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TDE 6 – Arbitragem Exercícios a) Qual seu entendimento acerca da arbitragem? Regulamenta-se por qual lei? A lei da arbitragem no Brasil é regida pela Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, que estabelece as diretrizes para a resolução de conflitos por meio da arbitragem. A lei permite que as pessoas capazes de contratar se valham da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. As partes tem a liberdade de escolher as regras de direitos que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e a ordem pública. A administração pública direta e indireta também pode utilizar a arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis, respeitando o princi- pio da publicidade. A Lei da Arbitragem no Brasil é uma legislação especifica que não possui uma especificidade constitucional, sendo uma lei própria que se des- taca por sua flexibilidade e autonomia das partes. A lei não alterou significativa- mente o Código de Processo Civil, mas trouxe melhorias nas disposições dos artigos, especialmente em casos de aperfeiçoamento especial. A arbitragem é considerada um meio eficaz de resolução de conflitos, oferecendo vantagens como sigilo, linguagem simples e informalidade, além de custos que podem ser inferiores aos de ações judiciais. A aplicação subsidiária do código de processo de arbitragem não é geral, mas podem ocorrer em casos específicos, como im- pedimentos e suspeitos de árbitros que seguem as regras do Código de Pro- cesso Civil. b) Leia a ementa abaixo após responda: Ementa: STJ (Jurisprudência em Tese) O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou, na sua série Jurisprudência em Teses entendimentos relevantes acerca da convenção de arbitragem, incluindo na modalidade de compromisso arbitral (quando as partes elegem a arbitragem por acordo posterior ao surgimento do conflito) e da cláusula compromissória (inserida previamente no contrato). Os principais pontos são: 1 – Força Vinculante e Caráter Obrigatório • A convenção de arbitragem goza de força vinculante e caráter obri- gatório. Uma vez contratada, define o juízo arbitral eleito tem com- petência para dirimir os litígios relativos aos direitos pactuados pe- las partes, inclusive sobre a própria existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem. (Fonte: Edição 122, Tese 1 do STJ) 2 – Competência • O princípio da competência – competência, adotada pelo STJ, es- tabelece que cabe ao árbitro decidir prioritariamente sobre a exis- tência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e de con- trato que contenha a cláusula compromissória antes de qualquer interferência do judiciário. • Exceções somente em situações especificas previstas em lei ou quando houver ilegalidade evidente do compromisso. (Fonte: Notí- cias do STJ, 2021). 3 – Intervenção Judicial Restrita • O poder judiciário pode declarar a nulidade da cláusula compromis- sória apenas em situações excepcionais, como quando o compro- misso arbitral for claramente ilegal, independentemente do estágio do procedimento arbitral. • Em regra, o judiciário respeita a autonomia da arbitragem e sua competência exclusiva. (Fonte: Informativos Trilhante). 4 - Distinção Entre Cláusula Compromissória e Compromisso Arbitral • O STF já firmou entendimento de que não há relevância especial na distinção entre cláusula compromisso ou compromisso arbitral no contexto da arbitragem internacional, garantindo tratamento quanto a competência do juízo arbitral. (Fonte: STJ RESP 616/1990). 5 – Jurisprudência Consolidado • A pesquisa feita pela Secretaria de Jurisprudência do STJ re- úne decisões que ratificam a obrigatoriedade e a primazia da arbitragem, garantindo segurança jurídica às partes que op- tam por esse método de resolução de conflitos. (Fonte STJ – Da Arbitragem). Conclusão: Para a modalidade de compromisso arbitral, a jurisprudência em Tese do STJ estabelece que: 1 – Convenção de arbitragem é vinculativa e obrigatória para as partes. 2 – O árbitro tem competência primária para avaliar questões relativas à validade e eficácia da convenção. 3 – A intervenção judicial é restrita a casos excepcionais de ilegalidade. 4 – A distinção entre cláusula compromissória e compromisso arbitral não altera o tratamento jurídico sobretudo em arbitragem internacional. C) As partes ao elegerem a arbitragem como método para dirimir os litígios relativos aos direitos patrimoniais disponíveis poderão buscar a prestação jurisdicional ao invés da arbitragem? Se entender que não cabe a prestação jurisdicional há exceção? Justifique e indique a base legal. 1- Principio Legal De acordo com a Lei 9.307/96 (Lei da Arbitragem); art.1º “as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direi- tos patrimoniais disponíveis”. Ou seja, a arbitragem é um mecanismo privado e facultativo que permite às par- tes resolverem conflitos voluntariamente fora do poder judiciário, desde que so- bre direitos patrimoniais disponíveis. • Cláusula Compromissória (prevista antes da disputa surgir no contrato, ou • Compromisso arbitral (instrumento subsequente, firmado após o surgimento da controvérsia). 2 - Efeito da Causa Arbitral uma Vez que as Partes Elejam Arbitragem • A jurisdição do poder judiciário é afastada temporariamente sobre o mérito do litigio. • O árbitro atua como terceiro imparcial, com poderes equiva- lentes a um juiz de fato e de direito. • A decisão arbitral equivale a uma sentença judicial e tem força de título executivo (Lei 9.307/96, art. 515.N, CPC) . 3 - Possibilidade de Recorrer ao Judiciário Apesar de a arbitragem afastar a jurisdição estatal, a lei brasileira garante o acesso ao judiciário em hipóteses restritas como: 1- Nulidade de Sentença arbitral • Art.33 da lei 9.307/96 permite pleitear anulação da decisão em caso de: • Violação à ordem pública; • Excesso de poderes do árbitro; • Fraude ou vicio de consentimento 2- Execução de Sentença Arbitral • Pode ser requerido judicialmente caso uma das partes não cumpra espontaneamente a decisão do árbitro (arts.515 e seguintes do CPC/2015) 4 - Arbitragem Sobre Direitos Indisponíveis • Se o litigio envolver direito não transigíveis, como interesses públicos indisponíveis, direitos fundamentais ou trabalhistas irrenunciáveis, a arbitragem não é cabível. • Nesse caso a prestação jurisdicional é obrigatória, não po- dendo ser substituído pelo árbitro (Constituição Federal, art.5º, XXXIV). Conclusão: • Se as partes elegerem arbitragem sobre direitos patrimoniais disponíveis, não podem normalmente recorrer ao judiciário para obter a decisão sobre o mérito, exceto nas situações de nulidade ou execução. • Caso o direito em questão seja indisponível ou de ordem pú- blica, a arbitragem não se aplica, e o acesso ao judiciário per- manece obrigatório desde o início. Portanto, a resposta a questão solicitada é bifurcada. 1- Direito patrimonial disponível + escolha livre da arbitragem - não cabe prestação jurisdicional imediata, apenas revisão em hipóteses legais. (nulidade ou execução). 2- Direito indisponível ou de ordem pública – cabe atuação direta do judiciário, arbitragem é inaplicável. Referenciais Doutrinários e Legais • Lei nº 9.307/96, arts. 1º, 2º, 4º e 33 • Lei nº 13.129/2015 (alterações sobre arbitragem na adminis- tração pública). • STJ e STF – Entendimento consolidado sobre arbitragem e jurisdição estatal. • Garcia, Gustavo Felipe Barbosa, Arbitragem no direito individual do traba- lho. Revista IOB Trabalhista e Previdenciária, 2006.