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FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL 
NO NEONATO, NA CRIANÇA E NO 
ADOLESCENTE
2
Alessa Castro Ribeiro
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL NO 
NEONATO, NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl 
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Camila Braga de Oliveira Higa
Revisor
Carla Cristina Costa Monteiro de Lima
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
 Ribeiro, Alessa Castro
Fisioterapia neurofuncional no neonato, na criança e no 
 adolescente / Alessa Castro Ribeiro. – São Paulo: Platos 
 Soluções Educacionais S.A., 2022. 
 32 p.
ISBN 978-65-5356-272-1
 1. Fisioterapia neurofuncional. 2. Atenção 
fisioterapêutica. 3. Criança e adolescente. I. Título. 
3. Técnicas de speaking, listening e writing. I. Título. 
CDD 615.82083
_____________________________________________________________________________ 
 Evelyn Moraes – CRB: 010289/O
R484f 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
https://www.platosedu.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Introdução ao desenvolvimento neuropsicomotor motor e 
prematuridade. ______________________________________________ 07
Fisioterapia neurofuncional em crianças e adolescentes com 
paralisia cerebral _____________________________________________ 19
Fisioterapia neurofuncional nas paralisias do plexo braquial 
perinatal e distrofias musculares _____________________________ 31
Fisioterapia neurofuncional na Síndrome de Down __________ 43
FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL NO 
NEONATO, NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE
5
Apresentação da disciplina
A disciplina Fisioterapia neurofuncional no neonato, na criança 
e adolescente será dividida em quatro temas: Introdução ao 
desenvolvimento neuropsicomotor motor e prematuridade; Fisioterapia 
neurofuncional em crianças e adolescentes com paralisia cerebral; 
Fisioterapia neurofuncional nas paralisias do plexo braquial perinatal 
e distrofias musculares e Fisioterapia neurofuncional na Síndrome de 
Down.
Os objetivos desta disciplina são: identificar e compreender as etapas 
do desenvolvimento motor normal; compreender as principais 
alterações neurológicas em neonatos, crianças e adolescentes; atuar 
de forma eficaz no atendimento fisioterapêutico de neonatos, crianças 
e adolescentes; e ser capaz de realizar condutas adequadas para cada 
desordem.
A assistência fisioterapêutica pediátrica e neonatal deve ser realizada 
por profissionais especializados, devido as particularidades anatômicas 
e fisiológicas destas populações. O desenvolvimento neuropsicomotor 
é influenciado por diversos fatores e devem ser considerados pelo 
profissional na sua avaliação. Além disso, é importante considerar o grau 
de funcionalidade e qualidade de vida do paciente de acordo a idade 
corrigida.
Atrasos motores são as primeiras manifestações de possíveis alterações 
no desenvolvimento infantil. Pacientes que apresentam fator de 
risco para atraso do desenvolvimento neuropsicomotor devem 
ter acompanhamento fisioterapêutico. O diagnóstico realizado de 
forma precoce proporciona melhores prognósticos a longo prazo. A 
6
neuroplasticidade cerebral da criança é um fator positivo na intervenção 
iniciada o mais cedo possível além de evitar possíveis complicações.
A utilização de instrumentos de avaliação e de triagem do 
desenvolvimento neuropsicomotor deve ser rotina nos serviços de 
saúde de pediatria e neonatologia. É necessário utilizar instrumentos 
confiáveis traduzidos e validados culturalmente para a população 
brasileira. O uso destes recursos padronizados possibilita análises 
comparativas dos métodos de forma global, trazendo contribuições 
científicas e assistenciais aos pacientes e seus familiares.
Existem inúmeros instrumentos de avaliações do desenvolvimento 
infantil. É importante levar em consideração os seguintes fatores na 
escolha: idade; doença de base; custo; e necessidade de treinamento.
7
Introdução ao desenvolvimento 
neuropsicomotor motor e 
prematuridade.
Autoria: Alessa Castro Ribeiro
Leitura crítica: Carla Cristina Costa Monteiro de Lima
Objetivos
• Identificar as etapas do desenvolvimento infantil 
típico.
• Compreender os fatores de risco do 
desenvolvimento infantil típico. 
• Conhecer instrumentos de acompanhamento do 
desenvolvimento infantil.
8
1. Introdução
A avaliação fisioterapêutica do desenvolvimento motor deve considerar 
os marcos esperados para idade cronológica. A aquisição de habilidades 
ou comportamentos motores ocorrem de maneira gradual, contínua e 
sequencial, podendo haver sobreposição de etapas (TUDELLA; FORMIGA, 
2021).
A necessidade de hospitalização em unidade de cuidados 
intensivos predispõe a criança aos transtornos do desenvolvimento 
neurodesenvolvimento. Os cuidados intensivos expõem os pacientes a 
estímulos desagradáveis, dolorosos e estressantes. Iluminação excessiva, 
alarmes e ruídos dos equipamentos, manipulação da criança por 
diferentes profissionais de saúde, necessidade de procedimentos invasivos, 
imobilidade no leito e baixa temperatura ambiente são os principais fatores 
ambientais nocivos ao DNPM em ambiente intensivo.
Atrasos motores podem ser os primeiros sinais de alterações do 
neurodesenvolvimento. Crianças que apresentam fatores de risco ao 
desenvolvimento infantil são mais vulneráveis, e devem ser acompanhadas 
precocemente. Estima-se que a prevalência destas alterações estejam 
presentes de 16 a 20% da população infantil. A avaliação sistemática de 
desenvolvimento proporciona detecção e assistência precoce, e evita 
complicações clínicas a curto e longo prazos. A avaliação que leve em conta 
o olhar terapêutico apenas não estruturado pode deixar de identificar 70% 
dos casos de atrasos do neurodesenvolvimento (TUDELLA; FORMIGA, 2021; 
ROTTA; BRIDE FILHO; BRIDE, 2018).
2. Desenvolvimento cortical típico
A aquisição de habilidades do desenvolvimento infantil é caracterizada 
por mudanças fisiológicas e comportamentais do organismo desde a 
9
concepção. Fatores genéticos e ambientais estimulam o crescimento, 
a migração, a diferenciação, a morte e a retração axônica de células 
nervosas. Este processo é iniciado intraútero e continua após o 
nascimento (MOURA-RIBEIRO; GONÇALVES, 2010).
Os fatores ambientais no período pré-natal e pós-natal precoce, 
provocam alterações químicas na estrutura dos genes, alterando a 
expressão genética, sendo este fenômeno denominado epigenética. 
Justifica, de certa forma, a influência negativa ou positiva no 
desenvolvimento cerebral. Fatores de estresse no período fetal podem 
ter efeitos a longo prazo, da mesma forma que o ambiente favorável 
pode ter um impacto positivo. (ROTA; BRIDE FILHO; BRIDE, 2018).
2.1 Desenvolvimento embrionário
O desenvolvimento embrionário do Sistema Nervoso Central (SNC) 
pode ser dividido em três etapas principais: formação do tubo neural; 
clivagem ou segmentação; e desenvolvimento cortical(MOURA-RIBEIRO; 
GONÇALVES, 2010).
A formação do tudo neural inicia-se no polo neural no vigésimo quinto 
dia de gestação, e é seguido pelo fechamento do polo caudal após 
dois ou três dias. A clivagem ou segmentação do SNC inicia-se com a 
formação de três vesículas principais: prosencéfalo; mesencéfalo; e 
rombencéfalo. As subdivisões destas três estruturas estão descritas na 
Figura 1 (MACHADO; HAERTEL, 2006).
