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HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Ana Heck 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A história da comunicação é repleta de avanços que moldaram 
profundamente a sociedade. Nesta abordagem, você vai explorar tópicos que 
abrangem o surgimento da imprensa, do telégrafo e do telefone destacando os 
impactos históricos e as implicações que essas mudanças tiveram na forma 
como pessoas se comunicam e entendem o mundo. Bons estudos. 
CONTEXTUALIZANDO 
Ao longo da história, as formas de comunicação passaram por diversas 
revoluções. Uma dessas foi desencadeada pela invenção da prensa de tipos 
móveis por Johannes Gutenberg, em 1450, que teve grande impacto na 
disseminação da informação. 
A partir desse marco histórico, o poder do impresso emergiu como uma 
ferramenta fundamental que permitiu que a informação fosse registrada, 
preservada e compartilhada em escala massiva. 
Da mesma forma, a criação do telégrafo e do telefone trouxeram uma 
nova era de comunicação instantânea, encurtando as distâncias e conectando 
pessoas de maneira rápida e eficiente. 
Mas essas transformações não surgiram sem desafios, pois a informação 
se tornou uma mercadoria, gerando questões sobre o papel dos meios de 
comunicação na sociedade. Neste conteúdo, você vai explorar esses tópicos, 
examinando os impactos históricos e sociais dessas revoluções. 
TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DA PRENSA DE GUTENBERG: IMPACTOS NA 
HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO 
A prensa de tipos móveis criada por Gutenberg pode ser chamada de “a 
tataravó do xerox”. Essa tecnologia permitiu disseminar conhecimento e ideias 
de maneira mais ampla e acessível com facilidade. 
Mas, antes de te falar sobre a criação de Gutenberg, eu preciso explicar 
como estava o mundo naquela época. A escrita continuava sendo usada para 
fins econômicos e religiosos, mas também foi aplicada com fins políticos, 
culturais e sociais desde a Antiguidade até a Idade Média (Dalla Costa, 2020). 
 
 
3 
Era praticada principalmente por uma classe privilegiada de escribas e 
sacerdotes em civilizações como os egípcios, mesopotâmicos, gregos e 
romanos. Ou seja, era restrita. 
Nos séculos V e IV a.C., a Grécia Antiga viveu um período de grande 
florescimento cultural, com destaque para a democracia ateniense e a 
disseminação dos pensamentos de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles. 
A escrita era amplamente praticada e valorizada, foi usada para registrar 
informações históricas, filosóficas e científicas, além de peças teatrais, 
poesia e literatura épica, como a Ilíada e a Odisseia. No entanto, também 
continuava restrita. 
A partir de 27 d.C. a escrita também desempenhou um papel central na 
expansão do Império Romano, era usada para redigir leis, tratados, 
discursos, registros de comércio, correspondências e obras literárias. A 
Queda de Roma 476 d.C. marca o fim da antiguidade, e a decadência das 
cidades fez as pessoas voltarem ao campo, surgindo o feudalismo. 
Começa, então, a Idade Média, período em que houve uma mudança 
significativa nas práticas de escrita e na disseminação do conhecimento. 
Inicialmente, a escrita era predominantemente realizada por monges em 
mosteiros, que copiavam manuscritos à mão em pergaminhos ou papiros. 
Esses eram principalmente obras religiosas, como a Bíblia, e textos filosóficos e 
científicos da antiguidade clássica. A escrita era vista como uma atividade 
sagrada e uma forma de serviço religioso. 
No entanto, ao longo da Idade Média ocorreram transformações sociais 
que afetaram a comunicação, como as Cruzadas. Essas foram uma série de 
expedições realizadas pelos cristãos europeus, entre os séculos XI e XIII, 
formando um canal de comércio, impulsionando o desenvolvimento das cidades 
e da burguesia. 
Durante esse período, a Igreja Católica ganhou poder e ampliou sua 
comunicação buscando catequizar povos do Oriente Médio. Entretanto, a 
restrição de acesso ao conhecimento era utilizada para manter o povo em 
uma posição de submissão perante o poder da Igreja e da monarquia. À época, 
os primeiros livros (como disse antes, feitos à mão) contribuíram para o 
desenvolvimento da linguagem escrita e da representação iconográfica de 
símbolos cristãos. 
 
