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Introdução a Controladores Lógicos Programáveis Programação em CLP Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria DANYELLE GARCIA GUEDES ALAN DE OLIVEIRA SANTANA AUTORIA Danyelle Garcia Guedes Sou Bacharel em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), tenho pós-graduação em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Campos Elíseos. Atualmente, sou aluna Especial no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Campina Grande e trabalho como professora conteudista na Modular Criativa. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Alan de Oliveira Santana Sou Mestre em Sistemas da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), curso iniciado em 2017, logo após a finalização da minha graduação, em 2016, em Ciência da Computação, também pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Tenho experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Ciência da Computação e atuo principalmente nos seguintes temas: Tutores virtuais, Chatbots e Jogos educativos. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Entendendo os Dispositivos CLP e sua Evolução .......................... 10 CLP ............................................................................................................................................................. 10 Evolução dos CLPs ........................................................................................................................ 15 Funcionamento e Arquitetura de um CLP ......................................... 21 Arquitetura Geral de um CLP .................................................................................................. 21 Como um CLP Funciona? ..........................................................................................................28 Varredura ........................................................................................................................... 30 Norma IEC .......................................................................................................34 Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) .................................................................34 Conceitos Básicos da Norma IEC 6113-3 ...................................................................... 39 CLP no Controle Industrial ......................................................................43 Controle Industrial ..........................................................................................................................43 Vantagens do CLP no Âmbito Industrial .................................................... 50 7 UNIDADE 01 Programação em CLP 8 INTRODUÇÃO Você já ouviu falar em automação industrial? A automação industrial se baseia no uso de sistemas de controle, como computadores e robôs, além de tecnologias da informação, para atuar no desenvolvimento de diferentes processos e máquinas em um ambiente industrial, de forma que o trabalho manual desempenhado por uma pessoa seja substituído de forma eficiente por uma máquina. Pode-se identificar a automação industrial como a segunda etapa, além da mecanização, no âmbito da industrialização. Em outras palavras, pode-se identificar que a automação industrial se baseia no uso de dispositivos de controle automático que resultam na operação automática e no controle de processos industriais, alcançando desempenho superior ao controle manual, quando comparado à presença de intervenção humana. Entre os dispositivos de automação conhecidos e utilizados, têm-se os controladores programáveis. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Programação em CLP 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Introdução a controladores lógicos programáveis. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender o contexto evolutivo dos controladores lógicos programáveis (CLP). 2. Entender o funcionamento e a arquitetura de um controlador lógico programável (CLP). 3. Aplicar a Norma IEC para controladores lógicos programáveis (CLP). 4. Identificar os casos de usos mais comuns de CLP no controle industrial. Programação em CLP 10 Entendendo os Dispositivos CLP e sua Evolução OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender o que é um dispositivo programável CLP e conhecerá seu contexto evolutivo. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão, tendo em vista o amplo e importante uso dos CLPs nos computadores industriais para implementação de processos produtivos. Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá! Avante!. CLP Se você tiver a oportunidade de pesquisar e comparar o ambiente industrial atual e todos os processos que são desenvolvidos em um ambiente industrial de mesmo segmento comercial só que em anos passados, como na década de 1930, por exemplo, você vai, provavelmente, observar que muitas mudanças aconteceram. Entre essas mudanças, pode-se pontuar o fato característico de que atualmente muitos dos processos são desenvolvidos por máquinas, os quais, antigamente, só eram desempenhados pelos seres humanos. A evolução dos processos desenvolvidos no ambiente industrial se deu por causa de uma série de fatores, os quais contribuíram para esse feito, como as revoluções industriais, por exemplo, mas nada disso seria possível sem a evolução e o desenvolvimento de dispositivos eletrônicos, os quais posteriormente passaram a compor diversos equipamentos computacionais. Programação em CLP 11 Figura 1 – Comparando uma fábrica de carros antiga e uma atual Fonte: Elaborado pelos autores (2021). Um importante dispositivo para indústria surgiu desse período de evolução, o qual possibilitou que gradativamente os equipamentos, processos e máquinas necessários aos processos produtivos das indústrias fossem operados por outros equipamentos e não mais dependessem totalmente do trabalho e da presença humana no desenvolvimentodas tarefas. Você sabe de que dispositivo estamos falando? Esses importantes dispositivos são os controladores lógicos programáveis. ACESSE: Para conhecer um pouco sobre os CLPs, acesse o vídeo Automação Industrial clicando aqui. Programação em CLP https://youtu.be/__ickCzQh0U 12 O Controlador Lógico Programável (CLP), em inglês Programmable Logic Controller, é identificado como um dispositivo de estado sólido, habilitado para realizar o armazenamento de instruções e rotinas de gerenciamento e controle de um processo, além de desenvolver operações lógicas, aritméticas, manipular dados, aplicar funções e blocos operacionais, como fazer contagem, sequenciamento lógico e temporização e estabelecer a comunicação em rede em um sistema (SILVA, 2018a). Os controladores programáveis são enquadrados, segundo Silva (2018a), como dispositivos que compõem o segundo nível da pirâmide de automação industrial, ou seja, eles ocupam um papel central nos processos automatizados desenvolvidos e aplicados na indústria, tendo em vista que consiste em um equipamento que viabiliza todo o controle mecanizado, robotizado ou automatizado em processos produtivos de diversas plantas industriais. De acordo com Miyagi (1996), os controles programáveis são controladores que possuem tecnologias fundamentadas em tecnologias computacionais; nesse caso, a estratégia de controle é determinada pelo uso de softwares, por meio dos quais a sua execução discrimina a desenvolução dos processos. Em termos gerais, pode-se definir um controlador lógico programável como um robusto computador desenvolvido para aplicações em dimensões industriais, para controlar e automatizar processos, máquinas e linhas de produção em geral. Programação em CLP 13 DEFINIÇÃO: De acordo com a IEC 61131-1, define-se um controlador lógico programável como: Sistema eletrônico digital, desenvolvido para uso em ambiente industrial, que usa uma memória programável para armazenamento interno de instruções do usuário, para implementação de funções especificas, como lógica, sequenciamento, temporização, contagem e aritmética, para controlar, por meio de entradas e saídas, vários tipos de máquinas e processos. (SILVA, 1998; IEC, 1992, p. 2) Controlador lógico programável ou somente controlador programável é um computador industrial que foi aperfeiçoado e adaptado para ser aplicado e direcionado ao controle de processos de fabricação, equipamentos ou qualquer atividade relacionada que demande confiabilidade, facilidade de programação e reconhecimento