A próxima etapa é o desenvolvimento cortical. As circunvoluções 
cerebrais possibilitam armazenar grande área cortical dentro da calota 
craniana. A maioria dos giros cerebrais forma-se entre a vigésima sexta 
e a vigésima oitava semana de gestação. O recém-nascido a termo no 
momento do nascimento apresenta praticamente todos os sulcos e giros 
de um adulto saudável (MOURA-RIBEIRO; GONÇALVES, 2010).
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O desenvolvimento cortical humano é dividido em três fases:
• 5a a 6a até 16a a 20a semanas de gestação: proliferação das células 
precursoras e diferenciação, formando neuroblastos ou células da 
glia.
• 6a a 7a até 20a a 24a semanas de gestação: migração neuronal a 
partir da matriz germinativa, presente, na região periventricular, 
em direção ao córtex em desenvolvimento.
• 16a até 24a semanas de gestação: organização cortical em seis 
camadas associada a sinaptogêneses e apoptose.
Figura 1 – Resumo da embriologia do Sistema Nervoso Central
Fonte: Machado e Haertel (2006, p. 1).
O processo de migração e organização cortical é influenciado 
principalmente pelos fatores genéticos. Genes que controlam a 
formação de compartimentos anatômicos específicos regulam os 
estágios de formação do Sistema Nervoso Central. Outros genes estão 
ligados à síntese de proteínas de adesão que controlam os neuroblastos 
11
e as fibras radicais gliais na migração e formação de sinapses 
(MACHADO; HAERTEL, 2006).
Ao chegar ao seu destino o neurônio produz o axônio, onde está 
presente o cone de crescimento. O desenvolvimento de sinapses 
depende principalmente de marcadores químicos. Os axônios em 
desenvolvimento são atraídos por substâncias químicas presentes em 
células alvo. O cérebro tem plasticidade e estabelece sinapses mesmo 
em indivíduos adultos.
A citoarquitetura cortical apresenta seis camadas celulares (neocórtex): 
molecular; granular externa; piramidal externa; granular interna; 
piramidal interna (ou ganglionar); e fusiforme. Todo neocórtex apresenta 
os seis tipos celulares, o que altera é a espessura de cada camada e a 
densidade neuronal de acordo com a função de cada região cortical. 
A descrição das camadas do neocórtex está no Quadro 1 (MOURA-
RIBEIRO; GONÇALVES, 2010).
Quadro 1 – Camadas do neocórtex
Camadas do neocórtex Características
Molecular
Mais externa, rica em fibras horizontais, 
contém poucas células nervosas. As células 
de Cajal são as mais importantes para 
associação intracortical.
Granular externa
As células predominantes são as granulares. 
Apresentam dendritos, que se ramificam 
próximo ao corpo celular, e axônio, que 
pode realizar conexões próximas. São as 
principais células receptoras do córtex.
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Piramidal externa
As células predominantes são as piramidais, 
e podem ser pequenas, médias, grandes 
ou gigantes (células de Betz). As células 
piramidais gigantes predominam na 
área motora do córtex pré-central, e são 
consideradas predominantemente efetoras.
Granular interna As células predominantes são as granulares.
Piramidal interna As células predominantes são as piramidais.
Fusiforme
As células predominantes são as fusiformes. 
Esta é a camada mais profunda.
Fonte: adaptado de Machado e Haertel (2006).
2.2 Mielinização
A mielinização das vias neuronais é fator determinante no 
desenvolvimento infantil. A mielina é o maior componente da substância 
branca do sistema nervoso central e periférico. Esta substância 
é essencial para adequada condução de impulsos nervosos, e 
fundamental para o desenvolvimento cognitivo, motor e sensorial (HALL; 
GUYTON, 2017).
O processo de mielinização é fator determinante para o adequado 
funcionamento dos circuitos neuronais, e para a eficácia e a eficiência 
na condução de impulsos nervosos. Apresenta sequência ordenada, e 
precisa de fases de depósito de mielina. Inicia-se no segundo semestre 
de gestação e é finalizado até os 24 meses de idade, para algumas 
estruturas, e terceira e quarta década, de vida para outras (MOURA-
RIBEIRO; GONÇALVES, 2010).
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No quarto mês de gestação, a mielina pode ser observada nas raízes 
motoras anteriores e, em seguida, nas raízes posteriores. No próximo 
mês de gestação, inicia-se a mielinização das colunas posteriores 
e, na sequência, o lemnisco medial, para a condução dos estímulos 
somestésicos. Segue ascendente para tegmento bulbar e pontino, e 
mais lentamente no tegmento mesencefálico. Inicia-se a mielinização 
no fascículo anterolateral da coluna dorsolombar (MOURA-RIBEIRO; 
GONÇALVES, 2010).
No sexto mês de gestação, há sinais de mielina no teto estatoacústico, 
tegmento e lemnisco lateral, para condução de estímulo acústico. 
Também há mielina no trato espinocerebelar dorsal e no fascículo 
anterolateral da medula cervical. No mês seguinte de gestação a 
mielinização percorre o nervo, trato e quiasma ópticos, pendúnculo 
cerebelar inferior, porção parassagital do cerebelo e trato trigeminal 
descendente, pendúnculo cerebelar superior, cápsulas do núcleo 
rubro e núcleos olivares inferiores, braço posterior da capsula interna 
e estruturas profundas da coroa radiada e sulco central (MACHADO; 
HAERTEL, 2006).
No oitavo mês de gestação, a mielinização está presente no braço 
anterior da cápsula interna, trato corticoespinal do mesencéfalo e ponte, 
incluindo tratos piramidais, fibras transmontanas, pendúnculo cerebelar 
médio, hemisférios cerebelares e cíngulo. No último mês de gestação, 
a mielinização começa nas radiações ópticas, na comissura anterior, na 
porção média do corpo caloso e fórnice.
Após o nascimento da criança a termo, os sistemas que organizam 
informações sensoriais ao tálamo e hemisférios cerebrais estão 
mielinizados. Além disso, tronco encefálico, fascículo longitudinal 
medial, lemnisco lateral e medial, pedúnculos cerebelares inferiores 
e superiores (responsáveis pelas informações vestibulares, acústicas, 
táteis e proprioceptivas) estão mielinizados. Nos hemisférios cerebrais, 
as regiões geniculado-calcarina (óptica), pós-central (somestésica) 
14
e pré-central (propriocinestésica) são mielinizadas antes de outras 
estruturas. As estruturas citadas anteriormente apresentam processo de 
mielinização incompleto no momento do nascimento (MOURA-RIBEIRO; 
GONÇALVES, 2010).
3. Fatores de risco para o atraso de 
desenvolvimento infantil
Interessante pensar que o complexo processo de desenvolvimento 
cortical descrito anteriormente pode ser impactado de forma direta ou 
indireta por fatores de risco infantis (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
Conforme Brasil (2014), fatores de risco relacionados a condições 
genéticas, biológicas (prematuridade, hipóxia, infecções) ou ambientais 
(familiares, ambiente físico, sociais) podem tornar a criança vulnerável 
ao atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Estes fatores podem 
estar relacionados à saúde materna, à gestação, ao nascimento e às 
condições de vida da criança e da família (social e cultural).
Estima-se que 10,6%, segundo dados de Brasil (2021), dos nascidos 
vivos em todo mundo são prematuros, correspondendo a 14.840.000 
de crianças. Em 2019 no Brasil, nasceram 2.849.146 crianças, das 
quais 315.831 (11%) nasceram antes de 37 semanas completas, sendo 
43.233 (1%) entre 22 e 31 semanas e 40.453 de muito baixo peso de 
nascimento.
