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UNIVERSIDADE VILA VELHA 
ARTES CÊNICAS 
ORIENTADOR: Prof. Marcelo Ferreira 
ALUNO: Everton Bastos Cuzzuol 
 
 
 
Resenha Crítica do Espetáculo “OLIVER, o Andarilho Negro”, do Projeto Teatro 
Áudio Visual, com direção de Peter Serge Butko. (material para análise de 
conceitos de iluminação). 
 
O Espetáculo “OLIVER, o Andarilho Negro” é uma obra livremente inspirada 
no romance O Andarilho das Estrelas, do escritor americano Jack London. É um 
espetáculo que tem como o objetivo principal trabalhar o imaginário do espectador, 
através dos recursos musicais e audiovisuais utilizados em cena. Oliver, o personagem 
principal, é um jovem negro que é acusado de assassinato, preso e condenado à morte. 
Em decorrência a estes acontecimentos, a trama começa então a discorrer sob o olhar 
dos devaneios da imaginação de Oliver, enquanto ele espera a execução da sentença de 
sua morte. 
Quando falamos de luz, devemos lembrar do processo que nos permite 
identificar àquilo que estamos enxergando. A luz é emitida e refletida em uma matéria, 
atinge o nosso sistema ótico, projeta uma imagem invertida em nossa retina e envia, 
através de músculos, impulsos elétricos ao nosso cérebro, para que, enfim, consigamos 
decifrar qualquer imagem. 
Detendo-me neste texto à iluminação do espetáculo (também aos recursos 
audiovisuais), tendo em vista os meus conceitos mais direcionados a este objeto de 
estudo, acredito que a relação entre esses fatores cenográficos e de tecnologias de cena 
foram pensados em conjunto, de maneira que conversam entre si e convergem para a 
compreensão da dramaturgia apresentada no palco. 
Em “OLIVER” começamos o espetáculo com uma voz em off, uma enorme tela 
e uma projeção. Há um prólogo que simula um nascimento e logo a projeção de uma 
pequena cela suja, precária e sombria aparece em cena. Essa composição nos passa o 
sentimento de solidão do jovem negro que está longe da luz do dia, à espera da sua 
sentença de morte, que é representada também junto à luz roxa, que recai sobre o 
personagem que vai sofrendo seus devaneios. O roxo é uma cor que pode ser associada 
à espiritualidade, mistério e misticismo. 
O espetáculo é regido pela imaginação do andarilho, que viaja pelo além-mundo 
e conta com a ajuda dos quatro elementos responsáveis pela ordem natural: água, ar, 
fogo e terra, assumindo diferentes formas e, representados por suas cores de referência: 
verde, azul, vermelho e laranja, respectivamente, que levam o personagem paras as suas 
diferentes aventuras. 
As fantasias criadas pelo diretor Peter Serge Butko trazem essas cores na 
iluminação das características principais dos elementos (como por exemplo o verde, que 
simboliza uma floresta) e também nas imagens projetadas que representam cada um 
destes devaneios (como por exemplo o faraó, onde utiliza tons alaranjados, 
simbolizando o deserto), durante o espetáculo. Tudo isso em consonância com a 
coreografia do ator principal que interage com as projeções gravadas de outros atores. 
Por exemplo, quando é chegado o momento de o ritual de casamento ser apresentado, o 
vermelho toma conta do palco e as composições coreográficas são realizados 
simultaneamente, de modo que os exercícios de corpo caracterizem um ritual de origem 
africana e o vermelho nos remeta à uma fogueira. 
Neste ponto gostaria de destacar a inteligência no uso do jogo de sombras, 
principalmente quando a sombra do ator se mistura, em determinado momento, com 
uma projeção do mesmo, já gravada. É uma verdadeira obra de arte, com um profundo 
estudo dos movimentos e uso de cores monocromáticas pretas e brancas, contrastando 
entre luz e sombra. Usar sombras no teatro é performativo e cria ilusão de ótica aos 
olhos do espectador, por isso a luz é tão importante para a captação informativa 
sensorial da visão, como também como objeto a ser manipulado por nós, de modo que 
obtemos os resultados que pretendemos. 
Além disso, o uso de objetos (como os cocares de seu figurino africano e 
uma caixa usados em determinados momentos) a princípio simples e com informações 
de uso e muito claras são transformados em outras coisas através da iluminação 
incidente sobre eles, atribuindo-lhe outro significado em conjunto a coreografia 
elaborada e o espaço onde acontece a cena. A luz desempenha um papel muito 
importante para o processo de interpretação dos olhares dos espectadores. Com ela é 
possível distinguir formas, estruturas, traços, sombras, cores, entre muitas outras 
características, que não seriam distinguíveis se ela não estivesse lá. 
Em suma, o espetáculo trata do equilíbrio entre o Homem, a Natureza e o 
Místico, e também das relações entre culturas distintas. A direção conseguiu, ao meu 
ver, encontrar um equilíbrio perfeito entre todos estes conceitos ao construir a 
cenográfica do seu espetáculo, usando divinamente os elementos audiovisuais dispostos 
em cena.