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HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO AULA 2 Prof.ª Ana Heck 2 CONVERSA INICIAL A história da comunicação é repleta de avanços que moldaram profundamente a sociedade. Nesta abordagem, você vai explorar tópicos que abrangem o surgimento da imprensa, do telégrafo e do telefone destacando os impactos históricos e as implicações que essas mudanças tiveram na forma como pessoas se comunicam e entendem o mundo. Bons estudos. CONTEXTUALIZANDO Ao longo da história, as formas de comunicação passaram por diversas revoluções. Uma dessas foi desencadeada pela invenção da prensa de tipos móveis por Johannes Gutenberg, em 1450, que teve grande impacto na disseminação da informação. A partir desse marco histórico, o poder do impresso emergiu como uma ferramenta fundamental que permitiu que a informação fosse registrada, preservada e compartilhada em escala massiva. Da mesma forma, a criação do telégrafo e do telefone trouxeram uma nova era de comunicação instantânea, encurtando as distâncias e conectando pessoas de maneira rápida e eficiente. Mas essas transformações não surgiram sem desafios, pois a informação se tornou uma mercadoria, gerando questões sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade. Neste conteúdo, você vai explorar esses tópicos, examinando os impactos históricos e sociais dessas revoluções. TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DA PRENSA DE GUTENBERG: IMPACTOS NA HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO A prensa de tipos móveis criada por Gutenberg pode ser chamada de “a tataravó do xerox”. Essa tecnologia permitiu disseminar conhecimento e ideias de maneira mais ampla e acessível com facilidade. Mas, antes de te falar sobre a criação de Gutenberg, eu preciso explicar como estava o mundo naquela época. A escrita continuava sendo usada para fins econômicos e religiosos, mas também foi aplicada com fins políticos, culturais e sociais desde a Antiguidade até a Idade Média (Dalla Costa, 2020). 3 Era praticada principalmente por uma classe privilegiada de escribas e sacerdotes em civilizações como os egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos. Ou seja, era restrita. Nos séculos V e IV a.C., a Grécia Antiga viveu um período de grande florescimento cultural, com destaque para a democracia ateniense e a disseminação dos pensamentos de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles. A escrita era amplamente praticada e valorizada, foi usada para registrar informações históricas, filosóficas e científicas, além de peças teatrais, poesia e literatura épica, como a Ilíada e a Odisseia. No entanto, também continuava restrita. A partir de 27 d.C. a escrita também desempenhou um papel central na expansão do Império Romano, era usada para redigir leis, tratados, discursos, registros de comércio, correspondências e obras literárias. A Queda de Roma 476 d.C. marca o fim da antiguidade, e a decadência das cidades fez as pessoas voltarem ao campo, surgindo o feudalismo. Começa, então, a Idade Média, período em que houve uma mudança significativa nas práticas de escrita e na disseminação do conhecimento. Inicialmente, a escrita era predominantemente realizada por monges em mosteiros, que copiavam manuscritos à mão em pergaminhos ou papiros. Esses eram principalmente obras religiosas, como a Bíblia, e textos filosóficos e científicos da antiguidade clássica. A escrita era vista como uma atividade sagrada e uma forma de serviço religioso. No entanto, ao longo da Idade Média ocorreram transformações sociais que afetaram a comunicação, como as Cruzadas. Essas foram uma série de expedições realizadas pelos cristãos europeus, entre os séculos XI e XIII, formando um canal de comércio, impulsionando o desenvolvimento das cidades e da burguesia. Durante esse período, a Igreja Católica ganhou poder e ampliou sua comunicação buscando catequizar povos do Oriente Médio. Entretanto, a restrição de acesso ao conhecimento era utilizada para manter o povo em uma posição de submissão perante o poder da Igreja e da monarquia. À época, os primeiros livros (como disse antes, feitos à mão) contribuíram para o desenvolvimento da linguagem escrita e da representação iconográfica de símbolos cristãos. 