Pacientes que apresentam fatores de risco do desenvolvimento 
neuropsicomotor (DNPM) e necessitamde cuidados em terapia intensiva 
estão mais vulneráveis a atraso do desenvolvimento infantil (TUDELLA; 
FORMIGA, 2021).
Além disso, os referidos autores afirmam que o ambiente de terapia 
intensiva neonatal e pediátrica expõe os pacientes a situações dolorosas 
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e desconfortáveis, como alteração de vínculo afetivo familiar, alteração 
do ciclo sono-vigília (luminosidade, ruídos e manuseio excessivos), 
de dispositivos invasivos (cânula traqueal, acessos venosos central 
e periférico, sondas gástrica e vesical, drenos), posicionamento 
inadequado, imobilidade no leito, falta de conhecimento sobre DNPM 
pela equipe multidisciplinar e, consequentemente, tempo de internação 
prolongado.
Desta forma, há necessidade de avaliações sistemáticas do DNPM em 
pacientes internados em unidades de terapia intensiva neonatal e 
pediátrica. É necessário conhecimento de conceitos e particularidades 
das populações assim como exame físico, determinação da idade 
corrigida e gestacional e evolução clínica nos primeiros anos de vida 
(TUDELLA; FORMIGA, 2021).
4. Instrumentos de avaliação do 
desenvolvimento infantil
A avaliação do desenvolvimento infantil deve ser realizada tendo como 
referencial o DNPM típico de acordo com a idade. Ou seja, segundo 
Tudella e Formiga (2021), para o fisioterapeuta fazer um diagnóstico 
funcional do desenvolvimento da criança, é necessário que ele conheça 
o que é esperado de acordo com a idade corrigida.
Os primeiros três anos de vida, são denominados de período crítico. É 
o período de sensibilidade às influências ambientais, sendo, portanto, 
uma janela de oportunidade na modelagem da estrutura e função do 
cerebral. Dessa forma é importante identificar de forma precoce as 
alterações do desenvolvimento (ROTA; BRIDE FILHO; BRIDE, 2018).
Dados da Academia Americana de Pediatria mostram que, nos Estados 
Unidos, evidenciam que se os profissionais de saúde utilizassem 
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ferramentas padronizadas de triagem aumentaria a taxa de identificação 
precoce de 2 a 6 vezes em crianças de 0 a 5 anos.
Existem variados instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil. 
Importante utilizar aqueles que são confiáveis, validados para população 
brasileira e com evidências científicas em relação à sua sensibilidade e 
especificidade. Escalas e testes de avaliação são utilizados mundialmente 
com objetivo de padronizar, quantificar e qualificar o processo 
avaliativo. Devem ser realizados por profissional especializado com 
pleno conhecimento do desenvolvimento infantil, e familiarizado com 
os instrumentos de avaliação disponíveis para uso (TUDELLA; FORMIGA, 
2021).
4.1 Teste de Triagem de Desenvolvimento Denver II 
(TTDDII)
O Teste der Triagem do Desenvolvimento de Denver (TTDD) foi criado 
foi em 1967 por Frankernburg et al. Segundo Tudella e Formiga (2021), o 
teste passou por revisão em 1990, quando começou a ser denominado 
TTDDII.
O objetivo deste instrumento é triar e direcionar a atenção e cuidados 
para as crianças de 0 a 6 anos de idade com risco de alteração do 
desenvolvimento. O instrumento apresenta 125 itens agrupados 
em quatro áreas: motor grosso; motor fino adaptativo; linguagem; e 
pessoal-social.
O teste registra o surgimento e a estabilização de cada comportamento 
a ser observado, e permite verificar a área com melhor desempenho. 
Promove aos profissionais de saúde uma impressão clínica e 
organizada do desenvolvimento infantil e alerta com relação às 
possíveis dificuldades baseadas no desempenho de atividades e tarefas 
adequadas à idade corrigida do paciente (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
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Os materiais utilizados para aplicação do teste de triagem são formulário 
padronizado, pompom de lã vermelha, um chocalho, uma xícara, dez 
blocos de madeira coloridos de 2,5 com uma caixa de uvas-passas ou 
cereais de formato redondo, uma caneta e um lápis.
O teste é realizado com a observação direta do paciente, e em 
alguns itens aceita-se o relato do cuidador. A interpretação dos itens 
é classificada em avançado, normal, com risco, com atraso e sem 
oportunidade. A partir desta interpretação, o desenvolvimento da 
criança é classificado em normal, suspeito e não examinável.
4.2 Test of Infant Motor Performance (TIMP)
O TIMP foi desenvolvido por Campbell e Girolani em 1994 com objetivo 
de identificar atrasos motores precocemente, e avaliar a eficácia de 
intervenção em pacientes com idade corrigida de 34 semanas a 4 meses 
de idade pós-termo. Foi desenvolvido para ser utilizado em unidades 
de terapia intensiva neonatal, berçários, clínicas de acompanhamento e 
programas de intervenção precoce e reabilitação (TUDELLA; FORMIGA, 
2021).
A versão 5,1, a mais recente, é composta de 42 itens que avaliam o 
desenvolvimento do controle de cabeça, tronco e seletivo de membros 
superiores e inferiores. Os itens são divididos em 13 observados e 29 
a serem testado. Os 13 itens observados podem ser pontuados com 
1 ponto (quando observados) e 0 ponto (quando não observados). Os 
itens testados podem ser pontuados de 0 a 6 subitens.
O somatório da pontuação final é transformado em duas medidas: o 
escore Z e a porcentagem de atraso. O cálculo do escore Z considera o 
escore alcançado pelo lactente e o compara ao escore obtido pelo grupo 
de lactentes avaliados pela amostra. Desta forma, permite verificar em 
que ponto da curva normativa do TIMP está o desempenho do paciente, 
classificando-o em típico ou atípico (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
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A porcentagem de atraso é um cálculo que estima o quão atrasado o 
lactente está em relação ao esperado para sua idade, considerando 
a que idade corresponde o desempenho apresentado por ele na 
avaliação. Não é considerada uma medida com valores psicométricos 
fortes, sendo mais adequado o uso do escore Z.
Os materiais necessários para aplicação do teste são formulário 
padronizado, chocalho, uma bola vermelha, um brinquedo de borracha 
que emite som e um tecido macio (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para 
os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2017.
MACHADO, A. B. M.; HAERTEL, L. M. Neuroanatomia funcional. 3. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2006.
MOURA-RIBEIRO, M. V. L.; GONÇALVES, V. M. G. Neurologia do desenvolvimento 
da criança. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2010.
ROTTA, Newra T.; BRIDI FILHO, César Augusto Nunes; BRIDI, Fabiane Romano de 
S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto 
Alegre: Grupo A, 2018.
TUDELLA, E.; FORMIGA, C. K. M. R. Fisioterapia neuropediátrica: abordagem 
biopsicossocial. Barueri: Manole, 2021.
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Fisioterapia neurofuncional em 
crianças e adolescentes com 
paralisia cerebral
Autoria: Alessa Castro Ribeiro
Leitura crítica: Carla Cristina Costa Monteiro de Lima
Objetivos
• Identificar as etapas do desenvolvimento infantil 
típico.
• Compreender os fatores de risco do 
desenvolvimento infantil típico.
• Conhecer instrumentos de acompanhamento do 
desenvolvimento infantil.
20
1. Introdução
Os primeiros relatos e estudos publicados sobre paralisia cerebral 
(PC) a partir de 1843 foram como “doença de Little”, pois William Little 
foi o responsável por definir e descrever as manifestações clínicas 
características do quadro (TUDELLA; FORMIGA, 2021). No final do mesmo 
século, foi publicado o termo paralisia cerebral (PC), no Reino Unido em 
1886. Utilizado ainda hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por 
meio da Classificação Internacional de Doenças (CID) (ROSENBAUM et al., 
2006).