e reparo de falhas ao longo do processo. De acordo com Miyagi (1996), o controlador lógico programável era identificado como um dispositivo eletrônico desenvolvido para aplicações industriais. Para a execução de todas as suas respectivas operações (lógicas e aritméticas, de temporização etc.), o controlador apresenta uma memória de armazenamento das informações, que são dispostas em forma de lista de palavras, as quais identificam comandos com os devidos procedimentos de controle a serem implementados. Com base no conteúdo presente nesse armazenamento, as máquinas e/ou processos que estão sendo controlados operam por meio de sinais digitais e/ou analógicos. Programação em CLP 14 SAIBA MAIS: Define-se um sinal por uma sequência de estados que codificam uma informação transmitida. Os sinais são classificados como digitais, de tempo discreto, e analógicos, de tempo contínuo. • Os sinais de tempo discreto têm seus valores sequenciais, inteiros e finitos, definidos em instantes de tempo periódicos. • Os sinais de tempo contínuo têm seus estados ao longo de todos os instantes de tempo. Figura 2 – Diferença entre sinal analógico e sinal digital Fonte: PIXABAY (2021). Assim, o CLP é um dispositivo com capacidade de controlar e monitorar todos os componentes a ele conectados, pois entende todos os estados dos componentes de entrada e está ativamente desenvolvendo processos de tomada de decisão, com base nas instruções e coordenadas fornecidas por programas computacionais, comandando, assim, o estado de todos os dispositivos que estão sob seu controle. Programação em CLP 15 Evolução dos CLPs De acordo com a literatura, em 1804 Jacquard desenvolveu a primeira máquina de tear cartões perfurados. O equipamento de tear Jacquard substituiu o papel do tecelão por um cartão perfurado. O processo foi baseado no sistema de numeração binário e, por meio dele, os tecidos copiavam as formas geométricas e criavam imagens pixelizadas. O tear Jacquard é uma das invenções mais importantes da história e o primeiro tear mecânico inventado foi projetado pelo francês Joseph Marie Jacquard, em 1801, por isso é conhecido como tear Jacquard. Foi uma completa revolução têxtil que mecanizou o complicado trabalho manual do tecelão, onde os fios da urdidura deviam ser movidos para cima e para baixo com as mãos. (CUNHA, 2017, p. 1) Essa invenção é marcante na história da indústria têxtil e a ela é atribuído o início do controle de sistemas sequenciais. Figura 3 – Comparativo entre o tamanho físico do ENIAC e de um computador atual Fonte: Elaborado pelos autores (2021). Programação em CLP 16 ACESSE: Para conhecer um pouco mais a respeito do tear Jacquard, acesse o vídeo “O desenhador têxtil Jacquard” clicando aqui. A teoria de Boole, com a Álgebra de Boole, foi uma base matemática desenvolvida por volta do ano de 1854 que, em geral, consiste em estruturas algébricas que selecionam as principais propriedades dos operadores lógicos, operando, dessa forma, com o sistema de numeração binário. Ambas as tecnologias anteriores foram imprescindíveis para o desenvolvimento de tecnologias com sistemas sequenciais discretos. ACESSE: Para auxiliar nos seus estudos, acesse aqui o material que aborda controladores lógicos programáveis. Na década de 60, as tecnologias eletrônicas foram introduzidas na indústria e, isso, por sua vez, teve grande e importante impacto no desenvolvimento de tecnologias para a indústria. A eletrônica possibilitou que circuitos de controle eletrônico e chaveamentos que dispensavam o trabalho físico pudessem ser implementados. Em 1947, por exemplo, os dispositivos transistores foram desenvolvidos por cientistas da Bell Laboratory, e a esse componente é possível atribuir uma importante descoberta para a evolução dos circuitos integrados e, assim, da computação como um todo. Esses dispositivos foram aperfeiçoados ao longo do tempo, mas são utilizados até os dias de hoje com importância indispensável. Programação em CLP https://youtu.be/YCClV6c10cg https://youtu.be/YCClV6c10cg https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/54978742/Apostila_de_PLC_Gladimir-with-cover-page-v2.pdf?Expires=1635171783&Signature=fV4vz4rwzOU-Tfsd4Yao5-Jmwvt9QqcYigL8SIyDwHf7UEbzfd4zdC-aX~-Nxgpd7vK-jgyyfYlbBp4hiNwQVzwX8GcsGC7ReXKlVYwWmj6A4IdjYlU8qH-~WiS8OVC3AgZ5nFdIEro-vntM8tUsRXX5wRg9QzCfoh1c-c1~EdVn1gHQ3ljKIiWIxNbhUCfMgTQcT8ijSMHWyYPo9bZZ1IPCV8M0PAeL0im00BRHM9FXPf5~BDBBBxZdD~xs6rzDUW83NpbS-xJdJSZQIcIFVyzN6bbQKBSfDbUbhkhdU9gMjQ5AiNEJcTKkQphGlXHm4KAcLll-2eCgTasgXIsNXA__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA 17 Esse novo componente foi produzido a partir de material semicondutor e servia tanto para condução elétrica quanto para isolamento elétrico. Apresenta a função de atuar no chaveamento e na amplificação de sinais, sendo direcionado para uso em controle e ajuste de fluxos de sinais eletrônicos em circuitos. O desenvolvimento dos transistores demarcou uma nova fase da tecnologia eletrônica. Os dispositivos foram se tornando cada vez menores, mais confiáveis e com melhor desempenho. Os computadores foram evoluindo devido à produção de circuitos integrados com melhor capacidade de processamento de dados e tamanho cada vez menores, o que possibilitou o surgimento dos minicomputadores. SAIBA MAIS: O Electronic Numerical Integrator Analyserand Computer (ENIAC), por exemplo, foi pioneiro no segmento dos computadores digitais eletrônicos. Era um enorme equipamento que pesava 80 toneladas, ocupava cerca de 180 metros quadrados e apresentava capacidade de processamento equivalente a 5 000 operações de adição, 357 operações de multiplicação e 38 divisões por segundo. Atualmente, em comparação, um computador é capaz de desenvolver 93 quatrilhões de cálculos por segundo. Para conhecer um pouco mais sobre o ENIAC acesse o vídeo História do ENIAC aqui. Em 1968, a equipe de projetos da General Motors desenvolveu um equipamento visando à redução de custos com painéis de controle feitos de relés eletromecânicos. Para tanto, a empresa desenvolveu uma lista de itens descrevendo tecnicamente as especificações que os controladores, segundo eles, deveriam apresentar. A tabela a seguir apresenta essas informações. Programação em CLP https://www.youtube.com/watch?v=dy0wpDfnpzo 18 Tabela 1 – Algumas condições estabelecidas pela GM para os novos controladores Item Descrição 1 Ser de fácil programação, isto é, as operações sequenciais devem ser facilmente alteráveis, mesmo na própria planta. 2 Deve ser de fácil manutenção; se possível deveria ser baseado totalmente num conceito plug-in. 3 Deve possuir características operacionais de alta confiabilidade (bem maior que os dispositivos a relés), considerando-se o ambiente industrial. 4 Deve possuir dimensões menores que os painéis a relés para redução de custo e espaço físico. 5 Deve ter capacidade de enviar dados para um sistema central. 6 Deve ter preço competitivo em relação aos atuais dispositivos a relés e/ou eletrônicos. Fonte: (Miyagi, 1996, p. 15). O equipamento desenvolvido demandou um sistema de estado sólido que fosse capaz de ser aplicado em um ambiente industrial, suportando as condições do ambiente com flexibilidade, de forma semelhante a um computador, sendo de fácil programação e de reutilização em variados processos. Daí surgiu o CLP. O equipamento desenvolvido pela GM, segundo Silva (2018a), tinha as seguintes características: Tal equipamento também apresentava facilidade de programação, possibilidade de reutilização em diferentes processos, redução de tempo de paralisação nas manutenções e controles lógicos. (SILVA, 2018a, p. 18) No fim da década de 1970, os controladores propostos com base nas especificações determinadas pela GM começaram a ter suas funções multiplicadas pela incorporação de microprocessadores. Os microprocessadores são considerados dispositivos centrais na unidade de controle de um sistema computacional, visto que se comportam como o cérebro humano. Eles compreendem circuitos integrados que desenvolvem cálculos e operações aritméticas e lógicas, controlando o sistema e armazenando os dados, entre outras funções. Programação em CLP 19 Tais controladores, por esse motivo, foram denominados Controladores Lógicos Programáveis ou CLPs. Desse período em diante, o CLP passou por diversas modificações, nas quais recebeu alterações da lógica eletromecânica por semicondutores, passou a adotar memórias e processadores, substituiu contadores e