMONOCLOROFENOL CANFORADO
CLOREXIDA 2%
Asssociação corticóide- Antibiótico:
CORTICÓIDE- ANTIINFLAMATÓRIO POTENTE
ANTIBIÓTICO PARA COMBATER EVENTUAIS INFECÇÕES
USADOS SEMPRE EM TRATAMENTO DE DENTES VITAIS
NOME COMERCIAL: OTOSPORIN
Hidróxido de Cálcio:
PODER ANTISSÉPTICO, BIOCOMPATÍVEL, ESTIMULA E/OU CRIA CONDIÇÕES FAVORÁVEIS AO REPARO TECIDUAL
PH ELEVADO
AMPLAMENTE UTILIZADO NA PRÁTICA ENDODÔNTICA
USADO EM FORMA DE PASTA- MISTURADO COM PROPILENOGLICOL, ÁGUA DESTILADA, ANESTÉSICO, CLOREXIDINA GEL 2%
EXISTE COMERCIALMENTE EM FÓRMULA PRONTA CONHECIDA COMO CALLEN ou Ultracall.
 
Tricresol Formalina:
UTILIZADO COMO MEDICAÇÃO PRÉVIA COM CAPACIDADE DE NEUTRALIZAR TOXINAS PRESENTES NO CANAL RADICULAR
UTILIZADO NO TRATAMENTO DE DENTES DESPOLPADOS
GRAÇAS AODESPRENDIMENTO DE VAPORESS, TEM PODER DE ATUAÇÃO À DISTÂNCIA. 
Para Mono Clorofenol Canforado (PMCC):
INDICADO PARA DENTES DESPOLPADOS,
LEVADO AO INTERIOR DO CANAL COM CONE DE PAPEL EMBEBIDO NA SUBSTÂNCIA,
AÇÃO POR CONTATO E NEUTRALIZAÇÃO EM PRESENÇA DE MATÉRIA ORGÂNICA
FENOL É AGRESSIVO AOS TECIDOS PERIAPICAIS
TAMBÉM UTILIZADO MISTURADO COM O HIDRÓXIDO DE CÁLCIO COM NOME COMERCIAL DE CALLEN PMCC 
Clorexidina 2%:
MANIPULADO EM FARMÁCIAS,
ALTO PODER DESINFECTANTE COM AÇÃO PROLONGADA, MESMO APÓS A REMOÇÃO DO PRODUTO,
Aula de Obturação
 “A obturação é o retrato da endodontia”
1- Conceito: Consiste no selamento hermético dos canais radiculares com materiais inertes, eliminando o espaço anteriormente ocupado pela polpa dental, e que fora modelado, objetivando um reparo cicatricial.
2-Importância: 
Uma modelagem incorreta, leva sempre a uma má obturação, enquanto a boa modelagem pode resultar numa boa ou numa má obturação.
3- Momento:
O dente não deve apresentar dor,
O canal deve estar limpo e modelado,
O canal deve estar seco.
Após o uso de uma medicação intracanal entre duas sessões do tratamento, em casos de dentes despolpados.
4- Nível Apical:
O nível apical da obturação é o mesmo da modelagem, ou seja 1 mm. menos do CRD (comprimento real do dente).
5- Tridimensionalidade:
A obturação não deve deixar espaços livres, inclusive objetivando o fechamento do sistema de canais, como canais laterais, ístmos, divertículos e câmara pulpar. O uso do EDTA na irrigação final elimina a lama dentinária formada durante a instrumentação, e permite a entrada da material obturador nos canalículos dentinários. Por isso, o EDTA deve ser usado em dois momentos, ou seja, como irrigante final após instrumentação e antes da medicação intracanal de hidróxido de cálcio, e antes da obturação.
 
6- Materiais:
- Guta percha: A guta-percha é uma substância vegetal obtida a partir do látex do Palaquium, árvores relacionadas ao sapotizeiro, do qual se extrai a resina da goma de mascar.
 
- Cimento Endodôntico:
Requisitos Básicos:
Boa estabilidade dimensional, impermeabilidade e aderência;
Bom escoamento;
Radiopacidade;
Fácil manipulação e aplicação no canal; 
Não causar alteração de cor do dente;
Ação antibacteriana;
Remoção fácil caso necessário;
Biocompatibilidade.
Cimentos a base de óxido de zinco e eugenol:
Os mais usados, não apresentam todos os requisitos básicos, causam alterações de cor do dente por exemplo, mas são os mais baratos.
 
Existem também cimentos a base de resina plástica, com hidróxido de cálcio, a base de ionômero de vidro.
7- Técnicas de obturação:
7.1 Técnica da condensação Lateral: mais utilizada universalmente.
Passo 1- escolha do cone principal ou cone mestre:
Escolha do cone de guta percha compatível com o intrumento memória. O cone deve ficar acomodado no batente apical, ou seja, a 1 mm do forame apical.
 