A PC é a condição de saúde mais prevalente na prática do fisioterapeuta 
neurofuncional infantil. É definida como “grupo de desordens 
permanentesdo desenvolvimento do movimento e da postura, 
causando limitações em atividades, que são atribuídas a distúrbios não 
progressivos que ocorreram no cérebro em desenvolvimento do feto ou 
do lactente; essas desordens podem ser acompanhadas de distúrbios de 
sensação, percepção, cognição, comunicação e comportamento, além de 
epilepsia e outros problemas musculoesqueléticos” (ROSENBAUM et al., 
2006).
Estima-se a incidência da PC entre 1,5 e 3 a cada 1.000 nascimentos, 
sendo maior em nascidos com baixo peso e/ou prematuros (até 70 
vezes maior). No Brasil, segundo Tudella e Formiga (2021), os dados 
epidemiológicos sobre PC são escassos.
A etiologia da PC está diretamente relaciona aos fatores de risco que 
predispõem a maior risco de lesões cerebrais nos períodos pré, peri 
ou pós-natal. Os principais fatores de risco para PC, estão descritos no 
Quadro 1.
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Quadro 1 – Fatores de risco para paralisia cerebral
PERÍODO FATORES 
Pré-concepcional 
Doença sistêmica materna, uso de drogas e substâncias ilí-
citas, má nutrição, infecções, desordens do sistema imune, 
abortos espontâneos, tratamentos de fertilidade, baixa 
condição socioeconômica.
Pré-natal
Sangramento vaginal, anormalidades da placenta, descola-
mento prematuro da placenta, gestação múltipla, infecções 
congênitas, doença sistêmica materna, bradicardia fetal, toxe-
mia, crescimento intrauterino reduzido, ruptura prematura de 
membrana, hipóxia intrauterina, tecnologia de reprodução as-
sistiva, alterações genéticas. 
Perinatal Nascimento prematuro, hipóxia, síndrome de aspiração de me-
cônio, indução de parto, parto demorado, uso de fórceps. 
Pós-natais 
Doenças do sistema respiratório, suporte ventilatório artificial, 
meningite, infecções sistêmicas/sepse, hiperbilirrubinemia, hi-
poglicemia, hipotiroxinemia, hemorragia intracraniana, convul-
sões.
Fonte: elaborado pela autora.
Os fatores pré-natais estão relacionados a aproximadamente 75% 
dos casos de PC e os pós-natais de 10% a 18% dos casos (HALLMAN-
COOPER; CABRERO, 2021).
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2. Diagnóstico
O diagnóstico é realizado a partir da avaliação de alterações clínicas, 
funcionalidade motora grossa e exposição a fatores de risco, entre 12 e 
24 meses. Nos primeiros anos de vida, existe maior plasticidade cerebral 
proporcionando maiores possibilidades de modificações funcionais 
e nas habilidades da criança durante o desenvolvimento infantil 
(HALLMAN-COOPER; CABRERO, 2021)
O diagnóstico de PC deve ser realizado de forma precoce a partir de 
exame de imagem e avaliação clínica específica neurológicos e motora. 
Alguns instrumentos de avaliação podem auxiliar no diagnóstico clínico. 
A avaliação dos movimentos gerais e o Hammersmith Infant Neurological 
Examination (HINE) têm possibilitado o diagnóstico nos primeiros 6 
meses de idade.
Nos últimos anos, conforme Hallman-Cooper e Cabrero (2021), 
foi publicada uma recomendação sobre detecção e o diagnóstico 
provisório de alto risco de PC nas situações em que não pode ser feito 
diagnóstico clínico certeiro. Esta estratégia possibilita a inclusão dos 
pacientes em programas de intervenção precoce e o acompanhamento 
cuidadoso do desenvolvimento, otimizando a neuroplasticidade e a 
prevenção de complicações futuras. De acordo com Tudella e Formiga 
(2021), os instrumentos que podem ser utilizados de forma eficaz para 
diagnosticar a PC antes dos 6 meses de idade são:
• Ressonância magnética neonatal.
• HINE.
• Avaliação dos movimentos gerais (Prechtl Qualitative Assessment of 
General Movements – GM).
• Infant Motor Profile (IMP).
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23
Conforme lemos em Hallman-Cooper e Cabrero (2021), a ressonância 
magnética neonatal apresenta sensibilidade de 86% e especificidade de 
89% em predição de PC. Os achados mais encontrados em crianças com 
diagnóstico de PC são:
• Leucomalácia periventricular.
• Lesões na substância branca, nos gânglios da base e/ou corticais/
subcorticais.
• Malformações do sistema nervoso central (SNC), como agenesia do 
corpo caloso, atrofia cerebral ou cerebelar.
Importante salientar que a presença de alterações no exame de 
neuroimagem não é determinante para o diagnóstico de PC. Em alguns 
casos os pacientes apresentam alterações neuromotoras e com RM 
típica para idade. A RM não deve ser indicada de rotina para recém-
nascidos prematuros. O mais adequado é aguardar após a 40ª semana 
pós-concepção.
HINE é uma avaliação neurológica padronizada indicada para pacientes 
com idade de 2 a 24 meses, com sensibilidade de 96% e especificidade 
de 85% para predição de PC. Composta por 26 itens, subdivididos em 
três seções: exame físico; documentação do desenvolvimento motor; 
e avaliação do estado comportamental. Os itens correspondem à 
avaliação dos nervos cranianos, postura, movimentos, tônus e reflexos. 
A pontuação final abaixo de 57 pontos associada a alterações de sinais 
neurológicos permite realizar o diagnóstico de PC (TUDELLA; FORMIGA, 
2021).
General Movement Assessment (GMA) é indicada de recém-nascidos 
até 4 meses de idade corrigida. A aplicação deve ser realizada a partir 
de observação durante 3 a 5 minutos da movimentação espontânea 
global da criança. A qualidade de movimentação fornece dados sobre 
a integridade neurológica. É importante o avaliador tem domínio da 
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movimentação típica de acordo com a idade. Cada idade apresenta 
qualidade da movimentação específica. Presença de movimentação 
cramped-synchronized ou a ausência dos fidgety movements são 
indicadores de lesões neurológica. O instrumento de avalição apresenta 
98% de sensibilidade e 94% de especificidade quando a criança está com 
3 meses de idade corrigida.
IMP é um instrumento avaliativo do desenvolvimento motor indicada 
para pacientes entre 3 e 18 meses de idade corrigida ou até a aquisição 
da marcha independente. Avaliação é realizada a partir da observação 
da movimentação espontânea, interações com objetos e pessoas 
nas seguintes posições: supina; prona; sentada; em pé; e andando. 
Composto por 80 itens, divididos em cinco domínios: variação; 
adaptabilidade; simetria; fluência; e performance motora. O escore final 
alto indica melhor desempenho motor. Para crianças de risco, apresenta 
sensibilidade de 93% e especificidade de 81%, sendo ponto de corte 
70% da pontuação total na idade entre 4 e 6 meses (TUDELLA; FORMIGA, 
2021).
Tipos clínicos (HALLMAN-COOPER; CABRERO, 2021; TUDELLA; 
FORMIGA, 2021)
A classificação da criança com diagnóstico de PC pode ser realizada 
em subtipos de acordo com deficiências primárias como alterações de 
funções neuromusculoesqueléticas, (tônus muscular, reflexos e controle 
motor). Essas alterações correspondem à localização e extensão da 
lesão neurológica.
Os pacientes com PC podem ser classificados de três formas de acordo 
com o tônus:
• Espástica: corresponde entre 70% e 90% das crianças com PC. 
As manifestações podem ser bilaterais (52%), unilateral (31%). As 
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25
crianças com PC espástica bilateral podem ser classificadas em 
quadriplégicas, ou em diplégicas (9% dos casos).
• Discinética (coreoatetose e distonia).
• Atáxica: raro, cerca de 4%. Manifestações em ambos os lados do 
corpo.
O paciente não necessariamente será classificado em apenas um 
subtipo clínico, sendo classificada como mista ou não especificada.
As deficiências secundárias são consequências associadas a facilitadores 
e/ou barreiras ambientais durante o desenvolvimento infantil. As 
principais são:
• Encurtamento muscular.
• Hipotrofia.
• Aumento do comprimento do tendão.
• Diferença de comprimento de membros.
• Desenvolvimento articular inadequado.
• Desalinhamento articular.
• Inclinação pélvica.
• Escoliose.
Dados epidemiológicos sobre a funcionalidade de crianças com PC 
mostram que 66% apresentam deambulação, 75% verbalizam e 33% são 
independentes no uso das mãos. Garantir a funcionalidade a criança 
com PC está associada a melhor qualidade de vida familiar.
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As deficiências intelectuais (50%), epilepsia (25% a 45%), dor (75%), 
complicações gastrintestinais (25%), incontinência urinária (25%), 
distúrbios de comportamento e sono (25%), dificuldade em controlar 
a saliva (20%), alimentação via sonda ou gastrostomia (1 a cada 15 
crianças), cegueira (10%), estrabismo (50%), déficits auditivos (10% 
a 20%) e osteoporose (80%) são as principais condições de saúde e 
incapacidades associadas à PC.
3. Classificação funcional (HALLMAN-COOPER; 
CABRERO, 2021; TUDELLA; FORMIGA, 2021)
A classificação funcional da criança com PC é dividida em seis subtipos, 
baseada na funcionalidade e possibilitando linguagem comum 
entre profissionais de saúde e familiares. O Quadro 2 apresenta os 
diferentes níveis das classificações funcionais de acordo com diferentes 
instrumentos: GMFCS (Gross Motor Function Classification System); MACS 
(Manual Ability Classification System); CFCS (Communication Function 
Classification); EDACS (Eating and Drinking Ability Classification); VFCS 
(Visual Function Classification System).
O GMFCS classifica o paciente com PC considerando o movimento 
realizado voluntariamente ao sentar-se, transferir-se e andar, 
necessidade de dispositivos auxiliares. Representa a melhor capacidade 
do paciente de se locomover considerando todos os ambientes em 
que ele frequenta. Para cada faixa etária existem normativas de 
desempenho esperado. Foi o primeiro instrumento a classificar a 
funcionalidade em crianças com PC muito utilizado na prática clínica e 
em pesquisas científicas.
MACS descreve o desempenho habitual e global das crianças para 
manipular objetos em casa, na escola e na comunidade, sem especificar 
possíveis diferenças entre os hemicorpos. O profissional questiona 
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o responsável sobre como a criança manipula objetos, adequados à 
sua idade. Aplicável a crianças de 4 a 18 anos. A versão Mini-MACS é 
indicada para crianças menores de 4 anos, porém, sem tradução para o 
português até o momento.
CFCS classifica o desempenho da comunicação de crianças, maiores de 
2 anos e adolescentes com PC em cinco níveis. A classificação é realizada 
baseada na forma de participação em situações cotidianas. Neste 
instrumento, considera-se comunicação: fala; gestos; comportamentos; 
olhar fixo; expressões faciais; e a comunicação alternativa e 
aumentativa.
EDACS descreve as habilidades para comer e beber de crianças com PC 
maiores de 3 anos. Considera a segurança de comer e beber (aspiração 
e engasgo), a eficiência (tempo gasto e quantidade de comida perdida), 
a assistência necessária (independente, necessita de assistência ou 
dependente), além da necessidade de adaptação da textura da comida 
ou bebida.
VFCS classifica a função visual de crianças e adolescentes com PC nas 
atividades de vida diária com foco na atividade e participação. Considera 
a função visual durante as atividades, a necessidade de suporte e o 
uso de outras habilidades sensoriais para desempenhar tarefas que 
necessitam da visão. Ainda não disponível a versão para população 
brasileira.
As técnicas utilizadas pelo fisioterapeuta no tratamento de lactentes, 
crianças e adolescentes com PC devem ser complementadas por 
intervenções que auxiliam no tratamento do aumento de tônus, 
prevenção/correção de contraturas e deformidades. A comunicação 
efetiva é essencial entre os profissionais de saúde que acompanham 
a criança e sua família. Existem muitas técnicas descritas na literatura 
sobre o tratamento de pacientes com PC. É necessário ter capacitação 
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técnica e entender qual objetivo terapêutico de cada. As principais 
técnicas são:
1. Habilidade manual: terapia de movimento induzido por restrição; 
treino orientado por metas; treino por observação e ação; 
treinamento bimanual; enriquecimento ambiental; programa 
de atividades domiciliares; tecnologia assistiva/realidade virtual 
+ gameterapia; órtese para posicionamento da mão para uso 
noturno; bandagem funcional; estimulação elétrica transcraniana 
por corrente contínua; tecnologia assistiva robótica; toxina 
botulínica + estimulação elétrica; biofeedback; toxina botulínica + 
órtese; equoterapia; simulação da equoterapia; terapia intensiva 
com foco no treino bimanual e de membros inferiores; assento 
adaptado.
2. Habilidade motora grossa: treino de marcha na esteira 
ergométrica; treino orientado por metas; enriquecimento 
ambiental; treino específico da tarefa; treino de marcha na esteira 
ergométrica com suporte parcial de peso; treino de resistência 
cardiorrespiratória; acupuntura; terapia assistida por animais; 
toxina botulínica + fisioterapia; bandagem funcional; treino de 
força; fitoterapia; órtese tornozelo-pé ou suropodálica; gesso 
seriado; equoterapia; hidroterapia; terapia intensiva com foco 
no treino bimanual e de membros inferiores; vibração no corpo 
inteiro; coaching; vibração focal; simulação da equoterapia; 
esporte adaptado; estimulação elétrica transcraniana por corrente 
contínua; tecnologia assistiva/equipamentos adaptativos.
Quadro 2 – Classificação funcional da criança com paralisia cerebral
NIVEL GMFCS MACS CFCS EDACS VFCS
2 a 18 anos 4 a 18 anos > 2 anos > 3 anos > 1 ano
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29
I Anda sem limi-
tações.
Manipula 
objetos facil-
mente e com 
sucesso.
Emissor e re-
ceptor eficaz 
com parceiros 
desconhecidos 
e conhecidos.
Come e bebe 
de maneira 
independente 
com seguran-
ça e eficiên-
cia.
Usa a função 
visual com 
facilidade e 
sucesso em 
atividades 
relacionadas 
à visão.
II Anda com limi-
tações.
Manipula a 
maioria dos 
objetos, mas 
com quali-
dade ou ve-
locidade da 
realização um 
pouco reduzi-
das.
Emissor ou re-
ceptor eficaz, 
porém, mais 
lentos com 
parceiros des-
conhecidos ou 
conhecidos.
Come e bebe 
com segu-
rança, mas 
com algumas 
limitações na 
eficiência.
Usa a função 
visual com 
sucesso, 
mas precisa 
de estraté-
gias com-
pensatórias 
autoinicia-
das.
III
Anda utilizando 
um dispositivo 
manual de mo-
bilidade.
Manipula 
objetos com 
dificuldade; 
necessita de 
ajuda para 
preparar e/ou 
modificar as 
atividades.
Emissor e re-
ceptor eficaz 
com parceiros 
conhecidos.
Come e bebe 
com algumas 
limitações na 
segurança e/
ou na eficiên-
cia. Pode ser 
difícil engolir 
sólidos, corre 
risco de se 
engasgar.
Usa a fun-
ção visual, 
mas precisa 
de algumas 
adaptações.
IV
Automobilidade 
com limitações; 
pode utilizar 
mobilidade mo-
torizada.
Manipula 
uma varieda-
de limitada 
de objetos 
facilmente 
manipuláveis 
em situações 
adaptadas.
Emissor e/ou 
receptor incon-
sistente com 
parceiros co-
nhecidos.
Come e bebe 
com limita-
ções signifi-
cativas de se-
gurança, não 
pode engolir 
alimentos e 
bebidas sem 
risco de aspi-
ração. Purês 
macios e ali-
mentos amas-
sados podem 
ser adminis-
trados através 
de alimenta-
ção oral.
Usa função 
visual em 
ambien-
tes muito 
adaptados, 
mas reali-
za apenas 
parte das 
atividades 
relacionadas 
à visão.
30
V
Transportado 
em uma cadeira 
de rodas ma-
nual.
Não manipula 
objetos e tem 
habilidade 
severamente 
limitada para 
desempenhar 
até mesmo 
ações sim-
ples.
Emissor e 
receptor rara-
mente efica-
zes, mesmo 
com parceiros 
conhecidos.
Incapaz de 
comer ou 
beber com 
segurança, 
depende da 
alimentação 
por sonda; 
corre alto ris-
co de aspira-
ção.
Não usa a 
função vi-
sual, mesmo 
em ambien-
tes muito 
adaptados.
Legenda: CFCS (Communication Function Classification System); EDACS (Eating and Drinking 
Ability Classification System); GMFCS (Gross Motor Function Classification System); MACS 
(Manual Ability Classification System); VDCS (Visual Function Classification System).
Fonte: elaborado pela autora.
Referências
HALLMAN-COOPER, J. L.; CABRERO, F. R. Cerebral Plasy. In: StatPearls. Treasure 
Island: StatPearls Publishing, 2021.
ROSENBAUM, P. et al. A report: The definition and classificationof cerebral plasy. 
April 2006. Dev Med Child Neurol., 49 (Suppl.2), p. 8-14, 2007.
ROTTA, Newra T.; FILHO, César A. N. B.; BRIDI, Fabiane R. de S. Plasticidade 
cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Grupo A, 
2018.
TUDELLA, E.; FORMIGA, C. K. M. R. Fisioterapia neuropediátrica: abordagem 
biopsicossocial. Barueri: Manole, 2021.
31
Fisioterapia neurofuncional 
nas paralisias do plexo braquial 
perinatal e distrofias musculares
Autoria: Alessa Castro Ribeiro
Leitura crítica: Carla Cristina Costa Monteiro de Lima
Objetivos
• Compreender as classificações da paralisia do plexo 
braquial perinatal do desenvolvimento infantil típico.
• Conhecer os fatores de risco, avaliação e tratamento 
da paralisia braquial obstétrica.
• Compreender as principais distrofias musculares em 
pediatria. 
• Conhecer os fatores de risco, avaliação e tratamento 
das distrofias musculares.
32
1. Paralisia do plexo braquial perinatal
A paralisia do plexo braquial perinatal, ou paralisia braquial obstétrica 
(PBO), é caracterizada por uma lesão parcial (neuropraxia ou 
axonotmese) ou total do plexo braquial (neurotmese ou avulsão). 
É causada por tração na cabeça ou no membro superior da criança 
durante o nascimento (EREN; TOKGÖZ, 2020)
A taxa de incidência varia de 0,4 a 3 para 1.000 nascidos vivos. O bom 
prognóstico está entre 70% e 92% das crianças com PBO. A presença 
de alterações funcionais é de acordo com o grau de lesão nervosa. As 
lesões nervosas podem ser classificadas segundo o grau de lesão (parcial 
ou completa) e localização da lesão (raiz nervosa correspondente) 
(ZIELINSKI et al., 2019).
A lesão neuropráxica é a classificada em leve e caraterizada pela 
alteração na bainha de mielina e, consequentemente, prejuízo na 
condução nervosa mesmo que de forma temporária (TUDELLA; 
FORMIGA, 2021).
Na lesão do tipo axonotmese ocorre a ruptura da bainha de mielina 
e do axônio com preservação do perineuro e epineuro, e início da 
degeneração walleriana. O axônio cresce após a lesão, processo que tem 
duração de alguns meses, e reinerva a musculatura atingida. Nas lesões 
em que ocorre neurotmese (ruptura completa do nervo) o prognóstico é 
pior (EREN et al., 2020).
O plexo braquial é formado pela anastomose dos ramos ventrais 
dos nervos C5 a T1, que dão origem a 7 nervos terminais e 10 ramos 
colaterais. A união das raízes nervosas de C5 e C6 é denominado tronco 
superior. O tronco superior associado a C7 é denominado tronco médio 
e o tronco inferior é formado por C8 e T1 (EREN; TOKGÖZ, 2020).
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33
De acordo com Zielinski et al. (2019), a lesão das raízes nervosas C5-
C6 (Erb-Duchenne, de Erb ou de tronco superior) é lesão mais comum 
e com melhor prognóstico. A lesão nervosa compromete os músculos 
supraespinhal e infraespinhal, desta forma o membro acometido 
apresenta adução e rotação interna de ombro, cotovelo e punho em 
extensão.
Os reflexos de Moro e bicipital são ausentes no membro acometido e 
existe a possibilidade de apresentar assimetria abdominal durante os 
movimentos respiratórios (lesão do nervo frênico).
Zielinski et al. (2019) descrevem que a lesão das raízes nervosas C8 e 
T1 (paralisia de Klumpke) apresenta baixa prevalência (2% dos casos). 
O principal mecanismo de lesão é a associação da tração direta do 
membro superior e abdução do ombro em crianças com apresentação 
cefálica ao nascimento. A lesão destas raízes nervosas compromete os 
músculos das articulações de punho e a mão.
A neurotmese representa 17% a 20% dos casos, nesta situação a 
movimentação do membro superior acometido pode ser de duas 
formas: completamente ausente ou com movimentação leve de dedos. 
Nesta situação clínica, há presença de alterações sensoriais e do sistema 
nervoso simpático (regiões frias, sudorese). A síndrome de Horner pode 
estar associada à neurotmese. Esta síndrome é caracterizada por ptose, 
meiose e anidrose do olho ipsilateral e da face (EREN et al., 2020).
O prognóstico da PBO pode ser classificado de acordo com a 
classificação de Narakas. É indicada entre a segunda e quarta semanas 
após o nascimento, sendo importante a determinação da extensão da 
lesão e objetivos de tratamento.
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34
Quadro 1 – Classificação de Narakas
GRUPO NERVOS AFETADOS REPERCUSSÃO CLÍNICA TAXA DE RECUPERA-
ÇÃO ESPONTANEA
I
C5 e C6.
Paresia/paralisia de deltoide, bíceps, 
com função ativa dos extensores dos 
membros, punhos e mão.
~90
II C5, C6 e C7.
Paresia/paralisia do deltoide e do bí-
ceps, tríceps e dos extensores do pu-
nho, sem alteração nos flexores longos 
e músculos intrínsecos da mão.
~65
III C5, C6, C7, C8 e T1.
