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Rafael Vieira de Paulo
Médico Infectologista – UFTM/USP
Abril/2025
SÍFILIS
Infecção bacteriana sistêmica, crônica, curável e exclusiva do ser humano.
Até 30 anos
Treponema
GenitalNeuro
Cardio
Pele
Penicilina
Doença de notificação COMPULSÓRIA 
Desde 1986 (sífilis congênita) 
Desde 2010 (sífilis adquirida)
Descoberto em 1905 - Treponema pallidum
Ordem Spirochaetales 
Agente Etiológico
Pode ser visto na microscopia de campo escuro.
Exposição a lesão infectada – Contato com mucosa ou pele com lesão prévia - Via sexual 
* Risco de transmissão de outras ISTs
* Acidente perfurocortante e contato em pele íntegra não transmitem
Transmissão
Em gestantes, a taxa de transmissão vertical de sífilis para o feto é de até 80% intraútero. 
Pode ocorrer, ainda, durante o parto vaginal, se a mãe apresentar alguma lesão sifilítica. 
A infecção fetal é influenciada pelo estagio da doença na mãe (sendo maior nos estágios primário e secundário) e pelo tempo durante o qual o feto foi exposto.
Gestantes
Abrasões microscópicas -> Treponema atinge o tecido subcutâneo
Evasão do sistema Imune -> Formação do Cancro
Durante a replicação local -> infecção dos linfonodos regionais -> disseminação
A Infecção
Abrasões microscópicas -> Treponema atinge o tecido subcutâneo
Evasão do sistema Imune -> Formação do Cancro
Durante a replicação local -> infecção dos linfonodos regionais -> disseminação
A Infecção
Sífilis Recente
(até 1 ano)
Primária
Secundária
Latente Recente
Sífilis tardia
(> 1 ano)
Terciária
Latente Tardia
Neurossífilis
Estágios da doença
Primária
Cancro duro -> surge em 10-90 dias (média de 21dias) 	
	
Surge no local de penetração do Treponema
MELHORA ESPONTÂNEA em 3 a 6 semanas
Primária
Inicia como uma pápula e evolui rapidamente para a úlcera
1 a 2 cm
Base endurada
Sem exudato 
Indolor 
Adenopatia regional (bilateral)
Secundária
6 semanas a 6 meses após a infecção inicial
Cerca de 25% dos indivíduos não tratados	
A sintomatologia dura, em média, entre 4 a 12 semanas. 
Secundária
Febre, cefaleia, mal estar, anorexia
Pápulas palmoplantares, maculas, placas, Condilomas planos 
Micropoliadenopatia
Alopecia em clareira 
Madarose
Acometimento Ocular/Otológico -> Manejados como Neurossífilis
Secundária
Secundária
Roséola sifilítica
“A alergia que não melhora”
 
Exantema maculopapular pruriginoso difuso, com máculas ovaladas ou arredondadas, isoladas e/ou confluentes, também denominadas roséolas, levemente descamativas, que acometem todo o tegumento, particularmente as regiões palmoplantares.
‹#›
Secundária
Secundária
Sífilis Maligna
Pacientes imunossuprimidos 
Secundária
Terciária
Ocorre em 15 a 25% dos pacientes não tratados
Terciária
Goma Sifilítica
Terciária
Latente Recente
Latente Tardia
Nenhum sinal ou sintoma da doença
Diagnóstico por exames complementares
Aproximadamente 25% dos pacientes podem intercalar lesões de secundarismo
	
Neurossífilis
Neurossífilis
Métodos diagnósticos
Exames Diretos
Exame em Campo Escuro
Pesquisa direta com material corado
Coleta de material de lesões primárias ou secundárias 
Testes Imunológicos
Testes treponêmicos
Testes não treponêmicos
	
Testes Treponêmicos
Detectam anticorpos específicos contra antígenos de T. pallidum
Primeiros a se tornarem reagentes 
Em 85% permanecem reagentes por toda a vida
Podem ser utilizados como primeiro teste ou teste complementar
	