Fazer o RX para confirmação
 
Passo 2- preparo do cimento obturador: manipular o óxido de zinco misturado com eugenol na parte rugosa da placa de vidro. A consistência do cimento deve ser a de “suspiro” ou “massa de vidraceiro”. O cimento deve ser bastante manipulado para que os grânulos do óxido de zinco desmanchem-se.
 
Passo 3-técnica de obturação:
Passar o cone principal escolhido no cimento obturador, e colocar dentro do canal. Usar o espaçador digital devidamente calibrado para forçar o cone com cimento contra as paredes do canal e abrir mais espaços para o preenchimento com cones de guta percha acessórias também lambusadas com cimento.
 
 Preencher o canal até a repleção do conduto (Quando o espaçador digital não mais entrar).
Cortar o excesso dos cones ( o que passa do bordo incisal com uma tesoura de ponta fina), e cortar os cones na entrada do canal com uma cureta de dentina aquecida.
Realizar a condensação vertical, ou seja, forçar o condensador de Paiva na entrada do canal para compactar a obturação.
7.2 Técnicas que empregam a guta percha termoplastificada:
7.2.1Técnicas termomêcanicas;
7.2.1.1 Técnica de Mc Spadden:
Após a colocação do cone mestre com cimento no canal, usa-se o condensador de Mc Spadden girando no sentido horário em baixa rotação, para gerar atrito, e com isso produzir calor. Esse calor produzido plastifica a guta percha que é jogada contra as paredes do canal fechando o espaço. A medida que a guta percha vai sendo jogada para o ápice, o condensador vai saindo ainda girando do canal.
 
7.2.1.2 Técnica Híbrida de Tagger
Hibridismo entre a técnica da condensação lateral (terço apical) e a técnica de Mc Spadden (terços cervical e médio). Como a Mc Spadden é usada apenas no terço médio, Ela deve ser usada com um calibre dois números maior que o cone mestre, e com dois mm. a menos.
7.2.2Técnicas térmicas propiamente ditas:
7.2.2.1Técnicas não-injetáveis;
7.2.2.2Técnicas injetáveis.
Obs: 1- Como os cones de guta percha não são esterilizados de fábrica, e como não podemos colocá-los na autoclave, recomendamos a imersão dos mesmos num pote dappen com hipoclorito de sódio por 5 min. Antes da colocação dos mesmos no interior do canal. Então, quando está programada a consulta de obturação, enquanto faz-se anestesia do paciente, colocação do isolamento absoluto, remoção do curativo e da medicação intracanal, irrigação final e secagem do canal com pontas de papel estéril, já coloca-se os cones imersos no hipoclorito.
2- Na nossa prática (UNESC) usamos a técnica de obturação híbrida de Tagger. Após a condensação lateral, antes do corte da guta- percha, usamos o condensador de Mc Spadden. Verificamos que com o uso do condensador, sobra espaço no canal para a colocação de mais cones acessórios, conseguindo assim melhor repleção do conduto.
3- Após o corte dos cones na entrada do canal e condensação vertical, limpar a câmara pulpar com bolinhas de algodão embebidas em álcool para a remoção do cimento, já que o mesmo escurece a coroa do dente do paciente.
4- Selar o dente com ionômero de vidro ou resina composta, e após remoção do isolamento absoluto, fazer a radiografia final do dente.
 