4 Uma das mudanças mais significativas da Idade Média, no entanto, foi o surgimento das universidades nas principais cidades europeias. Essas se tornaram centros de aprendizado e produção de conhecimento, e a demanda por cópias de textos aumentou. Isso levou ao desenvolvimento de uma nova classe de copistas profissionais, conhecidos como "escribas públicos", que eram responsáveis por copiar e vender manuscritos. A escrita também começou a se expandir para além dos textos religiosos. O crescimento do comércio, da administração governamental e das práticas jurídicas levou ao surgimento de novas formas de escrita, como documentos comerciais, registros contábeis e leis escritas. Essa expansão gradual da escrita ajudou a estabelecer uma base para a alfabetização e o desenvolvimento de uma cultura escrita mais ampla. Na sociedade feudal, a educação era geralmente reservada aos nobres e ao clero, e o acesso à leitura era limitado para a maioria das pessoas. Isso se devia principalmente à falta de recursos, como livros e mestres disponíveis, bem como à ênfase nas atividades agrícolas e no trabalho manual. Saiba mais Leia o trecho "A Idade Média" (páginas 48 a 51) do livro História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. Você deve estar pensando: poxa, mas esse tópico não era sobre a prensa? E é! No entanto, eu precisava mostrar como a comunicação vinha sendo praticada para que você entendesse como a prensa revolucionou esse cenário. Vamos lá! No final da Idade Média, ocorreram avanços tecnológicos significativos que permitiram que os livros fossem produzidos em massa de maneira rápida e acessível, levando ao surgimento da imprensa 1 e à disseminação do conhecimento com a invenção da prensa. Ao invés de copiar os livros e documentos à mão, as pessoas podiam, então, “imprimir”. Essa possibilidade teve impactos profundos na história da comunicação, permitindo a difusão de ideias, a democratização do acesso à informação e o 1 No contexto da comunicação, imprensa pode se referir ao conjunto de jornais, revistas e outros veículos de notícias impressos, bem como às organizações que produzem e distribuem esses materiais. No entanto, nesse momento, o texto se refere ao âmbito da indústria editorial, ao conjunto de equipamentos e técnicas utilizados para a produção de materiais impressos, como livros, revistas e folhetos. 5 fortalecimento do pensamento crítico. A invenção da prensa de Gutenberg foi um marco que desencadeou essa nova era de comunicação. No entanto, você precisa saber que algumas técnicas de impressão já eram utilizadas na China e no Japão antes disso, mas o método usado era diferente do sistema desenvolvido por Gutenberg em 1450. Esses países usavam a "impressão em bloco", em que um bloco de madeira entalhado era usado para imprimir uma página específica, quase como um carimbo. A contribuição de Gutenberg no final da Idade Média, que era um ourives2 de profissão, destacou-se por dois aspectos: a invenção da máquina impressora e o uso de tipos alfabéticos (letras) em vez de ideográficos (desenhos, símbolos). O alemão desenvolveu um sistema de impressão completo, aprimorando cada etapa do processo e adaptando tecnologias já existentes. Gutenberg combinou o uso de tipos móveis de metal com uma prensa de parafuso adaptada de moinhos de azeite. Crédito: Dja65/Shutterstock; Daniel/Adobe Stock; Worradirek/Shutterstock. Os tipos de móveis eram pequenos blocos metálicos esculpidos em relevo, quase como peças de lego, que continham letras, símbolos e áreas de espaçamento. Esses blocos eram organizados e montados em placas chamadas matrizes. Uma vezque a matriz estivesse completa, com todas as letras necessárias para formar o texto de uma página, era colocada em uma máquina de prensa. Essa aplicava pressão contra folhas de papel, como um grande lego com letrinhas formando um carimbo. No entanto, comparada aos métodos orientais, tinha algumas vantagens: a matriz era montada, e não esculpida, por isso podia ser desmontada e os caracteres rearranjados para a impressão de uma nova sequência de páginas; 2 O ourives é responsável por transformar esses metais em belas peças de arte ou joias, utilizando técnicas como fundição, soldagem, gravação, polimento e lapidação. 