Lesão de todas as raízes nervosas, com 
acometimento em todos os músculos do 
membro superior.
(TUDELLA; FORMIGA, 2021).
2. Distrofias musculares
Grupo heterogêneo de desordens identificadas clinicamente por 
fraqueza muscular progressiva. Há grande variabilidade com relação 
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aos padrões genéticos e bioquímicos, mutação genética, distribuição 
da musculatura acometida, grau de comprometimento respiratório e 
cardíaco e envolvimento de outros sistemas (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
O rastreamento e monitoramento adequado e orientação preventiva 
estão diretamente relacionados ao prognóstico. Neste momento, iremos 
abordar dois tipos de distrofias musculares (DM) com maior prevalência 
em crianças, conforme Michel (2020): distrofia muscular de Duchenne 
(DMD) e a distrofia muscular de Becker (DMB). Sendo a primeira de 6,30 
por 100 mil habitantes e segunda 2,40 por 100 mil habitantes).
2.1 Distrofia muscular de Duchenne (DMD)
Doença muscular hereditária mais comum da infância e mais 
grave em crianças. Acontece devido a mutações ligadas ao gene X, 
especificamente no locus Xp 21.2-p21.1, responsável pela produção da 
distrofina. Pode estar associada à mutação do gene codificador para 
a síntese da distrofina, gerando produção de uma distrofina instável, 
rapidamente degradada. Desta forma, há menor produção ou ausência 
da distrofina no sistema musculoesquelético. Segundo Michel (2020), a 
distrofina é um componente proteico importante para o citoesqueleto 
da membrana muscular.
Entre 2 e 3 anos de idade se iniciam os primeiros sinais e sintomas, 
principalmente relacionados à fraqueza dos membros inferiores. A 
partir do exame clínico são: a fraqueza progressiva dos músculos 
proximais (iniciando por glúteos e extensores do quadril); a alteração na 
deambulação e/ou marcha na ponta dos pés e/ou dificuldade para subir 
degraus; presença do sinal de Gowers; pseudo-hipertrofia do músculo 
da panturrilha e reflexos tendinosos profundos preservados são 
comuns na DMD. Ainda conforme Michel (2020), escoliose, deformidade 
do pé equino varo, contraturas articulares e comprometimento da 
musculatura cardíaca são comuns na evolução da DMD.
38
O diagnóstico é realizado a partir da biópsia muscular e análise de exclusão-
duplicação do gene DMD 14. Ao redor dos 10 a 12 anos, as crianças 
não mais realizam a deambulação independente. Aos 15, geralmente 
necessitam de cadeira de rodas. Os principais complicadores da DMD são 
as disfunções respiratórias, devido à fraqueza generalizada da musculatura 
inspiratória ou fraqueza diafragmática seletiva. Geralmente, como descreve 
Michel (2020), as complicações respiratórias e cardiovasculares são as 
causas de óbito ao redor da terceira década de vida.
2.2 Distrofia muscular de Becker (DMB)
Apresentação clínica mais leve em resposta à preservação relativa do 
DNA no gene alterado. Na DMB, a distrofina está presente, porém, em 
níveis alterados. Apresenta caráter recessivo, associado ao cromossomo 
X, sendo os meninos afetados daltônicos (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
Os primeiros sinais ocorrem ao redor dos 5 anos, com evolução 
clínica lenta e maior expectativa de vida. As manifestações clínicas são 
muito semelhantes às da DMD, no entanto, as crianças permanecem 
deambulando até aproximadamente 15 anos de idade e possuem 
expectativa de vida típica. O diagnóstico diferencial entre a DMB e a 
DMD é realizado pela biópsia muscular.
2.3 Avaliação e tratamento DM
Para Korinthenberg (2019), a avaliação fisioterapêutica deve englobar os 
seguintes aspectos:
• Força muscular devido à progressão dela ao longo dos anos (teste 
muscular manual ou dinamometria).
• Amplitude de movimento devido à predisposição de contraturas 
nas articulações do tornozelo, joelho e quadril, além de papel 
importante na deambulação (Goniometria; Radiografia, Teste de 
39
Ober e Thomas, Craig Hospital Inventory of. Environmental Factors – 
CHIEF).
• Fadiga e função respiratória devido à fraqueza inspiratória 
generalizada ou fraqueza diafragmática seletiva (severidade da 
fadiga, espirometria, pico de fluxo da tosse, pressões inspiratórias 
e expiratórias máximas e oximetria de pulso).
• Testes executivos que podem ser cronometrados: teste de sentar e 
levantar; teste de caminhada de 6 minutos; subir e descer degraus; 
Escala de Vignos).
• Conhecer as limitações de mobilidade funcional a partir da 
aplicação dos seguintes instrumentos: North Star Ambulatory 
Assessment; Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI).
• Conhecer as barreiras e os facilitadores envolvidos no processo 
de reabilitação da criança por meio da aplicação dos seguintes 
instrumentos: Pediatric Quality of Life InventoryTM 4.; KIDSCREEN.
A assistência fisioterapêutica tem como objetivo no tratamento da DM 
auxiliar na prevenção de contraturas ou deformidades, diminuir o gasto 
energético excessivo, prevenir quedas, estimular a prática de exercícios, 
orientar e prescrever o uso de órteses e de tecnologia assistiva, acionar 
a rede de apoio estimulando a participação social, a autonomia e 
a expectativa de vida dessa população. Para Korinthenberg (2019), 
evidências científicas consistentes sobre protocolos e intervenções 
utilizadas são escassas.
As intervenções fisioterapêuticas devem estimular habilidades motoras 
e prevenção de encurtamentos musculares e contraturas. A redução 
na amplitude do tornozelo é consequência da redução da elasticidade 
do tecido muscular em consequência da fraqueza do músculo e a sua 
40
substituição por tecido fibroso. A alteração de amplitude de movimento 
causa compensações posturais e funcionais na deambulação.
A prescrição de órteses é fortemente recomendada para crianças com 
DM. A órtese AFO rígida é indicada para o período noturno. Durante 
o dia limita a capacidade de deambulação. Conforme Korinthenberg 
(2019), a KAFO e outros dispositivos para o ortostatismo devem ser 
indicados quando a criança não deambula, porém, não apresenta 
restrições de amplitude de movimento.
O gesso seriado aumenta a resistência de alguns movimentos, 
favorecendo a sobrecarga muscular e maior risco de progressão da 
doença. É indicado quando a órtese não é capaz de manter a amplitude 
de movimento desejada ou quando a cirurgia ortopédica não é indicada.
Ainda segundo Korinthenberg (2019), há grande gasto energético 
durante a deambulação de longas e curtas distâncias nos pacientes 
com DM. Nessa fase, a cadeira de rodas manual ou motorizada deve ser 
indicada com as adaptações necessárias a cada paciente.
O exercício físico não é indicado para crianças com DM por muitos 
profissionais devido à hipótese de que a atividade física favorece a 
instabilidade do sarcolema, influxo de cálcio, aumento da indução 
dos danos musculares e alteração da estrutura muscular de forma 
progressiva. No entanto, as evidências mostram que se realizado de 
forma monitorada e qualificada (sem uso de carga máxima e fases 
excêntricas) o exercício físico pode trazer benefícios a essa população. 
Dois fatores, abordados por Korinthenberg (2019), devem ser 
considerados na prescrição de exercícios físicos para pacientes com DM:
• Nas DMs, sabe-se que as fibras musculares do tipo I, de caráter 
oxidativo e ligadas a trabalhos aeróbicos, ou fibras lentas são 
menos suscetíveis à necrose e menos propensas a se tornarem 
distróficas.
