Prévia do material em texto
CIMENTOS RESINOSOS E CERÂMICAS Peças indiretas que são feitas fora da boca do paciente e são retidas na superfície dental com cimentos resinosos, que possuem componentes adesivos capazes de ligar dente com prótese. Agentes de cimentação: cimentos convencionais, com adesão mecânica apenas, ou cimentos adesivos, como o ionômero de vidro ou os cimentos resinosos, que possuem adesão entre cimento e dente. —> Os cimentos resinosos são polimerizados, e por isso, tem propriedades mecânicas melhoradas em relação aos cimentos convencionais, como a solubilidade em meio ácido, por exemplo, e maior controle de tempo de trabalho. Eles são cimentos melhorados por resina. Cimentação adesiva: os cimentos convencionais não possuem cimentação adesiva, o que significa que eles não são colados na superfície dental, são apenas encaixados e retidos de forma mecânica. Os cimentos adesivos possuem cimentação adesiva, visto que ele garante adesão ao interagir diretamente com a superfície dental, criando um embricamento entre cimento, dente e peça protética. Cimentos resinosos: são compostos por uma matriz orgânica, partículas inorgânicas, agentes de união que unem matriz com partículas e ativadores ou iniciadores (aminas terciárias, fotoativadores, canforoquinona, TPO…). Os cimentos resinosos possuem viscosidade e carga parecida com as resinas flow, para que ele escoe para dentro da peça protética. —> Propriedades: mais estável e menos solúvel à água e ácidos em relação aos cimentos convencionais, e quase não solubiliza ao longo do tempo, o que significa que se pode colocar um pouco mais de quantidade de cimento na cavidade bucal, visto que ele pode ficar em contato com a saliva. Possui alta resistência à flexão em comparação aos convencionais, sempre acima de 50MPa. Além disso, consegue-se reproduzir radiopacidade, cor e translucidez semelhante aos tecidos dentais duros tornando ele bastante estético, podendo também ajustar essa radiopacidade para ser visível em exames de raio x. É fácil de usar mas não tão fácil de aplicar, visto que deve-se fazer um preparo prévio na superfície dental e na superfície da prótese para garantir adesão. Em casos de cimentos resinosos concenvionais, deve-se fazer condicionamento ácido. Classificação: de acordo com sua interação entre substrato e superfície dental (convencionais ou autoadesivos) ou de acordo com seu sistema de ativação (fotoativados, quimicamente ativados ou dupla ativação). —> Cimentos resinosos convencionais: precisa fazer a preparação da superfície dental com condicionamento ácido e primer, podendo ser fotoativados, quimicamente ativados ou de dupla ativação. Os fotoativados convencionais são parecidos com resina composta, visto que são ativados pela luz e possuem um iniciador na reação. São bastante estáveis à cor (como a resina), bom controle de tempo de trabalho e possibilidade de teste com try-in (massa de glicerina com a mesma cor do cimento para ver qual fica melhor abaixo da peça caso ela seja translúcida). São utilizados em peças nas quais a luz chega, ou seja, peças translúcidas e menores de 2mm. Os quimicamente ativados convencionais vem em duas pastas separadas, uma com a amina terciária ativadora e uma com o peróxido de benzoíla iniciador. São utilizados em peças nas quais a luz não chega, ou seja, peças opacas e maiores de 2,5mm. Os de dupla ativação convencionais possuem duas pastas, uma com amina terciária ativadora e uma com o peróxido de benzoíla iniciador característicos de quimicamente ativados, associados a outros iniciadores como a conforoquinona, BAPO ou TPO em qualquer uma das pastas, característicos de fotoiniciação. Inicialmente, a ativação será química, ao entrar em contato a amina com o peróxido, e depois, pode-se aplicar luz para terminar a polimerização. —> Cimentos resinosos autoadesivos: não precisa fazer condicionamento, pois dentro da composição deste cimento, há monômeros que fazem a interação química com tecidos dentais. Todos os cimentos resinosos autoadesivos são de dupla ativação, possuindo duas pastas, amina e peróxido + canforoquinona/BAPO/TPO. Além disso, possui também o 10-MDP, para que ele consiga se ligar sozinho a superfície dental —> O monômero 10-MDP consegue fazer a limpeza e remoção da lama dentinária e adesão química do cimento com o cálcio da dentina. —> Monômero ácido ligado com o cálcio da dentina após fazer a limpeza. Limitações: os cimentos resinosos tem incompatibilidade química, que significa que muitas vezes eles podem não polimerizar da maneira correta. Por que isso acontece? Pois os cimentos convencionais quimicamente ativados e de dupla ativação precisam ser condicionados com um ácido, porém eles possuem amina terciária, que pode ser inativada com a reação do ácido presente no preparo. A inativação da amina leva a uma falha na polimerização do cimento. Cerâmicas: compostas de materiais inorgânicos e não metálicos, que se submetidas à sinterização (calor extremo), forma-se