 
4 
Uma das mudanças mais significativas da Idade Média, no entanto, foi o 
surgimento das universidades nas principais cidades europeias. Essas se 
tornaram centros de aprendizado e produção de conhecimento, e a demanda 
por cópias de textos aumentou. Isso levou ao desenvolvimento de uma nova 
classe de copistas profissionais, conhecidos como "escribas públicos", que 
eram responsáveis por copiar e vender manuscritos. 
A escrita também começou a se expandir para além dos textos 
religiosos. O crescimento do comércio, da administração governamental e das 
práticas jurídicas levou ao surgimento de novas formas de escrita, como 
documentos comerciais, registros contábeis e leis escritas. Essa expansão 
gradual da escrita ajudou a estabelecer uma base para a alfabetização e o 
desenvolvimento de uma cultura escrita mais ampla. 
Na sociedade feudal, a educação era geralmente reservada aos nobres 
e ao clero, e o acesso à leitura era limitado para a maioria das pessoas. Isso 
se devia principalmente à falta de recursos, como livros e mestres disponíveis, 
bem como à ênfase nas atividades agrícolas e no trabalho manual. 
Saiba mais 
Leia o trecho "A Idade Média" (páginas 48 a 51) do livro História 
social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. 
Você deve estar pensando: poxa, mas esse tópico não era sobre a 
prensa? E é! No entanto, eu precisava mostrar como a comunicação vinha sendo 
praticada para que você entendesse como a prensa revolucionou esse cenário. 
Vamos lá! 
No final da Idade Média, ocorreram avanços tecnológicos significativos 
que permitiram que os livros fossem produzidos em massa de maneira rápida 
e acessível, levando ao surgimento da imprensa 1 e à disseminação do 
conhecimento com a invenção da prensa. Ao invés de copiar os livros e 
documentos à mão, as pessoas podiam, então, “imprimir”. 
Essa possibilidade teve impactos profundos na história da comunicação, 
permitindo a difusão de ideias, a democratização do acesso à informação e o 
 
1 No contexto da comunicação, imprensa pode se referir ao conjunto de jornais, revistas e outros 
veículos de notícias impressos, bem como às organizações que produzem e distribuem esses 
materiais. No entanto, nesse momento, o texto se refere ao âmbito da indústria editorial, ao 
conjunto de equipamentos e técnicas utilizados para a produção de materiais impressos, como 
livros, revistas e folhetos. 
 
 
5 
fortalecimento do pensamento crítico. A invenção da prensa de Gutenberg foi 
um marco que desencadeou essa nova era de comunicação. 
No entanto, você precisa saber que algumas técnicas de impressão já 
eram utilizadas na China e no Japão antes disso, mas o método usado era 
diferente do sistema desenvolvido por Gutenberg em 1450. Esses países 
usavam a "impressão em bloco", em que um bloco de madeira entalhado era 
usado para imprimir uma página específica, quase como um carimbo. 
A contribuição de Gutenberg no final da Idade Média, que era um ourives2 
de profissão, destacou-se por dois aspectos: a invenção da máquina 
impressora e o uso de tipos alfabéticos (letras) em vez de ideográficos 
(desenhos, símbolos). O alemão desenvolveu um sistema de impressão 
completo, aprimorando cada etapa do processo e adaptando tecnologias já 
existentes. Gutenberg combinou o uso de tipos móveis de metal com uma prensa 
de parafuso adaptada de moinhos de azeite. 
 
 
Crédito: Dja65/Shutterstock; Daniel/Adobe Stock; Worradirek/Shutterstock. 
Os tipos de móveis eram pequenos blocos metálicos esculpidos em 
relevo, quase como peças de lego, que continham letras, símbolos e áreas de 
espaçamento. Esses blocos eram organizados e montados em placas chamadas 
matrizes. 
Uma vezque a matriz estivesse completa, com todas as letras 
necessárias para formar o texto de uma página, era colocada em uma máquina 
de prensa. Essa aplicava pressão contra folhas de papel, como um grande lego 
com letrinhas formando um carimbo. 
No entanto, comparada aos métodos orientais, tinha algumas vantagens: 
a matriz era montada, e não esculpida, por isso podia ser desmontada e os 
caracteres rearranjados para a impressão de uma nova sequência de páginas; 
 
2 O ourives é responsável por transformar esses metais em belas peças de arte ou joias, 
utilizando técnicas como fundição, soldagem, gravação, polimento e lapidação. 
 
