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Pontuação na Comunicação

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Pontuação I
COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO
Prof. Luciana Uhren
Definição 
Os sinais de pontuação são recursos gráficos próprios da
linguagem escrita. Eles estruturam os textos e procuram
estabelecer as pausas e as entonações da fala. Basicamente, têm
como finalidade:
1) Assinalar as pausas e as inflexões de voz (entoação) na leitura;
2) Separar palavras, expressões e orações que devem ser
destacadas;
3) Esclarecer o sentido da frase, afastando qualquer ambiguidade.
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SINAL DEFINIÇÃO
( . ) Ponto final - usa-se no final da frase e marca o final de uma sentença. São utilizados nas abreviações. Ex.: Façam o favor
de prestar atenção naquilo que irei falar. / Sr. Sr.ª
( , ) Vírgula - separa os elementos da frase; marca uma pequena pausa. Ex.: A casa tem três quartos, dois banheiros, três
salas e um quintal.
( : ) Dois pontos - usam-se antes da fala de personagens ou de uma enumeração. Também são utilizados na introdução de
exemplos, notas ou observações. Ex.: Os convidados da festa que já chegaram são: Júlia, Renata, Paulo e Marcos.
( ; ) Ponto e vírgula - usa-se para separar orações coordenadas; obriga a uma pausa mas não termina a frase. Também são
utilizados em enumerações. Ex.: O rio está poluído; os peixes estão mortos.
( ! )
Ponto de exclamação - utiliza-se quando se deseja exprimir surpresa, receio, admiração etc. Ex.: Ah! Que pena que ele
não veio...
( ? ) Ponto de interrogação - usa-se para fazer uma pergunta. Ex.: Onde você comprou este computador?
( ... ) Reticências - indicam que a frase está incompleta; assinalam uma hesitação ou uma pausa. Ex.: Vim até aqui achando
que...
( - ) Travessão - utiliza-se nos diálogos para indicar a fala das personagens e pode servir para separar informações adicionais
ao texto (assim como os parênteses). Ex.: "E logo me apresentou à mulher, – uma estimável senhora – e à filha."
(Machado de Assis)
( “ “ ) Aspas - introduzem palavras ou citações de outros textos. Ex.: Como disse Machado de Assis: "A melhor definição do
amor não vale um beijo de moça namorada."
( ) Parênteses - assinalam informações adicionais ao texto que podem esclarecer determinado assunto. Ex.: Zeugma é uma
figura de linguagem que consiste na omissão de um termo (geralmente um verbo)que já apareceu anteriormente na
frase. 3
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A HERANÇA E A PONTUAÇÃO
Um homem rico agonizava em seu leito de morte. Pressentindo que o fim estava próximo, pediu papel e caneta e
escreveu: Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos
pobres. Mas morreu antes de fazer a pontuação. Para quem o falecido deixou a sua fortuna? Eram quatro
concorrentes:
1. O sobrinho fez a seguinte pontuação: Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a
conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
2. A irmã chegou em seguida e pontuou assim: Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será
paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
3. O padeiro pediu cópia do original e puxou a brasa pra sardinha dele: Deixo meus bens à minha irmã? Não! A
meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
4. Aí chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação: Deixo meus bens à minha
irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.
Moral da história:
“A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos a pontuação. E isso faz toda a
diferença.”
Ponto final, interrogação e exclamação
Finalizam orações.
• O ponto final é usado em frases declarativas (afirmativas ou negativas). Ex.:
O documento foi enviado ontem. / O documento não foi enviado ontem.
As matrículas começam hoje. / As matrículas não começam hoje.
• O ponto de interrogação é usado em perguntas. Ex.:
Aceita um café?
O prazo terminou?
Não sabe a resposta?
• O Ponto de exclamação é usado em que indicam emoção. Ex.:
Que sorvete gostoso!
Não acredito!
Não falaram absolutamente nada!
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Dois pontos
• Indica que há uma relação entre o que vem antes dele com o que vem depois. Essa relação geralmente é de
explicação. Ex.:
O dólar estava muito alto: não viajei.
Ele era difícil de conviver: nunca se casou.
•Introduz citação. Ex.:
Dizia ele: “Estou indo pra Brasília, neste país lugar melhor não há”.
•Introduz enumeração. Ex.:
Eu aceito você de volta sob três condições: você vai pedir desculpas, devolver o dinheiro e nunca mais repetir
esse comportamento.
•Introduz diálogo. Ex.:
A lebre respondeu:
- Você não vai conseguir ganhar essa corrida!
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Ponto e vírgula
• Separar orações coordenadas que possuem vírgulas internas. Ex.:
Eu sempre tive medo do mar; mas sempre amei praia.
Ele foi condenado penalmente; portanto (,) perdeu o emprego.
• Além dessa função, o ponto e vírgula é usado em enumerações em tópicos.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
[...].
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Reticências
• As reticências, essencialmente, indicam uma interrupção de algo que ia continuar,
ou seja, expressam interrupções no texto. O sinal de reticências sinaliza também
uma ideia não concluída, algo que o escritor deixa no ar. Ex.:
Em relação à sua nota... É melhor conversar com o coordenador pedagógico.
Você nem sabe o que aconteceu nesta manhã...
• As reticências entre colchetes indicam a supressão de parte do texto [...]. Ex.:
“Do mesmo modo que a frase não é uma simples sequência de palavras, o texto não é uma
simples sucessão de frases. São elos transfrásicos, [...], que fazem do texto um conjunto de
informações”.
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Travessão
• Indica diálogo. Ex.:
A formiga então perguntou a ela:
— E o que é que você fez durante todo o verão?
— Durante o verão eu cantei — disse a cigarra.
E a formiga respondeu:
— Muito bem, pois agora dance!
• Funciona como a vírgula, nos casos em que ela é usada para isolar
ou destacar palavras ou orações. Ex.:
Meus amigos —todos casados— não querem mais saber de carnaval.
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Aspas
• Indicam citações. Ex.:
Já dizia Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
• Indicam ironia e sentido figurado. Ex.:
Quem foi o “gênio” que tirou zero naquela prova fácil?
O policial e o ladrão chegaram a um “entendimento”.
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Parênteses
• Servem para isolar esclarecimentos acessórios. Ex.:
A faculdade em que estudei (UFRJ) era longe do centro.
Os políticos estão sendo investigados (pela Polícia Federal) na “lava-jato”.
Em vários casos, o uso dos parênteses vai ser justificado pelas mesmas regras
do travessão duplo e das vírgulas que isolam termos ou orações acessórias.
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Exercícios 
12
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1) O sinal de pontuação no final da frase “Acessibilidade: um direito
de todos!” foi usado para:
a) marcar uma fala.
b) exprimir um desejo.
c) exprimir uma pergunta.
d) exteriorizar um sentimento.
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Meu avô não era chato. Ele não incomodava ninguém. Nem os de casa ele incomodava. Ele quase não
falava. Não pedia as coisas a ninguém. Nem uma travessa de comida na mesa ele gostava de pedir. Seus
gestos eram firmes e suaves e quando ele andava não fazia barulho. Ficava no quartinho dos fundos e
havia sempre tanta gente e tanto movimento na casa que às vezes até se esqueciam da existência dele.
De tarde costumava sair para dar uma volta. Ia só até a praça da matriz que era perto. Estava com
setenta anos e dizia que suas pernas estavam ficando fracas. Levava-me sempre com ele.
Conversávamos, mas não me lembro sobre o que conversávamos. Não era sobre muita coisa. Não era
muita coisa a conversa. Mas isso não tinha importância. O que gostávamos era de estar juntos. Lembro-
me de que uma vez ele apontou para o céu e disse: “olha”. Eu olhei. Era um bando de pombos e nós
ficamos muito tempo olhando.
Depois ele voltou-se para mim e sorriu. Mas não disse nada.
2) Lembro-me de que uma vez ele apontou para o céu e disse: “olha”. (3º§) Podemos afirmar que as
aspas foram empregadas no fragmento anterior para:
a) Enfatizar a ação “olha”.
b) Realçar o significado de uma expressão.
c) Representar fala na voz de outra pessoa.
d) Marcar uma determinação, ou seja, uma ordem.
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3) No 2º quadrinho, ao afirmar “Espero que sim! Depende de vocês!”, o
ponto de exclamação foi empregado para:
a) Fazer uma súplica.
b) Exprimir entusiasmo.
c) Determinar uma ordem.
d) Expressar surpresa e interesse.
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4) A utilização de dois-pontos (:) no
título possui a função de:
a) introduzir uma citação direta.
b) enunciar uma explicação.
c) enumerar itens.
d) concluir uma ideia iniciada
anteriormente.
e) evitar repetição de termos já
mencionados.
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Dois amigos e um chato
Stanislaw Ponte Preta
Os dois estavam tomando um cafezinho no boteco da esquina,
antes de partirem para as suas respectivas repartições. Um
tinha um nome fácil: era o Zé. O outro tinha um nome desses
de dar cãibra na língua: era o Flaudemíglio. Acabado o café, o Zé
perguntou:
— Vais pra cidade?
— Vou — respondeu Flaudemíglio, acrescentando:
— Mas vou pegar o 434, que vai pela Lapa. Eu tenho que
entregar uma urinazinha de minha mulher no laboratório da
Associação, que é ali na Mem de Sá.
Zé acendeu um cigarro e olhou para a fila do 474, que ia direto
pro centro e, por isso, era a fila mais piruada. Tinha gente às
pampas.
— Vens comigo? — quis saber Flaudemíglio.
— Não — disse o Zé: — Eu estou atrasado e vou pegar um
direto ao centro.
— Então tá— concordou Flaudemíglio, olhando para a outra
esquina e, vendo que já vinha o que passava pela Lapa:
—Chi! Lá vem o meu… — e correu para o ponto de parada,
fazendo sinal para o ônibus parar.
Foi aí que, segurando o guarda-chuva, um embrulho e mais
o vidrinho da urinazinha (como ele carinhosamente
chamava o material recolhido pela mulher na véspera para
o exame de laboratório…), foi aí que o Flaudemíglio se
atrapalhou e deixou cair algo no chão.
O motorista, com aquela delicadeza peculiar à classe, já ia
botando o carro em movimento, não dando tempo ao
passageiro para apanhar o que caíra. Flaudemíglio só teve
tempo de berrar para o amigo: — Zé, caiu minha carteira
de identidade. Apanha e me entrega logo mais.
O 434 seguiu e Zé atravessou a rua, para apanhar a carteira
do outro. Já estava chegando perto quando um cidadão
magrelo e antipático e, ainda por cima, com sorriso de
Juraci Magalhães, apanhou a carteira de Flaudemíglio.
— Por favor, cavalheiro, esta carteira é de um amigo meu
— disse o Zé estendendo a mão.
Mas o que tinha sorriso de Juraci não entregou. Examinou a
carteira e depois perguntou:
— Como é o nome do seu amigo?
— Flaudemíglio — respondeu o Zé.
— Flaudemíglio de quê? — insistiu o chato.
Mas o Zé deu-lhe um safanão e tomou-lhe a carteira,
dizendo: — Ora, quem acerta Flaudemíglio não precisa
acertar mais nada!
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5) No texto, o sinal de travessão tem a função de:
a) introduzir a fala do narrador.
b) delimitar as falas dos personagens.
c) apresentar comentários.
d) separar palavras compostas.
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6) “...Mas como para Deus nada é impossível, por que não um milagre?”
trata-se de uma frase:
a) interrogativa direta
b) imperativa negativa
c) interrogativa indireta
d) imperativa afirmativa
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7) Na fala da primeira personagem do quarto quadrinho, “Não tem
almoço?!”, é possível observar o uso paralelo de dois sinais de pontuação. É
CORRETO afirmar que a função desses sinais, nesse contexto é:
a) Sinalizar uma interrupção na fala.
b) Indicar uma pergunta retórica.
c) Expressar surpresa com ênfase na pergunta.
d) Demonstrar confusão na comunicação.
e) Denotar ironia na pergunta.
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8) As reticências presentes no primeiro quadrinho foram
usadas para
a) indicar pausa.
b) expressar dúvida.
c) mostrar indignação.
d) revelar descontentamento.

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