um sólido. As cerâmicas possuem duas propriedades mecânicas muito relevantes, a resistência e a rigidez, sendo bastante parecida com o esmalte —> Indicado para reforçar a retenção quando há muita perda de estrutura coronária, permitindo reconstrução do dente. —> Cerâmica possui alto módulo de Young (alta rigidez), não se deforma plasticamente (frágil) e possui alta resistência. Dependendo do tipo de cerâmica, as propriedades serão um pouco diferentes. Classificação: as cerâmicas podem ser vítreas (translúcidas e com ótimas propriedades ópticas, frágeis e com baixas propriedades mecânicas), vitrocerâmicas (boas propriedades ópticas e mecânicas), vidros infiltrados (boas propriedades ópticas e mecânicas) ou policristalinas (ótimas propriedades mecânicas e baixas propriedades ópticas). —> Cerâmicas vítreas: produção de peças cerâmicas a partir da sinterização, que permite a modificação de um pó devido a altas temperaturas. Com elas, pode-se formar uma ótima peça estética, porém, ela possui estrutura amorfa, que faz com que ela tenha péssimas propriedades mecânicas. Em materiais amorfos, existe pouca quantidade de cristais, o que faz com que a deixe menos tenaz quando uma trinca está presente. —> O que isso significa? Quando uma trinca se forma, ela vai percorrer por todo o sólido até encontrar um cristal, que impede o crescimento dessa trinca para não se tornar uma fratura. Em cerâmicas amorfas, no caso das vítreas, a baixa quantidade de cristais a torna pouco tenaz quando trincas estão presentes. —> Metalocerâmicas: são uma estrutura metálica ligadas a cerâmicas que recobrem e dão qualidade estética ao material. Nestes materiais, são combinadas a tenacidade do metal e a rigidez e qualidade estética da cerâmica. As cerâmicas vítreas são as aplicadas acima da peça metálica para garantir propriedades estéticas adequadas. —> Vitrocerâmicas: cerâmicas com alto conteúdo cristalino, o que as torna mais resistentes que as vítreas, além de ainda ter boas propriedades estéticas também apesar do aumento do número de cristais. Elas possuem piores propriedades estéticas pois a aplicação não é em formato de estratificação, diferente das vítreas. O dissilicato de lítio é uma vitrocerâmica com boas propriedades estéticas e alto conteúdo cristalino, possuindo boas propriedades mecânicas, principalmente tenacidade quando uma trinca está presente. —> Policristalinas: cerâmicas compostas apenas de cristais, sem fase amorfa. Por isso, esse tipo de cerâmica é extremamente opaco. A mais comum é a zircônia estabilizada por ítreo. Por que esse nome? Pois a zircônia não consegue ficar em formato tetragonal em temperatura ambiente (tetragonal é ainda mais tenaz a trincas), por isso, se usa o óxido de ítreo para segurar a zircônia em forma tetragonal. Com isso, ao começar uma trinca, a zircônia começa a se transformar de cúbica para tetragonal para segurar a trinca e impedir seu desenvolvimento, sendo consequentementesegurada pelo óxido de ítreo. Y-TZP = zircônia estabilizada por ítreo. —> Quanto mais amorfa, melhores as propriedades estéticas e piores as mecânicas por possuirem baixa quantidade de cristais. Quanto mais cristalinas, melhores as propriedades mecânicas e piores as estéticas, pois a alta quantidade de cristais deixa a cerâmica muito opaca e branca. Glazeamento: É um tipo de acabamento feito por meio da aplicação de uma camada de vidros de baixa fusão. Faz-se com cerâmica vítrea pouco resistente (a glaze é uma cerâmica vítrea que faz o acabamento da restauração cerâmica) e ajuda nos defeitos de superfície. Cimentação da cerâmica: seguem todas as mesmas etapas da cimentação do esmalte. • Cerâmicas ácido-sensíveis (cerâmicas vítreas e vitrocerâmicas): conseguem ser condicionada por um ácido fluorídrico 10%. Tem alto conteúdo de estrutura amorfa, e por isso, há uma dissolução seletiva da fase vítrea expondo a sílica da estrutura e criando irregularidade na cerâmica para o cimento entrar e criar adesão entre a cerâmica e o cimento. Seu adesivo é o silano. • Cerâmicas ácido-resistentes (cerâmicas policristalinas - zircônia): não conseguem ser condicionadas com ácido pois ela é muito resistente a qualquer coisa ao redor dela. Com esse tipo de cerâmica, se usa o jateamento, que é um jato de substâncias orgânicas (normalmente óxido de alumínio) que criam a rugosidade da superfície da cerâmica para gerar o embricamento com o cimento. Seu adesivo é um primer especifico para cerâmica. Adesão de cerâmicas: Para cerâmicas ácido-sensiveis, coloca-se o adesivo, o silano, que é um agente de união (monômero bifuncional) que une quimicamente o cimento com a resina. Ele só funciona para cerâmicas ácido- sensiveis pois elas possuem sílica, que é o que se liga com o silano. No caso das ácido-resistentes, não se pode usar o silano já que ela não possui sílica, então, deve-se utilizar o jateamento de substâncias orgânicas e algum primer específico para a cerâmica (totalmente diferente do primer para dentina).