6 e isso também agilizou muito a impressão, essa mudança foi essencial para a lucratividade. A prensa redefiniu as formas de disseminação do conhecimento e desempenhou um papel crucial no florescimento do Renascimento, ao possibilitar a circulação de ideias e informações. Foi o início de uma nova era na história da comunicação e se tornou um marco fundamental no desenvolvimento da impressão e da imprensa (se você leu as notas de rodapé vai entender que agora estou falando também da imprensa de notícias). Leitura obrigatória Leia A prensa de Gutenberg e a primeira revolução na história da comunicação (páginas 46 a 63), do livro História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. TEMA 2 – O PODER DO IMPRESSO: A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO HISTÓRICA O poder do impresso é como uma chama que ilumina o caminho da história, permitindo que a informação se espalhe e alcance os cantos mais distantes do mundo. No entanto, nesse percurso algumas “sombras” surgiram, fique ligado(a)! Livros, jornais e revistas foram produzidos em quantidades nunca vistas a partir da criação de Gutenberg, tornando-os uma ágil ferramenta para registrar eventos, ideias e perspectivas históricas. O impresso se tornou um agente de mudança, permitindo a propagação de conhecimentos científicos, filosóficos e políticos, influenciando o pensamento humano e contribuindo para moldar o curso dos acontecimentos na sociedade. A informação passou a transcender fronteiras geográficas e culturais, e se tornou a base para compreender o passado e forjar um futuro consciente e informado. Como você viu no tópico anterior, o fim da Idade Média, a importância e o uso do conhecimento da escrita e dos cálculos se expandiram além dos mosteiros e das universidades, alcançando o cotidiano do trabalho e a estrutura social, especialmente nas áreas do direito e dos negócios (Briggs; Burke, 2004). O crescimento do comércio, que começou durante a Baixa Idade Média devido às Cruzadas, ganhou ainda mais força na Idade Moderna, e isso 7 aumentou a oferta e a necessidade de meios para divulgar os produtos (a publicidade!). Nesse período houve a chegada dos portugueses ao Brasil, e o país se tornou uma colônia explorada. O início da Idade Moderna, destacado pela conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, introduziu um novo sistema econômico baseado no mercantilismo3. Além disso, esse período foi caracterizado por um aumento significativo da população urbana (Vainfas, 2014). A Reforma Protestante (1517), por exemplo, foi influenciada pelo poder do impresso. Era um movimento religioso e social que ocorreu na Europa Ocidental liderado por reformadores como Martinho Lutero e João Calvino, entre outros, que questionaram as doutrinas e práticas da Igreja Católica Romana da época. A Reforma teve início em 1517, quando Martinho Lutero, monge e professor de teologia alemão, publicou suas famosas 95 Teses. Essas criticavam principalmente a venda de indulgências pela Igreja, que prometiam a remissão dos pecados em troca de pagamento. Lutero argumentava que a salvação era obtida apenas pela fé e graça divina, e não por obras ou rituais religiosos. As ideias de Lutero se espalharam rapidamente com o auxílio da imprensa de Gutenberg, que permitia a disseminação rápida e ampla de panfletos e livros. As traduções da Bíblia para línguas vernáculas também contribuíram para que as pessoas pudessem ler e interpretar a palavra de Deus por si mesmas, sem depender exclusivamente da autoridade da Igreja – cuja publicação era em Latim, e quase ninguém falava ou lia o idioma. O movimento enfatizou a importância da educação e da alfabetização, levando à fundação de escolas e universidades protestantes. As ideias da Reforma foram associadas ao desenvolvimento do individualismo, da liberdade religiosa e dos princípios democráticos. 