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Direito Processual Penal 1
Aula 1: Conceito. Características. Princípios formadores do Processo Penal
A pintura Alegoria da Divina Providência e do Poder Barberini é do pintor italiano Pietro da Cortona, que ilustra o teto do grande salão do Palazzo Barberini, em Roma, Itália.
 
A pintura foi encomendada pelo papa Urbano VIII da Família Barberini, uma influente família originária da Toscana.
Iniciado em 1633, demorou seis anos para ser terminado, em 1639.
A pintura representa a coroação papal de Urbano Roma como um ato divino, junto com as 3 abelhas - símbolo do brasão de armas da família Barberini.
DISTINÇÕES INICIAIS
Entre o DIREITO DE PUNIR &
os DIREITOS DO PUNIDO
No curso histórico do Direito Penal, até sua real “conquista” como um todo, se verifica uma conquista gradativa de dois direitos: primeiro a definição dos direitos (ou poderes) do Estado em coibir crimes, onde o Estado irá interferir nos casos, deter os autores e lhes atribuir punições.
Então, se vê o levante social para que este poder seja limitado pelos direitos individuais do acusado.
DISTINÇÕES INICIAIS
O conceito de VINGANÇA PRIVADA
Segundo os registros que contam a história antiga, de civilizações ocidentais entre 2.500 a 2.000 anos a.C, as pessoas viviam em tribos e famílias, e o modo de defesa e sobrevivência as fazia utilizar da chamada "vingança privada". Elas mesmo decidiam como retribuir e punir alguém que causasse lhes causasse mal.
Na formação de cidades no mundo antigo, ainda que houvesse um líder ou rei, esse governo não intervinha nos conflitos privados, deixando a cargo das pessoas entre si envolvidas e suas famílias ou coligações. Nesse sistema punitivo informal, muitas famílias e tribos vinham a ser totalmente extintas em razão da busca desmedida por vingança do injusto sofrido, que ia se alternando em perseguições sem fim.
DISTINÇÕES INICIAIS
O conceito de VINGANÇA PRIVADA
Vingança privada é um termo, pois, que permanece atualmente nos estudos criminais e caracteriza o afastamento do Estado do conflito das partes, ou seja, sua não intervenção pela tomada de liberdade entre os envolvidos em decidir como e o quanto punir um mal feitor.
Na vingança privada nós não temos nem o direito de punir (pelo Estado) e nem as garantias ou direitos do punido a fim de limitarem a quantidade e o modo de punição.
DISTINÇÕES INICIAIS
PRÁTICAS PUNITIVAS: o início do Direito Penal.
É o que existe de mais remoto na história do poder/dever do Estado em gerar punições.
Não é correto dizer “Direito Penal do Egito Antigo”, “Direito Penal da Grécia Antiga”, “Direito Penal da Babilônia”, pois o que existia era, na verdade, o conjunto de punições, cujas práticas eram poderes nas mãos dos governantes. A vingança privada vai ficando para trás.
Exceção: a democracia ateniense, na Grécia Antiga.
PRÁTICAS PUNITIVAS: o início do Direito Penal.
O modo de tratamento dos acusados e as punições são desmedidas e diferentes a depender da identidade da pessoa na sociedade.
Muitas das práticas punitivas, então, são registradas pela primeira vez em pedras e desenhos (ex. o Código de Hamurabi da Mesopotâmia, que firmou a chamada Lei de Talião), mas não se registrava o “processo” de decisões até o castigo. 
Margem para arbitrariedade
Membros da família eram vítimas do castigo junto ao criminoso.
Os castigos eram, em sua maioria, contra a vida, contra o corpo e contra os bens.
PRÁTICAS PUNITIVAS na GRÉCIA ANTIGA
Os registros históricos sobre penas e processo penal em Atenas, na antiga Grécia, surpreendem como um momento único para o mundo antigo e medievo quanto as práticas punitivas.
A punição vinha após um curta fase “processual” que averiguava a natutalidade do cidadão (nativo, escravo ou estrangeiro).
Há momento para a auto defesa do acusado, sua oitiva e defesa feita por si.
Os julgadores não são os mesmos que os acusadores
O processo era oral mas também escrito, mantendo-se registros.
ROMA ANTIGA
O modo de conquista e dominação de Roma por sobre os povos e regiões faz criar em identidade político-administrativa do governo romano. Um modo de governança e de relação dentro de seu governo caracterizado pela
a) constante vigilância;
b) desconfiança das características do indivíduo e análise mais minuciosa de sua pessoa;
c) constante investigação dentro e fora do governo, tudo em função da identificação de possíveis traidores políticos, que quisessem tomar cargos ou o próprio governo.
ROMA ANTIGA
Esta postura é, pois, a fonte do chamado Sistema Inquisitório que viria a se consolidade na Idade Média, alinhavando Política, religião, arte, e, entre outras esferas, o Direito.
Roma tem 3 fases de governo antes de sua queda: monárquica, república e império. Dentre elas apenas a republicana retoma alguns modos do julgamento ateniense. As demais, seguindo a postura política inquisidora, criam o tipo chamado Cognitio para lidar com a investigação e condenação de criminosos.
Postura política inquisidora Sistema penal da Cognitio Surgimento do Direito Penal do Inimigo
CRISTIANISMO E INQUISIÇÃO
O império romano entra em crise em 476 d.C e, com ele, se finda a centralização de poder em uma única civilização.
Inicia o período feudal
Crença cristã popular em toda a Europa e oriente médio;
Concentração de altoridades religiosas nas regiões italianas e germânicas;
- Revelações divinas sobre a culpa dos mal feitores
A INQUISIÇÃO no século XIII na Europa Ocidental é então o resultado da popularidade do cristianismo e seu poder adquirido entre os reis e governantes regionais. 
CRISTIANISMO E INQUISIÇÃO
Com esta parcela de poder dada ao líder religioso, consolida-se:
a) A ideia da pessoa do Inimigo, que, para a igreja, importa em todos aqueles que não se encaixam em determinado padrão de conduta e crença. 
b) A presença dos líderes da igreja junto ao juiz, pois tanto os crimes contra o reino importavam em pecados contra a determinação de Deus, quanto sobre os conflitos causados nas relações sociais comuns.
c) O objetivo de avanço da popularidade e dominância a fim de fazer, novamente, a Europa um bloco mono político, mono econômico e inteiramente cristão.
CRISTIANISMO E INQUISIÇÃO
O movimento da Inquisição é alimentado por uma obra escrita pelos padres chamada Manual do Inquisidor, na qual é descrita uma série de características do verdadeiro cristão, em face das características de um herege, bem como quais penalidades deveriam ser afligidas contra ele(s).
No Manual, os castigos tem o objetivo principal de punir o criminoso, mas não consegue servir como uma lei a ser conhecida para repelir condutas já que o julgamento era muito subjetivo. O modo de agir, o jeito, a aparência e os interesses das pessoas influenciavam no julgamento mais do que sua conduta específica.
Segundo Salah Khaled Jr, a defesa em um sistema em que não se terá imputação de fatos e defesa contra fatos imputados, mas também acusações de características subjetivas dos sujeitos, inviabiliza totalmente qualquer defesa.
Já que nele a averiguação (o processo) nem começou, e o julgador já está convencido de quem é o culpado (o herege).
CRISTIANISMO E INQUISIÇÃO
A Inquisição, nos moldes do rigor imperial romano, é a fonte do chamado Sistema Inquisitório de Punição, marco na história do Direito que permanece vigendo mesmo após a queda do marco ideológico religioso da era medieval na Era Moderna.
CARACTERISTICAS DO SISTEMA INQUISITÓRIO
As leis que definem um ilícito penal não estão escritas de maneira clara.
As penas não estão definidas, só é apontado o tipo de pena, mas sem existir critérios de medida (se mais intensa ou mais branda). Penas grave e iguais para crimes de natureza diferentes. 
CARACTERISTICAS DO SISTEMA INQUISITÓRIO
Acusador e julgador se confundem na mesma pessoa. 
Acusado visto como objeto a ser combatido no processo. Ele é o inimigo sobre o qual o Inquisidor deve triunfar. Não é visto como cidadão de direitos. Há uma desvalorização de sua pessoa.
Acusado sempre responde apreendido (enclausurado)
O julgador atua de ofício e em segredo. Os atossão orais e quase nada é registrado
Os nomes das testemunhas são mantidos em sigilo
CARACTERISTICAS DO SISTEMA INQUISITÓRIO
Gestão e iniciativa da prova fica nas mãos do juiz, figura do juiz-ator = princípio do inquisitivo.
Em prol de conseguir provas ou confissões, o inquisidor utilizou-se de torturas, que inicialmente eram diretas mas que também podiam ser indiretas (ameaças).