 
6 
e isso também agilizou muito a impressão, essa mudança foi essencial para a 
lucratividade. 
A prensa redefiniu as formas de disseminação do conhecimento e 
desempenhou um papel crucial no florescimento do Renascimento, ao 
possibilitar a circulação de ideias e informações. Foi o início de uma nova era na 
história da comunicação e se tornou um marco fundamental no desenvolvimento 
da impressão e da imprensa (se você leu as notas de rodapé vai entender que 
agora estou falando também da imprensa de notícias). 
Leitura obrigatória 
Leia A prensa de Gutenberg e a primeira revolução na história da 
comunicação (páginas 46 a 63), do livro História social dos meios de 
comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. 
TEMA 2 – O PODER DO IMPRESSO: A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO HISTÓRICA 
O poder do impresso é como uma chama que ilumina o caminho da 
história, permitindo que a informação se espalhe e alcance os cantos mais 
distantes do mundo. No entanto, nesse percurso algumas “sombras” surgiram, 
fique ligado(a)! 
Livros, jornais e revistas foram produzidos em quantidades nunca vistas 
a partir da criação de Gutenberg, tornando-os uma ágil ferramenta para registrar 
eventos, ideias e perspectivas históricas. O impresso se tornou um agente 
de mudança, permitindo a propagação de conhecimentos científicos, filosóficos 
e políticos, influenciando o pensamento humano e contribuindo para moldar o 
curso dos acontecimentos na sociedade. 
A informação passou a transcender fronteiras geográficas e culturais, 
e se tornou a base para compreender o passado e forjar um futuro consciente e 
informado. 
Como você viu no tópico anterior, o fim da Idade Média, a importância e o 
uso do conhecimento da escrita e dos cálculos se expandiram além dos 
mosteiros e das universidades, alcançando o cotidiano do trabalho e a estrutura 
social, especialmente nas áreas do direito e dos negócios (Briggs; Burke, 2004). 
O crescimento do comércio, que começou durante a Baixa Idade Média 
devido às Cruzadas, ganhou ainda mais força na Idade Moderna, e isso 
 
 
7 
aumentou a oferta e a necessidade de meios para divulgar os produtos (a 
publicidade!). Nesse período houve a chegada dos portugueses ao Brasil, e o 
país se tornou uma colônia explorada. 
O início da Idade Moderna, destacado pela conquista de Constantinopla 
pelos turcos otomanos em 1453, introduziu um novo sistema econômico 
baseado no mercantilismo3. Além disso, esse período foi caracterizado por um 
aumento significativo da população urbana (Vainfas, 2014). 
A Reforma Protestante (1517), por exemplo, foi influenciada pelo poder 
do impresso. Era um movimento religioso e social que ocorreu na Europa 
Ocidental liderado por reformadores como Martinho Lutero e João Calvino, entre 
outros, que questionaram as doutrinas e práticas da Igreja Católica Romana da 
época. 
A Reforma teve início em 1517, quando Martinho Lutero, monge e 
professor de teologia alemão, publicou suas famosas 95 Teses. Essas criticavam 
principalmente a venda de indulgências pela Igreja, que prometiam a remissão 
dos pecados em troca de pagamento. Lutero argumentava que a salvação era 
obtida apenas pela fé e graça divina, e não por obras ou rituais religiosos. 
As ideias de Lutero se espalharam rapidamente com o auxílio da 
imprensa de Gutenberg, que permitia a disseminação rápida e ampla de 
panfletos e livros. As traduções da Bíblia para línguas vernáculas também 
contribuíram para que as pessoas pudessem ler e interpretar a palavra de Deus 
por si mesmas, sem depender exclusivamente da autoridade da Igreja – cuja 
publicação era em Latim, e quase ninguém falava ou lia o idioma. 
O movimento enfatizou a importância da educação e da alfabetização, 
levando à fundação de escolas e universidades protestantes. As ideias da 
Reforma foram associadas ao desenvolvimento do individualismo, da 
liberdade religiosa e dos princípios democráticos. 
 