3 Mercantilismo foi uma doutrina econômica que prevaleceu na Europa entre os séculos XVI e XVIII. Buscava fortalecer o poder e a riqueza de uma nação por meio do comércio. Seus princípios incluíam a promoção de exportações, o estabelecimento de colônias para fornecer matérias-primas e mercados, a imposição de tarifas e barreiras comerciais para proteger as indústrias nacionais e o incentivo às indústrias manufatureiras. Os governos mercantilistas adotavam políticas de intervenção estatal na economia, visando controlar e regular o comércio. Suas políticas restritivas foram posteriormente criticadas e superadas pelo desenvolvimento do liberalismo econômico. 8 Ao mesmo tempo, o espírito renovador do Renascimento com as novas perspectivas do cristianismo enfatizava a importância central do ser humano, o que teve efeitos para o trabalho e o comércio. A Igreja Católica viu, então, a necessidade de reafirmar e propagar sua fé em face do avanço do protestantismo. Por isso, o Papa Gregório XV criou a Congregação para a Propagação da Fé (olha a propaganda aí!) com o objetivo de coordenar e supervisionar as atividades missionárias da Igreja Católica. Isso refletia a preocupação em preservar a influência e propagar a fé Católica em um contexto de desafios religiosos e expansão colonial. Essa separação da Igreja resultou em conflitos religiosos e guerras em toda a Europa. Além disso, a Igreja também proibiu alguns livros. Isso tinha como objetivo controlar o acesso à informação e restringir a disseminação de ideias consideradas heréticas – que se referem a algo ou alguém que vai contra crenças ou dogmas de uma religião. A censura se estendia tanto a obras religiosas quanto a literatura secular, sendo aplicada em diversas áreas, como teologia, filosofia, política e literatura em geral. E restringir o conhecimento não é bacana, concorda?! Nesse contexto, pensadores iluministas surgiram defendendo a ideia de que a razão e o conhecimento deveriam ser usados para questionar a autoridade e os dogmas tradicionais, incluindo a religião e a monarquia absolutista. Eles buscavam promover a liberdade individual, os direitos humanos, a igualdade, a tolerância religiosa, a separação entre Estado e Igreja, a educação universal e o progresso social. Alguns dos filósofos mais influentes do Iluminismo foram Voltaire, Montesquieu, Rousseau e Diderot. O Iluminismo teve um impacto profundo na formação dos sistemas políticos e governamentais modernos. Suas ideias contribuíram para a Revolução Americana e a Revolução Francesa, que promoveram a democracia e os direitos humanos. O movimento também impulsionou o surgimento da Revolução Industrial, impulsionando avanços científicos e tecnológicos. O iluminismo foi um grande “motor” de transformações. Do ponto de vista da comunicação, as ideias iluministas são a base das revoluções, e a comunicação se apresenta tanto como causa quanto como consequência dessas propostas. Jornais, panfletos, discursos e até mesmo obras de arte são exemplos de formas de comunicação utilizadas para promover os ideais e desafiar as representações religiosas e monárquicas. 9 Essa revolta contra o absolutismo monárquico abriu caminho para a conquista da liberdade econômica em relação ao Estado. A conquista também desempenhou um papel fundamentalno impulso da comunicação publicitária, especialmente em meio ao processo de industrialização. TEMA 3 – A IMPRENSA NO BRASIL: UM OLHAR SOBRE SUA HISTÓRIA E IMPACTO NA SOCIEDADE O surgimento da imprensa no Brasil é como a inauguração de um palco onde debates, ideias e críticas podiam ser expressos e compartilhados com o público em geral. Aconteceu no período colonial, mais especificamente em 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa ao país após a fuga de Dom João VI de Portugal em função das invasões napoleônicas. O Brasil vivia sob o controle da Coroa Portuguesa, que mantinha um monopólio sobre a produção de livros e jornais, apesar de haver uma imprensa “clandestina”. A sociedade brasileira do período colonial vivia, portanto, na fase da comunicação oral e era ágrafa, ou seja, não sabia ler nem escrever. a escrita só começou a ser ensinada quando os investidores se dedicaram à transmissão dela para qualificar a mão de obra necessária aos seus próprios empreendimentos [...]