temporizadores, começou a imprimir relatórios, começou a ter controle de posicionamento e a desenvolver a comunicação entre CLPs. Além disso, passou a usar e a acessar periféricos remotos via interface homem-máquina (SILVA, 2018a). A partir de 1980, as funções de comunicação do CLP foram aperfeiçoadas, permitindo sua aplicação dentro de um sistema de controle em rede. Ao longo desse período, os dispositivos microprocessadores também foram passando por diversas modificações. O tamanho dos componentes transistores foi diminuindo cada vez mais, o que influenciou no aumento da capacidade de processamento dos microprocessadores, já que mais transistores poderiam ser acoplados aos circuitos integrados. Esse fenômeno, por sua vez, contribuiu para a evolução dos CLPs. Segundo Miyagi (1996), com o desenvolvimento de microprocessadores de 16 bits, tipo bit-slice, e com a tecnologia de multiprocessamento, um CLP poderia integrar todos os tipos de funções demandas no controle de sistemas a eventos discretos (SED). Com o aperfeiçoamento das funções dos CLPs, a aplicação em sistemas de controle de rede foi sendo viabilizada cada vez mais. Assim, esses dispositivos foram integrados às técnicas de controle SED, aos sistemas de varáveis contínuas (SVC) e ao processamento de informações destinadas ao gerenciamento industrial. Nesse sentido, tem-se que todos os processos desenvolvidos industrialmente demandam, de alguma forma, de um sistema de controle para funcionar com segurança e economia. E, ao longo dos últimos anos, um computador de controle especializado, o controlador programável, evoluiu e revolucionou a engenharia de controle, combinando poder de computação e imensa flexibilidade, a um preço razoável. Programação em CLP 20 RESUMINDO: Gostou do que lhe mostramos? Conseguiu aprender tudo? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os ambientes industriais passaram por diversas evoluções e que uma delas foi baseada no desenvolvimento de controladores lógicos programáveis, o qual só foi possível devido à evolução conjunta de elementos como transistores, circuitos integrados microprocessadores e sistemas digitais. O CLP é um dispositivo de estado sólido, habilitado para realizar o armazenamento de instruções e rotinas de gerenciamento, controlar um processo, desenvolver operações lógicas e aritméticas, manipular dados, aplicar funções e blocos operacionais, como contagem, sequenciamento lógico e temporização, e estabelecer a comunicação em rede em um sistema. Assim sendo, os CLPs são importantes componentes para a automação dos processos em um ambiente industrial. Programação em CLP 21 Funcionamento e Arquitetura de um CLP OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona um controlador lógico programável, bem como a sua arquitetura. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. A organização estrutural física de uma CLP consiste em um conhecimento básico que introduz o estudo dos componentes elétricos industriais. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Arquitetura Geral de um CLP Alguns pontos característicos da arquitetura básica de um controlador lógico programável são dependentes do tipo de fabricante do dispositivo. Eles podem integrar elementos que agreguem mais valor competitivo ao produto, como quantidade de entradas e saídas, capacidade de memória, conjunto de instruções em si, velocidade de processamento, interface homem-máquina, entre outros. ACESSE: Para auxiliar nos seus estudos, acesse aqui o livro Controladores Lógicos Programáveis. Programação em CLP https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=hIo6AgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PR1&dq=controladores+l%C3%B3gicos+program%C3%A1veis&ots=fsf-htoXjV&sig=bRpcfRpx5hjfWX7tL9cS1LN9OxU#v=onepage&q=controladores%20l%C3%B3gicos%20program%C3%A1veis&f=false 22 Em termos simples, os CLPs são compostos principalmente por três unidades: módulos de entrada, módulos de saída e processador (CPU), além da fonte de alimentação. • Módulos de entrada Módulo de entrada ou unidade de entrada é a porção do controlador que se destina à recepção dos sinais elétricos provenientes das máquinas ou dos processos aos quais o controlador está conectado. As unidades de entrada, de acordo com Silva (2018a), projetadas para aplicações de trabalhos em ambiente industrial, são modularizadas para serem conectadas diretamente com os sinais dos elementos transdutores e atuadores. Esses módulos recebem os sinais da operação. Para isso, as unidades de entrada precisam ter compatibilidade com o circuito do CLP. Conectam vários dispositivosexternos, como sensores, interruptores e botões ao controlador, para leitura dos vários parâmetros digitais e analógicos (temperatura, pressão, fluxo, velocidade etc.). Cada um dos terminais que se interconecta ao sistema por meio dos módulos de entrada é eletricamente isolado da eletrônica interna. Assim, é possível dar prosseguimento ao estado da entrada e saber se ela está ligada ou desligada, por meio de um diodo emissor de luz e fototransistor para o restante do sistema. Esses dispositivos, em geral, convertem os sinais elétricos do processo baixando os níveis para níveis que são compatíveis aos do controlador. A operação interna em um computador normalmente acontece em tensão de 5 V DC. Porém, os dispositivos externos, como solenoides, partidas de motor, interruptores de limite etc. operam com tensões de até 110 V CA. A mistura dessas duas tensões pode causar dados irreparáveis à integridade do circuito do CLP, por exemplo. Por isso, os módulos de entrada são importantes, já que o principal objetivo da interface de entrada e saída é condicionar os vários sinais recebidos ou enviados para os dispositivos externos de entrada e saída. Programação em CLP 23 A seguir, estão alguns dos dispositivos de entrada. • Transmissores de campo para pressão, temperatura, fluxo, nível etc. • Analisadores de pH, condutividade, NOX etc. • Interruptores e botões de pressão. • Dispositivos de detecção. • Chaves de limite. • Sensores fotoelétricos. • Sensores de proximidade. • Sensores de condição. • Interruptores de pressão. • Chaves de nível. • Interruptores de temperatura. • Interruptores de vácuo. • Interruptores flutuantes. • Codificadores. Cada unidade de entrada e saída admite dois estados: I. Ligado – on. II. Desligado – off. As entradas digitais podem ser do tipo N ou do tipo P. A do tipo N (PNP) é uma entrada que assume o estado ligado quando se coloca 0 Vcc no borne de entrada, já a entrada tipo P (PNP) é uma entrada que assume o estado ligado quando se coloca +24 Vcc no borne de entrada. Programação em CLP 24 Observe as imagens a seguir: Figura 4 – Circuitos de acionamento de entradas tipo N e tipo P +- Fonte externa T Ligação de entrada PNP Unidade de entrada Unidade de saída CPU Fonte E V ext. + S V ext. + +- Fonte externa T Ligação de entrada NPN Unidade de entrada Unidade de saída CPU Fonte E V ext. + S V ext. + Fonte: (SILVA, 2018a, p. 20). Observe que no tipo N, durante o acionamento, a chave fornece para o CLP um potencial negativo. Ela precisa ser conectada entre o terminal de potencial negativo da fonte externa de energia e a entrada. Já na entra tipo P, durante o acionamento, a chave fornece para o CLP um potencial positivo. Ela precisa ser conectada entre o terminal de potencial positivo da fonte externa de energia e a entrada. • Módulos de saída Os módulos de saída ou unidades de saída são destinados à recepção dos sinais que são processados no controlador lógico e, também, são responsáveis por disponibilizar os respectivos sinais elétricos produzidos como resposta para uso nas máquinas, equipamentos e processos. Programação em CLP 25 Módulos de saída convertem sinais da CPU em digital ou em valores analógicos para controlar dispositivos de saída. As saídas dos CLPs geralmente são relés, mas também podem ser eletrônicos de estado sólido, como transistores para saídas CC. As saídas contínuas requerem cartões de saída especiais com conversores digitais para analógico. Assim como na entrada, na saída dos dados uma forma de barreira de isolamento é necessária para limitar os danos das falhas inevitáveis da planta e também para impedir que o ruído elétrico corrompa as operações do processador. As saídas digitais podem ser do tipo N ou do tipo P. A do tipo N (NPN) é uma saída que assume o estado ligado quando se coloca 0 Vcc no borne de saída, já a saída tipo P (PNP) é