8- Bibliografia Recomendada:
Buchanan LS. The continuos wave of condensation technique: a convergence of conceptual and procedural advances in obturation. Dent Today.1994;10(13):80-5
Ruddle CJ. Three dimensional obturation of the root canal system.Dent Today,1992;3(11):28-39. 
Schilder H. Filling root canals in three dimensions. Dent Clin North Am.1967;11:723-44.
Schilder H. Vertical compaction of warm gutta-percha.In: Gerstain H. Techniques in clinical endodontics.Philadelphia: WB Saunders Co.1983, 76-98.
Tagger M et. al. Evaluation of the apical seal produced by a hybrid root canal filling method, combining lateral condesantion and thermatic compaction. J Endod. 1984;7(10):299-303.
Yee RS et. al. Three-dimensional obturation of the root canal using injection-molded, thermoplasticized dental gutta-percha. J Endod. 1977;5(3):168-74.
Guia Prático para as consultas em Endodontia:
Primeira Consulta:
Anamnese,
Rx Inicial,
Anestesia,
Cálculo do CTEx,
Abertura coronária:
Ponto de Eleição;
Acesso;
Isolamento Absoluto;
Forma de Contorno;
Forma de Conveniência;
Esvaziamento da Câmara Pulpar;
Localização da entrada do canal.
No caso de não se ter tempo: Bolinha de algodão estéril com medicação de Otosporin em dentes com polpa viva e Tricresol Formalina (neutralização mediata) em dentes com polpa necrosada e selamento com CIV.
Penetração Desinfetante ou Desinfecção por terços: terço Cervical, Terço Médio, Terço Apical (neutralização imediata). Quando for polpa viva, pular esse passo.
Exploração;
Odontometria;
Limpeza e Modelagem:
Determinação da Lima Patência;
Pré Alargamento Cervical e Médio com Gates Glidden;
Escolha da Lima Anatômica
Confecção do Batente Apical (Lima Memória);
Recuo Programático.
Irrigação Final;
Secagem do canal,
Medicação intracanal: com Lentulo;
Curativo com CIV.
	DENTE
	CANAL
	DIMENSÃO DO 
CANAL
	REFERÊNCIAINCISAL/CURSOR
	ODONTOMETRIA
	COMPRIMENTO DE TRABALHO
	LIMA INICIAL
ANATÔMICA
	LIMA 
MEMÓRIA
	LIMA PATÊNCIA
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
ESQUEMA SUGERIDO DE INSTRUMENTAÇÃO:
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
GG 04 com 13 mm
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
GG 03 com 15 mm
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 15 no CTM ( lima anatômica)
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 20 no CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 25 no CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K ou H 35; 1 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_lima K ou H 40; 2 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
_lima K ou H 45; 3 mm a menos que CTM
_Irrigação com Hipoclorito e aspiração
_ lima K 08 ou 10 no CRD_ lima Patência
_lima K 30 no CTM (lima memória)
Segunda Consulta:
Anestesia;
Desinfecção prévia dos cones de guta percha (imersão dos mesmos em hipoclorito de sódio 1% por cinco minutos);
Isolamento Absoluto;
Remoção do curativo e medicação com Lima Patência, Lima Memória e abundante Irrigação;
Prova do cone;
Irrigação final;
Secagem;
Manipulação do cimento obturador;
Obturação:
Condensação Lateral;
Mc Spadden;
Condensação Lateral;
Corte dos cones;
Condensação Vertical;
Limpeza das paredes da Câmara Pulpar com bolinha de algodão e álcool 70%;
Condicionamento com ácido poliacrílico;
Selamento da cavidade com ionômero de vidro e resina.
Montagem Caixa Endodôntica 
Procedimento: com a lateral da caixa voltado para o acadêmico.
Lateral da caixa:
Sonda exploradora 
Pinça clínica
Sonda de Weston
Espelho
Régua endodôntica metálica
Suador metálico com ponta
Condensador manual
Colher de dentina 5, 17, 18 uma é para flambagem
Espátula para manipulação nº 72
Espátula para levar cimento à cavidade
Seringa para irrigação em endodontia com agulhas
Tesoura pequena
Sequência das Limas ( nos espaços perfurados da caixa)(:
 Limas K 21 mm 1° série
 Limas K 21 mm 2° série
 Limas K 25 mm 1° série
Limas K 25 mm 2° série
Limas K 31 mm 1° série
Limas K 31 mm 2° série
Limas H 25 mm 1° série
Limas H 25 mm 2° série
Limas flex 21 mm 1° série
Limas flex 25 mm 1° série
 02-Limas K extra – série 21 mm n° 10, + 04 espaçadores digitais (amarelo, vermelho, azul, preto)
Limas K extra – série 25mm n° 6; 8 ; 10 (2 de cada)
Vidros 
Bolinhas de algodão
Cursores 
Entre os vidros e a caixa colocar 4 gases dobradas.
No outro lado colocar os grampos de isolamneto
 Encima das limas colocar a placa de vidro
Estojo de Endodontia com 08 divisões:
01-Gates Glidden
02-Mc Spadden
03-Extirpa polpas
04-Lentulos
05-Broca 2081, 2082, 3081, 3082, Endo Z
06-Pontas diamantadas esféricas 
07-Brocas de alta rotação
08-Brocas de baixa rotação
Caixa de acessórios:
Caixas de Pontas de papel absorvente 15-40; 45-80
Caixa de Cones de guta-percha 15-40;45-80
Caixa de Cones de guta-percha acessórios B 7
Caixa de Cones de guta-percha acessórios B 8
Gilette
Régua milimetrada de plástico
Caneta para retroprojetor ponta fina
SUPER-BONDER 5 g.
Pote de vaselina sólida pequeno
Tesoura reta pequena – 12 cm – ponta fina
Perfurador de lençol de borracha
Pinça porta-grampo
Arco porta-dique;
 Lençol de borracha 
 Lamparina a álcool
Tamborel
Pote dappen
Lençol de borracha
(03) colgaduras individuais
Isqueiro
Montagem do manequim
 Desparafusar o manequim, 
Remover os dentes artificiais
Selecionar os dentes a serem colocados
Vaselinar o espaço dos dentes
Colocar em um pote dappen acrílico pó e no outro o líquido
Com a técnica do pincel por adição de pó e líquido fixar os dentes no alvéolo
 Remover os excessos.