. Exceto isso, ao catequizar índios - e, por consequência, destruir todos os seus valores culturais e religiosos -, a igreja católica, por meio de suas ordens, organizou missões nas quais também os ensinava a escrever, ler e contar. (Dala Costa, 2020, p. 67). O imperador, quando chegou aqui, decidiu abrir os portos às nações amigas, permitindo o comércio direto entre o Brasil e outras nações estrangeiras. Nessa época também surgiu o primeiro jornal brasileiro, a "Gazeta do Rio de Janeiro", um porta-voz da corte (Dalla Costa, 2020) e de seus interesses para manutenção do poder. O periódico foi lançado em 10 de setembro de 1808 e se tornou o marco inicial da imprensa no Brasil. Informava sobre acontecimentos locais e internacionais, além de divulgar Leis, decretos e notícias de interesse público. Outros jornais começaram a surgir em diferentes regiões do país. Em 1821, foi fundado o "Diário Fluminense" no Rio de Janeiro, seguido pelo "Diário de Pernambuco", em 1825, que se tornou o jornal mais antigo em circulação na América Latina. A informação começou a se espalhar por todo o país. Durante o século XIX, a imprensa brasileira desempenhou um papel fundamental na difusão de ideias políticas e na luta por independência e 10 abolição da escravidão. Jornais como "Aurora Fluminense" e "Correio Paulistano" se destacaram como veículos de resistência e crítica ao sistema colonial. Ao longo dos anos, a imprensa se diversificou e se modernizou no país. Novos jornais foram criados, cobrindo temas variados, como política, economia, cultura e esporte. Com o advento da fotografia (que você vai entender melhor no próximo capítulo) passou-se a utilizar imagens para complementar as reportagens, registrar momentos e atrair leitores(as). A partir do século XX, a imprensa enfrentou desafios e passou por transformações significativas no Brasil. Houve momentos de censura e restrição à liberdade de expressão, especialmente durante o período da Ditadura Militar (1964-1985). Mas também teve momentos de grande expansão e influência, com o surgimento de grandes jornais, revistas e veículos de comunicação. A história do surgimento da imprensa no Brasil é marcada por avanços, desafios e transformações, refletindo a evolução da sociedade e seu compromisso com a liberdade de expressão e a democratização da informação. Além de sua função informativa, a imprensa exerce um importante papel na fiscalização do poder público e na promoção da transparência. A imprensa também é uma plataforma para debates e discussões sobre questões sociais e culturais. Ela amplia vozes e promove a diversidade de opiniões, contribuindo para o fortalecimento da democracia. A Imprensa no Brasil, ao longo de sua história, moldou e foi moldada pela sociedade brasileira. Seu impacto é visível nas transformações políticas, econômicas e sociais do país. A partir do jornalismo responsável, ético e comprometido, a imprensa continua a desempenhar um papel fundamental na formação de uma sociedade informada, engajada e democrática. No entanto, você precisa estar atento(a) ao fenômeno das fake news! Leitura obrigatória Leia A imprensa na história do Brasil (páginas 64 a 74), do livro História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. 