3 Mercantilismo foi uma doutrina econômica que prevaleceu na Europa entre os séculos XVI e 
XVIII. Buscava fortalecer o poder e a riqueza de uma nação por meio do comércio. Seus 
princípios incluíam a promoção de exportações, o estabelecimento de colônias para fornecer 
matérias-primas e mercados, a imposição de tarifas e barreiras comerciais para proteger as 
indústrias nacionais e o incentivo às indústrias manufatureiras. Os governos mercantilistas 
adotavam políticas de intervenção estatal na economia, visando controlar e regular o comércio. 
Suas políticas restritivas foram posteriormente criticadas e superadas pelo desenvolvimento do 
liberalismo econômico. 
 
 
8 
Ao mesmo tempo, o espírito renovador do Renascimento com as novas 
perspectivas do cristianismo enfatizava a importância central do ser humano, 
o que teve efeitos para o trabalho e o comércio. 
A Igreja Católica viu, então, a necessidade de reafirmar e propagar sua 
fé em face do avanço do protestantismo. Por isso, o Papa Gregório XV criou a 
Congregação para a Propagação da Fé (olha a propaganda aí!) com o objetivo 
de coordenar e supervisionar as atividades missionárias da Igreja Católica. Isso 
refletia a preocupação em preservar a influência e propagar a fé Católica em 
um contexto de desafios religiosos e expansão colonial. Essa separação da 
Igreja resultou em conflitos religiosos e guerras em toda a Europa. 
Além disso, a Igreja também proibiu alguns livros. Isso tinha como 
objetivo controlar o acesso à informação e restringir a disseminação de 
ideias consideradas heréticas – que se referem a algo ou alguém que vai contra 
crenças ou dogmas de uma religião. A censura se estendia tanto a obras 
religiosas quanto a literatura secular, sendo aplicada em diversas áreas, como 
teologia, filosofia, política e literatura em geral. E restringir o conhecimento não 
é bacana, concorda?! 
Nesse contexto, pensadores iluministas surgiram defendendo a ideia de 
que a razão e o conhecimento deveriam ser usados para questionar a 
autoridade e os dogmas tradicionais, incluindo a religião e a monarquia 
absolutista. Eles buscavam promover a liberdade individual, os direitos 
humanos, a igualdade, a tolerância religiosa, a separação entre Estado e 
Igreja, a educação universal e o progresso social. Alguns dos filósofos mais 
influentes do Iluminismo foram Voltaire, Montesquieu, Rousseau e Diderot. 
O Iluminismo teve um impacto profundo na formação dos sistemas 
políticos e governamentais modernos. Suas ideias contribuíram para a 
Revolução Americana e a Revolução Francesa, que promoveram a democracia 
e os direitos humanos. O movimento também impulsionou o surgimento da 
Revolução Industrial, impulsionando avanços científicos e tecnológicos. O 
iluminismo foi um grande “motor” de transformações. 
Do ponto de vista da comunicação, as ideias iluministas são a base das 
revoluções, e a comunicação se apresenta tanto como causa quanto como 
consequência dessas propostas. Jornais, panfletos, discursos e até mesmo 
obras de arte são exemplos de formas de comunicação utilizadas para promover 
os ideais e desafiar as representações religiosas e monárquicas. 
 