Testes Treponêmicos
-> Testes Rápidos: imunocromatografia de fluxo lateral ou de plataforma de duplo percurso (DPP)
-> Testes de hemaglutinação (TPHA) e de aglutinação de partículas (TPPA); ensaios de micro-hemaglutinação (MHA-TP)
-> Teste de imunofluorescência indireta (FTA-Abs)
-> Ensaios imunoenzimáticos (ELISA) e suas variações, como os ensaios de quimiluminescência (CMIA)	
Testes Não Treponêmicos
Detectam anticorpos anticardiolipina não específicos para os antígenos do T. pallidum.
Análise qualitativa e quantitativa.
Utilizados para diagnóstico e seguimento.
* Efeito Prozona
1:2, 1:4, 1:8, 
1:16, 1:32, 
1:64, 1:128, 
1:256...
Trata-se da ausência de reatividade em uma amostra que, embora contenha anticorpos não treponêmicos, apresenta resultado não reagente quando é testada sem diluir – ou mesmo em baixas diluições. Esse fenômeno decorre da relação desproporcional entre as quantidades de antígenos e anticorpos presentes na reação não treponêmica, gerando resultados falso-negativos. Ocorre nas amostras de pessoas com sífilis, em virtude da elevada quantidade de anticorpos presentes. O fenômeno de prozona não é observado nos testes treponêmicos. É observado principalmente na sífilis secundária, fase em que há produção de grande quantidade de anticorpos. Além disso, o fenômeno é facilmente identificado fazendo-se o teste qualitativo com a amostra pura e diluída a 1:8 ou a 1:16.
‹#›
Testes Não Treponêmicos
-> VDRL (do inglês Venereal Disease Research Laboratory)
-> RPR (do inglês Rapid Plasma Reagin)
-> USR (do inglês Unheated-Serum Reagin)
Toram-se reagentes uma a três semanas após o surgimento do cancro duro
Tratamento Imediato (após apenas um teste positivo)
› Gestantes;
› Vitimas de violência sexual;
› Pessoas com chance de perda de seguimento
› Pessoas com sinais/sintomas de sífilis primaria ou secundaria;
› Pessoas sem diagnostico prévio de Sífilis.
Em não gestantes, o intervalo entre doses não deve ultrapassar 14 dias. Caso isso ocorra, o esquema deve ser reiniciado.
Para gestantes: a recomendação é que as doses sejam aplicadas, idealmente, a cada 7 (sete) dias, não ultrapassando 9 (nove) dias. Caso alguma dose seja perdida ou o intervalo entre elas seja maior que nove dias, o esquema terapêutico deve ser reiniciado.
‹#›
Indicações de Punção Lombar
Indicações de Tratamento de neurossífilis
Reação de Jarisch-Herxheimer
Pode ocorrer durante as 24 horas após a primeira dose de penicilina
Caracteriza-se por exacerbação das lesões cutâneas, mal-estar geral, febre, cefaleia e artralgia, que regridem espontaneamente apos 12 a 24 horas
Monitoramento Pós-tratamento
Monitoramento Pós-tratamento
Resposta imunológica adequada: 
Teste não treponêmico não reagente ou 
Queda na titulação em pelo menos duas diluições em até seis meses para sífilis recente ou
Queda na titulação em pelo menos duas diluições em até 12 meses para sífilis tardia.
Título 1:32 → 1:8
Queda de 2 diluições
Exemplos de queda adequada do VDRL:
	VDRL pré tratamento	VDRL esperado após 6 meses de tratamento (se sífilis recente) ou 12 meses de tratamento (se sífilis tardia)
	1:8	1:2 ou menos
	1:16	1:4 ou menos
	1:512	1:128 ou menos
	1:4096	1:1024 ou menos
	…	
Retratamento: o que avaliar?
O paciente realizou o tratamento adequado?
Ocorreu nova exposição sexual de risco no período?
	
O VDRL foi coletado nos períodos corretos?
Há sinais ou sintomas de neurosífilis?
Gestantes
Devem ser testadas, no mínimo, na primeira consulta, no início do terceiro trimestre e na internação para o parto
Com um teste rápido reagente já devem ser consideradas como portadoras de sífilis
Monitoramento mensal até o parto
Parcerias
Um terço das parcerias sexuais de pessoas com sífilis recente desenvolverão a infecção dentro de 30 dias da exposição
Tratamento presuntivo a parceiros sexuais últimos 90 dias com dose única de benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões, UI, IM (1,2 milhão de UI em cada glúteo)
Outras condutas no diagnóstico de ISTs
Investigar e testar outras ISTs
Pesquisar parcerias sexuais
HIV, hepatites virais, clamídia e gonococo, Mpox…
1
Oferecer vacinação
Hepatite A, Hepatite B, HPV
Avaliar indicação de PREP / PEP
2
3
4
5
6
Orientar sobre uso de preservativo
Notificar
Arthur Ashe, tenista americano
1943 - 1993
"Comece onde você está, use o que você tem e faça o que você pode"
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