11 TEMA 4 – A TRANSFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM MERCADORIA Todo novo produto desperta a curiosidade e provoca o desejo dos(as) consumidores(as), e com a imprensa produzindo livros e jornais não foi diferente. Seja para ficar por dentro das informações ou se entreter, os impressos passaram a ser objeto de desejo das pessoas. Como você viu, o progresso levou a novos modos de produção e a mudanças na organização da sociedade com o fim dos feudos. Nesse contexto, o jornal impresso e o livro começaram a ocupar uma função de divulgação de novas ideias e debates. O chamado "século das luzes" mudou a atitude das pessoas com relação à informação pública, e isso deu força aos veículos de comunicação massiva como o jornal. Assim, "com o intuito de transformar a notícia e a informação em mercadoria capaz de gerar lucro, a empresa jornalística mudou as características e profissionalizou o processo de produção de notícias" (Dalla Costa, 2020, p. 86). Com a imprensa, a Europa experimentou sua primeira fase de consumo, não apenas porque a imprensa é um meio de comunicação para o consumidor, além de uma mercadoria, mas por ter ela ensinado aos homens como organizar qualquer outra atividade sobre uma base linear e sistemática. Mostrou aos homens como criar exércitos e mercados. (Mcluhan citado por Giovannini, 1987). Além de ter contribuído de maneira singular para revoluções, o objetivo principal da imprensa era o lucro. Os jornais se tornaram, a princípio, um hobbie da aristocracia (Dalla Costa, 2020), as publicações ofereciam notícias, crônicas sociais, literatura e outros conteúdos de interesse da classe dominante. O meio se tornou uma forma de entretenimento e um símbolo de status social, uma vez que apenas a elite podia se dar ao luxo de consumir e colecionar essas publicações. Dessa forma, os jornais se eram não apenas fontes de informação, mas um elemento distintivo da cultura e dos hábitos da aristocracia naquela época. No entanto, com a chegada da imprensa, a produção de livros, jornais e outros materiais impressos gradativamente tornou-se mais rápida e acessível. Isso levou a uma mudança fundamental na percepção da informação, que passou a ser valorizada como uma mercadoria comercializável. Os livros, por exemplo, tornaram-se objetos de desejo e de consumo, com seu conteúdo sendo considerado valioso e, muitas vezes, passível de comercialização. 12 Surgem também agências de notícias especializadas, o jornal foi reorganizado e surge a linguagem jornalística: imparcial e objetiva. A atividade jornalística se encaixa nos moldes capitalistas de produção, e a informação passa a ter um valor de mercado associado ao seu conteúdo e à credibilidade do veículo. E você precisa entender que como mercadoria, a imprensa está sujeita às leis da oferta e demanda, e sua produção e conteúdo muitas vezes são influenciados pelas forças do mercado. Os jornais se tornaram negócios lucrativos, dependendo da venda de exemplares e da atração de anunciantes para gerar receita. A partir das revoluções, do avanço comercial e da transformação industrial, surge o aumento da disponibilidade de produtos e o desenvolvimento de meios de divulgação para promovê-los. Os jornais passam a ser diários e vendidos a preços acessíveis para alcançar muitas pessoas. No Brasil, a criação da imprensa régia estimulou a publicação de anúncios impressos. Além disso, a comunicação como uma forma de cultura é proposta pela catequização jesuíta, que não foi oferecida gratuitamente aos povos indígenas, mas sim em troca de trabalho e da exploração de suas terras(Ribeiro, 1998). A abertura dos portos brasileiros, que ocorreu durante o período colonial, impulsionou a comunicação e facilitou a importação de produtos. Os jornais nacionais estampavam notícias sobre Portugal, anúncios variados e havia a possibilidade de assinaturas. No final do século XIX e início do século XX houve um crescimento significativo no surgimento de revistas e anúncios publicitários. Esse período marcou o desenvolvimento da imprensa especializada, com revistas voltadas para diferentes temas, como moda, cultura, esportes, literatura, entre outros. As revistas tornaram-se uma forma popular de entretenimento e fonte de informação para o público. Elas ofereciam artigos, ensaios, histórias, entrevistas e ilustrações que refletiam os interesses e as tendências da época. Os anúncios tornaram-se uma ferramenta importante para promover produtos e alcançar um público mais amplo. Eles eram encontrados tanto nas revistas quanto em outros meios de comunicação, como jornais e cartazes. As peças publicitárias da época utilizavam técnicas persuasivas e apelos visuais para chamar atenção dos(as) consumidores(as) e promover os produtos. 