 
9 
Essa revolta contra o absolutismo monárquico abriu caminho para a 
conquista da liberdade econômica em relação ao Estado. A conquista também 
desempenhou um papel fundamentalno impulso da comunicação 
publicitária, especialmente em meio ao processo de industrialização. 
TEMA 3 – A IMPRENSA NO BRASIL: UM OLHAR SOBRE SUA HISTÓRIA E 
IMPACTO NA SOCIEDADE 
O surgimento da imprensa no Brasil é como a inauguração de um palco 
onde debates, ideias e críticas podiam ser expressos e compartilhados com o 
público em geral. Aconteceu no período colonial, mais especificamente em 1808, 
com a chegada da Família Real Portuguesa ao país após a fuga de Dom João 
VI de Portugal em função das invasões napoleônicas. O Brasil vivia sob o 
controle da Coroa Portuguesa, que mantinha um monopólio sobre a produção 
de livros e jornais, apesar de haver uma imprensa “clandestina”. 
A sociedade brasileira do período colonial vivia, portanto, na fase da 
comunicação oral e era ágrafa, ou seja, não sabia ler nem escrever. a 
escrita só começou a ser ensinada quando os investidores se 
dedicaram à transmissão dela para qualificar a mão de obra necessária 
aos seus próprios empreendimentos [...]. Exceto isso, ao catequizar 
índios - e, por consequência, destruir todos os seus valores culturais e 
religiosos -, a igreja católica, por meio de suas ordens, organizou 
missões nas quais também os ensinava a escrever, ler e contar. (Dala 
Costa, 2020, p. 67). 
O imperador, quando chegou aqui, decidiu abrir os portos às nações 
amigas, permitindo o comércio direto entre o Brasil e outras nações estrangeiras. 
Nessa época também surgiu o primeiro jornal brasileiro, a "Gazeta do Rio de 
Janeiro", um porta-voz da corte (Dalla Costa, 2020) e de seus interesses para 
manutenção do poder. O periódico foi lançado em 10 de setembro de 1808 e se 
tornou o marco inicial da imprensa no Brasil. Informava sobre acontecimentos 
locais e internacionais, além de divulgar Leis, decretos e notícias de interesse 
público. 
Outros jornais começaram a surgir em diferentes regiões do país. Em 
1821, foi fundado o "Diário Fluminense" no Rio de Janeiro, seguido pelo "Diário 
de Pernambuco", em 1825, que se tornou o jornal mais antigo em circulação na 
América Latina. A informação começou a se espalhar por todo o país. 
Durante o século XIX, a imprensa brasileira desempenhou um papel 
fundamental na difusão de ideias políticas e na luta por independência e 
 
 
10 
abolição da escravidão. Jornais como "Aurora Fluminense" e "Correio 
Paulistano" se destacaram como veículos de resistência e crítica ao sistema 
colonial. 
Ao longo dos anos, a imprensa se diversificou e se modernizou no país. 
Novos jornais foram criados, cobrindo temas variados, como política, economia, 
cultura e esporte. Com o advento da fotografia (que você vai entender melhor no 
próximo capítulo) passou-se a utilizar imagens para complementar as 
reportagens, registrar momentos e atrair leitores(as). 
A partir do século XX, a imprensa enfrentou desafios e passou por 
transformações significativas no Brasil. Houve momentos de censura e 
restrição à liberdade de expressão, especialmente durante o período da 
Ditadura Militar (1964-1985). Mas também teve momentos de grande expansão 
e influência, com o surgimento de grandes jornais, revistas e veículos de 
comunicação. 
A história do surgimento da imprensa no Brasil é marcada por avanços, 
desafios e transformações, refletindo a evolução da sociedade e seu 
compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da informação. 
Além de sua função informativa, a imprensa exerce um importante papel 
na fiscalização do poder público e na promoção da transparência. A 
imprensa também é uma plataforma para debates e discussões sobre questões 
sociais e culturais. Ela amplia vozes e promove a diversidade de opiniões, 
contribuindo para o fortalecimento da democracia. 
A Imprensa no Brasil, ao longo de sua história, moldou e foi moldada pela 
sociedade brasileira. Seu impacto é visível nas transformações políticas, 
econômicas e sociais do país. A partir do jornalismo responsável, ético e 
comprometido, a imprensa continua a desempenhar um papel fundamental na 
formação de uma sociedade informada, engajada e democrática. No entanto, 
você precisa estar atento(a) ao fenômeno das fake news! 
Leitura obrigatória 
Leia A imprensa na história do Brasil (páginas 64 a 74), do livro História 
social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. 
 