uma saída que assume o estado ligado quando se coloca +24 Vcc no borne de saída. Observe as imagens a seguir: Figura 5 – Circuitos de acionamento de saída tipo N e tipo P +- Fonte externa Ligação de entrada NPN Unidade de entrada Unidade de saída CPU Fonte E V ext. + S V ext. + +- Fonte externa Ligação de entrada PNP Unidade de entrada Unidade de saída CPU Fonte E V ext. + S V ext. + Fonte: (SILVA, 2018a, p. 22). Programação em CLP 26 Observe que no tipo N, durante o acionamento, o CLP fornece para a carga um potencial negativo. Ela precisa ser conectada entre o terminal de saída potencial positivo da fonte externa. Já no tipo P, durante o acionamento, o CLP fornece para a carga um potencial positivo. Ela precisa ser conectada entre o terminal de saída potencial negativo da fonte externa. • Unidade de processamento A unidade de processamento do CLP, assim como em dispositivos computacionais, compreende o centro de operações lógicas do dispositivo, ou seja, atua de forma semelhante ao cérebro humano. Ela é a unidade que administra o conjunto de funcionalidades, recebendo os sinais que chegam ao dispositivo pelos módulos de entrada, executando toda a lógica que é orientada pelos programas usuários, além de enviar resultados para os módulos de saída. Na unidade de processamento, fica programada a lógica ladder, linguagem em que o CLP é programado e onde ela é armazenada e processada. Na memória dessa unidade estão contidos os dados e o programa ladder. Além disso, contém o programa executor do CLP que executa as instruções de controle, comunica-se com outros dispositivos e realiza atividades de limpeza e diagnostico. • Fonte de alimentação A outra unidade presente no CLP é a fonte de alimentação. Ela converte a energia CA de entrada disponível em energia CC exigida pela CPU e pelos módulos de entrada e saída para operar corretamente. Compreende a porção que energiza o sistema, ou seja, fornece energia elétrica para que o controlador lógico programável seja acionado e desenvolva suas operações. A figura a seguir apresenta a arquitetura básica de um controlador lógico programável. Programação em CLP 27 Figura 6 – Arquitetura básica de um controlador lógico programável Máquina ou processo Fonte externa Fonte Unidade de entrada Unidade de saída Unidade central de processa- mento Interfaces de programa- ção homem máquina Fonte: (SILVA, 2018a, p. 21). • Módulos especiais Uma variedade de módulos adicionais pode ser adicionado à arquitetura dos controladores CLP. Conforme mencionado, essas diferentes atribuições ficam a critério de cada fabricante. Podem ser adicionados módulos de entrada de termopares, para PT100, de contagem rápida, de controle de motor de passo, de comunicação de rede, entre outros. A ideia básica para a escolha do CLP baseia-se nas necessidades e exigências visualizadas na rotina de operações a qual ele será submetido. De acordo com Silva (2018a): O Controlador Lógico Programável ideal é aquele que se adapta à sua necessidade e apresenta interfaces a serem interligadas à planta industrial compatíveis com sensores e atuadores. A diferença entre modelos basicamente está em sua nomenclatura, simbologia e programação de acordo com o fabricante. (SILVA, 2018a, p. 22) Programação em CLP 28 Assim, fica a critério de cada aplicação a escolha do CLP mais adequado, pois ele deve atender às necessidades especificas de cada ambiente industrial. Como um CLP Funciona? Um controlador lógico programável possui um componente bastante importante que substitui os comandos elétricos tradicionais: o micro controlador. Os micro controladores, como o nome sugere, compreende pequenos dispositivos de controle que atuam de forma semelhante a um microprocessador, diferindo apenas na quantidade de funcionalidades que assume em um sistema. Os micro controladores são as unidades de processamento presentes em um sistema embarcado, são circuitosintegrados desenvolvidos de forma específica para o controle de funções exclusivas em sistemas embarcados (GIMENEZ, 2002). Desempenham, pois, importante papel em equipamentos que demandam habilidosas capacidades de processamento de interação responsiva com outros componentes digitais, analógicos e/ ou eletromecânicos. Nesses contextos, os micro controladores são acoplados ao sistema do equipamento e desempenham o controle da tarefa objetivada para tal equipamento. SAIBA MAIS: Embedded systems (ou sistemas embarcados) são definidos como sistemas embutidos. São hardwares e softwares que utilizam micro controladores para controlar operações, tarefas e funções aplicadas em um sistema mecânico ou elétrico mais amplos. Esses sistemas são compostos por sensores, atuadores, conversores AD e DA e processador. Programação em CLP 29 No CLP, o micro controlador é formado por uma entrada de sinais de entradas digitais ou binários que, em períodos discretos, executam uma programação de controle que atualiza o número dos sinais. Na interface de entrada do dispositivo são disponibilizados todos os sinais de entrada. Por meio de operações de leitura, esses sinais são reproduzidos nas memórias de entrada. A informação que é armazenada na memória de entrada é completamente aproveitada durante a atividade do programa de controle. Após o completo processamento dessas informações, sinais de saída são direcionados para as saídas. Todos os sinais de saída apurados são reproduzidos na memória de saída para serem disponibilizados na interface de saída. O desenvolvimento dessas atividades pelo programa ocorre em ciclos que têm o tempo de duração que depende do tamanho, da configuração e da complexidade do controle de operação do CLP. Os tempos de duração do ciclo do programa devem ser desenvolvidos em conjunto com o tempo limite máximo aceitável para o processo, o qual é controlado. ACESSE: Para visualizar na prática como se organiza um CLP, acesse o vídeo “O que é o CLP e quais as 3 principais partes do CLP” aqui. É aceitável descrever que o funcionamento do CLP se dá nas etapas a seguir: • Energização ou processo de conexão do equipamento à rede elétrica. • Limpeza das memórias-imagem de entrada e saída, onde as regiões de armazenamento do sistema são redefinidas. • Testagem de operações de escrita e leitura na memória. Programação em CLP https://www.youtube.com/watch?v=RnYqTpuLWAA https://www.youtube.com/watch?v=RnYqTpuLWAA https://www.youtube.com/watch?v=RnYqTpuLWAA 30 • Testagem da executabilidade do programa usuário. • Varredura. ACESSE: Para saber de forma prática como se dá o funcionamento de um CLP, acesse o vídeo “Funcionamento de CLP” aqui. Os CLPs operam a 0 ou a 24V para o acionamento de seus componentes. Normalmente, a capacidade de um CLP está associada à quantidade de dispositivos de entrada e de saída que são capazes de comportar; além disso, a quantidade de bits de memória também interfere na capacidade de processamento do CLP. Varredura O funcionamento geral de um CLP se baseia no processo de varredura ou scan. Por meio do processo característico de varredura, o CLP implementa a leitura dos estados de cada um dos componentes de entrada e avalia os seus respectivos acionamentos. Os módulos de entrada leem o status de interruptores, transmissores e fornecem os dados ao processador. Esse processo é orientado de acordo com as instruções estabelecidas no programa. Os valores de entrada são escritos na memória das variáveis de entrada. Depois disso, o programa escrito pelo usuário é executado. Então, o processador executará a lógica de acordo com o programa do usuário. Programação em CLP https://www.youtube.com/watch?v=X4FmRbMMGNo 31 Uma vez iniciado o uso do programa usuário, o resultado que estava armazenado é utilizado durante a atualização das saídas, por meio do processador. O processador dará o comando aos módulos de saída, as informações são escritas nas memórias das saídas e atualizadas nas interfaces de saída. Consequentemente, as variáveis de saída variável atualizam os valores de saída dos valores na memória e esses valores de saída são atualizados na saída física do CLP. Os módulos de saída são conectados a elementos de controle final, como válvulas de controle, alimentadores de controle do motor etc. O CLP, no tempo restante, executa o processamento do sistema de firmware e outras tarefas de baixa prioridade. Todo sistema de controle demanda algum tempo para executar sua operação, não é diferente no CLP, que precisa de certo tempo para realizar uma tarefa. A varredura se desenvolve de forma cíclica, em que cada ciclo dura um média de alguns microssegundos, ou seja, são processos que acontecem muito rapidamente, fração de tempo que é variável e dependente do tipo de hardware com o qual se está trabalhando. A variação no tempo de varredura depende dos seguintes fatores: • Número de entradas. • Comprimento da lógica / Loops no programa. • Número de saídas. Ao final de cada ciclo de varredura, o controlador armazena todos os resultados que obteve. Estes, por sua vez, serão reutilizados durante a execução do processamento do programa. Um novo ciclo de varredura é, então, iniciado. A figura a seguir representa o desenvolvimento de um ciclo de varredura do CLP. Programação em CLP 32 Figura 7 – Ciclo de varredura do CLP Início/Energização Início da monitoração do tempo do ciclo Leitura do estado dos sinais dos módulos e armazenamento dos dados de entrada Execução do programa usuário Escrita dos valores de processo de saída nos módulos de saída Fonte: (SILVA, 2018a, p. 20). De acordo com Silva (2018a), os sistemas de controle industrial atuam em tempo real. Dessa forma, modificações dos sinais de entrada induzem a uma imediata ação no sinal de saída associado, pois o tempo que o sistema de controle tem para reagir a alterações na entrada é equivalente às demandas do processo que está sendo controlado. RESUMINDO: Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo o que apresentamos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido que os CLPs são compostos principalmente por três unidades: módulos de entrada, módulos de saída e processador (CPU), além da fonte de alimentação. Os módulos de entrada ou a unidade de entrada é a porção do controlador que se destina à recepção dos sinais elétricos provenientes das máquinas ou dos processos aos quais o controlador está conectado. Os módulos de saída ou unidades de saída são destinados à recepção dos sinais processados no controlador lógico e, também, são responsáveis por disponibilizar os respectivos sinais elétricos produzidos como resposta para uso nas máquinas, equipamentos e processos. Cada unidade de entrada e de saída admite Programação em CLP 33 dois estados: Ligado – on e desligado – off. A unidade de processamento do CLP administra o conjunto de funcionalidade, por meio da recepção dos sinais que chegam ao dispositivo pelos módulos de entrada, e da execução de toda a lógica que é orientada pelos programas usuários, além de enviar resultados para os módulos de saída. Um controlador lógico programável possui um componente bastante importante que substitui os comandos elétricos tradicionais: o micro controlador. Na interface de entrada dos dispositivos são disponibilizados todos os sinais de entrada. Por meio de operações de leitura, esses sinais são reproduzidos nas memórias de entrada. Todos os sinais de saída apurados são reproduzidos na memória de saída para serem disponibilizados na interface de saída. O funcionamento geral de um CLP se baseia no processo de varredura ou scan. Programação em CLP 34 Norma IEC OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a aplicaçãoda Norma IEC para os controladores lógicos programáveis. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), em inglês International Electrotechnical Commission, consiste em uma organização internacional que se responsabiliza pela normatização dos sistemas desenvolvidos para produtos elétricos e eletrônicos. Os comitês nacionais da IEC visam à promoção da colaboração em níveis mundiais a respeito dos fatores relevantes à padronização de segmentos elétricos e eletrônicos. Com base na IEC, obtêm-se padrões que são publicados e aceitos internacionalmente. A importância geral da IEC é fundamentada na necessidade de serem adotados padrões de programação compatíveis entre os CLPs desenvolvidos para a indústria. Por um longo período, foram utilizadas variadas técnicas de programação para a aplicação em dispositivos CLP de automação industrial. O problema é que os profissionais que atuavam nas plantas industriais manuseando os dispositivos de controle precisavam estar em constante busca de informação e conhecimento para conseguir manusear os diferentes dispositivos que a empresa viesse a adotar. Um profissional precisava conhecer várias marcas de fabricantes de controladores e isso demandava muito tempo e acabava por reduzir a produtividade esperada Programação em CLP 35 do sistema e do profissional. Era um verdadeiro desperdício de recursos humanos, tendo em vista que treinamentos eram necessários, recorrentes e ineficientes. Como forma de eliminar esse problema, a IEC percebeu a necessidade de implantar mudanças e, a partir de 1979, um grupo de pessoas foi designado para investigar o projeto de hardware do CLP, todas as informações necessárias para seu uso, instalação, documentação e demais elementos, o que culminou na extensão do conceito do controlador lógico programável para controlador programável. A IEC é uma organização de padrões internacionais que publica centenas de padrões elétricos e eletrônicos. Ela padroniza desde símbolos de letras em eletrônicos, equipamentos médicos, de comunicação a sinalização ferroviária. De acordo com Miyagi (1996, p. 69) “A IEC abrange praticamente todas as linguagens utilizadas atualmente em controle SED, e procura definir normas para as suas padronizações.” De forma mais específica, a IEC 61131-3 é o padrão para “Medição e controle de processos industriais – controladores programáveis”, por meio da qual padrões para linguagens de programação CLP e a própria interface de programação são definidos. A IEC 61131-3 especifica a sintaxe e a semântica das linguagens de programação CLP; sobretudo as linguagens gráficas de lógica ladder, diagramas de blocos funcionais, linguagens textuais de listas de instrução, texto estruturado e gráficos de funções sequenciais. Programação em CLP 36 Figura 8 – Linguagens de programação IEC 61131-3 IEC 6113-1 Ladder (LD) Diagrama de blocos funcionais (FBD) Listas de instrução (IL) Texto estruturado (ST) Gráficos de funções sequenciais (SFC) Fonte: Elaborado pelos autores (2021). ACESSE: Para conhecer um pouco mais acerca das linguagens de programação da IEC 61131-3, acesse o vídeo “IEC 61131-3 linguagens de programação” aqui. Essa nova proposta de conceito viabilizou que o equipamento controlador passasse a desempenhar atividades ainda mais robustas do que somente a lógica discreta de um CLP tradicional. Programação em CLP https://www.youtube.com/watch?v=RtyF0SKdtDw https://www.youtube.com/watch?v=RtyF0SKdtDw 37 IEC 61131-3 é o primeiro esforço real para a padronização das linguagens de programação para a automação industrial. Como este é um apelo mundial, esta é uma norma independentemente de qualquer empresa. (PLCOPEN, s.a., p. 1) De acordo com Silva (2018a), acredita-se que, por meio da completa adoção de um padrão, a tendência é que os recursos humanos sejam melhor manipulados por meio de processos de treinamentos uniformes: A partir disso, sabe-se que, no futuro, o padrão internacional vai estipular um treinamento mais uniforme do recurso humano, e os equipamentos serão padronizados onde quer que sejam empregados. O custo de treinamento será reduzido, uma vez que apenas as características específicas de cada novo sistema deverão ser aprendidas. A documentação também será uniforme, mesmo havendo hardware de mais de um fornecedor na planta. (SILVA, 2018a, p. 28) As vantagens da padronização da IEC 61131-3, obtidas por meio da definição de cinco linguagens de programação, podem ser amplamente aplicadas: • Obtenção de um padrão aceito internacionalmente para o equipamento. • Fornecimento de projetos com linguagens mais adequadas para os contextos de cada planta industrial, sendo eficientemente suficiente para cada necessidade visualizada. • Economia de tempo de processamento. Potencialização da qualidade da programação, na qual há duas linguagens textuais disponíveis que podem ser utilizadas em uma mesma planta industrial. “Introduziu o conceito de elementos comuns para facilitar o compartilhamento de linguagens, tornando as normas mais claras e simples.” (MIYAGI, 1996, p. 69) A IEC 61131-3 convencionou diversos pontos importantes, como a definição de terminologias e conceitos, testes de verificação e fabricação eletrônica, estrutura do software do controlador, bem como suas linguagens e execução, funções para a comunicação entre dispositivos e, ainda, orientação de implementação das linguagens adotadas na IEC. Programação em CLP 38 De acordo com Miyagi (1996): O IEC considera as aplicações de longo prazo, onde a evolução da capacidade dos controladores é esperada. Além disso, existe o aspecto de deixar que os fatores econômicos definam as funções que de fato serão utilizadas. (MIYAGI, 1996, p. 69) A extensão do conceito de controlador lógico programável para controlador lógico possibilitou que o controlador que antes era produzido para conter um único recurso, ou seja, para executar apenas uma tarefa, controlado por um único sistema de software em uma malha fechada, agora, mais amplo, abarcou a possibilidade e a capacidade de desenvolver o multiprocessamento. Assim, o controlador programável pode ser produzido para exibir diversas funcionalidades, tudo isso por meio do uso de linguagens de programação de alto nível. De acordo com Miyagi (1996): A característica da CP tende a mudar de um simples dispositivo de controle SED para dispositivos de controle de uso geral (multi-propósito), incorporando o controle de sistemas variáveis (SVC) e linguagens de alto nível. Neste sentido, a compatibilidade dos programas entre os diferentes tipos de CP é um importante aspecto a ser considerado. As principais razões do avanço do CP para as funções de alto nível, antes dominada pelos computadores, estão baseadas na alta produtividade do software desde o projeto do programa até a manutenção, e na facilidade de compreensão. Esta qualidade será tanto mais necessária quanto mais alto nível for o nível das funções. (MIYAGI, 1996, p. 70) Na memória do programa do controlador, segundo a IEC 61131- 3, são carregadas as interfaces de entrada e de saída, as interfaces de comunicação e a interface do sistema. Na interface de entrada e de saída, a função consiste em viabilizar o acesso à leitura dos sinais do processo e o comando dos dispositivos de campo. Programação em CLP 39 Na interface de comunicação, a função consiste em proporcionar os dados para transferência de informações no processo com o controlador, a interface homem-máquina, computadores e outros dispositivos. Na interface de sistema, a função consiste em viabilizar a interação entre hardware e software, para o adequado processamento do programa do controlador programável.A última versão da IEC 61131-3 foi publicada em 2013 e incluiu mudanças técnicas relacionadas aos dados e à programação de linguagens CLP, especificou novos tipos de dados, bem como recursos orientados a objetos de classes e blocos de função. Conceitos Básicos da Norma IEC 6113-3 A norma IEC, como se sabe, foi desenvolvida visando facilitar o trabalho de todos que precisam das ferramentas de controle industrial. A ideia era unificar práticas, conceitos referentes ao processo aos parâmetros de programação dos controladores por meio de uso de interfaces padrão. A norma admite que os programas sejam decompostos em porções reduzidas ou modularizadas, de forma que seja possível implementar o controle sobre cada uma das partes. A programação estruturada em um fluxo e em uma direção padrão, de cima para baixo (top-down) e de baixo para cima (bottom-up), viabiliza que os programas sejam divididos em elementos funcionais, definido como Program Organization Units (POU). O POU é baseado em alguns princípios, a saber: • O princípio da modularização, no qual os programas podem ser decompostos em partes menores. • O princípio da estruturação, no qual há uma hierarquia para desenvolver a programação em níveis por meio dos quais seja possível a aplicação da modularização e do reuso dos blocos funcionais. Programação em CLP 40 • E o princípio da reutilização, no qual os programas e blocos funcionais podem ser reproduzidos (GIMENES, 2002). Assim, a norma IEC atua sob diversas perspectivas da programação de controladores programáveis. Vale salientar que, mesmo com a norma IEC em vigência, não se pode esperar que todos os produtos do gênero, disponibilizados no mercado, apresentem compatibilidade com o que é proposto na norma. A ideia principal é que a norma possa ter um longo alcance de produtividade de portabilidade entre as fabricantes de controladores, mas isso não pode ser absolutamente garantido. De acordo com Silva (2018a), como a maior parte dos dispositivos de Controle Programável são desenvolvidos por meio da linguagem de programação Ladder, fator atribuído normalmente à cultura ou ao conhecimento limitado de desenvolvedores, não se pode mensurar ou quantificar os benefícios da norma IEC 61131-3. O fato é que o hardware, sob a perspectiva dessa norma, não impõe limites. Contudo, como a prática já está consolidada no meio industrial, a mudança dela é dificultada e os desenvolvedores acabam por optar pelo uso da linguagem com a qual já estão familiarizados. A IEC 61131-3 é identificada como a primeira linguagem de programação padronizada e independente de fabricante de dispositivos de automação industrial. A complexidade dos programas de controle e de automação, de maneira geral, está sendo um fator chave para a adoção do padrão IEC 61131-3. Entre os pontos positivos que levam um ambiente industrial a adotar a IEC 66113-3, tem-se: • Menor tempo relativo para desenvolver um programa. • Menor custo associado à mão de obra e à capacitação de desenvolvedores. • Capacidade de manutenção do software de controle melhorada. Programação em CLP 41 • Ciclo de vida do software potencializado devido à inclusão de possibilidades de análise de requisitos, de projeto, de construção, de testes, de instalação, de operação e de manutenção. • Suporte para diversos idiomas no programa de controle. • O idioma pode ser ajustado de acordo com a tarefa específica. • Possibilidade de produção de um completo sistema embarcado, por meio do uso associado aos chips Freescale. • Softwares que podem ser executados de forma distribuída e independente, ao invés de estarem concentrados em grandes controladores. • Redução das linhas de programação, mesmo em aplicações complexas, o que melhora o desempenho e a confiabilidade e simplifica os programas. • Interface de programação que independe da plataforma de hardware. Assim, a IEC promete que as indústrias reduzam o custo de recursos humanos em treinamentos, com depuração e manutenção, melhorando a produtividade com a maior capacidade de reuso. RESUMINDO: Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo que apresentamos? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Programação em CLP 42 Você deve ter aprendido que a IEC é uma organização internacional que se responsabiliza pela normatização dos sistemas desenvolvidos para produtos elétricos e eletrônicos. Ela é fundamentada na necessidade adoção de padrões de programação compatíveis entre os CLPs desenvolvidos para a indústria. Por um longo período, foram utilizadas variadas técnicas de programação para a aplicação em dispositivos CLP de automação industrial. A IEC 61131-3 especifica a sintaxe e a semântica das linguagens de programação CLP; sobretudo as linguagens gráficas de lógica ladder, diagramas de blocos funcionais, linguagens textuais de listas de instrução, texto estruturado e gráficos de funções sequenciais. Essa nova proposta de conceito viabilizou que o equipamento controlador passasse a desempenhar atividades ainda mais robustas do que somente a lógica discreta de um CLP tradicional. De acordo com Silva (2018a), como a maior parte dos dispositivos de controle programável é desenvolvida por meio da linguagem de programação ladder, fator atribuído normalmente à cultura ou ao conhecimento limitado de desenvolvedores, não se pode mensurar ou quantificar os benefícios da norma IEC 61131-3. Porém, a IEC promete que as indústrias reduzam o custo de recursos humanos em treinamentos, na depuração e na manutenção, melhorando a produtividade e aumentando a capacidade de reuso. Programação em CLP 43 CLP no Controle Industrial OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar a importância do controle industrial, alguns casos de usos mais comuns de CLP e as vantagens dele no processo de controle industrial. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Controle Industrial O processo de controle dos processos desenvolvidos no ambiente industrial compreende uma área que está em contínuo e crescente ritmo de aprimoramento tecnológico ao longo dos anos. Novas tecnologias e ferramentas passíveis de serem utilizadas em qualquer tipo e segmento de processo produtivo estão sendo cada vez mais utilizadas em plantas industriais. Essas, por sua vez, caracterizam- se por uma maior simplicidade e garantem uma maior produtividade, possibilitando a otimização dos períodos de operação nas plantas e potencializando cada vez mais os processos produtivos, por meio da criação de um ambiente propício a uma maior produção. Ao longo da história humana, é possível observar que as operações de trabalho voltadas para a obtenção de alimentos ou de materiais necessários ao cotidiano das sociedades antigas eram todas desempenhadas por meio do trabalho braçal do ser humano. O ser humano foi, por muito tempo, a principal máquina de desenvolvimento de tarefas. As revoluções intensificaram ainda mais o trabalho humano, com o desenvolvimento de ambientes industriais complexos e com produções de larga escala de produtos que foram se tornando cada vez mais utilizados pela sociedade, como os carros. Programação em CLP 44 SAIBA MAIS: Para conhecer um pouco sobre o trabalho humano nas fábricas de carro, assista ao filme Tempos Modernos de Charles Chaplin, disponível aqui. De acordo com Silva et al (2018b), nas primeiras fases da evolução humana os meios de produção não eram baseados no uso de meios de produção de energia. Na verdade, a produção de energia ainda nem era conhecida. As fontes de energia direcionadas para o desenvolvimento das tarefas de trabalho eram, sobretudo, oriundas do trabalho humano ou dos animais domesticados. Por volta do século XVIII, como desenrolar da Revolução Industrial, originada na Grã-Bretanha, relevantes mudanças tecnológicas foram se desenvolvendo e impactaram de maneira significativa os processos produtivos existentes no período. As revoluções industriais tiveram seu início demarcado, de forma característica, na Inglaterra, em meados do século XVIII. Nesses processos de evolução da indústria, a introdução das máquinas simples caracterizou essa fase da evolução da indústria. Essas máquinas foram implementadas com o intuito de substituir a força muscular utilizada em tarefas mecânicas e repetitivas, que eram realizadas pela atividade do ser humano. As alterações no processo industrial alcançadas devido à implantação desse novo modelo de operação tornaram as atividades produtivas ainda mais produtivas e, a partir de então, tiveram uma evolução mais rápida, o que originou, na Inglaterra, a Era Industrial. A Era Industrial possibilitou que máquinas a vapor fossem desenvolvidas e, por meio destas, a energia bruta passou a ser transformada em energia mecânica. Programação em CLP https://www.youtube.com/watch?v=3tL3E5fIZis https://www.youtube.com/watch?v=3tL3E5fIZis 45 O ser humano, por sua vez, desenvolveu seus processos de trabalho quando conseguiu utilizar seu trabalho mental. Com o uso da inteligência humana como uma ferramenta direcionada para a análise das atividades e para o desenvolvimento de sistemas que pudessem auxiliar no desenvolvimento das atividades industriais, foi possível que técnicas de controle de novas fontes de energia fossem desenvolvidas. Foi a partir de então que o trabalho manual passou por um processo de substituição, no qual máquinas e equipamentos ocuparam o seu espaço e substituíram, de forma predominante, o controle manual das operações, sendo este modificado pelo controle automático de processos. É importante perceber que, mesmo com o controle manual perdendo espaço no desenvolvimento de operações diversas para o controle automático, ele não deixou de ser utilizado completamente, inclusive após os grandes avanços na automação industrial, visto que diversos processos ainda demandam de alguns tipos de controles manuais, o que, por sua vez, nem sempre permite a garantia da máxima eficiência do processo. O processo desenvolvido durante a execução de alguma atividade, em geral, pode ser identificado como composto por uma sequência de etapas, na qual cada um dos equipamentos necessários já é respectivamente predefinido para cada etapa e tudo é determinado com base na funcionalidade que possui e que irá desempenhar nas etapas do processo. Geralmente, um processo é caracterizado por contínuo processamento de uma matéria-prima com um dado e definido objetivo. Um processo pode ser classificado de acordo com o meio de operação utilizado; assim, pode ser: de operação manual ou de operação automática. De acordo com Silva et al (2018b), pode-se definir o controle manual como dependente de forma integral da ação e da atividade humana ou animal para alcançar um determinado resultado ou produto. Programação em CLP 46 Ainda, segundo o autor, pode-se definir o controle automático como fundamentado no uso de instrumentos e de sistemas que possuem capacidade de detecção de erros, que atuam promovendo unidade e controle, permitindo ao operador fazer um funcionamento preciso e contínuo. SAIBA MAIS: James Watt foi o desenvolvedor do primeiro dispositivo de controle automático com feedback. Seu dispositivo consistia basicamente em um regulador de bola, desenvolvido em 1769, aplicado a processos industriais para controlar a velocidade da máquina a vapor. É possível perceber que a automatização de processos industriais é caracterizada pela transferência de todas as funções que seriam executadas por um operador humano para um sistema eletrônico programável. Dessa forma, a automatização troca o trabalho manual humano, que seria aplicado a tarefas consideradas mais repetitivas, por um sistema. O controle de um processo é fundamentado na interface interativa estabelecida por componentes e instrumentos que fazem parte do processo, o que se dá por meio da configuração de um sistema. Em outras palavras, o controle de um processo compreende uma mudança ativa no processo baseado nos resultados provenientes do monitoramento do processo. Consiste na capacidade de monitorar e de ajustar um processo para fornecer a saída desejada. O controle de processo é, dessa forma, usado na indústria para manter a qualidade e melhorar o desempenho. Programação em CLP 47 EXEMPLO Um exemplo que representa o que foi conceituado é o processo relacionado à manutenção da temperatura de uma sala em uma determinada temperatura, usando um aquecedor e um termostato. Quando a temperatura da sala estiver muito baixa, o termostato ligará uma fonte de aquecimento até que a temperatura alcance o nível desejado, momento no qual o aquecedor é desligado. Conforme a sala se resfria, esse processo se repete para manter o ambiente no ponto de ajuste desejado. O ponto em que se implementa o ajuste é a configuração de temperatura no termostato e o aquecedor liga e desliga para manter a temperatura. De acordo com Silva et al (2018b), é possível sintetizar um sistema de controle de processo em alguns itens característicos: • Compreende um elemento de medição que detecta as alterações ocorridas no processo durante a execução e o desenvolvimento e fornece um sinal. • É um instrumento de comparação, tendo em vista que compara um sinal de feedback com o valor da medida de referência, oferecendo, a partir de então, comandos adequados para o estágio posterior do processo, de forma que se atinja a correção da diferença detectada na comparação. • Possui um componente que recepciona o comando do elemento de comparação e atua na execução de procedimentos adequados para que se alcancem os produtos desejados. • Apresenta um elemento de controle final, o qual compreende um dispositivo que atua diretamente no processo e tenta fornecer constantemente uma saída. Tem-se, dessa forma, que a ferramenta e os fundamentos de controle são utilizados especialmente em ambientes industriais que precisam operar com precisão e baixo índice de ocorrência de falhas. Nesses casos, os procedimentos desenvolvidos são constantemente mensurados e tudo aquilo que demanda ser manipulado, ou seja, a variável de controle, é modificado de forma correspondente às necessidades visualizadas pelo controlador, que interfere diretamente no procedimento e no resultado obtido no final do ciclo do processo. Programação em CLP 48 Pode-se identificar que a grande vantagem de se possuir um processo controlado remete ao fato de que a saída é obtida sistematicamente, mantendo-se o padrão de qualidade e de quantidade, de acordo com a demanda, reduzindo a interferência e o esforço físico humano. De acordo com Parr (2003), todos os processos industriais precisam, de alguma forma, de sistemas de controle para funcionar com segurança e economia. Nos últimos anos, um computador de controle especializado, denominado controlador programável, evoluiu e revolucionou a engenharia de controle, combinando poder de computação e imensa flexibilidade a um preço razoável. Atualmente, são poucas as plantas industriais que podem funcionar sozinhas, e, geralmente, boa parte delas necessitam de algum tipo de sistema de controle para garantir uma operação segura e econômica. A figura a seguir é, portanto, uma representação de uma instalação típica: uma planta conectada a um sistema de controle. Figura 9 – Planta conectada a um sistema de controle Fonte: (PARR, 2003, p. 2). Programação em CLP 49 Por meio da imagem, pode-se identificar os comandos do operador humano nas ações necessárias e verificar o status da planta de volta para o operador. No que diz respeito ao controle do sistema, os controladores lógicosapresentam papel importante no desenvolvimento dessas atividades. Tem-se, dessa forma, que os controladores lógicos programáveis são essenciais para a automação industrial e para a implementação de controle de processos industriais. São os controladores que atuam no gerenciamento dos vários dispositivos atuadores, nos sensores analógicos e digitais, e que estabelecem a comunicação com as interfaces complexas em protocolos de mudança. Além disso, outras funções imprescindíveis são desempenhadas pelos CLPs, tais como a execução, a conversão de dados e o processamento de sinais. IMPORTANTE: Atualmente, com o advento da Industria 4.0 e com o aquecimento do setor por meio do impulsionamento e do desenvolvimento na Internet das Coisas Industrial (IIoT), são oferecidas soluções industriais ainda mais seguras e escaláveis, que exibem alto desempenho e proporcionam menor consumo de energia e menores dimensões dos dispositivos como um todo. Hoje em dia, os CLPs encontram ampla utilização em aplicações do mundo digital. As operações sequenciais e repetidas nas indústrias são normalmente realizadas usando-se CLP, que estão prontos para a Indústria 4.0. Assim, tem-se que, por meio da adoção dos controladores lógicos programáveis, há um potencial aumento na produção e na melhoria da eficiência geral da planta. Programação em CLP 50 Como os CLPs podem controlar máquinas individuais e conectar as máquinas a um sistema, eles exibem uma flexibilidade que é possibilitada pelo controlador lógico programável e isso, por sua vez, permitiu seu uso em muitas aplicações para a manufatura e o controle de processos. Algumas aplicações de processos nos quais os CLPs são usados: • Operações de grãos que envolvem armazenamento, manuseio e ensacamento. • Refino de xarope que envolve tanques de armazenamento de produtos, bombeamento, filtração, clarificação, evaporadores e todos os sistemas de distribuição de fluidos. • Processamento de gorduras e óleos que envolve tanques de armazenamento de produtos, bombeamento, filtração, clarificação, evaporadores e todos os sistemas de distribuição de fluidos. • Operações da fábrica de laticínios que envolvem o controle de todo o processo, desde o leite cru entregue aos produtos lácteos acabados. • Produção de petróleo e gás e refino das bombas de poço nos campos até o produto acabado entregue ao cliente. • Aplicações de panificação da matéria-prima ao produto acabado. • Processamento de cerveja e vinho, incluindo os procedimentos de controle de qualidade etc. Vantagens do CLP no Âmbito Industrial De acordo com Parr (2003), qualquer sistema de controle ultrapassa quatro estágios desde a concepção até a planta de trabalho, e os controladores programáveis exibem vantagens em cada etapa. Na etapa de design, a planta necessária é estudada e as estratégias de controle são definidas. Com um sistema CLP, é preciso apenas ter ideia inicial do tamanho da máquina e dos requisitos de entrada e de saída que serão necessários. Já com os sistemas convencionais, o projeto deve ser concluído antes que a construção possa começar. Programação em CLP 51 Em seguida, vem a construção, etapa na qual o sistema CLP é aparafusado a partir de peças padrão e, durante esse tempo, é realizada a escrita do programa CLP correspondente às necessidades e aos objetivos do processo. Com os sistemas convencionais, todo trabalho é on-off e, assim, inevitavelmente, apresenta atrasos e custos extras. A próxima etapa é a instalação. Nos processos convencionais, essa etapa normalmente é um processo tedioso e caro, no qual sensores, atuadores, interruptores de limite e controles do operador são cabeados. Em um sistema CLP distribuído, porém, são utilizados links seriais e mesas pré-construídas e testadas, o que simplifica a instalação e traz grandes benefícios de custo. A maior parte do programa CLP é escrita nessa fase. Por fim, vem o comissionamento, e é aqui que se encontram as verdadeiras vantagens em relação aos sistemas convencionais. De maneira geral, sabe-se que nenhuma planta funciona na primeira vez, e erros humanos podem ocorrer em todas as ocasiões; porém, com o CLP a maioria das mudanças pode ser feita de forma rápida e relativamente barata, todas as alterações são registradas no programa do CLP e as modificações de comissionamento não ficam sem registro. A manutenção pode ser identificada como uma outra etapa, que começa quando a planta está em funcionamento e é entregue à produção. Todas as fábricas têm falhas e a maioria delas tende a passar a maior parte do tempo cometendo alguma falha. Um sistema CLP fornece, assim, uma ferramenta muito poderosa para auxiliar no diagnóstico dessas falhas. Uma planta também está sujeita a muitas mudanças durante seu desenvolvimento, seja para acelerar a produção, seja para facilitar quebras, seja para atender a mudanças em seus requisitos. Um sistema CLP pode ser alterado tão facilmente que as modificações são simples e o programa CLP documentará automaticamente as alterações que forem feitas. Programação em CLP 52 RESUMINDO: Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo que foi apresentado até aqui? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o método de controle dos processos desenvolvidos no ambiente industrial compreende uma área que está em contínuo e crescente ritmo de aprimoramento tecnológico ao longo dos anos. O controle de um processo é fundamentado na interface interativa estabelecida por componentes e instrumentos que fazem parte do processo. Isso se dá por meio da configuração de um sistema. Em outras palavras, o controle de um processo compreende uma mudança ativa no processo, a qual é baseada nos resultados provenientes do monitoramento do processo. Consiste na capacidade de monitorar e de ajustar um processo para fornecer a saída desejada. Tem-se, dessa forma, que a ferramenta e os fundamentos de controle são utilizados especialmente em ambientes industriais que precisam operar com precisão e baixo índice de ocorrência de falhas. Todos os processos industriais precisam, de alguma forma, de algum sistema de controle para funcionar com segurança e economia. Assim, os controladores lógicos programáveis são essenciais para a automação industrial e para a implementação do controle de processos industriais. Programação em CLP 53 REFERÊNCIAS CUNHA, R. O tear jacquar não só revolucionou a indústria têxtil mas foi o primeiro computador do mundo. Stylourbano. 2017. Disponível em: https://www.stylourbano.com.br/o-tear-jacquard-nao- so-revolucionou-a-industria-textil-mas-foi-o-primeiro-computador- do-mundo/#:~:text=Joseph%20Marie%20Jacquard%20n%C3%A3o%20- inventou,seria%20chamado%20um%20tear%20Jacquard. Acesso em: 05 out. 2021. MIYAGI, P. E. Controle Programável – Fundamentos do Controle de Sistemas a Eventos Discretos. São Paulo: Blucher, 1996. SILVA, E. A. Introdução às linguagens de Programação para CLP. São Paulo: Blucher, 2018a. SILVA, D. M.; SILVA, W. N.; NASCIMENTOS, D. J. F. Uses of PÇCs for Automatic Industrials Process. Revista Cientifica Multidisciplinas do Núcleo do Conhecimento. 6. ed., vol. 2, p. 56-83, 2018b. PARR, E. A. Programmable controllers: an engineer’s guide. Austrália: Newnes, 2003. Programação em CLP Entendendo os Dispositivos CLP e sua Evolução CLP Evolução dos CLPs Funcionamento e Arquitetura de um CLP Arquitetura Geral de um CLP Como um CLP Funciona? Varredura Norma IEC Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) Conceitos Básicos da Norma IEC 6113-3 CLP no Controle Industrial Controle Industrial Vantagens do CLP no Âmbito Industrial