13 Eles refletiam o contexto social, cultural e econômico do período, além de desempenharem um papel importante na disseminação de ideias, tendências e valores da sociedade em transformação. À medida que o mercado se expandia e a concorrência aumentava, as publicações passaram a depender cada vez mais da publicidade para financiar suas operações. Os anunciantes perceberam o potencial das revistas e jornais para atingir um público amplo e diversificado. A publicidade se tornou uma parte integrante da indústria da informação, moldando a forma como as notícias e o conteúdo eram apresentados. Isso tudo reflete a ascensão do capitalismo e a importância crescente do consumo na sociedade. Essa dinâmica continua a influenciar o campo da comunicação e da mídia até os dias atuais. Leitura obrigatória Leia A imprensa e a era de ouro dos jornais (páginas 78 a 97), do livro História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. TEMA 5 – COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA: A EMERGÊNCIA DO TELÉGRAFO E DO TELEFONE E SUAS IMPLICAÇÕES Da mesma maneira que o alfabeto permitiu que as pessoas se comunicassem a partir de palavras escritas, o telégrafo trouxe a capacidade de enviar mensagens sonoras a distância, superando as barreiras físicas. Foi como se uma nova língua, composta por pontos e traços, permitisse uma comunicação rápida e eficiente entre diferentes pontos geográficos. Da mesma forma, o telefone trouxe uma nova dimensão para essa linguagem, adicionando a voz humana à comunicação. O telégrafo permitiu a transmissão rápida de mensagens por meio de fios telegráficos, superando as limitações das comunicações anteriores em termos de tempo de envio. Pense, por exemplo, que os primeiros jornais e revistas eram semanais e tinham um tempo de produção e entrega, e cartas, às vezes, demoravam meses para chegar ao destino, o telégrafo transmitia mensagens em tempo real. O funcionamento do telégrafo envolvia três componentes: a estação transmissora, a linha telegráfica e a estação receptora. Na estação 14 transmissora, um operador digitava a mensagem em um teclado, que estava conectado a um circuito elétrico. Cada tecla correspondia a um código específico, o Código Morse – que recebeu esse nome em função do criador do telégrafo e do código, Samuel Morse –, esse consiste em um sistema de pontos e traços. Ao pressionar uma tecla, o operador acionava um circuito elétrico, enviando um sinal elétrico pela linha telegráfica. Figura 1 – Código Morse Crédito: Akilasaki / Shutterstock. A linha telegráfica era um conjunto de fios que conectava a estação transmissora à receptora. Esses fios transmitiam os sinais elétricos que eram recebidos e decodificados. Um(a) operador(a) na estação receptora observava a interrupção e a continuidade dos sinais elétricos e traduzia esses padrões de pontos e traços de acordo com o Código Morse. Assim, a mensagem originalmente digitada na estação transmissora era reproduzida na estação receptora. Saiba mais Veja um vídeo sobre o Telégrafo e Código Morse do canal do YouTube Manual do Mundo. 15 Essa inovação teve implicações profundas, tanto em termos de desenvolvimento econômico quanto de comunicação. A emergência do telégrafo acelerou o ritmo dos negócios, permitindo transações comerciais mais rápidas e eficientes, além de possibilitar a coordenação de atividades em escala continental. Também estabeleceu as bases para o desenvolvimento posterior das telecomunicações e da comunicação em massa, pavimentando o caminho para o mundo hiperconectado que você vive hoje. O telégrafo chegou ao Brasil em 1852, ligando a residência do Imperador ao quartel general (Costella, 2001). A expansão da rede telegráfica no país foi impulsionada principalmente pela necessidade de melhorar as comunicações entre as diferentes regiões e facilitar a administração e o comércio. Com o tempo, novas linhas telegráficas foram construídas, conectando cidades e capitais estaduais. O sucesso do aparelho incentivou pesquisadores na busca pelo desenvolvimento de um aparelho que pudesse enviar a voz pelos fios eletrificados. A invenção do telefone (1876) é atribuída a Alexander Graham Bell, um cientista e inventor escocês-americano. O funcionamento básico do telefone envolve a conversão das ondas sonoras em sinais elétricos que são transmitidos por meio de fios condutores. Na extremidade receptora, esses sinais elétricos são convertidos novamente em ondas sonoras, permitindo que a voz seja ouvida pelo(a) destinatário(a). O telefone se disseminou rapidamente, em 1880 começaram a surgir as linhas de grandes distância e a comunicação tornou-se mais imediata e pessoal, facilitando a coordenação de negócios, a troca de informações e a conexão entre pessoas distantes (Dalla Costa, 2020). Ao longo dos anos, o telefone evoluiu tecnologicamente, passando de sistemas com fios para a telefonia sem fio, como os telefones celulares. Atualmente, os avanços nas telecomunicações e na tecnologia digital permitiram o desenvolvimento de uma variedade de dispositivos e aplicativos de comunicação, proporcionando opções ainda mais diversas para a troca de informações e a conexão entre as pessoas. E, em função disso, hoje você recebe todas aquelas ligações de telemarketing. 16 Leitura obrigatória Leia o trecho As novas invenções (páginas 98 a 102), do livro História social dos meios de comunicação, de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa. TROCANDO IDEIAS Com base em tudo que você aprendeu nesse conteúdo, responda à seguinte questão: “De que forma a invenção da prensa, o surgimento do telégrafo e do telefone moldaram a sociedade e influenciaram a forma como as pessoas se comunicam até os dias de hoje?”. NA PRÁTICA Crie um mapa mental com o Mind Meister estipulando as transformações sociais, econômicas e da comunicação que são associadas a cada período histórico, desde a antiguidade (vista no primeiro capítulo), passando pela Idade Média até a Idade Moderna. Veja um tutorial para usar a ferramenta aqui. FINALIZANDO A partir da história, você pode testemunhar diversas revoluções e transformações no campo 090UKda comunicação. Ao analisar as tecnologias que permitiram a difusão de ideias, como a prensa, o telégrafo e o telefone, fica evidente o papel crucial que essas inovações desempenharam na disseminação de informações ao longo dos séculos. Nesta abordagem, você explorou os impactos históricos e sociais dessas revoluções, refletindo sobre as implicações na forma como as pessoas se comunicam e se relacionam com a informação. 17 REFERÊNCIAS BRIGGS, A.; BURKE, P. Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet. Rio deJaneiro: J. Zahar, 2004. COSTELLA, A. Comunicação do grito ao satélite: história dos meios de comunicação. 4. ed. rev. e atual. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2001. DALLA COSTA, R. M. C. História social dos meios de comunicação. Curitiba: Intersaberes, 2020. GIOVANNINI, G. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. MATTELART, A. Comunicação-mundo: história das ideias e das estratégias. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. RIBEIRO, M. L. S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15. ed. Campinas: Autores Associados, 1998. VAINFAS, R. História. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. CONVERSA INICIAL CONTEXTUALIZANDO TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DA PRENSA DE GUTENBERG: IMPACTOS NA HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO TEMA 2 – O PODER DO IMPRESSO: A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO HISTÓRICA TEMA 3 – A IMPRENSA NO BRASIL: UM OLHAR SOBRE SUA HISTÓRIA E IMPACTO NA SOCIEDADE TEMA 4 – A TRANSFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM MERCADORIA TEMA 5 – COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA: A EMERGÊNCIA DO TELÉGRAFO E DO TELEFONE E SUAS IMPLICAÇÕES TROCANDO IDEIAS NA PRÁTICA FINALIZANDO REFERÊNCIAS