 
11 
TEMA 4 – A TRANSFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM MERCADORIA 
Todo novo produto desperta a curiosidade e provoca o desejo dos(as) 
consumidores(as), e com a imprensa produzindo livros e jornais não foi diferente. 
Seja para ficar por dentro das informações ou se entreter, os impressos 
passaram a ser objeto de desejo das pessoas. 
Como você viu, o progresso levou a novos modos de produção e a 
mudanças na organização da sociedade com o fim dos feudos. Nesse 
contexto, o jornal impresso e o livro começaram a ocupar uma função de 
divulgação de novas ideias e debates. 
O chamado "século das luzes" mudou a atitude das pessoas com relação 
à informação pública, e isso deu força aos veículos de comunicação massiva 
como o jornal. Assim, "com o intuito de transformar a notícia e a informação em 
mercadoria capaz de gerar lucro, a empresa jornalística mudou as características 
e profissionalizou o processo de produção de notícias" (Dalla Costa, 2020, p. 
86). 
Com a imprensa, a Europa experimentou sua primeira fase de 
consumo, não apenas porque a imprensa é um meio de comunicação 
para o consumidor, além de uma mercadoria, mas por ter ela ensinado 
aos homens como organizar qualquer outra atividade sobre uma base 
linear e sistemática. Mostrou aos homens como criar exércitos e 
mercados. (Mcluhan citado por Giovannini, 1987). 
Além de ter contribuído de maneira singular para revoluções, o objetivo 
principal da imprensa era o lucro. Os jornais se tornaram, a princípio, um hobbie 
da aristocracia (Dalla Costa, 2020), as publicações ofereciam notícias, crônicas 
sociais, literatura e outros conteúdos de interesse da classe dominante. O 
meio se tornou uma forma de entretenimento e um símbolo de status social, 
uma vez que apenas a elite podia se dar ao luxo de consumir e colecionar essas 
publicações. Dessa forma, os jornais se eram não apenas fontes de informação, 
mas um elemento distintivo da cultura e dos hábitos da aristocracia naquela 
época. 
No entanto, com a chegada da imprensa, a produção de livros, jornais e 
outros materiais impressos gradativamente tornou-se mais rápida e acessível. 
Isso levou a uma mudança fundamental na percepção da informação, que 
passou a ser valorizada como uma mercadoria comercializável. Os livros, por 
exemplo, tornaram-se objetos de desejo e de consumo, com seu conteúdo sendo 
considerado valioso e, muitas vezes, passível de comercialização. 
 
 
12 
Surgem também agências de notícias especializadas, o jornal foi 
reorganizado e surge a linguagem jornalística: imparcial e objetiva. A atividade 
jornalística se encaixa nos moldes capitalistas de produção, e a informação 
passa a ter um valor de mercado associado ao seu conteúdo e à credibilidade 
do veículo. 
E você precisa entender que como mercadoria, a imprensa está sujeita 
às leis da oferta e demanda, e sua produção e conteúdo muitas vezes são 
influenciados pelas forças do mercado. 
Os jornais se tornaram negócios lucrativos, dependendo da venda de 
exemplares e da atração de anunciantes para gerar receita. A partir das 
revoluções, do avanço comercial e da transformação industrial, surge o aumento 
da disponibilidade de produtos e o desenvolvimento de meios de divulgação 
para promovê-los. Os jornais passam a ser diários e vendidos a preços 
acessíveis para alcançar muitas pessoas. 
No Brasil, a criação da imprensa régia estimulou a publicação de anúncios 
impressos. Além disso, a comunicação como uma forma de cultura é proposta 
pela catequização jesuíta, que não foi oferecida gratuitamente aos povos 
indígenas, mas sim em troca de trabalho e da exploração de suas terras(Ribeiro, 
1998). 
A abertura dos portos brasileiros, que ocorreu durante o período colonial, 
impulsionou a comunicação e facilitou a importação de produtos. Os jornais 
nacionais estampavam notícias sobre Portugal, anúncios variados e havia a 
possibilidade de assinaturas. 
No final do século XIX e início do século XX houve um crescimento 
significativo no surgimento de revistas e anúncios publicitários. Esse período 
marcou o desenvolvimento da imprensa especializada, com revistas voltadas 
para diferentes temas, como moda, cultura, esportes, literatura, entre outros. 
As revistas tornaram-se uma forma popular de entretenimento e fonte de 
informação para o público. Elas ofereciam artigos, ensaios, histórias, entrevistas 
e ilustrações que refletiam os interesses e as tendências da época. 
Os anúncios tornaram-se uma ferramenta importante para promover 
produtos e alcançar um público mais amplo. Eles eram encontrados tanto nas 
revistas quanto em outros meios de comunicação, como jornais e cartazes. 
As peças publicitárias da época utilizavam técnicas persuasivas e apelos 
visuais para chamar atenção dos(as) consumidores(as) e promover os produtos. 
 