Juiz parcial em prol do Estado-acusador.
Inexistência de contraditório pleno, sendo meramente formal.
Desigualdade de armas.
ERA MODERNA
Despontar de uma nova cosmovisão, a partir do fim do século XVII
Influencia das obras de intelectuais importantes como Descartes, Spinozza, Hobbes e Locke.
Era moderna é caracterizada pelo acesso a educação e ciência, a liberdade de espressão e o desenvolvimento dos meios de produção.
as multidões ganham parcela de autoridade na exigência contra seus governantes, duvidando de sua capacidade de semi-deuses, pintada pela igreja, o que também significou a exigência de meios mais claros e igualitários de justiça na condenação de um suposto criminoso.
Desde a idade antiga muitas das leis eram escritas e registradas em favor dos próprios governantes. Na era moderna a população desconfia da legalidade e da aplicação das leis, principalmente em relação as condenações.
ERA MODERNA
Em 1764 surge na Italia a obra de Cesare Beccaria “Dos delitos e das penas”, que torna-se o importante marco para o real início da conquista de direitos do acusado. Nela, Beccaria reúne as teorias de Mostesquiel, Voltaire, Thomas Hobbes e John Locke, entre outros, sobre pensar politicamente as práticas punitivas em face do valor da vida e tempo de vida do súdito do rei. 
ERA MODERNA
No viés do contratualismo, a obra trás o uso do termo “Contrato Social” usada pelos filósofos Hobbes e Locke, quanto ao mal feitor em meio a sociedade. 
Para Hobbes, o motivo para um Contrato Social precisar existir é que há uma guerra de todos contra todos, que concede a um soberano um poder irreversível a fim de que ele controle essa sociedade para que não seja instaurada a barbárie e o estado de guerra total que levaria a extinção humana.
Já para Locke, em uma visão mais otimista sobre o indivíduo, a sociedade e seu governante existem para preservar a vida e os recursos naturais, de modo que os líderes promovem a defesa de alguns homens que são maus perante a maioria. 
CONCEITO QUANTO AO CARÁTER
O Direito Processual Penal é o ramo do Direito que se preocupa com uma atividade que o Estado desempenha, a atividade persecutória do Estado.
O Direito Processual Penal tem, portanto, como objeto a atividade persecutória do Estado
Esta atividade, também chamada de Persecução Penal é a busca, a descoberta e o processamento de um comportamento delinquente da Lei Penal, ou seja, do crime.
FINALIDADE
No estudo observatório dessa atividade do Estado de persecução, o Direito Processual Penal é atermado nas leis processuais penais com a finalidade de ser um instrumento.
A finalidade do Direito Processual Penal é proporcionar, permitir, a aplicação das Leis penais.
PERSECUÇÃO PENAL
Vai ensejar todas as atividades que podem ser executadas para os fins de coibir crimes. 
Duas fases:
1ª FASE: Fase investigatória ou inquisitiva
Inicia: Art. 4º e 5º / Finaliza: Art. 24
2ª FASE: Fase judicial ou contraditória
Ambas juntas se propõe a solucionar a chamada lide penal.
PERSECUÇÃO PENAL
Lide penal 		de Francesco Carnelutti
A lide é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida.
Assim, a lide penal seria o reconhecimento de um conflito de interesses, qualificado pela pretensão punitiva do estado e resistido pelo direito de liberdade réu. 
		Base estrutural do processo penal
O poder de punir do Estado X a liberdade
PERSECUÇÃO PENAL
POSIÇÃO DA ESTRUTURA
A estrutura posiciona sempre o detentor de liberdade individualmente como o investigado/processado pelos executores da persecução.
Ou seja, o direito à liberdade é o que está em jogo - compõe a tensão/resistência
Exceção: o Habeas corpus
Estado: polo passivo / Indivíduo: polo ativo
PERSECUÇÃO PENAL
A persecução penal acontece dentro de um Sistema.
Sistema persecutório é composto por
4 órgãos constitucionais:
Órgãos de Segurança pública - Art. 144 da CF/88 - Polícias
Ministério Público - Art. 129, I, da CF/88
- Art. 24 do CPP
- STF poderes investigatórios do MP no curso do investigatório policial
3. 	Poder Judiciário - Art. 5º, CF/88 88
- Clausula de inafastabilidade da juridição
4. 	A Defesa - Técnica - Art. 5º, LV e Art. 261 CPP
Indisponível - Refrear - Equilibrar
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