41
• As fibras musculares são plásticas, dependendo dos estímulos 
externos. Desta forma, deve-se considerar exercícios que tenham 
capacidade de estimular a transição de fibras rápidas para lentas 
e/ou deixar essas fibras com caráter metabólico intermediário, o 
que acontece quando a transição é incompleta.
O fisioterapeuta deve considerar cargas e formas de exercícios que 
favoreçam a transição de fibras rápidas para fibras lentas aumentando 
os benefícios dos exercícios e diminuindo os prejuízos. A sugestão é 
que a atividade física deve ser de intensidade moderada (VO2pico ≤ 
65%) e duração máxima de 30 minutos com frequência de 3 a 4 dias por 
semana. As recomendações que existem na literatura, de acordo com 
Korinthenberg(2019), são de exercícios aquáticos e ciclismo.
O treinamento muscular inspiratório e expiratório é controverso e 
sem evidências robustas. É recomendado monitorar a tosse, devido 
à redução da eficácia durante a evolução clínica da DM. Os seguintes 
critérios devem ser seguidos para indicar o uso de estratégias para 
melhora da tosse: sinal de obstrução brônquica; queda no pico de fluxo 
de tosse (de saúde compreender o contexto do indivíduo, sendo a 
funcionalidade e incapacidade resultado da interação com os múltiplos 
fatores. A estrutura da CIF foi adaptada a crianças com deficiência a 
partir da abordagem (MAÏANO et al., 2019).
• Saúde.
• Função.
• Família.
• Diversão.
• Amigos.
• Futuro.
Seis fundamentos estão relacionados ao desenvolvimento infantil de 
acordo com a CIF. As Figuras 2, 3, 4, 5 e 6 mostram os principais aspectos 
envolvidos na avaliação da criança com SD (MAÏANO et al. 2019).
49
Figura 2 – Estrutura e função do corpo (saúde) da criança com 
Síndrome de Down de acordo com a CIF
Fonte: elaborada pela autora.
Figura 3 – Atividade (função) da criança com 
Síndrome de Down de acordo com a CIF
Fonte: elaborada pela autora.
50
Figura 4 – Participação (amigos) da criança com 
Síndrome de Down de acordo com a CIF
Fonte: elaborada pela autora.
Figura 5 – Fatores pessoais (diversão) da criança 
com Síndrome de Down de acordo com a CIF
Fonte: elaborada pela autora.
51
Figura 6 – Fatores ambientais (diversão) da criança com Síndrome 
de Down de acordo com a CIF
Fonte: elaborada pela autora.
Os objetivos fisioterapêuticos em geral no tratamento de crianças com 
diagnóstico de SD são (MAÏANO et al. 2019).
• Melhorar a força muscular.
• Melhorar equilíbrio e o controle postural.
• Incentivar as habilidades motoras grossa e fina.
• Colaborar com a aquisição das atividades de vida diária.
• Favorecer a atividade física nos contextos escolar, esportivo e de 
lazer.
Programas de intervenção precoce utilizam as “janelas de oportunidade” 
do desenvolvimento infantil e benefícios da plasticidade do sistema 
nervoso central. As aquisições das habilidades motoras são adquiridas 
em ritmo menor comparativamente com crianças típicas (MAÏANO et al. 
2019).
52
As intervenções fisioterapêuticas indicadas na literatura para crianças 
com SD são estimulação motoras e sensoriais incluindo uso de 
massagem, “tummy time” e a utilização de tecnologia assistiva quando 
indicado (MAÏANO et al.).
Na Figura 7 está representada a postura “tummy time” ou “tempo 
de barriga”. É o posicionamento do bebê na posição prona por 
determinado período com objetivo de desenvolver progressivamente 
controle motor de cabeça e tronco superior e auxiliar nas trocas 
posturais. Importante salientar que o treino de controle motor deve 
ser prioritário e deve ser realizado com critério devido à instabilidade 
atlanto-axial comum em pacientes com SD nos primeiros meses de vida 
(TUDELLA; FORMIGA, 2021).
Figura 7 – Tummy Time em paciente com diagnóstico com SD
Fonte: Tudella e Formiga (2021, p. 270).
A literatura sugere que a aplicação diária de massagem (10 a 15 
minutos), duas vezes por semana, em bebês com SD auxilia no aumento 
do tônus muscular e melhora da função motora. O treino em esteira 
ergométrica precoce apresenta alto nível de evidência científica na 
53
aquisição de marcha de lactentes. O critério de início é que o paciente 
se mantenha sentado sem apoio por ao menos 30 segundos (TUDELLA; 
FORMIGA, 2021).
Alguns trabalhos relatam sobre os desfechos primários positivos no 
equilíbrio de pacientes infantis com SD a partir de diferentes estratégias 
como plataforma vibratória, fortalecimento muscular e marcha em 
superfícies instáveis. A prevenção de diabetes, osteoporose, obesidade, 
alterações visuais e proprioceptivas tem sido fator de alerta em 
pacientes com SD (MAÏANO et al., 2019).
O treinamento muscular melhora a força muscular proporcionando 
melhora do equilíbrio, da resistência e da agilidade. Atividade física 
aeróbica também é indicado a pacientes com SD proporcionando 
condicionamento cardiovascular e respiratório (MAÏANO et al., 2019).
Uso de faixas e bermudas de Neoprene com objetivo de para favorecer 
o alinhamento biomecânico e o controle postural ainda não tem sua 
eficácia comprovada cientificamente (TUDELLA; FORMIGA, 2021).
Intervenção precoce, otimização do ambiente, inclusão e participação da 
família, prática de atividade física favorecem o desenvolvimento infantil 
de crianças e jovens com SD.
Referências
BEXELIUS, A.; CARLBERG, E. B.; LÖWING, K. Quality of goal setting in pediatric 
rehabilitation—A SMART approach. Child Care Health Dev. 44(6), p. 850-856, 2018.
BULL, M. J. Down Syndrome. N Engl J Med., 382(24), p. 2344-52, 2020.
MAÏANO, C. et al. Do exercise interventions improve balance for children and 
adolescents with down syndrome? A systematic review. Phys Ther., 99(5), p. 507-
518, 2019.
54
MASSETTI, T. et al. Systematic Review of the Main Motor Scales for Clinical 
Assessment of Individuals with down Syndrome. Dev Neurorehabil, 23(1), p. 39-49, 
2020.
TUDELLA, E.; FORMIGA, C. K. M. R. Fisioterapia neuropediátrica: abordagem 
biopsicossocial. Barueri: Manole, 2021.
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BONS ESTUDOS!
	Sumário
	Apresentação da disciplina
	Introdução ao desenvolvimento neuropsicomotor motor e prematuridade.
	Objetivos 
	1. Introdução 
	2. Desenvolvimento cortical típico 
	3. Fatores de risco para o atraso de desenvolvimento infantil
	4. Instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil
	Referências 
	Fisioterapia neurofuncional em crianças e adolescentes com paralisia cerebral
	Objetivos
	1. Introdução 
	2. Diagnóstico 
	3. Classificação funcional (HALLMAN-COOPER; CABRERO, 2021; TUDELLA; FORMIGA, 2021)
	Referências
	Fisioterapia neurofuncional nas paralisias do plexo braquial perinatal e distrofias musculares
	Objetivos
	1. Paralisia do plexo braquial perinatal 
	2. Distrofias musculares 
	Referências 
	Fisioterapia neurofuncional na Síndrome de Down 
	Objetivos
	1. Introdução 
	2. Diagnóstico 
	3. Avaliação fisioterapêutica 
	4. Tratamento fisioterapêutico 
	Referências