 
13 
Eles refletiam o contexto social, cultural e econômico do período, além de 
desempenharem um papel importante na disseminação de ideias, tendências e 
valores da sociedade em transformação. 
À medida que o mercado se expandia e a concorrência aumentava, as 
publicações passaram a depender cada vez mais da publicidade para financiar 
suas operações. 
Os anunciantes perceberam o potencial das revistas e jornais para atingir 
um público amplo e diversificado. A publicidade se tornou uma parte 
integrante da indústria da informação, moldando a forma como as notícias e 
o conteúdo eram apresentados. 
Isso tudo reflete a ascensão do capitalismo e a importância crescente do 
consumo na sociedade. Essa dinâmica continua a influenciar o campo da 
comunicação e da mídia até os dias atuais. 
Leitura obrigatória 
Leia A imprensa e a era de ouro dos jornais (páginas 78 a 97), do livro 
História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. 
TEMA 5 – COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA: A EMERGÊNCIA DO TELÉGRAFO 
E DO TELEFONE E SUAS IMPLICAÇÕES 
Da mesma maneira que o alfabeto permitiu que as pessoas se 
comunicassem a partir de palavras escritas, o telégrafo trouxe a capacidade de 
enviar mensagens sonoras a distância, superando as barreiras físicas. Foi como 
se uma nova língua, composta por pontos e traços, permitisse uma comunicação 
rápida e eficiente entre diferentes pontos geográficos. Da mesma forma, o 
telefone trouxe uma nova dimensão para essa linguagem, adicionando a voz 
humana à comunicação. 
O telégrafo permitiu a transmissão rápida de mensagens por meio de 
fios telegráficos, superando as limitações das comunicações anteriores em 
termos de tempo de envio. Pense, por exemplo, que os primeiros jornais e 
revistas eram semanais e tinham um tempo de produção e entrega, e cartas, às 
vezes, demoravam meses para chegar ao destino, o telégrafo transmitia 
mensagens em tempo real. 
O funcionamento do telégrafo envolvia três componentes: a estação 
transmissora, a linha telegráfica e a estação receptora. Na estação 
 
 
14 
transmissora, um operador digitava a mensagem em um teclado, que estava 
conectado a um circuito elétrico. Cada tecla correspondia a um código 
específico, o Código Morse – que recebeu esse nome em função do criador do 
telégrafo e do código, Samuel Morse –, esse consiste em um sistema de pontos 
e traços. Ao pressionar uma tecla, o operador acionava um circuito elétrico, 
enviando um sinal elétrico pela linha telegráfica. 
Figura 1 – Código Morse 
 
Crédito: Akilasaki / Shutterstock. 
A linha telegráfica era um conjunto de fios que conectava a estação 
transmissora à receptora. Esses fios transmitiam os sinais elétricos que eram 
recebidos e decodificados. Um(a) operador(a) na estação receptora observava 
a interrupção e a continuidade dos sinais elétricos e traduzia esses padrões de 
pontos e traços de acordo com o Código Morse. Assim, a mensagem 
originalmente digitada na estação transmissora era reproduzida na estação 
receptora. 
Saiba mais 
Veja um vídeo sobre o Telégrafo e Código Morse do canal do 
YouTube Manual do Mundo. 
 
 
15 
Essa inovação teve implicações profundas, tanto em termos de 
desenvolvimento econômico quanto de comunicação. A emergência do 
telégrafo acelerou o ritmo dos negócios, permitindo transações comerciais mais 
rápidas e eficientes, além de possibilitar a coordenação de atividades em escala 
continental. Também estabeleceu as bases para o desenvolvimento posterior 
das telecomunicações e da comunicação em massa, pavimentando o caminho 
para o mundo hiperconectado que você vive hoje. 
O telégrafo chegou ao Brasil em 1852, ligando a residência do Imperador 
ao quartel general (Costella, 2001). A expansão da rede telegráfica no país foi 
impulsionada principalmente pela necessidade de melhorar as comunicações 
entre as diferentes regiões e facilitar a administração e o comércio. Com o tempo, 
novas linhas telegráficas foram construídas, conectando cidades e capitais 
estaduais. 
O sucesso do aparelho incentivou pesquisadores na busca pelo 
desenvolvimento de um aparelho que pudesse enviar a voz pelos fios 
eletrificados. A invenção do telefone (1876) é atribuída a Alexander Graham 
Bell, um cientista e inventor escocês-americano. 
O funcionamento básico do telefone envolve a conversão das ondas 
sonoras em sinais elétricos que são transmitidos por meio de fios condutores. 
Na extremidade receptora, esses sinais elétricos são convertidos novamente em 
ondas sonoras, permitindo que a voz seja ouvida pelo(a) destinatário(a). 
O telefone se disseminou rapidamente, em 1880 começaram a surgir as 
linhas de grandes distância e a comunicação tornou-se mais imediata e 
pessoal, facilitando a coordenação de negócios, a troca de informações e a 
conexão entre pessoas distantes (Dalla Costa, 2020). 
Ao longo dos anos, o telefone evoluiu tecnologicamente, passando de 
sistemas com fios para a telefonia sem fio, como os telefones celulares. 
Atualmente, os avanços nas telecomunicações e na tecnologia digital permitiram 
o desenvolvimento de uma variedade de dispositivos e aplicativos de 
comunicação, proporcionando opções ainda mais diversas para a troca de 
informações e a conexão entre as pessoas. E, em função disso, hoje você recebe 
todas aquelas ligações de telemarketing. 
 
 
 
 
16 
Leitura obrigatória 
Leia o trecho As novas invenções (páginas 98 a 102), do livro 
História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla 
Costa. 
TROCANDO IDEIAS 
Com base em tudo que você aprendeu nesse conteúdo, responda à 
seguinte questão: “De que forma a invenção da prensa, o surgimento do 
telégrafo e do telefone moldaram a sociedade e influenciaram a forma como 
as pessoas se comunicam até os dias de hoje?”. 
NA PRÁTICA 
Crie um mapa mental com o Mind Meister estipulando as transformações 
sociais, econômicas e da comunicação que são associadas a cada período 
histórico, desde a antiguidade (vista no primeiro capítulo), passando pela Idade 
Média até a Idade Moderna. Veja um tutorial para usar a ferramenta aqui. 
FINALIZANDO 
A partir da história, você pode testemunhar diversas revoluções e 
transformações no campo 090UKda comunicação. Ao analisar as tecnologias 
que permitiram a difusão de ideias, como a prensa, o telégrafo e o telefone, fica 
evidente o papel crucial que essas inovações desempenharam na disseminação 
de informações ao longo dos séculos. 
Nesta abordagem, você explorou os impactos históricos e sociais dessas 
revoluções, refletindo sobre as implicações na forma como as pessoas se 
comunicam e se relacionam com a informação. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BRIGGS, A.; BURKE, P. Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet. 
Rio deJaneiro: J. Zahar, 2004. 
COSTELLA, A. Comunicação do grito ao satélite: história dos meios de 
comunicação. 4. ed. rev. e atual. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2001. 
DALLA COSTA, R. M. C. História social dos meios de comunicação. Curitiba: 
Intersaberes, 2020. 
GIOVANNINI, G. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1987. 
MATTELART, A. Comunicação-mundo: história das ideias e das estratégias. 4. 
ed. Petrópolis: Vozes, 2001. 
RIBEIRO, M. L. S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15. 
ed. Campinas: Autores Associados, 1998. 
VAINFAS, R. História. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 
	CONVERSA INICIAL
	CONTEXTUALIZANDO
	TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DA PRENSA DE GUTENBERG: IMPACTOS NA HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO
	TEMA 2 – O PODER DO IMPRESSO: A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO HISTÓRICA
	TEMA 3 – A IMPRENSA NO BRASIL: UM OLHAR SOBRE SUA HISTÓRIA E IMPACTO NA SOCIEDADE
	TEMA 4 – A TRANSFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM MERCADORIA
	TEMA 5 – COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA: A EMERGÊNCIA DO TELÉGRAFO E DO TELEFONE E SUAS IMPLICAÇÕES
	TROCANDO IDEIAS
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS